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Para seguir Jesus é preciso mover-se, diz Papa

Sexta-feira, 13 de janeiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa falou da importância de seguir Jesus em vez de ficar parado apenas olhando, como faziam os escribas

Para seguir Jesus é preciso caminhar, não ficar com “alma sentada”, disse o Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 13, na Casa Santa Marta. Francisco destacou que a fé, se é autêntica, sempre faz correr riscos, mas dá a verdadeira esperança.

O povo segue Jesus por interesse ou por uma palavra de conforto. O Santo Padre se concentrou no Evangelho do dia para destacar que, mesmo se a pureza de intenção não é “total”, perfeita, é importante seguir Jesus, caminhar atrás Dele. As pessoas se sentiam atraídas por sua autoridade; pelas coisas que dizia e como dizia se fazia entender e também curava.

Algumas vezes, explicou o Papa, Jesus repreendia o povo que o seguia porque estava mais interessando em uma conveniência que na Palavra de Deus. Mas o Senhor se deixava seguir por todos, porque sabia que todos são pecadores. O problema maior era os que ficavam parados.

“Os parados! Aqueles que estavam à beira do caminho, olhavam. Ficavam sentados. Ficavam sentados lá alguns escribas: estes não seguiam, olhavam. Olhavam do balcão. Não iam caminhando na própria vida: ‘balconavam’ a vida! Justamente ali: não arriscavam nunca! Somente julgavam. Também os juízes eram fortes, não? Em seu coração: ‘que povo ignorante! Que gente supersticiosa!’ E quantas vezes também nós, quando vemos a piedade do povo simples, nos vem em mente aquele clericalismo que faz tanto mal à Igreja”.

Essas pessoas que seguiam Jesus não ficavam paradas, mas arriscavam para encontrá-Lo, para encontrar aquilo que queriam. O Papa citou como exemplo o caso da cananeia, da pecadora na casa de Simão e da Samaritana. Todas arriscaram e encontraram, a salvação.

“Seguir Jesus não é fácil, mas é belo! E sempre se arrisca (…) Seguir Jesus, porque precisamos de algo ou seguir Jesus arriscando e isso significa seguir Jesus com fé: esta é a fé. Confiar em Jesus. ‘Confio em Jesus, confio a minha vida a Jesus? Estou em caminho atrás de Jesus, mesmo se pareço ridículo às vezes? Ou estou sentado olhando como faziam os outros, olhando a vida, ou estou com a alma sentada – digamos assim – com a alma fechada para a amargura, a falta de esperança?’ Cada um de nós pode se fazer estas perguntas hoje”.

Papa aos pais: ensinar a fé às crianças e fazê-la crescer

Festa do Batismo do Senhor

Domingo, 8 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Na Solenidade do Batismo do Senhor, o Papa observou que a fé não é apenas “recitar o Creio quando vamos à Missa no domingo, não é só isto!…”

Na Festa do Batismo de Jesus, neste domingo, 8, o Papa  Francisco presidiu à celebração Eucarística na Capela Sistina, batizando 28 crianças.

Em sua breve homilia, pronunciada de forma espontânea, Francisco exortou os pais a “custodiarem a fé das crianças e a fazê-la crescer, para que se torne um testemunho para os outros”.

“Vocês pediram para vossas crianças a fé que será dada no Batismo – explicou – porque a fé deve ser vivida. Caminhar na estrada da fé e dar testemunho da fé”.

O Papa observou que a fé não é apenas “recitar o Creio quando vamos à Missa no domingo, não é só isto! A fé é acreditar naquilo que é a verdade: o Pai que enviou o Filho e o Espírito que nos vivifica”. E ressaltou:

“Mas a fé também é confiar-se a Deus e isto vocês devem ensinar a eles com vosso exemplo, vossa vida. A fé é luz”.

Ao referir-se à vela presente no rito do Batismo, Francisco recordou que nos primeiros tempos do cristianismo, o Batismo era chamado de “a iluminação, porque a fé ilumina o coração, faz ver as coisas com outra luz”.

“A Igreja dá a fé pelo Batismo aos vossos filhos e vocês têm a missão de fazê-la crescer, custodiá-la para se tornar testemunho para todos os outros. Este é o sentido de toda esta cerimônia”.

Ao final da homilia, de forma muito descontraída, o Papa referiu-se ao “concerto” proporcionado pelo choro de algumas crianças:

“Começou o concerto, hein?!?! Porque as crianças estão em um lugar que não conhecem, talvez tenham se levantado mais cedo do que o habitual. Aí uma começa, dá o tom, e as outras vão atrás. Muitas choram porque a outra chora. E gosto de recordar que Jesus também fez isto. A primeira oração de Jesus na estrebaria foi um choro”.

Antes de concluir, Francisco disse às mães para sentirem-se à vontade caso quisessem amamentar seus filhos durante a cerimônia na Capela Sistina, visto a duração da cerimônia e as crianças poderiam estar com fome.

Após suas palavras, Francisco batizou uma por uma das 28 crianças.

Programação Neurolinguística e a Fé Cristã

Revista “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 450

http://blog.comshalom.org/carmadelio/6105-a-programacao-neurolinguistica-o-que-e

Em síntese: A Neurolingüística parte do princípio de que o comportamento humano é dependente do pensar e das emoções da pessoa. Em conseqüência ensina a programar pensamentos e sentimentos de tal modo que redundem em comportamento desejado pelo indivíduo. – Tal teoria não deixa de ter seu fundo de verdade; todavia há escolas de Neurolingüística que adotam uma concepção antropológica panteísta ou alheia ao pensamento cristão. Daí a ambigüidade das propostas neurolingüísticas.
A Neurolingüística é, como dizem os seus arautos, uma ciência e uma arte. Teve origem nos Estados Unidos na década de 1970 e vem-se propagando com certo aparato que impressiona o público, embora os livros de Neurolingüística não sejam de fácil leitura.
A seguir, proporemos uma síntese do que seja a nova ciência e lhe faremos alguns comentários. A nossa exposição utilizará o vocabulário e a linguagem dos mestres mesmos da PNL.

1. A Programação Neurolingüística (PNL)
Como dizem os arautos da nova ciência, a expressão “Programação Neurolingüística” é um tanto obscura, mas compreende três conceitos simples.
O vocábulo “Neuro” professa a idéia fundamental de que todos os nossos comportamentos têm origem nos processos neurológicos da visão, da audição, do olfato, do paladar; do tato e das sensações em geral. Percebemos o mundo através dos cinco (ou seis) sentidos externos que temos, e fazemos, em conseqüência, o nosso mapa do mundo. “Compreendemos” as informações assim recebidas e depois agimos. Somos psicossomáticos; o corpo e o psiquismo formam urna unidade inquebrantável, que é o ser humano.
O termo “Lingüística” indica que usamos a linguagem para ordenar nossos pensamentos e comportamentos e para nos comunicarmos com os outros.
O substantivo “Programação” significa que devemos organizar nossas idéias e atividades a fim de obter os resultados desejados. Precisamente a PNL trata da maneira como elaboramos o que captamos através dos sentidos para chegarmos aos objetivos almejados. – A Programação também examina a forma como descrevemos nossos pensamentos e como agimos, intencionalmente ou não, para produzir resultados.
Sintetizando, pode-se dizer com Richard Bandler, um dos fundadores da PNL, que “a PNL é o estudo da estrutura da experiência subjetiva do ser humano e do que pode ser feito com ela”.
Tal definição é baseada no pressuposto de que todo comportamento humano tem uma estrutura e esta pode ser descoberta, modelada e transformada (reprogramada).
Eis outra definição, também proposta pelos arautos da PNL:
“PNL e’ o estudo de como representamos a realidade em nossas mentes e de como podemos perceber; descobrir e alterar esta representação para atingirmos resultados desejados” (Getúlio Barnasque).
Assim, afirmam os cultores da PNL, “a PNL é uma ferramenta educacional, não uma forma de terapia. Nós ensinamos as pessoas coisas sobre a maneira como seus cérebros funcionam e como elas usam tais informações para mudar seu comportamento” (Richard Bandler).
Pergunta-se agora:

2. Como funciona a Programação de Neurolingüística?
A Neurolingüística divide o ser humano em três eus: o eu superior, o médio e o interior, que são conceituados do seguinte modo:

a) Eu inferior: é o responsável pelos processos automáticos do corpo físico, pelas emoções animais (raiva, medo, etc.) e por certos processos mentais mecânicos e condicionados.

b) Eu médio: é responsável basicamente pelas tomadas de decisão conscientes. É analítico e especulativo; mas costuma ser influenciado (muitas vezes, sem o perceber) pelo eu inferior.

c) Eu superior: É uma consciência tetradimensional, com abrangência espaço-temporal muito mais ampla do que a do eu médio. Sua influência sobre o eu médio costuma ser muito mais rara do que a correspondente influência do eu inferior. Os principais indícios de sua influência sobre o eu médio são: plenitude, desprendimento e sentimento de invulnerabilidade.

