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Alegrai-vos!

Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor!

Nesta que é a mais “feliz de todas as noites”, somos chamados a testemunhar, com imensa alegria, a bondade de Deus que, por amor à humanidade, enviou Seu Filho Unigênito. É Natal! Mais do que ricas iguarias sobre a mesa, mais do que inúmeros presentes compartilhados, mais do que enfeites luminosos e tantas outras coisas, a maior dádiva do Natal está na alegria que experimentamos quando – a exemplo dos pastores – contemplamos o Menino Deus naquela simples manjedoura.

Contemple esta criança! Nesta data tão especial, Deus vem ao seu encontro para amá-lo e ensiná-lo sobre o verdadeiro sentido da vida humana. Nada de medo, nada de tristeza! Que cessem as discussões, as rivalidades e a falta de perdão em nosso meio. Que neste Natal você possa fazer a linda experiência de se deixar contagiar por esta verdadeira alegria, que é fruto do Alto.

São Lucas nos conta, no capítulo 2 do seu Evangelho, a experiência única que aqueles humildes pastores fizeram na noite de Natal. O evangelista narra que “um anjo do Senhor lhes apareceu, e a glória do Senhor os envolveu de luz. Os pastores ficaram com muito medo” (Lc 2,9).

Aqueles homens sentiram medo. Mesmo na presença de um anjo de Deus e envoltos numa intensa luz, as trevas do medo tomaram conta dos seus corações. O anjo do Senhor, percebendo aqueles semblantes assustados, apressa-se logo em tranquilizar os pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lc 2,10-11).

O restante da história você já conhece. Após a multidão dos anjos cantar “Glória a Deus no mais alto dos céus”, os pastores se põem a caminho de Belém e, ali, encontram o recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura ao lado de Maria e José. Tudo conforme o anjo lhes havia anunciado.

A partir disso, de simples ouvintes, aqueles pastores se transformam em alegres testemunhas: “Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino” (Lc 2,17). Os que ouviam os pastores “ficavam admirados com aquilo que contavam” (Lc 2,18).

São Lucas concluirá sua narrativa da seguinte forma: “Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito” (Lc 2,20).

Qual lição, afinal, podemos aprender com o testemunho desses humildes pastores?

A lição de que a alegria sempre supera o medo, e que esta alegria é o “combustível” que a nossa alma tanto necessita para darmos um belo testemunho de Jesus Cristo ao mundo.

Como aqueles pastores, podemos também glorificar a Deus por tudo o que vimos e ouvimos. Quanta coisa boa Deus já não realizou em nossas vidas! Não é verdade? E tudo isso precisa ser celebrado com os nossos familiares e amigos, principalmente junto à comunidade cristã. Fica aqui a dica: participe da Santa Missa de Natal, pois é ali, ao redor do altar, que celebramos, alegremente, o aniversário de Jesus com fé e nos alimentamos do Seu amor para testemunhá-Lo ao mundo.

Já não é preciso mais ter medo. Afinal, Jesus nasceu! Esta é a nossa alegre certeza e o grande presente de Natal que o Pai Celeste, em Sua paz, ofereceu aos homens “objetos da benevolência divina” (Lc 2,14).

Desejamos a você um Feliz e Santo Natal!

História de uma Alma

PRÓLOGO (págs. 13-20)
“Nada é tão cheio de mistérios como as silenciosas preparações que esperam o homem desde o limiar de cada vida…”.
Ela é exatamente o misterioso fruto daquelas preparações silenciosas. Tivessem seus pais seguido cada qual o pendor (vocação) de seu coração, “a maior Santa dos tempos modernos” não teria chegado a luz da existência.
Família Martin: O que a personalidade do pai poderia ter de austero e rígido, é contrabalançado por uma indulgente bondade para como o ruidoso, gineceu, que lhe transtorna o gosto pelo silêncio e tranqüilidade. Por outro lado, não desdenha animar os serões (saraus) da família, recitando autores em voga – românticos – cantando com boa voz cantigas de antanho (de antigamente), fabricando minúsculos brinquedos para o encanto das filhas.
Preocupado, por vezes, com o futuro (sentindo a diminuição de forças), a mãe governava a casa com uma “coragem verdadeiramente incrível e prodigiosa. Que mulher forte! A adversidade não a dobra, nem a prosperidade a torna arrogante”, escreve a irmã (25-10-1868). Seu realismo, a vivacidade de sua franqueza, a delicadeza de sua afeição, fazem dela a alma da casa.
Na família Martin dominava uma fé sólida, que vê Deus em todos os acontecimentos, e que lhe rende culto incessante: oração em família, missas matinais, comunhões freqüentes – raridades numa época em que o jansenismo continuava com suas devastações – vésperas dominicais, retiros espirituais. Toda a vida segue o ritmo do ciclo litúrgico, das peregrinações, do escrupuloso acatamento aos jejuns e abstinências…
Não há, entretanto, nenhuma exaltação ou demasia fanática nessa família, que desconhece o formalismo. Sabe pôr mãos à obra, pois recolhe e alimenta crianças abandonadas, pessoas desabrigadas, pessoas na estrema velhice. De suas curtas noites tomava Zélia Martin o tempo necessário para ser enfermeira de uma empregada da casa, O Sr. Martin expõe-se a situações arriscadas, quando se trata de alguma diligência a favor de desafortunados, de uma ajuda a algum epilético ou moribundo. As crianças aprendem a acatar dignidade do pobre.
“Em toda a minha vida aprouve o Bom Deus cercar-me de amor; minhas primeiras reminiscências recendem (transmitem) de sorrisos e das mais doces caricias!…”

Capítulo I
ALENÇON
(1873-1877)
Janeiro de 1895
HISTÓRIA PRIMAVERIL DE UMA FLORINHA BRANCA
ESCRITA POR ELA MESMA, E DEDICADA À REVERENDA MADRE INÊS DE JESUS (págs. 25-45)
1. “as misericórdias do Senhor!”… Sl 88, 2.
2. “Deus tem compaixão de quem lhe apraz, e faz misericórdia a quem Ele quer aplicar misericórdia. Isto, portanto, não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se compadece” Rm 9, 15-16.
3. Outro tanto acontece no mundo das almas, que é o jardim de Deus. Quis Ele criar os grandes Santos que podem comparar-se aos lírios, e às rosas; mas criou-os também mais pequenos, e estes devem contentar-se em serem bonitas ou violetas, cujo destino é deleitar os olhos do Bom Deus, quando as humilha debaixo de seus pés. Consiste a perfeição em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos…
4. Entendi ainda que o amor de Nosso Senhor se revela tão bem na mais simples das almas que em nada resiste à sua graça, como as mais sublime das almas. (…) Ele, porém, criou a criancinha que nada sabe e só sabe soltar débeis vagidos (fracos choros de recém nascidos); criou o pobre selvagem que não dispõe, para sua orientação, senão a lei natural; aos seus corações é que se digna baixar, onde se encontram suas flores campestres, cuja simplicidade arrebata (…) Assim como o sol clareia ao mesmo tempo os cedros e cada pequena flor, como se ocupa em particular de cada alma, como se não houvesse outra semelhante;
5. Não é, pois, minha vida propriamente dita que vou escrever, são meus pensamentos acerca das graças que o Bom Deus se dignou conceder-me.
6. Um coração de mãe sempre entende sua filha, muito embora está só saiba balbuciar, tenho pois a certeza de ser compreendida e adivinhada por vós que me formastes o coração e o ofertastes a Jesus!…
7. Oh! digne-se Jesus não deixar muito tempo em região estranha as flores que continuam exiladas. Tomara que a vergôntea (ramo de certo porte) de Lírios esteja em breve inteirada (totalmente) no Céu!
8. Oh! Dignem-se abençoar a mínima de suas filhas e ajudá-la a cantar as misericórdias divinas!
9. Aprouve ao Bom Deus cercar-me de amor toda a minha vida.
10. “Teresinha perguntou outro dia se iria para o Céu. Disse-lhe que sim, se fosse bem comportada. Respondeu-me: “De acordo, mas se não for boazinha, iria para o inferno”… No entanto, bem sei o que faria. Fugiria, a voar contigo que estarias no Céu…” (Carta de Sra. Martim à Paulina, 29 de outubro de 1876).
11. Fostes vós, minha Mãe querida, a quem Jesus escolheu para me fazer esposa Dele. Não estáveis então junto a mim, mas já se haviam formado um elo entre nossas almas… Vós éreis o meu ideal, queria assemelhar-me a vós, e foi vosso exemplo que desde a idade de dois anos me atraiu ao esposo das virgens… Oh! que doces reflexões não vos queria confirmar!
12. “Escolho tudo!”
13. Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso sofrer muito, ir sempre atrás do mais perfeito e esquecer-se de si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. (…) “Meu Deus, escolho tudo”. Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única coisa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois “escolho tudo” o que vós quiserdes!…”
14. – Sem dúvida, este sonho nada tem de extraordinário, acredito, no entanto, que o Bom Deus permitiu que guarde sua lembrança, a fim de me provar que uma alma em estado de graça nada deve temer dos demônios, que são uns medrosos, capazes de fugir diante do olhar de uma criança…
15. “Criancinha de cabeça loura, onde imaginas que está o Bom Deus?” Quando ela chega às palavras: – “Ele está lá no alto do Céu azul”, volve o olhar para cima com uma expressão angélica. Tão belo é que a gente não se cansa de fazê-la recitar. Há em seu olhar algo de tão celestial que nos deixa encantados!…” (Carta da Sra. Martin à Paulina, 4 de março de 1877).
16. – Ah! como se foram rapidamente os ensolarados dias de minha meninice, mas que doce impressão que deixaram na alma! Com prazer recordo os dias em que Papai nos levava consigo ao Pavilhão (O Pavilhão, pequena propriedade adquirida pelo Sr. Martin antes de casar, situava-se na Rua dos Lavoirs – atualmente Rua do Pavilhão Santa Teresa). (…) Tinha adquirido o bom hábito de nunca se queixar, mesmo quando lhe tiravam o que era seu, ou então quando era acusada injustamente. Preferiu calar e não escutar-se. Não era mérito seu, mas virtude natural… Que pena que esta boa disposição se tenha desvanecido!
17. Oh! Realmente, tudo me sorria na terra. Deparava com flores a cada passo que desse, e minha boa índole contribuía também para me tornar a vida agradável. Ia, porém, começar um novo período para minha alma. Devia passar pelo caminho da provação e sofrer desde a minha infância, a fim de que pudesse ser oferecida mais cedo a Jesus. Assim como as flores da primavera começam a germinar debaixo da neve e desabrocham aos primeiros raios do Sol, assim também a florinha, cujas reminiscências (lembranças) estou a escrever, teve que passar pelo inverno da provação.

Capítulo II
NOS BUISSONNETS (págs. 45-65).
(1877-1881)
18. (Minha Mãe referindo-se a sua irmã Celina), vós e Maria não éreis para mim as mais carinhosas e mais abnegadas das mães?… Ah! Se o Bom Deus não tivesse prodigalizado à sua florzinha seus raios benfazejos, ela nunca teria podido aclimatar-se na terra. Era ainda débil (delicada) demais para suportar chuvas e tempestades. Precisava de calor, de um orvalho suave, de um bafejo primaveril. Nunca careceu de todos estes benefícios. Jesus lhos fez encontrar até debaixo da neve da provação!
19. Há coisas que o coração sente, mas que a palavra e a própria idéia não conseguem formular.
20. Então a terra se me apresentava mais tristonha ainda, e compenetrava-me de que só no Céu haverá alegria sem nuvens.
21. Tinha muito amor ao Bom Deus, e amiúde lhe oferecia meu coração.
22. Ó minha Mãe querida! Com que solicitude (esmero) me preparastes, que me explicastes que não era a um homem, mas ao Bom Deus que iria contar meus Pecados. Disto estava tão convicta, que fiz minha Confissão com grande Espírito de Fé, e cheguei a perguntar-vos, se não seria mister (necessário) referir ao Padre Ducellier que o amava de todo o meu coração, pois que em sua pessoa era o Bom Deus que ia falar.
23. Fiz minha Confissão, como se fosse uma menina grande, e recebi sua Bênção com grande devoção, porque me havíeis explicado que, nesse momento, as lágrimas do Menino Jesus purificariam minha alma.
24. Os ditos santos!…Ah! Quantas recordações não desperta esta palavra!… Os dias santos, como os amava!… Para mim eram verdadeiramente dias do Céu.
25. Os dias santos! Ah! Se os grandes raros, cada semana trazia um novo um muito chegado ao meu coração: “o Domingo!” Que grande, o Domingo!… Era o dia santo do Bom Deus, o dia do santo repouso. (…) Ouvia muito atenta os sermões, dos quais, aliás, não compreendia grande coisa. O primeiro que entendi, e que me comoveu profundamente foi um sermão sobra a Paixão, pregado pelo Padre Ducellier. Dali por diante entendi tos os outros sermões. Quando o pregador falava de Santa Teresa, papai curvava-se para me dizer baixinho: “Escuta bem, minha rainhazinha, ele fala de tua Santa Padroeira”. Realmente, estava escutando bem, mas olhava mais vezes para o papai do que para o pregador. Seu belo semblante dizia-me tantas coisas!… Por vezes, seus olhos marejavam-se de lágrimas. Em vão procurava retê-las. Parecia estar já desligado da terra, tanto sua alma gostava de imergir nas verdades eternas… Sua carreira, porém, estava longe do termo final. Longos anos deviam passar, antes que o belo Céu se abrisse a seus olhos embevecidos, e o Senhor enxugasse as lágrimas do seu bom e fiel servidor!…
26. Suspirava pelo eterno repouso do Céu, pelo Domingo sem ocaso da Pátria!…
27. Era Paulina quem acolhia todas as minhas íntimas confidências, que esclarecia todas as minhas dúvidas… Minha querida Mãe fez-me então compreender que no Céu o Bom Deus dará aos seus eleitos tanta glória, quanta cada um poderá receber, de sorte que o último nada terá de invejar ao primeiro. Assim, pondo ao alcance da minha compreensão os mais sublimes segredos, sabíeis, minha Mãe, dar à minha alma a nutrição que lhe era necessária…
28. Um dia, porém, o Bom Deus mostrou-me, em visão realmente extraordinária, uma imagem viva da provação, para a qual teve a bondade de preparar-me antecipadamente. (A visão – sobrevinha em pleno dia, e não em sonhos – ocorreu no estio de 1878 ou 1880. O Sr. Martin encontrava-se em Alençon, em viagem de negócios).
29. Como a Face Adorável de Jesus esteve durante a Paixão, assim também a face de seu fiel servidor devia ficar velada nos dias de suas dores, a fim de que pudesse refulgir na Pátria Celeste junto a seu Senhor, o Verbo Eterno!… Do meio dessa glória inefável, quando já reinava no Céu, nosso querido Pai obteve-nos a graça de compreendermos a visão que sua rainhazinha tivera, numa idade em que não se teme a ilusão.
30. Como o Bom Deus é bom!… Envia as provações na medida de nossas forças.
31. Tomei a resolução de nunca distanciar minha alma do olhar de Jesus, a fim de que navegue tranqüila em direção a Pátria do Céu!…

Capítulo III
ANOS DOLOROSOS (págs. 66-83)
(1881-1883)
32. Sempre me lembrarei minha querida Mãe, com que ternura me consolastes… Depois, explicastes-me a vida do Carmelo, a qual se me afigurou muito bonita! Ao repassar pelo espírito tudo quanto me falastes, senti dentro de mim ser o Carmelo o deserto onde o Bom Deus queria que fosse também esconder-me. Senti-o com tanta veemência que não tive a mínima dúvida no coração. Não era um devaneio de criança que se deixa levar, mas a certeza de um chamado divino. Queria eu ir par o Carmelo, não por causa de Paulina, mas por Jesus tão somente… Pensei muitas coisas que se não podem exprimir por palavras, mas que me deixaram grande paz na alma…
33. Não parava de repetir ao Bom Deus que era única e exclusivamente por Ele que queria ser carmelita.
34. Creio que o demônio recebera um poder exterior sobre min, mas não podia acercar-se de minha alma nem de meu espírito, senão para me inspirar enormes receios de certas coisas. (…) Sentia medo de tudo, absolutamente. Minha cama parecia-me cercada de medonhos precipícios. Alguns pregos, fixados nas paredes do quarto, assumiam aos meus olhos a feição assustadora de grandes dedos pretos, carbonizados, e faziam-me soltar gritos de pavor. Um dia, estando papai a olhar silencioso para mim, o chapéu que segurava entre as mãos transformou-se de repente em não sei qual forma de fantasma e dei mostras de tão grande pavor, que o pobre do meu pai saiu dali a soluçar. No entanto, se o Bom Deus permitia ao demônio achegar-se a mim, também me enviava anjos visíveis… Maria ficava sempre junto à minha cama, cuidava de mim e consolava-me com a afeição de mãe.
35. Ninguém, mais do que eu, vos causou tanto sofrimento, e mingúem recebeu tanto amor, quanto vós prodigalizastes… Por sorte, terei o Céu para me vingar. Muito rico é meu Esposo, e de seus tesouros de amor tirarei par vos retribuir, ao cêntuplo, tudo quanto sofrestes por minha causa…
36. Por não encontrar nenhuma ajuda na terra, a coitada da Terezinha também se voltara para a sua Mãe do Céu, suplicando-lhe de todo o coração, tivesse enfim piedade dela… De repente, a Santíssima Virgem me pareceu bela, tão bela, como nunca tinha visto nada tão formoso. O rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou no fundo da alma foi o “empolgante sorriso da Santíssima Virgem”. Nesta altura, desvaneceram-me todos os meus sofrimentos. Das pálpebras me saltaram duas grossas lágrimas e deslizaram silenciosas sobre as faces. Eram lágrimas de uma alegria sem inquietação… Oh! Pensei comigo, a Santíssima Virgem sorriu para mim, como sou feliz… Mas, nunca jamais o contarei a ninguém, porque então desapareceria minha felicidade. Sem nenhum esforço, baixei os olhos e enxerguei Maria que olhava para mim com amor. Parecia emocionada e dava a impressão de suspeitar o favor que a Santíssima Virgem me concedera… Oh! Era exatamente a ela, às suas edificantes orações que devia a graça do sorriso da Rainha dos Céus. Quando viu meu olhar fito na Santíssima Virgem, disse de si para si: “Teresa está curada!” Sim, a florzinha ia renascer para a vida, o Raio luminoso que a reanimara não pararia suas beneficências. Não atuou de uma só vez, mas de modo manso e agradável foi levantando e revigorando sua flor, de tal sorte que cinco anos depois ela desabrocharia na montanha do Carmelo.
37. “A Santíssima Virgem pareceu-me muito linda… e eu a vi sorrir para mim”.

Capítulo IV
PRIMEIRA COMUNHÃO – TEMPOS DE ESCOLA (págs. 84-110)
(1883-1886)
38. Sabia que lá existia uma Irmã Teresa de Jesus. Apesar disso, meu belo nome de Teresa não me podia ser tirado. De súbito me ocorreu à lembrança de Jesus pequeno, a quem tanto amava, e disse comigo: “Oh! Que felicidade, se me chamasse Teresa do Menino Jesus!”.
39. E vejo que “debaixo do sol tudo é vaidade e aflição de espírito” Ecl 2, 11… Que o único bem consiste em amar a Deus de todo o coração e ser pobre de espírito aqui na terra…
40. Ninguém ainda me ensinara o modo de fazer oração, apesar da grande vontade que tinha de aprendê-lo. Como, porém, ma achasse bastante piedosa Maria sé me deixava fazer minhas preces. Um dia, uma das minhas mestras da Abadia me perguntou o que fazia nos dias de folga, quando estava sozinha. Respondi-lhe que me punha atrás de minha cama num vão que ali havia, fácil para mim de fechar com o cortinado, e nesse lugar ficava a “pensar”. Mas, em que pensáveis? Perguntou-me. – Penso no Bom Deus, na vida… Na ETERNIDADE, afinal penso!…
41. Existem pensamentos da alma que se não podem traduzir em linguagem terrena, sem perderem o sentido autentico e celestial. São como a “pedrinha branca que se dará ao vencedor, sobre a qual está escrito um nome, que só CONHECE, QUEM a recebe”. Ah! Como foi afetuoso o primeiro ósculo de Jesus à minha alma!…
Foi um ósculo de amor: Senti-me amada, e de minha parte dizia: “Amo-vos, entrego-me a vós para sempre”. Não houve pedidos, nem lutas, nem sacrifícios. Desde muito, Jesus e a pobre Teresinha se tinham olhado e compreendido. Naquele dia, porém, já não era um olhar, era uma fusão. Já não eram dois; Tereza desaparecera como a gota de água que se perde no seio do oceano. Ficava só Jesus, era ele o Senhor, o Rei.
42. À tarde de um belo dia, estive novamente com minha família terrena. Pela manhã, já tinha abraçado Papai e todos os meus queridos parentes. Agora, porém, se estabelecia a verdadeira reunião, quando Papai tomou pela mão sua rainhazinha e se dirigiu ao Carmelo… Vi então minha Paulina, que se tornara esposa de Jesus. Divisei-a com seu véu branco, como o meu, e com sua coroa de rosas… Oh! Minha alegria foi sem amargura, esperava estar em breve novamente com ela, e com ela esperar pelo Céu!
43. O dia que se seguiu à minha primeira comunhão foi ainda um dia bonito, mas repassado de melancolia. Toda a linda roupa que Maria me tinha comprado, todos os presentes recebidos, não me enchiam o coração. Não havia senão Jesus que pudesse contentar-me. Anelava pelo momento em que me fosse dado recebê-lo pela segunda vez. (…) Que doce recordação não guardei da segunda visita de Jesus! Desta vez ainda, corriam minhas lágrimas com inefável doçura. Sem cessar repetia a mim mesma as palavras de São Paulo: “Já não sou eu que vivo, Jesus é quem vive em mim!…”
44. O sofrer tornou-se-me um atrativo. Tinha encantos que me arrebatavam, sem os conhecer com clareza. Até antão, sofria sem amar o sofrimento; desde aquele dia senti por ele verdadeiro amor. Sentia também o desejo de amar só a Deus, de não encontrar alegria senão Nele. Muitas vezes, repetia em minhas comunhões as palavras de Imitação de Cristo: “Ó Jesus! Doçura inefável, convertei-me em amargura todas as consolações da terra!… Esta oração me saía dos lábios sem esforço, sem constrangimento. Vinha-me a impressão de que a repetia, não por minha vontade, mas como criança que repete as palavras que uma pessoa amiga lhe sugere…
45. Oh! Como estava exultante a minha alma! Igual aos Apóstolos, eu aguardava, venturosa, a visita do Espírito Santo… Folgava com a idéia que dentro em breve seria perfeita cristã, sobretudo que eternamente teria na fronte a misteriosa Cruz que o Bispo traça, quando faz a imposição do Sacramento… Chegou afinal o ditoso momento. Não senti, quando desceu o Espírito Santo, nenhum vento impetuoso, mas antes aquela leve brisa, cujo murmúrio o profeta Elias ouviu no monte Horeb. 1Rs 19, 12-13. Nesse dia, recebi a força de sofrer, pois logo sem seguida devia começar o martírio de minha alma… Foi minha querida e gentil Leônia que me serviu de madrinha.
46. O Bom Deus, porém, deu-me um coração tão leal que, amando com pureza, ama para sempre. Por isso, continuei a rezar pela minha companheira, e ainda lhe tenho afeição… Ao ver que Celina queria bem a uma de nossas mestras, quis imitá-la, mas não pude consegui-lo, pois não sabia conquistar as boas graças das criaturas. Ó ditosa ignorância! Como me livrou de grandes males!…
47. Eu seu, “menos Ama aquele a quem menos perdoa”. Lc 7, 47
48. A vaidade insinua-se facilmente no coração!…
49. Oh! Quanta compaixão não sinto das almas que se perdem!… É tão fácil desgarrar-se nas sendas floridas do mundo… Não há dúvida, para uma alma mais formada a doçura que Ele oferece, vem mesclada de amargura, e o imenso vácuo dos desejos não poderia preencher-se com louvores momentâneos… No entanto, se meu coração desde o seu despertar não se erguera até Deus, se o mundo me tivera sorrindo desde a minha entrada ma vida, que teria acontecido comigo?… Ó minha Mãe querida, com que gratidão canto as misericórdias do Senhor!… De acordo com as palavras da Sabedoria, não foi Ele que “me tirou do mundo, antes que meu espírito se pervertesse com sua malícia e que suas enganosas aparências me seduzissem a alma?” Sb 4, 11. A Santíssima Virgem também velara sobre sua florzinha. Não querendo que ela se manchasse ao contato com as coisas da terra, retirou-a para o alto de sua montanha¸ antes que desabrochasse… Enquanto aguardava o ditoso momento, Teresinha crescia no amor à sua Mãe do Céu.
50. Ninguém me dava atenção, e por isso subia à tribuna do coro da capela, ficando diante do Santíssimo Sacramento até o momento em que Papai ia buscar-me. Esta era minha exclusiva consolação. Não era Jesus meu único amigo?… Sentia que era maior vantagem falar com Deus do que falar de Deus.
51. “A vida é tua embarcação, não é tua morada!”… Não nos diz também a Sabedoria que “a vida é como uma nau que sulca as ondas agitadas, e de rápida passagem não fica nenhum vestígio?”.
52. Eu ficava realmente triste com qualquer coisa! Era ao contrário de agora, pois o Bom Deus concedeu-me a graça de me não abater com nenhuma coisa passageira. Quando me lembro do passado, minha alma transborda de gratidão, vendo os favores que recebi do Céu. Em mim se operou tal mudança, que já não sou reconhecível… Desejava realmente a graça “de ter absoluto domínio sobre meus atos, de ser senhora e não escrava deles”. Estas palavras de Imitação de Cristo tocavam-me profundamente.
53. O Bom Deus, que queria chamar a si a menor e a mais franzina de todas, apressou-se em desenvolver suas asas. Ele que se compraz em mostrar sai bondade e seu poder, lançando mão dos instrumentos menos dignos, houve por bem chamar-me a mim antes de Celina, indubitavelmente muito mais merecedora desse favor. Jesus, porém, sabia quanto eu era fraca, e por esse motivo escondeu-me, como primeira, na fenda do rochedo.
54. Estando em condições de haurir (colher) nos tesouros divinos, neles poderiam buscar a paz para mim, e mostrar-me assim que no Céu a gente ainda sabe amar!… A resposta não se fez esperar. A paz logo me inundou a alma com sua deliciosa exuberância, e compreendi que, se era amada aqui na terra, também o era no Céu… Desde aquele momento, cresceu minha devoção para com meus irmãozinhos. Gosto de entreter-me muitas vezes com eles, de falar-lhes das tristezas do exílio… do meu desejo de logo juntar-me a eles novamente na Pátria!

Papa ensina o que fazer diante da desolação espiritual

Terça-feira, 27 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa desta terça-feira, Francisco reflete sobre três atitudes para vencer a desolação espiritual

O que acontece em nosso coração quando somos tomados por uma ‘desolação espiritual?’ Foi a pergunta feita pelo Papa Francisco na missa desta manhã, 27, na Casa Santa Marta, centralizada no personagem de Jó. O Papa acentuou a importância do silêncio e da oração para vencer os momentos mais sombrios. Neste dia de São Vicente de Paulo, Francisco ofereceu a missa às Irmãs Vicentinas e as Filhas da Caridade, que trabalham na Casa Santa Marta.

“Jó estava com problemas: havia perdido tudo”. A partir desta leitura, que apresenta Jó despojado de todos os seus bens, inclusive seus filhos, o Papa desenvolveu a homilia. “Jó se sente perdido, mas não maldiz o Senhor”.

Francisco explicou que todos, cedo ou tarde, vivem uma grande desolação espiritual. Jó vive uma grande desolação espiritual e “desafoga” com Deus. É o desabafo de um filho diante de seu pai, disse. O mesmo, faz o profeta Jeremias, que desabafa com o Senhor, mas sem blasfemar.

“A desolação espiritual é uma coisa que acontece com todos nós: pode ser mais forte ou mais fraca, mas é uma condição da alma obscura, sem esperança, desconfiada, sem vontade de viver, que não vê a luz no fim do túnel, que tem agitação no coração e nas ideias. A desolação espiritual nos faz sentir como se nossa alma fosse ‘achatada’: quando não consegue, não quer viver: ‘A morte é melhor!’ desabafa Jó. ‘Melhor morrer do que viver assim’. E nós devemos entender quando nosso espírito está neste estado de tristeza geral, quando ficamos quase sem respiro. Acontece com todos nós, e temos que compreender o que se passa em nosso coração”.

O Papa acrescentou que nessa ocasião devemos nos fazer uma pergunta: “O que se deve fazer quando vivemos estes momentos escuros, por uma tragédia familiar, por uma doença, por alguma coisa que me leva ‘prá baixo’? E explicou que alguns pensam em engolir um comprimido para dormir e tomar distância dos fatos, ou beber ‘dois, três, quatro golinhos’, mas o Papa disse que isto não ajuda e que a liturgia de hoje mostra como lidar com a desolação espiritual.

Resposta no Salmo

A resposta está no Salmo 87, disse Francisco. “Chegue a ti a minha prece, Senhor”. É preciso rezar com força, como disse Jó: gritar dia e noite até que Deus escute.

“É uma oração de bater na porta, mas com força! ‘Senhor, eu estou cheio de desventuras. A minha vida está à beira do inferno. Estou entre aqueles que descem à fossa, sou como um homem sem forças’. Quantas vezes nós sentimos assim, sem forças. E esta é a oração.  O Senhor mesmo nos ensina como rezar nestes momentos difíceis. ‘Senhor, me lançaste na fossa mais profunda. Pesa sobre mim a Tua cólera. Chegue a Ti a minha oração’. Esta é a oração: assim devemos rezar nos piores momentos, nos momentos mais escuros, mais desolados, mais esmagados, que nos esmagam mesmo. Isto é rezar com autenticidade. E também desabafar como desabafou Jó com os filhos. Como um filho”.

O Livro de Jó, em seguida, fala do silêncio dos amigos, disse o Papa. Diante de uma pessoa que sofre, as palavras podem ferir. O que conta é estar perto, fazer sentir a proximidade, mas não fazer discursos.

“Quando uma pessoa sofre, quando uma pessoa se encontra na desolação espiritual você tem que falar o mínimo possível e você tem que ajudar com o silêncio, a proximidade, as carícias, com a sua oração diante do Pai”.

Resumo das três atitudes para vencer a desolação espiritual

De maneira didática, em resumo, Francisco disse que: em primeiro lugar é preciso reconhecer os momentos de desolação espiritual e se perguntar por quê? Em segundo lugar é preciso rezar ao Senhor, como na liturgia de hoje, com o Salmo 87, ‘Chegue a Ti a minha oração, Senhor’. E em terceiro lugar quando se está diante de uma pessoa que sofre, que está na desolação completa, é preciso o silêncio, silêncio com amor, proximidade e ternura e não discursos.

“Rezemos ao Senhor para que nos conceda essas três graças: a graça de reconhecer a desolação espiritual, a graça de rezar quando estivermos submetidos a este estado, e também a graça de saber acolher as pessoas que passam por momentos difíceis de tristeza e de desolação espiritual”.

O que o Corpo e o Sangue de Cristo têm a dizer para o homem de hoje?

Ele está no meio de nós!

A Festa de Corpus Christi encerra uma longa sequência de grandes festas litúrgicas: Páscoa, Ascensão, Pentecostes e Santíssima Trindade. É como se fosse um fecho espiritual apresentando a nós o amor de Cristo que se fez Pão para ser “remédio e sustento para a nossa vida”.

A Festa de Corpus Christi surgiu, no século XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258), que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra à Sagrada Eucaristia, o que foi aprovado pelo Papa Urbano IV (1262-1264), em 11/08/1264 pela Bula “Transiturus de mundo”. Quando o Papa encontrou a procissão na entrada de Orvieto, trazendo a relíquia do milagre eucarístico acontecido em Bolsena, pronunciou diante da relíquia as palavras: “Corpus Christi”.

Muitos são os milagres eucarísticos em todo o mundo; por causa deles, a Igreja oficializou a procissão nas ruas, levando o Santíssimo Sacramento para ser adorado publicamente e nos abençoar.

Neste tempo de grandes e muitas ofensas públicas feitas a Deus, onde a religião é espezinhada, onde vemos o sagrado ser profanado de muitas formas, onde os ensinamentos de Jesus são negados, Cristo em Pessoa (Corpo, Sangue, Alma e Divindade) quer caminhar no meio de nós para nos lembrar o Seu amor por cada um que Ele veio salvar com o sacrifício de Sua vida. Um teólogo disse que se Deus foi capaz de se transformar em Homem, então, por amor a nós, também é capaz de se fazer Pão para poder estar conosco.

Ao menos uma vez no ano, o Senhor quer passar por nossas casas para nos dizer que nos ama, chama-nos, que ninguém deve desistir de vir a Ele sem medo até dos seus próprios pecados. Cristo vem nos dizer que sem Ele não podemos fazer nada de bom e de belo, e que o mundo vai mal, porque lhe virou as costas.

Sua presença eucarística, nas nossas ruas, têm a nos dizer muitas coisas: que Ele é o único Salvador do homem (cf. At 4,12), que o mundo só pode ser salvo pela vitória do amor a Deus e ao próximo, como Ele ensinou, e não como ensinam as novelas e o mundo; que “o seu Reino não é deste mundo”, que não tenhamos “medo dos que matam o corpo mas não podem matar a alma”; que “o seu Reino não terá fim”; que sua Igreja é infalível na doutrina e invencível na luta, até que Ele venha.

A peregrinação do Senhor por nossas ruas é para nos dizer que “Ele está no meio de nós” até o fim da história humana, e que não devemos ter medo porque Ele, ressuscitado, caminha conosco. Mais uma vez, Ele quer gritar em nossos ouvidos: “Eu sou a Luz do mundo. Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Sua caminhada por nossas ruas vem nos lembrar que a fé não é – como disse Bento XVI – apenas uma atividade particular, mas pública, que o Estado deve ser laico (sem professar uma fé específica), mas que o povo é religioso e tem o direito de viver sua fé. O Senhor vem dizer a todos, de público, que a religião é fundamental na vida do povo, na elaboração das leis, na justiça e no governo, e que sem ela o homem perde o rumo da vida. Disse o Concilio Vaticano II que “só Cristo revela o homem ao próprio homem” (GS).

A caminhada do Senhor por nossas ruas e cidades vem nos dizer que nenhum dos Seus discípulos pode se omitir e se calar diante da destruição moral que estamos assistindo e que atinge principalmente a família, as crianças e os jovens, anulando os valores cristãos sobre os quais a nossa civilização foi construída, especialmente o casamento, a família e a educação cristã dos filhos.

O Senhor vem ao nosso encontro, sai a público para lembrar que “Ele nos fez e a Ele pertencemos; somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho” (Sl 99,3), e que Ele vem buscar cada ovelha tresmalhada que deixou o aprisco. Ele quer que olhemos para Ele que passa e tenhamos a certeza de que só Ele é a Vida, a Verdade e o Caminho, e que não nos deixemos nos iludir pelos falsos profetas tão abundantes em algumas mídias, universidades, livros e conversas. Eles querem substituir a fé e o Evangelho da salvação por ideologias humanas vazias e destruidoras.

Enfim, o Senhor vem nos dizer – de público – que só Ele pode nos dar o máximo que o nosso coração deseja. Então, vamos a Ele com o mesmo amor e devoção que Ele vem a nós. Vamos desagravar o Seu coração tão ofendido pelos pecados dos homens. Vamos, mais uma vez, enxugar as lágrimas do Seu rosto e o Sangue de Suas chagas.

Prof. Felipe Aquino
[email protected]

Oração para ser feita antes de dormir

No silêncio da noite, que convida à serenidade da alma,
venho diante de Ti, Senhor, com meu coração agitado.
Nem sempre é fácil amar quando há tanto desamor
em almas que errantes caminham semeando ódio,
e cultivando discórdias.

Eu, porém, sigo firme em Teu amor.
Santo ainda não sou, mas em Ti
busco santificar-me.

Ensina-me a cuidar das coisas da Terra
como se já vivesse no Céu.
Faz de minhas palavras o bálsamo que cura as feridas do coração
e alivia as dores da alma.

Sim, em Ti busco suportar as ofensas,
porque na cruz que carrego
contemplo a glória da vida,
que doa e se faz nova em cada gesto de amor.
Faz-me florir no jardim onde Tu me plantastes.
Amém.

 

Padre Flávio Sobreiro, Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre (MG), padre Flávio Sobreiro é vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e padre da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG).

Papa pede que cristãos vivam em harmonia, não em tranquilidade

Terça-feira, 5 de abril de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa diferenciou uma vida harmônica de uma vida tranquila, resgatando o exemplo das primeiras comunidades cristãs

Como de costume, o Papa Francisco celebrou a Missa, na Casa Santa Marta, nesta terça-feira, 5. A homilia de hoje tratou da diferença entre os cristãos viverem em harmonia ou em tranquilidade.

Um só coração e uma só alma, nenhum pobre e bens distribuídos segundo as necessidades. Os sentimentos e o estilo de vida da primeira comunidade cristã podem ser resumidos em uma única palavra, segundo os Atos dos Apóstolos: harmonia.

Uma palavra sobre a qual é preciso um consenso, afirmou o Papa, no início da homilia, porque não se trata de uma concórdia qualquer, mas de um dom do céu para quem renasceu do Espírito Santo, como os primeiros cristãos.

“Nós podemos fazer acordos, uma certa paz… mas a harmonia é uma graça interior que somente o Espírito Santo pode promover. E essas comunidades viviam em harmonia, e os sinais da harmonia são dois: ninguém fica na necessidade, porque tudo era em comum. Em que sentido? Tinham um só coração, uma só alma e ninguém considerava o que lhe pertencia como propriedade, porque tudo era em comum. Ninguém deles era carente. A verdadeira ‘harmonia’ do Espírito Santo tem uma relação muito forte com o dinheiro: o dinheiro é inimigo da harmonia; o dinheiro é egoísta e, por isso, todos davam o que tinham para que não faltasse nada a ninguém”.

Harmonia não é tranquilidade

O Papa se concentrou sobre este aspecto e repetiu o exemplo virtuoso oferecido pelo trecho dos Atos dos Apóstolos, o de Barnabé, que vende sua terra e entrega o dinheiro aos apóstolos. No entanto, os versículos seguintes, não incluídos na leitura do dia, propõem outro episódio, oposto ao primeiro, que Francisco citou: o de Ananias e Safira, um casal que finge dar o arrecadado com venda de suas terras, mas, na realidade, retém uma parte do dinheiro.

Essa foi uma escolha que para eles terá um preço muito amargo: a morte. Deus e o dinheiro são dois patrões, “cujo serviço é irreconciliável”, repetiu Francisco, que logo depois esclareceu também o equívoco que pode surgir sobre o conceito de ‘harmonia’. Não se trata de ‘tranquilidade’, ressaltou.

“Uma comunidade pode ser muito tranquila, em que tudo vai bem, tudo funciona… Mas não está em harmonia. Uma vez, ouvi dizer de um bispo algo muito sábio: ‘Na diocese, há tranquilidade. Mas se você tocar um problema, ou este ou aquele outro problema, logo começa a guerra’. Esta seria uma harmonia negociada, e esta não é a do Espírito Santo. É uma harmonia – digamos – hipócrita, como aquela de Ananias e Safira com aquilo que fizeram”.

O Espírito e a coragem

Francisco concluiu convidando à releitura dos Atos dos Apóstolos sobre os primeiros cristãos e sua vida em comum. Segundo ele, isso é bom para entender como testemunhar a novidade em todos os ambientes em que se vive.

“A harmonia do Espírito Santo nos dá esta generosidade de não ter nada próprio enquanto há alguém necessitado. A harmonia do Espírito nos dá uma segunda postura: ‘Com grande força, os apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus, e todos regozijavam de grande favor’, isto é, de coragem. Quando existe harmonia na Igreja, na comunidade, existe coragem, a coragem de testemunhar o Senhor Ressuscitado.”

“Caricaturas” do Estado de Graça

“A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: ide a Tomás de Aquino”
Papa Pio XI, Enc. Studiorum Ducem
http://doctorisangelici.blogspot.com/2008/07/caricaturas-do-estado-de-graa.html

Assim como temos várias caricaturas da verdadeira Igreja de Cristo, hoje em dia temos várias “caricaturas” da verdadeira condição para salvação de nossa alma. O Concílio de Trento (totalmente válido e infalível até hoje) definiu como condição indispensável para a salvação da alma, o crente estar em estado de graça. Muitos católicos perderam o valor ou não aprenderam o que realmente se dá com aquele que está em estado de graça: é aquele que tem a vida divina, que participa da natureza divina, habitado pela Santíssima Trindade, que é templo do Espírito Santo. O demônio, muito astuto, quer que não percebamos o valor do estado de graça e de sua conservação para a vida da alma, por isso coloca nos corações dos homens outras doutrinas diferentes e destruidoras, que tem por objetivo fazer as pessoas perderem a noção da conservação da vida da graça para a salvação da alma. A maior luta do demônio é para que percamos a noção do que é o estado de graça, bem como de sua necessidade. Pois aquele que perde esta noção fica mais vulnerável à sua ação tentadora, deixa de velar para que este estado seja conservado, deixa de evitar o pecado, pois pensa que Deus perdoa seus pecados apenas pelo fato de pedirmos isto a Ele em nossas súplicas. É claro, que se Ele assim o quisesse poderia nos perdoar desta forma, e de maneira extraordinária (fora do normal) pode até o fazer em alguns casos onde a pessoa esteja de boa fé. Mas se fosse esta a Sua vontade, não haveria necessidade de Jesus instituir o sacramento da Confissão, que é a forma ordinária (via normal) que Ele instituiu para este fim. Aquele que perde o sentido do estado de graça perde também o verdadeiro valor do sacramento da Confissão, que foi instituído por Cristo justamente para perdoar os pecados mortais cometidos após o batismo e com isto restaurar o perdido estado de graça. Pois, estar em estado de graça é estar isento de pecado mortal. Sendo assim o demônio inventa nos corações dos homens “caricaturas” ou “distorções” do estado de graça para nos enganar e fazer que sejamos condenados ao inferno. Podemos dizer que esta é a grande luta deste nosso tempo: lutar contra a “falsificação” do estado de graça. O mesmo podemos dizer da “oração em línguas”, que é em certo sentido uma “caricatura” ridícula e muito bem falsificada daquilo que São Paulo escreve na sua Carta aos Coríntios, onde ele explica o que é realmente o dom de línguas. Este tipo de caricatura, derivada daquela principal que destrói o estado de graça, colabora para que a principal seja promovida. Mas de que maneira? Suponhamos o exemplo de uma seita que destituída da sucessão Apostólica, e com isso dos Santos Sacramentos, bem como da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério. Com estas premissas já concluímos que ela já não possa existir. Mas considerando o que acontece na prática: a seita existe. Como fica destituída dos sacramentos, e com isso de sinais sensíveis que comunicam a graça invisível (insensível), necessita então de criar algo de sensível para “caricaturar” os sacramentos, e assim oferecer em suas reuniões heréticas. Apela então para o emocionalismo e sentimentalismo. Substituindo o estado de graça, que é algo de sobrenatural e por isso não experimentado (CIC 2005) pelos sentidos do homem, por algo natural como o emocionalismo, a seita introduz na consciência do crente que este sentiu a Deus, e se baseia neste sentimento para deduzir que Deus habita em sua alma (Sendo que na verdade não podemos sentir nossa própria alma). Concluindo então que na referida seita a presença de Deus na alma é baseada através dos sentimentos, deduzimos que a oração em línguas deve ser também algo de sensível para reforçar aquilo que concluem sobre a mesma presença de Deus. A oração em línguas então serve para confirmar aquela “presença sentimental” de Deus em suas almas. Daí dizerem que “oram em espírito”, ou seja, se estão orando em espírito, deduzem que é sinal de que o Espírito Santo está habitando neles. Sendo que na verdade qualquer pessoa, até mesmo um ateu, se exercitado para “orar em línguas” da maneira deles o conseguiria facilmente. Aquilo que chamam de “dom de línguas” não é nada mais que um som produzido pela vibração contínua das cordas vocais onde estas tremem e produzem o som. Não é um dom, é apenas aptidão, basta que a pessoa seja treinada para fazer este som que ela o produzirá sem menores dificuldades. Uma verdadeira “perda de tempo”, onde as pessoas, muitas vezes sem conhecimento e sem ajuda de ninguém, são enganadas e levadas a pensar que agindo através de um puro sentimentalismo, poderão receber os mesmos méritos que receberiam se orassem pedindo a Deus as graças necessárias à sua salvação. Mas é também verdade que Deus conhece a intenção do coração destas pessoas, e de acordo com aquilo que Ele vê nestes corações: pureza ou maldade – pode conceder até mais méritos do que para aqueles que oram corretamente, mas possuem “corações de pedra”. De qualquer forma, a verdade é que perdem tempo e deixam de pedir aquilo que serviria para a salvação da alma, ou seja, a graça santificante. Este é um meio que o demônio se utiliza para desviar os corações do verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo confiado à sua Igreja. Voltando ao assunto principal, independentemente da intenção das pessoas, essa “caricatura” do “dom das línguas” faz com que seja promovida a falsificação do estado de graça e consequentemente de toda a doutrina da Igreja Católica. Que aqueles que são responsáveis pela difusão da verdade dentro da nossa Santa Igreja Católica possam perceber a importância do ensino correto das verdades da nossa fé. Peçamos a Virgem Imaculada, Maria Santíssima, que nos livre a todos e ao nosso povo deste ensinamento de todo contrário à verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Anunciar o Evangelho com humildade, pede Papa em homilia

Missa na Casa Santa Marta, sexta-feira, 7 de fevereiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que não se pode tirar proveito da condição de cristãos, mas sim seguir caminho de humildade traçado por Cristo

Anunciar o Evangelho sem tirar proveito da condição de cristãos. Foi o que afirmou o Papa Francisco em Missa nesta sexta-feira, 7, na Casa Santa Marta. O Santo Padre desenvolveu sua homilia a partir do martírio de João Batista e destacou que, como ele, o verdadeiro discípulo de Cristo segue o caminho da humildade sem apropriar-se da profecia.

A trágica morte de João Batista é relatada no Evangelho do dia. Francisco recordou sua vida dedicada ao anúncio do Evangelho, seu empenho para a conversão de todos, sem apropriar-se de sua autoridade moral. João foi um homem de verdade, que imitou Cristo na humildade, rebaixando-se até a morte, disse Francisco.

Assim como Cristo, João teve uma morte humilhante, momentos de angústia no cárcere, experimentando a escuridão da alma. Mas Jesus respondeu a Ele, assim como o Pai respondeu a Jesus, confortando-o.

“Anunciador de Jesus Cristo, João não se apropria da profecia, ele é o ícone de um discípulo”, disse o Papa. A fonte deste comportamento de João Batista está no encontro de Maria e sua prima Isabel, quando João pulou de alegria no ventre de sua mãe. Francisco explicou que aquele encontro encheu de alegria o coração de João e o transformou em discípulo.

Segundo o Papa, fará bem aos homens de hoje questionar-se sobre seus discipulados: se é um anúncio de Jesus ou se aproveita-se da condição de cristãos como se fosse um privilégio.

“Seguimos no caminho de Jesus Cristo? O caminho da humilhação, da humildade, do rebaixamento para o serviço? E se nós chegamos à conclusão de que não estamos firmes nisto, perguntemo-nos: ‘Mas quando foi o meu encontro com Jesus Cristo, aquele encontro que me enche de alegria?’ E voltar ao encontro! Reencontrar o Senhor e seguir adiante por este caminho tão belo, no qual Ele deve crescer em nós e nós sermos diminuídos”.

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