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O estranho

Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.

O estranho aceitou e desde então tem estado conosco.

Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.

Meus pais eram instrutores complementares: Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer. Mas o estranho era nosso narrador. Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias.

Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.

Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!

Levou minha família ao primeiro jogo de futebol. Fazia-me rir, e me fazia chorar. O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava. Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora). Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las. As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar. Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente. Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos. Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos.

Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.

Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar.

Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio. Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia…

Seu nome?

Nós o chamamos Televisor…
Agora ele tem uma esposa que se chama Computador
e um filho que se chama Celular!

Santo Evangelho (Mc 3, 20-35)

10º Domingo do Tempo Comum – 07/06/2015 

Primeira Leitura (Gn 3,9-15)
Leitura do Livro do Gênesis:

Depois que o homem comeu da fruta da árvore, 9o Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” 10E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”. 11Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” 12Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. 13Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 129)

— No Senhor toda graça e redenção!
— No Senhor toda graça e redenção!

— Das profundezas eu clamo a vós, Senhor,/ escutai a minha voz!/ Vossos ouvidos estejam bem atentos/ ao clamor da minha prece!

— Se levardes em conta nossas faltas,/ quem haverá de subsistir?/ Mas em vós se encontra o perdão,? Eu vos temo e em vós espero.

— No Senhor ponho a minha esperança,/ espero em sua palavra./ A minh’alma espera no Senhor / mais que o vigia pela aurora.

— Espere Israel pelo Senhor,/ mais que o vigia pela aurora!/ Pois no Senhor se encontra toda graça/ e copiosa redenção./ Ele vem libertar a Israel/ de toda a sua culpa.

 

Segunda Leitura (2Cor 4,13-18-5,1)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 13Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, 14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. 16Por isso, não desanimemos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. 17Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. 18E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. 5,1De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 3,20-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. 22Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela nos poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. 31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. 33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pedro de Córdova, fiel leigo

O santo de hoje viveu num tempo de grande perseguição. Foi no século IX, no ano de 851: um rei de outra religião estava impondo para os cristãos a renúncia de Cristo e a adesão a tal outra religião. Claro que muitos optaram pela fidelidade a Jesus, mesmo em meio às ameaças e perseguições.

Pedro, fiel leigo, que foi para Córdova junto com outro amigo por causa dos estudos, deparou-se com aquela perseguição. Eles se apresentaram a um juiz, que questionou a fé daqueles cristãos. E Pedro respondeu testemunhando Jesus Cristo, falando sobre a verdadeira religião, da Salvação, do único Salvador. Aquele juiz não aceitou os argumentos e condenou Pedro e seus companheiros ao martírio.

Eles foram com alegria, testemunhando a esperança da ressurreição. Foram degolados e depois tiveram seus corpos dependurados e queimados, e ainda tiveram suas cinzas lançadas num rio, para que ninguém os venerasse.

Diante do testemunho desses mártires, peçamos a Deus a graça da fidelidade.

São Pedro de Córdova e companheiros, rogai por nós!

Ainda hoje, cristãos são mortos em nome de Deus, lembra Papa

Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Santo Padre falou do testemunho dado por tantos cristãos até o martírio; a força desse testemunho vem do Espírito Santo, disse

Francisco fala do martírio sofrido por tantos cristãos, que testemunham Cristo até o fim / Foto: L’Osservatore Romano

Na Missa desta segunda-feira, 11, o Papa Francisco recordou os cristãos perseguidos. Ele lembrou que, ainda hoje, se mata cristãos em nome de Deus, mas o Espírito Santo dá a força de testemunhar até o martírio.

No Evangelho do dia, Jesus anuncia aos discípulos o Espírito Santo. Francisco explicou que Deus fala do futuro, da cruz que espera pelo homem e do Espírito, que prepara a dar o testemunho cristão. Portanto, fala “do escândalo das perseguições”, do “escândalo da Cruz”.

A cruz é considerada um escândalo para os judeus e uma loucura para os pagãos, disse o Papa, mas os cristãos, pelo contrário, pregam Cristo crucificado. Jesus, então, preparou os discípulos para que não se escandalizassem com a sua Cruz, anunciando: virá a hora em que aquele que vos matar julgará realizar um ato de culto a Deus.

“Hoje somos testemunhas dessas pessoas que matam os cristãos em nome de Deus, porque são infiéis, segundo eles. Esta é Cruz de Cristo: ‘E isso farão porque não reconheceram o Pai nem a mim’. ‘O que aconteceu a mim – afirma Jesus – acontecerá também a vós – as perseguições, as tribulações – mas, por favor, não vos escandalizeis: será o Espírito a guiar-nos e a fazer-nos entender’”.

Fiéis degolados

Neste contexto, o Papa recordou o telefonema que recebeu no domingo, 10, do Patriarca copta Tawadros, porque a data constitui o dia da amizade copta-católica.

“Eu recordei os seus fiéis, que foram degolados na praia porque eram cristãos. Esses fiéis, pela força que lhes deu o Espírito Santo, não se escandalizaram. Morreram com o nome de Jesus nos lábios. É a força do Espírito. O testemunho. É verdade, a força do Espírito. O testemunho. É verdade, o martírio é justamente isso, o testemunho supremo”.

O testemunho diário

Francisco lembrou que há também o testemunho diário, que torna presente a fecundidade da Páscoa trazida pelo Espírito Santo, que guia para a verdade plena.

“Um cristão que não leva a sério esta dimensão de martírio da vida não entendeu ainda o caminho que Jesus nos ensinou: o caminho do martírio de todos os dias; de defender os direitos das pessoas; dos filhos: pai e mãe que defendem sua família; o caminho do martírio de tantos, tantos doentes que sofrem por amor de Jesus. Todos nós temos a possibilidade de levar avante esta fecundidade pascal no caminho do martírio, sem nos escandalizar”.

O Papa concluiu com esta oração: “Peçamos ao Senhor a graça de receber o Espírito Santo, que nos fará recordar as coisas de Jesus, que nos guiará rumo a toda a verdade e nos preparará a cada dia para oferecer este testemunho, para oferecer este pequeno martírio de todos os dias ou um grande martírio, segundo a vontade do Senhor”.

Que as famílias não percam a capacidade de sonhar, diz Papa

Encontro nas Filipinas

Sexta-feira, 16 de janeiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

No encontro com as famílias nas Filipinas, Santo Padre falou da importância da família sonhar e rezar unida

Que a família nunca perca a capacidade de sonhar. Esta foi uma das mensagens deixadas pelo Papa Francisco às famílias das Filipinas no encontro que teve com elas nesta sexta-feira, 16, em sua visita ao país. Falando várias vezes de improviso, em espanhol, Francisco também destacou a necessidade da família permanecer em Deus e rezar sempre unida.

O discurso do Papa se concentrou na figura de São José, que muitas vezes aparece nas escrituras repousando enquanto lhe é revelada em sonho a vontade de Deus. Francisco disse que não é possível uma família que não sonhe pois, sem essa capacidade, os filhos não crescem e o amor se perde.

“Por isso, recomendo a vocês que à noite, quando fizerem o exame de consciência, se coloquem essa pergunta: hoje sonhei com o futuro dos meus filhos? Sonhei com o amor do meu esposo, da minha esposa, sonhei com meus pais e avós que fizeram a história também? É tão importante sonhar. Primeiro de tudo sonhar em uma família. Não percam essa capacidade de sonhar”.

O Santo Padre observou que Deus também fala com o homem nos momentos de repouso, quando ele coloca de lado seus deveres e atividades diárias. A partir disso, o Papa pediu que as famílias considerem três aspectos, em especial: repousar no Senhor, levantar-se com Jesus e Maria e ser voz profética.

“O repouso é essencial também para a nossa saúde espiritual, para podermos ouvir a voz de Deus e compreender aquilo que nos pede”. E para que cada cristão possa providenciar uma casa para Jesus, a exemplo da Sagrada Família, é preciso repousar em Deus, encontrar tempo para rezar, mesmo diante dos afazeres da vida cotidiana.

“Se não rezarmos, nunca conheceremos a coisa mais importante de todas: a vontade de Deus a nosso respeito. Além disso, durante toda a nossa atividade, na multiplicidade das nossas ocupações, conseguiremos verdadeiramente pouco sem a oração”.

Levantar e agir

Embora necessários, tais momentos de repouso não podem se prolongar por muito tempo, ressaltou o Papa. A exemplo de São José, após ouvir a voz de Deus, é preciso despertar e agir.

“A fé não nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele. Na realidade, a cada um de nós cabe um papel especial na preparação da vinda do Reino de Deus ao nosso mundo. (…) Deus chama-nos a reconhecer os perigos que ameaçam as nossas próprias famílias e a protegê-las do mal.

Francisco mencionou ainda as várias pressões que a vida a família sofre hoje. “A família está ameaçada também pelos crescentes esforços de alguns em redefinir a própria instituição do matrimônio mediante o relativismo, a cultura do efêmero, a falta de abertura à vida”.

Nesse ponto, o Pontífice recordou o beato Paulo VI, que teve a coragem de de defender a abertura à vida na família. “Paulo VI era valente, era um bom pastor e alertou suas ovelhas sobre os lobos que as rondava. Que ele nos abençoe nesta tarde”. E acrescentou: “Toda a ameaça à família é uma ameaça à própria sociedade”.

A Igreja também nos quer quando estamos sujos, pois ela nos limpa

Homilia do papa na Casa Santa Marta
Francisco nos convida a pedir três graças de Deus: morrer na Igreja, morrer na esperança e morrer deixando o legado de um testemunho cristão
Por Redacao

ROMA, 06 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Como acontece toda manhã, o Santo Padre celebrou hoje a eucaristia na capela da Casa Santa Marta. Durante a homilia desta quinta-feira, ele refletiu sobre o mistério da morte e nos convidou a pedir três graças de Deus: morrer na Igreja, morrer na esperança e morrer deixando o legado de um testemunho cristão. Ao comentar a primeira leitura do dia, sobre a morte de Davi, que passou a vida a serviço do seu povo, o papa destacou três aspectos. Em primeiro lugar, Davi morre “no seio do seu povo”. Ele vive até o final “a sua pertença ao Povo de Deus. Ele tinha pecado: ele mesmo se chama de pecador, mas nunca saiu do seio do Povo de Deus! Pecador sim, traidor não! E esta é uma graça: permanecer até o fim dentro do Povo de Deus. Ter a graça de morrer no seio da Igreja, no seio do Povo de Deus. E este é o primeiro ponto que eu gostaria de enfatizar: pedir para nós também a graça de morrer em casa. Morrer em casa, na Igreja. E é uma graça! Isso não se compra! É um presente de Deus e temos que pedi-lo: Senhor, me dá o presente de morrer em casa, na Igreja! Pecador sim, todos, todos somos pecadores! Mas traidores não! Corruptos não! Sempre dentro! E a Igreja é tão mãe que também nos quer assim: muitas vezes sujos; mas a Igreja nos limpa, ela é mãe!”. Em segundo lugar, o papa destacou que Davi morre “tranquilo, em paz, sereno”, na certeza de ir “para o outro lado para junto dos seus pais”. Por isso, Francisco afirmou que “esta é outra graça: a graça de morrer na esperança, com a consciência de que estão nos esperando do lado de lá, de que no outro lado também continuaremos em casa, continuaremos em família”, não estaremos sozinhos. “Esta é uma graça que queremos pedir, para que, nos últimos momentos da vida, saibamos que a vida é uma luta e que o espírito do mal quer vencer”. O papa continuou: “Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que, nos seus últimos tempos, havia uma luta dentro da sua alma, e, quando ela pensava no futuro, naquilo que a esperava depois da morte, no céu, ela sentia uma voz que dizia: ‘Mas não, não sejas boba, só a escuridão te espera. Só a escuridão do nada te espera!’. É ela quem nos conta isso. E aquela voz é a voz do diabo, do demônio, que não queria que ela se fiasse de Deus. Morrer na esperança e morrer confiando-se a Deus! E pedir esta graça. Mas confiar em Deus começa agora, nas pequenas coisas da vida, e também nos grandes problemas: confiar sempre no Senhor, criar o costume de confiar-se ao Senhor e crescer na esperança. Morrer em casa, morrer na esperança”. O terceiro aspecto que o pontífice abordou foi a herança deixada por Davi. O papa recordou que há “muitos escândalos em torno da herança”, “escândalos nas famílias, que as dividem”. Davi, porém, “deixa a herança de 40 anos de governo” e “um povo consolidado, forte”. O papa recordou ainda “um ditado popular que diz que cada homem, na vida, deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro: esta é a melhor herança!”. E Francisco nos convidou a perguntar: “Qual é a herança que eu deixo para os que vêm depois de mim? Uma herança de vida? Fiz tanto bem a ponto de as pessoas me quererem como pai, como mãe? Davi deixa essa herança para o filho dizendo a ele: ‘Sê forte e mostra-te homem. Observa a lei do Senhor, teu Deus, seguindo-a”. Ao encerrar a homilia, o Santo Padre declarou: “Esta é a herança: o nosso testemunho, como cristãos, legado aos outros. E alguns de nós deixam uma grande herança: pensemos nos santos que viveram o Evangelho com tanta força, que nos deixam um caminho de vida e um modo de viver como herança. Estas são as três cosas que me vêm ao coração na leitura deste fragmento sobre a morte de Davi: pedir a graça de morrer em casa, morrer na Igreja: pedir a graça de morrer em esperança, com esperança; e pedir a graça de deixar uma bela herança, uma herança humana, uma herança feita com o testemunho da nossa vida cristã. Que São Davi conceda a todos nós essas três graças!”.

