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Assunção de Maria: “ela nunca nos deixa só”

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Missa em Castel Gandolfo
Francisco destacou que Maria entrou na glória do céu, mas continua próxima ao homem, apoiando os cristãos na luta contra o mal
Jéssica Marçal / Da Redação

Nesta quinta-feira, 15, solenidade da Assunção de Maria, Papa Francisco dirigiu-se a Castel Gandolfo para celebrar a Santa Missa e rezar o Angelus com os fiéis da pequena cidade italiana. O Santo Padre concentrou sua homilia em três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança, lembrando que Maria nunca deixa o homem sozinho.

Mencionando um trecho do Apocalipse, Francisco falou da luta entre a mulher e o dragão, destacando que a mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa e triunfante. Ele lembrou que se vive continuamente os desafios da luta entre Deus e o maligno e, nessa luta, Maria nunca deixa o ser humano sozinho.

“Ela, naturalmente, entrou de uma vez por todas na glória do Céu. Mas isto não significa que esteja distante, que esteja separada de nós; antes, Maria nos acompanha, luta conosco, apoia os cristãos no combate contra as forças do mal”.

O Papa também falou da ressurreição de Cristo, uma crença inerente ao fato de ser cristão. “E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi ‘atraída’ pelo Filho na sua passagem através da morte”.

E sobre a esperança, a terceira palavra-chave da homilia, Francisco destacou que esta é a virtude de quem, experimentando o conflito, a luta cotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, crê na Ressurreição de Cristo.

“Escutamos o Canto de Maria, o Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus em caminho na história. (…) Onde tem a Cruz, para nós cristãos, tem a esperança, sempre. (…) E Maria está sempre ali, próxima a esta comunidade, a estes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança”.

 

HOMILIA
Missa na Solenidade da Assunção de Maria

Praça da Liberdade – Castel Gandolfo

Queridos irmãos e irmãs!

Ao término da Constituição sobre a Igreja, o Concílio Vaticano II deixou uma meditação belíssima sobre Maria Santíssima. Recordo somente as expressões que se referem ao mistério que celebramos hoje: a primeira é esta: “A imaculada Virgem, preservada imune da mancha de pecado original, ao fim do curso de sua vida terrena, foi assunta à glória celeste com seu corpo e a sua alma, e pelo Senhor exaltada como a rainha do universo” (n. 59). E então, no fim, há esta outra: “A Mãe de Jesus, como no céu, glorificada em corpo e alma, é a imagem e a primícia da Igreja que deverá ter o seu cumprimento na idade futura, assim na terra brilha como sinal de segura esperança e de consolação pelo Povo de Deus em caminho, enquanto não chega o dia do Senhor” (n. 68). À luz deste belíssimo ícone de nossa Mãe, podemos considerar a mensagem contida nas Leituras bíblicas que escutamos há pouco. Podemos concentrar-nos sobre três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança.

O trecho do Apocalipse apresenta a visão da luta entre a mulher e o dragão. A figura da mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa, triunfante, e por outro está ainda em caminho. Assim de fato é a Igreja: se no Céu está já associada à glória de seu Senhor, na história vive continuamente as provas e os desafios que comporta o conflito entre Deus e o maligno, o inimigo de sempre. E nesta luta que os discípulos de Jesus devem enfrentar – nós todos, todos os discípulos de Jesus devem enfrentar esta luta – Maria não nos deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre conosco. Sempre, caminha conosco, está conosco. Também Maria, em certo sentido, partilha esta dupla condição. Ela, naturalmente, entrou de uma vez por todas na glória do Céu. Mas isto não significa que esteja distante, que esteja separada de nós; antes, Maria nos acompanha, luta conosco, apoia os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, em particular o Rosário – mas ouçam bem: o Rosário. Vocês rezam o Rosário todos os dias? Mas não sei… (os presentes gritam: Sim!). É mesmo? Então, a oração com Maria, em particular o Rosário tem também esta dimensão “agonística”, isso é, de luta, uma oração que apoia na batalha contra o maligno e os seus cúmplices. Também o Rosário nos apoia na batalha.

A segunda Leitura nos fala da ressurreição. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, insiste no fato de que ser cristão significa crer que Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos. Toda a nossa fé se baseia nesta verdade fundamental que não é uma ideia, mas um acontecimento. E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi “atraída” pelo Filho na sua passagem através da morte. Jesus entrou para sempre na vida eterna com toda a sua humanidade, aquela que havia tomado junto à Maria; assim ela, a Mãe, que O seguiu fielmente por toda a vida, seguiu-O com o coração, entrou com Ele na vida eterna, que chamamos também de Céu, Paraíso, Casa do Pai.

Também Maria conheceu o martírio da cruz: o martírio do seu coração, o martírio da alma. Ela sofreu tanto, no seu coração, enquanto Jesus sofria na cruz. A Paixão do Filho a viveu até o fim na alma. Esteve plenamente unida a Ele na morte, e por isto lhe foi dado o dom da ressurreição. Cristo é a primícia dos ressuscitados, e Maria é a primícia dos redimidos, a primeira “daqueles que são de Cristo”. É nossa Mãe, mas também podemos dizer que é a nossa representante, é a nossa irmã, a nossa primeira irmã, é a primeira dos redimidos que chegou ao Céu.

O Evangelho nos sugere a terceira palavra: esperança. Esperança é a virtude de quem, experimentando o conflito, a luta cotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, crê na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. Escutamos o Canto de Maria, Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus em caminho na história. É o cântico de tantos santos e santas, alguns notáveis, outros muitíssimo, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, irmãs, jovens, também as crianças, avôs, avós: estes enfrentaram a luta da vida levando no coração a esperança dos pequenos e dos humildes. Maria diz: “A minha alma engrandece o Senhor” – também hoje canta a Igreja e o canta em toda parte do mundo. Este cântico é particularmente intenso lá onde o Corpo de Cristo sofre hoje a Paixão. Onde tem a Cruz, para nós cristãos, tem a esperança, sempre. Se não tem a esperança, nós não somos cristãos. Por isto eu gosto de dizer: não deixem roubar a esperança. Que não roubem a esperança, porque esta força é uma graça, um dom de Deus que nos leva adiante olhando o Céu. E Maria está sempre ali, próxima a esta comunidade, a estes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança.

Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos, com todo o coração, a este cântico de paciência e de vitória, de luta e de alegria, que une a Igreja triunfante com aquela peregrina, nós; que une a terra com o Céu, que une a nossa história com a eternidade, rumo à qual caminhamos. Assim seja.

 

No Angelus, Papa reza pela paz no Egito
Francisco também recordou os 25 anos da Carta Apostólica de João Paulo II sobre a dignidade e vocação da mulher

Após celebrar a Santa Missa em Castel Gandolfo na Solenidade da Assunção de Maria, Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis nesta quinta-feira, 15. Ele recordou as notícias dolorosas do Egito, devido às situações de conflito, pedindo a paz para a região.

“Rezemos juntos pela paz, pelo diálogo, pela reconciliação nesta querida Terra e no mundo inteiro”, disse.

E recordando a Solenidade da Assunção de Maria, Francisco lembrou que o caminho dela rumo ao Céu começou com o seu “sim” a Deus. Da mesma forma acontece com o ser humano.

“Na realidade, é justamente assim: cada ‘sim’ a Deus é um passo para o Céu, para a vida eterna. Porque o Senhor quer isto: que todos os seus filhos tenham a vida em abundância! Deus nos quer todos consigo, na sua casa!”, disse.

O Papa recordou ainda o 25º aniversário da Carta Apostólica Mulieris dignitatem, do Papa São João Paulo II, sobre a dignidade e a vocação da mulher.

“Façamos nossa a oração presente no fim desta Carta Apostólica (cfr n.31): a fim de que, meditando o mistério bíblico da mulher, condensado em Maria, todas as mulheres encontrem a si mesmas e a plenitude da sua vocação e em toda a Igreja se aprofunde e se entenda mais o tão grande e importante papel da mulher!”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs,

Ao término desta Celebração nos dirigimos à Virgem Maria com a oração do Angelus. O caminho de Maria rumo ao Céu começou com aquele “sim” pronunciado em Nazaré, em resposta ao Mensageiro celeste que lhe anunciava a vontade de Deus para ela. E na realidade é justamente assim: cada “sim” a Deus é um passo rumo ao Céu, rumo à vida eterna. Porque o Senhor quer isto: que todos os seus filhos tenham a vida em abundância! Deus nos quer todos consigo, na sua casa!

Aparecem infelizmente notícias dolorosas do Egito. Desejo assegurar a minha oração por todas as vítimas e s seus familiares, pelos feridos e por todos os que sofrem. Rezemos juntos pela paz, pelo diálogo, pela reconciliação naquela querida Terra e no mundo inteiro. Maria, Rainha da Paz, rogai por nós: todos digamos: Maria, Rainha da paz, rogai por nós.

Desejo recordar o 25º aniversário da Carta Apostólica Mulieris dignitatem, do Papa São João Paulo II, sobre a dignidade e a vocação da mulher. Este documento é rico de ideias que merecem ser retomadas e desenvolvidas; e na base de tudo está a figura de Maria. Façamos nossa a oração presente no fim desta Carta Apostólica (cfr n.31): a fim de que, meditando o mistério bíblico da mulher, condensado em Maria, todas as mulheres encontrem a si mesmas e a plenitude da sua vocação e em toda a Igreja se aprofunde e se entenda mais o tão grande e importante papel da mulher!

Agradeço a todos os presentes, moradores de Castel Gandolfo e peregrinos! Agradeço vocês, moradores de Castel Gandolfo: muito obrigado! E todos os peregrinos, em particular aqueles de Guiné com o seu Bispo.

Saúdo com afeto as alunas do Colégio Pasionista “Michael Ham” de Vicente López, Argentina; bem como os jovens da banda de música do Colégio José de Jesus Rebolledo de Coatepec, México.

E agora, todos juntos, rezemos à Maria:  Angelus Domini…

Desejo a vocês boa festa hoje, dia de Maria: boa festa e bom almoço!

É possível deixar de ser homossexual, afirma psicoterapeuta americano

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Richard Cohen apresentou o seu livro na Espanha

MADRI, quinta-feira 09 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) – Nesta terça-feira, Richard Cohen, psioterapeuta nos Estados Unidos, apresentou seu trabalho na Espanha Comprender y sanar la homosexualidad (compreender e curar a homossexualidade), no qual, deixa aos homossexuais, que querem deixar de sê-lo, uma mensagem de esperança: “Nunca desista, a mudança é possível”. Baseia-se também na sua própria experiência, já que ele mesmo foi homossexual. Antes de iniciar uma movimentada agenda de promoção do seu livro publicado pela LibrosLibres, Richard Cohen concedeu umas declarações à Zenit.

É verdade que a pessoa nasce homossexual?
– Richard Cohen: De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA), não se nasce necessariamente com a atração pelo mesmo sexo: “Apesar de que se tenham investigado muito as possíveis influências genéticas, hormonais, do crescimento, sociais e culturais sobre a orientação sexual, não há evidências que permitam os cientistas concluir que a orientação sexual esteja determinada por um ou por mais fatores concretos. Muitos acreditam que tanto a natureza quanto a educação desempenham um papel complexo. A maioria das pessoas sentem que tiveram pouca capacidade de escolha da sua orientação sexual”, diz a Associação Americana de Psicologia.

Por que existem pessoas com atração pelo mesmo sexo?
– Richard Cohen: Mais de oitenta anos de literatura científica têm encontrado muitas razões pelas quais as pessoas experimentam sentimentos homossexuais. Sei isso pela minha própria vida, pela vida de centenas de pessoas com as quais trabalhei como terapeuta, e de outras milhares através dos nossos workshops de cura e aulas através de videoconferência. Muitas pessoas não acham o modo de vida “gay” engraçado e gostariam de outro estilo de vida. Querem mudar os seus sentimentos homossexuais e ter família e filhos.

É possível a transição da homossexualidade para a heterossexualidade?
– Richard Cohen: Durante os últimos vinte e dois anos, como psicoterapeuta na International Healing Foundation, tive um sucesso notável ajudando homens e mulheres a resolverem sua atração indesejada à pessoas do mesmo sexo e realizar seus sonhos de heterossexualidade.

Como?
– Richard Cohen: Nosso plano em quatro etapas para passar de gay para não gay funciona se alguém estiver realmente interessado na mudança. Através do nosso programa, explicado no meu livro, as pessoas mudam de dentro para fora. Não é apenas a mudança de comportamento. Quando alguém identifica e corrige as feridas do seu passado, e experimenta o amor numa relação saudável e não sexual com pessoas do mesmo sexo, surge naturalmente o desejo heterossexual.

Você o tem visto no seu consultório…
– Richard Cohen: Eu experimentei isso pessoalmente e tenho observado a mesma transformação na vida de milhares de homens e mulheres com quem trabalhei como conselheiro, em seminários de cura ou aulas por videoconferência. Os quatro ingredientes da mudança são: 1) motivação pessoal, 2) um tratamento eficaz, 3) o apoio dos demais, 4) o amor de Deus.

Por que o lobby gay não quer assumir que muitas pessoas homossexuais sofrem por seus sentimentos e querem ser livres para fazer a transição?
– Richard Cohen: Os ativistas homossexuais trabalharam duro para evitar que os profissionais da saúde médica e psicológica oferecessem a sua ajuda àqueles que experimentam atração indesejada pelo mesmo sexo. A razão é que os homossexuais sofrem muitos preconceitos. Tudo o que eles querem é ser amados e aceitos. Portanto, desenvolvem a teoria de que ser gay é algo inato e imutável e não pode ser alterado. Mas isso não é cientificamente exato.

Qual é então o medo de falar de mudança?
– Richard Cohen: Quando afirmo que é possível mudar de homossexual para heterossexual, os homens y mulheres gays, lésbicas, bissexuais e transexuais sentem-se ameaçados. Compreendo a sua preocupação. Eu sofri discriminação e preconceitos, quando vivia como gay. Sinto o mesmo amor e compaixão por todos os homens e mulheres homossexuais, por aqueles que vivem uma vida gay e por aqueles que procuram uma mudança para viver uma vida heterossexual. Todo mundo é livre de decidir a vida que quer viver. Respeitemo-nos uns aos outros em um espírito de amor e verdade. É um direito humano de autodeterminação e de liberdade de expressão.

No seu livro, você diz que, para essa transição, é preciso curar as feridas emocionais. Que feridas são essas?
– Richard Cohen: Se você estuda a literatura científica, vai encontrar os diversos fatores que levam alguém a se sentir atraído pelas pessoas do seu próprio sexo. Se você conversar e escutar os gays e as lésbicas, vai encontrar as similitudes nas suas origens. Eu explico no meu livro dez causas potenciais que levam homens e mulheres a ter sentimentos homossexuais.

Quais são?
– Richard Cohen: Ninguém nasce, essencialmente, com sentimentos homossexuais. Ninguém simplesmente escolhe ter atração pelo mesmo sexo. Existem muitas razões para alguém se sentir atraído pelo mesmo sexo. Algumas causas potenciais dos sentimentos homossexuais são: 1) a carência de vínculos entre o filho e o pai, ou entre a filha e a mãe; 2) o temperamento hiper-sensível; 3) a identificação exagerada entre o filho e a mãe, ou entre a filha e o pai; 4) a falta de conexão com os companheiros do mesmo sexo, garotos que não se sentem à vontade com outros garotos, e meninas que não se sentem à vontade com outras meninas; 5) o abuso sexual. Estas são só algumas experiências que podem levar alguém a desenvolver a atração pelo mesmo sexo. Nunca é uma coisa só que leva aos sentimentos homossexuais.

Então existe uma causa nos pais?
– Richard Cohen: Não é a educação dos pais, em si mesma, que gera sentimentos homossexuais, mas a percepção que a criança tem dessa educação. Subjazendo à atração pelo mesmo sexo, nós temos dois pontos principais: 1) traumas que não foram resolvidos no passado; 2) necessidades legítimas de amor por pessoas do mesmo sexo. Esses dois pontos conduzem à atração pelo mesmo sexo.

É possível prevenir a orientação homossexual?
– Richard Cohen: Sim. No meu livro Gay Children, Straight Parents, eu explico como a família e os amigos podem ajudar as pessoas atraídas pelo mesmo sexo a mudarem e realizarem o seu destino heterossexual. Como nós conhecemos o que produz os sentimentos homossexuais, é fácil entender a forma de ajudar os homens e as mulheres homossexuais. Em outras palavras: um menino recebe o seu senso da masculinidade em primeiro lugar do seu pai, e depois dos parentes e companheiros homens; e uma menina recebe o senso da feminilidade primeiramente da sua mãe, e depois das parentes e das companheiras mulheres. Depois, quando o garoto atravessa a adolescência, surgem naturalmente os desejos heterossexuais. Neste último livro, eu descrevo doze princípios que a família e os amigos podem aplicar para ajudar os seus entes queridos homossexuais a conseguirem atingir a sua verdadeira identidade de gênero. Funciona se você seguir o programa. Nós conseguimos um grande sucesso ao longo dos anos.

Por que sua fé em Deus foi tão importante e decisiva para sua transição da homossexualidade para a heterossexualidade?
– Richard Cohen: Realmente não foi a minha fé em Deus que me ajudou a curar e sair da homossexualidade. Foi a confiança de Deus em mim que me ajudou a mudar! Por muitos anos, eu achava que era a pior pessoa do mundo porque tinha sentimentos homossexuais. Ouvi dizer que a homossexualidade era o pior “pecado”. Mas finalmente percebi que Deus me amava incondicionalmente. Quando senti o seu amor, me tocou no mais profundo da alma e comecei a curar.

Passamos do ridicularizar e silenciar os homossexuais a aceitar quase todas as idéias do lobby gay. Você acha que muitas organizações médicas e religiosas deveriam pedir desculpas aos homossexuais por não ajudá-los no passado, e nem fazê-lo agora por medo de serem demonizados se eles não se dobram ao politicamente correto?
– Richard Cohen: Muitas organizações religiosas, médicas e psicológicas deixam que a criança escorregue pelo ralo da banheira. Abdicam das suas crenças fundamentais em nome da tolerância. Ao invés de pedir desculpas aos homossexuais por seus erros passados, mudam as suas crenças. Isso não é útil e nem agradável para a comunidade homossexual.

Então?
– Richard Cohen: Temos que pedir desculpas por nossas palavras e comportamentos ofensivos do passado, e oferecer-lhes o presente do nosso amor e compreensão, que ajudará verdadeiramente que todos os homossexuais se descubram a si mesmos em toda a sua verdade e autenticidade. Quando o fizermos, surgirá em todos nós uma mudança real e duradoura.

O que você diria a uma pessoa com sentimentos homossexuais que sofre e quer mudar sua orientação?
– Richard Cohen: Entendo como você se sente. Passei por isso. Tenha esperança de que todos os seus sonhos serão realidade. Mudar é possível! Vivi uma vida gay e agora estou casado há trinta anos. Não desista. Se você seguir as quatro etapas da cura de Compreender y Sanar la homosexualidad, encontrarás a liberdade que você deseja. Nunca desista.
[Tradução Thácio Siqueira]

O testamento deixado por João Paulo II

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Documento foi escrito em trechos ao longo de 22 anos e está disponível no site oficial do Vaticano

Anotações informais começaram em março de 1979

Escrito em trechos, durante 22 anos, com anotações informais, o Testamento de João Paulo II revela a simplicidade e coerência do polonês que marcou a história não só da Igreja, mas do mundo. Poucas linhas para um Papa com quase 27 anos de pontificado e uma história de vida surpreendente.

O Testamento começou a ser escrito em 6 de março de 1979, durante o tradicional retiro da Quaresma. “Durante os exercícios espirituais, voltei a ler o testamento do Santo Padre Paulo VI. Esta leitura estimulou-me a escrever este testamento”, revela João Paulo II.As últimas anotações são de 17 de março de 2000, em pleno ano jubilar.

A frase característica do Pontífice, que revela sua devoção Mariana, “Totus Tuus” (Todo teu) é escrita 6 vezes no Documento, sempre pedindo à Virgem Maria o auxílio para realizar a vontade de Deus.

A devoção à Nossa Senhora, que permeou o seu pontificado, aparece principalmente no trecho, escrito em 1982, em que fala do atentado sofrido na Praça São Pedro em maio de 1981. “Quanto mais profundamente sinto que estou totalmente nas Mãos de Deus e permaneço continuamente à disposição do meu Senhor, confiando-me a Ele na Sua Imaculada Mãe”.

O atentando é comentado uma segundo vez, agora no ano 2000. João Paulo II parece ter comprrendido melhor o desígnio de Deus. “Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento ela pertence-lhe ainda mais. Espero que Ele me ajudará a reconhecer até quando devo continuar este serviço, para o qual me chamou no dia 16 de Outubro de 1978”.

Karol Wojtyla fala da perseguição à Igreja e dos tempos difíceis pelos quais estava passando. Com data de 1980 o Papa escreve: “Nalguns Países (como por exemplo naquele sobre o qual li durante os exercícios espirituais), a Igreja encontra-se num período de tal perseguição, que não é inferior à dos primeiros séculos, até os supera pelo grau de crueldade e de ódio. Sanguis martyrum semen christianorum. E além disso tantas pessoas desaparecem inocentemente, também neste País em que vivemos…”

A publicação da obra

O texto é claramente montado em “fragmentos”, nem sempre os pensamentos seguem ordem do assunto tratado no anterior. A impressão é que o Beato não esperava que a obra fosse publicada, mas apenas lido por seu secretário particular, atualmente arcebispo de Cracóvia, Cardeal Stanislaw Dziwisz.

O então secretário é citado nos primeiros escritos, em 1979. “Não deixo propriedade alguma da qual seja necessário dispor. Quanto aos objectos de uso quotidiano que me serviam, peço que sejam distribuídos como for oportuno. Os apontamentos pessoais sejam queimados. Peço que disto se ocupe o Pe. Stanislaw, ao qual agradeço a colaboração, a ajuda tão prolongada nos anos e a compreensão(…).

Parte dos pedidos de João Paulo II foi atendido por Stanislaw, porém o religioso polonês não queimou os apontamentos pessoais como lhe foi pedido. Sobre isso, ele mesmo contou o motivo no dia 22 janeiro deste ano , durante a apresentação do livro “Estou nas mãos de Deus. Anotações pessoais 1962 – 2003”, que reúne os escritos espirituais de Karol Wojtyla.

“(…) não fui o suficientemente corajoso para queimar estas folhas de papel e cadernos com as suas notas pessoais, que tinha deixado, porque têm informação importante sobre a sua vida. As vi na mesa do Santo Padre, mas nunca as tinha lido. Quando vi o testamento, fui tocado pelo fato de que João Paulo II, – a quem tinha acompanhado durante quase 40 anos – me confiara também seus assuntos pessoais”, revela o Cardeal.

Por duas vezes, o Beato diz como quer ser enterrado, porém, submete-se ao Colégio Cardinalício e aos “Concidadãos”, que ele mesmo explica, serem o metropolita de Cracóvia ou o Conselho Geral do Episcopado da Polônia. João Paulo II pede que seu “sepulcro seja na terra, não num sarcófago”.

O desejo foi atendido pelo colégio Cardinalício, sendo o local da sepultura a Cripta Vaticana, em um simples túmulo. Atualmente, os restos mortais do Papa encontram-se na Basílica Vaticana em lugar de destaque, devido ao grande número de visitas de peregrinos.

Igreja no Terceiro Milênio

Por fim, Wojtyla fala sobre a missão de introduzir a Igreja no Terceiro Milênio,e narra que as celebrações ficaram impressas em sua memória. No ano 2000, ainda durante as festividades, ele se questiona sobre quanto tempo ainda viverá.

“À medida que o Ano Jubilar avança, de dia para dia se fecha atrás de nós o século XX e se abre o século XXI. Segundo os desígnios da Providencia foi-me concedido viver no difícil século que começa a fazer parte do passado, e agora no ano em que a minha vida chega aos anos oitenta (“octogesima adveniens”), é preciso perguntar-se se não tenha chegado o tempo de repetir com o bíblico Simeão Nunc dimittis” (Agora tu, Senhor, despedes em paz o teu servo).

O testamento, com data de 17 de março de 2000, termina com diversos agradecimentos, entre eles, aos familiares, à Paróquia de Wadowice, onde foi batizado e às pessoas que, segundo o Papa, lhe foram confiadas pelo Senhor. “A todos desejo dizer uma só coisa: Deus vos recompense”.

 

O TESTAMENTO DE JOÃO PAULO II 

Apresentamos o texto do Testamento do Papa João Paulo II, com data de 6.3.1979 (e os acréscimos sucessivos), lido na Quarta Congregação Geral do Colégio dos Cardeais, em 6 de Abril de 2005.

Totus Tuus ego sum

Em nome da Santíssima Trindade. Amém.

“Vigiai, porque não sabeis em que dia o Senhor virá” (cf. Mt 24, 42) estas palavras recordam-me a última chamada, que acontecerá no momento em que o Senhor vier. Desejo segui-lo e desejo que tudo o que faz parte da minha vida terrena me prepare para este momento. Não sei quando ele virá, mas como tudo, também deponho esse momento nas mãos da Mãe do meu Mestre: Totus Tuus. Nas mesmas mãos maternas deixo tudo e Todos aqueles com os quais a minha vida e a minha vocação me pôs em contacto. Nestas Mãos deixo sobretudo a Igreja, e também a minha Nação e toda a humanidade. A todos agradeço. A todos peço perdão. Peço também a oração, para que a Misericórdia de Deus se mostre maior que a minha debilidade e indignidade.  Durante os exercícios espirituais voltei a ler o testamento do Santo Padre Paulo VI. Esta leitura estimulou-me a escrever este testamento.

Não deixo propriedade alguma da qual seja necessário dispor. Quanto aos objectos de uso quotidiano que me serviam, peço que sejam distribuídos como for oportuno. Os apontamentos pessoais sejam queimados. Peço que disto se ocupe o Pe. Stanislau, ao qual agradeço a colaboração, a ajuda tão prolongada nos anos e a compreensão. Todos os outros agradecimentos deixo-os no coração diante de Deus, porque é difícil expressá-los.

No que diz respeito ao funeral, repito as mesmas disposições, que deu o Santo Padre Paulo VI (anotação à margem:  o sepulcro na terra, não num sarcófago, 13.III.92). Sobre o lugar decida o Colégio Cardinalício e os Concidadãos.

“Apud Dominum misericordia  et copiosa apud Eum redemptio”

João Paulo pp. II

Roma, 6.III.1979

Depois da morte peço Santas Missas e orações.

5.II.1990

***

Expresso a mais profunda confiança de que, apesar de toda a minha debilidade, o Senhor conceder-me-á todas as graças necessárias para enfrentar segundo a Sua vontade qualquer tarefa, provação e sofrimento que quiser pedir ao Seu servo, ao longo da vida. Tenho também esperança de que jamais permitirá que, através de qualquer minha atitude: palavras, obras ou omissões, possa trair as minhas obrigações nesta Santa Sé Petrina.

***

24.II – 1.III.1980

Também durante estes exercícios espirituais reflecti sobre a verdade do Sacerdócio de Cristo na perspectiva daquele Trânsito que para cada um de nós é o momento da própria morte. Da despedida deste mundo para nascer para o outro, para o mundo futuro, sinal eloquente (acréscimo acima: decisivo) é para nós a Ressurreição de Cristo.

Por conseguinte, li a redacção do meu testamento do último ano, feita também durante os exercícios espirituais comparei-a com o testamento do meu grande Predecessor e Pai Paulo VI, com aquele sublime testemunho sobre a morte de um cristão e de um papa e renovei em mim a consciência das questões, às quais se refere a redacção de 6.III.1979 preparada por mim (de maneira bastante provisória).

Hoje desejo acrescentar-lhe só isto, que todos devem ter presente a perspectiva da morte. E deve estar preparado e apresentar-se diante do Senhor e do Juiz e contemporaneamente Redentor e Pai. Então também eu tomo em consideração isto continuamente, entregando aquele momento decisivo à Mãe de Cristo e da Igreja à Mãe da minha esperança.

Os tempos em que vivemos são indizivelmente difíceis e preocupantes. Tornou-se também difícil e tensa a vida da Igreja, prova característica daqueles tempos tanto para os Fiéis como para os Pastores. Nalguns Países (como p. ex. naquele sobre o qual li durante os exercícios espirituais), a Igreja encontra-se num período de tal perseguição, que não é inferior à dos primeiros séculos, até os supera pelo grau de crueldade e de ódio. Sanguis martyrum semen christianorum. E além disso tantas pessoas desaparecem inocentemente, também neste País em que vivemos…

Desejo confiar-me mais uma vez totalmente à graça do Senhor. Ele mesmo decidirá quando e como devo terminar a minha vida terrena e o ministério pastoral. Na vida e na morte Totus Tuus mediante a Imaculada.

Aceitando já agora esta morte, espero que Cristo me conceda a graça para a última passagem, isto é a [minha] Páscoa. Espero também que a torne útil para esta mais importante causa à qual procuro servir: a salvação dos homens, a salvaguarda da família humana, e nela de todas as nações e dos povos (entre eles o coração dirige-se de maneira particular para a minha Pátria terrena), útil para as pessoas que de modo particular me confiou, para a questão da Igreja, para a glória do próprio Deus.

Nada desejo acrescentar ao que escrevi há um ano desejo apenas expressar esta prontidão e contemporaneamente esta confiança, à qual os presentes exercícios espirituais de novo me dispuseram.

João Paulo II

***

Totus Tuus ego sum

5.III.1982

Durante os exercícios espirituais deste ano li (várias vezes) o texto do testamento de 6.III.1979. Mesmo se ainda o considero provisório (não definitivo), deixo-o na forma original. Não altero (por enquanto) nem acrescento nada, no que se refere às disposições nele contidas.

O atentado à minha vida a 13.V.1981 confirmou de certa forma a exactidão das palavras escritas no período dos exercícios espirituais de 1980 (24.II-1.III).

Quanto mais profundamente sinto que estou totalmente nas Mãos de Deus e permaneço continuamente à disposição do meu Senhor, confiando-me a Ele na Sua Imaculada Mãe (Totus Tuus).

João Paulo pp. II

***

Totus Tuus ego sum

5.III.1982

P.S. Em relação à última frase do meu testamento de 6.III.1979 (: “Sobre o lugar isto é, o lugar do funeral decida o Colégio Cardinalício e os Concidadãos”) esclareço o que tenho em mente: o metropolita de Cracóvia ou o Conselho Geral do Episcopado da Polónia ao Colégio Cardinalício peço contudo que satisfaça na medida do possível os eventuais pedidos dos acima mencionados.

***

1.III.1985 (durante os exercícios espirituais)

Ainda no que se refere à expressão “Colégio Cardinalício e os Concidadãos”: o “Colégio Cardinalício” não tem obrigação alguma de interpelar sobre este assunto “os Concidadãos”; contudo pode fazê-lo, se por qualquer motivo o considerar justo.

JPII

Os exercícios espirituais do ano jubilar de 2000

(12-18.III) [Para o testamento]

1. Quando no dia 16 de Outubro de 1978 o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Primaz da Polónia, Card. Stefan Wysznski disse-me: “A tarefa do novo papa será introduzir a Igreja no Terceiro Milénio”. Não sei se repito exactamente a frase, mas pelo menos era este o sentido do que então ouvi. Disse isto o Homem que passou à história como Primaz do Milénio. Um grande Primaz. Fui testemunha da sua missão, da Sua entrega total. Das Suas lutas: da Sua vitória. “A vitória, quando se verificar, será uma vitória através de Maria” o Primaz do Milénio costumava repetir estas palavras do seu Predecessor, o card. August Hlond.

Assim fui de certa forma preparado para a tarefa que no dia 16 de Outubro de 1978 se apresentou diante de mim. No momento em que escrevo estas palavras, o Ano jubilar de 2000 já é uma realidade em acto. Na noite de 24 de Dezembro de 1999 foi aberta a simbólica Porta do Grande Jubileu na Basílica de São Pedro, depois na de São João de Latrão, de Santa Maria Maior no fim do ano, e no dia 19 de Janeiro a Porta da Basílica de São Paulo fora dos Muros. Este último acontecimento, devido ao seu carácter ecuménico, ficou impresso na memória de modo particular.

2. À medida que o Ano Jubilar avança, de dia para dia se fecha atrás de nós o século XX e se abre o século XXI. Segundo os desígnios da Providencia foi-me concedido viver no difícil século que começa a fazer parte do passado, e agora no ano em que a minha vida chega aos anos oitenta (“octogesima adveniens”), é preciso perguntar-se se não tenha chegado o tempo de repetir com o bíblico Simeão “Nunc dimittis”.

No dia 13 de Maio de 1981, o dia do atentado ao Papa durante a audiência geral na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me de modo milagroso da morte. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento ela pertence-lhe ainda mais. Espero que Ele me ajudará a reconhecer até quando devo continuar este serviço, para o qual me chamou no dia 16 de Outubro de 1978. Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo quiser. “Na vida e na morte pertencemos ao Senhor… somos do Senhor” (cf. Rm 14, 8). Também espero que enquanto me for concedido cumprir o serviço Petrino na Igreja, a Misericórdia de Deus me queira conceder as forças necessárias para este serviço.

3. Como todos os anos durante os exercícios espirituais li o meu testamento de 6.III.1979. Continuo a manter as disposições nele contidas. Aquilo que então, e também durante os seguintes exercícios espirituais foi acrescentado constitui um reflexo da difícil e tensa situação geral, que marcou os anos oitenta. Do Outono de 1989 esta situação mudou. O último decénio do século passado esteve livre das precedentes tensões; isto não significa que não tenha levado consigo novos problemas e dificuldades. De modo particular seja louvada a Providencia Divina por isto, que o período da chamada “guerra fria” terminou sem o violento conflito nuclear, do qual pesava sobre o mundo o perigo no período precedente.

4. Estando no limiar do terceiro milénio “in medio Ecclesiae”, desejo mais uma vez expressar gratidão ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, ao qual juntamente com toda a Igreja e sobretudo com todo o episcopado me sinto devedor. Estou convencido de que ainda será concedido às novas gerações haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos concedeu. Como Bispo participante no acontecimento conciliar do primeiro ao último dia, desejo confiar este grande património a todos os que são e serão no futuro chamados a realizá-lo. Da minha parte agradeço o eterno Pastor que me consentiu servir esta grandíssima causa durante todos os anos do meu pontificado.

“In medio Ecclesia”… desde os primeiros anos de serviço episcopal precisamente graças ao Concílio foi-me concedido experimentar a comunhão fraterna do Episcopado. Como sacerdote da Arquidiocese de Cracóvia experimentei o que era a comunhão fraterna do presbitério o Concílio abriu uma nova dimensão desta experiência.

5. Quantas pessoas deveria mencionar aqui! Provavelmente o Senhor Deus chamou a Si a maior parte quanto aos que ainda estão deste lado, as palavras deste testamento os recordem, a todos e em toda a parte, onde quer que se encontrem.  Durante os mais de vinte anos em que desempenho o serviço Petrino “in medio Ecclesiae” experimentei a benévola e muito fecunda colaboração de tantos Cardeais, Arcebispos e Bispos, tantos sacerdotes, tantas pessoas consagradas Irmãos e Irmãs por fim, de tantíssimas pessoas leigas, no ambiente da Cúria, no Vicariato da Diocese de Roma, e também fora destes ambientes.  Como não abraçar com a memória agradecida todos os Episcopados no mundo, com os quais me encontrei no suceder-se das visitas “ad limina Apostolorum”!

Como não recordar também tantos Irmãos cristãos não católicos! E o rabino de Roma e tantos representantes das religiões não cristas! E quantos representantes do mundo da cultura, da ciência, da política, dos meios de comunicação social!

6. À medida que se aproxima o limite da minha vida terrena volto com a memória ao início, aos meus Pais, ao Irmão e à Irmã (que não conheci, porque morreu antes do meu nascimento), à paróquia de Wadowice, onde fui baptizado, àquela cidade da minha juventude, aos coetâneos, companheiras e companheiros da escola elementar, do ginásio, da universidade, até aos tempos da ocupação, quando trabalhei como operário, e depois na paróquia de Niegowic, na paróquia de São Floriano em Cracóvia, à pastoral dos académicos, ao ambiente… a todos os ambientes… a Cracóvia e a Roma… às pessoas que de modo especial me foram confiadas pelo Senhor.  A todos desejo dizer uma só coisa: “Deus vos recompense”.

“In manus Tuas, Domine, commendo spiritum meum”.

A.D.  17.III.2000

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O amor é forte como a morte

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Cada ser humano é precioso para Deus

No dia 10 de dezembro de 2012, por meio da Zenit, uma agência católica de comunicação, recebi um artigo assinado por Gaia Bottino dando-me a conhecer Gianna Jessen, um exemplo que demonstra, se ainda fosse necessário, que o amor e a vida são mais fortes que o egoísmo e a morte. Transcrevo-o quase ao pé da letra, acrescentando apenas algumas informações que completam a epopeia.

Uma semana antes, no dia 4 de dezembro, na Paróquia Mãe de Deus, em Roma, haviam-se reunido mais de mil pessoas, em sua maioria jovens, para escutar Gianna, uma mulher de baixa estatura, de olhos luminosos e de uma alegria excepcional, que conseguiu transformar sua vida numa obra-prima.

Gianna é um dos símbolos mais eloquentes dos movimentos em favor da vida que surgem em toda a parte. A sua história inspirou o filme “October Baby”, que estreou nos Estados Unidos no mês de março de 2012. Nele, a protagonista Hanna, interpretada pela atriz Racher Hendrix, é uma jovem universitária que sofre de epilepsia, asma e depressão. Depois de submeter-se a várias análises clínicas para descobrir a origem de seus males, descobre que foi adotada após uma fracassada tentativa de aborto.

O filme é o retrato da vida de Gianna. Há 35 anos, ela nasceu numa clínica especializada em abortos. Sua mãe, então com 17 anos de idade e no sétimo mês de gravidez, tinha sido aconselhada a recorrer ao aborto salino, injetando no útero uma solução que corrói o feto e o leva à morte em 24 horas.

A técnica não funcionou e a criança nasceu com vida. Contudo, a falta de oxigênio dentro do útero provocou nela uma paralisia cerebral e muscular: «Eu sou a pessoa que ela abortou. Vivi ao invés de morrer. Minha mãe estava na clínica e programaram o aborto para as 9h da manhã. Felizmente, para mim, o médico não se encontrava na clínica e eu nasci às 6h da manhã do dia 6 de abril de 1977. Apressei-me. Estou certa de que, se ele estivesse ali, eu não estaria aqui hoje, já que seu trabalho era acabar com a minha vida ao invés de ampará-la. Há quem diga que sou um aborto fracassado, o resultado de um trabalho malfeito; mas o que sou é fruto do amor maravilhoso de Deus».

Apesar de tudo, aos três anos, Gianna conseguiu caminhar com o auxílio de suportes ortopédicos e, aos vinte, aposentou-os. Em 2006, participou da grande maratona de Nova York, no intento de sensibilizar a opinião pública sobre a gravidade do aborto.

Gianna perdoou a mãe por ter tentado matá-la. Transformou a sua dor em esperança e a sua raiva no desejo de realizar o que considera a missão de sua vida: obter para o nascituro a mesma igualdade de direitos que se concede à mulher que o concebeu: «Se o aborto é uma questão de direitos da mulher, onde estavam os meus?», perguntou Gianna com voz firme, diante das milhares de pessoas em Roma. E prosseguiu: «Não existe nenhuma feminista que proteste, porque os meus direitos foram violados e a vida foi sufocada em nome dos direitos das mulheres?».

O único propósito de Gianna, que se autodenomina “a criança de Deus” é dar alegria ao Criador: «Odiaram-me desde a concepção, mas tenho sido amada por muitas outras pessoas, especialmente por Deus. Sou a sua menina. Eu não posso ficar neste mundo sem dar o meu coração, a minha mente, a minha alma e a minha força a Cristo, porque Ele me deu a vida».

Falando sobre o testemunho de Gianna, a bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá assim se expressou: «Deus está se servindo de Gianna para lembrar ao mundo que cada ser humano é precioso para Ele. É confortante ver a força do amor de Jesus derramado em seu coração. A minha oração por Gianna, e por todos aqueles que a escutam, é que a mensagem do amor de Deus supere o aborto com o poder do amor».

Os produtores do filme “October Baby” decidiram destinar 10% dos lucros à Fundação “Toda vida é bela”, que distribuirá o dinheiro a organizações que sustentam mulheres grávidas em crise, a agências de adoção de crianças rejeitadas e a orfanatos. O apoio à vida vem crescendo constantemente nos Estados Unidos. Em 1996, apenas 33% da população se declarava contra o aborto; hoje, seu número passou para 48%.

Nossos antepassados pensavam que «o amor é forte como a morte» (Ct 8,6). Estavam enganados, pois Gianna nos ensina que a última palavra é do amor!

Dom Redovino Rizzardo, cs
E-mail para contato: redovinorizzardo@gmail.com

Caminho da santidade é simples

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Terça-feira, 24 de maio de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

O Papa disse que a santidade do dia a dia precisa de quatro elementos: coragem, esperança, graça e conversão

Na missa celebrada na Casa Santa Marta nesta terça-feira, 24, o Papa Francisco refletiu sobre o caminho de santidade do cristão. O Papa disse que caminhar na presença de Deus de modo irrepreensível quer dizer caminhar rumo à santidade, compromisso que necessita de um coração que saiba esperar com coragem, se coloque em discussão e se abra com simplicidade à graça de Deus.

O Papa explicou que santidade não se compra e que nem as melhores forças humanas a podem ganhar. Segundo ele, a santidade simples, do dia a dia, de todos os cristãos, é um caminho que pode ser percorrido somente se sustentado por quatro elementos imprescindíveis: coragem, esperança, graça, conversão.

Coragem

Francisco seguiu explicando que o trecho litúrgico extraído da Primeira Carta de Pedro, definindo-a como um pequeno tratado sobre a santidade.

“Este ‘caminhar’, a santidade é um caminho, a santidade não se compra e nem se vende. Nem se pode presentear. A santidade é um caminho na presença de Deus, que eu devo fazer: ninguém o faz em meu nome. Posso rezar para que o outro seja santo, mas é ele que deve fazer o caminho, não eu. Caminhar na presença de Deus, de modo irrepreensível. Usarei hoje algumas palavras que nos ensinam como é a santidade de todo dia, a santidade – digamos – anônima. Primeira: coragem. O caminho rumo à santidade requer coragem”.

Esperança e graça

O Reino dos Céus de Jesus, disse o Papa, é para aqueles que têm a coragem de ir avante e a coragem, observou, é movida pela esperança, a segunda palavra da viagem que leva à santidade. A coragem que espera num encontro com Jesus. Depois, há o terceiro elemento, quando Pedro escreve: colocai toda a vossa esperança na graça.

“A santidade não podemos fazê-la sozinhos. Não, é uma graça. Ser bom, ser santo, avançar a cada dia um passo na vida cristã é uma graça de Deus e devemos pedi-la. Coragem, um caminho. Um caminho que se deve fazer com coragem, com a esperança e com a disponibilidade de receber esta graça. E a esperança: a esperança do caminho. É tão bonito o XI capítulo da Carta aos Hebreus, leiam. Fala do caminho dos nossos pais, dos primeiros que foram chamados por Deus. E como eles foram avante. E do nosso pai Abraão diz: ‘Ele saiu sem saber para onde ia’. Mas com esperança”.

Converter-se todos os dias

Francisco prosseguiu explicando que em sua carta, Pedro destaca a importância de um quarto elemento. Quando convida os seus interlocutores a não se conformarem “aos desejos de uma época”, os impulsiona essencialmente a mudar a partir de dentro do próprio coração, num contínuo e cotidiano trabalho interior.

“A conversão, todos os dias: ‘Ah, Padre, para me converter devo fazer penitência, me dar umas pauladas…’. Não, não, não: conversões pequenas. Mas se você for capaz de não falar mal do outro, está no bom caminho para se tornar santo. É tão simples! Eu sei que vocês nunca falam mal dos outros, não? Pequenas coisas… Tenho vontade de criticar o vizinho, meu colega de trabalho: morder um pouco a língua. Vai ficar um pouco inchada, mas o espírito de vocês será mais santo nesta estrada. Nada de grandes mortificações: não, é simples. O caminho da santidade é simples. Não voltar para trás, mas ir sempre avante, não? E com força”.

O que a Ascensão de Jesus diz ao cristão de hoje?

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Corações voltados para o alto!

O futuro é fruto do que semeamos nos campos da vida. Não há colheita sem o devido cuidado com a plantação. No campo da vida, o amor é essencial, para que possamos produzir os mais belos frutos de um tempo novo, nascido da esperança que cultivamos com a fé. O céu que esperamos começa a ser construído no hoje de nossa história. Na esperança da glória futura estão impressas as marcas do amor.

Na solenidade da Ascensão do Senhor voltamos nosso olhar para Aquele que nos aponta a esperança de nossa vida futura juntos do Seu amor. O hoje de nossa história é tempo teológico para sacramentalizarmos o amor em gestos concretos de vida em plenitude. O Cristo que olhamos é o mesmo que esteve e continua entre nós. O cotidiano da vida é uma preparação para um tempo novo que sonhamos. Um futuro onde cada um de nós terá uma participação plena na vida de Deus.

Juntos de Deus viveremos uma nova relação entre Criador e criatura. Na total transparência dos sentimentos, seremos livres dos limites e dificuldades da condição terrena. No amor trinitário saborearemos a plenitude da comunhão eterna. Em Deus conheceremos o amor que hoje de modo limitado sentimos. A esperança da glória futura nos abre diante da vida as mais belas possibilidades de vivermos hoje o futuro glorioso que esperamos.

A Eucaristia antecipa em nossa alma a comunhão celeste. No pão e no vinho consagrados, corpo e sangue de Cristo, está presente toda a criação, fruto da terra e do trabalho do homem. Na comunhão eucarística já pertencemos aos céus novos e à terra nova. Todos nós que comungamos da Eucaristia estamos, em esperança, na realidade do céu. O céu que nosso coração contempla é antecipado no amor de Cristo doado e partilhado por toda a humanidade.

Esta solenidade que celebramos ensina-nos também a vivermos na terra com as realidades do céu. A comunhão eterna é antecipada em cada gesto de amor e fraternidade entre nós. A paz divina é vivida, ainda que de modo limitado, em cada gesto que devolve vida à humanidade. O amor trinitário é antecipado em cada ato que se faz solidariedade e compaixão entre nós.

Com o coração voltado para o alto, caminhos na terra construindo junto de cada irmão e irmã os céus novos e a terra nova que esperamos um dia viver de maneira plena e infinita. O mundo novo que sonhamos começa a ser vivido em cada gesto de fraternidade.

Corações voltados para o alto com os pés enraizados no amor de Cristo. Eis a nossa missão diante da ascensão de Cristo: fazermos de nossa vida terrena uma antecipação da glória da futura.

Padre Flávio Sobreiro

Anúncio, intercessão e esperança marcam a vida cristã

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Sexta-feira, 22 de abril de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco se concentrou nesse trinômio convidando os fiéis a ter coragem de anunciar Jesus, como fizeram os apóstolos

Anúncio, intercessão, esperança. Este foi o trinômio sobre o qual o Papa Francisco se concentrou na manhã desta sexta-feira, 22, em sua homilia na Casa Santa Marta. O Pontífice ressaltou a figura do cristão como uma pessoa de esperança e convidou os fiéis a ter coragem para anunciar, como os Apóstolos, que testemunharam a Ressurreição de Jesus, arriscando a vida.

O Papa se inspirou nas leituras do dia para refletir sobre este trinômio que deve marcar a vida de quem crê. O coração do anúncio, para os cristãos, é que Jesus morreu e ressuscitou pela humanidade, para que ela fosse salva.

“Jesus está vivo! Este é o anúncio dos Apóstolos aos judeus e pagãos de seu tempo, e que foi testemunhado também com a sua vida, com o seu sangue. Quando João e Pedro foram levados ao Sinédrio, depois da cura do paralítico, e os sacerdotes os proibiram de falar do nome de Jesus, da Ressurreição, eles, com toda a coragem e a simplicidade diziam: ‘Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos, o anúncio’. E nós, cristãos pela fé, temos o Espírito Santo dentro de nós, que nos faz ver e escutar a verdade sobre Jesus, que morreu por nossos pecados e ressuscitou. Este é o anúncio da vida cristã: Cristo é vivo! Cristo ressuscitou e está entre nós na comunidade, nos acompanha no caminho”.

Francisco lembrou que muitas vezes as pessoas cansam de receber esse anúncio, mas Cristo ressuscitado é uma realidade e é necessário dar testemunho disso.

Intercessão

Depois da dimensão do anúncio, Francisco dirigiu seu pensamento à intercessão. Durante a Ceia da Quinta-feira Santa, afirmou, os Apóstolos estavam tristes e Jesus lhes diz: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós”.

“Que isso quer dizer? Como Jesus prepara o lugar? Com a sua oração por cada um de nós. Jesus reza por nós e esta é a intercessão. Jesus trabalha neste momento com a sua oração por nós. Assim como disse a Pedro uma vez, “Pedro rezei por ti’, antes da Paixão, também agora Jesus é o intercessor entre o Pai e nós”.

Sobre o modo como Jesus reza, Francisco explicou que certamente Jesus mostra suas chagas ao Pai, porque Ele as levou consigo após a Ressurreição, e diz o nome de cada um, intercedendo por cada um.

Esperança

Por fim, o Papa falou da terceira dimensão do cristão: a esperança. “O cristão é uma mulher e um homem de esperança, que espera a volta do Senhor”. Toda a Igreja, acrescentou o Papa, aguarda a vinda de Jesus. Ele voltará e essa é a esperança cristã.

“Podemos nos perguntar, cada um de nós: como é o anúncio na minha vida? Como é a minha relação com Jesus que intercede por mim? E como é a minha esperança? Acredito realmente que o Senhor ressuscitou? Acredito que o Pai reza por mim? Toda vez que o chamo, Ele está rezando por mim, intercede. Acredito realmente que o Senhor voltará, virá? Nos fará bem perguntar isso sobre a nossa fé: acredito no anúncio? Acredito na intercessão? Sou um homem ou uma mulher de esperança?”

Jovens, “nadem contra a corrente”, “sejam corajosos”, “façam barulho”!

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Na audiência de hoje, no Vaticano, com 500 peregrinos de Piacenza, em Roma para o Ano da Fé, o Papa Francisco exortou os jovens a “construir um futuro de beleza, bondade e verdade”
Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 28 de Agosto de 2013 (Zenit.org) – Para o Papa Francisco a audiência desta tarde na Basílica Vaticana com 500 jovens da diocese de Piacenza-Bobbio, em uma peregrinação a Roma para o Ano da Fé, não foi um só um compromisso a mais na sua agenda papal. Pelo contrário, foi um momento de diversão e alegria, porque ele disse claramente: “Eu gosto de estar com os jovens”.
Ele gosta – explicou – porque os jovens têm em seus corações “uma promessa de esperança” são “artífices do futuro”, “buscadores da beleza” e “profetas de bondade” e é bom estar com quem tem nas mãos a capacidade de construir um mundo melhor.
A reunião foi “organizada” pelo bispo de Piacenza, Mons. Gianni Ambrosio, que, acompanhando os jovens a Roma nos lugares da fé, pediu ao Santo Padre para concluir esta bela experiência com uma audiência privada com os peregrinos. E o Papa, como sempre, não deu desculpas, pelo contrário, disse: “faço-o com prazer”.
“Obrigado por esta visita – disse na abertura do seu discurso improvisado -. O bispo falou que fiz um grande gesto ao vir aqui, mas o fiz com ‘egoísmo’, sabem por quê? Porque gosto de estar com vocês”.
E acrescentou: “Quando me dizem: mas, padre, que tempos ruins, estes… Olha, não é possível fazer nada! Como não é possível fazer nada? E explico que muita coisa pode ser feito!”. Mas quando – continuou ele – “um jovem me diz: Que maus tempos, estes, padre, não podemos fazer nada!, eu o mando falar com um psiquiatra, hein?”, porque “não dá para entender um jovem, um rapaz, uma moça, que não queiram fazer algo grande, apostar em grandes ideais para o futuro, não? Depois, farão o que puderem, mas a aposta é por coisas grandes e bonitas”.
No coração de cada jovem há “três desejos”, disse o Papa Bergoglio. A vontade da beleza: “Vocês gostam da beleza, são buscadores de beleza”. A vontade da bondade: “vocês são profetas da bondade. Vocês gostam de ser bons e esta bondade é contagiosa, ajuda todos os outros…”. Finalmente, a vontade, mais ainda, a “sede” de verdade. Estão enganados aqueles que acreditam ter a verdade, advertiu o Papa, “porque não se tem a verdade, não a trazemos”, mas “se encontra”, é “um encontro com a verdade que é Deus, mas é preciso buscá-la”.
Papa Francisco, portanto, incentivou os jovens a levar adiante esses três desejos, a fim de construir um “futuro com a beleza, com a bondade e com a Verdade”. Para o Bispo de Roma este é um verdadeiro e real “desafio”, por isso as novas gerações devem ser sempre ativas e positivas, porque “se um jovem é preguiçoso ou é triste então aquela beleza não será beleza, aquela bondade não será bondade e aquela verdade não será tal”.
“Apostar em um grande ideal, e o ideal de fazer um mundo de bondade, beleza e verdade – é a exortação do Papa – isso, vocês tem o poder de fazê-lo”. Então dirigiu aos presentes o mesmo incentivo dado aos jovens argentinos participantes na JMJ: “Coragem. Vão em frente. Façam barulho, hein? Onde há jovens deve haver ruído. Depois, as coisas se ajeitam, mas o entusiasmo de um jovem deve fazer barulho sempre”.
“Vão em frente – insistiu o Papa – e acima de tudo sempre na vida existirão pessoas que vos farão propostas para freiar, para bloquear seu caminho. Por favor, nadem contra corrente. Sejam corajosos, corajosos. Dizem para vocês: Mas, toma um pouco de álcool, toma um pouco de droga… Não! Vocês devem ir na contramão dessa civilização que nos está fazendo tanto mal”.
“Entenderam isso? – concluiu Bergoglio – ir contra a corrente e isso significa fazer barulho. Ir em frente, mas com os valores da beleza, da bondade e da verdade”.
Em conclusão, o Papa desejou aos jovens peregrinos “todo o bem, um bom trabalho, alegria no coração”; depois rezou junto com eles à Nossa Senhora que “é a Mãe da beleza, a Mãe da bondade e a Mãe da Verdade”, para que “nos dê a graça da coragem para seguir em frente e ir contra a corrente”.
Depois da Ave Maria, finalmente, o pedido de sempre:. “Orem por mim, porque este trabalho é duro”. Entre os aplausos e em um clima de grande entusiasmo, Francisco cumprimentou todos os meninos e meninas presentes. Saindo, se deu conta de que faltavam outras pessoas para cumprimentar e voltou atrás para não deixar ninguém ir para casa sem o abraço do sucessor de Pedro.
Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira

“A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo”

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Domingo, 10 de abril de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco disse que Jesus transforma tudo, até mesmo a  escuridão é vencida pela luz e o sentido de cansaço dá lugar a nova vivacidade

Neste domingo, 10, como habitualmente, também nas palavras proferidas antes da oração do Regina Coeli juntamente com os fieis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa Francisco teceu algumas considerações acerca do Evangelho.

Um texto em que o Apóstolo João é um importante protagonista. É ele que reconhece Jesus nas margens do Lago da Galileia, onde o Filho vai à procura deles, e onde acontece a pesca milagrosa.

“Com efeito, depois do período passado com Jesus nos importantes momentos da seu percurso: paixão, morte, ressurreição, os discípulos voltam, como que um pouco desiludidos à sua faina de pescadores. E passaram uma noite no lago sem pescar nada. Jesus apresenta-se então a eles, mas ele não o reconhecem”, explicou o Papa.

“É o Senhor”

No entanto obedecem à sua sugestão de lançar as redes à direita do barco. Resultado; uma pesca incrivelmente abundante. E eis então que João diz a Pedro: “É o Senhor!”. Francisco disse que nessa exclamação está o entusiasmo da fé pascal.

“Naquela exclamação: ‘é o Senhor!’ está todo o entusiasmo da fé pascal, cheia de alegria e estupor, que contrasta fortemente com a confusão, o desconforto, o sentido de impotência que se tinham acumulado no ânimo dos discípulos”.

Aquela rede vazia era, na interpretação do Papa, como que o balanço da experiência dos discípulos com Jesus: “tinham-no conhecido, tinham abandonado tudo para o seguir, cheios de esperança. E agora?”. Mas aquela aparição de Cristo ressuscitado no Lago da Galileia e o milagre da pesca, muda de novo tudo para eles, para os cristãos.

Jesus ressuscitado transforma tudo

“A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo: a escuridão é vencida pela luz, o trabalho inútil torna-se novamente frutuoso e prometedor, o sentido de cansaço e de abandono dá lugar a nova vivacidade e à certeza de que ele está conosco”, afirma o Pontífice.

Francisco frisa que estes sentimentos animam desde então a Igreja, a Comunidade do Ressuscitado. Às vezes pode parecer que o mal, as trevas, o cansaço prevaleça, mas “a Igreja tem a certeza de que sobre aqueles que seguem o Senhor Jesus, resplandece a luz da Páscoa que jamais se esconde”.

A certeza de que Cristo ressuscitou realmente, infunde nos corações dos crentes uma íntima alegria e uma esperança invencíveis. E a Igreja continua a fazer ressoar este festivo anuncio e todos são chamados a comunica-lo.

“Todos nós cristãos somos chamados a comunicar esta mensagem de ressurreição àqueles que encontramos, especialmente a quem sofre, a quem está só, a quem se encontra em condições precárias, aos doentes, aos refugiados, aos marginalizados. A todos, façamos chegar um raio da luz de Cristo ressuscitado, um sinal da sua potência misericordiosa”.

Renovação da fé pascal

E o Papa concluiu pedindo a Deus para que renove em todos a fé pascal e torne-os conscientes da missão ao serviço do Evangelho e dos irmãos. Que Nossa Senhora interceda a favor de todos da Igreja, para que possa proclamar a grandeza do amor de Cristo e da sua misericórdia.

Depois da oração do Regina Coeli, o Papa lançou um novo apelo a favor da libertação de todas as pessoas sequestradas em zonas de conflito armado e recordou, de modo particular, o padre salesiano, Tom Uzhunnalil, raptado em Aden, no Iémen dia 4 de março.

Antes de saudar os diversos grupos italianos presentes na Praça de São Pedro, os que estavam de passagem por Roma e de se despedir, desejando a todos um bom domingo e pedindo orações para ele, Francisco recordou ainda que hoje na Itália, celebra o Dia Nacional para a Universidade Católica do Sagrado Coração, sob o tema “Na Itália do Amanhã eu estarei”.

O Pontífice exprimiu o desejo de que esta grande universidade continue a prestar um importante serviço à juventude italiana e que possa continuar, com renovado empenho, a sua missão formativa, atualizando-a cada vez mais às exigências de hoje.

É belo esperar na misericórdia de Deus

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Segunda-feira, 14 de dezembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje Papa falou da misericórdia de Deus, que tudo perdoa; a rigidez clerical fecha os corações, disse

A esperança na misericórdia de Deus abre os horizontes e nos torna livres, enquanto a rigidez clerical fecha os corações e faz tanto mal. Esse foi o ensinamento do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 14, na Casa Santa Marta.

A Primeira Leitura do dia, tirada do Livro dos Números, fala de Balaão, um profeta contratado por um rei para maldizer Israel. Balaão, observou o Papa, tinha os seus defeitos e até mesmo pecados, mas Deus é maior que os pecados.

“No seu caminho, Balaão encontra o anjo do Senhor e muda o coração. Não muda de partido, mas muda do erro à verdade”, disse Francisco. Balaão abriu o coração, se converteu e viu a verdade que dá esperança. “A esperança é essa virtude cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e que nos faz ver de longe, além dos problemas, das dores, das dificuldades, além dos nossos pecados. Nos faz ver a beleza de Deus”.

Francisco disse que essa é a profecia que a Igreja tem para hoje: é preciso homens e mulheres de esperança mesmo em meio aos problemas. “A esperança abre horizontes, a esperança é livre, não é escrava, sempre encontra lugar para dar um jeito”.

A rigidez que faz mal

No Evangelho, existem os chefes dos sacerdotes que perguntam a Jesus com qual autoridade age. “Não têm horizontes, são homens fechados nos seus cálculos, escravos da própria rigidez. E os cálculos humanos fecham o coração, encerram a liberdade, enquanto a esperança nos deixa mais leves”, disse o Papa.

O Santo Padre falou da beleza da liberdade, da esperança de um homem e de uma mulher de Igreja; ao mesmo tempo, destacou como é feia a rigidez de um homem e de uma mulher de Igreja, a rigidez clerical, que não tem esperança.

“Neste Ano da Misericórdia, existem esses dois caminhos: quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai; que Deus perdoa sempre, e tudo; que além do deserto há o abraço do Pai, o perdão. E, também, existem os que se refugiam na própria escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus”.

O Papa conclui a homilia contando um fato que ocorreu em 1992 em Buenos Aires, durante uma Missa pelos doentes. Estava confessando há muitas horas e estava a ponto de se levantar quando chegou uma mulher muito idosa, com cerca de 80 anos, com os olhos repletos de esperança.

“E eu disse: ‘Avó, a senhora quer se confessar?’ Porque eu estava indo embora. ‘Sim’. ‘Mas a senhora não tem pecados’. E ela me disse: ‘Padre, todos nós os temos’. ‘Mas, talvez o Senhor não os perdoa?’ ‘Deus perdoa tudo!’, me disse. Deus perdoa tudo. ‘E como a senhora sabe disso?’, perguntei. ‘Porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria’. Diante dessas duas pessoas – o livre, a esperança, aquele que oferece a misericórdia de Deus, e o fechado, legalista, o egoísta, o escravo da própria rigidez – recordemos dessa lição que esta idosa de 80 anos – ela era portuguesa – me deu: Deus perdoa tudo, só espera que você se aproxime Dele”.

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