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Ainda não descobri a minha vocação. O que eu faço?

Aprendi que Deus não nos chama uma vez só

Vivemos num tempo em que a infância dura menos e a juventude dura mais. No meio deste caminho, a idade das mudanças e indecisões – a adolescência – parece nunca ter fim. Existem crianças que aos 10 anos (às vezes menos) têm sua sexualidade acordada e vivida como se fossem adolescentes em tempos de crises e descobertas. Isso que deveria ser uma rápida e incômoda transição acaba se prolongando por muitos anos. Encontrei um “jovem” de 35 anos que tinha todos os ares de adolescente e me confidenciou: “Ainda não descobri a minha vocação. O que eu faço?”.

Existe uma tirania da nossa “modernidade líquida, relativista e subjetivista” que ilude nossa juventude vendendo a liberdade ao preço da solidão. O resultado é o estresse, a depressão e uma incrível indecisão. O que fazer da sua vida? Qual a sua vocação? Neste momento, temos que colocar alguns pingos nos “is” e deixar claros alguns conceitos para que essa ponte quebrada seja atravessada com segurança.

É preciso dizer que a vocação, antes de se ser uma resposta, uma opção, é um chamado de Deus. E Ele chama a todos indistintamente para a “vida”. Sobre esta vocação, não precisamos ter qualquer dúvida. Um dia fomos chamados a ser quem somos e onde somos. Não escolhemos nossos pais. Não escolhemos nossa cor, cultura, origem, povo, raça e nação. Quando tomamos consciência da vida, já estávamos aí. Essa vocação de raiz não exige nenhum discernimento. Exige aceitação, cultivo e gratidão.

Depois, fomos chamados à vida cristã. Quem foi batizado na infância teve o sacramento do Crisma para confirmar a sua decisão de pertencer ao povo de Deus na Igreja Católica. Aqui, já é preciso discernimento. Não basta receber a fé dos pais. É preciso fazer a sua própria experiência de fé. Hoje em dia, quem nasce católico só permanecerá católico se se converter a partir de uma experiência pessoal de Deus na Igreja Católica. Mas ainda aqui, nesse nível, não me parece que as pessoas tenham muitos problemas vocacionais. O problema vem quando é necessário escolher o seu estado de vida dentro da comunidade cristã.

No Cristianismo católico ocidental, temos três estados de vida. O cristão pode ser um fiel leigo, um religioso(a) consagrado(a) ou um ministro ordenado (diácono ou sacerdote). São estes os três estados de vida. Muitos jovens cristãos católicos entram em crise na hora de discernir sua vocação ao estado de vida.

Devo dizer que basicamente todo cristão é leigo, pois esta palavra significa “povo de Deus” (laós em grego). Então, a coisa fica mais fácil. Todos nós somos povo de Deus. A menos que o próprio Deus nos chame para uma “consagração” ou nos dê uma “ordem”. Aprendi que Deus não nos chama uma vez só. Ele é insistente com os que escolhe. Mas se você estiver em dúvida, vou lhe dar uma dica prática. Se acha que está ouvindo a voz de Deus para ser padre, entre para um seminário. Não significa que será sacerdote, mas ali terá as condições de ouvir melhor o chamado. Apenas 5% dos que entram para o seminário ficam padres. Os outros percebem que o chamado era outro. Mas não ficam mais na dúvida. A mesma coisa em relação à vida consagrada. Tenha coragem de entrar em um processo de discernimento. Em questão de vocação, a pior coisa é ficar parado. Dê um passo sem medo que seja o errado. Se for sincero, Deus o colocará no rumo certo.

Agora, o conselho contrário. Mesmo que sinta um certo chamado à vida consagrada ou sacerdotal, não dê esse passo por falta de opção. Todos os que Jesus chamou estavam ocupados e deixaram tudo para segui-Lo. Mesmo que você tenha namorado(a) e um ótimo emprego, isso será apenas uma confirmação vocacional se você deixar tudo para seguir o Senhor. Desocupados ficarão sempre na incerteza ou na indecisão. Quem deixa tudo para seguir o Mestre tem o sinal da confirmação vocacional em seu coração.

Padre Joãozinho, SCJ
http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/

Mês vocacional

Deus quis precisar de nós

Agosto é considerado o Mês Vocacional, dedicado à reflexão sobre as vocações em geral. Neste mês, costuma-se celebrar as diferentes vocações por semana:

Primeiro domingo: vocação sacerdotal;

Segundo domingo: vocação familiar, dos pais;

Terceiro domingo: vocação à vida consagrada dos religiosos e das religiosas;

Quarto domingo: vocação do laicato na Igreja, ministérios leigos e catequistas.

Deus quis precisar de nós. Como em Jeremias 1,5 – “Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes do teu nascimento, eu já te havia consagrado” -, Deus espera de nós uma resposta a Seu chamado. É esta a vocação de cada um.

No mês dedicado por excelência à reflexão sobre o serviço na Igreja, tomamos consciência de que o Reino de Deus se faz pela providência infinita do Pai, mas também com a participação de cada um de nós.

Quando refletimos sobre a vocação, chegamos à conclusão de que o Senhor nos criou para um objetivo específico: todos nós somos chamados a participar, com nossos dons e talentos, na edificação do Reino.

O mais profundo e tocante em tudo isso é que, mesmo Deus não precisando de nossa ajuda, Ele quis precisar, quis contar conosco.

Se formos sensíveis em perceber esse desejo de Deus é impossível sermos indiferentes.

Viver a vocação é consagrar a nossa vida a um ideal. A nossa realização pessoal reside em entender qual é a nossa vocação e agir de acordo com os ditames de Deus que fala ao nosso coração.

Que Ele nos fortaleça para que tenhamos a disponibilidade e a coragem de dizer “sim” ao Seu projeto, mesmo diante de nossas limitações, das nossas dificuldades, do nosso comodismo, dos nossos medos.

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

As armadilhas do diabo

Sexta-feira, 9 de outubro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco pediu que fiéis tenham discernimento e sejam vigilantes para não caírem nas armadilhas do diabo e acabarem se afastando de Deus

Em Celebração Eucarística na Casa Santa Marta, nesta sexta-feira, 9, o Papa Francisco falou sobre as armadilhas do demônio. Francisco lembrou que o diabo traz calúnias, invejas e armadilhas, motivos pelos quais é preciso ter discernimento e vigilância para saber o que vem ou não de Deus.

A homilia foi inspirada no Evangelho do dia, que conta sobre o dia em que Jesus expulsou um demônio. Embora Jesus fizesse o bem, o Papa lembrou que um grupo de pessoas sempre tentava interpretar suas palavras de modo diferente, por motivos como inveja ou rigidez doutrinal.

“Por muitas razões, tentavam afastar a autoridade de Jesus das pessoas e caluniar, como neste caso. ‘Ele expulsa os demônios por meio de Belzebu’. Ele é um endiabrado, faz magias, é um feiticeiro’. Colocavam-no à prova continuamente, provocavam-no com armadilhas, para ver se caía”, disse.

Diante dessas reflexões, o Papa convidou os fiéis ao discernimento e à vigilância, para saber discernir o que é de Deus e o que é do mal. “O cristão não pode ficar tranquilo, pensar que tudo corre bem; deve discernir as coisas e observar de onde provêm, qual é a sua raiz”.

A vigilância é necessária, observou Francisco, porque em um caminho de fé as tentações voltam sempre. O Maligno se esconde, vem com seus amigos muito educados, bate à porta, pede licença, entra, convive com o homem na sua vida cotidiana e pouco a pouco, dá as instruções. Com esta “modalidade educada”, disse o Papa, o diabo convence a fazer as coisas com relativismo, tranquilizando a consciência.

“Tranquilizar a consciência, anestesiar a consciência, é um grande mal. Quando o espírito ruim consegue anestesiar a consciência, pode-se falar de uma verdadeira vitória: se transforma no dono daquela consciência. ‘Mas isso acontece em todo lugar! Sim, mas todos, todos temos problemas, todos somos pecadores, todos’. Em todos inclui-se o ‘ninguém’, ou seja, ‘todos menos eu’. E assim se vive a mundanidade, que é filha do espírito ruim”.

Francisco concluiu a homilia reiterando a necessidade de vigilância e discernimento. “Vigilância: a Igreja nos aconselha sempre o exercício do exame de consciência: o que aconteceu hoje no meu coração? Veio a mim o demônio bem educado com seus amigos? Discernimento: de onde vêm os comentários, as palavras, os ensinamentos… quem diz isso? Discernir e vigilar, para não deixar entrar aquilo que engana, que seduz e fascina. Peçamos ao Senhor a graça do discernimento e a graça da vigilância”.

A Eucaristia é remédio para quem está em pecado mortal?

https://padrepauloricardo.org/blog/a-eucaristia-e-remedio-para-quem-esta-em-pecado-mortal

O ato de aproximarmo-nos da Eucaristia com uma consciência manchada pelo pecado mortal nunca poderá chamar-se “Comunhão”, ainda que toquemos mil vezes o corpo do Senhor.

O Doutor Angélico, ao falar do sacramento da Eucaristia, ensina que este é o maior de todos os sacramentos, porque, “ao passo que nos outros sacramentos está contida uma certa virtude instrumental participada de Cristo”, “nele está contido o próprio Cristo substancialmente” [1]. Por esse motivo, a Igreja sempre prestou a este sacramento o culto de adoração, reconhecendo que, debaixo do véu das espécies eucarísticas, estava escondido, realmente, ninguém menos que o próprio Deus.

Ao falar de “comunhão”, então, é preciso reconhecer, com coragem, o primado de Deus. Na celebração da Santa Missa, quando os fiéis se aproximam da mesa eucarística, devem ter em mente que aquele ato de “comunhão” é apenas um sinal visível de algo que já acontece invisivelmente em sua alma, em estado de amizade com o Senhor. São João Paulo II ensina que “a integridade dos vínculos invisíveis é um dever moral concreto do cristão que queira participar plenamente na Eucaristia, comungando o corpo e o sangue de Cristo”. E acrescenta: “Não basta a fé; mas é preciso perseverar na graça santificante e na caridade” [2].

Por isso o Apóstolo já advertia à comunidade de Corinto que se examinasse antes de aproximar-se da Eucaristia, pois “quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” [3]. Na mesma linha, São João Crisóstomo levantava a sua voz, pedindo aos fiéis que não se abeirassem “desta Mesa sagrada com uma consciência manchada e corrompida”: “De fato, uma tal aproximação nunca poderá chamar-se comunhão, ainda que toquemos mil vezes o corpo do Senhor, mas condenação, tormento e redobrados castigos” [4]. O Concílio de Trento corroborou este costume da Igreja, afirmando que “é preciso um exame para que ninguém, por mais contrito que ele considere, se aproxime da sagrada Eucaristia sem antes confessar sacramentalmente, caso esteja consciente de algum pecado mortal” [5].

Hoje, no entanto, algumas pessoas têm, senão negado esse ensinamento, pelo menos obscurecido sua importância. Tratam a Eucaristia com irreverência e desrespeito, distribuem a comunhão como quem distribui qualquer coisa no meio da rua e querem porque querem que todas as pessoas comunguem, mesmo que nem todas estejam verdadeiramente em comunhão com Cristo, isto é, em estado de graça.

Não se quer, com isso, negar o grande dom que é participar da comunhão frequente, nem criar uma “casta” dentro da Igreja, transformando-a numa “alfândega”. Como escreveu o Papa Francisco, “a Eucaristia (…) não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos” [6]. E ainda Santo Ambrósio: “Devo recebê-lo sempre, para que sempre perdoe os meus pecados. Se peco continuamente, devo ter sempre um remédio” [7]. A cada pessoa, porém, deve ser dado o remédio adequado à sua enfermidade, como indica o Aquinate:

“Não é qualquer remédio que convém a qualquer doente. Assim, o remédio para fortificar os que já não têm febre, faria mal dos febricitantes. Assim também o batismo e a penitência são remédios purificativos, para tirar a febre do pecado. Ao passo que este sacramento [a Eucaristia] é um remédio fortificante, que não deve ser dado senão aos que se livraram do pecado.” [8]

Por isso, São João Paulo II sublinha a íntima união entre o sacramento da Eucaristia e o sacramento da Penitência: “Se a Eucaristia torna presente o sacrifício redentor da cruz, perpetuando-o sacramentalmente, isso significa que deriva dela uma contínua exigência de conversão” [9].

Aqueles que se encontram em estado de graça, mas feridos pelos pecados veniais e pelos defeitos pessoais, no caminho da purificação, não devem deixar de recorrer ao sacramento da Eucaristia, tomando-o como “remédio fortificante”, para que os ajudem na luta contra o mal e na própria santificação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Suma Teológica, III, q. 65, a. 3
  2. Ecclesia de Eucharistia, 36
  3. 1Cor 11, 27
  4. Homilias sobre Isaías, 6, 3: PG 56, 139
  5. Concílio de Trento, Sessão XIII, Decretum de ss. Eucharistia, cap. 7: DS 1647
  6. Evangelii Gaudium, 47
  7. De Sacramentis, IV, 6, 28: PL 16, 446
  8. Suma Teológica, III, q. 80, a. 4, ad 2
  9. Ecclesia de Eucharistia, 37
  10. Caminho de Perfeição, 35, 1

 

Afinal, está liberada a Comunhão aos divorciados? Entenda
https://oanunciador.com/2015/10/27/afinal-esta-liberada-a-comunhao-aos-divorciados-entenda/

Os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família terminaram no último sábado e, entre os diversos pontos que aparecem no documento final, estão os divorciados recasados; e também o caso daqueles que, estando separados ou divorciados, decidiram permanecer fiéis ao vínculo do matrimônio e não contraíram uma nova união.

 Afinal, o que foi determinado como orientação para os divorciados?

Separados, mas sozinhos

Para todos que se separam, mas resolveram viver sozinhos e se quer namoram, o numeral 83 do Sínodo diz:

“O testemunho dos que inclusive em condições difíceis não ingressam em uma nova união, permanecendo fiéis ao vínculo sacramental, merece a avaliação e o sustento por parte da Igreja. Ela quer lhes mostrar o rosto de um Deus fiel ao seu amor e sempre capaz de dar-lhes novamente força e esperança. As pessoas separadas ou divorciadas, mas não recasadas, as quais normalmente são testemunho da fidelidade matrimonial, são encorajadas a encontrar na Eucaristia o alimento que as sustente em seu estado”.

Segunda União

O tema dos divorciados em nova união aparece no documento final sob o subtítulo “Discernimento e integração” e está nos numerais 84, 85 e 86.

O portal ACI Digital traduziu (Não oficial) o que diz nesses números com relação às pessoas divorciadas que possuem um novo relacionamento.

Integração comunitária:

84.– Os batizados que estão divorciados e se casaram novamente no civil devem estar mais integrados nas comunidades cristãs de diversas maneira que forem possíveis, evitando toda ocasião de escândalo. A lógica da integração é a chave do seu acompanhamento pastoral, para que não saibam apenas que pertencem ao Corpo de Cristo que é a Igreja, mas a fim de que possam ter uma feliz e fecunda experiência dela. São batizados, são irmãos e irmãs, o Espírito Santo derrama neles dons e carismas para o bem de todos.

Sua participação pode expressar-se em diversos serviços eclesiásticos: por isso, é necessário discernir quais das diversas formas de exclusão atualmente praticadas no âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional podem ser superadas. Eles não estão e não devem sentir-se excomungados e podem viver e crescer como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma mãe que os acolhe sempre, os cuida com afeto e os exorta no caminho da vida e do Evangelho.

Esta integração também é necessária para o cuidado e a educação cristã dos seus filhos, os quais devem ser considerados como os mais importantes. Para a comunidade cristã, cuidar destas pessoas não se trata de debilitar a própria fé e o testemunho a respeito da indissolubilidade matrimonial, mas desta forma, através deste cuidado, a Igreja expressa a sua caridade.

Discernimento ao avaliar os casos

85.– São João Paulo II ofereceu um critério integral que permanece como a base para a valorização destas situações: “Os pastores, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações. Em efeito, existe diferença entre aqueles que se esforçaram sinceramente por salvar o primeiro matrimônio e foram abandonados de tudo injustamente, e os que por culpa grave destruíram um matrimônio canonicamente válido. Finalmente, estão os que contraíram uma segunda união em vista a educação dos filhos e, às vezes, estão subjetivamente seguros em consciência de que o precedente matrimônio, irreparavelmente destruído, não tinha sido nunca válido” (Familiaris Consortio, 84).

Então, a tarefa dos presbíteros se trata de acompanhar às pessoas interessadas no caminho do discernimento segundo o ensinamento da Igreja e as orientações do Bispo. Neste processo será útil fazer um exame de consciência, através de momentos de reflexão e arrependimento.

Os divorciados recasados deveriam se perguntar como se comportaram com seus filhos quando a união conjugal entrou em crise, se houve tentativas de reconciliação, como está a situação do companheiro abandonado, que consequência tem a nova relação sobre o resto da família e da comunidade de fiéis, que exemplo oferece aos jovens que devem se preparar para o matrimônio. Uma sincera reflexão a respeito pode reforçar a confiança na misericórdia de Deus que não nega a ninguém.

Além disso, não podemos negar que em algumas circunstâncias “a imputabilidade e a responsabilidade de uma ação podem ficar diminuídas e inclusive suprimidas” (CCC, 1735) por causa de diversos condicionamentos. Como consequência, o julgamento a respeito de uma situação objetiva não deve levar a um julgamento sobre a “imputabilidade subjetiva” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de junho de 2000, 2a).

Em certas circunstâncias as pessoas encontram grandes dificuldades para agir de forma distinta. Por isso, enquanto se sustenta uma norma geral, é necessário reconhecer que a responsabilidade em relação a determinadas ações ou decisões não é a mesma em todos os casos.

O discernimento pastoral, tendo presente a consciência retamente formada pelas pessoas, deve encarregar-se destas situações. As consequências dos atos realizados também não são necessariamente as mesmas em todos os casos.

Quem decide é o sacerdote:

86.- O percurso de acompanhamento e discernimento orienta estes fiéis a serem conscientes da sua situação ante Deus. O diálogo com o sacerdote, no foro interno, concorre com a formação de um julgamento correto acerca do que obstaculiza a possibilidade de uma participação mais plena na vida da Igreja e sobre os passos que podem favorecê-la e fazê-la crescer.

Dado que na mesma lei não é gradual (FC, 34), este discernimento nunca poderá prescindir das exigências da verdade e da caridade do Evangelho proposta pela Igreja. Para que isto aconteça, devem ser garantidas as necessárias condições de humildade, reserva, amor à Igreja e aos seus ensinamentos, na busca sincera da vontade de Deus e no desejo de alcançar uma resposta mais perfeita a esta.

Pode ou não pode?

Como lido acima, nada é falado de forma clara. Ficam a nossa interpretação e que devido a falta de retidão no texto pode nos levar a qualquer interpretação equivocada.  Ainda é preciso ler e entender melhor o documento final, além é claro, de esperar a decisão final do Papa Francisco.

Por enquanto, é importante lembrar que nada muda. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, lembrou que se trata de propostas dirigidas ao papa, que decidirá se será necessário elaborar um documento papal sobre a família. Ou seja, aguardemos uma decisão final. Apenas uma diretriz foi dada e pode ser colocada em prática para ontem, acolher os casais e deixar de tratá-los como excomungados.

Por Marquione Ban

 

Afinal, o Papa liberou a Comunhão para os recasados?
Entenda em 5 passos…
O objetivo de Francisco é justamente fugir dos termos jurídicos e focar na vivência mais autêntica da fé como caminho de conversão a Deus.
http://www.semprefamilia.com.br/afinal-o-papa-liberou-a-comunhao-para-os-recasados-entenda-em-5-passos/

Com a publicação da exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, “A alegria do amor”, muitos meios de comunicação destacaram que o papa abriu as portas para que pessoas que estão em segunda união possam comungar. Outros disseram que não mudou nada. Afinal, o que aconteceu? Entenda a questão em cinco passos:

1) Disciplina é diferente de doutrina

Há quem diga que nada mudou porque a doutrina da Igreja não pode mudar. É verdade, não pode. Mas a disciplina pode. A doutrina é aquilo que faz parte do anúncio da fé cristã sobre Deus e sobre o homem. A disciplina são regimentos internos que podem ser alterados. Por exemplo, a obrigatoriedade do celibato para os que desejam o sacerdócio e os tempos e os modos de fazer jejum são disciplinas: há padres casados na Igreja (no Oriente e entre os ex-anglicanos convertidos) e as leis sobre o jejum são só um mínimo que a Igreja estabelece para orientar a prática. Mas o valor do celibato e do jejum são doutrina: nunca a Igreja vai dizer que esses elementos não são importantes.

Mas e a comunhão aos recasados, é doutrina ou disciplina? Há dois elementos doutrinais na questão: 1) o adultério é um pecado objetivamente grave; 2) quem está em pecado grave não pode receber a comunhão eucarística (deve se confessar e sair da situação de pecado em que vive). Por isso, alguns dizem que a proibição da comunhão aos recasados seria algo doutrinal, já que quem casa sacramentalmente e depois se divorcia e se une a outra pessoa está em uma situação de adultério – como diz o próprio Jesus, no Evangelho de Mateus. E então?

2) Situação objetiva de pecado

A questão está no fato de que um pecado pode ser objetivamente grave, mas devido a diversos elementos, pode ser que a pessoa não esteja pecando ao realizá-lo. Como assim? Explica o Catecismo da Igreja Católica (de 1992): “A imputabilidade e responsabilidade de um ato podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros fatores psíquicos ou sociais” (n. 1735). Alguém forçado a cometer um ato de violência, por exemplo, não pode responder por esse ato com a mesma responsabilidade que alguém que o comete livremente, porque lhe falta liberdade.

É o que pode acontecer com um casal que vive em segunda união. Diversos fatores – da pressão social à instabilidade afetiva, da lentidão dos processos canônicos de declaração de nulidade matrimonial ao dever de criar os filhos em uma família unida – podem fazer com que eles não possam ser culpabilizados pelo ato objetivamente pecaminoso de coabitar com uma nova pessoa, sendo já casado de forma indissolúvel. Ou seja, há casos em que um casal de segunda união não está vivendo em pecado grave. Logo, a proibição da comunhão aos recasados é assunto de disciplina, não de doutrina.

3) A graça

Buscar a Deus e viver em sua amizade, evitando o pecado, é o que chamamos de viver na graça. Um casal de segunda união, dependendo da sua situação, pode viver na graça. Bento XVI já dava a entender isso, no Encontro Mundial das Famílias de 2012, em Milão. Ele falava, sobre os divorciados recasados: “É muito importante também que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participam nela se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem a recepção ‘corporal’ do Sacramento, podemos estar, espiritualmente, unidos a Cristo no seu Corpo.” Ora, se alguém está unido a Cristo, vive na graça, porque a graça é a união com Deus em Jesus Cristo.

É o que afirma o papa Francisco na exortação: “Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio duma situação objetiva de pecado – mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (n. 305). Embora a situação de segunda união não seja a ideal – e o papa o reafirma algumas vezes – isso não significa que ela represente, em todos os casos, uma situação objetiva de afastamento de Deus.

4) A possibilidade de comungar

É aqui que entrou a questão da Eucaristia: mesmo que muita gente tenha achado que a possibilidade da comunhão aos recasados tenha sido uma das principais questões dos sínodos sobre a família, para o papa tratou-se de uma questão secundária, à qual ele respondeu com uma simples nota de rodapé, referente ao trecho que citamos acima: “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso, aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor. E de igual modo assinalo que a Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos”.

A lógica é simples: se a pessoa está vivendo na graça de Deus, por que não poderia receber a Eucaristia? A questão mais difícil é saber se de fato aquela situação de um casal específico representa um caso em que houve atenuantes de culpa. Por isso, Francisco deixa claro que não quer emitir nenhuma normativa canônica a esse respeito, porque a variedade das situações é muito ampla (n. 300). O papa dá algumas orientações para um discernimento adequado, mas esse é um processo que deve ser feito no foro íntimo entre um casal e um padre que os acompanhe. Havendo a percepção de que não se pode imputar culpabilidade naquele caso e que o casal busca viver em união com Cristo, receber a Eucaristia seria, sim, uma possibilidade válida.

 5) A letra e o espírito: o trunfo de Francisco

“É mesquinho deter-se a considerar apenas se o agir duma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral, porque isto não basta para discernir e assegurar uma plena fidelidade a Deus na existência concreta de um ser humano” (n. 304), escreve Francisco. A grande sacada do papa foi dar primazia à busca de comunhão com Deus. Ele poderia – como foi sugerido – ter criado canonicamente um percurso penitencial para permitir que os casais de segunda união comunguem. Porém, se o fizesse, estaria burocratizando mais ainda o acesso aos sacramentos: muitos poderiam fazer o dito percurso sem experimentá-lo e vivenciá-lo desde dentro como um caminho de conversão e busca da santidade – assim como boa parte dos que hoje participam de um curso de preparação para o matrimônio ou para o batismo de um afilhado, por exemplo.

A “letra”, a lei, nesse caso, só criaria mais problemas. Francisco optou pelo espírito: a busca sincera de realizar a vontade de Deus. E o papa deixa tudo muito claro: a primazia da busca da vontade de Deus é fundamental, diz ele, “para evitar o grave risco de mensagens equivocadas, como a ideia de que algum sacerdote pode conceder rapidamente ‘exceções’ ou de que há pessoas que podem obter privilégios sacramentais em troca de favores. Quando uma pessoa responsável e discreta, que não pretende colocar os seus desejos acima do bem comum da Igreja, se encontra com um pastor que sabe reconhecer a seriedade da questão que tem entre mãos, evita-se o risco de que um certo discernimento leve a pensar que a Igreja sustente uma moral dupla” (n. 300). Não é possível compreender a resposta de Francisco em termos de “permissão”, “proibição”, “irregularidade” e “liberação” porque a preocupação dele é justamente a de não entender as coisas de modo legalista, mas viver um processo de conversão verdadeiro, total, em busca da comunhão com Deus em Jesus Cristo.

O festival da corrupção

http://destrave.cancaonova.com/o-festival-da-corrupcao/
Conteúdo enviado pelo internauta David Do Nascimento Corrêia

“É impossível uma mudança num país inteiro sem que haja a reconstrução da consciência moral de cada brasileiro”

O mundo maravilhoso prometido pelos “reformadores sociais” pode não ter sido possível de realizar, e talvez nunca o seja; mas, pelo menos, eles conseguiram fazer com que as pessoas acreditassem piamente que a justiça e o bem dependem unicamente do Estado, das leis, do “Sistema”… Mas nunca delas próprias.

Ontem, eu estava me dirigindo a uma agência do ‘Pague Fácil’, quando um homem muito simpático me abordou e me entregou as duas senhas dele, as próximas que seriam chamadas e das quais ele não precisaria mais. Aquele homem acreditava estar prestando-me um grande favor, porque eu estava com uma camisa da RCC [Renovação Carismática Católica], com uma enorme cruz. Ele também parecia pertencer a alguma comunidade cristã, por essa razão, imaginava estar prestando uma gentileza a um semelhante em Cristo.

“(…) essa mudança só será possível quando bispos, padres e leigos tiverem empenhados em mudar a mentalidade dos cristãos”

Eu lhe agradeci cordialmente por aqueles números, pois aquelas senhas me proporcionariam a oportunidade de pagar minha conta de telefone em três minutos ou menos. Com aquele “favor”, eu passaria na frente de umas trinta pessoas que estavam antes de mim na fila. Entrei na agência, peguei minha senha e fiquei na fila como qualquer um deve fazer, no entanto, permaneci com os números doados ainda por algum tempo. Uma distinta senhora viu as senhas em minhas mãos e me pediu uma delas. Com toda educação, neguei-lhe o pedido e lhe disse que não as usaria, pois não era ético. Ela, com cara de nojo, afastou-se de mim dizendo que, se eu havia ganhado aquelas senhas, poderia usá-las, porque foram um presente.

Aquela mulher imaginava que a senha fosse um bem do qual eu poderia ter lançado mão sem fazer mal a ninguém. Ela foi incapaz de enxergar que uma senha é uma forma de organização, e que qualquer vantagem constitui um delito moral já não distinguido pela maioria dos brasileiros.

Fala-se muito em “reforma política”, mas, infelizmente, nossas paróquias, tão engajadas em aprová-la, se esquecem do básico: é impossível uma mudança num país inteiro sem que haja a reconstrução da consciência moral de cada brasileiro. E essa mudança só será possível quando bispos, padres e leigos tiverem empenhados em mudar a mentalidade dos cristãos.

Não é necessário ir a Brasília nem trabalhar em prefeituras ou órgãos do Estados para presenciar os festivais de corrupção que se alastram rapidamente sobre a mentalidade debilitada de um povo que esqueceu sua vocação de filhos da Virgem Santíssima. Um povo que considera como corrupção apenas o que se passa no Governo, mas se esquece de que ninguém rouba milhões sem, antes, ter roubado algumas posições na fila do banco ou de um ‘Pague Fácil’.

Semana Santa não é ‘feriadão’

Cabe aos católicos manter vivo o significado genuíno da Semana Santa e da Páscoa. Não esperemos isso dos que não são cristãos ou católicos…

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

Há várias semanas, os anúncios comerciais chamam para as compras no mercado da Páscoa. Mas os ovos de chocolate, neste ano, andam muito caros… A inflação e a crise econômica incidiram pesadamente no doce comércio de Páscoa!

E o bacalhau, nem se fala! Os preços estão proibitivos. Sem bacalhau, será uma Sexta-feira da Paixão sem graça? Como se pode passar a Sexta-feira Santa sem comer uma pratada abundante de bacalhau? Ainda não entendi por qual razão precisa ser justamente nesse dia, quando a Igreja convida todos os que podem a fazerem um dia de penitência, de jejum e abstinência de carnes… Alguém dirá que bacalhau não é carne… Como assim? Se carne de frango é carne, a de peixe, o que é?

Parece que a preocupação maior desta Semana Santa é preservar alguns costumes culinários ou gastronômicos… Certo, Páscoa é festa grande e é justo que se faça uma refeição festiva; mesmo com poucos recursos e boa dose de criatividade, na Páscoa é possível fazer festa com a família e os amigos!

Não seria bom ir um pouco além da cozinha e da mesa? O que torna esta Semana especial é o fato de ela ser “santa”, ou seja, reservada especialmente para Deus e as coisas da fé. Nela, deveríamos dedicar um tempo maior à oração, à busca de Deus, mesmo através de uma boa revisão da vida, tentando perceber a quantas andam as coisas com a vida da gente.

Nem todos têm a nossa visão das coisas; quero dizer, a visão dos católicos. É compreensível e não queremos impor nada a ninguém. Falamos aos católicos, para o “povo de casa”… Tomemos consciência de que os dias feriados e a festa da Páscoa, com suas manifestações culturais, são de origem cristã. Cabe a nós, preencher de sentido estas festas e comemorações, que se estenderam para dentro da cultura.

Poderá acontecer, se já não está acontecendo, que as tradições cristãs e católicas, pouco valorizadas e cultivadas até por católicos, vão perdendo o seu significado originário, que é alterado e até substituído por práticas que nada têm a ver com essas festas e tradições culturais cristãs. Cabe aos católicos manter vivo o significado genuíno da Semana Santa e da Páscoa. Não esperemos isso dos que não são cristãos ou católicos.

No mundo plural de hoje, quem não tem convicções firmes e conceitos claros acaba sendo absorvido pelo ambiente… E já vamos percebendo sempre mais que, em lugar das procissões da Sexta Feira Santa, vão aparecendo ruidosas manifestações de massa, por vezes, bem pertinho de nossas igrejas e procissões… Esta é a hora das convicções firmes e da consciência clara das nossas próprias manifestações de fé!

A Semana Santa, que deveria ser um tempo mais voltado para a oração e para a participação nas celebrações da Igreja, vai se tornando sempre mais uma ocasião para um feriadão estendido, viagens e todo tipo de programas, sem mais nenhuma marca cristã… Fica estranho ver as igrejas meio vazias no Domingo da Páscoa da Ressurreição, justamente quando elas deveriam estar mais cheias que nunca!

Na Semana Santa somos confrontados com o infinito amor de Deus, que amou tanto o mundo, ao ponto de lhe enviar seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça para sempre, mas tenha a vida eterna. E somos colocados diante do amor de Cristo por nós, um amor sem reservas, “até o fim”: Ele desceu ao fundo do poço da miséria humana para estender a mão do perdão e da misericórdia de Deus a todos…

Na Semana Santa, deixemo-nos envolver de graça e de perdão; e, com São Paulo, deixemo-nos mover por este pensamento: “Ele me amou e por mim se entregou na cruz!” E renovemos nossa adesão de fé e nossa disposição de segui-lo nos caminhos da vida. Vida que se renova na sua paixão, morte e ressurreição. E nada impede que também se faça festa na Páscoa! Apesar de ser com menos chocolate e bacalhau…

Os católicos podem ‘curtir’ o carnaval? Como fazê-lo?

Sábado, 09 de fevereiro de 2013, CNBB  

O carnaval pode ser vivido de diversas maneiras. Não teve sua origem no Brasil, como muitos pensam, mas na Grécia. Era uma festa de alegria pagã. No Brasil, o carnaval é coisa séria. Há quem fale que o ritmo normal da vida no país só começa após o carnaval. É tempo do vale tudo. Vale mergulhar fundo no prazer sem freios, na bebida, nas drogas. E isso tudo equivocadamente é em nome da alegria. Que alegria é essa, que, no final da folia, se acaba?

Há, porém, o Carnaval verdadeiro, marcado por uma alegria verdadeira. Nesse Carnaval é dispensado o prazer irresponsável, a bebida, as drogas, para se celebrar a vida.  O católico pode comemorar o carnaval, desde que respeite os princípios cristãos, sem se entregar aos excessos permissivos tão difundidos em nossos dias. Quem não participa das festividades públicas, procure se alegrar junto a sua família e amigos. Isso precisa ser resgatado.

As Dioceses, as Paróquias e as Comunidades deste país promovem um carnaval diferente, repleto de alegria, a qual Deus quer para todos os seus filhos. Em todo caso, é carnaval. Quem vai fazer festa que faça com respeito ao próximo e aos valores. Muitos decidem passar o Carnaval na tranquilidade do campo, da praia. Outros em retiro espiritual, numa experiência de Deus, profunda e transformadora. Outros ainda vão ficar em casa e assistir ao espetáculo de criatividade, de luz e de cores, promovido pelas escolas de samba.

Passados os dias de Carnaval tem início o tempo da Quaresma com a imposição das cinzas sobre nossas cabeças e ouvindo este apelo de Jesus: “convertei-vos e crede no Evangelho!” Estas palavras, indicam um inteiro programa de vida, preparando-nos para celebrar a Páscoa. Assim, na oração, no jejum, no exercício da caridade fraterna, na penitência, caminhamos ao encontro do Cristo pascal.

Na Quaresma nos exercitamos na revisão de vida e na conversão nas nossas práticas religiosas, para que elas não sejam apenas manifestações formais e exteriores de religiosidade – “para serem vistos pelos homens” – mas sejam a expressão de uma vida que se volta sinceramente para Deus. E, durante a Quaresma, realizamos a Campanha da Fraternidade. Esta indica uma reflexão específica para nos exercitarmos na caridade; neste ano, é a juventude. Queremos juntos encontrar caminhos para acolher e integrar nossa juventude. Nossa resposta generosa ao chamado deve ser: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). Convertamo-nos, e nos desafios deste mundo, tornemo-nos missionários a serviço da juventude.

Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira (PB)

 

O cristão pode participar do Carnaval?

A alegria é uma necessidade básica do ser humano. Povos, raças e culturas das mais remotas origens encontraram formas para exteriorizar esse desejo. Cada país, de acordo com sua cultura e costume, possui suas datas festivas. Porém, o grande problema dessas festividades, assim como o Carnaval, é que, após os dias de festa, muitos voltam à vida real amargando desilusões e arrependimentos, pois já não podem mais usar a máscara. É hora, então, de fazer um balanço.

Fé e consciência limpa são inseparáveis na vida do cristão, inclusive durante essas festividades. “Tudo o que não procede da fé é pecado”, ensina São Paulo (cf. Rm 14,23). A fé é a luz que ilumina a consciência e a confirma nas convicções morais. Por isso a pergunta não deve ser: “é pecado pular Carnaval?”.

Quem se guia pela consciência do que é bom, digno e justo, possui um “faro moral”. Sabe posicionar-se, escolher e decidir onde, como e com quem se divertir ou não.

Não passa, pois, de preconceito — às vezes de má fé —, achar que a religião é contrária à alegria, levando os fiéis à tristeza. O Evangelho é uma mensagem alegre e feliz! Dele nos vêm as festas religiosas, as celebrações e solenidades festivas, as comemorações de datas e fatos históricos.

A alegria cristã é autêntica, simples e espontânea. Mobiliza os serviços de caridade e fortalece o ser humano em suas angústias e sofrimentos. Inspira todas as artes e os costumes sadios e nobres.

Nada disso se encontra nas diversões barulhentas, superficiais, cheias de dissipações e desregramentos morais. A alegria carnavalesca é, em geral, uma cortina de fumaça que esconde o vazio do espírito, o desencanto consigo mesmo, as frustrações da vida!

Apesar da folia contagiante nas ruas, quadras e salões, o fim do Carnaval é triste. Não porque é o fim, mas pelas inúmeras perdas que sofremos por nossas próprias escolhas. Por isso, escolher viver bem um Carnaval com Cristo é a melhor opção para se divertir e não ter preocupações posteriores.

As seitas evangélicas e suas superstições

http://www.universocatolico.com.br/index.php?/as-seitas-evangelicas-e-suas-supersticoes.html

O Brasil é um país supersticioso. Na Bahia há um dito popular que exemplifica isso de forma jocosa e muito bem humorada: “80% são católicos, 15% são protestantes, 5% pertencem a outras religiões e 100% vestem branco às sextas-feiras”. A superstição está tão engendrada em nossa sociedade que chega a independer do nível sócio-econômico ou cultural. Entretanto, há quem se aproveite do espírito supersticioso do brasileiro de forma torpe e irresponsável, em questão, diversas seitas evangélicas.
Todos nós já escutamos nos meios de comunicação chamadas como: “dia do descarrego”; “meia-noite da libertação”; “noite da quebra de feitiços”, “dia do óleo santo de Israel”; “corrente dos empresários”; “culto da sexta-feira 13”. E alguns mais hilários como: “sexta-feira forte, desencapetamento total” ou “venha receber seu xampu sagrado”. Este último, por sinal, quem vos escreve teve oportunidade de escutar.
Não raro, em programas de rádio ou TV dessas seitas, os “pastores” que apresentam tais programas, quando perguntados por ouvintes sobre as razões de seus infortúnios, respondem sem pestanejar: “Foi um feitiço, um trabalho, uma maldição que jogaram em você! Compareça a nossa igreja…”. Já se estabelece nesse curto contato uma relação de sugestionador e sugestionado, entre o pretenso “pastor” e sua vítima em potencial.
Termos como “descarrego” sempre estiveram tradicionalmente relacionados ao fetichismo e à magia, temas que sempre foram objeto de repúdio por parte do cristianismo. Qual seria então a justificativa para a venda de falsos objetos sagrados e da utilização de elementos da superstição popular por parte de seitas evangélicas em pleno século XXI? As respostas são várias, mas orbitam em torno de uma única motivação: dinheiro. Soma-se ainda uma tática covarde: a submissão da consciência dos fiéis  a uma ótica atávica. Ou seja, ao invés de libertar mentes de crenças ancestrais que subjugam a verdadeira espiritualidade libertária do cristianismo, essas seitas perpetuam e disseminam a crença  em superstições e fetiches, além de escravizar,  inexoravelmente, seus membros a uma  permanente relativização de sua relação com Deus.
Essa verdadeira escravização de mentes, é em parte responsável pelo esplêndido crescimento dessas seitas. Não há uma explícita negação daquilo que pode ser classificado como crendice popular e superstição. O fiel não precisa rever seus conceitos motivados por uma doutrina que o conduza a uma reflexão acerca de suas crenças anteriores, simplesmente não é preciso abandonar nada, não é preciso modificar sua ótica em relação ao que recebeu como herança do seu folclore e cultura. O fiel é conduzido a permanecer na ignorância, a mesma ignorância que justifica para esse mesmo fiel que basta ter fé para salvar-se, ou seja, um caminho religioso pavimentado por aparentes facilidades. O fiel permanece arraigado a superstições, e é estimulado diuturnamente pela seita a continuar nessa mesma situação de voluntária escravidão. Afinal, permanecer dentro da seita é a garantia de “corpo fechado”, de proteção.
O “pastor”, por sua vez, ocupa uma posição bastante similar a de um curandeiro, detentor de uma “magia boa”, antídoto  que protege o fiel de toda uma miríade de riscos espirituais aos quais o mesmo está exposto fora da seita. E a seita ocupa grande parte de sua pregação em solidificar esses conceitos em seus fiéis, basta adentrar qualquer desses templos e o que se notará é uma seqüência de pregações e testemunhos reforçando dia após dia a imagem de um mundo ancestralmente cheio de superstições. Serão pastores falando de feitiços, magias, bruxarias e demônios, e testemunhos de fiéis falando que foram libertados exatamente dessas coisas. Com tanta repetição, qualquer mentira passa virtualmente por verdade.
Por mais absurdo que pareça, a observação comprova essa relação de sujeição dos fiéis motivada pelo medo e ignorância, da mesma forma que atesta o comportamento vicioso dos pretensos pastores, o que os coloca no mesmo calibre dos curandeiros, feiticeiros e passistas que dizem combater.
Em geral, com os fiéis incentivados a relacionar sua fé cristã a fetichismos e crendices, não ocorre uma verdadeira conversão, não há um momento de íntima descoberta e encontro com o Cristo.  Muito embora o slogan “encontrei Jesus” seja o mais repetido pelos adeptos de tais seitas, Jesus, nesse contexto, é tão somente um elemento a mais nesse processo de aprisionamento, e não o motor de uma grande mudança de vida. A mensagem cristã que lhes chega é bastante distante da real. E o “jesus” que lhes é oferecido é tão somente aquele dos milagres e dos exorcismos, deixam de fora o real Jesus, que também exige uma verdadeira revolução moral na vida do fiel. Não importa QUEM é Jesus, mas o que Ele pode proporcionar.
Sob esse aspecto, inclusive, cabe fazer uma censura peremptória àqueles que se identificam como católicos e apegam-se a sincretismos, comportando-se da mesma maneira que os fiéis evangélicos que mencionamos. O sincretismo é um elemento estranho à fé católica, e o pretenso católico que o pratica está em grave estado de pecado. Não se pode ser católico e espiritista ou fetichista ao mesmo tempo. Não se pode servir a dois senhores. Entretanto, cabe lembrar, que ao contrário das seitas que aqui abordamos, a Igreja Católica condena e reprova de todas as formas tanto o pensamento quanto a manifestação supersticiosa. Fé católica e crendice são elementos amplamente dissociados, e não há espaço para contemporizações a esse respeito.
Ao recorrer a símbolos de magia, a seitas evangélicas contribuem para a solidificação de princípios amplamente contrários a fé cristã. E para maioria das pessoas que integram tais seitas, uma sessão de “descarrego” ou ir ao templo à meia-noite de uma sexta-feira 13 é algo que faz parte da fé cristã. Idéia que contraria frontalmente os fundamentos do cristianismo, que em sua origem e doutrina, é completamente avesso à crendice e ao fetichismo; a qualquer forma de relativização do poder de Deus. Se nem mesmo uma flor nasce sem a permissão do altíssimo, é absurdo imaginar então que mal-olhado é suficiente para lançar a vida de qualquer pessoa na falência, mas é isso que a seita ensina, mesmo que a bíblia, a tradição e a patrística cristã afirme o contrário. Dessa forma, a seita evangélica distancia-se de tal forma da fé cristã, que em relação a ela guarda pouca ou nenhuma consonância.
Ao conduzir o fiel a acreditar que as práticas da seita referentes a “proteção” contra maldições é suficiente garantia de sua paz e integridade, o fiel é na verdade conduzido a colocar Deus como mero coadjuvante do poder da seita. Ou seja, Deus, apenas, não seria suficiente à sua necessidade de proteção. Uma prova bastante nítida desse processo de alienação religiosa, é a forma pródiga como essas seitas exploram pseudo exorcismos e testemunhos de fiéis que livraram-se de “feitiços, trabalhos e maldições” através da seita. Para o fiel, Deus, sem a seita  “não surte efeito”.
Em resumo, para essas seitas e seus pobres e enganados fiéis, sem as correntes, sem a falsa água do rio Jordão, sem o óleo de Israel fabricado no quintal, sem os descarregos teatrais, e para não deixar de citar, sem o “fantástico” xampu sagrado, o cristianismo não acontece.

 

No fim do ano, agradecer e pedir perdão a Deus

Te Deum

Quarta-feira, 31 de dezembro de 2014, André Cunha / Da redação

O Papa Francisco presidiu a última celebração pública de 2014, as vésperas de Nossa Senhora, no Vaticano

Seguindo a tradição, neste último dia do ano, 31 de dezembro, o Papa Francisco presidiu, às 17 horas (horário italiano), na Basílica de São Pedro, à celebração das primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima, concluindo com o canto do Te Deum, em ação de graças pelo ano de 2014.

O Papa iniciou sua última reflexão do ano, após a leitura do trecho da carta aos Gálatas, que diz: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva (cf. Gl 4. 4-5)”.

Neste sentido, Francisco afirmou que o significado do “tempo” é ser mensageiro de Deus, tocado por Cristo, o Filho de Maria. Então, o “tempo tornou-se salvífico, definitivo da salvação e da graça”.

Depois, o Papa disse que a Igreja propõe à conclusão de cada ano e de todos os dias um exame de consciência para agradecer ao Senhor pelo que se recebeu e repensar as faltas. “Agradecer e pedir perdão: é o que fazemos hoje ao final de um ano. Louvamos e pedimos perdão”.

Segundo o Papa, o motivo fundamental de dar graças a Deus é este: “Ele nos fez seus filhos”. “Mas nós já não somos todos filhos de Deus? Certamente, porque Deus é Pai. Mas, sem esquecer que fomos afastados de sua filiação pelo pecado. Nossa relação filial é profundamente ferida. Mas em Jesus fomos livres. Ele morreu na cruz para nos dar a remissão do pecado e resgatar a condição de filhos”.

Agradecer, disse o Papa, é também o motivo do exame de consciência. “De nos perguntar: como é nosso modo de viver? Vivemos como filhos ou como escravos? Ou vivemos como a lógica mundana, corrupta, fazendo o que o diabo nos faz acreditar?”, questionou.

Francisco afirmou que o homem é inclinado a resistir a essa libertação que Jesus trouxe. “Temos medo da liberdade”, destacou. A liberdade, segundo disse, assusta o homem, ao contrário da escravidão o impede de viver plenamente o presente porque esvazia o passado e o faz acreditar que não se pode sonhar, voar e esperar.

“Em nossos corações se aninha a saudade da escravidão porque traz seguranças, ao contrário da liberdade que é mais arriscada. Esse é o reino e o fascínio do momento”, considerou. “Concluir o ano é voltar a afirmar que existe uma honra, que existe a plenitude do tempo. Ao concluir esse ano, nos fará bem pedir a graça de caminhar em liberdade, para reparar os erros e defender-nos da saudade da escravidão”, disse.

Francisco concluiu sua reflexão pedindo que a Virgem Santa ajude a todos a acolher Jesus com o coração aberto, a fim de se viver realmente com liberdade, como “filhos de Deus”.

A oração do Te Deum, diante do Santíssimo Sacramento, concluiu a celebração. Em seguida, o Papa Francisco visitou o presépio localizado na praça São Pedro.

Te Deum

Te Deum é um hino litúrgico tradicional, e seu texto foi musicado por vários compositores, entre eles Wolfgang Amadeus Mozart, Franz Joseph Haydn, Hector Berlioz, Anton Bruckner, Antonín Dvorák, e até o imperador Pedro I do Brasil.

É um hino de louvor a Deus, de agradecimento. Este nome vem por causa das palavras iniciais, Te Deum laudamos, “a vós, ó Deus, louvamos”.

É preciso reconhecer as “visitas” de Deus

Quinta-feira, 17 de novembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco explicou que diariamente o Senhor bate à porta do coração do homem e que é preciso reconhecer esta visita

Papa Francisco ressaltou a importância de se recordar a História de Salvação Pessoal na Missa desta quinta-feira, 21.

O Papa Francisco iniciou esta quinta-feira, 17, celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta. Em sua homilia, o Papa partiu da imagem de Jesus chorando em Jerusalém, e explicou que Jesus chora porque se lembra da história do “seu povo”.

De um lado, este amor sem medidas e, de outro, a resposta egoísta, desconfiante, adúltera e idolátrica do povo.

A infidelidade do homem

“O amor louco de Deus pelo seu povo parece uma blasfêmia, mas não é”, afirma o Papa. Jesus, de fato, faz memória dos passos dos profetas, como Oséias e Jeremias, quando expressam o amor de Deus por Israel.

Francisco disse que esta história de infidelidade, de não reconhecer os carinhos e o amor de Deus, machuca o coração de Jesus Cristo.

“Jesus viu naquele momento o que o aguardava como Filho. E chorou. ‘Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada’. Este drama não aconteceu somente na história e acabou com Jesus. É o drama de todos os dias. É também o meu drama. Cada um de nós pode dizer: ‘Eu sei reconhecer o tempo em que fui visitado? Deus me visita?’”.

Visitas de Deus

O Papa destacou que, dias atrás, a Liturgia propunha a reflexão sobre três momentos da visita de Deus: para nos corrigir, para entrar em relação conosco e para se convidar à nossa casa.

E explicou que quando Deus quer corrigir, convida a mudar de vida. Quando quer falar conosco, diz: “Eu bato à porta e chamo. Abra-me!”. E a Zaqueu, para receber o convite, diz para descer da árvore. O Pontífice convidou cada um a se perguntar como está seu coração, a fazer um exame de consciência, a questionar-se: sei ouvir as palavras de Jesus quando bate a minha porta e diz: Corrija-se!

Cada um de nós pode cair no mesmo pecado do povo de Israel, no mesmo pecado de Jerusalém: não reconhecer o tempo no qual fomos visitados, afirmou Francisco.

“E todos os dias o Senhor nos visita, todos os dias bate à nossa porta. Mas devemos aprender a reconhecer isso, para não acabar naquela situação tão dolorosa: ‘Quanto mais os amava, mais os chamava, mais se afastavam de mim’. ‘Mas eu estou seguro das minhas coisas. Eu vou à missa, estou seguro…’.  Você faz todos os dias um exame de consciência sobre isso? Hoje o Senhor me visitou? Ouvi algum convite, alguma inspiração para segui-lo mais de perto, para fazer uma obra de caridade, para rezar um pouco mais? Não sei, tantas coisas às quais o Senhor nos convida todos os dias para se encontrar conosco”.

Para o Papa, é fundamental reconhecer quando somos “visitados” por Jesus para nos abrir ao amor.

O pontífice destacou que Jesus não chorou somente por Jerusalém, mas por toda humanidade.

“Santo Agostinho dizia uma palavra, uma frase muito forte: ‘Tenho medo de Deus, de Jesus, quando passa!’. Mas por que tem medo? ‘Tenho medo de não reconhecê-Lo!’. Se você não estiver atento ao coração, jamais saberá se Jesus o está visitando ou não. Que o Senhor nos dê a todos nós a graça de reconhecer o tempo em que fomos visitados, somos visitados e seremos visitados para abrir a porta a Jesus e fazer de modo que o nosso coração seja maior no amor e sirva no amor o Senhor Jesus”.

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