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Caminho da santidade é simples

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Terça-feira, 24 de maio de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

O Papa disse que a santidade do dia a dia precisa de quatro elementos: coragem, esperança, graça e conversão

Na missa celebrada na Casa Santa Marta nesta terça-feira, 24, o Papa Francisco refletiu sobre o caminho de santidade do cristão. O Papa disse que caminhar na presença de Deus de modo irrepreensível quer dizer caminhar rumo à santidade, compromisso que necessita de um coração que saiba esperar com coragem, se coloque em discussão e se abra com simplicidade à graça de Deus.

O Papa explicou que santidade não se compra e que nem as melhores forças humanas a podem ganhar. Segundo ele, a santidade simples, do dia a dia, de todos os cristãos, é um caminho que pode ser percorrido somente se sustentado por quatro elementos imprescindíveis: coragem, esperança, graça, conversão.

Coragem

Francisco seguiu explicando que o trecho litúrgico extraído da Primeira Carta de Pedro, definindo-a como um pequeno tratado sobre a santidade.

“Este ‘caminhar’, a santidade é um caminho, a santidade não se compra e nem se vende. Nem se pode presentear. A santidade é um caminho na presença de Deus, que eu devo fazer: ninguém o faz em meu nome. Posso rezar para que o outro seja santo, mas é ele que deve fazer o caminho, não eu. Caminhar na presença de Deus, de modo irrepreensível. Usarei hoje algumas palavras que nos ensinam como é a santidade de todo dia, a santidade – digamos – anônima. Primeira: coragem. O caminho rumo à santidade requer coragem”.

Esperança e graça

O Reino dos Céus de Jesus, disse o Papa, é para aqueles que têm a coragem de ir avante e a coragem, observou, é movida pela esperança, a segunda palavra da viagem que leva à santidade. A coragem que espera num encontro com Jesus. Depois, há o terceiro elemento, quando Pedro escreve: colocai toda a vossa esperança na graça.

“A santidade não podemos fazê-la sozinhos. Não, é uma graça. Ser bom, ser santo, avançar a cada dia um passo na vida cristã é uma graça de Deus e devemos pedi-la. Coragem, um caminho. Um caminho que se deve fazer com coragem, com a esperança e com a disponibilidade de receber esta graça. E a esperança: a esperança do caminho. É tão bonito o XI capítulo da Carta aos Hebreus, leiam. Fala do caminho dos nossos pais, dos primeiros que foram chamados por Deus. E como eles foram avante. E do nosso pai Abraão diz: ‘Ele saiu sem saber para onde ia’. Mas com esperança”.

Converter-se todos os dias

Francisco prosseguiu explicando que em sua carta, Pedro destaca a importância de um quarto elemento. Quando convida os seus interlocutores a não se conformarem “aos desejos de uma época”, os impulsiona essencialmente a mudar a partir de dentro do próprio coração, num contínuo e cotidiano trabalho interior.

“A conversão, todos os dias: ‘Ah, Padre, para me converter devo fazer penitência, me dar umas pauladas…’. Não, não, não: conversões pequenas. Mas se você for capaz de não falar mal do outro, está no bom caminho para se tornar santo. É tão simples! Eu sei que vocês nunca falam mal dos outros, não? Pequenas coisas… Tenho vontade de criticar o vizinho, meu colega de trabalho: morder um pouco a língua. Vai ficar um pouco inchada, mas o espírito de vocês será mais santo nesta estrada. Nada de grandes mortificações: não, é simples. O caminho da santidade é simples. Não voltar para trás, mas ir sempre avante, não? E com força”.

O que a Ascensão de Jesus diz ao cristão de hoje?

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Corações voltados para o alto!

O futuro é fruto do que semeamos nos campos da vida. Não há colheita sem o devido cuidado com a plantação. No campo da vida, o amor é essencial, para que possamos produzir os mais belos frutos de um tempo novo, nascido da esperança que cultivamos com a fé. O céu que esperamos começa a ser construído no hoje de nossa história. Na esperança da glória futura estão impressas as marcas do amor.

Na solenidade da Ascensão do Senhor voltamos nosso olhar para Aquele que nos aponta a esperança de nossa vida futura juntos do Seu amor. O hoje de nossa história é tempo teológico para sacramentalizarmos o amor em gestos concretos de vida em plenitude. O Cristo que olhamos é o mesmo que esteve e continua entre nós. O cotidiano da vida é uma preparação para um tempo novo que sonhamos. Um futuro onde cada um de nós terá uma participação plena na vida de Deus.

Juntos de Deus viveremos uma nova relação entre Criador e criatura. Na total transparência dos sentimentos, seremos livres dos limites e dificuldades da condição terrena. No amor trinitário saborearemos a plenitude da comunhão eterna. Em Deus conheceremos o amor que hoje de modo limitado sentimos. A esperança da glória futura nos abre diante da vida as mais belas possibilidades de vivermos hoje o futuro glorioso que esperamos.

A Eucaristia antecipa em nossa alma a comunhão celeste. No pão e no vinho consagrados, corpo e sangue de Cristo, está presente toda a criação, fruto da terra e do trabalho do homem. Na comunhão eucarística já pertencemos aos céus novos e à terra nova. Todos nós que comungamos da Eucaristia estamos, em esperança, na realidade do céu. O céu que nosso coração contempla é antecipado no amor de Cristo doado e partilhado por toda a humanidade.

Esta solenidade que celebramos ensina-nos também a vivermos na terra com as realidades do céu. A comunhão eterna é antecipada em cada gesto de amor e fraternidade entre nós. A paz divina é vivida, ainda que de modo limitado, em cada gesto que devolve vida à humanidade. O amor trinitário é antecipado em cada ato que se faz solidariedade e compaixão entre nós.

Com o coração voltado para o alto, caminhos na terra construindo junto de cada irmão e irmã os céus novos e a terra nova que esperamos um dia viver de maneira plena e infinita. O mundo novo que sonhamos começa a ser vivido em cada gesto de fraternidade.

Corações voltados para o alto com os pés enraizados no amor de Cristo. Eis a nossa missão diante da ascensão de Cristo: fazermos de nossa vida terrena uma antecipação da glória da futura.

Padre Flávio Sobreiro

Anúncio, intercessão e esperança marcam a vida cristã

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Sexta-feira, 22 de abril de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco se concentrou nesse trinômio convidando os fiéis a ter coragem de anunciar Jesus, como fizeram os apóstolos

Anúncio, intercessão, esperança. Este foi o trinômio sobre o qual o Papa Francisco se concentrou na manhã desta sexta-feira, 22, em sua homilia na Casa Santa Marta. O Pontífice ressaltou a figura do cristão como uma pessoa de esperança e convidou os fiéis a ter coragem para anunciar, como os Apóstolos, que testemunharam a Ressurreição de Jesus, arriscando a vida.

O Papa se inspirou nas leituras do dia para refletir sobre este trinômio que deve marcar a vida de quem crê. O coração do anúncio, para os cristãos, é que Jesus morreu e ressuscitou pela humanidade, para que ela fosse salva.

“Jesus está vivo! Este é o anúncio dos Apóstolos aos judeus e pagãos de seu tempo, e que foi testemunhado também com a sua vida, com o seu sangue. Quando João e Pedro foram levados ao Sinédrio, depois da cura do paralítico, e os sacerdotes os proibiram de falar do nome de Jesus, da Ressurreição, eles, com toda a coragem e a simplicidade diziam: ‘Não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos, o anúncio’. E nós, cristãos pela fé, temos o Espírito Santo dentro de nós, que nos faz ver e escutar a verdade sobre Jesus, que morreu por nossos pecados e ressuscitou. Este é o anúncio da vida cristã: Cristo é vivo! Cristo ressuscitou e está entre nós na comunidade, nos acompanha no caminho”.

Francisco lembrou que muitas vezes as pessoas cansam de receber esse anúncio, mas Cristo ressuscitado é uma realidade e é necessário dar testemunho disso.

Intercessão

Depois da dimensão do anúncio, Francisco dirigiu seu pensamento à intercessão. Durante a Ceia da Quinta-feira Santa, afirmou, os Apóstolos estavam tristes e Jesus lhes diz: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar um lugar para vós”.

“Que isso quer dizer? Como Jesus prepara o lugar? Com a sua oração por cada um de nós. Jesus reza por nós e esta é a intercessão. Jesus trabalha neste momento com a sua oração por nós. Assim como disse a Pedro uma vez, “Pedro rezei por ti’, antes da Paixão, também agora Jesus é o intercessor entre o Pai e nós”.

Sobre o modo como Jesus reza, Francisco explicou que certamente Jesus mostra suas chagas ao Pai, porque Ele as levou consigo após a Ressurreição, e diz o nome de cada um, intercedendo por cada um.

Esperança

Por fim, o Papa falou da terceira dimensão do cristão: a esperança. “O cristão é uma mulher e um homem de esperança, que espera a volta do Senhor”. Toda a Igreja, acrescentou o Papa, aguarda a vinda de Jesus. Ele voltará e essa é a esperança cristã.

“Podemos nos perguntar, cada um de nós: como é o anúncio na minha vida? Como é a minha relação com Jesus que intercede por mim? E como é a minha esperança? Acredito realmente que o Senhor ressuscitou? Acredito que o Pai reza por mim? Toda vez que o chamo, Ele está rezando por mim, intercede. Acredito realmente que o Senhor voltará, virá? Nos fará bem perguntar isso sobre a nossa fé: acredito no anúncio? Acredito na intercessão? Sou um homem ou uma mulher de esperança?”

Jovens, “nadem contra a corrente”, “sejam corajosos”, “façam barulho”!

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Na audiência de hoje, no Vaticano, com 500 peregrinos de Piacenza, em Roma para o Ano da Fé, o Papa Francisco exortou os jovens a “construir um futuro de beleza, bondade e verdade”
Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 28 de Agosto de 2013 (Zenit.org) – Para o Papa Francisco a audiência desta tarde na Basílica Vaticana com 500 jovens da diocese de Piacenza-Bobbio, em uma peregrinação a Roma para o Ano da Fé, não foi um só um compromisso a mais na sua agenda papal. Pelo contrário, foi um momento de diversão e alegria, porque ele disse claramente: “Eu gosto de estar com os jovens”.
Ele gosta – explicou – porque os jovens têm em seus corações “uma promessa de esperança” são “artífices do futuro”, “buscadores da beleza” e “profetas de bondade” e é bom estar com quem tem nas mãos a capacidade de construir um mundo melhor.
A reunião foi “organizada” pelo bispo de Piacenza, Mons. Gianni Ambrosio, que, acompanhando os jovens a Roma nos lugares da fé, pediu ao Santo Padre para concluir esta bela experiência com uma audiência privada com os peregrinos. E o Papa, como sempre, não deu desculpas, pelo contrário, disse: “faço-o com prazer”.
“Obrigado por esta visita – disse na abertura do seu discurso improvisado -. O bispo falou que fiz um grande gesto ao vir aqui, mas o fiz com ‘egoísmo’, sabem por quê? Porque gosto de estar com vocês”.
E acrescentou: “Quando me dizem: mas, padre, que tempos ruins, estes… Olha, não é possível fazer nada! Como não é possível fazer nada? E explico que muita coisa pode ser feito!”. Mas quando – continuou ele – “um jovem me diz: Que maus tempos, estes, padre, não podemos fazer nada!, eu o mando falar com um psiquiatra, hein?”, porque “não dá para entender um jovem, um rapaz, uma moça, que não queiram fazer algo grande, apostar em grandes ideais para o futuro, não? Depois, farão o que puderem, mas a aposta é por coisas grandes e bonitas”.
No coração de cada jovem há “três desejos”, disse o Papa Bergoglio. A vontade da beleza: “Vocês gostam da beleza, são buscadores de beleza”. A vontade da bondade: “vocês são profetas da bondade. Vocês gostam de ser bons e esta bondade é contagiosa, ajuda todos os outros…”. Finalmente, a vontade, mais ainda, a “sede” de verdade. Estão enganados aqueles que acreditam ter a verdade, advertiu o Papa, “porque não se tem a verdade, não a trazemos”, mas “se encontra”, é “um encontro com a verdade que é Deus, mas é preciso buscá-la”.
Papa Francisco, portanto, incentivou os jovens a levar adiante esses três desejos, a fim de construir um “futuro com a beleza, com a bondade e com a Verdade”. Para o Bispo de Roma este é um verdadeiro e real “desafio”, por isso as novas gerações devem ser sempre ativas e positivas, porque “se um jovem é preguiçoso ou é triste então aquela beleza não será beleza, aquela bondade não será bondade e aquela verdade não será tal”.
“Apostar em um grande ideal, e o ideal de fazer um mundo de bondade, beleza e verdade – é a exortação do Papa – isso, vocês tem o poder de fazê-lo”. Então dirigiu aos presentes o mesmo incentivo dado aos jovens argentinos participantes na JMJ: “Coragem. Vão em frente. Façam barulho, hein? Onde há jovens deve haver ruído. Depois, as coisas se ajeitam, mas o entusiasmo de um jovem deve fazer barulho sempre”.
“Vão em frente – insistiu o Papa – e acima de tudo sempre na vida existirão pessoas que vos farão propostas para freiar, para bloquear seu caminho. Por favor, nadem contra corrente. Sejam corajosos, corajosos. Dizem para vocês: Mas, toma um pouco de álcool, toma um pouco de droga… Não! Vocês devem ir na contramão dessa civilização que nos está fazendo tanto mal”.
“Entenderam isso? – concluiu Bergoglio – ir contra a corrente e isso significa fazer barulho. Ir em frente, mas com os valores da beleza, da bondade e da verdade”.
Em conclusão, o Papa desejou aos jovens peregrinos “todo o bem, um bom trabalho, alegria no coração”; depois rezou junto com eles à Nossa Senhora que “é a Mãe da beleza, a Mãe da bondade e a Mãe da Verdade”, para que “nos dê a graça da coragem para seguir em frente e ir contra a corrente”.
Depois da Ave Maria, finalmente, o pedido de sempre:. “Orem por mim, porque este trabalho é duro”. Entre os aplausos e em um clima de grande entusiasmo, Francisco cumprimentou todos os meninos e meninas presentes. Saindo, se deu conta de que faltavam outras pessoas para cumprimentar e voltou atrás para não deixar ninguém ir para casa sem o abraço do sucessor de Pedro.
Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira

“A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo”

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Domingo, 10 de abril de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco disse que Jesus transforma tudo, até mesmo a  escuridão é vencida pela luz e o sentido de cansaço dá lugar a nova vivacidade

Neste domingo, 10, como habitualmente, também nas palavras proferidas antes da oração do Regina Coeli juntamente com os fieis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa Francisco teceu algumas considerações acerca do Evangelho.

Um texto em que o Apóstolo João é um importante protagonista. É ele que reconhece Jesus nas margens do Lago da Galileia, onde o Filho vai à procura deles, e onde acontece a pesca milagrosa.

“Com efeito, depois do período passado com Jesus nos importantes momentos da seu percurso: paixão, morte, ressurreição, os discípulos voltam, como que um pouco desiludidos à sua faina de pescadores. E passaram uma noite no lago sem pescar nada. Jesus apresenta-se então a eles, mas ele não o reconhecem”, explicou o Papa.

“É o Senhor”

No entanto obedecem à sua sugestão de lançar as redes à direita do barco. Resultado; uma pesca incrivelmente abundante. E eis então que João diz a Pedro: “É o Senhor!”. Francisco disse que nessa exclamação está o entusiasmo da fé pascal.

“Naquela exclamação: ‘é o Senhor!’ está todo o entusiasmo da fé pascal, cheia de alegria e estupor, que contrasta fortemente com a confusão, o desconforto, o sentido de impotência que se tinham acumulado no ânimo dos discípulos”.

Aquela rede vazia era, na interpretação do Papa, como que o balanço da experiência dos discípulos com Jesus: “tinham-no conhecido, tinham abandonado tudo para o seguir, cheios de esperança. E agora?”. Mas aquela aparição de Cristo ressuscitado no Lago da Galileia e o milagre da pesca, muda de novo tudo para eles, para os cristãos.

Jesus ressuscitado transforma tudo

“A presença de Jesus ressuscitado transforma tudo: a escuridão é vencida pela luz, o trabalho inútil torna-se novamente frutuoso e prometedor, o sentido de cansaço e de abandono dá lugar a nova vivacidade e à certeza de que ele está conosco”, afirma o Pontífice.

Francisco frisa que estes sentimentos animam desde então a Igreja, a Comunidade do Ressuscitado. Às vezes pode parecer que o mal, as trevas, o cansaço prevaleça, mas “a Igreja tem a certeza de que sobre aqueles que seguem o Senhor Jesus, resplandece a luz da Páscoa que jamais se esconde”.

A certeza de que Cristo ressuscitou realmente, infunde nos corações dos crentes uma íntima alegria e uma esperança invencíveis. E a Igreja continua a fazer ressoar este festivo anuncio e todos são chamados a comunica-lo.

“Todos nós cristãos somos chamados a comunicar esta mensagem de ressurreição àqueles que encontramos, especialmente a quem sofre, a quem está só, a quem se encontra em condições precárias, aos doentes, aos refugiados, aos marginalizados. A todos, façamos chegar um raio da luz de Cristo ressuscitado, um sinal da sua potência misericordiosa”.

Renovação da fé pascal

E o Papa concluiu pedindo a Deus para que renove em todos a fé pascal e torne-os conscientes da missão ao serviço do Evangelho e dos irmãos. Que Nossa Senhora interceda a favor de todos da Igreja, para que possa proclamar a grandeza do amor de Cristo e da sua misericórdia.

Depois da oração do Regina Coeli, o Papa lançou um novo apelo a favor da libertação de todas as pessoas sequestradas em zonas de conflito armado e recordou, de modo particular, o padre salesiano, Tom Uzhunnalil, raptado em Aden, no Iémen dia 4 de março.

Antes de saudar os diversos grupos italianos presentes na Praça de São Pedro, os que estavam de passagem por Roma e de se despedir, desejando a todos um bom domingo e pedindo orações para ele, Francisco recordou ainda que hoje na Itália, celebra o Dia Nacional para a Universidade Católica do Sagrado Coração, sob o tema “Na Itália do Amanhã eu estarei”.

O Pontífice exprimiu o desejo de que esta grande universidade continue a prestar um importante serviço à juventude italiana e que possa continuar, com renovado empenho, a sua missão formativa, atualizando-a cada vez mais às exigências de hoje.

É belo esperar na misericórdia de Deus

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Segunda-feira, 14 de dezembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje Papa falou da misericórdia de Deus, que tudo perdoa; a rigidez clerical fecha os corações, disse

A esperança na misericórdia de Deus abre os horizontes e nos torna livres, enquanto a rigidez clerical fecha os corações e faz tanto mal. Esse foi o ensinamento do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 14, na Casa Santa Marta.

A Primeira Leitura do dia, tirada do Livro dos Números, fala de Balaão, um profeta contratado por um rei para maldizer Israel. Balaão, observou o Papa, tinha os seus defeitos e até mesmo pecados, mas Deus é maior que os pecados.

“No seu caminho, Balaão encontra o anjo do Senhor e muda o coração. Não muda de partido, mas muda do erro à verdade”, disse Francisco. Balaão abriu o coração, se converteu e viu a verdade que dá esperança. “A esperança é essa virtude cristã que nós temos como um grande dom do Senhor e que nos faz ver de longe, além dos problemas, das dores, das dificuldades, além dos nossos pecados. Nos faz ver a beleza de Deus”.

Francisco disse que essa é a profecia que a Igreja tem para hoje: é preciso homens e mulheres de esperança mesmo em meio aos problemas. “A esperança abre horizontes, a esperança é livre, não é escrava, sempre encontra lugar para dar um jeito”.

A rigidez que faz mal

No Evangelho, existem os chefes dos sacerdotes que perguntam a Jesus com qual autoridade age. “Não têm horizontes, são homens fechados nos seus cálculos, escravos da própria rigidez. E os cálculos humanos fecham o coração, encerram a liberdade, enquanto a esperança nos deixa mais leves”, disse o Papa.

O Santo Padre falou da beleza da liberdade, da esperança de um homem e de uma mulher de Igreja; ao mesmo tempo, destacou como é feia a rigidez de um homem e de uma mulher de Igreja, a rigidez clerical, que não tem esperança.

“Neste Ano da Misericórdia, existem esses dois caminhos: quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai; que Deus perdoa sempre, e tudo; que além do deserto há o abraço do Pai, o perdão. E, também, existem os que se refugiam na própria escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus”.

O Papa conclui a homilia contando um fato que ocorreu em 1992 em Buenos Aires, durante uma Missa pelos doentes. Estava confessando há muitas horas e estava a ponto de se levantar quando chegou uma mulher muito idosa, com cerca de 80 anos, com os olhos repletos de esperança.

“E eu disse: ‘Avó, a senhora quer se confessar?’ Porque eu estava indo embora. ‘Sim’. ‘Mas a senhora não tem pecados’. E ela me disse: ‘Padre, todos nós os temos’. ‘Mas, talvez o Senhor não os perdoa?’ ‘Deus perdoa tudo!’, me disse. Deus perdoa tudo. ‘E como a senhora sabe disso?’, perguntei. ‘Porque se Deus não perdoasse tudo, o mundo não existiria’. Diante dessas duas pessoas – o livre, a esperança, aquele que oferece a misericórdia de Deus, e o fechado, legalista, o egoísta, o escravo da própria rigidez – recordemos dessa lição que esta idosa de 80 anos – ela era portuguesa – me deu: Deus perdoa tudo, só espera que você se aproxime Dele”.

Vigília Pascal: Papa exorta à esperança cristã, dom de Deus

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Francisco durante a procissão na celebração – REUTERS

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu, na noite deste Sábado Santo (26/3/2016), na Basílica Vaticana, à celebração Eucarística da solene Vigília pascal – mãe de todas as vigílias –, com o batismo de 12 catecúmenos da Itália, Albânia, Camarões, Coreia do Sul, Índia e China.

Após a bênção e a preparação do Círio pascal, o Papa proclamou solenemente a “Páscoa do Senhor”, com o canto do Exultet. A seguir, pronunciou sua homilia, diante dos milhares de fiéis presentes, partindo da “corrida de Pedro ao sepulcro de Jesus”. E perguntou:

“Quais os pensamentos que poderiam passar pela mente e o coração de Pedro durante esta corrida? O Evangelho nos diz que os Onze, inclusive Pedro, não acreditaram no testemunho das mulheres, no seu anúncio pascal. Aliás, ‘aquelas palavras pareciam um delírio’. Por isso, no coração de Pedro, reinava certa dúvida, acompanhada de muitos pensamentos negativos: a tristeza pela morte do Mestre amado e a decepção por tê-lo renegado três vezes durante a Paixão.”

Em caminho

Mas, um detalhe assinala a sua transformação, disse o Pontífice: depois que ouviu as mulheres, sem acreditar nelas, Pedro “pôs-se a caminho”. Não ficou parado pensando e nem fechado em casa como os outros; não se deixou levar pela atmosfera fúnebre daqueles dias e nem pelas dúvidas; não se deixou arrastar pelos remorsos, pelo medo e pelas maledicências. Pelo contrário, foi procurar Jesus, preferindo seguir a ideia do “encontro e da confiança”. Assim, pôs-se a caminho, correu ao sepulcro:

“Este foi o início da ‘ressurreição’ de Pedro, a ressurreição do seu coração. Sem ceder à tristeza nem à escuridão, deu espaço à voz da esperança: deixou que a luz de Deus entrasse no seu coração, sem a sufocar”.

Falta de esperança

Por sua vez, as mulheres, que saíram de manhã cedo para fazer uma obra de misericórdia, ou seja, levar os perfumes ao sepulcro, viveram a mesma experiência, apesar do seu temor, mas ficaram aliviadas pelas palavras do anjo: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?» E o Papa advertiu:

“Também nós, como Pedro e as mulheres, não podemos encontrar a vida, permanecendo tristes e sem esperança, fechados em nós mesmos. Abramos ao Senhor os nossos sepulcros sigilados, para que Jesus possa entrar e dar-nos a vida; Ele quer dar-nos a sua mão e nos tirar da angústia. Nesta noite, devemos rolar a pedra do nosso sepulcro que é a ‘falta de esperança’. Que o Senhor nos livre desta terrível armadilha: a de ser cristãos sem esperança, que vivem como se o Senhor não tivesse ressuscitado”.

Nossos problemas pessoais, afirmou Francisco, sempre existirão. Nesta noite, devemos iluminá-los com a luz do Ressuscitado, ou melhor, “evangelizá-los”. Não devemos deixar que a escuridão e os nossos temores se apoderem do coração, mas escutemos a palavra do Anjo: o “Senhor não está aqui; ele ressuscitou!”; ele é a nossa maior alegria e está sempre ao nosso lado, sem nunca nos decepcionar. E o Santo Padre acrescentou:

Esperança cristã

“Eis o fundamento da esperança, que não é mero otimismo, nem uma atitude psicológica ou um bom convite a ter coragem. A esperança cristã é um dom de Deus; ela não decepciona porque o Espírito Santo foi infundido nos nossos corações. O Consolador infunde em nós a verdadeira força da vida e a certeza que somos amados e perdoados por Cristo. Hoje é a festa da nossa esperança!”

O Senhor está vivo e deve ser procurado entre os vivos, sublinhou o Papa. Depois de o encontrar, somos enviados por Ele a levar o anúncio da Páscoa, suscitando esperança nos corações tristes; a anunciar o Ressuscitado com a vida, por meio do amor. Caso contrário, seremos uma estrutura internacional, com um grande número de adeptos e boas regras, mas incapazes de transmitir a esperança, da qual o mundo tem tanta sede. O Pontífice então perguntou: “Como podemos alimentar a nossa esperança?”. E respondeu com uma exortação:

“A Liturgia desta Noite nos dá um bom conselho: ela nos ensina a recordar as obras de Deus. A Palavra viva de Deus é capaz de nos envolver na sua história de amor, alimentando a esperança e reavivando a alegria. Não nos esqueçamos da sua Palavra e das suas obras para não perdermos a esperança”.

O Santo Padre concluiu sua homilia convidando os fiéis a fazerem memória do Senhor, da sua bondade e das suas palavras de vida, a fim de serem sentinelas da manhã, que sabem ler os sinais da Ressurreição e abrir-se à esperança e ao caminho da luz com confiança! (MT)

 

Esperança é virtude humilde e forte

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Quinta-feira, 17 de março de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa volta a destacar importância da esperança cristã, sustento principalmente nas horas difíceis

“A esperança cristã é uma virtude humilde e forte que nos sustenta e não nos deixa afogar nas muitas dificuldades da vida”, foi o que disse o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 17, na Casa Santa Marta.

O pontífice reiterou que a esperança nunca desilude. É fonte de alegria e dá paz ao coração.

Jesus fala com os doutores da lei e afirma que Abraão “exultou na esperança” de ver o seu dia. O Papa Francisco se inspirou na passagem do Evangelho do dia para sublinhar que a esperança é fundamental na vida do cristão. “Abraão teve as suas tentações no caminho da esperança, mas acreditou, obedeceu ao Senhor e se colocou a caminho rumo à terra prometida”, disse o pontífice.

A esperança nos dá alegria

“Hoje, a Igreja nos fala da alegria da esperança. Na primeira oração da Missa, pedimos a graça de Deus para que proteja a esperança da Igreja a fim de que não falhe. Paulo, falando de nosso Pai Abraão, nos diz: ‘Esperando contra toda esperança’. Quando não há esperança humana, há aquela virtude que nos leva adiante, humilde e simples, e nos dá uma alegria, às vezes uma grande alegria, às vezes somente a paz, mas a segurança de que aquela esperança não desilude. A esperança não desilude”.

Francisco explicou que essa alegria de Abraão, esta esperança cresce na história. Às vezes se esconde, às vezes se manifesta abertamente. O Papa citou o exemplo de Isabel grávida que exulta de alegria quando foi visitada pela sua prima Maria. “É a alegria da presença de Deus que caminha com o seu povo. E quando existe alegria, existe paz. Esta é a virtude da esperança: da alegria à paz. Esta esperança nunca desilude, nem mesmo nos momentos da escravidão, quando o Povo de Deus estava em terra estrangeira.”

A esperança nos sustenta

Este fio de esperança começa com Abraão, lembrou o Papa, Deus que fala a Abraão e termina com Jesus. Francisco se deteve sobre as características desta esperança. Se, de fato, se pode dizer ter fé e caridade, é mais difícil responder sobre a esperança.

“Isto tantas vezes podemos facilmente dizer, mas quando perguntamos: ‘Você tem esperança? Você tem a alegria da esperança? ‘Mas, Padre, eu não entendo, explica-me’. A esperança, esta virtude humilde, a virtude que escorre por baixo da água da vida, mas que nos sustenta para não se afogar nas muitas dificuldades, para não perder o desejo de encontrar Deus, de encontrar aquele rosto maravilhoso que todos nós vamos ver um dia: a esperança.”

A esperança não desilude

Hoje, disse o Papa, vai ser um bom dia para pensar sobre isso: o mesmo Deus, que chamou Abraão e o fez sair da sua terra, sem saber para onde estava indo, é o mesmo Deus que vai à cruz, para realizar a promessa que fez.

“É o mesmo Deus que na plenitude dos tempos faz com que a promessa se torne uma realidade para todos nós. E o que une aquele primeiro momento a este último momento é o fio de esperança; e o que une minha vida cristã à nossa vida cristã, de um momento para outro, para ir sempre avante – pecadores, mas avante – é a esperança; e o que nos dá a paz em tempos difíceis, nos momentos mais sombrios da vida é a esperança. A esperança não desilude, está sempre ali: silenciosa, humilde, mas forte”.

Transmitir a misericórdia de Deus é missão comum aos cristãos

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Quarta-feira, 20 de janeiro de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese de hoje, Papa falou da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, enfatizando a partilha do Batismo e a missão de levar a misericórdia de Deus

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 20, foi dedicada à unidade entre os cristãos, tendo em vista que na Itália e em alguns outros países se celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos desde segunda-feira, 18. Sem se distanciar do ciclo de catequeses sobre misericórdia, Francisco enfatizou que transmitir a misericórdia de Deus aos outros é uma missão comum aos cristãos.

O Santo Padre explicou que nesta Semana, os cristãos são convidados a redescobrir a graça do Batismo, um dos pontos de unidade, e ir além das divisões. Segundo ele, partilhar o Batismo significa reconhecer que todos são pecadores e precisam de salvação. O Batismo chama os cristãos ao encontro com o Deus vivo, cheio de misericórdia, acrescentou.

Francisco reconheceu que todos acabam fazendo a experiência do egoísmo que leva à divisão, mas partir novamente do Batismo significa reencontrar a fonte da misericórdia, que é fonte de esperança para todos, pois ninguém está excluído da misericórdia de Deus.

“A partilha dessa graça (do Batismo) cria uma ligação indissolúvel entre nós cristãos, de forma que no Batismo podemos nos considerar todos irmãos, somos povo santo de Deus mesmo que por causa de nossos pecados não sejamos um povo plenamente unido”.

Para os cristãos, acrescentou o Santo Padre, anunciar a força do Evangelho e partilhar as obras de misericórdia, corporais e espirituais, é uma experiência concreta de fraternidade. “Temos uma missão em comum que é aquela de transmitir a misericórdia recebida aos outros, partindo dos mais pobres e abandonados”.

Francisco concluiu a audiência pública com os fiéis pedindo que, nesta Semana de Oração, eles rezem para que todos os discípulos de Cristo encontrem, juntos, um modo de levar a misericórdia do Pai a todos os cantos da terra.

O nosso caminho de fé é ligado ao de Maria…

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… “Mãe de Deus” e nossa Mãe

Papa Francisco na Missa, em São Pedro

A iniciar o novo ano, a Igreja latina celebra desde tempos imemorais a grande solenidade de Santa Maria Mãe de Deus. Seguindo a tradição, o Papa Francisco preside, na basílica de São Pedro, à celebração eucarística, a partir das 10 horas, que pode ser seguida em directo, neste site, também com comentários em português. A missa é com celebrada por grande número de padres e um certo número de bispos e cardeais presentes em Roma. Este primeiro de Janeiro é também o quadragésimo sétimo Dia Mundial da Paz, instituído pelo Papa Paulo VI. Tema proposto desta vez: Fraternidade, fundamento e caminho para a paz.

A homilia da Missa foi toda ela centrada na figura de Maria, Mãe de Deus, partindo das leituras proclamadas, a começar pela primeira, do Livro dos Números, com a bênção que Deus sugerira a Moisés, para que fosse invocada sobre todo o povo. “É significativo ouvir estas palavras de bênção no início de um novo ano – observou o Papa:

“São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro.”

É uma esperança que tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém… os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente. Ora – prosseguiu Papa Francisco – os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.

“Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu.”

Papa Francisco evocou, a este propósito, aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria – recordou – ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. “É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura.”

Mas é também o exercício do “sensus fidei” unânime do santo e fiel povo de Deus, que , na unidade, nunca se engana – acrescentou o Papa, logo prosseguindo:

“Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão.”

O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! – sublinhou o Papa. O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!»

“Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a «mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus.”

A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho – observou ainda o Papa Francisco, quase a concluir.

“A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus! Santa Mãe de Deus!”

Como habitualmente nestas celebrações papais, usaram-se diferentes línguas nas leituras e na oração dos fiéis: – um jovem chinês rezou pela paz entre os povos e nações, invocando Jesus, Príncipe da paz, para que se vençam todas as divisões, ódios e rancores; – uma mãe de família rezou, em espanhol, pelas mulheres e por todas as mães, chamadas a gerar, defender e promover a vida; – em árabe, recordou-se o ano novo, para que Jesus eduque todos a viver activamente na história, sempre orientados para a Vida eterna; – finalmente, em português, rezou-se por toda a assembleia presente…

Eis o texto integral da homilia:

Amados Irmãos e Irmãs, A primeira leitura propôs-nos a antiga súplica de bênção que Deus sugerira a Moisés, para que a ensinasse a Aarão e seus filhos: «O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz» (Nm 6, 24-26). É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no início dum novo ano: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina melhor o futuro, simplesmente porque é futuro. Esta esperança tem a sua razão de ser precisamente na bênção de Deus; uma bênção que contém os votos maiores, os votos da Igreja para cada um de nós, repletos da protecção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.

Os votos contidos nesta bênção realizaram-se plenamente numa mulher, Maria, enquanto destinada a tornar-Se a Mãe de Deus, e realizaram-se n’Ela antes de qualquer outra criatura.

Mãe de Deus! Este é o título principal e essencial de Nossa Senhora. Trata-se duma qualidade, duma função que a fé do povo cristão, na sua terna e genuína devoção à Mãe celeste, desde sempre Lhe reconheceu. Lembremos aquele momento importante da história da Igreja Antiga que foi o Concílio de Éfeso, no qual se definiu com autoridade a maternidade divina da Virgem. Esta verdade da maternidade divina de Maria ecoou em Roma, onde, pouco depois, se construiu a Basílica de Santa Maria Maior, o primeiro santuário mariano de Roma e de todo o Ocidente, no qual se venera a imagem da Mãe de Deus – a Theotokos – sob o título de Salus populi romani. Diz-se que os habitantes de Éfeso, durante o Concílio, se teriam congregado aos lados da porta da basílica onde estavam reunidos os Bispos e gritavam: «Mãe de Deus!» Os fiéis, pedindo que se definisse oficialmente este título de Nossa Senhora, demonstravam reconhecer a sua maternidade divina. É a atitude espontânea e sincera dos filhos, que conhecem bem a sua Mãe, porque A amam com imensa ternura. Mais ainda: é o sensus fidei do santo fiel Povo de Deus, que nunca – na sua unidade – nunca se engana.

Desde sempre Maria está presente no coração, na devoção e sobretudo no caminho de fé do povo cristão. «A Igreja caminha no tempo (…). Mas, nesta caminhada, a Igreja procede seguindo as pegadas do itinerário percorrido pela Virgem Maria» (JOÃO PAULO II, Enc. Redemptoris Mater, 2). O nosso itinerário de fé é igual ao de Maria; por isso, A sentimos particularmente próxima de nós! No que diz respeito à fé, que é o fulcro da vida cristã, a Mãe de Deus partilhou a nossa condição, teve de caminhar pelas mesmas estradas, às vezes difíceis e obscuras, trilhadas por nós, teve de avançar pelo «caminho da fé» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. Lumen gentium, 58).

O nosso caminho de fé está indissoluvelmente ligado a Maria, desde o momento em que Jesus, quando estava para morrer na cruz, no-La deu como Mãe, dizendo: «Eis a tua mãe!» (Jo 19, 27). Estas palavras têm o valor dum testamento, e dão ao mundo uma Mãe. Desde então, a Mãe de Deus tornou-Se também nossa Mãe! Na hora em que a fé dos discípulos se ia quebrantando com tantas dificuldades e incertezas, Jesus confiava-lhes Aquela que fora a primeira a acreditar e cuja fé não desfaleceria jamais. E a «mulher» torna-Se nossa Mãe, no momento em que perde o Filho divino. O seu coração ferido dilata-se para dar espaço a todos os homens, bons e maus; e ama-os como os amava Jesus. A mulher que, nas bodas de Caná da Galileia, dera a sua colaboração de fé para a manifestação das maravilhas de Deus na mundo, no Calvário mantém acesa a chama da fé na ressurreição do Filho, e comunica-a aos outros com carinho maternal. Assim Maria torna-Se fonte de esperança e de alegria verdadeira.

A Mãe do Redentor caminha diante de nós e sempre nos confirma na fé, na vocação e na missão. Com o seu exemplo de humildade e disponibilidade à vontade de Deus, ajuda-nos a traduzir a nossa fé num anúncio, jubiloso e sem fronteiras, do Evangelho. Deste modo, a nossa missão será fecunda, porque está modelada pela maternidade de Maria. A Ela confiamos o nosso itinerário de fé, os desejos do nosso coração, as nossas necessidades, as carências do mundo inteiro, especialmente a sua fome e sede de justiça e de paz; e invocamo-La todos juntos: Santa Mãe de Deus!

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