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A reforma da Igreja

Algo que vai muito além da mera atualização de suas estruturas

“Diante das últimas declarações de Papa Francisco, que deixaram alarmados os católicos de sólida formação, não cínicos antipapas de ontem nem fanáticos papistas de hoje, pensamos ser útil dar umas poucas ideias. É muito difícil emitir um juízo sobre as intenções do Papa. Pelo tamanho das ‘derrapadas doutrinais’, parece-nos que se trata mais de pouca inteligência misturada com a típica loquacidade ‘achista’ episcopal latino-americana, potencializada pelo próprio idealismo pauperista e espiritualista tão agradável à opinião pública, e certo surto de populismo ansioso, desejoso de aparecer e ganhar espaço nas manchetes”.

O desairoso comentário não foi emitido por ateus anticlericais, mas por dois padres católicos, que não hesitaram em publicar seu artigo e assinar seus nomes num site religioso. É provável que o tenham feito por não concordarem com os propósitos renovadores do Papa Francisco, expressos em inúmeros gestos considerados contestatórios, de acordo, aliás, com sua convicção mais vezes repetida: «Estou decidido a cumprir com o mandato que me foi confiado. Tenho a humildade e a ambição de querer fazê-lo».

As críticas dos padres demonstram que, para acolher a novidade trazida pelo Evangelho, não apenas os leigos, mas também suas lideranças precisam da sabedoria do coração, que só vinga em pessoas que colocam o bem da Igreja e da humanidade acima de seus interesses e traumas. Foi o que advertiu o próprio Jesus: «É inútil colocar vinho novo em barris velhos: os barris se arrebentam, o vinho se derrama e os vasilhames se perdem. Vinho novo se põe em barris novos, pois ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo. Para ele, o velho é melhor» (Lc 5,37-39). A grande tentação do cristão é tentar conciliar o “novo” do Evangelho com esquemas mentais mundanos. Quando isso acontece, ele prefere ficar com o vinho velho, pois o novo exige um desapego heroico das falsas seguranças construídas ao longo dos anos e uma fé inquebrantável no projeto de Deus.

O que o Papa Francisco entende por reforma da Igreja pode ser avaliado a partir da homilia que proferiu na Casa Santa Marta, no dia 7 de outubro: «O Evangelho nos fala de um homem semimorto, estendido na estrada. Um sacerdote percorre o mesmo caminho – um sacerdote digno, com barrete e tudo! Olha e pensa: “Não posso parar. Vou chegar tarde à Missa”. E foi embora. Não ouviu a voz de Deus. Em seguida, passa um levita, que, talvez, raciocina consigo mesmo: “Se eu toco neste homem, que pode estar morto, amanhã serei chamado pelo juiz para testemunhar”. E foi embora. Ele também fugiu da voz de Deus. Somente um pecador, um samaritano, alguém distante de Deus, foi capaz de cuidar daquele homem e levá-lo a um albergue. Perdeu a noite toda atrás do ferido. O sacerdote chegou a tempo para a Missa, e todos os fiéis ficaram contentes. O levita teve um dia tranquilo, de acordo com o que tinha pensado, sem aquela maçada de se envolver com a justiça».

A reforma da Igreja vai muito além da mera atualização de suas estruturas. Ela se concretiza numa fé e numa espiritualidade que demonstram o amor de Deus pela humanidade. Por isso, uma Igreja que atrai, motiva e converte pela compreensão e benevolência de seus pastores, jamais pela imposição e prepotência. É o que lembrou o Cardeal João Braz de Aviz, em entrevista a uma revista brasileira, no mês de setembro: «Precisamos de uma Igreja próxima do povo, formada não de classes, mas de irmãos. Os conceitos de autoridade e de obediência devem mudar e se adaptar: não o valor da obediência e da autoridade em si, mas a maneira de entendê-las e exercê-las. Há muito autoritarismo na Igreja, que é pura dominação. Autoridade não é colocar uma pessoa acima da outra. Autoridade é de irmãos que têm missões diferentes: quem manda e quem obedece estão no mesmo nível».

Por fim, para ser duradoura e eficaz, a reforma da Igreja exige que seus filhos saibam viver a espiritualidade na normalidade da vida. «A graça supõe a natureza», diziam os antigos escolásticos. É a conclusão a que chega também Dom João: «Não podemos passar um verniz de misticismo e de espiritualidade sobre a imaturidade humana. Se não conseguirmos desenvolver os valores humanos, será muito difícil integrar e vivenciar a fé».

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS)
E-mail para contato: [email protected]

Santo Evangelho (Mt 22, 34-40)

30º Domingo Comum – Domingo 29/10/2017

Primeira Leitura (Êx 22,20-26)
Leitura do Livro do Êxodo:

Assim diz o Senhor: 20“Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. 21Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. 22Se os maltratardes, gritarão por mim, e eu ouvirei o seu clamor. 23Minha cólera, então, se inflamará e eu vos matarei à espada; vossas mulheres ficarão viúvas e órfãos os vossos filhos. 24Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao teu lado, não sejas um usurário, dele cobrando juros. 25Se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr do sol. 26Pois é a única veste que tem para o seu corpo, e coberta que ele tem para dormir. Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 17)    

— Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.
— Eu vos amo, ó Senhor, sois minha força e salvação.

— Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força,/ minha rocha, meu refúgio e Salvador!/ Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,/ minha força e poderosa salvação.

— Ó meu Deus, sois o rochedo que me abriga,/ sois meu escudo e proteção: em vós espero!/ Invocarei o meu Senhor: a ele a glória!/ E dos meus perseguidores serei salvo!

— Viva o Senhor! Bendito seja o meu Rochedo!/ E louvado seja Deus, meu Salvador!/ Concedeis ao vosso rei grandes vitórias/ e mostrais misericórdia ao vosso Ungido.

 

Segunda Leitura (1Ts 1,5c-10)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:

Irmãos: 5cSabeis de que maneira procedemos entre vós, para o vosso bem. 6E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a Palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações. 7Assim vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. 8Com efeito, a partir de vós, a Palavra do Senhor não se divulgou apenas na Macedônia e na Acaia, mas a vossa fé em Deus propagou-se por toda parte. Assim, nós já nem precisamos falar, 9pois as pessoas mesmas contam como vós nos acolhestes e como vos convertestes, abandonando os falsos deuses, para servir ao Deus vivo e verdadeiro, 10esperando dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos: Jesus, que nos livra do castigo que está por vir.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 22,34-40)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Narciso – Bispo de Jerusalém

São Narciso, presidiu com Teófilo de Cesareia a um concílio onde foi aprovada a determinação de se celebrar sempre a Páscoa num Domingo

O santo de hoje, São Narciso, foi Bispo de Jerusalém e, quando se deu tal fato, devia ter quase cem anos de idade. Narciso não era judeu e teria nascido no ano 96. Homem austero, penitente, humilde, simples e puro, sabe-se que presidiu com Teófilo de Cesareia a um concílio onde foi aprovada a determinação de se celebrar sempre a Páscoa num Domingo.

Eusébio narra que em certo dia de festa, em que faltou o óleo necessário para as unções litúrgicas, Narciso mandou vir água de um poço vizinho, e com sua bênção a transformou em óleo. Conta também as circunstâncias que levaram Narciso a demitir-se das suas funções.

Para se justificarem de um crime, três homens acusaram o Bispo Narciso de certo ato infame. “Que me queimem vivo – disse o primeiro – se eu minto”. “E a mim, que me devore a lepra”, disse o segundo. “E que eu fique cego”, acrescentou o terceiro. O desgosto de ser assim caluniado despertou em Narciso o seu antigo desejo pelo recolhimento e, por isso, sem dizer para onde ia, perdoou os caluniadores e saiu de Jerusalém em direção ao deserto. Considerando-o definitivamente desaparecido, deram-lhe por sucessor a Dio, ao qual por sua vez sucederam Germânio e Górdio. Todavia, os três caluniadores não tardaram a sofrer os castigos que em má hora tinham invocado, pois o primeiro pereceu num incêndio com todos os seus, o segundo morreu de lepra e o terceiro cegou à força de tanto chorar o seu pecado.

Alguns anos depois, Narciso reapareceu na cidade episcopal. Nunca tinha sido posta em dúvida a santidade do seu procedimento.; por isso, foi com imensa alegria que Jerusalém recebeu seu antigo pastor. Segundo diz Eusébio, continuou Narciso a governar a diocese até a idade de 119 anos, auxiliado por um coadjutor chamado Alexandre. Faleceu cerca do ano de 212.

São Narciso, rogai por nós!

XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

“Mestre” – pergunta alguém a Jesus no texto de Mateus neste trigésimo domingo do Tempo Comum – “qual o maior mandamento da lei?” E Jesus não pensa duas vezes para citar o texto do Deuteronômio: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração”, isto é, com todo o teu “elã” e com toda a tua alma, ou seja, um amor que esteja disposto a ir ao martírio por Deus. E a seguir acrescenta: “e amarás o teu próximo, como a ti mesmo”. Existem muitas pessoas hoje que tentam resumir o Cristianismo no mandamento do amor e, sobretudo, no mandamento do amor ao próximo. Eles não estão absolutamente errados. Mas é preciso tomar certo cuidado e fazer distinções. Existe um amor vertical que é nosso para com Deus e que responde ao amor vertical que Deus tem para conosco. É evidente que Deus é superior a qualquer ser humano. Ao lado deste amor vertical, e juntamente com ele, existe um amor horizontal com o qual nós amamos o próximo, isto é, os seres humanos, com aquele amor que nós, verticalmente, recebemos de Deus, ou seja, permitimos que Deus ame concretamente nosso irmão através de nós mesmos, através de nosso empenho, através de nossa caridade, concretamente através do instrumental com que a ele nos oferecemos para amar. É claro – e aqui se deve fazer também distinção – que este amor horizontal não tem limites, mas deve ser distinguido de uma simples benemerência. Antes da benemerência, e como que fundando a benemerência, está o amor de Deus. É por causa de Deus que nós queremos bem ao próximo. Esta benemerência aos demais, que provém de Deus e se transforma em algo dinâmico dentro de nós, transforma-se, a seguir, em beneficência e, então, concretamente, realizamos o bem ao outro, como gostaríamos que ele realizasse a nós. Porém, há uma diferença entre aqueles que recebem o amor de Deus e permitem que este amor se transforme no próprio coração em fonte energética dinâmica, e o levam horizontalmente ao próximo. Existe uma diferença entre estes, e aqueles que amam de maneira puramente humana, fazem benemerência ou beneficência sim, mas puramente humanos. São pessoas beneméritas, são pessoas altruístas, são pessoas que pensam nos demais, porém, não necessariamente guiadas e conduzidas por Deus. É preciso fazer uma distinção entre o amor de caridade que tem sempre a sua origem frontal em Deus, mesmo quando se trata de amar o próximo porque então, neste caso, se ama o próximo com a intensidade de Deus. É preciso distinguir este amor de uma simples filantropia, de uma simples inclinação espontânea e natural do coração, para com alguém ou alguns, ou muitos, que não tem, no entanto, Deus como origem e como fonte. Nós podemos e devemos resumir o Cristianismo no duplo mandamento do amor, com uma condição: que ele seja recebido de Deus, no ato da fé.

 

A DIFERENÇA ENTRE A CARIDADE CRISTÃ E A FILANTROPIA
Padre Bantu Mendonça

“Do amor a Deus e ao próximo dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22,40). É a conclusão a qual Jesus quer que todos nós cheguemos no nosso dia a dia. Com esta afirmação, Jesus estabelece um vínculo entre dois amores. Desconhecer este fato pode levar a graves deformações que abalam o equilíbrio interno da fé e, consequentemente, nos leva à morte. É fundamental que todos nós valorizemos as exigências do amor fraterno, procurando agir motivados pelo amor divino porque, se Deus não ocupar o lugar que Lhe compete em nossa vida, até a caridade para com o próximo tende a se degradar e o caos se torna maior. No Evangelho, Jesus retoma e comenta a essência da Lei. Após enfrentar a armadilha dos fariseus – através dos herodianos – sobre o imposto e a investida dos saduceus sobre a ressurreição, Jesus é colocado à prova por um dos fariseus sobre o maior mandamento da Lei. Jesus responde à questão servindo-se em parte da versão deuteronômica: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento (cf. Dt 6,5). Embora só fosse interrogado sobre o maior mandamento, Jesus acrescenta o segundo, servindo-se da versão do Levítico: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (cf. Lv 19,18). E então segue-se a assertiva: “Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Embora a mentalidade ocidental tenha a tendência de privilegiar o papel da razão quanto ao conhecimento – mesmo o do amor – não faltam referências à compreensão como ato produzido pela experiência. Nesse sentido, a vivência torna-se também meio de conhecer, indo ao encontro daquilo que Jesus indica a respeito do amor a Deus. Não se trata apenas de compreensão racional ou entendimento mental, mas do conhecimento da fé, que, sendo entre outras coisas a experiência de ser amado por Deus, provoca a resposta humana do amor. Tal amor não exclui a inteligência das verdades reveladas e do próprio Deus, antes impulsiona a compreensão, através do estudo da fé. Sob este aspecto, a expressão ninguém ama o que não conhece, se for aplicada ao conhecimento humano sobre Deus, indica tanto a experiência quanto a intelecção da fé. É sugestivo que Jesus acrescente o segundo mandamento – mesmo que o fariseu só se tenha interessado pelo maior mandamento – para afirmar a semelhança do amor ao próximo ao amor a Deus e acentuar que desses dois amores dependem toda a Lei e os Profetas. Qual deve ser o parâmetro do amor entre nós? Jesus diz: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. No contexto da Lei Antiga o “a ti mesmo” aproxima o apreço que cada um tem por si, inclusive como membro do Povo de Deus, ao apreço que se deve ter pelo semelhante respeitado por ser também membro do Povo, e, como tal, sujeito não só de deveres, mas também de direitos iguais (Lv 19,11-18). Outras vezes, o “a ti mesmo” refere-se ao apreço pelo outro que, mesmo sendo estrangeiro, é visto como semelhante ao israelita na situação de exílio já superada. Em ambos os casos, o apreço pelo semelhante supõe o amor a si mesmo e a experiência do amor de Deus, expresso na repetição: “Eu sou Iahweh vosso Deus” (Lv 19,10.14.16.18.32) e no incisivo: “Eu sou Iahweh, vosso Deus que vos fez sair da terra do Egito” (Lv 19,36). Também na Nova Lei, Jesus aproxima o amor que cada um tem por si mesmo ao amor do outro, através da regra: “Tudo aquilo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas” (cf. Lc 6,31). Fazendo depender a Lei e os Profetas do amor a Deus e do amor ao próximo como a si mesmo, Jesus compõe a armadura ou o fundamento da religião. A supressão de um desses amores faz desmoronar todo o edifício. Os fiéis de Cristo que não se preocupam em ser testemunhas visíveis do amor do Pai, pelo serviço aos irmãos, fazem com que seu testemunho perca o centro de todo o seu agir. Aliás, é na mútua articulação entre o amor a Deus e ao próximo que reside a diferença entre a caridade cristã e a filantropia. O amor a Deus se visibiliza no amor ao próximo e o próprio Deus ama seus filhos através dos irmãos que se reúnem e se encontram. Desta maneira, é o amor de Deus que possibilita o encontro sacramental do divino no humano, especialmente mediante a pessoa do pobre. Por isso, a própria luta em prol da justiça e a promoção social dos empobrecidos, são para o cristão motivado pelo amor a Deus, e devem assim permanecer, a fim de não se descaracterizarem em atitudes que a própria Moral cristã condena como a violência ou a vingança. Portanto, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”

 

Os textos da Palavra de Deus para este domingo apresentam-nos a palavra fundamental que deve orientar a vida cristã: o amor (a Deus e ao próximo). No evangelho, Jesus fala-nos do amor vertical (Deus) e do amor horizontal (próximo). Mas não desenvolve muito, nem um nem outro. É na primeira leitura que encontramos uma narração mais pormenorizada sobre como se deve expressar o nosso amor para com os outros. O salmo responsorial explica-nos o amor de Deus. Mas o modelo de amor é Jesus, um exemplo a imitar. A segunda leitura, como é habitual, tem o seu ritmo próprio. Coloca-nos perante a comunidade de Tessalônica que dá a todos um testemunho de fé: “dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro”. É sempre importante saber o que é fundamental nas nossas vidas, e também o que deve ocupar um segundo e um terceiro lugares para que possamos valorizar o essencial. O povo judeu tinha 613 preceitos (248 positivos e 365 negativos). Não era fácil viver com esta “carga”. Por isso, um doutor da lei faz uma pergunta a Jesus: “Qual é o maior mandamento da Lei?”. Jesus responde com muita clareza: o amor. É uma resposta direta e simples; qualquer pessoa a entende, não precisa ser doutor da lei. E este amor não é algo abstrato, mas concretiza-se, olhando para cima (para Deus) e olhando em frente (para o próximo). Será bom recordar que na celebração do Batismo, é dito aos pais e aos padrinhos que o crescimento como cristão dá-se nesta dupla direção: “Pedistes o Batismo para o vosso filho. Deveis educá-lo na fé, para que, observando os mandamentos, ame a Deus e ao próximo, como Cristo nos ensinou. Estais conscientes do compromisso que assumis? E vós, padrinhos, estais decididos a ajudar os pais desta criança nesta sua missão?” O amor a Deus manifesta-se na escuta da sua Palavra, na oração, no cumprimento da sua divina vontade, seguindo o caminho que nos propõe para a vida. Isto acontece na minha vida? Qual é o lugar de Deus na minha vida? Neste mundo tão materialista, tão preocupado pelo imediato, pelo bem-estar, é preciso não esquecer que o essencial é servir a Deus, como fez a comunidade de Tessalônica: abandonar os ídolos mundanos que nós criamos e que ocupam o lugar do “Deus vivo e verdadeiro”. Do amor a Deus provém o amor ao próximo. Não é possível amar a Deus, a quem não vemos, se não amamos os irmãos, a quem vemos (cf. 1 Jo 4, 20). E qual a medida para amar o próximo: “como a ti mesmo”, ou seja, tratar os outros como queríamos que nos tratassem a nós (não fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem). Esta é a teoria, mas como pôr em prática? A primeira leitura dá-nos um elenco de aspectos concretos de justiça social que, apesar de terem sido escritos há mais de 2500 anos, continuam atuais: 1) “não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás”, ou seja, acolhe os imigrantes, sê hospitaleiro; 2) “não maltratarás a viúva nem o órfão”, ou seja, não te aproveites dos mais fracos; 3) “se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros”, ou seja, não explores nem enriqueças à custa dos outros; 4) “se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lhe devolver até ao pôr-do-sol”, ou seja, não fiques com os bens alheios. O amor é a única pergunta do exame final da nossa vida. Para darmos a resposta correta, temos de amar a Deus e os irmãos em cada momento da nossa vida.

 

30º Domingo do Tempo Comum – A
“Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face”(cf. Sl. 104, 3s).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

Irmãos e Irmãs, Hoje somos convidados a buscar sem cessar a Deus. O povo do antigo testamento foi muito bem educado na fé. Em uma análise muito profunda, com várias comparações com outras religiões, a religião de Israel dá um passo e um peso notabilíssimo à ética. Nisto consiste a primeira leitura de hoje(cf. Ex. 22,20-26), através de uma perícope antiguíssima, que relata em que convinha no agir das coisas simples do dia-a-dia da vida. A leitura relata o ensinamento de ontem e de hoje para não oprimir aqueles que são estrangeiros, migrantes, que padecem da ausência da terra paterna, tendo em vista que os israelitas perambularam como estrangeiros também. A leitura também nos ajuda a refletir sobre a necessidade de respeitar e apoiar as viúvas e os órfãos, bem como não cobrar juros elevados. Quem recebe um manto em penhor, tem que devolvê-lo antes da noite, para que a pessoa não passe a noite no relento. A Primeira Leitura nos apresenta regras concretas para praticar o amor ao próximo. Trata-se de uma antiga coleção de normas concretas, colocadas sob a égide da Aliança – Código da Aliança – que trata da proteção aos pobres. Até os operários migrantes – estrangeiros – são considerados. Estas leis mostram como, numa sociedade simples, predominantemente rural, se encarna a Aliança com Javé, que dá proteção a seu povo e espera dele justiça. Quem despreza os pobres, está longe de Deus. Irmãos e Irmãs, O Evangelho de hoje(cf. Mt. 22,34-40) poderia ser resumido na seguinte frase: No equilíbrio das dimensões do amor está a santidade. Mateus narra o maior mandamento nas suas três discussões com o judaísmo, respectivamente com os herodianos, com os saduceus e com os escribas farisaicos. Estes últimos querem ver como Jesus resume a Lei – que continha, conforme os rabinos, 248 mandamentos e 365 proibições, atribuindo-se igual peso a todos. Mas a resposta de Jesus é clara e incontestável: sem o amor a Deus e ao próximo, os outros mandamentos ficam vazios. O duplo mandamento principal é como os gonzos que seguram a porta da Lei. Jesus revela a unidade de dois mandamentos que, no Antigo Testamanto, se encontram muito distantes: o judaísmo, pela multidão das árvores, não enxergava a floresta. Jesus, nas palavras de Mateus, está no átrio do templo de Jerusalém, ou em miúdos, no coração da espiritualidade e da religiosidade dos judeus. Mas o que Jesus está fazendo ali? Ele está ali para mudar a mentalidade do povo em pontos fundamentais, ou seja, que toda a lei dos profetas é resumida na beleza do AMOR, a alma das leis, a lei das leis, o maior mandamento. O amor que deve ser vivido em três estágios importantes: no amor para Deus, no amor para o próximo e no amor consciente da própria pessoa que caminha “na busca do rosto sereno e radioso do Seu Senhor”. Irmãos e Irmãs, A santidade é o resumo do amor para Deus, o amor para o próximo e o amor pessoal. O amor é o cumprimento da lei. No tempo de Jesus muitas eram as leis, umas muito radicais e outras muito simples. Era um corolário enorme para ser cumprido. Quando perguntaram maliciosamente qual era a lei de Deus a resposta do Divino Salvador foi imediata: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. No equilíbrio do amor a Deus, ao próximo e a sua própria pessoa como templo e habitação do Espírito Santo está a novidade de hoje: tudo isso é possível, porque assim agindo os cristãos já vivem aqui e agora a santidade de caminhada de vida cristã. A certeza maior que todos hoje devemos ter é que amar até o extremo, amar sem reservas, dando-se e recebendo este amor misericordioso, o homem fica mais perto da palma da mão de Deus. Se o cumprimento da lei era o distintivo do povo israelita, Deus hoje nos chama a atenção que não podemos fazer uma dicotomia entre a Lei de Deus e a Lei da Igreja, uma vive em função da outra, porque “A Lei Mata, mas o espírito vivifica” (cf. Rm 4,6). Seria como se eu ensinasse nas minhas lições de direito canônico que o direito é mais importante disciplina da Igreja. Não, o direito tem por finalidade iluminar a vida da Igreja. Por exemplo, se uma lei da Igreja está prejudicando a caminhada pastoral é necessário que eu a deixe de lado, ou mesmo a reinterprete, porque “a lei maior é a salvação das almas”. Tudo isso porque amar a Deus e ao próximo são dois amores diferentes e inseparáveis. São distintos, mas devem caminhar juntos. Porque esse amor deve ser um amor inteligível, consciente, que gera compromisso com a vida comunitária e pastoral de nossa Igreja. Ao assumir a condição humana Cristo assumiu toda a nossa humanidade, especialmente, nossos pecados. Viver o amor verdadeiro, nestas três dimensões, é um desafio cotidiano de conversão e de mudança de vida e de mentalidade. Se Deus nos salvou na Cruz nós devemos mergulhar no seu mistério, principalmente procurando buscar o rosto deste Senhor nos irmãos excluídos e marginalizados, naqueles que estão fora da escola, na rua, no relento, amando a todos com grande gratuidade e generosidade, porque Deus caristas est, ou seja, Deus é supremo amor, “porque onde há amor e a caridade aí Cristo está”. Irmãos e Irmãs, A Segunda Leitura(cf. 1 Tessalonicenses 1,5-10) coloca os tessalonicenses como exemplo de uma fé generosa, sem mesquinharias, na busca do Senhor Ressuscitado, na busca do rosto do Senhor da Vida. Os Tessalonicenses por se terem convertido ao Deus vivo, o Deus que age e fala e é escutado. Para estes primeiros cristãos, converter-se a Deus e a Jesus Cristo significava também esperar ardentemente a Parusia, a presença gloriosa de Jesus como Senhor. Já se sabem livres da condenação. O mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros e em todos os séculos. O contemplativo serve aos homens, servindo a Deus; o ativo serve a Deus servindo aos homens. Os dois exprimem, especializando-se na imitação do Cristo, um mesmo e único mistério: o da vida religiosa do Verbo encarnado. Chegando ao final do ano litúrgico em que nós somos convidados a uma preparação espiritual para a chegada do Advento e do Nascimento do Salvador todos nós devemos nos esforçar para “sermos imitadores dos Mistérios do Senhor”. Caminhando nesta perspectiva, com muito amor a Deus, ao próximo e a si mesmo devemos rever nossa caminhada, nos lançando na nova evangelização confiantes de que unidos na caridade, vivendo a Eucaristia, chegaremos a Deus, supremo amor e paz!

