Tag: Espírito

As bem-aventuranças como programa de santidade

Cristianismo prático

Segunda-feira, 9 de junho de 2014, Da Redação com Rádio Vaticano  

Na Missa de hoje, Francisco refletiu sobre as bem-aventuranças, um programa de vida proposto por Jesus

As bem-aventuranças são o programa de vida do cristão. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta segunda-feira, 9. O Pontífice focou sua homilia nas bem-aventuranças e, retomando o encontro de oração pela paz realizado ontem no Vaticano, disse que é preciso ter a coragem da mansidão para derrotar o ódio.

Segundo Francisco, as respostas sobre o que fazer para ser um bom cristão estão nas bem-aventuranças, em que Jesus indica atitudes contrárias ao que habitualmente se faz no mundo. Trata-se de um programa de vida proposto por Jesus, algo tão simples e ao mesmo tempo tão difícil.

Sobre a pobreza de espírito, Francisco disse que as riquezas não asseguram nada; aliás, um coração rico está tão satisfeito consigo mesmo que não há lugar para a Palavra de Deus.

Quanto aos que choram, Francisco lembrou que estes serão consolados. O mundo, disse, não quer chorar; então, prefere ignorar as situações dolorosas. “Somente a pessoa que vê as coisas como são e chora no seu coração é feliz e será consolada. A consolação de Jesus, não a do mundo”.

O Papa também falou dos mansos, que são bem-aventurados, neste mundo, que desde o início é de guerra e ódio, embora Jesus tenha pedido paz e mansidão. Bem-aventurados são também os que lutam pela justiça. “É tão fácil entrar nas rachaduras da corrupção. Tudo é negócio. E quantas injustiças! Quanta gente sofre por essas injustiças!”

Sobre os misericordiosos, Francisco disse que são aqueles que perdoam, que entendem os erros dos outros. “Bem-aventurados os que perdoam, os que são misericordiosos. Porque todos nós somos um exército de perdoados! Todos nós fomos perdoados. E por isso é bem-aventurado aquele que segue pelo caminho do perdão”.

Bem-aventurados são também os puros de coração, lembrou o Papa, e os que trabalham pela paz. “É tão comum sermos agentes de guerras ou, pelo menos, de mal-entendidos! (…) O mundo das fofocas. Esse povo que fofoca não faz a paz, são inimigos dela”, disse Francisco, que, por fim, lembrou-se das pessoas que são perseguidas por causa da justiça, sendo também elas bem-aventuradas.

O Pontífice acrescentou que se o homem quiser algo a mais do que já está nas bem-aventuranças, Jesus dá outras indicações, como o protocolo segundo o qual os homens serão julgados, uma passagem presente no capítulo 25 do Evangelho de Mateus:

“Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estava doente e me visitastes, estava presos e fostes a mim. Com essas duas coisas – Bem-aventuranças e Mateus 25 – pode-se viver a vida cristã em santidade”, explicou o Santo Padre.

Para Francisco, estas são palavras simples, mas práticas a todos, pois o Cristianismo é uma religião prática. Ele finalizou indicando aos fiéis que façam, hoje, essas duas leituras: a passagem sobre as Bem-aventuranças e o capítulo 25 do Evangelho de Mateus.

“Fará bem a vocês lê-lo uma vez, duas vezes, três vezes. Leiam isso, é um programa de santidade. Que o Senhor nos dê a graça de entender essa Sua mensagem”.

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

“Mestre” – pergunta alguém a Jesus no texto de Mateus neste trigésimo domingo do Tempo Comum – “qual o maior mandamento da lei?” E Jesus não pensa duas vezes para citar o texto do Deuteronômio: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”, isto é, com todo o teu “elã” e com toda a tua alma, ou seja, um amor que esteja disposto a ir ao martírio por Deus. E a seguir acrescenta: “e amarás o teu próximo, como a ti mesmo”. Existem muitas pessoas hoje que tentam resumir o Cristianismo no mandamento do amor e, sobretudo, no mandamento do amor ao próximo. Eles não estão absolutamente errados. Mas é preciso tomar certo cuidado e fazer distinções. Existe um amor vertical que é nosso para com Deus e que responde ao amor vertical que Deus tem para conosco. É evidente que Deus é superior a qualquer ser humano. Ao lado deste amor vertical, e juntamente com ele, existe um amor horizontal com o qual nós amamos o próximo, isto é, os seres humanos, com aquele amor que nós, verticalmente, recebemos de Deus, ou seja, permitimos que Deus ame concretamente nosso irmão através de nós mesmos, através de nosso empenho, através de nossa caridade, concretamente através do instrumental com que a ele nos oferecemos para amar. É claro – e aqui se deve fazer também distinção – que este amor horizontal não tem limites, mas deve ser distinguido de uma simples benemerência. Antes da benemerência, e como que fundando a benemerência, está o amor de Deus. É por causa de Deus que nós queremos bem ao próximo. Esta benemerência aos demais, que provém de Deus e se transforma em algo dinâmico dentro de nós, transforma-se, a seguir, em beneficência e, então, concretamente, realizamos o bem ao outro, como gostaríamos que ele realizasse a nós. Porém, há uma diferença entre aqueles que recebem o amor de Deus e permitem que este amor se transforme no próprio coração em fonte energética dinâmica, e o levam horizontalmente ao próximo. Existe uma diferença entre estes, e aqueles que amam de maneira puramente humana, fazem benemerência ou beneficência sim, mas puramente humanos. São pessoas beneméritas, são pessoas altruístas, são pessoas que pensam nos demais, porém, não necessariamente guiadas e conduzidas por Deus. É preciso fazer uma distinção entre o amor de caridade que tem sempre a sua origem frontal em Deus, mesmo quando se trata de amar o próximo porque então, neste caso, se ama o próximo com a intensidade de Deus. É preciso distinguir este amor de uma simples filantropia, de uma simples inclinação espontânea e natural do coração, para com alguém ou alguns, ou muitos, que não tem, no entanto, Deus como origem e como fonte. Nós podemos e devemos resumir o Cristianismo no duplo mandamento do amor, com uma condição: que ele seja recebido de Deus, no ato da fé.

 

A DIFERENÇA ENTRE A CARIDADE CRISTÃ E A FILANTROPIA
Padre Bantu Mendonça

“Do amor a Deus e ao próximo dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). É a conclusão a qual Jesus quer que todos nós cheguemos no nosso dia a dia. Com esta afirmação, Jesus estabelece um vínculo entre dois amores. Desconhecer este fato pode levar a graves deformações que abalam o equilíbrio interno da fé e, consequentemente, nos leva à morte. É fundamental que todos nós valorizemos as exigências do amor fraterno, procurando agir motivados pelo amor divino porque, se Deus não ocupar o lugar que Lhe compete em nossa vida, até a caridade para com o próximo tende a se degradar e o caos se torna maior. No Evangelho, Jesus retoma e comenta a essência da Lei. Após enfrentar a armadilha dos fariseus – através dos herodianos – sobre o imposto e a investida dos saduceus sobre a ressurreição, Jesus é colocado à prova por um dos fariseus sobre o maior mandamento da Lei. Jesus responde à questão servindo-se em parte da versão deuteronômica: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (cf. Dt 6,5). Embora só fosse interrogado sobre o maior mandamento, Jesus acrescenta o segundo, servindo-se da versão do Levítico: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (cf. Lv 19,18). E então segue-se a assertiva: “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Embora a mentalidade ocidental tenha a tendência de privilegiar o papel da razão quanto ao conhecimento – mesmo o do amor – não faltam referências à compreensão como ato produzido pela experiência. Nesse sentido, a vivência torna-se também meio de conhecer, indo ao encontro daquilo que Jesus indica a respeito do amor a Deus. Não se trata apenas de compreensão racional ou entendimento mental, mas do conhecimento da fé, que, sendo entre outras coisas a experiência de ser amado por Deus, provoca a resposta humana do amor. Tal amor não exclui a inteligência das verdades reveladas e do próprio Deus, antes impulsiona a compreensão, através do estudo da fé. Sob este aspecto, a expressão ninguém ama o que não conhece, se for aplicada ao conhecimento humano sobre Deus, indica tanto a experiência quanto a intelecção da fé. É sugestivo que Jesus acrescente o segundo mandamento – mesmo que o fariseu só se tenha interessado pelo maior mandamento – para afirmar a semelhança do amor ao próximo ao amor a Deus e acentuar que desses dois amores dependem toda a Lei e os Profetas. Qual deve ser o parâmetro do amor entre nós? Jesus diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No contexto da Lei Antiga o “a ti mesmo” aproxima o apreço que cada um tem por si, inclusive como membro do Povo de Deus, ao apreço que se deve ter pelo semelhante respeitado por ser também membro do Povo, e, como tal, sujeito não só de deveres, mas também de direitos iguais (Lv 19,11-18). Outras vezes, o “a ti mesmo” refere-se ao apreço pelo outro que, mesmo sendo estrangeiro, é visto como semelhante ao israelita na situação de exílio já superada. Em ambos os casos, o apreço pelo semelhante supõe o amor a si mesmo e a experiência do amor de Deus, expresso na repetição: “Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19,10.14.16.18.32) e no incisivo: “Eu sou Iahweh, vosso Deus que vos fez sair da terra do Egito” (Lv 19,36). Também na Nova Lei, Jesus aproxima o amor que cada um tem por si mesmo ao amor do outro, através da regra: “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas” (cf. Lc 6,31). Fazendo depender a Lei e os Profetas do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo, Jesus compõe a armadura ou o fundamento da religião. A supressão de um desses amores faz desmoronar todo o edifício. Os fiéis de Cristo que não se preocupam em ser testemunhas visíveis do amor do Pai, pelo serviço aos irmãos, fazem com que seu testemunho perca o centro de todo o seu agir. Aliás, é na mútua articulação entre o amor a Deus e ao próximo que reside a diferença entre a caridade cristã e a filantropia. O amor a Deus se visibiliza no amor ao próximo e o próprio Deus ama seus filhos através dos irmãos que se reúnem e se encontram. Desta maneira, é o amor de Deus que possibilita o encontro sacramental do divino no humano, especialmente mediante a pessoa do pobre. Por isso, a própria luta em prol da justiça e a promoção social dos empobrecidos, são para o cristão motivado pelo amor a Deus, e devem assim permanecer, a fim de não se descaracterizarem em atitudes que a própria Moral cristã condena como a violência ou a vingança. Portanto, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”

 

Os textos da Palavra de Deus para este domingo apresentam-nos a palavra fundamental que deve orientar a vida cristã: o amor (a Deus e ao próximo). No evangelho, Jesus fala-nos do amor vertical (Deus) e do amor horizontal (próximo). Mas não desenvolve muito, nem um nem outro. É na primeira leitura que encontramos uma narração mais pormenorizada sobre como se deve expressar o nosso amor para com os outros. O salmo responsorial explica-nos o amor de Deus. Mas o modelo de amor é Jesus, um exemplo a imitar. A segunda leitura, como é habitual, tem o seu ritmo próprio. Coloca-nos perante a comunidade de Tessalônica que dá a todos um testemunho de fé: “dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro”. É sempre importante saber o que é fundamental nas nossas vidas, e também o que deve ocupar um segundo e um terceiro lugares para que possamos valorizar o essencial. O povo judeu tinha 613 preceitos (248 positivos e 365 negativos). Não era fácil viver com esta “carga”. Por isso, um doutor da lei faz uma pergunta a Jesus: “Qual é o maior mandamento da Lei?”. Jesus responde com muita clareza: o amor. É uma resposta direta e simples; qualquer pessoa a entende, não precisa ser doutor da lei. E este amor não é algo abstrato, mas concretiza-se, olhando para cima (para Deus) e olhando em frente (para o próximo). Será bom recordar que na celebração do Batismo, é dito aos pais e aos padrinhos que o crescimento como cristão dá-se nesta dupla direção: “Pedistes o Batismo para o vosso filho. Deveis educá-lo na fé, para que, observando os mandamentos, ame a Deus e ao próximo, como Cristo nos ensinou. Estais conscientes do compromisso que assumis? E vós, padrinhos, estais decididos a ajudar os pais desta criança nesta sua missão?” O amor a Deus manifesta-se na escuta da sua Palavra, na oração, no cumprimento da sua divina vontade, seguindo o caminho que nos propõe para a vida. Isto acontece na minha vida? Qual é o lugar de Deus na minha vida? Neste mundo tão materialista, tão preocupado pelo imediato, pelo bem-estar, é preciso não esquecer que o essencial é servir a Deus, como fez a comunidade de Tessalônica: abandonar os ídolos mundanos que nós criamos e que ocupam o lugar do “Deus vivo e verdadeiro”. Do amor a Deus provém o amor ao próximo. Não é possível amar a Deus, a quem não vemos, se não amamos os irmãos, a quem vemos (cf. 1 Jo 4, 20). E qual a medida para amar o próximo: “como a ti mesmo”, ou seja, tratar os outros como queríamos que nos tratassem a nós (não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem). Esta é a teoria, mas como pôr em prática? A primeira leitura dá-nos um elenco de aspectos concretos de justiça social que, apesar de terem sido escritos há mais de 2500 anos, continuam atuais: 1) “não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás”, ou seja, acolhe os imigrantes, sê hospitaleiro; 2) “não maltratarás a viúva nem o órfão”, ou seja, não te aproveites dos mais fracos; 3) “se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros”, ou seja, não explores nem enriqueças à custa dos outros; 4) “se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lhe devolver até ao pôr-do-sol”, ou seja, não fiques com os bens alheios. O amor é a única pergunta do exame final da nossa vida. Para darmos a resposta correta, temos de amar a Deus e os irmãos em cada momento da nossa vida.

 

30º Domingo do Tempo Comum – A
“Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”(cf. Sl. 104, 3s).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

Irmãos e Irmãs, Hoje somos convidados a buscar sem cessar a Deus. O povo do antigo testamento foi muito bem educado na fé. Em uma análise muito profunda, com várias comparações com outras religiões, a religião de Israel dá um passo e um peso notabilíssimo à ética. Nisto consiste a primeira leitura de hoje(cf. Ex. 22,20-26), através de uma perícope antiguíssima, que relata em que convinha no agir das coisas simples do dia-a-dia da vida. A leitura relata o ensinamento de ontem e de hoje para não oprimir aqueles que são estrangeiros, migrantes, que padecem da ausência da terra paterna, tendo em vista que os israelitas perambularam como estrangeiros também. A leitura também nos ajuda a refletir sobre a necessidade de respeitar e apoiar as viúvas e os órfãos, bem como não cobrar juros elevados. Quem recebe um manto em penhor, tem que devolvê-lo antes da noite, para que a pessoa não passe a noite no relento. A Primeira Leitura nos apresenta regras concretas para praticar o amor ao próximo. Trata-se de uma antiga coleção de normas concretas, colocadas sob a égide da Aliança – Código da Aliança – que trata da proteção aos pobres. Até os operários migrantes – estrangeiros – são considerados. Estas leis mostram como, numa sociedade simples, predominantemente rural, se encarna a Aliança com Javé, que dá proteção a seu povo e espera dele justiça. Quem despreza os pobres, está longe de Deus. Irmãos e Irmãs, O Evangelho de hoje(cf. Mt. 22,34-40) poderia ser resumido na seguinte frase: No equilíbrio das dimensões do amor está a santidade. Mateus narra o maior mandamento nas suas três discussões com o judaísmo, respectivamente com os herodianos, com os saduceus e com os escribas farisaicos. Estes últimos querem ver como Jesus resume a Lei – que continha, conforme os rabinos, 248 mandamentos e 365 proibições, atribuindo-se igual peso a todos. Mas a resposta de Jesus é clara e incontestável: sem o amor a Deus e ao próximo, os outros mandamentos ficam vazios. O duplo mandamento principal é como os gonzos que seguram a porta da Lei. Jesus revela a unidade de dois mandamentos que, no Antigo Testamanto, se encontram muito distantes: o judaísmo, pela multidão das árvores, não enxergava a floresta. Jesus, nas palavras de Mateus, está no átrio do templo de Jerusalém, ou em miúdos, no coração da espiritualidade e da religiosidade dos judeus. Mas o que Jesus está fazendo ali? Ele está ali para mudar a mentalidade do povo em pontos fundamentais, ou seja, que toda a lei dos profetas é resumida na beleza do AMOR, a alma das leis, a lei das leis, o maior mandamento. O amor que deve ser vivido em três estágios importantes: no amor para Deus, no amor para o próximo e no amor consciente da própria pessoa que caminha “na busca do rosto sereno e radioso do Seu Senhor”. Irmãos e Irmãs, A santidade é o resumo do amor para Deus, o amor para o próximo e o amor pessoal. O amor é o cumprimento da lei. No tempo de Jesus muitas eram as leis, umas muito radicais e outras muito simples. Era um corolário enorme para ser cumprido. Quando perguntaram maliciosamente qual era a lei de Deus a resposta do Divino Salvador foi imediata: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. No equilíbrio do amor a Deus, ao próximo e a sua própria pessoa como templo e habitação do Espírito Santo está a novidade de hoje: tudo isso é possível, porque assim agindo os cristãos já vivem aqui e agora a santidade de caminhada de vida cristã. A certeza maior que todos hoje devemos ter é que amar até o extremo, amar sem reservas, dando-se e recebendo este amor misericordioso, o homem fica mais perto da palma da mão de Deus. Se o cumprimento da lei era o distintivo do povo israelita, Deus hoje nos chama a atenção que não podemos fazer uma dicotomia entre a Lei de Deus e a Lei da Igreja, uma vive em função da outra, porque “A Lei Mata, mas o espírito vivifica” (cf. Rm 4,6). Seria como se eu ensinasse nas minhas lições de direito canônico que o direito é mais importante disciplina da Igreja. Não, o direito tem por finalidade iluminar a vida da Igreja. Por exemplo, se uma lei da Igreja está prejudicando a caminhada pastoral é necessário que eu a deixe de lado, ou mesmo a reinterprete, porque “a lei maior é a salvação das almas”. Tudo isso porque amar a Deus e ao próximo são dois amores diferentes e inseparáveis. São distintos, mas devem caminhar juntos. Porque esse amor deve ser um amor inteligível, consciente, que gera compromisso com a vida comunitária e pastoral de nossa Igreja. Ao assumir a condição humana Cristo assumiu toda a nossa humanidade, especialmente, nossos pecados. Viver o amor verdadeiro, nestas três dimensões, é um desafio cotidiano de conversão e de mudança de vida e de mentalidade. Se Deus nos salvou na Cruz nós devemos mergulhar no seu mistério, principalmente procurando buscar o rosto deste Senhor nos irmãos excluídos e marginalizados, naqueles que estão fora da escola, na rua, no relento, amando a todos com grande gratuidade e generosidade, porque Deus caristas est, ou seja, Deus é supremo amor, “porque onde há amor e a caridade aí Cristo está”. Irmãos e Irmãs, A Segunda Leitura(cf. 1 Tessalonicenses 1,5-10) coloca os tessalonicenses como exemplo de uma fé generosa, sem mesquinharias, na busca do Senhor Ressuscitado, na busca do rosto do Senhor da Vida. Os Tessalonicenses por se terem convertido ao Deus vivo, o Deus que age e fala e é escutado. Para estes primeiros cristãos, converter-se a Deus e a Jesus Cristo significava também esperar ardentemente a Parusia, a presença gloriosa de Jesus como Senhor. Já se sabem livres da condenação. O mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros e em todos os séculos. O contemplativo serve aos homens, servindo a Deus; o ativo serve a Deus servindo aos homens. Os dois exprimem, especializando-se na imitação do Cristo, um mesmo e único mistério: o da vida religiosa do Verbo encarnado. Chegando ao final do ano litúrgico em que nós somos convidados a uma preparação espiritual para a chegada do Advento e do Nascimento do Salvador todos nós devemos nos esforçar para “sermos imitadores dos Mistérios do Senhor”. Caminhando nesta perspectiva, com muito amor a Deus, ao próximo e a si mesmo devemos rever nossa caminhada, nos lançando na nova evangelização confiantes de que unidos na caridade, vivendo a Eucaristia, chegaremos a Deus, supremo amor e paz!

 

30º Domingo do Tempo Comum
Mt 22,34-40: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”

34Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se 35e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: 36Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 37Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). 38Este é o maior e o primeiro mandamento. 39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). 40Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.

Antes de meditar no Evangelho de hoje, escutava como sempre faço o “Passo a Rezar”, do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, o qual recomendo. Hoje, 21 de outubro, ao ouvir a Palavra de Deus no Salmo 119 (118),66 “Dai-me o juízo reto e a sabedoria, porque confio em vossos mandamentos”, meditava de como é bom adquirirmos bom senso e sabedoria para viver a Palavra de Deus, para não agirmos como os fariseus do Evangelho de hoje. Diante da pergunta, o Senhor quer destacar que a totalidade da Lei poderá ser resumida em dois mandamentos: o primeiro e mais importante consiste no amor incondicional a Deus; o segundo é conseqüência e efeito do primeiro, pois quando o semelhante é amado, Deus mesmo é amado, pois o homem é imagem de Deus: mas, “se alguém diz: amo a Deus, mas despreza o seu irmão, é um mentiroso” (cf. 1Jo 4,20). “Amarás teu próximo como a ti mesmo”, ou seja, o amor aos outros como o amor a si mesmo se fundamenta no amor de Deus. Isto é comunhão. Por isto, o mandamento do amor é o mais importante porque nele o ser humano alcança a sua perfeição (cf. Col 3,14). São João da Cruz (†1591) em seu cântico espiritual, canção 27, nos diz: “Quanto mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama; daí resulta que esta alma que já está perfeita, toda é amor e todas as suas ações são amor, e emprega todas as suas potências e riquezas em amar, dando todas as suas coisas, como o sábio mercador (Mt 13,46), por este tesouro de amor que achou escondido em Deus (…). Porque, assim como a abelha tira de todas as ervas o mel que ali há e não se serve delas senão para isto, assim também de todas as coisas que passam pela alma, com grande facilidade ela tira a doçura de amor que contém; que amar a Deus nelas, ora seja saboroso, ora desagradável, estando ela informada e amparada pelo amor como está, não o sente, nem o goza, nem o sabe, porque, como dissemos, a alma não sabe senão amor, e o seu gosto em todas as coisas e tratos, é sempre deleite de amor de Deus”. “Louvemos ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia”. (Sl 118 (117),1

 

DOIS MANDAMENTOS, UM SÓ AMOR
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
DOMINGO 30 – Comum – A
Leituras: Ex 22, 20-26; 1 Ts 1, 5c-10; Mt 22,34-40

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão [na linguagem semítica “odiar” equivale a “não amar”], é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar.” (1 Jo 4, 20) As palavras cortantes do “discípulo a quem Jesus amava”, não deixam dúvidas nem ilusões: o irmão é o “sacramento” no qual Deus se torna visível e tangível, aqui e agora. Nele se encontra Deus a cada dia e em cada momento e situação da vida. Quem não reconhece a Deus no irmão e não o ama, partilhando de suas necessidades e promovendo sua dignidade, ilude a si mesmo e talvez os demais, mas não pode enganar a Deus: é um mentiroso! O amor é como a linfa vital que brota da única raiz, e se estende até os pormenores dos ramos e às folhas mais longínquas da árvore; do contrário, os ramos morrem e não dão frutos. O amor é como o sangue impelido pelo coração até as menores veias do corpo para alimentá-lo; em caso contrário, os órgãos fenecem. O amor, que é participação à própria vida de Deus, ou abrange num único abraço a Deus, a si mesmo e o irmão, ou se torna uma força que destrói a vida! Um amor dividido e limitado é uma mentira em relação às potencialidades que traz consigo, enquanto dom divino ao homem e à mulher. Infelizmente os letrados que conhecem tão bem a letra da Torá, não estão procurando a verdade para crescer na qualidade da própria vida, mas armando armadilhas para experimentar e provocar dificuldade a Jesus. É o perene e sempre atual paradoxo dos que se aproximam de Deus não para viver, mas para desculparem-se a si mesmos e para não mudar de vida. “Mestre qual é o maior mandamento da lei?”. Pergunta não inusual dos discípulos aos mestres da lei, nas escolas de Israel. A resposta de Jesus, não fica nas nuvens das discussões acadêmicas familiares entre os letrados, mas aponta diretamente para o caminho da vida. Se o homem, à causa da sua interioridade conflituosa, tem tendência a dividir e contrapor, Jesus, o “homem novo”, plenamente unificado em si mesmo e fonte de unidade, prospecta um horizonte de unidade e um caminho de responsabilidade. Segundo a narração de Lucas, ao fariseu que o interroga e lembra a proximidade dos mandamentos do amor a Deus e ao próximo, Jesus dá uma resposta lapidária: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás” (Lc 10, 28-29). A atitude de Jesus retoma uma temática descrita no livro dos salmos: “Com o homem puro, tu és puro, com o astuto, tu és prudente”. (Sl 18,26) Jesus, o Verbo encarnado do Pai, na fragilidade da sua condição de filho do carpinteiro e natural da desprezada cidadinha de Nazaré, nos revela o Pai e constitui o único e autêntico caminho que conduz à Ele. Do mesmo modo, o irmão e a irmã, sobretudo os que se encontram em maior fragilidade, nos fazem tocar com nossas mãos e nos revelam o próprio Jesus. É ele mesmo que neles é honrado, servido, ou desprezado: “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e recolhestes… Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes… Em verdade vos digo: todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 31-46). O mistério da encarnação do Verbo de Deus continua atual, ao passar da pessoa de Jesus de Nazaré para os pobres; assim como a atuação do amor que transforma os corações das pessoas e a história, este continua a operar na pessoa de Jesus através dos que, nele permanecendo como os ramos na videira, produzem os frutos da vida nova. “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13,34). A memória do amor de Jesus até o dom da própria vida, se torna memória que subverte as situações ambíguas, cultivadas pela falsa religiosidade e a espiritualidade desencarnada, que separam o suposto amor a Deus do efetivo amor aos irmãos. Tal memória denuncia a separação da sua nascente que é o exemplo pascal de Jesus e o Espírito que ele derramou da cruz, e que participamos por graça nos sacramentos da iniciação cristã. Quando Jesus, na última ceia, partiu e distribuiu o pão aos discípulos, acompanhando o gesto com as palavras “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19), ele não se limitou a instituir simplesmente um “novo rito”, o rito da nova páscoa, mas entregou aos discípulos a “nascente perene” da existência nova, a ser construída nas recíprocas relações do dia a dia, e o “modelo divino” a testemunhar e difundir para uma nova humanidade. Eis como João, a partir da experiência pessoal do amor sem limites recebido de Jesus, sintetiza o horizonte de vida radicalmente novo, inaugurado por Jesus com a sua morte por amor, participado aos discípulos com a efusão do Espírito Santo, e entregue a eles como “mandamento novo”, que qualifica a aliança “nova” estipulada no seu sangue derramado por amor. “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,34-35; cf 15,12-14). Da experiência do amor recebido e da capacitação por ele gerada, nasce a entrega do mandamento novo e a possibilidade de cumpri-lo, não como obrigação de uma lei exterior, mas como resposta à uma vocação que vem do interior , e como vida que segue e imita o exemplo do Senhor: Depois de ter lavado os pés aos discípulos com a humildade do escravo e o amor de uma mãe, Jesus acrescenta: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13, 15). Esta conformação interior a Cristo na sua páscoa é graça, e não fruto dos nossos esforços. Por isso a Igreja pede com humildade e confiança: “Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos” (Oração depois da comunhão). À luz do exemplo de Jesus, os dois preceitos do Deuteronômio e do Levítico: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Dt 6,5), e “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18), não podem em nenhuma maneira ficar divididos. Em realidade, é na radical unidade recíproca destes que se realiza o projeto de vida de Deus, manifestado através da Torá e dos profetas. Paulo, com uma fórmula ainda mais lapidária, sintetiza assim a vida nova dos batizados em Cristo: “Não devais nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois o que ama o outro cumpriu a lei… Portanto a caridade é a plenitude da lei” (Rm 13, 8-10. cf Gl 5,13.15). A leitura do Êxodo nos orienta para a mesma direção. A memória sagrada da experiência da libertação da escravidão do Egito, por iniciativa gratuita de Deus, funda a possibilidade e a exigência que para que Israel assuma, na organização da vida social, o mesmo estilo de atenção e de cuidado em relação aos mais necessitados e frágeis, como são as viúvas, os estrangeiros os pobres “Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão” (Ex 22, 20-21). Deus está sempre da parte dos oprimidos e dos pobres: “Se os maltratardes, gritarão para mim, e eu ouvirei seu clamor” (Ex 22, 22). Assim fez Deus ao ouvir o clamor do seu povo sofrido na escravidão (cf. Ex 3, 7-8). Hoje em dia, continua a levantar-se o grito de tantas pessoas oprimidas em muitas maneiras, mesmo nos direitos mais elementares da dignidade humana, nos países pobres, nos países em desenvolvimento, assim como nos países mais ricos. Na Europa a atitude prevalente em relação aos imigrantes dos países mais pobres, é o medo e a recusa. Aos que conseguem entrar, muitas vezes são reservadas condições de escravidão e de abandono. O Papa Bento XVI tem repetido que a solução das violentas crises financeiras e econômicas atuais, passa para a necessária mutação do parâmetro do proveito como critério absoluto da economia, para o da solidariedade. Também o Brasil, no processo de uma acelerada transformação, continua experimentando a marginalização de milhões de pessoas. O evangelho de hoje nos diz que como cristãos não podemos nos justificar, dizendo que tudo isso é problema que pertence aos profissionais da vida social e política. Cada um é chamado a iniciar de si mesmo, a se fazer “próximo” para os que se encontram no caminho cotidiano da sua vida, como fez o “bom samaritano:” Vai, e também tu, faze o mesmo” (Lc 10, 37). O sofrimento dos pobres é um grito que se eleva ao Senhor, e interpela também nossa consciência de cristãos e cristãs, para um empenho de promoção da justiça e da partilha mais justa dos recursos culturais, sociais, econômicos, espirituais. Nossas celebrações da páscoa de Jesus nos domingos, poderiam cair sob a acusação de “Mentira” por parte de Jesus, se não nos procuramos sair do nosso interesse individual, para nos abrir ao serviço do Senhor na pessoa humana em que está impressa a imagem de Deus. Paulo, na segunda leitura contempla com alegria as maravilhas operadas pela Palavra recebida com fé por parte dos tessalonicenses, que sob o impulso transformador do Espírito, tem assumido um estilo de vida moldado pelo exemplo do apóstolo e do próprio Jesus. Nesta maneira eles se tornaram “evangelho vivente” que continua se espalhando em toda a Macedônia e a Ásia (1 Ts 1,6- 8). Esta é também hoje a maneira mais eficaz para testemunhar e divulgar a “boa nova” de Jesus e de participar à “nova evangelização” à qual o papa Bento XVI está convidando todos os cristãos e as cristãs, com a promulgação do “Ano da fé” a se realizar no 2012-2013.  “Assim vos tornastes modelo para todos os fieis da Macedônia e da Ásia” (1 Ts 1,7). O convite de Jesus a anunciar a boa nova é sempre atual, e o empenho para uma resposta generosa e criativa com a graça e o vigor do Espírito, sempre novo. Esta é a nossa páscoa que nos aproxima sempre mais ao cumprimento do reino de Deus, que nestes últimos domingos do ano litúrgico, a Igreja celebra como o horizonte central da própria fé e da própria esperança, movida pelo único amor a Deus e aos homens que anima seu coração de mãe. “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais, para conseguirmos o que prometeis. Por Cristo nosso Senhor” (Oração do dia).

Pecadores somos todos, corruptos não

O Papa na missa desta segunda-feira denunciou quem é benfeitor da Igreja mas rouba o Estado

Na missa desta manhã na Casa de Santa Marta o Papa Francisco denunciou os corruptos, dizendo que pecadores somos todos mas corruptos não. Partindo da passagem do Evangelho em que Jesus nos pede para perdoarmos sete vezes por dia, o Santo Padre recordou que o próprio Cristo considerava muito mau o comportamento dos que são motivo de escândalo.

“Pecado é uma coisa mas o escândalo é outra”. “A diferença é que quem peca e se arrepende, pede perdão, sente-se débil, sente-se filho de Deus, humilha-se e pede a salvação a Jesus. Mas daquele que escandaliza, o que é que escandaliza? Quem não se arrepende. Continua a pecar, mas faz de conta de ser cristão: é a vida dupla. E a vida dupla de um cristão faz tão mal, tão mal. Mas eu sou benfeitor da Igreja! Meto a mão no bolso e dou à Igreja. Mas com a outra rouba: ao Estado, aos pobres… rouba. É um injusto. Isto é vida dupla.”

“E nós devemos assumir-nos como pecadores, sim, todos, somos todos. Mas corruptos não. O corrupto está fixo num estado de suficiência, não sabe o que é a humildade. Jesus a estes corruptos dizia serem sepulcros esbranquiçados, que parecem belos exteriormente mas dentro estão cheios de ossos, morte e podridão. Cristãos corruptos e padres corruptos…quanto mal fazem à Igreja. Porque não vivem no espírito do Evangelho, mas no espírito da mundanidade.”

S. Paulo – comentou o Papa Francisco – diz claramente na Carta aos cristãos de Roma: “Não vos conformeis com este mundo”, e o próprio texto – continua o Santo Padre até vai mais longe pois S.Paulo propõe que não entremos nos parâmetros deste mundo, na mundanidade que nos leva à vida dupla:

“Uma podridão envernizada: esta é a vida dos corruptos. Peçamos hoje a graça ao Espírito Santo que foge a todo o engano, peçamos a graça de reconhecermo-nos pecadores: somos pecadores. Pecadores sim, Corruptos não.”

Fofoca impede perdão e distancia os outros

…, diz Papa aos consagrados

Quinta-feira, 17 de setembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco encontrou-se com cinco mil jovens consagrados e respondeu a três perguntas sobre o chamado vocacional, a missão dos consagrados na Igreja e sobre a vivência coerente da vocação

O Papa Francisco encontrou-se na manhã desta quinta-feira, 17, com cinco mil jovens que participam do Encontro Mundial de Jovens Consagrados, em andamento em Roma.

O Pontífice agradeceu as palavras do Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Cardeal João Braz de Aviz, e, em seguida, recordou os mártires sírios e iraquianos de hoje.

“Alguns dias atrás na Praça São Pedro um sacerdote iraquiano se aproximou de mim e me deu uma cruz pequena, uma cruz que tinha nas mãos o sacerdote que foi degolado por não renegar a fé em Jesus Cristo. Esta cruz eu a trago aqui à luz dos testemunhos de nossos mártires de hoje, que são mais do que os mártires do primeiro século, e também dos mártires do Iraque e da Síria”, disse o Santo Padre.

Francisco respondeu perguntas feitas por três jovens consagrados: um sírio de Aleppo, uma indiana e uma espanhola.

O Pontífice alertou que a comodidade é um problema sério na vida consagrada. “Eu faço tudo, cumpro os mandamentos, as regras, mas a observância rígida e estruturada tira a liberdade. Existe uma liberdade que vem do Espírito e outra que vem da mundanidade. A liberdade deve ser unida ao testemunho e à fidelidade”.

“Uma mãe que educa os filhos com rigidez, não deixa os filhos sonhar, crescer, anula o futuro criativo dos filhos. Esses filhos serão estéreis. Também a vida consagrada pode ser estéril quando não é profética, quando não se permite de sonhar”, sublinhou.

O Papa recordou Santa Teresa do Menino Jesus, Padroeira das Missões, que fechada num convento “não perdeu a capacidade de sonhar. Não perdeu o horizonte. Nunca perdeu a capacidade de contemplação. Profecia e capacidade de sonhar é o contrário da rigidez. A observância não deve ser rígida, se é rígida não é observância, mas egoísmo pessoal”, disse.

“Um dos pecados que muitas vezes encontro na vida comunitária é o da incapacidade de perdão entre os irmãos e irmãs. A fofoca numa comunidade impede o perdão e distancia um dos outros. Eu gosto de dizer que fofocar não é somente pecado, mas é também terrorismo, porque quem fofoca joga uma bomba na fama do outro, destrói o outro que não pode se defender. Sempre se fofoca na escuridão, não na luz. A escuridão é o reino do diabo. A luz é o Reino de Jesus”, frisou o Papa.

Sobre a instabilidade na sequela de Jesus, Francisco disse “que desde o início da vida consagrada até hoje existem momentos de instabilidade. São as tentações. Os primeiros monges do deserto escrevem sobre isso e nos ensinam como encontrar a estabilidade interior, a paz. As tentações sempre existirão”.

“Vivemos num tempo muito instável. Vivemos a cultura do provisório e essa cultura entrou também na Igreja, nas comunidades religiosas, nas famílias e no matrimônio. A cultura do definitivo: Deus enviou o seu Filho para sempre, não provisoriamente a uma geração ou a um país, mas a todos. A todos para sempre. Este é um critério de discernimento espiritual”, disse ainda Francisco.

Sobre a pergunta relativa à evangelização, o pontífice disse que “evangelizar não é fazer proselitismo. Evangelizar não é somente convencer, é testemunhar que Jesus Cristo está vivo. Se o seu coração arde de amor por Jesus, você é um bom evangelizador ou evangelizadora.” “Desculpem-me se sou um pouco feminista, mas quero agradecer o testemunho das mulheres consagradas. Não todas, pois têm algumas que são histéricas. Vocês têm sempre o desejo de estarem na vanguarda. Por que? Porque vocês são mães e têm essa maternidade da Igreja. Não percam isso. A religiosa é o ícone da Igreja Mãe e de Maria. Vocês têm esse papel na Igreja: serem ícone da Igreja, ícone de Maria, ícone da ternura da Igreja, do amor da Igreja, da maternidade da Igreja e da maternidade de Nossa Senhora. Não se esqueçam disso”, frisou o Papa.

Respondendo à pergunta do jovem consagrado sírio, Francisco destacou a necessidade de seguir Jesus mais de perto, de maneira profética e sublinhou a palavra ‘memória’. “Os apóstolos nunca se esqueceram do encontro com Jesus. Nos momentos escuros, nos momentos de tentação, nos momentos difíceis de nossa vida consagrada é preciso voltar às fontes, recordar a maravilha que sentimos quando o Senhor nos olhou.”

“Você me pediu para partilhar a minha memória, o primeiro chamado em 21 de setembro de 1953, mas não sei como foi. Sei que por acaso, entrei na Igreja, vi o confessionário e sai dali diferente, sai de outra maneira. A minha vida mudou. O sacerdote que me confessou naquele dia, que eu não conhecia, estava ali por acaso porque sofria de leucemia. Ele morreu um ano depois. Depois me guiou um salesiano que tinha me batizado. Fui a ele e ele me encaminhou para os jesuítas. Ecumenismo religioso! Nos momentos difíceis me ajudou muito recordar o primeiro encontro, porque o Senhor nos encontra sempre definitivamente. O Senhor não entra na cultura do provisório. Ele nos ama e nos acompanha sempre. Por isso, estar próximo às pessoas, a proximidade entre nós, fazer profecia com o nosso testemunho, com o coração que arde, com zelo apostólico que aquece os corações dos outros. Portanto, profecia, memória, proximidade, coração que arde, zelo apostólico e cultura do definitivo, e não descartável”, concluiu Francisco.

Maria, Rainha do Céu e da Terra

“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

Essa maravilhosa visão de São João na Ilha de Patmos revela toda a majestade e poder de Nossa Senhora para a Igreja e para todos nós cristãos. São João viu Maria revestida de sol, ou seja, o sol serviu-lhe de vestimenta gloriosa; a lua lhe serviu de rico pedestal e as estrelas se ajuntaram em torno de sua cabeça formando uma coroa em número de 12, que é o símbolo da perfeição e da graça. Portanto, os astros do universo glorificam sua Rainha. Ora, se os astros do universo glorificam a sua Rainha, por que nós não vamos proclamá-La também Rainha? Maria é a nossa Rainha, a nossa bela Rainha, pois a partir do momento em que foi escolhida e aceitou ser a Mãe do Rei do Universo tornou-se Mãe do Rei e Mãe de Rei, Rainha é. São Luiz Maria Grignion de Monfort diz: “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus veio ao mundo. É também por meio dela que Ele deve reinar no mundo, pois é esta a função de Maria, nos levar ao Seu Filho Jesus, torná-Lo conhecido, amado e adorado”. Mesmo todos nós considerando-A Rainha, Maria não quer honrarias nem pompas para Ela, apenas quer que façamos tudo o que Jesus nos disser. O desejo de Maria é que façamos, a exemplo Dela, a vontade do Pai. Maria nos dá uma lição perfeita de como nos entregar a Deus e fazer apenas a Sua vontade. Nas lições de Maria constatamos que o centro de interesse nunca é voltado para ela mesma, mas para o Senhor, para os outros. Assim foi com a acolhida do Verbo no Seu ventre, na visita a Isabel, em Belém, na fuga para o Egito, no regresso a Nazaré, no episódio da perda do Menino no templo, em Jerusalém, na vida pública de Jesus e na morte na Cruz. A sua confiança em Deus, o desprendimento de tudo, a humildade e a pureza, a caridade e o espírito de sacrifício mostra-nos como num espelho, a perfeição a que devemos chegar. Maria além de ser nossa Rainha é o exemplo perfeito que devemos seguir. Portanto, devemos sempre acercar-nos a Ela e pedir a Sua ajuda para que, a Seu exemplo, deixemos que o Senhor faça maravilhas em nossa vida. O povo te chama de Mãe e Rainha Porque Jesus Cristo é o Rei do Céu

 

COROAÇÃO DE MARIA NA FESTA DA VISITAÇÃO

Maio é o mês dedicado à particular devoção de Nossa Senhora. A Igreja o encerra com a Festa da Visitação da Virgem Maria à Santa Isabel, que simboliza o cumprimento dos tempos. Qual o significado deste ato de fé para nós? Coroar Nossa Senhora é demonstrar que a reconhece como rainha. Rainha de um reino que não é o desse mundo, mas, sim, o reino sonhado por Deus para seus filhos e filhas. Na história da vida humana de Jesus, Maria tem o papel fundamental. Seu “sim” sela a encarnação do Filho de Deus como homem e com sua aceitação ela demonstra que é possível uma pessoa fazer de sua vida uma constante escuta da vontade de Deus. Maria: filha, mulher, mãe. Filha de pais fiéis a Deus, recebeu deles a educação que lhe abriu o coração para conhecer o Pai do Céu e escutar-Lhe as palavras. Mulher, engajou-se no seu tempo a prestar atenção aos anseios daqueles que a cercavam e soube fazer de seu serviço uma interceder contínuo pela humanidade. Mãe, constituiu a personalidade de seu único Filho, ensinou-lhe os passos e fundamentou seu conhecimento de Deus com aquilo que lhe era revelado. Maria humana, gente, pessoa, que com todas as limitações próprias de sua natureza pode dizer “sim” e ensinar à humanidade a também dizer “sim”. Por isso reconhecê-la como rainha é dar um lugar de destaque à humanidade daquela mulher que enveredou por um caminho desconhecido pelo puro amor a Deus. Mulher que sentiu a dor do parto, a dor da partida, a dor da perda. Mulher que trabalhou, que cuidou de sua família, que acompanhou a lida do outro como aquela que oferece o descanso e o alimento. Mulher que recebeu de seu filho o beijo carinhoso, o reconhecimento do colo, o sorriso cúmplice daqueles que partilham o mesmo entendimento do mundo. Por sua “humanidade humana” Maria se torna rainha: por ser o exemplo capaz de mostrar a cada um de nós que é possível chegar ao reino que Deus nos prepara. Basta dizer que sim, que em minha vida seja feita a vontade do Senhor. A Bíblia narra que Maria viajou para a casa da família de Zacarias logo após a anunciação do Anjo, que lhe dissera “vossa prima Isabel, também conceberá um filho em sua idade avançada. E este é agora o sexto mês dela, que foi dita estéril; nada é impossível para Deus” (Lc 1, 26-37). Já concebida pelo Espírito Santo, a puríssima Virgem foi levar sua ajuda e apoio à parenta genitora do precursor do Messias Salvador. O encontro das duas Mães é a verdadeira explosão de salvação, de alegria e de louvor ao Criador. Dele resultou a oração da Ave Maria e o cântico do “Magnificat”, rezados e entoados por toda a cristandade aos longos destes mais de dois milênios.

 

A COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA COMO RAINHA DO CÉU E DA TERRA

Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem tão bela, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós! Virgem Mãe, ó Maria!

I – A Coroação de Maria: uma festa no Céu!
No dia de sua Assunção, Nossa Senhora estava na plenitude da santidade. Sua alma santíssima, que não deixou de progredir um minuto sequer durante toda a sua existência terrena, tinha chegado ao clímax. A Virgem Maria chegara à suprema perfeição. Possuía incomparável beleza de alma, pois estava repleta de virtude; seu amor a Deus atingira o apogeu. Essa santidade transluzia em toda a sua pessoa e Lhe dava uma beleza incomparável. Compreende-se que a bem-aventurança da Virgem Maria seja sem igual. A glória está proporcionada ao mérito da santidade e à graça, e Nossa Senhora em mérito e graça, atingiu o máximo insuperável por qualquer mera criatura. Ela é Co-redentora indissoluvelmente unida ao Redentor, é a companheira inseparável das dores de Jesus, é a Imaculada, a Cheia de Graça, a Mãe de Deus. Ora, todos esses títulos, assim como a elevam incomensuravelmente acima de todos os Anjos e santos e a sublimam no reino do céu a um trono tão alto que nenhum Anjo nem santo o pode atingir. Acima do trono de Maria só o trono de Jesus. Podemos imaginar sua alegria, sabendo que, a partir daquele momento, entraria no Céu com corpo e alma. Passaria por um cortejo incomparável de Anjos, que prestariam a Ela homenagens como nunca nenhuma rainha deste mundo, nem de longe, recebeu. Sendo mera criatura humana, Nossa Senhora estava recebendo o amor entusiástico de todos os Anjos, e a corte que durante milhares de anos tinha esperado sua Rainha ficou transformada em algo lindíssimo, porque Ela estava chegando! Nossa Senhora coroava com uma perfeição altíssima a beleza do Céu!
Podemos ainda imaginar o desfile maravilhoso das almas eleitas que a receberam no Céu:
• São José, como deverá ter sido a alegria da alma dele, quando A viu ressurrecta, repleta de toda a santidade que transluzia com uma beleza incomparável?
• São Joaquim e Santa Ana, sendo pais de Nossa Senhora, era justo que assistissem de um lugar especial, o ingresso d’Ela no Céu;
• Adão e Eva, os primeiros pais do gênero humano, deveriam estar ali presentes. Depois de verem tantas desgraças causadas por seu pecado, puderam contemplar o remédio concedido por Deus para solucionar esse pecado, fazendo nascer Jesus Cristo e glorificando de tal maneira a Mãe Imaculada do Redentor!
E, afinal, todo o paraíso celeste pondo-se a cantar, enquanto Ela sobe até o trono da Santíssima Trindade! Verdadeira festa no Céu! Por fim, a Assunção chega ao seu auge: a coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos, do Céu e da Terra, pela Santíssima Trindade. Houve então uma verdadeira festa no Céu. Ela foi coroada por ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filha do Pai Eterno e Esposa do Divino Espírito Santo! (Meditações dos Primeiros Sábados- Pe. Antônio de Almeida Fazenda, SJ-‘Mensageiro de Maria’-pp.166/167, Braga, Portugal).

II – Como Nossa Senhora atua com seu poder de Rainha?
Nossa Senhora exerce esse império não por uma imposição tirânica, mas pela ação da graça, em virtude da qual Ela é capaz de nos libertar de nossos defeitos e nos atrair, com agrado e particular doçura, para o bem que nos deseja. Esse materno poder de Maria sobre as almas nos revela quão admirável é a sua onipotência suplicante, que tudo nos obtém da misericórdia divina. Tão augusto é esse domínio sobre todos os corações, que ele representa incomparavelmente mais do que ser Soberana de todos os mares, de todas as vias terrestres, de todos os astros do céu, tal é o valor de uma alma, ainda que seja a do último dos homens! Afirma São Luís Grignion de Montfort que, “no Céu, Maria dá ordens aos Anjos e aos bem-aventurados. Para recompensar sua profunda humildade, Deus Lhe deu o poder e a missão de povoar de Santos os tronos vazios, que os anjos apóstatas abandonaram e perderam por orgulho. E a vontade do Altíssimo, que exalta os humildes (Lc 1, 52), e que o Céu, a Terra e o Inferno se curvem, de bom ou mau grado, às ordens da humilde Maria” [Tratado da Verd. Devoção à Ssma. Virgem: S. Luís Grignion de Montfort. Ed.Vozes,pgs.24].
1 – Nossos deveres para com Maria, nossa Rainha. Estes deveres são numerosos. Somos obrigados a respeitar esta augusta Soberana, a obedecer-lhe e a amá-la. Neste mundo, a soberania de Maria se manifesta sobretudo por uma bondade e benevolência maternais. “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia!” Os justos, por Ela, perseveram no bem e no fervor; para os pecadores obtém o arrependimento e a conversão. Todos podem dizer, com São Boaventura: “Eis a minha Soberana, que me salvou!” (cfr. ‘Mês de Maria – segundo o Evangelho na Liturgia’- J.B. Bord – Vozes, Petrópolis, 1947- pp.126,127). Como aconselha São Luís Grignion, podem-se resumir estas obrigações: consagrando-nos, segundo nosso estado, à sua vontade, a seu serviço, em todas as nossas ações de cada dia. Quantas vantagens espirituais nos dará esta piedosa prática! A Santíssima Virgem ama seus escravos de amor; ama-os com uma ternura ativa, afetiva, muito mais intensa do que a de todas as mães juntas. Vai mais além, Santo Afonso ao afirmar: “Reuníssemos nós, enfim, o amor de todas as mães a seus filhos, de todos os esposos às suas esposas, de todos os Anjos e santos para com seus devotos, não igualariam todo esse amor ao amor que Maria tem a uma só alma” (Glórias de Maria – S. Afonso de Ligório, Editora Santuário, 1987, pág.55).
2 – Rainha que é Porta do Céu. O Pe. Jourdain comenta: “Ela é a porta que nos franqueia a entrada da Casa de Deus”. Quando o Filho de Deus entreabriu o Céu para descer até nós, foi Maria que Lhe serviu de porta: São Pedro Damião exclama, celebrando a natividade da Ssma. Virgem: ‘Hoje nasceu a Rainha do mundo, janela do Céu, a porta do Paraíso’. “Maria é a porta do Céu, porque todos os que nele entram, fazem-no seguindo a Jesus, por meio de Maria. A Terra, que o pecado de Adão havia separado do Céu, reconciliou-se com este pela intercessão de Maria, que nos deu Jesus. “A Santa Virgem Maria por sua pureza e humildade, fez descer Jesus Cristo do Céu sobre a Terra; assim também por seus exemplos e virtudes, foi a primeira a abrir para os homens a via que conduz ao Céu. Por isso Jesus Cristo A colocou à testa de todo o gênero humano, e quis que ninguém pudesse ser salvo, nem subir ao Céu, senão pelo consentimento e sob a proteção e a direção de Maria”. Nossa Senhora é a porta do Céu. É por essa porta que todas as nossas orações chegam até Deus, e é por meio d’Ela que obtemos as graças necessárias para a nossa salvação. Assim, em todos os dias de nossa vida e, sobretudo, no momento em que estivermos para entrar na eternidade, a Ela devemos dirigir esta filial e confiante súplica: “Porta do Céu, abri-vos para mim” (Pequeno Oficio da Imaculada Conceição -comentado: João S. Clá Dias – Artpressset. 1997, pp.188/189).

III – O Reino de Maria: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”.
São Luís Grignion de Montfort abre o seu Tratado assim: “É pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo”, isto é, se Maria Santíssima não tivesse vindo ao mundo, Jesus Cristo não teria vindo; “e é também por meio d’Ela que Ele deve reinar no mundo”, isto é, a devoção e o reino de Cristo deve vir ao mundo por intermédio de Maria Santíssima. E encerrando a introdução, acrescenta: “Quando o Reino de Jesus Cristo tomar conta do mundo, será como uma conseqüência necessária do reino da Santíssima Virgem” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: S. Luís M. Grignion de Montfort – Ed. Vozes, Petrópolis, pp.24 e 38). Animado de ardoroso carisma profético, esse grande apóstolo de Maria – duzentos anos antes das aparições de Fátima – previu que, ao ser conhecida e posta em prática a devoção por ele ensinada, o reino da Mãe de Deus estaria implantado na Terra. Em outros termos, antevia ele o triunfo do Imaculado Coração de Maria, por Ela prometido em Fátima, no dia 13 de julho de 1917, quando anunciou: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”. Por isso, exclama o Santo: “Ah! Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana dos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? Quando chegará o dia em que as almas respirarão Maria, como o corpo respira o ar? “Então, coisas maravilhosas acontecerão neste mundo, onde o Espírito Santo, encontrando sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, a elas descerá abundantemente, enchendo-as de seus dons, particularmente do dom da sabedoria, a fim de operar maravilhas de graça”. “Meu caro irmão, quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino!” (“Fátima, O Meu Imaculado Coração Triunfará” – Mons. João S. Clá Dias – 2a. Edição, Set.2007, Copypress, p. 90). Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Reino de Jesus Cristo! (São Luís Maria Avignon de Montfort) “Então, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas” (Ap 12, 1).

Oração: Ó Maria, Senhora do Mundo, Rainha do Céu! É para Vós, como para o centro da Terra, como para a Arca de Deus, como para a causa das coisas, como para a estupenda obra dos séculos, que se voltam os olhares dos habitantes do Céu e da Terra, dos tempos passados, presentes e futuros. Por isso vos chamarão bem-aventurada todas as nações, ó Mãe de Deus, pois para todas engendrastes a vida e a glória. Em Vós acham os Anjos a alegria, os justos a graça,os pecadores o perdão para sempre. Com razão, portanto, põem em Vós, porque em Vós, por Vós e de Vós a benigna mão do Onipotente refez tudo o que Ele havia criado! (São Bernardo)

 

EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS 1, 26-38 – esta é talvez a passagem bíblica mais importante sobre Nossa Senhora. Ela narra a aparição do anjo Gabriel à Maria e o anúncio da sua maternidade divina. É desta passagem que se extraiu a primeira parte da oração da Ave Maria. Muito da devoção que a Igreja guarda sobre Nossa Senhora está contida nesta passagem do Evangelho de São Lucas.

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

Deus pediu o consentimento de Maria, para conduzi-la nas estradas da aventura da salvação do gênero humano. Deus é respeitoso da dignidade humana. Mas não foi só Maria quem disse “Eis a serva, faça-se em mim, estou pronta a me deixar conduzir pelo caminho que Deus tiver designado para mim”, Jesus também teve o seu “Fiat”, Ele disse faça-se. Maria se abre espontaneamente para a vontade de Deus, e Jesus Cristo afirma ao entrar no mundo, que não tem outro desejo, a não ser realizar a vontade de Deus. Quando duas vontades humanas se abriram para a vontade divina, o Pai realizou a maravilha da Salvação do gênero humano. Nós também somos convidados a aceitar, a dar o consentimento àquele plano que Deus tem para com cada um de nós, aquele sonho que Deus tem para cada um de seus eleitos. Cada um de nós hoje é convidado a dizer, como Jesus e como Maria: “Eis-me aqui, estou pronto para me deixar conduzir, não conheço de forma alguma, não sei o que me acontecerá, mas estou pronto e sou generoso”. Quanto mais cristãos se abrirem a esta generosidade, e quanto maior for o número daqueles cristãos e católicos que disserem o sim a Deus, sem reservas, maiores serão os Dons, maiores serão os prêmios, as graças que Ele derrama agora sobre o gênero humano, sobre as nossas famílias, sobre a sua paróquia, sobre a sua comunidade. Saiba hoje, como Jesus e Maria, generosamente dizer: “Eis-me aqui, eu também estou pronto Oh Deus, para fazer a vossa vontade”.

Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

Por Mons. Inácio José Schuster

São Simão Stock era inglês e pertencia a uma ilustre família do condado de Kent. Favorecido desde criança com graças extraordinárias, aos 12 anos de idade foi conduzido pelo espírito de Deus a um deserto, onde vivia em austera penitência; servia-lhe de morada o tronco duma árvore, donde lhe veio o sobrenome de Stock, que em língua inglesa significa tronco. Vivia há 20 anos nesta solidão, ocupado somente na oração e penitência, quando chegaram à Inglaterra os religiosos Carmelitas, expulsos da Palestina pela perseguição religiosa dos sarracenos. Não tardou Simão em juntar-se-lhes, logo que foi testemunha das suas virtudes e, sobretudo da sua admirável devoção à Santíssima Virgem, a quem ele amava com entranhada ternura. De tal maneira se distinguiu o novo religioso pela sua eminente santidade e pelo ardor do seu zelo, que em 1245 os seus irmãos elegeram-no Superior Geral da Ordem.

Entre a Samaria e a Galileia, na Terra Santa, eleva-se uma montanha, de 600 metros de altitude, chamada monte Carmelo (em hebraico, «Carmo» significa vinha; e «elo» significa senhor; portanto, vinha do Senhor), onde o Profeta Elias realizou estupendos prodígios e onde o seu sucessor Eliseu viveu também. Estes dois profetas aí reuniram os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Aqui Elias terá visto Nossa Senhora simbolizada numa nuvem; aqui Maria, quando vivia na terra, terá vindo saudar os eremitas, sucessores dos dois grandes profetas. Estes eremitas ter-se-ão sucedido através de gerações, até que, pelo ano de 1205, o Patriarca de Jerusalém, Avogrado, lhes deu a regra que se resume no trabalho, meditação das Escrituras, devoção a Maria Santíssima, vida contemplativa e mística. Por isso, os Carmelitas se dizem fundados remotamente pelo Profeta Elias. Mas foi São Bertoldo que, pelos meados do séc. XII lhes deu a organização da vida religiosa, com a regra do Patriarca de Jerusalém.

Quando, no séc. XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, mataram e perseguiram os eremitas do Monte Carmelo. Os que fugiram para a Europa, elegeram, como atrás ficou dito, São Simão Stock para seu Superior Geral. No dia 16 de Julho de 1251, rezava o Santo no seu Convento de Cambridge, em Inglaterra, fervorosa e insistentemente, para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem por Ela tanto amada, mas então com violência perseguida. A Virgem Santíssima ouviu estas ardentes súplicas. Apresenta-se-lhe com o Escapulário na mão e diz-lhe: «Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção». O Papa Pio XII, na carta dirigida a todos os carmelitas, a 11 de Fevereiro de 1950, em preparação do sétimo Centenário da entrega do Escapulário a São Simão Stock (1251), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem «devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos».

As graças do Escapulário são valiosas e magníficas: a proteção da Santíssima Virgem Maria durante a vida e a salvação à hora da morte. Por isso, diz o mesmo Pontífice: «Não é coisa de pequena importância tratar-se da aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessa da Virgem Santíssima; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo». Nossa Senhora não falta à sua palavra. É preciso que nós cumpramos também a nossa; que tragamos o Escapulário com piedade, como mostra da nossa consagração a Maria e que morramos com ele. Por isso, continua o Papa: «O Sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus, mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual».

O Escapulário não é carta-branca para pecar; é uma lembrança para viver cristãmente e assim alcançar a graça duma boa morte. Nossa Senhora, nas aparições de Lurdes e Fátima, confirmou a devoção do Escapulário do Carmo. A última aparição de Lurdes teve lugar no dia 16 de Julho – festa de Nossa Senhora do Carmo – do ano de 1858. Bernadette comungara pela manhã. De tarde, estando em oração na igreja paroquial, sentiu que a Senhora a chamava à gruta. Apenas começara a rezar o terço, quando o rosto se lhe transfigurou ante o sorriso da Virgem Imaculada. «Só via a Santíssima Virgem – contava depois a pastorinha – e nunca a vi tão bela». Em Fátima, no dia 13 de Setembro, a branca Senhora prometeu: «Em Outubro virá também Nossa Senhora do Carmo». E assim aconteceu, realmente. No Inquérito Oficial de 8 de Julho de 1924, declarou a Vidente Lúcia: «Vi ainda outra figura que parecia ser Nossa Senhora do Carmo, porque tinha qualquer coisa pendurada na mão direita». Essa «qualquer coisa» era o Escapulário do Carmo.

E o que é esse Escapulário? São dois pedacinhos de lã castanha unidos por cordões. Este Escapulário tem de ser benzido e imposto por um Sacerdote. Em Dezembro de 1910, o Papa São Pio X concedeu que, depois de imposto o Escapulário, possa ser substituído por uma medalha benzida, contanto que essa medalha tenha dum lado o Coração de Jesus e do outro Nossa Senhora em qualquer das suas invocações: portanto, Fátima, Lurdes, Carmo, Conceição… Ganham-se com ela as mesmas graças e indulgências.

Em resumo: são estas as condições para ganhar as graças do Escapulário: 1) Ser imposto por um Sacerdote. 2) Trazê-lo piedosamente, durante a vida, a ele ou à medalha que o substitui, e assim morrer. Na base da devoção do Escapulário do Carmo está a imitação das virtudes de Nossa Senhora. Quem, por fora, se cobre com a sua veste, deve, por dentro, revestir-se com as suas virtudes. É o que dizia São Bernardo: «Ó vós todos que amais Maria, revesti-vos das suas virtudes». E o Cardeal Lercaro: «Nossa Senhora do Carmo, por meio do seu Escapulário, transmite às almas o seu espírito de oração, de mortificação e as virtudes cristãs». Os Santos – os melhores conhecedores das coisas celestes – amaram sempre com predileção o Escapulário, com o qual quiseram morrer. Leiam-se os escritos do Beato Cláudio La Colombiere, apóstolo da devoção ao Coração de Jesus, as obras de Santo Afonso Maria de Ligório, cantor das glórias de Maria, os discursos de Santo António Maria Claret, apóstolo da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Poderiam multiplicar-se os nomes dos santos que desejaram morrer revestidos com o Escapulário. Recordemos o Santo Cura de Ars; Santa Bernadette, vidente de Lurdes; São João Bosco; São Domingos Sávio, São Gabriel das Dores.

O mesmo se diga dos Papas, particularmente dos últimos. LEÃO XIII, na agonia, beijava repetidamente o Escapulário. PIO XII, desde a tenra infância usava o Escapulário de lã, e queria que os fiéis o soubessem. JOÃO XXIII, visitando, como Núncio em Paris, o carmelo de Avon-Fontainebleau, assim se exprimia: «Por meio do Escapulário, pertenço à vossa família do Carmelo e aprecio muito esta graça, como garantia de especialíssima proteção de Nossa Senhora». No discurso da audiência geral de 15 de Julho de 1961, declarou o bom Papa: «Amanhã, 16 de Julho, é a comemoração de Nossa Senhora do Carmo. A piedade dos fiéis nos vários séculos quis honrar a celebrada Mãe de Deus com vários títulos e com atos da mais sentida veneração. Recordemos que foi o Pontífice João XXII que, no século XIV, promoveu a devoção a Maria sob este título. Da história devemos verdadeiramente tirar tudo quanto possa tomar cada vez mais claras e nítidas as formas de oração e de homenagem a Maria».

O Santo Padre Cruz, rigorosamente Servo de Deus, tinha confiança ilimitada no Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Ele próprio o usava. Conserva-se ainda a sua «Patente de ingresso na Confraria do Monte do Carmo», de Lisboa, na qual escreveu piedosamente, a 16 de Julho de 1940: «Há cerca de 60 anos que recebi o Santo Escapulário do Carmo». Distribuiu milhares com a intenção de afervorar a confiança em Nossa Senhora e ajudar a viver bem. Recomendava àqueles a quem impunha o Escapulário que o beijassem todos os dias e rezassem três Ave-Marias, pedindo a graça de não caírem em pecado mortal. Para além do privilégio da morte na graça de Deus, para quem tiver trazido piedosamente e morrido com o Escapulário do Carmo, há o chamado Privilégio Sabatino.

Nossa Senhora terá prometido ao Papa João XXII, no ano de 1322, que tiraria do Purgatório, no sábado a seguir à morte, as almas daqueles que: a) tivessem trazido piedosamente o Escapulário e com ele morrido; b) tivessem guardado a castidade própria do seu estado; c) tivessem rezado todos os dias o Oficio Menor de Nossa Senhora. A autenticidade da Bula, chamada Sabatina, que relata tal privilégio, foi muito discutida. Após longas controvérsias, o Papa Paulo V publicou, em 1613, a seguinte declaração: “Pode-se piedosamente acreditar que Nossa Senhora socorrerá principalmente no sábado as almas do Purgatório que tenham na vida trazido o Escapulário, guardado a castidade própria do seu estado e rezado todos os dias o Oficio Menor”. O Papa fala apenas duma piedosa crença quanto a um socorro de Nossa Senhora ao sábado. Não se refere propriamente a tirar do Purgatório as almas ao sábado. Neste mesmo sentido o confirmaram os Papas São Pio X (1911), Pio XI (1922), Pio XII (1950), João XXIII (1959).

Um Sacerdote, que tenha faculdades para isso, pode comutar a recitação do Oficio Menor de Nossa Senhora em qualquer destas práticas: a) reza do Oficio Divino (Liturgia das horas); b) guarda da abstinência nas quartas e sábados; c) reza do Terço ou de outra devoção. A Ordem do Carmo ou dos Carmelitas, nos seus dois setores, masculino e feminino, foi no século XVI reformada por Santa Teresa e São João da Cruz, ficando assim dividida em dois ramos: Carmelitas da primitiva observância ou Calçados, aos quais pertenceu o Beato Nuno Álvares Pereira, e Carmelitas reformados ou Descalços.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
16 de julho
Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas. O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

No próximo dia 16 de julho, iremos comemorar a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ordem Carmelitana. Essa festa remonta aos anos de 1376 e 1386, quando adveio o pio costume de celebrar uma festa especial em honra de Nossa Senhora, em ação de graças pela aprovação pontifícia da Regra Carmelitana, pelo Papa Honório III, em 1226. A data fixada de 16 de julho coincide, segundo a tradição carmelitana, com a data em que Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário. Com o passar do tempo, no início do século XVII a data de dezesseis de julho se transformou em data oficial da “festa do escapulário” e, imediatamente, começou a ser celebrada também fora da Ordem Carmelitana. Em 1726, esta data solidificou-se como a festa da Virgem do Carmo por toda a Igreja do Ocidente, pela ação do Papa Bento XIII. No próprio da missa do dia não se faz menção ao escapulário ou à visão que teve São Simão; porém, ambos os fatos são mencionados nas leituras do segundo noturno das Matinas no antigo Breviário e o escapulário no prefácio especial usado pelos carmelitas. A Ordem dos Carmelitas, uma das mais antigas na história da Igreja, embora considere o profeta Elias como o seu patriarca modelo, não tem um verdadeiro fundador, mas um grande amor: o culto a Maria, honrada como a Bem-Aventurada Virgem do Carmo. “O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”. Elias e Maria estão unidos numa narração que tem sabor de lenda. Refere o Livro das Instituições dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo (1Rs 18,20-45), os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, na Palestina, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, os monges que haviam entretanto recebido do patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra aprovada em 1226 pelo papa Honório III, voltaram ao Ocidente e na Europa fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais, porém, puderam experimentar a proteção da Virgem. Um episódio em particular sensibilizou os devotos: os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o escapulário da ordem e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo’”. Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”. Entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam. Nossa Senhora é a nossa Mãe, colocada como insigne modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem Maria. Se aproveitarmos, na festa que se avizinha, esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe. Por isso somos chamados, como discípulos-missionários de Jesus, a imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efetivamente, porque “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus”. Assim, unidos a todos as ordens Carmelitas, primários, secundários e terciários, particularmente os membros da Irmandade do Carmo da Sé Catedral de Juiz de Fora, queremos exortar a todos os fiéis que, seguindo a Maria, encontrem a Jesus, o verdadeiro sentido para que o amor de Deus recaia sobre cada um de nós. E que os sacramentais, sinais visíveis da graça de Deus, produzam seus frutos necessários de vida, de santidade, de disponibilidade total para um SIM permanente a convite de Jesus, para que sejamos missionários dentro da realidade em que estamos inseridos. Virgem do Carmo, Rogai por nós!

ORAÇÃOSenhora do Carmo, Rainha dos Anjos, canal das mais ternas mercês de Deus para com os homens. Refúgio e Advogada dos pecadores, com confiança eu me prostro diante de vós suplicando-vos que obtenhais… (pede-se a graça). Em reconhecimento, solenemente prometo recorrer a vós em todas as minhas dificuldades, sofrimentos e tentações, e farei tudo que ao meu alcance estiver, a fim de induzir outros a amar-vos, reverenciar-vos e invocar-vos em todas as suas necessidades. Agradeço-vos as inúmeras bênçãos que tenho recebido de vossa mercê e poderosa intercessão. Continuai a ser meu escudo nos perigos, minha guia na vida e minha consolação na hora da morte. Amém. Nossa Senhora do Carmo, advogada dos pecadores mais abandonados, rogai pela alma do pecador mais abandonado do mundo. Ó Senhora do Carmo, rogai por nós, que recorremos a vós. 

Mando no meu coração?

Para possuir-se é preciso exercitar o amor

O relacionamento de duas pessoas, sejam amigos, namorados ou casados, têm a sua base no amor mútuo, que une os dois e os faz crescer. Sem isto qualquer relacionamento cai no vazio.

Amar é construir o outro, fazê-lo feliz, fazê-lo crescer como pessoa. Mas para isto é preciso possuir-se, ser senhor de si mesmo, porque para amar alguém é preciso saber renunciar-se. E só pode renunciar a si mesmo quem aprendeu a dominar-se.

As pessoas transformam o amor em egoísmo, porque não têm o domínio de si mesmas, por isso não conseguem amar.

Saiba que a grande crise do homem moderno é que ele dominou o macrocosmo das estrelas e o microcosmo das bactérias e dos átomos, mas perdeu o domínio de si mesmo; por isso não consegue amar de verdade e continua muito egoísta.

Para que você possa amar de verdade, como Deus quer, é preciso que caminhe “de pé”, isto é, respeitando a primazia dos valores: em cima, o espírito; abaixo, o racional; e mais abaixo o físico. Assim, você terá o controle e o comando dos seus atos e de sua vida.

Se o seu corpo domina o seu espírito, você caminha de cabeça para baixo. Se você não se domina diante da força dos instintos e das paixões, você se arrasta e não é capaz de amar.

Você também pode deixar de caminhar de pé se é a sensibilidade que comanda os seus atos, e não o espírito e a razão.

É claro que a sensibilidade é importantíssima; ela nos diferencia dos animais, mas não pode ser a imperatriz dos nossos atos.

Não podemos ser conduzidos apenas pelo “sentir”.

Se for assim, você pode achar que uma pessoa está certa apenas porque é simpática ou muito amiga, e não porque, de fato, ela tem razão.

A sensibilidade está comandando a sua vida se você troca o sonho pela realidade quando não aceita a si mesmo como é.

Para caminhar de pé é preciso que o seu espírito, fortalecido pelo Espírito Santo, comande a sensibilidade e o corpo.

A sensibilidade é bela, faz você chorar diante da dor e do sofrimento do outro, mas precisa ser controlada pelo espírito.

Um cavalo fogoso pode levá-lo muito longe se você tiver firme as suas rédeas, mas pode jogá-lo ao chão se não for dominado.

Para amar é preciso possuir-se, e para possuir-se é preciso exercitar o amor. Jesus foi o que amou melhor, porque tinha o domínio perfeito de si mesmo. Nunca o egoísmo falou mais alto do que o amor dentro dele. Assim também foram os santos.

Há uma coisa que você precisa saber: só por nossas próprias forças não podemos caminhar de pé. Jesus avisou que “o espírito é forte, mas a carne é fraca”. Portanto, você precisa da força de Deus para suportar a sua natureza enfraquecida pelo pecado original.

A pessoa que caminha de pé sabe pensar independentemente da opinião pública e da propaganda, sabe ser calmo, tranquilo e paciente; não se agita nem se desespera, não grita e não bate. Vive com simplicidade e tem o pé no chão. Não despreza ninguém e sabe valorizar a todos; não é vaidoso nem arrogante, e não precisa de aplausos para ser feliz. Está sempre pronto a aprender e ensinar, sabe aceitar a opinião dos outros quando é melhor que a sua, cultiva a verdade, tem mente de homem e coração de menino, conhece-se a si mesmo como é e ama a Deus.

Enfim, a pessoa de pé é a pessoa madura, que aprendeu a se dominar para poder, de fato, amar.

(Extraído do livro “Problemas no namoro”)
Prof. Felipe Aquino
[email protected]com

Jesus não é uma mera estrada do dever

A livre interpretação da tradição
Por Edmar Araújo

Numa tarde agradável de sábado, a falar sobre experiências na Igreja Católica, estávamos eu e um velho amigo que há muito não via. Nossas dores, nossos amores e nossas vidas dedicadas à evangelização, todas resumidas em palavras naquela mesa da praça de alimentação de determinado shopping center, permitiram que fossemos mais crentes em Deus, na sua misericórdia que a todos alcança e na Igreja de Cristo, a detentora das chaves do Reino dos Céus (Mt 16,19). Ao falarmos sobre problemas no clero, lembrei-me de uma colocação sobre a defesa da fé católica a todo e qualquer custo. Não nos causaria nenhum estranhamento qualquer posicionamento favorável a Igreja já que somos católicos. O que nos incomodou foi a impressão que tivemos sobre o espírito tradicionalista de auto-proclamação que tem causado, até o momento ainda incontáveis, dúvidas sobre o atual papado de Francisco. Foi quando falei que determinados setores da Igreja, a exemplo das teses protestantes que moldaram a livre interpretação das escrituras, realizam a livre interpretação da tradição católica. Ao iniciar a redação dessa breve reflexão, recordei onde havia lido sobre a idéia de livre interpretação da tradição. Foi no texto “Bonecas Russas”, de Gustavo Nogy, que atribui a autoria da tese de livre interpretação da tradição a um amigo, Rodrigo Pedroso. O post, publicado no site Ad Hominem, talvez traduza parte das inquietações partilhadas entre mim e o velho amigo. Esses, que se intitulam tradicionalistas defensores da verdadeira fé católica, não se encontram nas paróquias. Preferem ir à uma igreja onde o novo rito da missa não tenha sido acatado para, em nome da tradição, participarem do rito tridentino. Esses abominam o Concílio Vaticano II talvez sem dar-se conta que é este Concílio parte da grande história da Igreja. À luz das recentes palavras do papa Francisco, esses “cristãos são mornos, sem coragem” e “fazem tanto mal para a Igreja”. Preferem criticar os evangelizadores a evangelizá-los e encorajá-los. Preferem criticar a celebração e o celebrante a enaltecer a presença do celebrado. Abdicaram do coração e fecharam-se em suas mentes. O Sumo Pontífice alertou sobre esta estrada inviável chamada moralismo. “Mesmo quem insiste em ver em Jesus uma mera ‘estrada do dever’, de fato, cai na armadilha da pretensão de compreender tudo somente ‘com a cabeça’. Quem tem uma atitude assim carrega tudo ‘sobre os ombros dos fieis’. O Espírito Santo, afirma o Papa, não quer modernizar a Igreja, mas atualizar o coração do homem e da mulher hodiernos. E essa atualização é um grande incomodo para os que ainda não se tornaram dóceis à sua santa ação. “O Espírito Santo nos incomoda. Porque mexe conosco, nos faz caminhar, empurra a Igreja para frente. (…) e pior: há pessoas que querem andar para trás. Isso é que se chama ser teimoso, isso se chama querer domesticar o Espírito Santo, isso se chama tornar-se tardos e lentos de coração”. Creio que nossa inquietude demore um pouco mais para terminar. Enquanto ela não passa, continuamos eu e o bom amigo nossa militância rumo a Cristo, sem nunca esquecer que o caminho se faz caminhando. Duvidosos, mas esperançosos. Sofrendo, mas felizes. Cansados, mas em movimento.

http://www.adhominem.com.br/2013/03/bonecas-russas.html
Edmar Araújo é jornalista e criador do Blog Medidas de Fé. Foi um dos 150 blogueiros convidados para o Vatican Blog Meeting, encontro internacional de blogueiros patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Cultura e pelo Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais do Vaticano, ocorrido em maio de 2011

O Espírito Santo e seus Dons

O que podemos e devemos fazer para que o Espírito de Deus venha a nós e nos satisfaça com Seus dons? Quais devem ser nossas atividades e disposições interiores para atrair e receber ao Espírito Santo?

1- Uma primeira disposição: Deveríamos despertar ainda mais em nossos corações o desejo pelo Espírito Santo e Seus dons. É o mesmo desejo que tinham os apóstolos e a Santíssima Virgem quando estavam reunidos no cenáculo esperando o Espírito Santo prometido. É a súplica é: Vem, Espírito Santo! Esperamos-Te com ânsias, porque somos tão débeis, porque necessitamos Teu poder transformador.

Deveríamos despertar profundos afetos de ânsias para que Ele tome em Suas mãos nossa educação, nossa transformação em autênticos filhos de Deus, em homens simples com alma de criança. Por isso, temos que chegar a ser homens e mulheres que anelam pelo Espírito de Deus.

2- Uma segunda disposição: Devemos esforçar-nos mais para estar em silêncio, para estar sós e tranquilos interiormente. Trata-se de um isolamento e uma solidão repleta de Deus. As forças da alma devem estar concentradas não em nós, mas em Deus. Somente assim poderemos escutar o que o Espírito Santo nos sopra. Se ao nosso redor e, sobretudo, se em nosso interior, existe tanto ruído, tantas vozes alheias, tanto espírito mundano, então não poderemos escutá-Lo. E se não O escutamos, tampouco saberemos o que Ele deseja de nós e nos sugere. E assim nunca vamos perceber Sua presença em nossa alma nem vamos acreditar em Sua atuação e influência em nossa vida.

3- Outra disposição é a oração humilde. Diz o Padre: “Parece-me que chegou o momento em que iremos juntar as mãos e orar. Necessitamos muito mais de oração que de exercícios. Certamente, isso não quer dizer que devamos deixar de praticar o amor filial. Mas sabendo que só possuímos as velas e que é o Espírito Santo quem deve insuflá-las, nos sentimos em dependência total diante de Deus. Devemos cultivar, então, o heroísmo da oração humilde”. Havemos de ser mestres da oração e da humildade.

4- Uma última disposição que atrai o Espírito Santo é o espírito mariano. Sabemos que a Virgem Maria, no Dia de Pentecostes, encontrou-se no meio dos apóstolos. E não duvidamos que, sobretudo, por sua poderosa súplica maternal o Espírito Divino veio sobre cada um deles. E assim também nós devemos unir-nos a ela na espera do Espírito Santo de Deus.

Haveremos escutado alguma vez as palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort, que o padre-fundador repetia tantas vezes: O Espírito Santo quisera encontrar nas almas a Santíssima Virgem, quisera encontrar atitude e espírito marianos, quisera encontrar um amor profundo a ela. E quando Ele descobre numa alma a Maria, então não há alternativa que penetrar nesta alma com seus dons e realizar milagres de transformação.

E a causa disso? Como na Encarnação o Espírito Santo e a Virgem Santíssima colaboraram para que nascesse Jesus, assim o Espírito de Deus quer também hoje em dia cooperar com Maria, para que Cristo, o Filho do Pai, nasça e viva em cada alma. Por isso, não é casualidade que o Padre nos convida a ampliar nossa Aliança de Amor celebrando essa mesma Aliança também com o Espírito Santo. Então, Ele nos dará Seus dons, o dom da sabedoria, para que todos possamos conquistar o espírito filial.

Por Padre Nicolás Schwizer – Shoenstatt mov.apostólico
Fonte: Canção Nova

Santo Evangelho (Lc 1, 39-56)

Visitação de Nossa Senhora – Quarta-feira 31/05/2017

Primeira Leitura (Sf 3,14-18)  
Leitura da Profecia de Sofonias.

14Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. 16Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido pelo amor; exultará por ti, entre louvores, 18como nos dias de festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Ou (escolhe-se uma das leituras)  

Primeira Leitura (Rm 12,9-16b) 
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 9o amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. 10Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. 11Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, 12alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração. 13Socorrei os santos em suas necessidades, persisti na prática da hospitalidade. 14Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. 15Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. 16bMantende um bom entendimento uns com os outros; não vos deixeis levar pelo gosto de grandeza, mas acomodai-vos às coisas humildes.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Is 12,2-6)  

— O Santo de Israel é grande entre vós.
— O Santo de Israel é grande entre vós.

— Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação.

— E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu Santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

— Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

 

Evangelho (Lc 1,39-56)  

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA
Visitação de Nossa Senhora

Sabemos que Nossa Senhora foi visitada pelo Arcanjo Gabriel com esta mensagem de amor, com esta proposta de fazer dela a mãe do nosso Salvador. E ela aceitou. E aceitar Jesus é estar aberto a aceitar o outro. O anjo também comunicou a ela que sua parenta – Santa Isabel – já estava grávida. Aí encontramos o testemunho da Santíssima Virgem – no Evangelho de São Lucas no capitulo 1, – quando depois de andar cerca de 100 km ela encontrou-se com Isabel.

Nesta festa, também vamos descobrindo a raiz da nossa devoção a Maria. Ela cantou o Magnificat, glorificando a Deus. Em certa altura ela reconheceu sua pequenez, e a razão pela qual devemos ter essa devoção, que passa de século a século.

“Porque olhou para sua pobre serva, por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.” (Lucas 1,48)

A Palavra de Deus nos convida a proclamarmos bem-aventurada aquela que, por aceitar Jesus, também se abriu à necessidade do outro. É impossível dizer que se ama a Deus, se não se ama o outro. A visitação de Maria a sua prima nos convoca a essa caridade ativa. A essa fé que se opera pelo amor. Amor que o outro tanto precisa.

Quem será que precisa de nós?

Peçamos a Virgem Maria que interceda por nós junto a Jesus, para que sejamos cada vez mais sensíveis à dor do outro. Mas que a nossa sensibilidade não fique no sentimentalismo, mas se concretize através da caridade.

Virgem Maria, Mãe da visitação, rogai por nós!

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda