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O Valor da Família

Família: vocação que transcende

A família cristã tem hoje mais do que nunca, uma missão essencial e intransferível: ensinar e semear a fé. Uma fé que pregue a Jesus Cristo, amor e fundamento da comunidade eclesial e cristã.

Os pais são os primeiros evangelizadores dos filhos, dom precioso do Criador (cf. Documento Pontifìcio Gaudium et Spes, n.50).  É obrigação dos pais instruírem seus filhos na vida de orações, na vivência dos sacramentos, e na motivação pela santidade. Com esses primeiros ladrilhos da fé, os filhos podem começar a edificar sua vida enraizado na vontade de Deus. Podem crescer nos valores humanos e cristãos que dão pleno sentido à vida.

Os filhos são, sem dúvida alguma, o mais precioso dom do matrimônio e deles dependem em grandíssima parte a felicidade dos próprios pais. Deus mesmo disse: “… não é bom que o homem esteja só.” (Gn 2, 18) e abençoando o homem com a presença da mulher os exortou: “Sede fecundos e multiplicai-vos” (Gn 1, 28). Por isso, o amor conjugal e toda a vida que dele procede, “… tendem a que os esposos, com fortaleza de ânimo, estejam dispostos a colaborar com o amor do Criador e do Salvador, que por meio deles aumenta continuamente e enriquece a sua família (Gaudium et Spes,  n.50, § 1).

Como pode um edifício permanecer firme se não está bem fundado? Desde esta perspectiva podemos contemplar a importância conservadora e vivificante que a família exerce em toda a sociedade. Hoje, em um ambiênte que ataca brutalmente os valores familiares, que degrada a essência do matrimônio, que despreza o verdadeiro sentido da vida, que promove a morte como saída de emergência dos problemas… é necessário a força que procede da família…. «os desvios seculares do matrimônio nunca podem ofuscar o esplendor de uma aliança vital fundamentada sobre a entrega generosa e o amor incondicional. A reta razão nos diz que “o futuro da humanidade passa pela família» (cf. Exortação Apostólica Familiaris consortio, 86).

A família é a esperança do mundo. É a educadora da verdade. A guia verdadeira da felicidade. A sociedade urge que as famílias semeiem os princípios morais e cristãos em todos os seus membros, pois Deus tem destinado à família uma vocação que transcende todas  as outras, a vocação de ensinar a viver.

O amor de Deus pela família é tanto, que Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família da qual recebeu todo o amor, temor de Deus e educação nos princípios religiosos e morais. Segundo uma antiga expressão, o Concílio Vaticano II declara a família: “Ecclesia domestica”- Igreja domestica- (Documento Pontifício Lumen Gentium n.11). Além disso, o Catecismo afirma que a Igreja não é outra coisa que a família de Deus.

Sendo a família a sustentadora de uma sociedade reta e amante de Deus, seus membros devem lutar para defendê-la dos ataques agresivos e destrutores do mundo. Lutar contra o sofisma e o relativismo que descarta os verdadeiros valores cristãos e fundamentais da dignidade familiar.

Willians Rodrigues
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Fidelidade a Jesus Cristo e a Sua Igreja

FIDELIDADE A DEUS
http://reporterdecristo.com/fidelidade-a-deus

Há um versículo que aparece pelo menos quatro vezes na Sagrada Escritura: ´O justo vive pela fé´ (Hab 2, 4; Rm 1, 17; Gl 3, 11; Hb 10, 36). A palavra fé na Bíblia é também traduzida como ´fidelidade´ a Deus. É a atitude daquele que crê e que obedece o Senhor. Neste sentido São Paulo fala aos romanos da ´obediência da fé´ (Rm 1, 5). A fé é um ato de adesão a Deus; isto é, submissão que implica obediência à Sua santa e perfeita vontade. A fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, às vezes os nossos atos não estão conforme as exigências da fé. Portanto, não basta crer, é preciso obedecer. Depois que o povo hebreu recebeu a Lei de Deus por meio de Moisés, exclamou: ´Tudo do que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos´ (Ex 24, 7). Esta era a vontade do povo, no entanto, sabemos que este mesmo povo prevaricou tantas vezes prestando culto aos deuses dos pagãos. Depois que Josué, no limiar da morte, conclamou o povo, a ser fiel a Deus, e só a Ele prestar culto na Terra que Deus lhe dava, o povo respondeu: ´A Iahweh nosso Deus serviremos e à sua voz obedeceremos´ (Js 24, 24). Mas sabemos que logo após atravessar o rio Jordão, e tomar posse da Terra tão esperada, este povo não demorou a render-se aos encantos dos deuses dos cananeus. Isto mostra que não é fácil, também para nós, viver a fidelidade a Deus, pois também hoje os deuses falsos nos atraem, e querem ocupar o nosso coração. A obediência sempre foi e sempre será a prova e a garantia da fidelidade. Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente o que o primeiro Adão recusara fazer. Na obediência radical a Deus o Cristo desatou o nó da desobediência de Adão e nos reconciliou com o Pai. Da mesma forma, ensinam os Santos Padres, pela obediência da Virgem, ela desatou o laço da desobediência de Eva que lançou a humanidade na danação. A partir daí, a obediência a Deus passou a ser a marca principal daquele que crê. Ela é o melhor remédio para os males que o pecado original deixou em nossa natureza: orgulho, vaidade, presunção, auto-suficiência, exibicionismo, etc. O profeta afirma que: ´A obediência é melhor do que o sacrifício´ (1Sm 15, 22). E Thomas de Kempis, na ´Imitação de Cristo´, assegura que: ´Obedecer é muito mais seguro do que mandar´. No pátio da Academia Militar das Agulhas Negras, está escrito, para que os cadetes leiam todos os dias: ´Cadete, ide comandar, aprendei a obedecer!´ Se a obediência é tão necessária para com os homens, quanto mais para com Deus. A outra característica da fidelidade a Deus é o firme propósito de servir-lhe sempre e com perseverança e reta intenção, mesmo nos momentos mais difíceis. Como agrada a Deus o filho fiel! O profeta diz: ´Iahweh guarda os passos dos que lhe são fiéis´ (2Sm 22, 26). E o Senhor Jesus disse: ´Muito bem servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu Senhor´ (Mt 25, 21). Tudo o que recebemos de Deus nesta vida, é este ´pouco´ sobre o qual é testada a nossa fidelidade a Deus. Ser fiel a Deus é ser obediente às suas leis, à sua vontade, e servir-lhe com toda a alma. Santo Inácio de Loyola afirmava que viver bem é ´amar e servir a Deus nesta vida´. Jesus disse aos Apóstolos na última Ceia: ´Se me amais, guardareis os meus mandamentos´ (Jo 14, 15). Portanto, amar a Deus, mais do que um sentimento, é uma ´decisão´: guardar os seus mandamentos, cumprir a sua vontade. ´Nem todo aquele que diz, Senhor, Senhor,… mas aquele que faz a vontade de meu Pai´ (Mt 7, 21). Dessas palavras fica claro que amar a Deus é viver os seus ensinamentos. O Senhor deixou a Igreja para que a Sua vontade fosse expressa e objetivamente conhecida, e não ficasse ao sabor do julgamento de cada um. Ele garantiu à Sua Igreja que o Espírito Santo a conduziria ´a toda a verdade´ (Jo 16, 13), e que a voz da Igreja é a Sua voz. ´Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que me enviou´ (Lc 10, 16). Então, ser fiel ao Senhor, é ser fiel à Sua Igreja, e tudo aquilo que ela ensina. O Papa Paulo Vi disse certa vez que: ´quem não ama a Igreja, não ama Jesus Cristo´. É lógico, a Igreja é o Corpo de Cristo! Quem não é fiel à Igreja, não é fiel a Jesus Cristo! Quem não serve a Igreja, não serve a Jesus Cristo… A Igreja é o Cristo prolongado na história dos homens. Quando se toca a Igreja, se toca o próprio Senhor. A fidelidade está muito ligada à perseverança e à paciência. Santo Agostinho disse: ´Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vão ficando pelas calçadas, aumentem vossa vigilância´. E o grande São João da Cruz ensinava que: ´A constância de ânimo, com paz e tranquilidade, não só enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes a solução conveniente.´ Mas, para que haja serviço a Deus, perseverante e alegre, e para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos, é preciso uma vida de piedade, vigilância e oração, sem o que, a alma esfria. Sabemos que ´mosca não assenta em prato frio´; quando a alma esfria, os demônios se aproximam dela para vencê-la pela tentação. Não seremos julgados pela nossa capacidade intelectual, e nem pela grandeza das nossas obras, mas, como disseram os santos, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseverança nesta vivência. Jesus garantiu que diante de todas as adversidades que virão, ´quem perseverar até o fim será salvo´ (24, 13).

 

FIDELIDADE AO SENHOR
Cardeal D. Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro  

Nenhuma situação na vida, nem as dificuldades, ou mesmo as tentações são tão fortes, que possam superar a graça de Deus e o seu amor por nós e em nós. Assim, a cada passo de fé, o cristão vai crescendo na presença do Senhor e se fortalecendo em suas convicções sobre as realidades da vida com Cristo. Se, por acaso, tropeçar, cair ou se ferir, Deus estende a mão para levantá-lo. “Deus é fiel: não permitirá que sejamos tentados além das nossas forças…” (cf. 1Cor 10, 13). Na vida espiritual, a fidelidade nasce como um fruto do Espírito, entendida, desse modo, como “uma perfeição que o Espírito Santo modela em nós como parte daquelas primícias da glória eterna” (Cat. Ig.Católica, n.1832). A cada ato de fidelidade, amplia-se, diante dos seus olhos, o entendimento que deve ter da misericórdia, do perdão e, enfim, da salvação em Jesus Cristo. A Cruz do Senhor é o maior testemunho de fidelidade que o homem recebe para todas as circunstâncias da sua vida. Aliás, em todos os momentos, Jesus demonstrou uma fidelidade absoluta aos desígnios do Pai. Em Cristo, enxergamos a “trajetória” da fidelidade humana, o caminho que devemos percorrer para sermos fiéis: da confiança na humilhação, passando pela firmeza em meio às tentações, até a alegria da vida transformada. A fidelidade nasce da conversão de nossos desejos e de nossas vontades. Nutridos pela confiança, pela fé e pela alegria, nós, os filhos de Deus, experimentamos uma fidelidade redentora, que nos assegura a salvação prometida pelo Senhor, pois Ele mesmo a faz crescer pela sua graça. Não obstante, a Igreja é fortalecida pelo testemunho sempre vivo dos mártires e dos santos. Exemplos de solicitude e de doação, os santos não colocaram limites na sua entrega absoluta a Deus. Enquanto Pedro estava preso, a comunidade cristã permanecia em oração; por ocasião das perseguições aos cristãos dos primeiros séculos da era cristã, Santo Inácio de Antioquia, o Diácono São Lourenço, São Sebastião, patrono de nossa Arquidiocese e Santa Inês se tornaram, entre tantos outros, modelos de fidelidade. Mesmo ameaçados de morte, mantiveram integra a sua postura diante da verdade e do Evangelho, dando a própria vida em testemunho de lealdade a Cristo e à sua Igreja. Não são poucos e nem mesmo menores os desafios que hoje a Igreja enfrenta, enquanto busca os “caminhos da fidelidade total” ao Divino Mestre e Senhor da História. A vida conjugal tem sido, constantemente, ameaçada por inúmeros problemas. Em pouco tempo de matrimônio, vários casais já estão se separando. Outros mais abrem mão dos filhos, que poderiam ter, em nome de um bem-estar exagerado. De fato, o homem e a mulher são muito tentados a serem infiéis. A infidelidade no matrimônio é um mal que cresce cada vez mais. A Igreja insiste em ensinar, que é por meio da mútua fidelidade que os pais assumirão a responsabilidade primordial de educar os filhos. Para estes a ternura, o perdão, o respeito e o serviço desinteressado servem como regra de crescimento e amadurecimento diante de Deus. Desta forma, os filhos são educados na fidelidade a serem também fiéis (cf. Cat. Ig. Católica, n. 2223). Por um lado, encontramos a proposta cristã de permanecermos fiéis àquilo que Jesus Cristo nos ensinou. Por outro, nos deparamos com o fascínio das novelas e as fantasias das produções cinematográficas que insistem na infidelidade. Pretendem dizer, que não é possível alguém permanecer fiel. Por isso, “a fidelidade dos batizados é a condição primordial para o anúncio do Evangelho e para a missão da Igreja no mundo. Para manifestar diante dos homens a sua força de verdade e de irradiação, a mensagem da salvação deve ver autenticada pelo testemunho da vida dos cristãos” (Cat. Ig. Católica, n. 2044). Revestida com a glória celestial, pelos méritos do seu Filho Ressuscitado, Nossa Senhora nos apresenta o resultado final da fidelidade. “A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (Cat. Ig. Católica, n. 966). Na sua humildade e na sua simplicidade, a Virgem Silenciosa soube ser fiel e Deus recompensou essa fidelidade. Ela foi fiel, quando escutou as palavras de Jesus e as conservava em seu coração; foi fiel, quando, de pé, viu o seu Filho morto na cruz; foi fiel, quando, no cenáculo, se reunia com os Apóstolos; foi fiel até o dia da sua glorificação. O “Magnificat” de Nossa Senhora canta as bênçãos para os que desejam caminhar com fidelidade: sentimentos de ação de graças, humildade, santidade, misericórdia, justiça… Nossa fidelidade consiste no amor a Deus e aos irmãos, segundo os ensinamentos de Jesus. Somos fiéis, quando nos empenhamos a caminhar em comunhão com Cristo e com a Igreja, superando os interesses próprios e os conceitos pessoais, acolhendo, com firmeza, o que nos é transmitido pela Palavra de Deus. Dificilmente, seremos infiéis se cultivarmos, em nosso coração, a confiança no Senhor, a busca da Verdade e a resposta, livre e pronta, à graça divina. Permanecendo fiéis à Igreja e à vocação para a qual fomos chamados, não queremos frustrar os desígnios de Deus em nossa vida ou decepcionar as pessoas que amamos. “As misericórdias do Senhor não terminaram, sua compaixão não se esgotou; ela se renova todas as manhãs e grande é a sua fidelidade! Por isso, eu repito: a minha escolha é o Senhor! Eis, porque nele espero” (Lm 3, 23-24).

 

A IGREJA, MINHA MÃE
http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/845-a-igreja-minha-mae
D. Estêvão Bettencourt, OSB

Existe na rica Tradição cristã uma afirmação de São Cipriano, Bispo de Cartago e mártir (+ 258), que talvez surpreenda muitos cristãos de nossos dias: «Não pode ter Deus como Pai quem não tenha a Igreja por Mãe» (De Catholicae Ecclesiae Unitate, c. 6). Estas palavras foram escritas numa época turbulenta, em que São Cipriano se via frente a duas tentativas de ruptura da Igreja; para ele, a fidelidade à Igreja era a fidelidade a Deus Pai; ser filho do Pai Celeste é ser filho da Igreja. Como entender isso? O Evangelho nos diz que «ninguém vai ao Pai senão por Cristo” (Jo 14, 6)… Cristo que é inseparável do seu corpo eclesial ou da sua Igreja (cf. Cl 1, 24). O mistério da Encarnação não é um fato isolado, mas algo que repercute em toda a história do Cristianismo. A vida do Pai, que se derramou sobre a humanidade de Cristo, chega a cada cristão através da Santa Igreja, que, por isto, é adequadamente chamada “Mãe” na Tradição cristã. Mãe… Este vocábulo é dos mais significativos para todo ser humano. É talvez o primeiro conceito que a criança formula, a primeira palavra que ela pronuncia. É da mãe que a criança recebe a vida e os rudimentos da educação e do saber; os ensinamentos, os exemplos, os costumes, o amor da mãe se gravam na memória dos filhos e se tornam decisivos para o futuro destes. É na sua mãe que a criança encontra o primeiro sustentáculo, o seu amparo, a sua força e alegria; é a mãe que explica o mundo ao filho e lhe mostra tudo o que há de bom e belo, como também o que há de insidioso, neste mundo. Pois bem. A Tradição cristã é constante ao afirmar que a Igreja é nossa Mãe. Não conheço Jesus Cristo senão através dos ensinamentos multisseculares da Santa Mãe Igreja; recebi o Livro que me fala de Jesus Cristo das mãos dessa Mãe e Mestra; foi ela que ouviu, por primeiro, a Palavra de Cristo; vivenciou-a, aprofundou-a e consignou-a por escrito nos livros do Novo Testamento. Aliás, que cristão seria eu, que seria de minha fé, que seria minha oração, se eu estivesse entregue a mim mesmo e me encontrasse a sós diante da Bíblia? Talvez eu fizesse a Bíblia dizer o que eu pensasse, em vez de ouvir a genuína mensagem de Cristo recebida de viva voz pela Igreja e oportunamente redigida pelas suas mãos, que foram Mateus, Marcos, Lucas,… Mesmo aqueles que se afastam da Igreja para ficar somente com Jesus Cristo só podem falar do Cristo que eles conhecem através da Igreja. Não há outra via de acesso a Cristo senão a Tradição viva da Igreja. Apesar disto, há aqueles que a abandonam, embora alimentados por essa Santa Mãe. Um vento de crítica amarga bate em muitas mentes e resseca os corações, impedindo-os de ouvir o sopro do Espírito. Muito sabiamente dizia Santo Agostinho: «Onde está a Igreja, aí está o Espírito de Deus». A Igreja é minha Mãe… As censuras que lhe são feitas, não carecem, todas, de fundamento. Mas o volume dessas queixas não supera a grandeza do mistério-sacramento que é a Santa Igreja, o Corpo de Cristo prolongado!

 

A FIDELIDADE À IGREJA
Escrito por Prof. Felipe Aquino

Os cristãos dos primeiros tempos não tinham dúvidas em afirmar que “O mundo foi criado em vista da Igreja”. São Clemente de Alexandria († 215), por exemplo, dizia: “Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens, e se chama Igreja” (Catecismo nº 760). Muitos filhos dessa querida Mãe souberam ser-lhe fiel até o fim. Em 1988, Monsenhor Ignatius Ong Pin-Mei, Bispo de Shangai, no dia seguinte de sua libertação, depois de passar 30 longos anos nas prisões da China, por amor a Cristo e fidelidade à Igreja Católica, declarou: “Eu fiquei fiel à Igreja Católica Romana. Trinta anos de prisão não me mudaram. Eu guardei a fé. Eu estou pronto amanhã a voltar novamente à prisão para defender minha fé”. Igualmente o Cardeal da Tchecoslováquia, Frantisek Tomasek, arcebispo de Praga, no ano de 1985, nos tempos difíceis da perseguição comunista, perguntado por um repórter: “Eminência, não está cansado de combater sem êxito?”, respondeu: “Digo sempre uma coisa: quem trabalha pelo Reino de Deus faz muito; quem reza, faz mais; quem sofre, faz tudo. Este tudo é exatamente o pouco que se faz entre nós na Tchecoslováquia” (IL Sabato 8, 14/6/1985, p.11), (PR, n.284, jan86). É bom recordar aqui que, alguns anos depois, em 1989, o comunismo começava a desmoronar em toda a Cortina de Ferro. Em todos os tempos, os cristãos derramaram o seu sangue por causa da fé da Igreja; desde os mártires do império romano, passando pelos mártires do nazismo, do comunismo e também dos tempos modernos. No século III, o bispo e historiador da Igreja Tertuliano, escrevia ao imperador do seu tempo, dizendo que não adiantava eliminar os cristãos porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. Quanto mais cristãos eram devorados pelas feras, queimados vivos ou eliminados pela espada, tanto mais crescia o Cristianismo em Roma, até que o próprio imperador Constantino se converteu a Cristo, por volta do ano 313, quando então, proibiu a perseguição aos cristãos. No ano 390 o imperador Teodósio transformava o Cristianismo na religião do Império. Anos depois o seu sucessor, Juliano, cognominado de “o apóstata”, quis voltar atrás e ressuscitar o paganismo, mas já era tarde; morreu com essa exclamação nos lábios: “Tu venceste ó Galileu!”.

Cardeal Arinze: “Protestantes que querem comungar devem se tornar católicos”

Purpurado nigeriano põe os pingos nos is: “A Sagrada Comunhão não é como compartilhar um bolo com cerveja”
https://pt.aleteia.org/2018/05/28/cardeal-arinze-protestantes-que-querem-comungar-devem-se-tornar-catolicos/

Tem havido discussões em países europeus, principalmente na Alemanha, a respeito da proposta de se permitir que os cônjuges protestantes de fiéis católicos recebam a Sagrada Eucaristia ao participarem da Santa Missa em família.
Os que defendem essa possibilidade alegam que o cônjuge não católico também deveria poder comungar, como se o Corpo de Cristo fosse alguma espécie de “direito” a ser reclamado ou mesmo “herdado”.
Alguns membros da Conferência Episcopal Alemã têm pendido para uma possível autorização da Comunhão a protestantes em determinadas circunstâncias, enquanto outros bispos do país se opõem publicamente à medida e pedem que o Vaticano intervenha. O Papa Francisco tem exortado os bispos alemães a retomarem a unidade na conferência e a serem fiéis à doutrina católica. Eventuais intervenções só ocorreriam se houvesse iminente risco de ruptura, o que não é o caso: trata-se de um debate pastoralmente relevante numa sociedade altamente secularizada e relativista, na qual é preciso agir com equilíbrio entre a firme defesa da fé genuína e a cuidadosa escuta das inquietações dos fiéis unidos em matrimônios mistos. Desafios desse tipo vêm se multiplicando na Igreja.
A resposta, porém, deve necessariamente priorizar a pureza da fé, o que exige preparo consciente de parte do fiel. O próprio católico, afinal, só pode comungar depois de receber uma catequese preparatória para a Primeira Comunhão.
Em recente entrevista ao Catholic News Service, o cardeal Francis Arinze abordou a questão e destacou a importância de se respeitarem os princípios elementares de dignidade e preparação consciente para todo fiel que deseje receber a Eucaristia. Assim sendo, declarou ele, os protestantes que queiram receber a Comunhão devem se tornar católicos. Ele acrescentou que a Sagrada Eucaristia não pode ser compartilhada com os cônjuges protestantes como se fossem “amigos que compartilham cerveja ou bolo”.
“A Sagrada Eucaristia não é uma posse privada que possamos compartilhar com os nossos amigos”.
“Depois da Missa, vocês podem tomar juntos uma xícara de chá e até um copo de cerveja e um pedaço de bolo. Isso está bem. Mas a Missa não é assim”.
“É muito importante olhar para a doutrina. A Celebração Eucarística da Missa não é um culto ecumênico (…) É uma celebração dos mistérios de Cristo, que morreu por nós na cruz, que transformou o pão em Seu Corpo e o vinho em Seu Sangue”.
Ele também falou do termo “comunhão”, que, além de se aplicar à Eucaristia, também se refere ao pertencimento à mesma fé, ou seja, ao fato de “estarmos em comunhão” com a plenitude da fé cristã preservada pela Igreja.
“A Celebração Eucarística da Missa é a celebração da comunidade de fé. Aqueles que acreditam em Cristo estão se comunicando na fé (…) É a comunidade que celebra a Santa Eucaristia. Qualquer pessoa que não seja membro dessa comunidade não se encaixa em nada”.
Aos protestantes desejosos de comungar, o cardeal nigeriano convida:
“Venha! Seja recebido na Igreja! E então você pode receber a Santa Comunhão sete vezes por semana. Caso contrário, não”.
O cardeal Arinze visitou no último dia 24 de maio a abadia inglesa de Buckfast, que comemora mil anos de fundação. O mosteiro fundado em 1018 foi um dos muitos que o rei Henrique VIII suprimiu durante a Reforma anglicana.

Santo Antônio, modelo de fé e arauto da Nova Evangelização

O mês de junho apresenta um ciclo de santos populares que constituem os oragos (padroeiros das paróquias) das comunidades eclesiais, oportunizando um aumento do fervor religioso e festas de devoção.

Santo Antônio de Pádua é um dos que polariza mais adesões e centraliza mais pedidos de intercessão.

No entanto, o verdadeiro culto aos santos não se deve limitar ao uso da sua ajuda orante perante Deus, mas inspirar modelos e formas de seguimento a Cristo hoje. Contemplando a figura emblemática de Santo Antônio, descobrimos em primeiro lugar um gigante da fé, que soube pautar a sua vida desde criança, por uma busca constante de Deus e a fidelidade ao seu chamado.

Não nos surpreende a sua ordenação sacerdotal, a procura do martírio e a consequente entrada na ordem franciscana.

Tornou-se o guardião das Escrituras, pela sua erudição na Palavra de Deus e sua sabedoria em anunciá-la e aplicá-la.

Enfrentou com firmeza, respeito e mansidão as heresias da época, defendendo a santidade do matrimônio contra o priscilianismo, a presença real, substancial e verdadeira de Cristo no Santíssimo Sacramento, levando a conversão um homem cético ao ver em Rimini sua própria mula ajoelhada com as patas dianteiras diante do Ostensório.

Testemunhou uma fé comprometida e atuante ao lutar pela aprovação da Lei, que eliminava a escravidão por dívidas, e combateu os juros escorchantes dos banqueiros, que atormentavam os pequenos.

Tornou-se um pregador ungido, microfone de Deus, arauto da Palavra, que convocava para a conversão de vida, restauração dos costumes e vivência da caridade cristã.

Seu perfil missionário e itinerante, indo ao encontro das populações mais carentes e desatendidas, mostra o caminho da Nova Evangelização, para sacerdotes, religiosos e leigos que fieis aos sinais dos tempos atualizam a presença de Cristo, Bom Pastor, Enviado do Pai das misericórdias, para salvar e libertar, gerando e fazendo acontecer o Reino de justiça, amor, paz e fraternidade.

Que Santo Antônio, fortaleça e ilumine nossa fé, empenhando-nos como sujeitos e protagonistas da Nova Evangelização em comunhão com os anseios do Papa Francisco.  Deus seja louvado!

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)  

Jogando pôquer com o diabo

Vamos jogar pôquer, “seu” diabo?

Eu sei que estarei arriscando, ou mesmo comportando-me de um modo meio maluco: Mas… Sempre desejei jogar pôquer com o diabo.

O convidei e o diabo aceitou!

Começamos o jogo…

Ele jogou a primeira carta; nela estava escrito PREOCUPAÇÃO.

O diabo usa esta carta com freqüência: preocupação com o passado, preocupação com o presente, preocupação com quando eu penso que não sou um sucesso, preocupação quando estou cheio de ambição e cheio daquele sentimento de afirmação da minha personalidade, preocupação quando começo a sentir ciúmes, preocupação quando penso o que os outros estão falando de mim, preocupação sobre aminha idade avançada…

E como ele é um bastardo! Ele continua a me atormentar com dores de cabeça, dores de estômago… e assim por diante. Vamos reconhecer a primeira carta que ele jogou foi escolhida de maneira muito inteligente.

Graças a Deus que Jesus está perto de mim. Eu mostrei a Jesus a carta que o diabo jogou, e imediatamente Ele abriu a Bíblia para mim. Vieram-me a mente as palavras que Jesus disse a Pedro, quando este se debatia contra as ondas do mar e gritou a Jesus: “Mestre, Mestre, estamos perecendo”. E Jesus disse a Pedro – e agora está dizendo também para mim – “Onde está a tua fé?” (Lc 8, 22-25).

Rapidamente peguei a minha carta e a joguei na frente do diabo: .

Eu o vi tremer… Senti que ele ficou com medo. Ele percebeu que havia perdido sua primeira carta.

Ele embaralhou e me jogou sua segunda carta: CANSAÇO.

Criatura maldita: Meteu-me outra vez numa arapuca.

Cansaço… Por que o trabalho se transformou no meu ídolo.

Cansaço… Por que eu me esqueci do significado do “descanso”.

Cansaço… Por que eu penso que o mundo está em minhas mãos,

Cansaço… Por que eu quero fazer tudo sozinho. Eu só aceito coisas que EU faço.

Cansaço… Por que, quanto mais eu trabalho mais eu sinto que tenho que trabalhar.

Cansaço… Por que, por conta do meu trabalho, eu me sinto desequilibrado, sem equilíbrio verdadeiro em minha vida.

Eu vi que ele estava sorrindo. Ele está certo. Ele teve seu lance de sorte.

E, portanto, eu me voltei para o meu Mestre e Lhe pedi para me ajudar.

Abri a Bíblia e Jesus pediu-me para olhar as aves do céu e os lírios do campo. Ele me pediu para pensar apenas no dia de hoje, por que o dia de hoje já tem o seu próprio fardo.

“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6, 34).

Fiquei então aliviado e joguei diante dele a minha segunda carta: CONFIANÇA.

Vi que ele ficou com raiva. Ele percebeu que havia perdido também a segunda carta.

Novamente, embaralhou e jogou a terceira carta: AMARGURA.

Desta vez fui eu quem começou a tremer. Ele percebeu que, no meu intimo, eu sentia uma amargura com relação àquelas pessoas que um dia me prejudicaram, com relação àquelas pessoas que um dia me feriram. Eu sentia raiva daqueles que um dia levaram vantagem sobre mim. Eu estava pensando em me vingar daqueles que um dia me trataram mal. Eu cultivava amargura com relação àquelas pessoas que não gostavam de mim.

E com esta carta que o diabo jogou na minha frente ele continuou a ferir meus sentimentos.

Minha cabeça começou a ficar maluca, pensando como eu iria dar o troco.

Meu coração começou a se endurecer contra aqueles que se tornaram meus inimigos.

Eu estava perdido… por pouco não joguei meu baralho para o ar, declarando-me derrotado.

Mas Jesus bateu-me no ombro e me pediu para abrir a Bíblia novamente.

E então Ele me disse: “Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam” (Lc 6, 27-28).

Encontrei a carta certa e a joguei na frente do diabo: PERDÃO.

O diabo levantou-se cheio de raiva. Eu vi o fogo e o ódio saindo dele. Esta carta é quente demais para ele. Ele não agüentou.

E aumentou a raiva dele contra mim. Ele não suportava a idéia de esta perdendo.

E, portanto, ele procurou atentamente pela quarta carta e com toda aspereza jogou-a na minha frente: DINHEIRO.

O dinheiro deixa todo mundo cego, e eu não sou nenhuma exceção.

Eu sempre achei que este não é um problema meu, até que o diabo começou a cochichar no meu ouvido e mostrar-me a beleza do dinheiro.

Com o dinheiro, você pode fazer muita caridade; você pode patrocinar muitas ações boas em benefício dos outros; você pode construir uma estrada no mar! Você pode abraçar e beijar; você pode ser independente, e assim você não se torna um fardo para ninguém; você pode evitar muitos problemas e assim viver serenamente. Portanto… o dinheiro é maravilhoso.

Eu via o dinheiro brilhando… simplesmente deslumbrante…

E quase acabei adorando o dinheiro como a um bezerro de ouro.

O diabo percebeu que eu já estava caindo na armadilha dele e sorriu pra mim.

E ele me tranqüilizou dizendo que estava pronto pra me ajudar a adquirir mais… e mais… e mais…

Como eu me senti atordoado, esqueci que Jesus estava perto de mim.

Mas, ai de mim! O próprio Jesus se quisesse poderia me dar muitas riquezas. Ele não tinha problema algum em competir com o diabo, se quisesse. E daí?

“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6, 19-21).

Achei a minha quarta carta e joguei: CÉU.

Ele também perdeu a quarta carta.

Chegamos a última carta. O diabo parecia ter uma carta muito boa em sua mão. Ele estava muito satisfeito com a carta que tinha. Ele se mostrava seguro de que, com esta carta, ele iria vencer. Foi por isso que ele deixou esta carta por último.

Com um olhar descarado e um sorriso fingido, com um semblante malicioso, com uma gentileza falsa, como se quisesse ganhar tempo, ele jogou sua última carta: DESÂNIMO.

Esta carta não é uma piada. Com ela, muitos perderam a paz no coração; com ela ele tentou a maioria dos grandes santos; com ela, ele até tentou enganar Jesus no Getsêmani e no Calvário.

E com esta carta ele tentou também a mim.

Desanimado… Diante do meu crescimento espiritual demasiado lento.

Desanimado… Diante dos meus pecados que nunca consegui superar.

Desanimado… Diante dos sofrimentos da vida.

Desanimado… Quando minhas orações não são ouvidas.

Desanimado… Diante da secura e do deserto pelos quais as vezes eu passo.

Senti que ia desistir. Senti já estar sem força alguma. Eu me senti sendo lançado ao chão, como um lutador de boxe deitado no ringue depois de levar um nocaute.

Com um semblante em frangalhos, olhei para Jesus. E ele me disse:

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28).

Imediatamente Joguei minha carta diante de Satanás: JESUS.

Diante da minha carta – JESUS – Satanás fugiu.

A perda dele é irreparável.

Eu fui maluco… Eu arrisquei… Eu exagerei… Mas venci.

É arriscado jogar com o diabo, mas meu risco foi calculado, porque o jogo de verdade não é entre mim e ele, mas entre mim e Jesus.

Acertadamente o Cardeal Suenens diz que o centro da teologia não é a Demonologia, mas sim a Cristologia.

Falamos a respeito do diabo, não para dar alguma importância a ele, mas para mostrar o poder de Cristo, que foi vitorioso sobre ele e o humilhou.

O Evangelho é a Boa-nova. Realmente, devemos nos sentir radiantes de alegria, por que somos o povo Pascal.

É uma pena que muitos cristãos vivam com um medo obsessivo do diabo. Eles vêem demônios em todo lugar e temem o tempo todo de que Satanás vai traí-los.

É claro, de maneira alguma queremos diminuir o poder de Satanás tem contra nós, mas, por outro lado, nossa obsessão deve ser com relação a Cristo, e não com relação ao diabo.

Cristo ressuscitou da morte! Cristo venceu!

E assim nos tornamos o Povo Pascal, e nosso hino é ALELUIA!

Texto extraído do livro O Anti-Cristo – Quem é e como age. Frei Elias Vela.

São José de Anchieta – Apóstolo do Brasil – 09 de Junho

José de Anchieta é o terceiro Santo do Brasil

“Anchieta é considerado um ícone da evangelização. Canonizar Anchieta significa declarar que a ação dos primeiros missionários estava correta, mesmo com alguns enganos”, afirma o padre jesuíta Cesar Augusto dos Santos, vice-postulador (espécie de advogado da causa) da canonização de José de Anchieta e responsável pelo Programa Brasileiro na Rádio Vaticano, emissora radiofônica da Santa Sé, na Cidade do Vaticano. O padre José de Anchieta (1534/1597), um dos fundadores da cidade de São Paulo e conhecido como “apóstolo do Brasil”, será canonizado em Roma, conforme anunciado por alguns setores da Igreja no Brasil, após pedido da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O papa Francisco dispensou a comprovação de um milagre para a canonização do padre Anchieta. “Na história da Igreja, houve muitos casos semelhantes. Mesmo porque a exigência de comprovação de milagres é relativamente recente”, explica o padre Cesar Augusto. Segundo ele, “a questão é provar os milagres por causa da falta de documentação. No caso de Anchieta, as principais dificuldades para conhecer a fundo sua vida e distinguir fatos reais de fantasiosos, foram a perda de documentação e o contato pessoal com os grandes conhecedores, pois já haviam morrido. Para levantar informações que comprovassem a santidade de Anchieta, o vice-postulador Cesar Augusto foi buscar apoio científico fazendo mestrado em História do Brasil Colonial, além de viajar algumas vezes às Ilhas Canárias, Coimbra, Roma e cidade de Anchieta (ES), além de uma série de visitas à biblioteca do Pateo do Collegio (centro de SP). “Pesquisei em muitos livros e até músicas ajudaram, como ‘Sinfonia 10 – Ameríndia, de Villa Lobos.” O resultado desse trabalho de padre Cesar Augusto e demais postuladores jesuítas, entregue ao Vaticano, é uma ampla documentação sobre a vida de Anchieta, com 488 páginas, onde há o registro de 5350 pessoas que alcançaram graças rezando ao beato. “Podemos assegurar, com nomes e endereços, que Anchieta tem mais de 50 devotos e multiplicadores de sua causa em cada Estado”, diz o padre. Segundo Cesar Augusto, há registros de 35 paróquias dedicadas à Anchieta, e 1154 divulgadores (que rezam e propagam a sua fé em Anchieta, por meio de grupos de oração). No entanto, conforme explica o vice-postulador, milagres atribuídos a Anchieta são muitos: “Temos as curas de doenças e as ações sobre a natureza”. À Anchieta também foram atribuídos os poderes de levitação, a bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo) e de falar com animais. “Um dos mais sensacionais relatos do poder sobrenatural do padre é o ocorrido em uma de suas viagens de catequese (1575). Para proteger seus irmãos do sol, o jesuíta teria pedido ajuda aos pássaros guarás-vermelho, que se juntaram em uma nuvem sobre a canoa dos missionários”. Para o vice-postulador da Causa, o que fez José de Anchieta ser merecedor da canonização foi a sua humildade, seu testemunho de fé inabalável em Deus, a esperança e a caridade. “Para a Companhia de Jesus, tornar Anchieta santo significa que os primeiros passos da Ordem Religiosa foram acertados e produziram testemunhas fortíssimas do amor de Deus, conforme queria Inácio de Loyola, fundador da Ordem”. Ao longo da história da Igreja Católica, 150 jesuítas já foram beatificados e cerca de 50 canonizados. Anchieta é o terceiro santo considerado brasileiro, depois de Madre Paulina (em 2002) e Frei Galvão (em 2007). “Na verdade, ele é reconhecido como o santo de três pátrias, Espanha, onde nasceu; Portugal, onde viveu e entrou para a Companhia de Jesus, e Brasil, onde viveu, evangelizou e fez o seu apostolado”, afirma Cesar Augusto. Anchieta é ainda o primeiro a ser canonizado em 2014 e o segundo jesuíta a ser canonizado pelo Papa Francisco (antes dele, foi o francês Pedro Fabro). O Papa Francisco assinou o decreto de canonização de Anchieta em seu escritório no Palácio Apostólico e no dia 24 de Abril celebrará missa em ação de graças na Igreja de Santo Inácio, em Roma. Na mesma data, o papa também declarou santos dois missionários franceses que viveram no Canadá, o bispo François Monseigneur de Laval (1623-1708) e a freira Marie de L’Incarnation (1599-1672). “O papa canonizou, em uma só ação, os evangelizadores da América. Laval e L’Incarnation são os da América do Norte e Anchieta, da América do Sul”, explica o padre Cesar Augusto. Após a celebração em Roma, houve comemorações na Espanha, Portugal e no Brasil, nas cidades de Vitória/ES (onde Anchieta foi sepultado) e Anchieta/ES (Reritiba, nome na época, onde faleceu), Aparecida/SP, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e outras cidades. Em São Paulo, capital, badalaram os sinos das 300 igrejas da arquidiocese, no momento de sua canonização em Roma. Os templos que levam o nome de Anchieta, como Igreja José de Anchieta (SP/SP) e o Santuário de José de Anchieta (Anchieta/ES), deverão mudaram para São José de Anchieta ou Santo Anchieta.

