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Em homilia, Papa destaca exemplo de São José

Segunda-feira, 20 de março de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Que São José nos dê a capacidade de sonhar coisas grandes, pediu o Santo Padre na homilia de hoje

Nesta segunda-feira, 20, o Papa Francisco dedicou sua homilia na capela da Casa Santa Marta a São José, cuja solenidade foi transferida de 19 para 20 de março para não coincidir com o domingo de Quaresma.

São José obedece ao anjo que aparece em seu sonho e toma consigo Maria, grávida por obra do Espírito Santo, como narra o Evangelho de Mateus. Um homem silencioso, mas obediente, pontuou o Santo Padre. José é um homem que carrega sobre seus ombros as promessas de descendência, de herança, de paternidade, de filiação e de estabilidade.

“E este homem, este sonhador, é capaz de aceitar esta tarefa, esta tarefa difícil e que muito tem a nos dizer neste período de uma grande sensação de orfandade. E assim este homem toma a promessa de Deus e a leva adiante em silêncio com fortaleza, a leva adiante para aquilo que Deus quer que seja realizado”.

São José é um homem que pode dizer muito, mas não fala, o homem escondido, o homem do silêncio, que tem a maior autoridade naquele momento, sem a demonstrar. E o Papa destaca que aquilo que Deus confia ao coração de José são “coisas fracas”: promessas e uma promessa é fraca. E depois também o nascimento da criança, a fuga ao Egito, situações de fraqueza. José carrega no coração e leva adiante todas essas fraquezas como se deve fazer: com muita ternura, com a ternura com a qual se pega uma criança.

“É o homem que não fala, mas obedece, o homem da ternura, o homem capaz de levar adiante as promessas para que se tornem firmes, seguras. O homem que garante a estabilidade do Reino de Deus, a paternidade de Deus, a nossa filiação como filho de Deus. Gosto de pensar José como guardião das fraquezas, de nossas fraquezas: é capaz de fazer nascer muitas coisas bonitas de nossas fraquezas, de nossos pecados”.

José é o custódio das fraquezas para que se tornem firmes na fé, mas ele recebeu esta tarefa durante um sonho. “É um homem capaz de sonhar”, observou o Papa, e é também o guardião do sonho de Deus: o sonho de Deus de salvar a humanidade, de redimi-la, foi confiado a José. “É grande este carpinteiro! Silencioso, trabalhador e guardião que carrega as fraquezas e é capaz de sonhar. Uma figura que tem uma mensagem para todos.

“Eu hoje quero lhe pedir que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”.

Santo Evangelho (Mt 4, 1-11)

1º Domingo da Quaresma – Domingo 05/03/2017

Primeira Leitura (Gn 2,7-9; 3,1-7)
Leitura do Livro do Gênesis:

7O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. 8Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado. 9E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 3,1A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’” 2E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim nós podemos comer. 3Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele, nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis’”. 4A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. 5Mas Deus sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. 6A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para se alcançar o conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. 7Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 50)

— Piedade, ó Senhor, tende piedade,/ pois pecamos contra vós.
— Piedade, ó Senhor, tende piedade,/ pois pecamos contra vós.

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!/ Na imensidão do vosso amor, purificai-me!/ Lavai-me todo inteiro do pecado,/ e apagai completamente a minha culpa!

— Eu reconheço toda a minha iniquidade,/ o meu pecado está sempre à minha frente./ Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,/ e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

— Criai em mim um coração que seja puro,/ dai-me de novo um espírito decidido./ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,/ nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso!/ Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!

 

Segunda Leitura (Rm 5,12.17-19)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 12Consideremos o seguinte: O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram… 17Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. 18Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida. 19Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 4,1-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” 4Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. 5Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. 7Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” 8Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”. 11Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João José da Cruz – Religioso de vida eremítica 

A profunda fé na Divina Misericórdia fez com que este santo fizesse muito por sua ordem religiosa

O santo de hoje nasceu no século XVII, e muito cedo descobriu seu chamado a uma consagração total. Pensou na vida sacerdotal, mas percebeu que muitos buscavam o sacerdócio somente para obter honras e dignidades.

João José discerniu melhor, e descobriu que Deus o queria um religioso. Assim, partiu para a vida eremítica, segundo a Ordem de São Pedro de Alcântara. Ele viveu uma vida de oração profunda, se alimentando e dormindo somente o necessário. Recebendo a confiança de seus superiores, foi enviado para Piemonte, em Ávila, para começar um novo mosteiro. E de maneira braçal, iniciou a construção.

Com sua perseverança, a Providência Divina e a ajuda do povo, construiu o mosteiro. Recebeu de Deus o dom dos milagres, e muitos o buscavam. João José da Cruz sempre apresentava o Senhor Jesus e levava o povo à oração.

São João José da Cruz, rogai por nós!

Quem é Jesus?

Você sabe

Como foi possível que esse Homem pobre, que vivia em uma cidadezinha de Israel, se tornasse o mais conhecido e amado da história?

Foi um judeu, carpinteiro humilde que só fez o bem, mas foi condenado à morte. Contudo, marcou profundamente a história da humanidade. Alguns O classificam de sábio; outros, de mestre e profeta. Como foi possível que esse homem pobre, que vivia em uma cidade desprezada em Israel, que jamais escreveu um livro, não fez parte da elite, não foi militar, escriba, doutor nem artista, não procurou impor pela força Seus ensinamentos, se tornasse o Homem mais conhecido, mais amado e admirado da história? Por que, ainda hoje, tantas pessoas estão dispostas a segui-Lo, às vezes com o sacrifício da própria vida?

Simplesmente, porque Ele é, de fato, o que afirmava ser. Pelos séculos, milhões de homens e mulheres têm descoberto, por meio de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, alguém infinitamente maior que um mestre ou profeta. Ao escutar e receber Sua mensagem, O reconheceram pelo que Ele é: inteiramente Deus e inteiramente Homem, plenamente Amor e plenamente Verdade. Eles O reconheceram como Salvador, Sua Morte, Sua Ressurreição, Sua mensagem e Sua pessoa lhes deram um novo sentido para viver. Quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificando (cf. 1 Cor 2,1-2).

Jesus é Deus

“Cristo é sobre todos, Deus bendito eternamente” (Rm 9,5). Criador de todas as coisas e Aquele por quem elas subsistem (Cl 1,16.17). Em Seu imenso amor, foi manifesto na carne, revelando-se como Homem: é um grande mistério e uma realidade revelada para nossa salvação e bênção agora e eternamente.

As Sagradas Escrituras declaram que Jesus é Deus:

“No princípio, era Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Ele “estava no principio com Deus” (cf. Jo 1,1-2).

O Deus Pai disse a respeito do filho: “Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos” (Hb 1,8). Seus atributos são os mesmos de Deus: É onipresente: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). É onipotente: “Esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fl 3,20-21). É imutável: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13,8). “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2,9). “É um com o Pai: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30)”.

Observar as obras de Cristo é ver Deus trabalhando, escutar as palavras de Cristo é ouvir a voz do próprio Deus. Isso parece simples. Mas não o é. Considerar o Senhor Jesus como algo menos que Deus, por exemplo, um “mestre da moral”, “um espírito evoluído” ou “o maior benfeitor da humanidade” é afronta do pior grau possível! É não conhecer a Bíblia Sagrada e não ter experiência abissal com Jesus Cristo. “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8,27). “Que dizem os homens ser o filho do homem?” (Mt 16,13). E Simão Pedro, respondendo, disse: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt. 16,16).

E a multidão dizia: “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia” (Mt 21,11). “Jesus é a Palavra de Deus” (Jo 1,1). “Jesus é o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap. 19,16).  Diz Santo Agostinho de Hipona: “Se quereis viver piedosa e cristãmente, abraçai-vos a Cristo-Homem e chegareis a Cristo-Deus”. “Cristo-Deus é a pátria para onde vamos e Cristo-Homem é o caminho por onde vamos” (1).

O erudito escritor Giovanni Papini, autor do clássico História de Cristo, escreve: “Milhares de santos por ti sofreram e por ti se extasiaram, mas ao mesmo tempo milhares e milhares de renegadores e de dementes continuaram a esbofetear a tua face sanguinolenta. Justamente por não Te Amarmos suficientemente, temos necessidade de todo o Teu Amor” (2).

A nossa vida só pode ser feliz se vivermos, em Jesus Cristo, uma dimensão eterna de salvação e no amor a Deus e ao próximo! Sua graça e Seu Evangelho é tudo para Seus discípulos.

Padre Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.

Papa Francisco traça perfil do bom cristão

Quinta-feira, 13 de outubro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

O bom cristão deve caminhar adiante fazendo o bem, destacou Francisco

Como de costume, o Papa Francisco celebrou a Missa na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 13. Na homilia, traçou o perfil do bom cristão que deve sempre sentir em si a benção do Senhor e caminhar adiante fazendo o bem.

“O cristão é abençoado pelo Pai, por Deus. É uma pessoa escolhida”, disse o Pontífice detendo-se nos traços desta bênção, partindo da Carta de São Paulo aos Efésios.
“Deus nos chamou um por um, não como uma multidão oceânica. Fomos escolhidos, esperados por Deus”, disse Francisco.

“Pensemos num casal quando espera um filho. Como será? Como será o seu sorriso? Como falará? Ouso dizer que também nós, cada um de nós, foi sonhado pelo Pai, como um pai e uma mãe sonham o filho que esperam. Isso nos dá uma segurança grande. O Pai quis cada um de nós, e não uma massa de gente, não! Cada um de nós. Este é o fundamento, é a base da nossa relação com Deus. Falamos com um Pai que nos quer bem, que nos escolheu, que nos deu um nome”.

Grande consolo

“Entende-se quando um cristão não se sente escolhido pelo Pai. Quando sente que pertence a uma comunidade é como um torcedor de futebol. O torcedor escolhe o time e pertence àquele time”, disse o Pontífice.

“O cristão é um escolhido, é uma pessoa sonhada por Deus. Quando vivemos assim, sentimos no coração um grande consolo, não nos sentimos abandonados, não nos é dito: se vire como puder”, frisou.

Perdão

O segundo traço da bênção do cristão é o sentir-se perdoado. “Um homem ou uma mulher que não se sente perdoado, não é plenamente cristão.”

“Todos nós fomos perdoados com o preço do sangue de Cristo. Mas do que eu fui perdoado? Lembre-se das coisas feias que fez, não as que fez o seu amigo, o seu vizinho, a sua vizinha: mas o que você fez. O que eu fiz de mal na vida? O Senhor perdoou estas coisas. Sou abençoado, sou cristão. O primeiro traço: sou escolhido, sonhado por Deus, com um nome que Deus me deu, amado por Deus. O segundo: sou perdoado por Deus.”

O Papa falou então sobre a terceira característica do cristão. “É um homem e uma mulher rumo à plenitude, ao encontro com Cristo que nos redimiu”.

“Não se pode entender um cristão parado. O cristão sempre deve ir adiante, deve caminhar. O cristão parado é aquele homem que recebeu um talento e por causa do medo da vida, medo de perdê-lo, medo do patrão, medo ou comodismo, o enterrou e deixou o talento ali, e ele fica tranquilo e passa a vida sem caminhar. O cristão é um homem a caminho, uma mulher a caminho, que sempre faz o bem, procura fazer o bem, caminha adiante”.

“Esta é a identidade cristã. Abençoados, porque escolhidos, perdoados e a caminho”. Nós não somos anônimos, não somos soberbos a ponto de não precisar do perdão. Não somos pessoas paradas”, disse o Papa.

“Que o Senhor nos acompanhe com esta graça da benção que nos deu, a benção de nossa identidade cristã”, concluiu.

Santo Evangelho (Jo 1, 45-51)

São Bartolomeu, apóstolo – Quarta-feira 24/08/2016

Primeira Leitura (Ap 21,9-14)
Leitura do Apocalipse de São João.

9Um anjo falou comigo e disse: “Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro”. 10Então me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade Santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino. 12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 144)

— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
— Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos Santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

— Para espalhar vossos prodígios entre os homens, e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração!

— É justo o Senhor em seus caminhos, é Santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

 

Evangelho (Jo 1,45-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

45Filipe encontrou-se com Na­tanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”. 46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Nata­nael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Na­ta­nael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bartolomeu

Neste dia, festejamos a santidade de vida de São Bartolomeu, apóstolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que na Bíblia é citado com o nome de Natanael (que significa dom de Deus). Os três Evangelhos sinópticos chamam-lhe sempre Bartolomeu ou Bar-Talmay (filho de Talmay em aramaico). Nasceu em Caná da Galiléia, naquela pequena aldeia onde Jesus transformou a água em vinho.

Bartolomeu é modelo para quem quer se deixar conduzir pelo Senhor, pois, assim encontramos no Evangelho de São João: “Filipe vai ter com Natanael e lhe diz: ‘É Jesus, o filho de José de Nazaré’”. Depois de externar sua sinceridade e aproximar-se do Cristo, Bartolomeu ouviu dos lábios do Mestre a sua principal característica: “Eis um verdadeiro israelita no qual não há fingimento” (Jo 1,47).

Pertencente ao número dos doze, São Bartolomeu conviveu com Jesus no tempo da vida pública e pôde contemplar no dia-a-dia o conteúdo de sua própria profissão de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel”. Depois da Paixão, glorificação do Verbo e grande derramamento do Espírito Santo em Pentecostes, conta-nos a Tradição que o apóstolo Bartolomeu teria evangelizado na Índia, passado para a Armênia e, neste local conseguido a conversão do rei Polímio, da esposa e de muitas outras pessoas, isto até deparar-se com invejosos sacerdotes pagãos, os quais martirizaram o santo apóstolo, após o arrancarem a pele, mas não o Céu, pois perseverou até o fim.

São Bartolomeu, rogai por nós!

O desafio do sacerdócio

Neste mês de agosto, a mãe Igreja dedica-o às vocações. Na primeira semana contemplamos a vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. A proximidade das festas de São João Maria Vianney, e de S. Lourenço, Diácono e Mártir, marcam essa orientação. Mas gostaria de me ater hoje à vocação à vida sacerdotal, que tem aumentado em nosso país. A figura e o exemplo do Cura d’Ars abre esse mês vocacional. Em 2009-2010 foi celebrado o Ano Sacerdotal em função do 150º aniversário da morte do Cura D’Ars. O Santo Padre Bento XVI apresenta-o como um modelo para os sacerdotes de hoje. Como tem de ser um padre, hoje, na cena deste mundo em grande transformação? O Presbítero é o homem da Palavra de Deus, o homem do sacramento, o homem do “mistério da fé”. Os padres, como nos ensina o Concílio, “têm o dever primário de proclamar o evangelho de Jesus a todos os homens” (Presbyterorum ordinis, 4). Mas, nesta proclamação, está o dever também de levar cada homem e cada mulher desse mundo a um encontro pessoal com Cristo. Hoje, mais do que antes, devemos proporcionar possiblidades para que cada pessoa possa fazer esta experiência do encontro com Deus, e o devemos fazer com uma renovada esperança, mesmo nas adversidades de um mundo extremamente secularizado, hedonista, materialista, ateísta e indiferente. As pessoas devem perceber no sacerdote um algo maravilhoso, ao qual ele está a serviço. O que chamamos na teologia de configuração com Cristo. Nesta dimensão, encerra-se a sua vital presença na celebração eucarística, ápice da vida espiritual da Igreja, em que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Em suma, o sacerdote deve ser um homem que está em contato permanente com Deus, e que nos leva a fazer a mesma experiência de santidade. A mais sublime missão do sacerdote hoje é, sem dúvida, ser um Cristo agora. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre”. O grande salto qualitativo na vida de qualquer padre seria uma autêntica renovação, que é possível e necessária, e, também uma grande afeição a uma plena e radical fidelidade à Palavra de Deus e à tradição da Igreja, aos quais ele serve no seu ministério. O sacerdote é chamado a ser um místico, e que, ao mesmo tempo, se interessa pelas coisas do mundo, pela vida do homem nas suas angústias e alegrias, para que elas se tornem algo sagrado e agradável ao Senhor. O sacerdote deve trazer as pessoas em singular atitude de viva expressão da fé, ao essencial e ao decisivo de uma autêntica caminhada de espiritualidade cristã. Discurso este que se torna complicado num mundo do descartável e do superficial. Espero e peço a Deus que possamos, assim como o Santo Padre Bento XVI, na oração para o Ano Sacerdotal, repetir junto com todos os nossos padres, e com o mesmo fervor do Santo Cura D’Ars, as palavras que ele costumava rezar: “Eu te amo, Senhor, e meu único desejo é amá-Lo até o último suspiro da minha vida”.

† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

No mundo atual ainda se reza?

As preocupações do homem moderno parece que se deslocaram. Seu comportamento é de quem assumiu com as próprias mãos o destino de seus dias. Os humanos não contam mais com auxílio externo para ter sucesso nos seus negócios. Os seus planos, a sua inteligência, e a sua capacidade de trabalho são a chave da vitória de seus empreendimentos. A atual crise econômica mundial, no entanto, vem desmentir essas soberanas convicções.
O que acontece é que a grande motivação cristã da felicidade, na eternidade, foi puxada para baixo. As promessas de plenitude do nosso ser aterrissaram. Tudo o que de belo a fé nos garantia virou paraíso terrestre.
O comunismo – que tinha alguns ideais muito interessantes – pecou por essa razão: seu olhar se baixou para o horizonte exclusivo desta vida. Por isso, nos dias atuais, a população quer cuidar do corpo, porque pretende viver sempre, precisa estudar sem parar para estar em condições de competir com qualquer contendor. O corpo deve ficar cada vez mais belo e perfeito; sente-se a necessidade de enriquecer para ter todo conforto possível; deve aprender a evitar conflitos desnecessários com o semelhante, pois a caminhada vai ser longa; a religião é proposta como garantia de prosperidade… neste mundo. Então, “comei, bebei, inebriai-vos” (Ct 5, 1). A oração toma contornos surreais; não é mais uma atividade necessária.
No entanto, o vazio da vida, que teima em nos incomodar, só o deixamos de sentir em comunicação com nosso Deus e amigo. “Por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42,1). Sem referência ao Eterno somos pássaros de uma asa só.
Jesus, o orante por excelência, nos mostrou que a atitude de busca pelo Pai se deve expressar no louvor, na humilde adoração, na gratidão. “Oferecei a Deus sacrifícios de louvor” (Am 4,5). É certo que, nós como Seus filhos, temos direito de pedir resultados para os nossos trabalhos. Mas Jesus selecionou – como forte sugestão – quais os pedidos, aos quais devemos dar preferência: que venha o Reino, que tenhamos o Espírito Santo e que se faça a vontade do Pai Criador.
Nada impede aos filhos acrescentar outras petições. O importante é nos aproximarmos desse Ser Amoroso, de cuja amizade depende a nossa realização.

Dom Aloísio R. Oppermann, scj
domroqueopp@terra.com.br

A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia

“A PRESENÇA DE JESUS NA PALAVRA É TÃO COMPLETA COMO NA EUCARISTIA”
MITOS LITÚRGICOS
Autor: Francisco Dockhorn
Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS
Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes

Não é.
Ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e substancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377. E por na Hóstia Consagrada Nosso Senhor está presente de maneira substancial, o Papa Paulo VI afirma (Encíclica Mysterium Fidei, n. 40-41, de 1965) a supremacia da Presença Eucarística de Nosso Senhor sobre as demais formas de presença: “Estas várias maneiras de presença enchem o espírito de assombro e levam-nos a contemplar o Mistério da Igreja. Outra é, contudo, e verdadeiramente sublime, a presença de Cristo na sua Igreja pelo Sacramento da Eucaristia. Por causa dela, é este Sacramento, comparado com os outros, “mais suave para a devoção, mais belo para a inteligência, mais santo pelo que encerra”; contém, de fato, o próprio Cristo e é “como que a perfeição da vida espiritual e o fim de todos os Sacramentos”. Esta presença chama-se “real”, não por exclusão como se as outras não fossem “reais”, mas por antonomásia porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem”.
Também o próprio Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 7), afirma esta supremacia da Presença Eucarística: “Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» – quer e SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas.” Afirmar que a presença de Nosso Senhor na Palavra é tão completa como na Hóstia consagrada significa uma dessas duas coisas: afirmar que Nosso Senhor se transubstancia na Palavra (aí fazemos o que, comemos a Bíblia e o Lecionário?), ou negar a Presença Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, o que atenta conta o Mistério central da fé católica, pois a Eucaristia é “fonte e ápice da vida cristã” (Lumen Gentium, n. 11)

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Comentário sobre este mito: Para propagar o mito de que “a presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”, alguns utilizam uma interpretação distorcida a respeito uma frase da Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que afirma: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor” (Dei Verbum, 21). Como entender tal frase? O Santo Bento XVI tem dito que o Concílio Vaticano II NÃO pode ser interpretado como uma ruptura com os pronunciamentos anteriores do Sagrado Magistério (pois ele é infalível em definições de fé e moral, como afirma o Cat. n. 2035, e, portanto, a doutrina católica NÃO muda); e sim, o Concílio precisa ser interpretado como uma continuidade em relação ao Magistério anterior. Portanto, é um equívoco afirmar que essa frase do Concilio nega a superioridade da Hóstia Consagrada em relação a Palavra, e que portanto falar da Presença Substancial de Nosso Senhor na Eucaristia seria algo “ultrapassado”, “antiquado” e “medieval”. Mas como entender tal frase, afinal?

Vamos ao texto original em latim: “Divinas Scripturas ***sicut et*** ipsum Corpus dominicum semper venerata est Ecclesia”. O termo “sicut et”, traduzido por “como” (“como venera o próprio Corpo do Senhor”), é no sentido de “como também”, ou seja, um termo inclusivo, mas que NÃO diz respeito necessariamente a intensidade. Aliás, é o mesmo termo utilizado pela oração do Pai-Nosso, quando rezamos: “Et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris” (“Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”) E isso NÃO significa, evidentemente, que nós perdoamos com a mesma intensidade que Deus nos perdoa (pelo simples fato de que nós NÃO somos Deus!), mas simplesmente que nós também nos propomos a perdoar, ou seja, “como também” Ele nos perdoa. Além disso, o próprio Concílio Vaticano II também reconhece a superioridade da Presença de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, quando afirma que Ele está presente “SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas” (Lumen Gentium, n. 11). E também as citações que utilizamos acima, do Papa Paulo VI e do Catecismo da Igreja Católica, vão na mesma linha. Alguns liturgistas, adeptos da teologia litúrgica modernista e incompatível com a doutrina católica, conhecem bem o poder das palavras e dos símbolos, e os utilizam para propagar suas idéias, inclusive o mito de que “A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”, o que leva, naturalmente, a negação da Presença Real e Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada. Por exemplo, alguns liturgistas modernistas podem usar-se dos seguintes artifícios:

1. Instrumentalizar o termo “altar da Palavra” para referir-se ao ambão, com o objetivo de “nivelar” a Palavra e a Eucaristia (embora, evidentemente, nem todos os que utilizem este termo necessariamente sejam modernistas). Ora, altar é onde é oferecido o Sacrifício, e o Santo Sacrifício de Nosso Senhor é oferecido no altar onde é celebrada a Santa Missa…

2. Propagar o costume da construção de altares pequenos, quadrados; para que o altar (nem em tamanho) não tenha mais destaque que o ambão. Aliás, os altares católicos tradicionais são retangulares, não quadrados… É preciso esclarecer, porém, que NÃO consideramos os altares menores (quadrados) maus em si mesmo, pois há também a questão do tamanho do local e da estética.

3. Utilizar, na construção das igrejas, uma disposição em que o ambão fica em frente do altar, também para “nivelar” ambos (ao invés de o ambão ser colocada ao lado do altar). É preciso esclarecer, porém, que NÃO nos opomos, em si mesmo, a disposição litúrgica em que o ambão fica em frente do altar, já que ela foi bastante tradicional na Igreja no primeiro milênio (e ela guarda um bonito significado de a leitura ser feita voltada para a parede absidal, direção onde também fica a cadeira do celebrante, que é quem primeiro precisa escutar a Palavra de Deus); é preciso frisar, também, que na Igreja Primitiva, durante a oração Eucarística, todos (sacerdotes e fiéis) se voltavam para a mesma direção (o Oriente), como fala o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”. O que nos opomos é a instrumentalização desta disposição (ambão de frente para o altar) para propagar a teologia litúrgica modernista, “nivelando” altar e ambão; aliás, esta disposição dificulta a celebração da Missa em Versus Deum (“voltados para Deus”, com o sacerdote e fieis voltados para a mesma direção, como recomenda o Papa no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”). Na realidade, é possível celebrar em Versus Deum com o altar próximo do centro e o ambão em frente a ele, se o sacerdote celebra voltado para a parede absidal em direção ao crucifixo (e ao Sacrário, se houver); porém, esta disposição dificulta que todos os fiéis se voltem para a mesma direção, pois nela, os bancos geralmente ficam dos lados, e os fiéis de frente uns para os outros (e hoje, infelizmente, NÃO há a cultura de todos se voltarem para a mesma direção, como havia na Igreja Primitiva).

4. Abominar que hajam castiçais sobre o altar, e colocá-los distantes demais do altar (como se os castiçais estivessem iluminando meramente “o ambiente”, e não carregando de esplendor o altar, especificamente), e por vezes deixar um único castiçal próximo ao…ambão! Isso, evidentemente, descaracteriza o altar. Em tempo: os castiçais não precisam estar necessariamente sobre o altar, mas podem estar próximo a ele, como afirma a Instrução Geral do Missal Romano (n. 117). Há uma vantagem em que os castiçais não estejam sobre o altar, que é o fato de deixar o altar somente para o oferecimento do Santo Sacrifício, já que altar não é mesa; aliás, tradicionalmente na Missa Tridentina (a forma tradicional do Rito Romano), os castiçais normalmente NÃO ficam sobre o altar propriamente dito, mas juntamente com os arranjos de flores sobre o retábulo, que fica entre o altar e a parede. Porém, é preciso levar em contas também a questão estética e do esplendor do próprio altar (e isso depende do tamanho do presbitério, do altar e outras questões estéticas), e não nos parece que seja o caso rechaçar totalmente que os castiçais estejam sobre o altar, aliás, nas próprias Missas celebradas pelo Santo Padre Bento XVI em Roma, os castiçais ficam sobre o altar.

5. Rechaçar o costume tradicional de decorar o altar com belos arranjos de flores, que são um dos elementos que o enchem de esplendor. Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração: “Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.”

Que pela intercessão da Santíssima Virgem e dos santos anjos, nós façamos parte daqueles que reconhecem a Presença Real e Substancial do Deus-Amor Sacramentado, na Hóstia Consagrada!

As fontes e bases da Doutrina Social da Igreja

Como é a vida em sociedade, ou melhor, como ela deveria ser?

Atenta às necessidades do homem, a Igreja procura orientar essa vivência, de forma que todos possam ter vida plena com justiça, paz, boas condições de trabalho, respeito recíproco e, acima de tudo, dignidade humana. Esses são alguns dos principais temas tratados na Doutrina Social da Igreja.

Nesta semana, o noticias.cancaonova.com inicia uma série de cinco reportagens sobre essa temática, discutindo alguns pontos-chaves da doutrina, como a relação pessoa-sociedade, família, justiça social e trabalho e dignidade humana.

Na primeira reportagem, Evandro Gussi, doutor em Direito do Estado e professor na área de Doutrina Social da Igreja, explica o que é a doutrina e quais são as suas bases. “Desde que há Igreja, há um ensino sobre como nos comportarmos nas relações que nós possuímos na vida humana, as relações sociais”.

Evandro informa que, em fins do século XIX, surge uma novidade que é a Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII. Ela trouxe uma especificidade magisterial, ou seja, o ensino social da Igreja que estava diluído em todo o pensamento católico começou a ganhar um lugar específico nesse ensino que a Igreja traz para o homem.

Princípios básicos

A fonte da Doutrina Social da Igreja tem duas vertentes: a lei natural, que é a capacidade do homem compreender a racionalidade do mundo, e a revelação, ou seja, Deus que se revela ao homem.

Quanto aos princípios nos quais a doutrina se baseia, esses são vários, mas alguns podem ser tidos como principais. O bem comum é um dos destacados por Evandro, que fala também da destinação universal dos bens: o que existe no mundo, em primeiro momento, é destinado a todos, tendo sua conquista submetida ao esforço humano.

Somando esses dois princípios, o professor cita a subsidiariedade (não dar a instâncias maiores o que as menores podem fazer. Exemplo: a educação dos filhos é dever da família, e não do Estado), o da participação (direito e dever de participar nas decisões econômicas, sociais e políticas) e o da solidariedade (ver no outro um outro “eu”).

Doutrina Social da Igreja x ideologia

Não raramente entende-se a Doutrina Social da Igreja como uma ideologia da Igreja. Gussi explicou que há vários significados para a palavra “ideologia”. Considerando aquele comumente utilizado, que faz alusão, por exemplo, à ideologia marxista, Evandro afirma que a doutrina não é ideologia.

“A Doutrina Social da Igreja está no âmbito da Teologia Moral. Na verdade, ela é ensino da Igreja Católica, da mesma forma como a Igreja tem a doutrina sobre os sacramentos, sobre tantos assuntos, temos uma sobre como a pessoa deve se comportar na sociedade”.

Um ponto ressaltado pelo professor é que a doutrina vem da contemplação da realidade, ou seja, a Igreja olha para o que é concreto e não somente para o que ela acha que deveria ser. “Quando a Igreja defende a família, ela percebe que no decorrer da história da pessoa humana o ser humano nunca foi feliz fora da família adequadamente constituída”.

Evandro lembra ainda que todos os Papas desde Leão XIII, que começou esse ensino mais específico, deixam claro que a  Doutrina da Igreja, sobretudo a Doutrina Social da Igreja, não pode ser reduzida a uma ideologia. “A Doutrina Social da Igreja reconhece que há campos onde se possa discutir ideários políticos, sócio-econômicos e assim por diante. Isso está no âmbito da liberdade acadêmica e científica, mas tentar reduzir a doutrina a uma ideologia, qualquer que seja, é destruí-la”.

A doutrina além da religião

Tendo em vista os princípios amplos, que contemplam a defesa do bem comum, da dignidade do homem, reflexões sobre o trabalho e família, por exemplo, a Doutrina Social da Igreja não se restringe aos católicos, embora formulada especificamente pela Igreja Católica.

Para Evandro, esses valores devem influenciar a vida social. Ele acredita que a Igreja foi uma grande contribuinte para o progresso da humanidade.

“A Igreja é perita em humanidade. Ninguém se dedicou a compreender a pessoa humana e essas relações tanto e durante tanto tempo quanto a Igreja Católica. Quando a Igreja fala desses temas, ela não está levando dogmas para a vida civil, mas lançando luzes. (…) É um erro grave dos nossos tempos ter pessoas que, em nome de uma falsa concepção de Estado laico ou de sociedade laica, desprezam este ensino da Igreja”.

Todos esses princípios da Igreja que ajudam a compreender a vida em sociedade estão reunidos no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, lançado pelo Pontifício Conselho da Justiça e Paz em 2004. O documento está disponível gratuitamente no site oficial do Vaticano.

 

Padre comenta vida em sociedade à luz da doutrina social
Segundo padre Joãozinho, é dever do homem ajudar o próximo naquilo que ele não tem condições de fazer

A pessoa é um ser social. Na segunda reportagem da série sobre Doutrina Social da Igreja, o assunto em pauta é a sociabilidade da pessoa humana. A Igreja, através da doutrina, tem uma palavra a dizer sobre a vida em sociedade.

Doutor em Educação, Teologia e Espiritualidade, padre João Carlos Almeida, o padre Joãozinho, scj, desmistifica a visão de muitos de que as igrejas deveriam ficar na dimensão da prece, sem discorrer sobre questões sociais.

“Quem entendeu a dimensão do céu procura transfigurar as coisas da terra (…) Não se pode simplesmente separar a alma para o cuidado das religiões e a sociedade que cuide do corpo. A religião se ocupa de saúde e de salvação, do cuidado desta unidade integral que é a pessoa humana”.

Entendendo, então, a preocupação da Igreja com o ser humano, um dos princípios da Doutrina Social da Igreja é o da sociabilidade humana. Sobre esse princípio, padre Joãozinho reflete que a humanidade é constituída de relações solidárias. “A solidão nos asfixia e nos rouba a identidade original. A santidade é este ‘instinto de comunhão’ que nos provoca a ser-para-o-outro”.

Equilíbrio social

Buscando o estabelecimento de boas relações sociais e a contribuição ao respeito mútuo, a doutrina traz alguns princípios básicos. Para padre Joãozinho, a dignidade humana é o fundamento principal.

O sacerdote explica que a humanidade já cresceu tendo enraizado em si esse princípio, que é um direito inviolável, inalienável e sagrado. “Na base desta dignidade, está o direito à vida. A Doutrina Social da Igreja apresenta os fundamentos para que a Igreja defenda com todas as suas forças a vida da sua concepção ao seu fim natural. Desta raiz, brotam outros princípios básicos: o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade”.

O bem comum, segundo explica o padre, é uma responsabilidade de todos. E a partir dele, vem a questão da destinação universal dos bens, que entende que o acúmulo de riqueza privada só tem sentido se for utilizado em vista da função social do capital.

“Se for apenas para manter interesses mesquinhos, ela provoca empobrecimento e morte. Portanto, a doutrina reconhece o direito humano à propriedade privada, desde que submetida à destinação universal dos bens. Isto significa que a propriedade privada não é um fim em si, mas apenas um meio”, explica.

Outra questão contemplada pela doutrina é a subsidiariedade. A lógica desse princípio é que, sendo a sociedade um corpo, cada um subsidia a fragilidade do outro. “Temos o dever de completar com nosso auxílio o que a fraqueza do irmão não permite que ele faça por si”.

Convívio social e participação

Com todos esses princípios, a Doutrina Social da Igreja dá destaque para a vida em comunidade, considerando-a uma característica natural do homem. Porém, na lógica da vida moderna aparece o individualismo, o que acaba ferindo esse princípio solidário. Nesse contexto, padre Joãozinho cita um paradoxo da modernidade – a internet – que ao mesmo tempo em que une, separa.

“A Internet tornou possível as Redes Sociais. Apesar disso, vemos aquele casal sair para jantar e ficar o tempo todo digitando em seus celulares enquanto os filhos param de pedir atenção aos pais, bajulados não mais pelo bico, mas pelo tablet. Na contramão desta tendência, a doutrina mostra que é preciso favorecer núcleos de comunhão e partilha”.

Como um desses núcleos, o sacerdote cita a família, lugar onde se aprende a viver em sociedade. Além dela, ele elencou o mundo do trabalho e da educação, o universo da política e das organizações sociais.

Em todos esses âmbitos, cada ser está envolvido, uma vez que é parte da sociedade. Isso desperta o questionamento sobre a participação, que também está prevista na doutrina da igreja. Segundo padre Joãozinho, é legítimo que a pessoa reivindique seus direitos. Ele diz que a doutrina reconhece, por exemplo, o direito do trabalhador fazer greve quando esta é um recurso inevitável.

“Afirma-se a legitimidade da pressão exercida por meios pacíficos sobre empregadores, Estado e opinião pública. Porém, torna-se ‘moralmente inaceitável quando é acompanhada de violências ou ainda quando se lhe atribuem objetivos não diretamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum'”.

 

Família é a coluna vertebral da humanidade, diz professor
Felipe Aquino é professor em História da Igreja e defende o estudo da doutrina social  

Definida pelo Papa João Paulo II como o “santuário da vida”. Bento XVI a qualificou como “patrimônio da humanidade”. Considerada o berço da sociedade, a família também é objeto de atenção na Doutrina Social da Igreja.

Nesta terceira reportagem da série especial, o assunto é a família à luz da doutrina. Professor de História da Igreja do Instituto de Teologia Bento XVI, da diocese de Lorena (SP), autor de vários livros sobre doutrina católica e pai de cinco filhos, o professor Felipe Aquino fala da estrutura familiar como a coluna “vertebral da humanidade”.

Segundo os princípios da Doutrina Social da Igreja, a família é a célula vital da sociedade, tendo relevância para a pessoa e, consequentemente, para o ambiente social. “É a instituição humana mais importante que existe. A doutrina social ensina que as outras instituições têm que cuidar da família e respeitá-la”, afirma o professor.

Realidade do século XXI

Ancorada em princípios morais e éticos, a família depende de meios externos para sua sobrevivência. Professor Felipe fala, por exemplo, da subsistência familiar, que envolve a casa para o casal, o salário, assistência médica, segurança e educação.

No contexto atual, marcado por crises econômicas em tantos países, nem sempre todo esse suporte é oferecido, o que implica, segundo Felipe, na impossibilidade da família cumprir sua função de formar membros para a sociedade. “Falta uma vontade política, de certa forma, de privilegiá-la como a instituição mais importante da sociedade”.

Além de questões sociais, há também novos rearranjos familiares: casais sem filhos, mães solteiras, casais homossexuais. Embora respeite quem vive essa realidade, a Igreja não a reconhece como família, explica o professor. “A doutrina ensina que a família é a união de um homem com uma mulher e os filhos. As outras formas de família, alternativas, a doutrina considera como realidades falsas, não são famílias verdadeiras”.

Atuação da Igreja

Diante da importância da família, professor Felipe lembrou que a Igreja não deixa de manifestar sua preocupação com ela, e isso transcende o aspecto espiritual. Ele disse que a Igreja atua com os documentos e também junto às instituições sociais e políticas, pedindo que haja forte atenção com essa que é a base da sociedade.

Como exemplos, Felipe citou o Catecismo da Igreja Católica (CIC), que dedica um capítulo inteiro à Doutrina Social da Igreja. Além disso, há o Compêndio da doutrina, disponível gratuitamente na internet, e os esforços da CNBB em promover a família na sociedade.

O professor defende que o conteúdo da Doutrina Social da Igreja precisa ser do conhecimento popular, pois se trata de uma “receita” que a Igreja dá a luz do Evangelho para que a sociedade viva bem.

“No meio dessa confusão de ideologias e filosofias que existem no mundo, muitas delas adversas ao Evangelho, a Igreja coloca com clareza a posição dela e a de Deus, que instituiu a família e a conhece. Ninguém melhor do que Deus e, consequentemente a Igreja, sabe falar sobre família”.

 

É preciso ter esperança cristã mesmo nas injustiças, destaca bispo
Evandro Gussi é professor de Doutrina Social da Igreja  

Para além do relacionamento social e da proteção da família, enquanto célula vital da sociedade, a Doutrina Social da Igreja também atenta para a justiça e igualdade no ambiente social. A justiça, inclusive, está entre os valores fundamentais para a vida social.

Embora a doutrina traga valores para serem aplicados em prol do bem social, nem sempre eles são concretizados. A generalização de um comportamento que se afasta do que a doutrina recomenda acaba, muitas vezes, desiludindo a sociedade, que passa a não acreditar na possibilidade de uma vida justa e igualitária.

Professor em Doutrina Social da Igreja, Evandro Gussi, que também é doutor em Direito do Estado, explica que essa tendência vem do esquecimento dos valores que a Igreja trouxe para a humanidade. Além disso, falta o reconhecimento da dignidade da pessoa humana, da igualdade da pessoa humana.

Esse é um quadro que, embora pessimista, pode ser revertido. O bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Pedro Cunha, lembra a necessidade de um otimismo evangélico, de forma que a esperança cristã sempre caminhe com os cristãos.

“Nós entendemos que, muitas vezes, a própria vida política entra em contraste com o aspecto que a Igreja ensina a partir dos seus documentos sociais. Portanto, mesmo em clima de diferença, de dificuldade que encontramos na sociedade não podemos jamais desanimar, pelo contrário, o cristão é chamado a saborear o mundo com a doutrina de Cristo”.

Compromisso cidadão

Em contrapartida à esperança cristã citada pelo bispo, muitas vezes o sentimento diante das injustiças sociais é de revolta, especialmente entre os mais atingidos por esta carência. Evandro lembra, porém, que se por um lado há uma revolta, por outro falta participação do povo na vida política.

“Se eu acho que a ordem política e socioeconômica não está bem organizada, a Igreja nos dá um dever, sobretudo a nós leigos, de interferir positivamente nesta ordem política. Não com revolta, não com ofensa aos direitos dos outros, não com desrespeito à propriedade, mas com uma postura de quem quer construir a civilização do amor”.

E a política, na visão de Dom Pedro, não deve ser vista como um mal, mas sim como um meio de transformação. O individualismo e a indiferença, por exemplo, são classificadas pelo prelado como “pragas” do tempo atual, mas ele reconhece que às vezes acabam sendo um sintoma da perda da esperança na vida política.

O bispo informou que há um trabalho da Igreja, inclusive na arquidiocese do Rio, de preparar os católicos para que entrem na vida política e transformem o que seja necessário para que a sociedade viva a dimensão igualitária. E há também o acompanhamento daqueles cristãos que já se inseriram no meio.

“Acho que esse seria um caminho que faz transformar esse clamor de tantas pessoas por uma transformação social, política e econômica do nosso país”.

Estímulo do Papa Francisco

Se todas essas questões já eram preocupação da Igreja, agora se intensificaram com o Papa Francisco, que desde o início de seu pontificado tem evidenciado a preocupação com os pobres e com a justiça social. Evandro recorda que cada Papa revela um traço do rosto de Cristo e que, no caso de Francisco, o destaque é essa capacidade de comunicação.

“O que no fundo o Papa Francisco tem realizado é essa capacidade de comunicar as verdades de sempre da Igreja e do Evangelho”.

O professor lembra que Francisco vem frisando para as pessoas que o problema do pobre, do outro que passa necessidade não é simplesmente no Estado ou do outro, mas de cada um. “Eu devo abraçar a carne de Cristo naquele que sofre. É isso que o Papa nos ensinou”.

E para colocar esses ensinamentos em prática, Dom Pedro Cunha indica tornar conhecido dos cristãos e da sociedade como um todo os documentos sociais da Igreja. “Formar bem os nossos cristãos para tomar conhecimento dessa grande riqueza, desse arcabouço doutrinário da Igreja”.

 

Trabalho foi feito para o homem e não o contrário, diz especialista
Dom Pedro Stringhini e Prof. Felipe Aquino  

Necessário para a subsistência humana, porém problemático quando exaltado em detrimento das demais relações sociais. Nesta última reportagem da série especial sobre Doutrina Social da Igreja, o tema é a visão cristã do trabalho.

A Igreja sempre viu o trabalho como muito importante, pois foi colocado pelo próprio Deus como meio de redenção. Quem explica é o professor Felipe Aquino, que dá aulas sobre História da Igreja.

Ele destaca as duas finalidades do trabalho, sendo a primeira delas a construção da obra de Deus. “Deus não entregou o mundo pronto pra gente. Deus valoriza o homem quando Ele dá inteligência e as mãos para com isso o homem trabalhar e construir, colocar a sua marca na criação de Deus”. Outra perspectiva é a da redenção, tendo em vista que com o trabalho o homem fica ocupado e não tem desvio para os vícios.

Felipe acrescenta que, desde os primeiros séculos, o trabalho foi visto como importante na vida da Igreja. Os monges beneditinos, por exemplo, dividiam sua vida em duas partes: rezar e trabalhar. Ele explica que foi justamente no contexto da Revolução Industrial que a Igreja iniciou sua doutrina social, com o Papa Leão XIII. Com a Encíclica Rerum Novarum, o então Pontífice pediu a justiça social, incentivando as classes trabalhadoras a defenderem seus direitos justos.

“Nós podemos dizer que a Igreja foi uma das primeiras instituições que levantou essa bandeira da justiça social. Mas ela nunca aceitou o confronto, a luta de classes, a violência”.

Outra relação direta do trabalho é com a dignidade humana. Membro da Comissão para a Caridade, Justiça e Paz da CNBB, Dom Pedro Luís Stringhini diz que o trabalho é a medida da dignidade. “Quem não tem trabalho sente-se ferido em sua dignidade. (…) O desemprego é uma grande chaga, já que o trabalho, como dizia o Papa João Paulo II, é a ‘chave da questão social'”.

Excesso x necessidade

Embora necessário para a dignidade humana, professor Felipe lembra que o homem não foi feito para o trabalho, e sim o contrário. “O homem não pode ser escravo do trabalho. E isso acontece quando ele se torna egoísta e quer se enriquecer demais pelo trabalho e acaba sacrificando sua própria vida, a vida da família, aí é um perigo”.

O perigo é eminente tendo em vista que o trabalho, na verdade, não é um fim, e sim um meio. Mas no contexto atual não é raro encontrar uma inversão de valores, que colocam o trabalho e o dinheiro acima da pessoa humana. Um exemplo disso, segundo Dom Pedro, é a exploração.

“A exploração acontece sempre quando alguém está buscando lucro para si de modo egoísta, e lucro exagerado, pior ainda quando vindo da corrupção”, disse.

Outra questão levantada por alguns é a não-necessidade de trabalhar. A justificativa é o princípio da transitoriedade humana, dizendo que a vida verdadeira é na eternidade. Professor Felipe lembra, porém, que esta vida eterna se prepara aqui no mundo.

“Cada minuto que a gente vive aqui a gente está semeando a eternidade e o trabalho é um desses meios. O trabalho é santificador. A precariedade das coisas exige mais ainda que o homem trabalhe, porque se eu não trabalho eu não consigo vencer essa precariedade”.

Descanso

A Igreja valoriza as férias, o período de descanso para o trabalhador. Mas o conceito de descanso, segundo esclarece Felipe, não é ficar sem fazer nada, e sim mudar de atividade. Ele explica que há a necessidade de sair da rotina de trabalho e ter, por exemplo, mais tempo de lazer e para os filhos.

“O conceito que a Igreja coloca de descanso e de férias não é ociosidade, mas uma mudança de atividade para re-oxigenar a cabeça, o corpo, descansar. O conceito de descanso não é o do ócio, porque o ócio pode levar ao pecado e ao vício. Então, é você se ocupar com outras atividades que levem ao descanso”.

“Fé e medo” disputam o coração do homem

Segunda meditação do Padre Ermes Ronchi, nos exercícios espirituais – OSS_ROM 07/03/2016

Ariccia (RV) – Prosseguem, em Ariccia, nas proximidades de Roma, os exercícios espirituais do Papa com seus colaboradores da Cúria Romana. Depois da primeira meditação, domingo (06/03), na chegada, esta manhã pregador, Padre Ermes Ronchi, propôs como tema o trecho evangélico de Marcos “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”.

O medo é a falta de confiança em Deus

“Medo e fé” – afirmou o religioso servita – são “os antagonistas que disputam eternamente o coração do homem. A Palavra de Deus, do início ao fim da Bíblia, conforta e insiste: não temeis, não tenhais medo!”. “O medo não é tanto a falta de coragem, mas a falta de confiança. O medo de Deus é porque temos uma imagem errada Dele, como Adão e Eva que creem que num “Deus que tira e não num Deus que ama”:

“Creem num Deus que rouba liberdade, ao invés de dar possibilidades; creem num Deus a quem interesse mais a lei do que a alegria de seus filhos; num Deus que julga, do qual fugir e não correr atrás; um Deus, no fundo, de quem não se deve confiar. O primeiro de todos os pecados é o pecado contra a fé”.

Deus não nos salva da cruz, mas na cruz

Citando o teólogo luterano alemão Bonhoeffer, Padre Ronchi disse que “Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento, não protege da dor, mas na dor, não salva da cruz, mas na cruz. Deus não traz a solução de nossos problemas, traz a si mesmo e doando-se, nos da tudo. Pensávamos que o Evangelho resolveria os problemas do mundo ou pelo menos reduziria as violências e as crises da história, mas não é assim. Ao contrário, o Evangelho trouxe consigo a negação, as perseguições e outras cruzes; por exemplo, pensemos nas 4 religiosas mortas em Aden”.

“Jesus – observou o pregador – nos ensina que existe um único modo para derrotar o medo: a fé!. E a missão da Igreja, também em seu interno – é liberar do medo que nos leva a vestir máscaras diferentes com os nossos parente, colegas e superiores. Quem transmite a fé deve educar a não ter medo, não incutir medo e libertar do medo”:

A Igreja e a fé mesclada com o medo

“Por muito tempo, a Igreja transmitiu uma fé mesclada de medo, que rodava ao redor do paradigma culpa/ castigo, e não de florescimento e plenitude. O medo nasceu em Adão porque ele não soube imaginar a misericórdia e seu fruto, que é a alegria. O medo, por sua vez, produz um cristianismo triste, um Deus sem alegria. Libertar do medo significa trabalhar para retirar o véu de medo do coração de tantas pessoas: o medo do outro, o medo do estrangeiro. Passar da hostilidade, que pode ser instintiva, à hospitalidade; da xenofobia à xenofilia… e libertar os fiéis do medo de Deus, ser anjos que libertam do medo”. (CM)

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