 

30º Domingo do Tempo Comum
Mt 22,34-40: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”

34Sabendo os fariseus que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se 35e um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: 36Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 37Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). 38Este é o maior e o primeiro mandamento. 39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). 40Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.

Antes de meditar no Evangelho de hoje, escutava como sempre faço o “Passo a Rezar”, do Secretariado Nacional do Apostolado da Oração, o qual recomendo. Hoje, 21 de outubro, ao ouvir a Palavra de Deus no Salmo 119 (118),66 “Dai-me o juízo reto e a sabedoria, porque confio em vossos mandamentos”, meditava de como é bom adquirirmos bom senso e sabedoria para viver a Palavra de Deus, para não agirmos como os fariseus do Evangelho de hoje. Diante da pergunta, o Senhor quer destacar que a totalidade da Lei poderá ser resumida em dois mandamentos: o primeiro e mais importante consiste no amor incondicional a Deus; o segundo é conseqüência e efeito do primeiro, pois quando o semelhante é amado, Deus mesmo é amado, pois o homem é imagem de Deus: mas, “se alguém diz: amo a Deus, mas despreza o seu irmão, é um mentiroso” (cf. 1Jo 4,20). “Amarás teu próximo como a ti mesmo”, ou seja, o amor aos outros como o amor a si mesmo se fundamenta no amor de Deus. Isto é comunhão. Por isto, o mandamento do amor é o mais importante porque nele o ser humano alcança a sua perfeição (cf. Col 3,14). São João da Cruz (†1591) em seu cântico espiritual, canção 27, nos diz: “Quanto mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama; daí resulta que esta alma que já está perfeita, toda é amor e todas as suas ações são amor, e emprega todas as suas potências e riquezas em amar, dando todas as suas coisas, como o sábio mercador (Mt 13,46), por este tesouro de amor que achou escondido em Deus (…). Porque, assim como a abelha tira de todas as ervas o mel que ali há e não se serve delas senão para isto, assim também de todas as coisas que passam pela alma, com grande facilidade ela tira a doçura de amor que contém; que amar a Deus nelas, ora seja saboroso, ora desagradável, estando ela informada e amparada pelo amor como está, não o sente, nem o goza, nem o sabe, porque, como dissemos, a alma não sabe senão amor, e o seu gosto em todas as coisas e tratos, é sempre deleite de amor de Deus”. “Louvemos ao Senhor, porque ele é bom; porque eterna é a sua misericórdia”. (Sl 118 (117),1

 

DOIS MANDAMENTOS, UM SÓ AMOR
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
DOMINGO 30 – Comum – A
Leituras: Ex 22, 20-26; 1 Ts 1, 5c-10; Mt 22,34-40

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” “Se alguém disser: ‘Amo a Deus’, mas odeia seu irmão [na linguagem semítica “odiar” equivale a “não amar”], é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar.” (1 Jo 4, 20) As palavras cortantes do “discípulo a quem Jesus amava”, não deixam dúvidas nem ilusões: o irmão é o “sacramento” no qual Deus se torna visível e tangível, aqui e agora. Nele se encontra Deus a cada dia e em cada momento e situação da vida. Quem não reconhece a Deus no irmão e não o ama, partilhando de suas necessidades e promovendo sua dignidade, ilude a si mesmo e talvez os demais, mas não pode enganar a Deus: é um mentiroso! O amor é como a linfa vital que brota da única raiz, e se estende até os pormenores dos ramos e às folhas mais longínquas da árvore; do contrário, os ramos morrem e não dão frutos. O amor é como o sangue impelido pelo coração até as menores veias do corpo para alimentá-lo; em caso contrário, os órgãos fenecem. O amor, que é participação à própria vida de Deus, ou abrange num único abraço a Deus, a si mesmo e o irmão, ou se torna uma força que destrói a vida! Um amor dividido e limitado é uma mentira em relação às potencialidades que traz consigo, enquanto dom divino ao homem e à mulher. Infelizmente os letrados que conhecem tão bem a letra da Torá, não estão procurando a verdade para crescer na qualidade da própria vida, mas armando armadilhas para experimentar e provocar dificuldade a Jesus. É o perene e sempre atual paradoxo dos que se aproximam de Deus não para viver, mas para desculparem-se a si mesmos e para não mudar de vida. “Mestre qual é o maior mandamento da lei?”. Pergunta não inusual dos discípulos aos mestres da lei, nas escolas de Israel. A resposta de Jesus, não fica nas nuvens das discussões acadêmicas familiares entre os letrados, mas aponta diretamente para o caminho da vida. Se o homem, à causa da sua interioridade conflituosa, tem tendência a dividir e contrapor, Jesus, o “homem novo”, plenamente unificado em si mesmo e fonte de unidade, prospecta um horizonte de unidade e um caminho de responsabilidade. Segundo a narração de Lucas, ao fariseu que o interroga e lembra a proximidade dos mandamentos do amor a Deus e ao próximo, Jesus dá uma resposta lapidária: “Respondeste corretamente; faze isto e viverás” (Lc 10, 28-29). A atitude de Jesus retoma uma temática descrita no livro dos salmos: “Com o homem puro, tu és puro, com o astuto, tu és prudente”. (Sl 18,26) Jesus, o Verbo encarnado do Pai, na fragilidade da sua condição de filho do carpinteiro e natural da desprezada cidadinha de Nazaré, nos revela o Pai e constitui o único e autêntico caminho que conduz à Ele. Do mesmo modo, o irmão e a irmã, sobretudo os que se encontram em maior fragilidade, nos fazem tocar com nossas mãos e nos revelam o próprio Jesus. É ele mesmo que neles é honrado, servido, ou desprezado: “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e recolhestes… Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes… Em verdade vos digo: todas as vezes que o deixastes de fazer a um desses pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer” (Mt 25, 31-46). O mistério da encarnação do Verbo de Deus continua atual, ao passar da pessoa de Jesus de Nazaré para os pobres; assim como a atuação do amor que transforma os corações das pessoas e a história, este continua a operar na pessoa de Jesus através dos que, nele permanecendo como os ramos na videira, produzem os frutos da vida nova. “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13,34). A memória do amor de Jesus até o dom da própria vida, se torna memória que subverte as situações ambíguas, cultivadas pela falsa religiosidade e a espiritualidade desencarnada, que separam o suposto amor a Deus do efetivo amor aos irmãos. Tal memória denuncia a separação da sua nascente que é o exemplo pascal de Jesus e o Espírito que ele derramou da cruz, e que participamos por graça nos sacramentos da iniciação cristã. Quando Jesus, na última ceia, partiu e distribuiu o pão aos discípulos, acompanhando o gesto com as palavras “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória” (Lc 22,19), ele não se limitou a instituir simplesmente um “novo rito”, o rito da nova páscoa, mas entregou aos discípulos a “nascente perene” da existência nova, a ser construída nas recíprocas relações do dia a dia, e o “modelo divino” a testemunhar e difundir para uma nova humanidade. Eis como João, a partir da experiência pessoal do amor sem limites recebido de Jesus, sintetiza o horizonte de vida radicalmente novo, inaugurado por Jesus com a sua morte por amor, participado aos discípulos com a efusão do Espírito Santo, e entregue a eles como “mandamento novo”, que qualifica a aliança “nova” estipulada no seu sangue derramado por amor. “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13,34-35; cf 15,12-14). Da experiência do amor recebido e da capacitação por ele gerada, nasce a entrega do mandamento novo e a possibilidade de cumpri-lo, não como obrigação de uma lei exterior, mas como resposta à uma vocação que vem do interior , e como vida que segue e imita o exemplo do Senhor: Depois de ter lavado os pés aos discípulos com a humildade do escravo e o amor de uma mãe, Jesus acrescenta: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13, 15). Esta conformação interior a Cristo na sua páscoa é graça, e não fruto dos nossos esforços. Por isso a Igreja pede com humildade e confiança: “Ó Deus, que os vossos sacramentos produzam em nós o que significam, a fim de que um dia entremos em plena posse do mistério que agora celebramos” (Oração depois da comunhão). À luz do exemplo de Jesus, os dois preceitos do Deuteronômio e do Levítico: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento” (Dt 6,5), e “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18), não podem em nenhuma maneira ficar divididos. Em realidade, é na radical unidade recíproca destes que se realiza o projeto de vida de Deus, manifestado através da Torá e dos profetas. Paulo, com uma fórmula ainda mais lapidária, sintetiza assim a vida nova dos batizados em Cristo: “Não devais nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois o que ama o outro cumpriu a lei… Portanto a caridade é a plenitude da lei” (Rm 13, 8-10. cf Gl 5,13.15). A leitura do Êxodo nos orienta para a mesma direção. A memória sagrada da experiência da libertação da escravidão do Egito, por iniciativa gratuita de Deus, funda a possibilidade e a exigência que para que Israel assuma, na organização da vida social, o mesmo estilo de atenção e de cuidado em relação aos mais necessitados e frágeis, como são as viúvas, os estrangeiros os pobres “Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão” (Ex 22, 20-21). Deus está sempre da parte dos oprimidos e dos pobres: “Se os maltratardes, gritarão para mim, e eu ouvirei seu clamor” (Ex 22, 22). Assim fez Deus ao ouvir o clamor do seu povo sofrido na escravidão (cf. Ex 3, 7-8). Hoje em dia, continua a levantar-se o grito de tantas pessoas oprimidas em muitas maneiras, mesmo nos direitos mais elementares da dignidade humana, nos países pobres, nos países em desenvolvimento, assim como nos países mais ricos. Na Europa a atitude prevalente em relação aos imigrantes dos países mais pobres, é o medo e a recusa. Aos que conseguem entrar, muitas vezes são reservadas condições de escravidão e de abandono. O Papa Bento XVI tem repetido que a solução das violentas crises financeiras e econômicas atuais, passa para a necessária mutação do parâmetro do proveito como critério absoluto da economia, para o da solidariedade. Também o Brasil, no processo de uma acelerada transformação, continua experimentando a marginalização de milhões de pessoas. O evangelho de hoje nos diz que como cristãos não podemos nos justificar, dizendo que tudo isso é problema que pertence aos profissionais da vida social e política. Cada um é chamado a iniciar de si mesmo, a se fazer “próximo” para os que se encontram no caminho cotidiano da sua vida, como fez o “bom samaritano:” Vai, e também tu, faze o mesmo” (Lc 10, 37). O sofrimento dos pobres é um grito que se eleva ao Senhor, e interpela também nossa consciência de cristãos e cristãs, para um empenho de promoção da justiça e da partilha mais justa dos recursos culturais, sociais, econômicos, espirituais. Nossas celebrações da páscoa de Jesus nos domingos, poderiam cair sob a acusação de “Mentira” por parte de Jesus, se não nos procuramos sair do nosso interesse individual, para nos abrir ao serviço do Senhor na pessoa humana em que está impressa a imagem de Deus. Paulo, na segunda leitura contempla com alegria as maravilhas operadas pela Palavra recebida com fé por parte dos tessalonicenses, que sob o impulso transformador do Espírito, tem assumido um estilo de vida moldado pelo exemplo do apóstolo e do próprio Jesus. Nesta maneira eles se tornaram “evangelho vivente” que continua se espalhando em toda a Macedônia e a Ásia (1 Ts 1,6- 8). Esta é também hoje a maneira mais eficaz para testemunhar e divulgar a “boa nova” de Jesus e de participar à “nova evangelização” à qual o papa Bento XVI está convidando todos os cristãos e as cristãs, com a promulgação do “Ano da fé” a se realizar no 2012-2013.  “Assim vos tornastes modelo para todos os fieis da Macedônia e da Ásia” (1 Ts 1,7). O convite de Jesus a anunciar a boa nova é sempre atual, e o empenho para uma resposta generosa e criativa com a graça e o vigor do Espírito, sempre novo. Esta é a nossa páscoa que nos aproxima sempre mais ao cumprimento do reino de Deus, que nestes últimos domingos do ano litúrgico, a Igreja celebra como o horizonte central da própria fé e da própria esperança, movida pelo único amor a Deus e aos homens que anima seu coração de mãe. “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais, para conseguirmos o que prometeis. Por Cristo nosso Senhor” (Oração do dia).

Não fechar as portas da Igreja para quem precisa, pede Francisco

Quinta-feira, 19 de outubro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Papa afirma que é a iniciativa de Deus que salva o homem e destaca responsabilidade dos pastores que fecham a porta aos outros

Na Missa desta quinta-feira, 19, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco rogou a Deus que ajude os fiéis a lembrar a gratuidade da salvação, a proximidade de Deus e as obras concretas de misericórdia que quer de cada pessoa, seja material ou espiritual. “Desta forma, nos tornaremos pessoas que ajudam a ‘abrir a porta’ para nós mesmos e para os outros”, afirmou.

Na homilia, o Santo Padre inspirou-se na passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 11, 47-54), proposto pela liturgia do dia, que refere que os escribas e fariseus se consideram justos e a quem Jesus mostra que só Deus é justo. Francisco explicou que o motivo pelo qual os doutores da lei tomaram “conhecimento”, com a consequência de “não entrarem no Reino e, nem sequer, deixar os outros entrarem”.

“Esta habilidade para entender a revelação de Deus, para entender o coração de Deus, entender a salvação de Deus – e a chave para o conhecimento – podemos dizer que é um grave esquecimento. Se esquece a gratuidade da salvação. Se esquece a proximidade de Deus e Sua misericórdia. E aqueles que se esquecem da gratuidade da salvação, da proximidade e da misericórdia de Deus, tiraram a chave do conhecimento”, explicou o Pontífice.

O Papa acrescentou que é a iniciativa de Deus que salva o homem, e a lei, por outro lado, é sempre uma resposta ao amor gratuito de Deus. “Quando a gratuidade é esquecida, se cai, se perde a chave da inteligência da história da salvação, perdendo o sentido da proximidade de Deus”.

“Para eles Deus é aquele que fez a lei. E esse não é o Deus da revelação. O Deus da revelação é Deus que começou a caminhar conosco a partir de Abraão até Jesus Cristo, Deus que caminha com seu povo. E quando se perde essa relação de proximidade com o Senhor, se cai nessa mentalidade obtusa que acredita na autossuficiência da salvação com o cumprimento da lei. A proximidade de Deus.”

Francisco disse ainda que quando há falta de proximidade com Deus e falta de oração, não se pode ensinar a Doutrina e nem mesmo “fazer teologia”, muito menos a teologia moral. “[A teologia] está de joelhos, sempre perto de Deus”, enfatizou.

E a proximidade do Senhor chega “ao cume de Jesus Cristo crucificado”, sendo que nós fomos “justificados” pelo sangue de Cristo, como diz São Paulo. Por isso, explicou o Papa, as obras de misericórdia “são a pedra de toque do cumprimento da lei”, porque se toca a carne de Cristo, ”tocar Cristo que sofre numa pessoa, seja corporalmente, seja espiritualmente”.

Ademais, Francisco chamou a atenção para o fato que quando se perde a chave do conhecimento, se acaba por chegar até mesmo “à corrupção”. Por fim, o Papa pensou na “responsabilidade” dos pastores, hoje na Igreja: quando perdem ou levam embora “a chave da inteligência”, fechando “a porta para nós e para os outros”.

“Em meu país ouvi muitas vezes acerca de párocos que não batizavam os filhos de jovens mães, porque não tinham nascido no matrimônio canônico. Fechavam a porta, escandalizavam o povo de Deus, por qual motivo? Porque o coração destes párocos tinha perdido a chave do conhecimento. Sem ir tão longe no tempo e no espaço, três meses atrás, num país, numa cidade, uma mãe queria batizar o filho recém-nascido, mas ela era casada civilmente com um divorciado. O pároco disse: “Sim, sim. Batizo a criança. Mas seu marido é divorciado. Fique de fora, não poderá estar presente na cerimônia”. Isso acontece hoje. Os fariseus, os doutores da lei não são coisas daqueles tempos, também hoje existem muitos. Por isso é necessário rezar por nós pastores. Rezar, a fim de que não percamos a chave do conhecimento e não fechemos a porta para nós e para o povo que quer entrar.

Descubra o valor dos homens

Todos devem ser tratados como pedras preciosas

“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á” (Lc 6, 36-38).

Com uma frase muito breve, São Josemaria Escrivá explica estas palavras de Cristo: “Mais do que em ‘dar’ – diz -, a caridade está em ‘compreender'” (Caminho, n.463). É impossível existir caridade sem compreensão; e é impossível existir verdadeira compreensão sem a disposição para desculpar e também, sempre que possível, para ajudar.

Todas as vezes que julgamos uma pessoa e concluímos, como quem dita uma sentença, “é assim”, “é insuportável”, “é maçante”, “é preguiçosa”, “é arrogante”, estamos condenando-a. Ao fazer tais juízos, colocamos nos outros uma etiqueta, como se faz num frasco ou num inseto colecionado, e os fechamos nessa definição.

Dizer de uma pessoa: “Ela é assim” equivale a perder a esperança de que ela venha mudar. Como se partíssemos da base de que vai ser sempre assim, e de que o máximo de caridade que lhe podemos dedicar é apenas sermos pacientes, suportando-a tal como é. Mas essa apreciação é falsa, está viciada pela raiz, porque todo ser humano tem, na alma, “sementes de bondade”, latentes, mas reais, que podem ser desenvolvidas.   Nenhuma pessoa consiste apenas nos defeitos que manifesta exteriormente. Todas têm infinitas possibilidades de  fazer o bem e – com a graça de Deus, seu esforço e a nossa ajuda -, um dia, podem vir a ser belas realidades. Por isso, Cristo nos manda não condenar ninguém como se já estivesse “acabado”. O contrário de condenar é desculpar e esperar. O coração bom está sempre inclinado a desculpar. Ao julgar os outros, evita usar o verbo “ser” e prefere empregar o verbo “ter”. Essa pessoa, que – como todos os filhos de Deus – é potencialmente santa, agora, por uma série de circunstâncias, tem tal ou qual defeito; mas isso não quer dizer que sempre deva tê-lo.

É muito provável que uma série de dificuldades as levem a comportarem-se assim. É justo tê-las em conta. Talvez seja grosseira, porque não recebeu uma educação esmerada; ou arrogante, porque foi humilhada e sente necessidade de se afirmar; impaciente, porque lhe dói o fígado. Sempre há uma desculpa, afetuosa, que os “bons olhos” do cristão detectam como uma desculpa com fundamento objetivo, real, que nos impede de julgar esta ou aquela pessoa com dureza e, ainda mais, desclassificá-la.

Certamente, os outros têm defeitos como nós os temos, mas, felizmente, não estão acorrentados por eles como um sentenciado à prisão perpétua. Está nas nossas mãos – nas mãos da nossa caridade – desamarrar-lhes esses grilhões. Esta é uma das mais delicadas tarefas do amor benigno (cf. 1 Cor 13, 4): não deixar ninguém de lado, mas, antes, dar-lhe a mão, ajudá-lo incansavelmente – com infinita compreensão e paciência – a soltar um a um os elos dos defeitos que compõem essas suas correntes.

Naturalmente, isto pressupõe que saibamos confiar – como víamos – na capacidade de bondade das pessoas; portanto, na sua possibilidade de mudar. Já foi dito alguma vez que perder a confiança em alguém é matá-lo. Também é verdadeira a afirmação contrária: confiar em alguém é dar-lhe a vida. É claro que essa confiança não se confunde com a credulidade ingênua, que fecha os olhos e julga que, afinal, todo o mundo é bom. A verdadeira confiança é outra coisa. O homem bom não é cego nem insensível aos valores. Não deixa de ver o mal em toda a sua dimensão perniciosa.

Mas, ao mesmo tempo, acredita, com todas as suas forças, que aquelas “sementes de bondade”, as quais dormem em cada coração humano, podem ser ativadas, podem ser cultivadas. Por isso, arregaça as mangas e, sem reclamar dos espinhos dos outros, trabalha para que neles desabrochem as rosas. São Josemaria, um sacerdote que irradiou compreensão e confiança, despertando milhares de corações para o bem, costumava dizer que cada pessoa deve ser tratada como uma pedra preciosa.

Não há duas pedras preciosas idênticas que possam ser lapidadas da mesma maneira. O bom lapidador estuda-as uma a uma e, daí, tira conclusões sobre o modo de extrair o máximo de perfeição e beleza de cada uma delas. Assim deve ser com as almas. O estudo atento do lapidador é, neste caso, a afetuosa atenção que prestamos a cada pessoa, esforçando-nos por compreender o seu modo de ser, o porquê das suas arestas e pontos frágeis, as linhas em que melhor podem ser “trabalhadas”. Dessa prévia compreensão, decorrerá o modo de tratá-la, de ajudá-la.

Para tanto, não é necessário possuir conhecimentos muito especializados de psicologia. Basta a psicologia do afeto, a qual proporciona uma profunda percepção aos olhos. O amor de uma mãe não precisa de manuais de psicologia para intuir, de modo certeiro, o que está acontecendo com o filho. Basta o carinho, o interesse e a vontade de se dar.

Não esqueçamos, por outro lado, que todo bom lapidador é paciente. Isso significa ter a consciência de que, para transformar um diamante bruto num esplêndido brilhante, vai precisar de tempo, de trabalho minucioso, pois só pouco a pouco irá progredindo no seu lavor. Este é o modo de agir da verdadeira caridade. Assim como o carinho superficial, mole, contenta-se com dar umas pinceladas superficiais de amabilidade, a verdadeira caridade traduz-se numa dedicação infatigável. Dá-se sem pausa, espera sem cansaço e não desiste jamais.

Persiste incansavelmente, sem abrandar a generosidade da entrega, até ver despontar, finalmente, os frutos; e aguarda confiante – permita-se-nos repeti-lo – que as “sementes de bondade” dos outros acabem por germinar. A doação de um cristão que ama assim, com coração generoso e bom (cf. Lc 8, 15), nunca será estéril.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

A importância da oração do rosário em família

Oração

É fundamental que a família cristã reze o rosário todos os dias

Segundo uma tradição, São Domingos de Gusmão, espanhol, recebeu de Nossa Senhora a devoção do santo rosário, que ele rezava continuamente em suas caminhadas pela conversão dos hereges cátaros que agitavam a vida da Igreja na França.

Em suas aparições, em Fátima e Lourdes, Nossa Senhora pediu insistentemente aos videntes para que rezassem o terço sempre. Ela disse aos pastorinhos, em Fátima, que “não há problema de ordem pessoal, familiar, nacional e internacional, que o santo terço não possa ajudar a resolver”. Por isso, o terço e o rosário tornaram-se orações amadas pelo povo de Deus. O Papa João Paulo II disse que essa era “a sua oração predileta”; sempre o víamos rezando-a.

Bento XVI o recomendou fortemente. Disse: “O rosário é oração bíblica, toda tecida da Escritura Sagrada. É a oração do coração, em que a repetição da Ave-Maria orienta o pensamento e o afeto para com Cristo, tornando-se súplica confiante na nossa Mãe”.

“O terço, quando rezado de modo autêntico, não mecânico ou superficial, mas profundo, traz paz e reconciliação. Contém em si a potência curadora do nome santíssimo de Jesus, invocado com fé e com amor no centro de cada Ave-Maria” (05 de maio de 2008 -ZENIT.org).

Na sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 2005, São João Paulo II disse: “Uma oração tão fácil e, ao mesmo tempo, tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã”.

Muitos Papas recomendaram o rosário: Leão XIII, em 1883, na Encíclica Supremi apostolatus officio, apresentou-o como “um instrumento espiritual eficaz contra os males da sociedade”. São Pio V, em 1571, estabeleceu a invocação a Nossa Senhora do Rosário, como agradecimento à Virgem pela vitória da cristandade, na batalha de Lepanto, contra os turcos otomanos muçulmanos que pretendiam destruir o Cristianismo na Europa.

Além dos inúmeros Papas, também muitos santos se destacaram pelo amor ao rosário: São Luís Maria Grignion de Montfort, Santo Afonso de Ligório, São Pio de Pietrelcina e muitos outros. Essa devoção tem como base o fato de que, do alto da cruz, Jesus Cristo, num ato de amor, nos deu Maria como Mãe (cf. Jo 19,26). Se Jesus no-la deu como Mãe, é porque precisamos dela para nossa vida e salvação. Então, cada cristão e cada família cristã precisa da proteção materna de Nossa Senhora para enfrentar a luta da vida, as tentações, provações etc. A Igreja sempre ensinou que “família que reza unida permanece unida”, sobretudo quando reza o terço.

Na oração do santo rosário, a Virgem Maria nos ensina e nos anima na vida de Cristo, partilhando conosco aquelas coisas que “ela guardava no seu coração” (cf. Lc 2,52). “É uma oração contemplativa, não pode ser apenas uma repetição mecânica de fórmulas”, disse o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Marialis cultus.

Lembro-me, com saudade, de que minha mãe, todos os dias, reunia seus nove filhos, às 18h em ponto, para rezar o terço. Era algo que não falhava. Hoje, vejo todos os meus irmãos na Igreja, todos casados, nenhum separado. Não me lembro de um dia de desespero em nosso lar, embora tivéssemos todos os problemas que toda família tem. O santo terço diário foi sempre a nossa força, o nosso consolo. Nunca o deixei de rezar, mesmo nos meus tempos de cadete do Exército, durante três anos na Academia Militar.

Sobretudo hoje, em que se multiplicam os problemas e os pecados, a ofensa a Deus, e os filhos estão muito mais sujeitos aos maus exemplos, é fundamental que a família cristã reze, todos os dias, o santo terço para se colocar debaixo da poderosa intercessão de Nossa Senhora. Então, terão paz, mesmo neste mundo tão conturbado.

Prof. Felipe Aquino, é viúvo, pai de 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”. Site do Professor: http://www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Não deixe Jesus sozinho!

Enquanto houver um sacrário, não haverá solidão

Uma das nossas maiores ingratidões para com Jesus é o abandono em que O deixamos em muitos dos nossos sacrários.

A Igreja o chama de “prisioneiro dos sacrários”.

Jesus Eucarístico é o “amor dos amores”. Ele faz, continuamente, este milagre para poder cumprir a Sua promessa: “Eis que estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 20,20).

Do sacrário, Ele nos chama continuamente: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e Eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

Ali, Ele está como no céu, com os braços abertos e as mãos repletas de graças para aqueles que forem buscá-las com o coração aberto. São João Bosco dizia:

“Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o raramente. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado. Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Não omitais nunca a visita ao Santíssimo Sacramento, ainda que seja muito breve, mas contanto que seja constante”.

Santo Afonso de Ligório disse:

“Os soberanos desta terra nem sempre, nem com facilidade, concedem audiência; mas o Rei do céu, ao contrário, escondido debaixo dos véus eucarísticos, está pronto a receber qualquer um. Ficai certos de que todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade”.

Diante do Senhor, no sacrário, podemos repetir aquela oração reparadora que o anjo, em pessoa, ensinou às crianças, em Fátima, nas aparições de Nossa Senhora, em 1917:

“Ó Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores. Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos; peço-Vos perdão pelos que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam. Amém!”

Não deixe Jesus sozinho no sacrário da igreja de sua comunidade ou paróquia. Organize uma adoração, a mais constante possível, ao Santíssimo. Chame as pessoas, faça uma escala, divida o tempo para cada um: meia hora, uma hora, o quanto for possível. Podemos ter certeza que as chuvas de bênçãos descerão sobre a comunidade! Os jovens serão preservados do mau caminho, os pecadores serão convertidos, o demônio afastado, as calamidades afugentadas. Não é disto que estamos precisando?

A Igreja, desde o seu início, quis manter Jesus nos sacrários da terra para, ali, Ele ser amado e louvado, derramar sobre nós as suas bênçãos, e ser levado aos doentes.

Sempre foi ao pé do sacrário que os homens e mulheres de Deus buscaram forças e luzes para a sua caminhada. Foi, ali, que São João Vianney conquistou o coração dos seus fiéis e se tornou o grande “Cura D’Ars”. Quando, recém-ordenado padre, ele chegou a Ars e encontrou, ali, uma paróquia sem padre há muitos anos, e as pessoas longe de Deus; a primeira coisa que fez foi ajoelhar-se diante do Santíssimo durante horas, rezando o rosário. Assim, ele revolucionou aquele pequeno lugar e fez tantos prodígios.

No livro das suas “Confissões”, Santo Agostinho dá um testemunho marcante. Ele afirma que se converteu, porque sua mãe, Santa Mônica, entrava na igreja, três vezes por dia, e pedia a sua conversão a Jesus sacramentado.

Não há problema, qualquer que seja, que não possa ser resolvido diante do sacrário. Deus está ali. O que mais desejar?

Chiara Lubich disse certa vez que, enquanto houver a Eucaristia, o homem não caminhará sozinho, e enquanto houver um sacrário, não haverá solidão.

Que grande riqueza a nossa de podermos viver em um país católico, no qual se pode encontrar com facilidade uma igreja, com as suas portas abertas, guardando no seu interior o Rei da Glória, que nos espera com as mãos cheias de graças!

(Extraído do livro “Entrai pela porta estreita”)
Felipe Aquino
[email protected]

São Pio de Pietrelcina

“Diante de Deus ajoelhe-se sempre”.

“Seja perseverante nas orações e nas santas leituras”.

“Dirás tu o mais belo dos credos quando houver noite em redor de ti, na hora do sacrifício, na dor, no supremo esforço duma vontade inquebrantável para o bem. Este credo é como um relâmpago que rasga a escuridão de teu espírito e no seu brilho te eleva a Deus”.

“Menosprezai vossas tentações e não vos demoreis nelas. Imaginai estar na presença de Jesus. O crucificado se lança em vossos braços e mora no vosso coração. Beijai-Lhe a chaga do lado, dizendo: ‘Aqui está minha esperança; a fonte viva da minha felicidade. Seguro-vos, ó Jesus, e não me aparto de vós, até que me tenhais posto a salvo’”.

“O amor é a rainha das virtudes. Como as pérolas se ligam por um fio, assim as virtudes, pelo amor. Fogem as pérolas quando se rompe o fio. Assim também as virtudes se desfazem afastando-se o amor”.

“É preciso amar, amar e nada mais”.

“Quando Jesus vem a nós na santa comunhão, encontra alegria em Sua criatura. Por nossa parte, procuremos Nele a nossa alegria”.

“O santo silêncio nos permite ouvir mais claramente a voz de Deus”.

“Quando te encontrares diante de Deus, na oração considera-te banhado na luz da verdade, fala-lhe se puderes, deixa simplesmente que te veja e não tenhas preocupação alguma”.

“Quanto mais te deixares enraizar na santa humildade, tanto mais íntima será a comunicação da tua alma com Deus”.

“Resigna-te a ser neste momento uma pequena abelha. E enquanto esperas ser uma grande abelha, ágil, hábil, capaz de fabricar bom mel, humilha-te com muito amor perante Deus e os homens, pois Deus fala aos que se mantêm diante dele humildemente”.

“Uma só coisa é necessária: estar perto de Jesus”.

“As almas não são oferecidas como dom; compram-se. Vós ignorais quanto custaram a Jesus. É sempre com a mesma moeda que é preciso pagá-las”.

“Imitemos o coração de Jesus, especialmente na dor, e assim nos conformaremos cada vez mais e mais com este coração divino para que, um dia, lá em cima no Céu, também nós possamos glorificar o Pai celeste ao lado daquele que tanto sofreu”.

“O verdadeiro servo de Deus é aquele que usa a caridade para com seu próximo, que está decidido a fazer a vontade de Deus a todo custo, que vive em profunda humildade e simplicidade”.

“O trabalho é tão sagrado como a oração”.

“A maior alegria de um pai é que os filhos se amem, formem um só coração e uma só alma. Não fostes vós que me escolhestes, mas o pai celeste que, na minha primeira missa, me fez ver todos os filhos que me confiava”.

“Rezai e continuai a rezar para não ficardes entorpecidos”.

“As almas! As almas! Se alguém soubesse o preço que custam”.

“O homem sem Deus é um ser mutilado”.

“Deus nunca me recusou um pedido”.

“O sábio elogia a mulher forte dizendo: os seus dedos manejaram o fuso. A roca é o alvo dos seus desejos. Fie, portanto, cada dia um pouco. Puxe fio a fio até a execução e, infalivelmente, você chegará ao fim. Mas não tenha pressa, pois senão você poderá misturar o fio com os nós e embaraçar tudo”.

“O temor e a confiança devem dar as mãos e proceder como irmãos. Se nos damos conta de que temos muito temor devemos recorrer à confiança. Se confiamos excessivamente devemos ter um pouco de temor”.

“Como distinguir uma tentação de um pecado e como estar certo de que não se pecou? – perguntou um penitente. Padre Pio sorriu e respondeu: “Como se distingue um burro de um homem? O burro tem de ser conduzido; o homem conduz a si mesmo!”

“O Senhor se comunica conosco à medida que nos libertamos do nosso apego aos sentidos, que sacrificamos nossa vontade própria e que edificamos nossa vida na humildade”.

“Deus é servido apenas quando é servido de acordo com a Sua vontade”.

“Tenhamos sempre horror ao pecado mortal e nunca deixemos de caminhar na estrada da santa eternidade”.

“Que Nossa Senhora nos obtenha o amor à cruz, aos sofrimentos e às dores”.

“O Senhor sempre orienta e chama; mas não se quer segui-lo e responder-lhe, pois só se vê os próprios interesses. Às vezes, pelo fato de se ouvir sempre a Sua voz, ninguém mais se apercebe dela; mas o Senhor ilumina e chama. São os homens que se colocam na posição de não conseguir mais escutar”.

Por que a tentação passada deixa na alma uma certa perturbação? perguntou um penitente a Padre Pio. Ele respondeu: “Você já presenciou um tremor de terra? Quando tudo estremece a sua volta, você também é sacudido; no entanto, não necessariamente fica enterrado nos destroços!”

“Como é belo esperar!”

“Para mim, Deus está sempre fixo na minha mente e estampado no meu coração”.

“Ouço interiormente uma voz que constantemente me diz: Santifique-se e santifique!”

“Subamos sem nos cansarmos, sob a celeste vista do Salvador. Distanciemo-nos das afeições terrenas. Despojemo-nos do homem velho e vistamo-nos do homem novo. Aspiremos à felicidade que nos está reservada”.

“Mesmo a menor transgressão às leis de Deus será levada em conta”.

“Deus ama quem segue o caminho da virtude”.

“Comunguemos com santo temor e com grande amor”.

“Nossa Senhora recebeu pela inefável bondade de Jesus a força de suportar até o fim as provações do seu amor. Que você também possa encontrar a força de perseverar com o Senhor até o Calvário!”

“Tente percorrer com toda a simplicidade o caminho de Nosso Senhor e não se aflija inutilmente”.

“O medo excessivo nos faz agir sem amor, mas a confiança excessiva não nos deixa considerar o perigo que vamos enfrentar”.

“Onde não há obediência, não há virtude. Onde não há virtude, não há bem, não há amor; e onde não há amor, não há Deus; e sem Deus não se chega ao Paraíso. Tudo isso é como uma escada: se faltar um degrau, caímos”.

“Desapegue-se daquilo que não é de Deus e não leva a Deus”.

“Que Nossa Senhora aumente a graça em você e a faça digna do Paraíso”.

“Nas tribulações é necessário ter fé em Deus”.

“O Santo Rosário é a arma daqueles que querem vencer todas as batalhas”.

“Queira o dulcíssimo Jesus conservar-nos na Sua graça e dar-nos a felicidade de sermos admitidos, quando Ele quiser, no eterno convívio…”

“Quanto mais se caminha na vida espiritual, mais se sente a paz que se apossa de nós”.

“Que Jesus o aperte sempre mais ao Seu divino coração. Que Ele o alivie no sofrimento e lhe dê o abraço final no Paraíso”.

“O bem dura eternamente”.

“Deve-se caminhar em nuvens cada vez que se termina uma confissão!”

“Lembre-se de que você tem no Céu não somente um pai, mas também uma Mãe”.

“O amor nada mais é do que o brilho de Deus nos homens”.

“O passado não conta mais para o Senhor. O que conta é o presente e estar atento e pronto para reparar o que foi feito”.

“Se você fala das próprias virtudes para se exibir ou para vã ostentação perde todo o mérito”.

“De todos os que vierem pedir meu auxílio, nunca perderei nenhum!”

“O Pai celeste está sempre disposto a contentá-lo em tudo o que for para o seu bem”.

“Um filho espiritual perguntou a Padre Pio: Como posso recuperar o tempo perdido? Padre Pio respondeu-lhe “Multiplique suas boas obras!”

“Diga ao Senhor: Faça em mim segundo a Tua vontade, mas antes de mandar-me o sofrimento, dê-me forças para que eu possa sofrer com amor”.

“A cada vitória sobre o pecado corresponde um grau de glória eterna”.

“Feliz a alma que atinge o nível de perfeição que Deus deseja!”

“Proponha-se a exercitar-se nas virtudes”.

“A sua casa deve ser uma escada para o Céu”.

“Quem te agita e te atormenta é o demônio. Quem te consola é Deus”!

“De que vale perder-se em vãos temores?”

“Agradeça sempre ao Pai eterno por sua infinita misericórdia”.

“Pense na felicidade que está reservada para nós no Paraíso”.

“É loucura fixar o olhar no que rapidamente passa”.

“Amar significa dar aos outros – especialmente a quem precisa e a quem sofre – o que de melhor temos em nós mesmos e de nós mesmos; e de dá-lo sorridentes e felizes, renunciando ao nosso egoísmo, à nossa alegria, ao nosso prazer e ao nosso orgulho”.

“Seja paciente e espere com confiança o tempo do Senhor”.

“Invoquemos sempre o auxílio de Nossa Senhora”.

“No juízo final daremos contas a Deus até de uma palavra inútil que tenhamos dito”.

“Para consolar uma alma na sua dor, mostre todo o bem que ela ainda pode fazer”.

“Apóie-se, como faz Nossa Senhora, à cruz de Jesus e nunca lhe faltará conforto”.

“Se precisamos ter paciência para suportar os defeitos dos outros, quanto mais ainda precisamos para tolerar nossos próprios defeitos!”

“Enquanto estivermos vivos sempre seremos tentados. A vida é uma contínua luta. Se às vezes há uma trégua é para respirarmos um pouco”.

“Que Maria sempre enfeite sua alma com as flores e o perfume de novas virtudes e coloque a mão materna sobre sua cabeça. Fique sempre e cada vez mais perto de nossa Mãe celeste, pois ela é o mar que deve ser atravessado para se atingir as praias do esplendor eterno no reino do amanhecer”.

“Meu Deus, perdoa-me. Nunca Te ofereci nada na minha vida e, agora, por este pouco que estou sofrendo, em comparação a tudo o que Tu sofreste na Cruz, eu reclamo injustamente!”

“Os talentos de que fala o Evangelho são os cinco sentidos, a inteligência e a vontade. Quem tem mais talentos, tem maior dever de usá-los para o bem dos outros”.

“Pobres e desafortunadas as almas que se envolvem no turbilhão de preocupações deste mundo. Quanto mais amam o mundo, mais suas paixões crescem, mais queimam de desejos, mais se tornam incapazes de atingir seus objetivos. E vêm, então, as inquietações, as impaciências e terríveis sofrimentos profundos, pois seus corações não palpitam com a caridade e o amor. Rezemos por essas almas desafortunadas e miseráveis, para que Jesus, em Sua infinita misericórdia, possa perdoá-las e conduzi-las a Ele”.

“Um dia você verá surgir o infalível triunfo da justiça Divina sobre a injustiça humana”.

“Há duas razões principais para se orar com muita satisfação: primeiro para render a Deus a honra e a glória que Lhe são devidas. Segundo, para falar com Ele e ouvir a Sua voz por meio das Suas inspirações e iluminações interiores”.

“O meu passado, Senhor, à Tua misericórdia. O meu Presente, ao Teu amor. O meu futuro, à Tua Providência”.

“O passado não conta mais para o Senhor. O que conta é o presente e estar atento e pronto para reparar o que foi feito”.

“Quando fizer o bem, esqueça. Se fizer o mal, pense no que fez e se arrependa”.

“Se quiser me encontrar, vá visitar Jesus Sacramentado; eu também estou sempre lá”.

“Pense em Jesus flagelado por amor a você, e ofereça com generosidade um sacrifício a Ele”.

“Devemos odiar os nossos pecados, visto que o amor ao Senhor significa paz”.

“Mesmo quando perdemos a consciência deste mundo, quando parecemos já mortos, Deus nos dá ainda uma chance de entender o que é realmente o pecado, antes de nos julgar. E se entendemos corretamente, como podemos não nos arrepender?”

“Temos muita facilidade para pedir, mas não para agradecer”.

“Peçamos a São José o dom da perseverança até o final”.

“Padre, eu não acredito no inferno – falou um penitente. Padre Pio disse: Acreditará quando for para lá?” O maldito “eu” o mantém apegado a Terra e o impede de voar para Jesus. “O mais belo Credo é o que se pronuncia no escuro, no sacrifício, com esforço”.

“É na dor que o amor se torna mais forte”.

“Padre Pio disse a um filho espiritual: Trabalhe! Ele perguntou: No que devo trabalhar, Padre? Ele respondeu: Em amar sempre mais a Jesus!”

“O demônio é forte com quem o teme, mas é fraquíssimo com quem o despreza”.

“Quando ofendemos a justiça de Deus, apelamos à Sua misericórdia. Mas se ofendemos a Sua misericórdia, a quem podemos apelar? Ofender o Pai que nos ama e insultar quem nos auxilia é um pecado pelo qual seremos severamente julgados”.

“A sua função é tirar e transportar as pedras, e arrancar os espinhos. Jesus é quem semeia, planta, cultiva e rega. Mas seu trabalho também é obra de Jesus. Sem Ele você nada pode fazer”. Jesus lhe quer bem, da maneira que só Ele sabe amar”.

“A sua função é tirar e transportar as pedras, e arrancar os espinhos. Jesus é quem semeia, planta, cultiva e rega. Mas seu trabalho também é obra de Jesus. Sem Ele você nada pode fazer”.

“Amemos ao próximo. Custa tão pouco querer bem ao outro”.

“Deus sempre nos dá o que é melhor para nós”.

A humildade e a caridade são as “cordas mestras”. Todas as outras virtudes dependem delas. Uma é a mais baixa; a outra é a mais alta. A firmeza de todo o edifício depende da fundação e do teto!

“O grau sublime da humildade é não só reconhecer a abnegação, mas amá-la”.

“Você deve ter sempre prudência e amor. A prudência tem olhos; o amor tem pernas. O amor, como tem pernas, gostaria de correr a Deus. Mas seu impulso de deslanchar na direção dEle é cego e, algumas vezes, pode tropeçar se não for guiado pela prudência, que tem olhos”.

“Jesus e a sua alma devem cultivar a vinha de comum acordo”.

“Façamos o bem, enquanto temos tempo à nossa disposição. Assim, daremos glória ao nosso Pai celeste, santificaremos nós mesmos e daremos bom exemplo aos outros”.

“Seja paciente nas aflições que o Senhor lhe manda”.

“Viva sempre sob o olhar do Bom Pastor e você ficara’ imune aos pastos contaminados”.

“Lembre-se de que os santos foram sempre criticados pelas pessoas deste mundo, e puseram sob seus pés o mundo e as suas máximas”.

“Esforce-se, mesmo se for um pouco, mas sempre…”

“Todas as pessoas que escolhem a melhor parte (viver em Cristo) devem passar pelas dores de Cristo; algumas mais, algumas menos…”

“Que Jesus o mergulhe no esplendor da Sua imortal juventude”.

“Quanto maiores forem os dons, maior deve ser sua humildade, lembrando de que tudo lhe foi dado como empréstimo”.

“Para que se preocupar com o caminho pelo qual Jesus quer que você chegue à pátria celeste – pelo deserto ou pelo campo – quando tanto por um como por outro se chegará da mesma forma à beatitude eterna?”

“Para consolar uma alma na sua dor, mostre-lhe todo o bem que ela ainda pode fazer”.

“A caridade é o metro com o qual o Senhor nos julgará”.

“Nossa Senhora recebeu pela inefável bondade de Jesus a força de suportar até o fim as provações do seu amor. Que você também possa encontrar a força de perseverar com o Senhor até o Calvário!”

“Deus não opera prodígios onde não há fé”.

“Seja modesto no olhar”.

“Para mim, Deus está sempre fixo na minha mente e estampado no meu coração”.

“Como é belo esperar!”

Por que a tentação passada deixa na alma uma certa perturbação? perguntou um penitente a Padre Pio. Ele respondeu: “Você já presenciou um tremor de terra? Quando tudo estremece a sua volta, você também é sacudido; no entanto, não necessariamente fica enterrado nos destroços!”

“O Senhor sempre orienta e chama; mas não se quer segui-lo e responder-lhe, pois só se vê os próprios interesses. Às vezes, pelo fato de se ouvir sempre a Sua voz, ninguém mais se apercebe dela; mas o Senhor ilumina e chama. São os homens que se colocam na posição de não conseguir mais escutar”.

“Que Nossa Senhora nos obtenha o amor à cruz, aos sofrimentos e às dores”.

“Tenhamos sempre horror ao pecado mortal e nunca deixemos de caminhar na estrada da santa eternidade”.

“Deus é servido apenas quando é servido de acordo com a Sua vontade”.

“O Senhor se comunica conosco à medida que nos libertamos do nosso apego aos sentidos, que sacrificamos nossa vontade própria e que edificamos nossa vida na humildade”.

“Não nos preocupemos quando Deus põe à prova a nossa fidelidade. Confiemo-nos à Sua vontade; é o que podemos fazer. Deus nos libertará, consolará e encorajará”.

“O temor e a confiança devem dar as mãos e proceder como irmãos. Se nos damos conta de que temos muito temor devemos recorrer à confiança. Se confiamos excessivamente devemos ter um pouco de temor”.

“O sábio elogia a mulher forte dizendo: os seus dedos manejaram o fuso. A roca é o alvo dos seus desejos. Fie, portanto, cada dia um pouco. Puxe fio a fio até a execução e, infalivelmente, você chegará ao fim. Mas não tenha pressa, pois senão você poderá misturar o fio com os nós e embaraçar tudo”.

“A caridade é o metro com o qual o Senhor nos julgará”.

“Para consolar uma alma na sua dor, mostre-lhe todo o bem que ela ainda pode fazer”.

“Para que se preocupar com o caminho pelo qual Jesus quer que você chegue à pátria celeste – pelo deserto ou pelo campo – quando tanto por um como por outro se chegará da mesma forma à beatitude eterna?”

“Quanto maiores forem os dons, maior deve ser sua humildade, lembrando de que tudo lhe foi dado como empréstimo”.

“Comunguemos com santo temor e com grande amor”.

“Tente percorrer com toda a simplicidade o caminho de Nosso Senhor e não se aflija inutilmente”.

“Deus ama quem segue o caminho da virtude”.

“Mesmo a menor transgressão às leis de Deus será levada em conta”.

“Subamos sem nos cansarmos, sob a celeste vista do Salvador. Distanciemo-nos das afeições terrenas. Despojemo-nos do homem velho e vistamo-nos do homem novo. Aspiremos à felicidade que nos está reservada”.

“Caminhe com alegria e com o coração o mais sincero e aberto que puder. E quando não conseguir manter esta santa alegria, ao menos não perca nunca o valor e a confiança em Deus”.

“Ouço interiormente uma voz que constantemente me diz: Santifique-se e santifique!”

“Que Nossa Mãe do Céu tenha piedade de nós e com um olhar maternal levante-nos, purifique-nos e eleve-nos a Deus”.

“Não há nada mais inaceitável do que uma mulher caprichosa, frívola e arrogante, especialmente se é casada. Uma esposa cristã deve ser uma mulher de profunda piedade em relação a Deus, um anjo de paz na família, digna e agradável em relação ao próximo”.

“Nossa Senhora está sempre pronta a nos socorrer, mas por acaso o mundo a escuta e se emenda?”

“Seja grato e beije docemente a mão de Deus. É sempre a mão de um pai que pune porque lhe quer bem”.

“Você teme um homem, um pobre instrumento nas mãos de Deus, mas não teme a justiça divina?”

Uma filha espiritual perguntou a Padre Pio: “O Senhor cura tantas pessoas, por que não cura esta sua filha espiritual?” Padre Pio respondeu-lhe em voz baixa: “E não nos oferecemos a Deus?”

“A divina bondade não só não rejeita as almas arrependidas, como também vai em busca das almas teimosas”.

“Pode-se manter a paz de espírito mesmo no meio das tempestades da vida”.

“Caminhe sempre e somente no bem e dê, cada dia, um passo à frente na linha vertical, de baixo para cima”.

“A oração é a efusão de nosso coração no de Deus”.

“Nunca vá se deitar sem antes examinar a sua consciência sobre o dia que passou. Enderece todos os seus pensamentos a Deus, consagre-lhe todo o seu ser e também todos os seus irmãos. Ofereça à glória de Deus o repouso que você vai iniciar e não esqueça do seu Anjo da Guarda que está sempre com você”.

“A meditação não é um meio para chegar a Deus, mas um fim. A finalidade da meditação é o amor a Deus e ao próximo”.

“Viva feliz. Sirva ao Senhor alegremente e com o espírito despreocupado”.

“Mantenha-se sempre muito unido à Igreja Católica, pois somente ela pode lhe dar a verdadeira paz, porque somente ela possui Jesus Sacramentado que é o verdadeiro príncipe da paz”.

“Não desperdice suas energias em coisas que geram preocupação, perturbação e ansiedade. Uma coisa somente é necessária: elevar o espírito e amar a Deus”.

“Procuremos servir ao Senhor com todo o coração e com toda a vontade. Ele nos dará sempre mais do que merecemos”.

“Que Jesus reine sempre soberano no seu coração e o faça cada vez mais digno de seus divinos dons”.

“O demônio é forte com quem o teme, mas é fraco com quem o despreza”.

“Reflita no que escreve, pois o Senhor vai lhe pedir contas disso”.

“O Coração de Jesus não deixará cair no vazio a nossa oração se ela for plena de fé e de confiança”.

“A pessoa que nunca medita é como alguém que nunca se olha no espelho e, assim, não se cuida e sai desarrumada. A pessoa que medita e dirige seus pensamentos a Deus, que é o espelho de sua alma, procura conhecer seus defeitos, tenta corrigi-los, modera seus impulsos e põe em ordem sua consciência”.

“É sempre necessário ir para a frente, nunca para trás, na vida espiritual. O barco que pára em vez de ir adiante é empurrado para trás pelo vento”.

“Não sejamos mesquinhos com Deus que tanto nos enriquece”.

“O amor tudo esquece, tudo perdoa, sem reservas”.

“Na igreja se fala somente com Deus”.

“Não se fixe voluntariamente naquilo que o inimigo da alma lhe apresenta”.

“Reze pelos infiéis, pelos fervorosos, pelo Papa e por todas as necessidades espirituais e temporais da Santa Igreja, nossa terna mãe. E faça uma oração especial por todos os que trabalham para a salvação das almas e para a glória do nosso Pai celeste”.

“Se você não entrega seu coração a Deus, o que lhe entrega? Você deve seguir outra estrada. Tire de seu coração todas as paixões deste mundo, humilhe-se na poeira e reze! Dessa forma, certamente você encontrará Deus, que lhe dará paz e serenidade nesta vida e a eterna beatitude na próxima”.

“Sigamos o caminho que nos conduz a Deus”.

“A natureza humana também quer a sua parte. Até Maria, Mãe de Jesus, que sabia que por meio de Sua morte a humanidade seria redimida, chorou e sofreu – e como sofreu!”

“Cuide de estar sempre em estado de graça”.

“Não se desencoraje, pois, se na alma existe o contínuo esforço de melhorar, no final o Senhor a premia fazendo nela florir, de repente, todas as virtudes como num jardim florido”.

“É necessário manter o coração aberto para o Céu e aguardar, de lá, o celeste orvalho”.

“Onde há mais sacrifício, há mais generosidade”.

“Enquanto tiver medo de ser infiel a Deus, você não será’. Deve-se ter medo quando o medo acaba!”

“Reze, reze! Quem muito reza se salva e salva os outros. E qual oração pode ser mais bela e mais aceita a Nossa Senhora do que o Rosário?”

“A ingenuidade é uma virtude, mas apenas ate certo ponto; ela deve sempre ser acompanhada da prudência. A astúcia e a safadeza, por outro lado, são diabólicas e podem causar muito mal”.

“Cada Missa lhe obtém um grau mais alto de gloria no Céu!”

“Se você tem dúvidas sobre a fé é exatamente porque tem fé!”

“A prática das bem-aventuranças não requer atos de heroísmo, mas a aceitação simples e humilde das várias provações pelas quais a pessoa passa”.

“A maior caridade é aquela que arranca as pessoas vencidas pelo demônio, a fim de ganhá-las para Cristo. E isso eu faço assiduamente, noite e dia”.

“Aquele que procura a vaidade das roupas não conseguirá jamais se revestir com a vida de Jesus Cristo”.

“Quando o dia seguinte chegar, ele também será chamado de hoje e, então, você pensará nele. Tenha sempre muita confiança na Divina Providência”.

“É doce o viver e o penar para trazer benefícios aos irmãos e para tantas almas que, vertiginosamente, desejam se justificar no mal, a despeito do Bem Supremo”.

“O Santo Sacrifício da Missa é o sufrágio mais eficaz, que ultrapassa todas as orações, as boas obras e as penitências. Infalivelmente produz seu efeito para vantagem das almas por sua virtude própria e imediata”.

“Combata vigorosamente, se está interessado em obter o prêmio destinado às almas fortes”.

“Não queremos aceitar o fato de que o sofrimento é necessário para nossa alma e de que a cruz deve ser o nosso pão cotidiano. Assim como o corpo precisa ser nutrido, também a alma precisa da cruz, dia a dia, para purificá-la e desapegá-la das coisas terrenas. Não queremos entender que Deus não quer e não pode salvar-nos nem santificar-nos sem a cruz. Quanto mais Ele chama uma alma a Si, mais a santifica por meio da cruz”.

“Nunca se canse de rezar e de ensinar a rezar”.

“Todas as percepções humanas, de onde quer que venham, incluem o bem e o mal. É necessário saber determinar e assimilar todo o bem e oferecê-lo a Deus, e eliminar todo o mal”.

“Faltar com a caridade é como ferir a pupila dos olhos de Deus”.

“Há alegrias tão sublimes e dores tão profundas que não se consegue exprimir com palavras. O silêncio é o último recurso da alma, quando ela está inefavelmente feliz ou extremamente oprimida!”

“Seria mais fácil a Terra existir sem o sol do que sem a santa Missa!”

“Os corações fortes e generosos não se lamentam, a não ser por grandes motivos e,ainda assim,não permitem que tais motivos penetrem fundo no seu íntimo. “Recorramos a Jesus e não às pessoas, pois só ele nunca nos faltará”.

“Jesus vê, conhece e pesa todas as suas ações”.

“Sejam como pequenas abelhas espirituais, que levam para sua colméia apenas mel e cera. Que, por meio de sua conversa, sua casa seja repleta de docilidade, paz, concórdia, humildade e piedade!”

“Quando a videira se separa da estaca que a sustenta, cai, e ao ficar na terra apodrece com todos os cachos que possui. Alerta, portanto, o demônio não dorme!”

“Deus quer que as suas misérias sejam o trono da Sua misericórdia”.

“Leve Deus aos doentes; valera’ mais do que qualquer tratamento!”

“A mansidão reprime a ira”.

“Não abandone sua alma à tentação, diz o Espírito Santo, já que a alegria do coração é a vida da alma e uma fonte inexaurível de santidade”.

“Jesus está com você, e o Cireneu não deixa de ajudar-te a subir o Calvário”.

“Vive-se de fé, não de sonhos”.

“Submeter-se não significa ser escravo, mas ser livre para receber santos conselhos”.

“Todas as graças que pedimos no nome de Jesus são concedidas pelo Pai eterno”.

“Uma Missa bem assistida em vida será mais útil à sua salvação do que tantas outras que mandarem celebrar por você após sua morte!”

“Como Jesus, preparemo-nos a duas ascensões: uma ao Calvário e outra ao Céu. A ascensão ao Calvário, se não for alegre, deve ao menos ser resignada!”

“Nas tentações, combata com coragem! Nas quedas, humilhe-se, mas não desanime!”

“No tumulto das paixões terrenas e das adversidades, surge a grande esperança da misericórdia inexorável de Deus. Corramos confiantes ao tribunal da penitência onde Ele, com ansiedade paterna, espera-nos a todo instante”.

“Que o Espírito Santo guie a sua inteligência, faça-o descobrir a verdade escondida na Sagrada Escritura e inflame a sua vontade para praticá-la”.

“Se tanta atenção é dada aos bens desta Terra, quanto mais se deve dar aos do Céu? Faça, portanto, uma boa leitura espiritual, a santa meditação, o exame de consciência, e fará progresso na perfeição cristã e no amor de Jesus”.

“O amor e o temor devem sempre andar juntos. O temor sem amor torna-se covardia. O amor sem temor torna-se presunção”.

“Não se desencoraje se você precisa trabalhar muito para colher pouco. Se você pensasse em quanto uma só alma custou a Jesus, você nunca reclamaria!”

“Que Maria seja toda a razão da sua existência e o guie ao porto seguro da eterna salvação. Que Ela lhe sirva de doce modelo e inspiração na virtude da santa humildade”.

“Se quisermos colher é necessário não só semear, mas espalhar as sementes num bom campo. Quando as sementes se tornarem plantas, devemos cuidá-las para que as novas plantas não sejam sufocadas pelas ervas daninhas”.

“Não se aflija a ponto de perder a paz interior. Reze com perseverança, com confiança, com calma e serenidade”.

“É difícil tornar-se santo. Difícil, mas não impossível. A estrada da perfeição é longa, tão longa quanto a vida de cada um. O consolo é o repouso no decorrer do caminho. Mas, apenas restauradas as forças, é necessário levantar-se rapidamente e retomar a viagem!”

“O mal não se vence com o mal, mas com o bem, que tem em si uma força sobrenatural”.

“A mulher forte é a que tem temor de Deus, a que mesmo à custa de sacrifício faz a vontade de Deus”.

“O Anjo de Deus não nos abandona jamais”.

“Somente por meio de Jesus podemos esperar a salvação”.

“O Senhor nos dá tantas graças e nós pensamos que tocamos o céu com um dedo. Não sabemos, no entanto, que para crescer precisamos de pão duro, das cruzes, das humilhações, das provações e das contradições”.

“Devo fazer somente a vontade de Deus e, se lhe agrado, o restante não conta”.

Papa: aproximar-se de quem sofre para restituir dignidade

Cidade do Vaticano (RV) – “Compaixão”, “aproximar-se” e “restituir”. Na Missa matutina na Casa Santa Marta (19/9/2017), o Papa Francisco pediu ao Senhor que nos dê a “graça” de sentir compaixão “diante de tanta gente que sofre”, de nos aproximar e levar essas pessoas “pela mão” até a “dignidade que Deus deu para elas”.

Inspirando-se no Evangelho do dia de Lucas, dedicado à narração da ressurreição do filho da viúva de Naim por obra de Jesus, o Pontífice explicou que no Antigo Testamento os “mais pobres dos escravos” eram justamente as viúvas, os órfãos, os estrangeiros e os forasteiros. E o convite é para cuidar deles, de modo que se insiram “na sociedade”. Jesus, que tem a capacidade de “olhar o detalhe”, porque “olha com o coração”, tem compaixão:

“A compaixão é um sentimento envolvente, é um sentimento do coração, das vísceras, envolve tudo. Não é o mesmo que a “pena” ou … “que dó, pobre gente!”: não, não é a mesma coisa. A compaixão envolve. É “padecer com”. Isso é a compaixão. O Senhor se envolve com uma viúva e com um órfão…. Mas diga, há uma multidão aqui, por que não fala para a multidão? Deixe … a vida é assim … são tragédias que acontecem, acontecem…. Não. Para Ele, era mais importante aquela viúva e aquele órfão morto do que a multidão para a qual Ele estava falando e que o seguia. Por que? Porque o seu coração, as suas vísceras se envolveram. O Senhor, com a sua compaixão, se envolveu neste caso. Teve compaixão”.

A compaixão, portanto, impulsiona “a aproximar-se”, observou o Papa: podem-se ver muitas coisas, mas não se aproximar delas:

“Aproximar-se e tocar a realidade. Não olhá-la de longe. Teve compaixão – primeira palavra – se aproximou – segunda palavra. Depois fez o milagre e Jesus não disse: ‘Até logo, eu continuo o caminho’: não. Pegou o rapaz e o que fez? ‘O devolveu para sua mãe’: devolver, a terceira palavra. Jesus faz milagres para restituir, para colocar as pessoas no próprio lugar. E foi o que fez com a redenção. Teve compaixão – Deus teve compaixão – se aproximou de nós no seu Filho, e restituiu a todos nós a dignidade de filhos de Deus. Ele recriou todos nós”.

A exortação é a “fazer o mesmo”, seguir o exemplo de Cristo, aproximar-se dos necessitados, não ajudá-los “de longe, porque há aqueles que estão sujos”, não tomam banho”, “têm mau cheiro”.

“Muitas vezes vemos os jornais ou a primeira página dos jornais, as tragédias… mas olhe, as crianças naquele país não têm o que comer; naquele país, as crianças são soldados; naquele país as mulheres são escravizadas; naquele país … oh, que calamidade! Pobre gente … Viro a página e passo ao romance, para a telenovela que vem depois. E isso não é cristão. E a pergunta que eu faria agora, olhando para todos, também para mim: “Eu sou capaz de ter compaixão? De rezar? Quando eu vejo essas coisas, que me trazem a casa, através da mídia … as vísceras se movem? O coração sofre com essas pessoas, ou sinto pena, digo “pobre gente”, e assim … “. E se você não pode ter compaixão, peça a graça: ‘Senhor, dá-me a graça da compaixão’”!

Com a “oração de intercessão”, com o nosso “trabalho” de cristãos – devemos ser capazes de ajudar as pessoas que sofrem, para que “retornem à sociedade”, à “vida familiar”, de trabalho; em síntese: à “vida cotidiana”. (BF-SP)

“Quem esquece o perdão, esquece Deus”

Cidade do Vaticano (RV) – “Quando se esquece a necessidade do perdão, lentamente se esquece de Deus, de lhe pedir perdão e de saber perdoar”. Foi a advertência do Papa na homilia da missa celebrada na Basílica de São Pedro nesta terça-feira (09/02), diante de cerca de 1 mil frades capuchinhos, em Roma para venerar as relíquias de Padre Pio e de Padre Leopoldo Mandic, no Jubileu extraordinário da Misericórdia.

“Os capuchinos receberam do Senhor o dom de perdoar – reconheceu o Pontífice. Em meio a vocês, há muitos bons confessores, porque se sentem pecadores e rezam: sabem perdoar porque sabem rezar.

O humilde é um grande confessor, quem se sente puro só sabe condenar”.

Não machucar o fiel

Francisco ressaltou que “o confessionário é para dar o perdão, não para condenar. E quando não se pode dar a absolvição, pelo menos não se machuque o fiel que vem se confessar em busca do perdão, do conforto, da paz em sua alma; vem para encontrar um pai que o abrace e lhe diga que lhe quer bem. Então, por favor, não se cansem nunca de perdoar!”.

A seguir, o Papa exortou os frades capuchinhos: “Sejam homens de perdão, de reconciliação e de paz”; e recordou: “Existem muitas linguagens: a linguagem da palavra, e a linguagem dos gestos. Quem se aproxima do confessionário, faz já um gesto que expressa o desejo de mudar, de ser uma pessoa diferente”.

Humildade para perdoar

“Por isso, recomendou Francisco, coração aberto! O perdão é uma semente, um carinho de Deus. Quem não é um grande perdoador, é um grande condenador. E quem é, na Bíblia, o grande acusador? O diabo… Então, digo a todos vocês, sacerdotes: quem não quer perdoar seja humilde e não vá confessar os fiéis”.

(CM)

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