Vida e obra de Anchieta

Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, padre José de Anchieta ficou conhecido como o “apóstolo do Brasil” por sua atuação no País. Chegou ao Brasil em julho de 1553, com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas. Foi um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (hoje Pateo do Collegio), que deu origem à cidade de São Paulo. Historiador, gramático, poeta e teatrólogo, redigia seus textos, tanto em prosa quanto em verso, em quatro línguas, português, castelhano, latim e tupi. Foi autor da primeira gramática brasileira, “A Arte da Gramática da Lingua Mais Usada na Costa do Brasil”, que sistematizou a língua tupi. O movimento de catequese influenciou seu teatro e sua poesia, deixando contribuições em poesias em verso alexandrino, como “Poema à Virgem” (com 4172 versos) e em outras obras   Sua vasta obra foi integralmente publicada no Brasil na segunda metade do século XX. A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo País inaugurando missões, com aulas de catequese, gramática e conhecimentos gerais. Os alunos eram os índios, os colonos e, por vezes, até os padres. Essas viagens foram essenciais para a consolidação do cristianismo e do sistema do ensino no País. Além de São Paulo, o padre também esteve no Rio de Janeiro, Espirito Santo e em cidades do Nordeste. Ensinar preceitos cristãos utilizando características locais, como celebrações musicadas ao ritmo de tambores, em aulas ao ar livre, era uma das peculariedades de Anchieta. Outra dádiva de sua personalidade: além de educar e catequizar, o jesuíta também defendia os indígenas dos abusos dos colonizadores portugueses, que queriam escravizá-los e tomar suas mulheres e filhos. Mais tarde, com a chegada dos chamados negros da Guiné, Anchieta também tomou sobre si o cuidado deles se preocupando com o modo deles viverem e com sua cura pastoral. Os inacianos, a começar pelo padre Manuel da Nobrega, chefe da primeira missão jesuíta no Brasil (fundada em março de 1549), se opunham ferrenhamente à escravização dos índios pelos portugueses. Em maio de 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos Tamoios se rebelou contra a colonização portuguesa. Anchieta se ofereceu como refém na aldeia de Iperoig (onde moravam os chefes da aldeia dos índios Tamoios), enquanto Nobrega partiu para São Vicente, negociar a paz. Durante o cativeiro na praia, Anchieta sofreu a tentação da quebra da castidade. Era comum aos índios oferecerem mulheres aos prisioneiros, antes de sua morte. Nesse momento, o jesuíta fez uma promessa a Nossa Senhora: escreveria o mais belo poema já feito em sua homenagem, se conseguisse sair casto do cativeiro. Como prova da fé, começou a escrever os versos na areia da praia e assim surgiu o “Poema à Virgem”. Após cinco meses de confinamento, Anchieta foi libertado. Sem ter cedido à tentação. Anchieta nasceu em 19 de março de 1534. Era parente de Santo Inácio de Loyola (fundador da Companhia de Jesus). Ingressou para a Companhia em 1551. Sua vida agitada e a entrega total aos compromissos religiosos comprometeram a sua saúde. Reclamava constantemente de dores na coluna e nas articulações. Padre Anchieta veio ao Brasil, obedecendo ao conselho dos médicos da época. Em 1566, aos 32 anos de idade, foi ordenado sacerdote. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba (atual Anchieta), no Espirito Santo. De 1570 a 1573, dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587, a seu pedido. Antes, porém, teve de dirigir o Colégio dos Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595, obteve dispensa dessa função e retirou-se para Reritiba, onde faleceu em 9 de junho 1597. Logo depois de sua morte, foi cercado por uma multidão de índios, que levou o corpo em procissão silenciosa até a cidade de Vitoria, onde foi sepultado. Entre as imagens existentes de Anchieta, está uma imponente estátua de bronze, que retrata o padre caminhando para Portugal, do artista brasileiro Bruno Giorgi, na cidade de San Cristóbal de Laguna (Espanha) ─ um presente do Governo do Brasil para a cidade natal do Santo. Há ainda uma pintura de Anchieta fundando a cidade de São Paulo, na Basílica de Nossa Senhora da Candelária, santuário da padroeira das Ilhas Canárias, na Espanha.

Processo de canonização de padre Anchieta

1597 – José de Anchieta morre, aos 63 anos, em Reritiba, Espírito Santo.
1617 – Os jesuítas brasileiros oficializam junto à Companhia de Jesus, em Roma, o pedido de canonização do padre.
1634 – As regras de canonização são mudadas pelo papa Urbano VIII (1623-1644). Passa a ser necessário esperar 50 anos da morte do candidato a santo para o Vaticano começar a examinar os processos.
1649 – O episcopado brasileiro retoma os pedidos de canonização – 52 anos após a morte de Anchieta.
1652 – Anchieta é declarado servo de Deus pelo papa Inocêncio X (1644-1655).
1668 – A causa é interrompida pela Companhia de Jesus, por falta de recursos.
1736 – Anchieta teve declaradas as Virtudes Heroicas pelo papa Clemente XII (1730-1740).
1773 – Processo de canonização é interrompido, após o papa Clemente XIV (1769-1774) decretar a supressão da Companhia de Jesus. 1980 – Anchieta é beatificado pelo papa João Paulo II (1978-2005) – a última etapa que antecede a canonização.
2013 – A CNBB pede ao papa Francisco a canonização de Anchieta.
2014 – O Vaticano confirma que Anchieta será declarado santo, mesmo sem a comprovação de um milagre.

Fonte: Assessoria de Imprensa/Companhia de Jesus

 

COMPAIXÃO E PRANTO DA VIRGEM NA MORTE DO FILHO
Poema a Virgem – Padre José de Anchieta  
Escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba

Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?  Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?  Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,  Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,  Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?  Em qualquer parte que olha, vê JESUS,  Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,  Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.  Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,  Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.

Olha, diante de Anás, como um cruel soldado  O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.  Vê como diante Caifás, em humildes meneios,  Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.

Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso  Que arranca Tua barba com golpes violento.  Olha com que chicote o carrasco sombrio  Dilacera do SENHOR a meiga carne a frio.

Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,  E o sangue corre pela Face pura e bela.  Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido  Mal susterá ao ombro o desumano peso?

Vê como os carrascos pregaram no lenho  As inocentes mãos atravessadas por cravos.  Olha como na Cruz o algoz cruel prega  Os inocentes pés o cravo atravessa.

Eis o SENHOR, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,  Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime! (Pecado Original cometido pelos primeiros pais)  Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto  Donde corre mistura de sangue e água.

Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama  Para si, as chagas que vê suportar o FILHO que ama.  Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,  Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.

Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus  Procura o Coração da MÃE DE DEUS.  Um e outro deixaram sinais bem marcados  Do caminho claro e certo feito para todos nós.

ELE aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,  Ela o solo regou com lágrimas tremendas.  A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,  Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.

Mas se tanta dor não admite consolação  É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,  Ao menos chorarás lastimando a injúria,  Injúria, que causou a morte violenta.

Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?  Que região te guardou a prantear tal morte?  Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?  Onde está a terra podre dos ossos humanos?

Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,  Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?

Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,  No lugar da alegria, segura uma dor cruel,  Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,  Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.

Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre  Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,  E prefere a magia do nascer à força da morte,  Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.

Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,  Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!  O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,  Que pesou incomodo em Teu doce seio.

Morreu JESUS traspassado com terríveis chagas  ELE, formoso espírito, glória e luz do mundo;  Quanta chaga sofreu e tantas LHE causaram dores;  Efetivamente, uma vida em vós era duas!  (Natureza Humana e Divina do SENHOR)

Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais  Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,  Feito em pedaços pela morte cruel que suportou  Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.

O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,  A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.  Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,  Tudo que é amargo e cruel o Teu FILHO suportou na Cruz.

Morto DEUS, então porque vives Tu a Tua vida?  Porque não foste arrastada em morte parecida?  E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,  Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?

Admito, não pode tantas dores em Tua vida  Suportar, aguentando se não com um amor imenso;  Se não Te alentar a força do nascimento Divino  Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.

Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,  Já te assalta no mar onda maior e cruel.  Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:  Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,  Rasga o sagrado peito ao teu FILHO já morto,  Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.

Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,  Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!  Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!  Tão penoso sofrimento este castigo guardava!

Com O querido FILHO pregado a Cruz Tu querias  Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.  ELE tomou para SI a dura Cruz e os cravos,  E deu-Te a lança para guardar no Coração.

Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,  A dor mudou para o fundo do Teu Coração.  Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,  Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.

Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,  Que imensamente nos faz amar o Amor!  Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,  Que intumesce com água fartamente a terra!

Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,  Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!  Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!  Jóia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!

Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,  E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!  Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,  Feres os piedosos peitos com divinal amor!

Ó doce chaga, que repara os corações feridos,  Abrindo larga estrada para o Coração de CRISTO.  Prova do novo amor que nos conduz a união!  (Amai uns aos outros como EU vos amo) Porto do mar que protege o barco de afundar!

Em TI todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:  TU, SENHOR, és medicina presente a todo mal!  Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:  A dor da tristeza coloca um fardo no coração!

Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,  Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!  Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,  Jorrando água para a vida eterna!

Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,  Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.  Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,  Para que possa viver no Coração do meu SENHOR!

Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,  Este será meu repouso, a minha casa preferida.  No sangue jorrado redimi meus delitos,  E purifiquei com água a sujeira espiritual!

Embaixo deste teto  (Céu)  que é morada de todos,  Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.

 

Anchieta e Nossa Senhora

O Pe. José de Anchieta grande devoto da Virgem Maria escreveu várias poesias sobre a Mãe de Deus e nossa. Além do famoso Poema da Virgem Maria Mãe de Deus, uma infinidade de versos saíram de seu coração e de sua pena em louvor à Nossa Senhora. Pe. Anchieta escreveu em várias línguas: tupi, português, espanhol e latim. Hoje, nesta festa de Nossa Senhora, vamos recordar a poesia “EVA JANDÉ SY YPÝ” que como perceberam foi escrita na língua Tupi e em português recebeu o título: “DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA”.

No “Auto de Guaraparim”, escrito em 1564 para a inauguração da Aldeia de Guaraparim, o mais expressivo auto escrito em tupi, o Beato Anchieta, no 4º Ato, ou seja, na despedida, faz comparação entre Eva, a mulher que iniciou o pecado no mundo com sua desobediência e Maria que foi isenta dele pelos méritos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador.

Eva, nossa mãe primeira, apaixonou-se, sem conto, por essa fruta fagueira, à voz da cobra matreira, colhendo, comendo, e pronto! Ao marido ela em seguida a fruta induz a engolir. Por sua esposa querida, ele em comer não duvida, antes de a morte nos vir. A todos, quais suas preias, nos apanhou o diabo. Com suas ações alheias, de toda a gente deu cabo, sempre, em folganças feias. Não chega a Santa Maria o pecado original. Em sua virtuosa via, calcando o demo, fazia desaparecer o mal. Do mau a fronte ela pisa, muito sem força o deixando. Nossa alma assim se harmoniza, e a lei de Deus autoriza, o amor de demo afastando. Pois fez bem Nosso Senhor em guardar Santa Maria, para ao demo medo impor. À mãe de Deus nosso amor, por ela nossa folia! Corretos hábitos tendo, nossa alma se alegrará. Porque sem brigas vivendo, Jesus nos visitará, nos vendo e sempre revendo. Tendo seu filho consigo, Tupansy, Santa Maria, assusta nosso inimigo, sempre nos traz seu abrigo, e do demo nos desvia. Atenção! se em nosso peito Santa Maria levamos, na ânsia do viver perfeito, amando-a em fundo respeito, ao gozo de Deus nós vamos.

Fonte: Rádio Vaticano, 09/12/2010

“Durante o momento de Adoração não se toca no Ostensório”

“DURANTE O MOMENTO DE ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO, OS FIÉIS NÃO DEVEM TOCAR O OSTENSÓRIO”.

Quando Jesus era vivo, as pessoas tentavam ser curadas apenas tocando nas vestes dele. Não podemos fazer isso hoje? Aquele que tem muita fé, não poderia ser curado?
A pergunta responde por ela mesma. No tempo em que Jesus estava na terra (porque Jesus ainda está vivo), uma mulher (cf. Lc 8, 43) ficou curada não porque tocou em Jesus, mas porque tinha fé. De igual modo, não precisamos tocar em Jesus, mas crer Nele. Nosso Senhor nunca disse que deveríamos tocá-lo para ficarmos curados, mas sim, que se crermos Nele, jamais morreremos (cf. Jo 11, 26). Nós poderíamos citar diversas teologias e regras litúrgicas que mostrassem que não é certo tocar no Santíssimo. Porém, vemos aqui que a questão é outra. Quem tem muita fé, confia em Deus e Nele espera. Se nós cremos que ficaremos curados de nossos males porque tocamos no ostensório ou nas vestes do Papa ou fomos até Jerusalém, a nossa fé é vã. A nossa fé só não é vã se cremos que Cristo ressuscitou (cf. 1Cor 15, 14).

Podemos tocar na hóstia ou no ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento?
Começo lembrando que em boa hora temos documentos importantes corrigindo certas posturas equivocadas em relação à Eucaristia. São muitos estes documentos. Dois deles tão recentes que ainda não chegaram a muitas comunidades. São eles a Instrução Geral para o Missal Romano e a Encíclica do Papa João Paulo II sobre o Sacramento da Eucaristia (Ecclesia de Eucharistia, 17/4/2003). Nossas equipes de liturgia precisam mergulhar nesses documentos para entenderem e ajudarem o povo a entender a riqueza do Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor. A pergunta sobre poder ou não tocar na hóstia consagrada durante as bênçãos do Santíssimo Sacramento tem endereço certo, e se refere ao que se vê em determinadas celebrações mostradas para todo o Brasil via televisão. O Santíssimo Sacramento passa pelo meio do povo e as pessoas tocam no ostensório. Embora não se negue a fé destas pessoas, é preciso dizer que não é litúrgica esta “manipulação” da hóstia consagrada. Ela peca contra a sacralidade do Sacramento. Nós tomamos o Cristo Eucarístico nas mãos e o colocamos na boca, nós o tomamos e comemos como o Cristo mandou. Nós adoramos o Cristo no Sacrário, porque cremos na Sua presença. Nós acolhemos a bênção que a Igreja nos dá com o Santíssimo Sacramento, porque é o próprio Cristo presente no Sacramento, o Autor da bênção. E chega! Fora disto qualquer manipulação, qualquer aproximação indevida se torna desrespeito ao dom mais precioso que o Cristo fez de si mesmo a nós. Isto para não dizer que determinadas atitudes acabando não passando de um devocionismo vazio. Diante da grandeza do Mistério Eucarístico acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros.

Mons. Inácio José Schuster
Vigário Geral da Diocese de Novo Hamburgo

São Jorge, Mártir – 23 de Abril

Devotos no mundo inteiro comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros, dos corintianos e celebrado em canções populares de Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Fernanda Abreu. No oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de “Grande Mártir”.
Guerreiro originário da Capadócia e militar do Império Romano ao tempo do imperador Diocleciano, Jorge converteu-se ao cristianismo e não agüentou assistir calado às perseguições ordenadas pelo imperador. Foi morto na Palestina no dia 23 de abril de 303. Ele teria sido vítima da perseguição de Diocleciano, sendo torturado e decapitado em Nicomédia, tudo devido à sua fé cristã.
A imagem de todos conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média. Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo Papa Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo. Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e protetor, em 1910.
A quantidade de milagres atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas, questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.

São Jorge é venerado desde o século IV
O culto a São Jorge vem do século 4 dC. O soldado foi martirizado na Palestina no dia 23 de abril de 303, vítima da perseguição do imperador Diocleciano. Foi torturado e teve a cabeça cortada, em Nicomédia, devido a sua fé cristã.
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e onde o imperador cristão Constantino (que depois de vários imperadores anti-cristãos converteu-se e a império à religião cristã) mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente. No século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, foram erguidas quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, na Grécia, no Império Bizantino (a região oriental do Império Romano, que tinha capital em Bizâncio, depois, Constantinopla) São Jorge era inscrito entre os maiores Santos da Igreja Católica. No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria. Na Itália, era padroeiro da cidade de Gênova. Na Alemanha, Frederico III dedicou a ele uma Ordem Militar. Na França, São Gregório de Tours era conhecido por sua devoção a São Jorge; o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotide, erigiu várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Cavalaria da jarrateira, fundada por ele em 1330. Por considerá-lo o protótipo dos cavaleiros medievais, o inglês Ricardo Coração de Leão, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa aos muçulmanos. No século 13, a Inglaterra celebrava sua festa como dia santo e de guarda e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos que também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira. Ainda durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos da guerra. As artes, também, divulgaram amplamente a imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael (1483-1520), intitulado “São Jorge vencedor do Dragão”. Na Itália, existem diversos quadros célebres, como o de autoria de Donatello (1386-1466).

São Jorge e a morte do dragão
A imagem conhecida de todos, do cavaleiro que luta contra o dragão, está relacionada às lendas criadas a partir da Idade Média. Há uma grande variedade de histórias relacionadas a São Jorge. O relato e a imagem de todos conhecidos, do cavaleiro que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média. A imagem atual do santo, sentado em um cavalo com uma lança que atravessa um dragão, está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito, contadas de várias maneiras em suas muitas paixões. A versão mais corrente dá conta que um horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exigia regularmente que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas. Um dia coube à filha do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até as margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia, montado em um cavalo branco, São Jorge. Destemidamente, enfrentou as perigosas labaredas de fogo que saíam da boca do dragão e as venenosas nuvens de fumaça de enxofre que eram expelidas pelas narinas do monstro. Após um duro combate, finalmente São Jorge venceu o terrível dragão, com sua espada de ouro e sua lança de aço. O misterioso cavaleiro assegurou ao povo que tinha vindo, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados. Para alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele extirpou as heresias. A relação entre o santo e a lua viria de uma lenda antiga que acabou virando crença para muitos. Diz a tradição que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.

Desde 1969, Igreja Católica tornou opcional a celebração a São Jorge
Embora muitos considerem que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou enorme popularidade no tempo das Cruzadas. “A imagem atual é fruto de uma lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o martírio dele não foi significativo”, diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de maio de 1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado, naquele tempo, em “cassação de santos”. Mas o fato da celebração do Dia de São Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.

São Jorge é o padroeiro da Inglaterra
O “Santo Guerreiro” é também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha (região da Espanha que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma do Papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.

 

 

São Jorge é santo mesmo?
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/04/23/sao-jorge-e-santo-mesmo/
Prof. Felipe Aquino

Recebi um email de uma pessoa me perguntando:
“São Jorge, qual a verdadeira história dele, é um santo mesmo? Da Igreja Católica ou de macumba? Nunca me senti bem em relação a ele, pois já vi sua imagem em lugares nada cristãos… Poderia me esclarecer por favor?”
A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril. São Jorge foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.
São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.
São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.
O culto de São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.
A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.
Diz a lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.
Continua a narração dizendo que o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.
É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.
Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.
Segundo a tradição São Jorge foi condenado à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia que era de ferro, não se queixava. Diz a tradição que diante de sua coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.
Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

 

 

Hoje se comemora o onomástico do Papa
A Igreja recorda no 23 de abril São Jorge
Por Redacao
ROMA, 23 de Abril de 2015 (Zenit.org) – Nesta segunda-feira é dia festivo no Vaticano, porque se celebra o onomástico do Papa, Jorge Mario Bergoglio. E é que no dia 23 de abril, a Igreja recorda São Jorge.
Um de seus mais próximos colaboradores, monsenhor Guillermo Karcher, sacerdote argentino e mestre de cerimônias pontifício declara em uma entrevista á Rádio Vaticano que “pensar hoje, nesta festa onomástica, no santo do Papa – sendo o seu nome de batismo Jorge – é bonito porque quando penso nele, e o vejo atuar, posso dizer que é um ‘São Jorge moderno’, no sentido de que é um grande lutador contra as forças do mal e o faz com um espírito verdadeiramente cristão”.
Além disso, monsenhor Karcher afirma que “é a Cristo que vejo nele, que semeia o bem para combater o mal. E este é um exemplo, porque já o fazia em Buenos Aires e continua fazendo agora com esta simplicidade que o caracteriza, mas que é tão forte, tão importante neste momento do mundo, em que é necessária a presença do bem”.
Jorge da Capadócia é o nome de um hipotético soldado romano da Capadócia, atual Turquia, que, pelo que parece, foi um mártir. Diz-se que nasceu entre 275 e 280, e morreu em 23 de abril de 303. Na Itália, o culto de São Jorge foi muito difundido. Em Roma, Belisario, pelo ano 527, colocou sob a proteção de Jorge a Puerta de San Sebastián e a igreja de São Jorge em Velabro, onde foi transferida uma possível relíquia do santo. Algumas cidades, como Gênova, Ferrara e Reggio de Calabria, têm São Jorge como patrono.
A lenda – possivelmente originada no século IV – conta a história de Jorge, um romano que, depois da morte do pai, mudou-se com a mãe para a cidade natal dela: Lydda, atual Lod, Israel. Ali, a mãe educou de forma cristã o seu filho e quando grande entrou no exército romano. Não demorou para subir e, antes de cumprir os 30 anos, era tribuno e comes, sendo destinado à Nicomédia como guarda pessoa do imperador Diocleciano (284-305).
Em 303, o imperador começou a perseguição aos cristãos. Jorge confessou que ele também era cristão. Diocleciano ordenou que o torturassem e, ao não conseguir que renegasse da sua fé, o executaram. Depois de ser decapitado em frente das muralhas de Nicomédia em 23 de Abril de 303, o corpo de Jorge foi enviado para Lydda para ser enterrado.

 

 

SÃO JORGE: O “GRANDE MÁRTIR”

“Quem nasce homem novo em Cristo no batismo, não vista mais a roupa da mortalidade, mas deponha o homem velho e revista-se de novo estilo de conduta pura e santa. Só assim, purificados da imundície de nossa antiga condição pecadora e brilhando pelo fulgor de uma vida nova, poderemos celebrar dignamente o mistério pascal e imitar verdadeiramente o exemplo dos mártires”, esta é a mensagem do Doutor da Igreja São Pedro Damião sobre a figura de São Jorge, cuja a festa cai no tempo pascal.
São Pedro Damião (1007-1072)
Bispo e Doutor da Igreja

São Jorge é provavelmente o terceiro santo mais popular do catolicismo e do cristianismo ortodoxo, atrás da Virgem Maria e de seu conterrâneo e contemporâneo São Nicolau de Mira (o Papai Noel). São Jorge é padroeiro de Portugal, Inglaterra, Canadá, Alemanha, Grécia, Lituânia, Etiópia, Malta, Palestina e (essa é fácil) Geórgia. O Rio de Janeiro pode ter como padroeiro São Sebastião, mas o santo do coração é o guerreiro São Jorge – um pouco por causa da umbanda, que relaciona o santo ao orixá Ogum. E, claro, é padroeiro do Corinthians…

Nosso Santo guerreiro, nascido na Capadócia, morto pelo imperador Diocleciano, matador de dragão, ele sangrava leite, fazia imagens e exércitos pagãos explodirem, levantou um homem da tumba para batizá-lo, foi cortado em pedaços, carbonizado e ressuscitou. É, as lendas vão longe. Mas tudo o que você leu depois da palavra “santo” é incerto. Sabemos que São Jorge já era popular no século V, mais como lenda do que pela história: em 495, o papa Gelásio I afirmou que São Jorge “é desses santos cujo nome é justificadamente reverenciado entre os homens, mas cujas ações apenas Deus conhece”.

Primeiro, talvez ele não fosse mesmo da Capadócia, mas de Lod, na atual Israel. Lá fica sua tumba, que é reverenciada desde o século V. Segundo, talvez nem fosse guerreiro – existiu um Jorge da Capadócia bem documentado, mas esse foi o bispo de Alexandria (Egito) entre 356 e 361. Um bispo ariano que rejeitava a Santíssima Trindade e acabou linchado pela população, mas foi considerado mártir entre outros hereges.

No século IV, o livro História Eclesiástica, de Eusébio, bispo de Cesaréia fala dos massacres do imperador Diocleciano (244-311). De 303 até sua morte, o imperador fez a última perseguição aos cristãos, na qual mais de 3 mil foram executados. Entre seus decretos, estava a conversão forçada dos soldados de volta ao paganismo. Eusébio cita um homem “de altíssima honra” que rasgou a ordem e foi executado, em Nicomédia (atualmente Izmit, 100 km a oeste de Istambul). O autor não dá nome nem patente ao mártir, mas, tradicionalmente, essa é a versão mais “histórica” para São Jorge. Ele seria um comandante da cavalaria de Diocleciano.

Entre os povos eslavos, a figura de São Jorge é muito apreciada. Ainda hoje, é incontável o número de igrejas católicas e ortodoxas dedicadas ao Grande Mártir São Jorge em todas as partes do mundo.

É para meditar profundamente sobre fatos históricos e lendários desse grande santo mártir um pensamento para o mundo inteiro tão simples, no entanto, tão importante: “O bem, mesmo que demore, vence sempre o mal e a pessoa sábia nas escolhas fundamentais da vida não se deixa jamais enganar pelas aparências”.

Tanto o sofrimento como a vitória fazem parte da vida. Tanto para ricos como para pobres, ignorantes e sábios e em todo lugar e em todas as raças. Traição e amizade sincera vão estar juntos de nós até o fim de nossas vidas. De tudo isso, o principal é não perder a fé, a esperança e o amor. Rezar sempre é a nossa missão de felicidade. Rezar é a nossa poderosa arma contra as forças do inimigo.

São Jorge é de fato e de verdade o santo mártir guerreiro. Ele passa para nós de forma tão categórica um poder tremendo para vencermos os dragões terríveis que aparecem em nosso caminho.

Viva São Jorge, o Grande Mártir, o Santo Guerreiro e intercessor!

Pe. Inácio José do Vale
Sociólogo em Ciência da Religião, Professor de História da Igreja, Instituto Teológico Bento XVI

 

 

São Jorge, viveu o bom combate da fé

Conhecido como ‘o grande mártir’, foi martirizado no ano 303. A seu respeito contou-se muitas histórias. Fundamentos históricos temos poucos, mas o suficiente para podermos perceber que ele existiu, e que vale à pena pedir sua intercessão e imitá-lo.

Pertenceu a um grupo de militares do imperador romano Diocleciano, que perseguia os cristãos. Jorge então renunciou a tudo para viver apenas sob o comando de nosso Senhor, e viver o Santo Evangelho.

São Jorge não queria estar a serviço de um império perseguidor e opressor dos cristãos, que era contra o amor e a verdade. Foi perseguido, preso e ameaçado. Tudo isso com o objetivo de fazê-lo renunciar ao seu amor por Jesus Cristo. São Jorge, por fim, renunciou à própria vida e acabou sendo martirizado.

Uma história nos ajuda a compreender a sua imagem, onde normalmente o vemos sobre um cavalo branco, com uma lança, vencendo um dragão:

“Num lugar existia um dragão que oprimia um povo. Ora eram dados animais a esse dragão, e ora jovens. E a filha do rei foi sorteada. Nessa hora apareceu Jorge, cristão, que se compadeceu e foi enfrentar aquele dragão. Fez o sinal da cruz e ao combater o dragão, venceu-o com uma lança. Recebeu muitos bens como recompensa, o qual distribuiu aos pobres.”

Verdade ou não, o mais importante é o que esta história comunica: Jorge foi um homem que, em nome de Jesus Cristo, pelo poder da Cruz, viveu o bom combate da fé. Se compadeceu do povo porque foi um verdadeiro cristão. Isto é o essencial.

Ele viveu sob o senhorio de Cristo e testemunhou o amor a Deus e ao próximo. Que Ele interceda para que sejamos verdadeiros guerreiros do amor. São Jorge, rogai por nós!

Belíssima e muito ilustrativa imagem de São Jorge

Esta belíssima (e muito pouco conhecida!) imagem do Glorioso Mártir São Jorge é para mim inspiradora. Representa muito bem o que é a verdadeira masculinidade e a luta viril que todo homem católico deve travar contra as tentações, contra o mundo, contra o demônio e contra a carne.
Espelhemo-nos nos santos, meus caros. Desprezemos os paradigmas de falsa masculinidade desse mundo.
O verdadeiro homem, viril, másculo, é o homem de Deus, é aquele tem autodomínio, que sabe combater e vencer a fera que existe dentro de si por causa da ferida do pecado original, triunfando sobre seus instintos mais baixos e desregrados.
Glorioso São Jorge, Mártir de Nosso Senhor Jesus Cristo, modelo de homem católico, rogai por nós!

A Frivolidade: uma “doença do caráter”

Um homem precisa ter caráter se quiser ser homem realmente. E caráter é ter personalidade, é lutar pelo que acredita – por Deus, Autor da vida; pela sua vida própria, e por uma infinidade de coisas que cada um conhece.
Caráter envolve firmeza, é ser viril em suas decisões, é dominar-se a si mesmo – pois este é o domínio mais difícil de se conseguir, e portanto o mais honrado.
Só assim se pode ser homem – macho! – realmente. Homem que é Homem precisa ser Homem de caráter. Senão não é Homem. Simples assim!
O caráter deveria ser o sobrenome do Homem: um sinal constante de que ele é o que é, de que cumpre com a vocação à qual Deus lhe chamou no instante da concepção – a vocação de ser macho. Ele não só aparenta ser: ele é!
A doença da falta de caráter nos dias atuais é degradante. Uma vergonha para os homens de nossa geração. Dá-se desculpas para tudo: para não trabalhar, para não ter um compromisso sério, para sair com mil mulheres e não amar nenhuma delas, para não ir à Igreja – nunca! -, para tratar os outros com vileza e desonestidade. Todas desculpas de homens que não são homens realmente – porque não têm caráter.
Por causa destas desculpas que desviam do caminho São Josemaría Escrivá ensinava:
“Pretextos. – Nunca te faltarão para deixares de cumprir os teus deveres. que fartura de razões… sem razão! Não pares a considerá-las. – Repele-as e cumpre a tua obrigação” (Caminho, n.21).
“Desculpa própria do homem frívolo e egoísta: ‘Não gosto de comprometer-me com nada'” (Sulco, n. 539).
A frivolidade é uma enfermidade entre os homens modernos. Este não querer assumir compromissos, este desrespeitar os que já foram assumidos, este ser mundano, sem domínio sobre si mesmo… tudo isto é frivolidade. E não há coisa que torne os homens menos homens e mais bestas do que ela.
São Josemaría advertia contra essa “doença do caráter”:

“Não caias nessa doença do caráter que tem por sintomas a falta de firmeza para tudo, a leviandade no agir e no dizer, o estouvamento…, a frivolidade, numa palavra. Essa frivolidade, que – não o esqueças – torna os teus planos de cada dia tão vazios (‘tão cheios de vazio’), se não reages a tempo – não amanhã; agora! -, fará da tua vida um boneco de trapos morto e inútil” (Caminho, n.18).

“Assim, bobeando, com essa frivolidade interior e exterior, com essas vacilações em face da tentação, com esse querer sem querer, é impossível que avances na vida interior” (Sulco, n.154).

Um Homem não pode permanecer a “bobear”. A frivolidade não merece cultivo. O Homem, se quiser vencer esta enfermidade do caráter, precisa assumir-se como Homem, e em consequência assumir os compromissos para os quais é chamado: com Deus, com a Igreja, consigo mesmo, com sua santificação pessoal, com sua família, com seu trabalho e profissão, com seus estudos, etc.
Somente a vitória da frivolidade poderá abrir caminho à verdadeira virilidade.
“Enquanto não lutares contra a frivolidade, a tua cabeça será semelhante a uma loja de bricabraque: não conterá senão utopias, sonhos e… trastes velhos” (Sulco, n.535).
E nada de pretextos! Nada de justificar os defeitos dizendo: “Eu sou assim mesmo…”, para não lutar contra a frivolidade própria.
“Não digas: ‘Eu sou assim…, são coisas do meu caráter”. São coisas da tua falta de caráter. Sê homem – esto vir” (Caminho, n.4)
“Obstinas-te em ser mundano, frívolo e estouvado porque és covarde. Que é, senão covardia, esse não quereres enfrentar-te a ti próprio?” (Caminho, n.18).
Jesus nos disse que “não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa (Mt 5,15).
Assim é São Jorge, uma luz colocada sobre o candeeiro para que brilhe a todos que estão na Casa de Deus, a Igreja, “ao vermos sua luz, suas boas obras, glorificamos ao Pai que esta nos céus”:
“Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5,16)
Ao lembrar São Jorge, fazendo sua memória, procuramos atentar para o exemplo de sofrimento e paciência de um Servo de Deus, tendo-o como modelo de cristão de oração e de vida.
Como outrora, Abraão era modelo de vida para os judeus, conforme vemos nas palavras do Senhor:
“Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. “(São João 8,39)
São Paulo nos disse:
“atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós;” (Filipenses 3,17).
“Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. ”
(Tiago 5,10)
Do mesmo modo, como devotos de São Jorge, somos convidados pela Igreja para fazer as obras que esse Grande Santo fez em vida, “pois as obras dos Santos os seguem” (Apo 14,13).
São Jorge é modelo de coragem, pois “não temeu os que matam o corpo, mas aquele que antes pode precipitar a alma e o corpo no inferno” (Mt 10,28).
São Jorge não teve medo do Imperador Romano e “o que ouviu na escuridão das catacumbas cristãs, disse-o às claras, publicou-o em cima dos telhados” (Mt 10,27).
E por ter dado sua vida pela fé em Cristo, tornou-se exemplo para todos que se dizem cristãos, para que sejam corajosos em tudo renunciar por amor a Jesus, que nos disse:
“Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus.
33. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.”
(Mt 10,32-33)
Do mesmo modo que Jesus proclamou que a pecadora arrependida seria lembrada pela Igreja, por seu testemunho de amor, São Jorge é lembrado:
“Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez.” (Mt 26,13)
São Jorge não temeu defender os cristãos que estavam para ser mortos num plano traçado pelo Imperador de Roma e se tornou ” odiado de todos por causa do nome de Jesus, perseverando até o fim e, por isso, foi salvo” (Mc 13,13), sendo exemplo de coragem e solidariedade na luta contra o Dragão do mal:
“E sereis odiados de todos por causa de meu nome. Mas o que perseverar até o fim será salvo”

São Jorge é, como diz a Bíblia, um dos “sobreviventes da grande tribulação; lavou as suas vestes e as alvejou no sangue do Cordeiro. Por isso, está diante do trono de Deus e o serve, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono o abriga em sua tenda. Já não tem fome, nem sede, nem o sol ou calor algum o abrasa” (Apo 7,14-15)
São Jorge é um dos que “acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; pois foi resgatado dentre os homens” (Apo 14,4).
Por isso, junto com os outros Santos no céu “prostra-se diante do Cordeiro, tendo taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos fieis)” (Apo 5,8), apresentando ao Senhor nossos pedidos, como o Anjo com o turíbulo de ouro nas mãos (Apo 8,4).
Apesar de aguardar a ressurreição do último dia, já ressuscitou pelo Batismo (Col 2,12), e é como os Anjos do céu (Mt 22,30), velando e intercedendo por nós, e por todo o mundo, para que se complete o número dos irmãos de serviço, que devem ser salvos:
“9. Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.
10. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?
11. Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.”
(Apo 6,9-11)
São Jorge, Mártir, é uma das “almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários” (Apo 6,9).
E “desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, (entre elas São Jorge) desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus” (Heb 12,1).
São Jorge ora por nós, como outrora, na Bíblia, os judeus viram a alma de Onias e Jeremias em oração por seu povo:
Onias (…) estava com as mãos estendidas, INTERCEDENDO por toda a comunidade dos judeus.
Apareceu a seguir um homem notável (…) Esse é aquele que MUITO ORA pelo povo e por toda cidade santa, é Jeremias, o Profeta de Deus.”
(2Mac 15,12-14)
São Jorge intercede por nós por meio do único Mediador da Salvação, Jesus,“Porque só há um MEDIADOR” entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” – (I Timóteo 2:5), mas ao orarmos pelo próximo, também somos mediadores secundários (Dt 5,5), pois oramos, como Corpo de Cristo que se une a sua Cabeça (Col 1,18), Jesus, que vive para interceder por nosso favor (Heb 7,25).
Por isso, há uma só Igreja, a do céu, a da terra e a dos que se Purificam aguardando o céu, todos somos um só corpo ( Hebreus 12,22-23).

Para que pedir a intercessão de SÃO JORGE se posso falar diretamente com Deus?
Deus quer ouvir nossa oração, apesar de já conhecer nossas necessidades. Deus quer dar-nos suas graças, mas é preciso que a peçamos. Deus quer que rezemos.
Jesus nos falou da importância da oração e da perseverança nela, de pedir insistentemente sem nunca cansar.
Ora, ao pedir a intercessão de São Jorge ou outro servo de Deus, pedimos que esses servos de Deus, quais anjos, não cessem de orar por nos “nem de dia nem de noite, mantendo desperta a memória do Senhor, até que tenha nos concedido sua graça” (Is 62, 6-7).
A São Jorge, como aos demais Santos, nos dirigimos, como outrora Deus ordenou aos amigos de Jó:
“Ide ao meu servo Jó e (…) ele orará por vós, por causa dele vos aceitarei” (Jo 42,8)
Como diz São Paulo, Deus nos livra de todo mal, mas a oração do próximo pode nos ajudar nessa intenção:
“Ele nos livrou e nos livrará de tamanhos perigos de morte. Sim, esperamos que ainda nos livrará
11. se nos ajudardes também vós com orações em nossa intenção. Assim esta graça, obtida por intervenção de muitas pessoas, lhes será ocasião de agradecer a Deus a nosso respeito.” (2Cor 1,10-11)
Se a oração do próximo pode nos ajudar, quanto mais a oração de um servo de Deus que está diante de seu trono dia e noite (Apo 7,15), uma alma justa, pois:
“O Senhor está longe dos maus, mas atende a oração dos justos” (Pr 15,29)
“…a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito” (Tg 5,16
Dessa forma, pedir a ajuda dos Santos é algo bom, uma ajuda a mais, para que “a graça obtida pela intervenção deles seja ocasião para eles e para nos de agradecermos a Deus” por esse vínculo de amor fraternal entre os santos.
Como diz a Bíblia, podemos orar a Deus invocando o nome de seus Santos e seus méritos, como vemos no salmo:
“Pelo nome de Davi, vosso servo, não rejeiteis a face daquele que vos é consagrado” (Sl 131,10)
Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, teus servos, aos quais por ti mesmo juraste… (Êx 32,13)
… teve misericórdia deles, e se compadeceu deles, e se tornou para eles, por amor do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó; e não os quis destruir nem lançá-los da sua presença
(2 Re 13,23)
Porque se lembrou da sua santa palavra, e de Abraão, seu servo.
(Salmos 105:42)
A São Jorge pedimos como São Paulo pediu aos Tessalonicenses e aos Filipenses:
“orai por nós (…) para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque nem todos possuem a fé” (Tes 3,1-2) e “para que alcancemos a salvação do Senhor” (Fil 1,19)

27 razões para não ser Católico

Apologética

Em síntese: O presente artigo responde ao questionamento apresentado por um irmão protestante, que nada de novo diz. As respostas dadas ao irmão poderão ser úteis a quantos fiéis católicos se vêem assediados por objeções – às vezes caluniosas – de irmãos separados.
Eis o que escreve o interlocutor anônimo:

1. “Ele me salvou”
“1. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, primeiramente porque Jesus Cristo salvou-me de meus pecados (Mt 1, 21), garantindo-me a remissão por Sua graça (Ef 1, 7), ao arrepender-me (Lc 13, 3; At 3, 19;  11.18) e crer em seu sacrifício na Cruz do Calvário (At 20, 21; Rm 3, 26). Assim o Senhor me fez uma nova criatura (Jo 3, 3-6; 2 Co 5, 17; Ez 36, 26) e seu filho (Jo 1, 12; Rm 8, 14-17; 1 Jo 3, 1), para que hoje eu pudesse glorificá-lo através da minha vida e testemunhar aos outros acerca de tão grande salvação que me foi concedida pelo Filho de Deus (ver Gl 2, 20; Ef 2, 10; Hb 13, 15-16; 1Pd 2. 5, 9-10; Mc 16, 15; Rm 10, 13-15)”.
Nesta passagem chama-nos a atenção o caráter individualista da locução: as partículas “eu, me, a mim” voltam constantemente como se o Cristianismo fosse algo do foro privado. – Ora tal atitude é profundamente antibíblica; sim, Jesus fala da “minha Igreja” com sua hierarquia (cf. Mt 16, 16-19; 18, 18). Ser cristão é ser membro do Corpo de Cristo Cabeça (cf. 1Cor 12, 12-21), é ser ramo do tronco de videira, que é Cristo (cf. Jo 15, 1-5).
O protestantismo põe de lado o sacramento da Igreja, fazendo do indivíduo autor do seu Credo em conseqüência do princípio do livre exame da Bíblia. Esse subjetivismo redunda no relativismo que tanto caracteriza o pensamento contemporâneo.

2. Somente a Escritura
“2. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque creio na Suprema Autoridade das Escrituras, como única regra de fé e prática (Sl 19, 7-8; Sl 119, 105; ls 8, 20; Mt 22, 29; Lc 16, 29; Jo 5, 39; 10, 35; Jo 17, 17; Rm 15, 4; At 15, 15; 17, 11; 24, 14; 2Tm 2, 15; 3, 15-17; 2Pd 1, 19-21). Esta autoridade das Escrituras deriva de sua divina inspiração (2Tm 3, 16) e de sua revelação que “não foi dada por vontade humana” (2Pd 1, 21), o que lhe garante evidente proeminência”.
Os católicos também seguem a Bíblia, e a seguem mais fielmente do que seus irmãos protestantes. Sim, aceitam a Bíblia quando ela diz que nem tudo o que Jesus fez está consignado no Livro Sagrado; ver Jo 20, 30s; 21, 24s. A própria Bíblia manda seguir a mensagem transmitida por via oral (cf. 2Tm 2, 2) sem restrição que subordine a palavra oral à escrita. Como se compreende, não se trata de qualquer tradição, mas de Tradição divino-apostólica, que começa com Jesus e os Apóstolos. Sem o acompanhamento dessa Palavra oral, a Bíblia se torna um livro que os homens estraçalham, dele deduzindo as mais contraditórias e estranhas teorias, como acontece no Protestantismo dividido e subdividido por falta de um referencial na leitura das Escrituras. Tenha-se em vista, por exemplo, o seguinte conjunto de palavras sem pontuação (como era praxe entre os antigos):
RESSUSCITOU NÃO ESTÁ AQUI
Estas palavras podem ser lidas em dois sentidos:
RESSUSCITOU. NÃO ESTÁ AQUI.
RESSUSCITOU? NÃO! ESTÁ AQUI.
É o tom de voz ou a palavra oral que vai definir o significado da escrita.
Donde se vê que a Bíblia não pode ser lida independentemente da Tradição oral, que lhe é anterior, a berçou e a acompanha através dos séculos. Entende-se que, para distinguir das muitas tradições a autêntica Tradição, haja uma instância abalizada, que, no caso, é o magistério da Igreja, a quem Jesus prometeu sua assistência infalível (cf. Mt 28, 19-20; 18, 18; Lc 22, 31s).

3. Calvário e Eucaristia
“3. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque eu creio na plena consumação do Sacrifício de Cristo. Isto significa dizer que eu creio que Cristo morreu pelos nossos pecados de uma vez por todas (1Cor 15, 3; 1Pd 2, 24; Hb 10, 10; cf. 9, 11-12); não sendo necessário (Hb 7, 27; 9, 26; 10, 14.18) e nem mesmo possível (Hb 9, 27-28) renovar ou perpetuar este sacrifício irrepetível, segundo a pretensão a que se realizam as missas católicas”.
O irmão protestante tem razão ao lembrar que Cristo morreu uma vez por todas e já não pode morrer. Por isto a Missa não repete nem renova o sacrifício do Calvário, mas o torna presente ou o perpetua. E isto, para que a Igreja ou os fiéis possam tomar parte na entrega de Cristo ao Pai. Ser cristão não é apenas seguir um Mestre, mas é comungar com a vida de Cristo Cabeça – o que se faz mediante os sacramentos, dos quais a Eucaristia é o principal. Foi assim que as gerações cristãs durante quinze séculos entenderam as palavras de Cristo, que na última ceia entregou aos discípulos o seu corpo e o seu sangue “para a remissão dos pecados”. Segundo o protestantismo, tal entendimento terá sido falso, de modo que só após Lutero no século XVI se entende corretamente a intenção de Jesus na última ceia. Ora dizer isto equivale a acusar o Senhor de haver esquecido a sua Igreja a quem prometeu perpétua assistência (cf. Mt 28, 20). Será lícito acusar de negligência Jesus e seu Santo Espírito? Pergunta-se: quem errou – Jesus ou Lutero e o protestantismo?

4. Fé e obras
“4. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque as Sagradas Escrituras nos ensinam repetidas vezes que a salvação é pela graça e exclusivamente por meio da fé (Jo 1, 12; 3, 15-16; 36; 5, 24; 6, 28-29, 39-40, 47; 11, 25-26; 20, 31; At 10, 43; 13, 39; 15, 11; 16, 31; Rm 1, 16-17; 3, 22-26, 28, 30; Rm 4, 5-8; 5, 1-2; 5, 15-21; 6, 23; 10, 10-11; 1Cor 1, 21; Gl 2, 16; Gl 3, 8; 11; Fp 3, 9; Ef 1, 6-7, 13-14; 2, 8-9; 2Tm 1, 9; 3, 15; 1Pd 2, 6; 1Jo 5, 13; Ap 21, 6; 22, 17) e que as boas obras apenas evidenciam a fé salvífica (Gl 5, 6; 22-23; Tt 2, 14; 3, 8; Tg 2, 18; Ef 2, 10), sendo conseqüência e não causa de salvação. Além disso, as Sagradas Escrituras encerram dentro de uma impossibilidade a hipótese estapafúrdia de que a salvação poderia vir em parte pela graça e em parte pelas obras – como desejaria o Romanismo -, pois o apóstolo Paulo afirma que “Se é pela graça, já não é pelas obras do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11, 6; compare com Ef 2, 9; Tt 3, 5-7).
Na tentativa de amenizar a contradição existente entre a doutrina bíblica e a teologia papista, os católicos romanos, mediante uma interpretação débil e que despreza a exegese bíblica, normalmente citam Tg 2, 18-26 em contraposição a Rm 3-5, como se a verdade das Sagradas Escrituras fosse auto-refutante. Porém, eles é que estão equivocados em sua deturpação (2Pd 3, 16) por omitirem o fato de que o apóstolo Paulo está se referindo unicamente à justificação diante de Deus (ver Gl 3, 11), enquanto o apóstolo Tiago está se referindo à justificação diante dos homens (cf. Tg 2, 18: “…mostra-me a tia fé… te mostrarei a minha fé pelas minhas obras”), cujo significado é vindicar e na qual as obras testificam diante dos homens a existência da fé verdadeira (cf. Tg 2, 14-18), sendo [meramente] frutos da mesma – algo coerente com as demais Escrituras (cf. Ef 2, 10 Gl 5, 6)”.
Não se pode ler São Paulo sem ler também São Tiago.
São Paulo tem em vista a entrada na graça ou a passagem do estado de pecado para o de amigo de Deus; é o que se chama “justificação”, fazer justo, amigo de Deus. Isto ocorre gratuitamente, sem que o homem o mereça por suas obras boas.
São Tiago considera uma comunidade que foi justificada e tem fé, mas é inerte, não praticando os ditames que a fé recomenda; esses cristãos têm uma fé morta, como a do demônio, que crê, mas estremece, porque a sua fé sem obras correspondentes não o salva. Por conseguinte. São Tiago exige boas obras da parte dos crentes não apenas como manifestação da fé, mas como o necessário desabrochamento da fé.
Com outras palavras: São Paulo tem em mira a entrada na vida cristã, ao passo que São Tiago visa a perseverança na mesma. Distingam-se uma da outra justificação e salvação. Alguém pode ser justificado, mas não será salvo se não perseverar na graça recebida ou se na última hora não estiver na graça de Deus que frutifica em boas obras.
Como se vê, as boas obras não são efetuadas independentemente da graça divina, mas são o efeito desta, de tal modo que Santo Agostinho podia dizer: “Deus em nós coroa os seus méritos”.

5. Cristo e os Santos
“5. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque as Sagradas Escrituras enfatizam que apenas o Soberano e Eterno Senhor – que não divide a Sua glória (Is 42, 8; 48, 11: ‘A minha glória não darei a outrem’) – deve ser cultuado. O Senhor Jesus Cristo disse e está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto’ (Mt 4, 10 e Lc 4, 8; veja também Ap 4, 11; 5, 12; 14, 7; 19, 10; 22, 9; 1Cr 16, 29; Sl 96, 9). Perante estas palavras do Senhor e tal ensinamento bíblico referente ao culto exclusivo a Deus, que os cristãos bíblicos preservam e devem preservar, certamente eu jamais poderia concordar com a Mariolatria (devidamente refutada por Jesus em Lc 11, 27-28; veja também Mt 12, 48-50; Mc 3, 33-35) e o culto aos santos, o qual foi recusado até mesmo pelos apóstolos (At 3, 12ss; 10, 25-26; 14, 14-15)”.
É certo que Deus Eterno e Absoluto não pode tolerar outro Eterno e Absoluto ao seu lado; isto seria ilógico. Mas Ele pode – e quer – dar às suas criaturas a graça de ser carnais ou instrumentos da sua ação santificadora; tais são os Santos; por sua intercessão junto ao Pai colaboram com Cristo na salvação dos irmãos, sem diminuir de modo algum a grandeza do ministério de Cristo Sacerdote. Esta verdade pode ser ilustrada pela imagem do professor, que não guarda egoisticamente o seu saber, mas o comunica aos discípulos; assim tem origem muitos sábios sem que o professor perca algo da sua sabedoria. Tal gesto não empobrece, mas, ao contrário, nobilita o professor – Ora algo de análogo se dá com Cristo e os Santos. Estes são venerados e não adorados, como venerados são pai e mãe, como venerado (não adorado) é Tiradentes no dia 21 de abril.
De resto, já os judeus no Antigo Testamento tinham consciência de que os justos no além intercedem por seus irmãos militantes na terra; cf. 2Mc 15, 12-15. É de notar que Lutero, adotando o catálogo bíblico de Jâmnia, retirou da Bíblia, entre outros, os dois livros dos Macabeus.
Em Lc 11, 27 Maria Santíssima não é excluída da bem-aventurança proclamada por Jesus, mas incluído porque ouviu a Palavra de Deus e a pôs em prática por excelência.

6. As imagens
“6. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque as Sagradas Escrituras ensinam de uma forma evidente acerca da proibição divina no que tange ao culto prestado às imagens”.
Já se tem abordado freqüentemente este assunto. A Bíblia proíbe as imagens feitas para a adoração ou idolatria; cf. Ex 20, 4-6. Não as proíbe, porém, quando servem ao fiel para se elevar até as realidades transcendentais, passando do visível ao Invisível, de acordo com a índole própria do psiquismo humano. Tenha-se em vista os numerosos querubins que o próprio Iahweh mandou esculpir no Templo de Salomão; cf. 1Rs 6, 29.

7. Fora da Igreja não há salvação
“7. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque, sabendo que a Palavra de Deus não nos diz que é necessário ser um católico romano para ser salvo (Jo 3, 16-18, 36; 10, 1-11, 27-30; 14, 6; At 16, 31; Rm 10, 9; 1Jo 4, 9; 5, 12). Eu jamais poderia aceitar a pretensão romanista expressa na afirmação de que não há salvação fora da Igreja Católica Romana. Na realidade, quem acrescenta este tipo de condição espúria para a salvação do pecador está pregando um outro Evangelho, ao qual devemos rejeitar (Sl 1, 8)”.
Quem é de Cristo, é também da Igreja de Cristo; não há Cabeça sem corpo, não há tronco de videira sem ramos. O Cristianismo é vivido em comunidade.
Dentre as muitas “Igrejas” cristãs hoje existentes só uma foi fundada diretamente por Cristo, com a promessa da assistência indefectível do Fundador: a Católica, confiada a Pedro e seus sucessores. Esta conserva a sucessão apostólica fiel ao seu primaz, o sacerdócio válido e a Eucaristia.
A pertença à Igreja de Cristo pode ser visível ou invisível. É visível, quando os fiéis professam o mesmo Credo, recebem os mesmos sacramentos e obedecem à mesma hierarquia, como se dá no caso dos católicos praticantes. – A pertença invisível ocorre quando alguém professa e vivencia candidamente um Credo errôneo, acreditando que é o verdadeiro. Deus não revela a fé cristã, mas faz-se presente a tal pessoa mediante a voz da consciência sincera; quem segue fielmente a sua consciência sincera, segue a Deus e pertence invisivelmente à Igreja de Cristo. Quantos são os que assim vivem, só Deus o sabe.
É neste sentido que os católicos entendem o axioma: “Fora da Igreja Católica não há salvação”.

8. O Purgatório
“8. NÃO SOU UM CATÓLICO ROMANO, porque as Sagradas Escrituras testemunham acerca da eficácia do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é capaz de nos purificar de ‘todo pecado’ (cf. 1Jo 1, 7). A doutrina bíblica enfatiza que, mediante seu sacrifício vicário, Jesus Cristo a si mesmo se deu por nós, a fim de ‘remir-nos de toda a iniqüidade’ (Tt 2, 14; cf. Hb 9, 28; 10, 14; 1Jo3, 5). Tendo sido transpassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades, ao levar sobre si o castigo que nos era devido (Is 53, 5; 1Pd 2, 24 compare com Mt 1, 21; Lc 1, 77; 2Cor 5, 20-21; Jo 1, 29). Por isso, creio que nossos irmãos – aqueles que já estão gozando da presença do Senhor – não estão no céu por terem sido purificados pelo fogo de um suposto purgatório, como supõe os católicos romanos”.
Jesus Cristo, por sua Paixão, morte e ressurreição, nos mereceu o ingresso na vida eterna. Todavia Ele não impõe a salvação; espera, antes, que a criatura a aceite livremente. Esta aceitação tem por termo final a visão de Deus face-a-face. Ora, para chegar a tal termo, requer-se que a criatura elimine da sua alma todo resquício de pecado, pois qualquer sombra de pecado é incompatível com a santidade de Deus… Daí a necessidade que incumbe a cada cristão de eliminar do seu coração toda desordem que nele fica mesmo depois de perdoado o pecado; têm que desaparecer as raízes da impaciência, da maledicência, da preguiça… Esta purificação se faz ou na vida presente mediante a ascese vigilante ou na vida póstuma (no purgatório).
Dir-se-á: mas Cristo já não satisfez por nós, obtendo-nos o perdão dos pecados? – Respondemos que Cristo já nos obteve o perdão, que é dado a quem o pede sinceramente; mas o perdão no foro religioso difere do perdão no foro civil. Neste, quando o juiz declara absolvido o réu, o indivíduo absolvido não deve mais nada à Justiça; continuará sua vida portador das mesmas paixões que o levaram ao crime. No foro religioso o perdão implica o total apagamento das raízes do pecado perdoado,… apagamento que fica a cargo da pessoa absolvida porque a visão de Deus face-a-face o exige. Com outras palavras: o perdão de Deus exige uma renovação ontológica e não fica apenas no foro jurídico.
O purgatório não é um lugar de fogo ardente, mas é um estado de alma, em que o indivíduo se arrepende radicalmente de qualquer desordem cometida no seu relacionamento com Deus. A crença na existência desse estado já era professada pelo povo judeu, do qual passou para os cristãos; ver 2Mc 12, 38-45. Lutero rejeitou tal livro, que se encontrava na Bíblia tradicional.

Conclusão
O panfleto em fico apresenta 19 outras razões para não ser católico; são quase todas iguais entre si e baseiam-se na pretensão de que o protestante segue somente a Bíblia; aceita unicamente argumentos bíblicos para dirimir dúvidas ocorrentes. Peça-se-lhe então que responda pela Bíblia uma questão fundamental de criteriologia: onde é que a Bíblia responde à pergunta: os livros sagrados são 66 (como dizem os protestantes) ou 73 (como dizem os católicos)? Onde é que a Bíblia define o seu catálogo?
Caso não possa responder pela Bíblia, reconheça o irmão que está enganado e deixe de formular objeções contra os católicos “somente a partir da Bíblia”.

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, Osb.
Nº 523, Ano 2006, Página 43.

O encontro que não pode ser esquecido

Reflexão sobre a Páscoa
por Frei Patrício Sciadini, ocd

A palavra “Páscoa” evoca no coração de todos nós cristãos sentimentos de alegria, de fé, de amor pela Pessoa de Jesus que, tendo vencido a morte,  ressuscitou  dando-nos a todos o anúncio  que não somos mais escravos da morte e do pecado. A vida resplandece e floresce em quem crê no Senhor ressuscitado. Mas ao mesmo tempo esta palavra evoca  todo o caminho que o povo de Israel realiza  desde a sua libertação da escravidão do Egito nas noites estreladas no deserto, na experiência do frio e do calor, da fome. Evoca a tentação da idolatria de um lado e de outro o amor incansável de Deus  que através de Moises, caminha na frente do povo  rumo a terra prometida. Um caminho que  inicia com a libertação e que termina  somente no encontro definitivo com o novo cordeiro imolado, Cristo Jesus, em cujo sangue somos lavados e nossas vestes se fazem mais brancas do que a neve. Páscoa, nova aliança sagrada da passagem da morte a vida. A grande páscoa de Cristo, resultado de tantas pequenas Páscoas que se realizam no caminho  de todo cristão. Páscoa, experiência de nossa fragilidade e da graça de Deus. Um encontro que  não pode ser esquecido porque é festa  a ser contada de pai para filho  por todas as gerações. Celebração em que o menor de todos, vendo todos os preparativos,  fica extasiado  e se aproxima do mais velho e pergunta  com alegria e brilho nos olhos: por que fazemos isto? E  inicia  o relato pascal,  a grande alegria  de contar aos que vêm depois de nós  que fomos amados por Deus e libertados de todos os nossos pecados. Páscoa celebrada de pé,  com sandálias nos pés, com bastão na mão, comendo o cordeiro “sem mancha e defeito”, imolado,   pronto para retomar  o caminho, comido com erva amarga para que o povo nunca esqueça que a alegria maior é sempre unida a cruz e a dor. Uma dor de alegria e celebração, é verdade que os pés sangram e doem, que o coração está ferido,  mas é também verdade que  um espírito novo  está presente no coração de quem crê. Páscoa  nova, celebrada  não mais de pé, mas com pressa, por Jesus no cenáculo como despedida solene  dos seus discípulos, como entrada dolorosa na paixão, onde o mesmo Jesus  experimenta  o abandono de todos, a solidão, a dificuldade do caminho, as lágrimas amargas, a negação dolorosa. Mas com plena consciência de ter realizado o projeto do Pai até o fim no amor oblativo de si mesmo. Onde tudo é consagrado com o derramamento do seu sangue,  sangue vivo de amor e fecundante  de una nova vida. Páscoa não compreendida, sofrida  no início do caminho da traição, mas que  na medida em que  a morte de cruz  se aproxima, aumenta a dor e incerteza, o medo  de que tudo está terminado. Mas o Cristo caminha de  cabeça erguida,  voluntariamente, até o calvário, para  se consumir  no amor ao Pai. O seu “tudo está consumado” não é desespero e nem  fracasso, mas sim realização de amor e “sim”  definitivo. Como é bela a páscoa contemplada como pequenas ou grandes mortes, pequenas ou grandes ressurreições. Páscoa é festa que se prepara a partir de dentro para fora,  num processo de conversão e de infinito amor. Experiência de pecado e de graça, somente os que  tem atravessado consciente e corajosamente o deserto da “quaresma”, nos quatro caminhos  indicados pelo Papa Bento XVI: oração, silêncio, partilha e jejum poderão experimentar a alegria da Páscoa. Sem esta vivencia  a Páscoa será um canto  vazio, um conector não marcante, uma passagem  que não transforma  a vida,  mas a torna ainda mais vazia. A páscoa é uma festa que é marcada por uma palavra tão familiar a todos  nós e inclusive presente em todas a s línguas  de todos os que creem “aleluia”. É necessário que cante a mente, cante o coração e cante o corpo  que se acorda do seu sono e do seu silêncio para contemplar o Cristo ressuscitado. O canto do aleluia  nos faz perceber que   a nossa “HORA” chegou, embora não ainda plenamente,  a hora da vida, da alegria, da vitória sobre o mal. Páscoa no mundo tecnológico e do consumismo,  banalizada,  reduzida a “férias”, viagens, compras, ovos pascais e colombas pascais, chocolate diet e outras coisinhas  que servem para preencher  o vazio do coração sem fé. Banalizar a Páscoa, instrumentalizá-la  para comércio é algo que fere não a sensibilidade dos cristãos, mas a fé.  A páscoa no hoje da nossa história é sermos  semeadores de esperança somente, que nasce da noite para o dia, outra numa semana e outra  num mês e outra  no fim da vida e outra ainda  daqui a 100 anos. Quero ser semeador da semente da esperança que nascerá daqui a 100 anos, assim não correrei o risco da vaidade. Crer na Páscoa é graça de Deus. Dizer feliz páscoa é dizer ao outro,  seja qual for, “você é feliz só se crê que Cristo  nasceu, sofreu, morreu e ressuscitou” e que ele lhe espera no céu para  você participar da sua glória. A páscoa, mais que uma celebração, uma memória, é uma Pessoa viva, Cristo, e você  que crê em Cristo. Feliz páscoa!

* Frei Patrício Sciadini, ocd, religioso, Carmelita Descalço, escreveu mais de 60 livros, publicados no Brasil e no exterior, atualmente é o delegado geral no Egito.

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