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Existe proteção quando se usa amuletos?

Superstição

Deve-se ter confiança em Deus e não no uso de amuletos

São inúmeros os amuletos nos quais se acredita que, ao portá-los, cria-se uma proteção de todo mal e ainda traz sorte. São eles: figa, olho de cabra, pé de coelho, moedas da sorte, chave, elefante virado de costas para a porta ou a ferradura atrás dela etc. Mas será que tudo isso é verdade? Esses objetos possuem mesmo algum tipo de poder capaz de afetar a vida do ser humano?

Há uma mentalidade vinda do século III ainda muito presente nas pessoas, que é a doutrina maniqueísta, fortemente criticada por Santo Agostinho. Essa seita gnóstica afirma a existência ontológica do bem e do mal como sendo os dois princípios eternos opostos, ou seja, acredita-se que o Reino da Luz e o Reino das Trevas lutam entre si e possuem o mesmo poder. Contrária a essa crença, o cristão católico sabe que só existe um único Deus, Ele é o Todo-poderoso, portanto, não existe nada além ou igual a Ele, porque senão Ele não seria o único Deus. “Jamais haverá outro Deus, ó Trifão, nem houve outro, desde sempre (…) além daquele que fez e ordenou o universo”, afirma São Justino.

Não recorrer a amuletos

Havendo um único Deus, devemos ter confiança n’Ele, ter a certeza do salmista quando nos diz: “O Senhor vai te proteger quando sais e quando entras, desde agora e para sempre” (Sl 121,8). O próprio Jesus, Deus encarnado, antes da agonia experimentada no Getsêmani, fez uma oração de proteção para seus discípulos, para nós: “Eu já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, enquanto eu vou para junto de ti. Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um, como nós somos um” (Jo 17,11). Ora, não precisamos recorrer a objetos de superstição, uma vez que o próprio Deus nos guarda. Ele é o Pai que dá segurança e proteção para nós que somos Seus filhos.

Dentro da própria Igreja podemos cair nas superstições. Isso acontece quando se “atribui só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem” (CIC 2111). O cristão que utiliza de objetos sagrados, tais como o terço no bolso, a cruz ou o escapulário no pescoço, as imagens dos santos entre outros, somente como proteção sem depender de Deus é um supersticioso. Esses objetos devem manifestar o amor que se tem a Deus, ou seja, para louvá-lo. Eles servem para demonstrar que se é cristão, embora o mais importante é a intenção do coração, pois é dele que saem as boas ou más intenções (Cf. Mt 15,19).

Prestar culto a Deus

É importante percebermos que os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens e à prestação dos cultos a Deus. Os sacramentais são sinais sagrados que significam realidades, sobretudo, espirituais. São obtidos pela oração da Igreja, onde os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e santificam as diversas situações da vida (Cf. SC 60). Assim, os sacramentais nos conduzem aos sacramentos e não podem ser confundidos como amuletos.

Deus aceita não ser amado, mas é inadmissível para Ele ficar em segundo lugar na nossa vida. Pede-se na Sagrada Escritura: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças” (Dt 6, 5). Portanto, recorrer a tais amuletos da sorte ou, ainda mais, à magia, feitiçaria e adivinhação, é desrespeitar o amor de Deus, porque “o primeiro mandamento chama o homem a crer em Deus, a esperar n’Ele e a amá-Lo sobre todas as coisas” (CIC 2134). Assim, a verdadeira proteção do cristão é o próprio Deus.

Ricardo Cordeiro, Candidato às Ordens Sacras na Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de Internet da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários.

Jesus é a semente da esperança

Semana Santa

Quarta-feira, 12 de abril de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano 
 
No contexto da Semana Santa e das catequeses sobre esperança cristã, Santo Padre recordou entrada de Jesus em Jerusalém

Na catequese desta Quarta-Feira Santa, 12, o Papa Francisco recordou o ingresso de Jesus em Jerusalém, celebrado no Domingo de Ramos. Essa foi uma ponte para o Papa recordar que Jesus é a semente da esperança cristã.

“Quem podia imaginar que aquele que entrou triunfante na cidade teria sido humilhado, condenado e morto na cruz?”, questionou Francisco aos fiéis. “As esperanças daquele povo se desmancharam diante da cruz; mas nós cremos que precisamente Nele, crucificado, a nossa esperança renasceu”.

Francisco explicou que a frase que pode judar a entender esta esperança foi pronunciada justamente por Jesus depois de entrar em Jerusalém: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”.

A esperança tem a forma de uma semente

Jesus, explicou o Papa, trouxe ao mundo uma nova esperança, com o formato de uma semente: se fez pequeno, como um grão de trigo; deixou a sua glória celeste para vir entre os homens, caiu na terra, mas não era suficiente. “Se alguém de vocês me perguntar: como nasce a esperança? Da cruz. Olhe para a cruz, olhe para cristo crucificado e dali virá a esperança que jamais desaparece”.

Para produzir fruto, Jesus viveu o amor até o fim, deixando-se romper pela morte como uma semente sob a terra, disse o Papa. Justamente ali, no ponto extremo do seu abaixamento – que é também o ponto mais alto do amor – brotou a esperança. Assim, na Páscoa, Jesus transformou o pecado em perdão, a morte em ressurreição, o medo em confiança. Esta é a transformação da Páscoa. “Eis o porquê ali, sobre a cruz, nasceu e renasce sempre a nossa esperança”.

Cruz: única lógica que pode vencer o mal

O Santo Padre acrescentou que a lógica da cruz parece uma lógica falida, porque quem ama perde poder. Já para nós, disse, possuir sempre nos leva a querer sempre mais. “Quem é voraz jamais está satisfeito”, recordou o Papa. E Jesus diz de modo claro: “Quem ama a própria vida a perde”, ou seja: quem ama o próprio e vive por seus interesses, se enche de si e se perde. Quem ao invés aceita, é disponível e serve os outros, salva si mesmo e se torna semente de esperança para o mundo.

Contudo, a cruz é uma passagem obrigatória, mas não é a meta: a meta é a glória, como mostra a Páscoa. É como uma mulher que, para dar à luz, sofre no parto. “É o que fazem as mães: dão outra vida. Sofrem, mas ficam felizes porque dão outra vida, dão sentido à dor. O amor é o motor que move a nossa esperança”, repetiu três vezes Francisco.

“Queridos irmãos e irmãs, nesses dias deixemo-nos envolver pelo mistério de Jesus que, como grão de trigo, morrendo nos doa a vida. Ele é a semente da nossa esperança. Quero lhes dar uma lição de casa: Nos fará bem contemplar o Crucifixo e dizer-lhe: Contigo nada está perdido. Contigo posso sempre esperar. Tu és a minha esperança”. E convidou os fiéis a repetirem a última frase juntos: “Tu és a minha esperança”.

Jogando pôquer com o diabo

Vamos jogar pôquer, “seu” diabo?

Eu sei que estarei arriscando, ou mesmo comportando-me de um modo meio maluco: Mas… Sempre desejei jogar pôquer com o diabo.

O convidei e o diabo aceitou!

Começamos o jogo…

Ele jogou a primeira carta; nela estava escrito PREOCUPAÇÃO.

O diabo usa esta carta com freqüência: preocupação com o passado, preocupação com o presente, preocupação com quando eu penso que não sou um sucesso, preocupação quando estou cheio de ambição e cheio daquele sentimento de afirmação da minha personalidade, preocupação quando começo a sentir ciúmes, preocupação quando penso o que os outros estão falando de mim, preocupação sobre aminha idade avançada…

E como ele é um bastardo! Ele continua a me atormentar com dores de cabeça, dores de estômago… e assim por diante. Vamos reconhecer a primeira carta que ele jogou foi escolhida de maneira muito inteligente.

Graças a Deus que Jesus está perto de mim. Eu mostrei a Jesus a carta que o diabo jogou, e imediatamente Ele abriu a Bíblia para mim. Vieram-me a mente as palavras que Jesus disse a Pedro, quando este se debatia contra as ondas do mar e gritou a Jesus: “Mestre, Mestre, estamos perecendo”. E Jesus disse a Pedro – e agora está dizendo também para mim – “Onde está a tua fé?” (Lc 8, 22-25).

Rapidamente peguei a minha carta e a joguei na frente do diabo: .

Eu o vi tremer… Senti que ele ficou com medo. Ele percebeu que havia perdido sua primeira carta.

