Tag: amor

Família é uma riqueza social insubstituível

Segunda-feira, 6 de julho de 2015, André Cunha / Da redação

Na primeira Missa celebrada no Equador, o Papa Francisco destacou a família como uma riqueza social insubstituível

O Equador vive dias especiais com a presença do Papa Francisco em suas terras. Esta segunda-feira, 6, foi o dia da primeira Missa presidida pelo Pontífice em solo equatoriano. Especificamente, a celebração aconteceu no Parque Samanes, em Guayaquil, maior cidade do Equador e principal porto do país.

Na homilia, o Papa Francisco destacou a família como a grande “riqueza social, que outras instituições não podem substituir”. O Santo Padre disse que ela deve ser ajudada e reforçada “para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

“Na família, a fé mistura-se com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus”, disse o Papa na homilia / Foto: Reprodução CTV

Em outubro, a Igreja celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias. O objetivo, segundo o Pontífice, é amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família enfrenta nos dias atuais.

O Bispo de Roma pediu que os fiéis intensifiquem as orações por este evento para que, mesmo aquilo que pareça impuro, escandalize ou espante, “Deus – fazendo-o passar pela sua ‘hora’ – possa milagrosamente transformá-lo”.

A reflexão sobre a família na Missa desta segunda-feira, 6, foi motivada pelo Evangelho de São João que narra o episódio das Bodas de Caná. No contexto, Maria leva a Jesus o problema da falta de vinho. Ele, segundo os relatos bíblicos, realiza o milagre e transforma a água em vinho.

Para o Papa, Maria ensina o exercício de colocar-se sempre à disposição de Jesus, que veio para servir, não para ser servido. “O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isto aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado”.

“Na família, os milagres fazem-se com o que há com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes não é o ideal, não é o que sonhamos, nem o que ‘deveria ser’. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado”, considerou o Papa.

O Papa concluiu a homilia, afirmando que o melhor dos “vinhos” ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. “E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo”.

Francisco encerrou a homilia pedindo: “Como Maria nos convida, façamos ‘o que Ele nos disser’ e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família”.

Após a Missa, o Santo Padre almoça com a Comunidade dos Jesuítas e com a comitiva papal. Em seguida, retorna à Quito onde, ainda nesta segunda-feira, 6, visita o presidente da república e a catedral da cidade.

10 frases do Papa Francisco para a Família

https://www.acidigital.com/noticias/10-frases-do-papa-francisco-para-refletir-nesta-semana-nacional-da-familia-23006

Papa Francisco saúda uma família no Vaticano/ Foto: Bohumil Petrik (ACI Prensa)

REDAÇÃO CENTRAL, 12 Ago. 18 / 09:00 am (ACI).- Em diversas oportunidades, o Papa Francisco dedicou algumas palavras para destacar a importância da família, tendo inclusive convocado um Sínodo Extraordinário e um Sínodo Ordinário para abordar este tema, resultando na exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia.

Por ocasião da Semana Nacional da Família, que tem início neste domingo no Brasil, apresentamos a seguir 10 frases do Pontífice sobre a família, sua importância e missão na Igreja e na sociedade:

1. “A aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre este fundamento, cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo”. (Amoris Laetitia, numeral 66, capítulo 3).

2. “Uma família e uma casa são duas realidades que se reclamam mutuamente. Este exemplo mostra que devemos insistir nos direitos da família, e não apenas nos direitos individuais. A família é um bem de que a sociedade não pode prescindir, mas precisa ser protegida”. (Amoris Laetitia, numeral 44, capítulo 2).

3. “O que é a família? Para além de seus prementes problemas e de suas necessidades urgentes, a família é um ‘centro de amor’, onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos ‘centros de poder’ mundanos” (Mensagem ao 1º Congresso Latino-americano de Pastoral Familiar, ocorrido em agosto de 2014)

4. “Esta é a grande missão da família: deixar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós… Jesus está aí. É preciso acolhê-lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família” (Catequese da Audiência Geral de 17 de dezembro de 2014).

5. “As famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os ‘tijolos’ para a construção da sociedade” (Homilia na celebração do matrimônio de 20 casais na Basílica de São Pedro, em 14 de setembro de 2014).

6. “Discute-se muito hoje sobre o futuro, sobre o tipo de mundo que queremos deixar aos nossos filhos, que sociedade queremos para eles. Creio que uma das respostas possíveis se encontra pondo o olhar em vós, nesta família que falou, em cada um de vós: deixemos um mundo com famílias. É o melhor legado” (discurso no encontro com as famílias em Cuba, em 22 de setembro de 2015).

7. “O convívio é um termômetro garantido para medir a saúde das relações: se em família tem algum problema, ou uma ferida escondida, à mesa compreende-se imediatamente. Uma família que raramente faz as refeições unida, ou na qual à mesa não se fala mas assiste-se à televisão, ou se olha para o smartphone, é uma família ‘pouco família’” (Catequese da Audiência Geral de 11 de novembro de 2015).

8. “O dom mais valioso para os filhos não são as coisas, e sim o amor dos pais. E não me refiro só ao amor dos pais para os filhos, mas o amor dos pais entre eles, quer dizer, a relação conjugal. Isto faz muito bem a vocês e também a seus filhos! Não descuidem a família!” (Discurso durante audiência aos funcionários da Santa Sé, em 21 de dezembro de 2015).

9. “As famílias não são peças de museu, mas é através delas que se concretiza o dom, no compromisso recíproco e na abertura generosa aos filhos, assim como no serviço à sociedade” (Discurso em audiência aos participantes de encontro promovido pela Federação Europeia das Associações Familiares Católicas, em 1º de junho de 2017).

10. “Vocês são um ícone de Deus: a família é um ícone de Deus. O homem e a mulher: precisamente a imagem de Deus. Ele disse, não sou eu que digo. E isso é grande, é sagrado” (discurso durante audiência com delegação do Fórum das Associações Familiares, em 16 de junho de 2018).

Papa: “Jesus é ‘concentrado’ de todo o amor de Deus”

Te Deum

Segunda-feira, 31 de dezembro de 2018, Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-jesus-e-concentrado-de-todo-o-amor-de-deus/

Durante reflexão, Francisco incentivou os fiéis a buscarem o amor e não o pecado: “É o amor que dá plenitude a tudo”

Papa durante reflexão no Vaticano, nesta segunda-feira, 31/ Foto: Reprodução Vatican Media

Nesta segunda-feira, 31, véspera da Solenidade de Santa Maria Santíssima Mãe de Deus, Papa Francisco entoou a oração do Te Deum laudamus (Nós te louvamos, Deus) — canto cristão antigo que tradicionalmente é cantado como forma de agradecimento pelo ano que passou, e refletiu sobre o ano. Durante reflexão, Francisco incentivou os fiéis a buscarem o amor e não o pecado. “É o amor que dá plenitude a tudo, mesmo ao tempo; e Jesus é ‘concentrado’ de todo o amor de Deus em um ser humano”, apontou.

A primeira expressão sublinhada por Francisco é a “plenitude do tempo”. Segundo o Pontífice, a cada final de ano, é sentida uma necessidade de algo que encha de significado o transcorrer do tempo: “Algo ou melhor alguém. E esse alguém veio, Deus o enviou: ele é seu Filho, Jesus. Celebramos a pouco o seu nascimento. Nasceu de uma mulher, a Virgem Maria; nasceu sob a lei, um menino hebreu. Mas como isso é possível? Como pode ser este o sinal da plenitude do tempo? É claro que, por enquanto, é quase invisível e insignificante, mas dentro de pouco mais de trinta anos, Jesus desencadeou uma força sem precedentes, que dura e durará ao longo da história inteira: esta força se chama amor”.

O Papa recordou a afirmação de São Paulo, que dizia que o Filho de Deus nasceu para redimir o mundo, ou seja, para resgatar a humanidade. “Esta é a segunda palavra que nos sensibiliza: resgatar, isto é, sair da condição de escravidão e restituir à liberdade, dignidade e liberdade própria de filhos. A escravidão que o apóstolo tem em mente é a da ‘lei’, entendida como um conjunto de preceitos que devem ser observados, uma lei que certamente educa o homem, é pedagógica, mas não o liberta da sua condição de pecador, de certo modo, crava a condição, impedindo-o de atingir a liberdade de filho”, refletiu o Pontífice.

“Deus enviou ao mundo seu filho unigênito para desenraizar do coração do homem a escravidão antiga do pecado e assim restituir-lhe a sua dignidade. O coração humano — como Jesus ensina no Evangelho (cf. Mc 7, 21-23) – é de onde sai todas as más intenções, as iniquidades que corrompem a vida e os relacionamentos”, observou o Papa. Diante das constatações, o Santo Padre convidou os fiéis a refletirem com dor e arrependimento, todas as ações que realizaram durante o ano que chega ao fim, sem se esquecerem de homens e mulheres que viveram e vivem em condições de escravidão, condições indignas.

Francisco observou que também em Roma há pessoas que, por várias razões, vivem em estado de escravidão. “Eu penso, em particular, naqueles que vivem sem um lar. São mais de dez mil. No inverno, a situação deles é particularmente dura. Todos eles são filhos e filhas de Deus, mas as diferentes formas de escravidão, por vezes muito complexas, os levaram a viver à beira da dignidade humana. O próprio Jesus nasceu em uma condição semelhante, mas não por acaso ou por acidente: ele queria ter nascido assim, para manifestar o amor de Deus para os mais pequenos e os pobres, lançando deste modo a semente do Reino de Deus, Reino de justiça, amor e paz, no mundo, onde ninguém é escravo, mas todos são irmãos, filhos do único Pai”, comentou.

De acordo com o Pontífice, a Igreja de Roma não quer ser indiferente à escravidão deste tempo, e nem mesmo limitar-se a observá-la e ajudar, mas quer estar dentro desta realidade, e mais perto das pessoas e dessas situações, como em uma proximidade materna.

“Eu gosto de encorajar esta forma da maternidade da Igreja ao celebrarmos a maternidade divina da Virgem Maria. Contemplando este mistério, reconhecemos que Deus nasceu de uma mulher para que pudéssemos receber a plenitude da nossa humanidade, ‘uma adoção de filhos’. Desde a sua descida nos sentimos aliviados. Nossa grandeza vem de sua pequenez. De sua fragilidade, nossa força. Dele se tornar servo, nossa liberdade. Que nome dar a tudo isso, se não amor? Amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo, a quem esta noite a Santa Madre Igreja eleva o seu hino de louvor e agradecimento”, concluiu.

