Desenvolvimento da humanidade inteira

Desenvolvimento da Humanidade Inteira

Publicamos o artigo do Arcebispo Primaz do Brasil, Cardeal Geraldo Magella Agnelo

SALVADOR, quarta-feira, 22 de julho de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos a seguir o artigo intitulado Desenvolvimento da Humanidade Inteira, escrito pelo Arcebispo Primaz do Brasil, o cardeal Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador, na Bahia.

O purpurado faz uma análise da última encíclica publicada por Bento XVI,Caritas in Veritate.

O artigo foi enviado a Zenit nesta quarta-feira pela assessoria de imprensa do Cardeal.

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DESENVOLVIMENTO DA HUMANIDADE INTEIRA

“A caridade na verdade, ‘Caritas in Veritate’, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. O amor «caritas» é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta. Cada um encontra o bem próprio, aderindo ao projeto que Deus tem para ele a fim de realizar-se plenamente: com efeito, é em tal projeto que encontra a verdade sobre si mesmo e, aderindo a ela, torna-se livre (cf. Jo 8, 22). Por isso, defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade.”

Caritas in veritate  é  a terceira encíclica de Bento XVI.  É uma encíclica social. Ela continua a tradição das encíclicas sociais que, na fase moderna, começaram com a Rerum Novarum  de Leão XIII. Chega depois de dezoito anos da última encíclica social, à Centesimus Annus  de João Paulo II.  O ensinamento doutrinal social foi sintetizado no Compêndio da Doutrina Social da Igreja  publicado pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz em 2004. Bento XVI, já na encíclica Deus caritas est  dedicou uma parte central expressamente à Doutrina social da Igreja definida pelo Cardeal Renato Martino uma “pequena encíclica social”.

A nova encíclica representa um sistemático passo adiante dentro da tradição que os pontífices assumiram em si com o intento de garantir à religião cristã o “direito de cidadania” na construção da sociedade dos homens.

A proposta do Evangelho deve, por mandato de Cristo, ser levada a todos os homens em todos os tempos. O Evangelho é o mesmo, mas a condição dos homens apresenta  desafios novos em cada época. A Igreja não tem soluções técnicas para propor, como também a Caritas in veritate nos recorda, mas tem o dever de iluminar a história humana com a luz da verdade e o calor do Amor de Jesus Cristo, bem consciente de que “se o Senhor não construir a casa em vão se cansarão os construtores”.

As ideologias políticas que tinham caracterizado a época anterior a 1989, parecem ter perdido a virulência, substituída porém por uma nova ideologia da técnica. Nestes vinte anos, as possibilidades de intervenção da técnica na própria identidade da pessoa, infelizmente foram esposadas com um reducionismo das possibilidades cognoscitivas da razão, sobre o que Bento XVI tem há tempo dedicado longo ensinamento. Esta interferência nas capacidades operativas, que dizem respeito à vida mesma, está nas preocupações mais vivas da humanidade de hoje e, por isso, são afrontadas pela encíclica. Se no velho mundo dos blocos políticos contrapostos, a técnica era assumida pela ideologia política, agora que os blocos não existem mais e o panorama geopolítico mudou tanto, a técnica tende a livrar-se de toda hipoteca. A ideologia da técnica tende a nutrir seu arbítrio com a cultura do relativismo, alimentando-a por sua vez. O arbítrio da técnica é um dos maiores problemas do mundo de hoje, como emerge em maneira evidente da Caritas in veritate.

Um outro elemento distingue a época atual daquela precedente: a acentuação dos fenômenos de globalização determinados, por um lado, pelo fim dos blocos contrapostos e, por outro, pela rede da informática e telemática mundial. A encíclica analisa a globalização não somente em um ponto, mas em todo o texto, como um fenômeno transversal: economia e finanças, ambiente e família, cultura e religiões, migrações e tutela dos direitos dos trabalhadores, e outros ainda que são influenciados.

Outro elemento de mudança diz respeito às religiões. Elas voltaram ao cenário público mundial. A esse fenômeno, contraditório e por decifrar com atenção, contrapõe-se um laicismo militante, e às vezes exasperado que tende a tirar a religião da esfera pública. A encíclica dele trata e o vê como um capítulo muito importante para garantir à humanidade um desenvolvimento digno do homem.

Por fim, o problema da governabilidade internacional, diante dos equilíbrios geopolíticos mundiais.

Dom Geraldo M. Agnelo

Cardeal Arcebispo de Salvador

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