Ex-ministro colombiano analisa lições de Caritas in Veritate

Ex-ministro colombiano analisa lições de Caritas in Veritate

Entrevista a Juan Camilo Restrepo, economista e político

Por Carmen Elena Villa

BOGOTÁ, segunda-feira, 31 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Como um “formidável canteiro de reflexão social”. Assim o ex-ministro da Fazenda da Colômbia, Juan Camilo Restrepo, analisa o magistério social da nova encíclica de Bento XVI, Caritas in Veritate.

O ex-ministro assegura que “é um instrumento ideal para dar altura à reflexão política e social do país. Para encarar com lucidez os grandes temas da sociedade contemporânea”.

Sublinha que esta encíclica deve ser lida e aplicada “para que a dignidade do homem ocupe sempre o primeiro lugar. E para que não ceda a preeminência a outras perigosas tendências”.

ZENIT falou com Restrepo, economista nascido em Medelín, em 1946, sobre sua aproximação a este documento pontifício e sobre sua aplicação para as políticas econômicas da América Latina.

 

– Como ex-ministro da Fazenda, por que considera que este documento deve ser matéria-prima privilegiada de análise e debate em todos os círculos, como escreveu em vários jornais?

– Juan Camilo Restrepo: A principal contribuição, a meu entender, é a de ser um documento que goza da autoridade da voz do Vaticano, e que se os responsáveis políticos da região o lerem, isso enriquecerá muito o debate político.

 

– O que Caritas in Veritate pode oferecer às políticas econômicas da América Latina?

– Juan Camilo Restrepo: A américa Latina é o continente onde há a pior distribuição de renda. Superior à da África. Ante este panorama de aguda desigualdade e de injustiças na distribuição dos frutos do desenvolvimento, não me resta dúvida de que uma encíclica como esta deve suscitar um saudável debate ético.

 

– Como acredita que pode haver na América Latina uma reflexão ética no campo econômico e político que tenha em conta sempre a dignidade humana em primeiro lugar?

– Juan Camilo Restrepo: O assistencialismo é consubstancial ao messianismo e ao populismo que está florescendo também – de novo – em muitos países da região. A oportuna distinção da encíclica no sentido de que o princípio da subsidiariedade não deve identificar-se com o assistencialismo é muito atual e importante.

 

– Acredita que em uma sociedade cada vez mais consumista pode haver lugar para o princípio de gratidão e a lógica do dom, como pede o Papa em sua encíclica? 

– Juan Camilo Restrepo: Sim, de fato começamos a ver um reverdecer da consciência da responsabilidade social empresarial em todo o continente. Que – no fundo – é uma das mensagens fortes a que chama a encíclica.

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