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Santo Evangelho (Mt 9, 27-31)

1ª Semana do Advento – Sexta-feira 02/12/2016 

Primeira Leitura (Is 29,17-24)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

Assim fala o Senhor Deus: 17Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta? 18Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. 19Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; 20fracassou o prepotente, desapareceu o trapaceiro, e sucumbiram todos os malfeitores precoces, 21os que faziam os outros pecar por palavras, e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade e atacavam o justo com palavras falsas. 22Isto diz o Senhor à casa de Jacó, ele que libertou Abraão: “Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se nem seu rosto terá de enrubescer; 23quando contemplarem as obras de minhas mãos, hão de honrar meu nome no meio do povo, honrarão o Santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel; 24os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria e os maldizentes concordarão em aprender”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 26)

— O Senhor é minha luz e salvação.
— O Senhor é minha luz e salvação.

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu irei ter medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isso que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Evangelho (Mt 9,27-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 27partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: “Tem piedade de nós, filho de Davi!” 28Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor”. 29Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: “Faça-se conforme a vossa fé”. 30E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: “Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo”. 31Mas eles saíram, e espalharam sua fama por toda aquela região.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Cromácio – Bispo de Aquiléia (Itália) 

A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração e encontro de amigos sacerdotes e leigos, dispostos a cresceram para Deus

Hoje a Igreja nos apresenta São Cromácio, Bispo de Aquiléia (Itália). Esta cidade da Europa, por um tempo foi muito importante para o Império Romano, que a tinha como centro político e principalmente para o Cristianismo, pois São Jerônimo a chamou: “Comunidade de santos”. Neste contexto que, no século IV, Cromácio aparece como pertencente do Clero de Aquiléia e ajudante fiel do Bispo Valeriano. Cromácio nasceu em Aquiléia no ano 345.

São Cromácio colaborou na organização da diocese e na luta contra o Arianismo, que semeava a mentira em que Jesus Cristo seria criatura escolhida, e não Deus. A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração e encontro de amigos sacerdotes e leigos, dispostos a cresceram para Deus. Quando Valeriano morreu, todos – Clero e o povo – não tiveram dúvida em aclamar Cromácio para Bispo de Aquiléia. Isto em 388.

Como Bispo, foi santo e sábio pastor, culto, enérgico na defesa da doutrina e incansável na evangelização dos povos, o próprio São Cromácio se destacou como pregador e escritor, além de cooperar para que São Jerônimo e Rufino trabalhassem cada um na sua tradução das Sagradas Escrituras. São Cromácio faleceu em sua cidade – Aquiléia – no ano de 408, local que jamais esqueceu deste santo Bispo.

São Cromácio, rogai por nós!

Santo Evangelho (Lc 19, 1-10)

31º Domingo do Tempo Comum – 30/10/2016 

Primeira Leitura (Sb 11,22-12,2)
Leitura do Livro da Sabedoria:

22Senhor, o mundo inteiro, diante de ti, é como um grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra. 23Entretanto, de todos tens compaixão, porque tudo podes. Fechas os olhos aos pecados dos homens, para que se arrependam. 24Sim, amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado. 25Da mesma forma, como poderia alguma coisa existir, se não a tivesses querido? Ou como poderia ser mantida, se por ti não fosse chamada? 26A todos, porém, tu tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida. 12,1O teu espírito incorruptível está em todas as coisas! 2É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 144)

— Bendirei eternamente vosso nome;/ para sempre, ó Senhor, o louvarei!
— Bendirei eternamente vosso nome;/ para sempre, ó Senhor, o louvarei!

— Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei,/ e bendizer o vosso nome pelos séculos./ Todos os dias haverei de bendizer-vos,/ hei de louvar o vosso nome para sempre.

— Misericórdia e piedade é o Senhor,/ ele é amor, é paciência, é compaixão./ O Senhor é muito bom para com todos,/ sua ternura abraça toda criatura.

— Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,/ e os vossos santos com louvores vos bendigam!/ Narrem a glória e o esplendor do vosso reino/ e saibam proclamar vosso poder!

— O Senhor é amor fiel em sua palavra,/ é santidade em toda obra que ele faz./ Ele sustenta todo aquele que vacila/ e levanta todo aquele que tombou.

 

Segunda Leitura (2Ts 1,11-2,2)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:

Irmãos: 11Não cessamos de rezar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação. Que ele, por seu poder, realize todo o bem que desejais e torne ativa a vossa fé. 12Assim o nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele, em virtude da graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. 2,1No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: 2não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação, ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 19,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. 2Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. 3Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. 4Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. 5Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa”. 6Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. 7Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” 8Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: “Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais”. 9Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Frumêncio – Padre portador da paz 

A história do santo de hoje se entrelaça com a conversão de uma multidão de africanos ao amor de Cristo e à Salvação

São Frumêncio nasceu em Liro da Fenícia. Quando menino, juntamente com o irmão Edésio, acompanhava um filósofo de nome Merópio, numa viagem em direção às Índias. A embarcação, cruzando o Mar Vermelho, foi assaltada e só foram poupados da morte os dois jovens, Frumêncio e Edésio, que foram levados escravos para Aksum (Etiópia) a serviço da Corte.

Deste mal humano, Deus tirou um bem, pois ao terem ganhado o coração do rei Ezana com a inteligência e espírito de serviço, fizeram de tudo para ganhar o coração da África para o Senhor. Os irmãos de ótima educação cristã, começaram a proteger os mercadores cristãos de passagem pela região e, com a permissão de construírem uma igrejinha, começaram a evangelizar o povo. Passados quase vinte anos, puderam voltar à pátria e visitar os parentes: Edésio foi para Liro e Frumêncio caminhou para partilhar com o Patriarca de Alexandria, Santo Atanásio, as maravilhas do Ressuscitado na Etiópia e também sobre a necessidade de sacerdotes e um Bispo. Santo Atanásio admirado com os relatos, sabiamente revestiu Frumêncio com o Poder Sacerdotal e nomeou-o Bispo sobre toda a Etiópia, isto em 350.

Quando voltou, Frumêncio foi acolhido com alegria como o “Padre portador da Paz”. Continuou a pregação do Evangelho no Poder do Espírito, ao ponto de converterem o rei Ezana, a rainha, e um grande número de indígenas, isto pelo sim dos jovens irmãos e pela perseverança de Frumêncio. Quase toda a Etiópia passou a dobrar os joelhos diante do nome que está acima de todo o nome: Jesus Cristo.

São Frumêncio, rogai por nós!

XXXI Domingo do Tempo Comum – Ano C

Santo Evangelho segundo São Lucas 19, 1-10
Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu, que era chefe de cobradores de impostos. Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. Correndo à frente, subiu a um sicómoro para o ver, porque Ele devia passar por ali. Quando chegou àquele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.» Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio de alegria. Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa de um pecador. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: «Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e, se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais.» Jesus disse-lhe: «Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; pois, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.»

 

Por Pe. Inácio José Schuster

Zaqueu queria ver Jesus em Jericó mas, como era de baixa estatura, subiu ao Sicômoro, isto é, uma árvore alta e frondosa. Zaqueu era um publicano, Zaqueu era uma autoridade pública, mas Zaqueu não teve medo do ridículo; ele queria ver Jesus.
Do alto daquele observatório cômodo Zaqueu podia, sem ser percebido, olhar para aquele de quem havia ouvido muita coisa. Era um curioso. Mas a sua curiosidade se transformou em perplexidade quando Jesus, passando por ele, levantou os olhos, o viu e gritou: “Zaqueu, desce depressa porque hoje é preciso que eu me hospede em tua casa”. Zaqueu não esperou o segundo chamamento, imediatamente desceu e recebeu Jesus, com alegria, na sua casa.
Porém, o evangelista não nos trouxe o texto só porque Zaqueu foi um bom anfitrião para Jesus; a consciência de Zaqueu pesava e pesava bastante, sobretudo quando se viu face a face com Jesus. Sem que Jesus tivesse sequer insinuado, ou insistido, Zaqueu começou logo a confessar: “Senhor, eu fui desonesto, Senhor, eu defraudei, mas eu estou disposto a pagar quatro vezes mais aqueles a quem eu extorqui dinheiro e a metade dos meus bens eu darei aos pobres”.
Jesus consentiu na generosidade de Zaqueu e afirma que o Filho do Homem veio para salvar quem estava perdido. É interessante: muito mais tarde, São Francisco de Assis deixou tudo, absolutamente tudo, até mesmo a roupa do corpo ficando nu na frente do pai e do próprio bispo porque não queria absolutamente nada de sua família.
Deus nos trata diferentemente. De Zaqueu se contentou com a metade, de São Francisco de Assis exigiu tudo. E assim cada um na oração, cada um no contato diário com Deus vai percebendo o que Deus quer e o que Deus deseja dele. No entanto, Deus ama aquele que dá com alegria.
Seja o que for o que Deus pedir deve ser dado. É muito? É pouco? O que Deus quer de mim? Que abandone tudo? Que abandone o quê? Não tenho fórmula e resposta para tudo, cada um se sinta a vontade, sozinho, e responsável com Deus na oração; e a resposta virá juntamente com o esclarecimento. O que Deus verdadeiramente quer e pede de mim?

 

«Zaqueu, desce depressa»
Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, Doutora da Igreja / Carta 137, à sua irmã Celina (in OC, Cerf DDB 1992, p. 452)

Jesus juntou-nos, se bem que por caminhos diferentes; juntas nos elevou acima de todas as coisas frágeis deste mundo, de todas as coisas que passam; por assim dizer, colocou todas as coisas debaixo dos nossos pés. Como Zaqueu, nós subimos a uma árvore para ver Jesus. Então poderíamos dizer como São João da Cruz: «Tudo é meu, tudo é para mim, a Terra é minha, o Céu é meu, Deus é meu e a Mãe do meu Deus é minha». […]
Celina, que mistério é a nossa grandeza em Jesus! Eis tudo o que Jesus nos mostrou ao fazer-nos subir à árvore simbólica de que eu falava há pouco. E agora, que ciência irá Ele ensinar-nos? Não nos ensinou já tudo? Ouçamos o que Ele nos diz: «Apressem-se a descer, hoje tenho de ficar em vossa casa». Pois é! Jesus diz-nos para descermos. Mas para onde devemos descer? Celina, sabe-lo melhor do que eu, mas deixa-me dizer-te para onde devemos agora seguir Jesus. Outrora, os judeus perguntaram ao nosso divino Salvador: «Mestre, onde moras?» e Ele respondeu-lhes: «As raposas têm as suas tocas, as aves do céu os seus ninhos e Eu não tenho onde reclinar a cabeça» (Mt 8,20). Eis para onde devemos descer para podermos servir de morada a Jesus: sermos tão pobres que não tenhamos onde reclinar a cabeça.

 

Jesus quer nos visitar
Padre Pacheco

Jesus entra em Jericó. Jericó é a cidade mais antiga do mundo, possuindo a idade de quase 10 mil anos. Jericó é esta cidade que encontra-se no deserto da Judéia. Aí, por sua vez, mora uma pessoa muito odiada por todos, pelo fato de ser cobrador de impostos – profissão que se caracteriza numa traição ao seu povo, pois toma dos impostos dos seus próprios irmãos conterrâneos, para ser dado ao Império Romano. Esta pessoa, cobradora de impostos, odiado por todos, é Zaqueu.
Zaqueu é esta pessoa, segundo Lucas, de estatura baixa e, como qualquer pessoa, por mais que se encontre perdida, em seu mais íntimo possui uma sede de felicidade, de realização, que o dinheiro não lhe trouxe e nunca trará. Zaqueu está rico, mas paupérrimo em seu mais íntimo, nos valores e nas virtudes.
Zaqueu sobe no sicômoro, para poder ver Jesus; Jesus vê Zaqueu, não em cima da árvore, mas em cima de uma perspectiva de ver este tal de Jesus e poder ser acolhido por Ele. A surpresa para Zaqueu é que, alem de ter visto Jesus, Este lhe diz que quer ir à sua casa. Zaqueu, surpreso e maravilhado, não desce da árvore, e sim, desaba – acredito eu.
Em casa de Zaqueu, Jesus o ama profundamente, fazendo refeição e partilhando a vida com aquele que, nem ele acreditava mais em si. O que mais me deixa maravilhado nesta passagem acerca do encontro de Jesus com Zaque, é que, Lucas – profundamente detalhista no seu evangelho – não narra o assunto, a partilha que Zaqueu teve com Jesus. Isso é para nos dizer que, aquilo que se encontra no mais intimo do nosso coração, a nossa intimidade, são realidades que não dizem respeito a ninguém; mas somente a nós e a Jesus.
Jesus passa hoje pela vida de cada um de nós. Creio profundamente que esta árvore hoje não seja um sicômoro, mas sim Nossa Senhora. Por quê? Porque Maria é esta árvore, cujo fruto é Jesus Cristo, o salvador da humanidade. Para termos o fruto da vida, que é Jesus, subamos nesta árvore que é Maria, ou seja, sejamos íntimos de Maria para que possamos acolher Jesus Cristo – o fruto da vida – em nossa vida.
A maior causa pela qual não estamos gestando frutos de santificação em nós é o fato de não estarmos impregnados de Maria; o Espírito Santo não realiza as grandes maravilhas que quer realizar, não porque não pode ou não quer; pelo contrario. O Espírito Santo não encontra almas apaixonadas pela sua Esposa – Nossa Senhora. Quando o Espírito santo encontra uma alma apaixonada pela sua Esposa – como não existe esposo sem esposa – aí Ele entra e realiza as maiores maravilhas que pode acontecer na existência humana.
Em pentecostes, os apóstolos não fazem uma experiência de pedir o Espírito Santo – diretamente. Eles fazem uma experiência com Maria e, é desta experiência, que recebem o Esposo da Virgem, o Espírito do Pai, por meio do Filho.
Tudo isso para dizer que, Zaqueu hoje é cada um de nós. O sicômoro é Maria – a árvore que trouxe o maior fruto para a humanidade, proveniente de Deus: Jesus Cristo. Permitamos receber Jesus na nossa casa e esta casa tem nome: o coração de cada um de nós. Somente quando Jesus entra em nossa vida, em nosso coração é que tudo se transforma.

 

Neste domingo, começamos a ler a 2ª Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, na Grécia. Iremos ouvir  esta carta em três domingos, porque estamos nos aproximando do fim do Ano Litúrgico; este documento Paulino fala-nos da esperança na última vinda do Senhor, que existia nos cristãos daquela comunidade. Porém, uma mensagem muito clara é dada pelo evangelho de Zaqueu, pelo extrato do Livro da Sabedoria e pelo Salmo Responsorial. Uma mensagem de bondade e de perdão divinos, que nos ajudará a ter um pouco mais de serenidade e de confiança.
Há salmos no Saltério que nos mostram um Deus “clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia”. O Salmo de hoje é um deles. É uma “fotografia” de Deus que nos poderá ajudar a ter Dele uma ideia de Alguém próximo e consolador. O Livro da Sabedoria fala-nos de um Deus que se compadece de todos: “não olhais para os seus pecados”. Todavia, muitas vezes terá que corrigir e convidar à conversão. Mas, o perdão é a principal característica de Deus. No evangelho, Jesus manifesta-se como o autêntico “sacramento” e imagem desse Deus que perdoa. Tem palavras amáveis com um publicano, Zaqueu, uma das pessoas mal vistas na sociedade do seu tempo, devido à sua profissão: cobrador de impostos e colaborador dos romanos. Jesus se convidada para a casa de Zaqueu e com aquela refeição faz com que este publicano se converta e repare os males que cometeu. Aos que murmuravam, Jesus, em poucas palavras, explica este gesto e todo o seu projeto salvífico: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. Os doentes são os  que precisam de médico.
Este episódio de Zaqueu e a 1ª leitura do Livro da Sabedoria colocam-nos perante uma questão: serei capaz de perdoar? Tenho sentimentos de tolerância para com os outros, mesmo para aqueles que são tidos como “pecadores”? Serei capaz de dar “um voto de confiança” aos outros como Jesus fez com Zaqueu, com Mateus e com Pedro? Todos nós precisamos, certamente, de um coração mais compassivo: como o de Deus e de Cristo. Ou seja, temos que ser mais acolhedores, tolerantes para com os defeitos dos outros, não nos fecharmos na nossa santidade, não sermos “severos” para com as faltas dos outros, a começar pela nossa família e pela nossa comunidade. Não esqueçamos que Deus já nos perdoou muitas vezes e que continua a perdoar-nos e que também os outros também nos vão perdoando as nossas fraquezas.
Quando celebramos a Eucaristia, damos conta que Jesus Cristo oferece-se a todos, sem fazer distinção de raça, idade, condição social, como Palavra e como Alimento de vida. Na celebração eucarística, comungamos o Corpo e o Sangue do Senhor. Mas, antes deste momento, há o rito do gesto da paz, que é um símbolo do nosso compromisso de crescer na fraternidade e na reconciliação. São estes sinais que nos ajudarão a ser mais acolhedores e solícitos para com o próximo.

 

31º Domingo do Tempo Comum, C
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha

Meus queridos Irmãos,
Estamos caminhando para o fim do ano litúrgico. Assim a liturgia de hoje nos propõe uma reflexão sobre o amor de Deus e a gratidão de um pecador chamado Zaqueu. Por isso o pecado é colocado em debate nesta liturgia. Quando o homem é pecador “Deus não quer a morte do pecador, mas sim, que ele se converta e viva” (Cf. Ez 18, 23).
Deus ama as criaturas humanas. Por isso Deus cuida para cada uma de suas criaturas não se perca com o pecado. Quando Deus castiga os pecadores, é com intenção de um grande pedagogo: para lembrar aos pecadores que é necessária uma conversão sincera, uma mudança de vida profunda e uma volta para a santidade na presença de Deus que deve permear a vida de todos os cristãos.
Prezados irmãos,
O amor de Deus pra com as criaturas, particularmente pelos mais pecadores, é o tema da primeira Leitura (cf. Sb 11, 23-12, 2). A Sabedoria de Deus mostrou-se, na História, preferencialmente como carinho e misericórdia. Mesmo o castigo infligido aos egípcios, para que Israel pudesse ser liberto, foi moderado. Deus pode ser magnânimo, porque é forte. Também, não quer a morte do pecador. Deus é “amigo da vida” e comunica às suas criaturas o “espírito da vida”. Aos pecadores, trata com o amor de um educador, conforme cantaremos no Salmo Responsorial (cf. Salmo 144): “Bendirei eternamente vosso nome; para sempre, ó Senhor, o louvarei!”.
A perspectiva final da história e da nossa vida é a temática da Segunda Leitura (cf. 2Ts 1, 11-2, 2). Nesta leitura o apóstolo Paulo ensina como se deve reagir contra os fanáticos que anunciam o dia do Senhor para já, dizendo que já não vale a pena trabalhar e cuidar da ordem do mundo. A leitura desta carta no fim do ano litúrgico nos quer conscientizar da tensão em que vivemos. A história do mundo e de cada pessoa tem um sentido irreversível: a vinda de Cristo e a nossa união com Ele. Porém, não se pode “especular” sobre a data do retorno de Cristo. Importa fazer a vontade de Deus e o “ato de fé”; e rezar para que Deus nos sustente nisso.
Irmãos e Irmãs,
Lucas (cf. Lc. 19, 1-10) usa a passagem de Zaqueu para nos dar um recado sempre atual: a salvação veio para todos. Para todos, indistintamente! Zaqueu espera pela passagem de Jesus. Quando Jesus passa ele se dirige a Zaqueu e diz: “Hoje a salvação entrou na tua casa!” (cf. Lc 19, 9).  A história de Zaqueu acontece perto de Jerusalém, ou seja, numa distância de 30km. A misericórdia de Deus, encarnada em Jesus, não tem limites. Zaqueu precisa esvaziar-se. Volta o tema fundamental de todo o Evangelho de São Lucas: o desapego é a condição básica do discípulo, que quer chegar ao Calvário e mergulhar com Jesus no insondável oceano da misericórdia divina.
Zaqueu era o chefe dos cobradores dos impostos para os romanos. Com esse trabalho Zaqueu enriqueceu-se.  Jesus caminha para Jerusalém, mas para na cidade de Jericó, centro produtor de tâmaras, bananas, laranjas, uvas e cereais. De Jericó também vinham muitos dos sacerdotes que serviam ao templo, sendo considerada uma cidade sacerdotal.
Jesus passa por Jericó. Zaqueu espera pela sua passagem. Zaqueu era pequeno em estatura. Pequeno no tamanho, mas grande na vontade de ver Jesus e de se converter. Zaqueu era mais um pecador que queria ir ao encontro de Jesus. Zaqueu além de pecador público, por estar a serviço dos romanos, era considerado impuro, fora-da-lei e da comunidade. Zaqueu é o chefe dos publicanos. Pecador máximo, portanto. Mas, Jesus deixa de lado tudo isso. A misericórdia de Deus é maior do que todos os pecados e todos os pecadores. A misericórdia de Deus não olha o passado, se o presente está aberto à conversão e a mudança de vida.
Meus queridos irmãos,
Zaqueu encontrou um modo de ver Jesus. Zaqueu é o primeiro que procurou ver Jesus e Jesus o ouviu. Procurar, ver e ouvir se juntam. O verdadeiro discípulo está em permanente procura do Senhor, através de muitos meios e modos. Não uma procura teórica, mas prática, até mesmo enfrentando o ridículo, como o fez Zaqueu que trepou em uma árvore à beira da estrada para ver Jesus.
Zaqueu e o sicômoro, a árvore. A árvore em que foram enrolados Adão e Eva pela perdição do pecado original. Jesus que está à porta de Jerusalém vai ao encontro de outra árvore, a árvore da Cruz, para assumir os pecados de toda a humanidade. Zaqueu, assim, quebra o orgulho, expondo-se ao ridículo. Revestido de humildade, pode receber em casa a salvação merecida por quem se deixou crucificar na segunda árvore.
Estimados amigos,
Cinco palavras permeiam, ainda, a liturgia deste domingo: o HOJE DA SALVAÇAO, ou seja, a conversão que não pode esperar e que necessita sempre ser repensada para viver a alegria do serviço na santidade. Junto ao HOJE DA SALVAÇAO se une a palavra DEPRESSA. Indica a prontidão diante de alguma coisa de grande interesse. Quem descobre a graça do Reino não se deixa reter por nada. A terceira palavra PERMANECER, ou ficar. Isso para dizer que Jesus fora à casa de Zaqueu para hospedar-se. Permanecer significa para Jesus a comunhão de vida entre Jesus e os discípulos. Jesus não procura apenas hospedar-se, quer que nossa vida seja uma só vida com ele. A quarta palavra é a ALEGRIA. A alegria de ser regenerado do pecado e a volta para a graça de Deus. Por fim, a quinta palavra: É PRECISO que a salvação de Deus venha em nosso socorro para que sejamos homens livres e santos.
Meus irmãos,
A segunda leitura nos adverte que devemos estar prontos para o Dia do Senhor, vivendo como de dia, ocupados com as obras justas que Deus nos confiou, sobretudo, o serviço fraterno aos irmãos.
O Evangelho não nos dá normas sobre “como fazer justiça”. Isso não quer dizer que o cristão deva acomodar-se, aceitando as situações e a sociedade tal como o Santo Padre Paulo VI admoestou com propriedade: “A situação presente deve ser enfrentada corajosamente, devem ser combatidas e vencidas as injustiças que ela comporta. O desenvolvimento exige transformações audazes, profundamente inovadoras. Devem ser empreendidas, sem tardar, reformas urgentes. Que cada um tome generosamente a sua parte”. Em suma, o mandamento do amor exige uma ativa e radical transformação do mundo. Mas uma coisa é afirmar que uma exigência revolucionária, outra é tomar o caminho que se exprime no recurso à violência. E o Evangelho nos ensina a viver a gratuidade, desarmar das violências e viver o amor fraterno.
Assim, todos os domingos, a nossa comunidade é visitada por Cristo, como visitou a Zaqueu, pela presença dos irmãos na assembléia, por sua Palavra, pelo pão e o vinho com água eucaristizados. Importa que tenhamos o desejo de ver a Jesus, de atender ao seu desejo de visitar-nos. Esta visita nos transformará, especialmente, se aprendermos a distribuir os bens de Deus aos irmãos. Amém!

 

A missão começa em casa
Dom Paulo Mendes Peixoto

É dentro de casa que acontece a maior expressão de convivência e de relacionamento fraterno entre as pessoas. É o ambiente familiar o local onde cada indivíduo constrói sua própria identidade, as raízes da sua personalidade e a fonte para estruturar uma melhor ou pior vida social.
No espaço da família, na casa, Deus derrama suas bênçãos, como aconteceu com Zaqueu do Evangelho, que recebeu Jesus em sua residência. Zaqueu ficou muito sensibilizado com a importante visita que quis até mudar de vida. Jesus disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa”.
Na verdade, a salvação não só entrou naquela casa, mas na vida de Zaqueu. Isto é um convite para que aconteça o mesmo em nossa vida. A mudança interior é fundamental para acontecer a missão. É a vida nova a fonte da missão e de ação transformadora.
O mesmo acontece numa eleição, quando elegemos um novo Presidente da República. Uma nova pessoa, que deve garantir esperança para todos os cidadãos. A segurança disto vem de berço, da família, da casa. Não podemos esperar muito de quem não tem. Por isto é importante conhecer a vida familiar do candidato.
É o amor de Deus que confere às pessoas o valor da dignidade para exercerem uma missão com frutos positivos. Amor que exige correspondência e opções concretas no exercício dos compromissos assumidos. Aí estão o estímulo e a força para a missão, as condições para um trabalho concreto.
O que esperamos de quem exerce uma missão é a dignidade, o equilíbrio, o respeito por tudo que ajuda a todos, o bem público etc. Só assim acontece a fertilidade da bênção de Deus. Coisa que não acontece no mundo das injustiças e desonestidades.
Com tudo isto nós conseguimos ver a importância da estrutura familiar, fato que tem sido lamentável nos últimos tempos. A sociedade não está podendo contar mais com a missão que vem de casa. A falta de estrutura familiar tem sido muito grande, deixado os filhos totalmente sem condições para uma cidadania com responsabilidade.

 

A revolução no coração do homem a partir da experiência de Zaqueu
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha – MG

Zaqueu é o exemplo para qualquer rico que deseja alcançar a salvação. A sua conversão começa com o desejo de conhecer Jesus de perto, continua quando se une ao povo para se encontrar com Jesus e acolhê-lo em sua própria casa. A conversão se completa quando Zaqueu se dispõe a partilhar seus bens e devolver com juros o que roubou.
São Lucas é o único evangelista a relatar o episódio de Zaqueu. Jesus procurou a conversão de todos e trouxe a mensagem de libertação cristã para pobres e ricos, embora de modos diferentes.
Aqui encontramos o tema da conversão e suas exigências. Zaqueu se aproxima de Jesus por curiosidade e termina acolhendo-o em sua casa, repartindo entre os pobres, grande parte de seus bens.
Ao restituir o quádruplo a todos os seus devedores e dar metade de seus bens aos pobres, mostra no caminho do Reino, aberto à justiça e à fraternidade. A metade de seus bens é o gesto que se deve esperar de todos os ricos que têm bens de sobra. É a forma de se fazer justiça e de demonstrar gratidão a esse Deus que sempre nos cumula de bens.
Zaqueu se mostra como autêntico cristão apesar de sua profissão, que o excluía de toda relação com os puros e justos. Sua generosidade é o sinal de sua pertença aos excluídos de Israel, que souberam descobrir em Jesus o autêntico enviado de Deus.
A luz fundamental e decisiva, sob a qual um discípulo de Cristo deve colocar-se e permanecer toda a vida, parece ser a que emana dessas grandes palavras de Jesus: “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.

 

Deus vê em cada um a alma que há que salvar, diz Papa
Meditação no Angelus deste domingo

CIDADE DO VATICANO, domingo, 31 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI assegurou que Deus vê em cada pessoa uma alma que há de salvar. Durante o encontro dominical com milhares de peregrinos, o pontífice comentou a passagem que a liturgia deste domingo apresentava: a conversão de Zaqueu, um arrecadador de impostos do imperador romano.
“Deus não exclui ninguém, nem pobres nem ricos. Deus não se deixa condicionar por nossos preconceitos humanos, mas vê em cada um uma alma que há que salvar, e o atraem especialmente aquelas almas que são consideradas perdidas e que assim o creem elas mesmas”, afirmou o Papa, dirigindo-se desde a janela de seu apartamento aos milhares de peregrinos na praça de São Pedro.
Esse era precisamente o caso de Zaqueu, o chefe dos publicanos de Jericó, importante cidade do rio Jordão, depreciado por seus compatriotas judeus por sua falta de honestidade, e quem recebeu Jesus em sua casa.
Sabendo que as pessoas criticariam sua decisão de visitar a casa de um “pecador público”, Jesus “quis arriscar e ganhou a aposta”, assegurou o Papa. “Zaqueu, profundamente impressionado pela visita de Jesus, decide mudar de vida, e promete restituir o quádruplo do que roubou”.
“Jesus Cristo, encarnação de Deus, demonstrou esta imensa misericórdia, que não tira nada à gravidade do pecado, mas que busca sempre salvar o pecador, oferecer-lhe a possibilidade de resgate, de voltar a começar, de se converter”, acrescentou o Papa.
O Papa concluiu a meditação sobre o Evangelho reconhecendo que “Zaqueu acolheu Jesus e se converteu, pois Jesus tinha sido o primeiro a acolhê-lo”.
“Não o havia condenado, mas tinha respondido a seu desejo de salvação. Peçamos à Virgem Maria, modelo perfeito de comunhão com Jesus, que experimentemos a alegria de receber a visita do Filho de Deus, de ficar renovados por seu amor, e transmitir aos demais sua misericórdia”, disse o Papa.

 

Bento XVI: Deus não exclui ninguém
Intervenção com motivo do Angelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 31 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos a intervenção de Bento XVI ao rezar este domingo a oração mariana do Angelus junto a milhares de peregrinos na praça de São Pedro, no Vaticano.
* * *
Queridos irmãos e irmãs,
O evangelista São Lucas presta uma atenção particular ao tema da misericórdia de Jesus. Em sua narração, encontramos alguns episódios que destacam o amor misericordioso de Deus e de Cristo, que afirma que não veio para chamar os justos, mas os pecadores (Cf. Lucas 5,32). Entre as narrativas de Lucas, encontra-se a da conversão de Zaqueu, que a liturgia deste domingo apresenta. Zaqueu é um “publicano”, e mais, o chefe dos publicanos de Jericó, importante cidade no rio Jordão. Os publicanos eram os arrecadadores dos impostos que os judeus deviam pagar ao imperador romano, e por este motivo eram considerados pecadores públicos. Ademais, aproveitavam com frequência sua posição para fazer chantagem e sacar dinheiro das pessoas. Por este motivo, Zaqueu era muito rico, mas depreciado por seus concidadãos. Portanto, quando Jesus, ao atravessar Jericó, deteve-se precisamente na casa de Zaqueu, isso suscitou ume escândalo geral. O Senhor, no entanto, sabia muito bem o que fazia. Por assim dizer, quis arriscar e ganhou a aposta: Zaqueu, profundamente impressionado pela visita de Jesus, decide mudar de vida, e promete restituir o quádruplo do que roubou. “Hoje chegou a salvação a esta casa”, disse Jesus, e conclui: “o Filho do homem veio para buscar a salvar o que estava perdido”.
Deus não exclui ninguém, nem pobres nem ricos. Deus não se deixa condicionar por nossos preconceitos humanos, mas vê em cada um uma alma que há que salvar, e o atraem especialmente aquelas almas que são consideradas perdidas e que assim o creem elas mesmas. Jesus Cristo, encarnação de Deus, demonstrou esta imensa misericórdia, que não tira nada à gravidade do pecado, mas que busca sempre salvar o pecador, oferecer-lhe a possibilidade de resgate, de voltar a começar, de se converter. Em outra passagem do Evangelho, Jesus afirma que é muito difícil para um rico entrar no Reino dos Céus (Cf. Mateus 19, 23). No caso de Zequeu, vemos precisamente que o que parece impossível realiza-se: “Ele entregou sua riqueza e imediatamente ficou substituída pela riqueza do Reino dos Céus”, comenta São Jerônimo (Homilia sobre o Salmo 83, 3). E São Máximo de Turim acrescenta: “As riquezas, para os néscios, são um alimento para a desonestidade; no entanto, para os sábios, são uma ajuda para a virtude; a estes, se lhes oferece uma oportunidade para a salvação, no caso dos outros provoca um tropeço que leva à ruína” (Sermões, 95).
Queridos amigos, Zaqueu acolheu Jesus e se converteu, pois Jesus tinha sido o primeiro a acolhê-lo! Não o havia condenado, mas tinha respondido a seu desejo de salvação. Peçamos à Virgem Maria, modelo perfeito de comunhão com Jesus, que experimentemos a alegria de receber a visita do Filho de Deus, de ficar renovados por seu amor, e transmitir aos demais sua misericórdia.
[Traduzido por ZENIT ©Libreria Editrice Vaticana]

 

Santo Evangelho (Mt 24, 42-51)

21ª Semana Comum – Quinta-feira 25/08/2016

Primeira Leitura(1Cor 1,1-9)
Início da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

1Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. 4Dou graças a Deus sempre a vosso respeito, por causa da graça que Deus vos concedeu em Cristo Jesus: 5Nele fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, 6à medida que o testemunho sobre Cristo se confirmou entre vós. 7Assim, não tendes falta de nenhum dom, vós que aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo. 8É ele também que vos dará perseverança em vosso procedimento irrepreensível, até o fim, até o dia de nosso Senhor Jesus Cristo. 9Deus é fiel; por ele fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 144)

— Bendirei o vosso nome, pelos séculos, Senhor!
— Bendirei o vosso nome, pelos séculos, Senhor!

— Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre. Grande é o Senhor e muito digno de louvores, e ninguém pode medir sua grandeza.

— Uma idade conta à outra vossas obras e publica os vossos feitos poderosos; proclamam todos o esplendor de vossa glória e divulgam vossas obras portentosas!

— Narram todos vossas obras poderosas, e de vossa imensidade todos falam. Eles recordam vosso amor tão grandioso e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.

 

Evangelho (Mt 24, 42-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 42“Ficai atentos! porque não sabeis em que dia virá o Senhor. 43Compreendei bem isso: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente vigiaria e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. 44Por isso, também vós ficai preparados! Porque na hora em que menos pensais, o Filho do Homem virá. 45Qual é o empregado fiel e prudente, que o senhor colocou como responsável pelos demais empregados, para lhes dar alimento na hora certa? 46Feliz o empregado, cujo senhor o encontrar agindo assim, quando voltar. 47Em verdade vos digo, ele lhe confiará a administração de todos os seus bens. 48Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu senhor está demorando’, 49e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; 50então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. 51Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Luís, homem de oração e caridade

Era penitente, humilde, homem de oração e caridade; participava com tanta perseverança da Santa Missa diária

Nós celebramos neste dia a vida do santo, que foi rei da França, Luís IX. Ele nasceu em Poissy a 25 de abril de 1214 e teve a graça de ter uma mãe muito religiosa, tanto assim que o aconselhava depois do Batismo: “Filhinho, agora és um templo do Espírito Santo, conserva sempre teu coração puro e jamais o manches com o pecado “.

A rainha-mãe, Branca de Castela, providenciou ótimos professores e instrutores para uma formação digna do filho, dessa forma quando o pai de Luís morreu, quando este tinha apenas 12 anos, o jovem pôde ser coroado e na idade de 21 anos começar a reger toda a nação, sem esquecer sua realidade de pai e esposo. São Luís era penitente, humilde, homem de oração e caridade; participava com tanta perseverança da Santa Missa diária que, ao ser provocado por nobres, respondia: “Se eu dedicasse tempo dobrado para os jogos ou para a caça, ninguém repreenderia!”

São Luís buscava intensamente viver a justiça do Reino de Deus enquanto rei e cristão, por isso praticava o que aconselhava: “Não tiremos o bem dos outros nem sequer para o dar a Deus”. Cheio de amor a Cristo, à Igreja e ao Papa, São Luís organizou até mesmo cruzadas a fim de resgatar os lugares santos; certa vez ficou preso durante 5 anos e depois de solto empenhou-se numa outra cruzada que o vitimou com uma peste mortífera (tifo). Ao receber os santos sacramentos esse grande santo entrou no Céu a 25 de agosto de 1270.

Foi canonizado em 1297, pelo Papa Bonifácio VIII.

São Luís, rogai por nós!

Santo Evangelho (Lc 15, 3-7)

Sagrado Coração de Jesus – Sexta-feira 03/06/2016  

Primeira Leitura (Ez 34,11-16)  
Leitura da Profecia de Ezequiel.

11 Assim diz o Senhor Deus: “Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas. 12 Como o pastor toma conta do rebanho, de dia, quando se encontra no meio das ovelhas dispersas, assim vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que forem dispersadas num dia de nuvens e escuridão. 13 Vou retirar minhas ovelhas do meio dos povos e recolhê-las do meio dos paises para as conduzir à sua terra. Vou apascentar as ovelhas sobre os montes de Israel, nos vales dos riachos e em todas as regiões habitáveis do país. 14 Vou apascentá-las em boas pastagens e nos altos montes de Israel estará o seu abrigo, e pastarão em férteis pastagens sobre os montes de Israel. 15 Eu mesmo vou apascentar as minhas ovelhas e fazê-las repousar – oráculo do Senhor Deus. 16 Vou procurar a ovelha perdida, reconduzir a extraviada, enfaixar a da perna quebrada, fortalecer a doente, e vigiar a ovelha gorda e forte. Vou apascentá-la conforme o direito”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 22,1-6)  

— O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.
— O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

— O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos.

 

Segunda Leitura (Rm 5,5b-11) 
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 5bO amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado. 6Com efeito, quanto éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. 10Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! 11Ainda mais: Nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 15,3-7)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 3Jesus contou-lhes esta parábola: 4”Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA FESTEJA HOJE A SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

A devoção ao Coração de Cristo foi um antídoto para suscitar nos fiéis o amor ao Senhor e a confiança na sua infinita misericórdia

Hoje, a Igreja Católica celebra a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Além da celebração litúrgica, muitas outras expressões de piedade têm por objeto o Coração de Cristo. Não há dúvida de que a devoção ao Coração do Salvador tem sido, e continua a ser, uma das expressões mais difundidas e amadas da piedade eclesiástica. Entendida à luz da Sagrada Escritura, a expressão “Coração de Cristo” designa o mesmo mistério de Cristo, a totalidade do Seu ser, a Sua Pessoa considerada no Seu núcleo mais íntimo e essencial.

Como o têm lembrado frequentemente os Romanos Pontífices, a devoção ao Coração de Cristo tem um sólido fundamento na Escritura. Jesus apresenta-se a si mesmo como mestre “manso e humilde de Coração” (Mt. 11,29). Pode-se dizer que a devoção ao Coração de Jesus é a tradução em termos cultuais do reparo que, segundo as palavras proféticas e evangélicas, todas as gerações cristãs voltaram para Aquele que foi atravessado (cf. Jo 19,27; Zc 12,10), isto é, o costado de Cristo atravessado pela lança, do qual brotou sangue e água, símbolo do “sacramento admirável de toda a Igreja”.

A Idade Média foi uma época especialmente fecunda para o desenvolvimento da devoção ao Coração do Salvador. Homens insignes pela sua doutrina e santidade, como São Bernardo (+1153), São Boaventura (+1274), Santa Lutgarda (+1246), Santa Matilde de Magdeburgo (+1282), as Santas Irmãs Matilde (+1299) e Gertrudes (+1302), Ludolfo de Saxónia (+1378) e Santa Catarina de Sena (+1380) aprofundaram o mistério do Coração de Cristo no qual percebiam o “refúgio” onde acolher-se.

As formas de devoção ao Coração do Salvador são muito numerosas; algumas têm sido explicitamente aprovadas e recomendadas pela Santa Sé. Entre elas devem ser lembradas: a Consagração pessoal; a Consagração da família; as Ladainhas do Sagrado Coração de Jesus; o Ato de Reparação; e a prática das Nove Primeiras Sextas-feiras.

A devoção ao Coração de Cristo foi um antídoto para suscitar nos fiéis o amor ao Senhor e a confiança na sua infinita misericórdia, da qual o Coração é prenda e símbolo.

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Carlos Lwanga e companheiros, testemunharam Jesus na África

Apresentou-se com seus companheiros diante do rei com o firme propósito de não negar a fé

Neste dia, celebramos a memória destes grandes mártires que na África testemunharam o nome de Jesus. Carlos Lwanga era chefe dos pajens, que serviam na corte do rei Muanga da Uganda.

Acontece que a entrada da evangelização na África, sofreu muito pelas invasões dos homens brancos, por isso os missionários tinham que ser homens verdadeiramente de Deus, ou seja, de caridade, pois facilmente eram confundidos como colonizadores. Depois da entrada dos padres que fizeram um lindo trabalho de evangelização que atingiu Carlos Lwanga e outros, o rei se revoltou e decretou pena de morte para os que rezassem.

São Carlos, depois de muito se preparar junto com seus companheiros, apresentou-se diante do rei com o firme propósito de não negar a fé, por isso foi queimado vivo diante de todos. Seguindo o irmão na fé, nenhum deles renegou, até que em 1887 o último deles morreu afogado, como parte dos corajosos mártires de Uganda, na África.

São Carlos Lwanga e companheiros, rogai por nós!

IX Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 7, 1-10
1 Depois que terminou de falar todas essas palavras ao povo que o escutava, Jesus entrou na cidade de Cafarnaum. 2 Havia aí um oficial romano que tinha um empregado, a quem estimava muito. O empregado estava doente, a ponto de morrer. 3 O oficial ouviu falar de Jesus, e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedir a Jesus que fosse salvar o empregado. 4 Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: «O oficial merece que lhe faças esse favor, 5 porque ele estima o nosso povo, e até construiu uma sinagoga para nós.» 6 Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando já estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizer a Jesus: «Senhor, não te incomodes, pois eu não sou digno de que entres em minha casa; 7 nem sequer me atrevi a ir pessoalmente ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu empregado ficará curado. 8 Pois eu também estou sob a autoridade de oficiais superiores, e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem; e ao meu empregado: Faça isso, e ele o faz.» 9 Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Voltou-se para a multidão que o seguia, e disse: «Eu declaro a vocês que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.» 10 Os mensageiros voltaram para a casa do oficial, e encontraram o empregado em perfeita saúde.

A fé de um centurião
O Evangelho da Missa (Lucas 7, 1-10) nos narra que uns anciãos dos judeus chegaram com Jesus para interceder por um Centurião que tinha um criado enfermo, ao que estimava muito. Este gentil era muito apreciado por suas grandes virtudes; ademais era um homem generoso que havia custeado a sinagoga de Cafarnaum. Os judeus lhe insistem a Jesus: merece que lhe concedas isto, aprecia a nosso povo. Sobretudo sobressai por sua fé humilde, pois quando Jesus se aproxima a sua casa, enviou uma embaixada ao Mestre para dizer-lhe: Senhor, eu não sou digno que entres em minha casa, mas diga uma palavra e meu criado ficará são. Esta fé cheia de humildade conquistou o coração de Jesus: ficou admirado dele, e voltando-se à multidão que lhe seguia, disse: Vos digo que nem ainda em Israel encontrei tanta fé. A humildade é a primeira condição para crer, para aproximar-nos de Cristo. Santo Agostinho, ao comentar esta passagem, assegura que foi a humildade a porta por onde o Senhor entrou a apropriar-se do que já possuía (Sermão 46, 12).

Meditemos hoje como é nossa fé e peçamos a Jesus que nos outorgue a graça de crescer nela, dia a dia. Santo Agostinho ensinava que ter fé é: “Crer em Deus que sai ao nosso encontro e se dá a conhecer; crer tudo o que Deus diz e revela; e, por último, crer em Deus, amando-lhe, confiar sem medida Nele” (Sermão 144). Progredir na fé é crescer nestas facetas. A primeira, que reside no afã de conhecer melhor a Deus, se concretizará na fidelidade à verdade revelada por Deus, proclamada pela Igreja, ensinada e protegida por seu Magistério. Crer em Deus nos leva a ver-lhe muito perto de nosso viver diário, a tratar-lhe diariamente no diálogo amoroso na oração e no meio do trabalho, de alegrias e tristezas. Crer em Deus é a coroação e gozo dos outros dois: É o amor que leva consigo a fé verdadeira.

A fé verdadeira nos une a Cristo e nos dá uma segurança que está por cima de toda circunstância humana. Mas para ter essa fé necessitamos a fé do Centurião: saber-nos nada ante Jesus; não desconfiar jamais de seu auxílio, ainda que alguma vez tarde em chegar ou venha de distinto modo como esperávamos. Santo Agostinho afirmava que todos os dons de Deus podem reduzir-se a este: “Receber a fé e perseverar nela até o último instante da vida” (Sobre o dom da perseverança). Em Nossa Mãe encontramos essa união profunda entre fé e humildade. Peçamos-lhe que nos ensine a crescer nelas.

 

«Senhor, eu não sou digno»
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja

Sermão 62

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir a casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto, mas diz uma só palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno não só de que Cristo entre em sua casa, mas também no seu coração. […]

Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem estar no seu coração. Com efeito Cristo, Mestre em humildade pelo Seu exemplo e pelas Suas palavras, sentou-Se à mesa em casa de um fariseu orgulhoso chamado Simão (Lc 7, 36ss.). Embora Se sentasse à sua mesa, não entrou no seu coração: aí, «o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58). Pelo contrário, aqui não entra em casa do centurião, mas entra no seu coração. […]

Por conseguinte, é a fé unida à humildade que o Senhor elogia neste centurião. Quando este diz: «Não sou digno de que entres debaixo do meu teto», o Senhor responde: «Em verdade vos digo, nem em Israel encontrei tão grande fé». […] O Senhor veio ao povo de Israel segundo a carne, para procurar primeiramente neste povo a Sua ovelha perdida (cf. Lc 15, 4). […] Nós, como homens, não podemos medir a fé dos homens. Foi Aquele que vê o fundo dos corações, Aquele a Quem ninguém engana, que testemunhou como era o coração deste homem; ao ouvir as suas palavras repletas de humildade, responde-lhe com uma palavra que cura.

 

9º Domingo do Tempo Comum
Ano C
Pe. Wagner Augusto Portugal

“Olhai para mim Senhor, e tende piedade, pois vivo sozinho e infeliz. Vede minha miséria e minha dor e perdoai todos os meus pecados”(Sl 24,16.18).  No encantamento do tempo comum, das coisas cotidianas, depois de termos celebrado as festas da Santíssima Trindade e de “Corpus Christi” os domingos se revestem da beleza do dia a dia e Nosso Senhor Jesus nos é apresentado pela Mãe Igreja como o único mediador da salvação.

Meus queridos irmãos,

Na Primeira Leitura(cf 1Rs 8,41-43) o rei Salomão reza para que Deus atenda os estrangeiros. Na grande oração da Dedicação do Templo de Jerusalém, Salomão não reza apenas pela casa de Davi e o povo de Israel, mas, também, pelos estrangeiros que aí virão adorar ao Deus de Israel e do Universo. E o templo será a casa de oração para todas as nações. Deus quer ficar acessível às necessidades de todos os homens. A única condição indicada na leitura do primeiro livro dos Reis para se poder praticar o culto é crer no nome de Deus(cf. Ex 12,48), isto é, em Deus por uma fé que se baseia em sua ação salvífica na história.  A fé é universal, conforme nos ensina a bela oração de Salomão na ocasião da Dedicação do Templo. O Rei Salomão pede a Deus também pelos que acorrem de longe para rezarem no Templo de Jerusalém.

Caríssimos fiéis,

O Evangelho de São Lucas(Lc 7,1-10) apresenta hoje a fé de um pagão, um oficial romano, que morava em Cafarnaum. O centurião de Cafarnaum é um pagão, porém, envergonha os representantes da sinagoga por sua fé em Jesus, “o Senhor”(cf. Lc 7,6), e na força salvífica de sua palavra. São Lucas descreve o centurião como um homem que teme a Deus, um pagão que serve de exemplo para os judeus. O Evangelista Lucas revela-se aqui como o evangelista “ecumênico”, descobrindo os valores “pré-cristãos” em todo o mundo. Claro aqui está a emocionante fé do Centurião. Vejamos, novamente, que o centurião é cidadão romano. O centurião é pagão, mas estima muito o judaísmo. Fica evidente que o Centurião se acha indigno de fazer um pedido direto a Jesus para que cure o seu funcionário. O Centurião manda os anciãos de Cafarnaum pedir a cura de seu empregado a Jesus, e estes anciãos não tinham como negar o pedido do Centurião, porque ele próprio havia ajudado na edificação de uma Sinagoga na cidade de Cafarnaum. Com a insistência dos anciãos para que Jesus vá ao encontro do Centurião ele caminha com eles na direção da casa do cidadão romano. Ainda no caminho o centurião romano lhes corre ao encontro e proclama: “Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale uma só palavra, que meu servo fica bom. Pois eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar, sou militar!” E, Jesus, cura o servo, à distância.  Aqui o que está em evidência é a grande fé do homem romano, estrangeiro e pagão, que não colocou pré condições, mas acreditou: “Eu sei o que é mandar – mande, Senhor!”. Uma fé profunda, que passou primeiro pela mediação dos anciãos da cidade, e que, depois, ele mesmo corre ao encontro do Senhor. Isso levou o próprio Senhor Jesus a dizer: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”(cf. Lc. 7, 9).  Esta fé, que procede do sentimento da própria inteligência e indignidade diante dos benefícios de Deus, foi motivo da salvação na casa do centurião. O centurião sabe que para obter os benefícios de Deus, ele precisa passar através dos judeus e parece que assim também pensam os judeus, insistindo em que Jesus faça uma exceção: “Ele é digno”. Mas com a vinda de Jesus as coisas mudam: a salvação é para todos os que têm fé e só para esses(cf. Rm 3,22).

Caros irmãos,

A Segunda Leitura desta liturgia(cf. Gl 1,1-2,6-10) nos apresenta o Evangelho de Paulo. São Paulo mesmo operou a primeira evangelização da Galácia, país subdesenvolvido, muito exposto a qualquer novidade. Agora vieram outros missionários, confundindo as jovens nascentes comunidades, impondo costumes judaicos – como a circuncisão – também aos cristãos de origem pagã. Estes missionários consideravam o cristianismo apenas como uma variante do Judaísmo. São Paulo, então, escreveu a carta de hoje com intensa preocupação. Não se trata de uma pessoa, mas da pureza de seu Evangelho. A garantia desta pureza é que Deus, que ressuscitou o Cristo dos mortos, também chamou a São Paulo.  A segunda leitura nos oferece a saber qual é o critério para reconhecer, independentemente dos pregadores, qual é o verdadeiro Evangelho? Os cristãos devem saber que existe uma norma objetiva da pregação e da fé(cf. 1Cor 15,3-4) contra a qual ninguém pode ir, nem Paulo nem um colaborador dele, nem um anjo. A norma é esta: Cristo é o único mediador da salvação. Se alguma doutrina procura modificar esta verdade, não pode ser evangelho.  A lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador interiormente, não teria necessidade de ser mudado. Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a lei não pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. São Paulo convida os gálatas a escolher entre a lei e Cristo.

Queridos irmãos,

É no amor que o homem se realiza, na comunhão com Deus e com os outros. E isto só é possível em Cristo. Ele á a aliança entre Deus e a pessoa humana, a comunhão realizada de modo perfeito, porque verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso, é só unindo-se vitalmente em Cristo que o homem se salva como homem.

Prezados fiéis,

Devemos, neste dia, relembrar o que nos ensina o Concílio Vaticano II: “Finalmente, aqueles que ainda não receberam o Evangelho, estão de uma forma ou outra orientados para o Povo de Deus (32). Em primeiro lugar, aquele povo que recebeu a aliança e as promessas, e do qual nasceu Cristo segundo a carne (cfr. Rom. 9, 4-5), povo que segundo a eleição é muito amado, por causa dos Patriarcas, já que os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis (cfr. Rom. 11, 28-29). Mas o desígnio da salvação estende-se também àqueles que reconhecem o Criador, entre os quais vêm em primeiro lugar os muçulmanos, que professam seguir a fé de Abraão, e conosco adoram o Deus único e misericordioso, que há-de julgar os homens no último dia. E o mesmo Senhor nem sequer está longe daqueles que buscam, na sombra e em imagens, o Deus que ainda desconhecem; já que é Ele quem a todos dá vida, respiração e tudo o mais (cfr. Act. 17, 25-28) e, como Salvador, quer que todos os homens se salvem (cfr. 1 Tim. 2,4). Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna (33). Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida reta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho (34), dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida. Mas, muitas vezes, os homens, enganados pelo demônio, desorientam-se em seus pensamentos e trocam a verdade de Deus pela mentira, servindo a criatura de preferência ao Criador (cfr. Rom. 1,21 e 25), ou então, vivendo e morrendo sem Deus neste mundo, se expõem à desesperação final. Por isso, para promover a glória de Deus e a salvação de todos estes, a Igreja, lembrada do mandato do Senhor: «pregai o Evangelho a toda a criatura» (Mc. 16,16), procura zelosamente impulsionar as missões”(Cf. LG 16).

Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram: “Neste momento, com incertezas no coração, perguntamo-nos com Tomé: “Como vamos saber o caminho?” (Jo 14,5). Jesus nos responde com uma proposta provocadora: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Ele é o verdadeiro caminho para o Pai., quem tanto amou ao mundo que deu a seu Filho único, para que todo aquele que nele creia tenha a vida eterna (cf. Jo 3,16). Esta é a vida eterna: “que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo teu enviado” (Jo 17,3). A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida. Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tuas palavras dão vida eterna” (Jo 6,68); “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)” (DAp 101).

 

A humildade do oficial romano
Padre Pacheco

Existe no coração do ser humano, infelizmente, como fruto do pecado original, uma força que quer arrastá-lo para que se coloque acima dos outros, para que se sinta maior que os demais irmãos. Essa força é a força do pecado, pecado este que é a mãe de todos os demais pecados, ou seja, o vício da soberba. A única “vacina” capaz de combater esta “bactéria” chamada “soberba” – sim, pois o pecado é como uma bactéria, ou seja, quando menos esperamos ela destrói a vida da pessoa. Para dizer: bactéria não se administra: se elimina; pois na primeira oportunidade que ela tiver, ela vai destruir você; assim é o pecado. Daí entendemos quando Paulo diz que o salário do pecado é a morte. Retomo: a única vacina capaz de combater a “bactéria” da soberba – mãe de todos os pecados – é a mãe de todas as virtudes: a virtude da humildade. A Palavra de hoje, no Evangelho, vai nos trazer o processo de como podemos chegar à humildade,  a exemplo do oficial romano, a virtude fundamental para o nosso combate espiritual. Para chegarmos à virtude da humildade deveremos trabalhar algumas atitudes bem concretas, pois virtude alguma cai do céu, pois a virtude é o resultado de um hábito bom, muitas vezes, repetidos.
Como chegar à humildade?
1º O pai da humildade é o autoconhecimento. Sem se autoconhecer jamais a pessoa chegará à humildade, pois a palavra “humildade” provém da palavra “húmus” – do latim – que quer dizer “terra”; para dizer que só é humilde aquele que tem a coragem de tocar na sua história mais profunda, nas realidades mais obscurecidas.
2º Sinceridade. Como a criança, devemos ser sinceros diante de Deus, das pessoas e de nós mesmos; a criança é muito sincera; quando ela gosta, gosta de verdade; quando não gosta, deixa claro para todos ouvirem e verem. Se quisermos ser humildes, teremos de acabar com as manipulações, com as mentiras, com as máscaras que sempre nos levam a viver de imagens, respeito humano, “diplomismo”, hipocrisia; acabamos fazendo o contrário: o nosso “sim” vira “não” e o nosso “não” vira “sim”. Autenticidade, verdade, transparência – tudo isso mediante a caridade – são o caminho para a humildade.
3º Confiança. Interessante que Jesus, numa ocasião, disse a Santa Faustina que o que mais fere o Coração d’Ele não é o pecado – até porque o mal é inacessível a Deus – mas sim, a falta de confiança. A confiança é este vaso que colhe a misericórdia de Jesus, que se derrama sobre cada um de nós. Uma das características da criança é a confiança que ela possui em seus pais – desde que estes sejam pais de verdade e não somente genitores. A criança se abandona, confia, sabe que os pais vão dar um jeito.
4º A arte do entretenimento. A grande característica da criança é que ela vive nesta fase linda de brincar. Nós adultos não brincamos mais, levamos a vida muito a sério e, por isso, ela [a criança] não possui a seriedade que deveria ter, pois somente quem sabe brincar e sorrir saberá tomar decisões sérias na hora exata em que a vida lhe pedir.
5º A criança é inteira. Ela serve. O maior é aquele que serve; a autoridade na Igreja está no serviço. Devemos começar a ser inteiros, como as crianças, em tudo aquilo que formos fazer e viver; devemos nos doar, até gastar a própria vida. Aí está o grande caminho de sermos grandes: grandes para os outros, para fazer da vida deles uma vida mais digna e humana.

O que é o Credo?

O Creio é o resumo da fé católica

Desde o início de sua vida apostólica, a Igreja elaborou o que passou a ser chamado de “Símbolo dos Apóstolos”, cujo nome é o resumo fiel da fé dos apóstolos; foi uma maneira simples e eficaz de a Igreja exprimir e transmitir a sua fé em fórmulas breves e normativas para todos. Em seus doze artigos, o ‘Creio’ sintetiza tudo aquilo que o católico crê. Este é como “o mais antigo Catecismo romano”. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma.

Os grandes santos doutores da Igreja falaram muito do ‘Credo’. Santo Ireneu (140-202), na sua obra contra os hereges gnósticos, escreveu: “A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a fé num só Deus, Pai e Onipotente, que fez o céu e a terra (…).Esta é a doutrina que a Igreja recebeu; e esta é a fé, que mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Esta fé anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua.  (Adv. Haer.1,9)

São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, disse: “Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira, de onde se recolheu o que existe de mais importante para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém, em um pequeníssimo grão, um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra, em algumas palavras, todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento (Catech. ill. 5,12)

Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja que batizou Santo Agostinho, mostra de onde vem a autoridade do ‘Símbolo dos Apóstolos’, e a sua importância: “Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé” (CIC §194).”Este símbolo é o selo espiritual, a mediação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é seguramente o tesouro da nossa alma” (CIC §197). Os seus doze artigos, segundo uma tradição atestada por Santo Ambrósio, simbolizam com o número dos apóstolos o conjunto da fé apostólica (cf. CIC §191).

O símbolo da fé, o ‘Credo’, é a “identificação” do católico. Assim, ele é professado solenemente no dia do Senhor, no batismo e em outras oportunidades. Todo católico precisa conhecê-lo com profundidade.

Por causa das heresias trinitárias e cristológicas que agitaram a Igreja nos séculos II, III e IV, ela foi obrigada a realizar concílios ecumênicos (universais) para dissipar os erros dos hereges. Os mais importantes para definir os dogmas básicos da fé cristã foram os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla I (381). O primeiro condenou o arianismo, de Ário, sacerdote de Alexandria que negava a divindade de Jesus; o segundo condenou o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla que negava a divindade do Espírito Santo.

Desses dois importantes Concílios originou-se o ‘Credo’ chamado “Niceno-constantinopolitano”, o qual traz os mesmos artigos da fé do ‘Símbolo dos Apóstolos’, porém de maneira mais explícita e detalhada, especialmente no que se refere às Pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo.   Além desses dois símbolos da fé mais importantes, outros ‘Credos’ foram elaborados ao longo dos séculos, sempre em resposta a determinadas dificuldades ou dúvidas vividas nas Igrejas Apostólicas antigas. Um exemplo é o símbolo “Quicumque”, dito de Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria; as profissões de fé dos Concílios de Toledo, Latrão, Lião, Trento e também de certos Pontífices como a do Papa Dâmaso e do Papa Paulo VI (1968).

O Catecismo da Igreja nos diz que: “Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado como ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a tocar e a aprofundar, hoje, a fé de sempre por meio dos diversos resumos que dela têm sido feitos” (CIC § 193).   O Papa Paulo VI achou oportuno fazer uma solene Profissão de Fé no encerramento do “Ano da Fé” de 1968. O Papa Paulo VI quis colocá-lo como um farol e uma âncora para a Igreja caminhar nos tempos difíceis que vivemos, por entre tantas falsas doutrinas e falsos profetas, que se misturam sorrateiramente como o joio no meio do trigo, mesmo dentro da Igreja.

Paulo VI falou, na época, daqueles que atentam “contra os ensinamentos da doutrina cristã”, causando “perturbação e perplexidade em muitas almas fiéis”. Preocupava o Papa as “hipóteses arbitrárias” e subjetivas que são usadas por alguns, mesmo teólogos, para uma interpretação da revelação divina, em discordância da autêntica interpretação dada pelo Magistério da Igreja.

Sabemos que é a Verdade que nos leva à salvação (cf. CIC §851). São Paulo fala da “sã doutrina da salvação” (2 Tm 4,7) e afirma que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4); e “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15).

Com este artigo queremos dar início a uma série de outros doze, explicando, resumidamente, cada um dos artigos do ‘Credo’.

Felipe Aquino
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Santo Evangelho (Mt 9, 27-31)

1ª Semana do Advento – Sexta-feira 04/12/2015

Primeira Leitura (Is 29,17-24)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

Assim fala o Senhor Deus: 17Dentro de pouco tempo, não se transformará o Líbano em jardim? E não poderá o jardim tornar-se floresta? 18Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras do livro e os olhos dos cegos verão, no meio das trevas e das sombras. 19Os humildes aumentarão sua alegria no Senhor, e os mais pobres dos homens se rejubilarão no Santo de Israel; 20fracassou o prepo­tente, desapareceu o trapaceiro, e sucumbiram todos os malfeitores precoces, 21os que faziam os outros pecar por palavras, e armavam ciladas ao juiz à porta da cidade e atacavam o justo com palavras falsas. 22Isto diz o Senhor à casa de Jacó, ele que libertou Abraão: “Agora, Jacó não mais terá que envergonhar-se nem seu rosto terá de enrubescer; 23quando contemplarem as obras de minhas mãos, hão de honrar meu nome no meio do povo, honrarão o Santo de Jacó, e temerão o Deus de Israel; 24os homens de espírito inconstante conseguirão sabedoria e os maldizentes concordarão em aprender”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 26)

— O Senhor é minha luz e salvação.
— O Senhor é minha luz e salvação.

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isso que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Evangelho (Mt 9,27-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 27partindo Jesus, dois cegos o seguiram, gritando: “Tem piedade de nós, filho de Davi!” 28Quando Jesus entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Então Jesus perguntou-lhes: “Vós acreditais que eu posso fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor”. 29Então Jesus tocou nos olhos deles, dizendo: “Faça-se conforme a vossa fé”. 30E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: “Tomai cuidado para que ninguém fique sabendo”. 31Mas eles saíram, e espalharam sua fama por toda aquela região.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João Damasceno – Doutor da Igreja de Cristo 

Com seus escritos, São João Damasceno defendeu principalmente a Igreja contra os iconoclastas, que condenavam o uso de imagens nas Igrejas

Lembramos São João Damasceno, um santo Padre e Doutor da Igreja de Cristo. Nasceu em 675, em Damasco (Síria) num período em que o Cristianismo tinha uma certa liberdade, tanto assim que o pai de João era muito cristão e amigo dos Sarracenos, que naquela época eram senhores do país. Esta estima estendia-se também ao filho. Os raros talentos e merecimentos deste levaram o Califa a distingui-lo com a sua confiança e nomeá-lo prefeito (mansur) de Damasco.

João Damasceno ainda jovem e ajudante do pai gozava de muitos privilégios financeiros, mas ao crescer no amor ao Cristo pobre, deu atenção a Palavra que mostra a dificuldade dos ricos (apegados) para entrarem no Reino dos Céus. Assim, num impulso para a santidade, renunciou todos os bens e deu aos pobres. Preferiu São João uma vida de maus tratos ao se entregar as “delícias venenosas” do pecado.

Retirou-se para um convento de São Sabas perto de Jerusalém e passou a viver na humildade, caridade e alegria. Escreveu inúmeras obras tratando de vários assuntos sobre teologia, dogmática, apologética e outros campos que fizeram de São João digno do título de Doutor da Igreja. Com escritos defendeu principalmente a Igreja contra os iconoclastas, que condenavam o uso de imagens nas Igrejas.

Certa vez, os hereges prenderam São João e cortaram-lhe a mão direita a fim de não mais escrever, mas por intervenção de Nossa Senhora foi curado. Seu amor a Mãe de Jesus foi tão concreto que foi São João quem tornou presente a doutrina sobre a Imaculada Conceição, Maternidade divina, Virgindade perpétua e Assunção de corpo e alma de Maria. Este filho predileto da Mãe faleceu em 749, quase centenário.

Foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII em 1890.

São João Damasceno, rogai por nós!

Santo Evangelho (Lc 15, 1-10)

31º Semana Comum – Quinta-feira 05/11/2015

Primeira Leitura (Rm 14,7-12)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 7ninguém dentre nós vive para si mesmo ou morre para si mesmo. 8Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor. 9Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos. 10E tu, por que julgas o teu irmão? Ou, mesmo, por que desprezas o teu irmão? Pois é diante do tribunal de Deus que todos compareceremos. 11Com efeito, está escrito: “Por minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim e toda língua glorificará a Deus”. 12Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 26)

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.
— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver, na terra dos viventes.

— O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

— Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

— Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

Evangelho (Lc 15,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximaram-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Zacarias e Santa Isabel, os pais de João Batista 

Recordamos a vida do casal que teve na Palavra de Deus o principal testemunho de sua santidade, já que eram os pais de João Batista, o precursor de Jesus Cristo

Pelo próprio relato bíblico descobrimos que viviam na aldeia de Ain-Karim e que tinham laços de parentesco com a Sagrada Família de Nazaré.

“Havia no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Ábias; a sua mulher pertencia à descendência de Aarão e se chamava Isabel” (Lc 1, 6).

Conta-nos o evangelista São Lucas que eram anciãos e não tinham filhos, o que acabava sendo vergonhoso e quase um castigo divino para a sociedade da época. Sendo assim recorreram à força da oração, por isso conseguiram a graça que superou as expectativas. Anunciado pelo Anjo Gabriel e assistido por Nossa Senhora nasceu João Batista; um menino com papel singular na História da Salvação da humanidade: “pois ele será grande perante o Senhor…e será repleto do Espírito Santo desde o seio de sua mãe (Santa Isabel). Ele reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus” (Lc1, 15s).

Depois do Salmo profético de São Zacarias, onde ele, repleto do Espírito Santo, profetizou a missão do filho, perdemos o contato com a vida do casal, que sem dúvida permaneceram fiéis ao Senhor até o fim de suas vidas. Assim, a Igreja, tanto do Oriente quanto do Ocidente, reconhecem o exemplo deste casal para todos os casais, já que “ambos eram justos diante de Deus e cumpriram todos os mandamentos e observâncias do Senhor” (Lc 1, 6).

São Zacarias e Santa Isabel, rogai por nós!

Santa Missa do Galo – 24 de Dezembro

Por Mons. Inácio José Schuster

A palavra do Evangelho diz: “Nasceu hoje, para nós, o Salvador, que é Cristo Senhor”. A liturgia atualiza o que aconteceu no passado. Ela é um mistério e, infelizmente, nós católicos, não temos entrado neste mistério. É como na Santa Missa, na consagração: o que a gente faz é narrado, mas a liturgia atualiza, renova. Enquanto o sacerdote narra, acontece a atualização. Por isso a liturgia é mistério. Assim como na Páscoa se renova a ressurreição, hoje nasceu o Salvador, nasceu para sua vida, para sua casa e para a sua família. Por pior que seja a sua situação, saiba: nasceu para você, para sua casa, o Salvador, que é Cristo Senhor. Só falta você acolher. A liturgia atualiza o mistério e a graça vem do céu, mas se a gente não canaliza, não recolhe, se perde. A liturgia é diferente de qualquer representação: Jesus nasce para sua vida. Então prepare o seu coração para que Jesus, trazendo a salvação, nasça em você que é o presépio. O presépio é você! Pegue o menino Jesus, mesmo que Ele tenha que chorar por causa de seus problemas. Ele se compadece de você e a salvação acontece, porque você é o presépio. Ele não tem medo: Ele nasce no meio dos seus espinhos. Ele está aí para salvar você e a sua família. Talvez você tenha que pegar o Menino no colo e apertar, porque os seus não O acolhem, mas Ele nasceu. Deus te ama com amor incondicional. Você é amado por Jesus, por isso Ele nasceu na situação em que você se encontra. Ele nasce para sua vida miserável. Quanto mais miserável você é, mais Ele te ama. Ele nasceu em Belém e nasce hoje em você. Acredite: Jesus foi até a cruz por você, Ele já libertou as suas misérias. Se você aceita o perdão, o amor de Jesus, Ele nasce em você. Saiba: José e Maria trazem a salvação ao seu coração, mesmo que o seu berço esteja sujo. Não se preocupe, não espere retirar os espinhos para receber o Menino Jesus. Receba-O como você está. É Ele quem vai retirar os espinhos com a ajuda de Maria e José.

 

O NATAL É UMA DECLARAÇÃO DO AMOR DE DEUS POR NÓS
Padre Roger Luís, Comunidade Canção Nova

Estávamos enclausurados nas trevas, era preciso trazer a luz para nos libertar, cativos esperávamos um Salvador’. Assim diz São Gregório. “Quando ninguém cuida de você, Deus cuida”. Hoje a Salvação me alcança, alcança minha família, somos salvos porque Jesus é o salvador que veio nos libertar. Éramos escravos e precisávamos de um libertador. Deus precisava se encarnar para nos salvar, sim precisávamos, porque éramos cativos. O Verbo se fez carne e habitou no meio de nós, o Verbo se encarnou para que nesta noite possamos proclamar que Jesus nos salvou. ‘Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados’ (1Jo 4-10). Em Jesus os nossos pecados são expiados, o Verbo se encarnou para que experimentemos a graça da expiação dos nossos pecados. Na noite de Natal a esperança precisa está nos nossos corações, precisamos esperar a salvação do mundo, que Jesus já nos deu, e não ficarmos desesperados diante das más notícias. Assuma a salvação de Deus nesta noite, a salvação para você e sua família. Por que o Verbo se encarnou? Para que assim experimentássemos o amor. O Emanuel, se fez homem para tocar na nossa humanidade, se fez alguém como nós para que o amor de Deus se manifestasse entre nós. Deus enviou o seu filho único ao mundo, para que nós tenhamos a vida por meio Dele. Esta noite é de alegria, de vitória, a promessa se cumpriu. O natal é uma declaração explicita do amor de Deus por nós, assuma o amor de Deus por você. Jesus é carta de amor de Deus para toda humanidade. Agradeça a Deus pela manifestação de tanto amor em sua vida. Jesus se encarnou para nos ensinar o caminho da santificação. Jesus é o caminho da santidade. “Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem” (Tito 3, 13-14). O Natal nos leva a olhar o Menino que nasce, e olhar para Jesus que voltará, e precisa nos encontrar vivendo a salvação que Ele mesmos nos deu.

 

NASCEU PARA NÓS O SALVADOR
Mons. Jonas Abib na Missa de Natal na Comunidade Canção Nova

Naquela época, se uma criança nascesse numa situação como a de Jesus, numa estrebaria, era considerada uma criança impura, e para o judeu essas crianças eram consideradas como os leprosos que ficavam separados, num lugar à parte na cidade. Os leprosos eram os impuros, eles só deixavam de ser impuros se acontecesse a cura e os sacerdotes fizessem um ritual de purificação com eles. Jesus nasceu como um impuro. E por que Deus permitiu uma coisa dessas? Fazer o Filho nascer impuro… Aí está o grande segredo para nós: o Pai quis, e Jesus aceitou nascer impuro para salvar o Puro, o Perfeito, o Santo. Digo impuro diante da lei, a lei dos judeus. Era a cultura deles, mas Deus permitiu isso para nos salvar. E assim trazer todo impuro para o Seu coração. É isso que Jesus quer fazer na vida de cada um de nós no Natal: salvar-nos da nossa impureza. E por isso a necessidade de assumir essa Salvação. E hoje, especialmente, a Salvação está no meio de nós, porque Deus vai se adequando às festas litúrgicas, a Salvação vem hoje no Natal. Abramo-nos para a Salvação porque hoje nasceu para nós Cristo, o Senhor. Por pior que seja a sua impureza e a sua maldade, abra-se à Salvação. Jesus se faz pecador para salvar o pecador, esteja o pecador em que pecado estiver. É por isso que Ele acolheu a Zaqueu, acolheu a Maria Madalena… e tantos pecadores. Jesus diz a você: ‘Filho, filha, seja qual for a sua situação, teus pecados estão perdoados’. Somente que para isso você precisa abrir-se para essa misericórdia. Em nenhum outro há Salvação, só em Jesus, o Senhor. A Carta aos Gálatas repete que Aquele que é pregado no madeiro é um maldito – minha mãe e meu pai não me deixavam dizer “maldito” porque é uma palavra pesada –, mas Aquele que ia para a cruz era considerado um maldito, quer dizer: completamente fora da graça de Deus. Cristo nos resgatou da maldição. Por que o Pai exigiu tanto do Senhor? Meus irmãos, é justamente porque Jesus se fez maldito para libertar a mim e a você de toda maldição. O ladrão, ao lado de Jesus na cruz, disse: ‘Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino’, e Jesus respondeu: ‘Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso’. Jesus que falar isso para você hoje. O ladrão precisou render-se. Renda-se você também. A divisão da cruz está justamente entre aqueles que acolhem a Salvação e aqueles que não a acolhem. A decisão é sua! É você quem decide! Todos nós temos medo de decisões, mas essa é a mais linda decisão. Decida-se esta noite! Para que esse medo de se decidir por Jesus? Por que já se acostumou? Já se decepcionou com pessoas? Meu irmão, pelo amor de Deus, deixe de bobagem! Para que ficar com raiva? Por que guardar mágoa? Por que querer viver no mal? Na corrupção? Na impureza? Numa sexualidade errada? Por quê? Por isso que o Pai quis que o Seu Filho nascesse impuro para que você se tornasse puro. Meu irmão, não é por mérito, ou porque você seja bom, é por graça! Talvez você não esteja numa vida errada, mas traz em si sentimentos de culpa, não se perdoa por algo que fez. Isso é um grande mal! Por favor, agarre-se a Jesus nesta noite. Aceite Jesus como seu Senhor, Aquele que manda na sua vida. Se você entrega as rédeas da sua vida a Jesus, você está no caminho da Salvação.

 

GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA
Mons. Jonas Abib

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador que é o Cristo, o Senhor” (Lc 2, 1-14). Leve isso a sério. Ele nasceu para vós. A Palavra de Deus é sempre presente. Nós nos regemos pelo cronômetro, mas Deus se rege pelo “kayros”, outra palavra para dizer tempo, o tempo de Deus. E o tempo de Deus é agora. É aquilo que São Paulo vai dizer em 2Cor 5, 6: “Agora é o momento favorável”. Eu me recordo bem. Numa das primeiras peregrinações que nós da Canção Nova fizemos à Terra Santa. O programa da peregrinação foi totalmente mudado. Iríamos à Jerusalém, mas fomos aos redores de Jerusalém, porque lá havia explodido um carro-bomba. O guia estava o meu lado e eu o disse: “Quando que esta terra vai ter paz?” Ele me disse: “Padre, essa terra só vai ter paz quando o Messias vier”. Aquilo causou um impacto muito grande dentro de mim. Aquele judeu me ensinou naquele dia. Eu o disse: “Para vocês, ainda é a primeira vinda, para nós será a segunda, pois Ele já veio”. Nós nos abraçamos e ele disse que esperaríamos juntos. É por isso, justamente, que a 2ª leitura, diz: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2, 11-14). Veja onde está colocado o Menino Jesus, neste presépio: no colo de Nossa Senhora. Ao lado deles está São José. Mas, olhando para este Natal nós fixamos nossos olhos e coração para o Natal que está para chegar. Precisamos olhar para esta vinda definitiva de Jesus. Está na hora dos católicos deixarem de ter pavor da segunda vinda de Jesus. Alguns, infelizmente, não aceitarão, mas nós não. É por isso que você precisa escolher o seu lado. Você não pode viver numa “coluna do meio”, como se ela existisse. Ou estamos com Ele, ou estamos fora d’Ele. É mais fácil ficar com Ele do que nesse negócio de “coluna do meio”. Pega o Caminho, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Deixa de querer levar a vida cristão “com a barriga”. É difícil, eu sei que é, porque o pecado entrou no mundo. É como andar em cima da corda bamba. Fixando seus olhos no segundo, derradeiro e definitivo Natal que é segunda e gloriosa vinda de Jesus fique com Ele. Há muito tempo está sendo cada vez maior sobre a humanidade como uma espessa nuvem negra de impiedade, indiferença. As pessoas têm vivido uma indiferença para com Deus. É como se nós, homens, fôssemos donos de nós mesmos, da vida. E quem sabe, nós mesmos, estejamos nos tornando insensíveis. O pior é a insensibilidade. A Palavra de Deus, hoje, vem dizer a nós que precisamos renunciar a toda impiedade que está nos ares. Essa nuvem quer tomar conta também da gente que é de Igreja. Hoje é o dia de nós, pela graça do Salvador, renunciar a toda impiedade. A própria Palavra de Deus também diz para renunciarmos a todas as paixões mundanas. Coisas que nós não imaginávamos, vemos dentro de casa. Quanto pai e quanta mãe chorando na Noite de Natal por causa de seus filhos… Talvez você quisesse que eu fizesse uma pregação muito romântica, mas o próprio Senhor vem nos pedir para renunciar a toda a impiedade e as paixões mundanas. A Palavra de Deus já agiu no seu coração. Que bom, meu irmão! “Senhor, quero estar com o Senhor! Mesmo que uma onda de desconfiança me pegue, eu renuncio a toda insensibilidade para contigo. Quero ter fervor. Obrigado, Senhor, porque a tua Palavra se realiza em minha vida”. Com isso, os anjos, como na gruta de Belém, já estão cantando na sua vida, na sua casa, no seu coração. “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por ele amados”. Desculpe por não ter feito uma pregação romântica. Nós abrimos os olhos para a realidade e Natal se fez.

 

Homilia de Bento XVI na Missa da noite de Natal
“Foi superada a distância infinita entre Deus e o homem”
CIDADE DO VATICANO, sábado, 25 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a homilia que Bento XVI pronunciou durante a Missa da noite de Natal, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

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Amados irmãos e irmãs! «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei» – com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à liturgia da Noite Santa. Ela sabe que esta frase pertencia, originariamente, ao rito da coroação do rei de Israel. O rei, que por si só é um ser humano como os outros homens, torna-se «filho de Deus» por meio do chamamento e entronização na sua função: trata-se de uma espécie de adoção por parte de Deus, uma ata da decisão, pela qual Ele concede a este homem uma nova existência, atraindo-o para o seu próprio ser. De modo ainda mais claro, a leitura tirada do profeta Isaías, que acabamos de ouvir, apresenta o mesmo processo numa situação de tribulação e ameaça para Israel: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros» (9, 5). A entronização na função régia é como um novo nascimento. E, precisamente como recém-nascido por decisão pessoal de Deus, como menino proveniente de Deus, o rei constitui uma esperança. O futuro assenta sobre os seus ombros. É o detentor da promessa de paz. Na noite de Belém, esta palavra profética realizou-se de um modo que, no tempo de Isaías, teria ainda sido inimaginável. Sim, agora Aquele sobre cujos ombros está o poder é verdadeiramente um menino. N’Ele aparece a nova realeza que Deus institui no mundo. Este menino nasceu verdadeiramente de Deus. É a Palavra eterna de Deus, que une mutuamente humanidade e divindade. Para este menino, são válidos os títulos de dignidade que lhe atribui o cântico de coroação de Isaías: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz (9, 5). Sim, este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus. Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente «Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai». Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que «o bastão do opressor» não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a «veste manchada de sangue» (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz». «Maria deu à luz o seu filho primogênito» (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como «primogênito». Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, «primogênito» não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra «primogênito» é um título de honra, independentemente do fato se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus «o meu filho primogênito» (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus «o primogênito» simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogênito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogênito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogênito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. São Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a idéia de Jesus como primogênito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogênito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogênito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o «primogênito» em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família. No fim, o Evangelho de Natal narra-nos que uma multidão de anjos do exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama» (Lc 2, 14). A Igreja ampliou, no hino «Glória…», este louvor que os anjos entoaram à vista do acontecimento da Noite Santa, fazendo dele um hino de júbilo sobre a glória de Deus. «Nós Vos damos graças por vossa imensa glória». Nós Vos damos graças pela beleza, pela grandeza, pela tua bondade, que, nesta noite, se tornam visíveis para nós. A manifestação da beleza, do belo, torna-nos felizes sem que devamos interrogar-nos sobre a sua utilidade. A glória de Deus, da qual provém toda a beleza, faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria. Quem vislumbra Deus, sente alegria; e, nesta noite, vemos algo da sua luz. Mas a mensagem dos anjos na Noite Santa também fala dos homens: «Paz aos homens que Ele ama». A tradução latina desta frase, que usamos na Liturgia e remonta a São Jerônimo, interpreta diversamente: «Paz aos homens de boa vontade». Precisamente nos últimos decênios, esta expressão «os homens de boa vontade» entrou de modo particular no vocabulário da Igreja. Mas qual é a tradução justa? Devemos ler, juntas, as duas versões; só assim compreendemos retamente a frase dos anjos. Seria errada uma interpretação que reconhecesse apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa. Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio. As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho. O entrelaçamento de graça e liberdade, o entrelaçamento de apelo e resposta não podemos dividi-lo em partes separadas uma da outra. Ambas estão indivisivelmente entrançadas entre si. Assim esta frase é simultaneamente promessa e apelo. Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra. Lucas não disse que os anjos cantaram. Muito sobriamente, escreve que o exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas…» (Lc 2, 13-14). Mas desde sempre os homens souberam que o falar dos anjos é diverso do dos homens; e que, precisamente nesta noite da jubilosa mensagem, tal falar foi um canto no qual brilhou a glória sublime de Deus. Assim, desde o início, este canto dos anjos foi entendido como música vinda de Deus, mais ainda, como convite a unirmo-nos ao canto com o coração em júbilo pelo fato de sermos amados por Deus. Diz Santo Agostinho: Cantare amantis est – cantar é próprio de quem ama. Assim ao longo dos séculos, o canto dos anjos tornou-se sempre de novo um canto de amor e de júbilo, um canto daqueles que amam. Nesta hora, associemo-nos, cheios de gratidão, a este cantar de todos os séculos, que une céu e terra, anjos e homens. Sim, Senhor, nós Vos damos graças por vossa imensa glória. Nós Vos damos graças pelo vosso amor. Fazei que nos tornemos cada vez mais pessoas que amam juntamente convosco e, conseqüentemente, pessoas de paz. Amém. © Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana

 

MISSA DA MEIA NOITE SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
Basílica Vaticana 25 de Dezembro de 2008

«Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?» Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo… Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que «está sentado nas alturas», Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O fato de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: «Levanta o pobre da miséria…» Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. «Deus inclina-Se». Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta em suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De fato, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predileção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém. A narração do Natal feita por São Lucas conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-nos que estas pessoas «velavam». Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas noturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d’Ele na vida de cada dia. A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nesta hora nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes. São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram «envolvidos» pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados». E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe? Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento – dizem os Padres – os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d’Ele e O refletem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um fato novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este fato inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara – dizem os Padres – nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens». Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autônomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo. O teólogo medieval Guilherme de S. Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me. É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma. O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens. Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno. Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite. E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite. No Salmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criaturas são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: «Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem» (12s.). A Igreja lê este Salmo também como uma profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se-lhes no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele «vem». E assim desperta o coração dos homens. O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d’Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria – o próprio Deus que vem, o Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d’Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n’Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até a eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor faça-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém. Fonte: © Copyright 2008 – Libreria Editrice Vaticana

 

Homilia do Papa na Missa da Noite Feliz

«O Senhor disse-Me: “Tu és meu filho, Eu hoje Te gerei”». Com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à Santa Missa da vigília de Natal, na qual celebramos o nascimento do nosso Redentor Jesus Cristo no estábulo de Belém. Outrora, este Salmo pertencia ao ritual da coroação dos reis de Judá. O povo de Israel, por causa da sua eleição, sentia-se de modo particular filho de Deus, adotado por Deus. Uma vez que o rei era a personificação daquele povo, a sua entronização era vivida como um ato solene de adoção por parte de Deus, no qual o rei ficava, de certo modo, envolvido no próprio mistério de Deus. Na noite de Belém, estas palavras, que de fato eram mais a expressão duma esperança que realidade presente, ganharam um sentido novo e inesperado. O Menino no presépio é verdadeiramente o Filho de Deus. Deus não é perene solidão, mas um círculo de amor no recíproco dar-se e um dar-se sem cessar. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo. Mais ainda: em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Se fez homem. É a Ele que o Pai diz: «Tu és meu filho». O hoje eterno de Deus desceu ao hoje efêmero do mundo e arrasta o nosso hoje passageiro para o hoje perene de Deus. Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode fazer inerme e vir ter conosco como menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é tão bom que renuncia ao seu esplendor divino e desce ao estábulo para que O possamos encontrar e, assim, a sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio. O Natal é isto: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei». Deus tornou-Se um de nós, para que nós pudéssemos viver com Ele, tornarmo-nos semelhantes a Ele. Como próprio sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim. Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino brilha algo da luz daquele hoje, da proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter – em todo o menino, mesmo na criança ainda não nascida. Ouçamos uma segunda palavra da liturgia desta Noite santa, tomada agora do Livro do profeta Isaías: «Para os que habitavam na terra da escuridão, uma luz começou a brilhar» (9, 1). A palavra «luz» permeia toda a liturgia desta Santa Missa. Aparece um novo aceno no texto da carta de São Paulo a Tito: «Manifestou-se a graça» (2, 11). A palavra «manifestou-se» diz, em língua grega e neste contexto, a mesma coisa que o hebraico exprime com as palavras «uma luz brilhou»: a «manifestação» – a «epifania» – é a irrupção da luz divina no mundo cheio de escuridão e de problemas insolúveis. Por fim, o Evangelho narra-nos que apareceu a glória de Deus aos pastores e «cercou-os de luz» (Lc 2, 9). Onde aparece a glória de Deus, aí irradia a luz pelo mundo. «Deus é luz e Nele não há trevas», diz-nos São João (1Jo 1, 5). A luz é fonte de vida. Mas luz significa, sobretudo conhecimento, significa verdade em contraposição com a escuridão da mentira e da ignorância. Deste modo, a luz faz-nos viver, indica-nos a estrada. Além disso, enquanto gera calor, a luz significa também amor. Onde há amor, levanta-se uma luz no mundo; onde há ódio, o mundo permanece na escuridão. É verdade, no estábulo de Belém, apareceu a grande luz que o mundo espera. Naquele Menino deitado na manjedoura, Deus mostra a sua glória – a glória do amor, em que Ele mesmo Se entrega em dom e Se despoja de toda a grandeza para nos conduzir pelo caminho do amor. A luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo de todos os séculos, envolveu homens e mulheres, «cercou-os de luz». Onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade – a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes, a graça do perdão. A partir de Belém, um rasto de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Se olharmos os Santos – desde Paulo e Agostinho até São Francisco e São Domingos, desde Francisco Xavier e Teresa de Ávila até à Irmã Teresa de Calcutá – vemos esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino. Contra a violência deste mundo, Deus opõe, naquele Menino, a sua bondade e chama-nos a seguir o Menino. Juntamente com a árvore de Natal, os nossos amigos austríacos trouxeram-nos também uma pequena chama que tinham aceso em Belém, para nos dizer: o verdadeiro mistério do Natal é o esplendor interior que irradia deste Menino. Deixemos que se comunique a nós esse esplendor interior, que acenda no nosso coração a chama da bondade de Deus; todos nós levemos, com o nosso amor, a luz ao mundo! Não deixemos que esta chama luminosa se apague por causa das correntes frias do nosso tempo! Guardemo-la fielmente e demo-la aos outros! Nesta noite, em que voltamos o nosso olhar para Belém, queremos também rezar de modo especial pelo lugar do nascimento do nosso Redentor e pelos homens que lá vivem e sofrem. Queremos rezar pela paz na Terra Santa: Olhai, Senhor, este ângulo da terra que, como pátria vossa, tanto amais! Fazei que resplandeça lá a vossa luz! Fazei que lá chegue a paz! Com o termo «paz», chegamos à terceira palavra-mestra da liturgia desta Noite santa. Ao Menino que anuncia, Isaías chama-Lhe «Príncipe da paz». A propósito do seu reino, diz-se: «A paz não terá fim». No Evangelho, é anunciado aos pastores: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra…». Outrora lia-se: «…aos homens de boa vontade»; na nova tradução, diz-se: «…aos homens que Ele ama». Que significa esta mudança? Deixou de ter valor a boa vontade? Ponhamos melhor a questão: Quais são os homens que Deus ama e porque é que os ama? Porventura Deus é parcial? Porventura ama apenas certas pessoas, deixando as outras entregues a si mesmas? O Evangelho responde a estas perguntas, mostrando-nos algumas pessoas concretas amadas por Deus. Há pessoas individuais – Maria, José, Isabel, Zacarias, Simeão, Ana, etc. Mas há também dois grupos de pessoas: os pastores e os sábios do Oriente, os chamados reis magos. Nesta noite, detenhamo-nos nos pastores. Que espécie de homens são eles? No seu ambiente, os pastores eram desprezados; eram considerados pouco sérios e, em tribunal, não eram admitidos como testemunhas. Mas, quem eram na realidade? Certamente não eram grandes santos, se por este termo entendemos pessoas de virtudes heróicas. Eram almas simples. O Evangelho evidencia uma característica que mais tarde, nas palavras de Jesus, havia de ter um papel importante: eram pessoas vigilantes. Isto vale primariamente em sentido exterior: de noite vigiavam, perto das suas ovelhas. Mas vale também num sentido mais profundo: estavam disponíveis à palavra de Deus. A sua vida não estava fechada em si mesma; o seu coração estava aberto. De certo modo, no mais fundo de si mesmos, estavam à espera Dele. A sua vigilância era disponibilidade – disponibilidade para ouvirem, disponibilidade para se porem caminho. Estavam à espera da luz que lhes indicasse o caminho. E isto é o que interessa a Deus. Ele ama a todos, porque todos são criaturas suas. Mas, algumas pessoas têm a sua alma fechada; o seu amor não encontra qualquer acesso a eles. Pensam que não têm necessidade de Deus; não O querem. Outros, que moralmente talvez sejam igualmente miseráveis e pecadores, pelo menos sofrem com isso. Estes esperam Deus. Sabem que têm necessidade da sua bondade, embora não tenham uma idéia precisa dela. No seu íntimo, aberto à expectativa, a luz de Deus pode entrar, e com ela a sua paz. Deus procura pessoas que levem e comuniquem a sua paz. Peçamos-Lhe para fazer com que não encontre fechado o nosso coração. Esforcemo-nos por nos tornarmos capazes de ser portadores ativos da sua paz – precisamente no nosso tempo. Além disso, a palavra paz assumiu entre os cristãos um significado de todo especial: tornou-se um nome para designar a Eucaristia. Nesta, está presente a paz de Cristo. Através de todos os lugares onde se celebra a Eucaristia, estende-se uma rede de paz sobre o mundo inteiro. As comunidades reunidas à volta da Eucaristia constituem um reino da paz largo como o mundo. Quando celebramos a Eucaristia, encontramo-nos em Belém, na «casa do pão». Cristo dá-Se a nós, e assim nos dá a sua paz. Dá-no-la para que levemos a luz da paz no nosso íntimo e a comuniquemos aos outros; para que nos tornemos obreiros de paz e contribuamos assim para a paz no mundo. Por isso, suplicamos: Senhor, realizai a vossa promessa! Fazei que, onde houver discórdia, nasça a paz! Fazei que desponte o amor, onde reinar o ódio! Fazei que surja a luz, onde dominarem as trevas! Fazei que nos tornemos portadores da vossa paz! Amém.

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