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IX Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 7, 1-10
1 Depois que terminou de falar todas essas palavras ao povo que o escutava, Jesus entrou na cidade de Cafarnaum. 2 Havia aí um oficial romano que tinha um empregado, a quem estimava muito. O empregado estava doente, a ponto de morrer. 3 O oficial ouviu falar de Jesus, e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado. 4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: «O oficial merece que lhe faças esse favor, 5 porque ele estima o nosso povo, e até construiu uma sinagoga para nós.» 6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizer a Jesus: «Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa; 7 nem sequer me atrevi a ir pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu empregado ficará curado. 8 Pois eu também estou sob a autoridade de oficiais superiores, e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem; e ao meu empregado: Faça isso, e ele o faz.» 9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia, e disse: «Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.» 10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial, e encontraram o empregado em perfeita saúde.

A fé de um centurião
O Evangelho da Missa (Lucas 7, 1-10) nos narra que uns anciãos dos judeus chegaram com Jesus para interceder por um Centurião que tinha um criado enfermo, ao que estimava muito. Este gentil era muito apreciado por suas grandes virtudes; ademais era um homem generoso que havia custeado a sinagoga de Cafarnaum. Os judeus lhe insistem a Jesus: merece que lhe concedas isto, aprecia a nosso povo. Sobretudo sobressai por sua fé humilde, pois quando Jesus se aproxima a sua casa, enviou uma embaixada ao Mestre para dizer-lhe: Senhor, eu não sou digno que entres em minha casa, mas diga uma palavra e meu criado ficará são. Esta fé cheia de humildade conquistou o coração de Jesus: ficou admirado dele, e voltando-se à multidão que lhe seguia, disse: Vos digo que nem ainda em Israel encontrei tanta fé. A humildade é a primeira condição para crer, para aproximar-nos de Cristo. Santo Agostinho, ao comentar esta passagem, assegura que foi a humildade a porta por onde o Senhor entrou a apropriar-se do que já possuía (Sermão 46, 12).

Meditemos hoje como é nossa fé e peçamos a Jesus que nos outorgue a graça de crescer nela, dia a dia. Santo Agostinho ensinava que ter fé é: “Crer em Deus que sai ao nosso encontro e se dá a conhecer; crer tudo o que Deus diz e revela; e, por último, crer em Deus, amando-lhe, confiar sem medida Nele” (Sermão 144). Progredir na fé é crescer nestas facetas. A primeira, que reside no afã de conhecer melhor a Deus, se concretizará na fidelidade à verdade revelada por Deus, proclamada pela Igreja, ensinada e protegida por seu Magistério. Crer em Deus nos leva a ver-lhe muito perto de nosso viver diário, a tratar-lhe diariamente no diálogo amoroso na oração e no meio do trabalho, de alegrias e tristezas. Crer em Deus é a coroação e gozo dos outros dois: É o amor que leva consigo a fé verdadeira.

A fé verdadeira nos une a Cristo e nos dá uma segurança que está por cima de toda circunstância humana. Mas para ter essa fé necessitamos a fé do Centurião: saber-nos nada ante Jesus; não desconfiar jamais de seu auxílio, ainda que alguma vez tarde em chegar ou venha de distinto modo como esperávamos. Santo Agostinho afirmava que todos os dons de Deus podem reduzir-se a este: “Receber a fé e perseverar nela até o último instante da vida” (Sobre o dom da perseverança). Em Nossa Mãe encontramos essa união profunda entre fé e humildade. Peçamos-lhe que nos ensine a crescer nelas.

 

«Senhor, eu não sou digno»
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja

Sermão 62

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir a casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto, mas diz uma só palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno não só de que Cristo entre em sua casa, mas também no seu coração. […]

Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem estar no seu coração. Com efeito Cristo, Mestre em humildade pelo Seu exemplo e pelas Suas palavras, sentou-Se à mesa em casa de um fariseu orgulhoso chamado Simão (Lc 7, 36ss.). Embora Se sentasse à sua mesa, não entrou no seu coração: aí, «o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58). Pelo contrário, aqui não entra em casa do centurião, mas entra no seu coração. […]

Por conseguinte, é a fé unida à humildade que o Senhor elogia neste centurião. Quando este diz: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto», o Senhor responde: «Em verdade vos digo, nem em Israel encontrei tão grande fé». […] O Senhor veio ao povo de Israel segundo a carne, para procurar primeiramente neste povo a Sua ovelha perdida (cf. Lc 15, 4). […] Nós, como homens, não podemos medir a fé dos homens. Foi Aquele que vê o fundo dos corações, Aquele a Quem ninguém engana, que testemunhou como era o coração deste homem; ao ouvir as suas palavras repletas de humildade, responde-lhe com uma palavra que cura.

 

9º Domingo do Tempo Comum
Ano C
Pe. Wagner Augusto Portugal

“Olhai para mim Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados”(Sl 24,16.18).  No encantamento do tempo comum, das coisas cotidianas, depois de termos celebrado as festas da Santíssima Trindade e de “Corpus Christi” os domingos se revestem da beleza do dia a dia e Nosso Senhor Jesus nos é apresentado pela Mãe Igreja como o único mediador da salvação.

Meus queridos irmãos,

Na Primeira Leitura(cf 1Rs 8,41-43) o rei Salomão reza para que Deus atenda os estrangeiros. Na grande oração da Dedicação do Templo de Jerusalém, Salomão não reza apenas pela casa de Davi e o povo de Israel, mas, também, pelos estrangeiros que aí virão adorar ao Deus de Israel e do Universo. E o templo será a casa de oração para todas as nações. Deus quer ficar acessível às necessidades de todos os homens. A única condição indicada na leitura do primeiro livro dos Reis para se poder praticar o culto é crer no nome de Deus(cf. Ex 12,48), isto é, em Deus por uma fé que se baseia em sua ação salvífica na história.  A fé é universal, conforme nos ensina a bela oração de Salomão na ocasião da Dedicação do Templo. O Rei Salomão pede a Deus também pelos que acorrem de longe para rezarem no Templo de Jerusalém.

Caríssimos fiéis,

O Evangelho de São Lucas(Lc 7,1-10) apresenta hoje a fé de um pagão, um oficial romano, que morava em Cafarnaum. O centurião de Cafarnaum é um pagão, porém, envergonha os representantes da sinagoga por sua fé em Jesus, “o Senhor”(cf. Lc 7,6), e na força salvífica de sua palavra. São Lucas descreve o centurião como um homem que teme a Deus, um pagão que serve de exemplo para os judeus. O Evangelista Lucas revela-se aqui como o evangelista “ecumênico”, descobrindo os valores “pré-cristãos” em todo o mundo. Claro aqui está a emocionante fé do Centurião. Vejamos, novamente, que o centurião é cidadão romano. O centurião é pagão, mas estima muito o judaísmo. Fica evidente que o Centurião se acha indigno de fazer um pedido direto a Jesus para que cure o seu funcionário. O Centurião manda os anciãos de Cafarnaum pedir a cura de seu empregado a Jesus, e estes anciãos não tinham como negar o pedido do Centurião, porque ele próprio havia ajudado na edificação de uma Sinagoga na cidade de Cafarnaum. Com a insistência dos anciãos para que Jesus vá ao encontro do Centurião ele caminha com eles na direção da casa do cidadão romano. Ainda no caminho o centurião romano lhes corre ao encontro e proclama: “Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale uma só palavra, que meu servo fica bom. Pois eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar, sou militar!” E, Jesus, cura o servo, à distância.  Aqui o que está em evidência é a grande fé do homem romano, estrangeiro e pagão, que não colocou pré condições, mas acreditou: “Eu sei o que é mandar – mande, Senhor!”. Uma fé profunda, que passou primeiro pela mediação dos anciãos da cidade, e que, depois, ele mesmo corre ao encontro do Senhor. Isso levou o próprio Senhor Jesus a dizer: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”(cf. Lc. 7, 9).  Esta fé, que procede do sentimento da própria inteligência e indignidade diante dos benefícios de Deus, foi motivo da salvação na casa do centurião. O centurião sabe que para obter os benefícios de Deus, ele precisa passar através dos judeus e parece que assim também pensam os judeus, insistindo em que Jesus faça uma exceção: “Ele é digno”. Mas com a vinda de Jesus as coisas mudam: a salvação é para todos os que têm fé e só para esses(cf. Rm 3,22).

Caros irmãos,

A Segunda Leitura desta liturgia(cf. Gl 1,1-2,6-10) nos apresenta o Evangelho de Paulo. São Paulo mesmo operou a primeira evangelização da Galácia, país subdesenvolvido, muito exposto a qualquer novidade. Agora vieram outros missionários, confundindo as jovens nascentes comunidades, impondo costumes judaicos – como a circuncisão – também aos cristãos de origem pagã. Estes missionários consideravam o cristianismo apenas como uma variante do Judaísmo. São Paulo, então, escreveu a carta de hoje com intensa preocupação. Não se trata de uma pessoa, mas da pureza de seu Evangelho. A garantia desta pureza é que Deus, que ressuscitou o Cristo dos mortos, também chamou a São Paulo.  A segunda leitura nos oferece a saber qual é o critério para reconhecer, independentemente dos pregadores, qual é o verdadeiro Evangelho? Os cristãos devem saber que existe uma norma objetiva da pregação e da fé(cf. 1Cor 15,3-4) contra a qual ninguém pode ir, nem Paulo nem um colaborador dele, nem um anjo. A norma é esta: Cristo é o único mediador da salvação. Se alguma doutrina procura modificar esta verdade, não pode ser evangelho.  A lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador interiormente, não teria necessidade de ser mudado. Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a lei não pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. São Paulo convida os gálatas a escolher entre a lei e Cristo.

