Tag: espiritual

O Matrimônio e a Família no Plano de Deus

1. O que ensina a Igreja sobre a família?

A Igreja ensina que a família é um dos bens mais preciosos da humanidade.

2. Por que é um bem tão precioso?

A família é um dom precioso porque forma parte do plano de Deus para que todas as pessoas possam nascer e desenvolver-se em uma comunidade de amor, ser bons filhos de Deus neste mundo e participar na vida futura do Reino dos Céus: Deus quis que os homens, formando a família, colaborem com Ele nesta tarefa.

3. Onde estão revelados os planos de Deus sobre o matrimônio e a família?

Nas Sagradas Escrituras -a Bíblia-, se narra a criação do primeiro homem e da primeira mulher: Deus os criou a sua imagem e semelhança; os fez varão e mulher, os abençoou e os mandou crescer e multiplicar-se para povoar a terra (cf. Gn 1, 27). E para que isto fosse possível de um modo verdadeiramente humano, Deus mandou que o homem e a mulher se unissem para formar a comunidade de vida e amor que é o matrimônio (cf. Gn 2, 19-24).

4. Que benefícios traz formar uma família como Deus manda?

Quando as famílias se formam segundo a vontade de Deus, são fortes, sanas e felizes; possibilitam a promoção humana e espiritual dos seus membros contribuindo à renovação de toda a sociedade e da mesma Igreja.

5. Como ajuda a Igreja aos homens para conheçam o bem da família?

A Igreja oferece sua ajuda a todos os homens recordando-lhes qual é o desígnio de Deus sobre a família e sobre o matrimônio. Corresponde de modo especial aos católicos compreender e dar testemunho dos ensinamentos de Jesus neste campo.

6 . Como é possível realizar plenamente o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família?

Somente com a ajuda da graça de Deus, vivendo de verdade o Evangelho, é possível realizar plenamente o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família.

7. Por que existem tantas famílias quebradas ou com dificuldades? Por que às vezes parece tão difícil cumprir a vontade de Deus sobre o matrimônio?

Adão e Eva pecaram desobedecendo a Deus e desde então todos os homens nasceu com o pecado original. Este pecado e os que cada pessoa comete tornam fazem que seja difícil conhecer e cumprir a vontade de Deus sobre o matrimônio Por isso Jesus Cristo quis vir ao mundo: para redimir-nos do pecado e para que pudéssemos viver como filhos de Deus nesta vida e alcançar o Céu. É necessária a luz do Evangelho e da graça de Cristo para devolver ao homem, e também ao matrimônio e à família, sua bondade e beleza originais.

8. Quais são as conseqüências para a sociedade por não cumprir o plano de Deus sobre a família e o matrimônio?

Quando a infidelidade, o egoísmo e a irresponsabilidade dos pais com respeito aos filhos são as normas de conduta, toda a sociedade se vê afetada pela corrupção, pela desonestidade de costumes e pela violência.

9. Qual é a situação da família e nossa sociedade?

As mudanças culturais das últimas décadas influenciaram fortemente no conceito tradicional da família. Entretanto, a família é uma instituição natural dotada de uma extraordinária vitalidade, com grande capacidade de reação e defesa. Não todas estas mudanças foram prejudiciais e por isso o panorama atual sobre a família se pode dizer que está composto de aspectos positivos e negativos.

10. Quais aspectos positivos se notam em muitas famílias?

O sentido cristão da vida influenciou muito para que em nossa sociedade se promova cada vez mais: uma consciência mais viva da liberdade e responsabilidades pessoais no seio das famílias; o desejo de que as relações entre os esposos e dos pais com os filhos sejam virtuosas; uma grande preocupação pela dignidade da mulher; uma atitude mais atenta à paternidade e maternidade responsáveis; um maior cuidado com a educação dos filhos; uma maior preocupação pelas famílias para que se relacionem e se ajudem entre si.

11. Quais aspectos negativos encontramos nas famílias do nosso país?

São muitos e todos eles revelam as conseqüências que provoca o rechaço do amor de Deus pelos homens e mulheres da nossa época. De modo resumido podemos indicar: uma equivocada concepção da independência dos esposos; defeitos na autoridade e na relação entre pais e filhos; dificuldades para que a família transmita os valores humanos e cristãos; crescente número de divórcios e de uniões não matrimoniais; o recurso fácil à esterilização, ao aborto e a extensão de uma mentalidade anti-natalista muito difundida entre os matrimônios; condições morais de miséria, insegurança e materialismo; a emergência silenciosa de grande número de crianças de rua fruto da irresponsabilidade ou da incapacidade educativa dos seus pais; grande quantidade de pessoas abandonadas pela falta de famílias estáveis e solidárias.

12. O que podemos fazer para que os sinais negativos não prevaleçam?

A única solução eficaz é que cada homem e cada mulher se esforcem para viver nas suas famílias os ensinamentos do Evangelho, com autenticidade. O sentido cristão da vida fará que sempre prevaleçam os sinais positivos sobre os negativos, por mais que estes nunca faltem.

13. Jesus Cristo nos deu algum exemplo especial sobre a família?

Sim, porque Jesus Cristo nasceu em uma família exemplar; seus pais foram José e Maria. Ele os obedeceu em tudo (cf. Lc 2, 51) e aprendeu deles a crescer como verdadeiro homem. Assim pois, a família de Cristo é exemplo e modelo para toda família.

14. Estes ensinamentos são válidos para a família dos dias de hoje?

Os exemplos da Sagrada Família alcançam os homens de todas as épocas e culturas, porque o único modo de conseguir a realização pessoal e a dos seres amados é criar um lar onde a ternura, o respeito, a fidelidade, o trabalho, o serviço desinteressado sejam as normas de vida.

15. Quem deve sentir-se responsável por fortalecer a instituição familiar?

Cada homem é responsável de uma maneira ou de outra pela sociedade em que vive, e portanto da instituição familiar, que é o seu fundamento. Os casados, devem responder pela família que formaram para que seja segundo o desígnio de Deus: os que permanecem solteiros, devem cuidar daquela na qual nasceram. Os jovens e adolescentes têm uma particular responsabilidade de prepararem-se para construir estavelmente sua futura família.

Fonte: Catecismo da família e do matrimônio
Padres Fernando Castro e Jaime Molina  

 

Se nos amamos e vamos nos casar, por que não podemos ter relações?
“A relação sexual dentro do matrimônio defende a integridade do amor: seja a dos cônjuges entre si, seja o amor deles para com o fruto natural do matrimônio: o filho”
Roma,  12 de Agosto de 2013  (Zenit.org)  Pe. Anderson Alves

Essa é uma pergunta que alguns namorados cristãos comprometidos se fazem. Se eles sentem um amor real, por que não podem expressá-lo num gesto de intimidade que poderia ajudar a crescer o afeto entre os dois? Se a união corporal será comum dentro de pouco tempo, por que não iniciá-la quando o amor parece já ser maduro? Certamente, a maioria dos cristãos aceita que uma relação realizada por pessoas que mal se conhecem é irresponsável e pecaminosa. Mas não seria exagerado dizer o mesmo do ato realizado por namorados sinceros, fiéis e que estão (quase) decididos a se casar?

Para responder a essa questão é preciso lembrar que a Igreja não tem autoridade para mudar o que Deus revelou. A Palavra de Deus é sempre viva e eficaz, é uma luz que guia nossos passos. E ela ensina: “O corpo não é para a fornicação, e sim para o Senhor, e o Senhor é para o corpo”; “Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo”[1]. Esses textos expressam o valor altíssimo do corpo humano, que é templo do Espírito Santo, e não algo que possa ser usado ou abusado. E a fornicação (ato sexual fora do casamento) é um ato pecaminoso, porque reduz o valor do corpo humano ao de uma coisa, a algo utilizável. As relações sexuais não são meros atos físicos, mas devem ser expressão de algo mais profundo: a doação total e incondicional de uma pessoa a outra. E essa doação é real e se concretiza com o pacto matrimonial. Por isso, o ato sexual é bom quando busca o bem do casal e está aberto à transmissão da vida[2]. Esses são os dois fins do matrimônio.

Mas como aceitar isso nos nossos dias? Há algum motivo racional que poderia convencer-nos da verdade desses ensinamentos? Cremos que há vários motivos. Apresentamos agora alguns.

1. A relação sexual dentro do matrimônio defende especialmente a mulher e o possível fruto dessa relação: o filho. Se a geração de um filho se dá antes do matrimônio, o que geralmente ocorre? Esse novo ser passa a ser visto mais como um problema do que como um dom. Pois a concepção de um filho não obriga ao homem (o pai) a se casar. Se o pai é reto e tem um sentido apurado de justiça, manterá suas obrigações financeiras para com esse filho e para com a mulher. Mas isso não basta para a criança. Cada filho tem o direito de nascer dentro de um matrimônio sólido, no qual os pais busquem a felicidade juntos. Dentro do matrimônio, o filho é seu fruto natural, está protegido social e juridicamente e é naturalmente visto como um dom, e não como um fruto indesejável;

2. Em geral, quem vive a castidade no namoro terá menos dificuldades de viver a fidelidade ao matrimônio. Hoje em dia, o “permissivismo” moral é grande. A “educação sexual” transmitida pelos meios de comunicação e, às vezes, pelas escolas, diz somente: “faça o que você quiser, desde que seja com preservativos e escondido dos seus pais”. Para vencer nesse ambiente hostil e irresponsável é necessária uma verdadeira educação à castidade, que é a proteção do amor autêntico. E o período de namoro serve para isso: para que o casal cresça no conhecimento mútuo, elabore projetos comuns e adquira virtudes indispensáveis para a vida matrimonial. Se o casal vive bem esse período, sem chegar a ter intimidades próprias da vida matrimonial, passará por uma verdadeira escola de castidade e de fidelidade. Constatamos que pecar contra a castidade antes do matrimônio é tão fácil quanto pecar contra a fidelidade dentro dele. Assim, estará mais preparado para viver a fidelidade quem se preparou bem antes, vivendo a castidade no namoro;

3. O amor matrimonial não se reduz a um exercício físico, mas é a comunhão total de vida. Certa vez, disse Chesterton: «Em tudo que vale a pena, até em cada prazer, há um ponto de dor ou tédio que deve ser preservado, para que o prazer possa reviver e durar. A alegria da batalha vem depois do primeiro medo da morte; a alegria em ler Virgílio vem depois do tédio de aprendê-lo; o brilho no banhista vem depois do choque gelado do banho do mar; e o sucesso do casamento vem depois da decepção com a lua-de-mel»[3]. O que diz esse autor, que foi um homem bem casado por muitos anos, é uma verdade comprovável. O prazer do ato sexual certamente existe, mas não é tudo na vida matrimonial. O ato sexual é, como todo ato humano, sempre ambíguo, pois ao mesmo tempo em que realiza quem o faz, causa certa frustração, porque o coração humano é feito para o infinito e não se contenta com atos singulares. Todo jovem deve reconhecer isso, que faz parte de todo processo de maturação, e o ideal é que isso ocorra dentro do matrimônio. Só quem supera a “decepção” inicial pode ser feliz no matrimônio, pois a felicidade vem de Deus, do amor fiel e responsável renovado diariamente em atos de doação mútua. O amor não é o mesmo que o prazer, mas é uma entrega voluntária e fiel, que supera todas as dificuldades.

4. Boa parte dos casais que fazem planos sérios de casamento acabam por se separar antes que isso se realize. Nem o namoro e nem o noivado dão ao casal o mesmo nível de comprometimento um com o outro que só dá o matrimônio. Por isso, quem tem relações sexuais antes do casamento corre o sério risco de se entregar a alguém com quem, ao fim, não se unirá sacramentalmente. E tal pecado sempre marca profundamente a alma e traz sérias consequências (principalmente afetivas), ainda que seja plenamente perdoado por Deus após uma boa Confissão.

Nos tempos atuais as pessoas “usam” o sexo como se fosse um jogo. E o que ocorre? Cada vez menos pessoas adquirem a capacidade de fazer escolhas definitivas, cada vez menos pessoas se casam. O ato matrimonial, ao qual Deus quis unir um prazer sensível, deve produzir um prazer superior, de natureza espiritual: a alegria de saber que se está cumprindo a vontade de Deus. E o ato de gerar um filho é algo de milagroso, no qual se dá a união das partes materiais provenientes dos pais e a criação de uma nova alma humana, diretamente por Deus. O prazer que os pais têm ao saber que estão colaborando com Deus é algo único.

A resposta à pergunta diz, portanto, que o amor não é somente um sentimento vago, nem mesmo se reduz ao prazer. Mas é algo bem prático e exigente, que implica a vontade concreta de colaborar com os planos de Deus, que concebeu o ato matrimonial como a expressão perfeita de uma doação integral de duas pessoas, um homem e uma mulher, colaborando assim com a mesma obra criadora de Deus.

[1] 1Cor 6, 13 e 18; cfr.: Tob 4, 13; At 21, 25; Ef 5, 3.
[2]  Cfr. Catecismo da Igreja Católica, § 2361-2363.
[3] Chesterton, O que há de errado no mundo, EditoraEcclesiae,Campinas2012.

 

Dez motivos para as famílias lerem a Exortação Alegria do amor

O Papa relata todas as situações da família com muito amor e bondade

São muitas as razões para nós católicos lermos essa exortação do Papa Francisco. Eu gostaria de relacionar aqui, ao menos, dez dessas razões. É uma palavra do Santo Padre que enche de esperança os fiéis ante as dificuldades e as diversas situações das famílias e matrimônios. É um texto fácil de ser lido, embora extenso. O Papa conseguiu falar de todas as situações da família com muito amor e bondade, com o olhar de Jesus onde ninguém deve sentir-se condenado nem desprezado.

1. O Papa aborda amplamente as realidades da vida familiar: no primeiro capítulo, ele nos dá um conjunto de citações bíblicas referentes à família; no segundo, faz uma colocação geral sobre a situação; no terceiro, indica a vocação da família; no quarto e quinto, fala do amor conjugal; no sexto, indica as atividades pastorais necessárias para a família; no sétimo capítulo, ele fala da importância da educação dos filhos; e no oitavo, explica sobre a integração dos divorciados recasados, os chamados de “segunda união”.

Ameaças nos dias de hoje

2. Ele mostra que a família está sendo muito ameaçada nos dias de hoje, e fala dessas ameaças com clareza: o divórcio, o casamento de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças, o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido, a pílula abortiva do dia seguinte, o útero de aluguel, as manipulação de embriões, inseminação artificial, controle artificial e exagerado da natalidade, uniões livres com simples coabitação, sexo sem compromisso, ataques feministas à família, ao casamento e maternidade, ideologia de gênero etc.

3. O Papa exorta as famílias a viverem com coragem as dificuldades de cada dia. “Como Maria, (as famílias) são exortadas a viver com coragem e serenidade, os desafios familiares tristes e entusiasmantes, e a guardar e meditar no coração as maravilhas de Deus (cf. Lc 2, 19.51)” (n.30). Ele exorta os casais a nunca acabar o dia “sem fazer as pazes em família”, a dialogar sem rancores, a falar bem reciprocamente, tratando de “mostrar o lado bom do cônjuge para além de suas fraquezas e erros”, a ter confiança no outro sem controlá-lo, deixando “espaços de autonomia”. E convida também para “contemplar” o cônjuge, recordando que “as alegrias mais intensas da vida brotam quando se pode provocar a felicidade dos outros”.

A importância de defender a família

4. O Santo Padre fala da importância de se defender a família e o matrimônio frente às ideologias que os desvalorizam: “Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimônio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral e humano”. (n.35)

5. O Papa fala da importância de a família ter uma forte vida espiritual com os meios que a Igreja nos oferece: “A família é chamada a compartilhar a oração diária, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão eucarística, para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito”. (n. 29)

6. Os jovens são uma grande preocupação do Papa em relação à família. Ele disse: “Precisamos encontrar as palavras, as motivações e os testemunhos que nos ajudem a tocar as cordas mais íntimas dos jovens, onde são mais capazes de generosidade, de compromisso, de amor e até mesmo de heroísmo, para convidá-los a aceitar, com entusiasmo e coragem, o desafio de matrimônio” (n. 40). Ele diz aos jovens que devido à “seriedade” do “compromisso público de amor”, o matrimônio “não pode ser uma decisão apressada”, mas também não se deve adiá-la “indefinidamente”, e que desejos, sentimentos, emoções “ocupam um lugar importante no matrimônio”.

7. O Papa mostra que hoje há um perigo dos direitos individuais estarem superando e prejudicando os direitos da família: “Uma família e uma casa são duas realidades que se reclamam mutuamente. Esse exemplo mostra que devemos insistir nos direitos da família, não apenas nos direitos individuais. A família é um bem de que a sociedade não pode prescindir, mas precisa ser protegida” (n. 44). E faz uma defesa contundente da família: “Ninguém pode pensar que o enfraquecimento da família como sociedade natural, fundada no matrimônio, seja algo que beneficia a sociedade. Antes, pelo contrário, prejudica o amadurecimento das pessoas, o cultivo dos valores comunitários e o desenvolvimento ético das cidades e das aldeias”. (n. 52)

O modelo para as famílias

8. A sagrada família de Nazaré é colocada pelo Papa como modelo para as famílias: “A aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre esse fundamento cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo”. (n. 66)

9 . O Papa chama à atenção para a importância do casamento na Igreja: “O sacramento do matrimônio não é uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso. O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos, porque “a sua pertença recíproca é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja, a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”. (n. 72)

10. Enfim, o Papa se preocupa com muitos outros problemas ligados à família, como a queda demográfica, devido “a uma mentalidade antinatalista e promovida pelas políticas mundiais de saúde reprodutiva”, e diz que “a Igreja rejeita, com todas as suas forças, as intervenções coercitivas do Estado em favor da anticoncepção, da esterilização e inclusive do aborto”. Ele condena a “violência verbal, física e sexual, perpetrada contra as mulheres em alguns casais, contradiz a própria natureza da união conjugal”. Condena a “grave mutilação genital da mulher em algumas culturas, mas também a desigualdade de acesso a postos de trabalho dignos e aos lugares onde as decisões são tomadas”. “Condena a instrumentalização e mercantilização do corpo feminino na atual cultura midiática”. Valoriza a atividade sexual do casal dentro do plano de Deus. O próprio Deus “criou a sexualidade, que é um presente maravilhoso para as suas criaturas”. Ele cita que São João Paulo II rejeitou a ideia de que o ensinamento da Igreja implique “uma negação do valor do sexo humano” ou que simplesmente o tolere “pela própria necessidade da procriação”.

Tudo isso e muito mais você poderá ler e meditar na Exortação do Papa.

Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Como enfrentar as provações?

Sofrer, com paciência, é sabedoria, pois assim se vive com paz  

As provações nos fortalecem para o combate espiritual; por isso, os Apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá-las com coragem. São Pedro diz: “Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo…” (1 Pe 4,12). Ensinando-nos que essas dificuldades nos levarão à perfeição: “O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1 Pe 5,10).

O mesmo Apóstolo ensina-nos que a provação nos “aperfeiçoará” e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixar perturbar no fogo da provação. Não se exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isso que o tentador deseja.

Uma alma agitada fica a seu bel-prazer. Não consegue rezar, fica irritada, mal-humorada, triste, indelicada com os outros e acaba deprimida.

O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina:   “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1Tes 5, 16).

É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos gosto de glorificar a Deus, rezar muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo…” até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados do Senhor.

Essa atitude muito agrada ao Senhor, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos Seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão que “esperaram contra toda a esperança” (cf. Hb11,17-19), e assim, agradaram a Deus sobremaneira.

Da mesma forma, Jó agradou muito ao Todo-poderoso porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé:

“Nu saí do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jo 1,21).

Afirmam os santos que vale mais um “Bendito seja Deus!”, pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

O Jardineiro Divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma. Não se assuste com as podas que Ele fizer no jardim de sua alma.

Santa Teresa diz que ouviu Jesus dizer-lhe: “Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A grande santa da Igreja chegou a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”.

Para nós, essas palavras parecem um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (2Cor 4, 17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que o Senhor tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários, pois nos dão a oportunidade de lutar contra as nossas misérias.

Isso tudo, repito mais uma vez, não quer dizer que Deus seja o autor do mal ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não. O que o Senhor faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria-prima de nossa própria salvação, dando assim, um sentido à nossa dor.

A partir daí, sob a luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, como nos ensina São Tiago.

“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança…” (Rom 5,3-5).

Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé, revolta-se, desespera-se, sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também.

Santo Afonso disse que “neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

Prof. Felipe Aquino

A influência dos avós na educação dos netos

Hoje, os avós têm um papel importante na educação dos netos diante da realidade dos pais trabalharem fora

Aqui em casa há uma placa que ganhei da minha irmã: “Na casa dos avós tudo pode”. No início pensei que seria deseducador, mas, com o tempo, senti que os meus netos se sentiam orgulhosos com o grau da sua importância para nós. Tudo pode quando eles vêm apenas para passear e não temos a função de educá-los; justamente por isso, fica fácil ser conselheiro, companheiro e contribuir para o desenvolvimento emocional e espiritual. O “domingo” para os netos é dia de diversão, quando podem experimentar e misturar alimentos, tais como batata com leite condensado e comer apenas arroz, porque é o que gostam, mas sem valor nutritivo.

Num mundo conturbado, onde os pais precisam trabalhar para garantir o “melhor” para seus filhos, muitos avós assumem a responsabilidade de ficar com os netos durante a jornada de trabalho de seus filhos.

O tempo de convivência diária e o tipo de relação definem a forma de relacionamento. A responsabilidade cotidiana tem uma forma de tratamento diferente de quem ajuda temporariamente, porque, nesses casos, os avós assumem o papel de educadores. É preciso também ter regras diferentes, para os casos de apoio enquanto os pais trabalham ou quando os avós assumem integralmente a responsabilidade parenteral, em caso de morte ou abandono dos pais.

Para os avós, os efeitos positivos  dessa convivência é que rejuvenescem, sentem-se alegres, reencontram sua utilidade e objetivos de vida. Os efeitos negativos aparecem quando se sentem explorados e sobrecarregados física e economicamente. Em alguns casos, os conflitos entre modelos educacionais causam crises entre os pais e avós, que requer um diálogo para definir as bases da educação.

Para estudar ou trabalhar, deixar os filhos com pessoas que confiam, com laços de parentesco e de amor, propicia tranquilidade na maioria dos casos. Os impactos negativos surgem quando as culturas das famílias são muito diferentes e conflitantes ou por imaturidade dos avós que querem competir com os pais pelo amor da criança.

As crianças são beneficiadas, porque convivem com gerações diferentes, aprendem a valorizar os idosos, mantém o sentimento de pertença familiar, sentem facilidade de negociação com os avós, pois teoricamente pela idade já estão mais maduros para definirem as prioridades do que podem ceder ou não. Os estudos mostram que os avós, mesmo que não possuam formação escolar adequada, fornecessem valores sólidos, apoio emocional e se esforçam para garantir a felicidade dos netos, o que impacta positivamente na vida escolar e afetiva deles. Por outro lado, é preciso um alerta para não ter uma educação permissiva, conflitiva, mimada ou de compensação pela falta dos pais.

Quando os avós dividem com os pais a responsabilidade pela educação, alguns cuidados precisam ser tomados, tais como, definir em conjunto a rotina infantil, respeitar os princípios educacionais dos pais, não criticar os pais diante das crianças. Alguns pais se preocupam se os avós podem deseducar netos, a resposta é sim quando: eles não cumprem o seu papel de pais, os avós discordam e agem diferente dos princípios dos pais e estes não encontram disponibilidade de tempo para introjetar os valores e comportamentos que acreditam serem certos.

Em síntese, nesta convivência entre avós e netos, a família pode se beneficiar se as crianças percebem os pais como responsáveis pela educação e o acolhimento, e os avós como apoiadores que oferecem carinho. Entretanto, pode ser prejudicada quando, nesta relação, existe conflito de papéis e princípios, disputa de poder e falta de amor. É preciso discernimento para os avós estarem perto quando precisam e longe quando pais e filhos estão num momento que pertence só a eles. Ou seja, aquilo que ficar combinado num diálogo franco terá de ser cumprido para não sair caro para a família no final.

Ângela Abdo é coordenadora do grupo de mães que oram pelos filhos da Paróquia São Camilo de Léllis (ES) e assessora no Estudo das Diretrizes para a RCC Nacional. Atua como curadora da Fundação Nossa Senhora da Penha e conduz workshops de planejamento estratégico e gestão de pessoas para lideranças pastorais. Abdo é graduada em Serviço Social pela UFES e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos e em Gestão Empresarial. Possui mestrado em Ciências Contábeis pela Fucape. Atua como consultora em pequenas, médias e grandes empresas do setor privado e público como assessora de qualidade e recursos humanos e como assistente social do CST (Centro de Solidariedade ao Trabalhador). É atual presidente da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) do Espírito Santo e diretora, gerente e conselheira do Vitória Apart Hospital.

A corrupção é pior que o pecado

O corrupto se cansa de pedir perdão e por isso precisa ser curado
http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/noticias/papa-francisco-a-corrupcao-e-pior-que-o-pecado-656001

A corrupção é o mato da nossa época, que se alimenta de aparência e aceitação social, cresce como medida da ação moral e pode consumir a partir de dentro, em uma atitude de “mundanidade espiritual”, quando não “esclerose do coração”, até mesmo na própria Igreja. E se para o pecado existe perdão, para a corrupção, não. Por isso, a corrupção precisa ser curada.

Esta é a crítica mordaz e impiedosa que emerge de algumas páginas escritas em 2005 por Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, cujo texto foi agora publicado em um livro, “A cura da corrupção”, publicado pela primeira vez em italiano (Editora Missionária Italiana).

Pecado e corrupção

Em seu afresco de cores fortes, Bergoglio explica desde o início que a corrupção está intimamente ligada ao pecado, mas é diferente dele. Na verdade, a corrupção é “não um ato, mas um estado, um estado pessoal e social no qual a pessoa se acostuma a viver”, por meio de hábitos que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar.

Bergoglio resume as principais características desta praga:

1) Imanência. A corrupção tende a gerar uma “verdadeira cultura, com capacidade doutrinal, linguagem própria, jeito próprio de agir”, tornando-se uma “cultura de subtração”. O caminho que levou do pecado à corrupção é um processo de substituição de Deus pelas próprias forças. A gênese pode ser atribuída a um “cansaço da transcendência: frente a um Deus que não se cansa de perdoar, o corrupto se levanta como autossuficiente na expressão de sua salvação: está cansado de pedir perdão”.

2) Boas maneiras. Esta autossuficiência humana, que reflete a atitude do coração com relação a um tesouro que o seduz, tranquiliza e engana, é uma transcendência frívola. Na corrupção, de fato, prevalece uma espécie de imprudência modesta; cria-se um culto às boas maneiras para encobrir os maus hábitos. O corrupto é um acrobata da delicadeza, campeão das boas maneiras. Enquanto “o pecador, reconhecido como tal, de alguma forma, admite a falsidade do tesouro ao qual aderiu ou adere, o corrupto, no entanto, submeteu seu vício a um curso intensivo de boas maneiras”.

3) Medida moral. “O corrupto – escreve Bergoglio – sempre tem necessidade de se comparar com aqueles que parecem ser coerentes em suas vidas (mesmo quando se trata da coerência do publicado que se confessa pecador).” Uma de suas características é a forma como se justifica, apresentando as suas boas maneiras como opostas a situações de pecado extremo ou fruto de caricatura, e assim se levanta para julgar os outros, tornando-se medida de comportamento moral.

4) Triunfalismo. “O triunfalismo é o terreno ideal para o comportamento corrupto.” A este respeito, o teólogo Henri de Lubac fala da ambição e da frivolidade que podem esconder-se na “mundanidade espiritual”, a tentação mais perversa, que concebe como ideal moral o homem e seu aperfeiçoamento, e não a glória de Deus. Segundo Bergoglio, a mundanidade espiritual “nada mais é do que a vitória daqueles que confiam no triunfalismo da capacidade humana; o humanismo pagão adaptado ao bom senso cristão”.

5) Cumplicidade. “O corrupto não conhece a fraternidade ou a amizade, mas só a cumplicidade”; tende a arrastar todos à sua própria medida moral. Os outros são cúmplices ou inimigos. “A corrupção é o proselitista. Ela se disfarça de comportamento socialmente aceitável”, como Pilatos, “que faz de conta que o problema não lhe diz respeito, e por isso lava as mãos, mesmo que no fundo seja para defender a sua zona corrupta de adesão ao poder a qualquer preço”.

A corrupção do religioso

Bergoglio faz, então, uma análise muito lúcida do estado de corrupção cotidiana que lentamente faz a vida religiosa encalhar. É uma espécie de paralisia que ocorre quando uma alma se adapta a viver tranquilamente em paz.

No início, existe “o medo de que Deus nos conduza a caminhos que não podemos controlar”. Mas ao fazer isso, explica Bergoglio, “os horizontes se encolhem à medida da própria desolação ou quietismo. A pessoa teme a ilusão e prefere o realismo do menos à promessa do mais”. Aqui se esconde o perigo, porque, “na preferência pelo menos, que parece mais realista, já existe um processo sutil de corrupção: começa a mediocridade e a tibieza (duas formas de corrupção espiritual)”, um caminho inclinado que leva ao desânimo da alma e a uma lenta, mas definitiva esclerose do coração.

É por isso que a alma se apega a todos os produtos que o supermercado do consumismo religioso lhe oferece, tendendo talvez a interpretar a vida consagrada como uma realização imanente de sua personalidade, buscando a realização profissional ao se deliciar com a estima alheia, ou se dedicando a uma intensa vida social. Daí o convite do então arcebispo de Buenos Aires: “A nossa indigência deve se esforçar um pouco para abrir espaço à transcendência”, porque “o Senhor nunca se cansa de chamar: não tenha medo. Não ter medo de quê? Não ter medo da esperança, porque a esperança não decepciona”.

Crisma é a marca que nos une a Cristo

http://www.a12.com/redacaoa12/santo-padre/crisma-e-a-marca-que-nos-une-a-cristo

Milhares de fiéis e peregrinos participaram na manhã desta quarta-feira, 30 de maio, da Audiência Geral na Praça São Pedro. O Papa prosseguiu sua série de catequeses sobre a Crisma, falando desta vez do selo do Espírito.

O Santo Padre explicou que antes de receber a unção espiritual que confirma e reforça a graça do Batismo, o crismando é chamado a renovar as promessas que um dia foram feitas em seu nome pelos respectivos pais e padrinhos. Agora, é o próprio fiel a professar a fé da Igreja, pronto a responder às perguntas que lhe faz o Bispo, em particular que está disposto a crer no Espírito Santo. “O único Espírito distribui os múltiplos dons que enriquecem a única Igreja: é Autor da diversidade, mas ao mesmo tempo o Criador da unidade”, recorda o Papa.

Francisco também detalhou que o sacramento da Confirmação ou Crisma realiza-se com a imposição das mãos do Bispo sobre os crismandos, enquanto suplica ao Pai do Céu que infunda neles o Espírito Paráclito. A este gesto bíblico, para melhor expressar a efusão do Espírito, logo se acrescentou a unção do óleo perfumado, chamado crisma, que é usado ainda hoje seja no Oriente, seja no Ocidente.

O óleo, acrescentou o Papa, é substância terapêutica e cosmética, que entra nos tecidos do corpo, cura as feridas e perfuma os membros. Depois da imposição das mãos, a fronte de cada um é ungida seguida destas palavras: Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus.

Assim, ao receber na fronte o sinal da cruz com o óleo perfumado do crisma, o crismando recebe uma marca espiritual indelével, o caráter, que o configura mais perfeitamente a Cristo e lhe dá a graça de espargir entre os homens o bom perfume de Cristo.“O Espírito é um dom imerecido”, concluiu Francisco, a ser acolhido com gratidão, fazendo espaço à sua criatividade inesgotável.

Durante as saudações em várias línguas, houve a apresentação de atletas coreanos de taekwondo, que sob as notas da Ave Maria de Schubert simbolizavam a união dos dois países.

Francisco também recordou que amanhã concluímos o mês mariano. “Que a Mãe de Deus seja o refúgio nos momentos felizes, assim como nos momentos mais difíceis, e seja a guia de suas famílias, para que se tornem um lar de oração, de recíproca compreensão e de dom”.

Jesus, na Eucaristia, é um privilégio

Corpus Christi

A Eucaristia transforma o nosso coração para sermos, no mundo, sinais do próprio Cristo.

De tempos em tempos, precisamos atualizar o sistema operacional do nosso smartphone ou notebook. Este procedimento é importante para que nossos aparelhos não fiquem ultrapassados; assim, conseguimos obter melhores recursos para os usarmos. Tudo que fica desatualizado, mais cedo ou mais tarde, precisa ser revisto e melhorado.

Em nossa vida espiritual também acontece o mesmo processo: é preciso atualizarmos espiritualmente nossa alma para que possamos viver melhor a nossa fé. Essa atualização espiritual é um procedimento constante e ininterrupto. Encontramos, na Eucaristia, a plena atualização de amor que nosso coração necessita para viver com intensidade cada momento da vida.

Jesus, na Eucaristia, é um privilégio

A Eucaristia atualiza a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso é um privilégio para nós fazermos parte do banquete do Senhor, onde o pão e o vinho, frutos da terra e do trabalho do homem se tornam o Corpo e Sangue do Senhor. Mistério da nossa fé, onde anunciamos a Morte do Senhor e proclamamos a Sua Ressurreição.

Celebrar a Eucaristia é celebrar o Cristo vivo, presente no meio de nós, que manifesta Sua presença amorosa na comunidade reunida, na Palavra meditada, refletida e partilhada; no pão e no vinho, que se tornam Seu Corpo e Sangue, alimento para nossa vida e cura para nossa alma.

Ao nos aproximarmos da Eucaristia, aproximamo-nos do próprio Cristo, que se doa, entrega e nos faz pessoas novas em Seu amor misericordioso. Ao comungarmos o Corpo e Sangue do Senhor, o próprio Cristo, comprometemo-nos com a construção de um mundo novo, pautado nos princípios evangélicos, de um Reino de paz, de justiça e fraternidade.

A Eucaristia transforma o nosso coração para sermos, no mundo, sinais do próprio Cristo. É Cristo em nós para que sejamos Cristo no mundo. Na comunhão eucarística, não comungamos sozinhos, de modo individualista, mas em comunidade. O mesmo Jesus que eu recebo meus irmãos e irmãs também O recebem. Cristo em todos e todos em Cristo. Por isso mesmo, a Eucaristia é comunitária, sinal de unidade, amor e participação ativa e consciente no mistério celebrado.

A cada comunhão eucarística devemos ser, no mundo, pessoas novas em Cristo Jesus. Comungar não é simplesmente uma aventura espiritual isolada, mas sim, comunitária. Com toda a assembleia formamos um único corpo que tem no Cristo o seu coração. Diante de tão grande privilégio, sejamos, no mundo, sinais de Eucaristia: amemos, partilhemos, doemos, levemos uma palavra de esperança, anunciemos o Evangelho com a vida e palavras.

Comungar o Corpo e o Sangue do Senhor e construir, no hoje da nossa história, céus novas e terras novas que esperamos confiantes. Atualizemos em nós o amor de Cristo em nós.

Padre Flávio Sobreiro

O papel das mães na família

Importância das mães

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

No ciclo de catequeses sobre família, Francisco se concentrou na importância das mães, lembrando que também a Igreja é mãe

Após as festas de fim de ano, o Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 7, a tradicional audiência geral. Reunido com os fiéis na Sala Paulo VI, o Santo Padre deu sequência ao ciclo de catequeses sobre a família, desta vez se concentrando no papel essencial das mães, voltando a reiterar que também a Igreja é uma mãe.

“Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual”, disse o Papa. Ele ressaltou que, mesmo sendo exaltadas do ponto de vista simbólico – com homenagens e poesias, por exemplo –, muitas vezes, as mães são pouco ouvidas na vida cotidiana e têm o seu importante papel na sociedade pouco considerado.

As mães são um forte antídoto contra o individualismo, disse o Papa, uma vez que se dividem a partir do momento em que dão lugar a um filho. Ele disse que as mães têm sim problemas com os filhos – é uma espécie de martírio materno –, mas continuam felizes e sofrem quando algo de ruim acontece com eles. Ele pensou, por exemplo, na dor das mães que recebem a notícia de que seus filhos morreram em defesa da pátria.

“Ser mãe não significa somente dar à luz um filho, mas é uma escolha de vida. A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida, e isso é grande, é belo. Uma sociedade sem mãe é uma sociedade desumana, porque elas sabem testemunhar sempre a ternura, a dedicação, a força moral”.

O Papa mencionou ainda a importância das mães na transmissão do sentido mais profundo da prática religiosa, ensinando aos filhos as primeiras orações, os primeiros gestos de oração. Para Francisco, a fé perderia boa parte de seu calor sem as mães.

“E a Igreja é mãe com tudo isso. Não somos órfãos, temos uma mãe. Nossa Senhora, a Igreja, e nossa mãe”, concluiu o Papa, deixando seu agradecimento a todas as mães presentes.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. Hoje continuamos com as catequeses sobre Igreja e faremos uma reflexão sobre Igreja mãe. A Igreja é mãe. A nossa Santa mãe Igreja.

Nestes dias, a liturgia da Igreja colocou diante dos nossos olhos o ícone da Virgem Maria Mãe de Deus. O primeiro dia do ano é a festa da Mãe de Deus, à qual segue a Epifania, com a recordação da visita dos Magos. Escreve o evangelista Mateus: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2, 11).  É a Mãe que, depois de tê-lo gerado, apresenta o Filho ao mundo. Ela nos dá Jesus, ela nos mostra Jesus, ela nos faz ver Jesus.

Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.

Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida. No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus. Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.

As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”. Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!

Ser mãe, vocação do amor

Tarefa exigente, árdua, mas recompensadora

A palavra ‘mãe’ traz significados intensos ao nosso imaginário: as lembranças boas, as dificuldades, as brigas em família, o apoio, o abraço ou o desejo pelo carinho que nunca aconteceu. Todos esses pensamentos nos levam a perceber a vocação de uma mãe: amor incondicional e presente.

A vocação de ser mãe é muito mais do que gerar biologicamente uma pessoa, é cuidar amorosamente de alguém que tomou para si como filho. Mais do que o fruto do seu ventre, ser mãe é tomar para si a responsabilidade pela vida, pela educação, pela criação de alguém.

A mãe dos nossos tempos enfrenta todas as adversidades e desafios que a sociedade lhe impõe, mas seu amor é fiel e ela é zelosa na missão que escolheu e com a qual foi presenteada. É por isso que, hoje, a lembrança vai para a mulher que é mãe nas mais diversas situações: aquela que gerou o filho em seu ventre e aquela que é mãe do coração – a qual optou pela adoção como gesto doação e entrega -; a mãe espiritual, que dobra seus joelhos e intercede por seus filhos; aquela que, mesmo não tendo filhos, cuida das pessoas como se fossem, de fato, seus filhos.

Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro. Uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem planos para a maternidade. Mas vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?.

Lembro-me sempre de Gianna Beretta Molla, santa, médica, mãe de família, esposa, fiel a Deus, orante e tendo Virgem Maria como exemplo para sua vida. Uma mulher que, como tantas outras dos nossos dias, teve uma rotina que exigiu dela um desdobramento em muitos papéis. Um mulher, uma santa contemporânea; mulher do nosso tempo, que, mesmo tendo filhos e uma profissão, teve o desprendimento, a dedicação e uma opção: ter Deus como o centro da sua família. Gianna não deixou de lado seus valores e, no momento mais difícil de sua vida, optou, dentre sua vida e a do seu filho, que ele nascesse, mesmo que o risco fosse a morte da mãe. Nem mesmo a possibilidade de deixar seus outros filhos a fez abandonar seu projeto de vida.

Ser mãe é uma tarefa exigente, árdua, recompensadora, mas gera medo, ansiedade, expectativa por cumprir este papel de forma favorável. É muito importante ter em mente que ser mãe é algo que se aprende, e não existe a mãe ideal. Há a mãe que erra, mas tem, em seu desejo mais íntimo, a vontade de acertar. Ser mãe é aprender, a cada dia, a renovar, reciclar, crescer, retomar, cair e levantar, apoiar, ser o ombro, o colo e o calor.

Santa Gianna escreveu, numa oportunidade, uma linda descrição do papel da mãe: “Toda vocação é vocação à maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da vida. O sacerdote é pai; e as irmãs são mães de almas.

Os limites de uma mãe são testados a todo momento, passando por situações que jamais imaginaria. Por isto, é tão importante não se fechar em suas dificuldades, mas buscar apoio, conversar, ler e conviver com este contínuo aprendizado. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que lhe seja dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!

Que as palavras de Santa Gianna Beretta Molla possam também estar presentes em sua vida, mãe, sempre que as dificuldades de sua missão baterem à sua porta: “Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não se apague jamais” .

Parabéns, mãe, por sua vocação!

Elaine Ribeiro
[email protected]

Panteísmo

Por Quadrante
http://www.quadrante.com.br/Pages/servicos02.asp?id=262&categoria=Doutrina

“Deus está em todas as coisas”. Pode um católico concordar com tal afirmação. De que maneira está Deus presente na sua obra? Embora muitos não o percebam, o panteísmo é um pressuposto de muitas das religiões que estão de moda: o espiritismo, o budismo, o hinduísmo, etc.

A palavra “panteísmo” foi cunhada pelo filósofo inglês John Toland (1660-1722) em 1705. Significa a doutrina segundo a qual Deus é o Hen kai Pan, o “Um e o Todo” da filosofia grega. Deus seria a única realidade existente, da qual o mundo, espiritual e material, se teria originado por emanação.

A “substância divina” seria impessoal, neutra, sempre em via de evolução no decorrer da história, concebida geralmente como uma “energia”, “força” ou “destino” cegos; em cada indivíduo humano ela estaria paulatinamente tomando consciência de si mesma, até chegar à plenitude ou à perfeição. O homem seria, assim, uma manifestação da divindade, manifestação identificada com a divindade. O panteísmo se tem apresentado sob as mais diversas modalidades ao longo da História.

O hinduísmo e o budismo são panteístas, como o era o antigo paganismo grego e, no fundo, a maior parte das religiões politeístas. Também diversos filósofos antigos e modernos se têm comprazido em formulá-lo de diversas maneiras: “tudo é Deus e Deus é tudo”, ou “Deus é a alma do mundo” ou “o princípio imanente que dá subsistência ao mundo”. Qualquer dessas fórmulas implica que Deus é identificado, totalmente ou em parte, com a natureza posta em evolução.

O panteísmo tem estado em voga nas correntes filosóficas e religiosas mais recentes; vem a ser uma forma de religiosidade que não “incomoda” o homem. Com efeito, o panteísmo ou monismo, fazendo coincidir Deus com a natureza, emancipa o homem de qualquer força superior, pois o próprio homem vem a ser uma centelha ou uma parcela da divindade.

Em conseqüência, o homem pode conceber a sua religião segundo o seu bel-prazer imaginativo e subjetivo, como se vê na corrente da Nova Era. O Manual informativo do membro da Sociedade Teosofista do Brasil afirma, por exemplo, que o homem é “o seu próprio legislador absoluto, o seu próprio dispensador de glória e obscuridade, o que por si mesmo decreta a sua vida, recompensa ou castigo” (São Paulo, 1951, pág. 22).

Notemos que falar de um “Deus pessoal”, como o faz o cristianismo, não significa que Deus esteja dotado de um semblante humano, longa cabeleireira e barbas, mas é um puro Espírito, com inteligência e vontade perfeitíssimas. Ora, é ilógico identificar o homem – contingente e volúvel como é – com a própria divindade, que por definição é o contrário do contingente e volúvel.

Deus é essencialmente distinto do homem, do mundo e das realidades visíveis, pois Ele é absoluto e eterno, ao passo que as criaturas sensíveis são relativas, transitórias e temporárias. O infinito não resulta das realidades finitas postas em evolução, nem devemos imaginar que o eterno seja a soma de numerosíssimas parcelas de tempo. Não é difícil perceber que o panteísmo contraria não somente a fé católica, mas também o bom senso e a sã razão.

Com efeito, Deus não pode (nem parcialmente) identificar-se com o mundo, pois, por definição, é o Absoluto, Necessário, Ilimitado, ao passo que o mundo é relativo, contingente e limitado em suas perfeições. Ora, o mesmo sujeito jamais será, simultaneamente e sob o mesmo ponto de vista, Absoluto e relativo, pois esses predicados se excluem mutuamente. Ademais, não pode haver evolução ou progresso em Deus, pois toda evolução diz ou aquisição ou perda de perfeição; em qualquer caso, implica imperfeição, o que é absurdo em Deus.

A hipótese de um Deus ou de uma substância divina em evolução tenta explicar o mundo não por um ser absoluto, mas por um “tornar-se” absoluto; ora, o “tornar-se” absoluto é contraditório em si, pois “tornar-se” significa uma ausência que se encontra à busca da plenitude, ao passo que o Absoluto diz perfeição plena.

Mas não se pode entender o panteísmo como a afirmação de que Deus está presente em todas as coisas como a alma o está no corpo? Deus está efetivamente presente em todas as coisas pelo fato de tê-las criado e de conservá-las na existência; por um ato contínuo, sustenta cada criatura no ser, impedindo que recaia no nada do qual foi tirada pelo ato criador. Esta é uma verdade que a fé católica professa. Mas essa presença não é identificação nem imanência, tal como num quadro o pintor está presente em cada parte, sem se identificar nem com qualquer dessas partes, nem com o conjunto.

Fontes principais
Estêvão Bettencourt, Religiões, Igrejas e seitas, Lumen Christi, Rio de Janeiro, 1997

Manuel Guerra Gomez, Los nuevos movimientos religiosos, EUNSA, Pamplona, 1993

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda