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A vida que vence a morte

A noite é vencida pela luz que resplandece

A luz do Cristo ressuscitado resplandece e ilumina todos os recantos da existência humana, portadora de esperança e vida. É Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo! A Igreja de Cristo celebra sua festa maior, oferecendo a todos os homens e mulheres o grande anúncio: “Eis agora a festa da Páscoa, em que o real Cordeiro se imolou: marcando nossas portas, nossas alma, com seu divino sangue nos salvou. Esta noite de Páscoa lava todo crime, liberta o pecador dos seus grilhões; dissipa o ódio e dobra os poderosos, enche de luz e paz os corações” (Proclamação da Páscoa na grande Vigília).

Celebramos a festa da Páscoa. Na Quinta-feira Santa, ao cair da tarde, entramos no Cenáculo, “num andar de cima” (cf. Mc 14,15). Interrompe-se o ritmo do cotidiano para pensar nas coisas do alto (cf. Cl 3,2). Começou a Páscoa com a Páscoa da Ceia! Ali tudo ganha um novo sentido. A Páscoa é preparada! Quem sabe os discípulos que foram à casa, para que tudo estivesse pronto, sejam figura do povo de Deus que conclui sua Quaresma. Prepara-se esta mesa com a sobriedade do jejum e da abstinência, para se chegar à abundância do banquete da vida eterna. Para entrar no Cenáculo, o bilhete de entrada é a caridade vivida, um amor misterioso que inquieta, pois é mais do que uma simples amizade.

É a noite de Seu novo mandamento, tornado visível no gesto d’Aquele que veio para servir e não ser servido, para que a Igreja continue a lavar os pés de todos, começando dos mais pobres e necessitados! O Cenáculo é novo templo! A comunhão com Deus acontece em torno de uma mesa fraterna, a oração é feita de intimidade. No Cenáculo Jesus antecipa o dom de Sua vida. Antes de Sua cruz, antecipa a nova Páscoa, para que os cristãos façam tudo o que Ele disse e fez, para assegurar a presença perene d’Ele entre nós. Dali para frente, Pão da Vida e Cálice da Salvação, do nascer ao pôr do sol, enquanto esperamos Sua vinda!

Começamos a Páscoa com Jesus e não podemos voltar atrás. O medo dos discípulos de outrora, superado com a unção do Espírito Santo, faz com que os de hoje caminhem valorosos para chegar ao Calvário. Sexta-feira Santa é a Páscoa da cruz. Olhar para a cruz, árvore da vida! Quais pássaros migratórios que percorrem os ares do mundo, pousemos sobre seus braços. Mais ainda, com suprema ousadia, entremos lá dentro do Coração de Cristo, para olhar o mundo pela fenda da chaga aberta pela lança! Tudo ficará diferente! Conversão radical, renúncia ao olhar egoísta dos fatos e sofrimentos. Na cruz de Cristo, indo com Ele até a experiência do abandono! Ele foi até o fundo do poço para resgatar o escravo. Não há mais qualquer escuridão e tristeza, desespero e até ateísmo que não sejam preenchidos pelo amor eterno de Deus.

Prostremo-nos por terra em adoração! Beijemos devotos a cruz de Cristo! Que ela seja içada, qual estandarte, sobre todos os montes do orgulho humano, marcada nas frontes para que todos os homens e mulheres olhem para o Alto, onde Cristo está sentado à direita do Pai, e olhem uns para os outros, estabelecendo os laços da fraternidade. No Coração de Cristo, onde se encontram os dois caminhos da cruz, está a vitória definitiva, celebrada e comunicada a todos os passantes!

No Sábado Santo, inquietos pelo silêncio misterioso, Ele “desceu aos infernos. Significa que Cristo ultrapassou a porta da solidão, desceu ao mais profundo e inalcançável de nossa condição de solidão. Mas mesmo na noite mais escura e extrema, na qual não penetra qualquer palavra, em que nos sentimos como crianças abandonadas que choram, aparece uma voz que chama, uma mão que nos toma e nos conduz, e a noite humana mais escura é superada porque Ele entrou na noite! O inferno foi vencido quando Ele entrou na região da morte e a ‘terra de ninguém’ da solidão foi habitada por Ele” (Cardeal Joseph Ratzinger, “O sábado da história”, 1998).

Com as mulheres da esperança, vamos à porta do sepulcro. Parece que a terra pulsa ofegante! Certamente o coração da Mãe desolada que teve o Corpo exangue de Jesus nos braços continua batendo ao ritmo da fé. Os discípulos escondidos experimentam um misto de santa vergonha e inquietação. Dá para imaginá-los algum tempo depois, comentando o que sentiram! De repente, o primeiro dia da semana ultrapassou o sábado judaico! Ele está vivo! A morte foi vencida! O testemunho é maior dos que as notícias falsas espalhadas pelos que tramaram Sua Morte. Quando tudo parecia terminado, agora começou! “Eu vi o Senhor”, diz a apóstola dos apóstolos, Maria Madalena!

E a Igreja chega à Páscoa da Ressurreição! A noite é vencida pela luz que resplandece: “Eis a luz de Cristo!”. À luz desse lume que se espalha, a Igreja se recolhe, ouve as maravilhas da História da Salvação. Ressoa de novo o Aleluia – Louvai a Deus! Os sinos repicam e os corações exultam. De pé – posição de ressuscitado! – ouvimos o Evangelho da Ressurreição, o querigma que converte gerações! O Batismo celebrado na noite de Páscoa recebe os que renascem em Cristo e todo o povo num comum “aniversário de Batismo”, renova a fé e assume de novo seus compromissos cristãos. Enfim, recolhidos em torno do Altar, celebramos o verdadeiro Cordeiro Pascal. Alimentados na Eucaristia Pascal, são enviados os cristãos, portadores de vida, quais procissões que cantam o Aleluia, revestidos da novidade que brota da Ressurreição. Homens novos para um mundo novo. Santa e feliz Páscoa!

Dom Alberto Taveira Corrêa Arcebispo de Belém – PA

Santo Evangelho (Mc 12, 28b-34)

3ª Semana da Quaresma – Sexta-feira 24/03/2017

Primeira Leitura (Os 14,2-10)
Leitura da Profecia de Oseias.

Assim fala o Senhor Deus: 2“Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: ‘Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘Deuses nossos’ a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdia”. 5Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles, andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 80,6-17)

— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!
— Ouve, meu povo, porque eu sou o teu Deus!

— Eis que ouço uma voz que não conheço: “Aliviei as tuas costas de seu fardo, cestos pesados eu tirei de tuas mãos. Na angústia a mim clamaste, e te salvei.

— De uma nuvem trovejante te falei, e junto às águas de Meriba te provei. Ouve, meu povo, porque vou te advertir! Israel, ah! se quisesses me escutar.

— Em teu meio não exista um deus estranho, nem adores a um deus desconhecido! Porque eu sou o teu Deus e teu Senhor, que da terra do Egito te arranquei.

— Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos. Eu lhe daria de comer a flor do trigo, e com mel que sai da rocha o fartaria”.

 

Evangelho (Mc 12,28b-34)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28bum escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” 29Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor”. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. 32O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Catarina da Suécia – Abadessa em Valdstena 

Tinha um coração rendido a uma intimidade profunda com Deus, abriu-se a uma consagração total

Nasceu na Suécia, de família ligada aos reis. Sua mãe era Santa Brígida, que após o falecimento do esposo, se tornou uma peregrina até instalar-se em Roma.

Catarina foi formada na Abadia de Bisberg, permanecendo ali até casar-se. Não demorou muito tempo e seu esposo veio a falecer. Tinha um coração rendido a uma intimidade profunda com Deus, abriu-se a uma consagração total e foi viver junto de sua mãe em Roma, onde permaneceram por 23 anos.

Tornou-se Abadessa em Valdstena, onde permaneceu até sua morte em 1381.

Santa Catarina da Suécia, rogai por nós!

Orações a São Rafael pelos doentes

Anjo da cura

São Rafael, Medicina de Deus

A missão de São Rafael Arcanjo

Oração

Ficai conosco, ó arcanjo Rafael, chamado Medicina de Deus! Afastai para longe de nós as doenças do corpo, da alma e do espírito e trazei-nos a saúde e toda plenitude de vida prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Ladainha de São Rafael

Senhor, tenha piedade de nós
Cristo, tenha piedade de nós
Cristo, graciosamente nos escutai,
Deus Pai, tende piedade de nós,
Senhor, tenha piedade de nós,
Deus Filho, redentor do mundo,
Tenha piedade de nós,
Deus Espirito Santo,
Tenha piedade de nós,
Santa Trindade e Um só Deus,
Tenha piedade de nós
Santa Maria, rainha dos anjos ,rogai por nós.
São Rafael, rogai por nós
São Rafael, cheio da misericórdia de Deus, rogai por nós
São Rafael, perfeito adorador do Divino Mestre, rogai por nós
São Rafael, terror dos demônios, rogai por nós
São Rafael, exterminador dos vícios, rogai por nós
São Rafael, saúde dos doentes, rogai por nós
São Rafael, refugio em nossas necessidades, rogai por nós
São Rafael, consolador dos prisioneiros, rogai por nós
São Rafael, alegria dos tristes, rogai por nós
São Rafael, cheio de zelo para a salvação de nossas almas, rogai por nós
São Rafael, cujo nome significa, cura, rogai por nós
São Rafael, amante da castidade, rogai por nós
São Rafael, acoite dos demônios, rogai por nós
São Rafael, nosso protetor na peste, na fome, na guerra, rogai por nós
São Rafael, anjo da paz e da prosperidade, rogai por nós
São Rafael, repleto da graça da cura, rogai por nós
São Rafael, guia seguro no caminho da virtude e santificação, rogai por nós
São Rafael, socorro de todos que imploram a sua ajuda, rogai por nós
São Rafael, que guiou e consolou Tobias em sua jornada, rogai por nós
São Rafael, aquele que as Escrituras saúdam, como “Rafael o santo anjo do Senhor foi enviado para curar”, rogai por nós
São Rafael, nosso advogado, nos salve,
Cordeiro de Deus que tirastes os pecados do mundo,
Tenha piedade de nós,
Cristo, escutai nossas preces
Tenha misericórdia de nós.
São Rafael, rogai por nós a Nosso Senhor Jesus Cristo,
Agora e na hora de nossa morte. Amém!

Para seguir Jesus é preciso mover-se, diz Papa

Sexta-feira, 13 de janeiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa falou da importância de seguir Jesus em vez de ficar parado apenas olhando, como faziam os escribas

Para seguir Jesus é preciso caminhar, não ficar com “alma sentada”, disse o Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 13, na Casa Santa Marta. Francisco destacou que a fé, se é autêntica, sempre faz correr riscos, mas dá a verdadeira esperança.

O povo segue Jesus por interesse ou por uma palavra de conforto. O Santo Padre se concentrou no Evangelho do dia para destacar que, mesmo se a pureza de intenção não é “total”, perfeita, é importante seguir Jesus, caminhar atrás Dele. As pessoas se sentiam atraídas por sua autoridade; pelas coisas que dizia e como dizia se fazia entender e também curava.

Algumas vezes, explicou o Papa, Jesus repreendia o povo que o seguia porque estava mais interessando em uma conveniência que na Palavra de Deus. Mas o Senhor se deixava seguir por todos, porque sabia que todos são pecadores. O problema maior era os que ficavam parados.

“Os parados! Aqueles que estavam à beira do caminho, olhavam. Ficavam sentados. Ficavam sentados lá alguns escribas: estes não seguiam, olhavam. Olhavam do balcão. Não iam caminhando na própria vida: ‘balconavam’ a vida! Justamente ali: não arriscavam nunca! Somente julgavam. Também os juízes eram fortes, não? Em seu coração: ‘que povo ignorante! Que gente supersticiosa!’ E quantas vezes também nós, quando vemos a piedade do povo simples, nos vem em mente aquele clericalismo que faz tanto mal à Igreja”.

Essas pessoas que seguiam Jesus não ficavam paradas, mas arriscavam para encontrá-Lo, para encontrar aquilo que queriam. O Papa citou como exemplo o caso da cananeia, da pecadora na casa de Simão e da Samaritana. Todas arriscaram e encontraram, a salvação.

“Seguir Jesus não é fácil, mas é belo! E sempre se arrisca (…) Seguir Jesus, porque precisamos de algo ou seguir Jesus arriscando e isso significa seguir Jesus com fé: esta é a fé. Confiar em Jesus. ‘Confio em Jesus, confio a minha vida a Jesus? Estou em caminho atrás de Jesus, mesmo se pareço ridículo às vezes? Ou estou sentado olhando como faziam os outros, olhando a vida, ou estou com a alma sentada – digamos assim – com a alma fechada para a amargura, a falta de esperança?’ Cada um de nós pode se fazer estas perguntas hoje”.

Alegrai-vos!

Hoje nasceu para nós o Salvador, que é Cristo, o Senhor!

Nesta que é a mais “feliz de todas as noites”, somos chamados a testemunhar, com imensa alegria, a bondade de Deus que, por amor à humanidade, enviou Seu Filho Unigênito. É Natal! Mais do que ricas iguarias sobre a mesa, mais do que inúmeros presentes compartilhados, mais do que enfeites luminosos e tantas outras coisas, a maior dádiva do Natal está na alegria que experimentamos quando – a exemplo dos pastores – contemplamos o Menino Deus naquela simples manjedoura.

Contemple esta criança! Nesta data tão especial, Deus vem ao seu encontro para amá-lo e ensiná-lo sobre o verdadeiro sentido da vida humana. Nada de medo, nada de tristeza! Que cessem as discussões, as rivalidades e a falta de perdão em nosso meio. Que neste Natal você possa fazer a linda experiência de se deixar contagiar por esta verdadeira alegria, que é fruto do Alto.

São Lucas nos conta, no capítulo 2 do seu Evangelho, a experiência única que aqueles humildes pastores fizeram na noite de Natal. O evangelista narra que “um anjo do Senhor lhes apareceu, e a glória do Senhor os envolveu de luz. Os pastores ficaram com muito medo” (Lc 2,9).

Aqueles homens sentiram medo. Mesmo na presença de um anjo de Deus e envoltos numa intensa luz, as trevas do medo tomaram conta dos seus corações. O anjo do Senhor, percebendo aqueles semblantes assustados, apressa-se logo em tranquilizar os pastores: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lc 2,10-11).

O restante da história você já conhece. Após a multidão dos anjos cantar “Glória a Deus no mais alto dos céus”, os pastores se põem a caminho de Belém e, ali, encontram o recém-nascido envolto em faixas e deitado numa manjedoura ao lado de Maria e José. Tudo conforme o anjo lhes havia anunciado.

A partir disso, de simples ouvintes, aqueles pastores se transformam em alegres testemunhas: “Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino” (Lc 2,17). Os que ouviam os pastores “ficavam admirados com aquilo que contavam” (Lc 2,18).

São Lucas concluirá sua narrativa da seguinte forma: “Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito” (Lc 2,20).

Qual lição, afinal, podemos aprender com o testemunho desses humildes pastores?

A lição de que a alegria sempre supera o medo, e que esta alegria é o “combustível” que a nossa alma tanto necessita para darmos um belo testemunho de Jesus Cristo ao mundo.

Como aqueles pastores, podemos também glorificar a Deus por tudo o que vimos e ouvimos. Quanta coisa boa Deus já não realizou em nossas vidas! Não é verdade? E tudo isso precisa ser celebrado com os nossos familiares e amigos, principalmente junto à comunidade cristã. Fica aqui a dica: participe da Santa Missa de Natal, pois é ali, ao redor do altar, que celebramos, alegremente, o aniversário de Jesus com fé e nos alimentamos do Seu amor para testemunhá-Lo ao mundo.

Já não é preciso mais ter medo. Afinal, Jesus nasceu! Esta é a nossa alegre certeza e o grande presente de Natal que o Pai Celeste, em Sua paz, ofereceu aos homens “objetos da benevolência divina” (Lc 2,14).

Desejamos a você um Feliz e Santo Natal!

História de uma Alma

PRÓLOGO (págs. 13-20)
“Nada é tão cheio de mistérios como as silenciosas preparações que esperam o homem desde o limiar de cada vida…”.
Ela é exatamente o misterioso fruto daquelas preparações silenciosas. Tivessem seus pais seguido cada qual o pendor (vocação) de seu coração, “a maior Santa dos tempos modernos” não teria chegado a luz da existência.
Família Martin: O que a personalidade do pai poderia ter de austero e rígido, é contrabalançado por uma indulgente bondade para como o ruidoso, gineceu, que lhe transtorna o gosto pelo silêncio e tranqüilidade. Por outro lado, não desdenha animar os serões (saraus) da família, recitando autores em voga – românticos – cantando com boa voz cantigas de antanho (de antigamente), fabricando minúsculos brinquedos para o encanto das filhas.
Preocupado, por vezes, com o futuro (sentindo a diminuição de forças), a mãe governava a casa com uma “coragem verdadeiramente incrível e prodigiosa. Que mulher forte! A adversidade não a dobra, nem a prosperidade a torna arrogante”, escreve a irmã (25-10-1868). Seu realismo, a vivacidade de sua franqueza, a delicadeza de sua afeição, fazem dela a alma da casa.
Na família Martin dominava uma fé sólida, que vê Deus em todos os acontecimentos, e que lhe rende culto incessante: oração em família, missas matinais, comunhões freqüentes – raridades numa época em que o jansenismo continuava com suas devastações – vésperas dominicais, retiros espirituais. Toda a vida segue o ritmo do ciclo litúrgico, das peregrinações, do escrupuloso acatamento aos jejuns e abstinências…
Não há, entretanto, nenhuma exaltação ou demasia fanática nessa família, que desconhece o formalismo. Sabe pôr mãos à obra, pois recolhe e alimenta crianças abandonadas, pessoas desabrigadas, pessoas na estrema velhice. De suas curtas noites tomava Zélia Martin o tempo necessário para ser enfermeira de uma empregada da casa, O Sr. Martin expõe-se a situações arriscadas, quando se trata de alguma diligência a favor de desafortunados, de uma ajuda a algum epilético ou moribundo. As crianças aprendem a acatar dignidade do pobre.
“Em toda a minha vida aprouve o Bom Deus cercar-me de amor; minhas primeiras reminiscências recendem (transmitem) de sorrisos e das mais doces caricias!…”

Capítulo I
ALENÇON
(1873-1877)
Janeiro de 1895
HISTÓRIA PRIMAVERIL DE UMA FLORINHA BRANCA
ESCRITA POR ELA MESMA, E DEDICADA À REVERENDA MADRE INÊS DE JESUS (págs. 25-45)
1. “as misericórdias do Senhor!”… Sl 88, 2.
2. “Deus tem compaixão de quem lhe apraz, e faz misericórdia a quem Ele quer aplicar misericórdia. Isto, portanto, não depende de quem quer, nem de quem corre, mas de Deus que se compadece” Rm 9, 15-16.
3. Outro tanto acontece no mundo das almas, que é o jardim de Deus. Quis Ele criar os grandes Santos que podem comparar-se aos lírios, e às rosas; mas criou-os também mais pequenos, e estes devem contentar-se em serem bonitas ou violetas, cujo destino é deleitar os olhos do Bom Deus, quando as humilha debaixo de seus pés. Consiste a perfeição em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos…
4. Entendi ainda que o amor de Nosso Senhor se revela tão bem na mais simples das almas que em nada resiste à sua graça, como as mais sublime das almas. (…) Ele, porém, criou a criancinha que nada sabe e só sabe soltar débeis vagidos (fracos choros de recém nascidos); criou o pobre selvagem que não dispõe, para sua orientação, senão a lei natural; aos seus corações é que se digna baixar, onde se encontram suas flores campestres, cuja simplicidade arrebata (…) Assim como o sol clareia ao mesmo tempo os cedros e cada pequena flor, como se ocupa em particular de cada alma, como se não houvesse outra semelhante;
5. Não é, pois, minha vida propriamente dita que vou escrever, são meus pensamentos acerca das graças que o Bom Deus se dignou conceder-me.
6. Um coração de mãe sempre entende sua filha, muito embora está só saiba balbuciar, tenho pois a certeza de ser compreendida e adivinhada por vós que me formastes o coração e o ofertastes a Jesus!…
7. Oh! digne-se Jesus não deixar muito tempo em região estranha as flores que continuam exiladas. Tomara que a vergôntea (ramo de certo porte) de Lírios esteja em breve inteirada (totalmente) no Céu!
8. Oh! Dignem-se abençoar a mínima de suas filhas e ajudá-la a cantar as misericórdias divinas!
9. Aprouve ao Bom Deus cercar-me de amor toda a minha vida.
10. “Teresinha perguntou outro dia se iria para o Céu. Disse-lhe que sim, se fosse bem comportada. Respondeu-me: “De acordo, mas se não for boazinha, iria para o inferno”… No entanto, bem sei o que faria. Fugiria, a voar contigo que estarias no Céu…” (Carta de Sra. Martim à Paulina, 29 de outubro de 1876).
11. Fostes vós, minha Mãe querida, a quem Jesus escolheu para me fazer esposa Dele. Não estáveis então junto a mim, mas já se haviam formado um elo entre nossas almas… Vós éreis o meu ideal, queria assemelhar-me a vós, e foi vosso exemplo que desde a idade de dois anos me atraiu ao esposo das virgens… Oh! que doces reflexões não vos queria confirmar!
12. “Escolho tudo!”
13. Este pequeno episódio de minha infância é o apanhado de toda a minha vida. Mais tarde, quando se me tornou evidente o que era perfeição, compreendi que para se tornar santa era preciso sofrer muito, ir sempre atrás do mais perfeito e esquecer-se de si mesmo. Compreendi que na perfeição havia muitos graus e que cada alma era livre no responder às solicitações de Nosso Senhor, no fazer muito ou pouco por Ele, numa palavra, no escolher entre os sacrifícios que exige. (…) “Meu Deus, escolho tudo”. Não quero ser santa pela metade. Não me faz medo sofrer por vós, a única coisa que me dá receio é a de ficar com minha vontade. Tomai-a vós, pois “escolho tudo” o que vós quiserdes!…”
14. – Sem dúvida, este sonho nada tem de extraordinário, acredito, no entanto, que o Bom Deus permitiu que guarde sua lembrança, a fim de me provar que uma alma em estado de graça nada deve temer dos demônios, que são uns medrosos, capazes de fugir diante do olhar de uma criança…
15. “Criancinha de cabeça loura, onde imaginas que está o Bom Deus?” Quando ela chega às palavras: – “Ele está lá no alto do Céu azul”, volve o olhar para cima com uma expressão angélica. Tão belo é que a gente não se cansa de fazê-la recitar. Há em seu olhar algo de tão celestial que nos deixa encantados!…” (Carta da Sra. Martin à Paulina, 4 de março de 1877).
16. – Ah! como se foram rapidamente os ensolarados dias de minha meninice, mas que doce impressão que deixaram na alma! Com prazer recordo os dias em que Papai nos levava consigo ao Pavilhão (O Pavilhão, pequena propriedade adquirida pelo Sr. Martin antes de casar, situava-se na Rua dos Lavoirs – atualmente Rua do Pavilhão Santa Teresa). (…) Tinha adquirido o bom hábito de nunca se queixar, mesmo quando lhe tiravam o que era seu, ou então quando era acusada injustamente. Preferiu calar e não escutar-se. Não era mérito seu, mas virtude natural… Que pena que esta boa disposição se tenha desvanecido!
17. Oh! Realmente, tudo me sorria na terra. Deparava com flores a cada passo que desse, e minha boa índole contribuía também para me tornar a vida agradável. Ia, porém, começar um novo período para minha alma. Devia passar pelo caminho da provação e sofrer desde a minha infância, a fim de que pudesse ser oferecida mais cedo a Jesus. Assim como as flores da primavera começam a germinar debaixo da neve e desabrocham aos primeiros raios do Sol, assim também a florinha, cujas reminiscências (lembranças) estou a escrever, teve que passar pelo inverno da provação.

Capítulo II
NOS BUISSONNETS (págs. 45-65).
(1877-1881)
18. (Minha Mãe referindo-se a sua irmã Celina), vós e Maria não éreis para mim as mais carinhosas e mais abnegadas das mães?… Ah! Se o Bom Deus não tivesse prodigalizado à sua florzinha seus raios benfazejos, ela nunca teria podido aclimatar-se na terra. Era ainda débil (delicada) demais para suportar chuvas e tempestades. Precisava de calor, de um orvalho suave, de um bafejo primaveril. Nunca careceu de todos estes benefícios. Jesus lhos fez encontrar até debaixo da neve da provação!
19. Há coisas que o coração sente, mas que a palavra e a própria idéia não conseguem formular.
20. Então a terra se me apresentava mais tristonha ainda, e compenetrava-me de que só no Céu haverá alegria sem nuvens.
21. Tinha muito amor ao Bom Deus, e amiúde lhe oferecia meu coração.
22. Ó minha Mãe querida! Com que solicitude (esmero) me preparastes, que me explicastes que não era a um homem, mas ao Bom Deus que iria contar meus Pecados. Disto estava tão convicta, que fiz minha Confissão com grande Espírito de Fé, e cheguei a perguntar-vos, se não seria mister (necessário) referir ao Padre Ducellier que o amava de todo o meu coração, pois que em sua pessoa era o Bom Deus que ia falar.
23. Fiz minha Confissão, como se fosse uma menina grande, e recebi sua Bênção com grande devoção, porque me havíeis explicado que, nesse momento, as lágrimas do Menino Jesus purificariam minha alma.
24. Os ditos santos!…Ah! Quantas recordações não desperta esta palavra!… Os dias santos, como os amava!… Para mim eram verdadeiramente dias do Céu.
25. Os dias santos! Ah! Se os grandes raros, cada semana trazia um novo um muito chegado ao meu coração: “o Domingo!” Que grande, o Domingo!… Era o dia santo do Bom Deus, o dia do santo repouso. (…) Ouvia muito atenta os sermões, dos quais, aliás, não compreendia grande coisa. O primeiro que entendi, e que me comoveu profundamente foi um sermão sobra a Paixão, pregado pelo Padre Ducellier. Dali por diante entendi tos os outros sermões. Quando o pregador falava de Santa Teresa, papai curvava-se para me dizer baixinho: “Escuta bem, minha rainhazinha, ele fala de tua Santa Padroeira”. Realmente, estava escutando bem, mas olhava mais vezes para o papai do que para o pregador. Seu belo semblante dizia-me tantas coisas!… Por vezes, seus olhos marejavam-se de lágrimas. Em vão procurava retê-las. Parecia estar já desligado da terra, tanto sua alma gostava de imergir nas verdades eternas… Sua carreira, porém, estava longe do termo final. Longos anos deviam passar, antes que o belo Céu se abrisse a seus olhos embevecidos, e o Senhor enxugasse as lágrimas do seu bom e fiel servidor!…
26. Suspirava pelo eterno repouso do Céu, pelo Domingo sem ocaso da Pátria!…
27. Era Paulina quem acolhia todas as minhas íntimas confidências, que esclarecia todas as minhas dúvidas… Minha querida Mãe fez-me então compreender que no Céu o Bom Deus dará aos seus eleitos tanta glória, quanta cada um poderá receber, de sorte que o último nada terá de invejar ao primeiro. Assim, pondo ao alcance da minha compreensão os mais sublimes segredos, sabíeis, minha Mãe, dar à minha alma a nutrição que lhe era necessária…
28. Um dia, porém, o Bom Deus mostrou-me, em visão realmente extraordinária, uma imagem viva da provação, para a qual teve a bondade de preparar-me antecipadamente. (A visão – sobrevinha em pleno dia, e não em sonhos – ocorreu no estio de 1878 ou 1880. O Sr. Martin encontrava-se em Alençon, em viagem de negócios).
29. Como a Face Adorável de Jesus esteve durante a Paixão, assim também a face de seu fiel servidor devia ficar velada nos dias de suas dores, a fim de que pudesse refulgir na Pátria Celeste junto a seu Senhor, o Verbo Eterno!… Do meio dessa glória inefável, quando já reinava no Céu, nosso querido Pai obteve-nos a graça de compreendermos a visão que sua rainhazinha tivera, numa idade em que não se teme a ilusão.
30. Como o Bom Deus é bom!… Envia as provações na medida de nossas forças.
31. Tomei a resolução de nunca distanciar minha alma do olhar de Jesus, a fim de que navegue tranqüila em direção a Pátria do Céu!…

Capítulo III
ANOS DOLOROSOS (págs. 66-83)
(1881-1883)
32. Sempre me lembrarei minha querida Mãe, com que ternura me consolastes… Depois, explicastes-me a vida do Carmelo, a qual se me afigurou muito bonita! Ao repassar pelo espírito tudo quanto me falastes, senti dentro de mim ser o Carmelo o deserto onde o Bom Deus queria que fosse também esconder-me. Senti-o com tanta veemência que não tive a mínima dúvida no coração. Não era um devaneio de criança que se deixa levar, mas a certeza de um chamado divino. Queria eu ir par o Carmelo, não por causa de Paulina, mas por Jesus tão somente… Pensei muitas coisas que se não podem exprimir por palavras, mas que me deixaram grande paz na alma…
33. Não parava de repetir ao Bom Deus que era única e exclusivamente por Ele que queria ser carmelita.
34. Creio que o demônio recebera um poder exterior sobre min, mas não podia acercar-se de minha alma nem de meu espírito, senão para me inspirar enormes receios de certas coisas. (…) Sentia medo de tudo, absolutamente. Minha cama parecia-me cercada de medonhos precipícios. Alguns pregos, fixados nas paredes do quarto, assumiam aos meus olhos a feição assustadora de grandes dedos pretos, carbonizados, e faziam-me soltar gritos de pavor. Um dia, estando papai a olhar silencioso para mim, o chapéu que segurava entre as mãos transformou-se de repente em não sei qual forma de fantasma e dei mostras de tão grande pavor, que o pobre do meu pai saiu dali a soluçar. No entanto, se o Bom Deus permitia ao demônio achegar-se a mim, também me enviava anjos visíveis… Maria ficava sempre junto à minha cama, cuidava de mim e consolava-me com a afeição de mãe.
35. Ninguém, mais do que eu, vos causou tanto sofrimento, e mingúem recebeu tanto amor, quanto vós prodigalizastes… Por sorte, terei o Céu para me vingar. Muito rico é meu Esposo, e de seus tesouros de amor tirarei par vos retribuir, ao cêntuplo, tudo quanto sofrestes por minha causa…
36. Por não encontrar nenhuma ajuda na terra, a coitada da Terezinha também se voltara para a sua Mãe do Céu, suplicando-lhe de todo o coração, tivesse enfim piedade dela… De repente, a Santíssima Virgem me pareceu bela, tão bela, como nunca tinha visto nada tão formoso. O rosto irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me calou no fundo da alma foi o “empolgante sorriso da Santíssima Virgem”. Nesta altura, desvaneceram-me todos os meus sofrimentos. Das pálpebras me saltaram duas grossas lágrimas e deslizaram silenciosas sobre as faces. Eram lágrimas de uma alegria sem inquietação… Oh! Pensei comigo, a Santíssima Virgem sorriu para mim, como sou feliz… Mas, nunca jamais o contarei a ninguém, porque então desapareceria minha felicidade. Sem nenhum esforço, baixei os olhos e enxerguei Maria que olhava para mim com amor. Parecia emocionada e dava a impressão de suspeitar o favor que a Santíssima Virgem me concedera… Oh! Era exatamente a ela, às suas edificantes orações que devia a graça do sorriso da Rainha dos Céus. Quando viu meu olhar fito na Santíssima Virgem, disse de si para si: “Teresa está curada!” Sim, a florzinha ia renascer para a vida, o Raio luminoso que a reanimara não pararia suas beneficências. Não atuou de uma só vez, mas de modo manso e agradável foi levantando e revigorando sua flor, de tal sorte que cinco anos depois ela desabrocharia na montanha do Carmelo.
37. “A Santíssima Virgem pareceu-me muito linda… e eu a vi sorrir para mim”.

Capítulo IV
PRIMEIRA COMUNHÃO – TEMPOS DE ESCOLA (págs. 84-110)
(1883-1886)
38. Sabia que lá existia uma Irmã Teresa de Jesus. Apesar disso, meu belo nome de Teresa não me podia ser tirado. De súbito me ocorreu à lembrança de Jesus pequeno, a quem tanto amava, e disse comigo: “Oh! Que felicidade, se me chamasse Teresa do Menino Jesus!”.
39. E vejo que “debaixo do sol tudo é vaidade e aflição de espírito” Ecl 2, 11… Que o único bem consiste em amar a Deus de todo o coração e ser pobre de espírito aqui na terra…
40. Ninguém ainda me ensinara o modo de fazer oração, apesar da grande vontade que tinha de aprendê-lo. Como, porém, ma achasse bastante piedosa Maria sé me deixava fazer minhas preces. Um dia, uma das minhas mestras da Abadia me perguntou o que fazia nos dias de folga, quando estava sozinha. Respondi-lhe que me punha atrás de minha cama num vão que ali havia, fácil para mim de fechar com o cortinado, e nesse lugar ficava a “pensar”. Mas, em que pensáveis? Perguntou-me. – Penso no Bom Deus, na vida… Na ETERNIDADE, afinal penso!…
41. Existem pensamentos da alma que se não podem traduzir em linguagem terrena, sem perderem o sentido autentico e celestial. São como a “pedrinha branca que se dará ao vencedor, sobre a qual está escrito um nome, que só CONHECE, QUEM a recebe”. Ah! Como foi afetuoso o primeiro ósculo de Jesus à minha alma!…
Foi um ósculo de amor: Senti-me amada, e de minha parte dizia: “Amo-vos, entrego-me a vós para sempre”. Não houve pedidos, nem lutas, nem sacrifícios. Desde muito, Jesus e a pobre Teresinha se tinham olhado e compreendido. Naquele dia, porém, já não era um olhar, era uma fusão. Já não eram dois; Tereza desaparecera como a gota de água que se perde no seio do oceano. Ficava só Jesus, era ele o Senhor, o Rei.
42. À tarde de um belo dia, estive novamente com minha família terrena. Pela manhã, já tinha abraçado Papai e todos os meus queridos parentes. Agora, porém, se estabelecia a verdadeira reunião, quando Papai tomou pela mão sua rainhazinha e se dirigiu ao Carmelo… Vi então minha Paulina, que se tornara esposa de Jesus. Divisei-a com seu véu branco, como o meu, e com sua coroa de rosas… Oh! Minha alegria foi sem amargura, esperava estar em breve novamente com ela, e com ela esperar pelo Céu!
43. O dia que se seguiu à minha primeira comunhão foi ainda um dia bonito, mas repassado de melancolia. Toda a linda roupa que Maria me tinha comprado, todos os presentes recebidos, não me enchiam o coração. Não havia senão Jesus que pudesse contentar-me. Anelava pelo momento em que me fosse dado recebê-lo pela segunda vez. (…) Que doce recordação não guardei da segunda visita de Jesus! Desta vez ainda, corriam minhas lágrimas com inefável doçura. Sem cessar repetia a mim mesma as palavras de São Paulo: “Já não sou eu que vivo, Jesus é quem vive em mim!…”
44. O sofrer tornou-se-me um atrativo. Tinha encantos que me arrebatavam, sem os conhecer com clareza. Até antão, sofria sem amar o sofrimento; desde aquele dia senti por ele verdadeiro amor. Sentia também o desejo de amar só a Deus, de não encontrar alegria senão Nele. Muitas vezes, repetia em minhas comunhões as palavras de Imitação de Cristo: “Ó Jesus! Doçura inefável, convertei-me em amargura todas as consolações da terra!… Esta oração me saía dos lábios sem esforço, sem constrangimento. Vinha-me a impressão de que a repetia, não por minha vontade, mas como criança que repete as palavras que uma pessoa amiga lhe sugere…
45. Oh! Como estava exultante a minha alma! Igual aos Apóstolos, eu aguardava, venturosa, a visita do Espírito Santo… Folgava com a idéia que dentro em breve seria perfeita cristã, sobretudo que eternamente teria na fronte a misteriosa Cruz que o Bispo traça, quando faz a imposição do Sacramento… Chegou afinal o ditoso momento. Não senti, quando desceu o Espírito Santo, nenhum vento impetuoso, mas antes aquela leve brisa, cujo murmúrio o profeta Elias ouviu no monte Horeb. 1Rs 19, 12-13. Nesse dia, recebi a força de sofrer, pois logo sem seguida devia começar o martírio de minha alma… Foi minha querida e gentil Leônia que me serviu de madrinha.
46. O Bom Deus, porém, deu-me um coração tão leal que, amando com pureza, ama para sempre. Por isso, continuei a rezar pela minha companheira, e ainda lhe tenho afeição… Ao ver que Celina queria bem a uma de nossas mestras, quis imitá-la, mas não pude consegui-lo, pois não sabia conquistar as boas graças das criaturas. Ó ditosa ignorância! Como me livrou de grandes males!…
47. Eu seu, “menos Ama aquele a quem menos perdoa”. Lc 7, 47
48. A vaidade insinua-se facilmente no coração!…
49. Oh! Quanta compaixão não sinto das almas que se perdem!… É tão fácil desgarrar-se nas sendas floridas do mundo… Não há dúvida, para uma alma mais formada a doçura que Ele oferece, vem mesclada de amargura, e o imenso vácuo dos desejos não poderia preencher-se com louvores momentâneos… No entanto, se meu coração desde o seu despertar não se erguera até Deus, se o mundo me tivera sorrindo desde a minha entrada ma vida, que teria acontecido comigo?… Ó minha Mãe querida, com que gratidão canto as misericórdias do Senhor!… De acordo com as palavras da Sabedoria, não foi Ele que “me tirou do mundo, antes que meu espírito se pervertesse com sua malícia e que suas enganosas aparências me seduzissem a alma?” Sb 4, 11. A Santíssima Virgem também velara sobre sua florzinha. Não querendo que ela se manchasse ao contato com as coisas da terra, retirou-a para o alto de sua montanha¸ antes que desabrochasse… Enquanto aguardava o ditoso momento, Teresinha crescia no amor à sua Mãe do Céu.
50. Ninguém me dava atenção, e por isso subia à tribuna do coro da capela, ficando diante do Santíssimo Sacramento até o momento em que Papai ia buscar-me. Esta era minha exclusiva consolação. Não era Jesus meu único amigo?… Sentia que era maior vantagem falar com Deus do que falar de Deus.
51. “A vida é tua embarcação, não é tua morada!”… Não nos diz também a Sabedoria que “a vida é como uma nau que sulca as ondas agitadas, e de rápida passagem não fica nenhum vestígio?”.
52. Eu ficava realmente triste com qualquer coisa! Era ao contrário de agora, pois o Bom Deus concedeu-me a graça de me não abater com nenhuma coisa passageira. Quando me lembro do passado, minha alma transborda de gratidão, vendo os favores que recebi do Céu. Em mim se operou tal mudança, que já não sou reconhecível… Desejava realmente a graça “de ter absoluto domínio sobre meus atos, de ser senhora e não escrava deles”. Estas palavras de Imitação de Cristo tocavam-me profundamente.
53. O Bom Deus, que queria chamar a si a menor e a mais franzina de todas, apressou-se em desenvolver suas asas. Ele que se compraz em mostrar sai bondade e seu poder, lançando mão dos instrumentos menos dignos, houve por bem chamar-me a mim antes de Celina, indubitavelmente muito mais merecedora desse favor. Jesus, porém, sabia quanto eu era fraca, e por esse motivo escondeu-me, como primeira, na fenda do rochedo.
54. Estando em condições de haurir (colher) nos tesouros divinos, neles poderiam buscar a paz para mim, e mostrar-me assim que no Céu a gente ainda sabe amar!… A resposta não se fez esperar. A paz logo me inundou a alma com sua deliciosa exuberância, e compreendi que, se era amada aqui na terra, também o era no Céu… Desde aquele momento, cresceu minha devoção para com meus irmãozinhos. Gosto de entreter-me muitas vezes com eles, de falar-lhes das tristezas do exílio… do meu desejo de logo juntar-me a eles novamente na Pátria!

Papa ensina o que fazer diante da desolação espiritual

Terça-feira, 27 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa desta terça-feira, Francisco reflete sobre três atitudes para vencer a desolação espiritual

O que acontece em nosso coração quando somos tomados por uma ‘desolação espiritual?’ Foi a pergunta feita pelo Papa Francisco na missa desta manhã, 27, na Casa Santa Marta, centralizada no personagem de Jó. O Papa acentuou a importância do silêncio e da oração para vencer os momentos mais sombrios. Neste dia de São Vicente de Paulo, Francisco ofereceu a missa às Irmãs Vicentinas e as Filhas da Caridade, que trabalham na Casa Santa Marta.

“Jó estava com problemas: havia perdido tudo”. A partir desta leitura, que apresenta Jó despojado de todos os seus bens, inclusive seus filhos, o Papa desenvolveu a homilia. “Jó se sente perdido, mas não maldiz o Senhor”.

Francisco explicou que todos, cedo ou tarde, vivem uma grande desolação espiritual. Jó vive uma grande desolação espiritual e “desafoga” com Deus. É o desabafo de um filho diante de seu pai, disse. O mesmo, faz o profeta Jeremias, que desabafa com o Senhor, mas sem blasfemar.

“A desolação espiritual é uma coisa que acontece com todos nós: pode ser mais forte ou mais fraca, mas é uma condição da alma obscura, sem esperança, desconfiada, sem vontade de viver, que não vê a luz no fim do túnel, que tem agitação no coração e nas ideias. A desolação espiritual nos faz sentir como se nossa alma fosse ‘achatada’: quando não consegue, não quer viver: ‘A morte é melhor!’ desabafa Jó. ‘Melhor morrer do que viver assim’. E nós devemos entender quando nosso espírito está neste estado de tristeza geral, quando ficamos quase sem respiro. Acontece com todos nós, e temos que compreender o que se passa em nosso coração”.

O Papa acrescentou que nessa ocasião devemos nos fazer uma pergunta: “O que se deve fazer quando vivemos estes momentos escuros, por uma tragédia familiar, por uma doença, por alguma coisa que me leva ‘prá baixo’? E explicou que alguns pensam em engolir um comprimido para dormir e tomar distância dos fatos, ou beber ‘dois, três, quatro golinhos’, mas o Papa disse que isto não ajuda e que a liturgia de hoje mostra como lidar com a desolação espiritual.

Resposta no Salmo

A resposta está no Salmo 87, disse Francisco. “Chegue a ti a minha prece, Senhor”. É preciso rezar com força, como disse Jó: gritar dia e noite até que Deus escute.

“É uma oração de bater na porta, mas com força! ‘Senhor, eu estou cheio de desventuras. A minha vida está à beira do inferno. Estou entre aqueles que descem à fossa, sou como um homem sem forças’. Quantas vezes nós sentimos assim, sem forças. E esta é a oração.  O Senhor mesmo nos ensina como rezar nestes momentos difíceis. ‘Senhor, me lançaste na fossa mais profunda. Pesa sobre mim a Tua cólera. Chegue a Ti a minha oração’. Esta é a oração: assim devemos rezar nos piores momentos, nos momentos mais escuros, mais desolados, mais esmagados, que nos esmagam mesmo. Isto é rezar com autenticidade. E também desabafar como desabafou Jó com os filhos. Como um filho”.

O Livro de Jó, em seguida, fala do silêncio dos amigos, disse o Papa. Diante de uma pessoa que sofre, as palavras podem ferir. O que conta é estar perto, fazer sentir a proximidade, mas não fazer discursos.

“Quando uma pessoa sofre, quando uma pessoa se encontra na desolação espiritual você tem que falar o mínimo possível e você tem que ajudar com o silêncio, a proximidade, as carícias, com a sua oração diante do Pai”.

Resumo das três atitudes para vencer a desolação espiritual

De maneira didática, em resumo, Francisco disse que: em primeiro lugar é preciso reconhecer os momentos de desolação espiritual e se perguntar por quê? Em segundo lugar é preciso rezar ao Senhor, como na liturgia de hoje, com o Salmo 87, ‘Chegue a Ti a minha oração, Senhor’. E em terceiro lugar quando se está diante de uma pessoa que sofre, que está na desolação completa, é preciso o silêncio, silêncio com amor, proximidade e ternura e não discursos.

“Rezemos ao Senhor para que nos conceda essas três graças: a graça de reconhecer a desolação espiritual, a graça de rezar quando estivermos submetidos a este estado, e também a graça de saber acolher as pessoas que passam por momentos difíceis de tristeza e de desolação espiritual”.

Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas.
O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251.
Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas.
O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

Por Mons. Inácio José Schuster

Hoje, 16 de Julho, celebra a Igreja a festa de Nossa Senhora do Monte Camelo, comumente conhecida como Nossa Senhora do Carmo. A Virgem Maria é conhecida na Sagrada Escritura como “aquela que recebia a Palavra de Deus”, não apenas na Escritura, mas em colóquio com seu próprio Filho e a meditava em seu coração.  Os primeiros carmelitas que resolveram viver uma vida contemplativa no alto do Monte Carmelo tomaram-na como sua padroeira, mãe e mestra na vida espiritual.  De Maria nós conhecemos pouquíssimo; no entanto, existem silêncios que são muito mais eloqüentes do que livros inteiros.  Maria meditava silenciosamente, ruminava diariamente a palavra de Deus e é isto que desejam fazer na Igreja os carmelitas e as carmelitas. Este estilo de vida todo contemplativo, debruçado sobre a Palavra de Deus, a partir da qual se faz o que hoje, após o Concilio Vaticano II e a constituição Dei Verbum chama-se lectio divina, é o que a Igreja espera que esta família carmelitana ofereça aos seus irmãos na fé. A Igreja católica tem necessidade urgente de viver o primado da escuta da Palavra sobre suas múltiplas atividades.  Infelizmente nossas paróquias muitas vezes pecam por excesso de atividades, relegando em segundo plano a vida espiritual – entendendo-se por vida espiritual a vida sob a guia e a iluminação do Espírito Santo. A Virgem Maria do Monte Carmelo, hoje por todos nós invocada, gostaria de abrir nossos corações – é esta a graça que ela impetra a seu Filho, para que entendamos a Sagrada Escritura, para que descubramos em nossas vidas, ainda que ativas, uma veia contemplativa. Como os carmelitas e as carmelitas na Igreja, ofereçamos o primado de nossas existências concretas e diárias à Palavra com a qual queremos abrir nosso dia, inaugurar nossa jornada e diante da qual queremos oferecer o melhor de nós mesmos. A Virgem do Carmelo nos conduza nesta aventura através das noites escuras aos dias luminosos da contemplação de Deus, através da escuta de Sua mensagem.

 

Quem são meus familiares?
Padre Pacheco

O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus cercado pela multidão, que O comprime, pois deseja escutar Sua Palavra; o povo quer escutar a Palavra do Senhor, pois num primeiro momento, recebe o convite de um Jesus tomado de misericórdia, compaixão e amor por cada um deles. Primeiro Cristo ama, depois fala ao coração do povo sedento. Nosso Senhor Jesus Cristo ama, e porque ama, fala aos corações dessas pessoas na certeza de que uma resposta será necessária por parte do povo. A única resposta cabível frente a uma proposta de amor é retribuirmos com amor, pois amor com amor se paga. O maior gesto de amor, neste caso, é colocarmos esta palavra na vida, em prática. Os familiares de Jesus estão ali; eles desejam falar com Ele, porque têm algo muito importante para comunicar-Lhe. Num primeiro momento, parece que o Senhor responde com grosseria ao aviso que dão a Ele sobre Seus familiares que querem falar com Ele. Não, não é isso, Jesus aproveita a ocasião para educar aqueles que ali estão e mostrar que seus familiares são mais que familiares, ou seja, são íntimos d’Ele. Há uma grande diferença entre familiaridade e intimidade; intimidade requer familiaridade; mas familiaridade não requer intimidade. Infelizmente. Basta olharmos para a maioria das famílias hoje em dia. Quantas famílias que vivem sob a casa da estranheza; ou seja, não há intimidade, são estranhos, não se conhecem. Par dizer que, para sermos da família de Jesus, é fundamental que haja intimidade com Ele; esta intimidade será fruto de uma profunda experiência com a Sua Palavra; será fruto de corações que estarão sempre próximos, num constante colóquio de amor entre pessoas que se amam: Jesus e eu; eu e Jesus. Não basta acreditar – satanás também acredita em Deus. Não basta termos os sacramentos, pois o que salva não são eles; os sacramentos são meios de salvação. O que salva é a vivência destes sacramentos. Da mesma forma, não basta ser da família de Jesus; é preciso ser íntimo e obediente à  Palavra d’Ele. A familiaridade verdadeira será conseqüência disso. Mas saibamos de uma realidade fundamental para que esta maravilha aconteça na nossa vida e, conseqüentemente, também haja a felicidade e a salvação: não existe Jesus Cristo sem a Sua Igreja e não existe Igreja sem Jesus Cristo. Estas obediências e estes seguimentos ao Senhor, sem obediência e seguimento da Igreja, é tudo, menos obediência e seguimento verdadeiro. “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, diz o Senhor. Que vontade é esta? Amor e obediência a Jesus Cristo e à Sua Igreja.

Santo Evangelho (Mt 10, 24-33)

14ª Semana Comum – Sábado 09/07/2016

Primeira Leitura (Is 6,1-8)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

1No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo.2Havia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas, duas cobriam-lhes o rosto, duas, os pés e, com duas, eles podiam voar. 3Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. 4Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. 6Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7e tocou minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”. 8Ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós? Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 92)

— Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.
— Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Deus é Rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e esplendor!

— Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis!

— Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor!

 

Evangelho (Mt 10,24-33)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Bel­zebu, quanto mais aos seus familiares! 26Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, pro­clamai-o sobre os telhados! 28Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

Dedicou-se religiosamente em cuidar de uma senhora com câncer e a partir desta experiência caridosa deu-se a descoberta do Carisma

Hoje comemoramos a santidade de vida da naturalizada brasileira Amábile Lúcia Visintainer que nasceu no ano de 1865 e partiu para a Glória em 1942. Nascida em Vigolo Vattaro (Itália), com apenas 10 anos de idade emigrou com seus pais para o Brasil dirigindo-se para o Estado de Santa Catarina, no sul do país.

Santa Paulina, antes de entrar para a vida consagrada, dedicou-se religiosamente em cuidar de uma senhora com câncer e a partir desta experiência caridosa deu-se a descoberta do Carisma que fora reconhecido em 1895 pelo Bispo de Curitiba, Paraná, com o nome de Filhas da Imaculada Conceição.

Na oração litúrgica da Igreja é pedido a Deus para nós fiéis a virtude do serviço, motivado pelo amor, a qual mais brilhou no coração da virgem Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

Santa Paulina, rogai por nós!

Aprender com o Evangelho a combater o mal

Não às tentações

Sexta-feira, 11 de abril de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco lembrou que a vida cristã é uma luta contra o mal, sendo preciso ficar atento para não cair em tentações

A partir do Evangelho aprende-se a lutar contra as tentações. Foi o que afirmou o Papa Francisco, na Missa desta sexta-feira, 11, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que todos somos tentados, porque o diabo não quer a santidade, e a vida cristã é uma luta contra o mal.

Francisco recordou que a vida de Jesus foi uma luta e Ele veio para vencer o mal. O foco de toda a homilia foi a luta contra o demônio, uma luta que cada cristão deve enfrentar, uma verdade que todo cristão deve conhecer se quiser seguir Jesus, que sofreu tantas tentações e perseguições.

Uma vez que não quer ver a santidade humana, o diabo apresenta tentações ao homem e procura afastá-lo do caminho de Jesus. Francisco explicou três características dessas tentações, que constituem o modo como elas agem. “A tentação começa livremente, mas cresce, sempre cresce. Segundo: cresce e contamina o outro. Por fim, para tranquilizar a alma, se justifica, cresce, contamina e se justifica”.

Como exemplo, o Santo Padre citou as fofocas, que começam com a inveja do outro. Depois, a pessoa sente a necessidade de partilhar essa inveja com alguém. Esse é o mecanismo da fofoca, e todos são tentados a fazer isso. “Talvez alguns de vocês não sejam tentados a isso, se forem santos; mas também eu sou tentado a fofocar! É uma tentação cotidiana que começa suavemente como um fio de água. Cresce por contágio e, ao fim, se justifica”.

O Santo Padre mencionou ainda algumas tentações que Jesus sofreu, como aquela de jogar-se do Templo. A tentação cresceu, envolveu outras pessoas e, por fim, se justificou. Quando Jesus pregou na Sinagoga, por exemplo, seus inimigos desmereceram-No, disseram que ele não tinha estudado, não tinha autoridade para falar. “A tentação envolveu todos contra Jesus. E o ponto mais alto da justificativa foi aquele do sacerdote, quando diz: ‘Não sabem que é melhor que um homem morra para salvar o povo?”.

O Santo Padre destacou a necessidade de estar atento para não cair em tentações e acabar fazendo coisas que destroem as pessoas. “Se um fio de água não é parado no momento certo, pode se transformar em uma maré”, alertou Francisco.

“Todos somos tentados, porque a lei da vida espiritual, a nossa vida cristã, é uma luta. O príncipe deste mundo – o diabo – não quer a nossa santidade, não quer que sigamos Cristo. Alguém de vocês, talvez, não sei, possa dizer: ‘Mas, padre, que antigo o senhor é, falar de diabo no século XXI!’. Mas vejam bem que o diabo existe! Mesmo no século XXI! E não devemos ser ingênuos. Temos de aprender com o Evangelho como se faz a luta contra o diabo”.

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