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Vamos celebrar com alegria o aniversário do nascimento de Jesus

“Jesus: rosto humano de Deus, rosto divino do homem”.

Natal vem chegando e a expectativa pela festa acende a esperança no coração de muita gente. A cidade brilha com os enfeites natalinos e o comércio aproveita a ocasião para estimular as compras e aquecer as vendas… Há  luzes, músicas, presentes, enfeites natalinos… a alegria invade corações e casas, porque está próxima a celebração do aniversário do nascimento de Jesus.

Ele merece, com certeza todas as nossas homenagens. Mas será que nós o conhecemos? Sabemos quem Ele é? Como viveu,  o que ensinou? A festa só terá realmente o verdadeiro significado se nós soubermos a quem estamos festejando e o porquê de tanta alegria.

Existem centenas de milhares de livros sobre Jesus; também foram produzidos muitos filmes e gravadas muitas músicas. As pessoas gostam de escrever, de cantar e de falar sobre Jesus, mas será que O conhecem de fato? Para muitas pessoas Ele é um mestre, o homem mais importante que já existiu, um grande milagreiro, um pregador extraordinário… Jesus é tudo isso e muito mais.

Além de ser uma pessoa encantadora, Ele foi, é, e será para sempre o Filho de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, o Verbo eterno que se encarnou. Deus se fez humano, irmão, pequenino e frágil, abrigado por uma família pobre e desconhecida de Nazaré. Celebrar o Natal é deixar-se envolver pela paz do presépio. Em Belém a simplicidade caracteriza a gruta, a manjedoura, as pessoas.

É a profecia que se realiza:

“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz, para os que habitavam as sombras da morte uma luz resplandeceu.” Isaías 9,1

“Pois nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. O poder de governar está em seus ombros. Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da Paz. Ele estenderá seu domínio e para a paz não haverá limites. Sentado no trono, com o poder real de Davi, fortalece e firma esse poder, com a prática da justiça, a partir de agora e sempre. O amor apaixonado do Senhor dos exércitos que há de fazer tudo isso”.Isaías 9,5-6

Natal é a festa do amor que traz Paz para nossos corações, nossas casas, nossas igrejas e para a sociedade toda. Assim afirmamos com fé, alegria e esperança, que Jesus Cristo é a luz de Deus que vem trazer vida e salvação ao mundo.

‘Natal sem amor é Natal sem Jesus e Natal sem Jesus é Natal sem sentido’.

SENHA – Serviço Ecumênico de Novo Hamburgo Composto pelas Igrejas: Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil e Evangélica Luterana do Brasil

 

XXV Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

A parábola que, neste domingo, nos narra o evangelista Mateus, é eivada de dificuldades. Trata-se da história de um senhor que, nas horas mais diversas do dia, sai à procura de trabalhadores para sua vinha, e os contrata. Ao final do dia, inicia o pagamento pelos últimos que recebem a mesma quantia dos primeiros. São muitos os comentaristas e os pregadores que não sabem exatamente como explicá-la ao povo fiel. Seria uma injustiça esta, equiparar os últimos aos primeiros? Bem, se se trata de um prêmio na vida eterna, então nós deveríamos dizer que um texto desses cancela outros textos do Novo Testamento, onde vem dito que Deus dará a cada um de acordo com sua conduta. É evidente que não é possível equiparar, na vida eterna, quem viveu sempre segundo Cristo, com as exigências do Evangelho, entrando sempre pela porta estreita, transitando sempre pela via estreita, perdendo-se neste mundo, a outro que arranca a salvação na última hora através de uma confissão que tente remediar uma vida inteira de pecados e desordens de todo tipo. É evidente que Deus não pode, na eternidade, equiparar estes dois tipos de pessoas. Mas aqui não se trata do prêmio eterno; aqui se trata do Reino dos Céus que é trazido a este mundo, e é assim que, efetivamente, inicia-se a parábola: “o Reino dos Céus é semelhante a…” Aqui se trata da disponibilidade diante do Reino dos Céus. Esta parábola, na boca de Jesus, quis dizer o seguinte: Existem pessoas marginais, ou consideradas tais pelas autoridades religiosas, sacerdotes e fariseus; existem pecadores públicos, prostitutas e publicanos, ladrões e arrecadadores de impostos que, diante da pregação de João, e da pregação de Jesus, converteram-se. E essas pessoas, apesar de serem o que foram no passado, agora estão em situação melhor, diante de Deus, do que a dos fariseus letrados e autoridades religiosas que não deram sequer o primeiro passo na conversão. Estes últimos aqui dão verdadeira lição aos primeiros; estes foram dóceis, os outros endureceram o próprio coração. Mais tarde, esta parábola serviu para falar dos Judeus que, em massa, apostataram, ou melhor, não quiseram entrar no Reino inicialmente oferecido por Jesus, e este Reino foi entregue aos pagãos; aos convidados da última hora que foram mais dóceis em aceitar a proposta que os primeiros. É assim que o texto deve ser lido: Deus quer sempre o acolhimento e a disponibilidade, não importa o momento. O momento é graça que não depende de nós.

 

NA JUSTIÇA DO REINO NÃO HÁ DESIGUALDADE
Padre Bantu Mendonça

A parábola de hoje nasce no contexto da realidade agrícola do povo da Galileia. Era uma região rica, de terra boa, mas com seu povo empobrecido, pois as terras estavam nas mãos de poucos e a maioria trabalhava como arrendatários. O texto nos ensina que a lógica do Reino não é a lógica da sociedade vigente. Em nossa sociedade, uma pessoa vale pelo que produz – logo, quem não produz não tem valor. Assim se faz pouco caso do idoso, do aposentado, do doente e do deficiente físico. A parábola compara o Reino dos Céus ao patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. À primeira vista, tudo bem. Se, porém, examinarmos com atenção o ambiente social da parábola, encontramos uma situação lastimável: a praça da cidade, lugar onde todos se encontram, está cheia de pessoas desempregadas. Nós, que estamos tão acostumados com essa realidade, não medimos muitas vezes o alcance dessa situação. A parábola não nos diz por que se chegou a tal situação de desemprego. Contudo, a Bíblia nos afirma que o ideal de todo israelita era ter seu pedaço de terra, plantar suas parreiras, usufruir dos frutos de seu trabalho. Por que, então, há tantas pessoas desenraizadas da terra? Por que estão perambulando pela praça da cidade? Como chegaram a esse estado? Como sobrevivem essas pessoas? Mas vamos ao nosso texto: A parábola nos diz que o patrão combinou – com os trabalhadores contratados de manhã cedo – uma moeda de prata por dia. Para o povo da Bíblia, o salário devia ser pago no fim do dia. Esse versículo nos mostra que o salário não é imposto pelo patrão. É fruto de um acordo entre ele e o empregado, de modo que seja evitada a exploração do primeiro em relação ao segundo. O empregado concordou com o salário estipulado e isso supõe que, com uma moeda de prata diária, poderia levar uma vida digna. O patrão passa novamente pela praça por volta das nove horas. Encontra mais gente desempregada. Contrata-os para trabalhar na vinha, não mais prometendo pagar uma moeda de prata, e sim o que for justo. A essa altura, a parábola começa a provocar suspense: o que o patrão entende por justiça? O versículo cinco nos mostra que o patrão faz a mesma coisa ao meio-dia, às três horas da tarde e também em torno das cinco horas, quando o dia está por terminar. A praça da cidade ainda está cheia de gente desempregada: “Ninguém nos contratou”, ou seja, não houve quem se interessasse pela situação dessa gente. Quantas pessoas – e por quantas vezes – chegaram ao fim do dia sem ter “sua moeda de prata”, sem ter como defender a própria vida e a de seus dependentes? O patrão os manda para sua vinha sem lhes dizer o que vão receber por uma hora apenas de trabalho. Isso aumenta, no ouvinte, o suspense em relação ao final da parábola. O fim do dia chegou. E chega também a novidade que nos mostra o que é a justiça do Reino: “O patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague uma diária a todos! Comece pelos últimos e termine pelos primeiros’”. A inversão na ordem de pagar os empregados cria o suspense maior, provocando assim o diálogo entre o patrão e o empregado da primeira hora que reclama pelo fato de os últimos terem sido igualados aos primeiros. A decisão do patrão é o coração da parábola e traça uma nítida distinção entre a justiça da nossa sociedade e a justiça do Reino. A justiça dos homens funciona desta forma: cada qual recebe pelo que fez, sem levar em conta as necessidades de cada um nem os motivos pelos quais as pessoas estavam desempregadas após terem perdido seu pedaço de terra. A justiça do Reino, por sua vez, tem este princípio: todos têm direito à vida em abundância. Os marginalizados não carecem em primeiro lugar de beneficência, mas da justiça que arrebenta os trilhos estreitos daquilo que normalmente entendemos por justiça. É isso que faz o patrão: dá a cada um segundo a justiça do Reino. Os que foram contratados de manhã cedo murmuram. Sua queixa revela com exatidão quais são os critérios de Deus: “Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro”. Nesse sentido, “operários da primeira hora” somos todos nós quando admitimos e defendemos a desigualdade brutal existente entre o salário de um trabalhador braçal e o de um executivo, de uma professora de primeiro grau, de um político, entre outros. O projeto de Deus, diferente do nosso, – até que nos convertamos aos pensamentos e caminhos de Deus – preveem igualdade para que todos possam usufruir da vida: “Tome o que é seu e volte para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a você. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque eu estou sendo generoso?” O trabalho não existe para criar desigualdade. O ciúme desse operário da primeira hora é, no Evangelho de Mateus, pequena amostra de todos os conflitos que Jesus enfrentou por causa de Sua opção por fazer justiça aos últimos. Resultado final desse “ciúme” é Sua condenação à morte. Soa, portanto, aos nossos ouvidos – mais uma vez – o programa de Jesus: “Devemos cumprir toda a justiça”, e o programa dos Seus seguidores: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e a dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus”. Pai, que eu jamais me deixe levar pelo espírito de ambição e rivalidade, convencido de que, no Reino, somos todos iguais: teus filhos.

 

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM, A
“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Campanha(MG)

Meus irmãos, Hoje vivenciamos a liturgia da gratuidade de Deus, num estudo apurado das realidades do Reino de Deus. Tudo isso dentro daquilo que a todos os homens que não são serenos aflige: “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”(cf. Mt 20,16). A liturgia quer nos ensinar o que é a justiça: a bondade que vem de Deus Nosso Senhor. A Justiça de Deus não é contrária à sua bondade, pelo contrário, ela é idêntica. Isso porque Deus perdoa a todos os pecadores que se convertem. Deus não está interessado em pagamento, mas em vida, e vida em abundância: “Não quero a morte do pecador, mas sim, que ele se converta e viva”. (cf. Ez 18, 23). Essa mensagem é a primeira mensagem que vamos levar para casa hoje, refletindo a primeira leitura de Isaías, que nos oferece o convite para o tempo messiânico, que é também o tempo da plena revelação da estranha justiça de Deus, que tanto ultrapassa à nossa, quando o céu transcende a terra. Irmãos,  A Primeira Leitura – Is 55,6-9 – nos apresenta o tempo favorável da conversão. Isaías 55 é colocado como conclusão do chamado livro da Consolação(Is 40-55, o Segundo Isaías); é uma exortação dos judeus exilados para não procurar sua consolação junto aos deuses da Babilônia, mas junto ao único Deus verdadeiro, Javé, fonte de toda a sabedoria e vida. Com palavras que lembram Ez 18,21-23, o profeta insiste que nem mesmo o pecado é um empecilho para converter-se, voltar a Javé e sua justiça, vivida na Lei judaica. Não adere à intolerância dos que só dão chances aos “impecáveis”. O povo está para voltar à sua terra, graças ao decreto do rei Ciro. Mas esta volta não resolve nada, sem a volta a Javé, o Deus que perdoa e não pensa como os homens. Amigos e amigas, O Evangelho de hoje(Mt 20,1-16) nos convida a sermos gratuitos como o Pai do Céu é gratuito para com todos os viventes, dentro da universalidade da Salvação. A lição de hoje é muito difícil e provocadora: é a lição da gratuidade. Deus oferece e dá porque é generoso, não porque alguém o mereça ou tenha “comprado” direitos que possam garantir algum ganho em troca. Todos os homens recebem o dom da vida com gratuidade, e esse deveria ser o seu comportamento por toda a sua peregrinação neste vale de lágrimas, rumo à Jerusalém Celeste. A gratuidade é a maior demonstração do tanto que Jesus nos ama e nos quer bem: “Ele morreu generosa e gratuitamente no Madeiro da Cruz para a salvação de toda a humanidade”. Hoje a parábola não nos fala de trabalho/salário, mas da generosidade do patrão, do empregador, que deve ser a nossa meta para a nossa vida diária. A lição central da Missa de hoje é a bondade do patrão, que pagou aos últimos tanto quanto aos primeiros, dentro do sentido do Reino de Deus, usando não os critérios dos homens, mas os critérios de Deus, que nos ensina que ama os últimos como ama aos primeiros. Deus não faz acepção de pessoas e nem comete injustiça, pelo contrário, é o patrão das bem-aventuranças, da acolhida sem limites, do perdão, da partilha, do acolhimento, com generosidade superabundante do amor gratuito. Irmãos e Irmãs, Não pensemos que a lição central de hoje foi fácil no tempo de Jesus. Ainda mais nos nossos tempos, a lição é provocadora, porque a gratuidade é difícil de ser entendida e dificílima de ser vivida. No tempo de Jesus os hebreus comprovam com “moeda” as bênçãos de Deus, pela observância das leis. Jesus veio dar um novo sentido de sofrimento, iluminado pela sua Cruz e Ressurreição Redentora, porque os homens recebem não porque a criatura o mereça, não porque a criatura é boa, mas porque Deus é bom, misericordioso, gratuito, generoso e quer dar.  Tudo isso junto com as boas obras que somos convidados a empreender, mas o critério básico é o desapegar-se e a gratuidade. Não adianta ao homem querer comprar a Deus, porque o Reino de Deus é o reino da gratuidade, do despojamento, da gratuidade. A gratuidade é a realização da perfeição da lei. Jesus ensinou que o operário é digno de seu salário (cf. Lc 10,7). Mas Deus ensinou mais com o projeto da gratuidade. Deus é sempre gratuito e todas as ações de seus filhos devem ser a mesma linha do desapegamento dos pagamentos e recompensas, para a generosidade de tudo, até de si mesmo, para alcançar o Reino das bem-Aventuranças. A lição da gratuidade é a grande meta desta semana, de nossas ações, de nossos trabalhos,de nossos relacionamentos, de nossa vida de comunidade. Devemos agir sem esperar receber nada, mas com bondade, compaixão, misericórdia. Jesus ensinou e viveu o que pregou. Jesus não faz acepção entre os primeiros e os últimos. Um pecador que passou toda a sua existência fazendo o mal, convertendo-se arrependido de seus pecados será acolhido no céu igualmente ao homem justo e santo, porque DEUS CARITAS EST, ou seja, DEUS É AMOR E CARIDADE. Tudo isso é muito difícil de assimilar aos olhos humanos, mas a gratuidade que provém de Deus nos chama para procurarmos o rosto sereno e radioso do Senhor “cuja plenitude recebemos graça sobre graça” (cf. Jo 1,16). O amor de Jesus é perfeito. Irmãos e Irmãs, Hoje refletimos sobre o modo de agir de Jesus. Isso é muito bom, porque se fossemos medidos por Jesus poucos entrariam no Reino dos Céus. Mas Deus não faz estatísticas. Ele faz acolhimento com generosidade. Pensemos em Paulo, que escreve aos Filipenses que ele não sabe o que escolher: viver para um frutuoso trabalho ou morrer para estar com o Ressuscitado. Continuar a trabalhar não teria para ele o sentido de ganhar o céu; desejá-lo somente porque seria bom para os filipenses. Mas o que ele deseja mesmo é participar ativamente da proximidade do Senhor Jesus. Viver, para ele, é Cristo. Uma vida animada pela amizade por Cristo, não pelo cálculo…. Na mesma Carta, ele dirá que seu espírito de merecimento, suas vantagens conforme os critérios farisaicos, ele as considera como perda, como esterco (cf. Fl 3, 7-8). Só a graça, a gratuita bondade que Deus lhe manifestou em Cristo Jesus, o impulsiona ainda. Jesus revelou com clareza e insistência a sua preferência pelos pobres, humildes e abandonados, os últimos. São eles, que em contacto com a benevolência gratuita e proveniente de Deus, são destinados a ser os primeiros, os ricos, os eleitos. Não se deve esquecer a aventura do povo judaico que, de primeiro, se torna último; de eleito, rejeitado. A parábola de Jesus mantêm atual conserva seu valor de admoestação também para os novos chamados, que já começaram a pertencer ao reino, porque para eles também há o perigo de assumir a atitude dos primeiros chamados, e de se esquecerem de que tudo quanto tem é puro dom, é pura graça, e, portanto, não pode motivar nenhuma retribuição ou pretensão. O epitáfio do túmulo do mais ilustre purpurado mineiro do século XX, Cardeal Lucas Moreira Neves, resume bem a liturgia da gratuidade deste domingo: “Passou a vida na busca do rosto sereno e radioso do Seu Senhor. Agora o encontrou”. Vamos buscar a gratuidade deste rosto e transfigurá-lo na nossa vida, no nosso compromisso evangelizador!

 

25º Domingo do Tempo Comum
Mt 20,1-16a: “Ao romper da manhã, saiu para contratar trabalhadores para sua vinha”

1Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha. 2Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha. 3Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada. 4Disse-lhes ele: – Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário. 5Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo. 6Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: – Por que estais todo o dia sem fazer nada? 7Eles responderam: – É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: – Ide vós também para minha vinha. 8Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: – Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros. 9Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário. 10Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário. 11Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo: 12- Os últimos só trabalharam uma hora… e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor. 13O senhor, porém, observou a um deles: – Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? 14Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. 15Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom? 16Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos.

Contemplamos a narrativa de São Mateus sobre a Parábola dos trabalhadores da vinha, muito oportuno naquela época, em que o Evangelista pregava aos judeus convertidos, e esta parábola vai direto ao coração do povo judaico, os primeiros a ser chamados por Deus, desde séculos, com a Aliança realizada com Abraão. A partir da Encarnação do Filho de Deus, os gentios passam a ser chamados, estes são aqueles das horas posteriores, conforme a parábola. Neste sentido, todos são chamados a fazer parte deste novo Povo de Deus, que é a Igreja. Como o convite é gratuito, os judeus, que foram chamados primeiro, não tinham o que reclamar, todos têm direito ao mesmo prêmio. Em princípio o protesto parece justo, devido a maneira com que enxergamos e entendemos. Jesus na parábola deixa claro, que diversos são os caminhos pelos quais nos chama, mas o prêmio será o mesmo para todos: o Céu. O denário, citado na parábola, era uma moeda de prata com a imagem de César Augusto (Mt 22,19-21), e equivalia a um jornada de trabalho de um operário agrícola da época. Os judeus, naquela época, calculavam o tempo de modo diferente. Dividiam o tempo em oito partes, quatro para a noite (que chamavam de vigílias, cf. Lc 12,38) e quatro partes entre o nascer e o por do sol, que chamavam de horas: prima, tércia, sexta e noa. A hora prima, começava no nascer do sol e terminava pelas nove; a da tercia ia até às doze horas; a da sexta até às três da tarde e da noa até o por do sol. Com isto, podemos verificar que as horas prima e noa não possuíam o mesmo tempo, eram menores durante o outono e inverno e cresciam durante a primavera e verão. No versículo 6, vemos a expressão: “Finalmente, pela undécima hora…”, hora esta, que era para realçar o pouco tempo que faltava para o pôr do sol, fim do trabalho. A parábola quer nos mostrar que Cristo passa pela nossa vida, não importando a idade que temos. Ele passa, e chama! Qual a minha resposta? Mostra também que nossa resposta deverá ser generosa, conforme o Seu modo de agir, pois “os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos” (Is 55,8-9). Ao sermos chamados, que nossa resposta não seja exigente, mas amorosa e gratuita.

 

SER GENEROSO
A prática da vida cristã deve ser a do amor

Os nossos critérios de ação devem ultrapassar a realidade unicamente humana. Na origem das atitudes há os dados da ética e da moral, mas também as questões divinas que estão relacionadas com as questões da fé.

Ser generoso não é simplesmente ser justo, mas atender às necessidades de quem está em jogo. Não é fato apenas de merecimento e de justiça, mas de solidariedade e de partilha de forma fraterna, para que todos tenham vida digna.

O mundo é como um terreno onde se planta de tudo. É daí que tiramos os alimentos. Mas todos devem trabalhar, uns mais e outros menos, dependendo das condições de cada pessoa. Os frutos são para sustento da coletividade e de forma solidária. Para o trabalho, há pessoas que chegam cedo, outras trabalham menos, mas ambos têm necessidade de vida e de alimento. Na partilha, ninguém pode ser injustiçado, mesmo que alguém receba além do que é justo por não ter trabalhado o tempo todo.

Jesus conta a parábola do patrão que combinou o salário do dia com um trabalhador. Outros foram chegando ao transcorrer do dia, havendo até quem chegasse ao final da tarde. A ambos o patrão pagou o mesmo valor. Ele agiu com justiça e com generosidade.

No mundo capitalista as atitudes são diferentes, mesmo sabendo da existência de quem partilha com os trabalhadores os lucros da empresa. No mundo de Deus, a ternura e a generosidade ultrapassam as nossas, a lógica é diferente do que fazemos.

A prática da vida cristã deve ser a do amor, com capacidade de doação maior do que aquilo que merecemos. É a misericórdia, a paciência, a compaixão, a bondade e a justiça, tendo como objetivo viver bem, tendo uma vida que faça sentido.

Para Deus, a partilha não é matemática, nem é mesquinha, porque Ele olha a necessidade da pessoa. A bondade do Senhor ultrapassa os critérios humanos e Seus dons são sem medida. O que importa não é o que fazemos, mas a forma como fazemos as coisas.

Dom Paulo Mendes Peixoto

As dúvidas durante o namoro

É preciso perguntar: este namoro nos ajuda a crescer?

Os namoros complicados que se prolongam por muitos anos sem uma definição, havendo, às vezes, várias separações e voltas, sem que o relacionamento amadureça e chegue ao casamento. Então, é preciso examinar bem as razões pelas quais esses casais de namorados já se separaram tantas vezes. Os problemas que geraram as separações foram resolvidos ou será que ambos “taparam o sol com a peneira”? Se os motivos das separações foram importantes e eles souberam resolver em cada caso os problemas em suas raízes, e isso serviu até para uni-los mais, tudo bem, o namoro deve continuar. Mas, se os problemas são os mesmos, se repetem, e eles não conseguem resolvê-los, então é preciso pedir a ajuda de alguém que os oriente, no sentido de se tomarem uma decisão.

Não se pode ficar no namoro como um carro atolado no mesmo lugar; o carro pode até atolar, mas deve sair e continuar a viagem. Faço uma pergunta aos dois: este namoro os ajuda a crescer? Cada um de vocês sente falta da presença do outro?

Toda crise, qualquer que seja, enfrentada com coragem, lucidez, trabalho e uma boa orientação, pode gerar crescimento para a pessoa e para o casal. Uma crise de relacionamento pode até ser um aprendizado para uma futura vida de casados, quando essas crises acontecem com mais frequência.

O mais importante, repito, é não “tapar o sol com a peneira”; isto é, fingir que resolveram os problemas e irem empurrando o namoro com a barriga até o casamento. Quando um casal briga muito nesse período [namoro], pode estar certo de que vai brigar mais ainda depois de casados. Vale a pena isso? Então, se o relacionamento não vai bem e não melhora, então, é melhor terminá-lo. O namoro é para isso mesmo, para verificar se a outra pessoa é adequada para viver comigo para sempre, constituir família e ter filhos. Não caiam jamais no erro do “me engana que eu gosto”; que é a mesma coisa do avestruz que enfia a cabeça na areia para não ver a tempestade à frente; enfrente a tempestade ou então fuja dela.

Nenhum casal de namorados deve partir para o casamento com dúvidas sérias sobre o outro; há muitos casos de separações de casados por causa disso. Há problemas graves que podem ser resolvidos com um bom diálogo, compreensão de ambas as partes, oração, orientação, paciência, entre outros. Mas não se pode acomodar com um problema; o rato morto não pode ficar no porão da casa porque vai fermentar e exalar mau odor.

É preciso aprender a dialogar; tentar entender as razões do outro, saber se calar e esperar o outro falar tudo o que tem para falar. Um segredo que evita muitas brigas no namoro é saber combinar as coisas. Muitos brigam porque não combinam as coisas a fazer. Por exemplo, quando ir à casa de cada um, quando fazer um programa ou outro. Tudo deve ser combinado antes, com antecedência, para que as surpresas da vida não os leve a brigar. O povo diz, e com muita razão, que “o combinado não é caro”. Então, se as coisas são combinadas antes, muitas brigas podem ser evitadas, isso vale inclusive para o noivado e casamento.

Se você tem consciência de que errou e machucou o outro, então a primeira coisa a fazer é pedir perdão e prometer-lhe que não fará mais isso. Esse ato de humildade fortalece o relacionamento e o torna mais humano. Mas mesmo assim, você terá de reconquistar a confiança que talvez tenha sido abalada quando você errou e magoou o outro.

Algumas vezes há coisas mal-entendidas no relacionamento. É preciso esclarecer isso muito bem; não deixe que a fofoca destrua o namoro; coloquem as coisas às claras, com sinceridade e honestidade. A humildade é a fortaleza dos que amam; aquele que tem maior amor deve dar o primeiro passo, vencer o orgulho e ir ao encontro do outro.

Reze e peça a Deus a graça de poder falar com clareza e sabedoria o que precisa ser dito. Consagre seu namoro a Deus e peça a Ele que os conduza.

Prof. Felipe Aquino

Prepare sua vida, não a deixe passar

Quem adia as soluções dos problemas não os quer resolver de fato

Sem tomar conselho, erra-se muito. Sem ser organizado, perde-se muito tempo e eficácia. Aquele que não arruma bem o seu armário não consegue organizar o seu espírito. O povo diz, sabiamente, que um homem prevenido vale por dois, porque é um homem organizado. “Melhor prevenir do que remediar”. Mas a organização só é possível quando somos pacientes e não somos preguiçosos. É a preguiça a mãe da bagunça.

Ninguém faz um edifício sem uma planta arquitetônica, uma planta elétrica, hidráulica e estrutural. Se fizer, estará correndo sério risco de ter que refazer muita coisa a um custo muito maior. Sabemos que Deus projetou cada um de nós detalhadamente em cada uma de nossas células.

Muita gente se atrapalha, porque, por preguiça, sempre prorroga as coisas a fazer, hoje, para o dia de amanhã. Quem adia as soluções dos problemas não os quer resolver de fato. Amanhã é o dia em que os preguiçosos trabalham, os perversos reformam suas vidas e os pecadores se arrependem.

Um problema enfrentado logo, e bem definido, é um problema meio resolvido. As tarefas adiadas com alegria, muitas vezes, têm de ser feitas depois com lágrimas. Que nos digam aqueles que puderam estudar na juventude, mas não o fizeram; depois, tiveram de estudar já casados!

Diz um provérbio árabe que “tudo o que acontece uma vez pode nunca mais acontecer, mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá, certamente, uma terceira vez”. Então é preciso estar prevenido e saber se precaver das coisas que já fizemos errado uma vez. Os fatos não deixam de existir por serem ignorados. Não feche os olhos para os fatos; o pior cego é o que não quer ver.

A desordem é sinal da ausência de autoridade e disciplina. É preciso ordem; onde muitos mandam, pouco se realiza. A chefia é imprescindível; não há uma instituição humana que possa ter bom desempenho se não tiver um chefe: a nação, a família, a empresa, a cidade… O provérbio diz que “dois capitães afundam o navio”.

Ser organizado e eficiente não quer dizer tomas decisões precipitadas; elas são imaturas. Outro provérbio árabe diz que “ninguém experimenta a profundidade de um rio com os dois pés”. Isso pode acontecer pela precipitação.

Para sermos organizados e previdentes, precisamos aprender muito com a vida; pouco se aprende com uma vitória, mas muito se aprende com uma derrota. Você já notou que são nas pedras pequenas que tropeçamos? As grandes nós as enxergamos. Com organização e tempo acha-se o segredo de fazer tudo bem feito.

As empresas buscam qualidade, e isso significa vender o melhor produto do mercado pelo menor preço. Essa é imbatível! Mas exige organização, métodos, procedimentos corretos etc.   Os manuais de qualidade de qualquer empresa nos ensinam que ser otimista é uma qualidade, ser educado, organizado e prevenido também são qualidades. Também é uma característica positiva ser atencioso, fiel e cumpridor da palavra. Respeitar a saúde, ser paciente, dizer sempre a verdade são qualidades essenciais, assim como amar a família e os amigos. Perceba que a “qualidade” está mais nas pessoas que nos produtos; este é apenas uma consequência.

Um belo conselho que Jesus nos deixou é que devemos “viver um dia de cada vez”.

Todas as operações de cada dia se repetem: comer, beber, dormir etc., porque Deus fez a nossa natureza assim. Se você não a respeitar, não terá saúde e paz. Você pode carregar o peso do seu dia de hoje, porque tem forças para isso, mas não pode somar o peso de ontem e o de amanhã. Jesus nos deixou isso bem claro: “Não vos preocupeis pois com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas próprias preocupações. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,34).

Qualquer que seja o medo que você possa ter do futuro – desemprego, cuidados dos filhos, doença… –, deixe tudo nas mãos de Deus, e apenas faça a sua parte hoje. Lembre-se de que Deus não toma à força o peso das suas preocupações, mas caminha a seu lado, discreto e paciente, esperando que você O chame e Lhe entregue as preocupações e tribulações do dia.

Aquele trabalho difícil de fazer o inquieta? Entregue-o a Deus. Você verá que será mais fácil. Se é uma perda irreparável, entregue-Lhe o que foi perdido. Só assim será possível ter paz.

Aprenda a entregar tudo ao Senhor. É um aprendizado lento, longo e requer perseverança, mas é valioso. A cada dia aceite morrer para as preocupações, para as angústias, os medos e as provações. Repita mil vezes com o salmista: “Nas tuas mãos, Senhor, está o meu destino” (Sl 30,16). “Ó Altíssimo, quando o terror me assalta, é em Vós que eu ponho a minha confiança” (Sl 53,4). “Abrigo-me à sombra de vossas asas, até que a tormenta passe” (Sl 56,2).

O sucesso, muitas vezes, depende do que fazemos enquanto os outros descansam. Muitas vezes, ele é construído à noite. Durante o dia, você faz o que todos fazem, mas para conseguir um resultado diferente da maioria, então você precisa fazer mais do que ela.   Se você quiser atingir uma meta especial, então, talvez você terá de estudar no horário em que os outros estão se divertindo. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar, enquanto os outros tomam sol à beira da piscina. Terá de estudar enquanto os outros dormem. A realização de um sonho depende da sua dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica.

Quem não sabe aonde quer chegar, não chegará a lugar nenhum. Por isso, planeje a sua vida. Você sabe o que quer para os próximos cinco anos? Prepare sua vida, não a deixe passar, não a “empurre com a barriga”.

Trecho retirado do livro “Para ser Feliz”
Prof. Felipe Aquino
[email protected]

Orfandade espiritual é um câncer que degrada a alma, diz Papa

Domingo, 1 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

“Maternidade de Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, aviva a certeza de que somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos”

O Papa Francisco presidiu, neste domingo, 1º, 50º Dia Mundial da Paz, a celebração eucarística na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

“Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração”. Assim descreve o Evangelista Lucas a atitude com que Maria acolhe tudo aquilo que estava vivendo naqueles dias.

Ternura maternal

Francisco explicou que, longe de querer compreender ou dominar a situação, Maria é a mulher que “sabe conservar”, isto é, sabe guardar no seu coração a passagem de Deus na vida do seu povo.

“[Ela] Aprendeu a sentir a pulsação do coração do seu Filho, ainda Ele estava no seu ventre, ensinando-Lhe a descobrir, durante toda a vida, o palpitar de Deus na história. Aprendeu a ser mãe e, nesta aprendizagem, proporcionou a Jesus a bela experiência de saber-Se Filho. Em Maria, o Verbo eterno não só Se fez carne, mas aprendeu também a reconhecer a ternura maternal de Deus. Com Maria, o Deus-Menino aprendeu a ouvir os anseios, as angústias, as alegrias e as esperanças do povo da promessa. Com Ela, descobriu-Se a Si mesmo como Filho do santo povo fiel de Deus”, explicou o Santo Padre.

O Papa lembra que nos Evangelhos, Maria aparece como mulher de poucas palavras, sem grandes discursos nem protagonismos, mas com um olhar atento que sabe guardar a vida e a missão do seu Filho e, consequentemente, de tudo o que Ele ama. “Soube guardar os alvores da primeira comunidade cristã, aprendendo deste modo a ser mãe duma multidão”.

Maternidade

O Pontífice lembrou que Maria aproximou-se das mais diversas situações, para semear esperança, e acompanhou as cruzes, carregadas no silêncio do coração dos seus filhos.

“Muitas devoções, muitos santuários e capelas nos lugares mais remotos, muitas imagens espalhadas pelas casas nos lembram esta grande verdade. Maria deu-nos o calor materno, que nos envolve no meio das dificuldades; o calor materno que não deixa, nada e ninguém, apagar no seio da Igreja a revolução da ternura inaugurada pelo seu Filho. Onde há uma mãe, há ternura. E Maria, com a sua maternidade, nos mostra que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes; ensina-nos que não há necessidade de maltratar os outros para sentir-se importante. E o santo povo fiel de Deus, desde sempre, a reconheceu e aclamou como a Santa Mãe de Deus.”
 
O Papa disse ainda que “celebrar, no início de um novo ano, a maternidade de Maria como Mãe de Deus e nossa mãe significa avivar a certeza que nos há de acompanhar no decorrer dos dias: somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos”.

Sabor de família

O Santo Padre afirmou que as mães são “o antídoto mais forte contra as nossas tendências individualistas e egoístas, contra os nossos isolamentos e apatias”.

Segundo ele, uma sociedade sem mães seria não apenas uma sociedade fria, mas também uma sociedade que perdeu o coração, que perdeu o “sabor de família”. Uma sociedade sem mães seria uma sociedade sem piedade, com lugar apenas para o cálculo e a especulação.

“Com efeito as mães, mesmo nos momentos piores, sabem testemunhar a ternura, a dedicação incondicional, a força da esperança. Aprendi muito com as mães que, tendo os filhos na prisão ou estendidos numa cama de hospital ou subjugados pela escravidão da droga, esteja frio ou calor, faça chuva ou sol, não desistem e continuam lutando para lhes dar o melhor; ou com as mães que, nos campos de refugiados ou até no meio da guerra, conseguem abraçar e sustentar, sem hesitação, o sofrimento dos seus filhos. Mães que dão, literalmente, a vida para que nenhum dos filhos se perca. Onde estiver a mãe, há unidade, há sentido de pertença: pertença de filhos.”

Para Francisco, “começar o ano lembrando a bondade de Deus no rosto materno de Maria, no rosto materno da Igreja, nos rostos de nossas mães, nos protege daquela doença corrosiva que é a «orfandade espiritual»: a orfandade que a alma vive quando se sente sem mãe e lhe falta a ternura de Deus; a orfandade que vivemos quando se apaga em nós o sentido de pertença a uma família, a um povo, a uma terra, ao nosso Deus; a orfandade que se aninha no coração narcisista que sabe olhar só para si mesmo e para os seus interesses, e cresce quando esquecemos que a vida foi um dom – dela somos devedores a outros – e somos convidados a partilhá-la nesta casa comum”.

Orfandade espiritual

O Pontífice explicou que foi esta orfandade autorreferencial que levou Caim a dizer: ‘Sou, porventura, guarda do meu irmão?’. Como se declarasse: ele não me pertence, não o reconheço e afirmou que “tal atitude de orfandade espiritual é um câncer que silenciosamente enfraquece e degrada a alma”.

“Pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém: degrado a terra, porque não me pertence; degrado os outros, porque não me pertencem; degrado a Deus, porque não Lhe pertenço; e, por fim, acabamos por nos degradar a nós próprios, porque esquecemos quem somos e o «nome» divino que temos. A perda dos laços que nos unem, típica da nossa cultura fragmentada e desunida, faz com que cresça esta sensação de orfandade e, por conseguinte, de grande vazio e solidão. A falta de contato físico (não o virtual) vai cauterizando os nossos corações, fazendo-lhes perder a capacidade da ternura e da maravilha, da piedade e da compaixão. A orfandade espiritual faz-nos perder a memória do que significa ser filhos, ser netos, ser pais, ser avós, ser amigos, ser crentes; faz-nos perder a memória do valor da diversão, do canto, do riso, do repouso, da gratuidade.”

Francisco destacou que celebrar a festa da Santa Mãe de Deus faz despontar novamente no rosto o sorriso de sentir-se povo, de sentir que um pertence ao outro. “Saber que as pessoas, somente dentro duma comunidade, duma família, podem encontrar a «atmosfera», o «calor» que permite aprender a crescer humanamente, e não como meros objetos destinados a «consumir e ser consumidos». Celebrar a festa da Santa Mãe de Deus nos lembra que não somos mercadoria de troca nem terminais receptores de informação. Somos filhos, somos família, somos povo de Deus”.

“Celebrar a Santa Mãe de Deus nos impele a criar e cuidar espaços comuns que nos deem sentido de pertença, de enraizamento, que nos façam sentir em casa dentro das nossas cidades, em comunidades que nos unam e sustentem”, frisou ainda o Papa.

Cuidar da vida

“Jesus Cristo, no momento do dom maior que foi o de sua vida na cruz, nada quis reter para Si e, ao entregar a sua vida, entregou-nos também sua Mãe. Disse a Maria: Eis o teu filho, eis os teus filhos. E nós queremos acolhê-La em nossas casas, em nossas famílias, em nossas comunidades e em nossos países. Queremos encontrar o seu olhar materno: aquele olhar que nos liberta da orfandade; aquele olhar que nos lembra que somos irmãos, isto é, que eu te pertenço, que tu me pertences, que somos da mesma carne; aquele olhar que nos ensina que devemos aprender a cuidar da vida da mesma maneira e com a mesma ternura com que Ela o fez, ou seja, semeando esperança, semeando pertença, semeando fraternidade.”

“Celebrar a Santa Mãe de Deus nos lembra que temos a Mãe; não somos órfãos, temos uma mãe. Professemos, juntos, esta verdade!.”

O Papa concluiu pedindo a todos para aclamar três vezes Nossa Senhora, como fizeram os fiéis de Éfeso: Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus.

Leigo, você tem uma vocação!

Santidade

Alguém já disse que “a primeira vitória de um homem foi ter nascido”.

De fato, esta é a maior graça. Como disse São Paulo, “Deus nos desejou em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1, 4). Logo, esta é a nossa primeira e fundamental vocação. Vivermos a vida para Deus, sermos santos aos seus olhos. O mesmo São Paulo completava exortando os efésios a que levassem “uma vida digna da vocação à qual fostes chamados” (Ef 4, 1).

O nosso Catecismo diz que “o homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso” (§ 44).

O Papa São João Paulo II disse certa vez: “Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano” (L’Osservatore Romano, 07/4/1996).

“A santidade é a plenitude da vida” (LR, N.20, 18/5/1996).

Os santos foram os mais felizes e os que atingiram a plenitude da vocação humana segundo os desígnios de Deus. Mas a busca da santidade não está desatrelada da vida cotidiana; muito ao contrário, é inserida no dia a dia que ela se realiza. É no mundo do trabalho, da família, da ciência, da política etc., que a vocação deve se realizar, de modo especial para nós leigos. Jesus foi claro na sua oração sacerdotal: “Pai, não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal” (Jo 17,15).

Quando realizamos o desejo de Deus, somos felizes, porque nos sentimos realizados e úteis. Então, é fundamental descobrir a nossa vocação. Quando você a realiza, dá sentido a sua vida. Cada pessoa é chamada (vocação vem do latim vocare = “chamar”) por Deus a ter uma vida realizada e plena.

É por meio do trabalho – qualquer que seja ele – que o homem é chamado a cooperar com o Criador na obra da criação. Deus nos deu essa honra: ajudá-Lo a criar o mundo, até que este seja divinizado. Mesmo tendo se tornado penoso após o pecado original, o trabalho continua uma bênção. Por meio dele, o homem se santifica e santifica o mundo. A sua importância ficou evidente quando o Filho do Homem assumiu, na terra, por longos anos, a profissão de carpinteiro. Jesus quis nos mostrar a importância salvífica do trabalho.

O nosso Catecismo ensina que “o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível” (CIC, nº 378).

Quando Paulo VI, em 1964, visitou Israel, diante da carpintaria de Nazaré, falando da vida oculta de Jesus, na família de Nazaré, disse: “Uma lição de trabalho. Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano” (05/01/1964). Portanto, é necessário que cada um, com os talentos que Deus lhe deu, escolha e viva bem a sua profissão, e realize a sua vocação. A primeira maneira de amar bem é trabalhar bem, pois assim estaremos servindo bem os outros. O Papa Paulo VI disse que “o amor é a vocação fundamental do ser humano” (Persona humana, 7).

Deus deu a cada um de nós talentos individuais para que possamos desempenhar uma atividade necessária para os outros. Cabe a cada um identificar esses dons e seguir a profissão para a qual tem aptidão e interesse.

Sabemos o quanto Jesus enfatizou a importância de não enterrar os talentos que Deus nos deu. Ele nos pedirá contas do que fizemos com eles.

Na Carta aos Colossenses, São Paulo diz algo fundamental sobre isso:

“Tudo quanto fizerdes, por palavra ou obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.“Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, para o Senhor, não para os homens, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor” (Col 3, 17.23). Isso nos indica que todo trabalho é feito, antes de tudo, para Deus, e lhe damos glória quando o realizamos bem em nossa profissão. Não é somente pelo salário que recebemos ou pela vigilância do chefe que devemos trabalhar bem, mas para o Senhor, que nos dará um “salário eterno”.

Deus e a Igreja precisam que cada um de nós encontre o seu lugar, tanto na sociedade quanto na Igreja, sem desperdiçar a vida, pois isso seria um crime, um pecado.

Ninguém pode se sentir inútil ou desnecessário neste mundo, pois para todos Deus tem uma missão, seja solteiro ou casado. Como disse Michel Quoist em seu livro ‘Construindo o homem e o mundo’: “Solteiro ou casado, só o egoísta desperdiça a vida”.

O leigo é chamado a construir o mundo, ser o sal e a luz de Cristo nesta terra. Diz o nosso Catecismo que “é especifico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. A eles, portanto, cabe, de maneira especial, iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, para que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” (n. 898).

Prof. Felipe Aquino
Viúvo, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”. Site do Professor: http://www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Sorriso de família é capaz de vencer falta de amor

Quarta-feira, 2 de setembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Na catequese, o Papa Francisco disse que as cidades estão desertificadas pela falta de amor e que o sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 2, o Papa Francisco apresentou uma de suas últimas reflexões no contexto das catequeses sobre a evangelização na família, com ênfase em um aspecto particular.

“Voltemos nosso olhar sobre o modo com o qual a família vive a responsabilidade de comunicar a fé, de transmitir a fé, seja ao interno dela ou ao externo”, destacou. O Papa recorda que, quando Jesus afirma o primado da fé em Deus, não encontra uma comparação mais significativa para expressar essa vivência do que a afetividade em família.

“Estes laços familiares, dentro da experiência de fé e do amor de Deus, são transformados, são ‘preenchidos’ de um sentido maior e são capazes de ir além deles mesmos para criar uma paternidade e uma maternidade mais amplos, e para acolher como irmãos e irmãs também aqueles que estão à margem de qualquer vínculo”, refletiu.

A gramática da família

Neste contexto, o Papa lembrou do trecho do evangelho de Marcos no qual Jesus responde, apontando para seus discípulos, que ali está sua mãe e seus irmãos e não do lado de fora.

“A sabedoria dos laços que não se compram e não se vendem é o dom principal da família. Em família, aprendemos a crescer naquela atmosfera dos laços. A gramática se aprende no seio da família, caso contrário é bem difícil aprendê-la. É justamente esta a linguagem por meio da qual Deus se faz compreender por todos”, sublinhou.

Ao afirmar que a difusão de um estilo familiar nas relações humanas é uma benção para os povos por trazer outra vez a esperança para a Terra, o Papa reforçou um convite especial.

“O chamado a colocar os laços familiares no âmbito da obediência da fé a da aliança com o Senhor não os mortifica; ao contrário, os protege, os desvincula do egoísmo, os cuida do degrado, os coloca a salvo para a vida que não morre”.

O Santo Padre acrescentou dizendo que quando os laços familiares se deixam converter ao testemunho do Evangelho, se tornam capazes de coisas impensáveis, que fazem tocar com as mãos as obras que Deus realiza na história, como aquelas que Jesus fez para os homens, as mulheres que as crianças que encontrou.

O agir de Deus

Ao recordar o mistério da ação de Deus neste mundo, Francisco elevou dois aspectos importantes nos quais os homens se relevam instrumentos de amor.

“Um só sorriso milagrosamente saído do desespero de uma criança abandonada, que recomeça a viver, nos explica o agir de Deus no mundo mais do que mil tratados teológicos. Um só homem e uma só mulher, capazes de arriscar e de se sacrificar pelo filho do outro, e não somente pelo próprio, nos explicam coisas do amor que muitos cientistas não compreendem mais”, disse o Papa.

Protagonismo da família

O Papa “animou” para que a família seja restituída, a partir da Igreja, o protagonismo de poder responder ao chamado de Jesus e ser maestra do mundo com base na aliança do homem e da mulher com Deus.

“Pensemos ao desenrolar deste testemunho, hoje. Imaginemos que o leme da história (da sociedade, economia, política) seja entregue, finalmente, à aliança do homem e da mulher, para que o governem com o olhar voltado às gerações futuras. Os temas da terra e da casa, da economia e do trabalho, tocariam uma música muito diferente”, idealizou o Pontífice.

Desertificação da sociedade

Francisco concluiu sua catequese com uma apelo à vida em comunidade ao afirmar que a aliança da família com Deus é chamada hoje a contrastar a desertificação comunitária da cidade moderna.

“As nossas cidades estão desertificadas pela falta de amor, pela falta de sorriso. Tanta diversão, tantas coisas para perder tempo e rir, mas o amor falta. O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação. Esta é a vitória do amor, da família”, disse.

Ao retomar a catequese, o Papa disse: “Nenhuma engenharia econômica e política é capaz de substituir esta contribuição das famílias (…) Devemos sair das torres e dos quartos blindados das elites para voltar a frequentar as casas e os espaços abertos das multidões”.

E finalizou: “Rezem por mim, rezemos uns pelos outros, para que sejamos capazes de reconhecer e apoiar as visitas de Deus. O Espírito trará uma bagunça saudável às famílias cristãs, e a cidade do homem sairá de sua depressão”.

Apelo pela paz

Ao final da Audiência geral, o Papa fez um apelo pela paz ao recordar que, nestes dias, também o Extremo Oriente recorda o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao renovar suas fervorosas orações ao Senhor para que, por intercessão de Nossa Senhora, o mundo de hoje não precise mais experimentar os horrores e os assustadores sofrimentos de tais tragédias, o Papa reiterou o pedido de seus predecessores: “Guerra nunca mais”.

Os Papas e a Família

Sínodo sobre a Família

Papa Francisco

“ “Os avós são a sabedora da família, são a sabedoria de um povo. E um povo que não ouve os avós, é um povo que morre! Ouçamos os avós!” (Discurso às Famílias, 26 de Outubro de 2013)  —

“ “Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer as pazes. A paz faz-se de novo cada dia em família!” (Catequese, 2 de Abril de 2014) —

“ “Três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa” (Catequese, 2 de Abril de 2014) —

“ “Aquilo que mais pesa na vida é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável” (Discurso às Famílias, 26 de Outubro de 2013)  —

“ “No vosso caminho familiar, partilhais tantos momentos belos: as refeições, o descanso, o trabalho em casa, a diversão, a oração, as viagens e as peregrinações, as ações de solidariedade… Todavia, se falta o amor, falta a alegria; e Jesus é quem nos dá o amor autêntico” (Carta do Papa às Famílias, 25 de fevereiro de 2014) —

“ “A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 2013) —

Papa emérito Bento XVI

“ “Família, trabalho e festa. Trata-se de três dons de Deus, três dimensões da nossa existência, que devem encontrar um equilíbrio harmonioso para construir sociedades com um rosto humano” (Catequese, 6 de Junho de 2012) —

“ “Queridas famílias, a vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o universo, o mundo” (Encontro Mundial das Famílias, 3 de Junho de 2012)  —

“ “Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimônio entre o homem e a mulher” (Encontro Mundial das Famílias, 3 de Junho de 2012)  —

“ “As famílias cristãs constituem um recurso decisivo para a educação na fé, para a edificação da Igreja como comunhão e para a sua capacidade de presença missionária nas situações mais diversificadas da vida, além de fermentar em sentido cristão a cultura difundida e as estruturas sociais” (Discurso, 6 de Junho de 2005) —

“ “A edificação de cada uma das famílias cristãs situa-se no contexto daquela família mais ampla que é a Igreja, a qual a sustenta e leva consigo. (…) E, vice-versa, a Igreja é edificada pelas famílias, pequenas Igrejas domésticas” (Discurso, 6 de Junho de 2005)  —

“ “Queridas famílias, sede corajosas! Não cedais à mentalidade secularizada que propõe a convivência como preparação ou mesmo substituição do matrimônio. Mostrai com o vosso testemunho de vida que é possível amar, como Cristo, sem reservas, que não é preciso ter medo de assumir um compromisso com outra pessoa” (Homilia, 5 de Junho de 2011) —

Papa São João Paulo II

“ “Nas famílias cristãs, fundadas no sacramento do matrimônio, a fé nos vislumbra maravilhosamente o rosto de Cristo, esplendor da verdade, que enche de luz e de alegria os lares que inspiram a sua vida no Evangelho” (Encontro do Papa com as Famílias, 4 de outubro de 1997) —

“ “No plano de Deus, o matrimônio – o matrimônio indissolúvel – é o fundamento de uma família sadia e responsável” (Encontro do Papa com as Famílias, 5 de outubro de 1997) —

“ “Através da família, toda a existência humana é orientada para o futuro. Nela, o homem vem ao mundo, cresce e amadurece. Nela, ele se torna um cidadão sempre mais maduro do seu país, e um membro da Igreja sempre mais consciente” (Encontro do Papa com as Famílias, 5 de outubro de 1997) —

“ “É a família cristã que promove simples e profundamente a dignidade e o valor da vida humana desde o momento da concepção” (Peregrinação Apostólica à África, 1980)  —

“ “A força e a vitalidade de cada país serão em medida da força e da vitalidade da família nesse mesmo país. Nenhum grupo tem tanto reflexo no país quanto a família. Nenhum grupo tem um papel tão influente no futuro do mundo. Por esta razão, os esposos cristãos têm uma missão insubstituível no mundo de hoje. O amor generoso e a fidelidade do esposo e da esposa oferecem estabilidade e esperança a um mundo dilacerado pelo ódio e pela divisão” (1º Congresso Internacional da Família da África e da Europa, 1981) —

“ “É necessário proclamar alto a santidade do matrimônio, o valor da família e a intangibilidade da vida humana. Não me cansarei nunca de cumprir esta que julgo missão inadiável” (Discurso ao Sacro Colégio, 1980) —

“ “A paternidade e a maternidade humana, mesmo sendo biologicamente semelhantes às de outros seres da natureza, têm em si mesmas de modo essencial e exclusivo uma ‘semelhança’ com Deus, sobre a qual se funda a família, concebida como comunidade de vida humana, como comunidade de pessoas unidas no amor” (Carta às Famílias, 1994)  —

“ “Família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se” (Carta às Famílias, 1994)  —

Papa João Paulo I

“ “As Famílias são ‘o santuário doméstico da Igreja’, direi até; uma verdadeira e própria ‘Igreja doméstica’, em que florescem as vocações religiosas, em que se tomam as santas decisões, e onde se prepara o futuro do mundo” (Primeira Radiomensagem, 27 de Agosto de 1978)  —

Papa Paulo VI

“ “Os esposos cristãos, portanto, dóceis à Sua voz, lembrem-se de que a sua vocação cristã, iniciada com o Batismo, se especificou ulteriormente e se reforçou com o sacramento do Matrimônio. (…) Foi a eles que o Senhor confiou a missão de tornarem visível aos homens a santidade e a suavidade da lei que une o amor mútuo dos esposos com a sua cooperação com o amor de Deus, autor da vida humana” (Carta Encíclica Humanae Vitae, 1968) —

“ “Não se pode deixar de pôr em realce a ação evangelizadora da família (…) Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação sancionada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II: ‘Igreja doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 1975) —

Papa São João XXIII

“ “Se não há paz, união e concórdia nas famílias, como poderá havê-la na sociedade civil? Esta ordenada e harmônica união, que deve sempre reinar dentro das paredes domésticas, nasce do vínculo indissolúvel e da santidade própria do matrimônio cristão e contribui imensamente para a ordem, progresso e o bem-estar de toda a sociedade civil” (Carta Encíclica Ad Petri Cathedram, 1959) —

“ “Famílias cristãs, pesai as vossas responsabilidades e dai vossos filhos, com alegria e gratidão, ao serviço da Igreja” (Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia) —

“ “Temos de proclamar solenemente que a vida humana deve ser transmitida por meio da família, fundada no matrimônio uno e indissolúvel, elevado para os cristãos à dignidade de sacramento. A transmissão da vida humana foi confiada pela natureza a um ato pessoal e consciente (…) Por isso, não se podem usar aqui meios, nem seguir métodos, que serão lícitos quando se tratar da transmissão da vida nas plantas e nos animais” (Carta Encíclica Mater Et Magistra) —

“ “A família, baseada no matrimônio livremente contraído, unitário e indissolúvel, há de ser considerada como o núcleo fundamental e natural da sociedade humana” (Carta Encíclica Pacem In Terris, 1963) —

Papa Pio XII

“ “Para não pararmos aqui somente: as inegáveis dificuldades, que uma bela coroa de filhos traz consigo, especialmente em nossos tempos de vida cara em famílias simples, exige coragem, sacrifícios, heroísmo. Mas como a amargura saudável da mirra, assim esta dureza temporária dos direitos conjugais em primeiro lugar, preserva os esposos de uma culpa grave, fonte funesta de ruína para famílias e nações. Além disso, essas dificuldades corajosamente abordadas, devem garantir-lhe a conservação da graça sacramental e uma grande ajuda divina” (Catequese, 10 janeiro 1940) —

“ “A família humana é o último e sublime acontecimento da mão de Deus na natureza do universo, a última maravilha por Ele colocada como coroa do mundo visível, no último e sétimo dia da criação; quando no paraíso das delícias por Ele plantado e preparado, plasmou e conduziu o homem e a mulher colocando-os para cultivá-lo e guardá-lo (Gen 2, 8-15) e deu a eles o domínio sobre todos os pássaros do céu, os peixes do mar e os animais da terra (Gen 1, 28)” (Catequese, 8 abril 1942) —

“ “Como para as famílias que reservam ‘a parte de Deus’ sobre os bens recebidos d’Ele e dos quais eles gozam, assim para vós aquilo que sobre toda coisa convém que motive a santa ambição da bela vocação por alguns dos vossos filhos, deveria ser movido pelo pensamento do quanto na vida espiritual vos é recompensado por Cristo, por meio da sua Igreja, dos seus sacerdotes, dos seus religiosos, assim abundantemente” (Catequese, 25 março 1942) —

“ “O valor do testemunho dos pais de famílias numerosas não somente consiste em rejeitar sem rodeios, e com a força dos fatos, todo compromisso intencional entre a lei de Deus e o egoísmo do homem, mas na prontidão em aceitar, com alegria e reconhecimento, os inestimáveis dons de Deus, que são os filhos, e na quantidade que a Ele agrade” (Discurso, 20 de janeiro de 1958)  —

Papa Pio XI

“ “Mas o primeiro e grande jardim, onde deve quase espontaneamente germinar e desabrochar as flores do santuário, é sempre a família, verdadeiramente e profundamente cristã. A maior parte dos santos bispos e sacerdotes, aos quais a Igreja rende louvores, deve o início das suas vocações e da sua santidade aos exemplos e ensinamentos de um pai cheio de fé e forte virtude e de uma mãe casta e piedosa, de uma família na qual reinava a pureza dos costumes e a caridade de Deus e o amor ao próximo” (Carta Encíclica Ad Catholici Sacerdotti, 1935) —

“ “Além disso, é necessário que os cônjuges cristãos, com a graça divina que internamente transforma a fraca vontade, conformem seus pensamentos e conduta àquela puríssima lei de Cristo, a fim de alcançarem para si e para a própria família a verdadeira paz e felicidade” (Carta Encíclica Casti Connubii, 1930) —

“ “Para enervar a influência do ambiente familiar, acresce hoje o fato de que, quase por toda a parte, se tende a afastar cada vez mais da família a juventude, desde os mais tenros anos, sob vários pretextos, quer econômicos, industriais ou comerciais, quer mesmo políticos” (Carta Encíclica Divini Illius Magistri, 1929) —

“ “Assim como o matrimônio e o direito ao seu uso natural são de origem divina, assim também a constituição e as prerrogativas fundamentais da família derivam, não do arbítrio humano, nem de fatores econômicos, senão do próprio Criador supremo de todas as coisas” (Carta Encíclica Divinis Redemptoris, 1937) —

XX Domingo do Tempo Comum, Ano C

EU VIM TRAZER A DIVISÃO À TERRA
Jeremias 38, 4-6.8-10; Hebreus 12, 1-4; Lucas 12, 49-57
Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

A passagem do Evangelho desse domingo contém algumas das palavras mais provocadoras pronunciadas por Jesus: «Pensais que eu vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão. Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra contra nora e nora contra sogra».
E pensar que quem diz essas palavras é a mesma pessoa cujo nascimento foi saudado com as palavras: «Paz na terra aos homens», e que durante sua vida havia proclamado: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz»! A mesma pessoa que, no momento de sua prisão, ordenou a Pedro: «Coloque a espada na bainha!» (Mt 26, 52)! Como se explica esta contradição?
É muito simples. Trata-se de ver qual é a paz e a unidade que Jesus veio trazer e qual é a paz e a unidade que veio suprimir. Ele veio trazer a paz e a unidade no bem, a que conduz à vida eterna, e veio tirar essa falsa paz e unidade que só serve para adormecer as consciências e levar à ruína.
Não é que Jesus tenha vindo propositalmente para trazer a divisão e a guerra, mas de sua vinda resultará inevitavelmente divisão e contraste, porque Ele situa as pessoas ante a disjuntiva. E ante a necessidade de decidir-se, sabe-se que a liberdade humana reagirá de forma variada. Sua palavra e sua própria pessoa trarão à luz o que está mais oculto no profundo do coração humano. O ancião Simeão o havia predito ao tomar Jesus Menino nos braços: «Este está colocado para queda e elevação de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição, a fim de que fiquem ao descoberto as intenções de muitos corações» (Lucas 2, 35).
A primeira vítima dessa contradição, o primeiro em sofrer a «espada» que veio trazer à terra, será precisamente Ele, que neste choque perderá a vida. Depois d’Ele, a pessoa mais diretamente envolvida neste drama é Maria, sua Mãe, a quem, de fato, Simeão, naquela ocasião, disse: «Uma espada te transpassará a alma».
Jesus mesmo distingue os dois tipos de paz. Diz aos apóstolos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração» (João 14, 27). Depois de ter destruído, com sua morte, a falsa paz e solidariedade do gênero humano no mal e no pecado, inaugura a nova paz e unidade que é fruto do Espírito. Esta é a paz que oferece aos apóstolos na tarde da Páscoa, dizendo: «Paz a vós!».
Jesus diz que esta «divisão» pode ocorrer também dentro da família: entre pai e filho, mãe e filha, irmão e irmã, nora e sogra. E lamentavelmente sabemos que isso às vezes é certo e doloroso. A pessoa que descobriu o Senhor e quer segui-lo seriamente se encontra com freqüência na difícil situação de ter de escolher: ou contentar aos de casa e descuidar Deus e as práticas religiosas, ou seguir estas e estar em contraste com os seus, que lhe jogam na cara cada minuto que dedica a Deus e às práticas de piedade.
Mas o choque chega também mais profundamente, dentro da própria pessoa, e se configura como luta entre a carne e o espírito, entre o clamor do egoísmo e dos sentidos e o da consciência. A divisão e o conflito começam dentro de nós. Paulo o explicou de forma maravilhosa: «A carne de fato tem desejos contrários ao Espírito e o Espírito tem desejos contrários à carne; estas coisas se opõem reciprocamente, de maneira que não fazeis o que gostaríeis».
O homem está apegado à sua pequena paz e tranqüilidade, ainda que seja precária e ilusória, e esta imagem de Jesus que vem trazer o desconcerto poderia indispô-lo e levá-lo a considerar Cristo como um inimigo de sua quietude. É necessário tentar superar esta impressão e perceber que também isso é amor por parte de Jesus, talvez o mais puro e genuíno.

Este é o meu lugar?

Lazer e tempo livre: oportunidades para chegar à meta da santidade
Por Carlo Climati

Um fenômeno perturbador que afeta grande quantidade de jovens é o dos rachas de rua. Geralmente, [no caso italiano, ao qual o autor se refere diretamente; ndr] os rachas acontecem nas periferias, onde existem mais trechos de ruas e estradas pouco movimentadas. Estas competições insanas se conectam à também triste praga das apostas. Enquanto uns aceleram, outros assistem e apostam dinheiro no possível vencedor. E a vida e a morte se tornam um jogo absurdo.

O que leva alguns jovens a querer medir-se nessas perigosíssimas competições? Um desejo de transgressão que, às vezes, tem raízes no tédio, no desconforto, na incomunicabilidade, na falta de educação por parte da família. Infelizmente, as corridas clandestinas não são a única causa de morte de jovens nas ruas e rodovias. Há também os desastres ligados às noitadas, como resultado do cansaço de quem pega o volante depois de horas e horas na balada. São a consequência trágica do estado de estupor alimentado pelo barulho da música altíssima, pelo consumo de bebidas alcoólicas e pelos efeitos das luzes psicodélicas. As pistas de dança já foram um meio de entretenimento. Um lugar para relaxar depois de uma semana de trabalho e de estudo. Hoje, acontece o contrário.

Depois de uma noite na balada, os jovens saem ainda mais cansados. Ao irem para a balada, os jovens manifestam um desejo saudável de diálogo e de comunicação. Eles querem estar com os outros. Mas, depois, eles se pegam sozinhos. O volume da música é tão alto que os impede de falar. E assim, mesmo rodeados de muita gente, eles permanecem mudos, privados da possibilidade do diálogo. A melhor resposta para certos mecanismos de transgressão é convidar os jovens a redescobrir o verdadeiro significado da diversão.

Para passar uma noite relaxante com amigos, não é preciso varar a madrugada, nem sair bêbado, nem se drogar. Não é preciso participar de loucas corridas clandestinas para provar alguma coisa para os outros. É necessário ensinar os jovens a gerir inteligentemente a sua liberdade, até com o objetivo de uma busca pessoal da santidade. Todo cristão, que recebeu o batismo, é chamado a ser santo.

De que maneira? Pouco a pouco, passo a passo, fazendo um pequeno esforço por dia. Isto significa que você pode se tornar santo também se divertindo, usando a cabeça e fazendo as escolhas certas para a sua vida. Lembremo-nos: somos todos filhos de Deus.

Antes de pôr os pés em certos ambientes extremos, perguntemo-nos: um filho de Deus pode entrar num ambiente como este? É realmente um lugar para mim? E se um amigo me convida a acelerar ao máximo, de noite, numa rua da periferia, eu devo perguntar a mim mesmo: é este o comportamento correto de um filho de Deus?

As oportunidades saudáveis de se divertir e sair com os amigos são muitas. Há clubes onde a música é mais tranquila e onde as drogas e o álcool não circulam. Há ótimos shows, grandes filmes, excelentes espetáculos para ver. Basta escolher e usar o cérebro. A geração mais jovem precisa de uma nova cultura. Existe a necessidade de rotas alternativas, que levem à santidade inclusive através do entretenimento saudável e de uma boa organização do próprio tempo de lazer.

Isso mesmo! É possível ser santo até na balada! Basta lembrar que Deus está sempre conosco, que ele segura a nossa mão e nos acompanha inclusive nas horas de lazer e diversão.

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