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Papa: cristão é chamado a comprometer-se com as realidades humanas e sociais

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (22/10/2017), Dia Mundial das Missões, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

“O Evangelho deste domingo nos apresenta um novo face a face entre Jesus e seus opositores. O tema abordado é o do tributo a César: uma pergunta “espinhosa”, sobre se é lícito ou não pagar o imposto ao imperador de Roma, que era submetida à Palestina no tempo de Jesus. As posições eram diferentes. Portanto, a pergunta feita pelos fariseus: É lícito ou não pagar imposto a César? era uma armadilha para o Mestre. De fato, dependendo de como tivesse respondido, ele seria acusado de estar a favor ou contra Roma”, disse o Papa na alocução antes da oração.

O Pontífice ressaltou “que Jesus, também neste caso, responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar uma lição importante, colocando-se acima da polêmica e coalizões opostas”.

Ele diz aos fariseus: Mostrem-me a moeda do imposto. Eles levaram então a moeda a Ele, e Jesus, olhando a moeda, perguntou-lhes: De quem é a figura e inscrição? Os fariseus responderam: De César. Então Jesus conclui: «Pois deem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.»

“Por um lado, intimando a restituir ao imperador o que lhe pertence, Jesus declara que pagar o imposto não é um ato de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro lado, e é aqui Jesus dá um “tapa de luva”, lembrando o primado de Deus, pede para dar ao Senhor da vida do homem e da história o que lhe cabe.”

Segundo o Papa, “a referência à imagem de César, cunhada na moeda, diz que é justo sentir-se plenamente, com direitos e deveres, cidadãos do Estado; mas, simbolicamente, faz pensar na outra imagem impressa em cada homem: a imagem de Deus”.

“Ele é o Senhor de tudo, e nós, que fomos criados “à sua imagem” pertencemos sobretudo a Ele. A partir da pergunta colocada pelos fariseus, Jesus faz uma pergunta mais radical e vital para cada um de nós, uma pergunta que nós podemos nos fazer: a quem pertenço? À família, à cidade, aos amigos, à escola, ao trabalho, à política, ao Estado? Sim, claro. Mas primeiramente, Jesus nos recorda, você pertence a Deus. Esta é a pertença fundamental. É Ele que lhe deu tudo o que você é e o que você tem. Portanto, a nossa vida, podemos e devemos vivê-la todos os dias no reconhecimento dessa nossa pertença fundamental e no reconhecimento do coração para com nosso Pai, que cria cada um de nós individualmente, único, mas sempre segundo a imagem de seu amado Filho, Jesus. É um maravilhoso mistério.”

O Papa disse ainda que “o cristão é chamado a se comprometer concretamente nas realidades humanas e sociais sem contrapor “Deus” e “César”, contrapor Deus e César seria um comportamento fundamentalista. O cristão é chamado a comprometer-se concretamente com as realidades terrenas, iluminando-as com a luz que vem de Deus. A confiança prioritária em Deus e a esperança Nele não levam a uma fuga da realidade, mas sim a trabalhar e dar a Deus o que lhe pertence. É por isso que o fiel olha a realidade futura, a de Deus, para viver a vida terrena em plenitude e responder com coragem aos seus desafios”.

Francisco pediu à Virgem Maria para que “nos ajude a viver sempre de acordo com a imagem de Deus que trazemos em nós, dentro, dando também a nossa contribuição na construção da cidade terrena”.

(MJ)

Santo Evangelho (Mt 16, 21-27)

22º Domingo Comum – Domingo 03/09/2017

Primeira Leitura (Jr 20, 7-9)  
Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 62)

— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!
— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco!/ A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!

— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder./ Vosso amor vale mais do que a vida:/ e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!

— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.

 

Segunda Leitura (Rm 12, 1-2)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 16, 21-27)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
—PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Gregório Magno – Papa e Doutor da Igreja

São Gregório Magno era alguém de senso de dever, de medida e dignidade

Hoje, celebramos a memória deste Magno (Grande) de Cristo: São Gregório I. Nascido em Roma no ano 540, numa família nobre que muito o motivou à vida pública.

Gregório (cujo nome significa “vigilante”), chegou a ser um ótimo prefeito de Roma, pois era desapegado dos próprios interesses devido sua constante renúncia de si mesmo. Atingido pela graça de Deus, São Gregório chegou a vender tudo o que tinha para auxiliar os pobres e a Igreja.

São Bento exercia forte influência na vida de Gregório, por isso, além de ajudar a construir muitos mosteiros, entrou para a vida religiosa do “Ora et Labora”.

Homem certo, no lugar certo, este foi Gregório que era alguém de senso de dever, de medida e dignidade. Além da intensa vida interior, bem percebida quando escreveu sobre o ‘ideal do pastor’:” O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus.”

Com a morte do Papa da época, São Gregório foi o escolhido para “sentar” na Cátedra de Pedro no ano de 590, e assim chefiar com segurança a Igreja num tempo em que o mundo romano passava para o mundo medieval.

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja que conquistou o Céu com 65 anos de idade (no ano 604), deixou marcas em todos os campos, valendo lembrar que na Liturgia há o Canto Gregoriano, o qual eleva os corações a Deus, fonte e autor de toda santidade.

São Gregório Magno, rogai por nós!

Santo Evangelho (Jo 1, 45-51)

São Bartolomeu, apóstolo – Quinta-feira 24/08/2017

Primeira Leitura (Ap 21,9-14)
Leitura do Apocalipse de São João.

9Um anjo falou comigo e disse: “Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro”. 10Então me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade Santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino. 12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 144)

— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos Santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

— Para espalhar vossos prodígios entre os homens, e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração!

— É justo o Senhor em seus caminhos, é Santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

 

Evangelho (Jo 1,45-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

45Filipe encontrou-se com Na­tanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. 46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Nata­nael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Na­ta­nael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bartolomeu

Neste dia, festejamos a santidade de vida de São Bartolomeu, apóstolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na Bíblia é citado com o nome de Natanael (que significa dom de Deus). Os três Evangelhos sinópticos chamam-lhe sempre Bartolomeu ou Bar-Talmay (filho de Talmay em aramaico). Nasceu em Caná da Galiléia, naquela pequena aldeia onde Jesus transformou a água em vinho.