Ele embaralhou e me jogou sua segunda carta: CANSAÇO.

Criatura maldita: Meteu-me outra vez numa arapuca.

Cansaço… Por que o trabalho se transformou no meu ídolo.

Cansaço… Por que eu me esqueci do significado do “descanso”.

Cansaço… Por que eu penso que o mundo está em minhas mãos,

Cansaço… Por que eu quero fazer tudo sozinho. Eu só aceito coisas que EU faço.

Cansaço… Por que, quanto mais eu trabalho mais eu sinto que tenho que trabalhar.

Cansaço… Por que, por conta do meu trabalho, eu me sinto desequilibrado, sem equilíbrio verdadeiro em minha vida.

Eu vi que ele estava sorrindo. Ele está certo. Ele teve seu lance de sorte.

E, portanto, eu me voltei para o meu Mestre e Lhe pedi para me ajudar.

Abri a Bíblia e Jesus pediu-me para olhar as aves do céu e os lírios do campo. Ele me pediu para pensar apenas no dia de hoje, por que o dia de hoje já tem o seu próprio fardo.

“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6, 34).

Fiquei então aliviado e joguei diante dele a minha segunda carta: CONFIANÇA.

Vi que ele ficou com raiva. Ele percebeu que havia perdido também a segunda carta.

Novamente, embaralhou e jogou a terceira carta: AMARGURA.

Desta vez fui eu quem começou a tremer. Ele percebeu que, no meu intimo, eu sentia uma amargura com relação àquelas pessoas que um dia me prejudicaram, com relação àquelas pessoas que um dia me feriram. Eu sentia raiva daqueles que um dia levaram vantagem sobre mim. Eu estava pensando em me vingar daqueles que um dia me trataram mal. Eu cultivava amargura com relação àquelas pessoas que não gostavam de mim.

E com esta carta que o diabo jogou na minha frente ele continuou a ferir meus sentimentos.

Minha cabeça começou a ficar maluca, pensando como eu iria dar o troco.

Meu coração começou a se endurecer contra aqueles que se tornaram meus inimigos.

Eu estava perdido… por pouco não joguei meu baralho para o ar, declarando-me derrotado.

Mas Jesus bateu-me no ombro e me pediu para abrir a Bíblia novamente.

E então Ele me disse: “Digo-vos a vós que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam” (Lc 6, 27-28).

Encontrei a carta certa e a joguei na frente do diabo: PERDÃO.

O diabo levantou-se cheio de raiva. Eu vi o fogo e o ódio saindo dele. Esta carta é quente demais para ele. Ele não agüentou.

E aumentou a raiva dele contra mim. Ele não suportava a idéia de esta perdendo.

E, portanto, ele procurou atentamente pela quarta carta e com toda aspereza jogou-a na minha frente: DINHEIRO.

O dinheiro deixa todo mundo cego, e eu não sou nenhuma exceção.

Eu sempre achei que este não é um problema meu, até que o diabo começou a cochichar no meu ouvido e mostrar-me a beleza do dinheiro.

Com o dinheiro, você pode fazer muita caridade; você pode patrocinar muitas ações boas em benefício dos outros; você pode construir uma estrada no mar! Você pode abraçar e beijar; você pode ser independente, e assim você não se torna um fardo para ninguém; você pode evitar muitos problemas e assim viver serenamente. Portanto… o dinheiro é maravilhoso.

Eu via o dinheiro brilhando… simplesmente deslumbrante…

E quase acabei adorando o dinheiro como a um bezerro de ouro.

O diabo percebeu que eu já estava caindo na armadilha dele e sorriu pra mim.

E ele me tranqüilizou dizendo que estava pronto pra me ajudar a adquirir mais… e mais… e mais…

Como eu me senti atordoado, esqueci que Jesus estava perto de mim.

Mas, ai de mim! O próprio Jesus se quisesse poderia me dar muitas riquezas. Ele não tinha problema algum em competir com o diabo, se quisesse. E daí?

“Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6, 19-21).

Achei a minha quarta carta e joguei: CÉU.

Ele também perdeu a quarta carta.

Chegamos a última carta. O diabo parecia ter uma carta muito boa em sua mão. Ele estava muito satisfeito com a carta que tinha. Ele se mostrava seguro de que, com esta carta, ele iria vencer. Foi por isso que ele deixou esta carta por último.

Com um olhar descarado e um sorriso fingido, com um semblante malicioso, com uma gentileza falsa, como se quisesse ganhar tempo, ele jogou sua última carta: DESÂNIMO.

Esta carta não é uma piada. Com ela, muitos perderam a paz no coração; com ela ele tentou a maioria dos grandes santos; com ela, ele até tentou enganar Jesus no Getsêmani e no Calvário.

E com esta carta ele tentou também a mim.

Desanimado… Diante do meu crescimento espiritual demasiado lento.

Desanimado… Diante dos meus pecados que nunca consegui superar.

Desanimado… Diante dos sofrimentos da vida.

Desanimado… Quando minhas orações não são ouvidas.

Desanimado… Diante da secura e do deserto pelos quais as vezes eu passo.

Senti que ia desistir. Senti já estar sem força alguma. Eu me senti sendo lançado ao chão, como um lutador de boxe deitado no ringue depois de levar um nocaute.

Com um semblante em frangalhos, olhei para Jesus. E ele me disse:

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28).

Imediatamente Joguei minha carta diante de Satanás: JESUS.

Diante da minha carta – JESUS – Satanás fugiu.

A perda dele é irreparável.

Eu fui maluco… Eu arrisquei… Eu exagerei… Mas venci.

É arriscado jogar com o diabo, mas meu risco foi calculado, porque o jogo de verdade não é entre mim e ele, mas entre mim e Jesus.

Acertadamente o Cardeal Suenens diz que o centro da teologia não é a Demonologia, mas sim a Cristologia.

Falamos a respeito do diabo, não para dar alguma importância a ele, mas para mostrar o poder de Cristo, que foi vitorioso sobre ele e o humilhou.

O Evangelho é a Boa-nova. Realmente, devemos nos sentir radiantes de alegria, por que somos o povo Pascal.

É uma pena que muitos cristãos vivam com um medo obsessivo do diabo. Eles vêem demônios em todo lugar e temem o tempo todo de que Satanás vai traí-los.

É claro, de maneira alguma queremos diminuir o poder de Satanás tem contra nós, mas, por outro lado, nossa obsessão deve ser com relação a Cristo, e não com relação ao diabo.

Cristo ressuscitou da morte! Cristo venceu!

E assim nos tornamos o Povo Pascal, e nosso hino é ALELUIA!

Texto extraído do livro O Anti-Cristo – Quem é e como age. Frei Elias Vela.

O Coração de Jesus e a Eucaristia

“Quem poderá descrever dignamente as pulsações do Coração divino do Salvador, indícios de seu amor infinito, naqueles momentos em que oferecia à humanidade seus dons mais preciosos, a si mesmo no sacramento da eucaristia, sua Mãe santíssima e o sacerdócio? Ainda antes de celebrar a última ceia com seus discípulos, ao pensar que iria instituir o sacramento de seu corpo e de seu sangue, cuja efusão iria confirmar a nova aliança, o Coração de Jesus manifestara intensa comoção, revelada por ele aos apóstolos com estas palavras: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). Mas sua emoção atingiria o ápice quando tomou o pão, rendeu graças, partiu-o e ofereceu-lhes, dizendo: “Este é o meu corpo, dado por vós. Fazei isto em minha memória. Do mesmo modo, depois da ceia, deu o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que por vós será derramado” (Lc 22,19-20)” (Pio XII, Encíclica Haurietis Aquas, 33-34).

Essas observações do Papa Pio XII, na encíclica que se tornou ponto de referência quando se estuda a espiritualidade do Coração de Jesus, motiva-nos a apresentar a fundamentação bíblica dessa devoção (O coração na Bíblia e O Coração Traspassado) e a analisar o dom mais precioso do Coração de Jesus – aquele que nasceu de um desejo ardente e num momento especialíssimo de sua vida e missão: a Eucaristia (“Desejei ardentemente”, Memorial da morte e ressurreição e O que mais poderia Jesus ter feito por nós?).

O coração na Bíblia
Na introdução de um livro que escreveu sobre o Coração de Jesus, o teólogo alemão Karl Rahner (1904-1984) afirmou que “no futuro do mundo e da Igreja, o homem e a mulher serão místicos, isto é, pessoas com profunda experiência religiosa, ou não serão mais cristãos”. Os místicos, segundo ele, serão capazes de compreender de maneira nova e radical o sentido da expressão Coração de Jesus. Coração de Jesus, Sagrado Coração de Jesus: terá ainda sentido essa devoção? Não será uma forma ultrapassada de expressão religiosa, própria de outras épocas e culturas? Afinal, ao longo dos séculos, homens e mulheres relacionaram-se com Deus utilizando-se de palavras, expressões e gestos tirados de seu mundo, de seu tempo e de sua realidade. Por isso mesmo, muitas devoções e manifestações religiosas, largamente difundidas em determinadas épocas ou lugares, aos poucos caíram em desuso. Todos admitem que tiveram seu valor mas, hoje, ninguém mais lhes dá importância.
Não teria acontecido o mesmo com a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, tão difundida nos séculos dezoito e dezenove? A história da Igreja nos ensina que as expressões de fé que têm base bíblica conseguem ultrapassar culturas, épocas e costumes e permanecem sempre. Ora, a base da espiritualidade do Coração de Jesus está na Bíblia. Nela encontramos, somente no Antigo Testamento, 853 vezes a palavra “coração” – por exemplo, na promessa: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26). No Novo Testamento, essa palavra aparece 159 vezes. Na maioria delas, mais do que se referir ao órgão físico, sintetiza a interioridade da pessoa, sua intimidade e o mais profundo do seu ser. É o que percebemos no convite de Jesus: “Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso de vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,28-29). Quem penetra nesse Coração manso e humilde passa a compreender a razão de sua predileção pelos pecadores, pobres e aflitos; partilha de seu ardente amor pelo Pai; descobre as dimensões de seu amor e sente-se motivado a se jogar com confiança nele. É o caso do apóstolo S. Paulo, que fez tão profunda experiência da intimidade de Cristo que passou a insistir: “Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3,17-19).
Um biblista belga, Ignace de la Potterie[1], escrevendo sobre a intimidade de Cristo, isto é, sobre seu “coração”, insiste que Jesus tinha consciência de ser ele mesmo “o Reino de Deus”. Converter-se e crer no Evangelho quer dizer converter-se a Jesus, penetrar na intimidade de seu Coração e viver dele e por ele. É isso que entendemos, por exemplo, com a invocação: “Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações”. Entramos em seu reino, isto é, penetramos em sua interioridade, quando começamos a reconhecê-lo como Rei e Senhor, quando aceitamos que seja ele a reinar em nossos corações. Damos outro passo no conhecimento de sua intimidade quando descobrimos as razões e os modos de sua obediência ao Pai. Jesus foi obediente não só para nos deixar um exemplo, mas porque tinha clara consciência de ser, acima de tudo, Filho. Tendo uma profunda intimidade com o Pai e, sabendo-se infinitamente amado por ele, como não lhe obedecer? A obediência era-lhe, pois, natural, e até mais do que isso: uma agradável obrigação de todo o seu ser. Obedecendo, vivia, mais do que em qualquer outra circunstância, a condição de Filho. Deus é seu “Abbá”, seu Pai querido.

O Coração Traspassado
Também o apóstolo e evangelista João refere-se à intimidade de Cristo, ao seu “coração”, mas de outra maneira. Presente no Calvário quando Jesus consumava sua obra, o evangelista relata com pormenores o que testemunhou: “Era o dia de preparação do sábado, e esse seria solene. Para que os corpos não ficassem na cruz no sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas, primeiro a um dos crucificados com ele e depois ao outro. Chegando a Jesus viram que já estava morto. Por isso, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água. (Aquele que viu dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; ele sabe que fala a verdade, para que vós, também, acrediteis.) Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E um outro texto da Escritura diz: “Olharão para aquele que traspassaram” (Jo 19,31-37). “Olharão para aquele que traspassaram”.
S. João vê no Coração traspassado de Jesus um sinal escolhido por Deus para testemunhar seu amor. Vê nesse sinal o maior prodígio da História da Salvação; a maior epifania do amor de Deus; o ponto mais alto e a síntese de todo o mistério pascal. Não vê esse fato como casual, mas como um acontecimento projetado por Deus e até anunciado no Antigo Testamento (Ex 12,46; Zc 12,10). O sangue que sai do lado de Cristo é sinal de libertação (Ex 12,7,13); por ele concretiza-se a nova aliança (Ex 24,8): “Este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26,28). Assim, no Coração aberto de seu Filho, Deus marca um encontro conosco, mostra-nos sua misericórdia e nos dá seu abraço de Pai. A água que sai do lado de Cristo é a “água viva”, prometida por Jesus à Samaritana (cf. Jo 4,10-14): quem dela beber, “nunca mais terá sede”. É, também, a água prometida a todos “no último e mais importante dia da festa” das Tendas[2]: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim” – conforme diz a Escritura: “Do seu interior correrão rios de água viva” (Jo 7,37-38). Ao evangelista João não interessa somente o que sai – sangue e água –, mas de onde sai: do lado aberto do Coração de Cristo, de seu Coração traspassado. Sagrado Coração de Jesus, portanto, é um outro nome que a Igreja dá ao Traspassado na Cruz. Desde os primeiros tempos de sua história, a Igreja elevou seu olhar para o Coração de Cristo, ferido pela lança do soldado na Cruz. Olhando para aquele que foi traspassado, queria penetrar na intimidade de seu Senhor. Desse olhar nasceu uma descoberta, que o Concílio Vaticano II (1962-1965) assim resumiria: ele nos “amou com um coração humano” (GS, 22).

“Desejei ardentemente”
O Papa Pio XII destacou que, ao instituir a Eucaristia, seu dom mais precioso, o Coração de Jesus deixou que seus sentimentos se manifestassem abertamente: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). A instituição da Eucaristia aconteceu, pois, por premeditação de Jesus e não por mera iniciativa dos apóstolos. Diante da proximidade da festa da Páscoa, eles perguntaram ao Mestre: “Onde queres que preparemos a ceia pascal?” (Mt 26,17). Os apóstolos eram judeus e deviam participar anualmente dessa celebração. Tinham aprendido a fazer memória[3] da ação libertadora operada pelo Senhor, no Egito. Em resposta à pergunta, Jesus lhes deu as devidas orientações (“Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a ceia pascal em tua casa, junto com meus discípulos’” – Mt 26,18) e eles procuraram executá-las (“Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a ceia pascal” – Mt 26,19).
Ao anoitecer daquela quinta-feira – ou, para usar uma expressão do evangelista Lucas: “quando chegou a hora” (Lc 22,14) –, reunido com os apóstolos, Jesus lhes abriu seu coração. Em nenhuma outra oportunidade havia expressado tão claramente seus sentimentos; em nenhum outro momento falara tão abertamente do que ia no mais profundo de seu ser: “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” (Lc 22,15). Depois de antecipar que não mais comeria a páscoa com eles, “até que ela se realize no Reino de Deus” (Lc 22,16), fez uma série de gestos que os apóstolos só entenderiam mais tarde, em Pentecostes: “Tomou o pão, deu graças, partiu-o e lhes deu, dizendo: ‘Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim’. Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós’” (Lc 22,17-20). “Desejei ardentemente…” Jesus deixou claro que aquele momento e aquele acontecimento não estavam sendo improvisados. Foram preparados e desejados por ele. Se para ele era um momento importante, emocionante até, o que foi para os apóstolos? Pouco ou nada entenderam do que Jesus fez e falou. É o que se conclui pelo que aconteceu em seguida: “Ora, houve uma discussão entre eles sobre qual deles devia ser considerado o maior” (Lc 22,24). Certamente, Jesus não se surpreendeu com tal discussão: havia antecipado que só com a vinda do Espírito Santo eles entenderiam suas palavras e obras. Realmente, “quando chegou o dia de Pentecostes” (At 2,1), os apóstolos compreenderam a extensão do “Desejei ardentemente…” e da ordem: “Fazei isso em memória de mim!” (Lc 22,19) – ordem que os primeiros cristãos levaram muito a sério, a ponto de serem “assíduos… à fração do pão” (At 2,42).

Memorial da morte e ressurreição
“Quando a igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, esse acontecimento central da salvação torna-se realmente presente e com ele se realiza também a obra de nossa redenção. Esse sacrifício é tão decisivo para a salvação do gênero humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos, como se a ele tivéssemos estado presentes. Assim, cada fiel pode tomar parte na obra da redenção, alimentando-se de seus frutos inexauríveis.” (EE, 11). Essa verdade de fé, esse mistério – “mistério grande, mistério de misericórdia” –, fez nascer uma pergunta no coração de João Paulo II: “O que mais poderia Jesus ter feito por nós?” O próprio Papa, maravilhado com a grandeza desse mistério, exclamou: “Verdadeiramente, na Eucaristia demonstra-nos um amor levado até o fim (cf. Jo 13,1), um amor sem medida” (id.).
Estamos convictos de que:
(1º) o memorial da morte e ressurreição do Senhor encontra-se à nossa disposição e podemos participar da obra de nossa redenção “como se tivéssemos estado presentes”;
(2º) de diversas maneiras Jesus cumpre, na Igreja, a promessa que fez: “Eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo” (Mt 28,20), sendo que, na Eucaristia, essa presença é especial (cf. EE 1);
(3º) a Igreja vive da Eucaristia; nutre-se desse pão vivo (cf. EE 7);
(4º) a Eucaristia é o que a Igreja tem de mais precioso para oferecer ao mundo (cf. EE 9). Diante dessas certezas, só nos resta perguntar: que impacto tem a Eucaristia em nosso dia-a dia? A participação nesse “mistério da fé” é, realmente, o momento mais importante de nossa vida? “Desejei ardentemente comer esta Páscoa antes de sofrer”. Somos convidados a ver a Eucaristia a partir da perspectiva do Coração de Jesus. Reunido com os apóstolos, na noite daquela memorável quinta-feira, ele procurou dizer-lhes que não nos estava deixando apenas uma série de ensinamentos e de lembranças. Era sua própria pessoa que nos oferecia em testamento. Concretizava, dessa maneira, a nova aliança com o Pai. Ele se oferecia pela salvação do mundo. Na Eucaristia aplica, aos homens e às mulheres de hoje, a reconciliação obtida, de uma vez para sempre, para a humanidade de todos os tempos (cf. EE 12), já que torna presente o sacrifício da Cruz. Não é mais um sacrifício, nem se multiplica. O que se repete é a celebração memorial (cf. EE 12). Participando da Eucaristia, aprendemos com Jesus a “lavar os pés uns dos outros” (Jo 13,14), num serviço fraterno que se expressará sob mil formas e em inúmeras circunstâncias, numa extensão da Eucaristia.

O que mais poderia Jesus ter feito por nós?
Depois da consagração, o Presidente da celebração eucarística aclama: Eis o mistério da fé! Realmente, a Eucaristia não é um dos tantos mistérios, mas é “o” mistério da fé. É fonte da vida da Igreja, pois dela é que nasce a graça; é, também, seu ponto mais alto, pois é para a Eucaristia que tende sua ação, suas orações e seus trabalhos pastorais. Por ela se obtém a santificação dos homens e a glorificação de Deus. Como deve ocupar o lugar central na vida cristã, toda a atividade cristã deve ser organizada em vista da Eucaristia. À aclamação do Presidente da celebração, o povo responde: Anunciamos, Senhor, a vossa morte; proclamamos a vossa ressurreição; vinde, Senhor Jesus! Anunciar a morte do Senhor até que ele venha inclui transformar a vida, que se deve tornar eucarística (cf. EE 20). Somos chamados a unir-nos a Cristo, sacerdote e vítima, associando-nos à oferta que faz de si mesmo pela salvação da humanidade. É com Cristo Eucarístico que aprendemos a viver a identidade entre ministro e vítima. Também nós devemos desejar ardentemente celebrar a Páscoa, pois em nenhum momento somos tão fortes, tão úteis e eficazes como nesse, em que nos oferecemos a Cristo; com Cristo nos oferecemos ao Pai; e oferecemos ao Pai, “por Cristo, com Cristo, em Cristo”, toda a humanidade. Cada vez que formos para o altar deveremos levar a realidade que nos envolve – realidade feita de esperanças e alegrias, mas também de sofrimentos e insucessos. Damos, assim, nossa contribuição pessoal ao sacrifício redentor de Cristo. Com ele, aprendemos a ser pão partido e repartido para vida do mundo – isto é, descobrimos que não se pode comer o corpo do Senhor e beber seu sangue, e permanecer insensível diante da situação dos irmãos.
A Eucaristia é também comunhão: não só cada um de nós recebe Cristo, mas Cristo recebe cada um de nós (cf. EE 22). Unindo-nos a ele, que possui a vida divina em plenitude, participamos de sua vida divina: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, possui a vida eterna” (Jo 6,54). Quem recebe a Eucaristia, recebe, pois, o germe da ressurreição: “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6,58). Celebrar a Eucaristia é esperar a vinda gloriosa de Jesus Cristo; é unir-se à liturgia celeste, associando-se àquela multidão imensa que grita: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10). “A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar nosso caminho” (EE, 19). “Desejei ardentemente comer esta páscoa antes de sofrer” .
Precisamos alimentar em nosso coração os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Fl 2,5). Quando nossos sentimentos forem os dele, não só poderemos dizer: “Eu vivo, mas não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim!” (Gl 2,20), como também concluiremos que “o divino Redentor foi crucificado mais pela força do amor do que pela violência de seus algozes; e seu voluntário holocausto é o dom supremo que seu Coração fez a cada um dos homens” (HA, 37). Ou, como o apóstolo São Paulo, proclamaremos com convicção: “O Filho de Deus me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). O que mais poderia o Coração de Jesus ter feito por nós?…

[1] DE LA POTTERIE, I. Il mistero del Cuore trafitt -. Fondamenti biblici della spiritualità del Cuore di Gesù. Bolonha – Itália, Dehoniane, 1988.
[2] Festa das Tendas (ou: do Tabernáculo; ou: da Dedicação): Festa do fim da colheita, especialmente da uva, no início do outono da Palestina (set/out), a mais festiva das festas de romaria (Páscoa, Pentecostes e Tendas). Originalmente pernoitava-se nas cabanas de folhagens nos vinhedos, mais tarde, interpretadas como lembrança das tendas no deserto, quando do êxodo do Egito. Tanto o templo de Salomão como o de Zorobabel (2º templo) foram inaugurados nesta festa, motivo pelo qual ela é também chamada de Festa da Dedicação do Templo. Foi em uma delas que Esdras fez a grande leitura da Lei (fundação do judaísmo: Ne 8-9). (Cf. Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, Glossário).
[3] Memória: o fato recordado é o evento salvífico de Deus, que se renova na história, atualizando-se. Nesse sentido, a eucaristia não é só recordação, mas o sacrifício de Cristo em ação, no hoje da Igreja, a tensão para a realidade gloriosa de Cristo ressuscitado. (Dicionário Enciclopédico das Religiões, Vozes).  

A consagração a Deus e à liberdade

Nossa vida está escondida no Cristo Senhor

No capítulo quinto do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina alguns motivos para nos consagrar a Nossa Senhora. O sexto motivo apresentado pelo Santo para escolher a consagração total a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria é que “esta prática de devoção dá uma grande liberdade interior àqueles que a observam fielmente” (TVD 169). Tal liberdade interior é própria dos filhos de Deus: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Pela consagração, segundo o método de São Luís, “nos tornamos escravos de Jesus Cristo” (cf. TVD 169), porém, isto não nos tira a liberdade. Ao contrário, ao fazer-nos escravos de amor da Virgem Maria, Jesus nos recompensa com graças. O Senhor “tira da alma todo escrúpulo e temor servil, que só servem para a estreitá-la, escravizá-la e confundi-la” (TVD 169). Ele tira de nós toda a dúvida ou inquietação espiritual que nos impede do crescimento na graça e na liberdade de espírito.

Cristo também tira de nós o temor servil, o medo de servir alguém, dando nos a liberdade e a clareza de espírito para as coisas de Deus. Montfort diz que a consagração total “dilata o coração para uma santa confiança em Deus, fazendo-o ver n’Ele seu Pai” (TVD 169), ou seja, consagrando-nos inteiramente a Jesus, somos tomados por uma fé inabalável em Deus, nosso Pai. Além disso, São Luís Maria ensina que, por esta devoção, Jesus nos concede um amor terno e filial para com Deus.

Para exemplificar sua doutrina sobre a liberdade de espírito, São Luís cita como exemplo a história da vida de Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina do convento de Langeac, em Auvergne, que faleceu nesse mesmo local em odor de santidade em 1634. Ela não tinha mais de sete anos quando já sofria de grandes penas do espírito. “Foi então que ouviu uma voz dizer-lhe que, se desejava ser livre de todas as suas penas e protegida contra todos os seus inimigos, deveria tornar-se o mais depressa possível escrava de Jesus e de sua Santa Mãe” (TVD 170). Rapidamente, consagrou-se inteiramente como escrava a Jesus e à Sua Santa Mãe, embora não conhecesse esta devoção. Como sinal de sua consagração, cingiu-se com cadeia de ferro sobre os rins e usou-a até a morte.

Depois da consagração, cessaram todas as suas penas e escrúpulos. Madre Inês ficou em tanta paz e liberdade de coração que ensinou esta prática a várias pessoas, que fizeram grandes progressos espirituais. Entre estas pessoas, estava o padre Olier, fundador do Seminário de São Sulpício e a outros sacerdotes e membros do clero. Certo dia, “apareceu-lhe a Santíssima Virgem e pôs-lhe ao pescoço uma cadeia de ouro, testemunhando-lhe assim a alegria que sentia por ela se ter feito escrava sua e de seu Filho. Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, disse-lhe: Felizes os fiéis escravos da Rainha do Céu, porque gozarão a verdadeira liberdade: Ó Mãe, servir-Vos é a liberdade!” (TVD 170).

Assim, São Luís Maria prova que a devoção que ensina não é apenas uma teoria, mas é uma prática comprovada pela história. Além deste testemunho, hoje temos conhecimento de muitas outras pessoas que se consagraram a Virgem Maria e experimentaram a mesma liberdade de espírito para lançar-se nos mais altos desafios da vida espiritual e temporal. Um dos mais célebres e conhecidos é o saudoso Papa São João Paulo II, o qual teve sua vida marcada pela consagração total a Nossa Senhora. Sigamos os passos do “João de Deus” e nos consagremos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Sua Mãe Santíssima e experimentemos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Começa a preparação ao Domingo da Misericórdia

De acordo com a devoção difundida pela Santa Faustina Kowalska

A Igreja universal celebrará no próximo dia 12 de abril, o domingo da Divina misericórdia, «um convite perene a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e provas» da humanidade. A preparação da festa inicia esta Sexta-feira Santa com a novena para a Divina Misericórdia. Foi em 23 de maio de 2000 quando se difundiu um decreto da Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no qual se estabeleceu, por indicação de João Paulo II, a festa da Divina Misericórdia o segundo domingo da Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico é «segundo domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia». A devoção à Divina Misericórdia constitui um autêntico movimento espiritual dentro da Igreja Católica promovido por Faustina Kowalska, a quem João Paulo II canonizou em 30 de abril daquele ano. O Papa escolheu esse dia para anunciar uma surpresa: «Em todo o mundo, o segundo domingo de Páscoa receberá o nome de domingo da Divina Misericórdia. Um convite perene para o mundo cristão a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e as provas que esperam o gênero humano nos anos vindouros». Como o Papa não havia escrito estas palavras, não apareceram na transcrição oficial de seus discursos dessa canonização. Daí que o decreto que publicou a mencionada Congregação vaticana anunciasse de maneira oficial à Igreja universal o desejo de João Paulo II, que dedicou uma de suas encíclicas à Divina Misericórdia («Dives in misericordia»). Quando o Papa canonizou a religiosa polonesa ante 200.000 peregrinos, Faustina Kowalska se converteu na primeira santa do Jubileu do ano 2000, coroação de um século marcado por imensos sofrimentos, mas que justamente em seus anos mais escuros, os que vão do primeiro ao segundo conflito mundial, via a jovem irmã Faustina (1905-1938) entregar a mensagem de misericórdia recebida de Cristo.

Santa Faustina Kowalska
A jovem polonesa, que morreu aos 33 anos, nasceu na pequena aldeia rural de Glogowiec em 25 de agosto de 1905. Aos 20 anos foi admitida no convento das irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia de Varsóvia. Nos treze anos seguintes, desempenhou os ofícios humildes: cozinheira, jardineira e porteira. Morreu em Cracóvia em 5 de outubro de 1938. Paralela à sua humilde vida, desenvolvia uma experiência mística de consagração à Divina Misericórdia, um itinerário tecido de visões, revelações, estigmas escondidos, tudo isto recolhido em um diário que começou a escrever em 1934 por sugestão de seu diretor espiritual. O centro da vida de Faustina Kowalska foi o anúncio da misericórdia de Deus com cada ser humano. Seu legado espiritual à Igreja é a devoção à Divina Misericórdia, inspirada por uma visão na qual o próprio Jesus lhe pedia que se pintasse uma imagem sua com a legenda «Jesus, eu confio em vós», que ela encarregou a um pintor em 1935. O diário de Irmã Faustina –que intitulou «A Misericórdia Divina em minha alma»– manifesta como Nosso Senhor lhe encomendou a missão de anunciar ao mundo, uma vez mais, a mensagem evangélica de sua misericórdia e de estabelecer novas formas de devoção a Deus em seu atributo de Misericórdia para todos, em especial para aqueles que mais o necessitam. A característica essencial e fundamental da devoção à Misericórdia Divina é a confiança em Jesus, um ponto em que o Senhor insiste segundo se desprende do que Santa Faustina recolhe em seu diário. Daí devem partir todas as formas de devoção à Misericórdia, segundo as revelações à religiosa, sejam estas a veneração da imagem da Misericórdia Divina, ou a oração do rosário da Misericórdia Divina, a hora da grande Misericórdia –as três da tarde, momento da morte de Jesus na cruz– ou a recepção dos Sacramentos na Festa da Misericórdia. A devoção que foi revelada a Santa Faustina urge ao indivíduo a atuar com espírito misericordioso para com o próximo diariamente, com orações, palavras e obras.

Novena à Divina Misericórdia
No diário de Irmã Faustina se lê, pelo menos em catorze ocasiões, que Nosso Senhor pedia a instituição de uma «Festa da Misericórdia»: «Esta Festa surge de Minha piedade mais entranhável… –recolhe o texto–. Desejo que se celebre com grande solenidade o primeiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição… desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas e especialmente para os pobres pecadores». Assim, Jesus pediu que Irmã Faustina se preparasse para a celebração da Festa da Misericórdia com uma novena que devia começar no dia de Sexta-feira Santa: «Desejo que durante estes nove dias encaminhe almas à fonte de Minha misericórdia, a fim de que por ela adquiram fortaleza e consolo nas penalidades, e aquela graça de que necessitam para seguir adiante, especialmente na hora da morte». «Cada dia trarás a meu coração um grupo diferente de almas –prossegue– e as submergirás no oceano de Minha misericórdia, e Eu as conduzirei à mansão de Meu Pai (…) Cada dia pedirás a Meu Pai –pelos méritos de Minha amarga Paixão– graças para estas almas».

 

SETE DICAS ENQUANTO O SENHOR NÃO VEM
Ricardo Sá

É preciso apressar nossa conversão, nos colocar no ritmo de Nosso Senhor Jesus. Nosso Senhor tem pressa, e a pressa maior é a nossa mudança de vida. É tempo de conversão para mim, o tempo de conversão é hoje, eu preciso me converter e cada vez mais. Tudo é uma questão de conversão, se a gente se determina a desejar ficar mais parecido com Nosso Senhor, pode vir os problemas que vier que a gente enfrenta, porque está enraizado em nós um desejo de conversão. De quem esse mundo precisa? De Jesus. Eu apresento a você sete dicas enquanto o Senhor não vem.
Primeira dica: espírito de sacrifício. Eu me refiro as coisas que você no dia a dia diz: “eu não agüento mais aquela pessoa, aquela doença, esta vida…” Esse linguajar precisa sair da nossa boca. O que é para nós cristãos um espírito de sacrifício? Tem espírito de sacrifício quem sabe ver mais além, por detrás do problema, por detrás daquela pessoa. Por mais difícil que seja o problema, a pessoa acredita que Deus pode intervir. A pessoa agüenta firme sem reclamar. Agüentamos firmes porque temos a tendência para fazer o mal, a gente agüenta por espírito de sacrifico e oferece. Vida penitencial: isso significa jejum, a penitência que você há muito tempo não faz, enquanto o Senhor não vem, vida penitencial. Nada de reclamação da vida e das pessoas.
Segunda dica: colocar em dia a vida de oração. Você diz que não tem tempo, mas você tem tempo sim. Nossa vida de oração precisa nos conduzir a intimidade com Deus, você precisa ser guerreiro na vida de oração, rezar todos os dias, para treinar nosso coração para ouvir o Senhor. Minha vida pessoal como Nosso Senhor é uma vida muita feliz, mas é uma vida de cruz, mas feliz. Ser cristão não é fácil. Se você não cultiva o bem que você recebeu na vida de oração, virá o mal para arrancar o bem de seu coração. Quanto tempo você gasta com Jesus Cristo diariamente? Seja um orante teimoso e diga muitas vezes: “Jesus me ensina a chegar até o teu coração”. Treine a alma na oração.
Terceira dica: Santidade provada. O tempo é tão urgente que a nossa santidade está em tempo de prova. Não existe santidade sem passar pela prova. Prova de santidade a gente não escolhe, Deus nos dá. Ela serve para te fazer melhor, te fazer mais de Deus. Qual é a porta estreita para sua vida? Não reclame mais. É a sua doença? Aproveite para ser santo. Se submeta a prova que você está passando, identifique a prova que Deus hoje te faz passar. É tempo de santidade provada enquanto o Senhor não vem. “É preciso dar a vida, senão não é amor”.
Quarta dica: Fuja do mal. Com o mal a gente não dialoga, a gente foge do mal. Revistas, filmes, novelas… de que você precisa fugir? Ou a gente transforma os acontecimentos da vida para irmos para o céu, ou iremos para o inferno. Eu não agüento mais a minha superficialidade. “Senhor, livra-me do mal que me faz pecar”. Você precisa identificar as pessoas que te conduzem ao mal, fuja dessas pessoas. Você precisa dizer a essas pessoas: “assim eu não agüento, o problema não é com você é comigo”. Chega de escrúpulos e fuja para longe das pessoas que não te levam para Deus.
Quinta dica: Vida apostólica. O que você tem feito por Cristo e sua Igreja? Há quanto tempo você não faz nada por Cristo e sua Igreja? Porque você está dodói? Talvez seu problema de saúde seja curado a medida que você trabalhe para Nosso Senhor. O Reino de Deus cresce em mim cada vez que dou de mim para os outros. A Igreja precisa de você com as capacidades que você tem. Vá na paróquia, eu duvido que você não encontre o que fazer.
Sexta dica: Ame concretamente. Viva para os outros, tire os olhos de seu umbigo, tire os olhos de seus objetivos, ame. É preciso dar a vida, senão não é amor. Quais são as pessoas que faz você deparar com o que há de pior em você? Viver para os outros é dar uma atenção contínua a quem está ao meu redor.
Sétima dica: Perdoar. Você precisa perdoar. Perdoe-me se você me viu de cara feia, nervoso. Eu preciso do perdão de vocês porque sou muito orgulhoso, arrogante e preciso do perdão de vocês. Perdoe em nome de Jesus.

 

SUA MISERICÓRDIA É INFINITA, PARA QUEM A PROCURA

«O Temor do Senhor, eis a Sabedoria; fugir do mal, eis a Inteligência» (Jó 28, 28). Pois os olhos do Senhor estão voltados «para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante da Minha palavra» (Is 66, 2) – Então, supliquemos a Maria, dia e noite, que interceda por nós junto do seu Divino Filho, para que sejamos contados no número dos eleitos, e dessa forma não caiamos naquele sítio que a Sagrada Escritura descreve como o “horror eterno”: «O Senhor Todo-Poderoso puni-los-á no dia do Juízo. Porá fogo e vermes nos seus corpos, e eles chorarão de dor eternamente» Judite (Jd 16, 17).
Deus não é Amor para que nós (também) sejamos maus. Se Deus fosse bom para que nós fôssemos maus, Deus não seria Bom. «O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria» (Prov 1, 7). Muitos esquecem-se que «a sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem» (Lc 1, 50). E não para aqueles que abusam dessa mesma Misericórdia. Errar e pecar é humano. Mas amar o pecado e o erro e neles persistir é diabólico. O Amor de Deus não é um jogo (de sorte ou azar). Não se é amado incondicionalmente por um Deus Infinito até à morte de Cruz.
Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre o Inferno e sobre as conseqüências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao Inferno, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão (mesmo sem o mínimo arrependimento). Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente.
Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO a SANTA CATARINA DE SENA: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando (mesmo assim) poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14-14).
A vã hipótese duma eternidade sem ninguém que se tenha condenado, ou se vá condenar, seria uma eternidade frívola, não séria, seria como um inferno “light”, morno. Não valeria a pena lutar para evitar o Inferno verdadeiro. A proposta dos modernistas e relativistas é uma proposta demagógica e autoritária. Autoritária, porque todos se salvarão, ainda que não queiram ou não mereçam. Demagógica, porque, como os políticos atuais, fazem promessas fáceis de eterna salvação, que logo não cumprirão, e muitos descobrirão o engano quando já for tarde demais… E a quem reclamarão? Não que não devamos ter esperança. Mas esta deve ser fundamentada numa procura incessante pelo Rosto de Deus e num afastamento do pecado e das ocasiões que levam a ele. Apelar à esperança da Salvação, sem apelar para uma vida séria segundo a Moral Cristã, longe do pecado e das suas ocasiões, é pura demagogia.
Se Deus fosse “misericordioso” com todos os homens bons e maus, se concedesse a todos a graça da conversão antes da morte, seria ocasião de pecado até para os bons, pois induziria estes a pecar e a esperar na Sua misericórdia. Mas não, quando chega ao fim das Suas misericórdias, Deus castiga e não perdoa mais: «Agora, que chegou o teu fim, vou desencadear a Minha ira contra ti, e julgar-te-ei de acordo com o teu comportamento; farei cair sobre ti as tuas abominações, de acordo com o teu comportamento. Já não terei um olhar de compaixão para ti; não te pouparei; antes, farei cair sobre ti o teu comportamento, as tuas abominações ficarão expostas no meio de ti, e então sabereis que Eu sou Iahweh» (Ez 7, 3-4); e acrescenta mais: «O Meu olhar não se compadecerá; eu não pouparei, antes pagar-te-ei de acordo com o teu comportamento» (Ez 7, 9).
Se Deus quisesse, com uma vontade sem limites, a salvação de todos os homens, para quê a Encarnação do Seu Filho? Para quê a Morte na cruz? Para quê a Igreja? Para quê o Papa, os bispos, os padres, os diáconos? Para quê os Sacramentos, a Liturgia, a Palavra de Deus, a Bíblia?…O Inferno povoa-se mais com a Misericórdia do que com a Justiça. Os modernistas de agora querem o Inferno vazio, até evitam falar dele, e tudo o que conseguem fazer é povoá-lo mais. São os colonizadores do Inferno, pois como não avisam o homem do perigo que é transgredir a Lei de Deus, induzem este a pecar indiretamente e por isso mesmo a perder-se.
Escreve SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO: «Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia (desvirtuada) para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende». Ele usa de Misericórdia com os pecadores, mas só com quem, após ofendê-Lo, o lamenta sinceramente, temendo voltar a ofendê-LO: «A Sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem», cantou a Mãe de Deus. Com os que abusam da Sua Misericórdia, para desrespeitá-Lo ou desprezá-Lo, Ele usa da Sua Justiça. O Senhor perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar.
Escreve SANTO AGOSTINHO que: quem peca com esperança de arrepender-se depois de pecar, não é penitente, mas ri-se de Deus. Ora, São Paulo advertiu-nos que «de Deus não se zomba» (Gl 6, 7). Seria gozar a Deus ofendê-Lo como e quanto se quer, e mesmo assim ter a pretensão de ir ao Céu. Por muito incômodo e insondável que seja para o homem moderno, o que está revelado, revelado está. E não existe forma alguma de nos evadirmos desta realidade. Não é pelo infeliz fato de não falarmos ou não acreditarmos no Inferno, que ele deixa de existir e de ser uma espantosa e terrível realidade.
DIZIA SÃO JOÃO CRISÓSTOMO: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!…..”.
Não duvideis, diz SÃO BASÍLIO, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo… Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!”.
SANTO AGOSTINHO observa que, para enganar os homens, “o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança. Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões”.

A perseverança dos Ondinhas

No domingo passado, dia 18 de março, sendo muito calor e dia abafado, estiveram reunidos nas dependências do salão social da igreja Nossa Senhora da Piedade, 27 jovens do Onda, juntamente com os Tios e Coordenadores, para o Retiro de Perseverança.

Desde às 7h15min muitos já estavam presentes e trouxeram lanches para compartilhar com os colegas.

O belíssimo e gostosíssimo almoço foi preparado pelas irmãs Strack, lideradas pela Carmem.

Às 8h, iniciamos com cantos do folclore, até as 8h15min. Fizemos então um grande círculo, todos deram-se as mãos e belas orações prepararam o grande dia.

Palestras: Marcel – O Amor de Deus; Danielle e Daniela – Maria; Tio Vitório Vingert – Armadilhas Online; Thaís e Vitória Wanner – Meus pensamentos me ajudam ou me prejudicam?; Isadora Grawer – Jovens, não tenhais medo; Irmã Janete – Como me silenciar nos dias de hoje; Tia Isabel – Confiança em Deus; Tia Rose – Deus nunca desiste de mim.

Durante o dia aconteceram também vários momento de descontração, dinâmicas, brincadeiras, cantos e danças, lanches, momento espiritual na igreja com os Tios, confissões com Padre Ronaldo e Monsenhor Inácio e Santa Missa no final do dia com liturgia à cargo dos jovens do Onda.

Nas intenções, muitas emoções, orações e louvores. Na prática, amizades catalisadas, revelações de talentos, jovens não dispersando seu precioso tempo com coisas mundanas.

Às 19h, ao final da Santa Missa, organizamos a sala e fomos para nossos lares.

Obrigado Senhor Jesus, por mais este dia de aprendizado e de evangelização.

A Igreja confia nos jovens e precisa deles

Quinta-feira, 07 de fevereiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Bento XVI destacou que a Igreja precisa dos jovens para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo  

Uma mensagem de estímulo para a juventude de todo o mundo. Esse é o teor do discurso do Papa Bento XVI dirigido aos participantes da plenária do Pontifício Conselho da Cultura nesta quinta-feria, 7, no Vaticano. O Santo Padre reiterou que a Igreja renova a sua fé nos jovens e os vê como um ponto de referência para seu trabalho pastoral.

A plenária do Pontifício Conselho deste ano tem como tema “culturas juvenis emergentes”, abordando a relação entre a Igreja e o mundo juvenil. Com relação a esta temática, o Pontífice lembrou que há um clima de instabilidade que toca as esferas cultural, política e econômica, sendo que esta última é marcada pela dificuldade dos jovens em encontrar um emprego.

Diante de situações como estas, segundo disse o Papa, a fragilidade e a marginalidade acabam resultando, por exemplo, nos fenômenos da dependência das drogas e a violência. Mas ainda há fenômenos positivos. Como exemplo, Bento XVI citou a generosidade e coragem de jovens voluntários, que se esforçam em prol dos mais necessitados e dão testemunho de sua participação no trabalho da Igreja de construir uma sociedade capaz de respeitar a dignidade humana, começando pelos mais necessitados.

“Tudo isso nos conforta e nos ajuda a desenhar uma imagem mais precisa e objetiva das culturas juvenis. Nós não podemos, no entanto, nos contentar com uma visão dos fenômenos da cultura juvenil ditada por paradigmas estabelecidos, que tornaram-se clichês, analisá-los com métodos que não são mais úteis, com ultrapassadas e inadequadas categorias culturais”, disse.

O Santo Padre lembrou ainda que a realidade com a qual se depara hoje é extremamente complexa, mas fascinante, e deve ser bem entendida com espírito de empatia. E apesar das situações problemáticas, ele reiterou que a Igreja renova a sua fé nos jovens.

“A Igreja tem confiança nos jovens, ela espera neles e em suas energias, ela precisa deles e da sua vitalidade, para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo. Espero sinceramente, portanto, que o Ano da Fé seja, mesmo para as jovens gerações, uma preciosa oportunidade para redescobrir e fortalecer nossa amizade com Cristo, que traz alegria e entusiasmo para transformar profundamente as culturas e sociedade”, enfatizou.

 

Discurso do Papa ao Pontificio Conselho da Cultura – 07/02/2013  
Rádio Vaticano em inglês (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos amigos,

Tenho o prazer de encontrar-vos na abertura da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho da Cultura, durante a qual vocês irão se concentrar na compreensão e aprofundamento, a partir de diferentes perspectivas, nas “culturas juvenis emergentes”. Eu cordialmente cumprimento o Presidente, Cardeal Gianfranco Ravasi, e agradeço a ele pelas gentis palavras a mim dirigidas em nome de todos vós. Eu cumprimento os Membros, os Consultores e todos os Colaboradores do Discatério, na esperança de que seu trabalho seja frutífero e dê uma útil contribuição para o trabalho da Igreja em relação à realidade juvenil; uma realidade complexa, como foi dito, e uma das que não pode ser entendida dentro do contexto de um universo culturalmente homogêneo, mas em um horizonte que pode ser definido como “multiverso”, que é determinado por uma pluralidade de visões, perspectivas e estratégias. Portanto, é apropriado falar de “culturas jovens”, uma vez que os elementos que distinguem e diferenciam os fenômenos e as áreas culturais prevalecem sobre aqueles que, em vez disso, eles têm em comum. Vários fatores de fato estão contribuindo para traçar uma paisagem cultural cada vez mais fragmentada, em constante e rápida evolução, para a qual não são estranhas as mídias sociais, as novas ferramentas de comunicação, que facilitam e, por vezes, são a própria causa de contínuas e rápidas mudanças na mentalidade, costumes, comportamento.

Existe, portanto, um clima de instabilidade que toca a esfera cultural, bem como a política  e econômica- esta último também marcada por dificuldades dos jovens em encontrar um emprego – afetando as pessoas principalmente em um nível psicológico e relacional. A incerteza e fragilidade que caracterizam tantos jovens frequentemente os empurra para as margens, tornando-os quase invisíveis e ausentes nos processos culturais e históricos das sociedades. E cada vez mais frequentemente fragilidade e marginalidade resultam no fenômenos da dependência das drogas, desvio e violência. As esferas sentimental e emocional, a esfera dos sentimentos, bem como a esfera corporal, são fortemente afetadas por este clima e tempestades culturais que se seguem expressas, por exemplo, em fenômenos aparentemente contraditórios, como o espetáculo da vida íntima e pessoal e relacionamentos íntimos e o foco individualista e narcisista sobre as necessidades e interesses pessoais. A dimensão religiosa, a experiência de fé e de membros na Igreja são muitas vezes vistas em uma perspectiva privada e emocional.

Todavia, há fenômenos decididamente positivos. A generosidade e coragem de tantos jovens voluntários que dedicam seus melhores esforços para o outro necessitado, a sincera e profunda experiência de fé de tantos jovens garotos e garotas que alegremente dão testemunho da sua participação nos esforços da Igreja para construir, em muitas partes do mundo, sociedades capazes de respeitar a liberdade e a dignidade de todos, começando com os pequenos e mais indefesos. Tudo isso nos conforta e nos ajuda a desenhar uma imagem mais precisa e objetiva das culturas juvenis.  Nós não podemos, no entanto, nos contentar com uma visão dos fenômenos da cultura juvenil ditada por paradigmas estabelecidos, que tornaram-se clichês, analisá-los com métodos que não são mais úteis, com ultrapassadas e inadequadas categorias culturais.

Nós estamos, afinal, diante de uma realidade extremamente complexa, mas fascinante, que precisa ser bem entendida e amada com um grande espírito de empatia, cuja linha de fundo e desenvolvimento nós devemos compreender cuidadosamente. Olhando, por exemplo, para os jovens em muitos países do chamado “Terceiro Mundo”, nós percebemos que eles representam, com suas culturas e necessidades, um desafio para a sociedade de consumo global, para a cultura de privilégios estabelecidos, que beneficia um pequeno grupo da população do mundo ocidental. As culturas juvenis, como um resultado, “emergem” no sentido de que exibem uma profunda necessidade, um pedido de socorro ou mesmo uma “provocação” que não pode ser ignorada ou negligenciada, seja pela sociedade civil ou pela comunidade eclesiástica. Eu tenho frequentemente expressado, por exemplo, minha preocupação e a de toda a Igreja com a chamada “emergência educativa”, que certamente é uma dentre outras “emergências” que afetam diferentes dimensões da pessoa e relações fundamentais e que não podem ser respondidas de forma evasiva e banal. Penso, por exemplo, nas dificuldades crescentes no campo de trabalho ou o esforço que é necessário para permanecer fiéis às responsabilidades que assumimos ao longo do tempo. Um empobrecimento, não somente econômico e social, mas também humano e espiritual poderia seguir, para o futuro do mundo e de toda a humanidade: se os jovens não mais têm esperança, se eles não mais progridem, se eles não mais se inserem em dinâmicas históricas com a sua energia, sua vitalidade, suas abilidades para antecipar o futuro, nós encontraríamos uma humanidade voltada para si mesma, sem confiança e uma perspectiva positiva para o futuro.

Apesar de estarmos conscientes de muitas situações problemáticas, que também afetam a área da fé e os membros da Igreja, nós renovamos a nossa fé nos jovens, para reafirmar que a Igreja vê sua condição, sua cultura, como um essencial e inevitável ponto de referência para seu trabalho pastoral. Por esta razão, eu gostaria de retomar aulgumas significantes passagens da Mensagem que o Concílio Vaticano II dirigiu aos jovens, como base para reflexão e inspiração para as novas gerações. Primeiro foi dito: “A Igreja olha para vocês com confiança e amor … Ela possui o que constitui a força e o encanto da juventude, isto é, a habilidade de alegrar-se com o que está para começar, para doar-se sem reservas, para renovar a si mesmo e partir para novas conquistas”. O Venerável Paulo VI dirigiu este apelo para os jovens do mundo “é em nome desse Deus e de Seu Filho, Jesus, que nós exortamos vocês a abrir seus corações para as dimensões do mundo, a escutar o apelo de seus irmãos, a colocar a sua energia juvenil a seu serviço. Lutem contra todo egoísmo. Recusem-se a dar livre curso aos instintos de violência e ódio que geram guerras e todo seu cortejo de misérias. Sejam generosos, puros, respeitosos e sinceros, e construam com entusiasmo um mundo melhor do que os seus antepassados tiveram”.

Eu também quero reafirmá-lo com força: a Igreja tem confiança nos jovens, ela espera neles e em suas energias, ela precisa deles e da sua vitalidade, para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo. Espero sinceramente, portanto, que o Ano da Fé seja, mesmo para as jovens gerações, uma preciosa oportunidade para redescobrir e fortalecer nossa amizade com Cristo, que  traz alegria e entusiasmo para transformar profundamente culturas e sociedade.

Queridos amigos, obrigado pelos esforços que vocês generosamente colocam a serviço da Igreja, e pela sua especial atenção para com os jovens, sobre vós eu cordialmente concedo minha Benção Apostólica.

Não são os magos que nos salvam…

… nem os tarôs ou nós mesmos, somente Jesus salva
05/04/2013   

Cidade do Vaticano  – Somente no nome de Jesus há salvação: foi o que disse o Papa na manhã desta sexta-feira na breve homilia da missa presidida na capelinha da Casa Santa Marta, no Vaticano. Participaram da celebração alguns sediários pontifícios e um grupo de funcionários da Farmácia vaticana.

Comentando as leituras desta Sexta-feira da Oitava de Páscoa, o Santo Padre recordou com São Pedro que somente no nome de Jesus somos salvos: “Em nenhum outro há salvação”.

Pedro, que havia renegado Jesus, agora com coragem, na prisão, dá o seu testemunho diante dos chefes judeus, explicando que é graças à invocação do nome de Jesus que um paralítico é curado. É “aquele nome que nos salva”. Pedro não pronuncia aquele nome sozinho, mas “repleto do Espírito Santo”.

De fato – explicou Francisco –, “nós não podemos confessar Jesus, não podemos falar sobre Jesus, não podemos dizer algo sobre Jesus sem o Espírito Santo. É o Espírito que nos impele a confessar Jesus ou a falar sobre Jesus ou a ter confiança em Jesus. Jesus que está no nosso caminho da vida, sempre”.

Francisco contou um fato: “na Cúria de Buenos Aires trabalha um homem humilde, trabalha há 30 anos; pai de oito filhos. Antes de sair, antes de fazer as coisas, sempre diz: ‘Jesus!’ E eu, uma vez, perguntei-lhe: ‘Por que você sempre diz ‘Jesus’?’ Quando eu digo ‘Jesus’ – disse-me este homem humilde – me sinto forte, sinto poder trabalhar, e sei que Ele está a meu lado, que Ele me protege'”.

“Este homem – observou – não estudou Teologia, tem somente a graça do Batismo e a força do Espírito. E esse testemunho – afirmou o Papa Francisco – me fez um grande bem”: porque nos recorda que “neste mundo que nos oferece tantos salvadores” somente o nome de Jesus salva.

Para resolver seus problemas, muitos recorrem aos magos ou aos tarôs – ressaltou. Mas somente Jesus salva “e devemos dar testemunho disso! Ele é o único”.

Por fim, fez um convite a ter Maria como companheira: “Nossa Senhora nos conduz sempre a Jesus”, como fez em Caná quando disse: “Fazei aquilo que Ele vos disser!” Assim, confiemo-nos ao nome de Jesus, invoquemos o nome de Jesus, deixando que o Espírito Santo nos impulsione “a fazer esta oração confiante no nome de Jesus – concluiu Francisco – … nos fará bem!”.

Fonte: Rádio Vaticano  

No dia da Sagrada Família, Papa pede que pais eduquem filhos em Deus

Domingo, 31 de dezembro de 2017, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Segundo Francisco ao proteger e educar os filhos para que se abram a Deus, pais criam crianças construtivas para o mundo

Papa acena aos fiéis presentes na manhã deste domingo, 31, na Praça São Pedro, para o último Ângelus de 2017 / Foto: Reprodução Youtube Vatican News

“Deus é o Senhor da história individual e familiar”. Esta foi a afirmação do Papa Francisco durante o último Ângelus de 2017 que teve como tema central a Sagrada Família de Nazaré. Da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, o Santo Padre destacou Maria, José e Jesus como exemplos de mútuo amor e confiança em Deus, e convidou os cristãos a seguirem estes exemplos.

De acordo com o pontífice a confiança é uma expressão do rito realizado por Maria e José quando, ao apresentarem Jesus ao Senhor, o casal o leva à Jerusalém. “Os pais de Jesus vão ao templo para certificar que a criança pertence a Deus e que eles são os guardiões de sua vida e não os donos. E isso nos faz refletir. Todos os pais são guardiões da vida de seus filhos, não proprietários, e devem ajudá-los a crescer, amadurecer”, enfatizou.

Francisco afirma que cada família é chamada a proteger e educar as crianças para se abrirem a Deus, que é a própria fonte da vida e juventude interior. Segundo o Santo Padre, Simeão e Anna, inspirados pelo Espírito Santo, afirmaram que Jesus nasceu como sinal de contradição para que os pensamentos de muitos corações fossem revelados, ou seja, para derrubar as imagens falsas que são feitas de Deus e do ser humano.

“Jesus veio (…) para ‘contradizer’ as certezas mundanas sobre as quais reivindicamos nos apoiar; para nos fazer ‘ressuscitar’ para uma verdadeira viagem humana e cristã autêntica baseada nos valores do Evangelho. Não há uma situação familiar que seja impedida neste novo caminho de renascimento e ressurreição. E toda vez que as famílias, mesmo as feridas e marcadas pela fragilidade, fracasso e dificuldade, retornam à fonte da experiência cristã, novos caminhos e possibilidades inimagináveis ​​se abrem”, suscitou o Papa.

O pontífice prosseguiu reconhecendo como grande alegria da família o crescimento das crianças, que assim como Jesus, estão destinadas a se desenvolver e a se fortalecer, adquirir sabedoria e receber a graça de Deus. “Ele é verdadeiramente um de nós: o Filho de Deus se torna um filho, aceita crescer, fortalecer-se, está cheio de sabedoria e a graça de Deus estão sobre ele. Maria e José têm a alegria de ver tudo isso em seu filho”, reiterou.

O Papa finalizou a reflexão do Ângelus promovendo a maior missão da família: “Criar as condições favoráveis ​​para o crescimento harmonioso e pleno das crianças, para que possam viver uma vida boa, digna de Deus e construtiva para o mundo”. Francisco despediu-se dos peregrinos, que o acompanhavam da Praça São Pedro, desejando-lhes um bom domingo e um feliz final de ano.

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