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A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia

“A PRESENÇA DE JESUS NA PALAVRA É TÃO COMPLETA COMO NA EUCARISTIA”
MITOS LITÚRGICOS
Autor: Francisco Dockhorn
Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS
Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes

Não é.
Ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e substancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377. E por na Hóstia Consagrada Nosso Senhor está presente de maneira substancial, o Papa Paulo VI afirma (Encíclica Mysterium Fidei, n. 40-41, de 1965) a supremacia da Presença Eucarística de Nosso Senhor sobre as demais formas de presença: “Estas várias maneiras de presença enchem o espírito de assombro e levam-nos a contemplar o Mistério da Igreja. Outra é, contudo, e verdadeiramente sublime, a presença de Cristo na sua Igreja pelo Sacramento da Eucaristia. Por causa dela, é este Sacramento, comparado com os outros, “mais suave para a devoção, mais belo para a inteligência, mais santo pelo que encerra”; contém, de fato, o próprio Cristo e é “como que a perfeição da vida espiritual e o fim de todos os Sacramentos”. Esta presença chama-se “real”, não por exclusão como se as outras não fossem “reais”, mas por antonomásia porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem”.
Também o próprio Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 7), afirma esta supremacia da Presença Eucarística: “Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» – quer e SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas.” Afirmar que a presença de Nosso Senhor na Palavra é tão completa como na Hóstia consagrada significa uma dessas duas coisas: afirmar que Nosso Senhor se transubstancia na Palavra (aí fazemos o que, comemos a Bíblia e o Lecionário?), ou negar a Presença Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, o que atenta conta o Mistério central da fé católica, pois a Eucaristia é “fonte e ápice da vida cristã” (Lumen Gentium, n. 11)

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Comentário sobre este mito: Para propagar o mito de que “a presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”, alguns utilizam uma interpretação distorcida a respeito uma frase da Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que afirma: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor” (Dei Verbum, 21). Como entender tal frase? O Santo Bento XVI tem dito que o Concílio Vaticano II NÃO pode ser interpretado como uma ruptura com os pronunciamentos anteriores do Sagrado Magistério (pois ele é infalível em definições de fé e moral, como afirma o Cat. n. 2035, e, portanto, a doutrina católica NÃO muda); e sim, o Concílio precisa ser interpretado como uma continuidade em relação ao Magistério anterior. Portanto, é um equívoco afirmar que essa frase do Concilio nega a superioridade da Hóstia Consagrada em relação a Palavra, e que portanto falar da Presença Substancial de Nosso Senhor na Eucaristia seria algo “ultrapassado”, “antiquado” e “medieval”. Mas como entender tal frase, afinal?

Vamos ao texto original em latim: “Divinas Scripturas ***sicut et*** ipsum Corpus dominicum semper venerata est Ecclesia”. O termo “sicut et”, traduzido por “como” (“como venera o próprio Corpo do Senhor”), é no sentido de “como também”, ou seja, um termo inclusivo, mas que NÃO diz respeito necessariamente a intensidade. Aliás, é o mesmo termo utilizado pela oração do Pai-Nosso, quando rezamos: “Et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris” (“Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”) E isso NÃO significa, evidentemente, que nós perdoamos com a mesma intensidade que Deus nos perdoa (pelo simples fato de que nós NÃO somos Deus!), mas simplesmente que nós também nos propomos a perdoar, ou seja, “como também” Ele nos perdoa. Além disso, o próprio Concílio Vaticano II também reconhece a superioridade da Presença de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, quando afirma que Ele está presente “SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas” (Lumen Gentium, n. 11). E também as citações que utilizamos acima, do Papa Paulo VI e do Catecismo da Igreja Católica, vão na mesma linha. Alguns liturgistas, adeptos da teologia litúrgica modernista e incompatível com a doutrina católica, conhecem bem o poder das palavras e dos símbolos, e os utilizam para propagar suas idéias, inclusive o mito de que “A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”, o que leva, naturalmente, a negação da Presença Real e Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada. Por exemplo, alguns liturgistas modernistas podem usar-se dos seguintes artifícios:

1. Instrumentalizar o termo “altar da Palavra” para referir-se ao ambão, com o objetivo de “nivelar” a Palavra e a Eucaristia (embora, evidentemente, nem todos os que utilizem este termo necessariamente sejam modernistas). Ora, altar é onde é oferecido o Sacrifício, e o Santo Sacrifício de Nosso Senhor é oferecido no altar onde é celebrada a Santa Missa…

2. Propagar o costume da construção de altares pequenos, quadrados; para que o altar (nem em tamanho) não tenha mais destaque que o ambão. Aliás, os altares católicos tradicionais são retangulares, não quadrados… É preciso esclarecer, porém, que NÃO consideramos os altares menores (quadrados) maus em si mesmo, pois há também a questão do tamanho do local e da estética.

3. Utilizar, na construção das igrejas, uma disposição em que o ambão fica em frente do altar, também para “nivelar” ambos (ao invés de o ambão ser colocada ao lado do altar). É preciso esclarecer, porém, que NÃO nos opomos, em si mesmo, a disposição litúrgica em que o ambão fica em frente do altar, já que ela foi bastante tradicional na Igreja no primeiro milênio (e ela guarda um bonito significado de a leitura ser feita voltada para a parede absidal, direção onde também fica a cadeira do celebrante, que é quem primeiro precisa escutar a Palavra de Deus); é preciso frisar, também, que na Igreja Primitiva, durante a oração Eucarística, todos (sacerdotes e fiéis) se voltavam para a mesma direção (o Oriente), como fala o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”. O que nos opomos é a instrumentalização desta disposição (ambão de frente para o altar) para propagar a teologia litúrgica modernista, “nivelando” altar e ambão; aliás, esta disposição dificulta a celebração da Missa em Versus Deum (“voltados para Deus”, com o sacerdote e fieis voltados para a mesma direção, como recomenda o Papa no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”). Na realidade, é possível celebrar em Versus Deum com o altar próximo do centro e o ambão em frente a ele, se o sacerdote celebra voltado para a parede absidal em direção ao crucifixo (e ao Sacrário, se houver); porém, esta disposição dificulta que todos os fiéis se voltem para a mesma direção, pois nela, os bancos geralmente ficam dos lados, e os fiéis de frente uns para os outros (e hoje, infelizmente, NÃO há a cultura de todos se voltarem para a mesma direção, como havia na Igreja Primitiva).

4. Abominar que hajam castiçais sobre o altar, e colocá-los distantes demais do altar (como se os castiçais estivessem iluminando meramente “o ambiente”, e não carregando de esplendor o altar, especificamente), e por vezes deixar um único castiçal próximo ao…ambão! Isso, evidentemente, descaracteriza o altar. Em tempo: os castiçais não precisam estar necessariamente sobre o altar, mas podem estar próximo a ele, como afirma a Instrução Geral do Missal Romano (n. 117). Há uma vantagem em que os castiçais não estejam sobre o altar, que é o fato de deixar o altar somente para o oferecimento do Santo Sacrifício, já que altar não é mesa; aliás, tradicionalmente na Missa Tridentina (a forma tradicional do Rito Romano), os castiçais normalmente NÃO ficam sobre o altar propriamente dito, mas juntamente com os arranjos de flores sobre o retábulo, que fica entre o altar e a parede. Porém, é preciso levar em contas também a questão estética e do esplendor do próprio altar (e isso depende do tamanho do presbitério, do altar e outras questões estéticas), e não nos parece que seja o caso rechaçar totalmente que os castiçais estejam sobre o altar, aliás, nas próprias Missas celebradas pelo Santo Padre Bento XVI em Roma, os castiçais ficam sobre o altar.

5. Rechaçar o costume tradicional de decorar o altar com belos arranjos de flores, que são um dos elementos que o enchem de esplendor. Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração: “Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.”

Que pela intercessão da Santíssima Virgem e dos santos anjos, nós façamos parte daqueles que reconhecem a Presença Real e Substancial do Deus-Amor Sacramentado, na Hóstia Consagrada!

Um novo Pentecostes

É preciso cantar o cântico novo

Um novo Pentecostes, existencial e espiritual, deve acontecer sempre, em todas as épocas e para todos os cristãos. A passagem de direito para a nova aliança dá-se no instante preciso do batismo, mas a passagem moral, psicológica – ou de fato – requer uma vida inteira. Pode-se viver objetiva e historicamente sob a graça, mas subjetivamente, com o coração, sob a lei.

Cristo nos libertou para que fôssemos livres: “ficai, portanto, firmes e não vos submetais outra vez ao jugo da escravidão” (Gl 5,1). Viver na nova aliança é como nadar contra a correnteza; se parar de nadar, a pessoa é arrastada pelas águas. Continuamente, todos os dias, é preciso renovar a novidade.

A novidade cristã é ofuscada quando se insiste unilateralmente nos deveres, nas virtudes, no que deve ser feito pelo homem, quando a graça é vista como um auxílio para o homem, a fim de suprir o que ele não pode fazer sozinho.

O centro de atenção desloca-se de Deus para o homem e da graça para a lei. Os homens podem dar leis, mas só Jesus Cristo pode, com Seu Espírito, nos dar a graça de vivê-las.

Em consequência do pecado, o ser humano não consegue ver a grandeza da nova aliança, pois está impedido por uma espécie de véu, que será removido somente quando nos convertermos ao Senhor (cf. II Cor 4,14ss).

É preciso despojar-se de tudo o que é velho e ultrapassado. É preciso cantar o cântico novo, mas esse cântico só pode ser cantado por homens novos, e homens novos necessitam de coração novo. Com o Pentecostes, tudo é novo: novo testamento, vinho novo, cântico novo, vaso novo e homem novo. Só quem tem coração novo é capaz de cantar o cântico novo.

Cristo nos deu um mandamento novo: amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. É este amor que nos renova, fazendo-nos homens novos, herdeiros do testamento novo, cantores do cântico novo.

Um novo Pentecostes precisa ir além da experiência dos carismas. Por mais importantes que sejam, eles são apenas um sinal de algo muito mais profundo. Se o primeiro Pentecostes celebrava o dom da lei, o novo Pentecostes é o grande presente de Deus, que cria o coração novo e a nova aliança, e nos possibilita um jeito novo de amar e servir a Deus.

Além da profecia de Joel sobre os carismas, que é a certeza da realização do derramamento do espírito profético sobre todos os fiéis, também o novo Pentecostes é o cumprimento da profecia de Ezequiel e de Jeremias sobre o coração novo.

O Espírito Santo é muito mais do que a manifestação carismática. Antes, é um princípio de vida nova. Ele permite e realiza a renovação da Igreja, não só em seu aspecto exterior, mas, sobretudo, consiste na renovação do coração.

Para cada um de nós, a porta de entrada para este novo Pentecostes atuante na Igreja é uma renovação do batismo. O fogo do Espírito nos foi depositado nesse sacramento; devemos remover a camada de cinzas para que volte a arder e nos tornemos capazes de amar.

Padre Léo, scj
(Extraído do livro “Renovados pelo Espírito Santo”)

O perfil do bom cristão

Quinta-feira, 13 de outubro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

O bom cristão deve caminhar adiante fazendo o bem, destacou Francisco

Como de costume, o Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 13. Na homilia, traçou o perfil do bom cristão que deve sempre sentir em si a benção do Senhor e caminhar adiante fazendo o bem.

“O cristão é abençoado pelo Pai, por Deus. É uma pessoa escolhida”, disse o Pontífice detendo-se nos traços desta bênção, partindo da Carta de São Paulo aos Efésios.
“Deus nos chamou um por um, não como uma multidão oceânica. Fomos escolhidos, esperados por Deus”, disse Francisco.

“Pensemos num casal quando espera um filho. Como será? Como será o seu sorriso? Como falará? Ouso dizer que também nós, cada um de nós, foi sonhado pelo Pai, como um pai e uma mãe sonham o filho que esperam. Isso nos dá uma segurança grande. O Pai quis cada um de nós, e não uma massa de gente, não! Cada um de nós. Este é o fundamento, é a base da nossa relação com Deus. Falamos com um Pai que nos quer bem, que nos escolheu, que nos deu um nome”.

Grande consolo

“Entende-se quando um cristão não se sente escolhido pelo Pai. Quando sente que pertence a uma comunidade é como um torcedor de futebol. O torcedor escolhe o time e pertence àquele time”, disse o Pontífice.

“O cristão é um escolhido, é uma pessoa sonhada por Deus. Quando vivemos assim, sentimos no coração um grande consolo, não nos sentimos abandonados, não nos é dito: se vire como puder”, frisou.

Perdão

O segundo traço da bênção do cristão é o sentir-se perdoado. “Um homem ou uma mulher que não se sente perdoado, não é plenamente cristão.”

“Todos nós fomos perdoados com o preço do sangue de Cristo. Mas do que eu fui perdoado? Lembre-se das coisas feias que fez, não as que fez o seu amigo, o seu vizinho, a sua vizinha: mas o que você fez. O que eu fiz de mal na vida? O Senhor perdoou estas coisas. Sou abençoado, sou cristão. O primeiro traço: sou escolhido, sonhado por Deus, com um nome que Deus me deu, amado por Deus. O segundo: sou perdoado por Deus.”

O Papa falou então sobre a terceira característica do cristão. “É um homem e uma mulher rumo à plenitude, ao encontro com Cristo que nos redimiu”.

“Não se pode entender um cristão parado. O cristão sempre deve ir adiante, deve caminhar. O cristão parado é aquele homem que recebeu um talento e por causa do medo da vida, medo de perdê-lo, medo do patrão, medo ou comodismo, o enterrou e deixou o talento ali, e ele fica tranquilo e passa a vida sem caminhar. O cristão é um homem a caminho, uma mulher a caminho, que sempre faz o bem, procura fazer o bem, caminha adiante”.

“Esta é a identidade cristã. Abençoados, porque escolhidos, perdoados e a caminho”. Nós não somos anônimos, não somos soberbos a ponto de não precisar do perdão. Não somos pessoas paradas”, disse o Papa.

“Que o Senhor nos acompanhe com esta graça da benção que nos deu, a benção de nossa identidade cristã”, concluiu.

Um pai de família é um colaborador de Deus

O testemunho de Paulo, pai de dez filhos
Por Salvatore Cernuzio

ROMA, segunda-feira, 19 de março de 2012 (ZENIT.org) – “São José é um verdadeiro pai e senhor que protege e acompanha no caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus que crescia e se tornava adulto”.
Assim escreveu São Josemaria Escrivá, explicando como este “homem comum, pai de família, trabalhador que ganhou a vida com o esforço das suas mãos”, ajude a conhecer a Humanidade de Cristo, porque foi eleito por Deus para ser seu pai na terra.
São José é, portanto, um exemplo para todos os pais que hoje comemoram o seu dia: modelo de pai ideal que ensina a aceitar esta tarefa como uma eleição, mais do que uma missão. E numa época em que a figura do pai foi tão desvalorizada ao ponto de ser considerada não necessária ou secundária e onde a mesma paternidade é considerada muitas vezes um “obstáculo”, ainda existem pessoas que quiseram concretizar o que São José ensinou dizendo incondicionalmente sim à vontade de Deus.
É a história de Paulo, 57 anos, casado há 34, pai de 10 filhos, seis homens e 4 mulheres, que mantém tudo com um único salário de freelancer. Não um herói, nem um santo ou um fanático, mas um homem qualquer que experimenta a cada dia a providência de Deus na sua família e que nesta entrevista ao ZENIT quis contar a alegria da paternidade celeste”. Paulo, desde o 68 até hoje assistiu a uma rejeição gradual de certos valores, incluindo, em particular, a figura do pai, compreendido como principal referência de autoridade.

Como vives esse papel, sobretudo sendo o pai de uma família tão numerosa?
Paulo: A realidade mostra que as pessoas nascem, geralmente, por meio de um pai e de uma mãe e crescem de modo harmonioso e satisfatório – poderíamos dizer integrado – quanto mais essas pessoas, pai, e mãe, desempenham o seu papel de acordo com características específicas e, especialmente, em comunhão uns com os outros. Não tenho portanto dúvidas particulares sobre a validez, e mais, sobre a absoluta necessidade de uma figura paterna respeitável e reconhecida. O fato de existirem fortes correntes e influências culturais e sociais contrárias, mais que um obstáculo são um estímulo. O problema é corrigir em si mesmo aquelas fragilidades e debilidades que tendem a estragar e impedir o exercício da paternidade…

Você se refere ao que?
Paulo: À incapacidade de amar inerente na natureza humana, que às vezes te empurra ou até mesmo te obriga a tomar dos filhos a vida para ti ao invés de doar a tua para eles. Dar a vida, às vezes, também pode significar dizer não e sem dúvida quer dizer responsabilizar-se de todo o peso material, moral e espiritual que a relação com outro diferente de ti e dependente de ti corresponde. Para responder a pergunta mais diretamente em primeiro lugar posso dizer que vivo o meu papel de pai com temor e tremor, em constante luta com a minha inadequação que é, no entanto, apoiada pela graça do matrimônio.

Você já teve dificuldade para exercer plenamente a tua autoridade de pai?
Paulo: As principais dificuldades não vieram de fora. Deixando de lado momentos particulares, nunca desejei uma aceitação da minha autoridade fácil, talvez ditada pelo hábito, pelo conformismo ou pelo medo. As verdadeiras dificuldades sempre vieram da minha inclinação para transformar a autoridade em autoritarismo com a consequente pretensão de obediência onde ela não era causada por uma verdadeira autoridade. Também diante dos fracassos que existem – um filho que desobedece, ou cai em sérias dificuldades, ou se revolta ou toma um rumo errado, etc. – A soberba te empurra a deixar tudo e a fechar-te em ti mesmo, enquanto que a humildade te ajuda a aceitar a correção do Senhor por meio da história e a recomeçar a cada dia de novo. Ter muitos filhos é, certamente, uma graça e um dom do Senhor, mas muitas vezes é também fonte de preocupação ou problemas, como podem ser aqueles econômicos, do trabalho ou até mesmo do juízo dos outros ou da mesma família de origem.

Deste ponto de vista qual tem sido a tua experiência?
Paulo: Os problemas, as preocupações não faltam nestes anos e continuam, junto com grandes alegrias e satisfações. A subsistência material causou certamente angústias, mas também nos permitiu experimentar a providência de forma multifacetada e, por vezes, emocionante. Tenho que dizer então que a dialética seja com as famílias de origem, seja com o ambiente ao redor, em certos períodos apertado, eu e minha mulher não o vivemos como um limite, mas como uma ocasião para aprofundar e testemunhar na possibilidade de uma vida mais rica e mais plena. O dado fundamental para gerar os filhos foi o reconhecimento de um poder superior e de uma eleição: Deus é o autor da vida (eterna), nos ama e nos elege como seus colaboradores para transmitir a vida (eterna) para a nossa felicidade, de pais e filhos. Tudo isso se realiza no combate da fé e na liberdade, nossa e dos filhos.

De quem e como fostes ajudados em tudo isso e de que modo vistes a atuação do Senhor na tua vida?
Paulo: Fui ajudado pela Igreja por meio de um caminho de iniciação cristã vivido numa comunidade de irmãos. O Senhor se manifestou de muitos modos, mas sobretudo me permitiu exercitar “indignamente” o papel de Catequista para adultos, presenteando-me uma pregação que me moveu a reconhecer-me pecador, fazendo-me experimentar o perdão e a misericórida, a reconciliação e a comunhão com Deus, com os irmãos, com minha mulher e com os filhos, sempre com percursos de “morte e ressurreição, desolação e consolo”.

Como já mencionado também do ponto de vista material, o Senhor sempre proveu trabalho e recursos, educando-me e levando-me ao conhecimento de mim mesmo para ensinar-me a misericórdia e o amor pelos outros. Devo dizer honestamente que eu me esforço para arruinar a Sua obra, até hoje, toda vez que me foi concedido confiar Nele eu não me decepcionei.

[Tradução Thácio Siqueira]

O exemplo de São José

Segunda-feira, 20 de março de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Que São José nos dê a capacidade de sonhar coisas grandes, pediu o Santo Padre na homilia de hoje

Nesta segunda-feira, 20, o Papa Francisco dedicou sua homilia na capela da Casa Santa Marta a São José, cuja solenidade foi transferida de 19 para 20 de março para não coincidir com o domingo de Quaresma.

São José obedece ao anjo que aparece em seu sonho e toma consigo Maria, grávida por obra do Espírito Santo, como narra o Evangelho de Mateus. Um homem silencioso, mas obediente, pontuou o Santo Padre. José é um homem que carrega sobre seus ombros as promessas de descendência, de herança, de paternidade, de filiação e de estabilidade.

“E este homem, este sonhador, é capaz de aceitar esta tarefa, esta tarefa difícil e que muito tem a nos dizer neste período de uma grande sensação de orfandade. E assim este homem toma a promessa de Deus e a leva adiante em silêncio com fortaleza, a leva adiante para aquilo que Deus quer que seja realizado”.

São José é um homem que pode dizer muito, mas não fala, o homem escondido, o homem do silêncio, que tem a maior autoridade naquele momento, sem a demonstrar. E o Papa destaca que aquilo que Deus confia ao coração de José são “coisas fracas”: promessas e uma promessa é fraca. E depois também o nascimento da criança, a fuga ao Egito, situações de fraqueza. José carrega no coração e leva adiante todas essas fraquezas como se deve fazer: com muita ternura, com a ternura com a qual se pega uma criança.

“É o homem que não fala, mas obedece, o homem da ternura, o homem capaz de levar adiante as promessas para que se tornem firmes, seguras. O homem que garante a estabilidade do Reino de Deus, a paternidade de Deus, a nossa filiação como filho de Deus. Gosto de pensar José como guardião das fraquezas, de nossas fraquezas: é capaz de fazer nascer muitas coisas bonitas de nossas fraquezas, de nossos pecados”.

José é o custódio das fraquezas para que se tornem firmes na fé, mas ele recebeu esta tarefa durante um sonho. “É um homem capaz de sonhar”, observou o Papa, e é também o guardião do sonho de Deus: o sonho de Deus de salvar a humanidade, de redimi-la, foi confiado a José. “É grande este carpinteiro! Silencioso, trabalhador e guardião que carrega as fraquezas e é capaz de sonhar. Uma figura que tem uma mensagem para todos.

“Eu hoje quero lhe pedir que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”.

Pontos básicos da moral católica

O Dez Mandamentos exprime o sentido da moral

A Igreja valoriza a ciência em todas as suas áreas, mas não se cansa de afirmar que nem tudo que é possível à ciência e à tecnologia realizarem é ético e moral. O parâmetro de discernimento da Igreja é a Lei Natural que Deus colocou de forma permanente e universal nos corações e nas consciências das pessoas. Para a Igreja o que não é natural não é moral, e deve ser evitado. Especialmente quando a dignidade da vida humana está em jogo, a Igreja levanta a voz, em nome de Deus, para dizer ao homem que tenha prudência. O Catecismo da Igreja afirma no §2294, que: “É ilusório reivindicar a neutralidade moral da pesquisa científica e de suas aplicações…”

A Igreja sempre estimulou os estudiosos a procurarem pela ciência ajudar a vida do homem na terra. Mas o Cristianismo tem uma escala de valores onde o homem, por ser  imagem e semelhança de Deus, ocupa um lugar especial, não podendo ser equiparado, em dignidade, a nenhum outro ser vivo. Assim, os resultados da ciência devem servir ao homem e respeitar a sua dignidade. Assim, a Igreja defende que a vida humana é um dom de Deus, sobre o qual o cientista não têm domínio absoluto; ela deve nascer e desenvolver-se não em laboratório, nem como fruto de recursos técnicos, mas como fruto direto do relacionamento pessoal entre esposo e esposa.

O desejo do progresso da ciência parece às vezes insaciável a alguns homens e mulheres de hoje. Em parte, o orgulho humano, o desejo de ser Prometeu (um rival de Deus) está na base de muitas tentativas da ciência sem compromisso com a consciência moral. A ciência e a técnica não são fins; são meios para engrandecer o homem, para que ele viva melhor, mas a ciência e a técnica não podem servir ao orgulho ou deleite do pesquisador, ou mesmo ser fonte de enriquecimento, em prejuízo para a dignidade do homem. A ciência deve trabalhar para o homem, e não contra o homem.

O emprego da ciência contra o homem tem sua causa no abandono de Deus. Michel Foucault, conhecido filósofo, observa que a “morte de Deus” gera a morte do homem: “Em nossos dias… não é tanto a ausência ou a morte de Deus que é afirmada, mas o fim do homem…; descobre-se então que a morte de Deus e o último homem estão estreitamente ligados” (Les mots et les choses 1967, p. 369).

Um personagem de Dostoiewisky, no livro “Irmãos Karamazov”, declara que “se Deus não existe, tudo é permitido”, pois a morte põe fim a tudo. A sociedade atual, que quer negar Deus, vive, neste triste ambiente, de desconfiança, insegurança, egoísmo e desespero, desembocando, na violência, nas drogas, nos desvios sexuais, na desesperança, e no  profundo vazio existencial que leva à depressão.

A ciência moderna é produto genuíno de uma visão judaico-cristã do mundo e tem sua fonte de inspiração na Bíblia. A visão pagã do mundo é a de um escravizante ciclo de nascimento-morte-renascimento, sem início nem fim, uma visão cíclica, onde a ciência não conseguia fazer progresso. Foi justamente a visão do cosmos, progressiva, derivada da doutrina cristã, que deu margem ao crescimento da ciência.

Paulo VI afirmou que “a ciência é soberana em seu campo, mas escrava com respeito ao homem”. Por isso, devemos rejeitar a noção falsa de uma ciência livre dos valores morais, ou a neutralidade moral da investigação científica e de suas aplicações.

Para que o leitor conheça alguns posicionamentos da Igreja no campo Moral, apresento em seguida alguns itens do Catecismo da Igreja Católica sobre este assunto. O filósofo romano Cícero já dizia, e sua República,  que: “Existe sem dúvida uma verdadeira lei: é a reta razão. Conforme à natureza, difundida em todos os homens, ela é imutável e eterna; suas ordens chamam ao dever; suas proibições afastam do pecado.(…) É um sacrilégio substituí-la por uma lei contrária; é proibido não aplicar uma de suas disposições; quanto a ab-rogá-la inteiramente, ninguém tem a possibilidade de fazê-lo” (Rep. 3, 22, 33) .

A Igreja não tem dúvida em afirmara que: “A lei natural é imutável, permanece através da história. As regras que a exprimem são substancialmente sempre válidas. Ela é uma base necessária para a edificação das regras morais e para a lei civil (§1979). Esta Lei, que de modo especial está retratada nos Dez Mandamentos, exprime o sentido moral original, que permite ao homem discernir, pela razão, o que é o bem e o mal, a verdade e a mentira.

Como disse o Papa Leão XIII: “A lei natural se acha escrita e gravada na alma de todos e cada um dos homens porque ela é a razão humana ordenando fazer o bem e proibindo pecar. (…) Mas esta prescrição da razão não poderia ter força de lei se não fosse a voz e o intérprete de uma razão mais alta, a qual nosso espírito nossa liberdade devem submeter-se” (Leão XIII, enc. Libertas praestantissimum).

São Tomás de Aquino dizia que:  “A lei natural outra coisa não é senão a luz da inteligência posta em nós por Deus. Por ela conhecemos o que se deve fazer e o que se deve evitar. Esta luz ou esta lei, deu-a Deus à criação” (Decem praec. 1). Com base nisso a Igreja ensina que: “Presente no coração de cada homem e estabelecida pela razão, a lei natural é universal em seus preceitos, e sua autoridade se estende a todos os homens. Ela exprime a dignidade da pessoa e determina a base de seus direitos e de seus deveres fundamentais (Cat.  §1956).

Santo Agostinho exclamava: “O roubo é certamente punido por vossa lei, Senhor, e pela lei escrita no coração do homem e que nem mesmo a iniqüidade consegue apagar” (Confissões, 2,4,9). Portanto, há uma lei natural imutável (GS,10) e permanente através das variações da história. As regras que a exprimem permanecem substancialmente válidas. Mesmo que alguém negue até os seus princípios, não é possível destruí-la nem arrancá-la do coração do homem; é obra do Criador, e que fornece os fundamentos sólidos em cima dos quais pode o homem construir o edifício das regras morais que orientarão suas opções.

Com base na lei natural São Tomás dizia que: “Não se pode justificar uma ação má, embora feita com boa intenção” (Decem. prec. 6). O fim não justifica os meios. O ato moralmente bom supõe, ao mesmo tempo, a bondade do objeto, da finalidade e das circunstâncias.

Assim, a Igreja, “coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15), recebeu dos Apóstolos o mandamento de Cristo de pregar a verdade da salvação. Por isso, diz o Código de Direito Canônico:  “Compete à Igreja anunciar sempre e por toda parte os princípios morais, mesmo referentes à ordem social, e pronunciar-se a respeito de qualquer questão humana, enquanto o exigirem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas” (cân. 747,2)

Prof. Felipe Aquino
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No mundo atual ainda se reza?

As preocupações do homem moderno parece que se deslocaram. Seu comportamento é de quem assumiu com as próprias mãos o destino de seus dias. Os humanos não contam mais com auxílio externo para ter sucesso nos seus negócios. Os seus planos, a sua inteligência, e a sua capacidade de trabalho são a chave da vitória de seus empreendimentos. A atual crise econômica mundial, no entanto, vem desmentir essas soberanas convicções.
O que acontece é que a grande motivação cristã da felicidade, na eternidade, foi puxada para baixo. As promessas de plenitude do nosso ser aterrissaram. Tudo o que de belo a fé nos garantia virou paraíso terrestre.
O comunismo – que tinha alguns ideais muito interessantes – pecou por essa razão: seu olhar se baixou para o horizonte exclusivo desta vida. Por isso, nos dias atuais, a população quer cuidar do corpo, porque pretende viver sempre, precisa estudar sem parar para estar em condições de competir com qualquer contendor. O corpo deve ficar cada vez mais belo e perfeito; sente-se a necessidade de enriquecer para ter todo conforto possível; deve aprender a evitar conflitos desnecessários com o semelhante, pois a caminhada vai ser longa; a religião é proposta como garantia de prosperidade… neste mundo. Então, “comei, bebei, inebriai-vos” (Ct 5, 1). A oração toma contornos surreais; não é mais uma atividade necessária.
No entanto, o vazio da vida, que teima em nos incomodar, só o deixamos de sentir em comunicação com nosso Deus e amigo. “Por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42,1). Sem referência ao Eterno somos pássaros de uma asa só.
Jesus, o orante por excelência, nos mostrou que a atitude de busca pelo Pai se deve expressar no louvor, na humilde adoração, na gratidão. “Oferecei a Deus sacrifícios de louvor” (Am 4,5). É certo que, nós como Seus filhos, temos direito de pedir resultados para os nossos trabalhos. Mas Jesus selecionou – como forte sugestão – quais os pedidos, aos quais devemos dar preferência: que venha o Reino, que tenhamos o Espírito Santo e que se faça a vontade do Pai Criador.
Nada impede aos filhos acrescentar outras petições. O importante é nos aproximarmos desse Ser Amoroso, de cuja amizade depende a nossa realização.

Dom Aloísio R. Oppermann, scj
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Santo Evangelho (Mc 1, 21-28)

4º Domingo do Tempo Comum – Domingo 28/01/2018 

Primeira Leitura (Dt 18,15-20)
Leitura do Livro do Deuteronômio:

Moisés falou ao povo, dizendo: 15“O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar. 16Foi exatamente o que pediste ao Senhor teu Deus, no monte Horeb, quando todo o povo estava reunido, dizendo: ‘Não quero mais escutar a voz do Senhor meu Deus, nem ver este grande fogo, para não acabar morrendo’. 17Então o Senhor me disse: ‘Está bem o que disseram. 18Farei surgir para eles, do meio de seus irmãos, um profeta semelhante a ti. Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe mandar. 19Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome. 20Mas o profeta que tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que não lhe mandei, ou se falar em nome de outros deuses, esse profeta deverá morrer’”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 94)

— Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!
— Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!

— Vinde, exultemos de alegria no Senhor,/ aclamemos o Rochedo que nos salva!/ Ao seu encontro caminhemos com louvores,/ e com cantos de alegria o celebremos!

— Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!

— Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra,/ e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!/ Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor,/ e nós somos o seu povo e seu rebanho,/ as ovelhas que conduz com sua mão.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:/ “Não fecheis os corações como em Meriba,/ como em Massa, no deserto, aquele dia,/ em que outrora vossos pais me provocaram,/ apesar de terem visto as minhas obras”.

 

Segunda Leitura (1Cor 7,32-35)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 32Eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. 33O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher 34e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. 35Digo isto para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 1,21-28)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

21Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. 23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” 26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Tomás de Aquino, professor e consultor da Ordem

A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística

Neste dia lembramos uma das maiores figuras da teologia católica: Santo Tomás de Aquino. Conta-se que, quando criança, com cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: “Quem é Deus?”.

A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 numa nobre família, a qual lhe proporcionou ótima formação, porém, visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraia o coração de Aquino.

Diante da oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezenove anos, para um mosteiro dominicano. No entanto, ao ser enviado a Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno, ficou, ordenado pela mãe, um tempo detido. Tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.

Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.

Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre tantas obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado “Doutor Angélico”, Tomás faleceu em 1274, deixando para a Igreja o testemunho e, praticamente, a síntese do pensamento católico.

Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!

Papa: cristão é chamado a comprometer-se com as realidades humanas e sociais

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (22/10/2017), Dia Mundial das Missões, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

“O Evangelho deste domingo nos apresenta um novo face a face entre Jesus e seus opositores. O tema abordado é o do tributo a César: uma pergunta “espinhosa”, sobre se é lícito ou não pagar o imposto ao imperador de Roma, que era submetida à Palestina no tempo de Jesus. As posições eram diferentes. Portanto, a pergunta feita pelos fariseus: É lícito ou não pagar imposto a César? era uma armadilha para o Mestre. De fato, dependendo de como tivesse respondido, ele seria acusado de estar a favor ou contra Roma”, disse o Papa na alocução antes da oração.

O Pontífice ressaltou “que Jesus, também neste caso, responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar uma lição importante, colocando-se acima da polêmica e coalizões opostas”.

Ele diz aos fariseus: Mostrem-me a moeda do imposto. Eles levaram então a moeda a Ele, e Jesus, olhando a moeda, perguntou-lhes: De quem é a figura e inscrição? Os fariseus responderam: De César. Então Jesus conclui: «Pois deem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.»

“Por um lado, intimando a restituir ao imperador o que lhe pertence, Jesus declara que pagar o imposto não é um ato de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro lado, e é aqui Jesus dá um “tapa de luva”, lembrando o primado de Deus, pede para dar ao Senhor da vida do homem e da história o que lhe cabe.”

Segundo o Papa, “a referência à imagem de César, cunhada na moeda, diz que é justo sentir-se plenamente, com direitos e deveres, cidadãos do Estado; mas, simbolicamente, faz pensar na outra imagem impressa em cada homem: a imagem de Deus”.

“Ele é o Senhor de tudo, e nós, que fomos criados “à sua imagem” pertencemos sobretudo a Ele. A partir da pergunta colocada pelos fariseus, Jesus faz uma pergunta mais radical e vital para cada um de nós, uma pergunta que nós podemos nos fazer: a quem pertenço? À família, à cidade, aos amigos, à escola, ao trabalho, à política, ao Estado? Sim, claro. Mas primeiramente, Jesus nos recorda, você pertence a Deus. Esta é a pertença fundamental. É Ele que lhe deu tudo o que você é e o que você tem. Portanto, a nossa vida, podemos e devemos vivê-la todos os dias no reconhecimento dessa nossa pertença fundamental e no reconhecimento do coração para com nosso Pai, que cria cada um de nós individualmente, único, mas sempre segundo a imagem de seu amado Filho, Jesus. É um maravilhoso mistério.”

O Papa disse ainda que “o cristão é chamado a se comprometer concretamente nas realidades humanas e sociais sem contrapor “Deus” e “César”, contrapor Deus e César seria um comportamento fundamentalista. O cristão é chamado a comprometer-se concretamente com as realidades terrenas, iluminando-as com a luz que vem de Deus. A confiança prioritária em Deus e a esperança Nele não levam a uma fuga da realidade, mas sim a trabalhar e dar a Deus o que lhe pertence. É por isso que o fiel olha a realidade futura, a de Deus, para viver a vida terrena em plenitude e responder com coragem aos seus desafios”.

Francisco pediu à Virgem Maria para que “nos ajude a viver sempre de acordo com a imagem de Deus que trazemos em nós, dentro, dando também a nossa contribuição na construção da cidade terrena”.

(MJ)

Santo Evangelho (Mt 16, 21-27)

22º Domingo Comum – Domingo 03/09/2017

Primeira Leitura (Jr 20, 7-9)  
Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 62)

— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!
— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco!/ A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!

— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder./ Vosso amor vale mais do que a vida:/ e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!

— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.

 

Segunda Leitura (Rm 12, 1-2)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 16, 21-27)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
—PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Gregório Magno – Papa e Doutor da Igreja

São Gregório Magno era alguém de senso de dever, de medida e dignidade

Hoje, celebramos a memória deste Magno (Grande) de Cristo: São Gregório I. Nascido em Roma no ano 540, numa família nobre que muito o motivou à vida pública.

Gregório (cujo nome significa “vigilante”), chegou a ser um ótimo prefeito de Roma, pois era desapegado dos próprios interesses devido sua constante renúncia de si mesmo. Atingido pela graça de Deus, São Gregório chegou a vender tudo o que tinha para auxiliar os pobres e a Igreja.

São Bento exercia forte influência na vida de Gregório, por isso, além de ajudar a construir muitos mosteiros, entrou para a vida religiosa do “Ora et Labora”.

Homem certo, no lugar certo, este foi Gregório que era alguém de senso de dever, de medida e dignidade. Além da intensa vida interior, bem percebida quando escreveu sobre o ‘ideal do pastor’:” O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus.”

Com a morte do Papa da época, São Gregório foi o escolhido para “sentar” na Cátedra de Pedro no ano de 590, e assim chefiar com segurança a Igreja num tempo em que o mundo romano passava para o mundo medieval.

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja que conquistou o Céu com 65 anos de idade (no ano 604), deixou marcas em todos os campos, valendo lembrar que na Liturgia há o Canto Gregoriano, o qual eleva os corações a Deus, fonte e autor de toda santidade.

São Gregório Magno, rogai por nós!

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