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Santo Evangelho (Mt 25, 1-13)

32º Domingo do Tempo Comum – 12/11/2017

Primeira Leitura (Sb 6,12-16)
Leitura do Livro da Sabedoria:

12A Sabedoria é resplandecente e sempre viçosa. Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram. 13Ela até se antecipa, dando-se a conhecer aos que a desejam. 14Quem por ela madruga não se cansará, pois a encontrará sentada à sua porta. 15Meditar sobre ela é a perfeição da prudência; e quem ficar acordado por causa dela, em breve há de viver despreocupado. 16Pois ela mesma sai à procura dos que a merecem, cheia de bondade, aparece-lhes nas estradas e vai ao seu encontro em todos os seus projetos.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 62)

— A minh’alma tem sede de vós e vos deseja, ó Senhor!
— A minh’alma tem sede de vós e vos deseja, ó Senhor!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! Desde a aurora ansioso vos busco! A minh’alma tem sede de vós, minha carne também vos deseja, como terra sedenta e sem água!

— Venho, assim, contemplar-vos no templo, para ver vossa glória e poder. Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida, e elevar para vós minhas mãos! A minh’alma será saciada, como em grande banquete de festa; cantará a alegria em meus lábios.

— Penso em vós no meu leito, de noite, nas vigílias suspiro por vós! Para mim fostes sempre um socorro; de vossas asas à sombra eu exulto!

 

Segunda Leitura (1Ts 4,13-18)

14Se Jesus morreu e ressuscitou — e esta é nossa fé — de modo semelhante Deus trará de volta, com Cristo, os que através dele entraram no sono da morte. 15Isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: nós, que formos deixados com vida para a vinda do Senhor, não levaremos vantagem em relação aos que morreram. 16Pois o Senhor mesmo, quando for dada a ordem, à voz do arcanjo e ao som da trombeta, descerá do céu, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. 17Em seguida, nós, que formos deixados com vida, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim estaremos sempre com o Senhor. 18Exortai-vos, pois, uns aos outros, com essas palavras.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 25,1-13)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos esta parábola: 1“O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. 5O noivo estava demorando, e todas elas acabaram cochilando e dormindo. 6No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ 7Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. 8As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar dos vendedores’. 10Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. 11Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ 13Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Josafá, precursor do ecumenismo

São Josafá, derramou seu sangue por amor do Supremo e Único Pastor das ovelhas, tornando-se precursor do ecumenismo

João Kuncevicz nasceu em Wladimir (Ucrânia), no ano de 1580, numa família de ortodoxos, ou seja, ligados à Igreja Bizantina e não à Igreja Romana.

Com a mudança de vida mudou também o nome para Josafá, pois era comerciante até que, tocado pelo Espírito do Senhor, abraçou a fé católica e entrou para a Ordem de São Basílio, na qual, como monge desde os 24 anos, tornou-se apóstolo da unidade e sacerdote do Senhor. Dotado de muitas virtudes e dons, foi superior de vários conventos, até tornar-se Arcebispo de Polotsk em 1618 e lutar pela formação do Clero, pela catequese do povo e pela evangelização de todos.

São Josafá, além de promover com o seu testemunho a caridade para com os pobres, desgastou-se por inteiro na promoção da unidade da Igreja Bizantina com a Romana; por isso conseguiu levar muitos a viverem unidos na Igreja de Cristo. Os que entravam em comunhão com a Igreja Romana, como Josafá, passaram a ser chamados de “uniatas”, ou seja, excluídos e acusados de maus patriotas e apóstolos, segundo os ortodoxos.

Aconteceu que numa viagem pastoral, Josafá, com 43 anos na época, foi atacado, maltratado e martirizado. Após ser assassinado, São Josafá foi preso a um cão morto e lançado num rio. Dessa forma, entrou no Céu, donde continua intercedendo pela unidade dos cristãos, tanto assim que os próprios assassinos mais tarde converteram-se à unidade desejada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Josafá, rogai por nós!

XXXII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 25, 1-13)
https://padrepauloricardo.org/episodios/a-parabola-das-virgens-e-o-oleo-da-oracao

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas. O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo. No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas. As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’. Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou. Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’ Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

Com a parábola das dez virgens, Nosso Senhor narra bem concretamente a diferença de destino entre aqueles que se entregam à vida contemplativa e aqueles que, imprudentemente, não rezam. Porque o óleo com que as cinco virgens previdentes mantêm acesas as suas velas não é outra coisa senão a oração: só através de um trato íntimo e perseverante com o Senhor poderemos manter ardendo a chama da caridade em nossos corações.

No dizer de Santo Agostinho, “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”. Se por um lado Nosso Senhor deseja distribuir a todos os homens as suas graças atuais, a fim de que “se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), por outro lado, não chegaremos a receber essas efusões do Espírito Santo se não lhas pedirmos expressamente. Isso acontece porque Deus age nas almas de maneira sutil, como o sopro de uma “brisa suave”, sem violências.

Para quem deseja caminhar a passos largos no caminho da perfeição, fica o conselho de crescer também na vida sacramental, pois é principalmente na Comunhão que se torna perceptível esse toque delicado do Senhor, derramando óleo em nossas lâmpadas.

Munidos perseverantemente, então, desses dois instrumentos — oração e sacramentos —, entraremos um dia na “festa de casamento” eterna com o divino Noivo de nossas almas, Jesus Cristo. Oxalá não mereçamos ouvir, ao fim de nossas vidas, a mesma palavra de condenação dirigida às virgens imprudentes do Evangelho: “Não vos conheço!”

 

A vigilância previdente
Por Mons. Inácio José Schuster

Mais uma vez Jesus nos convida à vigilância e nos dá como exemplo a parábola das virgens previdentes e imprevidentes. Adaptando a história à nossa existência nós podemos refletir acerca da nossa trajetória aqui na terra enquanto estamos nos preparando para um dia ir ao encontro do “noivo”. Todos nós sabemos que a nossa vida é breve e que um dia nós faremos a viagem em busca do reino que nos foi prometido por Deus.

O noivo é Jesus e a noiva é a nossa alma que tem sede de encontrá-Lo. O tempo em que vivemos aqui na terra é a oportunidade que nós temos para, também como as jovens previdentes, providenciarmos o “óleo” que mantém a lâmpada da nossa alma acesa. E o óleo que conserva acesa a chama do amor de Deus no nosso coração, nós o encontramos quando buscamos viver a fé que provêm da oração, o consolo que nos dá o Espírito Santo, é a alegria de uma vida voltada para Deus.

Quando nós vivemos somente entregues às coisas que o mundo nos acena e temos o coração ligado às coisas passageiras nós esquecemos de alimentar a nossa alma e, com certeza, nos faltará luz para atravessar o vale escuro no caminho que nos levará para outro estágio da nossa vida.

As jovens imprudentes, talvez vivessem uma vida despreocupada de Deus, achando que buscando somente as coisas do mundo, na hora da necessidade, Deus traria o óleo para suas lâmpadas. Muitas vezes nós também ficamos como que meio adormecido(a)s, anestesiado(a)s pelas preocupações com trabalho, com sobrevivência, amealhando dinheiro, confiantes de que ainda temos muito tempo de vida para só depois pensarmos nas coisas de Deus.

Jesus, porém nos diz: “ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora”. O caminho que nós precisamos atravessar é escuro e haverá um momento em que a porta se fechará. Por isso, precisamos nos preparar! Enquanto é tempo toda hora é hora para adquirirmos o que manterá a nossa lâmpada acesa. É na intimidade com a Palavra de Deus que nós vigiamos à espera do noivo que virá um dia nos levar para a morada que Ele mesmo nos preparou.

 

Alegria ou temor, ante o Esposo que chega!
http://portugal.blog.arautos.org/liturgia/liturgia-dominical/

A lâmpada de nossa alma brilha pelo azeite da virtude? Ou está ela apagada pela tibieza? Se assim for, no dia do Juízo o Divino Esposo dirá que não nos conhece!

I – A mais solene festa social do povo eleito

A Liturgia do 32º Domingo do Tempo Comum nos apresenta a famosa parábola das dez virgens que saem ao encontro do noivo, composta por Nosso Senhor no contexto de seu discurso escatológico. Era uma história perfeitamente acessível aos que O escutavam — neste caso, os discípulos —, pois se desenrolava em torno de um conhecido costume da época: a cerimónia nupcial. Em nossos dias os usos são diferentes, o que nos dificulta captar o significado profundo desta narração do Divino Mestre.

Como os Evangelhos são a Palavra de Deus, seu sentido abrange todas as eras históricas. Assim, cabe-nos recordar es­sas remotas tradições, para melhor entendermos a linguagem de Nosso Senhor e dela extrair a aplicação que nos convém.

Um contrato familiar selado com alegre esplendor

A principal comemoração social existente na vida do po­vo eleito, no Antigo Testamento, era a festa de casamento. Para torná-lo efetivo, as famílias de ambas as partes acordavam pre­viamente as condições da união, em especial o preço do mohar, uma soma em dinheiro que a do jovem devia entregar ao pai da moça. Em seguida celebravam-se os desponsórios, pelos quais os noivos ficavam prometidos entre si; e, por fim, como culminação das mencionadas tratativas entre os parentes, marcava-se a data das bodas, em geral com conside­rável antecedência. Só então se formalizava a aliança definitiva em um contrato escrito.1

A instituição da família era muito prezada e tinha uma estru­tura mais sólida que na atualida­de, conservando ainda caracte­rísticas do período patriarcal, em que o pai fazia o papel de um di­minuto chefe de estado, com po­der sobre todos os que estavam sob sua proteção e autoridade. Compreende-se que a fundação de um novo lar fosse um aconte­cimento cercado de alegria e dos mais esplendorosos festejos, os quais duravam sete dias, podendo estender-se até por duas se­manas.

O cortejo nupcial formado pelos amigos dos noivos

Um aspecto sui generis desta solenidade era o de começar à hora do crepúsculo, quando o Sol emitia seus últimos fulgores. O noivo dirigia-se à casa da noiva, acompanhado de seus amigos e ataviado como um rei, tendo a fronte cingida por uma coroa, com todo o luxo que suas posses permitissem. Para dar corpo e magni­ficência ao cerimonial, as amigas da noiva, também virgens, com ela aguardavam a chegada do noivo, que iria conduzi-la em jubiloso cortejo rumo à sua casa,2 onde se iniciaria o banquete com as bênçãos proferidas pelo pai de um dos nubentes ou por alguma pessoa de destaque. É possível que nas Bodas de Caná Jesus te­nha sido o convidado de honra que abençoou os cônjuges. Logi­camente essas jovens amigas da futura esposa entravam também no festim como convivas de especial estima e consideração.

Para se deslocar à noite pelas ruas seguindo a procissão nup­cial, as virgens, bem como os demais participantes do ato, usavam instrumentos de iluminação próprios à época: tochas ou lâmpa­das. Não havia iluminação artificial por energia elétrica. Quando anoitecia, tornava-se impossível locomover-se com segurança na intensa escuridão, e usavam-se lâmpadas para facilitar a visuali­zação dos caminhos — como as referidas por Nosso Senhor —, normalmente feitas de barro e alimentadas com azeite ou resina. Como não eram grandes, o combustível durava pouco. Se o traje­to fosse longo seria preciso levar reserva de azeite.

Também não é demais lembrar que os fósforos não haviam sido inventados, nem o isqueiro a gás. Para obter fogo se reque­ria certa arte e paciência: batiam-se duas pedras apropriadas, uma contra a outra, até se acender com uma faísca a mecha ou algo facilmente inflamável. Era tarefa tão complexa, que havia o costume de se ter uma dessas lamparinas sempre ardendo, ou se conservavam algumas brasas na lareira, a fim de conseguir fogo com presteza para qualquer finalidade. Deixar que a chama se apagasse era um verdadeiro desastre, porque acendê-la de novo não seria nada simples. Era imperioso ser vigilante e tomar cui­dado para que a lâmpada contivesse azeite suficiente…

Esta é a realidade da vida social israelita que Jesus tomará e, com sua insuperável didática, aplicará numa parábola, combi­nando os aspectos verídicos, como os descritos acima, com da­dos fictícios. Contudo, ao acrescentar estes últimos — por exem­plo, o fato de as virgens ficarem à espera do noivo até o meio da noite, atraso que nunca ocorria — o Divino Mestre estimulava o interesse e a imaginação dos ouvintes, fazendo com que com­preendessem melhor a lição moral que Ele queria transmitir.

II – Dez virgens: os sentidos do corpo e do espírito

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos esta parábola: 1 “O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo. 2 Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes. 3 As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo. 4 As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas”.

O número de amigas que podiam acompanhar a noiva durante as núpcias não estava definido, e eram tantas quantas quisessem os nubentes. Qual seria na parábo­la, então, o sentido mais profundo dado por Nosso Senhor ao fato de serem cinco virgens prudentes e cinco virgens loucas?3

Os Padres da Igreja sugerem-nos uma explicação muito útil para nossa vida espiritual: “As cinco virgens sábias e as cinco néscias” — afirma São Jerônimo — “podem ser interpretadas como os cinco sentidos, dos quais uns caminham com presteza rumo às moradas celestes e desejam as coisas elevadas, e outros, por terem ávido apetite da imundície terrena, carecem do in­centivo da verdade para iluminar o coração. Da vista, do ouvido e do tato, em sentido espiritual, foi dito: ‘O que vimos, o que ouvimos, o que com nossos olhos contemplamos e nossas mãos apalparam’ (I Jo 1, 1); sobre o paladar: ‘provai e vede como o Senhor é suave’ (Sl 33, 9); e sobre o olfato: ‘Atrás da fragrância de teus perfumes corremos’ (Ct 1, 3); e também: ‘somos o bom odor de Cristo’ (II Cor 2, 15)”.4

Possuímos cinco sentidos corporais: tato, paladar, olfato, audição e visão. Entretanto, todos eles têm seu correspondente na alma, como nos dá eloquente prova a própria Escritura. As­sim, podemos viver em função dos cinco sentidos carnais ou dos cinco espirituais. Quem age de acordo com os primeiros, utili­zando-os para o mal, preocupa-se em comprazer à sua vaidade, a seu egoísmo, à curiosidade, ao delírio de atrair as atenções so­bre si e de se comparar com os demais; em suma, de satisfazer suas paixões. Aquele, porém, que procede conforme os sentidos espirituais está constantemente orientado para seu ideal e sua vocação, tendo presente, sobretudo, quem o chamou: Deus!

Não obstante, para guiar esses sentidos com a retidão devi­da é preciso que haja azeite, mas em abundância, em demasia… Com efeito, o azeite significa saber aparelhar-se para manter a vista, a audição, o olfato, o paladar e o tato voltados para o sobrenatural, com a atenção posta no Noivo que vai chegar, o qual, evidentemente, é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tal é a conduta das cinco virgens prudentes que levaram azeite de sobra, isto é, reforçaram a vigilância contra qualquer eventual deslize, evitando, a todo custo, as ocasiões próximas de pecado.

As virgens loucas, imagem das almas tíbias

No extremo oposto está a atitude das virgens loucas. No­te-se que elas não foram à festa desprovidas de azeite, apenas trouxeram pouca quantidade, por não quererem carregar uma vasilha. Julgavam que esse pouco lhes seria suficiente, pois o noivo decerto não tardaria… E se lhes viesse a faltar, bastaria tomá-lo de uma das companheiras.

Esta é bem a imagem dos que têm a alma tíbia, dos me­díocres, cuja intenção se prende às coisas materiais, concretas, humanas. Gostam do meio-termo, andam contentes consigo mesmos, consideram qualquer avanço na virtude um exagero. Justificam suas faltas com o fato de serem concebidos no peca­do original, e se esquecem de que o Divino Redentor obteve a graça superabundante para nossa santificação. Criam, com isso, a ilusão de que o seu escasso esforço já é bastante para entrar no Céu. Ora, com meias medidas não se alcança a bem-aventu­rança! “Não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quen­te! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te” (Ap 3, 15-16).

A dinâmica da vida espiritual bem pode ser comparada a uma escada rolante, porém com uma característica sui generis: usamo-la para subir, quando a escada desce. Esta figura repre­senta nossas más inclinações, pois a natureza humana decaída sempre arrasta para baixo. Se quisermos galgar a escada rolante à mesma velocidade com que ela desce, não saímos do lugar. A da vida espiritual, todavia, possui uma curiosa particularidade: se subirmos com a mesma rapidez sua velocidade aumenta, de tal forma que é indispensável imprimir à ascensão maior pres­teza do que a da escada, senão logo estaremos no ponto de par­tida. Se formos mais depressa lograremos progredir, e atingire­mos com facilidade seu cimo!

A natureza humana exige os cochilos, mas sem perder a vigilância

5 “O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo”.

Podia acontecer, em alguma ocasião, que o noivo demo­rasse um pouco mais do previsto. Ora, Nosso Senhor se refere a um atraso exorbitante, pormenor que indica um exagero inten­cional. A tal ponto o noivo tardou que as virgens sucumbiram ao cansaço, até adormecerem.

A parábola, delicada e sábia como é, não recrimina o fato de todas terem dormido, e sim, como veremos, a imprevidência das cinco néscias. De fato, há oportunidades em que pensáva­mos estar prontos para acolher o Noivo, mas Ele não Se apres­sa em vir ter conosco. Então, nos é exigido um longo período de espera até a sua vinda.

Esta situação de si não é má; ao contrário, é até formativa. Todos passa­mos por períodos de aridez, tanto os fervorosos como os que se estagnaram na me­diocridade. Os sentidos se apagam, e a noite escura nos subtrai a clareza do panorama para o qual somos chamados pela nossa vocação de cristãos. Não é ra­ro isto ocorrer perto da morte e, por incrível que pareça, até aos Santos. Santa Teresinha do Menino Jesus e tantos outros, em seus últimos dias, suportaram uma terrível aridez.

Há, ainda, na sonolência das dez virgens outro simbolis­mo. Dado o nosso estado de contingência, é impossível, a não ser por uma ação extraordinária da graça, que não sejamos atraídos pelas mais diversas realidades da vida. São momentos em que não conseguimos cogitar nos altos horizontes do sobre­natural e temos de cochilar um pouco, ou seja, prestar atenção nos aspectos materiais da existência, como a saúde, o alimento ou as necessidades pecuniárias. Ao fazê-lo, no entanto, sempre devemos guardar uma vasilha de azeite, símbolo de uma vida interior sólida, com muita vigilância, de modo que passada a ne­cessidade de cuidar do concreto, voltemos a elevar a vista para as coisas celestes.

Mas quantas vezes cochilamos, a ponto de cair num sono profundo e esquecer a importância primordial da provisão do azeite… Abandonamos os exercícios de piedade, deixamos de rezar, não fugimos das ocasiões de pecado… De relaxamento em relaxamento na vida espiritual, quando menos se espera apare­ce o Noivo! Não há energia humana capaz de nos manter na prática da virtude. É preciso ter um bom reservatório de azeite: muita vigilância e oração, pois sem a força do Espírito Santo nenhuma criatura se conserva estavelmente em estado de graça.

6 “No meio da noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!’ 7 Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas”.

Se o casamento de­via realizar-se ao pôr do Sol e o noivo só se apre­sentou no meio da noite, as dez jovens aguarda­ram durante várias ho­ras, pelo que o azeite se gastou. As cinco pruden­tes logo prepararam suas lâmpadas, despejando o azeite que ti­nham na vasilha, de maneira a receber o noivo e ainda fazer com ele todo o percurso restante.

A ilusão de mudar de vida quando chega o Esposo

8 “As imprevidentes disseram às previdentes: ‘Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando’. 9 As previdentes responderam: ‘De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores’”.

As virgens néscias perceberam que seu azei­te estava para acabar e pediram uma parte às prudentes. Estas não lhes cederam nada, sem mani­festar egoísmo com tal ati­tude, pois, por terem sido previdentes, estavam no direito de dispor em benefício próprio daquilo que traziam. Por isso mandaram as loucas comprar óleo. Ora, como iam encontrar um vendedor a essa altura da noite? Era algo inusitado: bater à porta do comerciante em hora tão tardia — ainda mais naquele tempo — seria em vão; na melhor das hipóteses este lhes recomendaria voltar na manhã seguinte.

As virgens imprevidentes foram malsucedidas e as previ­dentes foram bem-sucedidas, inclusive por não terem dado um pouquinho do seu azeite às que o solicitavam. Analisemos, pois, o porquê desta recusa das previdentes: não se podem transferir os méritos de uns para os outros, pois cada alma é obrigada a ad­quirir os seus e a velar por sua própria vida espiritual. Quando chega o instante de comparecer diante de Deus não é possível que alguém mais previdente nos empreste méritos, e não podem “as virtudes de um remediar os vícios de outros”.5 Ou se tem o que deveria ser apresentado naquela hora ou não se tem! É o que nos recorda São João Crisóstomo, de forma bastante incisi­va: “Que lição tirar disto? No outro mundo, quem não tiver boas obras não poderá ser socorrido por ninguém, não porque não queiram fazê-lo, mas por ser impossível. As virgens insensatas, na realidade, procuraram refúgio no impossível”.6

No dia derradeiro já não haverá tempo de mudar, a não ser que nos seja concedida uma graça fulminante e eficaz, pois não somos capazes de modificar nosso comportamento no es­paço de um instante e recuperar tudo aquilo que era preciso ter sido realizado durante uma vida inteira. Portanto, perante a iminência da morte, reagiremos como estamos acostumados a fazer. Se não armazenarmos azeite, quando formos acordados, ainda que queiramos nos esforçar não o conseguiremos, por­que se morre tal como se viveu. É noite, não há lojas abertas… Quão ilusório se patenteia, então, o cálculo de muitos: “Deus é bom! Ele certamente dar-me-á um aviso antes de me chamar, e, no fim, me arrependerei, rezarei um tanto, e com uma ab­solvição tudo se resolverá!”. Quem conhece as circunstâncias em que a morte vai surpreender cada um de nós? Quem nos garante a presença de um sacerdote disponível para ministrar os últimos Sacramentos?

A alma tíbia procura o consolo no pecado

10 “Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou”.

As virgens loucas saíram para comprar o azeite. O que sig­nifica isto? Quando nos afastamos do Noivo, vamos procurar os consolos do mundo. Quem está viciado em deleites terrenos não busca ânimo em Jesus, e sim naquilo a que se está afeito. E como se apresentar depois diante de Deus, com a consciência tranquila? Neste sentido pondera Santo Agostinho: “Não se deve pensar que elas [as prudentes] lhes dão um conselho, mas que lhes recordam a falta, in­diretamente. Porque os vendedores de azeite são os aduladores que, elo­giando o que é falso ou desconhecido, induzem as almas a erro […]. Quando elas se inclinavam para as coisas de fora e procura­vam recrear-se nos praze­res habituais, porque não tinham gosto nos gozos interiores, chegou Aquele que julga”.7

As virgens prudentes, pelo contrário, possuíam suficiente azeite da virtude praticada com entusiasmo, com fortaleza, com generosidade, com desprendimento, tendo os sentidos da alma postos no sobrenatural, e puderam ingressar com o Noivo na sa­la das bodas.

Se não reservarmos o azeite, sofreremos o repúdio do Esposo

11 “Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!’ 12 Ele, porém, respondeu: ‘Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!’”

Para melhor compreender a gravidade do ensinamento de Nosso Senhor com esta parábola, é preciso saber que “não conhecer” na linguagem daqueles tempos tinha uma acepção um tanto diferente da que lhe atribuímos hoje. Modernamente significa ignorar quem é a pessoa. Mas naquela época em que a população era ínfima, comparada com a atual, numa cidade, e ainda mais numa aldeia, todos se relacionavam. A expressão “não te conheço” equivalia a chamar o outro de estrangeiro e mandá-lo embora. Era, portanto, um repúdio, uma ofensa. “Que significado tem: não vos conheço?” — pergunta Santo Agostinho — “Tendes minha desaprovação, minha reprovação. Não vos conheço porque não sois compatíveis com o meu modo de proceder; meu proceder desconhece o vício. Que coisa admi­rável: desconhece os vícios e, entretanto, os julga”.8 Assim, nas palavras do noivo revela-se a sentença do Divino Juiz que os ré­probos ouvirão no grande dia: “Retirai-vos de Mim, malditos! Ide para o fogo eterno” (Mt 25, 41).

Àquelas infelizes jovens de nada adiantou sua condição virginal para terem direito a entrar na festa, pois a virgindade do corpo perde seu valor quando falta a da alma, como se vê pela afirmação de São Jerônimo: “O Senhor não conhece os que praticam a iniquidade e, ainda que sejam virgens, […] estejam orgulhosos de sua pureza corporal e de sua confissão da verda­deira fé, sem embargo, porque não têm o azeite da sabedoria, basta-lhes como castigo que o Esposo os ignore”.9

Também nós devemos ter azeite na lâmpada no dia a dia, quer dizer, cultivar bem a vida espiritual, rezar sempre, comun­gar com frequência e confessar-se com regularidade. Mesmo sem ter matéria grave a declarar é imprevidência não se apro­ximar do tribunal da Penitência, porque este Sacramento infun­de na alma abundantes graças que só ali se obtêm, ainda que não haja necessidade de recuperar o estado de graça. Para isso o penitente deve enunciar ao menos genericamente as culpas do passado, a fim de receber a absolvição. Era o que motivava vá­rios Santos, como São Vicente Ferrer, Santo Inácio de Loyola ou São Carlos Borromeu a fazerem a confissão diária. Alguns, como São Francisco de Borja ou São Leonardo de Porto Maurí­cio, faziam-na duas vezes por dia.10

Nossas obras serão conhecidas por todos

Há quem se iluda, alegando ter cometido suas faltas às ocul­tas, longe da vista dos homens. Na realidade, todavia, diante da perspectiva do Juízo Final, o estar sozinho não existe. E se somos propensos a julgar que este dia grandioso e terrível será dentro de tantos séculos que ninguém se lembrará de nós, devemos, ao in­vés disso, persuadir-nos da seriedade dessa ocasião em que, pelo divino poder, não só cada um guardará na memória a totalidade de seus atos, mas todos conhecerão as obras dos demais.11 Deus, ante o qual tudo é presente — porque para Ele não há passado nem futuro —, por assim dizer, transferirá ao nosso entendimen­to, incapaz por si de abarcar tal imensidade, o conhecimento dos méritos e deméritos de cada um. Esta noção não se apagará, de modo que tanto os Bem-aventurados e os Anjos do Céu quanto os precitos do inferno a conservarão eternamente.

O valor da vigilância

13 “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora”.

Por fim, Nosso Senhor conclui a parábola deixando claro que a elaborou com o objetivo de nos incentivar a sermos vigilantes. A seus discípulos, depois de lhes anunciar os últimos acontecimentos e sua vinda gloriosa, Ele advertiu: “Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem” (Lc 21, 36). E pouco antes de começar a Paixão, duran­te a agonia no Horto das Oliveiras, recomendou-lhes novamente: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26, 41).

Quantas vezes rezamos, e até muito, para não cair em tentação! Só isso, contudo, não basta, porque é preciso vigiar. Vigiar é tão importante quanto orar, pois, ao nos precavermos, fugimos das ocasiões próximas de pecado e, com isso, obstamos a possibilidade de uma queda. Vigiar, pois, significa ter os olhos bem abertos para que os sentidos inferiores não nos arrastem para baixo, mas, isto sim, nos ajudem a subir até Deus, admi­rando seus reflexos na criação. A beleza de uma rosa, um suave tecido, um agradável perfume, uma harmoniosa música ou até uma ótima comida, são elementos que podem nos elevar a alma.

Eis a inspiração evangélica para um bom exame de cons­ciência: como me comporto nessa matéria? Meus cinco sentidos carnais dominam os sentidos espirituais? Quais circunstâncias me levam ao mal? Tal companhia que não é boa? É preciso cortar. Tal programa de televisão inconveniente? Não devo vê-lo. Tal acesso à internet? Evitarei a todo custo. Se a vigilância exige que eu arran­que um olho ou corte uma das mãos, conforme diz figurativamen­te Nosso Senhor (cf. Mt 5, 29-30), é imprescindível fazê-lo, porque é melhor entrar no Céu coxo, manco ou cego, do que conservar todos os membros e ser lançado ao fogo eterno (cf. Mt 18, 8-9).

Uma profecia certa: nossa morte

Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje, porque talvez nesta mesma noite sejamos julgados! Profecia cer­ta e segura é esta: todos morreremos. Dia e hora, porém, nin­guém o sabe, pois até mesmo um doente à beira da morte ignora o instante exato em que esta lhe sobrevirá. Quem ousará prome­ter que vai acordar amanhã? Quem se atreverá a garantir que terminará de ler este artigo? Nosso destino é a morte, mas sua perspectiva nos auxilia a abandonar os apegos e nos arranca do caminho errado que abraçamos. Entrar pelas vias do vício é uma loucura, porque nada há na face da Terra de mais adverso a Deus do que o pecado, que nos expõe a sermos apanhados pelo justo Juiz no momento em que menos esperamos (cf. Mt 24, 44.50; Lc 12, 46), com as mãos vazias e as lâmpadas apagadas. E Ele dirá que não nos conhece!

Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo, por intercessão de Maria Santíssima, a graça de sermos realmente vigilantes em nos­sos pensamentos, desejos e ações, visando a santidade em tudo. Assim estaremos sempre com a lâmpada abastecida de azeite… ²

1) Cf. TUYA, OP, Manuel de; SALGUERO, OP, José. Introducción a la Biblia. Ma­drid: BAC, 1967, v.II, p.310-312.

2) Cf. Idem, p.312-313.

3) Embora o texto litúrgico apresente a tradução “jovens imprevidentes” e “previden­tes”, a fim de aprofundar o sentido místico da parábola usaremos também “virgens loucas ou néscias” e “virgens prudentes”, conforme o texto grego deste Evangelho, que utiliza os termos παρθένος (parthénos) – virgem; μωρός (morós) – louco, néscio; φρόνιμος (phrónimos) – prudente.

4) SÃO JERÔNIMO. Comentario a Mateo. L.IV (22,41-28,20), c.25, n.58. In: Obras completas. Comentario a Mateo y otros escritos. Madrid: BAC, 2002, v.II, p.353; 355.

5) Idem, p.357.

6) SÃO JOÃO CRISÓSTOMO. Homilía LXXVIII, n.1. In: Obras. Homilías sobre el Evangelio de San Mateo (46-90). 2.ed. Madrid: BAC, 2007, v.II, p.553.

7) SANTO AGOSTINHO. De diversis quæstionibus octoginta tribus. Q.59, n.3. In: Obras. Madrid: BAC, 1995, v.XL, p.165-166.

8) SANTO AGOSTINHO. Sermo XCIII, n.16. In: Obras. Madrid: BAC, 1983, v.X, p.620.

9) SÃO JERÔNIMO, op. cit., p.357.

10) Cf. SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. La veritable épouse de Jé­sus-Christ. C.XVIII, n.1. In: OEuvres Ascétiques. 6.ed. Tournai: Casterman, 1882, t.XI, p.17; CHIAVARINO, Luis. Confessai-vos bem. 4.ed. São Paulo: Paulinas, 1957, p.105-106.

11) Cf. SANTO AGOSTINHO. De Civitate Dei. L.XX, c.14. In: Obras. Madrid: BAC, 1958, v.XVI-XVII, p.1480; SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. Suppl., q.87, a.1; a.2.

 

32º Domingo Comum
http://paroquiacristoreice.com.br/index.php/component/content/article/43-destaques/1527-homilia.pdf

No Evangelho que ouvimos, Jesus nos fala do fim dos tempos. Como era seu costume, ele usava parábolas; isso é: figuras para realçar as lições que seus ouvintes precisavam aprender sobre os tempos finais. Como em outras parábolas que Jesus contou, não podemos buscar o significado em cada mínimo detalhe. Por exemplo: O fato de haver cinco virgens prudentes e cinco insensatas não quer dizer que a metade da humanidade será salva e a outra metade não. O significado é este: haverá apenas dois grupos de pessoas: Os que estão preparados e os que não estão. Percebamos que estão em grupo, em comunidade, se não fosse tal ênfase Jesus colocaria apenas duas pessoas, uma de um lado e outra do outro, cada uma de forma solitária.

A intenção de Jesus nesta parábola é chamar a atenção para a responsabilidade pessoal de cada um. As virgens insensatas poderiam ter tomado a iniciativa de trazer mais óleo, ou ter buscado enquanto havia tempo. Mas não o fizeram. Da mesma forma, muitas pessoas hoje poderiam buscar mais a Palavra de Deus, compreendê-la e crer na mensagem salvadora em Jesus Cristo (O noivo) e aplica-la às suas vidas. Entretanto, muitos se contentam com o pouco que aprenderam no passado, quem sabe de parentes ou de outra maneira (como em comunidades mal conduzidas), ou ainda com algumas tradições religiosas, sem de fato terem a fé verdadeira bem solidificada e alicerçada na Palavra de Deus.

Muitos não alimentam suficiente e continuamente a chama da fé que receberam gratuitamente de Deus no Batismo ou através da santa Palavra. Falo da fé que lhes garante a vida eterna por graça de Jesus Cristo.

E um dia a chama pode apagar por simples falta de cuidado e atenção. E, quando o Senhor vier repentinamente, não haverá mais tempo para buscar a Palavra, o óleo tão necessário para manter a chama acesa e trazer a luz.

É necessário que todos tomemos a iniciativa de vigilância enquanto estamos a caminho. Não desperdicemos as oportunidades que Deus nos dá para estarmos sempre em comunhão com ELE. É para isto que Deus nos dá o tempo de vida.

É bom lembrar que as cinco que entraram com o Noivo na festa de casamento, tiveram acesso não por méritos próprios, mas pela graça de Deus. Deus preparou a festa para os que Nele creem e se apegam aos méritos do Salvador Jesus. Elas entraram “com o Noivo”. Jesus disse: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida; ninguém vem ao Pai SENÃO por mim” (Jo 14,6).

 

A caridade é simbolizada no óleo
Mt 25, 1-13:. Homilia de Santo Agostinho (S. 93, 2,2.3,4.4,5)
http://www.agustinosrecoletos.com/blog/pt-pt/2014/11/03/caridade-e-simbolizada-oleo/

«Entendamos, pois, caríssimos, que essa parábola concerne a todos nós, isto é, a toda a Igreja: não só aos que estão a cargo dela, sobre os quais vos falamos ontem, nem só ao povo, mas a todos. Por que se fala de cinco virgens e depois de outras cinco? Estas cinco virgens, mais as outras cinco, todas elas são almas de cristãos…

Não se costuma falar de virgindade quando se trata de pessoas casadas; porém, também nos casados se dá a virgindade da fé, que ressalta a castidade conjugal. Pois, para que o saiba a vossa santidade: não é inadequado considerar como virgem a toda e qualquer alma, no que diz respeito à integridade da fé, pela qual ela se abstém do ilícito e pratica as boas obras. Até a Igreja inteira, que consta de virgens e crianças, de mulheres e de varões casados, é designada com o mesmo nome de virgem. Donde o provamos? Ouve o Apóstolo que diz, referindo-se não apenas às virgens, mas à Igreja toda: Fui eu que vos desposei a um único esposo, apresentando-vos a Cristo como virgem pura (2Cor 11, 2)…

Poucas conservam a virgindade no corpo, no coração, porém, todos devem conservá-la. Assim sendo, se é boa a abstinência das coisas ilícitas, da qual a virgindade recebe seu nome, e dignas de loa são as obras boas, significadas nas lâmpadas, por que são admitidas cinco e as outras cinco, rejeitadas?… Entre as mesmas virgens que levavam lâmpadas, umas são ditas previdentes e outras, imprevidentes. Donde é que o podemos ver e em que as distinguimos? Pelo óleo. Algo grande significa o óleo, muito grande. Que te parece? Não seria a caridade? Dizemo-lo perguntando, sem adiantar a resposta. Eu vos direi por que me parece que a caridade é simbolizada no óleo. O óleo é o mais excelente de todos os fluidos. Põe água num recipiente e infunde-lhe óleo: o óleo ficará por cima. Põe óleo e infunde-lhe água: o óleo ficará por cima. Se seguires a ordem, o óleo vence; se a mudares, vence também. A caridade não acabará nunca (cf. 1Cor 13, 8)».

Vencer a indiferença e construir a cultura do encontro

Terça-feira, 13 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa criticou a indiferença que deixa inerte em relação ao sofrimento alheio e pediu encontro verdadeiro com o próximo

É preciso olhar e ver, ouvir e escutar o próximo que sofre, refletiu o Papa nesta manhã / Foto: L’Osservatore Romano

Trabalhar para construir uma verdadeira cultura do encontro, que vence a cultura da indiferença. Esse foi o pedido do Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 13, na Casa Santa Marta.

Francisco falou do encontro de Deus com o seu povo e advertiu para os maus hábitos que, em família, afastam da escuta do outro. A Palavra de Deus hoje faz refletir sobre um encontro. Com frequência, observou o Papa, as pessoas se cruzam, mas não se encontram. Cada um pensa em si mesmo; olha, mas não vê; ouve, mas não escuta.

“O encontro é outra coisa, é aquilo que o Evangelho hoje nos anuncia: um encontro; um encontro entre um homem e uma mulher, entre um filho único vivo e um filho único morto; entre uma multidão feliz, porque encontrou Jesus e o segue, e um grupo de pessoas, chorando, que acompanha aquela mulher, que saía de uma porta da cidade; encontro entre aquela porta de saída e a porta de entrada. O ovil. Um encontro que nos faz refletir sobre o modo de nos encontrar entre nós”.

O Evangelho fala da grande compaixão que Deus teve nessas situações. Esta compaixão, advertiu Francisco, não é o mesmo que as pessoas sentem quando andam na rua e veem uma coisa triste e pensa “que pena”. Jesus não passa além, é tomado pela compaixão. Aproxima-se da mulher, a encontra realmente e depois faz o milagre.

Neste episódio, o Papa destacou que não se vê apenas a ternura, mas também a fecundidade de um encontro. “Todo encontro é fecundo. Todo encontro restitui as pessoas e as coisas no seu lugar. Estamos acostumados com a cultura da indiferença e temos que trabalhar e pedir a graça de fazer a cultura do encontro, do encontro fecundo que restitui a todas as pessoas a própria dignidade de filhos de Deus. Nós estamos acostumados com esta indiferença, quando vemos as calamidades deste mundo ou as pequenas coisas: ‘Mas que pena, pobres pessoas, como sofrem’, e ir adiante. Se eu não ver – não é suficiente ver, mas olhar – se eu não paro, não olho, não toco, se não falo, não posso fazer um encontro e nem ajudar a fazer a cultura do encontro”.

O Papa explicou ainda que todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus por visitar o seu povo.  Da mesma forma, ele disse que gosta de ver também o encontro de todos os dias entre Jesus e sua esposa, a Igreja, que aguarda o Seu retorno.

E a mensagem de hoje é que todos são carentes da Palavra de Deus e precisam desse encontro com Ele. “À mesa, em família, quantas vezes se come, se vê TV ou se escreve mensagens no celular. Todos são indiferentes a este encontro. Até no fulcro da sociedade, que é a família, não existe encontro. Que isto nos ajude a trabalhar por esta cultura do encontro, tão simplesmente como o fez Jesus. Não olhar apenas, mas ver; não ouvir apenas, mas escutar; não só cruzar com os outros, mas parar. Não dizer apenas ‘que pena, pobres pessoas’, mas deixar-se levar pela compaixão. E depois, aproximar-se, tocar e dizer do modo mais espontâneo no momento, na linguagem do coração: ‘Não chore’. E dar pelo menos uma gota de vida”.

Regras de ouro para ler a Bíblia

1. Leia a Bíblia todos os dias  
Eis a principal regra de ouro: ler a Bíblia todos os dias. Sem exceção. Leia-a quando tiver vontade e quando não tiver também! É como remédio: com ou sem vontade, tomamos, porque é necessário; com a Sagrada Escritura é a mesma coisa. Assim como alimentamos o corpo, todos os dias, alimentemos, diariamente, o nosso espírito com a Palavra de Deus.

2. Tenha uma hora marcada para a Leitura
Para grande parte das pessoas, a melhor hora de ler é de manhã cedinho. Elas se levantam para ler a Bíblia antes das outras ocupações e do começo do movimento em casa. Há, porém, quem tenha dificuldades para fazer isso. São pessoas que, pela manhã, sentem-se pesadas, sonolentas. Elas não conseguem se concentrar. O importante é descobrir o melhor período para você e fazer dele a sua hora marcada com a Bíblia, sendo-lhe fiel.

3. Marque a duração da Leitura  
São preferíveis 20 minutos de leitura todos os dias do que a empolgação de quem planeja muito, mas, depois, não vai em frente. Marque a duração da leitura e seja-lhe fiel. Muitas pessoas que, de início, exigiram muito de si mesmas, agora se confessam satisfeitas com o fato de sentirem um envolvimento e uma motivação tamanhos que a disciplina deixou de ser uma exigência para elas. Elas precisam de mais tempo, pois o trabalho ficou com gosto de “quero mais”.

4. Escolha um bom lugar  
Ter o nosso cantinho é muito bom. Não precisamos de nada especial, o que importa é contar com um lugar tranquilo, silencioso, que facilite a concentração e favoreça a criação de um clima de oração para fazer o nosso trabalho bíblico. Lembre-se, todavia, que o lugar é uma coisa secundária: ele é apenas um meio para trabalharmos melhor e com maior resultado. Importante mesmo é, em qualquer lugar, realizar com dedicação a nossa tarefa.

5. Leia com lápis ou caneta na mão  
Não se trata de simplesmente ler; devemos fazer uma leitura ativa. Um meio simples e eficaz é ler a Palavra de Deus com lápis ou caneta na mão. Sublinhe as passagens mais importantes, as coisas que lhe falaram e que o tocaram de modo especial. Não tenha medo de riscar a sua Bíblia. Ela é um instrumento de trabalho. Com o texto bíblico bem marcado, vai ser fácil você se lembrar das passagens e encontrá-las quando procurar.

6. Faça tudo em espírito de oração  
Você não está apenas lendo a Bíblia, mas buscando um encontro com a Palavra de Deus. Está à procura de um contato íntimo com a Palavra Viva do Senhor, a qual  fala a você. Trata-se de um diálogo: você escuta, acolhe, sensibiliza-se e responde. É um encontro vivo entre pessoas vivas, um encontro de pessoas que se amam. Muitos experimentaram essa relação. Experimente-a você também.

Monsenhor Jonas Abib 

A fé: uma alegria renovada

Beleza tão antiga e tão nova

Uma das páginas mais comoventes do livro das Confissões de Santo Agostinho é a oração que dirige a Deus, com um misto de alegria e de dor, ao lembrar-se das hesitações e as demoras que atrasaram a sua conversão:

«Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te procurava fora: lançava-me transtornado sobre as belezas que tu criaste.  Tu estavas comigo, e eu não estava contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas criadas que, se não fossem sustentadas por ti, nem mesmo existiriam. Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez; brilhaste, resplandeceste, e a tua luz afugentou a minha cegueira; exalaste o teu perfume e respirei, suspirei por ti; saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti; Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo da tua paz» (liv. 10, 27).

Santo Agostinho sentiu, desde muito jovem, uma sede ardente de felicidade, de amor, de verdade. Percorreu aos trambolhões um longo caminho de procura. Foi sincero. Por isso Deus ouviu as suas súplicas e lhe deu a resposta, acendendo-lhe na alma a luz da fé em Cristo. A partir desse instante, foi invadido por uma alegria que nunca mais iria abandoná-lo.

«Senhor…, fizeste-nos para ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em ti», escrevia no começo das suas Confissões. Descansou na fé e no amor. Essa foi a sua experiência.

Alegria! Paz! Todos nós as desejamos… e como nos custa encontrá-las. Continuam a ser para nós um tesouro escondido (cf. Mt 13, 44). E, no entanto, poderíamos achá-las se nos puséssemos em condições de alcançar a graça da fé. Não o incentiva pensar que a Bíblia, o Novo Testamento, nos mostra que a alegria autêntica é inseparável da fé?

Lembre. Jesus acabava de nascer e já houve uns homens, os Magos, que, acolhendo com fé o sinal profético de uma estrela, empreenderam um  duro caminho. São Mateus conta assim o final dessa aventura: E eis que a estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. Ao verem a estrela – ao acharem Jesus –, sentiram uma imensa alegria (Mt 2,9-10). O tamanho dessa alegria deduz-se do texto original do Evangelho, que é difícil reproduzir com exatidão: Alegraram-se com uma alegria muito grande, e muito! Uma explosão de alegria no coração.

Lembremos também outro relato do Novo Testamento. A comunidade cristã acabava de nascer e já sofria perseguição. Como é que viviam a fé? São Pedro o conta: Este Jesus vós o amais sem o terdes visto; credes nele sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque estais certos de obter, como preço da vossa fé, a salvação de vossas almas  (1 Ped 1,8-9).

Os testemunhos sobre a alegria da fé são inúmeros. Quero trazer agora apenas um de tempo relativamente recente, o do jornalista André Frossard. Era filho do primeiro Secretário geral do Partido Comunista francês, e foi criado totalmente à margem da religião. Entrou um dia por acaso numa igreja, ponto de espera marcado por um amigo. De repente, instantaneamente, Deus o atingiu com a sua graça, e passou a crer sem nenhuma dúvida, a crer em “todas” as verdades da fé católica. Foi um milagre do amor de Deus, que jamais esqueceria. Assim o comentava posteriormente: «Como esquecer o dia em que, numa capela subitamente rasgada de luz, se descobre o amor ignorado pelo qual se ama e  se respira, em que se aprende que o homem não está só, que uma presença invisível o penetra, o rodeia e o espera, que para lá dos sentidos e da imaginação existe um outro mundo, em comparação com o qual este universo material, por mais belo que seja e por mais atrativo que se apresente, não passa de vaga neblina e reflexo distante da beleza que o criou» (Há um outro mundo, Quadrante 2003).

Como já sabe, estamos no Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI em 11 de outubro de 2011, com a Carta Apostólica Porta fidei (“A porta da pé”), comemorando os 50 anos do início do Concílio Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. Vai terminar na Solenidade de Cristo Rei, 24 de novembro de 2013. A carta Porta fidei incentiva-nos a desejar ter ou aumentar a nossa fé. Fala da «necessidade de redescobrir o caminho da fé, para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo» (n. 2).

Na audiência da quarta-feira 10 de outubro de 2012, véspera do início deste Ano da Fé, o Papa voltou a exortar-nos a «redescobrir cada dia a beleza da nossa fé». No dia seguinte, inaugurando o Ano da Fé, voltava a referir-se em uma homilia à «alegria de crer e à sua importância vital para nós, homens e mulheres». E, poucos dias depois, na audiência da quarta-feira 17 de outubro, anunciou o seu propósito de dedicar, neste Ano da Fé, as alocuções das quartas-feiras à catequese sobre o tema da fé: «Quereria – dizia –que fizéssemos um caminho para reforçar ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que a fé não é algo alheio, separado da vida concreta, mas é a sua alma».

Na Carta Porta fidei o Papa faz um resumo sintético das finalidades dste ano: «Descobrir novamente os conteúdos da fé professada (as verdades da fé), da fé celebrada (nos Sacramentos), da fé vivida (na conduta, na vida real, na vida moral), e da fé rezada (da oração e da vida de oração)» (Porta fidei, n. 9).

Se você conhece o Catecismo da Igreja Católica, deve ter observado que, em poucas palavras, o Papa menciona as quatro partes em que o Catecismo se divide: I. A profissão da fé; II. A celebração do mistério cristão; III. A vida em Cristo; IV. A oração cristã.

É natural, pois, que a Carta Porta fidei insista em que «o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica […]. Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária» (n. 11).

Todos somos conclamados, portanto, a estudar e a difundir o conteúdo – assimilado, esmiuçado, traduzido em linguagem acessível – do Catecismo da Igreja e do seu Compêndio, bem como a redescobrir os documentos do Concílio Vaticano II.

Deixe-me acabar esse trecho com uma pergunta: Você vai fazer alguma coisa? O que poderia fazer para aprofundar e dar a conhecer a “doutrina” católica, os “conteúdos” da fé?

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

Reconhecer-se pecador é a porta para encontrar Jesus, diz Papa

Quinta-feira, 21 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Homilia do Papa foi inspirada no relato da conversão de São Mateus, celebrado hoje pela Igreja

“A porta para encontrar Jesus é reconhecer-se pecador”, afirmou o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 21, na Capela da Casa Santa Marta. Sua homilia repassou a conversão de São Mateus, festejado hoje pela Igreja.

O Santo Padre falou das etapas do acontecido: encontro, festa e escândalo. Jesus havia curado um paralítico e encontrou Mateus, sentado no banco dos impostos. Fazia o povo de Israel pagar os impostos para depois dá-los aos romanos e por isto era desprezado, considerado um traidor da pátria. Jesus olhou para ele e disse: “Segue-me”. Ele se levantou e o seguiu, como narra o Evangelho do dia.

De um lado, o olhar de São Mateus, um olhar desconfiado, que mirava com um olho Deus e com o outro o dinheiro, e também com um olhar impertinente. De outro, o olhar misericordioso de Jesus que – disse o Papa – olhou para ele com tanto amor. A resistência daquele homem que queria o dinheiro “cai”: levantou-se e o seguiu. “É a luta entre a misericórdia e o pecado”, sintetizou o Papa.

O amor de Jesus pôde entrar no coração daquele homem porque “sabia ser pecador”, sabia “não ser bem quisto por ninguém”, era desprezado. E justamente a consciência de pecador abriu a porta para a misericórdia de Jesus. Assim, deixou tudo e foi. Este é o encontro entre o pecador e Jesus.

“É a primeira condição para ser salvo: sentir-se em perigo; a primeira condição para ser curado: sentir-se doente. E sentir-se pecador, é a primeira condição para receber este olhar de misericórdia. Mas pensemos no olhar de Jesus, tão bonito, tão bom, tão misericordioso. E também nós, quando rezamos, sentimos este olhar sobre nós; é o olhar de amor, o olhar da misericórdia, o olhar que nos salva. Não ter medo”.

A festa

Como Zaqueu, também Mateus, sentindo-se feliz, convidou depois Jesus para comer em sua casa. A segunda etapa é justamente “a festa”. Mateus convidou todos os amigos, aqueles do mesmo sindicato, pecadores e publicanos. Certamente à mesa, faziam perguntas ao Senhor e ele respondia.

Isto – observou o Papa – faz pensar naquilo que disse Jesus no capítulo 15 de Lucas: “Haverá mais festa no Céu por um pecador que se converta do que por cem justos que permanecem justos”. Trata-se da festa do encontro do Pai, a festa da misericórdia. Jesus, de fato, trata a todos com misericórdia sem limite, afirmou Francisco.

O escândalo

Então, o terceiro momento, o do “escândalo”. Os fariseus, vendo que publicanos e pecadores sentaram-se à mesa com Jesus, perguntavam aos seus discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?”. “Um escândalo sempre começa com esta frase: “Por que?””, explicou o Papa.

Os fariseus conheciam muito bem a Doutrina, sabiam como seguir pelo caminho do Reino de Deus, conheciam melhor do que ninguém como se devia fazer, mas haviam esquecido o primeiro mandamento do amor. Em síntese, acreditavam que a salvação viesse deles próprios, sentiam-se seguros. “Não! Deus nos salva, nos salva Jesus Cristo”, enfatizou o Papa.

“Aquele ‘por que’ que tantas vezes ouvimos entre os fiéis católicos quando viam obras de misericórdia. ‘Por que?’ E Jesus é claro, é muito claro: ‘Ir e aprender’. E os mandou aprender, não? ‘Ide e aprendei o que quer dizer misericórdia – (aquilo que) eu quero – e não sacrifícios, porque eu não vim, de fato, para chamar os justos, mas os pecadores’. Se tu queres ser chamado por Jesus, reconhece-te pecador”.

Francisco exortou os fiéis, portanto, a se reconhecerem pecadores, não de forma abstrata, mas com pecados concretos, que são tantos. “Deixemo-nos olhar por Jesus com aquele olhar misericordioso cheio de amor”, prosseguiu.

E detendo-se ainda no escândalo, o Papa ressaltou que existem tantos. “Existem tantos, tantos. E sempre, também na Igreja hoje. Dizem: “Não, não se pode, é tudo claro, é tudo, não, não… eles são pecadores, devemos afastá-los”. Também tantos Santos são perseguidos ou se levanta suspeitas sobre eles. Pensemos em Santa Joana d’Arc, mandada para a fogueira, porque pensavam que fosse uma bruxa, pensem no Beato Rosmini. “Misericórdia eu quero, e não sacrifícios”. E a porta para encontrar Jesus é reconhecer-se como somos, a verdade. Pecadores. E ele vem, e nos encontramos. É tão bonito encontrar Jesus!”

Santo Evangelho (Lc 7, 1-10)

24ª Semana Comum – Segunda-feira 18/09/2017

ANO PAR

Primeira Leitura (1Cor 11,17-26.33)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos, 17no que tenho a dizer-vos, eu não vos louvo, pois vossas reuniões não têm sido para o vosso bem, mas para o mal. 18Com efeito, e em primeiro lugar, ouço dizer que, quando vos reunis em assembleia, têm surgido divisões entre vós. E, em parte, acredito. 19Na verdade, convém que haja até cisões entre vós, para que também se tornem bem conhecidos aqueles dentre vós que resistem à prova. 20De fato, não é para comer a Ceia do Senhor que vos reunis em comum. 21Pois cada um se apressa a comer a sua própria ceia; e enquanto um passa fome o outro se embriaga. 22Não tendes casas onde comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus e quereis envergonhar aqueles que nada têm? Que vos direi? Hei de elogiar-vos? Neste ponto, não posso elogiar-vos. 23O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei-o em memória de mim”. 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha. 33Portanto, meus irmãos, quando vos reunirdes para a Ceia, esperai uns pelos outros.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 39)

— Irmãos, anunciai a morte do Senhor, até que ele venha!
— Irmãos, anunciai a morte do Senhor, até que ele venha!

— Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados, e então eu vos disse: “Eis que venho”.

— Sobre mim está escrito no livro: “Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei”.

— Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembleia; vós sabeis: não fechei os meus lábios.

— Mas se alegre e em vós rejubile todo ser que vos busca, Senhor. Digam sempre: “É grande o Senhor!” os que buscam em vós seu auxílio.

 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (1Tm 2,1-8)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.

Caríssimo, 1antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; 2pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade. 3Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; 4ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6que se entregou em resgate por todos. Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, 7e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo e – falo a verdade, não minto –, mestre das nações pagãs na fé e na verdade. 8Quero, portanto, que em todo o lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 27)

— Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!
— Bendito seja o Senhor, porque ouviu o clamor da minha súplica!

— Escutai o meu clamor, a minha súplica, quando eu grito para vós; quando eu elevo, ó ‘Senhor, as minhas mãos para o vosso santuário.

— Minha força e escudo é o Senhor, meu coração nele confia. Ele ajudou-me e alegrou meu coração; eu canto em festa o seu louvor.

— O Senhor é a fortaleza do seu povo e a salvação do seu Ungido. Salvai o vosso povo e libertai-o; abençoai a vossa herança! Sede vós o seu pastor e o seu guia pelos séculos eternos!

 

Evangelho (Lc 7,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2Havia lá um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. 4Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, 5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. 6Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. 7Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente a teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e ao meu empregado ‘Faze isto!’, e ele o faz’”. 9Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”. 10Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São José de Cupertino, enriqueceu a Igreja com sua santidade

O poder da oração levou São José de Cupertino para o convento franciscano e ao sacerdócio

O santo de hoje nasceu num estábulo, a exemplo de Jesus, em Cupertino, no reino de Nápoles, a 17 de junho de 1603. Filho de pais pobres, tornou-se um pobre que enriqueceu a Igreja com sua santidade de vida.

José quando menino era a tal ponto limitado na inteligência que pouco aprendia e apresentava dificuldades nos trabalhos manuais, porém, de maneira extraordinária progrediu no campo da oração e da caridade.

São José foi despedido de dois conventos franciscanos por não conseguir corresponder aos ofícios e serviços comuns. Ele, porém, não desistia de recomendar sua causa a Santíssima Virgem, pela qual tinha sido anteriormente curado de uma grave e misteriosa enfermidade.

O poder da oração levou São José de Cupertino para o convento franciscano e ao sacerdócio, precisando para isso que a Graça suprisse as falhas da natureza. Desde então, manifestavam-se nele, fenômenos místicos acompanhados de curas milagrosas, que o tornou conhecido e procurado em toda a região.

Dentre os acontecimentos espirituais o que muito se destacou foi o êxtase, que consiste naquele estado de elevação da alma ao plano sobrenatural, onde a pessoa fica momentaneamente desapegada dos sentidos e entregue totalmente numa contemplação daquilo que é Divino.

São José era tão sensível a esta realidade espiritual, que isto acontecia durante a Santa Missa, quando rezava com os Salmos e em outros momentos escolhidos por Deus; somente num dos conventos onde viveu 17 anos, seus irmãos presenciaram cerca de 70 êxtases do santo. A fama das curas milagrosas se alastrava como uma epidemia, exaltando a imaginação popular, e obrigando o Frei José, a ser transferido de convento para convento. Mas, os fenômenos se repetiam e o povo lhe tirava todo o sossego.

Como na vida da maioria dos santos não faltaram línguas caluniosas que, interpretando mal esta popularidade atribuiu-lhe poderes demoníacos aos seus milagres e êxtases, ao ponto de denunciarem o santo Frei ao Tribunal da Inquisição de Nápoles. O processo terminou reconhecendo a inocência do religioso, impondo-lhe, porém, a reclusão obrigatória e a transferência para conventos afastados.

Depois de sofrer muito e de diversas maneiras, predisse o lugar e o tempo de sua morte, que aconteceu em 18 de setembro de 1663, contando com sessenta anos de humilde testemunho e docilidade aos Carismas do Espírito Santo.

Foi beatificado por Bento XIV em 1753 e canonizado por Clemente XIII em 1767.

São José de Cupertino, rogai por nós!

Escutar a voz de Jesus

Aos fiéis na Praça São Pedro, domingo, 16 de março de 2014, por Jéssica Marçal, Da Redação

Falando da Transfiguração de Cristo, Francisco destacou a necessidade de subir a montanha para ouvir a voz de Deus e “descer” para transmitir essa Palavra aos outros

Neste domingo, 16, Segundo Domingo da Quaresma, Papa Francisco reuniu-se com os fiéis na Praça São Pedro para rezar o Angelus. Em suas palavras antes da oração, ele enfatizou a necessidade de ouvir a Palavra de Deus e transmiti-la aos outros.

O Santo Padre recordou o episódio da Transfiguração de Cristo na montanha, presente no Evangelho do dia. A montanha, segundo o Papa, representa o lugar da proximidade com Deus e do encontro íntimo com Ele. E do alto da montanha, os discípulos ouviram a voz de Deus, que proclama Jesus seu filho dizendo: “Escutem-no” (v.5)

“É muito importante este convite do Pai. Nós, discípulos de Jesus, somos chamados a ser pessoas que escutam a sua voz e levam a sério suas palavras. Para escutar Jesus, é preciso segui-Lo, como faziam as multidões do Evangelho”.

O Santo Padre também falou da necessidade de ler o Evangelho. Ele perguntou aos presentes na Praça quem tem o costume de fazê-lo e sugeriu que todos levem sempre consigo uma pequena edição dos Evangelhos, lendo um pequeno trecho todos os dias.

Retomando o acontecimento da Transfiguração, o Papa citou dois elementos significativos que sintetizou em duas palavras: subida e descida. Ele explicou que é preciso subir a montanha em silêncio para encontrar a si mesmo e perceber melhor a voz do Senhor. Mas não se pode permanecer ali, é preciso descer para encontrar os irmãos necessitados.

“A estes nossos irmãos que estão em dificuldade, somos chamados a levar os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando com eles os tesouros de graça recebidos. (…) Quando ouvimos a palavra de Jesus e a temos no coração, esta palavra cresce. E sabem como cresce? Dando-a aos outros”.

Francisco finalizou suas reflexões pedindo a orientação de Maria para que os fiéis prossigam com fé e generosidade o caminho da Quaresma, aprendendo a “subir” com a oração e a “descer” com a caridade fraterna anunciando Jesus.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje o Evangelho nos apresenta o evento da Transfiguração. É a segunda etapa do caminho quaresmal: a primeira, as tentações no deserto, domingo passado; a segunda: a Transfiguração. Jesus “tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha” (Mt 17, 1). A montanha na Bíblia representa o lugar da proximidade com Deus e do encontro íntimo com Ele; o lugar da oração, onde estar na presença do Senhor. Lá no alto da montanha, Jesus se mostra aos três discípulos transfigurado, luminoso, belíssimo; e depois aparecem Moisés e Elias, que conversam com Ele. A sua face é tão brilhante e as suas vestes tão brancas que Pedro permanece deslumbrado, tanto que queria permanecer ali, quase parar aquele momento. De repente, ressoa do alto a voz do Pai que proclama Jesus como seu Filho amado, dizendo: “Escutai-o” (v. 5). Esta palavra é importante! O nosso Pai que disse a estes apóstolos, e diz também a nós: “Escutai Jesus, porque é o meu Filho amado”. Tenhamos, esta semana, esta palavra na cabeça e no coração: “Escutai Jesus!”. E isto não o diz o Papa, diz Deus Pai, a todos: a mim, a vocês, a todos, todos! É como uma ajuda para seguir adiante no caminho da Quaresma. “Escutai Jesus!”. Não esquecer.

É muito importante este convite do Pai. Nós, discípulos de Jesus, somos chamados a ser pessoas que escutam a sua voz e levam a sério suas palavras. Para escutar Jesus, é preciso ser próximo a Ele, segui-Lo, como faziam as multidões do Evangelho que o seguiam pelos caminhos da Palestina. Jesus não tinha uma cátedra, ou um púlpito fixo, mas era um mestre itinerante, que propunha os seus ensinamentos, que eram os ensinamentos que o Pai lhe havia dado, ao longo dos caminhos, percorrendo trajetos nem sempre previsíveis e às vezes pouco fácil. Seguir Jesus para escutá-Lo. Mas também escutamos Jesus na sua Palavra escrita, no Evangelho. Faço uma pergunta a vocês: vocês leem, todos os dias, um trecho do Evangelho? Sim, não…sim, não…Meio a meio… Alguns sim e alguns não. Mas é importante! Vocês leem o Evangelho? É uma coisa boa; é uma coisa boa ter um pequeno Evangelho, pequeno, e levá-lo conosco, no bolso, na bolsa, e ler um pequeno trecho em qualquer momento do dia. Em qualquer momento do dia, eu pego do bolso o Evangelho e leio alguma coisinha, um pequeno trecho. Ali é Jesus que nos fala, no Evangelho! Pensem nisto. Não é difícil, nem necessário que sejam os quatro: um dos Evangelhos, pequenino, conosco. Sempre o Evangelho conosco, porque é a Palavra de Jesus para poder escutá-Lo.

Deste episódio da Transfiguração, gostaria de colher dois elementos significativos, que sintetizo em duas palavras: subida e descida. Nós temos necessidade de ir além, de subir a montanha em um espaço de silêncio, para encontrar nós mesmos e perceber melhor a voz do Senhor. Isto fazemos na oração. Mas não podemos permanecer ali! O encontro com Deus na oração nos impele novamente a “descer da montanha” e retornar para baixo, à planície, onde encontramos tantos irmãos sob o peso do cansaço, das doenças, injustiças, ignorâncias, pobreza material e espiritual. A estes nossos irmãos que estão em dificuldade, somos chamados a levar os frutos da experiência que fizemos com Deus, partilhando com eles a graça recebida. E isto é curioso. Quando nós ouvimos a Palavra de Jesus, escutamos a Palavra de Jesus e a temos no coração, aquela Palavra cresce. E vocês sabem como cresce? Dando-a ao outro! A Palavra de Cristo em nós cresce quando nós a proclamamos, quando nós a damos aos outros! E este é o caminho cristão. É uma missão para toda a Igreja, para todos os batizados, para todos nós: escutar Jesus e oferecê-Lo aos outros. Não esquecer: esta semana, escutem Jesus! E pensem nesta questão do Evangelho: vocês o farão? Farão isto? Depois, no próximo domingo, vocês me dirão se fizeram isto: ter um pequeno Evangelho no bolso ou na bolsa para ler um pequeno trecho no dia.

E agora dirijamo-nos à nossa Mãe Maria, e confiemo-nos à sua orientação para poder seguir com fé e generosidade este itinerário da Quaresma, aprendendo um pouco mais de “subir” com a oração e escutar Jesus e “descer” com a caridade fraterna, anunciando Jesus.

Santo Evangelho (Jo 11, 19-27)

Santa Marta – Sábado 29/07/2017

Primeira Leitura (1Jo 4,7-16)
Leitura da Primeira Carta de São João.

7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8 Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9 Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. 11 Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12 Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco e seu amor é plenamente realizado entre nós. 13 A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. 14 E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15 Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16 E nós conhecemos o amor que Deus tem para co­nosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo!
— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda a angústia.

— O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

— Respeitai o Senhor Deus, seus santos todos, porque nada faltará aos que o temem. Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada.

 

Evangelho (Jo 11,19-27)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 19 muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21 Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. 23 Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24 Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. 25 Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26 E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?” 27 Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Ou (escolhe-se um dos evangelhos)

Evangelho (Lc 10,38-42)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 38 Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!”. 41 O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42 Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Marta

Hoje lembramos a vida de Santa Marta, que tem seu testemunho gravado nas Sagradas Escrituras. Padres e teólogos encontram em Marta e sua irmã Maria, a figura da vida ativa (Marta) e contemplativa (Maria). O nome Marta vem do hebraico e significa “senhora”.

No Evangelho, Santa Marta apresenta-se como modelo ativo de quem acolhe: “… Jesus entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa” (Lc 10,38).

Esta não foi a única vez, já que é comprovada a grande amizade do Senhor para com Marta e seus irmãos, a ponto de Jesus chorar e reviver o irmão Lázaro.

A tradição nos diz que diante da perseguição dos judeus, Santa Marta, Maria e Lázaro, saíram de Bethânia e tiveram de ir para França, onde se dedicaram à evangelização. Santa Marta é considerada em particular como patrona das cozinheiras e sua devoção teve início na época das Cruzadas.

Santa Marta, rogai por nós!

A alegria de ser discípulo de Cristo

A catequese do Santo Padre do dia 27 de junho de 2012

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de junho de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir o texto da catequese que o Santo Padre deu na Sala Paulo VI na quarta-feira, dia 27 de junho:

Queridos irmãos e irmãs,

Nossa oração é feita, como vimos na quarta-feira passada, de silêncio e palavra, de canto e de gestos que envolvem a pessoa inteira: da boca à mente, do coração ao corpo inteiro. É uma característica que encontramos na oração hebraica, especialmente nos Salmos. Hoje gostaria de falar sobre um dos cantos ou hinos mais antigos da tradição cristã, que São Paulo nos apresenta como aquele que é, de certo modo, o seu testamento espiritual: A Carta aos Filipenses. Trata-se, de fato, de uma Carta que o Apóstolo ditou na prisão, talvez em Roma. Ele sente que a morte se aproxima porque afirma que a vida será oferecida como libação (cf. Fil 2,17). Apesar desta situação de grande perigo para sua integridade física, São Paulo, em tudo que escreveu expressa sua alegria de ser discípulo de Cristo, de poder ir ao Seu encontro, até o ponto de ver a morte não como uma perda, mas como ganho. No último capítulo da Carta há um forte convite à alegria, característica fundamental do ser cristão e da nossa oração. São Paulo escreve: “alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos (Fl 4,4). Mas como é possível se alegrar diante de uma condenação à morte então iminente? De onde, ou melhor, de quem São Paulo atrai a serenidade, a força e a coragem para ir ao encontro do martírio e do derramamento de sangue? Encontramos a resposta no centro da Carta aos Filipenses, naquilo que a tradição cristã denomina “carmen Christo”, o canto para Cristo, ou mais comumente chamado “hino cristológico”; um canto no qual toda a atenção está centrada sobre os “sentimentos” de Cristo Jesus (Fl 2,5). Estes sentimentos são apresentados nos versículos sucessivos: o amor, a generosidade, a humildade, a obediência a Deus, o dom de si. Trata-se não só e não simplesmente de seguir o exemplo de Jesus, como uma coisa moral, mas de envolver toda a existência no seu modo de pensar e agir. A oração deve conduzir a um conhecimento e a uma união no amor sempre mais profundo com o Senhor, para poder pensar, agir e amar como Ele, Nele e por Ele. Exercer isso, aprender os sentimentos de Jesus, é o caminho da vida cristã. Agora, eu gostaria de explanar brevemente alguns elementos deste denso canto, que reassume todo o itinerário divino e humano do Filho de Deus e engloba toda a história humana: do ser na condição de Deus, à encarnação, à morte de cruz e à exaltação na glória do Pai está implícito também no comportamento de Adão, do homem no início. Este hino a Cristo parte do seu ser “en morphe tou Theou”, diz o texto grego, isto é, de estar na “forma de Deus”, ou melhor, na condição de Deus. Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não vive o seu “ser como Deus” para triunfar ou para impor sua supremacia, não o considera um poder, um privilégio ou um tesouro invejável. Na verdade, “despiu-se”, esvaziou-se de si assumindo, como diz o texto grego, a “morphe doulos”, a “forma de escravo”, a realidade humana marcada pelo sofrimento, pela pobreza, pela morte, assimilou-se plenamente aos homens, exceto no pecado, agindo assim como verdadeiro servo a serviço dos outros. Neste sentido, Eusébio de Cesaréia, no século IV, afirma: “Ele tomou sobre si as fadigas daqueles que sofrem. Fez suas as nossas doenças humanas. Sofreu e passou por tribulações por nossa causa: isso em conformidade com seu grande amor pela humanidade” (A demonstração evangélica, 10, 1, 22). São Paulo continua traçando o quadro “histórico” no qual se realizou esta inclinação de Jesus: “humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte (Fl 2,8). O Filho de Deus se tornou verdadeiro homem e cumpriu um caminho na completa obediência e fidelidade à vontade do Pai até o sacrifício supremo da própria vida. Ainda mais, o Apóstolo especifica “até a morte, e uma morte de cruz”.  Sobre a Cruz, Jesus Cristo chegou ao máximo grau da humilhação, porque a crucificação era a pena reservada aos escravos e não às pessoas livres: “mors turpissima crucis”, escreve Cícero (cfr In Verrem, V, 64, 165). Na Cruz de Cristo, o homem é redimido e a experiência de Adão é remediada: Adão, criado a imagem e semelhança de Deus, afirma ser como Deus com suas próprias forças, coloca-se no lugar de Deus e assim perde sua dignidade original que lhe foi dada. Jesus, em vez, estava “na condição de Deus”, mas inclinou-se, colocou-se na condição humana, na total fidelidade ao Pai, para redimir o Adão que está em nós e devolver ao homem a dignidade que havia perdido. Os padres destacam que Ele se fez obediente, restituindo à natureza humana, através de Sua humildade e obediência, aquilo que foi perdido por causa da desobediência de Adão. Na oração, no relacionamento com Deus, nós abrimos a mente, o coração e a vontade à ação do Espírito Santo para entrar naquela mesma dinâmica de vida, como afirma São Cirilo de Alexandria, o qual celebramos a festa hoje: “A obra do Espírito busca transformar por meio da graça na cópia perfeita de sua humilhação” (Carta Festiva 10, 4). A lógica humana, em vez, busca muitas vezes a autorrealização no poder, no domínio, nos meios potentes. O homem continua querendo construir com as próprias forças a torre de Babel para chegar à mesma altura de Deus, para ser como Deus. A Encarnação e a Cruz nos recordam que a plena realização está no conformar a própria vontade humana àquela do Pai, no esvaziar-se do próprio egoísmo para encher-se do amor e da caridade de Deus e, assim, tornar-se realmente capaz de amar os outros. O homem não encontra a si mesmo permanecendo fechado em si, afirmando-se. O homem encontra-se somente saindo de si mesmo; somente saindo de nós mesmos nos encontramos. E se Adão queria imitar a Deus, isto em si não é ruim, mas errou na ideia de Deus. Deus não é alguém que só quer grandeza. Deus é amor que se doa já na Trindade e depois na criação. E imitar a Deus quer dizer sair de si mesmo e doar-se no amor. Na segunda parte deste “hino cristológico” da Carta aos Filipenses, o sujeito muda, já não é Cristo, mas é Deus Pai. São Paulo destaca que é justamente por obediência à vontade do Pai que “Deus o exautou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes” (Fl 2,9). Aquele que se inclinou profundamente tomando a condição de escravo é exaltado, elevado acima de todas as coisas pelo Pai, que lhe deu o nome de “Kyrios”, “Senhor”, a suprema dignidade e senhorio. Diante deste novo nome, de fato, que é o próprio nome de Deus, no Antigo Testamento, “todo joelho se dobrará no céu, na terra e embaixo da terra, e toda língua proclamará: ‘Jesus Cristo é Senhor’, para a glória de Deus Pai” (vv. 10-11). O Jesus que é exaltado é aquele da Última Ceia que põe de lado suas vestes, pega uma toalha, abaixa-se para lavar os pés dos Apóstolos e pergunta a eles: “Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros (Jo 13,12-14). Isso é importante recordar sempre na nossa oração e na nossa vida: “a ascensão a Deus está justamente na descida ao humilde serviço, descida do amor, que é a essência de Deus e, portanto, a verdadeira força purificadora que permite ao homem perceber e ver Deus” (Jesus de Nazaré, Milão, 2007, p. 120). O hino da Carta aos Filipenses nos oferece aqui duas indicações importantes para a nossa oração. A primeira é a invocação “Senhor” direcionada a Jesus Cristo, sentado à direita do Pai: é Ele o único Senhor da nossa vida, em meio a tantos “dominadores” que querem dirigir e guiar. Por isso, é necessário ter uma escala de valores na qual em primeiro lugar está Deus, para afirmar como São Paulo: “julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor” (Fl 3,8). O encontro com o Ressuscitado lhe fez compreender que é Ele o único tesouro pelo qual vale a pena gastar a própria existência. A segunda indicação é a prostração, o “dobrar os joelhos” na terra e no céu, que recorda uma expressão do Profeta Isaías, onde indica a adoração que todas as criaturas devem a Deus (cfr 45,23). O ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento ou colocar-se de joelhos na oração expressa justamente a atitude de adoração diante de Deus, também com o corpo. Daí a importância de fazer isso não por hábito, com pressa, mas com profunda consciência. Quando nos ajoelhamos diante do Senhor, nós professamos a nossa fé Nele, reconhecemos que é Ele o único Senhor da nossa vida. Queridos irmãos e irmãs, na nossa oração fixemos o nosso olhar sobre o Crucifixo, detamo-nos em adoração mais vezes diante da Eucaristia, para colocar a nossa vida no amor de Deus, que se inclinou com humildade para elevar-nos até Ele. No início da catequese nos perguntamos como São Paulo podia se alegrar diante do risco iminente do martírio e do derramamento de seu sangue. Isso é possível somente porque o Apóstolo nunca afastou seu olhar de Cristo tornando-se semelhante a ele na morte, “com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos” (Fl 3,11). Como São Francisco diante do crucifixo, digamos também nós: Grande e magnífico Deus, iluminai o meu espírito e dissipai as trevas de minha alma; dai-me uma fé íntegra, uma esperança firme e uma caridade perfeita, para poder agir sempre segundo os vossos ensinamentos e de acordo com a vossa santíssima vontade. Amém! (cfr Oração diante do Crucifixo: FF [276]).

Síntese da catequese e saudação do Papa em português

Queridos irmãos e irmãs, Na oração, abrimos a mente, o coração e a vontade ao Espírito Santo, para fazer entrar a nossa existência na mesma dinâmica de amor que viveu Jesus. Sendo Deus, despojou-Se da sua glória, para Se fazer homem como nós e, assim, nos elevar até Deus. Esta epopéia de amor é celebrada num dos hinos mais antigos da tradição cristã: o chamado “hino cristológico”, que São Paulo nos deixou com esta exortação: “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus”. Foi pela sua amorosa obediência à vontade do Pai até à suprema humilhação da Cruz, que «Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que está acima de todos os nomes»: Jesus é Senhor. A sua encarnação e a sua cruz recordam-nos que a plena realização está na conformação da própria vontade humana com a do Pai do Céu. Para isso é necessário adotar uma escala de valores, cujo primado seja dado a Deus como o único tesouro pelo qual vale a pena gastar a própria vida. Amados peregrinos de Teresina e de São João da Madeira e todos os presentes de língua portuguesa, a minha saudação amiga! Possa esta vossa vinda a Roma cumprir-se nas vestes de um verdadeiro peregrino que, sabendo de não possuir ainda o seu Bem maior, se põe a caminho, decidido a encontrá-Lo! Sabei que Deus Se deixa encontrar por quantos assim O procuram; com Ele, a vossa vida não pode deixar de ser feliz. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.

Tradução Canção Nova

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