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Sacramento do Matrimônio

“Perdoar é permitir que o outro entre de novo na história de sua vida” (autor desconhecido).

“Ninguém é perfeito, até que você se apaixone por essa pessoa” (W.Shakeaspeare).

“Se queres prolongar o amor não permitas que a desconfiança te domine em relação à pessoa amada” (Ovídio).

“Se você ama alguém, deixo-o livre; se ele voltar, ele é seu; se não, nunca foi” (Richard Bach).

“A medida do amor é amar sem medida” (Santo Agostinho).

“Gosto e preciso de ti, mas quero logo explicar, não gosto porque preciso. Preciso sim, por gostar” (Mário Lago).

“Amar não é apoderar-se do outro para completar-se, mas dar-se ao outro para completá-lo” (autor desconhecido).

“Apenas em torno de uma mulher que ama se pode formar uma família” (Friedrich Schlegel).

“O bom casamento é um eterno noivado” (Theodor Korner).

“Durante o vosso casamento finjam que ainda não são casados e tudo irá bem. Que haja sempre algo de não atingido e de inacessível entre os dois” (Carl Almquist).

“Quando há casamento sem amor, há amor sem casamento” (Benjamim Franklin).

“O bom marido nunca deve ser o primeiro a adormecer à noite, nem o último a acordar pela manhã” (Honoré de Balzac).

“O casamento feliz é e continuará a ser a viagem de descoberta mais importante que o homem jamais poderá empreender” (Soren Kierkegaard).

“O casamento é a relação entre homem e mulher na qual a independência é igual, a dependência é mútua e a obrigação recíproca” (Louis Anspacher).

“O casamento é como uma longa viagem em um pequeno barco a remo: se um passageiro começar a balançar o barco, o outro terá que estabilizá-lo; caso contrário, os dois afundarão juntos” (Dr. David Reuben).

“O casamento é um edifício que deve ser reconstruído todos os dias” (André Maurois).

“Se os homens agissem depois do casamento da maneira como agem durante o namoro, haveria menos divórcios – e mais falências” (Frances Rodman).

“Não discuta com sua esposa quando ela estiver dobrando seu pára-quedas” (autor desconhecido).

“O valor do casamento não está no fato de adultos produzirem crianças, mas de crianças produzirem adultos” (Peter de Vries).

“Um homem de sucesso é o que ganha mais dinheiro do que sua mulher consegue gastar. Uma mulher de sucesso é a que consegue encontrar um homem desses” (autor desconhecido).

“Um otimista é aquele que acredita que o casamento é um jogo” (Laurence J. Peter).

“A vida de casado ensina uma lição inestimável: pensar sobre as coisas antecipadamente o bastante para não dizê-las” (Jefferson Machamer).

“Casamento é uma longa conversa entremeada de disputa” (Robert Louis Stevenson).

“O pavor da solidão é maior que o medo da escravidão: assim, nos casamos” (Cyril Connolly).

“O problema do casamento são as diferenças de expectativas: a mulher acha que o homem vai mudar após o casamento, enquanto que o homem acha que a mulher não vai mudar após o casamento” (autor desconhecido).

O casamento não produz dois prisioneiros, mas sim uma liberdade em duas pessoas. Pode dizer-se que teve êxito quando, tendo-se tomado o compromisso inicial, e tendo-se convertido a união em algo natural, os esposos nem sequer têm a impressão de estarem casados (André Frossard).

Um casamento feliz é uma longa conversa que nos parecerá sempre demasiado curta (André Maurois).

O amor humano autêntico é uma entrega total da própria pessoa: alma, coração, corpo, toda a própria vida, presente e futuro. Quando duas pessoas se amam, sabem que vão compartilhar toda a sua vida. O casal é isto: um com uma para sempre, em tudo, para terminar nos filhos. Já não são dois, mas uma só carne e uma só vida. Antes eram duas vidas independentes que, de vez em quando, coincidiam. Agora estão intimamente ligados, a vida de um é inseparável da do outro. Até nas coisas mais concretas (M. Santamaría Garai).

Amor não é olharem um para o outro, mas sim olharem ambos numa mesma direção (Antoine de Saint-Exupéry).

No verdadeiro amor não manda ninguém; ambos obedecem (Alejandro Casona).

Tal como o amor conjugal, a paixão autêntica aspira à exclusividade absoluta e à continuidade. Aquele que diz estar agora apaixonado, embora não saiba se amanhã continuará a estar, está embriagado, mas não realmente apaixonado (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

No caso ideal, também não se dirá “amo-te pela tua beleza” pela tua inteligência, pela tua força, pela tua suavidade, pois assim querer-se-ia só alguma coisa do outro (alguma coisa que indubitavelmente é digna de ser amada), mas ainda não se amaria a outra pessoa por si mesma, tal como é. No caso ideal, dever-se-ia dizer “Amo-te por seres como és”. Então, sim, amar-se-ia o outro por ele próprio, através de todas as adversidades da vida, as doenças, a velhice e até da morte (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Quem diz que amou só porque sentiu prazer não entende nada de amor. Porque quer colher, enquanto o amor é uma força que leva a semear. Quem dá porque quer receber, ou quem se dá só enquanto dar não dói, é um comerciante. Calcula. O que equivale a dizer que nunca amou. E que a pessoa amada é uma mercadoria – sujeita, como as mercadorias, a critérios de qualidade e a prazos de validade (Paulo Geraldo).

Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que pode desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na medida em que os dois estão mais unidos, porque partilham mais. Mas para partilhar é preciso dar. Dar é a chave do amor. Amor significa sempre entrega, dar-se ao outro. Só pelo sacrifício se conserva o amor mútuo, porque é preciso aprender a passar por alto os defeitos, a perdoar uma e outra vez, a não devolver mal por mal, a não dar importância a uma frase desagradável, etc. Por isso o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é devido (Juan Luis Lorda).

Um casamento feliz exige que nos apaixonemos muitas vezes e sempre pela mesma pessoa (autor desconhecido).

É claro que os esposos e os filhos são seres humanos, com falhas e defeitos. Podem surgir dificuldades, mesmo graves, mas a solução não é negar a natureza das coisas, mas precisamente apoiar-se nela para procurar ultrapassar essas dificuldades. Não se pense em situações idílicas, mas num amor que cresce no meio das dificuldades, nas canseiras, nas incomodidades, nas coisas que saem bem e nas que saem mal, problemas de saúde, apertos econômicos, cansaços, irritações passageiras, etc. E tudo isto é compatível com a felicidade. Quem ama sente-se feliz, mesmo quando não é inteiramente correspondido, embora aí possa haver uma plenitude de amor (Juan Luis Lorda).

Os cônjuges mais alegres parecem ser aqueles que não se centram exclusivamente em alcançar a sua felicidade. Não procuram constantemente a vantagem pessoal, nem seguem metas próprias de pessoas instaladas, nem tentam formar o seu próprio idílio, preferem partilhar a sua felicidade e o seu amor com os outros: filhos, familiares, amigos, vizinhos e companheiros de trabalho (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Quanto mais crescer o meu amor, mais desejarei que o outro seja o melhor e o mais perfeito possível, em suma, que se realize o máximo; e assim estarei preparado para o ajudar a alcançá-lo. Vejo com uma clareza cada vez maior como a minha auto-realização pessoal consiste em ajudar o outro a realizar-se (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Uma crise matrimonial não é nenhuma catástrofe. Quem foge dela, sobrevaloriza-a. Quem a ignora, peca por despreocupação. Deveríamos descobrir a oportunidade que ela encerra. Através de tais provas, o amor vai amadurecendo e ganhando em profundidade; cada tempestade é uma oportunidade de renovação. Com os anos vou amando cada vez mais porque quero amar, porque escolhi o outro como cônjuge e estou disposto a suportar desilusões (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

O amor não se conjuga no passado: ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente (autor desconhecido).

O amor incondicional é aquele que diz: “Vem se quiseres, vem quando quiseres, vem sejas como fores, vem faças o que fizeres. Estou aqui para te receber. Existirei para ti. Derramarei tudo o que há de bom em mim sobre ti, para te construir” (Paulo Geraldo).

Quanto mais unidade tem uma coisa mais perfeita é na sua bondade e poder (Santo Tomás de Aquino).

A fidelidade, naturalmente, tem que ver com a sexualidade, mas não se limita a ela. Implica a aceitação de ambos em todas as dimensões da sua personalidade. Normalmente, a fidelidade está presente na vida matrimonial quotidiana de uma maneira calada e pouco visível, consistindo numa constância tanto nos bons tempos como nos difíceis. É preciso a ajuda do outro, sobretudo face à monotonia diária que pode consistir nas obrigações familiares e profissionais. Mas também se requer quando se fracassa, se duvida de si mesmo ou por acaso se falhou. “Sê solidário com os teus amigos, sobretudo quando são culpados”, diz um provérbio francês. Quando alguém está prestes a cair no mais fundo da miséria, não é precisamente o parceiro aquele que, em primeiro lugar, deve lutar para ir com ele? (Jutta Burggraf, in O desafio do amor humano).

Santo Evangelho (Jo 15, 9-11)

5ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 18/05/2017 

Primeira Leitura (At 15,7-21)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 7depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu, do vosso meio, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. 8Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. 9E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. 10Então, por que vós agora pondes Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais e nem nós mesmos tivemos força para suportar? 11Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles”. 12Houve então um grande silêncio em toda a assembleia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado, por meio deles, entre os pagãos. 13Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, ouvi-me: 14Simão acaba de nos lembrar como, desde o começo, Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu Nome. 15Isso concorda com as palavras dos profetas, pois está escrito: 16“Depois disso, eu voltarei e reconstruirei a tenda de Davi que havia caído; reconstruirei as ruínas que ficaram e a reerguerei, 17a fim de que o resto dos homens procure o Senhor com todas as nações que foram consagradas ao meu Nome. É o que diz o Senhor, que fez estas coisas, 18conhecidas há muito tempo’. 19Por isso, sou do parecer que devemos parar de importunar os pagãos que se convertem a Deus. 20Vamos somente prescrever que eles evitem o que está contaminado pelos ídolos, as uniões ilegítimas, comer carne de animal sufocado e o uso do sangue. 21Com efeito, desde os tempos antigos, em cada cidade, Moisés tem os seus pregadores, que leem todos os sábados nas sinagogas”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 95)

— Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações.
— Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! cantai e bendizei seu santo nome!

— Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!

— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável pois os povos ele julga com justiça.

 

Evangelho (Jo 15,9-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João I – eleito o sucessor de Pedro 

São João I, viveu uma vida de oração, oferecendo e sempre buscando ser dócil à vontade de Deus

O santo de hoje governou a Igreja por apenas dois anos e meio. Foi eleito Papa em 523. Nasceu na Toscana, Florência, no século V. De Florência foi para Roma e tornou-se um sacerdote, um presbítero cardeal. Com a morte do Papa, ele foi eleito o sucessor de Pedro.

Marcou a Igreja com muitos trabalhos pastorais, foi o precursor do canto gregoriano e da restauração de muitas igrejas, mas o objetivo dele como Papa, foi de confirmar a fé dos irmãos; sem dúvida nenhuma, era o serviço da salvação das almas.

Papa João I viveu num tempo e contexto político-religioso complexo. Quem reinava na Itália era Teodorico, um cristão ariano, ou seja, não era fiel à doutrina católica, mas se dizia cristão. Por outro lado, existia um conflito entre Teodorico e Justino; e os dois imperadores se chocavam. No meio deste contexto complexo, a vítima foi o Papa João I, que foi forçado por Teodorico a uma missão. Nunca um Papa tinha saído da Itália; ele foi o primeiro.

A missão não agradou, porque Teodorico queria que o Papa fosse o porta-voz de uma mensagem ariana, por interesses econômicos e políticos. Mas o que podemos perceber é que este homem santo, autoridade máxima da Igreja de Cristo, não perdeu sua paz, não perdeu sua obediência a Deus. Tornou-se santo em meio aos conflitos.

Ele viveu uma vida de oração, uma vida penitencial, oferecendo e sempre buscando ser dócil à vontade de Deus. Papa João I, por causa do ódio de Teodorico, foi aprisionado para morrer de fome e de sede. Foi mártir.

Hoje, podemos recordar este Pastor da Igreja como o pastor que, a exemplo de Cristo, deu a vida pelo rebanho.

São João I, rogai por nós!

Acompanhar, e não condenar, quem fracassou no amor

Sexta-feira, 28 de fevereiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, nesta manhã, Santo Padre falou da beleza do matrimônio

Na homilia desta sexta-feira, 28, na Casa Santa Marta, Papa Francisco concentrou-se na beleza do matrimônio, advertindo que é preciso acompanhar, e não condenar, quem experimentou o fracasso no amor. Ele também enfatizou que Cristo é o Esposo da Igreja e, assim sendo, não se pode entender um sem o Outro.

A reflexão partiu do Evangelho do dia, no qual os fariseus questionam Jesus sobre o divórcio. Trata-se de uma armadilha para Jesus, a fim de tirar Sua autoridade moral, explicou Francisco. “Esta é a armadilha: por trás da casuística* sempre há uma armadilha. Sempre! Contra o povo, contra nós e contra Deus, sempre! ‘Mas é permitido fazer isso? Divorciar-se da própria mulher?’”.

A resposta de Jesus, conforme explicou Francisco, vai além da casuística, atinge o centro do problema. Jesus remete aos dias da criação, à “obra-prima da criação”, lembrando que Deus fez o homem e a mulher para que se unissem e formassem uma só carne.

“O Senhor toma este amor da obra-prima da criação para explicar o amor que tem pelo Seu povo. E um passo a mais: quando Paulo precisa explicar o mistério de Cristo, o faz em relação, em referência à Sua Esposa: porque Cristo se casou com a Igreja, o Seu povo”.

Esta é, segundo Francisco, a história do amor, da obra-prima da criação. Mas quando esse “fazer-se uma só carne” falha, porque muitas vezes isso acontece, o Papa disse que é preciso sentir essa dor do fracasso e acompanhar quem sofre com essa situação. “Acompanhar aquelas pessoas que tiveram esse fracasso no próprio amor. Não condenar! Caminhar com eles!”.

Quando alguém lê a reflexão do Pontífice, pensa neste plano de amor, neste caminho de amor do matrimônio cristão, que Deus abençoou na obra-prima da Sua criação.

“Quando alguém pensa nisso, vê quão belo é o amor, quão belo é o matrimônio, quão bela é a família, quão belo é este caminho e quanto amor também nós devemos ter pelos irmãos e irmãs que, na vida, tiveram o infortúnio de um fracasso no amor”.

Referindo-se, por fim, a São Paulo, Papa Francisco destacou a beleza do amor que Cristo tem pela sua Esposa, a Igreja.

“Também aqui devemos estar atentos para que não falhe o amor. Cristo esposou a Igreja! Não se pode entender Cristo sem a Igreja e não se pode entender a Igreja sem Ele. Este é o grande mistério da obra-prima da criação. Que o Senhor dê a todos nós a graça de entendê-Lo e também a graça de nunca cairmos nesses comportamentos casuísticos dos fariseus, dos doutores da lei”.

* Casuística: termo usado para denotar raciocínios morais desviantes construídos para justificar ações que são moralmente duvidosas.

Ser mãe, eterno aprendizado

A experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver
Elaine Ribeiro / psicologia01@cancaonova.com

É um desafio escrever para mães, não sendo uma delas, mas é comum dizer que a mulher, pela sua natureza, traz em si o dom de acolher e o dom da maternagem, ou seja, de acolher o outro com o amor filial. Esta é a graça de saber que já somos amados mesmo antes de ser gerados, é graça e dom de Deus o amor maternal. Não sendo uma delas, mas atendendo muitas mães, vamos aprendendo, lendo e convivendo com genitoras que nos trazem diversas histórias de vida, aprendizados, experiências e gostariam de trocar a experiência da formação e aprendizado dos filhos. O vínculo materno é algo estabelecido muito antes do nascimento e é o primeiro evento de organização psíquica (embora, primitivo) de uma criança; neste sentido, a mãe se torna um elemento primordial no cuidado da criança, na observação dos seus sentimentos e emoções, na formação de sua identidade. É por meio da mãe, seja ela com vínculo sanguíneo ou não, que damos início ao desafio de ser seres humanos e conviver em sociedade. É na relação mãe-bebê que também a mãe também se realiza, partindo do princípio de que tudo é troca, mãe-bebê crescem na interação e na maturidade, com formas de ganho vivenciadas desde o princípio da relação. Mais do que instinto, ser mãe é algo que prende nossa atenção pelo fato de envolvermos outros aspectos, como comportamentos aprendidos e experiências de vida que nos tornaram diferentes no contato com nossos filhos. Acho importante tocar neste aspecto: por vezes, as mães estão insatisfeitas no modo como têm realizado seu papel. Aí é hora de aceitar suas dificuldades, aprender com outras mães, buscar em sua família bons exemplos de maternidade. O que devemos evitar é aquele rótulo de que, por nossos sofrimentos de vida, repassemos tudo isso para nossos filhos. Creio ser este o maior erro. Sabe aquela frase que começa assim: “Filho meu não faz isso…” E “Filha minha se engravidar fora do tempo vai ser botada pra fora de casa…”. Ouvimos isso milhares de vezes. Mas, será o melhor caminho? Ser mãe é cuidar, trazer para perto, conversar; chegamos então ao X da questão: nossa relação com os filhos não é apenas instintiva; é também intuitiva; perceber mais as reações do filho, as amizades, as vivências e os hábitos dele. Quebrar uma barreira que possa existir entre você e seu filho, que é muito mais uma barreira “mental” imposta por você, dizendo o que você deve ou não tratar com ele. A relação mãe-filho sofre influência marcante da cultura, do ambiente social, religioso, financeiro, da nossa saúde física e mental, do nosso acesso à educação, ao lazer, ao trabalho, ao descanso, à dignidade, ao reconhecimento. Reciclar! Reciclamos nosso conhecimento no trabalho, na escola e por que não na forma de conduzir nossa relação com nossos filhos? A melhor educação não é a mais cara ou cheia de recursos, mas a que deixa lembranças emocionais positivas; esta vivência é muito especial para cada ser humano. Se você não viveu isso, procure trazer para seu filho o sentimento de pertencer, de ser acolhido, oferecendo-lhe segurança. A segurança oferecida é ponto-chave para que seu filho também se sinta seguro, mesmo quando não for bem na prova da escola, quando perder o jogo do time ou não possuir aquele tênis “da hora” que todo amigo tem. Mãe não é aquela que cede, que concede, que libera e facilita a vida; mãe também abraça, acolhe, esbraveja, chora, também precisa de colo e de proteção. Afinal, ser mãe não é ser “mulher maravilha” com um cinturão cheio de superpoderes e ter todas as respostas em mãos, mas ganhar um espaço com seu filho; sim, dar a ele um espaço de escuta, um espaço de amor, de acolhida. É a graça de vivenciar vários papéis ao mesmo tempo: ser mãe-mulher-cidadã-esposa-profissional! Muitos papéis para esta mãe, que vai moldando seu jeito de ser e atender todas as necessidades apresentadas; capacita sua forma de entender seus aspectos humanos e estando bem psicologicamente, também contribua no desenvolvimento saudável de seus filhos. Viver as alegrias e sofrimentos que ser mãe representa, unidas à fé, à esperança, ao amor-doação. É saber criar seus filhos e saber gerá-los para a vida. Que lindo presente é ser mãe! Um papel que, na verdade, nunca acaba; ser mãe está e sempre estará em sua vida como a experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver. Tudo isso faz com que você seja tão especial e importante na vida de seus filhos!

 

Ser mãe é padecer no paraíso
Maternidade, um dom que vem do céu

Tantas vezes ouvi este ditado e, hoje, quero manifestar a minha interpretação sobre ele. Será que isso é ruim? A expressão padecer traz esta conotação negativa, pesada, mas, na verdade, não é bem assim…

As mães vivem um certo desconforto desde a gestação (enjoos, azia, inchaço). No parto com suas dores próprias, depois nos primeiros dias a adaptação e interpretação do choro do bebê, o sono, o cansaço. São situações reais que parecem eternas pela intensidade, mas, de repente, passam… E alguns meses depois, o padecimento é outro: voltar ao trabalho e deixar o filho, afinal ninguém vai saber cuidar do filho como a mãe. Doce ilusão!

Mais adiante, a entrada na escola. “Quem será o professor?”, “Será que vai acompanhar a aula?”, “O que vai comer no lanche?”, “Quem serão os colegas?” “E se alguém bater no meu filho?” Nós insistimos em viver a vida dos filhos e, com isso, “padecemos”, pois não temos o mesmo entendimento das crianças. E quando chega a adolescência? Nossa! Aí entra outra fase. Só mudam as preocupações, filho criado, trabalho dobrado…

Mas e aquilo que plantamos na educação deles? Não valeu a pena? As mães de hoje são, na sua maioria, frutos da geração de transição do feminismo e do sexo, drogas e rock’n roll. Achar o equilíbrio não é fácil. Anterior a nós houve a geração de pais que acreditavam que a liberdade era a melhor opção de educação para os filhos vivendo o “é proibido proibir”.

Hoje já percebemos que os limites são necessários na formação de qualquer ser humano. E por isso, às vezes, dar um “não” ao filho chega a ser um padecimento, pois sabemos que ele(a) queria muito tal coisa ou tal situação, mas percebemos que não é o melhor naquele momento, e isso gera um certo desconforto no relacionamento entre mãe e filho(a).

Aí mais do que padecer é compadecer, é sofrer, pois apesar de estarmos conscientes da decisão tomada não gostamos de ver nosso(a) filho(a) triste. E mais uma vez, apesar de toda intensidade, veremos que isso também vai passar!

Assim como nós que, hoje, neste papel de mãe, reconhecemos e aceitamos a postura que as nossas mães tiveram conosco. E pensamos: “Elas estavam certas…” Olhando tudo isso parece que o ditado está certo… ser mãe é padecer no paraíso. Agora é preciso dizer que tudo isso vale a pena!

Veja bem: vale a pena e não valeu ou está valendo… ser mãe vale por toda a vida? A presença, a realização, as conquistas, as alegrias e as tristezas de um(a) filho(a) não têm preço. Este é o nosso paraíso: a maternidade! As mães são capazes de abrir mão e renunciar a várias coisas na vida, somente não conseguem renunciar a maternidade. Esta é inegociável!

Parabéns a todas as mães, avós, tias, madrinhas, sogras… que, de uma forma ou outra, são mães em nossas vidas!

Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, nos ensine e conduza na vivência da maternidade segundo o coração de Deus!

Carla Astuti – Comunidade Canção Nova
http://blog.cancaonova.com/temjeito

 

Valores a transmitir                                                                            

Este domingo é o Dia das Mães. São tantas as celebrações, que os calendários se vêem sobrecarregados, quase não tendo espaço para lembrar todas as efemérides marcadas para cada dia.

Mas o Dia das Mães nem precisa constar no calendário. Ele se impõe por si mesmo.  Por múltiplos motivos.  Em primeiro lugar pelo respeito, admiração e gratidão que merece qualquer mãe, seja qual for a condição em que se encontra. A mãe sempre merece um preito de gratidão da humanidade. É sempre sublime a missão de gerar e resguardar a vida. Ainda mais quando esta é frágil e necessita de proteção.

Toda festa acaba assumindo uma causa a celebrar, um valor a defender, um critério a seguir.

A festa das Mães tem evidente conotação com a família.  E a família tem forte vinculação com a sociedade.

É o que quer transmitir o Sétimo Encontro Mundial das Famílias, a se realizar no final deste mês e início de junho, em Milão, na Itália. Uma das mensagens que promovem o evento, recorda, exatamente, o estreito vínculo da família com a sociedade.

Assim é divulgada a mensagem: “A Família é a primeira e vital célula da sociedade, porque na Família se aprende quanto seja importante o relacionamento com os outros.”

De tal modo que a Família se torna o espelho da sociedade. Ela transmite valores que fazem parte do convívio humano, independente da forma como este convívio se configura.

Tanto é verdade que as famílias vão mudando de fisionomia. Mas ao passar por estas metamorfoses que tanto afetam hoje a sociedade, a família é chamada a vivenciar os valores que ela sempre testemunhou, de proteção da vida, de respeito pela subjetividade de cada pessoa, de bondade, de confiança, de dedicação amorosa às pessoas que compõem o circuito da convivência humana.

Promovendo o Dia das Mães, acabamos reforçando nesse ano a mensagem do Sétimo Encontro Mundial das Famílias.  O número já sugere que a iniciativa é bastante recente. De fato, o grande inspirador destes encontros foi o Papa João Paulo II. Um deles foi realizado no Rio de Janeiro, no final da década de noventa, quando João Paulo II teve oportunidade de ver de perto os encantos da natureza carioca. O encontro que teve o público mais expressivo foi em Manilha, nas Filipinas, quando quatro milhões de pessoas participaram da celebração final da Eucaristia.

Desta vez o tema é prático e sugestivo: “A Família, o Trabalho e a Festa”.

Realizado em Milão, capital da laboriosa Lombardia, região de forte identidade cultural e humana, identificada com a fé católica, nada melhor do que lembrar o trabalho e a festa, componentes indispensáveis da vida, para servirem de tema deste encontro mundial.

O hino que vai unir as diversas celebrações, leva por título: “A Tua Família te rende graças”.

Um último aceno simbólico: o encontro se conclui no dia 03 de junho, domingo da Santíssima Trindade. Se a família tem necessária relação com a sociedade, ela encontra sua consistência maior em sua relação com Deus, o Senhor da Vida. A família é espelho da comunhão trinitária.

A família nos permite expressar nossa compreensão aproximada do mistério de Deus. Dela tomamos as palavras que aplicamos alegoricamente a Deus, que identificamos como Pai-Mãe, Filho e Espírito Santo. Usando categorias familiares, expressamos nossa compreensão de Deus.

Vivenciando o amor materno, temos a imagem aproximada do amor divino que Deus manifesta por nós. As mães são testemunhas de que Deus é amor!

D. Demétrio Valentini – Bispo da Diocese de Jales  

 

Obrigado mãe!
A maternidade nos aproxima de Deus, ama e perdoa sempre

ROMA, sexta-feira, 11 de maio de 2012 (ZENIT.org). – Domingo, 13 de maio comemoramos o dia das mães.

Misterioso o desígnio divino que dá à mulher o poder de transmitir a vida. Uma característica que, juntamente com a grande capacidade de amar e perdoar aproxima de modo particular a mãe à Deus.
O filósofo grego Sófocles dizia que “A mãe inventou o amor na terra” e “para a mãe os filhos são âncoras da vida”.
De fato, sustenta o frances Honoré de Balzac: “O coração de uma mãe é um abismo no fundo do qual há sempre perdão”.
O filósofo, escritor, dramaturgo, crítico literário frances Jean Paul Sartre reconheceu: “Quanto mais lágrimas nos olhos da mãe custou o filho, mais caro a seu coração”. Na verdade a mãe se comporta como Deus ” te ama sempre.”
Diz Marcel Proust: A criança chama a mãe e pergunta: “De onde vim?De onde você me pegou?” A mãe ouve, chora e sorri enquanto aperta seu bebê contra o peito. “Você era um desejo dentro do coração”.
Até mesmo o niilista Friedrich Nietzsche afirmou: “Meu único consolo, quando ia dormir, era que minha mãe vinha me beijar quando eu tinha apenas deitado”.
Neste sentido, a poetisa e escritora Silvana Stremiz escreve: “O amor de uma mãe não tem fronteiras, não tem limites, nem condições. Nos ama sem pedir nada. Amor imcomparável. Ninguém vai nos amar como você. Por este amor mãe eu digo obrigado”.
Edmondo De Amicis, autor do livro “Coração”, constatou que “Se de todos os gestos de afeto e de todas as ações honestas e generosas de que nos orgulhamos pudéssemos descobrir a primeira semente, iríamos descobrir quase sempre no coração da nossa mãe”.
O médico, professor e escritor americano, considerado por seus contemporâneos como um dos melhores escritores do século XIX, Oliver Wendell Holmes (sênior), acrescentou: “A verdadeira religião do mundo vem muito mais das mulheres do que dos homens, sobretudo pelas mães , que levam a chave de nossas almas em seus corações”.
Também o escritor e jornalista austríaco Joseph Roth afirma: “Eu nunca vou esquecer a minha mãe, ela foi a primeira a plantar e cultivar as primeiras sementes do bem dentro de mim”.
Por esta razão, o poeta norte-americano William Ross Wallace diz: “A mão que fez o berço balançar é a mão que governa o mundo”.
E conclui o escritor judeu Kompert Leopold: “Deus não pode estar em toda parte: é por isso que ele criou as mães”.

A equipe de ZENIT deseja tudo de bom a todas as mães do mundo!

 

Dia das Mães          

O segundo domingo de maio é um dia dedicado a homenagear as mulheres que acolheram em sua vida a missão sublime de gerar ou acolher um filho para educar. Ser mãe é dom gratuito da bondade de Deus para cada mulher, e também a possibilidade de aceitar trabalhar pelo futuro da humanidade. Uma significativa expressão da fidelidade de Deus no sacramento do matrimônio, que torna o amor de um casal fecundo e multiplicador de vida.

Esse dia nascido por motivações afetivas, mas muito explorado comercialmente nos dias atuais pode ser agora uma oportunidade de valorizar a vida e a família. Principalmente se refletimos sobre a missão importante da mãe (junto com o esposo) de educar seus filhos.

Além de acolher ou procriar fisicamente, gerar um filho para a fé é um compromisso que sinaliza a relação de Deus com seu povo, que é sempre fecunda, capaz de multiplicar a vida, e se dá na plena confiança e entrega à providência divina.

No contexto de um capitalismo selvagem que cada vez mais tenta destruir os valores verdadeiros da humanidade, ser mãe, para além de uma responsabilidade e de um dom, significa manifestar um compromisso com a vida em todas as suas dimensões. Com as pressões atuais contra a dignidade da vida e a propaganda contra a geração de filhos, constatamos que isso é ferir em uma mulher o direito de ser mãe, ferindo também sua mais profunda dignidade e violando aquilo que de mais belo Deus concedeu a uma mulher: o direito de ser mãe e de contribuir assim com a criação, que continua a ser criada e recriada. “Cada criança que nasce é Deus que volta a sorrir para o mundo” diz a tradição popular.

Homenagear as mães nesse dia nos faz recordar da importância da família humana e também da figura de Maria, exemplo de mãe e educadora. Mulher forte e doce, mulher do silêncio, da presença e da esperança que não decepciona. Maria traz consigo as virtudes mais profundas, capazes de fazer de todas as mulheres verdadeiramente mães e mestras, como ela o foi. A humildade, a plena confiança em Deus, seu sim à acolhida do projeto divino em sua vida, conformando-se plenamente a ele, as lutas para proteger o filho, a coragem de lançá-lo no projeto do Pai antes mesmo de “chegar a sua hora”, a força para acompanhar o filho no sofrimento e aos pés da cruz, acolher o filho morto ao ser retirado da cruz e contemplar, em seus braços, seu corpo sofrido por amor, a esperança de fazer continuar o projeto de construção do Reino junto com os discípulos amedrontados no cenáculo, a alegria de ver o filho ressuscitado e Senhor para sempre.

Mães de nosso tempo: pobres, mas incapazes de abandonar os filhos que gerou. Capazes de educar na dificuldade, nunca os deixando de lado. Mulheres de fé, que choram aos pés do Santíssimo Sacramento e da Virgem das Dores, implorando a Deus por seus filhos, escravos das drogas, da prostituição e de tantos outros vícios. Mães que percorrem o calvário com seus filhos, lutam para que não sejam mortos e imploram de Deus uma nova vida de cada um deles. Verdadeiras guerreiras, batalhando e lutando por sua prole, trabalham de sol a sol para estudar os filhos, fazê-los crescer bem e oferecer-lhes melhores condições de vida e novas possibilidades, que, elas mesmas, não puderam receber. Mulheres que choram as dores dos filhos, que sorriem e celebram suas vitórias. Mulheres de aço, mulheres como flores, singelas e frágeis. Amor traduzido em gestos concretos e na mais profunda oferta de vida. Capazes de tudo para garantir aos filhos uma vida de sucesso e de realização.

As Sagradas Escrituras estão cheias dos testemunhos de mulheres, mães, que tudo fizeram para que seus filhos compreendessem e permanecessem no caminho do Senhor. Vale lembrar o desejo de Sara de ser mãe e sua confiança em Deus, que transformou sua impossibilidade e fez de Abraão Pai de todas as nações (Gn 18,10); a história de Ana, mãe de Samuel, que deu a luz o filho primogênito (1Sm 1-2); a belíssima história da mãe e dos sete filhos que dão a vida mas não negam o Senhor (2Mc 7, 1-40); a busca da mulher cananéia pela cura de sua filha (Mt 15,21); a alegria de Isabel ao conceber João Batista (Lc 1, 12-15) e Maria, modelo novo de maternidade e coragem (Lc 1, 26-38).

A figura materna tem nas Sagradas Escrituras um valor profundo que até mesmo a revelação compara o amor de Deus com algumas características maternas: “… agora vou gritar como a mulher que dá a luz, vou gemer e suspirar” (cf.Is 42, 14); “Sião dizia: o Senhor me abandonou; o Senhor me esqueceu. Mas, pode a mãe esquecer o seu filho, ou a mulher a criança em suas entranhas? Ainda que ela esqueça, eu não esquecerei você” (cf. Is 49,15); “Como a mãe consola o seu filho, assim eu vou consolar vocês… (cf. Is 66,13).

Na história do cristianismo, tantas mães se santificaram pensando e promovendo o bem para seus filhos. Recordemos de Santa Mônica, que tanto rezou pela conversão do filho Agostinho, que se tornou um santo e doutor da Igreja, ou ainda, Santa Rita de Cássia, que rezou a Deus por seus filhos, que não queria vê-los manchados com a culpa do sangue e do ódio entre famílias rivais.

A todas as mães queremos homenagear e rezar para que suas presenças sejam sempre sinal de vida e de fecundidade. Para que sinalizem o amor de Deus com suas vidas, principalmente em nossos tempos, onde o direito de ser mãe vem sendo substituído pelo horror do aborto que fere a dignidade de tantas mulheres iludidas por falsas ideologias.

Rezemos também pelas mães que já se encontram junto com Maria na eternidade, na bem-aventurança eterna para que recebam a recompensa de suas vidas doadas e entregues a Deus e à família.

Que Maria mãe e mestra, cubra todas as mães com seu sagrado manto de amor, humildade e dedicação. Que ela alcance de Deus para todas as mães as condições necessárias para educarem seus filhos com dignidade, na justiça, fraternidade e solidariedade. Que nenhuma mãe se esqueça de que a melhor herança que podem entregar a seus filhos é a fé.

Maria, mãe de todos os povos, rogai por nós!

+ Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ  

13 razões para viver

Saúde e Bem Estar
Com base na série “13 Reasons Why”, Psicólogo apresenta reflexão favorável à vida
Élison Santos*
http://noticias.cancaonova.com/brasil/13-razoes-para-viver/

Em sua obra que se tornou um dos dez livros mais influentes da história dos EUA, ‘Em busca de sentido – Um psicólogo no campo de concentração’, Viktor Frankl relata situações ocorridas durante seus três anos como prisioneiro durante a Segunda Guerra Mundial. A tônica de toda sua obra, iniciada antes da guerra e largamente desenvolvida durante mais de cinco décadas depois da guerra, é a afirmação categórica de que a vida tem sentido, não importa sob qual circunstância, a vida sempre tem sentido. Mas, como encontrar o sentido da vida, especialmente quando tudo parece estar errado, quando parece não haver saída para os problemas, quando a angústia parece ser maior que a vontade de viver?
Enquanto a série ’13 reasons why’ da netflix nos propõe uma reflexão sobre os motivos que podem levar alguém a tirar sua própria vida, proponho aqui algumas razões para se enfrentar a ideia de morte:

1 – Por alguém – Em algumas situações no campo de concentração Frankl se deparou com pessoas que queriam cometer suicídio, algumas ele pôde ajudar, propondo-lhes esta reflexão, se haveria alguém por quem valeria a pena suportar o sofrimento do campo de concentração até o fim e manter a esperança de talvez um dia reencontrar esta ou aquela pessoa. Esta reflexão fez com que muitas pessoas deixassem a vontade de morrer e passagem a suportar o sofrimento de estar vivo sob aquelas circunstâncias, por alguém.

2 – Uma tarefa – Outras pessoas no campo de concentração haviam prometido para elas mesmas terminar uma tarefa, um livro que haviam iniciado antes da guerra, uma obra que haviam prometido para si mesmas que realizariam durante a vida e por esta ou aquela tarefa, por este ou aquele compromisso consigo mesmo, valeria a pena suportar o sofrimento e deixar aberta a possibilidade de sobreviver em um pós-guerra.

3 – O amor – Além de pensar no bem de outra pessoa, quando se tem alguém para amar, você mesmo vive uma experiência de grandes proporções. Frankl relata que muitas vezes, no final de um dia, ainda trabalhando sob o frio cortante, a fraqueza física, a fome e a humilhação, pensava em sua esposa, nos momentos felizes que passou ao seu lado e isto lhe ajudava a suportar o sofrimento.

4 – A inteligência – Enquanto estamos vivos somos constantemente desafiados por nossa existência. Nossa mente está a nos ajudar a encontrar saídas para os problemas e por isso temos condições de suportar sofrimentos. É fato que sempre existem saídas. Por isso a afirmação categórica de que a vida tem sentido. Portanto, se não estamos encontrando saída é porque nossa inteligência está, de alguma forma, equivocada, alguma emoção muito grande pode nos impedir de encontrar e perceber as muitas possibilidades de saída daquele problema.

5 – O humor – Frankl relata que uma vez foram encaminhados para um barracão e tiveram que tirar suas roupas, era um lugar diferente, eles sabiam que muitos prisioneiros eram encaminhados para lugares assim e eram executados com gases letais. Eles entraram ali e se depararam com muitos chuveiros, estavam literalmente morrendo de medo de que daqueles canos saíssem os gases que os matariam, quando de repente saiu água e muitos deles começaram a rir muito porque ao invés de serem mortos, foram levados apenas para tomar banho. Mesmo diante das piores situações de nossa vida, mesmo diante do sofrimento mais amargo que alguém pode viver, ainda assim é possível encontrar um segundo de bom humor e o humor abre janelas em nossa mente, ampliando nosso campo de visão, ajudando nossa inteligência a encontrar as saídas para os problemas.

6 – A arte – Uma das formas de auxiliar a mente a suportar o sofrimento é ver a realidade por um outro prisma. Na arte a pessoa é convidada a se colocar a margem da realidade fria para poder ver com outros olhos. Frankl nos fala de uma capacidade especificamente humana que é a autotranscendência, podemos nos afastar da realidade nua e crua e encontrar um sentido superior. Um desenho, uma pintura, uma música, um poema, algo que posso expressar fisicamente ou que posso apenas imaginar em minha mente. Uma realidade que me ajude a suportar o sofrimento como, por exemplo, a personagem Guido no filme ‘A vida e bela’ desenvolve uma história para que o filho possa suportar os terrores da guerra.

7 – A resiliência – Suportar o sofrimento e a dor é uma capacidade presente em todos os seres humanos. Desde nosso nascimento experimentamos dores e desconfortos que fazem parte dos processos do crescimento físico e do desenvolvimento psicossocial. Quanto maior nossa capacidade de suportar desconfortos, maior nossa possibilidade de desenvolvimento. Frankl poderia ter ele mesmo cometido suicídio no campo de concentração, mas optou pela resiliência e fez que esta experiência terrível de dor, humilhação e privação se transformasse em uma obra com mais de trinta livros publicados e dezenas de títulos honoris causa das mais conceituadas universidades do mundo.

8 – Caridade – Uma colocação do Rabino Hillel pode nos ajudar a refletir sobre esta razão: “Se eu não for por mim, quem o será? Mas, se eu for só por mim, que serei eu? Senão agora, quando?” Refletir sobre o sentido da vida é pensar também nas pessoas que estão ao meu redor. Diante da pergunta: ‘que serei eu?’, propõe-se uma constatação de que eu sou alguém conectado com uma família, com laços de sangue e de amizade, e ainda que eu não tenha amigos nem parentes, em última instância o único responsável por mim mesmo. Desta forma, posso apelar a minha consciência para que eu mesmo seja caridoso comigo, oferecendo-me a possibilidade de seguir vivendo. E, ainda que não tenhamos certeza do futuro, temos certeza do agora, ‘se não agora, quando?’, pois se não tomo a decisão de viver agora e me salvo da morte, quando poderei fazê-lo?

9 – A curiosidade – Ainda que possa parecer sedutora a ideia de se conhecer o que há do outro lado da morte, não existe provas sobre o que se pode existir, nem mesmo se existe algo, por outro lado, há uma certeza sobre a vida, pois está sendo experimentada de alguma forma, ainda que em sofrimento. Pela experiência, também sabe-se que o tempo passa, e com o tempo surgem novas possibilidades. Posso lançar-me no desafio de que existem milhões de possibilidades que me visitarão no dia de amanhã, por que não esperar para ver o que acontece? O preço para ver o dia seguinte é apenas a paciência para viver o dia de hoje. Em uma perspectiva de muitos anos que poderão vir após o amanhã, o valor de um dia pode ser bem pouco.

10 – A vaidade – Pode-se ver a vaidade como algo negativo, mas ela está relacionada também a uma possibilidade de defesa de nossa vida. E se ela pode interpelar minha consciência para que eu não tire minha própria vida, então a vaidade pode ser minha amiga. Posso, por exemplo, perguntar-me o que os outros pensarão de mim se eu cometer suicídio, certamente que poderei encontrar muitos que terão uma visão muito negativa de mim. É certo que, para a pessoa que chega próxima de pensar na possibilidade de morrer a vaidade pode não ser algo para o qual ela vá se importar, mas não deixa de ser também para alguns uma boa questão. Minha história poderá ficar manchada negativamente, então pode valer a pena continuar vivendo para tentar construir uma história que de fato traga orgulho para as pessoas que me conhecem.

11 – A fé – Nem todo mundo tem uma religião, mas todo ser humano tem a capacidade de ter fé. Ainda o mais ateu dos ateus, pode se deparar com sua capacidade de crer nas infinitas possibilidades do universo. Ainda que para alguns não haja provas suficientes de que Deus exista, para todos não existem provas cabíveis de que Ele não exista. Desta forma, todos temos a possibilidade de ter fé. Frankl não sabia que a guerra acabaria, ninguém sabia, ele não sabia se sairia vivo da guerra, mas de alguma forma, ele acreditava. São muitos os relatos da Segunda Guerra de grupos que se reuniam para rezar, para realizar suas experiências religiosas em comunidade. Existem pesquisas no campo da psicologia e da psiquiatria que comprovam, por exemplo, que as pessoas que têm uma crença religiosa tendem a superar com mais facilidade uma enfermidade ou um vício do que aquelas que não tem.

12 – Meu espelho – A pessoa pode chegar em um ponto da vida que não mais goste de si, que eu não goste do seu corpo, do seu semblante, das pessoas que a cercam, da sua casa, das coisas que tem, mas se tem algo que não pode fugir é de sua própria consciência. Olhar no espelho, não significa buscar uma análise narcísica das coisas bonitas que julgue que todos devam ter, mas sim olhar nos seus próprios olhos, encarar a verdade do seu olhar. Quando olhar para si, busque dizer com honestidade o que você pretende fazer com os sonhos, os planos, as experiências, as histórias que viveu. Olhar no espelho é permitir-se apreciar tudo o que se construiu até agora e valorizar esta obra chamada vida.

13 – Meu futuro – Não tenho certeza do meu futuro, mas posso projetar-me. A 13ª razão para viver encontra-se em um diálogo sincero com uma pessoa chamada ‘meu futuro’, ela tem o meu nome, e é pelo menos 10 anos mais velha que eu. No meu caso, que estou com 39, quero falar com o meu ‘eu’ de 80 anos. Depois de olhar no espelho e ver meus olhos de agora, quero olhar para os olhos do senhor de 80 anos. Ele olhará para mim e me dirá o que eu fiz de certo e o que eu fiz de errado. Eu estou dando a ele a oportunidade de me dizer o que há de errado no momento atual, ele passou por isso, ele viveu aquele momento e depois de algum tempo ele entendeu bem os motivos do sofrimento que eu estou vivendo. Eu olho para os olhos deste senhor de 80 anos e não consigo pensar em outra coisa do que na vontade de encontrá-lo são e salvo daqui 41 anos, eu amo este senhor e quero poder abraçá-lo um dia. Farei de tudo para que eu o encontre bem.

14 – Minha missão – Não há ninguém igual a mim, desde minhas aulas de biologia no ensino fundamental eu sei que dos mais de 7 bilhões de habitantes da terra, ninguém tem uma digital como a minha, ninguém tem um DNA como o meu. Por alguma razão eu nasci neste tempo da história e neste espaço do universo, minha existência tem um sentido. Assim como inúmeros seres vivos existem por uma razão, por um propósito, eu certamente tenho o meu, a lógica, a história e a ciência me provam isso. Minha vida tem um sentido e ele é único. Eu cheguei a este momento talvez porque muitas circunstâncias me levaram a pensar que minha vida não era importante, que minha história não fazia diferença, mas desde o dia em que eu fui concebido eu comecei a mudar o mundo ao meu redor, a vida da minha mãe mudou, do meu pai, da minha família, das pessoas que me conheceram quando eu era apenas um bebê e dos colegas e amigos que fiz durante todos estes anos, ainda que não gostem de mim, eu represento algo para eles, minha vida fez diferença até agora, mesmo eu não sabendo o que queria, mesmo eu não entendendo o valor da minha vida, mesmo nas vezes em que eu estava pensando apenas em mim mesmo, de alguma forma, direta ou indiretamente, minha vida está afetando a vida de outras pessoas. Hoje, lendo este texto sobre 13 razões para viver, eu me pergunto: Qual é minha missão? O que está ao meu alcance? O que poderei fazer nos anos que virão para que minha vida possa influenciar de forma positiva nas pessoas ao meu redor?
Viktor Frankl relata um momento em que ele seria levado em um caminhão para ser possivelmente liberto, pois a guerra estava acabando, mas ele viu que haviam muitos doentes ali e como era médico sentiu-se no dever de ajudar as pessoas que estavam ali e abriu mão de ir naqueles caminhões. Terminada a guerra, ele viria a saber que as pessoas que estavam naqueles caminhões foram executadas. Ele refletiu de como seu senso de missão, o tinha livrado novamente da morte. Todos nós temos um lugar no mundo, um lugar que só pode ser preenchido por nós, com nossa unicidade. Uma obra de arte é valiosa justamente por ser única, somos uma obra de arte, a mais bela e cara de todas, e o valor de nossa existência pode ser aumentado a cada momento que decidimos fazer o que é melhor para as pessoas ao nosso redor e consequentemente para nós mesmos.

Eu sei, se você prestou atenção, percebeu que existem mais de 13 razões neste texto… não se preocupe, eu escreveria 1013 razões para mantê-lo vivo e não me importaria em ‘errar’ na sequência dos números. Ao final das contas, não importa quantas razões você tenha para tirar sua vida, lembre-se que você só precisa de uma razão para manter-se vivo.
 

O profeta católico ‘não obedece ninguém além de Deus’

Domingo, 03 de fevereiro de 2013, Rádio Vaticano

“É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade,” ressaltou o Santo Padre

Durante a oração mariana do Angelus, neste domingo, 3, o Papa Bento XVI convidou os católicos a ‘investir’ na vida e na família como resposta eficaz à atual crise, e expressou o desejo de que a Europa seja sempre um lugar em que se defenda a dignidade de todo ser humano.

No breve discurso proferido da sacada de seu escritório, Bento XVI se uniu aos bispos italianos e saudou a celebração na Itália do “Dia pela Vida”, que recorre sempre no primeiro domingo de fevereiro e que este ano lançou a iniciativa “Um de nós”. Trata-se de um apelo que defende a dignidade de todo ser humano como “fundamento de justiça, liberdade, democracia e paz”.

E ainda em referência à tutela da vida, dirigiu um pedido aos professores da Faculdade de Medicina, para que formem profissionais no respeito da cultura da vida.

No início do encontro, o Pontífice recordou o episódio narrado no Evangelho de São Lucas, quando Jesus surpreende os cidadãos de Nazaré e os provoca, deixando a entender que é ele o Messias. As pessoas de sua cidade, que bem conheciam ele e sua família, o julgam presunçoso e o expulsam da sinagoga. No entanto, Jesus sabe que “nenhum profeta é bem-quisto em sua pátria” e assim, levanta-se e vai embora.

Em meio ao povo, surge a dúvida: “Por que esta ruptura? Ele tinha o nosso consenso…”. O Papa esclareceu aos fiéis que Jesus não queria o consenso dos homens, mas “dar testemunho à Verdade”. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade!”.

Como escrevia São Paulo, “o amor não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor; o amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade”.

Falando em espanhol, o Papa prosseguiu dizendo que o Apóstolo garante que “o caminho da perfeição não consiste em ter qualidades particulares, mas em viver o amor autêntico, que Deus nos revelou em Jesus Cristo”.

Bento XVI concluiu que o verdadeiro profeta católico “não obedece ninguém além de Deus; está a serviço da verdade e sempre pronto a pagar com a própria vida: crer em Deus significa renunciar aos próprios preconceitos”.

Quinta-feira Santa

Por Mons. Inácio José Schuster

As atenções de todos nós se voltam para a liturgia desta noite: a missa na Ceia do Senhor.

É o último dia em que Jesus passou conosco neste mundo, antes de ir para o Pai. Jesus, caríssimos Irmãos, não era um Kamikaze, que assumiu de maneira forte e decidida a sua própria morte. Jesus não era um Legionário Romano que se entregava para o bem do Império. Jesus não era um General, como o General Patton da última Grande Guerra que caminhava à frente dos seus exércitos, orgulhoso por onde entrava e dominava. Jesus na noite em que foi entregue, colocou gestos pequenos, mas gestos de amor.

Esta noite, no entanto, caríssimos irmãos é conhecida como a noite da ingratidão. Sim a noite da ingratidão e nós imaginamos em primeiro lugar a figura sinistra de um Judas Iscariotes, aquele foi escolhido por amor, mas depois entregou Jesus por trinta moedas…

Irmãos, só quem já experimentou a traição de um marido ou de uma esposa pode aquilatar a dor que este gesto deve ter causado em Jesus!

Noite da ingratidão, porque dentro em breve os Apóstolos todos irão debandar diante da prisão de Jesus, deixando-o absolutamente só!

Noite da ingratidão porque dentro de poucos instantes também aquele que havia jurado ir com Jesus até a morte, Pedro o negará por três vezes.

Caríssimos irmãos, a noite da ingratidão humana se prolonga no tempo: não existe um Judas também dentro de nós? Não nos mostra a consciência nesta noite que nós o traímos algumas vezes? Não é possível que um Pedro durma dentro nós e se tenha despertado alguma vez? Meus irmãos, noite também do silêncio de Deus Pai, porque, se os homens debandam, o Pai também Se silenciou e Jesus afrontou os seus últimos momentos numa solidão pavorosa.

A noite da ingratidão é também a noite do Amor. Foi a noite em que o amor de Jesus mais se manifestou a nós com presentes que nos relegou: presentes simples e presentes de profundo significado. O presente do lava-pés; o presente do serviço; Jesus continua a lavar os nossos pés todos os dias, durante toda nossa vida; o presente do pão consagrado que entrega como sendo seu Corpo, o presente do vinho consagrado que nos dá como sendo o seu Sangue. O presente que nos faz do Sacerdócio que prolongará na Igreja Católica, a sua presença como chefe, guia e pastor até que Ele volte sobre as nuvens do céu.

Caríssimos, notem a antítese: Jesus responde a todos os pecados com um amor sempre renovado.

Repita a você mesmo muitas vezes nesta quinta feira santa e sobre tudo nesta noite da traição, da ingratidão, mas noite também do Amor sem limites; repita a modo de jaculatória: Ele me amou e se entregou por mim!

 

ORAÇÃO PARA QUINTA-FEIRA SANTA  

Vós partireis dentro de poucas horas, mas não Vos esquecestes de nós e não nos deixareis órfãos.
Com gestos singelos e carregados de grande simbolismo Vos despedistes de nós. E hoje, Convosco, celebramos Vosso adeus a todos nós!
Deixai-nos recordar em Vossa presença estes gestos carregados de tão grande amor.

O gesto do lava-pés.
Senhor, quantas vezes dissestes que o segredo da Vossa vida estava no serviço desinteressado que Deus presta aos seres humanos que criou. Deus ajoelhado diante de meus pés! Dá-me vontade, Senhor, de repetir como Pedro: “Jamais me lavarás os pés!”. Mas, Senhor, compreendo a grandeza e a importância deste gesto: “Se Tu não te lavar ,não terás parte comigo!” Compreendo então, Senhor, que deveis lavar-me. E compreendo também de que lavacro se trata. Não é com água que me desejais lavar, é com Vosso Sangue! Compreendo finalmente, bom Jesus, que esta purificação se inicieis no dia do meu batismo e se prolonga por toda a minha vida, através de Eucaristia que recebo.

Gesto da “Fração do Pão”.
Dizem-nos os Evangelhos Sinóticos, que, nesta noite em que fostes entregue, tomastes um pão de última refeição com os Vossos. Quantas vezes Vos sentastes à mesa com grandes pecadores! Desta vez tomastes o pão, fruto da terra e do trabalho de nós homens e o divinizastes, fazendo que se transformasse em Vós. Tomastes em Cálice com Vinho, ele também fruto do labor humano e o transformastes no Vosso sangue por nós derramado! Senhor, quantas vezes Vos comungueis em Vosso sacrifício! Mas, nesta noite, Vos suplico: Comungai-me também! Fazei com que se realize entre nós aquela misteriosa simbiose que define todo verdadeiro e grande Amor: que eu seja Tu e que Tu sejas eu!

Gesto da instituição do Sacerdócio Católico: “Fazei isto em memória de mim”.
Senhor, sempre venerei Vossos ministros que sacramentalmente prolongam nas nossas comunidades Vossa presença de guia e Pastor. Aprendi também que existe uma analogia entre Pão e Vinho transformados em Vós e os Vossos ministros que sacramentalmente se transformam em Vós! Sei que a única diferença entre essas duas, “transubstanciações” esta no seguinte: enquanto Pão e Vinho cessam de ser tais, dissolvem-se em Vós nossos Sacerdotes, embora prolonguem nossa presença no meio de nós,não perdem suas entidades e personalidades!

Senhor, nesta noite de adeus, desejo sinceramente agradecer-Vos por Vossos ministros. E não excluo de minha gratidão nem mesmo aqueles que, tendo suas lanternas tão sujas, são incapazes de difundir a verdadeira Luz que sois Vós.

Gesto, finalmente, do amor fraterno e desinteressado.
Obrigado, Senhor, por ter eu experimentado em minha vida alguns gestos desinteressados! Hoje compreendo que estáveis Vós por detrás de todos eles!

Senhor, numa sociedade pós-cristã e secularizada; numa sociedade em que os crucifixos desaparecem sistematicamente dos lugares públicos, numa sociedade que não conhece mais a batina ou o hábito religioso, embora o foulard islâmico é sinal de forte pertença religiosa muçulmana, numa sociedade enfim, onde nada mais fala de Vós, nosso gesto cristão há de falar ainda. Talvez não tanto a linguagem do catecismo-ela faz tanta falta – mas a linguagem do Amor. Possa eu compreender, Senhor, nesta quinta-feira Santa, que esta linguagem será sempre atual; poucos a ela resistirão por longo tempo.
E já seremos bem-aventurados, porque- são palavras Vossas que soam hoje em meus ouvidos – “Há mais alegria em dar do que em receber?”.  Amém!

 

Evangelho segundo São João 13, 1-15
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.» Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.

Hoje iniciamos o Tríduo Pascal. E nesta Quinta-feira Santa, nós contemplamos Jesus à mesa com os seus últimos discípulos. São as horas derradeiras, os derradeiros minutos de sua liberdade. Dentro de poucas horas, Ele não terá mais liberdade alguma. Ele será atado de mãos e pés. Ele será conduzido a Anás, a seguir a Caifás, Caifás o mandará a Pilatos e Pilatos o mandará para a cruz. O que faz Jesus nestas últimas horas de liberdade que lhe restam. Não se descompõe. Não clama ao Pai pedindo e suplicando libertação a qualquer modo. Não foge da cidade de Jerusalém. Pelo contrário, toma um pedaço de pão, olha para o céu, e dá graças a Deus. A seguir entrega-o aos seus discípulos e diz: “Tomai e comei, este é o meu Corpo que será imolado por vós”. Toma um cálice com vinho e repete a ação de graças a Deus: “Tomai e bebei, este é o cálice do meu Sangue, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”, isto é, para a reconciliação de cada um e de todos com Deus. Jesus antecipa no pão e no vinho, o que acontecerá com Ele no dia seguinte. Jesus coloca no pão e no vinho a sua própria paixão, a sua morte redentora e a sua ressurreição.  E dá graças ao Pai, por poder se tornar pão imolado, Corpo imolado e Sangue derramado para cada um de nós. E depois de ter modificado o pão e transformado o vinho, no mesmo Corpo imolado e no mesmo Sangue derramado, o dá a beber aos seus e continua a dar a comer e a beber a cada um de nós. É impressionante a profundidade do amor de Cristo. Contemplando o futuro sombrio que esta iminente, Ele o antecipa no pão e no vinho, não sem antes ter dado graças a Deus. Ter louvado e bendito a Deus, por poder ser para nós Carne imolada e Sangue derramado, prestando-nos um imenso serviço de nos reconciliar com o seu Pai e de abrir para cada um de nós, de par em par as portas da eternidade. No Antigo Testamento, o esquema era contrário, primeiro uma pessoa se via aflita e recorria a Deus na sua aflição para que a libertasse. A seguir, uma vez experimentada a libertação, oferecia-lhe um sacrifício de ação de graças. Com Jesus não acontece isto. Não será libertado da morte, antecipa a morte no pão e no vinho, agradece a Deus por poder prestar-nos esse serviço e se dá a nós no Corpo imolado e no Sangue derramado, para que se torne comida minha, comida sua e bebida sua, para nossa redenção. Comovidamente é o que nós celebramos nesta Quinta-feira Santa.

 

«NINGUÉM TEM MAIOR AMOR do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13)
Papa Bento XVI
Exortação Apostólica «Sacramentum caritatis», §§ 1-2

Sacramento da Caridade, a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor «maior»: o amor que leva a «dar a vida pelos amigos» (Jo 15, 13). De fato, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1). Com estas palavras, o evangelista introduz o gesto de infinita humildade que Ele realizou: na vigília da Sua morte por nós na cruz, pôs uma toalha à cintura e lavou os pés aos Seus discípulos. Do mesmo modo, no sacramento eucarístico, Jesus continua a amar-nos «até ao fim», até ao dom do Seu corpo e do Seu sangue. Que enlevo se deve ter apoderado do coração dos discípulos à vista dos gestos e palavras do Senhor durante aquela Ceia! Que maravilha deve suscitar, também no nosso coração, o mistério eucarístico! Com efeito, neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para nós. […] De fato, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, «caminho, verdade e vida» (Jo 14, 6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. […] No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (cf. 2 Tm 4, 2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.

 

QUINTA-FEIRA SANTA: O SACERDÓCIO E A EUCARISTIA MISTÉRIO DE AMOR!

Hoje é um dia duplamente feliz, pois Jesus com o coração mais generoso que a face da terra já viu, nos deu dois grandes presentes. Na última ceia, antecipando a Sua doação total, mesmo diante da traição e do Mistério de dor que teria que passar para salvar o mundo das trevas do pecado, entrega aos discípulos o Sacramento do Amor: A Eucaristia. “A Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste Sacramento admirável, manifesta-se o amor maior: o amor que leva a dar a vida pelos amigos” (Bento XVI). Neste mesmo dia o Mestre “divide” o seu Sacerdócio com os Apóstolos e faz deles ministros do Sacramento do Amor, ministros do Perdão, ministros da misericórdia. O vínculo intrínseco entre a Eucaristia e o Sacramento da Ordem deduz-se das próprias palavras de Jesus no Cenáculo: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22, 19). Nós sacerdotes usamos as mesmas palavras de Jesus quando instituiu O Mistério de Amor, porque somos os primeiros a estar no lugar de Cristo Jesus para a Salvação do mundo, portanto, o Sacerdócio é um movimento Divino do Amor de Deus Pai que continua agindo em sua Igreja em todo Tempo e o tempo todo. Onde existe um Sacerdote, há a possibilidade do Amor e da misericórdia de Deus se manifestarem pelo homem. Falando um pouco de mim, o lema do meu Sacerdócio é: “Tudo posso naquele que me dá força” (Filipenses 4, 13). A força do meu sacerdócio não vem de mim mesmo, mas a força do sacerdote vem da fonte pela qual ele oferece todos os dias torrentes de “Água Viva” ao povo fiel e sedento desse Amor que é Jesus. Eu busco A Força para exercer minha vida como ministro desse Sacramento nas Palavras que eu dirijo todos os dias ao Pai: “Tomai e comei, isto é o meu corpo; Tomai e bebei isto é o meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, para a remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim!” As mesmas Palavras de Cristo são fonte de vida, de salvação em primeiro lugar para mim, alimento substancioso para a minha intimidade com o Senhor e para servir ao povo de Deus, que procura no sacerdote não ele mesmo, mas Jesus Cristo o seu Salvador. O Papa João Pulo II disse para os Sacerdotes em sua última carta na Quinta-feira Santa de 2005: “O povo tem o direito de ver Jesus Cristo na pessoa do sacerdote”. Essas palavras do Santo Padre ficaram gravadas em minha alma como uma missão, apesar de ser pecador e cheio de limitações como todo homem, eu não sou um homem comum, eu sou ministro do Sacramento do Amor e da misericórdia. Cristo hoje na Última Ceia depôs do manto, sinal de sua dignidade de Senhor, de Rei, para servir aos discípulos, para lavar os seus pés, esse gesto de humildade revela o caminho que o discípulo deve seguir; Imitar o Mestre: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais à mesma coisa que eu fiz”. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo 13, 1-15). Aos sacerdotes hoje, felicidades, força e que eles saibam não estão sozinhos, pois disse o Senhor: “Eu estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos!”.

Na catequese, Papa adverte sobre o amor hipócrita

Alegria de amar

Quarta-feira, 15 de março de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano
 
É preciso amar como Deus ama, sem hipocrisia, refletiu o Papa em mais esta catequese do ciclo sobre a esperança cristã

O Papa Francisco retomou nesta quarta-feira, 15, o ciclo de catequeses sobre a esperança cristã, após a pausa da semana passada para o retiro quaresmal. A cerca de 12 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Santo Padre falou sobre a alegria de amar, pedindo que os fiéis amem como Deus: sem hipocrisia.

A reflexão foi inspirada num trecho da Carta aos Romanos que fala sobre a alegria de amar, o grande mandamento deixado por Jesus: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. “Somos chamados ao amor, à caridade. Esta é a nossa vocação mais sublime, a nossa vocação por excelência”.

Porém, o Papa advertiu para o risco do amor hipócrita, que é quando o homem se move por interesses pessoais, faz caridade para ganhar visibilidade, por amor interesseiro ou “amor de novela”.

O convite do apóstolo Paulo, explicou Francisco, é reconhecer-se pecador e reconhecer que também o modo de amar do homem é marcado pelo pecado. O que se deve fazer pelos irmãos é uma resposta ao que Deus faz por todos: abrir uma via de libertação, de salvação, viver o mandamento do amor servindo principalmente os mais necessitados.

“De fato, todos nós fazemos a experiência de não viver plenamente ou como deveríamos o mandamento do amor. Mas também esta é uma graça, porque nos faz compreender que também para amar precisamos que o Senhor renove continuamente este dom no nosso coração, através da experiência de sua infinita misericórdia”.

Somente deste modo, acrescentou o Santo Padre, será possível voltar a apreciar as pequenas coisas, de todos os dias e amar os outros como Deus os ama, isto é, procurando apenas o seu bem. “Aqui está o segredo para ‘sermos alegres na esperança’: porque temos a certeza de que, em todas as circunstâncias, inclusive nas mais adversas, e apesar das nossas faltas, o amor de Deus por nós não esmorece. E assim, certos de sua fidelidade inabalável, vivemos na alegre esperança de retribuir nos irmãos, com o pouco que nos é possível, o muito que recebemos Dele todos os dias.”

Papa: a Cruz não é um ornamento, mas um símbolo de fé

12/03/2017

Cidade do Vaticano (RV) – “A cruz cristã não é uma mobília da casa ou um ornamento para vestir”. O Papa Francisco quis deixar bem claro na alocução que precedeu neste domingo na Praça São Pedro a oração mariana do Angelus que a Cruz, “é um chamado ao amor com o qual Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado”.

“Neste tempo quaresmal, contemplemos com devoção a imagem do crucifixo: esse é o símbolo da fé cristã, é o emblema de Jesus, morto e ressuscitado por nós. Façamos de modo que a cruz marque as etapas do nosso caminho quaresmal para compreender sempre mais a gravidade do pecado e o valor do sacrifício com o qual o Redentor nos salvou”.

Jesus a caminho de Jerusalém, onde deverá sofrer a condenação à morte por crucificação, quer preparar os seus discípulos para este escândalo muito forte para a fé deles e, ao mesmo tempo, preanunciar a sua ressurreição, manifestando-se como o Messias, o Filho de Deus. Na verdade, Jesus estava se demonstrando um Messias diferente do esperado:

“Não um rei poderoso e glorioso, mas um servo humilde, e desarmado; não um senhor de grande riqueza, sinal de bênção, mas um homem pobre que não tem onde reclinar a cabeça; não um patriarca com numerosa descendência, mas solteiro sem casa e sem ninho. É realmente uma revelação de Deus de cabeça para baixo, e o sinal mais desconcertante desta contradição é a cruz. Mas, precisamente por meio da cruz, Jesus chegará à gloriosa ressurreição”.

Esta é a mensagem de esperança que a cruz de Jesus contém. A cruz cristã não é uma mobília da casa ou um ornamento a ser usado, mas um chamado ao amor com que Jesus se sacrificou para salvar a humanidade do mal e do pecado.

A ressurreição que vai chegar “através da cruz”, observou o Papa, “será em última análise, não como a transfiguração que durou um momento, um instante”; e “a Cruz é a porta da ressurreição”.

Recordando a narração da Transfiguração, o Papa explicou que “Jesus levou consigo três dos apóstolos, Pedro, Tiago e João, Ele subiu com eles numa alta montanha, e lá aconteceu este singular fenômeno”: o rosto de Jesus “brilhou como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz”. Assim, o Senhor fez resplandecer em sua própria pessoa a glória divina que se podia acolher com fé em sua pregação e em seus gestos milagrosos.

“A ‘luminosidade’ que caracteriza este evento extraordinário simboliza a finalidade: iluminar as mentes e os corações dos discípulos, para que possam compreender claramente quem é o seu Mestre. É um flash de luz que se abre de repente sobre o mistério de Jesus e ilumina toda a sua pessoa e toda a sua história”.

Jesus transfigurado no Monte Tabor quis mostrar aos seus discípulos a sua glória não para evitar a eles de passarem através da cruz, mas para indicar para onde leva a cruz. Quem morre com Cristo, com Cristo ressuscitará. Quem luta junto com Ele, com Ele triunfará.

O Papa Francisco concluiu invocando Nossa Senhora, Ela que “soube contemplar a glória de Jesus escondida na sua humanidade”. “Que Ela nos ajude a estar com Ele na oração silenciosa, a nos deixarmos iluminar pela sua presença, para levar no coração, através das noites escuras, um reflexo da sua glória”. (SP)

Sagrada Face de Jesus – terça-feira de carnaval

SAGRADA FACE DE JESUS
Olhar de Jesus
Este Olhar não incomoda nem assusta
É um chamado ao Amor, a cada criatura
Só o Meu olhar te ensinará a amar
E isto, ninguém no mundo poderá te dar
Olha-me com alegria e amor, proteger-te-ei de cada dor
Não adormece sem antes bem fixar o teu olhar no Meu
Falar-te-ão, Meus olhos, de um Amor perfeito e profundo
Fixa bem teu olhar no Meu e afasta-te do mundo…
Quero sussurrar ao teu coração tantas belas coisas em um único segundo
Fixando, profundamente, teu olhar no Meu
Encontrarás Amor, Perdão e Paz
Ao sair de casa, leva o Meu Olhar Bendito
Proteger-te-ei até que retornes ao lar
Não esqueças, em teu labor cotidiano, sê feliz e orgulhoso deste Olhar
Assim que tiveres guardado Meu Olhar em teu coração
Darás a teus irmãos, Amor, Perdão e Paz
Meu filho predileto, então, serás e teu coração encontrará a perfeição.

Ramalhete espiritual
“A Vossa Face Senhor, procuro e A procuro sem parar! Não quero outra coisa, Senhor, senão a Vossa Face, para que Vos possa amar como desejo, porque não encontro o que seja mais precioso” (Santo Agostinho; Enarret. IN PS 26.)
“Vossa Face é minha Pátria, meu reino de amor” (Santa Teresinha).
“Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!” – PS. 8 (Indulgenciada pelo Papa Pio IX em 11/12/1876).
“Senhor, permanecei conosco!” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Jaime de Barros Câmara, em 26/11/1959).
“Pai eterno, eu Vos ofereço a adorável Face do Vosso Filho muito amado pela honra e glória do Vosso Nome e pela salvação da alma de … (aqui diga o nome). Amém”.
“Mãe Santíssima, medianeira de todas as graças, oferece por nós ao Pai Eterno a Sagrada Face de teu Filho, alcançando-nos paz, liberdade da fé e o triunfo da verdade” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Agnelo Rossi, em 18/11/1966).

DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Dia de devoção da Sagrada Face: toda terça-feira
Festa da Sagrada Face: terça-feira de Carnaval

“Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas (Nosso Senhor a Beata Irmã Maria Pierina, 1945, em Milão).
Muitas vezes durante o dia, troque um olhar com Ele!
Todas as noites, reze 3 vezes o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória, contemplando Sua Divina Face.
Sobre a propagação da Devoção à Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto, particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos, como a todos os Eclesiásticos, e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores.
Neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face.

PROMESSAS AOS DEVOTOS DA SAGRADA FACE feitas a Santa Matilde e Santa Gertrudes sobre esta devoção:
“Eu garantirei aos devotos, contrição tão perfeita que seus pecados serão transformados diante de Mim em jóias de precioso ouro. Nenhum deles será afastado de Mim. Na oferenda de Minha Face ao Pai, eles terão acalmado Sua cólera e eles vão adquirir como com moeda celestial, o perdão por seus pecados. Eu abrirei Minha boca para pedir ao Pai para garantir todas as preces que eles Me apresentarem. Vou iluminá-los com Minha luz, e vou consumi-los com Meu amor. Eu lhes darei frutos de boas obras. Eles vão, como a piedosa Verônica, enxugar a Minha adorável Face ultrajada pelo pecado, e Eu vou imprimir Minha Divina Fisionomia em suas almas. Em suas mortes, vou renovar neles a imagem de Deus, apagada pelo pecado. Semelhante à Minha Face, eles brilharão mais do que muitos outros na vida eterna e o brilho da Minha Face vai enchê-los de prazer”.

LADAINHA DA SAGRADA FACE
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Sagrada Face do Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
Sagrada Face, espelho da majestade divina, tende piedade de nós.
Sagrada Face do nosso Salvador, tende piedade de nós.
Sagrada Face, inundada de suor e sangue, tende piedade de nós.
Sagrada Face, humilhada pelo beijo do traidor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, barbaramente contundida por bofetões, tende piedade de nós.
Sagrada Face, acumulada de ignomínias e insultos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta dum véu e cinicamente ludibriada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, atormentada por febre e sede, tende piedade de nós.
Sagrada Face, no julgamento, perante a multidão amotinada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, banhada de lágrimas de dor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, impressa na toalha de Verônica, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta de blasfêmias horrendas, tende piedade de nós.
Sagrada Face, ao morrer na Cruz, inclinada para nós, tende piedade de nós.
Sagrada Face, desfigurada por feridas e golpes, tende piedade de nós.
Sagrada Face, revelada milagrosamente no Santo Sudário, tende piedade de nós.
Sagrada Face, glorificada pela ressurreição, tende piedade de nós.
Sagrada Face, alegria de todos os anjos e santos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, por cuja veneração alcançamos auxílio nas angústias, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.

Oração de Amor e Adoração
“Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos amo.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos rendo graças.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Por todas as chagas que sofrestes por amor, eu vos adoro, Jesus” (de Nossa Senhora a uma piedosa confidente).

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE pelo Bispo Auxiliar Dom Sebastião Roque Rabelo Mendes, Diretor Arquidiocesano do Apostolado da Sagrada Face da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG.
* A origem da devoção à Sagrada Face de Jesus. Não podemos dizer que o Apostolado da Sagrada Face está ligado à Verônica, nem talvez ao Santo Sudário. Entretanto tem um pouco de influência.
A Sagrada Face é uma expressão muito Bíblica. Está muito ligada à Paixão de Jesus. Nos Salmos, sempre falamos que queremos ver a Face de Deus. Mas com a vinda de Jesus à terra, sobretudo no Monte Tabor, Jesus se transfigurou: seu rosto ficou cheio de luz, um rosto que reflete a divindade, e ao mesmo tempo a humanidade.
Podemos imaginar o rosto de Jesus, alegre, confiante. Mas a devoção à Sagrada Face, é a Face ensangüentada do Cristo, é a Face do Horto das Oliveiras, que todos os quatro Evangelistas falam, é a Paixão de Jesus, da sua dor que Ele teve lá na sua agonia. Depois de coroado de espinhos, crucificado e morto, é colocado no sepulcro.
O Santo Sudário é um pouco ligado à devoção, mas, fundamentalmente, se não houvesse nada do Santo Sudário, nem de Verônica, nós teríamos este culto à Sagrada Face. O Santo Sudário ajuda um pouco. Verônica que nem está na Bíblia também ajuda. Mas, independente do Santo Sudário e da Verônica, é um culto muito profundo, muito humano, muito divino sobre a Sagrada Face.
No dia 10 de Janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do grande Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.
Todos os dias às 15h, os membros do apostolado se reúnem ou em casa, com as famílias, ou na Igreja para lembrar a hora em que Jesus morreu e de um modo especial nas terças-feiras.
A espiritualidade do Apostolado da Sagrada Face é viver os ensinamentos de Jesus, meditar o Evangelho e tirar dali, o modo de viver que Jesus nos ensinou; É também contemplar a Face de Jesus na Cruz, no Calvário, no Horto das Oliveiras, e contemplar a Face do Cristo no rosto dos nossos irmãos, principalmente dos mais sofridos, marginalizados, dos abandonados, das crianças, sobretudo os doentes, daqueles que não tem voz nem vez.
É viver o Evangelho de Mateus, cap.25, 35-36 colocando-o em prática.
Que todos nós tenhamos esta devoção à Sagrada Face unida à Eucaristia, pois é na Hóstia Consagrada que contemplamos fielmente o Cristo.
A segunda carta de São Paulo aos Coríntios, cap, 4 vers.3 ,4,6 fala: “Se nosso Evangelho ainda está encoberto é para os que se perdem que ele permanece velado, para os infiéis, nos quais o deus deste século obscureceu os espíritos, a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho da glória de Cristo o qual é a imagem de Deus”.
O deus deste século é claro que é o inimigo de Deus. Ele faz com que os espíritos fiquem embotados a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho. Porque Deus que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz!” Ele mesmo reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo. Dissemos “não” aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, nos recomendamos diante de Deus à consciência de cada homem.

REVELAÇÕES
Segundo as últimas revelações à Beata Irmã Maria Pierina Micheli, na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é talvez esta a verdadeira devoção a Meu Coração?”
O Papa Pio XII na sua Encíclica HAURETIS AQUAS: “É na Face que se revela o Coração”.
“Vossa Face é minha pátria, meu reino de amor” (Santa Terezinha do Menino Jesus).
“Espírito de Santidade, sopro divino que agita o universo, vinde e renovai a face da terra. Suscitai, nos cristãos, o desejo da unidade plena, para serem, no mundo, sinal e instrumento eficaz da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Oração do Papa João Paulo II o missionário da paz, testemunho de Deus vivo, no 2º ano de preparação para o grande jubileu 2000, ano dedicado ao Espírito Santo).
“Que não seja derramado uma só lágrima na face de um irmão, sem que não se encontre um apóstolo da Sagrada Face para enxugá-la” (Apelo do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo de Belo Horizonte aos Apóstolos da Sagrada Face em 01-10-1998).
“Senhor, fazei brilhar sobre o Mundo a Luz da Vossa Face e seremos salvos”. Glória ao Pai.

SANTA TERESINHA E A SAGRADA FACE
Na terça-feira de carnaval, muitas igrejas celebram a festa da Sagrada Face de Jesus. Devoção calcada nas Sagradas Escrituras, inspirada especialmente nos salmos e nos cânticos do “Servo Sofredor”,  encontrou,  no decorrer da história, vários homens e mulheres, místicos conhecidos ou menos conhecidos, que se encarregaram de propagá-la.
A “Sagrada Face” ou “Santa Face” (para ser mais fiel ao termo francês), foi objeto de especial afeição por parte de santa Teresinha.
Vejamos porque a Sagrada Face participa ativamente do “corpus” da espiritualidade de nossa padroeira. Entender o amor de Teresa à Sagrada Face poderá nos ajudar a enriquecer nossa compreensão da caminhada teresiana, a passos largos, rumo  à  santidade.
As famílias Martin e Guérin (tios de Santa Teresinha) nutriam uma grande devoção à Santa Face de Jesus, incentivados pelo “santo homem de Tours”, o Sr. Dupont e pela espiritualidade de Irmã Maria de São Pedro e da Santa Face, carmelita na mesma cidade de Tours, na França (1816-1848).
O Sr. Isodore Guérin, tio de nossa santa, ao ler a vida do famoso homem de Tours, tornou-se devoto da Santa Face e, por seu intermédio, foi instalado um quadro da Sagrada Face em uma das capelas laterais da catedral de São Pedro, em Lisieux. Teresinha amava muito este quadro. No coro do Carmelo havia também um quadro da Sagrada Face e nossa padroeira fará dela uma reprodução que será colocada no cortinado do seu leito de enfermo para, assim, contemplar com amor a Face querida do seu Bem-Amado (CA 5.8.9).
Aos 12 anos, Teresa se inscreve na Confraria reparadora de Tours (26.04.1885). A partir de 19.01.1889, data de sua tomada  do hábito, Irmã Teresa do Menino Jesus completará seu nome religioso, passando a assinar “da Santa Face”. Deu tanta importância este acréscimo, que ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada face”, ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus da Santa Face”.
No segundo modo de assinar, ela retira a preposição, talvez para ressaltar sua íntima ligação com a Sagrada Face. Provavelmente queira também mostrar o profundo nexo que une o mistério da Encarnação (Belém) ao da Paixão e Morte (Calvário), único e arrebatador mistério da bondade misericordiosa do Senhor.
Aos diversos sofrimentos próprios à vida religiosa, vividos por Teresa desde os 15 anos, deve-se acrescentar os advindos pela enfermidade mental de seu pai. Em 12.02.1889, o Sr. Martin precisa ser hospitalizado. Nesta situação de dor, Teresa escreve à sua irmã Celina: “Jesus arde em amor por nós… Olhe sua face adorável!… Olhe estes olhos fechados e abaixados!… Olhe essas chagas… Olhe Jesus na sua Face. Lá você verá como ele nos ama” (Carta 87).
Encontraremos diversos comentários sobre a Santa Face em outras cartas: “Sim, a face de Jesus é luminosa, mas se em meio às feridas e às lágrimas ela já é tão bela, como não o será quando a virmos no céu?… Oh, o céu, o céu! (Carta 95).
“Seu rosto estava escondido!… Ele o está ainda hoje, pois quem é que compreende as lágrimas de Jesus?” (Carta 105).
“Jesus me pegou pela mão, fez-me entrar em um subterrâneo onde não faz frio nem calor, onde o sol não brilha, e que não é visitado nem pela chuva nem pelo vento; um subterrâneo onde não vejo nada senão uma luz meio apagada, o brilho que espalham ao seu redor os olhos da Face de meu Noivo!…” (Carta 110).
“Após ter sorrido para Jesus no meio das lágrimas, você gozará dos raios de sua Face divina… ” (Carta 149).
Em 1895, evocando seus anos de sofrimento, assim resumirá suas intuições: “A Florzinha transplantada para a montanha do Carmelo devia desabrochar à sombra da cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus tornaram-se seu orvalho e seu Sol foi sua face adorável coberta de lágrimas… Até então não sentira a profundidade dos tesouros escondidos da santa Face… Aquele cujo reino não é deste mundo me mostrou que a verdadeira sabedoria consiste em “querer ser ignorada e tida por nada” – em “por sua alegria no desprezo de si mesmo”… Ah, como o de Jesus, eu queria que “Meu rosto fosse verdadeiramente escondido, que na terra ninguém me reconhecesse” (MA 77v).
Celina (Irmã Genoveva), a respeito do amor de Teresa à Sagrada Face, escreveu: “Esta devoção foi o coroamento e o pleno desabrochar de seu amor pela sagrada Humanidade de Jesus. A Santa Face era o espelho no qual contemplava a Alma e o Coração de seu Amado, em que ela o contemplava em sua inteireza” (Conselhos e Lembranças).
A Santa Face não foi para Teresa uma simples devoção privada: encontra-se no coração de sua Cristologia, de seu amor apaixonado pelo Jesus escondido. Contudo sabia que o Desfigurado seria um dia Transfigurado em sua Ressurreição. No Processo Informativo Ordinário, Irmã Maria do Sagrado Coração irá afirmar: “Desde muito tempo, ela tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus e à Sagrada Face, mas esta última devoção se desenvolveu, sobretudo no Carmelo” (PO 250).
Fontes: “Santa Teresa de Lisieux, Diccionario”, Ed. Monte Carmelo, Burgos, Espanha, pp. 604-605.
“Dicionário de Santa Teresinha”, Pedro Teixeira Cavalcante, Ed. Paulus, 1997, p. 224

TERÇO DA SAGRADA FACE
Oferecimento
Ó Sagrada Face adorável
Espelho de sofrimento
Emblema Santo de dor
Pelos tormentos atrozes
Sofridos em vossa cruz
Aceitai as nossas dores
Para vos consolar, Jesus!
SOBRE A CRUZ, rezar (Creio, Pai Nosso, Ave Maria)
SOBRE O PAI NOSSO, rezar: Ó Jesus Cristo, fazei resplandecer a vossa face sobre nós.
Resposta: Permanecei Conosco Senhor!
NAS PRIMEIRAS AVE MARIAS, rezar: Sagrada Face de Jesus suavizai a nossa Cruz.
NAS OUTRAS AVE MARIAS, rezar: Senhor Jesus Cristo mostrai-nos a Vossa Sagrada Face e seremos salvos.
BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE O CULTO DA SAGRADA FACE
Esta salutar devoção que se diria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte imprimindo sua Efígie Sagrada no Santo Sudário, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável, seja em virtude da decisiva importância que a Divina Face teve na vida de Santa Terezinha, ou pelos surpreendentes estudos da figura de Jesus na toalha mortuária de Turim, ou ainda por causa das recentes revelações à Beata Irmã M. Pierina de Micheli (+1945), privilegiada mensageira da Sagrada Face dos dias Atuais.
É como um sopro divino que passa sobre o mundo para combater os estragos das imagens sedutoras e preservar a humanidade dos castigos da justiça do alto. As consoladoras promessas de Nosso Senhor confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face. E além de tudo: a contemplação do divino Rosto é o meio mais fácil e eficaz de conhecer a Nosso Senhor e merecer, como que de imediato o seu amor. Sim, basta CONTEMPLÁ-LO.
Observou a este respeito a Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente ao seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
É o que quer dizer também o Papa Pio XII na sua Encíclica Haurietis Aquas: “É na Sagrada Face que se revela o Coração”.
Quanto a propagação, escreveu no dia 4 de junho de 1906 o Cardeal Gennari em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, referindo-a Sagrada Face da autoria da Madre Genoveva, irmã de Santa Terezinha: “O Santo Padre Deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda a propagação de seu culto particularmente aos Exmos. Senhores Bispos, bem como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornarem seus propagadores”.
E neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: “Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face” (Oss. Rom. 8-V-1930). Poderia esta devoção ter encontrado uma recomendação mais autêntica e abençoada? Propaguemos, pois, a imagem adorável do Nosso Salvador! Que cada família a possua! Zelemos por sua devoção nas terças feiras! Distribuamos conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça feira de carnaval, preparando-a por uma piedosa novena! Não há dúvida: a vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, Divina Fonte da verdadeira Paz e Liberdade.

NOVENA À SAGRADA FACE
Essa edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nesses últimos tempos um desenvolvimento considerável. As consoladoras promessas de Nosso Senhor, confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face!
Observou a esse respeito Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente a Seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
Zelemos por Sua devoção nas terças-feiras! Distribuamos, conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça-feira de Carnaval, preparando-nos por uma piedosa novena! Não há dúvida: à vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, divina fonte da verdadeira paz!

ORAÇÃO PREPARATÓRIA PARA TODOS OS DIAS
Senhor, procuro Vossa Face! Não me afasteis para longe dela por causa de meus pecados; não desvieis de mim Vosso Santo Espírito. Fazei brilhar sobre mim a luz da Vossa Face, instruí-me no caminho dos Vossos mandamentos. Eterno Pai, contemplai a Face de Vosso Filho e por seus infinitos merecimentos concedei-me um ardente desejo de reparar as injúrias feitas à Vossa Divina Majestade e a graça que desejo alcançar nessa novena. Assim seja.

19/02 – Primeiro dia
Oração: Oh! Amorosíssimo Jesus! Vossa palavra e a expressão de Vossa Face abrasada em amor, nos revelam, no Cenáculo, a veemência com que Vosso coração desejava a hora de dar-nos a Eucaristia! Inflamai meu coração de amor por esse sacramento adorável, visitando-o e recebendo-o freqüentemente com a pureza dos anjos. Consideração: Se Jesus me ama, se Sua Face me procura, o que me detém?… Que me pede Jesus, senão amor e confiança?… Negar-lhe-ei?…
Virtude a praticar: Desprendei-vos, pelo menos de coração, de todas as coisas da terra. Seja Jesus vosso tesouro. Oração final para todos os dias: Deus Todo-Poderoso e Misericordioso, nós Vos suplicamos que, venerando a Face Santíssima de Vosso Filho, desfigurada na Paixão por causa de nossos pecados, mereçamos contemplá-la eternamente no resplendor da glória celeste. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Assim seja.

20/02 – Segundo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh, Vítima Divina, meu doce Jesus! Face adorável, banhada em suor de sangue no Getsêmani, descobre-me a grandeza de Vossas dores e a gravidade dos meus pecados. Dai-me a mim e a todos os pecadores um sincero arrependimento com firmíssimo propósito de nunca mais pecar.
Consideração: Por toda a parte onde se mostrou sobre a terra, a Sagrada Face de Jesus abençoou, perdoou, curou e fez o bem…Jesus dirige o mundo com Seu olhar! Eu O invoco, porque não serei atendido?…
Virtude a praticar: Sede dócil às inspirações da graça. O olhar de Jesus que vos solicita é uma graça; entregai-vos a sua celeste influência.
Oração final sempre como no primeiro dia

21/02 – Terceiro dia
Oração: Oh! Meu amabilíssimo Jesus! Vossa Face augusta e serena teve uma expressão de dor imensa ao receber o beijo do traidor. Dai-me a graça, eu vos suplico, de participar de Vossa íntima aflição pelos sacrilégios que cometem os que Vos recebem em pecado mortal no Sacramento de amor, desagravando assim, a traição de Judas.
Consideração: Sim, eu sei, meu Redentor está vivo. Esta mesma Face que eu contemplo, hoje tão amargurada pela traição de um apóstolo infiel, hei de contemplar um dia radiante de graça e de esplendores. E, se eu for fiel, assim a contemplarei por toda a eternidade. Meu bom Jesus, mostrai-me Vossa Face.
Virtude a praticar: Fidelidade em observar os mandamentos divinos: “Falai, Senhor, Vosso servo Vos escuta”.
Oração final como no primeiro dia

22/02 – Quarto dia
Oração: Oh! Meu dulcíssimo Jesus! Vossa Face de infinita bondade é objeto do mais vil insulto pela cruel mão de um servo em casa de Anás. Assim Vos tratam, meu doce Salvador, porque aborrecem Vossas palavras de justiça e de caridade sem limites. Não permitais que eu jamais me vingue de meus inimigos, mas que os perdoe sempre e de todo o coração.
Consideração: Devo oferecer-me inteiramente a Deus, para fazer só sua adorável vontade; farei esse oferecimento em união com Jesus orando, a Face contra a terra, no Jardim das Oliveiras.
Virtude a praticar: Fazei penitência; praticai a contrição de vossos pecados alheios; aceitai, em espírito de expiação, as penas e amarguras que Deus aprouver enviar-vos.
Oração final como no primeiro dia

23/02 – Quinto dia
Oração: Oh! Meu pacientíssimo Jesus! Na noite tenebrosa de Vossa Paixão, Vossa Face sacrosanta tornou-se semelhante à de um leproso! Desprezos, escarros, bofetadas e injúrias sem número, desfiguram Vosso formoso semblante! Perdoai, Senhor, Vosso povo ingrato que com suas blasfêmias e crimes de toda espécie, renovam tão horríveis afrontas à Vossa Face augusta e venerada! Perdoai, Senhor!
Consideração: Jesus tem os olhos cerrados para não ver meus pecados… Continuarei nas minhas iniqüidades?… Até quando afrontarei essa Face que pacientemente sofre e me espera?… Até quando?… Até quando?… Não a consolarei com a minha entrega total?
Virtude a praticar: Tende a coragem da fé, não temais o olhar e as palavras dos homens, quando se tratar de um dever a cumprir ou de uma falta a evitar.
Oração final como no primeiro dia

24/02 Sexto dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Soberano Rei e Salvador! A majestosa dignidade de Vossa Face, vilipendiada e coroada de espinhos, proclamou solenemente Vossa realeza sobre as nações, confirmadas pela profética voz de Pilatos diante do povo judeu, ao dizer: “Eis o vosso Rei”. Concedei-me, ó Rei da Glória, um ardoroso zelo para propagar Vosso Reino, ainda que seja à custa de minha vida.
Consideração: Acabrunhado sob o peso de minhas iniqüidades, que farei diante de meu divino Rei? Por que hesitas, minha alma…Não é Ele teu Salvador?… Por acaso sua Face não te contempla com doçura e amor? Cheia de confiança, prosta-te aos pés de Jesus, dizendo-lhe de todo coração: “Meu Senhor e meu Rei! Eis aqui minha alma e meu corpo: eu me ponho, inteiramente sob o império de Vossa Face ultrajada”. Reinai sobre mim para sempre!
Virtude a praticar: Fazer morrer em vós, pela mortificação, todos os desejos e movimentos aviltantes que poderiam ofender a Sagrada Face e renovar as suas dores.
Oração final como no primeiro dia

25/02 – Sétimo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu querido e generosíssimo Jesus! Vossa Face de Deus-Homem se iluminou, subitamente, com os esplendores de um santo gozo, ao estreitar em Vossos braços a suspirada cruz! Dai-me coragem para tomar a minha cruz e seguir-vos com ânimo constante e generoso até o fim de minha vida.
Consideração: Se amo e me compadeço verdadeiramente dos ultrajes pela Face adorável de meu Salvador, devo amar meus irmãos desgarrados e pedir a Deus que os converta.
Virtude a praticar: Que o zelo de reparação vos inflame! Exercei-o por meio de comunhões, orações, palavras e exemplos, enfim, por todos os meios que a vista do mal cometido deve inspirar-vos.
Oração final como no primeiro dia

26/02 – Oitavo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu terníssimo Jesus! Qual não deve ter sido a expressão de doçura de Vossa Face, quando Verônica se aproximou de Vós para enxugá-la! Com que amorosa gratidão a contemplastes e qual não foi o seu assombro ao achar impressa em seu véu a Vossa Face desfigurada, mas cheia de amor!… Fazei que eu contemple, meu amado Redentor, Vossa Paixão com tanto amor e ternura que os traços da Vossa Face fiquem gravados em meu coração.
Consideração: Meditando no amor de Deus por mim, amor estampado em Sua Face retalhada e amortecida, ainda terei dificuldade em esquecer os males que me causaram, de perdoar os que me ofenderam, de qualquer maneira, de amar sinceramente meu próximo e pedir a salvação para todos os homens?…
Virtude a praticar: Suportar pacientemente as injúrias e as friezas de vosso próximo, aceitai o que elas têm de penoso para o coração, em espírito de reparação, por tudo o que Jesus sofreu em Sua Face adorável.
Oração final como no primeiro dia

27/02 – Nono dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu Santíssimo e amado Jesus! Vossa Face de Reparador divino, coberta pelas sombras da morte, aplacou as justiças do Eterno Pai, e Vossas últimas palavras foram penhor seguro de eterna felicidade. Que minha vida e minha morte sejam uma contínua reparação unida à Vossa e à de Vossa Mãe Santíssima, a quem invocarei sempre com o nome da Mãe.
Consideração: Quando irei e aparecerei diante da Face de meu Deus? Quando o verei face a face?…
Virtude a praticar: “Quem me contempla me consola! Se alguém contemplar a minha Face Eu derramarei meu amor nos corações e por meio de minha Face se obterá a salvação de muitos pecadores!” Almas generosas, procurai e contemplai sempre a adorável Face de Jesus!
Oração final como no primeiro dia

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Esta edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável.
Seja em virtude da decisiva importância que a Divina FACE teve na vida de Santa Teresinha, ou dos surpreendentes estudos da figura de JESUS na toalha mortuária de Turim, como ainda por causa das recentes revelações a Irmã M. Pierina de Michele (+1945), a privilegiada mensageira da SAGRADA FACE.
Irmã M. Pierina de Michele tomou o hábito das Filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de Maio de 1914. Alma ardente de amor a JESUS e às almas, entregou-se desde logo incondicionalmente ao Esposo Divino, e Ele a fez objeto de suas complacências. Desde criança, praticava atos de reparação, os quais, aos poucos, levaram-na a uma imolação completa de si mesma. Por isso não é de admirar, que, quando menina de doze anos apenas na Sexta-feira Santa, na Igreja de São Pedro em Milão, ouvi-se uma voz bem clara a dizer-lhe: “ninguém me dá um beijo de amor na FACE, para reparar o beijo de Judas”.
Quando noviça ainda, obteve a licença de fazer adoração noturna, e quando na noite de Quinta-feira Santa estava rezando diante do crucificado, escutou as palavras “Beija-me!” Irmã Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de pousar sobre uma face de gesso, sentira viva a FACE DE JESUS.
A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre superiora ali a encontrou, já era de manha. O coração abalado com o sofrimento de JESUS, sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na SAGRADA FACE e continua a receber cada dia no SANTÍSSIMO SACRAMENTO. Em 1919, Irmã Pierina é transferida para a Casa-Mãe em Buenos Aires. Ali no dia 12 de Abril de 1920, quando durante uma oração se queixava de suas aflições, JESUS se lhe manifestou ensangüentado, e com ternura e dor ao mesmo tempo lhe disse: “E EU, que é que fiz!” (para sofrer tanto). “Destas palavras eu nunca me esquecerei”, escreveu Irmã Pierina em seu diário.
Mas agora compreendia a Devoção à SAGRADA FACE, que daí em diante se tornou seu livro de meditação. Em 1921, voltou pra Milão, onde continuo a intensificar seu amor a JESUS. Eleita logo depois superiora da Casa de Milão, não tardou a ser nomeada superiora regional da Itália.
Mas apesar de seus muitos trabalhos, não deixou de ser Apóstola da Devoção à SAGRADA FACE, tanto entre suas irmãs como entre as pessoas conhecidas; contudo, procurando sempre ocultar seus privilégios divinos, dos quais as próprias irmãs de hábito, raríssimas vezes, foram testemunhas.
Irmã M. Pierina, um dia, até pediu a JESUS que sua vida passasse desapercebida; pedido que lhe foi concedido. Com o passar dos anos, JESUS se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensangüentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
Durante a oração noturna da primeira Sexta-feira da quaresma em 1936, JESUS, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua FACE coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que MINHA FACE, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração seja mais honrado. QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”.
Na terça-feira daquele ano, JESUS tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar a MINHA FACE, derramarei o Meu Amor nos corações, e por meio de MINHA SAGRADA FACE obter-se-á a salvação de muitas almas”. Beata Irmã M. Pierina faleceu, unindo-se Àquele que amou tanto, em 26 de julho de 1945.
Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral; foi uma passagem de amor como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: “tenho sentido uma imensa necessidade de viver sempre mais unida a JESUS, de amá-lo intensamente, para que minha morte seja uma passagem de amor ao meu JESUS”.

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