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Crisma é a marca que nos une a Cristo

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Milhares de fiéis e peregrinos participaram na manhã desta quarta-feira, 30 de maio, da Audiência Geral na Praça São Pedro. O Papa prosseguiu sua série de catequeses sobre a Crisma, falando desta vez do selo do Espírito.

O Santo Padre explicou que antes de receber a unção espiritual que confirma e reforça a graça do Batismo, o crismando é chamado a renovar as promessas que um dia foram feitas em seu nome pelos respectivos pais e padrinhos. Agora, é o próprio fiel a professar a fé da Igreja, pronto a responder às perguntas que lhe faz o Bispo, em particular que está disposto a crer no Espírito Santo. “O único Espírito distribui os múltiplos dons que enriquecem a única Igreja: é Autor da diversidade, mas ao mesmo tempo o Criador da unidade”, recorda o Papa.

Francisco também detalhou que o sacramento da Confirmação ou Crisma realiza-se com a imposição das mãos do Bispo sobre os crismandos, enquanto suplica ao Pai do Céu que infunda neles o Espírito Paráclito. A este gesto bíblico, para melhor expressar a efusão do Espírito, logo se acrescentou a unção do óleo perfumado, chamado crisma, que é usado ainda hoje seja no Oriente, seja no Ocidente.

O óleo, acrescentou o Papa, é substância terapêutica e cosmética, que entra nos tecidos do corpo, cura as feridas e perfuma os membros. Depois da imposição das mãos, a fronte de cada um é ungida seguida destas palavras: Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus.

Assim, ao receber na fronte o sinal da cruz com o óleo perfumado do crisma, o crismando recebe uma marca espiritual indelével, o caráter, que o configura mais perfeitamente a Cristo e lhe dá a graça de espargir entre os homens o bom perfume de Cristo.“O Espírito é um dom imerecido”, concluiu Francisco, a ser acolhido com gratidão, fazendo espaço à sua criatividade inesgotável.

Durante as saudações em várias línguas, houve a apresentação de atletas coreanos de taekwondo, que sob as notas da Ave Maria de Schubert simbolizavam a união dos dois países.

Francisco também recordou que amanhã concluímos o mês mariano. “Que a Mãe de Deus seja o refúgio nos momentos felizes, assim como nos momentos mais difíceis, e seja a guia de suas famílias, para que se tornem um lar de oração, de recíproca compreensão e de dom”.

As bem-aventuranças como programa de santidade

Cristianismo prático

Segunda-feira, 9 de junho de 2014, Da Redação com Rádio Vaticano  

Na Missa de hoje, Francisco refletiu sobre as bem-aventuranças, um programa de vida proposto por Jesus

As bem-aventuranças são o programa de vida do cristão. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 9. O Pontífice focou sua homilia nas bem-aventuranças e, retomando o encontro de oração pela paz realizado ontem no Vaticano, disse que é preciso ter a coragem da mansidão para derrotar o ódio.

Segundo Francisco, as respostas sobre o que fazer para ser um bom cristão estão nas bem-aventuranças, em que Jesus indica atitudes contrárias ao que habitualmente se faz no mundo. Trata-se de um programa de vida proposto por Jesus, algo tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

Sobre a pobreza de espírito, Francisco disse que as riquezas não asseguram nada; aliás, um coração rico está tão satisfeito consigo mesmo que não há lugar para a Palavra de Deus.

Quanto aos que choram, Francisco lembrou que estes serão consolados. O mundo, disse, não quer chorar; então, prefere ignorar as situações dolorosas. “Somente a pessoa que vê as coisas como são e chora no seu coração é feliz e será consolada. A consolação de Jesus, não a do mundo”.

O Papa também falou dos mansos, que são bem-aventurados, neste mundo, que desde o início é de guerra e ódio, embora Jesus tenha pedido paz e mansidão. Bem-aventurados são também os que lutam pela justiça. “É tão fácil entrar nas rachaduras da corrupção. Tudo é negócio. E quantas injustiças! Quanta gente sofre por essas injustiças!”

Sobre os misericordiosos, Francisco disse que são aqueles que perdoam, que entendem os erros dos outros. “Bem-aventurados os que perdoam, os que são misericordiosos. Porque todos nós somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem-aventurado aquele que segue pelo caminho do perdão”.

Bem-aventurados são também os puros de coração, lembrou o Papa, e os que trabalham pela paz. “É tão comum sermos agentes de guerras ou, pelo menos, de mal-entendidos! (…) O mundo das fofocas. Esse povo que fofoca não faz a paz, são inimigos dela”, disse Francisco, que, por fim, lembrou-se das pessoas que são perseguidas por causa da justiça, sendo também elas bem-aventuradas.

O Pontífice acrescentou que se o homem quiser algo a mais do que já está nas bem-aventuranças, Jesus dá outras indicações, como o protocolo segundo o qual os homens serão julgados, uma passagem presente no capítulo 25 do Evangelho de Mateus:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava doente e me visitastes, estava presos e fostes a mim. Com essas duas coisas – Bem-aventuranças e Mateus 25 – pode-se viver a vida cristã em santidade”, explicou o Santo Padre.

Para Francisco, estas são palavras simples, mas práticas a todos, pois o Cristianismo é uma religião prática. Ele finalizou indicando aos fiéis que façam, hoje, essas duas leituras: a passagem sobre as Bem-aventuranças e o capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

“Fará bem a vocês lê-lo uma vez, duas vezes, três vezes. Leiam isso, é um programa de santidade. Que o Senhor nos dê a graça de entender essa Sua mensagem”.

Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente

Cidade do Vaticano (RV) – “Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, falando com Ele, e não o tenhamos ainda reconhecido como o nosso Salvador”: disse o Papa Francisco no Angelus, ao meio-dia deste domingo (19/3/2017), dirigindo-se aos cerca de 40 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Atendo-se ao Evangelho deste III Domingo da Quaresma, Francisco destacou que este nos apresenta o diálogo de Jesus com a Samaritana, contextualizando aquele encontro descrito numa das páginas mais bonitas do Evangelho.

O encontro se dá quando Jesus atravessava a Samaria, região entre a Judeia e a Galileia, habitada por pessoas que os Judeus desprezavam, “considerando-as cismáticas e heréticas”, frisou o Santo Padre, observando ter sido propriamente esta população uma das primeiras a aderir à pregação cristã dos Apóstolos.

Enquanto os discípulos vão à cidade procurar alimento, Jesus permanece onde se encontrava o poço de Jacó e ali pede água a uma mulher, que chegara para tirar água. Desse pedido tem início um diálogo.

“Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?” Jesus lhe respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva!”, uma água que sacia toda sede e se torna fonte inesgotável no coração de quem a bebe (Jo 4,10-14).”

Ir ao poço apanhar água é cansativo e monótono; seria bom ter a disposição uma fonte que jorra água! Mas Jesus fala de uma água diferente, evidenciou Francisco.

Quando a mulher se deu conta de que aquele homem com quem estava falando era um profeta, abriu-se a ele e lhe fez perguntas religiosas. “A sua sede de afeto e de vida repleta não lhe foi satisfeita pelos cinco maridos que teve, aliás, experimentou desilusões e enganos”, acrescentou o Pontífice.

“Por isso a mulher fica impressionada com o grande respeito que Jesus tem por ela e quando Ele lhe fala da verdadeira fé, como relação com Deus Pai ‘em espírito e verdade’, então intui que aquele homem poderia ser o Messias, e Jesus – coisa raríssima – o confirma: ‘Sou eu, que falo contigo’. Ele diz ser o Messias a uma mulher que tinha uma vida tão desordenada”, observou.

Francisco recordou ainda que “a água que dá a vida eterna foi infundida em nossos corações no dia do nosso Batismo”, mediante o qual nos transformou e encheu-nos com a sua graça. “Mas pode acontecer que este grande dom o tenhamos esquecido, ou reduzido a um mero acontecimento da nossa vida”, e talvez vamos em busca de “poços” cujas águas não nos saciam, frisou.

“Quando esquecemos a verdadeira água, vamos à procura de poços que não têm águas límpidas. Então esse Evangelho é propriamente para nós! Não somente para a Samaritana, mas para nós. Jesus nos fala como à Samaritana. É claro, já o conhecemos, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente.”

Dito isso, o Papa lembrou ainda que este tempo da Quaresma é ocasião propícia para aproximar-nos d’Ele, encontrá-lo na oração num diálogo de coração para coração, falar com Ele, escutá-lo; é a ocasião para ver o seu rosto também no rosto de um irmão ou de uma irmã que sofre.

“Desse modo podemos renovar em nós a graça do Batismo, saciar-nos na fonte da Palavra de Deus e de seu Espírito Santo; e assim descobrir também a alegria de tornar-nos artífices de reconciliação e instrumentos de paz na vida cotidiana.”

“Que a Virgem Maria nos ajude a haurir constantemente à graça, aquela graça que brota da rocha que é Cristo Salvador, a fim de que possamos professar com convicção a nossa fé e anunciar com alegria as maravilhas do amor de Deus, misericordioso e fonte de todo bem”, foi o pedido do Santo Padre concluindo a alocução que precedeu o Angelus.

Após a oração mariana, na saudação aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes o Pontífice dirigiu seu pensamento à população do Peru, castigada pelas graves enchentes destes dias:

“Quero assegurar minha proximidade à querida população do Peru, duramente atingida pelas devastadoras enchentes. Rezo pelas vítimas e por aqueles que estão engajados na prestação de socorro.”

