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Papa a catequistas: insensibilidade de hoje escava abismos

Papa durante a missa do Jubileu dos Catequistas – AP

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu, neste domingo (25/9/2016), na Praça São Pedro, a celebração eucarística pelo Jubileu dos Catequistas que teve início na última sexta-feira (23/09), e prosseguiu no sábado com momentos de reflexão e oração em várias igrejas romanas. Participaram da missa cerca de 15 mil catequistas provenientes de várias partes do mundo.

Em sua homilia, o Pontífice sublinhou que o Apóstolo Paulo dirige a Timóteo, e a nós também, algumas recomendações. Pede para guardar o “mandamento íntegro e sem mancha”. Fala apenas de um mandamento a fim de que o nosso olhar se mantenha fixo no que é essencial para a fé.

Anúncio pascal

“São Paulo não recomenda uma multidão de pontos e aspectos, mas sublinha o centro da fé. Este centro em torno do qual tudo gira, este coração pulsante que dá vida a tudo é o anúncio pascal, o primeiro anúncio: O Senhor Jesus ressuscitou, o Senhor Jesus nos ama e deu a vida por nós. Ressuscitado e vivo, está ao nosso lado e se interessa por nós todos os dias. Nunca devemos nos esquecer disso.”

“Neste Jubileu dos Catequistas, nos é pedido para não nos cansarmos de colocar em primeiro lugar o anúncio principal da fé: o Senhor ressuscitou. Não existem conteúdos mais importantes, nada é mais firme e atual. Todo conteúdo da fé torna-se perfeito se estiver ligado a este centro, se for permeado pelo anúncio pascal. Se ficar isolado, perde sentido e força. Somos chamados continuamente a viver e anunciar a Boa Nova do amor do Senhor.”

O mandamento de que fala São Paulo faz-nos pensar também no mandamento novo de Jesus: «Que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei». “É amando que se anuncia o Deus-Amor: nunca impondo a verdade e nem obstinando-se em torno de alguma obrigação religiosa ou moral.”

Pessoa viva

“Anuncia-se Deus, encontrando as pessoas, com atenção à sua história e ao seu caminho. Porque o Senhor não é uma ideia, mas uma Pessoa viva: a sua mensagem se comunica através do testemunho simples e verdadeiro, da escuta e acolhimento, da alegria que se irradia. Não se fala bem de Jesus, quando nos mostramos tristes; nem se transmite a beleza de Deus limitando-nos a fazer sermões bonitos. O Deus da esperança se anuncia vivendo no dia-a-dia o Evangelho da caridade, sem medo de o testemunhar inclusive com novas formas de anúncio.”

O Papa disse ainda que “o Evangelho deste domingo nos ajuda a compreender o que significa amar, especialmente a evitar alguns riscos. Na parábola, há um homem rico que não se dá conta de Lázaro, um pobre que «jazia ao seu portão». Na realidade, este rico não faz mal a ninguém, não se diz que é mau; e todavia tem uma enfermidade pior que a de Lázaro, apesar de este estar «coberto de chagas»: Este rico sofre duma forte cegueira, porque não consegue olhar para além do seu mundo, feito de banquetes e roupas finas. Não vê além da porta de sua casa, onde jazia Lázaro, porque não se importa com o que acontece fora. Não vê com os olhos, porque não sente com o coração. No seu coração, entrou a mundanidade que anestesia a alma”.

Buraco negro

“A mundanidade é como um «buraco negro» que engole o bem, que apaga o amor, que absorve tudo no próprio eu. Então só se veem as aparências e não nos damos conta dos outros, porque nos tornamos indiferentes a tudo. Quem sofre desta grave cegueira, assume muitas vezes comportamentos «estrábicos»: olha com reverência as pessoas famosas, de alto nível, admiradas pelo mundo, e afasta o olhar dos inúmeros Lázaros de hoje, dos pobres e dos doentes, que são os prediletos do Senhor.”

“Mas o Senhor olha para quem é transcurado e rejeitado pelo mundo. Lázaro é o único personagem, em todas as parábolas de Jesus, a ser chamado pelo nome. O seu nome significa «Deus ajuda». Deus não o esquece, o acolherá no banquete de seu Reino, juntamente com Abraão, numa comunhão rica de afetos. Ao contrário, na parábola, o homem rico não tem sequer um nome; a sua vida cai esquecida, porque quem vive para si mesmo não faz a história. A insensibilidade de hoje escava abismos intransponíveis para sempre”, disse ainda o Santo Padre.

Pobreza e dignidade

O Papa frisou que “há outro detalhe na parábola: um contraste. A vida opulenta deste homem sem nome é descrita com ostentação: tudo nele são carências e direitos, tudo é espalhafatoso. Mesmo na morte, insiste em ser ajudado e pretende os seus interesses. Ao invés, a pobreza de Lázaro é expressa com grande dignidade: da sua boca não saem lamentações, protestos nem palavras de desprezo. É uma válida lição.”

“Como servidores da palavra de Jesus, somos chamados a não ostentar aparência, nem procurar glória; não podemos sequer ser tristes e lastimosos. Não sejamos profetas da desgraça, que se comprazem em lobrigar perigos ou desvios; não sejamos pessoas que vivem entrincheiradas nos seus ambientes, proferindo juízos amargos sobre a sociedade, sobre a Igreja, sobre tudo e todos, poluindo o mundo de negatividade. O ceticismo lamentoso não se coaduna com quem vive familiarizado com a Palavra de Deus.”

Esperança

Segundo o Papa Francisco, “quem anuncia a esperança de Jesus é portador de alegria e vê longe, porque sabe olhar para além do mal e dos problemas. Ao mesmo tempo, vê bem de perto, porque está atento ao próximo e às suas necessidades. Hoje o Senhor nos pede isso: diante dos inúmeros Lázaros que vemos, somos chamados a inquietar-nos, a encontrar formas de os atender e ajudar, sem delegar sempre a outras pessoas nem dizer: «Ajudo você  amanhã». O tempo gasto socorrendo é tempo doado a Jesus, é amor que permanece: é o nosso tesouro no céu, que nos asseguramos aqui na terra”.

O Santo Padre concluiu a homilia pedindo a Deus para que “nos dê a força de viver e anunciar o mandamento do amor, vencendo a cegueira da aparência e as tristezas mundanas. Que Ele nos torne sensíveis aos pobres, que não são um apêndice do Evangelho, mas página central, sempre aberta diante de nós”.

(MJ)

Papa: a esperança cristã se baseia na fé em Deus que cria novidade

Quarta-feira, 23 de agosto de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na catequese de hoje, Papa falou sobre a novidade da esperança cristã, baseada na fé em Deus que faz novas todas as coisas

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 23, foi inspirada em uma passagem do apocalipse “Eis que faço novas todas as coisas”, para falar sobre a “novidade da esperança cristã”. Trata-se de uma esperança baseada na fé em Deus que sempre cria novidades na vida do homem, novidades e surpresas.

Neste sentido, Francisco destacou que não é cristão caminhar com o olhar voltado para baixo, como fazem os porcos, sem olhar para o horizonte, como se na vida não existisse nenhuma meta e nenhum ponto de chegada.

“As páginas finais da Bíblia nos mostram o horizonte último do caminho do crente: a Jerusalém do Céu, a Jerusalém celeste. Essa é imaginada antes de tudo como uma grande tenda onde Deus acolherá todos os homens para habitar definitivamente com eles. E esta é a nossa esperança”, explicou o Papa.

Francisco convidou os fiéis a refletir sobre a profecia de João em Apocalipse – segundo a qual Deus enxugará as lágrimas e fará novas todas as coisas – mas não de uma forma abstrata, e sim depois de ver tantas tristezas noticiadas nos telejornais, fazendo alusão aos recentes ocorridos em Barcelona e Congo. O Papa lamentou que a vida tenha tantas tristezas, como crianças amedrontadas pela guerra, sonhos desfeitos de tantos jovens e a situação dos refugiados, mas destacou a presença de Deus diante também dessa realidade.

“Nós temos um Pai que sabe chorar, que chora conosco. Um Pai que espera para nos consolar, porque conhece os nossos sofrimentos e preparou para nós um futuro diferente. Esta é a grande visão da esperança cristã, que se dilata sobre todos os dias da nossa existência, e nos quer reerguer!”, pontuou Francisco.

“Nós acreditamos e sabemos que a morte e o ódio não são as últimas palavras pronunciadas sobre a parábola da existência humana. Ser cristão implica uma nova perspectiva: um olhar cheio de esperança”, acrescentou.

O Santo Padre acrescentou que, diante das calamidades, algumas pessoas pensam que a vida não tem sentido, mas os cristãos não acreditam nisso. Pelo contrário, os cristãos acreditam que no horizonte há um sol que ilumina sempre e dias mais belos estão por vir.

“Somos gente mais de primavera do que de outono: vemos os brotos de um mundo novo antes que as folhas amareladas nos ramos. Não nos refugiamos em nostalgias, arrependimentos e lamentações: sabemos que Deus nos quer herdeiros de uma promessa e incansáveis cultivadores de sonhos”.

Assunção de Maria: “ela nunca nos deixa só”

Missa em Castel Gandolfo
Francisco destacou que Maria entrou na glória do céu, mas continua próxima ao homem, apoiando os cristãos na luta contra o mal
Jéssica Marçal / Da Redação

Nesta quinta-feira, 15, solenidade da Assunção de Maria, Papa Francisco dirigiu-se a Castel Gandolfo para celebrar a Santa Missa e rezar o Angelus com os fiéis da pequena cidade italiana. O Santo Padre concentrou sua homilia em três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança, lembrando que Maria nunca deixa o homem sozinho.

Mencionando um trecho do Apocalipse, Francisco falou da luta entre a mulher e o dragão, destacando que a mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa e triunfante. Ele lembrou que se vive continuamente os desafios da luta entre Deus e o maligno e, nessa luta, Maria nunca deixa o ser humano sozinho.

“Ela, naturalmente, entrou de uma vez por todas na glória do Céu. Mas isto não significa que esteja distante, que esteja separada de nós; antes, Maria nos acompanha, luta conosco, apoia os cristãos no combate contra as forças do mal”.

O Papa também falou da ressurreição de Cristo, uma crença inerente ao fato de ser cristão. “E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi ‘atraída’ pelo Filho na sua passagem através da morte”.

E sobre a esperança, a terceira palavra-chave da homilia, Francisco destacou que esta é a virtude de quem, experimentando o conflito, a luta cotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, crê na Ressurreição de Cristo.

“Escutamos o Canto de Maria, o Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus em caminho na história. (…) Onde tem a Cruz, para nós cristãos, tem a esperança, sempre. (…) E Maria está sempre ali, próxima a esta comunidade, a estes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança”.

 

HOMILIA
Missa na Solenidade da Assunção de Maria

Praça da Liberdade – Castel Gandolfo

Queridos irmãos e irmãs!

Ao término da Constituição sobre a Igreja, o Concílio Vaticano II deixou uma meditação belíssima sobre Maria Santíssima. Recordo somente as expressões que se referem ao mistério que celebramos hoje: a primeira é esta: “A imaculada Virgem, preservada imune da mancha de pecado original, ao fim do curso de sua vida terrena, foi assunta à glória celeste com seu corpo e a sua alma, e pelo Senhor exaltada como a rainha do universo” (n. 59). E então, no fim, há esta outra: “A Mãe de Jesus, como no céu, glorificada em corpo e alma, é a imagem e a primícia da Igreja que deverá ter o seu cumprimento na idade futura, assim na terra brilha como sinal de segura esperança e de consolação pelo Povo de Deus em caminho, enquanto não chega o dia do Senhor” (n. 68). À luz deste belíssimo ícone de nossa Mãe, podemos considerar a mensagem contida nas Leituras bíblicas que escutamos há pouco. Podemos concentrar-nos sobre três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança.

O trecho do Apocalipse apresenta a visão da luta entre a mulher e o dragão. A figura da mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa, triunfante, e por outro está ainda em caminho. Assim de fato é a Igreja: se no Céu está já associada à glória de seu Senhor, na história vive continuamente as provas e os desafios que comporta o conflito entre Deus e o maligno, o inimigo de sempre. E nesta luta que os discípulos de Jesus devem enfrentar – nós todos, todos os discípulos de Jesus devem enfrentar esta luta – Maria não nos deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre conosco. Sempre, caminha conosco, está conosco. Também Maria, em certo sentido, partilha esta dupla condição. Ela, naturalmente, entrou de uma vez por todas na glória do Céu. Mas isto não significa que esteja distante, que esteja separada de nós; antes, Maria nos acompanha, luta conosco, apoia os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, em particular o Rosário – mas ouçam bem: o Rosário. Vocês rezam o Rosário todos os dias? Mas não sei… (os presentes gritam: Sim!). É mesmo? Então, a oração com Maria, em particular o Rosário tem também esta dimensão “agonística”, isso é, de luta, uma oração que apoia na batalha contra o maligno e os seus cúmplices. Também o Rosário nos apoia na batalha.

A segunda Leitura nos fala da ressurreição. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, insiste no fato de que ser cristão significa crer que Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos. Toda a nossa fé se baseia nesta verdade fundamental que não é uma ideia, mas um acontecimento. E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi “atraída” pelo Filho na sua passagem através da morte. Jesus entrou para sempre na vida eterna com toda a sua humanidade, aquela que havia tomado junto à Maria; assim ela, a Mãe, que O seguiu fielmente por toda a vida, seguiu-O com o coração, entrou com Ele na vida eterna, que chamamos também de Céu, Paraíso, Casa do Pai.

Também Maria conheceu o martírio da cruz: o martírio do seu coração, o martírio da alma. Ela sofreu tanto, no seu coração, enquanto Jesus sofria na cruz. A Paixão do Filho a viveu até o fim na alma. Esteve plenamente unida a Ele na morte, e por isto lhe foi dado o dom da ressurreição. Cristo é a primícia dos ressuscitados, e Maria é a primícia dos redimidos, a primeira “daqueles que são de Cristo”. É nossa Mãe, mas também podemos dizer que é a nossa representante, é a nossa irmã, a nossa primeira irmã, é a primeira dos redimidos que chegou ao Céu.

O Evangelho nos sugere a terceira palavra: esperança. Esperança é a virtude de quem, experimentando o conflito, a luta cotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, crê na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. Escutamos o Canto de Maria, Magnificat: é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus em caminho na história. É o cântico de tantos santos e santas, alguns notáveis, outros muitíssimo, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, irmãs, jovens, também as crianças, avôs, avós: estes enfrentaram a luta da vida levando no coração a esperança dos pequenos e dos humildes. Maria diz: “A minha alma engrandece o Senhor” – também hoje canta a Igreja e o canta em toda parte do mundo. Este cântico é particularmente intenso lá onde o Corpo de Cristo sofre hoje a Paixão. Onde tem a Cruz, para nós cristãos, tem a esperança, sempre. Se não tem a esperança, nós não somos cristãos. Por isto eu gosto de dizer: não deixem roubar a esperança. Que não roubem a esperança, porque esta força é uma graça, um dom de Deus que nos leva adiante olhando o Céu. E Maria está sempre ali, próxima a esta comunidade, a estes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança.

Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos, com todo o coração, a este cântico de paciência e de vitória, de luta e de alegria, que une a Igreja triunfante com aquela peregrina, nós; que une a terra com o Céu, que une a nossa história com a eternidade, rumo à qual caminhamos. Assim seja.

 

No Angelus, Papa reza pela paz no Egito
Francisco também recordou os 25 anos da Carta Apostólica de João Paulo II sobre a dignidade e vocação da mulher

Após celebrar a Santa Missa em Castel Gandolfo na Solenidade da Assunção de Maria, Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis nesta quinta-feira, 15. Ele recordou as notícias dolorosas do Egito, devido às situações de conflito, pedindo a paz para a região.

“Rezemos juntos pela paz, pelo diálogo, pela reconciliação nesta querida Terra e no mundo inteiro”, disse.

E recordando a Solenidade da Assunção de Maria, Francisco lembrou que o caminho dela rumo ao Céu começou com o seu “sim” a Deus. Da mesma forma acontece com o ser humano.

“Na realidade, é justamente assim: cada ‘sim’ a Deus é um passo para o Céu, para a vida eterna. Porque o Senhor quer isto: que todos os seus filhos tenham a vida em abundância! Deus nos quer todos consigo, na sua casa!”, disse.

O Papa recordou ainda o 25º aniversário da Carta Apostólica Mulieris dignitatem, do Papa São João Paulo II, sobre a dignidade e a vocação da mulher.

“Façamos nossa a oração presente no fim desta Carta Apostólica (cfr n.31): a fim de que, meditando o mistério bíblico da mulher, condensado em Maria, todas as mulheres encontrem a si mesmas e a plenitude da sua vocação e em toda a Igreja se aprofunde e se entenda mais o tão grande e importante papel da mulher!”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs,

Ao término desta Celebração nos dirigimos à Virgem Maria com a oração do Angelus. O caminho de Maria rumo ao Céu começou com aquele “sim” pronunciado em Nazaré, em resposta ao Mensageiro celeste que lhe anunciava a vontade de Deus para ela. E na realidade é justamente assim: cada “sim” a Deus é um passo rumo ao Céu, rumo à vida eterna. Porque o Senhor quer isto: que todos os seus filhos tenham a vida em abundância! Deus nos quer todos consigo, na sua casa!

Aparecem infelizmente notícias dolorosas do Egito. Desejo assegurar a minha oração por todas as vítimas e s seus familiares, pelos feridos e por todos os que sofrem. Rezemos juntos pela paz, pelo diálogo, pela reconciliação naquela querida Terra e no mundo inteiro. Maria, Rainha da Paz, rogai por nós: todos digamos: Maria, Rainha da paz, rogai por nós.

Desejo recordar o 25º aniversário da Carta Apostólica Mulieris dignitatem, do Papa São João Paulo II, sobre a dignidade e a vocação da mulher. Este documento é rico de ideias que merecem ser retomadas e desenvolvidas; e na base de tudo está a figura de Maria. Façamos nossa a oração presente no fim desta Carta Apostólica (cfr n.31): a fim de que, meditando o mistério bíblico da mulher, condensado em Maria, todas as mulheres encontrem a si mesmas e a plenitude da sua vocação e em toda a Igreja se aprofunde e se entenda mais o tão grande e importante papel da mulher!

Agradeço a todos os presentes, moradores de Castel Gandolfo e peregrinos! Agradeço vocês, moradores de Castel Gandolfo: muito obrigado! E todos os peregrinos, em particular aqueles de Guiné com o seu Bispo.

Saúdo com afeto as alunas do Colégio Pasionista “Michael Ham” de Vicente López, Argentina; bem como os jovens da banda de música do Colégio José de Jesus Rebolledo de Coatepec, México.

E agora, todos juntos, rezemos à Maria:  Angelus Domini…

Desejo a vocês boa festa hoje, dia de Maria: boa festa e bom almoço!

O Dom do Temor nos faz amar a Deus e fugir dos laços da morte

Por Padre Luizinho

Já aprendemos que os dons do Espírito Santo aperfeiçoam as virtudes. As virtudes abandonadas a si mesma não podem chegar a grandes alturas. A nossa razão, mesmo iluminada pela fé, é ainda imperfeita para perceber toda a realidade espiritual. Só os dons do Espírito Santo elevam o homem às alturas da própria dignidade. A palavra Temor de Deus em hebraico “Girate” e pode tanto significar temor como piedade.

O Dom do “Temor de Deus” aperfeiçoa a virtude da Esperança.

No temor do SENHOR está a segura confiança, esperança para seus filhos. O temor do SENHOR é fonte de vida, que afasta dos laços da morte (cf. Provérbios 14,26-27). Há várias espécies de temores: o temor mundano, o temor servil a Deus e o temor filial a Deus. Destes, só o último é o Temor de Deus.

1) O temor humano é o medo que se sente com relação a criaturas ou situações mundanas. São temores humanos o medo de pessoas, como a mulher que teme o marido ou o marido que teme a esposa, os filhos que temem o pai ou a mãe, os alunos que temem os professores… São temores às situações mundanas, por exemplo, o medo de andar de elevador, o medo do escuro, o medo de tempestades, etc. Incluem-se ainda nesta classe os medos supersticiosos, como o medo de passar embaixo de uma escada, o medo de ver um gato preto cruzar o caminho, o medo do dia 13… Os temores ou medos mundanos originam-se de traumas. Podem desaparecer pela oração de cura interior ou por tratamentos psicológicos adequados.

2) O temor servil é principalmente o medo de ser castigado por Deus, de ir para o inferno. Esse temor é gerado pela idéia de um Deus que nos vigia constantemente, pronto a nos castigar pelas nossas faltas. E isso nos inquieta, agita, deprime. O temor servil pode afastar-nos do pecado, mas é um temor imperfeito, porque não se baseia no amor de Deus.

3) O temor de Deus é filial. É o temor de nos afastar do Pai que nos criou e que nos ama, de ofender a Deus que, por amor, sempre nos perdoa. O filho que ama o pai não quer ficar longe dele nem fazer algo que o possa magoar. É um temor nobre que brota do amor. Um temor filial, perfeito e amoroso.

O temor de Deus é um dom do Espírito Santo que nos inclina ao respeito filial a Deus e nos afasta do pecado. Este compreende três atitudes principais:

1 – O vivo sentimento da grandeza de Deus e extremo horror a tudo o que ofenda sua infinita majestade;
2 – Uma viva contrição das menores faltas cometidas, por haverem ofendido a um Deus infinito e infinitamente bom, do que nasce um desejo ardente e sincero de as reparar;
3 – Um cuidado constante para evitar ocasiões de pecado.

Oração: Concede-me Senhor o Dom do Santo Temor, para que eu seja liberto de todo o temor que me escraviza. Derrama o Teu Espírito Santo sobre mim, para que eu saiba distinguir o que vem de Ti e o que vem do mal, do pecado e das minhas fraquezas. Que eu viva como verdadeiro filho de Deus, por intercessão de Nossa Senhora mulher cheia do santo Temos de Deus. Amém.

É possível deixar de ser homossexual, afirma psicoterapeuta americano

Richard Cohen apresentou o seu livro na Espanha

MADRI, quinta-feira 09 de fevereiro de 2012 (ZENIT.org) – Nesta terça-feira, Richard Cohen, psioterapeuta nos Estados Unidos, apresentou seu trabalho na Espanha Comprender y sanar la homosexualidad (compreender e curar a homossexualidade), no qual, deixa aos homossexuais, que querem deixar de sê-lo, uma mensagem de esperança: “Nunca desista, a mudança é possível”. Baseia-se também na sua própria experiência, já que ele mesmo foi homossexual. Antes de iniciar uma movimentada agenda de promoção do seu livro publicado pela LibrosLibres, Richard Cohen concedeu umas declarações à Zenit.

É verdade que a pessoa nasce homossexual?
– Richard Cohen: De acordo com a Associação Americana de Psicologia (APA), não se nasce necessariamente com a atração pelo mesmo sexo: “Apesar de que se tenham investigado muito as possíveis influências genéticas, hormonais, do crescimento, sociais e culturais sobre a orientação sexual, não há evidências que permitam os cientistas concluir que a orientação sexual esteja determinada por um ou por mais fatores concretos. Muitos acreditam que tanto a natureza quanto a educação desempenham um papel complexo. A maioria das pessoas sentem que tiveram pouca capacidade de escolha da sua orientação sexual”, diz a Associação Americana de Psicologia.

Por que existem pessoas com atração pelo mesmo sexo?
– Richard Cohen: Mais de oitenta anos de literatura científica têm encontrado muitas razões pelas quais as pessoas experimentam sentimentos homossexuais. Sei isso pela minha própria vida, pela vida de centenas de pessoas com as quais trabalhei como terapeuta, e de outras milhares através dos nossos workshops de cura e aulas através de videoconferência. Muitas pessoas não acham o modo de vida “gay” engraçado e gostariam de outro estilo de vida. Querem mudar os seus sentimentos homossexuais e ter família e filhos.

É possível a transição da homossexualidade para a heterossexualidade?
– Richard Cohen: Durante os últimos vinte e dois anos, como psicoterapeuta na International Healing Foundation, tive um sucesso notável ajudando homens e mulheres a resolverem sua atração indesejada à pessoas do mesmo sexo e realizar seus sonhos de heterossexualidade.

Como?
– Richard Cohen: Nosso plano em quatro etapas para passar de gay para não gay funciona se alguém estiver realmente interessado na mudança. Através do nosso programa, explicado no meu livro, as pessoas mudam de dentro para fora. Não é apenas a mudança de comportamento. Quando alguém identifica e corrige as feridas do seu passado, e experimenta o amor numa relação saudável e não sexual com pessoas do mesmo sexo, surge naturalmente o desejo heterossexual.

Você o tem visto no seu consultório…
– Richard Cohen: Eu experimentei isso pessoalmente e tenho observado a mesma transformação na vida de milhares de homens e mulheres com quem trabalhei como conselheiro, em seminários de cura ou aulas por videoconferência. Os quatro ingredientes da mudança são: 1) motivação pessoal, 2) um tratamento eficaz, 3) o apoio dos demais, 4) o amor de Deus.

Por que o lobby gay não quer assumir que muitas pessoas homossexuais sofrem por seus sentimentos e querem ser livres para fazer a transição?
– Richard Cohen: Os ativistas homossexuais trabalharam duro para evitar que os profissionais da saúde médica e psicológica oferecessem a sua ajuda àqueles que experimentam atração indesejada pelo mesmo sexo. A razão é que os homossexuais sofrem muitos preconceitos. Tudo o que eles querem é ser amados e aceitos. Portanto, desenvolvem a teoria de que ser gay é algo inato e imutável e não pode ser alterado. Mas isso não é cientificamente exato.

Qual é então o medo de falar de mudança?
– Richard Cohen: Quando afirmo que é possível mudar de homossexual para heterossexual, os homens y mulheres gays, lésbicas, bissexuais e transexuais sentem-se ameaçados. Compreendo a sua preocupação. Eu sofri discriminação e preconceitos, quando vivia como gay. Sinto o mesmo amor e compaixão por todos os homens e mulheres homossexuais, por aqueles que vivem uma vida gay e por aqueles que procuram uma mudança para viver uma vida heterossexual. Todo mundo é livre de decidir a vida que quer viver. Respeitemo-nos uns aos outros em um espírito de amor e verdade. É um direito humano de autodeterminação e de liberdade de expressão.

No seu livro, você diz que, para essa transição, é preciso curar as feridas emocionais. Que feridas são essas?
– Richard Cohen: Se você estuda a literatura científica, vai encontrar os diversos fatores que levam alguém a se sentir atraído pelas pessoas do seu próprio sexo. Se você conversar e escutar os gays e as lésbicas, vai encontrar as similitudes nas suas origens. Eu explico no meu livro dez causas potenciais que levam homens e mulheres a ter sentimentos homossexuais.

Quais são?
– Richard Cohen: Ninguém nasce, essencialmente, com sentimentos homossexuais. Ninguém simplesmente escolhe ter atração pelo mesmo sexo. Existem muitas razões para alguém se sentir atraído pelo mesmo sexo. Algumas causas potenciais dos sentimentos homossexuais são: 1) a carência de vínculos entre o filho e o pai, ou entre a filha e a mãe; 2) o temperamento hiper-sensível; 3) a identificação exagerada entre o filho e a mãe, ou entre a filha e o pai; 4) a falta de conexão com os companheiros do mesmo sexo, garotos que não se sentem à vontade com outros garotos, e meninas que não se sentem à vontade com outras meninas; 5) o abuso sexual. Estas são só algumas experiências que podem levar alguém a desenvolver a atração pelo mesmo sexo. Nunca é uma coisa só que leva aos sentimentos homossexuais.

Então existe uma causa nos pais?
– Richard Cohen: Não é a educação dos pais, em si mesma, que gera sentimentos homossexuais, mas a percepção que a criança tem dessa educação. Subjazendo à atração pelo mesmo sexo, nós temos dois pontos principais: 1) traumas que não foram resolvidos no passado; 2) necessidades legítimas de amor por pessoas do mesmo sexo. Esses dois pontos conduzem à atração pelo mesmo sexo.

É possível prevenir a orientação homossexual?
– Richard Cohen: Sim. No meu livro Gay Children, Straight Parents, eu explico como a família e os amigos podem ajudar as pessoas atraídas pelo mesmo sexo a mudarem e realizarem o seu destino heterossexual. Como nós conhecemos o que produz os sentimentos homossexuais, é fácil entender a forma de ajudar os homens e as mulheres homossexuais. Em outras palavras: um menino recebe o seu senso da masculinidade em primeiro lugar do seu pai, e depois dos parentes e companheiros homens; e uma menina recebe o senso da feminilidade primeiramente da sua mãe, e depois das parentes e das companheiras mulheres. Depois, quando o garoto atravessa a adolescência, surgem naturalmente os desejos heterossexuais. Neste último livro, eu descrevo doze princípios que a família e os amigos podem aplicar para ajudar os seus entes queridos homossexuais a conseguirem atingir a sua verdadeira identidade de gênero. Funciona se você seguir o programa. Nós conseguimos um grande sucesso ao longo dos anos.

Por que sua fé em Deus foi tão importante e decisiva para sua transição da homossexualidade para a heterossexualidade?
– Richard Cohen: Realmente não foi a minha fé em Deus que me ajudou a curar e sair da homossexualidade. Foi a confiança de Deus em mim que me ajudou a mudar! Por muitos anos, eu achava que era a pior pessoa do mundo porque tinha sentimentos homossexuais. Ouvi dizer que a homossexualidade era o pior “pecado”. Mas finalmente percebi que Deus me amava incondicionalmente. Quando senti o seu amor, me tocou no mais profundo da alma e comecei a curar.

Passamos do ridicularizar e silenciar os homossexuais a aceitar quase todas as idéias do lobby gay. Você acha que muitas organizações médicas e religiosas deveriam pedir desculpas aos homossexuais por não ajudá-los no passado, e nem fazê-lo agora por medo de serem demonizados se eles não se dobram ao politicamente correto?
– Richard Cohen: Muitas organizações religiosas, médicas e psicológicas deixam que a criança escorregue pelo ralo da banheira. Abdicam das suas crenças fundamentais em nome da tolerância. Ao invés de pedir desculpas aos homossexuais por seus erros passados, mudam as suas crenças. Isso não é útil e nem agradável para a comunidade homossexual.

Então?
– Richard Cohen: Temos que pedir desculpas por nossas palavras e comportamentos ofensivos do passado, e oferecer-lhes o presente do nosso amor e compreensão, que ajudará verdadeiramente que todos os homossexuais se descubram a si mesmos em toda a sua verdade e autenticidade. Quando o fizermos, surgirá em todos nós uma mudança real e duradoura.

O que você diria a uma pessoa com sentimentos homossexuais que sofre e quer mudar sua orientação?
– Richard Cohen: Entendo como você se sente. Passei por isso. Tenha esperança de que todos os seus sonhos serão realidade. Mudar é possível! Vivi uma vida gay e agora estou casado há trinta anos. Não desista. Se você seguir as quatro etapas da cura de Compreender y Sanar la homosexualidad, encontrarás a liberdade que você deseja. Nunca desista.
[Tradução Thácio Siqueira]

Audiência: a única força do cristão é o Evangelho

http://br.radiovaticana.va/news/2017/06/28/audiência_a_única_força_do_cristão_é_o_evangelho/1321802

Cidade do Vaticano (RV) – Cerca de 20 mil pessoas participaram da Audiência Geral com o Papa Francisco na Praça S. Pedro (28/6/2017).

Tratou-se da última antes da pausa de verão – as audiências serão retomadas em agosto -. O Papa dedicou a sua catequese à esperança como força dos mártires.

Ao enviar os discípulos em missão, explicou Francisco, Jesus adverte que o anúncio do Reino comporta sempre uma oposição: “Vocês serão odiados por causa do meu nome”. “Os cristãos amam, mas nem sempre são amados”, disse o Papa. Portanto, os cristãos são homens e mulheres contracorrente, que vivem seguindo um estilo de vida indicado por Jesus – um estilo que Francisco definiu “estilo de esperança”.

A única força é o Evangelho

Para se parecer com Cristo, é preciso ser desapegado das riquezas e do poder. O cristão percorre o seu caminho com o essencial, mas com o coração repleto de amor. De fato, jamais deve usar a violência. A única força é o Evangelho. A perseguição, portanto, não é uma contradição. Se perseguiram o Mestre, porque seríamos poupados da luta? Porém, em meio à batalha, o cristão jamais deve perder a esperança. Há Alguém que é mais forte do que o mal: mais forte do que as máfias, de quem lucra sobre a pele dos desesperados, de quem espezinha os outros com prepotência.

Os cristãos, portanto, devem sempre estar na outra margem do mundo, aquela escolhida por Deus: não perseguidores, mas perseguidos; não arrogantes, mas mansos; não impostores, mas honestos.

Perfume de discipulado

Esta fidelidade ao estilo de Jesus foi chamada pelos primeiros cristãos com o nome de “martírio”, que significa “testemunho”. O vocabulário oferecia muitas outras possibilidades: heroísmo, abnegação, sacrifício de si. Mas os primeiros cristãos escolheram um nome “com perfume de discipulado”.

“Os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias, e aceitam morrer somente por fidelidade ao evangelho. O martírio não é nem mesmo o ideal supremo da vida cristã, porque acima dele está a caridade, isto é, o amor a Deus e ao próximo. A ideia de que quem comete atentados suicidas seja chamado mártir repugna os cristãos: neste ato, não há nada que possa se aproximar da atitude de filhos de Deus.

“Que Deus nos doe sempre a força de ser suas testemunhas. Que Ele nos doe viver a esperança cristã sobretudo no martírio confidencial de fazer o bem e com amor os nossos deveres de todos os dias.”

Ao final da Audiência, o Papa concedeu a sua bênção apostólica.

6º ONDA Paroquial

Neste final de semana, com quase uma centena de jovens, meninos e meninas, e casais de Tios, participamos de um Curso Intensivo na Paróquia Nossa Senhora da Piedade.

Sabe quando tu achas que nada mais pode te surpreender? Pois é… O curso que me refiro, tratava de humanidade, de religião, vida em grupo, família, filhos, pais, avós, amizades, atitudes, escolhas, abraços, desprendimento, confiança, respeito, amor, compaixão, misericórdia, empatia, solidariedade, esperança, sorrisos, lágrimas, mais abraços, mais lágrimas, palavras, cantos, muitos cantos, olho no olho, mão na mão e corações em JESUS AMIGÃO.

Pai, que Tu permitas, se for de Tua vontade, que nós possamos desfrutar das vidas, destas pessoas maravilhosas que lá encontramos, por muito tempo ainda.

Crianças carentes de atenção e carinho, adultos mais valiosos que ouro de Ofir e jovens evangelizando outros jovens de 7 anos a 80 anos. Muito aprendemos e muito precisamos aprender ainda com estes queridos e estas queridas.

Vocês já são parte de nós e… Sabe né? São responsáveis por aqueles que cativaram.

Fraternal abraço a todos,
Tios Irineu e Isabel

Cristãos sejam semeadores de esperança

Quarta-feira, 31 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Papa lembra que esperança é como uma “vela” que impulsionada pelo vento do Espírito, leva o cristão a atravessar “oceanos”

O Papa recebeu na manhã desta quarta-feira, 31, na Praça São Pedro, os peregrinos e fiéis, provenientes de diversas partes do mundo, para a tradicional Audiência Geral.

Em sua catequese semanal, Francisco falou sobre a iminente Solenidade de Pentecostes, que a Igreja celebra no próximo domingo, 4 de junho.

Ao aproximar-se desta Solenidade o Papa refletiu sobre a relação entre a esperança cristã e o Espírito Santo. Na Carta aos Hebreus, a esperança é comparada a uma âncora, pois dá segurança e estabilidade à “barca” da nossa vida em meio às ondas turbulentas.

A esperança – disse o Pontífice – é semelhante a uma vela, que recebe o “vento” do Espírito Santo, converte-o em força e nos impele a atravessar o oceano da existência.

O Espírito Santo faz com que vivamos cheios de esperança, sem nunca desanimar, “esperando contra toda a esperança”. A esperança não decepciona porque o amor de Deus encheu os nossos corações de esperança.

Por isso, o Papa convidou todos os presentes a “ser semeadores de esperança. Um cristão pode semear amarguras, perplexidades, mas este modo de agir não é cristão:

“O cristão semeia esperança, semeia o óleo da esperança, semeia o perfume da esperança e não o vinagre da amargura e da desesperança”.

Francisco concluiu sua catequese exortando os fiéis a serem outros paráclitos, ou seja, consoladores e defensores dos nossos irmãos, sobretudo dos pobres, excluídos e não amados: defensores da criação.

A seguir, o Papa passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça São Pedro. Eis a saudação que dirigiu aos fiéis de língua portuguesa:

“Saúdo cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa, de modo particular os fiéis de Angola, Sendim, Serrinha, Florianópolis e Minas Gerais. Queridos amigos, nestes dias de preparação para a festa de Pentecostes, peçamos ao Senhor que derrame, abundantemente, sobre nós os dons do seu Espírito, para que possamos ser testemunhas de Jesus até aos confins da terra. Obrigado pela sua presença.”

Ao término da sua catequese, o Papa concedeu a todos a sua Bênção apostólica.

O que a Ascensão de Jesus diz ao cristão de hoje?

Corações voltados para o alto!

O futuro é fruto do que semeamos nos campos da vida. Não há colheita sem o devido cuidado com a plantação. No campo da vida, o amor é essencial, para que possamos produzir os mais belos frutos de um tempo novo, nascido da esperança que cultivamos com a fé. O céu que esperamos começa a ser construído no hoje de nossa história. Na esperança da glória futura estão impressas as marcas do amor.

Na solenidade da Ascensão do Senhor voltamos nosso olhar para Aquele que nos aponta a esperança de nossa vida futura juntos do Seu amor. O hoje de nossa história é tempo teológico para sacramentalizarmos o amor em gestos concretos de vida em plenitude. O Cristo que olhamos é o mesmo que esteve e continua entre nós. O cotidiano da vida é uma preparação para um tempo novo que sonhamos. Um futuro onde cada um de nós terá uma participação plena na vida de Deus.

Juntos de Deus viveremos uma nova relação entre Criador e criatura. Na total transparência dos sentimentos, seremos livres dos limites e dificuldades da condição terrena. No amor trinitário saborearemos a plenitude da comunhão eterna. Em Deus conheceremos o amor que hoje de modo limitado sentimos. A esperança da glória futura nos abre diante da vida as mais belas possibilidades de vivermos hoje o futuro glorioso que esperamos.

A Eucaristia antecipa em nossa alma a comunhão celeste. No pão e no vinho consagrados, corpo e sangue de Cristo, está presente toda a criação, fruto da terra e do trabalho do homem. Na comunhão eucarística já pertencemos aos céus novos e à terra nova. Todos nós que comungamos da Eucaristia estamos, em esperança, na realidade do céu. O céu que nosso coração contempla é antecipado no amor de Cristo doado e partilhado por toda a humanidade.

Esta solenidade que celebramos ensina-nos também a vivermos na terra com as realidades do céu. A comunhão eterna é antecipada em cada gesto de amor e fraternidade entre nós. A paz divina é vivida, ainda que de modo limitado, em cada gesto que devolve vida à humanidade. O amor trinitário é antecipado em cada ato que se faz solidariedade e compaixão entre nós.

Com o coração voltado para o alto, caminhos na terra construindo junto de cada irmão e irmã os céus novos e a terra nova que esperamos um dia viver de maneira plena e infinita. O mundo novo que sonhamos começa a ser vivido em cada gesto de fraternidade.

Corações voltados para o alto com os pés enraizados no amor de Cristo. Eis a nossa missão diante da ascensão de Cristo: fazermos de nossa vida terrena uma antecipação da glória da futura.

Padre Flávio Sobreiro

Catequese: Jesus nos oferece a “terapia da esperança”

Quarta-feira, 24 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Cerca de 20 mil pessoas estiveram com o Papa na Catequese desta quarta-feira

A terapia da esperança: foi o que propôs o Papa Francisco aos cerca de 20 mil fiéis reunidos na Praça S. Pedro na Audiência Geral desta quarta-feira, 24.

Em sua catequese, o Pontífice comentou a experiência dos dois discípulos de Emaús, de que fala o Evangelho de Lucas. Dois homens caminhavam desiludidos após a morte de Jesus. Caminhavam tristes, porque viram morrer as esperanças que tinham depositado em Jesus, sendo a cruz erguida no Calvário o sinal mais eloquente da derrota que não tinham previsto.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece casual. Caminham pensativos e um desconhecido se aproxima: é Cristo, que então começa a sua “terapia da esperança”. “Quem a faz? Jesus. Antes de tudo, pergunta e escuta, pois o nosso Deus não é um Deus intrometido”, disse o Papa.

Mesmo conhecendo o motivo da desilusão, deixa que falem de sua amargura. O resultado é uma confissão que mais se parece com um refrão da existência humana: «Nós esperávamos, mas…»

“Quantas tristezas, quantas derrotas, quantas falências existem na vida de cada pessoa! No fundo, somos todos um pouco como esses dois discípulos. Quantas vezes nos encontramos a um passo da felicidade e ficamos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas cabisbaixas. E caminhando com elas, de forma discreta, lhes restitui a esperança.”

A verdadeira esperança passa através de derrotas. Nos Livros Sagrados, não se encontram histórias de heroísmo fácil, nem campanhas fulminantes de conquista. Deus não gosta de ser amado como um General que leva o seu povo à vitória, aniquilando os adversários. A presença do Senhor lembra uma chama frágil que arde num dia de frio e vento; e, para aparecer ainda mais frágil esta sua presença neste mundo, foi esconder-Se num lugar que todos desdenham.

Com os dois discípulos, Jesus repete o gesto fulcral da Eucaristia: tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, o entregou. Neste gesto está também o significado de como deve ser a Igreja: o destino de cada um de nós. Jesus nos toma, pronuncia a bênção, e espedaça a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e a oferece aos outros, a todos.

O encontro de Jesus com os dois discípulos é rápido. Mas nele está todo o destino da Igreja. Nos fala que a comunidade cristã não está fechada numa cidadela fortificada, mas caminha no seu ambiente mais vital, isto é, na rua. E ali encontra as pessoas, com suas esperanças e suas desilusões. A Igreja oferece escuta a todos, para depois oferecer a Palavra de vida. E então o coração das pessoas volta a arder de esperança.

