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Quaresma não é tempo de tristeza, mas de penitência, diz Papa

Domingo, 18 de fevereiro de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Papa explica os temas da tentação, da conversão e da Boa Nova

Neste domingo chuvoso, o primeiro da Quaresma, o Papa Francisco esteve com os fieis durante o Angelus, na Praça de São Pedro.

Francisco falou sobre o Evangelho do dia, que lembra os temas da tentação, da conversão e da Boa Nova.

“Jesus vai ao deserto para se preparar para sua missão no mundo. Ele não precisa de conversão, mas, como homem, ele deve passar por essa prova, tanto para si mesmo, para obedecer a vontade do Pai e, para nós, dar-nos a graça de superar a tentação.”, disse.

O Papa lembrou que esta preparação consiste em lutar contra o espírito do mal, e que também para nós, a Quaresma é um tempo de “agonia” espiritual, de luta: somos chamados a enfrentar o mal através da oração para poder, com a ajuda de Deus, superá-lo em nossa vida diária.

O Pontífice lembrou que após as tentações, Jesus começou a pregar a Boa Nova.

“E essa Boa Nova exige da conversão do homem – a terceira palavra – e fé. (…) Em nossa vida, sempre precisamos de conversão – todos os dias! -, e a Igreja nos faz orar por isso. Na verdade, nunca estamos suficientemente orientados para Deus e devemos direcionar continuamente nossa mente e coração para Ele. Para fazer isso, devemos ter a coragem de rejeitar tudo o que nos desvia, os falsos valores que nos enganam atraindo sorrateiros nosso egoísmo. Em vez disso, devemos confiar no Senhor, sua bondade e seu plano de amor para cada um de nós.”

Após a colocação acerca das três palavras importantes da liturgia, o Papa reforçou que a quaresma é um momento de penitência, mas que não deve nos abater: “É um momento de penitência, mas não é um momento triste de luto. É um compromisso alegre e sério para livrar-se do nosso egoísmo e renovar-nos de acordo com a graça do nosso batismo.”

Ao final, o Papa lembrou que somente Deus pode dar a verdadeira felicidade, sendo inútil desperdiçar o tempo procurando por outros lugares, nas riquezas, nos prazeres, no poder, na carreira:

“O reino de Deus é a realização de todas as nossas aspirações, porque é a salvação do homem e a glória de Deus. Neste primeiro domingo da Quaresma, somos convidados a ouvir atentamente e reunir esse chamado de Jesus para nos converter e acreditar no Evangelho. Somos exortados a começar com o compromisso da jornada para a Páscoa, para receber cada vez mais a graça de Deus, que quer transformar o mundo em um reino de justiça, paz e fraternidade.”

Por que fazer jejum?

Devemos estar prontos para a renúncia

Não existe uma forma menos “sofrida” de adquirir a virtude da temperança? João Cassiano (370-435) explica por que é necessário que o corpo sofra um pouco. A razão é muito simples: não é possível cometer o pecado da gula sem a cooperação do corpo. E isso é evidente, já que os anjos, por exemplo, não podem pecar por gula, no sentido próprio da palavra. Ora, se é com o corpo que acontece o pecado, o combate à doença da gastrimargia só pode acontecer caso o corpo entre na luta. Por isso se deve fazer jejum. Estes dois vícios [a gula e a luxúria] por não se consumarem sem a participação da carne, exigem, além dos remédios espirituais, a prática da abstinência.

Na verdade, para quebrar os seus grilhões, não basta o propósito do espírito (como acontece em relação à ira, à tristeza e às outras paixões que, sem afligir o corpo, a alma sozinha consegue vencer), mas é imprescindível a mortificação corporal pelos jejuns, as vigílias e os trabalhos que levam à contrição, podendo-se acrescentar também a fuga das ocasiões insidiosas. Sendo tais vícios oriundos da colaboração da alma e do corpo, não poderão ser vencidos sem ambos se empenharem neste processo. Nós, mediócres que somos, não temos a maturidade necessária para a santidade, por isso não seríamos capazes de nos manter em ordem, naquele equilíbrio que “tempera” a vida, sem o auxílio do jejum. Com o jejum somos capazes de rechaçar as incursões hostis da sensualidade e libertar o espírito para que se eleve a regiões mais altas, onde possa ser saciado com os valores que lhes são próprios. É a imagem cristã do homem quem exige estes voos.

Devemos estar prontos para a renúncia e a severidade de um caminho que termina com a instauração da pessoa moral completa, livre e dona de si mesma, porque um dever natural nos impulsiona a ser aquilo que devemos ser por definição. Nunca é demais insistir no fato de que o jejum não nasce de corações ressentidos e que odeiam a vida. A Igreja e os seus santos sempre reconheceram a bondade fundamental desta vida e dos alimentos que a sustentam. Um santo não é um faquir, e o ideal ascético cristão nunca foi o de deitar numa cama de pregos ou engolir cacos de vidro.

Desde o Novo Testamento, a Igreja sempre condenou o “destempero” dos santarrões e das suas seitas. Jejuar não é simplesmente passar fome. Se assim o fosse, a anorexia das modelos seria virtude heroica e os famélicos da história poderiam ser canonizados. Mas a simples fome não santifica ninguém. Para que dê o seu fruto, o jejum deve ser acompanhado de uma atitude espiritual adequada, pois a doença espiritual que desejamos curar é, seja permitida a redundância, espiritual.

O pecado não está no alimento, mas no desejo. São Doroteu de Gaza (século VI) explica isso a partir de uma comparação com o casamento. O ato sexual realizado por um devasso pode ser externamente idêntico ao de um esposo, mas sua natureza é completamente diferente. Nos atos humanos, a intenção não é um mero detalhe.

Assim também é na alimentação. O homem sadio e o homem que sofre de gastrimargia podem comer os mesmos alimentos nas mesmas quantidades, mas somente o doente comete idolatria. Quando, diante dos alimentos, nos esquecemos de Deus e começamos a desejar o nosso próprio bem, mais do que a glória de Deus, geramos uma desordem no nosso próprio ser (Trechos extraídos do livro “Um olhar que cura – Terapia das doenças espirituais”, págs. 64 a 69).

Padre Paulo Ricardo

1º Domingo da Quaresma – Ano B

Por Pe. Fernando José Cardoso

Gênesis 9, 8-15; 1 Pedro 3, 18-22; Marcos 1, 12-15

COM JESUS NO DESERTO

Concentremo-nos na frase inicial do Evangelho: «O Espírito impulsionou Jesus ao deserto». Contém um chamado importante no início da Quaresma.

Jesus acabava de receber, no Jordão, a investidura messiânica para levar a boa nova aos pobres, curar os corações afligidos, pregar o reino. Mas não se apressa a fazer nenhuma destas coisas. Ao contrário, obedecendo a um impulso do Espírito Santo, retira-se ao deserto, onde permanece quarenta dias, jejuando, orando, meditando, lutando. Tudo isto em profunda solidão e silêncio.

Há na história legiões de homens e mulheres que elegeram imitar este Jesus que se retira ao deserto. No Oriente, começando por Santo Antonio Abade, retiravam-se aos desertos do Egito ou da Palestina, no Ocidente, onde não havia deserto de areia, retiravam-se a lugares solitários, montes e vales remotos. Mas o convite a seguir Jesus no deserto dirige-se a todos. Os monges e os ermitãos elegeram um espaço de deserto; nós devemos eleger ao menos um tempo de deserto.

Passar um tempo de deserto significa fazer um pouco de vazio e de silêncio em torno a nós, reencontrar o caminho de nosso coração, subtrair-se do alvoroço e dos chamados exteriores para entrar em contato com as fontes mais profundas de nosso ser.

Bem vivida, a Quaresma é uma espécie de cura de desintoxicação da alma. De fato, não existe somente a contaminação de óxido de carbono, existe também a contaminação acústica e luminosa. Todos estamos um pouco ébrios de compaixão e de exterioridade. O homem envia suas sondas até a periferia do sistema solar, mas ignora, na maioria das vezes, o que existe em seu próprio coração. Evadir-se, distrair-se, divertir-se: são palavras que indicam sair de si mesmo, subtrair-se da realidade.

Há espetáculos «de evasão» (a TV os propina em avalanche), literatura «de evasão». São chamados, significativamente, “fiction”, ficção. Preferimos viver na ficção que na realidade. Hoje se fala muito de «alienígenas», mas alienígenas, ou alienados, estamos já por nossa conta em nosso próprio planeta, sem necessidade de que venham outros de fora.

Os jovens são os mais expostos a esta embriaguez de estrondo. «Que aumente o trabalho destes homens –dizia dos hebreus o faraó a seus ministros– para que estejam ocupados nele, de forma que não prestem ouvido às palavras de Moisés e não pensem em subtrair-se da escravidão» (Ex 5, 9). Os «faraós» de hoje dizem, de modo implícito, mas não menos imperativo: «Que aumente o alvoroço sobre estes jovens, que os aturda, para que não pensem, não decidam por sua conta, mas que sigam a moda, comprem o que nós queremos, consumam os produtos que nós mandarmos».

O que fazer? Ao não podermos ir ao deserto, há que fazer um pouco de deserto dentro de nós. São Francisco de Assis nos dá, a esse respeito, uma sugestão prática. «Temos –dizia– um eremitério sempre conosco; ali aonde vamos, e cada vez que quisermos, podemos encerrar-nos nele como ermitãos. O eremitério é nosso corpo e a alma é o ermitão que habita dentro!». Neste eremitério «portátil» podemos entrar, sem saltar à vista de ninguém, até enquanto viajamos de ônibus. Tudo consiste em saber «voltar a entrar em si mesmo» a cada tanto.

Que o Espírito que «impulsionou Jesus ao deserto» conduza-nos também, auxilie-nos na luta contra o mal e nos prepare para celebrar a Páscoa renovados no espírito!

 

COM CRISTO, NADA E NEM NINGUÉM PODE NOS ATINGIR… se nós não desejarmos.
Jesus, o único Senhor, liberta-nos de Satanás, pois o venceu.

Mateus (4, 1-11): Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo. E depois de fazer um jejum de quarenta dias e quarenta noites, ao final sentiu fome. E, aproximando-se o tentador, disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diga a estas pedras que se transformem em pães». Mas ele respondeu: «Está escrito: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”». (…) Por fim, o diabo o deixou, e os anjos aproximaram-se para servi-lo.

Hoje o demônio, o satanismo e outros fenômenos relacionados são de grande atualidade, e inquietam muito. Nosso mundo tecnológico e industrializado pulula de magos, bruxos, ocultismo, espiritismo, horóscopos, vendedores de feitiços, de amuletos e também de autênticas seitas satânicas.

Expulsado pela porta, o diabo voltou a entrar pela janela. Ou seja, expulso da fé, regressou com a superstição.

O episódio das tentações de Jesus no deserto ajuda-nos a pôr um pouco de clareza. Antes de tudo, existe o demônio?

A palavra demônio indica verdadeiramente uma realidade pessoal, dotada de inteligência e vontade, ou é um símbolo, um modo de falar para indicar a soma do mal moral do mundo, o inconsciente coletivo, a alienação coletiva, etc?

Muitos, entre os intelectuais, não crêem no demônio entendido no primeiro sentido. Mas se deve observar que grandes escritores e pensadores, como Goethe e Dostoiévski, tomaram muito a sério a existência de Satanás.

Charles Baudelaire, que não era certamente de uma raça de santos, disse que «a maior astúcia do demônio é fazer crer que não existe». A prova principal da existência do demônio nos Evangelhos não está nos numerosos episódios de libertação de obsessos, porque ao interpretar estes fatos podem ter influído as crenças sobre a origem das enfermidades.

A prova verdadeira está nos santos! E Jesus, que é tentado no deserto pelo demônio, é a confirmação evidente disso. A prova são também os muitos santos que lutaram na vida com o príncipe das trevas. Não são uns «dons Quixote», que lutaram contra moinhos de vento. Ao contrário, são homens muito concretos e de psicologia sã.

Se muitos pensam ser absurdo crer no demônio é porque se baseiam em livros, passam a vida nas bibliotecas ou no escritório, enquanto que ao demônio não interessa os livros, mas as pessoas, especialmente os santos. Que pode saber de Satanás quem nunca teve de ver com a realidade de Satanás, mas só com sua idéia, isto é, com as tradições culturais, religiosas, etnológicas sobre Satanás?

Esses tratam habitualmente o tema com grande segurança e superioridade, liquidando tudo como «obscurantismo medieval». Mas é uma falsa segurança. Como quem se gaba de não ter medo algum do leão, aduzindo como prova o fato de que o viu muitas vezes pintado ou fotografado e nunca se atemorizou.

Por outro lado, é normal e coerente que quem não crê no diabo não creia em Deus. Seria até trágico se alguém que não crê em Deus acreditasse no diabo! O mais importante que a fé cristã tem a dizer-nos não é, contudo que o demônio existe, mas que Cristo venceu o demônio. Cristo e o demônio não são para os cristãos dois príncipes iguais e contrários.

Jesus é o único Senhor; Satanás não é senão uma criatura «deixada a perder». Se lhe é concedido poder sobre os homens é para que os homens tenham a possibilidade de fazer livremente uma eleição e também para que não «se ensoberbeçam», crendo-se auto-suficientes e sem necessidade de nenhum redentor.

«O velho Satanás está louco», diz um canto espiritual negro. «Disparou um tiro para destruir minha alma, mas errou a pontaria e destruiu ao contrário meu pecado». Com Cristo, não temos nada a temer. Nada nem ninguém pode nos fazer mal, se nós mesmos não o desejarmos.

Satanás, dizia um antigo Padre da Igreja, após a vinda de Cristo, é como um cão amarrado: pode ladrar o quanto quiser; mas se não formos nós a aproximar dele, não poderá morder.

Jesus no deserto se libertou de Satanás para livrar-nos de Satanás! É a alegre notícia com a qual iniciamos nosso caminho quaresmal.

Original italiano publicado por «Famiglia Cristiana».

 

QUARESMA: O TEMPO DO CORAÇÃO
Evangelho do primeiro domingo da quaresma

Gen 9,8-15
Deus disse a Noé e aos seus filhos: Eis que estabeleço a minha aliança covosco e com os vossos descendentes depois de vós, com todo ser vivente que está convosco, aves, gado e animais selvagens, com todos os animais que saíram da arca, com todos os animais da terra. Estabeleço a minha aliança convosco: nenhuma outra carne será destruída pelas águas do dilúvio, nem o dilúvio devastará mais a terra.

I Pd 3,18-22
Amados, Cristo morreu pelos pecados de uma vez por todas, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito.

Mc 1,12-15
Naquele tempo, o Espírito conduziu Jesus ao deserto e ele ali permaneceu durante quarenta dias, tentado por satanás. Vivia em meio às feras e os anjos o serviam. Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho.

Movido internamente pelo mesmo Espírito que conduziu Jesus, o crente batizado permanece quarenta dias no deserto com o Senhor, para se preparar para o dom da alegria pascal. Profundamente necessitado de silêncio e de serenidade, ele anseia por uma Palavra verdadeira, que o reencaminhe rumo à harmonia consigo mesmo e com os outros e o faça amar a vida juntamente com eles, na certeza consoladora de que, para além da morte, contemplará o esplendor da face do Cristo Ressuscitado durante toda a eternidade: Ele é “o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Ap 22, 13). Ele é a realização pessoal da aliança que Deus fez com o homem, graças à qual toda pessoa é criada “à imagem e semelhança de Deus” (Gen 1, 27).

A quaresma não é apenas um tempo do calendário, mas o tempo do coração, “o tempo completo” (Mc 1, 15), como Jesus proclama hoje. É o “kairós”, o tempo pessoal e definitivo da abundância da vida (Jo 10, 10), o tempo da alegria inalienável e própria de Jesus, que vem da auto-realização no amor e na obediência à vontade do Pai . “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo: convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

É o anúncio de um caminho em direção à meta mais desejável que existe: a felicidade duradoura nesta vida, que se tornará bem-aventurança eterna na outra. Que o tempo esteja completo é coisa cujo significado se assemelha ao anúncio do nascimento: nasce algo que já se trazia por dentro, e, se o acolhemos como um dom de amor a ser cuidado o tempo todo, a nossa vida não conhecerá mais a tristeza da solidão.

“A alegria é o sinal infalível da presença de Deus”, afirmava Leon Bloy, querendo dizer que a sua fonte, que jorra sem parar no profundo do coração, é o encontro diário com o Senhor Jesus. Temos aqui um testemunho importante sobre isto: um doente terminal de aids, na Casa Dom da Paz, das Missionárias da Caridade, pediu o batismo. Quando o padre pediu dele uma expressão de fé, o doente murmurou: “O que eu sei é que eu sou infeliz, e que as irmãs são muito felizes, mesmo quando eu as insulto e cuspo nelas. Ontem eu finalmente perguntei o motivo dessa felicidade. Elas me responderam: Jesus. Eu quero esse Jesus, para ser feliz também” (Cardeal Timothy Dolan, Homilia na Jornada de Oração pelo colégio cardinalício, 17 de fevereiro de 2012).

O ser humano é concebido como um ser-para-a-alegria, e isso fica provado quando vemos que todas as crianças são espontaneamente felizes diante da face da mãe. Eu poderia dizer que isso acontece por causa do fato ontológico de que elas já conhecem a face da mãe há nove meses, porque Deus Pai-Mãe, que em Cristo “os escolheu antes da criação do mundo” (Ef 1, 4), olha para elas desde a concepção com o seu rosto inefável de amor radiante, e nunca voltará o olhar para nenhum outro lugar até que o vejamos diretamente “como ele é” (1 João 3, 2): “alegria completa na tua presença, doçura sem fim à tua direita” (Salmo 16, 11).

Pe. Angelo del Favero

 

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA – B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

“Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo, estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei longos dias” (Sl 90,15s)

Meus queridos irmãos,
Vivemos o primeiro Domingo da Quaresma. Santa Quaresma! Tempo de perdoar e de amar. Amar como Jesus nos amou, entregando-se à tirania de seus algozes, submetendo-se a humilhações e ao Lenho da Cruz para a salvação da humanidade. Refletimos hoje sobre a conversão, linha mestra deste tempo admirável que é a Santa Quaresma. A Restauração da humanidade é feita em Cristo pelo batismo. O mal tem muitas faces, mas uma coerência inferior faz pensar num ser pessoal, embora não identificável no mundo material. Chama-se Satanás, ou seja, adversário, ou ainda diabo, o destruidor. O diabo está presente desde o início da humanidade. Parece, às vezes, que Deus “solta as forças do mal”, por exemplo, quando ele permitiu que Satanás provasse o justo Jô. As águas do dilúvio representavam, para os nossos antepassados, um desencadeamento das forças do mal sobre a criação, o mundo dos homens. Deus soltou Leviatã, o demônio das águas. Mas quem tem a última palavra, a palavra final, na criação é o amor misericordioso de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus não quer destruir o homem, por isso, imporá limites a Leviatã. Não mais voltará a destruir a terra, conforme nos ensina a primeira Leitura. Ao final do dilúvio, Deus repete o dia da criação, em que Ele venceu o caos original, separou as águas de cima e as águas de baixo e deu um lugar especial para o homem habitar. É uma nova criação que se realiza a partir do dilúvio, seguida por um pacto de proteção. O belo arco-íris que alegra generosamente todos os viventes, especialmente os homens, no fim do temporal, é o sinal natural da aliança entre Deus e os homens. Oito pessoas foram preservadas, na arca de Noé. Elas serão, graças à aliança entre Deus e os homens, o início de uma nova humanidade.

Caros irmãos,
A Primeira Leitura(Gn 9,8-15) nos apresenta o Dilúvio e a aliança com a humanidade. O dilúvio é o símbolo do juízo de Deus sobre este mundo. Mas repousa sobre este, também, a sua misericórdia, simbolizada pelo arco-íris. Deus faz uma aliança com Noé e a sua descendência, isto é, a humanidade inteira. Apesar do mal, Deus não voltará a destruir a humanidade. É significativo que esta mensagem foi codificada no tempo do declínio do Reino de Judá. A fidelidade de Deus dura para sempre.

Irmãos e irmãs,
O primeiro domingo da Santa Quaresma tem um Evangelho(cf. Mc 1,12-15) muito especial: aquela passagem que relata o episódio das tentações de Jesus, antes de começar a sua vida pública para pregar o Evangelho. Pode ser uma contradição para a compreensão humana pensar que o Filho de Deus passe por tentações. Tentação é sempre ligada a pecado e como Jesus na tem pecado, achamos impossível ele ser tentado. Entretanto, até para os santos a tentação é colocada para que sejam aprimoradas a nossa confiança e a nossa perseverança em seguir Jesus Cristo. O centro do Evangelho de hoje são os homens e as mulheres redimidos por Jesus que restaura a humanidade pela sua morte e ressurreição. Todos os homens permanecem em constante tentação: este é o retrato dos humanos. No deserto, onde se passo o relato do Evangelho deste dia, há o símbolo da natureza violentada, calcinada, amaldiçoada. Até a natureza deve receber o Messias que vem reconduzir as criaturas ao sentido que tinham na criação: obras boas saídas das mãos poderosas de Deus. Para elas, Jesus traz a boa nova. O extremo mais longe é o diabo. O mais perto são os anjos, querubins e serafins. Entre os dois acontece a nossa vida. Entre os dois se põe Nosso Senhor Jesus Cristo, participando da sorte humana, dos animais e das plantas. O mais beneficiado é o homem e a mulher.

Meus irmãos,
Jesus exclama que “o tempo já se cumpriu”. Isso significa não o fim do mundo, mas a inauguração de um novo tempo de graça e de paz: o TEMPO DA SALVAÇÃO, momento da graça redentora. Terminamos o momento de espera; começa-se o tempo de certeza, que não dispensa o esforço, a conversão, a emenda de vida. Esse “hoje da salvação” não é o tempo histórico de Jesus, mas sim o dia de hoje, o tempo de cada um de nós, o hoje de cada um dos viventes. Contudo, é necessário refletir ainda sobre o DESERTO. Todos os profetas se preparavam no deserto. O deserto passou a ser o lugar onde se pode encontrar Deus e tomar grandes decisões. E em Marcos, especialmente, é o lugar onde a gente se encontra com Deus. Compreende-se, então, que Marcos faça Jesus – mais santo que o profeta Elias, legislador maior do que Moisés, o Messias esperado – como que nascer do deserto e vir do deserto para começar a pregação do Evangelho. O DESERTO, entretanto, é um lugar inóspito, símbolo de maldição, lugar de feras e demônios. E é nesse local que o demônio vai tentar Jesus. Nós, homens e mulheres, à imagem e semelhança de Deus, estamos sempre ameaçados pelo demônio que quer que nós vivamos no mundo do pecado e da maldição. E geralmente, quando atravessamos os desertos de nossa existência, ele investe contra nós, tirando-nos a paz de espírito, a tranqüilidade de consciência, a comunhão com Jesus Cristo. Por isso, a grande mensagem de hoje é a volta do cristão para Deus, a volta do vivente – homem e mulher – para Deus. Isso, porém, só acontecerá com a nossa conversão e mudança de vida. A Santa Igreja nos apresenta a Quaresma santa, tempo de conversão, de mudança de vida e de amor em abundância. Santa Quaresma é retorno para Deus, equilíbrio interior, vitória sobre as tentações do maligno. Confirma-o a Sagrada Liturgia, ao entoar o cântico que dá o colorido deste tempo: “Este é o tempo propício” (2Cor 6,2). Jesus veio da terra dos pagãos. Israel esperava um messias triunfalista, chefe militar, mas veio um filho de carpinteiro, nascido na mais pérfida cidade de seu tempo. Isso nos leva a concluir que não importa qual a nossa origem ou a nossa condição social ou econômica. O importante é o nosso batismo. Pelo batismo, tornamo-nos cristãos e aí não tem diferença: todos somos cidadãos do céu. Neste sentido, anima a celebração de hoje o espírito de confiança, acreditando que poderemos vencer o pecado e a tentação pela graça de Deus: “Ele guia ao bom caminho os pecadores; aos humildes conduz até o fim em seu amor”. Por esta razão, todos os batizados devem renovar, na celebração da Páscoa, o compromisso de seu batismo: um compromisso de coerência de vida, de anúncio do Evangelho e de engajamento na nova Evangelização, superando todas as exclusões, como dos idosos, lutando ainda para que todos tenham “o pão de trigo e o pão da palavra”, palavra que liberta e salva!

Caros irmãos,
A Segunda Leitura(cf. 1Pd 3,18-22) nos apresenta o Dilúvio e o batismo. A Primeira Carta de Pedro caracteriza-se por seu teor de catequese batismal. O batismo inclui a transmissão do credo. Cristo morreu e desceu aos ínferos, ressuscitou, foi exaltado ao lado de Deus, julgará vivos e mortos. Jesus tendo trilhado o nosso caminho até a morte, nós podemos seguir seu caminho à vida. O batismo, antítipo do dilúvio, purifica a consciência e nos orienta para onde Cristo nos precedeu.

Meus irmãos,
Conversão e batismo constituem as duas linhas mestras da Quaresma. Pelo batismo, o ser humano mergulha, por sua vez, na morte e ressurreição do Senhor Jesus. Este mergulho nas águas da vida do batismo em Cristo exige, no entanto, a conversão, o compromisso solene de uma boa consciência para com Deus. Conversão, fé na boa-nova do Cristo e compromisso de vida nova constituem as linhas-força desta Quaresma que se inicia. Que todos nós possamos viver intensamente este tempo de penitência, de jejum, de conversão e de oração. Que a palavra divina seja sempre a santa referência fundamental a orientar a vida cristã nas horas de provações e de dúvidas. Amém!

 

JESUS NOS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES!

Antigamente, a Quaresma era o período durante o qual, através da penitencia e da provação, os catecúmenos se preparavam para receber o batismo na noite de Páscoa ou àqueles que tinham cometidos pecados graves e públicos se preparavam para retornar ao seio da sua comunidade cristã, chamavam-se de “penitentes”.

A Liturgia sempre coloca Jesus no Evangelho do Primeiro Domingo da Quaresma vencendo as tentações do Demônio (cf. Mc 1, 12-15; mais detalhista é o Evangelho de Mt 4, 1-11). O Nosso Senhor e Mestre não só vence, mas nos dá as dicas para vencer também o nosso inimigo e as tentações pequenas e grandes que enfrentamos todos os dias. O objetivo desta reflexão de hoje será avaliar a nossa defesa e aumentar as nossas resistências frente às tentações e celebrar a vitória com o Senhor Jesus. JESUS NOS ENSINA A VENCER AS TENTAÇÕES!

O Senhor derrotou o inimigo através da Docilidade ao Espírito Santo, pois “no deserto, ele era guiado pelo Espírito”, da Palavra: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem”; da Oração: “Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus”; do Jejum: “Não comeu nada naqueles dias e, depois disso, sentiu fome”, e pela Adoração: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás”. Exercendo Sua autoridade que vinha de uma vida coerente e santa. Isso fica bem claro na leitura deste Evangelho.

De maneira semelhante como o antigo povo de Israel partiu durante quarenta anos pelo deserto para ingressar na terra prometida, a Igreja, o novo povo de Deus, prepara-se durante quarenta dias para celebrar a Páscoa do Senhor. Embora seja um tempo penitencial, não é um tempo triste e depressivo. Trata-se de um tempo especial de purificação e de renovação da vida cristã para poder participar com maior plenitude e gozo do mistério pascal do Senhor.

Jesus Cristo dando inicio a caminhada do Novo povo de Deus se dirige ao deserto como lugar de encontro com Deus, lugar de recolhimento, onde Ele se revela, onde se escuta Sua Palavra. E diferente do antigo povo da Aliança que sucumbe a tentação, se revolta, tem saudade das cebolas do Egito, onde eles tinham o que comer, mas eram escravos. Jesus vence a tentação, vence o demônio pela oração, pelo jejum através da Palavra e da Obediência ao Pai.

A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, nos afastar de todo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e, por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal.

No pórtico da Quaresma recém-começada, encontramos Jesus tentado pelo diabo. A Bíblia tem vários nomes para este personagem, mas em todos subjaz a mesma incumbência da sua missão: o que separa o que arranca; diabo, dia-bolus: o que divide. O demônio – no meio do mundo que o ignora e o torna frívolo – está mais presente que nunca: nos medos, nos dramas, nas mentiras e nos vazios do homem pós-moderno, aparentemente descontraído, brincalhão e divertido.

Com Jesus, como com todos, o diabo procurará fazer uma única tentação, ainda que com diversos matizes: romper a comunhão com Deus Pai. Para este fim, todos os meios serão aptos, desde citar a própria Bíblia até fantasiar-se de anjo da luz. As três tentações de Jesus são um exemplo muito atual: da tua fome, converte as pedras em pão; das tuas aspirações, torna-te dono de tudo; da tua condição de filho de Deus, coloca a tua proteção à prova. Em outras palavras: o dia-bolus buscará conduzir Jesus por um caminho no qual Deus ou é banal e supérfluo, ou é inútil e nocivo.

Prescindir de Deus porque eu reduzo minhas necessidades a um pão que eu mesmo posso fabricar, como se fosse minha própria mágica (1ª tentação). Prescindir de Deus modificando seu plano sobre mim, incluindo aspirações de domínio que não têm a ver com a missão que Ele me confiou (2ª tentação). Prescindir de Deus banalizando sua providência, fazendo dela um capricho ou uma diversão (3ª tentação).

Isso se torna atual se formos traduzindo, com nomes e cores, quais são as tentações reais (!) que separam – cada um e todos juntos – de Deus e, portanto, dos outros também. A tentação do deus-ter (em todas as suas manifestações de preocupação pelo dinheiro, pela acumulação, pelas “devoções” a loterias e jogos, pelo consumismo). A tentação do deus-poder (com todo o leque de pretensões de ascensão, que confundem o serviço aos demais com o servir-se dos demais, para os próprios interesses e controles). A tentação do deus-prazer (com tantas, tão infelizes e, sobretudo tão desumanizadoras formas de praticar o hedonismo, tentando censurar inutilmente nossa limitação e finitude).

Quem duvida de que existem mil diabos, que nos encantam e seduzem a partir da chantagem das suas condições e, apresentando tudo como fácil e atrativo, nos separam de Deus, dos demais e de nós mesmos?

Jesus venceu o diabo. A Quaresma é um tempo para voltarmos ao Senhor, unindo novamente tudo que o tentador separou. “Jejuando quarenta dias no deserto, Jesus consagrou a abstinência quaresmal. Desarmando as ciladas do antigo inimigo, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade. Celebrando agora o mistério pascal, nós nos preparamos para a Páscoa definitiva” (Prefácio do 1° Domingo da Quaresma).

Oremos: Ó Deus, que nos alimentastes com este pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar o Cristo, pão vivo e verdadeiro, e viver de toda Palavra que sai de vossa boca para vencer ao pecado, a nós mesmos e ao diabo. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.  Diretor Espiritual e Formador do Pré-discípulado.   http://www.faceboock.com/padreluizinho

Santo Evangelho (Mc 7, 24-30)

ANO ÍMPAR

5ª Semana Comum – Quinta-feira 08/02/2018 

Primeira Leitura (Gn 2,18-25)
Leitura do Livro do Gênesis.

18O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. 19Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria; todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. 20E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens, mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. 21Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com carne. 22Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. 23E Adão exclamou: “Dessa vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem”. 24Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne. 25Ora, ambos estavam nus, Adão e sua mulher, e não se envergonhavam.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 127)

— Felizes todos os que respeitam o Senhor.
— Felizes todos os que respeitam o Senhor.

— Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos hás de viver, serás feliz, tudo irá bem!

— A tua esposa é uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos são rebentos de oliveira ao redor de tua mesa.

— Será assim abençoado todo homem que teme o Senhor. O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

 

Evangelho (Mc 7,24-30)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. 28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”. 29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Josefina Bakhita – A primeira santa africana

Santa Josefina Bakhita, testemunhou com a própria vida a alegria de servir a Cristo

Santa irmã morena, como era conhecida, nasceu no Sudão, em 1869. Santa Josefina, como muitos naquele tempo, viveu a dureza da escravidão. Bakhita, que significa “afortunada”, não foi o nome dado a ela pelos pais, mas por uma das pessoas que, certa vez, a comprou.

Por intermédio de um cônsul italiano que a comprou, ela foi entregue a uma família amiga deste de Veneza. Ali, ela tornou-se amiga e também babá da filha mais nova deles que estava nascendo.

Em meio aos sofrimentos e a uma memória toda marcada pela dor e pelos medos, ela foi visitada pelo amor de Deus. Porque essa família de Veneza teve de voltar para a África, em vista de negócios, tanto a filha pequena quanto a babá foram entregues aos cuidados de irmãs religiosas de Santa Madalena de Canossa. Ali, Santa Bakhita conheceu o Evangelho; conhecendo a pessoa de Jesus, foi se apaixonando cada vez mais por Ele.

Com 21 anos, recebeu a graça do sacramento do batismo. Livremente, ela O acolheu e foi crescendo na vida de oração, experimentando o amor de Deus e se abrindo à ação do Espírito Santo.

Quando aqueles amigos voltaram para pegar Bakhita e a criança, foi o momento em que ela expressou o seu desejo de permanecer no local, porque queria ser religiosa. Passado o tempo de formação, recebeu a graça de ser acolhida como religiosa. Isso foi sinal de Deus para as irmãs e para o povo que rodeava aquela região.

Santa Josefina Bakhita, sempre com o sorriso nos lábios, foi uma mulher de trabalho. Exerceu várias atividades na congregação. Como porteira e bordadeira, ela serviu a Deus por intermédio dos irmãos. Carinhosamente, ela chamava a Deus como seu patrão, “o meu Patrão”, ela dizia.

Conhecida por muitos pela alegria e pela paz que comunicava, ela, com o passar dos anos, foi acometida por uma grave enfermidade. Sofreu por muito tempo, mas na sua devoção a Santíssima Virgem, na sua vida de oração, sacramental, de entrega total ao Senhor, ela pôde se deixar trabalhar por Deus, seu verdadeiro libertador. Ela partiu para a glória e foi canonizada pelo Papa João Paulo II no ano 2000.

Santa Bakhita, rogai por nós!

 

ANO PAR

Primeira Leitura (1Rs 11,4-13)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.

4Quando Salomão ficou velho, suas mulheres desviaram o seu coração para outros deuses e seu coração já não pertencia inteiramente ao Senhor, seu Deus, como o do seu pai Davi. 5Salomão prestou culto a Astarte, deusa dos sidônios, e a Melcom, ídolo dos amonitas. 6Ele fez o que desagrada ao Senhor e não lhe foi inteiramente fiel, como seu pai Davi. 7Foi então que Salomão construiu um santuário para Camos, ídolo de Moab, no monte que está defronte de Jerusalém, e para Melcom, ídolo dos amonitas. 8Fez o mesmo para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios aos seus deuses. 9Então o Senhor irritou-se contra Salomão, porque o seu coração tinha-se desviado do Senhor, Deus de Israel, que lhe tinha aparecido duas vezes 10e lhe proibira expressamente seguir a outros deuses. Mas ele não obedeceu à ordem do Senhor. 11E o Senhor disse a Salomão: “Já que procedeste assim, e não guardaste a minha aliança, nem as leis que te prescrevi, vou tirar-te o reino e dá-lo a um teu servo. 12Mas, por amor de teu pai Davi, não o farei durante a tua vida; é da mão de teu filho que o arrebatarei. 13Não te tirarei o reino todo, mas deixarei ao teu filho uma tribo, por consideração para com meu servo Davi e para com Jerusalém, que escolhi”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 105)

— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!
— Lembrai-vos, ó Senhor, de mim lembrai-vos, segundo o amor que demonstrais ao vosso povo!

— Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais ao vosso povo!

— Misturaram-se, então, com os pagãos, e aprenderam seus costumes depravados. Aos ídolos pagãos prestaram culto, que se tomaram armadilha para eles;

— Pois imolaram até mesmo os próprios filhos, sacrificaram suas filhas aos demônios. Acendeu-se a ira de Deus contra o seu povo, e o Senhor abominou a sua herança.

 

Evangelho (Mc 7,24-30)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 24Jesus saiu e foi para a região de Tiro e Sidônia. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava. Mas não conseguiu ficar escondido. 25Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito impuro, ouviu falar de Jesus. Foi até ele e caiu a seus pés. 26A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio. 27Jesus disse: “Deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”. 28A mulher respondeu: “É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem as migalhas que as crianças deixam cair”. 29Então Jesus disse: “Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu de tua filha”. 30Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

Mando no meu coração?

Para possuir-se é preciso exercitar o amor

O relacionamento de duas pessoas, sejam amigos, namorados ou casados, têm a sua base no amor mútuo, que une os dois e os faz crescer. Sem isto qualquer relacionamento cai no vazio.

Amar é construir o outro, fazê-lo feliz, fazê-lo crescer como pessoa. Mas para isto é preciso possuir-se, ser senhor de si mesmo, porque para amar alguém é preciso saber renunciar-se. E só pode renunciar a si mesmo quem aprendeu a dominar-se.

As pessoas transformam o amor em egoísmo, porque não têm o domínio de si mesmas, por isso não conseguem amar.

Saiba que a grande crise do homem moderno é que ele dominou o macrocosmo das estrelas e o microcosmo das bactérias e dos átomos, mas perdeu o domínio de si mesmo; por isso não consegue amar de verdade e continua muito egoísta.

Para que você possa amar de verdade, como Deus quer, é preciso que caminhe “de pé”, isto é, respeitando a primazia dos valores: em cima, o espírito; abaixo, o racional; e mais abaixo o físico. Assim, você terá o controle e o comando dos seus atos e de sua vida.

Se o seu corpo domina o seu espírito, você caminha de cabeça para baixo. Se você não se domina diante da força dos instintos e das paixões, você se arrasta e não é capaz de amar.

Você também pode deixar de caminhar de pé se é a sensibilidade que comanda os seus atos, e não o espírito e a razão.

É claro que a sensibilidade é importantíssima; ela nos diferencia dos animais, mas não pode ser a imperatriz dos nossos atos.

Não podemos ser conduzidos apenas pelo “sentir”.

Se for assim, você pode achar que uma pessoa está certa apenas porque é simpática ou muito amiga, e não porque, de fato, ela tem razão.

A sensibilidade está comandando a sua vida se você troca o sonho pela realidade quando não aceita a si mesmo como é.

Para caminhar de pé é preciso que o seu espírito, fortalecido pelo Espírito Santo, comande a sensibilidade e o corpo.

A sensibilidade é bela, faz você chorar diante da dor e do sofrimento do outro, mas precisa ser controlada pelo espírito.

Um cavalo fogoso pode levá-lo muito longe se você tiver firme as suas rédeas, mas pode jogá-lo ao chão se não for dominado.

Para amar é preciso possuir-se, e para possuir-se é preciso exercitar o amor. Jesus foi o que amou melhor, porque tinha o domínio perfeito de si mesmo. Nunca o egoísmo falou mais alto do que o amor dentro dele. Assim também foram os santos.

Há uma coisa que você precisa saber: só por nossas próprias forças não podemos caminhar de pé. Jesus avisou que “o espírito é forte, mas a carne é fraca”. Portanto, você precisa da força de Deus para suportar a sua natureza enfraquecida pelo pecado original.

A pessoa que caminha de pé sabe pensar independentemente da opinião pública e da propaganda, sabe ser calmo, tranquilo e paciente; não se agita nem se desespera, não grita e não bate. Vive com simplicidade e tem o pé no chão. Não despreza ninguém e sabe valorizar a todos; não é vaidoso nem arrogante, e não precisa de aplausos para ser feliz. Está sempre pronto a aprender e ensinar, sabe aceitar a opinião dos outros quando é melhor que a sua, cultiva a verdade, tem mente de homem e coração de menino, conhece-se a si mesmo como é e ama a Deus.

Enfim, a pessoa de pé é a pessoa madura, que aprendeu a se dominar para poder, de fato, amar.

(Extraído do livro “Problemas no namoro”)
Prof. Felipe Aquino
[email protected]

Santo Evangelho (Mc 1, 21-28)

4º Domingo do Tempo Comum – Domingo 28/01/2018 

Primeira Leitura (Dt 18,15-20)
Leitura do Livro do Deuteronômio:

Moisés falou ao povo, dizendo: 15“O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar. 16Foi exatamente o que pediste ao Senhor teu Deus, no monte Horeb, quando todo o povo estava reunido, dizendo: ‘Não quero mais escutar a voz do Senhor meu Deus, nem ver este grande fogo, para não acabar morrendo’. 17Então o Senhor me disse: ‘Está bem o que disseram. 18Farei surgir para eles, do meio de seus irmãos, um profeta semelhante a ti. Porei em sua boca as minhas palavras e ele lhes comunicará tudo o que eu lhe mandar. 19Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome. 20Mas o profeta que tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que não lhe mandei, ou se falar em nome de outros deuses, esse profeta deverá morrer’”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 94)

— Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!
— Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!

— Vinde, exultemos de alegria no Senhor,/ aclamemos o Rochedo que nos salva!/ Ao seu encontro caminhemos com louvores,/ e com cantos de alegria o celebremos!

— Não fecheis o coração, ouvi hoje a voz de Deus!

— Vinde, adoremos e prostremo-nos por terra,/ e ajoelhemos ante o Deus que nos criou!/ Porque ele é o nosso Deus, nosso Pastor,/ e nós somos o seu povo e seu rebanho,/ as ovelhas que conduz com sua mão.

— Oxalá ouvísseis hoje a sua voz:/ “Não fecheis os corações como em Meriba,/ como em Massa, no deserto, aquele dia,/ em que outrora vossos pais me provocaram,/ apesar de terem visto as minhas obras”.

 

Segunda Leitura (1Cor 7,32-35)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 32Eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. 33O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher 34e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. 35Digo isto para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 1,21-28)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

21Na cidade de Cafarnaum, num dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. 23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” 26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda a parte, em toda a região da Galileia.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Tomás de Aquino, professor e consultor da Ordem

A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística

Neste dia lembramos uma das maiores figuras da teologia católica: Santo Tomás de Aquino. Conta-se que, quando criança, com cinco anos, Tomás, ao ouvir os monges cantando louvores a Deus, cheio de admiração perguntou: “Quem é Deus?”.

A vida de santidade de Santo Tomás foi caracterizada pelo esforço em responder, inspiradamente para si, para os gentios e a todos sobre os Mistérios de Deus. Nasceu em 1225 numa nobre família, a qual lhe proporcionou ótima formação, porém, visando a honra e a riqueza do inteligente jovem, e não a Ordem Dominicana, que pobre e mendicante atraia o coração de Aquino.

Diante da oposição familiar, principalmente da mãe condessa, Tomás chegou a viajar às escondidas para Roma com dezenove anos, para um mosteiro dominicano. No entanto, ao ser enviado a Paris, foi preso pelos irmãos servidores do Império. Levado ao lar paterno, ficou, ordenado pela mãe, um tempo detido. Tudo isto com a finalidade de fazê-lo desistir da vocação, mas nada adiantou.

Livre e obediente à voz do Senhor, prosseguiu nos estudos sendo discípulo do mestre Alberto Magno. A vida de Santo Tomás de Aquino foi tomada por uma forte espiritualidade eucarística, na arte de pesquisar, elaborar, aprender e ensinar pela Filosofia e Teologia os Mistérios do Amor de Deus.

Pregador oficial, professor e consultor da Ordem, Santo Tomás escreveu, dentre tantas obras, a Suma Teológica e a Suma contra os gentios. Chamado “Doutor Angélico”, Tomás faleceu em 1274, deixando para a Igreja o testemunho e, praticamente, a síntese do pensamento católico.

Santo Tomás de Aquino, rogai por nós!

Santo Evangelho (Mc 1, 21b-28)

ANO ÍMPAR

1ª Semana Comum – Terça-feira 09/1/2018

Primeira Leitura (Hb 2,5-12)
Leitura da Carta aos Hebreus.

5Não foi aos anjos que Deus submeteu o mundo futuro, do qual estamos falando. 6A este respeito, porém, houve quem afirmasse: “O que é o homem, para dele te lembrares, ou o filho do homem, para com ele te ocupares? 7Tu o fizeste um pouco menor que os anjos, de glória e honra o coroaste, 8e todas as coisas puseste debaixo de seus pés”. Se Deus lhe submeteu todas as coisas, nada deixou que não lhe fosse submisso. Atualmente, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso. 9Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. 10Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. 11Pois tanto Jesus, o Santificador, como os santificados são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos, 12dizendo: “Anunciarei o teu nome a meus irmãos; e no meio da assembleia te louvarei”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 8)

— Destes domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.
— Destes domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

— Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! Perguntamos: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”

— Destes domínio ao vosso Filho sobre tudo o que criastes.

— Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes:

— as ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas.

 

ANO PAR

Primeira Leitura (1Sm 1,9-20)
Leitura do Primeiro Livro de Samuel.

Naqueles dias 9Ana levantou-se, depois de ter comido e bebido em Silo. Ora, o sacerdote Eli estava sentado em sua cadeira à porta do templo do Senhor. 10Ana, com o coração cheio de amargura, orou ao Senhor, derramando copiosas lágrimas. 11E fez a seguinte promessa, dizendo: “Senhor Todo-poderoso, se olhares para a aflição de tua serva e te lembrares de mim, se não te esqueceres da tua escrava e lhe deres um filho homem, eu o oferecerei a ti por todos os dias de sua vida e não passará navalha sobre a sua cabeça”. 12Como ela se demorasse nas preces diante do Senhor, Eli observava o movimento de seus lábios. 13Ana, porém, apenas murmurava; os seus lábios se moviam, mas não se podia ouvir palavra alguma. Eli julgou que ela estivesse embriagada; 14por isso lhe disse: “Até quando estarás bêbada? Vai curar essa bebedeira!” 15Ana, porém, respondeu: “Não é isso, meu senhor! Sou apenas uma mulher muito infeliz; não bebi vinho, nem outra coisa que possa embebedar, mas desafoguei a minha alma na presença do Senhor. 16Não julgues a tua serva como uma mulher perdida, pois foi pelo excesso da minha dor e da minha aflição que falei até agora” 17Eli então lhe disse: “Vai em paz, e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”. 18Ela respondeu: “Que tua serva encontre graça diante dos teus olhos”. E a mulher foi embora, comeu e o seu semblante não era mais o mesmo. 19Na manhã seguinte, ela e seu marido levantaram-se muito cedo e, depois de terem adorado o Senhor, voltaram para sua casa em Rama. Elcana uniu-se a Ana, sua mulher, e o Senhor lembrou-se dela. 20Ana concebeu e, no devido tempo, deu à luz um filho e chamou-o Samuel, porque – disse ela – “eu o pedi ao Senhor”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (1Sm 2,1ss)

— Meu coração se alegrou em Deus, meu Salvador.
— Meu coração se alegrou em Deus, meu Salvador.

— Exulta no Senhor meu coração, e se eleva a minha fronte no meu Deus; minha boca desafia os meus rivais porque me alegro com a vossa salvação.

— O arco dos fortes foi dobrado, foi quebrado, mas os fracos se vestiram de vigor. Os saciados se empregaram por um pão, mas os pobres e os famintos se fartaram. Muitas vezes deu à luz a que era estéril, mas a mão de muitos filhos definhou.

— É o Senhor quem dá a morte e dá a vida, faz descer à sepultura e faz voltar; é o Senhor quem faz o pobre e faz o rico, é o Senhor quem nos humilha e nos exalta.

— O Senhor ergue do pó o homem fraco, e do lixo ele retira o indigente, para fazê-lo assentar-se com os nobres num lugar de muita honra e distinção.

 

Evangelho (Mc 1,21b-28)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

21bEstando com os seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. 23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”; 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele”! 26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galileia.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo André Corsini, um santo bispo

Santo André Corsini, passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo

Nasceu no século XIV, dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini. Nasceu no ano de 1302. Seus pais, Nicolau e Peregrina não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André.

Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, orava e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provincial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano.

Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo.

Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher um outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também uma outra criança para ele dizendo-lhe que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Foi por essa confiança no amor de Deus que ele assumiu o episcopado e foi um santo bispo. Até que em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. No dia da Epifania do Senhor, ele entrou para o céu.

Santo André Corsini, rogai por nós!

Papa reza o Angelus e recorda festa de santo Estêvão

Terça-feira, 26 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Igreja celebra hoje dia de seu primeiro mártir; Papa recordou que santo Estêvão permaneceu até a morte ancorado à mensagem de Jesus

Nesta segunda-feira, 26, a Igreja celebra a Festa de Santo Estevão, primeiro mártir de toda a história católica. No Vaticano, a data foi recordada pelo Papa Francisco durante a oração mariana do Angelus nesse período de Oitava do Natal.

Francisco destacou que Santo Estêvão professava a nova presença de Deus entre os homens, sabendo que o verdadeiro templo de Deus é agora Jesus, Verbo que veio habitar em meio aos homens. Com isso, o santo colocou em crise os líderes de seu povo e foi acusado de pregar a destruição do templo de Jerusalém; acusaram-no de ter afirmado que “Jesus de Nazaré há de destruir este lugar e há de mudar as tradições que Moisés nos legou”.

Essa mensagem de Jesus incomoda porque desafia o poder religioso mundano e provoca as consciências, observou o Santo Padre, destacando que depois da vinda de Jesus é preciso converter-se, mudar a mentalidade, e Estêvão permaneceu ancorado à mensagem de Jesus até a morte. O santo suplicou a Jesus que acolhesse seu espírito, um pedido a ser feito também hoje por cada um.

“Também nós, diante do Menino Jesus no presépio, podemos rezar a Ele assim: ‘Senhor Jesus, te confiamos o nosso espírito, acolha-o’, para que a nossa existência seja realmente uma vida boa segundo o Evangelho”, disse o Papa.

O Santo Padre acrescentou, por fim, que Jesus é a fonte do amor, que abre à comunhão com os irmãos. “A Maria, Mãe do Redentor e Rainha dos mártires, elevemos com confiança a nossa oração, para que nos ajude a acolher Jesus como Senhor da nossa vida e a nos tornarmos suas corajosas testemunhas, prontos a pagar pessoalmente o preço da fidelidade ao Evangelho”, concluiu.

As bem-aventuranças como programa de santidade

Cristianismo prático

Segunda-feira, 9 de junho de 2014, Da Redação com Rádio Vaticano  

Na Missa de hoje, Francisco refletiu sobre as bem-aventuranças, um programa de vida proposto por Jesus

As bem-aventuranças são o programa de vida do cristão. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 9. O Pontífice focou sua homilia nas bem-aventuranças e, retomando o encontro de oração pela paz realizado ontem no Vaticano, disse que é preciso ter a coragem da mansidão para derrotar o ódio.

Segundo Francisco, as respostas sobre o que fazer para ser um bom cristão estão nas bem-aventuranças, em que Jesus indica atitudes contrárias ao que habitualmente se faz no mundo. Trata-se de um programa de vida proposto por Jesus, algo tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

Sobre a pobreza de espírito, Francisco disse que as riquezas não asseguram nada; aliás, um coração rico está tão satisfeito consigo mesmo que não há lugar para a Palavra de Deus.

Quanto aos que choram, Francisco lembrou que estes serão consolados. O mundo, disse, não quer chorar; então, prefere ignorar as situações dolorosas. “Somente a pessoa que vê as coisas como são e chora no seu coração é feliz e será consolada. A consolação de Jesus, não a do mundo”.

O Papa também falou dos mansos, que são bem-aventurados, neste mundo, que desde o início é de guerra e ódio, embora Jesus tenha pedido paz e mansidão. Bem-aventurados são também os que lutam pela justiça. “É tão fácil entrar nas rachaduras da corrupção. Tudo é negócio. E quantas injustiças! Quanta gente sofre por essas injustiças!”

Sobre os misericordiosos, Francisco disse que são aqueles que perdoam, que entendem os erros dos outros. “Bem-aventurados os que perdoam, os que são misericordiosos. Porque todos nós somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem-aventurado aquele que segue pelo caminho do perdão”.

Bem-aventurados são também os puros de coração, lembrou o Papa, e os que trabalham pela paz. “É tão comum sermos agentes de guerras ou, pelo menos, de mal-entendidos! (…) O mundo das fofocas. Esse povo que fofoca não faz a paz, são inimigos dela”, disse Francisco, que, por fim, lembrou-se das pessoas que são perseguidas por causa da justiça, sendo também elas bem-aventuradas.

O Pontífice acrescentou que se o homem quiser algo a mais do que já está nas bem-aventuranças, Jesus dá outras indicações, como o protocolo segundo o qual os homens serão julgados, uma passagem presente no capítulo 25 do Evangelho de Mateus:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava doente e me visitastes, estava presos e fostes a mim. Com essas duas coisas – Bem-aventuranças e Mateus 25 – pode-se viver a vida cristã em santidade”, explicou o Santo Padre.

Para Francisco, estas são palavras simples, mas práticas a todos, pois o Cristianismo é uma religião prática. Ele finalizou indicando aos fiéis que façam, hoje, essas duas leituras: a passagem sobre as Bem-aventuranças e o capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

“Fará bem a vocês lê-lo uma vez, duas vezes, três vezes. Leiam isso, é um programa de santidade. Que o Senhor nos dê a graça de entender essa Sua mensagem”.

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

“Mestre” – pergunta alguém a Jesus no texto de Mateus neste trigésimo domingo do Tempo Comum – “qual o maior mandamento da lei?” E Jesus não pensa duas vezes para citar o texto do Deuteronômio: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”, isto é, com todo o teu “elã” e com toda a tua alma, ou seja, um amor que esteja disposto a ir ao martírio por Deus. E a seguir acrescenta: “e amarás o teu próximo, como a ti mesmo”. Existem muitas pessoas hoje que tentam resumir o Cristianismo no mandamento do amor e, sobretudo, no mandamento do amor ao próximo. Eles não estão absolutamente errados. Mas é preciso tomar certo cuidado e fazer distinções. Existe um amor vertical que é nosso para com Deus e que responde ao amor vertical que Deus tem para conosco. É evidente que Deus é superior a qualquer ser humano. Ao lado deste amor vertical, e juntamente com ele, existe um amor horizontal com o qual nós amamos o próximo, isto é, os seres humanos, com aquele amor que nós, verticalmente, recebemos de Deus, ou seja, permitimos que Deus ame concretamente nosso irmão através de nós mesmos, através de nosso empenho, através de nossa caridade, concretamente através do instrumental com que a ele nos oferecemos para amar. É claro – e aqui se deve fazer também distinção – que este amor horizontal não tem limites, mas deve ser distinguido de uma simples benemerência. Antes da benemerência, e como que fundando a benemerência, está o amor de Deus. É por causa de Deus que nós queremos bem ao próximo. Esta benemerência aos demais, que provém de Deus e se transforma em algo dinâmico dentro de nós, transforma-se, a seguir, em beneficência e, então, concretamente, realizamos o bem ao outro, como gostaríamos que ele realizasse a nós. Porém, há uma diferença entre aqueles que recebem o amor de Deus e permitem que este amor se transforme no próprio coração em fonte energética dinâmica, e o levam horizontalmente ao próximo. Existe uma diferença entre estes, e aqueles que amam de maneira puramente humana, fazem benemerência ou beneficência sim, mas puramente humanos. São pessoas beneméritas, são pessoas altruístas, são pessoas que pensam nos demais, porém, não necessariamente guiadas e conduzidas por Deus. É preciso fazer uma distinção entre o amor de caridade que tem sempre a sua origem frontal em Deus, mesmo quando se trata de amar o próximo porque então, neste caso, se ama o próximo com a intensidade de Deus. É preciso distinguir este amor de uma simples filantropia, de uma simples inclinação espontânea e natural do coração, para com alguém ou alguns, ou muitos, que não tem, no entanto, Deus como origem e como fonte. Nós podemos e devemos resumir o Cristianismo no duplo mandamento do amor, com uma condição: que ele seja recebido de Deus, no ato da fé.

 

A DIFERENÇA ENTRE A CARIDADE CRISTÃ E A FILANTROPIA
Padre Bantu Mendonça

“Do amor a Deus e ao próximo dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). É a conclusão a qual Jesus quer que todos nós cheguemos no nosso dia a dia. Com esta afirmação, Jesus estabelece um vínculo entre dois amores. Desconhecer este fato pode levar a graves deformações que abalam o equilíbrio interno da fé e, consequentemente, nos leva à morte. É fundamental que todos nós valorizemos as exigências do amor fraterno, procurando agir motivados pelo amor divino porque, se Deus não ocupar o lugar que Lhe compete em nossa vida, até a caridade para com o próximo tende a se degradar e o caos se torna maior. No Evangelho, Jesus retoma e comenta a essência da Lei. Após enfrentar a armadilha dos fariseus – através dos herodianos – sobre o imposto e a investida dos saduceus sobre a ressurreição, Jesus é colocado à prova por um dos fariseus sobre o maior mandamento da Lei. Jesus responde à questão servindo-se em parte da versão deuteronômica: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (cf. Dt 6,5). Embora só fosse interrogado sobre o maior mandamento, Jesus acrescenta o segundo, servindo-se da versão do Levítico: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (cf. Lv 19,18). E então segue-se a assertiva: “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Embora a mentalidade ocidental tenha a tendência de privilegiar o papel da razão quanto ao conhecimento – mesmo o do amor – não faltam referências à compreensão como ato produzido pela experiência. Nesse sentido, a vivência torna-se também meio de conhecer, indo ao encontro daquilo que Jesus indica a respeito do amor a Deus. Não se trata apenas de compreensão racional ou entendimento mental, mas do conhecimento da fé, que, sendo entre outras coisas a experiência de ser amado por Deus, provoca a resposta humana do amor. Tal amor não exclui a inteligência das verdades reveladas e do próprio Deus, antes impulsiona a compreensão, através do estudo da fé. Sob este aspecto, a expressão ninguém ama o que não conhece, se for aplicada ao conhecimento humano sobre Deus, indica tanto a experiência quanto a intelecção da fé. É sugestivo que Jesus acrescente o segundo mandamento – mesmo que o fariseu só se tenha interessado pelo maior mandamento – para afirmar a semelhança do amor ao próximo ao amor a Deus e acentuar que desses dois amores dependem toda a Lei e os Profetas. Qual deve ser o parâmetro do amor entre nós? Jesus diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No contexto da Lei Antiga o “a ti mesmo” aproxima o apreço que cada um tem por si, inclusive como membro do Povo de Deus, ao apreço que se deve ter pelo semelhante respeitado por ser também membro do Povo, e, como tal, sujeito não só de deveres, mas também de direitos iguais (Lv 19,11-18). Outras vezes, o “a ti mesmo” refere-se ao apreço pelo outro que, mesmo sendo estrangeiro, é visto como semelhante ao israelita na situação de exílio já superada. Em ambos os casos, o apreço pelo semelhante supõe o amor a si mesmo e a experiência do amor de Deus, expresso na repetição: “Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19,10.14.16.18.32) e no incisivo: “Eu sou Iahweh, vosso Deus que vos fez sair da terra do Egito” (Lv 19,36). Também na Nova Lei, Jesus aproxima o amor que cada um tem por si mesmo ao amor do outro, através da regra: “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas” (cf. Lc 6,31). Fazendo depender a Lei e os Profetas do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo, Jesus compõe a armadura ou o fundamento da religião. A supressão de um desses amores faz desmoronar todo o edifício. Os fiéis de Cristo que não se preocupam em ser testemunhas visíveis do amor do Pai, pelo serviço aos irmãos, fazem com que seu testemunho perca o centro de todo o seu agir. Aliás, é na mútua articulação entre o amor a Deus e ao próximo que reside a diferença entre a caridade cristã e a filantropia. O amor a Deus se visibiliza no amor ao próximo e o próprio Deus ama seus filhos através dos irmãos que se reúnem e se encontram. Desta maneira, é o amor de Deus que possibilita o encontro sacramental do divino no humano, especialmente mediante a pessoa do pobre. Por isso, a própria luta em prol da justiça e a promoção social dos empobrecidos, são para o cristão motivado pelo amor a Deus, e devem assim permanecer, a fim de não se descaracterizarem em atitudes que a própria Moral cristã condena como a violência ou a vingança. Portanto, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”

 

Os textos da Palavra de Deus para este domingo apresentam-nos a palavra fundamental que deve orientar a vida cristã: o amor (a Deus e ao próximo). No evangelho, Jesus fala-nos do amor vertical (Deus) e do amor horizontal (próximo). Mas não desenvolve muito, nem um nem outro. É na primeira leitura que encontramos uma narração mais pormenorizada sobre como se deve expressar o nosso amor para com os outros. O salmo responsorial explica-nos o amor de Deus. Mas o modelo de amor é Jesus, um exemplo a imitar. A segunda leitura, como é habitual, tem o seu ritmo próprio. Coloca-nos perante a comunidade de Tessalônica que dá a todos um testemunho de fé: “dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro”. É sempre importante saber o que é fundamental nas nossas vidas, e também o que deve ocupar um segundo e um terceiro lugares para que possamos valorizar o essencial. O povo judeu tinha 613 preceitos (248 positivos e 365 negativos). Não era fácil viver com esta “carga”. Por isso, um doutor da lei faz uma pergunta a Jesus: “Qual é o maior mandamento da Lei?”. Jesus responde com muita clareza: o amor. É uma resposta direta e simples; qualquer pessoa a entende, não precisa ser doutor da lei. E este amor não é algo abstrato, mas concretiza-se, olhando para cima (para Deus) e olhando em frente (para o próximo). Será bom recordar que na celebração do Batismo, é dito aos pais e aos padrinhos que o crescimento como cristão dá-se nesta dupla direção: “Pedistes o Batismo para o vosso filho. Deveis educá-lo na fé, para que, observando os mandamentos, ame a Deus e ao próximo, como Cristo nos ensinou. Estais conscientes do compromisso que assumis? E vós, padrinhos, estais decididos a ajudar os pais desta criança nesta sua missão?” O amor a Deus manifesta-se na escuta da sua Palavra, na oração, no cumprimento da sua divina vontade, seguindo o caminho que nos propõe para a vida. Isto acontece na minha vida? Qual é o lugar de Deus na minha vida? Neste mundo tão materialista, tão preocupado pelo imediato, pelo bem-estar, é preciso não esquecer que o essencial é servir a Deus, como fez a comunidade de Tessalônica: abandonar os ídolos mundanos que nós criamos e que ocupam o lugar do “Deus vivo e verdadeiro”. Do amor a Deus provém o amor ao próximo. Não é possível amar a Deus, a quem não vemos, se não amamos os irmãos, a quem vemos (cf. 1 Jo 4, 20). E qual a medida para amar o próximo: “como a ti mesmo”, ou seja, tratar os outros como queríamos que nos tratassem a nós (não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem). Esta é a teoria, mas como pôr em prática? A primeira leitura dá-nos um elenco de aspectos concretos de justiça social que, apesar de terem sido escritos há mais de 2500 anos, continuam atuais: 1) “não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás”, ou seja, acolhe os imigrantes, sê hospitaleiro; 2) “não maltratarás a viúva nem o órfão”, ou seja, não te aproveites dos mais fracos; 3) “se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros”, ou seja, não explores nem enriqueças à custa dos outros; 4) “se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lhe devolver até ao pôr-do-sol”, ou seja, não fiques com os bens alheios. O amor é a única pergunta do exame final da nossa vida. Para darmos a resposta correta, temos de amar a Deus e os irmãos em cada momento da nossa vida.

 

30º Domingo do Tempo Comum – A
“Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”(cf. Sl. 104, 3s).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

Irmãos e Irmãs, Hoje somos convidados a buscar sem cessar a Deus. O povo do antigo testamento foi muito bem educado na fé. Em uma análise muito profunda, com várias comparações com outras religiões, a religião de Israel dá um passo e um peso notabilíssimo à ética. Nisto consiste a primeira leitura de hoje(cf. Ex. 22,20-26), através de uma perícope antiguíssima, que relata em que convinha no agir das coisas simples do dia-a-dia da vida. A leitura relata o ensinamento de ontem e de hoje para não oprimir aqueles que são estrangeiros, migrantes, que padecem da ausência da terra paterna, tendo em vista que os israelitas perambularam como estrangeiros também. A leitura também nos ajuda a refletir sobre a necessidade de respeitar e apoiar as viúvas e os órfãos, bem como não cobrar juros elevados. Quem recebe um manto em penhor, tem que devolvê-lo antes da noite, para que a pessoa não passe a noite no relento. A Primeira Leitura nos apresenta regras concretas para praticar o amor ao próximo. Trata-se de uma antiga coleção de normas concretas, colocadas sob a égide da Aliança – Código da Aliança – que trata da proteção aos pobres. Até os operários migrantes – estrangeiros – são considerados. Estas leis mostram como, numa sociedade simples, predominantemente rural, se encarna a Aliança com Javé, que dá proteção a seu povo e espera dele justiça. Quem despreza os pobres, está longe de Deus. Irmãos e Irmãs, O Evangelho de hoje(cf. Mt. 22,34-40) poderia ser resumido na seguinte frase: No equilíbrio das dimensões do amor está a santidade. Mateus narra o maior mandamento nas suas três discussões com o judaísmo, respectivamente com os herodianos, com os saduceus e com os escribas farisaicos. Estes últimos querem ver como Jesus resume a Lei – que continha, conforme os rabinos, 248 mandamentos e 365 proibições, atribuindo-se igual peso a todos. Mas a resposta de Jesus é clara e incontestável: sem o amor a Deus e ao próximo, os outros mandamentos ficam vazios. O duplo mandamento principal é como os gonzos que seguram a porta da Lei. Jesus revela a unidade de dois mandamentos que, no Antigo Testamanto, se encontram muito distantes: o judaísmo, pela multidão das árvores, não enxergava a floresta. Jesus, nas palavras de Mateus, está no átrio do templo de Jerusalém, ou em miúdos, no coração da espiritualidade e da religiosidade dos judeus. Mas o que Jesus está fazendo ali? Ele está ali para mudar a mentalidade do povo em pontos fundamentais, ou seja, que toda a lei dos profetas é resumida na beleza do AMOR, a alma das leis, a lei das leis, o maior mandamento. O amor que deve ser vivido em três estágios importantes: no amor para Deus, no amor para o próximo e no amor consciente da própria pessoa que caminha “na busca do rosto sereno e radioso do Seu Senhor”. Irmãos e Irmãs, A santidade é o resumo do amor para Deus, o amor para o próximo e o amor pessoal. O amor é o cumprimento da lei. No tempo de Jesus muitas eram as leis, umas muito radicais e outras muito simples. Era um corolário enorme para ser cumprido. Quando perguntaram maliciosamente qual era a lei de Deus a resposta do Divino Salvador foi imediata: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. No equilíbrio do amor a Deus, ao próximo e a sua própria pessoa como templo e habitação do Espírito Santo está a novidade de hoje: tudo isso é possível, porque assim agindo os cristãos já vivem aqui e agora a santidade de caminhada de vida cristã. A certeza maior que todos hoje devemos ter é que amar até o extremo, amar sem reservas, dando-se e recebendo este amor misericordioso, o homem fica mais perto da palma da mão de Deus. Se o cumprimento da lei era o distintivo do povo israelita, Deus hoje nos chama a atenção que não podemos fazer uma dicotomia entre a Lei de Deus e a Lei da Igreja, uma vive em função da outra, porque “A Lei Mata, mas o espírito vivifica” (cf. Rm 4,6). Seria como se eu ensinasse nas minhas lições de direito canônico que o direito é mais importante disciplina da Igreja. Não, o direito tem por finalidade iluminar a vida da Igreja. Por exemplo, se uma lei da Igreja está prejudicando a caminhada pastoral é necessário que eu a deixe de lado, ou mesmo a reinterprete, porque “a lei maior é a salvação das almas”. Tudo isso porque amar a Deus e ao próximo são dois amores diferentes e inseparáveis. São distintos, mas devem caminhar juntos. Porque esse amor deve ser um amor inteligível, consciente, que gera compromisso com a vida comunitária e pastoral de nossa Igreja. Ao assumir a condição humana Cristo assumiu toda a nossa humanidade, especialmente, nossos pecados. Viver o amor verdadeiro, nestas três dimensões, é um desafio cotidiano de conversão e de mudança de vida e de mentalidade. Se Deus nos salvou na Cruz nós devemos mergulhar no seu mistério, principalmente procurando buscar o rosto deste Senhor nos irmãos excluídos e marginalizados, naqueles que estão fora da escola, na rua, no relento, amando a todos com grande gratuidade e generosidade, porque Deus caristas est, ou seja, Deus é supremo amor, “porque onde há amor e a caridade aí Cristo está”. Irmãos e Irmãs, A Segunda Leitura(cf. 1 Tessalonicenses 1,5-10) coloca os tessalonicenses como exemplo de uma fé generosa, sem mesquinharias, na busca do Senhor Ressuscitado, na busca do rosto do Senhor da Vida. Os Tessalonicenses por se terem convertido ao Deus vivo, o Deus que age e fala e é escutado. Para estes primeiros cristãos, converter-se a Deus e a Jesus Cristo significava também esperar ardentemente a Parusia, a presença gloriosa de Jesus como Senhor. Já se sabem livres da condenação. O mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros e em todos os séculos. O contemplativo serve aos homens, servindo a Deus; o ativo serve a Deus servindo aos homens. Os dois exprimem, especializando-se na imitação do Cristo, um mesmo e único mistério: o da vida religiosa do Verbo encarnado. Chegando ao final do ano litúrgico em que nós somos convidados a uma preparação espiritual para a chegada do Advento e do Nascimento do Salvador todos nós devemos nos esforçar para “sermos imitadores dos Mistérios do Senhor”. Caminhando nesta perspectiva, com muito amor a Deus, ao próximo e a si mesmo devemos rever nossa caminhada, nos lançando na nova evangelização confiantes de que unidos na caridade, vivendo a Eucaristia, chegaremos a Deus, supremo amor e paz!

 

30º Domingo do Tempo Comum
Mt 22,34-40: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”

34Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se 35e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: 36Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 37Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). 38Este é o maior e o primeiro mandamento. 39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). 40Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.

Antes de meditar no Evangelho de hoje, escutava como sempre faço o “Passo a Rezar”, do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, o qual recomendo. Hoje, 21 de outubro, ao ouvir a Palavra de Deus no Salmo 119 (118),66 “Dai-me o juízo reto e a sabedoria, porque confio em vossos mandamentos”, meditava de como é bom adquirirmos bom senso e sabedoria para viver a Palavra de Deus, para não agirmos como os fariseus do Evangelho de hoje. Diante da pergunta, o Senhor quer destacar que a totalidade da Lei poderá ser resumida em dois mandamentos: o primeiro e mais importante consiste no amor incondicional a Deus; o segundo é conseqüência e efeito do primeiro, pois quando o semelhante é amado, Deus mesmo é amado, pois o homem é imagem de Deus: mas, “se alguém diz: amo a Deus, mas despreza o seu irmão, é um mentiroso” (cf. 1Jo 4,20). “Amarás teu próximo como a ti mesmo”, ou seja, o amor aos outros como o amor a si mesmo se fundamenta no amor de Deus. Isto é comunhão. Por isto, o mandamento do amor é o mais importante porque nele o ser humano alcança a sua perfeição (cf. Col 3,14). São João da Cruz (†1591) em seu cântico espiritual, canção 27, nos diz: “Quanto mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama; daí resulta que esta alma que já está perfeita, toda é amor e todas as suas ações são amor, e emprega todas as suas potências e riquezas em amar, dando todas as suas coisas, como o sábio mercador (Mt 13,46), por este tesouro de amor que achou escondido em Deus (…). Porque, assim como a abelha tira de todas as ervas o mel que ali há e não se serve delas senão para isto, assim também de todas as coisas que passam pela alma, com grande facilidade ela tira a doçura de amor que contém; que amar a Deus nelas, ora seja saboroso, ora desagradável, estando ela informada e amparada pelo amor como está, não o sente, nem o goza, nem o sabe, porque, como dissemos, a alma não sabe senão amor, e o seu gosto em todas as coisas e tratos, é sempre deleite de amor de Deus”. “Louvemos ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia”. (Sl 118 (117),1

 

DOIS MANDAMENTOS, UM SÓ AMOR
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
DOMINGO 30 – Comum – A
Leituras: Ex 22, 20-26; 1 Ts 1, 5c-10; Mt 22,34-40

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão [na linguagem semítica “odiar” equivale a “não amar”], é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar.” (1 Jo 4, 20) As palavras cortantes do “discípulo a quem Jesus amava”, não deixam dúvidas nem ilusões: o irmão é o “sacramento” no qual Deus se torna visível e tangível, aqui e agora. Nele se encontra Deus a cada dia e em cada momento e situação da vida. Quem não reconhece a Deus no irmão e não o ama, partilhando de suas necessidades e promovendo sua dignidade, ilude a si mesmo e talvez os demais, mas não pode enganar a Deus: é um mentiroso! O amor é como a linfa vital que brota da única raiz, e se estende até os pormenores dos ramos e às folhas mais longínquas da árvore; do contrário, os ramos morrem e não dão frutos. O amor é como o sangue impelido pelo coração até as menores veias do corpo para alimentá-lo; em caso contrário, os órgãos fenecem. O amor, que é participação à própria vida de Deus, ou abrange num único abraço a Deus, a si mesmo e o irmão, ou se torna uma força que destrói a vida! Um amor dividido e limitado é uma mentira em relação às potencialidades que traz consigo, enquanto dom divino ao homem e à mulher. Infelizmente os letrados que conhecem tão bem a letra da Torá, não estão procurando a verdade para crescer na qualidade da própria vida, mas armando armadilhas para experimentar e provocar dificuldade a Jesus. É o perene e sempre atual paradoxo dos que se aproximam de Deus não para viver, mas para desculparem-se a si mesmos e para não mudar de vida. “Mestre qual é o maior mandamento da lei?”. Pergunta não inusual dos discípulos aos mestres da lei, nas escolas de Israel. A resposta de Jesus, não fica nas nuvens das discussões acadêmicas familiares entre os letrados, mas aponta diretamente para o caminho da vida. Se o homem, à causa da sua interioridade conflituosa, tem tendência a dividir e contrapor, Jesus, o “homem novo”, plenamente unificado em si mesmo e fonte de unidade, prospecta um horizonte de unidade e um caminho de responsabilidade. Segundo a narração de Lucas, ao fariseu que o interroga e lembra a proximidade dos mandamentos do amor a Deus e ao próximo, Jesus dá uma resposta lapidária: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás” (Lc 10, 28-29). A atitude de Jesus retoma uma temática descrita no livro dos salmos: “Com o homem puro, tu és puro, com o astuto, tu és prudente”. (Sl 18,26) Jesus, o Verbo encarnado do Pai, na fragilidade da sua condição de filho do carpinteiro e natural da desprezada cidadinha de Nazaré, nos revela o Pai e constitui o único e autêntico caminho que conduz à Ele. Do mesmo modo, o irmão e a irmã, sobretudo os que se encontram em maior fragilidade, nos fazem tocar com nossas mãos e nos revelam o próprio Jesus. É ele mesmo que neles é honrado, servido, ou desprezado: “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e recolhestes… Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes… Em verdade vos digo: todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 31-46). O mistério da encarnação do Verbo de Deus continua atual, ao passar da pessoa de Jesus de Nazaré para os pobres; assim como a atuação do amor que transforma os corações das pessoas e a história, este continua a operar na pessoa de Jesus através dos que, nele permanecendo como os ramos na videira, produzem os frutos da vida nova. “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13,34). A memória do amor de Jesus até o dom da própria vida, se torna memória que subverte as situações ambíguas, cultivadas pela falsa religiosidade e a espiritualidade desencarnada, que separam o suposto amor a Deus do efetivo amor aos irmãos. Tal memória denuncia a separação da sua nascente que é o exemplo pascal de Jesus e o Espírito que ele derramou da cruz, e que participamos por graça nos sacramentos da iniciação cristã. Quando Jesus, na última ceia, partiu e distribuiu o pão aos discípulos, acompanhando o gesto com as palavras “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19), ele não se limitou a instituir simplesmente um “novo rito”, o rito da nova páscoa, mas entregou aos discípulos a “nascente perene” da existência nova, a ser construída nas recíprocas relações do dia a dia, e o “modelo divino” a testemunhar e difundir para uma nova humanidade. Eis como João, a partir da experiência pessoal do amor sem limites recebido de Jesus, sintetiza o horizonte de vida radicalmente novo, inaugurado por Jesus com a sua morte por amor, participado aos discípulos com a efusão do Espírito Santo, e entregue a eles como “mandamento novo”, que qualifica a aliança “nova” estipulada no seu sangue derramado por amor. “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,34-35; cf 15,12-14). Da experiência do amor recebido e da capacitação por ele gerada, nasce a entrega do mandamento novo e a possibilidade de cumpri-lo, não como obrigação de uma lei exterior, mas como resposta à uma vocação que vem do interior , e como vida que segue e imita o exemplo do Senhor: Depois de ter lavado os pés aos discípulos com a humildade do escravo e o amor de uma mãe, Jesus acrescenta: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13, 15). Esta conformação interior a Cristo na sua páscoa é graça, e não fruto dos nossos esforços. Por isso a Igreja pede com humildade e confiança: “Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos” (Oração depois da comunhão). À luz do exemplo de Jesus, os dois preceitos do Deuteronômio e do Levítico: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Dt 6,5), e “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18), não podem em nenhuma maneira ficar divididos. Em realidade, é na radical unidade recíproca destes que se realiza o projeto de vida de Deus, manifestado através da Torá e dos profetas. Paulo, com uma fórmula ainda mais lapidária, sintetiza assim a vida nova dos batizados em Cristo: “Não devais nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois o que ama o outro cumpriu a lei… Portanto a caridade é a plenitude da lei” (Rm 13, 8-10. cf Gl 5,13.15). A leitura do Êxodo nos orienta para a mesma direção. A memória sagrada da experiência da libertação da escravidão do Egito, por iniciativa gratuita de Deus, funda a possibilidade e a exigência que para que Israel assuma, na organização da vida social, o mesmo estilo de atenção e de cuidado em relação aos mais necessitados e frágeis, como são as viúvas, os estrangeiros os pobres “Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão” (Ex 22, 20-21). Deus está sempre da parte dos oprimidos e dos pobres: “Se os maltratardes, gritarão para mim, e eu ouvirei seu clamor” (Ex 22, 22). Assim fez Deus ao ouvir o clamor do seu povo sofrido na escravidão (cf. Ex 3, 7-8). Hoje em dia, continua a levantar-se o grito de tantas pessoas oprimidas em muitas maneiras, mesmo nos direitos mais elementares da dignidade humana, nos países pobres, nos países em desenvolvimento, assim como nos países mais ricos. Na Europa a atitude prevalente em relação aos imigrantes dos países mais pobres, é o medo e a recusa. Aos que conseguem entrar, muitas vezes são reservadas condições de escravidão e de abandono. O Papa Bento XVI tem repetido que a solução das violentas crises financeiras e econômicas atuais, passa para a necessária mutação do parâmetro do proveito como critério absoluto da economia, para o da solidariedade. Também o Brasil, no processo de uma acelerada transformação, continua experimentando a marginalização de milhões de pessoas. O evangelho de hoje nos diz que como cristãos não podemos nos justificar, dizendo que tudo isso é problema que pertence aos profissionais da vida social e política. Cada um é chamado a iniciar de si mesmo, a se fazer “próximo” para os que se encontram no caminho cotidiano da sua vida, como fez o “bom samaritano:” Vai, e também tu, faze o mesmo” (Lc 10, 37). O sofrimento dos pobres é um grito que se eleva ao Senhor, e interpela também nossa consciência de cristãos e cristãs, para um empenho de promoção da justiça e da partilha mais justa dos recursos culturais, sociais, econômicos, espirituais. Nossas celebrações da páscoa de Jesus nos domingos, poderiam cair sob a acusação de “Mentira” por parte de Jesus, se não nos procuramos sair do nosso interesse individual, para nos abrir ao serviço do Senhor na pessoa humana em que está impressa a imagem de Deus. Paulo, na segunda leitura contempla com alegria as maravilhas operadas pela Palavra recebida com fé por parte dos tessalonicenses, que sob o impulso transformador do Espírito, tem assumido um estilo de vida moldado pelo exemplo do apóstolo e do próprio Jesus. Nesta maneira eles se tornaram “evangelho vivente” que continua se espalhando em toda a Macedônia e a Ásia (1 Ts 1,6- 8). Esta é também hoje a maneira mais eficaz para testemunhar e divulgar a “boa nova” de Jesus e de participar à “nova evangelização” à qual o papa Bento XVI está convidando todos os cristãos e as cristãs, com a promulgação do “Ano da fé” a se realizar no 2012-2013.  “Assim vos tornastes modelo para todos os fieis da Macedônia e da Ásia” (1 Ts 1,7). O convite de Jesus a anunciar a boa nova é sempre atual, e o empenho para uma resposta generosa e criativa com a graça e o vigor do Espírito, sempre novo. Esta é a nossa páscoa que nos aproxima sempre mais ao cumprimento do reino de Deus, que nestes últimos domingos do ano litúrgico, a Igreja celebra como o horizonte central da própria fé e da própria esperança, movida pelo único amor a Deus e aos homens que anima seu coração de mãe. “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais, para conseguirmos o que prometeis. Por Cristo nosso Senhor” (Oração do dia).

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