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Papa fala sobre a comunicação entre Deus e o homem

Domingo, 6 de setembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Para se comunicar com o homem, Deus se faz homem. Não apenas fala pela lei e pelos profetas, mas se torna presente na pessoa de seu Filho, explica Francisco

“Jesus é o grande ‘construtor de pontes’, que constrói em si mesmo a grande ponte da comunhão plena com o Pai”. No Angelus deste XXIII Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco inspirou-se no episódio da cura do surdo-mudo narrado no Evangelho do dia para falar da comunicação do homem com Deus e com os próprios homens.

Considerando inicialmente que o milagre é realizado em uma região pagã, o Papa explica que “aquele surdo-mudo que é levado até Jesus torna-se o símbolo do não-crente que realiza um caminho em direção à fé”. E continuou, “a sua surdez  expressa a incapacidade de escutar e de compreender não somente as palavras dos homens, mas também a Palavra de Deus. E São Paulo nos recorda que a fé nasce da escuta da pregação.”

O Papa disse que a primeira coisa que Jesus faz é levar aquele homem para longe da multidão. “Não quer fazer publicidade do gesto que está por realizar, mas não quer tampouco que a sua palavra seja abafada pelo rumor das vozes e dos mexericos do ambiente. A Palavra de Deus que o Cristo nos transmite tem necessidade de silêncio para ser ouvida como Palavra que cura, que reconcilia e restabelece a comunicação”.

O Papa recorda que na narrativa fala-se dos dois gestos de Jesus: tocar os ouvidos e a língua do surdo-mudo. “Para iniciar a relação com aquele homem ‘travado’ na comunicação, Jesus procura primeiro restabelecer o contato. Mas o milagre é um dom do alto, que Jesus implora ao Pai; por isto eleva os olhos aos céus e ordena: ‘Abre-te!’. Os ouvidos do surdo se abrem, se dissolve o nó da sua língua e começa a falar corretamente”.

“O ensinamento que tiramos deste episódio é que Deus não é fechado em si mesmo, mas se abre e se coloca em comunicação com a humanidade. Na sua imensa misericórdia, supera o abismo da infinita diferença entre ele e nós e vem ao nosso encontro. Para realizar esta comunicação com o homem, Deus se faz homem: não lhe basta falar-nos mediante a lei e os profetas, mas se torna presente na pessoa de seu Filho, a Palavra feita carne. Jesus é o grande ‘construtor de pontes’, que constrói em si mesmo a grande ponte da comunhão plena com o Pai”.

Francisco destacou que este Evangelho fala também aos homens de hoje

“Frequentemente nós somos voltados e fechados em nós mesmos e criamos tantas ilhas inacessíveis e inóspitas. Até mesmo as relações humanas mais elementares às vezes criam realidades incapazes de abertura recíproca: o casal fechado, a família fechada, o grupo fechado, a paróquia fechada, a pátria fechada…isto não é de Deus, é coisa nossa, é o pecado!”.

Também no Batismo, recordou o Papa, existe aquela palavra de Jesus “Effatà! – Abre-te!”, que nos cura “da surdez do egoísmo e da mudez do fechamento e passamos a ser inseridos na grande família da Igreja; podemos ouvir Deus que nos fala e comunicar a sua Palavra àqueles que nunca a ouviram, ou a quem a esqueceu e sepultou sob os espinhos das preocupações e dos enganos do mundo”.

O Santo Padre concluiu pedindo a Virgem Santa, “mulher de escuta e do testemunho jubiloso”, para que nos sustente no compromisso “de professar a nossa fé e de comunicar as maravilhas do Senhor àqueles que encontramos em nosso caminho”.

Apelo pelos refugiados

Após recitar a oração do Angelus e antes de saudar os grupos presentes na Praça, o Papa lançou um apelo em favor dos milhares de refugiados que vem buscar uma esperança na Europa.

Apelo pela Venezuela e Colômbia

O Pontífice também pediu a superação da crise entre Venezuela e Colômbia de forma fraterna e solidária.

Beatificação na Espanha

O Papa recordou ainda que ontem, em Gerona, na Espanha, foram proclamadas Beatas as Irmãs Fidelia Oller, Josefa Monrabal e Facunda Margenat, religiosas do Instituto das Irmãs de São José de Gerona:

“Mortas pela fidelidade a Cristo e à Igreja. Apesar das ameaças e as intimidações, estas mulheres permaneceram com coragem onde estavam para assistir os doentes, confiando em Deus. Que os seus testemunhos heroicos, até o derramamento de sangue, deem força e esperança a todos aqueles que hoje são perseguidos por motivo da fé cristã. E nós sabemos que são tantos!”.

Jogos Africanos

O Santo Padre também recordou que há dois dias foi aberta em Brazzaville, capital da República do Congo, a 11ª edição dos Jogos Africanos, aos quais participam milhares de atletas de todo o continente. “Desejo que esta grande festa do esporte contribua para a paz, a fraternidade e o desenvolvimento de todos os países da África. Saudemos os africanos que estão realizando estes Jogos”.

Fidelidade a Jesus Cristo e a Sua Igreja

FIDELIDADE A DEUS
http://reporterdecristo.com/fidelidade-a-deus

Há um versículo que aparece pelo menos quatro vezes na Sagrada Escritura: ´O justo vive pela fé´ (Hab 2, 4; Rm 1, 17; Gl 3, 11; Hb 10, 36). A palavra fé na Bíblia é também traduzida como ´fidelidade´ a Deus. É a atitude daquele que crê e que obedece o Senhor. Neste sentido São Paulo fala aos romanos da ´obediência da fé´ (Rm 1, 5). A fé é um ato de adesão a Deus; isto é, submissão que implica obediência à Sua santa e perfeita vontade. A fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, às vezes os nossos atos não estão conforme as exigências da fé. Portanto, não basta crer, é preciso obedecer. Depois que o povo hebreu recebeu a Lei de Deus por meio de Moisés, exclamou: ´Tudo do que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos´ (Ex 24, 7). Esta era a vontade do povo, no entanto, sabemos que este mesmo povo prevaricou tantas vezes prestando culto aos deuses dos pagãos. Depois que Josué, no limiar da morte, conclamou o povo, a ser fiel a Deus, e só a Ele prestar culto na Terra que Deus lhe dava, o povo respondeu: ´A Iahweh nosso Deus serviremos e à sua voz obedeceremos´ (Js 24, 24). Mas sabemos que logo após atravessar o rio Jordão, e tomar posse da Terra tão esperada, este povo não demorou a render-se aos encantos dos deuses dos cananeus. Isto mostra que não é fácil, também para nós, viver a fidelidade a Deus, pois também hoje os deuses falsos nos atraem, e querem ocupar o nosso coração. A obediência sempre foi e sempre será a prova e a garantia da fidelidade. Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente o que o primeiro Adão recusara fazer. Na obediência radical a Deus o Cristo desatou o nó da desobediência de Adão e nos reconciliou com o Pai. Da mesma forma, ensinam os Santos Padres, pela obediência da Virgem, ela desatou o laço da desobediência de Eva que lançou a humanidade na danação. A partir daí, a obediência a Deus passou a ser a marca principal daquele que crê. Ela é o melhor remédio para os males que o pecado original deixou em nossa natureza: orgulho, vaidade, presunção, auto-suficiência, exibicionismo, etc. O profeta afirma que: ´A obediência é melhor do que o sacrifício´ (1Sm 15, 22). E Thomas de Kempis, na ´Imitação de Cristo´, assegura que: ´Obedecer é muito mais seguro do que mandar´. No pátio da Academia Militar das Agulhas Negras, está escrito, para que os cadetes leiam todos os dias: ´Cadete, ide comandar, aprendei a obedecer!´ Se a obediência é tão necessária para com os homens, quanto mais para com Deus. A outra característica da fidelidade a Deus é o firme propósito de servir-lhe sempre e com perseverança e reta intenção, mesmo nos momentos mais difíceis. Como agrada a Deus o filho fiel! O profeta diz: ´Iahweh guarda os passos dos que lhe são fiéis´ (2Sm 22, 26). E o Senhor Jesus disse: ´Muito bem servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu Senhor´ (Mt 25, 21). Tudo o que recebemos de Deus nesta vida, é este ´pouco´ sobre o qual é testada a nossa fidelidade a Deus. Ser fiel a Deus é ser obediente às suas leis, à sua vontade, e servir-lhe com toda a alma. Santo Inácio de Loyola afirmava que viver bem é ´amar e servir a Deus nesta vida´. Jesus disse aos Apóstolos na última Ceia: ´Se me amais, guardareis os meus mandamentos´ (Jo 14, 15). Portanto, amar a Deus, mais do que um sentimento, é uma ´decisão´: guardar os seus mandamentos, cumprir a sua vontade. ´Nem todo aquele que diz, Senhor, Senhor,… mas aquele que faz a vontade de meu Pai´ (Mt 7, 21). Dessas palavras fica claro que amar a Deus é viver os seus ensinamentos. O Senhor deixou a Igreja para que a Sua vontade fosse expressa e objetivamente conhecida, e não ficasse ao sabor do julgamento de cada um. Ele garantiu à Sua Igreja que o Espírito Santo a conduziria ´a toda a verdade´ (Jo 16, 13), e que a voz da Igreja é a Sua voz. ´Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que me enviou´ (Lc 10, 16). Então, ser fiel ao Senhor, é ser fiel à Sua Igreja, e tudo aquilo que ela ensina. O Papa Paulo Vi disse certa vez que: ´quem não ama a Igreja, não ama Jesus Cristo´. É lógico, a Igreja é o Corpo de Cristo! Quem não é fiel à Igreja, não é fiel a Jesus Cristo! Quem não serve a Igreja, não serve a Jesus Cristo… A Igreja é o Cristo prolongado na história dos homens. Quando se toca a Igreja, se toca o próprio Senhor. A fidelidade está muito ligada à perseverança e à paciência. Santo Agostinho disse: ´Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância´. E o grande São João da Cruz ensinava que: ´A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente.´ Mas, para que haja serviço a Deus, perseverante e alegre, e para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos, é preciso uma vida de piedade, vigilância e oração, sem o que, a alma esfria. Sabemos que ´mosca não assenta em prato frio´; quando a alma esfria, os demônios se aproximam dela para vencê-la pela tentação. Não seremos julgados pela nossa capacidade intelectual, e nem pela grandeza das nossas obras, mas, como disseram os santos, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseverança nesta vivência. Jesus garantiu que diante de todas as adversidades que virão, ´quem perseverar até o fim será salvo´ (24, 13).

 

FIDELIDADE AO SENHOR
Cardeal D. Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro  

Nenhuma situação na vida, nem as dificuldades, ou mesmo as tentações são tão fortes, que possam superar a graça de Deus e o seu amor por nós e em nós. Assim, a cada passo de fé, o cristão vai crescendo na presença do Senhor e se fortalecendo em suas convicções sobre as realidades da vida com Cristo. Se, por acaso, tropeçar, cair ou se ferir, Deus estende a mão para levantá-lo. “Deus é fiel: não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças…” (cf. 1Cor 10, 13). Na vida espiritual, a fidelidade nasce como um fruto do Espírito, entendida, desse modo, como “uma perfeição que o Espírito Santo modela em nós como parte daquelas primícias da glória eterna” (Cat. Ig.Católica, n.1832). A cada ato de fidelidade, amplia-se, diante dos seus olhos, o entendimento que deve ter da misericórdia, do perdão e, enfim, da salvação em Jesus Cristo. A Cruz do Senhor é o maior testemunho de fidelidade que o homem recebe para todas as circunstâncias da sua vida. Aliás, em todos os momentos, Jesus demonstrou uma fidelidade absoluta aos desígnios do Pai. Em Cristo, enxergamos a “trajetória” da fidelidade humana, o caminho que devemos percorrer para sermos fiéis: da confiança na humilhação, passando pela firmeza em meio às tentações, até a alegria da vida transformada. A fidelidade nasce da conversão de nossos desejos e de nossas vontades. Nutridos pela confiança, pela fé e pela alegria, nós, os filhos de Deus, experimentamos uma fidelidade redentora, que nos assegura a salvação prometida pelo Senhor, pois Ele mesmo a faz crescer pela sua graça. Não obstante, a Igreja é fortalecida pelo testemunho sempre vivo dos mártires e dos santos. Exemplos de solicitude e de doação, os santos não colocaram limites na sua entrega absoluta a Deus. Enquanto Pedro estava preso, a comunidade cristã permanecia em oração; por ocasião das perseguições aos cristãos dos primeiros séculos da era cristã, Santo Inácio de Antioquia, o Diácono São Lourenço, São Sebastião, patrono de nossa Arquidiocese e Santa Inês se tornaram, entre tantos outros, modelos de fidelidade. Mesmo ameaçados de morte, mantiveram integra a sua postura diante da verdade e do Evangelho, dando a própria vida em testemunho de lealdade a Cristo e à sua Igreja. Não são poucos e nem mesmo menores os desafios que hoje a Igreja enfrenta, enquanto busca os “caminhos da fidelidade total” ao Divino Mestre e Senhor da História. A vida conjugal tem sido, constantemente, ameaçada por inúmeros problemas. Em pouco tempo de matrimônio, vários casais já estão se separando. Outros mais abrem mão dos filhos, que poderiam ter, em nome de um bem-estar exagerado. De fato, o homem e a mulher são muito tentados a serem infiéis. A infidelidade no matrimônio é um mal que cresce cada vez mais. A Igreja insiste em ensinar, que é por meio da mútua fidelidade que os pais assumirão a responsabilidade primordial de educar os filhos. Para estes a ternura, o perdão, o respeito e o serviço desinteressado servem como regra de crescimento e amadurecimento diante de Deus. Desta forma, os filhos são educados na fidelidade a serem também fiéis (cf. Cat. Ig. Católica, n. 2223). Por um lado, encontramos a proposta cristã de permanecermos fiéis àquilo que Jesus Cristo nos ensinou. Por outro, nos deparamos com o fascínio das novelas e as fantasias das produções cinematográficas que insistem na infidelidade. Pretendem dizer, que não é possível alguém permanecer fiel. Por isso, “a fidelidade dos batizados é a condição primordial para o anúncio do Evangelho e para a missão da Igreja no mundo. Para manifestar diante dos homens a sua força de verdade e de irradiação, a mensagem da salvação deve ver autenticada pelo testemunho da vida dos cristãos” (Cat. Ig. Católica, n. 2044). Revestida com a glória celestial, pelos méritos do seu Filho Ressuscitado, Nossa Senhora nos apresenta o resultado final da fidelidade. “A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (Cat. Ig. Católica, n. 966). Na sua humildade e na sua simplicidade, a Virgem Silenciosa soube ser fiel e Deus recompensou essa fidelidade. Ela foi fiel, quando escutou as palavras de Jesus e as conservava em seu coração; foi fiel, quando, de pé, viu o seu Filho morto na cruz; foi fiel, quando, no cenáculo, se reunia com os Apóstolos; foi fiel até o dia da sua glorificação. O “Magnificat” de Nossa Senhora canta as bênçãos para os que desejam caminhar com fidelidade: sentimentos de ação de graças, humildade, santidade, misericórdia, justiça… Nossa fidelidade consiste no amor a Deus e aos irmãos, segundo os ensinamentos de Jesus. Somos fiéis, quando nos empenhamos a caminhar em comunhão com Cristo e com a Igreja, superando os interesses próprios e os conceitos pessoais, acolhendo, com firmeza, o que nos é transmitido pela Palavra de Deus. Dificilmente, seremos infiéis se cultivarmos, em nosso coração, a confiança no Senhor, a busca da Verdade e a resposta, livre e pronta, à graça divina. Permanecendo fiéis à Igreja e à vocação para a qual fomos chamados, não queremos frustrar os desígnios de Deus em nossa vida ou decepcionar as pessoas que amamos. “As misericórdias do Senhor não terminaram, sua compaixão não se esgotou; ela se renova todas as manhãs e grande é a sua fidelidade! Por isso, eu repito: a minha escolha é o Senhor! Eis, porque nele espero” (Lm 3, 23-24).

