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Santo Evangelho (Mc 1, 1-8)

2º Domingo do Advento – Domingo 10/12/2017 

Primeira Leitura (Is 40,1-5.9-11)
Leitura do Livro do Profeta Isaías:

1“Consolai o meu povo, consolai-o! — diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados”. 3Grita uma voz: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou. 9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães’”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 84)

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, / e a vossa salvação nos concedei!
— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, / e a vossa salvação nos concedei!

— Quero ouvir o que o Senhor irá falar:/ é a paz que ele vai anunciar;/ a paz para o seu povo e seus amigos, / para os que voltam ao Senhor seu coração. / Está perto a salvação dos que o temem, / e a glória habitará em nossa terra.

— A verdade e o amor se encontrarão, / a justiça e a paz se abraçarão;/ da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

— O Senhor nos dará tudo o que é bom, / e a nossa terra nos dará suas colheitas;/ a justiça andará na sua frente/ e a salvação há de seguir os passos seus.

 

Segunda Leitura (2Pd 3,8-14)
Leitura da Segunda Carta de São Pedro:

8Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. 9O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se. 10O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. 11Se desse modo tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e piedosa, 12enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão? 13O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14Caríssimos, vivendo nessa esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 1,1-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

1Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2Está escrito no Livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas! ’” 4Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 6João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Melquíades, grande defensor da fé

São Melquíades aproveitou a liberdade religiosa para organizar as sedes paroquiais em Roma e recuperar os bens da Igrejas perdidos durante a perseguição

Hoje nos deixamos atingir pela santidade de vida de um Papa que buscou no Pastor Eterno e Universal toda a graça que necessitava para ser fiel num tempo de transição da Igreja. São Melquíades, de origem africana, fez parte do Clero Romano, até que em 310 faleceu o Papa Eusébio e foi eleito sucessor de São Pedro.

No período de seu governo, Melquíades sofreu com a perseguição aos cristãos pelo Imperador Máximo. Esta perseguição só teve um descanso quando Constantino venceu Máximo na histórica batalha em Roma (312) a qual atribuiu ao Deus dos cristãos. Com isto, surgiu o Edito de Milão em 313, concedendo a liberdade religiosa; assim, São Melquíades passou do Papa da perseguição para o Papa da liberdade dos cristãos.

Durante os quatro anos de seu Pontificado, as piores ameaças nasceram no interior da Igreja com os hereges. São Melquíades foi grande defensor da Fé, por isso combateu principalmente o Donatismo, que contestava a legitimação da eleição dos ministros de Deus e fanaticamente se substituía a qualquer autoridade.

Aproveitou Melquíades, a liberdade religiosa para organizar as sedes paroquiais em Roma e recuperar os bens da Igrejas perdidos durante a perseguição. São Melquíades através da Eucaristia semeou a unidade da Igreja de Roma com as demais igrejas. Entrou no céu em 314 e foi enterrado na Via Ápia, no cemitério de Calisto. Do Doutor Santo Agostinho, São Melquíades recebeu o seguinte reconhecimento: “Verdadeiro filho da paz, verdadeiro pai dos cristãos”.

São Melquíades, rogai por nós!

II Domingo do Advento – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Neste segundo domingo do Advento, eu me aterei à segunda leitura tirada da Segunda Carta atribuída a Pedro. Trata-se do último texto do Novo Testamento a ser escrito: foi redigida, provavelmente, nos primeiros anos do segundo século de nossa era. “Caríssimos – diz-nos ele – deveis saber que mil anos diante do Senhor são como um dia, e um dia como mil anos.” O autor deveria, naquela época, combater o erro daqueles cristãos que, cansados de esperar, imaginavam que a Parusia não viria mais, que O Senhor Jesus não mais se manifestaria e que o Cristianismo, conseqüentemente, dissolver-se-ia na História. Bem, devemos dizer, desde já, que nenhum desses autores imaginou que a História pudesse ainda caminhar dois mil anos; e nenhum de nós espera o fim do mundo para seus próprios dias, ou para muito em breve, antes mesmo de consumar a vida neste mundo. É possível, embora não tenhamos nenhuma certeza, que este fim do mundo ainda demore centenas ou milhares de anos. Mas isto não importa. Importa o seguinte: nós só vivemos uma vida; não existe reencarnação para quem tem fé cristã. Jamais repetiremos esta vida. Existe uma única encarnação, e esta se deu quando fomos concebidos no seio materno. A nossa existência limita-se a setenta, oitenta ou noventa anos, mas, cedo ou tarde, ela termina. Se o final do mundo se prolonga – e nenhum de nós saberá dizer como e quando, se com o fogo ou com o frio – nós podemos dizer que, no dia em que deixarmos de viver para este mundo aqui, encontraremos o nosso fim. Aquele será o meu fim do mundo, aquele será o seu fim do mundo. Nós não nos encaminhamos, no entanto, para o nada ou para o vazio. Nós nos encaminhamos para uma grande plenitude. Deus manifesta-Se e revela-Se a nós, como Aquele que será o nosso futuro, para sempre, e este mundo, embora possa passar por uma grande metamorfose e transformação, pelo fogo ou pelo calor – como diz o texto – ou pelo frio gélido, como falam os cientistas, não interessa muito, isto não modificaria substancialmente a situação; Deus não nos criou para aniquilação. Novos céus e novas terras existirão, qualitativamente diversas deste que nós conhecemos agora e onde reinará a Justiça. E por isso mesmo, acalentados com essa esperança, nós caminhamos apressados em direção a esse fim, iluminados, porém, pela Palavra de Deus.

 

NASCEMOS PORQUE DEUS NÃO PERDEU A ESPERANÇA NA HUMANIDADE
Padre Bantu Mendonça

São Marcos nos apresenta uma novidade como ponto central na história da humanidade e na vida individual de todos os homens: a proclamação de Jesus de Nazaré como o Ungido e Messias por ser Ele o Filho do Deus único e verdadeiro. Essa proclamação é necessária nos dias de hoje até para muitos batizados que vivem de costas a essa realidade. O Antigo Testamento está ligado ao Novo Testamento porque o primeiro é a palavra da esperança e o segundo é o cumprimento dela. Ambos escritos – sob a inspiração divina – se complementam como uma história única em que Deus Todo-Poderoso intervém de modo pessoal. Deus não é somente o providente e diretor, mas Ele também intervém com Sua presença para impedir que tudo acabe em tragédia pelo triunfo do mal. João, no deserto, é uma figura que representa a atualização dos desejos da humanidade: a proximidade de Deus na vida de todos os que não conseguem sair da miséria vivida, quer seja na ordem material, quer na ordem espiritual. O Deus de João Batista é um Deus próximo, amigo e protetor. É o Deus que os profetas anunciaram e que João Batista recorda como eterno aliado para quem optou pelo bem. São Marcos inicia seu Evangelho com as narrativas sobre João Batista e o batismo de Jesus, e o encerra com a narrativa do encontro do túmulo vazio pelas mulheres (o que vem a seguir, em Mc 16,9-20 é consensualmente um acréscimo posterior ao texto original). Marcos segue a trajetória delineada por Pedro, registrada por Lucas em Atos dos Apóstolos, segunda a qual o testemunho de Jesus abrange o período que vai “desde o batismo de Jesus até o dia em que foi arrancado dentre nós” (cf. At 1,22). Posteriormente, Mateus e Lucas elaborarão as narrativas da infância de Cristo, que serão inseridas antes das narrativas sobre João Batista e sobre o batismo do Senhor. Por último, João escreverá seu Evangelho iniciando-o com o Prólogo do Verbo encarnado para, em seguida, narrar os fatos relativos a João Batista. João Batista e Jesus têm íntima relação em seus ministérios. Lucas, de modo especial, destaca essa relação no seu Evangelho, fazendo um expressivo paralelismo nas suas narrativas de infância de João Batista e de Jesus. João Batista era filho de sacerdote, porém, rompe com a tradição sacerdotal e com o Templo de Jerusalém, indo para a periferia (“deserto”) às margens do rio Jordão, pregando a conversão à prática da justiça, por meio da qual os pecados são perdoados. Para o sistema religioso-sacerdotal da época, os pecados só poderiam ser perdoados diante dos sacerdotes no Templo de Jerusalém e diante de ofertas e sacrifícios. João descarta essa doutrina, anunciando que é pela prática da justiça que se supera o pecado. Com a sua pregação ele é visto como o cumprimento da profecia de Isaías, por preparar o caminho de Jesus Cristo. A Igreja toma como modelo de sua pregação neste Advento a mudança de mentalidade, como a que se dá naquele que se arrepende de um desígnio ou plano anterior como também de uma determinação errada ou ainda de uma atuação desastrosa. E as palavras dos antigos profetas indicam o novo caminho a empreender: “Deixai de praticar o mal e aprendei a fazer o bem”. Somente com este propósito poderemos entender no seu verdadeiro significado a visita de Jesus e Seu modelo como homem. Convido-lhe a ser como um menino que, diante do presépio, teve um colóquio com Jesus: – Que gostaria Jesus que eu te desse como presente de aniversário? – Três coisas – disse-lhe Jesus: Dá-me o desenho que fizeste hoje de manhã. – Mas ninguém gostou dele… – Por isso mesmo! Quero que sempre me dês aquilo que os outros não gostam de ti ou que tu mesmo olhas como frustração. Como segundo presente dá-me teu prato. – Mas eu quebrei o prato… – Por isso mesmo! Eu quero tudo que na tua vida está roto e fragmentado. Eu te ajudarei a recompô-lo. E a terceira coisa? Quero, pois, a resposta que deste aos teus pais quando te perguntaram pela quebra do prato. – Mas foi uma mentira! – Por isso mesmo! Eu te mostrarei como a verdade é mais proveitosa do que qualquer mentira, mesmo que nesta última encontres a desculpa que te parece necessária, para evitar que o fizeste por raiva, por pirraça. Gostaria de lembrá-lo de que para Deus nada é impossível. O que o Todo-Poderoso não é capaz de fazer é deixar de amá-lo. A sua vida para Ele tem conserto. Cada criatura, ao nascer, traz a mensagem de que Deus Pai ainda não perdeu a esperança no homem.

 

ESTEJA PREPARADO PARA A VINDA DO SENHOR
Homilia do Cardeal Dom Odilo Scherer no Hosana Brasil 2011

Estamos celebrando o Advento do Senhor, tempo que, na liturgia, é muito breve, mas muito intenso. Ele tem duas dimensões, uma que recordamos com facilidade, pois o Advento nos prepara para o Natal. De fato, neste tempo, nos preparamos para celebrar a solenidade do Natal do Senhor, recordando as promessas de salvação e do envio do Salvador ao mundo. Recordamos a fidelidade de Deus às suas promessas. O Senhor promete e cumpre; Ele já cumpriu a promessa de nos enviar o Salvador e, em cada momento da história a humanidade, somos chamados a acolher novamente o Salvador que veio e vem. Jesus veio para toda a humanidade e nós somos chamados a acolhê-Lo, a “abrir as portas ao Redentor” para que Ele entre em nossa vida. Que Seu Evangelho possa ser a luz que direciona toda a humanidade a viver bem. Assim como ouvimos o convite de Isaías: “Casa de Jacó, vinde todos caminhemos à luz do nosso Deus ”. Casa de Jacó significa o povo de Deus, toda a Igreja. Deixemo-nos guiar por Ele se quisermos que a salvação se realize. A outra dimensão do Advento é a próxima vinda do Salvador. Nós professamos no ‘Creio em Deus Pai’ a vinda gloriosa de Jesus crucificado que vem para julgar os vivos e mortos.  O tempo do Advento nos faz olhar para frente, para que o vai acontecer e nos lembra que vivemos em contínuo advento, ou seja, um tempo constante à espera do Deus que vem. De fato, Deus vem sempre, todos os dias, ao nosso encontro, mas nós precisamos também ir ao encontro d’Ele até o dia de Sua volta. Que nossa vida toda seja uma preparação de caminho ao encontro com o Senhor. Não percamos tempo com comilanças nem bebedeira, que são as ocupações do dia a dia, como se isso fosse o nosso tudo. Neste segundo domingo do Advento, a Palavra de Deus é muito bonita. Na segunda leitura da Carta de São Pedro, o autor responde ao questionamento: “Mas quando Ele virá?”. Já os apóstolos tinham essa preocupação, pois quando sabemos quando será, tudo se arranja. E Jesus respondeu a eles: “Só o Pai do Céu sabe quando vai ser”. Jesus diz que o importante é estarmos sempre preparados. E se alguém pergunta por que Deus não vem logo, Ele nos diz que “não vem logo porque quer que todos se salvem”. Deus tem paciência com todos os pecadores, dando tempo ao tempo. O Senhor dá tempo para que todos nós tenhamos a oportunidade de nos convertermos. É preciso estarmos sempre preparados, sempre no caminho certo. Nós vivemos no tempo do provisório. Tudo passa, porém do Senhor esperamos céus novos e nova terra onde reinará a justiça. No novo céu e na nova terra, onde realmente reina a justiça, é para lá que nós vamos. O Evangelho mostra a pregação de João Batista, que batiza o povo no Rio Jordão.  Uma voz que clama no deserto “Preparai o caminho do Senhor”. O deserto é lugar de prova, de acolher ou não a voz de Deus. João Batista fala ao deserto, onde muitos não querem ouvir. A Igreja, muitas vezes, fala ao deserto, mas fala com fé, sabendo que a Palavra de Deus tem sua força. A palavra do Senhor é consolo tão importante para nós! O Evangelho é uma palavra da misericórdia de Deus. “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna” (João 3,16). Como é importante dizer, repetir isso para que ninguém se desespere, mesmo quando estão no fundo do poço, caídos e prostrados, a fim de que tenham coragem de estender sua mão, pois a mão de Deus já está estendida! O Advento é um tempo de reavivar a esperança em Deus, mas também momento de conversão, de voltar-se para o Pai; tempo de nos convertermos, de confirmarmos nossa fé no Senhor. A segunda leitura nos adverte: “ninguém se distraia, que estejamos sempre prontos”. Que este tempo nos faça olhar para a vida toda com muita esperança e confiança em Deus. Nunca percamos de vista a meta de irmos ao encontro do Senhor quando Ele vier. Nossa vida é estarmos sempre prontos, com nossa fé acesa para irmos ao encontro do Senhor quando Ele vier.

 

Neste domingo aparece em grande destaque à figura de São João Batista, apelando à conversão e anunciando a vinda do Senhor: “Arrependei-vos, porque está perto o reino dos Céus”. Quem é João Batista? É um homem de Deus, ou seja, é um homem escolhido por Deus e consagrado a Deus e, como todos os profetas, não fala de si próprio, mas anuncia a mensagem divina: na sua vida, o seu trabalho pessoal dá credibilidade à sua missão. São Mateus diz-nos que João pregava no deserto. As primeiras comunidades cristãs consideravam que o deserto era o local onde vivia o diabo. Viver no deserto era sinal de desejar enfrentar o mal e vencê-lo. Jesus Cristo foi tentado no deserto. A descrição do vestuário de João deixa bem claro que é alguém que vive na miséria e que se alimenta somente daquilo que vai encontrando (gafanhotos e mel silvestre). João é um homem despojado de tudo aquilo que possa dar à vida certo conforto. A sua pregação dirige-se a todos. “Acorria a ele gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão”. Duas classes sociais são destacadas no evangelho: os fariseus e os saduceus. Os fariseus representam aquelas pessoas espiritualmente rígidas e conservadoras que impedem qualquer mudança; os saduceus representam aquelas pessoas que vivem preocupadas em preservar a sua condição social, os seus interesses e o seu prestígio. Também os fariseus e os saduceus “vinham ao seu (João) batismo”, mas João sabe bem que tudo é hipocrisia: “Raças de víboras… o machado já está posto à raiz das árvores. Por isso toda a árvore que não dá fruto será cortada e lançada ao fogo”. Neste domingo, o termo e o tema que aparecem nas leituras bíblicas é a conversão. Muitas vezes, considera-se conversão uma mudança de conduta moral individual com a finalidade de serenar a consciência pessoal, minimizando a transcendência social dos comportamentos. A conversão que João Batista prega é uma insistência na proximidade do Reino de Deus: trata-se de abrir um caminho para o Senhor. Converter-se é tornar possível que Deus seja o centro da minha vida. Mais ainda: João Batista fala da conversão da comunidade: é a comunidade que deve “abrir-se” à vontade de Deus, a encontrar-se em Deus: aqui, a responsabilidade é de todos. Trata-se de recuperar os sentimentos que tinha o povo de Israel: “a fé é uma religião histórica que privilegia o acontecimento da aliança como o lugar de encontro entre Deus e os homens”. Para o povo de Israel, conversão é deixar-se conduzir por Deus. Para ele e para nós, conversão é também saber viver comunitariamente, conscientes de que é Deus quem dá o verdadeiro sentido à nossa vida. João Batista anuncia o encontro definitivo de Deus com os homens. Hoje, a grande questão sobre a conversão é esta: como é que sentimos, aumentamos e vivemos o desejo de nos encontrar com Deus? Mas, que devemos esperar do encontro com Deus? O texto de Isaías ajuda-nos a purificar o significado do encontro com Deus. O profeta diz que o Espírito do Senhor é sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, conhecimento e temor de Deus, ou seja, tudo aquilo que nos faz compreender a realidade a partir da verdade de Deus. Cada um destes carismas ajuda o homem a ver a verdade como o Espírito de Deus a vê. É importante deixar claro que somente a experiência espiritual do homem (adorar, rezar, contemplar o mistério de Deus), lhe dá alegria e uma capacidade mística. O Espírito do Senhor dá uma nova dimensão ao conceito de justiça, porque esta se converte em instrumento de defesa do mais fraco e de extermínio dos ímpios. O Espírito do Senhor torna possível o impossível: a harmonia entre o lobo e o cordeiro, a pantera e o cabrito, o bezerro e o leãozinho. Cada conjunto de animais apresentados na primeira leitura representa comportamentos e interesses que aparentemente são incompatíveis: o mais forte e o poderoso renuncia ao seu domínio sobre o mais fraco e coloca-se num plano de igualdade.

 

2º Domingo do Advento Mc 1, 1-8: “Apareceu João no deserto, batizando e pregando um batismo de conversão”
1Princípio da boa nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. Conforme está escrito no profeta Isaías: 2Eis que envio o meu anjo diante de ti: ele preparará o teu caminho. 3Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas (Mal 3,1; Is 40,3). 4João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. 5E saíam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. 6João andava vestido de pêlo de camelo e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. 7Ele pôs-se a proclamar: “Depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. 8Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.”

O Evangelista Marcos põe em relevo que Jesus é o Messias anunciado pelos Profetas e o Filho único do Pai por natureza. Em resumo, podemos dizer que o conteúdo do Evangelho de Marcos será anunciar que Jesus Cristo, é Deus e Homem verdadeiro. A palavra “Evangelho” significa boa nova, que Deus comunica aos homens por meio do Seu Filho. O conteúdo dessa boa nova é em primeiro lugar o próprio Jesus Cristo, as Suas palavras e as Suas obras. Os Apóstolos, escolhidos pelo Senhor para serem fundamento da Sua Igreja, cumpriram o mandato de apresentar a judeus e gentios, por meio da pregação oral, o testemunho do que tinham visto e ouvido: o cumprimento em Jesus Cristo das profecias do Antigo Testamento, a remissão dos pecados, a filiação adotiva e a herança do Céu oferecidas a todos os homens. Por isto, também a pregação apostólica pode chamar-se “evangelho”. Finalmente os evangelistas, movidos pelo Espírito Santo, puseram por escrito parte desta pregação oral. Deste modo, pela Sagrada Escritura e pela Tradição Apostólica, a voz de Cristo perpetua-se por todos os séculos e faz-se ouvir em todas as gerações e em todos os povos. A Igreja, continuadora da missão apostólica, tem a tarefa de dar a conhecer o “evangelho”, e faz muito bem através da Catequese: “O objeto essencial e primordial da catequese é, ‘o Mistério de Cristo’ (…). Trata-se, portanto de descobrir na Pessoa de Cristo o desígnio eterno de Deus que se realiza n’Ele. Trata-se de procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo, os sinais realizados por Ele próprio, pois eles encerram e manifestam ao mesmo tempo o Seu Mistério. Neste sentido, o fim último da catequese é por cada um não só em contato mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: só Ele pode conduzir-nos ao amor do Pai no Espírito e tornar-nos participantes da vida da Santíssima Trindade” (Catechesi Tradendae, 5). O Evangelho de São Marcos destaca Isaías, por ser o profeta mais importante no anúncio dos tempos messiânicos. Por esta causa São Jerônimo (†420) chamou a Isaías o Evangelista do Antigo Testamento. Após falarmos da propagação da boa nova, chegamos a figura de São João Batista, que se apresenta diante do povo depois de vários anos passados no deserto. Convida os israelitas a prepararem-se com a penitência para a vinda do Messias. A figura de João assinala a continuidade entre o Antigo e o Novo Testamento: é o último dos Profetas e a primeira das testemunhas de Jesus. A sua dignidade particular consiste em que, enquanto os outros profetas tinham anunciado Cristo desde longe, João Batista indica-O já com o dedo (cf. Jo 1, 29: “No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”). O batismo do Precursor não era ainda o Batismo cristão, mas um rito de penitência; prefigurava, porém, as disposições para receber o Batismo cristão: fé em Cristo, o Messias, fonte de toda a graça, e afastamento voluntário do pecado. E, todos iam ao encontro de João e “Confessavam os seus pecados”: As pessoas daquela época ao aproximarem-se de João, para serem batizadas, supunham reconhecer a própria condição de pecador, visto que tal rito significava o que o Batista anunciava: o perdão dos pecados pela conversão do coração, e facilitava a remoção dos obstáculos de cada um diante do advento do Reino (Lc 3, 10-14). Esta confissão dos pecados que faziam a João Batista, é diferente do sacramento cristão da Penitência. Não obstante, era agradável a Deus como sinal do arrependimento interior, acompanhado de frutos dignos de penitência (Mt 3,7-10; Lc 3,7-9). No sacramento da penitência, a confissão oral dos pecados será um requisito essencial para receber o perdão de Deus. E concluía o Batista: “Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo”. Refere-se ao Batismo que Cristo vai instituir, e marca a sua diferença com o de João. No Batismo de João só era significada a graça, como nos outros ritos do Antigo Testamento. “Pelo Batismo da Nova Lei os homens são batizados interiormente pelo Espírito Santo, coisa que só Deus faz. Pelo contrário, pelo Batismo de João só era lavado com água o corpo” (Suma Teológica,III, q.38,a.2 ad 1). No Batismo cristão, instituído por Nosso Senhor, o rito batismal não só significa a graça, mas causa-a eficazmente, isto é, confere-a. “O Sacramento do Batismo confere a primeira graça santificante, pela qual é perdoado o pecado original, e também os atuais, se os há; apaga toda a pena por eles devida; imprime o caráter de cristãos; faz-nos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros da glória, e habilita-nos para receber os outros sacramentos” (Catecismo da Igreja Católica, 1263). Como todas as realidades pertencentes à santificação das almas, os efeitos do Batismo cristão são atribuídos ao Espírito Santo, o “Santificador”. Mas, a Santíssima Trindade dá ao batizado a graça santificante, a graça da justificação, a qual: a) Torna-o capaz de crer em Deus, de esperar nele e de amá-lo através das virtudes teologais; b) Concede-lhe o poder de viver e agir sob a moção do Espírito Santo pelos seus dons; c) Permite-lhe crescer no bem pelas virtudes morais. Assim, todo o organismo da vida sobrenatural do cristão tem a sua raiz no santo batismo (Catecismo da Igreja Católica, 1266).

 

2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha – MG

“Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz!” (Is 30,19.30)

Irmãos e irmãs, Caminhamos, na meditação da Sagrada Liturgia, em busca da contemplação, na esperança da salvação. A partir deste segundo domingo do Advento, a perspectiva escatológica de nossa existência é iluminada desde a sua “fonte”, ou seja, a primeira vinda de Cristo. Enquanto no primeiro domingo meditávamos acerca da segunda vinda de Cristo, após um esboço apresentado pelo escritor sagrado de uma visão escatológica do dia de hoje à luz da segunda vinda, nas demais semanas do Advento recordamos e contemplamos o acontecimento definitivo da primeira vinda. Na primeira vinda do Cristo está arraigado o sentido definitivo de nosso existir: é o momento fundador. Jesus Cristo é o início e o fim de toda a existência humana. Jesus Cristo é o alfa e o ômega (Ap 22,13). A chegada deste momento fundador é a grande notícia da História, a boa-nova por excelência. O Evangelho Marcos, cognominado o querigmático, vê como início desta boa-nova o apelo à conversão, lançado por João no Evangelho, realizando plenamente o que Isaías prefigurou quando, pelo fim do exílio babilônico (ano de 535 a.C.), conclamou o povo para preparar um caminho para Deus, que reconduziria os cativos. Era, pois, um apelo à conversão, pois deviam preparar a volta, “voltando” (= convertendo-se) para Deus, quando determinara o fim do castigo (Is 40,2), como ouvimos na primeira leitura. Deus reconduz os cativos. Ele mesmo vai com eles. Como um imperador na entrada gloriosa (parusia), ele se faz preceder pelos frutos de suas conquista: o povo resgatado (40,10). Como um pastor, reúne suas ovelhas. E, com que ternura, Leva os cordeirinhos nos braços e conduz devagarzinho as ovelhas que amamentam! (40,11) Meus irmãos, São Marcos inicia o seu Evangelho(Mc 1,1-8) com a figura da pregação de João Batista, o precursor. Marcos é o único Evangelista que começa a sua pregação já com o tema que se tornará central na pregação de Jesus e dos Apóstolos: a conversão. E uma conversão que está ligada a “Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Tudo se inicia, se desenvolve e tem um fim em Jesus Cristo, o Alfa e o Ômega, o início e o fim de toda a humanidade. São Marcos, em duas palavras, anuncia a origem do Messias: é da terra e tem um nome, Jesus; e é o enviado, o escolhido do Senhor (Cristo) e é mais do que alguém que fala em nome de Deus (=profeta): é o próprio Filho de Deus. Pouco mais à frente, ainda no primeiro capítulo (Mc 1,15), São Marcos diz o porquê devemos nos converter. Devemos nos converter porque é chegado o Reino de Deus, o novo modo de viver, que abrange a criatura humana em toda a sua plenitude e Deus na pessoa de Jesus de Nazaré. Lembramos que Marcos é o primeiro evangelista, é de sua autoria o texto mais antigo acerca da vida, da obra e do mandato de Cristo. O seu Evangelho foi escrito, provavelmente, entre os anos de 65 a 70 da era cristã. Portanto, as mais remotas aspirações do cristianismo nele podemos absorver: a conversão, a caridade, a confiança na Palavra de Deus. Queridos irmãos, A mesma palavra que abre o Evangelho de João é a mesma palavra que abre o Livro de Gênesis: o princípio, o alfa, ou seja, a criação. Nos primeiros versículos do Gênesis, o escritor inspirado relata a criação do mundo; nos primeiros versículos do Evangelho de São Marcos, Jesus Cristo, aquele que veio resgatar a humanidade decaída, desde o Gênesis, é apresentado como a fonte da criação. E ao longo do livro, o querigmático anuncia que Jesus não só está no princípio, mas é também o centro da nova Família de Deus e permanecerá para sempre com ela. Mesmo depois da Ascensão, ele se conservará no meio da comunidade, vivo e atuante. Três vezes o Apocalipse põe na boca de Jesus: “Eu sou o primeiro e o último, sou o princípio e o fim” (cf. 1, 8; 21,6; 22,13). São Marcos nos dá a finalidade da obra de Jesus: Evangelho – palavra que significa a boa-nova, a boa notícia. Jesus – nome hebraico que significa “Deus salva”. Cristo – outra palavra grega, que significa “ungido para ser rei”. Portanto, Filho de Deus é a verdade central do Evangelho, que é, assim digamos, a boa-nova que Jesus trouxe à humanidade e as boas-novas sobre a pessoa e os ensinamentos do Filho de Deus, Salvador e Rei. São Marcos nos ensina que é Deus quem toma a iniciativa da salvação. É Deus quem manda o seu filho Jesus a este mundo. Deus quem manda o mensageiro para anunciar a chegada do Messias. Isso, Deus quer nos mandar um recado especial neste advento: devemos voltar o nosso coração e a nossa mente para Ele, isto é, converter-nos, fazer coincidir os caminhos de Deus com os nossos caminhos; fazer coincidir o coração de Deus com o nosso coração. Que nós tenhamos os nossos sentimentos voltados aos sentimentos da Trindade Santíssima. Caríssimos irmãos, João Batista nos é apresentado hoje como deve ser cada um dos batizados. João Batista está atento aos acontecimentos, abrindo caminhos, endireitando estradas, falando de penitência e conversão, purificando o povo. João Batista é o Símbolo do homem vigilante, é o exemplo de pessoa pronta para receber a boa-nova do Messias. No último profeta encontramos as qualidades de quem está preparado para abraçar os novos tempos, a nova realidade dentro da história da salvação. Antes de tudo, o desprendimento, manifestado na sobriedade do comer e do vestir (Mc 1,6). Em segundo lugar, a humildade diante da pessoa e do mistério de Jesus, manifestada na afirmação de não ser digno de ser seu escravo (Mc 1,7). Desprendimento que é transformado em oferta humilde de entusiasmo pela causa de Jesus (Mt 1,4-5). Assim, o verdadeiro profeta é alguém cheio de Deus e que fala de Deus. João Batista é o último profeta do Antigo Testamento, o primeiro a anunciar a plenitude dos tempos (Gl 4,4) com a chegada do Messias. Ora, João Batista se vestia com pele de camelo, como Elias se vestira (2Rs 1,7). João Batista andava com um cinto de couro à cintura, para demonstrar a sua sobriedade, pureza, sempre aberto à voz do Senhor, pronto para aonde Deus quisesse (Lc 12,35). João comia gafanhotos e mel do campo para significar que se alimentava de alimentos fortes, obtendo saúde necessária para ser o arauto do Salvador. João anunciou: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas” (Mc 1,3).  Revestido de autoridade, ou seja, agindo em nome de Deus, o Batista anuncia a derrota do mal e do pecado. O mel, encontrável em abundância no deserto, é o símbolo reluzente da palavra de Deus (Sl 19,11). Ao alimentar-se, portanto, da palavra de Deus, com a força deste alimento, transmite-se ao povo a chegada daquele que é a Palavra de Deus encarnada, a Palavra Eterna, o Cristo. Queridos irmãos, Para aderir, para seguir, para ser discípulo, para ser arauto de Cristo é preciso, primeiro, a confissão dos pecados, a conversão do coração e da vida (Mc 1,4).  Conversão significa mudar por inteiro de direção, mudar o modo de pensar, voltar-se para Deus. A criatura humana saiu pura do sopro de Deus e somente pura pode voltar a ele. Precisamos, com grande entusiasmo, ter coragem e ardor para mudar o comportamento, mudar o modo de pensar e de agir, para dar testemunho do modo de pensar, de comportar-se e de agir de Jesus. Devemos dar uma guinada em nossa vida para que a sua meta seja Jesus Cristo. O batismo para João foi de água, mas ele anunciava que “um batizará com o Espírito Santo” (Mc 1,8). Ele acenava para Jesus, para quem o Espírito Santo, descido em forma visível e perene no dia de Pentecostes, anunciou sua divindade. É o Espírito Santo quem dá a vida sobrenatural a seus fiéis. O batismo, conforme nos ensina o Direito da Igreja, “porta dos sacramentos, em realidade ou ao menos em desejo necessário para a salvação, pelo qual os homens se libertam dos pecados, são de novo gerados como filhos de Deus e incorporados à Igreja, configurados com Cristo por caráter indelével, só se administra validamente pela ablução com água verdadeira, juntamente com a devida forma verbal” (Cânon 849 do Codex Iuris Canonici). Caros irmãos, A Primeira Leitura deste domingo(Is 40,1-5.9-11) aduz que aplainar o caminho para Deus, que reconduzirá o seu povo. Este trecho, chamado de livro da Consolação, simultaneamente com vigor e ternura, o profeta anuncia o perdão do povo – deportado por causa do pecado – e a sua volta do Exílio. A segunda leitura de hoje(2Pd 3,8-14) nos anuncia que os cristãos da primeira geração esperavam uma segunda vinda de cristo para breve. Entretanto, o atraso tornava-se sempre mais notável e o escárnio do mundo sempre mais agressivo. Diante da impaciência e, quem sabe, do desespero e da desistência, que isso gerava, Pedro responde: “Deus tem tempo – ele quer que todos se convertam, para que todos possam participar”. Mas, mesmo assim, ele não desiste de seu projeto, pois ele deseja que tudo esteja em harmonia consigo. Só que ele não quer expurgar os “elementos nocivos” da criação, antes que todos tenham a oportunidade de se converter, isto é, de se tornar participantes da vida em Deus. Mas ele realizará, sem que saibamos o dia e a hora, seu “novo céu e nova terra” (2Pd 3,13) e, então, será bom estarmos de acordo com a nova realidade, pois Deus se volta para nós. Por conseguinte, na esperança da salvação, contribuindo com o projeto de evangelização neste mundo, salvando almas para Nosso Senhor, voltemos para Ele!

“A Bíblia como o celular, sempre conosco para lermos as mensagens”

Discurso do Pontífice fez os fiéis refletirem sobre como cuidar da Bíblia – AFP

Cidade do Vaticano (RV) – “Durante os quarenta dias da Quaresma, nós cristãos somos convidados a usar a força da Palavra de Deus na batalha espiritual contra o Mal”: esta foi a recomendação feita pelo Papa aos fiéis neste I Domingo de Quaresma, 5 de março.

Antes de rezar a oração mariana do Angelus neste final de inverno chuvoso na Praça de São Pedro, Francisco comentou a passagem do Evangelho de Mateus que narra como Jesus venceu as tentações e artimanhas sugeridas pelo Diabo: com a Palavra de Deus.

Naquela ocasião, Jesus enfrentou o diabo ‘corpo a corpo’. Às três tentações de Satanás para tentar impedi-lo de cumprir a sua missão, Ele respondeu com a Palavra e, com a força do Espírito Santo, saiu vitorioso do deserto.

“Por isso – disse o Pontífice – é preciso conhecer bem, ler, meditar e assimilar a Bíblia, pois a Palavra de Deus é sempre ‘atual e eficaz’.

A Bíblia como o celular

“O que aconteceria se usássemos a Bíblia como usamos o nosso celular? Se a levássemos sempre conosco (ou pelo menos um Evangelho de bolso), o que aconteceria? Se voltássemos quando a esquecemos, se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens em nosso celular, o que aconteceria?. É uma comparação paradoxal, mas faz pensar…”

“Com efeito, concluiu, se tivéssemos a Palavra de Deus sempre no coração, nenhuma tentação poderia nos afastar de Deus e nenhum obstáculo poderia nos desviar no caminho do bem; saberíamos vencer as propostas do Mal que está dentro e fora de nós; e seríamos mais capazes de viver uma vida ressuscitada segundo o Espírito, acolhendo e amando nossos irmãos, especialmente os mais frágeis e carentes, inclusive nossos inimigos”.

Tempo de conversão

Depois de rezar o Angelus e abençoar os fiéis, o Papa lembrou que o caminho de conversão da Quaresma requer de nós muita oração, jejum e obras de caridade. E concluindo, pediu a todos que rezem por ele e seus colaboradores, que durante esta semana estarão em Ariccia, (localidade fora de Roma) fazendo exercícios espirituais. 

(CM)

Angelus: nas férias redescobrir o silêncio da meditação do Evangelho

06/08/2017

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou neste domingo a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça Pedro. Apesar do forte calor milhares de fiéis e peregrinos estiveram presentes na grande praça vaticana.

Na sua alocução o Pontífice recordou que neste domingo, a liturgia celebra a festa da Transfiguração do Senhor: página evangélica na qual os apóstolos Pedro, Tiago e João testemunham esse evento extraordinário.

O Papa comentando o texto recordou que na conclusão daquela experiência “os discípulos desceram do monte com os olhos e os corações transfigurados pelo encontro com o Senhor”.

“É o caminho que podemos realizar também nós. A redescoberta sempre viva de Jesus não é um fim em si, mas nos conduz a descer da montanha, recarregados com a força do Espírito Divino, para decidir novos passos de autêntica conversão e para testemunhar constantemente a caridade como lei de vida cotidiana”.

Transformados pela presença de Cristo e pelo ardor de Sua Palavra, – continuou o Papa – seremos um sinal concreto do amor vivificante de Deus por todos os nossos irmãos, especialmente por quem sofre, por aqueles que se encontram na solidão e no abandono, pelos enfermos e pela multidão de homens e mulheres que, em diversas partes do mundo, são humilhados pela injustiça, pela prepotência e pela violência.

O evento da Transfiguração do Senhor nos oferece uma mensagem de esperança: convida-nos a encontrar Jesus, para estar a serviços dos irmãos.

“A subida dos discípulos ao Monte Tabor nos leva a refletir sobre a importância de se separar das coisas mundanas, para fazer um caminho em direção ao alto e contemplar Jesus. Trata-se de colocar-se à escuta atenta e orante de Cristo, o Filho amado do Pai, buscando momentos íntimos de oração que permitam a acolhida dócil e alegre da Palavra de Deus”.

O Papa Francisco convidou ainda os fiéis presentes na Praça São Pedro a redescobrirem o silêncio pacificador e regenerador da meditação do Evangelho, “que conduz a uma meta rica de beleza, de esplendor e de alegria”.

“Nesta perspectiva, – sugeriu o Papa -, o tempo do verão é um momento providencial para aumentar o nosso compromisso de busca e de encontro com o Senhor. Durante este tempo, – recordou ainda o Papa fazendo referência ao verão no hemisfério norte – os estudantes estão livres de compromissos escolares e tantas famílias fazem suas férias. É importante que durante o período de descanso e de distanciamento das ocupações diárias, se possam regenerar as forças do corpo e do espírito, aprofundando o caminho espiritual”.

Em seguida Francisco confiou a Nossa Senhora as férias de todos pedindo que Ela nos ajude a entrar em sintonia com a Palavra de Deus para que Cristo se torne luz e guia de nossas vidas.

“A Ela confiamos as férias de todos, para que sejam serenas e profícuas, mas sobretudo o verão daqueles que não podem fazer férias porque impedidos pela idade, por motivos de saúde ou de trabalho, por restrições econômicas ou por outros problemas, para que, mesmo assim, seja um tempo de relaxamento, animado por presenças amigas e momentos felizes”. (SP)

O padre pode contar os pecados para outras pessoas?

Confissão

Quando falamos em confissão, muitos fiéis carregam no coração uma dúvida: “O padre não vai contar os meus pecados para outras pessoas?”

Dentre os sacramentos da Igreja, dois recebem o título de sacramentos de cura. São eles: sacramento da penitência e unção dos enfermos. Sobre a penitência, nós a conhecemos por diferentes nomes e cada um tem o seu significado próprio:

1. Sacramento da conversão: realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão.

2. Sacramento da penitência: consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do cristão pecador.

3. Sacramento de confissão: porque a confissão dos pecados diante do presbítero é elemento essencial deste sacramento.

4. Sacramento da reconciliação: concede ao pecador o amor de Deus que reconcilia. O penitente faz a experiência do amor misericordioso do Pai.

Quando falamos em confissão, muitos fiéis carregam no coração o medo, e não raro há aqueles que se perguntam: “O padre não irá contar os meus pecados para outras pessoas?”. Sobre essa questão, os documentos da Igreja afirmam o caráter inviolável do segredo da confissão. O presbítero que acolhe o penitente ouve os pecados deste, administra-lhe a absolvição sob o sigilo sacramental, isso significa que aqueles pecados ouvidos não serão revelados em hipótese nenhuma.

Sobre o sigilo sacramental os documentos da Igreja afirmam:

“O sigilo sacramental é inviolável; por isso é absolutamente ilícito ao confessor, de alguma forma, trair o penitente por palavras ou de qualquer outro modo e por qualquer que seja a causa.

Tem a obrigação de guardar segredo também o intérprete, se houver, e todos aqueles a quem, por qualquer motivo, tenha chegado o conhecimento de pecados por meio da confissão” (Código de Direito Canônico, 893).

“Dada a delicadeza e a grandeza desse ministério e o respeito devido às pessoas, a Igreja declara que todo sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram, sob penas severíssimas. Tão pouco pode servir-se dos conhecimentos que a confissão lhe proporciona sobre a vida dos penitentes. Este segredo, que não admite exceções, é chamado ‘sigilo sacramental’, porque aquilo que o penitente manifestou ao sacerdote fica ‘selado’ pelo sacramento” (Catecismo da Igreja Católica, 1476).

O termo “sigilo” vem do latim sigillum, selo, lacre. Uma vez ouvida a confissão dos pecados, o presbítero sela com seu silêncio aquilo que foi ouvido. Não poderá jamais revelar para outrem o segredo dos pecados apontados pelo penitente. Esse sigilo sacramental é tão sério, que o Código de Direito Canônico assim expressa no Cânon 1388:

“O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé apostólica; quem o faz ser punido conforme a gravidade do delito”.

A violação do sigilo sacramental é direta quando se revela o pecado ouvido em confissão e a pessoa do penitente, quer indicando o nome, quer ainda manifestando pormenores que qualquer pessoa pode deduzir de quem se trata. É indireta quando não se revela tão claramente a pessoa do penitente, mas o modo de agir ou de falar do confessor é tal que origina o perigo de que alguém a conheça.

Padre Flávio Sobreiro
Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP. Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre – MG. Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora do Carmo (Cambuí-MG). Padre da Arquidiocese de Pouso Alegre – MG. www.facebook.com/peflaviosobreiro www.padreflaviosobreiro.com

São Luiz Gonzaga – Padroeiro da Diocese

O Marquês de Castiglione, Dom Ferrante Gonzaga, Príncipe do Sacro Império, pretendia que seu filho primogênito, Luiz, fosse grande na política, na nobreza e na vida militar. Pelo contrário, sua esposa, Dona Marta de Tâni, alimentava sentimentos bem opostos. Queria fazer de Luiz grande na glória dos santos e não na glória do mundo. Quando se aproximava a altura de ser mãe, as coisas complicaram-se. Prometeu então peregrinar até ao Santuário de Loreto com a criança que nascesse e consagrá-la a Nossa Senhora.

A 09 de Março de 1568 nasceu o primeiro dos seus oito filhos, a quem puseram o nome de Luiz. A piedosa senhora cumpriu o seu voto, entregou-se a Nossa Senhora em Loreto e pediu-lhe que o fizesse santo. A Virgem Santíssima atendeu os seus rogos, para além do que imaginava. Luiz, naturalmente permeável aos bons conselhos, voltou-se todo para Deus, a partir dos sete anos.

São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, que mais tarde foi seu Confessor e Diretor Espiritual, no testemunho que nos deixou, escreve acerca do seu pupilo: «Na idade dos sete anos é que Luiz começou a conhecer mais a Deus, desprezar o mundo e empreender uma vida de perfeição. Ele mesmo com freqüência me repetia que o 7° ano da sua idade marcava a data da sua conversão». Antes tivera uns pecados ou pecadinhos de que mais tarde muito se arrependeu: tirar pólvora para fazer explodir uma bombarda e pronunciar algumas palavras inconvenientes, cujo sentido desconhecia, ouvidas aos soldados de seu pai.

Dom Ferrante não via com bons olhos a evolução espiritual do seu primogênito, que parecia só pensar no sacrifício, na oração e no amor a Nossa Senhora. Para desviá-lo desses propósitos, mandou-o para a corte requintada do Grão Duque de Médicis. Mas em Florença, em vez de se mundanizar, mais se divinizou o nosso jovem. Ainda que pareça estranho, é historicamente certo que pelos 10 anos fez voto de castidade perpétua, diante do maravilhoso altar de Nossa Senhora da Anunciação, no templo do mesmo nome. Foi nesta cidade que começou a confessar-se com o Reitor do Colégio da Companhia de Jesus e a seguir a sua orientação espiritual.

O Arcebispo de Milão, São Carlos Borromeu, estacionando uns dias no Castelo de Castiglione, contatou intimamente com Luiz, vindo a declarar «que jamais encontrara jovem que em tal idade atingisse tão elevada perfeição». Foi ele mesmo que lhe quis administrar a Primeira Comunhão, despedindo-se com dois conselhos: comunhão freqüente e leitura assídua do Catecismo Romano. Aos 12 anos, declara Luiz aos pais que decidira fazer-se religioso quando atingisse a idade adequada. O pai, exasperado, para lhe fazer perder essas idéias, fê-lo jornadear pelas cortes mais ricas da Europa e participar nas festas requintadas da sociedade.

Os anos de 1582 a 1584 passa-os a família Gonzaga na Corte de Madrid, onde reinava Filipe 11, que acabara de absorver Portugal. É nessa altura que Luís visita o nosso país, demorando alguns dias em Lisboa. Está certo da sua vocação, mas duvida da Ordem em que há de ingressar. Estando um dia, como de costume, a rezar diante da imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, na igreja dos Jesuítas, em Madrid, por inspiração celeste, compreende que Deus o chama para a Companhia de Jesus. Depois do regresso à Itália, consente finalmente o pai na vocação do filho. A 01 de Novembro de 1585, perante os parentes mais próximos e o representante do Imperador, assinou Luís a renúncia a todos os seus direitos de Primogênito, aos títulos nobiliárquicos e aos bens da fortuna, em favor do seu segundo irmão, Rodolfo.

No dia seguinte, ajoelha-se diante de seu pai e de sua santa mãe a pedir-lhes a bênção. Ambos lha concedem com enternecimento e lágrimas, e após alguns instantes lá partiu, a caminho da Cidade Eterna. Chegado a Roma, hospeda-se em casa do Patriarca Cipião Gonzaga, seu tio, para visitar nos dias seguintes outros cardeais e Bispos de sua Família e ser admitido à presença do Papa Sisto V. Todos se maravilham com a prudência, o aprumo, delicadeza e santidade do jovem Príncipe. A 25 de Novembro de 1585, festa de Santa Catarina, virgem e mártir, contando 17 anos e oito meses, é admitido na Companhia de Jesus.

Os seus cinco anos de vida religiosa distinguiram-se pela exata observância de todas as regras, pela piedade e pelo exercício das virtudes cristãs. Freqüentou o Colégio Romano, atual Universidade Gregoriana, com brio e distinção. Compôs um tratado sobre os anjos que um censor assim qualificou: «São páginas cheias de unção, de graça de estilo, de inspirações felizes e evocações inflamadas». Seu pai, ao cabo de uma vida demasiado mundana, faleceu com os sentimentos de sincera contrição e de ardente fé, exclamando no leito da agonia: “É o fruto do sacrifício do meu Luiz. Foi ele, e só ele, que me alcançou tão grande graça do Senhor”. Seu tio, dom Vincente Gonzaga, Duque de Mântua, e seu irmão Rodolfo viviam em tal discórdia que estavam prestes a fazer a guerra um ao outro.

Luiz, a pedido da família, veio a Castiglione e o que nem as solicitações dos grandes do mundo e da Igreja tinham conseguido, alcançou-o ele. Ambos os contendores fizeram as pazes e acabaram com o litígio. Outro grave escândalo, que causava a maior preocupação da mãe, acabou: Rodolfo regularizou, por meio do matrimônio, a situação pecaminosa em que vivia. Na missa de despedida, Dona Marta, sua mãe, Rodolfo e sua esposa, os principais fidalgos e 700 vassalos participaram na missa e na Sagrada Comunhão. No ano de 1591, espalhou-se a peste em Roma, vitimando centenas de pessoas.

Luiz ofereceu-se para tratar dos empestados, que ia visitar às suas casas e tratava com extremos de carinho; chegou mesmo a acarretar um pobre doente, conduzindo-o aos ombros para o hospital. Contraiu a mesma peste, da qual veio a falecer aos 23 anos de idade, em Roma, depois de ter recebido todos os sacramentos, a 21 de Junho de 1591, na sexta-feira a seguir à oitava do Corpo de Deus, dia que mais tarde seria consagrado ao Coração de Jesus, de cuja devoção foi Luiz um precursor.

O Cardeal são Roberto Belarmino, que, como ficou dito, foi seu Confessor e Diretor Espiritual em Roma, escreveu sobre ele o mais elogioso depoimento e pediu para ser sepultado junto da sua campa, o que realmente lhe concederam. Treze anos após o falecimento de Luiz, pôde sua mãe venerá-lo nos altares com o titulo de Beato. A canonização ocorreu em 1726. A instâncias de D. João Veda Rainha D. Maria Ana de Áustria, sua esposa, concedeu em 1737 o Papa Clemente XII que em todo o Portugal e seus domínios se celebrasse com particular devoção a festa de São Luís Gonzaga. A Santa Sé proclamou-o Protetor da juventude, título que Pio XI veio a confirmar.

Na Epistola Apostólica “Singulare illud”  de 1926, sobre o 3° Centenário da Canonização, o Papa Pio XI escreve: “Contemplar e imitar são Luis Gonzaga é o melhor meio que pode empregar a juventude para atingir a santidade. Desde que a Igreja o proclamou Padroeiro da Juventude, São Luiz tem exercido uma influência maravilhosa sobre os jovens. Basta recordar que ele é o modelo e protetor de são Domingos Sávio e de são João Bosco, que tanto pregou a sua devoção e a deixou em herança aos Salesianos. Em virtude da nossa autoridade apostólica, proclamamos mais uma vez São Luiz Gonzaga celeste patrono da Juventude universal”.

Na audiência concedida por Pio XI a 5.000 jovens de todo o mundo, foram apresentados ao papa 30 volumes com dois milhões de assinaturas de jovens que prometeram imitar valorosamente o exemplo de São Luiz, segundo as palavras que transcrevemos:
“Nós, jovens católicos, rendidos em espírito, junto ao sepulcro de São Luiz, em Roma, associamo-nos a toda a mocidade do mundo que venera o nosso Santo Patrono e, para fazer-nos aptos e dignos cooperadores na empresa de renovar a vida e sociedade humanas, conforme os ideais cristãos, propomos, resoluta e solenemente, cumprir o seguinte programa inspirado nos exemplos de são Luiz:
1. Permaneceremos sempre firmes na Fé católica, ainda que muitos outros a abandonem e dela se apartem;
2. Amaremos fielmente a Igreja, esposa de Jesus Cristo, e defendê-la-emos sempre como nossa Mãe, contra todos os embates dos que a perseguirem;
3. Impor-nos-emos o honroso dever de alcançar uma grande Cultura Católica e um profundo conhecimento da nossa religião;
4. Como a verdadeira fortaleza consiste na vitória sobre as paixões, conservaremos valorosamente, a exemplo de são Luís, a pureza de alma e corpo, principalmente por meio da comunhão: freqüente e de uma singular devoção à Santíssima Virgem”.

 

À SÃO LUIZ GONZAGA

Ó Luiz Santo, adornado de angélicos costumes, eu, vosso indigníssimo devoto, vos recomendo singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Rogo-vos por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante ao Cordeiro Imaculado, Cristo Jesus e sua santíssima Mãe, a Virgens das virgens, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que eu seja manchado com a mínima nódoa de impureza; mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai do meu coração todos os pensamentos e afetos impuros e, despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado, imprime profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos cá na terra, mereça gozar a Deus convosco lá no céu. Amém.

v: Ora pro nobis, Sancte Aloísi.
r: Ut digni efficiamur promissiónibus Christi.

Oremus
Cæléstium donórum distributor, Deus, qui in angélico júvene Aloísio miram vitæ innocéntiam pari cum pæniténtia sociásti: ejus méritis et précibus concéde; ut innocéntem nom secúti, pæniténtem imitemur. Per Christum Dóminum nostrum.
r:Amém.

v: Rogai por nós São Luiz.
r: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ó Deus, distribuidor dos dons celestes que no angélico jovem Luiz reunistes admirável inocência de vida com igual penitência, pelos seus merecimentos e orações concedei-nos, que, pois na inocência o não seguimos, o imitemos na penitência. Por Cristo, Senhor nosso.
r: Amém.

Consagração  
Ó glorioso São Luiz, adornado pela Igreja com o belo título de Jovem angélico, pela vida puríssima, que no mundo vivestes, a vós recorro neste dia com o mais ardente afeto da alma e coração.
Ó modelo perfeito, ó benigno e poderoso Protetor, quanto preciso do vosso auxílio! Preparam-me insídias o mundo e o demônio, sinto a veemência das paixões, conheço a fraqueza e a inconstância da minha idade. Quem poderá defender-me, si não vós, ó angélico Santo, glória, honra e amparo dos jovens? A vós, pois, recorro com toda a minha alma, a vós com todo o meu coração me entrego.
Intento assim, prometo e quero ser vosso especial devoto e glorificar-vos por vossas sublimes virtudes e especialmente pela vossa angélica pureza; imitar os vossos exemplos, e promover a vossa devoção entre os meus companheiros.
Ó meu amável S. Luiz, guardai-me, defendei-me sempre sob a vossa proteção e seguindo os vossos exemplos, possa um dia ver e louvar a Deus convosco no paraíso por séculos sem fim. Amém.

Como a devoção a Nossa Senhora de Fátima se expandiu

Quinta-feira, 11 de maio de 2017, André Cunha / Da redação, com produção de Kelen Galvan

“Fátima é um marco novo na própria história da Igreja. Fátima é, queiram ou não queiram, a verdadeira aurora dos Tempos Novos”, diz Padre Alex Brito

A profecia de Fátima, que completa 100 anos neste mês de maio, atravessou o tempo e os mares, atingindo os cinco continentes do planeta. A explicação para esse fenômeno é que, ao contrário de outras aparições, Fátima não se dirigiu apenas à geração de 100 anos atrás, mas às posteriores.

Em 13 de maio de 2007, o então Papa Bento XVI disse o que resumiria a importância das aparições de Nossa Senhora de Fátima em Portugal: “Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência, é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas”, afirmou o Pontífice.

Nesse sentido, e conforme explica o padre Alex Brito, membro da Associação Arautos do Evangelho e Doutor em Direito Canônico, à medida que as décadas vão passando e o “mundo vai agonizando em meio às apreensões e tragédias, as palavras proféticas da Mãe de Deus tomam mais atualidade.”

“Parecem ditas para os nossos dias, para nossa Pátria, para cada um de nós. Essa tese se sustenta a si mesma quando analisamos o conteúdo da mensagem. O que nos permite afirmar que Nossa Senhora quis que, dentre as demais aparições, esta tivesse especial destaque”, explicou o padre.

A confirmação da Igreja foi fundamental no processo de expansão dessa devoção. Ao analisar as profecias de Fátima, a Igreja concluiu que tudo o que Maria previu se realizou, comprovando sua veracidade. As autoridades eclesiásticas e o Magistério da Igreja se pronunciaram a respeito da Mensagem, reconhecendo a autenticidade das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

“Não existe apenas uma razão para que a Mensagem de Fátima tenha se difundido pelo mundo todo, mas há uma que tem particular importância: o posicionamento do Magistério. Desde as primeiras notícias das aparições de Fátima, os Papas deram mostras de simpatia e apoio”, afirmou o sacerdote.

Para o padre Alex, o culto público dado ao título Nossa Senhora de Fátima vem realçar a confiança com que a Igreja respalda as aparições. De fato, por todas as dioceses católicas multiplicam-se, ainda hoje, lugares de culto dedicados a Virgem de Fátima.

A tudo isso se soma a beatificação de Jacinta e Francisco, os bem-aventurados mais jovens da Igreja, realizada pelo Papa João Paulo II, em 13 de maio de 2000. Também a Ir. Lúcia teve seu processo de beatificação iniciado a nível diocesano e se espera vê-la ascender à honra dos altares.

“Fátima não é, portanto, um fato ocorrido apenas em Portugal, nem mesmo interessa apenas a nosso tempo. Fátima é um marco novo na própria História da Igreja. Fátima é, queiram ou não queiram, a verdadeira aurora dos Tempos Novos, cujos albores despertaram no momento em que Nossa Senhora baixou à Terra e comunicou a três pastorinhos as lições severas sobre o crepúsculo de nossos dias, e as palavras esperançosas sobre os dias de bonança que a Misericórdia Divina prepara para a humanidade quando esta finalmente se arrepender”, disse padre Alex.

O Rosário e a expansão da devoção

Segundo padre Alex, a devoção ao Santo Rosário teve enorme importância nas aparições de Nossa Senhora em Fátima. Logo, pode-se afirmar que o aumento de tal devoção deveu-se sim às recomendações feitas pessoalmente pela própria Mãe de Deus.

Na sua última aparição aos pastorinhos, Ela lhes disse: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”.

“Ou seja, afirmou que o fim da Guerra e a suspensão do castigo dependia em grande medida da recitação do Rosário, pois só nele as pessoas encontrariam forças para mudar de vida”, ressaltou o padre.

“Rezava-se o rosário para obter o fim da Guerra. Reza-se hoje para obtermos a paz e para que se cumpra a promessa feita por Nossa Senhora: “Por fim, meu Imaculado Coração Triunfará”!  O Triunfo do Imaculado Coração de Maria nada mais é do que o cumprimento daquilo que pedimos no Pai Nosso: ‘Venha a nós o Vosso Reino’”, acrescentou.

 

Centenário de Fátima

Fátima: Os pais de Lucas relatam o milagre e a cura do menino 

Sexta-feira, 12 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Casal brasileiro se encontrou com imprensa para falar sobre milagre que levou Francisco e Jacinta à canonização

Na tarde de ontem, quinta-feira, em Fátima, os brasileiros João Batista e Lucila Yurie, os pais de Lucas, a criança cuja cura foi atribuída à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta, encontram-se com a imprensa para dirigir algumas palavras sobre a “imensa alegria por ser esse o milagre que os leva à canonização”.

“Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta”, salientou João Batista, o pai do jovem Lucas, falando em seu nome e da sua mulher, Lucila Yurie.

O caso ocorreu a 3 de março de 2013, pelas 20h, quando Lucas, na altura com 5 anos, caiu de uma janela, de uma altura de 6.50 metros.

“Bateu com a cabeça no chão – disse o Pai – e teve um traumatismo craniano grave, com perda de tecido cerebral no lóbulo frontal esquerdo”, relatou, referindo que a criança foi internada em coma muito grave, sofrendo duas paradas cardíacas. Os médicos deram-lhes poucas esperanças de sobrevivência.

“Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo que as irmãs que rezassem pelo Lucas. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado” pensando que a criança não iria sobreviver, contou, indicando que a mensagem só foi passada à comunidade no dia seguinte.

“Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: “Pastorinhos, salvem esse menino, que é uma criança como vocês”.

Conseguiu convencer toda a comunidade do Carmelo a rezar apenas com a intercessão dos Pastorinhos”, relatou.

“Assim fizeram. Da mesma forma como todos nós, na família, começamos a rezar aos Pastorinhos e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas foi desentubado e acordou bem, lúcido, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 de março saiu da UTI e dia 15 ele teve alta”, disse João Batista.

Uma cura, referiu, para a qual os médicos, mesmo os não-crentes, não conseguem encontrar explicação.

A criança está completamente bem, “sem nenhum sintoma ou sequela”: “O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual”.

No final do encontro as palavras da postuladora da causa de canonização, Irmã Angela Coelho dirigiu algumas palavras para falar do milagre do menino brasileiro Lucas.

Fátima, lugar de revelação

Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!

“Há treze de maio, na Cova da Iria, no Céu aparece a Virgem Maria…”

Era 13 de maio de 1917. Um domingo de sol, por volta do meio-dia, quando três crianças que pastoreavam o rebanho de ovelhas foram surpreendidas com um grande clarão no céu. No início, pensavam que era um relâmpago e decidiram ir embora, mas, logo depois, outro clarão iluminou o espaço, e viram, em cima de uma pequena árvore, uma “Senhora mais brilhante que o sol”. De suas mãos pendia um terço branco. Com voz terna, a Senhora disse às crianças para não terem medo pois ela vinha do Céu e era necessário rezar muito; convidou-os a voltar à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13, na mesma hora.

Desde então, aquele lugar nunca mais foi o mesmo. A fama das aparições atravessou oceanos e espalhou-se pelo mundo como um sinal de esperança em meio aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

Em 13 de outubro daquele mesmo ano, conforme a Senhora havia prometido, concluiu-se o ciclo das aparições. Este dia ficou marcado com o surpreendente e famoso “Milagre do Sol” – historicamente certo e reconhecido inclusive pela ciência. Diante deste sinal e após um estudo apurado dos fatos, a Igreja, em 1930, declarou como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, permitindo, oficialmente, o culto de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Tive a graça de morar durante seis anos, em Fátima, e visitar quase, diariamente, o Santuário. Fiquei admirada com muitas descobertas naquele lugar. Porém, o que mais me impressionou foi a simplicidade. A começar pela escolha dos mensageiros. Nossa Senhora poderia ter aparecido a pessoas muito mais “capacitadas” – intelectualmente falando. Porém, preferiu três humildes crianças: Lúcia de 10 anos e seus primos, Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos. Todos analfabetos.

O lugar escolhido para transmitir a mensagem também surpreende: diante da abundância de luxuosos castelos e fortalezas – alguns conservados até hoje enriquecendo o patrimônio histórico de Portugal – a Senhora do Rosário escolheu a Cova da Iria, uma terra de pastagens para o rebanho de ovelhas, coberta de uma vegetação rasteira, pedras e algumas poucas árvores, como a azinheira, que lhe serviu de púlpito. Ela não estava interessada em realeza, queria corações puros e dispostos a viver o sacrifício e o oferecimento para a conversão dos pecadores e os encontrou nos Pastorinhos.

O tempo passou e a simplicidade continua sendo uma forte característica de Fátima. Quem chega no Santuário com o desejo de ouvir a voz de Deus é tomado por um misto de paz e quietude que, aos poucos, contagia a alma levando-nos ao silêncio. Acredito que é no silêncio e na simplicidade que Deus se revela, nos fazendo ir além da razão e das palavras. Talvez seja este o “Segredo de Fátima” que atraia anualmente mais de cinco milhões de peregrinos ao lugar das aparições.

Recordo-me de, certa vez, quando entrevistei um peregrino que acabava de chegar no Santuário depois de caminhar a pé – dia e noite durante uma semana – rumo a Fátima. Só de observar seus olhos cheios de lágrimas, seus pés inchados e o rosto marcado pelo frio causava-me emoção. Mas, arrisquei-me a entrevistá-lo perguntando de início: “O que significa para o senhor chegar aqui, na Capelinha das Aparições, depois de caminhar tanto tempo a pé?”

Ele não me disse nada. Apenas apontou para a imagem de Nossa Senhora que está no exato local onde ela apareceu aos Pastorinhos. Depois, falou com voz embargada: “Ela sabe por que estou aqui!”

Como eu insisti na pergunta, ele explicou: “Eu vim aqui agradecer. Se hoje estou vivo, é porque Nossa Senhora me livrou da morte. Eu estou vivo por milagre, moça! Sabe o que é isso? Eu estou vivo por milagre!” E já não conseguiu continuar falando, pois chorava como uma criança que, finalmente, chega perto da mãe depois de passar por um grande perigo.

É claro que, nesta hora, eu também estava emocionada e, até hoje, recordo-me claramente daquele encontro com o portador do milagre. Penso no Papa São João Paulo II e acredito que ele viveu algo semelhante àquele homem quando esteve em Fátima para também agradecer o milagre da vida, após o atentado que sofreu a 13 de maio de 1981, e atribuiu o livramento à “mão materna de Nossa Senhora” que desviou a bala disparada para lhe tirar a vida.

Teríamos muito a dizer a respeito de Fátima! Noventa e nove anos já se passaram desde as aparições de Nossa Senhora e sua mensagem parece ecoar com ainda mais vigor. A essência de seu apelo é chamar a atenção dos homens para as verdades eternas da salvação. E a primeira exigência para colocar isso em prática é a reparação das ofensas cometidas contra Deus, contra Jesus e contra o Imaculado Coração de Maria por meio do oferecimento dos sacrifícios que já fazem parte do nosso dia a dia. Simples! Não é?

As inúmeras graças alcançadas pela intercessão de Nossa Senhora e o número crescente de confissões que são atendidas no Santuário, os testemunhos de vidas transformadas, além do número, cada vez maior de peregrinos que vêm à Cova da Iria, são sinais evidentes da presença real da Mãe de Deus neste lugar de revelação divina.

Hoje, apoiemo-nos com fé na promessa que a Virgem do Rosário de Fátima fez numa de suas aparições: «Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!» Confiantes no seu amor de Mãe, deixemo-nos formar por ela no dia a dia, como fizeram os Pastorinhos.

Dijanira Silva
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Igreja deve estar em pé, em caminho e em escuta, afirma Francisco

Quinta-feira, 4 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa Francisco motivou os fiéis a “viver a Igreja” com três características principais

Antes de iniciar sua série de audiências nesta quinta-feira, 04, o Papa Francisco celebrou a Missa na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Em sua homilia, o Pontífice comentou três palavras extraídas da Primeira Leitura, do capítulo 8 dos Atos dos Apóstolos, convidando os fiéis a relerem este trecho depois com calma em casa.

Igreja que se levanta

A primeira expressão é “Prepara-te e vai”, dirigida por um Anjo a Filipe. “Este é um sinal da evangelização”, disse o Papa.

De fato, a vocação e a grande consolação da Igreja é evangelizar. “Mas para evangelizar, “prepara-te e vai”. Não diz: “Fique sentado, tranquilo, em casa”: não! A Igreja, para ser sempre fiel ao Senhor, deve estar em pé e em caminho: “Prepara-te e vai”. Uma Igreja que não se levanta, que não está em caminho, adoece”.

Uma Igreja parada, acrescentou o Papa, acaba fechada com tantos traumas psicológicos e espirituais, “fechada no pequeno mundo das fofocas, das coisas… fechada, sem horizontes”. “Prepara-te e vai, em pé e em caminho. Assim deve agir a Igreja na evangelização”, destacou.

Ouvir a inquietação do coração

A segunda exortação evidenciada pelo Papa é “aproxima-te desse carro e acompanha-o”. No carro, havia um eunuco etíope, que foi a Jerusalém para adorar Deus e que, enquanto viajava, lia o profeta Isaías. Trata-se da “conversão de um ministro da economia” e, portanto, destacou Francisco, de “um grande milagre”.

O Espírito exorta Filipe a se aproximar daquele homem, “não lhe diz para pregar”, afirmou Francisco, ressaltando a importância de uma Igreja que saiba ouvir a inquietação do coração de todo o homem:

“Todos os homens, todas as mulheres têm uma inquietação no coração, boa ou ruim, mas há uma inquietação. Ouça aquela inquietação. Não diz: “Vai e faça proselitismo”. Não, não! “Vai e ouve”. Ouvir é o segundo passo. O primeiro é “Prepara-te e vai”; o segundo, “ouve”. Aquela capacidade de escuta: o que as pessoas sentem, o que sente o coração dessa gente, o que pensam… Mas pensam coisas erradas? Mas eu quero ouvir essas coisas erradas, para entender bem onde está a inquietação. Todos temos uma inquietação dentro de nós. O segundo passo da Igreja é encontrar a inquietação das pessoas”.

Depois, é o próprio etíope que, vendo Filipe se aproximar, lhe pergunta de quem falava o Profeta Isaías e o convida a subir e sentar-se junto a ele. Então, “com mansidão” – destacou o Papa – Filipe começa “a pregar”. Assim, “a sua inquietação encontra uma explicação que enche de esperança o seu coração”. “Mas isso – prosseguiu Francisco – foi possível porque Filipe se aproximou e ouviu”.

Enquanto o etíope ouvia, o Senhor trabalhava dentro dele. Deste modo, o homem entende que a profecia de Isaías se referia a Jesus. A sua fé em Jesus então cresceu a tal ponto que, quando chegaram onde estava a água, pede para ser batizado. “Foi ele quem pediu o Batismo, porque o Espírito tinha trabalhado no coração”, notou o Papa, exortando a deixar o Espírito trabalhar no coração das pessoas. Depois do Batismo, o Espírito, “que está sempre presente”, pega Filipe e o leva a outra parte, e o eunuco “cheio de alegria” prosseguiu o seu caminho.

Alegria do cristão

A terceira palavra que o Papa destaca é, por fim, a alegria: “a alegria do cristão”. Francisco concluiu a homilia fazendo votos de que a Igreja esteja “em pé”, “mãe” que ouve e, “com a graça do Espírito Santo”, “encontra a Palavra a dizer”:

“A Igreja mãe que dá à luz a tantos filhos com este método digamos – usemos a palavra – este método que não é proselitista: é o método do testemunho à obediência. A Igreja, que hoje nos diz: “Alegra-te”. Alegrar-se, a alegria. A alegria de ser cristãos inclusive nos momentos mais duros, porque depois da lapidação de Estevão, teve início uma grande perseguição e os cristãos se espalharam por todos os lugares, como a semente que o vento leva. E foram eles que pregaram a Palavra de Jesus. Que o Senhor nos dê a graça a todos nós de viver a Igreja assim: em pé e em saída, em escuta das inquietações das pessoas e sempre em alegria”.

Você ainda se confessa?

Reconhecer o pecado já é meio caminho andado

No dia 30 de junho, um site de Campo Grande publicou um artigo sobre a confissão, um assunto que parece fora de moda, quase um tabu. Nele, o autor escrevia: «Drogas, questões sexuais e brigas familiares mantêm o sacramento da confissão em alta mesmo em tempos de “é proibido proibir”. Com novos conceitos, como a troca da nomenclatura “pecado” por “dilema”, fim das penitências folclóricas e até a abolição do confessionário, o ato de reconciliação com Deus ganha ares de terapia em Campo Grande. A procura é tão grande que, no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, às quartas-feiras, dez padres atendem até 700 pessoas entre 6 e 22 horas».

Ao longo do texto, o articulista deu a palavra a dois sacerdotes que atuam em Campo Grande: o Pe. Wilson Cardoso de Sá, diretor do Instituto de Teologia João Paulo II, e o Pe. Dírson Gonçalves, reitor do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Em seu sentido mais profundo, explica o Pe. Wilson, o pecado é adultério e idolatria: quebra ou, pelo menos, enfraquece a comunhão que liga o homem a Deus, ao próximo e à criação. Mesmo quando oculto, ele não prejudica apenas a quem o comete, mas a toda a humanidade.

Seu conceito sofreu uma grande transformação na sociedade. Enquanto alguns cristãos pensam que nada mais seja pecado, outros o resumem ao campo da sexualidade. Esquecem que também a fofoca, a corrupção, a droga, a violência e as infrações no trânsito integram a lista das faltas a serem confessadas e corrigidas.

E o que dizer da “penitência” que o padre impõe a quem busca o confessionário? Responde o Pe. Wilson: «Se você fez aborto, nada vai trazer a pessoa de volta; mas você pode dar sua ajuda a uma criança, a uma família. Se roubou, deve devolver o dinheiro. Se caluniou, você precisa pedir perdão não só a quem ofendeu, mas também às pessoas que foram contaminadas…».

Por sua vez, o Pe. Dírson orienta os fiéis a se confessarem pelo menos duas vezes ao ano, nas solenidades do Natal e da Páscoa. Mas é bom fazê-lo também ao longo do ano: «Muita gente vem em busca de orientação e de conselhos. Há pessoas que sofrem relacionamentos complicados no namoro, no casamento, na família. Crescem a cada dia os problemas derivados do consumo da droga, da bebida, da falta ou do excesso de bens materiais».

Como os demais sacramentos da Igreja, a confissão é um grande presente de Deus. Reconhecer o pecado já é meio caminho andado, uma atitude que leva à felicidade e à santidade. É o que reconhecem todas as pessoas que experimentam a misericórdia de Deus: «Feliz o homem que foi perdoado, a quem o Senhor não olha mais como culpado! Enquanto eu escondia o meu pecado, os meus ossos definhavam, as minhas forças fugiam e eu passava o dia chorando e gemendo. Mas quando confessei o meu pecado, tu logo perdoaste a minha culpa» (Sl 32,1-5).

Para a Igreja Católica, a confissão é vista como o sacramento da penitência e da reconciliação, instituído por Jesus no domingo da Páscoa: «Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados; mas, se não os perdoarem, eles ficarão retidos» (Jo 20, 23). Tal doutrina é assim apresentada pelo Concílio Vaticano II: «Os fiéis que se aproximam do sacramento da penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, mas que agora colabora para a sua conversão com caridade, exemplo e orações».

Contudo, a confissão não foi dada “apenas” para perdoar pecados. Deus não precisa dela para demonstrar sua misericórdia a quem se arrepende. O grande milagre operado por ela é permitir que Deus penetre em nossa vida através das fraquezas que lhe entregamos. Ao recebermos a absolvição, o pecado perde a sua força e se transforma em graça. Foi esta a descoberta que levou São Paulo a ter uma nova visão da perfeição cristã: «Se a força de Deus se realiza na fraqueza, prefiro gloriar-me dela, pois, quando sou fraco, então é que sou forte» (2Cor 12, 9-10). Descobrir a arte de aproveitar das próprias faltas para dar a Deus a alegria de ser amor e misericórdia: eis o paraíso já aqui na terra!

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS)
E-mail para contato: [email protected]

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