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É possível medir o amor de mãe?

As alegrias e os desafios da maternidade

O amor materno é algo imensurável, ou seja, que não pode ser medido.

Olhe para uma mãe e você verá alguém tão cheia de amor que não coube dentro de si mesma: transbordou para além do cônjuge, nos filhos. Quem é mãe, nasceu para a maternidade. Maternidade assumida gera sempre mais vida, mais amor.

Descobri cedo que Deus me fez para a maternidade, quando, ainda na infância, ouvindo tantas vezes na escola a música “Maria de Nazaré”, imaginava Nossa Senhora amamentando Jesus, trocando Sua fralda e, depois, dando comida em Sua boca, ensinando-O a falar, caminhar, escovar os dentinhos… E sonhava com os filhos que eu teria um dia.

Cresci com esse sentimento da maternidade em meu coração.

Na época do namoro, eu e meu esposo sonhávamos com a família que constituiríamos, com os muitos filhos que teríamos. Sonhávamos em ter seis filhos.

Já casados, com três crianças, planejávamos o quarto filho. Foi quando alguém me questionou se eu queria mesmo ter mais filhos, que isso era loucura, que a vida era muito corrida, e como eu poderia educá-los. Respondi simplesmente que, se fosse a vontade de Deus, eu queria sim.

Fui para capela rezar e dizia: “Se o Senhor me fez para o matrimônio, o Senhor me fez para maternidade. Então, vou ter todos os filhos que o Senhor quiser me dar!”. E Deus me presenteou com esta Palavra: “Colocarei Nele a minha confiança. Eis-me aqui, eu e os filhos que Deus me deu” (Hb 2,13).

Os meus filhos são bem-vindos, são queridos, em primeiro lugar, por Deus! Só preciso confiar n’Ele! Meu coração encheu-se de uma profunda paz!

De lá para cá, estou grávida do quinto filho ou filha; na verdade, sexto, pois, temos um intercedendo pela família, no céu. E vejo a promessa de Deus se cumprindo em nossa família e em minha vida.

A cada luta, a cada desafio, a cada lágrima derramada na criação, formação e educação dos filhos, brota a esperança, pois sei onde coloquei a minha confiança! E a Divina Providência nos acompanha em todos os momentos.

Nas enfermidades dos pequenos, na hora da correção, na hora de formar o caráter, na hora de pôr no colo e dar carinho, essa confiança no Senhor me orienta.

Errando sim, muitas vezes, mas aprendendo também com os erros, vou vivendo com muito amor e alegria a minha missão como mãe.

Na hora da dúvida, recorro à Virgem Maria. E ela me coloca na via segura, ensinando-me como devo agir.

A cada filho que nascia e chegava em casa e parecia que ainda estava faltando gente. Por fim, passei a perguntar a Deus: “Senhor, ainda está faltando alguém? Pois não quero que fique faltando ninguém!”. E Ele respondeu-me: “Tem lugar para mais um. No carro, na mesa, na casa, na vida e no coração de vocês”.

Deus estava dizendo: “No seu coração, sempre vai haver lugar para mais um”. Assim é o amor de mãe!

Não é preciso ter medo do desafio. Você, mãe, conta com a graça de Deus para cumprir tão sublime missão. Coloque no Senhor a sua confiança e tenha certeza: Deus estará com você, em todos os momentos, pois os seus filhos são queridos e amados por Ele. E as alegrias são bem maiores que as dificuldades!

Alguém já disse: “A melhor herança que se pode deixar para um filho é um irmão!”. Pense sobre isso e deixe a vida florir em seu coração e no seio do seu lar!

Quando você diz para um filho pequenino: “Você mora no meu coração”, e ele, surpreendentemente lhe responde, sorrindo e batendo no peito: “Você também!”. Isso não tem preço. É a recompensa do Céu!

Gilmara Lira – Comunidade Canção Nova

A importância da oração na família

Quarta-feira, 26 de agosto de 2015, Da Redação, com informações do Vaticano

Depois de refletir sobre a festa e o trabalho na família, Papa falou da necessidade de oração; o Evangelho lido em família é pão que alimenta, disse

Na 100ª catequese de seu pontificado, nesta quarta-feira, 26, o Papa Francisco seguiu refletindo sobre a família, desta vez dedicando-se ao tempo da oração no ambiente familiar.

O Papa explicou que a falta de tempo é uma das mais frequentes justificativas utilizadas pelos cristãos para os poucos momentos de oração. De fato, Francisco admitiu que quem tem uma família aprende a colocar dentro das 24 horas do dia o dobro disso. “Há pais e mães que merecem o Prêmio Nobel por isso! O segredo está no carinho que têm por seus queridos”.

Francisco convidou os fiéis a refletirem sobre o amor que sentem por Deus, pois isso tem relação com o tempo dedicado à oração. “Quando o afeto por Deus não acende o fogo, o espírito da oração não aquece o tempo; mas se o coração for habitado por Deus, até um pensamento sem palavras ou um beijo mandado por uma criança a Jesus se transformam em oração”.

Como exemplo, o Papa citou a beleza contida na atitude das mães que ensinam seus filhos pequenos a mandarem um beijo para Jesus ou para Nossa Senhora. Esse é o espírito da oração, disse, que leva a encontrar a paz nas coisas necessárias, tendo em vista uma vida onde sempre falta tempo.

O Papa indicou como um bom guia sobre discernimento entre trabalho e oração a história de Marta e Maria, narrada no Evangelho do dia. Elas aprenderam com Deus a harmonia dos ritmos familiares: a beleza da festa, a serenidade do trabalho e o espírito de oração.

“A oração surge da escuta de Jesus, da leitura do Evangelho. Não se esqueçam, todos os dias leiam um trecho do Evangelho. A oração surge da intimidade com a Palavra de Deus. Há essa intimidade na nossa família? Temos em casa o Evangelho? (…) o Evangelho lido e meditado em família é como um pão bom que alimenta o coração de todos”.

O ciclo de catequeses sobre a família começou em 10 de dezembro do ano passado. As reflexões se inserem no contexto do Sínodo da Família, que teve sua primeira assembleia em 2014 e deve ser concluído com a assembleia geral ordinária a ser realizada no próximo mês de outubro, de 4 a 25, no Vaticano.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre como a família vive os tempos da festa e do trabalho, consideramos agora o tempo da oração. A queixa mais frequente dos cristãos diz respeito ao tempo: “Deveria rezar mais…; gostaria de fazê-lo, mas muitas vezes me falta o tempo”. Ouvimos isso continuamente. O arrependimento é sincero, certamente, porque o coração humano procura sempre a oração, mesmo sem sabê-lo; e se não a encontra não tem paz. Mas para que se encontre, é preciso cultivar no coração um amor “quente” por Deus, um amor afetivo.

Podemos nos fazer uma pergunta muito simples. Tudo bem acreditar em Deus com todo o coração, tudo bem esperar que nos ajude nas dificuldades, tudo bem sentir-se no dever de agradecê-Lo. Tudo certo. Mas queremos também um pouco de bem ao Senhor? O pensamento de Deus nos comove, nos surpreende, nos suaviza?

Pensemos na formulação do grande mandamento, que sustenta todos os outros: “Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as forças” (Dt 6, 5; cfr Mt 22, 37). A fórmula usa a linguagem intensiva do amor, derramando-o em Deus. Bem, o espírito de oração mora antes de tudo aqui. E se mora aqui, mora todo o tempo e não sai nunca. Conseguimos pensar em Deus como uma carícia que nos dá em vida, antes da qual nada existe? Uma carícia da qual nem a morte nos pode separar? Ou pensamos Nele apenas como um grande Ser, o Onipotente que fez todas as coisas, o Juiz que controla toda ação? Tudo verdade, naturalmente. Mas somente quando Deus é o afeto de todos os nossos afetos, o significado destas palavras se tornam plenos. Então nos sentimos felizes, e também um pouco confusos, porque Ele pensa em nós e, sobretudo, nos ama! Isso não é impressionante? Não é impressionante que Deus nos acaricie com amor de pai? É tão belo! Podia simplesmente se fazer reconhecer como o Ser supremo, dar os seus mandamentos e esperar os resultados. Em vez disso, Deus fez e faz infinitamente mais que isso. Acompanha-nos no caminho da vida, nos protege, nos ama.

Se o afeto por Deus não acende o fogo, o espírito da oração não aquece o tempo. Podemos também multiplicar as nossas palavras, “como fazem os pagãos”, diz Jesus; ou até mesmo exibir os nossos ritos, “como fazem os fariseus” (cfr Mt 6, 5.7). Um coração habitado pelo afeto por Deus faz transformar em oração também um pensamento sem palavras, ou uma invocação diante de uma imagem sagrada, ou um beijo mandado para a igreja. É belo quando as mães ensinam os filhos pequenos a mandar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisso! Naquele momento, o coração das crianças se transforma em lugar de oração. E é um dom do Espírito Santo. Não esqueçamos nunca de pedir este dom para cada um de nós! Porque o Espírito de Deus tem aquele seu modo especial de dizer nos nossos corações “Abbà” – “Pai”, nos ensina a dizer “Pai” propriamente como o dizia Jesus, um modo que nunca poderemos encontrar sozinhos (cfr Gal 4, 6). É na família que se aprende a pedir e apreciar este dom do Espírito. Se o aprende com a mesma espontaneidade com a qual aprende a dizer “papai” e “mamãe”, aprendeu-se para sempre. Quando isso acontece, o tempo de toda a vida familiar é envolvido no colo do amor de Deus e procura espontaneamente o tempo da oração.

O tempo da família, sabemos bem disso, é um tempo complicado e cheio, ocupado e preocupado. É sempre pouco, não basta nunca, há tantas coisas a fazer. Quem tem uma família aprende a resolver uma equação que nem mesmo os grandes matemáticos sabem resolver: dentro das vinte e quatro horas se faz o dobro! Há mães e pais que poderiam vencer o Nobel, por isso. De 24 horas fazem 48: não sei como fazem, mas se movem e o fazem! Há tanto trabalho em família!

O espírito da oração volta o tempo para Deus, sai da obsessão de uma vida à qual sempre falta o tempo, reencontra a paz das coisas necessárias e descobre a alegria de dons inesperados. Boas guias para isso são as duas irmãs, Marta e Maria, da qual fala o Evangelho que escutamos; elas aprendem de Deus a harmonia dos ritmos familiares: a beleza da festa, a serenidade do trabalho, o espírito da oração (cfr Lc 10, 38-42). A visita de Jesus, ao qual queriam bem, era a festa delas. Um dia, porém, Marta aprendeu que o trabalho da hospitalidade, mesmo sendo importante, não é tudo, mas que escutar o Senhor, como fazia Maria, era realmente o essencial, a “melhor parte” do tempo. A oração surge da escuta de Jesus, da leitura do Evangelho. Não se esqueçam, todos os dias leiam um trecho do Evangelho. A oração surge da intimidade com a Palavra de Deus. Há esta intimidade na nossa família? Temos em casa o Evangelho? Nós o abrimos algumas vezes para lê-lo juntos? Nós o meditamos rezando o Rosário? O Evangelho lido e meditado em família é como um pão bom que alimenta o coração de todos. E pela manhã e à noite, e quando sentamos à mesa, aprendamos a dizer juntos uma oração, com muita simplicidade: é Jesus que vem entre nós, como ia à família de Marta, Maria e Lázaro. Uma coisa que tenho muito no coração e que vi nas cidades: há crianças que não aprenderam a fazer o sinal da cruz! Mas você mãe, pai, ensina a criança a rezar, a fazer o sinal da cruz: esta é uma tarefa bela das mães e dos pais!

Na oração da família, nos seus momentos fortes e nas suas passagens difíceis, nos confiemos uns aos outros, para que cada um de nós na família seja protegido pelo amor de Deus.

Santo Evangelho (Mt 5, 43-48)

1ª Semana da Quaresma – Sábado 24/2/2018

Primeira Leitura (Dt 26,16-19)
Leitura do Livro do Deutero­nômio.

Moisés dirigiu a palavra ao povo de Israel e lhe disse: 16“Hoje, o Senhor teu Deus te manda cumprir esses preceitos e decretos. Guarda-os e observa-os com todo o teu coração e com toda a tua alma. 17Tu escolheste hoje o Senhor para ser o teu Deus, para seguires os seus caminhos, e guardares seus preceitos, mandamentos e decretos, e para obedecerdes à sua voz. 18E o Senhor te escolheu, hoje, para que sejas para ele um povo particular, como te prometeu, a fim de observares todos os seus mandamentos. 19Assim ele te fará ilustre entre todas as nações que criou, e te tornará superior em honra e glória, a fim de que sejas o povo santo do Senhor teu Deus, como ele disse”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 118,1-8)

— Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo!
— Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo!

— Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que na lei do Senhor Deus vai progredindo! Feliz o homem que observa seus preceitos, e de todo coração procura Deus!

— Os vossos mandamentos vós nos destes, para serem fiel­mente observados. Oxalá seja bem firme a minha vida em cumprir vossa vontade e vossa lei!

— Quero louvar-vos com sincero coração, pois aprendi as vossas justas decisões. Quero guardar vossa vontade e vossa lei; Senhor, não me deixeis desamparado!

 

Evangelho (Mt 5,43-48)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvis­tes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Sérgio – Monge eremita

São Sérgio realizou um trabalho de evangelização e não se intimidou com a perseguição aos cristãos

Celebramos neste dia a santidade de vida do monge Sérgio que chegou ao martírio devido seu grande amor a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Sérgio vivia no deserto enquanto os cristãos estavam sendo perseguidos e entregando a vida em sacrifício de louvor.

Certa vez o santo monge e intercessor foi movido pelo Espírito Santo para ir à Cesareia, onde lá ele encontrou no centro da praça a imagem de Júpiter, que era considerado como o maior dos deuses entre os pagãos. Diante da imagem os sacerdotes pagãos acusavam os cristãos e os condenavam, com o motivo de serem eles os culpados da omissão dos deuses diante das necessidades do povo.

Encorajado por Deus, São Sérgio levantou-se para denunciar as mentiras e anunciar no poder do Espírito Santo o Evangelho. Depois de fazer um lindo trabalho de evangelização, São Sérgio foi preso e no século IV partiu para a Glória.

São Sérgio, rogai por nós!

Ainda hoje, cristãos são mortos em nome de Deus

Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Santo Padre falou do testemunho dado por tantos cristãos até o martírio; a força desse testemunho vem do Espírito Santo, disse

Na Missa desta segunda-feira, 11, o Papa Francisco recordou os cristãos perseguidos. Ele lembrou que, ainda hoje, se mata cristãos em nome de Deus, mas o Espírito Santo dá a força de testemunhar até o martírio.

No Evangelho do dia, Jesus anuncia aos discípulos o Espírito Santo. Francisco explicou que Deus fala do futuro, da cruz que espera pelo homem e do Espírito, que prepara a dar o testemunho cristão. Portanto, fala “do escândalo das perseguições”, do “escândalo da Cruz”.

A cruz é considerada um escândalo para os judeus e uma loucura para os pagãos, disse o Papa, mas os cristãos, pelo contrário, pregam Cristo crucificado. Jesus, então, preparou os discípulos para que não se escandalizassem com a sua Cruz, anunciando: virá a hora em que aquele que vos matar julgará realizar um ato de culto a Deus.

“Hoje somos testemunhas dessas pessoas que matam os cristãos em nome de Deus, porque são infiéis, segundo eles. Esta é Cruz de Cristo: ‘E isso farão porque não reconheceram o Pai nem a mim’. ‘O que aconteceu a mim – afirma Jesus – acontecerá também a vós – as perseguições, as tribulações – mas, por favor, não vos escandalizeis: será o Espírito a guiar-nos e a fazer-nos entender’”.

Fiéis degolados

Neste contexto, o Papa recordou o telefonema que recebeu no domingo, 10, do Patriarca copta Tawadros, porque a data constitui o dia da amizade copta-católica.

“Eu recordei os seus fiéis, que foram degolados na praia porque eram cristãos. Esses fiéis, pela força que lhes deu o Espírito Santo, não se escandalizaram. Morreram com o nome de Jesus nos lábios. É a força do Espírito. O testemunho. É verdade, a força do Espírito. O testemunho. É verdade, o martírio é justamente isso, o testemunho supremo”.

O testemunho diário

Francisco lembrou que há também o testemunho diário, que torna presente a fecundidade da Páscoa trazida pelo Espírito Santo, que guia para a verdade plena.

“Um cristão que não leva a sério esta dimensão de martírio da vida não entendeu ainda o caminho que Jesus nos ensinou: o caminho do martírio de todos os dias; de defender os direitos das pessoas; dos filhos: pai e mãe que defendem sua família; o caminho do martírio de tantos, tantos doentes que sofrem por amor de Jesus. Todos nós temos a possibilidade de levar avante esta fecundidade pascal no caminho do martírio, sem nos escandalizar”.

O Papa concluiu com esta oração: “Peçamos ao Senhor a graça de receber o Espírito Santo, que nos fará recordar as coisas de Jesus, que nos guiará rumo a toda a verdade e nos preparará a cada dia para oferecer este testemunho, para oferecer este pequeno martírio de todos os dias ou um grande martírio, segundo a vontade do Senhor”.

Quero batizar a minha filha em casa, e na igreja!

Gostaria de saber como faço para fazer o batismo em casa?
Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral da Diocese de Novo Hamburgo

Até parece que estamos em outro planeta do sistema solar. Você só pode fazer um único batismo, e só pode batizar em casa se estiver ocorrendo qualquer risco grave ou de morte para a vida da criança.

Não se faz, por nenhum motivo, e sob nenhuma hipótese o batismo em casa, pois já foi o tempo dos dinossauros e a era da pedra lascada.

Isso era quando tudo e todos ficavam longe da cidade ou da igreja Matriz, quando o padre passava uma ou duas vezes por ano naquela localidade, quando ainda se andava no lombo dos burros, quando os recursos e meios de comunicação e transporte ainda não tinham chegado.

Hoje, quando as distâncias se encurtaram, a comunicação ultrapassa fronteiras em um milésimo de segundo, não se admite viver sozinho, batizar sozinho e formar uma fami-ilha.

Ou se passa a pertencer à grande família dos filhos e filhas de Deus e batiza-se na comunidade de fé, na igreja paroquial onde esta comunidade de irmãos se reúne, onde o Senhor Jesus se faz presente realmente. Pois existe “Um só batismo, uma só fé, um só Senhor” (cf. Ef 4, 5).

Ou então, continuamos querendo nos achar a “última bolachinha recheada do pacote”, e assim, não ter compromisso com nada e com ninguém, só gritando que temos direitos. Egoísmo e amor não casam nunca. Uma andorinha sozinha não faz verão, assim como um cristão sozinho não forma comunidade, Igreja.

Não existe esse negócio de dois batismos. Não invente moda que não existe! O Batismo é a porta de entrada dos outros Sacramentos que receberemos também junto da comunidade, e não separados dela.

Santo Evangelho (Lc 20, 27-40)

33º Semana Comum – Sábado 25/11/2017

Primeira Leitura (1Mc 6,1-13)
Leitura do Primeiro Livro dos Macabeus.

Naqueles dias, 1o rei Antíoco estava percorrendo as províncias mais altas do seu império, quando ouviu dizer que Elimaida, na Pérsia, era uma cidade célebre por suas riquezas, sua prata e ouro, 2e que seu templo era fabulosamente rico, contendo véus tecidos de ouro e couraças e armas ali deixadas por Alexandre, filho de Filipe, rei da Macedônia, que fora o primeiro a reinar entre os gregos. 3Antíoco marchou para lá e tentou apoderar-se da cidade, para saqueá-la, mas não o conseguiu, pois seus habitantes haviam tomado conhecimento do seu plano 4e levantaram-se em guerra contra ele. Obrigado a fugir, Antíoco afastou-se acabrunhado e voltou para a Babilônia. 5Estava ainda na Pérsia, quando vieram comunicar-lhe a derrota das tropas enviadas contra a Judeia. 6O próprio Lísias, tendo sido o primeiro a partir de lá à frente de poderoso exército, tinha sido posto em fuga. E os judeus tinham-se reforçado em armas e soldados, graças aos abundantes despojos que tomaram dos exércitos vencidos. 7Além disso, tinham derrubado a Abominação, que ele havia construído sobre o altar de Jerusalém. E tinham cercado o templo com altos muros, e ainda fortificado Betsur, uma das cidades do rei. 8Ouvindo as notícias, o rei ficou espantado e muito agitado. Caiu de cama e adoeceu de tristeza, pois as coisas não tinham acontecido segundo o que ele esperava. 9Ficou assim por muitos dias, recaindo sempre de novo numa profunda melancolia, e sentiu que ia morrer. 10Chamou então todos os amigos e disse: “O sono fugiu de meus olhos, e meu coração desfalece de angústia. 11Eu disse a mim mesmo: A que grau de aflição cheguei e em que ondas enormes me debato! Eu que era tão feliz e amado, quando era poderoso! 12Lembro-me agora das iniquidades que pratiquei em Jerusalém. Apoderei-me de todos os objetos de prata e ouro que lá se encontravam, e mandei exterminar sem motivo os habitantes de Judá. 13Reconheço que é por causa disso que estas desgraças me atingiram, e com profunda angústia vou morrer em terra estrangeira”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 9A)

— Cantarei de alegria, ó Senhor, pois me livrastes!
— Cantarei de alegria, ó Senhor, pois me livrastes!

— Senhor, de coração vos darei graças, as vossas maravilhas cantarei! Em vós exultarei de alegria, cantarei ao vosso nome, Deus Altíssimo!

— Voltaram para trás meus inimigos, perante vossa face pereceram. Repreendestes as nações, e os maus perdestes, apagastes o seu nome para sempre.

— Os maus caíram no buraco que cavaram, nos próprios laços foram presos os seus pés. Mas o pobre não será sempre esquecido, nem é vã a esperança dos humildes.

 

Evangelho (Lc 20,27-40)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 27aproximaram-se de Jesus alguns saduceus, que negam a ressurreição, 28e lhe perguntaram: “Mestre, Moisés deixou-nos escrito: se alguém tiver um irmão casado e este morrer sem filhos, deve casar-se com a viúva a fim de garantir a descendência para o seu irmão. 29Ora, havia sete irmãos. O primeiro casou e morreu, sem deixar filhos. 30Também o segundo 31e o terceiro se casaram com a viúva. E assim os sete: todos morreram sem deixar filhos. 32Por fim, morreu também a mulher. 33Na ressurreição, ela será esposa de quem? Todos os sete estiveram casados com ela”. 34Jesus respondeu aos saduceus: “Nesta vida, os homens e as mulheres casam-se, 35mas os que forem julgados dignos da ressurreição dos mortos e de participar da vida futura, nem eles se casam nem elas se dão em casamento; 36e já não poderão morrer, pois serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque ressuscitaram. 37Que os mortos ressuscitam, Moisés também o indicou na passagem da sarça, quando chama o Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó’. 38Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele”. 39Alguns doutores da Lei disseram a Jesus: “Mestre, tu falaste muito bem”. 40E ninguém mais tinha coragem de perguntar coisa alguma a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Catarina de Alexandria, protetora do Estado de Santa Catarina

Neste dia lembramos a vida desta santa que é inspiradora e protetora de um Estado brasileiro: Santa Catarina

Nascida em Alexandria, recebeu uma ótima formação cristã. É uma das mais célebres mártires dos primeiros séculos, um dos Santos Auxiliadores. O pai, diz a lenda, era Costes, rei de Alexandria. Ela própria era, aos 17 anos, a mais bonita e a mais sábia das jovens de todo o império; esta sabedoria levou-a a ser muitas vezes invocada pelos estudantes. Anunciou que desejava casar-se, contanto que fosse com um príncipe tão belo e tão sábio como ela. Esta segunda condição embargou que se apresentasse qualquer pretendente.

“Será a Virgem Maria que te procurará o noivo sonhado”, disse-lhe o ermitão Ananias, que tinha revelações. Maria aparece, de fato, a Catarina na noite seguinte, trazendo o Menino Jesus pela mão. “Gostas tu d’Ele?”, perguntou Maria. -“Oh, sim”. -“E tu, Jesus, gostas dela?” -“Não gosto, é muito feia”. Catarina foi logo ter com Ananias: “Ele acha que sou feia”, disse chorando. -“Não é o teu corpo, é a tua alma orgulhosa que Lhe desagrada”, respondeu o eremita. Este instruiu-a sobre as verdades da fé, batizou-a e tornou-a humilde; depois disto, tendo-a Jesus encontrado bela, a Virgem Santíssima meteu aos dois o anel no dedo; foi isto que se ficou chamando desde então o “casamento místico de Santa Catarina”.

Ansiosa de ir ter com o seu Esposo celestial, Catarina ficou pensando unicamente no martírio. Conta-se que ela apresentou-se em nome de Deus, diante do perseguidor, imperador Maxêncio, a fim de repreendê-lo por perseguir aos cristãos e demonstrar a irracionalidade e inutilidade da religião pagã. Santa Catarina, conduzida pelo Espírito Santo e com sabedoria, conseguiu demonstrar a beleza do seguimento de Jesus na sua Igreja. Incapaz de lhe responder, Maxêncio reuniu para a confundir os 50 melhores filósofos da província que, além de se contradizerem, curvaram-se para a Verdade e converteram-se ao Cristianismo, isto tudo para a infelicidade do terrível imperador.

Maxêncio mandou os filósofos serem queimados vivos, assim como à sua mulher Augusta, ao ajudante de campo Porfírio e a duzendos oficiais que, depois de ouvirem Catarina, tinham-se proclamado cristãos. Após a morte destes, Santa Catarina foi provada na dor e aprovada por Deus no martírio, tendo sido sacrificada numa máquina com quatro rodas, armadas de pontas e de serras. Isto aconteceu por volta do ano 305. O seu culto parece ter irradiado do Monte Sinai; a festa foi incluída no calendário pelo Papa João XXII (1316-1334).

Santa Catarina de Alexandria, rogai por nós!

As dúvidas durante o namoro

É preciso perguntar: este namoro nos ajuda a crescer?

Os namoros complicados que se prolongam por muitos anos sem uma definição, havendo, às vezes, várias separações e voltas, sem que o relacionamento amadureça e chegue ao casamento. Então, é preciso examinar bem as razões pelas quais esses casais de namorados já se separaram tantas vezes. Os problemas que geraram as separações foram resolvidos ou será que ambos “taparam o sol com a peneira”? Se os motivos das separações foram importantes e eles souberam resolver em cada caso os problemas em suas raízes, e isso serviu até para uni-los mais, tudo bem, o namoro deve continuar. Mas, se os problemas são os mesmos, se repetem, e eles não conseguem resolvê-los, então é preciso pedir a ajuda de alguém que os oriente, no sentido de se tomarem uma decisão.

Não se pode ficar no namoro como um carro atolado no mesmo lugar; o carro pode até atolar, mas deve sair e continuar a viagem. Faço uma pergunta aos dois: este namoro os ajuda a crescer? Cada um de vocês sente falta da presença do outro?

Toda crise, qualquer que seja, enfrentada com coragem, lucidez, trabalho e uma boa orientação, pode gerar crescimento para a pessoa e para o casal. Uma crise de relacionamento pode até ser um aprendizado para uma futura vida de casados, quando essas crises acontecem com mais frequência.

O mais importante, repito, é não “tapar o sol com a peneira”; isto é, fingir que resolveram os problemas e irem empurrando o namoro com a barriga até o casamento. Quando um casal briga muito nesse período [namoro], pode estar certo de que vai brigar mais ainda depois de casados. Vale a pena isso? Então, se o relacionamento não vai bem e não melhora, então, é melhor terminá-lo. O namoro é para isso mesmo, para verificar se a outra pessoa é adequada para viver comigo para sempre, constituir família e ter filhos. Não caiam jamais no erro do “me engana que eu gosto”; que é a mesma coisa do avestruz que enfia a cabeça na areia para não ver a tempestade à frente; enfrente a tempestade ou então fuja dela.

Nenhum casal de namorados deve partir para o casamento com dúvidas sérias sobre o outro; há muitos casos de separações de casados por causa disso. Há problemas graves que podem ser resolvidos com um bom diálogo, compreensão de ambas as partes, oração, orientação, paciência, entre outros. Mas não se pode acomodar com um problema; o rato morto não pode ficar no porão da casa porque vai fermentar e exalar mau odor.

É preciso aprender a dialogar; tentar entender as razões do outro, saber se calar e esperar o outro falar tudo o que tem para falar. Um segredo que evita muitas brigas no namoro é saber combinar as coisas. Muitos brigam porque não combinam as coisas a fazer. Por exemplo, quando ir à casa de cada um, quando fazer um programa ou outro. Tudo deve ser combinado antes, com antecedência, para que as surpresas da vida não os leve a brigar. O povo diz, e com muita razão, que “o combinado não é caro”. Então, se as coisas são combinadas antes, muitas brigas podem ser evitadas, isso vale inclusive para o noivado e casamento.

Se você tem consciência de que errou e machucou o outro, então a primeira coisa a fazer é pedir perdão e prometer-lhe que não fará mais isso. Esse ato de humildade fortalece o relacionamento e o torna mais humano. Mas mesmo assim, você terá de reconquistar a confiança que talvez tenha sido abalada quando você errou e magoou o outro.

Algumas vezes há coisas mal-entendidas no relacionamento. É preciso esclarecer isso muito bem; não deixe que a fofoca destrua o namoro; coloquem as coisas às claras, com sinceridade e honestidade. A humildade é a fortaleza dos que amam; aquele que tem maior amor deve dar o primeiro passo, vencer o orgulho e ir ao encontro do outro.

Reze e peça a Deus a graça de poder falar com clareza e sabedoria o que precisa ser dito. Consagre seu namoro a Deus e peça a Ele que os conduza.

Prof. Felipe Aquino

Santo Evangelho (Mc 10, 28-31)

8ª Semana do Tempo Comum – Terça-feira 28/02/2017

Primeira Leitura (Eclo 35,1-15)
Leitura do Livro do Eclesiástico.

1Aquele que guarda a lei faz muitas oferendas; 2aquele que cumpre os preceitos oferece um sacrifício salutar (3).4Aquele que mostra agradecimento, oferece flor de farinha, e o que pratica a beneficência oferece um sacrifício de louvor. 5O que agrada ao Senhor é afastar-se do mal, e o que o aplaca é deixar a injustiça. 6Não te apresentes na presença de Deus de mãos vazias, 7porque tudo isso se faz em virtude do preceito. 😯 sacrifício do justo enriquece o altar, o seu perfume sobe ao Altíssimo. 9A oblação do justo é aceitável, e sua memória não cairá no esquecimento. 10Honra ao Senhor com coração generoso e não regateies as primícias que apresentares. 11Faze todas as tuas oferendas com semblante sereno, e com alegria consagra o teu dízimo. 12Dá a Deus segundo a doação que ele te fez, e com generosidade, conforme as tuas posses; 13porque ele é um Deus retri­buidor, e te recompensará sete vezes mais. 14Não tentes corrompê-lo com presentes: ele não os aceita; 15nem confies em sacrifício injusto, porque o Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 49)

— A todos que procedem retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— A todos que procedem reta­mente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

— “Reuni à minha frente os meus eleitos, que selaram a Aliança em sacrifícios!” Testemunha o próprio céu seu julgamento, porque Deus mesmo é juiz e vai julgar.

— “Escuta, ó meu povo, eu vou falar; ouve, Israel, eu testemunho contra ti: Eu, o Senhor, somente eu, sou o teu Deus! Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos.

— Imola a Deus um sacrifício de louvor e cumpre os votos que fizeste ao Altíssimo. Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

 

Evangelho (Mc 10,28-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santos Romão e Lupicino – Irmãos peregrinos 

Santos Romão e Lupicino, fundaram mosteiro baseado nas regras de São Pacômio, São Basílio e Cassiano

São Romão entrou para a vida religiosa com 35 anos, na França, onde nasceram os dois santos de hoje. Ele foi discernindo sua vocação, que o deixava inquieto, apesar de já estar na vida religiosa. Ao tomar as constituições de Cassiano e também o testemunho dos Padres do deserto, deixou o convento e foi peregrinar, procurando o lugar onde Deus o queria vivendo.

Indo para o Leste, encontrou uma natureza distante de todos e percebeu que Deus o queria ali.

Vivia os trabalhos manuais, a oração e a leitura, até o seu irmão Lupicino, então viúvo, se unir a ele. Fundaram então um novo Mosteiro, que se baseava nas regras de São Pacômio, São Basílio e Cassiano.

Romão tinha um temperamento e caminhada espiritual onde com facilidade era dado à misericórdia, à compreensão e tolerância. Lupicino era justiça e intolerância. Nas diferenças, os irmãos se completavam, e ajudavam aos irmãos da comunidade, que a santidade se dá nessa conjugação: amor, justiça, misericórdia, verdade, inspiração, transpiração, severidade, compreensão. Eles eram iguais na busca da santidade.

O Bispo Santo Hilário ordenou Romão, que faleceu em 463. E em 480 vai para a glória São Lupicino.

Santos Romão e Lupicino, rogai por nós!

O sentido do casamento

O mesmo Deus que criou o homem e a mulher uniu-os em matrimônio.

A Bíblia nos diz que, ao criar o homem, Deus sentiu-se insatisfeito, porque não encontrara em todos os seres criados nenhuma criatura que o completasse.

E Deus percebeu que “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18a). Então, disse ao homem: “Eu vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada” (Gn 2,18b), alguém que seria como você e que o ajude a viver. E fez a mulher. Retirou “um pedaço” do homem para criar a mulher (cf. Gn 2,21-22).  Nessa linguagem figurada, a Palavra de Deus quer nos ensinar que a mulher foi feita da mesma essência e da mesma natureza do homem, isto é, “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1,26). Santo Agostinho nos lembra que Deus, para fazer a mulher, não tirou um pedaço da cabeça do homem e nem um pedaço do seu calcanhar, por que a mulher não deveria ser chefe nem escrava do homem, mas companheira e auxiliar. Esse é o sentido da palavra que diz que Deus tirou “uma costela do homem” para fazer a mulher.

Ao ver Eva, Adão exclamou feliz: “Eis agora aqui, o osso de meus ossos e a carne de minha carne” (Gn 2,23a). Foi, sem dúvida, a primeira declaração de amor do universo. Adão se sentiu feliz e completo em sua carência. Então, Deus disse: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gn 2,24).

Isso quer dizer: serão uma só realidade, uma só vida, uma união perfeita. E Jesus fez questão de acrescentar: “Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6b).

Após uni-los, Deus disse ao casal: “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). Aqui está o sentido mais profundo do casamento: “frutificai [crescei] e multiplicai”. Deus quer que o casal, na união profunda do amor, cresça e se multiplique nos seus filhos; e daí surge a família, a mais importante instituição da humanidade. A família é a célula principal do plano de Deus para os homens e ela surge com o matrimônio.

É muito significativo que Deus tenha dito ao casal: “crescei”; e, em seguida, “multiplicai”. Isso mostra que a primeira dimensão do casamento é o crescimento mútuo do casal, realizado no seu amor fecundo. Ninguém pode multiplicar sem antes crescer. Como é que um casal vai educar os filhos, se eles, antes, não se educaram, não cresceram juntos?

O casamento não é uma aventura nem um “tiro no escuro” como dizem alguns; é, sim, um projeto sério de vida a dois, no qual cada um está comprometido em fazer o outro crescer, isto é, ser melhor a cada dia. Se a esposa não se torna melhor por causa da presença do marido a seu lado, e vice-versa, então o casamento deles está sem sentido, pois não realiza sua primeira finalidade. Também um namoro, um noivado, ou até uma simples amizade, não terão sentido se um não for para o outro um fermento de auxílio e crescimento. Enfim, o casamento não é para “curtirmos a vida a dois”, egoisticamente; ele existe para vivermos ao lado de alguém muito especial e querido que queremos construir. É por isso que se diz que “amar não é querer alguém construído, mas, sim, construir alguém querido.”

Para ajudar o outro a crescer é preciso aceitá-lo como ele é, com todas as suas qualidades e defeitos. A partir daí é possível então, com muita paciência e carinho, ajudar o companheiro a crescer; e crescer quer dizer “atingir a maturidade como pessoa humana” no campo psicológico, emocional, espiritual, moral, etc.

Prof. Felipe Aquino

XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 14, 25-33
Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.»

Neste vigésimo terceiro domingo do Tempo Comum, Jesus, em Lucas, faz-nos uma afirmação insólita e, para muitos, inexplicável: “Se alguém quiser vir após Mim, mas não puser em segundo plano seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos, seus campos não é digno de Mim”. Pode alguém pronunciar-se desta maneira? Não seria uma loucura esta afirmação? Quem afirma isso ou é totalmente louco, ou então é Deus. Preferimos a segunda afirmativa. Jesus pode exigir tanta renúncia porque Ele é Deus, e porque nós todos fomos criados por Ele, para Ele, e em vista Dele – como diz bem o autor da Carta aos Colossenses: por ser Ele o primeiro em tudo e por ter Deus resolvido em Cristo reunir as coisas do Céu e as coisas da Terra, isto é, todos nós. A humanidade em todas as épocas tem seus ídolos. Poderíamos citar dois da atualidade: o que não fazem certas fãs diante de Elvis Presley, que já morreu há mais de vinte anos? Sua cidade é anualmente visitada por milhões e milhões de turistas. O que não fizeram muitas fãs com Michael Jackson, antes que a morte o levasse? Eram capazes de realizar as coisas mais insensatas e impensáveis com o intuito de chegar perto dele, de tocá-lo ou, quem sabe, conseguir um autógrafo. Jesus é muito mais do que todos e, de resto, os ídolos, tanto do presente quanto do passado, têm pés de barro. Todas as pessoas, sem nenhuma exceção, nos desiludem e ficam aquém de nossas expectativas, na medida em que passa o tempo. Pena que as pessoas apaixonadas não percebam isso a tempo; mais tarde terão de conviver com os limites do outro, porque ninguém é Deus, ninguém se casa com Deus e ninguém pode preencher, como Deus, o coração do ser humano, que foi feito para o infinito e não para o finito, o limitado, e nem mesmo para um ser humano deste mundo. Quem faz esta pretensão no Evangelho de hoje é Aquele, repito, em vista de Quem nós todos fomos criados, depois de termos sido pensados eternamente pelo Pai. Ele tem o direito, pois só Nele encontraremos nosso repouso. Diz bem Santo Agostinho: “Fizestes nosso coração para Vós e ele não encontrará repouso algum enquanto não descansar em Vós”.

 

Oferecer a Deus o nosso verdadeiro tesouro
João Cassiano (c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha
Conferências, I, 6-7, (a partir da trad. de SC 42, pp. 83-85)

Muitos dos que, para seguirem a Cristo, tinham desprezado fortunas consideráveis, enormes quantias de ouro e de prata e propriedades magníficas, mais tarde deixaram-se apegar a um raspador, a um estilete, a uma agulha, a um junco de escrita. […] Depois de terem distribuído todas as suas riquezas por amor a Cristo, retiveram a sua anterior paixão e colocaram-na em futilidades, sendo capazes de se deixar levar pela cólera para as reter. Não tendo a caridade de que fala São Paulo, a sua vida foi tocada pela esterilidade. O bem-aventurado apóstolo previu essa infelicidade: «Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita», dizia (1Cor 13, 3). Prova evidente de que não atingimos de imediato a perfeição pela simples renúncia a todas as riquezas e pelo desprezo de todas as honras, se a isso não juntarmos essa caridade cujas características o apóstolo descreve. Ora esta caridade apenas se encontra na pureza do coração. Porque rejeitar a inveja, a arrogância, a ira e a frivolidade, não procurar o próprio interesse, não se alegrar com a injustiça, não guardar ressentimento e tudo o resto (1Cor 13, 4-5), que é tudo isso se não oferecer continuamente a Deus um coração perfeito e muito puro e mantê-lo isento de toda a moção das paixões? Assim, a pureza do coração será o fim último das nossas ações e dos nossos desejos.

 

Discípulo ou mercenário?
Padre Pacheco

Jesus, diante dos “grandes números”, das “multidões incontáveis”, fica preocupado. Ele descreve os seus discípulos – também cada um de nós – como “um pequeno rebanho”(Lc 12, 32), como um “pouco de sal” (Mt 5, 13), ou de “fermento” (Mt 13, 33), como um “grão de mostarda” (Mt 13, 31). Não deve causar surpresa, no entanto, se Ele fica admirado por ver que há “muita gente que o acompanha”. Com certeza, Jesus Cristo pensa: ou não entenderam nada acerca do seguimento, ou eu não me expressei bem. Esta verdade deve nos levar a perguntar – principalmente a nós mesmos – o que leva tantos a seguir Jesus. Qual é a motivação principal para o seu seguimento? Muitos seguem não a Jesus, mas aquilo que Ele pode vir a dar: saúde, prosperidade, bom emprego, sucesso, fama, status… Quanto aquilo que Jesus pode dar há muitos seguidores; quanto ao fato de seguir Jesus e sua conseqüências, poucos O seguem. Jesus é taxativo: “Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, sua Irma e até sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Diante de tamanha exigência, ainda podemos afirmar que tamanha multidão que se diz católico, cristão, é verdadeiramente discípulo de Jesus? Há, meus irmãos: não subestimemos nossa inteligência! Por favor! A pergunta que não quer calar para este final de semana é esta: O que nos motiva para o seguimento de Jesus? É Jesus ou o interesse que tenho Dele, por aquilo que Ele pode me proporcionar? O discípulo de verdade é aquele que segue o mestre e não o que ele pode oferecer; este é mercenário! Há poucos discípulos e muitos mercenários – aqueles que só fazem algo por interesse e não por amor. Que palavra tão forte esta: odiar aqueles que nós amamos. O que Jesus quer dizer por odiar, sendo que devemos – segundo Ele próprio, amar e não odiar, principalmente nossos inimigos? Odiar neste contexto significa romper até os laços mais íntimos, quando estes constituem um impedimento para o amor. Quantas pessoa se dizem discípulas e discípulos de Jesus, mas no entanto ainda continua apegada a pessoas, a interesses, a cargos, às suas vontades. Por isso, antes de nos colocarmos no seguimento de Jesus, nos perguntemos acerca das nossas motivações, ou seja, façamos os cálculos como valou Jesus na parábola. Quantas desistências no meio do caminho; será causa de Jesus ter chamado de forma enganosa? Será que eu escutei mal? Não, Jesus não se enganou e você não escutou mal. O problema foi a falta de cálculo, ou seja, a decisão de romper com tudo aquilo que coloca Deus em segundo plano, pondo em primeiro plano as pessoas que amamos, nossa própria vida e os bens matérias. Quando colocamos tudo isso na frente do Senhor no seguimento, tudo está fadado ao fracasso e o demônio será o primeiro a jogar na nossa cara e na cara de Deus – ao menos ele tentará largar na cara de Deus – o nosso fracasso. Agora, quando dou o meu sim, pondo Jesus e sua vontade como o centro, tudo dará certo; isso não quer dizer que não teremos cruzes, sofrimentos e dificuldades; aliás, quem não quer sofrer, não deve seguir Jesus, pois seguir Jesus é o maior ato de amor que existe, e amar dói; o amor começa quando começa a doer a carne; não existe amor sem dor; não quer sofrer, não ame!

 

Quem escolhe Jesus não perde nada
Padre Paulo Ricardo

“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Mateus 14, 26). O chamado de Deus é exigente, é radical. ”Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus”. Seguiam para Jerusalém, onde Jesus iria ser crucificado. Mediante a isso Jesus avisa a multidão: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Quem caminha com Jesus passa pela cruz, pela paixão para chegar na ressurreição. Todo mundo quer ressuscitar, mas ninguém quer morrer. Não dá para seguir Jesus e achar que Ele é um iluminado. Precisamos amar Jesus acima de tudo. Não dá para ser cristão pela metade. Ou a gente sabe e professa que Jesus é verdadeiramente Deus, e que como Ele passaremos pela cruz, ou viveremos achando que Ele não é Deus. “Se alguém vem a mim, mas não se odeia de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Trago a vocês um exemplo para entenderem o que significa o verbo odiar na tradução do grego. Hoje na hora do almoço estava na casa da Luzia Santiago e ela me ofereceu pudim ou salada de fruta escolhi a salada de fruta, mas se fosse falar na tradução do grego eu iria dizer, odeio pudim, e ela entenderia que preferia salada de fruta. Essa palavra odeia é substituída pela palavra prefiro. É preciso amar Jesus mais que os pais, e os pais mais a Jesus que os filhos. Por causa do nosso pecado original tendemos a rivalidade, e quem tem irmão já fez essa pergunta: Quem mamãe e papai amam mais, eu ou os meus irmãos? Jacó tinha 12 filhos e o mais amado era José, que recebeu do pai uma túnica. Os seus irmãos tinham muito ciúme dele, por isso queriam matá-lo. Quando vemos uma preferência tocamos no pecado original que dá vontade de matar o predileto, porque nós queríamos ser o predileto. Porque os irmãos de José queriam matá-lo? Porque não amavam o pai, e também não queriam que José fosse amado por ele. Há um mecanismo destruidor do nosso coração que é de querer ser o centro no coração da pessoa. Porém neste Evangelho Jesus diz que o centro do nosso coração é Deus e precisa ser Deus. Se não for pode levar a morte. Jesus nos ensina a lutar contra o pecado da idolatria. Assim como aqueles irmãos de José que queriam ser deuses, queriam está no centro do coração do pai. Quantos crimes já ouvimos falar de esposo que mata esposa por ciúme, isso é porque quem ocupou o centro do coração foi um ao outro e não Deus. Quando a família toma o lugar de Deus, aí acontece a destruição, mas se você quer que sua família seja sadia, ame Jesus em primeiro lugar. Se você expulsar Jesus da sua casa, os seus vão se matar, se não matar fisicamente, vão matando interiormente. Se você coloca seus pais no lugar de Deus, você passará a cobrar de seus pais a felicidade plena, que só o Senhor pode oferecer. Se você deixa Jesus no centro do relacionamento da sua casa, você perceberá que seu marido não é fonte de felicidade, mas um companheiro que junto com você carregará a cruz para chegar a vida eterna. Que coisa terrível é o pai que vive poupando o seu filho. Não faça isso! Mas o encoraje a levar cruz, a amar Jesus mais que a você. Não me arrependo nem um segundo de ser padre. Mas, percorri um caminho duro e de renúncia. Quando eu era seminarista, estava para me ordenar e meus pais não puderam ir a minha ordenação, pois passavam por necessidades, tentei mandar um pouco de dinheiro, pois queria que eles participassem deste momento, mas não deu. Se eu soubesse que ao pedi para ser ordenado em Roma pelo Papa João Paulo II, não iria ter minha família presente em minha ordenação, eu escolheria qualquer bispo aqui no Brasil. Na minha ordenação era um misto de felicidade e dor. A alegria de ser padre, e a tristeza de não ter os meus pais e minhas irmãs ali. Chorava com o misto de sentimentos. Desde o início de meu sacerdócio, fui colocado para fazer uma opção entre Jesus, minha ordenação e a minha família, escolhi Jesus, porque é Ele quem me faz amar de forma autêntica a minha família. Dezoito anos depois, como foi bom escolher Jesus, vejo como foi bom ter Jesus em primeiro lugar, me fez amar ainda mais a minha família. A minha ida para o seminário foi dramática, meus pais me queriam por perto, e hoje louvamos a Deus pela minha vocação. “Pois quem escolhe Jesus não perde nada, mas ganha tudo”, assim afirma Bento XVI. Quando escolhemos Jesus encontramos verdadeiramente as pessoas que amamos. A família precisa ter Jesus como centro, quando amamos Jesus paramos de cobrar um ao outro e passamos a ser “Cireneus”, onde ajudamos a nossa família e eles nos ajudam a carregar a cruz.

 

Os discípulos de Jesus já  tinham percebido e também expressado este sentimento comum: “estas palavras são demasiado duras”. Jesus anuncia a Boa Nova, através de palavras e de gestos, com uma firmeza e uma exigência que, por vezes, nos assusta e que nos faz procurar esclarecimentos ou interpretações, ou seja, procurar “desculpas” para adaptar a mensagem evangélica à nossa vida. Porventura não teremos medo de ajudar os outros a encontrarem-se com Deus? É evidente que já caminhamos muito no contato direto, no conhecimento pessoal e vivencial com a Palavra de Deus, apesar de ainda estar muito por fazer. O cardeal Danneels disse esta frase: “Poucas pessoas entram em contato com a verdade do Evangelho. Os canais de comunicação estão saturados de informações vazias, de pequenas novidades mesquinhas e escandalosas. Tudo isto procura penetrar na pessoa, apostando na curiosidade e no interesse pessoal. São raros os convites à reflexão e à meditação. Raramente se tem a oportunidade de compreender o Evangelho na sua pureza e na sua verdade”. É importante não ter medo de enfrentar a Palavra de Deus. Tantas vezes o evangelho não chega a muitos membros da nossa sociedade e das nossas comunidades paroquiais, ou chega sob a forma de “obrigações e de proibições” morais, ou sob a forma de afirmações dogmáticas rígidas, ou influenciado por determinadas páginas “negras” e de crise da História da Igreja. Perante isto, Danneels interroga-se: “Quem ainda pode escutar? Nestas condições, quem ainda tem acesso à Boa Nova? A casca ainda estará tão dura que não se consegue chegar ao fruto?”. A leitura da Palavra de Deus é um elemento central da nossa celebração, é a primeira das “mesas” da Eucaristia. Procurar que a sua leitura pública seja bem feita – leitores bem preparados, preparação remota e próxima daquele que irá ler, atenção ao gênero literário da citação, boa qualidade sonora – é um elemento central para uma vida cristã que responda verdadeiramente à proposta de Jesus. É importante velar pela formação bíblica de todos os membros da comunidade cristã, animá-los e dar-lhes subsídios para sua formação contínua. Uma formação bíblica tem que abranger todos os cristãos, desde os que têm alguma responsabilidade pastoral até àquele que aparece em algumas celebrações. Esta formação tem de encontrar na nossa celebração litúrgica uma primeira e simples expressão, mas terá que ter uma linha de continuidade. São Francisco de Assis afirmava: “Evangelium sine glossa”. É algo que hoje temos de fazer: o evangelho no seu estado puro, sem demasiadas notas de rodapé, sem demasiados comentários que acrescentam sempre um “mas” ao que de radical tem o texto: “Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe… Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo”. Sim, mas… Quantos ainda não deram a sua resposta de fé, porque nunca entraram em contato direto com a mensagem original, sem filtros. Cada celebração é um momento para ajudar a “mergulhar” na originalidade da mensagem evangélica.

 

O Custo do Reino: opção de Fé, opção radical
Dom Eurico dos Santos Veloso

Há pessoas que se declaram cristãs por hábito ou conveniência, sem assumir as exigências do ser cristão. Com um verniz de religiosidade, tornam-se participantes ou patrocinadoras de uma sociedade desigual e injusta. Essa realidade pode ser transformada, desde que as pessoas adquiram a Sabedoria que vem de Deus e ajudem a iluminar os rumos da sociedade. Ser cristão implica o estabelecimento de prioridades, amadurecendo-as e executando-as coerentemente. Numa sociedade marcada por diferenças sociais, onde uns dominam e outros são dominados, o Evangelho surge como a força libertadora, onde todos colaboram e servem ao bem de todos. A novidade do Evangelho é um mistério que se compreende pela cruz e na cruz. O seguimento de Cristo realiza em nós dois mistérios: alegria e cruz. Uma realidade não está separada da outra. Isso decorre da afirmação de Jesus: “quem não carrega a sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo”. Não existe desafio maior e maior alegria do que essa. Não se é cristão natural ou hereditariamente, mas em conseqüência de uma decisão interior e pessoal. Por isso, é preciso por em prática os riscos decisivos de viver o Evangelho. O homem é naturalmente sociável. E, para responder a essa necessidade, estrutura comunidades, cria instituições e diversas modalidades de organizações. Acontece, porém, que nem sempre essas bases são justas. O homem importa-se com posições, lucros, vantagens: Deus, no entanto, considera os objetivos, as intenções. Com sua palavra e seu exemplo, Cristo vai estabelecendo os princípios de uma nova convivência pacífica, igualitária, baseada no amor e no perdão. A vida cristã exige um constante recomeçar, uma elaboração sempre renovada dos conceitos que facilmente adotamos para nossos relacionamentos e que nem sempre se inspiram no compromisso de vida em Cristo. Como Jesus mesmo disse: “ninguém pode servir a dois senhores”, daí a radicalidade – “quem não é comigo é contra mim”. A Palavra do Evangelho não significa, ao pé da letra, que devemos odiar pai, mãe, irmãos. Significa que amamos pai, mãe, irmãos porque amamos a Deus, que nos criou, nos deu tudo que temos inclusive a família. Não fosse assim, Ele não nos exortaria a “amar o próximo como a nós mesmos” e, principalmente, “amar a Deus sobre todas as coisas”.

 

VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM
Lucas 14, 25-33 “Quem não carrega a sua cruz… não pode ser meu discípulo”

Aprofundando o ensinamento sobre o discipulado, Jesus aqui expõe as condições para um verdadeiro seguimento. À primeira vista, a leitura pode nos chocar! Pode até parecer que Jesus esteja ensinando algo que não condiz muito com os ensinamentos cristãos. Isso especialmente se a tradução da nossa bíblia fala que nós devemos “odiar” os nossos pais e família (uma tradução literalmente correta). Mas aqui – de novo – estamos diante do problema das culturas e das línguas. Pois, esse texto nos traz um “semitismo”, ou seja, uma expressão de uma língua semita (no caso de Jesus, o aramaico) que tem que ser interpretada no contexto da cultura que aquela língua expressa. O aramaico e o hebraico usavam muitas expressões assim, que não tinham a mesma força que têm em português. Realmente o termo traduzido por “odiar” significava “desapegar-se”. Então podemos traduzir em termos inteligíveis portugueses: “Se alguém vem a mim, e não dá preferência mais a mim do que ao seu pai, à sua mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs, e até mesmo à sua própria vida, esse não pode ser meu discípulo” (v. 26). Jesus quer deixar bem claro – como ele faz muitas vezes “na caminhada” – que a opção pelo Reino necessariamente exige renúncias. Não só renuncia do mal e do pecado, mas renúncia de coisas altamente positivas em si; não renúncia por renunciar, mas em vista de um bem maior – o Reino de Deus, o único bem que pode satisfazer plenamente os anseios mais profundos do coração humano. Por isso, a vinda de Jesus pode ser vista como a crise escatológica última – pois põe todos nós diante da opção mais fundamental – quais são os valores reais da nossa vida? No mundo pós-moderno, onde se foge dos compromissos permanentes, onde tudo é relativizado, os desejos individuais são absolutizados, e a subjetividade se confunde com o individualismo, esta proposta soa como contra-cultural. Pois, Jesus nos convida a definir os valores mais profundos da nossa vida – e insiste que nada, por mais valioso que seja, possa ser mais importante do que a dedicação total ao Reino. Claro, ele não obriga – estamos livres para recusar esta exigência – mas então não seremos discípulos d’Ele! Aqui põe em cheque a vivência do cristão que “não é frio nem quente, mas morno”, e por isso mesmo “está para ser vomitado da minha boca” (Ap 3 16). O tema da cruz reaparece aqui – e de novo lembramos que “carregar a cruz” não é de maneira alguma simplesmente “sofrer”. É a consequência de uma coerência com o projeto e a proposta de vida de Jesus. É condição imprescindível para quem quer ser discípulo d’Ele: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (v 27). Podemos dizer que, se o trecho que precede este texto (vv 15-24, “Um rei fez um grande banquete”) enfatiza a gratuidade do chamamento da parte de Deus; esses versículos salientam o outro lado da medalha – a resposta incondicional dos discípulos. Todo o Evangelho de Lucas – como também os outros – deixa bem claro que esta resposta é a meta da nossa vida. Ninguém começa a caminhada com total dedicação ao Reino – mesmo que pense que faz! É na caminhada de anos, com as nossas incoerências, tropeços, erros, e traições, que a gente aprende a ser discípulo/a. A experiência de Pedro e dos Doze que nos diga! As duas parábolas seguintes – a do construtor tolo e do rei que vai à guerra – nos ensinam a necessidade de reflexão antes da ação. Ou seja, aqueles que querem seguir Jesus devem refletir sobre o preço a pagar. A situação triste do construtor falido e do rei derrotado são símbolos da situação do discípulo que desistiu “pelo caminho”. A reflexão sobre as exigências do discipulado pode nos desanimar diante da realidade das nossas fraquezas, a não ser que reflitamos também sobre a gratuidade de Deus que não nos abandona, mas nos ama como somos, e nos dará forças para a caminhada. Assim foi a experiência do grande discípulo Paulo, que após longos anos de experiência, incluindo as maiores experiências místicas e os maiores sofrimentos, pôde afirmar com toda a sinceridade: “Eu não consigo entender nem mesmo o que faço; pois não faço aquilo que eu quero, mas aquilo que mais detesto… Não faço o bem que quero, e sim o mal que não quero” (Rm 7, 15s). Mas, mesmo assim, reconhecendo os fracassos e falhas na sua caminhada de discípulo, exclama com alegria: “Portanto com muito gosto, prefiro gabar-me das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. É por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte (2Cor 12, 9s). Pois, se ele fez a experiência das exigências inerentes ao seguimento de Jesus, ele também fez a experiência da graça de Deus: “Para você, basta a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta o seu poder” (2 Cor 12,9). Não tenhamos medo de assumir o desafio que Jesus hoje nos lança, pois ele nos dará a graça necessária para a caminhada. Basta querer e pedir!

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