 

A IGREJA, MINHA MÃE
http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/845-a-igreja-minha-mae
D. Estêvão Bettencourt, OSB

Existe na rica Tradição cristã uma afirmação de São Cipriano, Bispo de Cartago e mártir (+ 258), que talvez surpreenda muitos cristãos de nossos dias: «Não pode ter Deus como Pai quem não tenha a Igreja por Mãe» (De Catholicae Ecclesiae Unitate, c. 6). Estas palavras foram escritas numa época turbulenta, em que São Cipriano se via frente a duas tentativas de ruptura da Igreja; para ele, a fidelidade à Igreja era a fidelidade a Deus Pai; ser filho do Pai Celeste é ser filho da Igreja. Como entender isso? O Evangelho nos diz que «ninguém vai ao Pai senão por Cristo” (Jo 14, 6)… Cristo que é inseparável do seu corpo eclesial ou da sua Igreja (cf. Cl 1, 24). O mistério da Encarnação não é um fato isolado, mas algo que repercute em toda a história do Cristianismo. A vida do Pai, que se derramou sobre a humanidade de Cristo, chega a cada cristão através da Santa Igreja, que, por isto, é adequadamente chamada “Mãe” na Tradição cristã. Mãe… Este vocábulo é dos mais significativos para todo ser humano. É talvez o primeiro conceito que a criança formula, a primeira palavra que ela pronuncia. É da mãe que a criança recebe a vida e os rudimentos da educação e do saber; os ensinamentos, os exemplos, os costumes, o amor da mãe se gravam na memória dos filhos e se tornam decisivos para o futuro destes. É na sua mãe que a criança encontra o primeiro sustentáculo, o seu amparo, a sua força e alegria; é a mãe que explica o mundo ao filho e lhe mostra tudo o que há de bom e belo, como também o que há de insidioso, neste mundo. Pois bem. A Tradição cristã é constante ao afirmar que a Igreja é nossa Mãe. Não conheço Jesus Cristo senão através dos ensinamentos multisseculares da Santa Mãe Igreja; recebi o Livro que me fala de Jesus Cristo das mãos dessa Mãe e Mestra; foi ela que ouviu, por primeiro, a Palavra de Cristo; vivenciou-a, aprofundou-a e consignou-a por escrito nos livros do Novo Testamento. Aliás, que cristão seria eu, que seria de minha fé, que seria minha oração, se eu estivesse entregue a mim mesmo e me encontrasse a sós diante da Bíblia? Talvez eu fizesse a Bíblia dizer o que eu pensasse, em vez de ouvir a genuína mensagem de Cristo recebida de viva voz pela Igreja e oportunamente redigida pelas suas mãos, que foram Mateus, Marcos, Lucas,… Mesmo aqueles que se afastam da Igreja para ficar somente com Jesus Cristo só podem falar do Cristo que eles conhecem através da Igreja. Não há outra via de acesso a Cristo senão a Tradição viva da Igreja. Apesar disto, há aqueles que a abandonam, embora alimentados por essa Santa Mãe. Um vento de crítica amarga bate em muitas mentes e resseca os corações, impedindo-os de ouvir o sopro do Espírito. Muito sabiamente dizia Santo Agostinho: «Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus». A Igreja é minha Mãe… As censuras que lhe são feitas, não carecem, todas, de fundamento. Mas o volume dessas queixas não supera a grandeza do mistério-sacramento que é a Santa Igreja, o Corpo de Cristo prolongado!

 

A FIDELIDADE À IGREJA
Escrito por Prof. Felipe Aquino

Os cristãos dos primeiros tempos não tinham dúvidas em afirmar que “O mundo foi criado em vista da Igreja”. São Clemente de Alexandria († 215), por exemplo, dizia: “Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja” (Catecismo nº 760). Muitos filhos dessa querida Mãe souberam ser-lhe fiel até o fim. Em 1988, Monsenhor Ignatius Ong Pin-Mei, Bispo de Shangai, no dia seguinte de sua libertação, depois de passar 30 longos anos nas prisões da China, por amor a Cristo e fidelidade à Igreja Católica, declarou: “Eu fiquei fiel à Igreja Católica Romana. Trinta anos de prisão não me mudaram. Eu guardei a fé. Eu estou pronto amanhã a voltar novamente à prisão para defender minha fé”. Igualmente o Cardeal da Tchecoslováquia, Frantisek Tomasek, arcebispo de Praga, no ano de 1985, nos tempos difíceis da perseguição comunista, perguntado por um repórter: “Eminência, não está cansado de combater sem êxito?”, respondeu: “Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus faz muito; quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que se faz entre nós na Tchecoslováquia” (IL Sabato 8, 14/6/1985, p.11), (PR, n.284, jan86). É bom recordar aqui que, alguns anos depois, em 1989, o comunismo começava a desmoronar em toda a Cortina de Ferro. Em todos os tempos, os cristãos derramaram o seu sangue por causa da fé da Igreja; desde os mártires do império romano, passando pelos mártires do nazismo, do comunismo e também dos tempos modernos. No século III, o bispo e historiador da Igreja Tertuliano, escrevia ao imperador do seu tempo, dizendo que não adiantava eliminar os cristãos porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Quanto mais cristãos eram devorados pelas feras, queimados vivos ou eliminados pela espada, tanto mais crescia o Cristianismo em Roma, até que o próprio imperador Constantino se converteu a Cristo, por volta do ano 313, quando então, proibiu a perseguição aos cristãos. No ano 390 o imperador Teodósio transformava o Cristianismo na religião do Império. Anos depois o seu sucessor, Juliano, cognominado de “o apóstata”, quis voltar atrás e ressuscitar o paganismo, mas já era tarde; morreu com essa exclamação nos lábios: “Tu venceste ó Galileu!”.

Família é uma riqueza social insubstituível, diz Papa no Equador

Segunda-feira, 6 de julho de 2015, André Cunha / Da redação

Na primeira Missa celebrada no Equador, o Papa Francisco destacou a família como uma riqueza social insubstituível

O Equador vive dias especiais com a presença do Papa Francisco em suas terras. Esta segunda-feira, 6, foi o dia da primeira Missa presidida pelo Pontífice em solo equatoriano. Especificamente, a celebração aconteceu no Parque Samanes, em Guayaquil, maior cidade do Equador e principal porto do país.

Na homilia, o Papa Francisco destacou a família como a grande “riqueza social, que outras instituições não podem substituir”. O Santo Padre disse que ela deve ser ajudada e reforçada “para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

“Na família, a fé mistura-se com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus”, disse o Papa na homilia / Foto: Reprodução CTV

Em outubro, a Igreja celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias. O objetivo, segundo o Pontífice, é amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família enfrenta nos dias atuais.

O Bispo de Roma pediu que os fiéis intensifiquem as orações por este evento para que, mesmo aquilo que pareça impuro, escandalize ou espante, “Deus – fazendo-o passar pela sua ‘hora’ – possa milagrosamente transformá-lo”.

A reflexão sobre a família na Missa desta segunda-feira, 6, foi motivada pelo Evangelho de São João que narra o episódio das Bodas de Caná. No contexto, Maria leva a Jesus o problema da falta de vinho. Ele, segundo os relatos bíblicos, realiza o milagre e transforma a água em vinho.

Para o Papa, Maria ensina o exercício de colocar-se sempre à disposição de Jesus, que veio para servir, não para ser servido. “O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isto aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado”.

“Na família, os milagres fazem-se com o que há com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes não é o ideal, não é o que sonhamos, nem o que ‘deveria ser’. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado”, considerou o Papa.

O Papa concluiu a homilia, afirmando que o melhor dos “vinhos” ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. “E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo”.

Francisco encerrou a homilia pedindo: “Como Maria nos convida, façamos ‘o que Ele nos disser’ e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família”.

Após a Missa, o Santo Padre almoça com a Comunidade dos Jesuítas e com a comitiva papal. Em seguida, retorna à Quito onde, ainda nesta segunda-feira, 6, visita o presidente da república e a catedral da cidade.

12 Domingo TC – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Marcos 4, 35-41
Naquele dia, ao entardecer, disse: «Passemos para a outra margem.» Afastando-se da multidão, levaram-no consigo, no barco onde estava; e havia outras embarcações com Ele. Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, de forma que este já estava quase cheio de água. Jesus, à popa, dormia sobre uma almofada. Acordaram-no e disseram-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?» Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: «Cala-te, acalma-te!» O vento serenou e fez-se grande calma. Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: «Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»

Nós hoje ouvimos o texto Evangélico de Marcos que nos relata um episódio catequético, que diz respeito a Jesus e seus discípulos, dentro de uma barca envolvidos, numa violenta tempestade no lago de Genezaré: “Mestre – gritam a Jesus – não te importa que pereçamos?”
No Antigo Testamento existe um texto referente a Elias, que vale a pena a este propósito a ser recordado: “Os adoradores de Baal aceitam o convite que faz Elias. Clamam por Baal a manhã inteira, para que mande fogo do céu sobre o sacrifício”. Isto não acontece, Elias zomba deles: “Gritem mais alto, ele é deus, quem sabe esteja ocupado com outros afazeres, é possível que esteja em viagem ou até mesmo dormindo”. Gritavam, se retalhavam, conforme o costume da época, mas nenhuma voz.
Esta passagem de Elias relacionada com o texto do Evangelho de Marcos traz a nossa recordação muitas peripécias entre nós e Deus.
Quantas vezes nós também, como aquele povo de Israel da época de Elias, como os discípulos de Jesus na barca, gritamos, gritamos a mais não poder: “Senhor não te importas que eu pereça? Senhor não te importas que eu vá a pique? Senhor não te importas que a minha vida termine desta forma?”
E o silêncio de Jesus Cristo nos desconcerta por completo. Mas o Evangelho deste domingo, que é catequese, nos ensina a ler por dentro do silêncio de Jesus: “Homens de pouca fé, porque duvidastes?”
Jesus repete isto amiúde com cada um de nós: “Homem de pouca fé porque duvidaste, porque continuas a duvidar?”
Não foi exatamente o grito dos discípulos desesperados que arrancou a censura de Jesus. Jesus censurou os discípulos amedrontados naquela ocasião, porque não tinham a coragem de enfrentar o perigo juntamente com Ele. São covardes, pusilânimes, e aquele espetáculo nada mais era do que uma prévia que aconteceria no jardim das Oliveiras.
Também lá não foram capazes, não tiveram coragem de seguir a Jesus na paixão e na morte, fugiram e O deixaram sozinho.
A covardia, a pusilanimidade no livro do Apocalipse no capítulo XXI, vem descrita ao lado da incredulidade, muitas vezes medo, covardia e que nos assolam freqüentemente na vida cristã. São sinônimo de falta de fé, incredulidade. Não confiamos em Deus, imaginamos um Deus distante, longe da nossa vida. Quando não duvidamos até mesmo de Sua existência?
Cada um de nós terá oportunidade neste domingo, de refletir sobre suas tempestades e possíveis covardias, lendo e relendo com calma este texto Evangélico que nos é proclamado.

 

«Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»
Catecismo da Igreja Católica §§280, 288-292

A criação é o fundamento de «todos os desígnios salvíficos de Deus», «o princípio da história da salvação» que culmina em Cristo. Por seu turno, o mistério de Cristo derrama a luz decisiva sobre o mistério da criação; revela o fim em vista do qual «no princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1); desde o princípio, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (Rm 8, 18-23). […]
A revelação da criação é inseparável da revelação e da realização da aliança de Deus, o Deus Único, com o seu povo. A criação é revelada como o primeiro passo para esta Aliança, como o primeiro e universal testemunho do amor onipotente de Deus. […]
«No começo, Deus criou o céu e a terra». […] «No princípio era o Verbo […] e o Verbo era Deus […]. Tudo se fez por meio d’Ele e, sem Ele, nada se fez.» (Jo 1, 1-3). O Novo Testamento revela que Deus tudo criou por meio do Verbo eterno, o seu Filho muito amado. Foi n’Ele «que foram criados todos os seres que há nos céus e na terra […]. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas, e todas se mantêm por Ele» (Cl 1, 16-17). A fé da Igreja afirma igualmente a ação criadora do Espírito Santo: Ele é Aquele «que dá a vida», «o Espírito Criador», «a Fonte de todo o bem».
Insinuada no Antigo Testamento, revelada na Nova Aliança, a ação criadora do Filho e do Espírito, inseparavelmente unida à do Pai, é claramente afirmada pela regra de fé da Igreja: «Existe um só Deus […]: Ele é o Pai, é Deus, é o Criador, o Autor, o Ordenador. Fez todas as coisas por Si mesmo, quer dizer, pelo Seu Verbo e pela Sua Sabedoria», «pelo Filho e pelo Espírito» que são como «as Suas mãos» (Santo Ireneu). A criação é a obra comum da Santíssima Trindade.

 

Homilia XII Domingo do Tempo Comum, Ano B
Dom José Luiz Azcona, Bispo da Prelazia de Marajó (PA)

A liturgia da Eucaristia que estamos celebrando, nos convida a refletirmos sobre o capitão, o guerreiro, que está na frente desta batalha onde todos nós somos soldados.
A Sagrada Escritura chama o Espírito Santo de Paráclito. Um de seus significados é ‘aquele que vai à frente’.
Vamos refletir também sobre a água, que é símbolo também do Espírito Santo. Sem a presença do Espírito Santo, a derrota é clara. A vitória se dá quando o Espírito se faz presente. E para termos um bom combate, precisamos de fé.
O amor deve ser pedido, implorado, chorado. Pelo amor devemos fazer qualquer coisa.
O amor de Deus acompanha o cristão, o combatente, e nunca o abandonará.
Deus quer dar a nós o dom do Espírito Santo. Deus te trouxe aqui para preencher o teu coração com essa água viva, que é o Espírito Santo.
A segunda leitura nos orienta quando fala no inicio: “Irmãos: 14O amor de Cristo nos pressiona, pois julgamos que um só morreu por todos, e que, logo, todos morreram.” O que significa que o amor de Cristo nos pressiona? Esse amor de Cristo se revelou morrendo por todos, pois todos estavam mortos.
O amor de Deus não é o que nasce no teu coração para com Ele. É o amor de Cristo para contigo e com todos.
Aquele que motiva nosso coração, que pressiona, impulsiona, não é o nosso coração. É o amor de Cristo em nós, por nós.
Precisamos olhar para Deus. Se Deus não regenerar o coração do homem pelo seu amor, não conseguimos amar.
Mas onde está a ponte para que nosso coração experimente que é amado? Não adianta pregar sobre o amor se não o experimentamos. Como temos acesso a esse amor? São Paulo nos ajuda a compreender Romanos 5, 5: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.
Como se faz experiência do amor? É no coração. E coração significa mente, vontade, inteligência, sentimentos, afetividade. É tudo.
E é ai no centro da personalidade que desce o amor de Deus e Ele nos comunica seu próprio amor.
Quando Deus derrama seu amor pelo Espírito Santo em nosso coração, é que podemos viver, ser cristãos e combatentes, e enfrentar o desprezo, a cruz, o inferno.
O amor é eterno, não cansa, é paciente, é tudo, porque o amor é Deus.
Até os 41 anos, não saberia dizer o que acabei de lhes falar. Poderia falar teologicamente do Amor, mas nunca o tinha experimentado. E eu já era religioso e padre, mas nunca tinha tido a experiência do amor de Deus no coração. Já imaginaram a situação de alguém assim?
Foram 41 anos de vazio. Mas eu precisava me apoiar em alguma coisa e era no Direito Canônico da Igreja e as ordens de minha congregação.
Eu era um bom frade, mas não amava a Deus.
Estava tão cego e errado e tão fora do caminho, que não percebia a realidade tenebrosa, sendo sacerdote e religioso desse jeito.
Até que Deus teve misericórdia, e abriu meus olhos.
Deus falou com muita simplicidade.
Em um retiro no 1981, Deus me dizia no interior: ‘José Luiz você não me ama e não ama a ninguém.’ Eu me senti estranho e me defendi daquelas palavras: ‘Como não te amo Senhor?’
Mas aquela palavra era mais poderosa do que minhas convicções.
Até que no momento do retiro houve confissões. E ali confessei que não amava a Deus e a ninguém. Envergonhado e sem saber o que acontecia comigo, mas sentindo a verdade de que estava fora do caminho de Deus, eu disse isso.
E assim foi. Eu estava completamente desnorteado. Me coloquei na fila para receber a oração dos intercessores. E falei aos meus irmãos sacerdotes tudo isso, e pedi que rezassem por mim para que Deus me fizesse experimentar esse Amor. Era 24 de abril de 1981.
E um padre rezava com palavras de Santo Agostinho: ‘Ó beleza antiga e tão nova! Tarde te amei!.’
Eu tinha ouvido essas palavras desde os 10 anos de idade, mas nunca ouvira e sentira aquelas palavras daquele jeito. Percebi que Deus preenchia 41 anos vazios de minha vida. Ele estava me comunicando o Seu amor. Eu senti, tomou conta de mim o Espírito Santo, a graça de Deus. E comecei a chorar. Alegre, doce, suave.
E eu disse àqueles padres: ‘Eu creio que Deus atendeu as minhas preces!’
E a partir daí minha vida mudou.
Deus é bom, compassivo e misericórdia.
A vida não é fácil, mas o amor é sempre maior. Confie no amor de Deus! Para Deus não importa que condições você esta nesse momento. A única coisa que Ele quer, é que você tenha um mínimo de confiança e permita que Ele o mergulhe nesse oceano de amor que emana de Seu coração. Somente isso.
Que você lhe dê a oportunidade, e lhe dê a sua liberdade nesse momento e peça o Santo Espírito em seu coração. É isso que Jesus quer.
Deus grita: ‘Se alguém tem sede, tem fome de amor, de ser amado, venha a mim! Não vá à prostituta, às drogas, ao bar. Venha a mim!’ Este convite é de Jesus.
Estenda seus braços a Cristo, e abra o seu coração para que Ele o encha de amor. Abra-se para a água do Espírito Santo.

 

XII Domingo do Tempo Comum
Jo 38, 8-11; 2Cor 5, 14-17; Mc 4, 35-41 – Frei Raniero Cantalamessa
Levantou-se uma grande tempestade

O Evangelho deste Domingo é o da tempestade acalmada. Ao entardecer, depois de uma jornada de intenso trabalho, Jesus sobe a uma barca e diz aos apóstolos que vão à outra margem. Esgotado pelo cansaço, dorme na popa. Enquanto isso, levanta-se uma grande tempestade que inunda a barca. Assustados, os apóstolos acordam Jesus, gritando-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?». Após levantar-se, Jesus ordena ao mar que se acalme: «Cala, emudece». O vento se acalmou e sobreveio uma grande bonança. Depois, disse-lhe: «Por que estais com tanto medo? Ainda não tendes fé?».
Vamos tratar de compreender a mensagem que nos dirige hoje esta página do Evangelho. A travessia do mar da Galiléia indica a travessia da vida. O mar é minha família, minha comunidade, meu próprio coração. Pequenos mares, nos quais se podem desencadear, como sabemos, tempestades grandes e imprevistas. Quem não conheceu algumas dessas tempestades, quando tudo se obscurece e o barquinho de nossa vida começa a inundar-se de água por todos os lados, enquanto Deus parece que está ausente ou dorme? Um diagnóstico alarmante do médico e nos encontramos de repente em plena tempestade. Um filho que empreende um mau caminho dando de que falar, e já temos os pais em plena tempestade. Uma reviravolta financeira, a perda do trabalho, do amor do namorado, do cônjuge, e nos encontramos em plena tempestade. O que fazer? A que podemos agarrar-nos e para que lado podemos jogar a âncora? Jesus não nos dá a receita mágica para escapar de todas as tempestades. Não nos prometeu que evitaríamos todas as dificuldades; Ele nos prometeu, no entanto, a força para superá-las, se a pedirmos.
São Paulo nos fala de um problema sério que teve de enfrentar em sua vida e que chama «um espinho em minha carne». «Três vezes» (ou seja, infinitas vezes), diz, rogou ao Senhor que lhe libertasse dele e, o que respondeu? Leiamos juntos: «Minha graça te basta, minha força se mostra perfeita na fraqueza». Desde aquele dia, começou inclusive a gloriar-se de suas fraquezas, perseguições e angústias, até o ponto de poder dizer: «quando estou fraco, então é quando sou forte» (2Cor 12, 7-10).
A confiança em Deus: esta é a mensagem do Evangelho. Naquele dia o que salvou os discípulos do naufrágio foi o fato de levar Jesus na barca, antes de começar a travessia. Esta é também para nós a melhor garantia contra as tempestades da vida. Levar Jesus conosco. O meio para levar Jesus na barca da própria vida e da própria família é a fé, a oração e a observância dos mandamentos.
Quando a tempestade se desencadeia no mar, ao menos no passado, os marinheiros costumavam jogar óleo sobre as ondas para acalmá-las. Nós jogamos sobre as ondas do medo e da angústia a confiança em Deus. São Pedro exortava os primeiros cristãos a ter confiança em Deus nas perseguições, dizendo: «confiai-lhe todas as vossas preocupações, pois Ele cuida de vós» (1Pd 5, 7). A falta de fé que Jesus reprovou aos discípulos nessa ocasião se deve ao fato de pôr em dúvida que lhe «importe» sua vida e incolumidade: «não te importas que pereçamos?».
Deus cuida de nós, Ele se importa com nossa vida, e de que maneira! Uma história citada com freqüência fala de um homem que teve um sonho. Via dois pares de pegadas que se haviam ficado gravadas na areia do deserto e compreendia que um par de pegadas eram as suas e o outro par de pegadas eram as de Jesus, que caminhava a seu lado. Em um certo momento, um par de pegadas desaparece, e compreende que isso sucedeu precisamente em um momento difícil de sua vida. Então se lamenta com Cristo, que lhe deixou só no momento da prova. «Mas, eu estava contigo!», respondeu Jesus. «Como é possível que estivesse comigo, se na areia só se vê um par de pegadas?». «Eram as minhas — respondeu Jesus. Nesses momentos, eu havia te carregado». Lembremos disso, quando também nós sintamos a tentação de queixar-nos com o Senhor porque nos deixa sozinhos.

 

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM
Mc 4, 35-41
“Quem é este homem?”

Retomamos a caminhada pelo evangelho de Marcos. O trecho de hoje está situado na primeira parte do evangelho, onde Marcos procura demonstrar que as autoridades religiosas da época, os próprios parentes de Jesus e os discípulos d’Ele não o compreenderam, apesar de verem as suas obras e milagres (1, 19-8, 26). Toda esta primeira parte do Evangelho prepara o chão para a pergunta fundamental do evangelho: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Por isso a história hoje relatada leva os discípulos a se perguntarem: “Quem é este homem?”
A história do evento no mar de Galiléia retrata simbolicamente a situação da comunidade marcana, pelo ano 70, quando o evangelho foi escrito. A comunidade está vacilando na sua fé, assolada por dúvidas e até perseguições. Diante do cansaço da caminhada, muitos se refugiaram na busca de uma religião de milagres, sem o esforço de seguir Jesus até a Cruz. Por isso, Marcos insiste que os milagres não são suficientes para conhecer Jesus, pois as autoridades, os familiares e os discípulos os presenciaram e não chegaram a entender nem a pessoa nem a proposta de Jesus.
O barco no lago, assolado pelos ventos e ondas, representa a comunidade dos discípulos, prestes a afundar-se por causa das dificuldades da caminhada. Jesus dorme no barco e parece não se preocupar com o perigo. Assim, para a comunidade marcana, parecia que Jesus não estava ligado aos seus sofrimentos e, como conseqüência, vacilavam na sua fé. Mas, Jesus acalmou o mar e ainda questionava a pouca fé dos Doze: “por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (v. 3). Assim, Marcos quis mostrar aos leitores do seu tempo que Jesus estava com eles nas dificuldades e que a sua falta de fé estava causando grande parte das dificuldades que estavam enfrentando.
Hoje, em muitos lugares, a Igreja parece como a igreja marcana, ou ainda como o barco no mar. Diante das desistências, do secularismo, da diminuição da sua influência, para muitos a Igreja esta se afundando. Em lugar de assumir o doloroso seguimento de Cristo até a Cruz, muitos se refugiam numa religiosidade de milagres, assim fugindo da penosa tarefa de construir o Reino de Deus entre nós. Marcos vem corrigir esta ideologia triunfalista e nos convida a aprofundar a nossa fé, a clarear para nós mesmos e para o mundo “quem é este homem?”, e a segui-Lo no dia a dia. Pois, Jesus não está alheio às nossas dificuldades! Pelo contrário, Ele está no meio de nós. Só que não nos livra da tarefa de nos engajarmos na luta pelo Reino, mesmo que as ondas e os ventos estejam contrários. Ter fé n’Ele não é somente acreditar que Ele exista e seja Filho de Deus, mas tomar a nossa cruz e segui-Lo, na certeza que Ele não nos abandonará! Ressoa para nós hoje a pergunta de dois mil anos atrás: “Por que são tão medrosos? Ainda não têm fé?”

 

A força do mar e das tempestades simbolizaram em muitas culturas e também na cultura bíblica as forças incontroláveis e perigosas para o homem, ou seja, uma espécie de caos anti-divino. A barca dos discípulos à deriva nas ondas é um sinal da debilidade humana perante as forças contrárias da natureza e da dureza da vida. A primeira leitura, do Livro de Jó, prepara esta passagem do evangelho. Nela, encontramos a convicção religiosa de Jó e de todo o Antigo Testamento: “E disse-lhe (ao mar): Chegarás até aqui e não irás mais além, aqui se quebrará a altivez das tuas vagas”. O poder de Deus é superior a qualquer força, tanto da natureza como do homem. Esta imagem de Deus dominou a dimensão religiosa da humanidade: Deus é o Onipotente, tudo se lhe deve submeter. Passar desta idéia para a afirmação do poder terrível de Deus era muito fácil; Deus é o poder absoluto e dominador, que se ira sobre o homem pecador e a ninguém prestará contas. Provavelmente, é esta a imagem de Deus que está por detrás do ateísmo dos tempos modernos; a “morte de Deus” é a única maneira de tornar possível a vida, a liberdade e a realização do homem. Todavia, lamentavelmente, esta imagem de Deus continua em muitas situações e ações religiosas, cultivando o medo e o escrúpulo. O temor e o respeito a Deus são bem diferentes do medo.
Jesus assume a herança do Antigo Testamento e realiza-a. Jesus, de pé na barca, falando imperiosamente ao vento e ao mar, recorda a palavra poderosa de Deus no Antigo Testamento. Mas, como o faz? Jesus, de pé na barca, é sinal do Senhor Ressuscitado; e ele a dormir no meio da tempestade é sinal da sua morte (“dormir” na cruz, porque débil e também vítima da humanidade que o crucificou). Jesus de pé vencendo o mar não mostra somente o seu poder, mas também expressa que é a prova por excelência da sua vitória. Ele vence o mal do mundo, o ódio, o orgulho, a injustiça, não simplesmente “dominando”, mas amando, perdoando e dando-se. Isto fez com que Ele fosse a vítima até perder a vida, mas foi precisamente assim que venceu. Morrendo na cruz sem ódio, sem vingança, perdoando, amando, vencia todas as forças que destroem a vida humana. É deste modo que revela o verdadeiro poder de Deus. O Onipotente não O desceu da cruz, mas pela força do Seu Espírito, Onipotência do amor, O fez Homem Pleno e Salvador.
“Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?”. Estas palavras são o centro mais misterioso e mais radical da experiência cristã. Jesus exige confiança plena nele. Não quer dizer que exija confiança no seu poder; Ele não veio para exercer qualquer poder. Exige a fé nele. Quem acredita Nele é todo aquele que participa da sua experiência de amor, de pobreza e de perdão. Ele é quem vence as forças, aparentemente invencíveis, do pecado e da morte. É a única maneira de vencê-las. “Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2ª Leitura). É necessário, então, abrir os olhos e observar o que nos rodeia. Muitos não sabem resistir aos ataques do mal e caem no orgulho, no egoísmo, na ânsia do poder, no desprezo do próximo, na busca desenfreada de dinheiro, na incapacidade de perdoar e de dialogar… Mas, há outros que “acreditam” que perante esta situação, são capazes de amar, de perdoar, de procurar e proclamar a justiça, de promover a paz, de confiar. Superaram as decepções e o medo; encontraram a vida. “Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. As coisas antigas passaram: tudo foi renovado” (2ª Leitura).

Abram o coração ao mandamento novo do amor, pede Papa

Sexta-feira, 5 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre explicou que cristãos não devem ser escravos de “pequenas leis”, mas abrir o coração para a novidade e liberdade do Evangelho

Papa explicou que os cristãos têm leis, mas estas devem ser observadas à luz do mandamento do amor e das bem aventuranças / Foto: Arquivo

Na Missa desta sexta-feira, 5, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco destacou que o cristão não deve ser escravo de “tantas pequenas leis”, mas abrir o coração ao mandamento novo do amor.

Comentando o Evangelho do dia, Francisco recordou que os escribas queriam colocar Jesus em dificuldade, perguntando a Ele por que seus discípulos não jejuavam. O Senhor não cedeu à pressão deles e respondeu falando de festa e novidade.

“A vinhos novos, odres novos. A novidade do Evangelho. O que o Evangelho nos traz? Alegria e novidade. Esses doutores da lei estavam fechados em seus mandamentos, em suas prescrições. São Paulo, ao falar deles, nos diz que antes da fé – ou seja, de Jesus – todos nós estávamos protegidos como prisioneiros da lei. A lei dessas pessoas não era má: protegidos, mas prisioneiros, à espera que chegasse a fé. Aquela fé que teria sido revelada no próprio Jesus”.

O povo, observou o Papa, tinha a lei dada por Moisés e também muitos destes “hábitos e pequenas leis” que os doutores tinham codificado. “A lei os protegia, mas como prisioneiros! E eles estavam à espera da liberdade, da definitiva liberdade que Deus teria dado a seu povo com seu Filho”. A novidade do Evangelho, portanto, é esta: resgatar a lei.

“Alguém de vocês pode me perguntar: ‘Os cristãos não têm lei?’ Sim! Jesus disse: ‘Eu não venho mudar a lei, mas levá-la à sua plenitude’. A plenitude da lei são, por exemplo, as bem-aventuranças, a lei do amor, do amor total como o que Ele, Jesus, nos amou. Quando Jesus repreende os doutores da lei, o faz porque não protegeram o povo com a lei, mas o escravizou com tantas leis pequenas, pequenas coisas”.

O Evangelho, em vez disso, veio trazer a novidade, que é festa, alegria e liberdade, ressaltou o Pontífice. Jesus quer dizer ao povo que não tenha medo de mudar as coisas segundo a lei do Evangelho.

“Paulo distingue bem: filhos da lei e filhos da fé. A vinhos novos, novos odres; e por isso, a Igreja nos pede, a todos nós, algumas mudanças. Pede-nos que deixemos de lado as estruturas decrépitas: são inúteis! E usemos os odres novos, os do Evangelho. Não se pode entender a mentalidade destes doutores da lei, destes teólogos fariseus: não se pode entender a sua mentalidade com o espírito do Evangelho, são coisas diferentes. O estilo do Evangelho leva à plenitude da lei, sim, mas de um modo novo: é o vinho novo em odres novos”.

E para viver plenamente esse Evangelho, que é novidade, é preciso, segundo o Papa Francisco, um coração alegre e renovado. É preciso observar a lei de acordo com o mandamento do amor e das bem-aventuranças. “Que o Senhor nos dê a graça de ‘não permanecermos prisioneiros’, a graça ‘da alegria e da liberdade que nos traz a novidade do Evangelho’”.

No Angelus, Papa destaca importância da força da fé

Angelus, domingo, 6 de outubro  de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco também recordou no Angelus o mês missionário em vigor e sua visita a Assis na última sexta-feira, 4

Papa Francisco reuniu-se com os fiéis neste domingo, 6, para rezar a tradicional oração do Angelus. Antes da oração mariana, o Pontífice disse algumas palavras sobre a fé cristã, destacando que ela pode ser pequena como um grão de mostarda, mas se for verdadeira é capaz de realizar coisas humanamente impossíveis.

Partindo do Evangelho do dia, Francisco comentou a passagem em que os apóstolos pedem que o Senhor aumente a fé deles. Segundo o Papa, esta é uma invocação que todos os homens podem fazer também hoje. “Sim, Senhor, nossa fé é pequena, nossa fé é fraca, frágil, mas nós a oferecemos a ti como ela é, para que o Senhor a faça crescer”.

Francisco disse que sobre esta invocação, Cristo diz que a fé pode ser pequena como um grão de mostarda, mas se for verdadeira é capaz de fazer coisas humanamente impossíveis. “Todos conhecemos pessoas simples, humildes, mas com uma fé fortíssima, que verdadeiramente move montanhas!”, disse o Papa.

Fazendo menção ao mês missionário celebrado agora em outubro, o Santo Padre citou o exemplo de tantos missionários que superaram obstáculos para levar adiante a mensagem do Evangelho. Nesse ponto, ele exortou todos a usarem essa fé, mesmo que pequena, porém forte, para dar testemunho de Cristo, sendo cristãos com a própria vida.

O Papa aproveitou a ocasião para recordar sua visita a Assis na última sexta-feira, 4. “Quero agradecer a Deus por esta jornada que vivi em Assis. (…) Foi um grande presente fazer essa peregrinação, precisamente na festa de São Francisco”.

Após o Angelus, Francisco recordou o naufrágio ocorrido em Lampedusa, ilha italiana, na última quinta-feira, 3, pedindo orações por todos os que perderam a vida. “Rezemos juntos em silêncio por estes nossos irmãos e irmãs: mulheres, homens, crianças… Deixemos chorar o nosso coração. Rezemos em silêncio”.

 

ANGELUS
Praça São Pedro
Vaticano
Domingo, 6 de outubro de 2013
Boletim da Santa Sé  
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Antes de tudo, gostaria de dar graças a Deus pela jornada que vivi em Assis, antes de ontem. Pensem que foi a primeira vez que eu fui a Assis e foi um grande presente fazer esta peregrinação propriamente na festa de São Francisco. Agradeço ao povo de Assis pela calorosa acolhida: muito obrigado!

Hoje, o trecho do Evangelho começa assim: “Os apóstolos disseram ao Senhor: ‘Aumenta-nos a fé!’” (Lc 17, 5-6). Parece-me que todos nós podemos fazer nossa essa invocação. Também nós, como os apóstolos, digamos ao Senhor Jesus: “Aumenta-nos a fé!”. Sim, Senhor, a nossa fé é pequena, a nossa fé é fraca, frágil, mas nós a oferecemos a ti como ela é, para que o Senhor a faça crescer. Parece bom para vocês repetir todos juntos isto: “Senhor, aumenta em nós a fé”? Fazemos isso? Todos: Senhor, aumenta em nós a fé! Senhor, aumenta em nós a fé! Senhor, aumenta em nós a fé! Que a faça crescer!

E o Senhor o que nos responde? Responde: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá” (v. 6). A semente da mostarda é pequena, mas Jesus diz que basta ter uma fé assim, pequena, mas verdadeira, sincera, para fazer coisas humanamente impossíveis, impensáveis. E é verdade! Todos conhecemos pessoas simples, humildes, mas com uma fé fortíssima, que verdadeiramente move montanhas! Pensemos, por exemplo, em certas mães e pais que enfrentam situações muito pesadas, ou em certos doentes, inclusive gravíssimos, que transmitem serenidade a quem vai ali visitá-los. Estas pessoas, justamente pela sua fé, não se vangloriam daquilo que fazem, antes, como pede Jesus no Evangelho, dizem: “Somos servos como quaisquer outros. Fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17, 10). Quanta gente entre nós tem esta fé forte, humilde, e que faz tanto bem!

Neste mês de outubro, que é dedicado em particular às missões, pensemos em tantos missionários, homens e mulheres, que para levar o Evangelho superaram obstáculos de todo tipo, deram verdadeiramente a vida; como diz São Paulo a Timóteo: “Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho” (2 Tm 1, 8). Isto, porém, diz respeito a todos: cada um de nós, na própria vida de cada dia, pode dar testemunho de Cristo, com a força de Deus, a força da fé. A fé pequena que temos, mas que é forte! Com esta força, dar testemunho de Jesus Cristo, ser cristãos com a vida, com o nosso testemunho!

E como conseguimos esta força? Nós a conseguimos de Deus, na oração. A oração é a respiração da fé: em uma relação de confiança, em uma relação de amor, não pode faltar o diálogo, e a oração é o diálogo da alma com Deus. Outubro é também o mês do Rosário, e neste primeiro domingo é tradição recitar a Súplica à Nossa Senhora de Pompeia, Beata Virgem Maria do Santo Rosário. Unamo-nos espiritualmente a este ato de confiança na nossa Mãe e recebamos de suas mãos a coroa do Rosário: o Rosário é uma escola de oração, o Rosário é uma escola de fé.

O Valor da Família

Família: vocação que transcende

A família cristã tem hoje mais do que nunca, uma missão essencial e intransferível: ensinar e semear a fé. Uma fé que pregue a Jesus Cristo, amor e fundamento da comunidade eclesial e cristã.

Os pais são os primeiros evangelizadores dos filhos, dom precioso do Criador (cf. Documento Pontifìcio Gaudium et Spes, n.50).  É obrigação dos pais instruírem seus filhos na vida de orações, na vivência dos sacramentos, e na motivação pela santidade. Com esses primeiros ladrilhos da fé, os filhos podem começar a edificar sua vida enraizado na vontade de Deus. Podem crescer nos valores humanos e cristãos que dão pleno sentido à vida.

Os filhos são, sem dúvida alguma, o mais precioso dom do matrimônio e deles dependem em grandíssima parte a felicidade dos próprios pais. Deus mesmo disse: “… não é bom que o homem esteja só.” (Gn 2, 18) e abençoando o homem com a presença da mulher os exortou: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gn 1, 28). Por isso, o amor conjugal e toda a vida que dele procede, “… tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e do Salvador, que por meio deles aumenta continuamente e enriquece a sua família (Gaudium et Spes,  n.50, § 1).

Como pode um edifício permanecer firme se não está bem fundado? Desde esta perspectiva podemos contemplar a importância conservadora e vivificante que a família exerce em toda a sociedade. Hoje, em um ambiênte que ataca brutalmente os valores familiares, que degrada a essência do matrimônio, que despreza o verdadeiro sentido da vida, que promove a morte como saída de emergência dos problemas… é necessário a força que procede da família…. «os desvios seculares do matrimônio nunca podem ofuscar o esplendor de uma aliança vital fundamentada sobre a entrega generosa e o amor incondicional. A reta razão nos diz que “o futuro da humanidade passa pela família» (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 86).

A família é a esperança do mundo. É a educadora da verdade. A guia verdadeira da felicidade. A sociedade urge que as famílias semeiem os princípios morais e cristãos em todos os seus membros, pois Deus tem destinado à família uma vocação que transcende todas  as outras, a vocação de ensinar a viver.

O amor de Deus pela família é tanto, que Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família da qual recebeu todo o amor, temor de Deus e educação nos princípios religiosos e morais. Segundo uma antiga expressão, o Concílio Vaticano II declara a família: “Ecclesia domestica”- Igreja domestica- (Documento Pontifício Lumen Gentium n.11). Além disso, o Catecismo afirma que a Igreja não é outra coisa que a família de Deus.

Sendo a família a sustentadora de uma sociedade reta e amante de Deus, seus membros devem lutar para defendê-la dos ataques agresivos e destrutores do mundo. Lutar contra o sofisma e o relativismo que descarta os verdadeiros valores cristãos e fundamentais da dignidade familiar.

Willians Rodrigues
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