Os filhos são os hóspedes mais importantes que os pais têm em casa

“OS FILHOS SÃO OS ‘HÓSPEDES’ MAIS IMPORTANTES QUE OS PAIS TÊM EM CASA”.

Pároco na Catedral São Dimas, em São Josédos Campos (SP), e assessor diocesano da Pastoral Familiar e da Comissão Diocesana em Defesa da Vida, Pe. Rinaldo R. de Rezende fala sobre a responsabilidade da paternidade, a autoridade dos pais sobre seus filhos e o porto seguro que a família representa a seus membros. Ele também destaca o trabalho da Pastoral Familiar e comenta sobre a formação para o matrimônio nos cursos de noivos.

Muitos dos problemas familiares estão relacionados aos filhos. O senhor acredita que, hoje, os casais têm consciência do compromisso da paternidade e o acolhem verdadeiramente?

A primeira coisa a ser discuta com relação à paternidade é a autoridade; os pais nunca podem deixar de ser autoridade na vida dos filhos. Não ser autoritários, mas, de fato, manifestar o que a autoridade significa. Eu tenho dito aos pais que ela significa “aquele que faz crescer”. Então, eles precisam ser presença positiva na vida de seus filhos. Uma outra coisa: é preciso ter os filhos como um dom de Deus. Eles não são um direito [dos pais], mas um dom. Os genitores precisam ter consciência de que os filhos são os “hóspedes” mais importantes que eles têm em casa; e que, um dia, vão sair. Eles precisam ser preparados para essa saída e para servir a humanidade.

No Antigo Testamento, Deus pediu que Noé construísse uma arca e colocasse, nela, um casal de cada espécie. Hoje, quais seriam as coisas que a família precisaria colocar nesta mesma arca, que valores seriam fundamentais a serem preservados?

Os documentos da Igreja têm falado muito da família como uma escola de pessoas, de comunhão. Isso nós vimos também no Documento de Aparecida do último CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano). E ser pessoa significa doar-se e, até arriscaria dizer: adaptar-se às situações novas. Eu acredito que essa capacidade de se dar e de se adaptar àquilo que acontece no cotidiano seria fundamental que estivesse nessa arca.

O mundo secular prega conceitos contrários aos ensinados pela Igreja Católica. Como a família pode lutar contra esses falsos valores que contaminam os princípios cristãos?

As pesquisas demonstram que a família continua sendo um porto seguro para todas as pessoas. Em geral, quando se pergunta a alguém que está com algum problema, onde ele busca apoio, a grande maioria responde que é na família. Essa abertura de os membros familiares serem um para o outro é fundamental para que aconteça, de fato, a comunhão. Não estou falando só da família como um núcleo perfeito, a qual nós podemos imaginar como ideal, mas a família que você tem ali na sua história pessoal. Hoje, nós encontramos muitas famílias incompletas, mas vamos procurar e seguir, da maneira que for possível, rumo ao ideal, que é viver uma comunhão mais plena entre os membros que moram na mesma casa.

Por que não há muita perseverança por parte dos casais na participação junto à Igreja?

Uma grande preocupação da Pastoral Familiar é atrair, verdadeiramente, todos os casais para a Igreja, porque a vida de fé faz uma diferença enorme; isso está mais do que comprovado. Uma outra coisa é a questão dos primeiros anos de vida matrimonial. Se os casais buscassem a Deus, buscassem uma espiritualidade nos primeiros anos de vida matrimonial, nós teríamos muito mais casais realizados, porque os primeiros anos são desafiantes. Talvez, por causa das preocupações que o mundo coloca e a questão do individualismo – no qual cada um busca a sua satisfação profissional e econômica – e acabam deixando a espiritualidade em segundo plano. O Papa João Paulo II falava sobre uma “antropologia adequada”, ou seja, um estudo mais profundo sobre o homem tem que ter o elemento espiritual presente, senão, este vai se encontrar, não vai saber quem ele é. O ser humano tem uma interioridade da qual ele precisa cuidar. Eu acredito que nós precisamos despertar mais os casais para essa interioridade e saber o quanto isso faz diferença.

Qual a preocupação da Pastoral da Família a respeito da qualidade dos cursos para formação dos noivos, tendo em vista que estes serão os responsáveis pelo início de uma nova geração?

A preocupação é ajudar os casais nessa fase de adaptação ao novo, porque ele sempre assusta e causa podas. E, quando as podas começam a surgir, parece que os problemas vão se avolumando, mas, no fundo, é porque ambos vão juntando problemas e as coisas não vão sendo resolvidas a seu tempo. Falta espiritualidade e interioridade para uma reflexão e, enfim, muitos se perdem nesse caminho.

A Pastoral Familiar tem procurado oferecer um acompanhamento a esses casais. No encontro de noivos, nós queremos passar o que é uma vida, em algumas horas, mas isso é impossível. Com a disponibilidade de tempo dos casais, a Igreja tem que fazer milagres dentro de poucas horas para passar temas muito profundos. O ideal seria que tivéssemos uma preparação para o matrimônio na família e que, em casa, os filhos aprendessem o que é ser casado; de forma que o encontro de noivos fosse somente uma preparação imediata para o matrimônio. Mas, infelizmente, nós recebemos os casais sem nenhum conhecimento mais profundo sobre nenhum dos temas ou conhecem, mais ou menos, alguma coisa do que vai ser falado.

Não podemos considerar um curso de noivos como algo milagroso que vai resolver tudo. Nós ficamos em dúvida se alguma coisa vai ficar gravada para sempre e se eles vão colocá-la em prática.

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