Pais não podem terceirizar a educação dos filhos

PAIS NÃO PODEM TERCEIRIZAR EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Nicole Melhado / Da Redação / Sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Com o empenho sempre maior por parte do pai e da mãe no mercado de trabalho, o tempo dedicado para estar com os filhos é cada vez menor e muitos acabam “terceirizando” o trabalho de educar. Quais as consequências disso para a formação das crianças?

Para o casal Pedro e Ketty de Rezende, formados pela Associação para o Desenvolvimento da Família e pelo Centro de Estudos da Educação, ao passar o trabalho de educar para a escola, a babá, ou ainda para a televisão, os pais estão abrindo mão de um grande privilégio e de um de seus maiores deveres.

“A principal confusão vem do fato de pensarem que educar e instruir são a mesma coisa; embora uma boa escola seja um excelente ambiente de instrução, poucas são as escolas aptas a ajudarem os pais na formação dos filhos em aspectos de caráter e personalidade que transcendem o aprendizado acadêmico”, destacam os entrevistados.

Da mesma maneira, uma boa babá pode cuidar muito bem dos filhos, mas não pode ser parte de sua função educá-los. No máximo, ela não os “deseducam”, alertam Ketty e Pedro.

Existem ainda aqueles que esperam que a televisão eduque seus filhos, o que é algo bem pior, no ponto de vista dos entrevistados.

“Como um dos objetivos principais da mídia televisiva é a geração de audiência que leva a se maximizar o lucro financeiro, as decisões sobre que programas devem ir ao ar são baseadas não em critérios que promovam valores familiares, mas em como podem ser exploradas situações que levam à fixação de atenção dos espectadores, por sua curiosidade, sua vulgaridade ou sensações de emoção”, ressaltam.

 

O que leva os pais a terceirizar a educação dos filhos?

O casal reforça que todas essas maneiras de se terceirizar a formação dos filhos são equivocadas, pois a presença dos pais na educação é insubstituível. Resta analisar o motivo que leva alguns pais e mães a se convencerem que não têm alternativa a não ser ceder a outros o maravilhoso privilégio de educar seus próprios filhos. Entre as alegações estão o empenho no trabalho e a falta de tempo.

“A palavra chave aqui é tempo. Mas, o uso do nosso tempo, como de qualquer outro recurso (escasso) de que dispomos, é uma questão de preferência, de decisão própria segundo a aplicação de nossos valores pessoais”, salientam.

Com a experiência de 30 anos de casamento, com sete filhos e três netos, Ketty e Pedro salientam que são os benefícios do trabalho que justificam o investimento de tempo, portanto é fundamental não perder de vista que este é um meio e não um fim.

“Por outro lado, nosso cônjuge, nossa família e nossos filhos são o resultado de uma decisão consciente e livre que tomamos quando contraímos matrimônio, e os frutos desta que é nossa maior vocação de vida, jamais podem ser postos num plano inferior ao de qualquer outra atividade humana”, diz Ketty.

Portanto, delegar a terceiros a formação humana de valores, de princípios e de virtudes dos filhos, no que deve ser um processo condutivo ao desenvolvimento de pessoas íntegras, honestas, responsáveis, auto-confiantes, de caráter idôneo, preparadas para “servir os demais altruisticamente”, é uma das grandes causas de famílias mal-estruturadas, com filhos sem ideais nobres, pais ausentes e casais cuja união não é fundada no amor e na doação.

“A conciliação trabalho-família deve, inevitavelmente, passar pela realização de que aquele é um meio, de que um trabalho que exige tirar da família um pai ou uma mãe a ponto deste faltar às suas responsabilidades e deveres de esposo e de progenitor não é um trabalho para um pai ou uma mãe de família”, ressaltam.

Para Ketty e Pedro, é uma questão de priorização que deve ser estabelecida à luz de critérios de quem sabe que uma pessoa só pode ser bem sucedida profissionalmente se for, antes, um pai bem sucedido.

Desafios na educação dos filhos

Segundo o casal,  o maior desafio dos pais hoje é desmascarar as falsidades embutidas nas diversas ideologias que promovem o hedonismo (teoria de que o prazer é o supremo bem), banalizando o sexo e colocando-o a serviço do prazer próprio numa atitude utilitarista do outro.

“Desmascarar a tirania do relativismo de uma sociedade permissiva, que despreza a vida na sua origem e nos seus últimos momentos e mostrar aos filhos a lógica retorcida por trás da ideologia do gênero que descaracteriza a sexualidade humana e cuja propagação ataca o conceito do amor humano que se realiza no seio de uma família” estão entre os maiores desafios na educação dos filhos, ressalta o casal.

Para eles, os pais não devem se desencorajar, pois a solução está ao alcance deles. Eles são os protagonistas na educação de seus filhos, ele é um direito inalienável. E ninguém mais do que eles tem o poder de impactar a vida de seus filhos ao viverem o amor enamorado, o amor doação e o amor conjugal.

“Uma escola de amor encarnado na vida de seus pais marca a vida dos filhos de forma permanente, imunizando-os às mentiras das ideologias, pois são testemunhas da verdade!”, enfatizam.

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