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13 razões para viver

Saúde e Bem Estar
Com base na série “13 Reasons Why”, Psicólogo apresenta reflexão favorável à vida
Élison Santos*
http://noticias.cancaonova.com/brasil/13-razoes-para-viver/

Em sua obra que se tornou um dos dez livros mais influentes da história dos EUA, ‘Em busca de sentido – Um psicólogo no campo de concentração’, Viktor Frankl relata situações ocorridas durante seus três anos como prisioneiro durante a Segunda Guerra Mundial. A tônica de toda sua obra, iniciada antes da guerra e largamente desenvolvida durante mais de cinco décadas depois da guerra, é a afirmação categórica de que a vida tem sentido, não importa sob qual circunstância, a vida sempre tem sentido. Mas, como encontrar o sentido da vida, especialmente quando tudo parece estar errado, quando parece não haver saída para os problemas, quando a angústia parece ser maior que a vontade de viver?
Enquanto a série ’13 reasons why’ da netflix nos propõe uma reflexão sobre os motivos que podem levar alguém a tirar sua própria vida, proponho aqui algumas razões para se enfrentar a ideia de morte:

1 – Por alguém – Em algumas situações no campo de concentração Frankl se deparou com pessoas que queriam cometer suicídio, algumas ele pôde ajudar, propondo-lhes esta reflexão, se haveria alguém por quem valeria a pena suportar o sofrimento do campo de concentração até o fim e manter a esperança de talvez um dia reencontrar esta ou aquela pessoa. Esta reflexão fez com que muitas pessoas deixassem a vontade de morrer e passagem a suportar o sofrimento de estar vivo sob aquelas circunstâncias, por alguém.

2 – Uma tarefa – Outras pessoas no campo de concentração haviam prometido para elas mesmas terminar uma tarefa, um livro que haviam iniciado antes da guerra, uma obra que haviam prometido para si mesmas que realizariam durante a vida e por esta ou aquela tarefa, por este ou aquele compromisso consigo mesmo, valeria a pena suportar o sofrimento e deixar aberta a possibilidade de sobreviver em um pós-guerra.

3 – O amor – Além de pensar no bem de outra pessoa, quando se tem alguém para amar, você mesmo vive uma experiência de grandes proporções. Frankl relata que muitas vezes, no final de um dia, ainda trabalhando sob o frio cortante, a fraqueza física, a fome e a humilhação, pensava em sua esposa, nos momentos felizes que passou ao seu lado e isto lhe ajudava a suportar o sofrimento.

4 – A inteligência – Enquanto estamos vivos somos constantemente desafiados por nossa existência. Nossa mente está a nos ajudar a encontrar saídas para os problemas e por isso temos condições de suportar sofrimentos. É fato que sempre existem saídas. Por isso a afirmação categórica de que a vida tem sentido. Portanto, se não estamos encontrando saída é porque nossa inteligência está, de alguma forma, equivocada, alguma emoção muito grande pode nos impedir de encontrar e perceber as muitas possibilidades de saída daquele problema.

5 – O humor – Frankl relata que uma vez foram encaminhados para um barracão e tiveram que tirar suas roupas, era um lugar diferente, eles sabiam que muitos prisioneiros eram encaminhados para lugares assim e eram executados com gases letais. Eles entraram ali e se depararam com muitos chuveiros, estavam literalmente morrendo de medo de que daqueles canos saíssem os gases que os matariam, quando de repente saiu água e muitos deles começaram a rir muito porque ao invés de serem mortos, foram levados apenas para tomar banho. Mesmo diante das piores situações de nossa vida, mesmo diante do sofrimento mais amargo que alguém pode viver, ainda assim é possível encontrar um segundo de bom humor e o humor abre janelas em nossa mente, ampliando nosso campo de visão, ajudando nossa inteligência a encontrar as saídas para os problemas.

6 – A arte – Uma das formas de auxiliar a mente a suportar o sofrimento é ver a realidade por um outro prisma. Na arte a pessoa é convidada a se colocar a margem da realidade fria para poder ver com outros olhos. Frankl nos fala de uma capacidade especificamente humana que é a autotranscendência, podemos nos afastar da realidade nua e crua e encontrar um sentido superior. Um desenho, uma pintura, uma música, um poema, algo que posso expressar fisicamente ou que posso apenas imaginar em minha mente. Uma realidade que me ajude a suportar o sofrimento como, por exemplo, a personagem Guido no filme ‘A vida e bela’ desenvolve uma história para que o filho possa suportar os terrores da guerra.

7 – A resiliência – Suportar o sofrimento e a dor é uma capacidade presente em todos os seres humanos. Desde nosso nascimento experimentamos dores e desconfortos que fazem parte dos processos do crescimento físico e do desenvolvimento psicossocial. Quanto maior nossa capacidade de suportar desconfortos, maior nossa possibilidade de desenvolvimento. Frankl poderia ter ele mesmo cometido suicídio no campo de concentração, mas optou pela resiliência e fez que esta experiência terrível de dor, humilhação e privação se transformasse em uma obra com mais de trinta livros publicados e dezenas de títulos honoris causa das mais conceituadas universidades do mundo.

8 – Caridade – Uma colocação do Rabino Hillel pode nos ajudar a refletir sobre esta razão: “Se eu não for por mim, quem o será? Mas, se eu for só por mim, que serei eu? Senão agora, quando?” Refletir sobre o sentido da vida é pensar também nas pessoas que estão ao meu redor. Diante da pergunta: ‘que serei eu?’, propõe-se uma constatação de que eu sou alguém conectado com uma família, com laços de sangue e de amizade, e ainda que eu não tenha amigos nem parentes, em última instância o único responsável por mim mesmo. Desta forma, posso apelar a minha consciência para que eu mesmo seja caridoso comigo, oferecendo-me a possibilidade de seguir vivendo. E, ainda que não tenhamos certeza do futuro, temos certeza do agora, ‘se não agora, quando?’, pois se não tomo a decisão de viver agora e me salvo da morte, quando poderei fazê-lo?

9 – A curiosidade – Ainda que possa parecer sedutora a ideia de se conhecer o que há do outro lado da morte, não existe provas sobre o que se pode existir, nem mesmo se existe algo, por outro lado, há uma certeza sobre a vida, pois está sendo experimentada de alguma forma, ainda que em sofrimento. Pela experiência, também sabe-se que o tempo passa, e com o tempo surgem novas possibilidades. Posso lançar-me no desafio de que existem milhões de possibilidades que me visitarão no dia de amanhã, por que não esperar para ver o que acontece? O preço para ver o dia seguinte é apenas a paciência para viver o dia de hoje. Em uma perspectiva de muitos anos que poderão vir após o amanhã, o valor de um dia pode ser bem pouco.

10 – A vaidade – Pode-se ver a vaidade como algo negativo, mas ela está relacionada também a uma possibilidade de defesa de nossa vida. E se ela pode interpelar minha consciência para que eu não tire minha própria vida, então a vaidade pode ser minha amiga. Posso, por exemplo, perguntar-me o que os outros pensarão de mim se eu cometer suicídio, certamente que poderei encontrar muitos que terão uma visão muito negativa de mim. É certo que, para a pessoa que chega próxima de pensar na possibilidade de morrer a vaidade pode não ser algo para o qual ela vá se importar, mas não deixa de ser também para alguns uma boa questão. Minha história poderá ficar manchada negativamente, então pode valer a pena continuar vivendo para tentar construir uma história que de fato traga orgulho para as pessoas que me conhecem.

11 – A fé – Nem todo mundo tem uma religião, mas todo ser humano tem a capacidade de ter fé. Ainda o mais ateu dos ateus, pode se deparar com sua capacidade de crer nas infinitas possibilidades do universo. Ainda que para alguns não haja provas suficientes de que Deus exista, para todos não existem provas cabíveis de que Ele não exista. Desta forma, todos temos a possibilidade de ter fé. Frankl não sabia que a guerra acabaria, ninguém sabia, ele não sabia se sairia vivo da guerra, mas de alguma forma, ele acreditava. São muitos os relatos da Segunda Guerra de grupos que se reuniam para rezar, para realizar suas experiências religiosas em comunidade. Existem pesquisas no campo da psicologia e da psiquiatria que comprovam, por exemplo, que as pessoas que têm uma crença religiosa tendem a superar com mais facilidade uma enfermidade ou um vício do que aquelas que não tem.

12 – Meu espelho – A pessoa pode chegar em um ponto da vida que não mais goste de si, que eu não goste do seu corpo, do seu semblante, das pessoas que a cercam, da sua casa, das coisas que tem, mas se tem algo que não pode fugir é de sua própria consciência. Olhar no espelho, não significa buscar uma análise narcísica das coisas bonitas que julgue que todos devam ter, mas sim olhar nos seus próprios olhos, encarar a verdade do seu olhar. Quando olhar para si, busque dizer com honestidade o que você pretende fazer com os sonhos, os planos, as experiências, as histórias que viveu. Olhar no espelho é permitir-se apreciar tudo o que se construiu até agora e valorizar esta obra chamada vida.

13 – Meu futuro – Não tenho certeza do meu futuro, mas posso projetar-me. A 13ª razão para viver encontra-se em um diálogo sincero com uma pessoa chamada ‘meu futuro’, ela tem o meu nome, e é pelo menos 10 anos mais velha que eu. No meu caso, que estou com 39, quero falar com o meu ‘eu’ de 80 anos. Depois de olhar no espelho e ver meus olhos de agora, quero olhar para os olhos do senhor de 80 anos. Ele olhará para mim e me dirá o que eu fiz de certo e o que eu fiz de errado. Eu estou dando a ele a oportunidade de me dizer o que há de errado no momento atual, ele passou por isso, ele viveu aquele momento e depois de algum tempo ele entendeu bem os motivos do sofrimento que eu estou vivendo. Eu olho para os olhos deste senhor de 80 anos e não consigo pensar em outra coisa do que na vontade de encontrá-lo são e salvo daqui 41 anos, eu amo este senhor e quero poder abraçá-lo um dia. Farei de tudo para que eu o encontre bem.

14 – Minha missão – Não há ninguém igual a mim, desde minhas aulas de biologia no ensino fundamental eu sei que dos mais de 7 bilhões de habitantes da terra, ninguém tem uma digital como a minha, ninguém tem um DNA como o meu. Por alguma razão eu nasci neste tempo da história e neste espaço do universo, minha existência tem um sentido. Assim como inúmeros seres vivos existem por uma razão, por um propósito, eu certamente tenho o meu, a lógica, a história e a ciência me provam isso. Minha vida tem um sentido e ele é único. Eu cheguei a este momento talvez porque muitas circunstâncias me levaram a pensar que minha vida não era importante, que minha história não fazia diferença, mas desde o dia em que eu fui concebido eu comecei a mudar o mundo ao meu redor, a vida da minha mãe mudou, do meu pai, da minha família, das pessoas que me conheceram quando eu era apenas um bebê e dos colegas e amigos que fiz durante todos estes anos, ainda que não gostem de mim, eu represento algo para eles, minha vida fez diferença até agora, mesmo eu não sabendo o que queria, mesmo eu não entendendo o valor da minha vida, mesmo nas vezes em que eu estava pensando apenas em mim mesmo, de alguma forma, direta ou indiretamente, minha vida está afetando a vida de outras pessoas. Hoje, lendo este texto sobre 13 razões para viver, eu me pergunto: Qual é minha missão? O que está ao meu alcance? O que poderei fazer nos anos que virão para que minha vida possa influenciar de forma positiva nas pessoas ao meu redor?
Viktor Frankl relata um momento em que ele seria levado em um caminhão para ser possivelmente liberto, pois a guerra estava acabando, mas ele viu que haviam muitos doentes ali e como era médico sentiu-se no dever de ajudar as pessoas que estavam ali e abriu mão de ir naqueles caminhões. Terminada a guerra, ele viria a saber que as pessoas que estavam naqueles caminhões foram executadas. Ele refletiu de como seu senso de missão, o tinha livrado novamente da morte. Todos nós temos um lugar no mundo, um lugar que só pode ser preenchido por nós, com nossa unicidade. Uma obra de arte é valiosa justamente por ser única, somos uma obra de arte, a mais bela e cara de todas, e o valor de nossa existência pode ser aumentado a cada momento que decidimos fazer o que é melhor para as pessoas ao nosso redor e consequentemente para nós mesmos.

Eu sei, se você prestou atenção, percebeu que existem mais de 13 razões neste texto… não se preocupe, eu escreveria 1013 razões para mantê-lo vivo e não me importaria em ‘errar’ na sequência dos números. Ao final das contas, não importa quantas razões você tenha para tirar sua vida, lembre-se que você só precisa de uma razão para manter-se vivo.
 

“Sabedoria da Cruz” na vida de João Paulo II

Cardeal Cottier: a “Sabedoria da Cruz” na existência de João Paulo II

“O sofrimento é aquele continente do qual ninguém pode dizer ter alcançado os confins”.

“Mediante o sofrimento é possível progredir no dom de si e alcançar o grau mais alto do amor”: esses dois pensamentos de São João Paulo II foram evocados pelo Teólogo emérito da Casa Pontifícia, Cardeal George Marie Martin Cottier, em sua conferência no simpósio realizado esta terça-feira, no Vaticano, sobre o tema “A Sabedoria da Cruz no pensamento e no testemunho de São João Paulo II”, promovido pela Pontifícia Universidade Lateranese.

O cardeal desenvolveu uma longa reflexão sobre a espiritualidade do Papa Wojtyla, marcada pelas vicissitudes pessoais e familiares, desde muito jovem, com a perda da mãe quando ele tinha apenas nove anos – quatro anos após o falecimento do irmão mais velho, que era médico; com a perda do pai – “seu mestre espiritual” – aos 21 anos.

A esse ponto de sua vida, o jovem Wojtyla confiou-se somente a Deus e mostrará ao longo de toda a sua existência uma grande e intensa atenção a todas as formas de sofrimento”, observou o conferencista evocando as fontes espirituais dessa predisposição interior: de um lado, os escritos de São Luís Maria Grignon de Monfort (“Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria”) e, do outro, os escritos de São João da Cruz.

“Toda a biografia de São João Paulo II é marcada pelo sofrimento e por uma forte sensibilidade que Karol Wojtyla mostrou, desde muito jovem, a todas as formas de sofrimento”, prosseguiu o Cardeal Cottier em sua conferência sobre a “Sabedoria da Cruz” no Papa Santo.

“Diante da massa enorme de sofrimento da humanidade, que por vezes parece desmedida e cruel, muitos cedem e se rebelam porque muitas formas de sofrimento não encontram explicação”, disse.

“Porém – continuou –, nos ensinamentos do Papa Wojtyla a dor tem significado, aliás, mediante a fé nos faz partícipes, de modo profundo, do próprio mistério de Deus.”

O purpurado suíço citou a visita do Papa, no dia seguinte ao de sua eleição à Cátedra de Pedro, ao então Bispo Andrzej Maria Deskur – internado na Policlínica “Gemelli” em Roma –, criado Cardeal pelo próprio João Paulo II em 25 de maio de 1985.

Durante a visita Karol Wojtyla dirigiu-se aos doentes – admirados por encontrar o novo Sucessor de Pedro no meio deles – pedindo-lhes a sua oração “que me dá – disse o Papa – uma força especial para realizar menos indignamente a missão que me foi confiada com esse ministério”.

Segundo o Cardeal Cottier, foi ainda mais eloqüente “a doação de seu sofrimento a Deus e em favor da Igreja, um dia após ao do atentado de 13 de maio de 1981, cujas consequências se fizeram sentir pelo restante de sua vida e que ele ofereceu como sacrifício para acompanhar a Igreja na entrada do terceiro milênio da era cristã”.

Fonte: Rádio Vaticano  

Somos cidadãos do Céu

O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu  

Com essas palavras, São Paulo indicou aos filipenses e a todos nós, cristãos, qual é a nossa vocação última. E o apóstolo acrescentou: “É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3,20b-21a).

Essa é a razão da nossa esperança, aquela que São Pedro pediu que manifestássemos aos outros (cf. I Pd 3,15).  O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu. Toda a pregação da Igreja é baseada na esperança da ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15,14), disse São Paulo. E o apóstolo afirmou: “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (I Cor 15,19).

Muitos cristãos põem a esperança em Cristo apenas nesta vida, buscando nEle segurança, saúde, paz, conforto, dinheiro, até prestígio e prazer, só para esta vida, esquecendo-se de que são cidadãos dos céus. “Esses”, disse São Paulo, “de todos os homens, são os mais dignos de lástima” (citação livre de I Cor 15,19).

Cristo não veio para ser um libertador social (não redentor), descompromissado com aquele que disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36a).

Cristo nos quer a todos no céu, vivendo definitivamente com Ele. Para isso, devemos sacrificar toda a nossa vida aqui nesta terra. Foi o próprio Senhor quem nos disse claramente: “Pois, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36). Em outro lugar disse: “Não ajunteis para vós tesouros na terra (…). Ajuntai para vós tesouros no céu (…). Porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6,19a.20a.21). Nosso tesouro e nosso coração devem estar no céu e não na terra.

O Senhor se fez homem e passou pela amarga paixão, morte e ressurreição exatamente para nos conquistar uma morada no céu. Momentos antes de beber o cálice da paixão, Ele disse aos discípulos: “Na cada de meu Pai há muitas moradas. Não fora, assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14, 2-3). Alegremo-nos, irmãos, pois somos cidadãos do céu.

Toda a nossa vida aqui nesta bela terra deve ser apenas uma diligente preparação para vivermos eternamente com Deus que é amor (cf. I Jo 4,8). São Paulo nos assegurou que “temos no céu uma casa feita por Deus e não por mãos humanas” (cf. II Cor 5,1). Para o apóstolo a vida terrena era um exílio: “Todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor” (II Cor 5,6b). E ansiava pelo céu, dizendo: “Suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste (…). Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos (…). Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo, para ir habitar junto do Senhor” (II Cor 5,2.4a.8) e “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21).

Todo cristão tem de ansiar pelo céu, pois ali é o seu destino. Pelos merecimentos de Jesus Cristo, somos filhos de Deus e participantes da natureza divina (cf. II Pd. 1,4); logo, somos herdeiros do céu: “Se somos filhos, também somos herdeiros”, disse São Paulo (citação livre de Rm 8,17).

Desejar o paraíso, disse Santo Afonso de Ligório, é o mesmo quer desejar a Deus, nosso último, pois lá O amaremos perfeitamente. Ali cumpriremos perfeitamente o mandamento do Senhor: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento” (Lc 10,27). Disse Santo Afonso que a nossa meta, aspirações e desejos devem ser isto: “Ir gozar de Deus no paraíso, para amá-lO com todas as nossas forças e gozar do gozo de Deus!” E afirmou que a maior felicidade da alma no céu é conhecer a felicidade infinita de Deus. “Entra no gozo do teu Senhor” (citação livre de Mt 25,21). A alma entra na felicidade de Deus; a felicidade de Deus é a sua felicidade.

Afirmou o santo que “no céu a alma fica toda presa e consumida pelo amor de Deus. Ela fica perdida e mergulhada no mar infinito da bondade divina. Esquece-se de si mesma e só deseja amar ao seu Deus. Possui a Deus plenamente sem o medo de poder perdê-lO. A todo o momento se entrega, sem reservas, a Deus. Deus a abraça com amor, e, assim abraçada, a tem e terá por toda a eternidade. Ela nada mais deseja. Deus está unido a ela com a Sua própria essência, saciando-se na medida da capacidade dela e dos seus méritos”.

Alegremo-nos, irmãos, somos cidadãos do céu!

Prof. Felipe Aquino

Santa Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá (nascida em 27 de Agosto 1910 e falecida em 05 de Setembro 1997) foi uma missionária católica albanesa, nascida na República da Macedônia e naturalizada indiana, beatificada e canonizada pela Igreja Católica.

O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso.

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.

Quando descanso? Descanso no amor.

O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.

As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.

Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.

A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.

O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o.

Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.

A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.

Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor.

O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.

O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.

Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.

Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.

A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.

“Se um dia eu for Santa, serei com certeza a santa da escuridão’. Estarei continuamente ausente do Paraíso”, escreveu a monja.

”… Se você vive julgando as pessoas, não tem tempo para amá-las… ”

“Ama-me por Amor somente”.

AMA-ME POR AMOR SOMENTE
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar, o seu sorriso, o modo de falar honesto e brando. Amo-a porque se sente minh’alma em comunhão constantemente com a sua”.

Porque pode mudar isso tudo, em si mesmo, ao perpassar do tempo, ou para ti unicamente. Nem me ames pelo pranto que a bondade de tuas mãos enxuga, pois se em mim secar, por teu conforto, esta vontade de chorar, teu amor pode ter fim! Ama-me por amor do amor, e assim me hás de querer por toda a eternidade. Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você decepciona-se… Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação!!! O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu daria. Só por dinheiro se pode dar banho a um leproso.

A VIDA  
A vida é uma oportunidade, aproveita-a. A vida é beleza, admira-a. A vida é beatificação, saborei-a. A vida é sonho, torna-o realidade. A vida é um desafio, enfrenta-o. A vida é um dever, cumpre-o. A vida é um jogo, joga-o. A vida é preciosa, cuida-a. A vida é riqueza, conserva-a. A vida é amor, goza-a. A vida é um mistério, desvela-o. A vida é promessa, cumpre-a. A vida é tristeza, supera-a. A vida é um hino, canta-o. A vida é um combate, aceita-o. A vida é tragédia, domina-a. A vida é aventura, afronta-a. A vida é felicidade, merece-a. A vida é a VIDA, defende-a.

É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.

ASSIM MESMO  
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo. Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil, assim mesmo. Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo. Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo. Seja honesto assim mesmo. O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo. Se você tem Paz e é Feliz, as pessoas podem sentir inveja. Seja Feliz assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja que, no final das contas, é entre você e DEUS. Nunca foi entre você e as outras pessoas.

“Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas… Continue, quando todos esperam que desistas. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha”.

Mantenha seus olhos puros para que Jesus possa olhar através deles. Mantenha sua língua pura para que Jesus possa falar por sua boca. Mantenha suas mãos puras para que Jesus possa trabalhar com suas mãos. Mantenha sua mente pura para que Jesus possa pensar seus pensamentos em sua mente. Mantenha seu coração puro para que Jesus possa amar com seu coração. Peça a Jesus para viver sua própria vida em você porque: Ele é a Verdade da humildade. Ele é a Luz da caridade. Ele é a Vida da santidade.

É preciso crescer na fé e fortalecer a confiança em Jesus, diz Papa

Domingo, 20 de agosto de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

A partir do trecho bíblico sobre a mulher cananeia, Papa exortou fiéis a não se desesperar diante das provas da vida

No Angelus deste domingo, 20, o Papa Francisco refletiu sobre o trecho do Evangelho segundo São Mateus que relata o encontro da mulher cananeia com Jesus. Francisco destacou a fé dessa mulher, um estímulo aos fiéis para que não se desesperem nem se sintam desencorajados diante das provas da vida.

A cananeia implora a Jesus que cure sua filha, que está cruelmente atormentada por um demônio. “A aparente indiferença de Jesus não desencoraja a mãe, que insiste em sua invocação”, disse o Papa.

Francisco explicou que a força interior daquela mulher, que lhe permite vencer qualquer obstáculo, reside no seu amor materno e na confiança de que Jesus pode atender o seu pedido. “Isto me faz pensar na força das mulheres! Com a sua força, são capazes de obter coisas grandes. Conhecemos muitas assim!”.

“Aquela humilde mulher é indicada por Jesus como um exemplo de fé inquebrantável. Sua insistência em invocar a ação de Cristo é para nós um estímulo a não nos desencorajarmos, a não nos desesperarmos quando formos oprimidos pelas duras provas da vida. O Senhor não vira para o outro lado quando vê as nossas necessidades e, se por vezes pode parecer insensível aos nossos pedidos de ajuda, é para nos colocar à prova e fortalecer a nossa fé”.

O Papa acrescentou que este episódio evangélico ajuda a entender que todos precisam crescer na fé e fortalecer a confiança em Jesus. “Ele pode nos ajudar a encontrar a direção quando perdemos a bússola de nosso caminho; quando a estrada diante de nós não é mais tão plana, mas áspera e árdua; quando é cansativo ser fiel aos nossos compromissos. É importante alimentar todos os dias a nossa fé, com a escuta atenta da Palavra de Deus, com a celebração dos Sacramentos, com a oração pessoal como um ‘grito’ para Ele, e com atos concretos de caridade com o próximo”.

 

 

Recordando atentados terroristas, Papa reza pelo fim da violência

Domingo, 20 de agosto de 2017, Da Redação, com informações do Vaticano

Que Deus liberte o mundo desta violência desumana, pediu o Santo Padre ao lembrar atos terroristas ocorridos na última semana

Após o Angelus deste domingo, 20, o Papa Francisco recordou uma vez mais os atentados terroristas ocorridos na última semana em alguns países. O Santo Padre rezou para que Deus liberte o mundo desta violência.

“Nos nossos corações trazemos a dor pelos atos terroristas que, nestes últimos dias, causaram numerosas vítimas em Burquina-Fasso, na Espanha e na Finlândia. Oremos por todos os falecidos, pelos feridos e por seus familiares; e supliquemos ao Senhor, Deus de misericórdia e de paz, que liberte o mundo desta desumana violência. Rezemos juntos em silêncio e, depois, à Nossa Senhora”, disse Francisco, palavras seguidas da oração da Ave Maria.

Na última quinta-feira, 17, uma van andando a cerca de 80 quilômetros por hora avançou contra uma multidão reunida no tradicional calçadão da Avenida “Las Ramblas”, em Barcelona, na Espanha. Pelo menos 14 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas.

O Santo Padre já havia se manifestado sobre o atentado em um telegrama enviado ao arcebispo de Barcelona, Cardeal Juan José Omella y Omella. Na mensagem, Francisco expressou suas orações pelas vítimas e condenou atos de violência como esse. “O Santo Padre condena uma vez mais a violência cega, que é uma ofensa gravíssima ao Criador, e eleva sua oração ao Altíssimo para que nos ajude a seguir trabalhando com determinação pela paz e a concórdia no mundo”, informou o telegrama assinado pelo Secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin.

Os bispos da Catalunha também condenaram o ataque. Em nota publicada por meio da secretaria da Conferência Episcopal Tarraconense, os bispos destacaram que nenhuma causa justifica a violência nem a morte de ninguém.

Vocação à Família

Reflexões de Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro

Vocação é um chamado. Exige uma resposta. Na vida cristã, a vocação à família é um dom inestimável. A família é o berço de todas as outras vocações. A família é o lugar onde se desenvolvem nos seres humanos os seus relacionamentos mais significativos e especiais.  É instituição divina desde a criação do mundo. “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois já não serão mais duas, mas uma só carne”. A união entre o homem e a mulher é fundamental e querida por Deus. Os filhos são a bênção do casamento, que trás em seu bojo os sinais da fidelidade, da fecundidade e da eternidade. Os sagrados laços do matrimônio despertam no homem e na mulher a vocação ao amor, dada por Deus mesmo a todo ser humano. Ele que é amor nos mandou amar como Ele mesmo. Criados à sua imagem e semelhança não poderia, de fato, ser diferente. O parágrafo 1604 do Catecismo da Igreja Católica chama nossa atenção para este dado importante do amor: “Deus que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata do ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador, que é amor. E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: “Deus os abençoou e disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)”. Que o homem e a mulher foram criados um para o outro não se discute. Assim é afirmado na Sagrada Escritura: “não é bom que o homem esteja só”. Daí o Senhor lhe faz uma companheira semelhante: “carne de sua carne, ossos de seus ossos”. O matrimônio é a caracterização do início de uma nova família. Já não são mais dois, mas uma só carne. Além de ser uma instituição divina é também de índole natural. A união entre o homem e a mulher garante as gerações da prole ao longo dos anos. O Matrimônio é, portanto, uma aliança onde homem e mulher se unem pela vida toda, tendo em vista o bem de ambos e a geração e educação dos filhos. Foi o próprio Jesus que elevou esta união à dignidade de sacramento. Muitas ameaças do mundo moderno hoje colocam em questão o verdadeiro sentido do matrimônio. Precisamos sempre mais resgatar o valor da família. O Beato Papa João Paulo II chama a família de “santuário da vida”. Ao longo de todos os séculos a Igreja sempre trabalhou e zelou pela promoção da família e de seus valores. Afinal, ela tem consciência de que esta é de fundamental importância para o bem-estar de toda a humanidade. Quanto mais nossas famílias se estruturarem devidamente e sobre os alicerces da fé e da verdade, mais o mundo tomará consciência de sua verdadeira identidade e missão. O Concílio Vaticano II, no documento Gaudium et spes, ressalta que “a salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar”. A família é a vocação natural dos seres humanos. As demais vocações são específicas e especiais e não poderiam existir não fossem famílias generosas a oferecer seus membros em vista de um bem comum. A família não exprime sua importância apenas entre seus membros, mas suas atitudes refletem sobre a sociedade como um todo, sem dúvida. Daí a afirmação do Concílio da necessidade da família na salvação de toda a humanidade. No sacramento do matrimônio os noivos se aceitam um ao outro, unindo-se à oferenda de Cristo à sua Igreja. Assim como Cristo amou a Igreja, os cônjuges devem se amar também. São os esposos que se conferem mutuamente o sacramento, expressando diante de toda a Igreja ali reunida o seu consentimento. O sacerdote testemunha o consentimento que é dado um ao outro. A bênção sacramental é importante na celebração. O Catecismo da Igreja Católica no §1624 ressalta este aspecto de modo claríssimo: “as diversas liturgias são ricas em orações de bênção sobre o novo casal, especialmente sobre a esposa. Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja. É ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovará a fidelidade dos esposos. Toda esta configuração do sacramento está para confirmar e ressaltar que o matrimônio não é uma celebração exclusiva ou particular, mas um ato eclesial: isto se manifesta claramente na presença do ministro da Igreja, bem como dos presentes, as testemunhas. O casamento é um ato litúrgico, cria direitos e deveres na Igreja, entre esposos e filhos; é um estado de vida na comunidade de fé e sua celebração tem caráter público. Uma vez que os noivos se deram em casamento está constituída a nova família. Os filhos são frutos desse amor. O sacramento é o selo de Deus na vida do casal. Jamais pode ser dissolvido. Uma especial graça concedida ao casal é a graça que é o próprio Cristo: na união conjugal um deve ajudar o outro a se santificar, estando sempre unidos um ao outro e na aceitação e educação dos filhos. O amor que os une deve ser delicado e fecundo, sincero e firmado no temor de Deus. O amor conjugal exige a indissolubilidade, a fidelidade e a fecundidade. Sinaliza o amor de Cristo com sua Igreja. Este amor é indissolúvel, pois nada pode romper, nenhuma miséria humana e nenhuma outra situação seria capaz de dissolver este amor; é fiel, porque dura de geração em geração, mesmo se a humanidade, no mal uso de sua liberdade, afastar-se de Deus e de seus santos ensinamentos; e fecundo, porque, como na vida do casal os filhos são frutos do seu amor, na Igreja Cristo oferece a vida aos que renasceram na água do batismo e com ele foram sepultados e irromperam tão logo vitoriosos e ressuscitados. Jesus nasceu em uma família: a sagrada família de Nazaré. Filho de Maria e José. A igreja é a família de Deus. Nela todos são chamados a servir ao Deus vivo e verdadeiro: “Crê no Senhor Jesus e serão salvos tu e os de tua família”. Nosso tempo urge que as famílias se convertam na fé e animem o mundo com a força que vem do próprio Deus. Ainda o Catecismo da Igreja Católica, no § 1656, ressalta esta necessidade: “Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial como lares de fé viva e radiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família usando uma expressão antiga, de “igreja doméstica”. É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e exemplo, os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada”. O lar da família é o espaço privilegiado da educação, do cuidado e da ternura; é a escola da vida e da fé. Os pais são, portanto, o primeiro catequista de seus filhos. Cabe-lhes introduzir sua prole no caminho cristão e acompanhar todo o seu desenvolvimento nas diversas etapas do caminho da fé. É lá, também, o celeiro de vocações e de um suficiente e necessário desenvolvimento e enriquecimento da pessoa humana. As melhores e mais importantes lições vêm de casa. Ninguém deve estar privado da família. Assim também nossas igrejas, comunidades paroquiais devem ser casa e família para todos, especialmente para os mais cansados, excluídos e enfraquecidos. Seguindo a orientação de São Paulo, na carta aos Efésios, que os maridos amem suas esposas como Cristo amou a Igreja. Grandioso mistério de amor de um Deus que se revela e se deixa conhecer.  “Que a família comece e termine sabendo onde vai, que o homem carregue nos ombros a graça de um pai; que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor e que os filhos conheçam a força que brota do amor” (Pe. Zezinho)!

 

Casamento: estou preparado para dar esse passo?

Decisão

Alguns critérios nos ajudam a discernir se estamos preparado para dar um passo para o casamento

Faltando pouco tempo para meu casamento, pergunto-me: existe hora certa para se casar?
(veja bem: já estou com dia e hora marcada para tal acontecimento)

Uma decisão como essa trata-se de algo sem volta, algo para sempre, que muda sua história e o lança em uma dimensão de eternidade. Não pode ser, então, uma escolha indecisa; é necessário um profundo discernimento e se faz urgente uma parada para se pensar: é a hora?

Mas quais critérios devem ser utilizados para se firmar em tal postura? Quais os parâmetros para se decidir para sempre? É possível fazer esse compromisso definitivo?

Antes de dar sequência a esse assunto, vejo que, primeiro, precisamos entender os níveis pelos quais o amor humano passa até ser, de fato, um amor cristão de esposo para esposa. Sem isso, não se tem critérios para dizer “é a hora”! Para não ficar um texto longo, deixo aqui o link de uma pregação que fiz, na qual falo dos quatro níveis do amor segundo São João Paulo II:

Muito bom se você leu! Agora, se não leu, ficará um pouco difícil entender os três critérios básicos para ver se é a hora de se casar, pois só um amor que atingiu os quatro níveis será capaz de abranger as necessidades de um matrimônio autêntico.

Não sou um especialista no assunto, mas, a partir das leituras que fiz, da formação à qual me sujeitei a viver e baseando na Doutrina Católica, digo: a hora certa para se casar é quando se tem a disposição para morrer, quando se possui um amor desinteressado e tem-se a capacidade de dar a vida.

Você deve estar se perguntando: “disposição para morrer”? Como assim? Se quero me casar, é para ser uma questão de vida, não de morte! Primeiro e grande erro.

Primeiro critério é casar é ter disposição de morrer. Morrer para uma vida de solteiro, morrer para uma vida de egoísmo, para uma visão só; mas também é abrir-se para uma visão do mundo a dois. Quem se casa sem a disposição para morrer pode, no casamento, tornar-se “assassino” do outro, pois, em vez de morrer, pode assumir a postura de matar os sonhos e projetos, as esperanças e os desejos do outro.

Segundo critério é ter um amor desinteressado. Quando falo isso, não quero dizer ter uma postura passiva, mas ter um amor que não busca seu próprio interesse, mas que sempre está atento ao interesse do outro, o que o outro pensa, vive e sente . Sem um amor desinteressado não consigo ver o outro como sujeito, mas como objeto de satisfação de meus interesses.

O terceiro e para mim um dos centrais, é a capacidade de dar a vida. Neste caso, é necessário pensar essa vida concreta, pensar a abertura aos filhos, o projeto de fecundidade física, mas, além de tudo, uma vida que dá a vida todos os dias, que busca o nascimento constante do homem novo. Se, no primeiro critério, a questão é a morte do homem velho, aqui, neste terceiro critério, é questão de vida, nascimento do homem novo! Quem, ao se casar, não tem vontade de ser pai e mãe, não entendeu o sentido do casamento; logo, não é hora ainda de comprometer-se para sempre. O mundo carece e padece, pois faltam pais e mães de verdade.

Muitos podem ter parado para ler esse texto pensando que eu falaria em tempo cronológico, mas eu o chamei a uma reflexão além do tempo de segundos e minutos; na verdade, um pensamento sobre o essencial. Com isso, você pode usar os resultados de tais reflexões no concreto da vida e até nas demandas de um noivado. Por exemplo: quando o casal chega ao noivado, há um tanto de coisas que precisam ser vistas: móveis, casa, lugar para a  lua de mel etc. Tudo isso é lindo, mas pode se tornar um inferno se o casal não tiver disposição, às vezes, de morrer na sua vontade sobre a cor de cozinha preta e branca, e deixar a cozinha azul e branco da esposa viver.

Se não vivo um amor desinteressado por ela, será difícil entender que o vestido de noiva diz algo essencial de seus sonhos, e que preciso acolher as lágrimas quando ela pensar nele. Se não estou aberto à vida, posso culpá-la por já engravidar na lua de mel e não ter seguido à risca o método natural.

Percebe que mais do que a hora de relógio, há uma hora do coração que precisa ser vista?

Voltando ao início do texto, digo-lhe que estou a pouco tempo do meu casamento e na luta para viver bem este período. Abro-me, acima de tudo, a Cristo, pois só com Ele aprendo a ser noivo e esposo, e assim ter a disposição de dar a vida sempre! Ele é o modelo do noivo que dá a vida pela noiva, pois se entregou pela Sua noiva, a Igreja, e Sua entrega foi para sempre, foi definitiva!

Adriano Gonçalves
Mineiro de Contagem (MG), é membro da Comunidade Canção Nova. Cursou Filosofia no Instituto da Comunidade e é acadêmico de Psicologia na Unisal (Lorena). Atua na TV Canção Nova como apresentador do programa Revolução Jesus. Mais que um programa, o Revolução Jesus é uma missão que desafia o jovem a ser santo sem deixar de ser jovem. Dessa forma, propõe uma nova geração: a geração dos Santos de Calça Jeans. É autor dos seguintes livros: “Santos de Calça Jeans”, “Nasci pra Dar Certo!” e “Quero um Amor Maior”

12 pensamentos de Santa Teresinha da América Latina

Santa Teresa de Jesus dos Andes

O Carmelo, com seus santos que passaram a vida escondidos, surpreende ao mundo e a Igreja. Quando estava viva, ninguém conhecia Teresa dos Andes, também conhecida como Santa Teresinha da América Latina. Logo depois que morreu, sua fama foi se espalhando, seus escritos tornaram-se conhecidos. Com apenas 20 anos, foi para junto de Deus, tendo vivido no Carmelo por menos de um ano.

Santa Teresa dos Andes foi uma santa jovem, que espalhava alegria, cheia de vida e que com muito amor, soube doar a Deus o melhor de si. É verdadeiro exemplo de fidelidade, alegria e de amor ao Senhor; e que todos nós precisamos seguir.

Sua beatificação foi realizada pelo Papa João Paulo II quando este visitou o Chile em 1987. Depois, foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice em 1993, em Roma. Nesta ocasião ele a chamou de Santa Teresa de Jesus “dos Andes” e declarou que era a primeira chilena e a primeira carmelita latino-americana a ser elevada à honra dos altares da Igreja, para ser festejada no dia 13 de julho. O Santuário de Santa Teresa dos Andes, como ficou popularmente conhecida, se tornou um centro espiritual no Chile, visitado por milhares de peregrinos anualmente. Sua fama de intercessora pelas graças e milagres concedidos correu logo, principalmente entre os jovens católicos. Santa Teresa dos Andes continua assim cumprindo a missão reconhecida como sua: despertar fome e sede de Deus nos jovens deste nosso mundo moderno tão materializado.

Conheça alguns de seus pensamentos:

1.Vejo que, quando o amor de Deus se apodera do coração, faz com que o amor humano se transforme, se divinize, por assim dizer (c 44).

2.Deus está sedento do amor de suas criaturas. O próprio Deus mendiga por nós. Demo-nos a Ele. Não sejamos mesquinhos, porque Deus é todo bondade e generosidade para conosco (c 102).

3.Quanto vale uma boa amiga! Sentia verdadeiramente a necessidade de expandir-me com alguém que me compreendesse e que sentisse o mesmo que sinto. Quanto bem me fizeste! Agradeço-te de todo o coração (c 31).

4.Imagina o amor maior da terra, o que é em comparação com o de um Deus infinito?… Deus é amor, o que busca nas almas senão amor? Antes de cada ação devemos dar-lhe uma olhada. Ele está em nossa alma, com quem podemos estar mais unidas? (c 40).

5.(Aqueles que se dedicam ao apostolado) precisam ter muita vida interior para que sua obra produza fruto, pois têm de dar Deus às almas e ficarem eles com Deus, do contrário, não têm nada para dar (c 46).

6.Depositemos no sacrário a amarga queixa de nossos corações: “Senhor, as almas que tanto amais estão enfermas”. Continuemos repetindo isto a Jesus, até que se enterneça e venha ressuscitar as almas que lhe encomendamos (c 113).

7.O Céu é a posse de Deus. No céu contempla-se a Deus, adora-se e ama-se a ele. Mas para chegar ao céu é preciso desprender-se da terra (d 58).

8.Deus conta e recolhe os espinhos de seu caminho para mudá-los e transforma-los em pedras preciosas com que um dia o coroará no céu. Que importa sofrer no desterro uns anos para merecer uma felicidade eterna? (c 118).

9.A confiança é o que mais agrada a Jesus. Se confiamos no coração de um amigo que nos ama, como não confiar no coração de um Deus no qual reside a bondade infinita, da qual a bondade das criaturas é uma pálida sombra? Desconfiar do coração de um Deus que se fez homem, que morreu como um malfeitor na cruz, que se dá em alimento a nossas almas diariamente para fazer-se um com suas criaturas não é um crime? (c 143).

10.Abandono-me à vontade de Deus. Ele sabe melhor do que eu o que me convém (c 39)

11.Quando o amor é verdadeiro, nem o tempo nem as distâncias separam (c 134).

12.Quem pode fazer-me mais feliz do que Deus? Nele encontro tudo (c 81).

Os cristãos devem ser mansos e generosos

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 17 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco enfatizou que a magnanimidade cristã é sempre acompanhada pela mansidão

Como todas as manhãs, Papa Francisco celebrou a Santa Missa nesta segunda-feira, 17, na Capela da Casa Santa Marta, onde reside.

No centro de sua homilia, o Santo Padre colocou as palavras de Jesus dirigidas aos seus discípulos: “Se alguém bater na sua face, ofereça-lhe também a outra”. Ele destacou que, para o cristão, de fato, Jesus é tudo: daqui deriva a sua magnanimidade.

O Papa refletiu que, na lógica normal da vida, as pessoas lutam para se defender, de forma que tendem a revidar, por exemplo, um tapa no rosto. Porém, ele destacou que a justiça de Jesus é superior àquela dos escribas: “Dente por dente, olho por olho”. Eis, pois, segundo o Santo Padre, o segredo da magnanimidade cristã, que sempre é acompanhada pela mansidão.

“O cristão é uma pessoa que alarga o seu coração com a sua magnanimidade, porque Jesus Cristo é o seu tudo… Mas seguir Jesus não é fácil. Mas, também não é difícil, porque na estrada do amor o Senhor nos alarga seu coração”.

Papa Francisco concluiu sua reflexão exortando os presentes a pedirem ao Senhor que Ele dilate seus corações, tornando-os cristãos mansos, humildes e generosos.

 

Para o cristão Jesus é tudo e o resto é “nada”

VATICANO, 17 Jun. 13 / (ACI/EWTN Noticias).- Para o cristão, Jesus é “o seu tudo” e daqui deriva sua magnanimidade. Destacou o Papa Francisco na Missa desta segunda-feira na Casa Santa Marta. Ele recordou que a justiça que Jesus traz é superior àquela dos escribas, “olho por olho, dente por dente”.

“Se alguém bater na sua face, ofereça-lhe também a outra”. O Papa centrou sua homilia de hoje nas fortes palavras de Jesus dirigidas a seus discípulos. A história da bofetada, observou o Pontífice, “converteu-se em um argumento clássico para zombarem dos cristãos”. A lógica normal da vida nos ensina que “devemos lutar, devemos defender nossa posição” e se nos dão uma bofetada “nós daremos duas e assim nos defenderemos”.

Pelo resto, disse Francisco, quando aconselho os pais a repreender os próprios filhos digo sempre: “Jamais no rosto”, porque “o rosto representa a nossa dignidade”.

“A justiça que Ele traz –afirmou o Santo Padre– é uma justiça totalmente diferente do olho por olho, dente por dente. É outra justiça”. E isto, observou, podemos entender quando São Paulo fala dos cristãos como “quem nada possui, mas tendo tudo”.

Eis aqui então que a segurança cristã se encontra neste “tudo” que é Jesus. “O ‘tudo’ – adicionou é Jesus Cristo. O resto é ‘nada’ para o cristão”. Em troca, advertiu o Papa, “para o espírito do mundo o ‘tudo’ são as coisas: as riquezas, as vaidades”, “ter posições mais elevadas” e “o nada’ é Jesus”.

Portanto, se um cristão pode caminhar 100 quilômetros quando lhe pedem percorrer 10, “é porque para ele isso é ‘nada’” e, tranquilamente, “pode dar o manto quando lhe pedem a túnica”. Eis aqui o “segredo da magnanimidade cristã, que sempre vai acompanhada pela docilidade”, e o “tudo”, é Jesus Cristo:

“O cristão é uma pessoa que alarga o seu coração, com a sua magnanimidade, porque tem o ‘tudo’, que é Jesus Cristo. As outras coisas são um nada’. São boas, servem, mas no momento do enfrentamento escolhe sempre o ‘tudo’, com aquela docilidade, aquela docilidade cristã que é o sinal dos discípulos de Jesus: docilidade e magnanimidade. E viver assim não é fácil…”.

“Mas, o cristão é dócil, o cristão é magnânimo: alarga seu coração. Mas quando encontramos estes cristãos com o coração reduzido, com o coração encolhido, que não funcionam… isto não é cristianismo: isto é egoísmo, mascarado de cristianismo”.

“O verdadeiro cristão”, disse o Papa Francisco, “sabe resolver esta oposição bipolar, esta tensão entre o ‘tudo’ e o nada’, como Jesus nos aconselhou: ‘Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.’”

“O Reino de Deus é o ‘tudo’, o resto é secundário, não é o principal. E todos os erros cristãos, todos os erros da Igreja, todos nossos erros nascem daqui, quando dizemos ao nada’ que é o ‘tudo’ e ao ‘tudo’ que, parece que não conta… Seguir Jesus não é fácil, não é fácil. Mas tampouco é difícil, porque no caminho do amor o Senhor faz as coisas de forma que nós possamos ir para frente; o mesmo Senhor nos alarga o coração”.

Peçamos ao Senhor “que alargue nosso coração, que nos faça humildes, dóceis e magnânimos, porque nele temos o ‘tudo’; e que nos proteja dos problemas cotidianos ao redor de um nada’”, concluiu.

Oração é verdadeiro encontro pessoal com Deus

Quarta-feira, 30 de maio de 2012 / Nicole Melhado / Da Redação / Rádio Vaticano  

Papa falou aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro sobre a oração segundo as Cartas de São Paulo

“A oração é um verdadeiro encontro com Deus Pai, em Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo”, enfatizou o Papa Bento XVI na Catequese desta quarta-feira, 30. Aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Pontífice ressaltou que a oração “é o encontro com Deus que renova sua fidelidade inabalável, o seu ‘sim’ ao homem, a cada um de nós, para doar-nos à sua consolação em meio às tempestades da vida e nos fazer viver, unidos a Ele, uma existência plena de alegria e bem, que encontrará o seu cumprimento na vida eterna”.

Dando continuidade à meditação sobre a oração segundo as Cartas de São Paulo, o Santo Padre recordou aquilo que o apóstolo escreve: “A palavra de Deus, esta não se deixa acorrentar. Pelo que tudo suporta por amor dos escolhidos, para que também eles consigam a salvação em Jesus Cristo, com a glória eterna” (2Tm 2,9b-10).

“Paulo vive em grande tribulação, são muitas as dificuldades e as aflições que teve que atravessar, mas nunca cedeu ao desânimo, sustentado pela graça e pela proximidade com o Senhor Jesus Cristo, pelo qual se tornou apóstolo e testemunha da entrega de toda própria existência em Suas mãos.  Não houve momento algum de sua vida de apóstolo de Cristo no qual tenha se sentido menos sustentado pelo Pai misericordioso, pelo Deus de toda consolação”, destacou.

A vida e o caminho cristão são marcados, muitas vezes, pela dificuldade, incompreensão e sofrimento. Mas o Papa reforça que no relacionamento fiel com o Senhor, na oração constante, cotidiana, é possível sentir a consolação que vem de Deus.

“Diante dos conflitos nas relações humanas, às vezes também familiares, nós somos levados a perseverar no amor gratuito, que requer empenho e sacrifício. Em vez disso, Deus não se cansa de nós, não se cansa nunca de ter paciência conosco e com sua imensa misericórdia nos precede sempre, vem ao nosso encontro por primeiro, é absolutamente confiável este seu ‘sim’. Na Cruz, Ele nos mostra a medida do seu amor, que não se calcula, não tem tamanho”, disse o Papa.

Não existe alguém que não seja alcançado ou convidado a este amor fiel, capaz de esperar, mesmo aqueles que continuamente respondem com o “não” de rejeição. O Santo Padre lembra que “Deus nos espera, nos busca sempre, quer acolher-nos na comunhão consigo para doar a cada um de nós a plenitude de vida, de esperança e de paz”.

Amém: resposta ao “sim” de Deus

Sobre o “sim” fiel de Deus une-se o “amém” da Igreja que ressoa em cada ação da liturgia: “Amém” é a resposta da fé que conclui sempre a oração pessoal e comunitária, e que expressa o “nosso ‘sim’ à iniciativa de Deus”. Esta é uma resposta habitual, que muitas vezes não tem seu significado profundamente compreendido.

“Este termo deriva do ‘aman’ que, em hebraico e em aramaico, significa ‘estabilizar’, ‘consolidar’ e, consequentemente, ‘estar certo’, ‘dizer a verdade’”, explica o Santo Padre.

Na oração pessoal, cada um é chamado a dizer “sim” a Deus, a responder com este “amém” de adesão, de fidelidade a Ele. Mas Bento XVI esclarece que esta fidelidade não é possível de ser conquistada com as forças humanas, mas vem com o empenho cotidiano, fundada sobre o “sim” de Cristo.

“É neste ‘sim’ que devemos entrar, até podermos repetir, como São Paulo, ‘já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim’. Então o ‘amém’ da nossa oração pessoal e comunitária envolverá e transformará toda a nossa vida”, disse o Papa aos peregrinos de língua portuguesa no fim da audiência geral na Praça de São Pedro.

 

Catequese de Bento XVI: Oração nas Cartas de Paulo (3) – 30/05/2012  
Boletim da Santa Sé (Tradução de Nicole Melhado – equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Nestas catequeses estamos meditando a oração nas cartas de São Paulo e buscamos ver a oração cristã como um verdadeiro e pessoal encontro com Deus Pai, em Cristo, mediante o Espírito Santo. Hoje, neste encontro, entram em diálogo o “sim” fiel de Deus e o “amém” confiante dos crentes. E gostaria de destacar esta dinâmica, apoiando-me sobre a Segunda Carta aos Coríntios.

São Paulo envia esta apaixonada Carta a uma Igreja que mais de uma vez colocou em discussão seu apostolado, e ele abre o seu coração porque os destinatários são assegurados sobre a fidelidade a Cristo e ao Evangelho.

Esta Segunda Carta aos Coríntios inicia com uma das orações de benção mais altas do Novo Testamento. Soa assim: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das Misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angustia!” (2Cor 1,3-4).

Então, Paulo vive em grande tribulação, são muitas as dificuldades e as aflições que teve que atravessar, mas nunca cedeu ao desânimo, sustentado pela graça e pela proximidade com o Senhor Jesus Cristo, pelo qual se tornou apóstolo e testemunha da entrega de toda própria existência em Suas mãos.

Justamente por isso, Paulo inicia esta Carta com uma oração de benção e de agradecimento a Deus, porque não houve momento algum de sua vida de apóstolo de Cristo no qual tenha sentido menos sustentado pelo Pai misericordioso, pelo Deus de toda consolação. Sofreu terrivelmente, disse ele mesmo nesta Carta, mas em todas aquelas situações, onde parecia não abrir-se outra estrada, recebeu consolação e conforto de Deus.

Para anunciar Cristo, logo também sofreu perseguições, até ser trancado na prisão, mas se sentiu sempre interiormente livre, animado pela presença de Cristo e ansioso para anunciar a palavra de esperança do Evangelho. Da prisão, assim escreve a Timóteo, seu fiel colaborador. Ele da cadeia escreve: “A palavra de Deus, esta não se deixa acorrentar. Pelo que tudo suporta por amor dos escolhidos, para que também eles consigam a salvação em Jesus Cristo, com a glória eterna” (2Tm 2,9b-10).

Em seu sofrimento por Cristo, ele experimenta a consolação de Deus. Escreve: “à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (2Cor 1,5).

Na oração de benção que introduz a Segunda Carta aos Coríntios, predomina em seguida, ao lado do tema das aflições, o tema da consolação, que não deve ser interpretado somente como um simples conforto, mas, sobretudo, como encorajamento e exortação para não deixar-se vencer pela tribulação e pela dificuldade.

O convite é para viver cada situação unidos a Cristo, que carrega sobre si todo sofrimento e pecado do mundo para levar luz, esperança e redenção. E assim, Jesus nos torna capazes de consolar aqueles que estão à nossa volta e que se encontram em todo tipo de aflição.

A profunda união com Cristo na oração, a confiança em sua presença, conduzem à disponibilidade de partilhar os sofrimentos e as aflições dos irmãos. Escreve Paulo: “Quem é fraco, que eu não seja fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor?” (2Cor 11,29). Estas partilhas não nascem de uma simples benevolência, nem mesmo da generosidade humana ou do espírito de altruísmo, mas surge do consolo do Senhor, do sustento inabalável da “extraordinária potência que vem de Deus e não de nós” (2Cor 4,7).

Queridos irmãos e irmãs, a nossa vida e o nosso caminho cristão são marcados muitas vezes pela dificuldade, incompreensão e sofrimento. Todos nós sabemos. No relacionamento fiel com o Senhor, em nossa oração constante, cotidiana, podemos também nós, concretamente, sentir a consolação que vem de Deus. E isso reforça a nossa fé, pois nos faz experimentar de modo concreto o “sim” de Deus ao homem, a nós, a mim, em Cristo; faz sentir a fidelidade do Seu amor, que chega até a doação de Seu Filho sobre a Cruz.

Afirma São Paulo: “O Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós, Silvano, Timóteo e eu, vos temos anunciado não foi ‘sim’ e depois ‘não’, mas sempre foi ‘sim’. Porque todas as promessas de Deus são ‘sim’ em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos ‘Amém’ à glória de Deus” (2Cor 1,19-20).

O “sim” de Deus não é reduzido pela metade, não está entre o “sim” e o “não”, mas é um simples e seguro “sim”. E a este “sim” nós respondemos com o nosso “sim”, com o nosso “amém” e, assim, estamos seguros no “sim” de Deus.

A fé não é primariamente uma ação humana, mas dom gratuito de Deus, que se enraíza na sua fidelidade, no seu “sim”, que nos faz compreender como viver a nossa existência amando Ele e os irmãos. Toda a história de salvação é um progressivo revelar-se desta fidelidade de Deus, apesar das nossas infidelidades e nossas negações, na certeza de que “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis”, como declara o Apóstolo na Carta aos Romanos (11,29).

Queridos irmãos e irmãs, o modo de agir de Deus – bem diferente do nosso – nos dá consolação, força e esperança, porque Deus não retira o seu “sim”. Diante dos conflitos nas relações humanas, às vezes também familiares, nós somos levados a perseverar no amor gratuito, que requer empenho e sacrifício. Em vez disso, Deus não se cansa de nós, não se cansa nunca de ter paciência conosco e com sua imensa misericórdia nos precede sempre, vem ao nosso encontro por primeiro, é absolutamente confiável este seu “sim”. Na Cruz, Ele nos mostra a medida do seu amor, que não se calcula, não tem tamanho.

São Paulo, na Carta a Tito escreve: “Mas um dia apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens” (Tit 3,4). E por isso, este “sim” se renova a cada dia “quem nos confirma a nós e a vós em Cristo, e nos consagrou, é Deus. Ele nos marcou com o seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito” (2Cor 1,21b-22).

É, de fato, o Espírito Santo que torna constantemente presente e vivo o “sim” de Deus em Jesus Cristo e cria em nosso coração o desejo de segui-lo para entrar totalmente, um dia, no seu amor, quando receberemos uma moradia não construída por mãos humanas nos Céus.

Não existe alguém que não seja alcançado ou convidado a este amor fiel, capaz de esperar, mesmo aqueles que continuamente respondem com o “não” de rejeição ou de coração endurecido. Deus nos espera, nos busca sempre, quer acolher-nos na comunhão consigo para doar a cada um de nós a plenitude de vida, de esperança e de paz.

Sobre o “sim” fiel de Deus, une-se o “amém” da Igreja que ressoa em cada ação da liturgia: “Amém” é a resposta da fé que conclui sempre a nossa oração pessoal e comunitária. E que expressa o nosso “sim” à iniciativa de Deus. Geralmente, respondemos por hábito com o nosso “Amém” na oração, sem compreender seu significado profundo.

Este termo deriva do ‘aman’ que, em hebraico e em aramaico, significa “estabilizar”, “consolidar” e, consequentemente, “estar certo”, “dizer a verdade”. Se olharamos na Sagrada Escritura, vemos que este “amém” é dito no fim dos Salmos de benção e louvor, como por exemplo, no Salmo 41: “Vós, porém, me conservareis incólume, e na vossa presença me poreis para sempre. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade em eternidade! Assim seja! Amém!” (vv. 13-14).

Ou expressa adesão a Deus, no momento em que o povo de Israel retorna cheio de alegria do exílio babilônico e diz o seu “sim”, o seu “amém” a Deus e a sua Lei. No Livro de Neemias se narra que, depois deste retorno, “Esdras abriu o livro (da Lei) à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo povo levantou-se. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu levantando as mãos: ‘Amém! Amém!’”(Nee 8,5-6).

Desde o início, portanto, o “amém” da liturgia judaica se tornou o “amém” das primeiras comunidades cristãs. E o livro da liturgia cristã por excelência, o Apocalipse de São João, inicia com o “amém” da Igreja: “Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos e séculos! Amém” (Apo 1,5b-6). Assim no primeiro capítulo do Apocalipse. E o mesmo livro é concluído com a invocação “Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Apo 22,21).

Queridos amigos, a oração é o encontro com uma Pessoa viva a se escutar e com quem dialogar; é o encontro com Deus que renova sua fidelidade inabalável, o seu “sim” ao homem, a cada um de nós, para doar-nos a sua consolação em meio às tempestades da vida e nos fazer viver, unidos a Ele, uma existência plena de alegria e bem, que encontrará o seu cumprimento na vida eterna.

Em nossa oração, somos chamados a dizer “sim” a Deus, a responder com este “amém” de adesão, de fidelidade a Ele de toda nossa vida. Esta fidelidade não podemos jamais conquistar com as nossas forças, mas é fruto do nosso empenho cotidiano; essa vem de Deus e é fundada sobre o “sim” de Cristo, que afirma: Meu alimento é fazer a vontade do Pai (cfr João 4,34).

É neste “sim” que devemos entrar, entrar neste “sim” de Cristo, na adesão à vontade de Deus, para conseguir dizer, como São Paulo, que não somos mais nós a viver, mas é o próprio Cristo que vive em nós. Então, o “amém” da nossa oração pessoal e comunitária envolverá e transformará toda a nossa vida, uma vida de consolação de Deus, uma vida imersa no Amor eterno e inabalável. Obrigado.

No fim da audiência geral, o Papa Bento XVI fez um resumo e saudou os peregrinos de língua portuguesa:
Queridos irmãos e irmãs,

A oração é um verdadeiro encontro com Deus Pai, em Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo. Assim se encontram o “sim” fiel de Deus, que vem em nosso auxílio e nos conforta, e o “amém” dos fiéis que, nas provas da vida, se abandonam à vontade divina. A oração perseverante e diária faz-nos sentir, de forma concreta, a consolação do Pai do Céu e a fidelidade do seu amor que foi ao ponto de nos dar o seu Filho na cruz.

Por nossa vez, somos chamados a corresponder com o “amém” duma adesão fiel de toda a nossa vida à sua vontade. Esta fidelidade não se pode alcançar só com as nossas forças, mas vem de Deus e está fundada sobre o “sim” de Cristo, cujo alimento é fazer a vontade do Pai. É neste “sim” que devemos entrar, até podermos repetir, como São Paulo, “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Então o “amém” da nossa oração pessoal e comunitária envolverá e transformará toda a nossa vida.

Amados peregrinos de língua portuguesa, em particular os participantes no curso de formação dos Capuchinhos e demais grupos do Brasil e de Portugal: a todos dou as boas-vindas, encorajando os vossos passos a manterem-se firmes no caminho de Deus. Tomai por modelo a Virgem Mãe! Fez-Se serva do Senhor e tornou-Se a porta da vida, pela qual nos chega o Salvador. Com Ele, desça a minha Bênção sobre vós, vossas famílias e comunidades eclesiais.

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