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O sentido do casamento

O mesmo Deus que criou o homem e a mulher uniu-os em matrimônio.

A Bíblia nos diz que, ao criar o homem, Deus sentiu-se insatisfeito, porque não encontrara em todos os seres criados nenhuma criatura que o completasse.

E Deus percebeu que “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18a). Então, disse ao homem: “Eu vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada” (Gn 2,18b), alguém que seria como você e que o ajude a viver. E fez a mulher. Retirou “um pedaço” do homem para criar a mulher (cf. Gn 2,21-22).  Nessa linguagem figurada, a Palavra de Deus quer nos ensinar que a mulher foi feita da mesma essência e da mesma natureza do homem, isto é, “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1,26). Santo Agostinho nos lembra que Deus, para fazer a mulher, não tirou um pedaço da cabeça do homem e nem um pedaço do seu calcanhar, por que a mulher não deveria ser chefe nem escrava do homem, mas companheira e auxiliar. Esse é o sentido da palavra que diz que Deus tirou “uma costela do homem” para fazer a mulher.

Ao ver Eva, Adão exclamou feliz: “Eis agora aqui, o osso de meus ossos e a carne de minha carne” (Gn 2,23a). Foi, sem dúvida, a primeira declaração de amor do universo. Adão se sentiu feliz e completo em sua carência. Então, Deus disse: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gn 2,24).

Isso quer dizer: serão uma só realidade, uma só vida, uma união perfeita. E Jesus fez questão de acrescentar: “Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6b).

Após uni-los, Deus disse ao casal: “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). Aqui está o sentido mais profundo do casamento: “frutificai [crescei] e multiplicai”. Deus quer que o casal, na união profunda do amor, cresça e se multiplique nos seus filhos; e daí surge a família, a mais importante instituição da humanidade. A família é a célula principal do plano de Deus para os homens e ela surge com o matrimônio.

É muito significativo que Deus tenha dito ao casal: “crescei”; e, em seguida, “multiplicai”. Isso mostra que a primeira dimensão do casamento é o crescimento mútuo do casal, realizado no seu amor fecundo. Ninguém pode multiplicar sem antes crescer. Como é que um casal vai educar os filhos, se eles, antes, não se educaram, não cresceram juntos?

O casamento não é uma aventura nem um “tiro no escuro” como dizem alguns; é, sim, um projeto sério de vida a dois, no qual cada um está comprometido em fazer o outro crescer, isto é, ser melhor a cada dia. Se a esposa não se torna melhor por causa da presença do marido a seu lado, e vice-versa, então o casamento deles está sem sentido, pois não realiza sua primeira finalidade. Também um namoro, um noivado, ou até uma simples amizade, não terão sentido se um não for para o outro um fermento de auxílio e crescimento. Enfim, o casamento não é para “curtirmos a vida a dois”, egoisticamente; ele existe para vivermos ao lado de alguém muito especial e querido que queremos construir. É por isso que se diz que “amar não é querer alguém construído, mas, sim, construir alguém querido.”

Para ajudar o outro a crescer é preciso aceitá-lo como ele é, com todas as suas qualidades e defeitos. A partir daí é possível então, com muita paciência e carinho, ajudar o companheiro a crescer; e crescer quer dizer “atingir a maturidade como pessoa humana” no campo psicológico, emocional, espiritual, moral, etc.

Prof. Felipe Aquino

XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 14, 25-33
Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.»

Neste vigésimo terceiro domingo do Tempo Comum, Jesus, em Lucas, faz-nos uma afirmação insólita e, para muitos, inexplicável: “Se alguém quiser vir após Mim, mas não puser em segundo plano seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos, seus campos não é digno de Mim”. Pode alguém pronunciar-se desta maneira? Não seria uma loucura esta afirmação? Quem afirma isso ou é totalmente louco, ou então é Deus. Preferimos a segunda afirmativa. Jesus pode exigir tanta renúncia porque Ele é Deus, e porque nós todos fomos criados por Ele, para Ele, e em vista Dele – como diz bem o autor da Carta aos Colossenses: por ser Ele o primeiro em tudo e por ter Deus resolvido em Cristo reunir as coisas do Céu e as coisas da Terra, isto é, todos nós. A humanidade em todas as épocas tem seus ídolos. Poderíamos citar dois da atualidade: o que não fazem certas fãs diante de Elvis Presley, que já morreu há mais de vinte anos? Sua cidade é anualmente visitada por milhões e milhões de turistas. O que não fizeram muitas fãs com Michael Jackson, antes que a morte o levasse? Eram capazes de realizar as coisas mais insensatas e impensáveis com o intuito de chegar perto dele, de tocá-lo ou, quem sabe, conseguir um autógrafo. Jesus é muito mais do que todos e, de resto, os ídolos, tanto do presente quanto do passado, têm pés de barro. Todas as pessoas, sem nenhuma exceção, nos desiludem e ficam aquém de nossas expectativas, na medida em que passa o tempo. Pena que as pessoas apaixonadas não percebam isso a tempo; mais tarde terão de conviver com os limites do outro, porque ninguém é Deus, ninguém se casa com Deus e ninguém pode preencher, como Deus, o coração do ser humano, que foi feito para o infinito e não para o finito, o limitado, e nem mesmo para um ser humano deste mundo. Quem faz esta pretensão no Evangelho de hoje é Aquele, repito, em vista de Quem nós todos fomos criados, depois de termos sido pensados eternamente pelo Pai. Ele tem o direito, pois só Nele encontraremos nosso repouso. Diz bem Santo Agostinho: “Fizestes nosso coração para Vós e ele não encontrará repouso algum enquanto não descansar em Vós”.

 

Oferecer a Deus o nosso verdadeiro tesouro
João Cassiano (c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha
Conferências, I, 6-7, (a partir da trad. de SC 42, pp. 83-85)

Muitos dos que, para seguirem a Cristo, tinham desprezado fortunas consideráveis, enormes quantias de ouro e de prata e propriedades magníficas, mais tarde deixaram-se apegar a um raspador, a um estilete, a uma agulha, a um junco de escrita. […] Depois de terem distribuído todas as suas riquezas por amor a Cristo, retiveram a sua anterior paixão e colocaram-na em futilidades, sendo capazes de se deixar levar pela cólera para as reter. Não tendo a caridade de que fala São Paulo, a sua vida foi tocada pela esterilidade. O bem-aventurado apóstolo previu essa infelicidade: «Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita», dizia (1Cor 13, 3). Prova evidente de que não atingimos de imediato a perfeição pela simples renúncia a todas as riquezas e pelo desprezo de todas as honras, se a isso não juntarmos essa caridade cujas características o apóstolo descreve. Ora esta caridade apenas se encontra na pureza do coração. Porque rejeitar a inveja, a arrogância, a ira e a frivolidade, não procurar o próprio interesse, não se alegrar com a injustiça, não guardar ressentimento e tudo o resto (1Cor 13, 4-5), que é tudo isso se não oferecer continuamente a Deus um coração perfeito e muito puro e mantê-lo isento de toda a moção das paixões? Assim, a pureza do coração será o fim último das nossas ações e dos nossos desejos.

 

Discípulo ou mercenário?
Padre Pacheco

Jesus, diante dos “grandes números”, das “multidões incontáveis”, fica preocupado. Ele descreve os seus discípulos – também cada um de nós – como “um pequeno rebanho”(Lc 12, 32), como um “pouco de sal” (Mt 5, 13), ou de “fermento” (Mt 13, 33), como um “grão de mostarda” (Mt 13, 31). Não deve causar surpresa, no entanto, se Ele fica admirado por ver que há “muita gente que o acompanha”. Com certeza, Jesus Cristo pensa: ou não entenderam nada acerca do seguimento, ou eu não me expressei bem. Esta verdade deve nos levar a perguntar – principalmente a nós mesmos – o que leva tantos a seguir Jesus. Qual é a motivação principal para o seu seguimento? Muitos seguem não a Jesus, mas aquilo que Ele pode vir a dar: saúde, prosperidade, bom emprego, sucesso, fama, status… Quanto aquilo que Jesus pode dar há muitos seguidores; quanto ao fato de seguir Jesus e sua conseqüências, poucos O seguem. Jesus é taxativo: “Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, sua Irma e até sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Diante de tamanha exigência, ainda podemos afirmar que tamanha multidão que se diz católico, cristão, é verdadeiramente discípulo de Jesus? Há, meus irmãos: não subestimemos nossa inteligência! Por favor! A pergunta que não quer calar para este final de semana é esta: O que nos motiva para o seguimento de Jesus? É Jesus ou o interesse que tenho Dele, por aquilo que Ele pode me proporcionar? O discípulo de verdade é aquele que segue o mestre e não o que ele pode oferecer; este é mercenário! Há poucos discípulos e muitos mercenários – aqueles que só fazem algo por interesse e não por amor. Que palavra tão forte esta: odiar aqueles que nós amamos. O que Jesus quer dizer por odiar, sendo que devemos – segundo Ele próprio, amar e não odiar, principalmente nossos inimigos? Odiar neste contexto significa romper até os laços mais íntimos, quando estes constituem um impedimento para o amor. Quantas pessoa se dizem discípulas e discípulos de Jesus, mas no entanto ainda continua apegada a pessoas, a interesses, a cargos, às suas vontades. Por isso, antes de nos colocarmos no seguimento de Jesus, nos perguntemos acerca das nossas motivações, ou seja, façamos os cálculos como valou Jesus na parábola. Quantas desistências no meio do caminho; será causa de Jesus ter chamado de forma enganosa? Será que eu escutei mal? Não, Jesus não se enganou e você não escutou mal. O problema foi a falta de cálculo, ou seja, a decisão de romper com tudo aquilo que coloca Deus em segundo plano, pondo em primeiro plano as pessoas que amamos, nossa própria vida e os bens matérias. Quando colocamos tudo isso na frente do Senhor no seguimento, tudo está fadado ao fracasso e o demônio será o primeiro a jogar na nossa cara e na cara de Deus – ao menos ele tentará largar na cara de Deus – o nosso fracasso. Agora, quando dou o meu sim, pondo Jesus e sua vontade como o centro, tudo dará certo; isso não quer dizer que não teremos cruzes, sofrimentos e dificuldades; aliás, quem não quer sofrer, não deve seguir Jesus, pois seguir Jesus é o maior ato de amor que existe, e amar dói; o amor começa quando começa a doer a carne; não existe amor sem dor; não quer sofrer, não ame!

 

Quem escolhe Jesus não perde nada
Padre Paulo Ricardo

“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Mateus 14, 26). O chamado de Deus é exigente, é radical. ”Naquele tempo, grandes multidões acompanhavam Jesus”. Seguiam para Jerusalém, onde Jesus iria ser crucificado. Mediante a isso Jesus avisa a multidão: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo.” Quem caminha com Jesus passa pela cruz, pela paixão para chegar na ressurreição. Todo mundo quer ressuscitar, mas ninguém quer morrer. Não dá para seguir Jesus e achar que Ele é um iluminado. Precisamos amar Jesus acima de tudo. Não dá para ser cristão pela metade. Ou a gente sabe e professa que Jesus é verdadeiramente Deus, e que como Ele passaremos pela cruz, ou viveremos achando que Ele não é Deus. “Se alguém vem a mim, mas não se odeia de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Trago a vocês um exemplo para entenderem o que significa o verbo odiar na tradução do grego. Hoje na hora do almoço estava na casa da Luzia Santiago e ela me ofereceu pudim ou salada de fruta escolhi a salada de fruta, mas se fosse falar na tradução do grego eu iria dizer, odeio pudim, e ela entenderia que preferia salada de fruta. Essa palavra odeia é substituída pela palavra prefiro. É preciso amar Jesus mais que os pais, e os pais mais a Jesus que os filhos. Por causa do nosso pecado original tendemos a rivalidade, e quem tem irmão já fez essa pergunta: Quem mamãe e papai amam mais, eu ou os meus irmãos? Jacó tinha 12 filhos e o mais amado era José, que recebeu do pai uma túnica. Os seus irmãos tinham muito ciúme dele, por isso queriam matá-lo. Quando vemos uma preferência tocamos no pecado original que dá vontade de matar o predileto, porque nós queríamos ser o predileto. Porque os irmãos de José queriam matá-lo? Porque não amavam o pai, e também não queriam que José fosse amado por ele. Há um mecanismo destruidor do nosso coração que é de querer ser o centro no coração da pessoa. Porém neste Evangelho Jesus diz que o centro do nosso coração é Deus e precisa ser Deus. Se não for pode levar a morte. Jesus nos ensina a lutar contra o pecado da idolatria. Assim como aqueles irmãos de José que queriam ser deuses, queriam está no centro do coração do pai. Quantos crimes já ouvimos falar de esposo que mata esposa por ciúme, isso é porque quem ocupou o centro do coração foi um ao outro e não Deus. Quando a família toma o lugar de Deus, aí acontece a destruição, mas se você quer que sua família seja sadia, ame Jesus em primeiro lugar. Se você expulsar Jesus da sua casa, os seus vão se matar, se não matar fisicamente, vão matando interiormente. Se você coloca seus pais no lugar de Deus, você passará a cobrar de seus pais a felicidade plena, que só o Senhor pode oferecer. Se você deixa Jesus no centro do relacionamento da sua casa, você perceberá que seu marido não é fonte de felicidade, mas um companheiro que junto com você carregará a cruz para chegar a vida eterna. Que coisa terrível é o pai que vive poupando o seu filho. Não faça isso! Mas o encoraje a levar cruz, a amar Jesus mais que a você. Não me arrependo nem um segundo de ser padre. Mas, percorri um caminho duro e de renúncia. Quando eu era seminarista, estava para me ordenar e meus pais não puderam ir a minha ordenação, pois passavam por necessidades, tentei mandar um pouco de dinheiro, pois queria que eles participassem deste momento, mas não deu. Se eu soubesse que ao pedi para ser ordenado em Roma pelo Papa João Paulo II, não iria ter minha família presente em minha ordenação, eu escolheria qualquer bispo aqui no Brasil. Na minha ordenação era um misto de felicidade e dor. A alegria de ser padre, e a tristeza de não ter os meus pais e minhas irmãs ali. Chorava com o misto de sentimentos. Desde o início de meu sacerdócio, fui colocado para fazer uma opção entre Jesus, minha ordenação e a minha família, escolhi Jesus, porque é Ele quem me faz amar de forma autêntica a minha família. Dezoito anos depois, como foi bom escolher Jesus, vejo como foi bom ter Jesus em primeiro lugar, me fez amar ainda mais a minha família. A minha ida para o seminário foi dramática, meus pais me queriam por perto, e hoje louvamos a Deus pela minha vocação. “Pois quem escolhe Jesus não perde nada, mas ganha tudo”, assim afirma Bento XVI. Quando escolhemos Jesus encontramos verdadeiramente as pessoas que amamos. A família precisa ter Jesus como centro, quando amamos Jesus paramos de cobrar um ao outro e passamos a ser “Cireneus”, onde ajudamos a nossa família e eles nos ajudam a carregar a cruz.

 

Os discípulos de Jesus já  tinham percebido e também expressado este sentimento comum: “estas palavras são demasiado duras”. Jesus anuncia a Boa Nova, através de palavras e de gestos, com uma firmeza e uma exigência que, por vezes, nos assusta e que nos faz procurar esclarecimentos ou interpretações, ou seja, procurar “desculpas” para adaptar a mensagem evangélica à nossa vida. Porventura não teremos medo de ajudar os outros a encontrarem-se com Deus? É evidente que já caminhamos muito no contato direto, no conhecimento pessoal e vivencial com a Palavra de Deus, apesar de ainda estar muito por fazer. O cardeal Danneels disse esta frase: “Poucas pessoas entram em contato com a verdade do Evangelho. Os canais de comunicação estão saturados de informações vazias, de pequenas novidades mesquinhas e escandalosas. Tudo isto procura penetrar na pessoa, apostando na curiosidade e no interesse pessoal. São raros os convites à reflexão e à meditação. Raramente se tem a oportunidade de compreender o Evangelho na sua pureza e na sua verdade”. É importante não ter medo de enfrentar a Palavra de Deus. Tantas vezes o evangelho não chega a muitos membros da nossa sociedade e das nossas comunidades paroquiais, ou chega sob a forma de “obrigações e de proibições” morais, ou sob a forma de afirmações dogmáticas rígidas, ou influenciado por determinadas páginas “negras” e de crise da História da Igreja. Perante isto, Danneels interroga-se: “Quem ainda pode escutar? Nestas condições, quem ainda tem acesso à Boa Nova? A casca ainda estará tão dura que não se consegue chegar ao fruto?”. A leitura da Palavra de Deus é um elemento central da nossa celebração, é a primeira das “mesas” da Eucaristia. Procurar que a sua leitura pública seja bem feita – leitores bem preparados, preparação remota e próxima daquele que irá ler, atenção ao gênero literário da citação, boa qualidade sonora – é um elemento central para uma vida cristã que responda verdadeiramente à proposta de Jesus. É importante velar pela formação bíblica de todos os membros da comunidade cristã, animá-los e dar-lhes subsídios para sua formação contínua. Uma formação bíblica tem que abranger todos os cristãos, desde os que têm alguma responsabilidade pastoral até àquele que aparece em algumas celebrações. Esta formação tem de encontrar na nossa celebração litúrgica uma primeira e simples expressão, mas terá que ter uma linha de continuidade. São Francisco de Assis afirmava: “Evangelium sine glossa”. É algo que hoje temos de fazer: o evangelho no seu estado puro, sem demasiadas notas de rodapé, sem demasiados comentários que acrescentam sempre um “mas” ao que de radical tem o texto: “Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe… Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo”. Sim, mas… Quantos ainda não deram a sua resposta de fé, porque nunca entraram em contato direto com a mensagem original, sem filtros. Cada celebração é um momento para ajudar a “mergulhar” na originalidade da mensagem evangélica.

 

O Custo do Reino: opção de Fé, opção radical
Dom Eurico dos Santos Veloso

Há pessoas que se declaram cristãs por hábito ou conveniência, sem assumir as exigências do ser cristão. Com um verniz de religiosidade, tornam-se participantes ou patrocinadoras de uma sociedade desigual e injusta. Essa realidade pode ser transformada, desde que as pessoas adquiram a Sabedoria que vem de Deus e ajudem a iluminar os rumos da sociedade. Ser cristão implica o estabelecimento de prioridades, amadurecendo-as e executando-as coerentemente. Numa sociedade marcada por diferenças sociais, onde uns dominam e outros são dominados, o Evangelho surge como a força libertadora, onde todos colaboram e servem ao bem de todos. A novidade do Evangelho é um mistério que se compreende pela cruz e na cruz. O seguimento de Cristo realiza em nós dois mistérios: alegria e cruz. Uma realidade não está separada da outra. Isso decorre da afirmação de Jesus: “quem não carrega a sua cruz e me segue não pode ser meu discípulo”. Não existe desafio maior e maior alegria do que essa. Não se é cristão natural ou hereditariamente, mas em conseqüência de uma decisão interior e pessoal. Por isso, é preciso por em prática os riscos decisivos de viver o Evangelho. O homem é naturalmente sociável. E, para responder a essa necessidade, estrutura comunidades, cria instituições e diversas modalidades de organizações. Acontece, porém, que nem sempre essas bases são justas. O homem importa-se com posições, lucros, vantagens: Deus, no entanto, considera os objetivos, as intenções. Com sua palavra e seu exemplo, Cristo vai estabelecendo os princípios de uma nova convivência pacífica, igualitária, baseada no amor e no perdão. A vida cristã exige um constante recomeçar, uma elaboração sempre renovada dos conceitos que facilmente adotamos para nossos relacionamentos e que nem sempre se inspiram no compromisso de vida em Cristo. Como Jesus mesmo disse: “ninguém pode servir a dois senhores”, daí a radicalidade – “quem não é comigo é contra mim”. A Palavra do Evangelho não significa, ao pé da letra, que devemos odiar pai, mãe, irmãos. Significa que amamos pai, mãe, irmãos porque amamos a Deus, que nos criou, nos deu tudo que temos inclusive a família. Não fosse assim, Ele não nos exortaria a “amar o próximo como a nós mesmos” e, principalmente, “amar a Deus sobre todas as coisas”.

 

VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM
Lucas 14, 25-33 “Quem não carrega a sua cruz… não pode ser meu discípulo”

Aprofundando o ensinamento sobre o discipulado, Jesus aqui expõe as condições para um verdadeiro seguimento. À primeira vista, a leitura pode nos chocar! Pode até parecer que Jesus esteja ensinando algo que não condiz muito com os ensinamentos cristãos. Isso especialmente se a tradução da nossa bíblia fala que nós devemos “odiar” os nossos pais e família (uma tradução literalmente correta). Mas aqui – de novo – estamos diante do problema das culturas e das línguas. Pois, esse texto nos traz um “semitismo”, ou seja, uma expressão de uma língua semita (no caso de Jesus, o aramaico) que tem que ser interpretada no contexto da cultura que aquela língua expressa. O aramaico e o hebraico usavam muitas expressões assim, que não tinham a mesma força que têm em português. Realmente o termo traduzido por “odiar” significava “desapegar-se”. Então podemos traduzir em termos inteligíveis portugueses: “Se alguém vem a mim, e não dá preferência mais a mim do que ao seu pai, à sua mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs, e até mesmo à sua própria vida, esse não pode ser meu discípulo” (v. 26). Jesus quer deixar bem claro – como ele faz muitas vezes “na caminhada” – que a opção pelo Reino necessariamente exige renúncias. Não só renuncia do mal e do pecado, mas renúncia de coisas altamente positivas em si; não renúncia por renunciar, mas em vista de um bem maior – o Reino de Deus, o único bem que pode satisfazer plenamente os anseios mais profundos do coração humano. Por isso, a vinda de Jesus pode ser vista como a crise escatológica última – pois põe todos nós diante da opção mais fundamental – quais são os valores reais da nossa vida? No mundo pós-moderno, onde se foge dos compromissos permanentes, onde tudo é relativizado, os desejos individuais são absolutizados, e a subjetividade se confunde com o individualismo, esta proposta soa como contra-cultural. Pois, Jesus nos convida a definir os valores mais profundos da nossa vida – e insiste que nada, por mais valioso que seja, possa ser mais importante do que a dedicação total ao Reino. Claro, ele não obriga – estamos livres para recusar esta exigência – mas então não seremos discípulos d’Ele! Aqui põe em cheque a vivência do cristão que “não é frio nem quente, mas morno”, e por isso mesmo “está para ser vomitado da minha boca” (Ap 3 16). O tema da cruz reaparece aqui – e de novo lembramos que “carregar a cruz” não é de maneira alguma simplesmente “sofrer”. É a consequência de uma coerência com o projeto e a proposta de vida de Jesus. É condição imprescindível para quem quer ser discípulo d’Ele: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo” (v 27). Podemos dizer que, se o trecho que precede este texto (vv 15-24, “Um rei fez um grande banquete”) enfatiza a gratuidade do chamamento da parte de Deus; esses versículos salientam o outro lado da medalha – a resposta incondicional dos discípulos. Todo o Evangelho de Lucas – como também os outros – deixa bem claro que esta resposta é a meta da nossa vida. Ninguém começa a caminhada com total dedicação ao Reino – mesmo que pense que faz! É na caminhada de anos, com as nossas incoerências, tropeços, erros, e traições, que a gente aprende a ser discípulo/a. A experiência de Pedro e dos Doze que nos diga! As duas parábolas seguintes – a do construtor tolo e do rei que vai à guerra – nos ensinam a necessidade de reflexão antes da ação. Ou seja, aqueles que querem seguir Jesus devem refletir sobre o preço a pagar. A situação triste do construtor falido e do rei derrotado são símbolos da situação do discípulo que desistiu “pelo caminho”. A reflexão sobre as exigências do discipulado pode nos desanimar diante da realidade das nossas fraquezas, a não ser que reflitamos também sobre a gratuidade de Deus que não nos abandona, mas nos ama como somos, e nos dará forças para a caminhada. Assim foi a experiência do grande discípulo Paulo, que após longos anos de experiência, incluindo as maiores experiências místicas e os maiores sofrimentos, pôde afirmar com toda a sinceridade: “Eu não consigo entender nem mesmo o que faço; pois não faço aquilo que eu quero, mas aquilo que mais detesto… Não faço o bem que quero, e sim o mal que não quero” (Rm 7, 15s). Mas, mesmo assim, reconhecendo os fracassos e falhas na sua caminhada de discípulo, exclama com alegria: “Portanto com muito gosto, prefiro gabar-me das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. É por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte (2Cor 12, 9s). Pois, se ele fez a experiência das exigências inerentes ao seguimento de Jesus, ele também fez a experiência da graça de Deus: “Para você, basta a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta o seu poder” (2 Cor 12,9). Não tenhamos medo de assumir o desafio que Jesus hoje nos lança, pois ele nos dará a graça necessária para a caminhada. Basta querer e pedir!

Quem é Católico?

QUEM É CATÓLICO?
Compêndio do Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 14 (39)

Católico é todo aquele que, incorporado plenamente à sociedade da Igreja, tem o Espírito de Cristo, aceita a totalidade de sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos e na sua estrutura visível – regida por Cristo através do Sumo Pontífice e dos Bispos – se une com Ele pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do regime e da comunhão eclesiásticos.
Não se salva, contudo, embora incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja “com o corpo”, mas não “com o coração”1.
Lembrem-se todos os filhos da Igreja que a condição sem igual em que estão se deve não a seus próprios méritos, mas a uma peculiar graça de Cristo.
Se a ela não corresponderem por pensamentos, palavras e obras, longe de se salvarem, serão julgados com maior severidade2.

 

TRÊS TIPOS DE CATÓLICOS
Pe. José Ribolla, C.SS.R. / Fonte: Os Sacramentos, trocados em miúdo. Ed. Santuário

CATÓLICO OU “CAÓTICO”?
Dizem que no Brasil – mas não é só no Brasil, não! – muitos católicos adotam um cristianismo original. Em vez de: católico-apostólico-romano, passa a ser: caótico-apostático-romântico… E bote isso tanto no masculino como no feminino!
Comecemos pelo “católico-caótico”. A palavra “católico” é um adjetivo da língua grega que, no masculino, feminino e gênero neutro corresponde respectivamente a: katolikós, katoliká, katolikón. O significado de católico é: universal. Quer indicar que o cristianismo deve ser universal, abranger todos os povos de toda a terra e de todos os tempos. O Evangelho é universal, é para todos. No caso, o substantivo é: cristão; católico é adjetivo, que poderia ser substituído por “universal”; mas, ficaria um tanto pernóstico dizer: “sou cristão universalll”… E por isso, ficamos com o adjetivo “católico” mesmo, querendo dizer “universal”. Entendido?
Pois bem. Mas, em nossa querida Pátria e alhures, o cristão em vez de ser “católico”, isto é, aceitar todo o Evangelho, a Igreja-Hoje, o tal cristão-”caótico” faz uma misturança de tudo e faz uma religião das suas conveniências, catando aqui e ali meias verdades e… bota tudo no “liquidificador” do seu egoísmo e da sua ignorância, aperta o botão das suas conveniências, e… dá aquela mistura caótica de católico-umbandista-cientificista-espiritualista-esotérico-maçonista e… diabo-a-quatro. E depois se mete a discutir religião sem entender bulhufas.
A Fé desse cristão caótico fica na periferia. E, no fundo mesmo, ele não quer é se comprometer com as dimensões da Fé: a dimensão pessoal da consciência limpa, a dimensão social da Justiça, a dimensão Política do compromisso com a ética do bem-comum; e, por aí afora. O cristão caótico cria um caos entre Fé e Vida, entre Fé e as realidades temporais onde ele deve atuar. O “caótico” cria uma religião liberalóide, à imagem e semelhança de suas idéias e gostos. Assim é fácil, não? …
 

APOSTÓLICO OU “APOSTÁTICO”? 
Outro tipo de católico original, mas muito comum, é o que afirma, nos recenseamentos, ser católico-apostólico, mas, em vez de “apostólico”, ele é “apostático”. Sem querer fazer muita apologética nem muita discussão sobre o assunto, é fácil verificar qual é a verdadeira religião cristã (universal = católica), a que vem desde os tempos dos apóstolos, do tempo de Cristo, portanto. É só ver nos Evangelhos como Jesus quis sua Igreja como sinal do Reino. E logo constataremos que Jesus quis, nessa Igreja, uma autoridade que fosse a pedra fundamental, garantia da unidade. E sabemos que ele colocou Pedro como a primeira autoridade, que depois vai tomando o nome de papa (pai). Está clara, nos Evangelhos, a indicação do Apóstolo Pedro como o primeiro chefe. E como essa Igreja deveria perdurar e continuar através dos séculos, vemos, na história da Igreja, que vieram Lino, Cleto, Clemente… até o nosso atual Papa Bento XVI. Então esta será, claro, a Igreja Apostólica, a Igreja que o Cristo quis… apesar de todas as misérias acontecidas com a necessidade de contínuas reformas na parte humana da Igreja.
Pois bem. O nosso católico “apostático”, em vez de ficar com essa Igreja, ele vai “apostando”, como o “caótico”, num sincretismo reli¬gioso, numa mistura de religiões ou fantasias religiosas, superstições e “etceterões” que não podem caber num “mesmo saco”, numa mesma vida…
Assim, de manhã, o “apostático” aposta na missa. Ao meio dia, aposta no horóscopo (alguns jornalistas-horoscopistas disseram-me como fazem quando “falta assunto”: pegam horóscopos de uns anos atrás e recopiam com algumas mudanças e publicam o “horóscopo do dia”…). E à noite, em que “aposta” o nosso “apostático”? No terreiro, saracoteando na macumba e quejando…
E assim vai ele, pela vida, “apostando”, até que acaba é apostatando mesmo, sem eira nem beira, sem convicção cristã nenhuma, sem compromisso com a Fé. Uma religião na base da emoção, da fantasia, sem firmeza histórica, sem firmeza evangélica, sem firmeza da Fé. Apostando no que lhe convém no momento… Nem cristão, nem católico, nem apostólico, mas: “apostático”…

ROMANO OU “ROMÂNTICO”? 
Vimos os dois tipos de cristãos batizados e crismados com os quais o Espírito Santo da Crisma não terá chance nenhuma de contar para o testemunho da Fé. São os católicos “caóticos” e os “apostáticos”.
Mas há um 3º espécimen, muito caracterizado e muito comum entre eles e entre elas… É o chamado cristão-católico “romântico”: “ái Jésúis!” E como os há, por aí afora… Dizemos “romântico” em oposição a romano; isto é, sem a adesão incondicional à Igreja de Jesus Cristo, desde os inícios sediada em Roma. “Romano” só porque, desde Pedro, os 263 Papas sediaram-se em Roma.
“Romântico” é o católico superficial, que tem as emoções como termômetro da Fé; o que se apega às periferias da religião, sem convic¬ções profundas, e que age ao sabor do “gosto não-gosto”. Neles e nelas não é a firmeza da Fé, a constância da Esperança nem a fidelidade do Amor que orientam a vida, mas sim, os “gostinhos” e preferências da ocasião, da “moda”.
“Romântico” é o católico que não perde a procissão do Senhor Morto e faz questão fechada de depositar seu ósculo no esquife do Senhor Morto… Mas foge, na vida do dia-a-dia, de “beijar” o Senhor vivo do Evangelho, o Cristo da justiça, do amor ao irmão, do perdão. É fácil beijar um “Senhor Morto” de madeira, de pedra, de gesso: quero ver é você beijar o Cristo do Evangelho, quando exige tomadas de posição na caminhada da Igreja, na justiça etc., etc.
Católica “romântica” é aquela que me dizia: “Ah! padre, o dia da 1.a comunhão de minha filha, quero que fique ‘indelééévvelll’… na minha vida…” Mas, ela mesma nem “limpou a cocheira” dos pecados para poder comungar com a filhinha… “Romântico” é o cristão que lê o Evangelho, concordando com umas coisas que Jesus disse e não con¬cordando com outras que o mesmo Jesus disse… “Eu acho… eu não acho…” como se cristianismo fosse “achismo”… E, por aí afora, meus amigos, quantos cristãos e cristãs romântico (a)s”, não? E onde fica o Batismo dessa gente, onde fica a Crisma com o Espírito Santo exigindo uma vida coerente com o Evangelho, com a Igreja e não com os caprichos de cada um?

SE ESTÁS BUSCANDO A IGREJA DE CRISTO…
Dom Fulton John Sheen

Não existem muitas pessoas que odeiem a Igreja Católica. No entanto, há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente crêem que a Igreja Católica seja. Isto certamente é uma coisa totalmente diferente. Dificilmente se pode culpar essas milhões de pessoas por odiar o católico crendo – como crêem – que os católicos “adoram imagens”; que “colocam a Virgem no mesmo nível de Deus”; que “dizem que as indulgências são permissões para se cometer pecados”; ou “porque o Papa é um fascista”; ou porque a Igreja “defende o capitalismo”. Se a Igreja ensinasse ou praticasse qualquer destas coisas, deveria ser odiada por justa razão.
Porém, a verdade é que a Igreja não ensina nem crê em nenhuma destas coisas. Disto, se constata que o ódio de milhões é dirigido contra um conceito errôneo da Igreja e não ao que a Igreja verdadeiramente é. De fato, se nós, católicos, crêssemos em todas as mentiras e falsidades que dizem sobre a Igreja, muito provavelmente odiaríamos a Igreja mil vezes mais do que odeiam essas milhões de pessoas mal informadas.
Se eu hoje não fosse católico e estivesse em busca da verdadeira Igreja, buscaria uma Igreja que não se desse bem com o mundo. Em outras palavras, buscaria uma Igreja que o mundo odiasse. É que se Cristo estivesse em alguma das igrejas de hoje em dia, deveria ser odiado tanto quanto foi quando habitou carnalmente sobre a terra. Se encontrasses Cristo em alguma igreja hoje, O encontrarias numa igreja que não se desse bem com o mundo…
Procure a igreja que é odiada pelo mundo, assim como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure uma igreja que seja acusada de estar ultrapassada, assim como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e sem instrução. Procure uma igreja que os homens desprezem por ser socialmente inferior, assim como desprezaram Nosso Senhor por ter nascido em Nazaré. Procure uma igreja que é acusada de ser endemoniada, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, o príncipe dos demônios.
Procure uma igreja que o mundo rejeite porque afirma ser infalível, assim como Pilatos rejeitou Jesus porque Ele declarou ser a encarnação da Verdade. Procure uma igreja que, entre a confusa selva de opiniões contraditórias, seja amada por seus membros, assim como amam a Cristo, e respeitam sua voz, assim como respeitam a voz de seu Fundador. Assim aumentarão as tuas suspeitas de que esta Igreja não condiz com o espírito do mundo e isso deve ser porque não é mundana; e se não é mundana é porque não é deste mundo; e por não ser deste mundo, lhe cabe ser infinitamente odiada e infinitamente amada, como ocorre com o próprio Cristo. A Igreja Católica é a única Igreja que atualmente pode traçar sua História até os dias de Cristo. A evidência histórica é tão clara neste aspecto, que resulta curioso ver tanta gente não estar a par de algo tão óbvio!

Papa fala sobre reflexos dos conflitos familiares nos filhos

Quarta-feira, 24 de junho de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na catequese de hoje, Papa alertou sobre os conflitos no próprio ambiente familiar, destacando a ferida que isso causa na vida dos filhos

Problemas de convivência familiar, quando a família fere a si mesma. Este foi o foco do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 24, seguindo o ciclo de reflexões sobre família. Ele falou, em especial, dos casos em que os desentendimentos entre os pais ferem a vida dos filhos.

Francisco destaca o sofrimento dos filhos quando há ressentimentos entre os casais / Foto: Reprodução CTV

Nas catequeses anteriores, Francisco vinha falando de algumas fragilidades da condição humana, como a pobreza, a doença e a morte. Mas hoje ele quis se dedicar às fragilidades que existem dentro da própria família e que, em vez de exprimir amor acabam mortificando o ambiente familiar. Uma delas foi o fato das desavenças entre os casais recair sobre os filhos.

“Quando os adultos perdem cabeça, quando cada um pensa apenas em si mesmo, quando o pai e a mãe se agridem, a alma dos filhos sofre imensamente, sentem-se desesperados. E nós? Não obstante a nossa sensibilidade, tão evoluída, parece que ficamos anestesiados diante das feridas profundas nas almas das crianças”.

Uma vez que tudo na família está interligado, Francisco explicou que quando o casal pensa obsessivamente em suas próprias exigências de liberdade e gratificação, essa distorção fere o coração e a vida dos filhos.

“Temos que entender bem isso: o marido e a mulher são uma só carne; mas as suas criaturas são carne da sua carne. Quando se pensa na dura advertência que Jesus fez aos adultos para não escandalizarem os pequeninos, pode-se compreender melhor a sua palavra sobre a grave responsabilidade de salvaguardar o vínculo conjugal que dá início à família humana. Quando o homem e a mulher se tornam uma só carne, todas as feridas e todo o abandono do pai e da mãe incidem na carne viva dos filhos”.

Francisco ressaltou que há casos em que a separação é inevitável; às vezes pode se tornar até moralmente necessária, quando se fala de salvar o cônjuge mais frágil, ou filhos pequenos, de feridas causadas pela prepotência e a violência, das humilhações e da exploração, da indiferença.

Terminando a catequese, o Papa destacou a questão do acompanhamento pastoral desses casais que se separaram, um ponto destacado por ele diversas vezes ao longo dos debates do Sínodo Extraordinário sobre a Família. Essa é uma questão que será ressaltada também no próximo encontro sinodal, em outubro.

“Ao nosso redor, há muitas famílias que se encontram na situação chamada ‘irregular’ (palavra de que não gosto). Nós nos perguntamos: Como ajudá-las? Como acompanhá-las para que as crianças não sejam ‘reféns’ do pai ou da mãe? Peçamos ao Senhor uma fé grande para vermos a realidade com o olhar de Deus; e uma caridade grande, para nos aproximarmos destas pessoas com coração misericordioso”.

Problemas no casamento

“A minha felicidade será fazê-lo feliz”

Deus quis que existíssemos para participar de sua vida bem aventurada e nos criou “à sua imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26). O Criador quis que a humanidade existisse “em família”, com a união de um homem e uma mulher, vivendo no amor conjugal e gerando os filhos nesse mesmo amor. E a base de tudo isso é o casamento.

Depois de criá-los, Deus os uniu. O homem se sentiu insatisfeito, sozinho, porque não encontrava em todos os seres criados nenhuma criatura que o completasse. E Deus percebeu que “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18). Então, disse ao homem: “Eu vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada” (Gn 2,18), alguém que seja como você e que o ajude a viver. E fez a mulher. Retirou “um pedaço” do homem para criar a mulher (cf.Gn 2,21-22).

Nessa linguagem figurada, a Palavra de Deus quer nos ensinar que a mulher foi feita da mesma essência, dignidade e da mesma natureza do homem. Santo Agostinho ensina que Deus, para fazer a mulher, não tirou um pedaço da cabeça do homem nem um pedaço do seu calcanhar, porque a mulher não deveria ser chefe nem escrava do homem, mas “companheira e auxiliar”. Esse é o sentido da palavra que diz: Deus tirou “uma costela do homem” para fazer a mulher.

Ao ver Eva, Adão exclamou feliz: “Eis agora o osso de meus ossos e a carne de minha carne” (Gn 2,23). Foi a primeira declaração de amor do universo. Adão se sentiu feliz e completo em sua carência. Deus disse ao primeiro casal: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gn 2,24).

Estava criado o casamento que mais tarde Jesus vai transformar em sacramento. Ele fez questão de acrescentar: “Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6). E Deus disse ao casal: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). Aqui está o sentido mais profundo do casamento: “crescei e multiplicai”. Deus quer que o casal, na união profunda do amor, cresça e se multiplique nos seus filhos; daí surge a família, a mais importante instituição da humanidade; a célula principal do plano de Deus para os homens; e ela surge com o matrimônio.

Como a família e o casamento estão na base de todo o plano de Deus para a humanidade, se eles forem destruídos, a humanidade sofrerá muito. Há uma concepção falsa de “família” e de “casamento” que não está de acordo com a vontade do Criador. Há “famílias alternativas” que, no plano de Deus, não são famílias bem como os “casamentos alternativos”.

Quanto mais o casamento se afastar do plano de Deus e quanto mais a família se desfigurar da imagem original que Ele lha deu, tanto mais a humanidade vai sofrer. Hoje, já colhemos os frutos amargos da destruição deste belo plano divino. Quando o homem se arvora em “senhor do bem e do mal” e quer ocupar o lugar do Senhor, sofre e morre.

Sabemos que, infelizmente, o pecado original feriu a humanidade. O homem virou as costas para Deus e, por causa disso, o sofrimento e a morte entraram no mundo. São Paulo deixou claro que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23). O pecado atingiu todas as realidades da vida humana e, de modo especial, o casamento e a família. Sem o pecado não haveria a desarmonia do homem consigo mesmo, com a natureza, com Deus e com a mulher.

O pecado gerou o desentendimento. O seu nome é egoísmo, vaidade, orgulho, autossuficiência, arrogância, ganância, impureza, adultério, gula, ira, inveja, preguiça, maledicência, etc. Tudo que divide a família e afasta a pessoa humana de Deus. Por isso, hoje, o casamento têm tantos problemas, porque foi ferido pelo pecado que engendra a briga, a discussão, a violência, o crime e elimina o amor que deveria ser permanente entre marido e mulher. É a realidade de cada casal.

São Paulo mostrou bem, na Carta aos Romanos, a dura realidade do pecado que temos de enfrentar: “Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque querê-lo está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo.

Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, deparo-me com o mal. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!” (cf. Rm 7,14-25).

Prof. Felipe Aquino
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Santo Evangelho (Mc 10, 28-31)

8ª Semana Comum – Terça-feira 24/05/2016

Primeira Leitura (1Pd 1,10-16)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro.

Caríssimos, 10esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória consequente. 12Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando estas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar! 13Por isso, aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. 14Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. 15Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. 16Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 97)

— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

— O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.

— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Acalmai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

Evangelho (Mc 10,28-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”29. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna. 31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Vicente de Lérins, um grande pensador, teólogo e místico

Foi um homem doutorado na graça, defensor da verdade e que se consumiu pelo Evangelho

Nascido no norte da França, São Vicente de Lérins, viveu sua juventude em busca das vaidades do mundo e tornou-se militar.

Vicente ao encontrar-se com Deus e se converter, foi se tornando cada vez mais obediente à Palavra do Senhor. Amou a Palavra de Deus.

Entrou para a vida monástica, tornando-se um exemplo de monge. Aprofundou-se nos mistérios de Deus, tornando-se um grande pensador, teólogo e místico. Combateu muitas heresias no século V. Eleito Abade, o Mosteiro de Lérins tornou-se um lugar de forte formação para santos e bispos da Igreja.

São Vicente foi um homem doutorado na graça, defensor da verdade e que se consumiu pelo Evangelho.

São Vicente de Lérins, rogai por nós!

Porque a Igreja é contra a fertilização artificial?

Letícia Barbosa / Da Redação

Felipe Aquino apresenta, na TV Canção Nova, o programa Pergunte e Responderemos, cujo objetivo principal é auxiliar as pessoas apresentando a postura da Igreja Católica em diversos assuntos. O programa pode ser acompanhado todas às sextas-feiras, a partir das 15h30. Felipe Aquino abordou alguns temas, entre os quais destacou o posicionamento da Igreja em relação à fertilização in vitro, método artificial usado para engravidar.

Esse método consiste na junção dos espermatozóides com os óvulos em uma estufa com temperatura controlada. Quando bem sucedida a primeira etapa, o óvulo fecundado é transferido para o útero materno. A Igreja se declara contra esse tipo de método, pois, segundo sua Doutrina, o ato que funda a vida deve vir do casal por meio de sua doação total.

“Esse ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana” (trecho extraído do Catecismo da Igreja Católica, § 2377)

Para os casais que não podem ter filhos, a Igreja recomenda que busquem legítimos recursos da medicina para conseguir os filhos desejados. Outra maneira é a adoção, quando o casal acolhe em sua família crianças que, por diversos motivos, se encontram em abrigos e orfanatos.

“O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de terem esgotado os recursos legítimos da medicina, sofrerem de infertilidade unir-se-ão à Cruz do Senhor, fonte de toda fecundidade espiritual. Podem mostrar sua generosidade adotando crianças desamparadas ou prestando relevantes serviços em favor do próximo” (CIC § 2379).

 

Casais que não conseguem ter filhos
O que a Igreja ensina nesses casos

Muitos casais, infelizmente, não conseguem ter filhos por alguma causa de infertilidade do marido ou da esposa. Sabemos que é grande esse sofrimento:

“Que me darás?”, pergunta Abrão a Deus. “Continuo sem filho…” (cf. Gn 15,2). “Faze-me ter filhos também, ou eu morro”, disse Raquel a seu marido Jacó (cf. Gn 30,1).

Mas esses casais não devem desanimar; a Igreja recomenda que valorizem o seu matrimônio. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) lhes ensina:

“Os esposos a quem Deus não concedeu ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente. Seu Matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, acolhimento e sacrifício” (CIC § 1654).

Esses casais podem e devem buscar os legítimos recursos da medicina para conseguir os filhos desejados. A Igreja ensina que:

“As pesquisas que visam a diminuir a esterilidade humana devem ser estimuladas, sob a condição de serem colocadas ‘a serviço da pessoa humana, de seus direitos inalienáveis, de seu bem verdadeiro e integral, de acordo com o projeto e a vontade de Deus’” (Instrução Donum vitae, CDF, intr. 2).

A Igreja não aceita a inseminação artificial, nem homóloga nem heteróloga. E ela expõe as razões disso:

“As técnicas que provocam uma dissociação do parentesco, pela intervenção de uma pessoa estranha ao casal (doação de esperma ou de óvulo, empréstimo de útero), são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais heterólogas) lesam o direito da criança de nascer de um pai e uma mãe conhecidos dela e ligados entre si pelo casamento. Elas traem “o direito exclusivo de se tornar pai e mãe somente um por meio do outro” (CIC § 2376).

“Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (§2377).

A Igreja aproveita esse assunto, para nos lembrar que ninguém tem o direito a um filho.

“O filho não é algo devido, mas um dom. O “dom mais excelente do matrimônio” e uma pessoa humana. O filho não pode ser considerado como objeto de propriedade, a que conduziria o reconhecimento de um pretenso “direito ao filho”. Nesse campo, somente o filho possui verdadeiros direitos: o “de ser o fruto do ato específico do amor conjugal de seus pais, e também o direito de ser respeitado como pessoa desde o momento de sua concepção” (CIC § 2378).

Por fim, a Igreja recomenda aos casais inférteis unirem o seu sofrimento, corajosamente, à cruz de Cristo.

“O Evangelho mostra que a esterilidade física não é um mal absoluto. Os esposos que, depois de terem esgotado os recursos legítimos da medicina, sofrerem de infertilidade unir-se-ão à Cruz do Senhor, fonte de toda fecundidade espiritual. Podem mostrar sua generosidade adotando crianças desamparadas ou prestando relevantes serviços em favor do próximo” (CIC § 2379).

Nossa fé nos ensina que só os egoístas desperdiçam a vida; portanto, mesmo que os casais inférteis não possam ter seus filhos naturais, poderão ter seus filhos “do coração”; que não deixam de ser menos filhos. Quantos filhos adotados dão mais alegria a seus pais que os filhos naturais! Jesus não teve um pai natural na terra; mas teve um grande pai adotivo: São José.

 

A Igreja aceita a inseminação artificial?

O Catecismo da Igreja elenca uma série de itens que se referem à moral católica e que fazem parte da Lei Natural que Deus colocou no coração de todos os homens de todos dos tempos e lugares.

Pontos básicos da moral católica – II

O Catecismo da Igreja elenca uma série de itens que se referem à moral católica e que fazem parte da Lei Natural que Deus colocou no coração de todos os homens de todos dos tempos e lugares. Vejamos alguns deles:

Inseminação artificial

Com base na Instrução “Donum vitae”, de 1983, de Congregação da Fé, o Catecismo ensina que “As técnicas que provocam uma dissociação do parentesco, pela intervenção de uma pessoa estranha ao casal (doação de esperma ou de óvulo, empréstimo de útero), são gravemente desonestas. Estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais heterólogas) lesam o direito da criança de nascer de um pai e uma mãe conhecidos dela e ligados entre si pelo casamento. Elas traem “o direito exclusivo de se tornar pai e mãe somente um através do outro” (CDF, instr. DV, 2,1; §2376).

“Praticadas entre o casal, essas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que “remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Uma tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos” (CDF, instr. DV, II,741,5).

“A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa” (CDF, instr. DV, II,4; Cat. §2377).

Moribundos – morte iminente

A respeito daqueles eu estão no limiar da morte, a Igreja ensina que: “Mesmo quando a morte é considerada iminente, os cuidados comumente devidos a uma pessoa doente não podem ser legitimamente interrompidos. O emprego de analgésicos para aliviar os sofrimentos do moribundo, ainda que com risco de abreviar seus dias, pode ser moralmente conforme à dignidade humana se a morte não é desejada, nem como fim nem como meio, mas somente prevista e tolerada como inevitável. Os cuidados paliativos constituem uma forma privilegiada de caridade desinteressada. Por esta razão devem ser encorajados”. (Cat.§2279)

Pesquisa Científica

A Igreja, em todos os tempos sempre foi a favor do desenvolvimento da Ciência, e sempre foi a sua grande promotora. Entre outras coisas ela ensina que:

“As experiências científicas, médicas ou psicológicas em pessoas ou grupos humanos podem concorrer para a cura dos doentes e para o progresso da saúde pública” (§2292)

“A pesquisa científica de base, como a pesquisa aplicada, constituem uma expressão significativa do domínio do homem sobre a criação. A ciência e a técnica são recursos preciosos que são colocados a serviço do homem e promovem o desenvolvimento integral em benefício de todos; contudo não podem indicar sozinhas o sentido da existência e do progresso humano. A ciência e a técnica estão ordenadas para o homem, do qual provêm a sua origem e crescimento; portanto, encontram na pessoa e em seus valores morais a indicação de sua finalidade e a consciência de seus limites” (§2293).

“As pesquisas ou experiências no ser humano não podem legitimar atos em si mesmos contrários à dignidade das pessoas e à lei moral. O consentimento eventual dos sujeitos não justifica tais atos. A experiência em seres humanos não é moralmente legítima se fizer a vida ou a integridade física e psíquica do sujeito correrem riscos desproporcionais ou evitáveis. A experiência em seres humanos não atende aos requisitos da dignidade da pessoa se além disso ocorrer sem o consentimento explícito do sujeito ou de seus representantes legais” (§2295)

“A autópsia de cadáveres pode ser moralmente admitida por motivos de investigação legal ou de pesquisa científica. A doação gratuita de órgãos após a morte é legítima e pode ser meritória. A Igreja permite a incineração se esta não manifestar uma posição contrária à fé na ressurreição dos corpos” (CDC, cân. 1176,3; §2301).

“O transplante de órgãos não é moralmente aceitável se o doador ou seus representantes legais não deram para isso explícito consentimento. O transplante de órgãos é conforme à moral e pode ser meritório se os perigos e os riscos físicos e psíquicos a que se expõe o doador são proporcionais ao bem que se busca no destinatário. É moralmente inadmissível provocar diretamente a mutilação que venha a tornar alguém inválido ou a morte de um ser humano, mesmo que seja para retardar a morte de outras pessoas” (§2296).

Prof. Felipe Aquino

A paternidade responsável

Sede fecundos e multiplicai-vos

Pela sua própria natureza, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados à procriação e à educação dos filhos, os quais constituem o ponto alto da sua missão e a sua coroa. Os filhos são, sem dúvida, o mais excelente dom do matrimônio e contribuem muitíssimo para o bem dos próprios pais. O mesmo Deus que disse: “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18) e que “desde o princípio fez o homem varão e mulher” (Mt 19, 4), querendo comunicar-lhe uma participação especial na Sua obra criadora, abençoou o homem e a mulher dizendo: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gn 1,28).

Por isso, o culto autêntico do amor conjugal e toda a vida familiar que dele nasce, sem pôr de lado os outros fins do matrimônio, tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e do Salvador, que, por meio deles, aumenta continuamente e enriquece a sua família» (Catecismo, 1652). Por isso, entre «os esposos que deste modo satisfazem a missão que Deus lhes confiou, devem ser especialmente lembrados aqueles que, de comum acordo e com prudência, aceitam com grandeza de ânimo educar uma prole numerosa» (Gaudium et Spes, 50).

O estereótipo da família, apresentada pela cultura atualmente dominante, opõe-se à família numerosa, justificado por razões econômicas, sociais, de saúde etc. Mas «o verdadeiro amor mútuo transcende a comunidade de marido e mulher e estende-se aos seus frutos naturais, os filhos. O egoísmo, pelo contrário, acaba por rebaixar esse amor à simples satisfação do instinto e destrói a relação que une pais e filhos. Dificilmente haverá quem se sinta bom filho – verdadeiro filho – de seus pais, se puder vir a pensar que veio ao mundo contra a vontade deles, que não nasceu de um amor limpo, mas de uma imprevisão ou de um erro de cálculo (…).

Vejo com clareza que os ataques às famílias numerosas provêm da falta de fé, são produto de um ambiente social incapaz de compreender a generosidade, um ambiente que tende a encobrir o egoísmo e certas práticas inconfessáveis com motivos aparentemente altruístas» (São Josemaria Escrivá, Temas Atuais do Cristianismo).

Mesmo com uma atitude generosa face à paternidade, os esposos podem encontrar-se «em situações em que, pelo menos temporariamente, não lhes é possível aumentar o número de filhos» (Gaudium et Spes, 51). «Se existem motivos sérios para distanciar os nascimentos, que derivem ou das condições físicas ou psicológicas dos cônjuges, ou de circunstâncias exteriores, a Igreja ensina que então é lícito ter em conta os ritmos naturais imanentes às funções geradoras, para usar do matrimônio só nos períodos infecundos e, deste modo, regular a natalidade» (Paulo VI, Enc. Humanae Vitae, 16).

É intrinsecamente má «toda a ação que, ou em previsão do ato conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação» (Paulo VI, Enc. Humanae Vitae, 16).

Mesmo que se procure atrasar uma nova concepção, o valor moral do ato conjugal realizado no período infecundo da mulher é diferente do efetuado com o recurso a um meio contraceptivo. «O ato conjugal, ao mesmo tempo que une profundamente os esposos, torna-os aptos para a geração de novas vidas, segundo leis inscritas no próprio ser do homem e da mulher. Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade» (Paulo VI, Enc. Humanae Vitae, 12).

Mediante o recurso à contracepção, exclui-se o significado procriativo do ato conjugal; o uso do matrimônio nos períodos infecundos da mulher respeita a inseparável conexão dos significados unitivos e procriativos da sexualidade humana. No primeiro caso, comete-se um ato positivo para impedir a procriação, eliminando do ato conjugal a sua potencialidade própria em ordem à procriação; no segundo, só se omite o uso do matrimônio nos períodos fecundos da mulher, o que por si não lesa nenhum outro ato conjugal da sua capacidade procriadora no momento da sua realização (João Paulo II, Familiaris Consortio, 32).

Assim, a paternidade responsável, tal como a proclama a Igreja, não admite de nenhum modo a mentalidade contraceptiva; antes pelo contrário, responde a determinada situação provocada por circunstâncias pontuais, que em si não se desejam, mas suportam-se, e que podem contribuir, com a ajuda da oração, por unir mais os cônjuges e toda a família.

Rafael Díaz
http://www.opusdei.org.br

Ainda hoje, cristãos são mortos em nome de Deus, lembra Papa

Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Santo Padre falou do testemunho dado por tantos cristãos até o martírio; a força desse testemunho vem do Espírito Santo, disse

Francisco fala do martírio sofrido por tantos cristãos, que testemunham Cristo até o fim / Foto: L’Osservatore Romano

Na Missa desta segunda-feira, 11, o Papa Francisco recordou os cristãos perseguidos. Ele lembrou que, ainda hoje, se mata cristãos em nome de Deus, mas o Espírito Santo dá a força de testemunhar até o martírio.

No Evangelho do dia, Jesus anuncia aos discípulos o Espírito Santo. Francisco explicou que Deus fala do futuro, da cruz que espera pelo homem e do Espírito, que prepara a dar o testemunho cristão. Portanto, fala “do escândalo das perseguições”, do “escândalo da Cruz”.

A cruz é considerada um escândalo para os judeus e uma loucura para os pagãos, disse o Papa, mas os cristãos, pelo contrário, pregam Cristo crucificado. Jesus, então, preparou os discípulos para que não se escandalizassem com a sua Cruz, anunciando: virá a hora em que aquele que vos matar julgará realizar um ato de culto a Deus.

“Hoje somos testemunhas dessas pessoas que matam os cristãos em nome de Deus, porque são infiéis, segundo eles. Esta é Cruz de Cristo: ‘E isso farão porque não reconheceram o Pai nem a mim’. ‘O que aconteceu a mim – afirma Jesus – acontecerá também a vós – as perseguições, as tribulações – mas, por favor, não vos escandalizeis: será o Espírito a guiar-nos e a fazer-nos entender’”.

Fiéis degolados

Neste contexto, o Papa recordou o telefonema que recebeu no domingo, 10, do Patriarca copta Tawadros, porque a data constitui o dia da amizade copta-católica.

“Eu recordei os seus fiéis, que foram degolados na praia porque eram cristãos. Esses fiéis, pela força que lhes deu o Espírito Santo, não se escandalizaram. Morreram com o nome de Jesus nos lábios. É a força do Espírito. O testemunho. É verdade, a força do Espírito. O testemunho. É verdade, o martírio é justamente isso, o testemunho supremo”.

O testemunho diário

Francisco lembrou que há também o testemunho diário, que torna presente a fecundidade da Páscoa trazida pelo Espírito Santo, que guia para a verdade plena.

“Um cristão que não leva a sério esta dimensão de martírio da vida não entendeu ainda o caminho que Jesus nos ensinou: o caminho do martírio de todos os dias; de defender os direitos das pessoas; dos filhos: pai e mãe que defendem sua família; o caminho do martírio de tantos, tantos doentes que sofrem por amor de Jesus. Todos nós temos a possibilidade de levar avante esta fecundidade pascal no caminho do martírio, sem nos escandalizar”.

O Papa concluiu com esta oração: “Peçamos ao Senhor a graça de receber o Espírito Santo, que nos fará recordar as coisas de Jesus, que nos guiará rumo a toda a verdade e nos preparará a cada dia para oferecer este testemunho, para oferecer este pequeno martírio de todos os dias ou um grande martírio, segundo a vontade do Senhor”.

Filhos são alegria da família e da sociedade, diz Papa

Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Nas catequeses sobre família, Francisco refletiu hoje sobre os filhos, um presente que revela a dimensão mais gratuita do amor. Sociedades sem filhos são deprimidas, disse ele

Francisco exalta importância dos filhos, presente de Deus / Foto: Reprodução CTV

Seguindo o ciclo de catequeses sobre família, o Papa Francisco refletiu, nesta quarta-feira, 11, sobre os filhos. O Santo Padre já havia falado das mães e dos pais, e hoje ofereceu uma reflexão sobre o grande dom que os filhos são para a família e para a sociedade como um todo.

“Os filhos são a alegria da família e da sociedade, não um problema de biologia reprodutiva, um modo de se realizar nem uma posse dos pais; os filhos são um dom, um presente”.

Segundo o Papa, ser filho, no projeto de Deus, é levar consigo a memória e a esperança de um amor que realizou a si mesmo dando a vida a outro ser humano. E cada filho é único para os pais. Como exemplo, recordou sua própria família: ele contou que sua mãe, quando questionada sobre qual era seu filho preferido, dizia que seus cinco filhos eram como seus cinco dedos, qualquer um que lhe fosse tirado faria falta. “Os filhos são diferentes, mas são todos filhos”, explicou o Pontífice.

Francisco destacou ainda que é na profundidade do “ser filho” que se descobre a dimensão mais gratuita do amor, já que os filhos já são amados antes mesmo de nascerem.  Um exemplo disso é o gesto de tantas mulheres grávidas, na Praça de São Pedro, que pedem que o Papa abençoe a barriga delas.

Os filhos, por sua vez, ressaltou o Papa, precisam honrar o pai e a mãe, como ensina o quarto mandamento, que contém algo de sagrado, de divino e está na raiz de todo tipo de respeito entre os homens. “Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honra os pais, perde-se a própria honra”.

Sociedade sem filhos

O Pontífice mencionou ainda, na catequese, a realidade de pais que não querem ter filhos. Segundo ele, uma sociedade que não quer ser rodeada pelos filhos, porque os considera um peso ou uma preocupação, é deprimida.

Ele citou, por exemplo, a realidade da Europa, onde a taxa de nascimento não chega a 1%. Nesse contexto, citou a encíclica Humanae vitae, de Paulo VI, que dizia que ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Mas não os ter é uma escolha egoísta. “A vida rejuvenesce e conquista energia multiplicando-se”, disse Francisco.

No fim das reflexões, Francisco expressou sua satisfação ao ver tantos pais e mães levantando seus filhos na Praça de São Pedro para que sejam abençoados. Trata-se de um gesto quase divino, disse o Papa. “Obrigado por fazerem isso!”, conclui.
CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre as figuras da mãe e do pai, nestas catequeses sobre família gostaria de falar do filho, ou melhor, dos filhos. Inspiro-me em uma bela imagem de Isaías. Escreve o profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará” (60,4-5a). É uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação, quando o povo hebreu se encontrava distante da pátria.

De fato, há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. Devemos pensar bem nisto. Há uma ligação estreita entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais… Não. Os filhos são um dom, são um presente: entendem? Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é si mesmo, é diferente, é diverso. Permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: “Mas eu tenho cinco filhos”. Quando lhe perguntavam: “Qual é o teu preferido”, ela respondia: “Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão”. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos.

Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho! Não porque pensa como eu, ou encarna os meus desejos. Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade.

Daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegarem. Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor; são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo! Ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir.

Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante. Podemos aprender a boa relação entre as gerações com o nosso Pai Celeste, que deixa cada um de nós livre mas não nos deixa sozinhos nunca. E se erramos, Ele continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante.

Os filhos, por sua parte, não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra.

O quarto mandamento pede aos filhos – e todos o somos! – para honrar o pai e a mãe (cfr Es 20, 12). Este mandamento vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens. E na formulação bíblica deste quarto mandamento, acrescenta-se: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. A ligação virtuosa entre as gerações é garantia de futuro, e é garantia de uma história realmente humana. Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida. Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece! Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons. A agradável experiência da fraternidade anima o respeito e o cuidado dos pais, aos quais é preciso o nosso reconhecimento. Tantos de vocês aqui presentes têm filhos e todos somos filhos. Façamos uma coisa, um minuto de silêncio. Cada um de nós pense no seu coração nos próprios filhos – se tem – pense em silêncio. E todos nós pensemos nos nossos pais e agradeçamos a Deus pelo dom da vida. Em silêncio, aqueles que têm filhos pensem neles e todos nós pensemos nos nossos pais (silêncio). O Senhor abençoe os nossos pais e abençoe os vossos filhos.

Jesus, o Filho eterno, feito filho no tempo, ajude-nos a encontrar o caminho de uma nova irradiação desta experiência humana tão simples e tão grande que é ser filho. No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria. E vos digo: quão belo é quando passo em meio a vocês e vejo os pais e as mães que levantam seus filhos para serem abençoados; isto é um gesto quase divino. Obrigado porque o fazem!

 

Os filhos são a alegria da família, não um “problema”, afirma o Papa Francisco na catequese de hoje
VATICANO, 11 Fev. 15 (ACI/EWTN Noticias) .-
“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível”, portanto, “não ter filhos é uma escolha egoísta” e um sintoma de “uma sociedade deprimida”, advertiu nesta quarta-feira o Papa Francisco durante a Audiência Geral ao continuar a sua catequese sobre a família, na qual também recordou o dever de honrar os pais.

O Papa disse que “a alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais”.

“Não, não!”, exclamou o Pontífice. “Os filhos são um dom, são um presente: entendem?” comentou entre os aplausos dos presentes, na Praça São Pedro nesta quarta-feira, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, à qual assistiram fiéis da Espanha, Colômbia, Argentina, México e outros países latino-americanos.

“Uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida”, assinalou.

“Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável”.

“Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece!”, expressou.

Por outro lado, “uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos”.

Durante a catequese, o Papa tomou “uma bela imagem de Isaías” para refletir sobre os filhos, usando as palavras do profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará”.

Esta “é uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação”, indicou o Papa.

Assim, “há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações” algo que “devemos pensar bem”, acrescentou depois Francisco.

“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo”.

O Papa destacou que “para os pais cada filho é si mesmo, é diferente” e contou uma lembrança de família: “permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: ‘Mas eu tenho cinco filhos’. Quando lhe perguntavam: ‘Qual é o teu preferido’, ela respondia: ‘Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão’. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos”.

O Papa destacou também que “um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho!”, voltou a exclamar.

“Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade”.

E “daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender”.

O Papa explicou também que “são amados antes de chegarem”. “Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor”.

Sobre o mesmo tema, comentou que “são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo!”.

Portanto, “ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir”.

Sobre a atualidade, disse que “hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante”.

Entretanto, Deus “continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante”.

Por sua parte, os filhos “não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra”.

Sobre este quarto mandamento de honrar os pais, Francisco assinalou que “vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens”.

“Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons”.

Depois destas palavras, Francisco pediu um minuto de silêncio para que cada um pensasse nos seus próprios filhos e pais, agradecendo a Deus pelo dom da vida”.

“No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria”.

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