Tag: casa

Santo Evangelho (Lc 10, 1-12.17-20)

14ª Domingo do Tempo Comum – Domingo 07/07/13

Primeira Leitura (Is 66,10-14c)
Livro do profeta Isaías:

10 Alegrai-vos com Jerusalém e exultai com ela, todos vós, que a amais; tomai parte em seu júbilo, todos vós, que choráveis por ela, 11 para poderdes sugar e saciar-vos ao seio de sua consolação, e aleitar-vos e deliciar-vos aos úberes de sua glória. 12 Isto diz o Senhor: “Eis que farei correr para ela a paz como um rio e a glória das nações como torrente transbordante. Sereis amamentados, carregados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13 Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei; e sereis consolados em Jerusalém. 14c Tudo isso haveis de ver e o vosso coração exultará, e o vosso vigor se renovará como a relva do campo. A mão do Senhor se manifestará em favor de seus servos”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 65)

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira!
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira!

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ cantai salmos a seu nome glorioso,/ dai a Deus a mais sublime louvação!/ Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!

— Toda a terra vos adore com respeito/ e proclame o louvor do vosso nome!”/ Vinde ver todas as obras do Senhor:/ seus prodígios estupendos entre os homens!

— O mar ele mudou em terra firme,/ e passaram pelo rio a pé enxuto,/ Exultemos de alegria no Senhor!/ Ele domina para sempre com poder!

— Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar:/ vou contar-vos todo bem que ele me fez!/ Bendito seja o Senhor Deus que me escutou,/ não rejeitou minha oração e meu clamor,/ nem afastou longe de mim o seu amor!

 

Segunda Leitura (Gl 6,14-18)
Carta de São Paulo aos Gálatas:

Irmãos: 14 Quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo. 15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor; o que conta é a criação nova. 16 E para todos os que seguirem esta norma, como para o Israel de Deus, paz e misericórdia. 17 Doravante, que ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus. 18 Irmãos, a graça do Senhor nosso, Jesus Cristo, esteja convosco. Amém!

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 10,1-12.17-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10 Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 ‘Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”. 17 Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19 Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Adriano

Adriano viveu no século IV. Era casado com Natália. Recebia oração e via o testemunho de sua esposa nas pequenas coisas, na fidelidade, no amor a Deus e a ele.

Adriano pertencia à chefia da guarda romana, onde o Imperador Diocleciano perseguia duramente os cristãos. Numa ocasião, foram presos 22 cristãos, que testemunharam Jesus perante os tribunais. O coração de Adriano se decidiu por Cristo naquele momento e quis pertencer ao número daqueles heróis do Senhor. Decidiu-se por Cristo, foi preso, sofreu todas as pressões para negar a fé em Cristo e na Igreja.

Natália acompanhou tudo e orava pela fidelidade de seu esposo a Cristo. Adriano teve uma última chance de declarar seu amor à esposa e foi martirizado, queimado vivo, juntamente com os outros 22 cristãos.

Santo Adriano, rogai por nós!

Sétimo Domingo do Tempo Comum B

Por Mons. Inácio José Schuster

Isaías 43, 18-19.21-22.24b-25; 2 Coríntios 1, 18-22; Marcos 2, 1-12

Teus pecados estão perdoados

Um dia que Jesus estava em casa (talvez na casa de Simão Pedro, em Cafarnaum), reuniu-se tal multidão que não se podia de modo algum entrar pela porta. Um pequeno grupo de pessoas que tinha um familiar ou amigo paralítico pensou em superar o obstáculo tirando o teto e descendo o enfermo pelas pontas de um lençol diante de Jesus. Ele, diante daquilo, disse ao paralítico: «Filho, teus pecados estão perdoados».

Alguns escribas presentes pensam em seus corações: «Blasfêmia! Quem pode perdoar os pecados, senão Deus somente?». Jesus não desmente sua afirmação, mas demonstra com os fatos ter sobre a terra o poder próprio de Deus: «Para que saibais que o Filho do homem tem na terra o poder de perdoar pecados –diz ao paralítico–: “A ti te digo, levanta-te, toma tua maca e vai-te para casa”».

O que ocorreu naquele dia na casa de Simão é o que Jesus continua fazendo hoje na Igreja. Nós somos aquele paralítico, cada vez que nos apresentamos, escravos do pecado, para receber o perdão de Deus.

Uma imagem da natureza nos ajudará (pelo menos ajudou a mim) a entender porque só Deus pode perdoar os pecados. Trata-se da imagem da estalagmite. A estalagmite é uma dessa colunas calcárias que se forma no fundo de certas grutas milenares pela queda de água calcária do teto da caverna. A coluna que pende do teto da gruta se chama estalactite, a que se forma abaixo, no ponto em que cai a gota, estalagmite. A questão não é a água e seu fluxo ao exterior, mas sim que em cada gota de água há uma pequena porcentagem de calcário que se deposita e faz massa com a precedente. É assim que, com o passar de milênios, formam-se essas colunas de reflexos brilhantes, belas de contemplar, mas que se se vêem melhor se parecem barras de uma cela ou a afiados dentes de uma fera de boca aberta de par em par.

O mesmo ocorre em nossa vida. Nossos pecados, no curso dos anos foram caindo no fundo de nosso coração como muitas gotas de água calcária. Cada um depositou aí um pouco de calcário –isto é, de opacidade, de dureza e de resistência a Deus– que ia fazendo massa com o que havia deixado o pecado precedente. Como acontece na natureza, o grosso se ia, graças às confissões, às Eucaristias, à oração. Mas cada vez permanecia algo não dissolvido, e isso porque o arrependimento e o propósito não eram «perfeitos». E assim nossa estalagmite pessoal cresceu como uma coluna de calcário, como um rígido busto de gesso que enjaula nossa vontade. Entende-se então de uma vez só o que é o famoso «coração de pedra» do qual a Bíblia fala: é o coração que nós mesmos criamos, por força de pecados.

O que fazer nesta situação? Não posso eliminar essa pedra com minha vontade somente, porque aquela está precisamente em minha vontade. Compreende-se pois o dom que representa a redenção operada por Cristo. De muitas maneiras, Cristo continua sua obra de perdoar os pecados. Mas existe um modo específico ao qual é obrigatório recorrer quando se trata de rupturas graves com Deus, e é o sacramento da penitência.

O mais importante que a Bíblia tem a nos dizer acerca do pecado não é que somos pecadores, mas que temos um Deus que perdoa o pecado e, uma vez perdoado, o esquece, cancela-o, faz algo novo. Devemos transformar o arrependimento em louvor e ação de graças, como fizeram aquele dia, em Cafarnaum, os homens que haviam assistido ao milagre do paralítico: «Todos se maravilharam e glorificavam a Deus dizendo: “Jamais vimos coisa parecida”».

 

Evangelho segundo São Marcos 2, 1-12
Dias depois, tendo Jesus voltado a Cafarnaúm, ouviu-se dizer que estava em casa. Juntou-se tanta gente que nem mesmo à volta da porta havia lugar, e anunciava-lhes a Palavra. Vieram, então, trazer-lhe um paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se por causa da multidão, descobriram o teto no sítio onde Ele estava, fizeram uma abertura e desceram o catre em que jazia o paralítico. Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.» Ora estavam lá sentados alguns doutores da Lei que discorriam em seus corações: «Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» Jesus percebeu logo, em seu íntimo, que eles assim discorriam; e disse-lhes: «Porque discorreis assim em vossos corações? Que é mais fácil? Dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega no teu catre e anda’? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar os pecados, Eu te ordeno disse ao paralítico: levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa.» Ele levantou-se e, pegando logo no catre, saiu à vista de todos, de modo que todos se maravilhavam e glorificavam a Deus, dizendo: «Nunca vimos coisa assim!»

No domingo passado era um leproso que se aproximava de Jesus: “Se queres tens o poder de curar-me”. Hoje é um paralítico que é conduzido por outros quatro, solidários com ele já que não pode mover-se, até a presença de Jesus.

O auditório estava repleto, todos se sentiam testemunhas privilegiadas, escolhidas a dedo, para assistirem a uma cena espetacular que se desenrolaria imediatamente aos próprios olhos, veriam com eles, uma cura extraordinária, se houvesse televisão naquela época, lá estariam os câmeras preparados para captar o ângulo mais forte e decisivo do gesto taumatúrgico e curador de Jesus.

A primeira palavra de Jesus, no entanto desconcerta a todos: “Filho os teus pecados estão perdoados”. Esperava isto o paralítico?

O texto não nos diz: Ficou feliz ao saber que seus pecados, diante de Deus, estavam perdoados? Não sabemos. Terá ficado desiludido, não foi para isto que vinha aqui?

Também não conhecemos a reação desta pessoa, mas conhecemos a reação do auditório de suspense, à irritação: “Este blasfema”, porque quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?

Diz-nos o Evangelista, que Jesus com olhos longemirantes, lendo por dentro os pensamentos dos corações, se auto-defende: “O que é mais fácil dizer, teus pecados são perdoados, ou levanta-te, toma a tua cama e vai para casa?”

Claro, no pensamento daquela gente, a resposta deveria ser a primeira, os teus pecados são perdoados, pois não há meio de se acertar, se realmente foram ou não, mas se o milagre fracassa, então se percebe que era um falso Profeta.

“No entanto, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados, eu digo ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa”, imediatamente curou-se no seu físico, depois de ter sido curado no coração completamente no corpo e no espírito, foi para casa.

Nós sofremos muito com nossas doenças materiais, basta um sinalzinho qualquer dentro de nós, não é preciso uma paralisia nem de longe, basta um pequeno alarme, e corremos todos para médicos, hospitais, exames que não tem fim, porque estamos todos preocupados com a saúde física, mas Jesus neste Evangelho, sem nos dizer que erramos e afirma-nos, porque isto é catequese, que existe um mal incomparavelmente pior, a respeito do qual nós olhamos pouco e fazemos tão pouco para extirpá-lo; o pecado dentro de nós.

Este sim causa um estrago muito mais irreparável do que os nossos males físicos e se nós vemos apenas o contrário é por que nós não temos os olhos de Deus, nós vemos as coisas com olhos meramente humanos e no horizonte meramente humano que termina com a morte, a sepultura, o cemitério e nada mais.

Peçamos hoje a Deus, que mostre-nos com Seus olhos os estragos que o pecado pode fazer em cada um de nós, mas que cada um de nós tenha a graça de ouvir de sua boca, através desta leitura e meditação: “Filho os teus pecados te são perdoados também”.

 

RECONHECER-SE INDIGENTE
Padre Fábio de Melo

Quanta sabedoria quando o salmista coloca a necessidade da cura para o pecado.

Há um cuidado humano com a saúde, no que comemos, como vivemos, como forma de prevenir as enfermidades nessa responsabilidade que cabe a mim e a você na observância da vida, no respeito ao organismo que somos. Não somos um mecanismo, somos organismo e precisamos respeitá-lo. Se não o fazemos, o levamos a falência antes da hora. Definhamos antes da hora.

E aqui, o salmista pede a Deus que lhe cure. Considerando o pecado como enfermidade.

Da mesma forma como nós interpretamos o cuidado da saúde com o corpo, descobrimos que a vida espiritual precisa seguir as mesmas regras.

O corpo é o território do sagrado.

E como medicamos o corpo para que ele seja curado, o salmista nos inspira e nos ensina que quando Deus nos perdoa, encontramos o processo de cura.

Curai-me Senhor pois pequei contra vós.

O perdão de Deus, o reconhecimento de Sua misericórdia, é um soro que colocamos em nossas veias todos os dias.

De vez em quando eu preciso bater na porta das pessoas que me amam e dizer: “Me ajuda a chegar até Deus? Porque está difícil sozinho.” A possibilidade de estar com vocês aqui, é um soro que entra na minha veia.

Deus não é sim e não. Deus é apenas ‘sim’. Aqui você pode decidir-se pelo processo de reconhecer que há um Deus que nos ama de maneira única, e que não há nenhuma realidade humana que possa ser capaz de ofuscar e ser maior do que esse amor.

O evangelho de hoje é uma prova concreta de que Deus continua apostando em Sua misericórdia conosco. Você que ama, eu pergunto: pode haver algo mais curativo em nossas vidas, do que amar e ser amado?

O ódio nos rouba, o amor nos devolve. Quando você não tem muitos motivos para se alegrar, e tem que lidar com suas fragilidades e não sabe o que fazer com elas, você não procura seus companheiros de copo, ou de fofoca. Você vai querer bater na porta de alguém que verdadeiramente vai saber olhar para suas indigências do jeito que elas merecem ser olhadas. Por que o primeiro milagre que Jesus faz de perdoar pecados, também participamos na dimensão humana.

‘Não podemos pensar na nossa indigência fora da misericórdia de Deus’

A cura que muitas vezes nos falta na vida, não é o perdão divino. Deus não tem nenhum problema em nos reconciliar com Ele. É especialidade dEle perdoar, compadecer-se, mas ainda não é minha, nem a sua.

Quantas vezes você sofreu na pele a vergonha de ter que mostrar quem você era para alguém que achava que te amava? E você errou?

Não tenho tido medo de ser fraco, indigente. E acolho como dom de Deus, porque a concretização do evangelho de hoje só acontecerá em nós no momento que a gente reconhecer que de vez em quando precisamos ser colocados na maca para que alguém nos leve na presença do Senhor.

Por que nos esconderam tanto tempo que Deus prefere os piores? E que no acolhimento da fraqueza podemos chegar a algum lugar, e que o contrário não? Nós não podemos negligenciar a oportunidade de dizer isso a ninguém.

Somos indigentes. É o que você precisa ver em mim, em cada um de nós, no seu pároco, nas pessoas que você diz amar. O amparo humano que nos anuncia o amparo de Deus. Deus segurou na minha mão e ele tinha rosto de gente.

Não temos outra coisa a anunciar nessa vida a não ser a misericórdia de Deus. Nada do teu passado pode ser maior do que força do futuro de Deus. Nada.

Falar do perdão de Deus na nossa vida, é falar do perdão que nós nos entregamos o tempo todo. A primeira parte desse milagre, que foi fazer a voltar a andar o que era paralítico, foi o Senhor perdoar o pecado dele. Quantas vezes na vida ficamos paralisados? Não vamos pra lugar algum. E quando investigamos a paralisia, vemos que em algum momento não soubemos nos reconciliar com aquilo que a gente é. A gente se projetou melhor do que era, ou o pior do que era e a gente acabou não sendo nada.

‘Nada do teu passado pode ser maior do que força do futuro de Deus’

Quantas vezes você se estragou porque não foi capaz de se perdoar? Não foi capaz de usar de misericórdia consigo mesmo? Não reconheceu que estava indigente, ou que na corrida chegou em último lugar.

Como é duro ser o último. Agora, quando estamos no pódio é fácil achar quem nos ama. Alguma coisa dentro de nós pede para que o fracasso do outro seja ridicularizado. Isso é demoníaco. Nós não sabemos lidar com o fracasso dos outros.

O mais desconcertante disso tudo é que Jesus ficava de olho em quem chegava por último, e deles fazia seguidores.

Pode ser que a gente esteja tentado a olhar só o ‘batalhão de frente’. Jesus ficava de olho para ver quem estava em último e o trazia para dentro. Por isso o cristianismo é anúncio de salvação.

O presente é para todos. Só basta querer receber. Nisso está a dimensão humana da salvação: eu quero, aceito, me disponho, e recebo aquilo que Deus quer me ofertar. Eu quero essa participação direta nesse presente que Deus me oferece.

Por isso, não olhe para trás. Não preste atenção no que não deu certo. Não ponha seu empenho no que você não tem. Deus só pode trabalhar naquele que se reconhece indigente. Qual é pior doente? É aquele que não quer ser tratado.

Aqui está a origem de toda enfermidade: o pecado que não recebe cura.

Como tratamos o corpo, precisamos tratar o espírito, a alma.

Não podemos pensar na nossa indigência fora da misericórdia de Deus. Ele nos quer arrependidos dos erros e prontos para começarmos de novo.

Deus nos ama, mesmo na indigência. Não negligencie a oportunidade de trazer Jesus ao coração das pessoas que você encontrar na sua vida.

A face mais sedutora de Deus é a misericórdia.

 

A CURA FÍSICA COMO PROVA DA CURA ESPIRITUAL
Mais uma vez o evangelista Marcos narra-nos uma cura de Jesus; agora, é a cura do paralítico. Jesus pregava e curava, palavras e obras, mensagem acompanhada de sinais para a salvação em nome de Deus e que já se concretizava na Sua Pessoa. A cura do paralítico tem muito a ver com a cura do leproso que meditamos na semana passada. No domingo passado, verificamos que Jesus não só curava o mal físico, mas também devolvia ao leproso a sua dignidade de pessoa. Além disso, libertava-o do pecado que, para muitos, era a causa da doença. Hoje, este elemento do perdão dos pecados é-nos mais claro, através da cura narrada por S. Marcos. Jesus diz ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. O homem ansiava ser curado (andar por si próprio), mas, em primeiro lugar, Jesus concede-lhe uma cura espiritual. A cura física será uma prova da cura espiritual que antes tinha acontecido. Para Jesus, o mais importante é o perdão dos pecados, ou seja, é a renovação interior da pessoa. A fé em Jesus cura-nos por dentro para que o nosso coração possa ser renovado. Na 1ª Leitura do Livro de Isaías, encontramos o mesmo convite à renovação interior: “Não vos lembreis mais dos acontecimentos passados, não presteis atenção às coisas antigas. Eu vou realizar uma coisa nova, que já começa a aparecer; não o vedes?… Sou Eu, sou Eu que, em atenção a Mim, tenho de apagar as tuas transgressões e não mais recordar as tuas faltas”. Perdoar os pecados é algo reservado somente a Deus. Por isso, os escribas protestam e acusam Jesus de blasfêmia: “Não é só Deus que pode perdoar os pecados?” Concordamos com esta pergunta, mas “o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados”. Jesus é o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. Com as suas palavras e obras, isto começa a tornar-se claro à vista de todos.
Meditemos na atitude do paralítico e dos seus acompanhantes. O texto diz que Jesus estava rodeado por uma multidão que não deixava ninguém aproximar-se Dele. “Trouxeram-Lhe um paralítico, transportado por quatro homens; e, como não podiam levá-lo até junto d’Ele, devido à multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Ele se encontrava e, feita assim uma abertura, desceram a enxerga em que jazia o paralítico”. É, de fato, um grande exemplo de fé, de confiança, de convicção e de luta contra as dificuldades. Aqueles homens acreditavam que Jesus podia curar o paralítico, tinham fé nisso mesmo; por isso, as dificuldades não lhes causavam desânimo, mas davam alento para lutar por aquilo que pretendiam. É um exemplo a registrar para a nossa vida: lutar pelas coisas; o que custa é que tem valor, mas não é fácil alcançar; é preciso lutar, sem desfalecer. É também um exemplo para a nossa caminhada de fé: quantas vezes temos dificuldades em viver a nossa fé, em viver como cristãos, desanimando facilmente? Viver a fé neste mundo é lutar contra a corrente. Por isso, não é fácil. Exige esforço, vontade, convicção. Mas vale a pena, porque seremos curados, fortalecidos e renovados, como o paralítico. São Paulo, na 2ª Leitura (iniciamos a leitura da 2ª Carta aos Coríntios), diz-nos que a nossa fé não pode ser sim e não, cheios de dúvidas e inseguranças, mas sempre um sim muito firme e convicto, um “amém”, ou seja, um sim a Deus e a Jesus Cristo. Esta firmeza tem de ser testemunhada no quotidiano. Que Jesus também nos possa dizer: “A tua fé te salvou”.
Mais um pormenor a ter em conta. Depois de Jesus ter curado o paralítico, diz-lhe: “levanta-te, toma a tua enxerga e vai para casa”. Cada um de nós tem uma enxerga para carregar, ou seja, todos temos uma cruz para transportar. Provavelmente, os problemas do dia a dia não serão resolvidos por Jesus. Todavia, temos esta força interior, este espírito renovado, que nos dá luz e coragem para olhar o horizonte da vida com otimismo. Com este interior forte e seguro, entoemos um hino de louvor e de ação de graças ao Senhor. Isaías, na 1ª Leitura, diz-nos: “O povo que formei para Mim proclamará os meus louvores”. Marcos, no evangelho, também nos diz: “todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus”. É esta a nossa atitude, quando celebramos a Eucaristia.
Com informações do Missal Romano, da CNBB e do SDPL

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda