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12 pensamentos de Santa Teresinha da América Latina

Santa Teresa de Jesus dos Andes

O Carmelo, com seus santos que passaram a vida escondidos, surpreende ao mundo e a Igreja. Quando estava viva, ninguém conhecia Teresa dos Andes, também conhecida como Santa Teresinha da América Latina. Logo depois que morreu, sua fama foi se espalhando, seus escritos tornaram-se conhecidos. Com apenas 20 anos, foi para junto de Deus, tendo vivido no Carmelo por menos de um ano.

Santa Teresa dos Andes foi uma santa jovem, que espalhava alegria, cheia de vida e que com muito amor, soube doar a Deus o melhor de si. É verdadeiro exemplo de fidelidade, alegria e de amor ao Senhor; e que todos nós precisamos seguir.

Sua beatificação foi realizada pelo Papa João Paulo II quando este visitou o Chile em 1987. Depois, foi canonizada pelo mesmo Sumo Pontífice em 1993, em Roma. Nesta ocasião ele a chamou de Santa Teresa de Jesus “dos Andes” e declarou que era a primeira chilena e a primeira carmelita latino-americana a ser elevada à honra dos altares da Igreja, para ser festejada no dia 13 de julho. O Santuário de Santa Teresa dos Andes, como ficou popularmente conhecida, se tornou um centro espiritual no Chile, visitado por milhares de peregrinos anualmente. Sua fama de intercessora pelas graças e milagres concedidos correu logo, principalmente entre os jovens católicos. Santa Teresa dos Andes continua assim cumprindo a missão reconhecida como sua: despertar fome e sede de Deus nos jovens deste nosso mundo moderno tão materializado.

Conheça alguns de seus pensamentos:

1.Vejo que, quando o amor de Deus se apodera do coração, faz com que o amor humano se transforme, se divinize, por assim dizer (c 44).

2.Deus está sedento do amor de suas criaturas. O próprio Deus mendiga por nós. Demo-nos a Ele. Não sejamos mesquinhos, porque Deus é todo bondade e generosidade para conosco (c 102).

3.Quanto vale uma boa amiga! Sentia verdadeiramente a necessidade de expandir-me com alguém que me compreendesse e que sentisse o mesmo que sinto. Quanto bem me fizeste! Agradeço-te de todo o coração (c 31).

4.Imagina o amor maior da terra, o que é em comparação com o de um Deus infinito?… Deus é amor, o que busca nas almas senão amor? Antes de cada ação devemos dar-lhe uma olhada. Ele está em nossa alma, com quem podemos estar mais unidas? (c 40).

5.(Aqueles que se dedicam ao apostolado) precisam ter muita vida interior para que sua obra produza fruto, pois têm de dar Deus às almas e ficarem eles com Deus, do contrário, não têm nada para dar (c 46).

6.Depositemos no sacrário a amarga queixa de nossos corações: “Senhor, as almas que tanto amais estão enfermas”. Continuemos repetindo isto a Jesus, até que se enterneça e venha ressuscitar as almas que lhe encomendamos (c 113).

7.O Céu é a posse de Deus. No céu contempla-se a Deus, adora-se e ama-se a ele. Mas para chegar ao céu é preciso desprender-se da terra (d 58).

8.Deus conta e recolhe os espinhos de seu caminho para mudá-los e transforma-los em pedras preciosas com que um dia o coroará no céu. Que importa sofrer no desterro uns anos para merecer uma felicidade eterna? (c 118).

9.A confiança é o que mais agrada a Jesus. Se confiamos no coração de um amigo que nos ama, como não confiar no coração de um Deus no qual reside a bondade infinita, da qual a bondade das criaturas é uma pálida sombra? Desconfiar do coração de um Deus que se fez homem, que morreu como um malfeitor na cruz, que se dá em alimento a nossas almas diariamente para fazer-se um com suas criaturas não é um crime? (c 143).

10.Abandono-me à vontade de Deus. Ele sabe melhor do que eu o que me convém (c 39)

11.Quando o amor é verdadeiro, nem o tempo nem as distâncias separam (c 134).

12.Quem pode fazer-me mais feliz do que Deus? Nele encontro tudo (c 81).

Os 7 ‘nãos’ do Papa Francisco

O Papa sabe da evasão de fiéis, sabe dos indiferentes e conhece os desafios da Igreja na era pós-moderna; por essa razão, Francisco dá alguns direcionamentos a seu rebanho.

A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco é deveras provocadora, desde as primeiras linhas, quando o Pontífice descreve a Igreja como ele a quer: “Uma Igreja ‘em saída’, que não olha para si mesma”. A intimidade da Igreja com Jesus é itinerante, e a comunhão se configura essencialmente como comunhão missionária (cf. EG 20-23).

A Igreja “em saída” é a comunidade dos discípulos missionários que tomam a iniciativa, que se deixam envolver e que são capazes de ousar: “Ousemos um pouco mais ao tomar a iniciativa” (24). Tudo isso, marcado pelo convite de “não sermos cristãos com cara de funeral” (10). Outra expressão bastante tocante, e que tem forte repercussão missionária, é quando o Papa diz: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, do que uma Igreja enferma pela oclusão e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (49).

Lendo atentamente o documento, impressionam os sete ‘nãos’ do Papa Francisco, que, em chave positiva, podem se transformar em sete ‘sins’ a serviço da evangelização local e mundial.

1. “Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário!” (80). Sim a uma espiritualidade missionária positiva, capaz de ver, no dia a dia, as pegadas de Deus na humanidade.

2. “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (83). Sim a um dinamismo missionário que seja sal e luz, com leigos protagonistas e bem formados para essa tarefa.

3. “Não deixemos que nos roubem a esperança!” (86). Sim a uma evangelização baseada na confiança para sermos fontes de água viva.

4. “Não deixemos que nos roubem a comunidade!” (92). Sim a uma mística que promova a fraternidade e saiba ver uma grandeza sagrada em cada próximo.

5. “Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!” (101). Sim a uma espiritualidade que promova a reciprocidade, o diálogo, o testemunho da comunhão fraterna.

6. “Não deixemos que nos roubem a força missionária!” (109). Sim à defesa e à promoção da vida em todas as suas formas no projeto do Reino de Deus.

7. “Não coarctemos nem pretendamos controlar essa força missionária da piedade popular” (124). “O caminhar juntos para os santuários e o participar em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador”, diz o Papa Francisco.

Exorta o Papa Francisco: “O Evangelho é claro: O Senhor convidou-os, ide em frente! E isso significa que o cristão é um discípulo do Senhor que caminha, que vai sempre em frente” (L’osservatore Romano, 20/02/2014, p.13). O Bispo de Roma quer uma Igreja tremendamente missionária. Sabemos que a missão dela é, por natureza, evangelizadora. O Papa sabe da evasão de fiéis, dos indiferentes e dos desafios para a Igreja na era pós-moderna; e a resposta para tais problemas é tão somente ir, sair e fazer acontecer a obra da pregação da Palavra de Deus, anunciar Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.

Padre Inácio José do Vale
Professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.

A alegria de ser discípulo de Cristo

A catequese do Santo Padre do dia 27 de junho de 2012

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de junho de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir o texto da catequese que o Santo Padre deu na Sala Paulo VI na quarta-feira, dia 27 de junho:

Queridos irmãos e irmãs,

Nossa oração é feita, como vimos na quarta-feira passada, de silêncio e palavra, de canto e de gestos que envolvem a pessoa inteira: da boca à mente, do coração ao corpo inteiro. É uma característica que encontramos na oração hebraica, especialmente nos Salmos. Hoje gostaria de falar sobre um dos cantos ou hinos mais antigos da tradição cristã, que São Paulo nos apresenta como aquele que é, de certo modo, o seu testamento espiritual: A Carta aos Filipenses. Trata-se, de fato, de uma Carta que o Apóstolo ditou na prisão, talvez em Roma. Ele sente que a morte se aproxima porque afirma que a vida será oferecida como libação (cf. Fil 2,17). Apesar desta situação de grande perigo para sua integridade física, São Paulo, em tudo que escreveu expressa sua alegria de ser discípulo de Cristo, de poder ir ao Seu encontro, até o ponto de ver a morte não como uma perda, mas como ganho. No último capítulo da Carta há um forte convite à alegria, característica fundamental do ser cristão e da nossa oração. São Paulo escreve: “alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos (Fl 4,4). Mas como é possível se alegrar diante de uma condenação à morte então iminente? De onde, ou melhor, de quem São Paulo atrai a serenidade, a força e a coragem para ir ao encontro do martírio e do derramamento de sangue? Encontramos a resposta no centro da Carta aos Filipenses, naquilo que a tradição cristã denomina “carmen Christo”, o canto para Cristo, ou mais comumente chamado “hino cristológico”; um canto no qual toda a atenção está centrada sobre os “sentimentos” de Cristo Jesus (Fl 2,5). Estes sentimentos são apresentados nos versículos sucessivos: o amor, a generosidade, a humildade, a obediência a Deus, o dom de si. Trata-se não só e não simplesmente de seguir o exemplo de Jesus, como uma coisa moral, mas de envolver toda a existência no seu modo de pensar e agir. A oração deve conduzir a um conhecimento e a uma união no amor sempre mais profundo com o Senhor, para poder pensar, agir e amar como Ele, Nele e por Ele. Exercer isso, aprender os sentimentos de Jesus, é o caminho da vida cristã. Agora, eu gostaria de explanar brevemente alguns elementos deste denso canto, que reassume todo o itinerário divino e humano do Filho de Deus e engloba toda a história humana: do ser na condição de Deus, à encarnação, à morte de cruz e à exaltação na glória do Pai está implícito também no comportamento de Adão, do homem no início. Este hino a Cristo parte do seu ser “en morphe tou Theou”, diz o texto grego, isto é, de estar na “forma de Deus”, ou melhor, na condição de Deus. Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, não vive o seu “ser como Deus” para triunfar ou para impor sua supremacia, não o considera um poder, um privilégio ou um tesouro invejável. Na verdade, “despiu-se”, esvaziou-se de si assumindo, como diz o texto grego, a “morphe doulos”, a “forma de escravo”, a realidade humana marcada pelo sofrimento, pela pobreza, pela morte, assimilou-se plenamente aos homens, exceto no pecado, agindo assim como verdadeiro servo a serviço dos outros. Neste sentido, Eusébio de Cesaréia, no século IV, afirma: “Ele tomou sobre si as fadigas daqueles que sofrem. Fez suas as nossas doenças humanas. Sofreu e passou por tribulações por nossa causa: isso em conformidade com seu grande amor pela humanidade” (A demonstração evangélica, 10, 1, 22). São Paulo continua traçando o quadro “histórico” no qual se realizou esta inclinação de Jesus: “humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte (Fl 2,8). O Filho de Deus se tornou verdadeiro homem e cumpriu um caminho na completa obediência e fidelidade à vontade do Pai até o sacrifício supremo da própria vida. Ainda mais, o Apóstolo especifica “até a morte, e uma morte de cruz”.  Sobre a Cruz, Jesus Cristo chegou ao máximo grau da humilhação, porque a crucificação era a pena reservada aos escravos e não às pessoas livres: “mors turpissima crucis”, escreve Cícero (cfr In Verrem, V, 64, 165). Na Cruz de Cristo, o homem é redimido e a experiência de Adão é remediada: Adão, criado a imagem e semelhança de Deus, afirma ser como Deus com suas próprias forças, coloca-se no lugar de Deus e assim perde sua dignidade original que lhe foi dada. Jesus, em vez, estava “na condição de Deus”, mas inclinou-se, colocou-se na condição humana, na total fidelidade ao Pai, para redimir o Adão que está em nós e devolver ao homem a dignidade que havia perdido. Os padres destacam que Ele se fez obediente, restituindo à natureza humana, através de Sua humildade e obediência, aquilo que foi perdido por causa da desobediência de Adão. Na oração, no relacionamento com Deus, nós abrimos a mente, o coração e a vontade à ação do Espírito Santo para entrar naquela mesma dinâmica de vida, como afirma São Cirilo de Alexandria, o qual celebramos a festa hoje: “A obra do Espírito busca transformar por meio da graça na cópia perfeita de sua humilhação” (Carta Festiva 10, 4). A lógica humana, em vez, busca muitas vezes a autorrealização no poder, no domínio, nos meios potentes. O homem continua querendo construir com as próprias forças a torre de Babel para chegar à mesma altura de Deus, para ser como Deus. A Encarnação e a Cruz nos recordam que a plena realização está no conformar a própria vontade humana àquela do Pai, no esvaziar-se do próprio egoísmo para encher-se do amor e da caridade de Deus e, assim, tornar-se realmente capaz de amar os outros. O homem não encontra a si mesmo permanecendo fechado em si, afirmando-se. O homem encontra-se somente saindo de si mesmo; somente saindo de nós mesmos nos encontramos. E se Adão queria imitar a Deus, isto em si não é ruim, mas errou na ideia de Deus. Deus não é alguém que só quer grandeza. Deus é amor que se doa já na Trindade e depois na criação. E imitar a Deus quer dizer sair de si mesmo e doar-se no amor. Na segunda parte deste “hino cristológico” da Carta aos Filipenses, o sujeito muda, já não é Cristo, mas é Deus Pai. São Paulo destaca que é justamente por obediência à vontade do Pai que “Deus o exautou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes” (Fl 2,9). Aquele que se inclinou profundamente tomando a condição de escravo é exaltado, elevado acima de todas as coisas pelo Pai, que lhe deu o nome de “Kyrios”, “Senhor”, a suprema dignidade e senhorio. Diante deste novo nome, de fato, que é o próprio nome de Deus, no Antigo Testamento, “todo joelho se dobrará no céu, na terra e embaixo da terra, e toda língua proclamará: ‘Jesus Cristo é Senhor’, para a glória de Deus Pai” (vv. 10-11). O Jesus que é exaltado é aquele da Última Ceia que põe de lado suas vestes, pega uma toalha, abaixa-se para lavar os pés dos Apóstolos e pergunta a eles: “Sabeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros (Jo 13,12-14). Isso é importante recordar sempre na nossa oração e na nossa vida: “a ascensão a Deus está justamente na descida ao humilde serviço, descida do amor, que é a essência de Deus e, portanto, a verdadeira força purificadora que permite ao homem perceber e ver Deus” (Jesus de Nazaré, Milão, 2007, p. 120). O hino da Carta aos Filipenses nos oferece aqui duas indicações importantes para a nossa oração. A primeira é a invocação “Senhor” direcionada a Jesus Cristo, sentado à direita do Pai: é Ele o único Senhor da nossa vida, em meio a tantos “dominadores” que querem dirigir e guiar. Por isso, é necessário ter uma escala de valores na qual em primeiro lugar está Deus, para afirmar como São Paulo: “julgo como perda todas as coisas, em comparação com esse bem supremo: o conhecimento de Jesus Cristo, meu Senhor” (Fl 3,8). O encontro com o Ressuscitado lhe fez compreender que é Ele o único tesouro pelo qual vale a pena gastar a própria existência. A segunda indicação é a prostração, o “dobrar os joelhos” na terra e no céu, que recorda uma expressão do Profeta Isaías, onde indica a adoração que todas as criaturas devem a Deus (cfr 45,23). O ajoelhar-se diante do Santíssimo Sacramento ou colocar-se de joelhos na oração expressa justamente a atitude de adoração diante de Deus, também com o corpo. Daí a importância de fazer isso não por hábito, com pressa, mas com profunda consciência. Quando nos ajoelhamos diante do Senhor, nós professamos a nossa fé Nele, reconhecemos que é Ele o único Senhor da nossa vida. Queridos irmãos e irmãs, na nossa oração fixemos o nosso olhar sobre o Crucifixo, detamo-nos em adoração mais vezes diante da Eucaristia, para colocar a nossa vida no amor de Deus, que se inclinou com humildade para elevar-nos até Ele. No início da catequese nos perguntamos como São Paulo podia se alegrar diante do risco iminente do martírio e do derramamento de seu sangue. Isso é possível somente porque o Apóstolo nunca afastou seu olhar de Cristo tornando-se semelhante a ele na morte, “com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos” (Fl 3,11). Como São Francisco diante do crucifixo, digamos também nós: Grande e magnífico Deus, iluminai o meu espírito e dissipai as trevas de minha alma; dai-me uma fé íntegra, uma esperança firme e uma caridade perfeita, para poder agir sempre segundo os vossos ensinamentos e de acordo com a vossa santíssima vontade. Amém! (cfr Oração diante do Crucifixo: FF [276]).

Síntese da catequese e saudação do Papa em português

Queridos irmãos e irmãs, Na oração, abrimos a mente, o coração e a vontade ao Espírito Santo, para fazer entrar a nossa existência na mesma dinâmica de amor que viveu Jesus. Sendo Deus, despojou-Se da sua glória, para Se fazer homem como nós e, assim, nos elevar até Deus. Esta epopéia de amor é celebrada num dos hinos mais antigos da tradição cristã: o chamado “hino cristológico”, que São Paulo nos deixou com esta exortação: “Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus”. Foi pela sua amorosa obediência à vontade do Pai até à suprema humilhação da Cruz, que «Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que está acima de todos os nomes»: Jesus é Senhor. A sua encarnação e a sua cruz recordam-nos que a plena realização está na conformação da própria vontade humana com a do Pai do Céu. Para isso é necessário adotar uma escala de valores, cujo primado seja dado a Deus como o único tesouro pelo qual vale a pena gastar a própria vida. Amados peregrinos de Teresina e de São João da Madeira e todos os presentes de língua portuguesa, a minha saudação amiga! Possa esta vossa vinda a Roma cumprir-se nas vestes de um verdadeiro peregrino que, sabendo de não possuir ainda o seu Bem maior, se põe a caminho, decidido a encontrá-Lo! Sabei que Deus Se deixa encontrar por quantos assim O procuram; com Ele, a vossa vida não pode deixar de ser feliz. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção.

Tradução Canção Nova

Santo Evangelho (João 16,23b-28)

6ª Semana da Páscoa – Sábado 27/05/2017

Primeira Leitura (At 18,23-28)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

23Paulo permaneceu algum tempo em Antioquia. Em seguida, partiu de novo, percorrendo sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 24Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria. Era um homem eloquente, versado nas Escrituras. 25Fora instruído no caminho do Senhor e, com muito entusiasmo, falava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, embora só conhecesse o batismo de João. 26Então, ele começou a falar com muita convicção na sinagoga. Ao escutá-lo, Priscila e Áquila tomaram-no consigo e, com mais exatidão, expuseram-lhe o caminho de Deus. 27Como ele estava querendo passar para a Acaia, os irmãos apoiaram-no e escreveram aos discípulos para que o acolhessem bem. Pela graça de Deus, a presença de Apolo aí foi muito útil aos fiéis. 28Com efeito, ele refutava vigorosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Messias.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 46)

— O Senhor é o grande Rei de toda a terra.
— O Senhor é o grande Rei de toda a terra.

— Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo, o soberano que domina toda a terra.

— Porque Deus é o grande Rei de toda a terra, ao som da harpa acompanhai os seus louvores! Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso.

— Os chefes das nações se reuniram com o povo do Deus santo de Abraão, pois só Deus é realmente o Altíssimo, e os poderosos desta terra lhe pertencem!

 

Evangelho (Jo 16,23b-28)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23b“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. 25Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Agostinho de Cantuária, monge beneditino 

Seu trabalho de evangelização foi tão fecundo que, em menos de um ano, mais de dez mil pessoas se converteram

Monge beneditino, viveu em um mosteiro de Roma fundado por São Gregório Magno. Santo Agostinho na Grã- Bretanha exerceu santamente sua missão de levar muitos à santidade e assim santificar-se.

O Papa São Gregório enviou missionários para anunciar a Boa Nova nas Ilhas Britânicas, 40 monges estavam sob o comando de Agostinho, que corajosamente avançou em direção aos anglo-saxões que possuíam fama de cruéis. Agostinho ao chegar, expôs ao rei sua pregação e pediu-lhe autorização para pregar com seus irmãos.

O trabalho de evangelização foi tão fecundo que, em menos de um ano, mais de dez mil pessoas se converteram, inclusive o rei Etelberto.

Ajudado sempre pelo Papa, Santo Agostinho, na obediência acolheu as direções do Espírito e foi ordenado Bispo. Com o surgimento de novas necessidades pastorais, tornou-se Arcebispo. Com a ajuda de muitos outros missionários, alcançou a graça da conversão, praticamente para todos da ilha. Entrou na Igreja Triunfante, com outros, em 605.

Santo Agostinho de Cantuária, rogai por nós!

Santo Evangelho (Jo 16, 20-23a)

6ª Semana da Páscoa – Sexta-feira 26/05/2017

Primeira Leitura (At 18,9-18)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Estando Paulo em Corinto, 9uma noite, o Senhor disse-lhe em visão: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, 10porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence”. 11Assim Paulo ficou um ano e meio entre eles, ensinando-lhes a Palavra de Deus. 12Na época em que Galião era procônsul na Acaia, os judeus insurgiram-se em massa contra Paulo e levaram-no diante do tribunal, 13dizendo: “Este homem induz o povo a adorar a Deus de modo contrário à Lei”. 14Paulo ia tomar a palavra, quando Galião falou aos judeus, dizendo: “Judeus, se fosse por causa de um delito ou de uma ação criminosa, seria justo que eu atendesse a vossa queixa. 15Mas, como é questão de palavras, de nomes e da vossa Lei, tratai disso vós mesmos. Eu não quero ser juiz nessas coisas”. 16E Galião mandou-os sair do tribunal. 17Então todos agarraram Sóstenes, o chefe da sinagoga, e espancaram-no diante do tribunal. E Galião nem se incomodou com isso. 18Paulo permaneceu ainda vários dias em Corinto. Despedindo-se dos irmãos, embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila. Em Cencreia, Paulo rapou a cabeça, pois tinha feito uma promessa.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 46)

— O Senhor é o grande Rei de toda a terra.
— O Senhor é o grande Rei de toda a terra.

— Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo, o soberano que domina toda a terra.

— Os povos sujeitou ao nosso jugo e colocou muitas nações aos nossos pés. Foi ele que escolheu a nossa herança, a glória de Jacó, seu bem-amado.

— Por entre aclamações Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei!

 

Evangelho (Jo 16,20-23a)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20“Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. 21A mulher, quando deve dar à luz, fica angustiada porque chegou a sua hora; mas, depois que a criança nasceu, ela já não se lembra dos sofrimentos, por causa da alegria de um homem ter vindo ao mundo. 22Também vós agora sentis tristeza, mas eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria. 23aNaquele dia, não me perguntareis mais nada”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Filipe Néri, homem de oração, penitente e adorador 

Deixando-se conduzir e formar pelo Espírito Santo e, mesmo antes de ser padre, visitava os lugares mais pobres de Roma

O “santo da alegria” nasceu em Florença, Itália, no ano de 1515.

Depois de ficar órfão, recebeu um convite de seu tio para que se dedicasse aos negócios. Mas, tendo vida de oração e discernimento, ele percebeu que Deus o chamava a um outro negócio: expressar com a vida a caridade de Cristo.

Néri foi estudar em Roma. Estudou Filosofia e Teologia, deixando-se conduzir e formar pelo Espírito Santo e, mesmo antes de ser padre, visitava os lugares mais pobres de Roma. Formou uma associação para cuidar dos doentes pobres.

São Filipe disse sim para a glória de Deus e iniciou a bela obra do Oratório do Divino Amor, dedicando-se aos jovens e testemunhando sua alegria. Vivia da Divina Providência, indo aos lares dos ricos pedir pelos pobres.

Homem de oração, penitência e adoração, São Filipe Néri partiu para o céu com 80 anos, deixando para nós esse testemunho: renunciar a si mesmo, tomar a cruz a cada dia e seguir Jesus é uma alegria.

São Filipe Néri, rogai por nós!

Milagre do Casamento

Por Mons. Inácio José Schuster

A Bíblia narra um milagre extraordinário, operado por Jesus Cristo, nosso Senhor. É o relato de como um casamento foi tocado pelo poder de Deus, e de como o seu casamento poderá ser tocado também!

Observemos o relato bíblico: ‘Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três medidas. Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele’ (Jo 2, 1-11).

Este foi o primeiro milagre que Jesus realizou, e não é em vão que tenha acontecido justamente num casamento! As Escrituras dão testemunho através disto, mostrando-nos que antes de Jesus realizar qualquer outro milagre de cura, libertação, etc. está interessado em agir nos casamentos. A família tem prioridade no plano de Deus, pois Ele não a criou para o fracasso, e sim para ser bem sucedida. Percebemos também que o milagre ocorrido deu-se em torno de haver ou não VINHO, que na Bíblia é uma figura de alegria (Sl 104, 15).

Nos casamentos, o que vemos e ouvimos é que o vinho sempre acaba. Pessoas que viviam embriagadas de amor pelo cônjuge, assistem perplexos seus sentimentos desaparecerem. O matrimônio, de maneira geral está falido, pois o vinho sempre acaba. Mas quando Jesus está presente aí é que se estabelece a diferença! Milagres acontecem e ele traz vinho novo aonde já não mais existia. Mas perceba que o milagre aconteceu porque Jesus estava lá. Ele e seus discípulos foram convidados para simplesmente estarem nas bodas; não receberam um chamado de última hora só porque os noivos precisavam de um milagre. Ele havia sido chamado para estar junto… E porque estava presente, operou o milagre!

De maneira semelhante, se você quer um casamento que dure, que sobreviva à falta do vinho (alegria), convide o Senhor Jesus para estar presente. Não espere a crise chegar, cultive sempre a presença dele por meio de oração e leitura da Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. E não apenas leia, mas pratique a Palavra, pois o milagre acontece aonde há obediência; foi dito aos serventes que fizessem tudo o que Jesus mandasse, e porque fizeram sem questionar se era racional ou não, receberam o milagre.

Podemos observar ainda algumas figuras neste texto:
– O NÚMERO 6 – Havia seis talhas. Na Bíblia, este número sempre fala de algo que é humano. É chamado número de homem (Ap 13, 18). Portanto, percebemos que o milagre não depende só de Deus, mas há uma participação e um fator humano ligado a este milagre no casamento.
– AS TALHAS – O significado espiritual destas talhas está apontando para a parte que nos toca no que tange a receber o milagre de Deus. O seis fala do homem, e aqui entendemos nossa participação no milagre. As talhas eram o recipiente para o vinho que o Senhor Jesus transformaria. Normalmente eram pedras talhadas, cavadas. Isto sugere o quão duro somos no que tange aos relacionamentos e o quanto precisamos ser trabalhados por Deus em nossa forma de ser e agir no matrimônio. Quanto mais cavados nos deixamos ser pelo agir de Deus, maior será nosso potencial para receber o vinho. Uma pedra pouco cavada, comporta pouco vinho, mas uma pedra bem trabalhada comporta mais vinho!
– A ÁGUA – Era a matéria prima necessária para que o milagre pudesse acontecer. Não havia água nas talhas, Jesus foi quem mandou enchê-las. A água simboliza a Palavra e também o Espírito Santo. Nos lares onde o vinho chega a acabar, e todo o prazer do relacionamento desaparece, temos percebido que além dos erros cometidos na esfera natural, havia também falta de água; não havia o cultivo diário da presença de Deus por sua Palavra (lida e praticada) e a presença viva de seu Espírito. Creio ser esta a chave do milagre.

É importante se deixar ser trabalhado (o que é diferente de ser manipulado pelo cônjuge) na forma de se relacionar, mas se estas talhas não forem cheias da presença de Deus o vinho não aparecerá! Vale também ressaltar que quanto mais água aqueles servos colocassem nas talhas, mais vinho haveria; ou seja, o milagre de Deus em nosso casamento esta diretamente relacionado com o investimento que fazemos em cultivar Sua presença.

Finalizando, quero chamar sua atenção para a qualidade do milagre. Jesus deu o que havia de melhor em matéria de vinho, a ponto de o mestre-sala se impressionar e comentar que normalmente se bebe o melhor vinho e, depois de o terem desfrutado, oferece-se o inferior. Assim é com a maioria dos relacionamentos conjugais; bebem o melhor vinho nos primeiros anos, depois a qualidade cai e assim é até que acabe. Mas quando Deus faz um milagre, o que se experimenta é algo inédito, muito superior a tudo o que já se experimentou até então. Deus nos dá o melhor, sempre!

Deixe Deus ser não apenas o Criador do matrimônio, mas aquele que oferece toda manutenção necessária. Quando isto acontece, não somente somos beneficiados com um lar melhor, mas Deus recebe a honra e glória devidas. O vinho dos lares cristãos deve ser o da mais alta qualidade… Se você reconhece que o vinho acabou (ou está quase acabando) em seu matrimônio, creia na vontade de Deus de agir nos casamentos. Renove o convite ao Senhor Jesus para estar em seu lar, pratique estes princípios espirituais e seja feliz como o Pai Celestial sempre quis que cada casal fosse!

A docilidade ao Espírito Santo leva adiante a Igreja

Quinta-feira, 14 de abril de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa se concentrou na necessidade de ser dócil ao Espírito Santo, que leva adiante a Igreja e traz alegria

É preciso ser dócil ao Espírito Santo, não apresentar resistência. Esse foi, em síntese, o ensinamento do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta.

Em sua homilia, o Papa se inspirou na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, em que Filipe evangeliza o etíope, alto funcionário da rainha Candace. O protagonista desse encontro, de fato, não é Filipe nem mesmo o etíope, mas o próprio Espírito. “É Ele quem faz as coisas. É o Espírito quem faz nascer e crescer a Igreja”, observou o Papa.

“Nos dias passados, a Igreja nos propôs o drama da resistência ao Espírito: os corações fechados, duros, tolos, que resistem ao Espírito. Viam os fatos – a cura do paralítico feita por Pedro e João na Porta Formosa do Templo; as palavras e as grandes coisas que fazia Estêvão, mas ficaram fechados a esses sinais do Espírito e resistiram a Ele. Buscavam justificar essa resistência com uma suposta fidelidade à lei, isto é, à letra da lei”.

Hoje, o que a Igreja propõe é o oposto, explicou o Papa: ela ensina a não resistir ao Espírito, mas ser dócil a Ele, deixando-O agir e ir adiante para construir a Igreja; essa é a atitude do cristão. Como exemplo, o Pontífice citou Filipe, um dos Apóstolos, que estava atarefado, tinha os seus planos de trabalho, mas o Espírito lhe diz para deixar de lado o que havia programado e ir ao encontro do etíope, e ele obedeceu.

Francisco ilustrou o encontro entre Filipe e o etíope, quando o apóstolo explicou o Evangelho e sua mensagem de salvação. O Espírito, disse, trabalhava no coração do etíope, oferecia a ele o dom da fé, e este homem sentiu algo de novo no seu coração. E, ao final, pediu para ser batizado, pois foi dócil ao Espírito Santo.

A docilidade ao Espírito nos doa alegria

“Dois homens: um evangelizador e um que não sabia nada de Jesus, mas o Espírito tinha semeado uma curiosidade saudável e não aquela curiosidade das fofocas”. No final, o etíope prossegue o seu caminho com alegria, a alegria do Espírito, a docilidade ao Paráclito. “Ouvimos, nos dias passados, o que faz a resistência ao Espírito. Hoje, temos o exemplo de dois homens que foram dóceis à Sua voz. E o sinal é a alegria. A docilidade ao Espírito é fonte de alegria”.

O Papa propôs, por fim, uma bela oração para pedir essa docilidade, que pode ser encontrada no Primeiro Livro de Samuel. Trata-se da oração que o sacerdote Eli sugere ao jovem Samuel, que à noite ouvia uma voz que o chamava: “Fala, Senhor, que o teu servo escuta”.

“Essa é uma bela oração que nós podemos fazer sempre: ‘Fala, Senhor, porque teu servo escuta’. A oração para pedir essa docilidade ao Espírito Santo, e com essa docilidade levar avante a Igreja, ser o instrumento do Espírito, para que a Igreja possa prosseguir. ‘Fala, Senhor, que o teu servo escuta’. Rezemos assim, várias vezes por dia: quando temos uma dúvida, quando não sabemos ou quando simplesmente quisermos rezar. E com esta oração pedimos a graça da docilidade ao Espírito Santo”.

Eutrapelia: a virtude da “boa risada”

Grandes santos praticaram essa virtude como São Filipe Neri, São Francisco de Sales e São João Bosco
Por Paolo Gulisano

ROMA, 23 de Março de 2015 (Zenit.org) – Eutrapelia? Sim, vocês leram bem. Que palavra é essa? É nada mais e nada menos do que uma virtude. Uma virtude comentada por grandes filósofos gregos, como Aristóteles, e que mais tarde tornou-se uma virtude cristã, querida por São Tomás de Aquino, São Filipe Neri, São Francisco de Sales, São João Bosco.
Até mesmo Dante Alighieri falou da eutrapelia no Convivio, definindo-a como a décima virtude do cristão, a penúltima antes da Justiça e depois da Fortaleza, Temperança, Liberalidade, Magnificência, Magnanimidade, ‘Amativa de honra’, Mansidão, Afabilidade e a Verdade. “A décima – escreve Alighieri – chama-se Eutrapelia, que nos modera nas diversões e nos faz usá-la corretamente”.
Portanto, esta palavra antiga, hoje, infelizmente, esquecida, Eutrapelia, ou seja – do grego – “alegria, brincadeira, bom humor” é uma virtude importante, que também se traduziu em arte, uma arte especial, que felizmente nunca sai de moda durante séculos, e que se expressa por meio da literatura, do teatro, do desenho e muito mais. É a arte de fazer as pessoas rirem. O bom humor, muito diferente da sátira, que consiste não tanto no ri, mas no zombar.
A Eutrapelia é uma virtude que deveria ser recuperada, em uma época que oscila entre uma soberba seriedade cheia de si e uma sátira maldosa, corrosiva. Predomina em suma a gargalhada desbocada, onde em vez disso precisamos de um sorriso bom.
A Eutrapelia é uma virtude relacionada com a modéstia: nos ajuda a não dar demasiada importância e a não sermos orgulhosos. Chesterton, um grande Eutrapelico, dizia que a razão pela qual os anjos voam é que levam as coisas com leveza.
A diversão, portanto, não é um fim, mas um meio para melhorar-nos: a virtude do bom humor nos dá aquela forma de desapego e de elegância espiritual que consente captar e apreciar os lados jocosos da vida: virtude de santos, de místicos e de todos aqueles que não hesitam em lançar-se com entusiasmo na resposta ao convite de Cristo.
Entre os santos, grandes exemplos dessa virtude eram São Francisco de Assis, São Filipe Neri, mas também São Francisco de Sales, que na sua Filoteia especificava as características de um bom humorismo cristão que, em primeiro lugar, deve alegrar o coração e não ofender ninguém.
Um dos piores defeitos do espírito é o de ser zombeteiro: Deus odeia muito este vício e sabemos que o puniu com castigos exemplares.
Nenhum vício é tão contrário à caridade, e mais ainda à devoção, do que o desprezo e a zombaria do próximo.
O escárnio e a zombaria, de fato, se fundamentam na presunção e no desprezo dos outros, e este é um pecado muito grave: o escárnio é um modo horrível de ofender o próximo com palavras; as outras ofensas sempre salvam, pelo menos em parte, a estima pela pessoa, o escárnio, pelo contrário, não economiza nada.
Muito diferente são as brincadeiras entre amigos, que se fazem com alegria e serenidade, diz Francisco de Sales: “Trata-se, na verdade de uma virtude na qual os Gregos davam o nome de eutrapelia: nós chamamos de boa conversa. É o modo de ter uma recriação honesta e amável sobre as situações cômicas nas quais os defeitos dos homens dão ocasião.
É necessário só ter cuidado para não passar das piadas para o escárnio. A zombaria provoca a risada por falta de estima e por desprezo do próximo; pelo contrário, a piada alegre e a brincadeira provocam a risada por causa da surpresa, as combinações imprevisíveis feitas na confiança e sinceridade amigável; e sempre com muita cortesia da linguagem”.
Parece ser que escritores cristãos ricos de bom humor como Giovannino Guareschi, o criador de Don Camillo e Peppone, ou Chesterton de Padre Brown, ou o escritor escocês Bruce Marshall, foram alunos diligentes de Francisco de Sales e Dom Bosco.
Desde menino o Santo de Valdocco sempre se dedicou a divertir os seus amigos com jogos de malabarismo.
Ele agradava a todos e de todos atraía a benevolência, a afeição, e a estima. Quando começou a sua obra de educador, os jovens começaram a vir à ele para jogar e brincar, depois para escutar histórias, depois para fazer as tarefas da escola.
Um santo que entretinha seus discípulos nas brincadeiras e travessuras honestas e agradáveis, jogos de habilidade, e até mesmo truques de mágica.
A virtude da Eutrapelia era conatural a ele, e manifestava a tranquilidade inalterável da sua alma.
Poder-se-ia dizer que In risu veritas: a Verdade se encontra na boa risada, no bom humor.
O humor é uma realidade especificamente humana: a sua essência reside na ligação profunda com a emotividade, com a interioridade mais atávica e instintiva do homem.
Para aqueles que dizem que o cristianismo é chato, que é um conjunto de regras morais que tiraram a felicidade do homem e os prazeres que (a condicional é uma obrigação) teriam vindo a ele pelo paganismo, pode se responder com a alegria de viver como santos, que demonstram que a vida é bela, também quando nos parece dura, também quando nos fere, também quando nos parece um jogo perdido, porque tem um sentido.
A Tristeza é a sombra do diabo: para expulsá-la, precisamos de uma boa dose de Eutrapelia!

Papa na Missa de Páscoa: A Igreja não cessa de proclamar: Cristo ressuscitou!

“Tu, pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto àquela pedra, aquela pedra que a maldade do pecado descartou” – ANSA
 
16/04/2017

Cidade do Vaticano (RV) –  A certeza na ressurreição, mesmo diante das dores, das tragédias, daquilo que não entendemos. Na Missa presidida na Praça São Pedro neste Domingo de Páscoa, o Papa Francisco exortou os fiéis a repetirem em casa: “Cristo ressuscitou!”, mesmo diante das vicissitudes da vida.

“O caminho em direção ao sepulcro é a derrota, é o caminho da derrota”, disse o Papa, falando de forma espontânea. E remetendo-se à cena de Pedro, João e as mulheres diante do sepulcro vazio, observou que “foram com o coração fechado pela tristeza, a tristeza de uma derrota, o Mestre, o seu Mestre, aquele que tanto amavam, foi derrotado”.

“Mas o Anjo diz a eles: “Não está aqui, ressuscitou!”. É o primeiro anúncio, ressuscitou! E depois a confusão, o coração fechado, as aparições”, completou Francisco.

E diante de nossas derrotas, de nossos corações amedrontados, fechados, a Igreja não cessa de repetir: “Pare! O Senhor ressuscitou!”.

“Mas se o Senhor ressuscitou, como acontecem estas coisas? – questiona-se Francisco. Como acontecem  tantas desgraças doenças, tráfico de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças,  ódio? Onde está o Senhor?”.

O Papa ilustra esta dúvida que percorre o coração de tantos de nós em meios às vicissitudes da vida, contando o telefonema a um jovem italiano na tarde de sábado, acometido de uma doença grave, para dar um sinal de fé:

“Um jovem culto, um engenheiro.  Disse a ele: “Mas, não existem explicações para aquilo que acontece contigo. Olhe para Jesus na Cruz. Deus fez isto com o seu Filho e não existe outra explicação!”. E ele me respondeu: “Sim! Mas perguntou ao Filho e o Filho disse que sim. Mas eu não fui perguntado se eu desejava isto!”.

“Isto nos comove – disse Francisco. A ninguém de nós é perguntado: “Mas, estás contente com aquilo que acontece no mundo?  Estás disposto a carregar esta Cruz?”. E esta Cruz acompanha. E a fé em Jesus se arrefece”!

“Mas hoje – reitera o Pontífice – a Igreja continua a dizer: “Pare! Jesus Ressuscitou!” E isto não é uma fantasia, a Ressurreição de Cristo não é uma festa com muitas flores. Isto é bonito, mas não é só, é mais do que isto. É o mistério da pedra descartada que torna-se o alicerce da nossa existência. Cristo Ressuscitou, este é o significado”.

“Nesta cultura do descarte, onde o que não serve segue pelo caminho do “usa e joga fora”, onde o que não serve é descartado, aquela pedra  descartada torna-se fonte de vida”:

“E nós, também nós, pedrinhas por terra, nesta terra de dor, tragédias, com a fé em Cristo Ressuscitado, temos um sentido, em meio à tanta calamidade. O sentido de olhar além, o sentido de dizer: “Olha, não existe uma parede; existe um horizonte, existe  a vida,  existe a alegria, existe a Cruz com esta ambivalência. Olha em frente. Não se feche! Tu, pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto àquela pedra, aquela pedra que a maldade do pecado descartou”.

“O que nos diz a Igreja hoje diante de tanta tragédia?  Simplesmente isto. A pedra descartada não resulta descartada. As pedrinhas que creem e que se apegam àquela pedra não são descartados, tem um sentido, e com este sentimento a Igreja repete, mas de dentro do coração: “Cristo ressuscitou!”.

Ao concluir, o Papa Francisco pediu a cada um de nós:

“Pensemos um pouco, cada um de nós, nos problemas cotidianos, nas doenças que temos e que alguns de nossos parentes têm, nas guerras, nas tragédias humanas. E simplesmente, com voz humilde, sem flores, sozinhos, diante de nós mesmos:  “Não sei como vai acabar isto, mas estou certo de que Cristo Ressuscitou. Eu aposto nisto! Irmãos e irmãs, isto é o que me vem de dizer para vocês. Em casa hoje, repitam no coração de vocês, Cristo ressuscitou!”. (JE)

 

Bênção Urbi et Orbi: o Pastor ressuscitado está próximo dos sofredores
 
“O Pastor ressuscitado se faz companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores” – AP
 
16/04/2017

Cidade do Vaticano (RV) – Após presidir a celebração da Ressurreição do Senhor na Praça São Pedro, o Papa Francisco dirigiu-se à sacada central da Basílica São Pedro para a tradicional Mensagem e Bênção Urbi et Orbi. Eis a mensagem na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs,

Feliz Páscoa!

Hoje, em todo o mundo, a Igreja renova o anúncio maravilhoso dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» – «Ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!»

A antiga festa de Páscoa, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão, alcança aqui o seu cumprimento: Jesus Cristo, com a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos a passagem para a vida eterna.

Todos nós, quando nos deixamos dominar pelo pecado, perdemos o caminho certo e vagamos como ovelhas perdidas. Mas o próprio Deus, o nosso Pastor, veio procurar-nos e, para nos salvar, abaixou-Se até à humilhação da cruz. E hoje podemos proclamar: «Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia!» (Missal Romano, IV Domingo de Páscoa, Antífona da Comunhão).

Através dos tempos, o Pastor ressuscitado não Se cansa de nos procurar, a nós seus irmãos extraviados nos desertos do mundo. E, com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso –, atrai-nos ao seu caminho, o caminho da vida. Também hoje Ele toma sobre os seus ombros muitos dos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelo mal nas suas mais variadas formas.

O Pastor ressuscitado vai à procura de quem se extraviou nos labirintos da solidão e da marginalização; vai ao seu encontro através de irmãos e irmãs que sabem aproximar-se com respeito e ternura e fazer sentir àquelas pessoas a voz d’Ele, uma voz nunca esquecida, que as chama à amizade com Deus.

Cuida de quantos são vítimas de escravidões antigas e novas: trabalhos desumanos, tráficos ilícitos, exploração e discriminação, dependências graves. Cuida das crianças e adolescentes que se veem privados da sua vida despreocupada para ser explorados; e de quem tem o coração ferido pelas violências que sofre dentro das paredes da própria casa.

O Pastor ressuscitado faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum.

Nas vicissitudes complexas e por vezes dramáticas dos povos, que o Senhor ressuscitado guie os passos de quem procura a justiça e a paz; e dê aos responsáveis das nações a coragem de evitar a propagação dos conflitos e deter o tráfico das armas.

Concretamente nos tempos que correm, sustente os esforços de quantos trabalham ativamente para levar alívio e conforto à população civil na Síria, vítima duma guerra que não cessa de semear horrores e morte. Conceda paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra Santa, bem como ao Iraque e ao Iémen.

Não falte a proximidade do Bom Pastor às populações do Sudão do Sul, do Sudão, da Somália e da República Democrática do Congo, que sofrem o perdurar de conflitos, agravados pela gravíssima carestia que está a afetar algumas regiões da África.

Jesus ressuscitado sustente os esforços de quantos estão empenhados, especialmente na América Latina, em garantir o bem comum das várias nações, por vezes marcadas por tensões políticas e sociais que, nalguns casos, desembocaram em violência. Que seja possível construir pontes de diálogo, perseverando na luta contra o flagelo da corrupção e na busca de soluções pacíficas viáveis para as controvérsias, para o progresso e a consolidação das instituições democráticas, no pleno respeito pelo estado de direito.

Que o Bom Pastor ajude ucraniana, atormentada ainda por um conflito sangrento, a reencontrar a concórdia, e acompanhe as iniciativas tendentes a aliviar os dramas de quantos sofrem as suas consequências.

O Senhor ressuscitado, que não cessa de cumular o continente europeu com a sua bênção, dê esperança a quantos atravessam momentos de crise e dificuldade, nomeadamente por causa da grande falta de emprego, sobretudo para os jovens.

Queridos irmãos e irmãs, este ano, nós, os crentes de todas as denominações cristãos, celebramos juntos a Páscoa. Assim ressoa, a uma só voz, em todas as partes da terra, o mais belo anúncio: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» Ele, que venceu as trevas do pecado e da morte, conceda paz aos nossos dias. Feliz Páscoa!”

Ao final de sua mensagem, o Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção Apostólica, pedindo “não esqueçam de rezar por mim”.  Feliz Páscoa!

O perigo de viver as três tentações: da riqueza, da vaidade e do orgulho

Papa fala sobre as três tentações que visam degradar, destruir, tirar a alegria do cristão

Domingo, 14 de fevereiro de 2016, Elcka Torres / Da Redação

“Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do fato de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com dignidade.” Disse o papa Francisco na tarde deste domingo, 14, durante a santa missa celebrada na cidade de Ecatepec, no México, perante uma multidão.

“Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.

Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam diretamente contra o sonho e o projeto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar.” Acrescentou Francisco durante o seu sermão.

Três tentações de Cristo

Partindo do Evangelho da liturgia deste domingo o pontífice falou sobre as três tentações que Cristo viveu, e que todos cristãos vivem diariamente. Ele afirma que essas três tentações visam degradar, destruir, tirar a alegria e o frescor do Evangelho; e fecham todos no círculo de destruição e pecado.

Riqueza

“Apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para ‘os meus’. É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se dá a comer aos próprios filhos.”

A vaidade

“A busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que não são ninguém. A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a fama dos outros. E, alegrando-se com a desgraça alheia, abre-se caminho à terceira tentação: o orgulho.”

Orgulho

“Ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha ‘a vida comum dos mortais’ e rezando todos os dias: ‘Obrigado, Senhor, porque não me fizestes como eles.’

O papa ainda questiona: “Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros são fonte de alegria e de esperança? “

Francisco concluiu ressaltando a luta que se vive para seguir os passos de Cristo.

“Escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada. É o Deus que tem um nome: misericórdia.”

 

Homilia na integra do Papa na cidade Ecatepec no México  

Na quarta-feira passada, começamos o tempo litúrgico da Quaresma; nele, a Igreja convida-nos a preparar-nos para a celebração da grande festa da Páscoa. É um tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo, quando fomos feitos filhos de Deus. A Igreja convida-nos a reavivar o dom recebido para não o deixar cair no esquecimento como algo passado ou guardado numa «caixa de recordações». Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do facto de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com a dignidade que só um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe sabem dar aos seus filhos, as vestes que nascem da ternura e do amor.

O nosso Pai é pai duma grande família: é Pai nosso. Sabe ter um amor, mas não gerar e criar «filhos únicos». É um Deus que Se entende de família, de fraternidade, de pão partido e partilhado. É o Deus do «Pai Nosso», não do «pai meu e padrinho vosso».

Em cada um de nós, está inscrito, vive aquele sonho de Deus que voltamos a celebrar em cada Páscoa, em cada Eucaristia: somos filhos de Deus. Um sonho vivido por muitos irmãos nossos no decurso da história. Um sonho testemunhado pelo sangue de tantos mártires de ontem e de hoje.

Quaresma

Quaresma: tempo de conversão, porque experimentamos na vida de todos os dias como tal sonho se encontra continuamente ameaçado pelo pai da mentira, por aquele que quer separar-nos, gerando uma sociedade dividida e conflituosa, uma sociedade de poucos e para poucos. Quantas vezes experimentamos na nossa própria carne ou na carne da nossa família, na dos nossos amigos ou vizinhos a amargura que nasce de não sentir reconhecida esta dignidade que todos trazemos dentro. Quantas vezes tivemos de chorar e arrepender-nos, porque nos demos conta de não ter reconhecido tal dignidade nos outros. Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.

Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam diretamente contra o sonho e o projecto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar.

Três tentações de Cristo…

Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e degradar-nos.

1.A riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se dá a comer aos próprios filhos.

2.A vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que «não são ninguém». A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a «fama» dos outros. E, «alegrando-se com a desgraça alheia», abre-se caminho à terceira tentação: o orgulho.

3.O orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha «a vida comum dos mortais» e rezando todos os dias: «Obrigado, Senhor, porque não me fizestes como eles».

Três tentações de Cristo… Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado.

Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança?

Escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada, degradando-se ou degradando. É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». Podemos repetir isto juntos: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio».

Que, nesta Eucaristia, o Espírito Santo renove em nós a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que «o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus», sabendo que com Ele e n’Ele «renasce sem cessar a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).

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