Bartolomeu é modelo para quem quer se deixar conduzir pelo Senhor, pois, assim encontramos no Evangelho de São João: “Filipe vai ter com Natanael e lhe diz: ‘É Jesus, o filho de José de Nazaré’”. Depois de externar sua sinceridade e aproximar-se do Cristo, Bartolomeu ouviu dos lábios do Mestre a sua principal característica: “Eis um verdadeiro israelita no qual não há fingimento” (Jo 1,47).

Pertencente ao número dos doze, São Bartolomeu conviveu com Jesus no tempo da vida pública e pôde contemplar no dia-a-dia o conteúdo de sua própria profissão de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel”. Depois da Paixão, glorificação do Verbo e grande derramamento do Espírito Santo em Pentecostes, conta-nos a Tradição que o apóstolo Bartolomeu teria evangelizado na Índia, passado para a Armênia e, neste local conseguido a conversão do rei Polímio, da esposa e de muitas outras pessoas, isto até deparar-se com invejosos sacerdotes pagãos, os quais martirizaram o santo apóstolo, após o arrancarem a pele, mas não o Céu, pois perseverou até o fim.

São Bartolomeu, rogai por nós!

Ter mais filhos melhora as relações humanas e sociais

Pesquisa do Conselho Pontifício para a Família foi coordenada pelo sociólogo Pierpaolo Donati Lucas Marcolivio

MILÃO, quinta-feira, 31 de maio de 2012 (ZENIT.org) – A família “tradicional” é coisa do passado ou é um elemento-chave para a sobrevivência da sociedade e para o futuro das jovens gerações de todos os tempos? Para responder a esta questão nada trivial, o Conselho Pontifício para a Família articulou uma pesquisa sócio-antropológica própria, que culminou no livro Família: recurso para a sociedade (2011), organizado por Pierpaolo Donati, professor de sociologia na Universidade de Bolonha. O livro foi apresentado ontem à tarde no Congresso Internacional Teológico Pastoral, evento que está antecedendo o Encontro Mundial das Famílias em Milão. A mesa redonda foi aberta pelo subsecretário do Conselho Pontifício para a Família, dom Carlos Simon Vazquez, que destacou o vínculo indissolúvel entre a família e a felicidade que todo homem deseja.
O prelado informou que a pesquisa coordenada pelo professor Donati revela a família como o principal objetivo e anseio entre as gerações mais jovens. Donati explicou que a pesquisa não teve o propósito de “fotografar” a crise da família, nem de confirmar a suposta diminuição da família constituída por um homem e por uma mulher, casados, com dois filhos pelo menos. A pesquisa mostrou que, ainda hoje, esta família tradicional tem um papel fundamental nas aspirações mais profundas dos italianos e é capaz de satisfazer o seu desejo de felicidade, particularmente em situações familiares diferentes (pais separados ou em coabitação, pais com um só filho, etc). Verificou-se que a família tradicional é a mais “satisfatória” e a mais produtiva em termos de “capital humano e social”. Quando se afasta deste modelo, a família perde a capacidade de unir as pessoas e de criar solidariedade. A pesquisa identifica, como um primeiro grupo, as famílias monoparentais, que, devido aos seus problemas cotidianos, se aproxima da mesma situação das pessoas que vivem completamente sós. Nesta tipologia, podem manifestar-se dificuldades graves nas relações sociais. Um segundo grupo é o dos casais sem filhos, que sofrem certa “precariedade relacional”.
“São os filhos que fazem um verdadeiro casal”, explica Donati. Em melhor situação encontra-se o terceiro grupo, dos casais com um só filho, mas eles tendem a superproteger a criança e a se fechar mais, do ponto de vista da interação social. Finalmente, vêm as famílias consideradas tradicionais, compostas de marido e mulher e ao menos dois filhos: são as mais “pró-sociais” e abertas ao mundo exterior, bem como as mais idôneas para transmitir valores. Neste tipo de família, a qualidade de vida é geralmente a melhor: elas são “a principal fonte de capital social”, ressalta Donati. Segundo a pesquisa, há, portanto, dois fatores que tornam uma família “virtuosa”: o casamento e o número de filhos. “O casamento melhora a atitude para com a sociedade, não sendo simplesmente um acordo legal, mas um ritual que conecta o público com a esfera privada”. “Quanto mais filhos, maior a riqueza de relações. Embora muitas vezes as relações entre irmãos não seja excelente, ainda é melhor ter relações difíceis com os próprios irmãos do que ser filho único”. O presidente do Fórum Nacional das Famílias, Francesco Belletti, enfatizou o papel da família como baluarte contra o abuso de poder, um “poder dos sem-poder”, partindo do caso de José e Maria, que mantiveram o filho Jesus a salvo da fúria assassina de Herodes.
Muitas vezes, é justamente a família que leva a sociedade a se reforçar para proteger as reais necessidades dos cidadãos. É o caso das associações de famílias com crianças deficientes. Com frequência, aliás, as famílias se vêem obrigadas a exercer uma “subsidiariedade em sentido inverso”, compensando as deficiências do Estado. Em prol da família há quem faz muito, mas, sem dúvida, pode-se fazer muito mais, disse Belletti. “Protestamos muito pouco contra os padrões negativos do cinema e da TV!”. A última contribuição do evento foi de Giovanna Rossi, professora de sociologia da família na Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão, que ilustrou uma pesquisa feita por ela própria sobre a conciliação trabalho-família. A pesquisa mostra que a demanda por esta conciliação é muito forte, mas, em geral, acaba se diluindo na opção exclusiva pelo trabalho, com a consequente renúncia à família. A escolha de um trabalho de tempo integral por parte de um dos pais e de tempo parcial por parte do outro é considerada ideal para os casais com filhos pequenos, mas, à medida que eles crescem, tende-se a preferir o trabalho de tempo completo para ambos. Diante das várias propostas construtivas para resolver este problema, o caminho a percorrer ainda é “longo e acidentado”, avisa a pesquisadora.

