Tag: Espírito

Papa reza o Angelus e recorda festa de santo Estêvão

Terça-feira, 26 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Igreja celebra hoje dia de seu primeiro mártir; Papa recordou que santo Estêvão permaneceu até a morte ancorado à mensagem de Jesus

Nesta segunda-feira, 26, a Igreja celebra a Festa de Santo Estevão, primeiro mártir de toda a história católica. No Vaticano, a data foi recordada pelo Papa Francisco durante a oração mariana do Angelus nesse período de Oitava do Natal.

Francisco destacou que Santo Estêvão professava a nova presença de Deus entre os homens, sabendo que o verdadeiro templo de Deus é agora Jesus, Verbo que veio habitar em meio aos homens. Com isso, o santo colocou em crise os líderes de seu povo e foi acusado de pregar a destruição do templo de Jerusalém; acusaram-no de ter afirmado que “Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou”.

Essa mensagem de Jesus incomoda porque desafia o poder religioso mundano e provoca as consciências, observou o Santo Padre, destacando que depois da vinda de Jesus é preciso converter-se, mudar a mentalidade, e Estêvão permaneceu ancorado à mensagem de Jesus até a morte. O santo suplicou a Jesus que acolhesse seu espírito, um pedido a ser feito também hoje por cada um.

“Também nós, diante do Menino Jesus no presépio, podemos rezar a Ele assim: ‘Senhor Jesus, te confiamos o nosso espírito, acolha-o’, para que a nossa existência seja realmente uma vida boa segundo o Evangelho”, disse o Papa.

O Santo Padre acrescentou, por fim, que Jesus é a fonte do amor, que abre à comunhão com os irmãos. “A Maria, Mãe do Redentor e Rainha dos mártires, elevemos com confiança a nossa oração, para que nos ajude a acolher Jesus como Senhor da nossa vida e a nos tornarmos suas corajosas testemunhas, prontos a pagar pessoalmente o preço da fidelidade ao Evangelho”, concluiu.

As bem-aventuranças como programa de santidade

Cristianismo prático

Segunda-feira, 9 de junho de 2014, Da Redação com Rádio Vaticano  

Na Missa de hoje, Francisco refletiu sobre as bem-aventuranças, um programa de vida proposto por Jesus

As bem-aventuranças são o programa de vida do cristão. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 9. O Pontífice focou sua homilia nas bem-aventuranças e, retomando o encontro de oração pela paz realizado ontem no Vaticano, disse que é preciso ter a coragem da mansidão para derrotar o ódio.

Segundo Francisco, as respostas sobre o que fazer para ser um bom cristão estão nas bem-aventuranças, em que Jesus indica atitudes contrárias ao que habitualmente se faz no mundo. Trata-se de um programa de vida proposto por Jesus, algo tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

Sobre a pobreza de espírito, Francisco disse que as riquezas não asseguram nada; aliás, um coração rico está tão satisfeito consigo mesmo que não há lugar para a Palavra de Deus.

Quanto aos que choram, Francisco lembrou que estes serão consolados. O mundo, disse, não quer chorar; então, prefere ignorar as situações dolorosas. “Somente a pessoa que vê as coisas como são e chora no seu coração é feliz e será consolada. A consolação de Jesus, não a do mundo”.

O Papa também falou dos mansos, que são bem-aventurados, neste mundo, que desde o início é de guerra e ódio, embora Jesus tenha pedido paz e mansidão. Bem-aventurados são também os que lutam pela justiça. “É tão fácil entrar nas rachaduras da corrupção. Tudo é negócio. E quantas injustiças! Quanta gente sofre por essas injustiças!”

Sobre os misericordiosos, Francisco disse que são aqueles que perdoam, que entendem os erros dos outros. “Bem-aventurados os que perdoam, os que são misericordiosos. Porque todos nós somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem-aventurado aquele que segue pelo caminho do perdão”.

Bem-aventurados são também os puros de coração, lembrou o Papa, e os que trabalham pela paz. “É tão comum sermos agentes de guerras ou, pelo menos, de mal-entendidos! (…) O mundo das fofocas. Esse povo que fofoca não faz a paz, são inimigos dela”, disse Francisco, que, por fim, lembrou-se das pessoas que são perseguidas por causa da justiça, sendo também elas bem-aventuradas.

O Pontífice acrescentou que se o homem quiser algo a mais do que já está nas bem-aventuranças, Jesus dá outras indicações, como o protocolo segundo o qual os homens serão julgados, uma passagem presente no capítulo 25 do Evangelho de Mateus:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava doente e me visitastes, estava presos e fostes a mim. Com essas duas coisas – Bem-aventuranças e Mateus 25 – pode-se viver a vida cristã em santidade”, explicou o Santo Padre.

Para Francisco, estas são palavras simples, mas práticas a todos, pois o Cristianismo é uma religião prática. Ele finalizou indicando aos fiéis que façam, hoje, essas duas leituras: a passagem sobre as Bem-aventuranças e o capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

“Fará bem a vocês lê-lo uma vez, duas vezes, três vezes. Leiam isso, é um programa de santidade. Que o Senhor nos dê a graça de entender essa Sua mensagem”.

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

“Mestre” – pergunta alguém a Jesus no texto de Mateus neste trigésimo domingo do Tempo Comum – “qual o maior mandamento da lei?” E Jesus não pensa duas vezes para citar o texto do Deuteronômio: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”, isto é, com todo o teu “elã” e com toda a tua alma, ou seja, um amor que esteja disposto a ir ao martírio por Deus. E a seguir acrescenta: “e amarás o teu próximo, como a ti mesmo”. Existem muitas pessoas hoje que tentam resumir o Cristianismo no mandamento do amor e, sobretudo, no mandamento do amor ao próximo. Eles não estão absolutamente errados. Mas é preciso tomar certo cuidado e fazer distinções. Existe um amor vertical que é nosso para com Deus e que responde ao amor vertical que Deus tem para conosco. É evidente que Deus é superior a qualquer ser humano. Ao lado deste amor vertical, e juntamente com ele, existe um amor horizontal com o qual nós amamos o próximo, isto é, os seres humanos, com aquele amor que nós, verticalmente, recebemos de Deus, ou seja, permitimos que Deus ame concretamente nosso irmão através de nós mesmos, através de nosso empenho, através de nossa caridade, concretamente através do instrumental com que a ele nos oferecemos para amar. É claro – e aqui se deve fazer também distinção – que este amor horizontal não tem limites, mas deve ser distinguido de uma simples benemerência. Antes da benemerência, e como que fundando a benemerência, está o amor de Deus. É por causa de Deus que nós queremos bem ao próximo. Esta benemerência aos demais, que provém de Deus e se transforma em algo dinâmico dentro de nós, transforma-se, a seguir, em beneficência e, então, concretamente, realizamos o bem ao outro, como gostaríamos que ele realizasse a nós. Porém, há uma diferença entre aqueles que recebem o amor de Deus e permitem que este amor se transforme no próprio coração em fonte energética dinâmica, e o levam horizontalmente ao próximo. Existe uma diferença entre estes, e aqueles que amam de maneira puramente humana, fazem benemerência ou beneficência sim, mas puramente humanos. São pessoas beneméritas, são pessoas altruístas, são pessoas que pensam nos demais, porém, não necessariamente guiadas e conduzidas por Deus. É preciso fazer uma distinção entre o amor de caridade que tem sempre a sua origem frontal em Deus, mesmo quando se trata de amar o próximo porque então, neste caso, se ama o próximo com a intensidade de Deus. É preciso distinguir este amor de uma simples filantropia, de uma simples inclinação espontânea e natural do coração, para com alguém ou alguns, ou muitos, que não tem, no entanto, Deus como origem e como fonte. Nós podemos e devemos resumir o Cristianismo no duplo mandamento do amor, com uma condição: que ele seja recebido de Deus, no ato da fé.

 

A DIFERENÇA ENTRE A CARIDADE CRISTÃ E A FILANTROPIA
Padre Bantu Mendonça

“Do amor a Deus e ao próximo dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). É a conclusão a qual Jesus quer que todos nós cheguemos no nosso dia a dia. Com esta afirmação, Jesus estabelece um vínculo entre dois amores. Desconhecer este fato pode levar a graves deformações que abalam o equilíbrio interno da fé e, consequentemente, nos leva à morte. É fundamental que todos nós valorizemos as exigências do amor fraterno, procurando agir motivados pelo amor divino porque, se Deus não ocupar o lugar que Lhe compete em nossa vida, até a caridade para com o próximo tende a se degradar e o caos se torna maior. No Evangelho, Jesus retoma e comenta a essência da Lei. Após enfrentar a armadilha dos fariseus – através dos herodianos – sobre o imposto e a investida dos saduceus sobre a ressurreição, Jesus é colocado à prova por um dos fariseus sobre o maior mandamento da Lei. Jesus responde à questão servindo-se em parte da versão deuteronômica: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (cf. Dt 6,5). Embora só fosse interrogado sobre o maior mandamento, Jesus acrescenta o segundo, servindo-se da versão do Levítico: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (cf. Lv 19,18). E então segue-se a assertiva: “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Embora a mentalidade ocidental tenha a tendência de privilegiar o papel da razão quanto ao conhecimento – mesmo o do amor – não faltam referências à compreensão como ato produzido pela experiência. Nesse sentido, a vivência torna-se também meio de conhecer, indo ao encontro daquilo que Jesus indica a respeito do amor a Deus. Não se trata apenas de compreensão racional ou entendimento mental, mas do conhecimento da fé, que, sendo entre outras coisas a experiência de ser amado por Deus, provoca a resposta humana do amor. Tal amor não exclui a inteligência das verdades reveladas e do próprio Deus, antes impulsiona a compreensão, através do estudo da fé. Sob este aspecto, a expressão ninguém ama o que não conhece, se for aplicada ao conhecimento humano sobre Deus, indica tanto a experiência quanto a intelecção da fé. É sugestivo que Jesus acrescente o segundo mandamento – mesmo que o fariseu só se tenha interessado pelo maior mandamento – para afirmar a semelhança do amor ao próximo ao amor a Deus e acentuar que desses dois amores dependem toda a Lei e os Profetas. Qual deve ser o parâmetro do amor entre nós? Jesus diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No contexto da Lei Antiga o “a ti mesmo” aproxima o apreço que cada um tem por si, inclusive como membro do Povo de Deus, ao apreço que se deve ter pelo semelhante respeitado por ser também membro do Povo, e, como tal, sujeito não só de deveres, mas também de direitos iguais (Lv 19,11-18). Outras vezes, o “a ti mesmo” refere-se ao apreço pelo outro que, mesmo sendo estrangeiro, é visto como semelhante ao israelita na situação de exílio já superada. Em ambos os casos, o apreço pelo semelhante supõe o amor a si mesmo e a experiência do amor de Deus, expresso na repetição: “Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19,10.14.16.18.32) e no incisivo: “Eu sou Iahweh, vosso Deus que vos fez sair da terra do Egito” (Lv 19,36). Também na Nova Lei, Jesus aproxima o amor que cada um tem por si mesmo ao amor do outro, através da regra: “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas” (cf. Lc 6,31). Fazendo depender a Lei e os Profetas do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo, Jesus compõe a armadura ou o fundamento da religião. A supressão de um desses amores faz desmoronar todo o edifício. Os fiéis de Cristo que não se preocupam em ser testemunhas visíveis do amor do Pai, pelo serviço aos irmãos, fazem com que seu testemunho perca o centro de todo o seu agir. Aliás, é na mútua articulação entre o amor a Deus e ao próximo que reside a diferença entre a caridade cristã e a filantropia. O amor a Deus se visibiliza no amor ao próximo e o próprio Deus ama seus filhos através dos irmãos que se reúnem e se encontram. Desta maneira, é o amor de Deus que possibilita o encontro sacramental do divino no humano, especialmente mediante a pessoa do pobre. Por isso, a própria luta em prol da justiça e a promoção social dos empobrecidos, são para o cristão motivado pelo amor a Deus, e devem assim permanecer, a fim de não se descaracterizarem em atitudes que a própria Moral cristã condena como a violência ou a vingança. Portanto, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”

 

Os textos da Palavra de Deus para este domingo apresentam-nos a palavra fundamental que deve orientar a vida cristã: o amor (a Deus e ao próximo). No evangelho, Jesus fala-nos do amor vertical (Deus) e do amor horizontal (próximo). Mas não desenvolve muito, nem um nem outro. É na primeira leitura que encontramos uma narração mais pormenorizada sobre como se deve expressar o nosso amor para com os outros. O salmo responsorial explica-nos o amor de Deus. Mas o modelo de amor é Jesus, um exemplo a imitar. A segunda leitura, como é habitual, tem o seu ritmo próprio. Coloca-nos perante a comunidade de Tessalônica que dá a todos um testemunho de fé: “dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro”. É sempre importante saber o que é fundamental nas nossas vidas, e também o que deve ocupar um segundo e um terceiro lugares para que possamos valorizar o essencial. O povo judeu tinha 613 preceitos (248 positivos e 365 negativos). Não era fácil viver com esta “carga”. Por isso, um doutor da lei faz uma pergunta a Jesus: “Qual é o maior mandamento da Lei?”. Jesus responde com muita clareza: o amor. É uma resposta direta e simples; qualquer pessoa a entende, não precisa ser doutor da lei. E este amor não é algo abstrato, mas concretiza-se, olhando para cima (para Deus) e olhando em frente (para o próximo). Será bom recordar que na celebração do Batismo, é dito aos pais e aos padrinhos que o crescimento como cristão dá-se nesta dupla direção: “Pedistes o Batismo para o vosso filho. Deveis educá-lo na fé, para que, observando os mandamentos, ame a Deus e ao próximo, como Cristo nos ensinou. Estais conscientes do compromisso que assumis? E vós, padrinhos, estais decididos a ajudar os pais desta criança nesta sua missão?” O amor a Deus manifesta-se na escuta da sua Palavra, na oração, no cumprimento da sua divina vontade, seguindo o caminho que nos propõe para a vida. Isto acontece na minha vida? Qual é o lugar de Deus na minha vida? Neste mundo tão materialista, tão preocupado pelo imediato, pelo bem-estar, é preciso não esquecer que o essencial é servir a Deus, como fez a comunidade de Tessalônica: abandonar os ídolos mundanos que nós criamos e que ocupam o lugar do “Deus vivo e verdadeiro”. Do amor a Deus provém o amor ao próximo. Não é possível amar a Deus, a quem não vemos, se não amamos os irmãos, a quem vemos (cf. 1 Jo 4, 20). E qual a medida para amar o próximo: “como a ti mesmo”, ou seja, tratar os outros como queríamos que nos tratassem a nós (não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem). Esta é a teoria, mas como pôr em prática? A primeira leitura dá-nos um elenco de aspectos concretos de justiça social que, apesar de terem sido escritos há mais de 2500 anos, continuam atuais: 1) “não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás”, ou seja, acolhe os imigrantes, sê hospitaleiro; 2) “não maltratarás a viúva nem o órfão”, ou seja, não te aproveites dos mais fracos; 3) “se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros”, ou seja, não explores nem enriqueças à custa dos outros; 4) “se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lhe devolver até ao pôr-do-sol”, ou seja, não fiques com os bens alheios. O amor é a única pergunta do exame final da nossa vida. Para darmos a resposta correta, temos de amar a Deus e os irmãos em cada momento da nossa vida.

 

30º Domingo do Tempo Comum – A
“Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”(cf. Sl. 104, 3s).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

Irmãos e Irmãs, Hoje somos convidados a buscar sem cessar a Deus. O povo do antigo testamento foi muito bem educado na fé. Em uma análise muito profunda, com várias comparações com outras religiões, a religião de Israel dá um passo e um peso notabilíssimo à ética. Nisto consiste a primeira leitura de hoje(cf. Ex. 22,20-26), através de uma perícope antiguíssima, que relata em que convinha no agir das coisas simples do dia-a-dia da vida. A leitura relata o ensinamento de ontem e de hoje para não oprimir aqueles que são estrangeiros, migrantes, que padecem da ausência da terra paterna, tendo em vista que os israelitas perambularam como estrangeiros também. A leitura também nos ajuda a refletir sobre a necessidade de respeitar e apoiar as viúvas e os órfãos, bem como não cobrar juros elevados. Quem recebe um manto em penhor, tem que devolvê-lo antes da noite, para que a pessoa não passe a noite no relento. A Primeira Leitura nos apresenta regras concretas para praticar o amor ao próximo. Trata-se de uma antiga coleção de normas concretas, colocadas sob a égide da Aliança – Código da Aliança – que trata da proteção aos pobres. Até os operários migrantes – estrangeiros – são considerados. Estas leis mostram como, numa sociedade simples, predominantemente rural, se encarna a Aliança com Javé, que dá proteção a seu povo e espera dele justiça. Quem despreza os pobres, está longe de Deus. Irmãos e Irmãs, O Evangelho de hoje(cf. Mt. 22,34-40) poderia ser resumido na seguinte frase: No equilíbrio das dimensões do amor está a santidade. Mateus narra o maior mandamento nas suas três discussões com o judaísmo, respectivamente com os herodianos, com os saduceus e com os escribas farisaicos. Estes últimos querem ver como Jesus resume a Lei – que continha, conforme os rabinos, 248 mandamentos e 365 proibições, atribuindo-se igual peso a todos. Mas a resposta de Jesus é clara e incontestável: sem o amor a Deus e ao próximo, os outros mandamentos ficam vazios. O duplo mandamento principal é como os gonzos que seguram a porta da Lei. Jesus revela a unidade de dois mandamentos que, no Antigo Testamanto, se encontram muito distantes: o judaísmo, pela multidão das árvores, não enxergava a floresta. Jesus, nas palavras de Mateus, está no átrio do templo de Jerusalém, ou em miúdos, no coração da espiritualidade e da religiosidade dos judeus. Mas o que Jesus está fazendo ali? Ele está ali para mudar a mentalidade do povo em pontos fundamentais, ou seja, que toda a lei dos profetas é resumida na beleza do AMOR, a alma das leis, a lei das leis, o maior mandamento. O amor que deve ser vivido em três estágios importantes: no amor para Deus, no amor para o próximo e no amor consciente da própria pessoa que caminha “na busca do rosto sereno e radioso do Seu Senhor”. Irmãos e Irmãs, A santidade é o resumo do amor para Deus, o amor para o próximo e o amor pessoal. O amor é o cumprimento da lei. No tempo de Jesus muitas eram as leis, umas muito radicais e outras muito simples. Era um corolário enorme para ser cumprido. Quando perguntaram maliciosamente qual era a lei de Deus a resposta do Divino Salvador foi imediata: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. No equilíbrio do amor a Deus, ao próximo e a sua própria pessoa como templo e habitação do Espírito Santo está a novidade de hoje: tudo isso é possível, porque assim agindo os cristãos já vivem aqui e agora a santidade de caminhada de vida cristã. A certeza maior que todos hoje devemos ter é que amar até o extremo, amar sem reservas, dando-se e recebendo este amor misericordioso, o homem fica mais perto da palma da mão de Deus. Se o cumprimento da lei era o distintivo do povo israelita, Deus hoje nos chama a atenção que não podemos fazer uma dicotomia entre a Lei de Deus e a Lei da Igreja, uma vive em função da outra, porque “A Lei Mata, mas o espírito vivifica” (cf. Rm 4,6). Seria como se eu ensinasse nas minhas lições de direito canônico que o direito é mais importante disciplina da Igreja. Não, o direito tem por finalidade iluminar a vida da Igreja. Por exemplo, se uma lei da Igreja está prejudicando a caminhada pastoral é necessário que eu a deixe de lado, ou mesmo a reinterprete, porque “a lei maior é a salvação das almas”. Tudo isso porque amar a Deus e ao próximo são dois amores diferentes e inseparáveis. São distintos, mas devem caminhar juntos. Porque esse amor deve ser um amor inteligível, consciente, que gera compromisso com a vida comunitária e pastoral de nossa Igreja. Ao assumir a condição humana Cristo assumiu toda a nossa humanidade, especialmente, nossos pecados. Viver o amor verdadeiro, nestas três dimensões, é um desafio cotidiano de conversão e de mudança de vida e de mentalidade. Se Deus nos salvou na Cruz nós devemos mergulhar no seu mistério, principalmente procurando buscar o rosto deste Senhor nos irmãos excluídos e marginalizados, naqueles que estão fora da escola, na rua, no relento, amando a todos com grande gratuidade e generosidade, porque Deus caristas est, ou seja, Deus é supremo amor, “porque onde há amor e a caridade aí Cristo está”. Irmãos e Irmãs, A Segunda Leitura(cf. 1 Tessalonicenses 1,5-10) coloca os tessalonicenses como exemplo de uma fé generosa, sem mesquinharias, na busca do Senhor Ressuscitado, na busca do rosto do Senhor da Vida. Os Tessalonicenses por se terem convertido ao Deus vivo, o Deus que age e fala e é escutado. Para estes primeiros cristãos, converter-se a Deus e a Jesus Cristo significava também esperar ardentemente a Parusia, a presença gloriosa de Jesus como Senhor. Já se sabem livres da condenação. O mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros e em todos os séculos. O contemplativo serve aos homens, servindo a Deus; o ativo serve a Deus servindo aos homens. Os dois exprimem, especializando-se na imitação do Cristo, um mesmo e único mistério: o da vida religiosa do Verbo encarnado. Chegando ao final do ano litúrgico em que nós somos convidados a uma preparação espiritual para a chegada do Advento e do Nascimento do Salvador todos nós devemos nos esforçar para “sermos imitadores dos Mistérios do Senhor”. Caminhando nesta perspectiva, com muito amor a Deus, ao próximo e a si mesmo devemos rever nossa caminhada, nos lançando na nova evangelização confiantes de que unidos na caridade, vivendo a Eucaristia, chegaremos a Deus, supremo amor e paz!

 

30º Domingo do Tempo Comum
Mt 22,34-40: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”

34Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se 35e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: 36Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 37Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). 38Este é o maior e o primeiro mandamento. 39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). 40Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.

Antes de meditar no Evangelho de hoje, escutava como sempre faço o “Passo a Rezar”, do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, o qual recomendo. Hoje, 21 de outubro, ao ouvir a Palavra de Deus no Salmo 119 (118),66 “Dai-me o juízo reto e a sabedoria, porque confio em vossos mandamentos”, meditava de como é bom adquirirmos bom senso e sabedoria para viver a Palavra de Deus, para não agirmos como os fariseus do Evangelho de hoje. Diante da pergunta, o Senhor quer destacar que a totalidade da Lei poderá ser resumida em dois mandamentos: o primeiro e mais importante consiste no amor incondicional a Deus; o segundo é conseqüência e efeito do primeiro, pois quando o semelhante é amado, Deus mesmo é amado, pois o homem é imagem de Deus: mas, “se alguém diz: amo a Deus, mas despreza o seu irmão, é um mentiroso” (cf. 1Jo 4,20). “Amarás teu próximo como a ti mesmo”, ou seja, o amor aos outros como o amor a si mesmo se fundamenta no amor de Deus. Isto é comunhão. Por isto, o mandamento do amor é o mais importante porque nele o ser humano alcança a sua perfeição (cf. Col 3,14). São João da Cruz (†1591) em seu cântico espiritual, canção 27, nos diz: “Quanto mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama; daí resulta que esta alma que já está perfeita, toda é amor e todas as suas ações são amor, e emprega todas as suas potências e riquezas em amar, dando todas as suas coisas, como o sábio mercador (Mt 13,46), por este tesouro de amor que achou escondido em Deus (…). Porque, assim como a abelha tira de todas as ervas o mel que ali há e não se serve delas senão para isto, assim também de todas as coisas que passam pela alma, com grande facilidade ela tira a doçura de amor que contém; que amar a Deus nelas, ora seja saboroso, ora desagradável, estando ela informada e amparada pelo amor como está, não o sente, nem o goza, nem o sabe, porque, como dissemos, a alma não sabe senão amor, e o seu gosto em todas as coisas e tratos, é sempre deleite de amor de Deus”. “Louvemos ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia”. (Sl 118 (117),1

 

DOIS MANDAMENTOS, UM SÓ AMOR
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
DOMINGO 30 – Comum – A
Leituras: Ex 22, 20-26; 1 Ts 1, 5c-10; Mt 22,34-40

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão [na linguagem semítica “odiar” equivale a “não amar”], é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar.” (1 Jo 4, 20) As palavras cortantes do “discípulo a quem Jesus amava”, não deixam dúvidas nem ilusões: o irmão é o “sacramento” no qual Deus se torna visível e tangível, aqui e agora. Nele se encontra Deus a cada dia e em cada momento e situação da vida. Quem não reconhece a Deus no irmão e não o ama, partilhando de suas necessidades e promovendo sua dignidade, ilude a si mesmo e talvez os demais, mas não pode enganar a Deus: é um mentiroso! O amor é como a linfa vital que brota da única raiz, e se estende até os pormenores dos ramos e às folhas mais longínquas da árvore; do contrário, os ramos morrem e não dão frutos. O amor é como o sangue impelido pelo coração até as menores veias do corpo para alimentá-lo; em caso contrário, os órgãos fenecem. O amor, que é participação à própria vida de Deus, ou abrange num único abraço a Deus, a si mesmo e o irmão, ou se torna uma força que destrói a vida! Um amor dividido e limitado é uma mentira em relação às potencialidades que traz consigo, enquanto dom divino ao homem e à mulher. Infelizmente os letrados que conhecem tão bem a letra da Torá, não estão procurando a verdade para crescer na qualidade da própria vida, mas armando armadilhas para experimentar e provocar dificuldade a Jesus. É o perene e sempre atual paradoxo dos que se aproximam de Deus não para viver, mas para desculparem-se a si mesmos e para não mudar de vida. “Mestre qual é o maior mandamento da lei?”. Pergunta não inusual dos discípulos aos mestres da lei, nas escolas de Israel. A resposta de Jesus, não fica nas nuvens das discussões acadêmicas familiares entre os letrados, mas aponta diretamente para o caminho da vida. Se o homem, à causa da sua interioridade conflituosa, tem tendência a dividir e contrapor, Jesus, o “homem novo”, plenamente unificado em si mesmo e fonte de unidade, prospecta um horizonte de unidade e um caminho de responsabilidade. Segundo a narração de Lucas, ao fariseu que o interroga e lembra a proximidade dos mandamentos do amor a Deus e ao próximo, Jesus dá uma resposta lapidária: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás” (Lc 10, 28-29). A atitude de Jesus retoma uma temática descrita no livro dos salmos: “Com o homem puro, tu és puro, com o astuto, tu és prudente”. (Sl 18,26) Jesus, o Verbo encarnado do Pai, na fragilidade da sua condição de filho do carpinteiro e natural da desprezada cidadinha de Nazaré, nos revela o Pai e constitui o único e autêntico caminho que conduz à Ele. Do mesmo modo, o irmão e a irmã, sobretudo os que se encontram em maior fragilidade, nos fazem tocar com nossas mãos e nos revelam o próprio Jesus. É ele mesmo que neles é honrado, servido, ou desprezado: “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e recolhestes… Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes… Em verdade vos digo: todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 31-46). O mistério da encarnação do Verbo de Deus continua atual, ao passar da pessoa de Jesus de Nazaré para os pobres; assim como a atuação do amor que transforma os corações das pessoas e a história, este continua a operar na pessoa de Jesus através dos que, nele permanecendo como os ramos na videira, produzem os frutos da vida nova. “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13,34). A memória do amor de Jesus até o dom da própria vida, se torna memória que subverte as situações ambíguas, cultivadas pela falsa religiosidade e a espiritualidade desencarnada, que separam o suposto amor a Deus do efetivo amor aos irmãos. Tal memória denuncia a separação da sua nascente que é o exemplo pascal de Jesus e o Espírito que ele derramou da cruz, e que participamos por graça nos sacramentos da iniciação cristã. Quando Jesus, na última ceia, partiu e distribuiu o pão aos discípulos, acompanhando o gesto com as palavras “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19), ele não se limitou a instituir simplesmente um “novo rito”, o rito da nova páscoa, mas entregou aos discípulos a “nascente perene” da existência nova, a ser construída nas recíprocas relações do dia a dia, e o “modelo divino” a testemunhar e difundir para uma nova humanidade. Eis como João, a partir da experiência pessoal do amor sem limites recebido de Jesus, sintetiza o horizonte de vida radicalmente novo, inaugurado por Jesus com a sua morte por amor, participado aos discípulos com a efusão do Espírito Santo, e entregue a eles como “mandamento novo”, que qualifica a aliança “nova” estipulada no seu sangue derramado por amor. “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,34-35; cf 15,12-14). Da experiência do amor recebido e da capacitação por ele gerada, nasce a entrega do mandamento novo e a possibilidade de cumpri-lo, não como obrigação de uma lei exterior, mas como resposta à uma vocação que vem do interior , e como vida que segue e imita o exemplo do Senhor: Depois de ter lavado os pés aos discípulos com a humildade do escravo e o amor de uma mãe, Jesus acrescenta: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13, 15). Esta conformação interior a Cristo na sua páscoa é graça, e não fruto dos nossos esforços. Por isso a Igreja pede com humildade e confiança: “Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos” (Oração depois da comunhão). À luz do exemplo de Jesus, os dois preceitos do Deuteronômio e do Levítico: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Dt 6,5), e “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18), não podem em nenhuma maneira ficar divididos. Em realidade, é na radical unidade recíproca destes que se realiza o projeto de vida de Deus, manifestado através da Torá e dos profetas. Paulo, com uma fórmula ainda mais lapidária, sintetiza assim a vida nova dos batizados em Cristo: “Não devais nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois o que ama o outro cumpriu a lei… Portanto a caridade é a plenitude da lei” (Rm 13, 8-10. cf Gl 5,13.15). A leitura do Êxodo nos orienta para a mesma direção. A memória sagrada da experiência da libertação da escravidão do Egito, por iniciativa gratuita de Deus, funda a possibilidade e a exigência que para que Israel assuma, na organização da vida social, o mesmo estilo de atenção e de cuidado em relação aos mais necessitados e frágeis, como são as viúvas, os estrangeiros os pobres “Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão” (Ex 22, 20-21). Deus está sempre da parte dos oprimidos e dos pobres: “Se os maltratardes, gritarão para mim, e eu ouvirei seu clamor” (Ex 22, 22). Assim fez Deus ao ouvir o clamor do seu povo sofrido na escravidão (cf. Ex 3, 7-8). Hoje em dia, continua a levantar-se o grito de tantas pessoas oprimidas em muitas maneiras, mesmo nos direitos mais elementares da dignidade humana, nos países pobres, nos países em desenvolvimento, assim como nos países mais ricos. Na Europa a atitude prevalente em relação aos imigrantes dos países mais pobres, é o medo e a recusa. Aos que conseguem entrar, muitas vezes são reservadas condições de escravidão e de abandono. O Papa Bento XVI tem repetido que a solução das violentas crises financeiras e econômicas atuais, passa para a necessária mutação do parâmetro do proveito como critério absoluto da economia, para o da solidariedade. Também o Brasil, no processo de uma acelerada transformação, continua experimentando a marginalização de milhões de pessoas. O evangelho de hoje nos diz que como cristãos não podemos nos justificar, dizendo que tudo isso é problema que pertence aos profissionais da vida social e política. Cada um é chamado a iniciar de si mesmo, a se fazer “próximo” para os que se encontram no caminho cotidiano da sua vida, como fez o “bom samaritano:” Vai, e também tu, faze o mesmo” (Lc 10, 37). O sofrimento dos pobres é um grito que se eleva ao Senhor, e interpela também nossa consciência de cristãos e cristãs, para um empenho de promoção da justiça e da partilha mais justa dos recursos culturais, sociais, econômicos, espirituais. Nossas celebrações da páscoa de Jesus nos domingos, poderiam cair sob a acusação de “Mentira” por parte de Jesus, se não nos procuramos sair do nosso interesse individual, para nos abrir ao serviço do Senhor na pessoa humana em que está impressa a imagem de Deus. Paulo, na segunda leitura contempla com alegria as maravilhas operadas pela Palavra recebida com fé por parte dos tessalonicenses, que sob o impulso transformador do Espírito, tem assumido um estilo de vida moldado pelo exemplo do apóstolo e do próprio Jesus. Nesta maneira eles se tornaram “evangelho vivente” que continua se espalhando em toda a Macedônia e a Ásia (1 Ts 1,6- 8). Esta é também hoje a maneira mais eficaz para testemunhar e divulgar a “boa nova” de Jesus e de participar à “nova evangelização” à qual o papa Bento XVI está convidando todos os cristãos e as cristãs, com a promulgação do “Ano da fé” a se realizar no 2012-2013.  “Assim vos tornastes modelo para todos os fieis da Macedônia e da Ásia” (1 Ts 1,7). O convite de Jesus a anunciar a boa nova é sempre atual, e o empenho para uma resposta generosa e criativa com a graça e o vigor do Espírito, sempre novo. Esta é a nossa páscoa que nos aproxima sempre mais ao cumprimento do reino de Deus, que nestes últimos domingos do ano litúrgico, a Igreja celebra como o horizonte central da própria fé e da própria esperança, movida pelo único amor a Deus e aos homens que anima seu coração de mãe. “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais, para conseguirmos o que prometeis. Por Cristo nosso Senhor” (Oração do dia).

Pecadores somos todos, corruptos não

O Papa na missa desta segunda-feira denunciou quem é benfeitor da Igreja mas rouba o Estado

Na missa desta manhã na Casa de Santa Marta o Papa Francisco denunciou os corruptos, dizendo que pecadores somos todos mas corruptos não. Partindo da passagem do Evangelho em que Jesus nos pede para perdoarmos sete vezes por dia, o Santo Padre recordou que o próprio Cristo considerava muito mau o comportamento dos que são motivo de escândalo.

“Pecado é uma coisa mas o escândalo é outra”. “A diferença é que quem peca e se arrepende, pede perdão, sente-se débil, sente-se filho de Deus, humilha-se e pede a salvação a Jesus. Mas daquele que escandaliza, o que é que escandaliza? Quem não se arrepende. Continua a pecar, mas faz de conta de ser cristão: é a vida dupla. E a vida dupla de um cristão faz tão mal, tão mal. Mas eu sou benfeitor da Igreja! Meto a mão no bolso e dou à Igreja. Mas com a outra rouba: ao Estado, aos pobres… rouba. É um injusto. Isto é vida dupla.”

“E nós devemos assumir-nos como pecadores, sim, todos, somos todos. Mas corruptos não. O corrupto está fixo num estado de suficiência, não sabe o que é a humildade. Jesus a estes corruptos dizia serem sepulcros esbranquiçados, que parecem belos exteriormente mas dentro estão cheios de ossos, morte e podridão. Cristãos corruptos e padres corruptos…quanto mal fazem à Igreja. Porque não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito da mundanidade.”

S. Paulo – comentou o Papa Francisco – diz claramente na Carta aos cristãos de Roma: “Não vos conformeis com este mundo”, e o próprio texto – continua o Santo Padre até vai mais longe pois S.Paulo propõe que não entremos nos parâmetros deste mundo, na mundanidade que nos leva à vida dupla:

“Uma podridão envernizada: esta é a vida dos corruptos. Peçamos hoje a graça ao Espírito Santo que foge a todo o engano, peçamos a graça de reconhecermo-nos pecadores: somos pecadores. Pecadores sim, Corruptos não.”

Fofoca impede perdão e distancia os outros

…, diz Papa aos consagrados

Quinta-feira, 17 de setembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco encontrou-se com cinco mil jovens consagrados e respondeu a três perguntas sobre o chamado vocacional, a missão dos consagrados na Igreja e sobre a vivência coerente da vocação

O Papa Francisco encontrou-se na manhã desta quinta-feira, 17, com cinco mil jovens que participam do Encontro Mundial de Jovens Consagrados, em andamento em Roma.

O Pontífice agradeceu as palavras do Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Cardeal João Braz de Aviz, e, em seguida, recordou os mártires sírios e iraquianos de hoje.

“Alguns dias atrás na Praça São Pedro um sacerdote iraquiano se aproximou de mim e me deu uma cruz pequena, uma cruz que tinha nas mãos o sacerdote que foi degolado por não renegar a fé em Jesus Cristo. Esta cruz eu a trago aqui à luz dos testemunhos de nossos mártires de hoje, que são mais do que os mártires do primeiro século, e também dos mártires do Iraque e da Síria”, disse o Santo Padre.

Francisco respondeu perguntas feitas por três jovens consagrados: um sírio de Aleppo, uma indiana e uma espanhola.

O Pontífice alertou que a comodidade é um problema sério na vida consagrada. “Eu faço tudo, cumpro os mandamentos, as regras, mas a observância rígida e estruturada tira a liberdade. Existe uma liberdade que vem do Espírito e outra que vem da mundanidade. A liberdade deve ser unida ao testemunho e à fidelidade”.

“Uma mãe que educa os filhos com rigidez, não deixa os filhos sonhar, crescer, anula o futuro criativo dos filhos. Esses filhos serão estéreis. Também a vida consagrada pode ser estéril quando não é profética, quando não se permite de sonhar”, sublinhou.

O Papa recordou Santa Teresa do Menino Jesus, Padroeira das Missões, que fechada num convento “não perdeu a capacidade de sonhar. Não perdeu o horizonte. Nunca perdeu a capacidade de contemplação. Profecia e capacidade de sonhar é o contrário da rigidez. A observância não deve ser rígida, se é rígida não é observância, mas egoísmo pessoal”, disse.

“Um dos pecados que muitas vezes encontro na vida comunitária é o da incapacidade de perdão entre os irmãos e irmãs. A fofoca numa comunidade impede o perdão e distancia um dos outros. Eu gosto de dizer que fofocar não é somente pecado, mas é também terrorismo, porque quem fofoca joga uma bomba na fama do outro, destrói o outro que não pode se defender. Sempre se fofoca na escuridão, não na luz. A escuridão é o reino do diabo. A luz é o Reino de Jesus”, frisou o Papa.

Sobre a instabilidade na sequela de Jesus, Francisco disse “que desde o início da vida consagrada até hoje existem momentos de instabilidade. São as tentações. Os primeiros monges do deserto escrevem sobre isso e nos ensinam como encontrar a estabilidade interior, a paz. As tentações sempre existirão”.

“Vivemos num tempo muito instável. Vivemos a cultura do provisório e essa cultura entrou também na Igreja, nas comunidades religiosas, nas famílias e no matrimônio. A cultura do definitivo: Deus enviou o seu Filho para sempre, não provisoriamente a uma geração ou a um país, mas a todos. A todos para sempre. Este é um critério de discernimento espiritual”, disse ainda Francisco.

Sobre a pergunta relativa à evangelização, o pontífice disse que “evangelizar não é fazer proselitismo. Evangelizar não é somente convencer, é testemunhar que Jesus Cristo está vivo. Se o seu coração arde de amor por Jesus, você é um bom evangelizador ou evangelizadora.” “Desculpem-me se sou um pouco feminista, mas quero agradecer o testemunho das mulheres consagradas. Não todas, pois têm algumas que são histéricas. Vocês têm sempre o desejo de estarem na vanguarda. Por que? Porque vocês são mães e têm essa maternidade da Igreja. Não percam isso. A religiosa é o ícone da Igreja Mãe e de Maria. Vocês têm esse papel na Igreja: serem ícone da Igreja, ícone de Maria, ícone da ternura da Igreja, do amor da Igreja, da maternidade da Igreja e da maternidade de Nossa Senhora. Não se esqueçam disso”, frisou o Papa.

Respondendo à pergunta do jovem consagrado sírio, Francisco destacou a necessidade de seguir Jesus mais de perto, de maneira profética e sublinhou a palavra ‘memória’. “Os apóstolos nunca se esqueceram do encontro com Jesus. Nos momentos escuros, nos momentos de tentação, nos momentos difíceis de nossa vida consagrada é preciso voltar às fontes, recordar a maravilha que sentimos quando o Senhor nos olhou.”

“Você me pediu para partilhar a minha memória, o primeiro chamado em 21 de setembro de 1953, mas não sei como foi. Sei que por acaso, entrei na Igreja, vi o confessionário e sai dali diferente, sai de outra maneira. A minha vida mudou. O sacerdote que me confessou naquele dia, que eu não conhecia, estava ali por acaso porque sofria de leucemia. Ele morreu um ano depois. Depois me guiou um salesiano que tinha me batizado. Fui a ele e ele me encaminhou para os jesuítas. Ecumenismo religioso! Nos momentos difíceis me ajudou muito recordar o primeiro encontro, porque o Senhor nos encontra sempre definitivamente. O Senhor não entra na cultura do provisório. Ele nos ama e nos acompanha sempre. Por isso, estar próximo às pessoas, a proximidade entre nós, fazer profecia com o nosso testemunho, com o coração que arde, com zelo apostólico que aquece os corações dos outros. Portanto, profecia, memória, proximidade, coração que arde, zelo apostólico e cultura do definitivo, e não descartável”, concluiu Francisco.

Jesus não é uma mera estrada do dever

A livre interpretação da tradição
Por Edmar Araújo

Numa tarde agradável de sábado, a falar sobre experiências na Igreja Católica, estávamos eu e um velho amigo que há muito não via. Nossas dores, nossos amores e nossas vidas dedicadas à evangelização, todas resumidas em palavras naquela mesa da praça de alimentação de determinado shopping center, permitiram que fossemos mais crentes em Deus, na sua misericórdia que a todos alcança e na Igreja de Cristo, a detentora das chaves do Reino dos Céus (Mt 16,19). Ao falarmos sobre problemas no clero, lembrei-me de uma colocação sobre a defesa da fé católica a todo e qualquer custo. Não nos causaria nenhum estranhamento qualquer posicionamento favorável a Igreja já que somos católicos. O que nos incomodou foi a impressão que tivemos sobre o espírito tradicionalista de auto-proclamação que tem causado, até o momento ainda incontáveis, dúvidas sobre o atual papado de Francisco. Foi quando falei que determinados setores da Igreja, a exemplo das teses protestantes que moldaram a livre interpretação das escrituras, realizam a livre interpretação da tradição católica. Ao iniciar a redação dessa breve reflexão, recordei onde havia lido sobre a idéia de livre interpretação da tradição. Foi no texto “Bonecas Russas”, de Gustavo Nogy, que atribui a autoria da tese de livre interpretação da tradição a um amigo, Rodrigo Pedroso. O post, publicado no site Ad Hominem, talvez traduza parte das inquietações partilhadas entre mim e o velho amigo. Esses, que se intitulam tradicionalistas defensores da verdadeira fé católica, não se encontram nas paróquias. Preferem ir à uma igreja onde o novo rito da missa não tenha sido acatado para, em nome da tradição, participarem do rito tridentino. Esses abominam o Concílio Vaticano II talvez sem dar-se conta que é este Concílio parte da grande história da Igreja. À luz das recentes palavras do papa Francisco, esses “cristãos são mornos, sem coragem” e “fazem tanto mal para a Igreja”. Preferem criticar os evangelizadores a evangelizá-los e encorajá-los. Preferem criticar a celebração e o celebrante a enaltecer a presença do celebrado. Abdicaram do coração e fecharam-se em suas mentes. O Sumo Pontífice alertou sobre esta estrada inviável chamada moralismo. “Mesmo quem insiste em ver em Jesus uma mera ‘estrada do dever’, de fato, cai na armadilha da pretensão de compreender tudo somente ‘com a cabeça’. Quem tem uma atitude assim carrega tudo ‘sobre os ombros dos fieis’. O Espírito Santo, afirma o Papa, não quer modernizar a Igreja, mas atualizar o coração do homem e da mulher hodiernos. E essa atualização é um grande incomodo para os que ainda não se tornaram dóceis à sua santa ação. “O Espírito Santo nos incomoda. Porque mexe conosco, nos faz caminhar, empurra a Igreja para frente. (…) e pior: há pessoas que querem andar para trás. Isso é que se chama ser teimoso, isso se chama querer domesticar o Espírito Santo, isso se chama tornar-se tardos e lentos de coração”. Creio que nossa inquietude demore um pouco mais para terminar. Enquanto ela não passa, continuamos eu e o bom amigo nossa militância rumo a Cristo, sem nunca esquecer que o caminho se faz caminhando. Duvidosos, mas esperançosos. Sofrendo, mas felizes. Cansados, mas em movimento.

http://www.adhominem.com.br/2013/03/bonecas-russas.html
Edmar Araújo é jornalista e criador do Blog Medidas de Fé. Foi um dos 150 blogueiros convidados para o Vatican Blog Meeting, encontro internacional de blogueiros patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Cultura e pelo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais do Vaticano, ocorrido em maio de 2011

Santo Evangelho (Lc 1, 39-56)

Visitação de Nossa Senhora – Quarta-feira 31/05/2017

Primeira Leitura (Sf 3,14-18)  
Leitura da Profecia de Sofonias.

14Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. 16Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido pelo amor; exultará por ti, entre louvores, 18como nos dias de festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Ou (escolhe-se uma das leituras)  

Primeira Leitura (Rm 12,9-16b) 
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 9o amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. 10Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. 11Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, 12alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração. 13Socorrei os santos em suas necessidades, persisti na prática da hospitalidade. 14Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. 15Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. 16bMantende um bom entendimento uns com os outros; não vos deixeis levar pelo gosto de grandeza, mas acomodai-vos às coisas humildes.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Is 12,2-6)  

— O Santo de Israel é grande entre vós.
— O Santo de Israel é grande entre vós.

— Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação.

— E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu Santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

— Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

 

Evangelho (Lc 1,39-56)  

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA
Visitação de Nossa Senhora

Sabemos que Nossa Senhora foi visitada pelo Arcanjo Gabriel com esta mensagem de amor, com esta proposta de fazer dela a mãe do nosso Salvador. E ela aceitou. E aceitar Jesus é estar aberto a aceitar o outro. O anjo também comunicou a ela que sua parenta – Santa Isabel – já estava grávida. Aí encontramos o testemunho da Santíssima Virgem – no Evangelho de São Lucas no capitulo 1, – quando depois de andar cerca de 100 km ela encontrou-se com Isabel.

Nesta festa, também vamos descobrindo a raiz da nossa devoção a Maria. Ela cantou o Magnificat, glorificando a Deus. Em certa altura ela reconheceu sua pequenez, e a razão pela qual devemos ter essa devoção, que passa de século a século.

“Porque olhou para sua pobre serva, por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.” (Lucas 1,48)

A Palavra de Deus nos convida a proclamarmos bem-aventurada aquela que, por aceitar Jesus, também se abriu à necessidade do outro. É impossível dizer que se ama a Deus, se não se ama o outro. A visitação de Maria a sua prima nos convoca a essa caridade ativa. A essa fé que se opera pelo amor. Amor que o outro tanto precisa.

Quem será que precisa de nós?

Peçamos a Virgem Maria que interceda por nós junto a Jesus, para que sejamos cada vez mais sensíveis à dor do outro. Mas que a nossa sensibilidade não fique no sentimentalismo, mas se concretize através da caridade.

Virgem Maria, Mãe da visitação, rogai por nós!

Papa: “Cristãos olhem para o Céu e anunciem Jesus ao mundo”

Sexta-feira, 26 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Papa Francisco falou sobre a memória, a oração e o mundo nas Escrituras
 
Nesta sexta-feira, 26, o Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta e na homilia, afirmou que “as Escrituras nos indicam três pontos de referência no caminho cristão”.

O primeiro é a memória. Jesus ressuscitado diz aos discípulos que o precedam na Galileia: este foi o primeiro encontro com o Senhor. E “cada um de nós tem a sua própria Galileia”, aquele lugar aonde Jesus se manifestou pela primeira vez, o conhecemos e “tivemos a alegria e o entusiasmo de segui-lo”. Para ser um bom cristão, precisamos sempre nos lembrar do primeiro encontro com Jesus ou dos seguintes”. Esta é “a graça da memória”, que “no momento da provação, me dá a certeza”.

O segundo ponto de referência é a oração. Quando Jesus sobe ao Céu, ele não se separa de nós: “fisicamente sim, mas fica sempre ligado, para interceder por nós. Mostra ao Pai as chagas, o preço que pagou por nós e pela nossa salvação”. Assim, “devemos pedir a graça de contemplar o Céu, a graça da oração, a relação com Jesus na oração que neste momento nos ouve, está conosco”:

“Enfim, o terceiro: o mundo. Antes de ir, Jesus diz aos discípulos: ‘Ide mundo afora e façam discípulos’. Ide. O lugar dos cristãos é o mundo no qual anunciar a Palavra de Jesus, para dizer que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar com Ele diante do Pai”.

Esta é – observou Francisco – a “topografia do espírito cristão”, os três lugares de referência de nossa vida: a memória, a oração e a missão; e as três palavras de nosso caminho: Galileia, Céu e Mundo:

“Um cristão deve agir nestas três dimensões e pedir a graça da memória: “Que não me esqueça do momento que me elegeu, que não esqueça do momento em que nos encontramos”, dizendo ao Senhor. Depois, rezar e olhar ao Céu, porque Ele está ali para interceder. Ele intercede por nós. E depois, sair em missão… não quer dizer que todos devem ir ao exterior; ir em missão é viver e dar testemunho do Evangelho; é fazer saber aos outros como é Jesus. Mas fazer isso com o testemunho e com a Palavra, porque se eu falar como Jesus e como a vida cristã, mas viver como um pagão, não adianta. A missão não funciona”.

Se, ao contrário, vivermos na memória, na oração e em missão – concluiu Francisco – a vida cristã será bela e também alegre:

“E esta é a última frase que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “Naquele dia, no dia em que viverem a vida cristã assim, vocês saberão tudo e ninguém poderá lhes tirar a alegria”. Ninguém, porque terei a memória do encontro com Jesus e a certeza que Jesus está no Céu e intercede por mim, está comigo, eu rezo e tenho a coragem de dizer, de sair de mim, dizer aos outros e dar testemunho com a minha vida que o Senhor ressuscitou, está vivo. Memória, oração e missão. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta topografia da vida cristã e seguir adiante com alegria, aquela alegria que ninguém pode nos tirar”.

Santo Evangelho (Jo 14, 15-21)

6º Domingo da Páscoa – Domingo 21/05/2017 

Primeira Leitura (At 8,5-8.14-17)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

Naqueles dias, 5Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. 6As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8Era grande a alegria naquela cidade. 14Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João. 15Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. 16Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. 17Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 65)

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso!
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso!

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ cantai salmos a seu nome glorioso,/ dai a Deus a mais sublime louvação!/ Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!/ Toda a terra vos adore com respeito/ e proclame o louvor de vosso nome!”/ Vinde ver todas as obras do Senhor:/ seus prodígios estupendos entre os homens!

— O mar ele mudou em terra firme,/ e passaram pelo rio a pé enxuto./ Exultemos de alegria no Senhor!/ Ele domina para sempre com poder!

— Todos vós, que a Deus temeis, vinde escutar:/ vou contar-vos todo bem que ele me fez!/ Bendito seja o Senhor Deus que me escutou,/ não rejeitou minha oração e meu clamor,/ nem afastou longe de mim o seu amor!

 

Segunda Leitura (1Pd 3,15-18)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro:

Caríssimos: 15Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. 16Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. 17Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. 18Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 14,15-21)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós. 21Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo André Bóbola, dedicado aos jovens e a Palavra de Deus 

Santo André Bóbola, pertenceu à Companhia de Jesus, dedicado aos jovens

Santo do século XVII, ele nasceu na Polônia e ficou conhecido como “caçador de almas”. Santo André Bóbola pertenceu à Companhia de Jesus como sacerdote jesuíta dedicado aos jovens e ao anúncio da Palavra de Deus num tempo dos cismas, quando a fé católica não era obedecida. Viveu também dentro de um contexto onde politicamente existia um choque entre a Polônia e a Rússia.

Certa vez, com a invasão dos soldados cossacos, ou seja russos na Polônia, os cismáticos aproveitaram a ocasião para entregar o santo. Ele, que tinha sido instrumento para muito se voltarem ao Senhor, foi preso injustamente e sofreu na mão dos acusadores. Foi violentado, mas não renunciou a sua fé. Renunciou a própria vida, mas não a vida em Deus. No ano de 1657, morreu mártir. O “caçador de almas” hoje intercede para que nós.

Santo André Bóbola, rogai por nós.

Santo Evangelho (Jo 3, 1-8)

2ª Semana da Páscoa – Segunda-feira 24/04/2017 

Primeira Leitura (At 4,23-31)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

23Naqueles dias, logo que foram postos em liberdade, Pedro e João voltaram para junto dos irmãos e contaram tudo o que os sumos sacerdotes e os anciãos haviam dito. 24Ao ouvirem o relato, todos eles elevaram a voz a Deus, dizendo: “Senhor, tu criaste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe. 25Por meio do Espírito Santo, disseste através do teu servo Davi, nosso pai: ‘por que se enfureceram as nações, e os povos imaginaram coisas vãs? 26Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu Messias’. 27Foi assim que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos uniram-se com os pagãos e os povos de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste, 28a fim de executarem tudo o que a tua mão e a tua vontade haviam predeterminado que sucedesse. 29Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. 30Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do teu santo servo Jesus”. 31Quando terminaram a oração, tremeu o lugar onde estavam reunidos. Todos, então, ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram corajosamente a palavra de Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 2)

— Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor.
— Felizes hão de ser todos aqueles que põem sua esperança no Senhor.

— Por que os povos agitados se revoltam? Por que tramam as nações projetos vãos? Por que os reis de toda a terra se reúnem e conspiram os governos todos juntos contra o Deus onipotente e o seu Ungido? “Vamos quebrar suas correntes”, dizem eles, “e lançar longe de nós o seu domínio!”

— Ri-se deles o que mora lá nos céus; zomba deles o Senhor onipotente. Ele, então, em sua ira os ameaça, e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz: “Fui eu mesmo que escolhi este meu Rei, e em Sião, meu monte Santo, o consagrei!”

— O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és o meu Filho, e eu hoje te gerei! Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio. Com cetro férreo haverás de dominá-los, e quebrá-los como um vaso de argila!”

 

Evangelho (Jo 3,1-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

1Havia um chefe judaico, membro do grupo dos fariseus, chamado Nicodemos, 2que foi ter com Jesus, de noite, e lhe disse: “Rabi, sabemos que vieste como mestre da parte de Deus. De fato, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, a não ser que Deus esteja com ele”. 3Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce do alto, não pode ver o Reino de Deus”. 4Nicodemos disse: “Como é que alguém pode nascer, se já é velho? Poderá entrar outra vez no ventre de sua mãe?” 5Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. 6Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito 7Não te admires por eu haver dito: Vós deveis nascer do alto. 😯 vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Fidélis (Fiel) de Sigmaringa, fiel a vontade de Deus 

Dedicou-se totalmente em iluminar as consciências e rechaçar as doutrinas que combatiam a Igreja de Cristo

O santo de hoje nasceu em Sigmaringa (Alemanha) no ano de 1577. Seu nome de batismo era Marcos Rei. Era dotado de grande habilidade com os estudos. Marcos era um cristão católico, tornando-se mais tarde um conhecido filósofo e advogado. Porém, havia um chamado que o inquietava: a consagração total a Deus, a vida no ministério sacerdotal.

Renunciando a tudo, entrou para a família franciscana, para os Capuchinhos. Enquanto noviço, viveu um grande questionamento: se fora do convento ele não faria mais para Deus, do que dentro da vida religiosa. Buscou então seu mestre de noviciado que, no discernimento, percebeu que era uma tentação.

Passado isso, ele se empenhou na busca pela santidade. Seu nome agora se tornou “Fidélis” ou “Fiel’. E buscou ser fiel à vontade de Deus. Estudou Teologia, foi ordenado e enviado à Suíça para uma missão especial com outros irmãos: propagar a Sã Doutrina Católica.

São Fidélis dedicou-se totalmente em iluminar as consciências e rechaçar as doutrinas que combatiam a Igreja de Cristo.

Depois de uma Santa Missa, com cerca de 45 anos, teve o discernimento de que estava próxima sua partida. Fez uma oração de entrega a Deus e, logo em seguida, foi preso e levado por homens que queriam que ele renunciasse à fé.

Fidélis deixou claro que não o faria, e que não temia a morte. Ajoelhou-se e rezou: “Meu Jesus, tende piedade de mim. Santa Maria, Mãe de Deus, assisti-me”. Recebeu várias punhaladas e morreu ali, derramando seu sangue pela Verdade, por amor a Cristo e Sua Igreja.

São Fidélis, rogai por nós!

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda