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A cruz dá sentido a todo sofrimento; a vitória é dos que sofrem

Papa adorando a cruz de Cristo na celebração da Paixão do Senhor – AFP
14/04/2017

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu na tarde desta Sexta-feira Santa, na Basílica de São Pedro, a celebração da Paixão do Senhor. A homilia da cerimônia, intitulada “A cruz, única esperança do mundo”, esteve a cargo do Pregador da casa Pontifícia Frei Raniero Cantalamessa ofmcap.

“Escutamos a narrativa da Paixão de Cristo. Trata-se, essencialmente, do relato de uma morte violenta. Notícias de mortes, e mortes violentas, quase nunca faltam nos noticiários vespertinos. Também nestes últimos dias, temos escutado tais notícias, como a dos 38 cristãos coptas assassinados no Egito no Domingo de Ramos. Estas notícias se sucedem com tal rapidez, que nos fazem esquecer, a cada noite, as do dia anterior. Por que, então, após 2000 anos, o mundo ainda recorda, como se tivesse acontecido ontem, a morte de Cristo? É que esta morte mudou para sempre o rosto da morte; ela deu um novo sentido à morte de cada ser humano”, disse Frei Cantalamessa.

“Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 33-34).

“Penetremos no epicentro da fonte deste “rio de água viva” no coração trespassado de Cristo. Existe agora, dentro da Trindade e dentro do mundo, um coração humano que bate, não só metaforicamente, mas realmente. É um coração trespassado, mas vivente; eternamente trespassado, precisamente porque eternamente vivente”, frisou o frei capuchinho.

Há uma expressão que foi criada justamente para descrever a profundidade da maldade que pode aglutinar-se no seio da humanidade: “coração de trevas”. Depois do sacrifício de Cristo, mais profundo do que o coração de trevas, palpita no mundo um coração de luz. Cristo, de fato, subindo ao céu, não abandonou a terra, assim como, encarnando-se, não tinha abandonado a Trindade.

A cruz não “está”, portanto, contra o mundo, mas pelo mundo: para dar um sentido a todo o sofrimento que houve, que há e que haverá na história humana. “Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo – diz Jesus a Nicodemos –, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3, 17). A cruz é a proclamação viva de que a vitória final não é de quem triunfa sobre os outros, mas de quem triunfa sobre si mesmo; não daqueles que causam sofrimento, mas daqueles que sofrem.

“Tornaríamos vã, no entanto, esta liturgia da Paixão, se ficássemos, como os sociólogos, na análise da sociedade em que vivemos. Cristo não veio para explicar as coisas, mas para mudar as pessoas. O coração de trevas não é apenas aquele de algum malvado escondido no fundo da selva, e nem mesmo aquele da nação e da sociedade que o produziu. Em diferente medida está dentro de cada um de nós”, disse Frei Cantalamessa que acrescentou:

A Bíblia o chama de coração de pedra, “Tirarei do vosso peito o coração de pedra – diz Deus ao profeta Ezequiel – vos darei um coração de carne”. Coração de Pedra é o coração fechado à vontade de Deus e ao sofrimento dos irmãos, o coração de quem acumula quantidades ilimitadas de dinheiro e permanece indiferente ao desespero de quem não tem um copo de água para dar ao próprio filho; é também o coração de quem se deixa completamente dominar pela paixão impura, pronto para matar ou a levar uma vida dupla. Para não ficarmos com o olhar sempre dirigido para o exterior, para os demais, digamos mais concretamente: é o nosso coração de ministros de Deus e de cristãos praticantes se vivemos ainda, basicamente, “para nós mesmos” e não “para o Senhor”.

O coração de carne, prometido por Deus nos profetas, já está presente no mundo: é o Coração de Cristo trespassado na cruz, aquele que veneramos como “o Sagrado Coração”. Ao receber a Eucaristia, acreditamos firmemente que aquele coração vem bater também dentro de nós. Olhando para a cruz daqui a pouco digamos do profundo do coração, como o publicano no templo: “Meu Deus, tem piedade de mim, pecador!”, e também nós, como ele, voltaremos para casa “justificados”.

Tradução de Thácio Siqueira

Santo Evangelho (João 6,60-69)

21º Domingo do Tempo Comum – 26/08/2018

Primeira Leitura (Js 24,1-2a.17-17.18b)
Leitura do Livro de Josué:

Naqueles dias, 1Josué reuniu em Siquém todas as tribos de Israel e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2aEntão Josué falou a todo o povo: 15“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses, a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor”. 16E o povo respondeu, dizendo: “Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a deuses estranhos. 17Porque o Senhor, nosso Deus, ele mesmo é quem nos tirou, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Foi ele quem realizou esses grandes prodígios diante de nossos olhos, e nos guardou por todos os caminhos, por onde peregrinamos, e no meio de todos os povos pelos quais passamos. 18bPortanto, nós também serviremos ao Senhor, porque ele é o nosso Deus”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— Provai e vede quão suave é o Senhor!
— Provai e vede quão suave é o Senhor!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor,/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— O Senhor pousa seus olhos sobre os justos,/ e seu ouvido está atento ao seu chamado;/ mas ele volta a sua face contra os maus,/ para da terra apagar sua lembrança.

— Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta/ e de todas as angústias os liberta./ Do coração atribulado ele está perto/ e conforta os de espírito abatido.

— Muitos males se abatem sobre os justos,/ mas o Senhor de todos eles os liberta./ Mesmo os seus ossos ele os guarda e os protege,/ e nenhum deles haverá de se quebrar.

— A malícia do iníquo leva à morte,/ e quem odeia o justo é castigado./ Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos,/ e castigado não será quem nele espera.

 

Segunda Leitura (Ef 5,21-32)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 21Vós, que temeis a Cristo, sede solícitos uns para com os outros. 22As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor. 23Pois o marido é a cabeça da mulher, do mesmo modo que Cristo é a cabeça da Igreja, ele, o Salvador do seu Corpo. 24Mas, como a Igreja é solícita por Cristo, sejam as mulheres solícitas em tudo pelos seus maridos. 25Maridos, amai as vossas mulheres, como o Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. 26Ele quis assim torná-la santa, purificando-a com o banho da água unida à Palavra. 27Ele quis apresentá-la a si mesmo esplêndida, sem mancha nem ruga, nem defeito algum, mas santa e irrepreensível. 28Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo. Aquele que ama a sua mulher ama-se a si mesmo. 29Ninguém jamais odiou a sua própria carne. Ao contrário, alimenta-a e cerca-a de cuidados, como o Cristo faz com a sua Igreja; 30e nós somos membros do seu corpo! 31Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. 32Este mistério é grande, e eu o interpreto em relação a Cristo e à Igreja.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 6,60-69)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não crêem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” 68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Zeferino, chefiou a Igreja de Cristo

São Zeferino, no amor de pastor, chefiou com o Espírito Santo a Igreja de Cristo

Zeferino era romano, filho de Abôndio e assumiu no século II a Cátedra de Pedro, num período de grande perseguição para os cristãos, tanto assim que os seus treze predecessores morreram todos mártires.

O que mais abalava a Igreja não eram as perseguições e massacres, mas sim as heresias que foram surgindo conjuntamente à tentativa de elaborar as Revelações com dados puramente filosóficos. Os gnósticos chegavam a negar a divindade de Cristo; Teodoro subordinou de tal forma Cristo ao Pai que fez dele uma simples criatura e Montano profetizava e pregava sobre o fim do mundo a partir da consciência de ser a revelação do Espírito Santo.

Diante de todas as agitações, São Zeferino, mesmo não sendo um teólogo e nem escritor, soube com o bom senso e a ajuda do Espírito Santo unir-se a grande sábios da ortodoxia da época, como Santo Irineu, Hipólito e Tertuliano, a fim de livrar os cristãos da mentira e rigorismos. São Zeferino foi martirizado e entrou na Igreja Triunfante no ano de 217.

São Zeferino, rogai por nós!

Santo Evangelho (Mt 19, 3-12)

19ª Semana Comum – Sexta-feira 17/08/2018 

Primeira Leitura (Ez 16,1-15.60.63)
Leitura da Profecia de Eze­quiel.

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Filho do homem, mostra a Jerusalém suas abominações. 3Dirás: Assim fala o Senhor Deus a Jerusalém: Por tua origem e nascimento és do país de Canaã. Teu pai era um amorreu e tua mãe uma hitita. 4E como foi o teu nascimento? Quando nasceste, não te cortaram o cordão umbilical, não foste banhada em água, nem es­fre­gada com salmoura nem envolvida em faixas. 5Ninguém teve dó de ti, nem te prestou algum desses serviços por compaixão. Ao contrário, no dia em que nasceste, eles te deixaram exposta em campo aberto, porque desprezavam a tua vida. 6Então, eu passei junto de ti e vi que te debatias no próprio sangue. E enquanto estavas em teu sangue, eu te disse: “Vive!” 7Eu te fiz crescer exuberante como planta silvestre. Tu cresceste e te desenvolveste, e chegaste à puberdade. Teus seios se firmaram e os pelos cresceram; mas estavas inteiramente nua. 8Passando junto de ti, percebi que tinhas chegado à idade do amor. Estendi meu manto sobre ti para cobrir tua nudez. Fiz um juramento, estabelecendo uma aliança contigo —oráculo do Senhor —, e tu foste minha. 9Banhei-te na água, limpei-te do sangue e ungi-te com perfume. 10Eu te revesti de roupas bordadas, calcei-te com sandálias de fino couro, cingi-te de linho e te cobri de seda. 11Eu te enfeitei de joias, pus braceletes em teus braços e um colar no pescoço. 12Eu te pus um anel no nariz, brincos nas orelhas e uma coroa magnífica na cabeça. 13Estavas enfeitada de ouro e prata, tuas ves­timentas eram de linho finíssimo, de seda e de bordados. Eu te nutria com flor de farinha, mel e óleo. Ficaste cada vez mais bela e chegaste à realeza. 14Tua fama se espalhou entre as nações por causa de tua beleza perfeita, devido ao esplendor com que te cobri —oráculo do Senhor. 15Mas puseste tua confiança na beleza e te prostituíste graças à tua fama. E sem pudor te oferecias a qualquer passante. 60Eu, porém, me lembrarei de minha aliança contigo, quando ainda eras jovem, e vou estabelecer contigo uma aliança eterna. 63É para que te recordes e te envergonhes, e na tua confusão não abras mais a boca, quando eu te houver perdoado tudo o que fizeste, —oráculo do Senhor Deus”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Is 12,2-4.5-6)  

— Acalmou-se a vossa ira e enfim me consolastes.
— Acalmou-se a vossa ira e enfim me consolastes.

— Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis no manancial da salvação. E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu santo nome, anunciai suas maravilhas, dentre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

— Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

 

Evangelho (Mt 19,3-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 3alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?” 4Jesus respondeu: “Nunca lestes que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5E disse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”. 7Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?” 8Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher —a não ser em caso de união ilegítima —e se casar com outra, comete adultério”. 10Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se”. 11Jesus respondeu: “Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender entenda”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA HOJE
São Jacinto, apóstolo da Polônia

São Jacinto era pregador em Cracóvia, pregava a cruzada contra os Prussianos

O santo de hoje nasceu no ano de 1183 em Cracóvia (Polônia) e chamava-se Jacó. Com o apoio da família, ingressou para a vida religiosa tendo conhecido São Domingos de Gusmão em Roma no ano de 1221. Desta forma, passou a fazer parte da Família Dominicana. Os Dominicanos, por sua vez, deram-lhe o nome de Frei Jacinto.

Documentos seguros indicam-nos que era pregador em Cracóvia, em 1228, no convento da Santíssima Trindade, e que pregava a cruzada contra os Prussianos em 1238. Morreu a 15 de agosto de 1257.

Era parente do Bispo de Cracóvia e durante a sua vida foram fundados os conventos de Breslau, Sandomir e Dantziga. Em 1228, a partir do capítulo geral dominicano de Paris, Jacinto juntamente com outros dominicanos foram transferidos para Rússia, onde sua evangelização atingiu também os Balcãs, a Prússia e a Lituânia. Substituíram os Cistercienses, menos bem preparados. Mas os Tártaros, em 1241 e 1242, destruíram numerosos conventos e fizeram muitos mártires.

Depois da passagem deles, a obra apostólica foi retomada e Jacinto retornou à Cracóvia. Jacinto é considerado o apóstolo da Polônia. Desde 1260, três anos após sua morte, o seu túmulo atraía peregrinos. O culto dele abrangeu toda a Polônia. Foi canonizado pelo Papa Clemente VIII, em 1594.

São Jacinto, rogai por nós!

Muitos batizados vivem como se Cristo não existisse, adverte o Papa

https://www.acidigital.com/noticias/muitos-batizados-vivem-como-se-cristo-nao-existisse-adverte-o-papa-31592

Papa durante o Ângelus. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 08 Jul. 18 / 09:25 am (ACI).- O Papa Francisco lamentou, durante a oração do Ângelus deste domingo, 8 de julho, que muitos cristãos vivem como se Cristo não existisse.

O Santo Padre assinalou que “a falta de fé um obstáculo à graça de Deus” e assegurou que muitos cristãos “repetem os gestos e os sinais da fé, mas a eles não correspondem uma real adesão à pessoa de Jesus e ao seu Evangelho”.

Em seu ensinamento, Francisco se centrou no episódio evangélico em que “Jesus regressa a Nazaré e começa a ensinar na sinagoga em um sábado”.

“Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua pátria. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir este filho do povo cuja fama de sábio mestre e de poder de curador se difundia por toda a Galielia e outras regiões”, explicou o Pontífice.

Entretanto, “aquilo que se anunciava como um sucesso, transformou-se em uma clamorosa rejeição, ao ponto de que Jesus não pôde fazer nenhum prodígio, apenas algumas curas”.

No Evangelho de Marcos narra-se a evolução da atitude dos habitantes de Nazaré para com Jesus. “Os habitantes de Nazaré primeiro escutam e ficam admirados. Depois, perguntam-se perplexos: ‘De onde recebeu tudo isso, essa sabedoria?’. E finalmente se escandalizam, reconhecendo nele o carpinteiro , o filho de Maria, que eles viram crescer”.

Por isso, “Jesus conclui com a expressão que se tornou em provérbio: ‘Um profeta só não é estimado em sua pátria’”.

O Papa perguntou: “Como é possível que os vizinhos de Jesus passem do estupor à incredulidade? Eles fazem uma comparação entre a humilde origem de Jesus e suas capacidades atuais: é um carpinteiro, não estudou, mesmo assim, prega melhor do que os escribas e faz milagres”.

Os habitantes de Nazaré, “em vez de se abrir à realidade, se escandalizam. Segundo eles, Deus é demasiado grande para se abaixar e falar por meio de um homem tão simples. É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne que pensa com mente de homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem. Um Deus que se cansa, que come e dorme como um de nós”.

“O Filho de Deus inverte todos os esquemas humanos: não são os discípulos que lavam os pés do Senhor, mas é o Senhor que lava os pés dos discípulos. Este é um motivo de escândalo e de incredulidade em todas as épocas, inclusive hoje”, explicou o Papa.

Frente a essa atitude, “devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro”.

O Santo Padre assegurou que “a mudança introduzida por Jesus abriga seus discípulos de ontem e de hoje a um exame pessoal e comunitário. Também em nossos dias, de fato, pode acontecer que nos nutramos de preconceitos que impeçam de acolher a realidade”.

“O Senhor nos convida hoje a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência nos é apresentada de maneiras surpreendentes que não correspondem a nossas expectativas”.

O Papa citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, “uma religiosa pequena, que ia pelas ruas recolhendo os moribundos para que tivessem uma morte digna. E esta pequena religiosa, com a oração e suas obras, fez maravilhas. A pequenez daquela mulher revolucionou as obras de caridade na Igreja. É um exemplo de nossos dias”.

Antes de finalizar seu ensinamento para rezar o Ângelus, Francisco afirmou que “todo cristão, cada um de nós, é chamado a aprofundar nesta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor é e sempre será a caridade”.

Angelus: “Deus não se conforma aos preconceitos”, diz Papa
Domingo, 8 de julho de 2018, Denise Claro / Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/angelus-deus-nao-se-conforma-aos-preconceitos-diz-papa/

Francisco ressaltou que é preciso abrir o coração e a mente, para receber a realidade divina

No Angelus deste domingo, 8, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia, no qual Jesus volta à Nazaré e volta a ensinar na sinagoga.

Desde que tinha saído para pregar, não havia mais voltado à sua pátria.

“Mas aquilo que se anunciava um sucesso, se transformou numa ‘clamorosa rejeição’, a ponto que Jesus não pôde realizar ali nenhum milagre, mas somente curar alguns doentes.”

A dinâmica daquele dia foi contada de maneira detalhada pelo evangelista Marcos. Os habitantes daquela cidade primeiro escutam, depois ficam perplexos “De onde recebeu tudo isso? De onde vem toda essa sabedoria?” E por fim se escandalizam, vendo em Jesus o filho do carpinteiro, que eles viram crescer.

Por isso Jesus conclui: “Um profeta só não é estimado em sua pátria.”

Papa Francisco lembrou que os compatriotas de Jesus ao verem a sabedoria Dele, se escandalizaram, ao invés de se abrirem ao que percebiam.

“É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne, que pensa com a mente de um homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem, um Deus que fadiga, come e dorme como um de nós.”

O Pontífice reforçou que esta inversão provocada por Jesus causa escândalo ainda hoje, que também hoje há quem reaja com incredulidade diante do mistério, por se fechar a ele:

“Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à Graça de Deus.”

Por fim, Francisco pediu a Nossa Senhora que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que todos tenham abertura à Graça de Deus, à Sua verdade, e à Sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.

A consagração e os três inimigos da alma

A consagração a Jesus por Maria como auxílio extraordinário para vencer os três inimigos da alma: a carne, o mundo e o Demônio.

A consagração a Jesus Cristo e a Virgem Maria é um auxílio muito eficaz para vencer os três inimigos da alma: a carne, o mundo e o Demônio. Todos nós temos que combater esses inimigos, primeiramente porque isto é dever de todos os católicos. Todavia, lutar contra estes três inimigos da nossa alma torna-se ainda mais importante quando queremos nos santificar, nos aproximar mais de Deus. Nesse caso, a consagração a Jesus por Maria tem se mostrado na história da Igreja um auxílio de extraordinária eficácia para combater a carne, o mundo e o Demônio e elevar as almas ao Senhor. Esta eficácia é comprovada na vida de muitos os santos, que se valeram desta consagração para combater esses três inimigos da alma e alcançar os altos cumes da santidade. Entre os mais conhecidos, podemos citar São João Bosco, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Pio de Pietrelcina, Santo Antônio de Sant’anna Galvão.

Sonho de Dom Bosco com Nossa Senhora aos nove anos de idade

Não menos importante é São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande apóstolo de Nossa Senhora, que transformou o legado de muitos santos e santas, que já viviam esta espiritualidade antes dele, no valiosíssimo tesouro que é o seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”. Este foi o livro de cabeceira do saudoso Papa São João Paulo II, que tinha como lema em latim “Totus Tuus”, que significa “Todo Teu”, ou “Todo de Maria”. No seu testamento espiritual, intitulado “Totus Tuus ego sum”, que quer dizer “Todo Teu eu sou”, São João Paulo II escreveu seis vezes o seu lema: “Totus Tuus”. Numa dessas referências, expressou sua profunda devoção a Jesus por Maria nestes termos: “Na vida e na morte Totus Tuus mediante a Imaculada”1. O lema “Totus Tuus” é a expressão abreviada do princípio fundamental que Karol Wojtyła, ainda seminarista, assumiu para toda a sua vida e que o ajudou a perseverar até a morte: “Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria”2.

O primeiro inimigo da nossa alma: a carne

O primeiro inimigo de nossa alma somos nós mesmos, a nossa própria carne. “As nossas melhores ações são ordinariamente manchadas e corrompidas pelo mau fundo que há em nós”3. Por isso, “quando Deus infunde em nossa alma, corrompida pelo pecado original e atual, as suas graças e orvalhos celestes, ou o vinho delicioso do seu Amor, assim também os Seus dons são ordinariamente manchados e estragados pelo mau fermento e mau fundo que o pecado deixou em nós”4.

Para adquirir a perfeição, que somente alcançamos pela nossa união com Jesus Cristo, devemos esvaziar-nos do que há de mau em nós. Este despojamento de nós mesmos só acontecerá se conhecermos bem, à luz do Espírito Santo, “o nosso fundo mau, a nossa incapacidade para qualquer bem útil à salvação, a nossa fraqueza em todas as coisas, a nossa permanente inconstância, a nossa indignidade de toda a graça, a nossa iniquidade em toda a parte”5. Não foi sem razão que o Senhor mandou renunciar a nós mesmos6, pois, se amamos a nossa alma, a perdemos, mas, se a odiamos, a salvamos7.

Depois de reconhecermos o nosso fundo mau, “para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias. Isto quer dizer que é preciso renunciar às operações das potências da nossa alma e dos sentidos do nosso corpo”8. Renunciar as faculdades da nossa alma significa nos desapegar da inteligência, da memória e da vontade. A purificação destas se dá através das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Quanto à purificação dos sentidos, esta se dá pela mortificação do olfato, da visão, da audição, do paladar e do tato. Como exemplos, podemos purificar: o olfato, deixando de usar perfumes ou usar aqueles que não gostamos; a visão, abstendo-nos de assistir filmes, novelas ou acessar conteúdos que transmitem sensualidade, violência, futilidade, mundanidade; a audição, evitando ouvir músicas do mundo, conversas tolas, piadas de mau gosto; o paladar, através de penitências e jejuns de alimentos e bebidas que gostamos e/ou de comer coisas que não gostamos; o tato, usando roupas ou calçados que não sejam tão confortáveis e macios, que causem um certo incômodo. Estas são medidas simples que fazem toda a diferença na vida espiritual.

A nossa luta contra a carne se faz ainda mais necessária em nossa vida de oração. Temos um exemplo desta renúncia de nós mesmos na comunhão, como nos explica São Luís Maria: “Mas recorda-te de que quanto mais deixares agir Maria na tua comunhão, mais Jesus será glorificado. E deixarás agir tanto mais Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente te humilhares e os escutares em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir. Pois o justo vive, em tudo, da fé9, e particularmente na sagrada comunhão, que é um ato de fé”10. Estas três operações: “ver, gostar e sentir” dizem respeito ao nosso corpo. Isto significa que quando mais renunciamos aos nossos sentidos e também a nossa inteligência, memória e vontade, mais crescemos na fé, esperança e caridade e consequentemente mais nos aproximamos de Deus.

O segundo inimigo da nossa alma: o mundo

O segundo inimigo de nossa alma é o mundo, corrompido pelo pecado, no qual vivemos. O mundo quer nos escravizar de vários modos, através do materialismo, do dinheiro, do poder, do prazer, das paixões, da moda, do álcool, do fumo, das drogas, da televisão, da internet, da pornografia, do sexo fora do Matrimônio, do “politicamente correto”, das ideologias, das falsas religiões. O resultado de tudo isso que o mundo oferece, com a falsa promessa de felicidade, é a confusão, o desespero, a frustração, a depressão, a neurose, a loucura, a degradação moral, as doenças, a escravidão, a violência, as guerras, o suicídio, a morte.

Pelas consequências, vemos que todas as coisas que o mundo nos oferece não nos darão felicidade. Ao contrário, nos farão cada vez mais infelizes e distantes de Deus. Por isso, devemos romper decididamente com o mundo. No entanto, o mundo “está, presentemente, tão corrompido, que se torna quase inevitável serem os corações religiosos manchados, senão pela sua lama, ao menos pela poeira. Assim, é quase um milagre conservar-se alguém firme no meio desta torrente impetuosa sem ser arrastado; andar neste mar tormentoso sem ser submergido ou pilhado pelos piratas e corsários; respirar este ar empestado sem lhe sentir as más consequências. É a Virgem, a única sempre fiel, sobre a qual a serpente jamais teve poder, quem faz este milagre a favor daqueles e daquelas que a servem da melhor maneira”11.

A Virgem Santíssima obtém de Deus a fidelidade e a perseverança para todos os que se dedicam a ela. Por isso, a Mãe da Igreja pode ser comparada a uma âncora firme, que nos retém e impede que naufraguemos no meio do mar agitado deste mundo, onde tantos perecem por se não segurarem a esta âncora segura. “Nós ligamos as almas à Vossa esperança, como a uma âncora firme”, dizia São Boaventura. “Foi a Ela que os santos que se salvaram mais se amarraram e mais amarraram os outros, para perseverar na virtude. Felizes, pois, mil vezes felizes os cristãos que agora se agarram fiel e inteiramente a Maria, como a uma âncora firme”12. Dessa forma, as tempestades deste mundo não nos fará naufragar, nem perder os seus tesouros celestes.

O terceiro inimigo da nossa alma: Satanás

Este terceiro, não é somente Inimigo de nossa alma, mas também de todos os escravos e filhos de Nossa Senhora. Pois, desde o pecado de Adão e Eva13, “Deus constituiu não somente uma inimizade, mas ‘inimizades’, não apenas entre Maria e o Demônio, mas também entre a descendência da Virgem Santa e a de Satanás”14. Isto significa que Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e escravos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos de Satanás. “Os filhos de Belial15, os escravos de Satanás, os amigos do mundo16, até hoje perseguiram sempre, e perseguirão mais do que nunca, aqueles que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú perseguiu Jacó, figuras dos réprobos e dos predestinados”17.

Apesar desta perseguição infernal, não temos o que temer, pois a humilde Virgem Maria sempre alcançará a vitória sobre este orgulhoso, e essa vitória será tão grande que chegará a esmagar-lhe a cabeça, onde mora o seu orgulho. Nossa Senhora sempre descobrirá a sua malícia de serpente e nos mostrará as suas tramas infernais. Ela destruirá os seus conselhos e protegerá os seus servos fiéis contra as garras cruéis do Inimigo, até o fim dos tempos.

O poder de Maria Santíssima sobre todos os demônios brilhará particularmente nos últimos tempos, nos quais “Satanás armará ciladas contra o seu calcanhar, ou seja, contra os humildes escravos e pobres filhos, que ela suscitará para lhe fazer guerra. Eles serão pequenos e pobres na opinião do mundo, humilhados perante todos, calcados e perseguidos como o calcanhar o é em relação aos outros membros do corpo. Mas, em troca, serão ricos da graça de Deus, que Maria lhes distribuirá abundantemente. Serão grandes e de elevada santidade diante de Deus, e superiores a toda criatura pelo seu zelo ardente. Estarão tão fortemente apoiados no socorro divino que esmagarão, com a humildade de seu calcanhar e em união com Maria, a cabeça do Demônio, fazendo triunfar Jesus Cristo”18.

O segredo para vencer a carne, o mundo e o Demônio

Assim, compreendemos que a carne, o mundo e Satanás, são os três maiores inimigos da nossa alma. No entanto, se formos fiéis filhos e consagrados da Virgem Maria, nossa alma será forte e corajosa, para opor-se ao mundo com as suas modas e máximas; à carne com suas angústias e paixões; e ao demônio com suas astúcias e tentações. Uma pessoa verdadeiramente devota da Santíssima Virgem não é volúvel, melancólica, escrupulosa, nem medrosa. Entretanto, isto não significa que não caia em pecado de modo algum, ou que não mude algumas vezes na sensibilidade da sua devoção. “Mas, se cai, estende a mão à sua boa Mãe e levanta-se. Se perde o gosto e a devoção sensível, não se perturba, porque o justo e fiel servo de Maria vive da fé em Jesus e Maria, e não dos sentimentos do corpo”19. Desse modo, os fiéis consagrados serão “um grande esquadrão de bravos e valorosos soldados de Jesus e Maria, de ambos os sexos, que combaterão o mundo, o demônio e a sua própria natureza corrompida, nos tempos perigosos que mais do que nunca se aproximam!20 Façamos parte destes valorosos filhos e escravos, renunciemos ao Demônio, ao mundo, a nós mesmos e consequentemente ao pecado, e entreguemo-nos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Maria. Santa Maria, Mãe de Deus, Rogai por nós!

“Ato de entrega dos jovens a Maria: ‘Eis aí a tua Mãe!’21

É Jesus, ó Virgem Maria, que da cruz nos quer confiar a Ti, não para atenuar,

mas para confirmar o seu papel exclusivo de Salvador do mundo.

Se no discípulo João, te foram entregues todos os filhos da Igreja,

Tanto mais me apraz ver confiados a Ti, ó Maria, os jovens do mundo.

A Ti, doce Mãe, cuja proteção eu sempre experimentei, os entrego, novamente, nesta tarde.

Todos, sob o teu manto, procuram refúgio na tua proteção.

Tu, Mãe da divina graça, fá-los brilhar com a beleza de Cristo!

São os jovens deste século, que na aurora do novo milênio,

vivem ainda os tormentos derivados do pecado,

do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra.

Mas são também os jovens para os quais a Igreja olha com confiança,

na consciência de que, com a ajuda da graça de Deus,

conseguirão acreditar e viver como testemunhas do Evangelho no hoje da história.

Ó Maria, ajuda-os a responder à sua vocação.

Guia-os para o conhecimento do amor verdadeiro e abençoa os seus afetos.

Ajuda-os no momento do sofrimento.

Torna-os anunciadores intrépidos da saudação de Cristo no dia de Páscoa: a Paz esteja convosco!

Com eles, também eu me confio mais uma vez a Ti e, com afeto confiante, te repito:

Totus tuus ego sum! Eu sou todo teu!

E também cada um deles Te dizem comigo: Totus tuus! Totus tuus! Amém”22.

 

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. A Mãe do Salvador e a Nossa Vida Interior.

TODO DE MARIA. Mudar de vida com o Projeto Segunda Morada.

TODO DE MARIA. Purificar: inteligência, memória e vontade.

Referências:

1 PAPA JOÃO PAULO II. O testamento de João Paulo II: Totus Tuus ego sum.

2 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, 266.

3 Idem, 78.

4 Idem, ibidem.

5 Idem, 79.

6 Cf. Mt 16, 24.

7 Cf. Jo 12, 25.

8 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 81.

9 Cf. Hb 10, 38

10 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 273.

11 Idem, 89.

12 Idem, 175.

13 Cf. Gn 3, 15.

14 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 54.

15 Cf. Dt 13, 13

16 Segundo São Luís Maria, escravos de Satanás e amigos do mundo são sinônimos, não há diferença entre eles.

17 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 54.

18 Idem, ibidem.

19 Idem, 109. Cf. Hb 10, 38.

20 Idem, 114.

21 Cf. Jo 19, 27.

22 PAPA JOÃO PAULO II. Ato de entrega dos jovens a Maria.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

Existe limite no namoro?

É preciso ter atitude e tomar firmes decisões

O namoro é um tempo maravilhoso, cheio de atração, beleza, gestos de amor e carinho, mas tem horas que só o carinho, a beleza e as palavras já não satisfazem. Queremos mais! O corpo “grita”, pois a pessoa à nossa frente é para nós a mais bela, aquela com quem queremos seguir em frente, aquela com quem pensamos: “Sim, vamos nos casar! Então, para que esperar?”.

Esse é o perigo do namoro. Qual a hora de parar e não avançar o sinal? Existe o momento certo para se dizer “chega!”? Como, então, reconhecê-lo?

Antes de tudo, é necessário que você descubra o seu “ponto de parada”, ou seja, além desse ponto, você não deve avançar, pois esse é o seu limite. E quando ele é ultrapassado, o que acontece? Você acaba extrapolando!

Talvez para você, rapaz, o limite seja a mão que começa a escorregar pelo corpo da sua namorada e daí você não consegue mais parar, a tal da “mão boba”. Talvez, minha jovem, o limite para você seja aquele beijo mais demorado – um beijo de língua por exemplo – que pode deixá-la bem excitada e pronta para algo que não está na hora de acontecer. Aqui, se faz fundamental aquele diálogo franco e aberto entre vocês dois para a descoberta dos limites que estão sendo extrapolados.

Veja: no namoro é preciso o beijo e o toque físico nos lugares certos – no rosto, nos cabelos, nos braços… Bom, vamos parar por aí, não é mesmo? A tal da “mãozinha boba” vai querer passar desse lugar para outros muitas vezes. O beijo mais fervoroso vai começar rápido; depois com um pouquinho mais de tempo; mais tarde, bem mais demorado… E daí? Onde isso vai parar?

Quando namorávamos, meu esposo e eu passamos por vários momentos assim, quando alcançávamos o nosso limite. À medida que fomos nos conhecendo, já sabíamos o que nos excitava mais. Fomos percebendo o ponto em que a mão escorregava, em que o beijo ficava mais longo e profundo do que poderíamos aguentar. Bom, somos de carne, sangue e muitos hormônios!

Tivemos, então, que ter atitude e tomar nossas decisões. Tivemos que determinar o nosso limite.

Se, em certa época, estávamos avançando no beijo – o avanço é só você que reconhece, e vamos ser sinceros, você não é bobo (a) e sabe muito bem onde o fogo está acendendo ou já está mais do que aceso -, então fazíamos uma penitência. Numa Quaresma, ficamos quarenta dias sem beijo de língua, só ficamos dando aquela “bitoquinha”. Numa outra época, ficamos por alguns dias sem nos abraçar de frente, evitando assim ficar com o corpo bem coladinho.

Recordo-me também que houve um tempo no qual meu namorado (hoje meu esposo), deixava-me plantada na porta de casa, quando tinha chegado, a poucos minutos, dizendo: “Meu amor, hoje não dá! Não consigo ficar aqui perto de você namorando, pois estou muito excitado”. Na hora, eu não entendia aquela reação dele; só depois fui entender: ele estava no limite dele e não queria extrapolar. Por muitas vezes paramos, paramos tudo e começamos de novo. Esfriamos o que estava “quente” demais!

De tempos em tempos, de atitude em atitude, de decisão em decisão, toca-se no limite e, ali, para-se tudo. É muito importante que você compreenda a seriedade e a grandeza dessa decisão de parar tudo. Nessas horas, para salvar o seu namoro, é preciso parar tudo e começar de novo. É preciso olhar e pensar no prêmio da castidade que podemos oferecer a Deus e ao futuro esposo (ou esposa) no Sacramento do Matrimônio.

Para-se tudo, porque se ama e quer se dar por inteiro no tempo que será para sempre, e não agora no tempo que é transitório, de conhecimento dentro do relacionamento a dois, de preparação para o noivado e o casamento.

Ocorre também algo maravilhoso: quando você toma essa decisão de não extrapolar o seu limite, você acaba percebendo que não está só nessa opção pela santidade. A graça de Deus se faz presente! Todo casal de namorados pode – e deve! – contar com o Espírito Santo como seu fiel aliado. Um casal que busca uma vida de intimidade com o Senhor pela oração adquire muito mais força e determinação para respeitar os limites dentro do relacionamento afetivo.

Existe limite no namoro? Sim. Tudo na vida tem limite. O namoro também o tem. E se você já o alcançou, pare, pare tudo e retome decidindo-se pela santidade. Valerá a pena e eu posso testemunhar!

Rosení Valdez Oliveira
Formadora de namorados na Comunidade Canção Nova

A ressurreição em Cristo

Sexta-feira, 16 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco comentou a dificuldade que se tem de pensar no futuro e na ressurreição: “ressuscitaremos como Cristo ressuscitou, com a nossa carne”

“Se Cristo não ressuscitou, tampouco nós ressuscitaremos”. A partir deste trecho da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, o Papa Francisco desenvolveu sua homilia na Missa desta sexta-feira, 16, na Casa Santa Marta. O Santo Padre enfatizou a “lógica da redenção até o final”.

O Pontífice notou, com um pouco de amargura, que quando se recita a última parte do Credo, isso é feito com pressa, porque amedronta o homem pensar no futuro, na ressurreição dos mortos. Francisco comentou que é fácil para todos entrar na lógica do passado, porque é concreta, e também é fácil entrar na lógica do presente, porque ele é visto, mas não é fácil entrar na totalidade desta lógica do futuro.

“A lógica de ontem é fácil. A lógica do hoje é fácil. A lógica do amanhã é fácil: todos morreremos. Mas a lógica do depois de amanhã, esta é difícil. E isto é aquilo que Paulo quer anunciar hoje: a lógica do depois de amanhã. Como será? Como será isso? A ressurreição. Cristo ressuscitou. Cristo ressuscitou e está bem claro que não ressuscitou como um fantasma. No trecho de Lucas sobre a ressurreição: ‘Toquem-me’. Um fantasma não tem carne, não tem ossos. ‘Toquem-me. Deem-me de comer’. A lógica do depois do amanhã é a lógica na qual entra a carne”.

Francisco disse que às vezes as pessoas se perguntam como será o céu, se estarão lá, mas não se entende aquilo que Paulo quer que elas entendam, esta lógica do depois do amanhã. E aqui, advertiu, as pessoas acabam traídas por um certo “agnosticismo” quando pensam que “será tudo espiritual” e têm medo da carne.

Não esqueçamos, disse o Papa, que esta foi a primeira heresia que o apóstolo João condena: ‘Quem diz que o Verbo de Deus não se fez carne, é do anticristo’. “Temos medo de aceitar e levar às últimas consequências a carne de Cristo. É mais fácil uma piedade espiritualista, uma piedade de nuances; mas entrar na lógica da carne de Cristo, isto é difícil. E esta é a lógica do depois do amanhã. Nós ressuscitaremos como Cristo ressuscitou, com a nossa carne”.

Transformação da carne

O Papa recordou que os primeiros cristãos se perguntavam como Jesus ressuscitou e observou que “na fé da ressurreição da carne, estão enraizadas as mais profundas obras de misericórdia, porque há uma conexão contínua”. De outro lado, prosseguiu, São Paulo sublinha com ênfase que todos serão transformados, o corpo e a carne serão transformados.

O Senhor fez-se ver e tocar e comeu junto com os discípulos após a ressurreição, lembrou o Pontífice. E esta é a lógica do depois do amanhã, aquela que as pessoas têm dificuldade de entender, na qual todos encontram dificuldades para entrar.

“É um sinal de maturidade entender bem a lógica do passado, é um sinal de maturidade se mover na lógica do presente, aquela de ontem e aquela de hoje. É também um sinal de maturidade ter a prudência para enxergar a lógica do amanhã, do futuro. Mas é preciso uma grande graça do Espírito Santo para entender esta lógica do depois do amanhã, depois da transformação, quando Ele virá e nos levará às nuvens, todos transformados, para permanecer sempre com Ele. Peçamos ao Senhor a graça desta fé”.

Santo Evangelho (Jo 6, 52-59)

3ª Semana da Páscoa – Sexta-feira 20/04/2018

Primeira Leitura (At 9,1-20)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 1Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao Sumo sacerdote 2e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. 3Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. 4Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” 5Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. 6Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. 7Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. 8Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. 9Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu. 10Em Damasco, havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ana­nias!” E Ananias respondeu: “Aqui estou, Senhor!” 11O Senhor lhe disse: “Levanta-te, vai à rua que se chama Direita e procura, na casa de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está rezando”. 12E numa visão, Saulo contemplou um homem chamado Ananias, entrando e impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista. 13Ananias respondeu: “Senhor, já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus fiéis que estão em Jerusalém. 14E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, recebidos dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome”. 15Mas o Senhor disse a Ana­nias: “Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. 16Eu vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por minha causa”. 17Então Ananias saiu, entrou na casa, e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas no caminho, ele me mandou aqui para que tu recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. 18Imediatamente caíram dos olhos de Saulo como que escamas e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. 19Tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco, 20e logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 116)

— Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
— Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

— Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

— Pois comprovado é o seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

Evangelho (Jo 6,52-59)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 52os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. 59Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Inês de Montepulciano, uma mulher penitente e de oração

Santa Inês de Montepulciano, consagrou-se totalmente ao Senhor

A santa de hoje nasceu no centro da Itália, em Montepulciano, no ano de 1274. Sua família tinha muitas posses, mas possuía também o essencial para uma vida familiar feliz: o amor a Jesus Cristo.

Muito jovem, sentiu o chamado a consagrar-se totalmente ao Senhor, ingressando na família Dominicana. Uma mulher de penitência, oração, recolhimento e busca da vontade de Deus, que a fez galgar altos degraus na vida mística.

Próximo do lugar em que ela vivia, havia uma casa de prostituição, e Inês se compadecia dessas mulheres, e ofereceu penitências e orações por elas. Aquele lugar de pecado, virou lugar de oração, e muitas daquelas se converteram e algumas até entraram para a vida religiosa. Um grande milagre de Santa Inês ainda em vida.

Morreu com 43 anos de idade, e seu último conselho às suas irmãs foi: “Minhas filhas, amai-vos umas às outras porque a caridade é o sinal dos filhos de Deus!”.

Santa Inês de Montepulciano, rogai por nós!

 

Santo Evangelho (Jo 6, 44-51)

3ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 19/04/2018 

Primeira Leitura (At 8,26-40)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém. 28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?” 31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”. 34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiam o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. 37Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?” 38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eu­nuco. 39Quando saíram da á­gua, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evan­gelizava todas as cidades até chegar a Cesareia.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 65)

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

— Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés.

— Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca!

— Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor!

 

Evangelho (Jo 6,44-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“Ninguém pode vir a mim, se o pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Ema, sinal de que a santidade passa pela caridade

Santa Ema, administrava seus bens para o benefício do próximo

Por parte de mãe, não existia testemunho nem incentivo à santidade. O chamado que ela tinha no coração era ao matrimônio. Casou-se com o conde Ludgero e teve um filho, cujo chamado era para a vocação sacerdotal. Iluminado pelo testemunho da mãe, tornou-se sacerdote e depois bispo. Ao ficar viúva, essa santa discerniu e decidiu consagrar sua viuvez ao Senhor, numa vida de oração expressa na caridade. Muitos conventos e abadias foram construídos graças à sua generosidade. Ela vivia no meio da sociedade, administrando seus bens para o benefício do próximo.

Santa Ema passou os últimos momentos de sua vida numa abadia, após 40 anos de dedicação a Deus, faleceu em 1045. Depois de muito tempo abriram seu túmulo, e encontraram o seu corpo todo em pó, exceto a sua mão direita estava intacta, pois era com essa mão que ela praticava a caridade ao próximo. Um sinal de que a santidade passa pela caridade.

Santa Ema, rogai por nós!

Espiritismo: reencarnação e Cristianismo

D. Estêvão Bettencourt O. S. B.
Fonte: Revista Pergunte e Responderemos, 051 – 1962

«Como se diz, os primeiros cristãos professavam a teoria da reencarnação. Foi somente em 533, num sínodo de Cons­tantinopla, que a Igreja imprudentemente a condenou, introduzindo a idéia do inferno. Que houve propriamente nesse concílio de Constantinopla?»

Em resposta, analisaremos primeiramente a doutrina das antigas fontes do Cristianismo no tocante à reencarnação; a seguir, deter-nos-emos sobre o citado sínodo de Constantinopla.

I. Antigos documentos cristãos e reencarnação

1. Sagrada Escritura. Nem o Velho nem o Novo Testamento dão testemunho que de algum modo insinue a doutrina da reencarnação. Ao contrário, a Escritura professa categoricamente uma só existência do homem sobre a terra, após a qual cada um é definitivamente julgado: «Foi estabelecido, para os homens, morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento» (Hb 9, 27). Ao bom ladrão arrependido dizia Jesus: «Hoje mesmo estarás comigo no paraíso» (Lc 23, 43).

Os principais textos bíblicos concernentes a este assunto (Mt 11,14; 17,12; Jo 1, 21; 3, 3; 9, 1-3) já foram considerados em «P.R.» 3/1957, qu. 8. Dispensamo-nos, pois, de analisá-los novamente aqui, e passamos ao testemunho dos antigos escritores cristãos.

2. Os Padres da Igreja. Os adeptos da reencarnação não raro proferem afirmações como a seguinte:

«A Igreja primitiva não repele absolutamente o ensino reencarnacionista. Os primeiros padres e, entre eles, S. Clemente de Alexandria, S. Jeronimo e Rufino, afirmam que ele era ensinado como verdade tradicional a um certo número de iniciados» (Campos-Vergal, Reencarnação ou Pluralidade das Existências. S. Paulo 1936, 41).

Contudo os autores desta e de semelhantes proposições não tratam de comprová-las citando os textos sobre os quais se apoiam; é o que tira a autoridade a tais assertivas.

Quem, ao contrário, investiga diretamente as obras dos antigos escritores da Igreja, chega a conclusão bem diferente da do trecho acima transcrito. Percorramos, portanto, os escritos dos principais Padres citados pelos reencarnacionistas modernos.

S. Ireneu († 202) rejeitava explicitamente a tese da reencarnação, lembrando que em nossa memória não nos fica vestígio algum de existências anteriores; de outro lado, advertia, a fé cristã ensina a ressurreição da carne, a qual é incompatível com a reencarnação das almas em novos corpos (cf. Adv. haer. II 33).

Tertuliano († 220), usando do seu estilo mordaz, opunha-se ao reencarnacionismo em famosa passagem («De anima» 28-35), que assim se pode resumir:

Pitágoras, que afirma lembrar-se das suas anteriores existências, é vergonhosamente mentiroso: asseverava, por exemplo, ter tomado parte na guerra de Troia; como explicar então que, depois, se tenha mostrado tão pouco valente? Pois, fugindo da guerra, não veio ele à Itália? E, se em vida anterior foi, segundo afirmava, o pescador Pirro, como se lhe justificará a aversão pelo peixe? (Sabe-se que Pitágoras nunca comia peixe). E Empédocles? Não pretendeu ser peixe numa existência anterior? Deve ser por isso que se atirou na cratera de um vulcão: com certeza quis ser frito. É tão absurda a migração das almas para corpos de animais que nem os próprios hereges ousaram defendê-la. – Tertuliano afirmava outrossim que a reencarnação contra­ria a noção de justiça de Deus, a qual exige que a punição afete o próprio corpo que cometeu o pecado, e não algum outro.

Clemente de Alexandria († 215) tinha a doutrina da reen­carnação na conta de arbitrária, pois nem as reminiscências no-la atestam nem a fé cristã.

«Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo» (Eclogae XVII). Clemente notava que nunca a Igreja professara tal doutrina, a qual só fora sustentada por conventículos de hereges ditos «gnósticos» (Basilidianos e Marcionitas).

São Gregório de Nissa († 394) é explicitamente citado pelos reencarnacionistas como adepto de sua doutrina. Quem, porém, examina os escritos deste autor, verifica que Gregório considera a reencarnação como fábula injuriosa à dignidade hu­mana, pois não hesita em atribuir ao homem, ao animal irracio­nal (ave, peixe, rã…) e à planta o mesmo princípio vital (cf. «De hominis opificio» 28).

Se, não obstante, os reencarnacionistas modernos apelam para a autoridade de S. Gregório de Nissa, isto se deve ao fato de que em al­guns pontos foi discípulo de Orígenes (do qual falaremos no § 2 desta resposta).

São Jerônimo († 421) é por vezes nominalmente citado em favor da reencarnação. Contudo seria difícil ou impossível jus­tificar essa «procura de patrocínio» em S. Jerônimo, pois o S. Doutor se pronunciou diretamente contrário à teoria, e isto… precisamente ao comentar o texto (muito caro aos reencarnacionistas) de Mt 11, 14, em que São João Batista é designado como Elias:

«João é chamado Elias, observa S. Jerônimo, não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo fato de ter ele vindo cheio da força e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho» (cf. Lc 1, 17).

Sto. Agostinho († 430) é tido por Allan Kardec como um dos maiores divulgadores do espiritismo, pois, conforme o Codi­ficador, terá sido adepto da reencarnação. Na verdade, Santo Agostinho, no livro X c. 30 «De civitate Dei», mostra conhecer as doutrinas reencarnacionistas de Platão, Plotino e Porfírio, que ele assim comenta:

«Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfírio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas consequências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adotada por Plotino, mestre de Porfírio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfírio admitiu que as almas entram em sempre novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho, se lhe acontecesse reencarnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha vergonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram, … fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos!» (De civitate Dei X 30).

Considerações análogas se poderiam multiplicar caso se quisesse continuar a percorrer a antiga literatura cristã. Isto escaparia, porém, ao intento do presente artigo. Os dizeres de Santo Agostinho, fazendo eco à sentença de escritores mais anti­gos, principalmente dos mais evocados pelos reencarnacionistas, já bastam para mostrar que vão seria procurar nos Padres da Igreja tutela e autoridade para a doutrina da reencarnação. Quem, com sinceridade, observa a documentação patrística, é levado a concluir que na realidade a Igreja antiga, longe de en­sinar a reencarnação, se lhe opôs abertamente.

Eis, porém, que a história registra o caso de Orígenes, do Origenismo e do Concilio de Constantinopla (543), caso assaz controvertido, ao qual devemos agora voltar a nossa atenção.

II. Orígenes, Origenismo e Constantinopla

É o nome de Orígenes que por excelência dá ocasião a que alguns escritores modernos asseverem, terem os antigos cristãos admitido a doutrina da reencarnação, prosseguindo destarte uma tradição pré­cristã. Será preciso, portanto, considerar antes do mais:

1. Quem era Orígenes?

Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola Catequética ou Teológica de Alexandria (Egito) numa época em que os autores cristãos começavam a confrontar a revelação do Evangelho com as teses da sabedoria humana anterior a Cristo. As fórmulas oficiais de fé da Igreja eram então muito concisas; a teologia (ou seja, a penetração lógica e sistemática das proposições reveladas) ainda estava em seus primórdios; em consequência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso arquitetasse teorias e propusesse sentenças destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da fé. Orígenes entregou-se a tal tarefa, servindo-se da filosofia de seu tempo e, em particular, da filosofia platônica. Ao realizar isso, o mestre fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições dogmáticas, per­tencentes ao patrimônio da fé e da Igreja, e proposições hipo­téticas, que ele formulava em seu nome pessoal, a guisa de sugestões, para penetrar o sentido das verdades dogmáticas; além disto, professava submissão ao magistério da Igreja caso esta rejeitasse alguma das teses de Orígenes.

Ora, entre as suas proposições pessoais, Orígenes formulou algumas que de fato vieram a ser repudiadas pelo magistério eclesiástico.

Assim, inspirando-se no platonismo, derivava a palavra grega «psyché» (alma) de «psychos» (frio), e admitia que as almas humanas, unidas à matéria tais como elas atualmente se acham, são o produto de um resfriamento do fervor de espíritos que Deus criou todos iguais e destinados a viver fora do corpo; a encarnação das almas, por­tanto, e a criação do mundo material dever-se-iam a um abuso da liberdade ou a um pecado dos espíritos primitivos, que Deus terá punido ligando tais espíritos à matéria. Banidos do céu e encarcerados no corpo, estes sofrem aqui a justa sanção e se vão purificando a fim de voltar a Deus; após a vida presente, alguns ainda precisarão de ser purificados pelo fogo em sua existência póstuma, mas na etapa final da história todos serão salvos e recuperarão o seu lugar junto a Deus; o mundo visível terá então preenchido o seu papel e será aniquilado.

Note-se bem: o alexandrino propunha tais idéias como hipóteses, e hipóteses sobre as quais a Igreja não se tinha pronunciado (justamente porque pronunciamentos sobre tais assuntos ainda não haviam sido necessários); não havia, pois, da parte de Orígenes a intenção de se afastar do ensinamento comum da Igreja a fim de constituir uma escola teológica própria ou uma heresia («heresia» implica em obsti­nação consciente contra o magistério da Igreja).

2. A desgraça de Orígenes, porém, foi ter tido muitos dis­cípulos e admiradores… Estes atribuíram valor dogmático às proposições do mestre, mesmo depois que o magistério da Igreja as declarou contrárias aos ensinamentos da fé.

Ê preciso observar outrossim o seguinte: o mestre alexan­drino admitiu como possível a preexistência das almas humanas. Ora esta não implica necessariamente em reencarnação; significa apenas que, antes de se unir ao corpo, a alma humana viveu algum tempo fora da matéria; encarnou-se depois…; dai não se segue que se deva encarnar mais de uma vez (o que seria a reencarnação propriamente dita).

Aliás, Orígenes se pronunciou diretamente contrário à doutrina da reencarnação… Com efeito; em certa passagem de suas obras, con­sidera a teoria do gnóstico Basílides, o qual queria basear a reencarnação nas palavras de S. Paulo: «Vivi outrora sem lei…» (Rom 7,9). Observa então Orígenes: Basilides não percebeu que a palavra «outrora» não se refere a uma vida anterior de S. Paulo, mas apenas a um período anterior da existência terrestre que o Apóstolo estava vivendo; assim, concluía o alexandrino, «Basílides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias» (cf. In Rom VII).

Contudo os discípulos de Orígenes professaram como ver­dade de fé não somente a preexistência das almas (delicada­mente insinuada por Orígenes), mas também a reencarnação (que o alexandrino não chegou de modo nenhum a propor, nem como hipótese).

Os principais defensores destas idéias, os chamados «origenistas», foram monges que viveram no Egito, na Palestina e na Síria nos séc. IV/VI. Esses monges, como se compreende, levando vida muito retirada, entregue ao trabalho manual e à oração, eram pouco ver­sados no estudo e na teologia; admiravam Orígenes principalmente por causa dos seus escritos de ascética e mística, disciplinas em que o ale­xandrino mostrou realmente ter autoridade); não tendo, porém, cabe­dal para distinguir entre proposições categóricas e meras hipóteses do mestre, os origenistas professavam cegamente como dogma tudo que liam nos escritos de Orígenes; pode-se mesmo dizer que eram tanto mais fanáticos e buliçosos quanto mais simples e ignorantes.

A tese da reencarnação, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores cristãos mesmos, que a tinham como contrária à fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Enéias de Gaza († 518), autor do «Diálogo sobre a imortalidade da alma e a ressurreição», em que se lê o seguinte raciocínio:

«Quando castigo meu filho ou meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo, e recomendo-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula… os supremos castigos, não haveria de esclarecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele os castiga? Haveria de lhes subtrair a recordação de suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contribuiria para irritar o réu e levá-lo à demência. Uma tal vitima não teria o direito de acusar o seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta?» (ed. Migne gr. t. LXXXV 871).

Sem nos demorar sobre este e outros testemunhos anti-reencarnacionistas do séc. V, passamos imediatamente à fase culminante da luta origenista.

Na realidade, a corrente dos origenistas ou o origenismo na primeira metade do séc. VI provocou famosa celeuma teo­lógica.

Como se terá desenrolado?

3. No início do séc. VI estava o origenismo muito em voga nos mosteiros da Palestina, tendo como principal centro de propagação o cenóbio dito da «Nova Laura», ao sul de Belém: aí gozavam de apreço as doutrinas referentes à preexistência das almas, à reencarnação e à restauração de todas as criaturas na ordem inicial ou na bem-aventurança celeste.

Em 531, o abade São Sabas, que, com seus 92 anos de idade, se opunha energicamente ao origenismo, foi a Constantinopla pedir a pro­teção do Imperador para a Palestina devastada pelos samaritanos, assim como a expulsão dos monges origenistas. Contudo alguns dos monges que o acompanhavam, sustentaram em Constantinopla opi­niões origenistas; regressou à Palestina, para aí morrer aos 5 de de­zembro de 532.

Após a morte de S. Sabas, a propaganda origenista recrudesceu, invadindo até mesmo o mosteiro do falecido abade (o cenóbio da «Grande Laura»); em conseqüência, o novo abade, Gelásio, expulsou do mosteiro quarenta monges. Estes, unidos aos da Nova Laura, não hesitaram em tentar tomar de assalto a Grande Laura. Por essa época, os origenistas (pelo fato de combater uma famosa heresia cristológica dita «monofisitismo») gozavam de prestígio mesmo em Constantino­pla, tendo sido dois dentre eles nomeados bispos: Teodoro Askidas, para a sede de Cesaréia na Capadócia; e Domiciano, para a de Ancira.

Com o passar do tempo, a controvérsia entre os monges da Palestina se tornava cada vez mais acesa, exigindo em breve a intervenção de instancia superior. Foi o que se deu em 539 num sínodo reunido em Gaza, o origenismo foi denunciado ao legado papal Pelágio. Este voltou a Constantinopla na compa­nhia de monges de Jerusalém encarregados pelo Patriarca desta cidade de pedir ao Imperador o seu pronunciamento contra o origenismo. A petição foi de fato transmitida, logrando o alme­jado êxito: Justiniano, Imperador, comprazia-se em disputas teológicas; de bom grado, portanto, escreveu um tratado contra Orígenes, de tom extremamente violento, equiparando as sentenças do alexandrino aos erros dos pagãos, maniqueus e arianos; concluía com uma série de dez anátemas contra Orígenes, dos quais especial atenção merecem os seguintes:

«1. Se alguém disser ou julgar que as almas humanas existiam anteriormente, como espíritos ou poderes sagrados, os quais, desviando-se da visão de Deus, se deixaram arrastar ao mal e por este motivo perderam o amor a Deus, foram chamados almas e relegados para dentro de um corpo à guisa de punição, seja anátema.

5. Se alguém disser ou julgar que, por ocasião da ressurreição, os corpos humanos ressuscitarão em forma de esfera, sem semelhança com o corpo que atualmente temos, seja anátema.

9. Se alguém disser ou julgar que a pena dos demônios ou dos ímpios não será eterna, mas terá fim, e que se dará uma restauração («apokatástasis», reabilitação) dos demônios, seja anátema.»

Os outros anátemas interessam menos, pois se referem a erros cristológicos.

Justiniano em 543 enviou o seu tratado com os anátemas ao Patriarca Menas de Constantinopla, a fim de que este também condenasse Orígenes e obtivesse dos bispos vizinhos e dos abades de mosteiros próximos igual pronunciamento.

Assim intimado, Menas reuniu logo o chamado «sínodo permanente» (conselho episcopal) de Constantinopla, o qual, por sua vez, redigiu e promulgou quinze anátemas contra Orígenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam de perto:

«1. Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema.

2. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos cria­dos independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que vários deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a atos ilícitos, cada qual seguindo suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema.

3. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais e que se tornaram o que eles hoje são por se terem voltado para o mal, seja anátema.

4. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em consequência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram como partilha corpos frios e tenebrosos, tornando-se o que chamamos demônios e espíritos maus, seja anátema».

O papa Vigílio e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses anátemas. Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em 543, e não, como se costuma dizer, pelo II concílio ecumênico de Constantinopla, o qual só se realizou em 553. Neste concílio ecumênico, a questão da preexistência e da sorte póstuma das almas humanas não voltou à baila; verdade é que Orígenes aí foi condenado juntamente com alguns hereges por causa de erros cristológicos (cf. anátema XI proferido pelo mencionado concílio ecumênico). Os historiadores recentes rejeitam a opi­nião de autores mais antigos segundo os quais o II concílio ecumênico de Constantinopla se teria ocupado com a doutrina origenística concernente à preexistência das almas.

Em todo e qualquer caso, não houve condenação de Orígenes em 533, como afirmam certos escritores reencarnacionistas modernos, os quais por sua pouca meticulosidade se mostram destituídos de autoridade para tratar do assunto.

4. Na verdade, a doutrina da reencarnação deve ser tida como positivamente condenada pela Igreja não somente na base dos testemunhos dos Padres anteriormente citados neste artigo (os quais re­presentam o magistério ordinário da Igreja), mas principalmente por efeito das declarações explícitas do II concílio ecumênico de Lião (1274): «As almas… são imediatamente recebidas no céu», e do concílio ecumênico de Florença (1439): «As almas… passam imediatamente para o inferno a fim de aí receber a punição» (Denzinger, Enchiridion 464. 693).

Quanto à doutrina do inferno, ela está contida na Sagrada Escritura e sempre foi professada pelos cristãos; cf. «P. R.» 371957, qu. 5. Errôneo, portanto, seria dizer que ela se deve a algum concilio do séc. VI.

5. Em conclusão, observamos o seguinte:

a) a doutrina da reencarnação nunca foi comum, nem é primitiva, na Igreja Católica (atestam-no os depoimentos dos antigos escritores cristãos aqui citados);

b) após Orígenes (séc. III), ela foi professada por grupos particu­lares de monges orientais, pouco versados em Teologia, os quais se prevaleciam de afirmações daquele mestre alexandrino, exagerando-as (daí a designação de «origenistas»);

c) mesmo dentro da corrente origenista, a teoria da reencarnação não teve a voga que tiveram, por exemplo, as teses da preexistência das almas e da restauração de todas as criaturas na bem-aventu­rança inicial;

d) por isto as condenações proferidas por bispos e sínodos no séc. VI sobre o origenismo versaram explicitamente sobre as doutrinas da preexistência e da restauração das almas (o que naturalmente im­plica na condenação da própria tese da reencarnação, na medida em que esta tese depende daquelas doutrinas e era professada pelos origenistas);

e) a doutrina da reencarnação foi rejeitada não somente pelo magistério ordinário da Igreja desde os tempos patrísticos, mas tam­bém pelo magistério extraordinário nos concílios ecumênicos de Lião II (1274) e de Florença (1439)

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