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Tal como a Família de Nazaré, muitas outras se encontram hoje em exílio, mesmo dentro das próprias famílias

Papa no Angelus

A Sagrada Família de Nazaré que hoje a Igreja comemora, foi o tema da reflexão do Papa Francisco, por ocasião da oração mariana do Angelus, juntamente com os milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro e com quantos o seguiam através dos meios de comunicação social.

Família – porque Deus quis nascer numa família com mãe e pai, como aliás mostram os presépios – disse o Papa – frisando que o Evangelho deste domingo é centrado sobre a fuga da Sagrada Família de Belém para o Egipto devido às ameaças de Herodes.

José, Maria e Jesus experimentam portanto as condições dramáticas dos refugiados, marcadas por medo, incerteza, dificuldades – prosseguiu o Papa – recordando que, infelizmente, também nos nossos dias, milhões de famílias vivem esta triste realidade. Quase todos os dias os meios de comunicação falam de pessoas obrigadas a fugir devido à fome, guerras e outros perigos graves, indo à procura de segurança e de uma vida digna para si e para os próprios familiares…

Mesmo quando esses refugiados e emigrantes encontram trabalho, nem sempre isto é acompanhado dum verdadeiro acolhimento, respeito, apreço dos valores de que são portadores – frisou o Papa, convidando a pensar no drama dos migrantes e refugiados que são vítimas de recusa e exploração.

Mas o Papa convidou também a pensar naqueles que definiu de “exilados escondidos” no seio das famílias, e deu como exemplo os anciãos, por vezes tratados como uma presença incómoda, e recordou mais uma vez que a forma como se tratam os anciãos e as crianças é espelho do estado da família…

E com veemência Francisco voltou a repetir que numa família onde os membros se recordam sempre de pedir licença, dizer obrigado e pedir desculpas, nessa família reina a alegria e a paz…

O Papa Francisco continuou a sua reflexão, fazendo notar que Jesus quis pertencer a uma família humana que passou por várias dificuldades, isto para mostrar que Deus está lá onde a pessoa humana enfrenta perigos, lá onde o homem sofre, onde tem de fugir, onde experimenta a recusa e o abandono; mas está também lá onde a pessoa humana sonha, espera regressar à Pátria em liberdade, projecta e opta pela vida, pela própria dignidade e pela dos seus familiares.

O Papa referiu-se ainda à simplicidade de vida da Família de Nazaré, exemplo para as famílias de hoje, ajudando-as a se tornar comunidades de amor e de reconciliação, em que se experimenta a ternura, a ajuda e o perdão recíprocos. Mas convidou-as também a tomar consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade, especialmente no anuncio do Evangelho que da família passa aos diversos âmbitos da vida quotidiana…

Depois da oração mariana do Angelus, o Papa recordou que o próximo Sínodo dos Bispos enfrentará o tema da família e, neste dia da Festa da Sagrada Família confiou à Família de Nazaré os trabalhos do Sínodo, dirigindo a Ela, juntamente como os fiéis, uma oração a favor de todas as famílias do mundo…

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José, em Vós, contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais se faça, nas famílias, experiência de violência, egoísmo e divisão: quem ficou ferido ou escandalizado depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré, que o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar, em todos, a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, a sua beleza no projecto de Deus.

Jesus, Maria e José, escutai, atendei a nossa súplica.

Por fim o Santo Padre dirigiu uma saudação especial aos fiéis que estavam em ligação com a Praça de São Pedro naquele momento a partir da Basílica da Anunciação em Nazaré, para onde se deslocou o Secretário Geral do Sínodo dos Bispos; a partir da Basílica da Sagrada Família em Barcelona, onde se encontra o Presidente do Conselho Pontifício para a Família; a partir da Basílica Santuário da Santa Casa, em Loreto, Itália; e a quantos se encontravam reunidos em várias partes do mundo para celebrações em que a família estava no centro da atenção.

O Papa concluiu saudando os peregrinos que enchiam verdadeiramente a Praça, especialmente as famílias… e ainda diversos outros grupos vindos essencialmente de diversas partes da Itália…

 

Domingo da Sagrada Família – Papa Francisco fala da bênção que se transmite na família

O caminhar da família (Papa Francisco, Encíclica “Lumen fidei”, 52-53)

“No caminho de Abraão para a cidade futura, a Carta aos Hebreus alude à bênção que se transmite dos pais aos filhos (cf 11, 20-21). O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projectos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada. Depois, a fé pode ajudar a individuar em toda a sua profundidade e riqueza a geração dos filhos, porque faz reconhecer nela o amor criador que nos dá e nos entrega o mistério de uma nova pessoa; foi assim que Sara, pela sua fé, se tornou mãe, apoiando-se na fidelidade de Deus à sua promessa (cf Heb 11, 11).

Em família, a fé acompanha todas as idades da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais. Por isso, é importante que os pais cultivem práticas de fé comuns na família, que acompanhem o amadurecimento da fé dos filhos. Sobretudo os jovens, que atravessam uma idade da vida tão complexa, rica e importante para a fé, devem sentir a proximidade e a atenção da família e da comunidade eclesial no seu caminho de crescimento da fé.

Na solenidade do Natal, Papa preside Missa na Basílica Vaticana

Domingo, 24 de dezembro de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Santo Padre presidiu Missa na solenidade do Natal, chamando atenção para a realidade daqueles que são obrigados a deixar sua terra

Cuidar da esperança, despertando da indiferença para com quem sofre. Esse foi, em suma, o ponto central da homilia do Papa Francisco neste domingo, 24, na Missa da Noite da solenidade do Natal do Senhor. Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica Vaticana.

Refletindo sobre o nascimento de Jesus, o Santo Padre destacou a situação de Maria e de José, que por um lado era de esperança e futuro pela chegada do filho e por outro era marcada por incertezas e perigos próprios de quem tem que deixar sua casa.

Chegando a Belém, não havia lugar para Maria e José, observou o Papa, mas foi justamente lá que acendeu a centelha revolucionária da ternura de Deus. “Em Belém, criou-se uma pequena abertura para aqueles que perderam a terra, a pátria, os sonhos; mesmo para aqueles que sucumbiram à asfixia produzida por uma vida fechada”.

Francisco destacou que nos passos de Maria e de José vê-se as pegadas de famílias inteiras que hoje são obrigadas a partir, a separar-se de seus entes queridos, tantas pessoas que são expulsas de sua terra. “Em muitos casos, esta partida está carregada de esperança, carregada de futuro; mas, em tantos outros, a partida tem apenas um nome: sobrevivência”, lembrou.

Os primeiros destinatários da notícia do nascimento de Jesus foram os pastores, homens e mulheres que, conforme explicou o Papa, tinham que viver à margem da sociedade. “Eis a alegria que somos convidados a partilhar, celebrar e anunciar nesta noite. A alegria com que Deus, na sua infinita misericórdia, nos abraçou a nós, pagãos, pecadores e estrangeiros, e nos impele a fazer o mesmo. A fé desta noite leva-nos a reconhecer Deus presente em todas as situações onde O julgamos ausente”.

“Natal é tempo para transformar a força do medo em força da caridade, em força para uma nova imaginação da caridade. A caridade que não se habitua à injustiça como se fosse algo natural, mas tem a coragem, no meio de tensões e conflitos, de se fazer «casa do pão», terra de hospitalidade. Assim no-lo recordava São João Paulo II: ‘Não tenhais medo! Abri, antes, escancarai as portas a Cristo’”, acrescentou Francisco.

O Papa concluiu a homilia com um apelo ao Menino Jesus pelo fim da indiferença para com quem sofre. “Que o vosso choro nos desperte da nossa indiferença, abra os olhos perante quem sofre. A vossa ternura desperte a nossa sensibilidade e nos faça sentir convidados a reconhecer-Vos em todos aqueles que chegam às nossas cidades, às nossas histórias, às nossas vidas. Que a vossa ternura revolucionária nos persuada a sentir-nos convidados a cuidar da esperança e da ternura do nosso povo”.

Natal bipolar

O Natal é repleto de contradições. Período que tanto se fala de alegria, esperança e paz, enquanto um sentimento estranho de tristeza, desespero e inquietação invade a alma. Famílias reunidas em ceia decorada e separadas em teia de intrigas. Muita comida na barriga e pouco alimento no coração. Gente correndo atrás dos presentes e o mimo do presépio esquecido na manjedoura.

Ruas congestionadas da loucura no trânsito e caminhos vazios do bom senso nos relacionamentos. Luzes coloridas nas casas e praças e sombras cinzentas na vida das pessoas. Gente saindo e gente chegando sem saber aonde ir, sem saber aonde chegar.

Natal é ponto de exclamação e ponto de interrogação. É resposta, é dúvida. Natal é fé no Menino Deus e descrença no Deus Menino. É a criança divina nos braços de Simeão “escolhida por Deus tanto para a destruição como para a salvação de muita gente” (Lucas 2.34). É o amor que conecta o mundo num Salvador, é o ódio que divide a humanidade em fanatismo e perseguições. É a vida no céu, é a morte no inferno. É o indulto pela fé na justiça divina, é a condenação pela dúvida na clemência celestial. Natal é o Deus Eterno gerado na barriga finita da mulher, é o Filho do Homem morto no ventre da cruz “para que todos os que crerem nele tenham a vida eterna” (João 3.15). Natal é vida, Natal é morte.

Natal é a Criança que foge para o Egito, são os infantes que não conseguem escapar da espada do Herodes. São crianças protegidas, são inocentes massacrados por extremistas religiosos no reino de violência. Natal é deixar que os pequeninos venham a Jesus, é impedir que tenham vida.

Quem pode entender o Natal? Até Maria ficou confusa ao saber que seria mãe do Filho de Deus. “Para Deus nada é impossível”, disse-lhe o anjo. Num mundo tão estranho, do bem e do mal, do amor e do ódio, da alegria e da tristeza, o Natal traz o Céu para a Terra onde “o seu povo não o recebeu. Porém, alguns creram Nele e o receberam” (João 1.12).

 

O Natal derruba os poderosos

Muitos vão cair do seu trono a qualquer momento. A profecia não é minha, é de Maria. Com o Filho de Deus na barriga, ela expressa na canção Magnificat que Deus levanta a sua mão poderosa, derrota os orgulhosos com todos os planos deles, derruba dos seus tronos reis influentes (Lucas 1.51, 52). Deus não acaba com os tronos, com as instituições, com aquilo que mantém a ordem neste mundo suscetível à desordem. Deus acaba com os reizinhos petulantes. “Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele” (Romanos 13.1).
O Natal de 2016 vem manifestar outra vez esta profecia. E, desta vez, para todos perceberem que, quanto mais alto, maior o tombo. Nunca antes na história deste País se viu tanta gente em pouco tempo cair dos seus reinados. E estrago na política, nas empresas, nos esportes – no mundo do poder. Uma tempestade que vem do Natal. Não do Natal enfeitado, sofisticado, ostentoso – igual aos tronos. Mas o Natal de Jesus – desnudo, simples, despretensioso.
Por isto, o desprezo dos reis Herodes escandalizados com a miserável estrebaria, desprovida de riqueza e conforto. Mas é a mãe Ignorância com a filha Soberba. Não entendem que o Rei Jesus “abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo” (Filipenses 2.7) para nos livrar do trono do orgulho, da maldade, da corrupção, E nos entronar com o cetro da humildade, do amor, da bondade. “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios”, lembra a Bíblia, “mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Filipenses 2.3).
Ah, se neste mundo tivesse mais Natal de Jesus. Haveria menos sofrimento. Quantos poderosos ainda cairão dos seus tronos para Jesus reinar?

Marcos Schmidt é pastor luterano
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Carteira de identidade do cristão é a alegria

Segunda-feira, 23 de maio de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco disse que não existe cristão sem alegria e quem a dá é Jesus e não as riquezas

Na missa celebrada na Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 23, o Papa Francisco refletiu sobre a alegria cristã. “O cristão vive na alegria e no estupor graças à ressurreição de Jesus Cristo”, disse.

Comentando a Primeira Carta de São Pedro Apóstolo, o Pontífice destacou que não obstante as provações, nunca nos será tirada a alegria daquilo que Deus fez em nós.

A carteira de identidade do cristão é a alegria do Evangelho

O Papa explicou que podemos caminhar rumo àquela esperança que os primeiros cristãos representavam como uma âncora no céu, aquela esperança que nos dá alegria.

“O cristão é um homem e uma mulher da alegria, um homem e uma mulher com a alegria no coração. Não existe cristão sem alegria! Mas, Padre, eu já vi tanta coisa! Não são cristãos! Dizem que são, mas não são! Falta-lhes alguma coisa. A carteira de identidade do cristão é a alegria, a alegria do Evangelho, a alegria de ter sido escolhido por Jesus, salvo por Ele, regenerado por Jesus. A alegria daquela esperança que Jesus espera de nós, a alegria que, nas cruzes e nos sofrimentos desta vida, se expressa de outra maneira que é a paz, na certeza de que Jesus nos acompanha. Está conosco”.

Francisco disse que o cristão faz esta alegria crescer com a confiança em Deus, que se lembra sempre de sua aliança. Ele explicou que o cristão sabe que Deus se lembra dele, que o ama, o acompanha, e o espera. Esta é a alegria, disse ainda o Papa.

É um mal servir a riqueza, no final faz-nos tristes

Francisco, assim, dirigiu sua atenção para a passagem do Evangelho de hoje que narra o encontro de Jesus com o jovem rico: um homem, que não foi capaz de abrir o coração à alegria e escolheu a tristeza, porque possuía muitos bens.

“Era apegado aos bens! Jesus nos disse que não se pode servir a dois senhores: ou serve a Deus ou serve as riquezas. As riquezas não são ruins em si mesmas: mas servir a riqueza, esse é o mal. O pobre homem foi embora triste… Ele franziu a testa e retirou-se triste. Quando em nossas paróquias, nas nossas comunidades, em nossas instituições, encontramos pessoas que se dizem cristãs e querem ser cristãs, mas são tristes, algo está errado. E nós devemos ajudá-las a encontrar Jesus, a tirar essa tristeza, para que possa se alegrar com o Evangelho, possa ter essa alegria que é própria do Evangelho”.

O Papa refletiu sobre a “alegria e o estupor”. “O estupor bom, diante da revelação, diante do amor de Deus, diante das emoções do Espírito Santo”.

O cristão “é um homem, uma mulher de estupor”.

Não buscar a felicidade em coisas que, no final, nos entristecem

Francisco explicou que com a força do Espírito Santo é possível viver a alegria cristã, de não ser preso às coisas nem à mundanidade que nos afasta de Jesus.

“Peçamos hoje ao Senhor que nos dê o estupor diante Dele, diante das muitas riquezas espirituais que nos deu, e com este estupor nos dê a alegria, a alegria da nossa vida e de viver com paz no coração as inúmeras dificuldades; e nos proteja da busca da felicidade em muitas coisas que, no final, nos entristecem: prometem muito, mas não nos darão nada! Lembrem-se bem: um cristão é um homem e uma mulher de alegria, de alegria no Senhor; um homem e uma mulher de estupor”.

Papa: “Alegria, oração e gratidão” para viver o Natal de modo autêntico

Ao indicar os três comportamentos que devemos ter para viver de forma autêntica o Natal, Francisco ressaltou que com a oração, “podemos entrar em uma relação estável com Deus, que é a fonte da verdadeira alegria’.

Cidade do Vaticano

“Alegria, oração e gratidão” são os três comportamentos indicados pelo Papa Francisco no Angelus deste terceiro Domingo do Advento para nos prepararmos bem para viver o Natal de modo autêntico. Eis sua alocução na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

(Papa é interrompido pelas felicitações e com o canto do Parabéns).

Muito obrigado! Muito obrigado!

Nos últimos domingos, a liturgia sublinhou o que significa assumir uma postura de vigilância e o que comporta concretamente preparar o caminho do Senhor.

Neste terceiro domingo do Advento, chamado de “domingo da alegria”, a liturgia nos convida a colher o espírito com que tudo isto acontece, isto é, a alegria.

São Paulo nos convida a preparar a vinda do Senhor assumindo três comportamentos. Ouçam bem: três comportamentos. Primeiro, a alegria constante; segundo, oração perseverante; terceiro, a contínua ação de graças. Alegria constante, oração perseverante e contínua ação de graças.

O primeiro comportamento, alegria constante: “Vivei sempre contentes”, diz São Paulo. Vale dizer, permanecer sempre na alegria, mesmo quando as coisas não acontecem segundo os nossos desejos, mas existe aquela alegria profunda que é a paz: a alegria, também, é dentro. E a paz é uma alegria no nível do solo, mas é uma alegria.

As angústias, as dificuldades e os sofrimentos atravessam a vida de cada um, todos nós as conhecemos; e tantas vezes a realidade que nos circunda parece ser inóspita e árida, semelhante a um deserto no qual ecoava a voz de João Batista, como recorda o Evangelho de hoje.

Mas precisamente as palavras de Batista revelam que a nossa alegria se baseia em uma certeza de que este deserto é habitado: “mas no meio de vocês – diz – está quem vós não conheceis”.

Trata-se de Jesus, o enviado do Pai que vem, como sublinha Isaías: “a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade; proclamar um ano de graças da parte do Senhor’.

Estas palavras, que Jesus fará suas no discurso no discurso na sinagoga de Nazaré, esclarecem que a sua missão no mundo consiste na libertação do pecado e das escravidões pessoais e sociais que ele produz. Ele veio à terra para restituir aos homens a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, que somente Ele pode comunicar.

A alegria que caracteriza a espera do Messias baseia-se na oração perseverante: esta é este segundo comportamento: São Paulo diz: “rezai incessantemente”, diz Paulo.

Por meio da oração, podemos entrar em uma relação estável com Deus, que é a fonte da verdadeira alegria.

A alegria do cristão não se compra: não pode ser comprada; vem da fé e do encontro com Jesus Cristo, razão de nossa felicidade. E quanto mais estivermos arraigados em Cristo, quanto mais estivermos próximos à Jesus, tanto mais encontraremos a serenidade interior, mesmo em meio às contradições cotidianas.

Por isto o cristão, tendo encontrado Jesus, não pode ser um profeta do infortúnio, mas uma testemunha e um arauto da alegria. Uma alegria a ser compartilhada com os outros; uma alegria contagiosa que torna menos cansativo o caminho da vida.

O terceiro comportamento indicado por Paulo é a contínua ação de graças, ou seja, o amor agradecido a Deus. Ele, de fato, é muito generoso conosco, e nós somos enviados a reconhecer sempre seus benefícios, o seu amor misericordioso, a sua paciência e bondade, vivendo assim em um incessante agradecimento.

Alegria, oração e gratidão são três comportamentos que nos preparam a viver o Natal de modo autêntico. Alegria, oração e gratidão. Digamos todos juntos: alegria, oração e gratidão. Mais uma vez: alegria… (continuam: oração e gratidão). Mais forte: (respondem: alegria, oração e gratidão).

Neste último período do tempo do Advento, confiemos nossa vida à materna intercessão da Virgem Maria. Ela é “causa da nossa alegria, não somente porque gerou Jesus, mas porque nos envia continuamente a Ele.

Natal sem Jesus é uma festa vazia, disse o Papa no Angelus

Ao saudar as crianças que foram à Praça São Pedro para a bênção dos “Bambinelli”, chamou a atenção do Papa uma faixa entre a multidão que dizia: “o Oratório é precisamente para cada um de nós, sempre há um lugar para ti”. E é importante que sempre exista um lugar para o Menino Jesus, ressaltou Francisco.

Cidade do Vaticano

No terceiro Domingo do Advento, tradicionalmente crianças romanas – numa iniciativa do Centro Oratórios Romanos – levam até a Praça São Pedro os “Bambinelli”, ou seja, o Menino Jesus que será colocado no Presépio em suas casas, para receber a bênção do Papa.

Após rezar o Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, Francisco saudou com afeto as crianças, convidando-as a deixarem-se atrair pela ternura do Menino Jesus quando rezarem diante do Presépio, alertando que sem Jesus, o Natal é uma festa vazia.

“Quando rezarem em casa, diante do Presépio com os familiares de vocês, deixem-se atrair pela ternura do Menino Jesus, nascido pobre e frágil em meio a nós, para nos dar o seu amor. Este é o verdadeiro Natal. Se tirarmos Jesus, o que permanece do Natal? Uma festa vazia. Não tirem Jesus do Natal: Jesus é o centro do Natal, Jesus é o verdadeiro Natal, Jesus é o verdadeiro Natal, entenderam?”

Preparando o Natal

Advento – tempo de esperança

O dia 26 de Novembro marcou o início do tempo do Advento, um dos denominados “tempos fortes” do ano litúrgico que acentua, diacronicamente, um momento particular do Mistério de Cristo.

A história do Advento, no Rito Romano, começa no Século VI, no sentido de espera jubilosa do Natal, e a sua pré-história remonta às Galícias e à Espanha dos fins do Século IV, como preparação ascética para o Natal e a Epifania.

No Século V o começo do Advento era na festa da Anunciação (18 de Dezembro – hoje, a Anunciação é comemorada em Março). Apenas no Século X o seu início passou a ser no Domingo, quatro semanas antes do Natal.

A “feliz expectativa” do Advento assinala de forma clara que o tempo da festa não chegou; aliás, no início do Cristianismo a palavra “adventum” (parusia, em grego) utilizava-se para denominar não a primeira vinda de Jesus, mas a sua vinda definitiva no fim dos tempos, como Senhor do Universo.

Quem participar nas celebrações dos primeiros três Domingos do Advento notará que esta perspectiva continua a dominar, com destaque para os profetas e para João Batista. No entanto, a partir do dia 17 de Dezembro, a preparação do Natal fixa-se nos antecedentes próximos do nascimento de Jesus e na figura da Virgem Maria, com as célebres antífonas do “Ó” na Liturgia das Horas.

Do Oriente para o Ocidente

Apesar desse Tempo ser muito peculiar nas Igrejas do Ocidente, o seu impulso original provavelmente veio das Igrejas Orientais, onde era comum, depois do Concílio Ecumênico de Éfeso em 431 dedicar sermões nos domingos anteriores ao Natal, ao tema da Anunciação. Em Ravena, na Itália (onde era grande a influência Oriental) São Pedro Crisóstomo fazia esses sermões.

A primeira referência sobre o Advento é a do Bispo de Tours, França, chamado Perpétuo (461-490) que estabeleceu um jejum antes do Natal, que começava a 11 de Novembro (Dia de São Martinho de Tours). O Concílio de Tours (567) faz menção ao tempo do Advento, costume que se conhecia como a “Quaresma de São Martinho”.

Este caracter ascético para a preparação do Natal devia-se à preparação dos catecúmenos para o Batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 Domingos.

Um período de seis semanas foi adotado pelas Igrejas de Milão e pelas Igrejas da Espanha. Na Itália somente aparece no século VI, quando foi reduzida, provavelmente pelo Papa São Leão Magno (590-604), para as quatro semanas antes do Natal. O Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a Liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.

A Celebração do Advento

O Advento é hoje celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal os fiéis se unam aos anjos e entoem este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós.

Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, “para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus”.

As vestes litúrgicas (casula, estola, etc.) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal, com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria, cuja cor tradicionalmente usada é o róseo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está próxima.

Fonte: Ecclesia

A fé de Maria

Quarta-feira, 19 de dezembro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

“A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, mas revela-se na pobreza de um menino”, disse o Santo Padre.

Na última catequese de 2012, nesta quarta-feira, 19, o Papa Bento XVI centrou suas reflexões sobre a fé de Maria a partir do mistério da Anunciação. Ele destacou a humildade e a obediência de fé da Virgem Maria.

O Pontífice lembrou que o evangelista Lucas conta a história de Maria fazendo um paralelo com a história de Abraão. Da mesma forma que este respondeu ao chamado de Deus para sair da terra onde morava rumo a uma terra desconhecida, também Maria foi confiante no plano do Senhor.

“… assim Maria confia com plena confiança na palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus e torna-se modelo e mãe de todos os crentes”.

Bento XVI destacou que a saudação do anjo a Maria é também um convite à alegria; anuncia o fim da tristeza presente no mundo, o fim do sofrimento, da maldade, da escuridão do mal “que parece obscurecer a luz da bondade divina”.

O Santo Padre mencionou ainda que a abertura da alma a Deus e à sua ação implica também o elemento que é a treva. Ele lembrou que o caminho de Abraão é marcado pela alegria, quando recebe o filho Isaac, mas também por um momento de treva, quando precisa se dirigir ao monte Moria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que havia acabado de lhe dar.

Da mesma forma, Maria viveu a alegria na Anunciação e a treva na crucificação do Filho, para poder chegar à luz da Ressurreição. Então Bento XVI destacou que não é diferente quando se trata do caminho de fé de cada um dos fiéis, já que há momentos de luz e outros em que Deus parece ausente.

“Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança – como Abraão e como Maria – tanto mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isso, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a luz que guia os nossos pensamentos e as nossas ações”.

Concluindo suas reflexões, Bento XVI enfatizou que os fiéis são convidados, na celebração do Natal do Senhor, a viver esta  mesma humildade e obediência de fé. A próxima audiência do Papa com os fiéis será em 2 de janeiro de 2013.

 

Catequese de Bento XVI: A fé de Maria – 19/12/2012  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

No caminho do Advento a Virgem Maria ocupa um lugar particular como aquele que de modo único esperou a realização das promessas de Deus, acolhendo na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus, em plena obediência à vontade divina. Hoje, gostaria de refletir brevemente convosco sobre a fé de Maria a partir do grande mistério da Anunciação

“Chaîre kecharitomene, ho Kyrios meta sou”, “Alegra-te, cheia de graça: o Senhor é convosco” (Lc 1, 28). São estas as palavras – reportadas pelo evangelista Lucas – com as quais o arcanjo Gabriel se dirige a Maria. À primeira vista, o termo chaîre, “alegra-te”, parece uma saudação normal, como era usual no âmbito grego, mas esta palavra, se lida a partir da tradição bíblica, adquire um significado muito mais profundo. Este mesmo termo está presente quatro vezes na versão grega do Antigo Testamento e sempre como anúncio de alegria pela vinda do Messias (cfr Sof 3,14; Gl 2,21; Zc 9,9; Lam 4,21). A saudação do anjo a Maria é também um convite à alegria, a uma alegria profunda, anuncia o fim da tristeza que há no mundo diante das limitações da vida, do sofrimento, da morte, da maldade, da escuridão do mal que parece obscurecer a luz da bondade divina. É uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova.

Mas por que Maria é convidada a alegrar-se deste modo? A resposta está na segunda parte da saudação: “o Senhor está convosco”. Também aqui para compreender bem o sentido da expressão devemos dirigir-nos ao Antigo Testamento. No Livro de Sofonias encontramos esta expressão “Alegra-te, filha de Sião… Rei de Israel é o Senhor em meio a ti… O Senhor, teu Deus, em meio a ti é um salvador poderoso” (3,14-17). Nestas palavras há uma dupla promessa feita a Israel, à filha de Sião: Deus virá como Salvador e habitará em meio ao seu povo, no ventre da filha de Sião. No diálogo entre o anjo e Maria realiza-se exatamente esta promessa: Maria é identificada com o povo escolhido por Deus, é verdadeiramente a Filha de Sião em pessoa; nela se cumpre a esperada vinda definitiva de Deus, nela toma morada o Deus vivente.

Na saudação do anjo, Maria é chamada “cheia de graça”; em grego o termo “graça”, charis, tem a mesma raiz lingüística da palavra “alegria”. Também nesta expressão esclarece-se a fonte de alegria de Maria: a alegria provém da graça, provém, isso é, da comunhão com Deus, do ter uma conexão tão vital com Ele, de ser morada do Espírito Santo, totalmente moldada pela ação de Deus. Maria é a criatura que de modo único abriu a porta a seu Criador, colocou-se em suas mãos, sem limites. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; está em atitude de escuta, atenta a acolher os sinais de Deus no caminho do seu povo; está inserida em uma história de fé e de esperança nas promessas de Deus, que constitui o cerne da sua existência. E se submete livremente à palavra recebida, à vontade divina na obediência da fé.

O Evangelista Lucas narra a história de Maria por meio de um fino paralelismo com a história de Abraão. Como o grande Patriarca é o pai dos crentes, que respondeu ao chamado de Deus a sair da terra onde morava, da sua segurança, para iniciar o caminho para uma terra desconhecida e possuindo somente a promessa divina, assim Maria confia com plena confiança na palavra que lhe anuncia o mensageiro de Deus e se torna modelo e mãe de todos os crentes.

Gostaria de destacar um outro aspecto importante: a abertura da alma a Deus e à sua ação na fé inclui também o elemento das trevas. A relação do ser humano com Deus não apaga a distância entre o Criador e a criatura, não elimina o que afirma o apóstolo Paulo frente à profundidade da sabedoria de Deus: “Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos” (Rm 11,33). Mas propriamente aquele que – como Maria – está aberto de modo total a Deus, vem a aceitar a vontade divina, também se é misterioso, também se sempre não corresponde ao próprio querer e é uma espada que transpassa a alma, como profeticamente dirá o velho Simeão a Maria, no momento no qual Jesus é apresentado no Templo (cfr Lc 2,35). O caminho de fé de Abraão compreende o momento de alegria pela doação do filho Isaac, mas também o momento de treva, quando precisa ir para o monte Moria para cumprir um gesto paradoxal: Deus lhe pede para sacrificar o filho que havia acabado de lhe dar. No monte o anjo lhe ordena: “Não estenda a mão contra o menino e não lhe faça nada! Agora sei que tu temes a Deus e não me recusaste o teu filho, o teu unigênito” (Gen 22, 12); a plena confiança de Abraão no Deus fiel às promessas não é menor mesmo quando a sua palavra é misteriosa e difícil, quase impossível, de acolher. Assim é para Maria, a sua fé vive a alegria da Anunciação, mas passa também pelas trevas da crucificação do Filho, para poder chegar à luz da Ressurreição.

Não é diferente também para o caminho de fé de cada um de nós: encontramos momentos de luz, mas encontramos também momentos no qual Deus parece ausente, o seu silêncio pesa no nosso coração e a sua vontade não corresponde à nossa, àquilo que nós queremos. Mas quanto mais nos abrimos a Deus, acolhemos o dom da fé, colocamos totalmente Nele a nossa confiança – como Abraão e como Maria – tanto mais Ele nos torna capazes, com a sua presença, de viver cada situação da vida na paz e na certeza da sua fidelidade e do seu amor. Isso, porém, significa sair de si mesmo e dos próprios projetos, para que a Palavra de Deus seja a luz que guia os nossos pensamentos e as nossas ações.

Gostaria de concentrar-me ainda sobre um aspecto que emerge nas histórias sobre a Infância de Jesus narrada por São Lucas. Maria e José levam o filho a Jerusalém, ao Templo, para apresentá-lo e consagrá-lo ao Senhor como prescreve a lei de Moisés: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor” (cfr Lc 2,22-24). Este gesto da Sagrada Família adquire um sentido ainda mais profundo se o lemos à luz da ciência evangélica de Jesus aos 12 anos, depois de três dias de busca, é encontrado no Templo a discutir entre os mestres. As palavras cheias de preocupação de Maria e José: “Filho, por que nos fez isso? Teu pai e eu, angustiados, te procurávamos”, corresponde à misteriosa resposta de Jesus: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? (Lc 2,48-49). Isso é, na propriedade do Pai, na casa do Pai, como o é um filho. Maria deve renovar a fé profunda com a qual disse “sim” na Anunciação; deve aceitar que na precedência havia o Pai verdadeiro e próprio de Jesus; deve saber deixar livre aquele Filho que gerou para que siga a sua missão. E o “sim” de Maria à vontade de Deus, na obediência da fé, repete-se ao longo de toda a sua vida, até o momento mais difícil, aquele da Cruz.

Diante de tudo isso, podemos nos perguntar: como pode viver Maria este caminho ao lado do Filho com uma fé tão forte, também nas trevas, sem perder a plena confiança na ação de Deus? Há uma atitude de fundo que Maria assume diante a isso que vem na sua vida. Na Anunciação Ela permanece perturbada escutando as palavras do anjo – é o temor que o homem experimenta quando é tocado pela proximidade de Deus – , mas não é a atitude  de quem tem medo diante disso que Deus pode querer. Maria reflete, interroga-se sobre o significado de tal saudação (cfr Lc 1,29). O termo grego usado no Evangelho para definir este “refletir”, “dielogizeto”, refere-se à raiz da palavra “diálogo”. Isto significa que Maria entra em íntimo diálogo com a Palavra de Deus que lhe foi anunciada, não a considera superficialmente, mas se concentra, a deixa penetrar na sua mente e no seu coração para compreender isso que o Senhor quer dela, o sentido do anúncio. Um outro aceno para a atitude interior de Maria frente à ação de Deus o encontramos sempre no Evangelho de São Lucas, no momento do nascimento de Jesus, depois da adoração dos pastores. Afirma-se que Maria “conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração” (Lc 2,19); em grego o termo é symballon, poderíamos dizer que Ela “tinha junto”, “colocava junto” no seu coração todos os eventos que estavam acontecendo; colocava cada elemento, cada palavra, cada fato dentro de tudo e o comparava, o conservava, reconhecendo que tudo provém da vontade de Deus. Maria não para em uma primeira compreensão superficial disso que acontece na sua vida, mas sabe olhar em profundidade, deixa-se levar pelos acontecimentos, os elabora, os discerne, e adquire aquela compreensão que somente a fé pode garantir. É a humildade profunda da fé obediente de Maria, que acolhe em si também aquilo que não compreende do agir de Deus, deixando que seja Deus a abrir a mente e o coração. “Bem aventurada aquela que acreditou no cumprimento da palavra do Senhor” (Lc 1,45), exclama a parente Isabel. É propriamente pela sua fé que todas as gerações a chamarão bem aventurada.

Queridos amigos, a solenidade do Natal do Senhor que em breve celebraremos, convida-nos a viver esta mesma humildade e obediência de fé. A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder de um rei, não resplandece em uma cidade famosa, em um suntuoso palácio, mas toma morada no ventre de uma virgem, revela-se na pobreza de um menino. A onipotência de Deus, também na nossa vida, age com a força, sempre silenciosa, da verdade e do amor. A fé nos diz, então, que o poder indefeso daquele Menino no fim vence o rumor dos poderes do mundo.

Papa reza o Angelus na Solenidade de Todos os Santos

Quarta-feira, 1 de novembro de 2017, Da Redação, com Santa Sé

Francisco destacou que os santos são pessoas que acolheram a luz de Deus em seu coração e a transmitiram ao mundo

Nesta quarta-feira, 1º, Solenidade de Todos os Santos, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro.

Em sua reflexão antes da oração, Francisco comparou os santos aos vitrais das igrejas, que deixam a luz entrar em diversas tonalidades de cor. “Os santos são nossos irmãos e irmãs que acolheram a luz de Deus em seu coração e a transmitiram ao mundo, cada um segundo a própria ‘tonalidade’. Mas todos foram transparentes, lutaram para tirar as manchas e a escuridão do pecado, de modo a fazer passar a luz de Deus. Este é o objetivo da vida, também para nós”.

O Santo Padre comentou ainda um trecho do Evangelho do dia, em que Jesus se dirige aos seus com a palavra “bem-aventurados”, enfatizando que quem está com Jesus é bem-aventurado, é feliz. “A felicidade não está em ter algo ou se tornar alguém, não, a felicidade verdadeira é estar com o Senhor e viver por amor”.

E os ingredientes para a vida feliz são as bem-aventuranças, lembrou o Papa, recordando que os bem-aventurados são os simples, os humildes que dão lugar a Deus, que sabem chorar pelos outros e pelos próprios erros, os mansos, os que lutam pela justiça, são misericordiosos com todos, protegem a pureza do coração, trabalham sempre pela paz e permanecem na alegria, não odeiam, e, mesmo quando sofrem, respondem ao mal com o bem.

Essas atitudes, destacou o Papa, não são para “super-homens”, mas para pessoas que vivem as provações e as dificuldades do dia a dia, e assim são os santos. Trata-se de pessoas que nunca perdem de vista o caminho de Jesus, aquele indicado nas bem-aventuranças, que são como o mapa da vida cristã.

“Hoje é a festa daqueles que alcançaram a meta indicada por este mapa: não somente os santos do calendário, mas tantos irmãos e irmãs ‘da porta ao lado’, que talvez encontramos e conhecemos. É uma festa de família, de tantas pessoas simples e escondidas que realmente ajudam Deus a levar adiante o mundo. E há tantos também hoje!”.

“A Mãe de Deus, Rainha dos Santos e Porta do Céu, interceda pelo nosso caminho de santidade e pelos nossos queridos que nos precederam e já partiram para a Pátria celeste”, concluiu o Papa.

Vós sois os prediletos de Jesus – Primeira Comunhão

FESTIVIDADE LITÚRGICA DO CORPO DE DEUS
HOMILIA DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II ÀS CRIANÇAS DA PRIMEIRA COMUNHÃO
Quinta-feira, 14 de Junho de 1979

Caríssimos Meninos e Meninas! É grande a minha alegria ao ver-vos aqui, tão numerosos e tão cheios de fervor, para celebrardes com o Papa a Solenidade litúrgica do Corpo e do Sangue do Senhor! Saúdo a todos e cada um de vós em particular, com a mais profunda ternura, e agradeço-vos de coração terdes vindo renovar a vossa Santa Comunhão com o Papa e pelo Papa; e do mesmo modo agradeço aos vossos Párocos, sempre dinâmicos e zelosos, e aos vossos pais e parentes, que vos prepararam e acompanharam. Tenho ainda nos olhos o espetáculo impressionante das imensas multidões encontradas na minha viagem à Polônia; e eis agora o espetáculo das Crianças de Roma, eis a vossa maravilhosa inocência, os vossos olhos cintilantes e os vossos sorrisos irrequietos!
Vós sois os prediletos de Jesus: Deixai vir a Mim os pequeninos! —  dizia o Divino Mestre — não os impeçais (Lc 18, 16). Vós sois também os meus prediletos! Queridos meninos e meninas! Preparastes-vos para a vossa Primeira Comunhão com muito empenho e muita deligência, e o vosso primeiro encontro com Jesus foi um momento de intensa comoção e de profunda felicidade. Recordai-vos para sempre deste dia abençoado da Primeira Comunhão! Recordai-vos para sempre do vosso fervor e da vossa alegria puríssima! Agora também viestes aqui, para renovar o vosso encontro com Jesus.
Não podíeis fazer-me uma oferta mais bela nem mais preciosa! Muitos meninos já tinham expresso o desejo de receber a Primeira Comunhão das mãos do Papa. Certamente seria para mim grande consolação pastoral dar Jesus pela primeira vez aos meninos e às meninas de Roma. Mas isto não é possível; e depois é melhor cada menino receber a sua Primeira Comunhão na própria Paróquia, do próprio Pároco. Mas pelo menos é-me possível hoje dar a Sagrada Comunhão a uma representação vossa, tendo presente no meu amor todos os outros, neste vasto e magnífico Cenáculo! E é esta, para mim e para vós, uma alegria imensa que não esqueceremos nunca mais.
Ao mesmo tempo, quero deixar-vos alguns pensamentos, que vos possam servir para manterdes sempre límpida a vossa fé, fervoroso o vosso amor a Jesus Eucarístico, e inocente a vossa vida.

1. Jesus está presente conosco.
Eis o primeiro pensamento. Jesus ressuscitou e subiu ao céu; mas quis ficar conosco e para nós, em todos os lugares da terra. A Eucaristia é realmente uma invenção divina! Antes de morrer na Cruz, oferecendo a sua vida ao Pai em sacrifício de adoração e de amor, Jesus instituiu a Eucaristia, transformando o pão e o vinho na sua mesma Pessoa e dando aos Apóstolos e aos seus sucessores, os Bispos e os Sacerdotes, o poder de O tornarem presente na Santa Missa. Jesus, por conseguinte, quis ficar conosco para sempre! Jesus quis unir-se intimamente a nós na Sagrada Comunhão, para nos mostrar o seu amor direta e pessoalmente. Cada um pode dizer: “Jesus ama-me! Eu amo a Jesus”; Santa Teresa do Menino Jesus, recordando o dia da sua Primeira Comunhão, escrevia: “Oh, como foi doce o primeiro beijo que Jesus deu à minha alma!… Foi beijo de amor, sentia-me amada e dizia por minha vez: ‘amo-vos, ofereço-me a vós para sempre’… Teresa tinha desaparecido como gota de água que se perde no meio do oceano. Ficava só Jesus: o mestre, o Rei” (Teresa de Lisieux, Storia di un’anima: Ediz, Queriniana, 1974, Man. A, Cap. IV, pág. 75). E pôs-se a chorar de alegria e consolação, entre o espanto das companheiras. Jesus está presente na Eucaristia para ser encontrado, amado, recebido e consolado. Onde quer que esteja um sacerdote, ali está presente Jesus, porque a missão e a grandeza do Sacerdote é precisamente a celebração da Santa Missa. Jesus está presente nas grandes cidades e nas pequenas povoações, nas igrejas de montanha a nas longínquas cabanas da África e da Ásia, nos hospitais e nas prisões; até nos campos de concentração estava presente Jesus Eucarístico! Queridos meninos! Recebei Jesus com frequência! Permanecei n’Ele; deixai-vos transformar por Ele!

2. Jesus é o vosso maior amigo.
Eis o segundo pensamento. Não o esqueçais nunca! Jesus quer ser o nosso amigo mais íntimo, o nosso companheiro de caminho. Sem dúvida tereis muitos amigos; mas não podeis estar sempre com eles e nem sempre eles vos podem ajudar, ouvir e confortar. Jesus, pelo contrário, é o amigo que não vos abandona nunca; Jesus conhece-vos um por um, pessoalmente; conhece o vosso nome, segue-vos, acompanha-vos, caminha convosco todos os dias; participa nas vossas alegrias e conforta-vos nos momentos de aflição e de tristeza. Jesus é o amigo de que não podemos prescindir, uma vez que o encontramos e compreendemos que nos ama e quer o nosso amor. Com Ele podeis falar, abrir-vos; a Ele podeis dirigir-vos com afeto e confiança. Jesus morreu nada menos que na Cruz por amor de nós! Fazei um pacto de amizade com Jesus e não o interrompais nunca! Em todas as situações da vossa vida, dirigi-vos ao Amigo Divino, presente em nós com a sua “Graça”, presente conosco e em nós na Eucaristia. E sede também os mensageiros e as testemunhas alegres do Amigo Jesus nas vossas famílias, entre os vossos colegas, nos lugares dos vossos divertimentos e das vossas férias, nesta sociedade moderna, muitas vezes tão triste e insatisfeita.

3. Jesus espera-nos!
Eis o último pensamento. A vida, longa ou breve, é uma viagem para o Paraíso: é lá a nossa Pátria, é lá a nossa verdadeira casa; é lá o nosso encontro! Jesus espera-nos no Paraíso! Não esqueçais nunca esta verdade suprema e confortante. E que é a Sagrada Comunhão senão um Paraíso antecipado? De fato, na Eucaristia é o próprio Jesus que nos espera e encontrá-lo-emos um dia face a face no Céu. Recebei Jesus com frequência, para nunca esquecerdes o Paraíso, para estardes sempre a caminho da casa do Pai Celeste, para saboreardes já um pouco o Paraíso! Isto tinha-o compreendido Domingos Sávio, que aos sete anos conseguiu licença de receber a Primeira Comunhão, e naquele dia escreveu os seus propósitos: “Primeiro: confessar-me-ei com muita frequência e farei a Comunhão todas as vezes que o confessor me der licença. Segundo: quero santificar os dias festivos. Terceiro: os meus amigos serão Jesus e Maria. Quarto: a morte, mas não pecados”. Isto que o pequeno Domingos escrevia há tantos anos (em 1849); vale ainda agora e valerá para sempre.

Caríssimos, concluo dizendo-vos, meninos e meninas, mantende-vos dignos de Jesus que recebeis! Sede inocentes e generosos! Empenhai-vos em tornar a vida bela a todos, com obediência, com gentileza, com boa educação! O segredo da alegria é a bondade! E a vós, pais e parentes, digo com ansiedade e confiança: amai os vossos meninos e meninas, respeitai-os, edificai-os! Sede dignos da sua inocência e do mistério encerrado na sua alma, criada diretamente por Deus! Eles têm necessidade de amor, de delicadeza, de bom exemplo e de maturidade! Não os descureis. Não os atraiçoeis! Confio todos vós a Maria Santíssima, a nossa Mãe do céu, a Estrela do mar da nossa vida: implorai-a todos os dias, vós, meninos e meninas! Dai-Lhe, a Maria Santíssima; a vossa mão para que vos conduza a receber santamente Jesus. E dirijamos também um pensamento de afeto e de solidariedade a todas as crianças que sofrem; a todas as crianças que não podem receber Jesus porque não O conhecem, a todos os pais que foram dolorosamente privados dos seus filhos ou estão desiludidos e amargurados nas suas expectativas. No vosso encontro com Jesus rezai por todos, recomendai todos, invocai graças e auxílios para todos! E pedi também por mim, vós que sois os meus prediletos!
© Copyright 1979 – Libreria Editrice Vaticana

 

“A primeira comunhão das crianças é um incentivo para que elas se tornem verdadeiras discípulas de Jesus Cristo e continuem esse processo da fé, com a crisma e a catequese permanente, onde elas possam realmente aprofundar sua fé”.
A “Eucaristia é fundamental para a família”, porque é o “alimento para nossa caminhada”. “Nós somos seres fracos, limitados e precisamos de alguma coisa que nos sustente, e a Eucaristia é justamente isso. Além da Eucaristia ser sempre vivida em comunidade, e é muito importante que as crianças sejam inseridas numa comunidade, sejam acolhidas e possam ser também protagonistas da fé no meio das outras crianças”.
Pergunta às crianças: se quando elas se confessaram sentiram alegria no coração? E agradeceu a Deus porque as crianças tiveram pais que as ajudaram a entender que Jesus é importante em suas vidas e é o nosso Salvador. Agradeceu ainda porque elas foram batizadas e, naquele dia, aconteceu a graça mais importante para nas suas vidas: “Jesus as tornou filhas de Deus. Nós entramos numa família que tem um Pai que é o melhor pai de todos, que nos fez descobrir que temos muitos irmãos e irmãs”.
“Vocês que receberam esse cuidado de Jesus pensem que têm muitas outras crianças que estão esperando para conhecer Jesus, e que as crianças sabem falar de Jesus para outras crianças”. O tempo foi passando e vocês encontraram na Igreja um padre que é como um pai que cuida de nós assim como o pastor cuida de uma ovelhinha, e conheceram os catequistas que as ajudaram a conhecer Jesus. “Hoje, Jesus dá a vocês o maior presente da vida, desde o batismo. Ele não queria ficar longe de nós. Jesus veio ao mundo, se fez criança, foi crescendo como cada um de nós, morou na sua família e depois quis ser pregado na cruz, morreu e ressuscitou, mas Ele não queria voltar para o céu sem ficar no meio de nós. Então, o que Ele criou para nós é o que vocês vão receber hoje, pela primeira vez: ‘o corpo e o sangue de Jesus na Eucaristia'”.
Quando comemos uma comida ela se transforma na gente, nos deixa mais fortes, mas com a Eucaristia acontece o contrário. “Quando nos alimentamos de Jesus, nós nos transformamos n’Ele. Se, a partir de hoje, vocês sempre comungarem bem preparados, vocês irão crescendo e ficando com o ‘rosto de Jesus’, com o ‘jeito de Jesus’, vão viver a vida inteira com Jesus dentro da gente”. “Comungando Jesus vocês serão felizes, vão ter muita força para amar seu pai e sua mãe, os catequistas, os professores, os colegas, forças para viver uma vida diferente. A comunhão nos faz viver bem unidos”.
Uma pequena oração pelas crianças: “Hoje toda Igreja diz com vocês – ‘Fica conosco, Jesus!’. Senhor, não saia mais do coração de nossas crianças, que eles não sejam atraídas por coisas que não prestam, mas permaneçam sempre contigo”.

Homilia do Papa Francisco em Aparecida

Viagem Apostólica ao Brasil
Homilia do Papa Francisco
Santuário Nacional de Aparecida
Quarta-feira, 24 de julho de 2013

“Também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria”, afirma Papa Francisco

Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!

Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério de Sucessor de Pedro. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latinoamericano.

Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.

Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.

1. Conservar a esperança. A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo – que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.

2. A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Parnaíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.

3. A terceira postura: Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007]: Insegnamenti III/1 [2007], 861).

Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

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