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Não deixe Jesus sozinho!

Enquanto houver um sacrário, não haverá solidão

Uma das nossas maiores ingratidões para com Jesus é o abandono em que O deixamos em muitos dos nossos sacrários.

A Igreja o chama de “prisioneiro dos sacrários”.

Jesus Eucarístico é o “amor dos amores”. Ele faz, continuamente, este milagre para poder cumprir a Sua promessa: “Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 20,20).

Do sacrário, Ele nos chama continuamente: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e Eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

Ali, Ele está como no céu, com os braços abertos e as mãos repletas de graças para aqueles que forem buscá-las com o coração aberto. São João Bosco dizia:

“Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o raramente. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado. Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Não omitais nunca a visita ao Santíssimo Sacramento, ainda que seja muito breve, mas contanto que seja constante”.

Santo Afonso de Ligório disse:

“Os soberanos desta terra nem sempre, nem com facilidade, concedem audiência; mas o Rei do céu, ao contrário, escondido debaixo dos véus eucarísticos, está pronto a receber qualquer um. Ficai certos de que todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade”.

Diante do Senhor, no sacrário, podemos repetir aquela oração reparadora que o anjo, em pessoa, ensinou às crianças, em Fátima, nas aparições de Nossa Senhora, em 1917:

“Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores. Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos; peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Amém!”

Não deixe Jesus sozinho no sacrário da igreja de sua comunidade ou paróquia. Organize uma adoração, a mais constante possível, ao Santíssimo. Chame as pessoas, faça uma escala, divida o tempo para cada um: meia hora, uma hora, o quanto for possível. Podemos ter certeza que as chuvas de bênçãos descerão sobre a comunidade! Os jovens serão preservados do mau caminho, os pecadores serão convertidos, o demônio afastado, as calamidades afugentadas. Não é disto que estamos precisando?

A Igreja, desde o seu início, quis manter Jesus nos sacrários da terra para, ali, Ele ser amado e louvado, derramar sobre nós as suas bênçãos, e ser levado aos doentes.

Sempre foi ao pé do sacrário que os homens e mulheres de Deus buscaram forças e luzes para a sua caminhada. Foi, ali, que São João Vianney conquistou o coração dos seus fiéis e se tornou o grande “Cura D’Ars”. Quando, recém-ordenado padre, ele chegou a Ars e encontrou, ali, uma paróquia sem padre há muitos anos, e as pessoas longe de Deus; a primeira coisa que fez foi ajoelhar-se diante do Santíssimo durante horas, rezando o rosário. Assim, ele revolucionou aquele pequeno lugar e fez tantos prodígios.

No livro das suas “Confissões”, Santo Agostinho dá um testemunho marcante. Ele afirma que se converteu, porque sua mãe, Santa Mônica, entrava na igreja, três vezes por dia, e pedia a sua conversão a Jesus sacramentado.

Não há problema, qualquer que seja, que não possa ser resolvido diante do sacrário. Deus está ali. O que mais desejar?

Chiara Lubich disse certa vez que, enquanto houver a Eucaristia, o homem não caminhará sozinho, e enquanto houver um sacrário, não haverá solidão.

Que grande riqueza a nossa de podermos viver em um país católico, no qual se pode encontrar com facilidade uma igreja, com as suas portas abertas, guardando no seu interior o Rei da Glória, que nos espera com as mãos cheias de graças!

(Extraído do livro “Entrai pela porta estreita”)
Felipe Aquino
[email protected]

São Pio de Pietrelcina

“Diante de Deus ajoelhe-se sempre”.

“Seja perseverante nas orações e nas santas leituras”.

“Dirás tu o mais belo dos credos quando houver noite em redor de ti, na hora do sacrifício, na dor, no supremo esforço duma vontade inquebrantável para o bem. Este credo é como um relâmpago que rasga a escuridão de teu espírito e no seu brilho te eleva a Deus”.

“Menosprezai vossas tentações e não vos demoreis nelas. Imaginai estar na presença de Jesus. O crucificado se lança em vossos braços e mora no vosso coração. Beijai-Lhe a chaga do lado, dizendo: ‘Aqui está minha esperança; a fonte viva da minha felicidade. Seguro-vos, ó Jesus, e não me aparto de vós, até que me tenhais posto a salvo’”.

“O amor é a rainha das virtudes. Como as pérolas se ligam por um fio, assim as virtudes, pelo amor. Fogem as pérolas quando se rompe o fio. Assim também as virtudes se desfazem afastando-se o amor”.

“É preciso amar, amar e nada mais”.

“Quando Jesus vem a nós na santa comunhão, encontra alegria em Sua criatura. Por nossa parte, procuremos Nele a nossa alegria”.

“O santo silêncio nos permite ouvir mais claramente a voz de Deus”.

“Quando te encontrares diante de Deus, na oração considera-te banhado na luz da verdade, fala-lhe se puderes, deixa simplesmente que te veja e não tenhas preocupação alguma”.

“Quanto mais te deixares enraizar na santa humildade, tanto mais íntima será a comunicação da tua alma com Deus”.

“Resigna-te a ser neste momento uma pequena abelha. E enquanto esperas ser uma grande abelha, ágil, hábil, capaz de fabricar bom mel, humilha-te com muito amor perante Deus e os homens, pois Deus fala aos que se mantêm diante dele humildemente”.

“Uma só coisa é necessária: estar perto de Jesus”.

“As almas não são oferecidas como dom; compram-se. Vós ignorais quanto custaram a Jesus. É sempre com a mesma moeda que é preciso pagá-las”.

“Imitemos o coração de Jesus, especialmente na dor, e assim nos conformaremos cada vez mais e mais com este coração divino para que, um dia, lá em cima no Céu, também nós possamos glorificar o Pai celeste ao lado daquele que tanto sofreu”.

“O verdadeiro servo de Deus é aquele que usa a caridade para com seu próximo, que está decidido a fazer a vontade de Deus a todo custo, que vive em profunda humildade e simplicidade”.

“O trabalho é tão sagrado como a oração”.

“A maior alegria de um pai é que os filhos se amem, formem um só coração e uma só alma. Não fostes vós que me escolhestes, mas o pai celeste que, na minha primeira missa, me fez ver todos os filhos que me confiava”.

“Rezai e continuai a rezar para não ficardes entorpecidos”.

“As almas! As almas! Se alguém soubesse o preço que custam”.

“O homem sem Deus é um ser mutilado”.

“Deus nunca me recusou um pedido”.

“O sábio elogia a mulher forte dizendo: os seus dedos manejaram o fuso. A roca é o alvo dos seus desejos. Fie, portanto, cada dia um pouco. Puxe fio a fio até a execução e, infalivelmente, você chegará ao fim. Mas não tenha pressa, pois senão você poderá misturar o fio com os nós e embaraçar tudo”.

“O temor e a confiança devem dar as mãos e proceder como irmãos. Se nos damos conta de que temos muito temor devemos recorrer à confiança. Se confiamos excessivamente devemos ter um pouco de temor”.

“Como distinguir uma tentação de um pecado e como estar certo de que não se pecou? – perguntou um penitente. Padre Pio sorriu e respondeu: “Como se distingue um burro de um homem? O burro tem de ser conduzido; o homem conduz a si mesmo!”

“O Senhor se comunica conosco à medida que nos libertamos do nosso apego aos sentidos, que sacrificamos nossa vontade própria e que edificamos nossa vida na humildade”.

“Deus é servido apenas quando é servido de acordo com a Sua vontade”.

“Tenhamos sempre horror ao pecado mortal e nunca deixemos de caminhar na estrada da santa eternidade”.

“Que Nossa Senhora nos obtenha o amor à cruz, aos sofrimentos e às dores”.

“O Senhor sempre orienta e chama; mas não se quer segui-lo e responder-lhe, pois só se vê os próprios interesses. Às vezes, pelo fato de se ouvir sempre a Sua voz, ninguém mais se apercebe dela; mas o Senhor ilumina e chama. São os homens que se colocam na posição de não conseguir mais escutar”.

Por que a tentação passada deixa na alma uma certa perturbação? perguntou um penitente a Padre Pio. Ele respondeu: “Você já presenciou um tremor de terra? Quando tudo estremece a sua volta, você também é sacudido; no entanto, não necessariamente fica enterrado nos destroços!”

“Como é belo esperar!”

“Para mim, Deus está sempre fixo na minha mente e estampado no meu coração”.

“Ouço interiormente uma voz que constantemente me diz: Santifique-se e santifique!”

“Subamos sem nos cansarmos, sob a celeste vista do Salvador. Distanciemo-nos das afeições terrenas. Despojemo-nos do homem velho e vistamo-nos do homem novo. Aspiremos à felicidade que nos está reservada”.

“Mesmo a menor transgressão às leis de Deus será levada em conta”.

“Deus ama quem segue o caminho da virtude”.

“Comunguemos com santo temor e com grande amor”.

“Nossa Senhora recebeu pela inefável bondade de Jesus a força de suportar até o fim as provações do seu amor. Que você também possa encontrar a força de perseverar com o Senhor até o Calvário!”

“Tente percorrer com toda a simplicidade o caminho de Nosso Senhor e não se aflija inutilmente”.

“O medo excessivo nos faz agir sem amor, mas a confiança excessiva não nos deixa considerar o perigo que vamos enfrentar”.

“Onde não há obediência, não há virtude. Onde não há virtude, não há bem, não há amor; e onde não há amor, não há Deus; e sem Deus não se chega ao Paraíso. Tudo isso é como uma escada: se faltar um degrau, caímos”.

“Desapegue-se daquilo que não é de Deus e não leva a Deus”.

“Que Nossa Senhora aumente a graça em você e a faça digna do Paraíso”.

“Nas tribulações é necessário ter fé em Deus”.

“O Santo Rosário é a arma daqueles que querem vencer todas as batalhas”.

“Queira o dulcíssimo Jesus conservar-nos na Sua graça e dar-nos a felicidade de sermos admitidos, quando Ele quiser, no eterno convívio…”

“Quanto mais se caminha na vida espiritual, mais se sente a paz que se apossa de nós”.

“Que Jesus o aperte sempre mais ao Seu divino coração. Que Ele o alivie no sofrimento e lhe dê o abraço final no Paraíso”.

“O bem dura eternamente”.

“Deve-se caminhar em nuvens cada vez que se termina uma confissão!”

“Lembre-se de que você tem no Céu não somente um pai, mas também uma Mãe”.

“O amor nada mais é do que o brilho de Deus nos homens”.

“O passado não conta mais para o Senhor. O que conta é o presente e estar atento e pronto para reparar o que foi feito”.

“Se você fala das próprias virtudes para se exibir ou para vã ostentação perde todo o mérito”.

“De todos os que vierem pedir meu auxílio, nunca perderei nenhum!”

“O Pai celeste está sempre disposto a contentá-lo em tudo o que for para o seu bem”.

“Um filho espiritual perguntou a Padre Pio: Como posso recuperar o tempo perdido? Padre Pio respondeu-lhe “Multiplique suas boas obras!”

“Diga ao Senhor: Faça em mim segundo a Tua vontade, mas antes de mandar-me o sofrimento, dê-me forças para que eu possa sofrer com amor”.

“A cada vitória sobre o pecado corresponde um grau de glória eterna”.

“Feliz a alma que atinge o nível de perfeição que Deus deseja!”

“Proponha-se a exercitar-se nas virtudes”.

“A sua casa deve ser uma escada para o Céu”.

“Quem te agita e te atormenta é o demônio. Quem te consola é Deus”!

“De que vale perder-se em vãos temores?”

“Agradeça sempre ao Pai eterno por sua infinita misericórdia”.

“Pense na felicidade que está reservada para nós no Paraíso”.

“É loucura fixar o olhar no que rapidamente passa”.

“Amar significa dar aos outros – especialmente a quem precisa e a quem sofre – o que de melhor temos em nós mesmos e de nós mesmos; e de dá-lo sorridentes e felizes, renunciando ao nosso egoísmo, à nossa alegria, ao nosso prazer e ao nosso orgulho”.

“Seja paciente e espere com confiança o tempo do Senhor”.

“Invoquemos sempre o auxílio de Nossa Senhora”.

“No juízo final daremos contas a Deus até de uma palavra inútil que tenhamos dito”.

“Para consolar uma alma na sua dor, mostre todo o bem que ela ainda pode fazer”.

“Apóie-se, como faz Nossa Senhora, à cruz de Jesus e nunca lhe faltará conforto”.

“Se precisamos ter paciência para suportar os defeitos dos outros, quanto mais ainda precisamos para tolerar nossos próprios defeitos!”

“Enquanto estivermos vivos sempre seremos tentados. A vida é uma contínua luta. Se às vezes há uma trégua é para respirarmos um pouco”.

“Que Maria sempre enfeite sua alma com as flores e o perfume de novas virtudes e coloque a mão materna sobre sua cabeça. Fique sempre e cada vez mais perto de nossa Mãe celeste, pois ela é o mar que deve ser atravessado para se atingir as praias do esplendor eterno no reino do amanhecer”.

“Meu Deus, perdoa-me. Nunca Te ofereci nada na minha vida e, agora, por este pouco que estou sofrendo, em comparação a tudo o que Tu sofreste na Cruz, eu reclamo injustamente!”

“Os talentos de que fala o Evangelho são os cinco sentidos, a inteligência e a vontade. Quem tem mais talentos, tem maior dever de usá-los para o bem dos outros”.

“Pobres e desafortunadas as almas que se envolvem no turbilhão de preocupações deste mundo. Quanto mais amam o mundo, mais suas paixões crescem, mais queimam de desejos, mais se tornam incapazes de atingir seus objetivos. E vêm, então, as inquietações, as impaciências e terríveis sofrimentos profundos, pois seus corações não palpitam com a caridade e o amor. Rezemos por essas almas desafortunadas e miseráveis, para que Jesus, em Sua infinita misericórdia, possa perdoá-las e conduzi-las a Ele”.

“Um dia você verá surgir o infalível triunfo da justiça Divina sobre a injustiça humana”.

“Há duas razões principais para se orar com muita satisfação: primeiro para render a Deus a honra e a glória que Lhe são devidas. Segundo, para falar com Ele e ouvir a Sua voz por meio das Suas inspirações e iluminações interiores”.

“O meu passado, Senhor, à Tua misericórdia. O meu Presente, ao Teu amor. O meu futuro, à Tua Providência”.

“O passado não conta mais para o Senhor. O que conta é o presente e estar atento e pronto para reparar o que foi feito”.

“Quando fizer o bem, esqueça. Se fizer o mal, pense no que fez e se arrependa”.

“Se quiser me encontrar, vá visitar Jesus Sacramentado; eu também estou sempre lá”.

“Pense em Jesus flagelado por amor a você, e ofereça com generosidade um sacrifício a Ele”.

“Devemos odiar os nossos pecados, visto que o amor ao Senhor significa paz”.

“Mesmo quando perdemos a consciência deste mundo, quando parecemos já mortos, Deus nos dá ainda uma chance de entender o que é realmente o pecado, antes de nos julgar. E se entendemos corretamente, como podemos não nos arrepender?”

“Temos muita facilidade para pedir, mas não para agradecer”.

“Peçamos a São José o dom da perseverança até o final”.

“Padre, eu não acredito no inferno – falou um penitente. Padre Pio disse: Acreditará quando for para lá?” O maldito “eu” o mantém apegado a Terra e o impede de voar para Jesus. “O mais belo Credo é o que se pronuncia no escuro, no sacrifício, com esforço”.

“É na dor que o amor se torna mais forte”.

“Padre Pio disse a um filho espiritual: Trabalhe! Ele perguntou: No que devo trabalhar, Padre? Ele respondeu: Em amar sempre mais a Jesus!”

“O demônio é forte com quem o teme, mas é fraquíssimo com quem o despreza”.

“Quando ofendemos a justiça de Deus, apelamos à Sua misericórdia. Mas se ofendemos a Sua misericórdia, a quem podemos apelar? Ofender o Pai que nos ama e insultar quem nos auxilia é um pecado pelo qual seremos severamente julgados”.

“A sua função é tirar e transportar as pedras, e arrancar os espinhos. Jesus é quem semeia, planta, cultiva e rega. Mas seu trabalho também é obra de Jesus. Sem Ele você nada pode fazer”. Jesus lhe quer bem, da maneira que só Ele sabe amar”.

“A sua função é tirar e transportar as pedras, e arrancar os espinhos. Jesus é quem semeia, planta, cultiva e rega. Mas seu trabalho também é obra de Jesus. Sem Ele você nada pode fazer”.

“Amemos ao próximo. Custa tão pouco querer bem ao outro”.

“Deus sempre nos dá o que é melhor para nós”.

A humildade e a caridade são as “cordas mestras”. Todas as outras virtudes dependem delas. Uma é a mais baixa; a outra é a mais alta. A firmeza de todo o edifício depende da fundação e do teto!

“O grau sublime da humildade é não só reconhecer a abnegação, mas amá-la”.

“Você deve ter sempre prudência e amor. A prudência tem olhos; o amor tem pernas. O amor, como tem pernas, gostaria de correr a Deus. Mas seu impulso de deslanchar na direção dEle é cego e, algumas vezes, pode tropeçar se não for guiado pela prudência, que tem olhos”.

“Jesus e a sua alma devem cultivar a vinha de comum acordo”.

“Façamos o bem, enquanto temos tempo à nossa disposição. Assim, daremos glória ao nosso Pai celeste, santificaremos nós mesmos e daremos bom exemplo aos outros”.

“Seja paciente nas aflições que o Senhor lhe manda”.

“Viva sempre sob o olhar do Bom Pastor e você ficara’ imune aos pastos contaminados”.

“Lembre-se de que os santos foram sempre criticados pelas pessoas deste mundo, e puseram sob seus pés o mundo e as suas máximas”.

“Esforce-se, mesmo se for um pouco, mas sempre…”

“Todas as pessoas que escolhem a melhor parte (viver em Cristo) devem passar pelas dores de Cristo; algumas mais, algumas menos…”

“Que Jesus o mergulhe no esplendor da Sua imortal juventude”.

“Quanto maiores forem os dons, maior deve ser sua humildade, lembrando de que tudo lhe foi dado como empréstimo”.

“Para que se preocupar com o caminho pelo qual Jesus quer que você chegue à pátria celeste – pelo deserto ou pelo campo – quando tanto por um como por outro se chegará da mesma forma à beatitude eterna?”

“Para consolar uma alma na sua dor, mostre-lhe todo o bem que ela ainda pode fazer”.

“A caridade é o metro com o qual o Senhor nos julgará”.

“Nossa Senhora recebeu pela inefável bondade de Jesus a força de suportar até o fim as provações do seu amor. Que você também possa encontrar a força de perseverar com o Senhor até o Calvário!”

“Deus não opera prodígios onde não há fé”.

“Seja modesto no olhar”.

“Para mim, Deus está sempre fixo na minha mente e estampado no meu coração”.

“Como é belo esperar!”

Por que a tentação passada deixa na alma uma certa perturbação? perguntou um penitente a Padre Pio. Ele respondeu: “Você já presenciou um tremor de terra? Quando tudo estremece a sua volta, você também é sacudido; no entanto, não necessariamente fica enterrado nos destroços!”

“O Senhor sempre orienta e chama; mas não se quer segui-lo e responder-lhe, pois só se vê os próprios interesses. Às vezes, pelo fato de se ouvir sempre a Sua voz, ninguém mais se apercebe dela; mas o Senhor ilumina e chama. São os homens que se colocam na posição de não conseguir mais escutar”.

“Que Nossa Senhora nos obtenha o amor à cruz, aos sofrimentos e às dores”.

“Tenhamos sempre horror ao pecado mortal e nunca deixemos de caminhar na estrada da santa eternidade”.

“Deus é servido apenas quando é servido de acordo com a Sua vontade”.

“O Senhor se comunica conosco à medida que nos libertamos do nosso apego aos sentidos, que sacrificamos nossa vontade própria e que edificamos nossa vida na humildade”.

“Não nos preocupemos quando Deus põe à prova a nossa fidelidade. Confiemo-nos à Sua vontade; é o que podemos fazer. Deus nos libertará, consolará e encorajará”.

“O temor e a confiança devem dar as mãos e proceder como irmãos. Se nos damos conta de que temos muito temor devemos recorrer à confiança. Se confiamos excessivamente devemos ter um pouco de temor”.

“O sábio elogia a mulher forte dizendo: os seus dedos manejaram o fuso. A roca é o alvo dos seus desejos. Fie, portanto, cada dia um pouco. Puxe fio a fio até a execução e, infalivelmente, você chegará ao fim. Mas não tenha pressa, pois senão você poderá misturar o fio com os nós e embaraçar tudo”.

“A caridade é o metro com o qual o Senhor nos julgará”.

“Para consolar uma alma na sua dor, mostre-lhe todo o bem que ela ainda pode fazer”.

“Para que se preocupar com o caminho pelo qual Jesus quer que você chegue à pátria celeste – pelo deserto ou pelo campo – quando tanto por um como por outro se chegará da mesma forma à beatitude eterna?”

“Quanto maiores forem os dons, maior deve ser sua humildade, lembrando de que tudo lhe foi dado como empréstimo”.

“Comunguemos com santo temor e com grande amor”.

“Tente percorrer com toda a simplicidade o caminho de Nosso Senhor e não se aflija inutilmente”.

“Deus ama quem segue o caminho da virtude”.

“Mesmo a menor transgressão às leis de Deus será levada em conta”.

“Subamos sem nos cansarmos, sob a celeste vista do Salvador. Distanciemo-nos das afeições terrenas. Despojemo-nos do homem velho e vistamo-nos do homem novo. Aspiremos à felicidade que nos está reservada”.

“Caminhe com alegria e com o coração o mais sincero e aberto que puder. E quando não conseguir manter esta santa alegria, ao menos não perca nunca o valor e a confiança em Deus”.

“Ouço interiormente uma voz que constantemente me diz: Santifique-se e santifique!”

“Que Nossa Mãe do Céu tenha piedade de nós e com um olhar maternal levante-nos, purifique-nos e eleve-nos a Deus”.

“Não há nada mais inaceitável do que uma mulher caprichosa, frívola e arrogante, especialmente se é casada. Uma esposa cristã deve ser uma mulher de profunda piedade em relação a Deus, um anjo de paz na família, digna e agradável em relação ao próximo”.

“Nossa Senhora está sempre pronta a nos socorrer, mas por acaso o mundo a escuta e se emenda?”

“Seja grato e beije docemente a mão de Deus. É sempre a mão de um pai que pune porque lhe quer bem”.

“Você teme um homem, um pobre instrumento nas mãos de Deus, mas não teme a justiça divina?”

Uma filha espiritual perguntou a Padre Pio: “O Senhor cura tantas pessoas, por que não cura esta sua filha espiritual?” Padre Pio respondeu-lhe em voz baixa: “E não nos oferecemos a Deus?”

“A divina bondade não só não rejeita as almas arrependidas, como também vai em busca das almas teimosas”.

“Pode-se manter a paz de espírito mesmo no meio das tempestades da vida”.

“Caminhe sempre e somente no bem e dê, cada dia, um passo à frente na linha vertical, de baixo para cima”.

“A oração é a efusão de nosso coração no de Deus”.

“Nunca vá se deitar sem antes examinar a sua consciência sobre o dia que passou. Enderece todos os seus pensamentos a Deus, consagre-lhe todo o seu ser e também todos os seus irmãos. Ofereça à glória de Deus o repouso que você vai iniciar e não esqueça do seu Anjo da Guarda que está sempre com você”.

“A meditação não é um meio para chegar a Deus, mas um fim. A finalidade da meditação é o amor a Deus e ao próximo”.

“Viva feliz. Sirva ao Senhor alegremente e com o espírito despreocupado”.

“Mantenha-se sempre muito unido à Igreja Católica, pois somente ela pode lhe dar a verdadeira paz, porque somente ela possui Jesus Sacramentado que é o verdadeiro príncipe da paz”.

“Não desperdice suas energias em coisas que geram preocupação, perturbação e ansiedade. Uma coisa somente é necessária: elevar o espírito e amar a Deus”.

“Procuremos servir ao Senhor com todo o coração e com toda a vontade. Ele nos dará sempre mais do que merecemos”.

“Que Jesus reine sempre soberano no seu coração e o faça cada vez mais digno de seus divinos dons”.

“O demônio é forte com quem o teme, mas é fraco com quem o despreza”.

“Reflita no que escreve, pois o Senhor vai lhe pedir contas disso”.

“O Coração de Jesus não deixará cair no vazio a nossa oração se ela for plena de fé e de confiança”.

“A pessoa que nunca medita é como alguém que nunca se olha no espelho e, assim, não se cuida e sai desarrumada. A pessoa que medita e dirige seus pensamentos a Deus, que é o espelho de sua alma, procura conhecer seus defeitos, tenta corrigi-los, modera seus impulsos e põe em ordem sua consciência”.

“É sempre necessário ir para a frente, nunca para trás, na vida espiritual. O barco que pára em vez de ir adiante é empurrado para trás pelo vento”.

“Não sejamos mesquinhos com Deus que tanto nos enriquece”.

“O amor tudo esquece, tudo perdoa, sem reservas”.

“Na igreja se fala somente com Deus”.

“Não se fixe voluntariamente naquilo que o inimigo da alma lhe apresenta”.

“Reze pelos infiéis, pelos fervorosos, pelo Papa e por todas as necessidades espirituais e temporais da Santa Igreja, nossa terna mãe. E faça uma oração especial por todos os que trabalham para a salvação das almas e para a glória do nosso Pai celeste”.

“Se você não entrega seu coração a Deus, o que lhe entrega? Você deve seguir outra estrada. Tire de seu coração todas as paixões deste mundo, humilhe-se na poeira e reze! Dessa forma, certamente você encontrará Deus, que lhe dará paz e serenidade nesta vida e a eterna beatitude na próxima”.

“Sigamos o caminho que nos conduz a Deus”.

“A natureza humana também quer a sua parte. Até Maria, Mãe de Jesus, que sabia que por meio de Sua morte a humanidade seria redimida, chorou e sofreu – e como sofreu!”

“Cuide de estar sempre em estado de graça”.

“Não se desencoraje, pois, se na alma existe o contínuo esforço de melhorar, no final o Senhor a premia fazendo nela florir, de repente, todas as virtudes como num jardim florido”.

“É necessário manter o coração aberto para o Céu e aguardar, de lá, o celeste orvalho”.

“Onde há mais sacrifício, há mais generosidade”.

“Enquanto tiver medo de ser infiel a Deus, você não será’. Deve-se ter medo quando o medo acaba!”

“Reze, reze! Quem muito reza se salva e salva os outros. E qual oração pode ser mais bela e mais aceita a Nossa Senhora do que o Rosário?”

“A ingenuidade é uma virtude, mas apenas ate certo ponto; ela deve sempre ser acompanhada da prudência. A astúcia e a safadeza, por outro lado, são diabólicas e podem causar muito mal”.

“Cada Missa lhe obtém um grau mais alto de gloria no Céu!”

“Se você tem dúvidas sobre a fé é exatamente porque tem fé!”

“A prática das bem-aventuranças não requer atos de heroísmo, mas a aceitação simples e humilde das várias provações pelas quais a pessoa passa”.

“A maior caridade é aquela que arranca as pessoas vencidas pelo demônio, a fim de ganhá-las para Cristo. E isso eu faço assiduamente, noite e dia”.

“Aquele que procura a vaidade das roupas não conseguirá jamais se revestir com a vida de Jesus Cristo”.

“Quando o dia seguinte chegar, ele também será chamado de hoje e, então, você pensará nele. Tenha sempre muita confiança na Divina Providência”.

“É doce o viver e o penar para trazer benefícios aos irmãos e para tantas almas que, vertiginosamente, desejam se justificar no mal, a despeito do Bem Supremo”.

“O Santo Sacrifício da Missa é o sufrágio mais eficaz, que ultrapassa todas as orações, as boas obras e as penitências. Infalivelmente produz seu efeito para vantagem das almas por sua virtude própria e imediata”.

“Combata vigorosamente, se está interessado em obter o prêmio destinado às almas fortes”.

“Não queremos aceitar o fato de que o sofrimento é necessário para nossa alma e de que a cruz deve ser o nosso pão cotidiano. Assim como o corpo precisa ser nutrido, também a alma precisa da cruz, dia a dia, para purificá-la e desapegá-la das coisas terrenas. Não queremos entender que Deus não quer e não pode salvar-nos nem santificar-nos sem a cruz. Quanto mais Ele chama uma alma a Si, mais a santifica por meio da cruz”.

“Nunca se canse de rezar e de ensinar a rezar”.

“Todas as percepções humanas, de onde quer que venham, incluem o bem e o mal. É necessário saber determinar e assimilar todo o bem e oferecê-lo a Deus, e eliminar todo o mal”.

“Faltar com a caridade é como ferir a pupila dos olhos de Deus”.

“Há alegrias tão sublimes e dores tão profundas que não se consegue exprimir com palavras. O silêncio é o último recurso da alma, quando ela está inefavelmente feliz ou extremamente oprimida!”

“Seria mais fácil a Terra existir sem o sol do que sem a santa Missa!”

“Os corações fortes e generosos não se lamentam, a não ser por grandes motivos e,ainda assim,não permitem que tais motivos penetrem fundo no seu íntimo. “Recorramos a Jesus e não às pessoas, pois só ele nunca nos faltará”.

“Jesus vê, conhece e pesa todas as suas ações”.

“Sejam como pequenas abelhas espirituais, que levam para sua colméia apenas mel e cera. Que, por meio de sua conversa, sua casa seja repleta de docilidade, paz, concórdia, humildade e piedade!”

“Quando a videira se separa da estaca que a sustenta, cai, e ao ficar na terra apodrece com todos os cachos que possui. Alerta, portanto, o demônio não dorme!”

“Deus quer que as suas misérias sejam o trono da Sua misericórdia”.

“Leve Deus aos doentes; valera’ mais do que qualquer tratamento!”

“A mansidão reprime a ira”.

“Não abandone sua alma à tentação, diz o Espírito Santo, já que a alegria do coração é a vida da alma e uma fonte inexaurível de santidade”.

“Jesus está com você, e o Cireneu não deixa de ajudar-te a subir o Calvário”.

“Vive-se de fé, não de sonhos”.

“Submeter-se não significa ser escravo, mas ser livre para receber santos conselhos”.

“Todas as graças que pedimos no nome de Jesus são concedidas pelo Pai eterno”.

“Uma Missa bem assistida em vida será mais útil à sua salvação do que tantas outras que mandarem celebrar por você após sua morte!”

“Como Jesus, preparemo-nos a duas ascensões: uma ao Calvário e outra ao Céu. A ascensão ao Calvário, se não for alegre, deve ao menos ser resignada!”

“Nas tentações, combata com coragem! Nas quedas, humilhe-se, mas não desanime!”

“No tumulto das paixões terrenas e das adversidades, surge a grande esperança da misericórdia inexorável de Deus. Corramos confiantes ao tribunal da penitência onde Ele, com ansiedade paterna, espera-nos a todo instante”.

“Que o Espírito Santo guie a sua inteligência, faça-o descobrir a verdade escondida na Sagrada Escritura e inflame a sua vontade para praticá-la”.

“Se tanta atenção é dada aos bens desta Terra, quanto mais se deve dar aos do Céu? Faça, portanto, uma boa leitura espiritual, a santa meditação, o exame de consciência, e fará progresso na perfeição cristã e no amor de Jesus”.

“O amor e o temor devem sempre andar juntos. O temor sem amor torna-se covardia. O amor sem temor torna-se presunção”.

“Não se desencoraje se você precisa trabalhar muito para colher pouco. Se você pensasse em quanto uma só alma custou a Jesus, você nunca reclamaria!”

“Que Maria seja toda a razão da sua existência e o guie ao porto seguro da eterna salvação. Que Ela lhe sirva de doce modelo e inspiração na virtude da santa humildade”.

“Se quisermos colher é necessário não só semear, mas espalhar as sementes num bom campo. Quando as sementes se tornarem plantas, devemos cuidá-las para que as novas plantas não sejam sufocadas pelas ervas daninhas”.

“Não se aflija a ponto de perder a paz interior. Reze com perseverança, com confiança, com calma e serenidade”.

“É difícil tornar-se santo. Difícil, mas não impossível. A estrada da perfeição é longa, tão longa quanto a vida de cada um. O consolo é o repouso no decorrer do caminho. Mas, apenas restauradas as forças, é necessário levantar-se rapidamente e retomar a viagem!”

“O mal não se vence com o mal, mas com o bem, que tem em si uma força sobrenatural”.

“A mulher forte é a que tem temor de Deus, a que mesmo à custa de sacrifício faz a vontade de Deus”.

“O Anjo de Deus não nos abandona jamais”.

“Somente por meio de Jesus podemos esperar a salvação”.

“O Senhor nos dá tantas graças e nós pensamos que tocamos o céu com um dedo. Não sabemos, no entanto, que para crescer precisamos de pão duro, das cruzes, das humilhações, das provações e das contradições”.

“Devo fazer somente a vontade de Deus e, se lhe agrado, o restante não conta”.

Papa: aproximar-se de quem sofre para restituir dignidade

Cidade do Vaticano (RV) – “Compaixão”, “aproximar-se” e “restituir”. Na Missa matutina na Casa Santa Marta (19/9/2017), o Papa Francisco pediu ao Senhor que nos dê a “graça” de sentir compaixão “diante de tanta gente que sofre”, de nos aproximar e levar essas pessoas “pela mão” até a “dignidade que Deus deu para elas”.

Inspirando-se no Evangelho do dia de Lucas, dedicado à narração da ressurreição do filho da viúva de Naim por obra de Jesus, o Pontífice explicou que no Antigo Testamento os “mais pobres dos escravos” eram justamente as viúvas, os órfãos, os estrangeiros e os forasteiros. E o convite é para cuidar deles, de modo que se insiram “na sociedade”. Jesus, que tem a capacidade de “olhar o detalhe”, porque “olha com o coração”, tem compaixão:

“A compaixão é um sentimento envolvente, é um sentimento do coração, das vísceras, envolve tudo. Não é o mesmo que a “pena” ou … “que dó, pobre gente!”: não, não é a mesma coisa. A compaixão envolve. É “padecer com”. Isso é a compaixão. O Senhor se envolve com uma viúva e com um órfão…. Mas diga, há uma multidão aqui, por que não fala para a multidão? Deixe … a vida é assim … são tragédias que acontecem, acontecem…. Não. Para Ele, era mais importante aquela viúva e aquele órfão morto do que a multidão para a qual Ele estava falando e que o seguia. Por que? Porque o seu coração, as suas vísceras se envolveram. O Senhor, com a sua compaixão, se envolveu neste caso. Teve compaixão”.

A compaixão, portanto, impulsiona “a aproximar-se”, observou o Papa: podem-se ver muitas coisas, mas não se aproximar delas:

“Aproximar-se e tocar a realidade. Não olhá-la de longe. Teve compaixão – primeira palavra – se aproximou – segunda palavra. Depois fez o milagre e Jesus não disse: ‘Até logo, eu continuo o caminho’: não. Pegou o rapaz e o que fez? ‘O devolveu para sua mãe’: devolver, a terceira palavra. Jesus faz milagres para restituir, para colocar as pessoas no próprio lugar. E foi o que fez com a redenção. Teve compaixão – Deus teve compaixão – se aproximou de nós no seu Filho, e restituiu a todos nós a dignidade de filhos de Deus. Ele recriou todos nós”.

A exortação é a “fazer o mesmo”, seguir o exemplo de Cristo, aproximar-se dos necessitados, não ajudá-los “de longe, porque há aqueles que estão sujos”, não tomam banho”, “têm mau cheiro”.

“Muitas vezes vemos os jornais ou a primeira página dos jornais, as tragédias… mas olhe, as crianças naquele país não têm o que comer; naquele país, as crianças são soldados; naquele país as mulheres são escravizadas; naquele país … oh, que calamidade! Pobre gente … Viro a página e passo ao romance, para a telenovela que vem depois. E isso não é cristão. E a pergunta que eu faria agora, olhando para todos, também para mim: “Eu sou capaz de ter compaixão? De rezar? Quando eu vejo essas coisas, que me trazem a casa, através da mídia … as vísceras se movem? O coração sofre com essas pessoas, ou sinto pena, digo “pobre gente”, e assim … “. E se você não pode ter compaixão, peça a graça: ‘Senhor, dá-me a graça da compaixão’”!

Com a “oração de intercessão”, com o nosso “trabalho” de cristãos – devemos ser capazes de ajudar as pessoas que sofrem, para que “retornem à sociedade”, à “vida familiar”, de trabalho; em síntese: à “vida cotidiana”. (BF-SP)

“Quem esquece o perdão, esquece Deus”

Cidade do Vaticano (RV) – “Quando se esquece a necessidade do perdão, lentamente se esquece de Deus, de lhe pedir perdão e de saber perdoar”. Foi a advertência do Papa na homilia da missa celebrada na Basílica de São Pedro nesta terça-feira (09/02), diante de cerca de 1 mil frades capuchinhos, em Roma para venerar as relíquias de Padre Pio e de Padre Leopoldo Mandic, no Jubileu extraordinário da Misericórdia.

“Os capuchinos receberam do Senhor o dom de perdoar – reconheceu o Pontífice. Em meio a vocês, há muitos bons confessores, porque se sentem pecadores e rezam: sabem perdoar porque sabem rezar.

O humilde é um grande confessor, quem se sente puro só sabe condenar”.

Não machucar o fiel

Francisco ressaltou que “o confessionário é para dar o perdão, não para condenar. E quando não se pode dar a absolvição, pelo menos não se machuque o fiel que vem se confessar em busca do perdão, do conforto, da paz em sua alma; vem para encontrar um pai que o abrace e lhe diga que lhe quer bem. Então, por favor, não se cansem nunca de perdoar!”.

A seguir, o Papa exortou os frades capuchinhos: “Sejam homens de perdão, de reconciliação e de paz”; e recordou: “Existem muitas linguagens: a linguagem da palavra, e a linguagem dos gestos. Quem se aproxima do confessionário, faz já um gesto que expressa o desejo de mudar, de ser uma pessoa diferente”.

Humildade para perdoar

“Por isso, recomendou Francisco, coração aberto! O perdão é uma semente, um carinho de Deus. Quem não é um grande perdoador, é um grande condenador. E quem é, na Bíblia, o grande acusador? O diabo… Então, digo a todos vocês, sacerdotes: quem não quer perdoar seja humilde e não vá confessar os fiéis”.

(CM)

Santo Evangelho (Lc 6, 43-49)

23ª Semana Comum – Sábado 16/09/2017 

Primeira Leitura (1Tm 1,15-17)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo.

15Caríssimo, segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles! 16Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração; ele fez de mim um modelo de todos os que crerem nele para alcançar a vida eterna. 17Ao Rei dos séculos, ao único Deus, imortal e invisível, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 112)

— Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre!
— Bendito seja o nome do Senhor, agora e para sempre!

— Louvai, louvai, ó servos do Senhor; louvai, louvai o nome do Senhor! Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

— Do nascer do sol até o seu ocaso, louvado seja o nome do Senhor! O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus.

— Quem pode comparar-se a nosso Deus, que se inclina para olhar o céu e a terra? Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho.

 

Evangelho (Lc 6,43-49)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons. 44Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem uvas de plantas espinhosas. 45O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração. Mas o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio. 46Por que me chamais: ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que eu digo? 47Vou mostrar-vos com quem se parece todo aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a torrente deu contra a casa, mas não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49Aquele, porém, que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa no chão, sem alicerce. A torrente deu contra a casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santos Cornélio e Cipriano, testemunhas de Cristo

Santos Cornélio e Cipriano são exemplo de amizade e santidade, testemunhas de Cristo

Unidos pela fé e sangue, encontramos como exemplo de amizade e santidade estas testemunhas de Cristo, que foram martirizados no mesmo dia, porém, com diferença de cinco anos.

São Cornélio

Cornélio tinha sido eleito Papa em 251, após um grande período de ausência do pastor por causa da terrível perseguição de Décio. Sua eleição foi contestada por Novaciano, que acusava o Papa de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé (lapsos) e separaram-se da Igreja.

Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Civitavecchici, onde Cornélio morreu. Foi sepultado nas catacumbas de Calisto.

São Cipriano

Uma das grandes figuras do século III, Cipriano, de família rica de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando pagão era um ótimo advogado e mestre de retórica, até que provocado pela constância e serenidade dos mártires cristãos, converteu-se entre 35 e 40 anos de idade.

Por causa de sua radical conversão muitos ficaram espantados já que era bem popular. Com pouco tempo foi ordenado sacerdote e depois sagrado Bispo num período difícil da Igreja africana.

Duas perseguições contra os cristãos ocorreram: a de Décio e Valeriano. Estas perseguições marcaram o começo e o fim de seu episcopado, além de uma terrível peste que assolou o norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

Diante da perseguição do imperador Décio em 249, Cipriano escolheu esconder-se para continuar prestando serviços à Igreja. No ano 258, o santo Bispo foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo de martírio que relatam suas últimas palavras do saber da sua sentença à morte: “Graças a Deus!”

Santos Cornélio e Cipriano, rogai por nós!

São Roberto Belarmino – 17 de Setembro

PAPA BENTO XVI / AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Queridos irmãos e irmãs,

São Roberto Belarmino, de quem desejo falar-vos hoje, leva-nos com a memória ao tempo da dolorosa cisão da cristandade ocidental, quando uma grave crise política e religiosa provocou a separação de nações inteiras da Sé Apostólica.

Nasceu a 4 de Outubro de 1542 em Montepulciano, nos arredores de Sena, e era sobrinho por parte da mãe do Papa Marcelo II. Recebeu uma excelente formação humanística antes de entrar na Companhia de Jesus, a 20 de Setembro de 1560. Os estudos de filosofia e teologia, que completou entre o Colégio Romano, Pádua e Lovaina, centrados sobre s. Tomás e os Padres da Igreja, foram decisivos para a sua orientação teológica. Ordenado sacerdote a 25 de Março de 1570, foi durante alguns anos professor de teologia em Lovaina. Sucessivamente, tendo sido chamado a Roma como professor no Colégio Romano, foi-lhe confiada a cátedra de «Apologética»; na década em que desempenhou tal cargo (1576–1586), elaborou um curso de lições que depois confluíram nas Controversiae, obra que se tornou imediatamente célebre pela clareza e riqueza de conteúdo e pela sua tonalidade predominantemente histórica. O Concílio de Trento tinha terminado há pouco tempo e para a Igreja católica era necessário revigorar e confirmar a sua identidade, também em relação à Reforma protestante. A obra de Belarmino inseriu-se neste contexto. De 1588 a 1594 foi inicialmente padre espiritual dos estudantes jesuítas do Colégio Romano, entre os quais encontrou e orientou são Luís Gonzaga, e depois superior religioso. O Papa Clemente VIII nomeou-o teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e reitor do Colégio dos Penitenciários da Basílica de São Pedro. Ao biénio de 1597–1598 remonta o seu catecismo, Doutrina cristã breve, que foi a sua obra mais popular.

No dia 3 de Março de 1599 foi criado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, a 18 de Março de 1602, nomeado arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal em 21 de Abril desse mesmo ano. Durante os três anos em que foi bispo diocesano, distinguiu-se pelo zelo de pregador na sua catedral, pela visita que realizava semanalmente às paróquias, pelos três Sínodos diocesanos e um Concílio provincial que promoveu. Depois de ter participado nos conclaves que elegeram Papas Leão XI e Paulo V, foi novamente chamado a Roma, para ser membro das Congregações do Santo Ofício, para o Índex, os Ritos, os Bispos e a Propagação da Fé. Desempenhou inclusive funções diplomáticas, junto da República de Veneza e da Inglaterra, em defesa dos direitos da Sé Apostólica. Nos seus últimos anos, compôs vários livros de espiritualidade, nos quais condensou o fruto dos seus exercícios espirituais anuais. Com a sua leitura o povo cristão ainda hoje se sente muito edificado. Faleceu em Roma, no dia 17 de Setembro de 1621. O Papa Pio XI beatificou-o em 1923, canonizou-o em 1930 e proclamou-o Doutor da Igreja em 1931.

São Roberto Belarmino desempenhou um papel importante na Igreja das últimas décadas do século XVI e do início do século seguinte. As suas Controversiae constituem um ponto de referência, ainda hoje válido, para a eclesiologia católica sobre as questões relativas à Revelação, à natureza da Igreja, aos Sacramentos e à antropologia teológica. Nelas é acentuado o aspecto institucional da Igreja, por causa dos erros que então circulavam a propósito de tais questões. Todavia, Belarmino esclareceu também os aspectos invisíveis da Igreja como Corpo místico e explicou-os com a analogia do corpo e da alma, com a finalidade de descrever a relação entre as riquezas interiores da Igreja e os aspectos exteriores que a tornam perceptível. Nesta obra monumental, que procura sistematizar as várias controvérsias teológicas dessa época, ele evita toda a abordagem polémica e agressiva em relação às ideias da Reforma, mas utilizando os argumentos da razão e da Tradição da Igreja, ilustra a doutrina católica de modo claro e eficaz.

Todavia, a sua herança consiste no modo como concebeu o seu trabalho. Com efeito, as gravosas funções de governo não o impediram de tender, quotidianamente, para a santidade com a fidelidade às exigências da própria condição de religioso, sacerdote e bispo. É desta fidelidade que provém o seu compromisso na pregação. Dado que, como sacerdote e bispo, é antes de tudo um pastor de almas, sentia o dever de pregar assiduamente. Pregou centenas de sermones — homilias — na Flandres, em Roma, em Nápoles e em Cápua, por ocasião das celebrações litúrgicas. Não menos abundantes são as suas expositiones e as explanationes aos párocos, às religiosas e aos estudantes do Colégio Romano, que têm com frequência como objecto a Sagrada Escritura, especialmente as Cartas de são Paulo. A sua pregação e as suas catequeses apresentam aquela mesma índole de essencialidade, que tinha aprendido da educação inaciana, inteiramente destinada a concentrar as forças da alma sobre o Senhor Jesus, intensamente conhecido, amado e imitado.

Nos escritos deste homem de governo sente-se de modo muito claro, apesar da reserva por detrás da qual ele esconde os seus sentimentos, o primado que ele assegura aos ensinamentos de Cristo. Assim, são Roberto Belarmino oferece um modelo de oração, alma de todas as actividades: uma oração que ouve a Palavra do Senhor, que se satisfaz ao contemplar a sua grandeza, que não se fecha em si mesma, mas tem a alegria de se abandonar a Deus. Um sinal distintivo da espiritualidade de Belarmino é a percepção viva e pessoal da imensa bondade de Deus, pelo que o nosso santo se sentia verdadeiramente filho amado de Deus e o recolher-se com serenidade e simplicidade, em oração, em contemplação de Deus era para ele fonte de grande alegria. No seu livro De ascensione mentis in Deum — Elevação da mente a Deus — composto segundo o esquema do Itinerarium de são Boaventura, exclama: «Ó alma, o teu exemplar é Deus, beleza infinita, luz sem sombras, esplendor que supera aquele da lua e do sol. Eleva os olhos a Deus, em quem se encontram os arquétipos de todas as coisas e do qual, como de uma fonte de fecundidade infinita, deriva esta variedade quase infinita das coisas. Portanto, deve concluir: quem encontra Deus, encontra tudo; quem perde Deus, perde tudo».

Neste texto sente-se o eco da célebre contemplatio ad amorem obtineundum — contemplação para alcançar o amor — dos Exercícios espirituais de santo Inácio de Loyola. Belarmino, que vive na sociedade opulenta e frequentemente malsã do último período do século xvi e do primeiro período do século XVII, desta contemplação haure aplicações práticas e projecta a situação da Igreja do seu tempo com um vigoroso ímpeto pastoral. No livro De arte bene moriendi — A arte de morrer bem — por exemplo, indica como norma segura do bom viver, e também do bom morrer, a meditação frequente e séria, de que se deverá prestar contas a Deus das próprias acções e do próprio modo de viver, e procurar não acumular riquezas nesta terra, mas viver com simplicidade e com caridade, de maneira a acumular bens no Céu. No livro De gemitu columbae — O gemido da pomba, onde a pomba representa a Igreja — exorta com força o clero e todos os fiéis a uma reforma pessoal e concreta da própria vida, seguindo aquilo que ensinam a Escritura e os Santos, entre os quais em particular são Gregório de Nazianzo, são João Crisóstomo, são Jerónimo e santo Agostinh, além dos grandes fundadores de Ordens religiosas, como são Bento, são Domingos e são Francisco. Belarmino ensina com grande clareza e com o exemplo da sua própria vida, que não pode haver uma verdadeira reforma da Igreja, se antes não houver a nossa reforma pessoal e a conversão do nosso coração.

Dos Exercícios espirituais de santo Inácio, Belarmino hauria conselhos para comunicar de modo profundo, até aos mais simples, a beleza dos mistérios da Fé. Ele escreve: «Se tens sabedoria, compreendes que foste criado para a glória de Deus e para a tua salvação eterna. Esta é a tua finalidade, este é o centro da tua alma, este é o tesouro do teu coração. Por isso, considera verdadeiro bem para ti aquilo que te conduz para o teu fim, e verdadeiro mal aquilo que te priva dele. Acontecimentos prósperos ou adversos, riquezas e pobrezas, saúde e doença, honras e ofensas, vida e morte, o sábio não deve procurá-los nem rejeitá-los para si mesmo. Mas só são bons e desejáveis, se contribuírem para a glória de Deus e para a tua felicidade eterna; são maus e devem ser evitados, se a impedirem» (De ascensione mentis in Deum, grad. 1).

Obviamente, não se trata de palavras que passaram de moda, mas palavras que hoje devemos meditar prolongadamente, para orientar o nosso caminho nesta terra. Elas recordam-nos que a finalidade da nossa vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, em quem Ele continua a chamar-nos e a prometer-nos a comunhão com Ele. Estas palavras recordam-nos a importância de confiar no Senhor, de levar uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com a fé e com a oração todas as circunstâncias e todas as obras da nossa vida, sempre orientados para a união com Ele. Amém!

 

São Roberto Belarmino: um jesuíta vestido de púrpura

Sua viva fé e profunda sabedoria foram de incalculável valor para a Igreja. Se considerável parte da Áustria e da Alemanha ainda hoje permanece católica, deve-se, em boa medida, ao apostolado  deste filho de Santo Inácio.  

Apesar de haver ele disposto no testamento que seus funerais fossem sóbrios, como correspondia a um membro da Companhia de Jesus, quis o Papa Gregório XV dar grande solenidade às exéquias daquele Cardeal que tanto bem fizera à Igreja de Cristo.

Revestido da púrpura recebida havia 22 anos, o corpo de Sua Eminência foi velado na igreja da Casa Professa dos Jesuítas, onde o povo se aglomerara para lhe prestar a última homenagem. Tornou-se necessário recorrer a uma guarda a fim de evitar a indiscreta devoção dos presentes.

Todo o Sacro Colégio participou dos ofícios, e o registro do Consistório lavrou ata da sua morte nos seguintes termos: “Esta manhã, 17 de setembro de 1621, à hora duodécima, o Reverendíssimo Senhor Belarmino, Cardeal Presbítero, de Montepulciano, passou desta região de morte para a morada dos vivos. Era um homem notabilíssimo, teólogo eminente, intrépido defensor da Fé Católica, martelo dos hereges, tão piedoso, prudente e humilde, como caridoso para com os pobres. O Sacro Colégio e toda a Corte Romana sentiram e choraram vivamente a morte de tão grande homem”.1   Palavras breves e significativas, carregadas do sabor da época, bem sintetizam elas o sentir do povo romano em relação  esse Cardeal de quem afirmavam, ao vê-lo passar: “Ecco il santo! – Eis o santo!”.

Precoce no estudo e na pregação  
Roberto Francesco Romolo Belarmino nasceu em Montepulciano, na Toscana, em 4 de outubro de 1542. O pai, Vincenzo Belarmino, de nobreza empobrecida, ocupara durante muitos anos o cargo de governador da cidade. A mãe, Cinzia Cervini, era irmã do futuro Papa Marcelo II que governou a Igreja durante apenas 22 dias, em abril de 1555.

Desde cedo se aplicou aos estudos, aprendendo com facilidade tudo a que se dedicava, inclusive a música. Mas encantava-lhe também visitar o Santíssimo Sacramento, e, apesar da pouca idade, observava os jejuns do Advento e da Quaresma.

Encontro com a vocação religiosa  
Aos catorze anos ingressou ele no colégio da Companhia de Jesus, onde começou a despontar sua vocação de grande pregador e polemista. Um pequeno episódio da época ilustra esse pendor.

Espalharam pela cidade boatos caluniosos, sobre a qualidade do ensino ministrado nesse colégio, que deixaram Roberto indignado. Para acabar com eles de vez, tomou alguns dos seus companheiros e desafiou para um debate público os melhores alunos das outras instituições de ensino. No dia combinado, coube-lhe fazer o discurso de abertura, na sala do município, onde se deu o evento. A vitória dos estudantes jesuítas foi estrondosa!

Com a palavra fácil, raciocínio metódico e lógico, e, sobretudo, piedade sincera, o jovem santo passou a ser convidado para pregar em retiros e outros eventos. O sucesso batia-lhe às portas. Sendo, ademais, sobrinho de um Papa, embora de reinado efêmero, cresciam no pai as esperanças de vê-lo levantar o nome da família, quiçá como destacado membro da corte pontifícia…

Porém, Roberto media bem os perigos da dourada ascensão que se apresentava diante dele: “Estando durante muito tempo pensando na dignidade a que podia aspirar, me veio de modo insistente a brevidade das coisas temporais. Impressionado com estes sentimentos, cheguei a conceber um horror desta vida e determinei buscar uma ordem religiosa na qual não houvesse perigo de tais dignidades”.2

Tomou, então, a resolução de fazer-se jesuíta.

Primeiros anos na Companhia de Jesus  
Vencidas as resistências paternas e após um ano de prova na própria cidade natal, foi transferido para Roma, onde fez os votos de devoção na Companhia e começou a estudar filosofia no Colégio Romano.

Apesar de ter compleição débil e enfermiça, sua inteligência era agudíssima. Possuía, ademais, uma memória tão privilegiada que lhe bastava uma simples leitura para reter o conteúdo de um livro. Assim, marcantes foram os êxitos acadêmicos.

Na defesa de sua tese de filosofia, salientou-se pela segurança e clareza de raciocínio com que expôs a matéria e respondeu às objeções propostas. Isso lhe valeu o cargo de professor de Humanidades no Colégio de Florença, apesar de seus 21 anos.

Além das aulas, recebeu também a incumbência de pregar aos domingos e dias santos diante de prelados e eclesiásticos, bem como do escol intelectual da cidade. Os categorizados ouvintes admiravam-se, mais do que por sua eloquência, por vê-lo praticar de forma coerente aquilo mesmo que lhes pregava nos sermões.

Doze meses depois, o jovem Roberto foi enviado como professor de retórica a Mondovi, onde permaneceu durante três anos. Ao ouvir ali uma das suas pregações, o Padre Provincial o encaminhou a Pádua, para os estudos de Teologia, a fim de receber as ordens maiores.

Em vista dos rápidos progressos que lá fizera, São Francisco de Borja, então Superior Geral, determinou sua ida para Lovaina, onde se precisava de homens de talento para defender o “Depósito da Fé”, fortemente questionado na época pelos intelectuais luteranos.

Exímio pregador, embora ainda sem estola  
Localizada a menos de vinte quilômetros de Bruxelas – próxima, portanto, de vários Estados que aderiram às teses de Lutero -, era a Universidade de Lovaina um baluarte da verdadeira doutrina. A ela chegou Roberto para permanecer dois anos, os quais se transformaram em sete, segundo a previsão que ele mesmo fizera.

Pequeno de estatura, o jovem jesuíta era um gigante no púlpito. Aos domingos, pregava em latim na igreja do ateneu, repleta de um público habituado a escutar com espírito crítico os mais doutos pregadores.

Preciosos foram os frutos desses sermões: católicos hesitantes eram confirmados na Fé, numerosos jovens consagravam-se ao serviço de Deus, muitos protestantes se convertiam. Não faltavam entre eles os que, vindos da Holanda ou da Inglaterra para ouvi-lo e refutar-lhe os argumentos, retornavam arrependidos.

Em Gante, a 25 de março de 1570, recebeu Roberto o presbiterato.

O período mais fecundo de sua vida  
Renhidas polêmicas marcavam a época. Os problemas levantados pelos protestantes levaram o padre Belarmino a estudar o hebraico, a fim de adquirir uma segurança exegética ainda maior. Chegou a compor, para seu uso, uma gramática dessa língua, que acabou sendo também de grande ajuda para seus alunos.

São Roberto estudou ainda, com afinco, os Padres da Igreja, os Doutores, Papas, Concílios e a História da Igreja. Aparelhou-se, assim, para uma forma de ensino sólida, orientada para um gênero de apologética na qual os erros eram sempre impugnados com respeito e prudência.

Foi o período mais fecundo de sua vida. As principais universidades da Europa, inclusive a de Paris, disputavam-no como professor de Teologia. Até mesmo São Carlos Borromeu chegou a solicitá-lo para Milão. Contando apenas 30 anos de idade, arcava com imensas responsabilidades pastorais e acadêmicas, as quais desempenhava com virtude e talento. Isso levou os superiores a adiantarem sua profissão solene.

Controvérsias: a “Summa” de Belarmino  
Algum tempo mais tarde, a Santa Obediência o fez retornar à Cidade Eterna. Gregório XIII fundara no Colégio Romano uma cátedra de apologética chamada Controvérsias, com o objetivo de ensinar a verdadeira doutrina contra os erros que pululavam nos centros universitários de então. São Roberto encarregou- se dela por doze anos, durante os quais refutou primorosamente as objeções dos protestantes. Seus ensinamentos durante esse longo período foram compilados, por ordem dos seus superiores, na monumental obra Controvérsias.

Considerada a “Summa” de Belarmino, ela foi acolhida com grande entusiasmo e traduzida para quase todas as línguas europeias. São Francisco de Sales, o grande Bispo de Genebra, afirmou ter pregado por cinco anos contra os calvinistas em Chablais, usando apenas a Bíblia e as Controvérsias de Belarmino.

Até mesmo os protestantes deram testemunho da eficácia e valor desta obra. Guiène reconheceu valer o santo jesuíta, por si só, por todos os doutores católicos. Bayle confessou não ter havido nenhum autor que tenha sustentado melhor a causa da Igreja. E ficou célebre a confidência do sucessor de Calvino, Théodore de Bèze, ao desabafar com seus amigos, batendo com a mão nas Controvérsias: “Eis o livro que nos deitou a perder”.3

Assim, a fé viva e a profunda sabedoria do santo, bem como seu método tomista de argumentar – começando sempre por expor com imparcialidade as razões e argumentos apresentados pela parte contrária -, foram de incalculável valor para a defesa da Igreja. Se a maior parte da Áustria e quase um terço da Alemanha ainda hoje permanecem católicos, podemos afirmar dever-se, em boa medida, ao apostolado de São Roberto Belarmino.

“‘Ó! Se soubésseis quantos filhos restituístes a Cristo!’, escrevia–lhe o Duque Guilherme da Baviera, ao pedir-lhe licença de traduzir as ‘Controvérsias'”.4

Amizade e admiração entre santos  
Naquele período conturbado para a Igreja, muitos foram os jesuítas que praticaram a virtude em grau heroico, merecendo ser elevados à honra dos altares. Com alguns deles teve São Roberto um trato mais estreito.

Sendo diretor espiritual do Colégio Romano, coube-lhe ser confessor de São Luís Gonzaga, que o admirava como a um Anjo. Aquele, por sua vez, dizia nunca haver tratado com alma tão pura e delicada quanto a deste jovem.

Mais tarde, durante uma visita como provincial ao colégio de Lecce, no sul da Itália, conheceria São Bernardino Realino. Quando os dois jesuítas se encontraram, caíram de joelhos, um diante do outro, e se abraçaram. “Um grande santo nos deixou”5- disse São Bernardino quando partiu o superior. Ambos jesuítas, unidos desde aquele momento por uma amizade toda sobrenatural, veneravam-se mutuamente como santos.

Cardeal em nome da Santa Obediência
A fecunda atuação de São Roberto Belarmino na Cidade Eterna não se circunscrevia ao Colégio Romano, do qual passaria, em 1592, a ser Reitor. Entre outros encargos, foi ele teólogo do Papa Clemente VIII, consultor do Santo Ofício e teólogo da Penitenciária Apostólica. Fez também parte da comissão encarregada de preparar a edição clementina da Vulgata, versão oficial da Bíblia para o rito latino até 1979, quando foi substituída pela Neovulgata.

Sua nomeação como Cardeal era inevitável. Ele, porém, recusava-se a aceitar o cargo, alegando incompatibilidade com seus votos. Mas o Papa Clemente VIII o obrigou a aceitar em nome da Santa Obediência, afirmando: “Nós o elegemos porque não há na Igreja de Deus outro que lhe equipare em ciência e sabedoria”.6

Com o mesmo espírito religioso, desinteresse e abnegação que o caracterizaram até aquele momento, dedicou-se aos trabalhos, muitas vezes espinhosos, exigidos aos prelados romanos. Mas em 1602, Clemente VIII o liberou da pesada carga nomeando-o Arcebispo de Cápua, conferindo-lhe ele mesmo a ordenação episcopal.

À frente da Arquidiocese de Cápua  
Gozando já em vida de fama de santidade, o Cardeal Belarmino foi recebido na catedral com grande pompa e enorme concurso de fiéis, que tocavam nele medalhas e terços.

Seu governo começou por uma reforma geral do clero. Entrevistou-se em particular com cada um dos presbíteros, usando de bondade e firmeza evangélica para com os transviados. Manifestava-se disposto a perdoar os mais graves pecados aos arrependidos, mas mantinha uma inflexibilidade completa para com os recalcitrantes: aut vitam aut habitum – ou mudança de vida ou de hábito.

Na catedral, deu nova vida ao coro, participando ele próprio da recitação do Ofício. Dedicou-se com frequência à pregação, como era seu costume, usando deste meio para converter as almas. Visitou também todo o território da arquidiocese, estimulando a piedade dos fiéis e ajudando a reerguer os conventos decadentes. Mas, como bom filho de Santo Inácio, dava particular importância à formação: ele próprio ensinava o Catecismo nas paróquias e na catedral, aos domingos.

No meio de todas essas ocupações, sua vida espiritual era uma obra-prima de serenidade. Conseguia organizar seu tempo de modo a encontrar momentos para pensar, meditar, rezar, estudar, escrever, sem descuidar as obrigações para com seu rebanho. Pelo contrário, era do recolhimento e da oração que hauria as forças para a ação pastoral.

Que linda ilustração da tese de D. Chautard: o apostolado é o transbordamento da vida interior!

Eleição do novo Papa
Agrave; morte de Clemente VIII, o Cardeal Belarmino regressou a Roma para participar de um Conclave, pela primeira vez. O papa eleito foi Leão XI, falecido menos de um mês depois.

No segundo Conclave, São Roberto chegou a ter um bom número de votos. Mas, assim como recusara as honras de Cardeal, revela em sua Autobiografia haver pedido a Deus, naqueles dias, que fosse escolhido alguém mais apto, rezando com insistência: “Do Papado, livrai-me, Senhor!”.7

Eleito Paulo V, este o trouxe para junto de si, fazendo-o deixar definitivamente a Arquidiocese de Cápua. Ainda dezesseis anos passaria em Roma, desempenhando os mais altos cargos a serviço da Santa Sé e intervindo nos assuntos mais importantes, para cuja resolução exercia o seu parecer uma influência decisiva.

Serenidade na vida e na morte  
Ao sentir se aproximar a morte, São Roberto pediu ao recém-eleito Papa Gregório XV dispensa de todos os seus cargos na Cúria e retirou–se para o Noviciado de Santo André, no Quirinal, a fim de “esperar o Senhor”, como costumava dizer.

Ele chegou em 17 de setembro de 1621. Depois de curta enfermidade, tendo recebido a visita de muitas pessoas ilustres – incluindo o próprio Papa -, que lhe pediam um último conselho ou uma bênção, despediu-se desta terra com uma sereníssima morte.

Pio XI o canonizou em 29 de junho de 1930, e o declarou Doutor da Igreja no ano seguinte. Aquele que, durante a vida, com tanto empenho fugira de honras e dignidades, tornava-se assim o único jesuíta inscrito na lista dos santos como Cardeal e como Bispo.

(Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP; Revista Arautos do Evangelho, Set/2010, n. 105, p. 30 à 33)

Ser cristão de verdade é ser chique também

Felipe Neri
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Neste fim de semana assisti a um filme excelente: “Preferisco il paradiso”, sobre a vida de são Felipe Neri. Na verdade trata-se de uma minissérie produzida pela rede de TV RAI em 2010. Resolvi assistir por causa da rec0mendaçã0 do padre Paulo Ricardo numa de suas aulas no Youtube. Em geral, o filme é excelente, assim como “Padre Pio” e “Moscati: o doutor que virou santo”. Filmes sobre a vida dos santos é o tipo de filme que os italianos capricham. Engraçado que muita gente perde a oportunidade de assisti-los por pensar que são como aqueles filmes bíblicos bregas e mal feitos que passam na Rede Record. Não é nada disso. Muito pelo contrário, as produções são maravilhosas e acima de tudo são sempre capazes de emocionarem crentes e não crentes. Preferisco il paradiso me trouxe uma imagem totalmente de São Felipe Neri. Ao olhar a igreja barroca maravilhosa que tive a oportunidade de ver em Roma, nunca ia imaginar que ele tivesse um carisma tão ligado ao cuidado dos pobres como mostrou o filme. Para mim ele era um grande pregador ou um santo que enfrentou as heresias de frente como Inácio de Loyola. No entanto, Felipe Neri teve o seu papel na Contrarreforma tal qual o de São Francisco de Assis: enquanto os doutores, os sábios, os preparados estavam preocupados com a reafirmação da doutrina diante das heresias, Felipe Neri pregou com a vida. Logo no começo do filme eu pude me identificar profundamente com o santo. Ele estava numa dúvida vocacional dolorosíssima. Sua vontade era entrar para a Companhia de Jesus e ser enviado como missionário na Índia. Porém, Deus mostrou por meio das necessidades dos outros que o seu lugar não era na Índia, mas em Roma. É difícil ser dócil quando Deus mostra um caminho diferente daquele que já decidimos seguir. Nasce uma revolta, um desânimo que nem sempre se pode controlar, mas Felipe Neri soube negligenciar seus interesses porque havia algo muito mais urgente diante de si: a necessidade do outro. Felipe Neri dedicou-se em primeiro lugar àqueles a quem ninguém dá muita importância: crianças de rua. O filme mostra o centro de Roma cheio dessas crianças que se reuniam sob a liderança de um menino mais velho. Felipe vem preencher as lacunas educativas, afetivas e espirituais delas. É impressionante a paciência que aquele homem tinha com crianças tão difíceis de lidar. Basta colocar-se na situação de alguém tendo de conviver com um menino levado. Quem mais tem paciência com ele além dos pais próprios pais (por serem obrigados)? Agora pense em dez meninos levados juntos lutando para sobreviver sem qualquer base que lhes dê suporte… pois é, a tarefa de Felipe foi no mínimo hercúlea. Há de se lembrar que Felipe Neri como muitos santos foi perseguido pela própria Igreja. Numa época em que cada pessoa dizia-se inspirada por Deus e arrogava-se melhor que a Igreja, era totalmente plausível que as lideranças eclesiais ficassem desconfiadas de tudo o que não tinha o aval formal do papa. Mas Felipe não pensou em desistir em momento algum. Por que? Porque ele era uma pessoa extremamente positiva, alto astral, como se diz por aí. Nada de humano abalava o seu objetivo, pois os seus olhos estavam numa recompensa acima de todas as outras: o paraíso. As crianças que se tornaram como que filhos dele cresceram e passaram a fazer parte do Oratório – a estrutura eclesiástica aprovada pela Igreja. Um deles inclusive chegou a publicar uma tese teológica admirada em muitas universidades da Europa. Felipe acreditava no homem como Cristo continua acreditando em cada um de nós ainda que O ofendamos. Essa é uma bela lição para aqueles que vivem imersos na cultura do ter em vez da cultura do ser. O filme termina como uma bela aula sobre o sentido da morte para o cristão: é apenas uma passagem. Após a notícia da morte de Felipe, os sinos começam tocar e todos choram pelo triste acontecimento. Uma menina entra no quarto de Felipe. Poucos minutos depois sai de lá gritando: “Felipe está vivo!”, “Felipe está no paraíso!”. O clima no oratório muda repentinamente. Os sinos agora repicam e todos compreendem que a morte não foi um limite para Felipe, mas uma ponte. Felipe Neri tatuou a palavra paraíso na alma e tomou-o como principal objetivo a ser alcançado. Para quem quiser assistir ao filme, há no Youtube com legendas em espanhol. A qualidade também não está muito boa, mas pelo menos o filme está completo. Ainda que você não fale nem italiano nem espanhol, vale tentar. O que posso testemunhar é que pessoalmente o filme teve um grande efeito na minha conduta. Diante das situações de pecado, diante das tentações, como Neri eu repito “Eu prefiro o paraíso”. O desdém pelos falsos benefícios do pecado nos transforma em pessoas seletivas e refinadas. É um jeito chique de ser cristão.

 

SÃO FELIPE NÉRI
“Ser misericordioso com os que caíram é melhor meio para não cairmos nós mesmos!”
Biografia de São Felipe Néri, Apóstolo de Roma, por Plinio Maria Solimeo

Este santo compreendeu bem sua época e procurou remediar seus males. A extraordinária bondade de seu coração e constante sorriso foram sua maior arma de apostolado. A vida de São Felipe Néri abarca quase todo o século XVI, um dos mais turbulentos da Idade Moderna, época do Renascimento e da pseudo-reforma protestante. Nasceu em Florença no dia 21 de julho de 1515, numa família profundamente cristã. Seus membros haviam exercido cargos na magistratura da “cidade das flores”, por muitas gerações, o que lhes permitiu ocupar um lugar na nobreza toscana. Mas isso não dispensava o pai, Francisco Néri, de trabalhar arduamente como tabelião para sustentar a família. Felipe perdeu a mãe muito cedo, mas encontrou na madrasta uma digna sucessora que o amou como filho. O menino era tão amável, jovial e terno, que logo tornou-se conhecido como Pippo Buono, “o bom Felipinho”. Essa bondade de coração e amabilidade contagiantes, permeadas pela graça divina, seriam o grande segredo de suas conquistas no apostolado. De sua infância resta-nos apenas um episódio: quando Pippo tinha por volta de oito anos, viu perto de sua casa uma mula carregada de frutas, que o proprietário trouxera para vender. Saltou para cima da montaria que, assustada, desequilibrou-se. Mula, carga e menino rolaram para o chão, indo para dentro de um paiol. Quando os pais e vizinhos acorreram, temendo o pior, encontraram Pippo ileso e sorrindo com a aventura. Tendo estudado humanidades com os melhores professores da cidade, por volta dos 16 anos seu pai o enviou para São Germano, aos pés de Monte Cassino, para aprender a arte do comércio com seu tio Rômulo. Apesar de Felipe se dedicar com empenho ao negócio, suas cogitações estavam muito acima das mercadorias com que tratava. Logo se viu que ele não tinha senso comercial, mas divino. Apenas terminado o trabalho do dia, retirava-se para alguma igreja ou um dos oratórios abundantes na Itália. Servia-se também do emprego para fazer apostolado, perguntando aos fregueses se sabiam o Pai-Nosso ou se haviam feito a Páscoa. O tio comentava: “Felipe nunca será um bom comerciante. Eu deixaria a ele toda minha herança, se não fosse essa mania de rezar”. Para Felipe isso não era uma “mania”, mas necessidade. “Nada ajuda mais o homem do que a oração”, dirá mais tarde. Por isso, quando fez 20 anos, deixou a casa do tio e, levado por um instinto sobrenatural, foi para Roma.   Santa alegria dos filhos de Deus Na cidade eterna, estudou filosofia na universidade La Sapienza, e teologia na de Santo Agostinho, mantendo-se com aulas particulares. Os que tratavam com ele ficavam admirados de sua sabedoria, profundidade de pensamento e vida santa. Nessa época ele já vivia a pão e água uma vez só por dia, dormia apenas algumas horas no chão duro, e passava parte da noite em oração. À noite costumava visitar as sete principais igrejas de Roma, retirando-se depois para a catacumba de São Sebastião. Seu exemplo atraiu muitos companheiros, que se juntaram a ele nesses santos exercícios. A virtude resplandecia nele. Alguns diziam ver sua cabeça envolta em luz sobrenatural, quando rezava. Apesar de sempre sorridente e amável, sua modéstia e virginal pudor faziam-no ser respeitado até pelos mais dissolutos. Via-se sempre a alegria transparecer em seu rosto, e a doçura estava de tal modo em seus lábios, que era uma grande satisfação estar com ele. O que é mais curioso é que São Felipe, nessa época, não pensava em fazer-se sacerdote. Julgava acertadamente que se pode servir a Deus e ao próximo muito bem, permanecendo leigo. Entrou para a Companhia do Divino Amor, irmandade cujo objetivo era atender espiritual e materialmente os pobres, os doentes, os órfãos e os encarcerados. No Hospital dos Incuráveis, cuidou dos enfermos até o fim de sua vida, e para lá enviaria os seus seguidores. Entre estes se encontrava um que é considerado o maior compositor do século XVI, Giovanni Pierluigi da Palestrina, cujas músicas passaram a fazer parte do repertório dos seguidores de São Felipe. Pois a música desempenhava papel importante em seu apostolado. Não contente com a visita a hospitais, São Felipe punha-se também a percorrer ruas e praças, falando às pessoas sobre a Religião e as coisas de Deus, da maneira mais comovedora e cativante. A um perguntava: “Então, meu irmão, quando é que começaremos a amar a Deus?”. A outro: “É hoje que nos decidimos a comportar-nos bem?”. Ele era, sobretudo um apóstolo e um semeador da santa alegria dos filhos de Deus.

Chamado ao apostolado com a juventude
São Felipe Néri se sentia chamado especialmente para cuidar da juventude. Para colocar os jovens em guarda contra as seduções da idade e conservar todo frescor da virtude, ele lhes dizia para se lembrarem sempre das palavras do profeta: “Bem-aventurado o homem que leva o jugo do Senhor desde sua adolescência”. Havia em sua voz e em suas maneiras tanto atrativo, que muitos, cedendo ao ascendente que Felipe tinha sobre eles, renunciavam às frivolidades do mundo e se entregavam inteiramente a Deus. Assim ele enviou a Santo Inácio, para sua recém-fundada Companhia de Jesus, muitos novos recrutas. Os santos se atraem. São Felipe teve relações com todos os santos que viviam então na Cidade Eterna: São Carlos Borromeu, São Camilo de Lelis, Santo Inácio de Loyola e São Félix de Cantalício. “São Carlos Borromeu tinha tanta estima e veneração por ele que, todas as vezes que o encontrava, prosternava-se diante dele e suplicava que o deixasse beijar suas mãos. Santo Inácio de Loyola não fazia menos caso de sua santidade, e via-se frequentemente esses dois ilustres fundadores olharem-se sem nada dizer, na admiração mútua que tinham pela virtude que reconheciam um no outro”.(1)

A grande graça de Pentecostes
No dia de Pentecostes de 1545, quando suplicava ardentemente ao Divino Espírito Santo que lhe enviasse seus dons, viu de repente uma bola de fogo que lhe entrou boca adentro, descendo até o coração. Tal foi a veemência de amor de Deus que sentiu, que julgou que iria morrer. Caiu no chão, gritando: “Basta, Senhor, basta! Não resisto mais!” O mais notável é que seu peito dilatou-se, mesmo fisicamente, na altura do coração. Isto foi constatado depois da morte pelo médico Andréa Cesalpino, que fez a autópsia: “Percebi que as costelas estavam rompidas naquele ponto, isto é, estavam separadas da cartilagem. Só dessa maneira era possível que o coração tivesse espaço suficiente para levantar-se e abaixar-se. Cheguei à conclusão de que se tratava de algo sobrenatural, de uma providência de Deus para que o coração, batendo tão fortemente como batia, não se machucasse contra as duras costelas”(2).

“Durante seus últimos dias como leigo, o apostolado de Felipe cresceu rapidamente. Em 1548, junto com seu confessor Persiano Rosa, fundou a Confraternidade da Santíssima Trindade para cuidar de peregrinos e convalescentes. Seus membros se reuniam para a Comunhão, oração e outros exercícios espirituais na igreja de São Salvador, e o próprio santo introduziu a exposição do Santíssimo Sacramento uma vez por mês. Embora ele ainda fosse leigo, fazia a pregação, e sabemos que numa só ocasião ele converteu trinta jovens dissolutos”(3).

Sacerdote do Altíssimo, dedicado ao confessionário
Quando Felipe tinha 36 anos, seu confessor Pe. Persiano ordenou-lhe, em nome de Deus, que se fizesse sacerdote. Depois de mais alguns estudos, ordenou-se, celebrando sua primeira missa no dia 23 de maio de 1551. Felipe entrou então para a comunidade de Presbíteros de São Jerônimo, que gozava merecida fama pelas virtudes de seus componentes. Estes, embora vivessem em comunidade e tivessem mesa em comum, não se obrigavam a nenhum voto. Este será o berço do Oratório de São Felipe Néri. Ouvindo contar as maravilhas operadas por São Francisco Xavier na Índia, São Felipe pensou muito em ir também para o Oriente. Dirigiu-se então ao santo religioso Agostinho Ghattino, muito favorecido por Deus, pedindo-lhe que consultasse o Senhor sobre esse seu projeto. A resposta divina foi: “Felipe não deve buscar as Índias, mas Roma, onde o destina Deus, assim como a seus filhos, para salvar almas”(4).

Como sacerdote, São Felipe dedicou-se especialmente ao confessionário, onde passava grande parte do dia. Muitos de seus penitentes, levados pelo desejo de recolher a doutrina desse pai espiritual, passaram a ir diariamente visitá-lo. “Pouco a pouco os discípulos se tornaram tão numerosos, que foi preciso ter a reunião numa igreja; e por fim a concorrência cresceu tanto, que foi necessário distribuí-la em grupos, à frente dos quais o mestre punha um de seus discípulos mais capazes. Assim nasceu o instituto do Oratório, sem mais regras que os cânones, sem mais votos que os compromissos do batismo e da ordenação, sem mais vínculos que a caridade”(5).

Outra nota marcante na vida de São Felipe Néri foi seu amor pela Eucaristia. Era tão grande o fervor de sua caridade que, em vez de se recolher para celebrar a Missa, tinha que procurar deliberadamente uma distração, para ser capaz de prestar atenção depois no rito externo do Santo Sacrifício. Como todos os santos, teve que enfrentar muitas calúnias. O próprio cardeal vigário de Roma, levado por um certo parti-pris e pelos rumores de que o santo mantinha assembléias perigosas e semeava novidades entre o povo, chegou a repreendê-lo severamente, retirando-lhe a licença para atender confissões durante quinze dias. Mas, tendo o purpurado falecido repentinamente, o papa Paulo IV, chamado a julgar o caso, não só absolveu São Felipe como recomendou-se às suas orações. Um dos principais discípulos de São Felipe foi o Venerável Cesare Barônio, depois cardeal, autor dos Annales Ecclesiastici, trabalho que marcou época na historiografia e mereceu para seu autor o título de “Pai da História Eclesiástica”. São Felipe Néri entregou sua alma a Deus no dia 26 de maio de 1595, sendo canonizado apenas 27 anos depois, juntamente com Santo Isidro Lavrador, Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e Santa Teresa D’Ávila.

E-mail do autor: [email protected]

1. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo VI, p. 217. 2. Apud Guilherme Sanches Ximenes, Felipe Néri – O sorriso de Deus, Editora Quadrante, São Paulo, 1998, p. 17. 3. C. Sebastian Richie, Philip Néri, The Catholic Encyclopedia, online edition. 4. Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis vives, S.A., Saragoça, 1947, vol. III, p. 266. 5. Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, vol. II, p. 457.

 

DISCURSO DO SANTO PADRE AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO GERAL DA CONFEDERAÇÃO DO ORATÓRIO DE SÃO FILIPE NÉRI – ORATORIANOS – 5 de outubro de 2000  

Caríssimos Sacerdotes e Leigos Oratorianos

1. É-me grato apresentar as minhas cordiais boas-vindas a cada um de vós, participantes no Congresso Geral da Confederação do Oratório de São Filipe Néri, que com esta visita quisestes confirmar a sincera devoção ao Vigário de Cristo e a plena adesão ao Seu Magistério, no espírito do vosso Fundador, que amou a Igreja com todo o seu ser e vos deixou como herança a sua incondicional fidelidade à Sé de Pedro. Ao saudar com afeto o Padre António Rios Chávez, Delegado da Sé Apostólica, dirijo um cordial pensamento a cada uma das Congregações representadas no vosso Congresso Geral, exprimo-lhes viva gratidão pelo bem que realizam e alegro-me com o crescimento que o Oratório está a conhecer em diversas partes do mundo.

2. A vossa Confederação, instituída pela Sé Apostólica para unir no vínculo da caridade e da ajuda recíproca cada uma das Congregações do Oratório, nos recentes Congressos Gerais empenhou-se em rever os textos constitucionais na linha indicada pela Igreja por ocasião do Concílio Ecumênico Vaticano II. No alvorecer do terceiro milênio cristão, a vossa Assembleia propõe-se ir de novo, sob o aspecto predominantemente pastoral, às fontes do movimento espiritual que tem origem na missão de conduzir sempre o homem ao encontro com Jesus Cristo, “Caminho, Verdade e Vida”, realmente presente na Igreja e “contemporâneo” de cada homem. Esse encontro, vivido e proposto por São Filipe Néri de modo original e envolvente, leva a tornar-se homem novo no mistério da Graça, suscitando na alma aquela “alegria cristã” que constitui o “cêntuplo”, dado por Cristo a quem O acolhe na própria existência. Favorecer um encontro pessoal com Cristo representa também o fundamental “método missionário” do Oratório. Ele consiste em “falar ao coração” dos homens para os levar a fazer uma experiência do Mestre divino, capaz de transformar a vida. Obtém-se isto sobretudo testemunhando a beleza de um semelhante encontro, do qual o viver recebe sentido pleno. É necessário propor aos “que estão afastados” não um anúncio teórico, mas a possibilidade de uma existência realmente renovada e por isso repleta de alegria. Eis a grande herança recebida do vosso Padre Filipe! Eis uma via pastoral sempre válida, porque está inscrita na perene experiência cristã! Faço votos por que o retorno às fontes da espiritualidade e da obra de São Filipe, efetuado pelo vosso Congresso, suscite em cada Congregação uma renovada consciência da validade e da atualidade do “método missionário” do vosso Fundador e proporcione uma significativa contribuição para o compromisso na “nova evangelização”.

3. O Oratório nasceu da fé e do gênio de São Filipe Néri, que soube compor em síntese harmoniosa a dimensão carismática e a plena comunhão com os Pastores da Igreja e, na Roma do seu tempo, com grande sabedoria foi ao encontro das necessidades espirituais e materiais da juventude, testemunhando a tal ponto a dimensão jubilosa da fé, que foi considerado “o profeta da alegria cristã”. O Oratório caracteriza desde o início a vossa Congregação que dele toma o nome, como recorda a Bula “Copiosus in misericordia”, com a qual Gregório XIII a instituiu no Ano Santo de 1575. Nascida com a participação de sacerdotes seculares, provenientes da primeira experiência do Oratório, e posta ao seu serviço, a vossa Congregação deve continuar a conservar no centro dos próprios interesses essa benemérita instituição, com os seus propósitos originários, o seu método e estilo, sempre adaptável às necessidades dos tempos. Como recorda o “Itinerário Espiritual”, aprovado no Congresso Geral de 1994: “O fim específico e a missão da Congregação do Oratório é o nascimento e o crescimento de autênticas comunidades cristãs, luz e sal da terra”. Nas vossas Constituições elas são apresentadas, desde os primeiros artigos, como uma união fraterna de fiéis que, seguindo as pegadas de São Filipe Néri, estabelecem para si aquilo que ele ensinou e fez, tornando-se assim “um só coração e uma só alma” (At 4, 3). O modelo no qual se inspiram são os encontros de oração simples e familiares e os colóquios espirituais do vosso Padre Filipe com penitentes e amigos. Nessa perspectiva, o Oratório reconhece a sua identidade em “praticar em comum a maneira de abordar a Palavra de Deus com familiaridade, além da oração mental e oral, a fim de promover nos fiéis, como numa escola, o espírito contemplativo e o amor pelas coisas divinas”. Formulo votos para que o Oratório, ao pôr-se ao serviço dos homens com simplicidade de espírito e alegria, saiba manifestar e difundir esse método espiritual, de maneira sempre mais atraente e eficaz. Assim poderá oferecer um testemunho coerente e incisivo, vivendo em plenitude o fervor das origens e propondo aos homens de hoje uma experiência de vida fraterna, fundada principalmente sobre a realidade, acolhida e vivida, da comunhão sobrenatural em Cristo. “Quem quiser outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que quer; quem pede outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que faz”. Estas palavras do vosso santo Fundador indicam o critério sempre válido de toda a renovação da comunidade cristã, que consiste em retornar a Jesus Cristo: à sua palavra, à sua presença, à ação salvífica que Ele atua nos Sacramentos da Igreja. Esse empenho levará os Sacerdotes a privilegiar, como é próprio da vossa tradição, o ministério das Confissões e o acompanhamento espiritual dos fiéis, para responder plenamente ao vosso carisma e às expectativas da Igreja. Deste modo, eles ajudarão os leigos pertencentes aos Oratórios seculares a compreenderem o valor essencial de ser “christifideles”, à luz da experiência de São Filipe que, a respeito do laicado, antecipou ideias e métodos que se revelariam fecundos na vida da Igreja.

4. As vossas Congregações, fiéis à autonomia querida pelo santo Fundador, vivem particularmente ligadas à realidade das Igrejas particulares e às situações locais. Mas não se pode esquecer a importância que também reveste, na vida das Comunidades e dos seus membros, o vínculo fraterno com as outras Congregações que constituem a Confederação. É mediante esse vínculo que a característica autonomia de cada Casa se abre ao dom da caridade efetiva e as Comunidades confederadas encontram uma ajuda válida para crescerem na fidelidade ao carisma oratoriano. Cada Congregação dedique um cuidado particular à formação inicial e permanente dos indivíduos e das Comunidades, para assimilar o ideal transmitido por São Filipe e reproposto pelos textos constitucionais, em vista de uma crescente vitalidade espiritual e de uma eficaz presença apostólica. Em particular, exorto-vos a deixar-vos guiar por estes valores, sobretudo ao aproximardes-vos do mundo juvenil, que é repleto de promessas, não obstante as dificuldades, sentindo-vos enviados de maneira especial a quantos estão “afastados”, mas tão próximos do Coração do Salvador. Nesse contexto, ser-vos-á de grande apoio a tradicional sensibilidade dos Oratorianos pela arte e a cultura, vias particularmente idôneas para uma significativa presença evangelizadora. A Virgem Maria, “Mãe e fundadora do Oratório”, seja para cada um de vós o modelo em que vos inspirar constantemente, ao acolher com plena disponibilidade o dom do Espírito e anunciar a alegria de Cristo aos irmãos. Com estes bons votos, enquanto vos confio à celeste intercessão de São Filipe Néri, concedo uma especial Bênção Apostólica a cada um e a toda a Congregação do Oratório.

Fonte:http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2000/oct-dec/documents/hf_jp-ii_spe_20001005_san-filippo-neri_po.html Fonte: http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=52FC7D9D-3048-313C-2E935C8F254A0EC4&mes=Maio1992 http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?idmat=F96BD5AF-3048-313C-2E2EA8CE1BCFDB20&mes=Maio2009

 

Poucos são os santos da Igreja privilegiados como São Filipe Néri. Filho de pai nobres e piedosos, Filipe nasceu em 1515, na cidade de Florença. De boa índole, de modos afáveis e inclinação à oração mereceram ao menino de 5 anos o apelido de “o bom Filipe”. Um incêndio destruiu grande parte da fortuna dos pais, e Filipe passou a morar com um primo que era negociante riquíssimo em São Germano. Este primo prometeu-lhe estabelecê-lo como herdeiro de todos os seus bens, se quisesse tomar-lhe a gerência dos negócios. O bom Filipe, porém, pouca inclinação sentia para ser negociante; o que queria, era ser santo, e apesar das repetidas insistências do primo, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus. Fez os estudos de Filosofia e Teologia em Roma, e começou desde logo a observar a regra de vida austeríssima, que o acompanhou até o fim da vida. Alimentava-se de pão, água e legumes; para o sono reservava poucas horas, para a adoração, porém, muitas. No grande desejo de dedicar-se à vida contemplativa, vendeu a biblioteca, deu os bens aos pobres e aprofundou o espírito na meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Todo o tempo disponível passava-o nas igrejas ou de preferência catacumbas. A graça de Deus tocou-lhe o coração com tanta violência que, prostrado por terra, exclamou muitas vezes: “Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias. Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente?” Foi nas catacumbas de São Sebastião, no ano de 1545, que recebeu o Espírito Santo, em forma de bola de fogo. Naquela ocasião sentia em si um ardor tão forte do amor de Deus que, devido às palpitações fortíssimas do coração, foram deslocadas a segunda e a quarta costelas. Com o amor de Deus, grande era-lhe também o amor do próximo. Filipe, possuía o dom de atrair todos a si, circunstância para a qual concorriam muito sua afabilidade, cortesia e modéstia. Recorria a mil estratagemas, para ganhar os jovens das ruas e nas oficinas de Roma. Era amigo de todos e, uma vez adquirida a confiança preparava-os para a recepção dos Sacramentos e encaminhava-os para o bem. As noites passava-as nos hospitais, tratando os doentes como uma mãe. O monumento mais belo de sua caridade é a Irmandade da Santíssima Trindade, cujo fim principal era receber os romeiros e tratar dos doentes. No início de cada mês convidava o povo para adoração ao SS. Sacramento e, nestas ocasiões, embora leigo, fazia admiráveis alocuções aos fiéis. A piedosa idéia achou eco entre o povo que, abundantes esmolas deitavam para a nova instituição. Cardeais, bispos, reis, ministros, generais e princesas, viam grande honra em poderem pertencer a esta irmandade. Seguindo o conselho do seu confessor, Filipe recebeu o santo Sacramento da Ordem, tendo a idade de 36 anos. Tinha a vontade de trabalhar nas índias e de morrer mártir pela religião de Cristo. Pela vontade de Deus, porém, sua Índia havia de ser Roma, e lá ficou. Deixando-se guiar pela Providência Divina, tornou-se Apóstolo da capital da cristandade, sendo sua obra principal a fundação da Congregação da Oração para a qual chamou homens igualmente distintos pelo saber e piedade. As conferências espirituais tinham grande concorrência entre cardeais, bispos, sacerdotes e leigos, os quais confiavam-se à direção de São Filipe, a quem veneravam como um pai. Grande Parte do dia passava no confessionário, e só Deus sabe o número das almas que a seus pés acharam a paz, o perdão e a salvação. Todos nele depositavam uma confiança ilimitada. Ilimitada também era a inveja e o ódio de satanás e seus sequazes. Os confrades tiveram que saborear muitas vezes o escárnio, a calúnia e perseguição. O ódio dos inimigos chegou a tal ponto, que levaram uma acusação falsa à autoridade eclesiástica, de que resultou para Filipe a suspensão de ordens. Privado da celebração da Santa Missa, da pregação e da administração do SS. Sacramento, o Santo não perdeu a calma e só dizia: “Como Deus é bom, que me humilha!” A suspensão foi retirada, e o inimigo principal do Santo, caindo em si, fez reparação pública e tornou-se-lhe discípulo. Pelo fim da vida já não lhe era possível dizer a santa Missa em público, tanta era a comoção que lhe sobrevinha, na celebração dos santos mistérios. Estando no púlpito, as lágrimas lhe embargavam a voz quando falava do amor de Deus e da Paixão de Cristo. Quando celebrava a Missa, chegando à santa Comunhão, pelo espaço de duas a três horas ficava arrebatado em êxtase enquanto o corpo se lhe elevava à altura de dois palmos. Não é para admirar que o Papa o consultasse nos negócios mais importantes e quisesse beijar-lhe as mãos e a batina. À sua prudência e clarividência deve a França a felicidade de ter permanecido país católico. Henrique IV, calvinista, tinha abjurado a heresia e entrado na Religião Católica. No ardor das guerras civis, tornou a voltar ao calvinismo, para depois outra vez se agregar à Igreja. O Papa Clemente VIII com o apoio dos cardeais, negou ao rei a absolvição e opôs-se-lhe à reconciliação. Filipe, prevendo a apostasia da França, no caso de o Papa persistir nesta resolução, fez jejuns e orações extraordinárias e pediu a Barônio, que era confessor do Papa, que o acompanhasse nestes exercícios, para alcançar a luz do Divino Espírito Santo. Posteriormente, Henrique IV obteve a absolvição do Papa e foi solenemente recebido no seio da Igreja. Fatigado e exausto de trabalhos e alquebrado pela idade, Filipe foi acometido de grave doença, tendo os médicos o examinado e, saindo do quarto desanimados, ouviram o doente exclamar: “Ó minha Senhora, ó dulcíssima e bendita Virgem!”. Voltaram para ver o que tinha acontecido e encontraram o Santo elevado sobre o leito e, em êxtase, exclamou: “Não sou digno, não sou digno de vós, ó dulcíssima Senhora, que venhais visitar-me!”. Os médicos, respeitosos, indagaram ao doente o que sentia. Este, voltando a si e tomando a posição costumeira no leito, perguntou: “Não a vistes, a Santíssima Virgem, que me livrou das dores? “ De fato se levantou completamente curado, e viveu mais um ano. Tendo predito a hora da morte, Filipe fechou os olhos para este mundo no dia 02 de maio de 1595. O túmulo tornou-se glorioso e poucos anos depois da morte, Filipe foi beatificado pelo Papa Paulo V, em 1622, e canonizado por Gregório XV.

Reflexões: São Filipe deu o seguinte conselho a uma pessoa que se queixava da sua cruz: “Meu filho, a grandeza do amor que se tem a Deus, é medida pela grandeza do desejo de sofrer muito por amor de Deus; quem se impacienta com a cruz, achará uma outra mais pesada”; convém fazer da necessidade uma virtude. Os sofrimentos deste mundo são a melhor escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola, merece dó, porque é um infeliz.

Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico – Juiz de Fora – Minas Gerais, 1959.
Fonte: http://www.paginaoriente.com/santos/felipeneri2605.htm

 

BIOGRAFIA de São Felipe Néri por Guilherme Sanches Ximenes
– Livro: Felipe Néri – O sorriso de Deus. Editora Quadrante.  

Início
Era madrugada do dia 21 de julho de 1515 – ano em que também nascia Teresa de Ávila – quando se ouviu o primeiro choro daquele que viria a ser chamado “o sorriso de Deus entre os homens”. Filipe Rômulo Néri… Junto com as suas duas irmãs mais velhas – Caterina e Elisabetta – foi educado num ambiente familiar de classe média modesta, com poucos meios, mas impregnado de sincera piedade cristã… cursou o equivalente ao nosso primeiro e segundo graus com os dominicanos do convento de São Marcos, e lá recebeu também a primeira formação cristã (p.3-p.5).

Aprendizado
Certa vez, um rapaz veio procurá-lo para conversar. Contou-lhe que estava estudando e pretendia concluir os estudos o mais rápido possível. – “E depois?”, perguntou-lhe Filipe. Depois certamente me tornarei um advogado. – E depois? “Depois ganharei muito dinheiro e farei meu nome”. E depois? Depois casar-me-ei e terei uma família. – E depois? Bem depois…” As respostas saíam cada vez mais lentamente e de maneira mais difícil, porque “depois”…se chega ao fim. Filipe então abraçou-o fortemente e perguntou-lhe de modo quase inaudível: “E depois?” (p.8).

Vida difícil
Chegando a Roma, Filipe foi morar na casa de um conterrâneo seu, chamado Galeotto del Caccia. Como meio de sustento e sobrevivência, assumiu a tarefa de preceptor dos dois filhos pequenos do seu hospedeiro. Podia assim usufruir de um modesto quarto e recebia uma certa porção de trigo, que levava ao padeiro para que o moesse e transformasse em pão. Durante muito tempo, a sua alimentação cotidiana não passaria desse pedaço de pão e de algumas azeitonas (p.11).

Testemunho
Além das obras de misericórdia, Filipe sentia ainda a necessidade de “falar sempre de Cristo, e em voz alta (p.14).

Calor no coração
Numa das ocasiões em que fazia oração nas catacumbas de São Sebastião, no ano de 1544, ocorreu um episódio que ficou conhecido como o “Pentecostes de Filipe”. Como contraria a Pietro Consolini, seu confidente no final da vida, viu naquela noite já longínqua uma bola de fogo que lhe entrava pela boca e lhe dilatava o peito com tanta intensidade que lhe pareceu que iria morrer. Caindo ao chão – tamanha era a sensação de dor, de fogo interior e estranheza diante daquele acontecimento sobrenatural –, gritou: “Basta, Senhor, basta! Não resisto mais! Desse acontecimento dedicaram-lhe algumas consequências externas que os médicos nunca conseguiram explicar. Uma delas, por exemplo, era uma palpitação e um tremor praticamente incontroláveis por todo o corpo sempre que entrava em contato íntimo com Deus: ao rezar, ao celebrar uma missa, ao pregar… Era um tremor tão forte – como contam os que conviveram com ele – que se transmitia à cadeira ou ao banco em que estava ajoelhado. Outra consequência foi que passou a sentir um calor interior tão intenso que, mesmo nos dias mais rigorosos do inverno romano, dormia sempre com a janela aberta e saía em plena noite para rezar ao ar livre. Além disso, ficou também com uma dilatação peitoral mais ou menos do tamanho de um punho à altura do coração. O médico Andrea Cesalpino, que fez a autópsia do seu corpo, relata: “Uma vez aberto o tórax, percebi que as costelas estavam rompidas naquele ponto, isto é, estavam separadas da cartilagem. Só dessa maneira era possível que o coração tivesse espaço suficiente para levantar-se e abaixar-se. Cheguei à conclusão de que se tratava de algo sobrenatural (…), de uma providência de Deus para que o coração, batendo tão fortemente como batia, não se machucasse contra as duras costelas” (p.16-17).

Vocação
“Gostaria de servir a Deus como leigo e não queria ser sacerdote nem confessor. No entanto, obrigou-se a seguir a opinião daquele que conhecia sua alma e obedeceu… Celebrava sua primeira missa no dia 23 de maio de 1551 (p.18).

Confessor
Filipe via os pecados das pessoas antes mesmo de se acusarem deles. E usava esse dom não para recriminá-las, mas para facilitar-lhes a acusação das suas faltas (p.22).

Direção espiritual
Dirigia as almas com profundo sentido sobrenatural e extremo bom senso – além de senso de humor, muitas vezes. A um homem rico que, depois da confissão, se propunha fazer grandes penitências, indicou-lhe que, em vez disso, desse muitas esmolas; a uma moça que se mostrava deprimida, mandou-a procurar um bom marido; a uma senhora de saltos altos que lhe pedia conselho, só recomendou que tomasse cuidado pra não cair… e a outra ainda, que se acusou repetidas vezes de maledicência, deu-lhe como penitência que fosse depenando uma galinha pela estrada e que depois voltasse recolhendo as penas, para que lhe entrasse pelos olhos que é isso o que acontece quando se calunia alguém: a falsidade espalha-se e é difícil devolver a boa fama (p.23).

Cura da depressão
Em certa ocasião, uma freira comentou-lhe que se sentia deprimida e pensava que não haveria salvação para ela. – Não respondeu-lhe Filipe –, digo-lhe que você está destinada ao Paraíso, e lhe demonstro. Diga-me, por quem foi que Cristo morreu? – Pelos pecadores. Exatamente. E você, o que é? – Uma pecadora. E Filipe tirou a conclusão: “Portanto, o Paraíso é para você, desde que se arrependa dos seus pecados.” E assim a freira libertou-se definitivamente da sua depressão (p.24). “Ser misericordioso com os que caíram é melhor meio para não cairmos nós mesmos!” (p.24) “Esse santo sacerdote tinha uma graça particular de Deus, pela qual conseguia atrair para si o coração das pessoas (p.24). “Na guerra pela pureza só vencem os covardes, isto é, aqueles que fogem! (p.26).

 

Frases de São Filipe Néri – (O Santo da Alegria)
Presbítero e Fundador da Congregação do Oratório – 26 de Maio

1 – “Ser misericordioso com os que caíram é melhor meio para não cairmos nós mesmos!”

2 – “Na guerra pela pureza só vencem os covardes, isto é, aqueles que fogem!”

3 – “Quem quiser outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que quer; quem pede outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que faz”.

4 – “A grandeza do amor que se tem a Deus, é medida pela grandeza do desejo de sofrer muito por amor de Deus; quem se impacienta com a cruz, achará uma outra mais pesada”.

5 – “Os sofrimentos deste mundo são a melhor escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola, merece dó, porque é um infeliz”.

6 – “Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias”.

7 – “Ó meu Deus tão amável, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente?”

8 – “Quem não puder dedicar longo tempo a oração deve, pelo menos, elevar muitas vezes o seu coração a Deus”.

9 – “É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições”.

10 – “Esta só razão devia bastar para manter alegre um fiel — saber que tem Maria Virgem junto de Deus, que pede por ele”.

11 – “Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos! Não pode haver castidade sem Eucaristia”.

12 – “Quem quiser que lhe obedeçam muito, mande pouco”.

13 – “Longe de mim, o pecado e a tristeza!”

14 – “Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um cristão do que padecer por amor de Cristo”.

 

FILIPE NERI
O sorriso de Deus
Guilherme Sanches Ximenes
Editora Quadrante – São Paulo – 1998

O FUNDADOR
Um grupinho alegre É difícil separar a história das instituições da Igreja da história pessoal dos seus fundadores. Esses homens e mulheres dedicaram-se de corpo e alma às suas obras e acabaram por fundir-se numa única e mesma coisa com elas. Foi o que aconteceu também com Filipe. O confessionário permitiu-lhe conhecer muita gente, além dos seus antigos amigos, e ele sentia a necessidade de formá-los mais amplamente do que nos breves momentos de que dispunha para aconselhar cada um. Por sua vez, os seus penitentes experimentavam igualmente fortes desejos de encontrar-se com ele por mais tempo e de uma maneira mais informal, para poderem absorver melhor o espírito que sentiam palpitar nas suas curtas indicações. Passaram, pois, a reunir-se no começo da tarde no próprio quarto de Filipe, em San Girolamo, para conversar sobre temas espirituais. Filipe sentava-se na cama, porque não havia cadeiras suficientes para todos. Uns perguntavam-lhe como deviam agir em determinadas circunstâncias, outros referiam episódios apostólicos – um amigo que se convertera, um conhecido que pedira para vir confessar-se –, outros ainda pediam-lhe que esclarecesse algum episódio do Evangelho. O santo falava-lhes com total simplicidade, servindo-se sempre de casos e temas concretos, sem nada que lembrasse a afetação e os recursos retóricos tão em voga na pregação desse tempo. Mas punha nas suas palavras um ardor que “acendia neles de modo maravilhoso o amor de Cristo” – conta Gallonio –, e sobretudo esforçava-se por infundir neles o desejo de fazer oração, de aproximar-se com mais frequência dos sacramentos e de pôr em prática o amor ao próximo”. Antes mesmo de que se desse alguma estrutura a essas reuniões, o ponto central era sempre a leitura e o comentário de algum livro espiritual. Era o que se chamava “ragionamento sopra il libro”. O livro era, em primeiro lugar, é claro, a Sagrada Escritura – particularmente o Evangelho de São João –, e depois os dois clássicos tão caros ao coração de Filipe: o beato Colombini e o Jacopone da Todi. Além desse debate sobre um livro, havia outras práticas ao longo da reunião, todas elas incentivadas por Filipe e realizadas sob sua orientação e o seu olhar paternal: algum dos participantes contava um episódio da história da Igreja ou da vida dos santos, outro falava sobre uma virtude ou uma questão de doutrina e, mais tarde, começaram também a cantar algumas músicas. Com efeito, uma das tradições que se criou aos poucos foi a da música. Filipe apreciava-a muito, e a própria época se prestava de maneira especial ao desenvolvimento dessa arte. Muitos dos que frequentavam as reuniões eram compositores, músicos ou cantores, e era comum que elas se encerrassem com belas melodias polifônicas cantadas a plenos pulmões. Giovanni Animuccia (1500-1571) e Giovanni Pierluigi da Palestrina (1526-1594) foram alguns dos grandes talentos musicais que se confessavam com o padre Filipe, e as suas músicas passaram a fazer parte do repertório habitual daqueles encontros. Depois da reunião, todo o grupo saía para atender os doentes num dos hospitais que Filipe conhecia tão bem; ou então ia simplesmente passear pelo Gianicolo, de onde ainda hoje se tem uma bela vista da Urbe; ou fazer uma visita ao Senhor sacramentado em alguma das inúmeras igrejas de Roma. Na volta, sempre restava em torno do sacerdote um grupo de fiéis especialmente íntimos, que se reunia ainda por algum tempo em oração. “O padre orava – conta Grazzini –, e podíamos ver como isso o absorvia. […] Mesmo que a oração durasse uma boa hora, o tempo voava, e ali teríamos ficado com gosto a noite inteira, tão grande era a alegria que experimentávamos ao seu lado”. Com o tempo, o quarto de Filipe tornou-se pequeno demais, e foi necessário transferir os encontros para uma capela lateral da igreja de San Girolamo, especialmente adaptada para esse fim. Era o “Oratório”, como lhe chamou Filipe, e dessa designação viria o nome da futura Congregação. Isso foi em 1557, ou seja, apenas seis anos depois da ordenação do santo. […] É interessante observar que todos os participantes, exceto o próprio Filipe, eram leigos, e que somente alguns viriam a ordenar-se anos mais tarde. “Mesmo no meio da multidão podemos estar na estrada que leva à perfeição”, insistia Filipe, fiel à inspiração que o orientara na juventude. […] Por outro lado, impressiona comprovar quanto significaram para a renovação da Igreja essas reuniões aparentemente tão simples e tão informais! Em breve, participavam delas algumas das personalidades do tempo, intelectuais, bispos e cardeais, entre eles os futuros papas Gregório XIII e Clemente VIII.

Escutar a voz de Deus

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 7 de outubro de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Citando o exemplo do bom samaritano, Papa disse que se deve deixar que Deus escreva a história de cada um

“Deixemos que Deus escreva a nossa vida”. Esta foi a exortação do Papa aos fiéis na Missa celebrada nesta segunda-feira, 7, na Casa Santa Marta. O Santo Padre deu destaque às figuras de Jonas e do Bom Samaritano.

“Jonas serviu o Senhor, rezou muito e fez o bem, mas quando o Senhor o chamou, ele fugiu. Ele tinha a sua história já escrita e não queria ser incomodado. O Senhor o enviou a Nínive e ele tomou um navio para a Espanha, fugindo do Senhor”, começou o Papa em sua homilia.

Ele explicou que é uma tentação cotidiana fugir de Deus, não sentir sua proposta no coração e ignorar seu convite. Francisco citou o episódio do sacerdote que passava pela rua e viu um homem moribundo, jogado no chão. Para não chegar tarde à Missa, o padre continuou seu caminho, sem ouvir a voz de Deus que falava com ele ali.

Em seguida, Francisco recordou o levita que também passou e ignorou o homem, temendo que este fosse morto e ele fosse obrigado a testemunhar diante do juiz. “Ele também fugiu da voz de Deus”, disse o Papa, acrescentando que somente teve a capacidade de entender a voz de Deus aquele que fugia constantemente dele: o pecador, o samaritano que mesmo afastado de Deus, ouviu a sua voz e se aproximou.

“O samaritano não era acostumado a práticas religiosas, à vida moral, mas, todavia, ele entendeu que Deus o chamava e não fugiu. Se aproximou, curou suas feridas com óleo e vinho, colocou o homem em seu cavalo, levou-o a seu albergue e cuidou dele. Perdeu toda a sua noite”.

O Santo Padre explicou então que Jonas, o sacerdote e o levita fugiram de Deus porque seus corações estavam fechados, não podiam ouvir sua voz. Ao contrário, um samaritano que passava ‘viu e teve compaixão’: tinha o coração aberto, era humano. Jonas, disse o Papa, queria escrever a própria história, bem como o sacerdote e o levita. Já o pecador deixou que Deus a escrevesse.

“Agora eu me pergunto e pergunto a vocês: nós deixamos que nossa vida seja escrita por Deus ou queremos nós escrevê-la? Somos dóceis à Palavra de Deus? Temos capacidade para encontrar a Palavra de Deus na história todos os dias, ou não deixamos que a surpresa do Senhor nos fale?”

Francisco concluiu pedindo que todos possam ouvir a voz do Senhor, a Sua voz, que diz “Vá e faça assim!”.

O verdadeiro tesouro do homem

Domingo, 11 de agosto de 2013, Da Redação, Facebook da Rádio Vaticano
Papa Francisco durante a oração mariana do Angelus neste domingo, 11.  

Milhares de fiéis lotaram novamente neste domingo, 11, a Praça São Pedro, no Vaticano, para ouvir e ver o Papa Francisco.  A reflexão do Pontífice, como já é tradição, partiu de um texto preparado, mas o Papa também improvisou e entusiasmou os presentes.

O Papa lembrou que “no Evangelho deste domingo, Lucas nos fala do desejo do encontro definitivo com Cristo, um desejo que nos faz estar sempre prontos, com o espírito desperto, porque aguardamos este encontro de todo coração, inteiramente. Este é um aspecto fundamental da vida cristã”. Envolvendo os fiéis em sua catequese, Francisco convidou a responderem a duas perguntas.

A primeira: “Vocês têm realmente um coração desejoso de encontrar Jesus? Ou seu coração está fechado, adormecido, anestesiado? Pensem e respondam em silêncio, em seus corações”, pediu.

Em seguida, comentou a afirmação de Lucas “onde está o seu tesouro, está o seu coração”, e fez a segunda pergunta. “Onde está o seu tesouro? Qual é para vocês a realidade mais importante, mais preciosa, a realidade que atrai seu coração como um imã? Pode-se dizer que é o amor de Deus? Alguns poderiam me responder: Pai, mas eu trabalho, tenho família, para mim a realidade mais importante è conseguir manter minha família, meu trabalho… Certo, é verdade, mas qual é a força que mantém unida uma família? É justamente o amor de Deus que dá sentido aos pequenos compromissos cotidianos e que ajuda a enfrentar as grandes dificuldades. Este é o verdadeiro tesouro do homem”.

Segundo Papa Francisco, “o amor de Deus não é algo indefinido, um sentimento genérico, não é ar; o amor de Deus tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, porque não podemos amar o ar. Amamos pessoas, e aquela pessoa é Jesus”. “É um amor – explicou – que dá valor e beleza a todo o resto: à família, ao trabalho, ao estudo, à amizade, à arte, a qualquer atividade humana”.

“Este amor dá sentido também – concluiu – às experiências negativas, porque nos permite ir adiante, não ficar prisioneiros do mal, e sim ir além; nos abre sempre à esperança, ao horizonte final de nossa peregrinação. Assim, até os cansaços, quedas e pecados ganham um sentido, porque o amor de Deus nos perdoa”.

 

Papa envia benção aos brasileiros pela Semana Nacional da Família
Da Redação, com CNBB

O Papa Francisco enviou uma benção apostólica para os fiéis, comunidades e paróquias que participam, no Brasil, da Semana Nacional da Família. A programação, que começa neste domingo, 11, vai até 17 de agosto, faz a reflexão do tema “Transmissão e Educação da Fé Cristã na Família”. O evento é animado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB.

A seguir, a íntegra da mensagem do Papa Francisco:

Vaticano, 6 de agosto de 2013

Queridas famílias brasileiras,

Guardando vivas no coração as alegrias que me foram proporcionadas durante a recente visita ao Brasil, me sinto feliz em saudá-las por ocasião da Semana Nacional da Família, cujo tema é “A transmissão e a educação da fé cristã na família”, encorajando os pais nessa nobre e exigente missão que possuem de ser os primeiros colaboradores de Deus na orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro. Para isso, “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento de fé dos filhos” (Carta Enc. Lumen Fidei, 53). Neste sentido, os pais são chamados a transmitir, tanto por palavras como, sobretudo pelas obras, as verdades fundamentais sobre a vida e o amor humano, que recebem uma nova luz da Revelação de Deus. De modo particular, diante da cultura do descartável, que relativiza o valor da vida humana, os pais são chamados a transmitir aos seus filhos a consciência de que esta deva sempre ser defendida, já desde o ventre materno, reconhecendo ali um dom de Deus e garantia do futuro da humanidade, mas também na atenção aos mais velhos, especialmente aos avós, que são a memória viva de um povo e transmissores da sabedoria da vida. Fazendo votos de que vocês, queridas famílias brasileiras, sejam o mais convincentes arautos da beleza do amor sustentado e alimentado pela fé e como penhor de graças do Alto, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, a todos concedo a Benção Apostólica.

Francisco

Santo Evangelho (Mt 13, 18-23)

16ª Semana Comum – Sexta-feira 28/07/2017 

Primeira Leitura (Êx 20,1-17)
Leitura do Livro do Êxodo.

Naqueles dias, 1Deus pronunciou todas estas palavras: 2”Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não terás outros deuses além de mim. 4Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. 5Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, 6mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. 8Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, 10mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 11Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. 12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. 13Não matarás. 14Não cometerás adultério. 15Não furtarás. 16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 17Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 18)

— Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!
— Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!

— A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

— É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— Mais desejáveis do que o outro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

 

Evangelho (Mt 13,18-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Ouvi a parábola do semeador: 19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 23A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem outro sessenta e outro trinta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Celestino, usou muito bem o cajado da justiça e paz

Fez de tudo para condenar o erro e o pecado sem deixar de amar o errado e o pecador

Com satisfação nós lembramos da santidade do Papa Celestino I, que governou a Igreja dos anos 422 até 432. Ele nasceu na Itália e, ao ser escolhido para governar a Igreja de Cristo, usou muito bem o cajado da justiça e paz.

No tempo dele havia a auto-suficiência do Pelagianismo que, embora condenado no Concílio de Cartago, perdurava querendo “contaminar” os cristãos, pois afirmava uma “auto salvação”.

Combatente também contra a heresia do Nestorianismo – que afirmava ter Jesus duas naturezas e duas pessoas – São Celestino fez de tudo para condenar o erro e o pecado sem deixar de amar o errado e o pecador; assim viveu na santidade, até entrar na eterna casa dos santos em 432.

São Celestino, rogai por nós!

 

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