Tag: amor

Os três pilares do matrimônio cristão

Segunda-feira, 2 de junho de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Fidelidade, perseverança e fecundidade foram elencadas por Francisco como características para levar adiante o verdadeiro casamento cristão

Na Missa desta segunda-feira, 2, na Casa Santa Marta, Papa Francisco refletiu sobre o casamento cristão. Ele explicou que o amor de Jesus por Sua Igreja – Sua Esposa – é fiel, perseverante e fecundo, mesmas características de um autêntico matrimônio cristão.

Diante do altar, na celebração de hoje, havia 15 casais, os quais há 25, 50 e 60 anos iniciaram 15 histórias de casamento e de família. Eles estavam reunidos com o Santo Padre para agradecer a Deus por essa conquista e proporcionaram ao Pontífice a oportunidade de falar dos três pilares, que, na visão da fé, devem sustentar o amor entre os esposos: a fidelidade, a perseverança e a fecundidade.

O modelo, segundo Francisco, são os três amores de Jesus: pelo Pai, por Sua Mãe e pela Igreja, sua Esposa. Ele explicou que Jesus esposou a Igreja por amor. “É um amor fiel e perseverante; Ele não se cansa nunca de amar a Sua Igreja. É um amor fecundo e fiel. Jesus é fiel! (…) A fidelidade é justamente o ser do amor de Cristo, ela é como uma luz sobre o matrimônio. A fidelidade do amor. Sempre.”

Além de fiel, esse amor nunca se cansa de ser perseverante. Francisco disse que a vida matrimonial deve ser, da mesma forma, perseverante nos momentos belos e também nos difíceis, pois, do contrário, não pode seguir adiante. “Mas o amor persevera, vai adiante, sempre procurando resolver as coisas para salvar a família. Perseverantes: homem e mulher se levantam, todos os dias, e levam a família adiante.”

A terceira característica de que o Papa falou foi a fecundidade. O amor de Jesus faz a Igreja fecunda, com novos filhos, e esta cresce com a fecundidade nupcial. O Santo Padre ressaltou que, às vezes, essa fecundidade pode ser colocada à prova quando os filhos não chegam ou ficam doentes. Nesses casos, há casais que olham para Jesus e tomam a força da fecundidade que Ele tem para com a Sua Igreja. Por outro lado, há coisas que não agradam o Senhor, como os casamentos estéreis por escolha.

“Esta cultura do bem-estar, de dez anos atrás, nos convenceu: ‘É melhor não ter filhos! Assim você pode conhecer o mundo, quando estiver de férias, pode ter uma casa no campo, ficar tranquilo’. Talvez seja melhor – mais cômodo – ter um cãozinho, dois gatos, e o amor vai para dois gatos e para o cãozinho. É verdade ou não? Ao fim, esse matrimônio chega à velhice com a amargura da má solidão. Não é fecundo, não faz o que Jesus fez com a Sua Igreja: tornando-a fecunda”.

Na catequese, Papa destaca verdadeiro significado do Natal

Quarta-feira, 27 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

“Sem Jesus não há Natal”, frisou o Papa na última catequese de 2017

Na catequese desta quarta-feira, 27, a última do ano de 2017, o Papa Francisco refletiu sobre o significado do Natal. O Pontífice alertou sobre uma espécie de “desnaturalização” do Natal que se vê nos dias de hoje.

“Sem Jesus não há Natal”, afirmou o Papa, destacando que o nascimento de Jesus é o único verdadeiro Natal. Se Jesus está no centro, tudo ao redor – as luzes e tradições locais, incluindo as comidas características – contribui para criar a atmosfera da festa, mas com Jesus no centro. Se se tira Jesus, a luz se apaga, tudo se torna falso, aparente, explicou.

“O verdadeiro dom para nós é Jesus, e como Ele queremos ser dons uns para os outros. E, uma vez que queremos ser dons uns para os outros, trocamos presentes, como sinal, como sinal desta atitude que nos ensina Jesus: Ele, enviado do Pai, foi dom para nós e nós somos dons para os outros”.

Francisco acrescentou que, com a encarnação do Filho, Deus abriu o caminho da vida nova, que é fundada sobre o amor. “O nascimento de Jesus é o maior gesto de amor do nosso Pai do Céu”, frisou.

Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o fato de que, no Natal, a história humana é visitada pela história de Deus, que tem como primeiros destinatários do seu dom – a salvação trazida por Jesus – aqueles que estão à margem da sociedade, os pequeninos e desprezados.

“Queridos irmãos e irmãs, nestes dias abramos a mente e o coração para acolher esta graça. Jesus é o dom de Deus para nós e, se O acolhemos, também nós podemos nos tornar dom para os outros – ser dom de Deus para os outros – antes de tudo para aqueles que nunca experimentaram atenção e ternura”, concluiu o Pontífice.

Tempo de Natal: nasceu para nós um Salvador!

O amor de Deus invisível se faz visível

O que vamos fazer nestes dias‭ ‬do tempo‭ ‬de Natal,‭ ‬já desde a noite em que Jesus nasceu‭? ‬Voltar os olhos e o coração inteiramente para a figura do Menino envolto nos paninhos que a Mãe trouxe de Nazaré e reclinado‭ ‬sobre as palhas do presépio.‭ ‬Não sentimos‭ ‬desejos de olhar para Ele e Lhe dizer:‭ ‬Meu Senhor e meu Deus‭!‬? Porque esse Menino, que vemos na manjedoura, é Deus feito homem,‭ ‬que vem ao nosso encontro para nos salvar.‭ ‬Tanto amou Deus o mundo‭ – ‬dizia Jesus a Nicodemos‭ – ‬que lhe deu Seu Filho único. O Senhor não enviou o Filho ao mundo para condená-Lo,‭ ‬mas para que o mundo fosse salvo por Ele‭ ‬(Jo‭ ‬3,16‭)‬.

Contemplando este mistério‭ ‬da Encarnação do Verbo,‭ ‬estamos no‭ ‬coração da nossa fé cristã.‭ ‬É um mistério que nos dá a‭ ‬certeza de que Deus é amor e nos quer com loucura.‭ ‬Essa é, ‬precisamente, ‬a certeza que fazia o apóstolo São João exclamar:‭ “Deus é amor‭!” ‬Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco:‭ ‬em nos ter enviado o Seu Filho únicopara que vivamos por Ele‭ ‬(cf. 1‭ ‬Jo‭ ‬4,8-9‭)‬.

Sim,‭ ‬no Natal,‭ ‬o‭ ‬amor de Deus invisível se faz visível.‭ ‬Está aqui,‭ ‬junto de nós,‭ ‬no presépio. São João extasiava-se com‭ ‬essa maravilha da bondade de Deus,‭ ‬que é a vinda‭ ‬do Verbo encarnado,‭ ‬e dizia:‭ ‘Ninguém jamais viu a Deus.‭ ‬O Filho único,‭ ‬que está no seio do Pai,‭ ‬foi quem o revelou’ ‬(Jo‭ ‬1,18‭)‬.‭ ‬E,‭ ‬cheio de júbilo por tê-Lo conhecido,‭ ‬por ter convivido com Ele‭ ‬durante três anos‭ ‬e ter experimentado o Seu carinho,‭ ‬exclamava:‭ ‘Nós o vimos com os nossos olhos,‭ ‬nós o contemplamos,‭ ‬nós o ouvimos,‭ ‬nós o tocamos com as mãos…‭!’ (cf.‭ ‬1‭ ‬Jo‭ ‬1,1-3‭)‬ Por experiência própria,‭ ‬podia‭ ‬afirmar:‭ ‘Aquele que não ama não conhece a Deus,‭ ‬porque Deus é Amor’ (‬1‭ ‬Jo‭ ‬4,8‭)‬.

Jesus é Deus feito homem,‭ ‬que nos ama com toda a força do seu amor divino e humano.‭ Seu amor é grande e verdadeiro, tem os dois sinais claros da autenticidade.‭ ‬Primeiro,‭ ‬é uma doação plena.‭ ‬Amor que não se dá não é amor.‭ ‬Mas não é um‭ ‬dar-se qualquer,‭ ‬é uma doação que visa o‭ ‬nosso bem.‭ ‬E aí está o segundo sinal de autenticidade:‭ ‬todo o verdadeiro amor,‭ ‬ao dar-se,‭ ‬quer bem,‭ ‬ou seja,‭ ‬dá-se procurando o‭ ‬bem da pessoa amada.

E qual é o‭ ‬bem,‭ ‬quais são os‭ ‬bens‭ ‬que Jesus nos traz‭? ‬Todos os bens‭! ‬A vida verdadeira,‭ ‬a vida eterna‭! ‬A felicidade que não poderá morrer‭! ‬Nessa infinita riqueza de bens divinos,‭ ‬podemos distinguir‭ ‬especialmente‭ ‬três grandes tesouros.‭ ‬O tesouro da‭ ‬verdade,‭ ‬que Ele nos ensina‭;‬ o tesouro do‭ ‬caminho‭ ‬do Céu,‭ ‬que Ele abre e nos mostra‭; ‬e o tesouro da‭ ‬vida nova dos filhos de Deus,‭ ‬que Ele ganha para nós na cruz.‭

Tudo isso resumiu-o Jesus numa só frase:‭ ‬Eu sou o Caminho,‭ ‬a Verdade e a Vida‭ ‬(Jo‭ ‬14,6‭)‬.‭ ‬Será que captamos a importância dessas palavras‭?‬ Tentemos arrancar, do fundo delas, a grande luz que encerram,‭ ‬meditando um pouco sobre o seu significado. Jesus nos traz,‭ ‬primeiro,‭ ‬a luz da‭ verdade.‭ ‬Vem-me à cabeça agora o pai de São João Batista,‭ ‬Zacarias‭ – ‬o marido de Santa Isabel‭ –‬,‭ ‬que profetizou o nascimento de Jesus de uma maneira muito significativa.‭ ‬Dizia que‭ ‬a ternura e a misericórdia do nosso Deus nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,‭ ‬que há de iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz‭ (‬Lc‭ ‬1,78-79‭)‬.‭ ‬Desde antes de nascer,‭ ‬Jesus já é anunciado como o Sol,‭ ‬como a Luz,‭ ‬a Luz da Verdade,‭ ‬que nos guiará para‭ ‬o bem e para‭ ‬a paz,‭ ‬para a paz terrena e eterna.

Isso‭ ‬é‭ ‬o que‭ ‬também‭ ‬diz São João no prólogo do seu Evangelho. ‬Ele era a verdadeira Luz,‭ ‬que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. A luz resplandece nas trevas e estas não a compreenderam‭ ‬(cf.‭ ‬Jo‭ ‬1,9-11‭)‬.‭ ‬Que pena se nós não a recebêssemos! Que pena se nós não a compreendêssemos‭! ‬Porque a verdade que Ele nos traz não é uma verdade qualquer, mas a única‭ ‬verdade-verdadeira,‭ ‬a única verdade que salva:‭ ‬a verdade sobre Deus,‭ ‬sobre o mundo e sobre o homem.‭ ‬Só ela pode dar sentido à nossa vida.

Utilizando-nos de uma comparação do próprio Cristo,‭ ‬podemos dizer‭ ‬que a verdade ensinada por Ele é como a semente na mão do semeador.‭ ‬Pode cair nas pedras ou entre espinhos e morrer‭; ‬ou pode cair numa boa terra e dar fruto‭ (‬cf.‭ ‬Mt‭ ‬13,‭ ‬4‭ ‬ss.‭)‬.‭ ‬Depende de nós. Se procurássemos acolher essa verdade com carinho,‭ ‬seria uma maravilha,‭ ‬seríamos‭– ‬no empenho por edificar a nosa vida‭ –‬ como o construtor de que Jesus falava:‭ ‬’Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente,‭ ‬que edificou a sua casa sobre a rocha’ ‬(Mt‭ ‬7,24‭)‬.‭ ‬Nem a chuva,‭ ‬nem o vento,‭ ‬nem as tormentas conseguiriam derrubá-la.‭ ‬Porque essa verdade nos daria‭ – ‬como diz a Bíblia‭ – ‬um‭ ‬amor forte como a morte’ (cf. ‬Cânticos ‬8,6‭)‬.

Se continuarmos a olhar para Jesus Menino,‭ ‬veremos que‭ ‬Ele nos‭ ‬diz também,‭ ‬como‭ ‬já mencionávamos, “Eu sou o Caminho”.‭ ‬Toda a vida d’Ele é exemplo e caminho para nós,‭ ‬é como a sinalização luminosa da estrada que conduz a Deus,‭ ‬o roteiro que devemos seguir para nos realizarmos nesta terra e na eternidade.

É por isso que Jesus diz,‭ ‬muitas vezes:‭ ‘Segue-me‭!’. Compara-nos às ovelhas que Ele,‭ ‬o Bom Pastor,‭ ‬conduz entre brumas e perigos até‭ ‬o pasto que alimenta e‭ ‬o‭ ‬refúgio seguro.‭ ‬Ele é o Bom Pastor que‭ ‬caminha adiante delas,‭ ‬adiante de nós,‭ ‬indicando-nos o caminho‭; ‬mais:‭ ‬sendo,‭ ‬com o Seu exemplo,‭ ‬Ele próprio o caminho‭. Acontece que o caminho de Cristo é,‭ ‬essencialmente,‭ ‬o‭ ‬caminho do amor.‭ ‬Caminhai no amor‭ ‬– escrevia São Paulo‭ –‬,‭ ‬segundo o exemplo de Cristo,‭ ‬que nos amou e por nós se entregou (Ef‭ ‬5,2‭)‬.

O amor que é‭ ‬caminho é o amor autêntico,‭ ‬com maiúscula,‭ ‬o Amor que‭ ‬vem de‭ ‬Deus‭ ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬4,7‭)‬.‭ ‬Não é fumaça cor de rosa,‭ ‬nem é uma teoria ou só uma paixão que arde e se evapora; é um amor vivo,‭ ‬sincero e realista,‭ ‬que se‭ ‬manifesta,‭ ‬no dia a dia,‭ ‬na prática das‭ ‬virtudes que são como o selo de garantia do amor.

Por isso,‭ ‬aquele que ama esforça-se por ser‭ – ‬com a graça de Deus‭ – ‬generoso,‭ ‬compreensivo,‭ ‬dedicado,‭ ‬paciente‭; ‬e‭ ‬também‭ ‬por ser constante,‭ ‬por ser forte na adversidade,‭ ‬por ser sóbrio e moderado nos prazeres‭; ‬por ser caridoso,‭ ‬gentil,‭ ‬prestativo‭; ‬por ser justo,‭ ‬discreto; ‬por dar a Deus cada dia mais amor,‭ ‬e aos irmãos também.‭ ‬Em suma,‭ ‬por levar a sério a prática das virtudes humanas e cristãs.

Nunca percamos de vista: aquele que‭ ‬ama‭ ‬faz,‭ ‬age,‭ ‬não fica só pensando e sentindo.‭ ‬É exatamente isso o que‭ ‬nos diz São João,‭ ‬o grande intérprete do amor de Cristo:‭ ‬”Meus filhinhos,‭ ‬não amemos com palavras nem com a língua,‭ ‬mas por atos e em verdade” ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬3,18‭)‬.‭ ‬E é claro que isso se aplica tanto ao amor a Deus como ao amor ao próximo.‭ ‬Como diz‭ ‬o mesmo‭ ‬São João:‭ “Temos de Deus este mandamento:‭ ‬quem ama a Deus,‭ ‬ame também a seu irmão” ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬4,21‭)‬.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

Redescobrir o sabor da verdadeira alegria

Domingo, 11 de dezembro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Francisco disse que o Natal está chegando e é oportunidade para ir ao encontro de quem sofre

Com a proximidade do Natal, o Papa Francisco destacou no Angelus deste domingo, 11, que Jesus indica o caminho da fidelidade e da perseverança.

O Santo Padre explicou que este 3º Domingo do Advento caracteriza-se pelo convite de São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor” – “O Senhor está próximo!”.

“Não é uma alegria superficial ou puramente emotiva, nem sequer aquela mundana ou do consumismo, mas trata-se de uma verdadeira alegria, da qual somos chamados a redescobrir o sabor”, assinalou o Papa.

Francisco sublinhou a importância da “alegria” na vida cristã e sustentou que, no Natal, os católicos devem celebrar a “intervenção de salvação e de amor de Deus” na história da humanidade.

“Somos chamados a partilhar esta alegria com os outros, dando conforto e esperança aos pobres, aos doentes, às pessoas sós e infelizes”, prosseguiu.

A Liturgia da Palavra deste domingo oferece-nos o contexto adequado para compreender a viver esta alegria, disse o Pontífice.

Francisco explicou que o profeta Isaías fala de ‘deserto’, de ‘terra árida’ e aponta um quadro de uma ‘situação de desolação’ de um destino inexorável sem Deus, e a salvação anunciada pelo profeta realiza-se em Jesus e Ele mesmo o afirma respondendo aos mensageiros enviados por João Batista: “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados” (Mt 11,5).

“Somos chamados a deixarmo-nos envolver pelo sentimento de exultação, da qual está plena a liturgia do dia, para a vinda do Senhor na nossa vida como libertador. É Ele que nos indica o caminho da fidelidade, da paciência e da perseverança, para que no seu regresso, a nossa alegria será completa”, disse o Papa.

O Papa lembrou os sinais da proximidade do Natal nas ruas e nas casas, como a árvore e o presépio e destacou: “Estes sinais exteriores convidam-nos a acolher o Senhor que vem sempre e bate à nossa porta; convidam-nos a reconhecer os seus passos entre os dos irmãos que passam ao nosso lado, especialmente os mais fracos e necessitados”.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco fez um apelo pela população da cidade de Aleppo na Síria: famílias, crianças, idosos e pessoas doentes.

Bênção das imagens do menino Jesus

Como é tradição no 3º Domingo do Advento, centenas de crianças e adolescentes enchem a Praça de São Pedro, no Vaticano, para bênção dos “bambinelli”, que são as pequenas imagens do Menino Jesus que as crianças romanas levarão para o presépio de suas casas.

“Caras crianças, quando rezardes diante do vosso presépio, com os vossos pais, pedi ao Menino Jesus que nos ajude todos a amar a Deus e ao próximo. E lembrai-vos de rezar também por mim, como eu me lembro de vós”, pediu Francisco.

 

“Sabedoria da Cruz” na vida de João Paulo II

Cardeal Cottier: a “Sabedoria da Cruz” na existência de João Paulo II

“O sofrimento é aquele continente do qual ninguém pode dizer ter alcançado os confins”.

“Mediante o sofrimento é possível progredir no dom de si e alcançar o grau mais alto do amor”: esses dois pensamentos de São João Paulo II foram evocados pelo Teólogo emérito da Casa Pontifícia, Cardeal George Marie Martin Cottier, em sua conferência no simpósio realizado esta terça-feira, no Vaticano, sobre o tema “A Sabedoria da Cruz no pensamento e no testemunho de São João Paulo II”, promovido pela Pontifícia Universidade Lateranese.

O cardeal desenvolveu uma longa reflexão sobre a espiritualidade do Papa Wojtyla, marcada pelas vicissitudes pessoais e familiares, desde muito jovem, com a perda da mãe quando ele tinha apenas nove anos – quatro anos após o falecimento do irmão mais velho, que era médico; com a perda do pai – “seu mestre espiritual” – aos 21 anos.

A esse ponto de sua vida, o jovem Wojtyla confiou-se somente a Deus e mostrará ao longo de toda a sua existência uma grande e intensa atenção a todas as formas de sofrimento”, observou o conferencista evocando as fontes espirituais dessa predisposição interior: de um lado, os escritos de São Luís Maria Grignon de Monfort (“Tratado sobre a verdadeira devoção a Maria”) e, do outro, os escritos de São João da Cruz.

“Toda a biografia de São João Paulo II é marcada pelo sofrimento e por uma forte sensibilidade que Karol Wojtyla mostrou, desde muito jovem, a todas as formas de sofrimento”, prosseguiu o Cardeal Cottier em sua conferência sobre a “Sabedoria da Cruz” no Papa Santo.

“Diante da massa enorme de sofrimento da humanidade, que por vezes parece desmedida e cruel, muitos cedem e se rebelam porque muitas formas de sofrimento não encontram explicação”, disse.

“Porém – continuou –, nos ensinamentos do Papa Wojtyla a dor tem significado, aliás, mediante a fé nos faz partícipes, de modo profundo, do próprio mistério de Deus.”

O purpurado suíço citou a visita do Papa, no dia seguinte ao de sua eleição à Cátedra de Pedro, ao então Bispo Andrzej Maria Deskur – internado na Policlínica “Gemelli” em Roma –, criado Cardeal pelo próprio João Paulo II em 25 de maio de 1985.

Durante a visita Karol Wojtyla dirigiu-se aos doentes – admirados por encontrar o novo Sucessor de Pedro no meio deles – pedindo-lhes a sua oração “que me dá – disse o Papa – uma força especial para realizar menos indignamente a missão que me foi confiada com esse ministério”.

Segundo o Cardeal Cottier, foi ainda mais eloqüente “a doação de seu sofrimento a Deus e em favor da Igreja, um dia após ao do atentado de 13 de maio de 1981, cujas consequências se fizeram sentir pelo restante de sua vida e que ele ofereceu como sacrifício para acompanhar a Igreja na entrada do terceiro milênio da era cristã”.

Fonte: Rádio Vaticano  

O amor cristão não é o das novelas

Homilia de Francisco, quinta-feira, 9 de janeiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que o amor cristão é generoso, baseado mais em obras concretas que em palavras

O amor cristão tem sempre a característica de ser “concreto”, está mais nas obras que nas palavras, mais em dar do que em receber. Este foi o centro da reflexão proposta pelo Papa Francisco, em Missa celebrada, nesta quinta-feira, 9, na Casa Santa Marta.

Nada de romantismo: ou é um amor altruísta e solícito ou nada tem a ver com o amor cristão. As reflexões do Papa partiram da Primeira Carta de João, na qual o apóstolo fala sobre o amor entre os homens e com Deus.

“Nós em Deus e Deus em nós: esta é a vida cristã. Não permanecer no espírito do mundo, na superficialidade, na idolatria, na vaidade. Não, não. Permanecer no Senhor. E Ele retribui isso: Ele permanece em nós”.

Francisco atentou para o fato de que esse amor de que fala João não é o amor das novelas. O amor cristão, segundo ele, tem a qualidade da concretude, conforme fala o próprio Jesus: dar de comer aos famintos, visitar os doentes e outras obras concretas.

“E quando não há esta concretude, pode-se viver um Cristianismo de ilusões, porque não se entende bem onde está o centro da mensagem de Jesus. Este amor não chega a ser concreto: é um amor de ilusões”.

E esta concretude do amor, segundo o Papa, está baseada em dois critérios: amar com as obras, e não com palavras e saber que, no amor, é mais importante dar do que receber. “Permanecer com coração aberto, permanecer em Deus e Deus permanece em nós; permanecer no amor”.

 

“O amor cristão é concreto e generoso, não é como aquele das telenovelas”
Homilia em Santa Marta: Papa Francisco enfatiza que o amor de que Jesus fala não é o êxtase espiritual, mas se traduz em ações concretas e tem mais para dar do que para receber
Por Salvatore Cernuzio
ROMA, 09 de Janeiro de 2014 (Zenit.org) – O amor cristão ou é altruísta, generoso, alegra-se “mais em dar do que em receber “, ou, é um amor “romântico”, de telenovela. Não é brincadeira: o argumento levantado pelo Papa Francisco na missa em Santa Marta é rigoroso. O amor cristão tem sempre uma característica: a concretização. O amor cristão é “concreto”, diz o Papa, guiado em sua reflexão por São João, na primeira carta, ele reitera várias vezes: “Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e o amor Dele é perfeito em nós”.
É neste “permanecer duplo” de “nós em Deus e Deus em nós”, que reside a “vida cristã” e a experiência de fé. Não “no espírito do mundo” ou “na superficialidade, na idolatria, na vaidade”, adverte o Santo Padre. É fundamental “permanecer no Senhor”, e Ele “corresponde-nos: Ele permanece em nós”, por iniciativa própria. Mesmo quando – afirma Francisco – “muitas vezes nós o expulsamos”, nós “não podemos permanecer Nele”, resta ainda “o Espírito”.
Este “permanecer no amor de Deus” – esclarece o Papa- não tem apenas uma dimensão espiritual, mas também se traduz na “carne”, em ação concreta. Não se limita a um êxtase do coração ou a algo agradável de se ouvir. “Observem que amor de que nos fala João não é o amor das telenovelas! Não, é outra coisa”, reitera firmemente o Papa.
“O próprio Jesus – continua Bergoglio – quando fala sobre o amor, nos fala de coisas concretas: alimentar os famintos, visitar os doentes”, e assim por diante. Se no amor não há a “concretude cristã” – disse o Papa – arrisca-se “viver um cristianismo de ilusões, porque não está claro qual é o centro da mensagem de Jesus”. É um “amor de ilusões”, como aconteceu aos discípulos quando – diz o Evangelho de hoje – ficaram perturbados ao ver Jesus andando em direção a eles sobre o mar: “Eles pensavam que fosse um fantasma”.
O estupor dos Apóstolos – destaca o Santo padre – “vem da dureza de coração”, porque “eles não entenderam” a multiplicação dos pães ocorrida pouco antes, como afirma o Evangelho. “Se você tem um coração endurecido, você não pode amar, e você acha que o amor é imaginar coisas”- exorta Francisco.
Então, para medir a concretude do amor cristão, devemos refletir sobre dois aspectos. Primeiro: “Amar com as obras, não com as palavras. As palavras são levadas pelo vento! Hoje estão e amanhã não estão mais”- disse o Pontífice. Segundo: “No amor é mais importante dar do que receber. Quem ama dá, dá, … Dá coisas, dá vida, dá -se a Deus e aos outros. Ao contrário, quem não ama, quem é egoísta, busca sempre receber, tenta sempre ter coisas, levar vantagem”.
A “moral” da homilia de hoje do Papa Francisco é, portanto, clara: “Permanecer com o coração aberto, não como era aquele dos discípulos, que era fechado, eles não percebia nada: permanecer em Deus e Deus em nós; permanecer no amor.”
(Trad.:MEM)

Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris laetitia”

A alegria do amor na família
http://pt.radiovaticana.va/news/2016/04/08/exorta%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%9Camoris_laetitia%E2%80%9D_a_alegria_do_amor_na_fam%C3%ADlia/1221252

Foi publicada no dia 8 de abril a Exortação Apostólica pós-Sinodal do Papa Francisco sobre a família. “Amoris laetitia”, a “Alegria do Amor” é um texto de nove capítulos no qual o Santo Padre recolhe os resultados de dois Sínodos dos Bispos sobre a família ocorridos em 2014 e 2015 citando anteriores documentos papais, contributos de conferências episcopais e de várias personalidades.

É uma Exortação Apostólica ampla com mais de 300 parágrafos e que nos primeiros 7 evidencia a plena consciência da complexidade do tema. Em particular, o Papa escreve que para algumas questões ”em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De facto, “as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (…), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado”.

Capítulo primeiro: “À luz da Palavra”

No primeiro capítulo o Papa articula a sua reflexão a partir das Sagradas Escrituras, em particular, com uma meditação acerca do Salmo 128, característico da liturgia nupcial hebraica, assim como da cristã. A Bíblia ”aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares”(AL 8).

Capítulo segundo: “A realidade e os desafios das famílias”

Partindo do terreno bíblico, o Papa considera no segundo capítulo a situação atual das famílias, mantendo ”os pés assentes na terra” (AL 6) como se pode ler na Exortação. A humildade do realismo ajuda a não apresentar ”um ideal teológico do matrimónio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são”(AL 36). O matrimónio é “um caminho dinâmico de crescimento e realização”. “Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las”(AL37) refere o Papa Francisco no seu texto, pois, Jesus propunha um ideal exigente, mas ”não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis como a samaritana ou a mulher adúltera” (AL 38).

Capítulo terceiro: “O olhar fixo em Jesus: a vocação da família”

O terceiro capítulo da Exortação é dedicado a alguns elementos essenciais do ensinamento da Igreja acerca do matrimónio e da família. Em 30 parágrafos ilustra a vocação à família de acordo com o Evangelho, assim como ela foi recebida pela Igreja ao longo do tempo, sobretudo quanto ao tema da indissolubilidade, da sacramentalidade do matrimónio, da transmissão da vida e da educação dos filhos. Fazem-se inúmeras citações da Gaudium et spes do Vaticano II, da Humanae vitae de Paulo VI, da Familiaris consortio de João Paulo II.

O Papa Francisco neste capítulo terceiro lembra um princípio geral importante: “Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações” (Familiaris consortio, 84). O grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, e podem existir fatores que limitem uma capacidade de decisão. Por isso, ao mesmo tempo que se exprime com clareza a doutrina, há que evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diferentes situações e é preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição” (AL 79).

Capítulo quarto: “O amor no matrimónio”

O amor no matrimónio é o título do quarto capítulo desta Exortação e ilustra-o a partir do “hino ao amor” de S. Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 13, 4-7). Este capítulo desenvolve o carácter quotidiano do amor que se opõe a todos os idealismos: ”não se deve atirar para cima de duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a união que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrimónio como sinal implica um processo dinâmico, que avança gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus” (AL 122).

Também neste capítulo uma reflexão sobre o amor ao longo da vida e da sua transformação. Pode-se ler no documento: “Não é possível prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum estável, comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos até que a morte nos separe, e viver sempre uma rica intimidade” (AL 163).

Capítulo quinto: “O amor que se torna fecundo”

O capítulo quinto desta Exortação Apostólica foca-se sobre a fecundidade, do acolher de uma nova vida, da espera própria da gravidez, do amor de mãe e de pai. Mas também da fecundidade alargada, da adoção, do acolhimento do contributo das famílias para a promoção de uma “cultura do encontro”, da vida na família em sentido amplo, com a presença de tios, primos, parentes dos parentes, amigos. A “Amoris laetitia” não toma em consideração a família ”mononuclear”, mas está bem consciente da família como rede de relações alargadas. A própria mística do sacramento do matrimónio tem um profundo carácter social (cf. AL 186). E no âmbito desta dimensão social, o Papa sublinha em particular tanto o papel específico da relação entre jovens e idosos, como a relação entre irmãos como aprendizagem de crescimento na relação com os outros.

Capítulo sexto: “Algumas perspetivas pastorais”

No capítulo sexto da exortação o Papa aborda algumas vias pastorais que orientam para a edificação de famílias sólidas e fecundas de acordo com o plano de Deus. Em particular, o Papa observa que ”os ministros ordenados carecem, habitualmente, de formação adequada para tratar dos complexos problemas atuais das famílias” (AL 202). Se, por um lado, é necessário melhorar a formação psico-afetiva dos seminaristas e envolver mais a família na formação para o ministério (cf. AL 203), por outro ”pode ser útil também a experiência da longa tradição oriental dos sacerdotes casados” (AL 202).

Também neste sexto capítulo uma importante referência à preparação para o matrimónio e do acompanhamento dos esposos nos primeiros anos da vida matrimonial (incluindo o tema da paternidade responsável), mas também em algumas situações complexas e, em particular, nas crises, sabendo que ”cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração” (AL 232).

Espaço neste capítulo para o acompanhamento das pessoas abandonadas, separadas ou divorciadas. É colocado em relevo o sofrimento dos filhos nas situações de conflito. Ao mesmo tempo é reiterada a plena comunhão na Eucaristia dos divorciados e em relação aos divorciados recasados é reforçada a sua “comunhão eclesial” e o acompanhamento das suas situações que não deve ser visto como uma debilidade da indissolubilidade do matrimónio mas uma expressão de caridade.

Referidas também as situações dos matrimónios mistos e daqueles com disparidade de culto, e a situação das famílias que têm dentro de si pessoas com tendência homossexual, insistindo no respeito para com elas e na recusa de qualquer discriminação injusta e de todas as formas de agressão e violência. No final do capítulo uma especial nota para o tema da perda das pessoas queridas e também da viuvez.

Capítulo sétimo: “Reforçar a educação dos filhos”

O capítulo sétimo é integralmente dedicado à educação dos filhos: a sua formação ética, o valor da sanção como estímulo, o realismo paciente, a educação sexual, a transmissão da fé e, mais em geral, a vida familiar como contexto educativo. É ressaltado pelo Santo Padre que “o que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia” (AL 261).

A secção dedicada à educação sexual intitula-se muito expressivamente: «Sim à educação sexual». Sustenta-se a sua necessidade e formula-se a interrogação de saber ”se as nossas instituições educativas assumiram este desafio (…) num tempo em que se tende a banalizar e empobrecer a sexualidade”. A educação sexual deve ser realizada ”no contexto duma educação para o amor, para a doação mútua” (AL 280) – lê-se na Exortação. É feita uma advertência em relação à expressão ”sexo seguro”, pois transmite ”uma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade, como se um possível filho fosse um inimigo de que é preciso proteger-se. Deste modo promove-se a agressividade narcisista, em vez do acolhimento”. (AL 283).

Capítulo oitavo: “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”

O capítulo oitavo faz um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral diante de situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor propõe. O Papa usa aqui três verbos muito importantes: ”acompanhar, discernir e integrar”, os quais são fundamentais para responder a situações de fragilidade, complexas ou irregulares. Em seguida, apresenta a necessária gradualidade na pastoral, a importância do discernimento, as normas e circunstâncias atenuantes no discernimento pastoral e, por fim, aquela que é por ele definida como a ”lógica da misericórdia pastoral”.

As situações ditas de irregulares devem ter um discernimento pessoal e pastoral e – segundo a Exortação –  “os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis”.

Em particular, o Santo Padre afirma numa nota de pé de página que “em certos casos poderá existir também a ajuda dos sacramentos”, recordando que o confessionário não deve ser uma sala de tortura e que a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um alimento para os débeis”.

Mais em geral, o Papa profere uma afirmação extremamente importante para que se compreenda a orientação e o sentido da Exortação: ”é compreensível que não se devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canónico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos” (AL 300).

O Papa desenvolve em profundidade as exigências e características do caminho de acompanhamento e discernimento em diálogo profundo entre fiéis e pastores. A este propósito, faz apelo à reflexão da Igreja ”sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes” no que respeita à imputabilidade das ações e, apoiando-se em S. Tomás de Aquino, detém-se na relação entre «as normas e o discernimento», afirmando: ”É verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem descuidar, mas, na sua formulação, não podem abarcar absolutamente todas as situações particulares. Ao mesmo tempo é preciso afirmar que, precisamente por esta razão, aquilo que faz parte dum discernimento prático duma situação particular não pode ser elevado à categoria de norma” (AL 304).

Espaço ainda neste capítulo para a lógica da misericórdia pastoral e para o convite do Papa Francisco nas suas palavras finais: «Convido os fiéis, que vivem situações complexas, a aproximarem-se com confiança para falar com os seus pastores ou com leigos que vivem entregues ao Senhor. Nem sempre encontrarão neles uma confirmação das próprias ideias ou desejos, mas seguramente receberão uma luz que lhes permita compreender melhor o que está a acontecer e poderão descobrir um caminho de amadurecimento pessoal. E convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja» (AL 312).

Capítulo nono: “Espiritualidade conjugal e familiar”

O nono capítulo é dedicado à espiritualidade conjugal e familiar, ”feita de milhares de gestos reais e concretos” (AL 315). Diz-se com clareza que ”aqueles que têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito, mas é um percurso de que o Senhor Se serve para os levar às alturas da união mística” (AL 316). Tudo, ”os momentos de alegria, o descanso ou a festa, e mesmo a sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição” (AL 317).

No parágrafo conclusivo, o Papa afirma: ”Nenhuma família é uma realidade perfeita e confecionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar. (…). Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! (…). Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (AL 325).

Santidade

Santo é quem deixa Deus conduzir a sua vida

“A vontade de Deus é que sejais santos” (1Ts 4,3).

Num determinado tempo litúrgico, a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Celebramos os santos canonizados e os não canonizados, todos os que estão na glória de Deus, ou seja, os que fizeram o bem, os que colocaram em prática os ensinamentos de Jesus.

Santos são modelos para nós, são homens e mulheres que assumiram o Evangelho e souberam amar Cristo; hoje, desfrutam a alegria de ver Deus. Mas a santidade não é só para os que já morreram. Todos somos chamados a vivê-la: “A vontade de Deus é que sejais santos” (1Ts 4,3). Ela não é fruto do esforço humano, que procura alcançar Deus com suas forças e até com heroísmo. É um dom do amor de Deus acompanhado da resposta do homem, que acolhe o dom, pois Cristo deu a sua vida pela nossa santificação (cf. Ef 5,25-26).

Deus, na Sua infinita Misericórdia, chama-nos à santidade. Jesus nos ensina que o homem que se reconhece pecador e sabe que só Deus salva está no caminho da santidade (cf. Lc 18, 9-14). Deus ama o pecador, mas não ama o pecado. O Amor de Deus é sem limites, não conhece restrição, envolve tudo, é maior que qualquer pecado: “Onde, porém, se multiplicou o pecado, a graça transbordou” (Rm 5,20).

Deste modo, a santidade não é fruto de um esforço de fazer perder o fôlego, mas a capacidade de ultrapassar nossas próprias condenações, de nos olharmos com o olhar de amor e ternura com que Deus nos olha e continuarmos a fazer o bem no meio de nossa fraqueza. É descer até as profundezas da humildade, reconhecendo a própria fraqueza e pedindo a Deus a graça da santificação: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente” (2Cor 12,9).

A força da santidade vem na medida em que nos esvaziamos e damos espaço para o Espírito Santo de Deus agir e nos santificar, pois santo é quem, ao saber que é acolhido incondicionalmente por Deus, aceita sua fraqueza e se deixa levar por Aquele que o ama, isto é, santo é quem deixa Deus conduzir a sua vida! Sabemos que a esperança não decepciona, por isso nós nos alegramos na esperança da glória de Deus.

Nesta terra, somos peregrinos, somos caminheiros da esperança, caminhamos para o Céu, nossa pátria definitiva.

Não existe vida cristã nem santidade sem vida de oração. A oração tanto pessoal como comunitária é lugar no qual o cristão cultiva sua amizade com Cristo, alimentado pela Palavra e a Eucaristia. A oração diária é sinal do primado da graça no caminho do discípulo missionário. Por isso é necessário aprender a orar.

Vamos rezar pela multidão de santos e santas anônimos, que, na rotina de seu cotidiano, constroem o Reino de Deus. Vamos pedir a Ele a graça de, em meio as nossas fraquezas e pecados, sermos capazes de, cada vez mais, testemunhar a santidade em nosso mundo.

Dunga
Comunidade Canção Nova
(Extraído do livro “Respostas para o jovem PHN”)

João Paulo II conquistou o amor do mundo

Por Mons. Inácio José Schuster

O Papa São João Paulo II, homem de Deus, durante 27 anos esteve à frente da Igreja de Cristo.
Sem armas, sem poder temporal, obediente somente ao mandato do Senhor, “Confirma teus irmãos na fé” (Lc 22,30), São João Paulo II conquistou o amor do mundo.
Dentre os inúmeros acontecimentos que atestaram esta realidade podemos destacar dois. Um foi a intensa e comovente reação em todos os quadrantes da terra ao atentado de 13 de maio de 1981. Sobre esse dia, escreveu ele no seu Testamento: “(…) no dia do atentado ao Papa, durante a audiência geral, na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me de modo milagroso da morte. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento, ela pertence-lhe ainda mais (…). Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo quiser. ‘Na vida e na morte pertencemos ao Senhor… somos do Senhor’” (cf. Rm 14,8). Pessoas de todas as condições sociais, de crenças as mais diversas, sofreram terrível impacto e se uniram na dor, nas lágrimas e na confiança. Outro fato, não menos impactante, mas permeado de uma profunda espiritualidade, foram os momentos que se seguiram desde o final dos seus dias até o seu sepultamento. A 2 de abril de 2005, o mundo chorou a morte do Papa e se regozijou por ter mais um intercessor junto de Deus.
Em pouco tempo, São João Paulo II se constituiu em patrimônio da Humanidade. Todos nós fomos feridos nos sentimentos de amor e admiração pela figura invulgar daquele Papa que, para nós, brasileiros, o chamava-nos de “João de Deus”. Foi o guardião duma verdade que não é deste mundo, mas que nasce do mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo, sem interesses outros que não os de revelar ao homem sua sublime dignidade. Tornou-se símbolo de Fé para tantos que já não mais sabiam crer. Conseguiu devolver a muitos confiança e imortal esperança.
Quem não se lembra de seus ensinamentos? A dignidade intocável do homem, eis o grande tema básico! Em sua Encíclica “Dives in Misericordia”, de 30 de novembro de 1980, com voz poderosa, parece querer acordar um “gigantesco remorso” na consciência dos povos: “Enquanto uns, abastados e fartos, vivem na abundância, dominados pelo consumismo e pelo prazer, não faltam, na mesma família humana, indivíduos e grupos sociais que passam fome. Não faltam crianças que morrem de fome sob o olhar de suas mães” (VI, 11.4).
São João Paulo II compreendeu profundamente os arcanos, os abismos do coração. Descreveu, numa visão genial, as aspirações da época moderna. Diante do mistério da iniquidade, capaz de transformar em rancor, ódio e crueldade a promoção do direito, exclama: “A experiência do passado e do nosso tempo demonstra que a justiça, por si só, não é suficiente” (Idem VI, 12.3). Se o indivíduo não “recorrer a forças mais profundas do espírito, forças que condicionam a própria ordem da justiça”, será ameaçado o fundamento jurídico.
Constituído por Jesus Cristo como Pastor e Mestre, foi, em seu Pontificado, símbolo de misericórdia.
Hoje, com tamanhos sofrimentos que assolam o mundo, tanta dor, morte sem pranto, corações revoltados e que não querem aprender a confiança, repitamos o convite de São João Paulo II: “Devemos recorrer a esta mesma misericórdia em nome de Cristo e em união com ele (…). O Pai, aquele que vê o que é secreto, está continuamente à espera, por assim dizer, de que nós, apelando a ele em todas as necessidades, perscrutemos cada vez mais o seu mistério: o mistério do Pai e do seu amor” (“Dives in misericordia”, I, 2.7).
Quando falamos em São João Paulo II, naturalmente, vem à lembrança suas viagens ao Brasil. Particularmente, as duas vindas ao Rio de Janeiro. Em 1980 preparamos detalhadamente a primeira visita que teve a participação de uma multidão de fiéis, mas o que assisti em 1997, por ocasião do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias, ultrapassou tudo o que já havia presenciado em outras ocasiões. Na verdade, convivi com um homem marcado pelo sofrimento, as angústias da humanidade. Ao mesmo tempo, percebia a leveza de espírito que anunciava a alegria do Evangelho autêntico.
Sem se cansar ele conquistou o afeto do povo brasileiro, que carinhosamente chamava de “João de Deus”. Os homens de cultura receberam suas sábias e exigentes orientações. Os doentes, os mais pobres, os leprosos, não só viram suas lágrimas, mas dele ouviram a palavra da Fé, da fraternidade, da esperança e do amor que já não morre. Os políticos e as crianças, índios, os agricultores, operários e presidiários, os sacerdotes, os religiosos, os bispos, todos acolhemos filialmente suas diretrizes, novo ânimo e segurança.
As vibrações do entusiasmo de nosso povo significavam realmente a imagem simbólica e representativa da admiração e gratidão que o mundo devota ao Papa São João Paulo II.
Nosso “João de Deus” fez renascer a confiança e esse estado de espírito jamais será estéril. Seu exemplo, ainda hoje, deve acordar nossas consciências para os ensinamentos de quem recebeu de Cristo a missão de encaminhar os homens para Deus.

São Francisco de Assis – 04 de Outubro

O pobre de Deus

A Igreja está em festa, porque celebramos hoje um dos Santos que mais se assemelhou a Jesus Cristo, pela sua vida, radicalidade em viver o Evangelho, amor aos pobres e a natureza, São Francisco com a sua vida reconquistou a harmonia que o pecado original havia desfeito. Harmonia com o Pai Criador, com os irmãos e a com natureza, é padroeiro da ecologia. A revista time em uma grande pesquisa o elegeu como personalidade do milênio. Tudo porque ele semeava a paz, como um grande girassol Francisco cresceu sempre voltado para Deus, sua fonte e seu fim, até a morte ele chamou de irmã. Trazemos em nós varias sementes, como temos semeado? O mundo é a grande plantação de Deus, sejamos como Francisco semeemos a paz, o amor, a alegria, o perdão, a paciência… Ele foi eleito o homem do milênio, porque viveu para os outros, “o mundo tem saudade de Francisco”, disse o Papa João Paulo II quando visitou Assis, hoje eu e você precisamos ser grandes plantadores de girassóis. Depois do Pai-Nosso, não há oração mais famosa e difundida no mundo ocidental do que a oração de São Francisco de Assis. Sem sombra de dúvida, e não desmerecendo os demais, Francisco é na atualidade o santo popular de maior apelo universal. O prestígio e a devoção a Francisco ultrapassam as fronteiras da fé cristã e sensibilizam pessoas das mais diferentes crenças e religiões. Ele procurava as grutas para ali rezar ao grande Sol da Justiça: Jesus Cristo, não se achou digno de ser padre, foi Diácono permanente. Uma alma adoradora, que chegou a receber em seu corpo as chagas do Crucificado.

O que significa o Tau?
O TAU tem a forma da letra grega TAU (T) que é uma cruz. São Francisco adotou esta letra, que é a última do alfabeto hebraico e que também é letra do alfabeto grego, como seu símbolo, porque nele viu um sentido positivo e de salvação. Com efeito, lê-se, no livro do profeta Ezequiel: O Senhor disse-lhe «Vai pela cidade, atravessa Jerusalém e marca uma cruz na fronte dos homens que gemem e se lamentam por causa das abominações que nela se praticam.» E aos outros ouvi-o dizer: «Ide pela cidade atrás dele e feri-o. Que o vosso olhar não poupe ninguém nem tenha piedade. Velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, matai-os a todos e exterminai toda a gente; mas não toqueis naqueles que foram marcados na fronte” (Ez 9, 4-6). Na antiga escrita hebraica esta letra tinha a forma de uma cruz oblíqua. Os analfabetos serviam-se deste sinal para assinar (Jb 31, 35). No Apocalipse, os servos de Deus são marcados com um sinal (Ap 7, 2-8; 9,4). Desde os Padres da Igreja até hoje, viu-se no Tau um símbolo da cruz. A forma do Tau fez lembrar a Francisco a cruz em que Jesus foi cravado. E por isso é que ele costumava fazer a sua assinatura com o Tau e o Tau se tornou o seu símbolo e sinal por excelência. Os três nós que se seguem no cordão que o segura ao pescoço, significa os votos de Pobreza, Obediência e Castidade que fazem os religiosos.

ORAÇÃO DA PAZ
Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó Mestre fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado. E é morrendo que se vive para a vida eterna. Amém.

Bênção de São Francisco
O Senhor te abençoe e te guarde. Te mostre a sua face e se compadeça de ti. Volva para ti o seu rosto e te dê a paz! O Senhor te abençoe!

“A alegria exorciza o demônio”.

“O amor não é amado!”

 

Deus trouxe-o ao mundo para encamar a prática da pobreza e simplicidade evangélica; com o desapego de si mesmo e de todas as coisas chegou a ser imagem viva do Crucificado e modelo da altura a que pode chegar o homem mortal, com a graça de Deus.
Nasceu em Assis, na Úmbria, Itália, entre 1181 e 1182; deram-lhe o nome de João no batismo, mas uma circunstância casual – o fato de o pai se encontrar na França quando ele veio à luz – determinou que fosse sempre designado com o nome de Francisco, quer dizer, Francês.
Foi de estatura um tanto menor que a média e pele morena. Bem formado o nariz e algum tanto atilado; compridos e delgados os dedos; a testa baixa; direito o corpo; a voz apaixonada, doce e sonora.
Não nasceu santo, pois até aos 25 anos viveu como um de tantos outros jovens: alegre, divertido e amigo de festas, tão esbanjador e pródigo que entre os parentes dizia-se: mais parece um príncipe que o filho de Pedro Bernardone.
Para defender a sua terra contra Perúsia, tomou as armas aos 20 anos e foi aprisionado. Em 1202 alistou-se outra vez, desta nas hostes do papa Inocêncio m. Mas um sonho inesperado desviou-o do caminho da batalha. Ouviu que o chamavam pelo nome, lhe davam uma palmada no ombro e o levavam a formoso palácio, em que habitava uma belíssima noiva. Tudo isto devia referir-se a ele e aos que o seguissem. Alentado com o sonho, saiu para a Apúlia, e em Espoleto ouviu estronda voz: «Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?». Ele respondeu que ao amo. «Porque, então, transformas o amo em criado?», replicou a voz. A alma abriu-se à luz e respondeu, como Paulo: «Que queres que eu faça?» – «Volta ao lugar do teu nascimento e lá te será dito o que deves fazer».
De Espoleto voltou inteiramente mudado a Assis. Todos o notaram: já não era o jovem divertido de antes. Foi como peregrino a Roma e, para experimentar o que era a pobreza, comprou os farrapos a um mendigo e passou um dia inteiro, à porta de São Pedro, pedindo esmola. Ao vir a noite, voltou a ser o filho do comerciante rico de Assis.
Voltando a Assis com grande amor aos pobres, aconteceu-lhe, indo a cavalo, encontrar-se com um leproso que lhe estendeu a mão. Noutro tempo, ter-lhe-ia lançado de longe umas moedas; agora desce, dá-lhe esmola, beija-lhe a mão e abraça-o. Assim ficava abolido o laço com o passado. Começou por cuidar dos leprosos; frequentava-lhes as cabanas e levava-lhes esmolas, beijando sempre essas mãos repelentes.
Fora dos muros, não longe de Assis, havia uma igreja de São Damião, que ameaçava ruína. Francisco entrou para orar e ouviu a um Santo Cristo: «Francisco, vai e repara a minha igreja». Não foi preciso mais para se consagrar com toda a alma à reparação da ermida. Vendeu alguns panos, o cavalo e começou a pedir esmola; tudo entregou ao padre de São Damião e ele próprio colocou-se a servi-lo. Reparou-se a igreja, mas Francisco continuou a mendigar. A rapaziada ria-se dele, atirava-lhe pedras e lodo; o próprio pai, envergonhado e irado, deserdou-o e amaldiçoou-o. Francisco, como única resposta, disse: Daqui por diante, quero dizer: Pai Nosso, que estais nos céus».
Por essa altura, um cavalheiro com cancro na boca, que vinha de visitar o sepulcro de São Pedro, beijou as pisadas de Francisco. O Santo, envergonhado, beijou-lhe por sua vez o cancro e vê-lo sarar imediatamente.
O pai continuava a amaldiçoar o filho todas as vezes que o encontrava com o  estuário de mendigo. Um dia tomou consigo Francisco um pobre e disse-lhe: «Vem comigo e, quando ouvires o meu pai a amaldiçoar-me, eu dir-te-ei: – Abençoa-me, pai. E tu farás sobre mim o sinal da cruz». A um irmão mais novo que, numa manhã de rigoroso Inverno, o vê quase nu e escarnece, pedindo-lhe com ironia que lhe venda uma gota de soro responde: “Não, que o vendo mais caro ao meu Senhor”.
No campo de Assis havia uma ermida de Nossa Senhora, chamada Porciúncula. Tinha o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes.
A vitória cristã das Navas de Tolosa, no ano de 1212, abriu novos horizontes aos olhos apostólicos de São Francisco. No Outono, embarcou em Ancona com idéia de passar à Síria e pregar aos Turcos; uma tempestade obrigou-o a voltar à Itália. Em 1213 saiu da Espanha, a caminho da África; mas adoeceu e teve de voltar atrás.
Em 1215, por causa do IV Concílio de Latrão, vê-lo em Roma. Ouviu falar Inocêncio III sobre a letra Tau, como sinal de penitência e de nova vida. «Tau é a última  do alfabeto grego e representa a forma da cruz, antes que se lhe pusesse o INRI Jesus Nazareno Rei dos Judeus). Traz este sinal dos predestinados, na sua fronte, aquele que submete todas as suas ações ao poder da cruz». Desde então adaptou Francisco o Tau como símbolo da devoção dos seus frades. Tau foi a sua rubrica; com ela marcava os lugares onde habitava, assinava as cartas e sobretudo autenticava a sua alma.
Em 1217, visitou novamente Roma, a seguir a França, e em Junho de 1219 embarcou para o Oriente: Chipre, São João de Acre e Egito. Em Damieta, pregou o Evangelho na própria corte do Sultão. Voltou em 1220 a São João de Acre, na costa da Síria, e peregrinou até aos Lugares Santos, «tendo o coração cheio de ansioso respeito pela terra que tinha pisado o Divino Mestre».
Quando voltou a Itália, no Verão de 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho. E com a eleição de Frei Elias para Vigário Geral, o espírito do século foi aumentando. No Capítulo Geral de 1219 tinham-se reunido cerca de 5.000 frades; no de 1221, Francisco esforçou-se por impor o genuíno espírito da Fraternidade, tal como ele a concebia; mas era tarde. Os dois anos seguintes foram a sua agonia.
Da viagem do Oriente tinha voltado muito quebrantado; agora sentiu a infidelidade e a traição; dores físicas e decaimento moral. À posição de desprezo de alguns respondia: Parece-me que não seria eu Frade Menor se não me alegrasse com ser tido por nada e repelido com ignomínia». Em 1223 foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida.
Em 1224, no retiro do Monte Alverne, chegou à máxima união a Cristo Senhor com a impressão das cinco chagas no seu corpo, e trouxeram-no de lá como relíquia viva. Aproximava-se a morte e quis que o levassem para Assis, aonde chegou cego e onde o receberam os seus conterrâneos como Santo, não como mortal. Em S. Damião compôs o hino do Irmão Sol e a seguir retirou-se para morrer na Porciúncula. As sombras cobriam a planície, mas os cumes estavam iluminados pelo Sol, símbolo da fraqueza corporal de Francisco e da grandeza espiritual.
No dia em que viu a morte próxima, saudou-a cavalheirescamente como Irmã e disse ao médico que, fazendo de arauto, anunciasse a vinda dela, pois «constituía para ele a porta da vida». Na agonia, os Frades deviam colocá-lo no chão e depois «deixar estendido o seu corpo já defunto, tanto tempo quanto é necessário para caminhar pausadamente uma milha». Até ao fim esteve jazendo sem hábito no chão nu, enquanto lhe liam, por expresso desejo seu, a Paixão segundo São João. Terminada a leitura, quis que o pusessem sobre uma serapilheira e o aspergissem com cinza, prenunciando o seu enterro, porque, sempre cortês, queria dar bom acolhimento à Irmã Morte, com todas as suas pompas austeras.
Rodeado pelos Frades, em dolorosa e reverente espera, morreu a 3 de Outubro de 1226. Era a hora a seguir ao pôr do Sol. Fora da cela, tinha-se reunido uma quantidade de calandras à luz crepuscular e enchia o ar de alegres melodias.
Um dos frades, santo varão, viu naquele momento um resplandecente globo de fogo, levado por uma nuvenzinha, subindo como se atravessasse muitas águas, em direção ao céu. Passados dois anos incompletos, a 16 de Julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda