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Histórias e contos de Natal

Nenhum conto pode competir com o que escreveu Charles Dickens em 1844, Conto de Natal.
Através dos sonhos que sobressaltam ao rico avarento Mr Scrooge, Dickens sabe evocar todas as nostalgias do Natal. E mostra que o principal calor desses dias nasce do carinho nos lares. Boa pregação e mensagem para as festas. Poucos o terão lido e quase todos o terão visto em alguma das múltiplas versões cinematográficas. Porque é uma das histórias que mais vezes foi levada ao cinema. A primeira foi em 1913.
Desde então, se rodou de todas as maneiras possíveis, inclusive em desenhos animados (Murakami) e com fantoches (e Michel Caine). Mas a versão mais famosa é a de Brian Desmond Hust (1951), com um impressionante Alistair Sin como Mr Scrooge. Ano após ano, volta à tela, o inesquecível filme de Frank Capra, Que belo é viver. No fundo, é uma releitura da história de Dickens. Com James Stewart a ponto de suicidar! se, um simpático anjo não lhe fizesse pensar no que teria passado se não tivesse vivido. Ninguém está sobrando no mundo. Também é uma boa mensagem de Natal.
Algo tem o Natal quando suas histórias e contos podem dizer-nos simplesmente coisas tão importantes. Como se estivessem dirigidas a crianças, são recordadas aos grandes. Já as sabemos, mas, em outras circunstâncias, nos dá pudor dizê-las. Quiçá porque são enormemente bonitas, simples e ternas. Em outras épocas do ano, preferimos linguagens abstratas, que sempre são menos ternas que os contos. Provavelmente é uma maneira de resistir-se a reconhecer que, no fundo, seguimos sendo crianças. Porque aspiramos ao mesmo que elas: um pouco de carinho, um pouco de proteção, um pouco de festa e tempo para brincar. O mundo dos grandes, com suas seriedades e preocupações, é só para as horas de trabalho. Mas a felicidade tem que ver com o que ingenuamente desejam as crianças. Não há outra fórmula: “Se não vos fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus…”.
O Natal, por ser para as crianças, é tempo de histórias e contos. E, desde que existe a Internet, podem ser encontrados milhares na rede. Para todos os gostos. Também há contos horrorosos, desesperançados e pós-modernos. Querem ser contos para os grandes e, por isso mesmo, perderam o Norte, e não sabem aonde vão. Pelo contrário, me aconselharam o conto que publicou faz poucos anos Enrique Monasterio, A Manjedoura que Deus colocou. Começa de uma maneira preciosa: “No princípio Deus quis colocar um Presépio e criou o universo para enfeitar a manjedoura”. Explica que o Natal “não é um aniversário, nem uma recordação; muito menos é um sentimento; é o dia em que Deus coloca uma manjedoura em cada alma”. E com essa inspiração constrói seu relato. Estupendo.
Mas a principal história do Natal não é um conto nem uma recreação literária. É a recordação do Nascimento de Jesus, o Filho de Deus que nasceu de Maria naquela noite, santa desde então.
Por isso, antes que um conto, no Natal é preciso recomendar os começos do Evangelho de São Lucas e de São Mateus. Na Alemanha, existe o entranhável costume de ler em família, em voz alta, junto a Manjedoura, o capítulo 2 de São Lucas, na mesma noite de Natal. Ali aparecem Maria e José, e nos é contado que não encontraram lugar na pousada, e que tiveram que buscar um presépio. E se recorda a imensa alegria dos anjos e seu anúncio aos pastores. Com essa mensagem de Deus, que sempre é oportuna para os homens que devemos ser crianças: “Glória a Deus no Céu e paz na terra aos homens que ama o Senhor”.

JESUS VEM ME VISITAR!
Imagine que um amigo lhe telefona agora e avisa que daqui a 30 minutos Jesus virá visitá-lo.
Desligando o telefone você olha ao seu redor e vê que a faxina não foi feita, não há nada especial na geladeira ou na despensa para servir e corre para varrer rapidinho a sala, arruma umas almofadas no sofá para que Jesus se sinta mais confortável e coloca uma Bíblia estrategicamente aberta na mesa de centro.
Esconde os cigarros, os cinzeiros sujos, as bebidas alcoólicas, as revistas impróprias, CDs de rock pesado, forró duplo sentido, os livros de bruxas e Harry Potter dos seus filhos adolescentes, DVDs inadequados a uma casa cristã, o buda de gesso, os livros de Kardec, Paulo Coelho e esoterismo que estão na estante, e de repente bate o desespero.
É tanta coisa para esconder de Jesus que nem dará tempo tentar, e o pior, ainda preciso tomar um banho, pentear os cabelos e vestir uma roupa apropriada para a ocasião! Mas que roupa deveria vestir?
O desespero se instala!
O celular toca. É seu amigo novamente, agora avisando que Maria Santíssima virá com seu Filho Jesus e trarão também alguns anjos da corte celeste.
E agora? Como receberei o céu em minha casa no meio daquele caos? Sento-me exausto e choro. Choro e esqueço do relógio. Minha vida passa por meus pensamentos com um filme. A cada erro que relembro ter cometido, é como se uma espada penetrasse o meu coração por ter ofendido à Deus. Enquanto aquele choro sincero lava a minha alma esqueço da hora e me assusto com a campainha que toca. Vou cabisbaixo abrir a porta, como olharei para Jesus, Maria e seus anjos, todo desgrenhado, olhos inchados, suado e infeliz?
Ao me deparar com o Rei dos reis na minha porta, meu impulso é jogar-me ao chão. O impacto da Sua presença me paralisa. Passado o choque, mãos fortes e amorosas, mãos paternais me ajudam a levantar, e uma voz cálida e trovejante me transpassa a alma ferida. Aqueles olhos profundos, de uma santidade e misericórdia jamais descritíveis, me olham com um misto de piedade e alegria. Esqueço de quem sou e me entrego a um abraço longo, onde todo um passado equivocado é trocado por uma nova vida de certezas.
Já refeito, olho para a doce Mãe ali na porta da minha casa esperando ser acolhida, e então os convido:
Meu Senhor e minha Mãe, não tenho nada para ofertar-lhes, minha casa está despreparada assim como está também o meu coração, mas, vejo todo o amor do mundo em vossos olhos e seria uma imensa honra recebê-los. Se ainda quiserem, por favor, podem entrar!
Estamos no advento. Todos os anos nós cristãos deveríamos aproveitar este período para refazer nosso relacionamento com Deus e nos preparar dignamente para recebê-lo, não somente no natal, mas, em qualquer dia, todos os dias!
Quando Jesus veio pela primeira vez muitos O rejeitaram e nossos pecados O rejeitam até hoje.
Ele vem pela segunda e definitiva vez. A hora e o dia não sabemos, mas, estejamos prontos para que não sejamos surpreendidos de mãos e corações vazios.
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação” (Lc 21, 25-28).
“Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do homem” (Lc 21, 34-36).
“Eis que Estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei Eu com ele, e ele Comigo” (Ap 3, 20).
“Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos a nossa morada” (Jo 14, 23).

Lançamento da Pedra Fundamental da nova Capela de Nossa Senhora de Lourdes

CONVITE

Bairro Jardim Mauá – Novo Hamburgo – RS

“Em tudo o que fizerdes, ponde a vossa alma, como para o Senhor e não para homens, sabendo que o Senhor vos recompensará como a seus herdeiros” (Cl 3, 23-24).

A Paróquia Nossa Senhora da Piedade está dando os primeiros passos para a edificação do templo de sua Capela mais antiga, dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. No próximo dia 08 de dezembro, às 20h, celebraremos a Santa Eucaristia no local, implorando a bênção de Deus sobre a obra, seguida do rito de lançamento da pedra fundamental.
Será uma grande alegria contarmos com a sua presença nesse momento tão importante para a história de nossa comunidade católica.

 

CAMPANHA DOS DEVOTOS

Ajude a construir a Capela de Nossa Senhora de Lourdes, em homenagem à nossa Padroeira, em seu Jubileu de Ouro.

Local: Rua Lagoa Vermelha, 45, Bairro Jardim Mauá

Dê a sua contribuição, com qualquer quantia, depositando no Banco Sicredi / Agência 0101 / Conta Corrente nº 11358-2, em nome da Mitra da Diocese de Novo Hamburgo / CNPJ 90.831.660/0013-40.
Ou se preferir, entregue a sua doação na Secretaria da Paróquia Nossa Senhora da Piedade do Bairro Hamburgo Velho.
NOTA: Não temos cobradores ambulantes.

Divulgue esta Campanha!
Ofereça uma rosa a Nossa Senhora de Lourdes com esse seu gesto de amor!

“Quando eu digo Ave-Maria, os Anjos sorriem, o mundo se alegra,
os Céus rejubilam, o inferno treme, e o diabo foge” (São Francisco de Assis).

NOSSA SENHORA DE LOURDES, SAÚDE DOS ENFERMOS!
ROGAI POR NÓS, QUE RECORREMOS A VÓS!

 

A Capela Nossa Senhora de Lourdes do Bairro Jardim Mauá, parcela viva da Paróquia Nossa Senhora da Piedade do Bairro Hamburgo Velho de Novo Hamburgo foi fundada em 11 de março de 1967, por vinte e duas pessoas interessadas em construir uma Capela Católica na então Vila Fleck.
No dia 30 de dezembro daquele mesmo ano foi inaugurada a Capela (templo de madeira).
Quantas pessoas colaboraram para que ela fosse construída?
Quantas pessoas colaboraram para mantê-la preservada?
Na década de 1990, pelo estado precário em que se encontrava, foi demolida e assim foi construído o salão e as salas de catequese, em dois andares, dificultando o acesso aos mais idosos que não podiam subir escadas.
Passados 50 anos, com a Campanha do Livro de Ouro e também com outras ações, estamos arrecadando o necessário para a construção da nova Capela, tão almejada. A pessoa que deseja fazer parte dessa Campanha deve passar na Secretaria Paroquial, ou contatar os membros do Conselho Econômico da Capela, e fazer constar o seu nome no Livro (o valor mínimo sugerido é de R$ 50,00). Faça esse gesto de carinho para a Igreja de Cristo.
Seu nome estará registrado entre aqueles que fazem parte desta obra. Contribua!
Agradeço sua generosa doação e rogo a Deus que te cubra de bênçãos e proteção.

Pe. Inácio José Schuster
Pároco

O Credo como chave para a conversão pessoal

… e antídoto contra o relativismo

Vaticano, 17 Out. 12 / 02:41 pm (ACI).- Diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro na manhã desta quarta-feira 17 de outubro, o Papa Bento XVI apresentou a oração do Credo como chave para a conversão pessoal e antídoto contra o relativismo e o subjetivismo. Com esta alocução Bento XVI começa um novo ciclo de catequeses que ele pronunciará durante o ano da Fé.

“Hoje gostaria de introduzir o novo ciclo de catequeses, que se desenvolve durante todo o Ano da Fé há pouco iniciado e que interrompe – por este período – o ciclo dedicado à escola da oração”, afirmou o Papa no início da sua alocução.

“A ocorrência dos cinquenta anos de abertura do Concílio Vaticano II é uma ocasião importante para retornar a Deus, para aprofundar e viver com maior coragem a própria fé, para fortalecer a adesão da Igreja, “mestra da humanidade”, que através do anúncio da Palavra, a celebração dos Sacramentos e as obras de caridade nos guia a encontrar e conhecer Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem”, sublinhou .

“Trata-se do encontro não com uma ideia ou com um projeto de vida, mas com uma Pessoa viva que transforma em profundidade nós mesmos, revelando-nos a nossa verdadeira identidade de filhos de Deus”.

“Ter fé no Senhor não é um fato que interessa somente à nossa inteligência, a área do saber intelectual, mas é uma mudança que envolve a vida, todos nós mesmos: sentimento, coração, inteligência, vontade, corporeidade, emoções, razões humanas”, ensinou o Papa.

Bento XVI advertiu que “hoje é necessário confrontar com clareza, enquanto as transformações culturais em ocorrência mostram sempre tantas formas de barbáries, que passam sobre o sinal de “conquistas da civilização”: a fé afirma que não há uma verdadeira humanidade se não nos lugares, nos gestos, nos tempos e nas formas em que o homem é animado pelo amor que vem de Deus, exprime-se como dom, manifesta-se em relações ricas de amor, de compaixão, de atenção e de serviço desinteressado para o outro. “

“Onde há domínio, desejo de posses, mercantilização, exploração do outro para o próprio egoísmo, onde tem arrogância do eu fechado em si mesmo, o homem está empobrecido, degradado, desfigurado. A fé cristã, operante na caridade e forte na esperança, não limita, mas humaniza a vida, de fato a torna plenamente humana”, esclareceu o Pontífice.

“Eis então a maravilha da fé: Deus, no seu amor, cria em nós – por meio da obra do Espírito Santo – as condições adequadas para que possamos reconhecer a sua Palavra. Deus mesmo, na sua vontade de manifestar-se, de entrar em contato conosco, de fazer-se presente na nossa história, nos torna capazes de escutá-Lo e de acolhê-Lo”, precisou.

“Mas onde encontramos a fórmula essencial da fé? Onde encontramos a verdade que nos foi fielmente transmitida e que constitui a luz para a nossa vida cotidiana? A resposta é simples: no Credo, na Profissão de Fé o Símbolo da fé, nós nos reportamos ao evento originário da Pessoa e da História de Jesus de Nazaré”, destacou Bento XVI

Sobre a importância do Credo ou Símbolo da Fé, o Santo Padre afirmou que “também hoje precisamos que o Credo seja melhor conhecido, compreendido e pregado. Sobretudo é importante que o Credo seja, por assim dizer, “reconhecido”. Conhecer, de fato, poderia ser uma operação somente intelectual, enquanto “reconhecer” quer significar a necessidade de descobrir a ligação profunda entre a verdade que professamos no Credo e a nossa existência cotidiana, para que esta verdade seja verdadeiramente e concretamente – como sempre foi – luz para os passos do nosso viver”.

“Em efeito, conhecer poderia ser uma ação só intelectual, enquanto que ‘reconhecer’ quer dizer a necessidade de descobrir a profunda conexão que há entre as verdades que professamos no Credo e nossa vida cotidiana, para que estas verdades sejam real e efetivamente –como sempre foram– luz para os passos de nossa vida, água que rega nosso caminho árido e sedento, vida que vence alguns desertos da vida contemporânea. No Credo se enxerta a vida moral do cristão, que nele encontra seu fundamento e sua justificação”.

O Papa alertou também para o fato que “os processos da secularização e de uma mentalidade niilista generalizada, em que tudo é relativo, impactaram fortemente a mentalidade comum”.

“Assim, a vida é vista sempre com leveza, sem ideais claros e esperanças sólidas, dentro das ligações sociais e familiares líquidas, provisórias. Sobretudo as novas gerações não vêm educadas para a busca da verdade e do sentido profundo da existência que supera o contingente, da sensibilidade dos afetos, da fidelidade”.

“Pelo contrário –continuou o Papa- o relativismo leva a não ter pontos fixos, a suspeita e o volúvel causam rupturas nas relações humanas, ao tempo que a vida se vive em experimentos que duram pouco, sem assumir-se responsabilidade alguma”.

O Papa explicou também que “o relativismo leva a não ter pontos fixos, suspeita e volatilidade que causam inconstâncias nas relações humanas, enquanto a vida é vivida dentro de experiências que duram pouco, sem assumir responsabilidades. (..) Não se pode dizer que os cristãos estão totalmente imunes deste perigo, com o qual somos confrontados na transmissão da fé”.

“O próprio cristão não conhece nem sequer o núcleo central da própria fé católica (…). Não está tão longe hoje o risco de construir, por assim dizer, uma religião “faça você mesmo”.

“Devemos, em vez disso, voltar a Deus, ao Deus de Jesus Cristo, devemos redescobrir a mensagem do Evangelho, fazê-lo entrar de modo mais profundo nas nossas consciências e na vida cotidiana”, assinalou Bento XVI.

“Nas catequeses deste Ano da Fé gostaria de oferecer uma ajuda para fazer este caminho, para retomar e aprofundar a verdade central da fé em Deus, no homem, na Igreja, em toda a realidade social e cósmica, meditando e refletindo sobre as afirmações do Credo.

“Conhecer Deus, encontrá-Lo, aprofundar o conhecimento de sua face põe em jogo a nossa vida, porque Ele entra nos dinamismos profundos do ser humano”, concluiu o Santo Padre.

Aparecida e sua mensagem

Pe. Rinaldo Roberto de Rezende, Cura da Catedral de São Dimas

Bem escreveu Dom Helder Câmara, saudoso arcebispo de Recife e Olinda: “Não nos basta tua sombra, ó Mãe, comove-nos tua imagem!” É assim que nos sentimos diante da pequenina imagem da Senhora Aparecida. Como aconteceu esta “aparição”? A história é muito comentada, mas podemos nos perder nos detalhes e, por isso, arrisco contá-la numa pequena síntese.
Em 1717, iria passar pelo nosso Vale do Paraíba o Conde de Assumar, uma visita ilustre para os pobres moradores da região ribeirinha. Fazia parte da viagem passar pelo Porto de Itaguaçu, hoje cidade de Aparecida. Conta-se que iriam servir uma refeição para o Conde. O que tinham de melhor? Os peixes do Rio Paraíba. Mas o rio não estava para peixe. Com receio de não terem o que servir, pediram ajuda aos céus. Lançaram as redes, e nada. Até que pescaram o corpo de uma pequena imagem e, em seguida, veio para a rede a cabeça, da mesma imagem.
Que imagem era essa? Uma imagem barroca, de terracota, da Imaculada Conceição. Acredita-se que esta imagem tenha sido lançada no Rio Paraíba na altura da cidade de Jacareí. Por sinal, bem junto à ponte que liga a Praça dos Três Poderes ao bairro São João, existe uma antiga capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Mais um detalhe, a padroeira da Matriz de Jacareí é a Imaculada Conceição. A partir daí a pequenina imagem de cor morena, devido ao lodo do fundo do rio, passou a ter como casa a casa dos pescadores. Tempos depois improvisaram uma pequena capela.
A fama da imagem foi crescendo. Qual imagem? Aquela “aparecida” nas águas do rio. Daí vem o nome, que se tornou nome de tantos e tantas: Aparecida. Alguém poderia se perguntar: qual a mensagem deixada? Como tantos outros já disseram, aqui registro o seguinte: a mensagem de Aparecida está ligada ao modo como apareceu e ao contexto histórico.
A imagem da Imaculada Conceição traz Maria grávida de Jesus. É de uma mulher grávida. Maria vem para nos apresentar Jesus, para nos apresentar a Jesus. Isto é o que importa. A imagem está de mãos postas, como que rezando. A nós ela pede que façamos o que Jesus nos disser, a Ele ela intercede por nós: “Eles não têm mais vinho”, como no Evangelho de João, no capítulo segundo. A cabeça e o corpo precisam ser unidos, como a Igreja Corpo Místico de Cristo precisa estar unida a “Cristo Cabeça”. Sem Ele, cabeça deste corpo, nada somos e nada podemos. Ainda, a imagem vem para a barca dos pescadores. A barca é símbolo da Igreja nos Evangelhos. Maria entra na história do nosso povo, da Igreja no Brasil. A imagem brota das águas, como nós brotamos para a Igreja pelas águas purificadoras do Batismo. A imagem vem para os pequenos, para os pobres, e num período em que os negros viviam no regime da escravatura. Aí vem uma outra “coincidência”: só em 1888 a imagem recebe uma “casa digna”, que hoje chamamos de Basílica Velha. Parece-nos que ela esperou seus pobres filhos serem libertos para aceitar um presente melhor. A casa só veio quando seus filhos foram libertos. Ela é a Mãe Morena do povo brasileiro.
Também quero sublinhar os presentes que o povo deu à imagenzinha: uma coroa, uma capa. Assim ela foi ornamentada. Deus se encantou com esta mulher e a fez sua Mãe. Ela, por sua vez, também nos encantou. Contemplando a pequenina imagem, vemos um esboço de sorriso em seus lábios. Ela é, sem dúvida alguma, o sorriso de Deus para a nossa gente, para todos nós!

Tesouros Litúrgicos

Pe. Paulo H. Gozzi, SSS

Temos afirmado sempre que Liturgia se faz a partir do povo, sua cultura, sua poesia, seus gestos e costumes e que é preciso respeitar a variedade dos povos que aceitaram a fé e querem exprimi-la a seu modo. Mas existem coisas que atravessam séculos e milênios, certas jóias poéticas, verdadeiros tesouros de arte e rara beleza, que não podem se perder. Refiro-me a alguns hinos compostos no começo da Igreja que foram inseridos na Liturgia Eucarística e permanecem até hoje. Em tempos de reforma litúrgica, surge uma legião de compositores animados e inspirados que dão sua valiosa contribuição em letra e música, enriquecendo e embelezando os rituais. Por serem artistas, deveriam conhecer melhor a história e as origens litúrgicas de certos hinos e respeitá-los mais.
Vejamos o Hino do GLÓRIA. No dizer de um liturgista “é o mais belo, o mais popular e o mais antigo canto cristão chegado até nós” (P. Maranget). Ele foi composto entre os anos 160 e 180, isto é, no século II, à maneira de um salmo bíblico e era cantado somente na noite de Natal por causa de suas primeiras palavras: Gloria in excelsis Deo (Lucas 2, 14) O Papa Símaco (498-514) pediu que fosse cantado em todos os domingos e festas. Ele não é uma simples aclamação à Santíssima Trindade. É uma glorificação a Deus Pai e ao Cordeiro. Muitos compositores fizeram uns Glorinhas resumidos louvando a Trindade.  Eles precisam aprender a compor somente a música colocando-a em cima dessa letra tão antiga e venerável. As comunidades devem voltar a cantar o Hino tradicional que nunca foi abandonado em dois mil anos. Não será agora no século XXI que ele vai desaparecer…
Outro hino igualmente venerável é o Sanctus. As novas composições musicais desviaram totalmente o sentido de aclamação e alteraram por completo a letra. É um hino ligado à liturgia judaica, pois é composto a partir de Isaias 6, 3: Santo, Santo, Santo é Javé dos exércitos, a sua glória enche toda a terra. Em Mateus 21, 9 encontramos: Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto do céu! É bom lembrar que os judeus jamais pronunciam o nome JAVÉ em suas celebrações. Então, por respeito a eles, que são os depositários do Primeiro Testamento (que chamamos de Antigo), nós também não devemos usar esse nome na Liturgia e, sim, fazer como eles, trocando por SENHOR: Santo, Santo, Santo é o SENHOR, Deus do Universo. O céu e a terra proclamam a sua glória, hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor, hosana nas alturas! Essas palavras são bíblicas e nenhum compositor deveria ter o atrevimento de alterá-las. Assim, comunidade alguma deveria cantar o Santo com letra diferente, por mais linda que seja a melodia.
E o Pai-nosso, então? O próprio Jesus compôs a letra (Mateus 6, 7-13) e alguns têm a ousadia de mudá-la ao seu sabor e conveniência. O Documento 43 da CNBB diz: Por ser a Oração que o Senhor nos ensinou, não deve ser nunca substituída por outros cantos, parafraseando o Pai-nosso. Um desconhecido compositor fez uma paráfrase que ainda é cantada em muitos lugares, cheia de erros de português, usando Tu, Vós, Você, com melodia sentimentaloide, monótona, arrastada, barroca e excessivamente longa (quase quatro minutos), contra a simplicidade e sobriedade que se requer. E o que é pior: é herética, ensinando o contrário do que Jesus ensinou. Diz assim: Perdoai as nossas ofensas de um modo maior do que nós perdoamos…! É muita pretensão e arrogância! O Senhor afirma a igualdade do perdão de Deus com o nosso perdão. Perdoai as nossas ofensas, ASSIM COMO nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Nosso perdão é condição no mesmo grau para que haja o perdão de Deus. Perdoando pouco, Deus nos perdoará pouco, da mesma maneira, do mesmo modo!
Na Liturgia, além da criatividade, é preciso ter muito amor e respeito à Tradição, preservando certos tesouros, a fim de que as gerações futuras possam também usufruir deles no louvor perfeito.

As mudas do Reino

É dever dos cristãos espalhar boas sementes pelo mundo

Há pessoas com tamanho gosto pelas plantas que se dedicam a recolher, por onde passam, mudas e sementes, para que a vida dada por Deus, na magnífica e variada flora de nossa região, se multiplique por toda parte. Há gente que passa por nossas ruas com carrinhos repletos de madeira, papelão ou ferro velho, para transformar em trocados ou em salário. Os lixões da vida estão repletos de catadores, diante dos quais muitos podem até virar o rosto, mas se esconde ali uma dignidade desconcertante.

E quantos são os homens e mulheres, artistas e poetas, quais trovadores do dia ou da noite, que andam catando versos e compondo melodias feitas de rimas incríveis, carregadas do humor ou da angústia do cotidiano. E não são poucas as pessoas que recolhem imagens, para que dos pincéis dos pintores ou das máquinas fotográficas ou filmadoras passem aos corações a moldura da vida, com rostos e mais rostos.

A crônica da cidade poderia se enriquecer com tantas outras figuras provocantes ou curiosas, todas participantes do agitado malabarismo do viver, que recolhem pedaços de histórias e de coisas, para compor o grande concerto de nossa aventura humana.

Visto do alto, onde se encontra o Senhor, Aquele que está também bem perto de nós, dentro de nós e no meio de nós, o mundo fica até bonito. É que se trata de limpar os olhos para enxergar melhor, para superar o derrotismo dos pessimistas ou a ingenuidade dos que só enxergam a superfície. Há vida pulsando nas veias da humanidade e da terra.

Há um plano de amor com que tudo foi feito pelo Deus, que é amor. De fato, “assim diz o Senhor Deus: Eu mesmo pegarei da copa do cedro, do mais alto de seus ramos arrancarei um rebento e o plantarei sobre um alto e escarpado monte. Eu o plantarei no alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um majestoso cedro. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de seus galhos as aves farão ninhos. E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abato a árvore alta e exalto a árvore baixa, faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, falei e farei” (Ez 17,22-24). Deus é “incorrigível” em Sua mania de fazer jardins e pomares! (cf. Gn 1-3).

A força criadora do amor de Deus faz com que o bem se espalhe e se multiplique. É como “alguém que espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece” (Mc 4,26-34). Faz parte da vida cristã identificar os sinais da presença de Deus na história humana, olhar ao redor e perceber o bem que se faz, para entender as parábolas da vida que o Senhor continua contando. Em tais novas parábolas, os personagens somos nós mesmos, pois Deus nos chama a sermos sinais de Seu Reino.

Entretanto, com muita propriedade, vem à tona o problema do mal. Desde os primórdios, os seres humanos inventaram mil formas para estragar o jardim plantado por Deus. Até a isso se responde com a belíssima parábola do joio e do trigo (cf. Mt 13,24-43). “Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal” (Mt 13,40-41) Enquanto o mundo for mundo, haverá a misteriosa presença do mal. Identificá-lo dentro e fora de nós e oferecer soluções é tarefa permanente.

Até para denunciar o mal existente, o melhor remédio é espalhar o bem. Vale a máxima de São Francisco de Sales: “Com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre”. E temos à disposição remédios preciosos: a pregação da conversão, a oração, os sacramentos e o cultivo do “amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pd 4,8).

Como cristãos, auguramos que as sementes do bem se espalhem, cresçam e frutifiquem, para que a árvore do Reino de Deus abrigue, como aves do céu, gente de todas as raças e nações. Como nada podemos em nossa fraqueza, suplicamos o socorro da graça de Deus para que possamos querer e agir conforme Sua vontade, seguindo os Dez Mandamentos. Não faz mal sonhar alto com um mundo novo!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

A obra da Igreja e de Cristo progride sempre

Domingo, 15 de julho de 2012 / Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa saúde fiéis presentes em Castel Gandolfo para o Angelus  

Após celebrar a Santa Missa na cidade de Frascati, neste domingo, 15, o Papa Bento XVI retornou a Castel Gandolfo para a oração do Angelus junto aos fiéis que o aguardavam no pátio da residência apostólica.

“A obra de Cristo e da Igreja jamais regride, mas sempre progride”, foi a sua mensagem antes da recitação da oração mariana, inspirada pela liturgia deste domingo e pela memória que a Igreja faz, nesta data, de São Boaventura, o sucessor de São Francisco na condução da Ordem dos Frades Menores.

Jamais para trás, sempre para frente. A obra da salvação trazida por Cristo dois mil anos atrás aos homens pode ser lida retrospectivamente como história, mas jamais registrará uma regressão, porque aquilo que é de Cristo é progressão contínua.

Bento XVI adquire essa certeza em São Paulo, que na Carta aos Efésios, proclamada na liturgia deste domingo em todas as Missas, oferece uma síntese extraordinária “em quatro passagens” daquele “desígnio de bênção” que Deus – explicou – derramou sobre a humanidade com a vinda de Cristo.

“Nele” – escreve o Apóstolo dos Gentios – “ele nos escolheu antes da fundação do mundo”, “Nele” fomos redimidos, “Nele” nos tornamos herdeiros, “Nele” quem crê no Evangelho recebe o “sigilo do Espírito Santo”:

“Este hino paulino contém a visão da história que São Boaventura contribuiu para difundir na Igreja: toda a história tem como centro Cristo, o qual assegura também novidade e renovação em todo tempo. Em Jesus, Deus disse e deu tudo, mas como Ele é um tesouro inexorável, o Espírito Santo jamais deixa de revelar e de atualizar o seu mistério. Por isso a obra de Cristo e da Igreja jamais regride, mas sempre progride.”

Essa visão de Cristo como “centro inspirador” da história foi um ponto nodal também da teologia de São Boaventura, cuja memória a Igreja celebra em seu calendário litúrgico em 15 de julho.

Na alocução que precedeu a oração dominical, o Papa recordou que com a morte de São Francisco foi São Boaventura o sucessor dele na condução dos Frades.

Foi também ele quem escreveu a primeira biografia de São Francisco, e foi também São Boaventura, nos últimos anos de sua vida, a transferir-se como bispo para a Diocese de Albano, da qual faz parte Castel Gandolfo:

“Numa carta, Boaventura escreve: ‘confesso diante de Deus que a razão que mais me fez amar a vida do beato Francisco é que ela se assemelha ao início e ao crescimento da Igreja’ (…) Francisco de Assis, após a sua conversão, praticou ao pé da letra esse Evangelho, tornando-se uma fidelíssima testemunha de Jesus; e associado de modo singular ao mistério da Cruz, foi transformado num ‘outro Cristo’, como o próprio São Boaventura o apresenta.”

Nossa Senhora do Carmo

No momento das saudações conclusivas, feitas em seis línguas aos diferentes grupos de fiéis e peregrinos reunidos no pátio interno da residência pontifícia de Castel Gandolfo, Bento XVI, que pouco antes recordara outra memória litúrgica, a desta segunda-feira dedicada a Nossa Senhora do Carmo, ressaltou em polonês outro apelativo de “Mãe de Deus do Escapulário”, com a qual é recordada a Virgem do Carmelo, e acrescentou:

“João Paulo II carregava consigo o sinal de sua consagração pessoal a Nossa Senhora do Carmo, o escapulário, que tanto estimava. A todos os seus compatriotas – na Polônia, no mundo, a todos vocês aqui presentes hoje em Castel Gandolfo – que Maria, a melhor das mães, os envolva com o seu manto na luta contra o mal, interceda no pedido de graças, e lhes mostre os caminhos que levam a Deus.”

Aos brasileiros

Entre os peregrinos presentes, encontrava-se também um grupo de brasileiros, aos quais o Santo Padre fez a seguinte saudação:

“Dirijo agora uma saudação especial para os peregrinos de língua portuguesa, nomeadamente para os fiéis da Paróquia São José, de Bragança Paulista e para o grupo de Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, acompanhadas de professores de escolas brasileiras. Agradecido pela amizade e orações, sobre todos invoco os dons do Espírito Santo para serem verdadeiras testemunhas de Cristo no meio das respectivas famílias e comunidades, que de coração abençoo”.

Papa: Ascensão do Senhor, continuação da missão por parte da Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração do Regina Coeli, neste domingo (28/5/2017), com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou a Ascensão do Senhor, celebrada neste domingo, quarenta dias depois da Páscoa.

“Os versículos que concluem o Evangelho de Mateus nos apresentam o momento da despedida definitiva do Ressuscitado aos seus discípulos. O cenário é o da Galileia, lugar onde Jesus os chamou para segui-lo e para formar o primeiro núcleo de sua comunidade nova. Agora, aqueles discípulos passaram através do fogo da paixão e da ressurreição. Ao verem Jesus ressuscitado eles se prostram diante dele, alguns porém ainda duvidam. A esta comunidade amedrontada, Jesus deixa a grande tarefa de evangelizar o mundo; e concretiza esta tarefa com o mandato de ensinar e batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Segundo o Papa, “a Ascensão de Jesus ao céu constitui o fim da missão que o Filho recebeu do Pai e o início da continuação desta missão por parte da Igreja. A partir deste momento, do momento da Ascensão, a presença de Cristo no mundo é mediada através de seus discípulos, daqueles que acreditam Nele e o anunciam. Esta missão durará até o fim da história e contará todos os dias com a assistência do Senhor ressuscitado, que garante: “Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

“A sua presença traz fortaleza nas perseguições, conforto nas tribulações, sustento nas situações difíceis que a missão e o anúncio do Evangelho encontram. A Ascensão nos recorda esta assistência de Jesus e de seu Espírito que dá confiança e segurança ao nosso testemunho cristão no mundo. Revela-nos porque existe a Igreja: a Igreja existe  para anunciar o Evangelho! Somente para isso! A alegria da Igreja é anunciar o Evangelho.”

Francisco disse ainda que “todos nós batizados somos a Igreja. Hoje, somos convidados a entender melhor que Deus nos deu a grande dignidade e responsabilidade de anunciá-lo ao mundo, de torná-lo acessível à humanidade. Esta é a nossa dignidade, esta é a maior honra de cada um de nós, batizados na Igreja!”

“Nesta festa da Ascensão, enquanto voltamos o nosso olhar para o céu, onde Cristo subiu e está sentado à direita do Pai, fortalecemos os nossos passos na terra para prosseguir com entusiasmo e coragem o nosso caminho, a nossa missão de testemunhar e viver o Evangelho em qualquer ambiente. Estamos bem conscientes de que isso não depende em primeiro lugar de nossas forças, da capacidade organizacional e recursos humanos. Somente com a luz e a força do Espírito Santo podemos efetivamente cumprir a nossa missão de fazer conhecer e experimentar cada vez aos outros o amor e a ternura de Jesus.”

O Papa pediu “à Virgem Maria para nos ajudar a contemplar os bens celestes, que o Senhor nos promete, e a nos tornar testemunhas cada vez mais críveis de sua Ressurreição, da vida verdadeira.”

(MJ)

Igreja e sociedade

Uma Igreja da verdade, da bondade e da beleza

Dentro dos conceitos apresentados pela tradição bimilenar da Igreja, sua fundamentação está baseada na figura da Santíssima Trindade, na profunda unidade entre as três pessoas, formando uma verdadeira comunidade. O que faz esta unidade é a intensidade vivenciada no amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O papa Francisco, que vem encantando o mundo com seus gestos e expressões de simplicidade, em sua primeira coletiva com os jornalistas, fez uma declaração fundamental sobre a Igreja: Precisamos de “uma Igreja pobre para os pobres”, uma Igreja “da verdade, da bondade e da beleza”. Ele valoriza o papel do jornalista na divulgação da mensagem cristã.

Sentimos a presença da sabedoria de Deus neste momento histórico da Igreja. Significa que ela ainda pode dar uma contribuição positiva para a sociedade. Isto aconteceu no passado e em todas as áreas da cultura, sendo impossível negar uma realidade tão marcante na ciência, na história, na literatura, na área científica, nas questões sociais etc. Houve muita coisa negativa por ser formada de humanos.

O mundo faz o caminho do bem e do mal. Não é por acaso que muitos optam pelo bem e não se deixam levar pela maldade, que não condiz com a vontade do Criador. O mal causa destruição e infelicidade para as pessoas envolvidas. Além disto, ele contamina os desprevenidos e desestruturados em sua vida de fé e de cidadania.

O Papa Francisco fala de uma Igreja “da verdade”. Os apóstolos tiveram dificuldade para entender que o projeto de Deus é da verdade e passa pela derrota, pelo dom gratuito, como o fez Jesus até a morte. Hoje, não é diferente numa cultura que proclama a felicidade como “gozo” descomprometido e individualista.

A sociedade é formada por cidadãos que proclamam fé em Deus e outros que seguem diferentes princípios. A Igreja tem por meta, dentro dos ensinamentos de Jesus Cristo, fazer com que todos os cidadãos tenham vida e dignidade. Se não é isto, seu caminho está fora do querer e da vontade de Deus.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Acolher a vitória de Cristo sobre o mal na própria vida

Segunda-feira do Anjo

VATICANO, 01 Abr. 13 / 01:47 pm (ACI/EWTN Noticias).- Ao presidir a oração do Regina Caeli nesta segunda-feira da Oitava de Páscoa, conhecida como Segunda-feira do Anjo, o Papa Francisco alentou todos a acolher a vitória de Cristo sobre o mal em nossa vida, para que o ódio deixe lugar ao amor e a tristeza à alegria.

Ante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa pronunciou estas palavras:

“Queridos irmãos e irmãs,

Bom dia e boa Páscoa a todos vocês! Agradeço-vos por terem vindo também hoje em grande número, para compartilhar a alegria da Páscoa, mistério central da nossa fé. Que a força da Ressurreição de Cristo possa atingir cada pessoa – especialmente quem sofre – e todas as situações mais necessitadas de confiança e esperança.

Cristo venceu o mal de modo pleno e definitivo, mas corresponde também a nós, os homens de cada tempo, acolher esta vitória na nossa vida e nas realidades concretas da história e da sociedade. Por isto parece-me importante destacar aquilo que hoje pedimos a Deus na liturgia: “Ó Pai, que fazes crescer a tua Igreja doando-lhe sempre novos filhos, concede a teus fiéis expressar na vida o sacramento que receberam na fé” (Oração Coleta da Segunda-Feira da Oitava de Páscoa).

É verdade, o Batismo que nos faz filhos de Deus, a Eucaristia que nos une a Cristo, devem transformar-se em vida, traduzir-se, isso é, em atitudes, comportamentos, gestos, escolhas. A graça contida nos Sacramentos pascais é um potencial de renovação enorme para a existência pessoal, para a vida das famílias, para as relações sociais. Mas tudo passa pelo coração humano: se eu me permito alcançar a graça de Cristo ressuscitado, se me permito mudar naquele meu aspecto que não é bom, que pode fazer mal a mim e aos outros, eu permito à vitória de Cristo ter sucesso na minha vida, ampliar a sua ação benéfica.

Este é o poder da graça! Sem a graça não posso fazer nada. Sem a graça não podemos nada! E com a graça do Batismo e da Comunhão eucarística posso me tornar instrumento da misericórdia de Deus, daquela bela misericórdia de Deus!

Expressar na vida o sacramento que recebemos: eis, queridos irmãos e irmãs, o nosso compromisso cotidiano, mas direi também a nossa alegria cotidiana! A alegria de sentir-se instrumentos da graça de Deus, como ramos da videira que é Ele próprio, animados pela seiva do seu Espírito!   Rezemos juntos, em nome do Senhor morto e ressuscitado, e pela intercessão de Maria Santíssima, para que o Mistério pascal possa operar profundamente em nós e neste nosso tempo, para que o ódio deixe lugar ao amor, a mentira à verdade, a vingança ao perdão, a tristeza à alegria”.

Depois de concluir a oração do Regina Caeli, o Santo Padre saudou os peregrinos dos distintos continentes e desejou a todos que vivam serenamente esta Segunda-feira do Anjo, na qual ressoa com força o anúncio contente da Páscoa: “Cristo ressuscitou!” e concluiu desejando “Boa Páscoa a todos! Boa Páscoa a todos e bom almoço!”.

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