 

Papa fala do mistério da morte: “deixar testemunho cristão” 
Homilia, quinta-feira, 6 de fevereiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

A partir do exemplo de Davi, Francisco ressaltou a importância de morrer deixando como legado o testemunho de uma vida cristã

Na Missa, desta quinta-feira, 6, na Casa Santa Marta, Papa Francisco comentou o mistério da morte. Ele convidou os fiéis a pedirem a Deus três graças: morrer na Igreja, morrer na esperança e morrer deixando como herança um testemunho cristão. Na homilia, Francisco comentou a primeira leitura do dia, que conta a morte de Davi depois de uma vida vivida a serviço de seu povo. Ele destacou que o rei viveu, até o fim, a sua pertença ao povo de Deus, embora tenha cometido pecados. “Pecador sim, traidor não! Essa é a graça: permanecer, até o fim, com o povo de Deus, ter a graça de morrer na Igreja, propriamente com povo do Senhor. Isso não se compra; é um presente de Deus e devemos pedi-lo ao Senhor”. O segundo aspecto destacado por Francisco foi o “morrer na esperança”, tendo a consciência de que, do outro lado, alguém espera pelo homem, de forma que ele não estará sozinho. “Morrer na esperança e confiar em Deus! No entanto, a confiança n’Ele começa agora, nas pequenas coisas da vida e também nos grandes problemas.” Francisco também falou da herança deixada por Davi, fato a partir do qual enfatizou a necessidade de morrer deixando como herança um testemunho cristão. O que Davi deixou de herança foram 40 anos de governo e um povo consolidado e forte. Ao seu filho, ele disse que fosse forte, observasse as leis de Deus e seguisse os Seus caminhos. “Este é o legado: o nosso testemunho de cristãos deixado aos outros. Alguns de nós deixam uma grande herança! Pensemos nos santos, os quais viveram o Evangelho com tanta força, que nos deixaram um caminho de vida e um modo de viver (…) Que São Davi conceda a todos nós essas três graças!”

Nota da CNBB sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo

Quinta-feira, 16 de maio de 2013

‘Desejamos recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito’  

“Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 14, 15 e 16 de maio de 2013, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar. Desejamos também recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito.

Diante da Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a “habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo” (n. 175/2013), recordamos que “a diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural” (Nota da CNBB, 11 de maio de 2011). A família, assim constituída, é o âmbito adequado para a plena realização humana e o desenvolvimento das diversas gerações, constituindo-se o maior bem das pessoas.

Ao dar reconhecimento legal às uniões estáveis como casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em nosso país, a Resolução interpreta a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011 (cf. ADI 4277; ADPF 132). Certos direitos são garantidos às pessoas comprometidas por tais uniões, como já é previsto no caso da união civil. As uniões de pessoas do mesmo sexo, no entanto, não podem ser simplesmente equiparadas ao casamento ou à família, que se fundamentam no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e à educação dos filhos.

Com essa Resolução, o exercício de controle administrativo do CNJ sobre o Poder Judiciário gera uma confusão de competências, pois orienta a alteração do ordenamento jurídico, o que não diz respeito ao Poder Judiciário, mas sim ao conjunto da sociedade brasileira, representada democraticamente pelo Congresso Nacional, a quem compete propor e votar leis.

Unimo-nos a todos que legítima e democraticamente se manifestam contrários a tal Resolução. Encorajamos os fiéis e todas as pessoas de boa vontade, no respeito às diferenças, a aprofundar e transmitir, no seio da família e na escola, os valores perenes vinculados à instituição familiar, para o bem de toda a sociedade.

Que Deus ilumine e oriente a todos em sua vocação humana e cristã!”

Brasília-DF, 16 de maio de 2013

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Presidente da CNBB em exercício

Dom Sergio Arthur Braschi
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB em exercício

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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