O Te Deum laudamus

O hino, que está ligado a cerimônias de agradecimento, também é cantado quando acontece a eleição de um Pontífice ou durante a conclusão de algum Concílio convocado pela Igreja.

“Nós te louvamos, Deus, te proclamamos Senhor. Eterno Pai, toda a terra te adora. A Ti cantam os anjos e todas as potências do céu: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do Universo”, diz um dos trechos do Te Deum.

Autoria

O canto é de autoria desconhecida, mas é por vezes atribuído a São Cipriano, do século VIII, e também a Santo Agostinho, o qual o teria composto no dia de seu batismo, após sua conversão que aconteceu em Milão, Itália, no ano 386. Atualmente, os especialistas atestam que a redação oficial do texto tenha sido feita por Nicetas Choniates, historiador bizantino de 1155.

Tempo de Natal: nasceu para nós um Salvador!

O amor de Deus invisível se faz visível

O que vamos fazer nestes dias‭ ‬do tempo‭ ‬de Natal,‭ ‬já desde a noite em que Jesus nasceu‭? ‬Voltar os olhos e o coração inteiramente para a figura do Menino envolto nos paninhos que a Mãe trouxe de Nazaré e reclinado‭ ‬sobre as palhas do presépio.‭ ‬Não sentimos‭ ‬desejos de olhar para Ele e Lhe dizer:‭ ‬Meu Senhor e meu Deus‭!‬? Porque esse Menino, que vemos na manjedoura, é Deus feito homem,‭ ‬que vem ao nosso encontro para nos salvar.‭ ‬Tanto amou Deus o mundo‭ – ‬dizia Jesus a Nicodemos‭ – ‬que lhe deu Seu Filho único. O Senhor não enviou o Filho ao mundo para condená-Lo,‭ ‬mas para que o mundo fosse salvo por Ele‭ ‬(Jo‭ ‬3,16‭)‬.

Contemplando este mistério‭ ‬da Encarnação do Verbo,‭ ‬estamos no‭ ‬coração da nossa fé cristã.‭ ‬É um mistério que nos dá a‭ ‬certeza de que Deus é amor e nos quer com loucura.‭ ‬Essa é, ‬precisamente, ‬a certeza que fazia o apóstolo São João exclamar:‭ “Deus é amor‭!” ‬Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco:‭ ‬em nos ter enviado o Seu Filho únicopara que vivamos por Ele‭ ‬(cf. 1‭ ‬Jo‭ ‬4,8-9‭)‬.

Sim,‭ ‬no Natal,‭ ‬o‭ ‬amor de Deus invisível se faz visível.‭ ‬Está aqui,‭ ‬junto de nós,‭ ‬no presépio. São João extasiava-se com‭ ‬essa maravilha da bondade de Deus,‭ ‬que é a vinda‭ ‬do Verbo encarnado,‭ ‬e dizia:‭ ‘Ninguém jamais viu a Deus.‭ ‬O Filho único,‭ ‬que está no seio do Pai,‭ ‬foi quem o revelou’ ‬(Jo‭ ‬1,18‭)‬.‭ ‬E,‭ ‬cheio de júbilo por tê-Lo conhecido,‭ ‬por ter convivido com Ele‭ ‬durante três anos‭ ‬e ter experimentado o Seu carinho,‭ ‬exclamava:‭ ‘Nós o vimos com os nossos olhos,‭ ‬nós o contemplamos,‭ ‬nós o ouvimos,‭ ‬nós o tocamos com as mãos…‭!’ (cf.‭ ‬1‭ ‬Jo‭ ‬1,1-3‭)‬ Por experiência própria,‭ ‬podia‭ ‬afirmar:‭ ‘Aquele que não ama não conhece a Deus,‭ ‬porque Deus é Amor’ (‬1‭ ‬Jo‭ ‬4,8‭)‬.

Jesus é Deus feito homem,‭ ‬que nos ama com toda a força do seu amor divino e humano.‭ Seu amor é grande e verdadeiro, tem os dois sinais claros da autenticidade.‭ ‬Primeiro,‭ ‬é uma doação plena.‭ ‬Amor que não se dá não é amor.‭ ‬Mas não é um‭ ‬dar-se qualquer,‭ ‬é uma doação que visa o‭ ‬nosso bem.‭ ‬E aí está o segundo sinal de autenticidade:‭ ‬todo o verdadeiro amor,‭ ‬ao dar-se,‭ ‬quer bem,‭ ‬ou seja,‭ ‬dá-se procurando o‭ ‬bem da pessoa amada.

E qual é o‭ ‬bem,‭ ‬quais são os‭ ‬bens‭ ‬que Jesus nos traz‭? ‬Todos os bens‭! ‬A vida verdadeira,‭ ‬a vida eterna‭! ‬A felicidade que não poderá morrer‭! ‬Nessa infinita riqueza de bens divinos,‭ ‬podemos distinguir‭ ‬especialmente‭ ‬três grandes tesouros.‭ ‬O tesouro da‭ ‬verdade,‭ ‬que Ele nos ensina‭;‬ o tesouro do‭ ‬caminho‭ ‬do Céu,‭ ‬que Ele abre e nos mostra‭; ‬e o tesouro da‭ ‬vida nova dos filhos de Deus,‭ ‬que Ele ganha para nós na cruz.‭

Tudo isso resumiu-o Jesus numa só frase:‭ ‬Eu sou o Caminho,‭ ‬a Verdade e a Vida‭ ‬(Jo‭ ‬14,6‭)‬.‭ ‬Será que captamos a importância dessas palavras‭?‬ Tentemos arrancar, do fundo delas, a grande luz que encerram,‭ ‬meditando um pouco sobre o seu significado. Jesus nos traz,‭ ‬primeiro,‭ ‬a luz da‭ verdade.‭ ‬Vem-me à cabeça agora o pai de São João Batista,‭ ‬Zacarias‭ – ‬o marido de Santa Isabel‭ –‬,‭ ‬que profetizou o nascimento de Jesus de uma maneira muito significativa.‭ ‬Dizia que‭ ‬a ternura e a misericórdia do nosso Deus nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,‭ ‬que há de iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz‭ (‬Lc‭ ‬1,78-79‭)‬.‭ ‬Desde antes de nascer,‭ ‬Jesus já é anunciado como o Sol,‭ ‬como a Luz,‭ ‬a Luz da Verdade,‭ ‬que nos guiará para‭ ‬o bem e para‭ ‬a paz,‭ ‬para a paz terrena e eterna.

Isso‭ ‬é‭ ‬o que‭ ‬também‭ ‬diz São João no prólogo do seu Evangelho. ‬Ele era a verdadeira Luz,‭ ‬que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. A luz resplandece nas trevas e estas não a compreenderam‭ ‬(cf.‭ ‬Jo‭ ‬1,9-11‭)‬.‭ ‬Que pena se nós não a recebêssemos! Que pena se nós não a compreendêssemos‭! ‬Porque a verdade que Ele nos traz não é uma verdade qualquer, mas a única‭ ‬verdade-verdadeira,‭ ‬a única verdade que salva:‭ ‬a verdade sobre Deus,‭ ‬sobre o mundo e sobre o homem.‭ ‬Só ela pode dar sentido à nossa vida.

Utilizando-nos de uma comparação do próprio Cristo,‭ ‬podemos dizer‭ ‬que a verdade ensinada por Ele é como a semente na mão do semeador.‭ ‬Pode cair nas pedras ou entre espinhos e morrer‭; ‬ou pode cair numa boa terra e dar fruto‭ (‬cf.‭ ‬Mt‭ ‬13,‭ ‬4‭ ‬ss.‭)‬.‭ ‬Depende de nós. Se procurássemos acolher essa verdade com carinho,‭ ‬seria uma maravilha,‭ ‬seríamos‭– ‬no empenho por edificar a nosa vida‭ –‬ como o construtor de que Jesus falava:‭ ‬’Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente,‭ ‬que edificou a sua casa sobre a rocha’ ‬(Mt‭ ‬7,24‭)‬.‭ ‬Nem a chuva,‭ ‬nem o vento,‭ ‬nem as tormentas conseguiriam derrubá-la.‭ ‬Porque essa verdade nos daria‭ – ‬como diz a Bíblia‭ – ‬um‭ ‬amor forte como a morte’ (cf. ‬Cânticos ‬8,6‭)‬.

Se continuarmos a olhar para Jesus Menino,‭ ‬veremos que‭ ‬Ele nos‭ ‬diz também,‭ ‬como‭ ‬já mencionávamos, “Eu sou o Caminho”.‭ ‬Toda a vida d’Ele é exemplo e caminho para nós,‭ ‬é como a sinalização luminosa da estrada que conduz a Deus,‭ ‬o roteiro que devemos seguir para nos realizarmos nesta terra e na eternidade.

É por isso que Jesus diz,‭ ‬muitas vezes:‭ ‘Segue-me‭!’. Compara-nos às ovelhas que Ele,‭ ‬o Bom Pastor,‭ ‬conduz entre brumas e perigos até‭ ‬o pasto que alimenta e‭ ‬o‭ ‬refúgio seguro.‭ ‬Ele é o Bom Pastor que‭ ‬caminha adiante delas,‭ ‬adiante de nós,‭ ‬indicando-nos o caminho‭; ‬mais:‭ ‬sendo,‭ ‬com o Seu exemplo,‭ ‬Ele próprio o caminho‭. Acontece que o caminho de Cristo é,‭ ‬essencialmente,‭ ‬o‭ ‬caminho do amor.‭ ‬Caminhai no amor‭ ‬– escrevia São Paulo‭ –‬,‭ ‬segundo o exemplo de Cristo,‭ ‬que nos amou e por nós se entregou (Ef‭ ‬5,2‭)‬.

O amor que é‭ ‬caminho é o amor autêntico,‭ ‬com maiúscula,‭ ‬o Amor que‭ ‬vem de‭ ‬Deus‭ ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬4,7‭)‬.‭ ‬Não é fumaça cor de rosa,‭ ‬nem é uma teoria ou só uma paixão que arde e se evapora; é um amor vivo,‭ ‬sincero e realista,‭ ‬que se‭ ‬manifesta,‭ ‬no dia a dia,‭ ‬na prática das‭ ‬virtudes que são como o selo de garantia do amor.

Por isso,‭ ‬aquele que ama esforça-se por ser‭ – ‬com a graça de Deus‭ – ‬generoso,‭ ‬compreensivo,‭ ‬dedicado,‭ ‬paciente‭; ‬e‭ ‬também‭ ‬por ser constante,‭ ‬por ser forte na adversidade,‭ ‬por ser sóbrio e moderado nos prazeres‭; ‬por ser caridoso,‭ ‬gentil,‭ ‬prestativo‭; ‬por ser justo,‭ ‬discreto; ‬por dar a Deus cada dia mais amor,‭ ‬e aos irmãos também.‭ ‬Em suma,‭ ‬por levar a sério a prática das virtudes humanas e cristãs.

Nunca percamos de vista: aquele que‭ ‬ama‭ ‬faz,‭ ‬age,‭ ‬não fica só pensando e sentindo.‭ ‬É exatamente isso o que‭ ‬nos diz São João,‭ ‬o grande intérprete do amor de Cristo:‭ ‬”Meus filhinhos,‭ ‬não amemos com palavras nem com a língua,‭ ‬mas por atos e em verdade” ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬3,18‭)‬.‭ ‬E é claro que isso se aplica tanto ao amor a Deus como ao amor ao próximo.‭ ‬Como diz‭ ‬o mesmo‭ ‬São João:‭ “Temos de Deus este mandamento:‭ ‬quem ama a Deus,‭ ‬ame também a seu irmão” ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬4,21‭)‬.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

Redescobrir o sabor da verdadeira alegria

Domingo, 11 de dezembro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Francisco disse que o Natal está chegando e é oportunidade para ir ao encontro de quem sofre

Com a proximidade do Natal, o Papa Francisco destacou no Angelus deste domingo, 11, que Jesus indica o caminho da fidelidade e da perseverança.

O Santo Padre explicou que este 3º Domingo do Advento caracteriza-se pelo convite de São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor” – “O Senhor está próximo!”.

“Não é uma alegria superficial ou puramente emotiva, nem sequer aquela mundana ou do consumismo, mas trata-se de uma verdadeira alegria, da qual somos chamados a redescobrir o sabor”, assinalou o Papa.

Francisco sublinhou a importância da “alegria” na vida cristã e sustentou que, no Natal, os católicos devem celebrar a “intervenção de salvação e de amor de Deus” na história da humanidade.

“Somos chamados a partilhar esta alegria com os outros, dando conforto e esperança aos pobres, aos doentes, às pessoas sós e infelizes”, prosseguiu.

A Liturgia da Palavra deste domingo oferece-nos o contexto adequado para compreender a viver esta alegria, disse o Pontífice.

Francisco explicou que o profeta Isaías fala de ‘deserto’, de ‘terra árida’ e aponta um quadro de uma ‘situação de desolação’ de um destino inexorável sem Deus, e a salvação anunciada pelo profeta realiza-se em Jesus e Ele mesmo o afirma respondendo aos mensageiros enviados por João Batista: “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados” (Mt 11,5).

“Somos chamados a deixarmo-nos envolver pelo sentimento de exultação, da qual está plena a liturgia do dia, para a vinda do Senhor na nossa vida como libertador. É Ele que nos indica o caminho da fidelidade, da paciência e da perseverança, para que no seu regresso, a nossa alegria será completa”, disse o Papa.

O Papa lembrou os sinais da proximidade do Natal nas ruas e nas casas, como a árvore e o presépio e destacou: “Estes sinais exteriores convidam-nos a acolher o Senhor que vem sempre e bate à nossa porta; convidam-nos a reconhecer os seus passos entre os dos irmãos que passam ao nosso lado, especialmente os mais fracos e necessitados”.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco fez um apelo pela população da cidade de Aleppo na Síria: famílias, crianças, idosos e pessoas doentes.

Bênção das imagens do menino Jesus

Como é tradição no 3º Domingo do Advento, centenas de crianças e adolescentes enchem a Praça de São Pedro, no Vaticano, para bênção dos “bambinelli”, que são as pequenas imagens do Menino Jesus que as crianças romanas levarão para o presépio de suas casas.

“Caras crianças, quando rezardes diante do vosso presépio, com os vossos pais, pedi ao Menino Jesus que nos ajude todos a amar a Deus e ao próximo. E lembrai-vos de rezar também por mim, como eu me lembro de vós”, pediu Francisco.

 

O verdadeiro significado do Natal

Quarta-feira, 27 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

“Sem Jesus não há Natal”, frisou o Papa na última catequese de 2017

Na catequese desta quarta-feira, 27, a última do ano de 2017, o Papa Francisco refletiu sobre o significado do Natal. O Pontífice alertou sobre uma espécie de “desnaturalização” do Natal que se vê nos dias de hoje.

“Sem Jesus não há Natal”, afirmou o Papa, destacando que o nascimento de Jesus é o único verdadeiro Natal. Se Jesus está no centro, tudo ao redor – as luzes e tradições locais, incluindo as comidas características – contribui para criar a atmosfera da festa, mas com Jesus no centro. Se se tira Jesus, a luz se apaga, tudo se torna falso, aparente, explicou.

“O verdadeiro dom para nós é Jesus, e como Ele queremos ser dons uns para os outros. E, uma vez que queremos ser dons uns para os outros, trocamos presentes, como sinal, como sinal desta atitude que nos ensina Jesus: Ele, enviado do Pai, foi dom para nós e nós somos dons para os outros”.

Francisco acrescentou que, com a encarnação do Filho, Deus abriu o caminho da vida nova, que é fundada sobre o amor. “O nascimento de Jesus é o maior gesto de amor do nosso Pai do Céu”, frisou.

Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o fato de que, no Natal, a história humana é visitada pela história de Deus, que tem como primeiros destinatários do seu dom – a salvação trazida por Jesus – aqueles que estão à margem da sociedade, os pequeninos e desprezados.

“Queridos irmãos e irmãs, nestes dias abramos a mente e o coração para acolher esta graça. Jesus é o dom de Deus para nós e, se O acolhemos, também nós podemos nos tornar dom para os outros – ser dom de Deus para os outros – antes de tudo para aqueles que nunca experimentaram atenção e ternura”, concluiu o Pontífice.

“Sabedoria da Cruz” na vida de João Paulo II

Cardeal Cottier: a “Sabedoria da Cruz” na existência de João Paulo II

“O sofrimento é aquele continente do qual ninguém pode dizer ter alcançado os confins”.

“Mediante o sofrimento é possível progredir no dom de si e alcançar o grau mais alto do amor”: esses dois pensamentos de São João Paulo II foram evocados pelo Teólogo emérito da Casa Pontifícia, Cardeal George Marie Martin Cottier, em sua conferência no simpósio realizado esta terça-feira, no Vaticano, sobre o tema “A Sabedoria da Cruz no pensamento e no testemunho de São João Paulo II”, promovido pela Pontifícia Universidade Lateranese.

O cardeal desenvolveu uma longa reflexão sobre a espiritualidade do Papa Wojtyla, marcada pelas vicissitudes pessoais e familiares, desde muito jovem, com a perda da mãe quando ele tinha apenas nove anos – quatro anos após o falecimento do irmão mais velho, que era médico; com a perda do pai – “seu mestre espiritual” – aos 21 anos.

A esse ponto de sua vida, o jovem Wojtyla confiou-se somente a Deus e mostrará ao longo de toda a sua existência uma grande e intensa atenção a todas as formas de sofrimento”, observou o conferencista evocando as fontes espirituais dessa predisposição interior: de um lado, os escritos de São Luís Maria Grignon de Monfort (“Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria”) e, do outro, os escritos de São João da Cruz.

“Toda a biografia de São João Paulo II é marcada pelo sofrimento e por uma forte sensibilidade que Karol Wojtyla mostrou, desde muito jovem, a todas as formas de sofrimento”, prosseguiu o Cardeal Cottier em sua conferência sobre a “Sabedoria da Cruz” no Papa Santo.

“Diante da massa enorme de sofrimento da humanidade, que por vezes parece desmedida e cruel, muitos cedem e se rebelam porque muitas formas de sofrimento não encontram explicação”, disse.

“Porém – continuou –, nos ensinamentos do Papa Wojtyla a dor tem significado, aliás, mediante a fé nos faz partícipes, de modo profundo, do próprio mistério de Deus.”

O purpurado suíço citou a visita do Papa, no dia seguinte ao de sua eleição à Cátedra de Pedro, ao então Bispo Andrzej Maria Deskur – internado na Policlínica “Gemelli” em Roma –, criado Cardeal pelo próprio João Paulo II em 25 de maio de 1985.

Durante a visita Karol Wojtyla dirigiu-se aos doentes – admirados por encontrar o novo Sucessor de Pedro no meio deles – pedindo-lhes a sua oração “que me dá – disse o Papa – uma força especial para realizar menos indignamente a missão que me foi confiada com esse ministério”.

Segundo o Cardeal Cottier, foi ainda mais eloqüente “a doação de seu sofrimento a Deus e em favor da Igreja, um dia após ao do atentado de 13 de maio de 1981, cujas consequências se fizeram sentir pelo restante de sua vida e que ele ofereceu como sacrifício para acompanhar a Igreja na entrada do terceiro milênio da era cristã”.

Fonte: Rádio Vaticano  

A felicidade é Cristo, não um aplicativo no celular

Praça S. Pedro ficou lotada para Missa presidida pelo Papa – ANSA

Cidade do Vaticano (RV) – Os jovens voltaram a se encontrar com o Papa Francisco este domingo (24/04), desta vez para a Santa Missa por ocasião do Jubileu dos Adolescentes.

O cenário para este encontro foi novamente a Praça S. Pedro, depois da maratona de confissões sábado pela manhã – ocasião em que Francisco confessou 16 moças e rapazes.

Com a participação de cerca de 100 mil fiéis, a homilia do Pontífice foi inspirada no Evangelho do dia, no mandamento de Jesus aos discípulos, “amai-vos uns aos outros como eu vos ameis”.

“O amor é a carteira de identidade do cristão, é o único ‘documento’ válido para sermos reconhecidos como discípulos de Jesus. Se este documento perde a validade e não for renovado, deixamos de ser testemunhas do Mestre”, disse Francisco, que reconheceu que amar não é fácil. É exigente e requer esforço, pois significa oferecer algo de nós mesmos: o próprio tempo, a própria amizade e as próprias capacidades. Não é o amor das novelas. É livre, porque não possui.

O segredo para amar é Jesus, acrescentou o Papa, que oferece o dom maior, um dom para a vida: Ele nos oferece uma amizade fiel, da qual nunca nos privará. A principal ameaça que impede de crescer como se deve é ninguém se importar conosco, é nos sentirmos deixados de lado. Ao contrário, o Senhor está sempre conosco. Ele no espera pacientemente e aguarda o nosso «sim».

A felicidade não é um ‘app’ no celular

Francisco falou ainda do desejo de liberdade que os adolescentes sentem. Ser livre, afirmou ele, não significa fazer aquilo que se quer, mas é o dom de poder escolher o bem: é livre quem procura aquilo que agrada a Deus, mesmo que nos obrigue a escolhas corajosas. Ser livre é saber dizer sim e não. “Não se contentem com a mediocridade, ficando cômodos e sentados; não confiem em quem os distrai da verdadeira riqueza, dizendo que a vida só é bela se possuir bens materiais. A felicidade não tem preço, nem se comercializa; não é um ‘aplicativo’ que se baixa no celular: nem a versão mais atualizada os ajudará a torná-los livres e grandes no amor.”

Com efeito, o amor é o dom livre de quem tem o coração aberto; é uma responsabilidade que dura toda a vida; é um compromisso diário, feito também de sonhos. “Ai dos jovens que não sabem sonhar. Se um jovem dessa idade não sonha, já está aposentado.” O amor não se realiza falando dele, mas o colocando em prática! Para crescer no amor, o segredo também é o Senhor. “Quando parecer difícil dizer não àquilo que é errado, ergam os olhos para a cruz de Jesus e não larguem a sua mão que os conduz para o alto”, indicou o Papa. Esta mão que, muitas vezes, pode ser a de um pai, de uma mãe ou de um amigo para não nos deixar caídos. “Deus nos quer em pé, sempre.”

Treinar o amor

Mas também para amar é preciso treinamento, disse Francisco, como os campões esportivos, começando desde já com empenho e afinco. Como programa diário desse treinamento, o Papa sugeriu as obras de misericórdia. “Assim, se tornarão campeões de vida, campeões de amor, e serão reconhecidos como discípulos de Jesus. E lhes garanto: a alegria será completa.”

Ao final da Missa, o Papa percorreu toda a Praça S. Pedro a bordo de seu papamóvel para saudar os fiéis.

Ângelus: o reino de Jesus não é deste mundo, afirma Papa

Domingo, 25 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/angelus-o-reino-de-jesus-nao-e-deste-mundo-afirma-papa/

Francisco, em mais uma oração mariana do Ângelus, falou a respeito do reino de Jesus, repleto de amor, paz e justiça

Papa Francisco durante o Ângelus deste domingo, 25 / Foto: Reprodução Vatican News

Neste 34º domingo do tempo comum, o Papa Francisco celebrou mais uma oração mariana do Ângelus. Desta feita, o discurso do Santo Padre foi centrado na passagem do Evangelho em que Jesus Cristo fora levado de Getsêmani ― amarrado, insultado e humilhado ― às autoridades de Jerusalém.

“Depois de apresentado ao procurador romano como alguém que atenta contra o poder político para se tornar o rei dos judeus, Pilatos faz sua investigação em um interrogatório dramático e pergunta a Ele por duas vezes se é mesmo um rei”, disse Francisco. “Jesus, primeiro, responde que Seu reino não é deste mundo. Tu dizes que sou rei”.

É óbvio, como ressaltou o Sucessor de Pedro, que Jesus jamais teve ambições políticas. “Após o milagre da multiplicação dos pães, o povo quis clamá-lo como um rei para derrubar o poder romano e restaurar o reino de Israel”. Para Jesus, porém, não era necessário o uso da força ou da violência para que suas ideias sejam absorvidas pelo povo.

A atitude de Jesus é deixar claro que acima do poder político a outro poder que não pode ser alcançado pelos humanos. “Ele veio à Terra para exercer esse poder, que é amor, dando testemunho da verdade a verdade. Trata-se da verdade divina que, em última análise, é a mensagem essencial do Evangelho: ‘Deus é amor’ e quer estabelecer no mundo o seu reino de amor, de justiça e de paz”, ponderou Francisco.

Para o Papa, Jesus nos pede que Ele se torne nosso rei. “Mas não devemos esquecer que o reino de Jesus não é deste mundo, Ele poderá dar um novo sentido à nossa vida, às vezes colocada à dura prova também por nossos erros e pecados ― somente com a condição de que nós não sigamos as lógicas do mundo e de seus ‘reis’”, finalizou.

Esperança cristã não é simples otimismo

Audiência geral

Quarta-feira, 15 de outubro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa enfatizou que os cristãos aguardam a volta de Jesus, e o tempo de espera deve ser vivido com esperança fervorosa

O Papa Francisco deu continuidade, nesta quarta-feira, 15, ao ciclo de catequeses sobre a Igreja. Concentrado no tema “A Igreja esposa espera o seu esposo”, o Santo Padre explicou que os cristãos aguardam a volta de Jesus, e esse tempo de espera deve ser vivido com esperança cristã, que não é simples otimismo, mas uma espera fervorosa pela realização do mistério do amor de Deus.

A Igreja, explicou o Papa, é o povo de Deus que segue o Senhor Jesus e que vai se preparando, dia após dia, para o encontro com Ele, como uma noiva para o seu noivo. “’E assim estaremos sempre com o Senhor’: essas palavras de São Paulo estão entre as mais belas do Novo Testamento”, disse o Papa. “Palavras simples, mas com uma densidade de esperança muito grande”.

Já o livro do Apocalipse apresenta a Igreja como uma noiva preparada para o seu noivo: a noiva, porém, é apresentada não como simples indivíduo, mas como uma cidade, “a nova Jerusalém”.

Sendo a cidade o símbolo por excelência do relacionamento humano e da convivência, Francisco explicou que, desde já, é possível contemplar todas as nações e povos nela congregados como numa tenda, a tenda de Deus. Nesta cidade, não existirá egoísmo nem prevaricação nem divisão de qualquer gênero – de natureza social, étnica ou religiosa –, mas todos serão um só em Cristo.

Assim, chega-se à plena realização do projeto de comunhão e amor tecido por Deus no decurso de toda a história, disse o Papa. A missão da Igreja é manter acesa e à vista de todos a lâmpada da esperança, que não é simples otimismo. Para um cristão, a esperança é uma espera fervorosa, apaixonada, realização última e definitiva do mistério do amor de Deus.

“Queridos irmãos e irmãs, eis então o que esperamos: a volta de Jesus!”, disse o Papa, perguntando se as comunidades vivem essa espera com atitude calorosa ou de maneira cansada e resignada.

“Estejamos atentos”, exortou o Pontífice, dirigindo-se a Maria, para que ela mantenha o homem sempre em uma atitude de escuta e espera, para participar, um dia, da alegria sem fim, na plena comunhão com Deus. “E assim estaremos sempre com o Senhor”, finalizou o Papa, pedindo que os fiéis repetissem mais três vezes essa frase.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Durante este tempo falamos da Igreja, da nossa santa mãe Igreja hierárquica, o povo de Deus em caminho. Hoje queremos nos perguntar: no fim, o que será do povo de Deus? O que será de cada um de nós? O que devemos esperar? O apóstolo Paulo encorajava os cristãos da comunidade de Tessalônica, que se colocam estas perguntas, e depois de sua argumentação diziam estas palavras que estão entre as mais belas do Novo Testamento: “E assim para sempre estaremos com o Senhor!” (1 Ts 4, 17). São palavras simples, mas com uma densidade de esperança tão grande! É emblemático como, no livro do Apocalipse, João, retomando a intuição dos Profetas, descreve a dimensão última, definitiva, nos termos da “nova Jerusalém, que desce do céu, de Deus, pronta como uma esposa ornada para seu esposo” (Ap 21, 2). Eis o que nos espera! E então quem é a Igreja: é o povo de Deus que segue o Senhor Jesus e que se prepara dia após dia ao encontro com Ele, como uma esposa com o seu esposo. E não é só um modo de dizer: serão as verdadeiras e próprias núpcias! Sim, porque Cristo, fazendo-se homem como nós e fazendo de todos nós uma só coisa com Ele, com a sua morte e a sua ressurreição, esposou-se conosco e fez de nós como povo a sua esposa. E isto não é outra coisa que não o cumprimento do desígnio de comunhão e de amor tecido por Deus no curso de toda a história, a história do povo de Deus e também a história própria de cada um de nós. É o Senhor que leva isso adiante.

Há um outro elemento, porém, que nos conforta mais e que nos abre o coração: João nos diz que na Igreja, esposa de Cristo, torna-se visível a “nova Jerusalém”. Isto significa que a Igreja, além de esposa, é chamada a se tornar cidade, símbolo por excelência da convivência e do relacionamento humano. Que belo, então, poder já contemplar, segundo outra imagem sugestiva do Apocalipse, todos as pessoas e todos os povos reunidos juntos nesta cidade, como em uma tenda, “a tenda de Deus” (cfr Ap 21, 3)”! E nesta situação gloriosa não haverá mais isolamentos, prevaricações e distinções de gênero algum– de natureza social, étnica ou religiosa – mas seremos todos uma só coisa em Cristo.

Diante desse cenário inaudito e maravilhoso, o nosso coração não pode não se sentir confirmado de modo forte na esperança. Vejam, a esperança cristã não é simplesmente um desejo, não é otimismo: para um cristão, a esperança é espera, espera fervorosa, apaixonada pelo cumprimento último e definitivo de um mistério, o mistério do amor de Deus, no qual renascemos e já vivemos. E é espera por alguém que está para chegar: é o Cristo Senhor que se faz sempre mais próximo a nós, dia após dia, e quem vem para nos introduzir finalmente na plenitude da sua comunhão e da sua paz. A Igreja tem, então, a tarefa de manter acesa e bem visível a lâmpada da esperança, para que possa continuar a resplender como sinal seguro de salvação e possa iluminar toda humanidade no caminho que leva ao encontro com a face misericordiosa de Deus.

Queridos irmãos e irmãs, eis então o que esperamos: que Jesus volte! A Igreja esposa espera o seu esposo! Devemos nos perguntar, porém, com muita sinceridade: somos realmente testemunhas luminosas e credíveis desta espera, desta esperança? As nossas comunidades vivem ainda no sinal da presença do Senhor Jesus e na espera calorosa da sua vinda, ou parecem cansadas, entorpecidas, sob o peso do cansaço e da resignação? Corremos também nós o risco de exaurir o óleo da fé e o óleo da alegria? Estejamos atentos!

Invoquemos a Virgem Maria, mãe da esperança e rainha do céu, para que nos mantenha sempre em uma atitude de escuta e de espera, de forma a poder estar já agora permeados pelo amor de Cristo e participar um dia da alegria sem fim, na plena comunhão de Deus e não se esqueçam, nunca esquecer: “E assim para sempre estaremos com o Senhor!” (1 Ts 4, 17).

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda