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Santo Evangelho (Mt 13, 18-23)

16ª Semana Comum – Sexta-feira 28/07/2017 

Primeira Leitura (Êx 20,1-17)
Leitura do Livro do Êxodo.

Naqueles dias, 1Deus pronunciou todas estas palavras: 2”Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não terás outros deuses além de mim. 4Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, debaixo da terra. 5Não te prostrarás diante destes deuses nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, 6mas uso da misericórdia por mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos. 7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão. 8Lembra-te de santificar o dia de sábado. 9Trabalharás durante seis dias e farás todos os teus trabalhos, 10mas o sétimo dia é sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. 11Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. 12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. 13Não matarás. 14Não cometerás adultério. 15Não furtarás. 16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. 17Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 18)

— Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!
— Senhor, só tu tens palavras de vida eterna!

— A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

— É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— Mais desejáveis do que o outro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

 

Evangelho (Mt 13,18-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 18“Ouvi a parábola do semeador: 19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. 20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo. 22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. 23A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem outro sessenta e outro trinta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Celestino, usou muito bem o cajado da justiça e paz

Fez de tudo para condenar o erro e o pecado sem deixar de amar o errado e o pecador

Com satisfação nós lembramos da santidade do Papa Celestino I, que governou a Igreja dos anos 422 até 432. Ele nasceu na Itália e, ao ser escolhido para governar a Igreja de Cristo, usou muito bem o cajado da justiça e paz.

No tempo dele havia a auto-suficiência do Pelagianismo que, embora condenado no Concílio de Cartago, perdurava querendo “contaminar” os cristãos, pois afirmava uma “auto salvação”.

Combatente também contra a heresia do Nestorianismo – que afirmava ter Jesus duas naturezas e duas pessoas – São Celestino fez de tudo para condenar o erro e o pecado sem deixar de amar o errado e o pecador; assim viveu na santidade, até entrar na eterna casa dos santos em 432.

São Celestino, rogai por nós!

 

Jesus não se impõe, mas se propõe doando-se

Papa Francisco no Angelus deste domingo

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (16/7/2017), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice disse que “quando Jesus falava usava uma linguagem simples e usava também imagens que eram exemplo de vida cotidiana a fim de ser compreendido facilmente por todos. Por isso, as pessoas o ouviam com boa vontade e apreciavam a sua mensagem que chegava diretamente ao coração”.

Não era uma linguagem complicada de entender como as dos doutores da lei daquele tempo, que não se entendia muito bem, pois “era cheia de rigidez e distanciava as pessoas”. “Com essa linguagem, Jesus faz entender o mistério do Reino de Deus. Não era uma teologia complicada e o exemplo disso nos é apresentado no Evangelho de hoje.”

Generosidade

“O semeador é Jesus. Observamos que com essa imagem, Ele se apresenta com um que não se impõe, mas se propõe. Não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se. Ele propaga com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola ou uma emboscada, mas uma semente que pode dar fruto”, disse Francisco, se estivermos dispostos a acolhê-la.

“Portanto, a parábola diz respeito sobretudo a nós. De fato, fala mais do terreno que do semeador. Jesus faz, por assim dizer, uma radiografia espiritual do nosso coração, que é o terreno sobre o qual cai a semente da Palavra. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto, mas pode ser também duro, impermeável. Isso acontece quando ouvimos a Palavra, mas ele bate com força sobre nós, como numa estrada.”

Coração superficial

Entre o terreno bom e a estrada existem dois terrenos intermédios que, de várias medidas, podem existir em nós.

“O primeiro é o pedregoso. Vamos imaginá-lo! Um terreno pedregoso é um terreno onde não há muita terra. A semente germina, mas não consegue se enraizar profundamente. Assim, é o coração superficial, que acolhe o Senhor, quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, se cansa e nunca decola. É um coração sem consistência onde as pedras da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Quem acolhe o Senhor somente quando quer, não dá fruto.”

Vícios

Depois, há o último terreno, o espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas.

“O que essas sarças representam? «A preocupação do mundo e a sedução da riqueza», diz Jesus. As sarças são os vícios que lutam com Deus, que sufocam a presença: sobretudo os ídolos da riqueza mundana, o viver com avidez, para si mesmo, para o ter e o poder. Se cultivamos essas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas pequenas ou grandes sarças que não agradam a Deus e impedem de ter um coração limpo. É preciso arrancá-las, caso contrário a Palavra não dá fruto.”

O Papa disse ainda que “Jesus nos convida hoje a nos olhar por dentro, a agradecer pelo nosso terreno bom e a trabalhar os terrenos que ainda não são bons. Perguntemo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. Perguntemo-nos se em nós as pedras da preguiça são ainda numerosas e grandes. Devemos encontrar e chamar por nome as sarças dos vícios. Encontremos a coragem de recuperar o terreno, levando ao Senhor na confissão e na oração as nossas pedras e nossas sarças”.

Purificar o coração

“Ao fazer isso”, sublinhou Francisco, “Jesus, o Bom semeador, ficará feliz de realizar um trabalho adicional: purificar os nossos corações, removendo as pedras e os espinhos que sufocam a sua Palavra”.

O Papa pediu à Virgem Maria, que hoje recordamos com o título de Nossa Senhora do Carmo, para que nos ajude a purificar o coração e conservar nele a presença do Senhor.

Saudações

Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre saudou todos os fiéis de Roma, os peregrinos de várias partes do mundo, famílias, grupos paroquias e associações.

Saudou de modo particular as Irmãs de Nossa Senhora das Dores que celebram 50 anos da aprovação pontifícia do instituto. Saudou também as Irmãs Franciscanas de São José que comemoram 150 anos de fundação, os diretores e hóspedes da “Domus Croata” de Roma, no 30° aniversário de sua instituição.

O Papa dirigiu uma saudação especial à comunidade católica da Venezuela, presente na Itália, renovando sua oração por esse “amado país”. (MJ)

Um Cristão, se não é revolucionário, neste tempo, não é Cristão

Uma reflexão sobre os protestos no Brasil a luz da revolução proposta por Francisco

São Paulo,  26 de Junho de 2013  (Zenit.org)  Alexandre Varela

No discurso aos participantes da Assembleia Diocesana de Roma, na semana passada (17/06/2013), o Santo Padre nos falou sobre a grande Revolução de Cristo, da qual todos devemos participar. Mas por uma incrível “coincidência” (o Espírito sabe das coisas), coincidiu com a onda de protestos aqui no Brasil. E, como não poderia deixar de ser, muitos utilizaram a declaração do Papa apenas como chamado para as passeatas que vimos acontecer nas principais cidades do país.  Mas a verdadeira revolução é muito maior.

“Um cristão, se não é revolucionário, neste tempo, não é cristão” (Papa Francisco)

Essa frase circulou pela internet e serviu de base para muitos discursos inflamados em que, sobretudo os jovens, conclamavam os católicos a saírem às ruas em apoio aos protestos que ocorreram quase diariamente.  E toda essa mobilização tinha um ponto de partida muito justo: o imenso desejo de verdade e justiça dentro do coração de todos nós.  Toda aquela multidão que lotou as ruas do país nestes dias históricos trazia em cada cartaz, em cada palavra de ordem, a esperança de encontrar uma resposta que respondesse a todos estes anseios.  Era, no fundo, um grande grito de milhares de corações desejosos de algo maior.

E justamente por isso, vale a pena contextualizar melhor esta declaração e entender que Francisco nos pedia muito mais do que simplesmente protestar.

“Houve muitos revolucionários na história, tantos, mas nenhum teve a força desta revolução que nos trouxe Jesus: uma revolução para transformar a história, uma revolução que muda em profundidade o coração do homem” (Papa Francisco)

Essa é a verdadeira revolução! Aquela que muda por dentro. E a partir daí, muda o mundo inteiro. A revolução de Cristo é aquela que dá sentido ao vazio que todos sentimos no peito e que tentamos preencher com tantas e tantas distrações, incluindo aquelas ideologias que nos fazem ir às ruas para salvar o mundo, só pra perceber que não salvamos nem a nós mesmos.

Revolução significa mudança de direção. Exatamente o mesmo sentido de outra palavra bem conhecida de todos nós: “Conversão”. A Revolução de Cristo significa Conversão. E se um Cristão não se converte todos os dias, se não é capaz de perceber a presença de Cristo na vida e na realidade, se não se sente tocado por isso, não é Cristão.

Essa é a revolução a partir da qual tudo muda. É por isso que a Igreja Católica é a maior organização de caridade do mundo. É por isso que nossos missionários formam o maior exército de auxílio aos necessitados da África e de diversos campos de refugiados. É por isso que, dentro da sua paróquia, existem tantas pastorais e serviços cuja única função e ajudar o próximo. Não é porque somos bonzinhos. É porque sabemos o verdadeiro valor de cada pessoa. É porque sabemos onde está o verdadeiro sentido da vida e da realidade. E não está nas ideologias, mas em Cristo.

É Cristo que nos tira da mediocridade e nos faz grandes. É Ele que abre nossos olhos para a realidade e para nós mesmos.

É por isso que a Igreja Católica mudou o mundo nestes 2000 anos. Muito mais do que qualquer partido político ou ideologia. Essa é a verdadeira revolução.

Alexandre Varela é catequista de Crisma, coordenador do Vozes Católicas Brasil e, junto com sua esposa, Viviane da Silva, é fundador e editor do blog: O Catequista. (www.ocatequista.com.br).

Um coração cheio de Deus

A conversão autêntica é inseparável da alegria

“Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e uma doçura que inebriam e uma luz maravilhosa que o envolve”. (Santo Cura d’Ars (1))

São Pedro Apóstolo, de forma magistral, nos aconselha: “Santificai Cristo em vossos corações” (1Pd 3,15). Sim, quando nosso coração está santificado e pronto para entronizar Cristo como Senhor (1Pd 3,15), a nossa vida está totalmente pronta para viver a alegria de Jesus (Lc 6,45).

Em nosso coração não há espaço para outra coisa senão para o amor de Jesus (Jo 14,21) que nos é derramado pelo Espírito Santo (Rm 5,5). Desse modo, temos um novo coração (Ez 36,26) cheio de uma alegria que ninguém pode tirar de nós (Jo 16,22).

Alguém da sua casa, do seu círculo de amizades, do seu trabalho, ou da sua escola já perguntou o motivo da esperança e da alegria que você tem demonstrado (1Pd 3,15)? Você acha estranha esta pergunta? Saiba que a nossa vida em Cristo e o nosso amor por Ele não conseguem ser mantidos apenas dentro do nosso coração santificado, pois eles se avolumam e extravasam pelo nosso corpo todo. Essa alegria transbordante flui por meio de nós (cf. Jo 7,38; 4,14) e vai contagiar esse mundo triste, ressequido e carente das águas vivificantes do Espírito Santo (cf. S1 63,2).

Amados irmãos e irmãs, vamos santificar Jesus em nossos corações (cf. 1Pd 3,15). Vamos dar testemunho, com nossas palavras e com nossas ações, da alegria que há em nossos corações (Lc 6,45). Vamos motivar as pessoas a buscar Jesus e encontrar a Sua alegria (Fm 20).

“Para São João Bosco, a conversão autêntica é inseparável da alegria; nem pode ser diferente, pois consiste em acolher Jesus e o Seu Santo Evangelho de que Deus é o nosso Pai e nos ama para sempre”.

Padre Inácio José do Vale

Santo Evangelho (Mt 5, 27-32)

10ª Semana Comum – Sexta-feira 16/06/2017

Primeira Leitura (2Cor 4,7-15)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos, 7 trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós. 8 Somos afligidos de todos os lados, mas não vencidos pela angústia; postos entre os maiores apuros, mas sem perder a esperança; 9 perseguidos, mas não desamparados; derrubados, mas não aniquilados; 10 por toda a parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos. 11 De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. 12 Assim, a morte age em nós, enquanto a vida age em vós. 13 Mas, sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, 14 certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos porá a seu lado, juntamente convosco. 15 E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 115,10-18)

— Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor.
— Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor.

— Guardei a minha fé, mesmo dizendo: “É demais o sofrimento em minha vida!” Confiei, quando dizia na aflição: “Todo homem é mentiroso! Todo homem!”

— É sentida por demais pelo Senhor a morte de seus santos, seus amigos. Eis que sou o vosso servo, ó Senhor, vosso servo que nasceu de vossa serva; mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

— Por isso oferto um sacrifício de louvor, invocando o nome santo do Senhor. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor na presença de seu povo reunido.

 

Evangelho (Mt 5,27-32)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 27 “Ouvistes o que foi dito: ‘Não cometerás adultério’. 28 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possuí-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. 29 Se o teu olho direito é para ti ocasião de pecado, arranca-o e joga-o para longe de ti! De fato, é melhor perder um de teus membros, do que todo o teu corpo ser jogado no inferno. 30 Se tua mão direita é para ti ocasião de pecado, corta-a e joga-a para longe de ti! De fato, é melhor perder um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. 31 Foi dito também: ‘Quem se divorciar de sua mulher, dê-lhe uma certidão de divórcio’. 32 Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se divorcia de sua mulher, a não ser por motivo de união irregular, faz com que ela se torne adúltera; e quem se casa com a mulher divorciada comete adultério”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Francisco Régis, fez inúmeras obras sociais

Evangelizava as aldeias durante o inverno e, no verão as cidades, nestes lugares colocava todo o seu zelo

O santo de hoje nasceu no ano de 1597 numa aldeia francesa. Muito cedo recebeu a graça de ser despertado para o chamado a santidade. Quando Francisco foi estudar no colégio dos Jesuítas, formou um grupo de rapazes dispostos a viverem o Evangelho. Ao entrar para a Companhia de Jesus, que fazia um lindo trabalho missionário, conseguiu ele ser exemplar em todas as etapas de sua formação que desembocou no exercício do ministério sacerdotal. Como padre priorizou a assistência aos doentes atingidos por uma peste crescente e desejou evangelizar as terras da América, Índia – coisa que não aconteceu – já que foi enviado para uma região desassistida da França.

Francisco Régis buscava evangelizar as aldeias durante o inverno e, no verão as cidades, nestes lugares colocava todo o seu zelo nos púlpitos, confessionários e nos atendimentos aos doentes. Aconteceu que, impelido pelo Espírito da Caridade, fez inúmeras obras sociais visando as crianças abandonadas e os jovens, isto perdurou até completar 45 anos, quando pôde dizer: “Que felicidade poder morrer, pois vejo Jesus e Maria vindo ao meu encontro para me conduzir à terra dos eleitos”.

São Francisco Régis, rogai por nós!

Santo Evangelho (Mt 5, 1-12)

10ª Semana do Tempo Comum – Segunda-feira 12/06/2017 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (2Cor 1,1-7)
Início da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios.

1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por vontade de Deus e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos que se encontram em toda a Acaia: 2para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 3Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação. 4Ele nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição. 5Pois, à medida que os sofrimentos de Cristo crescem para nós, cresce também a nossa consolação por Cristo. 6Se estamos em aflições, é para a vossa consolação e salvação; se somos consolados, é para a vossa consolação. E essa consolação sustenta a vossa paciência em meio aos mesmos sofrimentos que nós também padecemos. 7E a nossa esperança a vosso respeito é firme, pois sabemos que, assim como participais dos nossos sofrimentos, participais também da nossa consolação.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— Provai e vede quão suave é o Senhor!
— Provai e vede quão suave é o Senhor!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

— O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

 

ANO PAR

Primeira Leitura (1Rs 17,1-6)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis.

Naqueles dias, 1o profeta Elias, tesbita de Tesbi de Galaad, disse a Acab: “Pela vida do Senhor, o Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos nem orvalho nem chuva, senão quando eu disser!” 2E a palavra do Senhor foi di­rigida a Elias nestes termos: 3“Parte daqui e toma a direção do oriente. Vai esconder-te junto à torrente de Carit, que está defronte ao Jordão. 4Lá beberás da torrente. E eu ordenei aos corvos que te deem alimento”. 5Elias partiu e fez como o Senhor lhe tinha ordenado, e foi morar junto à torrente de Carit, que está defronte do Jordão. 6Os corvos traziam-lhe pão e carne, tanto de manhã como de tarde, e ele bebia da torrente.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 120)

— Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!
— Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!

— Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde pode vir o meu socorro? “Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!”

— Ele não deixa tropeçarem os meus pés, e não dorme quem te guarda e te vigia. Oh! não! ele não dorme nem cochila, aquele que é o guarda de Israel!

— O Senhor é o teu guarda, o teu vigia, é uma sombra protetora à tua direita. Não vai ferir-te o sol durante o dia, nem a lua através de toda a noite.

— O Senhor te guardará de todo o mal, ele mesmo vai cuidar da tua vida! Deus te guarda na partida e na chegada. Ele te guarda desde agora e para sempre!

 

Evangelho (Mt 5,1-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo: 1Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão sa­ciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Do mesmo modo perseguiram os profetas que vieram antes de vós.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Gaspar de Búfalo, anjo da paz 

O povo o chamava de “anjo da paz”, devido suas pregações serem pacíficas e caridosas

Gaspar nasceu no dia 6 de janeiro de 1786, em Roma. Filho de Antônio e Anunciata Quarteroni. Foi companheiro de Vicente Strambi nas missões, o qual o definia como “terremoto espiritual”. O povo o chamava de “anjo da paz”, devido suas pregações serem pacíficas e caridosas. Com estas armas da paz e da caridade conseguiu conter os bandidos que proliferavam nas periferias de Roma.

O Papa Leão XII recorreu a Gaspar de Búfalo devido a proliferação do banditismo, o qual, conseguiu amansar os mais temíveis bandidos. O Papa João XXIII definiu-lhe como: “Glória toda resplandecente do clero romano, verdadeiro e maior apóstolo da devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus no mundo”. Em 1810, uma piedosa religiosa dizia que surgiria um zeloso sacerdote que sacudiria o povo da sua indiferença, mediante a propagação da devoção ao Precioso Sangue de Cristo. Naquele ano Gaspar de Búfalo, com dois anos de sacerdócio, tinha sido preso por ter rejeitado o juramento de fidelidade a Napoleão. Libertado do cárcere, após a queda de Napoleão, Gaspar recebeu de Pio VII a incumbência de se dedicar às missões populares pela restauração religiosa e moral do Estado Pontifício. Ele empreendeu essa nova cruzada em nome do Precioso Sangue de Jesus, tornando-se o ardoroso apóstolo desta devoção.

Faleceu no dia 28 de dezembro de 1837, em Roma, em um quarto em cima do Teatro Marcelo, São Vicente Palloti, seu contemporâneo, teve a visão de sua alma que subia ao encontro de Cristo, como uma estrela luminosa. A fama de sua santidade não demorou a atingir o mundo todo. Beatificado em 1904, foi canonizado por Pio XII em 1954.

São Gaspar de Búfalo, rogai por nós!

Papa: o Espírito cria a verdadeira unidade, a unidade na diferença

“Peçamos a graça de tornar o rosto da nossa Mãe Igreja cada vez mais belo, renovando-nos com o perdão e corrigindo-nos a nós mesmos” – REUTERS

Cidade do Vaticano (RV) – O Espírito traz duas novidades: um povo novo e um coração novo. E para termos a unidade segundo Deus, isto é, na diferença, devemos evitar duas tentações: “procurar a diversidade sem a unidade e procurar a unidade sem a diversidade”.

Palavras do Papa Francisco ao presidir na manhã deste domingo (04/6/2017) na Praça São Pedro a celebração eucarística da Solenidade de Pentecostes.

“As Leituras de hoje – observou em sua homilia – nos mostram duas novidades: na primeira, o Espírito faz dos discípulos um povo novo; depois, cria nos discípulos um coração novo”.

Ao falar sobre o “povo novo”, o Santo Padre recorda a passagem dos Atos dos Apóstolos que descreve a ação do Espírito Santo quando desce sobre os Apóstolos reunidos no Cenáculo: “primeiro ele pousa em cada um e depois, coloca todos em comunicação. A cada um dá um dom e coloca todos na unidade”:

“Em outras palavras, o mesmo Espírito cria a diversidade e a unidade e, assim, molda um povo novo, diversificado e unido: a Igreja universal. Em primeiro lugar, com fantasia e imprevisibilidade, cria a diversidade; com efeito, em cada época, faz florescer carismas novos e variados. Depois, o mesmo Espírito realiza a unidade: liga, reúne, recompõe a harmonia”.

E assim, “temos a unidade verdadeira, a unidade segundo Deus, que não é uniformidade, mas unidade na diferença”, enfatizou o Pontífice, dizendo que para se conseguir isto, devemos evitar duas tentações frequentes: procurar a diversidade sem a unidade e a unidade sem a diversidade:

“A primeira é procurar a diversidade sem a unidade. Sucede quando se quer distinguir, quando se formam coligações e partidos, quando se obstina em posições excludentes, quando se fecha nos próprios particularismos, porventura considerando-se os melhores ou aqueles que têm sempre razão. Desta maneira escolhe-se a parte, não o todo, pertencer primeiro a isto ou àquilo e só depois à Igreja; tornam-se «adeptos» em vez de irmãos e irmãs no mesmo Espírito; cristãos «de direita ou de esquerda» antes de o ser de Jesus; inflexíveis guardiães do passado ou vanguardistas do futuro em vez de filhos humildes e agradecidos da Igreja”.

E se corre o risco da tentação oposta, isto é, procurar a unidade sem a diversidade:

“Mas, deste modo, a unidade torna-se uniformidade, obrigação de fazer tudo juntos e tudo igual, de pensar todos sempre do mesmo modo. Assim, a unidade acaba por ser homologação, e já não há liberdade. Ora, como diz São Paulo, «onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade»”.

Neste sentido, devemos pedir ao Espírito Santo a graça para acolher a sua unidade e ter um olhar que “abraça e ama a sua Igreja, a nossa Igreja”:

“Pedir a graça de nos preocuparmos com a unidade entre todos, de anular as murmurações que semeiam cizânia e as invejas que envenenam, porque ser homens e mulheres de Igreja significa ser homens e mulheres de comunhão; é pedir também um coração que sinta a Igreja como nossa Mãe e nossa casa: a casa acolhedora e aberta, onde se partilha a alegria multiforme do Espírito Santo”.

O Papa passou então à segunda novidade trazida pelo Espírito Santo, um coração novo. Quando Jesus apareceu aos discípulos pela primeira vez após a ressurreição – explicou o Papa –  não os condenou por o terem renegado e abandonado, “mas dá a eles o Espírito do perdão”:

“O Espírito é o primeiro dom do Ressuscitado, tendo sido dado, antes de mais nada, para perdoar os pecados. Eis o início da Igreja, eis a cola que nos mantém unidos, o cimento que une os tijolos da casa: o perdão. Com efeito, o perdão é o dom elevado à potência infinita, é o amor maior, aquele que mantém unido não obstante tudo, que impede de soçobrar, que reforça e solidifica. O perdão liberta o coração e permite recomeçar: o perdão dá esperança; sem perdão, não se edifica a Igreja”.

E justamente este “Espírito do perdão, que tudo resolve na concórdia” – sublinha Francisco – impele-nos a recusar outros caminhos:

“Os caminhos apressados de quem julga, os caminhos sem saída de quem fecha todas as portas, os caminhos de sentido único de quem critica os outros. Ao contrário, o Espírito exorta-nos a percorrer o caminho com duplo sentido do perdão recebido e dado, da misericórdia divina que se faz amor ao próximo, da caridade como «único critério segundo o qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, alterado ou não»”.

“Peçamos a graça de tornar o rosto da nossa Mãe Igreja cada vez mais belo, renovando-nos com o perdão e corrigindo-nos a nós mesmos: só então poderemos corrigir os outros na caridade”, concluiu Francisco.

Histórias de Maria Santíssima

Sob este tópico, iremos colocar algumas histórias sobre a atuação de Nossa Senhora através dos tempos. São, em especial, histórias de pessoas que se convertem, porque rezavam uma Ave Maria, mesmo sendo maus. Coisas que comovem nosso coração.

COMO MARIA SANTÍSSIMA É BOA!
FREI CANCIO BERRI C. F. M. 
EDITORA  VOZES – 22/07/1954 

1 – MEU FILHO, TUA MÃO ESTA CURADA 

Conta o evangelista S. Mateus, no capitulo doze, versículo  10 a 14  que Jesus, entrando na sinagoga (casa  de orações  dos judeus), encontrou um homem  que tinha seca uma das mãos. Teve pena dele e disse-lhe “Estende a tua mão’’.Tendo-a estendido, Jesus restituiu-lha sã  como a outra.

Extraordinário milagre! Grande bondade de Jesus.

Coisa semelhante conta-se na vida de S. João Damasceno, célebre Doutor da Igreja. Esse Santo, falecido em 780, era primeiramente prefeito da cidade Damasco, na Síria. Depois abandonou tudo (pois lera no Evangelho que é muito difícil um rico ganhar o céu) e fez-se sacerdote. No tempo de imperador Leão Isauro publicou-se leis perversas contra o culto das imagens. Foi proibido venerar Nossa Senhora e os Santos. Grupos de pessoas, por ordem do imperador, andavam espedaçando todas as imagens que encontrassem. (Esses homens são chamados iconoclastas, isto é, destruidores de imagens). S. João, que sabia escrever muito bem, defendeu publicamente o culto e a veneração das imagens sagradas.

O governador de Damasco, cheio de ira, não podendo contra o zelo e o saber do Santo, mandou  prende-lo e corta-lhe mão direita. Sem essa mão não poderia mais escrever.

Que faz S. João? Devotíssimo de Nossa senhora dirige-se a uma linda imagem, levando com a esquerda a mão decepada.

Aos pés de Maria, fez a prece seguinte:

Minha boa Mãe, a Senhora sabe por que perdi a mão.

Foi para defendê-la. Se a Senhora me restituir, continuarei a combater os inimigos até a morte’’.

A boníssima Mãe não esperou que repetisse o pedido.

“Meu filho – disse-lhe ternamente – tua mão está curada, faze dela bom uso, conforme prometeste”.

E a mão estava unida ao antebraço, deixando apenas ver uma leve cicatriz.

Quem não vê nisso imensa bondade da Mãe de Deus e dos homens?

 

2 – VAI ATENDER A UM DOENTE 

Todos vocês, na História do Brasil, já ouviram falar do glorioso taumaturgo Padre José de Anchieta. Esse valoroso caçador de almas queria muitíssimo bem à Virgem da Conceição. Quando jovem ainda, ao estar entre os bravos tamoios, em pé de guerra contra todos os portugueses e brasileiros, fez promessa de escrever a vida da Mãe de Deus em poesia, se ela ajudasse  nos tremendos perigos. A Mãe de Jesus foi muito boa. Livrou-o dos pecados e da morte.

O célebre missionário não deixou a promessa (como muita gente por aí infelizmente faz) senão começou logo a executar a palavra dada. Em 5.786 versos escreveu o lindo livro chamado “Poema da Virgem”. Sua alma descreveu e decantou os melhores louvores daquela que lhe  fez tanto bem.

Mas o que desejo contar aqui é o seguinte. Estava o Padre José de Anchieta pregado, certa manhã, no santuário de Nossa Senhora da Conceição, na pequenina cidade de Itanhaém, litoral de São Paulo. A igreja estava apinhada de devotos. De repente, o sacerdote perdeu os sentidos. Quando o povo acudiu, pensando tratar-se de doença ou acidente, tornou a si o missionário e continuando o sermão, exclamou: “Quereis saber os favores da Virgem Nossa Senhora? Pois ainda agora veio ela de fora. Esteve acudindo a uma devota que por ela chamara e por sinal vereis seus vestidos molhados de orvalho’’.

E, de fato o povo atônito notou que o manto e a saia, que vestiam, trazia sinais do caminho.

Vejam: Nossa Senhora saíra da igreja, e fora socorrer a doente que lhe pedira auxílio.

A enferma queria ir visitá-la no dia de sua festa, e a Mãe divina curou-a para que pudesse satisfazer sua piedade.

 

3 – SALVA A CIDADE  E SEU POVO 

Outro acontecimento parecido ao anterior e interessante é o que vou relatar agora.

Foi durante a terrível luta dos nacionalistas espanhóis contra os comunistas de  1936 a 1939. O bravo general Queipo  de Llano apoderou-se  com apenas 200 homens da grande cidade de Sevilha. Lançou logo pedidos aéreos de socorro a Málaga, Madrid e Toledo. Não obteve respostas.

O povo estava apavorado, pois tivera aviso que avançava contra a cidade uma coluna de vinte caminhões  carregados de dinamite para destruírem tudo como os vermelhos já tinham feito em outros lugares. Os poucos homens não poderiam resistir às forças muitos maiores e por isso a população recorreu com profundo fervor à imagem milagrosa de Nossa Senhora, que tanto se venera na catedral de Sevilha.

O general mandou um punhado de bravos ao encontro dos caminhões e eles, em distancia de poucos quilômetros, se esconderam no bosque ao lado da estrada dispostos a sacrificar a vida. Logo depois ouviram no bosque o rumor dos motores que se aproximavam.

De repente, já perto, pararam. E ouvia-se distintamente uma voz que gritava:

“Que faz aquela senhora no meio da estrada com aquele menino no colo? Que vá embora!”

Outros gritavam:

“Se ela não for esmaguemo-la com o primeiro caminhão!”

Os homens escondidos ouviram tudo, mas nada enxergaram, a não ser os caminhões parados e os choferes raivosos a gesticular.

Então o comandante deu a ordem para assaltá-los e prende-los. Conseguiram-no com facilidade. Algemados, foram levados à cidade. No caminho perguntara-nos por que  paravam. Ao que responderam:

– Diante do carro da frente estava uma senhora linda com um menino nos braços e não quis dar-nos passagem.

– Quem era?

– Na sabemos, mas tinha um aspecto assustador.

– Mas que vos importava uma senhora a vós que matastes tantos homens mulheres e crianças?

– Nós mesmos  não sabíamos explicar. A senhora estava no meio da estrada, firme como uma estátua e nos olhava com grande severidade. Com os vossos primeiros tiros ela desapareceu.

– Para aonde?

– Quem sabe?

Poucos dias depois era véspera da festa da Assunção, e catedral se procedeu com toda a solenidade à vestição da imagem milagrosa com as ricas alfaias que eram guardadas com o maior cuidado nos armários da igreja. Mas, eis que com assombro imenso estavam gastas as sandálias, como de uma longa caminhada em estrada áspera; as meias, sujas de terra, as vestes desfiadas e cheias de pó.

A tal vista o povo exclamou: “Milagre!” Pois compreendiam que ela fora aquela senhora que impedira a entrada na cidade daqueles malvados comunistas.

O jubilo foi imenso. Todos agradeceram à Virgem o extraordinário favor!

 

4 – SALVO POR MARIA SANTÍSSIMA DAS CHAMAS ETERNAS DO INFERNO

São João Bosco é conhecido como um dos maiores devotos e apóstolos da Santíssima Virgem. Conseguia da Virgem tudo que pedia. Ouçamos um exemplo mariano que ele mesmo costumava contar aos seus alunos.

Entre os muitos meninos e jovens que se confessavam com o santo, havia um chamado Carlos. Este na ausência de Dom Bosco caiu gravemente enfermo. Pediu que lhe chamassem Dom Bosco. Não o encontraram.

Veio outro sacerdote, com quem se confessou. Viveu ainda dois dias. Mas foram dois dias de ânsias e pavores, suplicando e chorando que lhe trouxessem o seu Dom Bosco. Faleceu. Seis horas depois chegou o santo. A Mãe profundamente abatida vai ao seu encontro narrando-lhe como fora terrível e assustador a agonia do filho. Ao ouvir tudo isso, passa pela mente do santo um sinistro pensamento. “E se Carlos na confissão tivesse calado um pecado grave e morrido em tal estado…?” Entra na câmara ardente, ajoelha-se e reza Àquela que sempre o atendia, reza Àquela junto de Deus é a Onipotência Suplicante, a Medianeira de todas as graças.

Levanta-se e chama: “Carlos!” E o morto abre os olhos e grita: “Dom Bosco! Dom Bosco!”

“Aqui estou, meu filho, aqui estou todo a sua disposição”.

“Ah! Meu Padre, uma multidão de espíritos maus tentavam arremessar-me numa grande fornalha de fogo. Mas uma Senhora de beleza encantadora os afastou, dizendo: “Ainda não está condenado, e foi precisamente nesse instante que ouvi a sua voz chamando-me”.

Dom Bosco ouviu-lhe a confissão, pois calara pecados graves na precedente, e depois lhe perguntou: “Ë agora que tua alma está pura, queres viver ou ir para o Céu?”

“Quero ir para o Céu!”

Apenas dissera isso, morreu para ir gozar junto de Maria, sua mãe.

*          *          *

Procuremos fazer nossas confissões sempre bem feitas. Nunca deixar de contar todos os pecados mortais que, por desgraça, tivermos cometido.

 

5 – SE NÃO FOSSE NOSSA SENHORA! 

Conta o grande doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, o fato seguinte que nos mostra como Nossa Senhora é boa para todos os que a invocam e lhe tem alguma devoção.

Em 1604 viviam em Flandres dois estudantes que, desleixando os estudos, se entregavam a jogos, a extravagâncias e graves pecados.

Uma noite eles foram a certo lugar de pecados. Um deles, chamado Ricardo, depois de algum tempo, retirou-se para casa. Cansado, jogou-se logo na cama. Lembrou-se, porém, que ainda não rezara uma Ave-Maria que costumava dizer todas as noites, levantou-se e recitou-as. (E foi sua grande sorte!)

Não pegara ainda no sono, quando alguém lhe bate fortemente na porta. E antes de levantar-se, para abrir, ali estava seu companheiro de farra todo desfigurado.

– Quem és tu? Perguntou aterrorizado.

– Não me conheces? Respondeu o outro.

– Mas como mudaste? Parece um demônio!

– Ai de mim! Exclamou o infeliz, ao sair daquela casa infame, veio o diabo e me sufocou. Meu corpo ficou na rua e minha alma está no inferno. Sabes, acrescentou, a mesma sorte cabia a ti. Mas, porque rezaste aquelas Ave-Marias, a Virgem Santa te protegeu. A Ela deves a Salvação.

E desapareceu.

Ricardo, chorando copiosamente, deu graças a Maria, sua libertadora. Enquanto pensava como mudar de vida, ouviu tocar o sino do convento dos franciscanos.

Foi lá e pedir que os frades o recebessem para fazer penitência. Cientes da vida má não queriam aceita-lo. Contou-lhes, então, entre lágrimas o que acontecera. Dois religiosos foram à rua indicada, ali achando, de fato, o cadáver do companheiro, sufocado e negro como carvão.

Ricardo foi aceito, e levou uma vida de penitência. Mais tarde foi como missionário pregar nas Índias e no Japão, onde teve a felicidade de morrer mártir, queimado vivo por amor de Jesus Cristo.

E desde tanto tempo está gozando no Céu porque rezou a Nossa Senhora, o outro penando terrivelmente no inferno porque não a não amou.

 

6 –  E O RAIO NÃO O MATOU…

Queriolet, inimigo de Deus, vivia cheio de pecados e vícios.

Numa viagem, durante uma terrível tempestade, raios e trovões, aborreceram-no de tal sorte que, chegando a casa, tomou uma espingarda e disparou-a contra o Céu, ameaçando a Nosso Senhor. (Coisa horrível!!)

Orgulhoso por essa desforra, foi deitar-se. Mas a ira de Deus fez-se logo sentir. Um raio fende os ares e penetra no quarto do ímpio blasfemo, derretendo uma das barras da cama.

Tendo depois pegado no sono, viu em sonho o lugar no inferno a ele reservado. Tão impressionado ficou, que pediu ingresso no convento dos religiosos para fazer penitência. Mas as dificuldades e as tentações foram tantas que, saltando os muros do mosteiro, fugiu para o mundo, continuando em seus pecados.

Uma qualidade boa ele tinha. Rezava todos os dias a Ave-Maria.

Certo dia entrou numa Igreja, em que um Padre estava procurando expulsar o demônio de um possesso. Apenas chegara perto, o inimigo infernal o descobriu dentre a multidão e gritou:

“Eis um dos meus! Eis um dos meus!” Queriolet, vendo-se condenado ao inferno por testemunho do próprio demônio, resolveu mudar, de vez, de vida. Aproveitando a ocasião, perguntou ao possesso por que não o fulminara o raio que caíra no seu quarto e fundira a barra de sua cama, deixando a ele ileso.

– O que te valeu, respondeu o diabo, foi a recitação da Ave-Maria. Não fosse isso, estarias a tempo comigo no inferno.

De quantos perigos nos preservam as orações bem feitas à mãe de Jesus!

 

7 – GRANDE SORTE…

Foi na Ásia. Um missionário estava a visitar uns povoados onde havia cristãos. Uns  15 quilômetros antes de alcançar sua meta ao passar perto de uma casa desconhecida, ele ouviu, para sua admiração, a reza em voz alta da Ave-Maria.

Parou uns instantes. De repente, acorrem duas pessoas, pedindo-lhe que apeasse do cavalo, pois na casa havia um homem as portas da morte, e ainda não era batizado. Entrou, e, depois de tê-lo saudado, diz-lhe o Padre:

– Como sabes rezar a Ave-Maria tão bem, e não és cristão?

– Padre, murmurou o moribundo, certa vez, passou por aqui um cristão e deu-me um papel com essa oração, afirmando-me que daria sorte a quem recitasse com piedade. Decorei-a e rezei-a muitas vezes.

De fato, Nossa Senhora deu-lhe a grande graça.

Pois o doente foi batizado, e instantes após sua alma voou para junto dos eleitos.

*    *    *

Não há dúvida, Maria é a melhor das mães.

 

8 – POR APENAS UMA AVE-MARIA

O cantor japonês Riozo Okkuda, ainda pagão, estando em Roma, em novembro de 1927, conheceu D. Hayasaka, primeiro Bispo japonês que então acabava de receber a sagração episcopal das mãos de Pio XI.

Numa das recepções em honra do novo Bispo, o tenor japonês com rara maestria cantou a “Ave-Maria” do músico Gounod.

O cardeal Van  Rossum , que estava presente, afirmou:

“É impossível que esse homem não se torne Católico, pois tão belamente cantou os louvores da Mãe de Deus!”

De fato, levado pela bondade de Nossa Senhora, Riozo teve vários e longos encontros com seu ilustre compatriota, Monsenhor Hayasaka, que foi instruído na religião Católica.

O próprio Cardeal Van Rossum batizou-o, e deu-lhe a primeira comunhão.

Como Maria Santíssima é boa! Por causa de uma Ave Maria bem catada, recebeu ele a graça da fé.

 

9 – O CÉU POR UMA AVE-MARIA

Um criminoso fora condenado à morte. Recusava-se terminantemente a confessar-se.

Um zeloso Sacerdote, em vão, esforçava-se por persuadi-lo que assim iria para o terrível inferno para o todo e sempre.

Lidou com ele durante muito tempo. Tudo foi debalde.

Por fim, como que inspirado, disse-lhe o Padre:

“Meu amigo quer fazer-me um favor?”

– Que seria? Perguntou o condenado.

– Rezar comigo uma Ave-Maria. Somente uma.

O réu concordou. E mal terminara a linda oração, quando, comovido até as lagrimas, se confessou sinceramente e morreu estreitando ao peito pequena imagem da Virgem sempre Santa. Na verdade, o Céu ganho pela recitação de uma Ave Maria.

*          *          *

Não vai para o inferno quem reza devotamente a Ave-Maria, pois Nossa Senhora está sempre pronta a atender a seus filhos devotados.

 

10 – A SENHORA MISTERIOSA

Foi em três de Novembro de 1888.

Um sacerdote de Londres, depois de um dia de muito trabalho, entrava em casa com a intenção de dizer suas orações e ir logo deitar-se. Apenas chegara a seu quarto, porém, batem à porta. Acompanhado de um estudante, o Padre foi ver quem era.

Uma senhora, vestida de preto, vinha pedir-lhe o favor de ir à rua tal, número tal, porque lá havia um jovem que precisava urgentemente de assistência religiosa. O vigário, muito boa pessoa, falou-lhe:

– Pode ir sossegada, minha senhora; dentro de vinte minutos estarei lá.

Escreveu o endereço e saiu em companhia do seminarista. Era noite escura e triste. Chegados ao endereço indicado bateram. Uma velha criada veio abrir-lhe.

– Mora aqui um jovem gravemente enfermo?

– Não, senhor; aqui todos estão bons, graças a Deus. O senhor certamente se enganou no número da casa.

– Não; pois a senhora que foi procurar-me deu-me este endereço.

– Repito-lhe que nesta casa não há ninguém doente. Mora aqui um moço, mas, que eu saiba, não quer morrer tão já.

O Pároco já estava para regressar a casa, quando apareceu o moço que ouvia toda aquela conversa.

– Como vê, senhor Padre, estou bem de saúde. Mas entre, e descanse um pouco. Enquanto ia entrando, o Sacerdote perguntou se o jovem era Católico.

– Sim, respondeu ele, ou, melhor, devia eu sê-lo. Mas nada faço daquilo que os Católicos fazem. Fui batizado, e depois deixei correr tudo.

Mantiveram os dois conversa amigável. O rapaz, de fato, abandonara toda prática da religião. A única coisa, que ainda fazia, era rezar uma Ave-Maria, todas as noites, para cumprir uma promessa que fizera à mãe antes de ela falecer.

O Padre soube falar-lhe tão bem ao coração que o moço chegou ao ponto de dizer-lhe:

– Padre, uma vez que o senhor veio até aqui, não quero que perca o seu tempo. Eu bem poderia confessar-me. E, com efeito, fez excelente confissão.

– Amanhã, disse o sacerdote ao despedir-se, o senhor pode ir à igreja para receber a Santa Comunhão.

Na manhã seguinte o Padre Vigário esperava o rapaz, quando chegou, toda aflita, a velha criada que o recebera na noite anterior. Entre lágrimas e soluços, exclamou:

– Oh! Padre, que desgraça! O rapaz, que o Senhor confessou ontem, morreu esta noite de um ataque.

– Morreu?! Bradou o Pároco impressionadíssimo.

Chamou o estudante e juntos se dirigiram à casa do falecido. No caminho, o Vigário ia dizendo:

–  Feliz dele! Confessou-se tão bem! Como Deus é bom! Entraram no quarto e fitaram comovidos aquele rosto que horas antes irradiava saúde. De repente, o olhar do Padre cai sobre um quadro emoldurado na parede. Levou como que um susto.

– Conheceu você esta senhora? Perguntou ao seminarista.

– Sim, senhor; é a mesma senhora que foi chamá-lo ontem à noite.

Perguntou a um dos presentes quem era aquela senhora.

– É a mãe do rapaz, disseram em coro.

– Vive ainda?

– Não, senhor; morreu há três anos.

– O senhor afirma que morreu!! Mas se ele, ela mesma, reconheço-a, foi chamar-me ontem para que eu viesse aqui! Comovidíssimos, todos os assistentes choraram.

Pela Ave-Maria, que ele rezava diariamente, a mãe celestial enviou a mãe terrestre (Já no Céu) chamar o Padre para converter o filho e salva-lo.

 

11 – PARECIA ATÉ IMPOSSÍVEL

No ano de 1880, uma piedosa mulher, por negócios de família, deixou-se dominar pelo ódio contra seu irmão. Afastou-se aos poucos dos sacramentos, e largou enfim a toda a oração.

Certo dia ficou doente, e o mal foi piorando de tal sorte que parecia que ia morrer. O Padre Vigário visitou-a e procurou leva-la a melhores sentimentos, para que não falecesse nesse estado de alma.

Foi, porém, tudo em vão.

Um missionário, por ali de passagem, a pedido do senhor pároco, foi ter com a enferma.

O ódio estava tão firme no coração que não quis reconciliar-se. Chegou ao ponto de afirma:

– Sobre a pedra de meu túmulo quero que se gravem estas palavras: Aqui jaz uma mulher que se vingou.

– E o inferno? Tornou o missionário.

– O inferno? O pensamento de minha vingança consolar-me-á em todos os tormentos.

Quase desanimado, o sacerdote aconselhou-lhe que rezasse para obter força de perdoar.

– Sei que por meio da oração posso alcançar essa graça, mas não quero rezar.

Mas o ministro de Deus, como que inspirado, perguntou-lhe:

– E por mim rezarias?

– Pelo senhor, sim, pois o senhor é bom para comigo.

O Sacerdote ajoelhou-se junto da cama, entregou às mãos da doente uma imagem de Nossa Senhora do

Perpétuo Socorro, e ambos começaram a reza da Ave-Maria. E chegando às palavras: “Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”, a mulher, comovida, desatou  em prantos. E não tardou a soluçar: “Perdôo a meu irmão… E quero confessar-me”.

Alegrias voltaram à alma dessa senhora, e júbilos no lar dos dois e famílias.

Como é boa Nossa Senhora! Efeito extraordinário da Ave-Maria bem rezada.

 

12 – UM RECADO PARA MARIA SANTISSIMA

Após brilhantes estudos, um jovem já formado resolveu dar um passeio a Paris. Na véspera da partida uma tia chamou-o e pediu-lhe um favor.

O Moço prontificou-se a atendê-la  em tudo. Ao que a boa senhora lhe disse que, antes de regressar de Paris, fosse ao santuário de Nossa Senhora das Vitórias e lá rezasse uma Ave-Maria bem rezada. Embora o pedido lhe parecesse estranho, prometeu cumprir-lhe a vontade.

Na capital francesa passeou e divertiu-se a valer. E já ia voltar. E o recado? Não tinha gosto para executá-lo. Pensando que seria feio não cumprir a palavra, entrou na igreja, e escondido num canto, caiu de joelhos como alguém que já perdera o belo costume de ajoelhar-se. E, na verdade, fazia muito tempo que não punha os pés na casa de Deus.

Procurou lembrar-se das palavras da Ave-Maria, e pôs-se a recitá-la. E, sem saber por que, começou a sentir remorsos. Uma força estranha o impeliu ao confessionário. Procurou resistir, mas não lhe foi possível. Confessou sinceramente toda série de pecados. Saiu dos pés do confessor de alma  em festa. No dia seguinte recebeu o Jesus querido de sua meninice.

Como estava novamente feliz! A Mamãe do Céu o convertera para sempre,  por causa da reza de uma só Ave-Maria.

De volta a sua terra natal, sua primeira visita foi à titia, que lhe dera o felizardo recado e, com lágrimas de alegria nos olhos, contou-lhe como tornara a recuperar o Céu na alma por bondade de Maria, a Rainha das Vitórias.

*          *           *

As visitas aos santuários da Mãe de Deus têm muito valor. Quantas conversões exatamente devido a essas romarias! Quantas graças os romeiros alcançam de Nossa Senhora!

Se houver alguém em casa, seja dentre os pais ou parentes, que não praticam a religião, consigam que visite a Virgem Santa. E a conversão se efetuará…

 

13- POR TÃO POUCO SALVARAM-SE

Um dia conta-se na vida de S. João Vianney, entre os peregrinos, estava à espera na igreja uma senhora de luto pesado. Encontrava-se muito aflita. O marido, irreligioso, tinha-se suicidado de uma ponte abaixo, morrendo sem os sacramentos. O Santo passa. E, antes mesmo de ela lhe falar, inclina-se ao ouvido e diz: “Está salvo!” A senhora perturba-se “Está salvo, digo-lhe eu”. A resposta é um gesto de descrença. Então o Santo, articulando bem cada palavra, acrescentou: “Afirmo-lhe que está salvo”. Encontra-se no purgatório e é preciso orar por ele. Entre a ponte e a água teve tempo de fazer um ato de contrição. Lembre-se do altar, erguido em seu quarto durante o mês de Maio. Algumas vezes o seu esposo, apesar de irreligioso, uniu-se às orações. Foi isso que lhe mereceu o arrependimento e um supremo perdão”.

*          *           *

Admirável é a conversão do capitão Laly.

Esse homem foi, durante a Revolução Francesa, um dos mais ferozes e mais ímpios de entre tantos monstros que perseguiram os sacerdotes.

Após algum tempo, o miserável perseguidor e a família caíram na mais espantosa miséria. Por muitas vezes um sacerdote procurou, por meio de ofertas caridosas, tira-lo do desespero que pesava sobre esse homem terrível e repelido por todos. Laly respondia com malvadezas e grosserias a todas as tentativas de levá-lo ao bom caminho.

Mas, para a admiração de todos, um dia viram-no entrar na igreja alquebrado pelo sofrimento, humilhado e arrependido. Já não era o mesmo homem. Depois de ter feito confissão de seus crimes e recebido o perdão, declarou ao confessor que nunca deixara de rezar, cada dia, mesmo durante a sua maior fúria revolucionária, a Ave-Maria, para satisfazer uma promessa feita a sua piedosa mãe moribunda.

Foi a Ave-Maria que o salvou.

 

14- TINHA CERTEZA QUE IRA PARA O CÉU

Estava as portas da morte uma senhora de seus 20 anos apenas. Filha de um celebre marechal francês, adorada por seus pais e por seu distinto marido, riquíssima, com um futuro brilhante, e feliz por ter um filhinho.

E a morte vinha buscá-la. A mãe estava louca de dor, o marido desesperado, o pai aniquilado.

O Bispo Dupanloup, ao saber da doença, entrou nessa casa para consolar os moradores. Ficou admiradíssimo, ao encontrar a moribunda a sorrir.

– Estou certa de ir para o céu, dizia ela.

– Quem é que lhe da essa certeza? Perguntou Monsenhor Dupanloup.

– O conselho que Vossa Excelência me deu quando me preparou para primeira comunhão.

– Que conselho foi esse?

– Que recitasse diariamente ao menos um Ave-Maria a Nossa Senhora, pois quem fizesse isso iria, na certa, para o céu. Desde então até hoje, eu não falhei nenhuma vez. Não só isso. Desde vários anos, rezo diariamente o terço. Digo mais de 50 vezes: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pecadora, agora e na hora de minha morte. Neste momento em que vou morrer, ela não me abandonará. Disto estou certíssima. Por isso o céu será meu.

Após ter sido sacramentada, faleceu calmamente. Nossa Senhora levou para a mansão celestial.

*          *           *

Felizes os que seriamente se esforçam para serem sempre e em toda parte bons, e depositam toda a confiança em Deus e  em Maria Santíssima.

 

15- CONVERTIDO APESAR DE NÃO QUERER

Foi  no natal de 1847. Um sacerdote foi chamado para um moribundo. O homem era conhecido como e inimigo dos padres e da religião. O ministro de Deus entrou no quarto e dirigiu-se direitinho ao doente. Não teve tempo de perguntar-lhe como estava passando, pois o enfermo se pôs a praguejar e a vomitar blasfêmias horríveis. E não foi possível acalma-lo. O Padre saiu consternado. Foi à igreja pedir à Mãe de Deus coragem para tentar nova visita.

No dia seguinte voltou à casa do doente. Ouviu as mesmas palavras. E vendo que o homem parecia procurar alguma coisa ao redor da cama, perguntou-lhe:

– Amigo, estas querendo alguma coisa?

– Procuro, sim, foi a resposta, a minha bengala para quebrá-la em suas costas.

E furioso por não achá-la, acrescentou:

– Não tenho outra coisa, tome isto.

E atirou-lhe um escarro no rosto.

O padre retirou-se, horrorizado.

Numa reunião, que houve à noite na matriz, pediu o sacerdote orações especiais em honra do Puríssimo Coração de Maria, pela conversão do pecador. Todos rezavam com fervor e piedade.

Ao sair da igreja, o Vigário foi de novo ver o doente, confiando no poder e na bondade da Virgem Santa.

E desta vez foi acolhido bem. O moribundo estava calmo e resignado.

– Veio confessar-me, Sr Padre?

– Sim, meu amigo: acabamos de invocar a Maria Santíssima. Estou vendo que nossa oração foi atendida.

De fato confessou-se; comungou no dia seguinte e, quatro dias depois de ter recebido a extrema-unção, entregou sua alma suavemente a Deus.

Não quis converter-se, mas Nossa Senhora venceu.

 

16- MARIA APARECEU-LHE E CONVERTEU-O

Certo conde, que se dizia devoto de Nossa Senhora, não vivia bem. Diariamente rezava-lhe certas orações, mas continuava em seus pecados.

Um dia, durante uma caçada, sentiu fome devoradora. Nossa Senhora, que é sempre boa, apareceu-lhe, oferecendo-lhe, numa vasilha imunda, comida gostosa. O fidalgo queixou-se com as palavras:

“Como poderei eu comer de um prato tão sujo?”

Ao que a mãe de Deus lhe respondeu:

“Assim como o senhor não pode apreciar uma iguaria, embora boa, numa vasilha suja, do mesmo modo eu também não posso aceitar com prazer seus louvores, enquanto continuar nessa vida de pecados”.

O conde caiu em si, mudou de vida, desde então foi muito favorecido de graças e bênçãos da Virgem Santa.

Teve uma morte santa, e ganhou o Céu.

Observação:

Uma das maneiras para agradar a Nossa Senhora é exatamente evitar os pecados, que aborrecem a Jesus. O que entristece a Deus, desgosta também a sua mãe.

 

17 – BELA RECOMPENSA!

São Bernardo, preclaro doutor da Igreja, foi um dos maiores devotos de Maria Santíssima. Escreveu muito sobre as glórias, belezas e poder da mãe do Céu. A todos aconselhava a importantíssima devoção. Afirmava solenemente a todos que um verdadeiro devoto da Virgem nunca se há de perder.

Tinha ele, por costume, toda vez que passasse por uma imagem da Mãe de Deus, saúda-la com uma “Salve, Maria!”

Certo dia, passando ele na varanda do mosteiro, onde se encontrava bela imagem da Imaculada, saudou-a, dizendo: “Salve, Maria!”

Ao que, para seu enorme espanto e admiração, ouviu distintamente da boca da Santa um claro: “Salve, Bernardo!”

Sim, a boa Mãe dos homens, ressaúda a quem a saúda. Responde às saudações de seus devotos com suas bênçãos e graças mil.

*          *          *

Precioso costume é, sem dúvida, o de rezar uma Ave-Maria toda vez que se ouve dar horas.

 

18 – CONVERTIDO POR NOSSA SENHORA

Um dia foi S.Francisco Régis chamado para atender um enfermo, que não queria de forma alguma preparar-se para a morte. Desprezava todos os auxílios da santa religião.

O Santo tirou do breviário uma imagem da Mãe de Deus e, mostrando-a ao doente, disse:

– Olha, Maria te ama!

– Como, replicou o pecador, então ela me conhece?

– Mas eu sei que ela te ama, tornou o Santo.

– Então ela não sabe que reneguei a minha fé e desprezei a religião?

– Sabe.

– Que insultei a seu filho?

– Sabe.

– Que estas mãos estão manchadas de sangue inocente?

– Sabe.

– Padre, o senhor fala a verdade?

– Sim; passarão o Céu e a terra, mas a palavra de Deus não passará. Sabe o que Jesus disse outrora e te

Diz hoje ainda: Filho, eis aí tua Mãe!

– Uma mãe que me ama!… murmurou o pecador comovido; minha mãe, minha…e copiosas lágrimas lhe vinham dos olhos. Eram lágrimas de verdadeiro arrependimento e sincera dor.

Fez piedosa confissão e recebeu com visível fervor a sagrada comunhão e a extrema-unção.

Alguns dias depois, feliz e cheio de confiança, expirou.

*          *          *

Como é agradável saber que no Céu temos uma Mãe que sempre pensa em nós, que vela solícitamente

por nós, que nunca nos abandona, mesmo quando nós somos ingratos e pecadores arrependidos.

 

19 – NOSSA SENHORA O PREMIOU

Um velhinho – ia completar oitenta anos – embora quase nada entendesse da verdadeira religião, nos últimos instantes de sua vida, chamou um Padre Católico.

– Por que não chamou um sacerdote de sua seita? Perguntou o missionário.

– Porque esta noite, respondeu o doente, apareceu-me certa Senhora muito linda, assegurando-me que

só poderia salvar-me, chamando um ministro da Igreja Católica.

O Padre inquiriu ainda:

– Durante sua vida teve, por acaso, alguma devoção, praticou algum obséquio em louvor da Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo?

– Sim, senhor, todos os anos jejuei durante quinze dias em preparação à festa da Assunção.

Depois de bem preparado, batizou-o sob condição e deu-lhe os últimos sacramentos.

(Disse que o doente foi batizado sob condição. É que poderia ele ter já sido batizado quando criança.

Ouviu-lhe a confissão, também recebeu a Santa Comunhão e a extrema-unção).

E o velhinho, todo satisfeito, deixou esta vida com a placidez de um santo.

O obséquio, em honra da virgem sempre boa, não ficará nunca sem recompensa.

 

20 – SALVOU-O DA MORTE

Foi no dia 25 de abril de 1855. Uma barca de pescadores estava em alto mar. De repente desencadeia-se medonha tempestade. Encrespa-se o oceano. A ventania furiosa arremessa às ondas o filho do dono da embarcação, um mocinho de 15 anos. O jovem, embora bom nadador, depois de tremenda luta, não podia mais. Ia já desaparecer no fundo do pélago, quando avista, ao longe, a estátua de Nossa Senhora da Guia, em Marselha.

– Oh! Maria, rezou o moço, minha mãe, salvai-me!

Mal fizera essa breve prece, quando um vagalhão o lança rentinho ao barco e pôde ser recolhido são e

salvo.

No dia seguinte todos os tripulantes estavam, com toda a família, no Santuário da Mãe de Jesus a agradecer o extraordinário auxílio.

O jovem nunca se esqueceu desse dia em que fora salvo por Aquela que é sempre boa.

 

21 – MORRIA SORRINDO

Uma vez estava um monge da ordem do Cister agonizando. Cercado de seus irmãos de hábito, para assisti-lo nos últimos momentos, o moribundo sorria feliz e tranqüilo.

Vendo-o nesse estado, em honra tão tremenda, disse-lhe um dos assistentes:

– Que é isto, meu irmão? Posso Pai S.Bernardo, em igual ocasião, tremia apavorado, e tu ris?

– Ah!, meu irmão, respondeu o agonizante, como não me hei de alegrar? Tenho aqui presente Nossa

Senhora, que me dá forças e vence o demônio!

E expirou com doce sorriso nos lábios.

*          *          *

Maria Santíssima socorre seus devotos sempre, e principalmente na hora extrema da morte em que os inimigos da salvação de tudo fazem para nos perder.

O amigo da Mãe celestial não precisa temer a morte.

 

22 – E A PESSOA FICOU LIVRE DO DEMÔNIO

Certa feita levaram à sepultura de S. Francisco de Sales um possesso, a fim de ser libertado do demônio. Esse gritava cheio de confusão e horror:

– Para que hei de sair?

O Sacerdote, que fazia o exorcismo, rezou com confiança:

– Ó Maria, Mãe de Deus, rogai por nós! Maria, Mãe de Jesus, socorrei-nos!

A essas palavras o demônio redobrou seus gritos de horror, bradando:

– Maria, Maria! Oh! Eu não tenho Maria! Não digas esse nome; ele me faz tremer! Oh! Se eu tivesse

Maria por mim, como vós a tendes, não seria o que sou! Mas eu não tenho Maria!

Todos os presentes choraram….

– Ah!, continuou satanás, se eu tivesse um momento só que fosse, desses que vós desperdiçais, sim um

só momento e uma Maria, eu não seria demônio.

E desapareceu, deixando a pessoa completamente curada. Bastou chamar Maria Santíssima, para que o

demo se fosse embora.

*          *          *

Atenção:

Quantas vezes nós todos nos vemos tentados pelo demônio. São tentações contra a fé, tentações de desânimo e principalmente tentações contra a santa pureza. Os Santos aconselham-nos que invoquemos nessas dificuldades – aliás, em todas – o nome de Jesus e Maria. Quem o fizer não cai em pecado; vence as piores tentações. Ouvindo esses santíssimos nomes, os demônios fogem espavoridos.

 

23 – FOI NOSSA SENHORA QUEM ME CUROU

Na missão de Manchukuo entrara num hospital, a cargo das irmãs Franciscanas de Maria, uma menina de cinco anos, bem doente das vistas.

O oculista prognosticou extrema gravidade, pois uma vista já estava perdida e as dores eram cruciantes. Pouca esperança tinha o médico, mas a criança não desanimara.

Encaminhada por boa irmã, ajoelhou-se diante de uma imagem da Virgem Celestial e ousou dizer-lhe:

– Senhora, se ficar completamente boa, prometo-vos varrer diariamente a vossa capela.

Nossa boa Mãe teve dó da filhinha. No mesmo dia sentiu melhoras e em poucos dias recuperou totalmente as duas vistas.

E a pequena costumava exclamar:

“Foi Nossa Senhora quem me curou!”

*          *          *

Felizes os que aprendem já em pequenos a conhecer a bondade de Maria Santíssima!

 

24 – FOI NOSSA SENHORA QUEM O SALVOU

Uma criança de seus quatro a cinco anos estava a brincar na praia. De chofre escorregou e as ondas a levaram consigo. A desolada mãe, vendo o filhinho à mercê das águas, lançou-se ao mar. A muito custo conseguiu trazer o corpo à terra. Parecia morto, pois não dava nenhum sinal de vida.

Os pagãos, que a rodeavam, aconselhavam a consultar logo os benzedores e feiticeiros. Mas ela, em seu espírito cristão, repeli-os sem demora, recorrendo, como já o fizera antes, a boa Mãe do Céu. Ela, sim, a podia auxiliar.

E estava ainda a rezar, quando o pequeno se levanta e se põe a andar como se nada acontecera.

– Mamãe, exclamou o bom menino, olhe aqui a linda medalha que o Padre Missionário me deu e eu pus no pescoço!

– Sim, filhinho, foi Nossa Senhora quem o salvou!

*          *          *

Não se pode recomendar suficientemente trazer ao pescoço a medalha da Virgem Celestial. Quem não tiver nenhuma, peça aos queridos pais que providenciem para a aquisição de uma.

 

25 – SE NÃO TIVESSE LEVANTADO…

Morria, certo dia, uma piedosa mãe. Antes de expirar, chamou o único filho e pediu-lhe que nunca omitisse o belo exercício de rezar todas as manhãs e todas as noites três Ave-Marias em honra a Nossa Senhora.

O bom filho prometeu-lho e com fidelidade cumpria a palavra dada. Uma noite, porém, esqueceu-se da piedosa prática. Acordado, após umas horas de sono, lembrando-se do esquecimento, levantou-se e de joelhos disse devotamente as Ave-Marias. Estava ainda de joelhos, quando se abre, de repente, a porta do quarto e entra um sonâmbulo. Vai direto à cama vazia e … enterra um punhal até aos copos no colchão.

Não tivesse se levantado, sem dúvida, teria perdido tragicamente a vida.

Nossa Senhora mostrou como protege os que lhe querem bem.

*          *          *

A devoção de três Ave-Marias diárias muitíssimo aconselhadas pelos Santos e pregadores realiza maravilhas. Que ninguém omita essa importantíssima prática. E é bom acrescentar depois de cada Ave-Maria a jaculatória: “Ó Maria, minha Mãe, preservai-me do pecado mortal!”

 

26 – SÓ POR ISSO SALVOU-SE

Faleceu em Fevereiro de 1901, em Tolosa, na França, depois de receber os sacramentos da confissão, comunhão e extrema-unção, o célebre jornalista, romancista e poeta francês Armando Silvestre.

Que fizera esse homem em vida? Ficara muito conhecido por sua maldade, por seus ataques contra a Igreja, contra os bons costumes e pelos escritos imorais.

Mas, então, que realizara para alcançar a graça de morrer edificantemente?

Ninguém o podia adivinhar. Contudo, o Padre, que o assistiu nos últimos momentos, revelou o mistério: Desde pequeno rezava diariamente antes de deitar três Ave-Marias a Nossa Senhora para alcançar a graça da boa morte.

E a carinhosa Mãe dos homens recompensou-o belamente. Não permitiu que morresse impenitente.

*          *          *

Nossa Senhora apareceu e pediu a Santa Matilde que rezássemos as três Ave-Marias, uma para a ajudar a agradecer a Deus Pai o imenso poder, outra para agradecer a Jesus a extraordinária sabedoria e a terceira para agradecer a misericórdia que ela recebeu da Santíssima Trindade. Em troca ela prometeu a graça da boa morte.

 

27 –  É A MARIA QUE O SENHOR DEVE A SUA CONVERSÃO

Um Padre Missionário foi chamado a visitar um senhor muito idoso, que tivera uma vida perversa.

Ao chegar ao lugar disse-lhe o velho:

– Aqui está, Padre, um pecador abominável.

O Sacerdote atendeu-o em confissão a qual foi ótima.

Depois de sacramentado, quis o ministro de Deus saber o motivo daquela excelente conversão. Ao que ele respondeu:

– Não sei; o pensamento de me confessar começou há dias a bulir comigo.

– Mas esse pensamento, tornou o Padre, deve ter uma causa. Qual será?

– Não sei, Padre, repetia ele todo feliz.

– Foram seus amigos que o animaram à confissão?

– Não tenho amigos, por aqui.

– O senhor freqüentava a igreja?

– Nunca!

Neste momento o missionário deu com os olhos num quadro da Santíssima Virgem pendente da parede.

– Quê, um objeto desses em sua casa? Como se explica isso com sua vida incrédula?

– Sim, meu Padre, e cada dia recito três vezes Ave-Maria diante dele, para obedecer à última vontade de minha mãe ao morrer.

– Pois bem; aí está a solução toda. É s Maria Santíssima que o senhor deve a graça da conversão.

*          *          *

Nunca poderemos aqui na terra suficientemente compreender o grau de bondade de nossa Mãe do Céu.

 

28 – POR TÃO POUCO…

Vivia em Tournon, em 1610, um herege tão obstinado que, mesmo no leito da morte, não queria ouvir falar  em confissão. Durante oito dias consecutivos vários Sacerdotes procuraram induzi-lo à confissão. Mas tudo em vão.

Um Padre pediu-lhe que ao menos dissesse a seguinte jaculatória:

– Mãe de Jesus, ajudai-me!

O homem, tocado pela bondade e paciência do ministro de Deus, não quis negar-se a atende-lo, e pronunciou a oraçãozinha. E foi o que bastou. A boa Mãe do Céu veio em auxílio, e prontamente. Pois, apenas obedecera, externou o desejo de reconciliar-se com Deus Nosso Senhor.

Fez boa confissão, retratando todo o mal que fizera, recebeu a Santa Comunhão e a extrema unção, e faleceu calmamente, duas horas após.

Por tão pouco recebeu o lindo céu.

*          *          *

Afirmam Santos que, quem pedir devotamente, ainda que uma vez só, a ajuda da Mãe de Deus, pode contar infalivelmente com Ela. Nossa Senhora não o esquecerá.

 

29 – FOI ELA

Deu-se isso na França. Uma boa mãe tinha um filho delicado e inteligente. Tirava sempre o primeiro lugar na aula. Com 16 anos dirigiu-se para Marselha, 24 horas de trem de casa. Antes de partir teve de prometer à mãe que nunca abandonaria Nossa Senhora e que diariamente rezaria a Ela. Foi o que logo fez, e partiu.

No primeiro tempo escrevia mensalmente, dando boas noticias. De repente, já não vinham cartas.

A boa mãe ficou desconfiada, e com razão. Se não fosse tão longe, iria lá ver o que sucedera. Estava mesmo disposta a visitá-lo, quando recebe um telegrama nestes termos:

– Venha depressa, é o filho que chama.

Vinte e quatro horas após, lá estava ela na casa com seu Carlos. Quis entrar no quarto, porém duas sentinelas lho queriam impedir.

– Sou a mãe, quero ver o filho – exclamou ela empurrando-os para o lado, e meteu-se aposento adentro.

– Um Padre, um Padre! Foram as primeiras palavras.

A mãe, após abraçá-lo procurou acalmá-lo. Ele, então, contou-lhe a triste vida. Freqüentara más companhias… e até se fizera maçom, jurando morrer sem Deus.

– Mas vendo-me tão mal, pensei  em Nossa Senhora e pedi-lhe socorro. Não quero morrer assim. Embora eu pedisse um Padre, os maçons não me atenderam, até colocaram sentinelas à porta para não deixarem entrar sacerdote algum. Por intermédio de pessoa caridosa consegui apenas enviar-lhe o telegrama.

A corajosa mãe mandou chamar o ministro de Deus que sacramentou devidamente ao enfermo.

Dois dias após, morreu calmamente com palavras nos lábios:

“Minha mãe, foi Ela (Nossa Senhora) que a envio aqui!”

Na verdade, não fosse o socorro e a bondade de Maria Santíssima, onde estaria o pobre Carlos? No inferno para sempre.

 

30- NOSSA SENHORA PAGA BEM

Durante uma viagem marítima um jovem fidalgo entretinha-se de preferência com a leitura de certo livro mau.

Em palestra com o moço, pede-lhe um Religioso que faça pequeno obséquio a Nossa Senhora.

– Com muito gosto, respondeu o fidalgo.

– Pois atire ao mar esse livro imoral, que está lendo; faça isso por amor á Virgem Maria.

O jovem apresentou o livro para que o sacerdote o lançasse às águas em seu nome.

– Não, observou-lhe o Padre, quero que o senhor mesmo ofereça esse sacrifício à Mãe de Deus.

O moço prontamente atirou ao oceano o livro que tanto apreciava.

A recompensa não faltaria, pois Nossa Senhora é generosíssima.

Ao chegar a Gênova, sua terra natal, o fidalgo viu-se atraído à vida melhor e mais santa. Depois de ótima confissão, resolveu consagrar-se a Deus num convento, onde foi feliz.

*          *          *

As vocações sacerdotais e religiosas nascem aos pés da Mãe dos sacerdotes, e junto dela desenvolver-se. Sem o auxílio maternal de Maria não é possível ser bom Padre e bom religioso.

 

31 – SANTA MARIA, SOCORRE-ME!

Empresa imensamente difícil foi a construção da estrada de ferro de São Gotardo (túnel de  14.920 m ).

Os operários estavam, dia e noite, expostos a caírem nos terríveis abismos que ladeavam a estrada. Amarrados em fortíssimas cordas desciam até à altura da estrada e com extremos de fadiga abriam na dura rocha profundos buracos que, enchidos de dinamite, a faziam explodir. E desta maneira iam aos poucos abrindo caminho para a estrada de ferro.

Certa tarde fizeram, como de costume, um grande buraco e o encheram de explosivos, mas deixaram para o dia seguinte a tarefa principal.

Na hora marcada desceu um operário e acendeu o pavio para, em seguida subir a toda pressa pela corda, como costumava fazer diariamente. A chuva da noite, porém, tornara escorregadia a corda, impossibilitando a subida do pobre operário.

E o pavio a queimar, e aos seus pés o abismo imenso… Estava perdido. Que fazer? Todas as tentativas foram infrutíferas; por maiores esforços que fizesse, não conseguia subir, e a horrível morte a seus pés!

Mas no pavor do desespero recorre a Maria e grita:

“Santa Maria, Socorrei-me!” Um estrondo reboa pelos abismos. Os companheiros, lá do alto contemplam estarrecidos o pobre operário e exclamam:

“Está morto”.

Mas a Virgem Medianeira é também Senhora dos precipícios. Qual não foi a surpresa dos companheiros ao se certificarem que o trabalhador estava ileso. Nenhuma pedra da explosão o atingira.

Maria lhe salvara a vida. A fumaça quente secou a corda e com relativa facilidade subiu até aos companheiros.

*          *          *

Oh! Nós todos que ladeamos o abismo da condenação eterna, nunca, nunca, em nenhuma dificuldade da vida, deixemos de invocar Maria.

 

32 – CURADO NA IGREJA

Quem este prodígio é o Padre Ângelo Franzoni.

Pedro Froletti, pai de família, havia tempos achava-se gravemente enfermo: agudas dores no estômago e nas costas não lhe davam alivio de dia nem de noite. Consultou a vários médicos, tomou numerosos medicamentos. Tudo, porém, inutilmente. Por fim declararam os especialistas que o mal não era outro que uma tuberculose maligna e incurável.

O doente, perdida toda a esperança humana, recorreu à Santíssima Virgem. Mandou dizer uma Missa e começou uma novena em honra de Nossa Senhora Auxiliadora, propondo ir confessar-se e comungar no último dia.

Continuaram as dores e no nono dia aumentaram de tal maneira que lhe parecia impossível ir à igreja. Contudo, mais morto que vivo, chegou à igreja. Confessou-se e oh! Prodígio de Jesus, por intercessão de Maria, apenas recebeu a santa Comunhão, todas as dores desapareceram no mesmo instante. Era 16 de Novembro. E desde então não mais sentia aqueles incômodos atrozes.

*          *          *

Felizes os que recorrem confiadamente à Mãe de Deus!

 

33 – GRANDE RECOMPENSA, POR POUCO

Quem conta o fato é a célebre carmelita Santa Tereza de Ávila.

Estava ela entretida na construção de conventos para sua ordem, quando se apresentou um senhor muito distinto e lhe ofereceu vasto terreno para levantar um mosteiro, nos arredores de Valadolid. Vendo a Santa a boa vontade do cavalheiro e de sus devoção, pois queria agradar à Nossa Senhora do Carmo, aceitou prontamente o generoso presente.

Dois meses depois, o dito senhor caiu doente. Perdeu a fala, e morreu sem poder confessar-se.

No mesmo dia Nosso Senhor apareceu à Santa e afirmou-lhe que o falecido estivera em sério perigo de condenar-se. Fora, contudo, salvo pela doação que fizera em honra de Maria Santíssima. Disse-lhe que só sairia do purgatório quando lá, no terreno presenteado, se celebrasse a primeira Missa.

A Santa, embora muito empenhada na construção de uma casa em Toledo, largou tudo, a fim de socorrer o benfeitor.

Tendo ido examinar o novo local, não gostou dele por ser muito distante da cidade e insalubre. Mas, lembrando-se dos terríveis sofrimentos que aquela alma padecia, não quis demorar-se.

Mandou vir pedreiros e carpinteiros, para arranjar logo o que fosse mais urgente, para, quanto antes, dizer-se a Santa Missa. Recorreu ao senhor Bispo, para obter as devidas licenças. E já no domingo, o sacerdote celebrou o sacrifício da Missa.

Na hora da Santa Comunhão, de repente, apresentou-se, ao lado da Santa, o tal cavalheiro de rosto resplandecente a transbordar de júbilo.

Agradeceu-lhe profundamente ter sido libertado naquela hora do purgatório.

Foi Maria Santíssima quem o buscou das chamas onde sofria dolorosamente.

*          *          *

Agradeçamos a Nossa Senhora os muitos benefícios que nos tem prestado. São muito mais que pensamos.

 

34 – AÇÃO GENEROSA BEM PREMIADA

D. João Mazio, homem ilustre e grande defensor do Papado contra os gibelinos, possuía um filho único de 19 anos. Moço distinto e adornado das mais belas virtudes.

Preparava-se o casamento com uma donzela, digna dele, quando traiçoeiramente foi assassinado. É fácil imaginar a dor que sentia D. João ao receber tão funesta nova.

Sem perda de tempo mandou seus vassalos em seguimento do covarde traidor, com a ordem de traze-lo vivo ou morto.

O perseguido tratou de refugiar-se na primeira casa que pôde. E foi exatamente em um prédio que pertencia a D. João.

Voltou um mensageiro a comunicar a feliz noticia ao irado pai.

– Senhor, o criminoso acha-se em vossas mãos, ordenai o devemos fazer com ele.

O primeiro pensamento, que lhe passou pela cabeça, foi dar-lhe a morte com as próprias mãos. Mas pediu que esperasse um instante.

Muito devoto de Maria Santíssima, retirou-se a fim de solicitar conselho.

Ajoelhou-se perante belíssima imagem, em seu oratório. Muito após, levantou-se todo calmo, buscou vultuosa soma de dinheiro e falou ao núncio:

– Dê este dinheiro e meu melhor cavalo ao assassino, e diga-lhe que fuja prontamente.

O criado não compreendeu tal gesto. Estava a pensar que a dor lhe transtornara a mente.

Mas D. João repetiu:

– Obedeça, jamais hei de mudar o que Maria me aconselhou.

O doméstico partiu sem replicar.

O réu, admiradíssimo e confuso, pôs-se a salvo prontamente, envergonhado e arrependido de seu crime.

Voltou D. João resignado a seu quarto, e coisa inaudita! (escreveu Appiani na Vida de Santo Emídio) encostou sobre o genuflexorio diante da imagem uma carta escrita de punho próprio por seu filho com os dizeres:

“Amadíssimo pai, tão agradável tem sido a Deus a generosa misericórdia que, por amor de Maria, haveis usado para  com o assassino, que, em prêmio dela, fui logo livre das penas do purgatório que devia sofrer por vários anos. Subo agora para o céu. Dentro de um ano, Deus vos dará outro filho. Continuai a viver cristãmente. Eu rogarei por vós no céu”.

Com efeito, um ano depois, e justamente no aniversário da morte do filho, D. João celebrava o nascimento de outro.

Como poderia gesto tão nobre e generoso não ser premiado por Nossa Senhora!

 

35 – RECUPEROU OS OUVIDOS

Um jovem de Flêscia, França, que por causa de seus estudos (escreveu o grande missionário Padre Segneri) deixara a prática, pediu a certa ocasião a seus pais que lhe enviassem dinheiro. Como estes não lhe mandassem, quanto ele desejava, remeteu-lhe uma carta cheia de desaforos. Apenas partira a missiva, o moço ensurdeceu totalmente. Toda a diligência dos médicos foi inútil para cure-lo.

Perdida inteiramente a esperança neles, o rapaz resolveu fazer uma peregrinação a Loreto, Itália, a fim de solicitar de Maria a cura que não conseguiram dar-lhe os doutores. Chegou à Santa Casa (é a mesma casa em que moraram Jesus, Maria e S. José em Nazaré, transportada inteirinha pelos Anjos até Loreto) na vigília da Assunção e, de noite, viu em sonhos uma celestial Senhora de grande majestade e esplendor, acompanhada de duas pessoas. Eram o pai e mãe do desgraçado estudante. A Senhora, que era a própria Maria Santíssima, voltada para os que a acompanhavam, pergunta-lhes:

– É este vosso filho?

– Sim, Mãe e Senhora nossa, disseram eles.

– Quereis que recobre a audição?

– Humildemente vo-lo suplicamos.

A Santíssima Virgem aproximou-se da cama do jovem e mostrou-lhe a carta escrita a seus pais:

– Lei-a, disse-lhe.

O moço, envergonhado e arrependido, cativou a Mãe de Deus, que lhe tocou suavemente ambos os ouvidos, e desapareceu.

Despertou o estudante e com grande contentamento e maravilha achou-se são. Pediu novamente perdão pela má-criação e deixou na Casa Santa um escrito juramentando de todo o ocorrido.

Maria Virgem é sempre boa Mãe para todos, mormente para os que a procuram, pedindo-lhe graça s e favores.

*           *           *

Apesar de o filho ter merecido aquele castigo pela má-criação, uma vez arrependido, Nossa Senhora não só lhe perdoou tudo, senão também o curou completamente.

 

36 – CURA DA SURDEZ

No livro “ao Céu por Maria” lê-se o seguinte milagre:

Guilherme Chibrando fica completamente surdo. Os médicos não só declararam que a cura era impossível, senão nem esperanças davam de melhora. Recorreu então com um tríduo a Maria Auxiliadora, pedido-lhe a graça de poder ouvir ao menos de um ouvido. E, com efeito, não tardou a sarar perfeitamente de um ouvido. Comovido e quase fora de si de contentamento, disse com seus botões:

– Será acaso importunar a Maria, se eu lhe pedir a graça completa?

E, sem mais, fez celebrar em sua honra uma Santa Missa, enviando ao Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora uma esmola.

E a boa Mãe Celestial concedeu-lhe tudo quanto lhe pediu. Desapareceu completamente a surdez.

Muito grato, continuou a ser agradecido todo o resto da vida.

*           *           *

Nossa Senhora pode tudo perante seu filho Jesus.

 

37 – VISITOU NOSSA SENHORA E FOI SALVA DA MORTE

Corria o dia 14 de Maio de 1868. Às dez da manhã eu uma fábrica de sabão, em Berlim, em conseqüência de um escape de gás, produziu-se uma terrível explosão. Três pessoas morreram no ato e dezessete ficaram gravemente feridas.

Dia 15 à noitinha realizava-se com a devoção do mês de Maria. Quem escreve é o deputado francês M. Lucas: Assistia eu a essa simpática festa, quando vi entrar na igreja uma menina, pobre empregada, com um precioso ramalhete de flores na mão e que, adiantando-se até o altar de Maria, colocava-o aos pés da imagem visivelmente comovida e derramando lágrimas.

Quis conhecer a causa que a afligia e a menina deu-me esta resposta: Ontem pala manhã minha patroa enviou-me com um recado a uma fábrica de sabão qual acaba de converter-se  em ruínas… Ao passar diante de uma igreja lembrei-me de que, não poderia assistir ao mês de Maria e veio-me o pensamento de rezar ali uma Ave Maria. Entrei e, logo depois da visitinha à mãe de Deus, segui meu caminho à fábrica. Achava-me a poucos passos da casa quando senti um estrondo espantoso: Era a fábrica, que saltava aos ares feita  em pedaços. Se não tivesse ido aos pés da Virgem, teria chegado momentos antes para ser vítima da catástrofe. Achar-me-ia agora no cemitério. Ah! Que não teria falado minha mamãe, se eu tivesse morrido!…

E dizendo isso a pobre menina, ora chorava ao pensar no ocorrido, ora ria-se contente de ter escapado.

*           *           *

Não desprezemos os bons pensamentos que muitas vezes nos ocorrem. São de grande importância, como vimos no caso acima narrado.

 

38 – CURA DO BARÃO COTTA

No ano de 1865 o Barão Cotta, banqueiro de Turim e senador da Itália, achava-se moribundo no leito. D. Bosco chega para fazer-lhe uma visita.

– Meu Padre, esta será a última vez que vos vejo, disse-lhe o enfermo com voz apenas perceptível; eu me vou; não poderei passar de hoje.

– Oh! Não, senhor Barão. A Santíssima Virgem necessita de vós neste mundo e quer que a ajude na construção de sua igreja. (O Santo estava ajuntando dinheiro para construir o belíssimo Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora).

– Teria muito gosto nisso, porém os médicos já não me dão a menor esperança.

– Que bem faríeis se Maria Auxiliadora vos sarasse?

– Ah! Se eu sarasse, daria, por seis meses, dois mil francos cada mês para sua igreja.

– Perfeitamente, disse o Santo. Volto ao Oratório para pôr em oração a todos os meus meninos. Ânimo!

Três dias depois, estando D. Bosco em seu escritório, anunciaram-lhe uma visita: era o Barão Cotta, completamente são, que vinha apresentar sua primeira oferenda a Maria Auxiliadora.

 

39 – SANTA MORTE

Um jovem de nobre família italiana, João Batista de Prato, encontrando-se em Dillingen como pensionista no colégio de S. Jerônimo, caiu mortalmente enfermo de certa disenteria epidêmica que fazia grandes estragos naquela cidade. Recebidos os santos sacramentos, dispunha-se resignado e tranqüilo para a morte e infundia valor a dois de seus irmãos que choravam inconsoláveis.

– Por que chorais? Dizia-lhe; eu vou para o Céu, sim, vou para o Céu.

Essa confiança lhe era inabalável e apoiava-se, conforme ele declarou a seu confessor, na aparição de Maria Santíssima, que lhe mostrara um precioso quadro onde seu nome estava escrito.

O Padre recomendou-lhe, para dar maior fé à visão, que, em subindo ao Céu, obtivesse o desaparecimento da terrível epidemia.

Prometeu-lho João Batista, e apenas morreu, cessou a peste; e o rosto do jovem conservou-se, até o enterro, tão formoso que admirou a todos.

Não foi em vão que o bom moço tivera profunda e filial devoção à Virgem Imaculada. Quanto bem lhe queria!

 

40 – FEZ O QUE NOSSA SENHORA PEDIU E …

Os Anais da Ordem Seráfica contam que um religioso franciscano, chamado Livínio, muito devoto da Imaculada Conceição, começara a escrever um livro sobre o Menino Jesus e as glórias de Maria. Largara-o, incompleto. Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem, porém não já com o Menino Deus nos braços como o visitara noutras ocasiões.

– Ó Mãe querida, e vosso filho, onde está? Perguntou-lhe Frei Livínio.

– Tu o tens abandonado, respondeu a Virgem Santa, por teres cessado de escrever os seus louvores; volta a teu trabalho e não só obterás suas visitas, senão também a graça do martírio que há tanto tempo desejas.

Frei Livínio, sem demora, prosseguiu no obra até terminá-la.

E tendo depois seguido a missionar em Cairo, obteve a graça de morrer mártir por Nosso Senhor.

Nossa Senhora não há de deixar de premiar os que lhe propagam a devoção.

A Santa Igreja, conjuntamente com todos os verdadeiros devotos de Maria, afirma que se salvarão os que ensinam os outros a conhecer e amar a Mãe de Deus.

 

41 – NOSSA SENHORA FICOU CONTENTE

Ao ser Santa Teresa de Ávila nomeada superiora, a primeira coisa que fez foi colocar a estátua da Virgem Santíssima na cadeira destinada à Priora e pôs aos pés dela as chaves de sua casa e as regras do instituto, pedindo-lhe que se dignasse tomar a direção espiritual e temporal  da comunidade.

Tão agradável foi à Mãe de Deus esta homenagem de sua devota serva que, na véspera de S. Sebastião, substituiu pessoalmente sua imagem e declarou que tomava o governo do mosteiro.

Eis como a Santa conta a aparição:

O primeiro ano em que fui priora do convento da Encarnação, na vigília da festa de S. Sebastião e quando se começava a cantar a “Salve-Rainha”, vi descer a Santíssima Virgem acompanhada de uma multidão de Anjos e sentar-se no lugar destinado à priora. Já não vi a imagem senão tão somente a boa Mãe com certa semelhança àquela mesma. Isso ocorreu em tão breve tempo que não saberia precisa-lo, pois que entrei  em êxtases. Enxerguei ao mesmo tempo vários Anjos ao lado do sólio. Isso durou o tempo em que se cantou a Salve-Regina. A Santíssima Virgem disse-me: “Tendes feito bem em colocar aqui minha estátua; eu estarei presente durante os louvores que terdes a meu Filho e lho oferecerei em vosso nome”.

*           *           *

Nossa Senhora é muito melhor do que nós pensamos. Fazem muito bem os que colocam um belo quadro ou imagem da Virgem Santa em seus lares. Aconselha-se muitíssimo ao lado de S. Coração de Jesus uma artística efígie do Puríssimo Coração de Maria.

Que os Santíssimos Corações de Jesus e de Maria estejam como em tronos em nossas casas.

Felizes e benditas serão essas moradias!

 

42 – LIVRA DA MORTE UMA MENINA

Uma menina de sete anos assistia à escola de S. José  em Jerusalém. Levava ela ao pescoço um colar muito valioso. Uma senhora muçulmana, cheia de cobiça, atraiu a boa criança por meio de promessas até fora da cidade. Estando em lugar afastado, pegou-a fortemente pela garganta para estrangula-la . Quando a julgava morta, tirou-lhe o belo colar, e jogou-a numa cova profunda.

A menina, depois de horas voltou a si, e pôs-se a gritar. Ninguém a ouviu. Quis sair do buraco, mas não lhe era possível.

Recorreu à Mãe Celestial, que muito amava. Lá passou três dias e três noites, repetindo as duas orações que sabia de cor: a Ave Maria e a Salve Rainha.

E Maria Santíssima teve pena dela. Fez que uns carvoeiros passassem por ali. Viram-na e tiraram-na de dentro e levaram-na ao Patriarca D. Vicente Bracco e depois ao Governador de Jerusalém. Tendo a criança contado o ocorrido, a polícia conseguiu prender a perversa mulher e castigá-la.

Só por milagre a menina não morrera. A própria Mãe de Deus lhe dera comida e bebida.

 

43 – E MARIA LHE INCLINOU A CABEÇA…

S. Francisco de Assis tomou a Maria Imaculada por padroeira e advogada de sua ordem seis séculos antes que o Papa Pio IX declarasse essa verdade como dogma. Sendo Nossa Senhora descendente de Adão e Eva, achavam que Ela também deveria ter o pecado original. Os franciscanos, seguindo seu ilustre fundador, ensinavam que não era isso ser possível. Suscitaram-se grandes discussões a esse respeito, especialmente no século catorze. Por isso o Papa Bento XI ordenou, em 1304, uma dissertação pública na Universidade de Paris. O bem-aventurado João Duns Escoto foi encarregado pelo Superior Geral dos Franciscanos para representar a Ordem e defender a doutrina. Para isso mudou-se de Oxford, cidade inglesa, para Paris, capital de França.

Preparou-se com orações e jejuns. Em caminho para a Universidade, passando por uma linda estátua da Virgem sempre pura, saudou-a com as palavras: “Permito, ó Virgem Santa, que vou vos louvar e daí-me forças para vencer vossos inimigos!”

E oh! Maravilha! A estátua inclinou a cabeça, como para indicar-lhe que tal graça seria concedida.

Ao chegar à Sorbona, Frei Duns Escoto se achou diante de um público temível e de adversários sabidos que apresentaram duzentos argumentos para provar o contrário daquilo que os Frades ensinavam a favor da Imaculada Conceição.

O religioso franciscano ouvia atenta e recolhidamente tudo. Apenas acabaram de falar seus adversários, levantou-se e repetiu por sua mesma ordem os duzentos pontos e os desfez um por um até o último. (Coisa impossível, não tivesse a Mãe de Deus ajudando, guardar tantas coisas na mente e pela mesma ordem!)

Os doutores da Universidade, assim como os representantes do Papa, saudaram-no com calorosos aplausos, e deram-lhe o nome de Doutor Sutil. E desde então eles mesmos propuseram festejar também a festa da Imaculada Conceição.

*           *           *

Nossa Senhora  realiza  até milagres estrondosos, se forem necessários, para auxiliar os seus fiéis filhos.

 

44 – QUE DELICADEZA DE NOSSA SENHORA!

Certo monge, muito devoto de Maria Santíssima, costumava saúda-la, ao passar diante do altar com as palavras: “Alegrai-vos, Mãe de Deus, Virgem Imaculada, alegrai-vos com o gozo que recebestes quando o Anjo vos anunciou que havíeis de ser a Mãe de Jesus!”

Ao cruzar um dia a igreja, o servo de Deus ouviu uma voz incomparável vinda do altar que dizia:

– Gozos me anunciais, meu filho, e os gozos serão tua coroa lá no Céu.

*           *           *

Em certa ocasião que Santa Gertrudes invocava a Maria com as palavras da Salve-Rainha: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos a nós volvei”… viu a excelsa Mãe de Deus, enclinar-se graciosamente para ela, com que dizer-lhe: Sempre estou pronta a atender os que me chamam.

A mais delicada das mães é Maria Santíssima.

 

45 –  DEFENDE SEUS DEVOTOS

Teve Santa Brígida um filho chamado Carlos, mito levado, que se dedicou desde cedo às armas. Em certa batalha morreu.

Refletindo a mãe sobre a vida do jovem, ocasião, lugar e tempo e demais circunstâncias da morte, entristecia-se por sua sorte.

Nosso Senhor, porém, que amava a grande Santa, não tardou em consola-la com a visão seguinte:

Presente em espírito diante do tribunal supremo, viu sentado sobre um majestoso trono a Jesus Cristo e, a seu lado, a Virgem Maria.

Compareceu ali o demônio, cheio de raiva, e reclamou:

– Juiz eterno, justo em vossos decretos, espero obter justiça ainda que seja contra vossa Mãe. Para a morte de Carlos, vossa Mãe tem procedido injustamente em duas coisas contra mim: A primeira é o haver-me proibido de tenta-lo no último dia de sua vida em que eu poderia tê-lo levado a perdição eterna. Mandai que ele volte ao mundo para eu poder tenta-lo até o último instante. A outra injúria que me fez vossa Mãe foi trazer ela mesma em seus braços a alma de Carlos até aqui e não me deixar apresentar as faltas que ele cometeu. Um juiz justo deve ouvir as duas partes.

Replicou a Santíssima Virgem: Embora o demônio seja o pai da mentira, desta vez ele disse a verdade. E eu ajudei extraordinariamente a alma de Carlos porque ele me invocava sempre e me defendia a tal ponto de morrer se fosse necessário por mim.

O juiz então proferiu a sentença a favor de sua Mãe, afirmando que ela fizera muito bem, premiando seu devoto, e impôs silêncio ao demônio, que desapareceu como um raio.

Santa Brígida desde então ficou sossegada e agradeceu a bondade da Mãe Divina.

*           *           *

Todo devoto da Mãe Celestial procura também defende-la contra os que se atrevem a falar mal ou menos bem dela. Não permitamos jamais que gente má ofenda a Virgem sempre pura!

 

46 – DÁ-LHE A SAÚDE

No ano de 1572 o sábio Barônio estava à morte. Recebidos os últimos sacramentos, tinha, pelo que parecia, suas horas contadas. Mas S. Filipe Néri, a cujo Instituto pertencia, pediu a Nossa Senhor que concedesse saúde ao enfermo.

Barônio viu então em visão a seu superior que, prostrado aos pés de Jesus e de Maria, falava:

“Senhor, dai-me Barônio, não o levais ainda”.

E como Jesus não quisesse concordar, voltou-se para Nossa Senhora, que, servindo-lhe de intercessora, foi logo atendida.

No mesmo dia Barônio estava restabelecido de tudo, e pôde ele mesmo narrar nos seus anais a graça obtida.

*           *           *

Tudo o que Maria Santíssima deseja recebe de Jesus, que sempre ainda é seu boníssimo filho.

 

47 – AO PARAÍSO! AO PARAÍSO!

O bem aventurado Afonso Salomerón teve durante toda a vida a mais filial devoção à Virgem Santíssima;  a Ela recorria em todas as dificuldades e a ela deveu as extraordinárias luzes com que admirou a todos os sábios reunidos no Concílio de Trento.

Imitador das virtudes de sua Mãe, era a humilde personificada e jamais quis aceitar as grandes dignidades que a Igreja lhe oferecera.

Recomendava vivamente a devoção a Maria por todas as maneiras possíveis.

Chegou a hora da morte, teve a felicidade de ver a Rainha do Céu junto à sua cama, e expirou exclamando:

“Ao paraíso, ao paraíso! Bendito seja, ó Maria, o tempo em que vos servi, benditas as pregações e fadigas que vos consagrei! Ao paraíso, Ao paraíso! Oh! Quão suave é a morte para quem ama deveras a Maria!”

*           *           *

Quem não gostaria de ter uma morte assim? Pois sejamos sinceros filhos de Maria. Invoquemo-la freqüentemente cheios de confiança.

E Nossa Senhora assistirá aos nossos derradeiros momentos e nos levará para o Céu.

 

48 – QUERIA MATAR O PAPA… E CONVERTEU-SE

Faz alguns anos. Pio XII estava na sua capela, a rezar o terço com um grupo de trabalhadores italianos. Acabada a reza, aproximou-se de Santo Padre Bruno Carnacchila, italiano de 31 anos de idade, e entregou-lhe um punhal, dizendo todo comovido: “Santo Padre, com este punhal jurara matar Vossa Santidade. Que Vossa Santidade me perdoe!”

Pio XII permaneceu silencioso por um momento, e, apanhando o punhal, disse apenas:

– Perdôo-te, meu filho.

Esse Bruno fora terrível comunista. Odiava a Santa religião. Não podia ver Padres. Largara completamente suas orações.

Mas quem não o abandonou foi Maria Santíssima a quem ele tanto rezara em pequeno.

Passando um dia por uma gruta de Nossa Senhora, olhara para a bela imagem, e ela fixou seus olhos nele…e converteu-o totalmente.

Após ter renunciado ao comunismo, e ter-se reconciliado com a Igreja, decidiu entregar pessoalmente o punhal ao Papa.

 

49 – VOU VER NO CÉU MINHA MÃE QUERIDA

Um senhor muito cruel teve o gosto de festejar com um banquete o nascimento de sua filha Lucrecia. Durante o festival, levantando na mão o punhal sangrento, exclamou com voz furibunda:

– Com este matei quatorze Padres Carmelitas e cinco Franciscanos e prometi liquidar  o que tentar batizar minha filha.

Maria Santíssima, porém, velava por sua filha que ajudou a viver pura como um lírio no meio de tantos maus.

Lucrecia foi crescendo. Embora sem batismo, era devota da Mãe Celestial.

Em 1813, Lucrecia caiu enferma e a doença a levou às portas da morte.

Procuraram os parentes dispor o pai a fim de que permitisse o batismo da filha. Ele, esbravejando, renovou o juramento de matar  o Sacerdote que se apresentasse para batiza-la

Avisaram disso um Padre que, disfarçado em médico, veio para prestar socorro à doente, que fora declarada incurável.

Foi aceito. Enquanto o pai foi preparar uma bebida medicinal, prescrita pelo suposto médico, o sacerdote deu-se a conhecer e perguntou a Lucrecia se desejava ser batizada.

– Oh! Sim, Padre, há muito que suspiro pelo batismo.

O pai entrou quando o ministro de Deus acabava de pronunciar as últimas palavras sacramenteis.

– Lucrecia, disse-lhe o pai, toma este remédio.

– Meu pai, não me chame mais Lucrecia, replicou a jovem, eu me chamo agora Maria e vou ver, no Céu, minha mãe querida que me salvou.

E expirou.

Como Nossa Senhora é boa!

E que aconteceu ao pai? Quererão todos saber.

Depois de chorar duas horas a morte da querida filha, colocou a mão direita sobre o corpo frio de Maria Lucrecia, e jurou mudar de vida, reparando todas as maldades. O que prometeu, de fato, fez.

E repito aqui mais uma vez: Como Nossa Senhora é muito boa!

 

50 – CHAMADO POR NOSSA SENHORA A UM DOENTE

Foi durante a noite de 21 de Junho de 1860. Alguém bateu a porta do Colégio de Amiens. O porteiro acorde a portaria e,  antes de abrir, ouviu uma voz que dizia:

“O Padre Guidée que vá imediatamente a tal rua, número e andar, que lá está uma senhora a morrer e quer comungar”.

O Sacerdote, acompanhado do sacristão, se dirigiu logo à tal casa levando junto o Santo Viático.

À entrada apareceu uma empregada.

– Está aqui algum doente?

– Sim, Padre.

– Ela não pediu um Sacerdote?

– Não, Senhor.

– Conduze-nos ao quarto da doente.

A criada conduziu os dois visitantes ao quarto da enferma. Depois de saúda-la, perguntou-lhe se não chamara um Padre.

– Não, Padre; eu não sou Católica; sou protestante.

– Os protestantes, prosseguiu o Padre Guidée, não admitem o culto de Maria Santíssima. A senhora também segue o mesmo pensar?

– Não, Padre; toda vida invoquei o nome de Maria, Mãe de Deus.

Muito disposta, escutou as instrições a respeito da doutrina Católica, e prontificou-se a acreditar tudo, afirmando ser seu desejo morrer no Catolicismo.

O Padre a batizou sob condição, confessou-a em seguida (porque podia ser que já tivesse recebido o batismo) e deu-lhe a Comunhão como viático e a extrema-unção.

Com o nome de Maria nos lábios, faleceu suavemente.

Nossa Senhora mesma chamara o Sacerdote para premiar sua devota.

 

51 – E MARIA LEVOU-O A SER PAPA

Havia na Universidade de Lovaina, Bélgica, um estudante muito pobre, mas de grande inteligência. Era ele quem fazia os melhores exames.

Os companheiros não podiam compreender o seu desaparecimento, todas as tardes, à hora em que iam divertir-se nas casas de diversões.

Para esclarecer o caso fora, uma noitinha, por todos os botequins de Lovaina para o encontrar, mas debalde. Pelas 9 horas da noite passaram junto da porta da igreja de S. Pedro, onde havia um nicho com uma imagem de Maria, alumiada por uma lâmpada.

Ali viram um vulto. Pensaram que fosse um ladrão que quisesse arrombar a casa de Deus. Aproximaram-se e reconheceram o seu bom amigo.

– Por aqui a estas horas da noite? Disseram.

– Venho aproveitar a luz que brilha diante da estátua de Maria, pois não tenho como comprar velas para estudar de noite.

O gentil moço, muito devoto de Maria, a quem invoca freqüentemente foi auxiliado belamente. Terminando os estudos, foi  nomeado professor da mesma Universidade, instrutor de Carlos V e mais tarde ficou Papa com o nome de Adriano VI.

*           *            *

Todas as dificuldades desaparecem perante a bondade de Nossa Senhora.

E fazem muito bem os estudantes que escolhem exatamente a Maria como sua protetora, ela que é Rainha das inteligências.

 

52 – PENSA O SENHOR QUE A MÃE DO CÉU ME ABANDONARÁ?

Um Bispo da Escócia perdeu-se, certo dia, na floresta. Depois de andar muito tempo sobreveio-lhe a noite. Uma luzinha guiou-o a uma casa pobre, habitada por gente piedosa.

Receberam o hóspede, sem saber quem era, pois o Bispo estava envolvido em grande manto. Esse também não sabia se os habitantes desse lar eram Católicos ou protestantes.

O Senhor Bispo notou que reinava tristeza  em casa. Perguntou o que havia. Disse-lhe a dona da casa que o pai, já muito idoso, estava gravemente doente, e o pior era que não queria se convencer de que morreria. Por isso não se preparava para receber a morte.

– Posso vê-lo? Disse o Bispo.

– De boa vontade, tornou a senhora.

E introduziu o ilustre visitante no quarto do enfermo.

Depois de conversar amigavelmente durante minutos, procurou leva-lo ao pensamento da mote. Mas o bom homem pareceu recuperar todo vigor e, elevando o corpo da cama exclamou:

– Não, não morrerei!

– Mas, meu amigo, lembre-se de que todos devemos morrer; e sua moléstia e sua idade…

– Eu lhe digo que não morrerei. É impossível!

E por mais que o senhor Bispo procurasse persuadi-lo, sempre recebia como resposta: “Não morrerei!”

– Mas, afinal, falou o Bispo, pode dizer-me por que razão não pretende morrer?

A essa pergunta o moribundo pareceu enternecido e, lançando um olhar a seu interlocutor, indagou em tom profundamente comovido:

– O senhor é Católico?

– Sou, respondeu o outro.

– Neste caso, volveu o doente, posso dizer-lhe por que não morrerei.

Desde a minha primeira comunhão nunca deixei de pedir diariamente à Nossa Senhora a graça de não morrer sem ter um Sacerdote à minha cabeceira na hora da morte. Pensa que minha Mãe do Céu poderá deixar de me atender? É impossível!…

– Então, meu filho, disse o Bispo, foi atendido. Quem está a falar-lhe é mais que um Padre, É seu Bispo. A Santíssima Virgem trouxe-me através destas florestas para assisti-lo nos últimos momentos.

E abrindo o manto, fez brilhar os olhos do moribundo a cruz pastoral.

Então o bom homem, em transporte de alegria, exclamou:

– Ó Maria, ó boa Mãe, eu vos agradeço.

E o senhor Bispo confessou-o

– Agora, sim, creio que vou morrer!

Minutos depois da absolvição, rodeado de toda família, morreu como um santo.

 

53 – SALVO DA MORTE POR TER DEFENDIDO A MÃE DE DEUS

Não faz muito tempo, na estrada que sobe da cidade francesa Honfler ao elegante Santuário de Nossa Senhora das Graças, um moço de 17 anos, de joelhos e terço na mão, ia escalando a colina. Depois de andar quase um quilômetro conseguiu entrar na igreja e prostrar-se aos pés da Virgem.

Vendo-o um Sacerdote, de joelhos ensangüentados, perguntou-lhe o motivo da dolorosa penitência.

– O senhor soube do horroroso acontecimento que houve ontem no mar? Éramos três jovens, dois pereceram, um só foi salvo: sou eu. Meus dois amigos e eu obtivemos anteontem boas notas em nossos exames de bacharel, festejamos juntos tão feliz sucesso, e, para terminar o dia, resolvemos dar um passeio pelo mar. As ondas estavam fortes e o vento soprava com violência. O dono da embarcação avisou-nos que havia perigo, mas não fizemos caso dos conselhos.

Um dos meus amigos pronunciou algumas palavras levianas e, na conversa, houve algumas zombarias de Nossa Senhora. Proteste, dizendo:

“Amigos, divirtamo-nos, mas respeitem minha Mãe!”

Eles riram-se… mas não durou muito tempo, pois uma onda colocou a pique a canoa. Ninguém de nós três sabia nadar; meus dois amigos afogaram-se. Eu só fui salvo, e atribuo minha salvação a Maria cuja defesa acabava de tomar. Vim aqui de joelhos agradecer-lhe, porque a morte me teria achado muito mal preparado.

Levantou-se e fez ótima confissão.

Nossa Senhora salvou-lhe a vida do corpo e a alma.

*           *            *

Só pessoas de maus instintos e de péssima educação zombam dos Padres, Religiosos, dos Santos e objetos sagrados. Nosso Senhor castiga esses pecados muitas vezes já neste mundo.

 

54 – SIM, MINHA RAINHA, JÁ VOU!

O Papa S. Gregório Magno conta-nos que uma jovem chamada Musa distinguia-se por grande devoção e amor à Mãe de Deus.

Achando-se em grande perigo de perder a inocência por causa dos maus exemplos das companheiras, apareceu-lhe, certo dia, Nossa Senhora, em companhia de muitos Santos, e assim lhe falou:

– Musa, queres entrar para o coro destas virgens?

Musa, toda satisfeita, respondeu imediatamente que sim.

Ouviu então como resposta da Rainha do Céu o seguinte:

– Pois bem, nesse caso deixa tuas companheiras e prepare-te; dentro de trinta dias estarás no Céu entre os Santos.

A boa donzela largou suas amigas. Trinta dias depois estava a morrer, vítima de grave doença. E outra vez apareceu-lhe a Rainha das Virgens, chamando-a pelo nome. Ao que Musa respondeu:

– Sim, ó minha Rainha, já vou.

E expirou na paz de Deus.

 

55 – NUNCA ABANDONO MEUS DEVOTOS

S. João de Deus, muito devoto da Mãe de Deus, estando para morrer, esperava ansioso a visita da Santíssima Virgem. Não a vendo vir, queixou-se disso com os que estavam presentes.

De repente, apareceu Nossa Senhora, em grandioso aparato e suavemente o repreendeu de sua falta de confiança. E acrescentou:

– João, não abandono meus servos numa hora como esta!

Queria com isso dizer: Que está pensando, meu querido João? Havia eu de abandona-lo? Não sabe então que nunca esqueço meus devotos e muito menos na hora da morte? Não vim antes porque ainda não estava na hora. Agora, sim, vim busca-lo; vamos juntos para o Céu.

Pouco depois expirava o Santo e voava ao lugar de delícias a dar graças à sua amabilíssima Mãe por toda eternidade.

A morte dos devotos da Virgem Mãe é sempre encantadora.

 

56 – SALVO DAS CHAMAS

Antigamente costumava-se distribuir entre as crianças os restos dos pães consagrados durante a Santa Missa. Um dia, na cidade de Constantinopla, voltando as crianças da escola, foram convidadas pelo Sacerdote a receberem os fragmentos santos. Entre esses alunos estava um judeuzinho que também comungou com os outros.

Tendo-se demorado, perguntou-lhe o pai, que era um vidraceiro, onde estivera. O menino sinceramente contou tudo. Enfurecido, pegou o filho e lançou-o a um forno aceso, e trancou a porte.

A mãe, vendo que não chegava a casa, saiu a procura-lo. Procura-o daqui, procura-o dacolá. Pôs-se a gritar como uma louca. Os vizinhos auxiliaram-na na procura, mas tudo  em vão. Ao cabo de três dias, passando perto da fornalha, lamentando-se ainda, ouviu a voz do filho. Não sabia a princípio donde vinha a voz; mas reconhecendo, afinal, que era do forno, arrombou a porta e viu o querido filho no meio das chamas sem ter recebido ferimento algum.

Saiu o menino com a mãe lhe perguntasse por que não se queimara no meio daquele fogo, respondeu-lhe que apareceu uma lindíssima senhora que apagara o fogo em redor e lhe dera comida e bebida à vontade.

Toda a cidade foi informada desse fato prodigioso.

Mãe e filho se fizeram batizar, tornaram-se ótimos Cristãos. O pai, obstinado no erro, não quis converter-se. Foi por isso, em 552, por ordem do imperador Justino, condenado à morte em castigo de seu tremendo crime.

Se não fosse Nossa Senhora, que teria sido daquela inocente criança?

 

57 – CONQUISTADO POR NOSSA SENHORA

Um velho pecador – conta um sacerdote – viera de muito longe visitar Nossa Senhora de Lourdes. Não chegara ali por devoção, mas simplesmente como curioso. Encontrando o Padre perto da entrada, ofereceu-lhe dinheiro com as palavras: “Encarregaram-me de mandar rezar uma Missa neste Santuário; eis a oferta”.

– Meu amigo, respondeu-lhe o Sacerdote, não é dinheiro, é a alma que quero; já se confessou?

– Não, senhor Padre, não me confessei, e uma das condições sob as quais consenti em vir até aqui foi exatamente que não me confessaria. E eis que, sem conhecer-me, já me fala em confissão. É um pouco demais!…

– Não, meu amigo, não é demais. Seria esquisito vir até Lourdes e visitar Nossa Senhora cheio de pecados e voltar com eles. Não conhece o poder de Nossa Senhora? Ainda não foi rezar na gruta?

– Acabo de chegar, e ainda não vi nada.

– Pois bem, venha comigo; venha sem receio.

E o peregrino acompanhou-o. O Padre levou até bem perto da imagem da Virgem Imaculada.

– Que se faz aqui? Perguntou o romeiro.

– Reza-se.

– Mas já faz 50 anos pelo menos que não rezo.

– Maior razão, tornou o Padre, para faze-lo agora.

O Sacerdote ajoelhou-se, e ele, como um cordeiro, imitou-o.

Esse homem, que há cinqüenta anos não rezava, fixou os olhos  em Maria Santíssima e ela nos dele…

O ministro de Deus, após ter pedido pela conversão do pecador, falou-lhe:

– Meu amigo, Nossa Senhora não nega nada a quem lhe pede. E bem sabe o que ela lhe pede.

– Oh! Sim, senhor Padre, eu sei. Mas será que Deus ainda perdoará a um pecador como eu? Precisaria ao menos um ano para preparar minha confissão!

– Um ano? Seria assim se o senhor estivesse sozinho! Mas tem consigo Maria Santíssima. Alguns minutos serão suficientes. Venha!

E tomando-o pela mão, fê-lo ajoelhar-se, e momentos depois o velho pecador acabara sua confissão. E que bela confissão!

A virgem Imaculada possui desde então um grande devoto a mais.

 

58 – NÃO FOI POR ACASO

Certa noite o Padre Baron, Vigário em Douai, foi chamado para confessar uma moribunda. Era noite chuvosa e muito escura. Enganou-se com o número da casa, entrando noutra. No corredor disse-lhe uma senhorita que no segundo andar também havia uma senhora que ia morrer em breve.

Sobe, e bate à porta. Um homem, de rosto carrancudo, apresenta-se e pergunta o que deseja aí. O Sacerdote vê a doente no fundo do quarto. Quer adiantar-se, mas o homem, furioso, impede-o, ameaçando joga-lo escada abaixo.

A mulher, porém, com voz fraca pede: “Pelo amor de Deus, Padre, venha cá, quero confessar-me!”

O ministro de Deus, um desses homens robustos e decididos, disse ao que lhe queria vedar a passagem, que se retirasse, e já, pois atenderia a doente.

Aquele senhor, embora esbravejando de ira, afastou-se para longe.

– É a Virgem Santa quem vos mandou, falou logo a moribunda; meu marido, até hoje, resistiu a todos os meus pedidos, recusando a vinda de um Sacerdote. Faz dez anos que não posso ir à igreja por causa dele. Contudo, rezei diariamente à Nossa Senhora, cheia de confiança, esperando ser atendida. E eis a bela graça…

Confessou-se direitinho. E então o Padre perguntou como conseguira manda-lo chamar.

– Não mandei ninguém.

– Mas não sois a senhora fulana de tal? Disse-lhe o Vigário.

– Não, senhor; até nem conheço essa pessoa.

– Mas não é essa a casa número 30 da Rua S. Tiago?

– Não, senhor, aqui é número 50.

O Padre despediu-se para ir visitar a senhora que o mandara chamar, prometendo-lhe regressar para lhe dar o Santo Viático.

Meia hora depois estava de volta, para encontrar um cadáver.

Nossa Senhora permitiu que o Padre errasse o número da casa para socorrer sua piedosa devota.

 

59 – TEMPESTADE APLACADA

Nada resiste ao poder de Nossa Senhora. Os ventos e os mares lhe obedecem como as demais criaturas.

A imperatriz Matilde, obrigada a sair da Inglaterra durante uma guerra que sustentava em favor de seu filho Henrique, atravessou o mar durante um tempo incerto. E passadas umas horas, desencadeou-se medonha tempestade. Os graúdos, que acompanhavam a imperatriz, a temer de medo. Matilde, com semblante pálido, exclamou com voz firme:

– Coragem, senhores, Nossa Senhora é boa e poderosíssima; auxiliar-nos-á com certeza. Logo que avistar terra quero entoar um hino à Virgem do Bom Socorro. E desde já faço voto de mandar erigir-lhe um Santuário à beira-mar, onde tocarmos terra.

Apenas pronunciara esse voto público, a terrível tempestade acabou-se, os ventos cessaram e as ondas se amansaram. O navio foi aportar ao lado dos penhascos da Normandia.

– Cantai, cantai, rainha, disse o piloto; eis a terra!

E a imperatriz, com voz clara e sonora, entoou um cântico popular à Virgem Santa. Todos os que estavam no navio uniram suas vozes a louvar a Mãe de Deus.

Mal desembarcaram, a rainha designou o terreno do futuro Santuário. E antes de se afastar da praia, fez questão de assentar a primeira pedra.

Nossa Senhora não deixa de atender os que a ela recorrem com confiança filial.

 

60 –  SALVO DO TANQUE

Desde criança S. João da Cruz foi devoto de Maria Santíssima, e a Virgem ajudou-o sempre durante toda a vida.

Teria João quatro ou cinco anos quando,  certo dia, brincando de atirar pedaços de madeira num tanque para depois pesca-los, perdeu o equilíbrio, caiu na água e desapareceu. Depois de um instante, porém, voltou à superfície, todo sorridente e alegre.

Alguém o sustentava à tona. Ele falava e sorria a um ente só visível a seus olhos. Quem seria?

Mais tarde, João contou que viu uma Senhora que lhe dissera:

– Dá-me a tua mão para que eu te tire daqui.

E estendia para ele duas mãos brancas com neve.

João examinou as suas, todas sujas de lama, e não ousou estende-las para tão bela Senhora, com medo de manchar-lhe a brancura.

Um grupo de crianças, que ali estavam, se puseram a gritar por socorro. Aparece então um jovem desconhecido que, estendendo-lhe o bastão, o ajudou a sair. Mas antes que alguém pudesse falar-lhe, desapareceu, de súbito, assim como a bela Senhora.

Quem teria sido o lindo jovem? O Anjo de Guarda ou o Menino Jesus?

Depois desse dia Joãozinho entregou-se de corpo e alma     à sua bondosa Salvadora. E sempre que se recordava desse fato, agradecia a Nossa Senhora.

 

61 – SEDE VÓS MINHA MÃE!

Foi em Ávila, Espanha, no mês de Novembro. Numa casa rica, estava agonizando uma distinta e piedosa senhora. Já os Sacerdotes, ali reunidos, haviam rezado as orações dos agonizantes, quando a enferma abre os olhos, olha em derredor de si e, com voz quase apagada, diz:

– Teresa! Chamem a Teresa.

Uma menina de 12 anos penetra no quarto. Aproxima-se da cabeceira da mãe a morrer. Esta, fixando a filha, e como que prevendo o futuro, exclama:

– Bendita…bendita!

E Morre.

Amenina, desfeita em pranto, beija pela última vez aquelas mãos frias e dirige-se a um aposento, onde há um belo quadro da Virgem Senhora. Erguendo os olhos, ainda rasos de lágrimas, e cheios de ternura e confiança fala:

– Senhora, eis que já não tenho mãe; sede vós a minha mãe daqui em diante.

E aquela menina, auxiliada por Nossa Senhora, tornou-se freira, superiora e reformadora, grande escritora e uma das maiores mulheres da história; é Santa Teresa de Jesus.

 

62 – MAMÃE HÁ DE VIR

Um pobre polonês, o Conde Scholinski, preso com as armas na mão na luta da Polônia em 1864 contra a Rússia, fora condenado à morte.

Ao receber tal notícia, a condessa, sua esposa, procurou um alivio à sua dor. Com o filho Estanislau, um menino de 10 anos, ajoelhou-se no oratório do palacete, perante uma artística imagem de Nossa Senhora das Dores:

– Santíssima Virgem, disse ela, protegei-nos, salva-nos; ó boa Mãe, que nunca fostes invocada em vão, tomai em conta nossas súplicas.

Estanislau e a mãe levantaram-se com a esperança no coração. A condessa, acompanhada de um criado e de seu filho, foi à prisão onde estava encerrado o marido. Com uma boa gorjeta conseguiu do carcereiro licença para entrar. O encontro durou meia hora, durante o qual os esposos trocaram mutuamente de roupa; e o infeliz conde saiu, escondendo o rosto, para não ser reconhecido pelo carcereiro. Só no hora do jantar é que deram pelo engano, mas já era tarde demais. No lugar do condenado, acharam a condessa. Ele fugira na direção de Paris, levando consigo o filhinho Estanislau. Passaram-se 18 meses sem ter noticia alguma da corajosa esposa. O filho sempre a perguntar:

– Quando é que mamãe há de voltar?

O pai recomendava-lhe que rezasse a Nossa Senhora que ela a faria regressar.

O menino foi internado num colégio. Recebeu boa instrução religiosa. Aproximava-se a época em que faria a primeira comunhão.

– Papai, repetia o pequeno, quero que mamãe volte para o grande dia de minha primeira comunhão. E ela há de voltar, sim, papai.

Preocupado com esse desejo, escreve uma cartinha endereçada a Pedro, criado de quarto da mamãe, o qual ficara em Varsóvia:

– Pedro, faça o favor de avisar a mamãe que vou fazer a primeira comunhão daqui a um mês. É preciso que ela esteja presente.

Indicou-lhe o seu endereço. Acabada a carta, pôs nela uma imagem de Nossa Senhora, para que chegasse às mãos do empregado.

No mesmo dia o pai recebeu terrível telegrama: “Toda a esperança está perdida, seguiria para a Sibéria. Paciência!”

O grandioso dia para o menino estava se aproximando. Não falou nada de sua carta nem ao pai nem aos seus professores.

Na véspera do belo dia, o pai foi ver o filho. O filho lhe pediu de joelhos perdão por todos os desgostos que lhe dera até então, e a benção para bem comungar. E disse ainda:

“Espero também a bênção da mamãe hoje ou, quando muito, amanhã cedinho”.

O conde calou-se.

– Mamãe estará de volta. Fiz novena a Maria Santíssima, supliquei tanto que não pode deixar de me atender.

– Está bem, meu filho, disse o pai trêmulo de comoção. Esperamos até amanhã. – E despediu-se do filhinho.

Depois do jantar o menino correu à porta.

– Aonde vai? Perguntou-lhe um professor.

– Quero saber se mamãe me espera no locutório.

– Mas, meu amigo, sua mamãe não está aqui em Paris.

– Não está, mas estou certo de que há devir, insistiu Estanislau.

– Sossegue, menino, volte para o recreio.

O menino obedeceu, pensando, que, quando chegasse, o chamariam.

O estudo da noite pareceu-lh muito comprido. Na hora do chá, uma senhora, pobremente vestida, apresentou-se à portaria, pedindo para falar com Estanislau.

O porteiro, não sabendo de quem se tratava, não quis, naquela hora da noite, chamar o menino. Permitiu apenas que ela se aproximasse da janela, para ver desfilarem os alunos que iam ao refeitório.

Estanislau, que esperava com ansiedade a volta da mãe, vendo-a pela janela, gritou:

Ei-la! Ei-la! E caiu desmaiado.

Como é que a condessa chegara à hora marcada por seu filho? Fugira das mãos dos que a levavam para a Sibéria. Disfarçada, tomou o rumo de Paris, e dirigiu-se para o endereço indicado pelo filho ao criado.

Naquela noite os três não dormiram de alegria. E na manhã seguinte, o conde e a condessa Scholinski, reunidos, felizes, entusiasmados, receberam a Santa Comunhão ao lado do filhinho Estanislau.

Maria Santíssima não podia negar essa graça ao piedoso rapazinho. Sua fé  em Nossa Senhora foi lindamente premiada.

 

63 – SIM, CONCEDO-TE…

S. João Vianey amava tremendamente Nossa Senhora. Ela dava-lhe tudo que podia.

O Santo tinha a seu uma muito boa empregada, chamada Catarina Lassagne.

Numa noitinha, pensando que o Santo Vigário ainda estivesse na igreja, Catarina entra, sem bater, no quarto dele. Mas, apenas o abriu, pára no limiar, admiradíssima do espetáculo extraordinário que se lhe apresenta. O Santo Sacerdote, de pé, inundado de uma luz, está conversando com Nossa Senhora com a simplicidade de uma criança.

Catarina compreende que não deve ficar ali; pensa  em fugir. Mas não pode; sente-se presa ao lugar onde está.

– Boa Mãe, dizia o Santo, por favor, concedei-me a saúde de tal doente.

A Virgem divina inclina-se com amor e responde, sorrindo:

– Concedo.

– Muito obrigado, minha boa Mãe. Nunca me recusais coisa alguma; mas, agora, tende compaixão de tal pecador obstinado, dai-lhe a graça da conversão.

– Concedo-te isso também.

– Oh! Mil vezes obrigado, minha boa Mãe! Mas permiti ainda que eu faça mais um pedido. Sou pobre e nada posso deixar à minha boa e velha empregada…Ao menos, se tivésseis a bondade de cura-la, antes de minha morte, da enfermidade que conheceis!

Terceira vez a amável Virgem respondeu graciosamente:

– Concedo-te isto igualmente.

E a celestial visão sumiu-se. E o bondoso Vigário repara que Catarina ali está de pé na porta e vira e ouvira tudo.

– Como!, lhe diz ele, a senhora está aí, apesar de minha proibição?

– Mas, balbuciou a criada, eu não sabia que o senhor estava cá dentro, e quando quis ir embora, não pude.

– Então, como está passando agora?

– Estou curada; não sinto mais nada.

– Então, vamos agradecer a Nossa Senhora.

E teve que prometer que nunca contaria isso, enquanto o Santo vivesse. Ela porém, contou depois, por ocasião do processo de canonização.

 

64 – FOI MARIA QUEM ME LIVROU DO INFERNO.

Na manhã  do dia 9 de janeiro de 1854, entrou um moço numa livraria e, vendo um livro de Nossa Senhora da Salete, ficou como que possesso do demônio. Falou uns palavrões contra Nossa Senhora. Num impulso de raiva, arremessou o livro ao chão.

No mesmo instante, oh! Coisa horrível, caiu como fulminado, sem fala, e sem dar sinal de vida.

O livreiro e os empregados da casa, apavorados não ousaram nem sequer levanta-lo.

Alguém, que ouvira as blasfêmias contra a Mãe de Deus, gritou:

– É castigo de Deus, pois insultou Maria Santíssima!

Minutos depois, começou a movimentar-se como que quem procura desfazer-se de alguma coisa que o incomoda. Enfim, pareceu que se livrava de grande peso; respirou profundamente, olhou em redor de si, pôs-se de joelhos e pediu perdão aos circunstante pelo escândalo que dera.

– Que houve, que houve? Perguntaram-se todos os presentes ainda sobressaltados.

Ao que disse:

– No momento em que joguei o livro no chão, os demônios (não sei quantos) apoderaram-se de mim e me iam arrastando ao inferno. Maria, Mãe de Deus, apareceu-lhe tal e qual está representada sobre a capa. A Mãe de misericórdia acaba de livrar-me das garras desses monstros infernais. Ajudai-me a agradecer-lhe o grande benefício.

Ao sair da livraria, dirigiu-se o jovem à igreja, onde se confessou cheio de arrependimento e depois mudou de vida para sempre. Tornou-se devoto da Mãe de Deus. Comprazia-se em dizer:

– Foi Maria quem me livrou do inferno.

Mas, afinal, por que esse auxilio tão extraordinário a um moço tão perverso?

A resposta é a seguinte: Em pequeno, consagraram-se a Nossa Senhora para sempre. E embora ele se tivesse esquecido do que prometera, não assim aquela que é sempre boa para com todos.

 

65 – CURA A SANTA TERESINHA

A devoção tenra e filial de Santa Teresinha a Maria Santíssima e a maternal proteção  que Nossa Senhora dispensou à Santinha são sumamente tocantes.

Nascida de pais totalmente católicos e piedosos, aprendeu a amar a Virgem desde criancinha. Invocava-a com amor e carinho. Visitava-lhe as imagens e os santuários dedicados a ela com sumo prazer. Enfeitava-lhe os altares; fazia novenas.

E Maria não tardou em manifestar-lhe seu carinho de Mãe.

Aos dez anos de idade foi Terezinha atacada por uma dor de cabeça esquisita. Andava tonta e fazia-a tremer em todo o corpo. Os queridos de casa ficaram alarmados. O pai mandou rezar uma novena a Nossa Senhora das Vitórias.

Certo domingo a dor atingiu o auge. Teresinha teve uma crise terrível, e não reconhecia ninguém. Suas irmãs cercaram-na e de quanto em quanto se ajoelhavam diante de uma imagem de Nossa Senhora, pedindo compaixão pela doente. Teresinha, deitada perante uma linda estátua da Virgem sempre bela, banhada de suor e com ânsia indizíveis, exclamou:

– Acorde-me, mãe do Céu, acorde-me!

No mesmo instante o rosto da menina, antes pálido, distendeu-se num sorriso luminoso, e de uma expressão indefinível:

– A Virgem me sorriu! A Virgem me sorriu!

E Teresinha estava completamente curada. E a quantos lhe perguntavam como fora, dizia:

“A Virgem caminhou para mim sorrindo. E estava tão bela, que eu esqueci a morte e fiquei boa!”

 

66 – OBTINHA TUDO

Poucos serão os Santos que amaram a Maria Santíssima tanto quanto S. José Benedito Cottolengo, nascido em 1786 e falecido em 1842.

Repetia muitas vezes: “Oh! Como somos felizes em termos uma Mãe tão boa! Quanto a mim, depois de Deus, sei a quem devo amar;  é a minha Mãe é nossa Mãe, a Mãe de todos os homens. Se soubésseis quanto nossa Mãe é amável e admirável! É por ela que temos Jesus; é por ela que recebemos as graças; se não fosse esta boa mãe, que seria de nós, coitados?”

Cada vez que falava da bondade da Virgem Puríssima, o rosto resplandecia de doçura e alegria. Recomendava a todos a sua devoção. Não saia nem entrava em seu quarto sem se ajoelhar aos pés de linda imagem e pedir-lhe a bênção. Passando perante imagens fazia piedosa inclinação, saudando-as.

Tinha particular devoção a Nossa Senhora da Graças que um dia lhe dissera:

“Não temais, estarei sempre contigo para proteger-te”.

Gostava muito de rezar o terço e a ladainha lauretana. Punha  em Nossa Senhora toda a sua confiança.

“Desta Senhora – afirmava ele – eu obtenho tudo o que desejo. Ela é boa que nunca me diz não”.

Em todos os aposentos da “Pequena Casa da Providência”, certamente o maior hospital do mundo, encontram-se imagens da Virgem Santa, com flores frescas e lindas. Mandou fazer um Santuário, onde recebeu todas as cópias de imagens que pôde obter de todo o mundo, revestindo com elas as paredes. E ali deviam vir todos os que podiam, para rezar e cantar-lhe hinos.

E Nossa Senhora, que é sempre boa, não podia deixar de auxiliar a seu servo fiel e devoto.

Vejamos alguns exemplos:

Em  1839, a Irmã Florina, encarregada da padaria, avisou ao Padre José Benedito que faltava farinha para o pão e que no dia seguinte não haveria mais uma migalha em toda a casa.

Entrou o Santo no refeitório, onde havia artística estátua da Mãe de Deus, fechou as portas, e de joelhos, entregou-se à fervorosa oração. Enquanto isso, um senhor bateu à portaria da casa. Estava ele ali com uma carroça, puxada por dois cavalos, carregada de sacos. E o homem disse: “Deram-me ordem de conduzir esta farinha”. E não quis dar outras explicações, e, desatrelando os cavalos, voltou com eles, deixando a carroça com os sacos.

O carro, que ficara no terreno, desapareceu assim que estava vazio, sem que ninguém soubesse como nem para onde.

Nossa Senhora atendera as orações do Santo.

*          *         *

Noutra ocasião, achou-se a Pequena Casa novamente sem pão. Era pela manhã. Cottolengo fechou-se no quarto e prostrado aos pés de uma imagem da Virgem Imaculada, invocou-lhe a proteção, permanecendo em oração até meio dia. Ao toque do sino chegou um homem, nunca dantes visto, o qual, sem falar, entregou à portaria um montão de notas de dinheiro. Informado imediatamente de tal acontecimento o Santo exclamou logo: “A Senhora!” E logo mandou comprar pão e arranjar o que era necessário.

*          *         *

Doutra vez veio a faltar o arroz. Uma cozinheira foi avisar o Santo. Este mandou-a acender a lâmpada de seu altarzinho de Nossa Senhora, e, passado meia hora, eis que um portador, a mando de alguém, trazia 15 sacos de ótimo arroz gratuitamente.

*          *         *

Certo dia chegou um negociante de fazendas para cobrar vultuosas dividas. Cottolengo não tinha com que pagar.

Insistindo o credor, mandou-lhe dizer pela portaria que esperasse um pouco. E pôs-se a rezar. Durante a oração, sentiu-se inspirado a olhar para os pés da estátua. E eis que ali encontrou um pacote de moedas de ouro suficientes para pagar o débito e ainda mais.

*          *         *

Outro credor, que não podia ser pago ficou furioso. O Padre conduziu-o consigo à igreja a rezar.

Enquanto recitava a ladainha de Nossa Senhora, chega uma carruagem e uma pessoa entrega à Irmã porteira duas bolsas, contendo uma moeda de ouro e outra de prata.

O Santo pagou a dívida, dizendo ao credor:

“Vês como Nossa Senhora logo nos ajudou?”

*          *         *

Numa noite em que chovia a cântaros, o secretário do Santo veio falar-lhe que as coisas iam mal. Muitas contas a pagar e o cofre de esmolas estava vazio. Cottolengo, interrompendo a leitura, voltou-se para a imagem da Virgem, invocou-a cheio de confiança.

Passados alguns instantes, mandou ao moço que pegasse da lanterna e o acompanhasse a visitar o cofre das esmolas. Observou o jovem que era coisa inútil, pois que ele de lá viera havia instantes. Mas teve que obedecer. E a fé do Padre foi largamente compensada: O cofre estava cheio a transbordar de moedas de ouro e tão apertadas que não foi fácil terá-las.

Pôde assim liquidar todas as dívidas e arranjar víveres.

*          *         *

Em 1837, tendo saído Cottolengo às onze da manhã foi visto voltar depois da meia noite todo abatido e cansadíssimo. Foi ao quarto. Disse à Irmã porteira, que o quis consolar, que ele precisava de descanso. Que não atenderia ninguém. No quarto pôs-se a rezar à Virgem Santíssima.

Não se passara muito tempo quando se apresenta uma senhora muito distinta que desejava muito falar com o Santo. A porteira lhe dizia que não podia ser atendida. Insistiu a visitante, afirmando que o servo de Deus não seria incomodado com a visita, pelo contrário, ficaria muito contente. E o aspecto daquela senhora era tão doce e os seus olhos eram cheios de luz tão viva e cintilante que a Irmã porteira se viu forçada a fazer ciente o Padre daquela visita.

Chegando a senhora, onde ele estava, lhe entregou um anel com uma pedra preciosa, dizendo-lhe: “Isto servirá para pagar a dívida”.

Assim que a bela Senhora deixou a casa, a Irmã encontrou o Padre todo alegre. Perguntando-lhe quem era aquela visitante, respondeu o Santo: “A Senhora não é daqui da terra, veio de cima, fique sabendo que é Nossa Senhora”.

E contou-lhe que voltara todo abatido porque um credor o maltratara e o ultrajara publicamente na rua, porque não pudera pagar-lhe o que devia.

*          *         *

Certo dia, novamente, as cozinheiras se queixaram que na despensa não havia mais nada. Que não poderia aprontar o jantar. O Santo retirou-se ao quarto e pediu socorro à Mãe de Deus. Enquanto estava rezando, apareceu um mensageiro avisando que os batalhões de soldados do quartel, que haviam prometido regressar aquela tarde de manobras, longe da cidade, voltariam somente no dia seguinte. A comida estava toda pronta. Se o Santo a quisesse para seu pessoal, o comandante lha enviaria.

O Servo de Deus, muito satisfeito, aceitou o presente, aliviando a casa toda.

Maria Santíssima é, de fato, muito boa.

 

67 – A ESCADA DE PRATA E A ESCADA DE OURO

Frei Leão, um dos companheiros de S. Francisco de Assis, viu em sonho do juízo final.

Num vasto campo, os Anjos reuniam, aos sons das trombetas, ima imensa multidão. Numa das extremidades do sítio, uma escada de ouro se elevava da terra ao Céu. Na outra extremidade, outra escada, mas de prata, descia do Céu e chegava até a terra.

No alto da escada de ouro, Frei Leão viu Jesus, sob as aparências de um juiz severo; em baixo, estava S. Francisco que Jesus abraçou logo. Disse então o Santo:

“Vinde, irmãos, vinde sem medo”.

Os religiosos avançavam e subiam com segurança os degraus da escada de ouro. Mas quando todos já tinham começado a subir, um caiu do terceiro degrau, outro do quarto, do quinto, do sexto, do sétimo, e assim por diante. Enfim, nem um só ficou na escada. S. Francisco, olhando para Nosso Senhor, pediu-lhe que não os repelisse; mas Jesus, mostrando suas chagas sangrentas:

“Vê, disse-lhe, o que me tem feito teus irmãos”.

Então, o Senhor desceu uns degraus e dirigindo-se de novo a seus irmãos, falou-lhes:

“Coragem, tendes confiança, meus irmãos; vede a escada de prata, é nela que subireis ao Céu”.

Apareceu logo, no topo da escada de prata, a gloriosa Virgem, clemente e misericordiosa.

E os filhos de S. Francisco, graças à Virgem Imaculada, chegaram ao paraíso.

Se é verdade que todas as graças, que Jesus nos conquistou, são distribuídas somente por Nossa Senhora, então só se salvará aquele que a ele recorrer e for devoto dela.

 

68 – QUIS VÊ-LA E VIU-A DE FATO

Tendo ouvido falar da beleza de Maria Santíssima, um Religioso que muito a amava, desejava ardentemente vê-la pelo menos uma vez. Pediu-lhe humildemente essa graça, e a bondosa mãe mandou-lhe um anjo para que lhe dissesse que seria satisfeito o seu pedido, com esta condição, porém, que, depois de tê-la  visto, ficaria cego.

Apareceu-lhe um dia a Virgem Maria. E ele, para não perder os dois olhos, quis a princípio contempla-la com um só olho.

Mas, em breve, encantado pela grande beleza de Maria, abriu o outro olho para aprecia-la melhor, e, nesse momento, desapareceu a Mãe de Deus.

Desde esse dia, não continuando mais a ver a sua amável Rainha, ele ficou tão aflito, que não parava de chorar, não por ter perdido um olho, mas por não ter podido ver a Santíssima Virgem com os dois olhos.

Por isso suplicou-lhe que se lhe mostrasse novamente, consentindo de boa vontade perder ainda o olho que lhe ficara.

“Ó Maria, dizia-lhe ele, serei feliz e contentar-me-ei se ficar cego por uma razão tão sublime, pois amarei então somente a vós e a vossa beleza”.

Maria quis consola-lo novamente e aparece-lhe pela segunda vez. Mas, porque essa boa Mãe não faz mal a ninguém, em vez de priva-lo inteiramente das vistas, restituiu-lhe o olho que antes perdera.

Sempre assim é Nossa Senhora!

 

69 – LIVRA-O DO DESESPERO

O célebre Doutor da Igreja, S. Francisco de Sales, quando ainda jovem de seus 18 anos, viu-se tentado terrivelmente pelo demônio. Ficou abatido de tal de tal maneira que já quase não comia nem dormia.

Parecia-lhe que também já não rezava direito. A saúde começou a perigar. Estava para desanimar de vez. Passou duas semanas de inferno cá na terra. O demo lhe fazia ver que já estava condenado. Que nada adiantaria tudo o que fizesse.

O nobre moço, que vivera sempre bem, que nunca cometera um só pecado grave na vida, não sabia o que mais fazer.

Deus, porém, vela pelos que desejam ser bons. Levantou-se corajoso o moço e dirigiu-se à igreja. Foi direto ao altar da Virgem poderosa. De joelhos, reza com toda a confiança a bela oração: “Lembrai-vos, ó Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que alguém tivesse recorrido a vós sem ter sido atendido. Não permitais que eu seja o primeiro a ser abandonado”.

Imediatamente a boa Mãe lhe veio em socorro. Desde então nunca mais tentações dessas o assaltaram.

Devotíssimo dela, ficou Padre, Bispo e grande Santo. Tudo fez para que todos se tornassem íntimos amigos de Nossa Senhora.

 

70 – MARIA BUSCOU O MENINO DURANTE A NOITE

Vocês todos sabem o que é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Se não souberem perguntem à mamãe. Quem recebe esse escapulário e traz consigo devotamente, vai para o Céu. Foi Nossa Senhora mesma quem o prometeu. Em lugar do escapulário também pode-se trazer uma medalha que tenha um lado a imagem do S. Coração de Jesus e no outro a do Puríssimo Coração de Maria. (Outro nome, para escapulário, é bentinho).

Quem de vocês ainda, por acaso, não tenha recebido do Sacerdote o escapulário, procure quanto antes consegui-lo, e depois trazê-lo sempre com respeito e amor.

Um exemplo de um menino que não quis dormir sem o escapulário.

O Padre Reitor de um colégio, fazendo, certa noite, a visita aos dormitórios, encontrou um aluno, de joelhos, ao pé da cama, enquanto os outros já estavam dormindo. O menino entregara seu escapulário ao porteiro, que era também alfaiate, para emendar as fitas. Não queria deitar-se, com o receio de morrer durante a noite.

– Faça um ato de contrição e deita-se: amanhã o bentinho ser-lhe-á entregue, disse o Padre Reitor.

– Não posso deitar-me sem meu escapulário, respondeu o bom menino.

Vendo isso, o Padre foi buscar o bentinho e lho entregou. Satisfeito, adormeceu logo cheio de alegria.

Na manhã seguinte, na hora de levantar, o menino ficou na cama. O Padre quis acorda-lo, mas em vão. Estava  morto.

Com um angélico sorriso nos lábios, apertava nas mãos o escapulário.

Maria Santíssima viera buscar o piedoso menino para premia-lo no Céu.

 

71 – E VOLTOU A SI

Entre os alunos do Colégio de Santa Maria de Tolsa havia um por nome Henrique.

No recreio, depôs do meio-dia, um grupo de meninos, reunidos num dos corredores, pôs-se a gritar:

– Padre! Padre! Está morto…

O Padre Prefeito acode a toda a pressa e encontra Henrique estendido no chão, pálido e sem dar sinal algum de vida. Levam-no ao quarto mais próximo, deitam-no sobre a cama, e chamam o enfermeiro. Este emprega, durante meia hora, todos os meios para fazer voltar à vida; mas, inútil.

Entre as pessoas, que conseguiram entrar no quarto, estava uma piedosa senhora que, ajoelhada ao pé do leito, perguntou ao Sacerdote:

– Este menino tem o escapulário?

– Vou ver. Não tem!…

Aí a boa dona arrancando apressadamente o seu do pescoço:

– Padre, passe este escapulário ao menino.

Apenas isso feito, Henrique abre os olhos, recobra as cores do rosto e, todo espantado, pergunta:

– Padre, que estão fazendo aqui?

– Ah! Quantos cuidados nos deste! Que fizeste de teu escapulário?

– Deixei-o pendurado perto de minha cama.

– Olha, foi preciso o bentinho desta senhora para te dar a vida. Nunca Andes sem ele!

Nossa Senhora auxiliou miraculosamente, para mostrar o valor que ela dá ao escapulário.

 

72 – POR CAUSA DO ESCAPULÁRIO

Chamada à vida religiosa, uma moça antes de entrar no convento foi ter com o Santo Cura de Ars para fazer uma confissão geral de toda a vida.

Depois da confissão. O Santo disse-lhe:

– Deve lembrar-se ainda, minha filha, de certo baile que assistiu, há pouco. Encontrou ali um moço desconhecido por todos, mas de modos distintos que parecia o herói da festa.

– Perfeitamente, lembro-me.

– Pois bem; a senhora o invejou; ele porém, não lhe deu o menor olhar, e bailou com todas as moças.

Quando saiu do salão, reparou em duas chamas azuis debaixo de seus pés.

– É tal qual, vi, sim, senhor.

– Este moço, minha filha, era o demônio. Todas aquelas moças, com quem dançou, tem um pé no inferno. E sabes o motivo pelo que a desprezou? É porque a senhora estava revestida do escapulário, o qual, por devoção para Maria Santíssima, trazia. Dê graças a ela pelo grande favor e bondade.

*          *          *

O demônio tem um horror medonho ao santo escapulário.

 

73 – METEU DUAS BALAS NA CABEÇA

Um senhor aborrecido com todos e com tudo pegou num revólver – escreve o Padre M. Blot – e meteu duas balas na própria cabeça, para dar cabo de si. Não obstante, não morreu logo.

Chamado o Sacerdote, pôde confessa-lo e dar-lhe a extrema-unção.

Estava o Padre a pensar na imensa bondade de Deus e na grande sorte do suicida, quando este, entreabrindo com as mãos a temer a camisa, mostrou o escapulário, que nunca abandonara, e disse com voz moribunda:

“Eu rezei tanto a Maria, quando era pequeno que ela se compadeceu de mim hoje”.

 

74 – E A CORDA REBENTOU

Depois de umas pregações, o Padre Millériot deu a uma prisioneira, que com ele se confessara, um escapulário, fazendo-o prometer que nunca o deixaria.

Alguns dias após, tornara a encontra-la no pátio da prisão.

– Então, perguntou-lhe, como vamos?

– Ah! Meu Padre, mal o deixei de ver, tudo aqui tem ido às avessas. Eu me enforquei!

– Enforcou-se? Como isso?

– Sim, meu Padre, enforquei-me. As minhas companheiras acusam-me de uma infâmia. Aborreci-me tanto que pensei em suicidar-me. Corri para o poço do pátio para me atirar nele. Seguraram-me. Daí a pouco subi secretamente ao sótão e me enforquei com uma corda. Já parecia que me ia sufocar, quando a corda rebentou. Foi então que me lembrei do escapulário, e me arrependi. Maria Santíssima me salvou da morte eterna. Atende-me em confissão, sim?

Na alma limpa voltou a paz de Deus.

 

75 – QUIS AFOGAR-SE E NÃO PODE

Um senhor cometera um crime e, temendo a justiça, queria matar-se. Providencialmente encontrou-se com o Padre Millériot. O zeloso Sacerdote tudo fez para dissuadi-lo. Mas ele achava que não podia atende-lo.

– Ao menos, diz-lhe o bom Padre Missionário, ao menos, meu amigo, conceda-me um favor. Vou dar-lhe o escapulário. Promete-me que não o deixará nunca.

– Meu Padre, prometo-lho. O senhor foi tão bom para mim!

E se foi embora.

O Padre dizia consigo:

– Amigo. Tenho-te seguro… tu podes matar-te, se quiseres…mas não hás de morrer.

No mesmo dia o infeliz, a quem perseguia a tentação do desespero, lançou-se ao rio sena. Mas não houve jeito de se afogar, por mais que se esforçasse, e não soubesse nadar. É que estava com o escapulário ao pescoço.

Maria Santíssima prometeu:

“Todo aquele que morrer com o escapulário, não cairá nas chamas do inferno”.

O nosso homem caiu, em seguida, gravemente doente, e teve a felicidade de converter-se e salvar-se.

*          *          *

Se Nossa Senhora salvou esse homem somente porque trouxe consigo o bentinho, quanto mais ajudará aos que o trazem com devoção e recorrem a ela sempre!

 

76 – PARECIA MORTA

O ilustre médico francês Dr. Recaimer foi chamado às pressas para atender uma moça que se suicidara pela asfixia.

À primeira vista parecia, de fato, morta. Mas para consolar os pais, fez quanto estava a seu alcance para chamá-la à vida.

Vendo, porém, seus esforços inúteis, despediu-se. Ao chegar à porta de saída, lembrou-se que a infeliz tinha o escapulário ao pescoço.

Sendo o suicídio pecado grave, Nossa Senhora não permitiria que essa jovem morresse com o escapulário, pois ela mesma prometera que quem morresse com esse hábito sagrado, não cairá nas chamas eternas.

Voltou ao quarto da suposta defunta. E recomeçou a série de movimentos costumados, em semelhantes casos. E depois de muito vira e revira, a donzela abre os olhos e vem a si. E estava boa.

– Minha senhorita, disse-lhe o piedoso médico e grande devoto da Virgem do Carmo, se não fosse a Mãe de Deus, a estas horas estaria no fogo do inferno. Vá confessar-se e agradecer-lhe.

Ela atendeu imediatamente a ordem do doutor.

 

77 – UM DIA TU TAMBÉM HÁS DE CRER

Um jovem, cheio de vida e de ardor, esperava pelo trem que devia conduzi-lo à frente de combate.

Sua irmã, agarrada ao braço, com que não querer deixa-lo partir, murmurou ao ouvido:

– Tu me queres bem irmão?

– Podes duvidar disso?

– Então deves me fazer um favor; e não digas não.

– Que desejas, joaninha; farei tudo o que pedires; que queres?

– Quero pregar esta medalha de Nossa Senhora no forro do teu casaco e tu vais prometer-me que nunca a tirarás…nunca, entendestes?

– É só o que desejas? Sabes que não creio nessas superstições, mas para ver-te satisfeita…

– Eu creio, que um dia também hás de crer.

O trem chegou. Um abraço, um beijo e o jovem soldado pulou para o vagão.

O comboio retomou o seu percurso…e desapareceu. A mocinha, com o coração a partir-se de dor, voltou para casa.

Um dia do mês de Agosto de 1916, os austríacos tomaram de assalto o território comandado pelo jovem capitão.

A maioria de seus soldados tombaram e ele de pé gritava animado: “Viva a Itália!”

E o combate continuou. Soldados corpo a corpo lutavam bravamente. O inimigo teve que fugir, mas o capitão foi atingido em pleno peito.

Correram em auxílio. Levaram-no para o hospital de sangue. Tiraram-lhe a farda para examinar o ferimento e com surpresa verificaram que o capitão não estava ferido.

– Milagre! Milagre! Gritaram os enfermeiro. Realmente, tratava-se de um fato extraordinário. A bala atingira a medalha, partindo-a ao meio. A farda apresentava queimaduras, mas o corpo do bravo militar não sofrera nenhum arranhão,

Poucos meses depois, o nosso capitão já promovido a major por mérito da guerra, sua irmã Joaninha, seus pais e alguns parentes estavam aos pés da Virgem, agradecendo juntos duas grandes graças: a de ter sido salvo da morte e a de estar completamente convertido.

Agora, como bom católico, acreditava em Deus e amava a Virgem que lhe fizera tanto bem.

 

78 – DÊ-ME A MEDALHA DE CONGREGADO!

Em Dezembro de 1929, na cidade austríaca de Graz, adoeceu um jovem de 18 anos, estudante da academia de comércio. Levaram-no ao hospital, e os médicos constataram que era um caso muito grave de tifo. Durante muitos dias teve mais de 40 graus de febre. Foram-lhe administrados o santo Viático e a extrema-unção.

Em suas fantasias de febre gritava que causava dó. E seu estado piorava de dia para dia. Nos momentos lúcidos repetia inúmeras vezes:

“Meu Deus, ajuda-me!”

Um tio seu visitou-o muitas vezes. Por ocasião de uma dessas visitas, o enfermo pediu a medalha de congregado mariano que deixara em casa. Mas custou muito a articular a palavra. Não conseguia dizer tudo.

Assim que o tio compreendeu de que se tratava, correu a busca-la e a trouxe. O doente parecia que morreria de minuto por minuto. A Irmã enfermeira colocou a medalha sobre o peito do enfermo e em seguida pregou-a aos pés da cama de modo que ele podia enxerga-la. Dirigiu para ela, então, o olhar suplicante e não mais tirou a vista dela.

De repente, por todo o corpo do doente apareceu abundante suor e tendo sempre gemido e gritando, ficou imóvel e calado de maneira que a Irmã pensou que tivesse morrido. Mas vendo o suor disse: “Está salvo!”

E de fato, desde aquele momento o enfermo ficou calmo e o espírito tornou-se lúcido. Devagar foi melhorando e após algumas semanas, restabelecido, deixou o hospital.

Nossa Senhora teve pena de seu congregado e ajudou-o otimamente.

*          *          *

Felizes são os que bem cedo se inscrevem na congregação Mariana. É a salvação de tantos meninos e moços. O mesmo vale, naturalmente, da Pia União das filhas de Maria. Os bons filhos de Maria têm o Céu garantido. Por isso não há necessidade de eu pedir que cada qual consiga alistar-se no glorioso exército da Imaculada.

 

79 – AH! UMA MEDALHA MILAGROSA!…

A 4 de Maio de 1897 deu-se terrível incêndio em Paris. No prédio encontrava-se uma senhora com a filha e um filho, que desde tempos não queria saber de religião e vivia em graves pecados.

Durante o incêndio, o filho tomou a mãe nos braços e a colocou fora de perigo. Lançou-se de novo nas chamas e conseguiu salvar a irmã. Durante esse ato heróico desabou sobre a cabeça uma viga inflamada, sem lhe causar mal nenhum.

Conversando, depois, com os que salvara das chamas, dizia muito admirado:

– De fato, não sei, como não me esmagou aquela viga, que desabou sobre a cabeça.

– Pois eu sei, disse a piedosa irmã. Traga cá o chapéu.

– Aqui o tens. Nem a menor queimadura vês nele, replicou o irmão sempre todo admirado.

– Pois bem, arranque-lhe o forro.

Isso feito, exclamou:

– Ah! Uma medalha milagrosa!…

De fato, a irmã, antes de sair naquele dia, pregara-lhe entre o forro do chapéu essa milagrosa defesa.

O jovem protegido por Nossa Senhora, mudou então de vida.

 

80 – PELO TERÇO CONSEGUIA TUDO

O extraordinário devoto de Nossa Senhora, o Santo Cura de Ars, quando desejava um favor do Céu, tomava seu terço e o rezava. E sempre era atendido.

Eis um dos fatos: Certo dia aproximou-se dele um credor a quem devia avultada soma. E queria o dinheiro com urgência. Naquele dia mesmo.

Que fazer? Não possuía nada em caixa. E já chegara a tarde. Como sempre em tais dificuldades, pegou o terço e pôs-se a recitá-lo piedosamente, andando Por um atalho dum bosquezinho. E ainda não terminara a reza, quando ouve uma voz de senhora que o chama:

– Desculpe, senhor Padre, será talvez Vossa Reverendíssima o Vigário de Ars?

– Sim, minha senhora; em que poderia servi-la?

– Tenho um recado a dar-lhe. Entregaram-me esta quantia para que a dê a V. Revma.

– Será, replicou o Santo, para dizer missa?

– Não, pode gastar o dinheiro como melhor lhe aprouver. A pessoa só pede que reze por ela.

O Santo recebeu a importância que foi suficiente para pagar o credor.

*          *          *

Nossa Senhora gosta de que rezemos o terço do santo Rosário. Foi ela quem ensinou aos homens por intermédio de S. Domingos. Muitas vezes o recomendou, principalmente nas aparições em Lourdes, em 1858, e em Fátima em 1917.

Fez ela lindas promessas aos devotos do santo Rosário por intermédio de S. Domingos e do Bem-aventurado Alano de Rocha.

1) A devoção ao santíssimo Rosário é grande sinal de predestinação, (quer dizer que os que o rezam bem e freqüentemente vão para o Céu).

2) Quem reza piedosamente o Rosário e perseverar nessa oração será atendido em suas orações.

3) Os que propagarem meu Rosário serão socorridos por mim em todos os males.

4) O que reza piedosamente o Rosário, meditando os mistérios, converter-se-á, se for pecador.

5) Os que rezam meu Rosário, acharão, durante a vida e a morte conforto e luz.

6) O que se recomenda a mim pelo Rosário não perecerá.

7) Aos que rezam meu Rosário, prometo minha proteção especial.

8) O Rosário é arma poderosa contra o inferno e um escudo invulnerável contra as setas do inimigo.

9) Quem rezar devotamente o Rosário crescerá em graça, se for justo, tornar-se-á digno da vida eterna.

10) Prometo graças de escol aos devotos de meu Rosário.

11) Quero que os que cantam meus louvores pelo Rosário tenham luz, liberdade e plenitude de graças.

12) Os verdadeiros devotos do Rosário não morrerão sem os sacramentos.

13) Sou de modo especial a Mãe dos filhos do Rosário que estão no purgatório; todos os dias liberto alguns.

14) Os verdadeiros devotos de meu Rosário gozarão grande glória no Céu.

Aproveitamos as graças dessas grandiosas promessas da Rainha do Santo Rosário.

 

81 – ESCAPARAM DA MORTE

No tempo em que no Brasil houve a Inconfidência Mineira, de 1789 em diante, na França reinou uma das piores revoluções de toda a História. Ninguém lá podia apresentar-se como católico sem correr perigo de ser estrangulado.

Os pais de Julia Janau, menina de 11 anos, foram presos e condenados por causa da religião. Julia ficou em casa com a empregada. Chorava dia e noite pela sorte dos queridos pais.

Em sua aflição pôs-se a rezar com toda a devoção o santo terço, pedindo a Nossa Senhora a volta dos pais.

Estava ela a rezar quando um senhor do partido revolucionário penetrou na casa à procura de mais alguém.

– Que estás fazendo? Perguntou ele à criança.

– Estou rezando o terço por meus pais. Quero que a Mãe de Jesus me devolva os pais porque eles são inocentes.

E dizendo isso elevou as mãos suplicantes para o revolucionário.

– Você acredita que sua oração a ajudará?

– Tenho toda a certeza, pois mamãe, que me ensinou essa oração, disse que por ela se consegue tudo. E mamãe não pode mentir.

E aquele homem enterneceu-se e tornou a perguntar:

– Acha, boa menina, seus pais são inocentes?

– Não só acho, mas tenho certeza, pois eles nunca fizeram mal algum.

– Pois bem; verei o que posso fazer por eles.

– Muito obrigada, senhor. Salve meus pais.

E a menina continuou cheia de confiança, a pedir à Virgem Mãe. E a Imaculada atendeu-ª

O revolucionário que gozava de muita influência no tribunal, conseguiu que os acusados fossem absolvidos e restituídos à liberdade.

A reza do terço da menina salvou os queridos pais.

 

82 – SÓ AS DUAS SE SALVARAM

Foi na Suíça.

Um trem corria a toda velocidade.

Duas senhoras piedosas vinham voltando de uma romaria a um santuário de Nossa Senhora. Sentadas em suas poltronas, rezavam o terço. O condutor do comboio, ao vê-las a recitar a santa oração, buliu com elas, por ser protestante. Outros que ouviram, uniram-se, e em coro caçoaram das duas senhoras.

Nosso senhor não pode gostar disso.

Quando a locomotiva com três vagões ia passando sobre o viaduto do Birse, a ponte cedeu e tudo foi abaixo.

Os habitantes vizinhos correram ao lugar do desastre. Espetáculo tristíssimo! 150 cadáveres foram tiradas das águas; e 50 pessoas gravemente feridas. As únicas, a quem nada sucedeu, foram as duas piedosas romeiras. Retiradas dentre os mortos, cobertas de sangue, mas sem ferimento algum.

Nossa Senhora protegeu suas fiéis amigas.

 

83 – SÓ POR TER TRAZIDO CONSIGO O TERÇO

Indo eu de Puy para Vals, conta o Padre Cros, encontrei um menino que fizera sua primeira comunhão naquele dia.

– Foi hoje que fizestes a tua primeira comunhão?

– Sim, Padre, e sinto-me tão feliz!

A dois passos vinha um soldado. Chamava-se Emílio, e ouvira a conversa.

– Eu também já a fiz, disse-me, e gostei tanto!…

Pedi que o menino fosse adiante e travei conversa com o militar.

– E quando vais renovar a tua primeira comunhão?

– Padre, não falemos nisso.

– E por que não, Emílio? Estamos aos pés do Santuário de Nossa Senhora, e não devemos sair daqui sem comungar.

O soldado despediu-se para seguir outro caminho.

Oito dias depois diz-me o porteiro que um militar quer-me falar. Desci logo. Era Emílio.

Confessou-se e com os olhos no Céu dizia:

– Oh! Como sou feliz! Fiz a paz com meu Deus e já posso voltar a meu país.

Aqui deve ter intervenção da Santíssima Virgem, pensei comigo. E interroguei o soldado.

– Que bem tens feito em tua vida pela glória de Deus?

– Nada.

– Nem por Maria Santíssima?

– Nada.

– Pense bem.

– Só me lembro disto: Uma vez um Padre encontrando-me, a após curta conversa, deu-me este terço, dizendo-me que, se não o quisesse rezar, ao menos o guardasse e trouxesse sempre comigo. É o que tenho feito.

– Pois essa foi a corrente com que Nossa Senhora te prendeu e te salvou.

*          *          *

Só por ter trazido consigo um terço, Maria Santíssima converteu esse moço. Quanto mais premiará os que o rezam diariamente com devoção.

O terço do Santo Rosário é uma oração agradabilíssima à Mãe de Deus. Foi ela quem o ensinou aos homens por intermédio do ilustre S. Domingos.

 

84 – BELA PROTEÇÃO

Frei Ludovico, zeloso missionário Franciscano, viajava (lê-se nos anais do Religiosos Frades Menores) em 1640, sem mais companheiro que seu Anjo da Guarda, dirigindo-se a Jace em Catânia.

Um dia, ao cair da tarde, recitando o santo rosário e caminhando a bom passo por lugar deserto, dói bandidos, que o viram só, combinaram para assalta-lo. Mas, quando se aproximavam dele, ouviram tocar uma trombeta e, devisando um piquete de soldados junto do Padre, escaparam a todo correr.

Não os avistou Frei Ludovico e seguindo tranqüilo seu caminho, chegou, por fim, a uma pousada, onde pediu alojamento. Pouco depois chegaram também os bandidos, e vendo que não havia gente armada no pouso, entraram e pediram um jantar.

Perguntaram ao Sacerdote aonde fora a tropa de soldados que o acompanhava. Surpreendido o religioso com tal pergunta , respondeu-lhes que fizera a viagem toda sozinho e sem encontrar pessoa alguma.

Quem foram tais soldados? Sem dúvida, Anjos enviados por Nosso Senhor, para premiar o devoto de sua Mãe Divina.

 

85 – NÃO ME TOQUE…

Conta Padre Riara em seu livro “Milagres do Rosário” que, certo dia, uma menina se achava a uma janela por cima de um cercado, onde se encerrava um leão bravio. A pequena rezara de joelhos o terço, e indo, e indo olhar para fora, por desgraça, perdeu o equilíbrio e caiu com o terço na mão, onde se achava o animal feroz. Não se machucou nada. O leão célere correu para devora-la. A boa menina, assustadíssima, colocou-lhe o terço sobre a cabeça, dizendo-lhe:

“Não me toques, porque eu quero ser religiosa”.

Como por encanto, a fera se afastou, deixando-a tranqüila.

Todos que presenciaram o fato, convenceram-se de que a Mãe de Deus salvou sua devota duas vezes da morte: Na queda e no perigo de ser devorada.

 

86 – CURADA DURANTE A REZA DO TERÇO

Francisca Rao, refere o jornal do Vaticano “L’Osservatore Romano”, fora submetida, em março de 1925, a uma operação sem resultado. Estava imóvel no hospital de Santo Tomás em Roma, sem esperança de cura; desenganada pelos médicos, há quase dois anos, sente uma noite dores terríveis no momento em que recitava o terço em companhia de uma religiosa. Meditava sobre os mistérios dolorosos, e ao chegar ao chegar ao quarto mistério teve que interromper a reza. Poucos minutos após, quando o médico, chamado às pressas para vê-la, ia entrando no quarto, a doente salta da cama, gritando:

“A Santíssima Virgem curou-me!”

De fato, a enferma estava completamente restabelecida. Os médicos tiveram que declarar que a cura fora de caráter sobrenatural.

A oração do terço realizara o milagre.

*          *          *

Aproveito aqui a ocasião para lembrar a grandiosa promessa que Nossa Senhora fez em Fátima, Portugal, em 1917. Ela prometeu na sua imensa bondade assistir na hora da morte a todos os que, em cinco primeiros sábados seguidos de cada mês, confessados, receberem a santa comunhão em desagravo meditando os quinze mistérios, fazendo-lhe assim companhia durante quinze minutos.

A quem Maria Santíssima assistir na hora da morte, terá os últimos momentos desta vida suavizados, e morrerá na graça de Deus.

Coisa tão fácil de cumprir, ninguém deixará de fazer.

 

87 – SÓ UMA CASA FOI POUPADA…

A cidade de Cartago, em Costa Rica, faz alguns anos, foi vítima de um tremendo terremoto que destruiu quase todas as casas. Conta a revista “América”, de Nova York, o seguinte:

No momento do abalo sísmico estava, em sua residência, rezando o terço com toda a família, o fervoroso católico, ex-presidente da república D. Ezequiel Gutiérrez. Algumas pessoas queria fugir, mas o homem de fé insistiu em que todos os presentes, cheios de confiança na proteção de Maria, ficassem até o fim da reza.

Qual não foi a admiração geral e os sentimentos de gratidão ao verem que a única casa poupada fora aquela sob o amparo da Virgem! Ao derredor havia apenas um montão de ruínas.

*          *          *

Felizes os que amam e rezam devota e diariamente o terço do santo Rosário.

 

88 – E LOGO CONSEGUIU

Conta o seguinte fato o Padre Germano de S. Estanislau, diretor espiritual de Santa Gema Galgani, a qual faleceu em 1903.

O Padre fora à casa onde ela morava. Apenas entrara, chamou-o pelo nome, embora nunca o tivesse visto.

Durante o jantar retirou-se a jovem para o quarto.

As pessoas de casa levaram o Sacerdote para lá. Já estava em êxtases. Pedia em voz alta a conversão de um grande pecador. Jesus parecia não querer atender. Mas ela afirmava: “Não me levantarei daqui enquanto não for atendida. Lembre-se, Senhor, que essa alma lhe custou o sangue e morte”.

Jesus então foi enumerando um por um todos os pecados graves daquele pecador. Gema Galgani, repetindo os pecados, pedia que tivesse mesmo assim compaixão.

Mas Jesus parecia não querer ainda atender.

– Pois bem, Jesus, se é assim então eu vou dirigir-me à sua Mãe Santíssima.

E mal apresentara o pedido a Nossa Senhora, Gema exclamou:

“Está Salvo! Está salvo!”

Depois disso, o Padre se retirou a seu quarto. Decorridos alguns minutos, ouve bater à porta.

– Está aqui um senhor de fora que o procura, disse a dona da casa> Mande o entrar.

– Está bem; que venha cá.

O desconhecido atirou-se aos pés do Sacerdote, exclamando entre lágrimas:

– Padre confesse-me.

Era exatamente aquele pecador mencionado por Gema Galgani.

Feita a confissão (o Padre já ouvira todos os pecados antes) pôde dizer-lhe um que o pecador esquecera.

A oração e o pedido de Nossa Senhora vale imensamente e, por isso, alcança tudo.

 

89 – AVISADO POR NOSSA SENHORA…

Vicente de Bauvais narra que um jovem fidalgo inglês, chamado Ernesto, dera todos os seus bens aos pobres e entrara em um convento. Ali levara vida tão perfeita que os superiores tinham em alta conta, sobretudo por sua devoção especial à Santíssima Virgem.

Tendo aparecido na cidade terrível peste, recorreram os cidadãos aos religiosos, pedindo-lhes que os auxiliassem com suas orações. O superior deu ordem a Ernesto que se fosse pôr em oração diante do altar de Maria Santíssima; e que não se retirasse, enquanto não desse resposta. No fim de três dias Nossa Senhora respondeu que se fizessem certas preces. Apenas lhe obedeceram, cessou o flagelo.

Ora, aconteceu que, pouco a pouco, o jovem monge foi esfriando na devoção de Maria. O demônio assaltou-o com freqüentes tentações, principalmente contra a pureza e a perseverança na vocação.

O infeliz, esquecendo-se de invocar a Mãe de Deus, resolveu fugir, saltando o muro do mosteiro.

Passando por uma imagem da Virgem, que estava no corredor, ouviu as palavras:

– Meu filho, por que me abandonas?

Atordoado e confuso, Ernesto caiu por terra e respondeu:

– Mas não vedes, Senhora minha, que não posso mais resistir? Por que não vindes socorrer-me?

A Virgem replicou:

– E Tu, por que não me invocastes? Se te tivesse recomendado a mim, não terias chegado a esse ponto. De hoje em diante recorre a mim, e nada tens a temer!

O religioso assim fez e viveu sempre feliz, e conquistou o belo Céu.

 

90 – UMA GRAÇA EXTRAORDINÁRIA

Teófilo era Sacerdote em Adanas, cidade da Cilícia, na Ásia Menor. Gozava de tanta estima que o povo o quis para Bispo. Ele, porém, por humildade, recusou a subida honra. Tempos depois, alguns malvados o caluniaram.

O Bispo, pensando que fosse verdade, lhe tirou o cargo que ele possuía. Era ele arcediago da igreja. Focou tão aborrecido e tão desgostoso que foi ter com um mágico judeu, que pôs em comunicação com satanás, para obter dele auxílio na sua desgraça.

O demônio prometeu-lhe ajuda, com a condição, porém, de ele assinar, de próprio punho, um papel em que renunciava a Jesus e Maria, sua Mãe.

Teófilo, obcecado, acedeu e assinou a terrível renúncia.

No dia seguinte, o Bispo, tendo reconhecido a falsidade das acusações, pediu-lhe perdão e restituiu-lhe o cargo que antes ocupara.

Mas Teófilo com, com a consciência dilacerada de remorsos pelos graves pecados que fizera, não fazia outra coisa senão chorar. Para buscar remédio à sua miséria, vai a uma igreja. Lança-se aos pés de uma imagem da Virgem e diz-lhe soluçando:

– Ó Mãe de Deus, não quero entregar-me ao desespero, porque vós me restais, vós que sois tão piedosa e me podeis ajudar.

Durante quarenta dias implorou à Santíssima Virgem.

Uma noite, apareceu-lhe a Mãe de misericórdia e disse-lhe:

– Ó Teófilo, que fizestes? Renunciastes a minha amizade e a meu filho. E isso por quem? Por aquele que é teu inimigo.

– Senhora, respondeu Teófilo, a Vós me entrego, perdoai-me, e fazei que vosso filho me perdoe também.

Então Maria, tão grande confiança, acrescentou:

– Consola-te, que vou rogar a Deus por ti.

Teófilo redobrou suas penitências, conservando-se longo tempo aos pés da imagem da Imaculada.

E eis que Maria lhe aparece de novo com o resto iluminado por sua alegria e lhe diz:

– Teófilo, rejubila! Apresentei a Deus tuas lágrimas e orações. Ele as recebeu e já te perdoou. De hoje em diante sê-lhe grato e fiel!

– Senhora minha, replicou Teófilo, replicou Teófilo, ainda não estou plenamente consolado: o inimigo conserva o ímpio documento com que renunciei a vós e a vosso filho; vós mo podeis restituir.

Três dias depois, acordando Teófilo durante a noite, achou sobre o peito o documento.

No dia seguinte entregou-o ao Bispo que o mandou queimar publicamente diante de todo o povo presente.

Quanto pode e faz Nossa Senhora para os que a invocam com as devidas disposições!

 

91 – CONVERTIDO E SALVO

Uma senhora, já viúva, tinha um único filho. Educara-o piedosamente. Quando já moço, empregou-se em Marselha, longe de casa. Desviou-se dos bons caminho e tornou-se grande pecador.

A pobre mãe, quando veio a saber isso, lançou-se aos pés da Virgem Santa, pedindo-lhe a conversão.

Passado algum tempo, saudade invencível apoderou-se do filho. Depois de muito “vou não vou” tornou ao lar materno, exatamente quando se pregavam missões em sua terrinha. Por curiosidade foi assistir a uma prática, que tratava da bondade de Maria. Esta pregação abalou-o tanto, que o levou aos pés da imagem da amável Mãe de Deus, a implorar auxílio e forças para emendar a triste vida.

E Nossa Senhora ajudou-o a fazer boa confissão. A piedosa mãe não cabia em si de alegria. Deu muitas graças à querida Mãe de Jesus.

Na manhã seguinte, querendo acordar o filho, encontrou-o morto. A apoplexia lhe pusera fim à vida.

Se não fosse a boa Mãe celestial, onde estaria esse jovem?

 

92 – FULMINA, FULMINA, MATA!

O Padre Jesuíta Binet conta um fato estranho e cheio de horror.

Três doutores, formados na Universidade de Paris, chegaram ao Monte Cenis. Uma furiosa tempestade os assaltou. Enquanto corriam a toda, nos seus fogosos cavalos, entre relâmpagos e trovões, ouve-se terrível voz:

– Fulmina, fulmina, mata! E um raio cai e carboniza um dos três viandantes.

Os dois fogem a toda velocidade possível. Novo trovão, e novo raio abate outro viajor.

O terceiro, chamado Agostinho, em suprema ânsia, mais morto que vivo, lembra-se de invocar a Maria Santíssima:

– A vossa proteção recorro, Santa Mãe de Deus…

E trata de fugir, fugir. E novos trovões e novos relâmpagos ferem o céu escuro.

– Fulmina, fulmina, mata!

E o jovem torna a pedir socorro à virgem Santa, quando ouve uma voz que brada:

– Eu não posso fulminar, porque ele me desarmou com sua prece.

O pobre fugitivo redobra seus pedidos de socorro. E é atendido pela Mãe de Deus.

A tempestade dissipa-se. O Céu serena, E o moço se acalma.

O Padre Binet termina sua narração dizendo que o jovem Agostinho pediu ingresso na ordem franciscana, onde passou a vida a agradecer a Maria Santíssima que lhe poupara a vida do corpo e da alma.

 

93 – TU ÉS MEU

Narram as crônicas franciscanas que Adolfo, conde de Alsácia, o qual deixara o mundo a entrar na Ordem de S. Francisco, foi fervoroso devoto da Mãe de Deus. No fim de seus dias, lembrando-se da vida que levara no século e do rigor dos juízes divinos, principiou a temer a morte, duvidando de sua salvação eterna. Eis que lhe aparece então Maria, acompanhada de numerosos Santos e um tanto queixosa, lhe disse estas palavras:

– Adolfo, meu caríssimo, tu és meu. Tu te deste a mim. Por que então receias a morte?

A essa palavras reanimou-se o servo de Maria. Todos os temores desapareceram. Em grande paz e alegria expirou.

Que palavras bonitas saídas da boca da Mãe de Deus: “Tu és meu!” E ela o diz a todos os seus verdadeiros devotos.

 

94 – DIVERSA A SORTE DE DOIS MORIBUNDOS

Um Sacerdote assistia aos derradeiros momentos de certo homem rico que morria em seu palacete. Ao redor do leito havia servos, parentes e amigos. O moribundo via-se cercado por demônios em forma de cães que ali estavam para buscar-lhe a alma.

Conseguiram seu intento, pois o ricaço não quis saber de confissão, morrendo no pecado.

Nesse ínterim vieram chamar o mesmo Padre a fim de atender uma pobre que estava também a expiar e desejava receber os últimos sacramentos.

Chegando à cabana da boa enferma, não viu servos, nem visitas graúdas, nem mobília luxuosa. A moribunda estava deitada sobre um punhado de palha. Porém, que viu mais? O casebre todo cheio de luz celestial. Junto da doente estava Nossa Senhora, consolando-a e, com um lenço, enxugando-lhe o suor da morte.

O ministro de Deus vendo a Maria, não teve ânimo de adiantar-se. No entanto, a Virgem chamou-o com aceno. Entrou, e a própria Mãe de Deus deu-lhe um banco para que se sentasse e ouvisse a confissão de sua dedicada serva e grande devota.

A pobrezinha fez excelente confissão. E depois de ter comungado com terna devoção, entregou a alma feliz ao cuidado da Virgem Imaculada.

Que diferença entre a morte de um que nunca se incomodou com Nossa Senhora, e com aquela que sempre amou sua Mãe Celestial!

 

95 – EM NOSSAS DÚVIDAS CONSULTEMOS A VIRGEM SANTÍSSIMA

Aos 15 anos, Pedro Chanel estudava latim com o Vigário. Desanimou por não alcançar o resultado almejado nos estudos. Um dia fugiu sem dizer nada. Apenas na rua, deu de rosto com uma senhora, muito conhecida pelas suas boas obras e sua devoção a Maria.

– Então, Pedro! Aonde vais assim com teus livros?

– Vou-me embora; não agüento mais os estudos.

– Mas, nem sequer pediste conselho a Maria Santíssima?

Pedro corou, envergonhado, e nada respondeu.

– Pois bem, Pedro, disse-lhe a senhora, vai à igreja; com ardor e confiança pede conselho a Maria.

O moço obedeceu e, em breve, voltou alegre à casa do Pároco com a vontade de vencer ou morrer.

Vinte anos depois, pensando nisso dizia:

– Realmente, não sei o que tinha na cabeça; creio que nela se alojara o demônio; estava prestes a cair em sua armadilha. Vivia numa espécie de agonia. E se recobrei o ânimo, sossego e coragem, devo-o a Maria Santíssima.

Nossa Senhora não deixou a sua obra incompleta. Obteve para seu protegido, não só a perseverança e a graça de ficar sacerdote, senão também a glória preciosa de ser mártir.

Pedro Chanel foi enviado para as missões da Polinésia, onde, depois de alguns anos de apostolado frutuoso, teve a felicidade de ser o primeiro mártir da Oceania. A Igreja já o declarou bem-aventurado, e neste ano de  1954, a 12 de Junho (esse livro foi lançado em 1954) Pio XII o canonizou.

Tornou-se santo, e venceu todas as dificuldades porque recorreu à Mãe de Deus.

 

96 – MARIA, RAINHA DAS INTELIGÊNCIAS

Na idade de 16 anos Alberto Magno entrou para a ordem de S. Domingos. Tinha pouquíssimo talento e memória pesada. Não progredia nos estudos. Apoderou-se dele o desânimo a tal ponto que resolveu largar os estudos e abandonar a vida religiosa.

Com estas idéias funestas, Alberto preparava-se para fugir de noite, quando lhe parece ouvir alguém que lhe dizia que recorresse a Nossa Senhora e que tudo se lhe tornaria fácil. A Mãe de Deus acolheu-o com bondade e lhe prometeu que aprenderia tudo com a maior facilidade.

E isso sucedeu, pois tudo o que ouvia ou lia, gravava-se na memória. Se encontrava, por acaso, qualquer estorvo, voltava-se novamente para a Virgem Imaculada. Assim é que se tornou grande Santo e um dos maiores sábios do mundo.

*          *          *

Coisa semelhante deu-se com o célebre Padre Antônio Vieira. Quando ainda jovem estudante, faltava-lhe todo o talento para o estudo. Estava para largar a carreira religiosa, quando um dia aos pés da Virgem, sentiu um estalo na cabeça. E desde então tudo se lhe tornou fácil. Ficou Padre, ilustre missionário, preclaro escritor e um dos maiores pregadores do mundo.

 

97 – MARIA A ABENÇOADA

Na vida de S. Domingos lê-se que viu várias a Nossa Senhora, falou com ela como um bom filho conversa com sua mãe carinhosa.

O Santo, certa noite, passando pelo dormitório onde dormiam os religiosos, via a Mãe de Deus, andando de cama em cama e lançando sua benção a todos com exceção de um. Estranhando o fato, humildemente S. Domingos dirigiu-se à Virgem Imaculada e perguntou-lhe o motivo. Ao que ela logo respondeu:

– Este religioso está deitado sem modéstia.

*          *          *

Felizes são os que se deitam com o pensamento em Deus e procuram adormecer, rezando o seu terço ou outras orações.

Há pequenos e grandes que se queixam não pegar logo no sono. Que se acostumem a rezar na cama, e o sono virá logo. E se, por acaso, a morte os surpreender, encontra-los-á em ótima situação.

 

98 – QUANTO EU DESEJAVA TER MÃE! 

Certo dia, refere um Padre duma paróquia dos subúrbios de Paris, notei que uma criança desconhecida se introduzira entre os meninos da doutrina. Essa figura pálida e magra, que se sentara na ponta do último banco, não me era de todo desconhecida. Recordei-me que era o filho de um homem mau e anticlerical. Não queria saber de Padre nem de igreja. O pequeno parecia desorientado naquele lugar santo. Pois olhava para todos os lados e mostrava-se embaraçado. Quando acabei a doutrina, cheguei-me aos pés dele e mandei-o levantar-se. Tinha a boina na mão e olhava-me com olhos tristes e muito abertos. O vestuário era bom, mas descuidado; pois aí se adivinhava que a mãe não lhe pusera as mãos.

– Tu já andas à escola? Já ouvistes falar de Deus?

Silêncio, e um gesto vago e indiferente.

– E de Nossa Senhora?

O pequeno levantou o rosto que se animou, de repente.

– Ouvi, sim, respondeu de mansinho. Ouvi dizer que os meninos do catecismo têm mãe, que é Nossa Senhora. Foi por isso que vim.

E as lágrimas rolaram-lhe pela face quando acrescentou:

– Quanto eu desejava ter mãe!

Essa exclamação enterneceu-me.

– Anda cá, vou levar-te a tua mãe.

Lançou-me um olhar profundo. E eu continuei:

– Aquela vai substituir a tua mãe.

E conduzi-o ao altar da Virgem sempre bela. Quando a criança descobriu a imagem, exclamou com as mãos juntas:

– Oh! Que linda! E acredita que ela me quer para seu filho? Mas olhe que ela já tem nos braços. Naturalmente não precisa de mim. E, se o senhor soubesse como eu precisava ter uma mãe!…E muito mais depois que estou doente.

– Está doente, meu filho?!

A criança apontou para o lado esquerdo.

– Dói-me, aqui, um pouco; não posso jogar nem correr com os outros. Foi por isso que o médico me proibiu de ir à escola. Custa-me muito estar sozinho  em casa. Meu pai gosta muito de mim, mas está sempre para fora. Disseram-me os meninos que aqui se encontra uma mãe muito boa que lhes faz tudo; e eu fugi e vim para aqui.

Inquieto, o menino repetia ainda:

– Julga, então, que ela fará caso de mim?

– Não tenhas dúvida nenhuma, meu menino; mas é preciso fazeres como os outros meninos que vem cá, e aprenderes também o catecismo.

E dei-lhe um.

– Obrigado, vou aprende-lo todo.

E aprendeu. Contudo a doença realizava pouco a pouco a sua obra. Algum tempo depois da primeira comunhão, morreu como um santo, e foi para o Céu ao encontro de sua Mãe.

Como seria triste se não tivéssemos mãe aqui na terra! Mas muito mais triste seria se nos faltasse a Mãe Celestial.

 

99 – BONDADE SEMPRE PRONTA

Maria Santíssima apresenta-se aos homens de fronte inclinada à terra e de mãos cheias de graça. Ela sempre está olhando para nós, para ver se nos falta algum auxílio, algum favor, algum apoio.

Os habitantes de Valência, na Espanha, veneram uma imagem de Nossa Senhora com o nome de Virgem de los Desamparados. E chamaram-lhe familiarmente  la Gobba , isto é, a corcunda, de tal modo a Virgem tomou o costume de se inclinar para os mortais.

(Antigamente era permitido aos condenados a morte fazerem diante dela a sua última oração. Um dia que certo infeliz, antes de ser supliciado, se foi prostrar aos pés, a Senhora deu cinco pancadinhas na redoma de vidro que a envolve. E todos os assistentes reconheceram que o condenado era inocente e foi logo absolvido).

*          *          *

Em Paris, venera-se igualmente uma imagem de Nossa Senhora com o rosto inclinado para a terra. Conta piedosa tradição que uma mocinha quis pôr-lhe na cabeça uma grinalda de flores. A senhora abaixou-se e assim ficou naquela posição.

*          *          *

O conhecido exemplo do bom escultor não manifesta também, a seu modo, como Maria Santíssima é boníssima?

Estava ele trabalhando nos andaimes de uma catedral. Inclinou-se muito para trás, perdeu o equilíbrio e caiu. Felizmente, uma imagem de Nossa Senhora de pedra, que se encontrava na passagem, estendeu-lhe os braços e recolheu o descuidado artífice, salvando-o da morte.

*          *          *

Conta-se que uma piedosa mãe viu seu filho único ser levado prisioneiro e nada pôde fazer para liberta-lo. Recorreu então com toda a confiança. Vendo que o filho não voltava, foi a uma imagem da Mãe de Deus e tirou-lhe o menino Jesus dos braços, com as palavras:

“Meu filho foi roubado e a Senhora não mo quer restituir; pois levo o seu e só devolverei quando o meu tiver vindo”.

E acrescenta a história que Nossa Senhora o melhor que pôde fazer foi ir logo buscar o filho prisioneiro e trazê-lo à mãe.

Nossa Senhora é muito boa e nos alcança tudo de Deus. Devemos ter nela toda confiança.

*          *          *

Um dia vem lançar-se aos pés do rei David uma mulher de Técua:

– Ó rei, salva-me!

O monarca pergunta-lhe:

– Tu que tens?

– Que tenho? Ah! Infeliz de mim! Sou uma pobre mãe, e tinha dois filhos. Questionaram os dois lá no campo, um bateu no outro e matou-o Toda a família se levanta contra a tua serva, dizendo: Entrega o matador de seu irmão! Há de morrer também, pela vida que tirou ao irmão! Assim, o primeiro morreu; agora querem matar-me o segundo!

Maria argumenta da mesma forma:

“Senhor, eu tinha um primogênito. Seus irmãos mataram-no. Agora, se os meus outros filhos se perdem, que me resta então?”

A sagrada Escritura, falando de David, acrescenta que ele respondeu à mulher de Técua:

“Tão certo como Deus vive, não cairá por terra um só cabelo de teu filho!”

O segundo filho foi entregue à mãe são e salvo.

E Deus haveria de ser menos compassivo que seu servo David?

Logo, tenhamos plena, inabalável confiança  em Nossa Senhora agora e sempre.

 

100 – MARIA É DISTRIBUIDORA DE TODAS AS GRAÇAS

O dono e senhor de todas as graças é Deus Nosso Senhor. Mas depositou essas graças nas mãos de sua Mãe, Maria Santíssima. Ela é que faz a distribuição. Portanto, que quiser favores deve dirigir-se a Nossa Senhora. Todos têm que ser devotos dela se querem salvar-se.

“Ninguém se salva, senão por Vós, ó Mãe de Deus”, exclama S. Germano de Constantinopla. S. Damião afirmava: “Nenhuma graça desce do Céu à terra sem passar pelas mãos de Maria”. Santo Ambrosio ensina: “Por ela vêm ao mundo todas as graças que o Céu derrama”. S. Bernardino de Sena assegura: “Todas as graças chegam aos homens por três degraus perfeitamente ordenados: Deus comunica-se com Cristo; de Cristo passam por Maria Santíssima; de Maria descem até nós”.

Em 1830 apareceu Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré. O vestido era branco; o manto, da cor do sol nascente. Com o pé esmagava a cabeça da serpente. Estendia os braços e abaixava-os para o mundo. Raios luminosos saíam de suas mãos carregados de anéis e de pedrarias.

“Aqui tens, dizia Nossa Senhora, o símbolo da graça que derramo sobre os que me pedem”. Nas suas mãos havia diamantes sem brilho. Simbolizavam, no dizer da Santa, as graças que por esquecimento não se pedem. Todas as graças nos vêm de Maria, as que pedimos e as que não pedimos.

Só quando o mundo deixar de existir é que a Santíssima Virgem poderá repousar. O Santo Cura de Ars dizia: “Julgo que no fim do mundo a Santíssima Virgem ficará sossegada; mas, enquanto o mundo durar, hão de importuna-la de todos os lados. É como uma mãe que tem muitos filhos; está continuamente a cuidar a uns e outros”.

*          *          *

Nossa Senhora é boníssima, por isso, afirma Santo Afonso de Ligório, é impossível que um servo de Maria se condene, contanto que sirva fielmente e se recomende a ela. A todos dizia: “Sede devotos de Maria, e ela vos salvará”.

São João Berchmans costumava dizer: “Se amar a Maria, tenho a certeza de perseverar e de obter de Deus aquilo que quiser”.

 

QUANDO É QUE SOU DEVOTO DE NOSSA SENHORA?

É, sem dúvida, imensa a felicidade daqueles que são verdadeiros devotos da Mãe de Deus. Pois viverão sempre felizes. Receberão todas as graças e bênçãos celestiais. E depois da morte terão o lindo Céu como recompensa.

Vejamos o que faz o devoto de Maria.

1) Antes de tudo ele procura conhecer bem a vida e as virtudes de sua Mãe. Há de ler livros que falam do poder, da grandeza e da bondade dela.  Não é possível que haja quem não conheça de perto e a fundo o extraordinário prodígio que é a Mãe de Jesus.

2) O devoto da Virgem Imaculada recorre muitas vezes a ela. Conversa familiarmente com sua Mãe como o bom filho faz com sua mãe terrena. Confia a ela suas mágoas, seus aborrecimentos, suas dúvidas e receios, na certeza sempre de que ela se interessa por ele e o ajude. Nossa Senhora gosta  de que confiemos cegamente nela e que lhe peçamos muitas graças.

3) O devoto de Maria gosta  de visitá-la nas igrejas e Santuários. Aprecia suas imagens. Faz romarias aos lugares onde atende com mais facilidade e às vezes maravilhosamente.

4) Aquele que ama a Maria, conhece as principais festas marianas, e se prepara bem para elas com orações especiais, mortificações e novenas.

5) O devoto da Virgem traz com devoção ao menos uma medalha com sua efíge; inscreve-se em confrarias marianas. Procura receber o escapulário de Nossa Senhora do Carmo e traze-lo com todo fervor.

6) O devoto da Imaculada agradece não ter sido abandonado, apesar de muitas ingratidões. Agradece os numerosos benefícios obtidos por ela. (Todas as graças, que temos recebido, passaram pelas mãos maternais de Maria).

7) Gostará de rezar o terço, oração predileta da Rainha do Santo Rosário. Cantará com prazer cânticos marianos e apreciará tudo o que se refere à Mãe Celestial.

8) Quem ama, de fato, a Maria entregar-se-á totalmente a ela com uma consagração irrevogável. Fará  tudo para agradar-lhe. Alegrar-se-á por sabe-la tão grande, tão poderosa, tão bela e tão feliz. Dirá muitas vezes: “Maria, sou vosso e vosso quero ser sempre!”

9) O devoto de Maria procurará evitar tudo o que a possa ofender e o que possa ofender seu filho Jesus.

10) Por fim, e isto é o essencial, o devoto da Virgem procurará imita-la. Procurará copiar suas virtudes; ser semelhante a ela à medida de suas forças.

Quanto mais agradáveis formos a Maria, tanto mais alegraremos o coração de Nosso Senhor.

Considere-se o verdadeiro devoto da Mãe de Deus muito feliz, depois terá todos os auxílios necessários e abundantes neste mundo e a glória celestial no outro.

A corrupção é pior que o pecado

O corrupto se cansa de pedir perdão e por isso precisa ser curado
http://www.aleteia.org/pt/estilo-de-vida/noticias/papa-francisco-a-corrupcao-e-pior-que-o-pecado-656001

A corrupção é o mato da nossa época, que se alimenta de aparência e aceitação social, cresce como medida da ação moral e pode consumir a partir de dentro, em uma atitude de “mundanidade espiritual”, quando não “esclerose do coração”, até mesmo na própria Igreja. E se para o pecado existe perdão, para a corrupção, não. Por isso, a corrupção precisa ser curada.

Esta é a crítica mordaz e impiedosa que emerge de algumas páginas escritas em 2005 por Jorge Mario Bergoglio, quando era arcebispo de Buenos Aires, cujo texto foi agora publicado em um livro, “A cura da corrupção”, publicado pela primeira vez em italiano (Editora Missionária Italiana).

Pecado e corrupção

Em seu afresco de cores fortes, Bergoglio explica desde o início que a corrupção está intimamente ligada ao pecado, mas é diferente dele. Na verdade, a corrupção é “não um ato, mas um estado, um estado pessoal e social no qual a pessoa se acostuma a viver”, por meio de hábitos que vão deteriorando e limitando a capacidade de amar.

Bergoglio resume as principais características desta praga:

1) Imanência. A corrupção tende a gerar uma “verdadeira cultura, com capacidade doutrinal, linguagem própria, jeito próprio de agir”, tornando-se uma “cultura de subtração”. O caminho que levou do pecado à corrupção é um processo de substituição de Deus pelas próprias forças. A gênese pode ser atribuída a um “cansaço da transcendência: frente a um Deus que não se cansa de perdoar, o corrupto se levanta como autossuficiente na expressão de sua salvação: está cansado de pedir perdão”.

2) Boas maneiras. Esta autossuficiência humana, que reflete a atitude do coração com relação a um tesouro que o seduz, tranquiliza e engana, é uma transcendência frívola. Na corrupção, de fato, prevalece uma espécie de imprudência modesta; cria-se um culto às boas maneiras para encobrir os maus hábitos. O corrupto é um acrobata da delicadeza, campeão das boas maneiras. Enquanto “o pecador, reconhecido como tal, de alguma forma, admite a falsidade do tesouro ao qual aderiu ou adere, o corrupto, no entanto, submeteu seu vício a um curso intensivo de boas maneiras”.

3) Medida moral. “O corrupto – escreve Bergoglio – sempre tem necessidade de se comparar com aqueles que parecem ser coerentes em suas vidas (mesmo quando se trata da coerência do publicado que se confessa pecador).” Uma de suas características é a forma como se justifica, apresentando as suas boas maneiras como opostas a situações de pecado extremo ou fruto de caricatura, e assim se levanta para julgar os outros, tornando-se medida de comportamento moral.

4) Triunfalismo. “O triunfalismo é o terreno ideal para o comportamento corrupto.” A este respeito, o teólogo Henri de Lubac fala da ambição e da frivolidade que podem esconder-se na “mundanidade espiritual”, a tentação mais perversa, que concebe como ideal moral o homem e seu aperfeiçoamento, e não a glória de Deus. Segundo Bergoglio, a mundanidade espiritual “nada mais é do que a vitória daqueles que confiam no triunfalismo da capacidade humana; o humanismo pagão adaptado ao bom senso cristão”.

5) Cumplicidade. “O corrupto não conhece a fraternidade ou a amizade, mas só a cumplicidade”; tende a arrastar todos à sua própria medida moral. Os outros são cúmplices ou inimigos. “A corrupção é o proselitista. Ela se disfarça de comportamento socialmente aceitável”, como Pilatos, “que faz de conta que o problema não lhe diz respeito, e por isso lava as mãos, mesmo que no fundo seja para defender a sua zona corrupta de adesão ao poder a qualquer preço”.

A corrupção do religioso

Bergoglio faz, então, uma análise muito lúcida do estado de corrupção cotidiana que lentamente faz a vida religiosa encalhar. É uma espécie de paralisia que ocorre quando uma alma se adapta a viver tranquilamente em paz.

No início, existe “o medo de que Deus nos conduza a caminhos que não podemos controlar”. Mas ao fazer isso, explica Bergoglio, “os horizontes se encolhem à medida da própria desolação ou quietismo. A pessoa teme a ilusão e prefere o realismo do menos à promessa do mais”. Aqui se esconde o perigo, porque, “na preferência pelo menos, que parece mais realista, já existe um processo sutil de corrupção: começa a mediocridade e a tibieza (duas formas de corrupção espiritual)”, um caminho inclinado que leva ao desânimo da alma e a uma lenta, mas definitiva esclerose do coração.

É por isso que a alma se apega a todos os produtos que o supermercado do consumismo religioso lhe oferece, tendendo talvez a interpretar a vida consagrada como uma realização imanente de sua personalidade, buscando a realização profissional ao se deliciar com a estima alheia, ou se dedicando a uma intensa vida social. Daí o convite do então arcebispo de Buenos Aires: “A nossa indigência deve se esforçar um pouco para abrir espaço à transcendência”, porque “o Senhor nunca se cansa de chamar: não tenha medo. Não ter medo de quê? Não ter medo da esperança, porque a esperança não decepciona”.

Ser mãe, vocação do amor

Tarefa exigente, árdua, mas recompensadora

A palavra ‘mãe’ traz significados intensos ao nosso imaginário: as lembranças boas, as dificuldades, as brigas em família, o apoio, o abraço ou o desejo pelo carinho que nunca aconteceu. Todos esses pensamentos nos levam a perceber a vocação de uma mãe: amor incondicional e presente.

A vocação de ser mãe é muito mais do que gerar biologicamente uma pessoa, é cuidar amorosamente de alguém que tomou para si como filho. Mais do que o fruto do seu ventre, ser mãe é tomar para si a responsabilidade pela vida, pela educação, pela criação de alguém.

A mãe dos nossos tempos enfrenta todas as adversidades e desafios que a sociedade lhe impõe, mas seu amor é fiel e ela é zelosa na missão que escolheu e com a qual foi presenteada. É por isso que, hoje, a lembrança vai para a mulher que é mãe nas mais diversas situações: aquela que gerou o filho em seu ventre e aquela que é mãe do coração – a qual optou pela adoção como gesto doação e entrega -; a mãe espiritual, que dobra seus joelhos e intercede por seus filhos; aquela que, mesmo não tendo filhos, cuida das pessoas como se fossem, de fato, seus filhos.

Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro. Uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem planos para a maternidade. Mas vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?.

Lembro-me sempre de Gianna Beretta Molla, santa, médica, mãe de família, esposa, fiel a Deus, orante e tendo Virgem Maria como exemplo para sua vida. Uma mulher que, como tantas outras dos nossos dias, teve uma rotina que exigiu dela um desdobramento em muitos papéis. Um mulher, uma santa contemporânea; mulher do nosso tempo, que, mesmo tendo filhos e uma profissão, teve o desprendimento, a dedicação e uma opção: ter Deus como o centro da sua família. Gianna não deixou de lado seus valores e, no momento mais difícil de sua vida, optou, dentre sua vida e a do seu filho, que ele nascesse, mesmo que o risco fosse a morte da mãe. Nem mesmo a possibilidade de deixar seus outros filhos a fez abandonar seu projeto de vida.

Ser mãe é uma tarefa exigente, árdua, recompensadora, mas gera medo, ansiedade, expectativa por cumprir este papel de forma favorável. É muito importante ter em mente que ser mãe é algo que se aprende, e não existe a mãe ideal. Há a mãe que erra, mas tem, em seu desejo mais íntimo, a vontade de acertar. Ser mãe é aprender, a cada dia, a renovar, reciclar, crescer, retomar, cair e levantar, apoiar, ser o ombro, o colo e o calor.

Santa Gianna escreveu, numa oportunidade, uma linda descrição do papel da mãe: “Toda vocação é vocação à maternidade: material, espiritual, moral, porque Deus nos deu o instinto da vida. O sacerdote é pai; e as irmãs são mães de almas.

Os limites de uma mãe são testados a todo momento, passando por situações que jamais imaginaria. Por isto, é tão importante não se fechar em suas dificuldades, mas buscar apoio, conversar, ler e conviver com este contínuo aprendizado. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que lhe seja dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!

Que as palavras de Santa Gianna Beretta Molla possam também estar presentes em sua vida, mãe, sempre que as dificuldades de sua missão baterem à sua porta: “Senhor, faz que a luz que se acendeu em minha alma não se apague jamais” .

Parabéns, mãe, por sua vocação!

Elaine Ribeiro
psicologia01@cancaonova.com

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