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Acampamento Juvenil dos Ondinhas

Nos dia 18 e 19 de novembro próximo passado, os jovens do Onda estiveram em um Acampamento/Retiro temático na cidade de Butiá, acompanhados de três casais de tios: Tia Fabiane e Tio Evandro, Tia Rose e Tio Rogério, Tia Bel e Tio Irineu.

No sábado pela manhã bem cedo, fomos enviados em missão com a bênção de Padre Ronaldo. Partimos às 7h em um ônibus da Central Transportes, dirigido pelo Tio Dila, que aliás muito participou e nos ajudou nessa empreitada. Cerca de 40 jovens ansiosos, com suas barracas e equipamentos , chegaram às 9h na Fazenda. O casal Marnei e Carina, proprietários da Fazenda, administradores e monitores do encontro nos recepcionaram muito bem e ainda pela manhã o plano estratégico foi exposto à apreciação dos tios presentes.

Uma característica do casal é que o grupo visitante coloca o tema e eles desenvolvem o roteiro, sempre sujeito a mudanças e aprovação dos coordenadores e tios. Até o meio dia de sábado houve um tempo para montar as barracas e ambientação com os espaços e benfeitorias do lugar.

Detalhe: muitos pássaros, vacas, cavalos, patos, gansos, perus, galinhas e galo (o despertador do acampamento). Após o almoço, palestra inicial falando em confiança nos colegas e capacidade de enfrentar obstáculos e desafios. O palestrante focou bastante na necessidade de conhecer as pessoas que nos rodeiam, perguntar quem são, como são, o que fazem, em que acreditam. Na sequência, o grupo foi dividido em duas equipes: vermelha e amarela.

Todos foram ao campo, e o ápice foi a descida da tirolesa com todo aparato de segurança. Mais tarde, o grupo lanchou e após se deslocou a uma espécie de capela natural em meio às taquareiras. Lugar maravilhoso: depois de uma caminhada por uma trilha no meio do campo, chegamos num pequeno vale com muitas taquareiras e no meio delas, abre-se uma clareira protegida dos dois lados. Dentro da clareira, havia um espaço lindo com bancos antigos tipo igreja e na frente onde seria o presbitério, uma grande gruta com uma grande imagem de Nossa Senhora Aparecida, com cerca de 1,80m de altura.

Maria, certamente gostou do que viu e ouviu. Mais tarde todos jantaram e depois da janta aconteceu uma espécie de “luau” mas não ao ar livre. Subimos a uma sala reservada da fazenda, e todos puderam sentar-se. Motivados pela Palavra de Deus proferida pelo mestre Marnei, alguns se apresentaram, comentaram de suas vidas, suas angústias, seus anseios, planos e objetivos. E o Santíssimo se fez presente pelas mãos de um ministro da igreja que auxilia nas atividades. Bem mais tarde, quando os jovens se recolheram às barracas, os tios foram a um local chamado de capela, onde encontramos novamente o Santíssimo.

Questionado e esclarecendo, Marnei declarou que tem o apoio e aprovação de um bispo da igreja local para o acolhimento e utilização do Senhor Eucarístico. Observe-se que as atitudes, gestos, palavras e motivações usadas com a imagem do Santíssimo foram o tempo todo de profundo respeito e adoração. Ninguém, além do ministro, tocou no ostensório e não houve abuso nenhum segundo nossa apreciação. Fomos para o berço e levantamos às 6h do dia seguinte com um dia maravilhoso e muito frio. Na verdade às 05h08min um vigoroso galo acionou o canto e despertou o acampamento.

Tomamos um café bem simples e partimos para a cidade para a Santa Missa que começou às 9h. Na Paróquia Santa Terezinha, Padre Paulo César nos recebeu muito bem e fez uma acolhida oficial no início da Missa. Igreja simples, uma comentarista (que comentava tudo), um organista (que tocava muito bem e cantava bastante forte), folheto Dia do Senhor, e assim foi. As 11h estávamos de volta ao acampamento.

Marnei e família levaram o grupo para um pavilhão aberto que eles chamam de rincão. Cantos, pequena palestra sobre o tema “Ficai Conosco Senhor”, encenações lúdicas, mais cantos e muitas orações. Fomos ao almoço, diga-se de passagem muito simples e muito gostoso, feito pelos caseiros. Depois do almoço, todos desmontaram as barracas e prepararam-se para a Pista de Obstáculos na água e no barro do açude. Roupas bem velhinhas, tênis caindo aos pedaços. As equipes, vermelha e amarela, apresentaram uma lista de 1 a 20 com os nomes dos integrantes. Seria a lista por ordem de entrada na pista.

A tarefa: competir com um de cada equipe a cada vez e somar pontos para definir o ganhador. Um grande detalhe: pensar e agir como Jesus pensaria e agiria. A equipe amarela montou sua estratégia de uma forma muito interessante. Quem entrasse na pista, se preciso, ajudaria o adversário. Ao nos encaminharmos ao local, mais uma demonstração de espírito de corpo da equipe amarela – entraram de mãos dadas.

Iniciamos as competições e ora uma equipe chegava na frente, ora outra equipe. Como o barro era um forte componente da brincadeira, os ganhadores deveriam jogar barro sobre os perdedores. A amarela fez o contrário – jogou barro em si próprio. Para encurtar a história, por pontos conquistados a equipe vermelha chegou a frente mas a amarela levou o grande destaque da ação Cristã, pensou e agiu como Jesus pensaria e agiria.

Todos confraternizaram e foram banhar-se, não no Jordão, mas num açude um pouco mais limpinho para tirar o excesso de barro. Chuveirada, reunião no rincão e rescaldo final do encontro. Todos, um a um, jovens e tios, falaram, abriram o coração, se emocionaram e com muita certeza encerraram o passeio muito mais amigos e muito mais fieis um ao outro e a Deus Pai Todo Poderoso.

Vários depoimentos atestaram o sucesso do acampamento. Testemunhos vários, evidenciaram que as pessoas envolvidas com o grupo têm tendência de se fechar com os suas amizades mais próximas e mais compatíveis o que os leva a distanciarem-se de outros colegas a ponto de não saber nem o nome muitas vezes, muito menos as dificuldades, tristezas e alegrias do outro.

Final apoteótico, preces de envio de volta à cidade e bênção final. Chegamos na igreja da Piedade às 20h30min. Cabe as equipes e seus coordenadores, seguir o trabalho de onde encerrou no final de semana. Desenvolver mais os diversos assuntos e catalisar a grande missão do Onda – Jovem evangelizando jovem, pensando como Jesus pensou e deixando Deus ser Deus – no comando de tudo.

Novo Hamburgo, 21 de novembro de 2017.

Omissão e indiferença, o grande pecado contra os pobres, afirma Papa

Dia Mundial dos Pobres

Domingo, 19 de novembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em celebração do Dia Mundial dos Pobres, Francisco relembrou a importância do amor a Deus e ao próximo

A omissão é também o grande pecado contra os pobres, foi o que afirmou Francisco na missa deste domingo, 19, o último do ano litúrgico e data em que toda a Igreja celebra o Dia Mundial dos Pobres. A solenidade aconteceu na Basílica de São Pedro e teve a participação de 4 mil pessoas entre pobres e necessitados, associações de voluntários e dioceses do mundo todo.

A celebração do dia, instituída por Francisco em novembro de 2016 ao final do Jubileu da Misericórdia, teve como evangelho dominical a parábola dos talentos, ponto de partida para a reflexão do Santo Padre sobre as missões designadas por Deus. De acordo com o pontífice aos olhos de Deus nenhum filho pode ser descartado, sendo destinado a todos, talentos e missões, conforme a capacidade de cada um.

“Vemos, na parábola, que a cada servo são dados talentos para os multiplicar. Mas enquanto os dois primeiros realizam a missão, o terceiro servo não faz render os talentos; restitui apenas o que recebera. (…). Em que o terceiro servo desagradou ao Senhor? Diria, numa palavra (talvez caída um pouco em desuso mas muito atual), a omissão. O seu mal foi o de não fazer o bem”, afirmou Francisco.

Ao relacionar o evangelho com o tema da celebração dominical, o Papa fez alusão a realidade dos que se compadecem, mas não lutam em favor dos pobres. “O servo mau, uma vez recebido o talento do Senhor que gosta de partilhar e multiplicar os dons, guardou-o zelosamente, contentou-se com salvaguardá-lo; ora, não é fiel a Deus (…), como diz a parábola, aquele que junta novos talentos é que é verdadeiramente ‘fiel’, porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor, joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Descuida só uma coisa: o próprio interesse. Esta é a única omissão justa”, refletiu.

“Dizer: ‘Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade’. É passar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar de canal, logo que um problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal mas sem fazer nada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem”, alertou o Santo Padre. Para agradar a Deus, concretamente, Francisco afirmou que é preciso conhecê-lo para que as ações destinadas a Ele não sejam mais do agrado de quem as executa, do que Dele que as receberá.

De acordo com o pontífice os gostos do Senhor são facilmente encontrados no Evangelho e nos textos da bíblia. “Ele diz: ‘Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes’. Estes irmãos mais pequeninos, seus prediletos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre e o abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechados pela dor, as palavras d’Ele: ‘Este é o meu corpo’”, afirmou.

Nos pobres manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, se fez pobre, lembrou o Santo Padre. “No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seus amigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar”, acrescentou.

“Por isso neles, na sua fragilidade, há uma ‘força salvífica’. E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso ‘passaporte para o paraíso’. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais”, afirmou o Papa.

Para o pontífice aproximar-se de quem é mais pobre é lembrar-se daquilo que conta verdadeiramente, o amor a Deus e ao próximo, princípio eterno do que permanece, diante de todo o resto que desaparece. “Hoje podemos perguntar-nos: ‘Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?’ Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘quem amontoa para si não é rico em relação a Deus’. Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará”, concluiu.

Santo Evangelho (Mt 25, 14-30)

33º Domingo do Tempo Comum – Domingo 19/11/2017 

Primeira Leitura (Pr 31,10-13.19-20.30-31)
Leitura do Livro dos Provérbios:

10Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as joias. 11Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos. 12Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. 13Procura lã e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. 19Estende a mão para a roca, e seus dedos seguram o fuso. 20Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. 30O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. 31Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 127)

— Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!
— Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!

— Feliz és tu, se temes o Senhor/ e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem!

— A tua esposa é uma videira bem fecunda/ no coração da tua casa;/ os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa.

— Será assim abençoado todo homem/ que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida.

 

Segunda Leitura (1Ts 5,1-6)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:

1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. 2Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como um ladrão, de noite. 3Quando as pessoas disserem: “Paz e segurança!”, então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. 4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. 6Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 25,14-30)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 14“Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou. 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão. 19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco, que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 22Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’. 24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso, fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? 27Então, devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!’”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Roque González e companheiros mártires – Jesuítas

Celebramos a santidade destes Jesuítas que deram a vida pela fé, são eles: Roque González e seus companheiros

Roque González nasceu em Assunção do Paraguai, em 1576, e estudou com os Padres Jesuítas, que muito ajudaram-no a desenvolver seus dotes humanos e espirituais.

O coração de Roque González sempre se compadeceu com a realidade dos indígenas oprimidos, por isso ao se formar e ser ordenado Sacerdote do Senhor, aos 22 anos de idade, foi logo trabalhar como padre diocesano numa aldeia carente. São Roque, sempre obediente à vontade do Pai do Céu, entrou no noviciado da Companhia de Jesus, com 33 anos, e acompanhado com outros ousados missionários, aceitou a missão de pacificar terríveis indígenas.

São Roque González fez de tudo para ganhar a todos para Cristo, portanto aprendeu além das línguas indígenas, aprofundou-se em técnicas agrícolas, manejo dos bois e vários outros costumes da terra. Os Jesuítas – bem ao contrário do que muitos contam de forma injusta – tinham como meta a salvação das almas, mas também a promoção humana, a qual era e é a consequência lógica de toda completa evangelização.

Certa vez numa dessas reduções que levavam os indígenas para a vida em aldeias bem estruturadas e protegidas dos
colonizadores, Roque González com seus companheiros foram atacados, dilacerados e martirizados por índios ferozes fechados ao Evangelho e submissos a um feiticeiro, que matou o corpo mas não a alma destes que, desde 1628, estão na Glória Celeste.

Em 1988, o Papa João Paulo II canonizou os três primeiros mártires sul-americanos: São Roque González, Santo Afonso Rodríguez e São João del Castillo.

São Roque González e companheiros mártires, rogai por nós!

XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Estamos chegando no fim de mais um Ano Litúrgico. E isso nota-se na “tonalidade” escatológica das leituras. Os últimos domingos do Tempo Comum têm esta perspectiva escatológica (o fim dos tempos) que se prolonga até à solenidade de Cristo-Rei (encerramento do Ano Litúrgico). O texto evangélico deste domingo é a parábola dos talentos que devem ser postos a render. Recorda-nos a vinda de Jesus Cristo como Juiz universal, ou seja, o momento em que cada um prestará contas da sua própria vida. Sugerimos a proclamação da forma longa do texto. Se tivéssemos que resumir numa frase a sua mensagem, diríamos: “aproveitar o tempo”. Na parábola, um patrão louva e recompensa os seus funcionários a quem deu cinco e dois talentos, porque com criatividade fizerem render o que tinham recebido. Todavia, repreende e castiga aquele que, tendo recebido somente um talento, não o pôs a render, nem fez qualquer esforço para que tal acontecesse. Todos recebemos talentos na nossa vida: uns de ordem natural (a vida, a saúde…), outros de ordem espiritual, outros de ordem intelectual, outros de ordem material. Em primeiro lugar, é importante que cada um descubra os seus próprios dons, para, ao longo da vida, os pôr a render. No evangelho não se tem em consideração o número de “talentos”. Não está nas nossas mãos receber mais ou menos; o que é importante é pôr a render os talentos que nos foram concedidos. A primeira leitura ajuda-nos a aprofundar o evangelho. O Livro dos Provérbios elogia a mulher virtuosa. Parece um texto muito “machista”, mas não podemos esquecer o contexto social da época em que foi escrito. Nessa altura, a mulher não trabalhava fora de casa e ocupava-se somente das tarefas domésticas. Mas a finalidade do texto continua atual: elogiar a mulher virtuosa, ou seja, a pessoa que, como nos diz o evangelho, põe a render os seus talentos. A Oração Eucarística IV faz referência ao cuidado que devemos ter com tudo o que Deus nos concedeu, ou seja, os bens deste mundo e as nossas próprias qualidades: “Formastes o homem à vossa imagem e lhe confiaste o universo, para que, servindo-Vos unicamente a Vós, seu Criador, exercesse domínio sobre todas as criaturas”. A proclamação da Oração Eucarística IV neste domingo completaria a Liturgia da Palavra. Tal como a primeira leitura e o evangelho, a segunda leitura fala-nos do fim dos tempos, especialmente da vinda do Senhor. Eram muitos os que perguntavam sobre quando seria o regresso de Jesus. São Paulo responde que o mais importante não é saber o dia ou a hora, mas que somos filhos da luz e, por isso, não vivemos nas trevas. Por outras palavras, repete a mensagem da parábola dos talentos: “não durmamos como os outros, mas permaneçamos vigilantes e sóbrios”. Um elemento essencial na escatologia é a imagem do banquete. O prêmio que se recebe por ter feito render os talentos é um lugar no banquete do Senhor. Todos desejamos participar nesse banquete final. Mas, não podemos esquecer que, enquanto não chegar esse momento, somos convidados à eucaristia, antecipação sacramental do banquete escatológico. Como conclusão da homilia e introdução à liturgia eucarística, poder-se-ia salientar a importância da missa na vida do cristão, onde se recebe o corpo e o sangue de Cristo que um dia virá em plenitude com toda a sua glória e esplendor.

 

VIVA O TEMPO PRESENTE NUMA FIDELIDADE ATIVA
Padre Bantu Mendonça

A expectativa e a vigilância convertem-se em responsabilidade pela transformação do mundo. A parábola dos talentos ressalta a vigilância como atitude de quem se sente responsável pelo Reino de Deus. E quem recebeu talentos – e não os faz render – pode ser demitido do Reino por “justa causa”. O Evangelho situa-se no quinto e último grande discurso escatalógico, ou aquele que trata do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada pela leitura dos sinais dos tempos, a parábola do empregado responsável, a das virgens prudentes e imprudentes e que vai terminar na festa de Cristo Rei, com o texto sobre o Juízo Final. Por trás da parábola dos talentos há um tempo de expectativa e de sofrimento. Na época em que Mateus escreveu o Evangelho, muitos cristãos estavam desanimados diante da demora da segunda vinda do Messias. Além disso, o converter-se à fé cristã acarretava perseguição e até morte. As comunidades se esvaziavam e o ardor por Jesus Cristo esmorecia. O evangelista escreve com o objetivo de reanimar a fé. Jesus apresenta-se como um Senhor que, antes de empreender uma viagem, reúne seus empregados e reparte com eles sua riqueza para que a administrem. A um deu cinco talentos, a outro dois e um talento ao terceiro: a cada um segundo sua capacidade. E viajou para longe. No retorno, Ele pede contas. Os dois primeiros fizeram com que os talentos rendessem em dobro. O último devolveu o talento tal qual tinha recebido, pois com medo de arriscar havia enterrado o talento. Curioso é o motivo de tal procedimento. Não tomou tal atitude por preguiça, mas por medo da severidade de seu Senhor. Em consequência, os dois primeiros foram elogiados e recompensados pela eficiente administração e o último foi demitido por “justa causa”. No tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje pode ser interpretado em termos de dons ou carismas recebidos de Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos d’Ele possam crescer e se frutificar. De forma alguma se deve interpretar este texto “ao pé-da-letra”, como se ele tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois ele é uma parábola, que é uma comparação usando imagens e símbolos conhecidos. Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade cristã nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (cf. II Cor 4,7), como disse São Paulo, temos que partir para a missão, para que todos cheguem a essa experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para o encontro com o Senhor. O “outro lado da medalha” é a atividade missionária, que faz com que o Reino de Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática de justiça. O terceiro empregado, devolvendo ao Senhor o talento que recebera – nem mais nem menos – em termos de justiça está quite. Ele personifica os membros das comunidades que não traduzem em seus relacionamentos os dons recebidos de Deus ou daqueles que, observando rigorosamente a Lei, se consideram perfeitos cumpridores da vontade do Senhor, mas que, na verdade, desconhecem a exigência fundamental do Messias que é de gratidão e iniciativa. Por isso, são castigados por sua mediocridade. Enterrar os talentos é sinônimo de eximir-se da responsabilidade diante da missão que o Ressuscitado confiou a Seus discípulos como Suas testemunhas e continuadores da obra que Ele mesmo recebeu do Pai: salvar a humanidade (cf. At 1,6-11). Enterrar os talentos é privar a comunidade dos dons de que ela está necessitando. A omissão é um pecado que prejudica a edificação da comunidade. É instalar-se para não correr riscos. Para aqueles que aderiram à fé, não basta ser bons evitando o mal a fim de serem aprovados como solícitos administradores dos bens do Reino. O que se exige de nós é a capacidade de correr o risco com responsabilidade e compromisso. Jesus nos alerta sobre a necessidade de vivermos o tempo presente numa fidelidade ativa como um preparo ao Juízo Final. Quando voltar, o Senhor recompensará os bons administradores com a salvação, isto é, com a alegria de Seu convívio na Jerusalém celeste. Portanto, não enterre o seu talento. Faça-o render a fim de que possa ser recompensado pelo Senhor quando chegar: “Muito bem, empregado bom e fiel. Tu foste fiel negociando com pouco dinheiro, e por isso vou pôr-te para negociar com muito. Vem festejar comigo!”

 

O SERVO BOM E FIEL… VEM PARTICIPAR DA MINHA ALEGRIA
Por Dom Emanuele Bargellni, Prior do Mosteiro da Trasnfiguração
33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A
Leituras: Pr 31, 10-13; 19-20; 30-31 – 1 Ts 5, 1-6; Mt 25, 14-30

Que alegria ouvir este apaixonado convite na boca do patrão elogiando seu empregado pela obra bem cumprida; ficando feliz de partilhar com ele sua própria felicidade! Se além disto, – isto é, o patrão que se alegra pela engenhosa criatividade do seu servidor – for o próprio Senhor, que trata o servidor como seu amigo, introduzindo-o na sua intimidade, o estupor desta festa é ainda mais encantador! É justamente isso, o que Jesus pretende nos revelar, através da parábola, sobre a relação do Pai com cada um de nós. Uma relação de confiança, com a qual o Pai desafia a liberdade, a criatividade e a responsabilidade do homem na construção do seu reino, e o convida a tornar-se seu colaborador. A parábola do patrão, que entrega a seus empregados uma relevante soma de dinheiro para que eles a trabalhem durante sua ausência, faz parte da perspectiva escatológica que caracteriza todo o capítulo 25 do evangelho de Mateus. Sobre a vinda gloriosa do Senhor, ninguém conhece o tempo e a modalidade ao não ser o próprio Pai (Mt 24,36.42-44). Esta incógnita deve gerar nos discípulos vigilância e anseio do encontro, como acontece com as moças que esperam em meio à noite o noivo, enquanto este se atrasa para chegar e celebrar a festa das bodas (Mt 25, 1-13). Deve suscitar confiança e operosidade e não medo, como nos empregados sábios que administram os talentos recebidos (Mt 25, 14-30). Deve alimentar aquela lucidez de visão que faz reconhecer o Senhor já presente nas situações da vida, especialmente nos mais necessitados. O Senhor julgará somente a partir da criatividade fecunda do amor, não pela quantidade das obras cumpridas (Mt 25, 31-46). Com a parábola de hoje, Jesus nos surpreende mais uma vez. O Pai, nos diz Jesus, se relaciona com o homem, apontando antes de tudo sobre suas capacidades positivas. Com o intuito de despertar suas potencialidades e responsabilidade, o liberta de todo medo que paralisa as energias vitais, e de toda presunção que faz o homem descuidar de suas responsabilidades diante de Deus. Deus, ao contrário, transforma o empregado num colaborador responsável e criativo, e ainda mais, num amigo com quem partilhar a sua mesma alegria da vida. Que diferença com certas imagens de Deus, recorrentes em certa pregação, que, com o intento de recuperar o enfraquecido sentido do pecado, chega a apresentar-lhe o rosto deformado de um fiscal, interessado mais ao código das normas que à pessoa! A parábola destaca logo três elementos salientes na pedagogia de Deus. 1- “Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens… a cada qual de acordo com sua capacidade” (Mt 25,15). Os executivos das empresas, ao entregar uma tarefa aos empregados, determinam antes de tudo o objetivo da iniciativa. Pretendem de todos, sem distinção, o máximo esforço para alcançá-lo. O alcance do objetivo é o único critério para avaliar o comportamento de todo empregado. O Pai de Jesus, ao contrário, na imagem do patrão da parábola, entrega seus bens “a cada um de acordo com sua capacidade”, e, ao acertar as contas, julga o resultado, não em base da quantidade do capital ganho, mas em proporção ao empenho que, com responsabilidade e criatividade, cada um desenvolveu. Ele está interessado antes de tudo ao bem estar, à realização das potencialidades da pessoa, mais que à renda do capital entregue. Ele está interessado em poder partilhar sua felicidade com o empregado/amigo! A retribuição que Deus dá é sempre total, contra a lógica de uma visão mercantil e moralizante da vida e da religião. A parábola dos trabalhadores desempregados, chamados a trabalhar na vinha do patrão a qualquer hora do dia, com a distribuição do inteiro salário mesmo para aqueles que tinham chegado ao cair do sol, já orientava nesta direção desconcertante, isto é, do estilo do Pai que recompensa dando, não o que achamos ter merecido, mas a si mesmo e gratuitamente. “Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último o mesmo que a ti…. Ou estás com ciúme porque sou bom? (Mt 20, 1- 16). 2- “Chamou seus empregados e lhes deu seus bens….. Em seguida viajou” (Mt 25, 15). O patrão, depois de entregar a cada um os talentos de acordo com sua capacidade, escolhe viajar. Afasta-se deliberadamente. Deixa aos empregados plena liberdade de atuação. Manifesta plena confiança em cada um, e de cada um solicita a expressão das próprias capacidades. Corre o risco de perder. Não exige mais, não renuncia ao possível. Chama cada um a ser seu colaborador na vida e na construção do seu reino. O Senhor é amante da vida e promove as pessoas. Deparamos-nos com o mistério da liberdade do homem, solicitada e promovida por Deus. Significativa esta imagem do patrão que, depois de entregar aos empregados seus bens, vai viajar.  Se afasta, por assim dizer, para cada um estar certo que Deus não limita sua liberdade, criatividade e responsabilidade na construção da sua história. Como afirma Paulo na carta aos Filipenses, Deus se faz pequenino, e se retrai na pequenez do Verbo que se despoja de toda glória divina, se esvazia, e partilha nossa pequenez, para o homem partilhar a vida verdadeira em plenitude. “Oh admirável intercâmbio! Deus se fez homem para que o homem participe da natureza de Deus”, cantamos com estupefata alegria ao celebrar o mistério da encarnação na solenidade do Natal. 3- Cada um dos empregados reage à sua maneira. Nisto cada um manifesta quem ele é de verdade, e qual a qualidade da relação vivenciada para com o patrão. Os dois primeiros empregados manifestam auto-estima, iniciativa, abertura aos riscos e prudência, liberdade e responsabilidade. O terceiro tem uma baixa auto-estima, dá una leitura prejudicialmente negativa das atitudes do patrão, vive a relação com ele sob o pesadelo do medo, e acaba simplesmente escondendo no chão o precioso talento: “Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e colhes onde não semeaste. Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence” (Mt 25, 25). Ele reduz Deus às medidas da sua mesquinhez de ânimo. O medo paralisa suas capacidades, o torna irresponsável diante do patrão e do talento, enquanto ele julga que seu dever e sua habilidade hão de limitar-se a “guardar intacto” o talento recebido. Pelo contrário esta atitude é definida pelo patrão como uma radical infidelidade à tarefa recebida, que era a de trabalhar o talento e não somente de guardá-lo. Às vezes o mesmo mecanismo paralisante se insinua na vida pessoal e até na vida das comunidades, no que diz respeito ao tesouro vivente que nos foi “entregue-confiado” (em latim: entregar = tradere, traditio[tradição]), através da pregação do evangelho e da tradição viva da Igreja. A Tradição da Igreja, a dos elementos essenciais da fé e da vida espiritual da Igreja, é um tesouro vivente e dinâmico, como é a Palavra de Deus que a gerou e que fica gerando-a. É preciso trabalhá-la para que ela possa produzir seus frutos de vida no Espírito. Guiada pela Divina Providência, ela cresce ao longo da história, sob o impulso do mesmo Espírito e através dos vários ministérios e experiências da comunidade cristã. Uma luz muito iluminadora sobre este assunto tão vital foi oferecida ao povo cristão do nosso tempo, pelo Concílio Vaticano II na Constituição Dei Verbum (ver em maneira especial o n. 8), e mais recentemente pela Exortação apostólica do Papa Bento XVI, “Verbum Domini” (2010). Às vezes, na presunção de guardar em maneira mais fiel algumas práticas religiosas ou certas maneira de pensar a vida cristã, que alguém julga como “tradição” importante, acaba congelando o tesouro da fé e da vida recebida, sob uma determinada forma histórica ou cultural. O tesouro fica escondido no chão, impedido de frutificar. O Senhor vai nos pedir conta desta administração do seu tesouro, talvez generosa, mas desprovida do devido discernimento do Espírito. A cultura da modernidade parece ter desenvolvido, no que diz relação à responsabilidade do homem na história, uma atitude que vai num sentido contrário. Destacou a responsabilidade do homem até a radical autonomia na construção do mundo, considerando Deus um impedimento à real dignidade do homem. “Viver como se Deus não existisse”, foi um marco fundamental da modernidade. A tradição bíblica, porém, considera o homem/mulher colaborador de Deus na sábia gestão da criação. O trabalho do homem corresponde à sua divina vocação de “guardar e cultivar” o mundo e promover a vida na história (cf Gn 2, 8-15). Paulo, na carta aos Tessalonicenses, destaca esta tarefa, como preparação responsável à vinda gloriosa do Senhor (Ts 5, 1-6). Esta tensão entre compromisso na história do hoje e a espera da vinda gloriosa do Senhor, faz dos cristãos homens e mulheres de espírito critico, sábios, vigilantes e livres. A repetida imagem bíblica do ladrão que surpreende na noite, e das dores do parto que podem sobrevir de repente (1 Ts 5,2-3), não devem nos desnortear. Jesus e Paulo pretendem destacar o fato que o evento escatológico do reino de Deus não depende dos poderes humanos, mas da livre e benevolente vontade do Pai. Isto há de gerar não medo, mas vigilância confiante. A imagem da mulher operosa e criativa, reforça esta perspectiva (primeira leitura). Às vezes também entre as pessoas “religiosas”, se encontra a atitude “mundana” de acreditar que o homem e não Deus é o principal protagonista da santidade pessoal, assim como da eficácia da evangelização e do ministério apostólico nas suas variadas formas. O papa Bento XVI, durante sua recente visita apostólica na Alemanha, chamou a atenção sobre a exigência de despojar-se de certas formas finas de mundanização que poluem a Igreja no espírito. Jesus nos diz que Deus chama o homem a tornar-se seu colaborador, na liberdade e na criatividade. Seu próprio projeto de vida se torna também obra do homem, a exercer na liberdade do amor, liberta de todo medo: “Vós não recebestes um espírito de escravos, para recair no temor, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, pelo qual clamamos: Abba-Pai” (Rm 8,15). A recompensa que o empregado/amigo/filho recebe, é o próprio Deus: “Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria” (Mt 25,21.23). O empregado medroso, ao contrário, tem uma imagem totalmente deformada do patrão/Deus, como de um “algoz”; e de si mesmo como de um escravo. Junto com o talento, enterrou a si mesmo. Está já morto. Por isso, como se poderia ainda deixar o talento precioso nas suas mãos? Ou, como ele poderia partilhar a alegria do seu patrão? Por si mesmo, ele se jogou fora da vida. A dura sentença do patrão que o expulsa do circuito da festa, mais que uma severa punição por parte do patrão, parece a ratificação da triste sorte já construída pelo próprio empregado medroso e irresponsável. A Oração Eucarística IV, hoje pode interpretar bem as perspectivas abertas pelas leituras bíblicas, e dar-lhes a profundidade da oração que tudo consegue unificar em Cristo e no seu mistério de morte e ressurreição, transformando o dom da palavra recebida em ação de graças ao Pai, por Cristo Jesus, no Espírito Santo.

 

Homilia do Padre Françoá Costa – XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Espiritualidade do trabalho

Aquele que recebeu cinco talentos e o que recebeu somente dois foram bons trabalhadores. Cada um deles, recebidos os talentos, “negociou com eles; fê-los produzir, e ganhou outros” (Mt 25,16). É preciso trabalhar! Mais ainda, é preciso trabalhar bem! São João Paulo II, na sua Carta Encíclica sobre o trabalho humano (“Laborem exercens”), falava de “elementos para uma espiritualidade do trabalho”. No entanto, ninguém duvida que a primeira coisa para falarmos de uma espiritualidade do trabalho é que se tenha um trabalho e se trabalhe. É verdade que nem sempre é fácil ter um trabalho. Há muitas pessoas desempregadas. Nesse sentido, a justiça social apela aos representantes responsáveis pelo bem comum da sociedade que se empenhem em criar cada vez mais postos de trabalho.

Mas também é verdade que alguém poderia não trabalhar ou trabalhar mal simplesmente porque é um preguiçoso. Como vencer a preguiça? Trabalhando. Uma boa lição deixou aos filhos aquele camponês que estava prestes a morrer. Conta-se que os seus filhos eram bem comodistas e o pai, já moribundo, disse-lhes: ‘meus filhos, estou morrendo, mas vou deixar como herança um campo e um tesouro que se encontra neste mesmo campo; vocês só terão que procurá-lo cavando o terreno’. Morto o pai, começou a caça ao tesouro. Vão cavando, revolvendo o terreno e… nada. Depois de, literalmente, cavar todo o terreno não encontraram nenhum tesouro; só então entenderam qual era o tesouro que o pai lhes tinha deixado: o trabalho.

O trabalho é um dom de Deus, que criou o homem para que trabalhasse (cf. Gn 2,15). No nosso trabalho nós temos que fazer como aqueles servos que negociaram e fizeram com que os talentos se multiplicassem. Eles sabiam que eram administradores de bens que não lhes pertenciam. E nós, o que somos? Administradores, servos, trabalhadores na vinha do Senhor, negociantes com os talentos de Deus. O Senhor nos pedirá conta da nossa administração. Temos que trabalhar santificando a nossa profissão.

O primeiro requisito para santificar o próprio trabalho, agradando ao Senhor e fazendo do trabalho um ambiente de apostolado, é fazê-lo bem: pontualidade, responsabilidade, honestidade, prudência, solidariedade etc. Essas e outras virtudes formam o cortejo das virtudes do trabalhador. Um cristão que deseja ser santo, mas desenvolve mal o seu trabalho pode vir a ser um autêntico contra testemunha do Evangelho: reza, mas não trabalha bem; vai à Missa, mas não é honesto nas relações de compra e venda; faz penitência, mas não pratica a pequena mortificação de chegar pontualmente ao trabalho; fala que todo mundo tem que ser bom, mas ele mesmo é não é justo com os seus funcionários… Mal serviço à evangelização! Ainda que participe de uns cinco grupos da paróquia, se não é bom trabalhador, bom pai de família e bom amigo dos seus amigos, não vai atrair para Deus, não estará se santificando, não estará vivendo uma boa espiritualidade.

É justamente em meio ao barulho do mundo, ao ruído das fábricas, à paciente leitura dos livros da faculdade, enfim, por ocasião dos diversos afazeres do cotidiano nós encontramos a Deus, ele nos espera em meio a essas coisas. Fugir dessa realidade é fugir do mundo real e seria, portanto, fugir do encontro com Deus. Nesse sentido, as palavras de S. Francisco de Sales são atuais para animar-nos a viver essa “espiritualidade do trabalho” da qual falava o grande João Paulo II: “a prática da devoção tem que atender à nossa saúde, às nossas ocupações e deveres particulares. Na verdade, Filotéia, seria porventura louvável se um bispo fosse viver tão solitário como um cartuxo? Se pessoas casadas pensassem tão pouco em juntar para si um pecúlio, como os capuchinhos? Se um operário frequentasse tanto a igreja como um religioso o coro? Se um religioso se entregasse tanto a obras de caridade como um bispo? Não seria ridícula tal devoção, extravagante e insuportável? Entretanto, é o que se nota muitas vezes, e o mundo, que não distingue nem sequer a devoção verdadeira da imprudência daqueles que a praticam desse modo excêntrico, censura e vitupera a devoção, sem nenhuma razão justa e real” (S. Francisco de Sales, Filotéia, 1,3).

Vamos continuar negociando com os nossos talentos. Há momentos nos quais precisamos ser fortalecidos para continuar com esse empenho firme e alegre: santificar a realidade profissional, a de todos os dias. Vamos fortalecer-nos na Missa dominical, e até diária se possível; na meditação diária da Palavra de Deus; na reza quotidiana do Terço; nas visitas ao Santíssimo. Todas essas práticas de piedade são como um “posto de combustível” aonde o carrinho da nossa alma vai se reabastecer para continuar caminhando, encontrando e amando a Deus, conversando com ele em todos os momentos da nossa jornada.

 

Homilia de D. Henrique Soares da Costa – XXXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A
Pr 31,10-13.19-20.30-31 / Sl 127 / 1Ts 5,1-5 / Mt 25,14-30

De um modo ou de outro, a Palavra do Senhor sempre nos fala da vida, nos revela o sentido, nos mostra o caminho. Hoje, o Senhor nos apresenta a existência como um punhado de talentos, de dons, de oportunidades que a providência gratuita e misteriosa de Deus colocou em nossas mãos para que façamos frutificar. Certamente, jamais compreenderemos porque nascemos desse modo ou somos daquele outro. Podemos, no entanto, ter a certeza que o Senhor nos deu uma vida, “a cada um de acordo com a sua capacidade”. Ora, é esta vida, dom de Deus, fruto de um desígnio de amor sem fim, que cada um de nós deve responsavelmente cultivar e fazer frutificar em benefício nosso de dos irmãos. Na mulher forte e industriosa da primeira leitura, aparece um exemplo de alguém que não se contenta em passar pela vida, mas vai tecendo o fio da existência com as pequenas fidelidades de cada dia. Do mesmo modo, a segunda leitura chama-nos atenção para o fato que nos serão pedidas contas da vida, dom recebido de Deus. Daí, o conselho: “Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios”.

Caríssimos, uma das grandes tentações do mundo atual é pensar que a existência é nossa de modo absoluto, como se cada um de nós se tivesse criado a si próprio, dado a si próprio a existência. Fechados em si próprios, os homens pensam que podem ser felizes construindo a vida de seu próprio modo, à medida de suas próprias idéias e objetivos. Ilusão! A vida é dom de Deus e somente nos faz felizes se dela fizermos um diálogo amoroso com o Senhor, autor e doador de nosso ser. Mais que talentos na vida, o Senhor nos concedeu a própria vida como um precioso talento. Desenvolvê-lo e ser feliz e buscar não a nossa própria satisfação, não nossa própria medida, não nosso próprio caminho, mas fazer da existência uma busca amorosa e cheia de generosidade da vontade de Deus. Eis! Somente seremos felizes e maduros quando tivermos a capacidade de arriscar verdadeiramente nos perder, nos deixar para nos encontrar no Senhor, alicerce e fonte de nossa vida. Eis o verdadeiro investimento!

Infelizmente, a dinâmica do mundo hodierno, pagão e ateu, não no ajuda nessa direção. Há distração demais, novidade demais, produto demais a ser consumido; há preocupação demais com uma felicidade compreendida como satisfação de nossos desejos, carências e vontades. Há consciência de menos de que a vida é dom e serviço, doação e abertura para o infinito; há percepção de menos de que aqui estamos de passagem e de que lá, junto ao Senhor, é que permaneceremos para sempre. Atolamo-nos de tal modo nos afazeres da vida, no corre-corre de nossas atividades, no esforço por satisfazer nossas vontades, na busca de nossa auto-afirmação, que perdemos a capacidade de compreender realmente que somos passageiros e viandantes numa existência breve e fugaz que somente valerá a pena será vivida na verdade se for compreendida como abertura para o Senhor e, por amor a ele, abertura generosa e servidora para os outros.

Caríssimos, estejamos atentos à advertência do Apóstolo: “Vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia” O Dia é Cristo, a Luz é Cristo. Viver na luz, viver no dia é viver na perspectiva de Cristo Jesus, é valorizar o que ele valoriza e desprezar o que ele despreza. Filhos da luz, filhos do dia – eis o que deveríamos ser! Mas, com tanta freqüência nossa mente e nosso coração, nossos pensamentos e nossos afetos encontram-se entenebrecidos como o dos pagãos… Quão grave para nós, porque conhecemos a Luz, cremos no Dia que é o Cristo-Deus!

Não nos iludamos, não façamos de conta que não sabemos: todos haveremos de dar contas a Deus de nossa existência, do sentido que lhe demos, daquilo que nela construímos. Queira Deus que nossa vida seja como a do Cristo Jesus: uma verdadeira e amorosa abertura para Deus e uma abertura para os outros! Queira Deus que consigamos, iluminados pela sua Palavra, nutridos pela sua Eucaristia e animados pela oração diária, viver nossa existência na perspectiva de Deus, de tal modo que vivamos, vivamos de verdade, vivamos em abundância, vivamos uma vida que valha a pena!

Que o Senhor no-lo conceda pela sua graça. Amém.

Todos os Santos

É preciso reconhecer o valor da santidade

Só há sentido em falar de “santo” se fizermos referência a Deus, tendo Jesus Cristo como critério de santidade. Ele testemunhou a prática das bem-aventuranças na convivência de Seu tempo, foi capaz de enfrentar os caminhos da vida, seja no sofrimento ou nas alegrias, colocando Sua vida como doação para o bem das pessoas e do mundo.

A santidade é fruto de uma consciência convicta de pertencer a Jesus Cristo e de colocar tudo na vida como prática de amor a Deus. Ela vem da consciência fraterna na comunidade, do respeito e do valor que damos às realidades que nos cercam. Supõe um estilo de vida marcado pela esperança, pela mansidão, pela misericórdia e pela pureza.

Podemos dizer que os santos são os bem-aventurados, os felizes, que conseguiram prosseguir na vida mesmo tendo de enfrentar dificuldades e sofrimentos. Estão sempre apoiados em Deus e não simplesmente nas coisas materiais, naquilo que é passageiro e que não satisfaz plenamente os desejos do coração das pessoas.

Ser santo é não duvidar do amor de Deus nem agir com violência revidando atitudes de maldade. É decepcionar-se com as injustiças que acontecem e desrespeitam os mais fracos e indefesos. É ter a capacidade de agir com misericórdia e amor, superando conflitos, desavenças, agindo para defender um mundo de paz.

Santidade e justiça caminham juntas na construção do Reino de Deus. Quem se ajusta à Sua vontade soberana tem lugar em Seu Reino. É um Reino de valores que tem preço de martírio, como aconteceu com o Mestre Jesus Cristo; é o preço pago pela felicidade adquirida no Evangelho no meio de um mundo de muita hostilidade.

O mundo, no sentido pejorativo, não reconhece o valor e a dignidade de quem participa da filiação divina. Na verdade, não reconhece valores de eternidade. Tudo isso dificulta a fidelidade de quem acredita na mensagem de Jesus Cristo, caminho de santidade e de vida autenticamente feliz. Os contravalores da cultura moderna são totalmente desestimuladores de uma verdadeira santidade de vida.

Dom Paulo Mendes Peixoto

O bom pastor está sempre próximo às pessoas, destaca Papa em homilia

Segunda-feira, 30 de outubro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa reiterou reflexões sobre o que é ser um bom pastor, a exemplo de Jesus

O Papa Francisco começou a semana presidindo a Missa na capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 30. Em sua homilia, Francisco comentou o episódio narrado por Lucas no Evangelho do dia, da cura da mulher encurvada, fazendo, assim, uma reflexão sobre o que é ser um bom pastor.

Na sinagoga, no sábado, Jesus encontra uma mulher que não conseguia endireitar-se, uma doença na coluna que há anos a obrigava a viver assim, explicou o Papa. E o evangelista usa cinco verbos para descrever o que faz Jesus: a viu, a chamou, lhe falou, impôs as mãos sobre ela e a curou.
Cinco verbos de proximidade, destacou Francisco, porque “um bom pastor está próximo, sempre”. Na parábola do bom pastor, ele está próximo da ovelha perdida, deixa as outras e vai procurá-la. Não pode ficar distante do seu povo.

Ao contrário, os clérigos, doutores da Lei, fariseus, saduceus, os ilustres viviam separados do povo, repreendendo-o continuamente. Eles não eram bons pastores, esclareceu o Papa, estavam fechados no próprio grupo e não se interessavam pelo povo. “Talvez estivessem preocupados, quando acabava o serviço religioso, em controlar quanto dinheiro havia nas ofertas”. Mas não estavam próximos às pessoas.

Jesus, ao contrário, é próximo, e a sua proximidade vem daquilo que Cristo sente no coração: “Jesus se comoveu”, diz outro trecho do Evangelho. “Por isso, Jesus sempre estava ali com as pessoas descartadas por aquele grupinho clerical: estavam ali os pobres, os doentes, os pecadores e os leprosos; estavam todos ali, porque Jesus tinha essa capacidade de se comover diante da doença, era um bom pastor. Um bom pastor que se aproxima e tem a capacidade de se comover. Eu diria que é a terceira característica de um bom pastor é a de não se envergonhar da carne, tocar a carne ferida, como fez Jesus com esta mulher: tocou, impôs as mãos, tocou os leprosos, tocou os pecadores.”

Francisco acrescentou que o grande pastor, o Pai, ensinou como faz um bom pastor: abaixou-se, esvaziou-se a si mesmo, aniquilou-se, tomou a condição de servo. “Mas, e esses outros, aqueles que seguem o caminho do clericalismo, aproximam-se de quem?” Aproximam-se sempre ao poder de turno ou ao dinheiro. São pastores maus. Eles pensam apenas como subir no poder, ser amigos do poder, negociam tudo ou pensam nos bolsos. Estes são hipócritas, capazes de tudo. O povo não tem importância para essas pessoas. Quando Jesus lhes diz aquele adjetivo que utiliza muitas vezes com eles, hipócritas, eles se ofendem: Mas nós, não, nós seguimos a lei”.

Quando o povo de Deus vê que os maus pastores são espancados, fica feliz, recorda Francisco, e isso é um pecado, sim, mas eles sofreram tanto que “gostam” um pouco disso. Mas o bom pastor, enfatiza o Pontífice, é Jesus que vê, chama, fala, toca e cura. É o Pai que se faz no seu Filho carne, por compaixão.

“É uma graça para o povo de Deus ter bons pastores, pastores como Jesus, que não tem vergonha de tocar a carne ferida, que sabem que sobre isso – e não apenas eles, mas também todos nós – seremos julgados: estava com fome, estava na prisão, estava doente … Os critérios do protocolo final são os critérios da proximidade, os critérios dessa proximidade total, o tocar, o compartilhar a situação do povo de Deus. Não nos esqueçamos disso: o bom pastor está sempre perto das pessoas sempre, como Deus nosso Pai se aproximou de nós, em Jesus Cristo feito carne”.

Desapego

Há uma insaciável febre de compras

Não é fácil enfrentar um tempo marcado por propostas estimulantes de consumismo e com requinte de esbanjamento. A questão é tão grave que chega até a provocar desequilíbrio social, complicando a vida de muitas pessoas em condições financeiras desconfortáveis. Há uma insaciável febre de compras, induzida pela força e pertinência da mídia.

Seria saudável se todas as pessoas tivessem o necessário para o próprio consumo, mas com capacidade também para certas renúncias, concretizando uma vida de desapego e capacidade de partilha fraterna. Apego exagerado a determinadas riquezas pode denotar sintoma de injustiça, de incapacidade para viver em comunidade e de enxergar o vazio na vida de muitos outros.

Não encarar o desapego de forma concreta pode levar o rico a ficar cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. Com isto aumenta o fosso existente entre uma classe social e outra, ocasionando uma sociedade que experimenta “na pele” o mundo da violência, do inconformismo e da insegurança. Com isto, sofrem os ricos e os pobres e toda a sociedade com eles.

Existem administradores desonestos e inescrupulosos, agindo de forma escandalosa e injusta com todos. É uma esperteza que clama aos céus, provocando a ameaça e o confronto da justiça. Sabemos que, quem pratica o mal, mais cedo ou mais tarde, poderá sofrer as consequências. A injustiça, em muitos casos, é percebida por quem de direito que, às vezes, toma providências.

É importante agir com inteligência diante dos bens que o mundo coloca à nossa disposição. São repugnantes as fraudes que se cometem na administração pública e nos atos privados, deixando transparecer apego a realidades que pertencem a outros. Diz o Mestre Jesus que os filhos das trevas são muito espertos.

O desapego faz as pessoas serem ricas diante de Deus, porque a vida do mundo passa e tudo fica por aí. A grande riqueza é a vida em todas as suas dimensões, na integridade e gratuidade diante da natureza e do Criador. A riqueza pode criar vazio, porque ela é passageira.

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

Não aguento mais carregar a minha cruz. O que eu faço?

Abraçar a própria cruz é um ato de fé

Se carregar a cruz fosse algo simples e agradável, Jesus não teria sofrido tanto para carregar a Sua nem teria contado com a ajuda de Simão de Cirene, conforme narra o Evangelho.

Carregar uma cruz… É preciso entender que não se trata de algo que nos trará benefício do ponto de vista humano. Não! Vez por outra, e isso não é raro, olharemos para ela com olhar de relutância, de um peso maior do que podemos suportar. Alguns dirão que não precisamos nos humilhar, que “Deus não quer nosso sofrimento, Ele nos quer sorrindo”. Afirmações “clássicas”, frases feitas, etc., podem confundir o que é, de fato, verdade: Deus não poupou Seu próprio Filho de percorrer o caminho da cruz.

A cruz que, em Jesus, deixa de ser uma maldição para se tornar caminho de expiação dos nossos pecados, foi feita para ser carregada, e cada um de nós precisa assumir a sua. O Senhor não se omitiu diante da cruz e não omitiu que sofreríamos. Muito pelo contrário, Ele nos disse: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia, depois vem e segue-me” (cf. Lc 9,23). O que Deus quer é nos dar toda a capacidade para carregarmos nossa cruz, a exemplo de Seu próprio Filho.

E como responder a essa pergunta: “O que eu faço se não aguento mais carregar a minha cruz?”. Em primeiro lugar, precisamos assumir a “nossa” cruz. Ela é só nossa e de mais ninguém, não podemos renegá-la, não podemos querer que outros a carreguem. Não, ela é nossa.

Deus, na Sua infinita e amorosa providência, se encarregará de “aliviar”, aqui e ali, esse caminho de cruz. O cireneu vai aparecer no momento em que mais precisarmos, mas precisamos fazer o caminho e, no caminho, experimentar essas manifestações do Senhor que não nos poupa por amor, porque sabe que a nossa humanidade decaída só tem um caminho de purificação: o caminho percorrido pelo Seu Filho Jesus, Aquele que nos amou e se entregou por nós.

Tomar a cruz a cada dia significa que entramos na dinâmica do Reino dos Céus livremente, esperando n’Ele a capacidade para carregá-la, contemplando o socorro de Deus quando, humanamente, não temos mais forças físicas, espirituais nem mentais para ir em frente.

Isso implica, é claro, num ato de fé. Eu creio em Deus, por isso me disponho a carregar minha cruz no dia de hoje. O amanhã não existe, só tenho o hoje, e por isso me disponho a carregá-la.

E não só isso: eu também me disponho a ser feliz apesar da cruz. O ato humano da fé traz para nós esse dom que é graça. Essa dinâmica de me dispor e ser socorrido por ela vai produzir o fruto da virtude da fé na cruz como meio eficaz de redenção e salvação.

Se você não aguenta mais, abrace a cruz. Renegá-la? Ignorá-la? Jamais! Abraçar é um ato de fé. E Deus nos dará o amor para irmos até o fim!

Márcio Todeschini
Comunidade Canção Nova
@TodeschiniCN

Família: Lugar da Bênção de Deus

‘…Família é para ser lugar da bênção, da graça de Deus.
Dimensão para o crescimento físico, psíquico, afetivo e espiritual do ser humano.

Espiritualmente a família tem sido lugar de quê? Quem sabe muitos pais serão cobrados disso, do dia em que, diante do padre, da família e dos amigos, juraram que iriam acolher com amor os filhos que Deus lhes confiasse, educando na Lei de Cristo e da Igreja. E hoje o filho está longe de Deus.

Por que será? Porque não teve essa mesma preocupação do crescimento espiritual. E sabe por quê? Porque ninguém dá aquilo que não tem. Como dar amor, se não temos amor? A família, muitas e muitas vezes, não está sendo lugar de bênção. É triste dizer que a família tem sido, muitas e muitas vezes, o lugar da desgraça, da angústia, da falta de amor.

E por quê? Quantas e quantas pessoas, na rua são alegres e felizes, mas quando chegam em casa perdem a alegria. Por isso as famílias se tornam lugar de mágoa, de ressentimento, de tristeza, de angústia. Quando falta Deus na família, falta absolutamente tudo. Observe os grandes ídolos do mundo moderno, cantores, artistas famosos, de vez em quando eles deixam vir à tona  a maior de suas carências.

E qual é? A família. A falta desse amor por quê? Porque a família não está sendo lugar de bênção. Para ser lugar de bênção de Deus, muitas vezes não se precisa de muita coisa. Pequenos detalhes fazem um grande amor. Um grande amor não é feito de grandes coisas, não. Grandes coisas qualquer pessoa faz, tanto para o bem, quanto para o mal, se ela estiver no desespero. Agora, fazer cada dia pequenas coisas, de modo extraordinariamente maravilhoso, só quem tem o Espírito de Deus; do contrário, não consegue. E aí está a santidade. Esse é o segredo.

Cl 3, 12-17: 12 Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. 13 Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. 14 Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. 15 Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. 16 A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. 17 Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

Entranhada misericórdia, doçura… Doçura no falar, no toque, no olhar… Humildade! Marido não tem de ser mais que a mulher, e a mulher não de ser mais que o marido. São diferentes na função, mas iguaizinhos em dignidade. Humildade é fazer o outro se sentir mais importante. Isso é amor! Amor que não tem humildade não é amor. Humildade, doçura, bondade, paciência. O ser humano é fraco, é limitado. Custa  a crescer, e cresce com o tempo. Bondade, doçura, paciência. ‘Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente’.

O que é suportar? Uma mesa com a perna quebrada precisa de um suporte. Suportar é segurar a fraqueza do outro. Mas suportar é também pegar uma alavanca, um suporte, para ajudar a movimentar algo pesado. Suportar é estender o braço na hora que o outro demonstra sua fraqueza. A mulher precisa ser suporte para o marido. O marido precisa ser suporte para a mulher. O casal precisa ser suporte para os filhos. A família precisa ser suporte para a sociedade. Suportar é ter a capacidade de se sacrificar, de sofrer calado muitas vezes por causa do outro. Na hora que o outro levanta a voz, eu abaixo a minha. Não é criar pessoas perfeitas, isso não existe! Mas é saber suportar o outro.

Na hora da fraqueza do outro, eu vou ser força para ele. O marido não pode chorar no ombro da mulher infelizmente chora no balcão do boteco. Ele chora no colo de uma prostituta. Essa é a  diferença! Então o marido tem de ser o suporte da esposa, tem de ser o ombro para ela chorar no momento de fraqueza. Não precisa falar nada. É só chegar e dar um abraço. Quantos e quantos casais precisam descobrir que não é uma relação sexual, como o mundo mostra que precisa ter; que muito mais importante,  prazeroso e santo, muitas e muitas vezes, é uma leve passada de mão no cabelo, um aperto de mão, um beijo na testa.

Eis o que importa! Mais que suportar, como São Paulo diz, é preciso perdoar mutuamente. ‘Ah, eu amava muito aquela pessoa, até que ela fez isso comigo, aí acabou!’ Nunca amou! A palavra perdoar já traz em si mesma a palavra amar, porque perdoar é per+doar, doar é dar-se. Então, o sinônimo mais perfeito de amar é doar. Perdoar é amar por inteiro. E dar-se de novo, como Deus se dá a nós. É saber que nós  não somos perfeitos.

Sabe qual é o grande segredo para perdoar? É começar a cada dia como novo que é, é não levar dia velho para dia novo. Deus não leva. Quando chega o final do dia, Ele pega o rascunho do dia e joga fora. E chega outro dia… Deus acredita muito em nós! Ele diz que hoje vai dar certo, prepara aquele dia como se fosse o ontem, o anteontem. Perdoar é dar-se. Perdoar é amar de novo, é amar por completo. Perdoar é curar o outro. Uma das grandes missões do matrimônio cristão é curar o outro. Marido, você foi escolhido de Deus e por Deus, para curar sua esposa. Quantas pessoas têm uma doença e vem me pedir para fazer uma oração.

Eu tenho feito a seguinte pergunta para muitas delas: A senhora já pediu a seu marido para impor as mãos sobre a senhora e orar? Infelizmente, na grande maioria das vezes nem a mulher reza pelo marido nem o marido pela mulher. Que tristeza! Vivem juntos. Dormem juntos. Ficam nus um diante do outro, mas não têm coragem de se abençoarem mutuamente. Não rezam um pelo outro.

Marido! A sua mão tem dom de cura para sua mulher. Mulher! A sua mão tem dom de cura para seus filhos.

Filhos! Vocês têm dom de cura para seus pais. Além de rezar uns pelos outros, a família precisa ser laboratório de perdão mútuo. Perdoar é não ficar olhando para trás’.

Trecho retirado do livro ‘Famílias Restauradas’, Pe. Léo, SCJ.

Bebida e direção, uma combinação fatal

Por Daniel Machado / Produtor do Destrave  

Direção e álcool: até quando?  

“Quantos jovens vão morrer depois de se alcoolizarem e dirigirem? Talvez não saibamos os números exatos, mas não é surpresa alguma receber notícias de mortes causadas por pessoas alcoolizadas ao volante em época de festas e feriados.

No Brasil, a questão é tão grave que o Ministro da Saúde, José Padilha, afirmou que os acidentes envolvendo motoristas que consumiram álcool ao volante já são epidemia no país.

Antes da Lei Seca, em vigor há 9 anos no Brasil, o número de acidentes e mortes causados pela imprudência crescia de forma avassaladora. Em São Paulo, por exemplo, chegou-se a 50 mil ocorrências de acidentes seguidos de morte em todos os 645 municípios de São Paulo de 2001 a 2010. Com a tolerância zero da Lei Seca e mais fiscalização este número baixou para 16% na capital e 7,2% nos demais municípios segundo pesquisa da USP em Agosto de 2012. Os números mostram uma queda no número de acidentes e mortes no trânsito em decorrência do álcool, mas muito longe ainda do que se espera.

Principais vítimas da combinação álcool e direção são os jovens

Você pode perguntar: “o que tudo isso tem a ver comigo?”. Tem a ver e muito, pois, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o país desembolsa, a cada ano, 22 bilhões de reais com acidentes nas rodovias, ou seja, o contribuinte está pagando toda essa perda. No entanto, o mais grave não está nos gastos públicos, mas na vida de milhares de jovens que aparecem como as principais vítimas dessas estatísticas.

“O camarada vai a uma festa, bebe além da conta e vai dirigir, aí causa um acidente tendo sérios problemas e destruindo famílias, causando danos a toda sociedade”, diz o psiquiatra Nilton Lyrio.

Por que bebida e direção não combinam?  

Alguém que está sob o efeito do álcool perde totalmente, ou em grande parte, a sua capacidade neuromotora. Aquele obstáculo que parece estar a 10 metros para uma pessoa alcoolizada, na verdade, está muito mais próximo do que ela imagina”, explica a psicóloga Elaine Ribeiro.

O álcool é uma substância facilmente absorvida pelo organismo. Depois de alguns minutos após a ingestão de alguma bebida alcoólica, a droga já está correndo no sangue e chegando aos principais órgãos vitais do corpo; um deles é o cérebro. Essa substância altera a comunicação entre os neurônios diminuindo as repostas do cérebro ao organismo. As principais áreas afetadas são o córtex frontal (responsável pela coordenação motora do nosso corpo) e o cerebelo (responsável pela leitura espacial do corpo e do equilíbrio). Assim, uma pessoa que bebe, sobretudo de forma exagerada, perde a capacidade de resposta motora e espacial, aptidões essenciais para conduzir um veículo.

Um simples teste de equilíbrio revela se o cerebelo foi afetado pelo álcool  

Além do bafômetro (medidor do teor de álcool ingerido), a polícia dos Estados Unidos da América também utiliza faixas amarelas para que o motorista ande sobre elas ou faça o famoso 4 (com as pernas). Se o cidadão ingeriu álcool além da conta, seu cerebelo vai perder a noção de equilíbrio e não conseguirá executar a simples tarefa de andar sobre uma linha reta estendida no chão. Assim será facilmente identificado e punido por consumir bebida alcoólica e dirigir.

Questão de educação?  

Países como França, Alemanha, Itália e Japão assistem aos índices de morte no trânsito caírem há mais de 10 anos. Medidas como fiscalização, leis mais severas e estradas em boas condições foram colocadas em prática de forma rigorosa. Mas junto a tudo isso, um trabalho de educação com toda a sociedade – sobretudo com as crianças nas escolas – também fez toda a diferença. Para se ter uma ideia, no Japão há mais acidente com bicicletas (sem mortes) do que com veículos.

Diante do número de pessoas que morrem todos os anos no Brasil temos duas alternativas: fazer a nossa parte como cidadãos, transformando-nos em educadores de jovens e crianças, ou nos acostumarmos com as notícias de famílias sendo destruídas por causa do álcool.

 

Entenda como o álcool afeta o organismo
Por Alessandra Borges / Produtora Destrave

São muitos os efeitos causados pelo consumo da bebida alcoólica no organismo a longo prazo, principalmente quando este é exagerado.

Para muitos, não há nada melhor do que beber um copo de cerveja bem gelada nos dias quentes ou se sentar num barzinho com os amigos e saborear alguns petiscos com um copinho do lado. No entanto, este hábito rotineiro pode se tornar um vício, ou melhor, um grande vilão para a saúde.

A médica gastroenterologista Márcia Mayumi Fujisawa explica que a bebida alcoólica, ao ser ingerida, produz efeitos diferentes de organismo para organismo dependendo da quantidade.

“A bebida é absorvida em pequena quantidade e de forma lenta pelo estômago, mas de um modo mais rápido pelo intestino, chegando então ao fígado. No estômago, ela pode provocar gastrite aguda”, pontuou Fujisawa.

Segundo a médica, no momento em que a bebida alcoólica atinge o fígado ocorre um processo de metabolização dessa substância pelo organismo, ou seja, depois que ela entra na corrente sanguínea uma série de efeitos começam a surgir. Por exemplo, o rosto fica com uma coloração mais avermelhada, pode haver a aceleração do coração (taquicardia), a pressão sanguínea pode cair um pouco, pode haver uma lentidão dos movimentos e uma sensação de bem-estar e euforia que, dependendo da quantidade ingerida, pode levar a uma fala mais arrastada, dificuldade de caminhar em linha reta e sonolência.

“Além do fígado, todos os outros órgãos ficam comprometidos com doses diárias de álcool”, destaca Dra. Márcia.

Toda ação produz uma reação e com o álcool o processo é o mesmo, e os efeitos variam de pessoa para pessoa de acordo com a quantidade dessa substância presente na corrente sanguínea.

Pesquisas revelam que, a partir de duas latinhas de cerveja, o cérebro já começa a sentir os primeiros sintomas da presença do álcool no organismo. Desta forma, alguém que ingere muitos miligramas de álcool por dia vai apresentar, passadas 6 horas após a ingestão da bebida, sensações desagradáveis, como dor de cabeça, náuseas e vômito, conhecidas popularmente como ressacas.

De acordo com a especialista em gastroenterologia, esse mal-estar acontece porque o corpo passa por uma série de reações químicas por conta da ingestão do álcool, substância tóxica para o organismo, sendo necessário intercalar muito líquido com a ingestão alcoólica para que não ocorra uma desidratação.

“O fato de ingerir muito líquido diminui a desidratação, uma vez que o álcool é diurético, e ainda pode causar vômito e diarreia”, ressaltou a médica.

É importante saber que quanto mais elevado for o nível de álcool no organismo tanto maiores serão as chances de a pessoa entrar em coma alcoólico.

As funções do cérebro, durante o coma alcoólico, são alteradas, a respiração e a consciência ficam mais lentas e o nível de glicose no corpo reduz. Em alguns casos o paciente com esse quadro clínico precisa ser hospitalizado e receber o apoio do setor de cuidados intensivos.

A ingestão de bebida alcoólica também produz efeitos degenerativos no organismo. Um dos órgãos mais afetados é o fígado,  já que é o órgão responsável por retirar o álcool do organismo uma vez que este é ingerido.

Além do fígado, outros órgãos também sofrem as consequências dessa prática, como o estômago por receber grandes quantidades da substância (primeiro órgão a neutralizar essa agressão) e o cérebro que recebe todos os estímulos produzidos por essa substância.

 

O que está por trás do consumo do álcool entre os jovens?
Por Daniel Machado / Produtor do Destrave  

Por trás do consumo, o jovem pode estar escondendo sérios problemas  

Quando encontramos um jovem “enchendo a cara”, logo dizemos: “Ah, é coisa da idade, logo passa”. Cuidado! Por trás do consumo exagerado do álcool a pessoa pode estar escondendo sérios problemas psicológicos, de forma que a bebida surge como fuga de tais problemas.

“No aparelho social a gente vê isso: o jovem buscando a bebida como fuga das ‘questões problemas’ que ele encontra ao seu redor”, diz o psicólogo Marcos Ariel. Segundo o profissional, este comportamento pode ser levado também para a vida adulta e transformar o jovem num adicto em potencial.

Já segundo a psicóloga Elaine Ribeiro, o álcool tem a fama de ser aquela droga que deixa a pessoa mais “solta” e “livre”, e isto mexe com a sua identidade. “O jovem quer ser aceito pelo grupo, ele está buscando a sua identidade e o álcool surge como esta forma de inclusão, já que a droga é aceita e consumida pela sociedade”, salienta a psicóloga.

Outro fator que leva o jovem a consumir cada vez mais o álcool é a questão do “socialmente aceito”, ou seja, desde criança o jovem vê seus familiares bebendo e isto surge como um forte estímulo. “A maioria dos jovens que consomem bebidas alcoólicas começa a fazê-lo dentro de casa e cada vez mais cedo. O “beber socialmente”, geralmente dito pelas famílias, tem um efeito muito mais devastador para um jovem de 15 anos que está em pleno desenvolvimento emocional do que para um adulto”, explica Elaine.

“A maioria dos jovens começam a beber dentro de casa tendo os pais como referência”, Elaine Ribeiro  

Esta afirmação da psicóloga está de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), na qual 42% dos jovens entre 10 e 12 anos já experimentaram bebidas alcoólicas.

Geralmente, o consumo exagerado do álcool na juventude aparece na fase da adolescência, por se tratar de uma etapa do desenvolvimento em que o jovem está em plena formação da sua identidade e do seu caráter. Nesta fase, surge a necessidade de romper com as normas impostas pelos pais e pela sociedade e de buscar novas aventuras. Mas qual a atitude que os pais devem ter ao perceber que o filho está ultrapassando os limites?

“É importante que os pais exercitem o diálogo desde cedo com o seu filho e não terceirize a educação.

Se o pai se torna referência de diálogo, é possível que o jovem lhe dê respostas positivas diante do problema com o álcool”, explica Marcos Ariel.

Não podemos negar que o problema do álcool na juventude também passa pela educação da família. Mas como esta educação tem sido cada vez mais “terceirizada”, temos o aumento de jovens se afundando no mundo do álcool e, consequentemente, no mundo das drogas.

Se você é jovem e gosta de perder as contas das bebidas que toma no fim de semana, pense bem. Será que por trás das “entortadas de caneco” você não está querendo esconder um vazio existencial, uma falta de sentido na vida?

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