Foi importante lembrar

Foi importante lembrar

Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba, MG, 27/7/2009

A encíclica do Papa intelectual, denominada “Caritas in Veritate” (Caridade na Verdade), é profundamente inquietadora. É até civilizadamente provocadora. É um escrito, que segue a esteira das grandes manifestações sociais dos Papas, notadamente de Paulo VI na sua “Populorum Progressio” (40 anos). Ele provoca o mundo moderno a dar um passo para frente.

Dizer que essas encíclicas sociais nada dizem para o mundo de hoje, é uma afirmação espantosa. Sabe-se que, na surdina, os países de maioria protestante, e os países de corte civilizado do oriente, são os que mais adequaram sua realidade social aos reclamos dessas encíclicas. Desta vez Ratzinger, como um homem da sua época, adentra os problemas de uma nova ordem política e financeira mundial, pede alterações no modelo econômico vigente, sugere a reforma da ONU, exige vigilância sobre o andamento da economia e do desarmamento, requer a segurança alimentar e o compromisso com a paz, com o meio ambiente e com as migrações humanas. Conclama o mundo a realizar, não só o progresso dos povos, mas a projetar um desenvolvimento integral.

Ao falar desse pleno desenvolvimento, Bento XVI não se furta a lembrar uma verdade básica. Este princípio se encontra por demais escamoteado pela modernidade, que se quer entender como uma sociedade laica, preferentemente enquadrada no ambiente estreito da intra-mundanidade. Trata-se do porão do “ici-bas”, que impede à humanidade de ter uma visão completa da realidade humana. “Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus” (Jer 24, 7). Como um bom pai, mostra que Jesus, através de sua vida e ressurreição, é a pessoa que melhor testemunhou o vínculo intrínseco, existente entre a vida terrena e a destinação eterna do nosso ser. Mostra que o desenvolvimento integral, permitindo a presença do Criador, é a motivação verdadeira que impulsiona para o avanço da pessoa e de toda a humanidade.

Esta é a força propulsora por excelência, para aprender o valor do bem comum. “Sem Deus o homem não sabe para onde ir, e não consegue sequer compreender quem seja” (CiV nº 78).

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