Tag: amor

13 razões para viver

Saúde e Bem Estar
Com base na série “13 Reasons Why”, Psicólogo apresenta reflexão favorável à vida
Élison Santos*
http://noticias.cancaonova.com/brasil/13-razoes-para-viver/

Em sua obra que se tornou um dos dez livros mais influentes da história dos EUA, ‘Em busca de sentido – Um psicólogo no campo de concentração’, Viktor Frankl relata situações ocorridas durante seus três anos como prisioneiro durante a Segunda Guerra Mundial. A tônica de toda sua obra, iniciada antes da guerra e largamente desenvolvida durante mais de cinco décadas depois da guerra, é a afirmação categórica de que a vida tem sentido, não importa sob qual circunstância, a vida sempre tem sentido. Mas, como encontrar o sentido da vida, especialmente quando tudo parece estar errado, quando parece não haver saída para os problemas, quando a angústia parece ser maior que a vontade de viver?
Enquanto a série ’13 reasons why’ da netflix nos propõe uma reflexão sobre os motivos que podem levar alguém a tirar sua própria vida, proponho aqui algumas razões para se enfrentar a ideia de morte:

1 – Por alguém – Em algumas situações no campo de concentração Frankl se deparou com pessoas que queriam cometer suicídio, algumas ele pôde ajudar, propondo-lhes esta reflexão, se haveria alguém por quem valeria a pena suportar o sofrimento do campo de concentração até o fim e manter a esperança de talvez um dia reencontrar esta ou aquela pessoa. Esta reflexão fez com que muitas pessoas deixassem a vontade de morrer e passagem a suportar o sofrimento de estar vivo sob aquelas circunstâncias, por alguém.

2 – Uma tarefa – Outras pessoas no campo de concentração haviam prometido para elas mesmas terminar uma tarefa, um livro que haviam iniciado antes da guerra, uma obra que haviam prometido para si mesmas que realizariam durante a vida e por esta ou aquela tarefa, por este ou aquele compromisso consigo mesmo, valeria a pena suportar o sofrimento e deixar aberta a possibilidade de sobreviver em um pós-guerra.

3 – O amor – Além de pensar no bem de outra pessoa, quando se tem alguém para amar, você mesmo vive uma experiência de grandes proporções. Frankl relata que muitas vezes, no final de um dia, ainda trabalhando sob o frio cortante, a fraqueza física, a fome e a humilhação, pensava em sua esposa, nos momentos felizes que passou ao seu lado e isto lhe ajudava a suportar o sofrimento.

4 – A inteligência – Enquanto estamos vivos somos constantemente desafiados por nossa existência. Nossa mente está a nos ajudar a encontrar saídas para os problemas e por isso temos condições de suportar sofrimentos. É fato que sempre existem saídas. Por isso a afirmação categórica de que a vida tem sentido. Portanto, se não estamos encontrando saída é porque nossa inteligência está, de alguma forma, equivocada, alguma emoção muito grande pode nos impedir de encontrar e perceber as muitas possibilidades de saída daquele problema.

5 – O humor – Frankl relata que uma vez foram encaminhados para um barracão e tiveram que tirar suas roupas, era um lugar diferente, eles sabiam que muitos prisioneiros eram encaminhados para lugares assim e eram executados com gases letais. Eles entraram ali e se depararam com muitos chuveiros, estavam literalmente morrendo de medo de que daqueles canos saíssem os gases que os matariam, quando de repente saiu água e muitos deles começaram a rir muito porque ao invés de serem mortos, foram levados apenas para tomar banho. Mesmo diante das piores situações de nossa vida, mesmo diante do sofrimento mais amargo que alguém pode viver, ainda assim é possível encontrar um segundo de bom humor e o humor abre janelas em nossa mente, ampliando nosso campo de visão, ajudando nossa inteligência a encontrar as saídas para os problemas.

6 – A arte – Uma das formas de auxiliar a mente a suportar o sofrimento é ver a realidade por um outro prisma. Na arte a pessoa é convidada a se colocar a margem da realidade fria para poder ver com outros olhos. Frankl nos fala de uma capacidade especificamente humana que é a autotranscendência, podemos nos afastar da realidade nua e crua e encontrar um sentido superior. Um desenho, uma pintura, uma música, um poema, algo que posso expressar fisicamente ou que posso apenas imaginar em minha mente. Uma realidade que me ajude a suportar o sofrimento como, por exemplo, a personagem Guido no filme ‘A vida e bela’ desenvolve uma história para que o filho possa suportar os terrores da guerra.

7 – A resiliência – Suportar o sofrimento e a dor é uma capacidade presente em todos os seres humanos. Desde nosso nascimento experimentamos dores e desconfortos que fazem parte dos processos do crescimento físico e do desenvolvimento psicossocial. Quanto maior nossa capacidade de suportar desconfortos, maior nossa possibilidade de desenvolvimento. Frankl poderia ter ele mesmo cometido suicídio no campo de concentração, mas optou pela resiliência e fez que esta experiência terrível de dor, humilhação e privação se transformasse em uma obra com mais de trinta livros publicados e dezenas de títulos honoris causa das mais conceituadas universidades do mundo.

8 – Caridade – Uma colocação do Rabino Hillel pode nos ajudar a refletir sobre esta razão: “Se eu não for por mim, quem o será? Mas, se eu for só por mim, que serei eu? Senão agora, quando?” Refletir sobre o sentido da vida é pensar também nas pessoas que estão ao meu redor. Diante da pergunta: ‘que serei eu?’, propõe-se uma constatação de que eu sou alguém conectado com uma família, com laços de sangue e de amizade, e ainda que eu não tenha amigos nem parentes, em última instância o único responsável por mim mesmo. Desta forma, posso apelar a minha consciência para que eu mesmo seja caridoso comigo, oferecendo-me a possibilidade de seguir vivendo. E, ainda que não tenhamos certeza do futuro, temos certeza do agora, ‘se não agora, quando?’, pois se não tomo a decisão de viver agora e me salvo da morte, quando poderei fazê-lo?

9 – A curiosidade – Ainda que possa parecer sedutora a ideia de se conhecer o que há do outro lado da morte, não existe provas sobre o que se pode existir, nem mesmo se existe algo, por outro lado, há uma certeza sobre a vida, pois está sendo experimentada de alguma forma, ainda que em sofrimento. Pela experiência, também sabe-se que o tempo passa, e com o tempo surgem novas possibilidades. Posso lançar-me no desafio de que existem milhões de possibilidades que me visitarão no dia de amanhã, por que não esperar para ver o que acontece? O preço para ver o dia seguinte é apenas a paciência para viver o dia de hoje. Em uma perspectiva de muitos anos que poderão vir após o amanhã, o valor de um dia pode ser bem pouco.

10 – A vaidade – Pode-se ver a vaidade como algo negativo, mas ela está relacionada também a uma possibilidade de defesa de nossa vida. E se ela pode interpelar minha consciência para que eu não tire minha própria vida, então a vaidade pode ser minha amiga. Posso, por exemplo, perguntar-me o que os outros pensarão de mim se eu cometer suicídio, certamente que poderei encontrar muitos que terão uma visão muito negativa de mim. É certo que, para a pessoa que chega próxima de pensar na possibilidade de morrer a vaidade pode não ser algo para o qual ela vá se importar, mas não deixa de ser também para alguns uma boa questão. Minha história poderá ficar manchada negativamente, então pode valer a pena continuar vivendo para tentar construir uma história que de fato traga orgulho para as pessoas que me conhecem.

11 – A fé – Nem todo mundo tem uma religião, mas todo ser humano tem a capacidade de ter fé. Ainda o mais ateu dos ateus, pode se deparar com sua capacidade de crer nas infinitas possibilidades do universo. Ainda que para alguns não haja provas suficientes de que Deus exista, para todos não existem provas cabíveis de que Ele não exista. Desta forma, todos temos a possibilidade de ter fé. Frankl não sabia que a guerra acabaria, ninguém sabia, ele não sabia se sairia vivo da guerra, mas de alguma forma, ele acreditava. São muitos os relatos da Segunda Guerra de grupos que se reuniam para rezar, para realizar suas experiências religiosas em comunidade. Existem pesquisas no campo da psicologia e da psiquiatria que comprovam, por exemplo, que as pessoas que têm uma crença religiosa tendem a superar com mais facilidade uma enfermidade ou um vício do que aquelas que não tem.

12 – Meu espelho – A pessoa pode chegar em um ponto da vida que não mais goste de si, que eu não goste do seu corpo, do seu semblante, das pessoas que a cercam, da sua casa, das coisas que tem, mas se tem algo que não pode fugir é de sua própria consciência. Olhar no espelho, não significa buscar uma análise narcísica das coisas bonitas que julgue que todos devam ter, mas sim olhar nos seus próprios olhos, encarar a verdade do seu olhar. Quando olhar para si, busque dizer com honestidade o que você pretende fazer com os sonhos, os planos, as experiências, as histórias que viveu. Olhar no espelho é permitir-se apreciar tudo o que se construiu até agora e valorizar esta obra chamada vida.

13 – Meu futuro – Não tenho certeza do meu futuro, mas posso projetar-me. A 13ª razão para viver encontra-se em um diálogo sincero com uma pessoa chamada ‘meu futuro’, ela tem o meu nome, e é pelo menos 10 anos mais velha que eu. No meu caso, que estou com 39, quero falar com o meu ‘eu’ de 80 anos. Depois de olhar no espelho e ver meus olhos de agora, quero olhar para os olhos do senhor de 80 anos. Ele olhará para mim e me dirá o que eu fiz de certo e o que eu fiz de errado. Eu estou dando a ele a oportunidade de me dizer o que há de errado no momento atual, ele passou por isso, ele viveu aquele momento e depois de algum tempo ele entendeu bem os motivos do sofrimento que eu estou vivendo. Eu olho para os olhos deste senhor de 80 anos e não consigo pensar em outra coisa do que na vontade de encontrá-lo são e salvo daqui 41 anos, eu amo este senhor e quero poder abraçá-lo um dia. Farei de tudo para que eu o encontre bem.

14 – Minha missão – Não há ninguém igual a mim, desde minhas aulas de biologia no ensino fundamental eu sei que dos mais de 7 bilhões de habitantes da terra, ninguém tem uma digital como a minha, ninguém tem um DNA como o meu. Por alguma razão eu nasci neste tempo da história e neste espaço do universo, minha existência tem um sentido. Assim como inúmeros seres vivos existem por uma razão, por um propósito, eu certamente tenho o meu, a lógica, a história e a ciência me provam isso. Minha vida tem um sentido e ele é único. Eu cheguei a este momento talvez porque muitas circunstâncias me levaram a pensar que minha vida não era importante, que minha história não fazia diferença, mas desde o dia em que eu fui concebido eu comecei a mudar o mundo ao meu redor, a vida da minha mãe mudou, do meu pai, da minha família, das pessoas que me conheceram quando eu era apenas um bebê e dos colegas e amigos que fiz durante todos estes anos, ainda que não gostem de mim, eu represento algo para eles, minha vida fez diferença até agora, mesmo eu não sabendo o que queria, mesmo eu não entendendo o valor da minha vida, mesmo nas vezes em que eu estava pensando apenas em mim mesmo, de alguma forma, direta ou indiretamente, minha vida está afetando a vida de outras pessoas. Hoje, lendo este texto sobre 13 razões para viver, eu me pergunto: Qual é minha missão? O que está ao meu alcance? O que poderei fazer nos anos que virão para que minha vida possa influenciar de forma positiva nas pessoas ao meu redor?
Viktor Frankl relata um momento em que ele seria levado em um caminhão para ser possivelmente liberto, pois a guerra estava acabando, mas ele viu que haviam muitos doentes ali e como era médico sentiu-se no dever de ajudar as pessoas que estavam ali e abriu mão de ir naqueles caminhões. Terminada a guerra, ele viria a saber que as pessoas que estavam naqueles caminhões foram executadas. Ele refletiu de como seu senso de missão, o tinha livrado novamente da morte. Todos nós temos um lugar no mundo, um lugar que só pode ser preenchido por nós, com nossa unicidade. Uma obra de arte é valiosa justamente por ser única, somos uma obra de arte, a mais bela e cara de todas, e o valor de nossa existência pode ser aumentado a cada momento que decidimos fazer o que é melhor para as pessoas ao nosso redor e consequentemente para nós mesmos.

Eu sei, se você prestou atenção, percebeu que existem mais de 13 razões neste texto… não se preocupe, eu escreveria 1013 razões para mantê-lo vivo e não me importaria em ‘errar’ na sequência dos números. Ao final das contas, não importa quantas razões você tenha para tirar sua vida, lembre-se que você só precisa de uma razão para manter-se vivo.
 

Ser cristão é um caminho de libertação, diz Papa na catequese

Quarta-feira, 27 de junho de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Seguindo no ciclo de catequeses sobre os Mandamentos, Papa destacou que Deus chama o homem à vida para ser livre e viver na gratidão

Na praça São Pedro, Papa se reúne semanalmente com os fiéis para a tradicional catequese / Foto: Reprodução Youtube – Vatican News

Ser cristão é um caminho de libertação; os mandamentos libertam do egoísmo. Essas foram reflexões do Papa Francisco nesta quarta-feira, 27, dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Mandamentos.

Francisco recordou que os mandamentos, mais que mandamentos, são palavras de Deus ao seu povo para que caminhe bem, são palavras amorosas de um Pai. Ele se dedicou à frase bíblica que abre os Dez Mandamentos: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão” (Ex, 20,2).

Segundo o Papa, é preciso entender a importância dessa primeira declaração – “Eu sou o Senhor teu Deus” – que comporta uma relação, mostrando que Deus não é um estranho.

O Santo Padre destacou que a vida cristã é, antes de tudo, a resposta grata a um Pai generoso. Nesse sentido, os cristãos que seguem somente os ‘deveres’ mostram não ter uma experiência pessoal daquele Deus que é “nosso”. “Eu devo fazer isso, isso, isso…Somente deveres. Mas falta algo! Qual é o fundamento deste dever? O fundamento deste dever é o amor de Deus Pai, que primeiro dá, depois comanda”, explicou o Papa.

Colocar as leis antes da relação não ajuda o caminho de fé, observou o Santo Padre. “Como pode um jovem desejar ser cristão, se partimos de obrigações, compromissos, coerências e não da libertação? Ser cristão é um caminho de libertação! Os mandamentos te libertam do teu egoísmo e te libertam porque há o amor de Deus que te leva adiante”.

Outro ponto levantado pelo Papa na reflexão de hoje foi a gratidão, traço característico do coração visitado pelo Espírito Santo. “Para obedecer a Deus é preciso antes de tudo recordar os seus benefícios”, disse, destacando a necessidade de fazer memória de tantas coisas belas que Deus fez pelo homem.

“Deus não nos chamou à vida para permanecer oprimidos, mas para ser livres e viver na gratidão, obedecendo com alegria Àquele que nos deu tanto, infinitamente mais do que jamais poderemos dar a Ele. É bonito isso. Que Deus seja sempre bendito por tudo aquilo que fez, faz e fará em nós!”.

Solenidade de Corpus Christi – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Êxodo 24, 3-8; Hebreus 9, 11-15; Marcos 14, 12-16.22-26

No meio de vós está quem vós não conheceis! Creio que o mais necessário que se deve fazer na festa do Corpus Domini não é explicar tal ou qual aspecto da Eucaristia, mas reavivar cada ano estupor e maravilha ante o mistério. A festa nasceu na Bélgica, a princípios do século XIII; os mosteiros beneditinos foram os primeiros em adotá-la; Urbano IV a estendeu a toda a Igreja em 1264, parece também que por influência do milagre eucarístico de Bolsena, hoje venerado em Orvieto. Que necessidade haveria de instituir uma nova festa? Será que a Igreja não recorda a instituição da Eucaristia na Quinta-Feira Santa? Acaso não a celebra cada domingo e, mais ainda, todos os dias do ano? De fato, o Corpus Domini é a primeira festa cujo objeto não é um evento da vida de Cristo, mas uma verdade de fé: sua presença real na Eucaristia. Responde a uma necessidade: a de proclamar solenemente tal fé; isso é necessário para evitar um perigo: o de acostumar-se a tal presença e deixar de prestar-lhe atenção, merecendo assim a rejeição que João Batista dirigia a seus contemporâneos: «No meio de vós está quem vós não conheceis!». Isso explica a extraordinária solenidade e visibilidade que esta festa adquiriu na Igreja católica. Por muito tempo a do Corpus Domini foi a única procissão em toda a cristandade, e também a mais solene. Hoje as procissões cederam o passo a manifestações (em geral de protesto); mas ainda que tenha caído a forma exterior, permanece intacto o sentido profundo da festa e o motivo que a inspirou: manter desperto o estupor ante o maior e mais belo dos mistérios da fé. A liturgia da festa reflete fielmente esta característica. Todos seus textos (leituras, antífonas, cantos, orações) estão penetrados de um sentido de maravilha. Muitos deles terminam com uma exclamação: «Oh sagrado convite no qual se recebe Cristo!» (O sacrum convivium), «Oh vítima de salvação!» (O salutaris hóstia). Se a festa do Corpus Domini não existisse, teria de ser inventada. Se há um perigo que correm atualmente os crentes com relação à Eucaristia é o de banalizá-la. Antigamente não se comungava com tanta freqüência, e era preciso antepor o jejum e a confissão. Hoje praticamente todos se aproximam Dela… Entendamo-nos: é um progresso, é normal que a participação na Missa implique também a comunhão; para isso existe. Mas tudo isso comporta um risco mortal. São Paulo diz: «Quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada um a si mesmo, e depois coma o pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe seu próprio castigo». Considero que é uma graça saudável para um cristão passar por um período de tempo no qual tema aproximar-se à comunhão, tema ante o pensamento do que está aponto de acontecer e não deixe de repetir, como João Batista, «E Tu vens a mim?» (Mateus, 3, 14). Nós não podemos receber Deus senão como «Deus», isto é, conservando toda sua santidade e sua majestade. Não podemos domesticar Deus! A pregação da Igreja não deveria ter medo – agora que a comunhão se converteu em algo tão habitual e tão «fácil» – de utilizar de vez em quando a linguagem da epístola aos Hebreus e dizer aos fiéis: «Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial… e de Deus, o Juiz de todos… e de Jesus, mediador de uma nova aliança, e do sangue da aspersão mais eloqüente que o de Abel » (Hebreus 12, 22-24). Nos primeiros tempos da Igreja, no momento da comunhão, ressoava um grito na assembléia: «Quem é santo que se aproxime, quem não é, que se arrependa!». Quem nunca se acostumou com a Eucaristia e que falava Dela sempre com comovido estupor era São Francisco de Assis. «Que tema a humanidade, que tema o universo inteiro, e o céu exulte, quando no altar, nas mãos do sacerdote, está o Cristo, Filho de Deus vivo… Oh, admirável elevação e designação maravilhosa! Oh, humildade sublime! Oh, sublimidade humilde, que o Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, tanto se humilhe como para esconder-se sob pouca aparência de pão!». Mas não deve ser tanto a grandeza e a majestade de Deus a causa de nosso estupor ante o mistério eucarístico, quanto sua condescendência e seu amor. A Eucaristia é, sobretudo isso: memorial do amor do qual não existe maior: dar a vida pelos próprios amigos.

 

Evangelho segundo São Marcos 14, 12-16.22-26
No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os discípulos perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?» Jesus enviou, então, dois dos seus discípulos e disse: «Ide à cidade e virá ao vosso encontro um homem trazendo um cântaro de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre manda dizer: ‘Onde está a sala em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ Há-de mostrar-vos uma grande sala no andar de cima, mobiliada e toda pronta. Fazei aí os preparativos.» Os discípulos partiram e foram à cidade; encontraram tudo como Ele lhes dissera e prepararam a Páscoa. Enquanto comiam, tomou um pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e entregou-o aos discípulos dizendo: «Tomai: isto é o meu corpo.» Depois, tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos. Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira até ao dia em que o beba, novo, no Reino de Deus.» Após o canto dos salmos, saíram para o Monte das Oliveiras.

Hoje com toda a Igreja, nós celebramos a solenidade do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. A instituição se deu na Quinta-Feira Santa, mas nós a comemoramos desde o início do segundo milênio, nesta quinta feira, após o domingo da Santíssima Trindade. A Eucaristia é o melhor presente que Deus nos poderia dar, enquanto peregrinamos neste mundo. Ele não nos dá objetos, por mais preciosos que sejam. Ele se dá a si mesmo, Ele se dá no próprio Filho, Ele entrega o Filho, não só como preço e resgate pelos nossos pecados, mas o dá também no ato em que se tornou o nosso Redentor, como comida em seu Corpo e bebida no seu Sangue. Quem come o Corpo de Cristo e bebe o seu Sangue, diz Ele mesmo, permanece Nele e será ressuscitado no último dia. O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo são o nutrimento de todos aqueles que caminham em direção à Pátria Celeste. Jesus Cristo é a fonte da vida, e nós recebemos a fonte da vida na Eucaristia. Jesus Cristo na verdade, se dá a nós de duas maneiras complementares: na sua Revelação na sua Doutrina, sob a metáfora do pão. Esta é toda a primeira parte do capítulo VI, o discurso sobre o Pão da Vida, mas Jesus, que se dá a nós como alimento na Doutrina e na Revelação, a partir do versículo 51b deste mesmo capitulo até o versículo 58, se entrega a nós na Sua carne e no Seu sangue. “Minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida”. Os protestantes ficam com apenas a primeira parte, Jesus Cristo na Doutrina e na Revelação. Nós, ao recebermos o Corpo e o Sangue de Cristo, com realismo com que nota o quarto Evangelista este mistério, recebemos a vida que vem de fora. Ao estender a mão, ou a mostrar a língua para receber a Hóstia Consagrada, nós fazemos uma profissão muda de fé: a vida na sua plenitude. A vida de Deus não se encontra totalmente em mim, eu devo recebê-la de fora, ela é exterior, ela vem a mim a partir do exterior. Eu não tenho tudo o que necessito para me aproximar de Deus. Jesus Cristo se dá a cada um de nós, do exterior ao interior, através das mãos de um outro, como comida e bebida. E assim nós somos progressivamente transformados naquele que recebemos, porque é o maior que transforma o menor, e não o menor que transforma o maior. Hoje agradeça a Deus este grande presente que Deus nos deu, lembre-se de sua primeira comunhão, e doravante participe das Eucaristias de maneira consciente e fervorosa.

 

«Recebestes de graças, dai de graça»
Concílio Vaticano II
Decreto sobre a atividade missionária da Igreja, «Ad Gentes», §§ 4-5

O Senhor Jesus, antes de dar livremente a Sua vida pelo mundo, de tal maneira dispôs o ministério apostólico e de tal forma prometeu enviar o Espírito Santo, que a ambos associava na tarefa de levar a cabo, sempre e em toda a parte, a obra da salvação. O Espírito Santo é Quem unifica na comunhão e no ministério […] toda a Igreja através dos tempos. […] O Senhor Jesus logo desde o princípio «chamou a Si alguns a quem Ele quis e escolheu doze para andarem com Ele e para os enviar a pregar» (Mc 13, 3). Os apóstolos foram assim a semente de um novo Israel e ao mesmo tempo a origem da sagrada hierarquia. Depois, realizados já definitivamente em Si, pela Sua morte e ressurreição, os mistérios da nossa salvação e da renovação do universo, o Senhor, que tinha recebido todo o poder no céu e na terra (Mt 28, 18), antes de subir ai céu fundou a Sua Igreja como sacramento de salvação, e enviou os Seus apóstolos a todo o mundo, tal qual Ele também tinha sido enviado pelo Pai (Jo 20, 21), dando-lhes este mandato: «Ide, pois, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a cumprir tudo quanto vos prescrevi» (Mt 28, 19ss.). […] Daí vem à Igreja o dever de propagar a fé e a salvação de Cristo, tanto em virtude do expresso mandamento que dos apóstolos herdou a ordem dos bispos, ajudada pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro e sumo pastor da Igreja; como em virtude da vida comunicada aos seus membros por Cristo. […] A missão da Igreja realiza-se, pois, mediante a atividade pela qual, obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna atual e plenamente presente a todos os homens e a todos os povos, para os conduzir à fé, à liberdade e à paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação, mas também pelos sacramentos e pelos restantes meios da graça, de tal forma que lhes fique bem aberto o caminho livre e seguro para participarem plenamente no mistério de Cristo.

 

DAR A VIDA PELA EUCARISTIA
Padre José Augusto

Como disse no início, hoje é um dia de muita alegria para nós cristãos. Estamos hoje celebrando o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo. Hoje a Igreja diz ao mundo que realmente Jesus continua em nosso meio através de sua presença eucarística. Mas para entendermos a solenidade de hoje, precisamos entender o que aconteceu no Evangelho de São Marcos 14,12.16.22 ao 26. Não podemos separar a Eucaristia da Santa Missa. Para se ter a Eucaristia é preciso ter a Missa. Não faltem a Missa. Esse é o primeiro convite de Jesus pra você hoje. Quem anda faltando, precisa retomar. Principalmente no domingo. No Evangelho de hoje acontece a primeira Missa. Leiam o Evangelho de São Marcos 14, 12-16. O que acontece lá? Jesus reúne-se com os apóstolos. Na mesa estão o pão e o vinho. E Jesus diz ao apóstolos: ‘Tomai, isto é o meu corpo’. Depois diz ‘isto é o meu sangue, o sangue da eterna aliança’. ‘Tomai, isto é o meu corpo, o meu sangue’. Ainda tem muita gente que participa do sacrifício da Santa Missa e não percebe isso. Depois do ofertório vocês verão os seminaristas trazendo o pão e o vinho, em seguida nos sacerdotes vamos impor as mãos sobre o pão e o vinho e Jesus vai tornar-se presente. Aquele pão não será mais pão, e aquele vinho não será mais vinho. Ali estarão o Corpo e o Sangue de Cristo. O próprio Jesus. Nós somos convidados a nos alimentarmos de Deus. Tomai e comei, tomai e bebei. Toda as vezes que você vai a Missa, você é convidado a colocar dentro de você Deus. Não é qualquer coisa, não é qualquer alimento, é Deus. E quando você vai pra casa, você leva Deus dentro de você. Aquele que criou o céu, a terra, o mar, e te criou, você leva Ele dentro de si. Somos dignos disso? Não somos. Mas Ele quer que sejamos. Tem gente que leva horas esperando para ver um ídolo. Mais do que esse ídolo, eu tô te mostrando hoje, aquele que supera todos os ídolos: Jesus Cristo, teu Senhor e salvador. É Ele que tua alma anseia. Quem dera que hoje, dia de Corpus Christi, que aqui estivesse lotado. Que nossas igrejas estivessem lotadas, ao ponto de ser preciso colocar telões de tanta gente que tenha vindo contemplar Jesus Cristo. Nós não estamos atrás de pessoas, estamos atrás de Deus! Sinta-se privilegiado por você receber Jesus Cristo. Aqueles que O recebem todos os dias, ou aqueles que O recebem todo domingo, com esse desejo de receber o próprio Deus. Hoje nossa alma deve estar sedenta, faminta diante de nosso Senhor. Aquele que deu a vida por nós. Tem tanta gente dando a vida pela droga, pela bebida. Pessoas morrendo por causa disso. Chegou a hora de nós morrermos pela Eucaristia. De subir e descer montanhas, a pé, carregados ou não, para recebermos o Senhor. Aquele que é o grande remédio para o teu corpo e tua alma. E o único remédio pro nosso corpo e nossa alma, é nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso que nós cristãos criemos gosto por isso. Esse dia precisa dar fervor aos que creem, e sanar a dúvida daqueles que não creem mais. Satanás quer que você não creia para que você não receba mais Deus. Não se pode faltar missa. Reze para que não falte padre, para não faltar missa, e não faltar Jesus na sua vida. Ficar sem receber Jesus significa morte. Quem quer ter vida eterna? Receba Jesus na Eucaristia. Aquele que comer do Seu Corpo e Sangue terá a vida eterna. ‘Nós somos convidados a nos alimentarmos de Deus’ Já perceberam que quando termina Missa, o sacerdote ou o ministro leva a âmbula com as partículas ate o sacrário? E ali está Jesus. Para quê? Para ele ser adorado por mim e por você. Quando você tiver qualquer problema insolúvel em sua vida, vá la na Igreja, e ali no sacrário Jesus diz? Vinde a mim vos que estai aflitos e eu vos aliviarei. Que coisa maravilhosa. A gente recebe Jesus, levamos ele pra casa dentro de nós, e Ele continua na Igreja te esperando. As vezes você fica atrás de um e de outro, e esquece que Jesus esta te esperando lá na capela. A gente vai a capela para pedir, mas principalmente para agradecer, para adorá-lo. Aquele que é o Senhor está na capela, e te aguarda. Você tem livre acesso a Ele. A gente fica desesperado atrás das pessoas e abandonamos Deus nas capelas. Dizemos que acreditamos, mas não mostramos com nossas atitudes que cremos nele. Vai visitar Jesus, vai dar a vida por Ele. Reserva uma hora pra estar com Ele. Não é um pãozinho não. É Deus quem está ali. Ali você vai encontrar força. Jesus não quer ficar sem ninguém. Ele vai atrás de todos, doentes, pecadores, santos. Jesus quer todos. Mas você precisa criar esse desejo de estar com Ele. Só vai quem ama. A pessoa que ama que estar sempre com o amado. Quem ainda não ama, não vai Que hoje Jesus renove em você esse amor. Que você sinta falta de Deus. Tem gente sentindo falta de bebida, de homem, de mulher. Onde estão aqueles que sentem falta de Deus? Por que não sentimos falta de Deus? Estou pedindo que nós abramos o nosso coração pra sentir saudade de Deus. E se a gente sentir saudade de Deus, a gente vai atrás dele. Pais, sintam falta de Deus para vocês irem atrás dele e seus filhos seguirem você. É tempo de correr atrás de Deus. Às vezes nós da cidade temos a igreja perto de nós, e acabamos não indo. Tem pessoas que moram na roça, que caminham 12 quilômetros pra receber e adorar nosso Senhor. Que nós sintamos saudades de Deus.

 

SOLENIDADE DE “CORPUS CHRISTI”
Padre Wagner Augusto Portugal

Nesta quinta-feira, celebra-se a solenidade de “Corpus Christi”. De tradição antiqüíssima, esta festa, comemorada de modo solene e pública, manifesta a centralidade da Santa Eucaristia, sacramento do Corpo e Sangue de Cristo: o mistério instituído na última Ceia e comemorado todos os anos na Quinta-Feira Santa, após a solenidade da Santíssima Trindade. Neste dia, manifesta-se a todos, circundado pelo fervor de fé e de devoção da comunidade de todos os batizados, o Mistério de Amor que nos foi legado por Cristo, para memorial eterno de sua Paixão. A Eucaristia, realmente, é o maior tesouro da Igreja, a preciosa herança que o Senhor Jesus lhe deixou. E, assim, a Igreja conserva a Eucaristia com o máximo empenho e cuidado, celebrando-a diariamente na Santa Missa, bem como adorando-a nas igrejas e nas capelas, levando-a como viático aos doentes que partem para a vida eterna. A Eucaristia transcende a Igreja: Ela é o Senhor que se doa “pela vida do mundo” (Jo 6, 51). Ontem, hoje e sempre, em todos os tempos e lugares, Jesus quer encontrar o homem e levar-lhe a vida de Deus. Por isso, a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo constituiu o princípio da divinização da mesma criação. Nasce, deste modo, o gesto sugestivo e oportuno de levar Jesus em procissão pelas ruas e estradas de nossas cidades e comunidades. Levando a Santíssima Eucaristia pelas vias públicas, queremos imergir o Pão que desceu do céu na vida quotidiana da nossa vida; queremos que Jesus caminhe onde nós caminhamos, que viva onde nós vivemos. O nosso mundo, as nossas existências devem tornar-se templo da Eucaristia. Somos conclamados a viver em santidade. Na intimidade com Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em corpo, sangue, alma e divindade nas sagradas espécies de pão e vinho, seremos testemunhas vivas de seu amor, de sua misericórdia, a partir do momento em que vivermos por ele e com ele, sendo luz do mundo e sal da terra. Com grande entusiasmo, este momento sagrado, em que Cristo Eucarístico passa pelas ruas de nossa cidade a nos abençoar, somos soldados perfilados fazendo sua guarda de honra, somos crentes convictos da fé que professamos, fazendo-o publicamente, somos filhos amados por Deus que desejamos, mais e mais, viver mais unidos a Ele, tanto na participação da Eucaristia, quanto na vida exemplar de lídimos cristãos. Neste dia santo, a Eucaristia é tudo para ela, é a sua própria vida, a fonte do amor que vence a morte. Da comunhão com Cristo Eucaristia brota a caridade que transforma a nossa existência e ampara-nos no caminho rumo à Pátria Celeste. Neste préstito solene que se forma nesta solenidade tão cara à vida espiritual da Igreja, Cristo ressuscitado percorre os caminhos da humanidade e continua a oferecer a sua “carne” aos homens, como autêntico “pão da vida” (Jo 6, 48-51). Hoje “esta linguagem é dura” (Jo 6, 50) para a inteligência humana, que permanecem como que esmagadas pelo mistério. Para explorar as fascinantes profundidades desta presença de Cristo sob os “sinais” do pão e do vinho, é necessária a fé, ou melhor, é necessária a fé vivificada pelo amor. Só aquele que acredita e ama pode compreender alguma coisa deste inefável mistério, graças ao qual Deus se faz próximo da nossa pequenez, procura a nossa enfermidade, revela-se por aquilo que é infinito, o amor que salva. Precisamente por isso, a Eucaristia é o centro palpitante da comunidade. Desde o início, na primitiva comunidade de Jerusalém, os cristãos reuniam-se no Dia do Senhor (Dies Domini) para renovar na Santa Missa o memorial da morte e ressurreição de Cristo. O domingo é o dia do repouso e do louvor, mas sem Eucaristia perde-se o seu verdadeiro significado. Celebrando Corpus Christi, queremos renovar nosso autêntico compromisso de batizados, um compromisso pastoral prioritário da revalorização do domingo e, com ela, da celebração eucarística: “um compromisso irrenunciável, abraçado não só para obedecer a um preceito, mas como necessidade para uma vida cristã verdadeiramente consciente e coerente” (João Paulo II, “Novo Millennio Ineunte”, 36). Adorando a Eucaristia, não podemos deixar de pensar com reconhecimento na Virgem Maria. Sugere-o o célebre hino eucarístico que cantamos muitas vezes: “Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine” (“Ave, ó verdadeiro Corpo, nascido da Virgem Maria). Peçamos hoje à Mãe do Senhor que todos os homens possam saborear a doçura da comunhão com Jesus e tornar-se, graças ao pão de vida eterna, participantes do seu mistério de salvação e de santidade. Por isso cantemos: “Glória a Jesus…”

Seqüência – “Lauda Sion”

Terra, exulta de alegria, louva teu pastor e guia com teus hinos, tua voz!

Tanto possas, tanto ouses, em louvá-lo não repouses: sempre excede do teu louvor!

Hoje a Igreja te convida: ao pão vivo que dá vida vem com ela celebrar!

Este pão, que o mundo o creia!, por Jesus, na santa ceia, foi entregue aos que escolheu.

Nosso júbilo cantemos, nosso amor manifestemos, pois transborda o coração!

Quão solene a festa, o dia, que da Santa Eucaristia nos recorda a instituição!

Novo Rei e nova mesa, nova Páscoa e realeza, foi-se a Páscoa dos judeus.

Era sombra o antigo povo, o que é velho cede ao novo; foge a noite, chega a luz.

O que o Cristo fez na ceia, manda à Igreja que o rodeia, repeti-lo até voltar.

Seu preceito conhecemos: pão e vinho consagremos para nossa salvação.

Faz-se carne o pão de trigo, faz-se sangue o vinho amigo: deve-o crer todo cristão.

Se não vês nem compreendes, gosto e vista tu transcendes, elevado pela fé.

Pão e vinho, eis o que vemos; mas ao Cristo é que nós temos em tão ínfimos sinais…

Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão.

É por todos recebido, não em parte ou dividido, pois inteiro é que se dá!

Um ou mil comungam dele, tanto este quanto aquele: multiplica-se o Senhor.

Dá-se ao bom como ao perverso, mas o efeito é bem diverso: vida e morte traz em si…

Pensa bem: igual comida, se ao que é bom enche de vida, traz a morte para o mau.

Eis a hóstia dividida. Quem hesita, quem duvida? Como é toda o autor da vida, a partícula também.

Jesus não é atingido: o sinal é que é partido, mas não é diminuído, nem se muda o que contém.

Eis o pão que os anjos comem transformado em pão do homem; só os filhos o consomem: não será lançado aos cães!

Em sinais prefigurado, por Abraão foi imolado, no cordeiro aos pais foi dado, no deserto foi maná…

Bom pastor, pão de verdade, piedade, ó Jesus, piedade, conservai-nos na unidade, extingui nossa orfandade, transportai-nos para o Pai!

Aos mortais dando comida, dais também o pão da vida; que a família assim nutrida seja um dia reunida aos convivas lá no céu!

A Santíssima Trindade

Domingo, 15 de junho de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco enfatizou que o homem, com suas ações de amor verdadeiro, é um reflexo da Trindade

Neste domingo, 15, o Papa Francisco dedicou a oração mariana do Angelus para falar da Santíssima Trindade, cuja solenidade é celebrada hoje. Ele destacou o dinamismo de amor, comunhão e partilha que reveste a Trindade.

O Santo Padre explicou que a solenidade da Santíssima Trindade apresenta a vida divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo, uma vida de comunhão profunda e de amor perfeito. Na Trindade, disse, também se reconhece o modelo da Igreja, na qual os homens são chamados a amarem uns aos outros como Jesus amou a humanidade.

“Todos somos chamados a testemunhar e anunciar a mensagem de que Deus é amor, que Deus não está distante ou insensível aos acontecimentos humanos. Ele está próximo, está sempre ao nosso lado, caminha conosco para partilhar as nossas alegrias e as nossas dores, as nossas esperanças e os nossos cansaços”.

É o Espírito Santo que comunica essa vida divina, explicou Francisco, e faz  com que o homem entre no dinamismo da Trindade, que é um dinamismo de amor, de comunhão, de serviço recíproco, de partilha.

“Uma pessoa que ama os outros pela própria alegria de amar é reflexo da Trindade. Uma família em que se ama e se ajuda uns aos outros é um reflexo da Trindade. Uma paróquia em que se quer o bem e se partilham os bens espirituais e materiais é um reflexo da Trindade (…) A Virgem Maria, criatura perfeita da Trindade, nos ajude a fazer de toda a nossa vida, nos pequenos gestos e nas escolhas mais importantes, um hino de louvor a Deus Amor”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje celebramos a solenidade da Santíssima Trindade, que apresenta à nossa contemplação e adoração a vida divina do Pai, do Filho e do Espírito Santo: uma vida de comunhão e de amor perfeito, origem e meta de todo o universo e de cada criatura, Deus. Na Trindade, reconhecemos também o modelo da Igreja, na qual somos chamados a nos amar como Jesus nos amou. É o amor o sinal concreto que manifesta a fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. É o amor o emblema do cristão, como nos disse Jesus: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35). É uma contradição pensar em cristãos que se odeiam. É uma contradição! E o diabo procura sempre isto: fazer-nos odiar, porque ele semeia sempre o ódio; ele não conhece o amor, o amor é de Deus!

Todos somos chamados a testemunhar e anunciar a mensagem de que “Deus é amor”, que Deus não está distante ou insensível aos acontecimentos humanos. Ele está próximo, está sempre ao nosso lado, caminha conosco para partilhar as nossas alegrias e as nossas dores, as nossas esperanças e os nossos cansaços. Ama-nos tanto a ponto que se fez homem, veio ao mundo não para julgá-lo, mas para que o mundo seja salvo por meio de Jesus (cfr Jo 3, 16-17). E este é o amor de Deus em Jesus, este amor que é tão difícil de entender, mas que nós sentimos quando nos aproximamos de Jesus. E Ele nos perdoa sempre, Ele nos espera sempre, Ele nos ama tanto. E o amor de Jesus que nós sentimos é o amor de Deus.

O Espírito Santo, dom de Jesus Ressuscitado, nos comunica a vida divina e assim nos faz entrar no dinamismo da Trindade, que é um dinamismo de amor, de comunhão, de serviço recíproco, de partilha. Uma pessoa que ama os outros pela própria alegria de amar é reflexo da Trindade. Uma família em que se ama e se ajuda os outros é um reflexo da Trindade. Uma paróquia em que se quer o bem e se partilham os bens espirituais e materiais é um reflexo da Trindade.

O amor verdadeiro é sem limites, mas sabe se limitar para ir ao encontro do outro, para respeitar a liberdade do outro. Todos os domingos vamos à Missa, celebramos a Eucaristia juntos e a Eucaristia é como a “sarça ardente” na qual humildemente mora e se comunica a Trindade; por isto a Igreja colocou a festa do Corpus Domini depois daquela da Trindade. Na próxima quinta-feira, segundo a tradição romana, celebraremos a Santa Missa em São João Latrão e depois faremos a procissão com o Santíssimo Sacramento. Convido os romanos e os peregrinos a participar para exprimir o nosso desejo de ser um povo “reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Espero por todos vocês na próxima quinta-feira, às 19h, para a Missa e a procissão de Corpus Christi.

A Virgem Maria, criatura perfeita da Trindade, nos ajude a fazer de toda a nossa vida, nos pequenos gestos e nas escolhas mais importantes, um hino de louvor a Deus, que é Amor.

Dia das mães na Pastoral da Criança

Símbolo de amor e ternura, presença divina em nossas casas, vidas, escolas, igrejas, empresas, presença na coordenação e na execução de políticas públicas, presença, presença e presença.
Também, e principalmente nas Vilas, as mães são o suporte, a base e o esteio das precárias famílias que há muito vem mudando e assumindo novos e perigosos formatos.
Mães heroínas são elas – nas Vilas.
Sofrem, passam muitas necessidades, mal sabem ler e escrever, quando sabem. Muitas vezes são maltratadas dentro de suas casas, outras vezes testemunham maus tratos e violência com seus filhos. Muitos desses filhos têm somente a presença de suas mães e algumas vezes dos voluntários da Pastoral da Criança, como exemplos de carinho, atenção e um pouquinho do lado bom da vida.
Se o pai desiste da luta e cai na vida, a mãe não abandona o filho.
Até mesmo Deus, enquanto homem, teve Mãe e a honrou eternizando-a.
Santa Maria, Mãe de Deus, da Igreja e nossa Mãe!
No dia 12 de maio, a Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, com sua nova coordenadora – Marinês Zwir, suas líderes e voluntárias: Isabel, Marlete, Silvana e Rosinha, estiveram na Vila Martim Pilger homenageando as mamães da Vila e levando um pouco de conforto, carinho e alento às famílias do local. Na casa muito humilde de Dona Leila, uma das heroínas locais, a Pastoral solenizou e confraternizou com as mães e seus filhos. As mães foram agraciadas com pequenos mimos, muitos beijos, abraços e sorrisos – como Jesus faria se estivesse lá naquele dia. Certamente Ele estava!
Parabéns mamães!
Novo Hamburgo, 12 de maio de 2018.

Somos cidadãos do Céu

O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu  

Com essas palavras, São Paulo indicou aos filipenses e a todos nós, cristãos, qual é a nossa vocação última. E o apóstolo acrescentou: “É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3,20b-21a).

Essa é a razão da nossa esperança, aquela que São Pedro pediu que manifestássemos aos outros (cf. I Pd 3,15).  O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu. Toda a pregação da Igreja é baseada na esperança da ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15,14), disse São Paulo. E o apóstolo afirmou: “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (I Cor 15,19).

Muitos cristãos põem a esperança em Cristo apenas nesta vida, buscando nEle segurança, saúde, paz, conforto, dinheiro, até prestígio e prazer, só para esta vida, esquecendo-se de que são cidadãos dos céus. “Esses”, disse São Paulo, “de todos os homens, são os mais dignos de lástima” (citação livre de I Cor 15,19).

Cristo não veio para ser um libertador social (não redentor), descompromissado com aquele que disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36a).

Cristo nos quer a todos no céu, vivendo definitivamente com Ele. Para isso, devemos sacrificar toda a nossa vida aqui nesta terra. Foi o próprio Senhor quem nos disse claramente: “Pois, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36). Em outro lugar disse: “Não ajunteis para vós tesouros na terra (…). Ajuntai para vós tesouros no céu (…). Porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6,19a.20a.21). Nosso tesouro e nosso coração devem estar no céu e não na terra.

O Senhor se fez homem e passou pela amarga paixão, morte e ressurreição exatamente para nos conquistar uma morada no céu. Momentos antes de beber o cálice da paixão, Ele disse aos discípulos: “Na cada de meu Pai há muitas moradas. Não fora, assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14, 2-3). Alegremo-nos, irmãos, pois somos cidadãos do céu.

Toda a nossa vida aqui nesta bela terra deve ser apenas uma diligente preparação para vivermos eternamente com Deus que é amor (cf. I Jo 4,8). São Paulo nos assegurou que “temos no céu uma casa feita por Deus e não por mãos humanas” (cf. II Cor 5,1). Para o apóstolo a vida terrena era um exílio: “Todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor” (II Cor 5,6b). E ansiava pelo céu, dizendo: “Suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste (…). Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos (…). Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo, para ir habitar junto do Senhor” (II Cor 5,2.4a.8) e “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21).

Todo cristão tem de ansiar pelo céu, pois ali é o seu destino. Pelos merecimentos de Jesus Cristo, somos filhos de Deus e participantes da natureza divina (cf. II Pd. 1,4); logo, somos herdeiros do céu: “Se somos filhos, também somos herdeiros”, disse São Paulo (citação livre de Rm 8,17).

Desejar o paraíso, disse Santo Afonso de Ligório, é o mesmo quer desejar a Deus, nosso último, pois lá O amaremos perfeitamente. Ali cumpriremos perfeitamente o mandamento do Senhor: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento” (Lc 10,27). Disse Santo Afonso que a nossa meta, aspirações e desejos devem ser isto: “Ir gozar de Deus no paraíso, para amá-lO com todas as nossas forças e gozar do gozo de Deus!” E afirmou que a maior felicidade da alma no céu é conhecer a felicidade infinita de Deus. “Entra no gozo do teu Senhor” (citação livre de Mt 25,21). A alma entra na felicidade de Deus; a felicidade de Deus é a sua felicidade.

Afirmou o santo que “no céu a alma fica toda presa e consumida pelo amor de Deus. Ela fica perdida e mergulhada no mar infinito da bondade divina. Esquece-se de si mesma e só deseja amar ao seu Deus. Possui a Deus plenamente sem o medo de poder perdê-lO. A todo o momento se entrega, sem reservas, a Deus. Deus a abraça com amor, e, assim abraçada, a tem e terá por toda a eternidade. Ela nada mais deseja. Deus está unido a ela com a Sua própria essência, saciando-se na medida da capacidade dela e dos seus méritos”.

Alegremo-nos, irmãos, somos cidadãos do céu!

Prof. Felipe Aquino

Em um dia como hoje, Santa Teresinha do Menino Jesus foi canonizada

Por María Ximena Rondón
https://www.acidigital.com/noticias/em-um-dia-como-hoje-santa-teresinha-do-menino-jesus-foi-canonizada-79295

Santa Teresinha do Menino Jesus / Foto: Domínio Público

REDAÇÃO CENTRAL, 17 Mai. 18 / 01:45 pm (ACI).- Em um dia como hoje, há 93 anos, o Papa Pio XI canonizou Santa Teresinha do Menino Jesus, também conhecida como Santa Teresa de Lisieux, Doutora da Igreja e Padroeira das Missões.

Esta carmelita francesa morreu em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. Um ano depois, foi publicado o livro “História de uma alma”, baseado em seus escritos, o qual revela o intenso amor que ela professava por Jesus.

A religiosa foi beatificada pelo Papa Pio XI em 29 de abril 1923 e, em 17 de maio de 1928, foi canonizada pelo mesmo Papa.

Em sua homilia, Pio XI indicou que a santa francesa “o Espírito de verdade lhe comunicou e manifestou o que coube esconder ‘aos sábios e entendidos’ e revelar ‘aos pequeninos’”.

Destacou que, “de fato, ela – segundo o testemunho do nosso Predecessor – foi dotada de tal ciência das coisas celestes a ponto de indicar aos outros a via correta da salvação. E esta participação abundante na divina luz e na divina graça acendeu em Teresa um incêndio tão grande de caridade que, portando-a continuamente quase fora do corpo, por fim, a consumou, de modo que, pouco antes de deixar a vida, pôde candidamente declarar que ‘não havia dado a Deus nada mais do que amor’”.

O Santo Padre também disse sobre seus escritos que, “difundidos em todo o mundo, ninguém lê sem querer reler mais e mais vezes, com alegria máxima para a alma e com fruto”.

Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada Doutora da Igreja por São João Paulo II em 19 de outubro de 1997.

Naquele dia, o Pontífice polonês destacou que “entre os ‘Doutores da Igreja’, Teresa do Menino Jesus e da Santa Face é a mais jovem, mas o seu ardente itinerário espiritual demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas nos seus escritos são tão vastas e profundas, que a tornam digna de ser posta entre os grandes mestres espirituais”.

“O desejo que Teresa exprimiu, de ‘passar o seu Céu fazendo o bem sobre a terra’, continua a realizar-se de modo maravilhoso. Obrigado, ó Pai, porque hoje a tornais próxima de nós a novo título, para louvor e glória do Vosso nome nos séculos”, acrescentou.

Os pais desta doce religiosa, Luis Martin e Zélia Guérin, foram canonizados pelo Papa Francisco em 18 de outubro de 2015 em Roma, durante o Sínodo da Família.

Oração pelas mães com a Mãe de Jesus

Deus Pai em seu plano de infinito amor, “enviou o seu Filho único para que todo aquele que nele cresse fosse salvo” (cf. Jo 3, 16). E o grande plano de salvação do Pai foi mandar seu Filho como homem, em tudo igual a nós, menos no pecado. Em nossa natureza humana, para que Deus experimentasse toda realidade humana e a salvasse, Jesus teve um pai e uma mãe.

No episódio em que Jesus aos 12 anos some na caravana, que voltava para Nazaré da visita ao templo em Jerusalém, seus pais o procuram e encontram-no no Templo ensinando os doutores da Lei e a Palavra diz: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (cf. Lc 2, 51). Na cruz Cristo em sua entrega total, quando lhe restaram apenas o discípulo amado, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena.

Lá estava também Sua mãe, Maria Co-Redentora, fiel e de pé sofrendo e entregando no coração e na alma a sua vida pela salvação de toda humanidade. Jesus olhando para o discípulo que Ele amava disse a sua ame: “Mulher eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa (João 19, 25-27).

Todos nós temos mãe, quero levar você a todos estes dias fazer uma intercessão, uma oração por aquele, que como com Jesus deu-lhe a vida: Uma gruta próxima a Basílica da Natividade é considerada, segundo a tradição, o local onde a Sagrada Família parou, enquanto fugia para o Egito e onde, também, Nossa Senhora amamentou o Menino Jesus. A Tradição afirma ainda que durante a amamentação uma gota de leite caiu sobre a rocha da gruta que tornou-se branca. E assim ficou conhecido como Gruta do Leite. Tanto os cristãos como os islâmicos acreditam que o pó branco da gruta ajudam a estimular a produção do leite materno e intensificar a fertilidade. No lado externo da gruta é possível encontrar uma sala reservada para testemunhos de diversos países sobre histórias de mulheres que encontravam-se com dificuldades de fertilidade e que após ingerirem o pó conseguiram engravidar.

Novena pelas Mães
Senhor Jesus que experimentaste a alegria e o conforto de ter um colo de Mãe aqui na Terra e no momento da cruz no-la deu por mãe a cada um de nós. Obrigado Senhor por tão grande dádiva. Clamamos à Sua Mãe nesse momento para que abençoe a todas as mães… Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, nós queremos oferecer-lhe nossas mães e consagrá-las, por isso, receba-as no Seu manto materno… (Diga o nome da sua mãe)… Que as mães biológicas, uma vez tendo gerado a vida, se empenhem em gerar para a graça. Que as mães do coração possam compreender aceitar e educar os filhos na fé de Deus e da Igreja. Pedimos também Mãe, pelas mulheres que desejam a gravidez e o dom da maternidade. Dai-lhes a graça do dom da vida. Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, fazei com que as mães a tomem como exemplo de dedicação, amor e zelo na educação dos filhos. Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, abençoai e santificai as mães aqui na Terra trazendo saúde, paz, serenidade na tribulação, discernimento nos ensinamentos e testemunhos de fé. Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, para aquelas que já partiram pedimos, através de Seu filho, por elas: que tenham o descanso eterno e a luz perpétua. Amém (Legionários de Cristo).

Uma das Orações mais antigas à Virgem Maria
À Vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre, de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Senhora nossa, Medianeira nossa, Advogada nossa, com Vosso Filho nos reconciliai, ao Vosso Filho nos recomendai, ao Vosso Filho nos apresentai. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus! Para que Sejamos dignos das promessas de Cristo. 

Rezar Pai Nosso / Ave Maria / Glória ao Pai

Feliz e abençoado dia das mães.
Padre Luizinho, Comunidade Canção Nova.
twitter.com/padreluizinho

Sexualidade, linguagem do amor

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável

Na sexualidade se acham implicadas todas as dimensões do ser humano. Conhecer a pessoa humana em sua globalidade é definir também a sua sexualidade dentro de uma antropologia cristã. A moral cristã busca, a partir de uma antropologia cristã, conhecer e aprofundar-se no que diz respeito à sexualidade, com o objetivo de apresentar uma proposta de comportamento humano de acordo com a exigência de sua vocação humana (o chamado de Deus para viver a sexualidade conforme os valores do Reino de Deus, dentro do amor conjugal) que seja integrado, humano e humanizador.

O critério da integração autêntica de todo o sexual e, portanto, da vida sexual verdadeiramente humana, é o amor conjugal, na medida em que a sexualidade é mediação configuradora desse amor.

O amor conjugal refere-se a algo já preestabelecido, pois fundamentalmente o homem está destinado à mulher e a mulher ao homem. São seres que se complementam. A sexualidade é a inscrição, na própria carne e em todo o ser, de que os indivíduos não foram feitos para viverem isolados. É a expressão da linguagem de amor mútuo, por isso mesmo não pode ser considerada simplesmente um instinto fisiológico.

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável e de amor. Por ser um modo de aproximação do outro, ela pode ajudar a promover o desenvolvimento da personalidade ou bloqueá-lo. Pode, portanto, em alguns casos, criar conflitos em vez de aproximação.

A felicidade é um objeto constantemente buscado pelo homem. Não importa o que faça, todas as suas ações estão destinadas ao encontro da felicidade. Para que isso se realize de fato, o homem precisa enfrentar o desafio de educar a sua própria sexualidade, encontrar um modo de domínio sobre ela.

A plenitude pessoal alcançada pela sexualidade só pode acontecer na vida matrimonial, pois a sexualidade é a expressão do nosso modo de amar. Por ser algo de tão grande valor e dignidade, a sua desintegração (a sexualidade quando não é uma resposta ao chamado de Deus, voltada para a prostituição, estupro, pedofilia) pode ser destruidora.

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
(Extraído do livro “Sexualidade, o que os jovens sabem e pensam…”)

Ser mãe, eterno aprendizado

A experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver
Elaine Ribeiro / [email protected]

É um desafio escrever para mães, não sendo uma delas, mas é comum dizer que a mulher, pela sua natureza, traz em si o dom de acolher e o dom da maternagem, ou seja, de acolher o outro com o amor filial. Esta é a graça de saber que já somos amados mesmo antes de ser gerados, é graça e dom de Deus o amor maternal. Não sendo uma delas, mas atendendo muitas mães, vamos aprendendo, lendo e convivendo com genitoras que nos trazem diversas histórias de vida, aprendizados, experiências e gostariam de trocar a experiência da formação e aprendizado dos filhos. O vínculo materno é algo estabelecido muito antes do nascimento e é o primeiro evento de organização psíquica (embora, primitivo) de uma criança; neste sentido, a mãe se torna um elemento primordial no cuidado da criança, na observação dos seus sentimentos e emoções, na formação de sua identidade. É por meio da mãe, seja ela com vínculo sanguíneo ou não, que damos início ao desafio de ser seres humanos e conviver em sociedade. É na relação mãe-bebê que também a mãe também se realiza, partindo do princípio de que tudo é troca, mãe-bebê crescem na interação e na maturidade, com formas de ganho vivenciadas desde o princípio da relação. Mais do que instinto, ser mãe é algo que prende nossa atenção pelo fato de envolvermos outros aspectos, como comportamentos aprendidos e experiências de vida que nos tornaram diferentes no contato com nossos filhos. Acho importante tocar neste aspecto: por vezes, as mães estão insatisfeitas no modo como têm realizado seu papel. Aí é hora de aceitar suas dificuldades, aprender com outras mães, buscar em sua família bons exemplos de maternidade. O que devemos evitar é aquele rótulo de que, por nossos sofrimentos de vida, repassemos tudo isso para nossos filhos. Creio ser este o maior erro. Sabe aquela frase que começa assim: “Filho meu não faz isso…” E “Filha minha se engravidar fora do tempo vai ser botada pra fora de casa…”. Ouvimos isso milhares de vezes. Mas, será o melhor caminho? Ser mãe é cuidar, trazer para perto, conversar; chegamos então ao X da questão: nossa relação com os filhos não é apenas instintiva; é também intuitiva; perceber mais as reações do filho, as amizades, as vivências e os hábitos dele. Quebrar uma barreira que possa existir entre você e seu filho, que é muito mais uma barreira “mental” imposta por você, dizendo o que você deve ou não tratar com ele. A relação mãe-filho sofre influência marcante da cultura, do ambiente social, religioso, financeiro, da nossa saúde física e mental, do nosso acesso à educação, ao lazer, ao trabalho, ao descanso, à dignidade, ao reconhecimento. Reciclar! Reciclamos nosso conhecimento no trabalho, na escola e por que não na forma de conduzir nossa relação com nossos filhos? A melhor educação não é a mais cara ou cheia de recursos, mas a que deixa lembranças emocionais positivas; esta vivência é muito especial para cada ser humano. Se você não viveu isso, procure trazer para seu filho o sentimento de pertencer, de ser acolhido, oferecendo-lhe segurança. A segurança oferecida é ponto-chave para que seu filho também se sinta seguro, mesmo quando não for bem na prova da escola, quando perder o jogo do time ou não possuir aquele tênis “da hora” que todo amigo tem. Mãe não é aquela que cede, que concede, que libera e facilita a vida; mãe também abraça, acolhe, esbraveja, chora, também precisa de colo e de proteção. Afinal, ser mãe não é ser “mulher maravilha” com um cinturão cheio de superpoderes e ter todas as respostas em mãos, mas ganhar um espaço com seu filho; sim, dar a ele um espaço de escuta, um espaço de amor, de acolhida. É a graça de vivenciar vários papéis ao mesmo tempo: ser mãe-mulher-cidadã-esposa-profissional! Muitos papéis para esta mãe, que vai moldando seu jeito de ser e atender todas as necessidades apresentadas; capacita sua forma de entender seus aspectos humanos e estando bem psicologicamente, também contribua no desenvolvimento saudável de seus filhos. Viver as alegrias e sofrimentos que ser mãe representa, unidas à fé, à esperança, ao amor-doação. É saber criar seus filhos e saber gerá-los para a vida. Que lindo presente é ser mãe! Um papel que, na verdade, nunca acaba; ser mãe está e sempre estará em sua vida como a experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver. Tudo isso faz com que você seja tão especial e importante na vida de seus filhos!

 

Ser mãe é padecer no paraíso
Maternidade, um dom que vem do céu

Tantas vezes ouvi este ditado e, hoje, quero manifestar a minha interpretação sobre ele. Será que isso é ruim? A expressão padecer traz esta conotação negativa, pesada, mas, na verdade, não é bem assim…

As mães vivem um certo desconforto desde a gestação (enjoos, azia, inchaço). No parto com suas dores próprias, depois nos primeiros dias a adaptação e interpretação do choro do bebê, o sono, o cansaço. São situações reais que parecem eternas pela intensidade, mas, de repente, passam… E alguns meses depois, o padecimento é outro: voltar ao trabalho e deixar o filho, afinal ninguém vai saber cuidar do filho como a mãe. Doce ilusão!

Mais adiante, a entrada na escola. “Quem será o professor?”, “Será que vai acompanhar a aula?”, “O que vai comer no lanche?”, “Quem serão os colegas?” “E se alguém bater no meu filho?” Nós insistimos em viver a vida dos filhos e, com isso, “padecemos”, pois não temos o mesmo entendimento das crianças. E quando chega a adolescência? Nossa! Aí entra outra fase. Só mudam as preocupações, filho criado, trabalho dobrado…

Mas e aquilo que plantamos na educação deles? Não valeu a pena? As mães de hoje são, na sua maioria, frutos da geração de transição do feminismo e do sexo, drogas e rock’n roll. Achar o equilíbrio não é fácil. Anterior a nós houve a geração de pais que acreditavam que a liberdade era a melhor opção de educação para os filhos vivendo o “é proibido proibir”.

Hoje já percebemos que os limites são necessários na formação de qualquer ser humano. E por isso, às vezes, dar um “não” ao filho chega a ser um padecimento, pois sabemos que ele(a) queria muito tal coisa ou tal situação, mas percebemos que não é o melhor naquele momento, e isso gera um certo desconforto no relacionamento entre mãe e filho(a).

Aí mais do que padecer é compadecer, é sofrer, pois apesar de estarmos conscientes da decisão tomada não gostamos de ver nosso(a) filho(a) triste. E mais uma vez, apesar de toda intensidade, veremos que isso também vai passar!

Assim como nós que, hoje, neste papel de mãe, reconhecemos e aceitamos a postura que as nossas mães tiveram conosco. E pensamos: “Elas estavam certas…” Olhando tudo isso parece que o ditado está certo… ser mãe é padecer no paraíso. Agora é preciso dizer que tudo isso vale a pena!

Veja bem: vale a pena e não valeu ou está valendo… ser mãe vale por toda a vida? A presença, a realização, as conquistas, as alegrias e as tristezas de um(a) filho(a) não têm preço. Este é o nosso paraíso: a maternidade! As mães são capazes de abrir mão e renunciar a várias coisas na vida, somente não conseguem renunciar a maternidade. Esta é inegociável!

Parabéns a todas as mães, avós, tias, madrinhas, sogras… que, de uma forma ou outra, são mães em nossas vidas!

Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, nos ensine e conduza na vivência da maternidade segundo o coração de Deus!

Carla Astuti – Comunidade Canção Nova
http://blog.cancaonova.com/temjeito

 

Valores a transmitir                                                                            

Este domingo é o Dia das Mães. São tantas as celebrações, que os calendários se vêem sobrecarregados, quase não tendo espaço para lembrar todas as efemérides marcadas para cada dia.

Mas o Dia das Mães nem precisa constar no calendário. Ele se impõe por si mesmo.  Por múltiplos motivos.  Em primeiro lugar pelo respeito, admiração e gratidão que merece qualquer mãe, seja qual for a condição em que se encontra. A mãe sempre merece um preito de gratidão da humanidade. É sempre sublime a missão de gerar e resguardar a vida. Ainda mais quando esta é frágil e necessita de proteção.

Toda festa acaba assumindo uma causa a celebrar, um valor a defender, um critério a seguir.

A festa das Mães tem evidente conotação com a família.  E a família tem forte vinculação com a sociedade.

É o que quer transmitir o Sétimo Encontro Mundial das Famílias, a se realizar no final deste mês e início de junho, em Milão, na Itália. Uma das mensagens que promovem o evento, recorda, exatamente, o estreito vínculo da família com a sociedade.

Assim é divulgada a mensagem: “A Família é a primeira e vital célula da sociedade, porque na Família se aprende quanto seja importante o relacionamento com os outros.”

De tal modo que a Família se torna o espelho da sociedade. Ela transmite valores que fazem parte do convívio humano, independente da forma como este convívio se configura.

Tanto é verdade que as famílias vão mudando de fisionomia. Mas ao passar por estas metamorfoses que tanto afetam hoje a sociedade, a família é chamada a vivenciar os valores que ela sempre testemunhou, de proteção da vida, de respeito pela subjetividade de cada pessoa, de bondade, de confiança, de dedicação amorosa às pessoas que compõem o circuito da convivência humana.

Promovendo o Dia das Mães, acabamos reforçando nesse ano a mensagem do Sétimo Encontro Mundial das Famílias.  O número já sugere que a iniciativa é bastante recente. De fato, o grande inspirador destes encontros foi o Papa João Paulo II. Um deles foi realizado no Rio de Janeiro, no final da década de noventa, quando João Paulo II teve oportunidade de ver de perto os encantos da natureza carioca. O encontro que teve o público mais expressivo foi em Manilha, nas Filipinas, quando quatro milhões de pessoas participaram da celebração final da Eucaristia.

Desta vez o tema é prático e sugestivo: “A Família, o Trabalho e a Festa”.

Realizado em Milão, capital da laboriosa Lombardia, região de forte identidade cultural e humana, identificada com a fé católica, nada melhor do que lembrar o trabalho e a festa, componentes indispensáveis da vida, para servirem de tema deste encontro mundial.

O hino que vai unir as diversas celebrações, leva por título: “A Tua Família te rende graças”.

Um último aceno simbólico: o encontro se conclui no dia 03 de junho, domingo da Santíssima Trindade. Se a família tem necessária relação com a sociedade, ela encontra sua consistência maior em sua relação com Deus, o Senhor da Vida. A família é espelho da comunhão trinitária.

A família nos permite expressar nossa compreensão aproximada do mistério de Deus. Dela tomamos as palavras que aplicamos alegoricamente a Deus, que identificamos como Pai-Mãe, Filho e Espírito Santo. Usando categorias familiares, expressamos nossa compreensão de Deus.

Vivenciando o amor materno, temos a imagem aproximada do amor divino que Deus manifesta por nós. As mães são testemunhas de que Deus é amor!

D. Demétrio Valentini – Bispo da Diocese de Jales  

 

Obrigado mãe!
A maternidade nos aproxima de Deus, ama e perdoa sempre

ROMA, sexta-feira, 11 de maio de 2012 (ZENIT.org). – Domingo, 13 de maio comemoramos o dia das mães.

Misterioso o desígnio divino que dá à mulher o poder de transmitir a vida. Uma característica que, juntamente com a grande capacidade de amar e perdoar aproxima de modo particular a mãe à Deus.
O filósofo grego Sófocles dizia que “A mãe inventou o amor na terra” e “para a mãe os filhos são âncoras da vida”.
De fato, sustenta o frances Honoré de Balzac: “O coração de uma mãe é um abismo no fundo do qual há sempre perdão”.
O filósofo, escritor, dramaturgo, crítico literário frances Jean Paul Sartre reconheceu: “Quanto mais lágrimas nos olhos da mãe custou o filho, mais caro a seu coração”. Na verdade a mãe se comporta como Deus ” te ama sempre.”
Diz Marcel Proust: A criança chama a mãe e pergunta: “De onde vim?De onde você me pegou?” A mãe ouve, chora e sorri enquanto aperta seu bebê contra o peito. “Você era um desejo dentro do coração”.
Até mesmo o niilista Friedrich Nietzsche afirmou: “Meu único consolo, quando ia dormir, era que minha mãe vinha me beijar quando eu tinha apenas deitado”.
Neste sentido, a poetisa e escritora Silvana Stremiz escreve: “O amor de uma mãe não tem fronteiras, não tem limites, nem condições. Nos ama sem pedir nada. Amor imcomparável. Ninguém vai nos amar como você. Por este amor mãe eu digo obrigado”.
Edmondo De Amicis, autor do livro “Coração”, constatou que “Se de todos os gestos de afeto e de todas as ações honestas e generosas de que nos orgulhamos pudéssemos descobrir a primeira semente, iríamos descobrir quase sempre no coração da nossa mãe”.
O médico, professor e escritor americano, considerado por seus contemporâneos como um dos melhores escritores do século XIX, Oliver Wendell Holmes (sênior), acrescentou: “A verdadeira religião do mundo vem muito mais das mulheres do que dos homens, sobretudo pelas mães , que levam a chave de nossas almas em seus corações”.
Também o escritor e jornalista austríaco Joseph Roth afirma: “Eu nunca vou esquecer a minha mãe, ela foi a primeira a plantar e cultivar as primeiras sementes do bem dentro de mim”.
Por esta razão, o poeta norte-americano William Ross Wallace diz: “A mão que fez o berço balançar é a mão que governa o mundo”.
E conclui o escritor judeu Kompert Leopold: “Deus não pode estar em toda parte: é por isso que ele criou as mães”.

A equipe de ZENIT deseja tudo de bom a todas as mães do mundo!

 

Dia das Mães          

O segundo domingo de maio é um dia dedicado a homenagear as mulheres que acolheram em sua vida a missão sublime de gerar ou acolher um filho para educar. Ser mãe é dom gratuito da bondade de Deus para cada mulher, e também a possibilidade de aceitar trabalhar pelo futuro da humanidade. Uma significativa expressão da fidelidade de Deus no sacramento do matrimônio, que torna o amor de um casal fecundo e multiplicador de vida.

Esse dia nascido por motivações afetivas, mas muito explorado comercialmente nos dias atuais pode ser agora uma oportunidade de valorizar a vida e a família. Principalmente se refletimos sobre a missão importante da mãe (junto com o esposo) de educar seus filhos.

Além de acolher ou procriar fisicamente, gerar um filho para a fé é um compromisso que sinaliza a relação de Deus com seu povo, que é sempre fecunda, capaz de multiplicar a vida, e se dá na plena confiança e entrega à providência divina.

No contexto de um capitalismo selvagem que cada vez mais tenta destruir os valores verdadeiros da humanidade, ser mãe, para além de uma responsabilidade e de um dom, significa manifestar um compromisso com a vida em todas as suas dimensões. Com as pressões atuais contra a dignidade da vida e a propaganda contra a geração de filhos, constatamos que isso é ferir em uma mulher o direito de ser mãe, ferindo também sua mais profunda dignidade e violando aquilo que de mais belo Deus concedeu a uma mulher: o direito de ser mãe e de contribuir assim com a criação, que continua a ser criada e recriada. “Cada criança que nasce é Deus que volta a sorrir para o mundo” diz a tradição popular.

Homenagear as mães nesse dia nos faz recordar da importância da família humana e também da figura de Maria, exemplo de mãe e educadora. Mulher forte e doce, mulher do silêncio, da presença e da esperança que não decepciona. Maria traz consigo as virtudes mais profundas, capazes de fazer de todas as mulheres verdadeiramente mães e mestras, como ela o foi. A humildade, a plena confiança em Deus, seu sim à acolhida do projeto divino em sua vida, conformando-se plenamente a ele, as lutas para proteger o filho, a coragem de lançá-lo no projeto do Pai antes mesmo de “chegar a sua hora”, a força para acompanhar o filho no sofrimento e aos pés da cruz, acolher o filho morto ao ser retirado da cruz e contemplar, em seus braços, seu corpo sofrido por amor, a esperança de fazer continuar o projeto de construção do Reino junto com os discípulos amedrontados no cenáculo, a alegria de ver o filho ressuscitado e Senhor para sempre.

Mães de nosso tempo: pobres, mas incapazes de abandonar os filhos que gerou. Capazes de educar na dificuldade, nunca os deixando de lado. Mulheres de fé, que choram aos pés do Santíssimo Sacramento e da Virgem das Dores, implorando a Deus por seus filhos, escravos das drogas, da prostituição e de tantos outros vícios. Mães que percorrem o calvário com seus filhos, lutam para que não sejam mortos e imploram de Deus uma nova vida de cada um deles. Verdadeiras guerreiras, batalhando e lutando por sua prole, trabalham de sol a sol para estudar os filhos, fazê-los crescer bem e oferecer-lhes melhores condições de vida e novas possibilidades, que, elas mesmas, não puderam receber. Mulheres que choram as dores dos filhos, que sorriem e celebram suas vitórias. Mulheres de aço, mulheres como flores, singelas e frágeis. Amor traduzido em gestos concretos e na mais profunda oferta de vida. Capazes de tudo para garantir aos filhos uma vida de sucesso e de realização.

As Sagradas Escrituras estão cheias dos testemunhos de mulheres, mães, que tudo fizeram para que seus filhos compreendessem e permanecessem no caminho do Senhor. Vale lembrar o desejo de Sara de ser mãe e sua confiança em Deus, que transformou sua impossibilidade e fez de Abraão Pai de todas as nações (Gn 18,10); a história de Ana, mãe de Samuel, que deu a luz o filho primogênito (1Sm 1-2); a belíssima história da mãe e dos sete filhos que dão a vida mas não negam o Senhor (2Mc 7, 1-40); a busca da mulher cananéia pela cura de sua filha (Mt 15,21); a alegria de Isabel ao conceber João Batista (Lc 1, 12-15) e Maria, modelo novo de maternidade e coragem (Lc 1, 26-38).

A figura materna tem nas Sagradas Escrituras um valor profundo que até mesmo a revelação compara o amor de Deus com algumas características maternas: “… agora vou gritar como a mulher que dá a luz, vou gemer e suspirar” (cf.Is 42, 14); “Sião dizia: o Senhor me abandonou; o Senhor me esqueceu. Mas, pode a mãe esquecer o seu filho, ou a mulher a criança em suas entranhas? Ainda que ela esqueça, eu não esquecerei você” (cf. Is 49,15); “Como a mãe consola o seu filho, assim eu vou consolar vocês… (cf. Is 66,13).

Na história do cristianismo, tantas mães se santificaram pensando e promovendo o bem para seus filhos. Recordemos de Santa Mônica, que tanto rezou pela conversão do filho Agostinho, que se tornou um santo e doutor da Igreja, ou ainda, Santa Rita de Cássia, que rezou a Deus por seus filhos, que não queria vê-los manchados com a culpa do sangue e do ódio entre famílias rivais.

A todas as mães queremos homenagear e rezar para que suas presenças sejam sempre sinal de vida e de fecundidade. Para que sinalizem o amor de Deus com suas vidas, principalmente em nossos tempos, onde o direito de ser mãe vem sendo substituído pelo horror do aborto que fere a dignidade de tantas mulheres iludidas por falsas ideologias.

Rezemos também pelas mães que já se encontram junto com Maria na eternidade, na bem-aventurança eterna para que recebam a recompensa de suas vidas doadas e entregues a Deus e à família.

Que Maria mãe e mestra, cubra todas as mães com seu sagrado manto de amor, humildade e dedicação. Que ela alcance de Deus para todas as mães as condições necessárias para educarem seus filhos com dignidade, na justiça, fraternidade e solidariedade. Que nenhuma mãe se esqueça de que a melhor herança que podem entregar a seus filhos é a fé.

Maria, mãe de todos os povos, rogai por nós!

+ Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ  

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda