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Orfandade espiritual é um câncer que degrada a alma, diz Papa

Domingo, 1 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

“Maternidade de Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, aviva a certeza de que somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos”

O Papa Francisco presidiu, neste domingo, 1º, 50º Dia Mundial da Paz, a celebração eucarística na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

“Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração”. Assim descreve o Evangelista Lucas a atitude com que Maria acolhe tudo aquilo que estava vivendo naqueles dias.

Ternura maternal

Francisco explicou que, longe de querer compreender ou dominar a situação, Maria é a mulher que “sabe conservar”, isto é, sabe guardar no seu coração a passagem de Deus na vida do seu povo.

“[Ela] Aprendeu a sentir a pulsação do coração do seu Filho, ainda Ele estava no seu ventre, ensinando-Lhe a descobrir, durante toda a vida, o palpitar de Deus na história. Aprendeu a ser mãe e, nesta aprendizagem, proporcionou a Jesus a bela experiência de saber-Se Filho. Em Maria, o Verbo eterno não só Se fez carne, mas aprendeu também a reconhecer a ternura maternal de Deus. Com Maria, o Deus-Menino aprendeu a ouvir os anseios, as angústias, as alegrias e as esperanças do povo da promessa. Com Ela, descobriu-Se a Si mesmo como Filho do santo povo fiel de Deus”, explicou o Santo Padre.

O Papa lembra que nos Evangelhos, Maria aparece como mulher de poucas palavras, sem grandes discursos nem protagonismos, mas com um olhar atento que sabe guardar a vida e a missão do seu Filho e, consequentemente, de tudo o que Ele ama. “Soube guardar os alvores da primeira comunidade cristã, aprendendo deste modo a ser mãe duma multidão”.

Maternidade

O Pontífice lembrou que Maria aproximou-se das mais diversas situações, para semear esperança, e acompanhou as cruzes, carregadas no silêncio do coração dos seus filhos.

“Muitas devoções, muitos santuários e capelas nos lugares mais remotos, muitas imagens espalhadas pelas casas nos lembram esta grande verdade. Maria deu-nos o calor materno, que nos envolve no meio das dificuldades; o calor materno que não deixa, nada e ninguém, apagar no seio da Igreja a revolução da ternura inaugurada pelo seu Filho. Onde há uma mãe, há ternura. E Maria, com a sua maternidade, nos mostra que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes; ensina-nos que não há necessidade de maltratar os outros para sentir-se importante. E o santo povo fiel de Deus, desde sempre, a reconheceu e aclamou como a Santa Mãe de Deus.”
 
O Papa disse ainda que “celebrar, no início de um novo ano, a maternidade de Maria como Mãe de Deus e nossa mãe significa avivar a certeza que nos há de acompanhar no decorrer dos dias: somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos”.

Sabor de família

O Santo Padre afirmou que as mães são “o antídoto mais forte contra as nossas tendências individualistas e egoístas, contra os nossos isolamentos e apatias”.

Segundo ele, uma sociedade sem mães seria não apenas uma sociedade fria, mas também uma sociedade que perdeu o coração, que perdeu o “sabor de família”. Uma sociedade sem mães seria uma sociedade sem piedade, com lugar apenas para o cálculo e a especulação.

“Com efeito as mães, mesmo nos momentos piores, sabem testemunhar a ternura, a dedicação incondicional, a força da esperança. Aprendi muito com as mães que, tendo os filhos na prisão ou estendidos numa cama de hospital ou subjugados pela escravidão da droga, esteja frio ou calor, faça chuva ou sol, não desistem e continuam lutando para lhes dar o melhor; ou com as mães que, nos campos de refugiados ou até no meio da guerra, conseguem abraçar e sustentar, sem hesitação, o sofrimento dos seus filhos. Mães que dão, literalmente, a vida para que nenhum dos filhos se perca. Onde estiver a mãe, há unidade, há sentido de pertença: pertença de filhos.”

Para Francisco, “começar o ano lembrando a bondade de Deus no rosto materno de Maria, no rosto materno da Igreja, nos rostos de nossas mães, nos protege daquela doença corrosiva que é a «orfandade espiritual»: a orfandade que a alma vive quando se sente sem mãe e lhe falta a ternura de Deus; a orfandade que vivemos quando se apaga em nós o sentido de pertença a uma família, a um povo, a uma terra, ao nosso Deus; a orfandade que se aninha no coração narcisista que sabe olhar só para si mesmo e para os seus interesses, e cresce quando esquecemos que a vida foi um dom – dela somos devedores a outros – e somos convidados a partilhá-la nesta casa comum”.

Orfandade espiritual

O Pontífice explicou que foi esta orfandade autorreferencial que levou Caim a dizer: ‘Sou, porventura, guarda do meu irmão?’. Como se declarasse: ele não me pertence, não o reconheço e afirmou que “tal atitude de orfandade espiritual é um câncer que silenciosamente enfraquece e degrada a alma”.

“Pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém: degrado a terra, porque não me pertence; degrado os outros, porque não me pertencem; degrado a Deus, porque não Lhe pertenço; e, por fim, acabamos por nos degradar a nós próprios, porque esquecemos quem somos e o «nome» divino que temos. A perda dos laços que nos unem, típica da nossa cultura fragmentada e desunida, faz com que cresça esta sensação de orfandade e, por conseguinte, de grande vazio e solidão. A falta de contato físico (não o virtual) vai cauterizando os nossos corações, fazendo-lhes perder a capacidade da ternura e da maravilha, da piedade e da compaixão. A orfandade espiritual faz-nos perder a memória do que significa ser filhos, ser netos, ser pais, ser avós, ser amigos, ser crentes; faz-nos perder a memória do valor da diversão, do canto, do riso, do repouso, da gratuidade.”

Francisco destacou que celebrar a festa da Santa Mãe de Deus faz despontar novamente no rosto o sorriso de sentir-se povo, de sentir que um pertence ao outro. “Saber que as pessoas, somente dentro duma comunidade, duma família, podem encontrar a «atmosfera», o «calor» que permite aprender a crescer humanamente, e não como meros objetos destinados a «consumir e ser consumidos». Celebrar a festa da Santa Mãe de Deus nos lembra que não somos mercadoria de troca nem terminais receptores de informação. Somos filhos, somos família, somos povo de Deus”.

“Celebrar a Santa Mãe de Deus nos impele a criar e cuidar espaços comuns que nos deem sentido de pertença, de enraizamento, que nos façam sentir em casa dentro das nossas cidades, em comunidades que nos unam e sustentem”, frisou ainda o Papa.

Cuidar da vida

“Jesus Cristo, no momento do dom maior que foi o de sua vida na cruz, nada quis reter para Si e, ao entregar a sua vida, entregou-nos também sua Mãe. Disse a Maria: Eis o teu filho, eis os teus filhos. E nós queremos acolhê-La em nossas casas, em nossas famílias, em nossas comunidades e em nossos países. Queremos encontrar o seu olhar materno: aquele olhar que nos liberta da orfandade; aquele olhar que nos lembra que somos irmãos, isto é, que eu te pertenço, que tu me pertences, que somos da mesma carne; aquele olhar que nos ensina que devemos aprender a cuidar da vida da mesma maneira e com a mesma ternura com que Ela o fez, ou seja, semeando esperança, semeando pertença, semeando fraternidade.”

“Celebrar a Santa Mãe de Deus nos lembra que temos a Mãe; não somos órfãos, temos uma mãe. Professemos, juntos, esta verdade!.”

O Papa concluiu pedindo a todos para aclamar três vezes Nossa Senhora, como fizeram os fiéis de Éfeso: Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus.

Virtude, a alegria sem opressão

Valorizá-las é o melhor passo para respeitar o próximo

Comparada a educação aplicada às novas gerações, as pessoas que têm mais de 40 anos percebem, facilmente, a grande diferença que há na maneira como elas foram educadas. Talvez, temendo a desonra ou a ofensa à reputação da família, exigia-se dos filhos o pudor, não somente no comportamento ou nas roupas, mas nas brincadeiras e em todas as outras atitudes.

Os ensinamentos de uma educação rígida parecia pesar mais sobre as mulheres. Assim, os decotes eram comportados e as saias compridas à altura dos joelhos. As roupas, de maneira geral, em nada podiam marcar a silhueta do corpo feminino. A mesma preocupação havia para os trajes de banho, pois estes deveriam cobrir, de maneira moderada, algumas partes do corpo.

Transmitindo, ainda hoje, a ideia de que tudo é vergonhoso, imoral ou desrespeitoso, algumas pessoas têm dificuldades para acolher, com naturalidade, as partes mais íntimas do seu próprio corpo. Outras, mal conseguem se despir perto da pessoa com quem se casou.

É claro que os modos de se vestir não formam o caráter de ninguém. Sabemos que os tempos são outros e reconhecemos que, no passado, a maneira de se transmitir valores, quase sempre acontecia de modo opressor. No entanto, hoje, temos a impressão de que se tornou proibido proibir.

Percebemos estar cercados por uma cultura que maximiza o apelo à sensualidade. Isso parece ser a principal via em todas as mídias e está presente nos programas humorísticos, nas novelas, nas propagandas… Em quase tudo, observa-se a presença de uma bela modelo e, muitas vezes, ela chama mais a atenção do público do que o próprio produto apresentado.

Houve um tempo no qual as revistas com conteúdo impróprio para menores eram vendidas em embalagens escuras para ocultar as imagens da capa. Atualmente, em alguns sites na internet, ampliou-se os poderes da imaginação com cenas explícitas de sexo em alta definição. Com tanta informação disponível, pessoas de todas as idades vivem embaladas ao ritmo do prazer vendido nas fotografias ou vídeos, comportando-se como quem sofre de uma verdadeira compulsão por tudo aquilo que diz respeito ao erótico ou ao sensual. A inocência foi ofuscada pela lascividade.

Jovens e adultos, numa concepção frágil sobre aquilo que interpretam como liberdade, rompem escrúpulos, derrubam normas, vivem relacionamentos desordenados, quase tudo por conta do liberalismo massificado. Ainda que eles saibam das consequências de seus atos, vivem como se tudo fosse natural, a ponto de transformar um ato sexual numa experiência sem compromisso. Muitas vezes, com alguém que conheceu há um dia ou com outras pessoas que, normalmente, não se relacionariam.

Não é difícil encontrar pessoas se comportando como se não tivessem domínio sobre si mesmas, revelando uma incapacidade de controlar seus impulsos.

Ensinar nossos filhos sobre a valorização das virtudes é prepará-los para viver o respeito ao próximo. Cabe a nós pais formar neles essa consciência. Assim como foi preciso nosso exemplo para lhes ensinar a balbuciar as primeiras palavras, será necessário ajudá-los a alcançar uma vida dentro da moral e dos bons costumes, a fim de que eles possam discernir sobre tudo aquilo que está maquiado como “normal”.

Tal ensinamento propicia a alegria de quem amamos, sem tolher a felicidade ou oprimir sua liberdade.

Dado Moura
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A oração que tem transformado a vida dos homens

Masculinidade

Existe uma oração que está transformando a vida dos homens e impulsionando-os a buscar sua verdadeira missão

Algo novo tem acontecido nas paróquias. De modo até tímido, temos visto os chamados grupos de Terço dos Homens começarem e, aos poucos, angariarem cada vez mais varões, podendo, em não poucos casos, chegarem a mil, mil e quinhentas, duas mil pessoas para a oração do Santo Terço.

O mais importante é que essa oração tem transformado a vida de muitos homens, tirado muitos do vício, pornografia, adultério e seitas secretas; devolvendo-os à companhia da família e à frequência dos sacramentos da Igreja. Por isso achei importante escrever um livro que descrevesse todas essas maravilhas.

A obra retrata o que vem a ser o Terço dos Homens, a origem do movimento em nosso país, como acontecem essas conversões e o que se passa no íntimo desses homens. No entanto, não me contentei em falar somente do Terço dos Homens sob o aspecto da vida de oração e seus efeitos, mas vi uma ótima oportunidade de falar também de vida, de assuntos de interesse masculino, e ofertar alguma literatura que pudesse dar um norte ao homem de hoje, como é pedido pelo movimento Mãe Rainha três vezes admirável de Schoenstatt – de quem veio o principal impulso, nesses últimos tempos, para a propagação do Terço dos Homens –, em que um dos pilares dos grupos de Terço é a formação humana para os homens.

Tenho percebido que, a partir da oração do Rosário, os homens têm se convertido, voltado aos sacramentos e, a partir disso, buscado um sentido maior para a vida deles; daí vem a segunda parte do título do livro: ‘A grande missão masculina’.

Mas qual é essa grande missão?

Vou relatar, brevemente aqui, quatro características das quais Deus pensou para o homem em sua origem, desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar sua missão neste mundo.

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver essa imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais junto com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a enxerga como objeto de sua satisfação, está agindo fora de sua própria essência, pois está desobedecendo ao sentido de sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Você já viu algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Dom de autoridade de Deus Pai

Condutor – O homem deve “Chamar para si a responsabilidade de guiar sua esposa e seus filhos pelos caminhos corretos e santos para chegarem ao Céu.[…] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso:[..] ‘Quando meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimônio, e também para defender o matrimônio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e se desenvolve para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – seus dons, talentos e habilidades, todo seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante sua vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para segurá-lo no colo. Dificilmente, veremos uma mãe brincando assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que o olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao seu filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, seu filho seguirá seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Todo homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa surgir por meio de um esforço”. Isso é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo o desenvolvimento do embrião desde sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino quanto a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e se desenvolvem femininas. O menino precisa se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo homem precisa ter por que lutar. O prêmio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha de frente.

Que grande graça é o Terço dos Homens! A partir da oração simples, mas feita com o coração, ele pode revelar e autenticar todas essas características que Deus já depositou em nós.

Não canso de repetir que esse movimento é iniciativa de Nossa Senhora, a mulher que gerou Jesus e quer formar, gerar em nós características, infundir em nós o mesmo Espírito de Seu Filho divino. Cristo é o modelo do homem que frequenta o Terço dos Homens.

Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro “Maria, humana como nós” e “As cinco fases do namoro”. Também é colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.

Leigo, você tem uma vocação!

Santidade

Alguém já disse que “a primeira vitória de um homem foi ter nascido”.

De fato, esta é a maior graça. Como disse São Paulo, “Deus nos desejou em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1, 4). Logo, esta é a nossa primeira e fundamental vocação. Vivermos a vida para Deus, sermos santos aos seus olhos. O mesmo São Paulo completava exortando os efésios a que levassem “uma vida digna da vocação à qual fostes chamados” (Ef 4, 1).

O nosso Catecismo diz que “o homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso” (§ 44).

O Papa São João Paulo II disse certa vez: “Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano” (L’Osservatore Romano, 07/4/1996).

“A santidade é a plenitude da vida” (LR, N.20, 18/5/1996).

Os santos foram os mais felizes e os que atingiram a plenitude da vocação humana segundo os desígnios de Deus. Mas a busca da santidade não está desatrelada da vida cotidiana; muito ao contrário, é inserida no dia a dia que ela se realiza. É no mundo do trabalho, da família, da ciência, da política etc., que a vocação deve se realizar, de modo especial para nós leigos. Jesus foi claro na sua oração sacerdotal: “Pai, não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal” (Jo 17,15).

Quando realizamos o desejo de Deus, somos felizes, porque nos sentimos realizados e úteis. Então, é fundamental descobrir a nossa vocação. Quando você a realiza, dá sentido a sua vida. Cada pessoa é chamada (vocação vem do latim vocare = “chamar”) por Deus a ter uma vida realizada e plena.

É por meio do trabalho – qualquer que seja ele – que o homem é chamado a cooperar com o Criador na obra da criação. Deus nos deu essa honra: ajudá-Lo a criar o mundo, até que este seja divinizado. Mesmo tendo se tornado penoso após o pecado original, o trabalho continua uma bênção. Por meio dele, o homem se santifica e santifica o mundo. A sua importância ficou evidente quando o Filho do Homem assumiu, na terra, por longos anos, a profissão de carpinteiro. Jesus quis nos mostrar a importância salvífica do trabalho.

O nosso Catecismo ensina que “o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível” (CIC, nº 378).

Quando Paulo VI, em 1964, visitou Israel, diante da carpintaria de Nazaré, falando da vida oculta de Jesus, na família de Nazaré, disse: “Uma lição de trabalho. Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano” (05/01/1964). Portanto, é necessário que cada um, com os talentos que Deus lhe deu, escolha e viva bem a sua profissão, e realize a sua vocação. A primeira maneira de amar bem é trabalhar bem, pois assim estaremos servindo bem os outros. O Papa Paulo VI disse que “o amor é a vocação fundamental do ser humano” (Persona humana, 7).

Deus deu a cada um de nós talentos individuais para que possamos desempenhar uma atividade necessária para os outros. Cabe a cada um identificar esses dons e seguir a profissão para a qual tem aptidão e interesse.

Sabemos o quanto Jesus enfatizou a importância de não enterrar os talentos que Deus nos deu. Ele nos pedirá contas do que fizemos com eles.

Na Carta aos Colossenses, São Paulo diz algo fundamental sobre isso:

“Tudo quanto fizerdes, por palavra ou obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.“Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, para o Senhor, não para os homens, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor” (Col 3, 17.23). Isso nos indica que todo trabalho é feito, antes de tudo, para Deus, e lhe damos glória quando o realizamos bem em nossa profissão. Não é somente pelo salário que recebemos ou pela vigilância do chefe que devemos trabalhar bem, mas para o Senhor, que nos dará um “salário eterno”.

Deus e a Igreja precisam que cada um de nós encontre o seu lugar, tanto na sociedade quanto na Igreja, sem desperdiçar a vida, pois isso seria um crime, um pecado.

Ninguém pode se sentir inútil ou desnecessário neste mundo, pois para todos Deus tem uma missão, seja solteiro ou casado. Como disse Michel Quoist em seu livro ‘Construindo o homem e o mundo’: “Solteiro ou casado, só o egoísta desperdiça a vida”.

O leigo é chamado a construir o mundo, ser o sal e a luz de Cristo nesta terra. Diz o nosso Catecismo que “é especifico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. A eles, portanto, cabe, de maneira especial, iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, para que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” (n. 898).

Prof. Felipe Aquino
Viúvo, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”. Site do Professor: http://www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Sorriso de família é capaz de vencer falta de amor

Quarta-feira, 2 de setembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Na catequese, o Papa Francisco disse que as cidades estão desertificadas pela falta de amor e que o sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 2, o Papa Francisco apresentou uma de suas últimas reflexões no contexto das catequeses sobre a evangelização na família, com ênfase em um aspecto particular.

“Voltemos nosso olhar sobre o modo com o qual a família vive a responsabilidade de comunicar a fé, de transmitir a fé, seja ao interno dela ou ao externo”, destacou. O Papa recorda que, quando Jesus afirma o primado da fé em Deus, não encontra uma comparação mais significativa para expressar essa vivência do que a afetividade em família.

“Estes laços familiares, dentro da experiência de fé e do amor de Deus, são transformados, são ‘preenchidos’ de um sentido maior e são capazes de ir além deles mesmos para criar uma paternidade e uma maternidade mais amplos, e para acolher como irmãos e irmãs também aqueles que estão à margem de qualquer vínculo”, refletiu.

A gramática da família

Neste contexto, o Papa lembrou do trecho do evangelho de Marcos no qual Jesus responde, apontando para seus discípulos, que ali está sua mãe e seus irmãos e não do lado de fora.

“A sabedoria dos laços que não se compram e não se vendem é o dom principal da família. Em família, aprendemos a crescer naquela atmosfera dos laços. A gramática se aprende no seio da família, caso contrário é bem difícil aprendê-la. É justamente esta a linguagem por meio da qual Deus se faz compreender por todos”, sublinhou.

Ao afirmar que a difusão de um estilo familiar nas relações humanas é uma benção para os povos por trazer outra vez a esperança para a Terra, o Papa reforçou um convite especial.

“O chamado a colocar os laços familiares no âmbito da obediência da fé a da aliança com o Senhor não os mortifica; ao contrário, os protege, os desvincula do egoísmo, os cuida do degrado, os coloca a salvo para a vida que não morre”.

O Santo Padre acrescentou dizendo que quando os laços familiares se deixam converter ao testemunho do Evangelho, se tornam capazes de coisas impensáveis, que fazem tocar com as mãos as obras que Deus realiza na história, como aquelas que Jesus fez para os homens, as mulheres que as crianças que encontrou.

O agir de Deus

Ao recordar o mistério da ação de Deus neste mundo, Francisco elevou dois aspectos importantes nos quais os homens se relevam instrumentos de amor.

“Um só sorriso milagrosamente saído do desespero de uma criança abandonada, que recomeça a viver, nos explica o agir de Deus no mundo mais do que mil tratados teológicos. Um só homem e uma só mulher, capazes de arriscar e de se sacrificar pelo filho do outro, e não somente pelo próprio, nos explicam coisas do amor que muitos cientistas não compreendem mais”, disse o Papa.

Protagonismo da família

O Papa “animou” para que a família seja restituída, a partir da Igreja, o protagonismo de poder responder ao chamado de Jesus e ser maestra do mundo com base na aliança do homem e da mulher com Deus.

“Pensemos ao desenrolar deste testemunho, hoje. Imaginemos que o leme da história (da sociedade, economia, política) seja entregue, finalmente, à aliança do homem e da mulher, para que o governem com o olhar voltado às gerações futuras. Os temas da terra e da casa, da economia e do trabalho, tocariam uma música muito diferente”, idealizou o Pontífice.

Desertificação da sociedade

Francisco concluiu sua catequese com uma apelo à vida em comunidade ao afirmar que a aliança da família com Deus é chamada hoje a contrastar a desertificação comunitária da cidade moderna.

“As nossas cidades estão desertificadas pela falta de amor, pela falta de sorriso. Tanta diversão, tantas coisas para perder tempo e rir, mas o amor falta. O sorriso de uma família é capaz de vencer esta desertificação. Esta é a vitória do amor, da família”, disse.

Ao retomar a catequese, o Papa disse: “Nenhuma engenharia econômica e política é capaz de substituir esta contribuição das famílias (…) Devemos sair das torres e dos quartos blindados das elites para voltar a frequentar as casas e os espaços abertos das multidões”.

E finalizou: “Rezem por mim, rezemos uns pelos outros, para que sejamos capazes de reconhecer e apoiar as visitas de Deus. O Espírito trará uma bagunça saudável às famílias cristãs, e a cidade do homem sairá de sua depressão”.

Apelo pela paz

Ao final da Audiência geral, o Papa fez um apelo pela paz ao recordar que, nestes dias, também o Extremo Oriente recorda o fim da Segunda Guerra Mundial. Ao renovar suas fervorosas orações ao Senhor para que, por intercessão de Nossa Senhora, o mundo de hoje não precise mais experimentar os horrores e os assustadores sofrimentos de tais tragédias, o Papa reiterou o pedido de seus predecessores: “Guerra nunca mais”.

Os Papas e a Família

Sínodo sobre a Família

Papa Francisco

“ “Os avós são a sabedora da família, são a sabedoria de um povo. E um povo que não ouve os avós, é um povo que morre! Ouçamos os avós!” (Discurso às Famílias, 26 de Outubro de 2013)  —

“ “Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer as pazes. A paz faz-se de novo cada dia em família!” (Catequese, 2 de Abril de 2014) —

“ “Três palavras que devem existir sempre em casa: com licença, obrigado, desculpa. Com licença: para não se intrometer na vida dos cônjuges. Com licença, como te parece isto? Com licença, permite-me. Obrigado: agradecer ao cônjuge; obrigado por aquilo que fizeste por mim, obrigado por isto. A beleza da gratidão! E dado que todos nós erramos, há outra palavra um pouco difícil de pronunciar, mas necessária: desculpa” (Catequese, 2 de Abril de 2014) —

“ “Aquilo que mais pesa na vida é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável” (Discurso às Famílias, 26 de Outubro de 2013)  —

“ “No vosso caminho familiar, partilhais tantos momentos belos: as refeições, o descanso, o trabalho em casa, a diversão, a oração, as viagens e as peregrinações, as ações de solidariedade… Todavia, se falta o amor, falta a alegria; e Jesus é quem nos dá o amor autêntico” (Carta do Papa às Famílias, 25 de fevereiro de 2014) —

“ “A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 2013) —

Papa emérito Bento XVI

“ “Família, trabalho e festa. Trata-se de três dons de Deus, três dimensões da nossa existência, que devem encontrar um equilíbrio harmonioso para construir sociedades com um rosto humano” (Catequese, 6 de Junho de 2012) —

“ “Queridas famílias, a vossa vocação não é fácil de viver, especialmente hoje, mas a realidade do amor é maravilhosa, é a única força que pode verdadeiramente transformar o universo, o mundo” (Encontro Mundial das Famílias, 3 de Junho de 2012)  —

“ “Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimônio entre o homem e a mulher” (Encontro Mundial das Famílias, 3 de Junho de 2012)  —

“ “As famílias cristãs constituem um recurso decisivo para a educação na fé, para a edificação da Igreja como comunhão e para a sua capacidade de presença missionária nas situações mais diversificadas da vida, além de fermentar em sentido cristão a cultura difundida e as estruturas sociais” (Discurso, 6 de Junho de 2005) —

“ “A edificação de cada uma das famílias cristãs situa-se no contexto daquela família mais ampla que é a Igreja, a qual a sustenta e leva consigo. (…) E, vice-versa, a Igreja é edificada pelas famílias, pequenas Igrejas domésticas” (Discurso, 6 de Junho de 2005)  —

“ “Queridas famílias, sede corajosas! Não cedais à mentalidade secularizada que propõe a convivência como preparação ou mesmo substituição do matrimônio. Mostrai com o vosso testemunho de vida que é possível amar, como Cristo, sem reservas, que não é preciso ter medo de assumir um compromisso com outra pessoa” (Homilia, 5 de Junho de 2011) —

Papa São João Paulo II

“ “Nas famílias cristãs, fundadas no sacramento do matrimônio, a fé nos vislumbra maravilhosamente o rosto de Cristo, esplendor da verdade, que enche de luz e de alegria os lares que inspiram a sua vida no Evangelho” (Encontro do Papa com as Famílias, 4 de outubro de 1997) —

“ “No plano de Deus, o matrimônio – o matrimônio indissolúvel – é o fundamento de uma família sadia e responsável” (Encontro do Papa com as Famílias, 5 de outubro de 1997) —

“ “Através da família, toda a existência humana é orientada para o futuro. Nela, o homem vem ao mundo, cresce e amadurece. Nela, ele se torna um cidadão sempre mais maduro do seu país, e um membro da Igreja sempre mais consciente” (Encontro do Papa com as Famílias, 5 de outubro de 1997) —

“ “É a família cristã que promove simples e profundamente a dignidade e o valor da vida humana desde o momento da concepção” (Peregrinação Apostólica à África, 1980)  —

“ “A força e a vitalidade de cada país serão em medida da força e da vitalidade da família nesse mesmo país. Nenhum grupo tem tanto reflexo no país quanto a família. Nenhum grupo tem um papel tão influente no futuro do mundo. Por esta razão, os esposos cristãos têm uma missão insubstituível no mundo de hoje. O amor generoso e a fidelidade do esposo e da esposa oferecem estabilidade e esperança a um mundo dilacerado pelo ódio e pela divisão” (1º Congresso Internacional da Família da África e da Europa, 1981) —

“ “É necessário proclamar alto a santidade do matrimônio, o valor da família e a intangibilidade da vida humana. Não me cansarei nunca de cumprir esta que julgo missão inadiável” (Discurso ao Sacro Colégio, 1980) —

“ “A paternidade e a maternidade humana, mesmo sendo biologicamente semelhantes às de outros seres da natureza, têm em si mesmas de modo essencial e exclusivo uma ‘semelhança’ com Deus, sobre a qual se funda a família, concebida como comunidade de vida humana, como comunidade de pessoas unidas no amor” (Carta às Famílias, 1994)  —

“ “Família: uma via comum, mesmo se permanece particular, única e irrepetível, como irrepetível é cada homem; uma via da qual o ser humano não pode separar-se” (Carta às Famílias, 1994)  —

Papa João Paulo I

“ “As Famílias são ‘o santuário doméstico da Igreja’, direi até; uma verdadeira e própria ‘Igreja doméstica’, em que florescem as vocações religiosas, em que se tomam as santas decisões, e onde se prepara o futuro do mundo” (Primeira Radiomensagem, 27 de Agosto de 1978)  —

Papa Paulo VI

“ “Os esposos cristãos, portanto, dóceis à Sua voz, lembrem-se de que a sua vocação cristã, iniciada com o Batismo, se especificou ulteriormente e se reforçou com o sacramento do Matrimônio. (…) Foi a eles que o Senhor confiou a missão de tornarem visível aos homens a santidade e a suavidade da lei que une o amor mútuo dos esposos com a sua cooperação com o amor de Deus, autor da vida humana” (Carta Encíclica Humanae Vitae, 1968) —

“ “Não se pode deixar de pôr em realce a ação evangelizadora da família (…) Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação sancionada pelo Concílio Ecumênico Vaticano II: ‘Igreja doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 1975) —

Papa São João XXIII

“ “Se não há paz, união e concórdia nas famílias, como poderá havê-la na sociedade civil? Esta ordenada e harmônica união, que deve sempre reinar dentro das paredes domésticas, nasce do vínculo indissolúvel e da santidade própria do matrimônio cristão e contribui imensamente para a ordem, progresso e o bem-estar de toda a sociedade civil” (Carta Encíclica Ad Petri Cathedram, 1959) —

“ “Famílias cristãs, pesai as vossas responsabilidades e dai vossos filhos, com alegria e gratidão, ao serviço da Igreja” (Carta Encíclica Sacerdotii Nostri Primordia) —

“ “Temos de proclamar solenemente que a vida humana deve ser transmitida por meio da família, fundada no matrimônio uno e indissolúvel, elevado para os cristãos à dignidade de sacramento. A transmissão da vida humana foi confiada pela natureza a um ato pessoal e consciente (…) Por isso, não se podem usar aqui meios, nem seguir métodos, que serão lícitos quando se tratar da transmissão da vida nas plantas e nos animais” (Carta Encíclica Mater Et Magistra) —

“ “A família, baseada no matrimônio livremente contraído, unitário e indissolúvel, há de ser considerada como o núcleo fundamental e natural da sociedade humana” (Carta Encíclica Pacem In Terris, 1963) —

Papa Pio XII

“ “Para não pararmos aqui somente: as inegáveis dificuldades, que uma bela coroa de filhos traz consigo, especialmente em nossos tempos de vida cara em famílias simples, exige coragem, sacrifícios, heroísmo. Mas como a amargura saudável da mirra, assim esta dureza temporária dos direitos conjugais em primeiro lugar, preserva os esposos de uma culpa grave, fonte funesta de ruína para famílias e nações. Além disso, essas dificuldades corajosamente abordadas, devem garantir-lhe a conservação da graça sacramental e uma grande ajuda divina” (Catequese, 10 janeiro 1940) —

“ “A família humana é o último e sublime acontecimento da mão de Deus na natureza do universo, a última maravilha por Ele colocada como coroa do mundo visível, no último e sétimo dia da criação; quando no paraíso das delícias por Ele plantado e preparado, plasmou e conduziu o homem e a mulher colocando-os para cultivá-lo e guardá-lo (Gen 2, 8-15) e deu a eles o domínio sobre todos os pássaros do céu, os peixes do mar e os animais da terra (Gen 1, 28)” (Catequese, 8 abril 1942) —

“ “Como para as famílias que reservam ‘a parte de Deus’ sobre os bens recebidos d’Ele e dos quais eles gozam, assim para vós aquilo que sobre toda coisa convém que motive a santa ambição da bela vocação por alguns dos vossos filhos, deveria ser movido pelo pensamento do quanto na vida espiritual vos é recompensado por Cristo, por meio da sua Igreja, dos seus sacerdotes, dos seus religiosos, assim abundantemente” (Catequese, 25 março 1942) —

“ “O valor do testemunho dos pais de famílias numerosas não somente consiste em rejeitar sem rodeios, e com a força dos fatos, todo compromisso intencional entre a lei de Deus e o egoísmo do homem, mas na prontidão em aceitar, com alegria e reconhecimento, os inestimáveis dons de Deus, que são os filhos, e na quantidade que a Ele agrade” (Discurso, 20 de janeiro de 1958)  —

Papa Pio XI

“ “Mas o primeiro e grande jardim, onde deve quase espontaneamente germinar e desabrochar as flores do santuário, é sempre a família, verdadeiramente e profundamente cristã. A maior parte dos santos bispos e sacerdotes, aos quais a Igreja rende louvores, deve o início das suas vocações e da sua santidade aos exemplos e ensinamentos de um pai cheio de fé e forte virtude e de uma mãe casta e piedosa, de uma família na qual reinava a pureza dos costumes e a caridade de Deus e o amor ao próximo” (Carta Encíclica Ad Catholici Sacerdotti, 1935) —

“ “Além disso, é necessário que os cônjuges cristãos, com a graça divina que internamente transforma a fraca vontade, conformem seus pensamentos e conduta àquela puríssima lei de Cristo, a fim de alcançarem para si e para a própria família a verdadeira paz e felicidade” (Carta Encíclica Casti Connubii, 1930) —

“ “Para enervar a influência do ambiente familiar, acresce hoje o fato de que, quase por toda a parte, se tende a afastar cada vez mais da família a juventude, desde os mais tenros anos, sob vários pretextos, quer econômicos, industriais ou comerciais, quer mesmo políticos” (Carta Encíclica Divini Illius Magistri, 1929) —

“ “Assim como o matrimônio e o direito ao seu uso natural são de origem divina, assim também a constituição e as prerrogativas fundamentais da família derivam, não do arbítrio humano, nem de fatores econômicos, senão do próprio Criador supremo de todas as coisas” (Carta Encíclica Divinis Redemptoris, 1937) —

XX Domingo do Tempo Comum, Ano C

EU VIM TRAZER A DIVISÃO À TERRA
Jeremias 38, 4-6.8-10; Hebreus 12, 1-4; Lucas 12, 49-57
Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

A passagem do Evangelho desse domingo contém algumas das palavras mais provocadoras pronunciadas por Jesus: «Pensais que eu vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão. Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra contra nora e nora contra sogra».
E pensar que quem diz essas palavras é a mesma pessoa cujo nascimento foi saudado com as palavras: «Paz na terra aos homens», e que durante sua vida havia proclamado: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz»! A mesma pessoa que, no momento de sua prisão, ordenou a Pedro: «Coloque a espada na bainha!» (Mt 26, 52)! Como se explica esta contradição?
É muito simples. Trata-se de ver qual é a paz e a unidade que Jesus veio trazer e qual é a paz e a unidade que veio suprimir. Ele veio trazer a paz e a unidade no bem, a que conduz à vida eterna, e veio tirar essa falsa paz e unidade que só serve para adormecer as consciências e levar à ruína.
Não é que Jesus tenha vindo propositalmente para trazer a divisão e a guerra, mas de sua vinda resultará inevitavelmente divisão e contraste, porque Ele situa as pessoas ante a disjuntiva. E ante a necessidade de decidir-se, sabe-se que a liberdade humana reagirá de forma variada. Sua palavra e sua própria pessoa trarão à luz o que está mais oculto no profundo do coração humano. O ancião Simeão o havia predito ao tomar Jesus Menino nos braços: «Este está colocado para queda e elevação de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição, a fim de que fiquem ao descoberto as intenções de muitos corações» (Lucas 2, 35).
A primeira vítima dessa contradição, o primeiro em sofrer a «espada» que veio trazer à terra, será precisamente Ele, que neste choque perderá a vida. Depois d’Ele, a pessoa mais diretamente envolvida neste drama é Maria, sua Mãe, a quem, de fato, Simeão, naquela ocasião, disse: «Uma espada te transpassará a alma».
Jesus mesmo distingue os dois tipos de paz. Diz aos apóstolos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração» (João 14, 27). Depois de ter destruído, com sua morte, a falsa paz e solidariedade do gênero humano no mal e no pecado, inaugura a nova paz e unidade que é fruto do Espírito. Esta é a paz que oferece aos apóstolos na tarde da Páscoa, dizendo: «Paz a vós!».
Jesus diz que esta «divisão» pode ocorrer também dentro da família: entre pai e filho, mãe e filha, irmão e irmã, nora e sogra. E lamentavelmente sabemos que isso às vezes é certo e doloroso. A pessoa que descobriu o Senhor e quer segui-lo seriamente se encontra com freqüência na difícil situação de ter de escolher: ou contentar aos de casa e descuidar Deus e as práticas religiosas, ou seguir estas e estar em contraste com os seus, que lhe jogam na cara cada minuto que dedica a Deus e às práticas de piedade.
Mas o choque chega também mais profundamente, dentro da própria pessoa, e se configura como luta entre a carne e o espírito, entre o clamor do egoísmo e dos sentidos e o da consciência. A divisão e o conflito começam dentro de nós. Paulo o explicou de forma maravilhosa: «A carne de fato tem desejos contrários ao Espírito e o Espírito tem desejos contrários à carne; estas coisas se opõem reciprocamente, de maneira que não fazeis o que gostaríeis».
O homem está apegado à sua pequena paz e tranqüilidade, ainda que seja precária e ilusória, e esta imagem de Jesus que vem trazer o desconcerto poderia indispô-lo e levá-lo a considerar Cristo como um inimigo de sua quietude. É necessário tentar superar esta impressão e perceber que também isso é amor por parte de Jesus, talvez o mais puro e genuíno.

Este é o meu lugar?

Lazer e tempo livre: oportunidades para chegar à meta da santidade
Por Carlo Climati

Um fenômeno perturbador que afeta grande quantidade de jovens é o dos rachas de rua. Geralmente, [no caso italiano, ao qual o autor se refere diretamente; ndr] os rachas acontecem nas periferias, onde existem mais trechos de ruas e estradas pouco movimentadas. Estas competições insanas se conectam à também triste praga das apostas. Enquanto uns aceleram, outros assistem e apostam dinheiro no possível vencedor. E a vida e a morte se tornam um jogo absurdo.

O que leva alguns jovens a querer medir-se nessas perigosíssimas competições? Um desejo de transgressão que, às vezes, tem raízes no tédio, no desconforto, na incomunicabilidade, na falta de educação por parte da família. Infelizmente, as corridas clandestinas não são a única causa de morte de jovens nas ruas e rodovias. Há também os desastres ligados às noitadas, como resultado do cansaço de quem pega o volante depois de horas e horas na balada. São a consequência trágica do estado de estupor alimentado pelo barulho da música altíssima, pelo consumo de bebidas alcoólicas e pelos efeitos das luzes psicodélicas. As pistas de dança já foram um meio de entretenimento. Um lugar para relaxar depois de uma semana de trabalho e de estudo. Hoje, acontece o contrário.

Depois de uma noite na balada, os jovens saem ainda mais cansados. Ao irem para a balada, os jovens manifestam um desejo saudável de diálogo e de comunicação. Eles querem estar com os outros. Mas, depois, eles se pegam sozinhos. O volume da música é tão alto que os impede de falar. E assim, mesmo rodeados de muita gente, eles permanecem mudos, privados da possibilidade do diálogo. A melhor resposta para certos mecanismos de transgressão é convidar os jovens a redescobrir o verdadeiro significado da diversão.

Para passar uma noite relaxante com amigos, não é preciso varar a madrugada, nem sair bêbado, nem se drogar. Não é preciso participar de loucas corridas clandestinas para provar alguma coisa para os outros. É necessário ensinar os jovens a gerir inteligentemente a sua liberdade, até com o objetivo de uma busca pessoal da santidade. Todo cristão, que recebeu o batismo, é chamado a ser santo.

De que maneira? Pouco a pouco, passo a passo, fazendo um pequeno esforço por dia. Isto significa que você pode se tornar santo também se divertindo, usando a cabeça e fazendo as escolhas certas para a sua vida. Lembremo-nos: somos todos filhos de Deus.

Antes de pôr os pés em certos ambientes extremos, perguntemo-nos: um filho de Deus pode entrar num ambiente como este? É realmente um lugar para mim? E se um amigo me convida a acelerar ao máximo, de noite, numa rua da periferia, eu devo perguntar a mim mesmo: é este o comportamento correto de um filho de Deus?

As oportunidades saudáveis de se divertir e sair com os amigos são muitas. Há clubes onde a música é mais tranquila e onde as drogas e o álcool não circulam. Há ótimos shows, grandes filmes, excelentes espetáculos para ver. Basta escolher e usar o cérebro. A geração mais jovem precisa de uma nova cultura. Existe a necessidade de rotas alternativas, que levem à santidade inclusive através do entretenimento saudável e de uma boa organização do próprio tempo de lazer.

Isso mesmo! É possível ser santo até na balada! Basta lembrar que Deus está sempre conosco, que ele segura a nossa mão e nos acompanha inclusive nas horas de lazer e diversão.

A mulher, mediadora da paz

As virtudes femininas exaltadas pela Virgem Maria
Irmã M. Caterina Gatti

ROMA, terça-feira, 20 de março de 2012 (ZENIT.org) – O papa Bento XVI escreveu na mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2008 que “a família é a primeira e insubstituível educadora para a paz, porque na sadia vida familiar se experimentam os componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade expressa dos pais, o serviço amoroso dos membros mais frágeis por serem pequenos, doentes ou anciãos, a ajuda mútua nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, para perdoá-lo”. Todos estes, como outros componentes da paz, são também características fundamentais da mulher: o acolhimento do outro, a ajuda recíproca e a disponibilidade ao sacrifício, o amor desinteressado, a sensibilidade, a atenção. São virtudes ínsitas da feminilidade, o que nos permite dizer que a mulher é chamada a ser testemunha, mensageira, educadora e mestra da paz. A mulher tem uma vocação particular na promoção da paz em família e em todo âmbito da vida social, econômica e política de nível local, nacional e internacional. Ela é mediadora de paz antes de tudo na própria família, para sê-lo depois na sociedade toda, da qual a família constitui a célula primeira. A Igreja, por isso, encaminha um convite particular à mulher para ser educadora de paz, com todo o seu ser e seu agir, nas relações entre as pessoas e as gerações, na cultura, na vida social e política das nações e, de modo particular, nas situações de guerra e de conflito. Tal convite se apóia na consideração de que Deus confia a ela de modo especial o homem, o ser humano (cf. João Paulo II, Mulieris Dignitatem). Para desenvolver melhor esta missão, a mulher precisa primeiro cultivar a paz interior, que é fruto do sentir-se e saber-se amada por Deus e do querer corresponder ao seu amor. Na história, encontramos muitos exemplos de mulheres que souberam enfrentar muitas situações de dificuldade, discriminação, abuso, violência e guerra, graças a esta consciência. Um âmbito em que a paz pode ser promovida pela mulher, como já dito, é o da família: toda mãe exerce um papel de primária importância na educação dos filhos, por fazer nascer neles aquela segurança e confiança que são necessárias para o correto desenvolvimento da identidade pessoal. Isto permitirá, por conseguinte, que eles se relacionem de maneira positiva com os outros. Se a relação com o marido também é caracterizada pelo afeto, pela atenção, estima e respeito recíproco, os filhos aprendem, ao vivo, esses valores que promovem e caracterizam a paz. Tal relação incide na psicologia dos filhos e condiciona os relacionamentos que eles tecerão durante a existência. E disto a mulher deve ser bem ciente: o seu ser como educadora da paz e testemunha de paz no núcleo familiar tem impactos nada indiferentes sobre a sociedade inteira. São Pio de Pietrelcina dizia que a mulher deve ser o anjo da paz em família, construtora do ambiente de acolhida, que permite aos filhos perceberem o amor de Deus nas relações familiares e crescerem numa espontânea abertura aos outros. A paz é posta com frequência nas mãos das mulheres, mesmo na sua decisão de acolher ou não a nova vida que germinou em seu seio. A igreja as convida a se inclinarem sempre à vida, conscientizando-se e procurando transmitir aos outros que o atentado contra a vida humana em seu início é também uma agressão contra a sociedade. A mulher, que é depositária da vida desde a sua concepção, deve se dar conta de que “na violação do direito à vida do indivíduo humano está contida, em germe, a extrema violência da guerra” (Jornada Mundial pela Paz, 1995). O santo padre Bento XVI nos lembra que, junto com as vítimas da guerra, do terrorismo e de muitas formas de violência, existem, não menos importantes, as vítimas silenciosas do aborto e da experimentação com embriões: “Como não ver nisso tudo um atentado contra a paz?”, pergunta o papa. Se uma das características da paz é a postura de acolhimento ao outro, é claro que o aborto, e com ele a experimentação com embriões, constitui um ataque direto a tal princípio indispensável para instaurar relações de paz duradouras. Da mesma opinião era a beata Madre Teresa de Calcutá, que, no já distante ano de 1979, dizia: “Sinto que hoje o maior destruidor da paz é o aborto, porque é uma guerra direta, um assassinato direto, um homicídio direto pela mão da própria mãe. Se uma mãe pode matar o próprio filho, nada resta que me impeça de matar você, nem a você de me matar. O aborto é o princípio que põe a paz do mundo em perigo”. A mulher, para realizar melhor este grande compromisso que Deus lhe confia, tem de recorrer à intercessão de Maria Santíssima, mediadora por excelência, a Rainha da paz. Na grande família que é a igreja, é Nossa Senhora quem desempenha o papel fundamental de mediar a paz entre o homem e Deus. Maria disse a Santa Brígida: “Como o ímã atrai o ferro, assim eu atraio a mim os corações mais endurecidos para reconciliá-los com Deus”. São o seu amor materno, a sua acolhida, a sua doçura que conquistam o pecador e o empurram a pedir perdão pelas faltas para com Deus. Invoquemos Maria Santíssima, Rainha da paz. “Ela suscite mulheres de iniciativa e coragem […] que se tornem, na igreja e na sociedade, tecedoras de união e de paz” (João Paulo II, ângelus, 12 de fevereiro de 1995).

Quantos anos você tinha quando seus pais se divorciaram?

Por Rafael Navarro-Valls, membro do Conselho Pontifício para a Família, sobre a tragédia dos divórcios e seu impacto na vida das maiores vítimas, as crianças.
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Acabo de participar de um Congresso de interesse especial. Os protagonistas eramos um grupo de especialistas de todo o mundo reunidos em Roma pelo Conselho Pontifício para a Família. A ocasião do encontro foi o 30 º aniversário de um dos documentos mais interessantes do pontificado de São João Paulo II. Refiro-me à Constituição Apostólica Familiaris Consortio (22.XI.1981). Ao receber a assembléia, Bento XVI destacava a importância do evento com estas palavras: “O Eclipse de Deus é devido à propagação de ideologias contrárias à família”.

O Papa não estava exagerando. Um ácido exemplo mediático será suficiente para definir a seriedade do momento histórico pelo qual passa a família. Os jornais americanos gostam de concretizar em poucas palavras o momento da vida que define cada geração. Assim, dirigindo-se àqueles que viveram nos anos quarenta, a questão chave é, geralmente: “Onde você estava quando os japoneses atacaram Pearl Harbor? “For baby boomers, the questions are: ‘Where were you when Kennedy was shot?’” Para os baby boomers (aqueles nascidos entre 1945 e nos primeiros anos da década de 60) as perguntas são:” Onde você estava quando Kennedy foi assassinado?” ou “What were you doing when Nixon resigned?” ou “O que você estava fazendo quando Nixon renunciou?” “For much of my generation –Generation X, born between 1965 and 1980- there is only one question: “When did your parents get divorced?”

Para aqueles que viviam no 11 de setembro de 2001, a questão é normalmente: “Onde você estava quando derrubaram o World Trade Center”? Finalmente, para a geração X, ou seja, para aqueles que nasceram entre 1965 e 1980, só há uma pergunta: “Quantos anos você tinha quando seus pais se divorciaram?”. Pergunta. Our lives have been framed by the answer. Pergunta que perigosamente se aproxima a crianças de baixa idade.

Um evento dramático
Certamente, a realidade é menos negativo, porque há muitos matrimônios que perseveram toda a vida. Mas sim é verdade, dizia o professor Timothy O´ Donnell, em seu discurso ao Congresso que acabei de mencionar, que até mesmo na imprensa mais secular, a experiência do divórcio é colocada entre os eventos dramáticos da história, com uma carga de tragédia profunda.
Pensemos na Europa hoje, um casamento se desfaz a cada 30 segundos. Isto significa que a ruptura conjugal supera o milhão de divórcios por ano. Nos últimos 25 anos, no nosso continente, se destruíram  uns 12 milhões de casamentos. As duvidosas posições de honra são para a Alemanha, Reino Unido, França e Espanha, que acumulam um 60% do total. Provavelmente, uma das causas da quantidade tão grande de fraturas nas uniões matrimoniais, é a eliminação ou redução dos tempos de espera nos processos de divórcio. De acordo com um estudo recente, o 80% do aumento das taxas de divórcio na Europa Ocidental entre 1970 e 1990 têm a causa delas em tal encurtamento. Na Espanha, a lei de 2005 que reduzia a três meses, após a celebração do casamento, a possibilidade de divórcio, e praticamente eliminava a  separação matrimonial como um possível meio para a reconciliação, produziu um aumento explosivo no aumento das rupturas definitivas dos matrimônios. Destaca o aumento excepcional dos casamentos dissolvidos antes de um ano, que é três vezes superior ao número registrado em 2005 como resultado da lei do “divórcio expresso”.
Se a esta informação, juntamos o declínio dramático na taxa de fecundidade na União Europeia (1,38 filhos / mulher), bem abaixo do nível de reposição generacional (2,1), está claro que os agentes sociais (advogados, sociólogos, teólogos) ponderem com profunda preocupação a situação. Especialmente a da criança.

Da explosão pos-adolescente ao direito puerocêntrico
Isto está produzindo um efeito duplo: o primeiro negativo, positivo o segundo: o que os sociólogos chamam de “explosão de pós-adolescência” e um processo de produção de direito fortemente “puerocêntrico”. Efetivamente, o declínio acentuado no processo de natalidade produziu um processo de superproteção da minguante prole. Superproteção nem sempre benéfica, pois numa família de poucos irmãos a excessiva, ou ao menos desenfocada, atenção que a criança recebe dos pais confirma-a numa certa ilusão de onipotência. Seu ambiente concentra-se no imediato, e os seus desejos tendem a ser imediatamente satisfeitos. Mas, ao chegar à adolescência, a realidade se torna hostil ao não ser mais possível a imediata satisfação de desejos, gerados por novos estímulos. Essa confusão, muitas vezes, leva a uma forte atração aos estímulos externos, tais como a toxicodependência e a delinquencia.
Quanto ao direito “puerocêntrico” implica um processo sem precedentes de concentração de direitos na criança, que se concretiza em um direito certamente absorvente. Basta este exemplo recente. A Comissão Europeia propôs recentemente (15/02/2011) toda uma série de medidas para proteger os direitos da criança. Trata-se na sua maioria de mudanças jurídicas de apoio às administrações dos países membros. Alguns exemplos sugeridos são: leis que protejam melhor os direitos das crianças como grupo particularmente vulnerável durante os processos judiciais e ante os tribunais; apoio à formação de juízes e outros profissionais da área jurídica para que estejam em condições de ajudar as crianças nos tribunais; medidas contra o cyberbullying, o grooming (manipulação de crianças por adultos através da Internet), a exposição a conteúdos nocivos e outros riscos, através do programa da UE para uma Internet mais segura; apoio à luta contra a violência exercida sobre crianças e contra o turismo sexual infantil.

O que pode ser feito?
O debate final do Congresso a que me referi no início dessas linhas não se limitou a descobrir a imagem de uma família doente. Abundou em medidas positivas. Algumas delas coincidem com as 101 medidas que, para a Espanha, acaba de sugerir o Instituto de Política Familiar (Madrid, 2011). Entre elas: elaborar uma Lei de Prevenção e Mediação Familiar para ajudar matrimônios com crises; ajudas diretas universais à gravidez e por nascimento; aumentar as licenças remuneradas de maternidade e de paternidade; criar “cheques guardería” (cheques creches) e “cheques escolares”; aumentar a % do PIB destinado à família (cerca de 2,1% na UE, 1,5% apenas na Espanha), etc.
No entanto, na minha opinião, se é importante criar um quadro legislativo no qual as famílias possam respirar e cumprir as suas finalidades, será a influência da mídia, das escolas, das igrejas e, sobretudo, das próprias famílias que irão decidir o jogo. Não esperemos que o modelo de família seja, como antes, “um produto” dos costumes, mas deve ser um “instrumento de modificação” desses costumes. Trata-se de oferecer ao Ocidente com muita paciência a ética e a antropologia que pulsa sob a bíblica “una caro” (uma só carne). Trata-se de ser conscientes de que a crises do matrimônio e da família provavelmente, não se devem tanto a razões históricas ou sociológicas quanto a motivos ideológicos. Será no mundo das idéias onde teremos que definir as alterações. Isso vai levar tempo. Mas vale a pena.
(Tradução TS)

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