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Oração é principal caminho para sair dos fechamentos

Quarta-feira, 29 de junho de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Papa presidiu hoje Missa na festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo, destacando o poder que a oração tem de levar o homem à abertura aos outros

O binômio fechamento / abertura marcou a homilia do Papa Francisco nesta quarta-feira, 29, na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo. O Santo Padre destacou que a oração é o principal caminho para sair da vida de fechamentos.

“A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos (…) A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade”, disse o Pontífice.

Francisco explicou que o próprio Paulo, quando escreveu a Timóteo, falou de sua experiência de libertação, de saída do perigo quando também ele estava condenado à morte. E o próprio Paulo fala de uma abertura ainda maior: à vida eterna, que o aguardava após ele ter cumprido sua “corrida” terrena.

“Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda ‘em saída’ por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele ‘a salvo para o seu Reino celeste’”.

Olhando para a vida de Pedro, o Papa destacou o modo como a vida se desabrocha plenamente quando se acolhe a graça da fé. Pedro caminhou, disse o Papa, por uma via que o levou a sair de si mesmo, de suas seguranças humanas. Nesse ponto, Francisco também recordou o olhar misericordioso de Jesus para Pedro quando o discípulo O negou por três vezes.

Quando Pedro foi libertado da prisão de Herodes, foi bater à casa de João, mas ali havia medo por parte da comunidade cristã, fechada em casa e também às surpresas de Deus. As pessoas pensavam se abriam ou não a porta para ele.

“O medo paralisa-nos, sempre nos paralisa; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos duma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos”.

Ao final da homilia o Papa saudou a delegação enviada pelo Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, para participar da festa dos santos padroeiros de Roma. “Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitas que vieram para a bênção dos Pálios, que lhes serão impostos pelos meus Representantes nas respectivas Sedes”.

 

HOMILIA
Benção dos Pálios e celebração eucarística na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo 
Basílica Vaticana, Quarta-feira, 29 de junho de 2016, Boletim da Santa Sé

Nesta liturgia, a Palavra de Deus contém um binómio central: fechamento/abertura. E, relacionado com esta imagem, está também o símbolo das chaves, que Jesus promete a Simão Pedro para que ele possa, sem dúvida, abrir às pessoas a entrada no Reino dos Céus, e não fechá-la como faziam alguns escribas e fariseus hipócritas que Jesus censura (cf. Mt 23, 13).

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12, 1-11) apresenta-nos três fechamentos: o de Pedro na prisão; o da comunidade reunida em oração; e – no contexto próximo da nossa perícope – o da casa de Maria, mãe de João chamado Marcos, a cuja porta foi bater Pedro depois de ter sido libertado.

E vemos que a principal via de saída dos fechamentos é a oração: via de saída para a comunidade, que corre o risco de se fechar em si mesma por causa da perseguição e do medo; via de saída para Pedro que, já no início da missão que o Senhor lhe confiara, é lançado na prisão por Herodes e corre o risco de ser condenado à morte. E enquanto Pedro estava na prisão, «a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). E o Senhor responde à oração com o envio do seu anjo para o libertar, «arrancando-o das mãos de Herodes» (cf. v. 11). A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos.

O próprio Paulo, ao escrever a Timóteo, fala da sua experiência de libertação, de saída do perigo de ser ele também condenado à morte; mas o Senhor esteve ao seu lado e deu-lhe força para poder levar a bom termo a sua obra de evangelização dos gentios (cf. 2 Tm 4, 17). Entretanto Paulo fala duma «abertura» muito maior, para um horizonte infinitamente mais amplo: o da vida eterna, que o espera depois de ter concluído a «corrida» terrena. Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda «em saída» por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele «a salvo para o seu Reino celeste» (v. 18).

Mas voltemos a Pedro… A narração evangélica (Mt 16, 13-19) da sua confissão de fé e consequente missão a ele confiada por Jesus mostra-nos que a vida do pescador galileu Simão – como a vida de cada um de nós – se abre, desabrocha plenamente quando acolhe, de Deus Pai, a graça da fé. E Simão põe-se a caminhar – um caminho longo e duro – que o levará a sair de si mesmo, das suas seguranças humanas, sobretudo do seu orgulho misturado com uma certa coragem e altruísmo generoso. Decisiva neste seu percurso de libertação é a oração de Jesus: «Eu roguei por ti [Simão], para que a tua fé não desapareça» (Lc 22, 32). E igualmente decisivo é o olhar cheio de compaixão do Senhor depois que Pedro O negou três vezes: um olhar que toca o coração e liberta as lágrimas do arrependimento (cf. Lc 22, 61-62). Então Simão Pedro foi liberto da prisão do seu eu orgulhoso, do seu eu medroso, e superou a tentação de se fechar à chamada de Jesus para O seguir no caminho da cruz.

Como já aludi, no contexto próximo da passagem lida dos Atos dos Apóstolos, há um detalhe que pode fazer-nos bem considerar (cf. 12, 12-17). Quando Pedro, miraculosamente liberto, se vê fora da prisão de Herodes, vai ter à casa da mãe de João chamado Marcos. Bate à porta e, de dentro, vem atender uma empregada chamada Rode, que, tendo reconhecido a voz de Pedro, em vez de abrir a porta, incrédula e conjuntamente cheia de alegria corre a informar a patroa. A narração, que pode parecer cómica – e pode ter dado início ao chamado «complexo de Rode» –, deixa intuir o clima de medo em que estava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus. Pedro bate à porta. – «Vai ver quem é!» Há alegria, há medo… «Abrimos ou não?» Entretanto ele corre perigo, porque a polícia pode prendê-lo. Mas o medo paralisa-nos, sempre nos paralisa; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos duma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: Lucas diz que, naquela casa, «numerosos fiéis estavam reunidos a orar» (v. 12). A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade. Sim, digamo-lo hoje com confiança, juntamente com os nossos irmãos da Delegação enviada pelo amado Patriarca Ecuménico Bartolomeu para participar na festa dos Santos Padroeiros de Roma. Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitas que vieram para a bênção dos Pálios, que lhes serão impostos pelos meus Representantes nas respectivas Sedes.

Os Santos Pedro e Paulo intercedam por nós para podermos realizar com alegria este caminho, experimentar a ação libertadora de Deus e a todos dar testemunho dela.

Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

A Solenidade de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos é uma oportunidade para celebrar festivamente esta solenidade que nos recorda dois grandes personagens da história da nossa fé cristã, ou seja, os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo. Neles encontramos um exemplo para a nossa vida, não esquecendo que são nossos intercessores diante de Deus. A liturgia tem uma Missa de vigília, não havendo nada que impeça somente a celebração da Missa do dia. As orações próprias (especialmente a coleta) acentuam esta idéia: “por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé”; e pedem que “a Igreja se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé”. O prefácio desta solenidade é de grande beleza, pondo em paralelo os dois apóstolos: “Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração”. Pedro foi o primeiro dos apóstolos. Não é o primeiro na ordem cronológica, mas sim o primeiro no grupo dos discípulos. No Evangelho desta solenidade, Jesus diz. “Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (missa do dia). Pelo fato de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida; por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, como nos diz o livro dos Atos dos Apóstolos, deu testemunho de Jesus (1ª leitura da vigília), até entregar a sua vida, sendo feito prisioneiro (1ª leitura do dia) e morrendo mártir em Roma. Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi um perseguidor dos cristãos. Todos sabem como Saulo se converteu e como descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios – daqueles que não eram judeus – pregando o Evangelho por toda a região mediterrânea com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e martirizado em Roma. As suas cartas, tantas vezes proclamadas nas nossas celebrações, ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª leitura desta solenidade, narra-nos como foi chamado e enviado por Jesus (vigília), como também nos fala da entrega total da sua vida pela causa do Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prêmio no dia em que se apresentar diante do Senhor, justo juiz (dia). Pedro e Paulo são os dois grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a sua história, com as suas fraquezas e dificuldades, mas também foram testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimos para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja. Por intercessão de Pedro e de Paulo, rezemos pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, por todos os cristãos do mundo para que permaneçamos firmes na fé. No Evangelho da missa do dia, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Os discípulos respondem: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias, ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Hoje, Jesus repete-nos a pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Cada um terá de dar uma resposta. Para mim, quem é Jesus? Como Pedro, podemos afirmar que Jesus é o Senhor, o Filho de Deus, Aquele que dá sentido à nossa vida, Aquele em quem podemos encontrar as raízes mais profundas do nosso ser. Que a profissão de fé de Pedro e de Paulo seja hoje exemplo e bálsamo para que cada um de nós faça da vida uma verdadeira profissão de fé.

 

SOLENIDADE de SÃO PEDRO e SÃO PAULO
Mt 16, 13-20 “E vocês, quem dizem que eu sou?”

Aqui temos a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8, 27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho.
Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: quem é Jesus? O que é ser discípulo dele?  São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determinará a maneira do meu seguimento dele. O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”
É inócua, pois não compromete – o “diz que” não compromete ninguém, pois expressa a opinião dos outros.
Por isso, chove respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, Jeremias, ou um dos  profetas!”.  Mas Jesus não quer parar aqui – esta pergunta foi só uma introdução. Depois vem a facada!: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Agora não chove respostas, pois quem responde vai se comprometer – não será a opinião dos outros, mas a opinião pessoal!  E esta opinião traz consequências práticas para a vida.
Finalmente, Pedro se arrisca: “O Messias, o Filho de Deus vivo”. Aqui Mateus acrescenta vv. 17-19, pois quer destacar o papel de Pedro (e por conseguinte dos líderes da sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que nos Evangelhos somente aqui e em Cap. 18 é chamada de “Igreja”.
“As chaves do Reino” não se referem ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos. O fundamento, o alicerce, dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”.  Mas continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-lo?”
Pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça.  Por isso, Jesus toma uma atitude, aparentemente estranha: “Ele ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias!” Que coisa esquisita!  Jesus proíbe que se fala a verdade sobre ele!  Como é que ele espera angariar discípulos deste jeito?  O assunto merece mais atenção. Realmente, Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje.  Ele usou o termo certo para descrever Jesus.
Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”.  Pois cada um pode entender este termo conforme os seus desejos.  Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” para ele é ser o “Servo de Iahweh”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo, e não o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então.  Pedro teve que aprender essa exigência do discipulado, de uma maneira lenta e dolorosa, passando até pela negação de Jesus na noite da sua prisão.  Aprendeu tão bem que chegou a dar a sua vida como mártir, também morrendo, conforme a tradição, numa cruz, no Circo de Nero, onde atualmente se localiza a Basílica que traz o se nome.  Paulo, que durante os seus primeiros anos da vida adulta, perseguia os discípulos, também teve a graça da conversão, chegando a  afirmar que não queria saber nada a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo Crucificado!!!  Ele também pagou coma a sua vida essa decisão pelo discipulado. No nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para clarificar em que Jesus acreditamos?  O Jesus “Oba! Oba!” tão propagado por setores da mídia, ou o Jesus bíblico, o Servo de Iahweh, que veio para dar a vida em favor de todos?

 

Solenidade de São Pedro e São Paulo Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica
Padre Wagner Augusto Portugal

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Meus queridos Irmãos, Celebramos hoje a festa das duas colunas da Igreja: São Pedro e São Paulo. Pedro: Simão responde pela fé dos seus irmãos (cf. Evangelho de Mateus 16, 13-19). Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser “pedra”, rocha, para que o Senhor edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22, 32). Esta “nomeação” vai acompanhada de uma promessa infalível: as “portas” (que correspondem à cidade, reino) do inferno (o poder do mal, da morte) não poderão nada contra a Santa Igreja de Cristo, que é uma realização do “Reino do Céu” (de Deus). A libertação da prisão ilustra esta promessa na primeira Leitura. Cristo lhe confia também “o poder das chaves”, ou seja, o serviço de “mordomo” ou administrador de sua casa, de sua família, de sua comunidade ou cidade. Na medida em que a Igreja é a realização, provisória, parcial, do Reino de Deus, Pedro e seus sucessores, os Papas, são administradores dessa parcela do Reino de Deus. Eles têm a última responsabilidade do serviço pastoral. Pedro, sendo aquele que responde “pelos Doze”, administra ou governa as responsabilidades da evangelização. E recebe, ainda, o poder de ligar e de desligar, o poder de decisão, de obrigar ou deixar livre. Não se trata de um poder ilimitado, mas da responsabilidade pastoral, que concerne à orientação dos fiéis para a vida em Deus, no caminho de Cristo. Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático da Igreja. Sua vocação se dá na visão de Nosso Senhor Jesus Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo, “apóstolo”, grande pedagogo da missão e da vida do Senhor. É Paulo que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos de serem testemunhas do Ressuscitado até os confins da terra. As cartas a Timóteo, escritas da prisão de Roma, são a prova disso, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. São Paulo é o apóstolo das nações. No fim da sua vida, pode oferecer uma vida como oferenda adequada a Deus, assim como ele ensinou. Como Pedro, Paulo experimentou Deus como Aquele que nos liberta da tribulação. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Os artistas da iconografia católica colocaram as chaves da Igreja em sua mão, para distinguir o seu encargo de possuidor das chaves da salvação. Paulo foi morto decapitado por ser cidadão romano, o que o impedia de ser crucificado. Os artistas da iconografia católica lhe põem sempre na mão uma espada, além de um livro, para simbolizar as várias epístolas teológicas que legou para a Igreja de Cristo. Por isso o Evangelho nos fala da confissão de fé de Pedro e a promessa de Jesus para seu futuro. Jesus apelidara Simão de Cefas, que, em aramaico, significa “pedra”. O apelido pegara a ponto de todos o chamarem de Simão Pedro ou simplesmente de Pedro. Pedro assim será o fundamento da Igreja, do novo Povo de Deus. A pedra na Bíblia significava e significa a segurança, a solidez e a estabilidade, como régio és meu penedo de salvação. Mas Jesus sabia que, sendo criatura humana, Pedro, por mais fiel que Lhe fosse, seria sempre uma criatura fraca. Por isso, se faz de Pedro o fundamento, reserva para si todo o peso e todo o equilíbrio da construção e sem a qual o inteiro edifício viria abaixo. O simbolismo das chaves é claro. A chave abre e fecha. Possuir a chave significa garantia, propriedade, poder de administrar. Isaías tem uma profecia sobre a derrubada do administrador. Sobna e sua substituição pelo obscuro empregado Eliaquim. Põe na boca de Deus estas palavras: “Colocarei as chaves da casa de Davi sobre seus ombros: ele abrirá e ninguém fechará, ele fechará e ninguém abrirá” (cf. Is 22, 22). O texto aproxima-se muito à promessa de Jesus, até mesmo na escolha de um humilde pescador para administrar a nova casa de Deus. Assim como Eliaquim não se tornou o dono da casa de Davi, também Pedro não será o dono da nova comunidade. O dono continuará sempre sendo o próprio Deus. Em linguagem jurídica, diríamos que Pedro tornou-se o fiduciário de Cristo. O binômio ligar-desligar repete o abrir-fechar das chaves. Pedro recebe o direito e a obrigação de decidir sobre a autenticidade da doutrina e comportamento dos cristãos diante dos ensinamentos de Jesus. Esta missão de todos os Papas, sucessores de Pedro, que bem podem ser definidos como os guardiões da verdade e da caridade. Celebrar São Pedro, para os cristãos, é também celebrar o Papa. Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja Universal. Esta complementaridade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja de Cristo hoje: a responsabilidade institucional e criatividade missionária, responsabilidade de todos nós! Rezemos, pois, pelo nosso Santo Padre Bento XVI que para fiel a missão de ter o serviço da caridade de dirigir a Igreja de Cristo nos interpele para seguirmos a missão de Pedro e de Paulo para sermos testemunhas de Cristo no mundo. Amém!

 

Profissão de fé
Dom Paulo Mendes Peixoto

Duas personalidades bíblicas, Pedro e Paulo, unidos por um ideal comum, o seguimento dos princípios de Jesus Cristo, mas com estruturas pessoais totalmente diversas. Ambos conviveram com as realidades que anunciavam, a justiça e a verdade, e morreram por elas. Pedro e Paulo foram martirizados em Roma, um representando a Instituição, a Igreja, e o outro, testemunhando a missão. Os dois são definidos como colunas mestras da Igreja, porque lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, revelando uma profunda profissão de fé. Como seguidores de Jesus Cristo, esses dois apóstolos se destacaram como homens do serviço, trabalhando pela liberdade das pessoas, promovendo a vida e rejeitando todas as formas de opressão e morte. Este é o fundamento da ação de todo aquele que se coloca na posição de líder numa comunidade de pessoas. Toda liderança supõe despojamento e renúncias importantes. O alvo principal não deve ser a pessoa do líder, mas o objetivo definido como ação. Sempre está em jogo o bem comum e o bem das pessoas. Se o foco for o bem próprio, esse líder está traindo a sua missão, podendo estar também desviando o bem público. Olhando para o sofrimento de Pedro e Paulo, imaginamos o sofrimento do povo hoje, numa realidade tão próspera, mas mal conduzida pelo despreparo e pela baixa preocupação com o bem dos mais sofridos. Sentimos a síndrome da política suja, sem perspectiva e sem esperança. Até a ficha limpa está já sendo burlada. Pedro e Paulo cumpriram sua liderança com fidelidade até a morte. Tiveram coragem de enfrentar os sofrimentos e as perseguições, sempre marcados pela esperança de vida nova. Conseguiram motivar o povo desanimado e decepcionado com outras lideranças sem compromisso. Estamos no mundo das divergências, de pensamentos detonantes liderados até por pessoas mal intencionadas, motivadas por conquista de poder ou de dinheiro. Líderes que se deixam levar pela injustiça, pela droga, a violência, a permissividade, a cultura da morte, a ganância, a falta de ética na política. Não é este o ideal do verdadeiro líder que desejamos para o país.

Os homens a quem o Céu obedece

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja

Será que existem esses homens? É claro que existem, e por vontade do próprio Deus. Hoje, o primeiro deles, é aquele que escolheu o nome de Francisco, o nosso querido Papa.

Quando Jesus instituiu a Sua Igreja – uma sociedade humana e divina – deu a seu chefe visível e humano, o poder de fazer o céu ligar o que ele ligasse aqui na Terra. E ninguém pode questionar isso, pois foi determinação do próprio Filho de Deus. Ele o quis, quem pode contestá-lo? Ele disse a Pedro, o primeiro Papa, explicitamente, com todas as letras, o que vale, é claro, para os seus sucessores: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).É por isso, que o Papa é infalível quando proclama “ex-cathedra” um dogma de fé. É claro que no céu não pode ser ligado nada de errado; então, Deus não permite, por assistência especial do Espírito Santo, que o Papa decida algo errado em termos de fé e de moral. Jesus assim o quis e fez para que a Sua Igreja, “o Sacramento universal da Salvação”, como a chamou o Concílio Vaticano II, jamais permitisse que o “depósito da fé”, a “sã doutrina” (1Tm 1,10; 4,6 – Tt 2,1) se corrompesse.

Dando ao Papa essa prerrogativa, Jesus garantia para a Igreja o exercício pleno da verdade que salva, como diz o nosso Catecismo (cf. §851). Demos, portanto, graças a Deus, por tanto poder que Jesus concedeu ao Papa aqui na Terra, para o bem de todos nós.

Sem isso, a Igreja seria uma Instituição humana a mais, sujeita a erros e subjetivismos que destruiriam a Verdade que Cristo a ela confiou para a salvação dos homens.

É claro que a proclamação de um dogma é algo raríssimo, e o Santo Padre não decide sozinho uma questão de fé, quando é necessário; ele houve toda a Igreja: os cardeais, os bispos do mundo todo, os grandes teólogos, os superiores das Congregações religiosas, os Seminários de Teologia, e até os fiéis (“sensus fidei”), etc; e, alguns dogmas foram proclamados juntamente com um Concílio Ecumênico, como o da infalibilidade do Papa, no Concilio Vaticano I, em 1870, pelo Papa Pio IX.

Não mais do que umas doze vezes, em toda a história da Igreja, um Papa definiu um dogma de fé, especialmente quando um ponto fundamental do depósito da fé era colocado em dúvida por alguns teólogos.

E também o Colégio dos Apóstolos, nossos bispos, quando chefiado pelo Papa, recebeu do Senhor Jesus esta prerrogativa, como se vê em Mateus 18,18: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”.

É por isso, que o nosso Catecismo diz que: “A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico”… “Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina” (§891).

Logo, é lamentável sob todos os aspectos, quando algum leigo, sacerdote, bispo, ou teólogo, se ponha contra o Papa. É triste quando observamos que alguns, ao ler um documento novo do Pontífice, ao invés de dar graças a Deus, e beber dessa fonte de graça e sabedoria, começam a criticar o texto. Na verdade são pessoas orgulhosas, prepotentes, que se acham melhores que o Papa e mais sábios e doutos que Ele. Até podem ser, mas não tem a mesma assistência especial do Espírito Santo. Não é sem razão que a Igreja sempre ensinou que a humildade e a obediência são virtudes fundamentais para a nossa salvação. Demos graças a Deus.

Prof. Felipe Aquino

Santo Evangelho (João 8,12-20)

Segunda-Feira, 14 de Março de 2016 
5ª Semana da Quaresma

Primeira Leitura (Dn 13,41c-62)
Leitura da Profecia de Daniel.

Naqueles dias, 41c a assembleia condenou Susana à morte. 42Susana, porém, chorando, disse em voz alta: “Ó Deus eterno, que conheces as coisas escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! 43Tu sabes que é falso o testemunho que levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito! 44O Senhor escutou sua voz. 45Enquanto a levavam para a execução, Deus suscitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. 46E ele clamou em alta voz: “Sou inocente do sangue desta mulher!” 47Todo o povo então voltou-se para ele e perguntou: “Que palavra é esta, que acabas de dizer?” 48De pé, no meio deles, Daniel respondeu: “Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem conhecimento da causa verdadeira, condenais uma filha de Israel? 49Voltai a repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que levantaram contra ela!” 50Todo o povo voltou apressadamente, e outros anciãos disseram ao jovem: “Senta-te no meio de nós e dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da velhice”. 51Falou então Daniel: “Mantende os dois separados, longe um do outro, e eu os julgarei”. 52Tendo sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: “Velho encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. 53Fazias julgamentos injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando o Senhor ordena: ‘Não farás morrer o inocente e o justo!’ 54Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que árvore os viste abraçados?” Ele respondeu: “À sombra de uma aroeira”. 55Daniel replicou: “Mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!” 56Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: “Raça de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão perverteu o teu coração. 57Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se submeteu a essa iniquidade. 58Agora, pois, dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?” Ele respondeu: “Debaixo de uma azinheira”. 59Daniel retrucou: “Também tu mentiste com perfeição, contra tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!” 60Toda a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus, que salva os que nele esperam. 61E voltaram-se contra os dois velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. 62E assim os mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 22)

— Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.
— Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.

— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.R.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei* pelos tempos infinitos.

 

Evangelho (Jo 8, 12-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 12Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou. 17Ora, na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé (Dt 19,15). 18Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também. 19Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai. 20Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo, junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Matilde

Santa Matilde nasceu em 895. Casou-se aos 14 anos com Henrique, rei da Germânia, com quem teve dois filhos: Oton e Henrique.
Matilde aprendeu a ler e escrever depois de casada. Utilizava seu patrimônio em favor dos necessitados, sendo também bastante atuante nas questões políticas. Em 936 morre Henrique, seu marido, e Oton é coroado imperador em Roma.
Santa Matilde dizia aos filhos: “Meus queridos filhos, gravai bem no vosso coração o temor de Deus. Ele é o Rei e Senhor verdadeiro, que dá poder e dignidade perecíveis. Feliz aquele que prepara sua eterna salvação”.
A partir da morte do marido o seu calvário começou, ao ponto de ser traída pelos filhos, com a falsa acusação de que estaria esbanjando os bens com os pobres. Ela foi exilada e seus bens confiscados.
Mais tarde, seus filhos a anistiaram e lhe devolveram os bens. Santa Matilde empregou seu patrimônio na construção de hospitais, mosteiros e igrejas.
Retirou-se para um convento onde faleceu a 14 de março de 968, sendo sepultada ao lado do marido.
A imagem de Santa Matilde traz uma igreja e uma carteira nas mãos, representando a caridade para com os pobres.
Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão
Santa Matilde destacou-se pela sua caridade sem limites. Tudo fazia em favor dos mais pobres, utilizando para isso as riquezas de que dispunha. Seus gestos neste mundo abriram para ela a herança eterna e o reino do Céu. Nem sempre somos capazes de dividir o que temos e muitas vezes acumulamos mais do que necessitamos para uma vida digna. Que tal deixar que o espírito da caridade e do despojamento tome conta de nós?

Oração
Senhor Jesus, a falta de solidariedade é o grande mal da humanidade. Perdoai-nos por nos fecharmos em nós mesmos, por nos preocuparmos somente com o que nos rodeia, nos negando-nos a estender a mão até mesmo àqueles que nos são mais caros. Pelos méritos de Santa Matilde, nobreza de pessoa e de alma, nós Vos rogamos a graça de bem administrarmos os talentos e bens que de nosso Pai Celeste recebemos. Amém.

Por que a Liturgia? O que ela significa?

(CIC 1066-1070)
Rubrica de teologia litúrgica aos cuidados do Pe. Mauro Gagliardi
Juan José Silvestre*

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 11 de janeiro de 2012 (ZENIT.org).- A profissão de fé, abordada na primeira parte do Catecismo da Igreja Católica, é seguida pela explicação da vida sacramental, por cujo meio Cristo está presente e age, continuando a edificação da sua Igreja. Se na liturgia, aliás, não se destacasse a figura de Cristo, que é o seu princípio e está realmente presente para torná-la válida, nem sequer teríamos a liturgia cristã, que depende do Senhor e é sustentada pela sua presença.
Existe, então, uma relação intrínseca entre fé e liturgia, ambas intimamente unidas. Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não teria eficácia, pois careceria da graça que alicerça o testemunho dos cristãos. “Por outro lado, a ação litúrgica nunca pode ser considerada genericamente, prescindindo-se do mistério da fé. A fonte da nossa fé e da liturgia eucarística, de fato, é o mesmo acontecimento: o dom que Cristo fez de si mesmo no mistério pascal” (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, 34).
Se abrirmos o catecismo na sua segunda parte, leremos que a palavra “liturgia” significa, originariamente, “serviço de e em favor do povo”. Na tradição cristã, significa que o povo de Deus faz parte da “obra de Deus” (CIC, 1069).
Em que consiste essa obra de Deus da qual fazemos parte? A resposta do catecismo é clara e nos permite descobrir a íntima conexão que existe entre a fé e a liturgia: “No símbolo da fé, a Igreja confessa o mistério da Santíssima Trindade e o seu desígnio benevolente (Ef 1,9) para toda a criação: o Pai realiza o “mistério da sua vontade” dando o seu Filho Amado e o Espírito Santo para a salvação do mundo e para a glória do seu nome” (CIC, 1066).
“Cristo, o Senhor, realizou esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação, preparada pelas maravilhas que Deus fez no povo da antiga aliança, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada paixão, da ressurreição dentre os mortos e da sua gloriosa ascensão” (CIC, 1067). É este o mistério de Cristo, que a Igreja “anuncia e celebra na sua liturgia a fim de que os fiéis vivam dele e dêem testemunho dele no mundo” (CIC, 1068).
Por meio da liturgia, “exerce-se a obra da nossa redenção” (Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 2). Assim como foi enviado pelo Pai, Cristo enviou os apóstolos para anunciarem a redenção e “realizarem a obra de salvação que proclamavam, mediante o sacrifício e os sacramentos, em torno dos quais toda a vida litúrgica gira” (ibidem, 6).
Vemos assim que o catecismo sintetiza a obra de Cristo no mistério pascal, que é o seu núcleo essencial. E o nexo com a liturgia se mostra óbvio, pois “por meio da liturgia é que Cristo, nosso Redentor e Sumo Sacerdote, continua na sua Igreja, com ela e por ela, a obra da nossa redenção” (CIC, 1069). Assim, esta “obra de Jesus Cristo”, perfeita glorificação de Deus e santificação dos homens, é o verdadeiro conteúdo da liturgia.
Este é um ponto importante porque, embora a expressão e o conteúdo teológico-litúrgico do mistério pascal devam inspirar o estudo teológico e a celebração litúrgica, isto nem sempre foi assim. “A maior parte dos problemas ligados às aplicações concretas da reforma litúrgica têm a ver com o fato de que não foi suficientemente considerado que o ponto de partida do concílio é a páscoa […]. E páscoa significa inseparabilidade da cruz e da ressurreição […]. A cruz está no centro da liturgia cristã, com toda a sua seriedade: um otimismo banal, que nega o sofrimento e a injustiça do mundo e reduz o ser cristãos a ser educados, não tem nada a ver com a liturgia da cruz. A redenção custou a Deus o sofrimento do seu Filho e a sua morte. Daí que o seu exercitium, que, segundo o texto conciliar, é a liturgia, não pode acontecer sem a purificação e sem o amadurecimento que provêm do seguimento da cruz” (Bento XVI, Teologia della Liturgia, LEV, Vaticano, 2010, págs. 775-776).
Esta linguagem conflita com aquela mentalidade incapaz de aceitar a possibilidade de uma intervenção divina real neste mundo em socorro do homem. Por isso, “quem compartilha uma visão deísta considera como integrista a confissão de uma intervenção redentora de Deus para mudar a situação de alienação e de pecado, e este mesmo juízo é emitido a propósito de um sinal sacramental que torne presente o sacrifício redentor. Mais aceitável, aos seus olhos, seria a celebração de um sinal que correspondesse a um vago sentimento de comunidade. Mas o culto não pode nascer da nossa fantasia; seria um grito na escuridão ou uma simples auto-afirmação. A verdadeira liturgia pressupõe que Deus responde e nos mostra como podemos adorá-lo. “A Igreja pode celebrar e adorar o mistério de Cristo presente na eucaristia precisamente porque o próprio Cristo se entregou antes a ela no sacrifício da cruz” (Sacramentum Caritatis, 14). A Igreja vive desta presença e tem a difusão desta presença no mundo inteiro como a sua razão de ser e de existir” (Bento XVI,Discurso de 15 de abril de 2010).
Esta é a maravilha da liturgia, que, como o catecismo recorda, é culto divino, anúncio do evangelho e caridade em ato (cf. CIC, 1070). É Deus mesmo quem age, e nós nos sentimos atraídos por esta sua ação, a fim de sermos, deste modo, transformados nele.

* Juan José Silvestre é professor de Liturgia na Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Santa Croce) e Consultor da Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos, além das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

Como ir à Missa e não perder a fé

Um enfraquecimento da fé e a diminuição do número de fiéis poderiam ser atribuídos aos abusos litúrgicos e às Missas ruins, quer dizer, às que traem seu sentido original e onde, no centro, já não está Deus, mas o homem, com a bagagem de suas perguntas existenciais.
Essa é uma ideia sustentada por Nicola Bux, teólogo e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.
Apresentado em Roma no dia 2 de março de 2011, em seu livro “Come andare a Messa e non perdere la fede” [Como ir à Missa e não perder a fé, N. do T.], Bux lança-se contra a virada antropológica da liturgia.
Bux replica a quantos criticaram Bento XVI, acusando-o de ter traído o espírito conciliar. Ao contrário – argumenta o teólogo – os documentos oficiais do Concílio Vaticano II foram traídos precisamente por essas pessoas, bispos e sacerdotes à frente, que alteraram a liturgia com “deformações ao limite do suportável”.
Participar de uma celebração eucarística pode significar, de fato, também se encontrar perante as formas litúrgicas mais estranhas, com sacerdotes que discutem economia, política e sociologia, tecendo homilias em que Deus desaparece. Proliferam os ensaios de antropologia litúrgica até reduzir a esta dimensão os próprios sinais sacramentais, “agora chamados – denuncia Bux – preferivelmente de símbolos”. A questão não é pequena: enfrentá-la implica ser tachado de anticonciliar.
Todos se sentem com o direito de ensinar e praticar uma liturgia “ao seu modo”, tanto que hoje é possível assistir, por exemplo, “à afirmação de políticos católicos que, considerando-se ‘adultos’, propõem ideias de Igreja e de moral em contraste com a doutrina”.
Entre aqueles que iniciaram esta mudança, Bux recorda Karl Rahner, quem, à raiz do Concílio, denunciava a reflexão teológica então imperante que, em sua opinião, mostrava-se pouco atenta ou esquecida da realidade do homem.
O jesuíta alemão sustentava em contrapartida que todo discurso sobre Deus brotaria da pergunta que o homem lança sobre si mesmo. Em consequência – esta é a síntese – a tarefa da teologia deveria ser falar do homem e de sua salvação, lançando as perguntas sobre si e sobre o mundo. Um pensamento teológico que, com triste evidência, foi capaz de gerar erros, o mais clamoroso dos quais é o modo de entender o sacramento, hoje já não sentido como procedente do Alto, de Deus, mas como participação em algo que o cristão já possui.
“A conclusão que Häuβling tira disso – recuerda Bux – é que o homem, nos sacramentos, acabaria por participar de uma ação que não corresponde realmente a sua exigência de ser salvo”, já que abre mão da intervenção divina. A semelhante tese “sacramental” e à derivação anexa da liturgia, responde Joseph Ratzinger, que já no dorso do volume XI, “Teologia da Liturgia”, de sua Opera omnia, escreve: “Na relação com a liturgia se decide o destino da fé e da Igreja”.
A liturgia é sagrada, de fato, se tiver suas regras. Apesar disso, se por um lado o ethos, ou seja, a vida moral, é um elemento claro para todos, por outro lado, ignora-se quase totalmente que existe também um “jus divinum”, um direito de Deus a ser adorado. “O Senhor é zeloso de suas competências – sustenta Bux –, e o culto é o que lhe é mais próprio. Em contrapartida, precisamente no campo litúrgico, estamos frente a uma desregulação”.
Sublinhando, em contrapartida, que sem “jus” o culto torna-se necessariamente idolátrico, em seu livro o teólogo cita uma passagem da “Introdução ao espírito da liturgia”, de Ratzinger, que escreve: “Na aparência, tudo está em ordem e presumivelmente também o ritual procede segundo as prescrições. E no entanto é uma queda na idolatria (…), faz-se Deus descer ao nível próprio, reduzindo-o a categorias de visibilidade e compreensibilidade”.
E acrescenta: “trata-se de um culto feito à própria medida (…), converte-se em uma festa que a comunidade faz para si mesma; celebrando-a, a comunidade não faz mais que confirmar a si mesma”. O resultado é irremediável: “Da adoração a Deus se passa a um círculo que gira em torno de si mesmo: comer, beber, divertir-se”. Em sua autobiografia (Mi vida), Ratzinger declara: “Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia”.
Para encerrar, uma sugestão e uma advertência. A primeira é relançar a liturgia romana “olhando para o futuro da Igreja – escreve Bux –, em cujo centro está a cruz de Cristo, como está no centro do altar: Ele, Sumo Sacerdote a quem a Igreja dirige seu olhar hoje, como ontem e sempre”. A segunda é inequívoca: “se acreditamos que o Papa herdou as chaves de Pedro – conclui –, quem não o obedece, antes de tudo em matéria litúrgica e sacramental, não entra no Paraíso”.

Família é uma riqueza social insubstituível, diz Papa no Equador

Segunda-feira, 6 de julho de 2015, André Cunha / Da redação

Na primeira Missa celebrada no Equador, o Papa Francisco destacou a família como uma riqueza social insubstituível

O Equador vive dias especiais com a presença do Papa Francisco em suas terras. Esta segunda-feira, 6, foi o dia da primeira Missa presidida pelo Pontífice em solo equatoriano. Especificamente, a celebração aconteceu no Parque Samanes, em Guayaquil, maior cidade do Equador e principal porto do país.

Na homilia, o Papa Francisco destacou a família como a grande “riqueza social, que outras instituições não podem substituir”. O Santo Padre disse que ela deve ser ajudada e reforçada “para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

“Na família, a fé mistura-se com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus”, disse o Papa na homilia / Foto: Reprodução CTV

Em outubro, a Igreja celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias. O objetivo, segundo o Pontífice, é amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família enfrenta nos dias atuais.

O Bispo de Roma pediu que os fiéis intensifiquem as orações por este evento para que, mesmo aquilo que pareça impuro, escandalize ou espante, “Deus – fazendo-o passar pela sua ‘hora’ – possa milagrosamente transformá-lo”.

A reflexão sobre a família na Missa desta segunda-feira, 6, foi motivada pelo Evangelho de São João que narra o episódio das Bodas de Caná. No contexto, Maria leva a Jesus o problema da falta de vinho. Ele, segundo os relatos bíblicos, realiza o milagre e transforma a água em vinho.

Para o Papa, Maria ensina o exercício de colocar-se sempre à disposição de Jesus, que veio para servir, não para ser servido. “O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isto aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado”.

“Na família, os milagres fazem-se com o que há com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes não é o ideal, não é o que sonhamos, nem o que ‘deveria ser’. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado”, considerou o Papa.

O Papa concluiu a homilia, afirmando que o melhor dos “vinhos” ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. “E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo”.

Francisco encerrou a homilia pedindo: “Como Maria nos convida, façamos ‘o que Ele nos disser’ e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família”.

Após a Missa, o Santo Padre almoça com a Comunidade dos Jesuítas e com a comitiva papal. Em seguida, retorna à Quito onde, ainda nesta segunda-feira, 6, visita o presidente da república e a catedral da cidade.

12 Domingo TC – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Marcos 4, 35-41
Naquele dia, ao entardecer, disse: «Passemos para a outra margem.» Afastando-se da multidão, levaram-no consigo, no barco onde estava; e havia outras embarcações com Ele. Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, de forma que este já estava quase cheio de água. Jesus, à popa, dormia sobre uma almofada. Acordaram-no e disseram-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?» Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: «Cala-te, acalma-te!» O vento serenou e fez-se grande calma. Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: «Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»

Nós hoje ouvimos o texto Evangélico de Marcos que nos relata um episódio catequético, que diz respeito a Jesus e seus discípulos, dentro de uma barca envolvidos, numa violenta tempestade no lago de Genezaré: “Mestre – gritam a Jesus – não te importa que pereçamos?”
No Antigo Testamento existe um texto referente a Elias, que vale a pena a este propósito a ser recordado: “Os adoradores de Baal aceitam o convite que faz Elias. Clamam por Baal a manhã inteira, para que mande fogo do céu sobre o sacrifício”. Isto não acontece, Elias zomba deles: “Gritem mais alto, ele é deus, quem sabe esteja ocupado com outros afazeres, é possível que esteja em viagem ou até mesmo dormindo”. Gritavam, se retalhavam, conforme o costume da época, mas nenhuma voz.
Esta passagem de Elias relacionada com o texto do Evangelho de Marcos traz a nossa recordação muitas peripécias entre nós e Deus.
Quantas vezes nós também, como aquele povo de Israel da época de Elias, como os discípulos de Jesus na barca, gritamos, gritamos a mais não poder: “Senhor não te importas que eu pereça? Senhor não te importas que eu vá a pique? Senhor não te importas que a minha vida termine desta forma?”
E o silêncio de Jesus Cristo nos desconcerta por completo. Mas o Evangelho deste domingo, que é catequese, nos ensina a ler por dentro do silêncio de Jesus: “Homens de pouca fé, porque duvidastes?”
Jesus repete isto amiúde com cada um de nós: “Homem de pouca fé porque duvidaste, porque continuas a duvidar?”
Não foi exatamente o grito dos discípulos desesperados que arrancou a censura de Jesus. Jesus censurou os discípulos amedrontados naquela ocasião, porque não tinham a coragem de enfrentar o perigo juntamente com Ele. São covardes, pusilânimes, e aquele espetáculo nada mais era do que uma prévia que aconteceria no jardim das Oliveiras.
Também lá não foram capazes, não tiveram coragem de seguir a Jesus na paixão e na morte, fugiram e O deixaram sozinho.
A covardia, a pusilanimidade no livro do Apocalipse no capítulo XXI, vem descrita ao lado da incredulidade, muitas vezes medo, covardia e que nos assolam freqüentemente na vida cristã. São sinônimo de falta de fé, incredulidade. Não confiamos em Deus, imaginamos um Deus distante, longe da nossa vida. Quando não duvidamos até mesmo de Sua existência?
Cada um de nós terá oportunidade neste domingo, de refletir sobre suas tempestades e possíveis covardias, lendo e relendo com calma este texto Evangélico que nos é proclamado.

 

«Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»
Catecismo da Igreja Católica §§280, 288-292

A criação é o fundamento de «todos os desígnios salvíficos de Deus», «o princípio da história da salvação» que culmina em Cristo. Por seu turno, o mistério de Cristo derrama a luz decisiva sobre o mistério da criação; revela o fim em vista do qual «no princípio, Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1); desde o princípio, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (Rm 8, 18-23). […]
A revelação da criação é inseparável da revelação e da realização da aliança de Deus, o Deus Único, com o seu povo. A criação é revelada como o primeiro passo para esta Aliança, como o primeiro e universal testemunho do amor onipotente de Deus. […]
«No começo, Deus criou o céu e a terra». […] «No princípio era o Verbo […] e o Verbo era Deus […]. Tudo se fez por meio d’Ele e, sem Ele, nada se fez.» (Jo 1, 1-3). O Novo Testamento revela que Deus tudo criou por meio do Verbo eterno, o seu Filho muito amado. Foi n’Ele «que foram criados todos os seres que há nos céus e na terra […]. Tudo foi criado por seu intermédio e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas, e todas se mantêm por Ele» (Cl 1, 16-17). A fé da Igreja afirma igualmente a ação criadora do Espírito Santo: Ele é Aquele «que dá a vida», «o Espírito Criador», «a Fonte de todo o bem».
Insinuada no Antigo Testamento, revelada na Nova Aliança, a ação criadora do Filho e do Espírito, inseparavelmente unida à do Pai, é claramente afirmada pela regra de fé da Igreja: «Existe um só Deus […]: Ele é o Pai, é Deus, é o Criador, o Autor, o Ordenador. Fez todas as coisas por Si mesmo, quer dizer, pelo Seu Verbo e pela Sua Sabedoria», «pelo Filho e pelo Espírito» que são como «as Suas mãos» (Santo Ireneu). A criação é a obra comum da Santíssima Trindade.

 

Homilia XII Domingo do Tempo Comum, Ano B
Dom José Luiz Azcona, Bispo da Prelazia de Marajó (PA)

A liturgia da Eucaristia que estamos celebrando, nos convida a refletirmos sobre o capitão, o guerreiro, que está na frente desta batalha onde todos nós somos soldados.
A Sagrada Escritura chama o Espírito Santo de Paráclito. Um de seus significados é ‘aquele que vai à frente’.
Vamos refletir também sobre a água, que é símbolo também do Espírito Santo. Sem a presença do Espírito Santo, a derrota é clara. A vitória se dá quando o Espírito se faz presente. E para termos um bom combate, precisamos de fé.
O amor deve ser pedido, implorado, chorado. Pelo amor devemos fazer qualquer coisa.
O amor de Deus acompanha o cristão, o combatente, e nunca o abandonará.
Deus quer dar a nós o dom do Espírito Santo. Deus te trouxe aqui para preencher o teu coração com essa água viva, que é o Espírito Santo.
A segunda leitura nos orienta quando fala no inicio: “Irmãos: 14O amor de Cristo nos pressiona, pois julgamos que um só morreu por todos, e que, logo, todos morreram.” O que significa que o amor de Cristo nos pressiona? Esse amor de Cristo se revelou morrendo por todos, pois todos estavam mortos.
O amor de Deus não é o que nasce no teu coração para com Ele. É o amor de Cristo para contigo e com todos.
Aquele que motiva nosso coração, que pressiona, impulsiona, não é o nosso coração. É o amor de Cristo em nós, por nós.
Precisamos olhar para Deus. Se Deus não regenerar o coração do homem pelo seu amor, não conseguimos amar.
Mas onde está a ponte para que nosso coração experimente que é amado? Não adianta pregar sobre o amor se não o experimentamos. Como temos acesso a esse amor? São Paulo nos ajuda a compreender Romanos 5, 5: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.
Como se faz experiência do amor? É no coração. E coração significa mente, vontade, inteligência, sentimentos, afetividade. É tudo.
E é ai no centro da personalidade que desce o amor de Deus e Ele nos comunica seu próprio amor.
Quando Deus derrama seu amor pelo Espírito Santo em nosso coração, é que podemos viver, ser cristãos e combatentes, e enfrentar o desprezo, a cruz, o inferno.
O amor é eterno, não cansa, é paciente, é tudo, porque o amor é Deus.
Até os 41 anos, não saberia dizer o que acabei de lhes falar. Poderia falar teologicamente do Amor, mas nunca o tinha experimentado. E eu já era religioso e padre, mas nunca tinha tido a experiência do amor de Deus no coração. Já imaginaram a situação de alguém assim?
Foram 41 anos de vazio. Mas eu precisava me apoiar em alguma coisa e era no Direito Canônico da Igreja e as ordens de minha congregação.
Eu era um bom frade, mas não amava a Deus.
Estava tão cego e errado e tão fora do caminho, que não percebia a realidade tenebrosa, sendo sacerdote e religioso desse jeito.
Até que Deus teve misericórdia, e abriu meus olhos.
Deus falou com muita simplicidade.
Em um retiro no 1981, Deus me dizia no interior: ‘José Luiz você não me ama e não ama a ninguém.’ Eu me senti estranho e me defendi daquelas palavras: ‘Como não te amo Senhor?’
Mas aquela palavra era mais poderosa do que minhas convicções.
Até que no momento do retiro houve confissões. E ali confessei que não amava a Deus e a ninguém. Envergonhado e sem saber o que acontecia comigo, mas sentindo a verdade de que estava fora do caminho de Deus, eu disse isso.
E assim foi. Eu estava completamente desnorteado. Me coloquei na fila para receber a oração dos intercessores. E falei aos meus irmãos sacerdotes tudo isso, e pedi que rezassem por mim para que Deus me fizesse experimentar esse Amor. Era 24 de abril de 1981.
E um padre rezava com palavras de Santo Agostinho: ‘Ó beleza antiga e tão nova! Tarde te amei!.’
Eu tinha ouvido essas palavras desde os 10 anos de idade, mas nunca ouvira e sentira aquelas palavras daquele jeito. Percebi que Deus preenchia 41 anos vazios de minha vida. Ele estava me comunicando o Seu amor. Eu senti, tomou conta de mim o Espírito Santo, a graça de Deus. E comecei a chorar. Alegre, doce, suave.
E eu disse àqueles padres: ‘Eu creio que Deus atendeu as minhas preces!’
E a partir daí minha vida mudou.
Deus é bom, compassivo e misericórdia.
A vida não é fácil, mas o amor é sempre maior. Confie no amor de Deus! Para Deus não importa que condições você esta nesse momento. A única coisa que Ele quer, é que você tenha um mínimo de confiança e permita que Ele o mergulhe nesse oceano de amor que emana de Seu coração. Somente isso.
Que você lhe dê a oportunidade, e lhe dê a sua liberdade nesse momento e peça o Santo Espírito em seu coração. É isso que Jesus quer.
Deus grita: ‘Se alguém tem sede, tem fome de amor, de ser amado, venha a mim! Não vá à prostituta, às drogas, ao bar. Venha a mim!’ Este convite é de Jesus.
Estenda seus braços a Cristo, e abra o seu coração para que Ele o encha de amor. Abra-se para a água do Espírito Santo.

 

XII Domingo do Tempo Comum
Jo 38, 8-11; 2Cor 5, 14-17; Mc 4, 35-41 – Frei Raniero Cantalamessa
Levantou-se uma grande tempestade

O Evangelho deste Domingo é o da tempestade acalmada. Ao entardecer, depois de uma jornada de intenso trabalho, Jesus sobe a uma barca e diz aos apóstolos que vão à outra margem. Esgotado pelo cansaço, dorme na popa. Enquanto isso, levanta-se uma grande tempestade que inunda a barca. Assustados, os apóstolos acordam Jesus, gritando-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?». Após levantar-se, Jesus ordena ao mar que se acalme: «Cala, emudece». O vento se acalmou e sobreveio uma grande bonança. Depois, disse-lhe: «Por que estais com tanto medo? Ainda não tendes fé?».
Vamos tratar de compreender a mensagem que nos dirige hoje esta página do Evangelho. A travessia do mar da Galiléia indica a travessia da vida. O mar é minha família, minha comunidade, meu próprio coração. Pequenos mares, nos quais se podem desencadear, como sabemos, tempestades grandes e imprevistas. Quem não conheceu algumas dessas tempestades, quando tudo se obscurece e o barquinho de nossa vida começa a inundar-se de água por todos os lados, enquanto Deus parece que está ausente ou dorme? Um diagnóstico alarmante do médico e nos encontramos de repente em plena tempestade. Um filho que empreende um mau caminho dando de que falar, e já temos os pais em plena tempestade. Uma reviravolta financeira, a perda do trabalho, do amor do namorado, do cônjuge, e nos encontramos em plena tempestade. O que fazer? A que podemos agarrar-nos e para que lado podemos jogar a âncora? Jesus não nos dá a receita mágica para escapar de todas as tempestades. Não nos prometeu que evitaríamos todas as dificuldades; Ele nos prometeu, no entanto, a força para superá-las, se a pedirmos.
São Paulo nos fala de um problema sério que teve de enfrentar em sua vida e que chama «um espinho em minha carne». «Três vezes» (ou seja, infinitas vezes), diz, rogou ao Senhor que lhe libertasse dele e, o que respondeu? Leiamos juntos: «Minha graça te basta, minha força se mostra perfeita na fraqueza». Desde aquele dia, começou inclusive a gloriar-se de suas fraquezas, perseguições e angústias, até o ponto de poder dizer: «quando estou fraco, então é quando sou forte» (2Cor 12, 7-10).
A confiança em Deus: esta é a mensagem do Evangelho. Naquele dia o que salvou os discípulos do naufrágio foi o fato de levar Jesus na barca, antes de começar a travessia. Esta é também para nós a melhor garantia contra as tempestades da vida. Levar Jesus conosco. O meio para levar Jesus na barca da própria vida e da própria família é a fé, a oração e a observância dos mandamentos.
Quando a tempestade se desencadeia no mar, ao menos no passado, os marinheiros costumavam jogar óleo sobre as ondas para acalmá-las. Nós jogamos sobre as ondas do medo e da angústia a confiança em Deus. São Pedro exortava os primeiros cristãos a ter confiança em Deus nas perseguições, dizendo: «confiai-lhe todas as vossas preocupações, pois Ele cuida de vós» (1Pd 5, 7). A falta de fé que Jesus reprovou aos discípulos nessa ocasião se deve ao fato de pôr em dúvida que lhe «importe» sua vida e incolumidade: «não te importas que pereçamos?».
Deus cuida de nós, Ele se importa com nossa vida, e de que maneira! Uma história citada com freqüência fala de um homem que teve um sonho. Via dois pares de pegadas que se haviam ficado gravadas na areia do deserto e compreendia que um par de pegadas eram as suas e o outro par de pegadas eram as de Jesus, que caminhava a seu lado. Em um certo momento, um par de pegadas desaparece, e compreende que isso sucedeu precisamente em um momento difícil de sua vida. Então se lamenta com Cristo, que lhe deixou só no momento da prova. «Mas, eu estava contigo!», respondeu Jesus. «Como é possível que estivesse comigo, se na areia só se vê um par de pegadas?». «Eram as minhas — respondeu Jesus. Nesses momentos, eu havia te carregado». Lembremos disso, quando também nós sintamos a tentação de queixar-nos com o Senhor porque nos deixa sozinhos.

 

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM
Mc 4, 35-41
“Quem é este homem?”

Retomamos a caminhada pelo evangelho de Marcos. O trecho de hoje está situado na primeira parte do evangelho, onde Marcos procura demonstrar que as autoridades religiosas da época, os próprios parentes de Jesus e os discípulos d’Ele não o compreenderam, apesar de verem as suas obras e milagres (1, 19-8, 26). Toda esta primeira parte do Evangelho prepara o chão para a pergunta fundamental do evangelho: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Por isso a história hoje relatada leva os discípulos a se perguntarem: “Quem é este homem?”
A história do evento no mar de Galiléia retrata simbolicamente a situação da comunidade marcana, pelo ano 70, quando o evangelho foi escrito. A comunidade está vacilando na sua fé, assolada por dúvidas e até perseguições. Diante do cansaço da caminhada, muitos se refugiaram na busca de uma religião de milagres, sem o esforço de seguir Jesus até a Cruz. Por isso, Marcos insiste que os milagres não são suficientes para conhecer Jesus, pois as autoridades, os familiares e os discípulos os presenciaram e não chegaram a entender nem a pessoa nem a proposta de Jesus.
O barco no lago, assolado pelos ventos e ondas, representa a comunidade dos discípulos, prestes a afundar-se por causa das dificuldades da caminhada. Jesus dorme no barco e parece não se preocupar com o perigo. Assim, para a comunidade marcana, parecia que Jesus não estava ligado aos seus sofrimentos e, como conseqüência, vacilavam na sua fé. Mas, Jesus acalmou o mar e ainda questionava a pouca fé dos Doze: “por que vocês são tão medrosos? Vocês ainda não têm fé?” (v. 3). Assim, Marcos quis mostrar aos leitores do seu tempo que Jesus estava com eles nas dificuldades e que a sua falta de fé estava causando grande parte das dificuldades que estavam enfrentando.
Hoje, em muitos lugares, a Igreja parece como a igreja marcana, ou ainda como o barco no mar. Diante das desistências, do secularismo, da diminuição da sua influência, para muitos a Igreja esta se afundando. Em lugar de assumir o doloroso seguimento de Cristo até a Cruz, muitos se refugiam numa religiosidade de milagres, assim fugindo da penosa tarefa de construir o Reino de Deus entre nós. Marcos vem corrigir esta ideologia triunfalista e nos convida a aprofundar a nossa fé, a clarear para nós mesmos e para o mundo “quem é este homem?”, e a segui-Lo no dia a dia. Pois, Jesus não está alheio às nossas dificuldades! Pelo contrário, Ele está no meio de nós. Só que não nos livra da tarefa de nos engajarmos na luta pelo Reino, mesmo que as ondas e os ventos estejam contrários. Ter fé n’Ele não é somente acreditar que Ele exista e seja Filho de Deus, mas tomar a nossa cruz e segui-Lo, na certeza que Ele não nos abandonará! Ressoa para nós hoje a pergunta de dois mil anos atrás: “Por que são tão medrosos? Ainda não têm fé?”

 

A força do mar e das tempestades simbolizaram em muitas culturas e também na cultura bíblica as forças incontroláveis e perigosas para o homem, ou seja, uma espécie de caos anti-divino. A barca dos discípulos à deriva nas ondas é um sinal da debilidade humana perante as forças contrárias da natureza e da dureza da vida. A primeira leitura, do Livro de Jó, prepara esta passagem do evangelho. Nela, encontramos a convicção religiosa de Jó e de todo o Antigo Testamento: “E disse-lhe (ao mar): Chegarás até aqui e não irás mais além, aqui se quebrará a altivez das tuas vagas”. O poder de Deus é superior a qualquer força, tanto da natureza como do homem. Esta imagem de Deus dominou a dimensão religiosa da humanidade: Deus é o Onipotente, tudo se lhe deve submeter. Passar desta idéia para a afirmação do poder terrível de Deus era muito fácil; Deus é o poder absoluto e dominador, que se ira sobre o homem pecador e a ninguém prestará contas. Provavelmente, é esta a imagem de Deus que está por detrás do ateísmo dos tempos modernos; a “morte de Deus” é a única maneira de tornar possível a vida, a liberdade e a realização do homem. Todavia, lamentavelmente, esta imagem de Deus continua em muitas situações e ações religiosas, cultivando o medo e o escrúpulo. O temor e o respeito a Deus são bem diferentes do medo.
Jesus assume a herança do Antigo Testamento e realiza-a. Jesus, de pé na barca, falando imperiosamente ao vento e ao mar, recorda a palavra poderosa de Deus no Antigo Testamento. Mas, como o faz? Jesus, de pé na barca, é sinal do Senhor Ressuscitado; e ele a dormir no meio da tempestade é sinal da sua morte (“dormir” na cruz, porque débil e também vítima da humanidade que o crucificou). Jesus de pé vencendo o mar não mostra somente o seu poder, mas também expressa que é a prova por excelência da sua vitória. Ele vence o mal do mundo, o ódio, o orgulho, a injustiça, não simplesmente “dominando”, mas amando, perdoando e dando-se. Isto fez com que Ele fosse a vítima até perder a vida, mas foi precisamente assim que venceu. Morrendo na cruz sem ódio, sem vingança, perdoando, amando, vencia todas as forças que destroem a vida humana. É deste modo que revela o verdadeiro poder de Deus. O Onipotente não O desceu da cruz, mas pela força do Seu Espírito, Onipotência do amor, O fez Homem Pleno e Salvador.
“Porque estais tão assustados? Ainda não tendes fé?”. Estas palavras são o centro mais misterioso e mais radical da experiência cristã. Jesus exige confiança plena nele. Não quer dizer que exija confiança no seu poder; Ele não veio para exercer qualquer poder. Exige a fé nele. Quem acredita Nele é todo aquele que participa da sua experiência de amor, de pobreza e de perdão. Ele é quem vence as forças, aparentemente invencíveis, do pecado e da morte. É a única maneira de vencê-las. “Cristo morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles” (2ª Leitura). É necessário, então, abrir os olhos e observar o que nos rodeia. Muitos não sabem resistir aos ataques do mal e caem no orgulho, no egoísmo, na ânsia do poder, no desprezo do próximo, na busca desenfreada de dinheiro, na incapacidade de perdoar e de dialogar… Mas, há outros que “acreditam” que perante esta situação, são capazes de amar, de perdoar, de procurar e proclamar a justiça, de promover a paz, de confiar. Superaram as decepções e o medo; encontraram a vida. “Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. As coisas antigas passaram: tudo foi renovado” (2ª Leitura).

Abram o coração ao mandamento novo do amor, pede Papa

Sexta-feira, 5 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre explicou que cristãos não devem ser escravos de “pequenas leis”, mas abrir o coração para a novidade e liberdade do Evangelho

Papa explicou que os cristãos têm leis, mas estas devem ser observadas à luz do mandamento do amor e das bem aventuranças / Foto: Arquivo

Na Missa desta sexta-feira, 5, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco destacou que o cristão não deve ser escravo de “tantas pequenas leis”, mas abrir o coração ao mandamento novo do amor.

Comentando o Evangelho do dia, Francisco recordou que os escribas queriam colocar Jesus em dificuldade, perguntando a Ele por que seus discípulos não jejuavam. O Senhor não cedeu à pressão deles e respondeu falando de festa e novidade.

“A vinhos novos, odres novos. A novidade do Evangelho. O que o Evangelho nos traz? Alegria e novidade. Esses doutores da lei estavam fechados em seus mandamentos, em suas prescrições. São Paulo, ao falar deles, nos diz que antes da fé – ou seja, de Jesus – todos nós estávamos protegidos como prisioneiros da lei. A lei dessas pessoas não era má: protegidos, mas prisioneiros, à espera que chegasse a fé. Aquela fé que teria sido revelada no próprio Jesus”.

O povo, observou o Papa, tinha a lei dada por Moisés e também muitos destes “hábitos e pequenas leis” que os doutores tinham codificado. “A lei os protegia, mas como prisioneiros! E eles estavam à espera da liberdade, da definitiva liberdade que Deus teria dado a seu povo com seu Filho”. A novidade do Evangelho, portanto, é esta: resgatar a lei.

“Alguém de vocês pode me perguntar: ‘Os cristãos não têm lei?’ Sim! Jesus disse: ‘Eu não venho mudar a lei, mas levá-la à sua plenitude’. A plenitude da lei são, por exemplo, as bem-aventuranças, a lei do amor, do amor total como o que Ele, Jesus, nos amou. Quando Jesus repreende os doutores da lei, o faz porque não protegeram o povo com a lei, mas o escravizou com tantas leis pequenas, pequenas coisas”.

O Evangelho, em vez disso, veio trazer a novidade, que é festa, alegria e liberdade, ressaltou o Pontífice. Jesus quer dizer ao povo que não tenha medo de mudar as coisas segundo a lei do Evangelho.

“Paulo distingue bem: filhos da lei e filhos da fé. A vinhos novos, novos odres; e por isso, a Igreja nos pede, a todos nós, algumas mudanças. Pede-nos que deixemos de lado as estruturas decrépitas: são inúteis! E usemos os odres novos, os do Evangelho. Não se pode entender a mentalidade destes doutores da lei, destes teólogos fariseus: não se pode entender a sua mentalidade com o espírito do Evangelho, são coisas diferentes. O estilo do Evangelho leva à plenitude da lei, sim, mas de um modo novo: é o vinho novo em odres novos”.

E para viver plenamente esse Evangelho, que é novidade, é preciso, segundo o Papa Francisco, um coração alegre e renovado. É preciso observar a lei de acordo com o mandamento do amor e das bem-aventuranças. “Que o Senhor nos dê a graça de ‘não permanecermos prisioneiros’, a graça ‘da alegria e da liberdade que nos traz a novidade do Evangelho’”.

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