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Santa Mônica, mulher forte!

A história de santa Mônica é o exemplo mais palpável de quanto pode uma mãe na educação dos filhos e de quanto deve a Igreja às mães cristãs. Santo Agostinho confessa que, depois de Deus, tudo deve a sua mãe. Por isso fala dela com tanto carinho e lágrimas, quando recorda a sua morte. «Não calarei o que me nasce da alma sobre aquela serva vossa que me deu à luz na sua carne para que nascesse para esta vida temporal, e em seu coração para a eterna». Mônica deveu a sua educação cristã «não tanto à diligência da sua mãe, quanto à duma criada decrépita», que se ocupava das filhas dos seus senhores, como se fossem próprias. Educada com honestidade e temperança, casou-se por vontade dos pais com um gentio, chamado Patrício, que ela desde o princípio se esforçou por ganhar para Deus com as virtudes e bons costumes «com que se tomava formosa e reverentemente amável». Seu marido, como pagão, não reconhecia a lei da fidelidade conjugal. Mônica «de tal maneira suportou as suas infidelidades conjugais, que nunca teve com o marido a menor altercação; porque esperava que a vossa misericórdia viesse em ajuda dele, para, crendo em Vós, se tornar casto». Tinha Patrício temperamento forte e muito iracundo, diz-nos seu filho santo Agostinho. «Mas ela sabia não resistir ao marido irado, não já com obras mas nem mesmo com palavras. Depois de ele desafogar e sossegar, se o julgava oportuno dava-lhe explicação do seu proceder, no caso de ele se ter descomposto com alguma desconsideração». O mesmo santo Agostinho nos conta que havia muitas mães de família com maridos mais mansos, que apresentavam os rostos afeados com os sinais das violências que lhes imprimiam os seus esposos. Enquanto elas tornavam.a culpa à vida desordenada dos maridos, Mônica atribuía-a à língua delas. Sabendo todas que feroz marido tinha ela de suportar, maravilhavam-se de nunca Patrício lhe ter batido e perguntava-lhe familiarmente qual o segredo. Ela respondia-lhes que o seu segredo era calar e mostrar-se sempre submissa e sacrificada. As que seguiam esta norma matrimonial, depois de a experimentarem, davam-se os parabéns; as que não a seguiam, sofriam a sujeição e os maus tratos. Mônica, com a sua paciência e silêncio, conseguiu ganhar o marido e até convertê-lo à fé em Cristo. Desde esse momento, já não teve de sofrer a infidelidade. Tropeçou também Mônica com a sogra, suspicaz e avinagrada, e diz-nos Santo Agostinho que «de tal maneira a ganhou com atenções e perseverando em agüentá-la com mansidão», que a converteu na sua melhor panegirista e advogada. Outra grande virtude lhe tinha concedido Deus: «que, entre quaisquer pessoas zangadas e discordes, se mostrava quanto podia tão pacificadora que ouvindo dum e de outro lado amargas acusações… nada referia de uma parte à outra, senão o que podia servir para as reconciliar». Com os pobres e transeuntes foi sempre caritativa e esmo ler, «serva dos vossos servos». A grande obra de santa Mônica foi a conversão e mudança do seu filho Agostinho. Na África velou pelas companhias e mestres do filho, pelos seus costumes, por que se casasse honestamente. Quando soube que o filho projetava trasladar-se a Itália, resolveu embarcar com ele para continuar sendo o seu anjo da guarda. Mas Agostinho, a quem estorvava a companhia santificadora da mãe, conseguiu, enganando-a, fazer-se à vela. «Naquela noite eu parti às escondidas, ela ficou orando e chorando. E que vos pedia com tantas lágrimas, Deus meu?» Chegou Agostinho a Roma e adoeceu, longe da mãe: «Não conhecia a minha mãe o meu perigo; mas ausente orava por mim; e Vós, em toda a parte presente, onde ela orava ouvíei-la, e onde eu estava Vos apiedáveis de mim para que recuperasse a saúde do corpo, embora o coração seguisse delirando com erro sacrílego». De Roma trasladou-se Agostinho para Milão e aqui o encontrou a mãe: «Já a minha mãe, forte com a sua piedade, tinha vindo para o meu lado, seguindo-me por mar e por terra, confiando em Vós em todos os perigos; tanto que nas tempestades do mar esforçava até os marinheiros, fazendo votos por que chegasse com felicidade». Em Milão teve Mônica um enorme gozo: o filho Agostinho tinha travado amizade com santo Ambrósio, bispo da cidade. E redobrou desde então as suas lágrimas e orações, sendo constante na igreja. E o dia suspirado chegou por fim. Quando santo Agostinho comunicou à mãe o propósito, não só de fazer-se católico, mas de consagrar-se totalmente ao serviço de Cristo no estado de castidade perfeita, a mãe não coube em si de gozo. «E trocastes o seu pranto e lágrimas em gozo, muito mais copioso do que ela tinha apetecido, e muito mais caro e casto do que esperava dos netos da minha carne». Isto sucedeu em 387, a 24 ou 25 de Abril. Pouco depois, adoecia e morria Santa Mônica, dentro ainda do ano de 387, como se Deus lhe tivesse conservado a vida só para alcançar a conversão do filho. Cumprida a sua missão neste mundo, não lhe ficava senão subir ao paraíso e receber a coroa das virtudes. Contemplando a beleza e grandeza do amor – na praia de Óstia, junto a Roma – submergiam-se Mônica e Agostinho na felicidade dos santos. Depois de conversarem cinco dias sobre a felicidade do céu, adoecia ela: «Aqui enterrareis a vossa mãe», disse aos seus dois filhos. Agostinho calava-se e reprimia o pranto. A mãe continuou: «Enterra i este corpo em qualquer parte; não continue em vós a preocupação de cuidar dele; somente vos peço que, onde quer que vos encontrardes, vos lembreis de mim diante do altar do Senhor». «No dia nono da sua doença, aos 56 anos da sua idade e 33 da minha, aquela alma piedosa e religiosa foi desatada do corpo. Quando lhe fechava os olhos, afluiu ao meu coração imensa tristeza, que se transformava em lágrimas… E agora, Senhor, eu Vo-lo confesso neste escrito, leia-o quem quiser, e interprete-o como queira. E se achar pecado chorar eu, por uma exígua parte de uma hora, a minha mãe, que por tantos anos me chorou diante dos vossos, não se ria; antes, se tem grande caridade, chore também ele pelos meus pecados diante de Vós, Pai de todos os irmãos do vosso Cristo».

A grandeza da santidade de Agostinho influiu para que sua festa fosse precedida pela de sua santa mãe. A sua vida só é conhecida por nós através das “Confissões” do filho, que tem sobre ela paginas estupendas. Crista de fé robusta, profundamente piedosa, alcançou com sua bondade converter o marido pagão e irascível, e com a força das preces e das lagrimas, o filho transviado. Esperou dezesseis anos com incrível paciência que Agostinho se emendasse. Em busca de aventura, o filho foi para a Itália. Mônica por sua vez, foi a Roma procura-lo, depois a Milão, onde assistiu ao seu batismo. Não mais voltou a África, pois morreu em Óstia, antes do embarque. Forte de ânimo, ardente na fé, firme na esperança, de inteligência brilhante, sensibilíssima às exigências da convivência, assídua na oração e na meditação da Sagrada Escritura.

Texto de Santo Agostinho sobre sua mãe:
Procuremos alcançar a sabedoria eterna Estando bem perto o dia que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem. Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2, 9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti. Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, o Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou não sei. Toda a esperança terrena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”. O que lhe respondi não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me e mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?” Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isso, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Olha o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminado como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença. Finalmente, no nono dia de sua doença, aos cinqüenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo.
Do Livro das Confissões, de Santo Agostinho, bispo. (Lib. 9,10-11: CSEL 33,215-219) (Séc. V).

Orações: Nobilíssima Santa Mônica rogai por todas as mães, principalmente por aquelas mães que se esquecem que ser mãe é sacrificar-se com alegria e amor. Rogai virtuosa Santa Mônica, para que se abram os olhos e as almas de todas as mães, para que elas enxerguem a beleza da vocação materna. A beleza do sacrifício materno. Em um tempo em que se questiona por que se deve deixar nascer um bebê anencéfalo, rogai Santa Mônica, para que todas as mães saibam abraçar com Fé o sofrimento e a dor, assumam seus filhos com coragem, como instrumento de santificação para suas famílias, e para sua própria santificação. Amém.
Ó Esposa e Mãe exemplar, Santa Mônica: Tu que experimentastes as alegrias e as dificuldades da vida conjugal; Tu que conseguiste levar à fé teu esposo Patrício, homem de caráter desregrado e irascível; Tu que chorastes tanto e oraste dia e noite por teu filho Agostinho e não o abandonaste mesmo quando te enganou e fugiu de ti. Intercede por nós, ó grande Santa, para que saibamos transmitir a fé em nossa família; para que amemos sempre e realizemos a paz. Ajuda-nos a gerar nossos filhos também à vida da Graça; conforta-nos nos momentos de tristeza e alcança-nos da Santíssima Virgem, Mãe de Jesus e Mãe nossa a verdadeira paz e a Vida Feliz. Amém.
Mônica encarna o modelo de esposa ideal e mãe cristã. Santa Mônica, rogai por nós!

Santo Evangelho (Mc 12, 28b-34)

9ª Semana Comum – Quinta-feira 07/06/2018

ANO PAR
Primeira Leitura (2Tm 2,8-15)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.

Caríssimo, 8lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu evangelho. 9Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada. 10Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. 11Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. 12Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. 13Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo. 14Lembra-lhes tais coisas e conjura-os por Deus a evitarem discussões vãs, que de nada servem a não ser para a perdição dos ouvintes. 15Empenha-te em apresentar-te diante de Deus como homem digno de aprovação, como operário que não tem de que se envergonhar, mas expõe corretamente a palavra da verdade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 24)

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!
— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação.

— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.

— Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.

 

ANO ÍMPAR
Primeira Leitura (Tb 6,10-11;7,1.9-17;8,4-9a)  
Leitura do Livro de Tobias.

Naqueles dias, 6,10 depois de penetrarem na Média e aproximan­do-se de Ecbátana, 11 Rafael disse ao jovem: “Tobias, meu irmão!” “Pronto!”, respondeu-lhe Tobias. Rafael prosseguiu: “Esta noi­te devemos hospedar-nos em casa de Raguel”. Este homem é teu parente e tem uma filha que se chama Sara. 7,1 Quando entraram em Ecbátana, Tobias disse a Rafael: “Azarias, meu irmão, conduze-me diretamente à casa do nosso irmão Raguel”. O anjo assim o fez. Encontraram Raguel senta­do junto à porta do pátio e foram os primeiros a saudá-lo. Raguel respondeu: “Muitas saudações, irmãos! Sejam bem-vindos e te­nham saúde!” E os fez entrar em casa. 9 Matou depois um car­neiro do rebanho e fez-lhes calorosa recepção. Depois de toma­rem banho e se terem purificado, puseram-se à mesa. Tobias disse então a Rafael: “Azarias, meu irmão, dize a Raguel que me dê Sara, minha irmã, como esposa. 10 Raguel ouviu aquelas palavras e disse ao jovem: “Come, bebe e passa tranquilamente esta noite. Não há ninguém com direito de receber Sara, minha filha, como esposa, senão tu, meu irmão. Do mesmo modo, tam­bém eu não tenho direito de dá-la a ninguém senão a ti, porque és o meu parente mais próximo. Vou, no entanto, dizer-te toda a verdade, meu filho. 11 Dei-a a sete homens dentre nossos ir­mãos, e todos morreram na noite em que iam aproximar-se dela. Agora, filho, come e bebe, e o Senhor providenciará por vós”. 12 Tobias respondeu: “Não comerei nem beberei, antes que deci­das a minha situação”. Raguel respondeu: “Está bem. E a ti que ela é dada, de acordo com a prescrição do Livro de Moisés. As­sim, se o céu decreta que ela te seja dada, leva contigo tua irmã. Desde agora, tu és seu irmão e ela tua irmã. Desde hoje, ela te é entregue para sempre. Que o Senhor do céu vos faça felizes esta noite, meu filho, e vos conceda misericórdia e paz!” 13 Raguel chamou Sara, sua filha, e ela se aproximou. Ele tomou-a pela mão e entregou-a a Tobias, dizendo: “Recebe-a de acordo com a Lei e de acordo com o preceito escrito no Livro de Moisés, pelo qual ela te deve ser dada como esposa. Toma-a e leva-a, feliz, à casa de teu pai. Que o Deus do céu vos conduza em paz!” 14 Chamou a mãe da moça e disse-lhe que trouxesse uma folha de papiro para escrever o contrato de casamento, declarando que a entregava a Tobias como esposa segundo a sentença da Lei de Moisés. E a mãe dela trouxe a folha de papiro e ele escreveu e assinou. Depois disso, começaram, então, a comer e a beber. 15 Raguel chamou Edna, sua mulher, e disse-lhe: “Irmã, prepara outro quarto e conduze Sara para lá”. 16 Ela foi preparar o leito no quarto, como o marido lhe dissera e para lá conduziu a filha. Chorou sobre ela, mas em, seguida, enxugou as lágrimas e dis­se-lhe: 17 “Coragem, minha filha! O Senhor do céu mude em ale­gria a tua tristeza. Coragem, filha!” E saiu. 8,4 Depois, os pais retiraram-se e fecharam a porta do quarto. Tobias levantou-se do leito e disse a Sara: “Levanta-te, irmã! Oremos e imploremos a nosso Senhor que nos conceda miseri­córdia e salvação”. 5 Ela levantou-se, e ambos se puseram a orar e a suplicar que lhes fosse concedida a salvação. Ele começou dizendo: “Tu és bendito, ó Deus de nossos pais, e bendito é o teu nome, por todos os séculos e gerações! Que os céus e todas as tuas criaturas te bendigam por todos os séculos! 6 Foste tu quem criou Adão, e para ele criaste Eva, sua mulher, para que lhe servisse de ajuda e apoio. De ambos teve início a geração dos homens Tu mesmo disseste: ‘Não é bom que o homem esteja só. Vamos fazer-lhe uma auxiliar semelhante a ele’. 7 Agora, Se­nhor, não e por desejo impuro que eu recebo, como esposa, esta minha irmã, mas faço-o de coração sincero. Sê misericordioso comigo e com ela e concede-nos que cheguemos, juntos, a uma idade avançada”. 8 Disseram, depois, a uma só voz: “Amém! Amém!” 9a E recolheram-se ao leito, aquela noite.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 127)  

— Felizes todos que respeitam o Senhor!
— Felizes todos que respeitam o Senhor!

— Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz tudo irá bem!

— A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.

— Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor e abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

 

Evangelho (Mc 12,28b-34)  

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28bum mestre da Lei aproximou-se de Jesus e perguntou-lhe: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendi­mento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro man­damento maior do que estes”. 32O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pedro de Córdova, fiel leigo

São Pedro de Córdova e companheiros, testemunharam com esperança a ressurreição

O santo de hoje viveu num tempo de grande perseguição. Foi no século IX, no ano de 851: um rei de outra religião estava impondo para os cristãos a renúncia de Cristo e a adesão a tal outra religião. Claro que muitos optaram pela fidelidade a Jesus, mesmo em meio às ameaças e perseguições.

Pedro, fiel leigo, que foi para Córdova junto com outro amigo por causa dos estudos, deparou-se com aquela perseguição. Eles se apresentaram a um juiz, que questionou a fé daqueles cristãos. E Pedro respondeu testemunhando Jesus Cristo, falando sobre a verdadeira religião, da Salvação, do único Salvador. Aquele juiz não aceitou os argumentos e condenou Pedro e seus companheiros ao martírio.

Eles foram com alegria, testemunhando a esperança da ressurreição. Foram degolados e depois tiveram seus corpos dependurados e queimados, e ainda tiveram suas cinzas lançadas num rio, para que ninguém os venerasse.

Diante do testemunho desses mártires, peçamos a Deus a graça da fidelidade.

São Pedro de Córdova e companheiros, rogai por nós!

Catequese: Papa explica os ritos centrais do Batismo

Quarta-feira, 2 de maio de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Nesse tempo pascal, Santo Padre segue no ciclo de reflexões sobre o Batismo

Na Praça São Pedro, Papa faz semanalmente a tradicional catequese para os fiéis / Foto: Reprodução Yotube – Vatican News

A catequese desta quarta-feira, 2, com o Papa Francisco, foi dedicada aos ritos centrais do Batismo. O Santo Padre segue em um ciclo de reflexões sobre o sacramento nesse tempo pascal vivido pela Igreja.

O primeiro elemento citado pelo Santo Padre foi a água, sobre a qual é invocado o poder do Espírito para que se tenha a força para renovar e regenerar. Francisco ressaltou, porém, que o poder de perdoar os pecados não está na água em si: a eficácia é do Espírito Santo.

Uma vez santificada a água da fonte, chega o momento de preparar o coração para receber o Batismo, o que acontece com a renúncia a Satanás e a profissão de fé, explicou o Papa. “À medida em que digo ‘não’ às sugestões do diabo – aquele que divide – sou capaz de dizer ‘sim’ a Deus que me chama a conformar-me a Ele nos pensamentos e nas obras. O diabo divide; Deus sempre une a comunidade”.

Francisco destacou ainda que esses dois atos – a renúncia a Satanás e a profissão de fé – estão estritamente relacionados. “Não é possível aderir a Cristo colocando condições. É preciso separar-se de certas ligações para realmente poder abraçar outras; ou estás bem com Deus ou estás bem com o diabo. Por isso a renúncia e o ato de fé vão juntos”.

O Papa observou que a resposta a essa pergunta – “renunciais a Satanás?” – é feita na primeira pessoa do singular, – “Renuncio”, do mesmo modo que é professada a fé da Igreja – “Creio”. “Eu renuncio e eu creio: esta é a base do Batismo. É uma escolha responsável, que exige ser traduzida em gestos concretos de confiança em Deus”.

“Queridos irmãos e irmãs, quando mergulhamos a mão na água benta – entrando em uma igreja tocamos a água benta – e fazemos o sinal da Cruz, pensemos com alegria e gratidão no Batismo que recebemos – esta água benta nos recorda o Batismo – e renovemos o nosso ‘Amém’ – ‘Sou feliz’ – para vivermos imersos no amor da Santíssima Trindade”, conclui o Pontífice.

Batismo não é fórmula mágica, mas dom do Espírito Santo, diz Papa

Quarta-feira, 25 de abril de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Na catequese de hoje, Santo Padre seguiu refletindo sobre o sacramento do Batismo, desta vez destacando a força para vencer o mal

O Papa Francisco segue com as catequeses sobre o Batismo. Nesta quarta-feira, 25, a ênfase foi para a força de vencer o mal, força que é habilitado na pessoa a partir desse sacramento.

O Santo Padre destacou que a pessoa não está sozinha na fonte batismal, mas sim acompanhada pela oração de toda a Igreja, oração esta que assiste a pessoa na luta contra o mal e a acompanha na vida do bem. “Nós Igreja rezamos pelos outros. É algo bonito rezar pelos outros”, disse.

Nesse sentido, o Papa lembrou que a vida cristã é sempre sujeita à tentação de separar-se de Deus, mas é o Batismo que prepara e dá a força para esta luta cotidiana, também para a luta contra o diabo. “O Batismo não é uma fórmula mágica, mas um dom do Espírito Santo que habilita quem o recebe a lutar contra o espírito do mal”.

Além do aspecto da oração, Francisco mencionou na catequese de hoje outro momento do rito do Batismo: a unção sobre o peito com o óleo dos catecúmenos, um sinal de salvação. “É cansativo combater contra o mal, fugir de seus enganos, retomar força depois de uma luta exaustiva, mas devemos saber que toda a vida cristã é um combate. Devemos, porém, saber que não estamos sozinhos, que a Mãe Igreja reza a fim de que os seus filhos, regenerados no Batismo, não sucumbam às ciladas do maligno, mas as vençam pelo poder da Páscoa de Cristo”.

“Nós todos podemos vencer, vencer tudo, mas com a força que vem de Jesus”, concluiu o Papa.

5º Domingo da Páscoa – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

V Domingo de Páscoa – B
Atos 9, 26-31; I João 3, 18-24; João 15, 1-8
Toda videira que dá fruto, poda-a
«Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o vinhateiro. Toda videira que em mim não dá fruto, corta-a, e toda a que dá fruto, poda-a, para que dê mais fruto». Em seu ensinamento Jesus parte com freqüência de coisas familiares para todos que lhe escutam, coisas que estavam ante os olhos de todos. Desta vez nos fala com a imagem da videira. Jesus expõe dois casos. O primeiro, negativo: a videira está seca, não dá fruto, assim é cortada e deixada; o segundo, positivo: a videira está ainda viva e sã, então é podada. Já este contraste nos diz que a poda não é um ato hostil para com a videira. O vinhateiro espera ainda muito dele, sabe que pode dar frutos, tem confiança nele. O mesmo ocorre no plano espiritual. Quando Deus intervém em nossa vida com a cruz, não quer dizer que esteja irritado conosco. Justamente o contrário. Mas, por que o vinhateiro poda a videira e faz «chorar», como se costuma dizer, à vinha? Por um motivo muito simples: se não é podada, a força da vinha se desperdiça, dará talvez mais frutos que o devido, com a conseqüência que nem todos amadureçam e de que descenda a graduação do vinho. Se permanece muito tempo sem ser podada, a vinha até se assilvestra e produz só uvas silvestres. O mesmo ocorre em nossa vida. Viver é eleger, e eleger e renunciar. A pessoa que na vida quer fazer demasiadas coisas, ou cultiva uma infinidade de interesses e de afeições, se dispersa; não sobressairá em nada. Deve-se ter o valor de fazer eleições, de deixar à parte alguns interesses secundários para concentrar-se em outros primários. Podar! Isto é ainda mais verdadeiro na vida espiritual. A santidade se parece com a escultura. Leonardo da Vinci definiu a escultura como «a arte de tirar». As outras artes consistem em colocar algo: cor na tela na pintura, pedra sobre pedra na arquitetura, nota após nota na música. Só a escultura consiste em tirar: tirar os pedaços de mármore que estão demais para que surja a figura que se tem na mente. Também a perfeição cristã se obtém assim, tirando, fazendo cair os pedaços inúteis, isto é, ambições, projetos e tendências carnais que nos dispersam por todas as partes e não nos deixam acabar nada. Um dia, Miguelangelo, passando por um jardim de Florença, viu, em uma esquina, um bloco de mármore que surgia desde debaixo da terra, meio coberto de mato e barro. Parou, como se tivesse visto alguém, e dirigindo-se aos amigos que estavam com ele exclamou: «Nesse bloco de mármore está encerrado um anjo; devo tira-lo para fora». E armado de cinzel começou a trabalhar aquele bloco até que surgiu a figura de um belo anjo. Também Deus nos olha e nos vê assim: como blocos de pedra ainda disformes, e diz para si: «Aí dentro está escondida uma criatura nova e bela que espera sair à luz, mais ainda, está escondida a imagem de meu próprio Filho Jesus Cristo [nós estamos destinados a «reproduzir a imagem de seu Filho» (Rm 8, 29. Ndt)]; quero tira-la para fora!». Então o que faz? Toma o cinzel, que é a cruz, e começa a trabalhar-nos; toma as tesouras de podar e começa a fazê-lo. Não devemos pensar em quem sabe que cruzes terríveis! Normalmente Ele não acrescenta nada ao que a vida, por si só, apresenta de sofrimento, fadiga, tribulações; só faz que todas estas coisas sirvam para nossa purificação. Nos ajuda a não desperdiça-las.

 

Neste quinto domingo da Páscoa Jesus afirma: “Ser a verdadeira videira e seu Pai o agricultor. Todo o ramo que não produz fruto, nele será cortado”. E em primeiro lugar notem o adjetivo: “videira verdadeira”, é possível que nas entrelinhas do texto houvesse uma polêmica com o antigo Israel. É possível que o Evangelista quisesse dizer que, contrariamente a Israel, deixou de ser uma vinha produtiva para Deus. Jesus e os seus são a verdadeira videira de Deus. No entanto, este dito proverbial de Jesus é bastante profundo; Jesus é a videira toda inteira e os ramos fazem parte desta videira, os ramos vivem a vida da videira. Notem Jesus não diz: Eu sou o tronco e os cristãos os ramos, Eu sou a videira toda inteira. Neste particular o Evangelista se aproxima da teologia paulina que fala do corpo de Cristo, ao menos nas primeiras cartas, como sendo constituído de Cristo e de todos os seus. Para o Evangelista é imprescindível ao cristão estar unido intimamente a Jesus e através desta união intima com Jesus, produzir frutos normalmente, se entende de maneira inadequada esta produção de frutos, em termos de virtudes. Não, a própria união de um ramo com a videira faz com que ele seja produtivo e este verificado no amor a Deus e no amor aos irmãos. No dualismo de João, que pensa em branco e preto e não dá espaço para cores intermédias, ou se está na videira e se é produtivo para Deus, ou então se é um ramo morto, sem nenhuma vida. Santo Agostinho na antiguidade colheu este dualismo do quarto Evangelho, afirma ele ou na videira, ou no fogo para ser queimado. Hoje nós queremos perguntar a nós e para nossas comunidades, se estamos na videira, se estamos produzindo constantemente frutos de amor para Deus, ou se de algum tempo estamos definitivamente mortos e cortados da vida de Deus.

 

V DOMINGO DA PÁSCOA (B)
“JESUS É A VIDEIRA E NÓS OS RAMOS”
Jesus se compara com a videira. Uma das plantas mais antigas da humanidade que fornece uma bebida que se tornou universal desde a era antiga. Jesus é o transmissor da seiva do Pai. Sem a seiva do amor de Deus jamais seremos felizes. Parece que a humanidade inventa desculpas para justificar a ela mesma. Procura subterfúgios afirmando que eles trazem felicidade. Há muitos galhos secos dentro do mundo. Pessoas infelizes porque não se comunicam com Deus. Nós cristãos precisamos oferecer às pessoas escravas da ditadura do relativismo imposto pelos meios de comunicação social a verdadeira alegria que vem da comunicação permanente com o Criador. Vamos rezar neste domingo pela profunda vocação de nossas mães. Que Deus as ajude para que elas vivam sua maternidade seguindo o exemplo de Maria nossa mãe.
ORAÇÃO: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo. Amém.
EVANGELHO (Jo 15, 01-08): Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta; e todo ramo que dá fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais limpos por causa da palavra que eu vos falei. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Quem não permanecer em mim, será lançado fora como um ramo e secará. Tais ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados. Se permanecerdes em mim e minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vos será dado. Nisto meu Pai é glorificado: que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. “Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permaneceu em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”.
Na comparação que Jesus faz sobre a videira e os ramos, sentimos o quanto somos amados por Deus. Este amor deve fermentar em nós. Levando-nos a uma ação amorizante para que este mundo seja melhor através dos frutos que produzimos em nossa vida. A prática do bem é nosso desafio. Estamos impregnados com a influência do individualismo que leva a pessoa a sua própria ruína. A doutrina de Jesus serve para ser aplicada em todas as épocas. Por esta razão que ele se serve de comparações. De fatos bem comuns do cotidiano do povo, para que se entenda a profundidade de sua doutrina. A videira é um tipo de vegetal bem resistente e que em determinadas épocas do ano parece ter perdido a vida quando os ramos secos são retirados no momento da poda. Parece que não ficou mais nada. Na época certa surge a brotação como um verdadeiro milagre da natureza. Do tronco seco surge um verde belíssimo que enche nossos olhos de alegria. Jesus se utiliza desta beleza simples e significativa que acontece na natureza, para dizer que longe do tronco nós perdemos a vida. Ele é o responsável por transmitir a seiva para nós que somos os ramos. Se nos afastarmos do essencial seguindo nosso egoísmo, estaremos perdendo a seiva do amor de Deus. A oração faz que estejamos sempre unidos a Ele. O diálogo sincero com o Senhor transmite a seiva do amor para nosso coração e aos poucos vai nos transformando. Muitas vezes precisamos ser podados pelo Senhor. Tirar de nossa vida aquilo que nos impede de nos sentirmos amados por Ele. As dificuldades da vida quando lidas de uma forma humilde e oferecidas a Deus podem nos ajudar a crescer continuamente no amor. Na realidade todos passam por momentos difíceis que Deus permite para que sejamos forjados no seu amor. O sintoma da presença do amor é a capacidade de sofrimento do que ama de verdade. Nesta vida não teremos felicidade permanente porque Deus nos reservou a vida eterna. Jesus é a verdadeira videira, porque é por meio dele que alcançamos à salvação. Quando procuramos viver uma vida nova na graça de Deus superamos as barreiras do egoísmo e crescemos no amor. A nossa tarefa é produzir frutos. Eles são conseqüência da nossa comunhão com Cristo. Quando nos aproximamos do bem, produzimos o bem. Quanto mais podados nós formos em nosso egoísmo, mais capacitados nós estaremos em produzir frutos. Só poderemos produzir frutos se estivermos ligados ao tronco. Por nossa própria engenharia não podemos fazer o bem que tem a sua fonte única em Deus. O amor é exigente e transformante. O contato com a seiva de Cristo muda nossas atitudes e valores. Quando amamos de verdade estamos sempre dispostos a deixar algo pelo amado. Hoje as pessoas querem uma felicidade imediata que não passa pela poda da verdade e por isso acabam sofrendo muito mais do que se estivessem a inteira disposição do Senhor. “Senhor Jesus nós vos pedimos a graça de estarmos sempre ligados convosco através da oração”.

“Cristo nos dá força para nos levantarmos”

Francisco durante a oração do Regina Coeli – ANSA
28/03/2016

Cidade do Vaticano (RV) – Na primeira recitação do Regina Coeli deste ano, a oração mariana que substitui o Angelus até a Festa de Pentecostes, o Papa disse que “nossos corações ainda estão repletos da alegria pascal” nesta segunda-feira depois da Páscoa, chamada “Segunda-feira do Anjo”.

“A vida venceu a morte. A Misericórdia e o amor venceram o pecado! Há necessidade de fé e de esperança para se abrir a este novo e maravilhoso horizonte. E nós sabemos que a fé e a esperança são um dom de Deus, e devemos pedir a Ele: ‘Senhor, doai-me a fé, doai-me a esperança! Precisamos tanto!’ Deixemo-nos invadir pelas emoções que ressoam na sequência pascal: ‘Sim, estamos certos: Cristo ressuscitou verdadeiramente. Ele está vivo no meio de nós’”, recordou Francisco.

Cristo, força para se reerguer

“Esta verdade marcou indelevelmente as vidas dos Apóstolos – continuou o Pontífice – que, depois da ressurreição, sentiram novamente a necessidade de seguir o seu Mestre e, recebido o Espírito Santo, saíram sem medo para anunciar a todos o que tinham visto com seus próprios olhos e experimentado pessoalmente”.

“Se Cristo ressuscitou, podemos olhar com olhos e corações novos a todos os eventos da nossa vida, até mesmo aqueles mais negativos. Os momentos de escuridão, de fracasso e pecado podem se transformar e anunciar um caminho novo. Quando chegamos ao fundo da nossa miséria e da nossa fraqueza, Cristo ressuscitado nos dá a força para levantarmos”, encorajou o Papa.

O silêncio de Maria

“O Senhor crucificado e ressuscitado é a plena revelação da misericórdia – afirmou ainda o Papa – presente e ativa na história. Esta é a mensagem pascal que ainda ressoa hoje e que vai ressoar em todo o tempo da Páscoa até Pentecostes”.

Ao falar novamente do silêncio e da espera de Maria pela ressurreição, que permaneceu aos pés da Cruz e não se dobrou diante da dor, ao contrário, a fé de Nossa Senhora a tornou ainda mais forte, Francisco disse:

“No seu coração dilacerado de mãe permaneceu sempre acesa a chama da esperança. Peçamos a Ela que também nos ajude a aceitarmos plenamente o anúncio pascal da Ressurreição, para encarná-lo na realidade de nossas vidas diárias”, pediu o Papa, para então concluir:

“Que a Virgem Maria nos dê a certeza da fé que, cada passo sofrido do nosso caminho, iluminado pela luz da Páscoa, se tornará bênção e alegria para nós e para os outros, especialmente para aqueles que sofrem por causa do egoísmo e da indiferença”. (rb/sp)

Santo Evangelho (Mc 12, 28b-34)

3ª Semana da Quaresma – Sexta-feira 09/03/2018

Primeira Leitura (Os 14,2-10)
Leitura da Profecia de Oseias.

Assim fala o Senhor Deus: 2“Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: ‘Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘Deuses nossos’ a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. 5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles, andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 80,6-17)

— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

— Eis que ouço uma voz que não conheço: “Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. Na angústia a mim clamaste, e te salvei.

— De uma nuvem trovejante te falei, e junto às águas de Meriba te provei. Ouve, meu povo, porque vou te advertir! Israel, ah! se quisesses me escutar.

— Em teu meio não exista um deus estranho, nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.

— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos. Eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com mel que sai da rocha o fartaria”.

 

Evangelho (Mc 12,28b-34)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor”. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. 32O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Francisca Romana

Santa Francisca Romana se sobressaiu pelas graças extraordinárias, fazendo milagres

Santa Francisca Romana nasceu em Roma, no ano de 1384. Seu pai, Paulo Busa di Leoni pertencia a nobreza romana. Desde sua infância sentiu-se atraída pela pureza e obrigou-se por voto a ser religiosa. Mas, teve de condescender com os desejos do pai, que a deu em matrimônio aos 12 anos ao jovem aristocrata Lourenço de Ponziani. Teve com ele três filhos: Inês, João Evangelista e João Baptista.

A história de Santa Francisca confunde-se com a da Cidade Eterna naquela época. Roma estava dividida em dois bandos que se guerreavam, os Orsíni, que lutavam em favor do Papa, e os Colonnas, que apoiavam Ladislau de Nápoles.

Lourenço ficou gravemente ferido e, perdida a batalha, Ladislau entrou vitorioso em Roma e levou como refém os filhos das famílias mais distintas. Santa Francisca viu-se obrigada a entregar seu filho João Baptista.

Apesar de o marido estar ferido, o filho cativo e o palácio saqueado, Francisca não perdeu a paz de alma, a resignação e o fervor, que a levavam a fazer o bem a todos. Tudo o que caía em suas mãos era em favor dos pobres e doentes.

A sua volta reuniram-se depois outras senhoras, desejosas de imitar seus impulsos generosos. Ela dirigia-as espiritualmente, apartando-as das vaidades do mundo e ensinando-lhes o caminho evangélico da caridade e sacrifício. Assim nasceu a confraria de Oblatas Beneditinas.

Em 1436 seu esposo faleceu, Francisca retirou-se para a casa das suas Oblatas, que a nomearam Superiora Geral, cargo que desempenhou até a morte.

A vida de Santa Francisca se sobressaiu pelas graças extraordinárias, como o poder de fazer milagres e de penetrar nos segredos do outro mundo. Via seu anjo da guarda. Viu o inferno com o seu fogo e os suplícios horríveis, e o purgatório com o seu fogo.

Levada pela mão de Deus penetrou no paraíso no ano de 1440. Em 1608, o Cardeal São Roberto Belarmino junto ao seu voto favorável a declaração de que esta Santa – tendo vivido primeiro em virgindade e depois uma série de anos em casto matrimônio, tendo suportado os incômodos da viúvez e tendo seguido finalmente a vida de perfeição no claustro – merecia tanto mais as honras dos altares, quanto mais podia ser apresentada como modelo de virtude a todos. Francisca foi canonizada no dia 29 de maio de 1608.

Santa Francisca Romana, rogai por nós!

Ensinamentos sobre a Quaresma

Este é o tempo favorável para a sua conversão

Dois jovens se encontram no corredor do colégio e um comenta com o outro: – ‘Rapaz, neste feriadão eu vou curtir todas, vou chegar na quarta só o pó’; e o outro acrescenta: – ‘Afinal é por isso que ela se chama Quarta-feira de Cinzas!’

Será que realmente é este o sentido da Quarta-feira de Cinzas? Será que é para depois de ter “aproveitado todas” no feriadão, chegarmos ao dia depois da terça-feira, a ponto de não termos mais força? Esgotados por termos buscado a qualquer custo um prazer egoísta? Penso que nem preciso dar a resposta a essas perguntas.

A Quarta-feira de Cinzas, dia de preceito (aqui recorro ao meu amigo dicionário para traduzir o significado deste termo – aquilo que se recomenda praticar, regra ou norma), é um dia em que todo cristão católico, batizado, deve participar da solene Liturgia da Cinzas. Esta celebração marca a abertura da Quaresma, tempo privilegiado de conversão e preparação para a Páscoa do Senhor.

A liturgia da Santa Missa desse dia possui algumas particularidades próprias como: a omissão do ato penitencial, que é substituído pela imposição das cinzas; o “Glória” e o “Aleluia” não são cantados. Porém, o fator marcante e que remonta à tradição da Igreja é a bênção e a distribuição das cinzas, acompanhadas das seguintes palavras: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou então: “Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar”.

As cinzas, desde o Antigo Testamento, possuem um sinal de penitência. Podemos perceber esta realidade na famosa passagem de Jonas, na qual, ao percorrer Nínive, e profetizar aquilo que o Senhor faria com a cidade num prazo de quarenta dias, a cidade então se converte a Deus, proclama um grande jejum a ponto de o próprio rei se vestir de saco e sentar-se sobre as cinzas (cf. Jn 3, 4-6). Já na Antiguidade, quando as penitências deveriam ser feitas no período quaresmal e duravam vários dias, os penitentes eram admitidos à penitência pública oficial, celebrava-se no início desse tempo [Quaresma], na Quarta-feira de Cinzas, a imposição das cinzas e do cilício.

Ainda hoje o sentido de recebermos as cinzas é o mesmo, refletirmos aquilo que somos diante de Deus, reconhecer n’Ele o nosso único Senhor, perceber que necessitados de conversão, nos arrependemos de nossos pecados. Atitudes que devem percorrer um longo período.

Mas antes de falar deste período gostaria de dizer que, no mesmo colégio dos jovens acima, outras duas jovens conversam sobre a festa que uma delas vai realizar daqui a um mês e meio, seu aniversário de 15 anos. A que vai aniversariar é questionada pela amiga: – E como estão os preparativos para sua grande festa, já que ela está tão próxima? A jovem quem vai fazer os quinze anos responde: – Está uma loucura, mas os convites estão prontos, o salão e o vestido estão alugados, bem como as outras coisas da festa preparadas. Agora é só ir contando os dias para a festa chegar. Não vejo a hora!

A Quaresma (entenda a minha metáfora) é um tempo de preparação para a grande festa que o cristão celebra todos os anos. A festa da Páscoa, festa da libertação, libertação da morte e a festa da vida nova em Cristo.

Como já disse, a Quarta-feira de Cinzas é o início do tempo quaresmal, um período que se estende até a Quinta-feira Santa, antes da Missa do Senhor (também conhecida como Missa dos lava-pés ou da Instituição da Eucaristia). Quaresma, que deriva da palavra “Quadragesimae”, é um período privilegiado de preparação de quarenta dias [para a Páscoa]. Na Igreja Antiga, este era o tempo no qual os catecúmenos (pessoas que se preparavam para receber o Batismo) participavam da primeira “parte da Santa Missa” (liturgia da Palavra) e se retiravam durante a liturgia Eucarística para receberem as últimas  formações a respeito da vida cristã. Os catecúmenos deveriam entregar-se a uma catequese mais intensa e aos exercícios de oração e penitência. Pouco a pouco, todos os cristãos começaram a participar também deste clima, tanto para unir-se aos catecúmenos, como para renovar em si a graça de seu próprio batismo, preparando-se para a santa Páscoa, na qual, na Santa Missa da Páscoa, faziam esta renovação.

Este tempo de preparação exige recolhimento, mas também um sentimento de alegria, uma alegria que vamos ter que conter até a grande festa. É marcado por alguns sinais: – A Liturgia se veste de roxo – sinal de sobriedade e conversão; – Não se canta o “Glória” e o “Aleluia” na celebração das Santas Missas – ficam guardados em nossos corações para ser entoados com grande alegria no Sábado Santo; – O uso dos instrumentos musicais deve ser moderado, mais comedido – sinal de interioridade.

Portanto, o período quaresmal é um tempo especial de preparação, tempo em que devemos nos abrir aos irmãos na prática do amor, tempo em que devemos nos aproximar mais de Deus, tempo em que devemos jejuar mais ou nos abster de algumas coisas em sinal de despojamento.

Convido você a se preparar para esta grande festa, a maior de todas as festas cristãs buscando a conversão de maneira mais concreta, com a ajuda das práticas quaresmais: oração, penitência e esmola.

 

O SIGNIFICADO DA QUARESMA

Desde o final do século IV, a Igreja valoriza a preparação da Páscoa através de um período de 40 dias. A Bíblia usa com freqüência períodos de 40 dias (ou 40 anos) para indicar ocasiões especiais em que são vividas experiências importantes: são os quarenta anos de caminho do povo no deserto, os 40 dias de Jesus no deserto, 40 dias de Moisés no Monte Sinai, os 40 dias das andanças de Elias até a montanha de Deus… Esses períodos vêm antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer. São tempos densos de intimidade com Deus, de fortalecimento, hora de cada um se abrir para atender a um chamado carregado de riscos, responsabilidades e de grandes realizações.

Assim, hoje para nós, a Quaresma é tempo de ouvir com melhor disposição o apelo que Deus nos faz para sermos mais generosos, mais santos, mais fiéis ao compromisso de nosso Batismo. Assim como, para corrigir uma escrita, apagamos primeiro os erros, para corrigir nossos rumos de vida, confiamos no perdão de Deus, que apaga as nossas faltas. Por isso, Quaresma é também tempo de revisão de vida, de penitência, de reconhecer, com humildade e confiança, onde estão nossas deficiências e buscar o perdão e a força de Deus. Podemos fazer isso na tranqüila esperança que vem da fé no amor de Deus, que sempre chama, ajuda, perdoa e faz crescer.

A idéia central que vai ser o fio condutor nas reflexões desenvolvidas na Quaresma é a gratuidade do amor de Deus, capaz de tudo para nos salvar, sempre disposto a perdoar. Esse amor se manifesta em Jesus até as últimas conseqüências, numa doação que não conhece limites. A permanente misericórdia que vai aos extremos para nos salvar não está condicionada aos nossos méritos, mas é derivada da própria natureza de Deus, que não pode deixar de ser amor.

Esperamos que esse amor gratuito seja estímulo para nunca desanimarmos diante de nossos pecados e limitações. Sabendo que dependemos sempre da compaixão de Deus e que ela nunca nos falta, deveríamos nos dispor a usar também de compaixão para com nossos irmãos e a lutar com esperança por tudo que traz mais vida para todos.

Padre Wagner Augusto Portugal. Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

Verdadeiros cristãos servem gratuitamente

Caminho, serviço, gratuidade

Quinta-feira, 11 de junho de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Cristãos são chamados a anunciar o Evangelho e se colocar a serviço dos outros gratuitamente, disse o Papa, pois também assim receberam a salvação

Na Missa desta quinta-feira, 11, o Papa Francisco destacou o trinômio “caminho, serviço e gratuidade”, características dos verdadeiros cristãos. O Santo Padre lembrou que um discípulo é chamado a caminhar para servir e a anunciar o Evangelho gratuitamente, vencendo o engano de que “a salvação vem das riquezas”.

No Evangelho do dia, a passagem em que Jesus envia os discípulos a anunciar a Boa Nova. “Se um discípulo fica parado e não sai, não dá o que recebeu no Batismo aos outros, não é um verdadeiro discípulo de Jesus: falta-lhe a missionariedade, já que não sai de si mesmo para levar o bem aos outros”.

Mas também há outro caminho para quem é discípulo de Jesus, que é o percurso interior, aquele percorrido internamente todos os dias na oração, na meditação. É preciso, segundo o Papa, que o discípulo de Jesus busque Deus, porque se não o Evangelho que levará aos outros será um Evangelho frágil, aguado e sem força.

O serviço

Além desse duplo caminho, o discípulo de Jesus precisa servir, disse o Papa. “Um discípulo que não serve aos outros não é cristão”, enfatizou. Ele lembrou ainda a tentação do egoísmo, que fecha a pessoa em sua própria crença, sem pensar no próximo.

“‘Sim, eu sou cristão, eu estou em paz, eu me confesso, vou à missa, cumpro os mandamentos’. Mas o serviço aos outros: o serviço a Jesus nos doentes, nos encarcerados, nos famintos, nos nus. É o que Jesus nos disse que devemos fazer, porque Ele está ali! O serviço a Cristo nos outros”.

A gratuidade

“Gratuitamente vocês receberam, gratuitamente devem dar”, essa foi a advertência dada por Jesus e recordada pelo Papa na homilia. Francisco destacou que o caminho do serviço é gratuito, porque a humanidade recebeu a salvação gratuitamente.

“É triste quando se encontram cristãos que se esquecem destas Palavras de Jesus: ‘Gratuitamente vocês receberam, gratuitamente devem dar’. É triste quando encontramos comunidades cristãs, sejam paróquias, congregações religiosas, dioceses, quaisquer que sejam as comunidades cristãs, que se esquecem da gratuidade, porque por trás disso e sob isso há o engano (de presumir) que a salvação vem da riqueza, do poder humano”.

Francisco concluiu a homilia lembrando que a vida do cristão não é para si mesmo, mas para os outros, como foi a vida de Jesus. “A nossa esperança está em Jesus Cristo, que nos envia uma esperança que nunca desilude”.

Mas ele fez uma ressalva: “quando a esperança está na própria comodidade do caminho ou a esperança está no egoísmo de buscar as coisas por si mesmo e não servir os outros, ou quando a esperança está nas riquezas ou nas pequenas seguranças mundanas, tudo isso desmorona. O próprio Senhor o faz desmoronar”.

As famílias devem viver com fé e simplicidade

Homilia -encontro com as famílias, domingo, 27 de outubro  de 2013, Jéssica Marçal, Da Redação  

Francisco destacou a necessidade de um rezar pelo outro, vivendo na alegria de Deus

Rezar juntos na família, com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. Esta foi a mensagem que o Papa Francisco deixou às famílias durante homilia na Missa celebrada por ele neste domingo, 27, por ocasião da Jornada das Famílias no Vaticano.

Partindo do Evangelho do dia, o Santo Padre falou de duas maneiras de rezar: uma falsa, a do fariseu, e outra autêntica, a do publicano. Enquanto o fariseu faz uma oração sobrecarregada pelo peso da vaidade, o publicano reconhece-se pecador diante de Deus e faz uma oração simples, que vem do coração.

“O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus”.

Esse foi o modelo indicado pelo Papa às famílias, recomendando a oração do Pai Nosso em volta da mesa, por exemplo, e também a oração do Rosário. Ele falou da necessidade de um rezar pelo outro: pai rezar pela mãe, pelos filhos, e vice-versa. “Isso é rezar em família, torna a família forte (…) Todas as famílias precisam de Deus, de sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia”.

Um segundo aspecto destacado pelo Pontífice foi a conservação da fé na família. Francisco citou o exemplo do apóstolo Paulo, que não conservou sua fé em um cofre, mas a irradiou, levando-a adiante.

“Falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque, como a havia recebido, doou-a, indo às periferias sem se apegar a posições defensivas. Nós podemos perguntar: em família, como mantemos a nossa fé? Nós a temos para nós, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos outros?”

Uma última reflexão do Santo Padre na homilia foi sobre a família que vive a alegria. Ele convidou cada um a refletir em silêncio sobre a alegria em seu lar, lembrando que a verdadeira alegria da família não é superficial, não vem das coisas, mas sim da harmonia entre as pessoas, da beleza que é estar junto. E a base desse sentimento é a presença de Deus na família.

“Só Deus pode criar a harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a alegria (…) Queridas famílias, vivam sempre com fé e simplicidade como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre com vocês”.

Ao final da Missa, o Sumo Pontífice colocou-se diante de um ícone da Sagrada Família e fez uma oração por todas as famílias. E antes de rezar a oração mariana do Angelus com os fiéis, ele agradeceu pela participação de todos na Jornada das Famílias.

 

HOMILIA
Santa Missa pela Jornada das Famílias em ocasião do Ano da Fé

Praça São Pedro – Vaticano
Domingo, 27 de outubro de 2013

As leituras deste domingo nos convidam a meditar sobre algumas características fundamentais da família cristã.

1. A primeira: a família que reza. O trecho do Evangelho coloca em evidência dois modos de rezar, um falso – aquele do fariseu – e outro autêntico – aquele do publicano. O fariseu encarna uma atitude que não exprime a gratidão a Deus pelos seus benefícios e a sua misericórdia, mas sim satisfação de si. O fariseu se sente justo, se sente no lugar, se apoia nisso e julga os outros do alto de seu pedestal. O publicano, ao contrário, não multiplica as palavras. A sua oração é humilde, sóbria, permeada pela consciência de sua própria indignidade, das próprias misérias: este é um homem que realmente se reconhece necessitado do perdão de Deus, da misericórdia de Deus. A oração do publicano é a oração do pobre, é a oração que agrada a Deus, que, como diz a primeira Leitura “chega às nuvens” (Eclo 35, 20), enquanto a do fariseu é sobrecarregada pelo peso da vaidade.

À luz desta Palavra, gostaria de perguntar a vocês, queridas famílias: rezam alguma vez em família? Alguns sim, eu sei. Mas tantos me dizem: como se faz? Mas, se faz como o publicano, é claro: humildemente, diante de Deus. Cada um com humildade se deixa olhar pelo Senhor e pede a sua bondade, que venha a nós. Mas, em família, como se faz? Porque parece que a oração seja algo pessoal e então não há nunca um momento adequado, tranquilo, em família… Sim, é verdade, mas é também questão de humildade, de reconhecer que temos necessidade de Deus, como o publicano! E todas as famílias têm necessidade de Deus: todos, todos! Necessidade da sua ajuda, da sua força, da sua benção, da sua misericórdia, do seu perdão. E é necessário simplicidade: para rezar em família, é necessário simplicidade! Rezar junto o “Pai Nosso”, em torno da mesa, não é algo extraordinário: é algo fácil. E rezar junto o Rosário, em família, é muito bonito, dá tanta força! E também rezar um pelo outro: o marido pela esposa, a esposa pelo marido, ambos pelos filhos, os filhos pelos pais, pelos avós… Rezar um pelo outro. Isto é rezar em família, e isto torna forte a família: a oração.

2. A Segunda Leitura nos sugere um outro ponto: a família conserva a fé.O apóstolo Paulo, no fim de sua vida, faz um balanço fundamental e diz: “Conservei a fé” (2 Tm 4, 7). Mas como a conservou? Não em um cofre! Não a escondeu sob a terra, como aquele servo um pouco preguiçoso. São Paulo compara a sua vida a uma batalha e a uma corrida. Conservou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou-a, levou-a longe. Colocou-se do lado oposto a quem queria conservar, “embalsamar” a mensagem de Cristo nos confins da Palestina. Por isto fez escolhas corajosas, foi a territórios hostis, deixou-se provocar pelos distantes, por culturas diversas, falou francamente sem medo. São Paulo conservou a fé porque, como a havia recebido, doou-a, indo às periferias sem se apegar a posições defensivas.

Também aqui, podemos perguntar: de que modo nós, em família, conservamos a nossa fé? Nós a temos para nós, na nossa família, como um bem privado, como uma conta no banco, ou sabemos partilhá-la com o testemunho, com o acolhimento, com a abertura aos outros? Todos sabemos que as famílias, especialmente as mais jovens, muitas vezes são “apressadas”, muito ocupadas: mas alguma vez já pensaram que esta “corrida” pode ser também a corrida da fé? As famílias cristãs são famílias missionárias. Mas, ontem ouvimos, aqui na Praça, o testemunho de famílias missionárias. São missionárias também na vida de todos os dias, fazendo as coisas de todos os dias, colocando em tudo o sal e o fermento da fé! Conservar a fé na família e colocar o sal e o fermento da fé nas coisas do cotidiano.

3. Um último aspecto recebemos da Palavra de Deus: a família que vive a alegria. No Salmo responsorial encontra-se esta expressão: “os pobres escutem e se alegrem” (33/34, 3). Todo este Salmo é um hino ao Senhor, origem de alegria e de paz. E qual é o motivo deste alegrar-se? É este: o Senhor está próximo, escuta o grito dos humildes e os livra do mal. Escrevia ainda São Paulo: “Alegrai-vos sempre…o Senhor está próximo” (Fil 4, 4-5). É…eu gostaria de fazer uma pergunta hoje. Mas, cada um leve-a ao seu coração, a sua casa, como uma tarefa a fazer, certo? E se responda sozinho. Como está a alegria na sua casa? Como está a alegria na sua família? E dêem vocês a resposta.

Queridas famílias, vocês sabem bem: a verdadeira alegria que se desfruta na família não é algo superficial, não vem das coisas, das circunstâncias favoráveis…A alegria verdadeira vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos sentem no coração, e que nos faz sentir a beleza de estar junto, de apoiar-nos uns aos outros no caminho da vida. Mas na base deste sentimento de alegria profunda está a presença de Deus, a presença de Deus na família, está o seu amor acolhedor, misericordioso, respeitoso para com todos. E, sobretudo, um amor paciente: a paciência é uma virtude de Deus e nos ensina, em família, a ter este amor paciente, um com o outro. Ter paciência entre nós. Amor paciente. Somente Deus sabe criar a harmonia das diferenças. Se falta o amor de Deus, também a família perde a harmonia, prevalecem os individualismos e se extingue a alegria. Em vez disso, a família que vive a alegria da fé a comunica espontaneamente, é sal da terra e luz do mundo, é fermento para toda a sociedade.

Queridas famílias, vivam sempre com fé e simplicidade, como a Sagrada Família de Nazaré. A alegria e a paz do Senhor estejam sempre com vocês!

 

Oração do Papa Francisco à Sagrada Família
“Jesus, Maria e José a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos”

Jesus, Maria e José
a vós, Sagrada Família de Nazaré,
hoje, dirigimos o olhar
com admiração e confiança;
em vós contemplamos
a beleza da comunhão no amor verdadeiro;
a vós confiamos todas as nossas famílias;
para que se renovem nessas maravilhas da graça.
Sagrada Família de Nazaré,
escola atraente do santo Evangelho:
ensina-nos a imitar as tuas virtudes
com uma sábia disciplina espiritual,
doa-nos o olhar claro
que sabe reconhecer a obra da providência
nas realidades cotidianas da vida.
Sagrada Família de Nazaré,
guardiã fiel do mistério da salvação:
faz renascer em nós a estima pelo silêncio,
torna as nossas famílias cenáculo de oração
e transforma-as em pequenas Igrejas domésticas,
renova o desejo de santidade,
sustenta o nobre cansaço do trabalho, da educação,
da escuta, da recíproca compreensão e do perdão.
Sagrada Família de Nazaré,
desperta na nossa sociedade a consciência
do caráter sagrado e inviolável da família,
bem inestimável e insubstituível.
Cada família seja morada acolhedora de bondade e de paz
para as crianças e para os idosos,
para quem está doente e sozinho,
para quem é pobre e necessitado.
Jesus, Maria e José
a vós com confiança rezamos, a vós com alegria nos confiamos.

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