Um Cristão, se não é revolucionário, neste tempo, não é Cristão

Uma reflexão sobre os protestos no Brasil a luz da revolução proposta por Francisco

São Paulo,  26 de Junho de 2013  (Zenit.org)  Alexandre Varela

No discurso aos participantes da Assembleia Diocesana de Roma, na semana passada (17/06/2013), o Santo Padre nos falou sobre a grande Revolução de Cristo, da qual todos devemos participar. Mas por uma incrível “coincidência” (o Espírito sabe das coisas), coincidiu com a onda de protestos aqui no Brasil. E, como não poderia deixar de ser, muitos utilizaram a declaração do Papa apenas como chamado para as passeatas que vimos acontecer nas principais cidades do país.  Mas a verdadeira revolução é muito maior.

“Um cristão, se não é revolucionário, neste tempo, não é cristão” (Papa Francisco)

Essa frase circulou pela internet e serviu de base para muitos discursos inflamados em que, sobretudo os jovens, conclamavam os católicos a saírem às ruas em apoio aos protestos que ocorreram quase diariamente.  E toda essa mobilização tinha um ponto de partida muito justo: o imenso desejo de verdade e justiça dentro do coração de todos nós.  Toda aquela multidão que lotou as ruas do país nestes dias históricos trazia em cada cartaz, em cada palavra de ordem, a esperança de encontrar uma resposta que respondesse a todos estes anseios.  Era, no fundo, um grande grito de milhares de corações desejosos de algo maior.

E justamente por isso, vale a pena contextualizar melhor esta declaração e entender que Francisco nos pedia muito mais do que simplesmente protestar.

“Houve muitos revolucionários na história, tantos, mas nenhum teve a força desta revolução que nos trouxe Jesus: uma revolução para transformar a história, uma revolução que muda em profundidade o coração do homem” (Papa Francisco)

Essa é a verdadeira revolução! Aquela que muda por dentro. E a partir daí, muda o mundo inteiro. A revolução de Cristo é aquela que dá sentido ao vazio que todos sentimos no peito e que tentamos preencher com tantas e tantas distrações, incluindo aquelas ideologias que nos fazem ir às ruas para salvar o mundo, só pra perceber que não salvamos nem a nós mesmos.

Revolução significa mudança de direção. Exatamente o mesmo sentido de outra palavra bem conhecida de todos nós: “Conversão”. A Revolução de Cristo significa Conversão. E se um Cristão não se converte todos os dias, se não é capaz de perceber a presença de Cristo na vida e na realidade, se não se sente tocado por isso, não é Cristão.

Essa é a revolução a partir da qual tudo muda. É por isso que a Igreja Católica é a maior organização de caridade do mundo. É por isso que nossos missionários formam o maior exército de auxílio aos necessitados da África e de diversos campos de refugiados. É por isso que, dentro da sua paróquia, existem tantas pastorais e serviços cuja única função e ajudar o próximo. Não é porque somos bonzinhos. É porque sabemos o verdadeiro valor de cada pessoa. É porque sabemos onde está o verdadeiro sentido da vida e da realidade. E não está nas ideologias, mas em Cristo.

É Cristo que nos tira da mediocridade e nos faz grandes. É Ele que abre nossos olhos para a realidade e para nós mesmos.

É por isso que a Igreja Católica mudou o mundo nestes 2000 anos. Muito mais do que qualquer partido político ou ideologia. Essa é a verdadeira revolução.

Alexandre Varela é catequista de Crisma, coordenador do Vozes Católicas Brasil e, junto com sua esposa, Viviane da Silva, é fundador e editor do blog: O Catequista. (www.ocatequista.com.br).

Santo Evangelho (Mt 4, 1-11)

1º Domingo da Quaresma – Domingo 05/03/2017

Primeira Leitura (Gn 2,7-9; 3,1-7)
Leitura do Livro do Gênesis:

7O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. 8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado. 9E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 3,1A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’” 2E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim nós podemos comer. 3Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele, nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis’”. 4A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. 5Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. 6A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para se alcançar o conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. 7Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 50)

— Piedade, ó Senhor, tende piedade,/ pois pecamos contra vós.
— Piedade, ó Senhor, tende piedade,/ pois pecamos contra vós.

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!/ Na imensidão do vosso amor, purificai-me!/ Lavai-me todo inteiro do pecado,/ e apagai completamente a minha culpa!

— Eu reconheço toda a minha iniquidade,/ o meu pecado está sempre à minha frente./ Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,/ e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

— Criai em mim um coração que seja puro,/ dai-me de novo um espírito decidido./ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,/ nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso!/ Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!

 

Segunda Leitura (Rm 5,12.17-19)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 12Consideremos o seguinte: O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram… 17Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. 18Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida. 19Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 4,1-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” 4Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. 5Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. 7Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” 8Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”. 11Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João José da Cruz – Religioso de vida eremítica 

A profunda fé na Divina Misericórdia fez com que este santo fizesse muito por sua ordem religiosa

O santo de hoje nasceu no século XVII, e muito cedo descobriu seu chamado a uma consagração total. Pensou na vida sacerdotal, mas percebeu que muitos buscavam o sacerdócio somente para obter honras e dignidades.

João José discerniu melhor, e descobriu que Deus o queria um religioso. Assim, partiu para a vida eremítica, segundo a Ordem de São Pedro de Alcântara. Ele viveu uma vida de oração profunda, se alimentando e dormindo somente o necessário. Recebendo a confiança de seus superiores, foi enviado para Piemonte, em Ávila, para começar um novo mosteiro. E de maneira braçal, iniciou a construção.

Com sua perseverança, a Providência Divina e a ajuda do povo, construiu o mosteiro. Recebeu de Deus o dom dos milagres, e muitos o buscavam. João José da Cruz sempre apresentava o Senhor Jesus e levava o povo à oração.

São João José da Cruz, rogai por nós!

Quem é Jesus?

Você sabe

Como foi possível que esse Homem pobre, que vivia em uma cidadezinha de Israel, se tornasse o mais conhecido e amado da história?

Foi um judeu, carpinteiro humilde que só fez o bem, mas foi condenado à morte. Contudo, marcou profundamente a história da humanidade. Alguns O classificam de sábio; outros, de mestre e profeta. Como foi possível que esse homem pobre, que vivia em uma cidade desprezada em Israel, que jamais escreveu um livro, não fez parte da elite, não foi militar, escriba, doutor nem artista, não procurou impor pela força Seus ensinamentos, se tornasse o Homem mais conhecido, mais amado e admirado da história? Por que, ainda hoje, tantas pessoas estão dispostas a segui-Lo, às vezes com o sacrifício da própria vida?

Simplesmente, porque Ele é, de fato, o que afirmava ser. Pelos séculos, milhões de homens e mulheres têm descoberto, por meio de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, alguém infinitamente maior que um mestre ou profeta. Ao escutar e receber Sua mensagem, O reconheceram pelo que Ele é: inteiramente Deus e inteiramente Homem, plenamente Amor e plenamente Verdade. Eles O reconheceram como Salvador, Sua Morte, Sua Ressurreição, Sua mensagem e Sua pessoa lhes deram um novo sentido para viver. Quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificando (cf. 1 Cor 2,1-2).

Jesus é Deus

“Cristo é sobre todos, Deus bendito eternamente” (Rm 9,5). Criador de todas as coisas e Aquele por quem elas subsistem (Cl 1,16.17). Em Seu imenso amor, foi manifesto na carne, revelando-se como Homem: é um grande mistério e uma realidade revelada para nossa salvação e bênção agora e eternamente.

As Sagradas Escrituras declaram que Jesus é Deus:

“No princípio, era Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ele “estava no principio com Deus” (cf. Jo 1,1-2).

O Deus Pai disse a respeito do filho: “Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos” (Hb 1,8). Seus atributos são os mesmos de Deus: É onipresente: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). É onipotente: “Esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fl 3,20-21). É imutável: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13,8). “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9). “É um com o Pai: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30)”.

Observar as obras de Cristo é ver Deus trabalhando, escutar as palavras de Cristo é ouvir a voz do próprio Deus. Isso parece simples. Mas não o é. Considerar o Senhor Jesus como algo menos que Deus, por exemplo, um “mestre da moral”, “um espírito evoluído” ou “o maior benfeitor da humanidade” é afronta do pior grau possível! É não conhecer a Bíblia Sagrada e não ter experiência abissal com Jesus Cristo. “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8,27). “Que dizem os homens ser o filho do homem?” (Mt 16,13). E Simão Pedro, respondendo, disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt. 16,16).

E a multidão dizia: “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia” (Mt 21,11). “Jesus é a Palavra de Deus” (Jo 1,1). “Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap. 19,16).  Diz Santo Agostinho de Hipona: “Se quereis viver piedosa e cristãmente, abraçai-vos a Cristo-Homem e chegareis a Cristo-Deus”. “Cristo-Deus é a pátria para onde vamos e Cristo-Homem é o caminho por onde vamos” (1).

O erudito escritor Giovanni Papini, autor do clássico História de Cristo, escreve: “Milhares de santos por ti sofreram e por ti se extasiaram, mas ao mesmo tempo milhares e milhares de renegadores e de dementes continuaram a esbofetear a tua face sanguinolenta. Justamente por não Te Amarmos suficientemente, temos necessidade de todo o Teu Amor” (2).

A nossa vida só pode ser feliz se vivermos, em Jesus Cristo, uma dimensão eterna de salvação e no amor a Deus e ao próximo! Sua graça e Seu Evangelho é tudo para Seus discípulos.

Padre Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.

As fontes e bases da Doutrina Social da Igreja

Como é a vida em sociedade, ou melhor, como ela deveria ser?

Atenta às necessidades do homem, a Igreja procura orientar essa vivência, de forma que todos possam ter vida plena com justiça, paz, boas condições de trabalho, respeito recíproco e, acima de tudo, dignidade humana. Esses são alguns dos principais temas tratados na Doutrina Social da Igreja.

Nesta semana, o noticias.cancaonova.com inicia uma série de cinco reportagens sobre essa temática, discutindo alguns pontos-chaves da doutrina, como a relação pessoa-sociedade, família, justiça social e trabalho e dignidade humana.

Na primeira reportagem, Evandro Gussi, doutor em Direito do Estado e professor na área de Doutrina Social da Igreja, explica o que é a doutrina e quais são as suas bases. “Desde que há Igreja, há um ensino sobre como nos comportarmos nas relações que nós possuímos na vida humana, as relações sociais”.

Evandro informa que, em fins do século XIX, surge uma novidade que é a Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII. Ela trouxe uma especificidade magisterial, ou seja, o ensino social da Igreja que estava diluído em todo o pensamento católico começou a ganhar um lugar específico nesse ensino que a Igreja traz para o homem.

Princípios básicos

A fonte da Doutrina Social da Igreja tem duas vertentes: a lei natural, que é a capacidade do homem compreender a racionalidade do mundo, e a revelação, ou seja, Deus que se revela ao homem.

Quanto aos princípios nos quais a doutrina se baseia, esses são vários, mas alguns podem ser tidos como principais. O bem comum é um dos destacados por Evandro, que fala também da destinação universal dos bens: o que existe no mundo, em primeiro momento, é destinado a todos, tendo sua conquista submetida ao esforço humano.

Somando esses dois princípios, o professor cita a subsidiariedade (não dar a instâncias maiores o que as menores podem fazer. Exemplo: a educação dos filhos é dever da família, e não do Estado), o da participação (direito e dever de participar nas decisões econômicas, sociais e políticas) e o da solidariedade (ver no outro um outro “eu”).

Doutrina Social da Igreja x ideologia

Não raramente entende-se a Doutrina Social da Igreja como uma ideologia da Igreja. Gussi explicou que há vários significados para a palavra “ideologia”. Considerando aquele comumente utilizado, que faz alusão, por exemplo, à ideologia marxista, Evandro afirma que a doutrina não é ideologia.

“A Doutrina Social da Igreja está no âmbito da Teologia Moral. Na verdade, ela é ensino da Igreja Católica, da mesma forma como a Igreja tem a doutrina sobre os sacramentos, sobre tantos assuntos, temos uma sobre como a pessoa deve se comportar na sociedade”.

Um ponto ressaltado pelo professor é que a doutrina vem da contemplação da realidade, ou seja, a Igreja olha para o que é concreto e não somente para o que ela acha que deveria ser. “Quando a Igreja defende a família, ela percebe que no decorrer da história da pessoa humana o ser humano nunca foi feliz fora da família adequadamente constituída”.

Evandro lembra ainda que todos os Papas desde Leão XIII, que começou esse ensino mais específico, deixam claro que a  Doutrina da Igreja, sobretudo a Doutrina Social da Igreja, não pode ser reduzida a uma ideologia. “A Doutrina Social da Igreja reconhece que há campos onde se possa discutir ideários políticos, sócio-econômicos e assim por diante. Isso está no âmbito da liberdade acadêmica e científica, mas tentar reduzir a doutrina a uma ideologia, qualquer que seja, é destruí-la”.

A doutrina além da religião

Tendo em vista os princípios amplos, que contemplam a defesa do bem comum, da dignidade do homem, reflexões sobre o trabalho e família, por exemplo, a Doutrina Social da Igreja não se restringe aos católicos, embora formulada especificamente pela Igreja Católica.

Para Evandro, esses valores devem influenciar a vida social. Ele acredita que a Igreja foi uma grande contribuinte para o progresso da humanidade.

“A Igreja é perita em humanidade. Ninguém se dedicou a compreender a pessoa humana e essas relações tanto e durante tanto tempo quanto a Igreja Católica. Quando a Igreja fala desses temas, ela não está levando dogmas para a vida civil, mas lançando luzes. (…) É um erro grave dos nossos tempos ter pessoas que, em nome de uma falsa concepção de Estado laico ou de sociedade laica, desprezam este ensino da Igreja”.

Todos esses princípios da Igreja que ajudam a compreender a vida em sociedade estão reunidos no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, lançado pelo Pontifício Conselho da Justiça e Paz em 2004. O documento está disponível gratuitamente no site oficial do Vaticano.

 

Padre comenta vida em sociedade à luz da doutrina social
Segundo padre Joãozinho, é dever do homem ajudar o próximo naquilo que ele não tem condições de fazer

A pessoa é um ser social. Na segunda reportagem da série sobre Doutrina Social da Igreja, o assunto em pauta é a sociabilidade da pessoa humana. A Igreja, através da doutrina, tem uma palavra a dizer sobre a vida em sociedade.

Doutor em Educação, Teologia e Espiritualidade, padre João Carlos Almeida, o padre Joãozinho, scj, desmistifica a visão de muitos de que as igrejas deveriam ficar na dimensão da prece, sem discorrer sobre questões sociais.

“Quem entendeu a dimensão do céu procura transfigurar as coisas da terra (…) Não se pode simplesmente separar a alma para o cuidado das religiões e a sociedade que cuide do corpo. A religião se ocupa de saúde e de salvação, do cuidado desta unidade integral que é a pessoa humana”.

Entendendo, então, a preocupação da Igreja com o ser humano, um dos princípios da Doutrina Social da Igreja é o da sociabilidade humana. Sobre esse princípio, padre Joãozinho reflete que a humanidade é constituída de relações solidárias. “A solidão nos asfixia e nos rouba a identidade original. A santidade é este ‘instinto de comunhão’ que nos provoca a ser-para-o-outro”.

Equilíbrio social

Buscando o estabelecimento de boas relações sociais e a contribuição ao respeito mútuo, a doutrina traz alguns princípios básicos. Para padre Joãozinho, a dignidade humana é o fundamento principal.

O sacerdote explica que a humanidade já cresceu tendo enraizado em si esse princípio, que é um direito inviolável, inalienável e sagrado. “Na base desta dignidade, está o direito à vida. A Doutrina Social da Igreja apresenta os fundamentos para que a Igreja defenda com todas as suas forças a vida da sua concepção ao seu fim natural. Desta raiz, brotam outros princípios básicos: o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade”.

O bem comum, segundo explica o padre, é uma responsabilidade de todos. E a partir dele, vem a questão da destinação universal dos bens, que entende que o acúmulo de riqueza privada só tem sentido se for utilizado em vista da função social do capital.

“Se for apenas para manter interesses mesquinhos, ela provoca empobrecimento e morte. Portanto, a doutrina reconhece o direito humano à propriedade privada, desde que submetida à destinação universal dos bens. Isto significa que a propriedade privada não é um fim em si, mas apenas um meio”, explica.

Outra questão contemplada pela doutrina é a subsidiariedade. A lógica desse princípio é que, sendo a sociedade um corpo, cada um subsidia a fragilidade do outro. “Temos o dever de completar com nosso auxílio o que a fraqueza do irmão não permite que ele faça por si”.

Convívio social e participação

Com todos esses princípios, a Doutrina Social da Igreja dá destaque para a vida em comunidade, considerando-a uma característica natural do homem. Porém, na lógica da vida moderna aparece o individualismo, o que acaba ferindo esse princípio solidário. Nesse contexto, padre Joãozinho cita um paradoxo da modernidade – a internet – que ao mesmo tempo em que une, separa.

“A Internet tornou possível as Redes Sociais. Apesar disso, vemos aquele casal sair para jantar e ficar o tempo todo digitando em seus celulares enquanto os filhos param de pedir atenção aos pais, bajulados não mais pelo bico, mas pelo tablet. Na contramão desta tendência, a doutrina mostra que é preciso favorecer núcleos de comunhão e partilha”.

Como um desses núcleos, o sacerdote cita a família, lugar onde se aprende a viver em sociedade. Além dela, ele elencou o mundo do trabalho e da educação, o universo da política e das organizações sociais.

Em todos esses âmbitos, cada ser está envolvido, uma vez que é parte da sociedade. Isso desperta o questionamento sobre a participação, que também está prevista na doutrina da igreja. Segundo padre Joãozinho, é legítimo que a pessoa reivindique seus direitos. Ele diz que a doutrina reconhece, por exemplo, o direito do trabalhador fazer greve quando esta é um recurso inevitável.

“Afirma-se a legitimidade da pressão exercida por meios pacíficos sobre empregadores, Estado e opinião pública. Porém, torna-se ‘moralmente inaceitável quando é acompanhada de violências ou ainda quando se lhe atribuem objetivos não diretamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum'”.

 

Família é a coluna vertebral da humanidade, diz professor
Felipe Aquino é professor em História da Igreja e defende o estudo da doutrina social  

Definida pelo Papa João Paulo II como o “santuário da vida”. Bento XVI a qualificou como “patrimônio da humanidade”. Considerada o berço da sociedade, a família também é objeto de atenção na Doutrina Social da Igreja.

Nesta terceira reportagem da série especial, o assunto é a família à luz da doutrina. Professor de História da Igreja do Instituto de Teologia Bento XVI, da diocese de Lorena (SP), autor de vários livros sobre doutrina católica e pai de cinco filhos, o professor Felipe Aquino fala da estrutura familiar como a coluna “vertebral da humanidade”.

Segundo os princípios da Doutrina Social da Igreja, a família é a célula vital da sociedade, tendo relevância para a pessoa e, consequentemente, para o ambiente social. “É a instituição humana mais importante que existe. A doutrina social ensina que as outras instituições têm que cuidar da família e respeitá-la”, afirma o professor.

Realidade do século XXI

Ancorada em princípios morais e éticos, a família depende de meios externos para sua sobrevivência. Professor Felipe fala, por exemplo, da subsistência familiar, que envolve a casa para o casal, o salário, assistência médica, segurança e educação.

No contexto atual, marcado por crises econômicas em tantos países, nem sempre todo esse suporte é oferecido, o que implica, segundo Felipe, na impossibilidade da família cumprir sua função de formar membros para a sociedade. “Falta uma vontade política, de certa forma, de privilegiá-la como a instituição mais importante da sociedade”.

Além de questões sociais, há também novos rearranjos familiares: casais sem filhos, mães solteiras, casais homossexuais. Embora respeite quem vive essa realidade, a Igreja não a reconhece como família, explica o professor. “A doutrina ensina que a família é a união de um homem com uma mulher e os filhos. As outras formas de família, alternativas, a doutrina considera como realidades falsas, não são famílias verdadeiras”.

Atuação da Igreja

Diante da importância da família, professor Felipe lembrou que a Igreja não deixa de manifestar sua preocupação com ela, e isso transcende o aspecto espiritual. Ele disse que a Igreja atua com os documentos e também junto às instituições sociais e políticas, pedindo que haja forte atenção com essa que é a base da sociedade.

Como exemplos, Felipe citou o Catecismo da Igreja Católica (CIC), que dedica um capítulo inteiro à Doutrina Social da Igreja. Além disso, há o Compêndio da doutrina, disponível gratuitamente na internet, e os esforços da CNBB em promover a família na sociedade.

O professor defende que o conteúdo da Doutrina Social da Igreja precisa ser do conhecimento popular, pois se trata de uma “receita” que a Igreja dá a luz do Evangelho para que a sociedade viva bem.

“No meio dessa confusão de ideologias e filosofias que existem no mundo, muitas delas adversas ao Evangelho, a Igreja coloca com clareza a posição dela e a de Deus, que instituiu a família e a conhece. Ninguém melhor do que Deus e, consequentemente a Igreja, sabe falar sobre família”.

 

É preciso ter esperança cristã mesmo nas injustiças, destaca bispo
Evandro Gussi é professor de Doutrina Social da Igreja  

Para além do relacionamento social e da proteção da família, enquanto célula vital da sociedade, a Doutrina Social da Igreja também atenta para a justiça e igualdade no ambiente social. A justiça, inclusive, está entre os valores fundamentais para a vida social.

Embora a doutrina traga valores para serem aplicados em prol do bem social, nem sempre eles são concretizados. A generalização de um comportamento que se afasta do que a doutrina recomenda acaba, muitas vezes, desiludindo a sociedade, que passa a não acreditar na possibilidade de uma vida justa e igualitária.

Professor em Doutrina Social da Igreja, Evandro Gussi, que também é doutor em Direito do Estado, explica que essa tendência vem do esquecimento dos valores que a Igreja trouxe para a humanidade. Além disso, falta o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, da igualdade da pessoa humana.

Esse é um quadro que, embora pessimista, pode ser revertido. O bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Pedro Cunha, lembra a necessidade de um otimismo evangélico, de forma que a esperança cristã sempre caminhe com os cristãos.

“Nós entendemos que, muitas vezes, a própria vida política entra em contraste com o aspecto que a Igreja ensina a partir dos seus documentos sociais. Portanto, mesmo em clima de diferença, de dificuldade que encontramos na sociedade não podemos jamais desanimar, pelo contrário, o cristão é chamado a saborear o mundo com a doutrina de Cristo”.

Compromisso cidadão

Em contrapartida à esperança cristã citada pelo bispo, muitas vezes o sentimento diante das injustiças sociais é de revolta, especialmente entre os mais atingidos por esta carência. Evandro lembra, porém, que se por um lado há uma revolta, por outro falta participação do povo na vida política.

“Se eu acho que a ordem política e socioeconômica não está bem organizada, a Igreja nos dá um dever, sobretudo a nós leigos, de interferir positivamente nesta ordem política. Não com revolta, não com ofensa aos direitos dos outros, não com desrespeito à propriedade, mas com uma postura de quem quer construir a civilização do amor”.

E a política, na visão de Dom Pedro, não deve ser vista como um mal, mas sim como um meio de transformação. O individualismo e a indiferença, por exemplo, são classificadas pelo prelado como “pragas” do tempo atual, mas ele reconhece que às vezes acabam sendo um sintoma da perda da esperança na vida política.

O bispo informou que há um trabalho da Igreja, inclusive na arquidiocese do Rio, de preparar os católicos para que entrem na vida política e transformem o que seja necessário para que a sociedade viva a dimensão igualitária. E há também o acompanhamento daqueles cristãos que já se inseriram no meio.

“Acho que esse seria um caminho que faz transformar esse clamor de tantas pessoas por uma transformação social, política e econômica do nosso país”.

Estímulo do Papa Francisco

Se todas essas questões já eram preocupação da Igreja, agora se intensificaram com o Papa Francisco, que desde o início de seu pontificado tem evidenciado a preocupação com os pobres e com a justiça social. Evandro recorda que cada Papa revela um traço do rosto de Cristo e que, no caso de Francisco, o destaque é essa capacidade de comunicação.

“O que no fundo o Papa Francisco tem realizado é essa capacidade de comunicar as verdades de sempre da Igreja e do Evangelho”.

O professor lembra que Francisco vem frisando para as pessoas que o problema do pobre, do outro que passa necessidade não é simplesmente no Estado ou do outro, mas de cada um. “Eu devo abraçar a carne de Cristo naquele que sofre. É isso que o Papa nos ensinou”.

E para colocar esses ensinamentos em prática, Dom Pedro Cunha indica tornar conhecido dos cristãos e da sociedade como um todo os documentos sociais da Igreja. “Formar bem os nossos cristãos para tomar conhecimento dessa grande riqueza, desse arcabouço doutrinário da Igreja”.

 

Trabalho foi feito para o homem e não o contrário, diz especialista
Dom Pedro Stringhini e Prof. Felipe Aquino  

Necessário para a subsistência humana, porém problemático quando exaltado em detrimento das demais relações sociais. Nesta última reportagem da série especial sobre Doutrina Social da Igreja, o tema é a visão cristã do trabalho.

A Igreja sempre viu o trabalho como muito importante, pois foi colocado pelo próprio Deus como meio de redenção. Quem explica é o professor Felipe Aquino, que dá aulas sobre História da Igreja.

Ele destaca as duas finalidades do trabalho, sendo a primeira delas a construção da obra de Deus. “Deus não entregou o mundo pronto pra gente. Deus valoriza o homem quando Ele dá inteligência e as mãos para com isso o homem trabalhar e construir, colocar a sua marca na criação de Deus”. Outra perspectiva é a da redenção, tendo em vista que com o trabalho o homem fica ocupado e não tem desvio para os vícios.

Felipe acrescenta que, desde os primeiros séculos, o trabalho foi visto como importante na vida da Igreja. Os monges beneditinos, por exemplo, dividiam sua vida em duas partes: rezar e trabalhar. Ele explica que foi justamente no contexto da Revolução Industrial que a Igreja iniciou sua doutrina social, com o Papa Leão XIII. Com a Encíclica Rerum Novarum, o então Pontífice pediu a justiça social, incentivando as classes trabalhadoras a defenderem seus direitos justos.

“Nós podemos dizer que a Igreja foi uma das primeiras instituições que levantou essa bandeira da justiça social. Mas ela nunca aceitou o confronto, a luta de classes, a violência”.

Outra relação direta do trabalho é com a dignidade humana. Membro da Comissão para a Caridade, Justiça e Paz da CNBB, Dom Pedro Luís Stringhini diz que o trabalho é a medida da dignidade. “Quem não tem trabalho sente-se ferido em sua dignidade. (…) O desemprego é uma grande chaga, já que o trabalho, como dizia o Papa João Paulo II, é a ‘chave da questão social'”.

Excesso x necessidade

Embora necessário para a dignidade humana, professor Felipe lembra que o homem não foi feito para o trabalho, e sim o contrário. “O homem não pode ser escravo do trabalho. E isso acontece quando ele se torna egoísta e quer se enriquecer demais pelo trabalho e acaba sacrificando sua própria vida, a vida da família, aí é um perigo”.

O perigo é eminente tendo em vista que o trabalho, na verdade, não é um fim, e sim um meio. Mas no contexto atual não é raro encontrar uma inversão de valores, que colocam o trabalho e o dinheiro acima da pessoa humana. Um exemplo disso, segundo Dom Pedro, é a exploração.

“A exploração acontece sempre quando alguém está buscando lucro para si de modo egoísta, e lucro exagerado, pior ainda quando vindo da corrupção”, disse.

Outra questão levantada por alguns é a não-necessidade de trabalhar. A justificativa é o princípio da transitoriedade humana, dizendo que a vida verdadeira é na eternidade. Professor Felipe lembra, porém, que esta vida eterna se prepara aqui no mundo.

“Cada minuto que a gente vive aqui a gente está semeando a eternidade e o trabalho é um desses meios. O trabalho é santificador. A precariedade das coisas exige mais ainda que o homem trabalhe, porque se eu não trabalho eu não consigo vencer essa precariedade”.

Descanso

A Igreja valoriza as férias, o período de descanso para o trabalhador. Mas o conceito de descanso, segundo esclarece Felipe, não é ficar sem fazer nada, e sim mudar de atividade. Ele explica que há a necessidade de sair da rotina de trabalho e ter, por exemplo, mais tempo de lazer e para os filhos.

“O conceito que a Igreja coloca de descanso e de férias não é ociosidade, mas uma mudança de atividade para re-oxigenar a cabeça, o corpo, descansar. O conceito de descanso não é o do ócio, porque o ócio pode levar ao pecado e ao vício. Então, é você se ocupar com outras atividades que levem ao descanso”.

“Fé e medo” disputam o coração do homem

Segunda meditação do Padre Ermes Ronchi, nos exercícios espirituais – OSS_ROM 07/03/2016

Ariccia (RV) – Prosseguem, em Ariccia, nas proximidades de Roma, os exercícios espirituais do Papa com seus colaboradores da Cúria Romana. Depois da primeira meditação, domingo (06/03), na chegada, esta manhã pregador, Padre Ermes Ronchi, propôs como tema o trecho evangélico de Marcos “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”.

O medo é a falta de confiança em Deus

“Medo e fé” – afirmou o religioso servita – são “os antagonistas que disputam eternamente o coração do homem. A Palavra de Deus, do início ao fim da Bíblia, conforta e insiste: não temeis, não tenhais medo!”. “O medo não é tanto a falta de coragem, mas a falta de confiança. O medo de Deus é porque temos uma imagem errada Dele, como Adão e Eva que creem que num “Deus que tira e não num Deus que ama”:

“Creem num Deus que rouba liberdade, ao invés de dar possibilidades; creem num Deus a quem interesse mais a lei do que a alegria de seus filhos; num Deus que julga, do qual fugir e não correr atrás; um Deus, no fundo, de quem não se deve confiar. O primeiro de todos os pecados é o pecado contra a fé”.

Deus não nos salva da cruz, mas na cruz

Citando o teólogo luterano alemão Bonhoeffer, Padre Ronchi disse que “Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento, não protege da dor, mas na dor, não salva da cruz, mas na cruz. Deus não traz a solução de nossos problemas, traz a si mesmo e doando-se, nos da tudo. Pensávamos que o Evangelho resolveria os problemas do mundo ou pelo menos reduziria as violências e as crises da história, mas não é assim. Ao contrário, o Evangelho trouxe consigo a negação, as perseguições e outras cruzes; por exemplo, pensemos nas 4 religiosas mortas em Aden”.

“Jesus – observou o pregador – nos ensina que existe um único modo para derrotar o medo: a fé!. E a missão da Igreja, também em seu interno – é liberar do medo que nos leva a vestir máscaras diferentes com os nossos parente, colegas e superiores. Quem transmite a fé deve educar a não ter medo, não incutir medo e libertar do medo”:

A Igreja e a fé mesclada com o medo

“Por muito tempo, a Igreja transmitiu uma fé mesclada de medo, que rodava ao redor do paradigma culpa/ castigo, e não de florescimento e plenitude. O medo nasceu em Adão porque ele não soube imaginar a misericórdia e seu fruto, que é a alegria. O medo, por sua vez, produz um cristianismo triste, um Deus sem alegria. Libertar do medo significa trabalhar para retirar o véu de medo do coração de tantas pessoas: o medo do outro, o medo do estrangeiro. Passar da hostilidade, que pode ser instintiva, à hospitalidade; da xenofobia à xenofilia… e libertar os fiéis do medo de Deus, ser anjos que libertam do medo”. (CM)

Adão e Eva existiram de verdade?

Muitos tem dúvidas  se Adão e Eva existiram realmente

Os primeiros homens de que fala o Gênesis podem muito bem ter sido rudimentares, como mostram os indícios dos fósseis da pré-história. As ideias religiosas de Adão poderão ter sido puras, mas sob a forma de intuições concretas como dos povos primitivos e das crianças; não se tratava de altos conhecimentos teológicos.

Adão (= Adam, homem) e Eva (=Mãe dos viventes) representam o ser humano criado por Deus. São tão reais quanto é real o gênero humano. Deus se apresentou ao homem nas suas origens, ao homem real e não a um ser fictício. Eles existiram de fato; foram os primeiros seres humanos que receberam de Deus uma alma imortal.

Adão e Eva não são nomes próprios

Por outro lado, Adão e Eva não são nomes próprios como João, Pedro e Maria o são. Então, não necessariamente representam apenas o primeiro casal de humanos, mas os primeiros humanos. São nomes de origem hebraica que significam apenas “homem” e “mulher”. Por isso, a Igreja deixa para o estudo dos cientistas mostrar como os seres humanos surgiram trazidos por Deus; se de apenas um casal (monogenismo) ou de vários casais de um mesmo tronco (poligenismo). O que a Igreja não aceita é que a humanidade tenha surgido, ao mesmo tempo, de vários troncos, em lugares diferentes.

Então o que a Bíblia quer nos ensinar?

O Gênesis, em seus três primeiros capítulos, usa de linguagem figurada para revelar verdades religiosas, não científicas ou históricas. Em resumo, a Bíblia quer nos ensinar apenas o seguinte:

1) Deus criou o ser humano, homem e mulher, podendo ter utilizado a evolução da matéria preexistente até chegar ao grau de complexidade do corpo humano;

2) O Senhor concedeu aos primeiros pais graças espirituais especiais: “justiça original” (harmonia consigo, com a mulher, com a natureza e com Deus), e “estado de santidade” (comunhão profunda com Deus, participação da vida divina), dons preternaturais (não sofrer, morrer, ciência infusa, etc).

3) O Criador indicou aos primeiros pais um modelo de vida figurado pela proibição de comer a fruta da árvore da ciência do bem e do mal. Isso significava que o homem não deveria ser “o árbitro do bem e do mal”, e já que foi elevado à especial comunhão com Deus, deveria comportar-se não simplesmente de acordo com seu bom senso ou suas intuições racionais, mas segundo as normas correspondentes de sua dignidade de filho de Deus;

4) O homem, por soberba e desobediência, disse ‘não’ a esse modelo de vida e ao convite do Criador, perdendo assim o “estado de santidade” e de “justiça original”. Dessa forma, o sofrimento e a morte entraram no mundo por causa do pecado original; isso levou São Paulo a dizer que “o salário do pecado é a morte” (Rom 6, 23).

Não é preciso exagerar a perfeição do estado primitivo da humanidade por causa dos dons preternaturais, e da ” justiça original”. Foi um estado belo, mas do ponto de vista religioso e moral apenas, não sob o aspecto da civilização ou da cultura.

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

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