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Existe limite no namoro?

É preciso ter atitude e tomar firmes decisões

O namoro é um tempo maravilhoso, cheio de atração, beleza, gestos de amor e carinho, mas tem horas que só o carinho, a beleza e as palavras já não satisfazem. Queremos mais! O corpo “grita”, pois a pessoa à nossa frente é para nós a mais bela, aquela com quem queremos seguir em frente, aquela com quem pensamos: “Sim, vamos nos casar! Então, para que esperar?”.

Esse é o perigo do namoro. Qual a hora de parar e não avançar o sinal? Existe o momento certo para se dizer “chega!”? Como, então, reconhecê-lo?

Antes de tudo, é necessário que você descubra o seu “ponto de parada”, ou seja, além desse ponto, você não deve avançar, pois esse é o seu limite. E quando ele é ultrapassado, o que acontece? Você acaba extrapolando!

Talvez para você, rapaz, o limite seja a mão que começa a escorregar pelo corpo da sua namorada e daí você não consegue mais parar, a tal da “mão boba”. Talvez, minha jovem, o limite para você seja aquele beijo mais demorado – um beijo de língua por exemplo – que pode deixá-la bem excitada e pronta para algo que não está na hora de acontecer. Aqui, se faz fundamental aquele diálogo franco e aberto entre vocês dois para a descoberta dos limites que estão sendo extrapolados.

Veja: no namoro é preciso o beijo e o toque físico nos lugares certos – no rosto, nos cabelos, nos braços… Bom, vamos parar por aí, não é mesmo? A tal da “mãozinha boba” vai querer passar desse lugar para outros muitas vezes. O beijo mais fervoroso vai começar rápido; depois com um pouquinho mais de tempo; mais tarde, bem mais demorado… E daí? Onde isso vai parar?

Quando namorávamos, meu esposo e eu passamos por vários momentos assim, quando alcançávamos o nosso limite. À medida que fomos nos conhecendo, já sabíamos o que nos excitava mais. Fomos percebendo o ponto em que a mão escorregava, em que o beijo ficava mais longo e profundo do que poderíamos aguentar. Bom, somos de carne, sangue e muitos hormônios!

Tivemos, então, que ter atitude e tomar nossas decisões. Tivemos que determinar o nosso limite.

Se, em certa época, estávamos avançando no beijo – o avanço é só você que reconhece, e vamos ser sinceros, você não é bobo (a) e sabe muito bem onde o fogo está acendendo ou já está mais do que aceso -, então fazíamos uma penitência. Numa Quaresma, ficamos quarenta dias sem beijo de língua, só ficamos dando aquela “bitoquinha”. Numa outra época, ficamos por alguns dias sem nos abraçar de frente, evitando assim ficar com o corpo bem coladinho.

Recordo-me também que houve um tempo no qual meu namorado (hoje meu esposo), deixava-me plantada na porta de casa, quando tinha chegado, a poucos minutos, dizendo: “Meu amor, hoje não dá! Não consigo ficar aqui perto de você namorando, pois estou muito excitado”. Na hora, eu não entendia aquela reação dele; só depois fui entender: ele estava no limite dele e não queria extrapolar. Por muitas vezes paramos, paramos tudo e começamos de novo. Esfriamos o que estava “quente” demais!

De tempos em tempos, de atitude em atitude, de decisão em decisão, toca-se no limite e, ali, para-se tudo. É muito importante que você compreenda a seriedade e a grandeza dessa decisão de parar tudo. Nessas horas, para salvar o seu namoro, é preciso parar tudo e começar de novo. É preciso olhar e pensar no prêmio da castidade que podemos oferecer a Deus e ao futuro esposo (ou esposa) no Sacramento do Matrimônio.

Para-se tudo, porque se ama e quer se dar por inteiro no tempo que será para sempre, e não agora no tempo que é transitório, de conhecimento dentro do relacionamento a dois, de preparação para o noivado e o casamento.

Ocorre também algo maravilhoso: quando você toma essa decisão de não extrapolar o seu limite, você acaba percebendo que não está só nessa opção pela santidade. A graça de Deus se faz presente! Todo casal de namorados pode – e deve! – contar com o Espírito Santo como seu fiel aliado. Um casal que busca uma vida de intimidade com o Senhor pela oração adquire muito mais força e determinação para respeitar os limites dentro do relacionamento afetivo.

Existe limite no namoro? Sim. Tudo na vida tem limite. O namoro também o tem. E se você já o alcançou, pare, pare tudo e retome decidindo-se pela santidade. Valerá a pena e eu posso testemunhar!

Rosení Valdez Oliveira
Formadora de namorados na Comunidade Canção Nova

A ressurreição em Cristo

Sexta-feira, 16 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco comentou a dificuldade que se tem de pensar no futuro e na ressurreição: “ressuscitaremos como Cristo ressuscitou, com a nossa carne”

“Se Cristo não ressuscitou, tampouco nós ressuscitaremos”. A partir deste trecho da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, o Papa Francisco desenvolveu sua homilia na Missa desta sexta-feira, 16, na Casa Santa Marta. O Santo Padre enfatizou a “lógica da redenção até o final”.

O Pontífice notou, com um pouco de amargura, que quando se recita a última parte do Credo, isso é feito com pressa, porque amedronta o homem pensar no futuro, na ressurreição dos mortos. Francisco comentou que é fácil para todos entrar na lógica do passado, porque é concreta, e também é fácil entrar na lógica do presente, porque ele é visto, mas não é fácil entrar na totalidade desta lógica do futuro.

“A lógica de ontem é fácil. A lógica do hoje é fácil. A lógica do amanhã é fácil: todos morreremos. Mas a lógica do depois de amanhã, esta é difícil. E isto é aquilo que Paulo quer anunciar hoje: a lógica do depois de amanhã. Como será? Como será isso? A ressurreição. Cristo ressuscitou. Cristo ressuscitou e está bem claro que não ressuscitou como um fantasma. No trecho de Lucas sobre a ressurreição: ‘Toquem-me’. Um fantasma não tem carne, não tem ossos. ‘Toquem-me. Deem-me de comer’. A lógica do depois do amanhã é a lógica na qual entra a carne”.

Francisco disse que às vezes as pessoas se perguntam como será o céu, se estarão lá, mas não se entende aquilo que Paulo quer que elas entendam, esta lógica do depois do amanhã. E aqui, advertiu, as pessoas acabam traídas por um certo “agnosticismo” quando pensam que “será tudo espiritual” e têm medo da carne.

Não esqueçamos, disse o Papa, que esta foi a primeira heresia que o apóstolo João condena: ‘Quem diz que o Verbo de Deus não se fez carne, é do anticristo’. “Temos medo de aceitar e levar às últimas consequências a carne de Cristo. É mais fácil uma piedade espiritualista, uma piedade de nuances; mas entrar na lógica da carne de Cristo, isto é difícil. E esta é a lógica do depois do amanhã. Nós ressuscitaremos como Cristo ressuscitou, com a nossa carne”.

Transformação da carne

O Papa recordou que os primeiros cristãos se perguntavam como Jesus ressuscitou e observou que “na fé da ressurreição da carne, estão enraizadas as mais profundas obras de misericórdia, porque há uma conexão contínua”. De outro lado, prosseguiu, São Paulo sublinha com ênfase que todos serão transformados, o corpo e a carne serão transformados.

O Senhor fez-se ver e tocar e comeu junto com os discípulos após a ressurreição, lembrou o Pontífice. E esta é a lógica do depois do amanhã, aquela que as pessoas têm dificuldade de entender, na qual todos encontram dificuldades para entrar.

“É um sinal de maturidade entender bem a lógica do passado, é um sinal de maturidade se mover na lógica do presente, aquela de ontem e aquela de hoje. É também um sinal de maturidade ter a prudência para enxergar a lógica do amanhã, do futuro. Mas é preciso uma grande graça do Espírito Santo para entender esta lógica do depois do amanhã, depois da transformação, quando Ele virá e nos levará às nuvens, todos transformados, para permanecer sempre com Ele. Peçamos ao Senhor a graça desta fé”.

Santo Evangelho (Jo 6, 52-59)

3ª Semana da Páscoa – Sexta-feira 20/04/2018

Primeira Leitura (At 9,1-20)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 1Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao Sumo sacerdote 2e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho. 3Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. 4Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” 5Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. 6Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. 7Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. 8Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. 9Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu. 10Em Damasco, havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou numa visão: “Ana­nias!” E Ananias respondeu: “Aqui estou, Senhor!” 11O Senhor lhe disse: “Levanta-te, vai à rua que se chama Direita e procura, na casa de Judas, por um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está rezando”. 12E numa visão, Saulo contemplou um homem chamado Ananias, entrando e impondo-lhe as mãos para que recuperasse a vista. 13Ananias respondeu: “Senhor, já ouvi muitos falarem desse homem e do mal que fez aos teus fiéis que estão em Jerusalém. 14E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, recebidos dos sumos sacerdotes, para prender todos os que invocam o teu nome”. 15Mas o Senhor disse a Ana­nias: “Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. 16Eu vou mostrar-lhe quanto ele deve sofrer por minha causa”. 17Então Ananias saiu, entrou na casa, e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas no caminho, ele me mandou aqui para que tu recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. 18Imediatamente caíram dos olhos de Saulo como que escamas e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. 19Tendo tomado alimento, sentiu-se reconfortado. Saulo passou alguns dias com os discípulos de Damasco, 20e logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 116)

— Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
— Ide, por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

— Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

— Pois comprovado é o seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

Evangelho (Jo 6,52-59)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 52os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim o que me come viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”. 59Assim falou Jesus, ensinando na sinagoga em Cafarnaum.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Inês de Montepulciano, uma mulher penitente e de oração

Santa Inês de Montepulciano, consagrou-se totalmente ao Senhor

A santa de hoje nasceu no centro da Itália, em Montepulciano, no ano de 1274. Sua família tinha muitas posses, mas possuía também o essencial para uma vida familiar feliz: o amor a Jesus Cristo.

Muito jovem, sentiu o chamado a consagrar-se totalmente ao Senhor, ingressando na família Dominicana. Uma mulher de penitência, oração, recolhimento e busca da vontade de Deus, que a fez galgar altos degraus na vida mística.

Próximo do lugar em que ela vivia, havia uma casa de prostituição, e Inês se compadecia dessas mulheres, e ofereceu penitências e orações por elas. Aquele lugar de pecado, virou lugar de oração, e muitas daquelas se converteram e algumas até entraram para a vida religiosa. Um grande milagre de Santa Inês ainda em vida.

Morreu com 43 anos de idade, e seu último conselho às suas irmãs foi: “Minhas filhas, amai-vos umas às outras porque a caridade é o sinal dos filhos de Deus!”.

Santa Inês de Montepulciano, rogai por nós!

 

Santo Evangelho (Jo 6, 44-51)

3ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 19/04/2018 

Primeira Leitura (At 8,26-40)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém. 28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?” 31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”. 34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiam o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. 37Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?” 38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eu­nuco. 39Quando saíram da á­gua, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evan­gelizava todas as cidades até chegar a Cesareia.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 65)

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

— Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés.

— Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca!

— Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor!

 

Evangelho (Jo 6,44-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“Ninguém pode vir a mim, se o pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Ema, sinal de que a santidade passa pela caridade

Santa Ema, administrava seus bens para o benefício do próximo

Por parte de mãe, não existia testemunho nem incentivo à santidade. O chamado que ela tinha no coração era ao matrimônio. Casou-se com o conde Ludgero e teve um filho, cujo chamado era para a vocação sacerdotal. Iluminado pelo testemunho da mãe, tornou-se sacerdote e depois bispo. Ao ficar viúva, essa santa discerniu e decidiu consagrar sua viuvez ao Senhor, numa vida de oração expressa na caridade. Muitos conventos e abadias foram construídos graças à sua generosidade. Ela vivia no meio da sociedade, administrando seus bens para o benefício do próximo.

Santa Ema passou os últimos momentos de sua vida numa abadia, após 40 anos de dedicação a Deus, faleceu em 1045. Depois de muito tempo abriram seu túmulo, e encontraram o seu corpo todo em pó, exceto a sua mão direita estava intacta, pois era com essa mão que ela praticava a caridade ao próximo. Um sinal de que a santidade passa pela caridade.

Santa Ema, rogai por nós!

Espiritismo: reencarnação e Cristianismo

D. Estêvão Bettencourt O. S. B.
Fonte: Revista Pergunte e Responderemos, 051 – 1962

«Como se diz, os primeiros cristãos professavam a teoria da reencarnação. Foi somente em 533, num sínodo de Cons­tantinopla, que a Igreja imprudentemente a condenou, introduzindo a idéia do inferno. Que houve propriamente nesse concílio de Constantinopla?»

Em resposta, analisaremos primeiramente a doutrina das antigas fontes do Cristianismo no tocante à reencarnação; a seguir, deter-nos-emos sobre o citado sínodo de Constantinopla.

I. Antigos documentos cristãos e reencarnação

1. Sagrada Escritura. Nem o Velho nem o Novo Testamento dão testemunho que de algum modo insinue a doutrina da reencarnação. Ao contrário, a Escritura professa categoricamente uma só existência do homem sobre a terra, após a qual cada um é definitivamente julgado: «Foi estabelecido, para os homens, morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento» (Hb 9, 27). Ao bom ladrão arrependido dizia Jesus: «Hoje mesmo estarás comigo no paraíso» (Lc 23, 43).

Os principais textos bíblicos concernentes a este assunto (Mt 11,14; 17,12; Jo 1, 21; 3, 3; 9, 1-3) já foram considerados em «P.R.» 3/1957, qu. 8. Dispensamo-nos, pois, de analisá-los novamente aqui, e passamos ao testemunho dos antigos escritores cristãos.

2. Os Padres da Igreja. Os adeptos da reencarnação não raro proferem afirmações como a seguinte:

«A Igreja primitiva não repele absolutamente o ensino reencarnacionista. Os primeiros padres e, entre eles, S. Clemente de Alexandria, S. Jeronimo e Rufino, afirmam que ele era ensinado como verdade tradicional a um certo número de iniciados» (Campos-Vergal, Reencarnação ou Pluralidade das Existências. S. Paulo 1936, 41).

Contudo os autores desta e de semelhantes proposições não tratam de comprová-las citando os textos sobre os quais se apoiam; é o que tira a autoridade a tais assertivas.

Quem, ao contrário, investiga diretamente as obras dos antigos escritores da Igreja, chega a conclusão bem diferente da do trecho acima transcrito. Percorramos, portanto, os escritos dos principais Padres citados pelos reencarnacionistas modernos.

S. Ireneu († 202) rejeitava explicitamente a tese da reencarnação, lembrando que em nossa memória não nos fica vestígio algum de existências anteriores; de outro lado, advertia, a fé cristã ensina a ressurreição da carne, a qual é incompatível com a reencarnação das almas em novos corpos (cf. Adv. haer. II 33).

Tertuliano († 220), usando do seu estilo mordaz, opunha-se ao reencarnacionismo em famosa passagem («De anima» 28-35), que assim se pode resumir:

Pitágoras, que afirma lembrar-se das suas anteriores existências, é vergonhosamente mentiroso: asseverava, por exemplo, ter tomado parte na guerra de Troia; como explicar então que, depois, se tenha mostrado tão pouco valente? Pois, fugindo da guerra, não veio ele à Itália? E, se em vida anterior foi, segundo afirmava, o pescador Pirro, como se lhe justificará a aversão pelo peixe? (Sabe-se que Pitágoras nunca comia peixe). E Empédocles? Não pretendeu ser peixe numa existência anterior? Deve ser por isso que se atirou na cratera de um vulcão: com certeza quis ser frito. É tão absurda a migração das almas para corpos de animais que nem os próprios hereges ousaram defendê-la. – Tertuliano afirmava outrossim que a reencarnação contra­ria a noção de justiça de Deus, a qual exige que a punição afete o próprio corpo que cometeu o pecado, e não algum outro.

Clemente de Alexandria († 215) tinha a doutrina da reen­carnação na conta de arbitrária, pois nem as reminiscências no-la atestam nem a fé cristã.

«Se tivéssemos existido antes de vir a este mundo, deveríamos agora saber onde estávamos, assim como o modo e o motivo pelos quais viemos a este mundo» (Eclogae XVII). Clemente notava que nunca a Igreja professara tal doutrina, a qual só fora sustentada por conventículos de hereges ditos «gnósticos» (Basilidianos e Marcionitas).

São Gregório de Nissa († 394) é explicitamente citado pelos reencarnacionistas como adepto de sua doutrina. Quem, porém, examina os escritos deste autor, verifica que Gregório considera a reencarnação como fábula injuriosa à dignidade hu­mana, pois não hesita em atribuir ao homem, ao animal irracio­nal (ave, peixe, rã…) e à planta o mesmo princípio vital (cf. «De hominis opificio» 28).

Se, não obstante, os reencarnacionistas modernos apelam para a autoridade de S. Gregório de Nissa, isto se deve ao fato de que em al­guns pontos foi discípulo de Orígenes (do qual falaremos no § 2 desta resposta).

São Jerônimo († 421) é por vezes nominalmente citado em favor da reencarnação. Contudo seria difícil ou impossível jus­tificar essa «procura de patrocínio» em S. Jerônimo, pois o S. Doutor se pronunciou diretamente contrário à teoria, e isto… precisamente ao comentar o texto (muito caro aos reencarnacionistas) de Mt 11, 14, em que São João Batista é designado como Elias:

«João é chamado Elias, observa S. Jerônimo, não segundo a men­talidade de tolos filósofos e de alguns hereges, que introduzem a dou­trina da metempsicose, mas pelo fato de ter ele vindo cheio da força e do zelo de Elias, como atesta outra passagem do Evangelho» (cf. Lc 1, 17).

Sto. Agostinho († 430) é tido por Allan Kardec como um dos maiores divulgadores do espiritismo, pois, conforme o Codi­ficador, terá sido adepto da reencarnação. Na verdade, Santo Agostinho, no livro X c. 30 «De civitate Dei», mostra conhecer as doutrinas reencarnacionistas de Platão, Plotino e Porfírio, que ele assim comenta:

«Se julgamos ser indigno corrigir o pensamento de Platão, por que então Porfírio modificou a sua doutrina em mais de um ponto, e em pontos que não são de pequenas consequências? É certíssimo que Platão ensinou que as almas dos homens retornam até mesmo para animar corpos de animais. Esta opinião foi também adotada por Plotino, mestre de Porfírio. Mas não lhe agradou, e com muita razão. É verdade que Porfírio admitiu que as almas entram em sempre novos corpos: ele, de um lado, sentia vergonha em admitir que sua mãe pudesse algum dia carregar às costas o filho, se lhe acontecesse reencarnar-se no corpo de uma mula; mas, de outro lado, não tinha vergonha em acreditar que a mãe pudesse transformar-se numa jovem e desposar o seu próprio filho! Oh, quanto mais nobre é a fé que os san­tos e verazes anjos ensinaram, fé que os Profetas dirigidos pelo Espí­rito de Deus anunciaram, … fé que os Apóstolos apregoaram por todo o orbe! Quanto mais nobre é crer que as almas voltam uma só vez aos seus próprios corpos (no momento da ressurreição final) do que admi­tir que elas tomem tantas vezes sempre novos corpos!» (De civitate Dei X 30).

Considerações análogas se poderiam multiplicar caso se quisesse continuar a percorrer a antiga literatura cristã. Isto escaparia, porém, ao intento do presente artigo. Os dizeres de Santo Agostinho, fazendo eco à sentença de escritores mais anti­gos, principalmente dos mais evocados pelos reencarnacionistas, já bastam para mostrar que vão seria procurar nos Padres da Igreja tutela e autoridade para a doutrina da reencarnação. Quem, com sinceridade, observa a documentação patrística, é levado a concluir que na realidade a Igreja antiga, longe de en­sinar a reencarnação, se lhe opôs abertamente.

Eis, porém, que a história registra o caso de Orígenes, do Origenismo e do Concilio de Constantinopla (543), caso assaz controvertido, ao qual devemos agora voltar a nossa atenção.

II. Orígenes, Origenismo e Constantinopla

É o nome de Orígenes que por excelência dá ocasião a que alguns escritores modernos asseverem, terem os antigos cristãos admitido a doutrina da reencarnação, prosseguindo destarte uma tradição pré­cristã. Será preciso, portanto, considerar antes do mais:

1. Quem era Orígenes?

Orígenes (185-254) foi mestre de famosa Escola Catequética ou Teológica de Alexandria (Egito) numa época em que os autores cristãos começavam a confrontar a revelação do Evangelho com as teses da sabedoria humana anterior a Cristo. As fórmulas oficiais de fé da Igreja eram então muito concisas; a teologia (ou seja, a penetração lógica e sistemática das proposições reveladas) ainda estava em seus primórdios; em consequência, ficava margem assaz ampla para que o estudioso arquitetasse teorias e propusesse sentenças destinadas a elucidar, na medida do possível, os artigos da fé. Orígenes entregou-se a tal tarefa, servindo-se da filosofia de seu tempo e, em particular, da filosofia platônica. Ao realizar isso, o mestre fazia questão de distinguir explicitamente entre proposições dogmáticas, per­tencentes ao patrimônio da fé e da Igreja, e proposições hipo­téticas, que ele formulava em seu nome pessoal, a guisa de sugestões, para penetrar o sentido das verdades dogmáticas; além disto, professava submissão ao magistério da Igreja caso esta rejeitasse alguma das teses de Orígenes.

Ora, entre as suas proposições pessoais, Orígenes formulou algumas que de fato vieram a ser repudiadas pelo magistério eclesiástico.

Assim, inspirando-se no platonismo, derivava a palavra grega «psyché» (alma) de «psychos» (frio), e admitia que as almas humanas, unidas à matéria tais como elas atualmente se acham, são o produto de um resfriamento do fervor de espíritos que Deus criou todos iguais e destinados a viver fora do corpo; a encarnação das almas, por­tanto, e a criação do mundo material dever-se-iam a um abuso da liberdade ou a um pecado dos espíritos primitivos, que Deus terá punido ligando tais espíritos à matéria. Banidos do céu e encarcerados no corpo, estes sofrem aqui a justa sanção e se vão purificando a fim de voltar a Deus; após a vida presente, alguns ainda precisarão de ser purificados pelo fogo em sua existência póstuma, mas na etapa final da história todos serão salvos e recuperarão o seu lugar junto a Deus; o mundo visível terá então preenchido o seu papel e será aniquilado.

Note-se bem: o alexandrino propunha tais idéias como hipóteses, e hipóteses sobre as quais a Igreja não se tinha pronunciado (justamente porque pronunciamentos sobre tais assuntos ainda não haviam sido necessários); não havia, pois, da parte de Orígenes a intenção de se afastar do ensinamento comum da Igreja a fim de constituir uma escola teológica própria ou uma heresia («heresia» implica em obsti­nação consciente contra o magistério da Igreja).

2. A desgraça de Orígenes, porém, foi ter tido muitos dis­cípulos e admiradores… Estes atribuíram valor dogmático às proposições do mestre, mesmo depois que o magistério da Igreja as declarou contrárias aos ensinamentos da fé.

Ê preciso observar outrossim o seguinte: o mestre alexan­drino admitiu como possível a preexistência das almas humanas. Ora esta não implica necessariamente em reencarnação; significa apenas que, antes de se unir ao corpo, a alma humana viveu algum tempo fora da matéria; encarnou-se depois…; dai não se segue que se deva encarnar mais de uma vez (o que seria a reencarnação propriamente dita).

Aliás, Orígenes se pronunciou diretamente contrário à doutrina da reencarnação… Com efeito; em certa passagem de suas obras, con­sidera a teoria do gnóstico Basílides, o qual queria basear a reencarnação nas palavras de S. Paulo: «Vivi outrora sem lei…» (Rom 7,9). Observa então Orígenes: Basilides não percebeu que a palavra «outrora» não se refere a uma vida anterior de S. Paulo, mas apenas a um período anterior da existência terrestre que o Apóstolo estava vivendo; assim, concluía o alexandrino, «Basílides rebaixou a doutrina do Apóstolo ao plano das fábulas ineptas e ímpias» (cf. In Rom VII).

Contudo os discípulos de Orígenes professaram como ver­dade de fé não somente a preexistência das almas (delicada­mente insinuada por Orígenes), mas também a reencarnação (que o alexandrino não chegou de modo nenhum a propor, nem como hipótese).

Os principais defensores destas idéias, os chamados «origenistas», foram monges que viveram no Egito, na Palestina e na Síria nos séc. IV/VI. Esses monges, como se compreende, levando vida muito retirada, entregue ao trabalho manual e à oração, eram pouco ver­sados no estudo e na teologia; admiravam Orígenes principalmente por causa dos seus escritos de ascética e mística, disciplinas em que o ale­xandrino mostrou realmente ter autoridade); não tendo, porém, cabe­dal para distinguir entre proposições categóricas e meras hipóteses do mestre, os origenistas professavam cegamente como dogma tudo que liam nos escritos de Orígenes; pode-se mesmo dizer que eram tanto mais fanáticos e buliçosos quanto mais simples e ignorantes.

A tese da reencarnação, desde que começou a ser sustentada pelos origenistas, encontrou decididos oponentes entre os escritores cristãos mesmos, que a tinham como contrária à fé. Um dos testemunhos mais claros é o de Enéias de Gaza († 518), autor do «Diálogo sobre a imortalidade da alma e a ressurreição», em que se lê o seguinte raciocínio:

«Quando castigo meu filho ou meu servo, antes de lhe infligir a punição, repito-lhe várias vezes o motivo pelo qual o castigo, e recomendo-lhe que não o esqueça para que não recaia na mesma falta. Sendo assim, Deus, que estipula… os supremos castigos, não haveria de esclarecer os culpados a respeito do motivo pelo qual Ele os castiga? Haveria de lhes subtrair a recordação de suas faltas, dando-lhes ao mesmo tempo a experimentar muito vivamente as suas penas? Para que serviria o castigo se não fosse acompanhado da recordação da culpa? Só contribuiria para irritar o réu e levá-lo à demência. Uma tal vitima não teria o direito de acusar o seu juiz por ser punida sem ter consciência de haver cometido alguma falta?» (ed. Migne gr. t. LXXXV 871).

Sem nos demorar sobre este e outros testemunhos anti-reencarnacionistas do séc. V, passamos imediatamente à fase culminante da luta origenista.

Na realidade, a corrente dos origenistas ou o origenismo na primeira metade do séc. VI provocou famosa celeuma teo­lógica.

Como se terá desenrolado?

3. No início do séc. VI estava o origenismo muito em voga nos mosteiros da Palestina, tendo como principal centro de propagação o cenóbio dito da «Nova Laura», ao sul de Belém: aí gozavam de apreço as doutrinas referentes à preexistência das almas, à reencarnação e à restauração de todas as criaturas na ordem inicial ou na bem-aventurança celeste.

Em 531, o abade São Sabas, que, com seus 92 anos de idade, se opunha energicamente ao origenismo, foi a Constantinopla pedir a pro­teção do Imperador para a Palestina devastada pelos samaritanos, assim como a expulsão dos monges origenistas. Contudo alguns dos monges que o acompanhavam, sustentaram em Constantinopla opi­niões origenistas; regressou à Palestina, para aí morrer aos 5 de de­zembro de 532.

Após a morte de S. Sabas, a propaganda origenista recrudesceu, invadindo até mesmo o mosteiro do falecido abade (o cenóbio da «Grande Laura»); em conseqüência, o novo abade, Gelásio, expulsou do mosteiro quarenta monges. Estes, unidos aos da Nova Laura, não hesitaram em tentar tomar de assalto a Grande Laura. Por essa época, os origenistas (pelo fato de combater uma famosa heresia cristológica dita «monofisitismo») gozavam de prestígio mesmo em Constantino­pla, tendo sido dois dentre eles nomeados bispos: Teodoro Askidas, para a sede de Cesaréia na Capadócia; e Domiciano, para a de Ancira.

Com o passar do tempo, a controvérsia entre os monges da Palestina se tornava cada vez mais acesa, exigindo em breve a intervenção de instancia superior. Foi o que se deu em 539 num sínodo reunido em Gaza, o origenismo foi denunciado ao legado papal Pelágio. Este voltou a Constantinopla na compa­nhia de monges de Jerusalém encarregados pelo Patriarca desta cidade de pedir ao Imperador o seu pronunciamento contra o origenismo. A petição foi de fato transmitida, logrando o alme­jado êxito: Justiniano, Imperador, comprazia-se em disputas teológicas; de bom grado, portanto, escreveu um tratado contra Orígenes, de tom extremamente violento, equiparando as sentenças do alexandrino aos erros dos pagãos, maniqueus e arianos; concluía com uma série de dez anátemas contra Orígenes, dos quais especial atenção merecem os seguintes:

«1. Se alguém disser ou julgar que as almas humanas existiam anteriormente, como espíritos ou poderes sagrados, os quais, desviando-se da visão de Deus, se deixaram arrastar ao mal e por este motivo perderam o amor a Deus, foram chamados almas e relegados para dentro de um corpo à guisa de punição, seja anátema.

5. Se alguém disser ou julgar que, por ocasião da ressurreição, os corpos humanos ressuscitarão em forma de esfera, sem semelhança com o corpo que atualmente temos, seja anátema.

9. Se alguém disser ou julgar que a pena dos demônios ou dos ímpios não será eterna, mas terá fim, e que se dará uma restauração («apokatástasis», reabilitação) dos demônios, seja anátema.»

Os outros anátemas interessam menos, pois se referem a erros cristológicos.

Justiniano em 543 enviou o seu tratado com os anátemas ao Patriarca Menas de Constantinopla, a fim de que este também condenasse Orígenes e obtivesse dos bispos vizinhos e dos abades de mosteiros próximos igual pronunciamento.

Assim intimado, Menas reuniu logo o chamado «sínodo permanente» (conselho episcopal) de Constantinopla, o qual, por sua vez, redigiu e promulgou quinze anátemas contra Orígenes, dos quais os quatro primeiros nos interessam de perto:

«1. Se alguém crer na fabulosa preexistência das almas e na repudiável reabilitação das mesmas (que é geralmente associada àquela), seja anátema.

2. Se alguém disser que os espíritos racionais foram todos cria­dos independentemente da matéria e alheios ao corpo, e que vários deles rejeitaram a visão de Deus, entregando-se a atos ilícitos, cada qual seguindo suas más inclinações, de modo que foram unidos a corpos, uns mais, outros menos perfeitos, seja anátema.

3. Se alguém disser que o sol, a lua e as estrelas pertencem ao conjunto dos seres racionais e que se tornaram o que eles hoje são por se terem voltado para o mal, seja anátema.

4. Se alguém disser que os seres racionais nos quais o amor a Deus se arrefeceu, se ocultaram dentro de corpos grosseiros como são os nossos, e foram em consequência chamados homens, ao passo que aqueles que atingiram o último grau do mal tiveram como partilha corpos frios e tenebrosos, tornando-se o que chamamos demônios e espíritos maus, seja anátema».

O papa Vigílio e os demais Patriarcas deram a sua aprovação a esses anátemas. Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em 543, e não, como se costuma dizer, pelo II concílio ecumênico de Constantinopla, o qual só se realizou em 553. Neste concílio ecumênico, a questão da preexistência e da sorte póstuma das almas humanas não voltou à baila; verdade é que Orígenes aí foi condenado juntamente com alguns hereges por causa de erros cristológicos (cf. anátema XI proferido pelo mencionado concílio ecumênico). Os historiadores recentes rejeitam a opi­nião de autores mais antigos segundo os quais o II concílio ecumênico de Constantinopla se teria ocupado com a doutrina origenística concernente à preexistência das almas.

Em todo e qualquer caso, não houve condenação de Orígenes em 533, como afirmam certos escritores reencarnacionistas modernos, os quais por sua pouca meticulosidade se mostram destituídos de autoridade para tratar do assunto.

4. Na verdade, a doutrina da reencarnação deve ser tida como positivamente condenada pela Igreja não somente na base dos testemunhos dos Padres anteriormente citados neste artigo (os quais re­presentam o magistério ordinário da Igreja), mas principalmente por efeito das declarações explícitas do II concílio ecumênico de Lião (1274): «As almas… são imediatamente recebidas no céu», e do concílio ecumênico de Florença (1439): «As almas… passam imediatamente para o inferno a fim de aí receber a punição» (Denzinger, Enchiridion 464. 693).

Quanto à doutrina do inferno, ela está contida na Sagrada Escritura e sempre foi professada pelos cristãos; cf. «P. R.» 371957, qu. 5. Errôneo, portanto, seria dizer que ela se deve a algum concilio do séc. VI.

5. Em conclusão, observamos o seguinte:

a) a doutrina da reencarnação nunca foi comum, nem é primitiva, na Igreja Católica (atestam-no os depoimentos dos antigos escritores cristãos aqui citados);

b) após Orígenes (séc. III), ela foi professada por grupos particu­lares de monges orientais, pouco versados em Teologia, os quais se prevaleciam de afirmações daquele mestre alexandrino, exagerando-as (daí a designação de «origenistas»);

c) mesmo dentro da corrente origenista, a teoria da reencarnação não teve a voga que tiveram, por exemplo, as teses da preexistência das almas e da restauração de todas as criaturas na bem-aventu­rança inicial;

d) por isto as condenações proferidas por bispos e sínodos no séc. VI sobre o origenismo versaram explicitamente sobre as doutrinas da preexistência e da restauração das almas (o que naturalmente im­plica na condenação da própria tese da reencarnação, na medida em que esta tese depende daquelas doutrinas e era professada pelos origenistas);

e) a doutrina da reencarnação foi rejeitada não somente pelo magistério ordinário da Igreja desde os tempos patrísticos, mas tam­bém pelo magistério extraordinário nos concílios ecumênicos de Lião II (1274) e de Florença (1439)

A mulher é harmonia, poesia e beleza

Quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano 
 
Na homilia desta quinta-feira, o Papa Francisco falou sobre o cuidado de Deus na criação da mulher: “sem a mulher não há harmonia no mundo”

Nesta quinta-feira, 9, o Papa Francisco iniciou suas atividades celebrando a Missa na capela da Casa Marta. “Sem a mulher não há harmonia no mundo”, disse durante a reflexão que foi centralizada na figura da mulher a partir da Criação narrada no Livro do Gênesis.

O homem estava só, então o Senhor lhe tirou uma costela e fez a mulher, que o homem reconheceu como carne de sua carne. “Mas antes de vê-la, a sonhou. Para entender uma mulher é necessário antes sonhá-la”, explicou Francisco.

“Muitas vezes, quando nós falamos das mulheres falamos de modo funcional: mas a mulher é para fazer isto, quando, ao invés, a mulher traz uma riqueza que o homem, toda a criação e todos os animais não têm: a mulher traz harmonia à Criação, somente com a mulher Adão podia ser uma única carne”.

O Santo Padre prosseguiu afirmando que quando não há mulher, falta a harmonia. “Nós dizemos que esta é uma sociedade com uma forte atitude masculina e que a mulher é para lavar a louça. Não. A mulher é para trazer harmonia. Sem a mulher não há harmonia. Não são iguais, não são um superior ao outro. Só que o homem não traz harmonia. É ela que traz a harmonia, que nos ensina a acariciar, a amar com ternura e que faz do mundo uma coisa bela”.

A homilia de Francisco se desenvolveu em três temas: a solidão do homem, o sonho, porque não se entende uma mulher sem sonhá-la antes, e o terceiro, o destino de ambos: ser uma só carne. O Pontífice citou um exemplo concreto, recordando que em uma audiência, enquanto saudava as pessoas, perguntou a um casal que celebrava 60 anos de matrimônio: “Qual de vocês teve mais paciência?”

“Eles que me olhavam, se olharam nos olhos, não me esqueço nunca daqueles olhos. Depois voltaram e me disseram os dois juntos: Somos apaixonados! Depois de 60 anos, isto significa uma só carne. Isso é o que traz a mulher: a capacidade de se apaixonar. A harmonia ao mundo. Muitas vezes, ouvimos: ‘É necessário que nesta sociedade, nesta instituição, tenha uma mulher para que faça isso ou aquilo’. Não! A funcionalidade não é o objetivo da mulher. É verdade que a mulher deve fazer coisas e faz coisas, como todos nós fazemos. O objetivo da mulher é criar harmonia e sem a mulher não há harmonia no mundo. Explorar as pessoas é um crime que lesa a humanidade”.

Mas explorar uma mulher é algo ainda pior, prossegue Francisco, é destruir a harmonia que Deus quis dar ao mundo.

“Explorar uma mulher não é somente um crime, mas é destruir a harmonia”, reiterou, e fez referência também ao Evangelho de hoje onde se fala da mulher sírio-fenícia.

O Santo Padre concluiu sua reflexão com uma observação pessoa. “Este é o grande dom de Deus: nos deu a mulher. No Evangelho, ouvimos do que é capaz uma mulher. Aquela é corajosa! Foi adiante com coragem. Mas é algo mais: a mulher é a harmonia, é a poesia, é a beleza. Sem ela o mundo não seria bonito, não seria harmônico. Isso é algo pessoal, mas gosto de pensar que Deus criou a mulher para que todos nós tivéssemos uma mãe.”

Santo Evangelho (Jo 1, 1-18)

Missa do Dia de Natal – Segunda-feira 25/12/2017 

Primeira Leitura(Is 52,7-10)
Leitura do Livro do Profeta Isaías:

7Como são belos, andando sobre os montes, os pés de quem anuncia e prega a paz, de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: “Reina teu Deus!” 8Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz, estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos o Senhor voltar a Sião. 9Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo, ó ruínas de Jerusalém, o Senhor consolou seu povo e resgatou Jerusalém. 10O Senhor desnudou seu santo braço aos olhos de todas as nações; todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 97)

— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.
— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ porque ele fez prodígios!/ Sua mão e o seu braço forte e santo/ alcançaram-lhe a vitória.

— O Senhor fez conhecer a salvação,/ e às nações, sua justiça;/ recordou o seu amor sempre fiel/ pela casa de Israel.

— Os confins do universo contemplaram/ a salvação do nosso Deus./ Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ alegrai-vos e exultai!

— Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa/ e da cítara suave!/ Aclamai, com os clarins e as trombetas,/ ao Senhor, o nosso Rei!

 

Segunda Leitura (Hb 1,1-6)
Leitura da Carta aos Hebreus:

1Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; 2nestes dias, que são os últimos, ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também ele criou o universo. 3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas. 4Ele foi colocado tanto acima dos anjos quanto o nome que ele herdou supera o nome deles. 5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez: “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei?” Ou ainda: “Eu serei para ele um Pai e ele será para mim um Filho?” 6Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo, Deus diz: “Todos os anjos devem adorá-lo!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 1,1-18)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

1No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus. 2No princípio estava ela com Deus. 3Tudo foi feito por ela, e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 6Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10A Palavra estava no mundo — e o mundo foi feito por meio dela — mas o mundo não quis conhecê-la. 11Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como Filho unigênito, cheio de graça e de verdade. 15Dele, João dá testemunho, clamando: “Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim”. 16De sua plenitude, todos nós recebemos graça por graça. 17Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18A Deus, ninguém jamais viu. Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA SOLENEMENTE
Natal do Senhor – Celebração do nascimento de Jesus Cristo

Neste dia especial, em que toda a Igreja celebra o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, acompanhemos o testemunho da Palavra de Deus a respeito deste acontecimento que transformou a história da humanidade:

“…José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida. Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: ‘Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor’.” (Lc 2,4-11)

Por isso hoje celebramos a eterna solidariedade do Pai das Misericórdias que, no seu plano de amor, quis o nascimento de Jesus, que é o verdadeiro Sol, a Luz do mundo. Este não é um dia de medo e nem de desespero, é dia de confiança e de esperança, pois Deus veio habitar no meio de nós, e assim encher-nos da certeza de que é possível um mundo novo. Solidário conosco, Ele nos quer solidários neste dia de Glória que refulge ao redor de cada um de nós!

Sendo assim, tudo neste dia só tem sentido se apontar para o grande aniversariante deste dia: o Menino Deus! Presépios, árvores, enfeites, banquetes e os presentes natalícios representam os presentes que os Reis Magos levaram até Jesus, mas não são estes símbolos a essência do Natal. O importante, o essencial, é que Cristo realmente nasça em nossos corações de uma maneira nova, renovadora, e que a partir daí, possamos sempre caminhar na sua luz solidária deste Deus Único e Verdadeiro, que nos quer também solidários uns com os outros!

Vivamos com muita alegria este dia solidário, que o Senhor fez para nós!

Um Santo Natal para você e para a sua família!

IV Domingo do Advento – Ano B

“O anjo lhe disse: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” – Lc 1,26-38

26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33e o seu reino não terá fim. 34Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.

Contemplamos Nossa Senhora que, “enriquecida, desde o primeiro instante da sua conceição, com os esplendores duma santidade singular, a Virgem de Nazaré é saudada pelo Anjo, da parte de Deus, como cheia de graça (cf. Lc 1,28); e responde ao mensageiro celeste: Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38)… Maria consagrou-se totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus onipotente o mistério da Redenção”. (Lumen Gentium, nº 56). Não há Encarnação sem Anunciação, mistérios das relações de Deus com os homens e o acontecimento mais transcendente da História da humanidade. Que Deus se faça homem e para sempre! Até onde chegou a bondade, a misericórdia e o amor de Deus por nós, por todos nós! São Lucas, narra estes versículos com grande simplicidade. Com quanta atenção, reverência e amor temos de ler estas palavras do Evangelho, rezar piedosamente o Ângelus cada dia, e contemplar o primeiro mistério gozoso do santo Rosário. Deus quis nascer de uma Mãe Virgem. Assim o tinha anunciado séculos antes por meio do profeta Isaías (Is 7,14; Mt 1,22-23). Deus, “desde toda a eternidade, escolheu-A e indicou-A como Mãe para que o Seu Filho tornasse carne e nascesse na plenitude dos tempos; e em tal grau A amou por cima de todas as criaturas” (Ineffabilis Deus)[1]. Este privilégio de ser Virgem e Mãe ao mesmo tempo, concedido a Nossa Senhora, é um dom divino, admirável e singular. No texto bíblico, qual o significado de “Salve!”: literalmente o texto grego diz: alegra-te! É claro que se trata de uma alegria totalmente singular pela notícia que Lhe vai comunicar a seguir. Ainda, no texto. Qual o significado da saudação “Cheia de graça”: O Arcanjo manifesta a dignidade e a honra de Maria com esta saudação. Os Padres e Doutores da Igreja “ensinaram que com esta singular e solene saudação, jamais ouvida, se manifestava que a Mãe de Deus era assento de todas as graças divinas e que estava adornada de todos os carismas do Espírito Santo”, pelo que “jamais esteve sujeita a maldição”, isto é, esteve imune de todo o pecado. Estas palavras do Arcanjo constituem um dos textos em que se revela o dogma da Imaculada Conceição de Maria (cfr. Ineffabilis Deus, do Papa Pio IX – †1878; Credo do Povo de Deus, nº 14, do Papa Paulo VI – †1978). E o texto, “O Senhor está contigo”: Estas palavras não têm um mero sentido de súplica (o Senhor esteja contigo), mas afirmativo (o Senhor está contigo), e em relação muito estreita com a Encarnação. Santo Agostinho († 430) comenta a frase “o Senhor está contigo” pondo na boca do Arcanjo estas palavras: “Mais que comigo, Ele está no teu coração, forma-Se no teu ventre, enche a tua alma, está no teu seio” (Sermo de Nativitate Domini, 4). Alguns importantes manuscritos gregos e versões antigas acrescentam no fim: “Bendita tu entre as mulheres”: Deus exalta Maria, sobre todas as mulheres. Mais excelente que Sara, Ana, Débora, Raquel, Judite etc…, pelo fato de que só Ela tem a suprema dignidade de ter sido escolhida para ser Mãe de Deus. “Perturbou-se” (vers. 29): Fica assim Nossa Senhora pela presença do Arcanjo, e pela confusão que é produzida nas pessoas verdadeiramente humildes, quanto aos louvores dirigidos a ela. A Anunciação é o momento em que Nossa Senhora conhece com clareza a vocação a que Deus A tinha destinado desde sempre. Quando o Arcanjo A tranqüiliza e Lhe diz “não temas, Maria”, está a ajudá-La a superar esse temor inicial que, se apresenta em toda a vocação divina. O fato de que isto tenha acontecido à Santíssima Virgem indica-nos que não há nisso nem sequer imperfeição: é uma reação natural diante da grandeza do sobrenatural. O Arcanjo Gabriel comunica à Santíssima Virgem a sua maternidade divina, recordando as palavras de Isaías que anunciavam o nascimento virginal do Messias e que agora se cumprem em Maria Santíssima (cf. Mt 1,22-23; Is 7,14). Revela-se que o Menino será “grande”: a grandeza vem-Lhe da Sua natureza divina, porque é Deus, e depois da Encarnação não deixa de sê-lo, mas assume a pequenez da humanidade. Revela-se também que Jesus será o Rei da dinastia de Davi, enviado por Deus segundo as promessas de Salvação; que o Seu Reino “não terá fim”: porque a Sua humanidade permanecerá para sempre indissoluvelmente unida à Sua divindade; que “chamar-se-á Filho do Altíssimo”. No anúncio do Arcanjo vêm à tona, as antigas profecias que anunciavam estas prerrogativas. Maria, que conhecia as Escrituras Santas, entendeu claramente que ia ser Mãe de Deus. O Papa João Paulo II comentava assim esse trecho: “Virgo Fidelis, Virgem fiel. Que significa esta fidelidade de Maria? Quais são as dimensões dessa fidelidade? A primeira dimensão chama-se busca. Maria foi fiel, antes de mais, quando com amor se pôs a buscar o sentido profundo do desígnio de Deus n’Ela e para o mundo. ‘Quomodo fiet? Como acontecerá isto? Perguntava Ela ao anjo da Anunciação (…). Não haverá fidelidade se não houver na raiz esta ardente, paciente e generosa busca (..)”. “A segunda dimensão da fidelidade chama-se acolhimento, aceitação. O quomodo fiet transforma-se, nos lábios de Maria, em um Fiat. Que se faça, estou pronta, aceito: este é o momento crucial da fidelidade, momento em que o homem percebe que jamais compreenderá totalmente o como; que há desígnio de Deus mais zonas de mistério que de evidência; que, por mais que faça, jamais conseguirá captar tudo (…)”. “Coerência é a terceira dimensão da fidelidade. Viver de acordo com o que se crê. Ajustar a própria vida ao objeto da própria adesão. Aceitar incompreensões, perseguições, antes que permitir rupturas entre o que se vive e o que se crê: esta é a coerência (…)”. “Mas toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: a duração. Por isso a quarta dimensão da fidelidade é a constância. É fácil de ser coerente por um dia ou por alguns dias. Difícil e importante é ser coerente toda a vida. É fácil de ser coerente na hora da exaltação, difícil sê-lo na hora da tribulação. E só pode chamar-se fidelidade uma coerência que dura ao longo de toda a vida. O Fiat de Maria na Anunciação encontra a sua plenitude no Fiat silencioso que repete aos pés da cruz” (Homilia Catedral do México). A fé de Maria nas palavras do Arcanjo foi absoluta; não dúvida como duvidou Zacarias (cfr 1,18). A pergunta da Santíssima Virgem “como será isso” exprime a sua prontidão para cumprir a vontade divina diante de uma situação que parece à primeira vista contraditória: por um lado Ela tinha a certeza de que Deus lhe pedia para conservar a virgindade; por outro lado, também da parte de Deus, é-lhe anunciado que vai ser Mãe. As palavras imediatas do Arcanjo declaram o mistério do desígnio divino e o que parecia impossível, segundo as leis da natureza, explica-se por uma intervenção de Deus. O propósito de Maria de permanecer virgem foi certamente algo singular, que interrompia o modo ordinário de proceder dos justos do Antigo Testamento, no qual, como expõe Santo Agostinho, “atendendo de modo particularíssimo à propagação e ao crescimento do Povo de Deus, que era o que tinha de profetizar e donde havia de nascer o Príncipe e Salvador do Mundo, os santos tiveram de usar do bem do matrimônio” (De Bono matrimonii, 9,9). Houve, porém, no Antigo Testamento alguns homens que por desígnio de Deus permaneceram celibatários, como Jeremias, Elias, Eliseu e no Novo Testamento: João Batista. A Virgem Santíssima, inspirada de modo muito particular pelo Espírito Santo para viver plenamente a virgindade, é já uma primícia do Novo Testamento, no qual a excelência da virgindade sobre o matrimônio adquirirá todo o seu valor, sem diminuir a santidade da união conjugal, que é elevada à dignidade de sacramento (cfr. Gaudium et spes, nº 48). A “sombra” é um símbolo de presença de Deus. Quando Israel caminhava pelo deserto, a glória de Deus enchia o Tabernáculo e uma nuvem cobria a Arca da Aliança (Ex 40,34-36). De modo semelhante quando Deus entregou a Moisés as tábuas da Lei, uma nuvem cobria a montanha do Sinai (Ex 25,15-16), e também na Transfiguração de Jesus se ouve a voz de Deus Pai no meio de uma nuvem (Lc 9,35). No momento da Encarnação o poder de Deus cobre com a Sua Sombra Nossa Senhora. É a expressão da ação onipotente de Deus. O Espírito de Deus – que, segundo o relato do Gênesis (1,2), pairava sobre as águas dando vida às coisas – desce agora sobre Maria. E o fruto do seu ventre será obra do Espírito Santo. A Virgem Maria, que foi concebida sem mancha de pecado (cf. Ineffabilis Deus), fica depois da Encarnação constituída em Novo Tabernáculo de Deus. Este é o Mistério que recordamos todos os dias na recitação do Angelus. Uma vez conhecido o desígnio divino, Nossa Senhora entrega-se à Vontade de Deus com obediência. Que a busca, acolhimento, coerência e constância, exemplos de fidelidade demonstrados pela Virgem Maria a partir da Anunciação, seja nosso modelo, onde possamos buscar a santidade para “gerar” e “formar” Cristo em nós!

Fonte: VV.AA, Bíblia Sagrada, anotada pela Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, Edições Theologica, Braga, 1994.
[1] Ineffabilis Deus (Latim: para “Deus Inefável”), Constituição Apostólica escrita pelo Papa Pio IX. Este documento define o dogma da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. O decreto de promulgação é datado de 8 de dezembro de 1854, dia da Festa da Imaculada Conceição de Maria.

 

4º DOMINGO DO ADVENTO – B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

“Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o justo; abra-se a terra, e brote o Salvador!” (Is 45,8)

Meus irmãos, Chegamos ao quarto domingo do Advento, carregado de uma simbologia muito forte: a promessa de Deus e o “sim” do homem. A Primeira Leitura(2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16) diz que Senhor está interessado no bem-estar de seu povo. O rei Davi, que morava em um confortável palácio, preocupava-se com a situação da Arca da Aliança, que se encontrava abrigada numa tenda simples. A Arca representa muito mais do que a morada do Senhor. Ela acompanha o povo e a sua caminhada, por isso Davi queria dar uma acomodação melhor, mais digna e, por conseguinte, segura para Deus junto do seu povo. Natan, no entanto, surpreendeu a Davi dizendo que Deus não está preocupado com a suntuosidade, com o luxo e com o bem-estar. Mais do que palácios e arcas, o primeiro para acomodar o poder e o segundo para o culto, o importante é o bem-estar do povo de Deus, do povo sofrido, do povo excluído, do povo espoliado por políticas de exclusão que priorizam o capital em detrimento da pessoa e da sua dignidade de filhos e filhas de Deus. O rei e o governante, que recebem a investidura de seu poder por parte do Senhor Deus, devem ter como preocupação precípua é o bem-estar e a bonança do povo de Deus. O questionamento de Natan para com Davi é o questionamento que deve ser feito na nossa vida. Enquanto David foi ungido rei, ele logo se preocupou com a Arca, se esquecendo que o primordial é a preocupação com o povo a quem governava. Portanto, o importante é que os homens da Igreja e os homens e mulheres de boa vontade estejam preocupados na qualidade de vida, em todos os sentidos, do povo de Deus, sem ter medo de denunciar tudo aquilo que atinge a dignidade da pessoa humana. Meus irmãos e minhas irmãs, O Evangelho de hoje(Lc 1,26-38) traz o pleno cumprimento de todos os sinais que anunciam a vinda do Salvador. Um deles é a promessa feita a Davi, de que sua descendência teria seu trono firmado para sempre. Essa promessa se realiza no filho de Maria, juridicamente inserida, através de seu noivo José, na descendência de Davi. A este filho, Deus dar-lhe-á o trono de Davi, o governo da casa de Jacó para sempre. O modo como Jesus é o Cristo, que reinará para sempre, e o modo como a casa de Israel se tornará um povo universal, nenhum contemporâneo de Maria o podia imaginar e ela só o vislumbrava como Mistério de Deus. As profecias não são programas a serem executados. São sinais da obra inesperada que Deus está fazendo, sinais que a gente só entende plenamente depois da obra realizada. O Evangelho de hoje ensina que Maria acolheu o projeto de Deus e tornou possível a presença de Jesus no mundo, já que aceitou ser a mãe do Filho de Deus. Seu corpo foi a primeira casa onde ele se hospedou, por nove meses, até que desse à luz deste mundo.  Deus, com o gesto da encarnação, quer morar em cada um de nós, em nosso coração, em nossa vida, quer ser hóspede para sempre.  Por isso, somos convidados a abandonar as futilidades, as comodidades e a viver a “radicalidade” do Evangelho que pede sacrifícios, que pede inserção no projeto de redes de comunidades, aderindo ao projeto de seguimento de Jesus Cristo. Meus irmãos, São Lucas, no Evangelho de hoje, vê chegada a plenitude dos tempos na Encarnação de Jesus Cristo. Vê chegado o começo dos novos tempos, caracterizados pelo Emanuel, isto é, Deus-conosco (Is 7, 14), um Deus sempre presente no meio da comunidade, misericordioso, legislador e mestre, santificador, mediador entre o céu e a terra. Jesus é anunciado numa pequena vila mal afamada (Jo 1,46; 7,41) da Galiléia, semipagã. Embora seu nome, segundo São Jerônimo, signifique “flor”, Nazaré era mais conhecida pelas prostitutas à disposição, do que pelos valores religiosos-culturais. Ainda assim, Jerusalém não merecera a mensagem divina. A jovem e virgem Maria, na minúscula Nazaré, torna-se a nova Jerusalém, a nova cidade santa, aquela que os profetas chamaram de Filha de Sião (Is 37,22; Sf 3, 14). Jerusalém continha o templo, coração do povo. Maria, a nova Jerusalém, contém o Senhor do templo, Deus encarnado em seu seio virginal. O templo de Jerusalém era o símbolo visível da Aliança de Deus com o povo. Agora, Maria de Nazaré é a iniciadora da nova aliança, que Jesus, na última ceia, dirá que é definitiva e eterna, porque garantida pelo seu sangue (Lc 22,20). Portanto, se Maria concebeu em seu seio o Filho de Deus, está cheia de toda a graça, porque contém em si a plenitude da graça, todo o Bem, o Bem inteiro. Meus amados irmãos, O Filho de Deus, que o arcanjo Gabriel anuncia encarnado no seio de Maria, por obra e graça do Espírito Santo, não é dom para ela exclusivamente. As mães costumam falar sempre em “meu filho”, embora o filho seja tanto dela, quanto do marido. Na Anunciação, Gabriel é claro: o Filho de Maria pertencerá a todos. A todos, sem distinção. E o afirma com a frase: “O chamarás Jesus”. No nome está uma missão. O nome já fora dado a Josué, que salvara o povo do deserto, conduzindo-o à Terra Prometida. O nome já fora dado ao sacerdote que organizara o culto ao Deus único durante o exílio da Babilônia. O Filho de Maria se chamará Jesus, isto é, Salvador. Jesus é aquele que nos vem salvar do deserto em que vivemos. Jesus é aquele que vem restaurar o verdadeiro culto ao Pai do Céu, onde já não contam as coisas oferecidas, como bois, carneiros, incensos, mas à sua pessoa, sacerdote e sacrifício (Hb 7, 27), ao mesmo tempo, e à nossa pessoa, que deve se converter e voltar-se para o Senhor, para ser com ele sacrifício puro e agradável (Ef 5,2). Jesus veio nos ensinar como “adorar o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4,24). Irmãos e Irmãs, Abramos, nas vésperas do Natal, os nossos corações ao Menino que vem, para que ele faça de nossos corpos sua morada e que esta presença permeie todos os nossos relacionamentos: nas festas, no lazer, nos trabalhos, na vida pessoal e na vida familiar, nunca se esquecendo da vida de comunidade, de paróquia, da Igreja Particular à qual estamos inseridos e, por fim, à Igreja Católica, de todo o mundo. A proximidade da festa do Natal nos interpela a um questionamento muito sério: por que é tão importante celebrar o nascimento do Filho de Deus, do Salvador da humanidade? Ele vem para iluminar a existência dos seres humanos, levá-los pelo o caminho da vida plena, com a consciência viva de que o mundo precisa ser salvo. Começando pela salvação de cada um de nós, queremos clamar em alta voz: “Vem, Senhor Jesus, o mundo precisa de ti!”. Meus irmãos, A segunda Leitura(Rm 16,25-27) é uma profissão de fé: em Cristo se torna manifesto o que, desde séculos, a Sagrada Escritura, ao mesmo tempo em que o assinalava, escondia: o Mistério de Deus. Deve-se ver a história a partir de Jesus Cristo. Assim, entenderemos em todos os fatos narrados nos sagrados mistérios deste domingo indícios do que se manifesta, em plena clareza, nele mesmo. Pela graça de Deus que emana a todos os povos compreenderemos nitidamente a grandeza da fé católica e apostólica, pois tudo é dom de Deus, graça do Divino Infante. A síntese desta liturgia é acolher um hóspede muito especial, o Deus Menino, não o deixando trancado em nossas casas, mas saindo com ele para todos os eventos de nossa vida. Natal é isso! Natal é não trancar Deus no nosso coração, mas comunicar o bem-estar que provém do Menino Deus. Na celebração do Nascimento de Jesus, que já se nos avizinha, estejamos preparados, prontos para acolhê-lo em nosso coração, permitindo que ele se faça presente em nossa vida, por meio de nossas ações, de nossas palavras, de nossa conduta, para que sejamos lídimos discípulos e missionários de Cristo.

 

Neste último domingo de Advento, destaca-se o anúncio do mistério do Natal que foi preparado ao longo da história. A Liturgia da Palavra deste domingo apresenta-nos a reação de três pessoas diante deste anúncio: Acaz, Maria e José. Jesus, o Messias, é Filho de Davi. Todos os evangelistas têm a preocupação de sublinhar a descendência davídica de Jesus, situando-a na esperança dos tempos messiânicos. Jesus quer dizer “Deus salva”. O tempo messiânico, no sentido profético, significa vencer a maldição do paraíso (Jardim do Éden), uma nova maneira de compreender a paz, a renovação a solidariedade e a harmonia entre as pessoas, como se voltasse de novo ao paraíso do Gênesis. A história da humanidade seria uma nova história, porque o homem seria verdadeiramente homem. Além disto, apresentar Jesus como filho de Davi é insistir no caráter humano da intervenção de Deus. Jesus vai se integrar na História, apesar de ficar “marcado”, ou seja, vinculado a um determinado lugar, a circunstâncias concretas, à maneira de pensar do tempo e do local; mas tudo isto não impede de anunciar que a sua mensagem é universal. Jesus pertence ao povo judeu e é no seu seio que nasce; por isso, tem muitos sinais de pertença a este povo; é um entre muitos. O Prefácio do Advento II/A apresenta-nos o papel de Maria no contexto deste último domingo. Começa por nos ajudar a reconhecer que devemos estar gratos pelo mistério da Virgem Maria. Depois, vai explicando a força do mistério. Maria é a nova Eva. Por ela, a relação que existia entre os homens e Deus podem ser restaurados: “A graça que em Eva nos foi tirada, foi-nos restituída em Maria. Nela, Mãe de todos os homens, a humanidade, resgatada do pecado e da morte, recebe o dom da vida nova”. Todos devemos viver para Deus; em Maria vemos isso concretizado. Porém, sabemos que não foi somente Maria que desejou Deus, mas que Deus também a desejou, porque a escolheu e pelo Espírito Santo tornou-se presente, fez-se comunhão na sua vida e na vida de todas as pessoas. Se Maria, como nos recorda o Concílio Vaticano II, é mãe e modelo para a Igreja, também a comunidade cristã, como Maria, tem de estar disposta a acolher o amor de Deus no seu seio, deixando que o Espírito Santo atue. José é a imagem do crente, crê, mas não compreende o que se passa a sua volta. Deste ponto de vista, é muito parecido conosco. O que ele vê, o que ele espera e deseja não é o que está vivendo. Mas, José é um crente como Abraão, ou seja, confia no projeto de Deus. É flexível nas suas decisões depois de escutar; não se distancia dos problemas, mas assume-os; pondo o nome de Jesus, compromete-se no plano de Deus; seguindo as orientações do anjo, a sua responsabilidade também proclama que Deus salva. Comprometer-se em algo não significa caminhar por um caminho fácil: exige a disponibilidade de modificar os próprios sentimentos, projetos e opções. A fé abre a José uma nova luz na escuridão, porque lhe faz ver o novo sentido que têm os acontecimentos que está vivendo. Por outro lado, neste domingo, encontramos a figura de Acaz, o crente que tem medo de acreditar. Acaz encontra-se entre duas opções políticas: ou aliar-se aos reis vizinhos para lutar contra a poderosa Assíria, ou aliar-se à Assíria. Acaz opta pela segunda hipótese para que a Assíria o auxilie a defender-se. Mas ao tomar esta decisão, abre as portas ao domínio assírio. O profeta Isaías anima-o e aconselha-o a não fazer alianças. Parece que aqui apenas se trata de uma questão de estratégia política. Mas, pela boca de Isaías sabemos que Deus queria dar a Acaz um sinal para alimentar a fragilidade da sua fé. Nota-se que o rei não quer nada: “Não pedirei, não porei o Senhor à prova”. Acaz não quer deixar-se guiar por Deus. Ele não é ateu, porque acredita, mas os critérios utilizados para tomar uma decisão estão, por vezes, longe dos critérios da fé. A opção assíria supunha introduzir no povo valores e uma religiosidade que iriam ferir gravemente a fé do povo. É aqui que radica a sua responsabilidade. José e Acaz são duas figuras muito diferentes. Com o Natal chegando podemos questionar se a nossa atitude é como a de Acaz, seguindo as ideias daqueles que os seus valores nos afastam da fé. Os seus critérios são muito fortes, impõem-se em todos os lugares, mas realmente libertam o homem? Ao rei Acaz e, quem sabe, a muitos de nós que nos deixamos influenciar facilmente, Isaías anuncia que o “Senhor nos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel”. Perante isto, somos fracos? A convicção de que Deus está conosco é a nossa fortaleza, porque Deus salva. Esta é a fé que celebramos no Natal.

 

Celebramos o 4º e último domingo do advento. Estamos terminando este tempo litúrgico. Até hoje a nossa reflexão consistiu na preparação para a vinda definitiva do Senhor no fim dos tempos. A partir de hoje, preparar-nos-emos para celebrar o Natal. Durante esta semana (a “semana santa” natalícia) iremos preparar a nossa vida, especialmente o nosso interior para a celebração do nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, nosso Salvador. Com a eucaristia deste domingo, pretende-se que os fiéis se disponham para “celebrar dignamente o mistério do Natal do Filho de Deus” (Oração Depois da Comunhão). Para que tal aconteça, as orações e as leituras bíblicas deste domingo fazem referência aos momentos que aconteceram perto do nascimento de Jesus. A Oração Coleta e a Oração Sobre as Oferendas fazem uma referência explícita à encarnação. O profeta Natã, na 1ª Leitura, recorda-nos a promessa messiânica feita a David: um seu descendente será rei e o seu reinado permanecerá para sempre. É deste oráculo que o Anjo Gabriel fala no relato da anunciação que será proclamado no evangelho. A 2ª Leitura vem dizer-nos claramente qual a razão do mistério de Deus, feito homem: “a revelação do mistério… dado a conhecer a todos os povos… para que eles obedeçam à fé”. Para muitos fiéis, a próxima celebração que tomarão parte será a do Natal. Por isso, a preparação para essa festa ficará simplesmente pela celebração deste domingo. Seria oportuno dar algumas indicações para que nas suas casas possam celebrar com profundidade este acontecimento central da história da salvação. Poder-se-ia aconselhar a leitura e a meditação dos primeiros capítulos do evangelho de São Mateus e de São Lucas. Poderia haver, na medida do possível, uma celebração comunitária da penitência que permita acolher o Salvador com um coração purificado. A liturgia não celebra os mistérios da vida do Senhor como acontecimentos independentes uns dos outros, mas como diferentes momentos do único plano salvífico. A encarnação não é um fato isolado, mas o início da redenção. “Deus fez-se homem para que o homem se fizesse Deus” (Santo Agostinho). A Oração Coleta deste domingo faz, resumidamente, a unidade da encarnação – paixão – ressurreição, mostrando o caminho da nossa deificação: “Infundi, Senhor, a vossa graça em nossas almas, para que nós, que pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Cristo vosso Filho, pela sua paixão e morte na cruz alcancemos à glória da ressurreição”. Neste domingo, Maria tem um lugar muito importante. Maria é o modelo para todo o cristão que espera o seu Senhor. Somos convidados a contemplar e a assumir a sua atitude e o modo como Maria preparou a vinda do Messias. Nos domingos anteriores, Isaías e João Batista ajudaram-nos a preparar essa vinda. Ao terminar o Advento, Maria aparece como o último elo da longa cadeia de pessoas que Deus se serviu para preparar e tornar possível que o Verbo de Deus se fizesse homem. Assim, o advento segue, cronologicamente, os acontecimentos vividos pelo Povo de Israel para preparar a vinda do Messias. A atitude de Maria, ou seja, a sua total disponibilidade ao plano de Deus, é a mais adequada para qualquer cristão: “faça-se em mim segundo a tua palavra” (evangelho). Estas palavras de Maria expressam uma grande confiança em Deus, mas não isenta de receio: “Como será isto, se eu não conheço homem?”. É uma confiança plenamente aberta ao Espírito de Deus que atua nela sem haver qualquer obstáculo. Deus é assim: Alguém que pede licença para entrar na nossa vida, Alguém que, se deixarmos, como Maria, faz maravilhas em nós pela ação do Espírito.

 

QUARTO DOMINGO DO ADVENTO
Lc 1, 26-38 “Faça-se em mim segundo a tua palavra”

Maria de Nazaré, junto com o Batista e o profeta Segundo-Isaías,  é figura importante nas leituras do tempo do Advento.  O texto de hoje é riquíssimo, e mereceria um tratamento muito mais pormenorizado.  É essencial para entendermos a figura de Maria que as Escrituras nos apresentam. No esquema de Lucas, a anunciação à Maria se contrapõe àquela feita a Zacarias (Lc 1, 5-22).  Naquele relato, quem recebe o anúncio é um sacerdote, idoso, no Templo judaico.  No texto de hoje, é uma moça, jovem, no dia-a-dia dum lugarejo, Nazaré.  O sacerdote não acreditou, e ficou mudo……simbolizando  que  os ritos do Templo não tem mais nada a dizer!  Maria acredita,  e é proclamada “bendita entre as mulheres” (1, 42). Infelizmente muitas vezes este trecho é interpretado de maneira a nos apresentar uma Maria totalmente passiva, sem expressão – é ideologicamente foi usado para insistir que as mulheres, no mundo e na Igreja, deveriam ficar passivas e sem expressão!  Tal interpretação distorce totalmente o que Lucas quer nos dizer! Maria, embora não entenda plenamente (cf. 1, 29; 2, 19; 2, 50s) aceita não somente ser instrumento da vontade de Deus, mas ser protagonista da realização desse plano divino.  A frase “faça-se em mim” não deve ser interpretada duma maneira passiva, mas como o grito de entusiasmo de quem quer ser colaboradora na realização do plano de Deus o mundo.  Não se refere somente ao fato de engravidar – isso seria muito pouco – mas à grande visão de Deus para os seus filhos e filhas.  Um pouco adiante Lucas vai mostrar o alcance dessa frase, quando na boca de Maria ele coloca o grande canto de libertação, que é o Magnificat!  Não é possível entender a profundidade da frase de Maria na anunciação sem ler também o Magnificat (1, 46-55).  O que é que Maria quer quando ela pede que seja feita a vontade de Deus nela?  Ela quer a realização da vira-volta no mundo que é o Advento do Reino de Deus, quando Deus vai “dispersar os homens de pensamento orgulhoso; precipitar os poderosos dos seus tronos e exaltar os humildes; cobrir de bens os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (1, 51-53). Num mundo onde a realidade é a prepotência e a violência dos poderosos contra pobres e indefesos, e onde as mulheres muitas vezes estão na liderança da resistência, Lucas nos apresenta Maria como protagonista da concretização do Reino.  Como ela, quem realmente quer receber o Salvador no Natal, tem que se comprometer duma maneira concreta na construção dum mundo novo, de justiça e fraternidade, tão contrário ao que vivemos hoje, e que Maria canta no primeiro capítulo de Lucas.

Santo Evangelho (Mt 19, 3-12)

19ª Semana Comum – Sexta-feira 18/08/2017

Primeira Leitura (Js 24,1-13)
Leitura do Livro de Josué.

Naqueles dias, 1Josué reuniu em Siquém todas as tribos de Israel e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2Então Josué falou a todo o povo: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Vossos pais, Taré, pai de Abraão e de Nacor habitaram outrora do outro lado do rio Eufrates e serviram a deuses estranhos. 3Mas eu tirei Abraão, vosso pai, dos confins da Mesopotâmia, e o conduzi através de toda a terra de Canaã, e multipliquei a sua descendência. 4Dei-lhe Isaac, e a este dei Jacó e Esaú. E a Esaú, um deles, dei em propriedade o monte Seir; Jacó, porém, e seus filhos, desceram para o Egito. 5Em seguida, enviei Moisés e Aarão e castiguei o Egito com prodígios que realizei em seu meio, e depois disso vos tirei de lá. 6Fiz, portanto, que vossos pais saíssem do Egito, e assim che­gastes ao mar. Os egípcios perseguiram vossos pais, com carros e cavaleiros, até o mar Vermelho. 7Vossos pais clamaram então ao Senhor, e ele colocou trevas entre vós e os egípcios. Depois trouxe sobre estes o mar, que os recobriu. Vossos olhos viram todas as coisas que eu fiz no Egito e habitastes no deserto muito tempo. 8Eu vos introduzi na terra dos amorreus que habitavam do outro lado do rio Jordão. E, quando guerrearam contra vós, eu os entreguei em vossas mãos, e assim ocupastes a sua terra e os exterminastes. 9Levantou-se então Balac, filho de Sefor, rei de Moab, e combateu contra Israel, e mandou chamar Balaão, filho de Beor, para que vos amaldiçoasse. 10Eu, porém, não o quis ouvir. Ao contrário, abençoei-vos por sua boca, e vos livrei de suas mãos. 11A seguir, atravessastes o Jordão e chegastes a Jericó. Mas combateram contra vós os habitantes desta cidade – os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hititas, os gergeseus, os heveus e os jebuseus. Eu, porém, entreguei-os em vossas mãos. 12Enviei à vossa frente vespões que os expulsaram da vossa presença – os dois reis dos amorreus – e isso não com a tua espada nem com o teu arco. 13Eu vos dei uma terra que não lavrastes, cidades que não edificastes, e nelas habitais, vinhas e olivais que não plantastes, e comeis de seus frutos.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 135)

— Eterna é a sua misericórdia!
— Eterna é a sua misericórdia!

— Demos graças ao Senhor, porque ele é bom: porque eterno é seu amor! Demos graças ao Senhor, Deus dos deuses: porque eterno é seu amor! Demos graças ao Senhor dos senhores: porque eterno é seu amor!

— Ele guiou pelo deserto o seu povo: porque eterno é seu amor! E feriu por causa dele grandes reis: porque eterno é seu amor! Reis poderosos fez morrer por causa dele: porque eterno é seu amor!

— Repartiu a terra deles como herança: porque eterno é seu amor! Como herança a Israel, seu servidor: porque eterno é seu amor! De nossos inimigos libertou-nos: porque eterno é seu amor!

 

Evangelho (Mt 19,3-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 3alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?” 4Jesus respondeu: “Nunca lestes que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5E disse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”. 7Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?” 8Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher – a não ser em caso de união ilegítima – e se casar com outra, comete adultério”. 10Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se”. 11Jesus respondeu: “Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender entenda”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Helena, dedicou-se ao Cristianismo

Santa Helena se dedicou na ajuda ao Cristianismo no tempo da liberdade religiosa acontecida durante o Império Romano

Nascida no ano de 255 em Bitínia, de família plebeia, no tempo da juventude trabalhava numa pensão, até conhecer e casar-se com o oficial do exército romano, chamado Constâncio Cloro.

Fruto do casamento de Helena foi Constantino, o futuro Imperador, o qual tornou-se seu consolo quando Constâncio Cloro deixou-a para casar-se com a princesa Teodora e governar o Império Romano. Diante do falecimento do esposo, o filho que avançava na carreira militar substituiu o pai na função imperial, e devido a vitória alcançada nas portas de Roma, tornou-se Imperador.

Aconteceu que Helena converteu-se ao Cristianismo, ou ainda tenha sido convertida pelo filho que decidiu seguir Jesus e proclamar em 313 o Édito de Milão, o qual deu liberdade à religião cristã, isto depois de vencer uma terrível batalha a partir de uma visão da Cruz. Certeza é que no Império Romano a fervorosa e religiosa Santa Helena foi quem encontrou a Cruz de Jesus e ajudou a Igreja de Cristo, a qual saindo das catacumbas pôde evangelizar e com o auxílio de Santa Helena construir basílicas nos lugares santos.

Faleceu em 327 ou 328 em Nicomédia, pouco depois de sua visita à Terra Santa. Os seus restos foram transportados para Roma, onde se vê ainda agora, no Vaticano, o sarcófago de pórfiro que os inclui.

Santa Helena, rogai por nós!

Santo Evangelho (Jo 6, 51-58)

Solenidade de Corpus Christi – Quinta-feira 15/06/2017 

Primeira Leitura (Dt 8,2-3.14b-16a)
Leitura do Livro do Deuteronômio:

Moisés falou ao povo, dizendo: 2Lembra-te de todo o caminho por onde o Senhor teu Deus te conduziu, esses quarenta anos, no deserto, para te humilhar e te pôr à prova, para saber o que tinhas no teu coração, e para ver se observarias ou não seus mandamentos. 3Ele te humilhou, fazendo-te passar fome e alimentando-te com o maná que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te mostrar que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca do Senhor. 14bNão te esqueças do Senhor teu Deus que te fez sair do Egito, da casa da escravidão, 15e que foi teu guia no vasto e terrível deserto, onde havia serpentes abrasadoras, escorpiões, e uma terra árida e sem água nenhuma. Foi ele que fez jorrar água para ti da pedra duríssima, 16ae te alimentou no deserto com maná, que teus pais não conheciam.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 147)

— Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!
— Glorifica o Senhor, Jerusalém; celebra teu Deus, ó Sião!

— Glorifica o Senhor, Jerusalém!/ Ó Sião, canta louvores ao teu Deus!/ Pois reforçou com segurança as tuas portas,/ e os teus filhos eu teu seio abençoou.

— A paz em teus limites garantiu/ e te dá como alimento a flor do trigo./ Ele envia suas ordens para a terra,/ e a palavra que ele diz corre veloz.

— Anuncia a Jacó sua palavra,/ seus preceitos e suas leis a Israel./ Nenhum povo recebeu tanto carinho,/ a nenhum outro revelou os seus preceitos.

 

Segunda Leitura (1Cor 10,16-17)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 16O cálice da bênção, o cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo? 17Porque há um só pão, nós todos somos um só corpo, pois todos participamos desse único pão.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 6,51-58)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus às multidões dos judeus: 51“Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”. 52Os judeus discutiam entre si, dizendo: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?” 53Então Jesus disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Porque a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue, verdadeira bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. 57Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que me recebe como alimento viverá por causa de mim. 58Este é o pão que desceu do céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Bem-aventurada Albertina Berkenbrock, primeira mártir brasileira

Desde cedo despontava na vida de oração, no amor à família e ao próximo

A primeira mártir brasileira nasceu em Santa Catarina em 11 de abril de 1919.

Desde cedo despontava na vida de oração, no amor à família e ao próximo. Se unia ao crucificado por meio de penitências. Jovem, mas centrada no mistério da Eucaristia, tinha vida sacramental, penitencial e de oração.

Albertina cuidava do rebanho de seu pai que deu a seguinte ordem: ela devia procurar um boi que se extraviou. No caminho, encontrou um homem de apelido ‘Maneco Palhoça’, que trabalhava para a família. Ela perguntou a ele se sabia onde estaria o boi perdido. Ele indicou um lugar distante, e a surpreendeu lá, tentando estuprá-la, porém, não teve o êxito.

A jovem resistiu, pois não queria pecar. Por não conseguir nada, ele pegou-a pelo cabelo, jogou-a ao chão e cortou seu pescoço, matando-a imediatamente.

Maneco acusou outra pessoa, que foi presa imediatamente. Ele fingia que velava a menina, e ao se aproximar do corpo, o corte vertia sangue. Ele fugiu, mas foi preso e confessou o crime. Maneco deixou claro que ela não cedeu porque não queria pecar.

Tudo isso aconteceu em 15 de junho de 1931. Por causa da castidade, Albertina não cedeu.

Bem-aventurada Albertina Berkenbrock, rogai por nós!

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