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Filhos são alegria da família e da sociedade

Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Nas catequeses sobre família, Francisco refletiu hoje sobre os filhos, um presente que revela a dimensão mais gratuita do amor. Sociedades sem filhos são deprimidas, disse ele

Francisco exalta importância dos filhos, presente de Deus / Foto: Reprodução CTV

Seguindo o ciclo de catequeses sobre família, o Papa Francisco refletiu, nesta quarta-feira, 11, sobre os filhos. O Santo Padre já havia falado das mães e dos pais, e hoje ofereceu uma reflexão sobre o grande dom que os filhos são para a família e para a sociedade como um todo.

“Os filhos são a alegria da família e da sociedade, não um problema de biologia reprodutiva, um modo de se realizar nem uma posse dos pais; os filhos são um dom, um presente”.

Segundo o Papa, ser filho, no projeto de Deus, é levar consigo a memória e a esperança de um amor que realizou a si mesmo dando a vida a outro ser humano. E cada filho é único para os pais. Como exemplo, recordou sua própria família: ele contou que sua mãe, quando questionada sobre qual era seu filho preferido, dizia que seus cinco filhos eram como seus cinco dedos, qualquer um que lhe fosse tirado faria falta. “Os filhos são diferentes, mas são todos filhos”, explicou o Pontífice.

Francisco destacou ainda que é na profundidade do “ser filho” que se descobre a dimensão mais gratuita do amor, já que os filhos já são amados antes mesmo de nascerem.  Um exemplo disso é o gesto de tantas mulheres grávidas, na Praça de São Pedro, que pedem que o Papa abençoe a barriga delas.

Os filhos, por sua vez, ressaltou o Papa, precisam honrar o pai e a mãe, como ensina o quarto mandamento, que contém algo de sagrado, de divino e está na raiz de todo tipo de respeito entre os homens. “Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honra os pais, perde-se a própria honra”.

Sociedade sem filhos

O Pontífice mencionou ainda, na catequese, a realidade de pais que não querem ter filhos. Segundo ele, uma sociedade que não quer ser rodeada pelos filhos, porque os considera um peso ou uma preocupação, é deprimida.

Ele citou, por exemplo, a realidade da Europa, onde a taxa de nascimento não chega a 1%. Nesse contexto, citou a encíclica Humanae vitae, de Paulo VI, que dizia que ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Mas não os ter é uma escolha egoísta. “A vida rejuvenesce e conquista energia multiplicando-se”, disse Francisco.

No fim das reflexões, Francisco expressou sua satisfação ao ver tantos pais e mães levantando seus filhos na Praça de São Pedro para que sejam abençoados. Trata-se de um gesto quase divino, disse o Papa. “Obrigado por fazerem isso!”, conclui.
CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Depois de ter refletido sobre as figuras da mãe e do pai, nestas catequeses sobre família gostaria de falar do filho, ou melhor, dos filhos. Inspiro-me em uma bela imagem de Isaías. Escreve o profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará” (60,4-5a). É uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação, quando o povo hebreu se encontrava distante da pátria.

De fato, há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. Devemos pensar bem nisto. Há uma ligação estreita entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações. A alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais… Não. Os filhos são um dom, são um presente: entendem? Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é si mesmo, é diferente, é diverso. Permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: “Mas eu tenho cinco filhos”. Quando lhe perguntavam: “Qual é o teu preferido”, ela respondia: “Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão”. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos.

Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho! Não porque pensa como eu, ou encarna os meus desejos. Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade.

Daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegarem. Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor; são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo! Ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir.

Hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante. Podemos aprender a boa relação entre as gerações com o nosso Pai Celeste, que deixa cada um de nós livre mas não nos deixa sozinhos nunca. E se erramos, Ele continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante.

Os filhos, por sua parte, não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra.

O quarto mandamento pede aos filhos – e todos o somos! – para honrar o pai e a mãe (cfr Es 20, 12). Este mandamento vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens. E na formulação bíblica deste quarto mandamento, acrescenta-se: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”. A ligação virtuosa entre as gerações é garantia de futuro, e é garantia de uma história realmente humana. Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos. Porém, também uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida. Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável. Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece! Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons. A agradável experiência da fraternidade anima o respeito e o cuidado dos pais, aos quais é preciso o nosso reconhecimento. Tantos de vocês aqui presentes têm filhos e todos somos filhos. Façamos uma coisa, um minuto de silêncio. Cada um de nós pense no seu coração nos próprios filhos – se tem – pense em silêncio. E todos nós pensemos nos nossos pais e agradeçamos a Deus pelo dom da vida. Em silêncio, aqueles que têm filhos pensem neles e todos nós pensemos nos nossos pais (silêncio). O Senhor abençoe os nossos pais e abençoe os vossos filhos.

Jesus, o Filho eterno, feito filho no tempo, ajude-nos a encontrar o caminho de uma nova irradiação desta experiência humana tão simples e tão grande que é ser filho. No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria. E vos digo: quão belo é quando passo em meio a vocês e vejo os pais e as mães que levantam seus filhos para serem abençoados; isto é um gesto quase divino. Obrigado porque o fazem!

 

Os filhos são a alegria da família, não um “problema”, afirma o Papa Francisco na catequese de hoje
VATICANO, 11 Fev. 15 (ACI/EWTN Noticias) .-
“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível”, portanto, “não ter filhos é uma escolha egoísta” e um sintoma de “uma sociedade deprimida”, advertiu nesta quarta-feira o Papa Francisco durante a Audiência Geral ao continuar a sua catequese sobre a família, na qual também recordou o dever de honrar os pais.

O Papa disse que “a alegria dos filhos faz palpitar os corações dos pais e reabre o futuro. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos tantos modos de se realizar. E tão pouco uma posse dos pais”.

“Não, não!”, exclamou o Pontífice. “Os filhos são um dom, são um presente: entendem?” comentou entre os aplausos dos presentes, na Praça São Pedro nesta quarta-feira, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, à qual assistiram fiéis da Espanha, Colômbia, Argentina, México e outros países latino-americanos.

“Uma sociedade avarenta de gerações, que não ama circundar-se de filhos, que os considera sobretudo uma preocupação, um peso, um risco, é uma sociedade deprimida”, assinalou.

“Pensemos em tantas sociedades que conhecemos aqui na Europa: são sociedades deprimidas, porque não querem os filhos, não têm os filhos, o nível de nascimento não chega a um por cento. Por que? Cada um de nós pense e responda. Se uma família generosa de filhos é olhada como se fosse um peso, há algo errado! A geração dos filhos deve ser responsável, como ensina também a Encíclica Humanae vitae, do beato Papa Paulo VI, mas ter mais filhos não pode se tornar automaticamente uma escolha irresponsável”.

“Não ter filhos é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e conquista energias multiplicando-se: se enriquece, não se empobrece!”, expressou.

Por outro lado, “uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais se perde a própria honra! É uma sociedade destinada a se encher de jovens áridos e ávidos”.

Durante a catequese, o Papa tomou “uma bela imagem de Isaías” para refletir sobre os filhos, usando as palavras do profeta: “Levanta os olhos e olha à tua volta: todos se reúnem para vir a ti; teus filhos chegam de longe, e tuas filhas são transportadas à garupa. Essa visão tornar-te-á radiante; teu coração palpitará e se dilatará”.

Esta “é uma imagem esplêndida, uma imagem da felicidade que se realiza na reunificação entre pais e filhos, que caminham juntos rumo a um futuro de liberdade e de paz, depois de um longo tempo de privações e de separação”, indicou o Papa.

Assim, “há uma estreita ligação entre a esperança de um povo e a harmonia entre as gerações” algo que “devemos pensar bem”, acrescentou depois Francisco.

“Os filhos são um dom. Cada um é único e irrepetível; e ao mesmo tempo inconfundivelmente ligado às suas raízes. Ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa levar em si a memória e a esperança de um amor que se realizou justamente iluminando a vida de um outro ser humano, original e novo”.

O Papa destacou que “para os pais cada filho é si mesmo, é diferente” e contou uma lembrança de família: “permitam-me uma recordação de família. Eu me lembro da minha mãe, dizia a nós – éramos cinco -: ‘Mas eu tenho cinco filhos’. Quando lhe perguntavam: ‘Qual é o teu preferido’, ela respondia: ‘Eu tenho cinco filhos, como cinco dedos [mostra os dedos da mão] Se me batem neste, me faz mal; se me batem neste outro, me faz mal. Me faz mal em todos os cinco. Todos são filhos meus, mas todos diferentes como os dedos de uma mão’. E assim é a família! Os filhos são diferentes, mas todos filhos”.

O Papa destacou também que “um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, ou porque é assim ou assim; não, porque é filho!”, voltou a exclamar.

“Um filho é um filho: uma vida gerada por nós mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, de toda a humanidade”.

E “daqui vem também a profundidade da experiência humana de ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca termina de nos surpreender”.

O Papa explicou também que “são amados antes de chegarem”. “Quantas vezes as mães na praça me mostram a barriga e me pedem a benção… estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. E esta é gratuidade, isto é amor”.

Sobre o mesmo tema, comentou que “são amados antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre primeiro. São amados antes de terem feito qualquer coisa para merecê-lo, antes de saber falar ou pensar, até mesmo antes de vir ao mundo!”.

Portanto, “ser filhos é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte última deste autêntico milagre. Na alma de cada filho, por quanto vulneráveis, Deus coloca o selo deste amor, que está na base da sua dignidade pessoal, uma dignidade que nada e ninguém poderá destruir”.

Sobre a atualidade, disse que “hoje parece mais difícil para os filhos imaginar o seu futuro. Os pais – mencionei em catequeses anteriores – deram talvez um passo para trás e os filhos se tornaram mais incertos em dar os seus passos adiante”.

Entretanto, Deus “continua a nos seguir com paciência sem diminuir o seu amor por nós. O Pai celeste não dá passos para trás no seu amor por nós, nunca! Vai sempre adiante e, se não pode seguir adiante nos espera, mas não vai nunca para trás; quer que os seus filhos sejam corajosos e deem seus passos adiante”.

Por sua parte, os filhos “não devem ter medo do empenho de construir um mundo novo: é justo para eles desejar que seja melhor que aquele que receberam! Mas isto deve ser feito sem arrogância, sem presunção. Dos filhos é preciso saber reconhecer o valor e aos pais se deve sempre dar honra”.

Sobre este quarto mandamento de honrar os pais, Francisco assinalou que “vem logo depois daqueles que dizem respeito ao próprio Deus. De fato, contém algo de sagrado, algo de divino, algo que está na raiz de todo outro tipo de respeito entre os homens”.

“Os filhos aprendem a cuidarem da própria família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem na apreciação dos seus dons”.

Depois destas palavras, Francisco pediu um minuto de silêncio para que cada um pensasse nos seus próprios filhos e pais, agradecendo a Deus pelo dom da vida”.

“No multiplicar-se das gerações há um mistério de enriquecimento da vida de todos, que vem do próprio Deus. Devemos redescobri-lo, desafiando o preconceito; e vivê-lo, na fé, em perfeita alegria”.

Família: Lugar da bênção de Deus

A família, muitas e muitas vezes, não está sendo lugar de bênção. É triste dizer que a família tem sido, muitas e muitas vezes, o lugar da desgraça, da angústia, da falta de amor. E por quê? Quantas e quantas pessoas, na rua são alegres e felizes, mas quando chegam em casa perdem a alegria. Por isso as famílias se tornam lugar de mágoa, de ressentimento, de tristeza, de angústia.
Quando falta Deus na família, falta absolutamente tudo. Observe os grandes ídolos do mundo moderno, cantores, artistas famosos, de vez em quando eles deixam vir à tona  a maior de suas carências. E qual é? A família. A falta desse amor por quê? Porque a família não está sendo lugar de bênção.
Para ser lugar de bênção de Deus, muitas vezes não se precisa de muita coisa. Pequenos detalhes fazem um grande amor. Um grande amor não é feito de grandes coisas, não. Grandes coisas qualquer pessoa faz, tanto para o bem, quanto para o mal, se ela estiver no desespero. Agora, fazer cada dia pequenas coisas, de modo extraordinariamente maravilhoso, só quem tem o Espírito de Deus; do contrário, não consegue. E aí está a santidade. Esse é o segredo.
Cl 3, 12-17: 2 Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. 13 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. 14 Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15 Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. 17 Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Entranhada misericórdia, doçura… Doçura no falar, no toque, no olhar… Humildade! Marido não tem de ser mais que a mulher, e a mulher não de ser mais que o marido.
São diferentes na função, mas iguaizinhos em dignidade. Humildade é fazer o outro se sentir mais importante. Isso é amor! Amor que não tem humildade não é amor. Humildade, doçura, bondade, paciência. O ser humano é fraco, é limitado. Custa  a crescer, e cresce com o tempo.
Bondade, doçura, paciência. ‘Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente’. O que é suportar? Uma mesa com a perna quebrada precisa de um suporte. Suportar é segurar a fraqueza do outro. Mas suportar é também pegar uma alavanca, um suporte, para ajudar a movimentar algo pesado. Suportar é estender o braço na hora que o outro demonstra sua fraqueza. A mulher precisa ser suporte para o marido. O marido precisa ser suporte para a mulher. O casal precisa ser suporte para os filhos. A família precisa ser suporte para a sociedade.
Suportar é ter a capacidade de se sacrificar, de sofrer calado muitas vezes por causa do outro. Na hora que o outro levanta a voz, eu abaixo a minha. Não é criar pessoas perfeitas, isso não existe! Mas é saber suportar o outro. Na hora da fraqueza do outro, eu vou ser força para ele. O marido não pode chorar no ombro da mulher infelizmente chora no balcão do boteco. Ele chora no colo de uma prostituta.
Essa é a  diferença! Então o marido tem de ser o suporte da esposa, tem de ser o ombro para ela chorar no momento de fraqueza. Não precisa falar nada. É só chegar e dar um abraço. Quantos e quantos casais precisam descobrir que não é uma relação sexual, como o mundo mostra que precisa ter; que muito mais importante,  prazeroso e santo, muitas e muitas vezes, é uma leve passada de mão no cabelo, um aperto de mão, um beijo na testa. Eis o que importa! Mais que suportar, como São Paulo diz, é preciso perdoar mutuamente. ‘Ah, eu amava muito aquela pessoa, até que ela fez isso comigo, aí acabou!’ Nunca amou! A palavra perdoar já traz em si mesma a palavra amar, porque perdoar é per+doar, doar é dar-se. Então, o sinônimo mais perfeito de amar é doar.
Perdoar é amar por inteiro. E dar-se de novo, como Deus se dá a nós. É saber que nós  não somos perfeitos. Sabe qual é o grande segredo para perdoar? É começar a cada dia como novo que é, é não levar dia velho para dia novo. Deus não leva. Quando chega o final do dia, Ele pega o rascunho do dia e joga fora. E chega outro dia… Deus acredita muito em nós! Ele diz que hoje vai dar certo, prepara aquele dia como se fosse o ontem, o anteontem. Perdoar é dar-se. Perdoar é amar de novo, é amar por completo. Perdoar é curar o outro. Uma das grandes missões do matrimônio cristão é curar o outro. Marido, você foi escolhido de Deus e por Deus, para curar sua esposa. Quantas pessoas têm uma doença e vem me pedir para fazer uma oração. Eu tenho feito a seguinte pergunta para muitas delas: A senhora já pediu a seu marido para impor as mãos sobre a senhora e orar? Infelizmente, na grande maioria das vezes nem a mulher reza pelo marido nem o marido pela mulher.
Que tristeza! Vivem juntos. Dormem juntos. Ficam nus um diante do outro, mas não têm coragem de se abençoarem mutuamente. Não rezam um pelo outro. Marido! A sua mão tem dom de cura para sua mulher. Mulher! A sua mão tem dom de cura para seus filhos. Filhos! Vocês têm dom de cura para seus pais.
Além de rezar uns pelos outros, a família precisa ser laboratório de perdão mútuo. Perdoar é não ficar olhando para trás.´

Trecho retirado do livro ´Famílias Restauradas´, de Padre Léo.

Existe proteção quando se usa amuletos?

Superstição

Deve-se ter confiança em Deus e não no uso de amuletos

São inúmeros os amuletos nos quais se acredita que, ao portá-los, cria-se uma proteção de todo mal e ainda traz sorte. São eles: figa, olho de cabra, pé de coelho, moedas da sorte, chave, elefante virado de costas para a porta ou a ferradura atrás dela etc. Mas será que tudo isso é verdade? Esses objetos possuem mesmo algum tipo de poder capaz de afetar a vida do ser humano?

Há uma mentalidade vinda do século III ainda muito presente nas pessoas, que é a doutrina maniqueísta, fortemente criticada por Santo Agostinho. Essa seita gnóstica afirma a existência ontológica do bem e do mal como sendo os dois princípios eternos opostos, ou seja, acredita-se que o Reino da Luz e o Reino das Trevas lutam entre si e possuem o mesmo poder. Contrária a essa crença, o cristão católico sabe que só existe um único Deus, Ele é o Todo-poderoso, portanto, não existe nada além ou igual a Ele, porque senão Ele não seria o único Deus. “Jamais haverá outro Deus, ó Trifão, nem houve outro, desde sempre (…) além daquele que fez e ordenou o universo”, afirma São Justino.

Não recorrer a amuletos

Havendo um único Deus, devemos ter confiança n’Ele, ter a certeza do salmista quando nos diz: “O Senhor vai te proteger quando sais e quando entras, desde agora e para sempre” (Sl 121,8). O próprio Jesus, Deus encarnado, antes da agonia experimentada no Getsêmani, fez uma oração de proteção para seus discípulos, para nós: “Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um” (Jo 17,11). Ora, não precisamos recorrer a objetos de superstição, uma vez que o próprio Deus nos guarda. Ele é o Pai que dá segurança e proteção para nós que somos Seus filhos.

Dentro da própria Igreja podemos cair nas superstições. Isso acontece quando se “atribui só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem” (CIC 2111). O cristão que utiliza de objetos sagrados, tais como o terço no bolso, a cruz ou o escapulário no pescoço, as imagens dos santos entre outros, somente como proteção sem depender de Deus é um supersticioso. Esses objetos devem manifestar o amor que se tem a Deus, ou seja, para louvá-lo. Eles servem para demonstrar que se é cristão, embora o mais importante é a intenção do coração, pois é dele que saem as boas ou más intenções (Cf. Mt 15,19).

Prestar culto a Deus

É importante percebermos que os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens e à prestação dos cultos a Deus. Os sacramentais são sinais sagrados que significam realidades, sobretudo, espirituais. São obtidos pela oração da Igreja, onde os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e santificam as diversas situações da vida (Cf. SC 60). Assim, os sacramentais nos conduzem aos sacramentos e não podem ser confundidos como amuletos.

Deus aceita não ser amado, mas é inadmissível para Ele ficar em segundo lugar na nossa vida. Pede-se na Sagrada Escritura: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 5). Portanto, recorrer a tais amuletos da sorte ou, ainda mais, à magia, feitiçaria e adivinhação, é desrespeitar o amor de Deus, porque “o primeiro mandamento chama o homem a crer em Deus, a esperar n’Ele e a amá-Lo sobre todas as coisas” (CIC 2134). Assim, a verdadeira proteção do cristão é o próprio Deus.

Ricardo Cordeiro, Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

Muitos batizados vivem como se Cristo não existisse, adverte o Papa

https://www.acidigital.com/noticias/muitos-batizados-vivem-como-se-cristo-nao-existisse-adverte-o-papa-31592

Papa durante o Ângelus. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 08 Jul. 18 / 09:25 am (ACI).- O Papa Francisco lamentou, durante a oração do Ângelus deste domingo, 8 de julho, que muitos cristãos vivem como se Cristo não existisse.

O Santo Padre assinalou que “a falta de fé um obstáculo à graça de Deus” e assegurou que muitos cristãos “repetem os gestos e os sinais da fé, mas a eles não correspondem uma real adesão à pessoa de Jesus e ao seu Evangelho”.

Em seu ensinamento, Francisco se centrou no episódio evangélico em que “Jesus regressa a Nazaré e começa a ensinar na sinagoga em um sábado”.

“Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua pátria. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir este filho do povo cuja fama de sábio mestre e de poder de curador se difundia por toda a Galielia e outras regiões”, explicou o Pontífice.

Entretanto, “aquilo que se anunciava como um sucesso, transformou-se em uma clamorosa rejeição, ao ponto de que Jesus não pôde fazer nenhum prodígio, apenas algumas curas”.

No Evangelho de Marcos narra-se a evolução da atitude dos habitantes de Nazaré para com Jesus. “Os habitantes de Nazaré primeiro escutam e ficam admirados. Depois, perguntam-se perplexos: ‘De onde recebeu tudo isso, essa sabedoria?’. E finalmente se escandalizam, reconhecendo nele o carpinteiro , o filho de Maria, que eles viram crescer”.

Por isso, “Jesus conclui com a expressão que se tornou em provérbio: ‘Um profeta só não é estimado em sua pátria’”.

O Papa perguntou: “Como é possível que os vizinhos de Jesus passem do estupor à incredulidade? Eles fazem uma comparação entre a humilde origem de Jesus e suas capacidades atuais: é um carpinteiro, não estudou, mesmo assim, prega melhor do que os escribas e faz milagres”.

Os habitantes de Nazaré, “em vez de se abrir à realidade, se escandalizam. Segundo eles, Deus é demasiado grande para se abaixar e falar por meio de um homem tão simples. É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne que pensa com mente de homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem. Um Deus que se cansa, que come e dorme como um de nós”.

“O Filho de Deus inverte todos os esquemas humanos: não são os discípulos que lavam os pés do Senhor, mas é o Senhor que lava os pés dos discípulos. Este é um motivo de escândalo e de incredulidade em todas as épocas, inclusive hoje”, explicou o Papa.

Frente a essa atitude, “devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro”.

O Santo Padre assegurou que “a mudança introduzida por Jesus abriga seus discípulos de ontem e de hoje a um exame pessoal e comunitário. Também em nossos dias, de fato, pode acontecer que nos nutramos de preconceitos que impeçam de acolher a realidade”.

“O Senhor nos convida hoje a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência nos é apresentada de maneiras surpreendentes que não correspondem a nossas expectativas”.

O Papa citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, “uma religiosa pequena, que ia pelas ruas recolhendo os moribundos para que tivessem uma morte digna. E esta pequena religiosa, com a oração e suas obras, fez maravilhas. A pequenez daquela mulher revolucionou as obras de caridade na Igreja. É um exemplo de nossos dias”.

Antes de finalizar seu ensinamento para rezar o Ângelus, Francisco afirmou que “todo cristão, cada um de nós, é chamado a aprofundar nesta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor é e sempre será a caridade”.

Angelus: “Deus não se conforma aos preconceitos”, diz Papa
Domingo, 8 de julho de 2018, Denise Claro / Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/angelus-deus-nao-se-conforma-aos-preconceitos-diz-papa/

Francisco ressaltou que é preciso abrir o coração e a mente, para receber a realidade divina

No Angelus deste domingo, 8, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia, no qual Jesus volta à Nazaré e volta a ensinar na sinagoga.

Desde que tinha saído para pregar, não havia mais voltado à sua pátria.

“Mas aquilo que se anunciava um sucesso, se transformou numa ‘clamorosa rejeição’, a ponto que Jesus não pôde realizar ali nenhum milagre, mas somente curar alguns doentes.”

A dinâmica daquele dia foi contada de maneira detalhada pelo evangelista Marcos. Os habitantes daquela cidade primeiro escutam, depois ficam perplexos “De onde recebeu tudo isso? De onde vem toda essa sabedoria?” E por fim se escandalizam, vendo em Jesus o filho do carpinteiro, que eles viram crescer.

Por isso Jesus conclui: “Um profeta só não é estimado em sua pátria.”

Papa Francisco lembrou que os compatriotas de Jesus ao verem a sabedoria Dele, se escandalizaram, ao invés de se abrirem ao que percebiam.

“É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne, que pensa com a mente de um homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem, um Deus que fadiga, come e dorme como um de nós.”

O Pontífice reforçou que esta inversão provocada por Jesus causa escândalo ainda hoje, que também hoje há quem reaja com incredulidade diante do mistério, por se fechar a ele:

“Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à Graça de Deus.”

Por fim, Francisco pediu a Nossa Senhora que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que todos tenham abertura à Graça de Deus, à Sua verdade, e à Sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.

Quando se busca Deus no lugar errado

Onde estão hoje as chagas de Jesus?

Na noite do dia 2 de julho, cerca de duzentas pessoas, escolhidas entre os pobres e mendigos de Roma, jantaram nos jardins do Vaticano, em frente à gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Foram acolhidas pelo Cardeal Giuseppe Bertello, que lhes deu as boas-vindas em nome do Papa Francisco: «Como vocês sabem, esta é a casa de vocês, e nós os recebemos com alegria. Diante de nós está a imagem de Nossa Senhora, que nos olha com serenidade. É o mesmo olhar que eu desejo a todos vocês e àqueles que os acompanham com muito amor».

O jantar foi organizado pelo “Círculo de São Pedro”, uma antiga associação romana de leigos cristãos, que procuram demonstrar em fatos concretos o amor de Deus e da Igreja pelas pessoas em necessidade. Foi o que explicou, naquela noite, um de seus membros: «Todos os dias, nos três refeitórios de que dispomos, alimentamos a quem nos procura, sem olhar para a nacionalidade ou religião a que pertencem. Os comensais aqui presentes foram escolhidos dentre esses nossos frequentadores habituais. Fomos buscá-los em quatro pontos da cidade».

Na manhã seguinte, festa de São Tomé, como de costume, o Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta, onde reside. Referindo-se ao Apóstolo que, tocando nas chagas de Jesus, descobriu a sua ressurreição e divindade, o Pontífice indicou o caminho mais rápido para chegar a Deus: sanar as feridas de Jesus que machucam uma multidão de irmãos sofredores.

Trago alguns tópicos de sua homilia. A tradução não é literal, mas o pensamento é autêntico.

Quando Tomé vê Jesus em seu corpo limpo, perfeito e luminoso, é convidado a colocar o dedo na ferida dos pregos e em seu lado transpassado. Com este gesto, ele reconhece a ressurreição e a divindade de Jesus, revelando, assim, que não há outro caminho para o encontro com Jesus-Deus senão as suas feridas.

Na história da Igreja, sempre houve e há enganos no percurso que leva a Deus. Muitos pensam que o Deus vivo possa ser encontrado na especulação, e se esforçam para aprofundar suas reflexões. Não são poucos os que se perdem nessa busca, pois, mesmo que possam chegar ao conhecimento da existência de Deus, nunca chegam à experiência de Jesus Cristo, Filho de Deus. É o caminho dos gnósticos, gente muito esforçada, que trabalha, mas que não descobre o rumo certo. Percorrem um caminho complicado, que não leva a lugar nenhum.

Outros pensam que, para chegar a Deus, precisam mortificar-se, ser austeros, e optam pelo caminho da penitência e do jejum. Infelizmente, nem eles chegam ao Deus vivo e verdadeiro, ao Deus de Jesus Cristo. São os pelagianos. Acreditam que só podem alcançar a Deus a partir de si mesmos, com seus esforços e méritos. Eles também não conhecem o caminho indicado por Jesus para encontrá-lo: as suas chagas.

A questão é descobrir onde estão hoje as chagas de Jesus. A resposta é simples: nós tocamos nas feridas de Jesus quando praticamos as obras de misericórdia corporais e espirituais em favor do próximo. Hoje quero destacar as corporais, aquelas que me levam a socorrer os irmãos e as irmãs que sofrem, que passam fome, que têm sede, que estão nus, que são humilhados, que são escravizados, que estão presos, que jazem nos hospitais.

Estas são hoje as chagas de Jesus. Sem dúvida, é coisa boa, útil e até mesmo necessária fundar centros para socorrer os necessitados. Mas, se pararmos nisso, não passamos de filantropos. Devemos tocar nas feridas de Jesus, acariciar as feridas de Jesus, cuidar das feridas de Jesus, beijar as feridas de Jesus. Como São Francisco que, depois de abraçar o leproso, viu a sua vida mudar.

Como se percebe, não precisamos de cursos de reciclagem para chegar a Deus, mas simplesmente sair às ruas e buscar e tocar nas chagas de Cristo em quem é pobre, frágil e marginalizado. Sem dúvida, não será simples nem espontâneo. Mas, é para isso que existem a oração e a penitência: para obtermos a coragem de penetrar nas feridas de Jesus em quem sofre ao nosso lado. E, assim, ter a certeza de encontrar o Deus vivo e verdadeiro.

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS)
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Jogador agradece a Deus e a Virgem nas redes sociais por estar na Copa Rússia 2018

Por María Ximena Rondón
https://www.acidigital.com/noticias/jogador-agradece-a-deus-e-a-virgem-nas-redes-sociais-por-estar-na-copa-russia-2018-36001

Aldo Corzo / Foto: Facebook Aldo Corzo

Lima, 28 Jun. 18 / 02:00 pm (ACI).- O jogador de futebol da seleção peruana Aldo Corzo publicou uma mensagem de agradecimento no Twitter com a hashtag #graciasDiosyVirgensiempre (obrigado Deus e Virgem sempre) por ter participado da Copa do Mundo Rússia 2018.

A seleção do Peru jogou o seu último jogo na Copa do Mundo em 26 de junho, como parte do Grupo C, no qual derrotou a Austrália por 2 a 0.

O país sul-americano comemorou a sua participação na Copa do Mundo Rússia 2018 porque há 36 anos não se classificava para o mundial.

Calcula-se que mais de 45 mil peruanos viajaram ao país europeu para o evento esportivo.

Corzo, jogador reserva da seleção peruana, escreveu em 26 de junho em sua conta de Twitter: “Eu não tive que jogar nesta Copa do Mundo, mas vou embora feliz e orgulhoso de pertencer a este grupo lindo, obrigado aos meus colegas por deixar a alma no campo. Obrigado a todo o Peru pelo apoio. Para cima Peru”.

A mensagem, publicada também em suas contas no Facebook e no Instagram, estava junto com a hashtags #graciasDiosyVirgensiempre (obrigado Deus e Virgem sempre) e #miFamilialoestodo (minha família é tudo).

Esta não é a primeira vez que Corzo expressa a sua gratidão a Deus e à Virgem nas redes sociais.

Recentemente publicou uma mensagem de agradecimento a todos os peruanos que viajaram à Rússia para encorajar a seleção nacional nos jogos disputados contra a Dinamarca, a França e a Austrália, antes de serem eliminados.

“Obrigado a todas as pessoas e torcedores peruanos que vieram à Rússia e às pessoas que não deixaram de nos incentivar no Peru! É indescritível o que sentimos e vivemos, uma pena que todos compartilhamos. Vamos para o nosso último jogo com tudo!”.

Diante de dificuldades, Papa pede que cristãos permaneçam fiéis a Deus

Domingo, 17 de junho de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

No Ângelus, Francisco recordou: “Lembrem-se disto: Deus sempre salva, é o salvador”

Papa Francisco durante o Ângelus deste domingo, 17/ Foto: Reprodução Youtube Vatican News

No Ângelus deste domingo, 17, Papa Francisco refletiu sobre duas parábolas da bíblia que fazem memória a fala de Jesus às multidões sobre o Reino de Deus e a dinâmica de seu crescimento. O Santo Padre também recordou as dificuldades pessoais e sociais enfrentadas por muitos fiéis e que marcam, por vezes, um naufrágio da esperança. Francisco encorajou-os: “Nos momentos de escuridão e de dificuldades, não devemos nos abater, mas permanecer ancorados à fidelidade de Deus, em sua presença, que sempre salva. Lembrem-se disto: Deus sempre salva, é o salvador”.

Na primeira parábola, o Reino de Deus é comparado ao crescimento misterioso de uma semente que é jogada no chão e em seguida germina, cresce e produz a espiga, independentemente do cuidado do agricultor, que após o processo de amadurecimento, realiza a colheita. “A mensagem que esta parábola nos dá é esta: por meio da pregação e a ação de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e se desenvolve por si só, por força própria e segundo critérios humanamente não decifráveis”, interpretou o Pontífice.

Francisco seguiu refletindo sobre os acontecimentos que parecem ir na direção oposta ao plano do Pai e, reafirmou o chamado de Deus para a vivência destes períodos, assim como a vivência de estações de provação, de esperança e de espera vigilante da colheita. “O Reino de Deus cresce no mundo de maneira misteriosa, de maneira surpreendente, revelando o poder escondido da pequena semente, sua vitalidade vitoriosa”, explicou.

Na segunda parábola, o Papa suscitou a comparação feita por Jesus entre o Reino de Deus e um grão de mostarda. “É uma semente muito pequena, mas se desenvolve tanto que se torna a maior de todas as plantas do jardim: um crescimento surpreendente e imprevisível”, comentou. Segundo o Santo Padre, não é fácil compreender a lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la, mas Ele exorta a todos a seguirem uma atitude de fé que supere planos, cálculos e previsões.

“Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor sempre nos surpreende. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário. Em nossas comunidades é preciso dar atenção às pequenas e grandes oportunidades de bem que o Senhor nos dá, deixando-nos envolver em sua dinâmica de amor, de acolhida e de misericórdia para com todos”, pediu o Santo Padre.

O Papa também recordou que a autenticidade da missão da Igreja não é dada pelo sucesso ou pela gratificação dos resultados, mas pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono em Deus. “Ir em frente na confissão de Jesus e com a força do Espírito Santo, é a consciência de ser instrumento pequeno e fraco, mas que nas mãos de Deus e com a Sua graça pode realizar grandes obras, fazendo progredir o Seu Reino que é ‘justiça, paz e alegria no Espírito Santo’. Que a Virgem Maria nos ajude a sermos simples e atentos para colaborar com a nossa fé e com o nosso trabalho no crescimento do Reino de Deus nos corações e na história”, rogou.

“Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor sempre nos surpreende. É um convite para nos abrirmos mais generosamente aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário. Em nossas comunidades precisamos prestar atenção às pequenas e grandes oportunidades de bondade que o Senhor nos oferece, deixando-nos envolver em sua dinâmica de amor, de acolhida e de misericórdia para com todos”, foi a conclusão de Francisco.

A vontade de Deus na vida profissional

Prof. Felipe Aquino / [email protected]

A profissão de cada um é um meio para se fazer a vontade de Deus no dia a dia. Viver mal a profissão, trabalhar mal, sem competência e bom desempenho é uma forma de desobedecer à vontade de Deus. O trabalho foi colocado em nossa vida, por Deus, como “um meio de santificação”. Depois que o homem pecou no paraíso e perdeu o “estado de justiça” e “santidade” originais, Deus Pai fez do trabalho um meio de redenção para o homem.
“Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti. Com sofrimentos dele te nutrirás todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e cardos e comerás a erva dos campos. Com suor do teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado” (Gen 3,17-19).
Mais do que um castigo para o homem, o trabalho foi inserido na sua vida para a sua redenção. Por causa do pecado ele agora é acompanhado do “suor”, mas este sofrimento Deus o fez matéria-prima de salvação.
Sem o trabalho do homem não há o pão e o vinho que, na Mesa Eucarística, se transformam no Corpo e no Sangue de Cristo. Sem o trabalho do homem não teríamos o pão de cada dia na mesa, a roupa, a casa, o transporte, o remédio, a cultura, entre outros. Tudo que chega a nós é fruto do trabalho de alguém; é por isso que o labor é santo e nos santifica quando realizado com fé, conforme a vontade de Deus.
São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, durante a celebração de uma Santa Missa, no campus da grande universidade de Navarra, na Espanha, fez uma histórica homilia, como título “Amar o Mundo Apaixonadamente”.  Ele fundou a prelazia para difundir a santidade no trabalho profissional e nas atividades diárias. Na homilia, ele falava da necessidade de “materializar a vida espiritual”. O objetivo era combater a perigosa tentação do cristão de “levar uma espécie de vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e, por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas”.
Santo Escrivá, um santo dos nossos dias, canonizado em 2002 por João Paulo II, olhava a vida com grande otimismo e considerava o trabalho e as relações humanas com alegria e dizia que: “O mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus”. “Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus”.
Na verdade, somente com essa ótica podemos entender plenamente o mundo com os olhos de Deus. Nem o marxismo cultural, materialista e ateu, nem o consumismo desenfreado de nossos dias, nem o hedonismo, que busca o prazer como fim, podem dar ao homem moderno a felicidade e a verdadeira paz.
Qualquer que seja o trabalho, sendo honesto, é belo aos olhos de Deus Pai, porque com ele estamos “cooperando com Deus na obra da criação”. Não importa se o trabalho consiste nos simples afazeres de uma doméstica ou nas complicadas tarefas de um cirurgião que salva uma vida, tudo é importante diante do Senhor. O que mais importa é a intensidade do amor com que cada trabalho é realizado. Ele se tornará eterno na vida futura.
São Josemaría Escrivá falava da necessidade de o Cristianismo ser encarnado na vida cotidiana.
“Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens. Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor. Servi ao Senhor Jesus Cristo” (Col 3,13).
Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor”. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno, deve ser feito tendo o Senhor como o “Patrão”. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça como se o próprio Jesus fosse vesti-las.
Se você cozinha, faça a comida como se o Senhor fosse comê-la. Se você é um pintor de paredes, pinte a casa como se ela fosse a morada do Senhor. Se você varre a rua, limpe-a como se o Senhor fosse passar por ela… Se você é um aluno, estude a lição como se o professor fosse o Senhor Deus.
É isso que São Paulo quer nos ensinar quando diz que “tudo deve ser feito de bom coração, como para o Senhor, e não para os homens”. É claro que com essa “nova ótica”, você vai trabalhar da melhor maneira possível, com todo o  talento, cuidado, dedicação, competência, honestidade, pontualidade… perfeição, porque o fará para Deus. Isso santifica. Isso muda a nossa vida; e é a vontade de Deus. Isso o fará feliz. Quando trabalhamos assim, toda a vida se torna “sagrada”, pois é vivida plenamente para Deus.
É importante também notar o que São Paulo diz a seguir: “Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor”. Que “herança” é essa? É a vida eterna, o céu, o prêmio, por você ter sido “fiel no pouco”. Isso mostra que cada minuto do nosso labor aqui na terra, vivido por amor a Deus, com “reta intenção” de agradá-Lo, se transforma em semente de eternidade.

Divorciados Recasados e a Eucaristia

Quando um cristão casou validamente e depois de alguns anos de vida matrimonial se separou, o que deverá fazer?
De acordo com a Sagrada Escritura e a Doutrina da Igreja, não lhe é permitido novo casamento.
Mas, se casou novamente, como fica a sua situação perante Deus e a Igreja?
O divorciado recasado não deixa de ser católico. Se ele deseja amar sinceramente a Deus, Deus não o deixará abandonado.
Mas, se Deus não o abandona, o divorciado que casou novamente pode receber a comunhão?
Não. Não pode, porque a comunhão significa a plena comunhão do cristão com Cristo. No entanto, ao mesmo tempo em que comunga, o divorciado recasado desmente esta plena comunhão com a sua própria vida. Seria falta de coerência e a Igreja quer ajudá-lo a ser coerente.
Então, tudo está perdido?
Não. Não está. Os divorciados que casaram novamente continuam sendo católicos e pelo fato de serem batizados não ficam isentos de cumprir a sua missão. Eles têm outros meios para ajudá-los na sua caminhada para Deus. São: a palavra de Deus, a oração, o sacrifício e a caridade. Se são pais, têm a obrigação de dar aos filhos uma digna educação física, social, cultural, moral e religiosa.
No dia 25 de janeiro de 1997, o Papa João Paulo II dizia: “Os divorciados que voltam a casar são e continuam sendo membros da Igreja; ela os ama, está perto deles e sofre com a situação deles. Certamente, uma nova união, depois do divórcio, é uma desordem moral que contrasta com as exigências da fé, o que não exclui o empenho da oração, nem o testemunho ativo da caridade”.
Depois, afirmou: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
E termina dizendo: “Se sabem perseverar na oração, na penitência e no verdadeiro amor, aqueles que se encontram numa situação não conforme à vontade de Deus, podem obter d’Ele a salvação”.
Quando alguém está separado e não casou novamente, poderá comungar normalmente, se vive na graça de Deus. Não poderá receber a Comunhão o divorciado que casou novamente pelo civil ou, simplesmente, se uniu a outro cônjuge para viver maritalmente com ele. Seguidamente, chegam pessoas dizendo: “Olha, eu sou divorciado e casei novamente. Agora me dou muito bem com o atual cônjuge. Consultei pessoas católicas, incluindo sacerdotes, e eles me disseram que posso comungar”. Diante do fato, “eu não julgo ninguém” (Jo 8, 15).
No entanto, “lembra-te de como recebeste e ouviste a doutrina” (Ap 3, 3), pois, “eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido” (Mt 12, 26). Também dos conselhos que não foram dados de acordo com os ensinamentos da Igreja e da Sagrada Escritura. Recordamos que, se pessoas, incluindo sacerdotes, aconselharam divorciados recasados a comungar, o fizeram em nome próprio, porque esta não é a Doutrina da Igreja.
Será que eles não se tornarão corresponsáveis perante Deus, com os que comungam neste estado?
A Doutrina da Igreja e da Sagrada Escritura está expressa nas palavras do Papa, quando diz: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
O caminho para os divorciados recasados poderem comungar é o de viverem como irmãos. Sem ter relações conjugais.
É difícil?
É. Mas existem muitos casais que, por amor de Nosso Senhor, o fazem. E vivem muito felizes. Não disse Jesus: “Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo?” (Lc 14, 27).
Os divorciados recasados, ainda que não possam comungar, são amados por Deus e podem e devem participar da missa, rezar, praticar a caridade e assim “podem obter a salvação”.
Manoel Luís Osório – http://srv-net.diariopopular.com.br/17_08_01/artigo.html

 

POR QUE NÃO PODEM CONFESSAR E COMUNGAR?
Padre Luciano Scampini, Sacerdote da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Arquidiocese de Campo Grande (MS)

A Sagrada Escritura começa pela criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26-27) e acaba pela visão das “núpcias do Cordeiro” (Ap 1, 7.9). O próprio Deus é o autor do matrimônio. O matrimônio foi elevado por Cristo à dignidade de sacramento: “os dois serão uma só carne (Ef 5, 31); “…casar-se… mas apenas no Senhor” (1Cor 7, 39). A Escritura diz que o matrimonio é a nova aliança de Cristo e da Igreja. O maior problema, o drama e a cruz que tocam diretamente os divorciados recasados é não poder ter acesso ao sacramento da Reconciliação – que prepararia e “abriria o caminho ao sacramento eucarístico” (Familiaris Consortio, FC 84) – e ao sacramento da Eucaristia, se viverem sexual e conjugalmente o seu segundo relacionamento não sacramental. A este ponto apresenta-se a pergunta espontânea: por que não podem receber estes dois sacramentos? O que os impede de receber os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia? Segundo a FC são dois os argumentos ou motivos: o Doutrinário-teológico e o Pastoral.

1º ARGUMENTO
DOUTRINÁRIO-TEOLÓGICO

A Eucaristia comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a nova, eterna, indissolúvel união e fiel aliança de Cristo com a Igreja (os fiéis). As palavras de Jesus: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue que é derramado por vós…” (Lc 22, 20). O Matrimônio-sacramento também comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a indissolúvel união e a fiel aliança de Cristo com os esposos, elementos estes essenciais do matrimônio-sacramento. De fato, desta indissolúvel união e fiel aliança nasce a família, primeira célula da Igreja. “Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e por ela se entregou… (fidelidade até a morte). É grande este mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5, 25.32). Pela Eucaristia os esposos participam desta união indissolúvel e fiel aliança de Cristo com a Igreja. Aqui está o problema: a segunda união rompeu, contradiz esta união indissolúvel e fiel aliança dos esposos em Cristo realizada pelo matrimônio-sacramento. Não pode haver em Cristo duas alianças. A segunda união é ruptura, contradição destes dois elementos essenciais do matrimônio-sacramento. A Pastoral Familiar se baseia sobre dois princípios: o princípio da compaixão e da misericórdia e o princípio da verdade e da coerência. Os Padres do Sínodo colocaram bem claro a coexistência e a influência mútua dos dois princípios. Sendo eles igualmente importantes e complementares, os mesmos andam juntos, de tal forma que um não pode ser mais acentuado do que o outro. Deste modo a Igreja professa a própria fidelidade a Cristo reconhecendo o princípio da verdade: o matrimônio sacramento é indissolúvel e o princípio da compaixão e da misericórdia infinita acolhedora “igualmente importante. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja não pode mais do que convidar os seus filhos, que se encontram nestas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas. A Igreja, mãe misericordiosa, comporta-se nestes casos com espírito materno para com estes filhos, esforçando-se infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação, ou seja, o caminho espiritual-pastoral. A Igreja lembra que há múltiplas presenças de Cristo… A Eucaristia é o grande encontro com Jesus, mas não é o único. A Palavra de Deus, o sacrifício da Missa, a Adoração ao Santíssimo, a oração, as obras de penitência e da caridade podem e são outrossim encontros com Jesus.

2º ARGUMENTO
PASTORAL
Existe outra dificuldade para a recepção dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia por parte dos divorciados recasados exposta pelo Papa: é a “razão pastoral”. “O respeito devido quer ao sacramento do matrimônio, quer aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis, proíbe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer, em favor dos divorciados que contraem nova união, cerimônia de qualquer gênero. Estas dariam a impressão de celebração de núpcias sacramentais válidas, e conseqüentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente”. Esta disposição da Igreja, porém, não impede que a mesma, como mãe carinhosa, tenha uma atitude pastoral materna. João Paulo II, de fato, na FC 84 ofereceu aos divorciados recasados a oportunidade de aproximar-se do Sacramento da Reconciliação – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – contanto que:
1. Sejam arrependidos de ter violado a indissolubilidade, que é o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo.
2. Sejam sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimônio.
3. Assumam a obrigação de viver em plena continência.
Não se deve esquecer, todavia, que a Igreja com firme confiança vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

O GRANDE VALOR DA COMUNHÃO ESPIRITUAL
A Comunhão Espiritual é um ato de desejo interior, consciencioso e sério, de receber a Sagrada Comunhão e, mais especificamente, de se unir ao Senhor. A Comunhão Espiritual pode ser feita por palavras ou por pensamentos interiores que levam a uma íntima união com Cristo, e Jesus não deixará de conceder as suas copiosas bênçãos. Nos dias de hoje se pode fazer com frequência a Comunhão Espiritual como desejo de maior união e intimidade com Deus, ao longo dos dias da nossa vida. A Comunhão Espiritual é e pode ser até o único meio de união e intimidade com Deus, por exemplo, para quem não guardou uma hora de jejum eucarístico, para quem vive numa situação de irregularidade perante a Igreja, ou até para quem pratica outra religião. A comunhão espiritual é o caminho para as pessoas que não podem recebê-lo sacramentalmente na missa, “mas podem recebê-lo espiritualmente” na Hora Santa ou quando entrar numa igreja ou quando estiver em casa ou no trabalho ou nas situações de dificuldade por que se passa na vida: “Senhor, que de Vós jamais me aparte” (Jo 6, 35), pois, “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 58). É bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II e recomendada por santos mestres de vida espiritual (SC, 55). Uma visita ao Santíssimo Sacramento é uma boa oportunidade para se fazer uma Comunhão Espiritual (cf. universo católico-comunhão freqüente-comunhão espiritual).
a) Nos Documentos da Igreja. Um dos melhores meios para os divorciados recasados participar ativamente da comunidade cristã, é, segundo o ensinamento da Igreja, a Comunhão espiritual. Que o magistério reconheça a relação entre a graça e a Comunhão Espiritual se deduz especialmente do convite que a mesma Igreja faz aos divorciados recasados de unir-se a Cristo pela comunhão espiritual. Mais ainda: “Os fiéis devem ser ajudados na compreensão mais profunda do valor da participação ao sacrifício de Cristo na missa, da comunhão espiritual, da oração, da meditação da palavra de Deus, das obras de caridade e de justiça” (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos, 1994, n. 6). “A prática da comunhão espiritual, tão querida à tradição católica poderia e deveria ser em maior medida promovida e explicada, para ajudar os fiéis a melhor se comunicarem sacramentalmente quer para servir de verdadeiro conforto a quantos não podem receber a comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo quer por várias razões. Pensamos que esta prática ajudaria as pessoas sozinhas, em particular os deficientes, os idosos, os presos e os refugiados. Conhecemos – afirmam os Bispos do Sínodo – a tristeza de quantos não podem ter acesso à comunhão sacramental devido a uma situação familiar não conforme com o mandamento do Senhor (cf. Mt 19, 3-9). Alguns divorciados que voltaram a casar aceitam com sofrimento não poder receber a comunhão sacramental e oferecem-no a Deus. Outros não compreendem esta restrição e vivem uma frustração interior. Reafirmamos que, mesmo se na irregularidade da sua situação (cf. CIC 2384), não estão excluídos da vida da Igreja. Pedimos-lhe que participem na Santa Missa dominical e que se dediquem assiduamente à escuta da palavra de Deus para que ela possa alimentar a sua vida de fé, de caridade e de partilha” (MENSAGEM DA XI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS AO POVO DE DEUS. Cidade do Vaticano, 21 de outubro de 2005). A Exortação Apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis” de 22 de fevereiro de 2007 confirma: “Mesmo quando não for possível abeirar-se da comunhão sacramental, a participação na Santa Missa permanece necessário, válida, significativa e frutuosa; neste caso, é bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II (170) e recomendada por santos mestres de vida espiritual” (171) SC, 55).
b) Na teologia. É importante, segundo o Pe. G. Muraro redescobrir a doutrina do desejo do sacramento – através da Comunhão espiritual- para continuar a presença de Jesus na vida dos divorciados. Ele apela ao antigo princípio segundo o qual o caminho sacramental não esgota todos os caminhos da graça. O lugar teológico de referência para entender este caminho alternativo se encontra em Santo Tomás, aonde ele trata da comunhão espiritual. Segundo a explicação de Santo Tomás, a realidade do sacramento pode ser obtida antes da recepção ritual do mesmo sacramento, somente pelo fato que se deseja recebê-lo (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologicae, III, q. 80,a, 4). O valor da Comunhão espiritual como caminho extrasacramentário da graça, encontra apoio no fato que a Igreja “com firme confiança crê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora neste estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade FC 84” (cf. G. Muraro, I divorziati risposati nella comunitá cristiana, Cinisello Balsamo, Paoline,1994 in Sc. Catt. art. cit. 564-565). Dom Edvaldo, enfatizando o valor e o bem espiritual da Comunhão Espiritual, encoraja os casais em segunda união aconselhando a fazer a Comunhão Espiritual na Santa Missa, devidamente dispostos e desejosos de receber o Corpo de Cristo por uma oração sincera. Se sua fé e amor for tão intenso e apaixonado, é possível talvez que eles obtenham maior proveito espiritual do que aqueles que, por rotina e sem piedade alguma, recebem a sagrada hóstia em nossas celebrações sem nenhuma convicção e adequada preparação espiritual.

A ESPIRITUALIDADE DOS CASAIS EM SEGUNDA UNIÃO
A Igreja não quer discriminar e punir os casais em segunda união, mas quer oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual- pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual – pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno, seja uma situação “irregular”. A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II no n. 84 exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em: “ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência… que se resume em perseverarem na oração, na penitência e na caridade”. A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI no n. 29 reafirma o convite a cultivar, quanto possível: “um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.
1. A comunhão com a Palavra de Deus
Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Através de Isaías ou de Paulo fala-lhes, aqui e agora. Umas vezes esta Palavra os consola e os anima. Outras vezes julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os à conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta. A Palavra que Deus lhes dirige é, sobretudo uma pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá só no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”. A leitura da sagrada Escritura acompanhada pela oração estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na sua Palavra e com o seu Espírito, pode ajudar os casais em 2ª União na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.
2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento
Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o visitado que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto deste encontro. Os casais em segunda união são chamados e convidados a serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da Hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática freqüente da Hora Santa não é um opcional, por isto não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.
3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo
Se o próprio Jesus moribundo na cruz deu Maria como mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (Jo 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua mãe. Esta visita pode ser feita numa capela dedicada á Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima. Visitar Maria, a mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorje disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixar-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho… salvar a todos. Maria nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é levarmos a Jesus.
4. Perseverança na Oração
O Casal em segunda união é convidado a perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal, ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fieis.
5. Participação nas Celebrações Penitenciais Comunitárias
A “Familiaris Consortio” 84, o Diretório da CEI e o Diretório da Pastoral Familiar da CNBB pedem que os casais em segunda união façam “atos de penitência”. Um deles é certamente a Celebração da Penitência.
6. Participação da Santa Missa: um encontro de amor
O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é neste momento que Jesus é vivo e presente. Bento XVI em recente discurso ao clero de Aosta IT valoriza a participação dos casais recasados da Missa mesmo sem a comunhão eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário: Uma Eucaristia sem a comunhão eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental. E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas. Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isto parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, afim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”. O mesmo Papa ainda recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.
7. O toque a Jesus Eucarístico
O toque eucarístico é um ato de adoração. Pelo toque os casais em segunda união proclamam: nós Vos amamos, nós Vos adoramos, nós confiamos em Vós, nós cremos em Vós, não queremos nos separar de Vós: “Nós o amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4, 19) e confia “ao Senhor a nossa sorte, esperamos nele, e ele agirá (cf. Sl 30, 5). É um ato de fé, de louvor: nós queremos Vos louvar com todo o nosso ser com toda a nossa alma, como Tomé, após a conversão: “meu Senhor e meu Deus” e “para mim a felicidade é me aproximar de Deus, é pôr minha confiança no Senhor Deus, a fim de narrar suas maravilhas” (Sl 72, 28). É um toque pelo qual Jesus fala através das mãos que se dão: Por que vocês tem medo? Nada é impossível para Deus. Eu vos amo. Eu sou o vosso melhor amigo, pode confiar em mim. Por vocês dei e vos dou a minha vida: “Nisto temos conhecido o amor: Jesus deu sua vida por nós” (1Jo 3, 16). Cheguem perto, fiquem sempre juntinho de mim. “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9). Ninguém vos ama como eu. Olhem para mim bem nos meus olhos. Mergulhem no meu coração.
8. A comunhão espiritual
Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual- pastoral:
1. Formação Pessoal e de Casal. É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.
2. Grupos de Oração. O Casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.
3. Obras de Caridade. O Casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários… lembrando-se que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (1Pd 4, 8).
4. Praticar a Justiça. O Casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.
5. Diálogo em família. O Casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas… especialmente em necessidade.
6. Viver no cotidiano a vida cristã. O Casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.
7. Um caminho espiritual valorizando a família. O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar aonde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a família de Nazaré.
8. O perdão família.

A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia

“A PRESENÇA DE JESUS NA PALAVRA É TÃO COMPLETA COMO NA EUCARISTIA”
MITOS LITÚRGICOS
Autor: Francisco Dockhorn
Revisão teológica: Dom Antonio Carlos Rossi Keller, Bispo da Diocese de Frederico Westphalen-RS
Publicação original: 11 de Fevereiro de 2009, 151º aniversário das aparições da Santíssima Virgem em Lourdes

Não é.
Ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e substancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377. E por na Hóstia Consagrada Nosso Senhor está presente de maneira substancial, o Papa Paulo VI afirma (Encíclica Mysterium Fidei, n. 40-41, de 1965) a supremacia da Presença Eucarística de Nosso Senhor sobre as demais formas de presença: “Estas várias maneiras de presença enchem o espírito de assombro e levam-nos a contemplar o Mistério da Igreja. Outra é, contudo, e verdadeiramente sublime, a presença de Cristo na sua Igreja pelo Sacramento da Eucaristia. Por causa dela, é este Sacramento, comparado com os outros, “mais suave para a devoção, mais belo para a inteligência, mais santo pelo que encerra”; contém, de fato, o próprio Cristo e é “como que a perfeição da vida espiritual e o fim de todos os Sacramentos”. Esta presença chama-se “real”, não por exclusão como se as outras não fossem “reais”, mas por antonomásia porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem”.
Também o próprio Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium (n. 7), afirma esta supremacia da Presença Eucarística: “Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» – quer e SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas.” Afirmar que a presença de Nosso Senhor na Palavra é tão completa como na Hóstia consagrada significa uma dessas duas coisas: afirmar que Nosso Senhor se transubstancia na Palavra (aí fazemos o que, comemos a Bíblia e o Lecionário?), ou negar a Presença Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, o que atenta conta o Mistério central da fé católica, pois a Eucaristia é “fonte e ápice da vida cristã” (Lumen Gentium, n. 11)

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Comentário sobre este mito: Para propagar o mito de que “a presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”, alguns utilizam uma interpretação distorcida a respeito uma frase da Constituição Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, que afirma: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor” (Dei Verbum, 21). Como entender tal frase? O Santo Bento XVI tem dito que o Concílio Vaticano II NÃO pode ser interpretado como uma ruptura com os pronunciamentos anteriores do Sagrado Magistério (pois ele é infalível em definições de fé e moral, como afirma o Cat. n. 2035, e, portanto, a doutrina católica NÃO muda); e sim, o Concílio precisa ser interpretado como uma continuidade em relação ao Magistério anterior. Portanto, é um equívoco afirmar que essa frase do Concilio nega a superioridade da Hóstia Consagrada em relação a Palavra, e que portanto falar da Presença Substancial de Nosso Senhor na Eucaristia seria algo “ultrapassado”, “antiquado” e “medieval”. Mas como entender tal frase, afinal?

Vamos ao texto original em latim: “Divinas Scripturas ***sicut et*** ipsum Corpus dominicum semper venerata est Ecclesia”. O termo “sicut et”, traduzido por “como” (“como venera o próprio Corpo do Senhor”), é no sentido de “como também”, ou seja, um termo inclusivo, mas que NÃO diz respeito necessariamente a intensidade. Aliás, é o mesmo termo utilizado pela oração do Pai-Nosso, quando rezamos: “Et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris” (“Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”) E isso NÃO significa, evidentemente, que nós perdoamos com a mesma intensidade que Deus nos perdoa (pelo simples fato de que nós NÃO somos Deus!), mas simplesmente que nós também nos propomos a perdoar, ou seja, “como também” Ele nos perdoa. Além disso, o próprio Concílio Vaticano II também reconhece a superioridade da Presença de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, quando afirma que Ele está presente “SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas” (Lumen Gentium, n. 11). E também as citações que utilizamos acima, do Papa Paulo VI e do Catecismo da Igreja Católica, vão na mesma linha. Alguns liturgistas, adeptos da teologia litúrgica modernista e incompatível com a doutrina católica, conhecem bem o poder das palavras e dos símbolos, e os utilizam para propagar suas idéias, inclusive o mito de que “A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”, o que leva, naturalmente, a negação da Presença Real e Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada. Por exemplo, alguns liturgistas modernistas podem usar-se dos seguintes artifícios:

1. Instrumentalizar o termo “altar da Palavra” para referir-se ao ambão, com o objetivo de “nivelar” a Palavra e a Eucaristia (embora, evidentemente, nem todos os que utilizem este termo necessariamente sejam modernistas). Ora, altar é onde é oferecido o Sacrifício, e o Santo Sacrifício de Nosso Senhor é oferecido no altar onde é celebrada a Santa Missa…

2. Propagar o costume da construção de altares pequenos, quadrados; para que o altar (nem em tamanho) não tenha mais destaque que o ambão. Aliás, os altares católicos tradicionais são retangulares, não quadrados… É preciso esclarecer, porém, que NÃO consideramos os altares menores (quadrados) maus em si mesmo, pois há também a questão do tamanho do local e da estética.

3. Utilizar, na construção das igrejas, uma disposição em que o ambão fica em frente do altar, também para “nivelar” ambos (ao invés de o ambão ser colocada ao lado do altar). É preciso esclarecer, porém, que NÃO nos opomos, em si mesmo, a disposição litúrgica em que o ambão fica em frente do altar, já que ela foi bastante tradicional na Igreja no primeiro milênio (e ela guarda um bonito significado de a leitura ser feita voltada para a parede absidal, direção onde também fica a cadeira do celebrante, que é quem primeiro precisa escutar a Palavra de Deus); é preciso frisar, também, que na Igreja Primitiva, durante a oração Eucarística, todos (sacerdotes e fiéis) se voltavam para a mesma direção (o Oriente), como fala o Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”. O que nos opomos é a instrumentalização desta disposição (ambão de frente para o altar) para propagar a teologia litúrgica modernista, “nivelando” altar e ambão; aliás, esta disposição dificulta a celebração da Missa em Versus Deum (“voltados para Deus”, com o sacerdote e fieis voltados para a mesma direção, como recomenda o Papa no seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”). Na realidade, é possível celebrar em Versus Deum com o altar próximo do centro e o ambão em frente a ele, se o sacerdote celebra voltado para a parede absidal em direção ao crucifixo (e ao Sacrário, se houver); porém, esta disposição dificulta que todos os fiéis se voltem para a mesma direção, pois nela, os bancos geralmente ficam dos lados, e os fiéis de frente uns para os outros (e hoje, infelizmente, NÃO há a cultura de todos se voltarem para a mesma direção, como havia na Igreja Primitiva).

4. Abominar que hajam castiçais sobre o altar, e colocá-los distantes demais do altar (como se os castiçais estivessem iluminando meramente “o ambiente”, e não carregando de esplendor o altar, especificamente), e por vezes deixar um único castiçal próximo ao…ambão! Isso, evidentemente, descaracteriza o altar. Em tempo: os castiçais não precisam estar necessariamente sobre o altar, mas podem estar próximo a ele, como afirma a Instrução Geral do Missal Romano (n. 117). Há uma vantagem em que os castiçais não estejam sobre o altar, que é o fato de deixar o altar somente para o oferecimento do Santo Sacrifício, já que altar não é mesa; aliás, tradicionalmente na Missa Tridentina (a forma tradicional do Rito Romano), os castiçais normalmente NÃO ficam sobre o altar propriamente dito, mas juntamente com os arranjos de flores sobre o retábulo, que fica entre o altar e a parede. Porém, é preciso levar em contas também a questão estética e do esplendor do próprio altar (e isso depende do tamanho do presbitério, do altar e outras questões estéticas), e não nos parece que seja o caso rechaçar totalmente que os castiçais estejam sobre o altar, aliás, nas próprias Missas celebradas pelo Santo Padre Bento XVI em Roma, os castiçais ficam sobre o altar.

5. Rechaçar o costume tradicional de decorar o altar com belos arranjos de flores, que são um dos elementos que o enchem de esplendor. Nas aparições da Santíssima Virgem em Fátima (Portugal, 1917), oficialmente reconhecidas pela Santa Igreja, quando o Anjo apareceu para as crianças, antes da Virgem aparecer, ele trazia consigo uma Hóstia Consagrada. Prostrando-se por terra, ensinou a elas a seguinte oração: “Meu Deus: eu creio, adoro, espero-vos e amo-vos. Peço-vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não vos amam.”

Que pela intercessão da Santíssima Virgem e dos santos anjos, nós façamos parte daqueles que reconhecem a Presença Real e Substancial do Deus-Amor Sacramentado, na Hóstia Consagrada!

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