O Papa recordou ainda neste 19 de março a festa litúrgica de São José, pai putativo de Jesus e patrono universal da Igreja. Saudou as comunidades neocatecumenais de Angola e da Lituânia, bem como os responsáveis da Comunidade de Santo Egídio da África e da América Latina. (RL)

Viver a novidade do Evangelho, não as novidades mundanas, pede Papa

https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/viver-a-novidade-do-evangelho-nao-as-novidades-mundanas-pede-papa/
Segunda-feira, 10 de setembro de 2018, Da redação, Vatican News

Na homilia de hoje, 10, Francisco cita o Apóstolo Paulo e alerta sobre vivência de uma vida dupla por parte de muitos cristãos

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta/ Foto: Vatican Media

“A novidade do Evangelho, a novidade de Cristo não é somente transformar a nossa alma. É transformar tudo em nós: alma, espírito e corpo, tudo, ou seja, transformar o vinho, o fermento, em odres novos”. A frase é parte da homilia do Papa Francisco, proferida na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 10.

Na ocasião, o Santo Padre recordou a constatação do apóstolo Paulo, extraída da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, quanto a vivência de uma vida dupla por parte de muitos cristãos.

No texto, o Papa retomou a lembrança de Paulo, que afirma ser preciso um novo fermento para uma nova massa. “Jesus tinha dito: ‘Vinhos novos em odres novos’”, frisou o Pontífice. “A novidade do Evangelho é absoluta e total e só pode ser vivida por quem a entendeu (…) O Evangelho abrange o ser humano totalmente, porque o transforma de dentro para fora”, comentou.

Segundo Francisco, a novidade totalizadora do Evangelho transforma todas as coisas, e não é uma ideologia ou um modo de viver social junto com os costumes pagãos. “A novidade do Evangelho é a Ressurreição de Cristo, é o Espírito que ele nos enviou para nos acompanhar na vida”, pontuou Francisco, afirmando que os cristãos são homens e mulheres de novidade, não das novidades.

“Essa gente que vive das novidades propostas pelo mundo é mundana, não aceita toda a novidade. Há um confronto entre ‘a novidade’ de Jesus Cristo e ‘as novidades’ que o mundo nos propõe para viver”, alertou.

Para o Papa, as pessoas que o Apóstolo Paulo condena são “mornas”, imorais, pessoas que simulam, pessoas formais e hipócritas, diferente dos cristãos que se reconhecem fracos e pecadores, e confessam a Jesus Cristo, que veio para o perdão dos pecados. O que não é permitido ao cristão, de acordo com Francisco, é o convívio com as novidades mundanas. “Jesus disse no Evangelho: ‘Fiquem atentos quando lhes disserem: o Cristo está ali, está lá, … As novidades são isso: não, a salvação está com este, com aquele’. Cristo é um só. E Cristo é claro na sua mensagem”, afirmou.

O Santo Padre destacou também qual é o caminho daqueles que seguem Cristo: “O caminho rumo ao martírio”.

Ele fez questão de recordar que o martírio nem sempre é sangrento, mas acompanha o cristão todos os dias. “Nós estamos nas ruas e somos olhados pelo grande acusador que desperta os acusadores de hoje para nos pegar em contradição”, alertou. O Papa enfatizou que o cristão não deve negociar com as novidades. “Não devemos ‘enfraquecer’ o anúncio do Evangelho”, concluiu.

Santo Evangelho (João 6,60-69)

21º Domingo do Tempo Comum – 26/08/2018

Primeira Leitura (Js 24,1-2a.17-17.18b)
Leitura do Livro de Josué:

Naqueles dias, 1Josué reuniu em Siquém todas as tribos de Israel e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2aEntão Josué falou a todo o povo: 15“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses, a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”. 16E o povo respondeu, dizendo: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos. 17Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos, e nos guardou por todos os caminhos, por onde peregrinamos, e no meio de todos os povos pelos quais passamos. 18bPortanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— Provai e vede quão suave é o Senhor!
— Provai e vede quão suave é o Senhor!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor,/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— O Senhor pousa seus olhos sobre os justos,/ e seu ouvido está atento ao seu chamado;/ mas ele volta a sua face contra os maus,/ para da terra apagar sua lembrança.

— Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta/ e de todas as angústias os liberta./ Do coração atribulado ele está perto/ e conforta os de espírito abatido.

— Muitos males se abatem sobre os justos,/ mas o Senhor de todos eles os liberta./ Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege,/ e nenhum deles haverá de se quebrar.

— A malícia do iníquo leva à morte,/ e quem odeia o justo é castigado./ Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos,/ e castigado não será quem nele espera.

 

Segunda Leitura (Ef 5,21-32)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 21Vós, que temeis a Cristo, sede solícitos uns para com os outros. 22As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor. 23Pois o marido é a cabeça da mulher, do mesmo modo que Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu Corpo. 24Mas, como a Igreja é solícita por Cristo, sejam as mulheres solícitas em tudo pelos seus maridos. 25Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. 26Ele quis assim torná-la santa, purificando-a com o banho da água unida à Palavra. 27Ele quis apresentá-la a si mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum, mas santa e irrepreensível. 28Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo. 29Ninguém jamais odiou a sua própria carne. Ao contrário, alimenta-a e cerca-a de cuidados, como o Cristo faz com a sua Igreja; 30e nós somos membros do seu corpo! 31Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. 32Este mistério é grande, e eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 6,60-69)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não crêem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” 68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Zeferino, chefiou a Igreja de Cristo

São Zeferino, no amor de pastor, chefiou com o Espírito Santo a Igreja de Cristo

Zeferino era romano, filho de Abôndio e assumiu no século II a Cátedra de Pedro, num período de grande perseguição para os cristãos, tanto assim que os seus treze predecessores morreram todos mártires.

O que mais abalava a Igreja não eram as perseguições e massacres, mas sim as heresias que foram surgindo conjuntamente à tentativa de elaborar as Revelações com dados puramente filosóficos. Os gnósticos chegavam a negar a divindade de Cristo; Teodoro subordinou de tal forma Cristo ao Pai que fez dele uma simples criatura e Montano profetizava e pregava sobre o fim do mundo a partir da consciência de ser a revelação do Espírito Santo.

Diante de todas as agitações, São Zeferino, mesmo não sendo um teólogo e nem escritor, soube com o bom senso e a ajuda do Espírito Santo unir-se a grande sábios da ortodoxia da época, como Santo Irineu, Hipólito e Tertuliano, a fim de livrar os cristãos da mentira e rigorismos. São Zeferino foi martirizado e entrou na Igreja Triunfante no ano de 217.

São Zeferino, rogai por nós!

Maria, Rainha do Céu e da Terra

“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

Essa maravilhosa visão de São João na Ilha de Patmos revela toda a majestade e poder de Nossa Senhora para a Igreja e para todos nós cristãos. São João viu Maria revestida de sol, ou seja, o sol serviu-lhe de vestimenta gloriosa; a lua lhe serviu de rico pedestal e as estrelas se ajuntaram em torno de sua cabeça formando uma coroa em número de 12, que é o símbolo da perfeição e da graça. Portanto, os astros do universo glorificam sua Rainha. Ora, se os astros do universo glorificam a sua Rainha, por que nós não vamos proclamá-La também Rainha? Maria é a nossa Rainha, a nossa bela Rainha, pois a partir do momento em que foi escolhida e aceitou ser a Mãe do Rei do Universo tornou-se Mãe do Rei e Mãe de Rei, Rainha é. São Luiz Maria Grignion de Monfort diz: “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus veio ao mundo. É também por meio dela que Ele deve reinar no mundo, pois é esta a função de Maria, nos levar ao Seu Filho Jesus, torná-Lo conhecido, amado e adorado”. Mesmo todos nós considerando-A Rainha, Maria não quer honrarias nem pompas para Ela, apenas quer que façamos tudo o que Jesus nos disser. O desejo de Maria é que façamos, a exemplo Dela, a vontade do Pai. Maria nos dá uma lição perfeita de como nos entregar a Deus e fazer apenas a Sua vontade. Nas lições de Maria constatamos que o centro de interesse nunca é voltado para ela mesma, mas para o Senhor, para os outros. Assim foi com a acolhida do Verbo no Seu ventre, na visita a Isabel, em Belém, na fuga para o Egito, no regresso a Nazaré, no episódio da perda do Menino no templo, em Jerusalém, na vida pública de Jesus e na morte na Cruz. A sua confiança em Deus, o desprendimento de tudo, a humildade e a pureza, a caridade e o espírito de sacrifício mostra-nos como num espelho, a perfeição a que devemos chegar. Maria além de ser nossa Rainha é o exemplo perfeito que devemos seguir. Portanto, devemos sempre acercar-nos a Ela e pedir a Sua ajuda para que, a Seu exemplo, deixemos que o Senhor faça maravilhas em nossa vida. O povo te chama de Mãe e Rainha Porque Jesus Cristo é o Rei do Céu

 

COROAÇÃO DE MARIA NA FESTA DA VISITAÇÃO

Maio é o mês dedicado à particular devoção de Nossa Senhora. A Igreja o encerra com a Festa da Visitação da Virgem Maria à Santa Isabel, que simboliza o cumprimento dos tempos. Qual o significado deste ato de fé para nós? Coroar Nossa Senhora é demonstrar que a reconhece como rainha. Rainha de um reino que não é o desse mundo, mas, sim, o reino sonhado por Deus para seus filhos e filhas. Na história da vida humana de Jesus, Maria tem o papel fundamental. Seu “sim” sela a encarnação do Filho de Deus como homem e com sua aceitação ela demonstra que é possível uma pessoa fazer de sua vida uma constante escuta da vontade de Deus. Maria: filha, mulher, mãe. Filha de pais fiéis a Deus, recebeu deles a educação que lhe abriu o coração para conhecer o Pai do Céu e escutar-Lhe as palavras. Mulher, engajou-se no seu tempo a prestar atenção aos anseios daqueles que a cercavam e soube fazer de seu serviço uma interceder contínuo pela humanidade. Mãe, constituiu a personalidade de seu único Filho, ensinou-lhe os passos e fundamentou seu conhecimento de Deus com aquilo que lhe era revelado. Maria humana, gente, pessoa, que com todas as limitações próprias de sua natureza pode dizer “sim” e ensinar à humanidade a também dizer “sim”. Por isso reconhecê-la como rainha é dar um lugar de destaque à humanidade daquela mulher que enveredou por um caminho desconhecido pelo puro amor a Deus. Mulher que sentiu a dor do parto, a dor da partida, a dor da perda. Mulher que trabalhou, que cuidou de sua família, que acompanhou a lida do outro como aquela que oferece o descanso e o alimento. Mulher que recebeu de seu filho o beijo carinhoso, o reconhecimento do colo, o sorriso cúmplice daqueles que partilham o mesmo entendimento do mundo. Por sua “humanidade humana” Maria se torna rainha: por ser o exemplo capaz de mostrar a cada um de nós que é possível chegar ao reino que Deus nos prepara. Basta dizer que sim, que em minha vida seja feita a vontade do Senhor. A Bíblia narra que Maria viajou para a casa da família de Zacarias logo após a anunciação do Anjo, que lhe dissera “vossa prima Isabel, também conceberá um filho em sua idade avançada. E este é agora o sexto mês dela, que foi dita estéril; nada é impossível para Deus” (Lc 1, 26-37). Já concebida pelo Espírito Santo, a puríssima Virgem foi levar sua ajuda e apoio à parenta genitora do precursor do Messias Salvador. O encontro das duas Mães é a verdadeira explosão de salvação, de alegria e de louvor ao Criador. Dele resultou a oração da Ave Maria e o cântico do “Magnificat”, rezados e entoados por toda a cristandade aos longos destes mais de dois milênios.

 

A COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA COMO RAINHA DO CÉU E DA TERRA

Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem tão bela, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós! Virgem Mãe, ó Maria!

I – A Coroação de Maria: uma festa no Céu!
No dia de sua Assunção, Nossa Senhora estava na plenitude da santidade. Sua alma santíssima, que não deixou de progredir um minuto sequer durante toda a sua existência terrena, tinha chegado ao clímax. A Virgem Maria chegara à suprema perfeição. Possuía incomparável beleza de alma, pois estava repleta de virtude; seu amor a Deus atingira o apogeu. Essa santidade transluzia em toda a sua pessoa e Lhe dava uma beleza incomparável. Compreende-se que a bem-aventurança da Virgem Maria seja sem igual. A glória está proporcionada ao mérito da santidade e à graça, e Nossa Senhora em mérito e graça, atingiu o máximo insuperável por qualquer mera criatura. Ela é Co-redentora indissoluvelmente unida ao Redentor, é a companheira inseparável das dores de Jesus, é a Imaculada, a Cheia de Graça, a Mãe de Deus. Ora, todos esses títulos, assim como a elevam incomensuravelmente acima de todos os Anjos e santos e a sublimam no reino do céu a um trono tão alto que nenhum Anjo nem santo o pode atingir. Acima do trono de Maria só o trono de Jesus. Podemos imaginar sua alegria, sabendo que, a partir daquele momento, entraria no Céu com corpo e alma. Passaria por um cortejo incomparável de Anjos, que prestariam a Ela homenagens como nunca nenhuma rainha deste mundo, nem de longe, recebeu. Sendo mera criatura humana, Nossa Senhora estava recebendo o amor entusiástico de todos os Anjos, e a corte que durante milhares de anos tinha esperado sua Rainha ficou transformada em algo lindíssimo, porque Ela estava chegando! Nossa Senhora coroava com uma perfeição altíssima a beleza do Céu!
Podemos ainda imaginar o desfile maravilhoso das almas eleitas que a receberam no Céu:
• São José, como deverá ter sido a alegria da alma dele, quando A viu ressurrecta, repleta de toda a santidade que transluzia com uma beleza incomparável?
• São Joaquim e Santa Ana, sendo pais de Nossa Senhora, era justo que assistissem de um lugar especial, o ingresso d’Ela no Céu;
• Adão e Eva, os primeiros pais do gênero humano, deveriam estar ali presentes. Depois de verem tantas desgraças causadas por seu pecado, puderam contemplar o remédio concedido por Deus para solucionar esse pecado, fazendo nascer Jesus Cristo e glorificando de tal maneira a Mãe Imaculada do Redentor!
E, afinal, todo o paraíso celeste pondo-se a cantar, enquanto Ela sobe até o trono da Santíssima Trindade! Verdadeira festa no Céu! Por fim, a Assunção chega ao seu auge: a coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos, do Céu e da Terra, pela Santíssima Trindade. Houve então uma verdadeira festa no Céu. Ela foi coroada por ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filha do Pai Eterno e Esposa do Divino Espírito Santo! (Meditações dos Primeiros Sábados- Pe. Antônio de Almeida Fazenda, SJ-‘Mensageiro de Maria’-pp.166/167, Braga, Portugal).

II – Como Nossa Senhora atua com seu poder de Rainha?
Nossa Senhora exerce esse império não por uma imposição tirânica, mas pela ação da graça, em virtude da qual Ela é capaz de nos libertar de nossos defeitos e nos atrair, com agrado e particular doçura, para o bem que nos deseja. Esse materno poder de Maria sobre as almas nos revela quão admirável é a sua onipotência suplicante, que tudo nos obtém da misericórdia divina. Tão augusto é esse domínio sobre todos os corações, que ele representa incomparavelmente mais do que ser Soberana de todos os mares, de todas as vias terrestres, de todos os astros do céu, tal é o valor de uma alma, ainda que seja a do último dos homens! Afirma São Luís Grignion de Montfort que, “no Céu, Maria dá ordens aos Anjos e aos bem-aventurados. Para recompensar sua profunda humildade, Deus Lhe deu o poder e a missão de povoar de Santos os tronos vazios, que os anjos apóstatas abandonaram e perderam por orgulho. E a vontade do Altíssimo, que exalta os humildes (Lc 1, 52), e que o Céu, a Terra e o Inferno se curvem, de bom ou mau grado, às ordens da humilde Maria” [Tratado da Verd. Devoção à Ssma. Virgem: S. Luís Grignion de Montfort. Ed.Vozes,pgs.24].
1 – Nossos deveres para com Maria, nossa Rainha. Estes deveres são numerosos. Somos obrigados a respeitar esta augusta Soberana, a obedecer-lhe e a amá-la. Neste mundo, a soberania de Maria se manifesta sobretudo por uma bondade e benevolência maternais. “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia!” Os justos, por Ela, perseveram no bem e no fervor; para os pecadores obtém o arrependimento e a conversão. Todos podem dizer, com São Boaventura: “Eis a minha Soberana, que me salvou!” (cfr. ‘Mês de Maria – segundo o Evangelho na Liturgia’- J.B. Bord – Vozes, Petrópolis, 1947- pp.126,127). Como aconselha São Luís Grignion, podem-se resumir estas obrigações: consagrando-nos, segundo nosso estado, à sua vontade, a seu serviço, em todas as nossas ações de cada dia. Quantas vantagens espirituais nos dará esta piedosa prática! A Santíssima Virgem ama seus escravos de amor; ama-os com uma ternura ativa, afetiva, muito mais intensa do que a de todas as mães juntas. Vai mais além, Santo Afonso ao afirmar: “Reuníssemos nós, enfim, o amor de todas as mães a seus filhos, de todos os esposos às suas esposas, de todos os Anjos e santos para com seus devotos, não igualariam todo esse amor ao amor que Maria tem a uma só alma” (Glórias de Maria – S. Afonso de Ligório, Editora Santuário, 1987, pág.55).
2 – Rainha que é Porta do Céu. O Pe. Jourdain comenta: “Ela é a porta que nos franqueia a entrada da Casa de Deus”. Quando o Filho de Deus entreabriu o Céu para descer até nós, foi Maria que Lhe serviu de porta: São Pedro Damião exclama, celebrando a natividade da Ssma. Virgem: ‘Hoje nasceu a Rainha do mundo, janela do Céu, a porta do Paraíso’. “Maria é a porta do Céu, porque todos os que nele entram, fazem-no seguindo a Jesus, por meio de Maria. A Terra, que o pecado de Adão havia separado do Céu, reconciliou-se com este pela intercessão de Maria, que nos deu Jesus. “A Santa Virgem Maria por sua pureza e humildade, fez descer Jesus Cristo do Céu sobre a Terra; assim também por seus exemplos e virtudes, foi a primeira a abrir para os homens a via que conduz ao Céu. Por isso Jesus Cristo A colocou à testa de todo o gênero humano, e quis que ninguém pudesse ser salvo, nem subir ao Céu, senão pelo consentimento e sob a proteção e a direção de Maria”. Nossa Senhora é a porta do Céu. É por essa porta que todas as nossas orações chegam até Deus, e é por meio d’Ela que obtemos as graças necessárias para a nossa salvação. Assim, em todos os dias de nossa vida e, sobretudo, no momento em que estivermos para entrar na eternidade, a Ela devemos dirigir esta filial e confiante súplica: “Porta do Céu, abri-vos para mim” (Pequeno Oficio da Imaculada Conceição -comentado: João S. Clá Dias – Artpressset. 1997, pp.188/189).

III – O Reino de Maria: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”.
São Luís Grignion de Montfort abre o seu Tratado assim: “É pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo”, isto é, se Maria Santíssima não tivesse vindo ao mundo, Jesus Cristo não teria vindo; “e é também por meio d’Ela que Ele deve reinar no mundo”, isto é, a devoção e o reino de Cristo deve vir ao mundo por intermédio de Maria Santíssima. E encerrando a introdução, acrescenta: “Quando o Reino de Jesus Cristo tomar conta do mundo, será como uma conseqüência necessária do reino da Santíssima Virgem” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: S. Luís M. Grignion de Montfort – Ed. Vozes, Petrópolis, pp.24 e 38). Animado de ardoroso carisma profético, esse grande apóstolo de Maria – duzentos anos antes das aparições de Fátima – previu que, ao ser conhecida e posta em prática a devoção por ele ensinada, o reino da Mãe de Deus estaria implantado na Terra. Em outros termos, antevia ele o triunfo do Imaculado Coração de Maria, por Ela prometido em Fátima, no dia 13 de julho de 1917, quando anunciou: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”. Por isso, exclama o Santo: “Ah! Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana dos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? Quando chegará o dia em que as almas respirarão Maria, como o corpo respira o ar? “Então, coisas maravilhosas acontecerão neste mundo, onde o Espírito Santo, encontrando sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, a elas descerá abundantemente, enchendo-as de seus dons, particularmente do dom da sabedoria, a fim de operar maravilhas de graça”. “Meu caro irmão, quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino!” (“Fátima, O Meu Imaculado Coração Triunfará” – Mons. João S. Clá Dias – 2a. Edição, Set.2007, Copypress, p. 90). Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Reino de Jesus Cristo! (São Luís Maria Avignon de Montfort) “Então, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas” (Ap 12, 1).

Oração: Ó Maria, Senhora do Mundo, Rainha do Céu! É para Vós, como para o centro da Terra, como para a Arca de Deus, como para a causa das coisas, como para a estupenda obra dos séculos, que se voltam os olhares dos habitantes do Céu e da Terra, dos tempos passados, presentes e futuros. Por isso vos chamarão bem-aventurada todas as nações, ó Mãe de Deus, pois para todas engendrastes a vida e a glória. Em Vós acham os Anjos a alegria, os justos a graça,os pecadores o perdão para sempre. Com razão, portanto, põem em Vós, porque em Vós, por Vós e de Vós a benigna mão do Onipotente refez tudo o que Ele havia criado! (São Bernardo)

 

EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS 1, 26-38 – esta é talvez a passagem bíblica mais importante sobre Nossa Senhora. Ela narra a aparição do anjo Gabriel à Maria e o anúncio da sua maternidade divina. É desta passagem que se extraiu a primeira parte da oração da Ave Maria. Muito da devoção que a Igreja guarda sobre Nossa Senhora está contida nesta passagem do Evangelho de São Lucas.

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

Deus pediu o consentimento de Maria, para conduzi-la nas estradas da aventura da salvação do gênero humano. Deus é respeitoso da dignidade humana. Mas não foi só Maria quem disse “Eis a serva, faça-se em mim, estou pronta a me deixar conduzir pelo caminho que Deus tiver designado para mim”, Jesus também teve o seu “Fiat”, Ele disse faça-se. Maria se abre espontaneamente para a vontade de Deus, e Jesus Cristo afirma ao entrar no mundo, que não tem outro desejo, a não ser realizar a vontade de Deus. Quando duas vontades humanas se abriram para a vontade divina, o Pai realizou a maravilha da Salvação do gênero humano. Nós também somos convidados a aceitar, a dar o consentimento àquele plano que Deus tem para com cada um de nós, aquele sonho que Deus tem para cada um de seus eleitos. Cada um de nós hoje é convidado a dizer, como Jesus e como Maria: “Eis-me aqui, estou pronto para me deixar conduzir, não conheço de forma alguma, não sei o que me acontecerá, mas estou pronto e sou generoso”. Quanto mais cristãos se abrirem a esta generosidade, e quanto maior for o número daqueles cristãos e católicos que disserem o sim a Deus, sem reservas, maiores serão os Dons, maiores serão os prêmios, as graças que Ele derrama agora sobre o gênero humano, sobre as nossas famílias, sobre a sua paróquia, sobre a sua comunidade. Saiba hoje, como Jesus e Maria, generosamente dizer: “Eis-me aqui, eu também estou pronto Oh Deus, para fazer a vossa vontade”.

Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

Por Mons. Inácio José Schuster

São Simão Stock era inglês e pertencia a uma ilustre família do condado de Kent. Favorecido desde criança com graças extraordinárias, aos 12 anos de idade foi conduzido pelo espírito de Deus a um deserto, onde vivia em austera penitência; servia-lhe de morada o tronco duma árvore, donde lhe veio o sobrenome de Stock, que em língua inglesa significa tronco. Vivia há 20 anos nesta solidão, ocupado somente na oração e penitência, quando chegaram à Inglaterra os religiosos Carmelitas, expulsos da Palestina pela perseguição religiosa dos sarracenos. Não tardou Simão em juntar-se-lhes, logo que foi testemunha das suas virtudes e, sobretudo da sua admirável devoção à Santíssima Virgem, a quem ele amava com entranhada ternura. De tal maneira se distinguiu o novo religioso pela sua eminente santidade e pelo ardor do seu zelo, que em 1245 os seus irmãos elegeram-no Superior Geral da Ordem.

Entre a Samaria e a Galileia, na Terra Santa, eleva-se uma montanha, de 600 metros de altitude, chamada monte Carmelo (em hebraico, «Carmo» significa vinha; e «elo» significa senhor; portanto, vinha do Senhor), onde o Profeta Elias realizou estupendos prodígios e onde o seu sucessor Eliseu viveu também. Estes dois profetas aí reuniram os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Aqui Elias terá visto Nossa Senhora simbolizada numa nuvem; aqui Maria, quando vivia na terra, terá vindo saudar os eremitas, sucessores dos dois grandes profetas. Estes eremitas ter-se-ão sucedido através de gerações, até que, pelo ano de 1205, o Patriarca de Jerusalém, Avogrado, lhes deu a regra que se resume no trabalho, meditação das Escrituras, devoção a Maria Santíssima, vida contemplativa e mística. Por isso, os Carmelitas se dizem fundados remotamente pelo Profeta Elias. Mas foi São Bertoldo que, pelos meados do séc. XII lhes deu a organização da vida religiosa, com a regra do Patriarca de Jerusalém.

Quando, no séc. XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, mataram e perseguiram os eremitas do Monte Carmelo. Os que fugiram para a Europa, elegeram, como atrás ficou dito, São Simão Stock para seu Superior Geral. No dia 16 de Julho de 1251, rezava o Santo no seu Convento de Cambridge, em Inglaterra, fervorosa e insistentemente, para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem por Ela tanto amada, mas então com violência perseguida. A Virgem Santíssima ouviu estas ardentes súplicas. Apresenta-se-lhe com o Escapulário na mão e diz-lhe: «Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção». O Papa Pio XII, na carta dirigida a todos os carmelitas, a 11 de Fevereiro de 1950, em preparação do sétimo Centenário da entrega do Escapulário a São Simão Stock (1251), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem «devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos».

As graças do Escapulário são valiosas e magníficas: a proteção da Santíssima Virgem Maria durante a vida e a salvação à hora da morte. Por isso, diz o mesmo Pontífice: «Não é coisa de pequena importância tratar-se da aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessa da Virgem Santíssima; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo». Nossa Senhora não falta à sua palavra. É preciso que nós cumpramos também a nossa; que tragamos o Escapulário com piedade, como mostra da nossa consagração a Maria e que morramos com ele. Por isso, continua o Papa: «O Sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus, mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual».

O Escapulário não é carta-branca para pecar; é uma lembrança para viver cristãmente e assim alcançar a graça duma boa morte. Nossa Senhora, nas aparições de Lurdes e Fátima, confirmou a devoção do Escapulário do Carmo. A última aparição de Lurdes teve lugar no dia 16 de Julho – festa de Nossa Senhora do Carmo – do ano de 1858. Bernadette comungara pela manhã. De tarde, estando em oração na igreja paroquial, sentiu que a Senhora a chamava à gruta. Apenas começara a rezar o terço, quando o rosto se lhe transfigurou ante o sorriso da Virgem Imaculada. «Só via a Santíssima Virgem – contava depois a pastorinha – e nunca a vi tão bela». Em Fátima, no dia 13 de Setembro, a branca Senhora prometeu: «Em Outubro virá também Nossa Senhora do Carmo». E assim aconteceu, realmente. No Inquérito Oficial de 8 de Julho de 1924, declarou a Vidente Lúcia: «Vi ainda outra figura que parecia ser Nossa Senhora do Carmo, porque tinha qualquer coisa pendurada na mão direita». Essa «qualquer coisa» era o Escapulário do Carmo.

E o que é esse Escapulário? São dois pedacinhos de lã castanha unidos por cordões. Este Escapulário tem de ser benzido e imposto por um Sacerdote. Em Dezembro de 1910, o Papa São Pio X concedeu que, depois de imposto o Escapulário, possa ser substituído por uma medalha benzida, contanto que essa medalha tenha dum lado o Coração de Jesus e do outro Nossa Senhora em qualquer das suas invocações: portanto, Fátima, Lurdes, Carmo, Conceição… Ganham-se com ela as mesmas graças e indulgências.

Em resumo: são estas as condições para ganhar as graças do Escapulário: 1) Ser imposto por um Sacerdote. 2) Trazê-lo piedosamente, durante a vida, a ele ou à medalha que o substitui, e assim morrer. Na base da devoção do Escapulário do Carmo está a imitação das virtudes de Nossa Senhora. Quem, por fora, se cobre com a sua veste, deve, por dentro, revestir-se com as suas virtudes. É o que dizia São Bernardo: «Ó vós todos que amais Maria, revesti-vos das suas virtudes». E o Cardeal Lercaro: «Nossa Senhora do Carmo, por meio do seu Escapulário, transmite às almas o seu espírito de oração, de mortificação e as virtudes cristãs». Os Santos – os melhores conhecedores das coisas celestes – amaram sempre com predileção o Escapulário, com o qual quiseram morrer. Leiam-se os escritos do Beato Cláudio La Colombiere, apóstolo da devoção ao Coração de Jesus, as obras de Santo Afonso Maria de Ligório, cantor das glórias de Maria, os discursos de Santo António Maria Claret, apóstolo da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Poderiam multiplicar-se os nomes dos santos que desejaram morrer revestidos com o Escapulário. Recordemos o Santo Cura de Ars; Santa Bernadette, vidente de Lurdes; São João Bosco; São Domingos Sávio, São Gabriel das Dores.

O mesmo se diga dos Papas, particularmente dos últimos. LEÃO XIII, na agonia, beijava repetidamente o Escapulário. PIO XII, desde a tenra infância usava o Escapulário de lã, e queria que os fiéis o soubessem. JOÃO XXIII, visitando, como Núncio em Paris, o carmelo de Avon-Fontainebleau, assim se exprimia: «Por meio do Escapulário, pertenço à vossa família do Carmelo e aprecio muito esta graça, como garantia de especialíssima proteção de Nossa Senhora». No discurso da audiência geral de 15 de Julho de 1961, declarou o bom Papa: «Amanhã, 16 de Julho, é a comemoração de Nossa Senhora do Carmo. A piedade dos fiéis nos vários séculos quis honrar a celebrada Mãe de Deus com vários títulos e com atos da mais sentida veneração. Recordemos que foi o Pontífice João XXII que, no século XIV, promoveu a devoção a Maria sob este título. Da história devemos verdadeiramente tirar tudo quanto possa tomar cada vez mais claras e nítidas as formas de oração e de homenagem a Maria».

O Santo Padre Cruz, rigorosamente Servo de Deus, tinha confiança ilimitada no Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Ele próprio o usava. Conserva-se ainda a sua «Patente de ingresso na Confraria do Monte do Carmo», de Lisboa, na qual escreveu piedosamente, a 16 de Julho de 1940: «Há cerca de 60 anos que recebi o Santo Escapulário do Carmo». Distribuiu milhares com a intenção de afervorar a confiança em Nossa Senhora e ajudar a viver bem. Recomendava àqueles a quem impunha o Escapulário que o beijassem todos os dias e rezassem três Ave-Marias, pedindo a graça de não caírem em pecado mortal. Para além do privilégio da morte na graça de Deus, para quem tiver trazido piedosamente e morrido com o Escapulário do Carmo, há o chamado Privilégio Sabatino.

Nossa Senhora terá prometido ao Papa João XXII, no ano de 1322, que tiraria do Purgatório, no sábado a seguir à morte, as almas daqueles que: a) tivessem trazido piedosamente o Escapulário e com ele morrido; b) tivessem guardado a castidade própria do seu estado; c) tivessem rezado todos os dias o Oficio Menor de Nossa Senhora. A autenticidade da Bula, chamada Sabatina, que relata tal privilégio, foi muito discutida. Após longas controvérsias, o Papa Paulo V publicou, em 1613, a seguinte declaração: “Pode-se piedosamente acreditar que Nossa Senhora socorrerá principalmente no sábado as almas do Purgatório que tenham na vida trazido o Escapulário, guardado a castidade própria do seu estado e rezado todos os dias o Oficio Menor”. O Papa fala apenas duma piedosa crença quanto a um socorro de Nossa Senhora ao sábado. Não se refere propriamente a tirar do Purgatório as almas ao sábado. Neste mesmo sentido o confirmaram os Papas São Pio X (1911), Pio XI (1922), Pio XII (1950), João XXIII (1959).

Um Sacerdote, que tenha faculdades para isso, pode comutar a recitação do Oficio Menor de Nossa Senhora em qualquer destas práticas: a) reza do Oficio Divino (Liturgia das horas); b) guarda da abstinência nas quartas e sábados; c) reza do Terço ou de outra devoção. A Ordem do Carmo ou dos Carmelitas, nos seus dois setores, masculino e feminino, foi no século XVI reformada por Santa Teresa e São João da Cruz, ficando assim dividida em dois ramos: Carmelitas da primitiva observância ou Calçados, aos quais pertenceu o Beato Nuno Álvares Pereira, e Carmelitas reformados ou Descalços.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
16 de julho
Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas. O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

No próximo dia 16 de julho, iremos comemorar a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ordem Carmelitana. Essa festa remonta aos anos de 1376 e 1386, quando adveio o pio costume de celebrar uma festa especial em honra de Nossa Senhora, em ação de graças pela aprovação pontifícia da Regra Carmelitana, pelo Papa Honório III, em 1226. A data fixada de 16 de julho coincide, segundo a tradição carmelitana, com a data em que Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário. Com o passar do tempo, no início do século XVII a data de dezesseis de julho se transformou em data oficial da “festa do escapulário” e, imediatamente, começou a ser celebrada também fora da Ordem Carmelitana. Em 1726, esta data solidificou-se como a festa da Virgem do Carmo por toda a Igreja do Ocidente, pela ação do Papa Bento XIII. No próprio da missa do dia não se faz menção ao escapulário ou à visão que teve São Simão; porém, ambos os fatos são mencionados nas leituras do segundo noturno das Matinas no antigo Breviário e o escapulário no prefácio especial usado pelos carmelitas. A Ordem dos Carmelitas, uma das mais antigas na história da Igreja, embora considere o profeta Elias como o seu patriarca modelo, não tem um verdadeiro fundador, mas um grande amor: o culto a Maria, honrada como a Bem-Aventurada Virgem do Carmo. “O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”. Elias e Maria estão unidos numa narração que tem sabor de lenda. Refere o Livro das Instituições dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo (1Rs 18,20-45), os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, na Palestina, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, os monges que haviam entretanto recebido do patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra aprovada em 1226 pelo papa Honório III, voltaram ao Ocidente e na Europa fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais, porém, puderam experimentar a proteção da Virgem. Um episódio em particular sensibilizou os devotos: os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o escapulário da ordem e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo’”. Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”. Entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam. Nossa Senhora é a nossa Mãe, colocada como insigne modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem Maria. Se aproveitarmos, na festa que se avizinha, esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe. Por isso somos chamados, como discípulos-missionários de Jesus, a imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efetivamente, porque “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus”. Assim, unidos a todos as ordens Carmelitas, primários, secundários e terciários, particularmente os membros da Irmandade do Carmo da Sé Catedral de Juiz de Fora, queremos exortar a todos os fiéis que, seguindo a Maria, encontrem a Jesus, o verdadeiro sentido para que o amor de Deus recaia sobre cada um de nós. E que os sacramentais, sinais visíveis da graça de Deus, produzam seus frutos necessários de vida, de santidade, de disponibilidade total para um SIM permanente a convite de Jesus, para que sejamos missionários dentro da realidade em que estamos inseridos. Virgem do Carmo, Rogai por nós!

ORAÇÃOSenhora do Carmo, Rainha dos Anjos, canal das mais ternas mercês de Deus para com os homens. Refúgio e Advogada dos pecadores, com confiança eu me prostro diante de vós suplicando-vos que obtenhais… (pede-se a graça). Em reconhecimento, solenemente prometo recorrer a vós em todas as minhas dificuldades, sofrimentos e tentações, e farei tudo que ao meu alcance estiver, a fim de induzir outros a amar-vos, reverenciar-vos e invocar-vos em todas as suas necessidades. Agradeço-vos as inúmeras bênçãos que tenho recebido de vossa mercê e poderosa intercessão. Continuai a ser meu escudo nos perigos, minha guia na vida e minha consolação na hora da morte. Amém. Nossa Senhora do Carmo, advogada dos pecadores mais abandonados, rogai pela alma do pecador mais abandonado do mundo. Ó Senhora do Carmo, rogai por nós, que recorremos a vós. 

O Espírito Santo e seus Dons

O que podemos e devemos fazer para que o Espírito de Deus venha a nós e nos satisfaça com Seus dons? Quais devem ser nossas atividades e disposições interiores para atrair e receber ao Espírito Santo?

1- Uma primeira disposição: Deveríamos despertar ainda mais em nossos corações o desejo pelo Espírito Santo e Seus dons. É o mesmo desejo que tinham os apóstolos e a Santíssima Virgem quando estavam reunidos no cenáculo esperando o Espírito Santo prometido. É a súplica é: Vem, Espírito Santo! Esperamos-Te com ânsias, porque somos tão débeis, porque necessitamos Teu poder transformador.

Deveríamos despertar profundos afetos de ânsias para que Ele tome em Suas mãos nossa educação, nossa transformação em autênticos filhos de Deus, em homens simples com alma de criança. Por isso, temos que chegar a ser homens e mulheres que anelam pelo Espírito de Deus.

2- Uma segunda disposição: Devemos esforçar-nos mais para estar em silêncio, para estar sós e tranquilos interiormente. Trata-se de um isolamento e uma solidão repleta de Deus. As forças da alma devem estar concentradas não em nós, mas em Deus. Somente assim poderemos escutar o que o Espírito Santo nos sopra. Se ao nosso redor e, sobretudo, se em nosso interior, existe tanto ruído, tantas vozes alheias, tanto espírito mundano, então não poderemos escutá-Lo. E se não O escutamos, tampouco saberemos o que Ele deseja de nós e nos sugere. E assim nunca vamos perceber Sua presença em nossa alma nem vamos acreditar em Sua atuação e influência em nossa vida.

3- Outra disposição é a oração humilde. Diz o Padre: “Parece-me que chegou o momento em que iremos juntar as mãos e orar. Necessitamos muito mais de oração que de exercícios. Certamente, isso não quer dizer que devamos deixar de praticar o amor filial. Mas sabendo que só possuímos as velas e que é o Espírito Santo quem deve insuflá-las, nos sentimos em dependência total diante de Deus. Devemos cultivar, então, o heroísmo da oração humilde”. Havemos de ser mestres da oração e da humildade.

4- Uma última disposição que atrai o Espírito Santo é o espírito mariano. Sabemos que a Virgem Maria, no Dia de Pentecostes, encontrou-se no meio dos apóstolos. E não duvidamos que, sobretudo, por sua poderosa súplica maternal o Espírito Divino veio sobre cada um deles. E assim também nós devemos unir-nos a ela na espera do Espírito Santo de Deus.

Haveremos escutado alguma vez as palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort, que o padre-fundador repetia tantas vezes: O Espírito Santo quisera encontrar nas almas a Santíssima Virgem, quisera encontrar atitude e espírito marianos, quisera encontrar um amor profundo a ela. E quando Ele descobre numa alma a Maria, então não há alternativa que penetrar nesta alma com seus dons e realizar milagres de transformação.

E a causa disso? Como na Encarnação o Espírito Santo e a Virgem Santíssima colaboraram para que nascesse Jesus, assim o Espírito de Deus quer também hoje em dia cooperar com Maria, para que Cristo, o Filho do Pai, nasça e viva em cada alma. Por isso, não é casualidade que o Padre nos convida a ampliar nossa Aliança de Amor celebrando essa mesma Aliança também com o Espírito Santo. Então, Ele nos dará Seus dons, o dom da sabedoria, para que todos possamos conquistar o espírito filial.

Por Padre Nicolás Schwizer – Shoenstatt mov.apostólico
Fonte: Canção Nova

Na Festa de Pentecostes, a ação do Espírito Santo

Solenidade de Pentecostes, Domingo, 19 de maio  de 2013, Kelen Galvan / Da Redação

Só o Espírito Santo “pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”, disse Francisco

Na Festa de Pentecostes, celebrada neste domingo, 19, o Papa Francisco presidiu uma Missa na Praça de São Pedro, no Vaticano, na presença de representantes de movimentos e novas comunidades.

O Santo Padre destacou que a liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja juntamente com Jesus eleva ao Pai, para que se renove a efusão do Espírito Santo.

E ressaltou três palavras relacionadas à ação do Espírito: novidade, harmonia e missão.

Francisco comentou que a novidade sempre nos causa um pouco de receio, porque nos sentimos mais seguros com aquilo que já conhecemos, que é possível programar e controlar. Segundo ele, muitas vezes, também agimos assim quando se trata de Deus. “Seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança”, disse.

Entretanto, explicou o Papa, em toda a história da salvação, quando Deus se revela, Ele sempre traz novidade, e pede que confiemos totalmente Nele. “Estamos abertos às ‘surpresas de Deus’?”, questionou Francisco, ou estamos fechados, com medo, à novidade do Espirito Santo?

“O Espírito Santo é a alma da missão”, é Ele que impulsiona a Igreja, que faz os fiéis entrarem no “mistério do Deus vivo, disse o Papa (Foto: L’Osservatore Romano)

O Papa afirmou que “a novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem”.

A segunda palavra é a “harmonia”. Francisco explicou que, a primeira vista, o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, por trazer a diversidade de dons e carismas, mas isso não é verdade. “Sob a sua ação, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia”, afirmou.

O Santo Padre falou ainda que se tentarmos fazer a diversidade ou a unidade sem o Espírito Santo, acabamos trazendo a divisão ou a homogeinização. “Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja”.

“Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”, afirmou o Pontífice.

Por fim, o Papa refletiu sobre a terceira palavra: “missão”.

Francisco explicou que “o Espírito Santo é a alma da missão”, é Ele que impulsiona a Igreja, que faz os fiéis entrarem no “mistério do Deus vivo” e os impele a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a “vida boa do Evangelho”, comunicar a “alegria da fé, do encontro com Cristo”.

O Santo Padre disse ainda que o Pentecostes ocorrido no Cenáculo em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um fato distante, mas um acontecimento que “nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós”.

“O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos”, enfatizou Francisco.

E concluiu afirmando que, também hoje, a Igreja o invoca juntamente com Maria: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”!

 

Homilia
Solenidade de Pentecostes
Domingo, 19 de maio de 2013

Amados irmãos e irmãs,

Neste dia, contemplamos e revivemos na liturgia a efusão do Espírito Santo realizada por Cristo ressuscitado sobre a sua Igreja; um evento de graça que encheu o Cenáculo de Jerusalém para se estender ao mundo inteiro.

Então que aconteceu naquele dia tão distante de nós e, ao mesmo tempo, tão perto que alcança o íntimo do nosso coração? São Lucas dá-nos a resposta na passagem dos Atos dos Apóstolos que ouvimos (2, 1-11). O evangelista leva-nos a Jerusalém, ao andar superior da casa onde se reuniram os Apóstolos. A primeira coisa que chama a nossa atenção é o rombo improviso que vem do céu, “comparável ao de forte rajada de vento”, e enche a casa; depois, as “línguas à maneira de fogo” que se iam dividindo e pousavam sobre cada um dos Apóstolos. Rombo e línguas de fogo são sinais claros e concretos, que tocam os Apóstolos não só externamente mas também no seu íntimo: na mente e no coração. Em consequência, “todos ficaram cheios do Espírito Santo”, que esparge seu dinamismo irresistível com efeitos surpreendentes: “começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem”. Abre-se então diante de nós um cenário totalmente inesperado: acorre uma grande multidão e fica muito admirada, porque cada qual ouve os Apóstolos a falarem na própria língua. É uma coisa nova, experimentada por todos e que nunca tinha sucedido antes: “Ouvimo-los falar nas nossas línguas”. E de que falam? “Das grandes obras de Deus”.

À luz deste texto dos Atos, quereria refletir sobre três palavras relacionadas com a ação do Espírito: novidade, harmonia e missão.

1. A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós a construir, programar, projetar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças, os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança, deixando que o Espírito Santo seja a alma, o guia da nossa vida, em todas as decisões; temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas, faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes. Mas, em toda a história da salvação, quando Deus Se revela traz novidade – Deus traz sempre novidade -, transforma e pede para confiar totalmente n’Ele: Noé construiu uma arca, no meio da zombaria dos demais, e salva-se; Abraão deixa a sua terra, tendo na mão apenas uma promessa; Moisés enfrenta o poder do Faraó e guia o povo para a liberdade; os Apóstolos, antes temerosos e trancados no Cenáculo, saem corajosamente para anunciar o Evangelho. Não se trata de seguir a novidade pela novidade, a busca de coisas novas para se vencer o tédio, como sucede muitas vezes no nosso tempo. A novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem. Perguntemo-nos hoje a nós mesmos: Permanecemos abertos às “surpresas de Deus”? Ou fechamo-nos, com medo, à novidade do Espírito Santo? Mostramo-nos corajosos para seguir as novas estradas que a novidade de Deus nos oferece, ou pomo-nos à defesa fechando-nos em estruturas caducas que perderam a capacidade de acolhimento? Far-nos-á bem pormo-nos estas perguntas durante todo o dia.

2. Segundo pensamento: à primeira vista o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, porque traz a diversidade dos carismas, dos dons. Mas não; sob a sua ação, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia. Quem faz a harmonia na Igreja é o Espírito Santo. Um dos Padres da Igreja usa uma expressão de que gosto muito: o Espírito Santo «ipse harmonia est – Ele próprio é a harmonia». Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Também aqui, quando somos nós a querer fazer a diversidade fechando-nos nos nossos particularismos, nos nossos exclusivismos, trazemos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos desígnios humanos, acabamos por trazer a uniformidade, a homogeneização. Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja. O caminhar juntos na Igreja, guiados pelos Pastores – que para isso têm um carisma e ministério especial – é sinal da ação do Espírito Santo; uma característica fundamental para cada cristão, cada comunidade, cada movimento é a eclesialidade. É a Igreja que me traz Cristo e me leva a Cristo; os caminhos paralelos são muito perigosos! Quando alguém se aventura ultrapassando (proagon) a doutrina e a Comunidade eclesial – diz o apóstolo João na sua Segunda Carta e deixa de permanecer nelas, não está unido ao Deus de Jesus Cristo (cf. 2 Jo 9). Por isso perguntemo-nos: Estou aberto à harmonia do Espírito Santo, superando todo o exclusivismo? Deixo-me guiar por Ele, vivendo na Igreja e com a Igreja?

3. O último ponto. Diziam os teólogos antigos: a alma é uma espécie de barca à vela; o Espírito Santo é o vento que sopra na vela, impelindo-a para a frente; os impulsos e incentivos do vento são os dons do Espírito. Sem o seu incentivo, sem a sua graça, não vamos para a frente. O Espírito Santo faz-nos entrar no mistério do Deus vivo e salva-nos do perigo de uma Igreja gnóstica e de uma Igreja narcisista, fechada no seu recinto; impele-nos a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a vida boa do Evangelho, para comunicar a alegria da fé, do encontro com Cristo. O Espírito Santo é a alma da missão. O sucedido em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um fato distante de nós, mas um fato que nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós. O Pentecostes do Cenáculo de Jerusalém é o início, um início que se prolonga. O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos. Como ouvimos no Evangelho, Jesus diz: “Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco” (Jo 14, 16). É o Espírito Paráclito, o “Consolador”, que dá a coragem de levar o Evangelho pelas estradas do mundo! O Espírito Santo ergue o nosso olhar para o horizonte e impele-nos para as periferias da existência a fim de anunciar a vida de Jesus Cristo. Perguntemo-nos, se tendemos a fechar-nos em nós mesmos, no nosso grupo, ou se deixamos que o Espírito Santo nos abra à missão. Recordemos hoje estas três palavras: novidade, harmonia, missão.

A liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja com Jesus eleva ao Pai, para que renove a efusão do Espírito Santo. Cada um de nós, cada grupo, cada movimento, na harmonia da Igreja, se dirija ao Pai pedindo este dom. Também hoje, como no dia do seu nascimento, a Igreja invoca juntamente com Maria: “Veni Sancte Spiritus… – Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”! Amém.

Solenidade de Pentecostes – Aniversário da Igreja Católica – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

PENTECOSTES OU BABEL?
Atos 2, 1-11; 1 Coríntios 12, 3b-7.12-13; João 20, 19, 23

O sentido de Pentecostes se contém na frase dos Atos dos Apóstolos: «Ficaram todos cheios do Espírito Santo». O que quer dizer que «ficaram cheios do Espírito Santo», e o que experimentaram naquele momento os apóstolos? Tiveram uma experiência envolvente do amor de Deus, sentiram-se inundados de amor, como por um oceano. Assegura-o São Paulo, quando diz que «o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5,5). Todos os que tiveram uma experiência forte do Espírito Santo estão de acordo em confirmar isso. O primeiro efeito que o Espírito Santo produz quando chega a uma pessoa é fazer que se sinta amada por Deus por um amor muito terno, infinito. O fenômeno das línguas é o sinal de que algo novo ocorreu no mundo. O surpreendente é que este falar em «línguas novas e diversas», em vez de gerar confusão, cria ao contrário um admirável entendimento e unidade. Com isso, a Escritura quis mostrar o contraste entre Babel e Pentecostes. Em Babel todos falam a mesma língua e em certo momento ninguém entende já o outro, nasce a confusão das línguas; em Pentecostes cada um fala uma língua diferente e todos se entendem. Como é isto? Para descobrir basta observar do que falam os construtores de Babel e de que falam os apóstolos em Pentecostes. Os primeiros se dizem entre si: «Vamos edificar uma cidade e uma torre com o ápice no céu, e façamo-nos famosos, para não dispersarmo-nos por toda a face da terra» (Gen 11, 4). Estes homens estão animados por uma vontade de poder, querem se «fazer famosos», buscam sua glória. Em Pentecostes os apóstolos proclamam, ao contrário, «as grandes obras de Deus». Não pensam em fazer um nome, mas em fazer-se a Deus; não buscam sua afirmação pessoal, mas a de Deus. Por isso todos os compreendem. Deus voltou a estar no centro; a vontade de poder substituiu-se pela vontade de serviço, a lei do egoísmo pela do amor. Nisso há uma mensagem de vital importância para o mundo de hoje. Vivemos na era das comunicações de massa. Os chamados «meios de comunicação» são os grandes protagonistas do mundo. Tudo isto marca um progresso grandioso, mas implica também um risco. De que comunicação se trata de fato? Uma comunicação exclusivamente horizontal, superficial, freqüentemente manipulada e venal, ou seja, usada para fazer dinheiro. O oposto, em resumo, a uma informação criativa, de manancial, que introduz no ciclo contidos qualitativamente novos e ajuda a cavar em profundidade em nós mesmos e nos acontecimentos. A comunicação converte em um intercâmbio de pobreza, de ânsias, de inseguranças e de gritos de ajuda desatendidos. É falar entre surdos. Quanto mais cresce a comunicação, mais se experimenta a incomunicação. Redescobrir o sentido do Pentecostes cristão é a única coisa que pode salvar nossa sociedade moderna de precipitar-se cada vez mais em um Babel de línguas. Com efeito, o Espírito Santo introduz na comunicação humana a forma e a lei da comunicação divina, que é a pedra e o amor. Por que Deus se comunica com os homens, entretém-se e fala com eles, ao longo de toda a história da salvação? Só por amor, porque o bem é por sua natureza «comunicativo». Na medida em que é acolhido, o Espírito Santo cura as águas contaminadas da comunicação humana, faz dela um instrumento de enriquecimento, de possibilidade de compartilhar e de solidariedade. Cada iniciativa nossa civil ou religiosa, privada ou pública encontra-se ante uma eleição: pode ser Babel ou Pentecostes: é Babel se está ditada por egoísmo e vontade de atropelo; é Pentecostes se está ditada por amor e respeito da liberdade dos demais.

 

Evangelho segundo São João 15, 26-27.16, 12-15
«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, Ele dará testemunho a meu favor. E vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo desde o princípio.» «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: ‘Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer’.»

Eis-nos na solenidade de Pentecostes. Esta solenidade provavelmente nos tempos de Lucas, era celebração judaica do Dom da Lei, mas nós não celebramos hoje o Dom da Lei e sim o Dom do Espírito Santo, que é o amor personificado do Pai para com o Filho e do Filho para com o Pai. Hoje nós celebramos de certa maneira, o aniversário da nossa Igreja, que é bela. Embora tenha dois mil anos de idade, a nossa Igreja é bela, e tenha passado por tantas vicissitudes, porque ainda hoje, como no passado, ela contagia tantos corações jovens e adultos. Nossa Igreja é bela porque ela alimenta tantos espíritos com a Palavra de Cristo. A nossa Igreja é bela, sobretudo porque nela age o Espírito de Deus. Por vezes nós temos a tentação de imaginá-la ultrapassada, anacrônica, fora de época, mas o Espírito Santo, de quando em quando a sacode, é capaz de fazê-la ressuscitar como um Ícaro de suas próprias cinzas. O Espírito Santo agiu fortemente na Igreja por ocasião do Concílio Vaticano II, que infelizmente não é bem conhecido dos fiéis católicos até os dias de hoje, quarenta anos depois que ele foi convocado pelo então Papa João XXIII. Mas o Espírito Santo age fora das fronteiras da Igreja católica, Ele é capaz de derrubar os muros de Berlim e de Jerusalém. Ele é capaz de derrubar os racismos onde quer que eles existam, Ele é capaz de derrubar as escravidões que ainda subsistam. O Espírito de Deus trabalha não apenas dentro das fronteiras da Igreja católica. Alarguemos as nossas vistas, olhemos para a nossa história onde quer que haja uma ação boa realizada por uma pessoa de boa vontade, qualquer que seja a religião de sua pertença, ali está o Espírito Santo. Ele não é católico, Ele não é propriedade exclusiva da Igreja católica, Ele age no mundo todo inteiro, Ele fermenta positivamente a massa de bilhões e bilhões de seres humanos, porque graças a Deus, embora a maioria não seja católica, nós temos uma grande porção na humanidade de seres de boa vontade. Todos estes de uma maneira misteriosa, são conduzidos pelo Espírito de Deus, encerrando, pois o tempo Pascal com a presença do Espírito na Igreja e fora da Igreja. Nós louvamos e bendizemos a Deus apesar dos percalços, das perseguições, das incompreensões, de certos anacronismos acusados, Ela caminha em direção ao seu final, conduzida pelo Espírito do Senhor ressuscitado. Feliz e alegre festa de Pentecostes. Que o Espírito Santo traga alegria também ao seu coração.

 

Do Pentecostes judaico ao Pentecostes cristão
São Bruno de Segni (c. 1045-1123), bispo
Comentário ao Êxodo, cap. 15 (trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, vol. 2, p. 78)

O Monte Sinai é o símbolo do Monte Sião. […] Reparai até que ponto as duas alianças se ecoam uma à outra, com que harmonia a festa de Pentecostes é celebrada em cada uma delas. […] O Senhor desceu ao Monte Sião no mesmo dia e de maneira muito semelhante a como tinha descido ao Monte Sinai. […] Escreve Lucas: «Subitamente ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles» (At 2, 2-3). […] Sim, tanto num como noutro monte se ouve um ruído violento e se vê um fogo. No Sinai, foi uma nuvem espessa, no Sião o esplendor de uma luz muito forte. No primeiro caso, tratava-se de «imagem e sombra» (Hb 8, 5), no segundo caso da realidade verdadeira. No passado, ouviu-se o trovão, hoje discernem-se as vozes dos apóstolos. De um lado, o brilho dos relâmpagos; do outro, prodígios por todo o lado. […] «Moisés mandou sair o povo do acampamento, para ir ao encontro de Deus, e pararam junto do monte» (Ex 19, 17). E, nos Atos dos Apóstolos, lemos que «ao ouvir aquele som poderoso, a multidão reuniu-se e ficou estupefata» (v. 6). […] O povo de toda a Jerusalém reuniu-se aos pés da montanha de Sião, ou seja, no lugar onde Sião, a imagem da Santa Igreja, começou a ser edificado, a colocar os seus fundamentos. […] «Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas», diz o Êxodo (v. 18). […] Como poderiam deixar de arder aqueles que tinham sido abrasados pelo fogo do Espírito Santo? Assim como o fumo assinala a presença do fogo, assim também, pela segurança dos seus discursos e pela diversidade das línguas que falavam, o fogo do Espírito Santo manifestou a Sua presença no coração dos apóstolos. Felizes os corações que estão cheios deste fogo! Felizes os homens que ardem com este calor! «Todo o monte estremecia violentamente. Os sons da trombeta repercutiam-se cada vez mais» (vv. 18-19). […] Assim também a voz dos apóstolos e a sua pregação se tornaram cada vez mais fortes, fazendo-se ouvir cada vez mais longe, até que «por toda a terra caminha o seu eco, até aos confins do universo a sua palavra» (Sl 18, 5).

 

SOMOS CHAMADOS A PROCLAMAR AS MARAVILHAS DE DEUS
Padre José Augusto

A missa se inicia com a seguinte Oração: Ó Deus, que pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Que você seja santificado no dia de hoje, que o Espírito Santo derrame sobre você e a toda extensão do mundo os Seus dons. Nós não podemos ser cristãos frios, não podemos continuar evangelizando na frieza, nós precisamos fazer com que hoje essa oração se realize em nossas vidas, pois tem muita gente que precisa conhecer Jesus Cristo, tem muitas pessoas não evangelizadas. Pesa sobre nós um cargo que nos impede de sermos frios, precisamos evangelizar para que as pessoas rezem como você reza, nós precisamos anunciar o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Por causa de muitas palavras de pessoas que não acreditam em Jesus, fomos tomados de uma frieza, e por causa dessa frieza veio o medo. Nós só vamos atrás de pessoas que rezam e que podem rezar por nós. Não! Somos nós que precisamos rezar pelos outros, nós que somos testemunhas do evangelho, somos testemunhas vivas do evangelho de hoje; precisamos tomar consciência disso, o demônio está querendo nos calar, nossos grupos precisam ter aquele fervor de antes, dos inícios, onde aquele fogo caia, agora parece que cai água gelada, nós não podemos esfriar. Hoje em qualquer lugar do mundo, a Igreja está proclamando para que aconteça o que aconteceu no início da Igreja. Mas o que aconteceu no início da Igreja? Atos 1, Jesus está se despedindo dos apóstolos e a partir do versículo 6, Jesus vai subir para o céu e este é o último diálogo com os discípulos. Eu quero que você atualize essa palavra para você, nós somos os discípulos dos tempos de hoje. “mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” (Atos 1, 8). Força aqui na palavra quer dizer poder. Diga comigo: “o Espírito Santo descerá sobre mim e Ele me dará poder”. O Espírito descerá sobre você para que seja testemunha viva de Jesus a partir de sua cidade, para cidade mais próxima até os confins do mundo. Diga: “eu quero e preciso”. Depois deste momento Jesus sobe para o céu e promete voltar novamente, então os discípulos vão para o cenáculo, aguardando a realização da promessa, e de repente, dentro do cenáculo, onde eles estavam, o Espírito vem como um vento, como um fogo, e vem como línguas. Línguas de fogo desceu e eles começaram a proclamar, ele começaram a anunciar as maravilhas de Deus. ‘Você é chamado a anunciar as maravilhas de Deus’, diz: Padre José Augusto Você é chamado a anunciar as maravilhas de Deus, está é a grande alegria de Deus nos tempos de hoje. Que alegria você ser chamado a proclamar as maravilhas de Deus. Tem muita gente dizendo que Deus não faz maravilhas, não fiquem frio, mas proclamem as maravilhas de Deus. Hoje nós estamos pedindo o Espírito de Deus para voltarmos para casa e proclamarmos as maravilhas de Deus, para contarmos para todo mundo as maravilhas do Senhor e tem uma coisa, nós somos aqueles que tem visto as maravilhas do Senhor, nós temos visto o poder de Deus. Todos estamos aqui para proclamarmos as maravilhas do Senhor, nós não podemos ficar frios, precisamos proclamar o que Deus fez em nossa vida, e na vida daqueles que estão ao nosso redor. Não importa se você fez faculdade ou não, não importa se você sabe falar direito ou não, se nasceu na roça ou em Nova York, todos precisamos proclamar as maravilhas do Senhor. Não precisa fazer faculdade para proclamar as maravilhas do Senhor, pois não fala com a boca, mas fala com a vida. Da Dona Maria a Mary, do João ao John, todos precisam proclamar as maravilhas de Deus, para aqueles que não creem. Os discípulos saíram de lá tomados do Espírito; saíram e proclamaram com prodígios e milagres, e a cada dia ajuntavam mais. Tem muitos que tem vergonha de falarem de Jesus. Cristãos camuflados não tenham vergonha, “saiam para fora”! Se tem vergonha, precisam ser sem-vergonhas, mas cheios do Espírito Santo, proclamando as maravilhas de Deus. “Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.” (Atos 5,12) diga: “muitos milagres e muitos prodígios”, nossas igrejas precisam aumentarem, nossos grupos de orações precisam se encher novamente, porque estão vendo o poder de Deus realizando em suas vidas. Eu quero pedir que Deus comece a fazer essas coisas a partir de você. É muito simples, não precisam imaginar que terão que ficar em cima de um palco, proclamando as curas, não. Quando você chegar em casa, se tiver alguém doente, imponha as mãos e ore, quando tiver no ônibus, a boca fala do que o coração está cheio, fale de Jesus para pessoas que sentar do seu lado. Na faculdade, no trabalho fale de Jesus, o mundo precisa conhecê-Lo.

 

O ESPÍRITO DO SENHOR REPOUSA SOBRE NÓS!
Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

Na festa de PENTECOSTES somos convidados a recordar o grande Dom do Espírito Santo e o encerramento do festivo e glorioso tempo Pascal. Os judeus já comemoravam a festa de Pentecostes. Era uma festa eminentemente agrícola celebrada cinqüenta dias após a Páscoa. Nos primórdios era em ação de graças pelas colheitas. Posteriormente os judeus começaram a celebrar em Pentecostes a Aliança, como dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo Santo de Deus. Para nós cristãos Pentecostes quer significar o Espírito de Deus, que vem habitar em nosso meio, como Nova e Eterna Aliança, na constituição do novo Povo de Deus. Assim, os apóstolos estão reunidos, trancados numa casa quando o fogo do Espírito se reparte em forma de línguas sobre cada um deles. E eles saem do cenáculo e, em praça pública começam a falar do Cristo ressuscitado, com grande entusiasmo e sabedoria. É a primeira e grande manifestação missionária da Igreja. E seus missionários são os doze apóstolos. E o povo espantado se questiona: “Como os escutamos na nossa língua?” Por obra do Espírito Santo, todos falam uma língua que todos compreendem e que une a todos: a linguagem do amor. Por isso São Lucas apresenta a Igreja como Comunidade que nasce de Jesus, que é animada pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai. O Evangelho que será lido nesta Solenidade é o de São João que colocou o Dom do Espírito Santo no dia da Páscoa. (Jo 20, 19-23) Os Sinais externos: “anoitecer”, “portas fechadas”, “medo” – revelam a situação de uma Comunidade desamparada, desorientada e insegura. Jesus aparece “no meio deles” e lhes deseja a “PAZ”. Confia a Missão: “Como o Pai me enviou, eu VOS ENVIO”. “Soprou” sobre eles e falou: “Recebei o ESPÍRITO SANTO”.  Nessa perspectiva, Páscoa e Pentecostes são partes do mesmo acontecimento. A preocupação dos evangelistas não foi escrever uma crônica histórica, mas uma catequese sobre o Mistério Pascal e a Igreja. Afirmam a mesma coisa, expressando-se numa linguagem diferente. O Papa Bento XVI disse que “O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor. Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas no momento os Apóstolos não são capazes de carregar o seu peso (cf. Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu. É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser “expressão e instrumento do amor que d’Ele promana” (Deus caritas est 33). Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza: “Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!” O grande Pentecostes continua a acontecer na Igreja. Não só na recepção do Sacramento da Crisma, quando recebemos a plenitude do Espírito Santo para cumprir a nossa missão de discípulos-missionários. O cristão é um enviado: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Para viver e contagiar a PAZ. É um dom precioso e ausente muitas vezes no mundo. Cristo e seu Espírito são fontes de paz para que o mundo creia. Para experimentar o PERDÃO e a MISERICÓRDIA. O perdão e a misericórdia são as atitudes da Igreja diante do mundo. Para ser construtores da COMUNIDADE. O Espírito de Deus foi derramado em cada um para conseguir a unidade de todos no amor. O Pentecostes, para nós, é a plenitude da Páscoa. É o nascimento da Igreja com a missão de dar continuidade à obra de Cristo através dos tempos, em meio à diversidade dos povos. Por isso nesta grande festa somos chamados a nos enamorar pelo Amor verdadeiro, aquele que o Espírito sopra sobre nós. Vinde Espírito Santo! Que o Espírito do Senhor Repouse sobre nós e nos ajude a sermos discípulos-missionários! Amém!

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