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Ser cristão é ser testemunha de Jesus Cristo

Quinta-feira, 28 de janeiro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa falou das características do cristão, como o testemunho e a magnanimidade

O coração do cristão é magnânimo porque abre os braços para acolher todos com generosidade: foi o que disse o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 28, na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a memória de Santo Tomás de Aquino. Concelebraram com Francisco alguns sacerdotes que festejaram 50 anos de ordenação.

“O mistério de Deus é luz”, afirmou o Papa, que comentou o Evangelho do dia, em que Jesus diz que a luz não vem para ser colocada debaixo de um caixote ou debaixo da cama, mas para ser colocada num candeeiro, para iluminar.

“E esta é uma das características do cristão, que recebe a luz no Batismo e deve doá-la. Isto é, o cristão é uma testemunha. Testemunho. Uma das peculiaridades das atitudes cristãs. Um cristão que carrega esta luz deve mostrá-la, porque ele é uma testemunha. Quando um cristão prefere não mostrar a luz de Deus, mas prefere as próprias trevas, estas entram em seu coração porque tem medo da luz e os ídolos, que são trevas, são mais apreciados, então falta algo: lhe falta algo e não é um verdadeiro cristão. O testemunho: um cristão é uma testemunha. De Jesus Cristo, Luz de Deus. E deve colocar esta luz no candeeiro da sua vida”.

Francisco recordou outras palavras de Jesus no Evangelho: “Com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais”. A partir delas, o Papa citou outra característica do cristão, a magnanimidade.

“O coração cristão é magnânimo. Está sempre aberto. Não é um coração que se fecha no próprio egoísmo ou pelo menos se mede até aqui, até lá. Quando você entra nesta luz de Jesus, entra em amizade com Jesus e se deixa guiar pelo Espírito Santo, o coração se torna aberto, magnânimo. O cristão, naquele ponto, não ganha: perde, mas perde para ganhar outra coisa, e com essa derrota de interesses, ganha Jesus, ganha se tornando testemunha de Jesus.”

Mensagem aos jubileu de ouro dos sacerdotes

O Santo Padre também deixou uma palavra aos sacerdotes presentes na Missa que estão celebrando 50 anos de ordenação. “Para mim é uma alegria celebrar hoje com vocês que completam cinquenta anos de sacerdócio: cinquenta anos no caminho da luz e do testemunho, cinquenta anos buscando ser melhores, buscando levar a vela ao candelabro. Às vezes ela cai, mas vamos novamente, sempre com o desejo de oferecer luz generosamente, ou seja, com o coração magnânimo. Somente Deus e vocês sabem quanta gente vocês receberam com magnanimidade, com a bondade de pais, de irmãos. A muitas pessoas que tinham o coração um pouco escuro vocês ofereceram a luz, a luz de Jesus. Obrigado. Obrigado pelo que vocês fizeram na Igreja, pela Igreja e por Jesus.”

A cruz dá sentido a todo sofrimento; a vitória é dos que sofrem

Papa adorando a cruz de Cristo na celebração da Paixão do Senhor – AFP
14/04/2017

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu na tarde desta Sexta-feira Santa, na Basílica de São Pedro, a celebração da Paixão do Senhor. A homilia da cerimônia, intitulada “A cruz, única esperança do mundo”, esteve a cargo do Pregador da casa Pontifícia Frei Raniero Cantalamessa ofmcap.

“Escutamos a narrativa da Paixão de Cristo. Trata-se, essencialmente, do relato de uma morte violenta. Notícias de mortes, e mortes violentas, quase nunca faltam nos noticiários vespertinos. Também nestes últimos dias, temos escutado tais notícias, como a dos 38 cristãos coptas assassinados no Egito no Domingo de Ramos. Estas notícias se sucedem com tal rapidez, que nos fazem esquecer, a cada noite, as do dia anterior. Por que, então, após 2000 anos, o mundo ainda recorda, como se tivesse acontecido ontem, a morte de Cristo? É que esta morte mudou para sempre o rosto da morte; ela deu um novo sentido à morte de cada ser humano”, disse Frei Cantalamessa.

“Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 33-34).

“Penetremos no epicentro da fonte deste “rio de água viva” no coração trespassado de Cristo. Existe agora, dentro da Trindade e dentro do mundo, um coração humano que bate, não só metaforicamente, mas realmente. É um coração trespassado, mas vivente; eternamente trespassado, precisamente porque eternamente vivente”, frisou o frei capuchinho.

Há uma expressão que foi criada justamente para descrever a profundidade da maldade que pode aglutinar-se no seio da humanidade: “coração de trevas”. Depois do sacrifício de Cristo, mais profundo do que o coração de trevas, palpita no mundo um coração de luz. Cristo, de fato, subindo ao céu, não abandonou a terra, assim como, encarnando-se, não tinha abandonado a Trindade.

A cruz não “está”, portanto, contra o mundo, mas pelo mundo: para dar um sentido a todo o sofrimento que houve, que há e que haverá na história humana. “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo – diz Jesus a Nicodemos –, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3, 17). A cruz é a proclamação viva de que a vitória final não é de quem triunfa sobre os outros, mas de quem triunfa sobre si mesmo; não daqueles que causam sofrimento, mas daqueles que sofrem.

“Tornaríamos vã, no entanto, esta liturgia da Paixão, se ficássemos, como os sociólogos, na análise da sociedade em que vivemos. Cristo não veio para explicar as coisas, mas para mudar as pessoas. O coração de trevas não é apenas aquele de algum malvado escondido no fundo da selva, e nem mesmo aquele da nação e da sociedade que o produziu. Em diferente medida está dentro de cada um de nós”, disse Frei Cantalamessa que acrescentou:

A Bíblia o chama de coração de pedra, “Tirarei do vosso peito o coração de pedra – diz Deus ao profeta Ezequiel – vos darei um coração de carne”. Coração de Pedra é o coração fechado à vontade de Deus e ao sofrimento dos irmãos, o coração de quem acumula quantidades ilimitadas de dinheiro e permanece indiferente ao desespero de quem não tem um copo de água para dar ao próprio filho; é também o coração de quem se deixa completamente dominar pela paixão impura, pronto para matar ou a levar uma vida dupla. Para não ficarmos com o olhar sempre dirigido para o exterior, para os demais, digamos mais concretamente: é o nosso coração de ministros de Deus e de cristãos praticantes se vivemos ainda, basicamente, “para nós mesmos” e não “para o Senhor”.

O coração de carne, prometido por Deus nos profetas, já está presente no mundo: é o Coração de Cristo trespassado na cruz, aquele que veneramos como “o Sagrado Coração”. Ao receber a Eucaristia, acreditamos firmemente que aquele coração vem bater também dentro de nós. Olhando para a cruz daqui a pouco digamos do profundo do coração, como o publicano no templo: “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”, e também nós, como ele, voltaremos para casa “justificados”.

Tradução de Thácio Siqueira

São Roberto Belarmino – 17 de Setembro

PAPA BENTO XVI / AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Queridos irmãos e irmãs,

São Roberto Belarmino, de quem desejo falar-vos hoje, leva-nos com a memória ao tempo da dolorosa cisão da cristandade ocidental, quando uma grave crise política e religiosa provocou a separação de nações inteiras da Sé Apostólica.

Nasceu a 4 de Outubro de 1542 em Montepulciano, nos arredores de Sena, e era sobrinho por parte da mãe do Papa Marcelo II. Recebeu uma excelente formação humanística antes de entrar na Companhia de Jesus, a 20 de Setembro de 1560. Os estudos de filosofia e teologia, que completou entre o Colégio Romano, Pádua e Lovaina, centrados sobre s. Tomás e os Padres da Igreja, foram decisivos para a sua orientação teológica. Ordenado sacerdote a 25 de Março de 1570, foi durante alguns anos professor de teologia em Lovaina. Sucessivamente, tendo sido chamado a Roma como professor no Colégio Romano, foi-lhe confiada a cátedra de «Apologética»; na década em que desempenhou tal cargo (1576–1586), elaborou um curso de lições que depois confluíram nas Controversiae, obra que se tornou imediatamente célebre pela clareza e riqueza de conteúdo e pela sua tonalidade predominantemente histórica. O Concílio de Trento tinha terminado há pouco tempo e para a Igreja católica era necessário revigorar e confirmar a sua identidade, também em relação à Reforma protestante. A obra de Belarmino inseriu-se neste contexto. De 1588 a 1594 foi inicialmente padre espiritual dos estudantes jesuítas do Colégio Romano, entre os quais encontrou e orientou são Luís Gonzaga, e depois superior religioso. O Papa Clemente VIII nomeou-o teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e reitor do Colégio dos Penitenciários da Basílica de São Pedro. Ao biénio de 1597–1598 remonta o seu catecismo, Doutrina cristã breve, que foi a sua obra mais popular.

No dia 3 de Março de 1599 foi criado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, a 18 de Março de 1602, nomeado arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal em 21 de Abril desse mesmo ano. Durante os três anos em que foi bispo diocesano, distinguiu-se pelo zelo de pregador na sua catedral, pela visita que realizava semanalmente às paróquias, pelos três Sínodos diocesanos e um Concílio provincial que promoveu. Depois de ter participado nos conclaves que elegeram Papas Leão XI e Paulo V, foi novamente chamado a Roma, para ser membro das Congregações do Santo Ofício, para o Índex, os Ritos, os Bispos e a Propagação da Fé. Desempenhou inclusive funções diplomáticas, junto da República de Veneza e da Inglaterra, em defesa dos direitos da Sé Apostólica. Nos seus últimos anos, compôs vários livros de espiritualidade, nos quais condensou o fruto dos seus exercícios espirituais anuais. Com a sua leitura o povo cristão ainda hoje se sente muito edificado. Faleceu em Roma, no dia 17 de Setembro de 1621. O Papa Pio XI beatificou-o em 1923, canonizou-o em 1930 e proclamou-o Doutor da Igreja em 1931.

São Roberto Belarmino desempenhou um papel importante na Igreja das últimas décadas do século XVI e do início do século seguinte. As suas Controversiae constituem um ponto de referência, ainda hoje válido, para a eclesiologia católica sobre as questões relativas à Revelação, à natureza da Igreja, aos Sacramentos e à antropologia teológica. Nelas é acentuado o aspecto institucional da Igreja, por causa dos erros que então circulavam a propósito de tais questões. Todavia, Belarmino esclareceu também os aspectos invisíveis da Igreja como Corpo místico e explicou-os com a analogia do corpo e da alma, com a finalidade de descrever a relação entre as riquezas interiores da Igreja e os aspectos exteriores que a tornam perceptível. Nesta obra monumental, que procura sistematizar as várias controvérsias teológicas dessa época, ele evita toda a abordagem polémica e agressiva em relação às ideias da Reforma, mas utilizando os argumentos da razão e da Tradição da Igreja, ilustra a doutrina católica de modo claro e eficaz.

Todavia, a sua herança consiste no modo como concebeu o seu trabalho. Com efeito, as gravosas funções de governo não o impediram de tender, quotidianamente, para a santidade com a fidelidade às exigências da própria condição de religioso, sacerdote e bispo. É desta fidelidade que provém o seu compromisso na pregação. Dado que, como sacerdote e bispo, é antes de tudo um pastor de almas, sentia o dever de pregar assiduamente. Pregou centenas de sermones — homilias — na Flandres, em Roma, em Nápoles e em Cápua, por ocasião das celebrações litúrgicas. Não menos abundantes são as suas expositiones e as explanationes aos párocos, às religiosas e aos estudantes do Colégio Romano, que têm com frequência como objecto a Sagrada Escritura, especialmente as Cartas de são Paulo. A sua pregação e as suas catequeses apresentam aquela mesma índole de essencialidade, que tinha aprendido da educação inaciana, inteiramente destinada a concentrar as forças da alma sobre o Senhor Jesus, intensamente conhecido, amado e imitado.

Nos escritos deste homem de governo sente-se de modo muito claro, apesar da reserva por detrás da qual ele esconde os seus sentimentos, o primado que ele assegura aos ensinamentos de Cristo. Assim, são Roberto Belarmino oferece um modelo de oração, alma de todas as actividades: uma oração que ouve a Palavra do Senhor, que se satisfaz ao contemplar a sua grandeza, que não se fecha em si mesma, mas tem a alegria de se abandonar a Deus. Um sinal distintivo da espiritualidade de Belarmino é a percepção viva e pessoal da imensa bondade de Deus, pelo que o nosso santo se sentia verdadeiramente filho amado de Deus e o recolher-se com serenidade e simplicidade, em oração, em contemplação de Deus era para ele fonte de grande alegria. No seu livro De ascensione mentis in Deum — Elevação da mente a Deus — composto segundo o esquema do Itinerarium de são Boaventura, exclama: «Ó alma, o teu exemplar é Deus, beleza infinita, luz sem sombras, esplendor que supera aquele da lua e do sol. Eleva os olhos a Deus, em quem se encontram os arquétipos de todas as coisas e do qual, como de uma fonte de fecundidade infinita, deriva esta variedade quase infinita das coisas. Portanto, deve concluir: quem encontra Deus, encontra tudo; quem perde Deus, perde tudo».

Neste texto sente-se o eco da célebre contemplatio ad amorem obtineundum — contemplação para alcançar o amor — dos Exercícios espirituais de santo Inácio de Loyola. Belarmino, que vive na sociedade opulenta e frequentemente malsã do último período do século xvi e do primeiro período do século XVII, desta contemplação haure aplicações práticas e projecta a situação da Igreja do seu tempo com um vigoroso ímpeto pastoral. No livro De arte bene moriendi — A arte de morrer bem — por exemplo, indica como norma segura do bom viver, e também do bom morrer, a meditação frequente e séria, de que se deverá prestar contas a Deus das próprias acções e do próprio modo de viver, e procurar não acumular riquezas nesta terra, mas viver com simplicidade e com caridade, de maneira a acumular bens no Céu. No livro De gemitu columbae — O gemido da pomba, onde a pomba representa a Igreja — exorta com força o clero e todos os fiéis a uma reforma pessoal e concreta da própria vida, seguindo aquilo que ensinam a Escritura e os Santos, entre os quais em particular são Gregório de Nazianzo, são João Crisóstomo, são Jerónimo e santo Agostinh, além dos grandes fundadores de Ordens religiosas, como são Bento, são Domingos e são Francisco. Belarmino ensina com grande clareza e com o exemplo da sua própria vida, que não pode haver uma verdadeira reforma da Igreja, se antes não houver a nossa reforma pessoal e a conversão do nosso coração.

Dos Exercícios espirituais de santo Inácio, Belarmino hauria conselhos para comunicar de modo profundo, até aos mais simples, a beleza dos mistérios da Fé. Ele escreve: «Se tens sabedoria, compreendes que foste criado para a glória de Deus e para a tua salvação eterna. Esta é a tua finalidade, este é o centro da tua alma, este é o tesouro do teu coração. Por isso, considera verdadeiro bem para ti aquilo que te conduz para o teu fim, e verdadeiro mal aquilo que te priva dele. Acontecimentos prósperos ou adversos, riquezas e pobrezas, saúde e doença, honras e ofensas, vida e morte, o sábio não deve procurá-los nem rejeitá-los para si mesmo. Mas só são bons e desejáveis, se contribuírem para a glória de Deus e para a tua felicidade eterna; são maus e devem ser evitados, se a impedirem» (De ascensione mentis in Deum, grad. 1).

Obviamente, não se trata de palavras que passaram de moda, mas palavras que hoje devemos meditar prolongadamente, para orientar o nosso caminho nesta terra. Elas recordam-nos que a finalidade da nossa vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, em quem Ele continua a chamar-nos e a prometer-nos a comunhão com Ele. Estas palavras recordam-nos a importância de confiar no Senhor, de levar uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com a fé e com a oração todas as circunstâncias e todas as obras da nossa vida, sempre orientados para a união com Ele. Amém!

 

São Roberto Belarmino: um jesuíta vestido de púrpura

Sua viva fé e profunda sabedoria foram de incalculável valor para a Igreja. Se considerável parte da Áustria e da Alemanha ainda hoje permanece católica, deve-se, em boa medida, ao apostolado  deste filho de Santo Inácio.  

Apesar de haver ele disposto no testamento que seus funerais fossem sóbrios, como correspondia a um membro da Companhia de Jesus, quis o Papa Gregório XV dar grande solenidade às exéquias daquele Cardeal que tanto bem fizera à Igreja de Cristo.

Revestido da púrpura recebida havia 22 anos, o corpo de Sua Eminência foi velado na igreja da Casa Professa dos Jesuítas, onde o povo se aglomerara para lhe prestar a última homenagem. Tornou-se necessário recorrer a uma guarda a fim de evitar a indiscreta devoção dos presentes.

Todo o Sacro Colégio participou dos ofícios, e o registro do Consistório lavrou ata da sua morte nos seguintes termos: “Esta manhã, 17 de setembro de 1621, à hora duodécima, o Reverendíssimo Senhor Belarmino, Cardeal Presbítero, de Montepulciano, passou desta região de morte para a morada dos vivos. Era um homem notabilíssimo, teólogo eminente, intrépido defensor da Fé Católica, martelo dos hereges, tão piedoso, prudente e humilde, como caridoso para com os pobres. O Sacro Colégio e toda a Corte Romana sentiram e choraram vivamente a morte de tão grande homem”.1   Palavras breves e significativas, carregadas do sabor da época, bem sintetizam elas o sentir do povo romano em relação  esse Cardeal de quem afirmavam, ao vê-lo passar: “Ecco il santo! – Eis o santo!”.

Precoce no estudo e na pregação  
Roberto Francesco Romolo Belarmino nasceu em Montepulciano, na Toscana, em 4 de outubro de 1542. O pai, Vincenzo Belarmino, de nobreza empobrecida, ocupara durante muitos anos o cargo de governador da cidade. A mãe, Cinzia Cervini, era irmã do futuro Papa Marcelo II que governou a Igreja durante apenas 22 dias, em abril de 1555.

Desde cedo se aplicou aos estudos, aprendendo com facilidade tudo a que se dedicava, inclusive a música. Mas encantava-lhe também visitar o Santíssimo Sacramento, e, apesar da pouca idade, observava os jejuns do Advento e da Quaresma.

Encontro com a vocação religiosa  
Aos catorze anos ingressou ele no colégio da Companhia de Jesus, onde começou a despontar sua vocação de grande pregador e polemista. Um pequeno episódio da época ilustra esse pendor.

Espalharam pela cidade boatos caluniosos, sobre a qualidade do ensino ministrado nesse colégio, que deixaram Roberto indignado. Para acabar com eles de vez, tomou alguns dos seus companheiros e desafiou para um debate público os melhores alunos das outras instituições de ensino. No dia combinado, coube-lhe fazer o discurso de abertura, na sala do município, onde se deu o evento. A vitória dos estudantes jesuítas foi estrondosa!

Com a palavra fácil, raciocínio metódico e lógico, e, sobretudo, piedade sincera, o jovem santo passou a ser convidado para pregar em retiros e outros eventos. O sucesso batia-lhe às portas. Sendo, ademais, sobrinho de um Papa, embora de reinado efêmero, cresciam no pai as esperanças de vê-lo levantar o nome da família, quiçá como destacado membro da corte pontifícia…

Porém, Roberto media bem os perigos da dourada ascensão que se apresentava diante dele: “Estando durante muito tempo pensando na dignidade a que podia aspirar, me veio de modo insistente a brevidade das coisas temporais. Impressionado com estes sentimentos, cheguei a conceber um horror desta vida e determinei buscar uma ordem religiosa na qual não houvesse perigo de tais dignidades”.2

Tomou, então, a resolução de fazer-se jesuíta.

Primeiros anos na Companhia de Jesus  
Vencidas as resistências paternas e após um ano de prova na própria cidade natal, foi transferido para Roma, onde fez os votos de devoção na Companhia e começou a estudar filosofia no Colégio Romano.

Apesar de ter compleição débil e enfermiça, sua inteligência era agudíssima. Possuía, ademais, uma memória tão privilegiada que lhe bastava uma simples leitura para reter o conteúdo de um livro. Assim, marcantes foram os êxitos acadêmicos.

Na defesa de sua tese de filosofia, salientou-se pela segurança e clareza de raciocínio com que expôs a matéria e respondeu às objeções propostas. Isso lhe valeu o cargo de professor de Humanidades no Colégio de Florença, apesar de seus 21 anos.

Além das aulas, recebeu também a incumbência de pregar aos domingos e dias santos diante de prelados e eclesiásticos, bem como do escol intelectual da cidade. Os categorizados ouvintes admiravam-se, mais do que por sua eloquência, por vê-lo praticar de forma coerente aquilo mesmo que lhes pregava nos sermões.

Doze meses depois, o jovem Roberto foi enviado como professor de retórica a Mondovi, onde permaneceu durante três anos. Ao ouvir ali uma das suas pregações, o Padre Provincial o encaminhou a Pádua, para os estudos de Teologia, a fim de receber as ordens maiores.

Em vista dos rápidos progressos que lá fizera, São Francisco de Borja, então Superior Geral, determinou sua ida para Lovaina, onde se precisava de homens de talento para defender o “Depósito da Fé”, fortemente questionado na época pelos intelectuais luteranos.

Exímio pregador, embora ainda sem estola  
Localizada a menos de vinte quilômetros de Bruxelas – próxima, portanto, de vários Estados que aderiram às teses de Lutero -, era a Universidade de Lovaina um baluarte da verdadeira doutrina. A ela chegou Roberto para permanecer dois anos, os quais se transformaram em sete, segundo a previsão que ele mesmo fizera.

Pequeno de estatura, o jovem jesuíta era um gigante no púlpito. Aos domingos, pregava em latim na igreja do ateneu, repleta de um público habituado a escutar com espírito crítico os mais doutos pregadores.

Preciosos foram os frutos desses sermões: católicos hesitantes eram confirmados na Fé, numerosos jovens consagravam-se ao serviço de Deus, muitos protestantes se convertiam. Não faltavam entre eles os que, vindos da Holanda ou da Inglaterra para ouvi-lo e refutar-lhe os argumentos, retornavam arrependidos.

Em Gante, a 25 de março de 1570, recebeu Roberto o presbiterato.

O período mais fecundo de sua vida  
Renhidas polêmicas marcavam a época. Os problemas levantados pelos protestantes levaram o padre Belarmino a estudar o hebraico, a fim de adquirir uma segurança exegética ainda maior. Chegou a compor, para seu uso, uma gramática dessa língua, que acabou sendo também de grande ajuda para seus alunos.

São Roberto estudou ainda, com afinco, os Padres da Igreja, os Doutores, Papas, Concílios e a História da Igreja. Aparelhou-se, assim, para uma forma de ensino sólida, orientada para um gênero de apologética na qual os erros eram sempre impugnados com respeito e prudência.

Foi o período mais fecundo de sua vida. As principais universidades da Europa, inclusive a de Paris, disputavam-no como professor de Teologia. Até mesmo São Carlos Borromeu chegou a solicitá-lo para Milão. Contando apenas 30 anos de idade, arcava com imensas responsabilidades pastorais e acadêmicas, as quais desempenhava com virtude e talento. Isso levou os superiores a adiantarem sua profissão solene.

Controvérsias: a “Summa” de Belarmino  
Algum tempo mais tarde, a Santa Obediência o fez retornar à Cidade Eterna. Gregório XIII fundara no Colégio Romano uma cátedra de apologética chamada Controvérsias, com o objetivo de ensinar a verdadeira doutrina contra os erros que pululavam nos centros universitários de então. São Roberto encarregou- se dela por doze anos, durante os quais refutou primorosamente as objeções dos protestantes. Seus ensinamentos durante esse longo período foram compilados, por ordem dos seus superiores, na monumental obra Controvérsias.

Considerada a “Summa” de Belarmino, ela foi acolhida com grande entusiasmo e traduzida para quase todas as línguas europeias. São Francisco de Sales, o grande Bispo de Genebra, afirmou ter pregado por cinco anos contra os calvinistas em Chablais, usando apenas a Bíblia e as Controvérsias de Belarmino.

Até mesmo os protestantes deram testemunho da eficácia e valor desta obra. Guiène reconheceu valer o santo jesuíta, por si só, por todos os doutores católicos. Bayle confessou não ter havido nenhum autor que tenha sustentado melhor a causa da Igreja. E ficou célebre a confidência do sucessor de Calvino, Théodore de Bèze, ao desabafar com seus amigos, batendo com a mão nas Controvérsias: “Eis o livro que nos deitou a perder”.3

Assim, a fé viva e a profunda sabedoria do santo, bem como seu método tomista de argumentar – começando sempre por expor com imparcialidade as razões e argumentos apresentados pela parte contrária -, foram de incalculável valor para a defesa da Igreja. Se a maior parte da Áustria e quase um terço da Alemanha ainda hoje permanecem católicos, podemos afirmar dever-se, em boa medida, ao apostolado de São Roberto Belarmino.

“‘Ó! Se soubésseis quantos filhos restituístes a Cristo!’, escrevia–lhe o Duque Guilherme da Baviera, ao pedir-lhe licença de traduzir as ‘Controvérsias'”.4

Amizade e admiração entre santos  
Naquele período conturbado para a Igreja, muitos foram os jesuítas que praticaram a virtude em grau heroico, merecendo ser elevados à honra dos altares. Com alguns deles teve São Roberto um trato mais estreito.

Sendo diretor espiritual do Colégio Romano, coube-lhe ser confessor de São Luís Gonzaga, que o admirava como a um Anjo. Aquele, por sua vez, dizia nunca haver tratado com alma tão pura e delicada quanto a deste jovem.

Mais tarde, durante uma visita como provincial ao colégio de Lecce, no sul da Itália, conheceria São Bernardino Realino. Quando os dois jesuítas se encontraram, caíram de joelhos, um diante do outro, e se abraçaram. “Um grande santo nos deixou”5- disse São Bernardino quando partiu o superior. Ambos jesuítas, unidos desde aquele momento por uma amizade toda sobrenatural, veneravam-se mutuamente como santos.

Cardeal em nome da Santa Obediência
A fecunda atuação de São Roberto Belarmino na Cidade Eterna não se circunscrevia ao Colégio Romano, do qual passaria, em 1592, a ser Reitor. Entre outros encargos, foi ele teólogo do Papa Clemente VIII, consultor do Santo Ofício e teólogo da Penitenciária Apostólica. Fez também parte da comissão encarregada de preparar a edição clementina da Vulgata, versão oficial da Bíblia para o rito latino até 1979, quando foi substituída pela Neovulgata.

Sua nomeação como Cardeal era inevitável. Ele, porém, recusava-se a aceitar o cargo, alegando incompatibilidade com seus votos. Mas o Papa Clemente VIII o obrigou a aceitar em nome da Santa Obediência, afirmando: “Nós o elegemos porque não há na Igreja de Deus outro que lhe equipare em ciência e sabedoria”.6

Com o mesmo espírito religioso, desinteresse e abnegação que o caracterizaram até aquele momento, dedicou-se aos trabalhos, muitas vezes espinhosos, exigidos aos prelados romanos. Mas em 1602, Clemente VIII o liberou da pesada carga nomeando-o Arcebispo de Cápua, conferindo-lhe ele mesmo a ordenação episcopal.

À frente da Arquidiocese de Cápua  
Gozando já em vida de fama de santidade, o Cardeal Belarmino foi recebido na catedral com grande pompa e enorme concurso de fiéis, que tocavam nele medalhas e terços.

Seu governo começou por uma reforma geral do clero. Entrevistou-se em particular com cada um dos presbíteros, usando de bondade e firmeza evangélica para com os transviados. Manifestava-se disposto a perdoar os mais graves pecados aos arrependidos, mas mantinha uma inflexibilidade completa para com os recalcitrantes: aut vitam aut habitum – ou mudança de vida ou de hábito.

Na catedral, deu nova vida ao coro, participando ele próprio da recitação do Ofício. Dedicou-se com frequência à pregação, como era seu costume, usando deste meio para converter as almas. Visitou também todo o território da arquidiocese, estimulando a piedade dos fiéis e ajudando a reerguer os conventos decadentes. Mas, como bom filho de Santo Inácio, dava particular importância à formação: ele próprio ensinava o Catecismo nas paróquias e na catedral, aos domingos.

No meio de todas essas ocupações, sua vida espiritual era uma obra-prima de serenidade. Conseguia organizar seu tempo de modo a encontrar momentos para pensar, meditar, rezar, estudar, escrever, sem descuidar as obrigações para com seu rebanho. Pelo contrário, era do recolhimento e da oração que hauria as forças para a ação pastoral.

Que linda ilustração da tese de D. Chautard: o apostolado é o transbordamento da vida interior!

Eleição do novo Papa
Agrave; morte de Clemente VIII, o Cardeal Belarmino regressou a Roma para participar de um Conclave, pela primeira vez. O papa eleito foi Leão XI, falecido menos de um mês depois.

No segundo Conclave, São Roberto chegou a ter um bom número de votos. Mas, assim como recusara as honras de Cardeal, revela em sua Autobiografia haver pedido a Deus, naqueles dias, que fosse escolhido alguém mais apto, rezando com insistência: “Do Papado, livrai-me, Senhor!”.7

Eleito Paulo V, este o trouxe para junto de si, fazendo-o deixar definitivamente a Arquidiocese de Cápua. Ainda dezesseis anos passaria em Roma, desempenhando os mais altos cargos a serviço da Santa Sé e intervindo nos assuntos mais importantes, para cuja resolução exercia o seu parecer uma influência decisiva.

Serenidade na vida e na morte  
Ao sentir se aproximar a morte, São Roberto pediu ao recém-eleito Papa Gregório XV dispensa de todos os seus cargos na Cúria e retirou–se para o Noviciado de Santo André, no Quirinal, a fim de “esperar o Senhor”, como costumava dizer.

Ele chegou em 17 de setembro de 1621. Depois de curta enfermidade, tendo recebido a visita de muitas pessoas ilustres – incluindo o próprio Papa -, que lhe pediam um último conselho ou uma bênção, despediu-se desta terra com uma sereníssima morte.

Pio XI o canonizou em 29 de junho de 1930, e o declarou Doutor da Igreja no ano seguinte. Aquele que, durante a vida, com tanto empenho fugira de honras e dignidades, tornava-se assim o único jesuíta inscrito na lista dos santos como Cardeal e como Bispo.

(Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP; Revista Arautos do Evangelho, Set/2010, n. 105, p. 30 à 33)

A importância da oração do rosário em família

Oração

É fundamental que a família cristã reze o rosário todos os dias

Segundo uma tradição, São Domingos de Gusmão, espanhol, recebeu de Nossa Senhora a devoção do santo rosário, que ele rezava continuamente em suas caminhadas pela conversão dos hereges cátaros que agitavam a vida da Igreja na França.

Em suas aparições, em Fátima e Lourdes, Nossa Senhora pediu insistentemente aos videntes para que rezassem o terço sempre. Ela disse aos pastorinhos, em Fátima, que “não há problema de ordem pessoal, familiar, nacional e internacional, que o santo terço não possa ajudar a resolver”. Por isso, o terço e o rosário tornaram-se orações amadas pelo povo de Deus. O Papa João Paulo II disse que essa era “a sua oração predileta”; sempre o víamos rezando-a.

Bento XVI o recomendou fortemente. Disse: “O rosário é oração bíblica, toda tecida da Escritura Sagrada. É a oração do coração, em que a repetição da Ave-Maria orienta o pensamento e o afeto para com Cristo, tornando-se súplica confiante na nossa Mãe”.

“O terço, quando rezado de modo autêntico, não mecânico ou superficial, mas profundo, traz paz e reconciliação. Contém em si a potência curadora do nome santíssimo de Jesus, invocado com fé e com amor no centro de cada Ave-Maria” (05 de maio de 2008 -ZENIT.org).

Na sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 2005, São João Paulo II disse: “Uma oração tão fácil e, ao mesmo tempo, tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã”.

Muitos Papas recomendaram o rosário: Leão XIII, em 1883, na Encíclica Supremi apostolatus officio, apresentou-o como “um instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade”. São Pio V, em 1571, estabeleceu a invocação a Nossa Senhora do Rosário, como agradecimento à Virgem pela vitória da cristandade, na batalha de Lepanto, contra os turcos otomanos muçulmanos que pretendiam destruir o Cristianismo na Europa.

Além dos inúmeros Papas, também muitos santos se destacaram pelo amor ao rosário: São Luís Maria Grignion de Montfort, Santo Afonso de Ligório, São Pio de Pietrelcina e muitos outros. Essa devoção tem como base o fato de que, do alto da cruz, Jesus Cristo, num ato de amor, nos deu Maria como Mãe (cf. Jo 19,26). Se Jesus no-la deu como Mãe, é porque precisamos dela para nossa vida e salvação. Então, cada cristão e cada família cristã precisa da proteção materna de Nossa Senhora para enfrentar a luta da vida, as tentações, provações etc. A Igreja sempre ensinou que “família que reza unida permanece unida”, sobretudo quando reza o terço.

Na oração do santo rosário, a Virgem Maria nos ensina e nos anima na vida de Cristo, partilhando conosco aquelas coisas que “ela guardava no seu coração” (cf. Lc 2,52). “É uma oração contemplativa, não pode ser apenas uma repetição mecânica de fórmulas”, disse o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Marialis cultus.

Lembro-me, com saudade, de que minha mãe, todos os dias, reunia seus nove filhos, às 18h em ponto, para rezar o terço. Era algo que não falhava. Hoje, vejo todos os meus irmãos na Igreja, todos casados, nenhum separado. Não me lembro de um dia de desespero em nosso lar, embora tivéssemos todos os problemas que toda família tem. O santo terço diário foi sempre a nossa força, o nosso consolo. Nunca o deixei de rezar, mesmo nos meus tempos de cadete do Exército, durante três anos na Academia Militar.

Sobretudo hoje, em que se multiplicam os problemas e os pecados, a ofensa a Deus, e os filhos estão muito mais sujeitos aos maus exemplos, é fundamental que a família cristã reze, todos os dias, o santo terço para se colocar debaixo da poderosa intercessão de Nossa Senhora. Então, terão paz, mesmo neste mundo tão conturbado.

Prof. Felipe Aquino, é viúvo, pai de 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”. Site do Professor: http://www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Santo Evangelho (Mt 13, 18-23)

16ª Semana Comum – Sexta-feira 27/07/2018 

ANO PAR

Primeira Leitura (Jr 3,14-17)
Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

14”Convertei-vos, filhos, que vos tendes afastado de mim, diz o Senhor, pois eu sou vosso Senhor; vou tomar-vos, um de uma cidade e dois de uma família, e vos reconduzirei a Sião; 15eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentarão com clarividência e sabedoria. 16Quando vos tiverdes multiplicado e crescerdes na terra, naqueles dias, diz o Senhor, não se falará mais da ‘arca da aliança do Senhor’; ela não virá à memória de ninguém, não se lembrarão dela, não a procurarão nem fabricarão outra. 17Naquele tempo, chamarão Jerusalém Trono do Senhor, em torno dela se reunirão, em nome do Senhor, todos os povos; eles não se deixarão mais levar pelas inclinações de um coração mau”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Jr 31)

— O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.
— O Senhor nos guardará qual pastor a seu rebanho.

— Ouvi, nações, a palavra do Senhor e anunciai-a nas ilhas mais distantes: “Quem dispersou Israel, vai congregá-lo, e o guardará qual pastor a seu rebanho!”

— Pois, na verdade, o Senhor remiu Jacó e o libertou do poder do prepotente. Voltarão para o monte de Sião, entre brados e cantos de alegria afluirão para as bênçãos do Senhor.

— Então a virgem dançará alegremente, também o jovem e o velho exultarão; mudarei em alegria o seu luto, serei consolo e conforto após a guerra.

 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (Êx 20,1-17)
Leitura do Livro do Êxodo.

Naqueles dias, 1Deus pronunciou todas estas palavras: 2”Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não terás outros deuses além de mim. 4Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. 5Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, 6mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. 8Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, 10mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 11Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. 12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. 13Não matarás. 14Não cometerás adultério. 15Não furtarás. 16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 17Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 18)

— Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!
— Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!

— A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

— É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— Mais desejáveis do que o outro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

 

Evangelho (Mt 13,18-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Ouvi a parábola do semeador: 19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 23A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem outro sessenta e outro trinta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pantaleão, realizava milagrosas curas em nome de Jesus Cristo

São Pantaleão, realizava milagrosas curas em nome de Jesus Cristo, que suscitava a inveja em outros médicos

O santo de hoje viveu no séc. III e IV da era cristã, durante um período de intensa perseguição aos cristãos que não podiam professar a própria fé, pois o que predominava naquela época era o culto aos deuses pagãos.

Pantaleão era filho de Eustóquio, gentio e de Êubola, cristã. Sua mãe encaminhou-o na fé cristã. Após o falecimento de sua mãe, Pantaleão foi aplicado pelo pai aos estudos de retórica, filosofia e medicina.

Durante a perseguição, travou amizade com um sacerdote, exemplo de virtude, Hermolau, que o persuadiu de Nosso Senhor Jesus Cristo ser o autor da vida e o senhor da verdadeira saúde.

Um dia que se viu diante de uma criança morta por uma víbora, disse para consigo: “Agora verei se é verdade o que Hermolau me diz”. E, segundo isto, diz ao menino: “Em nome de Jesus Cristo, levanta-te; e tu, animal peçonhento, sofre o mal que fizeste”. Levantou-se a criança e a víbora ficou morta; em vista disso, Pantaleão converteu-se e recebeu logo o santo batismo.

Acabou sendo convocado pelo imperador Maximiano como seu médico pessoal. As milagrosas curas que em nome de Jesus Cristo realizava, suscitaram a inveja de outros médicos, que o acusaram de cristão perante o imperador que, por sua vez, o mandou ser amarrado a uma árvore e degolado.

Desta forma, assumindo a coroa do martírio, São Pantaleão passou desta vida para a vida eterna.

São Pantaleão, rogai por nós!

A força do amor

Maria Madalena nos ensina a sermos movidos pelo amor

Era bem de madrugada, ainda escuro, o silêncio e o frio daquele amanhecer denunciavam que algo diferente estava para acontecer. Madalena, no entanto, continuava a caminho, rompendo a escuridão da madrugada com passos apressados; ela tinha um destino certo. Seu coração, tomado pelo amor, não se deixava abalar nem mesmo pelos comentários das companheiras; para ela, eram ecos de preocupações momentâneas que não vinham ao caso: – “Quem vai tirar a pedra do túmulo?” Dizia uma. – “E os soldados romanos, o que vamos dizer para eles?” Comentava outra.

Madalena, no entanto, seguia em frente, era movida pelo amor, quem a poderia deter? Seu destino era o túmulo do amado Mestre. Queria prestar-Lhe a última homenagem, estar perto d’Ele e amá-Lo do seu jeito, como sempre inovador. Sim, ela sabia mais do que ninguém que Ele estava morto. Acompanhou Seus últimos passos neste mundo, esteve aos pés da cruz quando ele foi crucificado, viu onde colocaram Seu Corpo sem vida. Para ela não havia dúvidas, o Mestre estava morto e sepultado!

Mas é a força do amor que faz Madalena sair de madrugada, enfrentando o clima de perigo e perseguição daqueles dias, quando até os discípulos mais próximos de Jesus estavam escondidos e temerosos. Será que essa mulher de fé também não sentia medo, visto que seu Senhor já não poderia defendê-la das pedradas e julgamentos como fizera outrora? Provavelmente sim, mas o amor supera o medo!

Basta lembrarmos quantas vezes na vida já enfrentamos situações de perigo por esse sentimento nobre. Aliás, já foi muitas vezes provado que o “amor é a força mais poderosa que existe.” Por isso ele supera também o medo. Diz a Palavra que, quando Maria Madalena viu Jesus Ressuscitado, recebeu d’Ele a missão de comunicar a Boa Notícia aos discípulos e foi correndo ao encontro deles. E sabe o que aconteceu? Os discípulos tiveram dificuldade de acreditar nela. Julgaram ser tudo isso um delírio e não lhe deram atenção como narra o Evangelista João (cf. Jo 24, 11).

Eles tinham lá suas razões. Claro que lendo a narrativa nos dias de hoje, parece-nos um absurdo eles não terem acreditado na mesma hora e terem tomado parte da alegria de Madalena, mas  pensemos no contexto. Eles estavam inseguros, o Mestre em quem confiavam e esperavam que libertasse Israel havia sido crucificado e já fazia três dias. Estavam decepcionados e a decepção endurece o coração e o fecha à graça  das novidades. Não tinham mais referências, e só o que já passou pela dor da perda sabe como é difícil acreditar de novo quando tudo parece perdido.

Nessas horas, as palavras pouco resolvem, é preciso tempo, testemunho, decisão e amor para voltar a crer e contemplar milagres. Testemunho eles tinham, Madalena estava ali de viva voz afirmando: “Eu vi o Senhor!” Não há comentários sobre a insistência dela para que acreditassem no que dizia, mas imagino que não se deteve nisso. Naquela hora, mais importante do que acreditarem em suas palavras, era seu entusiasmo e a alegria em ter reencontrado o Mestre vitorioso, vencedor da morte!

E os discípulos? Como vemos na Sagrada Escritura, também tiverem seu momento de encontro com o Senhor Ressuscitado e acreditaram decididamente n’Ele, o ponto de a maioria deles ter dado a vida pela causa do Mestre. Mas foi a força revolucionária do amor que levou Maria Madalena, ainda de madrugada, ao sepulcro e a fez primeira testemunha da ressurreição. Porque o amor vence o medo, ultrapassa os preconceitos da razão, vai além das palavras e leva à ação. Maria Madalena e tantos outros seguidores de Jesus fizeram esta experiência e se tornaram sinais da Sua presença neste mundo.

Que hoje a luz de Cristo Ressuscitado ilumine nossos corações e nos faça também testemunhas da Sua Ressurreição a partir da nossa decisão de amar como Cristo nos amou. Esta força, sim, pode revolucionar o mundo!

Dijanira Silva
[email protected]
Apresentadora da Rádio CN FM 103.7 em Fátima Portugal

Papa Francisco: O mundo precisa de cristãos com um coração de filhos e não de escravos

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-o-mundo-precisa-de-cristaos-com-um-coracao-de-filhos-e-nao-de-escravos-21738
Papa durante a Audiência Geral. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 20 Jun. 18 / 09:25 am (ACI).- O Papa Francisco seguiu com suas catequeses sobre os Mandamentos e assinalou que o mundo não precisa de legalismos, mas de cristãos com o coração de filhos.

“Todo o cristianismo é a passagem da letra da Lei ao Espírito, que dá a vida”, sublinhou. “Jesus é a Palavra do Pai, não é a condenação do Pai”, explicou na Praça de São Pedro.

“Vê-se quando um homem ou uma mulher viveram esta passagem ou ainda não. As pessoas percebem se um cristão raciocina como filho ou como escravo. E nós mesmos recordamos se nossos educadores cuidaram de nós como pais e mães ou se só impuseram regras”.

Em sua nova catequese, afirmou que “na Bíblia os mandamentos não vivem por si mesmos, mas são parte de um relacionamento, o da Aliança entre Deus e seu povo”.

Francisco explicou que “a tradição hebraica chamará sempre Decálogo as Dez Palavras” e “o termo ‘decálogo’ quer dizer isso (palavras de vida) e tem forma de leis, mas são objetivamente mandamentos”.

O Papa explicou porque se usa na Escritura o termo “dez palavras” e não “dez mandamentos”. “A ordem – explicou – é uma comunicação que não requer diálogo. A palavra, pelo contrário, é o meio essencial da relação como diálogo. Deus Pai cria por meio da sua palavra, e o seu Filho é a Palavra feita carne. O amor nutre-se de palavras e assim a educação ou a colaboração. Duas pessoas que não se amam, não conseguem se comunicar”, mas “quando alguém fala ao nosso coração, nossa solidão termina”.

“Uma coisa é receber uma ordem, outra bem diferente é perceber que alguém fala conosco”, acrescentou.

Neste sentido, indicou que “um diálogo é muito mais do que a comunicação de uma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que se comunica entre eles que se querem bem por meio das palavras”.

O Pontífice recordou que “o Tentador quer enganar o homem e a mulher sobre este ponto: quer convencê-los de que Deus os proibiu de comer do fruto da árvore do bem e do mal para mantê-los submissos”.

“O desafio é justamente este: a primeira norma que Deus deu ao homem, é a imposição de um déspota que proíbe e obriga, ou é o cuidado de um pai que está cuidando os seus pequenos e os protege da autodestruição?”, perguntou-se.

“A mais trágica entre as mentiras que a serpente diz a Eva é a sugestão de uma divindade invejosa e possessiva” e “os fatos demonstram dramaticamente que a serpente mentiu”, sublinhou.

“O homem está diante desta encruzilhada: Deus me impõe as coisas ou cuida de mim? Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma palavra, para cuidar de mim? Deus é patrão ou Pai?”.

“Este combate, dentro e fora de nós, apresenta-se continuamente: mil vezes devemos escolher entre uma mentalidade de escravos e uma mentalidade de filhos. O Espírito Santo é um Espírito de filhos e o Espírito de Jesus”.

Francisco pontuou que “um espírito de escravos acolhe a Lei de modo opressivo e pode produzir dois resultados opostos: ou uma vida feita de deveres e de obrigações, ou uma reação violenta de rejeição”.

A corrupção é pior que o pecado

O corrupto se cansa de pedir perdão e por isso precisa ser curado
http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/noticias/papa-francisco-a-corrupcao-e-pior-que-o-pecado-656001

A corrupção é o mato da nossa época, que se alimenta de aparência e aceitação social, cresce como medida da ação moral e pode consumir a partir de dentro, em uma atitude de “mundanidade espiritual”, quando não “esclerose do coração”, até mesmo na própria Igreja. E se para o pecado existe perdão, para a corrupção, não. Por isso, a corrupção precisa ser curada.

Esta é a crítica mordaz e impiedosa que emerge de algumas páginas escritas em 2005 por Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, cujo texto foi agora publicado em um livro, “A cura da corrupção”, publicado pela primeira vez em italiano (Editora Missionária Italiana).

Pecado e corrupção

Em seu afresco de cores fortes, Bergoglio explica desde o início que a corrupção está intimamente ligada ao pecado, mas é diferente dele. Na verdade, a corrupção é “não um ato, mas um estado, um estado pessoal e social no qual a pessoa se acostuma a viver”, por meio de hábitos que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar.

Bergoglio resume as principais características desta praga:

1) Imanência. A corrupção tende a gerar uma “verdadeira cultura, com capacidade doutrinal, linguagem própria, jeito próprio de agir”, tornando-se uma “cultura de subtração”. O caminho que levou do pecado à corrupção é um processo de substituição de Deus pelas próprias forças. A gênese pode ser atribuída a um “cansaço da transcendência: frente a um Deus que não se cansa de perdoar, o corrupto se levanta como autossuficiente na expressão de sua salvação: está cansado de pedir perdão”.

2) Boas maneiras. Esta autossuficiência humana, que reflete a atitude do coração com relação a um tesouro que o seduz, tranquiliza e engana, é uma transcendência frívola. Na corrupção, de fato, prevalece uma espécie de imprudência modesta; cria-se um culto às boas maneiras para encobrir os maus hábitos. O corrupto é um acrobata da delicadeza, campeão das boas maneiras. Enquanto “o pecador, reconhecido como tal, de alguma forma, admite a falsidade do tesouro ao qual aderiu ou adere, o corrupto, no entanto, submeteu seu vício a um curso intensivo de boas maneiras”.

3) Medida moral. “O corrupto – escreve Bergoglio – sempre tem necessidade de se comparar com aqueles que parecem ser coerentes em suas vidas (mesmo quando se trata da coerência do publicado que se confessa pecador).” Uma de suas características é a forma como se justifica, apresentando as suas boas maneiras como opostas a situações de pecado extremo ou fruto de caricatura, e assim se levanta para julgar os outros, tornando-se medida de comportamento moral.

4) Triunfalismo. “O triunfalismo é o terreno ideal para o comportamento corrupto.” A este respeito, o teólogo Henri de Lubac fala da ambição e da frivolidade que podem esconder-se na “mundanidade espiritual”, a tentação mais perversa, que concebe como ideal moral o homem e seu aperfeiçoamento, e não a glória de Deus. Segundo Bergoglio, a mundanidade espiritual “nada mais é do que a vitória daqueles que confiam no triunfalismo da capacidade humana; o humanismo pagão adaptado ao bom senso cristão”.

5) Cumplicidade. “O corrupto não conhece a fraternidade ou a amizade, mas só a cumplicidade”; tende a arrastar todos à sua própria medida moral. Os outros são cúmplices ou inimigos. “A corrupção é o proselitista. Ela se disfarça de comportamento socialmente aceitável”, como Pilatos, “que faz de conta que o problema não lhe diz respeito, e por isso lava as mãos, mesmo que no fundo seja para defender a sua zona corrupta de adesão ao poder a qualquer preço”.

A corrupção do religioso

Bergoglio faz, então, uma análise muito lúcida do estado de corrupção cotidiana que lentamente faz a vida religiosa encalhar. É uma espécie de paralisia que ocorre quando uma alma se adapta a viver tranquilamente em paz.

No início, existe “o medo de que Deus nos conduza a caminhos que não podemos controlar”. Mas ao fazer isso, explica Bergoglio, “os horizontes se encolhem à medida da própria desolação ou quietismo. A pessoa teme a ilusão e prefere o realismo do menos à promessa do mais”. Aqui se esconde o perigo, porque, “na preferência pelo menos, que parece mais realista, já existe um processo sutil de corrupção: começa a mediocridade e a tibieza (duas formas de corrupção espiritual)”, um caminho inclinado que leva ao desânimo da alma e a uma lenta, mas definitiva esclerose do coração.

É por isso que a alma se apega a todos os produtos que o supermercado do consumismo religioso lhe oferece, tendendo talvez a interpretar a vida consagrada como uma realização imanente de sua personalidade, buscando a realização profissional ao se deliciar com a estima alheia, ou se dedicando a uma intensa vida social. Daí o convite do então arcebispo de Buenos Aires: “A nossa indigência deve se esforçar um pouco para abrir espaço à transcendência”, porque “o Senhor nunca se cansa de chamar: não tenha medo. Não ter medo de quê? Não ter medo da esperança, porque a esperança não decepciona”.

A Oração Une os dois Sagrados Corações, por Amor a Você!

Por Padre Luizinho

“Se você está cansado /
sem lugar pra repousar
Venha ao Coração Sagrado de Jesus que aberto está  Pode então entrar /
até descansar teu Deus ai espera e quer te amar
Curar tuas feridas, tirar a solidão /
reconstruir com selo tudo que está no chão.
Te dá muito carinho, alegre-se irmão felicidade não é ilusão”
(Com. Recado).

O Coração de Jesus é fornalha ardente de amor. Ele é o Pastor Divino, que nos ama com o coração humano. Cuida de nós, suas ovelhas, como Deus cuidaria, nos coloca em seus ombros lugar de repouso, refúgio e salvação. Onde eu posso descansar seguro, sem medo e sabendo que todas as minhas feridas serão tratadas. Seu Coração diz pra mim: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Cf. Mt 11,28-29). Como os nossos corações têm saudade desse lugar, precisamos nos deixar vencer, eu tenho saudade de Deus! Sejamos como os pássaros, façamos o nosso ninho na fenda da rocha, Jesus é a rocha e a fenda é o seu Coração aberto de onde choram Sangue e água. Fonte inesgotável de vida, de Santidade, lugar de cura e libertação para nós, oh inesgotável Mistério de Amor e misericórdia escondido em forma de coração humano, mas só poderia ser Divino.

No Coração de Jesus cumpre-se a profecia de Ezequiel 37,26-27: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Tirarei de vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. Esse coração novo é o coração de Cristo, Nele revela-se neste maravilhoso Mistério: Deus tem um coração! Coração aberto na cruz pelo soldado é o manancial da salvação, onde nasceu a Igreja, os sacramentos, sangue e água saíram para curar nossas doenças, para matar a nossa sede, sede de Deus, sede de Amor, pois Deus tem um coração ferido de amor por mim e por você.   Os filhos de Deus nascem do amor, nascem do Coração de Jesus. E pelo toque do Espírito Santo, reconhecemos que ele nos ama. NELE está o poder de conferir a vida divina a nós pobres mortais, que em Deus encontramos o elixir da vida eterna, pois o homem tem desejo de eternidade e só a encontra no coração de Deus. Esta realidade me aproxima de Deus, saber que ele tem um coração igual ao meu, sem duvida divino, mas humano, torna reais as possibilidades de ter um coração igual ao Dele: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

Acorramos com vivo desejo a esta fonte de vida, depositemos na fenda do coração de Jesus os nossos pecados, desejos e aspirações, nossas necessidades e feridas e descansemos nesta fornalha ardente de amor. Peçamos a Deus que tenhamos o coração ferido do mesmo amor que abrasa o Coração de seu Filho Jesus, hoje eu coloco você, sua vida e suas intenções neste rio que vem trazer alegria, conforto e esperança e descansemos nestes prados verdejantes que é o Coração de Jesus.

Rezemos com a Igreja: “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber desta fonte de vida, uma torrente de graças. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade dom Espírito Santo”.

A Oração Une os dois Sagrados Corações, de Jesus e de Maria:

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Cf. Mt 11,28).

A Igreja celebra a solenidade do SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, fonte de onde jorrou toda justificação e salvação dos nossos pecados. Coração Humano e Divino, mistério aberto na cruz, nascente de água viva e causa de nossa cura e libertação. O Sagrado Coração de Jesus é abismo da misericórdia para nós. No sábado, a Igreja simultaneamente uniu os dois corações, celebra-se o IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA. Esse Imaculado Coração esta prestes a triunfar sobre todo mal, é refugio para os pecadores e para aqueles que buscam a cura no seu Filho Jesus. Na celebração da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus a Igreja reza em particular pela santificação dos sacerdotes.

Quero apresentar para você um terço que uni os Dois Corações a clamar pela nossa cura interior e libertação de todo o mal, que aprendi em um precioso retiro:   No inicio reza-se 1 Pai Nosso, 3 Ave-Marias e Glória.

Nas contas do Pai Nosso reza-se: “Na inocência de minh’alma entrego-me inteiramente a Vós e de Vós tudo espero, ó Sacratíssimos Corações de Jesus e Maria”.

Nas contas das Ave-Marias, em cada dezena reza-se 10 vezes clamando a cura e a libertação:
1° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: curai-nos com Vosso Amor.
2° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: curai os que estão caídos pelo caminho.
3° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: ensinai-nos a amar como Vós amais.
4° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: ensinai-nos a amar para curar.
5° Dezena: Ó Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria: ajudai-nos a amar o que o Pai ama, querer o que Ele quer e rejeitar todo o mal.

Oração Final: Ofereço-vos, ó meu Deus, neste dia, em união com o Santíssimo Coração de Jesus, por meio do Imaculado Coração de Maria, as orações e o trabalho, as alegrias e o descanso, as dificuldades e os sofrimentos desta vida, em reparação das nossas ofensas, e por todas as intenções, pelos quais o mesmo Divino Coração está continuamente a interceder e a sacrificar-se por nós em nossos altares. Eu Vos ofereço, em particular, pelas intenções da Vossa Santa Igreja, pela santificação do clero e por nossa Comunidade e nossa família. Amém.

A Verdadeira felicidade está no manancial dos Corações de Jesus e de Maria.

Ser mãe, vocação do amor

Tarefa exigente, árdua, mas recompensadora

A palavra ‘mãe’ traz significados intensos ao nosso imaginário: as lembranças boas, as dificuldades, as brigas em família, o apoio, o abraço ou o desejo pelo carinho que nunca aconteceu. Todos esses pensamentos nos levam a perceber a vocação de uma mãe: amor incondicional e presente.

A vocação de ser mãe é muito mais do que gerar biologicamente uma pessoa, é cuidar amorosamente de alguém que tomou para si como filho. Mais do que o fruto do seu ventre, ser mãe é tomar para si a responsabilidade pela vida, pela educação, pela criação de alguém.

A mãe dos nossos tempos enfrenta todas as adversidades e desafios que a sociedade lhe impõe, mas seu amor é fiel e ela é zelosa na missão que escolheu e com a qual foi presenteada. É por isso que, hoje, a lembrança vai para a mulher que é mãe nas mais diversas situações: aquela que gerou o filho em seu ventre e aquela que é mãe do coração – a qual optou pela adoção como gesto doação e entrega -; a mãe espiritual, que dobra seus joelhos e intercede por seus filhos; aquela que, mesmo não tendo filhos, cuida das pessoas como se fossem, de fato, seus filhos.

Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro. Uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem planos para a maternidade. Mas vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?.

Lembro-me sempre de Gianna Beretta Molla, santa, médica, mãe de família, esposa, fiel a Deus, orante e tendo Virgem Maria como exemplo para sua vida. Uma mulher que, como tantas outras dos nossos dias, teve uma rotina que exigiu dela um desdobramento em muitos papéis. Um mulher, uma santa contemporânea; mulher do nosso tempo, que, mesmo tendo filhos e uma profissão, teve o desprendimento, a dedicação e uma opção: ter Deus como o centro da sua família. Gianna não deixou de lado seus valores e, no momento mais difícil de sua vida, optou, dentre sua vida e a do seu filho, que ele nascesse, mesmo que o risco fosse a morte da mãe. Nem mesmo a possibilidade de deixar seus outros filhos a fez abandonar seu projeto de vida.

Ser mãe é uma tarefa exigente, árdua, recompensadora, mas gera medo, ansiedade, expectativa por cumprir este papel de forma favorável. É muito importante ter em mente que ser mãe é algo que se aprende, e não existe a mãe ideal. Há a mãe que erra, mas tem, em seu desejo mais íntimo, a vontade de acertar. Ser mãe é aprender, a cada dia, a renovar, reciclar, crescer, retomar, cair e levantar, apoiar, ser o ombro, o colo e o calor.

Santa Gianna escreveu, numa oportunidade, uma linda descrição do papel da mãe: “Toda vocação é vocação à maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da vida. O sacerdote é pai; e as irmãs são mães de almas.

Os limites de uma mãe são testados a todo momento, passando por situações que jamais imaginaria. Por isto, é tão importante não se fechar em suas dificuldades, mas buscar apoio, conversar, ler e conviver com este contínuo aprendizado. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que lhe seja dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!

Que as palavras de Santa Gianna Beretta Molla possam também estar presentes em sua vida, mãe, sempre que as dificuldades de sua missão baterem à sua porta: “Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não se apague jamais” .

Parabéns, mãe, por sua vocação!

Elaine Ribeiro
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