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Para seguir Jesus é preciso mover-se

Sexta-feira, 13 de janeiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa falou da importância de seguir Jesus em vez de ficar parado apenas olhando, como faziam os escribas

Para seguir Jesus é preciso caminhar, não ficar com “alma sentada”, disse o Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 13, na Casa Santa Marta. Francisco destacou que a fé, se é autêntica, sempre faz correr riscos, mas dá a verdadeira esperança.

O povo segue Jesus por interesse ou por uma palavra de conforto. O Santo Padre se concentrou no Evangelho do dia para destacar que, mesmo se a pureza de intenção não é “total”, perfeita, é importante seguir Jesus, caminhar atrás Dele. As pessoas se sentiam atraídas por sua autoridade; pelas coisas que dizia e como dizia se fazia entender e também curava.

Algumas vezes, explicou o Papa, Jesus repreendia o povo que o seguia porque estava mais interessando em uma conveniência que na Palavra de Deus. Mas o Senhor se deixava seguir por todos, porque sabia que todos são pecadores. O problema maior era os que ficavam parados.

“Os parados! Aqueles que estavam à beira do caminho, olhavam. Ficavam sentados. Ficavam sentados lá alguns escribas: estes não seguiam, olhavam. Olhavam do balcão. Não iam caminhando na própria vida: ‘balconavam’ a vida! Justamente ali: não arriscavam nunca! Somente julgavam. Também os juízes eram fortes, não? Em seu coração: ‘que povo ignorante! Que gente supersticiosa!’ E quantas vezes também nós, quando vemos a piedade do povo simples, nos vem em mente aquele clericalismo que faz tanto mal à Igreja”.

Essas pessoas que seguiam Jesus não ficavam paradas, mas arriscavam para encontrá-Lo, para encontrar aquilo que queriam. O Papa citou como exemplo o caso da cananeia, da pecadora na casa de Simão e da Samaritana. Todas arriscaram e encontraram, a salvação.

“Seguir Jesus não é fácil, mas é belo! E sempre se arrisca (…) Seguir Jesus, porque precisamos de algo ou seguir Jesus arriscando e isso significa seguir Jesus com fé: esta é a fé. Confiar em Jesus. ‘Confio em Jesus, confio a minha vida a Jesus? Estou em caminho atrás de Jesus, mesmo se pareço ridículo às vezes? Ou estou sentado olhando como faziam os outros, olhando a vida, ou estou com a alma sentada – digamos assim – com a alma fechada para a amargura, a falta de esperança?’ Cada um de nós pode se fazer estas perguntas hoje”.

São João da Cruz – 14 de Dezembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, 14 de Dezembro, a Igreja celebra a memória de São João da Cruz. Ele juntamente com Santa Tereza de Jesus, foi um dos reformadores da Ordem Carmelitana no Século XVI. Sofreu muito por causa da reforma de sua própria ordem, porque desejava reconquistar o primitivo fervor perdido com o relaxamento. Desejava viver como os primitivos eremitas carmelitas, que se colocavam no maior número de horas possíveis do dia, na presença de Deus, na leitura meditada da Sagrada Escritura, para depois poderem com capacidade e amor dividir este Pão espiritual com os irmãos na fé. Esta celebração é oportuna no tempo do Advento. São João da Cruz, fala de noites escuras que precedem os dias luminosos que estão por vir no futuro, e isto para nós é advento. “Agora aceitamos as trevas, a penumbra e a escuridão em direção e em marcha para a luz. A noite será mais luminosa do que o dia”. São João da Cruz traz-nos um exemplo admirável que pode ser bem usado neste tempo de advento: “A madeira – diz ele – antes de se incandescer com o fogo se contorce toda inteira, deixa sair todo caldo que possuía, torna-se inteiramente preta e somente aos poucos ela vai se incandescendo para tornar brasa, uma só coisa com o fogo”. Não é bem a imagem de cada um de nós neste período e tempo do advento? Não somos uma madeira seca que gostaríamos de ser uma só coisa ou realidade como o fogo consumador de Deus? “Quem é capaz – diz Isaias – de permanecer junto a um fogo devorador?” Pois este fogo já realiza o seu serviço de purificação dentro de nós, através das noites escuras que nós com São João da Cruz, aceitamos com resignação, e não só com alegria e na esperança de nos tornar um dia, no final do advento da nossa existência, uma só coisa, como um braseiro, uma só coisa como o amor de Deus, cantando com Ele para sempre as misericórdias do Senhor. Agora se deixe trabalhar, ainda que dolorosamente, os frutos serão desproporcionais ao trabalho agora realizado.

 

SÃO JOÃO DA CRUZ
Perto de Ávila, na Espanha, encontra-se Fontiveros. Lá nasceu João de Yepes, no ano de 1542. Os pais, Gonçalo e Catarina, eram pobres tecelões. Gonçalo morreu cedo e a viúva teve de passar por dificuldades enormes para sustentar os três filhos: Francisco, Luís e João. Mas Luís morreu de poucos anos. Catarina pediu ajuda aos parentes do seu defunto marido, por terras toledanas. Mudou para Arévalo e depois para Medina deI Campo. Medina era então o centro comercial de Castela. Feiras e mercados, artesanato e movimento. Lá experimentará João numerosos ofícios manuais, que não lhe agradam, embora não seja inútil para eles. A sua inclinação é para os estudos. A mãe envia-o para o Colégio da Doutrina; como acontece em quase todas as cidades castelhanas, existe também em Medina. E ele faz de acólito no convento das agostinhas. Em 1551 fundaram em Medina um colégio os padres da Companhia de Jesus. Nele estudará Humanidades. Nos estudos mostra-se João muito «agudo» e a sua aplicação é admirável. Mas todo esse esforço não vai terminar no estado clerical. Sente-se chamado à vida religiosa e escolhe a Ordem do Carmo, a Ordem de Maria, na qual pede o hábito em 1563. Chamar-se-á para o futuro João de Santa Maria. Devido ao talento e à virtude, depressa foi destinado para o colégio de Santo André, que a Ordem possui em Salamanca, ao lado da famosa Universidade. Lá estudará Artes e Teologia. Salamanca vive então todo o seu esplendor magisterial: entre outros professores célebres, tem Luís de Leão. Frei João foi no colégio dele «prefeito dos estudantes», o que indica o seu aproveitamento e a estima em que era tido. Em 1567 recebe a ordenação sacerdotal e vem a Medina celebrar a Missa nova junto da sua pobre mãe e do irmão Francisco. E dá-se então um encontro providencial e inesperado. Em Medina acaba de criar o seu segundo «pombalzinho da Virgem» a Madre Teresa de Jesus. Esta tem «patentes» do Geral da Ordem para fundar dois mosteiros de frades reformados. E pôs-se em contacto com o prior dos carmelitas de Medina. Ele está decidido a começar a reforma; e por ele lhe vem o conhecimento de Fr. João. Mas este deseja passar para a Cartuxa, sedento de penitência e solidão. Foi lá, na casa onde habitava momentaneamente a mãe, que se realizou a entrevista, transcendental para sempre na história da espiritualidade. A Madre Teresa convence Fr. João a que se una à reforma dos frades, para salvar o espírito do Carmo, ameaçado pelos homens e pelos tempos; é a empresa espiritual que ela fomenta por encargo do céu. Naquele dia, no recreio das religiosas, a madre comentou alvoroçada: «Já tenho frade e meio para começar!»… O meio frade aludia à pequena estatura de frei João. Depois do seu curso de Teologia em Salamanca, tudo se precipita. Estamos em 1568. Em Duruelo inaugura-se a vida descalça entre os carmelitas. Durante ano e meio, João (desde agora da Cruz) viverá austeridade, alegria, silêncio… Tudo é, diz, «música silenciosa», «solidão sonora». Tudo é paz… Mas dura pouco: não mais de ano e meio. Em seguida, a expansão da reforma carmelita arrasta-o no seu impulso. E proporcionou ao Santo contemplativo uma série de sofiimentos e trabalhos que tomaram bem verdadeiro o seu apelido monacal. O frade de Fontiveros dá começo a três casas de formação, pois na obra teresiana é ele providencialmente quem vai semeando o ideal de perfeição carmelita que traz na alma, e que em parte recebeu de Santa Teresa. Desde 1572 a 1577, frei João é confessor da Encarnação de Ávila. O visitador apostólico, Pedro Fernández, O padre levou como prioresa, para aquele mosteiro importante de religiosas carmelitas, a Madre Teresa, e esta consegue do visitador que ponha lá confessores descalços que a ajudem a tonificar o mosteiro. Numa casita junto do convento passará o nosso Santo, com um companheiro, quase cinco anos, confessando, dirigindo religiosas e gente de Ávila. Foi campo de experiências esplêndido. Sobretudo porque, durante longas temporadas, a primeira penitente e dirigida foi Santa Teresa de Jesus. Lá vão adquirindo maturidade a alma e o magistério do futuro doutor. O germe de muitas das suas doutrinas e das suas obras foi lá incubado. Mas a obra teresiana é obra de Deus, e, portanto há de ser obra selada pela cruz. A perseguição, por parte dos padres calçados, tinha de estalar. E foi cair sobre os representantes mais destacados da reforma, como era natural. Já em 1576 foi tirado violentamente Fr. João da casita da Encarnação; contudo, devolve-o a ela uma ordem do Núncio. Todavia, na noite de 02 de Dezembro de 1577 foi preso definitivamente. Em seguida, levam-no para o convento carmelita de Toledo. Foram nove meses de cárcere penoso: meses de cruz, de Getsémani, de noite… Mas são duma fecundidade maravilhosa. E aquela vida chamejante traduz-se em versos, em planos de escritos, em experiência saborosa e sábia da obra de Deus nas almas que a Ele se entregam. Nos meados de Agosto de 1578 consegue escapar-se do seu cárcere. Foi gesto dramático, em que interveio Deus e a audácia e confiança de Fr. João. Desde tal aventura até à morte, a vida de Fr. João será afinal sempre a mesma. Por uma parte, dentro da reforma, sempre ocupado em tarefas de formação e direção de frades e religiosas. Adiante percorreremos esses encargos que teve. Por outra parte, ocupará postos de governo, num plano secundário sempre, uma vez que os primeiros cargos os manterão sempre Gracián e Dória; estes nomes e esta atividade enchem dolorosamente os lustros iniciais da reforma teresiana. João não recebeu do céu a missão da luta externa em primeiro lugar. Será o homem escondido que mantém a brasa pura e que, nas contendas de família, dá a nota de elevação e de equilíbrio, que tantas vezes faltou nos outros. A mesma Santa, tão penetrante e intuitiva, deu-se perfeitamente conta desse papel que tocava ao seu «pequeno Sêneca», iluminado conselheiro. Mas para a obra secreta e misteriosa da formação espiritual das suas filhas, tem plena confiança no seu Padre João, naquele «santico de Frei João», cujos «ossinhos farão milagres», «homem celestial e divino…, (que) não encontrei em toda a Castela outro como ele, nem que tanto afervore no caminho do céu…». E não é que a psicologia sobrenatural da Madre coincida em tudo com a de Fr. João? Completam-se um ao outro, embora Santa Teresa não tenha conhecido em toda a profundidade a riqueza doutrinal de são João da Cruz e a influência que ia ter, através dos séculos, na espiritualidade cristã universal. Pelo menos, não temos indício de tal visão profética teresiana. De Toledo, frei João foi enviado como superior ao convento do Cal vário, na serra de Jaén. Tiveram os descalços uma espécie de capítulo em Almodóvar do Campo, a que ele assistiu. E lá foi nomeado para aquela solidão da Serra Morena. Foram meses felizes, de paz recolhida e calada, de oração e cultivo de almas seletas, de contemplação e êxtase. Revivem os dias de Duruelo. Do Calvário, atende às carmelitas de Beas de Seguras. Vai com freqüência confessá-las, fornece-lhes os seus primeiros escritos espirituais. Entre elas está como prioresa Ana de Jesus, que ficará por toda a vida ligadíssima às transformações sanjoanistas. Magnífico campo de experiências foi ela para o santo doutor! A 13 de Junho de 1579 partiu para Baeza, a fundar um colégio para os seus frades. Como reitor de Baeza, assiste o Santo ao capítulo de separação da reforma, que se realiza em Alcalá, no princípio de Março de 1581. Foi eleito terceiro definidor, continuando no reitorado. Em seguida, vai como prior para o convento dos Mártires, em Granada, onde permanecerá até fins de 1588. Anos fecundos, na sua tarefa de escritor sobretudo. Aquele lugar incomparável facilitava a produção da sua pena tomada chama. Durante este período da sua vida, as viagens foram-se multiplicando cada vez mais. Viagens a Caravaca e a Á vila, para ultimar com a Madre Teresa a fundação de religiosas em Granada, viagens aos capítulos. Em 1585, foi nomeado vigário provincial da Andaluzia. Assim aumentaram as suas atividades externas. Tudo isso violentaria, sem dúvida, as suas aspirações mais profundas, mas a cruz de Cristo era o apelido que selava a sua vida. Em 1586, fundação de descalços em Córdova; trasladação da casa das descalças de Sevilha, reunião de definição em Madrid e fundação na Corte das descalças, com Ana de Jesus à frente, dos descalços em Mancha Real, preparação da de Bujalance, etc., etc. No capítulo de Valhadolide de 1587 deixa de ser vigário provincial e volta a prior de Granada. Foi outro breve espaço de tempo para gozar o retiro. Pôde assim continuar os afazeres de diretor de almas e as atividades literárias. Em 1588, realizou-se em Madrid o capítulo geral para executar um breve de Sisto V, que organizava de maneira nova a reforma do Carmo. Ficou ele sendo um dos seis conselheiros do vigário geral, com residência em Segóvia, onde habitou quase três anos, sendo ao mesmo tempo prior da casa. Também dirigiu almas (as carmelitas, sacerdotes, leigos). Nas covas naturais da horta conventual, Fr. João vive, intensa, a sua vida interior, feita de «nadas» e de união com o «Tudo». Um dia, a imagem dolorosa de Jesus perguntou-lhe o que desejava em paga do seu amor puro e exclusivo. João da Cruz respondeu generosamente: «Padecer, Senhor, e ser desprezado por causa de Vós». A sua oração ia ser ouvida abundantemente. Em 1591, o capítulo deixa-o posto a um canto, como «trapo velho da cozinha». É que está sendo pessoa pouco aceite para o vigário, Dória. Obedece fidelissimamente, mas diz com toda a franqueza o seu parecer, quando o caso é disso. E sobrevém um choque forte entre as religiosas e os frades, por causa da organização do governo destas. Suspeita-se que João está por elas. Mas é eliminado com toda a facilidade e sangue frio. Mais, começa-se um processo contra ele, o qual, na intenção do executor, deve terminar com a expulsão para fora da Ordem. Fr. João pede para retirar-se ao conventinho de La Pefiuela. E ofereceu-se a ir para as Índías; deixaria de ser estorvo. Em La Pefiuela está poucos meses. A reforma padece. Nos conventinhos teresianos andaluzes, o processo contra João decorre, perturbando as almas. Ele reza, sofre e cala-se. Escrevia: «Do que a mim me toca, filha, não lhe dê pena, que nenhuma me dá a mim». E a 21 de Setembro de 1591, faltando-lhe já poucos dias para entrar na eternidade, acrescentava: «Amanhã vou a Úbeda para curar umas febrezinhas, que, como há mais de oito dias me dão cada dia e não me passam, parece-me que precisarei da ajuda da medicina: mas com a intenção de voltar logo para aqui, pois com certeza que nesta solidão me encontro muito bem». Escolhe o convento de Úbeda porque no de Baeza é mais conhecido e estimado. No caminho – um penoso caminhar enfermo! – vai acompanhado por um irmão leigo. E um episódio simples dá-nos essa nota humana que dorme sempre escondida na alma dos santos. O seu fastio leva-o a desejar espargos. Não é tempo deles. Mas, providencialmente, encontram-nos os viajantes, como resposta celestial à debilidade humilde do fradinho. Em Úbeda, uns dias longos, de mais de dois meses, para acabar de consumar-se a união na cruz, uma erisipela numa perna, que pouco a pouco foi intoxicando todo o corpo. A septicemia foi-se apoderando de todo ele e manifestando-se em tumores cada vez mais impressionantes. O prior da casa trata-o com frieza e falta de consideração. Tudo é sofrimento. «Estou-me consumindo em dores!»; «Mais paciente, mais amor e mais dor!», exclamará outras vezes. Assim até 13 de Dezembro. Nessa noite agonizou santamente, docemente… Ao tocar a meia-noite, partindo do «esterqueiro do desprezo» foi cantar matinas ao céu, como ele mesmo repetira no dia último. Apesar da chuva abundante e de ele ser pouquíssimo conhecido em Úbeda, depressa se enche o convento com os que desejam venerar o cadáver. E o prior manda abrir todas as portas. Abertas ficaram sempre. A interminável procissão dos devotos, dos discípulos, dos admiradores continua a aproximar-se das suas relíquias; relíquias da sua vida e da sua pena, relíquias vivas da sua eterna lição. Recordemos brevemente as suas obras literárias. Valeram-lhe, em 1926, o título de doutor da Igreja. (Tinha sido canonizado em 1726). As obras maiores são vários poemas, maravilhosos poemas, que o levantaram ao cume do lirismo em geral: poesia pura, simbólica e ardente, cujo mistério se mantém inexplicável, apesar da sua simplicidade humana e dos antecedentes literários, bíblicos e extrabíblicos, que pretendamos encontrar-lhes. As obras que em prosa interpretam aqueles poemas são bem conhecidas: Subida do Monte Carmelo, Noite escura da alma (estas duas formam parte dum todo, que ficou afinal por terminar), Cântico espiritual e Chama viva de amor. No decurso delas, o itinerário que a alma percorre é claro e certeiro. Negação e purificação das suas desordens debaixo de todos os aspectos. «Nada, nada, nada… Nem isto nem aquilo…» Para se entregar ao Senhor através dos atos das virtudes teologais – fé, esperança e caridade – que vão cristificando mais a alma e apertando assim a mística união. União em que o Deus-amor se apodera mais e mais da alma, que fica em Deus perdida, endeusada no seu Deus. Alguns outros poemas, uns poucos avisos: «ditos de luz e amor; um punhado de cartas – restam-nos também como migalhas abençoadas, caídas da sua mesa. Tudo riquíssimo e sublime. Tudo serviu de manjar, desde há três séculos, aos espíritos melhores. A sua glória e magistério alargam-se com o tempo, cada vez mais. João da Cruz é o doutor místico por antonomásia, da Igreja, o representante principal da sua mística no mundo, a figura mais egrégia da cultura espanhola e uma das principais da cultura universal. Foi tomado como patrono da rádio, pois, quando pregava, a sua voz chegava até muito longe.

 

ARIDEZ ESPIRITUAL
Quanto mais a noite fica escura, mais perto está a aurora
Prof. Felipe Aquino / [email protected]

Muitas vezes, podemos passar por algum período de aridez espiritual, isto é, não temos vontade de rezar, torna-se difícil participar da Santa Missa, a reza do terço fica pesada, entre outros. Até mesmo a Sagrada Comunhão se torna um sacrifício diante das dúvidas que podem atingir a nossa alma. Parece que o céu sumiu. Como vencer esse estado de espírito no qual parece que Deus está longe e que nos falta a fé? Primeiro, é preciso verificar se esta situação não é tibieza, ou seja, causada por nossa culpa em não perseverar no cuidado da vida espiritual, e, sobretudo, verificar se não há pecados graves em nossa alma, que possam estar afugentando dela a graça de Deus. Se não houver pecados na alma, então, é preciso antes de tudo, calma, paciência e perseverança nos exercícios espirituais: oração, vida sacramental, caridade, penitência, entre outros. Mesmo sem vontade ou sem gosto, continuar, sem jamais parar, os exercícios espirituais. O Senhor, às vezes, permite essas provações para que aprendamos a “buscar mais o Deus das consolações do que as consolações de Deus”, como ensinou um santo. São João da Cruz, místico que tanto experimentou o que chamou de “noite escura da fé”, afirmou que “o progresso da pessoa é maior quando ela caminha às escuras e sem saber.” Muitas vezes, nos deleitamos nas orações gostosas, cheias de fervor sensível, como crianças quando comem doces. Mas quando vem a luta deixamos a oração. Veja o que nos diz a Palavra de Deus: “Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho (Pr 3,11s). Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige?… Mas se permanecêsseis sem a correção que é comum a todos, seríeis bastardos e não filhos legítimos… Aliás, temos na terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto, os olhamos com respeito. Com quanto mais razão nos havemos de submeter ao Pai de nossas almas, o qual nos dará a vida? Os primeiros nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que este o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade” (Hb 12,5-10). Deus nos quer santos, e é também algumas vezes pela provação e pela aridez espiritual que Ele arranca as ervas daninhas do jardim de nossas almas. Coragem, alma querida de Deus! Jesus disse que Ele é a videira verdadeira, e Seu Pai o bom agricultor, que podará todo ramo bom que der fruto, para que produza mais fruto (cf. Jo 15,1-2). Não podemos querer apenas o açúcar do pão e renegar o pão do sacrifício. Às vezes, a meditação é difícil, a oração é penosa, distraída, surgem as noites e as trevas… Nessas horas é preciso silêncio, abandono, paciência. O Esposo há de voltar logo… Em breve vai raiar a aurora e os fantasmas vão sumir. Quanto mais a noite fica escura, tanto mais perto nos aproximamos da aurora. Deus sabe pelo que estamos passando, louvado seja o Seu santo Nome! É hora de abandono em Suas mãos paternas. Em meio às trevas alguns sentem o coração como se fosse de gelo, não sentem mais amor a Jesus, perdem a piedade, se sentem condenados. Que desoladora confusão espiritual! Nessas horas a única saída é fechar os olhos e dar as mãos a Jesus para ser guiado por Ele na fé; confiança e abandono, irmão! Só o Senhor sabe o caminho para sairmos deste matagal fechado e escuro. Deus nos prepara para a contemplação pelas provas passivas, ensinam os santos. Ele as produz e a alma apenas tem que aceitar. É o duro caminho dos que querem a perfeição. Ele está purificando a alma; o Cirurgião Celeste está nos operando a alma. São João da Cruz fala da famosa “noite dos sentidos” cheia de aridez e de provação, um verdadeiro martírio para a alma. Segundo o santo doutor, é Jesus que chama a alma a caminhar com Ele no deserto, mesmo queimando os pés e sendo queimado pelo sol, para se santificar. Calma, alma querida de Deus, Ele faz isso porque o ama muito! O fogo bom não é aquele “fogo de palha”, alto e bonito, mas rápido, que logo se apaga; mas é o fogo baixo que pega na lenha grossa e permanece por muito tempo. O fogo de palha é só para começar… É isso que está acontecendo; não se assuste; não se preocupe porque o gosto de rezar sumiu e se tornou agora um sacrifício penoso… Fé não é sentimento e muito menos sentimentalismo; fé é adesão, com a mente, a Deus, às Suas verdades e às Suas determinações. Não se preocupe em estar ou não “sentindo” fé ou devoção; apenas viva-a; vá à Missa, ao grupo de oração, ao terço, com ou sem vontade, com ou sem gosto, com ou sem sentimento. Assim, temos mais méritos ainda diante de Deus. Nessa situação talvez você precise de um diretor espiritual, especialmente na Confissão, para uma boa orientação.

O Advento e a necessidade de vigilância

“Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes”, diz padre Mário destacando o Advento como tempo de vigilância e obras de caridade

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Doutor em Teologia Moral

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!  O Senhor está perto”

O termo Advento vem do latim adventum que significa vinda ou chegada e refere-se às quatro semanas antes do Natal. Pelo Advento, nos preparamos para celebrar a primeira vinda do Senhor, ou seja, o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e a expectativa da segunda vinda do Senhor. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano da Igreja, é a penitência como preparação para receber Aquele que está para vir. O caráter penitencial do advento é acentuado pela cor litúrgica, que é o roxo.

O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim. O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. A palavra fundamental é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alma” limpa para que a morte não o apanhe com pecados; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz.

Pedagogicamente dizendo, advento é um tempo que a Liturgia dispõe à Igreja com a finalidade de preparar os cristãos para a celebração do Natal. Como é natural, trata-se de uma preparação espiritual, incentivando os católicos a preparar o coração e a alma para o encontro com o Senhor. Mas, não é somente preparação do Natal. No caso do Advento, estamos diante de dois aspectos desta preparação: aquela da 2ª vinda e que Paulo escreve aos Tessalonicenses sobre o “Dia do Senhor”, o dia do juízo final, quando nos encontraremos face a face com Deus (1Ts 5,1-6) e, a preparação da 1ª vinda, que celebramos no Natal.

Quanto ao primeiro aspecto do Advento, de preparar-se para a 2ª vinda do Senhor, a vigilância espiritual pode ser considerada a partir do cuidado em vista do encontro final com o Senhor, no Final dos Tempos. Para isso, é preciso ficar atentos aos sinais dos tempos, como o próprio Jesus adverte, e o melhor meio para não se descuidar e nem se distrair dos sinais dos tempos é pela vigilância espiritual. Por vigilância espiritual entende-se o cuidado, para que o nosso espírito não se afaste das coisas de Deus, mas se mantenha fiel ao projeto divino. São muitas as ocasiões para distrair-se das coisas de Deus, podendo nos anestesiar daquilo que é divino e descuidar-nos de alimentar nosso espírito com as coisas do alto.

O Advento é tempo para incentivar com mais intensidade a oração, a leitura da Palavra, a penitência e as obras de caridade. A vigilância é feita preferencialmente com a oração e, a oração nos mantém acordados para o encontro do Senhor, em sua 2ª vinda.

Quanto ao segundo aspecto do Advento, da preparação para o Natal de Jesus, é a alegria da nossa salvação pela encarnação do Verbo de Deus. Neste tempo que a publicidade natalina vem alimentar nosso espírito com “belas” e “boas” mensagens de tempos novos, repletos de paz e de harmonia fraterna, é preciso ficar atentos para não nos alimentar com fantasias e imagens enganosas. O alimento espiritual deste tempo que nos aproxima do Natal não pode se limitar a poesias ou mensagens vazias. Precisa de algo mais sólido como a oração diária, a meditação da Palavra de Deus e as obras de caridade.

A coroa do Advento

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, expressa a esperança e convida à alegre vigilância. Na confecção da coroa são usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno, ou seja, mesmo em tempos difíceis. Os ramos verdes são sinais da vida que resiste; são sinais da esperança. A coroa é envolvida com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Na coroa, são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.

Quanto às cores das quatro velas, a mais usada é a cor vermelha. Em alguns lugares costumava-se usar velas nas cores roxa e uma vela cor rósea referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o  “Domingo Gaudete” (Domingo da Alegria), a alegria de quem se sente perdoado. O terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Estando já próxima a chegada do Homem-Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Atualmente em muitos lugares tem-se usado cada uma de uma cor.

O tempo do Advento quer sensibilizar-nos para a celebração do Natal do Senhor e para a segunda vinda de Jesus. O apelo que Cristo nos lança à vigilância é para ser tomado bem a sério. Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes. Este é o convite que Jesus nos faz: “Vigiai!” Como os Profetas, Maria, José, os pastores, os Reis Magos… Se vigiamos, o nosso presente e o nosso futuro encontrar-se-ão. É isso a Esperança.

Encontro do Papa com as crianças da Primeira Comunhão

ENCONTRO DE CATEQUESE E ORAÇÃO DO PAPA BENTO XVI COM AS CRIANÇAS DA PRIMEIRA COMUNHÃO
Praça de São Pedro
Sábado, 15 de Outubro de 2005

Andrea: “Caro Papa, que recordação tens do dia da tua Primeira Comunhão?”.
Antes de tudo, gostaria de dizer obrigado por esta festa da fé que me ofereceis, pela vossa presença e alegria. Agradeço e saúdo o abraço que tive de um de vós, um abraço que simbolicamente vale para vós todos, naturalmente. Quanto à pergunta, recordo-me bem do dia da minha Primeira Comunhão. Era um lindo domingo de Março de 1936, portanto, há 69 anos. Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro. Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes. Mas, no centro das minhas recordações alegres e bonitas está o pensamento o mesmo já foi dito pelo vosso porta-voz que compreendi que Jesus tinha entrado no meu coração, tinha feito visita justamente a mim. E com Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; e assim estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo até mim. E entendi que então começava uma nova etapa da minha vida, tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a esta Comunhão. Prometi ao Senhor, por quanto podia: “Gostaria de estar sempre contigo” e pedi-lhe: “Mas, sobretudo permanece comigo”. E assim fui em frente na minha vida. Graças a Deus, o Senhor tomou-me sempre pela mão, guiou-me também nas situações difíceis. E dessa forma, a alegria da Primeira Comunhão foi o início de um caminho realizado juntos. Espero que, também para todos vós, a Primeira Comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se torna boa.

Livia: “Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos”.
Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados. Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado “mortal”, isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto. O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.

Andrea: “A minha catequista, ao preparar-me para o dia da minha Primeira Comunhão, disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas como? Eu não o vejo!”.
Sim, não o vemos, mas existem tantas coisas que não vemos e que existem e são essenciais. Por exemplo, não vemos a nossa razão, contudo temos a razão. Não vemos a nossa inteligência e temo-la. Não vemos, numa palavra, a nossa alma e todavia ela existe e vemos os seus efeitos, pois podemos falar, pensar, decidir, etc… Assim também não vemos, por exemplo, a corrente elétrica, mas sabemos que existe, vemos este microfone como funciona; vemos as luzes. Numa palavra, precisamente, as coisas mais profundas, que sustentam realmente a vida e o mundo, não as vemos, mas podemos ver, sentir os efeitos. A eletricidade, a corrente não as vemos, mas a luz sim. E assim por diante. Desse modo, também o Senhor ressuscitado não o vemos com os nossos olhos, mas vemos que onde está Jesus, os homens mudam, tornam-se melhores. Cria-se uma maior capacidade de paz, de reconciliação, etc… Portanto, não vemos o próprio Senhor, mas vemos os efeitos: assim podemos entender que Jesus está presente. Como disse, precisamente as coisas invisíveis são as mais profundas e importantes. Vamos, então, ao encontro deste Senhor invisível, mas forte, que nos ajuda a viver bem.

Giulia: “Santidade, dizem-nos que é importante ir à Missa aos domingos. Nós iríamos com gosto, mas, frequentemente, os nossos pais não nos acompanham porque aos domingos dormem, o pai e a mãe de um amigo meu trabalham numa loja e nós, geralmente, vamos fora da cidade visitar os avós. Podes dizer-lhes uma palavra para que entendam que é importante ir à Missa juntos, todos os domingos?”.
Claro que sim, naturalmente, com grande amor, com grande respeito pelos pais que, certamente, têm muitas coisas a fazer. Contudo, com o respeito e o amor de uma filha, pode-se dizer: querida mãe, querido pai, seria tão importante para todos nós, também para ti, encontrarmo-nos com Jesus. Isto enriquece-nos, traz um elemento importante para a nossa vida. Juntos encontramos um pouco de tempo, podemos encontrar uma possibilidade. Talvez até onde mora a avó há uma possibilidade. Numa palavra diria, com grande amor e respeito pelos pais, diria-lhes: “Entendei que isto não é importante só para mim, não o dizem somente os catequistas, é importante para todos nós; e será uma luz do domingo para toda a nossa família”.

Alessandro: “Para que serve ir à Santa Missa e receber a Comunhão para a vida de todos os dias?”.
Serve para encontrar o centro da vida. Nós vivemos entre tantas coisas. E as pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta precisamente Jesus. Sentem, contudo, que falta algo na sua vida. Se Deus permanece ausente na minha vida, se Jesus não faz parte da minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me também uma alegria que é importante para a vida. A força também de crescer como homem, de superar os meus vícios e de amadurecer humanamente. Portanto, não vemos imediatamente o efeito de estar com Jesus quando vamos à Comunhão; vê-se com o tempo. Assim como, no decorrer das semanas, dos anos, se sente cada vez mais a ausência de Deus, a ausência de Jesus. É uma lacuna fundamental e destrutiva. Poderia falar agora facilmente dos países onde o ateísmo governou por anos; como as almas foram destruídas, e também a terra; e assim podemos ver que é importante, aliás, diria, fundamental, nutrir-se de Jesus na comunhão. É Ele que nos dá a luz, nos oferece a guia para a nossa vida, uma guia da qual temos necessidade.

Anna: “Caro Papa, poderias explicar-nos o que Jesus queria dizer quando disse ao povo que o seguia: “Eu sou o pão da vida”?”.
Então deveríamos talvez, antes de tudo, esclarecer o que é o pão. Hoje nós temos uma cozinha requintada e rica de diversíssimos pratos, mas nas situações mais simples o pão é o fundamento da nutrição e se Jesus se chama o pão da vida, o pão é, digamos, a sigla, uma abreviação para todo o nutrimento. E como temos necessidade de nos nutrir corporalmente para viver, assim como o espírito, a alma em nós, a vontade, tem necessidade de se nutrir. Nós, como pessoas humanas, não temos somente um corpo, mas também uma alma; somos seres pensantes com uma vontade, uma inteligência, e devemos nutrir também o espírito, a alma, para que possa amadurecer, para que possa alcançar realmente a sua plenitude. E, por conseguinte, se Jesus diz eu sou o pão da vida, quer dizer que Jesus próprio é este nutrimento da nossa alma, do homem interior do qual temos necessidade, porque também a alma deve nutrir-se. E não bastam as coisas técnicas, embora sejam muito importantes. Temos necessidade precisamente desta amizade de Deus, que nos ajuda a tomar decisões justas. Temos necessidade de amadurecer humanamente. Por outras palavras, Jesus nutre-nos a fim de que nos tornemos realmente pessoas maduras e a nossa vida se torne boa.

Adriano: “Santo Padre, disseram-nos que hoje faremos a Adoração Eucarística. O que é? Como se faz? Poderias explicar-nos isto? Obrigado”.
Então, o que é a adoração, como se faz, veremos imediatamente, porque tudo está bem preparado: faremos algumas orações, cânticos, a genuflexão e estamos assim diante de Jesus. Mas, naturalmente, a tua pergunta exige uma resposta mais profunda: não só como fazer, mas o que é a adoração. Eu diria: adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a tomar, me faz entender que vivo bem somente se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, adorar é dizer: “Jesus, eu sou teu e sigo-te na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão contigo”. Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: “Eu sou teu e peço-te que estejas também tu sempre comigo”.

Santa Teresa de Jesus

“Compararei a Divindade com um polido diamante muito maior que o universo. Todas as nossas ações refletem-se nele, por que Ele encerra todas as coisas, tanto que fora da sua amplitude nada existe”.

“Ó Senhor, experimento tanta alegria ao pensar que as minhas infidelidades fazem com que melhor conheça a vossa misericórdia, que sinto suavizar-se a dor pelas graves ofensas que vos fiz”.

“A oração consiste em tratar a Deus como um pai, um irmão, um Senhor e um Esposo”.

“A oração é onde o Senhor ilumina para entender as verdades”.

“Jamais creiais que adquiristes uma virtude, enquanto não a tiverdes provado com aquilo que lhe é contrario”.

“Tão logo Sua Majestade o quer, Deus e a alma se compreendem, como dois amigos que não precisam de palavras para manifestar-se a grande afeição que os une”.

“No nosso próximo, procuremos ver tão somente as virtuides e as boas obras e cubramos os seus defeitos considerando os nossos pecados”.

“Diante da Sabedoria infinita, mais vale um breve desejo de humildade com algum ato da mesma, do que toda a ciência do mundo”.

“Tenho como certo que uma alma de oração, que se entretenha com homens doutos, jamais será enganada pelo demônio, a não ser que deseje enganar-se a si mesma. O demônio tem muito medo da força interior humilde e virtuosa, por que sabe que seria descoberto e levaria a pior”.

“Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém a cada um”.

“O edifício da oração deve sempre alicerçar-se na humildade: quanto mais uma alma se mostra humilde na oração, tanto mais Deus a exalta”.

“A todos que tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente”.

“Construir grandes casa com o dinheiro dos pobres é muito desconveniente, e o Senhor jamais o perdoará”.

“Em assunto de contemplação, muitas vezes Deus leva vinte anos para dar a alguém aquilo que a outros dá em apenas um ano. O motivo disso somente Ele o sabe”.

“Tenho certeza de que Deus jamais deixa de favorecer as almas firmemente decididas a ser dele”.

“O caminho da cruz é o que Deus reserva aos seus escolhidos: quanto mais os ama, mais os sobrecarrega de tribulações”.

“Existem almas tão simples que nada sabem sobre os costumes e os assuntos do mundo, mas que, no entanto, muito entendem das relações com Deus”.

“A coragem em sofrer muito ou sofrer pouco está sempre na proporção do amor”.

“Quem pede a perfeição é inundado de tantas graças a ponto de atingir aquele elevado grau que é próprio dos que já alcançaram”.

“As cruzes dos contemplativos são muito pesadas, e o Senhor só as manda para as almas já provadas desde muito tempo”.

“Não há melhor meio para descobrir as insídias do demônio e obrigá-lo a dar-se a conhecer, do que o da oração”.

Santa Teresa de Jesus”As palavras de Deus fixam-se tão profundamente no espírito que não mais é possível esquecê-las, ao passo que aquelas do intelecto assemelham-se a um pensamento fugaz que subitamente se esvai da mente”.

“Ó Senhor! Como os cristãos pouco vos conhecem!”

“Almejemos e pratiquemos a oração já não para desfrutar, mas para ter a força de servir ao Senhor”.

“O proveito da alma não consiste em muito pensar mas em muito amar”.

“É uma grande virtude saber ter concórdia com todos e suportar-lhes os defeitos”.

“Achegando-nos do Santíssimo Sacramento com grande espírito de fé e de amor, creio que uma única comunhão é suficiente para deixar-nos ricas. O que dizer, então, de tantas que já recebemos?”

“O Senhor não se contenta em igualar os seus dons aos nossos modestos desejos”.

“O Senhor sabe o que cada pessoa pode fazer e, quando se encontra com uma alma forte, não cessa de impor nela a sua vontade”.

“Senhor, como são amenos os vossos caminhos! Mas, quem os palmilhará sem medo?”

“Gosto de insistir mais no exercício das virtudes, do que na prática das austeridades corporais”.

“Jamais me cansei em falar ou em ouvir falar de Deus: e isto desde que comecei a prática da oração”.

“A quantos tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente”.

“Quanto mais santas fordes, mais amáveis devereis mostrar-vos”.

“Como é bom o Senhor! Parece que se regozija em manifestar o seu poder, enaltecendo e enriquecendo com grandes favores almas tão mesquinhas como as nossas”.

“Conhecem-se melhor os mistérios concernentes à oração quando se examinam os efeitos e as obras que deles derivam: com efeito, não há têmpera melhor para prová-los”.

“Quando a alma está verdadeiramente ferida pelo amor de Deus, desvencilha-se sem nenhuma dor do amor das criaturas, isto é, ela não se sente prisioneira de nenhum afeto. Sem dúvida, a isso não se pode chegar sem o amor de Deus, porque as coisas criadas, se muito desejadas, causar-nos-iam sempre algum sofrimento, especialmente se quiséssemos abandoná-las, ao passo que, se o Senhor se apoderasse duma alma, esta acabaria dominando todas as criaturas”.

Santa Teresa de Jesus”Da mesma forma que no céu há muitas ocupações, também existem muitos caminhos para a oração”.

“Quem começou a rezar não deve interromper a oração, em que pesem os pecados cometidos. Com a oração poderá logo soerguer-se, ao passo que sem ela ser-lhe-á muito difícil. Não deixe que o demônio o tente a abandonar a oração por humildade”.

“A porta por onde me vieram tantas graças foi somente a oração: se ela estivesse fechada, eu não saberia de que outra maneira poderia recebê-las. Quando Deus quiser entrar numa alma para ali se deleitar e preenchê-la de bens, apenas esta possibilidade existe porque ele a quer sozinha, pura e desejosa de recebê-lo”.

“A companhia do bom Jesus é proveitosa demais para que nos afastemos dela, o mesmo acontece com a da sua Santíssima Mãe!”

“A alma deve abandonar-se nas mãos de Deus, para que Ele faça o que quiser dela. Ela deve esquecer-se de todos os seus interesses e fazer o possível para resignar-se à sua divina vontade”.

“Quem começa a servir verdadeiramente o Senhor, o mínimo que lhe pode oferecer é a própria vida”.

“O Senhor deve também vir em nosso socorro na proporção das fadigas que aguentamos por causa do seu amor. E visto que essas angústias são grandes, menores não devem ser as graças”.

“Não consigo compreender que haja ou possa haver humildade sem amor, e amor sem humildade. Mas nenhuma destas duas virtudes jamais poderá subsistir numa alma sem um profundo despego de todas as coisas”.

“Sem dúvida, não é preciso pedir a cruz, porque Deus, aos que Ele ama, a dá espontaneamente, como a deu a seu Filho”.

“Muitas vezes o Senhor permite uma queda a fim de manter a alma na mais profunda humildade. Se ela se arrepende e volta a Ele com sinceridade, mais progredirá, conforme sabemos de muitos santos”.

“Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém a cada um”.

“As coisas da alma sempre devem ser consideradas com amplitude, extensão e magnificência, sem medo de exagerar, porque a capacidade da alma ultrapassa toda humana imaginação”.

“Por mais profunda que seja, a verdadeira humildade nunca inquieta, nem agita, nem perturba a alma, mas a inunda de paz, de suavidade e de repouso”.

“Podemos considerar a nossa alma como um castelo incrustado num só diamante ou num cristal muito polido no qual há muitas moradas, como as que existem no céu”.

“Quem ama verdadeiramente o Senhor, gosta de tudo, quer tudo, louva tudo, favorece o que é bom e só anda na companhia dos bons para ajudá-los e defendê-los. Numa palavra só ama a verdade e o que é digno de ser amado”.

“Não creias que seja possível a quem ama verdadeiramente o Senhor, amar ao mesmo tempo as vaidades da terra”.

“Não há nada que se possa comparar com a grande beleza duma alma e com a sua imensa capacidade!”

“Jamais chegaremos a conhecer-nos, se juntos não procurarmos conhecer a Deus”.

“O único desejo ardente de quem quer entregar-se à oração deve ser o de fazer todo o possível para decidir-se e melhor dispor-se para conformar a sua própria vontade àquela de Deus”.

“Uma ou duas pessoas que digam a verdade valem mais do que muitas reunidas”.

“A oração mental não é senão uma íntima relação de amizade, um frequente entretenimento a sós com Aquele que sabemos nos amar”.

“O Senhor quer mostrar à alma que Ele pretende unir-se a ela numa amizade tão íntima de modo que, entre eles, não exista coisa alguma dividida”.

“Devemos guardar-nos em querer entender as coisas de Deus e procurar quais são as suas razões”.

“A alma que Deus expõe aos olhos do público deve se preparar para ser mártir do mundo: embora não queira morrer para o mundo, ele a fará fenecer”.

“Quando Deus assim o quer, nós só podemos estar sempre com Ele”.

“A dor pelos pecados cresce em proporção aos favores que o Senhor nos concede: e julgo que só desaparece quando coisa alguma pode suscitar compaixão”.

“O amor de Deus não está nos deleites espirituais, mas em estar firmemente resolvidos a contenta-lo em todas as coisas, tentando todo esforço para não ofendê-lo, e rezando pelo aumento da honra e da glória do seu Filho e pela exaltação da Igreja Católica”.

“Só porque derramamos muitas lágrimas, não devemos pensar que já alcançamos a perfeição. Antes, pratiquemos muitas obras e exercitemos a virtude, pois estas são as coisas que mais convém para o nosso caso”.

“A oração não é senão um fato de amor, e é insensato pensar que só se faz oração quando se dispõe de tempo e solidão”.

Santa Teresa de Jesus”Ó Senhor, experimento tanta alegria ao pensar que as minhas infidelidades fazem com que melhor conheça a vossa misericórdia, que sinto suavizar-se a dor pelas graves ofensas que vos fiz”.

“No nosso próximo, procuremos ver tão somente as virtuides e as boas obras e cubramos os seus defeitos considerando os nossos pecados”.

“Tenho como certo que uma alma de oração, que se entretenha com homens doutos, jamais será enganada pelo demônio, a não ser que deseje enganar-se a si mesma. O demôniotem muito medo da força interior humilde e virtuosa, por que sabe que seria descoberto e levaria a pior”.

“Deus tem cuidado dos nossos interesses muito mais do que nós mesmos, sabendo o que convém a cada um”.

“A todos que tudo abandonam por amor de Deus, Ele se entrega totalmente”.

“Em assunto de contemplação, muitas vezes Deus leva vinte anos para dar a alguém aquilo que a outros dá em apenas um ano. O motivo disso somente Ele o sabe”.

“Tenho certeza de que Deus jamais deixa de favorecer as almas firmemente decididas a ser dele”.

“O caminho da cruz é o que Deus reserva aos seus escolhidos: quanto mais os ama, mais os sobrecarrega de tribulações”.

“Quando é o coração que reza, Ele sem dúvida nos atende”.

“Existem almas tão simples que nada sabem sobre os costumes e os assuntos do mundo, mas que, no entanto, muito entendem das relações com Deus”.

“A coragem em sofrer muito ou sofrer pouco está sempre na proporção do amor”.

“Oração e maneiras sofisticadas não combinam”.

“Quanto mais santas fordes, mais afáveis devereis mostrar-vos”.

“As cruzes dos contemplativos são muito pesadas, e o Senhor só as manda para as almas já provadas desde muito tempo”.

“Não há melhor meio para descobrir as insídias do demônio e obrigá-lo a dar-se a conhecer, do que o da oração”.

“Muitas vezes, quando menos se pensa e sequer estamos preocupados com Deus, Sua Majestade agita a alma ugual a um relâmpago ou semelhante a um cometa que passa rapidamente”.

“O Senhor dirige cada pessoa segundo o que julga ser melhor”.

“Não há nada mais útil e mais agradável a Deus do que esquecermo-nos de nós mesmos, dos nossos interesses, das nossas satisfações pessoais, para ocuparmo-nos da sua honra e da sua glória”.

“Deus distribui os seus bens como quer, quando quer e a quem quer, sem fazer discriminação com ninguém”.

“É um fato que, embora saibamos que estamos sempre na presença de Deus, muitas vezes negligenciamos em pensar nisso”.

“Ele exige que nada reserveis. Seja pouco ou muito o que tendes. Ele quer tudo para si: por maiores ou menores que sejam as graças que tiverdes, sempre serão, porém, em proporção com aquilo que houverdes dado. Para saber se a nossa oração chega ou não à unificação não há prova melhor”.

“A vida é longa e é tão cheia de tribulações que para suportá-las com perfeição sempre é preciso considerar como as assimilaram Cristo, nosso modelo, os seus Apóstolos e os Santos”.

“Rezar pelos que estão em pecado mortal é uma esmola muito grande”.

“Ó Senhor! Em que angústias colocais quem vos ama! No entanto, tudo é pouco diante da maneira com que logo o favoreces”.

“No dia de Ramos, acabando de comungar, entrei em grande suspensão, de modo que nem podia engolir a Espécie, e, tendo-a na boca, senti verdadeiramente, ao voltar um pouco a mim, que toda ela se enchera de sangue”.

“A humildade é o alicerce do edifício, e o Senhor nunca o elevará demasiado, se dita virtude não for verdadeiramente sólida”.

“Almejemos e pratiquemos a oração já não para desfrutar, mas para ter a força de servir ao Senhor”.

“O proveito da alma não consiste em muito pensar mas em muito amar”.

“É uma grande virtude saber ter concórdia com todos e suportar-lhes os defeitos”.

“Em matéria de fé, eu morreria mil vezes do que me oporia a qualquer coisa da Igreja ou a qualquer verdade da Sagrada Escritura”.

“O Senhor quer obras. Por exemplo, deseja que não te preocupes em perder aquela aquela devoção para consolar uma doente a quem vês que podes servir de alívio, fazendo teu o seu sofrimento, jejuando, se preciso for, para dar-lhe de comer; e isso não tanto por ela, mas porque sabes que esta é a vontade de Deus. Eis em que consiste a verdadeira união com a vontade de Deus”.

“Se avançarmos com humildade, a misericórdia de Deus nos servirá sempre de ajuda”.

“Jamais se peca sem sabê-lo”.

“O espírito de Deus – se verdadeiro – sempre produz humildade”.

“Somente o amor dá valor às obras”.

“Depois disso, ao me aproximar para comungar, eu me lembrava da imensa Majestade que vira e me dava conta de que era Ele que estava no Santíssimo Sacramento, o que fazia os meus cabelos arrepiarem e me dava a impressão de estar toda desfeita”.

“Podemos suportar qualquer luta ou inquietação, quando nos encontramos em paz intimamente”.

“Quanto mais as almas se adiantam na oração e mergulham em maiores delícias com Deus, mais se dedicam às necessidades do próximo, especialmente às carências daquelas que parecem estarem preparadas a sacrificar mil vidas conquanto arranquem uma só do pecado mortal”.

“O Senhor não se contenta em igualar os seus dons aos nossos modestos desejos”.

“Amor e temor a Deus! É dizer pouco? São dois castelos fortes a partir dos quais se faz guerra ao mundo e aos demônios”.

“Não posso deixar de crer que é por falta de humildade que algumas pessoas tanto se afligem por causa das insensibilidades que sofrem”.

“O Senhor sabe o que cada pessoa pode fazer e, quando se encontra com uma alma forte, não cessa de impor nela a sua vontade”.

“Quanto mais recebe, mais é obrigado a dar. E então, que podemos nós fazer por um Deus tão generoso que chegou a morrer por nós, que nos criou e nos conserva a vida, senão retribuir, ao menos em parte, o muito que lhe devemos em vista dos grandes serviços que nos prestou?”

“O Senhor nos ama mais do que nós mesmos nos amamos”.

“Quem não ama o próximo não vos ama, pois Vós, meu Senhor, como sabemos, demonstraste vosso amor pelos pobres filhos de Adão com toda a efusão do vosso sangue”.

“Jesus só quer a nossa amizade”.

“Os sofrimentos são premiados com o amor de Deus. Em consequência, quem os anseia, se valem tamanho preço?”

“Ei-lo aqui, sem sofrimento, cheio de glória, confortando uns, animando outros, antes de subir aos céus, nosso companheiro no Santíssimo Sacramento, porque parece que Ele não poderia afastar-se um momento de nós”.

“Oh, não entendemos que o pecado é uma guerra campal de todos os sentidos e faculdades da alma contra Deus!”

“Até então eu estava muito contente, porque é para mim um grandíssimo consolo ver uma igreja mais onde esteja o Santíssimo Sacramento. Mas a minha alegria durou pouco. Terminada a missa, fui a uma janela e olhei o pátio; não havia paredes sem partes desmoronadas”.

Contemplar Nossa Senhora das Dores aos pés da Cruz

Sexta-feira, 15 de setembro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou força e coragem de Nossa Senhora das Dores, que permaneceu aos pés da cruz, não renegou seu Filho

“Jesus é o vencedor, mas sobre a Cruz, sobre a Cruz. É uma contradição (…) É preciso fé para entender, pelo menos para se aproximar deste mistério”, explica Papa / Foto: L’Osservatore Romano

O primeiro compromisso do Papa Francisco na manhã desta sexta-feira, 15, foi a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Pontífice convidou os fiéis a contemplarem Nossa Senhora das Dores, aos pés da Cruz, no dia em que a Igreja recorda a sua memória:

“Contemplar a Mãe de Jesus, contemplar este sinal de contradição, porque Jesus é o vencedor, mas sobre a Cruz, sobre a Cruz. É uma contradição, não se compreende… É preciso fé para entender, pelo menos para se aproximar deste mistério”.

Maria sabia disso e “toda a vida viveu com a alma transpassada”. Seguia Jesus e ouvia os comentários das pessoas, às vezes a favor, às vezes contra, mas sempre esteve atrás de seu Filho. E “por isso dizemos que é a primeira discípula”, destacou Francisco.

Maria tinha a inquietação que fazia nascer no seu coração este “sinal de contradição”.

No final, ficava ali, em silêncio, sob a Cruz olhando o Filho. Talvez, ouvia comentários do tipo: “Olha, aquela é a Mãe de um dos três delinquentes”. Mas Ela “mostrou o rosto pelo Filho”:

“Aquilo que digo agora são pequenas palavras para ajudar a contemplar, em silêncio, este mistério. Naquele momento, Ela deu à luz a todos nós: deu à luz a Igreja. ‘Mulher’ – Lhe diz o Filho – ‘eis os teus filhos’. Não diz ‘mãe’: diz ‘mulher’. Mulher forte, corajosa; mulher que estava ali para dizer: ‘Este é meu Filho: não O renego’”.

Portanto, o trecho do Evangelho é mais para contemplar do que para refletir. “Que seja o Espírito Santo – conclui – a dizer a cada um de nós aquilo de que precisamos”.

São Roberto Belarmino – 17 de Setembro

PAPA BENTO XVI / AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Queridos irmãos e irmãs,

São Roberto Belarmino, de quem desejo falar-vos hoje, leva-nos com a memória ao tempo da dolorosa cisão da cristandade ocidental, quando uma grave crise política e religiosa provocou a separação de nações inteiras da Sé Apostólica.

Nasceu a 4 de Outubro de 1542 em Montepulciano, nos arredores de Sena, e era sobrinho por parte da mãe do Papa Marcelo II. Recebeu uma excelente formação humanística antes de entrar na Companhia de Jesus, a 20 de Setembro de 1560. Os estudos de filosofia e teologia, que completou entre o Colégio Romano, Pádua e Lovaina, centrados sobre s. Tomás e os Padres da Igreja, foram decisivos para a sua orientação teológica. Ordenado sacerdote a 25 de Março de 1570, foi durante alguns anos professor de teologia em Lovaina. Sucessivamente, tendo sido chamado a Roma como professor no Colégio Romano, foi-lhe confiada a cátedra de «Apologética»; na década em que desempenhou tal cargo (1576–1586), elaborou um curso de lições que depois confluíram nas Controversiae, obra que se tornou imediatamente célebre pela clareza e riqueza de conteúdo e pela sua tonalidade predominantemente histórica. O Concílio de Trento tinha terminado há pouco tempo e para a Igreja católica era necessário revigorar e confirmar a sua identidade, também em relação à Reforma protestante. A obra de Belarmino inseriu-se neste contexto. De 1588 a 1594 foi inicialmente padre espiritual dos estudantes jesuítas do Colégio Romano, entre os quais encontrou e orientou são Luís Gonzaga, e depois superior religioso. O Papa Clemente VIII nomeou-o teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e reitor do Colégio dos Penitenciários da Basílica de São Pedro. Ao biénio de 1597–1598 remonta o seu catecismo, Doutrina cristã breve, que foi a sua obra mais popular.

No dia 3 de Março de 1599 foi criado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, a 18 de Março de 1602, nomeado arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal em 21 de Abril desse mesmo ano. Durante os três anos em que foi bispo diocesano, distinguiu-se pelo zelo de pregador na sua catedral, pela visita que realizava semanalmente às paróquias, pelos três Sínodos diocesanos e um Concílio provincial que promoveu. Depois de ter participado nos conclaves que elegeram Papas Leão XI e Paulo V, foi novamente chamado a Roma, para ser membro das Congregações do Santo Ofício, para o Índex, os Ritos, os Bispos e a Propagação da Fé. Desempenhou inclusive funções diplomáticas, junto da República de Veneza e da Inglaterra, em defesa dos direitos da Sé Apostólica. Nos seus últimos anos, compôs vários livros de espiritualidade, nos quais condensou o fruto dos seus exercícios espirituais anuais. Com a sua leitura o povo cristão ainda hoje se sente muito edificado. Faleceu em Roma, no dia 17 de Setembro de 1621. O Papa Pio XI beatificou-o em 1923, canonizou-o em 1930 e proclamou-o Doutor da Igreja em 1931.

São Roberto Belarmino desempenhou um papel importante na Igreja das últimas décadas do século XVI e do início do século seguinte. As suas Controversiae constituem um ponto de referência, ainda hoje válido, para a eclesiologia católica sobre as questões relativas à Revelação, à natureza da Igreja, aos Sacramentos e à antropologia teológica. Nelas é acentuado o aspecto institucional da Igreja, por causa dos erros que então circulavam a propósito de tais questões. Todavia, Belarmino esclareceu também os aspectos invisíveis da Igreja como Corpo místico e explicou-os com a analogia do corpo e da alma, com a finalidade de descrever a relação entre as riquezas interiores da Igreja e os aspectos exteriores que a tornam perceptível. Nesta obra monumental, que procura sistematizar as várias controvérsias teológicas dessa época, ele evita toda a abordagem polémica e agressiva em relação às ideias da Reforma, mas utilizando os argumentos da razão e da Tradição da Igreja, ilustra a doutrina católica de modo claro e eficaz.

Todavia, a sua herança consiste no modo como concebeu o seu trabalho. Com efeito, as gravosas funções de governo não o impediram de tender, quotidianamente, para a santidade com a fidelidade às exigências da própria condição de religioso, sacerdote e bispo. É desta fidelidade que provém o seu compromisso na pregação. Dado que, como sacerdote e bispo, é antes de tudo um pastor de almas, sentia o dever de pregar assiduamente. Pregou centenas de sermones — homilias — na Flandres, em Roma, em Nápoles e em Cápua, por ocasião das celebrações litúrgicas. Não menos abundantes são as suas expositiones e as explanationes aos párocos, às religiosas e aos estudantes do Colégio Romano, que têm com frequência como objecto a Sagrada Escritura, especialmente as Cartas de são Paulo. A sua pregação e as suas catequeses apresentam aquela mesma índole de essencialidade, que tinha aprendido da educação inaciana, inteiramente destinada a concentrar as forças da alma sobre o Senhor Jesus, intensamente conhecido, amado e imitado.

Nos escritos deste homem de governo sente-se de modo muito claro, apesar da reserva por detrás da qual ele esconde os seus sentimentos, o primado que ele assegura aos ensinamentos de Cristo. Assim, são Roberto Belarmino oferece um modelo de oração, alma de todas as actividades: uma oração que ouve a Palavra do Senhor, que se satisfaz ao contemplar a sua grandeza, que não se fecha em si mesma, mas tem a alegria de se abandonar a Deus. Um sinal distintivo da espiritualidade de Belarmino é a percepção viva e pessoal da imensa bondade de Deus, pelo que o nosso santo se sentia verdadeiramente filho amado de Deus e o recolher-se com serenidade e simplicidade, em oração, em contemplação de Deus era para ele fonte de grande alegria. No seu livro De ascensione mentis in Deum — Elevação da mente a Deus — composto segundo o esquema do Itinerarium de são Boaventura, exclama: «Ó alma, o teu exemplar é Deus, beleza infinita, luz sem sombras, esplendor que supera aquele da lua e do sol. Eleva os olhos a Deus, em quem se encontram os arquétipos de todas as coisas e do qual, como de uma fonte de fecundidade infinita, deriva esta variedade quase infinita das coisas. Portanto, deve concluir: quem encontra Deus, encontra tudo; quem perde Deus, perde tudo».

Neste texto sente-se o eco da célebre contemplatio ad amorem obtineundum — contemplação para alcançar o amor — dos Exercícios espirituais de santo Inácio de Loyola. Belarmino, que vive na sociedade opulenta e frequentemente malsã do último período do século xvi e do primeiro período do século XVII, desta contemplação haure aplicações práticas e projecta a situação da Igreja do seu tempo com um vigoroso ímpeto pastoral. No livro De arte bene moriendi — A arte de morrer bem — por exemplo, indica como norma segura do bom viver, e também do bom morrer, a meditação frequente e séria, de que se deverá prestar contas a Deus das próprias acções e do próprio modo de viver, e procurar não acumular riquezas nesta terra, mas viver com simplicidade e com caridade, de maneira a acumular bens no Céu. No livro De gemitu columbae — O gemido da pomba, onde a pomba representa a Igreja — exorta com força o clero e todos os fiéis a uma reforma pessoal e concreta da própria vida, seguindo aquilo que ensinam a Escritura e os Santos, entre os quais em particular são Gregório de Nazianzo, são João Crisóstomo, são Jerónimo e santo Agostinh, além dos grandes fundadores de Ordens religiosas, como são Bento, são Domingos e são Francisco. Belarmino ensina com grande clareza e com o exemplo da sua própria vida, que não pode haver uma verdadeira reforma da Igreja, se antes não houver a nossa reforma pessoal e a conversão do nosso coração.

Dos Exercícios espirituais de santo Inácio, Belarmino hauria conselhos para comunicar de modo profundo, até aos mais simples, a beleza dos mistérios da Fé. Ele escreve: «Se tens sabedoria, compreendes que foste criado para a glória de Deus e para a tua salvação eterna. Esta é a tua finalidade, este é o centro da tua alma, este é o tesouro do teu coração. Por isso, considera verdadeiro bem para ti aquilo que te conduz para o teu fim, e verdadeiro mal aquilo que te priva dele. Acontecimentos prósperos ou adversos, riquezas e pobrezas, saúde e doença, honras e ofensas, vida e morte, o sábio não deve procurá-los nem rejeitá-los para si mesmo. Mas só são bons e desejáveis, se contribuírem para a glória de Deus e para a tua felicidade eterna; são maus e devem ser evitados, se a impedirem» (De ascensione mentis in Deum, grad. 1).

Obviamente, não se trata de palavras que passaram de moda, mas palavras que hoje devemos meditar prolongadamente, para orientar o nosso caminho nesta terra. Elas recordam-nos que a finalidade da nossa vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, em quem Ele continua a chamar-nos e a prometer-nos a comunhão com Ele. Estas palavras recordam-nos a importância de confiar no Senhor, de levar uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com a fé e com a oração todas as circunstâncias e todas as obras da nossa vida, sempre orientados para a união com Ele. Amém!

 

São Roberto Belarmino: um jesuíta vestido de púrpura

Sua viva fé e profunda sabedoria foram de incalculável valor para a Igreja. Se considerável parte da Áustria e da Alemanha ainda hoje permanece católica, deve-se, em boa medida, ao apostolado  deste filho de Santo Inácio.  

Apesar de haver ele disposto no testamento que seus funerais fossem sóbrios, como correspondia a um membro da Companhia de Jesus, quis o Papa Gregório XV dar grande solenidade às exéquias daquele Cardeal que tanto bem fizera à Igreja de Cristo.

Revestido da púrpura recebida havia 22 anos, o corpo de Sua Eminência foi velado na igreja da Casa Professa dos Jesuítas, onde o povo se aglomerara para lhe prestar a última homenagem. Tornou-se necessário recorrer a uma guarda a fim de evitar a indiscreta devoção dos presentes.

Todo o Sacro Colégio participou dos ofícios, e o registro do Consistório lavrou ata da sua morte nos seguintes termos: “Esta manhã, 17 de setembro de 1621, à hora duodécima, o Reverendíssimo Senhor Belarmino, Cardeal Presbítero, de Montepulciano, passou desta região de morte para a morada dos vivos. Era um homem notabilíssimo, teólogo eminente, intrépido defensor da Fé Católica, martelo dos hereges, tão piedoso, prudente e humilde, como caridoso para com os pobres. O Sacro Colégio e toda a Corte Romana sentiram e choraram vivamente a morte de tão grande homem”.1   Palavras breves e significativas, carregadas do sabor da época, bem sintetizam elas o sentir do povo romano em relação  esse Cardeal de quem afirmavam, ao vê-lo passar: “Ecco il santo! – Eis o santo!”.

Precoce no estudo e na pregação  
Roberto Francesco Romolo Belarmino nasceu em Montepulciano, na Toscana, em 4 de outubro de 1542. O pai, Vincenzo Belarmino, de nobreza empobrecida, ocupara durante muitos anos o cargo de governador da cidade. A mãe, Cinzia Cervini, era irmã do futuro Papa Marcelo II que governou a Igreja durante apenas 22 dias, em abril de 1555.

Desde cedo se aplicou aos estudos, aprendendo com facilidade tudo a que se dedicava, inclusive a música. Mas encantava-lhe também visitar o Santíssimo Sacramento, e, apesar da pouca idade, observava os jejuns do Advento e da Quaresma.

Encontro com a vocação religiosa  
Aos catorze anos ingressou ele no colégio da Companhia de Jesus, onde começou a despontar sua vocação de grande pregador e polemista. Um pequeno episódio da época ilustra esse pendor.

Espalharam pela cidade boatos caluniosos, sobre a qualidade do ensino ministrado nesse colégio, que deixaram Roberto indignado. Para acabar com eles de vez, tomou alguns dos seus companheiros e desafiou para um debate público os melhores alunos das outras instituições de ensino. No dia combinado, coube-lhe fazer o discurso de abertura, na sala do município, onde se deu o evento. A vitória dos estudantes jesuítas foi estrondosa!

Com a palavra fácil, raciocínio metódico e lógico, e, sobretudo, piedade sincera, o jovem santo passou a ser convidado para pregar em retiros e outros eventos. O sucesso batia-lhe às portas. Sendo, ademais, sobrinho de um Papa, embora de reinado efêmero, cresciam no pai as esperanças de vê-lo levantar o nome da família, quiçá como destacado membro da corte pontifícia…

Porém, Roberto media bem os perigos da dourada ascensão que se apresentava diante dele: “Estando durante muito tempo pensando na dignidade a que podia aspirar, me veio de modo insistente a brevidade das coisas temporais. Impressionado com estes sentimentos, cheguei a conceber um horror desta vida e determinei buscar uma ordem religiosa na qual não houvesse perigo de tais dignidades”.2

Tomou, então, a resolução de fazer-se jesuíta.

Primeiros anos na Companhia de Jesus  
Vencidas as resistências paternas e após um ano de prova na própria cidade natal, foi transferido para Roma, onde fez os votos de devoção na Companhia e começou a estudar filosofia no Colégio Romano.

Apesar de ter compleição débil e enfermiça, sua inteligência era agudíssima. Possuía, ademais, uma memória tão privilegiada que lhe bastava uma simples leitura para reter o conteúdo de um livro. Assim, marcantes foram os êxitos acadêmicos.

Na defesa de sua tese de filosofia, salientou-se pela segurança e clareza de raciocínio com que expôs a matéria e respondeu às objeções propostas. Isso lhe valeu o cargo de professor de Humanidades no Colégio de Florença, apesar de seus 21 anos.

Além das aulas, recebeu também a incumbência de pregar aos domingos e dias santos diante de prelados e eclesiásticos, bem como do escol intelectual da cidade. Os categorizados ouvintes admiravam-se, mais do que por sua eloquência, por vê-lo praticar de forma coerente aquilo mesmo que lhes pregava nos sermões.

Doze meses depois, o jovem Roberto foi enviado como professor de retórica a Mondovi, onde permaneceu durante três anos. Ao ouvir ali uma das suas pregações, o Padre Provincial o encaminhou a Pádua, para os estudos de Teologia, a fim de receber as ordens maiores.

Em vista dos rápidos progressos que lá fizera, São Francisco de Borja, então Superior Geral, determinou sua ida para Lovaina, onde se precisava de homens de talento para defender o “Depósito da Fé”, fortemente questionado na época pelos intelectuais luteranos.

Exímio pregador, embora ainda sem estola  
Localizada a menos de vinte quilômetros de Bruxelas – próxima, portanto, de vários Estados que aderiram às teses de Lutero -, era a Universidade de Lovaina um baluarte da verdadeira doutrina. A ela chegou Roberto para permanecer dois anos, os quais se transformaram em sete, segundo a previsão que ele mesmo fizera.

Pequeno de estatura, o jovem jesuíta era um gigante no púlpito. Aos domingos, pregava em latim na igreja do ateneu, repleta de um público habituado a escutar com espírito crítico os mais doutos pregadores.

Preciosos foram os frutos desses sermões: católicos hesitantes eram confirmados na Fé, numerosos jovens consagravam-se ao serviço de Deus, muitos protestantes se convertiam. Não faltavam entre eles os que, vindos da Holanda ou da Inglaterra para ouvi-lo e refutar-lhe os argumentos, retornavam arrependidos.

Em Gante, a 25 de março de 1570, recebeu Roberto o presbiterato.

O período mais fecundo de sua vida  
Renhidas polêmicas marcavam a época. Os problemas levantados pelos protestantes levaram o padre Belarmino a estudar o hebraico, a fim de adquirir uma segurança exegética ainda maior. Chegou a compor, para seu uso, uma gramática dessa língua, que acabou sendo também de grande ajuda para seus alunos.

São Roberto estudou ainda, com afinco, os Padres da Igreja, os Doutores, Papas, Concílios e a História da Igreja. Aparelhou-se, assim, para uma forma de ensino sólida, orientada para um gênero de apologética na qual os erros eram sempre impugnados com respeito e prudência.

Foi o período mais fecundo de sua vida. As principais universidades da Europa, inclusive a de Paris, disputavam-no como professor de Teologia. Até mesmo São Carlos Borromeu chegou a solicitá-lo para Milão. Contando apenas 30 anos de idade, arcava com imensas responsabilidades pastorais e acadêmicas, as quais desempenhava com virtude e talento. Isso levou os superiores a adiantarem sua profissão solene.

Controvérsias: a “Summa” de Belarmino  
Algum tempo mais tarde, a Santa Obediência o fez retornar à Cidade Eterna. Gregório XIII fundara no Colégio Romano uma cátedra de apologética chamada Controvérsias, com o objetivo de ensinar a verdadeira doutrina contra os erros que pululavam nos centros universitários de então. São Roberto encarregou- se dela por doze anos, durante os quais refutou primorosamente as objeções dos protestantes. Seus ensinamentos durante esse longo período foram compilados, por ordem dos seus superiores, na monumental obra Controvérsias.

Considerada a “Summa” de Belarmino, ela foi acolhida com grande entusiasmo e traduzida para quase todas as línguas europeias. São Francisco de Sales, o grande Bispo de Genebra, afirmou ter pregado por cinco anos contra os calvinistas em Chablais, usando apenas a Bíblia e as Controvérsias de Belarmino.

Até mesmo os protestantes deram testemunho da eficácia e valor desta obra. Guiène reconheceu valer o santo jesuíta, por si só, por todos os doutores católicos. Bayle confessou não ter havido nenhum autor que tenha sustentado melhor a causa da Igreja. E ficou célebre a confidência do sucessor de Calvino, Théodore de Bèze, ao desabafar com seus amigos, batendo com a mão nas Controvérsias: “Eis o livro que nos deitou a perder”.3

Assim, a fé viva e a profunda sabedoria do santo, bem como seu método tomista de argumentar – começando sempre por expor com imparcialidade as razões e argumentos apresentados pela parte contrária -, foram de incalculável valor para a defesa da Igreja. Se a maior parte da Áustria e quase um terço da Alemanha ainda hoje permanecem católicos, podemos afirmar dever-se, em boa medida, ao apostolado de São Roberto Belarmino.

“‘Ó! Se soubésseis quantos filhos restituístes a Cristo!’, escrevia–lhe o Duque Guilherme da Baviera, ao pedir-lhe licença de traduzir as ‘Controvérsias'”.4

Amizade e admiração entre santos  
Naquele período conturbado para a Igreja, muitos foram os jesuítas que praticaram a virtude em grau heroico, merecendo ser elevados à honra dos altares. Com alguns deles teve São Roberto um trato mais estreito.

Sendo diretor espiritual do Colégio Romano, coube-lhe ser confessor de São Luís Gonzaga, que o admirava como a um Anjo. Aquele, por sua vez, dizia nunca haver tratado com alma tão pura e delicada quanto a deste jovem.

Mais tarde, durante uma visita como provincial ao colégio de Lecce, no sul da Itália, conheceria São Bernardino Realino. Quando os dois jesuítas se encontraram, caíram de joelhos, um diante do outro, e se abraçaram. “Um grande santo nos deixou”5- disse São Bernardino quando partiu o superior. Ambos jesuítas, unidos desde aquele momento por uma amizade toda sobrenatural, veneravam-se mutuamente como santos.

Cardeal em nome da Santa Obediência
A fecunda atuação de São Roberto Belarmino na Cidade Eterna não se circunscrevia ao Colégio Romano, do qual passaria, em 1592, a ser Reitor. Entre outros encargos, foi ele teólogo do Papa Clemente VIII, consultor do Santo Ofício e teólogo da Penitenciária Apostólica. Fez também parte da comissão encarregada de preparar a edição clementina da Vulgata, versão oficial da Bíblia para o rito latino até 1979, quando foi substituída pela Neovulgata.

Sua nomeação como Cardeal era inevitável. Ele, porém, recusava-se a aceitar o cargo, alegando incompatibilidade com seus votos. Mas o Papa Clemente VIII o obrigou a aceitar em nome da Santa Obediência, afirmando: “Nós o elegemos porque não há na Igreja de Deus outro que lhe equipare em ciência e sabedoria”.6

Com o mesmo espírito religioso, desinteresse e abnegação que o caracterizaram até aquele momento, dedicou-se aos trabalhos, muitas vezes espinhosos, exigidos aos prelados romanos. Mas em 1602, Clemente VIII o liberou da pesada carga nomeando-o Arcebispo de Cápua, conferindo-lhe ele mesmo a ordenação episcopal.

À frente da Arquidiocese de Cápua  
Gozando já em vida de fama de santidade, o Cardeal Belarmino foi recebido na catedral com grande pompa e enorme concurso de fiéis, que tocavam nele medalhas e terços.

Seu governo começou por uma reforma geral do clero. Entrevistou-se em particular com cada um dos presbíteros, usando de bondade e firmeza evangélica para com os transviados. Manifestava-se disposto a perdoar os mais graves pecados aos arrependidos, mas mantinha uma inflexibilidade completa para com os recalcitrantes: aut vitam aut habitum – ou mudança de vida ou de hábito.

Na catedral, deu nova vida ao coro, participando ele próprio da recitação do Ofício. Dedicou-se com frequência à pregação, como era seu costume, usando deste meio para converter as almas. Visitou também todo o território da arquidiocese, estimulando a piedade dos fiéis e ajudando a reerguer os conventos decadentes. Mas, como bom filho de Santo Inácio, dava particular importância à formação: ele próprio ensinava o Catecismo nas paróquias e na catedral, aos domingos.

No meio de todas essas ocupações, sua vida espiritual era uma obra-prima de serenidade. Conseguia organizar seu tempo de modo a encontrar momentos para pensar, meditar, rezar, estudar, escrever, sem descuidar as obrigações para com seu rebanho. Pelo contrário, era do recolhimento e da oração que hauria as forças para a ação pastoral.

Que linda ilustração da tese de D. Chautard: o apostolado é o transbordamento da vida interior!

Eleição do novo Papa
Agrave; morte de Clemente VIII, o Cardeal Belarmino regressou a Roma para participar de um Conclave, pela primeira vez. O papa eleito foi Leão XI, falecido menos de um mês depois.

No segundo Conclave, São Roberto chegou a ter um bom número de votos. Mas, assim como recusara as honras de Cardeal, revela em sua Autobiografia haver pedido a Deus, naqueles dias, que fosse escolhido alguém mais apto, rezando com insistência: “Do Papado, livrai-me, Senhor!”.7

Eleito Paulo V, este o trouxe para junto de si, fazendo-o deixar definitivamente a Arquidiocese de Cápua. Ainda dezesseis anos passaria em Roma, desempenhando os mais altos cargos a serviço da Santa Sé e intervindo nos assuntos mais importantes, para cuja resolução exercia o seu parecer uma influência decisiva.

Serenidade na vida e na morte  
Ao sentir se aproximar a morte, São Roberto pediu ao recém-eleito Papa Gregório XV dispensa de todos os seus cargos na Cúria e retirou–se para o Noviciado de Santo André, no Quirinal, a fim de “esperar o Senhor”, como costumava dizer.

Ele chegou em 17 de setembro de 1621. Depois de curta enfermidade, tendo recebido a visita de muitas pessoas ilustres – incluindo o próprio Papa -, que lhe pediam um último conselho ou uma bênção, despediu-se desta terra com uma sereníssima morte.

Pio XI o canonizou em 29 de junho de 1930, e o declarou Doutor da Igreja no ano seguinte. Aquele que, durante a vida, com tanto empenho fugira de honras e dignidades, tornava-se assim o único jesuíta inscrito na lista dos santos como Cardeal e como Bispo.

(Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP; Revista Arautos do Evangelho, Set/2010, n. 105, p. 30 à 33)

Hino ao Espírito Santo, de Edith Stein

Num clima místico, poucos meses antes da sua deportação para Auschwitz, nasce uma das mais belas orações de Edith Stein, Santa Benedita da Cruz. Um hino ao Espírito Santo. Foi o seu «último pentecostes»

I
Quem és tu, Doce luz que me preenche e
ilumina a obscuridade do meu coração?
Conduzes-me como a mão de uma mãe
E se me soltasses, não saberia nem dar mais um passo.
És o espaço que envolve todo meu ser e o encerra em si.
Se Fosse abandonado por ti cairia no abismo do nada, de onde tu o elevas ao Ser.
Tu, mais próximo de mim que eu mesmo e mais íntimo que minha intimidade,
E, sem dúvida, permaneces inalcançável e incompreensível,
E que faz brotar todo nome:
Espírito Santo — Amor eterno!

II
Não és Tu O doce maná que do coração do Filho flui para o meu,
alimento dos anjos e dos bem aventurados?
Aquele que da morte à vida se elevou,
Também a mim despertou a uma nova vida
Do sono da morte. E nova vida me doa
Dia após dia. E um dia me cumulará de plenitude.
Vida de minha Vida.
Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, – Vida Eterna!

III
Tu és o raio que cai do Trono do Juiz eterno e irrompe na noite da alma,
que nunca se conheceu a si mesma?
Misericordioso e impassível penetras nas profundezas escondidas.
Se ela se assusta ao ver-se a si mesma,
Concedes lugar ao santo temor, princípio de toda sabedoria que vem do alto,
e no alto com firmeza nos unes à tua obra, que nos faz novos,
Espírito Santo — Raio penetrante!

IV
Tu és a plenitude do Espírito e da força com a qual o Cordeiro
rompe o selo do segredo eterno de Deus?
Impulsionados por ti os mensageiros do Juiz cavalgam pelo mundo e
com espada afiada separam o reino da luz do reino da noite.
Então surgirá um novo céu
E uma nova terra, e tudo retorna ao seu justo lugar graças a teu alento:
Espírito Santo — Força triunfante!

V
Tu és o mestre construtor da catedral eterna que se eleva da terra aos céus?
Por ti vivificadas as colunas se elevam
Para o alto e permanecem imóveis e firmes.
Marcadas com o nome eterno de Deus se elevam para a luz sustentando a cúpula,
que cobre, qual coroa, a santa catedral, tua obra transformadora do mundo,
Espírito Santo — Mão criadora!

VI
Tu és quem criou o claro espelho,
Próximo ao trono do Altíssimo, como um mar de cristal aonde a divindade se contempla amando?
Tu te inclinas sobre a obra mais bela da criação, e resplandecente te ilumina com teu mesmo esplendor.
E a pura beleza de todos os seres,
Unida à amorosa figura da Virgem, tua esposa sem mancha:
Espírito Santo — Criador do Universo!

VII
Tu és o doce canto do amor e do santo recato,
que eternamente ressoa diante do trono da Trindade,
e desposa consigo os sons puros de todos os seres?
A harmonia que une os membros com a Cabeça,
onde cada um encontra feliz o sentido secreto de seu ser,
e jubilante irradia, livremente desprendido em teu fluir:
Espírito Santo — Júbilo eterno!

Santa Benedita da Cruz
In Pátio dos Gentios © SNPC | 29.05.12

FONTE:  http://www.snpcultura.org/hino_ao_Espirito_Santo_edith_stein.html (Site de Portugal).

 

10 Ensinamentos de Santa Edith Stein

“Judia, filósofa, religiosa, mártir — como foi afirmado por João Paulo II no dia da Beatificação, a 1 de Maio de 1987, em Colônia — a Beata Edith Stein [agora, santa] representa a síntese dramática das feridas do nosso século. E, ao mesmo tempo, proclama a esperança de que é a cruz de Jesus Salvador que ilumina a história”.

Conheça algum dos ensinamentos deixados por ela:

1. “Quanto mais alguém está imerso em Deus tanto mais deve sair de si, isto é, ir para o mundo a fim de levar a este a vida divina”.

2. “A Igreja é inabalável justamente porque une a absoluta defesa da verdade eterna a uma inigualável elasticidade em adaptar-se às situações e exigências de cada tempo”.

3. “O lugar de cada um de nós depende unicamente da nossa vocação. A vocação não se encontra simplesmente depois de ter refletido e examinado os vários caminhos: é uma resposta que se obtém com a oração”.

4. “Debaixo da cruz, compreendi a sorte do povo de Deus…”.

5. “Quanto mais escuridão se faz ao nosso redor, mais devemos abrir o coração à luz que vem do alto”.

6. “Uma coisa é certa, que vivamos no momento e no lugar presentes para alcançar a nossa salvação e a daqueles que nos foram confiados”.

7. “Há circunstâncias em que nos entendemos mais facilmente sem palavras”.

8. “O que conhecemos de nós mesmos não é senão superfície. A profundidade permanece-nos em grande parte oculta. Só Deus a conhece”.

9. “O que vale a pena possuir, vale a pena esperar”.

10. “Responder o chamado de Deus é sempre uma aventura, mas vale a pena correr o risco”.

Nossa Senhora do Carmo

Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas.
O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251.
Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas.
O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje, 16 de Julho, celebra a Igreja a festa de Nossa Senhora do Monte Camelo, comumente conhecida como Nossa Senhora do Carmo. A Virgem Maria é conhecida na Sagrada Escritura como “aquela que recebia a Palavra de Deus”, não apenas na Escritura, mas em colóquio com seu próprio Filho e a meditava em seu coração.  Os primeiros carmelitas que resolveram viver uma vida contemplativa no alto do Monte Carmelo tomaram-na como sua padroeira, mãe e mestra na vida espiritual.  De Maria nós conhecemos pouquíssimo; no entanto, existem silêncios que são muito mais eloqüentes do que livros inteiros.  Maria meditava silenciosamente, ruminava diariamente a palavra de Deus e é isto que desejam fazer na Igreja os carmelitas e as carmelitas. Este estilo de vida todo contemplativo, debruçado sobre a Palavra de Deus, a partir da qual se faz o que hoje, após o Concilio Vaticano II e a constituição Dei Verbum chama-se lectio divina, é o que a Igreja espera que esta família carmelitana ofereça aos seus irmãos na fé. A Igreja católica tem necessidade urgente de viver o primado da escuta da Palavra sobre suas múltiplas atividades.  Infelizmente nossas paróquias muitas vezes pecam por excesso de atividades, relegando em segundo plano a vida espiritual – entendendo-se por vida espiritual a vida sob a guia e a iluminação do Espírito Santo. A Virgem Maria do Monte Carmelo, hoje por todos nós invocada, gostaria de abrir nossos corações – é esta a graça que ela impetra a seu Filho, para que entendamos a Sagrada Escritura, para que descubramos em nossas vidas, ainda que ativas, uma veia contemplativa. Como os carmelitas e as carmelitas na Igreja, ofereçamos o primado de nossas existências concretas e diárias à Palavra com a qual queremos abrir nosso dia, inaugurar nossa jornada e diante da qual queremos oferecer o melhor de nós mesmos. A Virgem do Carmelo nos conduza nesta aventura através das noites escuras aos dias luminosos da contemplação de Deus, através da escuta de Sua mensagem.

 

Quem são meus familiares?
*Cf. B, CABALLERO. A Palavra de cada dia. Paulus: 2000.

O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus cercado pela multidão, que O comprime, pois deseja escutar Sua Palavra; o povo quer escutar a Palavra do Senhor, pois num primeiro momento, recebe o convite de um Jesus tomado de misericórdia, compaixão e amor por cada um deles. Primeiro Cristo ama, depois fala ao coração do povo sedento. Nosso Senhor Jesus Cristo ama, e porque ama, fala aos corações dessas pessoas na certeza de que uma resposta será necessária por parte do povo. A única resposta cabível frente a uma proposta de amor é retribuirmos com amor, pois amor com amor se paga. O maior gesto de amor, neste caso, é colocarmos esta palavra na vida, em prática. Os familiares de Jesus estão ali; eles desejam falar com Ele, porque têm algo muito importante para comunicar-Lhe. Num primeiro momento, parece que o Senhor responde com grosseria ao aviso que dão a Ele sobre Seus familiares que querem falar com Ele. Não, não é isso, Jesus aproveita a ocasião para educar aqueles que ali estão e mostrar que seus familiares são mais que familiares, ou seja, são íntimos d’Ele. Há uma grande diferença entre familiaridade e intimidade; intimidade requer familiaridade; mas familiaridade não requer intimidade. Infelizmente. Basta olharmos para a maioria das famílias hoje em dia. Quantas famílias que vivem sob a casa da estranheza; ou seja, não há intimidade, são estranhos, não se conhecem. Par dizer que, para sermos da família de Jesus, é fundamental que haja intimidade com Ele; esta intimidade será fruto de uma profunda experiência com a Sua Palavra; será fruto de corações que estarão sempre próximos, num constante colóquio de amor entre pessoas que se amam: Jesus e eu; eu e Jesus. Não basta acreditar – satanás também acredita em Deus. Não basta termos os sacramentos, pois o que salva não são eles; os sacramentos são meios de salvação. O que salva é a vivência destes sacramentos. Da mesma forma, não basta ser da família de Jesus; é preciso ser íntimo e obediente à  Palavra d’Ele. A familiaridade verdadeira será conseqüência disso. Mas saibamos de uma realidade fundamental para que esta maravilha aconteça na nossa vida e, conseqüentemente, também haja a felicidade e a salvação: não existe Jesus Cristo sem a Sua Igreja e não existe Igreja sem Jesus Cristo. Estas obediências e estes seguimentos ao Senhor, sem obediência e seguimento da Igreja, é tudo, menos obediência e seguimento verdadeiro. “Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, diz o Senhor. Que vontade é esta? Amor e obediência a Jesus Cristo e à Sua Igreja.

Santo Evangelho (Mt 10, 24-33)

14ª Semana Comum – Sábado 14/07/2018

Primeira Leitura (Is 6,1-8)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

1No ano da morte do rei Ozias, vi o Senhor sentado num trono de grande altura; o seu manto estendia-se pelo templo.2Havia serafins de pé a seu lado; cada um tinha seis asas, duas cobriam-lhes o rosto, duas, os pés e, com duas, eles podiam voar. 3Eles exclamavam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está repleta de sua glória”. 4Ao clamor dessas vozes, começaram a tremer as portas em seus gonzos e o templo encheu-se de fumaça. 5Disse eu então: “Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros, mas eu vi com meus olhos o rei, o Senhor dos exércitos”. 6Nisto, um dos serafins voou para mim, tendo na mão uma brasa, que retirara do altar com uma tenaz, 7e tocou minha boca, dizendo: “Assim que isto tocou teus lábios, desapareceu tua culpa, e teu pecado está perdoado”. 8Ouvi a voz do Senhor que dizia: “Quem enviarei? Quem irá por nós? Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 92)

— Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.
— Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor.

— Deus é Rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e esplendor!

— Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis!

— Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor!

 

Evangelho (Mt 10,24-33)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Bel­zebu, quanto mais aos seus familiares! 26Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, pro­clamai-o sobre os telhados! 28Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! 29Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais. 32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Camilo de Léllis, servia a Cristo na pessoa do doente

Foi brotando em São Camilo de Léllis o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do peregrino

Nasceu no ano de 1550 na Itália. Filho de pai militar, também seguiu essa carreira, mas não pode prosseguir devido a um tumor em um dos pés. Recorreu ao hospital de São Tiago em Roma, onde viveu sua compaixão pelos outros doentes.

Porém, ele deu um ‘sim’ ao pecado, entregando-se ao vício do jogo, onde perdeu tudo e ficou na miséria total. Saiu do hospital devido o seu temperamento. Foi de hospital em hospital para cuidar de sua ferida, até bater na porta dos franciscanos capuchinhos e ali quis trabalhar na obra de Deus.

Com 25 anos começou o seu processo de conversão. No hospital em Roma, Deus suscitou nele a santidade de ver nos doentes a pessoa de Cristo e também o carisma dos ‘Camilianos’. Camilo também viveu uma bela amizade com São Felipe Néri.

Entrou para os estudos, foi ordenado sacerdote, e vendo a realidade dos peregrinos de Roma, que não tinham uma assistência médica digna, foi brotando nele o carisma de servir a Cristo na pessoa do doente, do peregrino. E muitos se juntaram a ele nessa obra. Em cada sofredor está a presença do Crucificado.

São Camilo partiu para o céu em 1614.

São Camilo de Léllis, rogai por nós!

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