Na base de tal concepção do ser humano, a Neurolingüística assim faz a sua programação:

1) O eu médio deve amortecer as atividades do eu inferior, obtendo, com isto, não só uma melhor ligação com o eu superior, mas também melhores condições de influenciar o eu inferior. E como realiza esse amortecimento?
– paralisando o diálogo interno;
– relaxando a musculatura voluntária;
– acalmando as emoções.
A paralisação do diálogo interno faz parte da autodefesa psíquica. Associada à respiração profunda, facilita a obtenção da etapa seguinte, ou seja, o relaxamento da musculatura. Assim é atingido sem dificuldade o termo final, que consiste em acalmar as emoções.
Através da melhor ligação com o eu superior, o eu médio pode receber informações intuitivas e/ou influenciar o eu superior a pedir ajuda a outros eus superiores; estes últimos tentarão enviar a ajuda necessária através de seus respectivos eus médios.
Uma vez amortecidas as atividades do eu inferior, o programador formula, mentalmente, uma ou mais orações que expressam o seu objetivo. Ao fazê-lo, deve levar em conta certas regras muito importantes, a saber:

a) nunca use negações explícitas ou implícitas. Exemplo de negação explícita: “O meu filho não vai ficar doente”. Exemplo de negação implícita: “O sol será incapaz de queimar a minha pele”. O primeiro exemplo poderia ser reformulado do seguinte modo: “O meu filho continua e continuará sendo saudável”.
Por que não se devem usar negações? – Porque, se você usar negações, estará atraindo para Si aquilo que deseja evitar.

b) Seja o mais minucioso e preciso possível. Por quê? – Porque, se não for preciso, poderá obter algo que não corresponda ao seu anseio. Veja-se o caso da jovem que programou: “O meu noivo vai voltar são e salvo da Guerra do Golfo e vai casar-se”. Resultado: O noivo voltou são e salvo, mas casou-se com outra mulher. A formulação correta teria sido:
“O meu noivo vai voltar são e salvo da Guerra do Golfo e vai casar-se comigo, dentro de um ano após a sua volta”.

c) Use tempos verbais presentes (de preferência, o gerúndio) ou futuros com limitação de data, conforme o caso. Por conseguinte, diga: “A minha saúde está melhorando” ou “A minha esposa obterá um emprego cujo salário será superior a mil reais até o final do mês de dezembro de 1999″.
Deve-se observar que, para algumas pessoas altamente questionadoras e analíticas, o uso do presente simples (eu sou, eu tenho) pode gerar conflito com o eu médio, pois se fixará na incompatibilidade entre o presente real e o presente programado. Para tais pessoas, é mais seguro o uso do futuro com limitação de data. – E por que a limitação de data é necessária? Pela razão seguinte: Se Marcelo, com 21 anos de idade, faz programação para ganhar dez mil reais, usando tempo futuro sem limitação de data, poderá acontecer que, aos 92 anos de idade, receba uma herança no valor de dez ml reais,… herança que ele não poderá utilizar por estar moribundo no hospital.

d) Faça suas programações diariamente, de preferência sempre no mesmo horário. Evite fazer programações durante os processos digestivos. Seja persistente e paciente.

3. Que Aplicações têm a PNL?
“Neurolingüística é a soma dos sistemas internos de comunicação que permitem ao sujeito iniciar seu processo de interação com o mundo e alterá-lo na medida em que interpreta dentro de si os resultados que obtém” (Dr. Marco Ceda Natali)
A Programação Neurolingüística, em sigla PNL, é uma ferramenta muito útil para localizar e organizar recursos dentro das pessoas.
Alcunhada por um de seus criadores como “Manual de instruções para o uso da mente”, a PNL oferece uma vasta gama de aplicações.
Apenas algumas dessas possibilidades serão citadas aqui:
• Como acrescentar recursos e intensificar resultados.
• Como aumentar o rapport nos processos de comunicação.
• Como conhecer e alcançar os cinco estados essenciais.
• Como contatar o “lado criança” e conseguir acordos entre as partes.
• Como descobrir causas de incongruência.
• Como descobrir e compreender suas motivações básicas.
• Como descobrir modelos de mudança.
• Como eliciar estados de excelência.
• Como entender os mecanismos do mapa e dos filtros.
• Como implantar e modificar âncoras.
• Como modelar e adotar pontos de vista e excelências.
• Como proceder a uma cura rápida de fobia.
• Como proceder à Mudança de História Pessoal.
• Como proceder a Ressignificações de palavras, de significado e de contexto.
• Como programar objetivos
• Como se comunicar com os aliados internos descobrindo objetivos positivos.
• Como trabalhar as crenças e o sistema de crenças
• Como trabalhar com crenças conflitantes.
• Como usar a Associação, Dissociação e Tela Mental.
• Como usar a estrutura decisória T.O.T.S.
• Como usar a hipnose ericksoniana para mudar recursos e comportamentos.
• Como usar a Linha do Tempo.
• Como usar a modelagem para adquirir novos recursos internos.
• Como usar a técnica do reimprinting da linha temporal parental como recurso de reeducação emocional.
• Como usar as submodalidades para descobrir estados de recurso.
• Como usar metáforas.
• Como usar métodos de visualização e verificação ecológica.
• Como usar o Círculo de Excelência para conquistar novos recursos.
• Como usar o metamodelo da linguagem de Fritz Perls.
• Como utilizar os Níveis Neurológicos para tomadas de decisão e implante de modificações.
• Como utilizar os sistemas representacionais.

Põe-se agora a questão:
4. Que dizer?
Não é fácil compreender o linguajar da Neurolingüística. Todavia pode-se dizer que tenciona propor benefícios aos seus clientes mediante dois fatores: a sugestão ou o condicionamento que o indivíduo faz a si mesmo, e… outra força não claramente definida.
A sugestão funciona realmente e com grande eficácia, como se verá abaixo. Quanto à outra força, alguns mestres da PNL parecem identificá-la com o eu superior, que seria divino – o que redunda em panteísmo e não resiste ao crivo da razão. Tal outra força pode ser entendida também como um fator parapsicológico: percepção extra-sensorial, hiperestesia, pantomnésia…; tais fatores são reconhecidos pela ciência e podem, de fato, produzir efeitos inesperados. – Resta, pois, pedir aos arautos da PNL que expliquem claramente quais os fatores que, além da sugestão, produzem benefícios aos usuários dessa arte.
Examinemos mais precisamente o que é a sugestão e como atua.

4.1. Sugestão: que é?
A palavra sugestão vem de sub-gerere e significa: “levar, transportar alguma coisa para baixo ou sob…”; vem a ser uma insinuação ou também uma subordinação. Em psicologia a sugestão ocorre quando se leva ao subconsciente de alguém uma idéia, que irá abrindo caminho no consciente desse sujeito e poderá tornar-se uma persuasão ou convicção.
Para compreender bem o funcionamento da sugestão, devemos lembrar que o organismo humano tem a capacidade de se adaptar ao meio ambiente e a seus dados variáveis. Há estímulos externos que provocam respostas inconscientes e automáticas do organismo, chamadas reflexos: assim a temperatura elevada suscita a secreção de suor, a temperatura em baixa provoca arrepios, a proximidade de comida apetitosa provoca secreção de saliva…
Os reflexos podem ser incondicionados e condicionados. Incondicionados, quando suscitados espontaneamente pela própria natureza (a secreção de saliva, de suor…). Há quem os identifique com os instintos. Condicionados são os reflexos que respondem a um estímulo neutro ou indiferente, como é, por exemplo, o toque de uma campainha; este pode suscitar as mais diversas reações da parte de alguém (campainha para despertar, para a refeição, para começar ou acabar o trabalho…). Se um operador consegue fazer de um estímulo neutro excitante de tal ou tal determinada reação, diz-se que esse estímulo provoca um reflexo condicionado. Tal é o caso, por exemplo, de um cachorro que, na hora de comer, recebe um pedaço de carne e, por isto, ensaliva naturalmente a boca; se, antes de se lhe oferecer a carne, se toca uma campainha, o animal secreta saliva já ao toque da campainha; esse reflexo condicionado se torna habitual a ponto que, mesmo que não se dê carne ao cachorro, ele ensaliva a boca ao ouvir a campainha.
Todo excitante externo que desencadeie respostas biológicas, é chamado sinal: assim o som, a luz, o tato, a palavra. Principalmente para o ser humano a palavra é um sinal muito eficaz; ela pode desencadear atividades biológicas diversas. Quando isto acontece, a palavra é chamada “sugestão”; a resposta à sugestão não é sempre consciente e racional.
A sugestão que vem de fora, é chamada hétero-sugestão. Acontece, porém, que a sugestão pode vir do próprio sujeito ou da imaginação e da memória do indivíduo: tal é a auto-sugestão. Exemplo: se ouço uma campainha que realmente toca aos meus ouvidos, recebo uma hétero-sugestão. Se, porém, sonho com o toque dessa campainha ou a imagino em delírio, sofro uma auto-sugestão.

Consideremos agora
4.2. O Poder da Sugestão

1. A sugestão pode ser recebida ou concebida por alguém, que passa a guardá-la no seu subconsciente, sem fazer caso da mesma. Não obstante, a sugestão pode, mesmo assim, exercer enorme influência sobre o comportamento do sujeito respectivo. Este, sem o saber, estará agindo sob a força de uma sugestão que ele talvez tenha explicitamente rejeitado em primeira instância. Imaginemos, por exemplo, um amigo que diga a seu amigo: “Como você está magro e pálido!”. Este, ouvindo tal juízo, protestará e afirmará o contrário. Mas, aos poucos, poderá ir-se sentindo indisposto e crer que está padecendo de algum mal sério, principalmente se em seu íntimo estiver predisposto a tanto. Importa notar que a idéia sugerida muitas vezes vai tomando vulto, e até lugar primacial, na mente de alguém, apesar da resistência que essa pessoa lhe queira opor. De modo especial, o ser humano repele a idéia de ser vítima de alguma sugestão ou de não ser mais ele mesmo no seu modo de pensar ou agir; ora, apesar dessa repulsa espontânea o poder da sugestão é imenso. São verídicas as palavras de Claude Bernard, principalmente quando se tem em vista o inconsciente: “O homem pode muito mais do que ele julga poder”.

2. Principalmente em questões de saúde e doença a força da sugestão é reconhecida. Tem grande aplicação em todos os tipos de curandeirismo.
Com efeito. Sabemos quão benéfico sobre um processo de recuperação da saúde é o otimismo do paciente; uma boa notícia comunicada a este pode logo desencadear melhoras fisiológicas.
Também são conhecidos os casos em que remédios “milagrosos” produziram efeitos altamente positivos em pacientes gravemente enfermos; tais remédios “milagrosos”, uma vez analisados, não revelaram nenhuma propriedade particular. Diz-se mesmo em tom irônico: “É preciso apressar-se em tomar remédios novos, enquanto eles curam”. São chamados placebo (= agradarei).
O Dr. Mathieu chegou a realizar uma experiência assaz cruel em seu Sanatório de tuberculosos. Anunciou aos enfermos que acabava de ser descoberto o antídoto da tuberculose, que haveria de os curar imediatamente. Depois de ter preparado os ânimos dos doentes durante um período de tempo razoável, o médico injetou-lhes, em dias consecutivos, um pouco de água salgada, que ele chamava pelo nome mágico de antifimose. Então os pacientes obtiveram resultados maravilhosos: a tosse e os escarros diminuíram consideravelmente, os doentes começaram a sentir apetite devorador, que os fez subir de peso numa média de três quilos em poucos dias. Infelizmente, porém, um dos enfermos percebeu que se tratava de um logro e que o médico nada tinha de especial para curá-los. Logo as melhoras cessaram e todos os sintomas da moléstia reapareceram em condições mais graves, porque os pacientes estavam desanimados.
Podemos fazer menção também dos cataplasmas1, que outrora eram aplicados com freqüência, obtendo, como se dizia, bons resultados. Os observadores julgam que, em grande parte, esses efeitos positivos se deviam ao fato de que cada cataplasma exigia meia-hora de preparação; durante essa meia-hora o doente tinha a oportunidade de ansiar pelo tratamento e de se compenetrar da eficácia do mesmo.
Com outras palavras ainda: está demonstrado que, mediante sugestões, somos capazes de produzir efeitos que consciente e voluntariamente não produziríamos. Sirvam de exemplos a modificação da pressão arterial, alterações na pulsação, na sudoração, no nível de açúcar no sangue, no metabolismo, em sistemas glandulares endócrinos, no sistema cardiovascular, na secreção gástrica… Isto explica que a sugestão possa curar doenças ditas “funcionais” ou dependentes de bloqueio nervoso ou emocional: asma, doenças da pele (eczemas), cegueiras funcionais e daltonismo, náuseas e vômitos…

3. Não é necessário que o paciente seja altamente sugestionável para que a sugestão verbal possa produzir efeitos reais e objetivos no organismo. É claro que, nas pessoas mais sensíveis à sugestão, os efeitos são mais rápidos e perceptíveis do que nos pacientes mais indiferentes.

4. As sugestões são eficientes também em estado de vigília ou em pacientes acordados. É erro bastante comum pensar que a sugestão verbal só provoca resposta fisiológica quando o paciente está em sono provocado ou hipnótico. É certo, porém, que um leve estado de sonolência de pessoa em atitude passiva favorece o desencadeamento das reações inconscientes e fisiológicas. Este estado pode afetar todas as pessoas normais.

5. A sugestão indireta pode ser mais eficaz do que a sugestão verbal direta.
A sugestão verbal direta utiliza a própria palavra e sua eficácia para exercer uma ação de comando.
A sugestão indireta recorre não a uma palavra imperativa, mas a um objeto ou uma ação, aos quais se atribui implícita ou explicitamente um efeito maravilhoso. Assim, para obter que alguém adormeça, em vez de se lhe dar a ordem de tentar dormir, ofereça-se-lhe um pó branco neutro (pode ser farinha de trigo), dizendo-lhe que é sonífero. Geralmente verifica-se o efeito almejado, ao passo que a palavra só, por mais meiga que seja, pode não conseguir o mesmo resultado.
São sugestões indiretas os passes, as águas “fluídicas”, as ervas para chá e para banho distribuídas pelos espíritas e curandeiros; estes podem estar de boa-fé acreditando no valor medicinal de tais recursos; na verdade, não fazem senão oferecer estímulos-sinais, que condicionam os seus clientes e os levam ao desbloqueio psicológico de que necessitam.
Pode-se, pois, estabelecer como princípio: “A sugestão é tanto mais eficiente quanto mais indireta ou dissimulada”; quando indiretamente sugestionado, o paciente pensa menos em se defender do imperativo vindo de fora.

1 Cataplasma é “uma placa medicamentosa que se aplica, entre dois panos, a uma parte do corpo dolorida ou inflamada” (Dicionário de Aurélio).

Santo Evangelho (Lc 17, 5-10)

27º Domingo do Tempo Comum – Domingo 02/10/2016

Primeira Leitura (Hab 1,2-3; 2,2-4)
Leitura da profecia de Habacuc.

2Senhor, até quando chamarei, sem me atenderes? Até quando devo gritar a ti: “Violência!”, sem me socorreres? 3Por que me fazes ver iniquidades, quando tu mesmo vês a maldade? Destruições e prepotência estão à minha frente; reina a discussão, surge a discórdia. 2,2Respondeu-me o Senhor, dizendo: “Escreve esta visão, estende seus dizeres sobre tábuas, para que possa ser lida com facilidade. 3A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho, e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. 4Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 94)

— Não fecheis o coração; ouvi vosso Deus!
— Não fecheis o coração; ouvi vosso Deus!

— Vinde, exultemos de alegria no Senhor,/ aclamemos o Rochedo que nos salva!/ Ao seu encontro caminhemos com louvores,/ e com cantos de alegria o celebremos!

— Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra,/ e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!/ Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor,/ e nós somos o seu povo e seu rebanho,/ as ovelhas que conduz com sua mão.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:/ “Não fecheis os corações como em Meriba,/ como em Massa, no deserto, aquele dia,/ em que outrora vossos pais me provocaram,/ apesar de terem visto as minhas obras”.

 

Segunda Leitura (2Tm 1,6-8.13-14)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo.

Caríssimo: 6Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. 13Usa um compêndio das palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. 14Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo, que habita em nós.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 17,5-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 5os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” 6O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. 7Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?’ 9Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santos Anjos da Guarda

Encontramos testemunhos que nos motivam a confiarmos nos Santos Anjos protetores de cada um de nós

Neste dia em que fazemos memória do nosso protetor, a Igreja termina assim o hino e oração da manhã: “Salvai por vosso filho a nós, no amor; ungidos sejamos pelos anjos; por Deus trino, protegidos!”

A palavra anjo significa, “enviado, mensageiro divino”, muitas vezes encontramos as manifestações dos anjos como missionários de Deus, e por isso, com clareza lemos no salmo 91: “Pois Ele encarregará seus anjos de guardar-te em todos os teus caminhos”.

Quando nos deparamos com a Anunciação e outros Mistérios da vida de Jesus, conseguimos perceber que este salmo profetiza a presença dos anjos na vida do Senhor. Ora, Cristo é o primogênito de todas as criaturas, nosso irmão e modelo. Se portanto sua humanidade, apesar de unida com a Divindade, era continuamente protegida por anjos, logo quanto mais devemos ser nós, seus membros tão frágeis. Tanto o Pai quer isto que revelou a Jesus: “Guardai-vos de desprezar algum desses pequeninos, pois eu vos digo, nos céus os seus anjos se mantêm sem cessar na presença do meu Pai que está nos céus.” (Mt 18,10)

Nos Atos dos Apóstolos e nos escritos de São Bernardo, Santo Tomás de Aquino e outros Doutores da Igreja, encontramos testemunhos que nos motivam a confiarmos nos Santos Anjos protetores de cada um, pois atesta a Sagrada Escritura: “Não são todos (os anjos) eles espíritos cumpridores de funções e enviados a serviço, em proveito daqueles que devem receber a salvação como herança?” (Hb 1,14)

Na Inglaterra desde o ano 800 acontecia uma festa dedicada aos Anjos da Guarda e a partir do ano 1111 surgiu uma linda oração (apresentada a seguir). Da Inglaterra esta festa se estendeu de maneira universal depois do ano 1608 por iniciativa do Sumo Pontífice da época. Aprendamos e rezemos esta quase milenar prece: “Anjo do Senhor – que por ordem da piedosa providência Divina, sois meu guardião – guardai-me neste dia (tarde ou noite); iluminai meu entendimento; dirigi meus afetos; governai meus sentimentos para que eu jamais ofenda ao Deus e Senhor. Amém.”

Santos Anjos da Guarda, rogai por nós!

Maria, exemplo de fidelidade e obediência a Deus

São João Paulo II, no ano de 1997, reflete sobre a figura da Virgem Santíssima em três catequeses: “Maria, singular cooperadora da Redenção”, “Mulher, eis aí o teu Filho” e “Eis aí a tua Mãe!”.

A Virgem Maria, que é a primeira redimida por Cristo na sua Imaculada Conceição, torna-se capaz de uma singular contribuição na obra da salvação.

As catequeses: “Mulher, eis aí o teu Filho” e “Eis aí a tua Mãe!” são iniciadas com os versículos nos quais Jesus se dirige a Maria e ao discípulo amado: “Ao ver Sua Mãe e junto dela o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua Mãe: ‘Mulher, eis aí o teu Filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua Mãe” (Jo 19, 26-27). Essas palavras revelam profundos sentimentos de Cristo e são de grande riqueza de significados para a fé e a espiritualidade cristãs.

Segundo o saudoso Santo Padre, a intenção primeira de Jesus não era de confiar sua Mãe a João, mas de entregar o discípulo a Maria, atribuindo a ela uma nova missão. O fato de o Senhor chamar Maria de “Mulher”, termo usado por Ele também nas “Bodas de Caná” (cf. Jo 2, 1-11), é para destacar uma nova dimensão do seu ser Mãe, colocando-a num plano mais elevado. Em Maria, a figura da mulher é reabilitada e a maternidade assume a tarefa de difundir entre os homens a vida nova em Cristo.

Além do assentimento de Nossa Senhora ao sacrifício do Filho, no Calvário se revela o desígnio divino de estender à humanidade inteira a maternidade da Mãe de Jesus. Dessa forma, a Virgem Santíssima é constituída Mãe de todos os cristãos.

O Papa afirma que as palavras “Eis aí a tua Mãe!” mostram a intenção de Jesus de despertar nos discípulos uma atitude de amor e confiança para com Maria, assumindo-a como Mãe. Pois, na escola de Maria os discípulos aprendem a ter uma íntima e perseverante relação de amor com Jesus.

Dessa forma, descobrimos também a alegria de nos confiarmos ao amor materno da Mãe, vivendo como filhos afetuosos e dóceis. Maria é um caminho que leva a Cristo, por isso, a devoção a ela não nos tira a intimidade com Ele, mas sim a leva a altos graus de perfeição.

Portanto, Maria é a Mãe amorosa de Cristo, que nos foi dada por Ele no ápice de sua doação pela humanidade. Jesus nos entregou tudo. Depois de nos revelar o amor do Pai, pelo Espírito Santo, ofereceu a vida em sacrifício por cada um de nós. Na cruz, não obstante a generosa entrega de si mesmo, Cristo entregou-nos também a própria Mãe.

Em resposta à vontade de Nosso Senhor Jesus na cruz, cada um de nós é chamado a entregar-se com confiança ao amor materno de Nossa Senhora. Como o discípulo amado, somos chamados a acolhê-la em nossa casa, em nossa vida, reconhecendo o seu papel de cooperadora da redenção.

Natalino Ueda
Missionário da Comunidade Canção Nova

Oração é principal caminho para sair dos fechamentos

Quarta-feira, 29 de junho de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Papa presidiu hoje Missa na festa dos santos apóstolos Pedro e Paulo, destacando o poder que a oração tem de levar o homem à abertura aos outros

O binômio fechamento / abertura marcou a homilia do Papa Francisco nesta quarta-feira, 29, na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo. O Santo Padre destacou que a oração é o principal caminho para sair da vida de fechamentos.

“A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos (…) A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade”, disse o Pontífice.

Francisco explicou que o próprio Paulo, quando escreveu a Timóteo, falou de sua experiência de libertação, de saída do perigo quando também ele estava condenado à morte. E o próprio Paulo fala de uma abertura ainda maior: à vida eterna, que o aguardava após ele ter cumprido sua “corrida” terrena.

“Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda ‘em saída’ por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele ‘a salvo para o seu Reino celeste’”.

Olhando para a vida de Pedro, o Papa destacou o modo como a vida se desabrocha plenamente quando se acolhe a graça da fé. Pedro caminhou, disse o Papa, por uma via que o levou a sair de si mesmo, de suas seguranças humanas. Nesse ponto, Francisco também recordou o olhar misericordioso de Jesus para Pedro quando o discípulo O negou por três vezes.

Quando Pedro foi libertado da prisão de Herodes, foi bater à casa de João, mas ali havia medo por parte da comunidade cristã, fechada em casa e também às surpresas de Deus. As pessoas pensavam se abriam ou não a porta para ele.

“O medo paralisa-nos, sempre nos paralisa; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos duma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos”.

Ao final da homilia o Papa saudou a delegação enviada pelo Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, para participar da festa dos santos padroeiros de Roma. “Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitas que vieram para a bênção dos Pálios, que lhes serão impostos pelos meus Representantes nas respectivas Sedes”.

 

HOMILIA
Benção dos Pálios e celebração eucarística na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo 
Basílica Vaticana, Quarta-feira, 29 de junho de 2016, Boletim da Santa Sé

Nesta liturgia, a Palavra de Deus contém um binómio central: fechamento/abertura. E, relacionado com esta imagem, está também o símbolo das chaves, que Jesus promete a Simão Pedro para que ele possa, sem dúvida, abrir às pessoas a entrada no Reino dos Céus, e não fechá-la como faziam alguns escribas e fariseus hipócritas que Jesus censura (cf. Mt 23, 13).

A leitura dos Atos dos Apóstolos (12, 1-11) apresenta-nos três fechamentos: o de Pedro na prisão; o da comunidade reunida em oração; e – no contexto próximo da nossa perícope – o da casa de Maria, mãe de João chamado Marcos, a cuja porta foi bater Pedro depois de ter sido libertado.

E vemos que a principal via de saída dos fechamentos é a oração: via de saída para a comunidade, que corre o risco de se fechar em si mesma por causa da perseguição e do medo; via de saída para Pedro que, já no início da missão que o Senhor lhe confiara, é lançado na prisão por Herodes e corre o risco de ser condenado à morte. E enquanto Pedro estava na prisão, «a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). E o Senhor responde à oração com o envio do seu anjo para o libertar, «arrancando-o das mãos de Herodes» (cf. v. 11). A oração, como humilde entrega a Deus e à sua santa vontade, é sempre a via de saída dos nossos fechamentos pessoais e comunitários. É a grande via de saída dos fechamentos.

O próprio Paulo, ao escrever a Timóteo, fala da sua experiência de libertação, de saída do perigo de ser ele também condenado à morte; mas o Senhor esteve ao seu lado e deu-lhe força para poder levar a bom termo a sua obra de evangelização dos gentios (cf. 2 Tm 4, 17). Entretanto Paulo fala duma «abertura» muito maior, para um horizonte infinitamente mais amplo: o da vida eterna, que o espera depois de ter concluído a «corrida» terrena. Assim é belo ver a vida do Apóstolo toda «em saída» por causa do Evangelho: toda projetada para a frente, primeiro, para levar Cristo àqueles que não O conhecem e, depois, para se lançar, por assim dizer, nos seus braços e ser levado por Ele «a salvo para o seu Reino celeste» (v. 18).

Mas voltemos a Pedro… A narração evangélica (Mt 16, 13-19) da sua confissão de fé e consequente missão a ele confiada por Jesus mostra-nos que a vida do pescador galileu Simão – como a vida de cada um de nós – se abre, desabrocha plenamente quando acolhe, de Deus Pai, a graça da fé. E Simão põe-se a caminhar – um caminho longo e duro – que o levará a sair de si mesmo, das suas seguranças humanas, sobretudo do seu orgulho misturado com uma certa coragem e altruísmo generoso. Decisiva neste seu percurso de libertação é a oração de Jesus: «Eu roguei por ti [Simão], para que a tua fé não desapareça» (Lc 22, 32). E igualmente decisivo é o olhar cheio de compaixão do Senhor depois que Pedro O negou três vezes: um olhar que toca o coração e liberta as lágrimas do arrependimento (cf. Lc 22, 61-62). Então Simão Pedro foi liberto da prisão do seu eu orgulhoso, do seu eu medroso, e superou a tentação de se fechar à chamada de Jesus para O seguir no caminho da cruz.

Como já aludi, no contexto próximo da passagem lida dos Atos dos Apóstolos, há um detalhe que pode fazer-nos bem considerar (cf. 12, 12-17). Quando Pedro, miraculosamente liberto, se vê fora da prisão de Herodes, vai ter à casa da mãe de João chamado Marcos. Bate à porta e, de dentro, vem atender uma empregada chamada Rode, que, tendo reconhecido a voz de Pedro, em vez de abrir a porta, incrédula e conjuntamente cheia de alegria corre a informar a patroa. A narração, que pode parecer cómica – e pode ter dado início ao chamado «complexo de Rode» –, deixa intuir o clima de medo em que estava a comunidade cristã, fechada em casa e fechada também às surpresas de Deus. Pedro bate à porta. – «Vai ver quem é!» Há alegria, há medo… «Abrimos ou não?» Entretanto ele corre perigo, porque a polícia pode prendê-lo. Mas o medo paralisa-nos, sempre nos paralisa; fecha-nos, fecha-nos às surpresas de Deus. Este detalhe fala-nos duma tentação que sempre existe na Igreja: a tentação de fechar-se em si mesma, à vista dos perigos. Mas mesmo aqui há uma brecha por onde pode passar a ação de Deus: Lucas diz que, naquela casa, «numerosos fiéis estavam reunidos a orar» (v. 12). A oração permite que a graça abra uma via de saída: do fechamento à abertura, do medo à coragem, da tristeza à alegria. E podemos acrescentar: da divisão à unidade. Sim, digamo-lo hoje com confiança, juntamente com os nossos irmãos da Delegação enviada pelo amado Patriarca Ecuménico Bartolomeu para participar na festa dos Santos Padroeiros de Roma. Uma festa de comunhão para toda a Igreja, como põe em evidência também a presença dos Arcebispos Metropolitas que vieram para a bênção dos Pálios, que lhes serão impostos pelos meus Representantes nas respectivas Sedes.

Os Santos Pedro e Paulo intercedam por nós para podermos realizar com alegria este caminho, experimentar a ação libertadora de Deus e a todos dar testemunho dela.

Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

A Solenidade de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos é uma oportunidade para celebrar festivamente esta solenidade que nos recorda dois grandes personagens da história da nossa fé cristã, ou seja, os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo. Neles encontramos um exemplo para a nossa vida, não esquecendo que são nossos intercessores diante de Deus. A liturgia tem uma Missa de vigília, não havendo nada que impeça somente a celebração da Missa do dia. As orações próprias (especialmente a coleta) acentuam esta idéia: “por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé”; e pedem que “a Igreja se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé”. O prefácio desta solenidade é de grande beleza, pondo em paralelo os dois apóstolos: “Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração”. Pedro foi o primeiro dos apóstolos. Não é o primeiro na ordem cronológica, mas sim o primeiro no grupo dos discípulos. No Evangelho desta solenidade, Jesus diz. “Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (missa do dia). Pelo fato de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida; por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, como nos diz o livro dos Atos dos Apóstolos, deu testemunho de Jesus (1ª leitura da vigília), até entregar a sua vida, sendo feito prisioneiro (1ª leitura do dia) e morrendo mártir em Roma. Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi um perseguidor dos cristãos. Todos sabem como Saulo se converteu e como descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios – daqueles que não eram judeus – pregando o Evangelho por toda a região mediterrânea com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e martirizado em Roma. As suas cartas, tantas vezes proclamadas nas nossas celebrações, ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª leitura desta solenidade, narra-nos como foi chamado e enviado por Jesus (vigília), como também nos fala da entrega total da sua vida pela causa do Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prêmio no dia em que se apresentar diante do Senhor, justo juiz (dia). Pedro e Paulo são os dois grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a sua história, com as suas fraquezas e dificuldades, mas também foram testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimos para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja. Por intercessão de Pedro e de Paulo, rezemos pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, por todos os cristãos do mundo para que permaneçamos firmes na fé. No Evangelho da missa do dia, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Os discípulos respondem: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias, ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Hoje, Jesus repete-nos a pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Cada um terá de dar uma resposta. Para mim, quem é Jesus? Como Pedro, podemos afirmar que Jesus é o Senhor, o Filho de Deus, Aquele que dá sentido à nossa vida, Aquele em quem podemos encontrar as raízes mais profundas do nosso ser. Que a profissão de fé de Pedro e de Paulo seja hoje exemplo e bálsamo para que cada um de nós faça da vida uma verdadeira profissão de fé.

 

SOLENIDADE de SÃO PEDRO e SÃO PAULO
Mt 16, 13-20 “E vocês, quem dizem que eu sou?”

Aqui temos a versão mateana da profissão de fé de Pedro, que Marcos (Mc 8, 27-35) coloca como pivô de todo o seu evangelho.
Este trecho levanta as duas perguntas fundamentais de todos os evangelhos: quem é Jesus? O que é ser discípulo dele?  São duas perguntas interligadas, pois a segunda resposta depende muito da primeira. A minha visão de Jesus determinará a maneira do meu seguimento dele. O diálogo começa com uma pergunta um tanto inócua: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”
É inócua, pois não compromete – o “diz que” não compromete ninguém, pois expressa a opinião dos outros.
Por isso, chove respostas da parte dos discípulos: “João Batista, Elias, Jeremias, ou um dos  profetas!”.  Mas Jesus não quer parar aqui – esta pergunta foi só uma introdução. Depois vem a facada!: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Agora não chove respostas, pois quem responde vai se comprometer – não será a opinião dos outros, mas a opinião pessoal!  E esta opinião traz consequências práticas para a vida.
Finalmente, Pedro se arrisca: “O Messias, o Filho de Deus vivo”. Aqui Mateus acrescenta vv. 17-19, pois quer destacar o papel de Pedro (e por conseguinte dos líderes da sua própria comunidade), na função de ligar e desligar da comunidade, que nos Evangelhos somente aqui e em Cap. 18 é chamada de “Igreja”.
“As chaves do Reino” não se referem ao poder de perdoar pecados, mas de integrar e desligar pessoas da comunidade dos discípulos. O fundamento, o alicerce, dessa comunidade é o conteúdo da profissão de Pedro “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”.  Mas continuam no ar as duas perguntas que são o cerne do Evangelho: “Quem é Jesus?”, e “o que significa segui-lo?”
Pois os termos que Pedro usa são ambíguos, porque cada um os interpreta conforme a sua cabeça.  Por isso, Jesus toma uma atitude, aparentemente estranha: “Ele ordenou os discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias!” Que coisa esquisita!  Jesus proíbe que se fala a verdade sobre ele!  Como é que ele espera angariar discípulos deste jeito?  O assunto merece mais atenção. Realmente, Pedro acertou em termos de teologia, de “ortodoxia”, conforme diríamos hoje.  Ele usou o termo certo para descrever Jesus.
Mas Jesus quer esclarecer o que significa ser “O Messias de Deus”.  Pois cada um pode entender este termo conforme os seus desejos.  Jesus quer deixar bem claro que ser “messias” para ele é ser o “Servo de Iahweh”. É vivenciar o projeto do Pai, que necessariamente vai levá-lo a um choque com as autoridades políticas, religiosas, e econômicas, enfim, com a classe dominante do seu tempo, e não o Messias nacionalista e triunfalista das expectativas de então.  Pedro teve que aprender essa exigência do discipulado, de uma maneira lenta e dolorosa, passando até pela negação de Jesus na noite da sua prisão.  Aprendeu tão bem que chegou a dar a sua vida como mártir, também morrendo, conforme a tradição, numa cruz, no Circo de Nero, onde atualmente se localiza a Basílica que traz o se nome.  Paulo, que durante os seus primeiros anos da vida adulta, perseguia os discípulos, também teve a graça da conversão, chegando a  afirmar que não queria saber nada a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo Crucificado!!!  Ele também pagou coma a sua vida essa decisão pelo discipulado. No nosso tempo, quando é moda apresentar um Jesus “light”, sem exigências, sem paixão, sem Cruz, sem compromisso com a transformação social, o texto nos desafia para clarificar em que Jesus acreditamos?  O Jesus “Oba! Oba!” tão propagado por setores da mídia, ou o Jesus bíblico, o Servo de Iahweh, que veio para dar a vida em favor de todos?

 

Solenidade de São Pedro e São Paulo Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica
Padre Wagner Augusto Portugal

“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Meus queridos Irmãos, Celebramos hoje a festa das duas colunas da Igreja: São Pedro e São Paulo. Pedro: Simão responde pela fé dos seus irmãos (cf. Evangelho de Mateus 16, 13-19). Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser “pedra”, rocha, para que o Senhor edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22, 32). Esta “nomeação” vai acompanhada de uma promessa infalível: as “portas” (que correspondem à cidade, reino) do inferno (o poder do mal, da morte) não poderão nada contra a Santa Igreja de Cristo, que é uma realização do “Reino do Céu” (de Deus). A libertação da prisão ilustra esta promessa na primeira Leitura. Cristo lhe confia também “o poder das chaves”, ou seja, o serviço de “mordomo” ou administrador de sua casa, de sua família, de sua comunidade ou cidade. Na medida em que a Igreja é a realização, provisória, parcial, do Reino de Deus, Pedro e seus sucessores, os Papas, são administradores dessa parcela do Reino de Deus. Eles têm a última responsabilidade do serviço pastoral. Pedro, sendo aquele que responde “pelos Doze”, administra ou governa as responsabilidades da evangelização. E recebe, ainda, o poder de ligar e de desligar, o poder de decisão, de obrigar ou deixar livre. Não se trata de um poder ilimitado, mas da responsabilidade pastoral, que concerne à orientação dos fiéis para a vida em Deus, no caminho de Cristo. Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático da Igreja. Sua vocação se dá na visão de Nosso Senhor Jesus Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo, “apóstolo”, grande pedagogo da missão e da vida do Senhor. É Paulo que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos de serem testemunhas do Ressuscitado até os confins da terra. As cartas a Timóteo, escritas da prisão de Roma, são a prova disso, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. São Paulo é o apóstolo das nações. No fim da sua vida, pode oferecer uma vida como oferenda adequada a Deus, assim como ele ensinou. Como Pedro, Paulo experimentou Deus como Aquele que nos liberta da tribulação. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo. Os artistas da iconografia católica colocaram as chaves da Igreja em sua mão, para distinguir o seu encargo de possuidor das chaves da salvação. Paulo foi morto decapitado por ser cidadão romano, o que o impedia de ser crucificado. Os artistas da iconografia católica lhe põem sempre na mão uma espada, além de um livro, para simbolizar as várias epístolas teológicas que legou para a Igreja de Cristo. Por isso o Evangelho nos fala da confissão de fé de Pedro e a promessa de Jesus para seu futuro. Jesus apelidara Simão de Cefas, que, em aramaico, significa “pedra”. O apelido pegara a ponto de todos o chamarem de Simão Pedro ou simplesmente de Pedro. Pedro assim será o fundamento da Igreja, do novo Povo de Deus. A pedra na Bíblia significava e significa a segurança, a solidez e a estabilidade, como régio és meu penedo de salvação. Mas Jesus sabia que, sendo criatura humana, Pedro, por mais fiel que Lhe fosse, seria sempre uma criatura fraca. Por isso, se faz de Pedro o fundamento, reserva para si todo o peso e todo o equilíbrio da construção e sem a qual o inteiro edifício viria abaixo. O simbolismo das chaves é claro. A chave abre e fecha. Possuir a chave significa garantia, propriedade, poder de administrar. Isaías tem uma profecia sobre a derrubada do administrador. Sobna e sua substituição pelo obscuro empregado Eliaquim. Põe na boca de Deus estas palavras: “Colocarei as chaves da casa de Davi sobre seus ombros: ele abrirá e ninguém fechará, ele fechará e ninguém abrirá” (cf. Is 22, 22). O texto aproxima-se muito à promessa de Jesus, até mesmo na escolha de um humilde pescador para administrar a nova casa de Deus. Assim como Eliaquim não se tornou o dono da casa de Davi, também Pedro não será o dono da nova comunidade. O dono continuará sempre sendo o próprio Deus. Em linguagem jurídica, diríamos que Pedro tornou-se o fiduciário de Cristo. O binômio ligar-desligar repete o abrir-fechar das chaves. Pedro recebe o direito e a obrigação de decidir sobre a autenticidade da doutrina e comportamento dos cristãos diante dos ensinamentos de Jesus. Esta missão de todos os Papas, sucessores de Pedro, que bem podem ser definidos como os guardiões da verdade e da caridade. Celebrar São Pedro, para os cristãos, é também celebrar o Papa. Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja Universal. Esta complementaridade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja de Cristo hoje: a responsabilidade institucional e criatividade missionária, responsabilidade de todos nós! Rezemos, pois, pelo nosso Santo Padre Bento XVI que para fiel a missão de ter o serviço da caridade de dirigir a Igreja de Cristo nos interpele para seguirmos a missão de Pedro e de Paulo para sermos testemunhas de Cristo no mundo. Amém!

 

Profissão de fé
Dom Paulo Mendes Peixoto

Duas personalidades bíblicas, Pedro e Paulo, unidos por um ideal comum, o seguimento dos princípios de Jesus Cristo, mas com estruturas pessoais totalmente diversas. Ambos conviveram com as realidades que anunciavam, a justiça e a verdade, e morreram por elas. Pedro e Paulo foram martirizados em Roma, um representando a Instituição, a Igreja, e o outro, testemunhando a missão. Os dois são definidos como colunas mestras da Igreja, porque lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, revelando uma profunda profissão de fé. Como seguidores de Jesus Cristo, esses dois apóstolos se destacaram como homens do serviço, trabalhando pela liberdade das pessoas, promovendo a vida e rejeitando todas as formas de opressão e morte. Este é o fundamento da ação de todo aquele que se coloca na posição de líder numa comunidade de pessoas. Toda liderança supõe despojamento e renúncias importantes. O alvo principal não deve ser a pessoa do líder, mas o objetivo definido como ação. Sempre está em jogo o bem comum e o bem das pessoas. Se o foco for o bem próprio, esse líder está traindo a sua missão, podendo estar também desviando o bem público. Olhando para o sofrimento de Pedro e Paulo, imaginamos o sofrimento do povo hoje, numa realidade tão próspera, mas mal conduzida pelo despreparo e pela baixa preocupação com o bem dos mais sofridos. Sentimos a síndrome da política suja, sem perspectiva e sem esperança. Até a ficha limpa está já sendo burlada. Pedro e Paulo cumpriram sua liderança com fidelidade até a morte. Tiveram coragem de enfrentar os sofrimentos e as perseguições, sempre marcados pela esperança de vida nova. Conseguiram motivar o povo desanimado e decepcionado com outras lideranças sem compromisso. Estamos no mundo das divergências, de pensamentos detonantes liderados até por pessoas mal intencionadas, motivadas por conquista de poder ou de dinheiro. Líderes que se deixam levar pela injustiça, pela droga, a violência, a permissividade, a cultura da morte, a ganância, a falta de ética na política. Não é este o ideal do verdadeiro líder que desejamos para o país.

Os homens a quem o Céu obedece

Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja

Será que existem esses homens? É claro que existem, e por vontade do próprio Deus. Hoje, o primeiro deles, é aquele que escolheu o nome de Francisco, o nosso querido Papa.

Quando Jesus instituiu a Sua Igreja – uma sociedade humana e divina – deu a seu chefe visível e humano, o poder de fazer o céu ligar o que ele ligasse aqui na Terra. E ninguém pode questionar isso, pois foi determinação do próprio Filho de Deus. Ele o quis, quem pode contestá-lo? Ele disse a Pedro, o primeiro Papa, explicitamente, com todas as letras, o que vale, é claro, para os seus sucessores: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus” (Mt 16,18-19).É por isso, que o Papa é infalível quando proclama “ex-cathedra” um dogma de fé. É claro que no céu não pode ser ligado nada de errado; então, Deus não permite, por assistência especial do Espírito Santo, que o Papa decida algo errado em termos de fé e de moral. Jesus assim o quis e fez para que a Sua Igreja, “o Sacramento universal da Salvação”, como a chamou o Concílio Vaticano II, jamais permitisse que o “depósito da fé”, a “sã doutrina” (1Tm 1,10; 4,6 – Tt 2,1) se corrompesse.

Dando ao Papa essa prerrogativa, Jesus garantia para a Igreja o exercício pleno da verdade que salva, como diz o nosso Catecismo (cf. §851). Demos, portanto, graças a Deus, por tanto poder que Jesus concedeu ao Papa aqui na Terra, para o bem de todos nós.

Sem isso, a Igreja seria uma Instituição humana a mais, sujeita a erros e subjetivismos que destruiriam a Verdade que Cristo a ela confiou para a salvação dos homens.

É claro que a proclamação de um dogma é algo raríssimo, e o Santo Padre não decide sozinho uma questão de fé, quando é necessário; ele houve toda a Igreja: os cardeais, os bispos do mundo todo, os grandes teólogos, os superiores das Congregações religiosas, os Seminários de Teologia, e até os fiéis (“sensus fidei”), etc; e, alguns dogmas foram proclamados juntamente com um Concílio Ecumênico, como o da infalibilidade do Papa, no Concilio Vaticano I, em 1870, pelo Papa Pio IX.

Não mais do que umas doze vezes, em toda a história da Igreja, um Papa definiu um dogma de fé, especialmente quando um ponto fundamental do depósito da fé era colocado em dúvida por alguns teólogos.

E também o Colégio dos Apóstolos, nossos bispos, quando chefiado pelo Papa, recebeu do Senhor Jesus esta prerrogativa, como se vê em Mateus 18,18: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”.

É por isso, que o nosso Catecismo diz que: “A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico”… “Esta infalibilidade tem a mesma extensão que o próprio depósito da Revelação divina” (§891).

Logo, é lamentável sob todos os aspectos, quando algum leigo, sacerdote, bispo, ou teólogo, se ponha contra o Papa. É triste quando observamos que alguns, ao ler um documento novo do Pontífice, ao invés de dar graças a Deus, e beber dessa fonte de graça e sabedoria, começam a criticar o texto. Na verdade são pessoas orgulhosas, prepotentes, que se acham melhores que o Papa e mais sábios e doutos que Ele. Até podem ser, mas não tem a mesma assistência especial do Espírito Santo. Não é sem razão que a Igreja sempre ensinou que a humildade e a obediência são virtudes fundamentais para a nossa salvação. Demos graças a Deus.

Prof. Felipe Aquino

O encontro que não pode ser esquecido

Reflexão sobre a Páscoa
por Frei Patrício Sciadini, ocd

A palavra “Páscoa” evoca no coração de todos nós cristãos sentimentos de alegria, de fé, de amor pela Pessoa de Jesus que, tendo vencido a morte,  ressuscitou  dando-nos a todos o anúncio  que não somos mais escravos da morte e do pecado. A vida resplandece e floresce em quem crê no Senhor ressuscitado. Mas ao mesmo tempo esta palavra evoca  todo o caminho que o povo de Israel realiza  desde a sua libertação da escravidão do Egito nas noites estreladas no deserto, na experiência do frio e do calor, da fome. Evoca a tentação da idolatria de um lado e de outro o amor incansável de Deus  que através de Moises, caminha na frente do povo  rumo a terra prometida. Um caminho que  inicia com a libertação e que termina  somente no encontro definitivo com o novo cordeiro imolado, Cristo Jesus, em cujo sangue somos lavados e nossas vestes se fazem mais brancas do que a neve. Páscoa, nova aliança sagrada da passagem da morte a vida. A grande páscoa de Cristo, resultado de tantas pequenas Páscoas que se realizam no caminho  de todo cristão. Páscoa, experiência de nossa fragilidade e da graça de Deus. Um encontro que  não pode ser esquecido porque é festa  a ser contada de pai para filho  por todas as gerações. Celebração em que o menor de todos, vendo todos os preparativos,  fica extasiado  e se aproxima do mais velho e pergunta  com alegria e brilho nos olhos: por que fazemos isto? E  inicia  o relato pascal,  a grande alegria  de contar aos que vêm depois de nós  que fomos amados por Deus e libertados de todos os nossos pecados. Páscoa celebrada de pé,  com sandálias nos pés, com bastão na mão, comendo o cordeiro “sem mancha e defeito”, imolado,   pronto para retomar  o caminho, comido com erva amarga para que o povo nunca esqueça que a alegria maior é sempre unida a cruz e a dor. Uma dor de alegria e celebração, é verdade que os pés sangram e doem, que o coração está ferido,  mas é também verdade que  um espírito novo  está presente no coração de quem crê. Páscoa  nova, celebrada  não mais de pé, mas com pressa, por Jesus no cenáculo como despedida solene  dos seus discípulos, como entrada dolorosa na paixão, onde o mesmo Jesus  experimenta  o abandono de todos, a solidão, a dificuldade do caminho, as lágrimas amargas, a negação dolorosa. Mas com plena consciência de ter realizado o projeto do Pai até o fim no amor oblativo de si mesmo. Onde tudo é consagrado com o derramamento do seu sangue,  sangue vivo de amor e fecundante  de una nova vida. Páscoa não compreendida, sofrida  no início do caminho da traição, mas que  na medida em que  a morte de cruz  se aproxima, aumenta a dor e incerteza, o medo  de que tudo está terminado. Mas o Cristo caminha de  cabeça erguida,  voluntariamente, até o calvário, para  se consumir  no amor ao Pai. O seu “tudo está consumado” não é desespero e nem  fracasso, mas sim realização de amor e “sim”  definitivo. Como é bela a páscoa contemplada como pequenas ou grandes mortes, pequenas ou grandes ressurreições. Páscoa é festa que se prepara a partir de dentro para fora,  num processo de conversão e de infinito amor. Experiência de pecado e de graça, somente os que  tem atravessado consciente e corajosamente o deserto da “quaresma”, nos quatro caminhos  indicados pelo Papa Bento XVI: oração, silêncio, partilha e jejum poderão experimentar a alegria da Páscoa. Sem esta vivencia  a Páscoa será um canto  vazio, um conector não marcante, uma passagem  que não transforma  a vida,  mas a torna ainda mais vazia. A páscoa é uma festa que é marcada por uma palavra tão familiar a todos  nós e inclusive presente em todas a s línguas  de todos os que creem “aleluia”. É necessário que cante a mente, cante o coração e cante o corpo  que se acorda do seu sono e do seu silêncio para contemplar o Cristo ressuscitado. O canto do aleluia  nos faz perceber que   a nossa “HORA” chegou, embora não ainda plenamente,  a hora da vida, da alegria, da vitória sobre o mal. Páscoa no mundo tecnológico e do consumismo,  banalizada,  reduzida a “férias”, viagens, compras, ovos pascais e colombas pascais, chocolate diet e outras coisinhas  que servem para preencher  o vazio do coração sem fé. Banalizar a Páscoa, instrumentalizá-la  para comércio é algo que fere não a sensibilidade dos cristãos, mas a fé.  A páscoa no hoje da nossa história é sermos  semeadores de esperança somente, que nasce da noite para o dia, outra numa semana e outra  num mês e outra  no fim da vida e outra ainda  daqui a 100 anos. Quero ser semeador da semente da esperança que nascerá daqui a 100 anos, assim não correrei o risco da vaidade. Crer na Páscoa é graça de Deus. Dizer feliz páscoa é dizer ao outro,  seja qual for, “você é feliz só se crê que Cristo  nasceu, sofreu, morreu e ressuscitou” e que ele lhe espera no céu para  você participar da sua glória. A páscoa, mais que uma celebração, uma memória, é uma Pessoa viva, Cristo, e você  que crê em Cristo. Feliz páscoa!

* Frei Patrício Sciadini, ocd, religioso, Carmelita Descalço, escreveu mais de 60 livros, publicados no Brasil e no exterior, atualmente é o delegado geral no Egito.

Santo Evangelho (João 8,12-20)

Segunda-Feira, 14 de Março de 2016 
5ª Semana da Quaresma

Primeira Leitura (Dn 13,41c-62)
Leitura da Profecia de Daniel.

Naqueles dias, 41c a assembleia condenou Susana à morte. 42Susana, porém, chorando, disse em voz alta: “Ó Deus eterno, que conheces as coisas escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! 43Tu sabes que é falso o testemunho que levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito! 44O Senhor escutou sua voz. 45Enquanto a levavam para a execução, Deus suscitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. 46E ele clamou em alta voz: “Sou inocente do sangue desta mulher!” 47Todo o povo então voltou-se para ele e perguntou: “Que palavra é esta, que acabas de dizer?” 48De pé, no meio deles, Daniel respondeu: “Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem conhecimento da causa verdadeira, condenais uma filha de Israel? 49Voltai a repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que levantaram contra ela!” 50Todo o povo voltou apressadamente, e outros anciãos disseram ao jovem: “Senta-te no meio de nós e dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da velhice”. 51Falou então Daniel: “Mantende os dois separados, longe um do outro, e eu os julgarei”. 52Tendo sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: “Velho encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. 53Fazias julgamentos injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando o Senhor ordena: ‘Não farás morrer o inocente e o justo!’ 54Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que árvore os viste abraçados?” Ele respondeu: “À sombra de uma aroeira”. 55Daniel replicou: “Mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!” 56Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: “Raça de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão perverteu o teu coração. 57Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se submeteu a essa iniquidade. 58Agora, pois, dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?” Ele respondeu: “Debaixo de uma azinheira”. 59Daniel retrucou: “Também tu mentiste com perfeição, contra tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!” 60Toda a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus, que salva os que nele esperam. 61E voltaram-se contra os dois velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. 62E assim os mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 22)

— Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.
— Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei, estais comigo.

— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.R.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei* pelos tempos infinitos.

 

Evangelho (Jo 8, 12-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 12Falou-lhes outra vez Jesus: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. 13A isso, os fariseus lhe disseram: Tu dás testemunho de ti mesmo; teu testemunho não é digno de fé. 14Respondeu-lhes Jesus: Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é digno de fé, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho nem para onde vou. 15Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. 16E, se julgo, o meu julgamento é conforme a verdade, porque não estou sozinho, mas comigo está o Pai que me enviou. 17Ora, na vossa lei está escrito: O testemunho de duas pessoas é digno de fé (Dt 19,15). 18Eu dou testemunho de mim mesmo; e meu Pai, que me enviou, o dá também. 19Perguntaram-lhe: Onde está teu Pai? Respondeu Jesus: Não conheceis nem a mim nem a meu Pai; se me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a meu Pai. 20Estas palavras proferiu Jesus ensinando no templo, junto aos cofres de esmola. Mas ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Matilde

Santa Matilde nasceu em 895. Casou-se aos 14 anos com Henrique, rei da Germânia, com quem teve dois filhos: Oton e Henrique.
Matilde aprendeu a ler e escrever depois de casada. Utilizava seu patrimônio em favor dos necessitados, sendo também bastante atuante nas questões políticas. Em 936 morre Henrique, seu marido, e Oton é coroado imperador em Roma.
Santa Matilde dizia aos filhos: “Meus queridos filhos, gravai bem no vosso coração o temor de Deus. Ele é o Rei e Senhor verdadeiro, que dá poder e dignidade perecíveis. Feliz aquele que prepara sua eterna salvação”.
A partir da morte do marido o seu calvário começou, ao ponto de ser traída pelos filhos, com a falsa acusação de que estaria esbanjando os bens com os pobres. Ela foi exilada e seus bens confiscados.
Mais tarde, seus filhos a anistiaram e lhe devolveram os bens. Santa Matilde empregou seu patrimônio na construção de hospitais, mosteiros e igrejas.
Retirou-se para um convento onde faleceu a 14 de março de 968, sendo sepultada ao lado do marido.
A imagem de Santa Matilde traz uma igreja e uma carteira nas mãos, representando a caridade para com os pobres.
Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR

Reflexão
Santa Matilde destacou-se pela sua caridade sem limites. Tudo fazia em favor dos mais pobres, utilizando para isso as riquezas de que dispunha. Seus gestos neste mundo abriram para ela a herança eterna e o reino do Céu. Nem sempre somos capazes de dividir o que temos e muitas vezes acumulamos mais do que necessitamos para uma vida digna. Que tal deixar que o espírito da caridade e do despojamento tome conta de nós?

Oração
Senhor Jesus, a falta de solidariedade é o grande mal da humanidade. Perdoai-nos por nos fecharmos em nós mesmos, por nos preocuparmos somente com o que nos rodeia, nos negando-nos a estender a mão até mesmo àqueles que nos são mais caros. Pelos méritos de Santa Matilde, nobreza de pessoa e de alma, nós Vos rogamos a graça de bem administrarmos os talentos e bens que de nosso Pai Celeste recebemos. Amém.

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