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Quem não vive para servir não serve para viver

Terça-feira, 31 de maio de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Na homilia, Papa Francisco dedicou sua reflexão a Nossa Senhora e destacou a atitude de servir ao próximo e à Igreja

“Se aprendêssemos a servir e fôssemos ao encontro dos outros, como isso mudaria o mundo!” Foi a consideração com a qual o Papa Francisco concluiu a homilia da Missa desta terça-feira, 31, que narra a visita de Maria a Santa Isabel.

O Santo Padre dedicou sua reflexão a Nossa Senhora, no dia que se encerra o mês mariano. “Serviço e encontro fazem sentir uma alegria que preenche nossas vidas”, disse ele, acrescentando que coragem feminina, capacidade de ir ao encontro dos outros, estender a mão para uma ajuda, solicitude e principalmente, alegria, daquelas que enchem o coração e dão à vida um novo sentido e uma nova direção.

Esse trecho, junto com as palavras do Profeta Sofonias na primeira leitura; e de São Paulo, na segunda, delineia uma liturgia alegre e chega como um vento novo que preenche a vida de todos.

Alegria e cara virada

“É feio ver cristãos com a cara virada. Ser cristão triste é feio! Não são plenamente cristãos. Acreditam que são, mas não o são totalmente. Essa é a mensagem cristã; nessa atmosfera de alegria que a liturgia nos dá de presente, gostaria de ressaltar apenas duas coisas: primeiro, um comportamento; segundo, um fato. O comportamento é o serviço”.

As mulheres: coragem da Igreja

O serviço de Maria é realizado sem incertezas, observou o Papa. Maria, afirma o Evangelho, “dirigiu-se apressadamente”, embora estivesse grávida e arriscasse deparar-se com malfeitores no decorrer da estrada. “Essa jovem, de 16 ou 17 anos, não mais era corajosa. Levanta-se e vai”, acrescentou Francisco.

“Coragem de mulher. As mulheres corajosas que existem na Igreja são como Nossa Senhora. Essas mulheres que levam avante a família, a educação dos filhos, enfrentam tantas adversidades, tanta dor, que curam os doentes. Corajosas: levantam-se e servem, servem.”

O Santo Padre afirma que o serviço é sinal cristão. Quem não vive para servir não serve para viver. Serviço na alegria, esta é a atitude que gostaria de destacar hoje. Há alegria e também serviço. Sempre para servir”.

O encontro é um sinal cristão
O segundo ponto sobre o qual o Papa se detém é o encontro entre Maria e sua prima. “Essas duas mulheres se encontram, e se encontram com alegria. Aquele momento é só de festa”, evidenciou.

Francisco disse ainda que se todos aprendessem a servir e ir ao encontro dos outros o mundo mudaria.

“O encontro é outro sinal cristão. Uma pessoa que se diz cristã e não é capaz de ir ao encontro dos outros, de encontrar os outros, não é totalmente cristã. Seja o serviço ou o encontro, ambos requerem sair de si mesmo para servir e para encontrar, para abraçar outra pessoa. É com esse serviço de Maria, com esse encontro que se renova a promessa do Senhor, atua-se no presente, naquele presente. E como ouvimos na primeira leitura: ‘O Senhor, teu Deus, está no meio de ti’, o Senhor está no serviço, o Senhor está no encontro”.

Santo Evangelho (Lc 7, 1-10)

9ª Domingo do Tempo Comum – Domingo 29/05/2016

Primeira Leitura (1Rs 8,41-43)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis:

Naqueles dias, Salomão rezou no Templo, dizendo: 41“Senhor, pode acontecer que até um estrangeiro que não pertence a teu povo, Israel, 42escute falar de teu grande nome, de tua mão poderosa e do poder de teu braço. Se, por esse motivo, ele vier de uma terra distante, para rezar neste templo, 43Senhor, escuta então do céu onde moras e atende a todos os pedidos desse estrangeiro, pra que todos os povos da terra conheçam o teu nome e o respeitem, como faz o teu povo Israel, e para que saibam que o teu nome é invocado neste templo que eu construí”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 116)

— Ide, vós, por este mundo afora e proclamai o Evangelho a todos!
— Ide, vós, por este mundo afora e proclamai o Evangelho a todos!

— Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

— Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

Segunda Leitura (Gl 1,1-2.6-10)
Início da Carta de São Paulo aos Gálatas:

1Eu, Paulo, apóstolo – não por iniciativa humana, nem por intermédio de nenhum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai que o ressuscitou dos mortos – 2e todos os irmãos que estão comigo, às Igreja da Galácia. 6Admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. 7Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo. 8Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado. 9Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado. 10Será que estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 7,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. 4Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, 5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. 6Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. 7Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e ao meu empregado: ‘Faze isto’!, ele o faz”. 9Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. 10Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Maximino, bispo da Igreja 

Bispo da Igreja, viveu seu magistério e serviço à Palavra sob ataques, mas não conseguiram matá-lo

Nasceu na França no século IV e muito cedo sentiu o chamado a vida sacerdotal.

Sucedeu Agrício e teve que combater o Arianismo, que confundia muitos cristãos.

São Maximino apoiou Santo Atanásio nessa luta, sofreu com ele, e se deparou até com o Imperador.
Bispo da Igreja, viveu seu magistério e serviço à Palavra sob ataques, mas não conseguiram matá-lo. Viveu até o ano de 349 deixando este testemunho e convocação: sermos cooperadores da verdade.

O santo de hoje é um ícone do amor a Cristo, à Igreja e à Verdade.

São Maximino, rogai por nós!

IX Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 7, 1-10
1 Depois que terminou de falar todas essas palavras ao povo que o escutava, Jesus entrou na cidade de Cafarnaum. 2 Havia aí um oficial romano que tinha um empregado, a quem estimava muito. O empregado estava doente, a ponto de morrer. 3 O oficial ouviu falar de Jesus, e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado. 4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: «O oficial merece que lhe faças esse favor, 5 porque ele estima o nosso povo, e até construiu uma sinagoga para nós.» 6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizer a Jesus: «Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa; 7 nem sequer me atrevi a ir pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu empregado ficará curado. 8 Pois eu também estou sob a autoridade de oficiais superiores, e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem; e ao meu empregado: Faça isso, e ele o faz.» 9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia, e disse: «Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.» 10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial, e encontraram o empregado em perfeita saúde.

A fé de um centurião
O Evangelho da Missa (Lucas 7, 1-10) nos narra que uns anciãos dos judeus chegaram com Jesus para interceder por um Centurião que tinha um criado enfermo, ao que estimava muito. Este gentil era muito apreciado por suas grandes virtudes; ademais era um homem generoso que havia custeado a sinagoga de Cafarnaum. Os judeus lhe insistem a Jesus: merece que lhe concedas isto, aprecia a nosso povo. Sobretudo sobressai por sua fé humilde, pois quando Jesus se aproxima a sua casa, enviou uma embaixada ao Mestre para dizer-lhe: Senhor, eu não sou digno que entres em minha casa, mas diga uma palavra e meu criado ficará são. Esta fé cheia de humildade conquistou o coração de Jesus: ficou admirado dele, e voltando-se à multidão que lhe seguia, disse: Vos digo que nem ainda em Israel encontrei tanta fé. A humildade é a primeira condição para crer, para aproximar-nos de Cristo. Santo Agostinho, ao comentar esta passagem, assegura que foi a humildade a porta por onde o Senhor entrou a apropriar-se do que já possuía (Sermão 46, 12).

Meditemos hoje como é nossa fé e peçamos a Jesus que nos outorgue a graça de crescer nela, dia a dia. Santo Agostinho ensinava que ter fé é: “Crer em Deus que sai ao nosso encontro e se dá a conhecer; crer tudo o que Deus diz e revela; e, por último, crer em Deus, amando-lhe, confiar sem medida Nele” (Sermão 144). Progredir na fé é crescer nestas facetas. A primeira, que reside no afã de conhecer melhor a Deus, se concretizará na fidelidade à verdade revelada por Deus, proclamada pela Igreja, ensinada e protegida por seu Magistério. Crer em Deus nos leva a ver-lhe muito perto de nosso viver diário, a tratar-lhe diariamente no diálogo amoroso na oração e no meio do trabalho, de alegrias e tristezas. Crer em Deus é a coroação e gozo dos outros dois: É o amor que leva consigo a fé verdadeira.

A fé verdadeira nos une a Cristo e nos dá uma segurança que está por cima de toda circunstância humana. Mas para ter essa fé necessitamos a fé do Centurião: saber-nos nada ante Jesus; não desconfiar jamais de seu auxílio, ainda que alguma vez tarde em chegar ou venha de distinto modo como esperávamos. Santo Agostinho afirmava que todos os dons de Deus podem reduzir-se a este: “Receber a fé e perseverar nela até o último instante da vida” (Sobre o dom da perseverança). Em Nossa Mãe encontramos essa união profunda entre fé e humildade. Peçamos-lhe que nos ensine a crescer nelas.

 

«Senhor, eu não sou digno»
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja

Sermão 62

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir a casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto, mas diz uma só palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno não só de que Cristo entre em sua casa, mas também no seu coração. […]

Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem estar no seu coração. Com efeito Cristo, Mestre em humildade pelo Seu exemplo e pelas Suas palavras, sentou-Se à mesa em casa de um fariseu orgulhoso chamado Simão (Lc 7, 36ss.). Embora Se sentasse à sua mesa, não entrou no seu coração: aí, «o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58). Pelo contrário, aqui não entra em casa do centurião, mas entra no seu coração. […]

Por conseguinte, é a fé unida à humildade que o Senhor elogia neste centurião. Quando este diz: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto», o Senhor responde: «Em verdade vos digo, nem em Israel encontrei tão grande fé». […] O Senhor veio ao povo de Israel segundo a carne, para procurar primeiramente neste povo a Sua ovelha perdida (cf. Lc 15, 4). […] Nós, como homens, não podemos medir a fé dos homens. Foi Aquele que vê o fundo dos corações, Aquele a Quem ninguém engana, que testemunhou como era o coração deste homem; ao ouvir as suas palavras repletas de humildade, responde-lhe com uma palavra que cura.

 

9º Domingo do Tempo Comum
Ano C
Pe. Wagner Augusto Portugal

“Olhai para mim Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados”(Sl 24,16.18).  No encantamento do tempo comum, das coisas cotidianas, depois de termos celebrado as festas da Santíssima Trindade e de “Corpus Christi” os domingos se revestem da beleza do dia a dia e Nosso Senhor Jesus nos é apresentado pela Mãe Igreja como o único mediador da salvação.

Meus queridos irmãos,

Na Primeira Leitura(cf 1Rs 8,41-43) o rei Salomão reza para que Deus atenda os estrangeiros. Na grande oração da Dedicação do Templo de Jerusalém, Salomão não reza apenas pela casa de Davi e o povo de Israel, mas, também, pelos estrangeiros que aí virão adorar ao Deus de Israel e do Universo. E o templo será a casa de oração para todas as nações. Deus quer ficar acessível às necessidades de todos os homens. A única condição indicada na leitura do primeiro livro dos Reis para se poder praticar o culto é crer no nome de Deus(cf. Ex 12,48), isto é, em Deus por uma fé que se baseia em sua ação salvífica na história.  A fé é universal, conforme nos ensina a bela oração de Salomão na ocasião da Dedicação do Templo. O Rei Salomão pede a Deus também pelos que acorrem de longe para rezarem no Templo de Jerusalém.

Caríssimos fiéis,

O Evangelho de São Lucas(Lc 7,1-10) apresenta hoje a fé de um pagão, um oficial romano, que morava em Cafarnaum. O centurião de Cafarnaum é um pagão, porém, envergonha os representantes da sinagoga por sua fé em Jesus, “o Senhor”(cf. Lc 7,6), e na força salvífica de sua palavra. São Lucas descreve o centurião como um homem que teme a Deus, um pagão que serve de exemplo para os judeus. O Evangelista Lucas revela-se aqui como o evangelista “ecumênico”, descobrindo os valores “pré-cristãos” em todo o mundo. Claro aqui está a emocionante fé do Centurião. Vejamos, novamente, que o centurião é cidadão romano. O centurião é pagão, mas estima muito o judaísmo. Fica evidente que o Centurião se acha indigno de fazer um pedido direto a Jesus para que cure o seu funcionário. O Centurião manda os anciãos de Cafarnaum pedir a cura de seu empregado a Jesus, e estes anciãos não tinham como negar o pedido do Centurião, porque ele próprio havia ajudado na edificação de uma Sinagoga na cidade de Cafarnaum. Com a insistência dos anciãos para que Jesus vá ao encontro do Centurião ele caminha com eles na direção da casa do cidadão romano. Ainda no caminho o centurião romano lhes corre ao encontro e proclama: “Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale uma só palavra, que meu servo fica bom. Pois eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar, sou militar!” E, Jesus, cura o servo, à distância.  Aqui o que está em evidência é a grande fé do homem romano, estrangeiro e pagão, que não colocou pré condições, mas acreditou: “Eu sei o que é mandar – mande, Senhor!”. Uma fé profunda, que passou primeiro pela mediação dos anciãos da cidade, e que, depois, ele mesmo corre ao encontro do Senhor. Isso levou o próprio Senhor Jesus a dizer: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”(cf. Lc. 7, 9).  Esta fé, que procede do sentimento da própria inteligência e indignidade diante dos benefícios de Deus, foi motivo da salvação na casa do centurião. O centurião sabe que para obter os benefícios de Deus, ele precisa passar através dos judeus e parece que assim também pensam os judeus, insistindo em que Jesus faça uma exceção: “Ele é digno”. Mas com a vinda de Jesus as coisas mudam: a salvação é para todos os que têm fé e só para esses(cf. Rm 3,22).

Caros irmãos,

A Segunda Leitura desta liturgia(cf. Gl 1,1-2,6-10) nos apresenta o Evangelho de Paulo. São Paulo mesmo operou a primeira evangelização da Galácia, país subdesenvolvido, muito exposto a qualquer novidade. Agora vieram outros missionários, confundindo as jovens nascentes comunidades, impondo costumes judaicos – como a circuncisão – também aos cristãos de origem pagã. Estes missionários consideravam o cristianismo apenas como uma variante do Judaísmo. São Paulo, então, escreveu a carta de hoje com intensa preocupação. Não se trata de uma pessoa, mas da pureza de seu Evangelho. A garantia desta pureza é que Deus, que ressuscitou o Cristo dos mortos, também chamou a São Paulo.  A segunda leitura nos oferece a saber qual é o critério para reconhecer, independentemente dos pregadores, qual é o verdadeiro Evangelho? Os cristãos devem saber que existe uma norma objetiva da pregação e da fé(cf. 1Cor 15,3-4) contra a qual ninguém pode ir, nem Paulo nem um colaborador dele, nem um anjo. A norma é esta: Cristo é o único mediador da salvação. Se alguma doutrina procura modificar esta verdade, não pode ser evangelho.  A lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador interiormente, não teria necessidade de ser mudado. Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a lei não pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. São Paulo convida os gálatas a escolher entre a lei e Cristo.

Queridos irmãos,

É no amor que o homem se realiza, na comunhão com Deus e com os outros. E isto só é possível em Cristo. Ele á a aliança entre Deus e a pessoa humana, a comunhão realizada de modo perfeito, porque verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso, é só unindo-se vitalmente em Cristo que o homem se salva como homem.

Prezados fiéis,

Devemos, neste dia, relembrar o que nos ensina o Concílio Vaticano II: “Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida reta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demônio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões”(Cf. LG 16).

Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram: “Neste momento, com incertezas no coração, perguntamo-nos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5). Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai., quem tanto amou ao mundo que deu a seu Filho único, para que todo aquele que nele creia tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida. Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão vida eterna” (Jo 6,68); “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)” (DAp 101).

 

A humildade do oficial romano
Padre Pacheco

Existe no coração do ser humano, infelizmente, como fruto do pecado original, uma força que quer arrastá-lo para que se coloque acima dos outros, para que se sinta maior que os demais irmãos. Essa força é a força do pecado, pecado este que é a mãe de todos os demais pecados, ou seja, o vício da soberba. A única “vacina” capaz de combater esta “bactéria” chamada “soberba” – sim, pois o pecado é como uma bactéria, ou seja, quando menos esperamos ela destrói a vida da pessoa. Para dizer: bactéria não se administra: se elimina; pois na primeira oportunidade que ela tiver, ela vai destruir você; assim é o pecado. Daí entendemos quando Paulo diz que o salário do pecado é a morte. Retomo: a única vacina capaz de combater a “bactéria” da soberba – mãe de todos os pecados – é a mãe de todas as virtudes: a virtude da humildade. A Palavra de hoje, no Evangelho, vai nos trazer o processo de como podemos chegar à humildade,  a exemplo do oficial romano, a virtude fundamental para o nosso combate espiritual. Para chegarmos à virtude da humildade deveremos trabalhar algumas atitudes bem concretas, pois virtude alguma cai do céu, pois a virtude é o resultado de um hábito bom, muitas vezes, repetidos.
Como chegar à humildade?
1º O pai da humildade é o autoconhecimento. Sem se autoconhecer jamais a pessoa chegará à humildade, pois a palavra “humildade” provém da palavra “húmus” – do latim – que quer dizer “terra”; para dizer que só é humilde aquele que tem a coragem de tocar na sua história mais profunda, nas realidades mais obscurecidas.
2º Sinceridade. Como a criança, devemos ser sinceros diante de Deus, das pessoas e de nós mesmos; a criança é muito sincera; quando ela gosta, gosta de verdade; quando não gosta, deixa claro para todos ouvirem e verem. Se quisermos ser humildes, teremos de acabar com as manipulações, com as mentiras, com as máscaras que sempre nos levam a viver de imagens, respeito humano, “diplomismo”, hipocrisia; acabamos fazendo o contrário: o nosso “sim” vira “não” e o nosso “não” vira “sim”. Autenticidade, verdade, transparência – tudo isso mediante a caridade – são o caminho para a humildade.
3º Confiança. Interessante que Jesus, numa ocasião, disse a Santa Faustina que o que mais fere o Coração d’Ele não é o pecado – até porque o mal é inacessível a Deus – mas sim, a falta de confiança. A confiança é este vaso que colhe a misericórdia de Jesus, que se derrama sobre cada um de nós. Uma das características da criança é a confiança que ela possui em seus pais – desde que estes sejam pais de verdade e não somente genitores. A criança se abandona, confia, sabe que os pais vão dar um jeito.
4º A arte do entretenimento. A grande característica da criança é que ela vive nesta fase linda de brincar. Nós adultos não brincamos mais, levamos a vida muito a sério e, por isso, ela [a criança] não possui a seriedade que deveria ter, pois somente quem sabe brincar e sorrir saberá tomar decisões sérias na hora exata em que a vida lhe pedir.
5º A criança é inteira. Ela serve. O maior é aquele que serve; a autoridade na Igreja está no serviço. Devemos começar a ser inteiros, como as crianças, em tudo aquilo que formos fazer e viver; devemos nos doar, até gastar a própria vida. Aí está o grande caminho de sermos grandes: grandes para os outros, para fazer da vida deles uma vida mais digna e humana.

O Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais

Segunda-feira, 9 de maio de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Na homilia o Papa Francisco refletiu sobre a presença do Espírito Santo e afirmou que Ele liberta todos da condição de órfão

“O Espírito Santo nos torna cristãos reais e não virtuais”, disse o Papa na missa celebrada na manhã desta segunda-feira, 9. Francisco dirigiu ainda um pensamento especial às religiosas vicentinas que trabalham na Casa Santa Marta, no dia da festa litúrgica da fundadora da Companhia, Santa Luísa de Marillac.

O Pontífice exortou os fiéis a se deixarem guiar pelo Espírito Santo, que ensina o caminho da verdade. ‘Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo’, disse o Papa comentando o diálogo entre Paulo e alguns discípulos, em Éfeso, para se deter na presença do Espírito Santo na vida dos cristãos.

“Também hoje acontece como aconteceu aos discípulos que, mesmo crendo em Jesus, não sabiam quem era o Espírito Santo”, frisou Francisco, acrescentando que muitas pessoas dizem que aprenderam no catecismo que o Espírito Santo está na Trindade e não sabem mais nada além disso.

Não mais órfãos

“O Espírito Santo é aquele que move a Igreja. É aquele que trabalha na Igreja, em nossos corações. Ele faz de cada cristão uma pessoa diferente da outra, e de todos juntos faz a unidade. O Espírito Santo é aquele que leva adiante, escancara as portas e convida a testemunhar Jesus.”

Francisco observa que no inicio da missa, os fiéis ouviram: receberão o Espírito Santo e serão minhas testemunhas no mundo. “O Espírito Santo é aquele que nos impulsiona a louvar a Deus, nos induz a rezar. Ele reza, em nós. O Espírito Santo é aquele que está em nós e nos ensina a olhar para o Pai e dizer-lhe: Pai. Ele nos liberta da condição de órfão para a qual o espírito do mundo quer nos conduzir.”

“O Espírito Santo é o protagonista da Igreja viva. É aquele que trabalha na Igreja”, frisou ainda Francisco. “Porém, quando não vivemos isso, quando não estamos à altura dessa missão do Espírito Santo, a fé corre o risco de se reduzir a uma moral ou uma ética”.

“Não devemos nos deter em cumprir os mandamentos e nada mais. Isso pode ser feito, isso não; até aqui sim, até lá não! Dali se chega à casuística e a uma moral fria”.

Não tornar o Espírito Santo “prisioneiro de luxo”

O Santo Padre reiterou dizendo que a vida cristã não é uma ética: é um encontro com Jesus Cristo e é o próprio Espírito Santo que leva a este encontro com Jesus Cristo.

“Mas nós, em nossas vidas, temos em nossos corações o Espírito Santo como um ‘prisioneiro de luxo’: não deixamos que ele nos impulsione, não deixamos que nos movimente. Ele faz tudo, sabe tudo, sabe nos lembrar o que Jesus disse, sabe nos explicar as coisas de Jesus. Somente uma coisa o Espírito Santo não sabe fazer: ‘cristãos de salão’. Ele não sabe fazer ‘cristãos virtuais’. Ele faz cristãos reais, Ele assume a vida real como ela é, com a profecia de ler os sinais dos tempos e assim nos levar avante. É o maior prisioneiro do nosso coração. Nós dizemos: é a terceira Pessoa da Trindade e acabamos ali.”

Refletir sobre o que o Espírito Santo faz em nossas vidas

Esta semana, acrescentou o Papa, será de reflexão sobre o que o Espírito Santo faz em “nossa” vida e perguntar-se se ele “nos” ensinou o caminho da liberdade.

“O Espírito Santo, que habita em mim, pede-me para sair: tenho medo? Como é a minha coragem, que o Espírito Santo me dá para sair de mim mesmo, para dar testemunho de Jesus?”continuou Francisco, e disse ainda: “Como está a minha paciência nas provações? Porque o Espírito Santo também dá a paciência.”

O Papa convida todos a pensar nesta semana de preparação para a Festa de Pentecostes se realmente acredita no Espírito Santo ou é apenas uma palavra.

“Procuremos falar com ele e dizer: “Eu sei que estás no meu coração, que estás no coração da Igreja, que levas adiante a Igreja, que fazes a unidade entre nós, mas diferentes entre nós, na diversidade de todos nós”, disse Francisco.

Ao concluir, o Pontífice orienta para “falarmos todas essas coisas e pedir a graça de aprender, mas praticamente na minha vida, o que Ele faz. É a graça da docilidade para com Ele: ser dócil ao Espírito Santo. Esta semana vamos fazer isso: pensemos no Espírito Santo, e falemos com ele”.

Santo Evangelho (Mt 14, 22-37)

Dedicação Basílica Santa Maria Maior – Terça-feira 05/08/2014 

Primeira Leitura (Jr 30,1-2.12-15.18-22)
Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

1Palavra que foi dirigida a Jeremias, da parte do Senhor: 2“Isto diz o Senhor, Deus de Israel: Escreve para ti, num livro, todas as palavras que te falei. 12Isto diz o Senhor: Incurável é tua ferida, maligna tua chaga; 13não há quem conheça teu diagnóstico; uma úlcera tem remédio, mas em ti não se produz cicatrização. 14Todos os teus amigos te esqueceram, não te procuram mais; eu te causei uma ferida, como se fosses inimigo, como um castigo cruel: por causa do grande número de maldades que te fez endurecer no pecado. 15Por que gritas em teu sofrimento? É insanável a tua dor. Eu te tratei com rudeza por causa das tuas inúmeras maldades e por causa do teu endurecimento no pecado. 18Isto diz o Senhor: Eis que eu mudarei a sorte das tendas de Jacó e terei compaixão de suas moradias, a cidade ressurgirá das suas ruínas e a fortaleza terá lugar para suas fundações; 19de lá sairão cânticos de louvor e sons festivos. Hei de multiplicá-los, eles não diminuirão, hei de glorificá-los, eles não serão humilhados. 20Teus filhos serão felizes como outrora, e sua comunidade, estável na minha presença; e agirei contra todos os que os molestarem. 21Para chefe será escolhido um dos seus, e o soberano sairá do seu meio; eu o incitarei, e ele se aproximará de mim. Quem dará a vida em penhor da sua aproximação de mim? – diz o Senhor. 22Sereis meu povo e eu serei vosso Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 101)

— O Senhor olhou a terra do alto céu.
— O Senhor olhou a terra do alto céu.

— As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

— Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

— Assim também a geração dos vossos servos terá casa e viverá em segurança, e ante vós se firmará sua descendência. Para que cantem o seu nome em Sião e louve ao Senhor Jerusalém, quando os povos e as nações se reunirem e todos os impérios o servirem.

 

Evangelho (Mt 14,22-37)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir a teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou. 33Os que estavam na barca, prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” 34Após a travessia desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem, ao menos, tocar a barra de sua veste. E todos os que tocaram, ficaram curados.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Apolinário, Bispo de Ravena 

Neste mesmo dia em que comemoramos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, lembramos com alegria da vida de santidade do mais antigo Bispo de Ravena: Santo Apolinário.

Nascido no Séc. I numa família pagã, foi convertido por Deus em Roma, através da pregação do apóstolo São Pedro.

No tempo de Apolinário o paganismo e sincretismo estavam dominando todo o Império e, por isso, todo evangelizador corria grandes riscos de vida. Com a missão indicando a evangelização do Norte da Itália, foi ele edificar a Igreja de Ravena, a qual tornou-se na Itália, depois de Roma, pólo do Cristianismo.

Por causa de Jesus Cristo e do Seu Reino, lutou contra as tentações, permaneceu fiel, com coragem sofreu e suportou até mesmo as torturas como confessor e, mais tarde, o martírio. Conta-nos a história que diante do Édito de Milão em 313, a Igreja Católica adquiriu liberdade religiosa e com isso pôde livremente evangelizar o Império Romano, assim como venerar seus santos; é deste período que encontramos em Ravena grande devoção ao Santo Bispo do qual celebramos hoje, herói da nossa fé.

Santo Apolinário, rogai por nós!

Papa indica silêncio para compreender o mistério do encontro com Deus

Missa na Casa Santa Marta, sexta-feira, 20 de dezembro de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco refletiu sobre o exemplo de Nossa Senhora, que preservou o silêncio desde a Anunciação até o Calvário

Somente o silêncio guarda o mistério do caminho que o homem cumpre com Deus. Assim disse o Papa Francisco, na homilia na Casa Santa Marta, presidida, nesta sexta-feira, 20. O Santo Padre pediu que Deus nos dê a graça de amar o silêncio, que tem necessidade de ser guardado distante da “publicidade”.

Francisco explicou que, na história da salvação, nem o barulho nem a plateia, mas a sombra e o silêncio são os lugares que Deus escolheu para se manifestar ao homem. As reflexões do Papa vieram especialmente do momento da Anunciação, proposto pelo Evangelho do dia, em particular do trecho em que o anjo diz a Maria que o poder do Altíssimo a “cobrirá com a sua sombra”.

“O Senhor sempre cuidou do mistério e o cobriu. Não fez publicidade do mistério. Um mistério que faz publicidade de si não é cristão, não é o mistério de Deus: é um mistério fingido! A sombra de Deus, na história da vida, ajuda-nos a descobrir o nosso mistério: o nosso mistério do encontro com o Senhor, o nosso mistério do caminho da vida com o Senhor”.

O Santo Padre acrescentou que cada um sabe como Deus trabalha misteriosamente em seu coração, sendo o silêncio a nuvem que cobre o mistério do relacionamento do homem com Deus. “Este mistério que não podemos explicar. Mas quando não há silêncio na nossa vida, o mistério se perde, vai embora. Proteger o mistério com o silêncio! Aquela é a nuvem, aquela é o poder de Deus para nós, aquela é a força do Espírito Santo.

E como perfeito ícone do silêncio, o Papa indicou a Mãe de Jesus, desde o anúncio de sua maternidade até o Calvário. O Pontífice recordou que, muitas vezes, ela não disse o que sentia para proteger o mistério da relação com o seu Filho.

“Era silenciosa, mas dentro do seu coração, quanta coisa dizia ao Senhor! (…) Ela, com o silêncio, cobriu o mistério que não entendia e com este silêncio deixou que este mistério pudesse crescer e florescer na esperança (…) O silêncio é o que protege o mistério. Que o Senhor nos dê a graça de amar o silêncio, de procurá-lo e ter um coração protegido pela nuvem do silêncio”.

O lado de lá e o lado de cá

Nossa morte e nosso céu se constroem no dia a dia

O calendário da Igreja nos oferece, neste final de semana, duas faces da magnífica medalha cunhada por Deus, que é a nossa vida, o Dia de todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis falecidos. Olhamos primeiro para o ponto de chegada, que corresponde ao magnífico destino para o qual fomos criados: a plenitude da vida e da felicidade junto de Deus, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9). Temos a certeza de que Ele não fez ninguém para a perdição, todos têm em si a vocação para a plena realização de todas as suas potencialidades. Tanto é verdade que o Pai do Céu enviou o próprio Filho, como nosso Salvador e Redentor, para que todos tenham vida, e vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Vida plenamente humana é aquela que enxerga o horizonte aberto pelo próprio Deus. A Solenidade de todos os Santos indica a perspectiva da existência marcada por uma realidade descoberta pela fé: “Desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1 Jo 3,2).

Santidade é para todos! Se nos alegramos com a iminente canonização de dois Papas do nosso tempo, os Beatos João XXIII e João Paulo II, é para que sejam reconhecidos como referência e como possibilidade. São duas personalidades carregadas de humanidade, cujo percurso histórico nesta terra teve muito de parecido conosco. São homens que vieram de famílias muito simples, lutaram e amadureceram em tempos de desafios grandes, com a provocação das ideologias do século XX. Souberam dialogar com a cultura de nossa época, alegraram-se e sofreram com as mesmas realidades que até hoje nos envolvem.

Percorreram o caminho dos bem-aventurados, de olhos fixos n’Aquele que é “O Bem-aventurado”, Jesus Cristo: os pobres em espírito, dos quais é o Reino dos Céus; os aflitos, que serão consolados; os mansos, porque possuirão a terra; os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, que alcançarão misericórdia; os puros de coração, porque verão a Deus; os que promovem a paz, chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, de quem é o Reino dos Céus! Homens e mulheres que se descobriram felizes quando injuriados e perseguidos por causa de Cristo. Pessoas portadoras de uma alegria invencível, certos da recompensa nos céus (Cf. Mt 5, 1-12).

A santidade, vocação universal dos cristãos, começa com coisas simples. João XXIII registrou, em seu diário íntimo, um caminho bom para todos, adequado para uma festa de Todos os Santos bem vivida, chamado “Decálogo da serenidade”: 1. Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez; 2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo; 3. Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste; 4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos; 5. Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma; 6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação, e não direi a ninguém; 7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba; 8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos o escreverei, e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão; 9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo; 10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.

A santidade que começa com muita simplicidade, é destinada a fazer o bem aos outros. Não é feita para aparecer, não se incha de orgulho. Sua motivação de fundo é a caridade, sem a qual nada vale neste mundo. Até porque é apenas a caridade que será levada para o encontro definitivo com Deus, “o lado de lá”, quando veremos face a face o Senhor. Ela é uma aventura feliz e bem-sucedida, construída no dia a dia e unificada pelo fio de ouro do amor de Deus, que nos faz ver o sentido de tudo o que vivemos. De fato, tudo concorrerá para o bem dos que amam a Deus (Cf. Rm 8, 29)! O Livro do Apocalipse vê uma imensa multidão, de toda língua, raça, povo e nação, “os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Cf. Ap 7, 2-14).

O “lado de lá” é preparado pelo “lado de cá” bem vivido, com o qual os homens e as mulheres se preparam para a páscoa pessoal, enfrentando todas as dificuldades e ultrapassando o misterioso e também magnífico umbral da morte. Como ninguém ficará para semente nesta terra, ocorre meditar sobre esta realidade, tomar consciência de sua seriedade e preparar-se bem. Morremos do jeito que vivemos. Nossa morte e nosso céu se constroem no dia a dia, para que o Dia do Senhor não nos surpreenda, mas nos encontre vigilantes e preparados!

Ninguém precisa ficar preocupado com a morte, mas viver bem, amando a Deus e ao próximo, semeando o bem e a bem-aventurança. E quando a morte chegar, será a oportunidade de virar o jogo! O segredo está, também aqui, em nosso Salvador: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10,18). Vale a pena antecipar a morte! Sim, morrendo cada dia para o egoísmo e para a maldade, transformando em dom a Deus e aos outros cada ato de nossa existência. Quem viver assim poderá dizer com São Paulo: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro. Ora, se, continuando na vida corporal, eu posso produzir um trabalho fecundo, então já não sei o que escolher. Estou num grande dilema: por um lado, desejo ardentemente partir para estar com Cristo – o que para mim é muito melhor; por outro lado, parece mais necessário para o vosso bem que eu continue a viver neste mundo” (Fl 1,21-24).

Que cheguemos a tais alturas: “Sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna. Aliás, é por isso que gememos, suspirando por ser sobrevestidos com a nossa habitação celeste; sobrevestidos digo, se é que seremos encontrados vestidos e não nus. Sim, nós que moramos na tenda do corpo estamos oprimidos e gememos, porque, na verdade, não queremos ser despojados, mas sim sobrevestidos, de modo que o que é mortal em nós seja absorvido pela vida. quem nos preparou para isto é Deus, que nos deu seu Espírito em garantia. Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos, longe do Senhor; pois caminhamos pela fé e não pela visão. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor” (2 Cor 5, 1-8).

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Desceu à mansão dos mortos

É na esperança que fomos Salvos!

O Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8). “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os Santos Padres da igreja dos primeiros séculos explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech. , 16: PG: 45,52B).

São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).

A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).

Assim, a Boa Nova foi anunciada também aos mortos, como fala São Pedro (1Pd 4,6). Esta descida de Jesus ao Hades é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio do Evangelho da salvação, e é a última fase da missão de Cristo, é a extensão da redenção a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. São João disse que Cristo desceu ao seio da terra [um modo de falar], a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Assim, Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu  pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Uma antiga homilia, de um autor grego desconhecido, e que a Igreja colocou na segunda leitura da Liturgia das Horas, no dia de Sábado Santo, diz:

“Um grande silêncio reina, hoje, na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se, porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos. Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão, acorrentado, e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”

O Papa beato João Paulo II, falando sobre este mistério, disse: “Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas”. (L’Osservatore Romano, ed. port. n.21, 24/05/1997, pag. 12(240).

Felipe Aquino
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