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Santo Evangelho (Lc 15, 1-10)

31ª Semana Comum – Quinta-feira 08/11/2018 

Primeira Leitura (Fl 3,3-8a)
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses.

Irmãos, 3os verdadeiros circuncidados somos nós, que prestamos culto pelo Espírito de Deus, pomos a nossa glória em Cristo Jesus e não pomos confiança na carne. 4Aliás, também eu poderia pôr minha confiança na carne. Pois, se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu mais ainda. 5Fui circuncidado no oitavo dia, sou da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus. Em relação à Lei, fariseu, 6pelo zelo, perseguidor da Igreja de Deus; quanto à justiça que vem da Lei, sempre irrepreensível. 7Mas essas coisas, que eram vantagens para mim, considerei-as como perda, por causa de Cristo. 8aNa verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 104)

— Exulte o coração dos que buscam o Senhor!
— Exulte o coração dos que buscam o Senhor!

— Cantai, entoai salmos para ele, publicai todas as suas maravilhas! Gloriai-vos em seu nome que é santo, exulte o coração que busca a Deus!

— Procurai o Senhor Deus e seu poder, buscai constantemente a sua face! Lembrai as maravilhas que ele fez, seus prodígios e as palavras de seus lábios!

— Descendentes de Abraão, seu servidor, e filhos de Jacó, seu escolhido, ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus, vigoram suas leis em toda a terra.

 

Evangelho (Lc 15,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 4“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? 5Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, 6e, chegando à casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ 7Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. 8E se uma mulher tem dez moedas de prata e perde uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e a procura cuidadosamente, até encontrá-la? 9Quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que tinha perdido!’ 10Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Deodato – Papa em Roma

São Deodato, era o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem

O santo de hoje, cujo nome significa “dado por Deus”, foi por quarenta anos Padre em Roma antes de suceder ao Papa Bonifácio IV a 19 de outubro de 615. Em Roma, o Papa não era somente o Bispo e o Pai espiritual, mas também o guia civil, o juiz, o supremo magistrado, a garantia da ordem. Com a morte de cada pontífice, os romanos se sentiam privados de proteção, expostos às invasões dos bárbaros nórdicos ou às reivindicações do império do Oriente. A teoria dos dois únicos, Papa e imperador, que deviam governar unidos o mundo cristão, não encontrava grandes adesões em Constantinopla.

O Papa Deodato, entretanto, buscou o diálogo junto ao imperador intercedendo pelas necessidades de seu povo e, apesar do imperador mostrar-se pouco solícito para o bem do povo, enviou o exarca Eleutério para acabar com as revoltas de Ravena e de Nápoles. Foi a única vez que o Papa Deodato, ocupado em aliviar os desconfortos da população da cidade, nas calamidades acima referidas, teve um contato, se bem que indireto, com o imperador.

Foi inserido no Martirológio Romano, um episódio que revalidaria a fama de santidade que circundava este pontífice que guiou os cristãos em épocas tão difíceis: durante uma das suas frequentes visitas aos doentes, os mais abandonados, os que era atingidos pela lepra, teria curado um desses infelizes, após havê-lo amavelmente abraçado e beijado.

São Deodato morreu em novembro do ano 618, amado e chorado pelos romanos que tiveram a oportunidade de apreciar seu bom coração durante as grandes calamidades que se abateram sobre Roma nos seus três anos de Pontificado (inclusive um terremoto, que deu golpe de graça aos edifícios de mármore dos Foros, já devastados por sucessivas invasões bárbaras e horríveis epidemia).

São Deodato, rogai por nós!

Na Solenidade de Todos os Santos

Quarta-feira, 1 de novembro de 2017, Da Redação, com Santa Sé

Francisco destacou que os santos são pessoas que acolheram a luz de Deus em seu coração e a transmitiram ao mundo

Nesta quarta-feira, 1º, Solenidade de Todos os Santos, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro.

Em sua reflexão antes da oração, Francisco comparou os santos aos vitrais das igrejas, que deixam a luz entrar em diversas tonalidades de cor. “Os santos são nossos irmãos e irmãs que acolheram a luz de Deus em seu coração e a transmitiram ao mundo, cada um segundo a própria ‘tonalidade’. Mas todos foram transparentes, lutaram para tirar as manchas e a escuridão do pecado, de modo a fazer passar a luz de Deus. Este é o objetivo da vida, também para nós”.

O Santo Padre comentou ainda um trecho do Evangelho do dia, em que Jesus se dirige aos seus com a palavra “bem-aventurados”, enfatizando que quem está com Jesus é bem-aventurado, é feliz. “A felicidade não está em ter algo ou se tornar alguém, não, a felicidade verdadeira é estar com o Senhor e viver por amor”.

E os ingredientes para a vida feliz são as bem-aventuranças, lembrou o Papa, recordando que os bem-aventurados são os simples, os humildes que dão lugar a Deus, que sabem chorar pelos outros e pelos próprios erros, os mansos, os que lutam pela justiça, são misericordiosos com todos, protegem a pureza do coração, trabalham sempre pela paz e permanecem na alegria, não odeiam, e, mesmo quando sofrem, respondem ao mal com o bem.

Essas atitudes, destacou o Papa, não são para “super-homens”, mas para pessoas que vivem as provações e as dificuldades do dia a dia, e assim são os santos. Trata-se de pessoas que nunca perdem de vista o caminho de Jesus, aquele indicado nas bem-aventuranças, que são como o mapa da vida cristã.

“Hoje é a festa daqueles que alcançaram a meta indicada por este mapa: não somente os santos do calendário, mas tantos irmãos e irmãs ‘da porta ao lado’, que talvez encontramos e conhecemos. É uma festa de família, de tantas pessoas simples e escondidas que realmente ajudam Deus a levar adiante o mundo. E há tantos também hoje!”.

“A Mãe de Deus, Rainha dos Santos e Porta do Céu, interceda pelo nosso caminho de santidade e pelos nossos queridos que nos precederam e já partiram para a Pátria celeste”, concluiu o Papa.

Vós sois os prediletos de Jesus – Primeira Comunhão

FESTIVIDADE LITÚRGICA DO CORPO DE DEUS
HOMILIA DO PAPA SÃO JOÃO PAULO II ÀS CRIANÇAS DA PRIMEIRA COMUNHÃO
Quinta-feira, 14 de Junho de 1979

Caríssimos Meninos e Meninas! É grande a minha alegria ao ver-vos aqui, tão numerosos e tão cheios de fervor, para celebrardes com o Papa a Solenidade litúrgica do Corpo e do Sangue do Senhor! Saúdo a todos e cada um de vós em particular, com a mais profunda ternura, e agradeço-vos de coração terdes vindo renovar a vossa Santa Comunhão com o Papa e pelo Papa; e do mesmo modo agradeço aos vossos Párocos, sempre dinâmicos e zelosos, e aos vossos pais e parentes, que vos prepararam e acompanharam. Tenho ainda nos olhos o espetáculo impressionante das imensas multidões encontradas na minha viagem à Polônia; e eis agora o espetáculo das Crianças de Roma, eis a vossa maravilhosa inocência, os vossos olhos cintilantes e os vossos sorrisos irrequietos!
Vós sois os prediletos de Jesus: Deixai vir a Mim os pequeninos! —  dizia o Divino Mestre — não os impeçais (Lc 18, 16). Vós sois também os meus prediletos! Queridos meninos e meninas! Preparastes-vos para a vossa Primeira Comunhão com muito empenho e muita deligência, e o vosso primeiro encontro com Jesus foi um momento de intensa comoção e de profunda felicidade. Recordai-vos para sempre deste dia abençoado da Primeira Comunhão! Recordai-vos para sempre do vosso fervor e da vossa alegria puríssima! Agora também viestes aqui, para renovar o vosso encontro com Jesus.
Não podíeis fazer-me uma oferta mais bela nem mais preciosa! Muitos meninos já tinham expresso o desejo de receber a Primeira Comunhão das mãos do Papa. Certamente seria para mim grande consolação pastoral dar Jesus pela primeira vez aos meninos e às meninas de Roma. Mas isto não é possível; e depois é melhor cada menino receber a sua Primeira Comunhão na própria Paróquia, do próprio Pároco. Mas pelo menos é-me possível hoje dar a Sagrada Comunhão a uma representação vossa, tendo presente no meu amor todos os outros, neste vasto e magnífico Cenáculo! E é esta, para mim e para vós, uma alegria imensa que não esqueceremos nunca mais.
Ao mesmo tempo, quero deixar-vos alguns pensamentos, que vos possam servir para manterdes sempre límpida a vossa fé, fervoroso o vosso amor a Jesus Eucarístico, e inocente a vossa vida.

1. Jesus está presente conosco.
Eis o primeiro pensamento. Jesus ressuscitou e subiu ao céu; mas quis ficar conosco e para nós, em todos os lugares da terra. A Eucaristia é realmente uma invenção divina! Antes de morrer na Cruz, oferecendo a sua vida ao Pai em sacrifício de adoração e de amor, Jesus instituiu a Eucaristia, transformando o pão e o vinho na sua mesma Pessoa e dando aos Apóstolos e aos seus sucessores, os Bispos e os Sacerdotes, o poder de O tornarem presente na Santa Missa. Jesus, por conseguinte, quis ficar conosco para sempre! Jesus quis unir-se intimamente a nós na Sagrada Comunhão, para nos mostrar o seu amor direta e pessoalmente. Cada um pode dizer: “Jesus ama-me! Eu amo a Jesus”; Santa Teresa do Menino Jesus, recordando o dia da sua Primeira Comunhão, escrevia: “Oh, como foi doce o primeiro beijo que Jesus deu à minha alma!… Foi beijo de amor, sentia-me amada e dizia por minha vez: ‘amo-vos, ofereço-me a vós para sempre’… Teresa tinha desaparecido como gota de água que se perde no meio do oceano. Ficava só Jesus: o mestre, o Rei” (Teresa de Lisieux, Storia di un’anima: Ediz, Queriniana, 1974, Man. A, Cap. IV, pág. 75). E pôs-se a chorar de alegria e consolação, entre o espanto das companheiras. Jesus está presente na Eucaristia para ser encontrado, amado, recebido e consolado. Onde quer que esteja um sacerdote, ali está presente Jesus, porque a missão e a grandeza do Sacerdote é precisamente a celebração da Santa Missa. Jesus está presente nas grandes cidades e nas pequenas povoações, nas igrejas de montanha a nas longínquas cabanas da África e da Ásia, nos hospitais e nas prisões; até nos campos de concentração estava presente Jesus Eucarístico! Queridos meninos! Recebei Jesus com frequência! Permanecei n’Ele; deixai-vos transformar por Ele!

2. Jesus é o vosso maior amigo.
Eis o segundo pensamento. Não o esqueçais nunca! Jesus quer ser o nosso amigo mais íntimo, o nosso companheiro de caminho. Sem dúvida tereis muitos amigos; mas não podeis estar sempre com eles e nem sempre eles vos podem ajudar, ouvir e confortar. Jesus, pelo contrário, é o amigo que não vos abandona nunca; Jesus conhece-vos um por um, pessoalmente; conhece o vosso nome, segue-vos, acompanha-vos, caminha convosco todos os dias; participa nas vossas alegrias e conforta-vos nos momentos de aflição e de tristeza. Jesus é o amigo de que não podemos prescindir, uma vez que o encontramos e compreendemos que nos ama e quer o nosso amor. Com Ele podeis falar, abrir-vos; a Ele podeis dirigir-vos com afeto e confiança. Jesus morreu nada menos que na Cruz por amor de nós! Fazei um pacto de amizade com Jesus e não o interrompais nunca! Em todas as situações da vossa vida, dirigi-vos ao Amigo Divino, presente em nós com a sua “Graça”, presente conosco e em nós na Eucaristia. E sede também os mensageiros e as testemunhas alegres do Amigo Jesus nas vossas famílias, entre os vossos colegas, nos lugares dos vossos divertimentos e das vossas férias, nesta sociedade moderna, muitas vezes tão triste e insatisfeita.

3. Jesus espera-nos!
Eis o último pensamento. A vida, longa ou breve, é uma viagem para o Paraíso: é lá a nossa Pátria, é lá a nossa verdadeira casa; é lá o nosso encontro! Jesus espera-nos no Paraíso! Não esqueçais nunca esta verdade suprema e confortante. E que é a Sagrada Comunhão senão um Paraíso antecipado? De fato, na Eucaristia é o próprio Jesus que nos espera e encontrá-lo-emos um dia face a face no Céu. Recebei Jesus com frequência, para nunca esquecerdes o Paraíso, para estardes sempre a caminho da casa do Pai Celeste, para saboreardes já um pouco o Paraíso! Isto tinha-o compreendido Domingos Sávio, que aos sete anos conseguiu licença de receber a Primeira Comunhão, e naquele dia escreveu os seus propósitos: “Primeiro: confessar-me-ei com muita frequência e farei a Comunhão todas as vezes que o confessor me der licença. Segundo: quero santificar os dias festivos. Terceiro: os meus amigos serão Jesus e Maria. Quarto: a morte, mas não pecados”. Isto que o pequeno Domingos escrevia há tantos anos (em 1849); vale ainda agora e valerá para sempre.

Caríssimos, concluo dizendo-vos, meninos e meninas, mantende-vos dignos de Jesus que recebeis! Sede inocentes e generosos! Empenhai-vos em tornar a vida bela a todos, com obediência, com gentileza, com boa educação! O segredo da alegria é a bondade! E a vós, pais e parentes, digo com ansiedade e confiança: amai os vossos meninos e meninas, respeitai-os, edificai-os! Sede dignos da sua inocência e do mistério encerrado na sua alma, criada diretamente por Deus! Eles têm necessidade de amor, de delicadeza, de bom exemplo e de maturidade! Não os descureis. Não os atraiçoeis! Confio todos vós a Maria Santíssima, a nossa Mãe do céu, a Estrela do mar da nossa vida: implorai-a todos os dias, vós, meninos e meninas! Dai-Lhe, a Maria Santíssima; a vossa mão para que vos conduza a receber santamente Jesus. E dirijamos também um pensamento de afeto e de solidariedade a todas as crianças que sofrem; a todas as crianças que não podem receber Jesus porque não O conhecem, a todos os pais que foram dolorosamente privados dos seus filhos ou estão desiludidos e amargurados nas suas expectativas. No vosso encontro com Jesus rezai por todos, recomendai todos, invocai graças e auxílios para todos! E pedi também por mim, vós que sois os meus prediletos!
© Copyright 1979 – Libreria Editrice Vaticana

 

“A primeira comunhão das crianças é um incentivo para que elas se tornem verdadeiras discípulas de Jesus Cristo e continuem esse processo da fé, com a crisma e a catequese permanente, onde elas possam realmente aprofundar sua fé”.
A “Eucaristia é fundamental para a família”, porque é o “alimento para nossa caminhada”. “Nós somos seres fracos, limitados e precisamos de alguma coisa que nos sustente, e a Eucaristia é justamente isso. Além da Eucaristia ser sempre vivida em comunidade, e é muito importante que as crianças sejam inseridas numa comunidade, sejam acolhidas e possam ser também protagonistas da fé no meio das outras crianças”.
Pergunta às crianças: se quando elas se confessaram sentiram alegria no coração? E agradeceu a Deus porque as crianças tiveram pais que as ajudaram a entender que Jesus é importante em suas vidas e é o nosso Salvador. Agradeceu ainda porque elas foram batizadas e, naquele dia, aconteceu a graça mais importante para nas suas vidas: “Jesus as tornou filhas de Deus. Nós entramos numa família que tem um Pai que é o melhor pai de todos, que nos fez descobrir que temos muitos irmãos e irmãs”.
“Vocês que receberam esse cuidado de Jesus pensem que têm muitas outras crianças que estão esperando para conhecer Jesus, e que as crianças sabem falar de Jesus para outras crianças”. O tempo foi passando e vocês encontraram na Igreja um padre que é como um pai que cuida de nós assim como o pastor cuida de uma ovelhinha, e conheceram os catequistas que as ajudaram a conhecer Jesus. “Hoje, Jesus dá a vocês o maior presente da vida, desde o batismo. Ele não queria ficar longe de nós. Jesus veio ao mundo, se fez criança, foi crescendo como cada um de nós, morou na sua família e depois quis ser pregado na cruz, morreu e ressuscitou, mas Ele não queria voltar para o céu sem ficar no meio de nós. Então, o que Ele criou para nós é o que vocês vão receber hoje, pela primeira vez: ‘o corpo e o sangue de Jesus na Eucaristia'”.
Quando comemos uma comida ela se transforma na gente, nos deixa mais fortes, mas com a Eucaristia acontece o contrário. “Quando nos alimentamos de Jesus, nós nos transformamos n’Ele. Se, a partir de hoje, vocês sempre comungarem bem preparados, vocês irão crescendo e ficando com o ‘rosto de Jesus’, com o ‘jeito de Jesus’, vão viver a vida inteira com Jesus dentro da gente”. “Comungando Jesus vocês serão felizes, vão ter muita força para amar seu pai e sua mãe, os catequistas, os professores, os colegas, forças para viver uma vida diferente. A comunhão nos faz viver bem unidos”.
Uma pequena oração pelas crianças: “Hoje toda Igreja diz com vocês – ‘Fica conosco, Jesus!’. Senhor, não saia mais do coração de nossas crianças, que eles não sejam atraídas por coisas que não prestam, mas permaneçam sempre contigo”.

Milagre do Casamento

Por Pe. Inácio José Schuster

A Bíblia narra um milagre extraordinário, operado por Jesus Cristo, nosso Senhor. É o relato de como um casamento foi tocado pelo poder de Deus, e de como o seu casamento poderá ser tocado também!

Observemos o relato bíblico: ‘Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três medidas. Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele’ (Jo 2, 1-11).

Este foi o primeiro milagre que Jesus realizou, e não é em vão que tenha acontecido justamente num casamento! As Escrituras dão testemunho através disto, mostrando-nos que antes de Jesus realizar qualquer outro milagre de cura, libertação, etc. está interessado em agir nos casamentos. A família tem prioridade no plano de Deus, pois Ele não a criou para o fracasso, e sim para ser bem sucedida. Percebemos também que o milagre ocorrido deu-se em torno de haver ou não VINHO, que na Bíblia é uma figura de alegria (Sl 104, 15).

Nos casamentos, o que vemos e ouvimos é que o vinho sempre acaba. Pessoas que viviam embriagadas de amor pelo cônjuge, assistem perplexos seus sentimentos desaparecerem. O matrimônio, de maneira geral está falido, pois o vinho sempre acaba. Mas quando Jesus está presente aí é que se estabelece a diferença! Milagres acontecem e ele traz vinho novo aonde já não mais existia. Mas perceba que o milagre aconteceu porque Jesus estava lá. Ele e seus discípulos foram convidados para simplesmente estarem nas bodas; não receberam um chamado de última hora só porque os noivos precisavam de um milagre. Ele havia sido chamado para estar junto… E porque estava presente, operou o milagre!

De maneira semelhante, se você quer um casamento que dure, que sobreviva à falta do vinho (alegria), convide o Senhor Jesus para estar presente. Não espere a crise chegar, cultive sempre a presença dele por meio de oração e leitura da Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. E não apenas leia, mas pratique a Palavra, pois o milagre acontece aonde há obediência; foi dito aos serventes que fizessem tudo o que Jesus mandasse, e porque fizeram sem questionar se era racional ou não, receberam o milagre.

Podemos observar ainda algumas figuras neste texto:
– O NÚMERO 6 – Havia seis talhas. Na Bíblia, este número sempre fala de algo que é humano. É chamado número de homem (Ap 13, 18). Portanto, percebemos que o milagre não depende só de Deus, mas há uma participação e um fator humano ligado a este milagre no casamento.
– AS TALHAS – O significado espiritual destas talhas está apontando para a parte que nos toca no que tange a receber o milagre de Deus. O seis fala do homem, e aqui entendemos nossa participação no milagre. As talhas eram o recipiente para o vinho que o Senhor Jesus transformaria. Normalmente eram pedras talhadas, cavadas. Isto sugere o quão duro somos no que tange aos relacionamentos e o quanto precisamos ser trabalhados por Deus em nossa forma de ser e agir no matrimônio. Quanto mais cavados nos deixamos ser pelo agir de Deus, maior será nosso potencial para receber o vinho. Uma pedra pouco cavada, comporta pouco vinho, mas uma pedra bem trabalhada comporta mais vinho!
– A ÁGUA – Era a matéria prima necessária para que o milagre pudesse acontecer. Não havia água nas talhas, Jesus foi quem mandou enchê-las. A água simboliza a Palavra e também o Espírito Santo. Nos lares onde o vinho chega a acabar, e todo o prazer do relacionamento desaparece, temos percebido que além dos erros cometidos na esfera natural, havia também falta de água; não havia o cultivo diário da presença de Deus por sua Palavra (lida e praticada) e a presença viva de seu Espírito. Creio ser esta a chave do milagre.

É importante se deixar ser trabalhado (o que é diferente de ser manipulado pelo cônjuge) na forma de se relacionar, mas se estas talhas não forem cheias da presença de Deus o vinho não aparecerá! Vale também ressaltar que quanto mais água aqueles servos colocassem nas talhas, mais vinho haveria; ou seja, o milagre de Deus em nosso casamento esta diretamente relacionado com o investimento que fazemos em cultivar Sua presença.

Finalizando, quero chamar sua atenção para a qualidade do milagre. Jesus deu o que havia de melhor em matéria de vinho, a ponto de o mestre-sala se impressionar e comentar que normalmente se bebe o melhor vinho e, depois de o terem desfrutado, oferece-se o inferior. Assim é com a maioria dos relacionamentos conjugais; bebem o melhor vinho nos primeiros anos, depois a qualidade cai e assim é até que acabe. Mas quando Deus faz um milagre, o que se experimenta é algo inédito, muito superior a tudo o que já se experimentou até então. Deus nos dá o melhor, sempre!

Deixe Deus ser não apenas o Criador do matrimônio, mas aquele que oferece toda manutenção necessária. Quando isto acontece, não somente somos beneficiados com um lar melhor, mas Deus recebe a honra e glória devidas. O vinho dos lares cristãos deve ser o da mais alta qualidade… Se você reconhece que o vinho acabou (ou está quase acabando) em seu matrimônio, creia na vontade de Deus de agir nos casamentos. Renove o convite ao Senhor Jesus para estar em seu lar, pratique estes princípios espirituais e seja feliz como o Pai Celestial sempre quis que cada casal fosse!

Homilia do Papa Francisco em Aparecida

Viagem Apostólica ao Brasil
Homilia do Papa Francisco
Santuário Nacional de Aparecida
Quarta-feira, 24 de julho de 2013

“Também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria”, afirma Papa Francisco

Venerados irmãos no episcopado e no sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!

Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério de Sucessor de Pedro. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latinoamericano.

Queria dizer-lhes, primeiramente, uma coisa. Neste Santuário, seis anos atrás, quando aqui se realizou a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, pude dar-me conta pessoalmente de um fato belíssimo: ver como os Bispos – que trabalharam sobre o tema do encontro com Cristo, discipulado e missão – eram animados, acompanhados e, em certo sentido, inspirados pelos milhares de peregrinos que vinham diariamente confiar a sua vida a Nossa Senhora: aquela Conferência foi um grande momento de vida de Igreja. E, de fato, pode-se dizer que o Documento de Aparecida nasceu justamente deste encontro entre os trabalhos dos Pastores e a fé simples dos romeiros, sob a proteção maternal de Maria. A Igreja, quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: “Mostrai-nos Jesus”. É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado. E, por isso, a Igreja sai em missão sempre na esteira de Maria.

Assim, de cara à Jornada Mundial da Juventude que me trouxe até o Brasil, também eu venho hoje bater à porta da casa de Maria, que amou e educou Jesus, para que ajude a todos nós, os Pastores do Povo de Deus, aos pais e aos educadores, a transmitir aos nossos jovens os valores que farão deles construtores de um País e de um mundo mais justo, solidário e fraterno. Para tal, gostaria de chamar à atenção para três simples posturas: Conservar a esperança; deixar-se surpreender por Deus; viver na alegria.

1. Conservar a esperança. A segunda leitura da Missa apresenta uma cena dramática: uma mulher – figura de Maria e da Igreja – sendo perseguida por um Dragão – o diabo – que quer lhe devorar o filho. A cena, porém, não é de morte, mas de vida, porque Deus intervém e coloca o filho a salvo (cfr. Ap 12,13a.15-16a). Quantas dificuldades na vida de cada um, no nosso povo, nas nossas comunidades, mas, por maiores que possam parecer, Deus nunca deixa que sejamos submergidos. Frente ao desânimo que poderia aparecer na vida, em quem trabalha na evangelização ou em quem se esforça por viver a fé como pai e mãe de família, quero dizer com força: Tenham sempre no coração esta certeza! Deus caminha a seu lado, nunca lhes deixa desamparados! Nunca percamos a esperança! Nunca deixemos que ela se apague nos nossos corações! O “dragão”, o mal, faz-se presente na nossa história, mas ele não é o mais forte. Deus é o mais forte, e Deus é a nossa esperança! É verdade que hoje, mais ou menos todas as pessoas, e também os nossos jovens, experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer. Frequentemente, uma sensação de solidão e de vazio entra no coração de muitos e conduz à busca de compensações, destes ídolos passageiros. Queridos irmãos e irmãs, sejamos luzeiros de esperança! Tenhamos uma visão positiva sobre a realidade. Encorajemos a generosidade que caracteriza os jovens, acompanhando-lhes no processo de se tornarem protagonistas da construção de um mundo melhor: eles são um motor potente para a Igreja e para a sociedade. Eles não precisam só de coisas, precisam sobretudo que lhes sejam propostos aqueles valores imateriais que são o coração espiritual de um povo, a memória de um povo. Neste Santuário, que faz parte da memória do Brasil, podemos quase que apalpá-los: espiritualidade, generosidade, solidariedade, perseverança, fraternidade, alegria; trata-se de valores que encontram a sua raiz mais profunda na fé cristã.

2. A segunda postura: Deixar-se surpreender por Deus. Quem é homem e mulher de esperança – a grande esperança que a fé nos dá – sabe que, mesmo em meio às dificuldades, Deus atua e nos surpreende. A história deste Santuário serve de exemplo: três pescadores, depois de um dia sem conseguir apanhar peixes, nas águas do Rio Parnaíba, encontram algo inesperado: uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Quem poderia imaginar que o lugar de uma pesca infrutífera, tornar-se-ia o lugar onde todos os brasileiros podem se sentir filhos de uma mesma Mãe? Deus sempre surpreende, como o vinho novo, no Evangelho que ouvimos. Deus sempre nos reserva o melhor. Mas pede que nos deixemos surpreender pelo seu amor, que acolhamos as suas surpresas. Confiemos em Deus! Longe d’Ele, o vinho da alegria, o vinho da esperança, se esgota. Se nos aproximamos d’Ele, se permanecemos com Ele, aquilo que parece água fria, aquilo que é dificuldade, aquilo que é pecado, se transforma em vinho novo de amizade com Ele.

3. A terceira postura: Viver na alegria. Queridos amigos, se caminhamos na esperança, deixando-nos surpreender pelo vinho novo que Jesus nos oferece, há alegria no nosso coração e não podemos deixar de ser testemunhas dessa alegria. O cristão é alegre, nunca está triste. Deus nos acompanha. Temos uma Mãe que sempre intercede pela vida dos seus filhos, por nós, como a rainha Ester na primeira leitura (cf. Est 5, 3). Jesus nos mostrou que a face de Deus é a de um Pai que nos ama. O pecado e a morte foram derrotados. O cristão não pode ser pessimista! Não pode ter uma cara de quem parece num constante estado de luto. Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos o quanto Ele nos ama, o nosso coração se “incendiará” de tal alegria que contagiará quem estiver ao nosso lado. Como dizia Bento XVI: «O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não há futuro” (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida [13 de maio de 2007]: Insegnamenti III/1 [2007], 861).

Queridos amigos, viemos bater à porta da casa de Maria. Ela abriu-nos, fez-nos entrar e nos aponta o seu Filho. Agora Ela nos pede: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2,5). Sim, Mãe nossa, nos comprometemos a fazer o que Jesus nos disser! E o faremos com esperança, confiantes nas surpresas de Deus e cheios de alegria. Assim seja.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

Eutrapelia: a virtude da “boa risada”

Grandes santos praticaram essa virtude como São Filipe Neri, São Francisco de Sales e São João Bosco
Por Paolo Gulisano

ROMA, 23 de Março de 2015 (Zenit.org) – Eutrapelia? Sim, vocês leram bem. Que palavra é essa? É nada mais e nada menos do que uma virtude. Uma virtude comentada por grandes filósofos gregos, como Aristóteles, e que mais tarde tornou-se uma virtude cristã, querida por São Tomás de Aquino, São Filipe Neri, São Francisco de Sales, São João Bosco.
Até mesmo Dante Alighieri falou da eutrapelia no Convivio, definindo-a como a décima virtude do cristão, a penúltima antes da Justiça e depois da Fortaleza, Temperança, Liberalidade, Magnificência, Magnanimidade, ‘Amativa de honra’, Mansidão, Afabilidade e a Verdade. “A décima – escreve Alighieri – chama-se Eutrapelia, que nos modera nas diversões e nos faz usá-la corretamente”.
Portanto, esta palavra antiga, hoje, infelizmente, esquecida, Eutrapelia, ou seja – do grego – “alegria, brincadeira, bom humor” é uma virtude importante, que também se traduziu em arte, uma arte especial, que felizmente nunca sai de moda durante séculos, e que se expressa por meio da literatura, do teatro, do desenho e muito mais. É a arte de fazer as pessoas rirem. O bom humor, muito diferente da sátira, que consiste não tanto no ri, mas no zombar.
A Eutrapelia é uma virtude que deveria ser recuperada, em uma época que oscila entre uma soberba seriedade cheia de si e uma sátira maldosa, corrosiva. Predomina em suma a gargalhada desbocada, onde em vez disso precisamos de um sorriso bom.
A Eutrapelia é uma virtude relacionada com a modéstia: nos ajuda a não dar demasiada importância e a não sermos orgulhosos. Chesterton, um grande Eutrapelico, dizia que a razão pela qual os anjos voam é que levam as coisas com leveza.
A diversão, portanto, não é um fim, mas um meio para melhorar-nos: a virtude do bom humor nos dá aquela forma de desapego e de elegância espiritual que consente captar e apreciar os lados jocosos da vida: virtude de santos, de místicos e de todos aqueles que não hesitam em lançar-se com entusiasmo na resposta ao convite de Cristo.
Entre os santos, grandes exemplos dessa virtude eram São Francisco de Assis, São Filipe Neri, mas também São Francisco de Sales, que na sua Filoteia especificava as características de um bom humorismo cristão que, em primeiro lugar, deve alegrar o coração e não ofender ninguém.
Um dos piores defeitos do espírito é o de ser zombeteiro: Deus odeia muito este vício e sabemos que o puniu com castigos exemplares.
Nenhum vício é tão contrário à caridade, e mais ainda à devoção, do que o desprezo e a zombaria do próximo.
O escárnio e a zombaria, de fato, se fundamentam na presunção e no desprezo dos outros, e este é um pecado muito grave: o escárnio é um modo horrível de ofender o próximo com palavras; as outras ofensas sempre salvam, pelo menos em parte, a estima pela pessoa, o escárnio, pelo contrário, não economiza nada.
Muito diferente são as brincadeiras entre amigos, que se fazem com alegria e serenidade, diz Francisco de Sales: “Trata-se, na verdade de uma virtude na qual os Gregos davam o nome de eutrapelia: nós chamamos de boa conversa. É o modo de ter uma recriação honesta e amável sobre as situações cômicas nas quais os defeitos dos homens dão ocasião.
É necessário só ter cuidado para não passar das piadas para o escárnio. A zombaria provoca a risada por falta de estima e por desprezo do próximo; pelo contrário, a piada alegre e a brincadeira provocam a risada por causa da surpresa, as combinações imprevisíveis feitas na confiança e sinceridade amigável; e sempre com muita cortesia da linguagem”.
Parece ser que escritores cristãos ricos de bom humor como Giovannino Guareschi, o criador de Don Camillo e Peppone, ou Chesterton de Padre Brown, ou o escritor escocês Bruce Marshall, foram alunos diligentes de Francisco de Sales e Dom Bosco.
Desde menino o Santo de Valdocco sempre se dedicou a divertir os seus amigos com jogos de malabarismo.
Ele agradava a todos e de todos atraía a benevolência, a afeição, e a estima. Quando começou a sua obra de educador, os jovens começaram a vir à ele para jogar e brincar, depois para escutar histórias, depois para fazer as tarefas da escola.
Um santo que entretinha seus discípulos nas brincadeiras e travessuras honestas e agradáveis, jogos de habilidade, e até mesmo truques de mágica.
A virtude da Eutrapelia era conatural a ele, e manifestava a tranquilidade inalterável da sua alma.
Poder-se-ia dizer que In risu veritas: a Verdade se encontra na boa risada, no bom humor.
O humor é uma realidade especificamente humana: a sua essência reside na ligação profunda com a emotividade, com a interioridade mais atávica e instintiva do homem.
Para aqueles que dizem que o cristianismo é chato, que é um conjunto de regras morais que tiraram a felicidade do homem e os prazeres que (a condicional é uma obrigação) teriam vindo a ele pelo paganismo, pode se responder com a alegria de viver como santos, que demonstram que a vida é bela, também quando nos parece dura, também quando nos fere, também quando nos parece um jogo perdido, porque tem um sentido.
A Tristeza é a sombra do diabo: para expulsá-la, precisamos de uma boa dose de Eutrapelia!

As dez lições do Papa Francisco

A visita do religioso ao Brasil foi marcada por diversos ensinamentos

Papa Francisco teve o sorriso como uma de suas marcas registradas; com o gesto, revelou e pediu alegria

Mais do que o sorriso, o abraço acolhedor, o olhar firme e os discursos, o que marcou a visita do papa Francisco ao Brasil foram os seus ensinamentos. Lições, como pontuam teólogos e religiosos, pautadas no exemplo. “Ele fala com ações, como prega o Evangelho”, observou dom frei Rubens Sevilha, bispo auxiliar de Vitória.

O papa chegou ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), carregando sua própria mala. Também foi embora levando-a ele próprio, seis dias depois. Há muito já havia abdicado da casa, dos trajes e dos adereços suntuosos. Andou em um carro simples e não se furtou em estar próximo do povo. Abraçou, acolheu. “O primeiro grande discurso do papa Francisco é ele mesmo. A própria pessoa dele está sendo o sermão”, observou dom Sevilha.

O sumo pontífice chamou a atenção para valores que andam meio esquecidos – família, respeito, amor ao próximo, inclusão social – e convocou autoridades e povo a serem mais solidários. “Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo”, declarou.

Com a experiência dos seus 76 anos, o papa lembrou aos jovens que não devem desanimar nem perder a confiança. Ao mesmo tempo destacou que, apesar de viverem em uma sociedade que valoriza o momento, a juventude deve se manter fiel a seus valores. “Nadem contra a maré. Tenham a coragem de ser felizes”, disse.

Veja as lições deixadas pelo Papa

1. Alegria
Foi com um enorme sorriso que o papa Francisco surgiu ao sair do avião, em solo brasileiro, no último dia 22. E o sorriso se repetiu em cada canto que o pontífice visitou. Na missa celebrada no Santuário Nacional de Aparecida (SP), o papa foi explícito em seu pedido, por uma vida mais alegre: “Conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria.”

2. Esperança … e por falar em esperança: ela também ficou evidente em vários discursos do sumo pontífice. Em um hospital com ala de recuperação de usuários de drogas, ele afirmou: “Ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Olhem para a frente com confiança, a travessia é longa e cansativa, mas olhem para a frente. Nunca percamos a esperança. Deus é nossa esperança.”

3. Solidariedade
Para o Papa, este é um exemplo que pode ser dado pelos mais simples. E fez apelo por justiça social: “Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário.” Convocou a todos a saírem de seus guetos, destaca padre Anderson Gomes, lembrando os que estão sendo excluídos de uma sociedade pautada em valores econômicos: os jovens e os idosos.

4. Simplicidade … a começar pelo seu nome, Francisco. “Revela um compromisso com a humildade”, pontua o teólogo Edebrande Cavalieri. O papa usa roupas e carros simples, carrega sua mala (foto), divide uma casa com outros bispos. Não dá valor ao poder, à riqueza, a bens provisórios. Quer a Igreja sem ostentação, sem os “príncipes da fé”. “Ele está no auge, é papa, mas para ele isso não é nada”, resume padre Anderson Gomes.

5. Proximidade
Papa Francisco quer a Igreja mais próxima de seus fiéis. Quer uma igreja que atinja a todos dentro de suas próprias culturas, respeitando a diversidade. Ele insiste que os sacerdotes deixem a sacristia e tomem as ruas, dando especial atenção às periferias – não só das cidades, mas também aos segmentos marginalizados da sociedade. “O que leva a mudar os corações dos cristãos é justamente a missionariedade”, declarou. E ele mesmo foi exemplo. Quebrou protocolos para estar junto daqueles que tanto o aguardaram. Nunca um papa foi tão beijado e (calorosamente) abraçado. Acolheu e foi acolhido.

6. Coragem
O Papa não tem medo. Optou por um papamóvel sem vidros para estar próximo do povo. “Ninguém morre de véspera”, afirmou Francisco. Mas, acima de tudo, não tem medo da mudança, de romper estruturas, de dizer o que pensa e de lutar pelo que acredita. Exemplo disso foram as críticas feitas à instituição, que chamou de “atrasada” e com “estruturas caducas”. Foi assim que convocou os jovens a serem revolucionários, a “terem a coragem de serem felizes”.

7. Diálogo
A “cultura do encontro” também foi defendida pelo papa Francisco em sua visita ao Brasil. Ele afirmou que, “entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo”. “O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade”, afirmou Francisco. E completou: “Quando os líderes me pedem um conselho, a minha resposta é a mesma: diálogo, diálogo, diálogo”.

8. Valores
Valores que andam, muitas vezes, esquecidos na sociedade de hoje foram destacados durante as homilias e os discursos do líder da Igreja Católica: família, casamento, solidariedade, inclusão social, respeito ao próximo, fraternidade, honestidade. O papa Francisco chegou a perguntar aos fiéis, durante encontro com os 15 mil voluntários da JMJ: “Casamento saiu de moda?”. Recebeu de volta a resposta, em coro: “Não”.

9. Transparência
O Papa não foge de temas desfavoráveis à Igreja Católica, tais como pedofilia, a homossexualidade, os desvios ocorridos no banco do Vaticano. Um exemplo de honestidade e franqueza que deve ser seguido por todos. “Ele deixa claro que esta é uma virtude que o ser humano deve buscar”, assinala padre Anderson Gomes.

10. Espiritualidade
Além dos gestos concretos, Francisco fez questão de mostrar a importância da espiritualidade em sua vida ao ir até o Santuário de Nacional de Aparecida (SP) e rezar, sozinho, diante da imagem de Nossa Senhora. Lá encontrou-se com judeus, muçulmanos e evangélicos. E, em quase todos os lugares a que foi, pediu, com humildade: “Rezem por mim. Necessito”.

 

DEZ LIÇÕES DE VIDA DO PAPA FRANCISCO

01 – Seja desapegado.

02 –  Honestidade, bondade, verdade.

03 – Relacionar-se com várias pessoas, não só no conforto familiar.

04 – Misturar-se com o povo esclarece e humaniza.

05 – Seja inserido em grupos de trabalho, de lazer, da igreja, com discrição.

06 – Conviva com profissionais de outras áreas, de outras religiões, de outros grupos.

07 – Priorize a proximidade entre seus membros.

08 – Renuncie a ser conhecido pelos títulos que possui.

09 – Todo mundo peca, até o Papa peca”, seja mais compassivo consigo mesmo.

10 – A amizade é uma relação transformadora, de profundo engajamento que requer atenção e doação.

 

AS DEZ LIÇÕES DE LIDERANÇA DO PAPA FRANCISCO
Conheça o modelo de gestão do pontífice, que inspira e atrai seguidores  

Transparente, generoso, disponível e, principalmente, carismático. Na avaliação de especialistas em gestão, ouvidos por Época NEGÓCIOS, o papa Francisco é o líder certo, na hora certa. Ao menos para a Igreja Católica, instituição que tenta reverter uma imagem de organização arcaica e que lida com a notória perda de fiéis em todo o mundo – dados do último Censo mostram que, apenas no Brasil, a Igreja perdeu 465 fiéis por dia entre os anos 2000 e 2010.

Daniela Simi, diretora do Hay Group, pondera: é preciso lembrar que o papel de líder não se restringe ao de ser carismático. “Não se pode pressupor que, para ser líder, tem que ter carisma. Você pode ser generoso, estar próximo e disponível, ser transparente e não necessariamente ser carismático.”

Para Van Marchetti, diretora da Attitude Plan, carisma em excesso pode até mesmo ser um problema. “O líder que é visto só como bonzinho perde autoridade. Quando se vive um momento que exige grandes mudanças, é preciso ser firme. Ele, ao que me parece, consegue fazer esse contrapeso.”

Na avaliação de Homero Reis, coach ontológico e sócio-diretor da Homero Reis e Consultores, os desafios do Papa Francisco à frente da Igreja são semelhantes aos desafios enfrentados por muitas corporações e líderes ao longo da história. “Não vivemos em mundos perfeitos, vivemos em mundos possíveis. O papel do líder não é viver a perfeição, mas viver a possibilidade. O que dá pra fazer dentro dessa instituição? Não dá pra fazer tudo, mas alguns resultados, com certeza ele conseguirá atingir.”

Abaixo, listamos os principais pontos no perfil de liderança do Papa Francisco, destacados pelos especialistas.

Transparência  
Homossexualismo, mau uso do dinheiro, ostentação, perda de fiéis. Em passagem pelo Brasil, o papa Francisco falou dos temas mais espinhosos para a Igreja. No mundo corporativo, gestor que não tem transparência, perde credibilidade.

Generosidade  
Mesmo sob os holofotes, Francisco se colocou em posição de igualdade perante os fiéis que se aproximavam. Está com os dias contados o líder que quer aparecer sozinho, não dá espaço para seus liderados se destacarem e faz de tudo para não perder recursos para outras áreas.

Participação
Como gestor, o papa Francisco não se restringe a fazer o trabalho de gabinete. Ele vai às ruas e coloca a mão na massa. Líder que também executa vira exemplo positivo e sabe cobrar melhor.

Proximidade
Descer de um automóvel em plena carreata e parar para conversar com fiéis. Essas foram cenas que se repetiram na visita do papa Francisco. Ao gestor, não basta dizer que mantém suas portas abertas. É preciso estar realmente disponível. Mais ainda, é preciso demonstrar interesse pela equipe.

Coerência
Usar um carro popular em sua aparição oficial, adotar a simplicidade em sua hospedagem, no modo de se vestir etc. As atitudes do papa casam perfeitamente com seu discurso contra a ostentação e a busca desenfreada por bens materiais.

Objetividade  
A mesma simplicidade das atitudes do papa Francisco pode ser observada em seu discurso. Palavras fáceis, mensagens diretas, uso de metáforas e foco na solução.

Motivação
Como líder, o papa trabalha o lado emocional das pessoas. Dessa maneira, eleva o entusiasmo dos fiéis, gera a percepção de que todos fazem parte de algo maior e angaria a confiança do público.

Referência
A imagem de integridade moral que o papa Francisco transmite tem capacidade de criar seguidores. No papel de líder, ele se transforma em uma referência a ser seguida.

Inspiração
Quando um líder inspira sua equipe, propicia a geração de mudança, cria um ambiente favorável a transformações. E essa é uma mudança que não é outorgada, mas que acontece de dentro para fora.

Autocracia  
Se em suas aparições públicas o papa Francisco transmite uma imagem de bonzinho, nos bastidores, é um líder assertivo. No Vaticano, ao assumir, cortou equipe e trabalha apenas com quem confia. Investigou as pessoas mais próximas, tem metas e objetivos claros, determinou papéis e cobra resultados. Em um momento tenso, que exige uma grande mudança, ser firme é necessário.

(Fontes: Daniela Simi, diretora do Hay Group; Homero Reis, coach ontológico e sócio-diretor da Homero Reis e Consultores e Van Marchetti, diretora da Attitude Plan.)

Papa Francisco: Famílias, vós sois a esperança da Igreja e do mundo

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-familias-vos-sois-a-esperanca-da-igreja-e-do-mundo-99247

Papa Francisco na Festa das Famílias em Dublin. Foto: Rudolf Gehrig / EWTN Germany.

DUBLIN, 25 Ago. 18 / 07:06 pm (ACI).- Ao presidir a Festa das Famílias na capital Dublin (Irlanda), o Papa Francisco assegurou que as famílias “são a esperança da Igreja e do mundo”.

No evento, no marco do Encontro Mundial das Famílias, o Santo Padre destacou que “Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criaram a humanidade à sua imagem para fazê-la partícipe de seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse dessa paz que só ele pode dar”.

Diante de mais de 70.000 pessoas reunidas no estádio Croke Park Stadium, o Papa destacou que “É bom estar aqui! É bom celebrar, porque nos torna mais humanos e mais cristãos. Também nos ajuda a partilhar a alegria de saber que Jesus nos ama, acompanha no percurso da vida e, cada dia, nos atrai para mais perto de Si”.

“Hoje, em Dublin, reunimo-nos para uma celebração familiar de ação de graças a Deus pelo que somos: uma única família em Cristo, espalhada por toda a terra. A Igreja é a família dos filhos de Deus; uma família, onde se regozija com aqueles que estão na alegria e se chora com aqueles que estão na tribulação ou se sentem desanimados com a vida. Uma família onde se cuida de cada um, porque Deus nosso Pai nos fez, a todos, seus filhos no Batismo”, assinalou.

O Papa assegurou que “o Evangelho da família é verdadeiramente alegria para o mundo”, pois na família “sempre se pode encontrar Jesus; lá habita, em simplicidade e pobreza, como fez na casa da Sagrada Família de Nazaré”.

“Foi para nos ajudar a reconhecer a beleza e a importância da família, com as suas luzes e sombras, que escrevi a Exortação Amoris laetitia sobre a alegria do amor, e quis que o tema deste Encontro Mundial das Famílias fosse «O Evangelho da família, alegria para o mundo»”, disse o Papa Francisco.

“Deus quer que cada família seja um farol que irradia a alegria do seu amor pelo mundo. Que significa isto? Significa que nós, depois de ter encontrado o amor de Deus que salva, procuramos, com palavras ou sem elas, manifestá-lo através de pequenos gestos de bondade na vida rotineira de cada dia e nos momentos mais simples da jornada”.

“Isto é santidade”, acrescentou.

O Papa assegurou que “a graça de Deus ajuda dia a dia a viver com um só coração e uma só alma. Mesmo as sogras e as noras! Ninguém diz que seja fácil… É como preparar um chá: é fácil ferver a água, mas uma boa taça de chá requer tempo e paciência; é preciso deixar em infusão! Então, dia após dia, Jesus aquece-nos com o seu amor, fazendo de modo que penetre todo o nosso ser. Do tesouro do seu Sagrado Coração, derrama sobre nós a graça que precisamos para curar as nossas enfermidades e abrir a mente e o coração para nos escutarmos, compreendermos e perdoarmos uns aos outros”.

Francisco destacou além que “não existe uma família perfeita; sem o hábito do perdão, a família cresce doente e gradualmente desmorona-se”.

“Perdoar significa dar algo de si mesmo. Jesus nos perdoa sempre. Com a força de seu perdão, também nós podemos perdoar a outros, se realmente o quisermos”.

“É tarde e estais cansados! Mas deixai que vos diga uma última coisa. Vós, famílias, sois a esperança da Igreja e do mundo! Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, criou a humanidade à sua imagem para fazê-la participante do seu amor, para que fosse uma família de famílias e gozasse daquela paz que só Ele pode dar. Com o vosso testemunho do Evangelho, podeis ajudar Deus a realizar o seu sonho. Podeis contribuir para aproximar todos os filhos de Deus, para que cresçam na unidade e aprendam o que significa, para o mundo inteiro, viver em paz como uma grande família”.

O Santo padre depois rezou a oração do Encontro Mundial das Famílias com os presentes e outorgou a sua bênção apostólica.

O Encontro Mundial das Famílias decorre até este domingo 26 de agosto, e terá como ponto alto uma missa no Phoenix Park, em Dublin, às 10:00h, horário de Brasília.

Nossa Senhora foi assunta aos céus?

Entenda

Grandioso é o mistério da Virgem Maria! Como compreender sua assunção aos céus?

A Santa Igreja ensina que a Virgem Maria, “preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi assunta de corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme seu Filho, Senhor dos senhores1 e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo”2. O dogma da Assunção significa que a Santíssima Virgem foi assumida por Deus no Reino dos Céus, que ela foi glorificada de corpo e alma na Jerusalém celeste.

Depois de sua vida terrena, a Mãe do Senhor encontra-se antecipadamente no estado escatológico dos justos na ressurreição final. Nesse sentido, a crença no dogma da Assunção enche de esperança o nosso coração, pois une a dimensão antropológica, o sentido da nossa existência terrena, o destino escatológico com o fim último da nossa humanidade redimida pela cruz de Cristo.

A respeito dos fundamentos bíblicos do dogma da Assunção de Maria não há uma unanimidade. Alguns autores colocam como fundamento bíblico final da doutrina da Assunção a descrição do livro do Apocalipse: “Então, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas”3. Outro recorrem ao livro do Gênesis como fundamento: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”4.

Tendo em vista as dificuldades de interpretação que estes fundamentos bíblicos trazem em si, o Papa Pio XII procedeu com um método misto, não meramente bíblico. O Pontífice considerou, de modo especial, a Doutrina dos Santos Padres, que, desde o século II, afirmam uma especial união de Maria, a Nova Eva, com Cristo, o Novo Adão, na luta contra o diabo5. Esta luta contra o demônio há de terminar com a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte6, na qual há uma participação da Virgem Maria, por sua associação na obra de seu Filho. Esta “especial participação de Maria na vitória de Cristo não poderia considerar-se completa sem a glorificação corporal de Maria”7.

Como seu Filho Jesus Cristo, a Virgem Maria partiu deste mundo voltando “para a casa do Pai”8. Tudo isso não está distante de nós, embora possa parecer, porque todos nós somos filhos de Deus, todos nós somos irmãos e irmãs de Jesus e todos nós somos também filhos e filhas de Maria, nossa Mãe. Todos nós desejamos a felicidade, e a felicidade para a qual todos nós tendemos é Deus. Todos nós estamos a caminho da felicidade, que chamamos céu, o qual, na realidade, é a vida com Deus.

Que Nossa Senhora nos ajude, nos dê coragem para fazer com que cada momento da nossa existência seja um passo neste êxodo, nessa saída em busca da felicidade, nesse caminho rumo a Deus. A Virgem Maria nos ajude também a tornar presente a realidade do céu, a grandeza do Senhor na vida do nosso mundo.

No fundo, essa realidade faz parte do nosso dinamismo pascal, de cada um de nós que deseja tornar-se celeste, totalmente feliz, em virtude da Ressurreição de Cristo. Este é o início e a antecipação de um movimento que diz respeito a cada ser humano e ao mundo inteiro. Nossa Senhora, “aquela de quem Deus tinha tomado a carne e cujo coração fora trespassado por uma espada no Calvário, encontrava-se associada, por primeiro e de modo singular, ao mistério dessa transformação para a qual todos nós tendemos, muitas vezes, também nós trespassados pela espada do sofrimento neste mundo”9.

A Virgem Maria, a nova Eva, seguiu Jesus Cristo, o novo Adão, no sofrimento, na Paixão, e, desse modo, também na alegria definitiva. Cristo é a primícia da obra da salvação, mas a sua carne ressuscitada é inseparável da carne da sua Mãe terrena, a Virgem de Nazaré. Em Nossa Senhora, toda a humanidade está envolvida na Assunção a Deus, e com ela toda a criação, cujos gemidos e sofrimentos são, como diz São Paulo, as dores do parto da nova humanidade10. Dessa forma, nascem os novos céus e a nova terra, onde já não haverá mais pranto nem lamentações, porque não haverá mais morte11.

Como é grandioso o mistério de amor que se repropõe à nossa contemplação na Assunção da Virgem Maria! Seu Filho Jesus Cristo venceu a morte com a onipotência do seu amor, pois só este é onipotente. Este amor levou o Senhor a morrer por nós e, dessa forma, vencer a morte. Somente “o amor faz entrar no reino da vida! E Maria entrou após o Filho, associada à sua glória, depois que foi associada à sua paixão”.

Nossa Senhora entrou no céu com um desejo incontrolável e deixou o caminho aberto para todos nós. Por isso, no dia da Assunção, a invocamos como “Porta do céu”, “Rainha dos anjos” e “Refúgio dos pecadores”. Diante desse grande mistério do amor de Deus, “não são os raciocínios que nos fazem compreender essas realidades tão sublimes, mas sim a fé simples, pura, e o silêncio da oração que nos põe em contacto com o Mistério que nos ultrapassa infinitamente”12.

Peçamos a Santíssima Virgem Maria que nos conceda hoje o dom da sua fé, que nos faz viver já nesta dimensão entre o finito e o infinito. Roguemos a Nossa Senhora a fé que transforma também o sentimento do tempo e do transcorrer da nossa existência. Supliquemos a ela aquela fé na qual sentimos intimamente que a nossa vida não se encontra encerrada no passado, mas está orientada para o futuro, para Deus, onde Jesus Cristo e, depois d’Ele, a Virgem Maria nos precederam.

“Contemplando Nossa Senhora da Assunção no Céu, compreendemos melhor que a nossa vida de todos os dias não obstante seja marcada por provações e dificuldades, corre como um rio rumo ao oceano divino para a plenitude da alegria e da paz. Entendemos que o nosso morrer não é o fim, mas o ingresso na vida que não conhece a morte. O nosso crepúsculo no horizonte deste mundo é um ressurgir na aurora do mundo novo, do dia eterno”13.

Conscientes dessas realidades, rezemos com confiança a Virgem Maria, Mãe da Igreja, pedindo que, enquanto ela nos acompanha nas dificuldades do nosso viver e morrer diários, ela nos conserve constantemente orientados para a verdadeira pátria da bem-aventurança, como ela fez durante toda a sua existência terrena.

Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!

1Cf. Ap 19, 16
2A SANTA SÉ. PAPA JOÃO PAULO II. Carta Encíclica Redemptoris Mater, 41, cf. DH 2803, o Papa Pio IX definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria Santíssima, através da Bula Ineffabilis Deus, no dia 8 de dezembro de 1854; cf. DH 3903, o Papa Pio XII declarou e definiu solenemente o dogma da Assunção em corpo e alma da Virgem Maria à glória celestial, através da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, no dia 1 de novembro de 1950.
3Ap 12, 1.
4Gn 3, 15.
5Cf. Gn 3, 15.
6Cf. Rm 5.6; 1 Cor 15, 21-26; 54-57.
7POZO, Candido. María em la obra de salvación, Madrid, 1990, p. 316, cf. 1 Cor 15, 54.
8Cf. Jo 14, 2.
9A SANTA SÉ. Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, em 15 de Agosto de 2008.
10Cf. Rm 8, 22.
11Cf. Ap 21, 1-4
12A SANTA SÉ. Homilia do Papa Bento XVI na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, em 15 de Agosto de 2008.
13Idem, ibidem.

Natalino Ueda
Missionário da comunidade Canção Nova, desde 2005 cursou Filosofia e Teologia, atua no portal cancaonova.com como produtor de conteúdo é autor do blog Todo de Maria. blog.cancaonova.com/tododemaria

Maria nos capacita a atravessar com fé os momentos dolorosos

“A humildade é como um vazio, que deixa espaço para Deus. O humilde é poderoso, não porque é forte. E esta é a grandeza do humilde, da humildade” – ANSA

15/08/2017 Cidade do Vaticano (RV) – “Trazendo Jesus, Nossa Senhora traz também a nós uma nova alegria, cheia de significado; nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis”.

Falando aos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro para o Angelus na Solenidade da Assunção, o Papa Francisco recordou que devemos pedir a Maria para nossas famílias e comunidades aquele “dom imenso”, “a graça que é Jesus Cristo”.

A narrativa de Lucas da visita de Maria à sua prima Isabel inspirou a reflexão do Papa, que precede a oração do Angelus.

Francisco recordou que “na casa de Isabel e de seu marido Zacarias, onde antes reinava a tristeza pela falta de filhos, agora existe a alegria de uma criança que chega, uma criança que se tornará o grande João Batista, precursor do Messias”. E completou:

“E quando chega Maria, a alegria transborda e explode nos corações, porque a presença invisível mas real de Jesus preenche tudo com um sentido: a vida, a família, a salvação do povo, tudo!”

“E esta alegria plena – explica o Santo Padre – se expressa com a voz de Maria na oração estupenda” do Magnificat:

“É o canto de louvor a Deus que opera grandes coisas por meio das pessoas humildes, desconhecidas para o mundo, como é a própria Maria, como é o seu esposo José, e como é também o local onde vivem, Nazaré. As grandes coisas que Deus fez com as pessoas humildes! As grandes coisas que o Senhor faz no mundo com os humildes, porque a humildade é como um vazio, que deixa espaço para Deus. O humilde é poderoso, não porque é forte. E esta é a grandeza do humilde, da humildade.”

“Gostaria de perguntar a vocês, e também a mim – completou Francisco. Mas não se responde em voz alta, cada um responde no coração. Como está a minha humildade?”

“O Magnificat – disse o Papa – canta o Deus misericordioso e fiel que cumpre o seu plano de salvação com os pequenos e os pobres, com aqueles que têm fé n’Ele, que confiam na sua palavra como Maria”.

“A vinda de Jesus naquela casa por meio de Maria – sublinhou Francisco – criou não somente um clima de alegria e de comunhão fraterna, mas também um clima de fé que leva à esperança, à oração, ao louvor”:

“Tudo isto nós gostaríamos que acontecesse hoje em nossas casas. Celebrando Maria Santíssima Assunta ao Céu, gostaríamos que ela, mais uma vez, trouxesse a nós, a nossas famílias, às nossas comunidades, o dom imenso, a graça única que devemos sempre pedir por primeiro e acima das outras graças que também estão no coração: a graça que é Jesus Cristo”.

“Trazendo Jesus – acrescentou o Pontífice – Nossa Senhora traz também a nós uma alegria nova, cheia de significado”:

“Nos traz uma nova capacidade de atravessar com fé os momentos mais dolorosos e difíceis; nos traz a capacidade de misericórdia para perdoar-nos, compreender-nos, apoiarmo-nos uns aos outros”.

“Maria – disse o Papa ao concluir sua reflexão – é modelo de virtude e de fé”, “agradeçamos a ela porque sempre nos precede na peregrinação da vida e da fé”, pedindo que “nos proteja e nos sustente”. “Que possamos ter uma fé forte, alegre e misericordiosa, que nos ajude a sermos santos, para nos encontrarmos com ela um dia no Paraíso”. (JE)

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