Tag: espiritual

Rezemos a Via Sacra

O QUE É E COMO TEVE ORIGEM?

O exercício espiritual da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram mentalmente a caminhada de Jesus a carregar a Cruz desde o pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando simultaneamente a Paixão do Senhor. Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (séculos XI/XIII): os fiéis que então percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém. O número de estações ou etapas dessa caminhada foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma atual, de quatorze estações, no século XVI.
O Papa João Paulo II introduziu, em Roma, a mudança de certas cenas desse percurso não relatadas nos Evangelhos por outros quadros narrados pelos Evangelistas. A nova configuração ainda não se tornou geral. O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus. Compreende quatorze estações ou etapas, cada uma das quais apresenta uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo.
A Via Sacra é um exercício espiritual onde quem reza faz uma mini-peregrinação na Vida de Jesus Cristo contemplando os Mistérios de nossa Salvação, exercício este muito proveitoso para alma, costuma-se rezar nas sextas-feiras durante a quaresma.

1ª Estação: JESUS É SENTENCIADO À MORTE
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Sentenciado e não por um tribunal, mas sim por todos e por nossos pecados. Condenado pelos mesmos que vos tinham aclamado pouco antes. E Ele cala… Nós fugimos de ser reprovados. E saltamos imediatamente… Dai-me, Senhor, vos imitar, me unindo a Ti pelo Silêncio quando alguém me faça sofrer ou me condene injustamente. Eu o mereço. Ajudai-me!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

2ª Estação: JESUS CARREGA A CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Que eu compreenda, Senhor, o valor da cruz, de minhas pequenas cruzes de cada dia, de meus achaques, de minhas doenças, de minha solidão. Que eu não desanime, mas tome a minha cruz de cada dia e te siga, faça dela um instrumento de salvação. Dai-me converter em oferta amorosa, em reparação por minha vida e no apostolado por  meus irmãos, minha cruz de cada dia.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

3ª Estação: JESUS CAI, PELA PRIMEIRA VEZ, COM O PESO DA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Tu cais Senhor, para me redimir. Para me ajudar a me levantar em minhas quedas diárias, quando depois de ter me proposto a ser fiel, volto a reincidir em meus pecados e defeitos cotidianos. Ajuda-me a levantar-me sempre e a seguir meu caminho a Ti!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

4ª Estação: ENCONTRO COM A VIRGEM MARIA
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Faz Senhor, com que eu me encontre ao lado de tua Mãe em todos os momentos de minha vida. Com ela, apoiando-me em seu carinho maternal, tenho a segurança de chegar a Ti no último dia de minha existência. Ajuda-me Mãe!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

5ª Estação: O CIRINEU AJUDA O SENHOR A CARREGAR A CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Cada um de nós tem nossa vocação, viemos ao mundo para algo concreto, para nos realizarmos de uma maneira particular. Qual é a minha vocação e como eu a vivo? Mas, há algo, Senhor, que é minha missão e de todos: a de ser Cirineu dos demais, a de ajudar a todos. Como levo adiante a realização de minha missão de Cirineu?
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

6ª Estação: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
É a mulher valente, decidida, que se aproxima de Ti quando todos te abandonam. Eu, Senhor, te abandono quando me deixo levar por ele “que dirão”, do respeito humano, quando não me atrevo a defender o próximo ausente, quando não me atrevo a replicar uma brincadeira que ridiculariza aos que tratam de aproximar-se de Ti. E em tantas outras ocasiões. Ajuda-me a não me deixar levar pelo respeito humano, pelo “o que dirão”.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

7ª Estação: SEGUNDA QUEDA NO CAMINHO DA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Cais, Senhor, pela segunda vez. A Via Sacra nos indica três quedas em teu caminhar até o Calvário. Talvez foram mais. Cais diante de todos… Quando aprenderei a não temer ficar mal diante dos demais, por um erro, pelo orgulho, por um equívoco? Quando aprenderei que também isso pode se converter em oferenda?
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

8ª Estação: JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Muitas vezes, teria eu que analisar a causa de minhas lágrimas. Ao menos, de meus pesares, de minhas preocupações. Talvez haja neles um fundo de orgulho, de amor próprio mal entendido, de egoísmo, de inveja. Deveria chorar por minha falta de correspondência a teus inúmeros benefícios de cada dia, que me manifestam Senhor, quanto me queres. Dai-me profunda gratidão e correspondência a tua misericórdia.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

9ª Estação: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Terceira queda. Mais perto da Cruz. Mais esgotado, mais falta de forças. Cais desfalecido, Senhor. Eu digo que me pesam os anos, que não sou o mesmo de antes, que me sinto incapaz. Dai-me, Senhor, imitar-te nesta terceira queda e faz com que meu desfalecimento seja benéfico para outros, porque eu os dou a Ti para eles.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

10ª Estação: JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Arrancam tuas vestes, aderidas a Ti pelo sangue de tuas feridas. A infinita distância de tua dor, eu senti, às vezes, como algo que arrancava dolorosamente de mim pela perda de meus seres queridos. Que eu saiba oferecer a lembrança das separações que me desgarraram, unindo-me a tua paixão a consolar aos que sofrem, fugindo de meu próprio egoísmo.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

11ª Estação: JESUS É PREGADO NA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Senhor, que eu diminua minhas limitações com meu esforço e assim possa ajudar a meus irmãos. Quero pregar na cruz contigo todos os meus pecados, o meu homem velho, meus vícios, egoísmos e autossuficiências… E que quando meu esforço não consiga diminuí-las, me esforce em oferecê-las  também por eles.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

12ª Estação: JESUS MORRE NA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Eu te adoro,  meu Senhor, morto na Cruz para me salvar.  Adoro e beijo suas chagas, as feridas dos cravos, o golpe de lança no lado, de onde jorrou sangue e água fonte de misericórdia para nós… Obrigado Senhor, obrigado! Morreste para me  salvar, para salvar a todos nós e nos dar a vida em plenitude. Dai-me responder a teu amor com amor, cumprir a tua Vontade, trabalhar por minha salvação, ajudado por tua graça. E dai-me trabalhar com afinco pela salvação de meus irmãos e pela defesa da vida.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

13ª Estação: JESUS NOS BRAÇOS DE SUA MÃE
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Deixa-me estar ao teu lado, Mãe, especialmente  nestes momentos de tua incomparável dor. Deixa-me estar ao teu lado. Mais te peço: que hoje e sempre me tenhas perto de Ti e te compadeças de mim. Nos momentos de dor e sofrimento ponha-me no teu colo. Olhai-me com compaixão, não me deixes ó minha Mãe!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

14ª Estação: JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Tudo está terminado. Mas não: depois da morte, a Ressurreição. Ensina-me a ver tudo o que passa, o transitório e passageiro, à luz do que não passa. E que essa luz ilumine todos meus atos. Que eu nunca perca a esperança, pois o amor é mais forte do que a morte! Coloco no sepulcro vazio todos os meus pecados e o homem velho. Assim seja.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

ORAÇÃO FINAL
Eu te suplico Senhor, que me concedas, por intercessão de Tua Mãe a Virgem Maria, que cada vez que medite Tua Paixão, fique gravado em mim com marca de atualidade constante, o que Tu fizeste por mim e Teus constantes benefícios. Faz Senhor, que me acompanhe, durante toda minha vida, um agradecimento imenso a Tua Bondade. Amém.

 

VIA-SACRA
A Igreja guarda o grande silêncio diante da Morte do seu Senhor

A devoção da Via-Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos – conhecidos como a Paixão de Nosso Senhor –, desde o Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário. Essa meditação teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis, que peregrinavam à Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém em suas pátrias, unindo essa devoção à Paixão. Apresentamos aqui uma das versões, adaptada pelo Papa João Paulo II.

Oremos: (Alguns momentos de silêncio).
Olhai, Pai Santo, o sangue que jorra do peito trespassado do Salvador; olhai o sangue derramado por tantas vítimas do ódio, da guerra, do terrorismo, e concedei, benigno, que o curso dos acontecimentos no mundo se desenrole segundo a vossa vontade na justiça e na paz, e a vossa Igreja se entregue com serena confiança ao vosso serviço e à libertação do homem. Por Cristo nosso Senhor. R. Amém.
Ao final de cada estação reza-se: Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

PRIMEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus em agonia no Horto das Oliveiras
Jesus que acalmava as águas agitadas pelo vento, agora não pode dar a paz a Si mesmo. A tempestade é a dúvida que lhe agita a mente e o peito, como agita o espírito de milhões de homens e mulheres ontem, hoje e amanhã, pois a verdadeira paz só virá depois da ressurreição.

SEGUNDA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus, atraiçoado por Judas, é preso
Naquela trágica noite escura do Getsémani, o Filho de Deus suscita em nós, com as suas palavras e gestos, sentimentos vários e estremecemos com a mesquinhez da traição. A partir da morte de Cristo, floresce a vida nova, memória e anúncio duma esperança que não morre: a salvação universal.

TERCEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é condenado pelo Sinédrio
Deixar a própria identidade e anunciar a sua fé às vezes são atos passíveis de morte. Mas quantos são os que procuram Deus? Quantos O procuram atrás das grades? Quantos na prisão da sua vida, dos seus sofrimentos? Quantos no escarne suportado e na tortura sofrida? Aquela que condena sem provas, acusa sem motivo, julga sem apelo, esmaga o inocente.

QUARTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é renegado por Pedro
Pedro revela a sua fraqueza. Tinha temerariamente prometido antes morrer. Humilhado, chora e pede perdão a Deus.Grande é a lição de Pedro: até os mais íntimos ofenderão Jesus com o pecado. Mas logo que o olhar de Jesus se cruza com o de Pedro o Apóstolo reconhece o seu triste erro.

QUINTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é julgado por Pilatos
Sempre encontramos uma justificação para as nossas culpas e os nossos erros. Jesus responde com o silêncio ao ver a hipocrisia e a soberba do poder, a indiferença daqueles que se subtraem às suas responsabilidades.

SEXTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é flagelado e coroado de espinhos
Verdadeiro homem sofreu dores indescritíveis; contemplando o vosso rosto, conseguimos suportar as nossas dores, na esperança de ser acolhidos no vosso Reino, o verdadeiro e único Reino. O vosso Reino não é deste mundo, mas nós, homens, esperamos favores, poder, sucesso, riquezas: um mundo sem sofrimento.

SÉTIMA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus recebe a Cruz aos ombros
Não obstante fosse revestido da glória e do poder que Lhe fora dado pelo Pai, Jesus aceitou uma morte horrível, inglória, antes, vergonhosa. Os poderosos do mundo aliam-se, para cumprir represálias, para atingir as populações pobres e extenuadas. Justifica-se até mesmo o terrorismo em nome da justiça e da defesa dos pobres.

OITAVA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é ajudado por Simão de Cirene a levar a Cruz
Um homem que vinha do campo entrou em Jerusalém para negociar. Lucrou com isso: cinco minutos na história da salvação, uma frase no Evangelho. A cruz é pesada demais para Deus, que se fez homem. Jesus necessita de solidariedade. O homem tem necessidade de solidariedade. Foi-nos dito: Levai os fardos uns dos outros.

NONA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Um lamento fúnebre acompanha a caminhada do Condenado a morte. No caminho que leva ao Calvário as mulheres choram batendo no peito. Ele, levando a cruz aos ombros, vacila sob o peso do pecado e da dor dos homens, que quis como irmãos. Bem sabe como é longa na história a via dolorosa que leva aos Calvários do mundo.

DÉCIMA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é crucificado
As chagas do Salvador continuam hoje a sangrar, agravadas pelos cravos da injustiça, da mentira e do ódio, dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Nas palmas das Suas mãos trespassadas pelos cravos está escrito o nome dos que, com Ele, continuam a ser crucificados.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus promete o seu Reino ao bom ladrão
O bom ladrão, certamente, tinha matado, possivelmente mais de uma vez, e de Jesus nada sabia, a não ser aquilo que escutou gritar pela multidão. Um sentimento de solidariedade e um grito de ajuda bastaram para salvá-lo. Aquele ladrão representa todos nós. A sua rápida aventura nos ensina que o Reino pregado por Jesus não é difícil de alcançar para os que o invocam.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus na Cruz, a Mãe e o Discípulo
Maria está de pé junto à Cruz; o discípulo mais jovem está ao teu lado. Agora oferece o teu Filho ao mundo e recebes o discípulo que Ele amava. Daquele instante, João te acolhe na morada do coração e na sua vida, e a força do Amor nele se difunde. Ele é agora, na Igreja, a testemunha da luz e com o seu Evangelho revela o Amor do Salvador.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus morre na Cruz
Sofre com o tormento de sua Mãe, escolhida para dar à vida um Filho que verá morrer. No entanto Jesus, no amor e na obediência, aceita o projeto do Pai. Sabe que sem o dom da Sua vida a nossa morte seria sem esperança; as trevas do desespero não se transformariam em luz; a dor não resultaria na consolação, na esperança da eternidade.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é colocado no sepulcro
Após o terrível trovão no instante da morte, o grande silêncio. O Filho de Deus desce à mansão dos mortos para resgatar aqueles que a morte retém. A Sua luz transtorna as trevas do Inferno. A terra treme e os sepulcros se abrem. Jesus vem para libertar os justos e devolvê-los à luz da ressurreição.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

Oração Final
Eu te suplico Senhor, que me concedas, por intercessão de tua Mãe a Virgem Maria, que cada vez que medite tua Paixão, fique gravado em mim com marca de atualidade constante, o que Tu fizeste por mim e teus constantes benefícios. Faz Senhor, que me acompanhe, durante toda minha vida, um agradecimento imenso a tua Bondade. Amém.

Canção Nova / Da redação

A corrupção é pior que o pecado

O corrupto se cansa de pedir perdão e por isso precisa ser curado
http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/noticias/papa-francisco-a-corrupcao-e-pior-que-o-pecado-656001

A corrupção é o mato da nossa época, que se alimenta de aparência e aceitação social, cresce como medida da ação moral e pode consumir a partir de dentro, em uma atitude de “mundanidade espiritual”, quando não “esclerose do coração”, até mesmo na própria Igreja. E se para o pecado existe perdão, para a corrupção, não. Por isso, a corrupção precisa ser curada.

Esta é a crítica mordaz e impiedosa que emerge de algumas páginas escritas em 2005 por Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, cujo texto foi agora publicado em um livro, “A cura da corrupção”, publicado pela primeira vez em italiano (Editora Missionária Italiana).

Pecado e corrupção

Em seu afresco de cores fortes, Bergoglio explica desde o início que a corrupção está intimamente ligada ao pecado, mas é diferente dele. Na verdade, a corrupção é “não um ato, mas um estado, um estado pessoal e social no qual a pessoa se acostuma a viver”, por meio de hábitos que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar.

Bergoglio resume as principais características desta praga:

1) Imanência. A corrupção tende a gerar uma “verdadeira cultura, com capacidade doutrinal, linguagem própria, jeito próprio de agir”, tornando-se uma “cultura de subtração”. O caminho que levou do pecado à corrupção é um processo de substituição de Deus pelas próprias forças. A gênese pode ser atribuída a um “cansaço da transcendência: frente a um Deus que não se cansa de perdoar, o corrupto se levanta como autossuficiente na expressão de sua salvação: está cansado de pedir perdão”.

2) Boas maneiras. Esta autossuficiência humana, que reflete a atitude do coração com relação a um tesouro que o seduz, tranquiliza e engana, é uma transcendência frívola. Na corrupção, de fato, prevalece uma espécie de imprudência modesta; cria-se um culto às boas maneiras para encobrir os maus hábitos. O corrupto é um acrobata da delicadeza, campeão das boas maneiras. Enquanto “o pecador, reconhecido como tal, de alguma forma, admite a falsidade do tesouro ao qual aderiu ou adere, o corrupto, no entanto, submeteu seu vício a um curso intensivo de boas maneiras”.

3) Medida moral. “O corrupto – escreve Bergoglio – sempre tem necessidade de se comparar com aqueles que parecem ser coerentes em suas vidas (mesmo quando se trata da coerência do publicado que se confessa pecador).” Uma de suas características é a forma como se justifica, apresentando as suas boas maneiras como opostas a situações de pecado extremo ou fruto de caricatura, e assim se levanta para julgar os outros, tornando-se medida de comportamento moral.

4) Triunfalismo. “O triunfalismo é o terreno ideal para o comportamento corrupto.” A este respeito, o teólogo Henri de Lubac fala da ambição e da frivolidade que podem esconder-se na “mundanidade espiritual”, a tentação mais perversa, que concebe como ideal moral o homem e seu aperfeiçoamento, e não a glória de Deus. Segundo Bergoglio, a mundanidade espiritual “nada mais é do que a vitória daqueles que confiam no triunfalismo da capacidade humana; o humanismo pagão adaptado ao bom senso cristão”.

5) Cumplicidade. “O corrupto não conhece a fraternidade ou a amizade, mas só a cumplicidade”; tende a arrastar todos à sua própria medida moral. Os outros são cúmplices ou inimigos. “A corrupção é o proselitista. Ela se disfarça de comportamento socialmente aceitável”, como Pilatos, “que faz de conta que o problema não lhe diz respeito, e por isso lava as mãos, mesmo que no fundo seja para defender a sua zona corrupta de adesão ao poder a qualquer preço”.

A corrupção do religioso

Bergoglio faz, então, uma análise muito lúcida do estado de corrupção cotidiana que lentamente faz a vida religiosa encalhar. É uma espécie de paralisia que ocorre quando uma alma se adapta a viver tranquilamente em paz.

No início, existe “o medo de que Deus nos conduza a caminhos que não podemos controlar”. Mas ao fazer isso, explica Bergoglio, “os horizontes se encolhem à medida da própria desolação ou quietismo. A pessoa teme a ilusão e prefere o realismo do menos à promessa do mais”. Aqui se esconde o perigo, porque, “na preferência pelo menos, que parece mais realista, já existe um processo sutil de corrupção: começa a mediocridade e a tibieza (duas formas de corrupção espiritual)”, um caminho inclinado que leva ao desânimo da alma e a uma lenta, mas definitiva esclerose do coração.

É por isso que a alma se apega a todos os produtos que o supermercado do consumismo religioso lhe oferece, tendendo talvez a interpretar a vida consagrada como uma realização imanente de sua personalidade, buscando a realização profissional ao se deliciar com a estima alheia, ou se dedicando a uma intensa vida social. Daí o convite do então arcebispo de Buenos Aires: “A nossa indigência deve se esforçar um pouco para abrir espaço à transcendência”, porque “o Senhor nunca se cansa de chamar: não tenha medo. Não ter medo de quê? Não ter medo da esperança, porque a esperança não decepciona”.

“Eu não dou conta”

Vitória é o que Deus quer celebrar na nossa vida

Vida cristã é muito mais que prazer. Experiência de Deus é você não mais saber quem você é, mas recordar quem é Jesus em você. Há tantos de nós intoxicados pela vida, pela palavra do outro. Quantas vezes você não fez a experiência de chegar a um lugar e adoecer?

A grande artimanha do diabo é minar nossa saúde espiritual, colocar desânimo na nossa vida de oração. Há pessoas que se amarguram por não ter dado conta da vida inteira, mas não fizeram sua parte no milagre.

Se nós tivéssemos a possibilidade de analisar nosso espírito hoje, ainda veríamos que permanecemos tão secos e paralisados nos nossos medos. Quer dar força ao inimigo? Tenha medo. O seu medo o faz entregar-se a ele. Muitas vezes, o mar da vida nos torna vítimas. Quantas pessoas são vítimas daqueles que estão ao lado delas! Coração que não faz a experiência de se mergulhar no Espírito Santo sempre será vítima do inimigo.

“Eu não dou conta”. Para essa frase não precisa de esforço; e cada vez que dizemos isso, perdemos o movimento das águas e a chance de atravessar o mar. Tornamo-nos vítimas, porque perdemos a chance de dizer: “eu não aceito”. Tenha a coragem de dizer: “Esse mar não mais irá me afogar”.

O que faz um homem ser de fé é a resposta que dá diante da insegurança – isso é Cristianismo. Não é uma postura angelical, é uma forma de se tornar guerreiro, soldado. Coragem! Vitória é o que Deus quer celebrar na nossa vida por meio da fé.

Quando você tiver a coragem de colocar o pé na água, você já poderá sorrir, porque seu inimigo tem os “pés de barro” e, nas águas do Espírito Santo, ele irá se afogar. A única forma de você vencer o mal é colocar os pés onde ele não pode estar.

Padre Fábio de Melo

É saudade de Deus, sua alma está com saudade de Deus!

Por Padre Luizinho

Nestes dias vivi uma experiência de rezar com meus sentimentos. Estava um pouco mais recolhido, silencioso, quem olhasse de fora talvez pensasse “ele esta triste!” Havia um vazio e uma saudade, comecei a perguntar-me quais os motivos para tais sentimentos e continuei rezando, trabalhando, fazendo as coisas do dia a dia. No final do dia, no banho clamando a água Viva do Espírito de Deus, senti forte no meu coração: É saudade de Deus, sua alma está com saudade de Deus!

Então desci para capela, chamei outros irmãos que estavam em casa e expus o Santíssimo. Começamos a rezar e entregar tudo que estávamos sentindo a Jesus, rendendo nossa mente, inteligência, vontade e sentimentos a Jesus o Senhor e falando de nossas verdades. Ele nos acolheu como estávamos e depois de cantarmos um canto de adoração silenciamos e Ele nos falou com esta passagem bíblica: “Este é o mandamento, estas são as leis e os decretos que o SENHOR, vosso Deus, ordenou que eu vos ensinasse, para que os observeis na terra em que ides entrar para dela tomar posse. Assim, temerás o SENHOR, teu Deus, observando durante toda a vida todas as suas leis e mandamentos que te prescrevo a ti, a teus filhos e netos, a fim de que se prolonguem teus dias. E tu, Israel, ouve e cuida de os pôr em prática, para seres feliz e te multiplicares sempre mais, na terra onde corre leite e mel, como te prometeu o SENHOR, o Deus de teus pais. Ouve, Israel! O SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.5.Amarás o SENHOR teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E trarás gravadas no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno” (cf. Deuteronômio 6, 1-6).

Assim como é tão importante aprender a “ler”, conhecer os sinais do nosso corpo precisamos igualmente e até melhor conhecer os sinais de nossa alma, os apelos do nosso coração que clama por Deus, por silêncio, por oração. Não sabendo nos falta a docilidade e procuramos infelizmente em tantas outras coisas saciar a saudade, à vontade e os sentimentos de maneiras completamente erradas e nunca vamos ser felizes. Hoje procuramos soluções em tudo, remédios, terapias, em pessoas, em coisas. Não sou contra nada disso, realmente precisamos de todo esse conjunto e às vezes o nosso ser que é um todo, corpo, alma e espírito esta pedindo Deus, silêncio, oração, paz interior. Colocar Deus no lugar que verdadeiramente Ele deve ocupar o centro de nossas vidas.

A oração é o sacrifício espiritual que aboliu os antigos sacrifícios. Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. Quem vos pediu estas coisas? (Is 1, 11). O Evangelho nos ensina o que pede o Senhor: Está chegando à hora, diz ele, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Deus é espírito (Jo 4, 23.24), e por isso procura tais adoradores. Nós somos verdadeiros adoradores e verdadeiros sacerdotes, quando, orando em espírito, oferecemos o sacrifício espiritual da oração, como oferenda digna e agradável a Deus, aquela que ele mesmo pediu e preparou.

Esta oferenda, apresentada de coração sincero, alimentada pela fé, preparada pela verdade, íntegra e inocente, casta e sem mancha, coroada pelo amor, é a que devemos levar ao altar de Deus, acompanhada pelo solene cortejo das boas obras, entre salmos e hinos; ela nos alcançará de Deus tudo o que pedimos. Que poderia Deus negar à oração que procede do espírito e da verdade, se foi ele mesmo que assim exigiu? Todos nós lemos, ouvimos e acreditamos como são grandes os testemunhos da sua eficácia!

Nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome; e, no entanto ainda não havia recebido de Cristo toda a sua eficácia. Quanto maior não será, portanto, a eficácia da oração cristã! Talvez não faça descer sobre as chamas o orvalho do Anjo, não feche à boca dos leões, não leve a refeição aos camponeses famintos, não impeça milagrosamente o sofrimento; mas vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, aumenta a graça aos que sofrem com fortaleza, para que vejam com os olhos da fé a recompensa do Senhor, reservada aos que sofrem pelo nome de Deus. Outrora a oração fazia vir às pragas, derrotava os exércitos inimigos, impedia a chuva necessária. Agora, porém, a oração autêntica afasta a ira de Deus, vela pelo bem dos inimigos e roga pelos perseguidores. Será para admirar que faça cair do céu as águas, se conseguiu que de lá descessem as línguas de fogo? Só a oração vence a Deus. Mas Cristo não quis que ela servisse para fazer mal algum; quis antes que toda a eficácia que lhe deu fosse apenas para servir o bem.

Conseqüentemente, ela não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas das prisões, romper os grilhões dos inocentes. Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, conduz os peregrinos, acalma as tempestades, detém os ladrões, dá alimento aos pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé.   Oram todos os anjos, ora toda criatura. Oram à sua maneira os animais domésticos e as feras, que dobramos joelhos. Saindo de seus estábulos ou de suas tocas, levantam os olhos para o céu e não abrem a boca em vão, fazendo vibrar o ar com seus gritos. Mesmo as aves quando levantam vôo, elevam-se para o céu e, em lugar de mãos, estendem as asas em forma de cruz, dizendo algo semelhante a uma prece. Que dizer ainda a respeito da oração? O próprio Senhor também orou; a ele honra e poder pelos séculos dos séculos.
Do Tratado sobre a oração, de Tertuliano, presbítero (Cap. 28-29: CCL 1,273-274)(Séc. III).  

Adoradores verdadeiros ao Pai adorarão em espírito e verdade; Pois são tais adoradores que o Pai quer e procura. Deus é Espírito e aqueles que o adoram, o adoram em espírito e em verdade. Pois são tais adoradores que o Pai quer e procura (cf. Jo 4).   Muitas pessoas por não adorar a Deus acabam por adorar pessoas, coisas.

Graças e louvores se deem a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

É bíblica a Missa?

Há muito tempo eu quis escrever sobre este tema. Resolvi escrever este texto devido o fato de alguns Protestantes Neopentecostais e Pentecostais afirmarem peremptoriamente que Jesus nunca mandara rezar Missa! Pasmem! Embasados no dogma do Sola Scriptura criado por Martinho Lutero no seu escrito “A Liberdade de um Cristão” de 1520, negam qualquer interpretação ou aplicação da Sagrada Escritura que não esteja nela mesma prevista. Aqui já há um problema de frente: A premissa Protestante Neopentecostal e Pentecostal para se negar a missa, parte do pressuposto dogma luterano que não está na Bíblia mas, em um escrito de Martinho Lutero. Mas, vamos fazer de conta que aceitamos o erro formal da premisssa protestante e vamos nos perguntar: a Missa é bíblica?

Levando adiante o pressuposto Protestante Neopentecostal e Pentecostal, nem o dito “culto” ali realizado o poderia ser, pois, Jesus ensinou apenas três formas de orar segundo a Sagrada Escritura: A primeira, pública, utilizando o Pai-Nosso (cf. Mt 6,9-13; Lc 11,2-4). O segundo modo que Jesus ensina orar é em particular, entrando para o quarto (metáfora para coração) e orando ao Pai como está em Mt 6,5-6. Há um terceiro modo que Jesus utiliza para orar: Ele toma o pão, abençoa, dá graças, reparte o pão e o entrega aos seus. A este modo particular a Igreja chamou Eucaristia “porque as palavras Eucharistein e Eulogein (Lc 22,19; 1Cor 11,24 e Mt 26,26; Mc 14,22 respectivamente) lembram as bênçãos judaicas que proclamam […] a criação, a redenção e a santificação” (Catecismo da Igreja Católica, doravante CIC, n. 1328). Os textos bíblicos nos evangelhos sinóticos que demonstram Jesus realizando Eucaristia são: Lc 24,30 (os discípulos de Emaús); Mc 6,41 que acrescenta: “elevou os olhos ao céu” (primeira multiplicação dos pães); Mc 8,6 (segunda multiplicação dos pães); Mc 14,22 (instituição da Eucaristia); Mt 14,19 (primeira multiplicação dos pães); Mt 26,26-29 (instituição da Eucaristia); Lc 22,14-20 (instituição da Eucaristia).

Este modo de orar foi ainda chamado de Ceia do Senhor “por se tratar da ceia que o Senhor fez com seus discípulos às vésperas de sua paixão” (CIC, n. 1329). Chama-se ainda “Assembléia Eucarística (gr. Synaxis) porque a Eucaristia é celebrada na Assembléia dos fiéis, expressão visível da Igreja” (CIC, n. 1329).

A Igreja ainda deu a este modo particular de orar, ensinado por Jesus, o nome de “Santo Sacrifício, Santo Sacrifício da Missa, Sacrifício de Louvor, Sacrifício espiritual, Sacrifício Puro e Santo, pois realiza e supera todos os sacrifícios da Antiga Aliança” (CIC, n. 1330).

Tem ainda, este modo próprio da Igreja orar o nome de Missa, pois, termina com o envio dos fiéis para a vida e a missão de anunciar o Cristo: “Ide…”, como Jesus no enviou a todos, somos por ele enviados ao término daquela ação litúrgica.

Sem me deter mormente no Sacramento Augustíssimo da Eucaristia que por si mesmo já pede outro texto, irei expor ainda que suscintamente a estrutura da Missa, Eucaristia, Ceia do Senhor… Antes, porém, devo responder a uma objeção que se impõe: Se não há na Bíblia mandato explícito para se celebrar a Missa, porque a Igreja o faz? Ela desobedece a Sagrada Escritura?

1. Há o mandato explícito de Jesus para os Apóstolos: “Fazei isto em minha memória”. (Lc 22,19; 1Cor 11,24). Tal mandato de Jesus não é para que se lembre, somente. Se assim o fosse, não teria São Paulo escrito: “Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Cor 11,26). E ainda, se tal celebração fosse apenas para lembrar o que Jesus fez um dia, sem nenhum sentido sacramental, salvífico, São Paulo também não teria escrito: “Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação.” (1Cor 11,27-28). Ora, se o cálice que tomamos e o pão que partimos fossem meros vinho e pão não teríamos com o que nos preocupar, pois, um pão pode nos condenar? Uma alface pode nos tornar réus do Corpo do Senhor? O arroz que você come precisa ser comido somente depois de ter sido discernido? O suco de uva que você bebe só o poderá ser bebido se você estiver digno para tal? Um condenado à morte não come e bebe como o mais santo dos homens e, no entanto, a comida nada lhe acrescenta ou lhe tira. Se a Eucaristia fosse uma simples lembrança e o pão e o vinho, corpo e sangue do Senhor, meros enfeites e símbolos, então esta página da Sagrada Escritura seria inútil e São Paulo um desentendido das coisas do Senhor e, portanto, indigno de qualquer crédito (cf. 1Cor 11,23).

2. A Igreja obedece o que a Tradição e a Sagrada Escritura afirmam, pois, uma complementa a outra.
(ops, já vejo um Pentecostal ou Neopentecostal gritar: Mas a Tradição é coisa de homens e não se pode aceitar doutrinas humanas… blá… blá… blá… Cale-se, irmão. É humana a doutrina de Lutero da Sola Scriptura e você a segue sem questionar! Use outro argumento.) Do Catecismo da Igreja Católica, n. 1345

Desde o século II temos o testemunho de S. Justino Mártir sobre as grandes linhas do desenrolar da Celebração Eucarística, que permaneceram as mesmas até os nossos dias para todas as grandes famílias litúrgicas. Assim escreve, pelo ano de 155, para explicar ao imperador pagão Antonino Pio (138-161) o que os cristãos fazem:

“No dia ‘do Sol’, como é chamado, reúnem-se num mesmo lugar os habitantes, quer das cidades, quer dos campos. Lêem-se, na medida em que o tempo o permite, ora os comentários dos Apóstolos, ora os escritos dos Profetas. Depois, quando o leitor terminou, o que preside toma a palavra para aconselhar e exortar à imitação de tão sublimes ensinamentos. A seguir, pomo-nos todos de pé e elevamos nossas preces  por nós mesmos (…) e por todos os outros, onde quer que estejam, a fim de sermos de fato justos por nossa vida e por nossas ações, e fiéis aos mandamentos, para assim obtermos a salvação eterna. Quando as orações terminaram, saudamo-nos uns aos outros com um ósculo. Em seguida, leva-se àquele que preside aos irmãos pão e um cálice de água e de vinho misturados. Ele os toma e faz subir louvor e glória ao Pai do universo, no nome do Filho e do Espírito Santo e rende graças (em grego: eucharístia, que significa ‘ação de graças’) longamente pelo fato de termos sido julgados dignos destes dons. Terminadas as orações e as ações de graças, todo o povo presente prorrompe numa aclamação dizendo: Amém. Depois de o presidente ter feito a ação de graças e o povo ter respondido, os que entre nós se chamam diáconos distribuem a todos os que estão presentes pão, vinho e água ‘eucaristizados’ e levam (também) aos ausentes”

A seguir, reproduzo quase que textualmente o Cap. I do Livro “O Banquete do Cordeiro. A missa segundo um convertido” de Scott Hahn, professor de teologia e de Escritura na Universidade Franciscana em Steubenville. Neste capítulo, o ex-pastor comenta como foi se convertendo paulatinamente à fé católica justamente indo à missa:

Ao estudar os escritos dos primeiros cristãos, Scott, encontra inúmeras referencias à “liturgia”, à “Eucaristia”, ao “sacrifício”. Foi então a santa missa (logicamente incognito, visto que era um ministro protestante, calvinista), como um execício academico. Como calvinista, foi instruído para acreditar que a missa era o maior sacrilégio que alguém poderia cometer. Pois para eles a missa era um ritual com o propósito de “sacrificar Jesus Cristo outra vez”. Entretando a medida que a missa prosseguia, alguma coisa o tocava. A Bíblia estava diante dele! Nas palavras da missa! Isaías, Salmos, Paulo… Não obstante, manteve sua posição de espectador, à parte, até que ouve o sacerdote pronunciar as palavras da consagração: “Isto é o meu corpo… Este é o cálice do meu sangue”.

Então sentiu todas as suas dúvidas se esvairem. Quando viu o sacerdote elevar a hóstia, percebeu que uma prece subia do seu coração em um sussurro: “Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!” Como não foi maior sua emoção ao ouvir toda a igreja orar: “Cordeiro de Deus… Cordeiro de Deus… Cordeiro de Deus” e o sacerdote dizer: “Eis o Cordeiro de Deus…”, enquanto elevava a hóstia. Em menos de 1 minuto a frase “Cordeiro de Deus” ressoou 4 vezes. Graças a longos anos de estudo bíblicos, percebeu imediatamente onde estava. Estava no livro do Apocalípse, no qual Jesus é chamado de Cordeiro nada menos que 28 vezes em 22 capítulos. Estava na festa de núpcias que João descreve no final do último livro da Bíblia. Estava diante do trono do céu, onde Jesus é saudado para sempre como o Cordeiro. Entretanto, não estava preparado para isso – Ele estava na MISSA!

Scott volta à missa por 2 semanas, e a cada dia “descobria” mais passagens das Escrituras consumadas diante de seus olhos. Contudo, naquela capela , nenhum livro lhe era tão visível quanto o da revelação de Jesus Cristo, o Apocalípse, que descreve a adoração dos anjos e santos de céu. Como no livro, ele vê naquela capela, sacerdotes paramentados, um altar, uma assembléia que entoava: “Santo, Santo, Santo”. Viu a fumaça do incenso, ouviu a invocação de anjos e santos… ele mesmo entoava os aleluias, porque se sentia cada vez mais atraído a essa adoração.

A cada dia se desconcertava mais, e não sabia se voltava para o livro ou para a ação no altar, que pareciam cada vez mais ser exatamente a mesma! Mergulhou nos estudos do cristianismo antigo e descobriu que os primeiros bispos, os Padres da Igreja, tinham feito a mesma descoberta que ele fazia a cada manhã. Eles consideravam o livro de Apocalípse a chave da liturgia e a liturgia a chave do livro do Apocalípse. Scott começava descobrir que o livro que ele mais achava desconcertante, agora elucidava as idéias mais fundamentais de sua fé: A idéia da aliança como elo sagrado da família de Deus.

Além disso, a ação que ele considerava a maior das blasfêmias – a missa – agora se revelava como a celebração litúrgica do acontecimento que ratificou a aliança de Deus: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna alinça”. Scott estava aturdido, pois durante anos tentou compreender esse livro como uma espécie de mensagem codificada a respeito do fim do mundo, a respeito do culto no céu distante, algo que os cristãos não poderiam experimentar aqui na terra! Agora , queria gritar a todos dentro daquela capela durante a liturgia: “Ei, pessoal.Quero lhes mostrar onde vocês estão no livro do Apcalípse! Consultem o cap.4, vers. 8… Isso mesmo! Agora mesmo vocês estão no céu!!!

Os padres da igreja mostraram que essa descoberta nao era de Scott! Pregaram a respeito há mais de mil anos. Scott, no entanto, estava convencido de que merecia o crédito pela redescoberta da relação entre missa e o livro do Apocalípse! Então, para sua surpresa, descobre que o Concílio Vaticano II o tinha passado para trás! Reflitam nestas palavras da Constituição sobre a Sagrada Liturgia: “Na liturgia terrena, antegozando, participamos da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos. Lá, Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro; com toda milícia do exército celestial entoamos um hino de Glória ao Senhor e, venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo até que ele, nossa vida, se manifeste e nós apareçamos com Ele na glória”

Espere um pouco.Isso é céu. Não, isso é missa. Não, é o livro do Apocalípse. Espere um pouco: Isso é tudo o que está acima! Scott, se acalma, para não ir rápido demais, para evitar os perigos aos quais os convertidos são susceptíveis! Pois, ele estava rapidamente se convertendo à fé católica! Contudo, essa descoberta não era produto de uma imaginação superexcitada; era o ensinamento solene de uma “Concílio da Igreja Católica”.

Com o tempo, Scott descobre que essa era também a conclusão inevitável dos estudiosos protestantes mais rigorosos e honestos. Um deles, Leonard Thompson, escreveu que “até mesmo uma leitura superficial do livro de Apocalípse mostra a presença da linguagem litúrgica disposta em forma de culto…”. Basta as imagens da liturgia para tornar esse extraordinário livro compreensível. As figuras litúrgicas são essenciais para sua mensagem, escreve Thompson, e revelam “algo mais que visões de ‘coisas que estão por vir'”.

O livro do Apocalipse tratava de Alguém que estava por vir. Tratava de Jesus Cristo e sua “segunda vinda”, a forma como, em geral, os cristãos traduziram a palavra grega parousia. Depois de passar horas e horas naquela capela, Scott aprende que aquele Alguém era o mesmo Jesus Cristo que o sacerdote católico erguia na hóstia. Se os cristãos primitivos estavam certos, ele sabia que, naquele exato momento, o céu tocava a terra: “Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”

Ainda assim, restavam muitas perguntas sérias na mente e no coração de Scott: Quanto à natureza do sacrifício. Quanto aos fundamentos bíblicos da missa. Quanto a continuidade da tradição católica. Quanto a muitos dos pequenos detalhes do culto litúrgico. Essas perguntas definiram suas investigações nos meses que levaram a sua admissão na Igreja Católica. Em certo sentido, elas continuam a definir seu trabalho de hoje.

“Porém, agora ele não faz mais perguntas como acusador ou curioso, mas como filho que se aproxima do pai, pedindo o impossível, pedindo para segurar na palma da mão uma estrela luminosa e distante.” Scott não crê que Nosso Pai nos recuse a sabedoria que buscamos a respeito de sua missa. Ela é afinal de contas, o acontecimento no qual ele confirma sua aliança conosco e nos faz seus filhos. Este livro é mais ou menos o que Scott descobriu enquanto investigava as riquezas de “nossa tradição católica”.

Nossa herança inclui toda a Bíblia, o testemunho ininterrupto da Tradição, os constantes ensinamentos dos santos e do Sagrado Magistério, a pesquisa dos teólogos e estudiosos. Na missa , você e eu temos o céu na terra. As provas são prodigiosas. A experiencia é uma revelação!

 

AS PARTES DA MISSA 

Continuando a exposição para responder à pergunta: “É bíblica a missa?” vamos ao rito da Missa parte por parte para ver se há algo de bíblico nele. Isto aqui já é por si mesmo desnecessário por tudo quanto se disse anteriormente na I Parte, mas, para alimentar a espiritualidade católica e a curiosidade dos nossos leitores, vamos ao rito da missa. Farei uma terceira parte sobre o rito e a ritualidade litúrgica na Igreja.

1. Procissão e cântico de entrada. Lembra o caminhar do povo no deserto rumo à terra prometida. Enquanto estamos nesta terra, peregrinamos todos rumo àquela terra prometida por Jesus, o céu: “Vou preparar-vos um lugar e quando eu meu for e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais também vós” (Jo 14,2-3). Ademais, sempre foi costume do povo de Deus caminhar, peregrinar aos Santuários e ao Templo de Jerusalém conforme encontramos nos salmos das subidas (Sl 120 a 134). Quando se inicia a Santa Missa e têm-se início a procissão de entrada, está nos lábios dos fiéis: “Que alegria quando ouvi que me disseram: vamos à casa do Senhor. E agora nossos pés já se detém, Jerusalém, em tuas portas” (Sl 122,1-2). A missa, portanto, é um peregrinar ao coração do mistério. Não é um caminhar sem sentido, às escuras ou perdido por 40 anos em um deserto escaldante. É um caminhar à luz da fé e para a luz da Vida: “Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou” (cf. CIC, n. 732).

2. O sinal da Cruz e a saudação inicial. A ação litúrgica começa em nome da Santíssima Trindade. A liturgia é obra da Santíssima Trindade! Nada se faz na Igreja sem a ação de Deus. A Assembléia é reunida no amor de Cristo pela ação do Espírito Santo para prestar o eterno culto de louvor ao Pai: “O cântico de louvor, que ressoa eternamente nas moradas celestes, e que Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, introduziu nesta terra de exílio, foi sempre repetido pela Igreja, durante tantos séculos, constante e fielmente, na maravilhosa variedade das suas formas” (Laudis Canticum, Paulo VI, PP.). Tal cântico de Louvor é a Liturgia da Igreja em sua “maravilhosa variedade de formas”. Quem presta o culto a Deus é uma comunidade cultual e não apenas um indivíduo. Desde o Antigo Testamento, as Assembléias de culto ali descritas, sobretudo no Deuteronômio e Crônicas, evocam a proximidade de Deus com seu povo e a sua convocação para o culto em sua presença: QHL-IHWH (Qahal-Iahweh) (cf. Dt 4,10; 9,10; 18,16). Reunida pela primeira vez no Sinai por Deus, a comunidade cultual hebréia se tornou, em Cristo, a nova Jerusalém (cf. Ap 21, 1-8). A tradução dos LXX em Alexandria faz passar QHL-IHWH (Qahal-Iahweh) no hebraico à EKKLESIA, Igreja, no grego, com o mesmo sentido. Por isso a Assembléia reunida para a Eucaristia responde: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”. A saudação inicial é sempre tirada de uma das cartas de São Paulo, como esta, por exemplo: “O Deus da esperança vos cumula de todo gozo e paz em vossa fé, até transbordar de esperança pela força do Espírito Santo” (cf. Rm 15, 13).

3. O Ato Penitencial ou exame de consciência. É o momento no qual toda a Assembléia convocada pede ao Senhor a purificação do coração para celebrar dignamente aqueles santos mistérios. Reconhecendo a própria indignidade e a absoluta transcendência de Deus, todo o povo ali reunido invoca o Senhor em sua Misericórdia e perdão. É o cumprimento do preceito de São Paulo em 1Cor 11,28.

4. O Glória. Neste Hino composto pela Igreja exalta-se a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. É entoado nas festas e solenidades. É entoado por todo o povo. Não é, como muitos pensam, uma expressão de alegria pelo perdão recebido no exame de consciência. Mas, é a exaltação de Cristo por aquilo mesmo que Ele é: Senhor (cf. Fl 2,11), Cordeiro (cf. Jo 1,36), Filho de Deus Pai (cf. Mc 1,11). Aqui vale uma nota importante: O Glória não pode ser substituído por um hino de louvor qualquer que não corresponda à natureza mesma deste Hino Católico.

5. A Palavra. Depois todos ouvimos as leituras do Antigo Testamento, dos Apóstolos, o Evangelho e a homilia de quem preside. De fato, desde Justino Mártir (supra citado) e a Traditio Apostólica de Hipólito de Roma (séc. III) que esta ordem não muda. Aliás, muito antes deles. Nas Assembléias litúrgicas dos Atos dos Apóstolos já era comum o ouvir juntos a Palavra, a comunhão fraterna dos alimentos (partilha), a eucaristia (fração do pão) e as orações (cf. At 2,42).

6. A profissão de fé. Aqui caberia um texto somente sobre o Credo. Tendo sido composto a partir da Sagrada Escritura todo ele é uma afirmação, uma proclamação da nossa fé. É dividido em 3 partes: Afirma-se a fé na Trindade Santa: Pai, Filho e Espírito Santo; afirma-se crer a Igreja como obra da Santíssima Trindade e, por fim, afirma-se a fé escatológica da Igreja: a ressurreição e a vida eterna. Sobre o Credo, uma exposição mais detalhada se encontra aqui: Link.

7. As preces. São orações compostas pela Igreja, pelas necessidades da Igreja e do mundo que são elevadas a Deus. De fato, são importantes porque expressam a confiança filio-paternal na Divina Providência como ensina At 2,42.

8. As oferendas: pão e vinho e a Oração Eucarística. Usamos pão e vinho porque Jesus mandou que se o fizesse em sua Memória (como explicado anteriormente). A respeito da Oração Eucarística, vou transportar um breve texto sobre a Oração Eucarística II que possui a seguinte estrutura:

[ROCCHETTA, Carlo. Os sacramentos da fé. Ensaio de teologia bíblica sobre os sacramentos como “maravilhas da salvação” no tempo da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1991. pg. 317-320]

A segunda prece eucarística

Esta prece se distingue por sua brevidade e simplicidade. Ela foi composta levando em conta antigo formulário constante da “Traditio Apostólica”, de santo Hipólito romano, que remonta aproximadamente ao ano de 215. Quanto ao conteúdo, destaca-se pelo relevo que dá ao mistério de Cristo. Tem prefácio próprio, que pertence ao corpo geral, mas que pode ser substituído por outros em consonância com o ano litúrgico.

a) Ação de graças

Introduzido pelo diálogo celebrante-comunidade, o prefácio é verdadeira ação de graças pelas “maravilhas da salvação” realizadas pelo Pai com o envio do Filho, “feito homem por obra do Espírito Santo”, de cujo sangue brotou o novo povo de Deus, que, a uma só voz, pode agora proclamar a infinita santidade de Deus. Depois de afirmar o dever de “dar graças sempre e em toda parte” ao Pai por Jesus Cristo, Filho do seu amor, recorda em uma só visão tanto a “maravilha” da criação como a “maravilha” da redenção: “Por meio dele, tua Palavra viva, criaste todas as coisas e o enviaste a nós, Salvador e Redentor, feito homem por obra do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria”.

Cristo é o centro do culto cristão, pois é, ao mesmo tempo, o centro da criação e da redenção, já que tudo foi feito por meio dele, nele e em função dele e tudo foi reconciliado no seu sangue (cf. CI 1,13-20). O prefácio continua, destacando que a encarnação do verbo alcança seu cumprimento no mistério de sua páscoa, da qual, como de uma fonte, deriva todo o mistério da Igreja: “Para cumprir a tua vontade e adquirir para ti um povo santo, ele estendeu os braços na cruz e, morrendo, destruiu a morte e proclamou a ressurreição”. Desse modo, “a aquisição de um povo consagrado, e a paixão, na qual o crucificado estende os braços na cruz como para abençoar e abraçar o universo: assim ele anuncia a morte e manifesta a ressurreição. A concisão dessa descrição une a morte e  a ressurreição de Cristo em um só ato, libertador e vitorioso”. Essa evocação conclui com o louvor à santidade e à grandeza de Deus, de cuja glória o céu e a terra estão cheios.

b) Passagem e epiclese sobre as oferendas

A fórmula de passagem, “Pai verdadeiramente Santo, fonte de toda santidade”, retorna a idéia da santidade de Deus, mas a desenvolve, destacando que toda santidade e santificação deriva do Pai. Assim, estamos em cheio no âmbito das “maravilhas de Deus”, pois a santidade é uma delas. Dessa convicção de fé nasce a epiclese (ou invocação )do Espírito. Com efeito, se Deus Pai é a fonte de toda santidade, é perfeitamente lógico que ele seja invocado para a santificação e a consagração dos dons (pão e vinho). E o agente dessa obra é o Espírito Santo: “Santifica estes dons com a efusão do teu Espírito, para que se tornem para nós o corpo e o sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor”.

Assim, a santidade de Deus se transmite aos dons, por meio do envio da Pessoa do Espírito, que tem o poder de transformar o pão e o vinho no corpo e no sangue do Senhor. Com efeito, o Espírito de Deus é Espírito criador: assim como no princípio pairou sobre o cosmos para operar a primeira criação e assim como na plenitude dos tempos “pousou” sobre Maria para nela operar a criação da humanidade de Jesus, início da nova criação, agora ele é invocado sobre os dons do pão e do vinho para operar essa “maravilha” da nova criação e da graça que é a transubstanciação”: Aqui se mostra com grande evidência que a consagração, cerne da celebração eucarística, é obra das três pessoas divinas, da Santíssima Trindade, assim como a encarnação do Verbo, enviado pelo Pai e feito homem por intervenção do Espírito Santo.”

“A expressão ‘para nós’ não deve levar ao engano: ela não tem caráter subjetivo, como se significasse que o corpo e o sangue têm para nós valor simbólico; ela conserva todo o seu valor objetivo, como, aliás, sugere o verbo ‘tornar-se’, no sentido que atua concretamente a presença do corpo e do sangue de Cristo. A frase pretende sublinhar que o corpo e o sangue de Cristo tornam-se presentes em função de nossa participação sacramental. Não nos encontramos diante de espetáculo, mas de uma ação que nos empenha profundamente’’

c) Relato da instituição

‘’Entregando-se livremente à sua paixão, ele tomou o pão, deu graças, partiu-o, deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei, todos: este é o meu corpo, oferecido em sacrifício por vós”.

“Depois da ceia, do mesmo modo, tomou o cálice, deu graças, deu-o aos discípulos e disse: Tomai e bebei, todos: este é o cálice do meu sangue, para a nova e eterna aliança, derramado por vós e por todos pela remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim’’.

Quase de imprevisto, chega-se ao relato da instituição, mas a invocação do Espírito e a menção do corpo e do sangue de Cristo o haviam preparado. Trata-se da anamnese propriamente dita, que atualiza nos sinais o mistério da páscoa, e nos empenha a revivê-lo em toda a sua intensidade e em todas as suas conseqüências. A aliança é renovada na oblação de Cristo. A eucaristia é a nova shekinah, a morada de Deus entre os homens. Pode-se agora aceitar o convite de Cristo (‘’Tomai… comei… bebei…’’) e participar do seu banquete de salvação, pois a “maravilha”’da páscoa já foi atualizada sobre o altar. Naturalmente, trata-se de “maravilha sacramental” e, como tal, só é alcançada pelo altar da fé. Por isso, logo depois das palavras da consagração, o sacerdote acrescenta: ‘’Mistério da fé!’’, ao que o povo responde afirmando o conteúdo da eucaristia em consonância com o anúncio paulino de 1Cor 11,26: morte, ressurreição, espera da parusia: “Anunciamos a tua morte, Senhor, e proclamamos a tua ressurreição, à espera da tua vinda”.

d) Memória e oferenda

“Celebrando o memorial da morte e ressurreição do teu filho, te oferecemos, ó Pai, o Pão da vida e o cálice da salvação e te damos graças por nos teres admitido em tua presença para o cumprimento do serviço sacerdotal”.

Depois de ter afirmado que tudo o que se realizou é a “memória” do mistério pascal de Cristo, o celebrante, juntamente com toda a comunidade, oferece ao Pai o “pão da vida” e o cálice da salvação” como “ação de graças” pelo que Jesus realizou por nós com sua páscoa. E, assim, retorna o tema da berakah, a “ação de graças”, que perpassa toda a celebração eucarística e agora acompanha o gesto da oferenda.

e) Epiclese sobre os comungantes

“Suplicamos-te humildemente: que o Espírito Santo nos reúna em um só corpo para a comunhão no corpo e no sangue de Cristo”.

Agora, com estilo simples e conciso, invoca-se segunda vez o Espírito Santo para que os que participam da comunhão com o corpo e o sangue de Cristo sejam reunidos, com a graça do Espírito, ”em um só corpo”. Como participação no próprio corpo e sangue de Cristo, a eucaristia é sinal e fonte de unidade eclesial, a qual, porém, não pode ser obtido sem a obra do Espírito Santo, que é vínculo e selo de unidade, porque é Espírito de Cristo e princípio de vida e caridade. A imagem do corpo aplicada à igreja – note-se o duplo sentido correlato da palavra “corpo” – deriva da epístola aos Romanos: ”Nós somos muitos e formamos um só corpo em Cristo, sendo membros uns dos outros” (Rm12, 5).

f) As intercessões

Depois da epiclese, as intercessões, para que os frutos do sacrifício de Cristo, morto pela salvação de todos, derramem-se sobre a Igreja, sobre o mundo inteiro e sobre os falecidos. pede-se igualmente por “todoss nós”, para que possamos ser partícipes da Igreja dos santos, que já canta, na bem–aventurança, a glória do Pai, por meio do Filho, no Espírito. E é precisamente com essa doxologia que se conclui a prece eucarística: “Por Cristo,com Cristo e em Cristo, a ti, Deus Pai onipotente, na unidade do Espírito Santo, toda honra e glória pelos séculos dos séculos”.

Ao que se segue o amém dos fiéis, expressando sua adesão de fé ao mistério da salvação, atualizado sobre o altar e repercutindo agora em toda a Igreja e pela eternidade.

9. O Pai-Nosso. Depois de termos sido inebriados do Espírito de Cristo pela epiclese (invocação) do sacerdote, agora como filhos adotivos rezamos ao Pai como Jesus ensinou aos seus discípulos. Por fim, O sacerdote pede que sejamos livres dos males, pela paz na Igreja e no mundo e conclui-se o embolismo com a proclamação cristológica: “Porque vosso é o reino, o poder e a glória…”

10. Cordeiro de Deus. Antes de nos aproximarmos da comunhão, rezamos ou cantamos “Cordeiro de Deus… tende piedade de nós” como João Batista, como o cego Bartimeu… não nos podemos aproximar do Deus justo e santo sem que ele mesmo nos convide por sua misericórdia e sem que nos purifique de nossa cegueira. Ele, o Filho de Davi, há de ter piedade de seu povo para aceitá-lo à sua mesa. Neste momento o pão eucarístico é partido e assim, significa o Sacrifício Pascal de Cristo nos foi entregue.

11. O ato de comungar. Recebemos pão e vinho, corpo e sangue de Cristo. Sobre a Eucaristia farei um texto a parte para não delongar muito. Aqui basta dizer que o pão abençoado, eucaristizado, transubstanciado, sobre o qual foi dado graças e partido é agora distribuído como fora a ordem de Jesus: “tomai todos e comei…”, “tomai todos e bebei…”.

12. “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe”. Aqui começa a segunda missa. Aquela que devemos viver no nosso cotidiano. Aquele evangelho ouvido, aquele Corpo e Sangue comungados, devem ser agora, vida na nossa vida.

 

A RITUALIDADE E A LITURGIA

Concluindo neste excerto o tema “É bíblica a missa?” trato do tema da ritualidade litúrgica. Posto aqui um pequeno texto de um artigo que escrevi e que já postei neste mesmo blog. A despeito da acusação Protestante Pentecostal e Neopentecostal de que o rito é tão-somente a caracterização das vãs repetições condenadas por Jesus (cf. Mt 6,7), reitero: se assim o fosse Jesus não teria usado ele mesmo o rito pascal para a ceia que celebrou com os Apóstolos (uma vez que ele celebrara com os apóstolos a ceia pascal conforme o rito judaico!); os evangelhos sinóticos e São Paulo não reportariam a eucaristia como um rito tal qual ali se encontra (como exaustivamente explorado na Parte I) e, por fim, Jesus não teria ensinado uma oração, o Pai-Nosso, para ser repetida pelos seus.

O que é o rito?

Muitos há que acham a Santa Missa, por exemplo, tediosa. Um poema de Adélia Prado intitulado “Missa das 10” nos dá uma idéia:

Frei Jácomo prega e ninguém entende. Mas fala com piedade, para ele mesmo e tem mania de orar pelos paroquianos. As mulheres que depois vão aos clubes, os moços ricos de costumes piedosos, os homens que prevaricam um pouco em seus negócios gostam todos de assistir a missa de frei Jácomo, povoada de exemplos, de vida de santos, da certeza marota de que ao final de tudo urna confissão “in extremis” garantirá o paraíso. Ninguém vê o Cordeiro degolado na mesa, o sangue sobre as toalhas, seu lancinante grito, ninguém. Nem frei Jácomo.

Ao nos depararmos com a beleza dos ritos na Liturgia, seu fulcro exatamente transcendente e ao mesmo tempo imanente vai aos pouquinhos nos separar de uma participação morna na missa do Frei Jácomo. Nossas liturgias deveriam resplandecer de nobre simplicidade, como nos recomenda a Sacrossanctum Concilium n. 34. De tal modo deveríamos viver a ritualidade litúrgica que ela tudo impregnaria de eternidade e de beleza. O Padre Valeriano Santos Costa assim afirma:

Quem participa de um rito litúrgico entra numa outra categoria de tempo e espaço. O tempo cronológico significa dissolução e cansaço no encadeamento das horas, dias, meses e anos: o envelhecimento. […] No rito, a ordem do espaço […] se altera, transformando a idéia de limite, barreira, divisão, prisão em aconchego, proteção, libertação, plenitude. [COSTA, V. S. Viver a ritualidade litúrgica como momento histórico da salvação. Participação litúrgica segundo a Sacrossanctum Concilium.São Paulo: Paulinas, 2005. pg. 46-47 (Col Viver a fé)]

Vivenciar os ritos é, portanto, de importância capital para perceber a beleza da Liturgia que faz do cronos o Kairós, ou seja, do tempo cronológico o tempo/estado da Graça. O dado antropológico da liturgia nos diz que o homem serve-se de sinais sensíveis para exprimir o indizível. De fato, ao olharmos o aspecto aparente da liturgia podemos nos deparar com coisas muito simples como uma vela, uma toalha branca ou um crucifixo. Todavia, estes são pontes do efêmero para o eterno. A beleza do rito litúrgico deve começar de dentro, do coração humano e nos levar ao coração do Mistério. De fato, afirma Corbon: “reza-se como se vive e vive-se como se ama; tudo depende do lugar onde habitualmente nos centramos e em torno do qual tudo toma o seu sentido (…) o coração é o lugar da decisão, do sim ou não”. Sabendo que a Liturgia começa no coração, chamo nossa atenção para o outro lugar da manifestação da beleza, ou seja, para o “fazer” na Liturgia.

Aqui eu gostaria de tocar um pouco na nossa prática litúrgica. Nossas equipes de Liturgia nas Paróquias muitas vezes se transformam em ‘tarefeiros’ junto com o padre. Fazem muitas coisas, mas não as fazem bem. Nossos Ministros Extraodinários da Eucaristia permanecem numa odinária distração toda a missa. Os músicos esquecem-se do rito para procurar a folha de cântico. O calor faz a assembléia suar. O volume estridente do som faz todos sentirem o ouvido doer. As flores de plástico no presbitério, sujas de poeira, dão o tom da desordem, do desleixo e da despreocupação com aquilo que é expressão do Eterno! Os vasos sagrados sujos de zinabre demonstram quão desleixados são os que cuidam da sacristia. O andar apressado e sem a devida reverência e gravidade dos acólitos e do Padre, as toalhas puídas, a multiplicação de folhas, cadernos, lembretes, cartazes para todos os cantos… enfim, nossas Paróquias precisam romper este ciclo vicioso de feiúra que tem tomado conta do nosso “fazer” litúrgico.

A Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão de Jesus é o acontecer do Mistério. O “véu” se rasgou e pela Ascensão o Filho nos leva ao coração aberto do Pai, donde jorra o rio de vida (cf. Ap 22,1), a Liturgia celeste, perene e eterna,  a beleza celeste que se fez nossa. A Liturgia é Cristo histórico, corpo místico e Filho de Deus. É justamente por causa dessas duas energias (divina e humana) que a Liturgia se torna ato salvífico de Deus na história dos homens. E se torna ato salvífico porque é memorial, porque O Vivente passou para além da morte e tornou o tempo impregnado de Eternidade. Neste aspecto, percebemos o quanto precisamos crescer na dimensão antropológica da manifestação da nossa fé. Valendo-me do axioma Lex Orandi Lex Credendi, trago um elemento de avaliação de nossas liturgias: O modo como estamos celebrando a fé expressa a fé que professamos? Avalie se o Memorial do Mistério Pascal de Cristo que se celebra na sua comunidade resplandece aquela nobre simplicidade da qual é dotado o Mistério da Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação do Filho de Deus?

“Nada deve ser afetado nem pela pressa nem pelo exagero. […] Se numa celebração de uma hora introduzimos tantos adendos, […] esgotamos o tempo e somos tentados a atropelar o rito […] numa corrida olímpica” [Cf. COSTA, 2005. Pg.59]. A grave expressão de quem sobe o Calvário para o Sacrifício do Cordeiro deve acompanhar todo aquele que toma parte na Liturgia. A solenidade dos gestos, a tranqüilidade na execução dos ritos, ao Padre a clareza e solenidade na proclamação das orações e demais ofícios que lhe cabem na Liturgia, o canto liturgicamente ordenado e ensaiado, tudo isto contribui para uma participação eficaz, ativa e frutuosa na Divina Liturgia. O contrário disto também é igualmente verdade: quando não cuidada, a Liturgia passa de “a festa da alegria do Pai” como Corbon a classificou, à festa da tristeza e irritação dos que nela tomam parte.

Ao explanar sobre a participação ativa dentro do rito, o Padre Valeriano S. Costa joga luz sobre o modo de estar na Liturgia. Retomando o conceito grego “Leitourgia”, ele diz que Liturgia é essencialmente ação (ourgia) e não necessariamente discurso  (logia). A ação é sempre realizada por um sujeito. Como vimos o sujeito da Liturgia é o Pai, ao mesmo tempo ele é objeto da ação Sagrada realizada por nós, objeto da nossa fé. Como sujeito da Liturgia, a Assembléia não é só uma assistente, uma expectadora passiva, mas um sujeito ativo. Está envolvida na “leitourgia” na ação sagrada em favor do povo. Desse modo é preciso formar nossas Assembléias litúrgicas para este modo de participar, beber e contemplar o Acontecer do Mistério que ali é celebrado. As distrações, conversas paralelas, celulares ligados, crianças correndo e chorando, a pressa em começar e terminar a ação litúrgica, as homilias porcamente preparadas, tudo isso contribui para o empobrecimento da participação ativa da Assembléia. De fato, Pe Valeriano destaca  que todo o corpo deve entrar nesta ação ritual, ou seja, a pessoa toda: pensamento, emoção, postura, voz, razão, gestos, para que a participação seja de fato ativa e frutuosa para o fiel.

Após esta breve explicação do rito, concluo o meu contributo para a questão: “É bíblica a missa?”. Espero que lhe ajude.

Fernando, Padre Luís. <http://www.apologistascatolicos.com/index.php/doutrina-e-teologia/sacramentos/

Um espinho na carne

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/09/25/um-espinho-na-carne/ 

É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxílio com a Sua graça. Basta-te a minha graça!

São Paulo teve uma experiência impressionante com Jesus. Ele relata na segunda Carta aos coríntios. Primeiro começa dizendo que “foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. Depois, relata o seguinte: “para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas ele me disse: Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo” (2 Cor 12,4-10).

Ninguém sabe ao certo o que era “esse espinho na carne” de São Paulo, mas certamente era algo que muito o incomodava. Alguns dizem que era uma doença nas vistas, outros dizem que ele tinha contraído malária; enfim, era algo que o fazia sofrer.

O mais interessante é que Paulo pediu a Jesus que retirasse dele esse espinho, mas o Senhor disse: Não! E ele entendeu porquê: para que “a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho”, uma vez que ele tinha sido “arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. Paulo podia ficar vaidoso, então o Senhor o impedia com o espinho na carne. Conosco também acontece o mesmo, especialmente quem se destaca.

Certamente cada um de nós tem esse espinho na carne, que pode ser de fundo físico ou espiritual. Certa vez eu experimentei um espinho desses, na alma, é pior do que no corpo. Sentia-me com uma brasa na alma ou uma flecha no coração. Roguei também ao Senhor, insistentemente, que me livrasse daquele espinho, mas Ele não me livrou. Então comecei a procurar a causa do Senhor me manter naquela situação. Deixei minha alma em silêncio, para tentar ouvir a Sua voz.

No silêncio da dor da alma, parece que uma voz falava no meu intimo: “Quanto maior for o sofrimento oferecido a Deus, com amor, mais nós o agradamos, mais temos méritos diante Dele e mais se apressa a nossa santificação”. Então entendi que o Senhor providenciava a minha salvação. Deixava-me naquele purgatório terreno, o tempo que for necessário, para me purificar.

Lembrei-me do Eclesiástico: “prepara a tua alma para a provação, humilha teu coração, espera com paciência, sofre as demoras de Deus, não te perturbes no tempo da infelicidade. Na dor permanece firme, na humilhação tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata e os homens agradáveis a Deus pelo cadinho da humilhação” (Eclo 2,1-6).

E a voz continuava a me dizer: “A prata e o ouro só ficam purificados no fogo quando começam a refletir neles o Rosto do ourives”.

Entendi que nossa purificação só termina quando o Rosto de Deus brilha em nossa alma; antes as escórias têm de serem queimadas.

