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A influência da novela na sociedade

A influência das novelas e a descaracterização dos valores
Por Pe. Paulo Ricardo

A sociedade, hoje, está em constante transformação e evolução, mas muitas destas mudanças não trazem benefícios para nós cristãos, porque os valores éticos estão sendo distorcidos. Um exemplo clássico, presente nos lares brasileiros, são as novelas que, atualmente, vem construindo uma ideologia de antivalores.

Enquanto a Igreja procura evangelizar as pessoas para que possam viver uma vida segundo os ensinamentos deixados por Jesus Cristo, a maioria das novelas tem o papel de deturpar os valores cristãos como a instituição da família.

Existem estudos como o da pesquisa do ‘Banco Interamericano de desenvolvimento’, os quais comprovam que as novelas, realmente, podem gerar nas pessoas essas mudanças de comportamento.

“Sem dúvida alguma, isso é uma realidade que já está comprovada inclusive com estudos. Existe um estudo profundo que mostra como as novelas da Globo, durante as década de 70 e 80, alteraram o comportamento das famílias. Um estudo comprovado cientificamente pode medir exatamente a diferença de comportamento entre as pessoas, podendo ser comparado com o sinal da TV Globo, pois, naquela época, as novelas eram as que mais dominavam e o sinal não era forte em todos os lugares do país. Onde o sinal era fraco, o comportamento foi menos alterado, mas onde o sinal era mais forte, o comportamento alterou-se mais”.

Outro ponto abordado durante a entrevista é o fato de que, hoje, as crianças e os adolescentes acompanham novelas e seriados que mostram uma realidade distorcida de família e relacionamentos. O sacerdote alerta que quanto mais cedo as crianças forem expostas a esses valores não cristãos, provavelmente, se tornarão jovens e adultos influenciados por esse ambiente apresentado pelas novelas.

“A realidade das crianças é diferente da dos adultos, porque este tipo de programação tem em vista mudar o comportamento do adulto. Já para as crianças, o objetivo é moldar o comportamento delas desde cedo. A própria forma como aquela criança vai crescendo e vendo o mundo já é distorcido por essa nova realidade e esses desvalores que estão destruindo as famílias”.

Diante de toda realidade apresentada pelas novelas e programas de entretenimento, é preciso que nós, como cristãos, não percamos a essência do que é seguir as doutrinas da Igreja e não nos deixarmos ser influenciados pela mídia.

“Não tenham medo de ser família. Sejam família, gastem-se para seus filhos, educando-os para tê-los consigo o quanto mais vocês puderem. Quem educa o filho não é o videogame, a novela, o joguinho e nada disso, mas o convívio harmonioso com os pais”.

São João Paulo II

:: A Liberdade
:: A Vida
:: A Família
:: Deus e a Pessoa Humana
:: Evangelização
:: A Cruz
:: Autênticos seguidores
:: O Sofrimento
:: Confiança em Deus
:: A Paz
:: Oração
:: Rosário
:: Vida Consagrada
:: Fé e razão
:: Concílio Vaticano II
:: A Arte
:: Eucaristia
:: Os jovens
:: A Virgem Maria

A LIBERDADE
1.- “Estamos no mundo sem ser do mundo, constituídos entre os homens como sinais da verdade e da presença de Cristo para o mundo. Entregamo-lhe todo nosso ser concreto como expressão sua, para que Ele continue fazendo o bem” (Cf. At 10, 38).

2.- “O verdadeiro conhecimento e autêntica liberdade encontram-se em Jesus. Deixai que Jesus sempre faça parte de vossa fome de verdade e justiça, e de vosso compromisso pelo bem-estar de vossos semelhantes”.

3.- “A liberdade, em todos seus aspectos, deve se basear na verdade. Quero repetir aqui as palavras de Jesus: “E a verdade vos libertará” (Jo 8, 32). É, pois, meu desejo que vosso senso de liberdade possa estar sempre de mãos dadas com o um profundo senso de verdade e honestidade sobre vós mesmos e das realidades de vossa sociedade”.

4.- “Só a liberdade que se submete à Verdade conduz a pessoa humana a seu verdadeiro bem. O bem da pessoa consiste em estar na Verdade e em realizar a Verdade” (Encíclica Esplendor da Verdade).

A VIDA
1.- “Qualquer ameaça contra o homem, contra a família e a nação me atinge. Ameaças que têm sempre sua origem em nossa fraqueza humana, na forma superficial de considerar a vida”.

2.- Queremos AMAR COMO TU, que dás a vida e a comunicas com tudo o que es. Quiséramos dizer como São Paulo: «Minha vida é Cristo» (Fl. 1, 21). Nossa vida não tem sentido sem ti.

3.- “A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta desde o momento da concepção. A partir do primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos seus direitos de pessoa, entre os quais está o direito inviolável de todo ser inocente à vida”.

4.- O respeito à vida é fundamento de qualquer outro direito, inclusive o da liberdade.

5.- Todo ser humano, desde sua concepção, tem direito de nascer, quer dizer, a viver sua própria vida. Não só o bem-estar, mas também, de certo modo, a própria existência da sociedade, depende da salvaguarda deste direito primordial. Se a criança por nascer tem negado este direito, será cada vez mais difícil reconhecer sem discriminações o mesmo direito a todos os seres humanos.

A FAMÍLIA
1.- A família está chamada a ser templo, ou seja, casa de oração: uma oração simples, cheia de esforço e de ternura. Uma oração que se faz vida, para que toda a vida se transforme em oração.

2.- Em uma família que reza não faltará nunca a consciência da própria vocação fundamental: a de ser um grande caminho de comunhão.

3.- A família é para os fiéis uma experiência de caminho, uma aventura cheia de surpresas, mas aberta principalmente à grande surpresa de Deus, que vem sempre de modo novo em nossa vida.

4.- O homem é essencialmente um ser social; com maior razão, pode-se dizer que é um ser “familiar”.

5.- O futuro depende, em grande parte, da família, “esta porta consigo o futuro da sociedade; seu papel especialíssimo é o de contribuir eficazmente para um futuro de paz”.

6.- Que toda família do mundo possa repetir com verdade o que afirma o salmista: “Vede como é doce, como é agradável conviver os irmãos reunidos” (Sl 133, 1).

7.- “O matrimônio e a família cristã edificam a Igreja. Os filhos são fruto precioso do matrimônio” (Familiaris Consortio 14, 16).

8.- A acolhida, o amor, a estima, o serviço múltiplo e unitário -material, afetivo, educativo, espiritual- a cada criança vinda a este mundo, deveria constituir sempre uma nota distintiva e irrenunciável dos cristãos, especialmente das famílias cristãs; assim as crianças, ao mesmo tempo em que crescem “em sabedoria, em estatura e em graça perante Deus e perante os homens”, serão uma preciosa ajuda para a edificação da comunidade familiar para a santificação dos pais (Familiaris Consortio, 1981).

9.- A família é “base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem pela primeira vez os valores que os guiarão durante toda a vida”.

10.- Os pais têm direitos e responsabilidades específicas na educação e na formação de seus filhos nos valores morais, especialmente na difícil idade da adolescência.

DEUS E A PESSOA HUMANA
1.- “A pessoa humana tem uma necessidade que é ainda mais profunda, uma fome que é maior que aquele a que o pão pode saciar –é a fome que possui o coração humano da imensidade de Deus”.

2.- “A caridade procede de Deus, e tudo o que ele ama nasce de Deus e conhece a Deus… porque Deus é amor (1Jo 4, 7-9). Somente o que é construído sobre Deus, sobre o amor, é durável”.

EVANGELIZAÇÃO
1.- “Como os Reis Magos, sede também vós peregrinos animados pelo desejo de encontrar o Messias e de adorá-lo! Anunciai com valentia que Cristo, morto e ressuscitado, é vencedor do mal e da morte!”

2.- “Mas, se quiserdes ser eficazes pregadores da Palavra, deveis ser homens de fé profunda, e ao mesmo tempo ouvintes e atuantes da Palavra”.

3.- “A Palavra de Deus é digna em todos vossos esforços. Abraçá-la em toda sua pureza e integridade, e difundi-la com o exemplo e a pregação, é uma grande missão. Esta é vossa missão hoje, amanhã e pelo resto de vossas vidas”.

A CRUZ
1.- “A cruz veio ser para nós a Cátedra suprema da verdade de Deus e do homem. Todos devemos ser alunos desta Cátedra em curso ou fora de curso. Então compreenderemos que a cruz é também berço do homem novo”.

2.- “Onde surge a Cruz, vê-se o sinal de que chegou a Boa Notícia da salvação do homem mediante o amor. Onde se ergue a cruz, está o sinal de que foi iniciada a evangelização”.

3.- “A cruz se transforma também em símbolo de esperança. De instrumento de castigo, passa a ser imagem de vida nova, de um mundo novo”.

4.- “A cruz, na qual se morre para viver; para viver em Deus e com Deus, para viver na verdade, na liberdade e no amor, para viver eternamente”.

AUTÊNTICOS SEGUIDORES
1.- “São José é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não são necessárias “grandes coisas”, mas apenas as virtudes comuns, humanas, simples, mas verdadeiras e autênticas”.

O SOFRIMENTO
1.- “As palavras da oração de Cristo no Getsemani provam a verdade do sofrimento”.

2.- “O Getsemani é o lugar no qual precisamente este sofrimento, expressado em toda a verdade pelo profeta sobre o mal padecido nele mesmo, revelou-se quase espiritualmente perante os olhos de Cristo”.

3.- “O sofrimento humano alcançou seu ápice na paixão de Cristo”.

4.- “A cruz de Cristo tornou-se uma fonte da qual brotam rios de água viva.”

5.- “Na cruz de Cristo não apenas se cumpriu a redenção mediante o sofrimento, como o próprio sofrimento humano foi redimido.”

6.- “Peço para vós a graça da luz e da força Espiritual no sofrimento, para que não percais o valor, mas que descubrais individualmente o sentido do sofrimento e possais, com a oração e o sacrifício, aliviar os demais”.

CONFIANÇA EM DEUS
1.- “Sabei também vós, queridos amigos, que esta missão não é fácil. E que pode tornar-se até mesmo impossível, se contardes apenas com vós mesmos. Mas «o que é impossível para os homens, é possível para Deus» (Lc 18, 27; 1, 37)”.

2.- “Os verdadeiros discípulos de Cristo têm consciência de sua própria fragilidade. Por isto colocam toda sua confiança na graça de Deus que acolhem com coração indiviso, convencidos de que sem Ele não podem fazer nada (cfr Jo 15, 5). O que os caracteriza e distingue do resto dos homens não são os talentos ou as disposições naturais. É sua firme determinação em caminhar sobre as pegadas de Jesus”.

A PAZ
1.- “Neste tempo ameaçado pela violência, pelo ódio e pela guerra, testemunhai que Ele, e somente Ele, pode dar a verdadeira paz ao coração do homem, às famílias e aos povos da terra. Esforçai-vos em buscar e promover a paz, a justiça e a fraternidade. E não esqueçais da palavra do Evangelho: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz, porque eles serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).”

2.- “A paz e a violência germinam no coração do homem, sobre o qual somente Deus tem poder”.

3.- “A violência jamais resolve os conflitos, nem mesmo diminui suas conseqüências dramáticas”.

4.- “Homens e mulheres do terceiro milênio! Deixai-me repetir: abri o coração a Cristo crucificado e ressuscitado, que vos oferece a paz! Onde entra Cristo ressuscitado, com Ele entra a verdadeira paz”.

5.- “Que ninguém se iluda de que a simples ausência de guerra, mesmo sendo tão desejada, seja sinônimo de uma paz verdadeira. Não há verdadeira paz sem vir acompanhada de igualdade, verdade, justiça, e solidariedade”.

6.- “A verdadeira reconciliação entre homens em conflito e em inimizade só é possível, se se deixam reconciliar ao mesmo tempo com Deus”.

7.- “Não há paz sem justiça, não há paz sem perdão”.

ORAÇÃO
1.- É hora de redescobrir, queridos irmãos e irmãs, o valor da oração, sua força misteriosa, sua capacidade de voltar a nos conduzir a Deus e de nos introduzirmos na verdade radical do ser humano.

2.- Quando um homem ora, coloca-se perante Deus, perante um Tu, um Tu divino, e compreende ao mesmo tempo a íntima verdade de seu próprio eu: Tu divino, eu humano, ser pessoal criado a imagem de Deus.

3.- Em nossas noites físicas e morais, se tu estás presente, e nos amas, e nos falas, já nos basta, embora muitas vezes não sentiremos o consolo.

ROSÁRIO
1.- “Em sua simplicidade e profundidade, continua sendo também neste terceiro Milênio apenas iniciado uma oração de grande significado, destinada a produzir frutos de santidade”.

2.- “O Rosário, com efeito, embora se distinga por seu caráter mariano, é uma oração centrada na cristologia. Na sobriedade de suas partes, concentra em si a profundidade de todo a mensagem evangélica, da qual é como um compêndio”.

3.- “Com ele, o povo cristão aprende de Maria a contemplar a beleza do rosto de Cristo e a experimentar a profundidade de seu amor”.

4.- “Mediante o Rosário, o fiel obtém abundantes graças, como recebendo-as das próprias mãos da Mãe do Redentor”.

5.- “Esta oração teve um posto importante em minha vida espiritual desde minha juventude”.

6.- “O Rosário me acompanhou nos momentos de alegria e nos de tribulação. A ele confiei tantas preocupações e nele sempre encontrei consolo”.

7.- “Há vinte e quatro anos, no dia 29 de outubro de 1978, duas semanas depois da eleição à Sede de Pedro, como abrindo minha alma, expressei-me assim: «O Rosário é minha oração predileta. Prece maravilhosa! Maravilhosa em sua simplicidade e em sua profundidade” […].

8.- “Hoje, no início do vigésimo quinto ano de serviço como Sucessor de Pedro, quero fazer o mesmo. Quantas graças recebi da Santíssima Virgem através do Rosário nestes anos: Magnificat anima mea Dominum! Desejo elevar meu agradecimento ao Senhor com as palavras de sua Mãe Santíssima, sob cuja proteção coloquei meu ministério petrino: Totus tuus!”

9.- “O Rosário, compreendido em seu pleno significado, conduz ao coração da vida cristã e oferece uma oportunidade cotidiana e fecunda espiritual e pedagógica, para a contemplação pessoal, a formação do Povo de Deus e da nova evangelização”.

10.- “…o motivo mais importante para voltar a propor com determinação a prática do Rosário é por ser um meio sumamente válido para favorecer nos fiéis a exigência de contemplação do mistério cristão, que propus na Carta Apostólica Novo millennio ineunte como verdadeira e própria “pedagogia da santidade”: «é necessário um cristianismo que se distinga principalmente na arte da oração»”.

11.- “Não se pode recitar o Rosário sem sentir-se implicados em um compromisso concreto de servir à paz, com uma particular atenção à terra Jesus, ainda hoje tão atormentada e tão querida pelo coração cristão”.

12.- “No marco de uma pastoral familiar mais ampla, fomentar o Rosário nas famílias cristãs é uma ajuda eficaz para contrastar os efeitos desoladores desta crise atual”.

13.- “Numerosos sinais mostram como a Santíssima Virgem exerce também hoje, precisamente através desta oração, aquela solicitude materna para com todos os filhos da Igreja que o Redentor, pouco antes de morrer, confiou-lhe na pessoa do predileto: «Mulher, eis aí o teu filho!» (Jo 19, 26)”.

14.- “Maria vive olhando a Cristo e tem em mente cada uma de suas palavras: « Guardava todas estas coisas, e as meditava em seu coração » (Lc 2, 19; cf. 2, 51). As memórias de Jesus, impressas em sua alma, a acompanharam em todo momento, levando-a a percorrer com o pensamento os diversos episódios de sua vida junto ao Filhos. Foram aquelas lembranças que constituíram, em certo sentido, o “rosário” que Ela recitou constantemente nos dias de sua vida terrena”.

15.- “Quando recita o Rosário, a comunidade cristã está em sintonia com a memória e com o olhar de Maria”.

16.- “…como destacou Paulo VI: «Sem contemplação, o Rosário é um corpo sem alma e sua oração corre o risco de tornar-se uma repetição mecânica de fórmulas e de contradizer a advertência de Jesus: “Quando rezardes, não sejais charlatães como os pagãos, que pensam que são escutados em virtude de sua loquacidade” (Mt 6, 7)”.

17.- “Percorrer com Maria as cenas do Rosário é como ir à “escola” de Maria para ler a Cristo, para penetrar em seus segredos, para entender sua mensagem”.

18.- “…isto diz o Beato Bartolomeu Longo: «Como dois amigos, freqüentando-se, costumam se parecer também nos costumes, assim nós, conversando familiarmente com Jesus e com a Virgem, ao meditar os Mistérios do Rosário, e formando juntos uma mesma vida de comunhão, podemos chegar a ser, na medida de nossa pequenez, parecidos com eles, e aprender com estes eminentes exemplos o ver humilde, pobre, escondido, paciente e perfeito»”.

19.- “O Rosário nos transporta misticamente junto a Maria, dedicada a seguir o crescimento humano de Cristo na casa de Nazaré. Isso lhe permite educar-nos e modelar-nos na mesma diligência, até que Cristo «seja formado» plenamente em nós (cf. Gl 4, 19)”.

20.- ‘O Rosário promove este ideal, oferecendo o “segredo” para abrir-se mais facilmente a um conhecimento profundo e comprometido de Cristo. Poderíamos chamá-lo de caminho de Maria”.

VIDA CONSAGRADA
1.- “A entrega total e a fidelidade permanente ao Amor constitui a base de vosso testemunho no mundo. Vos peço uma renovada fidelidade, que acenda mais o amor a Cristo, mais sacrificada e alegre vossa entrega, mais humilde vosso serviço”.

2.- “A necessidade deste testemunho público constitui um chamado constante à conversão interna, à retidão e santidade de vida de cada religiosa”.

3.- “A Profissão religiosa coloca no coração de cada um e cada uma de vós, queridos Irmãos e Irmãs, o amor do Pai; aquele amor que há no coração de Jesus Cristo, Redentor do mundo. Este é um amor que abarca o mundo e tudo o que nele vem do Pai e que ao mesmo tempo deve vencer no mundo tudo o que «não vem do Pai” (Redemptionis Donum, 9).

4.- “O consagrado é aquele que afirma e vive em si mesmo o senhorio absoluto de Deus, que quer ser tudo em todos”.

5.- “A entrega total e a fidelidade permanente ao Amor constitui a base de vosso testemunho perante o mundo”.

6.- “Vos peço uma renovada fidelidade, que acenda mais o amor a Cristo, mais sacrificada e alegre vossa entrega, mais humilde vosso serviço”.

7.- “A necessidade deste testemunho público constitui um chamado constante à conversão interior, à retidão e santidade de vida de cada religiosa”.

8.- “Esta entrega nossa “transpasso de propriedade”, nos marcou com um sinal particular, que passou a ser nossa identidade”.

FÉ E RAZÃO
1.- “A fé e a razão (Fides et ratio) são como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva à contemplação da verdade. Deus colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, definitivamente, de conhecê-lo para que, conhecendo-o e amando-o, possa alcançar também a plena verdade sobre si mesmo (cf. Ex 33, 18; Sl 27 [26], 8-9; 63 [62], 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2). Carta encíclica Fides et Ratio Sobre as relações entre Fé e Razão. 14 de setembro de 1998.

CONCÍLIO VATICANO II
1.- Depois de sua conclusão, o Concílio não parou de inspirar a vida da Igreja. Em 1985 quis afirmar: “Para mim que tive a graça especial de participar e colaborar ativamente em seu desenvolvimento, o Vaticano II foi sempre, e é de modo particular nestes anos de meu pontificado, o ponto de referência constante de toda minha ação pastoral, com o compromisso responsável de traduzir suas diretrizes em aplicação concreta e fiel, em cada igreja e em toda a Igreja. Devemos recorrer incessantemente a essa fonte” (João Paulo II, Homilia de 25 de janeiro de 1985, cf. L’Osservatore Romano, edição em língua espanhola, 3 de fevereiro de 1985, p. 12).

2.- Depois do encerramento do Sínodo, fiz meu esse desejo, ao considerar que respondia “realmente às necessidades da Igreja universal e das Igrejas particulares” (5). João Paulo II, Discurso na sessão de encerramento da II Assembléia geral extraordinária do Sínodo dos bispos, 7 de dezembro de 1985; AAS 78 (1986), p. 435; cf. L’Osservatore Romano, edição em língua espanhola, 15 de dezembro de 1985, p. 11.

A ARTE
1.- “Aquele que cria dá o próprio ser, tira alguma coisa do nada —ex nihilo sui et subiecti, se diz em latim— e isto, em senso estrito, é o modo de proceder exclusivo do Onipotente. O artífice, ao contrário, utiliza algo já existente, dando-lhe forma e significado”.

2.- “Na « criação artística » o homem revela-se mais do que nunca « imagem de Deus » e realiza esta tarefa principalmente convertendo a estupenda « matéria » da própria humanidade e, depois, exercendo um domínio criativo sobre o universo que o rodeia”.

3.- “O Artista divino, com admirável condescendência, transmite ao artista humano uma faísca de sua sabedoria transcendente, chamando-o a compartilhar de sua potência criadora”.

4.- “o artista, quanto mais consciente é de seu « dom », tanto mais se sente movido a olhar a si mesmo e à toda a criação com olhos capazes de contemplar e de agradecer, elevando a Deus seu hino de louvor. Somente assim pode compreender a fundo a si mesmo, sua própria vocação e missão”.

5.- “Nem todos estão chamados a ser artistas no sentido específico da palavra. Entretanto, segundo a expressão do Gênesis, a cada homem é confiada a tarefa de ser artífice da própria vida; de certo modo, deve fazer dela uma obra de arte, uma obra-prima”.

EUCARISTIA
1.- “Tua presença na Eucaristia começou com o sacrifício da última ceia e continua como comunhão e doação de tudo o que és”.

2.- “O culto eucarístico brota do amor e serve ao amor, para o qual todos nós somos chamados em Cristo Jesus. E fruto vivo desse mesmo culto é o aperfeiçoamento da imagem de Deus que trazemos em nós, imagem que corresponde àquela que Cristo nos revelou. Tornando-nos assim “adoradores do Pai em espírito e verdade”, nós amadurecemos numa cada vez mais plena união com Cristo, estamos mais unidos a Ele” (24.02.1980).

3.- “E Eucaristia é grande apelo para a conversão. Sabemos que ela é convite para o Banquete; que, alimentando-nos com a Eucaristia, recebemos o Corpo e o Sangue de Cristo, sob as aparências do pão e do vinho. E precisamente porque é convite, a Eucaristia é e continua a ser apelo para a conversão” (29.09.1979).

4.- “Numa plena e ativa participação no Sacrifício Eucarístico e na vida litúrgica completa da Igreja, todo o povo encontra a primeira e indispensável fonte do verdadeiro espírito cristão. Na Eucaristia encontra a força que o torna capaz de dar ao mundo o testemunho de vida” (26.04.1979).

5.- “O Santo Sacrifício da Missa quer ser também a celebração festiva da nossa salvação” (29.09.1979).

OS JOVENS
1.- “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14)… (Mensagem do Papa João Paulo II para a XVII Jornada Mundial da Juventude).

2.- “A Igreja os vê com confiança e espera que sejam o povo das bem-aventuranças!” (Mensagem do Papa João Paulo II para a XVII Jornada Mundial da Juventude. 25 de julho de 2002).

3.- “Não temam responder generosamente ao chamado do Senhor. Deixem que sua fé brilhe no mundo, que suas ações mostrem seu compromisso com a mensagem salvadora do Evangelho!” (Saudação final do Papa João Paulo II aos participantes da JMJ 2002 Downsview Lands, Toronto, 28 de julho de 2002).

4.- “Vivais comprometidos, na oração, na atenta escuta e no compartilhar gozoso estas ocasiões de “formação permanente”, manifestando vossa fé ardente e devota! Como os Reis Magos, sejam também peregrinos animados pelo desejo de encontrar ao Messias e de adorá-lo! Anunciai com coragem que Cristo, morto e ressuscitado, é vencedor do mal e da morte!”

5.- “Também vós, queridos jovens, vos enfrenteis ao sofrimento: a solidão, os fracassos e as desilusões em vossa vida pessoal; as dificuldades para adaptar-se ao mundo dos adultos e à vida profissional; as separações e os lutos em vossas famílias; a violência das guerras e a morte dos inocentes. Porém sabeis que nos momentos difíceis, que não faltam na vida de cada um, não estais sós: como a João ao pé da Cruz, Jesus vos entrega também a Mãe dele, para que vos conforte com ternura” (Mensagem do Papa João Paulo II para a XVII Jornada Mundial da Juventude. 25 de julho de 2002).

6.- “Queridos jovens, já sabeis que o cristianismo não é uma opinião e não consiste em palavras vãs. O cristianismo é Cristo! ¡É uma Pessoa, é o que Vive! Encontrar a Jesus, amá-lo e fazê-lo amar: eis aqui a vocação cristã” (Mensagem do Papa João Paulo II para a XVII Jornada Mundial da Juventude. 25 de julho de 2002).

7.- “Queridos jovens, só Jesus conhece vosso coração, vossos desejos mais profundos. Só Ele, quem os amou até a morte, (cf Jo 13,1), é capaz de saciar vossas aspirações. Suas palavras de vida eterna, palavras que dão sentido à vida. Ninguém fora de Cristo poderá dar-vos a verdadeira felicidade” (Mensagem do Papa João Paulo II para a XVII Jornada Mundial da Juventude. 25 de julho de 2002).

8.- “Agora mais que nunca é urgente que sejais os “centinelas da manhã”, os vigias que anunciam a luz da alvorada e a nova primavera do Evangelho, da que já são vistas os brotos. A humanidade necessita imperiosamente o testemunho de jovens livres e valentes, que se atrevam a caminhar contra a corrente e a proclamar com força e entusiasmo a própria fé em Deus, Senhor e Salvador” (Mensagem do Papa João Paulo II para a XVII Jornada Mundial da Juventude. 25 de julho de 2002).

A VIRGEM MARIA
1.- “O anúncio de Simeão aparece como um segundo anúncio a Maria, pois lhe indica a concreta dimensão histórica na qual o Filho cumprirá sua missão, isso é, na incompreensão e na dor” (Mãe do Redentor 16).

2.- “O dogma da maternidade divina de Maria foi para o Concílio de Éfeso e é para a Igreja como um selo do dogma da Encarnação na que o Verbo assume realmente na unidade de sua pessoa a natureza humana sem anula-la” (Mãe do Redentor 4)

3.- “Maria é “cheia de graça”, porque a Encarnação do Verbo, a união hipostática do Filho de Deus com a natureza humana, se realiza e cumpre precisamente nela” (Mãe do Redentor 9).

4.- “O ir ao encontro das necessidades do homem significa, ao mesmo tempo, sua introdução no raio de ação da missão messiânica e do poder salvador de Cristo. Por conseguinte, sucede uma mediação: Maria se põe entre seu Filho e os homens na realidade de suas privações, indigências e sofrimentos. Se põe “no meio”, ou seja se faz mediadora não como uma pessoa desconhecida, senão no seu papel de mãe, consciente de que como tal pode – melhor “tem o direito de” – fazer presente ao Filho às necessidades dos homens” (Mãe do Redentor 21).

5.- “A Mãe de Cristo se apresenta diante dos homens como porta-voz da vontade do Filho, indicadora daquelas exigências que devem cumprir-se para que possa ser manifestado o poder salvador do Messias” (Mãe do Redentor 21).

6.- “Em Caná, mercê à intercessão de Maria e à obediência dos criados, Jesus começa sua hora” (Mãe do Redentor 21).

7.- “Em Caná Maria aparece como a que crê em Jesus, sua fé provoca o primeiro “sinal” e contribui a despertar a fé dos discípulos” (Mãe do Redentor 21).

8.- “A missão maternal de Maria aos homens de nenhuma maneira escurece nem diminui esta única mediação de Cristo, pelo contrário, mostra sua eficácia. Esta função maternal brota, segundo o privilégio de Deus, da sobreabundância dos méritos de Cristo… dela depende totalmente e da mesma extrai toda a sua virtude” (Mãe do Redentor 22).

9.- “Esta nova maternidade de Maria, gerada pela fé, é fruto do “novo” amor, que amadurecido nela definitivamente junto à Cruz, a través da sua participação no amor redentor do Filho” (Mãe do Redentor 23).

10.- Nos deste tua Mãe como nossa, para que nos ensine a meditar e adorar no coração. Ela, recebendo a Palavra e colocando-a em prática, fez-se a mais perfeita Mãe.

 

O Papa São João Paulo II, quando ainda era cardeal de Cracóvia, escreveu: “A família é na realidade uma instituição educadora, portanto é necessário que ela conte, se for possível, vários filhos, porque para que o novo homem forme sua personalidade é muito importante que não seja único, mas que esteja inserido numa sociedade natural. Às vezes fala-se que é ‘mais fácil educar muitos filhos do que um filho único’. Também diz-se que ‘dois não são ainda uma sociedade; eles são dois filhos únicos’” (WOJTYLA, Karol. Amor e responsabilidade: estudo ético. São Paulo: Loyola, 1982. p. 216.)

XXV Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

A parábola que, neste domingo, nos narra o evangelista Mateus, é eivada de dificuldades. Trata-se da história de um senhor que, nas horas mais diversas do dia, sai à procura de trabalhadores para sua vinha, e os contrata. Ao final do dia, inicia o pagamento pelos últimos que recebem a mesma quantia dos primeiros. São muitos os comentaristas e os pregadores que não sabem exatamente como explicá-la ao povo fiel. Seria uma injustiça esta, equiparar os últimos aos primeiros? Bem, se se trata de um prêmio na vida eterna, então nós deveríamos dizer que um texto desses cancela outros textos do Novo Testamento, onde vem dito que Deus dará a cada um de acordo com sua conduta. É evidente que não é possível equiparar, na vida eterna, quem viveu sempre segundo Cristo, com as exigências do Evangelho, entrando sempre pela porta estreita, transitando sempre pela via estreita, perdendo-se neste mundo, a outro que arranca a salvação na última hora através de uma confissão que tente remediar uma vida inteira de pecados e desordens de todo tipo. É evidente que Deus não pode, na eternidade, equiparar estes dois tipos de pessoas. Mas aqui não se trata do prêmio eterno; aqui se trata do Reino dos Céus que é trazido a este mundo, e é assim que, efetivamente, inicia-se a parábola: “o Reino dos Céus é semelhante a…” Aqui se trata da disponibilidade diante do Reino dos Céus. Esta parábola, na boca de Jesus, quis dizer o seguinte: Existem pessoas marginais, ou consideradas tais pelas autoridades religiosas, sacerdotes e fariseus; existem pecadores públicos, prostitutas e publicanos, ladrões e arrecadadores de impostos que, diante da pregação de João, e da pregação de Jesus, converteram-se. E essas pessoas, apesar de serem o que foram no passado, agora estão em situação melhor, diante de Deus, do que a dos fariseus letrados e autoridades religiosas que não deram sequer o primeiro passo na conversão. Estes últimos aqui dão verdadeira lição aos primeiros; estes foram dóceis, os outros endureceram o próprio coração. Mais tarde, esta parábola serviu para falar dos Judeus que, em massa, apostataram, ou melhor, não quiseram entrar no Reino inicialmente oferecido por Jesus, e este Reino foi entregue aos pagãos; aos convidados da última hora que foram mais dóceis em aceitar a proposta que os primeiros. É assim que o texto deve ser lido: Deus quer sempre o acolhimento e a disponibilidade, não importa o momento. O momento é graça que não depende de nós.

 

NA JUSTIÇA DO REINO NÃO HÁ DESIGUALDADE
Padre Bantu Mendonça

A parábola de hoje nasce no contexto da realidade agrícola do povo da Galileia. Era uma região rica, de terra boa, mas com seu povo empobrecido, pois as terras estavam nas mãos de poucos e a maioria trabalhava como arrendatários. O texto nos ensina que a lógica do Reino não é a lógica da sociedade vigente. Em nossa sociedade, uma pessoa vale pelo que produz – logo, quem não produz não tem valor. Assim se faz pouco caso do idoso, do aposentado, do doente e do deficiente físico. A parábola compara o Reino dos Céus ao patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. À primeira vista, tudo bem. Se, porém, examinarmos com atenção o ambiente social da parábola, encontramos uma situação lastimável: a praça da cidade, lugar onde todos se encontram, está cheia de pessoas desempregadas. Nós, que estamos tão acostumados com essa realidade, não medimos muitas vezes o alcance dessa situação. A parábola não nos diz por que se chegou a tal situação de desemprego. Contudo, a Bíblia nos afirma que o ideal de todo israelita era ter seu pedaço de terra, plantar suas parreiras, usufruir dos frutos de seu trabalho. Por que, então, há tantas pessoas desenraizadas da terra? Por que estão perambulando pela praça da cidade? Como chegaram a esse estado? Como sobrevivem essas pessoas? Mas vamos ao nosso texto: A parábola nos diz que o patrão combinou – com os trabalhadores contratados de manhã cedo – uma moeda de prata por dia. Para o povo da Bíblia, o salário devia ser pago no fim do dia. Esse versículo nos mostra que o salário não é imposto pelo patrão. É fruto de um acordo entre ele e o empregado, de modo que seja evitada a exploração do primeiro em relação ao segundo. O empregado concordou com o salário estipulado e isso supõe que, com uma moeda de prata diária, poderia levar uma vida digna. O patrão passa novamente pela praça por volta das nove horas. Encontra mais gente desempregada. Contrata-os para trabalhar na vinha, não mais prometendo pagar uma moeda de prata, e sim o que for justo. A essa altura, a parábola começa a provocar suspense: o que o patrão entende por justiça? O versículo cinco nos mostra que o patrão faz a mesma coisa ao meio-dia, às três horas da tarde e também em torno das cinco horas, quando o dia está por terminar. A praça da cidade ainda está cheia de gente desempregada: “Ninguém nos contratou”, ou seja, não houve quem se interessasse pela situação dessa gente. Quantas pessoas – e por quantas vezes – chegaram ao fim do dia sem ter “sua moeda de prata”, sem ter como defender a própria vida e a de seus dependentes? O patrão os manda para sua vinha sem lhes dizer o que vão receber por uma hora apenas de trabalho. Isso aumenta, no ouvinte, o suspense em relação ao final da parábola. O fim do dia chegou. E chega também a novidade que nos mostra o que é a justiça do Reino: “O patrão disse ao administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague uma diária a todos! Comece pelos últimos e termine pelos primeiros’”. A inversão na ordem de pagar os empregados cria o suspense maior, provocando assim o diálogo entre o patrão e o empregado da primeira hora que reclama pelo fato de os últimos terem sido igualados aos primeiros. A decisão do patrão é o coração da parábola e traça uma nítida distinção entre a justiça da nossa sociedade e a justiça do Reino. A justiça dos homens funciona desta forma: cada qual recebe pelo que fez, sem levar em conta as necessidades de cada um nem os motivos pelos quais as pessoas estavam desempregadas após terem perdido seu pedaço de terra. A justiça do Reino, por sua vez, tem este princípio: todos têm direito à vida em abundância. Os marginalizados não carecem em primeiro lugar de beneficência, mas da justiça que arrebenta os trilhos estreitos daquilo que normalmente entendemos por justiça. É isso que faz o patrão: dá a cada um segundo a justiça do Reino. Os que foram contratados de manhã cedo murmuram. Sua queixa revela com exatidão quais são os critérios de Deus: “Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor do dia inteiro”. Nesse sentido, “operários da primeira hora” somos todos nós quando admitimos e defendemos a desigualdade brutal existente entre o salário de um trabalhador braçal e o de um executivo, de uma professora de primeiro grau, de um político, entre outros. O projeto de Deus, diferente do nosso, – até que nos convertamos aos pensamentos e caminhos de Deus – preveem igualdade para que todos possam usufruir da vida: “Tome o que é seu e volte para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a você. Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou você está com ciúme porque eu estou sendo generoso?” O trabalho não existe para criar desigualdade. O ciúme desse operário da primeira hora é, no Evangelho de Mateus, pequena amostra de todos os conflitos que Jesus enfrentou por causa de Sua opção por fazer justiça aos últimos. Resultado final desse “ciúme” é Sua condenação à morte. Soa, portanto, aos nossos ouvidos – mais uma vez – o programa de Jesus: “Devemos cumprir toda a justiça”, e o programa dos Seus seguidores: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e a dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus”. Pai, que eu jamais me deixe levar pelo espírito de ambição e rivalidade, convencido de que, no Reino, somos todos iguais: teus filhos.

 

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM, A
“Eu sou a salvação do povo, diz o Senhor. Se clamar por mim em qualquer provação eu o ouvirei e serei seu Deus para sempre”.
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Campanha(MG)

Meus irmãos, Hoje vivenciamos a liturgia da gratuidade de Deus, num estudo apurado das realidades do Reino de Deus. Tudo isso dentro daquilo que a todos os homens que não são serenos aflige: “Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”(cf. Mt 20,16). A liturgia quer nos ensinar o que é a justiça: a bondade que vem de Deus Nosso Senhor. A Justiça de Deus não é contrária à sua bondade, pelo contrário, ela é idêntica. Isso porque Deus perdoa a todos os pecadores que se convertem. Deus não está interessado em pagamento, mas em vida, e vida em abundância: “Não quero a morte do pecador, mas sim, que ele se converta e viva”. (cf. Ez 18, 23). Essa mensagem é a primeira mensagem que vamos levar para casa hoje, refletindo a primeira leitura de Isaías, que nos oferece o convite para o tempo messiânico, que é também o tempo da plena revelação da estranha justiça de Deus, que tanto ultrapassa à nossa, quando o céu transcende a terra. Irmãos,  A Primeira Leitura – Is 55,6-9 – nos apresenta o tempo favorável da conversão. Isaías 55 é colocado como conclusão do chamado livro da Consolação(Is 40-55, o Segundo Isaías); é uma exortação dos judeus exilados para não procurar sua consolação junto aos deuses da Babilônia, mas junto ao único Deus verdadeiro, Javé, fonte de toda a sabedoria e vida. Com palavras que lembram Ez 18,21-23, o profeta insiste que nem mesmo o pecado é um empecilho para converter-se, voltar a Javé e sua justiça, vivida na Lei judaica. Não adere à intolerância dos que só dão chances aos “impecáveis”. O povo está para voltar à sua terra, graças ao decreto do rei Ciro. Mas esta volta não resolve nada, sem a volta a Javé, o Deus que perdoa e não pensa como os homens. Amigos e amigas, O Evangelho de hoje(Mt 20,1-16) nos convida a sermos gratuitos como o Pai do Céu é gratuito para com todos os viventes, dentro da universalidade da Salvação. A lição de hoje é muito difícil e provocadora: é a lição da gratuidade. Deus oferece e dá porque é generoso, não porque alguém o mereça ou tenha “comprado” direitos que possam garantir algum ganho em troca. Todos os homens recebem o dom da vida com gratuidade, e esse deveria ser o seu comportamento por toda a sua peregrinação neste vale de lágrimas, rumo à Jerusalém Celeste. A gratuidade é a maior demonstração do tanto que Jesus nos ama e nos quer bem: “Ele morreu generosa e gratuitamente no Madeiro da Cruz para a salvação de toda a humanidade”. Hoje a parábola não nos fala de trabalho/salário, mas da generosidade do patrão, do empregador, que deve ser a nossa meta para a nossa vida diária. A lição central da Missa de hoje é a bondade do patrão, que pagou aos últimos tanto quanto aos primeiros, dentro do sentido do Reino de Deus, usando não os critérios dos homens, mas os critérios de Deus, que nos ensina que ama os últimos como ama aos primeiros. Deus não faz acepção de pessoas e nem comete injustiça, pelo contrário, é o patrão das bem-aventuranças, da acolhida sem limites, do perdão, da partilha, do acolhimento, com generosidade superabundante do amor gratuito. Irmãos e Irmãs, Não pensemos que a lição central de hoje foi fácil no tempo de Jesus. Ainda mais nos nossos tempos, a lição é provocadora, porque a gratuidade é difícil de ser entendida e dificílima de ser vivida. No tempo de Jesus os hebreus comprovam com “moeda” as bênçãos de Deus, pela observância das leis. Jesus veio dar um novo sentido de sofrimento, iluminado pela sua Cruz e Ressurreição Redentora, porque os homens recebem não porque a criatura o mereça, não porque a criatura é boa, mas porque Deus é bom, misericordioso, gratuito, generoso e quer dar.  Tudo isso junto com as boas obras que somos convidados a empreender, mas o critério básico é o desapegar-se e a gratuidade. Não adianta ao homem querer comprar a Deus, porque o Reino de Deus é o reino da gratuidade, do despojamento, da gratuidade. A gratuidade é a realização da perfeição da lei. Jesus ensinou que o operário é digno de seu salário (cf. Lc 10,7). Mas Deus ensinou mais com o projeto da gratuidade. Deus é sempre gratuito e todas as ações de seus filhos devem ser a mesma linha do desapegamento dos pagamentos e recompensas, para a generosidade de tudo, até de si mesmo, para alcançar o Reino das bem-Aventuranças. A lição da gratuidade é a grande meta desta semana, de nossas ações, de nossos trabalhos,de nossos relacionamentos, de nossa vida de comunidade. Devemos agir sem esperar receber nada, mas com bondade, compaixão, misericórdia. Jesus ensinou e viveu o que pregou. Jesus não faz acepção entre os primeiros e os últimos. Um pecador que passou toda a sua existência fazendo o mal, convertendo-se arrependido de seus pecados será acolhido no céu igualmente ao homem justo e santo, porque DEUS CARITAS EST, ou seja, DEUS É AMOR E CARIDADE. Tudo isso é muito difícil de assimilar aos olhos humanos, mas a gratuidade que provém de Deus nos chama para procurarmos o rosto sereno e radioso do Senhor “cuja plenitude recebemos graça sobre graça” (cf. Jo 1,16). O amor de Jesus é perfeito. Irmãos e Irmãs, Hoje refletimos sobre o modo de agir de Jesus. Isso é muito bom, porque se fossemos medidos por Jesus poucos entrariam no Reino dos Céus. Mas Deus não faz estatísticas. Ele faz acolhimento com generosidade. Pensemos em Paulo, que escreve aos Filipenses que ele não sabe o que escolher: viver para um frutuoso trabalho ou morrer para estar com o Ressuscitado. Continuar a trabalhar não teria para ele o sentido de ganhar o céu; desejá-lo somente porque seria bom para os filipenses. Mas o que ele deseja mesmo é participar ativamente da proximidade do Senhor Jesus. Viver, para ele, é Cristo. Uma vida animada pela amizade por Cristo, não pelo cálculo…. Na mesma Carta, ele dirá que seu espírito de merecimento, suas vantagens conforme os critérios farisaicos, ele as considera como perda, como esterco (cf. Fl 3, 7-8). Só a graça, a gratuita bondade que Deus lhe manifestou em Cristo Jesus, o impulsiona ainda. Jesus revelou com clareza e insistência a sua preferência pelos pobres, humildes e abandonados, os últimos. São eles, que em contacto com a benevolência gratuita e proveniente de Deus, são destinados a ser os primeiros, os ricos, os eleitos. Não se deve esquecer a aventura do povo judaico que, de primeiro, se torna último; de eleito, rejeitado. A parábola de Jesus mantêm atual conserva seu valor de admoestação também para os novos chamados, que já começaram a pertencer ao reino, porque para eles também há o perigo de assumir a atitude dos primeiros chamados, e de se esquecerem de que tudo quanto tem é puro dom, é pura graça, e, portanto, não pode motivar nenhuma retribuição ou pretensão. O epitáfio do túmulo do mais ilustre purpurado mineiro do século XX, Cardeal Lucas Moreira Neves, resume bem a liturgia da gratuidade deste domingo: “Passou a vida na busca do rosto sereno e radioso do Seu Senhor. Agora o encontrou”. Vamos buscar a gratuidade deste rosto e transfigurá-lo na nossa vida, no nosso compromisso evangelizador!

 

25º Domingo do Tempo Comum
Mt 20,1-16a: “Ao romper da manhã, saiu para contratar trabalhadores para sua vinha”

1Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha. 2Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha. 3Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada. 4Disse-lhes ele: – Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário. 5Eles foram. À sexta hora saiu de novo e igualmente pela nona hora, e fez o mesmo. 6Finalmente, pela undécima hora, encontrou ainda outros na praça e perguntou-lhes: – Por que estais todo o dia sem fazer nada? 7Eles responderam: – É porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele, então: – Ide vós também para minha vinha. 8Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse a seu feitor: – Chama os operários e paga-lhes, começando pelos últimos até os primeiros. 9Vieram aqueles da undécima hora e receberam cada qual um denário. 10Chegando por sua vez os primeiros, julgavam que haviam de receber mais. Mas só receberam cada qual um denário. 11Ao receberem, murmuravam contra o pai de família, dizendo: 12- Os últimos só trabalharam uma hora… e deste-lhes tanto como a nós, que suportamos o peso do dia e do calor. 13O senhor, porém, observou a um deles: – Meu amigo, não te faço injustiça. Não contrataste comigo um denário? 14Toma o que é teu e vai-te. Eu quero dar a este último tanto quanto a ti. 15Ou não me é permitido fazer dos meus bens o que me apraz? Porventura vês com maus olhos que eu seja bom? 16Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos.

Contemplamos a narrativa de São Mateus sobre a Parábola dos trabalhadores da vinha, muito oportuno naquela época, em que o Evangelista pregava aos judeus convertidos, e esta parábola vai direto ao coração do povo judaico, os primeiros a ser chamados por Deus, desde séculos, com a Aliança realizada com Abraão. A partir da Encarnação do Filho de Deus, os gentios passam a ser chamados, estes são aqueles das horas posteriores, conforme a parábola. Neste sentido, todos são chamados a fazer parte deste novo Povo de Deus, que é a Igreja. Como o convite é gratuito, os judeus, que foram chamados primeiro, não tinham o que reclamar, todos têm direito ao mesmo prêmio. Em princípio o protesto parece justo, devido a maneira com que enxergamos e entendemos. Jesus na parábola deixa claro, que diversos são os caminhos pelos quais nos chama, mas o prêmio será o mesmo para todos: o Céu. O denário, citado na parábola, era uma moeda de prata com a imagem de César Augusto (Mt 22,19-21), e equivalia a um jornada de trabalho de um operário agrícola da época. Os judeus, naquela época, calculavam o tempo de modo diferente. Dividiam o tempo em oito partes, quatro para a noite (que chamavam de vigílias, cf. Lc 12,38) e quatro partes entre o nascer e o por do sol, que chamavam de horas: prima, tércia, sexta e noa. A hora prima, começava no nascer do sol e terminava pelas nove; a da tercia ia até às doze horas; a da sexta até às três da tarde e da noa até o por do sol. Com isto, podemos verificar que as horas prima e noa não possuíam o mesmo tempo, eram menores durante o outono e inverno e cresciam durante a primavera e verão. No versículo 6, vemos a expressão: “Finalmente, pela undécima hora…”, hora esta, que era para realçar o pouco tempo que faltava para o pôr do sol, fim do trabalho. A parábola quer nos mostrar que Cristo passa pela nossa vida, não importando a idade que temos. Ele passa, e chama! Qual a minha resposta? Mostra também que nossa resposta deverá ser generosa, conforme o Seu modo de agir, pois “os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos” (Is 55,8-9). Ao sermos chamados, que nossa resposta não seja exigente, mas amorosa e gratuita.

 

SER GENEROSO
A prática da vida cristã deve ser a do amor

Os nossos critérios de ação devem ultrapassar a realidade unicamente humana. Na origem das atitudes há os dados da ética e da moral, mas também as questões divinas que estão relacionadas com as questões da fé.

Ser generoso não é simplesmente ser justo, mas atender às necessidades de quem está em jogo. Não é fato apenas de merecimento e de justiça, mas de solidariedade e de partilha de forma fraterna, para que todos tenham vida digna.

O mundo é como um terreno onde se planta de tudo. É daí que tiramos os alimentos. Mas todos devem trabalhar, uns mais e outros menos, dependendo das condições de cada pessoa. Os frutos são para sustento da coletividade e de forma solidária. Para o trabalho, há pessoas que chegam cedo, outras trabalham menos, mas ambos têm necessidade de vida e de alimento. Na partilha, ninguém pode ser injustiçado, mesmo que alguém receba além do que é justo por não ter trabalhado o tempo todo.

Jesus conta a parábola do patrão que combinou o salário do dia com um trabalhador. Outros foram chegando ao transcorrer do dia, havendo até quem chegasse ao final da tarde. A ambos o patrão pagou o mesmo valor. Ele agiu com justiça e com generosidade.

No mundo capitalista as atitudes são diferentes, mesmo sabendo da existência de quem partilha com os trabalhadores os lucros da empresa. No mundo de Deus, a ternura e a generosidade ultrapassam as nossas, a lógica é diferente do que fazemos.

A prática da vida cristã deve ser a do amor, com capacidade de doação maior do que aquilo que merecemos. É a misericórdia, a paciência, a compaixão, a bondade e a justiça, tendo como objetivo viver bem, tendo uma vida que faça sentido.

Para Deus, a partilha não é matemática, nem é mesquinha, porque Ele olha a necessidade da pessoa. A bondade do Senhor ultrapassa os critérios humanos e Seus dons são sem medida. O que importa não é o que fazemos, mas a forma como fazemos as coisas.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Dez Mandamentos para pais com filhos na Catequese

https://sites.google.com/site/uptabua/dez-mandamentos-para-pais-com-filhos-na-catequese

1. Não somos uma ilha. Assim como precisamos da família e da sociedade, para fazer nascer e crescer o nosso filho, mesmo que a primeira responsabilidade seja sempre nossa, também precisamos da Igreja, para que o nosso filho, renascido pelo Batismo, cresça connosco na fé.

2. Não nos bastamos a nós próprios na educação da fé, mesmo que sejamos os primeiros catequistas dos nossos filhos. Os catequistas da nossa paróquia estão à nossa disposição, não para ser nossos substitutos, mas para se tornarem nossos colaboradores na educação da fé. O seu trabalho, feito em comunhão com a Igreja, será sempre em vão, sem o nosso empenho e colaboração!

3. Não faltaremos à Catequese. A Catequese não é um «ensino» avulso e desorganizado. É uma educação da fé, feita de modo ordenado e sistemático, de acordo com o programa definido pelos Catecismos. As faltas à Catequese quebram a sequência normal da descoberta e do caminho da fé. Velaremos pela assiduidade dos nossos filhos. E pelo seu acompanhamento, num estreito diálogo com o pároco e os catequistas.

4. Não esperamos da Catequese que faça bons alunos. Antes, pretendemos que ela nos ajude a formar discípulos de Jesus, que O seguem, em comunidade. Não desprezaremos a comunidade dos seus discípulos, a Igreja, nos seus projectos, obras e iniciativas.

5. Não queremos, apesar de tudo, que a Catequese seja o nosso primeiro compromisso cristão. Participar na Eucaristia Dominical é um bem de primeira necessidade. Saberemos organizar a agenda do fim-de-semana, pondo a Eucaristia, em primeiro lugar. Custe o que custar!

6. Não queremos que a Catequese substitua as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica nem o contrário. Porque a Catequese, não é uma “aula”, em ambiente escolar, dirigida sobretudo à inteligência, e destinada a articular a relação entre a fé e a cultura. A Catequese é sobretudo um “encontro”, no ambiente da comunidade, que se dirige à conversão da pessoa inteira, à sua mente, ao seu coração, à sua vida. A disciplina de EMRC e a Catequese não se excluem mas implicam-se mutuamente.

7. Não estaremos preocupados por que os nossos filhos “saibam muitas coisas”. Mas alegrar-nos-emos sempre, ao verificarmos que eles saboreiam a alegria de serem cristãos, e vão descobrindo, com outros cristãos, a Pessoa e o Mistério de Jesus, o Amigo por excelência, o Homem Novo, o Deus vivo e o Senhor das suas vidas!

8. Não exigiremos dos nossos filhos, o que não somos capazes de dar. Por isso, procuraremos receber nós próprios formação e catequese, para estarmos mais esclarecidos e mais bem preparados. Procuraremos estar onde eles estão. Rezar e celebrar com eles, de modo a que a nossa fé seja vivida em comum na pequena Igreja que é a família e se exprima na grande família que é a Igreja.

9. Não exigiremos dos nossos filhos o que não somos capazes de fazer. Procuraremos pensar e viver de acordo com os valores do Evangelho. Sabemos bem que o testemunho é a primeira forma de evangelização. Deste modo, eles aceitarão melhor a proposta dos nossos ideais e valores.

10. Jamais cederemos à tentação de “mandar” os filhos à Catequese, para nos vermos livres deles ou para fugirmos às nossas responsabilidades. 

 

DECÁLOGO SOBRE A CATEQUESE 

1. A comunidade cristã é o sujeito, o ambiente e a meta da Catequese. Família, Catequese e Paróquia, assumem, em comunhão, a responsabilidade por criar o ambiente, onde a fé de cada um possa crescer com o testemunho dos outros, esclarecer-se com a ajuda dos demais, celebrar-se em comum e manifestar-se a todos. Ninguém cresce sozinho e pelas suas mãos, como ninguém cresce na fé, sem a fé dos outros e sem a graça de Deus. É no testemunho vivido da fé, que a Catequese encontra a sua base de apoio!

2. A vida “em grupo” e entre os grupos de catequese, no seio da comunidade, é já uma experiência do ser e do viver em “Igreja”. O ambiente de participação activa e de responsabilidade comum, por parte de todos, quer nas celebrações, quer no compromisso efetivo, nas várias obras, iniciativas e atividades da Paróquia, facilitarão a consciência de sermos “discípulos” de Jesus, numa “Igreja”, chamada a ser comunidade e família de irmãos!

3. Entre os vários modos e momentos de evangelização, a Catequese ocupa um lugar de destaque. Ela preocupa-se por anunciar a Boa Nova, àqueles que, de algum modo, já foram, ao menos, alguma vez, sensibilizados, seduzidos, ou tocados pela beleza da pessoa de Cristo. Espera-se que, de um modo organizado, esse primeiro anúncio, seja, a seu tempo e com largo tempo, esclarecido de boa mente, acolhido no coração, e que dê frutos de vida nova. E que essa vida nova seja expressa, partilhada e fortalecida, no encontro fiel da comunidade com Cristo Ressuscitado, na celebração dos sacramentos, particularmente da Eucaristia e da Reconciliação.

4. Na verdade, a vida cristã é um fato comunitário! E se alguém, por hipotética ocupação, não pudesse dispensar mais que uma hora, por semana, para “estar com o Senhor”, deveria reservar esse tempo, para a participação na Eucaristia Dominical, que é verdadeiramente o ponto de chegada, o ponto de encontro e o ponto de partida da vida e da missão da Igreja. A “catequese” não é “um à parte”, uma “hora” para a educação religiosa ou cívica, como se fizesse algum sentido preocupar-se por não faltar a um encontro de catequese e faltar, sem qualquer justificação, à celebração da Eucaristia e aos compromissos com a vida da comunidade.

5. A Catequese não é uma “aula” de religião ou de moral, nem se dirige somente à capacidade de aprender e de saber bonitas coisas acerca de Deus, acerca dos sete sacramentos, dos dez mandamentos, da Igreja, da vida eterna. A Catequese propõe uma Pessoa e não uma teoria: “Jesus Cristo é o Evangelho, a Boa Nova de Deus”. Nesse sentido, a catequese é evangelizadora, se levar os catequizandos à descoberta, à amizade e ao seguimento de Jesus. Sem essa adesão vital de coração, à Pessoa de Jesus Cristo, qualquer “Moral” se tornará um peso, em vez de se oferecer como um caminho de libertação.

6. Frequentar a Catequese, é bem mais do que “ir à doutrina”. A Catequese é uma “educação da fé” e da “fé” em todas as suas dimensões. O mero conhecimento da “doutrina” sem a celebração e sem a sua aplicação à vida, faria da fé uma bela teoria. A celebração, sem o conhecimento dos seus fundamentos, e desligada da prática da vida, tornar-se-ia, por sua vez, incompreensível e incoerente e até mesmo “alienante”. Todavia, uma fé, proposta e transmitida, que não se aprofunde na experiência da oração, jamais conduzirá a uma relação pessoal com Deus. Ora a fé, pela sua própria natureza, implica ser conhecida, celebrada, vivida e feita oração. Só assim se “segue” verdadeiramente Cristo, com toda a alma e de corpo inteiro!

7. A fé, no contexto em que vivemos, é talvez, mais uma «proposta» de sentido para a vida, do que um mero ato cultural de “transmissão”. Ninguém propõe O que desconhece, nem dá O que não tem. Mas quem tem fé, e a vive, não pode deixar de a “apegar” aos outros e de a propagar a todos. Na educação da fé, tem papel decisivo o “testemunho” e o “entusiasmo” de todos aqueles que, na comunidade, se tornam portadores e servidores da alegria do Evangelho. Uma fé que não se apega, apaga-se!

8. Mais do que se preocuparem, porque não sabem o que responder aos filhos… os pais deveriam procurar “descobrir com os filhos” a Boa nova que eles receberam na Catequese, “rezar com eles”, participar com eles na celebração da Eucaristia. Então as respostas, serão encontradas na vida comum da fé, partilhada em família e em comunidade. Nada disto impede os próprios pais, de procurar integrar um grupo de Catequese, paralela à dos filhos, que os ajude a aprofundar as razões da sua fé, em relação com a cultura e com as responsabilidade sociais, familiares e eclesiais, que assumem diariamente.

9. Pedir a Catequese para os filhos e pôr-se “de fora”, em tudo o que se refere à vivência e à celebração da fé, cria uma “divisão” interior, uma vida dupla, que impede, quem quer que seja, de descobrir e construir a sua própria identidade cristã. Frequentar a Catequese não significa “ter uma aula” por semana, para garantir um diploma, uma festa ou um sacramento no fim do ano. Pedir a Catequese implica comprometer-se a caminhar com toda a comunidade, no anúncio feliz do Deus vivo e na experiência maravilhosa do encontro com Ele.

10. Não faz parte das tarefas da Catequese ocupar os tempos livres, ensinar regras de boa educação ou esgotar o tempo a “decorar” as fórmulas das orações comuns dos cristãos. Mesmo esperando que todo o ambiente de Catequese seja educativo e que tais orações sejam assumidas e bem compreendidas, são tarefas da catequese iniciar as crianças e adolescentes no conhecimento da fé (que se resume no Credo), na celebração (dos sacramentos), na vivência (atitudes de vida) e na experiência pessoal da fé (oração). E isso é obra de todos nós, que somos, mais uma vez, “convocados pela fé”.

Família que reza e vai a Missa junto é fortalecida

Nicole Melhado / Da Redação, com site oficial do 7º Encontro Mundial das Famílias – 01/6/2012

Pais são os primeiros e melhores professores dos filhos na fé, explicou o Cardeal Sean

“Família que reza unida, está unida”. É o que destacou o Arcebispo de Boston (EUA), Cardeal Sean O’Malley, na manhã desta sexta-feira, 1º de junho, terceiro dia do 7º Encontro Mundial das Famílias, que acontece na cidade de Milão, na Itália. O cardeal americano falou sobre o domingo como tempo de estar em família e a importância de ir à Missa nesse dia.

“Eu recomendo que participem da Missa dominical e rezem juntos. Isso fortalece sua família e lhes ajudará a enfrentar os muitos desafios do nosso tempo que frequentemente a dilaceram”, enfatizou.

Dom O’Malley lembra ainda que a Missa é a oração central do catolicismo, fonte e ápice da vida cristã. “Quando participamos da Missa com eles, ensinamos aos nossos filhos e netos uma das lições mais importantes”, reforça.

Durante o Sacramento do Batismo, aos pais é recordado que eles são os primeiros e melhores professores dos filhos na fé. Para o Arcebispo de Boston, a fé é um patrimônio vivo para os filhos e netos. As crianças sempre olham seus pais e avós e os imitam, desta forma elas são formadas. Aquelas que observam os pais e outros adultos recebendo a Eucaristica com reverência, percebem mais facilmente que a Eucaristia é realmente o Corpo e Sangue de Cristo e o exemplo dos pais é uma parte essencial na preparação para receber a Primeira Comunhão.

“A Eucaristia não é somente algo simbólico. Jesus disse: ‘Eu sou o pão que desceu do céu; quem comer deste pão viverá para sempre; quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá vida eterna e permanece em mim e eu nele”, destaca o cardeal.

Cada domingo, salienta Dom O’Malley, é uma “pequena Páscoa”, porque reafirma a ressurreição de Jesus, Sua vitória sobre a morte.

O prelado enfatiza ainda que a fidelidade à visão da Igreja sobre a família é difícil, particularmente numa sociedade sempre mais secularizada. Mas as famílias católicas podem oferecer à sociedade um testemunho potente do Amor de Deus.

“Jesus não prometeu que Seus caminhos seriam fáceis, mas prometeu que teriam logo a graça necessária para viver a vossa vocação. Recomendo a vocês, pais e mães de jovens famílias, imitem Josué e o povo de Israel. Quando perguntaram se eles serviriam ao Senhor ou aos deuses pagãos eles responderam: ‘eu e minha casa servimos ao Senhor”, concluiu Dom O’Malley.

A importância dos avós

Dia dos avós

Uma criança que respeita os avós certamente será mais consciente do seu papel como cidadão

A formação dos filhos acontece pela interação deles com a família e com a sociedade. Quantas lembranças boas temos da relação com nossos avós! As viagens para a casa deles, a comidinha gostosa, o carinho, o olhar, as histórias. Enfim, a riqueza do relacionamento com eles é significativa na vida de uma criança.

As raízes familiares são transmitidas também pelos avós, e isto é bastante válido. Todo contato é importante e também enriquece a vida deles, que já se encontram em outro momento de vida e se “revitalizam” com seus netos.

Nesta convivência, outro ponto muito importante é ensinar à criança o valor da pessoa mais velha. Num mundo “descartável”, no qual o “velho” é facilmente deixado de lado ou ridicularizado, é extremamente válido que possamos dar à criança o sentido de valor dos mais idosos, bem como o respeito que deve ser dado a eles.

Uma criança que respeita a história, o passado, as tradições certamente será mais consciente do seu papel como cidadão.

A relação entre pais e avós é, dentro do possível, bastante salutar. No entanto, as regras e os limites para a criança devem ser combinados entre eles, caso sejam os avós quem cuidarão dos netos. Assim, a educação das crianças terá regras parecidas e não haverá desentendimentos.

Quando existe uma relação conflituosa dos pais com os avós, é importante que ela seja resolvida entre eles, mas nunca com a participação da criança. Mesmo que sua visão a respeito dos avós seja comprometida, evite um posicionamento que dê essa impressão para seus filhos.

Cada família tem sua configuração, seus conflitos e entendimentos particulares. Assim, cabe a cada família avaliar quando e como seus filhos estarão com os avós. Só não vale usá-los como “cuidadores de luxo”, atendendo às necessidades dos pais e nada mais.

A troca de afetos é muito válida, porque prepara os filhos pequenos para o contato com outras pessoas no mundo. A vinda de novos netos sempre é uma comemoração e dá aos idosos o sentimento de continuação e perpetuação da família. Dá a eles o sentido de que suas histórias serão multiplicadas para outros membros da família, fato extremamente enriquecedor.

Acredito ser bastante importante que também os pais possam rever sua percepção sobre as pessoas mais velhas e sobre o relacionamento que têm com elas. A partir dos exemplos dos pais, a criança terá, de forma melhor ou pior, sua relação com os avós ou com qualquer pessoa mais velha.

A grande lição dessa experiência é que os netos são de fundamental importância na vida dos avós e que o relacionamento entre eles é extremamente importante para os adultos que estão envelhecendo e para as crianças que estão amadurecendo.

Elaine Ribeiro
Psicóloga Clínica e Organizacional, colaboradora da Comunidade Canção Nova.
Blog: temasempsicologia.wordpress.com
Twitter: @elaineribeirosp

Solenidade da Natividade de São João Batista – 24 de Junho

João viveu no deserto até o dia em que se manifestou a Israel – Lc 1, 57-66.80

57Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho. 58Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavam-se com ela. 59No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias. 60Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João. 61Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome. 62E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse. 63Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados. 64E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus. 65O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia. 66Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele. 80O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.

Antiga e Nova Aliança
Podemos dizer, hoje, que João Batista é o último profeta da antiga Aliança e o primeiro da nova Aliança. Ele marca a transição entre os dois. Da tradição e da religião judaicas, João Batista criticou abertamente a religião do seu tempo: cf. Lc 3,3.11.14.
No fundo, João Batista denunciou a religião esclerosada do seu tempo e a corrupção generalizada pelos líderes. Foi um grande profeta como Isaias, Amós, Jeremias, e tantos outros.
Entre João Batista e Jesus de Nazaré há uma espécie de parentela espiritual, de modo que São Lucas os apresenta como primos. Enquanto Maria, a nova Aliança visita Isabel, a antiga Aliança, São Lucas diz que elas são parentas (Lc 1,36). São Lucas quer nos mostrar que há uma continuidade entre a pregação de João Batista e o agir de Jesus de Nazaré: cf. Lc 3,16.

Circuncisão:
No Antigo Testamento a circuncisão era um rito instituído por Deus para assinalar como com uma marca os que pertenciam ao povo eleito. Deus mandou a circuncisão a Abraão como sinal da Aliança que estabelecia com ele e com toda a sua descendência (cf. Gn 17,10-14), e prescreveu que se realizasse no oitavo dia do nascimento. O rito realizava-se na casa paterna ou na sinagoga, e além da operação sobre o corpo do menino, incluía bênçãos e a imposição do nome.
Com a instituição do Batismo cristão cessou o mandamento da circuncisão. Os Apóstolos, no Concílio de Jerusalém (cf. At 15,1ss), declararam definitivamente abolida a necessidade do antigo rito.
É bem eloquente o ensinamento de São Paulo (Gl 5,2ss; 6,12ss; Cl 2,11ss) acerca da inutilidade da circuncisão.

Zacarias:
O fato miraculoso profetizado pelo anjo Gabriel a Zacarias, quando lhe anunciou o nascimento do Batista. Observa Santo Ambrósio (397): “Com razão se soltou em seguida a sua língua, porque a fé desatou o que tinha atado a incredulidade”.

João é o seu nome:
Na Bíblia, o nome é algo dinâmico, é um programa de vida. A troca de nome implica uma missão que deve ser realizada pela pessoa (cf. Gn 17,5; Jo 1,42)
Um nome novo: uma aventura que começa; uma história a ser construída.
O nome é ponto de partida e de chegada na relação com Deus.
Agora, sabendo o que Deus Pai pensa de ti, poderias descobrir o teu nome? A tua identidade? Quais os teus sinais digitais divinos? Quem és tu?

João Batista:
Segundo o Evangelho de Lucas: – João, era filho de Zacarias, um sacerdote do templo, e de Isabel, mulher estéril e de idade avançada. É o precursor de Jesus, e preparou-lhe os caminhos pregando a conversão e o arrependimento dos pecados. Batizou muitos com o batismo da penitência e, quando Jesus foi batizado, manifestou-se a Trindade e a Sua missão.
João se vestia com pele de animais e se alimentava de gafanhotos, sempre pregando sobre o arrependimento sincero e a conversão do coração. Gostava de pregar sobre a Palavra de Deus e a vinda do Messias, até que, ao encontrar-se com Jesus, aponta-O como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, enfatizando que não lhe é digno sequer de desamarrar as sandálias de seus pés e ensinando que ele, João, batizava com água, mas aquele que viria depois dele, referindo-se ao Messias, Ele sim os batizaria no Espírito Santo e no fogo.
João Batista é a “voz que grita no deserto” pedindo que sejam preparados e aplainados os caminhos do Senhor. Essa vinda deveria ser preparada pela penitência.
A Solenidade da Natividade de São João Batista nos ensina precisamente isso: anunciar ao mundo Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Levemos a sério a chamada universal de conversão pregada por João Batista e sejamos discípulos-missionários de Jesus Cristo, o Redentor!

Referências:
Reflexões de Raymond Gravel (sacerdote Quebec-Canadá)
Reflexões de Dom Orani João Tempesta, O.Cist. Arcebispo do Rio de Janeiro
Bíblia Sagrada, Santo Evangelhos. Edições Theológica, Braga, 1994
Comentários ao Evangelho pelo Pe. Adroaldo Palaoro, SJ. Aos membros do Curso Extensivo de EE.

O Matrimônio

Beleza do sacramento

Quarta-feira, 29 de abril de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Reunido com fiéis na Praça São Pedro, Francisco refletiu sobre o casamento, que hoje em dia é uma realidade distante ou inexistente para muitos jovens

Francisco fala do matrimônio cristão e destaca a família como obra-prima da sociedade / Foto: Reprodução CTV

A catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 29, foi dedicada ao matrimônio. O Santo Padre segue no ciclo de catequeses sobre a família e, desta vez, concentrou-se no casamento, refletindo, por exemplo, sobre a realidade dos jovens que não querem se casar.

Francisco mencionou que o primeiro dos sinais prodigiosos de Jesus foi realizado no contexto do matrimônio: o milagre do vinho nas bodas de Caná. “Assim, Jesus nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a obra-prima!”.

Desta época até hoje, muita coisa mudou, disse o Papa, mas esse sinal de Cristo contém uma mensagem sempre válida. O Pontífice reconheceu que os jovens não querem se casar, que em muitos países aumenta o número de separações e diminui o número de filhos. Essas são as primeiras e mais importantes vítimas de uma separação, destacou o Papa, e isso pode ter reflexos futuros.

“Se você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura”.

Essa realidade dos jovens que não querem se casar constitui, segundo o Santo Padre, uma das preocupações dos tempos atuais. Ele lembrou que é importante tentar entender o porquê dos jovens agirem assim, de não terem confiança na família.

Para o Papa, as dificuldades financeiras não são o único motivo. Há quem cite como provável causa a emancipação da mulher, mas isso não é um argumento válido, segundo o Pontífice, mas sim uma forma de machismo que sempre quer dominar a mulher.

Na verdade, Francisco disse que quase todos os homens e mulheres gostariam de ter um casamento sólido, mas muitos têm medo de errar e, mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental. “Talvez justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família”.

“Os cristãos, quando se casam ‘no Senhor’, são transformados em sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam somente para si: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade, de toda a sociedade”, concluiu Francisco, anunciado que, na catequese da próxima semana, dará continuidade à reflexão sobre a beleza da vocação do matrimônio cristão.

O caminho da vida em Deus

A vida deve nos tornar felizes

“Cada um de nós vive com a esperança de que vai conseguir o que lhe cabe; seja na profissão, na amizade, no amor ou na família. A vida deve nos tornar felizes, pois, em primeiro lugar e antes de tudo, desejamos ser felizes; algo tão simples, porém tão difícil” (Dom Notker Wolf – Abade-Primaz da Ordem dos Beneditinos).

Às vezes, o caminho da vida parece tão difícil e longo demais. Não tenho forças nem vontade para a jornada. Então, lembro-me de que o bom Deus conhecia esse caminho muito antes de eu ser chamado a percorrê-lo. Ele sempre soube das dificuldades pelas quais eu passaria, a dor que não conseguiria explicar aos outros. Ele sabe e oferece Sua presença.

Talvez, hoje, você esteja oprimido por tristeza. Ela pode ser o peso de um ministério difícil, a preocupação de um casamento problemático, a tristeza de uma criança sofrendo, o cuidado com um parente envelhecendo, o desemprego, os vícios na família, um sonho que custa a se realizar ou outras situações que a vida nos apresenta. “Certamente”, diz você, “Deus não me faria andar dessa maneira. Deve haver outro caminho mais fácil a percorrer”.

Escreve o reverendo David H. Roper: “Mas, qualquer um de nós é sábio o suficiente para saber que alguma outra maneira nos transformaria em filhos melhores e mais sábios? Não, nosso Pai Celestial conhece o melhor, de todos os caminhos possíveis, para nos levar à realização (Salmo 142,1-3)”.

Seus caminhos são mais altos do que os nossos caminhos; Seus pensamentos são mais altos do que os nossos pensamentos (Isaías 55,9). Podemos tomar, humildemente o caminho que Ele traçou para nós, hoje, com absoluta confiança em Sua infinita sabedoria e amor. Ele é mais sábio e mais amoroso do que podemos imaginar. Aquele que vê anteviu e não nos desviará do caminho, pois este está entregue ao Senhor Deus com absoluta confiança (cf. Salmo 37,5).

A nossa vida vive no caminho da providência do Pai Eterno.

Padre Inácio José do Vale
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Homem se realiza no amor e no trabalho

Segunda-feira, 23 de julho de 2012, Nicole Melhado / Da Redação

Dom Petrini é presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família  

O amor é a dimensão mais profunda do ser humano na qual a imagem de Deus se concretiza, pois Deus é Amor. O homem e a mulher se realizam na vivência de um amor que é capaz de doar-se. Mas, além do amor, o homem se realiza no trabalho, como explica o presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, da CNBB, e Bispo de Camaçari, Dom João Carlos Petrini.

“É também característica de Deus o trabalho. Jesus diz ‘Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho’ (Jo 5,17-18). O trabalho é como uma complementação à obra divina e o trabalho é condição indispensável para sustenta-se e sustentar a própria família”, salienta.

A relação do trabalho e a dignidade humana no projeto de Deus foi um tema amplamente desenvolvido pelo Papa João Paulo II na Encíclica “Laborem exercem”.

“Ele diz que o trabalho é fundamental para a afirmação da dignidade do homem, isso está explicitado no início da Sagrada Escritura, no livro do Gênese, quando Deus confia ao homem a tarefa de dominar a terra, não no sentido de destruí-la, mas no sentido de colocá-la a serviço do homem, melhorando as condições da natureza através do trabalho”, esclarece Dom Petrini.

O Papa Bento XVI, por sua vez, pede, como intenção geral de oração para o mês de julho, “para que todos tenham trabalho e o possam realizar em condições de estabilidade e segurança”. Esse pedido, para Dom Petrini, demonstra que o Santo Padre está preocupado com a crise econômica que atinge particularmente a Europa e a situação de desemprego em outros continentes.

“Há países na Europa que a taxa de desemprego chega a 20%. Mesmo que o governo dê subsídios para que as famílias não passem fome e para que o desempregado seja amparado, o fato de não ter um trabalho coloca em questão a utilidade, o significado da própria vida”, destaca o Bispo de Camaçari.

O trabalho é uma benção

A compreensão do trabalho como uma benção começa na infância. Dom Petrini salienta que as crianças aprendem mais observando seus pais do que nos sermões que escutam.

“Quando o pai volta para casa, fala de seu trabalho e mesmo cansado traz no rosto a satisfação, a criança acaba entendendo o valor do trabalho e sua beleza. Mas se o pai chega em casa resmungando e blasfemando, ela entende que o trabalho é um sacrifício que deve ser evitado e, quem sabe, quando adolescente busque outros meios para conseguir dinheiro”, ressalva o bispo.

Os jovens e o trabalho

Ainda uma situação que preocupa a Igreja Católica é o desemprego entre os jovens. Dom Petrini salienta que muitas vezes as escolas são de baixa qualidade e o que os jovens aprenderam até o 2º grau não é suficiente para enfrentar o mercado de trabalho e assumir tarefas que exigem melhor qualificação.

“Os jovens vivem uma situação de grande risco, pois sem trabalhar, eles não veem a possibilidade de ter uma casa, uma família, filhos. Eles ficam expostos a situações de risco, às vezes, recebem propostas criminosas que podem ser sedutoras quando a pessoa se vê sem saída”, ressalta o presidente da Comissão Vida e Família.

A relação entre a família e o trabalho deve ser equilibrada

Trabalho, riqueza e poder

No trabalho, a pessoa pode expressar toda sua criatividade e capacidade e pode estabelecer relacionamentos com outros. Mas todos devem estar atentos para não fazerem do trabalho uma idolatria, vendo-o somente como forma de conseguir poder e riqueza e deixando de lado outros aspectos importantes da vida.

“Tem gente que sai de casa às 7h da manhã e chega em casa no fim da noite. Às vezes o trabalho é vivido de maneira desequilibrada. Isso acontece quando o trabalho se torna uma idolatria; então se sacrifica a saúde, o bem estar, os relacionamentos de amizade e o mais grave, se sacrifica a família”, alerta o bispo.

Equilíbrio entre família e trabalho

O relacionamento entre o casal e relacionamento entre pais e filhos são os mais prejudicados com este desequilíbrio. O casal se distancia e os pais acabam tercerizando a educação dos filhos, perdendo momentos preciosos com eles.

“Numa situação que a criança nunca vê o pai por causa do trabalho, ela vai detestar o trabalho, porque ela entende que o trabalho entra em disputa com ela para ter a atenção do pai”, lembra ainda Dom Petrini.

“A família, o trabalho e festa” foi o tema do 7º Encontro Mundial das Famílias, realizado em Milão, na Itália, entre os dias 30 de maio e 3 de junho deste ano.

“A relação do trabalho com a família é muito forte. A família precisa do trabalho para sobreviver, mas ao mesmo tempo necessita que o trabalho seja vivido de maneira equilibrada. Para conseguir esse equilíbrio é preciso não perder de vista esta relação com Deus. O que torna equilibrada a vida de um homem e de uma mulher é ter a consciência que, em todas as atividades, eles vivem uma relação com Deus”, salienta Dom Petrini.

Ao cultivar uma relação com Deus e procurar intuir e compreender Seu designo na própria vida e em toda realidade, certamente o fiel encontra o equilíbrio. E essa realização, explica o bispo, é concreta a partir da Encarnação de Cristo, é o relacionamento com Jesus que se concretiza na vida fraterna, na escuta e meditação da Palavra e na vivência dos sacramentos.

“A vida sai de equilíbrio quando ignora a Deus. Quando cultivamos esse relacionamento com Deus, o equilíbrio se torna espontâneo, essa luz de Cristo ilumina todas as coisas”, conclui Dom Petrini.

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