Queridos irmãos,

É no amor que o homem se realiza, na comunhão com Deus e com os outros. E isto só é possível em Cristo. Ele á a aliança entre Deus e a pessoa humana, a comunhão realizada de modo perfeito, porque verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso, é só unindo-se vitalmente em Cristo que o homem se salva como homem.

Prezados fiéis,

Devemos, neste dia, relembrar o que nos ensina o Concílio Vaticano II: “Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida reta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demônio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões”(Cf. LG 16).

Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram: “Neste momento, com incertezas no coração, perguntamo-nos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5). Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai., quem tanto amou ao mundo que deu a seu Filho único, para que todo aquele que nele creia tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida. Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão vida eterna” (Jo 6,68); “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)” (DAp 101).

 

A humildade do oficial romano
Padre Pacheco

Existe no coração do ser humano, infelizmente, como fruto do pecado original, uma força que quer arrastá-lo para que se coloque acima dos outros, para que se sinta maior que os demais irmãos. Essa força é a força do pecado, pecado este que é a mãe de todos os demais pecados, ou seja, o vício da soberba. A única “vacina” capaz de combater esta “bactéria” chamada “soberba” – sim, pois o pecado é como uma bactéria, ou seja, quando menos esperamos ela destrói a vida da pessoa. Para dizer: bactéria não se administra: se elimina; pois na primeira oportunidade que ela tiver, ela vai destruir você; assim é o pecado. Daí entendemos quando Paulo diz que o salário do pecado é a morte. Retomo: a única vacina capaz de combater a “bactéria” da soberba – mãe de todos os pecados – é a mãe de todas as virtudes: a virtude da humildade. A Palavra de hoje, no Evangelho, vai nos trazer o processo de como podemos chegar à humildade,  a exemplo do oficial romano, a virtude fundamental para o nosso combate espiritual. Para chegarmos à virtude da humildade deveremos trabalhar algumas atitudes bem concretas, pois virtude alguma cai do céu, pois a virtude é o resultado de um hábito bom, muitas vezes, repetidos.
Como chegar à humildade?
1º O pai da humildade é o autoconhecimento. Sem se autoconhecer jamais a pessoa chegará à humildade, pois a palavra “humildade” provém da palavra “húmus” – do latim – que quer dizer “terra”; para dizer que só é humilde aquele que tem a coragem de tocar na sua história mais profunda, nas realidades mais obscurecidas.
2º Sinceridade. Como a criança, devemos ser sinceros diante de Deus, das pessoas e de nós mesmos; a criança é muito sincera; quando ela gosta, gosta de verdade; quando não gosta, deixa claro para todos ouvirem e verem. Se quisermos ser humildes, teremos de acabar com as manipulações, com as mentiras, com as máscaras que sempre nos levam a viver de imagens, respeito humano, “diplomismo”, hipocrisia; acabamos fazendo o contrário: o nosso “sim” vira “não” e o nosso “não” vira “sim”. Autenticidade, verdade, transparência – tudo isso mediante a caridade – são o caminho para a humildade.
3º Confiança. Interessante que Jesus, numa ocasião, disse a Santa Faustina que o que mais fere o Coração d’Ele não é o pecado – até porque o mal é inacessível a Deus – mas sim, a falta de confiança. A confiança é este vaso que colhe a misericórdia de Jesus, que se derrama sobre cada um de nós. Uma das características da criança é a confiança que ela possui em seus pais – desde que estes sejam pais de verdade e não somente genitores. A criança se abandona, confia, sabe que os pais vão dar um jeito.
4º A arte do entretenimento. A grande característica da criança é que ela vive nesta fase linda de brincar. Nós adultos não brincamos mais, levamos a vida muito a sério e, por isso, ela [a criança] não possui a seriedade que deveria ter, pois somente quem sabe brincar e sorrir saberá tomar decisões sérias na hora exata em que a vida lhe pedir.
5º A criança é inteira. Ela serve. O maior é aquele que serve; a autoridade na Igreja está no serviço. Devemos começar a ser inteiros, como as crianças, em tudo aquilo que formos fazer e viver; devemos nos doar, até gastar a própria vida. Aí está o grande caminho de sermos grandes: grandes para os outros, para fazer da vida deles uma vida mais digna e humana.

O que é o Credo?

O Creio é o resumo da fé católica

Desde o início de sua vida apostólica, a Igreja elaborou o que passou a ser chamado de “Símbolo dos Apóstolos”, cujo nome é o resumo fiel da fé dos apóstolos; foi uma maneira simples e eficaz de a Igreja exprimir e transmitir a sua fé em fórmulas breves e normativas para todos. Em seus doze artigos, o ‘Creio’ sintetiza tudo aquilo que o católico crê. Este é como “o mais antigo Catecismo romano”. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma.

Os grandes santos doutores da Igreja falaram muito do ‘Credo’. Santo Ireneu (140-202), na sua obra contra os hereges gnósticos, escreveu: “A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a fé num só Deus, Pai e Onipotente, que fez o céu e a terra (…).Esta é a doutrina que a Igreja recebeu; e esta é a fé, que mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Esta fé anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua.  (Adv. Haer.1,9)

São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, disse: “Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira, de onde se recolheu o que existe de mais importante para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém, em um pequeníssimo grão, um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra, em algumas palavras, todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento (Catech. ill. 5,12)

Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja que batizou Santo Agostinho, mostra de onde vem a autoridade do ‘Símbolo dos Apóstolos’, e a sua importância: “Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé” (CIC §194).”Este símbolo é o selo espiritual, a mediação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é seguramente o tesouro da nossa alma” (CIC §197). Os seus doze artigos, segundo uma tradição atestada por Santo Ambrósio, simbolizam com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica (cf. CIC §191).

O símbolo da fé, o ‘Credo’, é a “identificação” do católico. Assim, ele é professado solenemente no dia do Senhor, no batismo e em outras oportunidades. Todo católico precisa conhecê-lo com profundidade.

Por causa das heresias trinitárias e cristológicas que agitaram a Igreja nos séculos II, III e IV, ela foi obrigada a realizar concílios ecumênicos (universais) para dissipar os erros dos hereges. Os mais importantes para definir os dogmas básicos da fé cristã foram os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla I (381). O primeiro condenou o arianismo, de Ário, sacerdote de Alexandria que negava a divindade de Jesus; o segundo condenou o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla que negava a divindade do Espírito Santo.

Desses dois importantes Concílios originou-se o ‘Credo’ chamado “Niceno-constantinopolitano”, o qual traz os mesmos artigos da fé do ‘Símbolo dos Apóstolos’, porém de maneira mais explícita e detalhada, especialmente no que se refere às Pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo.   Além desses dois símbolos da fé mais importantes, outros ‘Credos’ foram elaborados ao longo dos séculos, sempre em resposta a determinadas dificuldades ou dúvidas vividas nas Igrejas Apostólicas antigas. Um exemplo é o símbolo “Quicumque”, dito de Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria; as profissões de fé dos Concílios de Toledo, Latrão, Lião, Trento e também de certos Pontífices como a do Papa Dâmaso e do Papa Paulo VI (1968).

O Catecismo da Igreja nos diz que: “Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado como ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a tocar e a aprofundar, hoje, a fé de sempre por meio dos diversos resumos que dela têm sido feitos” (CIC § 193).   O Papa Paulo VI achou oportuno fazer uma solene Profissão de Fé no encerramento do “Ano da Fé” de 1968. O Papa Paulo VI quis colocá-lo como um farol e uma âncora para a Igreja caminhar nos tempos difíceis que vivemos, por entre tantas falsas doutrinas e falsos profetas, que se misturam sorrateiramente como o joio no meio do trigo, mesmo dentro da Igreja.

Paulo VI falou, na época, daqueles que atentam “contra os ensinamentos da doutrina cristã”, causando “perturbação e perplexidade em muitas almas fiéis”. Preocupava o Papa as “hipóteses arbitrárias” e subjetivas que são usadas por alguns, mesmo teólogos, para uma interpretação da revelação divina, em discordância da autêntica interpretação dada pelo Magistério da Igreja.

Sabemos que é a Verdade que nos leva à salvação (cf. CIC §851). São Paulo fala da “sã doutrina da salvação” (2 Tm 4,7) e afirma que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4); e “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15).

Com este artigo queremos dar início a uma série de outros doze, explicando, resumidamente, cada um dos artigos do ‘Credo’.

Felipe Aquino
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Santo Evangelho (Mt 9, 27-31)

1ª Semana do Advento – Sexta-feira 04/12/2015

Primeira Leitura (Is 29,17-24)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

Assim fala o Senhor Deus: 17Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta? 18Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. 19Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; 20fracassou o prepo­tente, desapareceu o trapaceiro, e sucumbiram todos os malfeitores precoces, 21os que faziam os outros pecar por palavras, e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade e atacavam o justo com palavras falsas. 22Isto diz o Senhor à casa de Jacó, ele que libertou Abraão: “Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se nem seu rosto terá de enrubescer; 23quando contemplarem as obras de minhas mãos, hão de honrar meu nome no meio do povo, honrarão o Santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel; 24os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria e os maldizentes concordarão em aprender”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 26)

— O Senhor é minha luz e salvação.
— O Senhor é minha luz e salvação.

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isso que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Evangelho (Mt 9,27-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 27partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: “Tem piedade de nós, filho de Davi!” 28Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor”. 29Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: “Faça-se conforme a vossa fé”. 30E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: “Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo”. 31Mas eles saíram, e espalharam sua fama por toda aquela região.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João Damasceno – Doutor da Igreja de Cristo 

Com seus escritos, São João Damasceno defendeu principalmente a Igreja contra os iconoclastas, que condenavam o uso de imagens nas Igrejas

Lembramos São João Damasceno, um santo Padre e Doutor da Igreja de Cristo. Nasceu em 675, em Damasco (Síria) num período em que o Cristianismo tinha uma certa liberdade, tanto assim que o pai de João era muito cristão e amigo dos Sarracenos, que naquela época eram senhores do país. Esta estima estendia-se também ao filho. Os raros talentos e merecimentos deste levaram o Califa a distingui-lo com a sua confiança e nomeá-lo prefeito (mansur) de Damasco.

João Damasceno ainda jovem e ajudante do pai gozava de muitos privilégios financeiros, mas ao crescer no amor ao Cristo pobre, deu atenção a Palavra que mostra a dificuldade dos ricos (apegados) para entrarem no Reino dos Céus. Assim, num impulso para a santidade, renunciou todos os bens e deu aos pobres. Preferiu São João uma vida de maus tratos ao se entregar as “delícias venenosas” do pecado.

Retirou-se para um convento de São Sabas perto de Jerusalém e passou a viver na humildade, caridade e alegria. Escreveu inúmeras obras tratando de vários assuntos sobre teologia, dogmática, apologética e outros campos que fizeram de São João digno do título de Doutor da Igreja. Com escritos defendeu principalmente a Igreja contra os iconoclastas, que condenavam o uso de imagens nas Igrejas.

Certa vez, os hereges prenderam São João e cortaram-lhe a mão direita a fim de não mais escrever, mas por intervenção de Nossa Senhora foi curado. Seu amor a Mãe de Jesus foi tão concreto que foi São João quem tornou presente a doutrina sobre a Imaculada Conceição, Maternidade divina, Virgindade perpétua e Assunção de corpo e alma de Maria. Este filho predileto da Mãe faleceu em 749, quase centenário.

Foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII em 1890.

São João Damasceno, rogai por nós!

Santo Evangelho (Lc 15, 1-10)

31º Semana Comum – Quinta-feira 05/11/2015

Primeira Leitura (Rm 14,7-12)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 7ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. 8Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. 9Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. 10E tu, por que julgas o teu irmão? Ou, mesmo, por que desprezas o teu irmão? Pois é diante do tribunal de Deus que todos compareceremos. 11Com efeito, está escrito: “Por minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua glorificará a Deus”. 12Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 26)

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.
— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Evangelho (Lc 15,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Zacarias e Santa Isabel, os pais de João Batista 

Recordamos a vida do casal que teve na Palavra de Deus o principal testemunho de sua santidade, já que eram os pais de João Batista, o precursor de Jesus Cristo

Pelo próprio relato bíblico descobrimos que viviam na aldeia de Ain-Karim e que tinham laços de parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

“Havia no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Ábias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel” (Lc 1, 6).

Conta-nos o evangelista São Lucas que eram anciãos e não tinham filhos, o que acabava sendo vergonhoso e quase um castigo divino para a sociedade da época. Sendo assim recorreram à força da oração, por isso conseguiram a graça que superou as expectativas. Anunciado pelo Anjo Gabriel e assistido por Nossa Senhora nasceu João Batista; um menino com papel singular na História da Salvação da humanidade: “pois ele será grande perante o Senhor…e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe (Santa Isabel). Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus” (Lc1, 15s).

Depois do Salmo profético de São Zacarias, onde ele, repleto do Espírito Santo, profetizou a missão do filho, perdemos o contato com a vida do casal, que sem dúvida permaneceram fiéis ao Senhor até o fim de suas vidas. Assim, a Igreja, tanto do Oriente quanto do Ocidente, reconhecem o exemplo deste casal para todos os casais, já que “ambos eram justos diante de Deus e cumpriram todos os mandamentos e observâncias do Senhor” (Lc 1, 6).

São Zacarias e Santa Isabel, rogai por nós!

XIV Domingo do tempo comum (B)

Por Mons. Inácio José Schuster

Saiu dali e viu sua pátria
Ezequiel 1, 13-15-2, 23-25; 2 Coríntios 12, 7-10; Marcos 6, 1-6

Quando já se havia tornado popular e famoso por seus milagres e seu ensinamento, Jesus voltou um dia ao seu lugar de origem, Nazaré e, como de costume, se pôs a ensinar na sinagoga. Mas dessa vez não suscitou nenhum entusiasmo, nenhum hosana! Mais do que escutar o que dizia e julgá-lo segundo isso, as pessoas se puseram a fazer considerações alheias: «De onde tirou esta sabedoria? Não estudou; nós o conhecemos bem; é o carpinteiro, o filho de Maria!». «E se escandalizavam dEle», ou seja, encontravam um obstáculo para acreditar nEle no fato de que o conheciam bem. Jesus comentou amargamente: «Um profeta só em sua pátria, entre seus parentes e em sua casa carece de prestígio». Esta frase se converteu em provérbio na forma abreviada: Nemo propheta in pátria, ninguém é profeta em sua terra. Mas isso é só uma curiosidade. A passagem evangélica nos lança também uma advertência implícita que podemos resumir assim: cuidado para não cometer o mesmo erro que cometeram os nazarenos! Em certo sentido, Jesus volta a sua pátria cada vez que seu Evangelho é anunciado nos países que foram, em um tempo, o berço do cristianismo. Hoje correm o mesmo risco que os nazarenos: não reconhecer Jesus: As cartas constitucionais de nossos países não são o único lugar do qual Ele é atualmente «expulso»… O episódio do Evangelho nos ensina algo importante. Jesus nos deixa livres, propõe, não impõe seus dons. Aquele dia, ante a rejeição de seus conterrâneos, Jesus não se abandonou a ameaças e invectivas. Não disse, indignado, como se conta que fez Publio Escipión, o africano, deixando Roma: «Ingrata pátria, não terás meus ossos!». Simplesmente foi para outro lugar. Uma vez não foi recebido em certo povoado; os discípulos lhe propuseram fazer baixar fogo do céu, mas Jesus se virou e os repreendeu (Lc 9, 54). Assim também hoje. «Deus é tímido». Tem muito mais respeito pela nossa liberdade do que temos nós mesmos uns dos outros. Isso cria uma grande responsabilidade. Santo Agostinho dizia: «Tenho medo de Jesus que passa» (Timeo Jesum transeuntem). Poderia, com efeito, passar sem que eu percebesse, passar sem que eu esteja disposto a acolhê-lo. Sua passagem é sempre uma passagem de graça. Marcos disse sinteticamente que, tendo chegado a Nazaré no sábado, Jesus «se pôs a ensinar na sinagoga». Mas o Evangelho de Lucas especifica também o que ensinou e o que disse naquele sábado. Disse que havia vindo «para anunciar aos pobres a Boa Nova, para proclamar a liberdade aos cativos e a vista aos cegos; para dar a liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor» (Lucas 4, 18-19). O que Jesus proclama na sinagoga de Nazaré era, portanto, o primeiro jubileu cristão da história, o primeiro grande «ano de graça», do qual todos os jubileus e «anos santos» são uma comemoração.

 

Evangelho segundo São Marcos 6, 1-6
E partiu dali. Foi para a sua terra, e os discípulos seguiam-no. Chegado o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Os numerosos ouvintes enchiam-se de espanto e diziam: «De onde é que isto lhe vem e que sabedoria é esta que lhe foi dada? Como se operam tão grandes milagres por suas mãos? Não é Ele o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?» E isto parecia-lhes escandaloso. Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria, entre os seus parentes e em sua casa.» E não pôde fazer ali milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos. Estava admirado com a falta de fé daquela gente. Jesus percorria as aldeias vizinhas a ensinar.

Neste décimo quarto domingo do tempo comum, mostra-nos o Evangelista Marcos, uma viagem que Jesus realizou em Nazaré, sua cidade Natal, a meio tempo do ministério público. Foi uma falência, foi uma frustração. Que desastre! Em primeiro lugar um espanto geral. O que é isto que estamos vendo? A seguir uma pergunta cética, quase que incrédula, a respeito de sua ciência, dos sinais e milagres que realizava, para finalmente concluírem: “Não é este o filho daquela Maria, que mora na última casa no final da estrada?” Não podiam crer nele. O Evangelista tem o cuidado de dizer que Jesus lá foi acompanhado de seus discípulos, porque a frustração de que foi objeto, deve ser elucidativa para os discípulos também: “Quando tiver que ir de cidade em cidade anunciando o Reino de Deus, muitos aceitarão, mas alguns rejeitarão”. Na verdade o que impedia os Nazaretanos de crerem, é algo que pode ser detectado com certa facilidade, afinal Jesus crescia com eles. Jesus, eles o conheciam, era um garotinho, de calça curta, podemos dizer. Se pertencesse a modernidade, andava com eles, passeava com eles, trepava em árvores, apanhava frutos, corria, ria, ia a sinagoga, aprendia. Mais tarde, mais jovenzinho começou a aprender o oficio do pai. José era um carpinteiro, trabalhava com as suas mãos, fazia cadeiras, arados para serem utilizados no campo pelos agricultores. “Construía janelas, mesas e cadeiras, mas este é um profeta? Este é um representante de Deus? Não! É muito semelhante aos nossos!” Eu conheço poucos sacerdotes que não tenham passado por esta mesma situação. Ele não tem muita ciência, não fala nenhuma língua. Nós conhecemos bem a sua família, ele possui tais e tais defeitos, ou tais e tais limites, Não! Definitivamente não pode ser um enviado de Deus. Os enviados de Deus são sempre homens esquisitos, sempre homens distantes, homens mais admiráveis do que propriamente imitáveis. São homens que se colocam a uma altura tal, que não podem ser atingidos por ninguém. Mas os caminhos de Deus seguem outra direção. Já tive ocasião de dizer que Deus tem uma lógica diferente da nossa. Os caminhos de Deus são sempre os caminhos da encarnação, através de um sacerdote mal equipado, mal preparado, não muito inteligente, pode estar presente e verdadeiramente está presente o Cristo Pastor. Saibamos deixar de lado o que é humano, demasiadamente humano, e olhemos com fé os sinais simples que Deus coloca na nossa presença. Os grandes Santos do passado, são grandes Santos considerados hoje. No passado muitos deles sofreram as mesmas dificuldades.

 

Crer em Jesus atualmente
São Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Catequeses, n° 29 (trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 264 rev.; cf SC 113, pp. 165ss.)

Muitos não se cansam de dizer: «Se nós tivéssemos vivido na época dos apóstolos e se tivéssemos sido considerados dignos de ver Cristo como eles, também nos teríamos tornado santos como eles». Ignoram que Ele é o mesmo, Aquele que fala, agora como nesse tempo, em todo o universo. […] A situação atual não é certamente a mesma que se vivia então, mas é a situação de hoje, de agora, que é muito mais feliz. Ela conduz-nos mais facilmente a uma fé e convicção mais profundas do que o fato de O ter visto e ouvido fisicamente. Naquela época, com efeito, era um homem que aparecia àqueles que não tinham inteligência, um homem de condição humilde; mas atualmente é um Deus que nos é pregado, um Deus verdadeiro. Naquele tempo, Ele freqüentava fisicamente os publicanos e os pecadores e comia com eles; mas agora está sentado à direita de Deus Pai, nunca tendo estado separado d’Ele de maneira nenhuma. […] Na altura, até as pessoas sem valor o desprezavam dizendo: «Não é o filho de Maria e de José, o carpinteiro?» (Mc 6, 3; Jo 6, 42) Mas agora os reis e os príncipes adoram-n’O como Filho do verdadeiro Deus e o próprio Deus verdadeiro. […] Então, era tido por um homem perecível e mortal entre todos os outros. Ele que é Deus sem forma e invisível recebeu, sem alteração nem mudança, uma forma num corpo humano; mostrou-Se totalmente homem, sem oferecer ao olhar nada mais do que os outros homens. Comeu, bebeu, dormiu, transpirou e cansou-Se; fez tudo o que os homens fazem, exceto o pecado. Não era fácil reconhecer e crer que um homem daqueles era Deus, Aquele que fez o céu, a terra, e tudo o que eles contêm. […] Deste modo, quem hoje escuta diariamente Jesus proclamar e anunciar através dos santos Evangelhos a vontade do Seu Pai abençoado sem Lhe obedecer com temor e estremecimento e sem cumprir os mandamentos também não teria aceitado acreditar n’Ele naquela época.

 

É na fraqueza que a força se manifesta
Padre Paulo Ricardo

Meus queridos irmãos e irmãs, a liturgia deste domingo quer nos ensinar a reconhecer a presença de Deus onde quer que estejamos. Jesus vai até a sua terra, Nazaré, e ali, aqueles homens que viram Jesus pequenino, que viram Ele brincando como seus filhos, tiveram grande dificuldade de aceitar Jesus como sendo o Filho de Deus, o Messias. Nós que olhamos, ficamos surpresos com isto, aquele pessoal era cego, será que eles não enxergavam a sua sabedoria? Eles enxergavam tudo isto, mas não enxergavam que Deus fosse capaz de tamanha humildade. Jesus não é o Messias esperado, é o Messias inesperado, Ele veio de maneira que ninguém esperasse que viesse, quando falamos que esperamos o Messias, esperamos que venha todo poderoso, e Ele não vem, Ele vem pequeno, frágil. A maior parte das pessoas se escandalizavam de Jesus, porque Jesus é escandaloso, por não ser do jeito que esperavam que Ele fosse. Nós precisamos ser ateus dos deuses falsos, antes de você encontrar Jesus o Deus verdadeiro, é preciso que você abandone todas as idéias de um deus falso, da imaginação de como Deus deveria ser. Jesus não é como o Deus que nós gostaríamos que fosse, Ele que criou todas as coisas, o criador do universo trabalhou na carpintaria, os habitantes de Nazaré viam Jesus fazendo os milagres, e se interrogavam como a mão do carpinteiro poderia fazer isso? Como uma mão que fazia uma cadeira, podia ser a mão que cura? As pessoas ficavam escandalizadas com isto. É assim que Deus se manifesta, de forma imprevista, você precisa se dar conta disso, senão você fará loucuras na sua vida. A criação de Deus é lógica, mas não é tão lógica, é racional, mas não é tão racional, porque Deus é livre para desconsertar você. Existe a liberdade de Deus, quando dizemos liberdade, significa que não é possível deduzir. O que as pessoas não entendem é que Deus é profundamente livre e Ele faz como Ele quer, se fossemos salvar o mundo, salvaríamos de muitas formas, mas eu tenho certeza de que ninguém iria querer salvar o mundo pela cruz.
“Adore a liberdade de Deus quando você tiver que carregar a cruz”
Deus não quer a doença e a morte, Deus pode curar todas as doenças, logo Deus vai curar. Esta é a lógica, este raciocínio é perfeito, isto é herético, isto é heresia. Deus ama do jeito que Ele quer, Deus irá curar todas as doenças na ressurreição dos mortos. Os habitantes de Nazaré viram que não tinha lógica, uma mão que soava, fazia cadeira, curasse doentes. O que devemos fazer a respeito de Deus? Antes de afirmar as coisas a respeito de Deus, precisamos esvaziar nossas lógicas, nossos raciocínios. Adore a liberdade de Deus quando você tiver que carregar a cruz. Porque se você não fizer isso o demônio colocará dúvidas sobre o poder de Deus na sua vida. Não creia em deuses falsos, creia em Jesus Cristo verdadeiro, que nos desconcerta. A Igreja Católica vive isso com muita naturalidade, é difícil ser católico e muito fácil ser herege. Para ser herege precisa apenas conhecer dois versículos, isto é heresia. No livro do Êxodo capítulo 20 está proibindo fazer imagens, e no capítulo 25 Deus manda fazer imagens de querubins. Porque Deus é Deus, é você que tem que fazer força para compreendê-lo e não querer enjaulá-lo na sua mente. O católico abraça a Bíblia toda e não naquele versículo que interessa para ele, e se Deus parece que se contradiz, quem tem que inclinar a cabeça e adorar a Deus, sou eu. Não creia em Deus que cabe na jaula de um raciocínio, creia em um Deus que é verdadeiro. Eu quero que você saia desse PHN, entendendo uma coisa, se você quer saber como Deus é, olhe para Jesus, é um Deus que se fez carne, não olhe para idéias, pois você olha para suas idéias e faz bobagem. Você não pode ser revolucionário do jeito que quer destruir as coisas, que quer ir contra a Igreja, a Deus, ao mundo. É a sua cabecinha “oca”, que tem que mudar, é você que precisa mudar a cabeça, e dizer que se eu não estou entendendo Deus, quem está errado sou eu. É na fraqueza que a força se manifesta, Deus escolheu este caminho, não gostaríamos que fosse assim, queríamos um caminho de glória, mas não é assim que Deus faz, quando Ele quer vencer, Ele nos leva ao ponto mais baixo para que Ele possa nos erguer. Nós não dizemos que somos salvos pela ressurreição, pois a ressurreição é a salvação, nós somos salvos pela cruz, Ele não disse quem quiser triunfar pegue a ressurreição e faça festa, Ele disse pegue a sua cruz e me siga. Você quer me seguir renuncie a si mesmo, renuncie a sua cabecinha, as suas idéias. Deus não vai ficar aprisionado na sua cabecinha, Ele usa da traição de Judas, Ele usa das fraquezas, então abaixe sua cabeça e adore a Deus. Deus age das formas mais estranhas, sei que você é jovem, é ser humano e também sofre, eu sei que jovem não gosta de falar que sofre, ele sai faz festa e quando volta para casa fecha a cara. Aquele que é simpático com todo mundo, em casa é um “jumento” que só sabe dar “coice”. Agora você sabe o porquê disso, porque embora jovem, você também sofre a pressão da vida, porque todo mundo espera que sua vida dê certo e você sofre um pouco esmagado. Eu não sei qual é o seu sofrimento, se você está sofrendo eu tenho a solução: abrace a cruz. Se existe solução para o problema que está vivendo, resolva, mas se não tem solução, abraça a cruz. Você tem duas opções, abrace a cruz ou morra esmagado por ela, só tem essas duas opções, não tem outra, até queríamos que tivesse outra, mas não existe. Jovem, sê forte e corajoso, abrace a sua cruz, essa não é verdade que gostaríamos de ouvir, mas é a verdade verdadeira. Aqui na terra nós não enxergamos a vontade de Deus, Deus poderia ter dado uma resposta do porquê sofremos, mas Ele não veio, Ele preferiu vir sofrer conosco. Você que crê na ressurreição de Cristo, que nos amou até morte de cruz, creia que Ele nos salva.

Santo Evangelho (Mc 3, 20-35)

10º Domingo do Tempo Comum – 07/06/2015 

Primeira Leitura (Gn 3,9-15)
Leitura do Livro do Gênesis:

Depois que o homem comeu da fruta da árvore, 9o Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” 10E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo, porque estava nu; e me escondi”. 11Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” 12Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. 13Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 129)

— No Senhor toda graça e redenção!
— No Senhor toda graça e redenção!

— Das profundezas eu clamo a vós, Senhor,/ escutai a minha voz!/ Vossos ouvidos estejam bem atentos/ ao clamor da minha prece!

— Se levardes em conta nossas faltas,/ quem haverá de subsistir?/ Mas em vós se encontra o perdão,? Eu vos temo e em vós espero.

— No Senhor ponho a minha esperança,/ espero em sua palavra./ A minh’alma espera no Senhor / mais que o vigia pela aurora.

— Espere Israel pelo Senhor,/ mais que o vigia pela aurora!/ Pois no Senhor se encontra toda graça/ e copiosa redenção./ Ele vem libertar a Israel/ de toda a sua culpa.

 

Segunda Leitura (2Cor 4,13-18-5,1)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 13Sustentados pelo mesmo espírito de fé, conforme o que está escrito: “Eu creio e, por isso, falei”, nós também cremos e, por isso, falamos, 14certos de que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará também com Jesus e nos colocará ao seu lado, juntamente convosco. 15E tudo isso é por causa de vós, para que a abundância da graça em um número maior de pessoas faça crescer a ação de graças para a glória de Deus. 16Por isso, não desanimemos. Mesmo se o nosso homem exterior se vai arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando, dia a dia. 17Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. 18E isso acontece, porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno. 5,1De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 3,20-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os seus discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si. 22Os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela nos poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”. 31Nisso chegaram sua mãe e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. 33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pedro de Córdova, fiel leigo

O santo de hoje viveu num tempo de grande perseguição. Foi no século IX, no ano de 851: um rei de outra religião estava impondo para os cristãos a renúncia de Cristo e a adesão a tal outra religião. Claro que muitos optaram pela fidelidade a Jesus, mesmo em meio às ameaças e perseguições.

Pedro, fiel leigo, que foi para Córdova junto com outro amigo por causa dos estudos, deparou-se com aquela perseguição. Eles se apresentaram a um juiz, que questionou a fé daqueles cristãos. E Pedro respondeu testemunhando Jesus Cristo, falando sobre a verdadeira religião, da Salvação, do único Salvador. Aquele juiz não aceitou os argumentos e condenou Pedro e seus companheiros ao martírio.

Eles foram com alegria, testemunhando a esperança da ressurreição. Foram degolados e depois tiveram seus corpos dependurados e queimados, e ainda tiveram suas cinzas lançadas num rio, para que ninguém os venerasse.

Diante do testemunho desses mártires, peçamos a Deus a graça da fidelidade.

São Pedro de Córdova e companheiros, rogai por nós!

Santo Evangelho (João 20,19-31)

2º Domingo da Páscoa – 12/04/2015 

Primeira Leitura (At 4,32-35)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

32A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. 33Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. 34Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas vendiam-nas, levavam o  dinheiro, 35e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 117)

— Aleluia, aleluia, aleluia.
— Aleluia, aleluia, aleluia.

— A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ A casa de Aarão agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ Os que temem o Senhor agora o digam:/ “Eterna é a sua misericórdia!”

— A mão direita do Senhor fez maravilhas,/ a mão direita do Senhor me levantou,/ a mão direita do Senhor fez maravilhas!

— Não morrerei, mas, ao contrário, viverei/ para cantar as grandes obras do Senhor!/ O Senhor severamente me provou,/ mas não me abandonou às mãos da morte.

— A pedra que os pedreiros rejeitaram / tornou-se agora a pedra angular./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:/ que maravilhas ele fez a nossos olhos!/ Este é o dia que o Senhor fez para nós,/ alegremo-nos e nele exultemos!

 

Segunda Leitura (1Jo 5,1-6)
Leitura da Primeira Carta de São João:

Caríssimos: 1Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também aquele que dele nasceu. 2Podemos saber que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. 5Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue.) E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e, para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Vitor, viveu toda sua juventude para Deus 

Nasceu na aldeia de Passos, perto de Braga (Portugal), onde viveu toda sua juventude para Deus. Era catecúmeno, e se preparava para receber a graça do Batismo.

Jovem muito dado, encontrou um grupo de pagãos que prestava culto a um ídolo. Eles o chamavam a adorar este ídolo, e ele se recusou. Então, Vitor foi levado diante do governador e questionado.

Por não renunciar a sua fé, foi preso numa árvore e flagelado. E em seguida, decapitado. São Vitor foi fiel a Cristo em todos os momentos, entregando-se a Jesus desde a juventude.

São Vitor, rogai por nós!

A Igreja também nos quer quando estamos sujos, pois ela nos limpa

Homilia do papa na Casa Santa Marta
Francisco nos convida a pedir três graças de Deus: morrer na Igreja, morrer na esperança e morrer deixando o legado de um testemunho cristão
Por Redacao

ROMA, 06 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Como acontece toda manhã, o Santo Padre celebrou hoje a eucaristia na capela da Casa Santa Marta. Durante a homilia desta quinta-feira, ele refletiu sobre o mistério da morte e nos convidou a pedir três graças de Deus: morrer na Igreja, morrer na esperança e morrer deixando o legado de um testemunho cristão. Ao comentar a primeira leitura do dia, sobre a morte de Davi, que passou a vida a serviço do seu povo, o papa destacou três aspectos. Em primeiro lugar, Davi morre “no seio do seu povo”. Ele vive até o final “a sua pertença ao Povo de Deus. Ele tinha pecado: ele mesmo se chama de pecador, mas nunca saiu do seio do Povo de Deus! Pecador sim, traidor não! E esta é uma graça: permanecer até o fim dentro do Povo de Deus. Ter a graça de morrer no seio da Igreja, no seio do Povo de Deus. E este é o primeiro ponto que eu gostaria de enfatizar: pedir para nós também a graça de morrer em casa. Morrer em casa, na Igreja. E é uma graça! Isso não se compra! É um presente de Deus e temos que pedi-lo: Senhor, me dá o presente de morrer em casa, na Igreja! Pecador sim, todos, todos somos pecadores! Mas traidores não! Corruptos não! Sempre dentro! E a Igreja é tão mãe que também nos quer assim: muitas vezes sujos; mas a Igreja nos limpa, ela é mãe!”. Em segundo lugar, o papa destacou que Davi morre “tranquilo, em paz, sereno”, na certeza de ir “para o outro lado para junto dos seus pais”. Por isso, Francisco afirmou que “esta é outra graça: a graça de morrer na esperança, com a consciência de que estão nos esperando do lado de lá, de que no outro lado também continuaremos em casa, continuaremos em família”, não estaremos sozinhos. “Esta é uma graça que queremos pedir, para que, nos últimos momentos da vida, saibamos que a vida é uma luta e que o espírito do mal quer vencer”. O papa continuou: “Santa Teresinha do Menino Jesus dizia que, nos seus últimos tempos, havia uma luta dentro da sua alma, e, quando ela pensava no futuro, naquilo que a esperava depois da morte, no céu, ela sentia uma voz que dizia: ‘Mas não, não sejas boba, só a escuridão te espera. Só a escuridão do nada te espera!’. É ela quem nos conta isso. E aquela voz é a voz do diabo, do demônio, que não queria que ela se fiasse de Deus. Morrer na esperança e morrer confiando-se a Deus! E pedir esta graça. Mas confiar em Deus começa agora, nas pequenas coisas da vida, e também nos grandes problemas: confiar sempre no Senhor, criar o costume de confiar-se ao Senhor e crescer na esperança. Morrer em casa, morrer na esperança”. O terceiro aspecto que o pontífice abordou foi a herança deixada por Davi. O papa recordou que há “muitos escândalos em torno da herança”, “escândalos nas famílias, que as dividem”. Davi, porém, “deixa a herança de 40 anos de governo” e “um povo consolidado, forte”. O papa recordou ainda “um ditado popular que diz que cada homem, na vida, deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro: esta é a melhor herança!”. E Francisco nos convidou a perguntar: “Qual é a herança que eu deixo para os que vêm depois de mim? Uma herança de vida? Fiz tanto bem a ponto de as pessoas me quererem como pai, como mãe? Davi deixa essa herança para o filho dizendo a ele: ‘Sê forte e mostra-te homem. Observa a lei do Senhor, teu Deus, seguindo-a”. Ao encerrar a homilia, o Santo Padre declarou: “Esta é a herança: o nosso testemunho, como cristãos, legado aos outros. E alguns de nós deixam uma grande herança: pensemos nos santos que viveram o Evangelho com tanta força, que nos deixam um caminho de vida e um modo de viver como herança. Estas são as três cosas que me vêm ao coração na leitura deste fragmento sobre a morte de Davi: pedir a graça de morrer em casa, morrer na Igreja: pedir a graça de morrer em esperança, com esperança; e pedir a graça de deixar uma bela herança, uma herança humana, uma herança feita com o testemunho da nossa vida cristã. Que São Davi conceda a todos nós essas três graças!”.

 

Papa fala do mistério da morte: “deixar testemunho cristão” 
Homilia, quinta-feira, 6 de fevereiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

A partir do exemplo de Davi, Francisco ressaltou a importância de morrer deixando como legado o testemunho de uma vida cristã

Na Missa, desta quinta-feira, 6, na Casa Santa Marta, Papa Francisco comentou o mistério da morte. Ele convidou os fiéis a pedirem a Deus três graças: morrer na Igreja, morrer na esperança e morrer deixando como herança um testemunho cristão. Na homilia, Francisco comentou a primeira leitura do dia, que conta a morte de Davi depois de uma vida vivida a serviço de seu povo. Ele destacou que o rei viveu, até o fim, a sua pertença ao povo de Deus, embora tenha cometido pecados. “Pecador sim, traidor não! Essa é a graça: permanecer, até o fim, com o povo de Deus, ter a graça de morrer na Igreja, propriamente com povo do Senhor. Isso não se compra; é um presente de Deus e devemos pedi-lo ao Senhor”. O segundo aspecto destacado por Francisco foi o “morrer na esperança”, tendo a consciência de que, do outro lado, alguém espera pelo homem, de forma que ele não estará sozinho. “Morrer na esperança e confiar em Deus! No entanto, a confiança n’Ele começa agora, nas pequenas coisas da vida e também nos grandes problemas.” Francisco também falou da herança deixada por Davi, fato a partir do qual enfatizou a necessidade de morrer deixando como herança um testemunho cristão. O que Davi deixou de herança foram 40 anos de governo e um povo consolidado e forte. Ao seu filho, ele disse que fosse forte, observasse as leis de Deus e seguisse os Seus caminhos. “Este é o legado: o nosso testemunho de cristãos deixado aos outros. Alguns de nós deixam uma grande herança! Pensemos nos santos, os quais viveram o Evangelho com tanta força, que nos deixaram um caminho de vida e um modo de viver (…) Que São Davi conceda a todos nós essas três graças!”

Santa Missa do Galo – 24 de Dezembro

Por Mons. Inácio José Schuster

A palavra do Evangelho diz: “Nasceu hoje, para nós, o Salvador, que é Cristo Senhor”. A liturgia atualiza o que aconteceu no passado. Ela é um mistério e, infelizmente, nós católicos, não temos entrado neste mistério. É como na Santa Missa, na consagração: o que a gente faz é narrado, mas a liturgia atualiza, renova. Enquanto o sacerdote narra, acontece a atualização. Por isso a liturgia é mistério. Assim como na Páscoa se renova a ressurreição, hoje nasceu o Salvador, nasceu para sua vida, para sua casa e para a sua família. Por pior que seja a sua situação, saiba: nasceu para você, para sua casa, o Salvador, que é Cristo Senhor. Só falta você acolher. A liturgia atualiza o mistério e a graça vem do céu, mas se a gente não canaliza, não recolhe, se perde. A liturgia é diferente de qualquer representação: Jesus nasce para sua vida. Então prepare o seu coração para que Jesus, trazendo a salvação, nasça em você que é o presépio. O presépio é você! Pegue o menino Jesus, mesmo que Ele tenha que chorar por causa de seus problemas. Ele se compadece de você e a salvação acontece, porque você é o presépio. Ele não tem medo: Ele nasce no meio dos seus espinhos. Ele está aí para salvar você e a sua família. Talvez você tenha que pegar o Menino no colo e apertar, porque os seus não O acolhem, mas Ele nasceu. Deus te ama com amor incondicional. Você é amado por Jesus, por isso Ele nasceu na situação em que você se encontra. Ele nasce para sua vida miserável. Quanto mais miserável você é, mais Ele te ama. Ele nasceu em Belém e nasce hoje em você. Acredite: Jesus foi até a cruz por você, Ele já libertou as suas misérias. Se você aceita o perdão, o amor de Jesus, Ele nasce em você. Saiba: José e Maria trazem a salvação ao seu coração, mesmo que o seu berço esteja sujo. Não se preocupe, não espere retirar os espinhos para receber o Menino Jesus. Receba-O como você está. É Ele quem vai retirar os espinhos com a ajuda de Maria e José.

 

O NATAL É UMA DECLARAÇÃO DO AMOR DE DEUS POR NÓS
Padre Roger Luís, Comunidade Canção Nova

Estávamos enclausurados nas trevas, era preciso trazer a luz para nos libertar, cativos esperávamos um Salvador’. Assim diz São Gregório. “Quando ninguém cuida de você, Deus cuida”. Hoje a Salvação me alcança, alcança minha família, somos salvos porque Jesus é o salvador que veio nos libertar. Éramos escravos e precisávamos de um libertador. Deus precisava se encarnar para nos salvar, sim precisávamos, porque éramos cativos. O Verbo se fez carne e habitou no meio de nós, o Verbo se encarnou para que nesta noite possamos proclamar que Jesus nos salvou. ‘Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados’ (1Jo 4-10). Em Jesus os nossos pecados são expiados, o Verbo se encarnou para que experimentemos a graça da expiação dos nossos pecados. Na noite de Natal a esperança precisa está nos nossos corações, precisamos esperar a salvação do mundo, que Jesus já nos deu, e não ficarmos desesperados diante das más notícias. Assuma a salvação de Deus nesta noite, a salvação para você e sua família. Por que o Verbo se encarnou? Para que assim experimentássemos o amor. O Emanuel, se fez homem para tocar na nossa humanidade, se fez alguém como nós para que o amor de Deus se manifestasse entre nós. Deus enviou o seu filho único ao mundo, para que nós tenhamos a vida por meio Dele. Esta noite é de alegria, de vitória, a promessa se cumpriu. O natal é uma declaração explicita do amor de Deus por nós, assuma o amor de Deus por você. Jesus é carta de amor de Deus para toda humanidade. Agradeça a Deus pela manifestação de tanto amor em sua vida. Jesus se encarnou para nos ensinar o caminho da santificação. Jesus é o caminho da santidade. “Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem” (Tito 3, 13-14). O Natal nos leva a olhar o Menino que nasce, e olhar para Jesus que voltará, e precisa nos encontrar vivendo a salvação que Ele mesmos nos deu.

 

NASCEU PARA NÓS O SALVADOR
Mons. Jonas Abib na Missa de Natal na Comunidade Canção Nova

Naquela época, se uma criança nascesse numa situação como a de Jesus, numa estrebaria, era considerada uma criança impura, e para o judeu essas crianças eram consideradas como os leprosos que ficavam separados, num lugar à parte na cidade. Os leprosos eram os impuros, eles só deixavam de ser impuros se acontecesse a cura e os sacerdotes fizessem um ritual de purificação com eles. Jesus nasceu como um impuro. E por que Deus permitiu uma coisa dessas? Fazer o Filho nascer impuro… Aí está o grande segredo para nós: o Pai quis, e Jesus aceitou nascer impuro para salvar o Puro, o Perfeito, o Santo. Digo impuro diante da lei, a lei dos judeus. Era a cultura deles, mas Deus permitiu isso para nos salvar. E assim trazer todo impuro para o Seu coração. É isso que Jesus quer fazer na vida de cada um de nós no Natal: salvar-nos da nossa impureza. E por isso a necessidade de assumir essa Salvação. E hoje, especialmente, a Salvação está no meio de nós, porque Deus vai se adequando às festas litúrgicas, a Salvação vem hoje no Natal. Abramo-nos para a Salvação porque hoje nasceu para nós Cristo, o Senhor. Por pior que seja a sua impureza e a sua maldade, abra-se à Salvação. Jesus se faz pecador para salvar o pecador, esteja o pecador em que pecado estiver. É por isso que Ele acolheu a Zaqueu, acolheu a Maria Madalena… e tantos pecadores. Jesus diz a você: ‘Filho, filha, seja qual for a sua situação, teus pecados estão perdoados’. Somente que para isso você precisa abrir-se para essa misericórdia. Em nenhum outro há Salvação, só em Jesus, o Senhor. A Carta aos Gálatas repete que Aquele que é pregado no madeiro é um maldito – minha mãe e meu pai não me deixavam dizer “maldito” porque é uma palavra pesada –, mas Aquele que ia para a cruz era considerado um maldito, quer dizer: completamente fora da graça de Deus. Cristo nos resgatou da maldição. Por que o Pai exigiu tanto do Senhor? Meus irmãos, é justamente porque Jesus se fez maldito para libertar a mim e a você de toda maldição. O ladrão, ao lado de Jesus na cruz, disse: ‘Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino’, e Jesus respondeu: ‘Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso’. Jesus que falar isso para você hoje. O ladrão precisou render-se. Renda-se você também. A divisão da cruz está justamente entre aqueles que acolhem a Salvação e aqueles que não a acolhem. A decisão é sua! É você quem decide! Todos nós temos medo de decisões, mas essa é a mais linda decisão. Decida-se esta noite! Para que esse medo de se decidir por Jesus? Por que já se acostumou? Já se decepcionou com pessoas? Meu irmão, pelo amor de Deus, deixe de bobagem! Para que ficar com raiva? Por que guardar mágoa? Por que querer viver no mal? Na corrupção? Na impureza? Numa sexualidade errada? Por quê? Por isso que o Pai quis que o Seu Filho nascesse impuro para que você se tornasse puro. Meu irmão, não é por mérito, ou porque você seja bom, é por graça! Talvez você não esteja numa vida errada, mas traz em si sentimentos de culpa, não se perdoa por algo que fez. Isso é um grande mal! Por favor, agarre-se a Jesus nesta noite. Aceite Jesus como seu Senhor, Aquele que manda na sua vida. Se você entrega as rédeas da sua vida a Jesus, você está no caminho da Salvação.

 

GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA
Mons. Jonas Abib

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador que é o Cristo, o Senhor” (Lc 2, 1-14). Leve isso a sério. Ele nasceu para vós. A Palavra de Deus é sempre presente. Nós nos regemos pelo cronômetro, mas Deus se rege pelo “kayros”, outra palavra para dizer tempo, o tempo de Deus. E o tempo de Deus é agora. É aquilo que São Paulo vai dizer em 2Cor 5, 6: “Agora é o momento favorável”. Eu me recordo bem. Numa das primeiras peregrinações que nós da Canção Nova fizemos à Terra Santa. O programa da peregrinação foi totalmente mudado. Iríamos à Jerusalém, mas fomos aos redores de Jerusalém, porque lá havia explodido um carro-bomba. O guia estava o meu lado e eu o disse: “Quando que esta terra vai ter paz?” Ele me disse: “Padre, essa terra só vai ter paz quando o Messias vier”. Aquilo causou um impacto muito grande dentro de mim. Aquele judeu me ensinou naquele dia. Eu o disse: “Para vocês, ainda é a primeira vinda, para nós será a segunda, pois Ele já veio”. Nós nos abraçamos e ele disse que esperaríamos juntos. É por isso, justamente, que a 2ª leitura, diz: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2, 11-14). Veja onde está colocado o Menino Jesus, neste presépio: no colo de Nossa Senhora. Ao lado deles está São José. Mas, olhando para este Natal nós fixamos nossos olhos e coração para o Natal que está para chegar. Precisamos olhar para esta vinda definitiva de Jesus. Está na hora dos católicos deixarem de ter pavor da segunda vinda de Jesus. Alguns, infelizmente, não aceitarão, mas nós não. É por isso que você precisa escolher o seu lado. Você não pode viver numa “coluna do meio”, como se ela existisse. Ou estamos com Ele, ou estamos fora d’Ele. É mais fácil ficar com Ele do que nesse negócio de “coluna do meio”. Pega o Caminho, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Deixa de querer levar a vida cristão “com a barriga”. É difícil, eu sei que é, porque o pecado entrou no mundo. É como andar em cima da corda bamba. Fixando seus olhos no segundo, derradeiro e definitivo Natal que é segunda e gloriosa vinda de Jesus fique com Ele. Há muito tempo está sendo cada vez maior sobre a humanidade como uma espessa nuvem negra de impiedade, indiferença. As pessoas têm vivido uma indiferença para com Deus. É como se nós, homens, fôssemos donos de nós mesmos, da vida. E quem sabe, nós mesmos, estejamos nos tornando insensíveis. O pior é a insensibilidade. A Palavra de Deus, hoje, vem dizer a nós que precisamos renunciar a toda impiedade que está nos ares. Essa nuvem quer tomar conta também da gente que é de Igreja. Hoje é o dia de nós, pela graça do Salvador, renunciar a toda impiedade. A própria Palavra de Deus também diz para renunciarmos a todas as paixões mundanas. Coisas que nós não imaginávamos, vemos dentro de casa. Quanto pai e quanta mãe chorando na Noite de Natal por causa de seus filhos… Talvez você quisesse que eu fizesse uma pregação muito romântica, mas o próprio Senhor vem nos pedir para renunciar a toda a impiedade e as paixões mundanas. A Palavra de Deus já agiu no seu coração. Que bom, meu irmão! “Senhor, quero estar com o Senhor! Mesmo que uma onda de desconfiança me pegue, eu renuncio a toda insensibilidade para contigo. Quero ter fervor. Obrigado, Senhor, porque a tua Palavra se realiza em minha vida”. Com isso, os anjos, como na gruta de Belém, já estão cantando na sua vida, na sua casa, no seu coração. “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por ele amados”. Desculpe por não ter feito uma pregação romântica. Nós abrimos os olhos para a realidade e Natal se fez.

 

Homilia de Bento XVI na Missa da noite de Natal
“Foi superada a distância infinita entre Deus e o homem”
CIDADE DO VATICANO, sábado, 25 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a homilia que Bento XVI pronunciou durante a Missa da noite de Natal, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

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Amados irmãos e irmãs! «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei» – com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à liturgia da Noite Santa. Ela sabe que esta frase pertencia, originariamente, ao rito da coroação do rei de Israel. O rei, que por si só é um ser humano como os outros homens, torna-se «filho de Deus» por meio do chamamento e entronização na sua função: trata-se de uma espécie de adoção por parte de Deus, uma ata da decisão, pela qual Ele concede a este homem uma nova existência, atraindo-o para o seu próprio ser. De modo ainda mais claro, a leitura tirada do profeta Isaías, que acabamos de ouvir, apresenta o mesmo processo numa situação de tribulação e ameaça para Israel: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros» (9, 5). A entronização na função régia é como um novo nascimento. E, precisamente como recém-nascido por decisão pessoal de Deus, como menino proveniente de Deus, o rei constitui uma esperança. O futuro assenta sobre os seus ombros. É o detentor da promessa de paz. Na noite de Belém, esta palavra profética realizou-se de um modo que, no tempo de Isaías, teria ainda sido inimaginável. Sim, agora Aquele sobre cujos ombros está o poder é verdadeiramente um menino. N’Ele aparece a nova realeza que Deus institui no mundo. Este menino nasceu verdadeiramente de Deus. É a Palavra eterna de Deus, que une mutuamente humanidade e divindade. Para este menino, são válidos os títulos de dignidade que lhe atribui o cântico de coroação de Isaías: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz (9, 5). Sim, este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus. Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente «Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai». Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que «o bastão do opressor» não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a «veste manchada de sangue» (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz». «Maria deu à luz o seu filho primogênito» (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como «primogênito». Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, «primogênito» não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra «primogênito» é um título de honra, independentemente do fato se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus «o meu filho primogênito» (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus «o primogênito» simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogênito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogênito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogênito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. São Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a idéia de Jesus como primogênito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogênito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogênito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o «primogênito» em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família. No fim, o Evangelho de Natal narra-nos que uma multidão de anjos do exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama» (Lc 2, 14). A Igreja ampliou, no hino «Glória…», este louvor que os anjos entoaram à vista do acontecimento da Noite Santa, fazendo dele um hino de júbilo sobre a glória de Deus. «Nós Vos damos graças por vossa imensa glória». Nós Vos damos graças pela beleza, pela grandeza, pela tua bondade, que, nesta noite, se tornam visíveis para nós. A manifestação da beleza, do belo, torna-nos felizes sem que devamos interrogar-nos sobre a sua utilidade. A glória de Deus, da qual provém toda a beleza, faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria. Quem vislumbra Deus, sente alegria; e, nesta noite, vemos algo da sua luz. Mas a mensagem dos anjos na Noite Santa também fala dos homens: «Paz aos homens que Ele ama». A tradução latina desta frase, que usamos na Liturgia e remonta a São Jerônimo, interpreta diversamente: «Paz aos homens de boa vontade». Precisamente nos últimos decênios, esta expressão «os homens de boa vontade» entrou de modo particular no vocabulário da Igreja. Mas qual é a tradução justa? Devemos ler, juntas, as duas versões; só assim compreendemos retamente a frase dos anjos. Seria errada uma interpretação que reconhecesse apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa. Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio. As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho. O entrelaçamento de graça e liberdade, o entrelaçamento de apelo e resposta não podemos dividi-lo em partes separadas uma da outra. Ambas estão indivisivelmente entrançadas entre si. Assim esta frase é simultaneamente promessa e apelo. Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra. Lucas não disse que os anjos cantaram. Muito sobriamente, escreve que o exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas…» (Lc 2, 13-14). Mas desde sempre os homens souberam que o falar dos anjos é diverso do dos homens; e que, precisamente nesta noite da jubilosa mensagem, tal falar foi um canto no qual brilhou a glória sublime de Deus. Assim, desde o início, este canto dos anjos foi entendido como música vinda de Deus, mais ainda, como convite a unirmo-nos ao canto com o coração em júbilo pelo fato de sermos amados por Deus. Diz Santo Agostinho: Cantare amantis est – cantar é próprio de quem ama. Assim ao longo dos séculos, o canto dos anjos tornou-se sempre de novo um canto de amor e de júbilo, um canto daqueles que amam. Nesta hora, associemo-nos, cheios de gratidão, a este cantar de todos os séculos, que une céu e terra, anjos e homens. Sim, Senhor, nós Vos damos graças por vossa imensa glória. Nós Vos damos graças pelo vosso amor. Fazei que nos tornemos cada vez mais pessoas que amam juntamente convosco e, conseqüentemente, pessoas de paz. Amém. © Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana

 

MISSA DA MEIA NOITE SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
Basílica Vaticana 25 de Dezembro de 2008

«Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?» Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo… Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que «está sentado nas alturas», Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O fato de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: «Levanta o pobre da miséria…» Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. «Deus inclina-Se». Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta em suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De fato, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predileção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém. A narração do Natal feita por São Lucas conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-nos que estas pessoas «velavam». Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas noturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d’Ele na vida de cada dia. A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nesta hora nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes. São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram «envolvidos» pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados». E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe? Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento – dizem os Padres – os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d’Ele e O refletem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um fato novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este fato inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara – dizem os Padres – nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens». Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autônomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo. O teólogo medieval Guilherme de S. Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me. É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma. O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens. Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno. Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite. E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite. No Salmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criaturas são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: «Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem» (12s.). A Igreja lê este Salmo também como uma profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se-lhes no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele «vem». E assim desperta o coração dos homens. O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d’Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria – o próprio Deus que vem, o Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d’Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n’Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até a eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor faça-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém. Fonte: © Copyright 2008 – Libreria Editrice Vaticana

 

Homilia do Papa na Missa da Noite Feliz

«O Senhor disse-Me: “Tu és meu filho, Eu hoje Te gerei”». Com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à Santa Missa da vigília de Natal, na qual celebramos o nascimento do nosso Redentor Jesus Cristo no estábulo de Belém. Outrora, este Salmo pertencia ao ritual da coroação dos reis de Judá. O povo de Israel, por causa da sua eleição, sentia-se de modo particular filho de Deus, adotado por Deus. Uma vez que o rei era a personificação daquele povo, a sua entronização era vivida como um ato solene de adoção por parte de Deus, no qual o rei ficava, de certo modo, envolvido no próprio mistério de Deus. Na noite de Belém, estas palavras, que de fato eram mais a expressão duma esperança que realidade presente, ganharam um sentido novo e inesperado. O Menino no presépio é verdadeiramente o Filho de Deus. Deus não é perene solidão, mas um círculo de amor no recíproco dar-se e um dar-se sem cessar. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo. Mais ainda: em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Se fez homem. É a Ele que o Pai diz: «Tu és meu filho». O hoje eterno de Deus desceu ao hoje efêmero do mundo e arrasta o nosso hoje passageiro para o hoje perene de Deus. Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode fazer inerme e vir ter conosco como menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é tão bom que renuncia ao seu esplendor divino e desce ao estábulo para que O possamos encontrar e, assim, a sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio. O Natal é isto: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei». Deus tornou-Se um de nós, para que nós pudéssemos viver com Ele, tornarmo-nos semelhantes a Ele. Como próprio sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim. Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino brilha algo da luz daquele hoje, da proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter – em todo o menino, mesmo na criança ainda não nascida. Ouçamos uma segunda palavra da liturgia desta Noite santa, tomada agora do Livro do profeta Isaías: «Para os que habitavam na terra da escuridão, uma luz começou a brilhar» (9, 1). A palavra «luz» permeia toda a liturgia desta Santa Missa. Aparece um novo aceno no texto da carta de São Paulo a Tito: «Manifestou-se a graça» (2, 11). A palavra «manifestou-se» diz, em língua grega e neste contexto, a mesma coisa que o hebraico exprime com as palavras «uma luz brilhou»: a «manifestação» – a «epifania» – é a irrupção da luz divina no mundo cheio de escuridão e de problemas insolúveis. Por fim, o Evangelho narra-nos que apareceu a glória de Deus aos pastores e «cercou-os de luz» (Lc 2, 9). Onde aparece a glória de Deus, aí irradia a luz pelo mundo. «Deus é luz e Nele não há trevas», diz-nos São João (1Jo 1, 5). A luz é fonte de vida. Mas luz significa, sobretudo conhecimento, significa verdade em contraposição com a escuridão da mentira e da ignorância. Deste modo, a luz faz-nos viver, indica-nos a estrada. Além disso, enquanto gera calor, a luz significa também amor. Onde há amor, levanta-se uma luz no mundo; onde há ódio, o mundo permanece na escuridão. É verdade, no estábulo de Belém, apareceu a grande luz que o mundo espera. Naquele Menino deitado na manjedoura, Deus mostra a sua glória – a glória do amor, em que Ele mesmo Se entrega em dom e Se despoja de toda a grandeza para nos conduzir pelo caminho do amor. A luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo de todos os séculos, envolveu homens e mulheres, «cercou-os de luz». Onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade – a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes, a graça do perdão. A partir de Belém, um rasto de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Se olharmos os Santos – desde Paulo e Agostinho até São Francisco e São Domingos, desde Francisco Xavier e Teresa de Ávila até à Irmã Teresa de Calcutá – vemos esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino. Contra a violência deste mundo, Deus opõe, naquele Menino, a sua bondade e chama-nos a seguir o Menino. Juntamente com a árvore de Natal, os nossos amigos austríacos trouxeram-nos também uma pequena chama que tinham aceso em Belém, para nos dizer: o verdadeiro mistério do Natal é o esplendor interior que irradia deste Menino. Deixemos que se comunique a nós esse esplendor interior, que acenda no nosso coração a chama da bondade de Deus; todos nós levemos, com o nosso amor, a luz ao mundo! Não deixemos que esta chama luminosa se apague por causa das correntes frias do nosso tempo! Guardemo-la fielmente e demo-la aos outros! Nesta noite, em que voltamos o nosso olhar para Belém, queremos também rezar de modo especial pelo lugar do nascimento do nosso Redentor e pelos homens que lá vivem e sofrem. Queremos rezar pela paz na Terra Santa: Olhai, Senhor, este ângulo da terra que, como pátria vossa, tanto amais! Fazei que resplandeça lá a vossa luz! Fazei que lá chegue a paz! Com o termo «paz», chegamos à terceira palavra-mestra da liturgia desta Noite santa. Ao Menino que anuncia, Isaías chama-Lhe «Príncipe da paz». A propósito do seu reino, diz-se: «A paz não terá fim». No Evangelho, é anunciado aos pastores: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra…». Outrora lia-se: «…aos homens de boa vontade»; na nova tradução, diz-se: «…aos homens que Ele ama». Que significa esta mudança? Deixou de ter valor a boa vontade? Ponhamos melhor a questão: Quais são os homens que Deus ama e porque é que os ama? Porventura Deus é parcial? Porventura ama apenas certas pessoas, deixando as outras entregues a si mesmas? O Evangelho responde a estas perguntas, mostrando-nos algumas pessoas concretas amadas por Deus. Há pessoas individuais – Maria, José, Isabel, Zacarias, Simeão, Ana, etc. Mas há também dois grupos de pessoas: os pastores e os sábios do Oriente, os chamados reis magos. Nesta noite, detenhamo-nos nos pastores. Que espécie de homens são eles? No seu ambiente, os pastores eram desprezados; eram considerados pouco sérios e, em tribunal, não eram admitidos como testemunhas. Mas, quem eram na realidade? Certamente não eram grandes santos, se por este termo entendemos pessoas de virtudes heróicas. Eram almas simples. O Evangelho evidencia uma característica que mais tarde, nas palavras de Jesus, havia de ter um papel importante: eram pessoas vigilantes. Isto vale primariamente em sentido exterior: de noite vigiavam, perto das suas ovelhas. Mas vale também num sentido mais profundo: estavam disponíveis à palavra de Deus. A sua vida não estava fechada em si mesma; o seu coração estava aberto. De certo modo, no mais fundo de si mesmos, estavam à espera Dele. A sua vigilância era disponibilidade – disponibilidade para ouvirem, disponibilidade para se porem caminho. Estavam à espera da luz que lhes indicasse o caminho. E isto é o que interessa a Deus. Ele ama a todos, porque todos são criaturas suas. Mas, algumas pessoas têm a sua alma fechada; o seu amor não encontra qualquer acesso a eles. Pensam que não têm necessidade de Deus; não O querem. Outros, que moralmente talvez sejam igualmente miseráveis e pecadores, pelo menos sofrem com isso. Estes esperam Deus. Sabem que têm necessidade da sua bondade, embora não tenham uma idéia precisa dela. No seu íntimo, aberto à expectativa, a luz de Deus pode entrar, e com ela a sua paz. Deus procura pessoas que levem e comuniquem a sua paz. Peçamos-Lhe para fazer com que não encontre fechado o nosso coração. Esforcemo-nos por nos tornarmos capazes de ser portadores ativos da sua paz – precisamente no nosso tempo. Além disso, a palavra paz assumiu entre os cristãos um significado de todo especial: tornou-se um nome para designar a Eucaristia. Nesta, está presente a paz de Cristo. Através de todos os lugares onde se celebra a Eucaristia, estende-se uma rede de paz sobre o mundo inteiro. As comunidades reunidas à volta da Eucaristia constituem um reino da paz largo como o mundo. Quando celebramos a Eucaristia, encontramo-nos em Belém, na «casa do pão». Cristo dá-Se a nós, e assim nos dá a sua paz. Dá-no-la para que levemos a luz da paz no nosso íntimo e a comuniquemos aos outros; para que nos tornemos obreiros de paz e contribuamos assim para a paz no mundo. Por isso, suplicamos: Senhor, realizai a vossa promessa! Fazei que, onde houver discórdia, nasça a paz! Fazei que desponte o amor, onde reinar o ódio! Fazei que surja a luz, onde dominarem as trevas! Fazei que nos tornemos portadores da vossa paz! Amém.

Papa destaca necessidade de ouvir e praticar a Palavra de Deus

Missa na Casa Santa Marta, quinta-feira, 5 de dezembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco disse que pronunciar palavras cristãs sem Cristo, ou seja, sem praticá-la, faz mal a si mesmo e aos outros

A homilia do Papa Francisco nesta quinta-feira, 5, na Casa Santa Marta, concentrou-se sobre a necessidade de escutar e praticar a Palavra de Deus. O Pontífice destacou que quem pronuncia palavras cristãs sem Cristo, isso é, sem colocar em prática, faz mal a si mesmo e aos outros, porque é vencido pelo orgulho e causa divisão, mesmo na Igreja.

Escutar e colocar em prática a Palavra do Senhor é como construir a casa sobre uma rocha. O Santo Padre explicou a parábola evangélica proposta pela liturgia do dia, em que Jesus reprova os fariseus por conhecerem os mandamentos, mas não praticá-los. Segundo ele, escutar a Palavra e não praticá-la não só não serve como faz mal, pois engana e faz crer que a pessoa tem uma bela casa, mas sem fundamento.

“Esta figura da rocha refere-se ao Senhor (…) Uma palavra é forte, dá vida, pode seguir adiante, pode tolerar qualquer ataque, se esta palavra tem as suas raízes em Jesus Cristo. Uma palavra cristã que não tenha as suas raízes vitais em Jesus é uma palavra sem Cristo! E as palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal!”.

Francisco acrescentou que essa palavra cristã sem Cristo leva o ser humano à vaidade, à segurança de si mesmo e ao orgulho. E então vem a palavra de Deus neste dia de hoje, convidando todos a construir a sua vida nesta rocha que é Ele.

“Pedir ao Senhor a graça de ajudar-nos nesta humildade, que devemos ter sempre, de dizer palavras cristãs em Jesus Cristo, não sem Ele. Com esta humildade de ser discípulos salvos e de seguir adiante não com palavras que, para fazerem-se poderosas, terminam na loucura da vaidade, na loucura do orgulho. Que o Senhor nos dê esta graça da humildade de dizer palavras com Jesus, fundadas em Jesus”.

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