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Como a devoção a Nossa Senhora de Fátima se expandiu

Quinta-feira, 11 de maio de 2017, André Cunha / Da redação, com produção de Kelen Galvan

“Fátima é um marco novo na própria história da Igreja. Fátima é, queiram ou não queiram, a verdadeira aurora dos Tempos Novos”, diz Padre Alex Brito

A profecia de Fátima, que completa 100 anos neste mês de maio, atravessou o tempo e os mares, atingindo os cinco continentes do planeta. A explicação para esse fenômeno é que, ao contrário de outras aparições, Fátima não se dirigiu apenas à geração de 100 anos atrás, mas às posteriores.

Em 13 de maio de 2007, o então Papa Bento XVI disse o que resumiria a importância das aparições de Nossa Senhora de Fátima em Portugal: “Com o seu veemente apelo à conversão e à penitência, é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas”, afirmou o Pontífice.

Nesse sentido, e conforme explica o padre Alex Brito, membro da Associação Arautos do Evangelho e Doutor em Direito Canônico, à medida que as décadas vão passando e o “mundo vai agonizando em meio às apreensões e tragédias, as palavras proféticas da Mãe de Deus tomam mais atualidade.”

“Parecem ditas para os nossos dias, para nossa Pátria, para cada um de nós. Essa tese se sustenta a si mesma quando analisamos o conteúdo da mensagem. O que nos permite afirmar que Nossa Senhora quis que, dentre as demais aparições, esta tivesse especial destaque”, explicou o padre.

A confirmação da Igreja foi fundamental no processo de expansão dessa devoção. Ao analisar as profecias de Fátima, a Igreja concluiu que tudo o que Maria previu se realizou, comprovando sua veracidade. As autoridades eclesiásticas e o Magistério da Igreja se pronunciaram a respeito da Mensagem, reconhecendo a autenticidade das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

“Não existe apenas uma razão para que a Mensagem de Fátima tenha se difundido pelo mundo todo, mas há uma que tem particular importância: o posicionamento do Magistério. Desde as primeiras notícias das aparições de Fátima, os Papas deram mostras de simpatia e apoio”, afirmou o sacerdote.

Para o padre Alex, o culto público dado ao título Nossa Senhora de Fátima vem realçar a confiança com que a Igreja respalda as aparições. De fato, por todas as dioceses católicas multiplicam-se, ainda hoje, lugares de culto dedicados a Virgem de Fátima.

A tudo isso se soma a beatificação de Jacinta e Francisco, os bem-aventurados mais jovens da Igreja, realizada pelo Papa João Paulo II, em 13 de maio de 2000. Também a Ir. Lúcia teve seu processo de beatificação iniciado a nível diocesano e se espera vê-la ascender à honra dos altares.

“Fátima não é, portanto, um fato ocorrido apenas em Portugal, nem mesmo interessa apenas a nosso tempo. Fátima é um marco novo na própria História da Igreja. Fátima é, queiram ou não queiram, a verdadeira aurora dos Tempos Novos, cujos albores despertaram no momento em que Nossa Senhora baixou à Terra e comunicou a três pastorinhos as lições severas sobre o crepúsculo de nossos dias, e as palavras esperançosas sobre os dias de bonança que a Misericórdia Divina prepara para a humanidade quando esta finalmente se arrepender”, disse padre Alex.

O Rosário e a expansão da devoção

Segundo padre Alex, a devoção ao Santo Rosário teve enorme importância nas aparições de Nossa Senhora em Fátima. Logo, pode-se afirmar que o aumento de tal devoção deveu-se sim às recomendações feitas pessoalmente pela própria Mãe de Deus.

Na sua última aparição aos pastorinhos, Ela lhes disse: “Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”.

“Ou seja, afirmou que o fim da Guerra e a suspensão do castigo dependia em grande medida da recitação do Rosário, pois só nele as pessoas encontrariam forças para mudar de vida”, ressaltou o padre.

“Rezava-se o rosário para obter o fim da Guerra. Reza-se hoje para obtermos a paz e para que se cumpra a promessa feita por Nossa Senhora: “Por fim, meu Imaculado Coração Triunfará”!  O Triunfo do Imaculado Coração de Maria nada mais é do que o cumprimento daquilo que pedimos no Pai Nosso: ‘Venha a nós o Vosso Reino’”, acrescentou.

 

Centenário de Fátima

Fátima: Os pais de Lucas relatam o milagre e a cura do menino 

Sexta-feira, 12 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Casal brasileiro se encontrou com imprensa para falar sobre milagre que levou Francisco e Jacinta à canonização

Na tarde de ontem, quinta-feira, em Fátima, os brasileiros João Batista e Lucila Yurie, os pais de Lucas, a criança cuja cura foi atribuída à intercessão dos Beatos Francisco e Jacinta, encontram-se com a imprensa para dirigir algumas palavras sobre a “imensa alegria por ser esse o milagre que os leva à canonização”.

“Damos graças a Deus pela cura do Lucas e sabemos com toda a fé do nosso coração, que foi obtido este milagre pelos Pastorinhos Francisco e Jacinta”, salientou João Batista, o pai do jovem Lucas, falando em seu nome e da sua mulher, Lucila Yurie.

O caso ocorreu a 3 de março de 2013, pelas 20h, quando Lucas, na altura com 5 anos, caiu de uma janela, de uma altura de 6.50 metros.

“Bateu com a cabeça no chão – disse o Pai – e teve um traumatismo craniano grave, com perda de tecido cerebral no lóbulo frontal esquerdo”, relatou, referindo que a criança foi internada em coma muito grave, sofrendo duas paradas cardíacas. Os médicos deram-lhes poucas esperanças de sobrevivência.

“Começamos a rezar a Jesus e a Nossa Senhora de Fátima, a quem temos muita devoção. No dia seguinte ligamos para o Carmelo de Campo Mourão, pedindo que as irmãs que rezassem pelo Lucas. A irmã que recebeu o telefonema não passou o recado” pensando que a criança não iria sobreviver, contou, indicando que a mensagem só foi passada à comunidade no dia seguinte.

“Uma irmã correu para as relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta, que estavam junto do Sacrário e sentiu esse impulso de oração: “Pastorinhos, salvem esse menino, que é uma criança como vocês”.

Conseguiu convencer toda a comunidade do Carmelo a rezar apenas com a intercessão dos Pastorinhos”, relatou.

“Assim fizeram. Da mesma forma como todos nós, na família, começamos a rezar aos Pastorinhos e, dois dias depois, no dia 9 de março o Lucas foi desentubado e acordou bem, lúcido, e começou a falar, perguntado pela sua irmãzinha. No dia 11 de março saiu da UTI e dia 15 ele teve alta”, disse João Batista.

Uma cura, referiu, para a qual os médicos, mesmo os não-crentes, não conseguem encontrar explicação.

A criança está completamente bem, “sem nenhum sintoma ou sequela”: “O que o Lucas era antes do acidente ele o é agora: sua inteligência, seu caráter, é tudo igual”.

No final do encontro as palavras da postuladora da causa de canonização, Irmã Angela Coelho dirigiu algumas palavras para falar do milagre do menino brasileiro Lucas.

Fátima, lugar de revelação

Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!

“Há treze de maio, na Cova da Iria, no Céu aparece a Virgem Maria…”

Era 13 de maio de 1917. Um domingo de sol, por volta do meio-dia, quando três crianças que pastoreavam o rebanho de ovelhas foram surpreendidas com um grande clarão no céu. No início, pensavam que era um relâmpago e decidiram ir embora, mas, logo depois, outro clarão iluminou o espaço, e viram, em cima de uma pequena árvore, uma “Senhora mais brilhante que o sol”. De suas mãos pendia um terço branco. Com voz terna, a Senhora disse às crianças para não terem medo pois ela vinha do Céu e era necessário rezar muito; convidou-os a voltar à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, no dia 13, na mesma hora.

Desde então, aquele lugar nunca mais foi o mesmo. A fama das aparições atravessou oceanos e espalhou-se pelo mundo como um sinal de esperança em meio aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

Em 13 de outubro daquele mesmo ano, conforme a Senhora havia prometido, concluiu-se o ciclo das aparições. Este dia ficou marcado com o surpreendente e famoso “Milagre do Sol” – historicamente certo e reconhecido inclusive pela ciência. Diante deste sinal e após um estudo apurado dos fatos, a Igreja, em 1930, declarou como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, permitindo, oficialmente, o culto de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

Tive a graça de morar durante seis anos, em Fátima, e visitar quase, diariamente, o Santuário. Fiquei admirada com muitas descobertas naquele lugar. Porém, o que mais me impressionou foi a simplicidade. A começar pela escolha dos mensageiros. Nossa Senhora poderia ter aparecido a pessoas muito mais “capacitadas” – intelectualmente falando. Porém, preferiu três humildes crianças: Lúcia de 10 anos e seus primos, Francisco e Jacinta Marto, de 9 e 7 anos. Todos analfabetos.

O lugar escolhido para transmitir a mensagem também surpreende: diante da abundância de luxuosos castelos e fortalezas – alguns conservados até hoje enriquecendo o patrimônio histórico de Portugal – a Senhora do Rosário escolheu a Cova da Iria, uma terra de pastagens para o rebanho de ovelhas, coberta de uma vegetação rasteira, pedras e algumas poucas árvores, como a azinheira, que lhe serviu de púlpito. Ela não estava interessada em realeza, queria corações puros e dispostos a viver o sacrifício e o oferecimento para a conversão dos pecadores e os encontrou nos Pastorinhos.

O tempo passou e a simplicidade continua sendo uma forte característica de Fátima. Quem chega no Santuário com o desejo de ouvir a voz de Deus é tomado por um misto de paz e quietude que, aos poucos, contagia a alma levando-nos ao silêncio. Acredito que é no silêncio e na simplicidade que Deus se revela, nos fazendo ir além da razão e das palavras. Talvez seja este o “Segredo de Fátima” que atraia anualmente mais de cinco milhões de peregrinos ao lugar das aparições.

Recordo-me de, certa vez, quando entrevistei um peregrino que acabava de chegar no Santuário depois de caminhar a pé – dia e noite durante uma semana – rumo a Fátima. Só de observar seus olhos cheios de lágrimas, seus pés inchados e o rosto marcado pelo frio causava-me emoção. Mas, arrisquei-me a entrevistá-lo perguntando de início: “O que significa para o senhor chegar aqui, na Capelinha das Aparições, depois de caminhar tanto tempo a pé?”

Ele não me disse nada. Apenas apontou para a imagem de Nossa Senhora que está no exato local onde ela apareceu aos Pastorinhos. Depois, falou com voz embargada: “Ela sabe por que estou aqui!”

Como eu insisti na pergunta, ele explicou: “Eu vim aqui agradecer. Se hoje estou vivo, é porque Nossa Senhora me livrou da morte. Eu estou vivo por milagre, moça! Sabe o que é isso? Eu estou vivo por milagre!” E já não conseguiu continuar falando, pois chorava como uma criança que, finalmente, chega perto da mãe depois de passar por um grande perigo.

É claro que, nesta hora, eu também estava emocionada e, até hoje, recordo-me claramente daquele encontro com o portador do milagre. Penso no Papa São João Paulo II e acredito que ele viveu algo semelhante àquele homem quando esteve em Fátima para também agradecer o milagre da vida, após o atentado que sofreu a 13 de maio de 1981, e atribuiu o livramento à “mão materna de Nossa Senhora” que desviou a bala disparada para lhe tirar a vida.

Teríamos muito a dizer a respeito de Fátima! Noventa e nove anos já se passaram desde as aparições de Nossa Senhora e sua mensagem parece ecoar com ainda mais vigor. A essência de seu apelo é chamar a atenção dos homens para as verdades eternas da salvação. E a primeira exigência para colocar isso em prática é a reparação das ofensas cometidas contra Deus, contra Jesus e contra o Imaculado Coração de Maria por meio do oferecimento dos sacrifícios que já fazem parte do nosso dia a dia. Simples! Não é?

As inúmeras graças alcançadas pela intercessão de Nossa Senhora e o número crescente de confissões que são atendidas no Santuário, os testemunhos de vidas transformadas, além do número, cada vez maior de peregrinos que vêm à Cova da Iria, são sinais evidentes da presença real da Mãe de Deus neste lugar de revelação divina.

Hoje, apoiemo-nos com fé na promessa que a Virgem do Rosário de Fátima fez numa de suas aparições: «Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!» Confiantes no seu amor de Mãe, deixemo-nos formar por ela no dia a dia, como fizeram os Pastorinhos.

Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com

Igreja deve estar em pé, em caminho e em escuta, afirma Francisco

Quinta-feira, 4 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa Francisco motivou os fiéis a “viver a Igreja” com três características principais

Antes de iniciar sua série de audiências nesta quinta-feira, 04, o Papa Francisco celebrou a Missa na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano.

Em sua homilia, o Pontífice comentou três palavras extraídas da Primeira Leitura, do capítulo 8 dos Atos dos Apóstolos, convidando os fiéis a relerem este trecho depois com calma em casa.

Igreja que se levanta

A primeira expressão é “Prepara-te e vai”, dirigida por um Anjo a Filipe. “Este é um sinal da evangelização”, disse o Papa.

De fato, a vocação e a grande consolação da Igreja é evangelizar. “Mas para evangelizar, “prepara-te e vai”. Não diz: “Fique sentado, tranquilo, em casa”: não! A Igreja, para ser sempre fiel ao Senhor, deve estar em pé e em caminho: “Prepara-te e vai”. Uma Igreja que não se levanta, que não está em caminho, adoece”.

Uma Igreja parada, acrescentou o Papa, acaba fechada com tantos traumas psicológicos e espirituais, “fechada no pequeno mundo das fofocas, das coisas… fechada, sem horizontes”. “Prepara-te e vai, em pé e em caminho. Assim deve agir a Igreja na evangelização”, destacou.

Ouvir a inquietação do coração

A segunda exortação evidenciada pelo Papa é “aproxima-te desse carro e acompanha-o”. No carro, havia um eunuco etíope, que foi a Jerusalém para adorar Deus e que, enquanto viajava, lia o profeta Isaías. Trata-se da “conversão de um ministro da economia” e, portanto, destacou Francisco, de “um grande milagre”.

O Espírito exorta Filipe a se aproximar daquele homem, “não lhe diz para pregar”, afirmou Francisco, ressaltando a importância de uma Igreja que saiba ouvir a inquietação do coração de todo o homem:

“Todos os homens, todas as mulheres têm uma inquietação no coração, boa ou ruim, mas há uma inquietação. Ouça aquela inquietação. Não diz: “Vai e faça proselitismo”. Não, não! “Vai e ouve”. Ouvir é o segundo passo. O primeiro é “Prepara-te e vai”; o segundo, “ouve”. Aquela capacidade de escuta: o que as pessoas sentem, o que sente o coração dessa gente, o que pensam… Mas pensam coisas erradas? Mas eu quero ouvir essas coisas erradas, para entender bem onde está a inquietação. Todos temos uma inquietação dentro de nós. O segundo passo da Igreja é encontrar a inquietação das pessoas”.

Depois, é o próprio etíope que, vendo Filipe se aproximar, lhe pergunta de quem falava o Profeta Isaías e o convida a subir e sentar-se junto a ele. Então, “com mansidão” – destacou o Papa – Filipe começa “a pregar”. Assim, “a sua inquietação encontra uma explicação que enche de esperança o seu coração”. “Mas isso – prosseguiu Francisco – foi possível porque Filipe se aproximou e ouviu”.

Enquanto o etíope ouvia, o Senhor trabalhava dentro dele. Deste modo, o homem entende que a profecia de Isaías se referia a Jesus. A sua fé em Jesus então cresceu a tal ponto que, quando chegaram onde estava a água, pede para ser batizado. “Foi ele quem pediu o Batismo, porque o Espírito tinha trabalhado no coração”, notou o Papa, exortando a deixar o Espírito trabalhar no coração das pessoas. Depois do Batismo, o Espírito, “que está sempre presente”, pega Filipe e o leva a outra parte, e o eunuco “cheio de alegria” prosseguiu o seu caminho.

Alegria do cristão

A terceira palavra que o Papa destaca é, por fim, a alegria: “a alegria do cristão”. Francisco concluiu a homilia fazendo votos de que a Igreja esteja “em pé”, “mãe” que ouve e, “com a graça do Espírito Santo”, “encontra a Palavra a dizer”:

“A Igreja mãe que dá à luz a tantos filhos com este método digamos – usemos a palavra – este método que não é proselitista: é o método do testemunho à obediência. A Igreja, que hoje nos diz: “Alegra-te”. Alegrar-se, a alegria. A alegria de ser cristãos inclusive nos momentos mais duros, porque depois da lapidação de Estevão, teve início uma grande perseguição e os cristãos se espalharam por todos os lugares, como a semente que o vento leva. E foram eles que pregaram a Palavra de Jesus. Que o Senhor nos dê a graça a todos nós de viver a Igreja assim: em pé e em saída, em escuta das inquietações das pessoas e sempre em alegria”.

Você ainda se confessa?

Reconhecer o pecado já é meio caminho andado

No dia 30 de junho, um site de Campo Grande publicou um artigo sobre a confissão, um assunto que parece fora de moda, quase um tabu. Nele, o autor escrevia: «Drogas, questões sexuais e brigas familiares mantêm o sacramento da confissão em alta mesmo em tempos de “é proibido proibir”. Com novos conceitos, como a troca da nomenclatura “pecado” por “dilema”, fim das penitências folclóricas e até a abolição do confessionário, o ato de reconciliação com Deus ganha ares de terapia em Campo Grande. A procura é tão grande que, no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, às quartas-feiras, dez padres atendem até 700 pessoas entre 6 e 22 horas».

Ao longo do texto, o articulista deu a palavra a dois sacerdotes que atuam em Campo Grande: o Pe. Wilson Cardoso de Sá, diretor do Instituto de Teologia João Paulo II, e o Pe. Dírson Gonçalves, reitor do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Em seu sentido mais profundo, explica o Pe. Wilson, o pecado é adultério e idolatria: quebra ou, pelo menos, enfraquece a comunhão que liga o homem a Deus, ao próximo e à criação. Mesmo quando oculto, ele não prejudica apenas a quem o comete, mas a toda a humanidade.

Seu conceito sofreu uma grande transformação na sociedade. Enquanto alguns cristãos pensam que nada mais seja pecado, outros o resumem ao campo da sexualidade. Esquecem que também a fofoca, a corrupção, a droga, a violência e as infrações no trânsito integram a lista das faltas a serem confessadas e corrigidas.

E o que dizer da “penitência” que o padre impõe a quem busca o confessionário? Responde o Pe. Wilson: «Se você fez aborto, nada vai trazer a pessoa de volta; mas você pode dar sua ajuda a uma criança, a uma família. Se roubou, deve devolver o dinheiro. Se caluniou, você precisa pedir perdão não só a quem ofendeu, mas também às pessoas que foram contaminadas…».

Por sua vez, o Pe. Dírson orienta os fiéis a se confessarem pelo menos duas vezes ao ano, nas solenidades do Natal e da Páscoa. Mas é bom fazê-lo também ao longo do ano: «Muita gente vem em busca de orientação e de conselhos. Há pessoas que sofrem relacionamentos complicados no namoro, no casamento, na família. Crescem a cada dia os problemas derivados do consumo da droga, da bebida, da falta ou do excesso de bens materiais».

Como os demais sacramentos da Igreja, a confissão é um grande presente de Deus. Reconhecer o pecado já é meio caminho andado, uma atitude que leva à felicidade e à santidade. É o que reconhecem todas as pessoas que experimentam a misericórdia de Deus: «Feliz o homem que foi perdoado, a quem o Senhor não olha mais como culpado! Enquanto eu escondia o meu pecado, os meus ossos definhavam, as minhas forças fugiam e eu passava o dia chorando e gemendo. Mas quando confessei o meu pecado, tu logo perdoaste a minha culpa» (Sl 32,1-5).

Para a Igreja Católica, a confissão é vista como o sacramento da penitência e da reconciliação, instituído por Jesus no domingo da Páscoa: «Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados; mas, se não os perdoarem, eles ficarão retidos» (Jo 20, 23). Tal doutrina é assim apresentada pelo Concílio Vaticano II: «Os fiéis que se aproximam do sacramento da penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, mas que agora colabora para a sua conversão com caridade, exemplo e orações».

Contudo, a confissão não foi dada “apenas” para perdoar pecados. Deus não precisa dela para demonstrar sua misericórdia a quem se arrepende. O grande milagre operado por ela é permitir que Deus penetre em nossa vida através das fraquezas que lhe entregamos. Ao recebermos a absolvição, o pecado perde a sua força e se transforma em graça. Foi esta a descoberta que levou São Paulo a ter uma nova visão da perfeição cristã: «Se a força de Deus se realiza na fraqueza, prefiro gloriar-me dela, pois, quando sou fraco, então é que sou forte» (2Cor 12, 9-10). Descobrir a arte de aproveitar das próprias faltas para dar a Deus a alegria de ser amor e misericórdia: eis o paraíso já aqui na terra!

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS)
E-mail para contato: redovinorizzardo@gmail.com

Papa: “A Bíblia como o celular, sempre conosco para lermos as mensagens”

Discurso do Pontífice fez os fiéis refletirem sobre como cuidar da Bíblia – AFP

Cidade do Vaticano (RV) – “Durante os quarenta dias da Quaresma, nós cristãos somos convidados a usar a força da Palavra de Deus na batalha espiritual contra o Mal”: esta foi a recomendação feita pelo Papa aos fiéis neste I Domingo de Quaresma, 5 de março.

Antes de rezar a oração mariana do Angelus neste final de inverno chuvoso na Praça de São Pedro, Francisco comentou a passagem do Evangelho de Mateus que narra como Jesus venceu as tentações e artimanhas sugeridas pelo Diabo: com a Palavra de Deus.

Naquela ocasião, Jesus enfrentou o diabo ‘corpo a corpo’. Às três tentações de Satanás para tentar impedi-lo de cumprir a sua missão, Ele respondeu com a Palavra e, com a força do Espírito Santo, saiu vitorioso do deserto.

“Por isso – disse o Pontífice – é preciso conhecer bem, ler, meditar e assimilar a Bíblia, pois a Palavra de Deus é sempre ‘atual e eficaz’.

A Bíblia como o celular

“O que aconteceria se usássemos a Bíblia como usamos o nosso celular? Se a levássemos sempre conosco (ou pelo menos um Evangelho de bolso), o que aconteceria? Se voltássemos quando a esquecemos, se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens em nosso celular, o que aconteceria?. É uma comparação paradoxal, mas faz pensar…”

“Com efeito, concluiu, se tivéssemos a Palavra de Deus sempre no coração, nenhuma tentação poderia nos afastar de Deus e nenhum obstáculo poderia nos desviar no caminho do bem; saberíamos vencer as propostas do Mal que está dentro e fora de nós; e seríamos mais capazes de viver uma vida ressuscitada segundo o Espírito, acolhendo e amando nossos irmãos, especialmente os mais frágeis e carentes, inclusive nossos inimigos”.

Tempo de conversão

Depois de rezar o Angelus e abençoar os fiéis, o Papa lembrou que o caminho de conversão da Quaresma requer de nós muita oração, jejum e obras de caridade. E concluindo, pediu a todos que rezem por ele e seus colaboradores, que durante esta semana estarão em Ariccia, (localidade fora de Roma) fazendo exercícios espirituais. 

(CM)

As 29 perguntas frequentes sobre a Quaresma

Fonte: Encuentra

O QUE É A QUARESMA? Chamamos Quaresma o período de quarenta dias reservado a preparação da Páscoa, e indicado pela última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o batismo.

DESDE QUANDO SE VIVE A QUARESMA? Desde o século IV se manifesta a tendência para constituí-la no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, menos em um princípio, nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma vem sido cada vez maior no ocidente, mas deve se observar um espírito penitencial e de conversão.

POR QUE A QUARESMA NA IGREJA CATÓLICA? “A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao Mistério de Jesus no deserto” (n. 540).

QUAL É, PORTANTO, O ESPÍRITO DA QUARESMA? Deve ser como um retiro coletivo de quarenta dias, durante os quais a Igreja, propondo a seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascoais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.

O QUE É A PENITÊNCIA? A penitência, tradução latina da palavra grega que na Bíblia significa a conversão (literalmente a mudança do espírito) do pecador, designa todo um conjunto de atos interiores e exteriores dirigidos a reparação do pecado cometido, e o estado de coisas que resulta dele para o pecador. Literalmente mudança de vida, se diz do ato do pecador que volta para Deus depois de haver estado longe Dele, ou do incrédulo que alcança a fé.

QUE MANIFESTAÇÕES TEM A PENITÊNCIA? “A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobre tudo em três formas: o JEJUM, a oração, a missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e com relação aos demais. Junto a purificação radical operada pelo Batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade “porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pedro, 4, 8)” / (Catecismo Igreja Católica, n. 1434).

SOMOS OBRIGADOS A FAZER PENITÊNCIA? “Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência; não obstante, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, se fixaram uns dias de penitência para os fiéis que se dedicam de maneira especial a oração, realizam obras de piedade e de caridade e se negam a si mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobre tudo, observando o jejum e a abstinência” (Código de Direito Canônico, c. 1249).

QUAIS SÃO OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS? “Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todas as Sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma” (Código de Direito Canônico, c. 1250).

QUE DEVE SE FAZER TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DO ANO? Em lembrança do dia em que Jesus morreu na Santa Cruz, “todas as sextas-feiras, a não ser que coincidam com uma solenidade, deve se fazer a abstinência de carne, ou de outro alimento que seja determinado pela Conferência Episcopal; jejum e abstinência se guardarão na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa” (Código de Direito Canônico, c. 1251).

QUANDO É A QUARESMA? A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina imediatamente antes da Missa Vespertina no Domingo de Páscoa. Todo este período forma uma unidade, podendo-se distinguir os seguintes elementos: 1. A Quarta-feira de Cinzas. 2. Os domingos, definidos como, I,II,III,IV e V; e o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor. 3. A Missa Crismal. 4. As férias.

O QUE É QUARTA-FEIRA DE CINZAS? É um princípio da Quaresma; um dia especialmente penitencial, em que manifestamos nosso desejo pessoal de CONVERSÃO a Deus. Quando vamos aos templos em que nos impõem as cinzas, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho.

QUANDO TEVE ORIGEM A PRÁTICA DAS CINZAS? A origem da imposição da cinza pertence a estrutura da penitência canônica. Começou a ser obrigatória para toda a comunidade cristã a partir do século X. A liturgia atual conserva os elementos tradicionais: imposição da cinza e jejum rigoroso.

QUANDO SE ABENÇOA E SE IMPÕEM A CINZA? A bênção e a imposição da cinza têm lugar dentro da Missa, após a homilia; embora em circunstâncias especiais, se pode fazer dentro de uma celebração da Palavra. As formas de imposição da cinza se inspiram na Escritura: Gn, 3, 19 e Mc 1, 15.

DE ONDE PROVEM A CINZA? A cinza procede dos ramos abençoados no Domingo da Paixão do Senhor, do ano anterior, seguindo um costume que se remonta ao século XII. A forma de benção faz relação a condição pecadora de quem a recebeu.

QUAL É O SIMBOLISMO DA CINZA? O simbolismo da cinza é o seguinte: 1. Condição fraca do homem, que caminha para a morte; 2. Situação pecadora do homem; 3. Oração e súplica ardente para que o Senhor os ajude; Ressurreição, já que o homem está destinado a participar no triunfo de Cristo;

A QUE NOS CONVIDA A IGREJA NA QUARESMA? A Igreja persiste nos convidando a fazer deste tempo como um retiro espiritual em que o esforço de meditação e de oração deve ser sustentado por um esforço de mortificação pessoal cuja medida, a partir deste mínimo, permanece a liberdade e generosidade de cada um.

O QUE DEVE SE CONTINUAR VIVENDO NA QUARESMA? Se vive bem a Quaresma, deverá se alcançar uma autêntica e profunda CONVERSÃO pessoal, preparando-nos, deste modo, para a maior festa do ano: o Domingo da Ressurreição do Senhor.

O QUE É A CONVERSÃO? Converter-se é reconciliar-se com Deus, apartar-se do mal, para estabelecer a amizade com o Criador. Supõe e inclui deixar o arrependimento e a Confissão (ver o Guia da Confissão) de todos e cada um de nossos pecados. Uma vez em graça (sem consciência de pecado mortal), temos de mudar desde dentro (em atitudes) tudo aquilo que não agrada a Deus.

POR QUE SE DIZ QUE A QUARESMA É UM “TEMPO FORTE” E UM “TEMPO PENITENCIAL? “Os tempos e os dias de penitência ao largo do ano litúrgico (o tempo de QUARESMA, cada Sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, o jejum, a comunhão cristã de bens (obras caritativas e missionárias).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1438)

COMO CONCRETIZAR MEU DESEJO DE CONVERSÃO? De diversas maneiras, mas sempre realizando obras de conversão, como, por exemplo: 1. Ir ao Sacramento da Reconciliação (Sacramento da Penitência ou Confissão) e fazer uma boa confissão: clara, concisa, concreta e completa. 2. Superar as divisões, perdoando e crescer em espírito fraterno. 3. Praticando as Obras de Misericórdia.

QUAIS SÃO AS OBRAS DE MISERICÓRDIA? As Obras de Misericórdia espirituais são: 1. Ensinar ao que não sabe. 2. Dar bons conselhos ao que necessita. 3. Corrigir ao que erra. 4. Perdoar as injúrias. 5. Consolar ao triste. 6. Sofrer com paciência as adversidades e fraquezas do próximo. 7. Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos As Obras de Misericórdia corporais são: 1. Visitar ao enfermo. 2. Dar de comer ao faminto. 3. Dar de beber ao sedento. 4. Socorrer ao cativo. 5. Vestir ao desnudo. 6. Dar abrigo ao peregrino. 7. Enterrar a os mortos.

QUE OBRIGAÇÕES TÊM UM CATÓLICO EM QUARESMA? Tem que cumprir com o preceito do JEJUM e a ABSTINÊNCIA, assim como a CONFISSÃO e COMUNHÃO anual.

EM QUE CONSISTE O JEJUM? O JEJUM consiste em fazer uma única refeição ao dia, sendo que se pode comer algo menos que o de costume pela manhã e a noite. Não se deve comer nada entre os alimentos principais, salvo em caso de doença.

A QUEM SE OBRIGA O JEJUM? Se obriga a viver a lei do jejum, todos os maiores de idade. (cfr. CIC, c. 1252).

O QUE É A ABSTINÊNCIA? Se chama abstinência a proibição de comer carne (vermelha ou branca e seus derivados).

A QUEM SE OBRIGA A ABSTINÊNCIA? A lei da abstinência se obriga aos que já tem catorze anos (cfr. CIC, c. 1252).

PODE SER MUDADA A PRÁTICA DA ABSTINÊNCIA? “A Conferência Episcopal pode determinar com mais detalhes o modo de observar o jejum e a abstinência, assim como substituirmos em parte por outras formas de penitência, sobre tudo por obras de caridade e práticas de piedade” (Código de Direito Canônico, c. 1253).

O QUE IMPORTA DE VERDADE NO JEJUM E NA ABSTINÊNCIA? Deve se cuidar no viver o jejum ou a abstinência com alguns mínimos, mas como uma maneira concreta como a que nossa Santa Mãe Igreja nos ajuda a crescer no verdadeiro espírito de penitência.

QUE ASPECTOS PASTORAIS CONVÊM RESSALTAR NA QUARESMA? O tempo de Quaresma é um tempo litúrgico forte, em que toda a Igreja se prepara para a celebração das festas pascais. A Páscoa do Senhor, o Batismo e o convite a reconciliação, mediante o Sacramento da Penitência, são suas grandes coordenadas. Se sugere utilizar como meios de ação pastoral:
1. A catequese do Mistério Pascal e dos sacramentos;
2. A exposição e celebração abundante da Palavra de Deus, como aconselha vivamente o cânon 767 § 3, 3.
3. A participação, se possível diária, na liturgia quaresmal, nas celebrações penitenciais e, sobre tudo, na recepção do sacramento da penitência: “são momentos fortes na prática penitencial da Igreja” (CEC, n. 1438), fazendo notar que “junto as conseqüências sociais do pecado, detesta mesmo o pecado enquanto é ofensa a Deus”;
4. O desenvolvimento dos exercícios espirituais, as peregrinações, como penitência assinam, as privações voluntárias como o jejum, a caridade, as obras beneficentes e missionários.

As bem-aventuranças

Povo de Deus

Quarta-feira, 6 de agosto de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Após pausa de um mês, Francisco encontrou-se com fiéis na audiência geral

O Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 6, as tradicionais audiências gerais com os fiéis. Após o período de descanso de um mês, o Santo Padre recebeu milhares de pessoas na Sala Paulo VI e evidenciou as características do povo de Deus, destacando a necessidade de seguir as bem-aventuranças de que fala Jesus no Evangelho de Mateus.

Em primeiro lugar, o Papa lembrou que o povo de Deus foi fundado sobre a Nova Aliança, estabelecida pelo Senhor com o dom de sua vida. Ele também ressaltou o papel de São João Batista, o ‘precursor’, aquele que preparou a vinda do Senhor predispondo o povo à conversão dos corações e ao acolhimento da consolação de Deus.

“Com o seu testemunho, João nos indicou Jesus, nos convidou a segui-lo e nos disse, sem meios-termos, que isso requer humildade, arrependimento e conversão”, completou o Pontífice.

O Santo Padre recordou o novo ensinamento deixado por Jesus com as Bem-Aventuranças. Estas constituem o caminho indicado por Deus como resposta ao anseio de felicidade ínsito no homem; elas aperfeiçoam os mandamentos da Antiga Aliança.

Francisco interagiu com os fiéis questionando-os se recordavam das bem-aventuranças e convidando todos a repeti-las com ele, imprimindo-as em seus corações. Como ‘tarefa’, recomendou que releiam em casa o capítulo 5 do Evangelho de Mateus, que retrata todas elas.

“Nestas palavras está toda a novidade trazida por Cristo: as beatitudes são o retrato de Jesus, o Seu modo de vida; são o caminho para a verdadeira felicidade. Jesus também nos deixou o critério pelo qual seremos julgados no fim do mundo: estaremos com Ele na vida eterna se formos capazes, durante a nossa vida terrena, de reconhecê-lo no pobre, no faminto, no indigente, no marginalizado, no doente e no sofredor”.

Na conclusão, Francisco enfatizou que a Nova Aliança é justamente saber reconhecer que Deus abraça a humanidade com sua misericórdia e compaixão em Cristo. “É isso que preenche o nosso coração de alegria, o que faz de nossa vida um belo e crível testemunho do amor de Deus por todos os irmãos que encontramos, todos os dias”.

Esta foi a primeira vez, em seu pontificado, que Francisco realizou a catequese na Sala Paulo VI. O local possui ar condicionado, sendo mais apropriado para receber os fiéis tendo em vista o verão europeu.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas catequeses anteriores vimos como a Igreja é um povo, um povo preparado com paciência e amor de Deus, e ao qual todos nós somos chamados a pertencer. Hoje eu gostaria de destacar a novidade que caracteriza este povo:  é realmente um novo povo que se fundamenta na nova aliança estabelecida pelo Senhor Jesus com o dom de sua vida. Esta novidade não nega o caminho anterior, ou se opõe a ele, mas sim o leva adiante, o leva ao cumprimento.

1. Há uma figura muito significativa, que atua como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento: a de João Batista. Para os Evangelhos Sinóticos, ele é o “precursor”, aquele que prepara a vinda do Senhor, predispondo o povo à conversão do coração e a receber o consolo de Deus que está próximo. No Evangelho de João é a “testemunha”, pois permite-nos reconhecer em Jesus, Aquele que vem do alto para perdoar os nossos pecados e fazer de seu povo a sua esposa, primícias da nova humanidade. Como um “precursor” e “testemunha”, João Batista desempenha um papel central em toda a Escritura, pois atua como uma ponte entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento, entre as profecias e a realização em Jesus Cristo. Com o seu testemunho, João nos mostra Jesus e nos convida a segui-Lo, e nos diz, sem meio termo, que isso requer humildade, arrependimento e conversão: é um convite que faz se à humildade, arrependimento e conversão.

2. Assim como Moisés realizou uma aliança com Deus em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, em uma colina à beira do lago da Galiléia, entrega aos seus discípulos e à multidão um novo ensinamento, que começa com as bem-aventuranças. Moisés deu a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, dá a lei na montanha, à beira do lago da Galiléia. As bem-aventuranças são o caminho que Deus mostra como uma resposta ao desejo de felicidade que é inerente ao homem, e aperfeiçoa os mandamentos da Antiga Aliança. Estamos acostumados a aprender os Dez Mandamentos – é claro, todos vocês sabem, aprenderam na catequese – mas não estamos acostumados a repetir as bem-aventuranças. Vamos memorizá-las e imprimi-las em nosso coração. Façamos uma coisa: eu vou dizer uma depois da outra e vocês repetem. Concordam?

Primeira: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa.” Eu ajudo vocês: [o Papa repete com as pessoas] “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa”.

“Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso recompensa nos céus”.

Bravo! Mas vamos fazer uma coisa: eu vou dar uma lição de casa, uma tarefa para fazer em casa. Peguem o Evangelho, aquele que vocês têm … Lembrem-se que vocês devem sempre levar um pequeno Evangelho com vocês, no seu bolso, bolsa, sempre; aquele que vocês têm em casa. Peguem o Evangelho, e nos primeiros capítulos de Mateus – creio que no capítulo quinto – estão as bem-aventuranças. E hoje, amanhã, vocês leem em casa. Vocês irão ler? [O povo responde: Sim] Não se esqueçam, porque é a lei que Jesus nos dá! Vocês irão fazer? Obrigado.

Nestas palavras, há toda a novidade trazida por Cristo, e toda a novidade de Cristo está nestas palavras. De fato, as bem-aventuranças são o retrato de Jesus, seu modo de vida; é o caminho para a verdadeira felicidade, que também nós podemos trilhar com a graça que Jesus nos dá.

3. Além da nova Lei, Jesus nos dá também o “protocolo” com o qual seremos julgados. No fim do mundo seremos julgados. E quais são as perguntas que vão nos fazer lá? Quais são essas questões? Qual é o protocolo com o qual o juiz vai nos julgar? É isso o que encontramos no vigésimo quinto capítulo do Evangelho de Mateus. Hoje a tarefa é ler o quinto capítulo do Evangelho de Mateus, no qual existem as bem-aventuranças e ler o 25º capítulo, no qual existe o protocolo, as perguntas que farão no dia do julgamento. Nós não teremos títulos, créditos ou privilégios para nos garantir. O Senhor vai reconhecer-nos se, por nossa vez,  O tivermos reconhecido nos pobres, nos que passam fome, nos indigentes e marginalizados, em quem sofre e está sozinho … Este é um dos critérios fundamentais de verificação da nossa vida cristã, com os quais Jesus nos convida a medir-nos a cada dia. Eu leio as bem-aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço um exame de consciência com o capítulo 25 de Mateus. Todos os dias: eu fiz isso, eu fiz isso, eu fiz isso … Nos fará bem! Essas coisas são simples, mas concretas !

Queridos amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-se em Cristo, envolvido na misericórdia e compaixão de Deus. É isso que enche o nosso coração de alegria, e é isso que torna a nossa vida bela e crível do amor de Deus por todos os nossos irmãos e irmãs que encontramos todos os dias. Lembrem do dever de casa! O quinto capítulo de Mateus e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!

O amor que escandaliza

Este homem acolhe os pecadores

“Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.’” (Lc 15, 2).

Os fariseus e os mestres da Lei criticavam Jesus, porque Ele não desprezava os pecadores públicos, como faziam os judeus com os publicanos, que eram cobradores de impostos na época do Império Romano. O Mestre estava no meio daqueles homens para falar-lhes ao coração e levá-los à conversão, mas, para isso, Ele precisava se aproximar deles. Como Jesus era judeu, Ele colocava em jogo a sua reputação, o seu nome, pois comer com os pecadores era contra as leis judaicas. Depois de ser criticado pelos fariseus e mestres da lei, Jesus conta a eles duas parábolas.

Em primeiro lugar, Jesus conta a parábola da ovelha perdida, fazendo uma pergunta àqueles judeus: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?” (Lc 15, 4). Ele tenta convencer seus compatriotas de que os pecadores precisavam de acolhimento e de uma nova chance. Jesus se coloca no lugar do pastor, o qual se alegra por encontrar a ovelha perdida (cf. Lc 15,6), por estar com aqueles homens, pecadores públicos, que, no encontro com Ele, tiveram a chance da conversão. Por isso, o Bom Pastor diz: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lc 15, 7).

Depois, Jesus conta a parábola da moeda perdida, começando por mais uma pergunta: “E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente até encontrá-la?” (Lc 15, 8). Para nós, esta parábola não é muito significativa, mas para os judeus tem um significado importante. Com aquela moeda perdida, faltava a plenitude, significada pelo número dez. Ao contar essa parábola, o Mestre nos mostra que Ele não quer perder ninguém, por isso Ele comia com os pecadores para tentar resgatar quem estava perdido.

Jesus está sempre conosco, mesmo quando estamos em pecado, pois Ele quer a nossa santificação e a nossa salvação. Parece uma loucura, uma insanidade deixar as noventa e nove ovelhas no deserto para procurar a ovelha perdida (cf. Lc 15, 4). Fazendo isso, havia o risco de alguma delas também se perder. Este foi o risco que o Senhor correu ao voltar-se para aqueles homens, considerados pecadores públicos, pois, Cristo era judeu e, por isso, estava escandalizando seus iguais. Da mesma forma, hoje, Ele também esteja arriscando perder outras ovelhas visitando a mim e a você, mesmo quanto estamos em pecado.

O amor de Deus é assim, escandaliza e nos deixa sem palavras, pois não somos capazes de compreendê-lo. Porém, com tantas provas de amor, não podemos negar que somos amados pelo Senhor. Ele nos amou quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 8), como amou aqueles publicanos. Como Mateus, que se chamava Levi e era cobrador de impostos, respondamos ao chamado de Jesus que nos diz: “Segue-me!” (Mc 2, 14). Sigamos os passos de Mateus, o qual, depois da Ascensão de Jesus, permaneceu em Jerusalém unido em oração com os outros apóstolos, os discípulos e a Virgem Maria (cf. At 1, 13-14). Peçamos que a Mãe do Senhor nos confirme na fé e nos prepare para receber o Espírito Santo. Que Nossa Senhora também nos acompanhe em nosso ministério e, cheios do Espírito Santo, possamos ser fiéis a Jesus Cristo até o fim e alcançar o Reino dos Céus.

Natalino Ueda – Comunidade Canção Nova
http://blog.cancaonova.com/tododemaria

Papa: pastores, digam a verdade acolhendo as pessoas

Cidade do Vaticano (RV) – João Batista foi a figura central da homilia do Papa Francisco na missa matutina celebrada na Capela da Santa Marta, nesta quinta-feira (15/12/2016).

A liturgia do Advento reflete sobre o ministério desse homem que vivia no deserto, pregava e batizava. Todos iam ao seu encontro, até mesmo os fariseus e os doutores da lei, mas “com distância”, para julgá-lo e não para se batizar.

No Evangelho de hoje, Jesus pergunta às multidões: O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Um homem vestido com roupas finas? Não um homem vestido com roupas preciosas porque aqueles que vivem no luxo estão nos palácios dos reis, “alguns nos episcopados”, acrescentou o Papa.

O que eles foram ver é um profeta, “alguém que é mais do que um profeta”. “Entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João”, “o último dos profetas” porque depois dele há o Messias, explicou Francisco, que se deteve nos motivos dessa grandeza: “Era um homem fiel ao que o Senhor lhe pediu”, “grande porque fiel” e essa grandeza se via em suas pregações:

Vigor na pregação

“Pregava com vigor, dizia coisas fortes aos fariseus, aos doutores da lei, aos sacerdotes. Não lhes dizia: Queridos, comportem-se bem! Não! Dizia-lhes simplesmente: ‘Raça de víboras’. Não fazia rodeios, porque eles se aproximavam para controlar e para ver, mas nunca com o coração aberto: Raça de víboras! Arriscava a vida, mas era fiel. A Herodes dizia na cara: ‘Adúltero, isso não é lícito! Se um sacerdote hoje na homilia dominical dizer: Entre vocês existem alguns que são raça de víboras e existem também adúlteros, certamente o bispo receberia uma reclamação: Mande embora este pároco que nos insulta. E João Batista insultava. Por que? Porque era fiel à sua vocação e à verdade.”

O Papa observou que com as pessoas comuns João Batista era compreensivo. Aos publicanos, pecadores públicos porque exploravam o povo, ele dizia: “Não peçam mais do que o justo”. “Começava do pouco. Depois, veremos. E os batizava”, prosseguiu Francisco. “Primeiro este passo, depois a gente vê”.

Responsabilidade

Aos soldados, aos policiais pedia para não ameaçar nem denunciar ninguém e de se contentar com o seu salário. “Isso significa não entrar no mundo das propinas”, explicou o Papa. João batizava todos esses pecadores, mas com esse mínimo passo adiante porque sabia que com esse passo, depois o Senhor fazia o resto. E eles se convertiam. “É um pastor que entendia a situação das pessoas, que ajudava as pessoas a caminhar com o Senhor.” João foi o único dos profetas a quem foi dada a graça de indicar: “Este é Jesus”.

Mas, apesar de João ser grande, forte, certo da sua vocação, “também tinha momentos escuros”, “tinha as suas dúvidas”, diz Francisco. João, de fato, da prisão começa a duvidar, apesar de ter batizado Jesus, “porque era um Salvador, não como ele havia imaginado”. Ele, então, envia dois dos seus discípulos a perguntar-lhe se era realmente ele o Messias. E Jesus corrige a visão de João com uma resposta clara. Diz para referir a João que “os cegos recuperam a vista”, “os surdos ouvem”, “os mortos ressuscitam”. “Os grandes podem se dar ao luxo de duvidar, porque são grandes”, comenta o Papa:

Conversão

“Os grandes podem se dar ao luxo de duvidar, e isso é bom. Eles têm certeza da vocação, mas sempre que o Senhor lhes mostra uma nova estrada eles têm dúvidas. ‘Mas isso não é ortodoxo, isto é herético, este não é o Messias que eu esperava’. O diabo faz este trabalho e qualquer amigo também ajuda, certo? Esta é a grandeza de João, um grande, o último daquele grupo de crentes que começou com Abraão, aquele que prega a conversão, que não usa meias palavras para condenar os orgulhosos, que no fim da vida se permite de duvidar. E este é um bom programa de vida cristã”.

Francisco, em seguida, resume os pontos principais da sua homilia: dizer as coisas com verdade e receber das pessoas o que consegue dar, um primeiro passo:

“Peçamos a João a graça da coragem apostólica de sempre dizer as coisas com a verdade do amor pastoral, de receber pessoas com o pouco que pode dar, o primeiro passo. Deus fará o resto. E também a graça para duvidar. Muitas vezes, talvez no final da vida, alguém se pode perguntar: ‘Mas é verdade tudo aquilo que eu acreditei ou são fantasias?’ A tentação contra a fé, contra o Senhor. Que o grande João, que é o menor no reino dos Céus, por isso é grande, nos ajude neste caminho nas pegadas do Senhor”. (MJ-SP)

 

Santo Evangelho (Mt 3, 1-12)

2º Domingo do Advento – 04/12/2016 

Primeira Leitura (Is 11,1-10)
Leitura do Livro do profeta Isaías:

Naqueles dias, 1nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; 2sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus; 3no temor do Senhor encontra ele seu prazer. Ele não julgará pelas aparências que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; 4mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e destruirá o mau com o sopro dos lábios. 5Cingirá a cintura com a correia da justiça e as costas com a faixa da fidelidade. 6O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. 7A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; 8a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. 9Não haverá danos nem mortes por todo o meu santo monte; a terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar. 10Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 71)

— Nos seus dias a justiça florirá.
— Nos seus dias a justiça florirá.

— Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus,/ vossa justiça aos descendentes da realeza!/ Com justiça ele governe o vosso povo,/ com equidade ele julgue os vossos pobres.

— Nos seus dias a justiça florirá/ e grande paz, até que a lua perca o brilho!/ De mar a mar estenderá o seu domínio,/ e desde o rio até os confins de toda a terra!

— Libertará o indigente que suplica,/ e o pobre ao qual ninguém quer ajudar./ Terá pena do indigente e do infeliz,/ e a vida dos humildes salvará.

— Seja bendito o seu nome para sempre!/ E que dure como o sol sua memória!/ Todos os povos serão nele abençoados,/ todas as gentes cantarão o seu louvor!

 

Segunda Leitura (Rm 15, 4-9)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 4Tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela nossa constância e pelo conforto espiritual das Escrituras, tenhamos firme esperança. 5O Deus, que dá constância e conforto, vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus. 6Assim, tendo como que um só coração e a uma só voz, glorifiqueis o Deus e Pai do Senhor nosso, Jesus Cristo. 7Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. 8Pois eu digo: Cristo tornou-se servo dos que praticam a circuncisão, para honrar a veracidade de Deus, confirmando as promessas feitas aos pais. 9Quanto aos pagãos, eles glorificam a Deus, em razão da sua misericórdia, como está escrito: “Por isso, eu vos glorificarei entre os pagãos e cantarei louvores ao vosso nome”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 3,1-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: 2“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!” 4João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo. 5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. 10O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo. 11Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 12Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João Damasceno – Doutor da Igreja de Cristo 

Com seus escritos, São João Damasceno defendeu principalmente a Igreja contra os iconoclastas, que condenavam o uso de imagens nas Igrejas

Lembramos São João Damasceno, um santo Padre e Doutor da Igreja de Cristo. Nasceu em 675, em Damasco (Síria) num período em que o Cristianismo tinha uma certa liberdade, tanto assim que o pai de João era muito cristão e amigo dos Sarracenos, que naquela época eram senhores do país. Esta estima estendia-se também ao filho. Os raros talentos e merecimentos deste levaram o Califa a distingui-lo com a sua confiança e nomeá-lo prefeito (mansur) de Damasco.

João Damasceno ainda jovem e ajudante do pai gozava de muitos privilégios financeiros, mas ao crescer no amor ao Cristo pobre, deu atenção a Palavra que mostra a dificuldade dos ricos (apegados) para entrarem no Reino dos Céus. Assim, num impulso para a santidade, renunciou todos os bens e deu aos pobres. Preferiu São João uma vida de maus tratos ao se entregar as “delícias venenosas” do pecado.

Retirou-se para um convento de São Sabas perto de Jerusalém e passou a viver na humildade, caridade e alegria. Escreveu inúmeras obras tratando de vários assuntos sobre teologia, dogmática, apologética e outros campos que fizeram de São João digno do título de Doutor da Igreja. Com escritos defendeu principalmente a Igreja contra os iconoclastas, que condenavam o uso de imagens nas Igrejas.

Certa vez, os hereges prenderam São João e cortaram-lhe a mão direita a fim de não mais escrever, mas por intervenção de Nossa Senhora foi curado. Seu amor a Mãe de Jesus foi tão concreto que foi São João quem tornou presente a doutrina sobre a Imaculada Conceição, Maternidade divina, Virgindade perpétua e Assunção de corpo e alma de Maria. Este filho predileto da Mãe faleceu em 749, quase centenário.

Foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII em 1890.

São João Damasceno, rogai por nós!

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