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A consagração a Deus e à liberdade

Nossa vida está escondida no Cristo Senhor

No capítulo quinto do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina alguns motivos para nos consagrar a Nossa Senhora. O sexto motivo apresentado pelo Santo para escolher a consagração total a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria é que “esta prática de devoção dá uma grande liberdade interior àqueles que a observam fielmente” (TVD 169). Tal liberdade interior é própria dos filhos de Deus: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Pela consagração, segundo o método de São Luís, “nos tornamos escravos de Jesus Cristo” (cf. TVD 169), porém, isto não nos tira a liberdade. Ao contrário, ao fazer-nos escravos de amor da Virgem Maria, Jesus nos recompensa com graças. O Senhor “tira da alma todo escrúpulo e temor servil, que só servem para a estreitá-la, escravizá-la e confundi-la” (TVD 169). Ele tira de nós toda a dúvida ou inquietação espiritual que nos impede do crescimento na graça e na liberdade de espírito.

Cristo também tira de nós o temor servil, o medo de servir alguém, dando nos a liberdade e a clareza de espírito para as coisas de Deus. Montfort diz que a consagração total “dilata o coração para uma santa confiança em Deus, fazendo-o ver n’Ele seu Pai” (TVD 169), ou seja, consagrando-nos inteiramente a Jesus, somos tomados por uma fé inabalável em Deus, nosso Pai. Além disso, São Luís Maria ensina que, por esta devoção, Jesus nos concede um amor terno e filial para com Deus.

Para exemplificar sua doutrina sobre a liberdade de espírito, São Luís cita como exemplo a história da vida de Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina do convento de Langeac, em Auvergne, que faleceu nesse mesmo local em odor de santidade em 1634. Ela não tinha mais de sete anos quando já sofria de grandes penas do espírito. “Foi então que ouviu uma voz dizer-lhe que, se desejava ser livre de todas as suas penas e protegida contra todos os seus inimigos, deveria tornar-se o mais depressa possível escrava de Jesus e de sua Santa Mãe” (TVD 170). Rapidamente, consagrou-se inteiramente como escrava a Jesus e à Sua Santa Mãe, embora não conhecesse esta devoção. Como sinal de sua consagração, cingiu-se com cadeia de ferro sobre os rins e usou-a até a morte.

Depois da consagração, cessaram todas as suas penas e escrúpulos. Madre Inês ficou em tanta paz e liberdade de coração que ensinou esta prática a várias pessoas, que fizeram grandes progressos espirituais. Entre estas pessoas, estava o padre Olier, fundador do Seminário de São Sulpício e a outros sacerdotes e membros do clero. Certo dia, “apareceu-lhe a Santíssima Virgem e pôs-lhe ao pescoço uma cadeia de ouro, testemunhando-lhe assim a alegria que sentia por ela se ter feito escrava sua e de seu Filho. Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, disse-lhe: Felizes os fiéis escravos da Rainha do Céu, porque gozarão a verdadeira liberdade: Ó Mãe, servir-Vos é a liberdade!” (TVD 170).

Assim, São Luís Maria prova que a devoção que ensina não é apenas uma teoria, mas é uma prática comprovada pela história. Além deste testemunho, hoje temos conhecimento de muitas outras pessoas que se consagraram a Virgem Maria e experimentaram a mesma liberdade de espírito para lançar-se nos mais altos desafios da vida espiritual e temporal. Um dos mais célebres e conhecidos é o saudoso Papa São João Paulo II, o qual teve sua vida marcada pela consagração total a Nossa Senhora. Sigamos os passos do “João de Deus” e nos consagremos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Sua Mãe Santíssima e experimentemos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

Começa a preparação ao Domingo da Misericórdia

De acordo com a devoção difundida pela Santa Faustina Kowalska

A Igreja universal celebrará no próximo dia 12 de abril, o domingo da Divina misericórdia, «um convite perene a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e provas» da humanidade. A preparação da festa inicia esta Sexta-feira Santa com a novena para a Divina Misericórdia. Foi em 23 de maio de 2000 quando se difundiu um decreto da Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no qual se estabeleceu, por indicação de João Paulo II, a festa da Divina Misericórdia o segundo domingo da Páscoa. A denominação oficial deste dia litúrgico é «segundo domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia». A devoção à Divina Misericórdia constitui um autêntico movimento espiritual dentro da Igreja Católica promovido por Faustina Kowalska, a quem João Paulo II canonizou em 30 de abril daquele ano. O Papa escolheu esse dia para anunciar uma surpresa: «Em todo o mundo, o segundo domingo de Páscoa receberá o nome de domingo da Divina Misericórdia. Um convite perene para o mundo cristão a enfrentar, com confiança na benevolência divina, as dificuldades e as provas que esperam o gênero humano nos anos vindouros». Como o Papa não havia escrito estas palavras, não apareceram na transcrição oficial de seus discursos dessa canonização. Daí que o decreto que publicou a mencionada Congregação vaticana anunciasse de maneira oficial à Igreja universal o desejo de João Paulo II, que dedicou uma de suas encíclicas à Divina Misericórdia («Dives in misericordia»). Quando o Papa canonizou a religiosa polonesa ante 200.000 peregrinos, Faustina Kowalska se converteu na primeira santa do Jubileu do ano 2000, coroação de um século marcado por imensos sofrimentos, mas que justamente em seus anos mais escuros, os que vão do primeiro ao segundo conflito mundial, via a jovem irmã Faustina (1905-1938) entregar a mensagem de misericórdia recebida de Cristo.

Santa Faustina Kowalska
A jovem polonesa, que morreu aos 33 anos, nasceu na pequena aldeia rural de Glogowiec em 25 de agosto de 1905. Aos 20 anos foi admitida no convento das irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia de Varsóvia. Nos treze anos seguintes, desempenhou os ofícios humildes: cozinheira, jardineira e porteira. Morreu em Cracóvia em 5 de outubro de 1938. Paralela à sua humilde vida, desenvolvia uma experiência mística de consagração à Divina Misericórdia, um itinerário tecido de visões, revelações, estigmas escondidos, tudo isto recolhido em um diário que começou a escrever em 1934 por sugestão de seu diretor espiritual. O centro da vida de Faustina Kowalska foi o anúncio da misericórdia de Deus com cada ser humano. Seu legado espiritual à Igreja é a devoção à Divina Misericórdia, inspirada por uma visão na qual o próprio Jesus lhe pedia que se pintasse uma imagem sua com a legenda «Jesus, eu confio em vós», que ela encarregou a um pintor em 1935. O diário de Irmã Faustina –que intitulou «A Misericórdia Divina em minha alma»– manifesta como Nosso Senhor lhe encomendou a missão de anunciar ao mundo, uma vez mais, a mensagem evangélica de sua misericórdia e de estabelecer novas formas de devoção a Deus em seu atributo de Misericórdia para todos, em especial para aqueles que mais o necessitam. A característica essencial e fundamental da devoção à Misericórdia Divina é a confiança em Jesus, um ponto em que o Senhor insiste segundo se desprende do que Santa Faustina recolhe em seu diário. Daí devem partir todas as formas de devoção à Misericórdia, segundo as revelações à religiosa, sejam estas a veneração da imagem da Misericórdia Divina, ou a oração do rosário da Misericórdia Divina, a hora da grande Misericórdia –as três da tarde, momento da morte de Jesus na cruz– ou a recepção dos Sacramentos na Festa da Misericórdia. A devoção que foi revelada a Santa Faustina urge ao indivíduo a atuar com espírito misericordioso para com o próximo diariamente, com orações, palavras e obras.

Novena à Divina Misericórdia
No diário de Irmã Faustina se lê, pelo menos em catorze ocasiões, que Nosso Senhor pedia a instituição de uma «Festa da Misericórdia»: «Esta Festa surge de Minha piedade mais entranhável… –recolhe o texto–. Desejo que se celebre com grande solenidade o primeiro domingo depois da Páscoa da Ressurreição… desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas e especialmente para os pobres pecadores». Assim, Jesus pediu que Irmã Faustina se preparasse para a celebração da Festa da Misericórdia com uma novena que devia começar no dia de Sexta-feira Santa: «Desejo que durante estes nove dias encaminhe almas à fonte de Minha misericórdia, a fim de que por ela adquiram fortaleza e consolo nas penalidades, e aquela graça de que necessitam para seguir adiante, especialmente na hora da morte». «Cada dia trarás a meu coração um grupo diferente de almas –prossegue– e as submergirás no oceano de Minha misericórdia, e Eu as conduzirei à mansão de Meu Pai (…) Cada dia pedirás a Meu Pai –pelos méritos de Minha amarga Paixão– graças para estas almas».

 

SETE DICAS ENQUANTO O SENHOR NÃO VEM
Ricardo Sá

É preciso apressar nossa conversão, nos colocar no ritmo de Nosso Senhor Jesus. Nosso Senhor tem pressa, e a pressa maior é a nossa mudança de vida. É tempo de conversão para mim, o tempo de conversão é hoje, eu preciso me converter e cada vez mais. Tudo é uma questão de conversão, se a gente se determina a desejar ficar mais parecido com Nosso Senhor, pode vir os problemas que vier que a gente enfrenta, porque está enraizado em nós um desejo de conversão. De quem esse mundo precisa? De Jesus. Eu apresento a você sete dicas enquanto o Senhor não vem.
Primeira dica: espírito de sacrifício. Eu me refiro as coisas que você no dia a dia diz: “eu não agüento mais aquela pessoa, aquela doença, esta vida…” Esse linguajar precisa sair da nossa boca. O que é para nós cristãos um espírito de sacrifício? Tem espírito de sacrifício quem sabe ver mais além, por detrás do problema, por detrás daquela pessoa. Por mais difícil que seja o problema, a pessoa acredita que Deus pode intervir. A pessoa agüenta firme sem reclamar. Agüentamos firmes porque temos a tendência para fazer o mal, a gente agüenta por espírito de sacrifico e oferece. Vida penitencial: isso significa jejum, a penitência que você há muito tempo não faz, enquanto o Senhor não vem, vida penitencial. Nada de reclamação da vida e das pessoas.
Segunda dica: colocar em dia a vida de oração. Você diz que não tem tempo, mas você tem tempo sim. Nossa vida de oração precisa nos conduzir a intimidade com Deus, você precisa ser guerreiro na vida de oração, rezar todos os dias, para treinar nosso coração para ouvir o Senhor. Minha vida pessoal como Nosso Senhor é uma vida muita feliz, mas é uma vida de cruz, mas feliz. Ser cristão não é fácil. Se você não cultiva o bem que você recebeu na vida de oração, virá o mal para arrancar o bem de seu coração. Quanto tempo você gasta com Jesus Cristo diariamente? Seja um orante teimoso e diga muitas vezes: “Jesus me ensina a chegar até o teu coração”. Treine a alma na oração.
Terceira dica: Santidade provada. O tempo é tão urgente que a nossa santidade está em tempo de prova. Não existe santidade sem passar pela prova. Prova de santidade a gente não escolhe, Deus nos dá. Ela serve para te fazer melhor, te fazer mais de Deus. Qual é a porta estreita para sua vida? Não reclame mais. É a sua doença? Aproveite para ser santo. Se submeta a prova que você está passando, identifique a prova que Deus hoje te faz passar. É tempo de santidade provada enquanto o Senhor não vem. “É preciso dar a vida, senão não é amor”.
Quarta dica: Fuja do mal. Com o mal a gente não dialoga, a gente foge do mal. Revistas, filmes, novelas… de que você precisa fugir? Ou a gente transforma os acontecimentos da vida para irmos para o céu, ou iremos para o inferno. Eu não agüento mais a minha superficialidade. “Senhor, livra-me do mal que me faz pecar”. Você precisa identificar as pessoas que te conduzem ao mal, fuja dessas pessoas. Você precisa dizer a essas pessoas: “assim eu não agüento, o problema não é com você é comigo”. Chega de escrúpulos e fuja para longe das pessoas que não te levam para Deus.
Quinta dica: Vida apostólica. O que você tem feito por Cristo e sua Igreja? Há quanto tempo você não faz nada por Cristo e sua Igreja? Porque você está dodói? Talvez seu problema de saúde seja curado a medida que você trabalhe para Nosso Senhor. O Reino de Deus cresce em mim cada vez que dou de mim para os outros. A Igreja precisa de você com as capacidades que você tem. Vá na paróquia, eu duvido que você não encontre o que fazer.
Sexta dica: Ame concretamente. Viva para os outros, tire os olhos de seu umbigo, tire os olhos de seus objetivos, ame. É preciso dar a vida, senão não é amor. Quais são as pessoas que faz você deparar com o que há de pior em você? Viver para os outros é dar uma atenção contínua a quem está ao meu redor.
Sétima dica: Perdoar. Você precisa perdoar. Perdoe-me se você me viu de cara feia, nervoso. Eu preciso do perdão de vocês porque sou muito orgulhoso, arrogante e preciso do perdão de vocês. Perdoe em nome de Jesus.

 

SUA MISERICÓRDIA É INFINITA, PARA QUEM A PROCURA

«O Temor do Senhor, eis a Sabedoria; fugir do mal, eis a Inteligência» (Jó 28, 28). Pois os olhos do Senhor estão voltados «para o pobre e para o abatido, para aquele que treme diante da Minha palavra» (Is 66, 2) – Então, supliquemos a Maria, dia e noite, que interceda por nós junto do seu Divino Filho, para que sejamos contados no número dos eleitos, e dessa forma não caiamos naquele sítio que a Sagrada Escritura descreve como o “horror eterno”: «O Senhor Todo-Poderoso puni-los-á no dia do Juízo. Porá fogo e vermes nos seus corpos, e eles chorarão de dor eternamente» Judite (Jd 16, 17).
Deus não é Amor para que nós (também) sejamos maus. Se Deus fosse bom para que nós fôssemos maus, Deus não seria Bom. «O Temor do Senhor é o princípio da sabedoria» (Prov 1, 7). Muitos esquecem-se que «a sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem» (Lc 1, 50). E não para aqueles que abusam dessa mesma Misericórdia. Errar e pecar é humano. Mas amar o pecado e o erro e neles persistir é diabólico. O Amor de Deus não é um jogo (de sorte ou azar). Não se é amado incondicionalmente por um Deus Infinito até à morte de Cruz.
Quem não está convencido da plena seriedade da Eternidade, não convence ninguém, e só pregará um evangelho que não é o de Cristo. Muitos dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são deveras cruéis, pois ao não pregarem abertamente sobre o Inferno e sobre as conseqüências do pecado, induzem o pecador em erro, levando-o a adiar a sua conversão, e dessa forma conduzem-no ao Inferno, pois este acumula pecados sobre pecados, obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá perdão (mesmo sem o mínimo arrependimento). Só que, a muitos, a morte surpreende-os, sem terem tempo ou condições para se prepararem convenientemente.
Já dizia NOSSO SENHOR JESUS CRISTO a SANTA CATARINA DE SENA: «Por presunção, erroneamente, firmam-se na esperança de serem perdoados, mas continuam a ofender-Me, pensando (mesmo assim) poderem contar com a Minha misericórdia. Jamais ofereci ou ofereço a Minha misericórdia para que Me ofendam. A finalidade do Meu perdão é para que, pela Misericórdia, os pecadores se defendam do Demônio e da confusão de espírito. Mas agem diversamente. Ofendem-Me porque sou Bom!» (SANTA CATARINA DE SENA, LIVRO: O Diálogo, 14-14).
A vã hipótese duma eternidade sem ninguém que se tenha condenado, ou se vá condenar, seria uma eternidade frívola, não séria, seria como um inferno “light”, morno. Não valeria a pena lutar para evitar o Inferno verdadeiro. A proposta dos modernistas e relativistas é uma proposta demagógica e autoritária. Autoritária, porque todos se salvarão, ainda que não queiram ou não mereçam. Demagógica, porque, como os políticos atuais, fazem promessas fáceis de eterna salvação, que logo não cumprirão, e muitos descobrirão o engano quando já for tarde demais… E a quem reclamarão? Não que não devamos ter esperança. Mas esta deve ser fundamentada numa procura incessante pelo Rosto de Deus e num afastamento do pecado e das ocasiões que levam a ele. Apelar à esperança da Salvação, sem apelar para uma vida séria segundo a Moral Cristã, longe do pecado e das suas ocasiões, é pura demagogia.
Se Deus fosse “misericordioso” com todos os homens bons e maus, se concedesse a todos a graça da conversão antes da morte, seria ocasião de pecado até para os bons, pois induziria estes a pecar e a esperar na Sua misericórdia. Mas não, quando chega ao fim das Suas misericórdias, Deus castiga e não perdoa mais: «Agora, que chegou o teu fim, vou desencadear a Minha ira contra ti, e julgar-te-ei de acordo com o teu comportamento; farei cair sobre ti as tuas abominações, de acordo com o teu comportamento. Já não terei um olhar de compaixão para ti; não te pouparei; antes, farei cair sobre ti o teu comportamento, as tuas abominações ficarão expostas no meio de ti, e então sabereis que Eu sou Iahweh» (Ez 7, 3-4); e acrescenta mais: «O Meu olhar não se compadecerá; eu não pouparei, antes pagar-te-ei de acordo com o teu comportamento» (Ez 7, 9).
Se Deus quisesse, com uma vontade sem limites, a salvação de todos os homens, para quê a Encarnação do Seu Filho? Para quê a Morte na cruz? Para quê a Igreja? Para quê o Papa, os bispos, os padres, os diáconos? Para quê os Sacramentos, a Liturgia, a Palavra de Deus, a Bíblia?…O Inferno povoa-se mais com a Misericórdia do que com a Justiça. Os modernistas de agora querem o Inferno vazio, até evitam falar dele, e tudo o que conseguem fazer é povoá-lo mais. São os colonizadores do Inferno, pois como não avisam o homem do perigo que é transgredir a Lei de Deus, induzem este a pecar indiretamente e por isso mesmo a perder-se.
Escreve SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO: «Certo autor indicava que o Inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça Divina. E assim é, porque, contando temerariamente com a Misericórdia, prosseguem pecando e acabam condenando-se. Deus é Misericordioso, ninguém o nega. Mas, apesar disso, a quantos hoje em dia manda a misericórdia (desvirtuada) para o Inferno. Deus é Misericordioso, mas também é Justo, e por isso sente-se obrigado a castigar a quem O ofende». Ele usa de Misericórdia com os pecadores, mas só com quem, após ofendê-Lo, o lamenta sinceramente, temendo voltar a ofendê-LO: «A Sua Misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que O temem», cantou a Mãe de Deus. Com os que abusam da Sua Misericórdia, para desrespeitá-Lo ou desprezá-Lo, Ele usa da Sua Justiça. O Senhor perdoa os pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar.
Escreve SANTO AGOSTINHO que: quem peca com esperança de arrepender-se depois de pecar, não é penitente, mas ri-se de Deus. Ora, São Paulo advertiu-nos que «de Deus não se zomba» (Gl 6, 7). Seria gozar a Deus ofendê-Lo como e quanto se quer, e mesmo assim ter a pretensão de ir ao Céu. Por muito incômodo e insondável que seja para o homem moderno, o que está revelado, revelado está. E não existe forma alguma de nos evadirmos desta realidade. Não é pelo infeliz fato de não falarmos ou não acreditarmos no Inferno, que ele deixa de existir e de ser uma espantosa e terrível realidade.
DIZIA SÃO JOÃO CRISÓSTOMO: “Essa misericórdia sobre a qual vós contais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado, de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste…..’Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei’. Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas ao inferno!…..”.
Não duvideis, diz SÃO BASÍLIO, que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele é também justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus. Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo… Misericórdia! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina!”.
SANTO AGOSTINHO observa que, para enganar os homens, “o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança. Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos ao pecado, não nos impeça de satisfazer nossas paixões”.

A perseverança dos Ondinhas

No domingo passado, dia 18 de março, sendo muito calor e dia abafado, estiveram reunidos nas dependências do salão social da igreja Nossa Senhora da Piedade, 27 jovens do Onda, juntamente com os Tios e Coordenadores, para o Retiro de Perseverança.

Desde às 7h15min muitos já estavam presentes e trouxeram lanches para compartilhar com os colegas.

O belíssimo e gostosíssimo almoço foi preparado pelas irmãs Strack, lideradas pela Carmem.

Às 8h, iniciamos com cantos do folclore, até as 8h15min. Fizemos então um grande círculo, todos deram-se as mãos e belas orações prepararam o grande dia.

Palestras: Marcel – O Amor de Deus; Danielle e Daniela – Maria; Tio Vitório Vingert – Armadilhas Online; Thaís e Vitória Wanner – Meus pensamentos me ajudam ou me prejudicam?; Isadora Grawer – Jovens, não tenhais medo; Irmã Janete – Como me silenciar nos dias de hoje; Tia Isabel – Confiança em Deus; Tia Rose – Deus nunca desiste de mim.

Durante o dia aconteceram também vários momento de descontração, dinâmicas, brincadeiras, cantos e danças, lanches, momento espiritual na igreja com os Tios, confissões com Padre Ronaldo e Monsenhor Inácio e Santa Missa no final do dia com liturgia à cargo dos jovens do Onda.

Nas intenções, muitas emoções, orações e louvores. Na prática, amizades catalisadas, revelações de talentos, jovens não dispersando seu precioso tempo com coisas mundanas.

Às 19h, ao final da Santa Missa, organizamos a sala e fomos para nossos lares.

Obrigado Senhor Jesus, por mais este dia de aprendizado e de evangelização.

A Igreja confia nos jovens e precisa deles

Quinta-feira, 07 de fevereiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Bento XVI destacou que a Igreja precisa dos jovens para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo  

Uma mensagem de estímulo para a juventude de todo o mundo. Esse é o teor do discurso do Papa Bento XVI dirigido aos participantes da plenária do Pontifício Conselho da Cultura nesta quinta-feria, 7, no Vaticano. O Santo Padre reiterou que a Igreja renova a sua fé nos jovens e os vê como um ponto de referência para seu trabalho pastoral.

A plenária do Pontifício Conselho deste ano tem como tema “culturas juvenis emergentes”, abordando a relação entre a Igreja e o mundo juvenil. Com relação a esta temática, o Pontífice lembrou que há um clima de instabilidade que toca as esferas cultural, política e econômica, sendo que esta última é marcada pela dificuldade dos jovens em encontrar um emprego.

Diante de situações como estas, segundo disse o Papa, a fragilidade e a marginalidade acabam resultando, por exemplo, nos fenômenos da dependência das drogas e a violência. Mas ainda há fenômenos positivos. Como exemplo, Bento XVI citou a generosidade e coragem de jovens voluntários, que se esforçam em prol dos mais necessitados e dão testemunho de sua participação no trabalho da Igreja de construir uma sociedade capaz de respeitar a dignidade humana, começando pelos mais necessitados.

“Tudo isso nos conforta e nos ajuda a desenhar uma imagem mais precisa e objetiva das culturas juvenis. Nós não podemos, no entanto, nos contentar com uma visão dos fenômenos da cultura juvenil ditada por paradigmas estabelecidos, que tornaram-se clichês, analisá-los com métodos que não são mais úteis, com ultrapassadas e inadequadas categorias culturais”, disse.

O Santo Padre lembrou ainda que a realidade com a qual se depara hoje é extremamente complexa, mas fascinante, e deve ser bem entendida com espírito de empatia. E apesar das situações problemáticas, ele reiterou que a Igreja renova a sua fé nos jovens.

“A Igreja tem confiança nos jovens, ela espera neles e em suas energias, ela precisa deles e da sua vitalidade, para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo. Espero sinceramente, portanto, que o Ano da Fé seja, mesmo para as jovens gerações, uma preciosa oportunidade para redescobrir e fortalecer nossa amizade com Cristo, que traz alegria e entusiasmo para transformar profundamente as culturas e sociedade”, enfatizou.

 

Discurso do Papa ao Pontificio Conselho da Cultura – 07/02/2013  
Rádio Vaticano em inglês (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos amigos,

Tenho o prazer de encontrar-vos na abertura da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho da Cultura, durante a qual vocês irão se concentrar na compreensão e aprofundamento, a partir de diferentes perspectivas, nas “culturas juvenis emergentes”. Eu cordialmente cumprimento o Presidente, Cardeal Gianfranco Ravasi, e agradeço a ele pelas gentis palavras a mim dirigidas em nome de todos vós. Eu cumprimento os Membros, os Consultores e todos os Colaboradores do Discatério, na esperança de que seu trabalho seja frutífero e dê uma útil contribuição para o trabalho da Igreja em relação à realidade juvenil; uma realidade complexa, como foi dito, e uma das que não pode ser entendida dentro do contexto de um universo culturalmente homogêneo, mas em um horizonte que pode ser definido como “multiverso”, que é determinado por uma pluralidade de visões, perspectivas e estratégias. Portanto, é apropriado falar de “culturas jovens”, uma vez que os elementos que distinguem e diferenciam os fenômenos e as áreas culturais prevalecem sobre aqueles que, em vez disso, eles têm em comum. Vários fatores de fato estão contribuindo para traçar uma paisagem cultural cada vez mais fragmentada, em constante e rápida evolução, para a qual não são estranhas as mídias sociais, as novas ferramentas de comunicação, que facilitam e, por vezes, são a própria causa de contínuas e rápidas mudanças na mentalidade, costumes, comportamento.

Existe, portanto, um clima de instabilidade que toca a esfera cultural, bem como a política  e econômica- esta último também marcada por dificuldades dos jovens em encontrar um emprego – afetando as pessoas principalmente em um nível psicológico e relacional. A incerteza e fragilidade que caracterizam tantos jovens frequentemente os empurra para as margens, tornando-os quase invisíveis e ausentes nos processos culturais e históricos das sociedades. E cada vez mais frequentemente fragilidade e marginalidade resultam no fenômenos da dependência das drogas, desvio e violência. As esferas sentimental e emocional, a esfera dos sentimentos, bem como a esfera corporal, são fortemente afetadas por este clima e tempestades culturais que se seguem expressas, por exemplo, em fenômenos aparentemente contraditórios, como o espetáculo da vida íntima e pessoal e relacionamentos íntimos e o foco individualista e narcisista sobre as necessidades e interesses pessoais. A dimensão religiosa, a experiência de fé e de membros na Igreja são muitas vezes vistas em uma perspectiva privada e emocional.

Todavia, há fenômenos decididamente positivos. A generosidade e coragem de tantos jovens voluntários que dedicam seus melhores esforços para o outro necessitado, a sincera e profunda experiência de fé de tantos jovens garotos e garotas que alegremente dão testemunho da sua participação nos esforços da Igreja para construir, em muitas partes do mundo, sociedades capazes de respeitar a liberdade e a dignidade de todos, começando com os pequenos e mais indefesos. Tudo isso nos conforta e nos ajuda a desenhar uma imagem mais precisa e objetiva das culturas juvenis.  Nós não podemos, no entanto, nos contentar com uma visão dos fenômenos da cultura juvenil ditada por paradigmas estabelecidos, que tornaram-se clichês, analisá-los com métodos que não são mais úteis, com ultrapassadas e inadequadas categorias culturais.

Nós estamos, afinal, diante de uma realidade extremamente complexa, mas fascinante, que precisa ser bem entendida e amada com um grande espírito de empatia, cuja linha de fundo e desenvolvimento nós devemos compreender cuidadosamente. Olhando, por exemplo, para os jovens em muitos países do chamado “Terceiro Mundo”, nós percebemos que eles representam, com suas culturas e necessidades, um desafio para a sociedade de consumo global, para a cultura de privilégios estabelecidos, que beneficia um pequeno grupo da população do mundo ocidental. As culturas juvenis, como um resultado, “emergem” no sentido de que exibem uma profunda necessidade, um pedido de socorro ou mesmo uma “provocação” que não pode ser ignorada ou negligenciada, seja pela sociedade civil ou pela comunidade eclesiástica. Eu tenho frequentemente expressado, por exemplo, minha preocupação e a de toda a Igreja com a chamada “emergência educativa”, que certamente é uma dentre outras “emergências” que afetam diferentes dimensões da pessoa e relações fundamentais e que não podem ser respondidas de forma evasiva e banal. Penso, por exemplo, nas dificuldades crescentes no campo de trabalho ou o esforço que é necessário para permanecer fiéis às responsabilidades que assumimos ao longo do tempo. Um empobrecimento, não somente econômico e social, mas também humano e espiritual poderia seguir, para o futuro do mundo e de toda a humanidade: se os jovens não mais têm esperança, se eles não mais progridem, se eles não mais se inserem em dinâmicas históricas com a sua energia, sua vitalidade, suas abilidades para antecipar o futuro, nós encontraríamos uma humanidade voltada para si mesma, sem confiança e uma perspectiva positiva para o futuro.

Apesar de estarmos conscientes de muitas situações problemáticas, que também afetam a área da fé e os membros da Igreja, nós renovamos a nossa fé nos jovens, para reafirmar que a Igreja vê sua condição, sua cultura, como um essencial e inevitável ponto de referência para seu trabalho pastoral. Por esta razão, eu gostaria de retomar aulgumas significantes passagens da Mensagem que o Concílio Vaticano II dirigiu aos jovens, como base para reflexão e inspiração para as novas gerações. Primeiro foi dito: “A Igreja olha para vocês com confiança e amor … Ela possui o que constitui a força e o encanto da juventude, isto é, a habilidade de alegrar-se com o que está para começar, para doar-se sem reservas, para renovar a si mesmo e partir para novas conquistas”. O Venerável Paulo VI dirigiu este apelo para os jovens do mundo “é em nome desse Deus e de Seu Filho, Jesus, que nós exortamos vocês a abrir seus corações para as dimensões do mundo, a escutar o apelo de seus irmãos, a colocar a sua energia juvenil a seu serviço. Lutem contra todo egoísmo. Recusem-se a dar livre curso aos instintos de violência e ódio que geram guerras e todo seu cortejo de misérias. Sejam generosos, puros, respeitosos e sinceros, e construam com entusiasmo um mundo melhor do que os seus antepassados tiveram”.

Eu também quero reafirmá-lo com força: a Igreja tem confiança nos jovens, ela espera neles e em suas energias, ela precisa deles e da sua vitalidade, para continuar a viver a missão confiada por Cristo com renovado entusiasmo. Espero sinceramente, portanto, que o Ano da Fé seja, mesmo para as jovens gerações, uma preciosa oportunidade para redescobrir e fortalecer nossa amizade com Cristo, que  traz alegria e entusiasmo para transformar profundamente culturas e sociedade.

Queridos amigos, obrigado pelos esforços que vocês generosamente colocam a serviço da Igreja, e pela sua especial atenção para com os jovens, sobre vós eu cordialmente concedo minha Benção Apostólica.

Não são os magos que nos salvam…

… nem os tarôs ou nós mesmos, somente Jesus salva
05/04/2013   

Cidade do Vaticano  – Somente no nome de Jesus há salvação: foi o que disse o Papa na manhã desta sexta-feira na breve homilia da missa presidida na capelinha da Casa Santa Marta, no Vaticano. Participaram da celebração alguns sediários pontifícios e um grupo de funcionários da Farmácia vaticana.

Comentando as leituras desta Sexta-feira da Oitava de Páscoa, o Santo Padre recordou com São Pedro que somente no nome de Jesus somos salvos: “Em nenhum outro há salvação”.

Pedro, que havia renegado Jesus, agora com coragem, na prisão, dá o seu testemunho diante dos chefes judeus, explicando que é graças à invocação do nome de Jesus que um paralítico é curado. É “aquele nome que nos salva”. Pedro não pronuncia aquele nome sozinho, mas “repleto do Espírito Santo”.

De fato – explicou Francisco –, “nós não podemos confessar Jesus, não podemos falar sobre Jesus, não podemos dizer algo sobre Jesus sem o Espírito Santo. É o Espírito que nos impele a confessar Jesus ou a falar sobre Jesus ou a ter confiança em Jesus. Jesus que está no nosso caminho da vida, sempre”.

Francisco contou um fato: “na Cúria de Buenos Aires trabalha um homem humilde, trabalha há 30 anos; pai de oito filhos. Antes de sair, antes de fazer as coisas, sempre diz: ‘Jesus!’ E eu, uma vez, perguntei-lhe: ‘Por que você sempre diz ‘Jesus’?’ Quando eu digo ‘Jesus’ – disse-me este homem humilde – me sinto forte, sinto poder trabalhar, e sei que Ele está a meu lado, que Ele me protege'”.

“Este homem – observou – não estudou Teologia, tem somente a graça do Batismo e a força do Espírito. E esse testemunho – afirmou o Papa Francisco – me fez um grande bem”: porque nos recorda que “neste mundo que nos oferece tantos salvadores” somente o nome de Jesus salva.

Para resolver seus problemas, muitos recorrem aos magos ou aos tarôs – ressaltou. Mas somente Jesus salva “e devemos dar testemunho disso! Ele é o único”.

Por fim, fez um convite a ter Maria como companheira: “Nossa Senhora nos conduz sempre a Jesus”, como fez em Caná quando disse: “Fazei aquilo que Ele vos disser!” Assim, confiemo-nos ao nome de Jesus, invoquemos o nome de Jesus, deixando que o Espírito Santo nos impulsione “a fazer esta oração confiante no nome de Jesus – concluiu Francisco – … nos fará bem!”.

Fonte: Rádio Vaticano  

No dia da Sagrada Família, Papa pede que pais eduquem filhos em Deus

Domingo, 31 de dezembro de 2017, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Segundo Francisco ao proteger e educar os filhos para que se abram a Deus, pais criam crianças construtivas para o mundo

Papa acena aos fiéis presentes na manhã deste domingo, 31, na Praça São Pedro, para o último Ângelus de 2017 / Foto: Reprodução Youtube Vatican News

“Deus é o Senhor da história individual e familiar”. Esta foi a afirmação do Papa Francisco durante o último Ângelus de 2017 que teve como tema central a Sagrada Família de Nazaré. Da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, o Santo Padre destacou Maria, José e Jesus como exemplos de mútuo amor e confiança em Deus, e convidou os cristãos a seguirem estes exemplos.

De acordo com o pontífice a confiança é uma expressão do rito realizado por Maria e José quando, ao apresentarem Jesus ao Senhor, o casal o leva à Jerusalém. “Os pais de Jesus vão ao templo para certificar que a criança pertence a Deus e que eles são os guardiões de sua vida e não os donos. E isso nos faz refletir. Todos os pais são guardiões da vida de seus filhos, não proprietários, e devem ajudá-los a crescer, amadurecer”, enfatizou.

Francisco afirma que cada família é chamada a proteger e educar as crianças para se abrirem a Deus, que é a própria fonte da vida e juventude interior. Segundo o Santo Padre, Simeão e Anna, inspirados pelo Espírito Santo, afirmaram que Jesus nasceu como sinal de contradição para que os pensamentos de muitos corações fossem revelados, ou seja, para derrubar as imagens falsas que são feitas de Deus e do ser humano.

“Jesus veio (…) para ‘contradizer’ as certezas mundanas sobre as quais reivindicamos nos apoiar; para nos fazer ‘ressuscitar’ para uma verdadeira viagem humana e cristã autêntica baseada nos valores do Evangelho. Não há uma situação familiar que seja impedida neste novo caminho de renascimento e ressurreição. E toda vez que as famílias, mesmo as feridas e marcadas pela fragilidade, fracasso e dificuldade, retornam à fonte da experiência cristã, novos caminhos e possibilidades inimagináveis ​​se abrem”, suscitou o Papa.

O pontífice prosseguiu reconhecendo como grande alegria da família o crescimento das crianças, que assim como Jesus, estão destinadas a se desenvolver e a se fortalecer, adquirir sabedoria e receber a graça de Deus. “Ele é verdadeiramente um de nós: o Filho de Deus se torna um filho, aceita crescer, fortalecer-se, está cheio de sabedoria e a graça de Deus estão sobre ele. Maria e José têm a alegria de ver tudo isso em seu filho”, reiterou.

O Papa finalizou a reflexão do Ângelus promovendo a maior missão da família: “Criar as condições favoráveis ​​para o crescimento harmonioso e pleno das crianças, para que possam viver uma vida boa, digna de Deus e construtiva para o mundo”. Francisco despediu-se dos peregrinos, que o acompanhavam da Praça São Pedro, desejando-lhes um bom domingo e um feliz final de ano.

Solenidade da Santa Mãe de Deus

Por Mons. Inácio José Schuster

1º de janeiro, ano novo, oitava do Natal. Primeira Leitura tirada do Livro dos Números:

“O Senhor disse a Moisés, ‘Fala a Aarão e a seus filhos e dize-lhes: assim bendireis os israelitas e lhes direis: o Senhor te abençoe e te proteja, o Senhor faça brilhar sua face sobre ti e te seja favorável, o Senhor volte para ti o seu olhar e te conceda a paz”.

Com esse augúrio, retirado da Palavra de Deus, nós iniciamos um novo ano, 2017. Que o Senhor te abençoe e te proteja! Poderíamos transmitir augúrio mais adequado? Que o Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja propício durante todos os 365 dias deste ano. Que o Senhor te conceda a paz!

Hoje trocamos augúrios e nos cumprimentamos. Cada um de nós deseja a seu irmão, parente, amigo ou conhecido, a paz, a felicidade, a tranqüilidade. Mas é Deus quem pode verdadeiramente conceder-nos estes dons.

Este ano que se inicia é um livro; ele está apenas começando. Quantas coisas acontecerão? Acontecerão por certo, assim esperamos e desejamos, coisas boas. Pode ser que aconteçam coisas não boas também. O livro está em branco. Nós, juntamente com Deus, iremos escrever este livro, cada dia uma página e, quando completar 365 páginas nós o terminaremos.

Será uma tragédia? Será um romance? Será uma maravilha? Será algo surpreendente para nós e para outros? Que é que sabemos de tudo isto neste dia 1º de janeiro, quando desejamos a outros e a nós mesmo feliz ano novo? De qualquer maneira, nós colocamos este ano de 2017 aos pés de Jesus Cristo, o Senhor da História, o Senhor de todos os tempos, o Senhor da nossa vida também!
Nós colocamos este ano sob a proteção da Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.  É exatamente sob este título que nós a saudamos neste dia, a ela consagrado: Mãe de Deus. Nós lhe pedimos humildemente que nos acompanhe nos nossos mistérios gozosos, luminosos, gloriosos, mas, sobretudo, se algum mistério doloroso tiver que ser trilhado por nós este ano. Cheios de confiança colocamos 2017 em Suas mãos e disso não nos esqueceremos em nenhum destes dias.

De qualquer maneira sabemos que Deus não abandona aquele que nele coloca a sua esperança. Deus não retirará as nossas dificuldades e os nossos sofrimentos, mas promete-nos, neste dia 1º de janeiro, entrar conosco em tudo, até mesmo nos piores momentos que poderiam sobrevir. Ele fará com que até o mal se transforme em bem para nós.

Com esta segurança e, sobretudo com esta confiança: Feliz Ano Novo! Feliz Ano Novo a você e a todos os seus.

Em Belém, pátria de Davi, pastor depois rei, nasceu Jesus, Bom Pastor e Rei Messias: há uma harmonia e correspondência da mesma forma que na vocação dos primeiros apóstolos, pescadores, se tornam “pescadores de homens”. Eles passam a noite, significando, por assim dizer, a antítese em relação à Luz que brilha nas trevas, característica do Natal. Passam a noite velando pelo rebanho, o que nos faz lembrar a recomendação de Jesus aos seus discípulos, para que permaneçam na atitude espiritual de quem vigia, na expectativa do seu retorno. As parábolas do administrador e das dez virgens prudentes nos exortam a esta atitude.

A aparição dos anjos, que os tranqüiliza: “Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova”, faz com que eles entrevejam a glória de Deus, vindo do mais alto do céu sobre a terra pela Encarnação do Seu Filho unigênito. E esta glória do Senhor os envolveu, glória que significa o esplendor interior e o esplendor que brilha e ilumina todos eles. Como a Primeira Aliança se concretizou pela entrada de Moisés na Glória de Deus se manifestando sobre o Sinai, a nova Aliança, que é o próprio Jesus, faz também entrar nesta mesma Glória os pastores, primeiros fiéis e anunciadores do Evangelho.

Eles encontraram Maria e José e o Menino “posto numa manjedoura”. E eles saem a proclamar o que tinham visto e ouvido. Eles fazem conhecer o que o Senhor lhes tinha feito conhecer: identidade entre a Revelação recebida e o que eles transmitem, como testemunhas oculares. Eles se atem ao essencial, o Menino, que o anjo tinha saudado com o tríplice nome divino de Salvador, Messias e Senhor. Maria, a mãe de Jesus, “conservava todas estas palavras, meditando-as em seu coração”. De fato, diz Orígenes, “sem Deus a casa não é construída, mas também não sem a cooperação dos homens”. Maria é toda acolhida do dom de Deus, envolta em sua Glória, é a testemunha fiel. Pela sua vida melhor que qualquer outra pessoa ela comunica o que o Senhor lhe fez conhecer. É ela a Mãe do filho de Deus, Jesus.

“Mãe Santíssima, rogai por nós para que sejamos fiéis testemunhas do Evangelho e de Jesus em todos os momentos de nossa vida. Protegei-nos e guardai-nos do pecado e de todo mal”.

Os exemplos da Sagrada Família para sermos famílias sagradas

É certo que o Senhor destinou graças especiais aos membros da Sagrada Família, tanto de forma individual – Maria e Jesus nasceram sem a mancha do pecado original, José tinha o dom de ser informado, por Deus, sobre um acontecimento, por intermédio de sonhos – , como também de maneira coletiva, na composição do ambiente familiar – o cuidado da divina providência para com suas vidas e no âmbito material.

Contudo, engana-se quem pensa que, por terem esses favores do Pai, era mais fácil para Jesus, Maria e José terem uma vida exemplar de santidade, como se para desenvolverem a missão que o Altíssimo lhes havia confiado “uma ação divina os desobrigava de maiores esforços humanos, lhes diminuindo a exigência, fadiga ou iniciativa…algumas vezes lhes foi exigido serem canais de vigor e conforto para outros, foram contrariados e provados em seus planos e também em seus instintos humanos” (Trecho do livro “Maria, humana como nós”, pág 28 e 29). Jesus depois diz “a quem muito for dado, muito será exigido” (Lc 12, 48).

Estou dizendo tudo isso a você para mostrar que Deus também lhe deu dons naturais e sobrenaturais e que, para que sua família tenha êxito no amor, serão requisitados de sua parte esforço, lágrimas e, quem sabe, algumas decepções, mas é possível tornar sua família, seja lá como esta estiver, uma família sagrada.

Então, aí vão alguns pontos para começarmos a refletir sobre isso e a fazer a nossa parte, para que a nossa família seja um reflexo da Sagrada Família de Nazaré nos tempos de hoje.

Introduzir a família em Deus.  José e Maria eram engajados nos preceitos da lei, mas principalmente no amor ao Senhor, já antes de se conhecerem. Caso não tenha sido assim com vocês, é preciso iniciarem uma vida de oração e de intimidade com Deus. Se não for possível orar todos juntos, orem apenas marido e esposa, ou ore só você pelos seus, mas comece a fazer isso para nunca mais parar.  Deus dá a sabedoria e o discernimento em nosso agir e falar, então, uma hora conquistamos as pessoas para o Senhor por intermédio do nosso testemunho e amor.

Nas crises, decidir pelo bem uns dos outros.  Ao saber da gravidez de sua noiva, José deve ter imaginado que ela o tenha traído, e a lei dos judeus condenava à morte a mulher que assim procedesse. Entretanto, mesmo sentindo-se injustiçado, a intenção desse homem de Deus foi de garantir a vida da pessoa que ele amava e de uma criança inocente.  Que toda decisão, entre pais e filhos e entre esposos, mesmo os “nãos”, seja de amor e nunca por qualquer outra motivação.

Confiança na Divina Providência.  Os sonhos de São José, a visita de Maria à sua parenta Isabel, deixando tudo às vésperas do seu casamento, a fuga para o Egito no meio da noite, tudo isso nos deixa transparecer que a Sagrada Família era incondicionalmente abandonada aos cuidados da providência de Deus. Eles confiavam suas vidas ao Senhor no âmbito financeiro-material, social (não se importaram com o que diriam deles a respeito da gravidez) e ministerial.  Trabalhavam e muito, mas tinham em mente “não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem pelo vosso corpo, pelo que vestireis” (Mt 6, 25).

União: lutar uns pelos outros.  Quando Jesus se perdeu no templo, Maria e José voltam a Jerusalém juntos. Um não culpou o outro tentando encontrar um erro, mas ambos se uniram em prol da solução do problema.  Se um membro da sua família está se perdendo, é importante que toda a família se una em oração e ação para trazê-lo de volta.  Também é bonito ver quando todos concentram esforços para que um familiar estude e para promoverem os projetos uns dos outros. A família existe também para somarmos nossas forças.

Ensine seu melhor para seus filhos.  De José, Jesus herdou a profissão de carpinteiro, e de Nossa Senhora, experiências em trabalhos que Ele conheceu em sua própria casa: “o sal é bom. Mas se perde o seu sabor, com que há de salgar?” (Lc 14, 34). Veja ainda outras atividades que Ele atribui como trabalho de mulheres em Mateus 13,33 e Lucas 15,8. “A sociedade da época não permitia que o homem realizasse tais trabalhos, mas Jesus, no mínimo, observava bem Sua mãe” (Trecho do livro “Maria, humana como nós”, pág. 113). Isso é se Ele também não a ajudava!  Seus filhos precisam muito mais de sua presença e de seus ensinamentos de vida do que de bens ou itens de conforto material. Acredite!

E assim, inspirado nestes passos, que, neste fim de ano, no Dia da Sagrada Família, Jesus, Maria e José venham trazer o dom da alegria em sua casa. Uma alegria que não é fruto de risos ou da satisfação por presentes, mas da felicidade forjada na esperança. Que seu coração vislumbre para 2016 tudo aquilo que você e sua família podem ser. Tudo aquilo que é projeto do Pai para todos os seus.

Sandro Arquejada
Missionário da Comunidade Canção Nova

Falando de fé

Deus age na nossa história, mas precisamos responde a essa ação

Fala-se muito de fé e sobre a fé em nosso meio, mas, afinal, o que é mesmo fé? O que precisamos conhecer de verdade sobre ela? Quando falamos sobre isso, é necessário considerar dois aspectos diferentes que estão interligados e não podem ser separados entre si.

De fato, se formos levar em conta a teologia na Idade Média, essa reflexão é confirmada. Tal teologia dizia que a fé indica as verdades em que se creem; e que, por sua vez, se professam pela fé; ao mesmo tempo, para indicar a atitude pessoal em que ela consiste, isto é, o abandono total e a confiança da pessoa no encontro e na comunhão com Deus. Esse último aspecto é o verdadeiro fundamento e a substância daquilo que chamamos de fé.

O primeiro aspecto é, em certo sentido, a consequência disso. Agora, como entender melhor tudo isso? Imagino o povo continuamente distraído pelas sequências de vida da sociedade. Como esse povo pode fazer uma experiência de vida diferente, concentrada em um abandono total a Deus? Como fazer o encontro e a relação com Ele no dia a dia do nosso cotidiano? Como entender melhor tudo isso?

A comunicação nos ensina que a melhor recepção das mensagens tem de partir da realidade e do contexto dos envolvidos. Nesse caso, dos fiéis. O Mestre Jesus nos ensinou muito bem, por meio dos Evangelhos, a opção do gênero literário mediado pelos exemplos, isto é, as parábolas. Eu também quero desfrutar essa linguagem da realidade para poder penetrar no grande mistério da fé na nossa vida.

Um jovem casal, com dois filhinhos, profissionalmente afirmado e com futuro mais promissor ainda, conduzia a vida normalmente, conforme os parâmetros de sucesso da nossa sociedade. Ah, sim, para melhor definir esse perfil, o casal, às vezes, tinha ainda um tempinho para ir à igreja, sobretudo por certas ocasiões sociais. Uma vida normal, conforme os dias de hoje. De repente, aconteceu aquilo que nunca se espera. Eles, acidentalmente, sem culpa nenhuma, perderam a filha menor. Uma desgraça que foi além da própria família. Parentes, amigos, conhecidos e colegas de profissão se sentiram todos abalados. Todos, por sua vez, tentavam mostrar a sua solidariedade, dando até conselhos mais impensáveis. Alguns, inclusive, chegaram a pensar coisas mais tristes, porque perder uma filhinha assim pode gerar somente desespero. Um túnel sem saída.

No entanto, o jovem casal enfrentou a dura realidade e se deixou questionar pelo dramático evento da vida que aconteceu com ele, isto é, não soube somente chorar, mas soube se interpelar. A linda filhinha, sim, morreu, mas ela se tornou mais viva nos dois, conduzindo-os para profundas reflexões; uma delas foi constatar como ele, casal, por exemplo, nunca tinha tempo para ir à igreja nem para rezar um pouquinho mais ou aprofundar mais sobre a própria conduta religiosa e familiar.

A partir do trágico episódio, o jovem casal começou a se colocar em questão. Daí em diante, com grande e resoluta firmeza, eles se engajaram mais na vida da igreja para promover a pessoa da fé. De fato, o casal não perde mais uma missa aos domingos, participa toda semana do estudo bíblico e é solidário com aqueles que mais necessitam.

O trágico evento provocou o casal a fazer uma experiência diferente, de confiança total na busca de Deus, porque viu que esta vida foge do nosso controle. Por isso, pude ver, nesse caso, como a fé se tornou operante, como esse casal soube reconhecer que não somos nós que garantimos a vida, embora possamos ter todo o poder e riqueza desse mundo.

Assim, começou no casal uma relação de confiança em Deus, mediado pelo encontro com Jesus. Tudo isso mudou o olhar deles sobre a realidade, a concepção dos valores, o mundo dos desejos e nada ficou como antes; a vida interior desse casal e mesmo o comportamento são submetidos a um processo de conversão. Portanto, esse processo de fé começou com o evento da vida (a história) e lhe permitiu favorecer o encontro com Deus por meio de Jesus, e de fazê-lo amadurecer numa relação mais profunda e continuada na vida do jovem casal. Essa experiência de fé, com certeza, abriu-lhe novos horizontes de vida, os quais, dificilmente, se podem entender sem essa ótica de conversão.

Enfim, Deus age na nossa história, nas nossas realidades, mas, ao mesmo tempo, também nós precisamos agir respondendo a essa ação. Sem essa colaboração, é difícil fazer uma experiência de fé, porque Deus pode agir, mas se nós não respondermos, tudo se torna em vão.

Padre Cláudio Pighin
Doutor em teologia, mestrado em missiologia e comunicação

Acampamento Juvenil dos Ondinhas

Nos dia 18 e 19 de novembro próximo passado, os jovens do Onda estiveram em um Acampamento/Retiro temático na cidade de Butiá, acompanhados de três casais de tios: Tia Fabiane e Tio Evandro, Tia Rose e Tio Rogério, Tia Bel e Tio Irineu.

No sábado pela manhã bem cedo, fomos enviados em missão com a bênção de Padre Ronaldo. Partimos às 7h em um ônibus da Central Transportes, dirigido pelo Tio Dila, que aliás muito participou e nos ajudou nessa empreitada. Cerca de 40 jovens ansiosos, com suas barracas e equipamentos , chegaram às 9h na Fazenda. O casal Marnei e Carina, proprietários da Fazenda, administradores e monitores do encontro nos recepcionaram muito bem e ainda pela manhã o plano estratégico foi exposto à apreciação dos tios presentes.

Uma característica do casal é que o grupo visitante coloca o tema e eles desenvolvem o roteiro, sempre sujeito a mudanças e aprovação dos coordenadores e tios. Até o meio dia de sábado houve um tempo para montar as barracas e ambientação com os espaços e benfeitorias do lugar.

Detalhe: muitos pássaros, vacas, cavalos, patos, gansos, perus, galinhas e galo (o despertador do acampamento). Após o almoço, palestra inicial falando em confiança nos colegas e capacidade de enfrentar obstáculos e desafios. O palestrante focou bastante na necessidade de conhecer as pessoas que nos rodeiam, perguntar quem são, como são, o que fazem, em que acreditam. Na sequência, o grupo foi dividido em duas equipes: vermelha e amarela.

Todos foram ao campo, e o ápice foi a descida da tirolesa com todo aparato de segurança. Mais tarde, o grupo lanchou e após se deslocou a uma espécie de capela natural em meio às taquareiras. Lugar maravilhoso: depois de uma caminhada por uma trilha no meio do campo, chegamos num pequeno vale com muitas taquareiras e no meio delas, abre-se uma clareira protegida dos dois lados. Dentro da clareira, havia um espaço lindo com bancos antigos tipo igreja e na frente onde seria o presbitério, uma grande gruta com uma grande imagem de Nossa Senhora Aparecida, com cerca de 1,80m de altura.

Maria, certamente gostou do que viu e ouviu. Mais tarde todos jantaram e depois da janta aconteceu uma espécie de “luau” mas não ao ar livre. Subimos a uma sala reservada da fazenda, e todos puderam sentar-se. Motivados pela Palavra de Deus proferida pelo mestre Marnei, alguns se apresentaram, comentaram de suas vidas, suas angústias, seus anseios, planos e objetivos. E o Santíssimo se fez presente pelas mãos de um ministro da igreja que auxilia nas atividades. Bem mais tarde, quando os jovens se recolheram às barracas, os tios foram a um local chamado de capela, onde encontramos novamente o Santíssimo.

Questionado e esclarecendo, Marnei declarou que tem o apoio e aprovação de um bispo da igreja local para o acolhimento e utilização do Senhor Eucarístico. Observe-se que as atitudes, gestos, palavras e motivações usadas com a imagem do Santíssimo foram o tempo todo de profundo respeito e adoração. Ninguém, além do ministro, tocou no ostensório e não houve abuso nenhum segundo nossa apreciação. Fomos para o berço e levantamos às 6h do dia seguinte com um dia maravilhoso e muito frio. Na verdade às 05h08min um vigoroso galo acionou o canto e despertou o acampamento.

Tomamos um café bem simples e partimos para a cidade para a Santa Missa que começou às 9h. Na Paróquia Santa Terezinha, Padre Paulo César nos recebeu muito bem e fez uma acolhida oficial no início da Missa. Igreja simples, uma comentarista (que comentava tudo), um organista (que tocava muito bem e cantava bastante forte), folheto Dia do Senhor, e assim foi. As 11h estávamos de volta ao acampamento.

Marnei e família levaram o grupo para um pavilhão aberto que eles chamam de rincão. Cantos, pequena palestra sobre o tema “Ficai Conosco Senhor”, encenações lúdicas, mais cantos e muitas orações. Fomos ao almoço, diga-se de passagem muito simples e muito gostoso, feito pelos caseiros. Depois do almoço, todos desmontaram as barracas e prepararam-se para a Pista de Obstáculos na água e no barro do açude. Roupas bem velhinhas, tênis caindo aos pedaços. As equipes, vermelha e amarela, apresentaram uma lista de 1 a 20 com os nomes dos integrantes. Seria a lista por ordem de entrada na pista.

A tarefa: competir com um de cada equipe a cada vez e somar pontos para definir o ganhador. Um grande detalhe: pensar e agir como Jesus pensaria e agiria. A equipe amarela montou sua estratégia de uma forma muito interessante. Quem entrasse na pista, se preciso, ajudaria o adversário. Ao nos encaminharmos ao local, mais uma demonstração de espírito de corpo da equipe amarela – entraram de mãos dadas.

Iniciamos as competições e ora uma equipe chegava na frente, ora outra equipe. Como o barro era um forte componente da brincadeira, os ganhadores deveriam jogar barro sobre os perdedores. A amarela fez o contrário – jogou barro em si próprio. Para encurtar a história, por pontos conquistados a equipe vermelha chegou a frente mas a amarela levou o grande destaque da ação Cristã, pensou e agiu como Jesus pensaria e agiria.

Todos confraternizaram e foram banhar-se, não no Jordão, mas num açude um pouco mais limpinho para tirar o excesso de barro. Chuveirada, reunião no rincão e rescaldo final do encontro. Todos, um a um, jovens e tios, falaram, abriram o coração, se emocionaram e com muita certeza encerraram o passeio muito mais amigos e muito mais fieis um ao outro e a Deus Pai Todo Poderoso.

Vários depoimentos atestaram o sucesso do acampamento. Testemunhos vários, evidenciaram que as pessoas envolvidas com o grupo têm tendência de se fechar com os suas amizades mais próximas e mais compatíveis o que os leva a distanciarem-se de outros colegas a ponto de não saber nem o nome muitas vezes, muito menos as dificuldades, tristezas e alegrias do outro.

Final apoteótico, preces de envio de volta à cidade e bênção final. Chegamos na igreja da Piedade às 20h30min. Cabe as equipes e seus coordenadores, seguir o trabalho de onde encerrou no final de semana. Desenvolver mais os diversos assuntos e catalisar a grande missão do Onda – Jovem evangelizando jovem, pensando como Jesus pensou e deixando Deus ser Deus – no comando de tudo.

Novo Hamburgo, 21 de novembro de 2017.

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