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Frases sobre a Virgem Maria

1-São Leão Magno: Maria é “Virgem, serva e mãe do Senhor”; Genitora de Deus e Virgem perpétua”.

2-Papa Emérito Bento XVI: “A Virgem da Anunciação, que corajosamente abriu o coração ao plano misterioso de Deus, tornando-se Mãe de todos os fiéis, nos guie e nos apoie com a sua intercessão”.

3-Santo Efrém orando: “Na realidade, só vós e vossa Mãe é que sois completamente belos. Não há em vós, Senhor, e nem em vossa Mãe mancha alguma”.

4-São Bernardo: “Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.”

5-Papa Paulo VI: “Maria é sempre caminho que leva a Cristo. Nenhum encontro com ela pode deixar de ser encontro com o próprio Cristo”.

6 -A Palavra: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27).

7-São Tomás de Aquino: “A bem-aventurada virgem Maria, pelo fato de ser Mãe de Deus, tem do bem infinito, que é Deus, certa dignidade infinita”.

8-São Fulgêncio: “Maria é a escada celeste pela qual Deus desceu à terra e os homens sobem a Deus”.

9–Papa Emérito Bento XVI: “A Maria Santíssima, Rainha dos Mártires, dirijamos a nossa súplica para conservar íntegra a vontade de bem, sobretudo em relação a quantos nos contrastam”.

10-São Luís Maria Grignion de Monfort: “Quando o Espírito Santo encontra Maria Santíssima numa alma, sente-se atraído a Ela irresistivelmente e nela faz sua morada”.

11-Beata Elizabete da Trindade: “É a Virgem Maria, esse ser luminoso, todo puro da pureza de Deus, que me tomará pela mão para me introduzir no céu”.

12-Papa Emérito Bento XVI: “Que a Virgem Maria, Mãe de Deus, vos ensine a amá-Lo cada vez mais através da oração, do perdão e da caridade”.

13-Santa Teresa de Jesus: “Muito grande é o agrado de Nosso Senhor por qualquer serviço que se presta a sua Mãe e a Sua misericórdia não tem limites”.

14-Santo Antônio Maria Claret: “Ditoso quem invoca Maria Santíssima, quem recorre ao Imaculado Coração de Maria com confiança, porque alcançará o perdão dos pecados, a graça e, por fim, a glória do Céu.”

15-São João Bosco: “Quando vocês se levantarem pela manhã, repitam sempre: Ave Maria!”

16-Papa Pio XII: “Muitas são as graças que, nas presentes circunstâncias, todos devem implorar da proteção da bem-aventurada Virgem, da sua intercessão e do seu poder mediador”.

17-A Palavra: “Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 6-7).

18-São Pio de Pietrelcina: “Amai Nossa Senhora e fazei que a amem”.

19– São João Paulo II: “E Vós, Mãe de Cristo Sumo Sacerdote, alcançai para a Igreja sempre numerosas e santas vocações, fiéis e generosos ministros do altar”.

20–Papa Paulo VI: “Não deixeis de inculcar, com a maior insistência, a reza do Santo Rosário, oração tão agradável à Virgem Maria e tão recomendada pelos Sumos Pontífices”.

21-São Francisco de Sales: “Ninguém terá a Jesus Cristo por irmão, que não tenha a Maria Santíssima por Mãe”.

22-Papa Pio XII: “A Mãe de Deus foi a sede de todas as graças divinas, e ornada com todos os carismas do Espírito Santo”.

23-Papa Francisco: “Virgem da escuta e da contemplação, Mãe do amor, esposa das núpcias eternas”.

24-São João d’Ávila: “Um dos principais remédios contra o demônio é recorrer à Virgem Maria”.

25-Beata Maria Maravilhas de Jesus: “Bendito seja o nosso Deus que nos deu a sua Mãe por nossa Mãe”.

26-São Francisco de Sales: “Não existe devoção a Deus sem amor à Santíssima Virgem”.

 

Frases dos Santos sobre a Virgem Maria, Mãe, Senhora e Rainha

1 – São Germano: “Senta-te, ó Senhora; sendo tu Rainha e mais eminente que todos os reis, pertence-te estar sentada no lugar mais nobre”.

2- São João Damasceno: “Rainha, protetora e senhora…Senhora de todas as criaturas”.

3- São Gregório Nazianzeno: “Mãe do Rei de todo o universo”.

4-Santo André Cretense: “Rainha de todo o gênero humano, porque, fiel à significação do seu nome, se encontra acima de tudo quanto não é Deus”.

5- A Palavra diz: “Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?” (Ct 6, 10).

6- Santo Efrém: “Virgem augusta e protetora, rainha e senhora, protege-me à tua sombra, guarda-me, para que Satanás, que semeia ruínas, não me ataque, nem triunfe de mim o iníquo adversário”.

7-São Jerônimo: “Saiba-se que Maria, na língua siríaca, significa Senhora”.

8-São João Damasceno: “É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe”.

9- São Pedro Crisólogo: ”O nome hebraico Maria traduz-se por “Domina” em latim: “portanto o anjo chama-lhe Senhora para livrar do temor de escrava a mãe do Dominador, a qual nasce e se chama Senhora pelo poder do Filho”.

A Palavra diz: “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

10–Santo André Cretense: “Rainha de todo o gênero humano, porque, fiel à significação do seu nome, se encontra acima de tudo quanto não é Deus”.

11– São Gregório Nazianzeno: ”Mãe virgem, [que] deu à luz o Rei do todo o mundo”.

12- Santo André Cretense: “Leva [Jesus Cristo] neste dia da morada terrestre [para o céu], como rainha do gênero humano, a sua Mãe sempre virgem, em cujo seio, permanecendo Deus, tomou a carne humana”.

13-Santo Ildefonso de Toledo: “Ó minha senhora, minha dominadora: tu dominas em mim, ó mãe do meu Senhor… Senhora entre as escravas, rainha entre as irmãs”.

14- Santo André Cretense: “Rainha de todo o gênero humano, porque, fiel à significação do seu nome, se encontra acima de tudo quanto não é Deus”.

15- São João Damasceno: “Tornou-se verdadeiramente senhora de toda a criação, no momento em que se tornou Mãe do Criador”.

16-São Sofrônio: “Tu finalmente, superaste em muito todas as criaturas… Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu tiveste em sorte?”.

17-São Germano: “A tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade faz-te superior aos anjos”.

18- Santo Efrém: “A Virgem augusta e protetora, rainha e senhora, protege-me à tua sombra, guarda-me, para que Satanás, que semeia ruínas, não me ataque, nem triunfe de mim o iníquo adversário”.

 

Frases sobre Maria, Mãe de Deus

1- “Jesus é o caminho que podemos seguir, aberto para todos. É o caminho da paz. A Virgem Mãe nos indica, nos mostra o caminho: sigamo-la! E Vós, Santa Mãe de Deus, acompanha-nos com a vossa proteção” (Papa emérito Bento XVI).

2- “Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa Mãe espiritual… a criatura na qual a imagem de Deus se reflete com nitidez absoluta, sem perturbação alguma, como acontece ao contrário com cada criatura humana”. (Papa Beato Paulo VI)

3- “Ninguém, ó Virgem, tem pleno conhecimento de Deus senão por ti; ninguém se salva senão por ti, ó Mãe de Deus; ninguém, senão por ti, recebe dons da misericórdia divina” (São Germano).

4- “Salve, ó vós que não cessareis jamais de ser nossa alegria, Santa Mãe de Deus!” (São Metódio)

5- “É lícito a um pecador desesperar de sua salvação quando a própria Mãe do Juiz se lhe ofereceu por Mãe e advogada?” (Santo Afonso)

6- “O Filho atenderá Sua Mãe e o eterno Pai ouvirá Seu próprio Filho: eis o fundamento de toda nossa esperança”. (São Pedro Canísio)

7- “No silêncio, na escuta assídua da Palavra e com a sua união íntima com o Senhor, Maria tornou-se instrumento de salvação, ao lado de seu divino Filho Jesus Cristo” (São João Paulo II)

8- “Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja a honra, e quer que de todos seja honrada com o título glorioso de Rainha”. (Santo Afonso Maria de Ligório)

9 – “…vos peço pela paixão, morte e Chagas do Vosso Filho, pela Vossa pureza e Conceição Imaculada”. (São Frei Galvão)

10- “Meu Deus, eu vos agradeço o terdes me inspirado essa obra em honra de vossa Mãe Santíssima. Como é bom, as portas da eternidade, poder pensar que fiz algumas coisa para semear nos corações a devoção a Maria”. (Santo Afonso Maria de Ligório)

11- “Oferece, Virgem santa, o teu Filho e apresenta ao Senhor o fruto bendito do teu ventre. Sim! Oferece a hóstia santa e agradável a Deus, para reconciliação de todos nós!” (São Bernardo)

12- “A Maria, Mãe do Filho de Deus que se fez nosso irmão, dirigimos confiantes a nossa oração, para que nos ajude a seguir as suas pegadas, a combater e a vencer a pobreza, a construir a verdadeira paz”. (Papa emérito Bento XVI)

13- “Deus Filho comunicou a sua Mãe tudo que adquiriu por sua vida e morte: seus méritos infinitos e suas virtudes admiráveis”. (São Luís de Montfort)

14- “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus“. (São Jerônimo)

15- “Maria é Mãe de Deus, feita pela mão de Deus”. (Santo Agostinho)

16- “Se quiserdes compreender a Mãe – diz um santo – compreendei o Filho, Ela é uma digna Mãe de Deus”. (São Luís de Montfort)

17- “A suavidade e o encanto das excelsas virtudes da Imaculada Mãe de Deus atraem de maneira irresistível os ânimos para a imitação do divino modelo, Jesus Cristo, de que Ela foi a mais fiel imagem”. (Papa Beato Paulo VI)

18- “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…». Com Isabel, também nós ficamos maravilhados: «E de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 43). Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos confiar-lhe todas as nossas preocupações e pedidos”. (Catecismo 2677)

19- “Maria é feita Mãe de Deus, para a salvação dos infelizes.“ (São Dionísio)

20- “Na Anunciação, Maria dá no seu seio a natureza humana ao Filho de Deus; aos pés da Cruz, em João, recebe no seu coração toda a humanidade. Mãe de Deus desde o primeiro instante da Encarnação, Ela torna-se Mãe dos homens nos últimos momentos da vida do Filho Jesus”. (São João Paulo II)

21- “Maria é Mãe de Deus, resplandecente de tanta pureza, e radiante de tanta beleza, que, abaixo de Deus, é impossível imaginar maior, na terra ou no céu“. (Santo André)

22- “Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor“? (Lc 1, 43)

23- “Na liturgia de hoje sobressai a figura de Maria, verdadeira Mãe de Jesus, Homem-Deus. Portanto, a solenidade não celebra uma ideia abstrata, mas um mistério e um acontecimento histórico: Jesus Cristo, pessoa divina, nasceu da Virgem Maria, a qual é, no sentido mais verdadeiro, sua mãe”. (Papa emérito Bento XVI)

24- “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. (Gl 4, 4).

25- “Se alguém não confessar que o Emanuel (Cristo) é verdadeiramente Deus, e que portanto, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, porque pariu segundo a carne ao Verbo de Deus feito carne, seja anátema”. (Concílio de Éfeso)

26- “Desde os tempos mais remotos, a Bem-Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, a cujo amparo os fiéis acodem com suas súplicas em todos os seus perigos e necessidades”. (Constituição Dogmática Lumen Gentium, 66).

27- “Aquele que como Filho de Deus é coeterno ao que o gera, existindo no Pai, desde sempre, o mesmo começou a ser Filho do homem, ao nascer da Virgem”. (Santo Agostinho)

28- “O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó” (Lc 1, 30-32).

O veneno da inveja

Há diamantes querendo ser topázios

“Há poucos homens capazes de prestar homenagem ao sucesso de um amigo, sem qualquer inveja.” (Ésquilo)

Não posso garantir que a frase acima é do autor em questão, mas uma coisa sei: ela carrega consigo uma verdade. Muitos se alegram com as dores do outro. Contraditório? Não. Quando alguém não consegue uma vitória que havia buscado, há uma solidariedade, por vezes, camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor do que se alegrar com as conquistas dos amigos.

Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é mais difícil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir, em prestações, a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Mais triste ainda é ver a inveja destruir amizades.

Há diamantes querendo ser topázios, no entanto, não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes, ele irá, ao longo da vida, nos lapidar para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser diamante para nos tornarmos topázio. É preciso aceitar as nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Este processo leva tempo e requer maturidade e confiança na graça de Deus, que nos fez únicos para sermos luz no mundo.

A inveja, talvez, tenha sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir de suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido, passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem e deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar de nossa própria vida.

Ser invejoso deixa, sim, os olhos grandes de incapacidades, que poderiam se transformar em lindos jardins. Não é o elogio que faz o outro feliz, mas a capacidade que temos de cuidar de nossa própria vida e deixar que o outro siga seus próprios caminhos. Quem se preocupa demais com a vida alheia já não tem mais tempo de cuidar de suas próprias demandas existenciais, transformou sua vida no mito de Narciso; mas, em vez de contemplar sua própria face, enxerga sempre, no lago de seus pensamentos, o rosto da felicidade alheia. Perdeu seus olhos em um mundo que nunca será seu. O tempo usado para vigiar a vida do outro seria muito mais bem aproveitado se cuidasse de suas próprias fragilidades humanas.

Padre Flávio Sobreiro

Dez ensinamentos da Bíblia para as horas difíceis

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2014/11/04/dez-ensinamentos-da-biblia-para-as-horas-dificeis/

1 – “Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu!” (Is 43, 2).

2 – “‘Uns põem sua força nos carros, outros nos cavalos: Nós, porem, a temos em o Nome do Senhor, nosso Deus” (Salmo 19, 8).

3 – “E toda essa multidão saberá que não é com espada e nem com lança que o Senhor triunfa, pois a batalha é do Senhor, e ele vos entregou em nossas mãos” (1 Samuel 17, 47).

4 – “Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor” (Jeremias 17, 7).

5 – “Não temais, não vos deixais atemorizar diante dessa multidão imensa, pois a guerra não compete a vós, mas a Deus” (2 Crônicas 20, 15).

6 – “Não vos assusteis, não tenhais medo deles. O Senhor, vosso Deus, que marcha diante de vós, combaterá Ele mesmo em vosso lugar, como sempre o fez sob os vossos olhos” (Deuteronômio 1, 29-30).

7 – “Não os temas, lembra-te do que fez o Senhor, teu Deus, ao Faraó e a todos os egípcios” (Deuteronômio 7, 18).

8 – “Coragem! e sede forte. Nada vos atemorize, e não os temais, porque é o Senhor vosso Deus que marcha a vossa frente: ele não vos deixará nem vos abandonará” (Dt 31, 6).

9 – “Porque a vitória no combate não depende do número, mas da força que desce do céu… O próprio Deus os esmagará aos nossos olhos. Não os temais” (1 Mac 3, 19-22).

10 – “Esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” (1 João 5, 4).

É preciso crescer na fé e fortalecer a confiança em Jesus, diz Papa

Domingo, 20 de agosto de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

A partir do trecho bíblico sobre a mulher cananeia, Papa exortou fiéis a não se desesperar diante das provas da vida

No Angelus deste domingo, 20, o Papa Francisco refletiu sobre o trecho do Evangelho segundo São Mateus que relata o encontro da mulher cananeia com Jesus. Francisco destacou a fé dessa mulher, um estímulo aos fiéis para que não se desesperem nem se sintam desencorajados diante das provas da vida.

A cananeia implora a Jesus que cure sua filha, que está cruelmente atormentada por um demônio. “A aparente indiferença de Jesus não desencoraja a mãe, que insiste em sua invocação”, disse o Papa.

Francisco explicou que a força interior daquela mulher, que lhe permite vencer qualquer obstáculo, reside no seu amor materno e na confiança de que Jesus pode atender o seu pedido. “Isto me faz pensar na força das mulheres! Com a sua força, são capazes de obter coisas grandes. Conhecemos muitas assim!”.

“Aquela humilde mulher é indicada por Jesus como um exemplo de fé inquebrantável. Sua insistência em invocar a ação de Cristo é para nós um estímulo a não nos desencorajarmos, a não nos desesperarmos quando formos oprimidos pelas duras provas da vida. O Senhor não vira para o outro lado quando vê as nossas necessidades e, se por vezes pode parecer insensível aos nossos pedidos de ajuda, é para nos colocar à prova e fortalecer a nossa fé”.

O Papa acrescentou que este episódio evangélico ajuda a entender que todos precisam crescer na fé e fortalecer a confiança em Jesus. “Ele pode nos ajudar a encontrar a direção quando perdemos a bússola de nosso caminho; quando a estrada diante de nós não é mais tão plana, mas áspera e árdua; quando é cansativo ser fiel aos nossos compromissos. É importante alimentar todos os dias a nossa fé, com a escuta atenta da Palavra de Deus, com a celebração dos Sacramentos, com a oração pessoal como um ‘grito’ para Ele, e com atos concretos de caridade com o próximo”.

 

 

Recordando atentados terroristas, Papa reza pelo fim da violência

Domingo, 20 de agosto de 2017, Da Redação, com informações do Vaticano

Que Deus liberte o mundo desta violência desumana, pediu o Santo Padre ao lembrar atos terroristas ocorridos na última semana

Após o Angelus deste domingo, 20, o Papa Francisco recordou uma vez mais os atentados terroristas ocorridos na última semana em alguns países. O Santo Padre rezou para que Deus liberte o mundo desta violência.

“Nos nossos corações trazemos a dor pelos atos terroristas que, nestes últimos dias, causaram numerosas vítimas em Burquina-Fasso, na Espanha e na Finlândia. Oremos por todos os falecidos, pelos feridos e por seus familiares; e supliquemos ao Senhor, Deus de misericórdia e de paz, que liberte o mundo desta desumana violência. Rezemos juntos em silêncio e, depois, à Nossa Senhora”, disse Francisco, palavras seguidas da oração da Ave Maria.

Na última quinta-feira, 17, uma van andando a cerca de 80 quilômetros por hora avançou contra uma multidão reunida no tradicional calçadão da Avenida “Las Ramblas”, em Barcelona, na Espanha. Pelo menos 14 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas.

O Santo Padre já havia se manifestado sobre o atentado em um telegrama enviado ao arcebispo de Barcelona, Cardeal Juan José Omella y Omella. Na mensagem, Francisco expressou suas orações pelas vítimas e condenou atos de violência como esse. “O Santo Padre condena uma vez mais a violência cega, que é uma ofensa gravíssima ao Criador, e eleva sua oração ao Altíssimo para que nos ajude a seguir trabalhando com determinação pela paz e a concórdia no mundo”, informou o telegrama assinado pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin.

Os bispos da Catalunha também condenaram o ataque. Em nota publicada por meio da secretaria da Conferência Episcopal Tarraconense, os bispos destacaram que nenhuma causa justifica a violência nem a morte de ninguém.

XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Cada pessoa tem o seu temperamento que, por vezes, não é o melhor para se relacionar com os outros ou para cumprir a missão que Deus lhe confiou. Elias era um profeta valente e firme nas suas convicções. Mas, quando foi perseguido pela rainha Jezebel, fugiu para o Monte Horeb com medo e desejando a morte. No monte, escutou a voz de Deus e com temor experimentou a Sua presença. Deus aproveitou esta ocasião. Passou uma forte rajada de vento, mas Deus não estava no vento. Depois, sentiu-se um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. De seguida, acendeu-se um fogo, mas Deus não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa; aí estava o Senhor! Deus não se manifesta como nós queremos. Deus tem o seu estilo e o seu modo de Se manifestar; é um Deus de surpresas. Os seus caminhos não são os nossos caminhos. A Elias, que era um profeta forte e decidido, quase violento como um terremoto, Deus ensina-o a acalmar-se e a saber encontrá-Lo na paz e no silêncio e não na confusão, na dispersão e nos altos decibéis das conversas. “Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis” (Salmo Responsorial).
Jesus dá-nos também uma lição de paz e de serenidade. Depois de ter dedicado longas horas a ensinar e a fazer a multiplicação dos pães, como líamos no domingo anterior, Jesus reserva para Si um momento de descanso, de paz interior, separando-se de todos para rezar ao Pai. Tem tempo para tudo: para pregar, para caminhar, para atender os outros e também para se retirar para rezar. Quando sobe à barca dos apóstolos, imediatamente a tempestade desapareceu. Deveríamos sempre procurar momentos de paz, de silêncio e de serenidade. É saudável para nos libertarmos do stress da vida, dando tempo à leitura, à música, aos passatempos, ao contato com a natureza e ao convívio familiar. É importante ter tempo para nos encontrarmos interiormente com Jesus Cristo, para fazer uma oração mais pausada a sós ou em comunidade. Precisamos de paz, de silêncio, de uma serenidade psicológica e espiritual. Em férias ou não, precisamos de nos reencontrar conosco próprios, com os outros, com a natureza e com Deus. Tudo isto é necessário para o nosso crescimento humano e cristão, para a nossa unidade interior. A celebração eucarística também pode contribuir para encontrar esta paz se for celebrada com um ritmo sereno e com amabilidade.
Como Elias, Pedro também recebeu uma lição. Sentiu, como todos os outros que estavam no barco, medo e pânico com a tempestade e com a presença fantasmagórica de Jesus sobre as águas. Então, Pedro desceu do barco e foi ao encontro de Jesus. Começou a afundar-se, quando perdeu a confiança. Homem de pouca fé! A sua oração, breve e urgente, não podia ser outra: “Salva-me, Senhor!”. Assim, aprendeu a não confiar excessivamente nas suas próprias forças, mas em Deus.
Na nossa vida, por vezes, temos a tentação de pensar que Deus nos abandonou. Assaltam-nos as dúvidas. Parece que tudo de mal nos acontece, que a vida perdeu a razão de ser, que a Igreja e o mundo não vão muito longe. Talvez, Jesus, hoje, também diga: “Homens de pouca fé”. Precisamos continuar a ouvir a frase de Jesus: “Tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Jesus convida-nos a ter uma visão positiva e pascal da vida. Nem termos muito medo, nem entusiasmo excessivo. É importante não perder a calma tanto nos momentos de êxito como nos momentos de fracasso. Confiar mais em Deus, mesmo que tenhamos a sensação de que Ele se esconde. A vitória de Cristo contra as forças do mal é a certeza de que também nós venceremos. Sem perder a paz interior, trabalhemos para a vitória contra o mal.

 

‘VERDADEIRAMENTE, TU ÉS O FILHO DE DEUS!’
Padre Bantu Mendonça

À noite os discípulos entram no barco e se dirigem para o outro lado do mar em direção a Cafarnaum. Um fenômeno estranho, mas natural no alto mar. O barco estava sendo sacudido pelas ondas, “pois o vento era contrário”. Os discípulos se encontram fatigados, atormentados em remar. E o vento soprando forte e agitando o mar. De repente, Jesus se apresenta andando sobre as águas. Na escuridão da noite, a Sua figura pareceu ser um fantasma que pretendia ultrapassar a embarcação. Daí, os gritos de espanto e medo dos apóstolos. Na realidade, com essa ação, o Senhor demonstrou ter poderes divinos, pois lemos em Jó 9,8: “O Senhor caminha sobre as águas dos mares”. É interessante observar que Pedro foi o único a também querer, com a permissão de Jesus Nazareno, andar sobre as águas, como que estando “por cima” do mal. O mar era símbolo do mal e do oculto, especialmente suas profundezas nas quais reinava o poder das trevas e de onde saíram os impérios contrários ao verdadeiro Reino de Deus (cf. Dn 7,1-8). Pedro, uma vez mais, mostrou-se impetuoso e mais confiante do que seus companheiros. Não só reconhece o Mestre, mas quer participar desse poder de estar acima do mal, representado pelas águas turbulentas do mar. Ele sabe que o poder de Jesus não é unicamente pessoal, mas atinge igualmente Seus mais íntimos amigos e reconhece na prática o que Ele dirá mais tarde: “Em ti unicamente eu confio, pois cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,69). Porém, sempre existe a dúvida e a indecisão após tomar uma atitude valente e corajosa. O vento, o mar agitado, abala a fé e a confiança do grande apóstolo. E unicamente a resposta de Cristo, diante da súplica angustiada deste [Pedro], restabelece a situação e salva o discípulo. O “Salva-me, Senhor!” de Pedro deve ser o nosso grito que salvará muitas vidas do fracasso total. No “Salva-me, Senhor!” encontramos a força que nos falta e a fé que procuramos em Jesus, nosso Salvador. Cristo, através da deficiência na fé de Pedro, quis mostrar que sempre – por detrás das situações de perigo e domínio do mar, representante das forças do mal – não estamos sozinhos, pois Ele o sustentava. Por isso, os Padres da Igreja afirmam que onde está Pedro está a Igreja e onde está a Igreja está Jesus. E, logicamente, na época em que foi feita a afirmação dos Padres da Igreja, estes não se referiam a Pedro, o Simão, filho de Jonas, mas ao bispo de Roma. Jesus entra na barca e o vento se acalma. Era uma perturbação de ondas e vento sem chuva, pouco parecido com a descrita em Mateus 8,23. Mas, tendo entrado Jesus na barca nada temem os discípulos, porque a paz, a tranquilidade e o sossego haviam chegado. E, então, aproximando-se de Cristo lhe prestam homenagem, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” O que significa: Tu tens algo do poder divino em teu ser. Meu irmão, Jesus é a sua paz. Portanto, não tenha medo e nem receio de O proclamar. Ele veio para livrar a mim e a você do medo e da angústia. O trecho de hoje está escrito precisamente para nos demonstrar que a transcendência e independência de Jesus – manifestada com Suas palavras e Seu proceder diante das leis e costumes tradicionais e diante das leis físicas da natureza, – revelam Seu domínio absoluto sobre as crenças e Seu senhorio total como Criador – e não como criatura – sobre os acontecimentos e sobre tudo o que há, de modo que a nossa resposta, hoje, não pode ser outra diferente desta: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

 

VIVER O PROCESSO DA FÉ
Padre Fábio de Melo

Quanto sofrimento é preciso passar para chegar na verdade dessa frase “Deus caminha comigo, Deus é meu grande amigo, Ele é mais forte um abrigo, Ele caminha comigo, n’Ele posso confiar”? Não tem nada por acaso nessa vida, não podemos chegar se não caminharmos. Para se eu preciso andar 5 km, preciso ter a disposição do primeiro passo e acreditar que de passo em passo chegarei. Tudo é processo, tem começo, meio e fim. O processo da fé é pontuado. A fé cristã é audaciosa, o que Jesus nos propõe é uma verdade audaciosa. Hoje a Igreja nos convida a ter fé, a viver o processo da fé, acreditar mesmo que não tenha razões para isso. A nossa fé passa pelo processo da inteligência, mas ela acontece quando preciso passar uma situação humana que me parece insuportável. E Deus começa arrancar de você frutos que não semeou. É a fé como dom, que começa a ver a vida a partir de um olhar que antes ninguém tinha lhe ensinado. A Igreja diz que a fé é dom. E temos a responsabilidade de administrá-lo. A fé é dom, mas é tarefa. Eu preciso buscar a minha atitude para confirmar o Cristo realizou na minha vida. A fé humana indica para uma fé maior. A fé primeira que experimentamos na vida, é a fé natural. Entramos num restaurante e não pensamos que a comida pode estar envenenada, você confia que não tem nada naquele alimento. A fé uma experiência natural que dá para a gente. Para mim não há nada mais precioso que confiar em alguém. Como é importante para o padre a confiança em que está perto de nós. E a partir dessa experiência humana, Deus nos convida a experimentar algo muito maior. Pedro, homem que fez a experiência de Jesus e mostra aqui sua fragilidade no processo de fé. Acho que Jesus o chamou de Simão nessa hora, que não tinha feito a experiência de Jesus, que não tinha feito a travessia que ele precisava. A fé vai ser vivida enquanto formos gente. A Igreja nos pede a fé no Ressuscitado, pois só essa fé nos poderá direcionar para o homem, e mulher que Jesus idealizou para cada um de nós. Estou em travessia, processos que nunca termina, pois nunca estaremos prontos para Deus. Sempre estaremos inacabados. A arte é assim, sempre inacabada, porque se tiver acabada, não há mais o que fazer. Nós sobrevivemos daquilo que em nós é inacabado. O que Deus já fez na sua vida hoje, não será o suficiente para o que precisará amanhã. Não somos postes, postes ficam parados, somos estrelas em deslocamentos. Deus vai te visitar a partir da sua particularidade. Não devemos medir o quanto de fé cada um tem. Precisamos ser cada dia mais homens de fé. Às vezes o caminho que precisamos percorrer não é tão longo, mas por não termos dimensão, ficamos parados. Muitas vezes eu encontro ateus que estão muitos mais próximos de Deus que eu, porque as vezes eles estão mais honestos e se aproximaram mais das questões humanas. Precisamos nos aproximar das questões humanas, estamos inseridos numa sociedade e é preciso encarnar na minha história tudo aquilo que digo crer. Se você acredita no mesmo Deus que eu tenho com você uma responsabilidade. Pois não tenho o direito de negligenciar o conteúdo dessa pregação, por isso eu sou um padre de travessia. O papel de padre hoje é ser o testemunho coerente de quem fez essa opção radical por ser Jesus de novo através da vida sacramental. Os sacramentos que celebramos é para santificar nossa alma e dar sentido as atitudes do corpo. É a totalidade da salvação acontecendo em nós e através de nós. A Igreja quer cada dia mais que a fé que celebramos vire vida na comunidade, que você sinta em Jesus o motivo da sua atitude. Eu estou aqui configurado a Ele, quero ser como Ele. Quanto mais eu acredito em Deus, muito mais é a minha capacidade de acreditar nos meus irmãos. Que amor a Deus é esse que não te faz amar seus irmãos? A fé que eu tenho em Jesus muda o modo de como eu olho para aqueles que estão do meu lado. Se Jesus tivesse a oportunidade de passar aqui como eu estou Ele lhe diria: “vamos lá, não fique parado, vamos fazer o que será. Vamos visitar regiões do seu coração que você ainda não conseguiu ir.” Muitas vezes na nossa miséria não acreditamos que Deus acredita em nós. Vamos acelerar o processo de nosso crescimento pessoal. Quanto mais acreditarmos em Deus, e tivermos a fé para suportar o sofrimento, mais testemunharemos Deus. Hoje precisamos tomar a decisão de deixar Deus acelerar em nós o crescimento. Para isso você precisa dar passos, tratar melhor seu marido, seu funcionário, deixar de fumar, etc. Você precisa acreditar em você. O que você precisa fazer concretamente para dar um passo na fé? Faça seu compromisso consigo mesmo, acredite que a partir de hoje você será uma pessoa diferente, uma pessoa melhor. Acredite em si mesmo, para demonstrar que Deus crê em ti. Eu creio em Deus e Ele crê em mim, e nós dois juntos ninguém segura.

 

A narração evangélica que a liturgia oferece neste domingo coloca-nos diante de uma característica importante da Igreja: viver no mundo. O texto diz que Jesus “obrigou” os discípulos a subir para o barco. O verbo “obrigar” tem um significado não muito agradável para a maior parte das pessoas; mas no texto evangélico, significa o caminho dos discípulos no meio deste mundo que, por vezes, é tempestuoso, ou seja, existem ventos contrários ao projeto de Deus. Depois da multiplicação dos pães, somos convidados a refletir na nossa missão no mundo que consiste em partilhar o pão com os pobres e com todos os povos. Também o evangelho deste domingo diz que aqueles que são portadores do projeto de Deus, esta Igreja representada no barco dos discípulos, são frágeis, com muitas limitações, com dúvidas (por vezes, há a tentação de pensar que Jesus nos abandona por uns tempos!). Se a fragilidade e a pobreza são coisas próprias do mundo, também o são da Igreja. Isto leva-nos a esta conclusão: quando a Igreja abandona o mundo, ou quer estar nele com poder, deixa de ser a Igreja que Jesus fundou. A narração da tempestade acalmada segue-se à do milagre da multiplicação dos pães, onde Jesus dá de comer a todos, tendo uma atenção especial aos doentes e aos pobres. É este o valor da nossa “reunião dominical” e da missão que nos está confiada. O barco que avança com dificuldade num mar tempestuoso e com ventos contrários é, hoje, um convite a contemplar o Ressuscitado. Um mar, que é o mundo, onde Jesus caminha como Senhor, acompanhando a sua Igreja. Este texto é introduzido pelo extrato do Primeiro Livro dos Reis (1ª leitura). O profeta Elias é perseguido. Refugia-se numa gruta. A sua fuga não é para fazer um retiro espiritual, mas num contexto de perseguição e de sofrimento por causa de defender a justiça em nome de Deus, faz uma grande experiência espiritual. Na segunda, continuamos a ler a Carta de S. Paulo aos Romanos. Ele abre-nos o coração para expressar o seu sofrimento ao ver que o seu povo não aceita Jesus. Como o Apóstolo sofre, porque tem um coração de pastor, com aquelas pessoas que se desviam do caminho certo. Se os pastores de hoje dessem o seu testemunho pessoal do seu próprio ministério, marcado pela caridade pastoral… Na homilia, é de lançar um convite a contemplar Jesus na sua humanidade e na sua divindade. É o que faz São Mateus que vai respondendo às perguntas que a comunidade faz acerca de Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro?”. São Mateus apresenta-nos Jesus com características que somente pertencem a Deus. Uma delas ouvimos no domingo passado na partilha e multiplicação dos pães, recordando o maná do deserto. Hoje, a divindade de Jesus encontramos no poder de andar sobre as águas, algo próprio de Deus, Senhor do mundo. O gesto de estender a mão a Pedro, um gesto frequente nos salmos, expressa que Deus estende a mão aos necessitados. Outro aspecto a explorar na homilia é aprofundar a identidade da Igreja no mundo. Deus ama o mundo, enviou o seu Filho que se fez homem. Viver no mundo, anunciando a novidade do Evangelho conscientes que o Senhor está no meio de nós, ainda que, por vezes, para alguns seja ainda um “fantasma”. No final da Eucaristia, há sempre o envio: “Ide em paz”. Depois da experiência íntima com Deus, Ele envia-nos para o mundo, mas também nos diz como a Pedro: “Vem”.

 

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM
“Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa, e não desprezeis o clamor de quem vos busca.” (cf. Sl 73,20.19.22s)
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

Meus irmãos, Estamos celebrando neste domingo a vitória de Cristo sobre o mundo. Não podemos ter medo de vivenciar o seguimento cristão e cada um de nós é convidado a deixar a vivência pastoral pessoal e anunciar o evento evangelizador. Abandonar o comodismo e vivenciar o anúncio da mensagem evangélica que é sempre atual, questionadora, e, mais do que tudo isso, parte de uma mudança radical da vida da própria pessoa. Por isso, todos nós somos convidados a enxergar Deus nas coisas pequenas e simples da vida quotidiana. Apesar da violência humana, Deus está naquilo que significa paz e refrigério. Deus não está na tempestade(1Rs 19,9a.11-13a). Elias venceu os sacerdotes de Baal no monte Carmelo, invocado sobre eles o fogo do céu. Mas Deus lhe faz experimentar que o zelo não é sempre vitorioso e sua vocação não é a violência contra os homens, mas o serviço paciente. Elias, perseguido por Jezabel, fica sem força e foge até o Horeb. E aí Deus lhe fala, porém, não nos elementos violentos – tempestade, terremoto,fogo,  mas na brisa mansa. Dentro da brisa mansa, Ele confia a Elias uma nova missão, que é manifestada pela tempestade. A religiosidade mágica facilmente acredita que Deus se manifesta na tempestade. Mas Javé se manifesta acalmando a tempestade. Assim, ele se manifestou em Cristo, aos olhos dos Apóstolos, que estavam lutando contra o vento, no barco do lago de Genesaré. Por detrás de tudo isso, está a mitologia: o mar era o domínio de Leviatã, o monstro marinho, uma vez considerado como um deus, mais tarde, desmistificado até anjo ou diabo. A tempestade era a força do inimigo, acreditavam ainda os supersticiosos  pescadores galileus. Irmãos e Irmãs, Jesus se escondera no deserto, logo que soube da morte de João Batista. Havia perigo para o Divino Salvador. A multidão correu ao deserto atrás dele. Jesus teve compaixão dos peregrinos e multiplicou o pão. O povo, feliz e entusiasmado com a multiplicação dos pães, entusiasmou-se e quis proclamá-lo Rei. O momento era conflitante e profundamente delicado. Não era chegada a hora do Filho do Homem, porque Ele não viera para um reinado terreno. As coisas de Deus não podem ser confundidas com as coisas da política partidária dos homens. Por isso, coube ao próprio Jesus dispensar a multidão. No Evangelho deste domingo (cf. Mt 14,22-33) Jesus chegou aos discípulos que estavam na barca, depois que Ele despediu a multidão e foi rezar, andando sobre as águas. Isso foi uma demonstração aos seus mais próximos da grandiosidade de sua missão, que era exercida a mandado do Pai dos Céus. Jesus que andou sobre as águas é maior do que a maldade e tem o poder de “fazer da fossa surgir à vida” (cf. Jn 2, 7). Basta uma ordem dele e o peixe deixou Jonas em terra firme (cf. Jn 2,11), podendo cumprir a vontade de Deus de purificar os ninivitas. Há um plano de salvação por parte do Pai dos Céus. Jesus foi mandado ao mundo para dar pleno cumprimento deste projeto de salvação, conforme nos ensina São João 4,34. Entretanto, as forças do mal podem agir e reagir. Mesmo assim, o plano será cumprido na sua integralidade. Nenhuma porta do inferno levará vantagem, tendo em vista que Deus está conduzindo a sua Igreja pelos caminhos da História. É grandiosamente imenso o contraste entre o medo de um fantasma diabólico e a confiança de Pedro ao ouvir a voz de Jesus, que vinha caminhando sobre as ondas. Para Jesus é mais importante a confiança de Pedro do que o medo. No meio das dificuldades quotidianas da vida, é importante a comunidade substituir o medo pela partilha. Pedro, que teve a coragem de atirar-se às ondas encrespadas, ficou com medo do vento. Meus irmãos, Jesus multiplica o pão, o que foi motivo de grande contentamento e de admiração por parte do povo presente. A cena de Pedro o demonstra. A fé verdadeira pressupõe a humilde confiança e a humildade confiante, sem nenhuma exigência de milagres ou comprovações. Os apóstolos, reverentes, de joelhos comprovam o Senhorio de Jesus e a confiança daqueles que devem anunciar o seu projeto de Salvação: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”(cf. Mt 14,33). A humildade de fazer a genuflexão, como se fosse para beijar os pés de Jesus, ou para adorá-Lo, é uma manifestação de quem reconhece ser Jesus, o dono da vida e do nosso destino. Essa deve ser a atitude do cristão, no seu comportamento diário, de não procurar milagres, mas ter uma fé autêntica, abalizada nas Sagradas Escrituras, levando adiante aquilo que o próprio Jesus disse: “Não tenha medo, creia, e venha ao Seguimento do Senhor!”. Meus irmãos, Paulo, na segunda leitura (cf. Rm 9,1-5), confessa sua paixão para com o povo de Israel, do qual ele é membro. O Apóstolo mesmo gostaria de ser condenado se, com isso, os seus irmãos judeus tivessem a salvação, conforme nos ensina Rm 9,3. Palavra forte, mas que não era mero exagero: Paulo sabia que seria impossível que eles estivessem pura e simplesmente perdidos. O plano de salvação vale para os judeus também, mesmo se aparentemente tenha sido passado adiante aos gentios. Com isso, podemos concluir da confiança que Paulo tem no plano de Deus, que ele pode dizer a nós hoje: se Israel for totalmente rejeitado, então, eu também! O Evangelho salva todo o que crê: primeiro o judeu, depois o grego(cf Rm 1,16). Os judeus têm sido privilegiados(cf Rm 3,1). Eles têm até o Messias. E, contudo, parece que não se verifica sua salvação, pois não tem a fé no Evangelho de Cristo. Caros fiéis, Ser cristão é ser voltado para a acolhida e para o entendimento do Deus da Brisa Mansa, que anda sobre as águas e leva para o mundo o testemunho inequívoco da necessidade de depositar nas mãos de Deus a confiança de nossa vida de fé. Vida de fé que o PAI DAS BEM-AVENTURANÇAS do céu abençoa e encaminha os pais da terra que tem o grave dever de nos fazer mais santos e imaculados, como o SENHOR DEUS fez ao enviar a Salvação por Jesus Cristo ao gênero humano!

 

“CORAGEM! SOU EU. NÃO TENHAIS MEDO!”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A
Leituras: 1 Rs 19,9a.11-13; Rm 9,1-5; Mt 14, 22-33

“Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isso, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta” (1 Rs 19,13a). “Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente, tu és o filho de Deus” (Mt 14,33). Duas cenas de calma e serenidade quase paradisíacas, que acabam de concluir a atribulada travessia do deserto por parte do profeta Elias, e a longa noite dos discípulos, cheia de angústia ao lutar contra as ondas do lago agitadas pela tempestade. Apesar desse quadro, os protagonistas das duas histórias estão gozando tranqüilidade e paz profunda: dom surpreendente que acompanha o inesperado e íntimo encontro com o Senhor, que até pouco antes parecia estar ausente, surdo e mudo perante os seus gritos de medo e de ajuda. Por um lado as cenas marcam o cume da condescendência de Deus para com o seu profeta Elias, e a intensa manifestação da senhoria de Jesus sobre os agitados acontecimentos da história, para com os discípulos. Por outra parte, a mudança radical do cenário marca o ponto de chegada do longo processo de conversão do profeta ao Senhor, assim como do crescimento da frágil fé de Pedro e dos demais discípulos. O medo paralisante de pouco antes se traduz na solene profissão de fé que proclama Jesus “Filho de Deus”. Quantas vezes Jesus, ao encerrar o encontro com um homem ou com uma mulher que vai em busca dele, confiante em sua ajuda, declara: “Vai, a tua fé te salvou!” (cf. Mc 5,34; Mt 15, 28). O Senhor abre para nós o mesmo trilho! A profissão de fé dos discípulos nos coloca em cheio na plena luz da páscoa; páscoa que celebramos hoje, assim como em todo domingo, para que ilumine e oriente a partir de uma perspectiva interior nossos dias. Eles se sucedem uns aos outros, aparentemente iguais na repetição da rotina, e não raramente provados por feridas e fatigas sem saída. A luz do Ressuscitado os resgata do “não sentido”, e os faz lugar do possível encontro com o Senhor. A Igreja nos acompanha com o dom da Palavra de Deus e com o pão de vida da Eucaristia, para que nos tornemos companheiros da longa trajetória interior de Elias e dos discípulos, partilhando com eles a mesma força transformadora da fé e a intimidade para com o Senhor, que caracterizam toda autêntica relação com ele. O breve trecho do 1 livro dos Reis, proclamado na primeira leitura, nos apresenta apenas a conclusão da complicada história humana e interior de Elias, o primeiro dos profetas históricos de Israel. Ele é apresentado pela mesma escritura do AT e do NT, como modelo de tantos homens de Deus, chamados por ele a tornar-se seus amigos e corajosas testemunhas, na defesa da justiça em prol dos pobres, na recuperação das exigências da aliança estabelecida por Deus com Israel, na espera da vinda do Messias que vai restabelecer as condições para cumprir a originária aliança. A compreensão profunda da extraordinária experiência de Deus, vivenciada pelo profeta na gruta do monte Horéb, pressupõe uma leitura atenta e partícipe da fascinante aventura humana e espiritual de Elias, narrada nos capítulos 18-19 do 1 livro dos reis. À sua luz se compreende a colocação desta história em conjunção com a narração da noite de Jesus mergulhado em profunda oração na montanha, e sua ida em socorro dos discípulos em dificuldade dentro do barco no meio da tempestade. Na complexidade das intrigas e das paixões humanas, se desvela a secreta pedagogia com que Deus dirige a história, chama e forma seus profetas para guardar e alcançar o cumprimento do seu projeto de vida. Talvez seja útil lembrar alguns pontos salientes deste trajeto interior de Elias, para iluminar um pouco nosso próprio caminho existencial. Poderia nos ajudar também a entender porque a sua figura se tornou tão emblemática na tradição da própria Escritura, na tradição judaica posterior, naquela cristã, sobretudo na sua vertente mística, e até mesmo na tradição muçulmana. Cada uma delas se reconhece num ou no outro aspecto da sua experiência espiritual, como num espelho. No momento mais alto da revelação da identidade e da missão de Jesus na transfiguração, ele aparece dialogando sobre o cumprimento da sua tarefa de messias sofredor com Moisés e Elias, os dois eixos do projeto salvífico de Deus na aliança, que está para se realizar na sua morte e ressurreição (cf Lc 9, 30-31). O profeta, com zelo ardente pela pureza da fé de Israel com a violência de todo fundamentalista religioso (1 Rs 18,20-40), foi progressivamente transformado pelo próprio Senhor, através de uma série de despojamentos interiores, sempre mais sofridos e radicais. O Senhor lhe ordena de morar no deserto, onde aprende a se alimentar confiando na providência divina: os corvos trazem o pão e a torrente de água o sacia por um tempo limitado. O Senhor o envia a morar em terra pagã, sustentado por uma pobre viúva em Sarepta (1 Rs 17, 2-24).  O profeta pretende defender Deus com a matança dos profetas de Baal (1 Rs 18, 16-40). Foge para o deserto para salvar-se da vingança da rainha Jezabel, cai no extremo desânimo, o Senhor o socorre alimentando-o através de seu anjo, e o fortalece para cumprir seu caminho até a montanha do Senhor (1 Rs 19, 1-8). O Senhor o interpela como profeta refugiado na gruta da montanha. Ele se queixa de estar correndo riscos mortais pelo Senhor, e reivindica mais uma vez o feito de ficar sozinho para defendê-lo (1 Rs 19, 10.14). Em resposta o Senhor lhe ordena de “sair da gruta” em que está amparado, para ficar diante dele que está para passar diante dele ( 1 Rs 19, 9-11; 13-14)).   A gruta em que está refugiado, mais que na rocha da montanha, está escavada na realidade em seu pequeno mundo ideológico, onde falta o ar livre da vida e a visão ampla da realidade. O Senhor faz sair Elias deste túmulo de morte, e o faz nascer à vida nova. O murmúrio suave e brando é a habitação verdadeira do Senhor. A sua voz profunda é o silêncio que chega ao coração. Elias pode somente entrever a face do Senhor através do manto que cobre seu rosto, como a mão protetora de Deus cobriu o rosto de Moisés, na montanha do Sinai, para protegê-lo da luz insustentável da sua glória, concedendo-lhe o privilégio de contemplá-lo somente pelas costas (cf  Ex 33, 18-23). Elias sai deste encontro radicalmente transformado (1 Rs 19, 9-14). Recebe a nova missão de promover a vida do povo, em Israel e em Damasco, e de transmitir seu carisma de profeta a Eliseu (1 Rs 19, 15-18). Somente quem tem em si mesmo a vida do Senhor pode transmitir vida. Iniciada como fuga diante do poder prepotente da rainha Jezabel, a aventurosa viagem de Elias se transforma numa verdadeira peregrinação interior rumo ao centro de si mesmo, mais que uma transferência forçada de lugar geográfico para outro, com a finalidade de esconder-se. Marca o retorno às origens espirituais de Israel a descida do profeta nas profundidades do seu coração, onde encontra a verdadeira habitação do Senhor e a linfa vital da sua missão de profeta ao serviço do Deus da aliança e da vida. Através da pedagogia, severa e doce ao mesmo tempo, dos progressivos despojamentos de si, o Senhor molda o seu profeta, até fazê-lo digno de encontrá-lo na intimidade e na paz, como supremo dom de graça. Está superada toda manifestação de força que se impõe, simbolicamente expressa pelos impetuosos elementos naturais do vento violento e forte que quebra as montanhas, ou do terremoto e do fogo ( cf  1 Rs 19,11-12). Tais sinais tinham acompanhado a manifestação de Deus a Moisés e ao povo junto do Monte Sinai no momento de estipular a aliança (cf Ex 19,16-24). Desaparece também toda pretensão de fazer-se como defensor de Deus e quase seu protetor! Deus não precisa de defensores, mas de testemunhas da sua graça e da salvação que vem dele. Testemunhas que, antes de mais nada, sabem escutar o testemunho interior do próprio Espírito do Senhor que fala dentro de nós, nos atrai a si próprio, nos fortalece, e nos sugere o que  é importante de verdade a se dizer, diante do tribunal da história ( cf Mt 10, 17-20).  Apreender o caminho espiritual, deixando-nos guiar pelo próprio Senhor e a ser moldados pela sua pedagogia purificadora e libertadora, em tempo de marcado individualismo e protagonismo também na busca espiritual, é uma herança preciosa que nos vem do profeta e do próprio Jesus: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27).  Enquanto com a fórmula “Sou eu”, Jesus evoca o poder do nome divino (cf Ex 3, 14-15) pelo qual ele domina o mal, como deixam vislumbrar seu caminhar em cima das ondas e a calma da tempestade, ele vai encontro dos discípulos, como um pai que cuida da sua criança assustada, os encoraja, e igualmente encoraja Pedro na fraqueza da sua fé, já que ele segura prontamente em sua mão respondendo a seu grito de ajuda, sobe no barco e a tempestade se acalma. A tradição cristã reconheceu neste evento, junto com a multiplicação dos pães, a imagem da Igreja na sua travessia ao longo da história, alimentada e sustentada pelo próprio Jesus. Na fé ela sabe e experimenta que Jesus não abandona os navegantes, assim como sabe que é ele mesmo a fortalecer a fé de Pedro e a garantir que o barco alcance seu destino, “para o outro lado do mar”, segundo o projeto de Deus.  Precisamos aprender o estilo da condescendência divina e da sua misericórdia solidária, num tempo em que cada um eleva o tom da voz para deixar-se ouvir, no atual show permanente e confuso das idéias e das propostas, onde se fica acentuando as cores de suas fardas e das suas bandeiras para afirmar seus princípios éticos, políticos, religiosos. Isto significa aprender com o profeta Elias a descer do monte Carmelo, lugar da matança dos profetas, e aprender a peregrinar com ele os duros trilhos do deserto até o monte Horeb, o lugar do encontro no silêncio com o Senhor e com as fontes da verdadeira vida. A mística não fecha a pessoa num mundo vazio, pelo contrário, a constrói com a mesma energia de Deus e a faz capaz de reconhecer e de cuidar do seu rosto divino, presente em toda pessoa e em toda situação. Estas passagens espirituais e culturais constituem um desafio permanente no caminho pessoal e das comunidades cristãs de todo tempo. É difícil fazer próprio o estilo de Deus e de Jesus. Depois que ele multiplicou os pães, o povo queria fazê-lo rei, destaca João, como que para garantir a continuidade da bonança material inesperada (Jo 6,15). Jesus, porém, refugiou-se sozinho na montanha, onde, numa noite de intensa oração face a face com o Pai, confirma sua escolha ao serviço do reino. Desta íntima relação com o Pai, ele desce em socorro potente e caridoso dos discípulos. Mas eles mesmos, observa S. Marcos, “ainda não tinham entendido nada a respeito dos pães, mas seu coração estava endurecido” (Mc 6, 52). A Igreja conhece bem o tesouro da fé que nos anima, embora exposta a tantas fragilidades diante das provações da vida. Por isso nos convida a rezar com confiança o Pai, para que o nosso coração de filhos e filhas seja por ele mesmo fortalecido e alcancemos a tranqüilidade e a intimidade da casa paterna que esperamos: “Deus eterno e todo poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes” (Oração do dia). A Oração Eucarística VI-B (Deus conduz sua Igreja pelo caminho da salvação) interpreta muito bem esta consciência viva da Igreja e a firme esperança que a anima em seu caminho.

XII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Neste domingo, continuamos a ler o “discurso da missão” (capítulo 10º do evangelho de São Mateus). Depois ter escolhido os 12 Apóstolos e de tê-los enviado em missão, Jesus dá-lhes os primeiros ensinamentos. Avisa-os que a missão não será fácil e que haverá perseguições. É neste contexto que devemos enquadrar o evangelho deste domingo. Já no Antigo Testamento, homens e mulheres sofreram a perseguição, porque permaneceram fiéis à vontade de Deus. Na 1ª Leitura deste domingo, encontramos o testemunho do Profeta Jeremias: a sua mensagem, que era a de Deus, era incômoda para as autoridades e, por isso, perseguiram-no. Todavia, o profeta é fiel, não perde a esperança e confia no Senhor: “O Senhor está comigo como herói poderoso e os meus perseguidores cairão vencidos”. A seguir, reza: “Senhor do Universo possa eu ver o castigo que dareis a essa gente, pois a Vós confiei a minha causa”. Jeremias sabe que o Senhor salva “a vida do pobre das mãos dos perversos”. Esta idéia encontra-se, também, no salmo responsorial: nada faz perder a confiança, mesmo quando se experimenta a angustia (“A Vós, Senhor, elevo a minha súplica, no momento propício, meu Deus. Pela vossa grande bondade, respondei-me, em prova da vossa salvação”). Todos passamos por dificuldades, problemas e momentos de desânimo. Ser cristão nem sempre é fácil. Há muitas coisas que nos distraem que nos cansam; não é fácil manter a fidelidade ao Senhor. A sociedade, apesar de não haver perseguições explícitas (nesta zona geográfica onde nos situamos), não nos ajuda na caminhada da fé. Muitas vezes, temos a impressão que estamos sozinhos, que nada resulta. Perante a tentação do desânimo e do pessimismo, somos convidados à confiança. Jesus já tinha alertado os seus discípulos de que a missão não seria fácil. Porém, só na perseverança e na confiança alcançaremos o êxito final e a verdadeira felicidade. Aquele que se mantém fiel terá a proteção e a ajuda de Deus. Por três vezes, Jesus diz aos seus Apóstolos: “Não tenhais medo”. Mesmo que não sejamos compreendidos e no meio das dificuldades, teremos que ser sempre fiéis e não perder a confiança. Por quê? Por três motivos: 1º porque “nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se”; a verdade virá sempre ao de cima: “O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia; e o que escutais ao ouvido, proclamai-o sobre os telhados”. 2º Porque os que perseguem os cristãos “matam o corpo, mas não podem matar a alma”. A nossa fé é uma força interior, que ultrapassa a vida física. 3º Porque estamos nas mãos de Deus, ama-nos e protege-nos: “Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”, “Valeis muito mais do que todos os passarinhos”. A Palavra de Deus deste domingo é um convite à confiança no amor de Deus, seguindo Jesus que foi fiel até a morte, uma morte que nos abriu para a vida, à verdadeira e eterna vida. Diante do Pai, intercede por nós. São Paulo, na 2ª Leitura, da Carta aos Romanos, fala-nos da realidade do antes e do depois de Jesus Cristo. Antes de Jesus, desde o início da Criação, o pecado e a morte entraram no mundo “por um só homem” (Adão). Com Jesus, deu-se uma nova criação na graça: “Se pelo pecado de um só, todos pereceram, com muito mais razão a graça de Deus, dom contido na graça de um só homem, Jesus Cristo, se concedeu com abundância a todos os homens”. Jesus, morto e ressuscitado, é a nossa salvação. Com Ele, venceremos toda a insegurança, todas as dificuldades e todas as perseguições. Se formos fiéis perante as dificuldades, Jesus intercederá por nós diante de Deus, nosso Pai.

 

No Evangelho deste domingo, aos discípulos amedrontados diante dos horizontes carregados de futuras perseguições, Jesus se sai com esta afirmação: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas depois nada mais podem fazer com o espírito. Eu vos direi a quem deveis temer: temei, sobretudo aquele que pode jogar corpo e alma na Geena, isto é, no inferno”. Embasados nestas palavras de Jesus eu também diria a quem nós devemos temer. Temamos aqueles que podem tirar a nossa inocência, aqueles que podem arrancar do nosso coração a nossa confiança em Deus, aqueles e aquelas que nos conduzem para maus caminhos, falsas e más amizades que nos destroem pouco a pouco. Temamos concluir esta vida de maneira errada. Temamos não corresponder as graças que Deus nos oferece diariamente, não ouvir diariamente a Sua Palavra com assiduidade, temamos os pecados que nós cometemos com tanta facilidade e que ofendem, muitas vezes de maneira grave, a Deus e nos causam uma ruína incrível, tão incrível quanto invisível. Sim a estas e a outras tantas coisas semelhantes nós devemos realmente temer. Temer, faz parte da existência humana. Ter medo é uma componente da nossa vida, porém nós podemos e devemos canalizar os nossos medos. Há temores que não se sustentam e não se justificam. Há temores que se cancelam com um pouco mais de confiança em Deus, há os que desaparecem quando nós assumimos a vida neste mundo como vida provisória, há temores que desaparecem quando deixamos teimosamente de querer ser felizes, custe o que custar, já neste mundo. Estes são temores injustificados, mas existem aqueles, primariamente mencionados, que causam a nossa tragédia diante de Deus. Com as palavras de Jesus eu termino: “Eu vos digo a quem deveis temer”. Temei todas aquelas coisas, como possibilidades concretas na vida.

 

FORTE GUERREIRO
Monsenhor Jonas Abib

Você viu que as leituras de hoje se abriram com a leitura do profeta Jeremias que se apresenta ao Senhor. Jeremias sofreu terrivelmente por anunciar a Palavra de Deus, todos os profetas sofreram, mas ele sofreu mais porque era sensível. A leitura fala de injúrias, perseguições, calúnias que ele sofria, mas ele diz: “O Senhor está ao meu lado como forte guerreiro”, e essa a certeza que o Senhor nos dá hoje. São essas duas coisas que as leituras de hoje nos mostram: Por um lado a perseguição, a dor da calúnia, mas ao mesmo tempo, a certeza que o Senhor está ao nosso lado como forte guerreiro. Na Bíblia a palavra forte guerreiro significa “guibor”, aqueles que rodeavam ao rei para que nada lhe acontecesse. Os valentes guerreiros ficavam atentos para que o inimigo não atingisse o rei. O nosso Rei é o Senhor, e Ele nos escolheu para sermos “guibor”, estarmos na linha de frente, essa é a responsabilidade que Deus nos dá. O artista tem a chave para abrir o coração dos outros, que muitos não têm. Um exemplo é o músico, o nosso povo é movido a música, e também a dramaturgia, por isso a novela pegou. O nosso povo se encanta com dramaturgia porque muita gente se põe no contesto da novela, e aí está o risco. Mas é o meio de atingir o coração das pessoas. A seringa é neutra, mas depende daquilo que você põe na seringa e introduz na pessoa. Todos os tipos de artes têm essa chave. O artista tem sensibilidade e passa sensibilidade. Mas a grande pergunta é essa, por que os evangelizadores são tão perseguidos? Jesus tem uma única noiva, a Igreja. Por que então a Igreja sofre em tantos lugares? Quantos hoje estão sendo mártires. Quantos estão sendo perseguidos só por serem cristãos, tantos católicos como protestantes. A própria dor os faz um, tanto os católicos como os protestantes, são guibors. Por que nós sofremos? E nossos sofrimentos são pequenos, quase nada em comparação com aquilo que vivem nossos irmãos que estão em outros países para anunciarem Jesus, para levarem o batismo a outros. Quantos são martirizados pelo fato de aceitaram Jesus. Por que isso? Porque atrás de toda essa perseguição está o anticristo. Não podemos ser ingênuos, o mundo de hoje é pagão, se opõe a Deus e a Jesus Cristo. O mundo que nos rodeia infelizmente é um mundo pagão, nós somos uma exceção na terra, nós marchamos contra a correnteza. Tem muita gente que não vive um cristianismo para valer, mas vive com o pé em duas canoas. Talvez eu esteja falando com a própria pessoal, talvez por causa do seu ministério você tem vivido um cristianismo light, dizendo que não precisamos ser tão radicais. Meus irmãos, não podemos viver essa ambigüidade. Hoje o Senhor está nos falando claramente, não é repreensão, é acordar, é despertar. Reze: “Eu preciso iluminar os que estão na sombra da morte. A luz é Jesus e a lâmpada sou eu. Eu preciso ser essa lâmpada para iluminar os que jazem nas trevas. Não quero viver um cristianismo ligth, eu preciso e quero ser autêntico. Obrigado porque hoje no final deste encontro o Senhor quer me levar a viver a autenticidade. Sou cristão, sou de Cristo, tenho a vida nova e quero viver a vida nova. Sou guibor e quero viver na linha de frente para defender Jesus e vou lutar para ser cada vez mais”. Você sabe que muitas cidades estão sob escombros de um passado que colocaram terra por cima e construíram cidades. A Canção Nova tem debaixo de seus pés, debaixo desse terreno, muita dor, muito sofrimento, muita perseguição, não só aqui em Cachoeira Paulista (SP), mas aonde tem Canção Nova já começa com alicerce de dor, de perseguição. Por isso eu gosto de viver isso, aprendi a viver isso, e tive que viver isso: “Agüenta firme”. Ontem celebrávamos o dia de São Luiz Gonzaga, e também a morte da Izabel Cortes, membro da Comunidade. Ela estava fazendo programa na rádio e foi tirada do ar por homens que entraram lá. Por ser artista ela era muito sensível. Aquilo a atingiu de tal maneira, que a diabetes dela subiu e ela morreu mártir pela evangelização. Imagine o meu sofrimento, eu trouxe o corpo dela no avião, e estava sozinho. Foi naquela ocasião que eu disse para os membros da Canção Nova e para os que estavam no sepultamento: “Depois de tudo isso, ou santos ou nada”. Graças a Deus a nossa comunidade assumiu. Eu sei que somos frágeis e por causa da nossa fragilidade temos que lutar, mas não estamos sozinhos. ‘Não podemos ser ingênuos, o mundo de hoje é pagão e se opõe a Deus ‘ Hoje de maneira especial eu quero dizer a você: Diante daquilo para que o Senhor nos chamou pessoalmente, ele te deu dons artísticos, te deu a vida nova e o Espírito Santo para que você vá evangelizar. O pecado nos rodeia e persegue, mas São Paulo diz a nós que sejamos atentos, pois o demônio fica ao nosso redor para nos derrubar. O evangelizador pela arte tem muita sensibilidade e a nossa sensibilidade nos torna frágeis, por isso precisamos lutar. O inimigo quer pegar os guerreiros de Deus pela sexualidade, e ele tem feito estragos, por isso, PHN – “Por hoje eu não vou mais pecar”. A minha vida tem que ser uma luta contínua contra o pecado. Principalmente nós que temos a sensibilidade à flor da pele. Por isso repita: “Eu vou agüentar firme hoje”. Não tema meu filho! Não tema minha filha! Dê testemunho de mim porque eu quero dá testemunho de ti diante de meu Pai. Dê testemunho em palavra e em vida.

 

DE ADÃO AO CRISTO
Padre Fábio de Melo

Cada vez mais eu me convenço de que a arte é um processo redentor. Redenção é esta experiência que podemos fazer de ser retirados de um lugar inferior e ser colocados num lugar nobre. É ser levado da condição “Adâmica” à condição “Crística”. Deus tira o ser humano da miséria do pecado e o leva à redenção. O Gênesis é uma história contada de forma metafórica para que entendamos uma verdade que não pode ser compreendida com facilidade. A história de Adão e Eva nos mostra o início do processo redentor, pois o início da nossa redenção está no contato do ser humano com a sua fragilidade, que acontece com a primeira queda. Quando olhamos para uma criança recém-nascida e um padre nos explica que aquela criança é pecadora, é difícil de entendermos, pois é uma criança e não nos passa uma imagem de pecado pela inocência que traz em si. O contexto do pecado original se dá quando temos a consciência que a criança nasceu da raiz “Adâmica” e não porque ela tenha atos pecaminosos, se eu sou humano, eu sou marcado pelo limite original por fazer parte desta raiz. Limite é quando sabemos que temos condições precárias. O nosso corpo, por exemplo, tem limites, nossa pele tem limites, se nos expormos ao sol forte vamos nos queimar além do limite. O conceito de limite não é contrário ao humano, ele lembra que não podemos fazer alguma coisa porque nos faz mal. O problema é quando desconsideramos o limite que é próprio de nossa humanidade e isso se torna pecado, ou seja, o pecado entra verdadeiramente na nossa vida no dia em tenho consciência dos limites da minha vida e mesmo assim eu me exponho a eles. A partir do momento que eu saio do limite, eu caio no pecado. O primeiro pecado da humanidade foi justamente sair do limite. O paraíso é um lugar que foi cercado para que ninguém se perdesse, pois Deus estava ali, o lugar do encontro, não é prisão. Delimitar o espaço é você proporcionar a alguém a experiência do encontro, se você realmente deseja ajudar alguém a chegar a algum lugar, você vai se empenhar em limitar ao máximo a informação que você dá, mas aí é que está o perigo, quando nós pedimos a informação para alguém que não está muito feliz ou não está muito desejoso que a gente chegue ao destino. O primeiro pecado, a queda original, aconteceu porque alguém não compreendeu o conceito de limite, não compreendeu o espaço delimitado e se perdeu. O conceito de limite está cada vez mais claro dentro de nós e por isso seremos mais exigidos, como Deus nos diz: “quanto mais for dado, muito mais será exigido”. Jesus nos diz que é impossível viver servindo a dois senhores. Não é possível viver duas realidades que naturalmente não se conciliam. Seus limites precisam ser aclarados, nós precisamos cada vez mais saber sobre o que nós podemos e o que não podemos. O que Cristo realiza na condição de Adão atinge a todos nós, a “cristificação” do universo está acontecendo em nós agora, mas só tomamos posse disso, quando estabelecemos o limite do nosso território, quando reconhecemos o nosso paraíso e tomamos conta dele. “Deus não têm fronteiras para transformar corações” O papel do artista de hoje é anunciar as belezas do paraíso, as belezas do limite, é transformar a pedra em ouro, é devolver a graça ao desgraçado, é devolver o sorriso a quem não sabe mais sorrir. Eu estou cada vez mais assustado com o que apresentam às nossas crianças como arte. Se você não fechar as portas do seu paraíso para aquilo que eles oferecem como forma de entretenimento, você terá grandes problemas com seus filhos à medida que crescem. O tipo de arte secular que hoje são oferecidos a nós e às nossas crianças não molda caráter de ninguém, e por isso devemos ter cuidado com aquilo que deixamos entrar em nossas casas, pois nossos paraísos estão sendo ameaçados continuamente. Quantas coisas vemos por aí que nos parecem inocentes, mas não são. Precisamos fazer o exercício diário de analisar aquilo que entra em nossas casas. Será que estamos fazendo o esforço necessário para chegar na Glória do Cristo? Você pega uma criança e tudo o que você fala a ela, as danças que ela aprende, as coisas que ela vê de nós, vão sendo registradas na mente. Preciso saber que é necessário a cada dia preservar o meu encontro com o Senhor, pois se não vivo esta transição de Adão para o Cristo, que não será fácil, nos perdemos pelo caminho. Quando o Adão vence dentro de nós, quando Eva vence dentro de nós, sabemos muito bem quais são os efeitos disso em nós, mas quando o Cristo vence dentro de nós, podemos experimentar coisas maravilhosas. Quando olhamos para o que éramos e para o que Cristo nos tornou hoje, vemos a ponte que já atravessamos. O bom é que sempre teremos duas figuras para observar, podemos perceber o quanto que a gente consegue ser igual a Adão e isso não requer esforços. Agora se você colocar ao lado de Adão a condição de Jesus, o jeito como Jesus viveu, o que Ele falava, a maneira que Ele via, aí você verá a diferença, e para ser igual a Ele dá trabalho. Deus não têm fronteiras para transformar corações, Ele não precisa de tempo para transformar nossos corações, Ele a qualquer tempo, a qualquer hora pode nos transformar, pode nos convencer a sair da condição de Adão ou da condição de Eva. A condição “crística” é como uma pedra preciosa e se nós não enfiarmos as mãos nesta terra, se nós não enfiarmos a mão neste barro de Adão, nunca iremos conseguir retirar esta pedra. Vamos morrer possuindo uma riqueza, mas sem tê-la nas mãos. Que tudo aquilo que for falado, que tudo aquilo que for ritualizado nos leve ao Cristo, nosso destino é o Cristo, é para Ele que fomos feitos e Nele que precisamos ser reconfigurados. A arte é o desafio de tirarmos os pesos que pesam sobre a humanidade. E o alívio de Deus na experiência humana. É ter a possibilidade de proclamar com o corpo, com a arte que Deus é redentor e que o limite estabelecido é o lugar onde a redenção acontece. O que hoje você poderia pedir que Deus pudesse modificar em você? Qual é a arte que Deus poderia fazer em você hoje? Nós muitas vezes somos como uma pedra, um mármore que precisa ser talhado. Hoje Deus está aqui e quer nos atingir, quer tirar de nós todos os excessos, todas as arestas que fazem com que nos esbarremos, sem alcançar aquilo que precisamos. O teu caminho é o Cristo, o teu destino é o Cristo!!!

 

NÃO PODEMOS NOS TORNAR ESCRAVOS DO MEDO
Monsenhor Jonas Abib  

O grande mal do nosso século é a hipocondria (mania de doença). Muitas pessoas vivem com medo de ficar doentes. Qualquer dor que sentem já ficam apavoradas pensando logo ser algo grave. E se o médico pede algum exame específico, a pessoa já imagina o diagnóstico: estou com câncer, vou morrer… A nossa geração é abençoada e sempre será abençoada. Deus não criou a morte nem a doença. Não podemos nos deixar dominar pelo medo. “Deus criou o homem para ser incorruptível e o fez imagem daquilo que lhe é próprio. Mas, pela inveja do diabo a morte entrou no mundo” (Sb 2,23). A Palavra de Deus nos diz que pela inveja do diabo a morte, a doença, a desgraça, a miséria, o sofrimento e a dor entraram no mundo. Deus criou o homem para ser imortal, incorruptível, saudável. A arma que o demônio mais usa para atormentar os filhos de Deus é o medo: medo do futuro, medo de morrer, medo de traição, medo da calúnia, medo da velhice, medo de perder os pais, medo de desemprego…Medo!!! Deus nos exorta a renunciar a todo e qualquer tipo de medo: ‘Todos os meus temores se realizam, e aquilo que me dá medo vem atingir-me’ (Jó 3,25). Não podemos nos tornar escravos do medo; ao contrário, temos de lutar contra ele confiando em Deus. Na verdade, o que o inimigo quer é nos tornar escravos da doença para ficarmos mergulhados na auto-piedade, revoltados com Deus e com as pessoas que estão à nossa volta. Se você está doente reze, peça oração e procure um médico. Ele possui os meios para nos ajudar; não se entregue ao desespero, pois a medicina provém de Deus (cf. Eclo 38, 9-12). Na hora da dor abandone-se nas mãos do Senhor, lute para não murmurar e não entregue sua alma à tristeza; una-se à cruz de Cristo, oferecendo todo o seu sofrimento em desagravo aos pecados cometidos contra o Sagrado Coração de Jesus, pela conversão dos pecadores, conversão de seus familiares e pelas almas do purgatório, entregando tudo como sacrifício agradável ao Senhor. “Os vossos arados transformai-os em espadas, e as vossas foices em lanças! Mesmo o enfermo diga: Eu sou um guerreiro!” (Jl 4,10). Deus criou o homem para ser incorruptível, em todos os seus membros. Foi pelo demônio que a morte entrou no mundo. Ele não é a favor da vida, da saúde, da felicidade. Por isso temos de combater as forças de morte com a oração. Quantas mulheres testemunham que não conseguiam engravidar. Outras sofreram abortos. Mas quando clamaram a Deus a vitória aconteceu. São verdadeiros milagres que alcançamos por intermédio da oração. Carla Valéria, da cidade de Montes Claros-MG, nos enviou o seu testemunho, louvando e agradecendo a Deus pelo milagre realizado em sua vida: “Tenho 24 anos e quero testemunhar como a Canção Nova me ajudou a ser firme e perseverante na fé e no amor a Jesus. Casei-me aos 21 anos e desde o princípio queria muito ter um filho, pois amo crianças. O tempo foi passando e nada. Resolvemos procurar um médico; iniciei uma série de tratamentos, tomei remédios e uma grande ansiedade tomou conta de mim, pois queria engravidar logo. Dois anos se passaram e mesmo sendo fiel a Deus e rezar o terço todos os dias, continuava procurando médicos e remédios. Os tratamentos eram muito caros e não faziam efeito algum. Fui à casa de minha mãe, que é uma telespectadora da TV Canção Nova e sentei-me ao seu lado para assistir à programação do dia 1º de maio. O Laércio estava conduzindo a oração da manhã e foi canal de graças em minha vida. Ele falou tudo o que eu estava precisando ouvir. Chorei muito e a partir daquele momento abandonei-me nas mãos do Senhor. Larguei todo o tratamento e passei a louvar e a agradecer a Deus por tudo. Com menos de três meses de abandono e firmeza na fé, Jesus já havia providenciado o fruto do nosso amor. Só descobrimos depois de dois meses e meio de gravidez. A minha felicidade foi tão grande que ao sair do laboratório fui direto ao Santíssimo, agradecer. Tive uma gravidez muito tranqüila e me abandonei em Deus e Ele cuidou de tudo. O parto foi cesáreo, numa das segundas-feiras do mês de maio, e por providência e não coincidência, foi realizado no dia 1º de maio, quando fazia exatamente um ano que Jesus havia realimentado a minha fé”. Eu lhe pergunto: quanto vale um filho? É isso que o Senhor nos dá quando confiamos e nos entregamos nas mãos d’Ele.

 

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO COMUM
Mt 10, 26-33.
“Não tenham medo!”.    

“Não tenham medo!” Essa orientação de Jesus ressoa três vezes neste curto trecho!  Este tipo de conselho indica que o contrário era realidade na comunidade para a qual o evangelho se dirigia!  Como somente se toma remédio quando se tem uma doença, também somente se enfatiza a mesma coisa com tanta ênfase quando é para combater um perigo na vida duma comunidade.
Então parece que medo era um problema para os membros das comunidades mateanas.  Medo de que?  O trecho que antecede o de hoje deixa bem claro. Nos versículos16-25 Jesus fala das perseguições que os seus discípulos terão que enfrentar.  Inclui perseguição por parte do poder civil (“entregarão vocês aos tribunais”), perseguição pela a autoridade religiosa judaica (“acoitarão vocês nas sinagogas deles”) e até perseguição e rejeição pelos membros das suas próprias famílias (“irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará os filhos; os filhos se levantarão contra os pais e os matarão”).  Quando Mateus escreve essas palavras, este cenário já era conhecido no meio das suas comunidades. Pois enquanto nos primeiros anos da Igreja os cristãos eram tolerados dentro da comunidade dos judeus como uma seita não muito diferente das outras seitas judaicas, e eram, portanto, tolerados pelo Império Romano, que dava ao judaísmo o status de “religião lícita”, nos anos depois de 85 dC tudo mudou.
Um grupo de rabinos fariseus, liderados pelos mestres Yohannan bem Zakkai e Gamaliel II tentava reerguer o judaísmo, sem Templo, sem sacerdócio, sem Jerusalém, ao redor da estrita observância da Lei. Era urgente re-agrupar os judeus depois da destruição de Jerusalém, e dar-lhes uma nova identidade.  Para isso aparecia-lhes necessário insistir na Lei, na sua interpretação farisaica.
Assim, o “desvio” cristão parecia algo que pudesse minar este projeto, e os judeu-cristãos começaram a ser expulsos das sinagogas. Isso implicava ser rejeitados na sua identidade religiosa, familiar e cultural e vistos como traidores pela sua comunidade tradicional.  Famílias se rachavam e os judeu-cristãos eram denunciados pelos próprios familiares.
Expulsos das sinagogas, não mais pertenciam a uma religião lícita e corriam o risco de serem perseguidos também pelo poder imperial.  Como então não entrar em crise, ter medo?
Mateus enfrenta o problema dando-lhes uma mística.  Se assim aconteceu com o Mestre, como não acontecerá com o discípulo?  A perseguição não era sinal de fracasso, mas de fidelidade no seguimento de Jesus! Por isso, não deveriam ter medo, pois o Pai jamais iria abandoná-los.  O grande perigo era deixar que o medo os paralisasse, ou os levasse a mudar de opção de vida, escolhendo a aprovação humana em lugar da fidelidade do discipulado.
Hoje, em geral não somos perseguidos por causa da nossa religião, pelo menos enquanto limitamos a religião à esfera privada.
O mundo até aprova a religião como opção particular, uma vez que não tenha conseqüências sociais e econômicas. Mas persegue a religião que ousa tirar as conclusões práticas do seguimento de Jesus, que veio “para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Nesses meses presenciamos nisso nas ameaças sofridas por três dos nossos bispos no Pará. O mundo globalizado do neoliberalismo excludente, que prega o “evangelho” da competitividade e o paraíso do consumo, rejeita a religião que prega a justiça, a partilha, o cuidado dos mais fracos e indefesos, a solidariedade.
Religião dentro do templo, sim, mas aí de quem procura concretiza-la na luta por terra, teto, salário, direitos humanos etc.
Por isso devemos levar a sério o que Jesus nos adverte quando diz “não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma”.  Devemos temer, sim, a tentação de nos conformarmos com as exigências duma sociedade egoísta e idolátrica, que ameaça matar a alma das Igrejas, deixando-as com o seu “corpo” – templos, festas, honras, prédios etc, mas matando a sua “alma” – a prática da opção evangélica pelos oprimidos. O Brasil também tem os seus mártires – e a lista é comprida – que deram a sua vida nas perseguições lançadas pelas ditaduras, latifundiários, e elites.  É sinal duma igreja viva.  Mas não é fácil manter-se firme diante das seduções da sociedade consumista, aliadas às ameaças dos detentores do poder.  Assim soa atual a última advertência do trecho, “quem me renegar diante os homens, eu também renegarei diante do meu Pai”.
Mas também deve nos animar para a luta e a coerência a frase anterior, “quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante do meu Pai”.  Tanto o testemunho como a renegação normalmente não se faz com a boca, mas com as opções concretas em favor dos oprimidos ou dos opressores, no nível individual e eclesial.  Lembremo-nos do canto que tantas vezes cantávamos nas Missas e encontros: “Não temais os que tudo deturpam pra não ver a justiça vencer; tende medo somente do medo de quem mente pra sobreviver”.

O Coração de Jesus e a Eucaristia

“Quem poderá descrever dignamente as pulsações do Coração divino do Salvador, indícios de seu amor infinito, naqueles momentos em que oferecia à humanidade seus dons mais preciosos, a si mesmo no sacramento da eucaristia, sua Mãe santíssima e o sacerdócio? Ainda antes de celebrar a última ceia com seus discípulos, ao pensar que iria instituir o sacramento de seu corpo e de seu sangue, cuja efusão iria confirmar a nova aliança, o Coração de Jesus manifestara intensa comoção, revelada por ele aos apóstolos com estas palavras: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). Mas sua emoção atingiria o ápice quando tomou o pão, rendeu graças, partiu-o e ofereceu-lhes, dizendo: “Este é o meu corpo, dado por vós. Fazei isto em minha memória. Do mesmo modo, depois da ceia, deu o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que por vós será derramado” (Lc 22,19-20)” (Pio XII, Encíclica Haurietis Aquas, 33-34).

Essas observações do Papa Pio XII, na encíclica que se tornou ponto de referência quando se estuda a espiritualidade do Coração de Jesus, motiva-nos a apresentar a fundamentação bíblica dessa devoção (O coração na Bíblia e O Coração Traspassado) e a analisar o dom mais precioso do Coração de Jesus – aquele que nasceu de um desejo ardente e num momento especialíssimo de sua vida e missão: a Eucaristia (“Desejei ardentemente”, Memorial da morte e ressurreição e O que mais poderia Jesus ter feito por nós?).

O coração na Bíblia
Na introdução de um livro que escreveu sobre o Coração de Jesus, o teólogo alemão Karl Rahner (1904-1984) afirmou que “no futuro do mundo e da Igreja, o homem e a mulher serão místicos, isto é, pessoas com profunda experiência religiosa, ou não serão mais cristãos”. Os místicos, segundo ele, serão capazes de compreender de maneira nova e radical o sentido da expressão Coração de Jesus. Coração de Jesus, Sagrado Coração de Jesus: terá ainda sentido essa devoção? Não será uma forma ultrapassada de expressão religiosa, própria de outras épocas e culturas? Afinal, ao longo dos séculos, homens e mulheres relacionaram-se com Deus utilizando-se de palavras, expressões e gestos tirados de seu mundo, de seu tempo e de sua realidade. Por isso mesmo, muitas devoções e manifestações religiosas, largamente difundidas em determinadas épocas ou lugares, aos poucos caíram em desuso. Todos admitem que tiveram seu valor mas, hoje, ninguém mais lhes dá importância.
Não teria acontecido o mesmo com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, tão difundida nos séculos dezoito e dezenove? A história da Igreja nos ensina que as expressões de fé que têm base bíblica conseguem ultrapassar culturas, épocas e costumes e permanecem sempre. Ora, a base da espiritualidade do Coração de Jesus está na Bíblia. Nela encontramos, somente no Antigo Testamento, 853 vezes a palavra “coração” – por exemplo, na promessa: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26). No Novo Testamento, essa palavra aparece 159 vezes. Na maioria delas, mais do que se referir ao órgão físico, sintetiza a interioridade da pessoa, sua intimidade e o mais profundo do seu ser. É o que percebemos no convite de Jesus: “Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso de vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,28-29). Quem penetra nesse Coração manso e humilde passa a compreender a razão de sua predileção pelos pecadores, pobres e aflitos; partilha de seu ardente amor pelo Pai; descobre as dimensões de seu amor e sente-se motivado a se jogar com confiança nele. É o caso do apóstolo S. Paulo, que fez tão profunda experiência da intimidade de Cristo que passou a insistir: “Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3,17-19).
Um biblista belga, Ignace de la Potterie[1], escrevendo sobre a intimidade de Cristo, isto é, sobre seu “coração”, insiste que Jesus tinha consciência de ser ele mesmo “o Reino de Deus”. Converter-se e crer no Evangelho quer dizer converter-se a Jesus, penetrar na intimidade de seu Coração e viver dele e por ele. É isso que entendemos, por exemplo, com a invocação: “Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações”. Entramos em seu reino, isto é, penetramos em sua interioridade, quando começamos a reconhecê-lo como Rei e Senhor, quando aceitamos que seja ele a reinar em nossos corações. Damos outro passo no conhecimento de sua intimidade quando descobrimos as razões e os modos de sua obediência ao Pai. Jesus foi obediente não só para nos deixar um exemplo, mas porque tinha clara consciência de ser, acima de tudo, Filho. Tendo uma profunda intimidade com o Pai e, sabendo-se infinitamente amado por ele, como não lhe obedecer? A obediência era-lhe, pois, natural, e até mais do que isso: uma agradável obrigação de todo o seu ser. Obedecendo, vivia, mais do que em qualquer outra circunstância, a condição de Filho. Deus é seu “Abbá”, seu Pai querido.

O Coração Traspassado
Também o apóstolo e evangelista João refere-se à intimidade de Cristo, ao seu “coração”, mas de outra maneira. Presente no Calvário quando Jesus consumava sua obra, o evangelista relata com pormenores o que testemunhou: “Era o dia de preparação do sábado, e esse seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus viram que já estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis.) Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E um outro texto da Escritura diz: “Olharão para aquele que traspassaram” (Jo 19,31-37). “Olharão para aquele que traspassaram”.
S. João vê no Coração traspassado de Jesus um sinal escolhido por Deus para testemunhar seu amor. Vê nesse sinal o maior prodígio da História da Salvação; a maior epifania do amor de Deus; o ponto mais alto e a síntese de todo o mistério pascal. Não vê esse fato como casual, mas como um acontecimento projetado por Deus e até anunciado no Antigo Testamento (Ex 12,46; Zc 12,10). O sangue que sai do lado de Cristo é sinal de libertação (Ex 12,7,13); por ele concretiza-se a nova aliança (Ex 24,8): “Este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26,28). Assim, no Coração aberto de seu Filho, Deus marca um encontro conosco, mostra-nos sua misericórdia e nos dá seu abraço de Pai. A água que sai do lado de Cristo é a “água viva”, prometida por Jesus à Samaritana (cf. Jo 4,10-14): quem dela beber, “nunca mais terá sede”. É, também, a água prometida a todos “no último e mais importante dia da festa” das Tendas[2]: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim” – conforme diz a Escritura: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,37-38). Ao evangelista João não interessa somente o que sai – sangue e água –, mas de onde sai: do lado aberto do Coração de Cristo, de seu Coração traspassado. Sagrado Coração de Jesus, portanto, é um outro nome que a Igreja dá ao Traspassado na Cruz. Desde os primeiros tempos de sua história, a Igreja elevou seu olhar para o Coração de Cristo, ferido pela lança do soldado na Cruz. Olhando para aquele que foi traspassado, queria penetrar na intimidade de seu Senhor. Desse olhar nasceu uma descoberta, que o Concílio Vaticano II (1962-1965) assim resumiria: ele nos “amou com um coração humano” (GS, 22).

“Desejei ardentemente”
O Papa Pio XII destacou que, ao instituir a Eucaristia, seu dom mais precioso, o Coração de Jesus deixou que seus sentimentos se manifestassem abertamente: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). A instituição da Eucaristia aconteceu, pois, por premeditação de Jesus e não por mera iniciativa dos apóstolos. Diante da proximidade da festa da Páscoa, eles perguntaram ao Mestre: “Onde queres que preparemos a ceia pascal?” (Mt 26,17). Os apóstolos eram judeus e deviam participar anualmente dessa celebração. Tinham aprendido a fazer memória[3] da ação libertadora operada pelo Senhor, no Egito. Em resposta à pergunta, Jesus lhes deu as devidas orientações (“Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a ceia pascal em tua casa, junto com meus discípulos’” – Mt 26,18) e eles procuraram executá-las (“Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal” – Mt 26,19).
Ao anoitecer daquela quinta-feira – ou, para usar uma expressão do evangelista Lucas: “quando chegou a hora” (Lc 22,14) –, reunido com os apóstolos, Jesus lhes abriu seu coração. Em nenhuma outra oportunidade havia expressado tão claramente seus sentimentos; em nenhum outro momento falara tão abertamente do que ia no mais profundo de seu ser: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). Depois de antecipar que não mais comeria a páscoa com eles, “até que ela se realize no Reino de Deus” (Lc 22,16), fez uma série de gestos que os apóstolos só entenderiam mais tarde, em Pentecostes: “Tomou o pão, deu graças, partiu-o e lhes deu, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim’. Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós’” (Lc 22,17-20). “Desejei ardentemente…” Jesus deixou claro que aquele momento e aquele acontecimento não estavam sendo improvisados. Foram preparados e desejados por ele. Se para ele era um momento importante, emocionante até, o que foi para os apóstolos? Pouco ou nada entenderam do que Jesus fez e falou. É o que se conclui pelo que aconteceu em seguida: “Ora, houve uma discussão entre eles sobre qual deles devia ser considerado o maior” (Lc 22,24). Certamente, Jesus não se surpreendeu com tal discussão: havia antecipado que só com a vinda do Espírito Santo eles entenderiam suas palavras e obras. Realmente, “quando chegou o dia de Pentecostes” (At 2,1), os apóstolos compreenderam a extensão do “Desejei ardentemente…” e da ordem: “Fazei isso em memória de mim!” (Lc 22,19) – ordem que os primeiros cristãos levaram muito a sério, a ponto de serem “assíduos… à fração do pão” (At 2,42).

Memorial da morte e ressurreição
“Quando a igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, esse acontecimento central da salvação torna-se realmente presente e com ele se realiza também a obra de nossa redenção. Esse sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos, como se a ele tivéssemos estado presentes. Assim, cada fiel pode tomar parte na obra da redenção, alimentando-se de seus frutos inexauríveis.” (EE, 11). Essa verdade de fé, esse mistério – “mistério grande, mistério de misericórdia” –, fez nascer uma pergunta no coração de João Paulo II: “O que mais poderia Jesus ter feito por nós?” O próprio Papa, maravilhado com a grandeza desse mistério, exclamou: “Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até o fim (cf. Jo 13,1), um amor sem medida” (id.).
Estamos convictos de que:
(1º) o memorial da morte e ressurreição do Senhor encontra-se à nossa disposição e podemos participar da obra de nossa redenção “como se tivéssemos estado presentes”;
(2º) de diversas maneiras Jesus cumpre, na Igreja, a promessa que fez: “Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo” (Mt 28,20), sendo que, na Eucaristia, essa presença é especial (cf. EE 1);
(3º) a Igreja vive da Eucaristia; nutre-se desse pão vivo (cf. EE 7);
(4º) a Eucaristia é o que a Igreja tem de mais precioso para oferecer ao mundo (cf. EE 9). Diante dessas certezas, só nos resta perguntar: que impacto tem a Eucaristia em nosso dia-a dia? A participação nesse “mistério da fé” é, realmente, o momento mais importante de nossa vida? “Desejei ardentemente comer esta Páscoa antes de sofrer”. Somos convidados a ver a Eucaristia a partir da perspectiva do Coração de Jesus. Reunido com os apóstolos, na noite daquela memorável quinta-feira, ele procurou dizer-lhes que não nos estava deixando apenas uma série de ensinamentos e de lembranças. Era sua própria pessoa que nos oferecia em testamento. Concretizava, dessa maneira, a nova aliança com o Pai. Ele se oferecia pela salvação do mundo. Na Eucaristia aplica, aos homens e às mulheres de hoje, a reconciliação obtida, de uma vez para sempre, para a humanidade de todos os tempos (cf. EE 12), já que torna presente o sacrifício da Cruz. Não é mais um sacrifício, nem se multiplica. O que se repete é a celebração memorial (cf. EE 12). Participando da Eucaristia, aprendemos com Jesus a “lavar os pés uns dos outros” (Jo 13,14), num serviço fraterno que se expressará sob mil formas e em inúmeras circunstâncias, numa extensão da Eucaristia.

O que mais poderia Jesus ter feito por nós?
Depois da consagração, o Presidente da celebração eucarística aclama: Eis o mistério da fé! Realmente, a Eucaristia não é um dos tantos mistérios, mas é “o” mistério da fé. É fonte da vida da Igreja, pois dela é que nasce a graça; é, também, seu ponto mais alto, pois é para a Eucaristia que tende sua ação, suas orações e seus trabalhos pastorais. Por ela se obtém a santificação dos homens e a glorificação de Deus. Como deve ocupar o lugar central na vida cristã, toda a atividade cristã deve ser organizada em vista da Eucaristia. À aclamação do Presidente da celebração, o povo responde: Anunciamos, Senhor, a vossa morte; proclamamos a vossa ressurreição; vinde, Senhor Jesus! Anunciar a morte do Senhor até que ele venha inclui transformar a vida, que se deve tornar eucarística (cf. EE 20). Somos chamados a unir-nos a Cristo, sacerdote e vítima, associando-nos à oferta que faz de si mesmo pela salvação da humanidade. É com Cristo Eucarístico que aprendemos a viver a identidade entre ministro e vítima. Também nós devemos desejar ardentemente celebrar a Páscoa, pois em nenhum momento somos tão fortes, tão úteis e eficazes como nesse, em que nos oferecemos a Cristo; com Cristo nos oferecemos ao Pai; e oferecemos ao Pai, “por Cristo, com Cristo, em Cristo”, toda a humanidade. Cada vez que formos para o altar deveremos levar a realidade que nos envolve – realidade feita de esperanças e alegrias, mas também de sofrimentos e insucessos. Damos, assim, nossa contribuição pessoal ao sacrifício redentor de Cristo. Com ele, aprendemos a ser pão partido e repartido para vida do mundo – isto é, descobrimos que não se pode comer o corpo do Senhor e beber seu sangue, e permanecer insensível diante da situação dos irmãos.
A Eucaristia é também comunhão: não só cada um de nós recebe Cristo, mas Cristo recebe cada um de nós (cf. EE 22). Unindo-nos a ele, que possui a vida divina em plenitude, participamos de sua vida divina: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, possui a vida eterna” (Jo 6,54). Quem recebe a Eucaristia, recebe, pois, o germe da ressurreição: “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6,58). Celebrar a Eucaristia é esperar a vinda gloriosa de Jesus Cristo; é unir-se à liturgia celeste, associando-se àquela multidão imensa que grita: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10). “A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar nosso caminho” (EE, 19). “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” .
Precisamos alimentar em nosso coração os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Fl 2,5). Quando nossos sentimentos forem os dele, não só poderemos dizer: “Eu vivo, mas não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim!” (Gl 2,20), como também concluiremos que “o divino Redentor foi crucificado mais pela força do amor do que pela violência de seus algozes; e seu voluntário holocausto é o dom supremo que seu Coração fez a cada um dos homens” (HA, 37). Ou, como o apóstolo São Paulo, proclamaremos com convicção: “O Filho de Deus me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). O que mais poderia o Coração de Jesus ter feito por nós?…

[1] DE LA POTTERIE, I. Il mistero del Cuore trafitt -. Fondamenti biblici della spiritualità del Cuore di Gesù. Bolonha – Itália, Dehoniane, 1988.
[2] Festa das Tendas (ou: do Tabernáculo; ou: da Dedicação): Festa do fim da colheita, especialmente da uva, no início do outono da Palestina (set/out), a mais festiva das festas de romaria (Páscoa, Pentecostes e Tendas). Originalmente pernoitava-se nas cabanas de folhagens nos vinhedos, mais tarde, interpretadas como lembrança das tendas no deserto, quando do êxodo do Egito. Tanto o templo de Salomão como o de Zorobabel (2º templo) foram inaugurados nesta festa, motivo pelo qual ela é também chamada de Festa da Dedicação do Templo. Foi em uma delas que Esdras fez a grande leitura da Lei (fundação do judaísmo: Ne 8-9). (Cf. Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, Glossário).
[3] Memória: o fato recordado é o evento salvífico de Deus, que se renova na história, atualizando-se. Nesse sentido, a eucaristia não é só recordação, mas o sacrifício de Cristo em ação, no hoje da Igreja, a tensão para a realidade gloriosa de Cristo ressuscitado. (Dicionário Enciclopédico das Religiões, Vozes).  

Papa fala da paternidade de Deus como fonte de esperança

Quarta-feira, 7 de junho de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Chamar Deus de “Pai” é uma grande revolução do cristianismo e exprime relação de confidência com Deus, disse o Papa

Na catequese desta quarta-feira, 7, o Papa Francisco abordou o tema “A paternidade de Deus, fonte da nossa esperança”, dando continuidade ao ciclo de reflexões sobre a esperança cristã.

Francisco explicou que chamar Deus com o nome de “Pai” é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O Evangelho de Lucas é o que melhor documenta o “Cristo orante” e a oração do Pai Nosso revela justamente esta intimidade de Jesus com seu Pai.

“Todo o mistério da vida cristã está resumido aqui, nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai. Mesmo a Liturgia, quando nos convida a rezar o Pai Nosso na comunidade, utiliza a expressão ‘ousemos dizer’”.

O Santo Padre ressaltou que chamar Deus de “Pai” não é um fato óbvio, uma vez que o normal é que se use “títulos mais elevados”, que pareçam mais respeitosos à sua transcendência. “Ao invés disto, invocá-lo como ‘Pai’ nos coloca em relação de confiança com Ele, como uma criança que se dirige ao seu pai, sabendo ser amada e cuidada por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, porém, não causa medo, não nos sufoca, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de acolher em nossa alma humana”.

Este Deus que é um Pai, que sabe ser somente amor por seus filhos, encontra grande expressão na Parábola do Filho Pródigo, narrada em Lucas. “Um Pai que não pune o filho pela sua arrogância e que é capaz até mesmo de confiar a ele a sua parte de herança e deixá-lo ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não da maneira humana, porque não existe nenhum pai neste mundo que se comportaria como o protagonista desta parábola. Deus é Pai à sua maneira: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, capaz somente de declinar o verbo amar”.

“O Evangelho de Jesus Cristo nos revela que Deus não pode estar sem nós: Ele nunca será um Deus ‘sem o homem’; é Ele que não pode estar sem nós, e isto é um grande mistério… Deus não pode ser Deus sem o homem: um grande mistério isto”, exclamou o Pontífice. “Mesmo que nos afastemos, sejamos hostis, nos professemos ‘sem Deus’. E esta certeza é a fonte de nossa esperança’, que está em todas as invocações do Pai Nosso”.

E quando o homem precisa de ajuda, observou por fim o Papa, Jesus não diz para ele se resignar e fechar-se em si mesmo, mas para dirigir-se ao Pai e pedir a Ele com confiança. “Todas as nossas necessidade, desde as mais evidentes e cotidianas, como a comida, a saúde, o trabalho, até aquelas como ser perdoados e sustentados nas tentações, não são o espelho de nossa solidão, pois existe um Pai que sempre nos olha com amor e que, seguramente, não nos abandona”.

Começa a preparação ao Domingo da Misericórdia

De acordo com a devoção difundida pela Santa Faustina Kowalska

A Igreja universal celebrará no próximo dia 12 de abril, o domingo da Divina misericórdia, «um convite perene a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e provas» da humanidade. A preparação da festa inicia esta Sexta-feira Santa com a novena para a Divina Misericórdia. Foi em 23 de maio de 2000 quando se difundiu um decreto da Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no qual se estabeleceu, por indicação de João Paulo II, a festa da Divina Misericórdia o segundo domingo da Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico é «segundo domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia». A devoção à Divina Misericórdia constitui um autêntico movimento espiritual dentro da Igreja Católica promovido por Faustina Kowalska, a quem João Paulo II canonizou em 30 de abril daquele ano. O Papa escolheu esse dia para anunciar uma surpresa: «Em todo o mundo, o segundo domingo de Páscoa receberá o nome de domingo da Divina Misericórdia. Um convite perene para o mundo cristão a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e as provas que esperam o gênero humano nos anos vindouros». Como o Papa não havia escrito estas palavras, não apareceram na transcrição oficial de seus discursos dessa canonização. Daí que o decreto que publicou a mencionada Congregação vaticana anunciasse de maneira oficial à Igreja universal o desejo de João Paulo II, que dedicou uma de suas encíclicas à Divina Misericórdia («Dives in misericordia»). Quando o Papa canonizou a religiosa polonesa ante 200.000 peregrinos, Faustina Kowalska se converteu na primeira santa do Jubileu do ano 2000, coroação de um século marcado por imensos sofrimentos, mas que justamente em seus anos mais escuros, os que vão do primeiro ao segundo conflito mundial, via a jovem irmã Faustina (1905-1938) entregar a mensagem de misericórdia recebida de Cristo.

Santa Faustina Kowalska
A jovem polonesa, que morreu aos 33 anos, nasceu na pequena aldeia rural de Glogowiec em 25 de agosto de 1905. Aos 20 anos foi admitida no convento das irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia de Varsóvia. Nos treze anos seguintes, desempenhou os ofícios humildes: cozinheira, jardineira e porteira. Morreu em Cracóvia em 5 de outubro de 1938. Paralela à sua humilde vida, desenvolvia uma experiência mística de consagração à Divina Misericórdia, um itinerário tecido de visões, revelações, estigmas escondidos, tudo isto recolhido em um diário que começou a escrever em 1934 por sugestão de seu diretor espiritual. O centro da vida de Faustina Kowalska foi o anúncio da misericórdia de Deus com cada ser humano. Seu legado espiritual à Igreja é a devoção à Divina Misericórdia, inspirada por uma visão na qual o próprio Jesus lhe pedia que se pintasse uma imagem sua com a legenda «Jesus, eu confio em vós», que ela encarregou a um pintor em 1935. O diário de Irmã Faustina –que intitulou «A Misericórdia Divina em minha alma»– manifesta como Nosso Senhor lhe encomendou a missão de anunciar ao mundo, uma vez mais, a mensagem evangélica de sua misericórdia e de estabelecer novas formas de devoção a Deus em seu atributo de Misericórdia para todos, em especial para aqueles que mais o necessitam. A característica essencial e fundamental da devoção à Misericórdia Divina é a confiança em Jesus, um ponto em que o Senhor insiste segundo se desprende do que Santa Faustina recolhe em seu diário. Daí devem partir todas as formas de devoção à Misericórdia, segundo as revelações à religiosa, sejam estas a veneração da imagem da Misericórdia Divina, ou a oração do rosário da Misericórdia Divina, a hora da grande Misericórdia –as três da tarde, momento da morte de Jesus na cruz– ou a recepção dos Sacramentos na Festa da Misericórdia. A devoção que foi revelada a Santa Faustina urge ao indivíduo a atuar com espírito misericordioso para com o próximo diariamente, com orações, palavras e obras.

Novena à Divina Misericórdia
No diário de Irmã Faustina se lê, pelo menos em catorze ocasiões, que Nosso Senhor pedia a instituição de uma «Festa da Misericórdia»: «Esta Festa surge de Minha piedade mais entranhável… –recolhe o texto–. Desejo que se celebre com grande solenidade o primeiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição… desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas e especialmente para os pobres pecadores». Assim, Jesus pediu que Irmã Faustina se preparasse para a celebração da Festa da Misericórdia com uma novena que devia começar no dia de Sexta-feira Santa: «Desejo que durante estes nove dias encaminhe almas à fonte de Minha misericórdia, a fim de que por ela adquiram fortaleza e consolo nas penalidades, e aquela graça de que necessitam para seguir adiante, especialmente na hora da morte». «Cada dia trarás a meu coração um grupo diferente de almas –prossegue– e as submergirás no oceano de Minha misericórdia, e Eu as conduzirei à mansão de Meu Pai (…) Cada dia pedirás a Meu Pai –pelos méritos de Minha amarga Paixão– graças para estas almas».

 

SETE DICAS ENQUANTO O SENHOR NÃO VEM
Ricardo Sá

É preciso apressar nossa conversão, nos colocar no ritmo de Nosso Senhor Jesus. Nosso Senhor tem pressa, e a pressa maior é a nossa mudança de vida. É tempo de conversão para mim, o tempo de conversão é hoje, eu preciso me converter e cada vez mais. Tudo é uma questão de conversão, se a gente se determina a desejar ficar mais parecido com Nosso Senhor, pode vir os problemas que vier que a gente enfrenta, porque está enraizado em nós um desejo de conversão. De quem esse mundo precisa? De Jesus. Eu apresento a você sete dicas enquanto o Senhor não vem.
Primeira dica: espírito de sacrifício. Eu me refiro as coisas que você no dia a dia diz: “eu não agüento mais aquela pessoa, aquela doença, esta vida…” Esse linguajar precisa sair da nossa boca. O que é para nós cristãos um espírito de sacrifício? Tem espírito de sacrifício quem sabe ver mais além, por detrás do problema, por detrás daquela pessoa. Por mais difícil que seja o problema, a pessoa acredita que Deus pode intervir. A pessoa agüenta firme sem reclamar. Agüentamos firmes porque temos a tendência para fazer o mal, a gente agüenta por espírito de sacrifico e oferece. Vida penitencial: isso significa jejum, a penitência que você há muito tempo não faz, enquanto o Senhor não vem, vida penitencial. Nada de reclamação da vida e das pessoas.
Segunda dica: colocar em dia a vida de oração. Você diz que não tem tempo, mas você tem tempo sim. Nossa vida de oração precisa nos conduzir a intimidade com Deus, você precisa ser guerreiro na vida de oração, rezar todos os dias, para treinar nosso coração para ouvir o Senhor. Minha vida pessoal como Nosso Senhor é uma vida muita feliz, mas é uma vida de cruz, mas feliz. Ser cristão não é fácil. Se você não cultiva o bem que você recebeu na vida de oração, virá o mal para arrancar o bem de seu coração. Quanto tempo você gasta com Jesus Cristo diariamente? Seja um orante teimoso e diga muitas vezes: “Jesus me ensina a chegar até o teu coração”. Treine a alma na oração.
Terceira dica: Santidade provada. O tempo é tão urgente que a nossa santidade está em tempo de prova. Não existe santidade sem passar pela prova. Prova de santidade a gente não escolhe, Deus nos dá. Ela serve para te fazer melhor, te fazer mais de Deus. Qual é a porta estreita para sua vida? Não reclame mais. É a sua doença? Aproveite para ser santo. Se submeta a prova que você está passando, identifique a prova que Deus hoje te faz passar. É tempo de santidade provada enquanto o Senhor não vem. “É preciso dar a vida, senão não é amor”.
Quarta dica: Fuja do mal. Com o mal a gente não dialoga, a gente foge do mal. Revistas, filmes, novelas… de que você precisa fugir? Ou a gente transforma os acontecimentos da vida para irmos para o céu, ou iremos para o inferno. Eu não agüento mais a minha superficialidade. “Senhor, livra-me do mal que me faz pecar”. Você precisa identificar as pessoas que te conduzem ao mal, fuja dessas pessoas. Você precisa dizer a essas pessoas: “assim eu não agüento, o problema não é com você é comigo”. Chega de escrúpulos e fuja para longe das pessoas que não te levam para Deus.
Quinta dica: Vida apostólica. O que você tem feito por Cristo e sua Igreja? Há quanto tempo você não faz nada por Cristo e sua Igreja? Porque você está dodói? Talvez seu problema de saúde seja curado a medida que você trabalhe para Nosso Senhor. O Reino de Deus cresce em mim cada vez que dou de mim para os outros. A Igreja precisa de você com as capacidades que você tem. Vá na paróquia, eu duvido que você não encontre o que fazer.
Sexta dica: Ame concretamente. Viva para os outros, tire os olhos de seu umbigo, tire os olhos de seus objetivos, ame. É preciso dar a vida, senão não é amor. Quais são as pessoas que faz você deparar com o que há de pior em você? Viver para os outros é dar uma atenção contínua a quem está ao meu redor.
Sétima dica: Perdoar. Você precisa perdoar. Perdoe-me se você me viu de cara feia, nervoso. Eu preciso do perdão de vocês porque sou muito orgulhoso, arrogante e preciso do perdão de vocês. Perdoe em nome de Jesus.

 

SUA MISERICÓRDIA É INFINITA, PARA QUEM A PROCURA

«O Temor do Senhor, eis a Sabedoria; fugir do mal, eis a Inteligência» (Jó 28, 28). Pois os olhos do Senhor estão voltados «para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante da Minha palavra» (Is 66, 2) – Então, supliquemos a Maria, dia e noite, que interceda por nós junto do seu Divino Filho, para que sejamos contados no número dos eleitos, e dessa forma não caiamos naquele sítio que a Sagrada Escritura descreve como o “horror eterno”: «O Senhor Todo-Poderoso puni-los-á no dia do Juízo. Porá fogo e vermes nos seus corpos, e eles chorarão de dor eternamente» Judite (Jd 16, 17).
Deus não é Amor para que nós (também) sejamos maus. Se Deus fosse bom para que nós fôssemos maus, Deus não seria Bom. «O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria» (Prov 1, 7). Muitos esquecem-se que «a sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem» (Lc 1, 50). E não para aqueles que abusam dessa mesma Misericórdia. Errar e pecar é humano. Mas amar o pecado e o erro e neles persistir é diabólico. O Amor de Deus não é um jogo (de sorte ou azar). Não se é amado incondicionalmente por um Deus Infinito até à morte de Cruz.
Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre o Inferno e sobre as conseqüências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao Inferno, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão (mesmo sem o mínimo arrependimento). Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente.
Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO a SANTA CATARINA DE SENA: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando (mesmo assim) poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14-14).
A vã hipótese duma eternidade sem ninguém que se tenha condenado, ou se vá condenar, seria uma eternidade frívola, não séria, seria como um inferno “light”, morno. Não valeria a pena lutar para evitar o Inferno verdadeiro. A proposta dos modernistas e relativistas é uma proposta demagógica e autoritária. Autoritária, porque todos se salvarão, ainda que não queiram ou não mereçam. Demagógica, porque, como os políticos atuais, fazem promessas fáceis de eterna salvação, que logo não cumprirão, e muitos descobrirão o engano quando já for tarde demais… E a quem reclamarão? Não que não devamos ter esperança. Mas esta deve ser fundamentada numa procura incessante pelo Rosto de Deus e num afastamento do pecado e das ocasiões que levam a ele. Apelar à esperança da Salvação, sem apelar para uma vida séria segundo a Moral Cristã, longe do pecado e das suas ocasiões, é pura demagogia.
Se Deus fosse “misericordioso” com todos os homens bons e maus, se concedesse a todos a graça da conversão antes da morte, seria ocasião de pecado até para os bons, pois induziria estes a pecar e a esperar na Sua misericórdia. Mas não, quando chega ao fim das Suas misericórdias, Deus castiga e não perdoa mais: «Agora, que chegou o teu fim, vou desencadear a Minha ira contra ti, e julgar-te-ei de acordo com o teu comportamento; farei cair sobre ti as tuas abominações, de acordo com o teu comportamento. Já não terei um olhar de compaixão para ti; não te pouparei; antes, farei cair sobre ti o teu comportamento, as tuas abominações ficarão expostas no meio de ti, e então sabereis que Eu sou Iahweh» (Ez 7, 3-4); e acrescenta mais: «O Meu olhar não se compadecerá; eu não pouparei, antes pagar-te-ei de acordo com o teu comportamento» (Ez 7, 9).
Se Deus quisesse, com uma vontade sem limites, a salvação de todos os homens, para quê a Encarnação do Seu Filho? Para quê a Morte na cruz? Para quê a Igreja? Para quê o Papa, os bispos, os padres, os diáconos? Para quê os Sacramentos, a Liturgia, a Palavra de Deus, a Bíblia?…O Inferno povoa-se mais com a Misericórdia do que com a Justiça. Os modernistas de agora querem o Inferno vazio, até evitam falar dele, e tudo o que conseguem fazer é povoá-lo mais. São os colonizadores do Inferno, pois como não avisam o homem do perigo que é transgredir a Lei de Deus, induzem este a pecar indiretamente e por isso mesmo a perder-se.
Escreve SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO: «Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia (desvirtuada) para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende». Ele usa de Misericórdia com os pecadores, mas só com quem, após ofendê-Lo, o lamenta sinceramente, temendo voltar a ofendê-LO: «A Sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem», cantou a Mãe de Deus. Com os que abusam da Sua Misericórdia, para desrespeitá-Lo ou desprezá-Lo, Ele usa da Sua Justiça. O Senhor perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar.
Escreve SANTO AGOSTINHO que: quem peca com esperança de arrepender-se depois de pecar, não é penitente, mas ri-se de Deus. Ora, São Paulo advertiu-nos que «de Deus não se zomba» (Gl 6, 7). Seria gozar a Deus ofendê-Lo como e quanto se quer, e mesmo assim ter a pretensão de ir ao Céu. Por muito incômodo e insondável que seja para o homem moderno, o que está revelado, revelado está. E não existe forma alguma de nos evadirmos desta realidade. Não é pelo infeliz fato de não falarmos ou não acreditarmos no Inferno, que ele deixa de existir e de ser uma espantosa e terrível realidade.
DIZIA SÃO JOÃO CRISÓSTOMO: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!…..”.
Não duvideis, diz SÃO BASÍLIO, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo… Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!”.
SANTO AGOSTINHO observa que, para enganar os homens, “o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança. Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões”.

Jesus é a semente da esperança, diz Papa na catequese

Semana Santa

Quarta-feira, 12 de abril de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano 
 
No contexto da Semana Santa e das catequeses sobre esperança cristã, Santo Padre recordou entrada de Jesus em Jerusalém

Na catequese desta Quarta-Feira Santa, 12, o Papa Francisco recordou o ingresso de Jesus em Jerusalém, celebrado no Domingo de Ramos. Essa foi uma ponte para o Papa recordar que Jesus é a semente da esperança cristã.

“Quem podia imaginar que aquele que entrou triunfante na cidade teria sido humilhado, condenado e morto na cruz?”, questionou Francisco aos fiéis. “As esperanças daquele povo se desmancharam diante da cruz; mas nós cremos que precisamente Nele, crucificado, a nossa esperança renasceu”.

Francisco explicou que a frase que pode judar a entender esta esperança foi pronunciada justamente por Jesus depois de entrar em Jerusalém: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”.

A esperança tem a forma de uma semente

Jesus, explicou o Papa, trouxe ao mundo uma nova esperança, com o formato de uma semente: se fez pequeno, como um grão de trigo; deixou a sua glória celeste para vir entre os homens, caiu na terra, mas não era suficiente. “Se alguém de vocês me perguntar: como nasce a esperança? Da cruz. Olhe para a cruz, olhe para cristo crucificado e dali virá a esperança que jamais desaparece”.

Para produzir fruto, Jesus viveu o amor até o fim, deixando-se romper pela morte como uma semente sob a terra, disse o Papa. Justamente ali, no ponto extremo do seu abaixamento – que é também o ponto mais alto do amor – brotou a esperança. Assim, na Páscoa, Jesus transformou o pecado em perdão, a morte em ressurreição, o medo em confiança. Esta é a transformação da Páscoa. “Eis o porquê ali, sobre a cruz, nasceu e renasce sempre a nossa esperança”.

Cruz: única lógica que pode vencer o mal

O Santo Padre acrescentou que a lógica da cruz parece uma lógica falida, porque quem ama perde poder. Já para nós, disse, possuir sempre nos leva a querer sempre mais. “Quem é voraz jamais está satisfeito”, recordou o Papa. E Jesus diz de modo claro: “Quem ama a própria vida a perde”, ou seja: quem ama o próprio e vive por seus interesses, se enche de si e se perde. Quem ao invés aceita, é disponível e serve os outros, salva si mesmo e se torna semente de esperança para o mundo.

Contudo, a cruz é uma passagem obrigatória, mas não é a meta: a meta é a glória, como mostra a Páscoa. É como uma mulher que, para dar à luz, sofre no parto. “É o que fazem as mães: dão outra vida. Sofrem, mas ficam felizes porque dão outra vida, dão sentido à dor. O amor é o motor que move a nossa esperança”, repetiu três vezes Francisco.

“Queridos irmãos e irmãs, nesses dias deixemo-nos envolver pelo mistério de Jesus que, como grão de trigo, morrendo nos doa a vida. Ele é a semente da nossa esperança. Quero lhes dar uma lição de casa: Nos fará bem contemplar o Crucifixo e dizer-lhe: Contigo nada está perdido. Contigo posso sempre esperar. Tu és a minha esperança”. E convidou os fiéis a repetirem a última frase juntos: “Tu és a minha esperança”.

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