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Dia das mães na Pastoral da Criança

Símbolo de amor e ternura, presença divina em nossas casas, vidas, escolas, igrejas, empresas, presença na coordenação e na execução de políticas públicas, presença, presença e presença.
Também, e principalmente nas Vilas, as mães são o suporte, a base e o esteio das precárias famílias que há muito vem mudando e assumindo novos e perigosos formatos.
Mães heroínas são elas – nas Vilas.
Sofrem, passam muitas necessidades, mal sabem ler e escrever, quando sabem. Muitas vezes são maltratadas dentro de suas casas, outras vezes testemunham maus tratos e violência com seus filhos. Muitos desses filhos têm somente a presença de suas mães e algumas vezes dos voluntários da Pastoral da Criança, como exemplos de carinho, atenção e um pouquinho do lado bom da vida.
Se o pai desiste da luta e cai na vida, a mãe não abandona o filho.
Até mesmo Deus, enquanto homem, teve Mãe e a honrou eternizando-a.
Santa Maria, Mãe de Deus, da Igreja e nossa Mãe!
No dia 12 de maio, a Pastoral da Criança da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, com sua nova coordenadora – Marinês Zwir, suas líderes e voluntárias: Isabel, Marlete, Silvana e Rosinha, estiveram na Vila Martim Pilger homenageando as mamães da Vila e levando um pouco de conforto, carinho e alento às famílias do local. Na casa muito humilde de Dona Leila, uma das heroínas locais, a Pastoral solenizou e confraternizou com as mães e seus filhos. As mães foram agraciadas com pequenos mimos, muitos beijos, abraços e sorrisos – como Jesus faria se estivesse lá naquele dia. Certamente Ele estava!
Parabéns mamães!
Novo Hamburgo, 12 de maio de 2018.

Somos cidadãos do Céu

O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu  

Com essas palavras, São Paulo indicou aos filipenses e a todos nós, cristãos, qual é a nossa vocação última. E o apóstolo acrescentou: “É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3,20b-21a).

Essa é a razão da nossa esperança, aquela que São Pedro pediu que manifestássemos aos outros (cf. I Pd 3,15).  O cristão vive com os pés na terra e com o coração no céu. Toda a pregação da Igreja é baseada na esperança da ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Cor 15,14), disse São Paulo. E o apóstolo afirmou: “Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima” (I Cor 15,19).

Muitos cristãos põem a esperança em Cristo apenas nesta vida, buscando nEle segurança, saúde, paz, conforto, dinheiro, até prestígio e prazer, só para esta vida, esquecendo-se de que são cidadãos dos céus. “Esses”, disse São Paulo, “de todos os homens, são os mais dignos de lástima” (citação livre de I Cor 15,19).

Cristo não veio para ser um libertador social (não redentor), descompromissado com aquele que disse: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36a).

Cristo nos quer a todos no céu, vivendo definitivamente com Ele. Para isso, devemos sacrificar toda a nossa vida aqui nesta terra. Foi o próprio Senhor quem nos disse claramente: “Pois, que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36). Em outro lugar disse: “Não ajunteis para vós tesouros na terra (…). Ajuntai para vós tesouros no céu (…). Porque, onde está o teu tesouro, lá também está teu coração” (Mt 6,19a.20a.21). Nosso tesouro e nosso coração devem estar no céu e não na terra.

O Senhor se fez homem e passou pela amarga paixão, morte e ressurreição exatamente para nos conquistar uma morada no céu. Momentos antes de beber o cálice da paixão, Ele disse aos discípulos: “Na cada de meu Pai há muitas moradas. Não fora, assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14, 2-3). Alegremo-nos, irmãos, pois somos cidadãos do céu.

Toda a nossa vida aqui nesta bela terra deve ser apenas uma diligente preparação para vivermos eternamente com Deus que é amor (cf. I Jo 4,8). São Paulo nos assegurou que “temos no céu uma casa feita por Deus e não por mãos humanas” (cf. II Cor 5,1). Para o apóstolo a vida terrena era um exílio: “Todo o tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor” (II Cor 5,6b). E ansiava pelo céu, dizendo: “Suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste (…). Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos (…). Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo, para ir habitar junto do Senhor” (II Cor 5,2.4a.8) e “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1,21).

Todo cristão tem de ansiar pelo céu, pois ali é o seu destino. Pelos merecimentos de Jesus Cristo, somos filhos de Deus e participantes da natureza divina (cf. II Pd. 1,4); logo, somos herdeiros do céu: “Se somos filhos, também somos herdeiros”, disse São Paulo (citação livre de Rm 8,17).

Desejar o paraíso, disse Santo Afonso de Ligório, é o mesmo quer desejar a Deus, nosso último, pois lá O amaremos perfeitamente. Ali cumpriremos perfeitamente o mandamento do Senhor: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento” (Lc 10,27). Disse Santo Afonso que a nossa meta, aspirações e desejos devem ser isto: “Ir gozar de Deus no paraíso, para amá-lO com todas as nossas forças e gozar do gozo de Deus!” E afirmou que a maior felicidade da alma no céu é conhecer a felicidade infinita de Deus. “Entra no gozo do teu Senhor” (citação livre de Mt 25,21). A alma entra na felicidade de Deus; a felicidade de Deus é a sua felicidade.

Afirmou o santo que “no céu a alma fica toda presa e consumida pelo amor de Deus. Ela fica perdida e mergulhada no mar infinito da bondade divina. Esquece-se de si mesma e só deseja amar ao seu Deus. Possui a Deus plenamente sem o medo de poder perdê-lO. A todo o momento se entrega, sem reservas, a Deus. Deus a abraça com amor, e, assim abraçada, a tem e terá por toda a eternidade. Ela nada mais deseja. Deus está unido a ela com a Sua própria essência, saciando-se na medida da capacidade dela e dos seus méritos”.

Alegremo-nos, irmãos, somos cidadãos do céu!

Prof. Felipe Aquino

Em um dia como hoje, Santa Teresinha do Menino Jesus foi canonizada

Por María Ximena Rondón
https://www.acidigital.com/noticias/em-um-dia-como-hoje-santa-teresinha-do-menino-jesus-foi-canonizada-79295

Santa Teresinha do Menino Jesus / Foto: Domínio Público

REDAÇÃO CENTRAL, 17 Mai. 18 / 01:45 pm (ACI).- Em um dia como hoje, há 93 anos, o Papa Pio XI canonizou Santa Teresinha do Menino Jesus, também conhecida como Santa Teresa de Lisieux, Doutora da Igreja e Padroeira das Missões.

Esta carmelita francesa morreu em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. Um ano depois, foi publicado o livro “História de uma alma”, baseado em seus escritos, o qual revela o intenso amor que ela professava por Jesus.

A religiosa foi beatificada pelo Papa Pio XI em 29 de abril 1923 e, em 17 de maio de 1928, foi canonizada pelo mesmo Papa.

Em sua homilia, Pio XI indicou que a santa francesa “o Espírito de verdade lhe comunicou e manifestou o que coube esconder ‘aos sábios e entendidos’ e revelar ‘aos pequeninos’”.

Destacou que, “de fato, ela – segundo o testemunho do nosso Predecessor – foi dotada de tal ciência das coisas celestes a ponto de indicar aos outros a via correta da salvação. E esta participação abundante na divina luz e na divina graça acendeu em Teresa um incêndio tão grande de caridade que, portando-a continuamente quase fora do corpo, por fim, a consumou, de modo que, pouco antes de deixar a vida, pôde candidamente declarar que ‘não havia dado a Deus nada mais do que amor’”.

O Santo Padre também disse sobre seus escritos que, “difundidos em todo o mundo, ninguém lê sem querer reler mais e mais vezes, com alegria máxima para a alma e com fruto”.

Santa Teresinha do Menino Jesus foi proclamada Doutora da Igreja por São João Paulo II em 19 de outubro de 1997.

Naquele dia, o Pontífice polonês destacou que “entre os ‘Doutores da Igreja’, Teresa do Menino Jesus e da Santa Face é a mais jovem, mas o seu ardente itinerário espiritual demonstra muita maturidade, e as intuições da fé expressas nos seus escritos são tão vastas e profundas, que a tornam digna de ser posta entre os grandes mestres espirituais”.

“O desejo que Teresa exprimiu, de ‘passar o seu Céu fazendo o bem sobre a terra’, continua a realizar-se de modo maravilhoso. Obrigado, ó Pai, porque hoje a tornais próxima de nós a novo título, para louvor e glória do Vosso nome nos séculos”, acrescentou.

Os pais desta doce religiosa, Luis Martin e Zélia Guérin, foram canonizados pelo Papa Francisco em 18 de outubro de 2015 em Roma, durante o Sínodo da Família.

Oração pelas mães com a Mãe de Jesus

Deus Pai em seu plano de infinito amor, “enviou o seu Filho único para que todo aquele que nele cresse fosse salvo” (cf. Jo 3, 16). E o grande plano de salvação do Pai foi mandar seu Filho como homem, em tudo igual a nós, menos no pecado. Em nossa natureza humana, para que Deus experimentasse toda realidade humana e a salvasse, Jesus teve um pai e uma mãe.

No episódio em que Jesus aos 12 anos some na caravana, que voltava para Nazaré da visita ao templo em Jerusalém, seus pais o procuram e encontram-no no Templo ensinando os doutores da Lei e a Palavra diz: “Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (cf. Lc 2, 51). Na cruz Cristo em sua entrega total, quando lhe restaram apenas o discípulo amado, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena.

Lá estava também Sua mãe, Maria Co-Redentora, fiel e de pé sofrendo e entregando no coração e na alma a sua vida pela salvação de toda humanidade. Jesus olhando para o discípulo que Ele amava disse a sua ame: “Mulher eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa (João 19, 25-27).

Todos nós temos mãe, quero levar você a todos estes dias fazer uma intercessão, uma oração por aquele, que como com Jesus deu-lhe a vida: Uma gruta próxima a Basílica da Natividade é considerada, segundo a tradição, o local onde a Sagrada Família parou, enquanto fugia para o Egito e onde, também, Nossa Senhora amamentou o Menino Jesus. A Tradição afirma ainda que durante a amamentação uma gota de leite caiu sobre a rocha da gruta que tornou-se branca. E assim ficou conhecido como Gruta do Leite. Tanto os cristãos como os islâmicos acreditam que o pó branco da gruta ajudam a estimular a produção do leite materno e intensificar a fertilidade. No lado externo da gruta é possível encontrar uma sala reservada para testemunhos de diversos países sobre histórias de mulheres que encontravam-se com dificuldades de fertilidade e que após ingerirem o pó conseguiram engravidar.

Novena pelas Mães
Senhor Jesus que experimentaste a alegria e o conforto de ter um colo de Mãe aqui na Terra e no momento da cruz no-la deu por mãe a cada um de nós. Obrigado Senhor por tão grande dádiva. Clamamos à Sua Mãe nesse momento para que abençoe a todas as mães… Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, nós queremos oferecer-lhe nossas mães e consagrá-las, por isso, receba-as no Seu manto materno… (Diga o nome da sua mãe)… Que as mães biológicas, uma vez tendo gerado a vida, se empenhem em gerar para a graça. Que as mães do coração possam compreender aceitar e educar os filhos na fé de Deus e da Igreja. Pedimos também Mãe, pelas mulheres que desejam a gravidez e o dom da maternidade. Dai-lhes a graça do dom da vida. Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, fazei com que as mães a tomem como exemplo de dedicação, amor e zelo na educação dos filhos. Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, abençoai e santificai as mães aqui na Terra trazendo saúde, paz, serenidade na tribulação, discernimento nos ensinamentos e testemunhos de fé. Nossa Senhora, Mãe de todas as mães, para aquelas que já partiram pedimos, através de Seu filho, por elas: que tenham o descanso eterno e a luz perpétua. Amém (Legionários de Cristo).

Uma das Orações mais antigas à Virgem Maria
À Vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre, de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Senhora nossa, Medianeira nossa, Advogada nossa, com Vosso Filho nos reconciliai, ao Vosso Filho nos recomendai, ao Vosso Filho nos apresentai. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus! Para que Sejamos dignos das promessas de Cristo. 

Rezar Pai Nosso / Ave Maria / Glória ao Pai

Feliz e abençoado dia das mães.
Padre Luizinho, Comunidade Canção Nova.
twitter.com/padreluizinho

Sexualidade, linguagem do amor

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável

Na sexualidade se acham implicadas todas as dimensões do ser humano. Conhecer a pessoa humana em sua globalidade é definir também a sua sexualidade dentro de uma antropologia cristã. A moral cristã busca, a partir de uma antropologia cristã, conhecer e aprofundar-se no que diz respeito à sexualidade, com o objetivo de apresentar uma proposta de comportamento humano de acordo com a exigência de sua vocação humana (o chamado de Deus para viver a sexualidade conforme os valores do Reino de Deus, dentro do amor conjugal) que seja integrado, humano e humanizador.

O critério da integração autêntica de todo o sexual e, portanto, da vida sexual verdadeiramente humana, é o amor conjugal, na medida em que a sexualidade é mediação configuradora desse amor.

O amor conjugal refere-se a algo já preestabelecido, pois fundamentalmente o homem está destinado à mulher e a mulher ao homem. São seres que se complementam. A sexualidade é a inscrição, na própria carne e em todo o ser, de que os indivíduos não foram feitos para viverem isolados. É a expressão da linguagem de amor mútuo, por isso mesmo não pode ser considerada simplesmente um instinto fisiológico.

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável e de amor. Por ser um modo de aproximação do outro, ela pode ajudar a promover o desenvolvimento da personalidade ou bloqueá-lo. Pode, portanto, em alguns casos, criar conflitos em vez de aproximação.

A felicidade é um objeto constantemente buscado pelo homem. Não importa o que faça, todas as suas ações estão destinadas ao encontro da felicidade. Para que isso se realize de fato, o homem precisa enfrentar o desafio de educar a sua própria sexualidade, encontrar um modo de domínio sobre ela.

A plenitude pessoal alcançada pela sexualidade só pode acontecer na vida matrimonial, pois a sexualidade é a expressão do nosso modo de amar. Por ser algo de tão grande valor e dignidade, a sua desintegração (a sexualidade quando não é uma resposta ao chamado de Deus, voltada para a prostituição, estupro, pedofilia) pode ser destruidora.

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
(Extraído do livro “Sexualidade, o que os jovens sabem e pensam…”)

Ser mãe, eterno aprendizado

A experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver
Elaine Ribeiro / [email protected]

É um desafio escrever para mães, não sendo uma delas, mas é comum dizer que a mulher, pela sua natureza, traz em si o dom de acolher e o dom da maternagem, ou seja, de acolher o outro com o amor filial. Esta é a graça de saber que já somos amados mesmo antes de ser gerados, é graça e dom de Deus o amor maternal. Não sendo uma delas, mas atendendo muitas mães, vamos aprendendo, lendo e convivendo com genitoras que nos trazem diversas histórias de vida, aprendizados, experiências e gostariam de trocar a experiência da formação e aprendizado dos filhos. O vínculo materno é algo estabelecido muito antes do nascimento e é o primeiro evento de organização psíquica (embora, primitivo) de uma criança; neste sentido, a mãe se torna um elemento primordial no cuidado da criança, na observação dos seus sentimentos e emoções, na formação de sua identidade. É por meio da mãe, seja ela com vínculo sanguíneo ou não, que damos início ao desafio de ser seres humanos e conviver em sociedade. É na relação mãe-bebê que também a mãe também se realiza, partindo do princípio de que tudo é troca, mãe-bebê crescem na interação e na maturidade, com formas de ganho vivenciadas desde o princípio da relação. Mais do que instinto, ser mãe é algo que prende nossa atenção pelo fato de envolvermos outros aspectos, como comportamentos aprendidos e experiências de vida que nos tornaram diferentes no contato com nossos filhos. Acho importante tocar neste aspecto: por vezes, as mães estão insatisfeitas no modo como têm realizado seu papel. Aí é hora de aceitar suas dificuldades, aprender com outras mães, buscar em sua família bons exemplos de maternidade. O que devemos evitar é aquele rótulo de que, por nossos sofrimentos de vida, repassemos tudo isso para nossos filhos. Creio ser este o maior erro. Sabe aquela frase que começa assim: “Filho meu não faz isso…” E “Filha minha se engravidar fora do tempo vai ser botada pra fora de casa…”. Ouvimos isso milhares de vezes. Mas, será o melhor caminho? Ser mãe é cuidar, trazer para perto, conversar; chegamos então ao X da questão: nossa relação com os filhos não é apenas instintiva; é também intuitiva; perceber mais as reações do filho, as amizades, as vivências e os hábitos dele. Quebrar uma barreira que possa existir entre você e seu filho, que é muito mais uma barreira “mental” imposta por você, dizendo o que você deve ou não tratar com ele. A relação mãe-filho sofre influência marcante da cultura, do ambiente social, religioso, financeiro, da nossa saúde física e mental, do nosso acesso à educação, ao lazer, ao trabalho, ao descanso, à dignidade, ao reconhecimento. Reciclar! Reciclamos nosso conhecimento no trabalho, na escola e por que não na forma de conduzir nossa relação com nossos filhos? A melhor educação não é a mais cara ou cheia de recursos, mas a que deixa lembranças emocionais positivas; esta vivência é muito especial para cada ser humano. Se você não viveu isso, procure trazer para seu filho o sentimento de pertencer, de ser acolhido, oferecendo-lhe segurança. A segurança oferecida é ponto-chave para que seu filho também se sinta seguro, mesmo quando não for bem na prova da escola, quando perder o jogo do time ou não possuir aquele tênis “da hora” que todo amigo tem. Mãe não é aquela que cede, que concede, que libera e facilita a vida; mãe também abraça, acolhe, esbraveja, chora, também precisa de colo e de proteção. Afinal, ser mãe não é ser “mulher maravilha” com um cinturão cheio de superpoderes e ter todas as respostas em mãos, mas ganhar um espaço com seu filho; sim, dar a ele um espaço de escuta, um espaço de amor, de acolhida. É a graça de vivenciar vários papéis ao mesmo tempo: ser mãe-mulher-cidadã-esposa-profissional! Muitos papéis para esta mãe, que vai moldando seu jeito de ser e atender todas as necessidades apresentadas; capacita sua forma de entender seus aspectos humanos e estando bem psicologicamente, também contribua no desenvolvimento saudável de seus filhos. Viver as alegrias e sofrimentos que ser mãe representa, unidas à fé, à esperança, ao amor-doação. É saber criar seus filhos e saber gerá-los para a vida. Que lindo presente é ser mãe! Um papel que, na verdade, nunca acaba; ser mãe está e sempre estará em sua vida como a experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver. Tudo isso faz com que você seja tão especial e importante na vida de seus filhos!

 

Ser mãe é padecer no paraíso
Maternidade, um dom que vem do céu

Tantas vezes ouvi este ditado e, hoje, quero manifestar a minha interpretação sobre ele. Será que isso é ruim? A expressão padecer traz esta conotação negativa, pesada, mas, na verdade, não é bem assim…

As mães vivem um certo desconforto desde a gestação (enjoos, azia, inchaço). No parto com suas dores próprias, depois nos primeiros dias a adaptação e interpretação do choro do bebê, o sono, o cansaço. São situações reais que parecem eternas pela intensidade, mas, de repente, passam… E alguns meses depois, o padecimento é outro: voltar ao trabalho e deixar o filho, afinal ninguém vai saber cuidar do filho como a mãe. Doce ilusão!

Mais adiante, a entrada na escola. “Quem será o professor?”, “Será que vai acompanhar a aula?”, “O que vai comer no lanche?”, “Quem serão os colegas?” “E se alguém bater no meu filho?” Nós insistimos em viver a vida dos filhos e, com isso, “padecemos”, pois não temos o mesmo entendimento das crianças. E quando chega a adolescência? Nossa! Aí entra outra fase. Só mudam as preocupações, filho criado, trabalho dobrado…

Mas e aquilo que plantamos na educação deles? Não valeu a pena? As mães de hoje são, na sua maioria, frutos da geração de transição do feminismo e do sexo, drogas e rock’n roll. Achar o equilíbrio não é fácil. Anterior a nós houve a geração de pais que acreditavam que a liberdade era a melhor opção de educação para os filhos vivendo o “é proibido proibir”.

Hoje já percebemos que os limites são necessários na formação de qualquer ser humano. E por isso, às vezes, dar um “não” ao filho chega a ser um padecimento, pois sabemos que ele(a) queria muito tal coisa ou tal situação, mas percebemos que não é o melhor naquele momento, e isso gera um certo desconforto no relacionamento entre mãe e filho(a).

Aí mais do que padecer é compadecer, é sofrer, pois apesar de estarmos conscientes da decisão tomada não gostamos de ver nosso(a) filho(a) triste. E mais uma vez, apesar de toda intensidade, veremos que isso também vai passar!

Assim como nós que, hoje, neste papel de mãe, reconhecemos e aceitamos a postura que as nossas mães tiveram conosco. E pensamos: “Elas estavam certas…” Olhando tudo isso parece que o ditado está certo… ser mãe é padecer no paraíso. Agora é preciso dizer que tudo isso vale a pena!

Veja bem: vale a pena e não valeu ou está valendo… ser mãe vale por toda a vida? A presença, a realização, as conquistas, as alegrias e as tristezas de um(a) filho(a) não têm preço. Este é o nosso paraíso: a maternidade! As mães são capazes de abrir mão e renunciar a várias coisas na vida, somente não conseguem renunciar a maternidade. Esta é inegociável!

Parabéns a todas as mães, avós, tias, madrinhas, sogras… que, de uma forma ou outra, são mães em nossas vidas!

Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, nos ensine e conduza na vivência da maternidade segundo o coração de Deus!

Carla Astuti – Comunidade Canção Nova
http://blog.cancaonova.com/temjeito

 

Valores a transmitir                                                                            

Este domingo é o Dia das Mães. São tantas as celebrações, que os calendários se vêem sobrecarregados, quase não tendo espaço para lembrar todas as efemérides marcadas para cada dia.

Mas o Dia das Mães nem precisa constar no calendário. Ele se impõe por si mesmo.  Por múltiplos motivos.  Em primeiro lugar pelo respeito, admiração e gratidão que merece qualquer mãe, seja qual for a condição em que se encontra. A mãe sempre merece um preito de gratidão da humanidade. É sempre sublime a missão de gerar e resguardar a vida. Ainda mais quando esta é frágil e necessita de proteção.

Toda festa acaba assumindo uma causa a celebrar, um valor a defender, um critério a seguir.

A festa das Mães tem evidente conotação com a família.  E a família tem forte vinculação com a sociedade.

É o que quer transmitir o Sétimo Encontro Mundial das Famílias, a se realizar no final deste mês e início de junho, em Milão, na Itália. Uma das mensagens que promovem o evento, recorda, exatamente, o estreito vínculo da família com a sociedade.

Assim é divulgada a mensagem: “A Família é a primeira e vital célula da sociedade, porque na Família se aprende quanto seja importante o relacionamento com os outros.”

De tal modo que a Família se torna o espelho da sociedade. Ela transmite valores que fazem parte do convívio humano, independente da forma como este convívio se configura.

Tanto é verdade que as famílias vão mudando de fisionomia. Mas ao passar por estas metamorfoses que tanto afetam hoje a sociedade, a família é chamada a vivenciar os valores que ela sempre testemunhou, de proteção da vida, de respeito pela subjetividade de cada pessoa, de bondade, de confiança, de dedicação amorosa às pessoas que compõem o circuito da convivência humana.

Promovendo o Dia das Mães, acabamos reforçando nesse ano a mensagem do Sétimo Encontro Mundial das Famílias.  O número já sugere que a iniciativa é bastante recente. De fato, o grande inspirador destes encontros foi o Papa João Paulo II. Um deles foi realizado no Rio de Janeiro, no final da década de noventa, quando João Paulo II teve oportunidade de ver de perto os encantos da natureza carioca. O encontro que teve o público mais expressivo foi em Manilha, nas Filipinas, quando quatro milhões de pessoas participaram da celebração final da Eucaristia.

Desta vez o tema é prático e sugestivo: “A Família, o Trabalho e a Festa”.

Realizado em Milão, capital da laboriosa Lombardia, região de forte identidade cultural e humana, identificada com a fé católica, nada melhor do que lembrar o trabalho e a festa, componentes indispensáveis da vida, para servirem de tema deste encontro mundial.

O hino que vai unir as diversas celebrações, leva por título: “A Tua Família te rende graças”.

Um último aceno simbólico: o encontro se conclui no dia 03 de junho, domingo da Santíssima Trindade. Se a família tem necessária relação com a sociedade, ela encontra sua consistência maior em sua relação com Deus, o Senhor da Vida. A família é espelho da comunhão trinitária.

A família nos permite expressar nossa compreensão aproximada do mistério de Deus. Dela tomamos as palavras que aplicamos alegoricamente a Deus, que identificamos como Pai-Mãe, Filho e Espírito Santo. Usando categorias familiares, expressamos nossa compreensão de Deus.

Vivenciando o amor materno, temos a imagem aproximada do amor divino que Deus manifesta por nós. As mães são testemunhas de que Deus é amor!

D. Demétrio Valentini – Bispo da Diocese de Jales  

 

Obrigado mãe!
A maternidade nos aproxima de Deus, ama e perdoa sempre

ROMA, sexta-feira, 11 de maio de 2012 (ZENIT.org). – Domingo, 13 de maio comemoramos o dia das mães.

Misterioso o desígnio divino que dá à mulher o poder de transmitir a vida. Uma característica que, juntamente com a grande capacidade de amar e perdoar aproxima de modo particular a mãe à Deus.
O filósofo grego Sófocles dizia que “A mãe inventou o amor na terra” e “para a mãe os filhos são âncoras da vida”.
De fato, sustenta o frances Honoré de Balzac: “O coração de uma mãe é um abismo no fundo do qual há sempre perdão”.
O filósofo, escritor, dramaturgo, crítico literário frances Jean Paul Sartre reconheceu: “Quanto mais lágrimas nos olhos da mãe custou o filho, mais caro a seu coração”. Na verdade a mãe se comporta como Deus ” te ama sempre.”
Diz Marcel Proust: A criança chama a mãe e pergunta: “De onde vim?De onde você me pegou?” A mãe ouve, chora e sorri enquanto aperta seu bebê contra o peito. “Você era um desejo dentro do coração”.
Até mesmo o niilista Friedrich Nietzsche afirmou: “Meu único consolo, quando ia dormir, era que minha mãe vinha me beijar quando eu tinha apenas deitado”.
Neste sentido, a poetisa e escritora Silvana Stremiz escreve: “O amor de uma mãe não tem fronteiras, não tem limites, nem condições. Nos ama sem pedir nada. Amor imcomparável. Ninguém vai nos amar como você. Por este amor mãe eu digo obrigado”.
Edmondo De Amicis, autor do livro “Coração”, constatou que “Se de todos os gestos de afeto e de todas as ações honestas e generosas de que nos orgulhamos pudéssemos descobrir a primeira semente, iríamos descobrir quase sempre no coração da nossa mãe”.
O médico, professor e escritor americano, considerado por seus contemporâneos como um dos melhores escritores do século XIX, Oliver Wendell Holmes (sênior), acrescentou: “A verdadeira religião do mundo vem muito mais das mulheres do que dos homens, sobretudo pelas mães , que levam a chave de nossas almas em seus corações”.
Também o escritor e jornalista austríaco Joseph Roth afirma: “Eu nunca vou esquecer a minha mãe, ela foi a primeira a plantar e cultivar as primeiras sementes do bem dentro de mim”.
Por esta razão, o poeta norte-americano William Ross Wallace diz: “A mão que fez o berço balançar é a mão que governa o mundo”.
E conclui o escritor judeu Kompert Leopold: “Deus não pode estar em toda parte: é por isso que ele criou as mães”.

A equipe de ZENIT deseja tudo de bom a todas as mães do mundo!

 

Dia das Mães          

O segundo domingo de maio é um dia dedicado a homenagear as mulheres que acolheram em sua vida a missão sublime de gerar ou acolher um filho para educar. Ser mãe é dom gratuito da bondade de Deus para cada mulher, e também a possibilidade de aceitar trabalhar pelo futuro da humanidade. Uma significativa expressão da fidelidade de Deus no sacramento do matrimônio, que torna o amor de um casal fecundo e multiplicador de vida.

Esse dia nascido por motivações afetivas, mas muito explorado comercialmente nos dias atuais pode ser agora uma oportunidade de valorizar a vida e a família. Principalmente se refletimos sobre a missão importante da mãe (junto com o esposo) de educar seus filhos.

Além de acolher ou procriar fisicamente, gerar um filho para a fé é um compromisso que sinaliza a relação de Deus com seu povo, que é sempre fecunda, capaz de multiplicar a vida, e se dá na plena confiança e entrega à providência divina.

No contexto de um capitalismo selvagem que cada vez mais tenta destruir os valores verdadeiros da humanidade, ser mãe, para além de uma responsabilidade e de um dom, significa manifestar um compromisso com a vida em todas as suas dimensões. Com as pressões atuais contra a dignidade da vida e a propaganda contra a geração de filhos, constatamos que isso é ferir em uma mulher o direito de ser mãe, ferindo também sua mais profunda dignidade e violando aquilo que de mais belo Deus concedeu a uma mulher: o direito de ser mãe e de contribuir assim com a criação, que continua a ser criada e recriada. “Cada criança que nasce é Deus que volta a sorrir para o mundo” diz a tradição popular.

Homenagear as mães nesse dia nos faz recordar da importância da família humana e também da figura de Maria, exemplo de mãe e educadora. Mulher forte e doce, mulher do silêncio, da presença e da esperança que não decepciona. Maria traz consigo as virtudes mais profundas, capazes de fazer de todas as mulheres verdadeiramente mães e mestras, como ela o foi. A humildade, a plena confiança em Deus, seu sim à acolhida do projeto divino em sua vida, conformando-se plenamente a ele, as lutas para proteger o filho, a coragem de lançá-lo no projeto do Pai antes mesmo de “chegar a sua hora”, a força para acompanhar o filho no sofrimento e aos pés da cruz, acolher o filho morto ao ser retirado da cruz e contemplar, em seus braços, seu corpo sofrido por amor, a esperança de fazer continuar o projeto de construção do Reino junto com os discípulos amedrontados no cenáculo, a alegria de ver o filho ressuscitado e Senhor para sempre.

Mães de nosso tempo: pobres, mas incapazes de abandonar os filhos que gerou. Capazes de educar na dificuldade, nunca os deixando de lado. Mulheres de fé, que choram aos pés do Santíssimo Sacramento e da Virgem das Dores, implorando a Deus por seus filhos, escravos das drogas, da prostituição e de tantos outros vícios. Mães que percorrem o calvário com seus filhos, lutam para que não sejam mortos e imploram de Deus uma nova vida de cada um deles. Verdadeiras guerreiras, batalhando e lutando por sua prole, trabalham de sol a sol para estudar os filhos, fazê-los crescer bem e oferecer-lhes melhores condições de vida e novas possibilidades, que, elas mesmas, não puderam receber. Mulheres que choram as dores dos filhos, que sorriem e celebram suas vitórias. Mulheres de aço, mulheres como flores, singelas e frágeis. Amor traduzido em gestos concretos e na mais profunda oferta de vida. Capazes de tudo para garantir aos filhos uma vida de sucesso e de realização.

As Sagradas Escrituras estão cheias dos testemunhos de mulheres, mães, que tudo fizeram para que seus filhos compreendessem e permanecessem no caminho do Senhor. Vale lembrar o desejo de Sara de ser mãe e sua confiança em Deus, que transformou sua impossibilidade e fez de Abraão Pai de todas as nações (Gn 18,10); a história de Ana, mãe de Samuel, que deu a luz o filho primogênito (1Sm 1-2); a belíssima história da mãe e dos sete filhos que dão a vida mas não negam o Senhor (2Mc 7, 1-40); a busca da mulher cananéia pela cura de sua filha (Mt 15,21); a alegria de Isabel ao conceber João Batista (Lc 1, 12-15) e Maria, modelo novo de maternidade e coragem (Lc 1, 26-38).

A figura materna tem nas Sagradas Escrituras um valor profundo que até mesmo a revelação compara o amor de Deus com algumas características maternas: “… agora vou gritar como a mulher que dá a luz, vou gemer e suspirar” (cf.Is 42, 14); “Sião dizia: o Senhor me abandonou; o Senhor me esqueceu. Mas, pode a mãe esquecer o seu filho, ou a mulher a criança em suas entranhas? Ainda que ela esqueça, eu não esquecerei você” (cf. Is 49,15); “Como a mãe consola o seu filho, assim eu vou consolar vocês… (cf. Is 66,13).

Na história do cristianismo, tantas mães se santificaram pensando e promovendo o bem para seus filhos. Recordemos de Santa Mônica, que tanto rezou pela conversão do filho Agostinho, que se tornou um santo e doutor da Igreja, ou ainda, Santa Rita de Cássia, que rezou a Deus por seus filhos, que não queria vê-los manchados com a culpa do sangue e do ódio entre famílias rivais.

A todas as mães queremos homenagear e rezar para que suas presenças sejam sempre sinal de vida e de fecundidade. Para que sinalizem o amor de Deus com suas vidas, principalmente em nossos tempos, onde o direito de ser mãe vem sendo substituído pelo horror do aborto que fere a dignidade de tantas mulheres iludidas por falsas ideologias.

Rezemos também pelas mães que já se encontram junto com Maria na eternidade, na bem-aventurança eterna para que recebam a recompensa de suas vidas doadas e entregues a Deus e à família.

Que Maria mãe e mestra, cubra todas as mães com seu sagrado manto de amor, humildade e dedicação. Que ela alcance de Deus para todas as mães as condições necessárias para educarem seus filhos com dignidade, na justiça, fraternidade e solidariedade. Que nenhuma mãe se esqueça de que a melhor herança que podem entregar a seus filhos é a fé.

Maria, mãe de todos os povos, rogai por nós!

+ Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ  

6º Domingo de Páscoa – Ano B

Por Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

VI Domingo de Páscoa – B
Atos 10, 25-27. 34-35.44-48; I João 4, 7-10; João 15, 9-17
O «dever» de amar

«Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei… O que vos mando é que vos ameis uns aos outros». O amor, um mandamento? Pode-se fazer do amor um mandamento sem destruí-lo? Que relação pode haver entre amor e dever, dado que um representa a espontaneidade e o outro a obrigação? Deve-se saber que existem dois tipos de mandamentos. Existe um mandamento ou uma obrigação que vem do exterior, de uma vontade diferente à minha, e um mandamento ou obrigação que vem de dentro e que nasce da mesma coisa. A pedra que se lança ao ar, ou a maçã que cai da árvore, está «obrigada» a cair, não pode fazer outra coisa; não porque alguém o imponha, mas porque nela há uma força interior de gravidade que a atrai para o centro da terra. De igual forma, há dois grandes modos segundo os quais o homem pode ser induzido a fazer ou não determinada coisa: por constrição ou por atração. A lei e os mandamentos ordinários o induzem do primeiro modo: por constrição, com a ameaça do castigo; o amor o induz do segundo modo: por atração, por um impulso interior. Cada um, com efeito, é atraído pelo que ama, sem que sofra constrição alguma desde o exterior. Mostre a uma criança um brinquedo e a verás lançar-se para agarrá-lo. O que a impulsiona? Ninguém; é atraída pelo objeto de seu desejo. Ensina um Bem a uma alma sedenta de verdade e se lançará para ele. Quem o impulsiona? Ninguém; é atraída por seu desejo. Mas se é assim –isto é, somos atraídos espontaneamente pelo bem e pela verdade que é Deus– que necessidade haveria de fazer deste amor um mandamento e um dever? É que, rodeados como estamos de outros bens, corremos perigo de errar, de estender falsos bens e perder assim o Sumo Bem. Como uma nave espacial dirigida para o sol deve seguir certas regras para não cair na esfera da gravidade de algum planeta ou satélite intermediário, igual a nós ao tender para Deus. Os mandamentos, começando pelo «primeiro e maior de todos», que é o de amar a Deus, servem para isto. Tudo isso tem um impacto direto na vida e no amor também humano. Cada vez são mais numerosos os jovens que rejeitam a instituição do matrimônio e elegem o chamado amor livre, ou a simples convivência. O matrimônio é uma instituição; uma vez contraído, liga, obriga a ser fiéis e a amar o companheiro para toda a vida. Mas que necessidade tem o amor, que é instinto, espontaneidade, impulso vital, de transformar-se em um dever? O filósofo Kierkegaard dá uma resposta convincente: «Só quando existe o dever de amar, só então o amor está garantido para sempre contra qualquer alteração; eternamente liberado em feliz independência; assegurado em eterna bem-aventurança contra qualquer desespero». Quer dizer: o homem que ama verdadeiramente quer amar para sempre. O amor necessita ter como horizonte a eternidade; se não, não é mais que uma brincadeira, um «amável mal-entendido» ou um «perigoso passatempo». Por isso, quanto mais intensamente se ama, mais percebe com angústia o perigo que corre seu amor, perigo que não vem de outros, mas dele mesmo. Bem sabe que é volúvel, e que amanhã, ai! Poder-se-ia cansar e não amar mais. E já que, agora que está no amor, vê com clareza a perda irreparável que isto comportaria, eis aqui que se previne, «vinculando-se» a amar para sempre. O dever subtrai o amor da volubilidade e o ancora à eternidade. Quem ama é feliz de «dever» amar, parece-lhe o mandamento mais belo e libertador do mundo.

 

SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA
Jo 15, 9-17 “Amem-se uns aos outros”

Poucos trechos do Evangelho de João são tão conhecidos como o de hoje, pelo menos pelas diversas frases lapidares tecidas dentro dele. Sobressai o tema básico do “amor” – como a característica que deve distinguir os/as discípulos/as de Jesus. O amor é um dos temas preferidos da sociedade atual, como mostram os nossos cantos, poemas e novelas – mesmo que seja mais na fala do que na prática. Por isso, torna-se necessário recuperar o sentido profundo do amor nos Evangelhos. Até um estudo rápido mostra que o termo tem outro sentido do que aquele que a nossa sociedade liberal e burguesa lhe atribui. Na sociedade atual, o amor não passa de um sentimento agradável, uma emoção, quando não de um egoísmo disfarçado. Tendo como base a emoção, torna-se temporário, volúvel, sem consistência. Passado o sentimento, termina o amor! Uma das consequências dessa visão pós-moderna é o alto índice de divórcios, de separações, de desistências de tudo que é compromisso, pois a base é como areia movediça, não sustenta o peso do dia-a-dia durante anos. O amor ao qual Jesus nos conclama tem outro sentido – é o amor “como eu os amei”. Como foi que Ele nos amou? Dando a sua vida por nós. O amor torna-se uma atitude de vida, e não um sentimento. A comunidade dos discípulos/as – a Igreja – deve ser uma comunidade de pessoas comprometidas com o projeto de Jesus, que veio “para que todos tivessem a vida e a vida plenamente” (Jo, 10, 10). A comunidade cristã deve ser muito mais do que um grupo de amigos e companheiros (oxalá que fosse isso também, pois frequentemente nem isso é!) – deve ser uma comunidade enraizada no amor de Jesus, que é a encarnação do Deus da vida, animada pelo seu Espírito e dedicada a criar o mundo que Deus quer. A pedra-de-toque de uma comunidade cristã então não será o sentimento e a emoção, mas os frutos que ela dá, frutos que devem permanecer (v. 16) e que não devem evaporar com a instabilidade dos sentimentos. Tal comunidade vai ser comunidade de vida e partilha, da justiça e solidariedade, da verdadeira paz e dedicação. Saberá ultrapassar os limites da mera simpatia e atração, para assumir a vida de cada irmão e irmã como expressão do amor do Pai. É interessante que, embora o trecho situe-se no contexto da véspera da paixão, Jesus fala da alegra e da alegria completa. É impressionante como, num mundo que propõe a satisfação imediata pessoal e a “felicidade já” como metas, garantidas pelo consumo e pelas posses, há tanta gente desanimada, triste, insatisfeita e deprimida. Quantos jovens, mesmo – ou talvez especialmente – nas classes mais abastadas, irrequietos e perdidos na vida. Pois a alegria não vem somente das posses e dos bens materiais, e uma vida baseada sobre eles vai necessariamente elevar à frustração. Mas também há muita gente, muitas vezes com uma vida sofrida e difícil, que irradia a verdadeira alegria e profunda paz, pois as suas vidas são alicerçadas sobre a rocha – uma vida de amor verdadeira, na doação de si, na busca duma vida digna para todos. A sociedade do consumo nos aponta um caminho para a felicidade – sempre ter mais, numa busca individualista de felicidade, que só pode nos levar à alegria falsa dos shows de Faustão ou Sílvio Santos. Jesus nos aponta o caminho para a verdadeira alegria – uma vida de amor-doação, de busca da justiça e solidariedade, que tem a alegria não como meta, mas que a traz como consequência. Não há nenhum mandamento “simpatizai-vos uns com os outros”, mas há o mandamento do amor! Para isso precisamos de uma vida fortemente fundamentada no Evangelho e no seguimento de Jesus, pois se não temos, será impossível sustentá-la. Jesus nos quer como “amigos” e não servos, ou seja, pessoas que livremente assumem o seu projeto. Assim assinala que a religião não deve ser simplesmente o comprimento duma série de leis e regulamentos, mas o seguimento de um projeto de vida, continuador da sua missão, no mundo atual. Um projeto além das nossas forças humanas, pelo qual precisamos do dom sempre renovado do Espírito Santo, um dom que nos é garantido, pois, como diz o texto “o Pai dará a vocês qualquer coisa que vocês pedirem em meu nome” (v.16). É um projeto que nos coloca na contramão da sociedade atual, mas que nos garante uma vida realizada e plena, que os falsos ídolos do consumismo são incapazes de nos dar. “O que mando é isso – amem-se uns aos outros”. (v. 17)

 

Evangelho segundo São João 15, 9-17
«Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor. Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei- -vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.»

Neste sexto domingo da Páscoa, o texto do Evangelho de João foi já proclamado num dos últimos dias da semana passada. De qualquer maneira o Evangelho é sempre um poço profundo de onde sai água cristalina sem parar. Hoje gostaria de propor a meditação do inicio do Evangelho: “Como o Pai me amou, também Eu vos amei”. Jesus não afirma ser a fonte do amor, a fonte de todo amor é o Pai, é do Pai que provém todo amor perfeito. Este amor do Pai penetrou na humanidade de Jesus e Ele amou o Pai humanamente de maneira perfeitíssima. Este amor do Pai, que encontrou perfeito eco e ressonância no coração divino e humano de Jesus, Ele o transmite a nós, Ele nos ama com o mesmo amor com que Ele é amado pelo Pai, a origem de todo amor. E assim pede-nos que também permitamos que o amor, que Ele, Cristo, deposita em nossos corações, reflexo direto do amor do Pai, no Espírito Santo, se expanda horizontalmente e amemos os demais, amemos nossos irmãos na fé, como nós mesmos somos amados por Deus. Mais tarde na teologia escolástica, São Tomás, com muito acerto e profundidade, dirá que o amor de caridade com que nos amamos a nós mesmo, faz parte da virtude teologal do amor, embora, seja visto no seu dinamismo horizontal. É teologal porque, de acordo com o desejo de Jesus, nós devemos amar o irmão na fé como nós somos amados por Ele Cristo, que por sua vez deposita em nosso coração o reflexo de seu amor pelo Pai, concedendo-nos o Espírito Santo. Para o Cristo deste Evangelho, este mandamento: “Amar como somos amados”, receber num ato de fé e estupor, o amor de Deus em Cristo que se derrama em nossos corações, e permitir que este amor se expanda com o seu bom odor ao nosso próximo e ao redor de nós, é a essência da vida cristã. Quem não fizesse outra meditação durante cada dia do ano, se não a respeito do que eu acabo de dizer, estaria se aprofundando sempre mais na essência do cristianismo. Este não precisaria ler nenhum outro texto da Sagrada Escritura, pelo contrário, ele mesmo se transformou em Sagrada Escritura, com uma diferença: Sagrada Escritura, enquanto texto é letra morta, mas enquanto incorporada em alguém, é Ele mesmo, é vida no Espírito Santo, e a este ideal, que é Jesus Cristo e o Pai, nos chamam neste domingo da Páscoa. Esta será a realidade de cada um de nós a se consumar na Eternidade, porque o Céu da nossa esperança, nada mais é do que este amor recebido e manifestado no seu mais alto grau possível.

 

«Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos»
Santo Inácio de Antioquia (c. 110), bispo e mártir
Carta aos Romanos, 4-8 (trad. cf. breviário)

Escrevo a todas as Igrejas e faço saber a todos que morria de bom grado por Deus se vós não me impedísseis. Suplico-vos, poupai-me a um bem-querer inoportuno. Deixai-me tornar-me pasto das feras; elas me ajudarão a alcançar a Deus. Sou o Seu fermento: moído pelos dentes dos animais selvagens tornar-me-ei no puro pão de Cristo. […] Que me fariam as doçuras deste mundo e os impérios da terra? É mais belo morrer por Cristo Jesus do que reinar até aos confins do Universo. É a Ele que procuro, que morreu por nós; é a Ele que desejo, a Ele que ressuscitou por nós. Aproxima-se o momento em que darei à luz. Por mercê, meus irmãos, não me impeçais de nascer para a Vida. […] Deixai-me abraçar a luz inteiramente pura. Quando tiver conseguido fazê-lo, serei verdadeiramente homem. Aceitai que eu imite a Paixão do meu Deus. […] O meu desejo terrestre foi crucificado, e em mim já não há fogo para amar a matéria, mas uma água viva (Jo 4, 10;7, 38) que murmura e me segreda ao coração: «Vem para o pé do Pai». Já não posso saborear os alimentos perecíveis e as doçuras desta vida. É do pão de Deus que estou faminto, da carne de Jesus Cristo, filho de David; e, para bebida, quero o Seu sangue, que é o amor incorruptível. […] Rezai pela minha vitória.

Na Festa da Misericórdia, Papa pede: é preciso deixar-se perdoar

Domingo, 8 de abril de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Francisco presidiu na manhã deste segundo domingo da Páscoa, 8, a Santa Missa da Divina Misericórdia

“Para experimentar o amor, é preciso passar por ele: deixar-se perdoar”. A frase é parte da homilia da Santa Missa da Divina Misericórdia, presidida pelo Papa Francisco neste segundo domingo da Páscoa, 8. O evangelho do dia (Jo 20, 19-31) – que retrata a incredulidade e desejo de Tomé de ver e tocar as marcas da crucificação de Jesus – é, de acordo com o Santo Padre, um convite aos cristãos, para assim como o apóstolo, terem a experiência de tocar com as mãos a misericórdia de Deus.

Agradecer a Tomé, esta é a postura que os fiéis devem ter diante da liturgia deste domingo, segundo o Pontífice. Para Francisco, o discípulo ensina sobre a percepção dos sinais de Deus, do toque das chagas de Cristo e da compreensão do mistério do amor e do perdão divino. “Entrar nas suas chagas significa contemplar o amor sem medidas que brota do seu coração. Esse é o caminho. Significa entender que o seu coração bate por mim, por ti, por cada um de nós. Queridos irmãos e irmãs, podemos nos considerar e chamar-nos cristãos, e falar sobre muitos belos valores da fé, mas, como os discípulos, precisamos ver Jesus tocando o seu amor”, afirmou o Papa.

“Meu Senhor e meu Deus!”, a exclamação de Tomé após ver e tocar as chagas de Jesus chama atenção, de acordo com o Santo Padre, para o uso do pronome “meu”. “Trata-se de um pronome possessivo e, se refletimos sobre isso, podia parecer fora do lugar referi-lo a Deus: como Deus pode ser meu? Como posso fazer que o Todo-poderoso seja meu? Na realidade, dizendo meu, não profanamos a Deus, mas honramos a sua misericórdia, pois foi Ele que quis ‘fazer-se nosso’”, refletiu o Pontífice, que prosseguiu afirmando que Deus não se ofende em criar laços e pertencer à humanidade, pois o amor requer confiança, assim como a misericórdia.

Para saborear o amor e a misericórdia de Deus, Francisco reafirmou aos cristãos a necessidade de deixarem-se perdoar. Nesta realidade do perdão, o Papa exaltou o sacramento da confissão e rogou a Deus para que dê aos fiéis a graça de vê-la não por meio da vergonha, mas pela oportunidade do encontro com Cristo. “Quando nos sentimos envergonhados, devemos ser agradecidos: quer dizer que não aceitamos o mal, e isso é bom. A vergonha é um convite secreto da alma que precisa do Senhor para vencer o mal. O drama está quando não se sente vergonha por coisa alguma. Não devemos ter medo de sentir vergonha! E assim passemos da vergonha ao perdão!”, pediu Francisco.

Contudo, o Santo Padre afirmou haver também outra porta fechada diante do perdão: a resignação. “Os discípulos a experimentaram quando, na Páscoa, constatavam que tudo tivesse voltado a ser como antes: ainda estavam lá, em Jerusalém, desalentados; o ‘capítulo Jesus’ parecia terminado e, depois de tanto tempo com Ele, nada tinha mudado: ‘-Resignemo-nos’”, contou o Pontífice, e observou para a presença deste sentimento também entre os cristãos que não conseguem vislumbrar mudanças, mas somente seus pecados.

“O Senhor nos interpela: ‘Não acreditas que a misericórdia é maior do que a tua miséria? Estás reincidente no pecado? Sê reincidente em clamar por misericórdia, e veremos quem leva a melhor!’. E depois – quem conhece o sacramento do perdão o sabe – não é verdade que tudo permaneça como antes. Em cada perdão recebemos novo alento, somos encorajados, pois nos sentimos cada vez mais amados, mais abraçados pelo Pai. E quando, sentindo-nos amados, caímos mais uma vez, sentimos mais dor do que antes. É uma dor benéfica, que lentamente nos separa do pecado. Descobrimos então que a força da vida é receber o perdão de Deus, e seguir em frente, de perdão em perdão”, afirmou o Papa.

Após citar a vergonha e a resignação, Francisco direcionou o olhar para o pecado. O Santo Padre retomou a dificuldade do perdão pessoal, enfrentado por muitos cristãos e questionou: “Se eu, com toda a honestidade, não quero me perdoar, por que o faria Deus?”. O Pontífice prosseguiu anunciando que tal atitude é uma forma de fechar a porta para um encontro com Deus e frisou que Cristo nunca decide separar-se da humanidade.

“Quando nos confessamos, tem lugar o inaudito: descobrimos que precisamente aquele pecado, que nos mantinha distantes do Senhor, converte-se no lugar do encontro com Ele. Ali o Deus ferido de amor vem ao encontro das nossas feridas. E torna as nossas chagas miseráveis semelhantes às suas chagas gloriosas”, suscitou. Por fim, o Papa convidou os cristãos a encontrarem no perdão de Deus, a alegria, e, na misericórdia, a esperança.

O encontro que não pode ser esquecido

Reflexão sobre a Páscoa
por Frei Patrício Sciadini, ocd

A palavra “Páscoa” evoca no coração de todos nós cristãos sentimentos de alegria, de fé, de amor pela Pessoa de Jesus que, tendo vencido a morte,  ressuscitou  dando-nos a todos o anúncio  que não somos mais escravos da morte e do pecado. A vida resplandece e floresce em quem crê no Senhor ressuscitado. Mas ao mesmo tempo esta palavra evoca  todo o caminho que o povo de Israel realiza  desde a sua libertação da escravidão do Egito nas noites estreladas no deserto, na experiência do frio e do calor, da fome. Evoca a tentação da idolatria de um lado e de outro o amor incansável de Deus  que através de Moises, caminha na frente do povo  rumo a terra prometida. Um caminho que  inicia com a libertação e que termina  somente no encontro definitivo com o novo cordeiro imolado, Cristo Jesus, em cujo sangue somos lavados e nossas vestes se fazem mais brancas do que a neve. Páscoa, nova aliança sagrada da passagem da morte a vida. A grande páscoa de Cristo, resultado de tantas pequenas Páscoas que se realizam no caminho  de todo cristão. Páscoa, experiência de nossa fragilidade e da graça de Deus. Um encontro que  não pode ser esquecido porque é festa  a ser contada de pai para filho  por todas as gerações. Celebração em que o menor de todos, vendo todos os preparativos,  fica extasiado  e se aproxima do mais velho e pergunta  com alegria e brilho nos olhos: por que fazemos isto? E  inicia  o relato pascal,  a grande alegria  de contar aos que vêm depois de nós  que fomos amados por Deus e libertados de todos os nossos pecados. Páscoa celebrada de pé,  com sandálias nos pés, com bastão na mão, comendo o cordeiro “sem mancha e defeito”, imolado,   pronto para retomar  o caminho, comido com erva amarga para que o povo nunca esqueça que a alegria maior é sempre unida a cruz e a dor. Uma dor de alegria e celebração, é verdade que os pés sangram e doem, que o coração está ferido,  mas é também verdade que  um espírito novo  está presente no coração de quem crê. Páscoa  nova, celebrada  não mais de pé, mas com pressa, por Jesus no cenáculo como despedida solene  dos seus discípulos, como entrada dolorosa na paixão, onde o mesmo Jesus  experimenta  o abandono de todos, a solidão, a dificuldade do caminho, as lágrimas amargas, a negação dolorosa. Mas com plena consciência de ter realizado o projeto do Pai até o fim no amor oblativo de si mesmo. Onde tudo é consagrado com o derramamento do seu sangue,  sangue vivo de amor e fecundante  de una nova vida. Páscoa não compreendida, sofrida  no início do caminho da traição, mas que  na medida em que  a morte de cruz  se aproxima, aumenta a dor e incerteza, o medo  de que tudo está terminado. Mas o Cristo caminha de  cabeça erguida,  voluntariamente, até o calvário, para  se consumir  no amor ao Pai. O seu “tudo está consumado” não é desespero e nem  fracasso, mas sim realização de amor e “sim”  definitivo. Como é bela a páscoa contemplada como pequenas ou grandes mortes, pequenas ou grandes ressurreições. Páscoa é festa que se prepara a partir de dentro para fora,  num processo de conversão e de infinito amor. Experiência de pecado e de graça, somente os que  tem atravessado consciente e corajosamente o deserto da “quaresma”, nos quatro caminhos  indicados pelo Papa Bento XVI: oração, silêncio, partilha e jejum poderão experimentar a alegria da Páscoa. Sem esta vivencia  a Páscoa será um canto  vazio, um conector não marcante, uma passagem  que não transforma  a vida,  mas a torna ainda mais vazia. A páscoa é uma festa que é marcada por uma palavra tão familiar a todos  nós e inclusive presente em todas a s línguas  de todos os que creem “aleluia”. É necessário que cante a mente, cante o coração e cante o corpo  que se acorda do seu sono e do seu silêncio para contemplar o Cristo ressuscitado. O canto do aleluia  nos faz perceber que   a nossa “HORA” chegou, embora não ainda plenamente,  a hora da vida, da alegria, da vitória sobre o mal. Páscoa no mundo tecnológico e do consumismo,  banalizada,  reduzida a “férias”, viagens, compras, ovos pascais e colombas pascais, chocolate diet e outras coisinhas  que servem para preencher  o vazio do coração sem fé. Banalizar a Páscoa, instrumentalizá-la  para comércio é algo que fere não a sensibilidade dos cristãos, mas a fé.  A páscoa no hoje da nossa história é sermos  semeadores de esperança somente, que nasce da noite para o dia, outra numa semana e outra  num mês e outra  no fim da vida e outra ainda  daqui a 100 anos. Quero ser semeador da semente da esperança que nascerá daqui a 100 anos, assim não correrei o risco da vaidade. Crer na Páscoa é graça de Deus. Dizer feliz páscoa é dizer ao outro,  seja qual for, “você é feliz só se crê que Cristo  nasceu, sofreu, morreu e ressuscitou” e que ele lhe espera no céu para  você participar da sua glória. A páscoa, mais que uma celebração, uma memória, é uma Pessoa viva, Cristo, e você  que crê em Cristo. Feliz páscoa!

* Frei Patrício Sciadini, ocd, religioso, Carmelita Descalço, escreveu mais de 60 livros, publicados no Brasil e no exterior, atualmente é o delegado geral no Egito.

Quinta-feira Santa

Por Pe. Fernando José Cardoso

As atenções de todos nós se voltam para a liturgia desta noite: a missa na Ceia do Senhor.

É o último dia em que Jesus passou conosco neste mundo, antes de ir para o Pai. Jesus, caríssimos Irmãos, não era um Kamikaze, que assumiu de maneira forte e decidida a sua própria morte. Jesus não era um Legionário Romano que se entregava para o bem do Império. Jesus não era um General, como o General Patton da última Grande Guerra que caminhava à frente dos seus exércitos, orgulhoso por onde entrava e dominava. Jesus na noite em que foi entregue, colocou gestos pequenos, mas gestos de amor.

Esta noite, no entanto, caríssimos irmãos é conhecida como a noite da ingratidão. Sim a noite da ingratidão e nós imaginamos em primeiro lugar a figura sinistra de um Judas Iscariotes, aquele foi escolhido por amor, mas depois entregou Jesus por trinta moedas…

Irmãos, só quem já experimentou a traição de um marido ou de uma esposa pode aquilatar a dor que este gesto deve ter causado em Jesus!

Noite da ingratidão, porque dentro em breve os Apóstolos todos irão debandar diante da prisão de Jesus, deixando-o absolutamente só!

Noite da ingratidão porque dentro de poucos instantes também aquele que havia jurado ir com Jesus até a morte, Pedro o negará por três vezes.

Caríssimos irmãos, a noite da ingratidão humana se prolonga no tempo: não existe um Judas também dentro de nós? Não nos mostra a consciência nesta noite que nós o traímos algumas vezes? Não é possível que um Pedro durma dentro nós e se tenha despertado alguma vez? Meus irmãos, noite também do silêncio de Deus Pai, porque, se os homens debandam, o Pai também Se silenciou e Jesus afrontou os seus últimos momentos numa solidão pavorosa.

A noite da ingratidão é também a noite do Amor. Foi a noite em que o amor de Jesus mais se manifestou a nós com presentes que nos relegou: presentes simples e presentes de profundo significado. O presente do lava-pés; o presente do serviço; Jesus continua a lavar os nossos pés todos os dias, durante toda nossa vida; o presente do pão consagrado que entrega como sendo seu Corpo, o presente do vinho consagrado que nos dá como sendo o seu Sangue. O presente que nos faz do Sacerdócio que prolongará na Igreja Católica, a sua presença como chefe, guia e pastor até que Ele volte sobre as nuvens do céu.

Caríssimos, notem a antítese: Jesus responde a todos os pecados com um amor sempre renovado.

Repita a você mesmo muitas vezes nesta quinta feira santa e sobre tudo nesta noite da traição, da ingratidão, mas noite também do Amor sem limites; repita a modo de jaculatória: Ele me amou e se entregou por mim!

 

ORAÇÃO PARA QUINTA-FEIRA SANTA  

Vós partireis dentro de poucas horas, mas não Vos esquecestes de nós e não nos deixareis órfãos.
Com gestos singelos e carregados de grande simbolismo Vos despedistes de nós. E hoje, Convosco, celebramos Vosso adeus a todos nós!
Deixai-nos recordar em Vossa presença estes gestos carregados de tão grande amor.

O gesto do lava-pés.
Senhor, quantas vezes dissestes que o segredo da Vossa vida estava no serviço desinteressado que Deus presta aos seres humanos que criou. Deus ajoelhado diante de meus pés! Dá-me vontade, Senhor, de repetir como Pedro: “Jamais me lavarás os pés!”. Mas, Senhor, compreendo a grandeza e a importância deste gesto: “Se Tu não te lavar ,não terás parte comigo!” Compreendo então, Senhor, que deveis lavar-me. E compreendo também de que lavacro se trata. Não é com água que me desejais lavar, é com Vosso Sangue! Compreendo finalmente, bom Jesus, que esta purificação se inicieis no dia do meu batismo e se prolonga por toda a minha vida, através de Eucaristia que recebo.

Gesto da “Fração do Pão”.
Dizem-nos os Evangelhos Sinóticos, que, nesta noite em que fostes entregue, tomastes um pão de última refeição com os Vossos. Quantas vezes Vos sentastes à mesa com grandes pecadores! Desta vez tomastes o pão, fruto da terra e do trabalho de nós homens e o divinizastes, fazendo que se transformasse em Vós. Tomastes em Cálice com Vinho, ele também fruto do labor humano e o transformastes no Vosso sangue por nós derramado! Senhor, quantas vezes Vos comungueis em Vosso sacrifício! Mas, nesta noite, Vos suplico: Comungai-me também! Fazei com que se realize entre nós aquela misteriosa simbiose que define todo verdadeiro e grande Amor: que eu seja Tu e que Tu sejas eu!

Gesto da instituição do Sacerdócio Católico: “Fazei isto em memória de mim”.
Senhor, sempre venerei Vossos ministros que sacramentalmente prolongam nas nossas comunidades Vossa presença de guia e Pastor. Aprendi também que existe uma analogia entre Pão e Vinho transformados em Vós e os Vossos ministros que sacramentalmente se transformam em Vós! Sei que a única diferença entre essas duas, “transubstanciações” esta no seguinte: enquanto Pão e Vinho cessam de ser tais, dissolvem-se em Vós nossos Sacerdotes, embora prolonguem nossa presença no meio de nós,não perdem suas entidades e personalidades!

Senhor, nesta noite de adeus, desejo sinceramente agradecer-Vos por Vossos ministros. E não excluo de minha gratidão nem mesmo aqueles que, tendo suas lanternas tão sujas, são incapazes de difundir a verdadeira Luz que sois Vós.

Gesto, finalmente, do amor fraterno e desinteressado.
Obrigado, Senhor, por ter eu experimentado em minha vida alguns gestos desinteressados! Hoje compreendo que estáveis Vós por detrás de todos eles!

Senhor, numa sociedade pós-cristã e secularizada; numa sociedade em que os crucifixos desaparecem sistematicamente dos lugares públicos, numa sociedade que não conhece mais a batina ou o hábito religioso, embora o foulard islâmico é sinal de forte pertença religiosa muçulmana, numa sociedade enfim, onde nada mais fala de Vós, nosso gesto cristão há de falar ainda. Talvez não tanto a linguagem do catecismo-ela faz tanta falta – mas a linguagem do Amor. Possa eu compreender, Senhor, nesta quinta-feira Santa, que esta linguagem será sempre atual; poucos a ela resistirão por longo tempo.
E já seremos bem-aventurados, porque- são palavras Vossas que soam hoje em meus ouvidos – “Há mais alegria em dar do que em receber?”.  Amém!

 

Evangelho segundo São João 13, 1-15
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.» Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.

Hoje iniciamos o Tríduo Pascal. E nesta Quinta-feira Santa, nós contemplamos Jesus à mesa com os seus últimos discípulos. São as horas derradeiras, os derradeiros minutos de sua liberdade. Dentro de poucas horas, Ele não terá mais liberdade alguma. Ele será atado de mãos e pés. Ele será conduzido a Anás, a seguir a Caifás, Caifás o mandará a Pilatos e Pilatos o mandará para a cruz. O que faz Jesus nestas últimas horas de liberdade que lhe restam. Não se descompõe. Não clama ao Pai pedindo e suplicando libertação a qualquer modo. Não foge da cidade de Jerusalém. Pelo contrário, toma um pedaço de pão, olha para o céu, e dá graças a Deus. A seguir entrega-o aos seus discípulos e diz: “Tomai e comei, este é o meu Corpo que será imolado por vós”. Toma um cálice com vinho e repete a ação de graças a Deus: “Tomai e bebei, este é o cálice do meu Sangue, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”, isto é, para a reconciliação de cada um e de todos com Deus. Jesus antecipa no pão e no vinho, o que acontecerá com Ele no dia seguinte. Jesus coloca no pão e no vinho a sua própria paixão, a sua morte redentora e a sua ressurreição.  E dá graças ao Pai, por poder se tornar pão imolado, Corpo imolado e Sangue derramado para cada um de nós. E depois de ter modificado o pão e transformado o vinho, no mesmo Corpo imolado e no mesmo Sangue derramado, o dá a beber aos seus e continua a dar a comer e a beber a cada um de nós. É impressionante a profundidade do amor de Cristo. Contemplando o futuro sombrio que esta iminente, Ele o antecipa no pão e no vinho, não sem antes ter dado graças a Deus. Ter louvado e bendito a Deus, por poder ser para nós Carne imolada e Sangue derramado, prestando-nos um imenso serviço de nos reconciliar com o seu Pai e de abrir para cada um de nós, de par em par as portas da eternidade. No Antigo Testamento, o esquema era contrário, primeiro uma pessoa se via aflita e recorria a Deus na sua aflição para que a libertasse. A seguir, uma vez experimentada a libertação, oferecia-lhe um sacrifício de ação de graças. Com Jesus não acontece isto. Não será libertado da morte, antecipa a morte no pão e no vinho, agradece a Deus por poder prestar-nos esse serviço e se dá a nós no Corpo imolado e no Sangue derramado, para que se torne comida minha, comida sua e bebida sua, para nossa redenção. Comovidamente é o que nós celebramos nesta Quinta-feira Santa.

 

«NINGUÉM TEM MAIOR AMOR do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13)
Papa Bento XVI
Exortação Apostólica «Sacramentum caritatis», §§ 1-2

Sacramento da Caridade, a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor «maior»: o amor que leva a «dar a vida pelos amigos» (Jo 15, 13). De fato, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1). Com estas palavras, o evangelista introduz o gesto de infinita humildade que Ele realizou: na vigília da Sua morte por nós na cruz, pôs uma toalha à cintura e lavou os pés aos Seus discípulos. Do mesmo modo, no sacramento eucarístico, Jesus continua a amar-nos «até ao fim», até ao dom do Seu corpo e do Seu sangue. Que enlevo se deve ter apoderado do coração dos discípulos à vista dos gestos e palavras do Senhor durante aquela Ceia! Que maravilha deve suscitar, também no nosso coração, o mistério eucarístico! Com efeito, neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para nós. […] De fato, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, «caminho, verdade e vida» (Jo 14, 6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. […] No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (cf. 2 Tm 4, 2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.

 

QUINTA-FEIRA SANTA: O SACERDÓCIO E A EUCARISTIA MISTÉRIO DE AMOR!

Hoje é um dia duplamente feliz, pois Jesus com o coração mais generoso que a face da terra já viu, nos deu dois grandes presentes. Na última ceia, antecipando a Sua doação total, mesmo diante da traição e do Mistério de dor que teria que passar para salvar o mundo das trevas do pecado, entrega aos discípulos o Sacramento do Amor: A Eucaristia. “A Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste Sacramento admirável, manifesta-se o amor maior: o amor que leva a dar a vida pelos amigos” (Bento XVI). Neste mesmo dia o Mestre “divide” o seu Sacerdócio com os Apóstolos e faz deles ministros do Sacramento do Amor, ministros do Perdão, ministros da misericórdia. O vínculo intrínseco entre a Eucaristia e o Sacramento da Ordem deduz-se das próprias palavras de Jesus no Cenáculo: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22, 19). Nós sacerdotes usamos as mesmas palavras de Jesus quando instituiu O Mistério de Amor, porque somos os primeiros a estar no lugar de Cristo Jesus para a Salvação do mundo, portanto, o Sacerdócio é um movimento Divino do Amor de Deus Pai que continua agindo em sua Igreja em todo Tempo e o tempo todo. Onde existe um Sacerdote, há a possibilidade do Amor e da misericórdia de Deus se manifestarem pelo homem. Falando um pouco de mim, o lema do meu Sacerdócio é: “Tudo posso naquele que me dá força” (Filipenses 4, 13). A força do meu sacerdócio não vem de mim mesmo, mas a força do sacerdote vem da fonte pela qual ele oferece todos os dias torrentes de “Água Viva” ao povo fiel e sedento desse Amor que é Jesus. Eu busco A Força para exercer minha vida como ministro desse Sacramento nas Palavras que eu dirijo todos os dias ao Pai: “Tomai e comei, isto é o meu corpo; Tomai e bebei isto é o meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, para a remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim!” As mesmas Palavras de Cristo são fonte de vida, de salvação em primeiro lugar para mim, alimento substancioso para a minha intimidade com o Senhor e para servir ao povo de Deus, que procura no sacerdote não ele mesmo, mas Jesus Cristo o seu Salvador. O Papa João Pulo II disse para os Sacerdotes em sua última carta na Quinta-feira Santa de 2005: “O povo tem o direito de ver Jesus Cristo na pessoa do sacerdote”. Essas palavras do Santo Padre ficaram gravadas em minha alma como uma missão, apesar de ser pecador e cheio de limitações como todo homem, eu não sou um homem comum, eu sou ministro do Sacramento do Amor e da misericórdia. Cristo hoje na Última Ceia depôs do manto, sinal de sua dignidade de Senhor, de Rei, para servir aos discípulos, para lavar os seus pés, esse gesto de humildade revela o caminho que o discípulo deve seguir; Imitar o Mestre: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais à mesma coisa que eu fiz”. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo 13, 1-15). Aos sacerdotes hoje, felicidades, força e que eles saibam não estão sozinhos, pois disse o Senhor: “Eu estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos!”.

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