Mas, muitas delas não as vemos; e por isso achamos que não as temos, mas Deus as vê, e quer remove-las de nós. Paciência!  São Paulo disse aos romanos que “Deus nos predestinou para sermos conforme a imagem do Seu Filho” (Rom 8,29). É a meta de Deus para cada filho, ver o Rosto de Jesus em nós. Então, nossa purificação só terminará – como o ouro e a prata – quando Jesus estiver formado em nós. Isto começa aqui e pode ser concluído na eternidade, no Purgatório.

Não desanimemos e nem desesperemos, é uma grande e bela obra de Deus. Todos os santos passaram por isso para chegar ao céu. No silêncio da meditação Deus me ensinava que é na paciência com este espinho na carne que temos a oportunidade de rezar mais.

Como disse São João Paulo II, “quanto mais se sofre, mais é necessário rezar”. Além disso, é uma grande oportunidade de oferecer a dor pelos outros: a saúde e a salvação dos entes queridos, o sufrágio das almas do Purgatório, as lutas da Igreja, a santificação do clero, etc. É nisso que Deus nos liberta de nós mesmos, de nossos egoísmos, vanglória, apegos desordenados, busca de prazeres, maledicências, iras, invejas…

Entendendo a importância disso, São Paulo disse aos coríntios: “de mim mesmo não me gloriarei, a não ser das minhas fraquezas. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte” (2Cor 12,5).

É em nossa fraqueza que Deus vem em nosso auxilio com a sua graça. Basta-te a minha graça! Não entendemos bem porque Ele permite esse espinho em nossa carne; mas Ele nos conhece e nos ama, sabe qual é o remédio que nossa alma precisa.

É o Médico que deve prescrever o remédio, e não o doente.

Orfandade espiritual é um câncer que degrada a alma, diz Papa

Domingo, 1 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

“Maternidade de Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, aviva a certeza de que somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos”

O Papa Francisco presidiu, neste domingo, 1º, 50º Dia Mundial da Paz, a celebração eucarística na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

“Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração”. Assim descreve o Evangelista Lucas a atitude com que Maria acolhe tudo aquilo que estava vivendo naqueles dias.

Ternura maternal

Francisco explicou que, longe de querer compreender ou dominar a situação, Maria é a mulher que “sabe conservar”, isto é, sabe guardar no seu coração a passagem de Deus na vida do seu povo.

“[Ela] Aprendeu a sentir a pulsação do coração do seu Filho, ainda Ele estava no seu ventre, ensinando-Lhe a descobrir, durante toda a vida, o palpitar de Deus na história. Aprendeu a ser mãe e, nesta aprendizagem, proporcionou a Jesus a bela experiência de saber-Se Filho. Em Maria, o Verbo eterno não só Se fez carne, mas aprendeu também a reconhecer a ternura maternal de Deus. Com Maria, o Deus-Menino aprendeu a ouvir os anseios, as angústias, as alegrias e as esperanças do povo da promessa. Com Ela, descobriu-Se a Si mesmo como Filho do santo povo fiel de Deus”, explicou o Santo Padre.

O Papa lembra que nos Evangelhos, Maria aparece como mulher de poucas palavras, sem grandes discursos nem protagonismos, mas com um olhar atento que sabe guardar a vida e a missão do seu Filho e, consequentemente, de tudo o que Ele ama. “Soube guardar os alvores da primeira comunidade cristã, aprendendo deste modo a ser mãe duma multidão”.

Maternidade

O Pontífice lembrou que Maria aproximou-se das mais diversas situações, para semear esperança, e acompanhou as cruzes, carregadas no silêncio do coração dos seus filhos.

“Muitas devoções, muitos santuários e capelas nos lugares mais remotos, muitas imagens espalhadas pelas casas nos lembram esta grande verdade. Maria deu-nos o calor materno, que nos envolve no meio das dificuldades; o calor materno que não deixa, nada e ninguém, apagar no seio da Igreja a revolução da ternura inaugurada pelo seu Filho. Onde há uma mãe, há ternura. E Maria, com a sua maternidade, nos mostra que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes; ensina-nos que não há necessidade de maltratar os outros para sentir-se importante. E o santo povo fiel de Deus, desde sempre, a reconheceu e aclamou como a Santa Mãe de Deus.”
 
O Papa disse ainda que “celebrar, no início de um novo ano, a maternidade de Maria como Mãe de Deus e nossa mãe significa avivar a certeza que nos há de acompanhar no decorrer dos dias: somos um povo com uma Mãe, não somos órfãos”.

Sabor de família

O Santo Padre afirmou que as mães são “o antídoto mais forte contra as nossas tendências individualistas e egoístas, contra os nossos isolamentos e apatias”.

Segundo ele, uma sociedade sem mães seria não apenas uma sociedade fria, mas também uma sociedade que perdeu o coração, que perdeu o “sabor de família”. Uma sociedade sem mães seria uma sociedade sem piedade, com lugar apenas para o cálculo e a especulação.

“Com efeito as mães, mesmo nos momentos piores, sabem testemunhar a ternura, a dedicação incondicional, a força da esperança. Aprendi muito com as mães que, tendo os filhos na prisão ou estendidos numa cama de hospital ou subjugados pela escravidão da droga, esteja frio ou calor, faça chuva ou sol, não desistem e continuam lutando para lhes dar o melhor; ou com as mães que, nos campos de refugiados ou até no meio da guerra, conseguem abraçar e sustentar, sem hesitação, o sofrimento dos seus filhos. Mães que dão, literalmente, a vida para que nenhum dos filhos se perca. Onde estiver a mãe, há unidade, há sentido de pertença: pertença de filhos.”

Para Francisco, “começar o ano lembrando a bondade de Deus no rosto materno de Maria, no rosto materno da Igreja, nos rostos de nossas mães, nos protege daquela doença corrosiva que é a «orfandade espiritual»: a orfandade que a alma vive quando se sente sem mãe e lhe falta a ternura de Deus; a orfandade que vivemos quando se apaga em nós o sentido de pertença a uma família, a um povo, a uma terra, ao nosso Deus; a orfandade que se aninha no coração narcisista que sabe olhar só para si mesmo e para os seus interesses, e cresce quando esquecemos que a vida foi um dom – dela somos devedores a outros – e somos convidados a partilhá-la nesta casa comum”.

Orfandade espiritual

O Pontífice explicou que foi esta orfandade autorreferencial que levou Caim a dizer: ‘Sou, porventura, guarda do meu irmão?’. Como se declarasse: ele não me pertence, não o reconheço e afirmou que “tal atitude de orfandade espiritual é um câncer que silenciosamente enfraquece e degrada a alma”.

“Pouco a pouco, nos vamos degradando, já que ninguém nos pertence e nós não pertencemos a ninguém: degrado a terra, porque não me pertence; degrado os outros, porque não me pertencem; degrado a Deus, porque não Lhe pertenço; e, por fim, acabamos por nos degradar a nós próprios, porque esquecemos quem somos e o «nome» divino que temos. A perda dos laços que nos unem, típica da nossa cultura fragmentada e desunida, faz com que cresça esta sensação de orfandade e, por conseguinte, de grande vazio e solidão. A falta de contato físico (não o virtual) vai cauterizando os nossos corações, fazendo-lhes perder a capacidade da ternura e da maravilha, da piedade e da compaixão. A orfandade espiritual faz-nos perder a memória do que significa ser filhos, ser netos, ser pais, ser avós, ser amigos, ser crentes; faz-nos perder a memória do valor da diversão, do canto, do riso, do repouso, da gratuidade.”

Francisco destacou que celebrar a festa da Santa Mãe de Deus faz despontar novamente no rosto o sorriso de sentir-se povo, de sentir que um pertence ao outro. “Saber que as pessoas, somente dentro duma comunidade, duma família, podem encontrar a «atmosfera», o «calor» que permite aprender a crescer humanamente, e não como meros objetos destinados a «consumir e ser consumidos». Celebrar a festa da Santa Mãe de Deus nos lembra que não somos mercadoria de troca nem terminais receptores de informação. Somos filhos, somos família, somos povo de Deus”.

“Celebrar a Santa Mãe de Deus nos impele a criar e cuidar espaços comuns que nos deem sentido de pertença, de enraizamento, que nos façam sentir em casa dentro das nossas cidades, em comunidades que nos unam e sustentem”, frisou ainda o Papa.

Cuidar da vida

“Jesus Cristo, no momento do dom maior que foi o de sua vida na cruz, nada quis reter para Si e, ao entregar a sua vida, entregou-nos também sua Mãe. Disse a Maria: Eis o teu filho, eis os teus filhos. E nós queremos acolhê-La em nossas casas, em nossas famílias, em nossas comunidades e em nossos países. Queremos encontrar o seu olhar materno: aquele olhar que nos liberta da orfandade; aquele olhar que nos lembra que somos irmãos, isto é, que eu te pertenço, que tu me pertences, que somos da mesma carne; aquele olhar que nos ensina que devemos aprender a cuidar da vida da mesma maneira e com a mesma ternura com que Ela o fez, ou seja, semeando esperança, semeando pertença, semeando fraternidade.”

“Celebrar a Santa Mãe de Deus nos lembra que temos a Mãe; não somos órfãos, temos uma mãe. Professemos, juntos, esta verdade!.”

O Papa concluiu pedindo a todos para aclamar três vezes Nossa Senhora, como fizeram os fiéis de Éfeso: Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus, Santa Mãe de Deus.

Dez motivos para as famílias lerem a Exortação Alegria do amor

O Papa relata todas as situações da família com muito amor e bondade

São muitas as razões para nós católicos lermos essa exortação do Papa Francisco. Eu gostaria de relacionar aqui, ao menos, dez dessas razões. É uma palavra do Santo Padre que enche de esperança os fiéis ante as dificuldades e as diversas situações das famílias e matrimônios. É um texto fácil de ser lido, embora extenso. O Papa conseguiu falar de todas as situações da família com muito amor e bondade, com o olhar de Jesus onde ninguém deve sentir-se condenado nem desprezado.

1. O Papa aborda amplamente as realidades da vida familiar: no primeiro capítulo, ele nos dá um conjunto de citações bíblicas referentes à família; no segundo, faz uma colocação geral sobre a situação; no terceiro, indica a vocação da família; no quarto e quinto, fala do amor conjugal; no sexto, indica as atividades pastorais necessárias para a família; no sétimo capítulo, ele fala da importância da educação dos filhos; e no oitavo, explica sobre a integração dos divorciados recasados, os chamados de “segunda união”.

Ameaças nos dias de hoje

2. Ele mostra que a família está sendo muito ameaçada nos dias de hoje, e fala dessas ameaças com clareza: o divórcio, o casamento de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças, o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido, a pílula abortiva do dia seguinte, o útero de aluguel, as manipulação de embriões, inseminação artificial, controle artificial e exagerado da natalidade, uniões livres com simples coabitação, sexo sem compromisso, ataques feministas à família, ao casamento e maternidade, ideologia de gênero etc.

3. O Papa exorta as famílias a viverem com coragem as dificuldades de cada dia. “Como Maria, (as famílias) são exortadas a viver com coragem e serenidade, os desafios familiares tristes e entusiasmantes, e a guardar e meditar no coração as maravilhas de Deus (cf. Lc 2, 19.51)” (n.30). Ele exorta os casais a nunca acabar o dia “sem fazer as pazes em família”, a dialogar sem rancores, a falar bem reciprocamente, tratando de “mostrar o lado bom do cônjuge para além de suas fraquezas e erros”, a ter confiança no outro sem controlá-lo, deixando “espaços de autonomia”. E convida também para “contemplar” o cônjuge, recordando que “as alegrias mais intensas da vida brotam quando se pode provocar a felicidade dos outros”.

A importância de defender a família

4. O Santo Padre fala da importância de se defender a família e o matrimônio frente às ideologias que os desvalorizam: “Como cristãos, não podemos renunciar a propor o matrimônio, para não contradizer a sensibilidade atual, para estar na moda, ou por sentimentos de inferioridade face ao descalabro moral e humano”. (n.35)

5. O Papa fala da importância de a família ter uma forte vida espiritual com os meios que a Igreja nos oferece: “A família é chamada a compartilhar a oração diária, a leitura da Palavra de Deus e a comunhão eucarística, para fazer crescer o amor e tornar-se cada vez mais um templo onde habita o Espírito”. (n. 29)

6. Os jovens são uma grande preocupação do Papa em relação à família. Ele disse: “Precisamos encontrar as palavras, as motivações e os testemunhos que nos ajudem a tocar as cordas mais íntimas dos jovens, onde são mais capazes de generosidade, de compromisso, de amor e até mesmo de heroísmo, para convidá-los a aceitar, com entusiasmo e coragem, o desafio de matrimônio” (n. 40). Ele diz aos jovens que devido à “seriedade” do “compromisso público de amor”, o matrimônio “não pode ser uma decisão apressada”, mas também não se deve adiá-la “indefinidamente”, e que desejos, sentimentos, emoções “ocupam um lugar importante no matrimônio”.

7. O Papa mostra que hoje há um perigo dos direitos individuais estarem superando e prejudicando os direitos da família: “Uma família e uma casa são duas realidades que se reclamam mutuamente. Esse exemplo mostra que devemos insistir nos direitos da família, não apenas nos direitos individuais. A família é um bem de que a sociedade não pode prescindir, mas precisa ser protegida” (n. 44). E faz uma defesa contundente da família: “Ninguém pode pensar que o enfraquecimento da família como sociedade natural, fundada no matrimônio, seja algo que beneficia a sociedade. Antes, pelo contrário, prejudica o amadurecimento das pessoas, o cultivo dos valores comunitários e o desenvolvimento ético das cidades e das aldeias”. (n. 52)

O modelo para as famílias

8. A sagrada família de Nazaré é colocada pelo Papa como modelo para as famílias: “A aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre esse fundamento cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo”. (n. 66)

9 . O Papa chama à atenção para a importância do casamento na Igreja: “O sacramento do matrimônio não é uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo dum compromisso. O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos, porque “a sua pertença recíproca é a representação real, através do sinal sacramental, da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja, a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar”. (n. 72)

10. Enfim, o Papa se preocupa com muitos outros problemas ligados à família, como a queda demográfica, devido “a uma mentalidade antinatalista e promovida pelas políticas mundiais de saúde reprodutiva”, e diz que “a Igreja rejeita, com todas as suas forças, as intervenções coercitivas do Estado em favor da anticoncepção, da esterilização e inclusive do aborto”. Ele condena a “violência verbal, física e sexual, perpetrada contra as mulheres em alguns casais, contradiz a própria natureza da união conjugal”. Condena a “grave mutilação genital da mulher em algumas culturas, mas também a desigualdade de acesso a postos de trabalho dignos e aos lugares onde as decisões são tomadas”. “Condena a instrumentalização e mercantilização do corpo feminino na atual cultura midiática”. Valoriza a atividade sexual do casal dentro do plano de Deus. O próprio Deus “criou a sexualidade, que é um presente maravilhoso para as suas criaturas”. Ele cita que São João Paulo II rejeitou a ideia de que o ensinamento da Igreja implique “uma negação do valor do sexo humano” ou que simplesmente o tolere “pela própria necessidade da procriação”.

Tudo isso e muito mais você poderá ler e meditar na Exortação do Papa.

Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

O Advento e a necessidade de vigilância

“Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes”, diz padre Mário destacando o Advento como tempo de vigilância e obras de caridade

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Doutor em Teologia Moral

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!  O Senhor está perto”

O termo Advento vem do latim adventum que significa vinda ou chegada e refere-se às quatro semanas antes do Natal. Pelo Advento, nos preparamos para celebrar a primeira vinda do Senhor, ou seja, o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e a expectativa da segunda vinda do Senhor. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano da Igreja, é a penitência como preparação para receber Aquele que está para vir. O caráter penitencial do advento é acentuado pela cor litúrgica, que é o roxo.

O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim. O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. A palavra fundamental é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alma” limpa para que a morte não o apanhe com pecados; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz.

Pedagogicamente dizendo, advento é um tempo que a Liturgia dispõe à Igreja com a finalidade de preparar os cristãos para a celebração do Natal. Como é natural, trata-se de uma preparação espiritual, incentivando os católicos a preparar o coração e a alma para o encontro com o Senhor. Mas, não é somente preparação do Natal. No caso do Advento, estamos diante de dois aspectos desta preparação: aquela da 2ª vinda e que Paulo escreve aos Tessalonicenses sobre o “Dia do Senhor”, o dia do juízo final, quando nos encontraremos face a face com Deus (1Ts 5,1-6) e, a preparação da 1ª vinda, que celebramos no Natal.

Quanto ao primeiro aspecto do Advento, de preparar-se para a 2ª vinda do Senhor, a vigilância espiritual pode ser considerada a partir do cuidado em vista do encontro final com o Senhor, no Final dos Tempos. Para isso, é preciso ficar atentos aos sinais dos tempos, como o próprio Jesus adverte, e o melhor meio para não se descuidar e nem se distrair dos sinais dos tempos é pela vigilância espiritual. Por vigilância espiritual entende-se o cuidado, para que o nosso espírito não se afaste das coisas de Deus, mas se mantenha fiel ao projeto divino. São muitas as ocasiões para distrair-se das coisas de Deus, podendo nos anestesiar daquilo que é divino e descuidar-nos de alimentar nosso espírito com as coisas do alto.

O Advento é tempo para incentivar com mais intensidade a oração, a leitura da Palavra, a penitência e as obras de caridade. A vigilância é feita preferencialmente com a oração e, a oração nos mantém acordados para o encontro do Senhor, em sua 2ª vinda.

Quanto ao segundo aspecto do Advento, da preparação para o Natal de Jesus, é a alegria da nossa salvação pela encarnação do Verbo de Deus. Neste tempo que a publicidade natalina vem alimentar nosso espírito com “belas” e “boas” mensagens de tempos novos, repletos de paz e de harmonia fraterna, é preciso ficar atentos para não nos alimentar com fantasias e imagens enganosas. O alimento espiritual deste tempo que nos aproxima do Natal não pode se limitar a poesias ou mensagens vazias. Precisa de algo mais sólido como a oração diária, a meditação da Palavra de Deus e as obras de caridade.

A coroa do Advento

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, expressa a esperança e convida à alegre vigilância. Na confecção da coroa são usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno, ou seja, mesmo em tempos difíceis. Os ramos verdes são sinais da vida que resiste; são sinais da esperança. A coroa é envolvida com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Na coroa, são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.

Quanto às cores das quatro velas, a mais usada é a cor vermelha. Em alguns lugares costumava-se usar velas nas cores roxa e uma vela cor rósea referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o  “Domingo Gaudete” (Domingo da Alegria), a alegria de quem se sente perdoado. O terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Estando já próxima a chegada do Homem-Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Atualmente em muitos lugares tem-se usado cada uma de uma cor.

O tempo do Advento quer sensibilizar-nos para a celebração do Natal do Senhor e para a segunda vinda de Jesus. O apelo que Cristo nos lança à vigilância é para ser tomado bem a sério. Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes. Este é o convite que Jesus nos faz: “Vigiai!” Como os Profetas, Maria, José, os pastores, os Reis Magos… Se vigiamos, o nosso presente e o nosso futuro encontrar-se-ão. É isso a Esperança.

As exéquias eclesiásticas

A Igreja proíbe que os corpos sejam cremados?

Iniciando o mês de novembro, tradicionalmente dedicado às orações pelos nossos irmãos defuntos, trazemos à tona algumas questões acerca das exéquias eclesiásticas, isto é, do culto celebrado segundo as leis litúrgicas correspondentes – previstas no Ritual de Exéquias – pelo qual a Igreja suplica ajuda espiritual aos falecidos, honra seus corpos, e, ao mesmo tempo, proporciona aos vivos o consolo da esperança (cf. c. 1176 §2). Tal oração da Igreja fundamenta-se em nossa fé na existência do purgatório, na ressurreição da carne e no sentido pascal da morte para o cristão.

Com exceção dos casos que veremos a seguir, os fiéis têm o direito de receber as exéquias eclesiásticas conforme o Direito, e, portanto, os pastores possuem o dever de prover esse direito aos fiéis.

Quanto ao modo de proceder com os corpos das pessoas falecidas, a Igreja recomenda, com insistência, que seja conservado o costume de sepultá-los, porém não proíbe a cremação, desde que esta não tenha sido escolhida conforme motivos contrários à fé cristã (cf. c. 1180 §3).

Como norma geral, as exéquias devem ser celebradas no próprio território da paróquia do fiel falecido, e pelo próprio pároco, já que essa é uma das principais funções das quais está encarregado (cf. c. 530, 5º). No entanto, existem muitas exceções a esta norma. Para citar algumas delas: é permitido a qualquer fiel ou aos responsáveis pelas exéquias do falecido escolher outra igreja para o funeral, com o consentimento de quem está à frente desta, e avisando-se ao pároco do próprio falecido; caso a morte tiver ocorrido fora do território da paróquia, as exéquias podem ocorrer na igreja paroquial do lugar de falecimento. Com relação ao cemitério, não sendo proibido pelo direito, é lícito a todos escolher o cemitério para sua própria sepultura (cf. c. 1180 §2).

Prevê-se também que, em cada paróquia, exista um livro de óbitos, de acordo com o direito particular, para as anotações dos falecimentos (cf. cc. 535 e 1182). Dado o elevado número de pessoas que habitam o território de cada paróquia, como é o caso das paróquias de nossa arquidiocese, pode perceber-se a dificuldade prática de realização desta norma.

As exéquias eclesiásticas podem ser concedidas, além de todos os fiéis católicos, aos catecúmenos, e, com a licença do Ordinário local, às crianças cujos pais pretendiam batizá-las e morreram antes do Batismo; inclusive aos cristãos pertencentes a comunidades eclesiais não católicas, exceto se constar sua vontade contrária e contanto que não seja possível a presença do seu ministro próprio (cf. c. 1183).

Respeitando a decisão da pessoa falecida, caso antes da morte não tenham dado sinal de arrependimento, devem ser privados das exéquias eclesiásticas os apóstatas, hereges e cismáticos notórios; os que tiverem escolhido a cremação de seu corpo por motivos contrários à fé cristã; e os pecadores manifestos aos quais não se possa conceder as exéquias sem escândalo público dos fiéis. Em caso de dúvida, o Ordinário local deve ser consultado para dar o seu parecer (cf. c. 1184).

Padre Demétrio Gomes
@pedemetrio

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda