Hoje ainda se pode corrigir um filho?

HOJE AINDA SE PODE CORRIGIR UM FILHO?

Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo de Uberaba, MG

Aparentemente a melhor forma de educar a geração nova é o método preventivo. Usam-se atalhos.

Antes que os males possam aparecer e se fortificar, colocam-se dispositivos que tolhem o seu aparecimento. O melhor método para combater um vício é inibir seu começo. Depois que aparecem os sintomas de uma atitude negativa, reorientar o educando é uma tarefa constrangedora, seja para pais, professores ou líderes comunitários.

No início da vida o coração de uma criança parece uma cera, que aceita com facilidade as orientações de seus pais e dos mestres escolares. É nessa ocasião que muitos pais perdem chances de ouro para bem educar seus pimpolhos. Entregam-nos à telinha, à influência da “turma”, e se omitem diante da dureza da vida. Mais tarde, no tempo da adolescência, as situações complicam muito. Pela sabedoria do Criador, o ser humano deve, progressivamente, se libertar, para afinal se tornar um adulto responsável. Esse é o caminho normal.

Não consigo concordar com afirmações desanimadas de certos genitores e mestres, quando afirmam que “hoje não dá mais”. Por mais cuidadosos que sejam os adultos, por mais que sejam previdentes, por mais que ensinem a “detestar o mal e apegar-se ao bem” (Rom 12, 9), as falhas graves acontecem e podem desembocar na frustração de uma vida.

Nesta circunstância corrigir, mesmo correndo o risco de haver uma reação de afastamento, torna-se um ato de amor. É um amor sofrido. “O Senhor corrige a quem ama” (Hb 12, 6). Se até Deus se digna a usar esse método, por que nós não o faríamos? Educar é realmente uma arte difícil. Se alguém me disser que isso hoje é particularmente espinhoso, e que antigamente era bem mais simples, eu ponho as minhas dúvidas. Sempre foi problemático mostrar as atitudes errôneas, que levam uma vida ao fracasso.

Quero apenas sinalizar, no entanto, algumas condições permanentes, que dão autoridade para pais, mestres, padrinhos e amigos sinceros, a mostrar às novas gerações o caminho que leva à realização de uma vida, e a ensinar como evitar os caminhos da perdição. Antes de tudo, somente quem ama pode corrigir. Aquele que pretendesse tomar ares didáticos por vaidade, ou por raiva, não teria entendido o procedimento.

Da mesma forma eu diria que não entenderam nada aqueles pais que quisessem corrigir seu filho, não tendo eles próprios autoridade moral para dizer coisa alguma. Eles próprios devem “viver na justiça e na verdade” (Lc 1, 75). Corrigir os outros, sem mostrar pela própria vida como deve ser, é querer ‘arrancar o cisco do olho do próximo e esquecer a trave que está no seu” (Lc 6, 41). Ademais, se os tempos são outros, também os métodos educativos devem ser adaptados.

Os pais e educadores, para estarem em dia com os tempos modernos, devem fazer cursos e encontros que ajudem a melhorar a oferta de uma formação. A psicologia já sabe mostrar bons recursos educativos que, com vantagem, substituem a vara ou o pito agressivo. A conclusão é que uma “boa prosa”, um livro que se empresta, um bom artigo de uma revista, ficar “enturmado” numa reunião, um curso paroquial do qual se participa, são todos meios válidos para recuperar uma pessoa para a vida plena. O que não deve acontecer é pensarmos que o coração humano, neste século XXI, é fechado para aprender o caminho da plena realização humana.

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