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Cristãos corajosos, não “estacionados”

Terça-feira, 17 de janeiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa advertiu sobre cristãos “preguiçosos” que veem a Igreja como estacionamento e pediu coragem e esperança para seguir na vida

Sejam cristãos corajosos, ancorados na esperança e capazes de suportar os momentos de trevas. Este é o convite feito pelo Papa Francisco aos fiéis na Missa desta terça-feira, 17, na Casa Santa Marta. Cristãos preguiçosos, em vez disso, são parados e para eles a Igreja é um belo estacionamento.

“Vida corajosa é aquela do cristão”, disse Francisco, que fez sua homilia partindo da Carta aos Hebreus na liturgia do dia. O zelo de que se fala, a coragem para seguir adiante deve ser a atitude do cristão diante da vida, como aqueles que treinam no estádio para vencer. Mas a leitura também fala da preguiça que é o contrário da coragem.

“Os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de seguir adiante, os cristãos que não lutam para fazer com que as coisas mudem, as coisas novas, as coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos…Todos”.

Francisco destacou que existem esses cristãos estacionados, para quem a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as seguranças possíveis. O que torna os cristãos corajosos é a esperança, disse, enquanto os “cristãos preguiçosos” não têm esperança, são “aposentados”. É bom se aposentar depois de tantos anos de trabalho, mas passar a vida toda aposentado é ruim, ressaltou. E a esperança é a âncora à qual se agarrar para lutar também nos momentos difíceis.

“Essa é a mensagem de hoje: a esperança, aquela esperança que não desilude, que vai além. Uma esperança que é uma âncora segura e firme para a nossa vida. (…) A esperança é lutar, agarrado à corda, para chegar lá. Na luta de todos os dias, a esperança é uma virtude de horizontes, não de fechamento! Talvez é a virtude menos entendida, mas é a mais forte. A esperança: viver em esperança, viver de esperança, sempre olhando adiante com coragem. ‘Sim, padre – alguém de vocês pode me dizer – mas há momentos ruins, onde tudo parece escuro, o que devo fazer?’ Agarre-se à corda e suporte”.

Francisco observou ainda que cristãos corajosos erram tantas vezes, mas todos erram, se erra quando se vai adiante enquanto que aquele que está parado parece não errar. E quando não se pode caminhar porque tudo está escuro, fechado, é preciso suportar, ter constância.

“Façamo-nos a pergunta: como eu sou? Como é a minha vida de fé? É uma vida de horizontes de esperança, de coragem, de seguir adiante ou uma vida morna que nem mesmo sabe suportar os momentos ruins? E que o Senhor nos dê a graça, como pedimos na Oração de Coleta, para superar os nossos egoísmos, porque os cristãos estacionados, os cristãos parados, são egoístas. Olham somente para si mesmos, não sabem levantar a cabeça e olhar para Ele. Que o Senhor nos dê essa graça”.

Perseverança até quando?

Somos chamados ao heroísmo da fé

O ser humano é realmente frágil diante das agruras da vida. Somos capazes de grandes heroísmos. Mas diante da presença do mal, das oposições contínuas de gente mal-intencionada, sentimos a falta de coragem. A tentação da fuga, pura e simples, é uma alternativa aliciadora. “Todos os discípulos, deixando-o, fugiram” (Mt 26, 56). Nisso somos parecidos com os animais que, diante do perigo, por instinto de conservação, fogem rapidamente.

Os homens, por educação ou por graça divina (martírio), têm a capacidade de resiliência. Essa capacidade nos faz esperar que os tempos mudem, e tudo pode tomar um rumo novo. As pessoas, – homens ou mulheres, e até jovens – que têm perseverança e firmeza de conduta tornam-se arrimo para outros mais frágeis. Os que têm personalidade, e não se deixam desviar dos seus intentos, são líderes e vencedores. Essas pessoas se tornam heroínas pelo fato de abrirem caminho aos pusilânimes. Mas a perseverança é virtude proposta a todos, não só aos heróis. Este desafio nos é aberto em dois sentidos.

Antes de tudo, somos chamados ao heroísmo da fé. A tentação do desânimo, de abandonarmos a fé diante de outras propostas mais tentadoras, de alcançarmos a solução dos problemas pela via rápida dos milagres fáceis, pode nos fazer balançar. “Maldito seja aquele que vos anunciar um evangelho diferente daquele que eu anunciei” (Gal 1, 8).

A Igreja possui a doutrina de Jesus (imagem do Pai). Nesta doutrina seremos perseverantes e seguiremos o que ensinavam os apóstolos: “Sede firmes na fé”. Entre nós católicos há muitos que se deixam seduzir com facilidade, e abandonam a fé do seu batismo, para aderirem a soluções menos complicadas. Outro chamado, feito a todos, é de sermos perseverantes na prática do bem. Trabalhar gratuitamente em benefício dos outros pode cansar. As ingratidões e a falta de compromisso podem nos levar ao desânimo e a “jogar tudo para cima”. É mais fácil ter vida mansa e assistir tudo de camarote. Mas a Escritura nos alerta: “Quem for perseverante até o fim, este será salvo” (Mt 10, 22).

Dom Aloísio Roque Oppermann scj 

São Jorge é santo mesmo?

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/04/23/sao-jorge-e-santo-mesmo/

Recebi um  e-mail de uma pessoa me perguntando:

“São Jorge, qual a verdadeira história dele, é um santo mesmo? Da Igreja Católica ou de macumba? Nunca me senti bem em relação a ele, pois já vi sua imagem em lugares nada cristãos… Poderia me esclarecer por favor?”

A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril. São Jorge foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e  sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.

São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.

São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.

O culto de São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.

A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.

Diz a lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e  atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.

Continua a narração dizendo que  o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei  lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.

É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.

Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.

Segundo a tradição São Jorge foi condenado  à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia  que era de ferro, não se queixava. Diz a tradição que diante de sua  coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.

Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

Prof. Felipe Aquino

São Jorge, Mártir – 23 de Abril

Devotos no mundo inteiro comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros, dos corintianos e celebrado em canções populares de Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Fernanda Abreu. No oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de “Grande Mártir”.
Guerreiro originário da Capadócia e militar do Império Romano ao tempo do imperador Diocleciano, Jorge converteu-se ao cristianismo e não agüentou assistir calado às perseguições ordenadas pelo imperador. Foi morto na Palestina no dia 23 de abril de 303. Ele teria sido vítima da perseguição de Diocleciano, sendo torturado e decapitado em Nicomédia, tudo devido à sua fé cristã.
A imagem de todos conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média. Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo Papa Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo. Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e protetor, em 1910.
A quantidade de milagres atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas, questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.

São Jorge é venerado desde o século IV
O culto a São Jorge vem do século 4 dC. O soldado foi martirizado na Palestina no dia 23 de abril de 303, vítima da perseguição do imperador Diocleciano. Foi torturado e teve a cabeça cortada, em Nicomédia, devido a sua fé cristã.
Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e onde o imperador cristão Constantino (que depois de vários imperadores anti-cristãos converteu-se e a império à religião cristã) mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente. No século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, foram erguidas quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, na Grécia, no Império Bizantino (a região oriental do Império Romano, que tinha capital em Bizâncio, depois, Constantinopla) São Jorge era inscrito entre os maiores Santos da Igreja Católica. No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria. Na Itália, era padroeiro da cidade de Gênova. Na Alemanha, Frederico III dedicou a ele uma Ordem Militar. Na França, São Gregório de Tours era conhecido por sua devoção a São Jorge; o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotide, erigiu várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Cavalaria da jarrateira, fundada por ele em 1330. Por considerá-lo o protótipo dos cavaleiros medievais, o inglês Ricardo Coração de Leão, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa aos muçulmanos. No século 13, a Inglaterra celebrava sua festa como dia santo e de guarda e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos que também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira. Ainda durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos da guerra. As artes, também, divulgaram amplamente a imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael (1483-1520), intitulado “São Jorge vencedor do Dragão”. Na Itália, existem diversos quadros célebres, como o de autoria de Donatello (1386-1466).

São Jorge e a morte do dragão
A imagem conhecida de todos, do cavaleiro que luta contra o dragão, está relacionada às lendas criadas a partir da Idade Média. Há uma grande variedade de histórias relacionadas a São Jorge. O relato e a imagem de todos conhecidos, do cavaleiro que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média. A imagem atual do santo, sentado em um cavalo com uma lança que atravessa um dragão, está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito, contadas de várias maneiras em suas muitas paixões. A versão mais corrente dá conta que um horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exigia regularmente que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas. Um dia coube à filha do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até as margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia, montado em um cavalo branco, São Jorge. Destemidamente, enfrentou as perigosas labaredas de fogo que saíam da boca do dragão e as venenosas nuvens de fumaça de enxofre que eram expelidas pelas narinas do monstro. Após um duro combate, finalmente São Jorge venceu o terrível dragão, com sua espada de ouro e sua lança de aço. O misterioso cavaleiro assegurou ao povo que tinha vindo, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados. Para alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele extirpou as heresias. A relação entre o santo e a lua viria de uma lenda antiga que acabou virando crença para muitos. Diz a tradição que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.

Desde 1969, Igreja Católica tornou opcional a celebração a São Jorge
Embora muitos considerem que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou enorme popularidade no tempo das Cruzadas. “A imagem atual é fruto de uma lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o martírio dele não foi significativo”, diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de maio de 1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado, naquele tempo, em “cassação de santos”. Mas o fato da celebração do Dia de São Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.

São Jorge é o padroeiro da Inglaterra
O “Santo Guerreiro” é também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha (região da Espanha que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma do Papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.

 

 

São Jorge é santo mesmo?
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Prof. Felipe Aquino

Recebi um email de uma pessoa me perguntando:
“São Jorge, qual a verdadeira história dele, é um santo mesmo? Da Igreja Católica ou de macumba? Nunca me senti bem em relação a ele, pois já vi sua imagem em lugares nada cristãos… Poderia me esclarecer por favor?”
A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril. São Jorge foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.
São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.
São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.
O culto de São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.
A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.
Diz a lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.
Continua a narração dizendo que o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.
É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.
Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.
Segundo a tradição São Jorge foi condenado à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia que era de ferro, não se queixava. Diz a tradição que diante de sua coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.
Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

 

 

Hoje se comemora o onomástico do Papa
A Igreja recorda no 23 de abril São Jorge
Por Redacao
ROMA, 23 de Abril de 2015 (Zenit.org) – Nesta segunda-feira é dia festivo no Vaticano, porque se celebra o onomástico do Papa, Jorge Mario Bergoglio. E é que no dia 23 de abril, a Igreja recorda São Jorge.
Um de seus mais próximos colaboradores, monsenhor Guillermo Karcher, sacerdote argentino e mestre de cerimônias pontifício declara em uma entrevista á Rádio Vaticano que “pensar hoje, nesta festa onomástica, no santo do Papa – sendo o seu nome de batismo Jorge – é bonito porque quando penso nele, e o vejo atuar, posso dizer que é um ‘São Jorge moderno’, no sentido de que é um grande lutador contra as forças do mal e o faz com um espírito verdadeiramente cristão”.
Além disso, monsenhor Karcher afirma que “é a Cristo que vejo nele, que semeia o bem para combater o mal. E este é um exemplo, porque já o fazia em Buenos Aires e continua fazendo agora com esta simplicidade que o caracteriza, mas que é tão forte, tão importante neste momento do mundo, em que é necessária a presença do bem”.
Jorge da Capadócia é o nome de um hipotético soldado romano da Capadócia, atual Turquia, que, pelo que parece, foi um mártir. Diz-se que nasceu entre 275 e 280, e morreu em 23 de abril de 303. Na Itália, o culto de São Jorge foi muito difundido. Em Roma, Belisario, pelo ano 527, colocou sob a proteção de Jorge a Puerta de San Sebastián e a igreja de São Jorge em Velabro, onde foi transferida uma possível relíquia do santo. Algumas cidades, como Gênova, Ferrara e Reggio de Calabria, têm São Jorge como patrono.
A lenda – possivelmente originada no século IV – conta a história de Jorge, um romano que, depois da morte do pai, mudou-se com a mãe para a cidade natal dela: Lydda, atual Lod, Israel. Ali, a mãe educou de forma cristã o seu filho e quando grande entrou no exército romano. Não demorou para subir e, antes de cumprir os 30 anos, era tribuno e comes, sendo destinado à Nicomédia como guarda pessoa do imperador Diocleciano (284-305).
Em 303, o imperador começou a perseguição aos cristãos. Jorge confessou que ele também era cristão. Diocleciano ordenou que o torturassem e, ao não conseguir que renegasse da sua fé, o executaram. Depois de ser decapitado em frente das muralhas de Nicomédia em 23 de Abril de 303, o corpo de Jorge foi enviado para Lydda para ser enterrado.

 

 

SÃO JORGE: O “GRANDE MÁRTIR”

“Quem nasce homem novo em Cristo no batismo, não vista mais a roupa da mortalidade, mas deponha o homem velho e revista-se de novo estilo de conduta pura e santa. Só assim, purificados da imundície de nossa antiga condição pecadora e brilhando pelo fulgor de uma vida nova, poderemos celebrar dignamente o mistério pascal e imitar verdadeiramente o exemplo dos mártires”, esta é a mensagem do Doutor da Igreja São Pedro Damião sobre a figura de São Jorge, cuja a festa cai no tempo pascal.
São Pedro Damião (1007-1072)
Bispo e Doutor da Igreja

São Jorge é provavelmente o terceiro santo mais popular do catolicismo e do cristianismo ortodoxo, atrás da Virgem Maria e de seu conterrâneo e contemporâneo São Nicolau de Mira (o Papai Noel). São Jorge é padroeiro de Portugal, Inglaterra, Canadá, Alemanha, Grécia, Lituânia, Etiópia, Malta, Palestina e (essa é fácil) Geórgia. O Rio de Janeiro pode ter como padroeiro São Sebastião, mas o santo do coração é o guerreiro São Jorge – um pouco por causa da umbanda, que relaciona o santo ao orixá Ogum. E, claro, é padroeiro do Corinthians…

Nosso Santo guerreiro, nascido na Capadócia, morto pelo imperador Diocleciano, matador de dragão, ele sangrava leite, fazia imagens e exércitos pagãos explodirem, levantou um homem da tumba para batizá-lo, foi cortado em pedaços, carbonizado e ressuscitou. É, as lendas vão longe. Mas tudo o que você leu depois da palavra “santo” é incerto. Sabemos que São Jorge já era popular no século V, mais como lenda do que pela história: em 495, o papa Gelásio I afirmou que São Jorge “é desses santos cujo nome é justificadamente reverenciado entre os homens, mas cujas ações apenas Deus conhece”.

Primeiro, talvez ele não fosse mesmo da Capadócia, mas de Lod, na atual Israel. Lá fica sua tumba, que é reverenciada desde o século V. Segundo, talvez nem fosse guerreiro – existiu um Jorge da Capadócia bem documentado, mas esse foi o bispo de Alexandria (Egito) entre 356 e 361. Um bispo ariano que rejeitava a Santíssima Trindade e acabou linchado pela população, mas foi considerado mártir entre outros hereges.

No século IV, o livro História Eclesiástica, de Eusébio, bispo de Cesaréia fala dos massacres do imperador Diocleciano (244-311). De 303 até sua morte, o imperador fez a última perseguição aos cristãos, na qual mais de 3 mil foram executados. Entre seus decretos, estava a conversão forçada dos soldados de volta ao paganismo. Eusébio cita um homem “de altíssima honra” que rasgou a ordem e foi executado, em Nicomédia (atualmente Izmit, 100 km a oeste de Istambul). O autor não dá nome nem patente ao mártir, mas, tradicionalmente, essa é a versão mais “histórica” para São Jorge. Ele seria um comandante da cavalaria de Diocleciano.

Entre os povos eslavos, a figura de São Jorge é muito apreciada. Ainda hoje, é incontável o número de igrejas católicas e ortodoxas dedicadas ao Grande Mártir São Jorge em todas as partes do mundo.

É para meditar profundamente sobre fatos históricos e lendários desse grande santo mártir um pensamento para o mundo inteiro tão simples, no entanto, tão importante: “O bem, mesmo que demore, vence sempre o mal e a pessoa sábia nas escolhas fundamentais da vida não se deixa jamais enganar pelas aparências”.

Tanto o sofrimento como a vitória fazem parte da vida. Tanto para ricos como para pobres, ignorantes e sábios e em todo lugar e em todas as raças. Traição e amizade sincera vão estar juntos de nós até o fim de nossas vidas. De tudo isso, o principal é não perder a fé, a esperança e o amor. Rezar sempre é a nossa missão de felicidade. Rezar é a nossa poderosa arma contra as forças do inimigo.

São Jorge é de fato e de verdade o santo mártir guerreiro. Ele passa para nós de forma tão categórica um poder tremendo para vencermos os dragões terríveis que aparecem em nosso caminho.

Viva São Jorge, o Grande Mártir, o Santo Guerreiro e intercessor!

Pe. Inácio José do Vale
Sociólogo em Ciência da Religião, Professor de História da Igreja, Instituto Teológico Bento XVI

 

 

São Jorge, viveu o bom combate da fé

Conhecido como ‘o grande mártir’, foi martirizado no ano 303. A seu respeito contou-se muitas histórias. Fundamentos históricos temos poucos, mas o suficiente para podermos perceber que ele existiu, e que vale à pena pedir sua intercessão e imitá-lo.

Pertenceu a um grupo de militares do imperador romano Diocleciano, que perseguia os cristãos. Jorge então renunciou a tudo para viver apenas sob o comando de nosso Senhor, e viver o Santo Evangelho.

São Jorge não queria estar a serviço de um império perseguidor e opressor dos cristãos, que era contra o amor e a verdade. Foi perseguido, preso e ameaçado. Tudo isso com o objetivo de fazê-lo renunciar ao seu amor por Jesus Cristo. São Jorge, por fim, renunciou à própria vida e acabou sendo martirizado.

Uma história nos ajuda a compreender a sua imagem, onde normalmente o vemos sobre um cavalo branco, com uma lança, vencendo um dragão:

“Num lugar existia um dragão que oprimia um povo. Ora eram dados animais a esse dragão, e ora jovens. E a filha do rei foi sorteada. Nessa hora apareceu Jorge, cristão, que se compadeceu e foi enfrentar aquele dragão. Fez o sinal da cruz e ao combater o dragão, venceu-o com uma lança. Recebeu muitos bens como recompensa, o qual distribuiu aos pobres.”

Verdade ou não, o mais importante é o que esta história comunica: Jorge foi um homem que, em nome de Jesus Cristo, pelo poder da Cruz, viveu o bom combate da fé. Se compadeceu do povo porque foi um verdadeiro cristão. Isto é o essencial.

Ele viveu sob o senhorio de Cristo e testemunhou o amor a Deus e ao próximo. Que Ele interceda para que sejamos verdadeiros guerreiros do amor. São Jorge, rogai por nós!

Belíssima e muito ilustrativa imagem de São Jorge

Esta belíssima (e muito pouco conhecida!) imagem do Glorioso Mártir São Jorge é para mim inspiradora. Representa muito bem o que é a verdadeira masculinidade e a luta viril que todo homem católico deve travar contra as tentações, contra o mundo, contra o demônio e contra a carne.
Espelhemo-nos nos santos, meus caros. Desprezemos os paradigmas de falsa masculinidade desse mundo.
O verdadeiro homem, viril, másculo, é o homem de Deus, é aquele tem autodomínio, que sabe combater e vencer a fera que existe dentro de si por causa da ferida do pecado original, triunfando sobre seus instintos mais baixos e desregrados.
Glorioso São Jorge, Mártir de Nosso Senhor Jesus Cristo, modelo de homem católico, rogai por nós!

A Frivolidade: uma “doença do caráter”

Um homem precisa ter caráter se quiser ser homem realmente. E caráter é ter personalidade, é lutar pelo que acredita – por Deus, Autor da vida; pela sua vida própria, e por uma infinidade de coisas que cada um conhece.
Caráter envolve firmeza, é ser viril em suas decisões, é dominar-se a si mesmo – pois este é o domínio mais difícil de se conseguir, e portanto o mais honrado.
Só assim se pode ser homem – macho! – realmente. Homem que é Homem precisa ser Homem de caráter. Senão não é Homem. Simples assim!
O caráter deveria ser o sobrenome do Homem: um sinal constante de que ele é o que é, de que cumpre com a vocação à qual Deus lhe chamou no instante da concepção – a vocação de ser macho. Ele não só aparenta ser: ele é!
A doença da falta de caráter nos dias atuais é degradante. Uma vergonha para os homens de nossa geração. Dá-se desculpas para tudo: para não trabalhar, para não ter um compromisso sério, para sair com mil mulheres e não amar nenhuma delas, para não ir à Igreja – nunca! -, para tratar os outros com vileza e desonestidade. Todas desculpas de homens que não são homens realmente – porque não têm caráter.
Por causa destas desculpas que desviam do caminho São Josemaría Escrivá ensinava:
“Pretextos. – Nunca te faltarão para deixares de cumprir os teus deveres. que fartura de razões… sem razão! Não pares a considerá-las. – Repele-as e cumpre a tua obrigação” (Caminho, n.21).
“Desculpa própria do homem frívolo e egoísta: ‘Não gosto de comprometer-me com nada'” (Sulco, n. 539).
A frivolidade é uma enfermidade entre os homens modernos. Este não querer assumir compromissos, este desrespeitar os que já foram assumidos, este ser mundano, sem domínio sobre si mesmo… tudo isto é frivolidade. E não há coisa que torne os homens menos homens e mais bestas do que ela.
São Josemaría advertia contra essa “doença do caráter”:

“Não caias nessa doença do caráter que tem por sintomas a falta de firmeza para tudo, a leviandade no agir e no dizer, o estouvamento…, a frivolidade, numa palavra. Essa frivolidade, que – não o esqueças – torna os teus planos de cada dia tão vazios (‘tão cheios de vazio’), se não reages a tempo – não amanhã; agora! -, fará da tua vida um boneco de trapos morto e inútil” (Caminho, n.18).

“Assim, bobeando, com essa frivolidade interior e exterior, com essas vacilações em face da tentação, com esse querer sem querer, é impossível que avances na vida interior” (Sulco, n.154).

Um Homem não pode permanecer a “bobear”. A frivolidade não merece cultivo. O Homem, se quiser vencer esta enfermidade do caráter, precisa assumir-se como Homem, e em consequência assumir os compromissos para os quais é chamado: com Deus, com a Igreja, consigo mesmo, com sua santificação pessoal, com sua família, com seu trabalho e profissão, com seus estudos, etc.
Somente a vitória da frivolidade poderá abrir caminho à verdadeira virilidade.
“Enquanto não lutares contra a frivolidade, a tua cabeça será semelhante a uma loja de bricabraque: não conterá senão utopias, sonhos e… trastes velhos” (Sulco, n.535).
E nada de pretextos! Nada de justificar os defeitos dizendo: “Eu sou assim mesmo…”, para não lutar contra a frivolidade própria.
“Não digas: ‘Eu sou assim…, são coisas do meu caráter”. São coisas da tua falta de caráter. Sê homem – esto vir” (Caminho, n.4)
“Obstinas-te em ser mundano, frívolo e estouvado porque és covarde. Que é, senão covardia, esse não quereres enfrentar-te a ti próprio?” (Caminho, n.18).
Jesus nos disse que “não se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa (Mt 5,15).
Assim é São Jorge, uma luz colocada sobre o candeeiro para que brilhe a todos que estão na Casa de Deus, a Igreja, “ao vermos sua luz, suas boas obras, glorificamos ao Pai que esta nos céus”:
“Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5,16)
Ao lembrar São Jorge, fazendo sua memória, procuramos atentar para o exemplo de sofrimento e paciência de um Servo de Deus, tendo-o como modelo de cristão de oração e de vida.
Como outrora, Abraão era modelo de vida para os judeus, conforme vemos nas palavras do Senhor:
“Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. “(São João 8,39)
São Paulo nos disse:
“atentai para aqueles que andam conforme o exemplo que tendes em nós;” (Filipenses 3,17).
“Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. ”
(Tiago 5,10)
Do mesmo modo, como devotos de São Jorge, somos convidados pela Igreja para fazer as obras que esse Grande Santo fez em vida, “pois as obras dos Santos os seguem” (Apo 14,13).
São Jorge é modelo de coragem, pois “não temeu os que matam o corpo, mas aquele que antes pode precipitar a alma e o corpo no inferno” (Mt 10,28).
São Jorge não teve medo do Imperador Romano e “o que ouviu na escuridão das catacumbas cristãs, disse-o às claras, publicou-o em cima dos telhados” (Mt 10,27).
E por ter dado sua vida pela fé em Cristo, tornou-se exemplo para todos que se dizem cristãos, para que sejam corajosos em tudo renunciar por amor a Jesus, que nos disse:
“Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus.
33. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.”
(Mt 10,32-33)
Do mesmo modo que Jesus proclamou que a pecadora arrependida seria lembrada pela Igreja, por seu testemunho de amor, São Jorge é lembrado:
“Em verdade eu vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez.” (Mt 26,13)
São Jorge não temeu defender os cristãos que estavam para ser mortos num plano traçado pelo Imperador de Roma e se tornou ” odiado de todos por causa do nome de Jesus, perseverando até o fim e, por isso, foi salvo” (Mc 13,13), sendo exemplo de coragem e solidariedade na luta contra o Dragão do mal:
“E sereis odiados de todos por causa de meu nome. Mas o que perseverar até o fim será salvo”

São Jorge é, como diz a Bíblia, um dos “sobreviventes da grande tribulação; lavou as suas vestes e as alvejou no sangue do Cordeiro. Por isso, está diante do trono de Deus e o serve, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono o abriga em sua tenda. Já não tem fome, nem sede, nem o sol ou calor algum o abrasa” (Apo 7,14-15)
São Jorge é um dos que “acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; pois foi resgatado dentre os homens” (Apo 14,4).
Por isso, junto com os outros Santos no céu “prostra-se diante do Cordeiro, tendo taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos fieis)” (Apo 5,8), apresentando ao Senhor nossos pedidos, como o Anjo com o turíbulo de ouro nas mãos (Apo 8,4).
Apesar de aguardar a ressurreição do último dia, já ressuscitou pelo Batismo (Col 2,12), e é como os Anjos do céu (Mt 22,30), velando e intercedendo por nós, e por todo o mundo, para que se complete o número dos irmãos de serviço, que devem ser salvos:
“9. Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.
10. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?
11. Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos.”
(Apo 6,9-11)
São Jorge, Mártir, é uma das “almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários” (Apo 6,9).
E “desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, (entre elas São Jorge) desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus” (Heb 12,1).
São Jorge ora por nós, como outrora, na Bíblia, os judeus viram a alma de Onias e Jeremias em oração por seu povo:
Onias (…) estava com as mãos estendidas, INTERCEDENDO por toda a comunidade dos judeus.
Apareceu a seguir um homem notável (…) Esse é aquele que MUITO ORA pelo povo e por toda cidade santa, é Jeremias, o Profeta de Deus.”
(2Mac 15,12-14)
São Jorge intercede por nós por meio do único Mediador da Salvação, Jesus,“Porque só há um MEDIADOR” entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” – (I Timóteo 2:5), mas ao orarmos pelo próximo, também somos mediadores secundários (Dt 5,5), pois oramos, como Corpo de Cristo que se une a sua Cabeça (Col 1,18), Jesus, que vive para interceder por nosso favor (Heb 7,25).
Por isso, há uma só Igreja, a do céu, a da terra e a dos que se Purificam aguardando o céu, todos somos um só corpo ( Hebreus 12,22-23).

Para que pedir a intercessão de SÃO JORGE se posso falar diretamente com Deus?
Deus quer ouvir nossa oração, apesar de já conhecer nossas necessidades. Deus quer dar-nos suas graças, mas é preciso que a peçamos. Deus quer que rezemos.
Jesus nos falou da importância da oração e da perseverança nela, de pedir insistentemente sem nunca cansar.
Ora, ao pedir a intercessão de São Jorge ou outro servo de Deus, pedimos que esses servos de Deus, quais anjos, não cessem de orar por nos “nem de dia nem de noite, mantendo desperta a memória do Senhor, até que tenha nos concedido sua graça” (Is 62, 6-7).
A São Jorge, como aos demais Santos, nos dirigimos, como outrora Deus ordenou aos amigos de Jó:
“Ide ao meu servo Jó e (…) ele orará por vós, por causa dele vos aceitarei” (Jo 42,8)
Como diz São Paulo, Deus nos livra de todo mal, mas a oração do próximo pode nos ajudar nessa intenção:
“Ele nos livrou e nos livrará de tamanhos perigos de morte. Sim, esperamos que ainda nos livrará
11. se nos ajudardes também vós com orações em nossa intenção. Assim esta graça, obtida por intervenção de muitas pessoas, lhes será ocasião de agradecer a Deus a nosso respeito.” (2Cor 1,10-11)
Se a oração do próximo pode nos ajudar, quanto mais a oração de um servo de Deus que está diante de seu trono dia e noite (Apo 7,15), uma alma justa, pois:
“O Senhor está longe dos maus, mas atende a oração dos justos” (Pr 15,29)
“…a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito” (Tg 5,16
Dessa forma, pedir a ajuda dos Santos é algo bom, uma ajuda a mais, para que “a graça obtida pela intervenção deles seja ocasião para eles e para nos de agradecermos a Deus” por esse vínculo de amor fraternal entre os santos.
Como diz a Bíblia, podemos orar a Deus invocando o nome de seus Santos e seus méritos, como vemos no salmo:
“Pelo nome de Davi, vosso servo, não rejeiteis a face daquele que vos é consagrado” (Sl 131,10)
Lembra-te de Abraão, de Isaque, e de Israel, teus servos, aos quais por ti mesmo juraste… (Êx 32,13)
… teve misericórdia deles, e se compadeceu deles, e se tornou para eles, por amor do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó; e não os quis destruir nem lançá-los da sua presença
(2 Re 13,23)
Porque se lembrou da sua santa palavra, e de Abraão, seu servo.
(Salmos 105:42)
A São Jorge pedimos como São Paulo pediu aos Tessalonicenses e aos Filipenses:
“orai por nós (…) para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque nem todos possuem a fé” (Tes 3,1-2) e “para que alcancemos a salvação do Senhor” (Fil 1,19)

Caminho da santidade é simples

Terça-feira, 24 de maio de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

O Papa disse que a santidade do dia a dia precisa de quatro elementos: coragem, esperança, graça e conversão

Na missa celebrada na Casa Santa Marta nesta terça-feira, 24, o Papa Francisco refletiu sobre o caminho de santidade do cristão. O Papa disse que caminhar na presença de Deus de modo irrepreensível quer dizer caminhar rumo à santidade, compromisso que necessita de um coração que saiba esperar com coragem, se coloque em discussão e se abra com simplicidade à graça de Deus.

O Papa explicou que santidade não se compra e que nem as melhores forças humanas a podem ganhar. Segundo ele, a santidade simples, do dia a dia, de todos os cristãos, é um caminho que pode ser percorrido somente se sustentado por quatro elementos imprescindíveis: coragem, esperança, graça, conversão.

Coragem

Francisco seguiu explicando que o trecho litúrgico extraído da Primeira Carta de Pedro, definindo-a como um pequeno tratado sobre a santidade.

“Este ‘caminhar’, a santidade é um caminho, a santidade não se compra e nem se vende. Nem se pode presentear. A santidade é um caminho na presença de Deus, que eu devo fazer: ninguém o faz em meu nome. Posso rezar para que o outro seja santo, mas é ele que deve fazer o caminho, não eu. Caminhar na presença de Deus, de modo irrepreensível. Usarei hoje algumas palavras que nos ensinam como é a santidade de todo dia, a santidade – digamos – anônima. Primeira: coragem. O caminho rumo à santidade requer coragem”.

Esperança e graça

O Reino dos Céus de Jesus, disse o Papa, é para aqueles que têm a coragem de ir avante e a coragem, observou, é movida pela esperança, a segunda palavra da viagem que leva à santidade. A coragem que espera num encontro com Jesus. Depois, há o terceiro elemento, quando Pedro escreve: colocai toda a vossa esperança na graça.

“A santidade não podemos fazê-la sozinhos. Não, é uma graça. Ser bom, ser santo, avançar a cada dia um passo na vida cristã é uma graça de Deus e devemos pedi-la. Coragem, um caminho. Um caminho que se deve fazer com coragem, com a esperança e com a disponibilidade de receber esta graça. E a esperança: a esperança do caminho. É tão bonito o XI capítulo da Carta aos Hebreus, leiam. Fala do caminho dos nossos pais, dos primeiros que foram chamados por Deus. E como eles foram avante. E do nosso pai Abraão diz: ‘Ele saiu sem saber para onde ia’. Mas com esperança”.

Converter-se todos os dias

Francisco prosseguiu explicando que em sua carta, Pedro destaca a importância de um quarto elemento. Quando convida os seus interlocutores a não se conformarem “aos desejos de uma época”, os impulsiona essencialmente a mudar a partir de dentro do próprio coração, num contínuo e cotidiano trabalho interior.

“A conversão, todos os dias: ‘Ah, Padre, para me converter devo fazer penitência, me dar umas pauladas…’. Não, não, não: conversões pequenas. Mas se você for capaz de não falar mal do outro, está no bom caminho para se tornar santo. É tão simples! Eu sei que vocês nunca falam mal dos outros, não? Pequenas coisas… Tenho vontade de criticar o vizinho, meu colega de trabalho: morder um pouco a língua. Vai ficar um pouco inchada, mas o espírito de vocês será mais santo nesta estrada. Nada de grandes mortificações: não, é simples. O caminho da santidade é simples. Não voltar para trás, mas ir sempre avante, não? E com força”.

A alegria vinda da Ressurreição de Jesus

Quarta-feira, 23 de abril de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Diante da certeza da Ressurreição de Cristo, Santo Padre enfatizou necessidade de os fiéis se abrirem à esperança que remove as pedras dos “sepulcros” atuais

Na catequese desta quarta-feira, 23, Papa Francisco dedicou-se a falar da alegria vinda da Ressurreição de Jesus. Trata-se de uma alegria verdadeira e profunda, baseada na certeza de que Cristo não morre jamais, mas está sempre vivo e ativo na Igreja e no mundo.

O Santo Padre concentrou-se, em especial, na frase que os anjos disseram às mulheres no sepulcro de Jesus: “Por que procurais Aquele que vive entre os mortos?”. Estas palavras, segundo ele, dirigem-se também aos homens de hoje, que, de várias formas, podem se fechar em seus egoísmos, seduzidos pelas coisas deste mundo, pelo dinheiro e pelo sucesso, deixando de lado Deus e o próximo.

Por outro lado, o Papa lembrou que nem sempre é fácil aceitar a presença de Cristo Ressuscitado em meio ao homem. É possível ser como Tomé, querendo tocar nas chagas para acreditar, ou como Maria Madalena, que vê Jesus, mas não O reconhece; ou ainda, como os discípulos de Emaús, que, sentindo-se derrotados, não percebem o próprio Jesus que os acompanha.

Depois de um fracasso, para quem se sente só, abandonado e perdeu a esperança, Francisco destacou que a pergunta dos anjos faz superar a tentação de olhar para trás e impulsiona rumo ao futuro.

“Jesus não está no Sepulcro, Ele ressuscitou! Não podemos procurar entre os mortos aquele que está vivo!”, disse Francisco, pedindo que a multidão repetisse a frase dos anjos. “Não nos dirijamos aos muitos sepulcros que hoje prometem algo, e depois não nos dão nada. Ele está vivo. Por isso, é preciso maravilhar-se novamente com Cristo ressuscitado, para poder sair dos nossos espaços de tristeza e abrir-nos à esperança que remove as pedras dos sepulcros e nos dá coragem para anunciar, pelo mundo afora, o Evangelho da vida”.

Depois da catequese, o Papa saudou os diversos grupos presentes na Praça, entre os quais os brasileiros. “Dou as boas-vindas a todos os peregrinos de língua portuguesa, nominalmente aos fiéis de Lisboa e aos diversos grupos do Brasil. Queridos amigos, a fé na Ressurreição nos leva a olhar para o futuro, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Feliz Páscoa para todos!”

 

Buscar a verdadeira esperança que traz o Ressuscitado, alenta o Papa Francisco
VATICANO, 23 Abr. 14 (ACI/EWTN Noticias) .- O Papa Francisco presidiu nesta quarta-feira a Audiência Geral na Praça de São Pedro e exortou os fiéis a não procurarem Cristo vivo entre as “coisas mortas” que oferece o mundo, como o poder e o êxito, que só dão uma alegria “por um minuto, por um dia, uma semana ou um mês”, mas a verdadeira esperança que brinda o Senhor Ressuscitado.

O Pontífice disse que precisamos escutar a pergunta dos anjos às mulheres que chegaram à tumba “por que procuram entre os mortos ao que está vivo? por que procuram entre os mortos ao que está vivo?” (Lc 24,5). Estas palavras são como uma pedra milhar na história; mas também uma “pedra de tropeço”, se não nos abrirmos à Boa Notícia, se pensarmos que um Jesus morto molesta menos que um Jesus vivo!”.

“Se escutarmos, podemos nos abrir a Aquele que dá a vida, Aquele que pode dar a verdadeira esperança. Neste tempo pascal, nos deixemos novamente tocar pelo estupor do encontro com Cristo ressuscitado e vivo, pela beleza e a fecundidade de sua presença”, asseverou o Papa.

A seguir a catequese completa do Papa:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Esta semana é a semana da alegria: celebramos a Ressurreição de Jesus. É uma alegria verdadeira, profunda, baseada na certeza de que Cristo ressuscitado não morre mais, mas está vivo e ativo na Igreja e no mundo. Tal certeza mora nos corações dos crentes daquela manhã de Páscoa, quando as mulheres foram ao sepulcro de Jesus e os anjos disseram a elas: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?”. Estas palavras são como uma pedra milenar na história; mas também uma “pedra de tropeço”, se não nos abrimos à Boa Notícia, se pensam que dê menos cansaço um Jesus morto que um Jesus vivo! Em vez disso, quantas vezes, no nosso caminho cotidiano, temos necessidade de ouvirmos dizer: “Por que estais procurando entre o s mortos Aquele que está vivo?”.

Quantas vezes nós procuramos a vida entre as coisas mortas, entre as coisas que não podem dar vida, entre as coisas que hoje são e amanhã não serão mais, as coisas que passam… “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Temos necessidade disso quando nos fechamos em qualquer forma de egoísmo ou de auto-piedade; quando nos deixamos seduzir pelos poderes terrenos e pelas coisas deste mundo, esquecendo Deus e o próximo; quando colocamos as nossas esperanças em vaidades mundanas, no dinheiro, no sucesso. Então a Palavra de Deus nos diz: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Por que estás procurando ali? Aquela coisa não pode te dar vida! Sim, talvez te dará uma alegria de um minuto, de um dia, de uma semana, de um mês… e depois? “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”. Esta frase deve entrar no coração e devemos repeti-la. Vamos repeti-la juntos três vezes? Façamos um esforço? Todos: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” [repete com a multidão] Hoje, quando voltarmos para casa, digamos essa frase do coração, em silêncio, e nos façamos esta pergunta: por que eu, na vida, procuro entre os mortos Aquele que está vivo? Fará bem a nós.

Não é fácil ser aberto a Jesus. Não se deduz aceitar a vida do Ressuscitado e a sua presença em meio a nós. O Evangelho nos faz ver diversas reações: aquela do apóstolo Tomé, aquela de Maria Madalena e aquela dos dois discípulos de Emaús: faz bem a nós confrontarmo-nos com eles. Tomé coloca uma condição à fé, pede para tocar a evidência, as chagas; Maria Madalena chora, O vê, mas não O reconhece, dá-se conta de que é Jesus somente quando Ele a chama pelo nome; os discípulos de Emaús, deprimidos e com sentimentos de derrota, chegam ao encontro com Jesus deixando-se acompanhar por aquele misterioso andarilho. Cada um por caminhos diversos! Buscavam entre os mortos Aquele que está vivo e foi o mesmo Senhor a corrigir a rota. E eu o que faço? Qual a rota sigo para encontrar o Cristo vivo? Ele e stará sempre próximo a nós para corrigir a rota se nós tivermos errado.

“Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). Esta pergunta nos faz superar a tentação de olhar para trás, para aquilo que foi ontem, e nos impele a seguir adiante rumo ao futuro. Jesus não está no sepulcro, é o Ressuscitado! Ele é o Vivo, Aquele que sempre renova o seu corpo que é a Igreja e o faz caminhar atraindo-o para Ele. “Ontem” é o túmulo de Jesus e o túmulo da Igreja, o sepulcro da verdade e da justiça; “hoje” é a ressurreição perene rumo à qual nos impele o Espírito Santo, doando-nos a plena liberdade.

Hoje é dirigida também a nós esta interrogação. Você, por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo, você que se fecha em si mesmo depois de um fracasso e você que não tem mais a força de rezar? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que se sente sozinho, abandonado pelos amigos e talvez também por Deus? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que perdeu a esperança e você que se sente aprisionado pelos seus pecados? Por que procuras entre os mortos Aquele que está vivo você que aspira à beleza, à perfeição espiritual, à justiça, à paz? Precisamos ouvir repetir e recordarmos sempre a advertência do anjo! Esta advertência, “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo”, ajuda-nos a sair dos nossos espaços de tristeza e nos abre aos horizontes da alegria e da esperança. Aquela esperança que remove as pedras dos sepulcros e encoraja a anunciar a Boa Nova, capaz de gerar vida nova para os outros. Repitamos esta frase do anjo para tê-la no coração e na memória e depois cada um responda em silêncio: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?”

Repitamos a frase! [repete com a multidão] Vejam, irmãos e irmãs, Ele está vivo, está conosco! Não caminhemos para tantos sepulcros que hoje te prometem alguma coisa, beleza, e depois não te dão nada! Ele está vivo! Não procuremos entre os mortos Aquele que está vivo! Obrigado.

No Ângelus, Papa afirma: “Jesus é verdadeiro médico do corpo e da alma”

Domingo, 11 de fevereiro de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

No dia Mundial do Enfermo, Francisco destacou a vinda de Jesus ao mundo como cura para a humanidade

“Contemplemos Jesus como o verdadeiro médico do corpo e da alma”. Foi o pedido do Papa Francisco no Ângelus deste domingo, 11, dedicado ao Dia Mundial do Enfermo, que concentrou um grande número de fiéis na Praça São Pedro. Segundo o Santo Padre, Deus Pai enviou Jesus ao mundo para curar a humanidade marcada pelo pecado e pelas consequências dele.

No evangelho deste domingo, de São Marcos, é apresentada a cura de um homem que sofre de lepra, uma doença que no Antigo Testamento era considerada uma impureza grave e envolvia a separação dos leprosos da comunidade. A condição do enfermo era dolorosa, de acordo com Francisco, pois a mentalidade antiga condicionava os leprosos ao sentimento de impureza diante de Deus e do homem.

“Se você quiser, pode me purificar!”, foi o pedido do leproso, ouvido, segundo o Pontífice, com compaixão por Jesus. Este ato do Messias é apontado pelo Papa como uma atitude que deve ser seguida por todos os cristãos, assim como foi vivida durante o Jubileu da Misericórdia. “Não entendemos a obra de Cristo, não compreendemos o próprio Cristo, se não entramos no seu coração com compaixão e misericórdia”, afirmou.

O pedido do homem no evangelho é o que levou Jesus a tocá-lo, contou o Santo Padre. “Eu o quero, seja limpo!”, disse Jesus ao tocar o leproso, atitude de cura, que segundo o Papa, não é fruto apenas de sentimentos de compaixão e misericórdia, mas de coragem e audácia. De acordo com Francisco, o Messias ignorou toda a possibilidade de contagio, prescrita na época, e libertou o leproso daquilo que era considerado uma maldição. O Pontífice pediu aos fiéis presentes para fazerem um exame de consciência e depois repetirem com ele as palavras do leproso: “Se queres, tens o poder de me purificar”.

“Cada vez que nos aproximamos do sacramento da Reconciliação com um coração arrependido, o Senhor também nos repete: “Eu o quero, seja limpo!”, contou Francisco, que afirmou que com esta atitude, assim como a lepra, o pecado desaparece, e o homem volta a viver com alegria a relação filial com Deus. “Somos readmitidos integralmente na comunidade”, salientou.

“Nenhuma doença é motivo de impureza: a doença certamente envolve toda a pessoa, mas de modo algum afeta ou impede sua relação com Deus”, advertiu o Pontífice, que prosseguiu afirmando que uma pessoa doente pode ser ainda mais unida a Deus. Segundo o Papa, o que torna o homem impuro é o egoísmo, o orgulho, a corrupção, “doenças” que, de acordo com o Santo Padre, precisam ser limpas.

Ao fim do Ângelus, que também fez memória ao dia de Nossa Senhora de Lourdes, o Papa rogou a intercessão da Virgem Maria para curar feridas internas do homem, com sua misericórdia infinita, e devolver assim a esperança e a paz.

Reis magos tiveram coragem de caminhar para encontrar a glória

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa presidiu na manhã da sexta-feira (06/1/2017) a Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro.

Em sua reflexão (íntegra), Francisco falou de uma “nostalgia” que impeliu os reis magos a colocarem-se a caminho e seguir a estrela de Belém.

“Os reis magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem tem saudade da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração”, disse Francisco.

Essa saudade, refletiu ainda o Papa, pode ser agente de grandes mudanças.

“A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos”.

Surpresa

O Pontífice recordou a surpresa dos reis magos que foram até o palácio de Herodes, lugar em que o senso comum indicaria para o nascimento de um rei. Mas não era assim.

“E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial”.

Assim, o novo rei se manifesta sob o signo da liberdade e não da tirania. Ele não humilha, não escraviza, não aprisiona.

“Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!”, destacou o Papa ao concluir:

“Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus”. (rv0)

 

HOMILIA

“Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2, 2).

Com estas palavras, os Magos, que vieram de terras distantes, explicam o motivo da sua longa caminhada: adorar o Rei recém-nascido. Ver e adorar são duas ações que sobressaem na narração evangélica: vimos uma estrela e queremos adorar.

Estes homens viram uma estrela, que os pôs em movimento. A descoberta de algo fora do comum, que aconteceu no céu, desencadeou uma série inumerável de acontecimentos. Não era uma estrela que brilhou exclusivamente para eles, nem possuíam um DNA especial para a descobrir.

Como justamente reconheceu um Pai da Igreja, os Magos não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho (cf. João Crisóstomo). Mantinham o coração fixo no horizonte, podendo assim ver aquilo que lhes mostrava o céu, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade.

Os Magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração.

Esta nostalgia santa de Deus brota no coração que acredita, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória fiel que se rebela contra tantos profetas de desgraça. É esta nostalgia que mantém viva a esperança da comunidade fiel que implora, semana após semana, com estas palavras: «Vinde, Senhor Jesus!»

Era precisamente esta nostalgia que impelia o velho Simeão a ir ao Templo todos os dias, tendo a certeza de que a sua vida não acabaria sem ter nos braços o Salvador. Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair de uma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara.

E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos.

A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o fiel «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e não o faz, seguramente, com uma atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Entretanto no palácio de Herodes que distava poucos quilômetros de Belém, animados de procedimento oposto, não se tinham apercebido do que estava a acontecer. Enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia; dormia em conluio com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. Dormia sob a anestesia de uma consciência cauterizada.

E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos. A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os “vencedores” e a qualquer preço.

Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida. E Herodes teve medo, e aquele medo levou-o a procurar segurança no crime: «Necas parvulos corpore, quia te necat timor in corde – matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração» (São Quodvultdeus, Sermo 2 de Symbolo: PL 40, 655).

Queremos adorar. Aqueles homens vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio. Aqui chegaram eles com a sua busca; era o lugar idôneo, porque é próprio de um rei nascer em um palácio, ter a sua corte e os seus súditos. É sinal de poder, de êxito, de vida bem-sucedida.

E pode-se esperar que o rei seja reverenciado, temido e lisonjeado; mas não necessariamente amado. Estes são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos a quem prestamos culto: o culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza e escravidão.

E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial.

Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania; descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona.

Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia.

Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!

Herodes não pode adorar, porque não quis nem pôde mudar o seu olhar. Não quis deixar de prestar culto a si mesmo, pensando que tudo começava e terminava nele. Não pôde adorar, porque o seu objetivo era que o adorassem a ele. Nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar.

Os Magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo.

Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus.

 

Luz de Jesus vence as trevas, afirma Papa no Angelus 

Sexta-feira, 6 de janeiro de 2017, Rádio Vaticano

No Angelus, Papa convidou a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”

Cabe a nós escolher qual estrela seguir. Mas saindo de nossa acomodação e buscando a luz de Jesus, encontraremos a alegria verdadeira. Na Solenidade da Epifania, o Papa Francisco rezou o Angelus com cerca de 35 mil, convidando a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”. A sensação térmica na Praça São Pedro era abaixo de zero.

“O símbolo desta luz que resplandece no mundo e quer iluminar a vida de cada um – disse o Papa no início de sua reflexão – é a estrela que guiou os Magos a Belém”. Eles a viram despontar no horizonte e “decidiram segui-la, deixaram-se guiar pela estrela de Jesus”, “uma luz estável, uma luz gentil, que não se apaga, porque não é deste mundo, vem do céu, e resplandece no coração”:

“Também na nossa vida existem diversas estrelas, luzes que brilham e orientam. Cabe a nós escolher quais seguir. Por exemplo, existem luzes intermitentes, que vão e vem, como as pequenas satisfações na vida: ainda que boas, não são suficientes, porque duram pouco e não deixam a paz que buscamos. Existem depois as luzes deslumbrantes do dinheiro e do sucesso, que prometem tudo e logo: são sedutoras, com a sua força cegam e fazem passar dos sonhos de glória à escuridão mais densa”.

A luz verdadeira – reiterou o Papa – é o próprio Jesus, “ele é a nossa luz, uma luz que não ilude, mas acompanha e dá uma alegria única. Esta luz é para todos e chama a cada um: Levanta-te, reveste-te de luz”. Uma luz – a de Jesus – à qual somos chamados a seguir no início de cada novo dia, “entre as tantas estrelas cadentes no mundo (…). Seguindo-a, teremos a alegria, como acontece aos Reis Magos, que ao ver a estrela experimentaram uma alegria grandíssima, porque onde está Deus, ali há alegria”:

“Quem encontrou Jesus, experimentou a alegria da luz que ilumina as trevas e conhece esta luz que ilumina e irradia. Gostaria, com muito respeito, convidar a todos a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor. Sobretudo gostaria de dizer a quem perdeu a força, está cansado, a quem, sobrecarregado pelas obscuridades da vida, perdeu o ânimo: levanta-te, coragem, a luz de Jesus sabe vencer as trevas mais obscuras, levanta-te, coragem”.

Para encontrar esta luz – recomendou o Papa –  devemos seguir o exemplo dos Magos, que o Evangelho descreve como “sempre em movimento”, “sair de si e buscar, não ficar fechado olhando o que acontece ao redor, mas arriscar a própria vida”:

“A vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e feito de busca; um caminho que, como o dos Magos, prossegue também quando a estrela desaparece momentaneamente da vista. Neste caminho existem também insídias que devem ser evitadas: as conversas superficiais e mundanas, que freiam o passo; os caprichos paralisantes do egoísmo; o pessimismo, que aprisiona a esperança”.

“Não basta saber que Deus nasceu, se não se faz com Ele Natal no coração”, alertou Francisco. Os Magos fizeram isto, prostraram-se e o adoraram. “Não olharam para ele somente, não fizeram somente uma oração circunstancial e foram embora, mas o adoraram, “entraram em comunhão pessoal de amor com Jesus. Depois, deram a ele ouro, incenso e mirra, isto é, os bens mais preciosos”.

Neste sentido, o Papa exorta a aprendermos dos Magos a não dedicar a Jesus somente os “retalhos de tempo e algum pensamento de vez em quando, pois assim não teremos a sua luz”, mas devemos sim, “nos colocam a caminho, revestindo-nos de luz seguindo a estrela de Jesus e adorar o Senhor com todo nosso ser”.

É preciso deixar-se consolar pelo Senhor, pede Papa

Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Francisco apontou o negativismo e a amargura como fatores que impedem o ser humano de deixar-se consolar por Deus

De acordo com Francisco os homens que se lamentam diante de Deus, acabam não o louvando /Foto: Rádio Vaticano

“É mais fácil consolar os outros do que deixar-se consolar”, afirmou Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 11, na capela da Casa Santa Marta. A homilia, que destacou a primeira leitura extraída do Profeta Isaías (Is 35,1-10), apresenta segundo o Pontífice, um Senhor consolador, que salva e dá coragem para os que desejam abandonar egoísmos, amarguras e reclamações.

O negativismo foi apontado por Francisco como um dos fatores que prendem o ser humano à ferida do pecado, e o impedem de deixar-se consolar, mesmo ciente da maravilha que é ser consolado por Deus. “Muitas vezes, há a preferência por permanecer ali, sozinho, ou seja, na cama. (…) Para esses corações amargos, é mais belo o amargo do que o doce”, alertou.

A amargura, segundo o Papa, sempre leva a expressões de lamentação, que passam a acompanhar a vida, cozinham os sentimentos no ressentimento e fazem memória ao pecado original. Francisco citou o Profeta Jonas como um exemplo de “prêmio Nobel das lamentações” por ter fugido e se queixado de Deus, mas o valorizou por ter retomado a missão.

O Pontífice fez um relato sobre um bom sacerdote que se lamentava de tudo. “Tinha a qualidade de encontrar a mosca no leite”, contou. “Era um bom sacerdote, no confessionário diziam que era muito misericordioso, era idoso e os seus companheiros de presbitério imaginavam como seria a sua morte e sua chegada ao céu: ‘A primeira coisa que diria a São Pedro, em vez de saudá-lo, seria: ‘Onde está o inferno?’”, exemplificou Francisco.

Diante da amargura, do rancor, das lamentações, o Santo Padre afirmou que as palavras da Igreja e de Jesus são “coragem”, “levanta-se”. “Não é fácil (…) deixar-se consolar pelo Senhor,- é preciso despojar-se de nossos egoísmos, daquelas coisas que são o próprio tesouro, como as amarguras, as reclamações, tantas coisas. Faria bem hoje se cada um de nós fizesse um exame de consciência: como está o meu coração? Tem amarguras? Alguma tristeza? Como vai a minha linguagem? É de louvor a Deus, de beleza, ou sempre de lamentações?” indagou.

Por fim Francisco pediu ao Senhor a graça da coragem, porque na coragem é possível deixar-se consolar. “É preciso deixar-se consolar pelo Senhor (…). Senhor, venha nos consolar”, rogou.

Advento

A vida passa por transformações e se renova. Por isto, iniciamos mais um Ano Litúrgico, começando com o Ciclo do Natal, na certeza de vida renovada. O Natal é celebrado com muitas festas, contemplando o nascimento de um Rei, o Filho de Deus, cumprindo uma promessa feita pelo Senhor ao Rei Davi.

São quatro domingos chamados de “Advento”, que nos despertam, dentro de um itinerário, para a vinda de Jesus Cristo, Àquele que vem de Deus e assume as condições e realidades humanas. Seu objetivo foi de realizar a reta ordem do universo no cumprimento das Leis divinas marcadas no coração das pessoas.

No mundo dos conflitos, da violência e do caos na ordem social, caímos numa situação de temor e angústia. Nossa esperança fica fragilizada e somos incapazes para uma paz de sustentabilidade. Somente em Jesus Cristo podemos encontrar força e coragem para superar as limitações contidas em nossas fraquezas.

O Advento é tempo de preparação para o Natal. É colocar-se de prontidão para acolher Aquele que nasce transformando a história. Hoje isto acontece no coração das pessoas vigilantes e sensíveis às realidades do bem. Este deve ser o caminho do cristão, reconhecendo a presença de Deus em sua vida.

Todo clima natalino, que começa com o Advento, deve fazer aumentar o amor entre as pessoas. É uma realidade que deve acontecer no relacionamento, na convivência familiar, no trabalho, na escola, enfim, na vida real. É importante a consciência de que a fonte de tudo isto está em Deus. É por isto que Ele vem a nós e fica conosco. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações” (I Ts 4,9).

Sabemos que a fonte do amor é Deus, mas isto não dispensa o esforço pessoal. Temos que viver o amor no meio dos conflitos e tensões a todo instante. Os afazeres da vida não podem obscurecer a ação de Deus em nossa prática de vida. É Ele quem nos dá sustentação para uma realidade de fraternidade e vida mais feliz.

Dom Paulo Mendes Peixoto

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