O casamento

O CASAMENTO

Prof. Felipe Aquino, Revista Canção Nova, nº 108, Dez2009.

Deus criou o homem e a mulher e os uniu em matrimônio. Ele percebeu que “não é bom que o homem esteja só (Gn 2, 18a). Então, disse ao homem: “Eu vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada” (Gn2, 18b). E fez a mulher. Retirou “um pedaço” do homem para criar a mulher (Gn2, 21-22). Ao ver Eva, Adão exclamou feliz: “Eis agora aqui o osso de meus ossos e a carne de minha carne” (Gn2, 23ª).

Foi, sem dúvida, a primeira declaração de amor do universo. Adão se sentiu feliz e completo em sua carência. Então Deus disse: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gn2, 24). Isso quer dizer: serão uma só realidade, uma só vida, uma união perfeita em que não haverá mentiras, falsidades, brigas, ofensas, traições etc.

E Jesus fez questão de acrescentar: “Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19, 6b). Não existe família sem a união de um homem com uma mulher. Deus disse ao casal: “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn1, 28). Aqui está o sentido mais profundo do casamento: “frutificai [crescei] e multiplicai”.

Deus quer que o casal, na união profunda do amor, cresça e se multiplique nos seus filhos; e daí surge a família, a mais importante instituição da humanidade.

A primeira dimensão do casamento é o crescimento mútuo do casal no seu amor fecundo. Ninguém pode multiplicar sem antes crescer. Como é que um casal vai educar os filhos, se eles, antes, não se educaram, não cresceram juntos? Se a esposa não se torna melhor por causa do marido a seu lado, e vice-versa, então o casamento deles está sem sentido, pois não realiza sua primeira finalidade.

Enfim, o casamento não é para “curtir a vida a dois”, egoisticamente; ele existe para vivermos ao lado de alguém muito especial e querido que queremos construir. É por isso que se diz que “amar não é querer alguém construído, mas, sim, construir alguém querido”. Para ajudar o outro a crescer é preciso aceitá-lo como ele é, com todas as suas qualidades e defeitos.

A partir daí é possível então, com muita paciência e carinho, ajudar o outro a crescer; e crescer quer dizer “atingir a maturidade como pessoa humana”, no campo psicológico, emocional, espiritual, moral etc.

E para isso, é preciso a graça de Deus que vem pelo sacramento do matrimônio e uma vida de oração, vivência dos sacramentos, meditação da Palavra de Deus e de leituras espirituais.

A unidade do casal feita no amor é a base de sua felicidade, e também dos filhos. Marido e mulher devem ser unidos e não apenas “estar juntos”. É como a união do café com o leite, em que ambos “desaparecem” para dar origem a uma nova realidade.


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