“Todos na nossa vida tivemos momentos difíceis, momentos em que caminhávamos tristes, desiludidos, sem horizonte, somente com um muro diante de nós. Jesus sempre está do nosso lado, para nos dar esperança,. Para nos aquecer o coração. Ele nos diz: vai avante, estou com você, prossiga.”

O segredo do caminho que conduz a Emaús está aqui: apesar das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados por Deus; Ele jamais deixará de nos querer bem.

“Deus caminhará conosco sempre, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, nos momentos mais duros, de derrota. Ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança, prossigamos com esta esperança, porque Ele está do nosso lado caminhando conosco, sempre!”

 

CATEQUESE

A Esperança cristã – 23. Emaús, o caminho da Esperança

Caros irmãos e irmãs, bom dia !

Hoje gostaria de me deter sobre a experiência dos dois discípulos de Emaús, dos quais fala o Evangelho de Lucas (cfr. 24,13-35). Imaginemos a cena: dois homens caminham decepcionados, tristes, convencidos a deixar pra traz a amargura de uma situação que não acabou bem.

Antes daquela Páscoa eram cheios de entusiasmo: convencidos de que aqueles dias seriam decisivos para aquilo que aguardavam e para a esperança de todo o povo. Jesus, a quem tinham confiado a sua vida, parecia ter chegado a batalha decisiva: agora teria mostrado a sua potência, após um longo período de preparação e escondimento. Era isso o que eles esperavam. E não foi assim.

Os dois peregrinos cultivavam uma esperança somente humana, que agora estava em pedaços. Aquela cruz erguida no Calvário era o sinal mais eloquente de um fracasso que não poderiam prever. Se verdadeiramente aquele Jesus era segundo o coração de Deus, deveriam concluir que Deus era inerme, indefeso nas mãos dos violentos, incapaz de opor resistência ao mal.

Assim, naquela manhã de domingo, estes dois foram à Jerusalém. Nos olhos têm ainda os acontecimentos da paixão, a morte de Jesus; e no ânimo o penoso angustiar-se sobre aqueles acontecimentos, durante o forçado repouso de sábado. Aquela festa de Páscoa, que deveria entoar o canto da libertação, ao invés de disso transformou-se no dia mais doloroso da vida deles.

Deixam Jerusalém para ir para outro lugar, um vilarejo tranquilo. Têm o aspecto de pessoas que querem remover uma recordação que queima. Estão, portanto, na estrada, e caminham tristes. Este cenário – a estrada – já era importante na narração evangélica; agora se tornará sempre mais importante, do momento em que se começa a contar a história da Igreja.

O encontro de Jesus com os dois discípulos parece simplesmente coincidência: se assemelha a tantos encontros que acontecem na vida. Os dois discípulos caminham pensativos e um desconhecido os alcança. É Jesus; mas os olhos deles não são capazes de reconhecê-Lo. Então Jesus começa a sua “terapia da esperança”. O que acontece nessa estrada é uma terapia da esperança. Quem a faz? Jesus.

Antes de tudo, pergunta e escuta: o nosso Deus não é um Deus invasivo. Mesmo se já conhece o motivo da desilusão daqueles dois, deixa a eles o tempo para poder medir a profundidade da própria amargura. Então surge uma confissão que é um “refrão” da existência humana: “Nós esperávamos, mas… Nós esperávamos, mas…” (v. 21). Quanta tristeza, quanta derrota, quantos fracassos existem na vida de cada pessoa ! No fundo somos todos um pouco como aqueles dois discípulos.

Quantas vezes na vida esperamos, quantas vezes nos sentimos a um passo da felicidade, e depois nos vemos desiludidos. Mas Jesus caminha com todas as pessoas que perderam a confiança que caminham com a cabeça baixa. E caminhando com eles, de modo discreto, consegue fazer retornar a esperança.

Jesus fala a eles, antes de tudo, através das Escrituras. Quem toma nas mãos o livro de Deus não encontrará histórias de heroísmo fácil, grandes campanhas de conquista. A verdadeira esperança não é nunca a pouco preço: passa sempre através das derrotas. A esperança de quem não sofre, talvez não seja nem mesmo esperança. A Deus não agrada ser amado como se amaria um condutor que leva a vitória o seu povo destruindo no sangue os seus adversários. O nosso Deus é uma luz discreta que arde no dia de frio e de vento, e mesmo que pareça frágil a sua presença neste mundo, Ele escolheu o lugar que todos desdenhamos.

Depois Jesus repete aos dois discípulos o gesto central de cada Eucaristia: toma o pão, o abençoa, o parte e o dá. Nesta série de gestos, não está contida toda a história de Jesus? E não há, em cada Eucaristia, também um sinal de que coisa deve ser a Igreja? Jesus nos toma, nos abençoa, “parte” a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e oferece aos outros, a oferece a todos.

É um encontro rápido o de Jesus com os dois discípulos de Emaús. Mas nisso está todo o destino da Igreja. Nos diz que a comunidade cristã não está fechada em uma cidadela fortificada, mas caminha em seu ambiente mais vital, vale dizer, a estrada. E ali encontra as pessoas, com as suas esperanças e suas desilusões, as vezes muito pesadas. A Igreja escuta a história de todos, como emergem do baú da consciência pessoal; para depois oferecer a Palavra de Vida, o testemunho do amor, amor fiel até o fim. E então, o coração das pessoas volta a arder de esperança.

Todos nós, na nossa vida, tivemos momentos difíceis, escuros; momentos nos quais caminhávamos tristes, pensativos, sem horizontes, somente com uma parede diante. E Jesus está sempre ao nosso lado para nos dar a esperança, para aquecer o coração e dizer: Vá em frente, eu estou contigo. Vá em frente”.

O segredo da estrada que conduz a Emaús está todo aqui: mesmo diante das aparências contrárias, nós continuamos a ser amados, e Deus nunca deixará de nos amar. Deus caminhará sempre conosco, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, também nos momentos mais feios, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança. Caminhamos adiante com esta esperança ! Porque Ele está conosco e caminha conosco, sempre!

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