Sacerdócio comum e ministerial

AOS SENHORES PÁROCOS, VIGÁRIOS PAROQUIAIS E AUXILIARES, REITORES DE SEMINÁRIOS E SANTUÁRIOS, CAPELÃES DE HOSPITAIS E DAS FORÇAS ARMADAS

Visto a grande confusão que se faz entre o sacerdócio comum dos fiéis (de todos os batizados) e o sacerdócio ministerial dos ordenados (diáconos, padres e bispos) em nossa diocese, principalmente em algumas áreas pastorais próximas, entre o que realmente compete a um e outro, por falta de uma distinção clara de conceitos e tarefas próprias na mesma missão da Igreja.

Sempre que se fala da capacidade dos leigos para algumas funções litúrgicas e/ou pastorais, lembramos o que diz o Concílio Vaticano II: “Que cada um faça tudo e somente aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete” (SC 28).

            Não é um direito. É apenas uma capacidade que os leigos têm para colaborar no exercício de algumas funções litúrgicas e/ou pastorais na Igreja. Conforme o cânon 230 do CIC’1983 somente leigos homens são aceitos para receber o ministério estável de leitor ou acólito, mediante o rito litúrgico prescrito.

            Os ministérios na Igreja Católica são próprios do estado laical. O serviço no altar é reservado aos homens. O acolitado é um ministério estável. O ministério extraordinário da Sagrada Comunhão não é estável, nem permanente. É um encargo temporal.

            As funções de leitor, comentador, cantor, salmista, etc, é permitida aos leigos homens e mulheres.

            Conforme o cânon 230 § 3 do CIC’1983 fala-se quando houver necessidade na Igreja. Entra aqui a função de suplência das funções reservadas somente aos clérigos, por parte dos leigos devidamente preparados.

            Os ministros sagrados são os clérigos. A suplência das funções clericais, de acordo com as necessidades, pode ser feita por parte dos leigos homens ou mulheres (exercitar o ministério da Palavra sem a homilia, presidir as orações litúrgicas prescritas para o ministro leigo [é um campo muito amplo], a exposição do Santíssimo Sacramento sem a bênção…).

            Suprir não é uma atividade propriamente laical. Não é a solução. Existe o grave perigo da clericalização dos leigos e da secularização dos clérigos.

            Em alguns lugares do Brasil existem ministros extraordinários leigos com licença para administrar o batismo, bem como para ser testemunhas qualificadas na celebração do matrimônio, mas somente aqueles que foram nomeados pela Autoridade Eclesiástica competente para essas funções. E segundo as prescrições do Direito, aprovadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que por sua vez estabelece as circunstâncias de cada caso em particular.

            A ausência de ministro sagrado é distinta da comodidade do sacerdote, que sob uma falsa desculpa de “deixar os leigos participarem mais”, já não cumpre com as suas funções próprias de sacerdote católico.

            Os requisitos para a licitude são sempre a necessidade da Igreja e a ausência de ministros sagrados.

            O contrário é sempre considerado uma práxis abusiva. Na grande maioria das vezes faz falta formar a comunidade paroquial e diocesana para que veja as coisas na sua verdadeira natureza.

            As funções mais próprias dos leigos na Igreja e no mundo estão no cânon 225 § 2 do CIC’1983, que é impregnar e aperfeiçoar a ordem temporal com o espírito evangélico, dando testemunho de Jesus Cristo na realização das coisas temporais e no exercício das tarefas seculares. Os carismas informam toda a vida da Igreja.

            Tudo o que me diz o Magistério tem muito mais razão, do que as pobres razões interesseiras, de alguns mal amados e mal informados, e no que estes digam por aí sem ter razão.

In Iustitia Christi

Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

Novo Hamburgo, 09 de novembro de 2009, na Festa da dedicação da Basílica do Latrão.

 

Instrução Christifideles Laici, acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes / PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS: 1. O sacerdócio comum e o sacerdócio ministerial; 2. Unidade e diversificação das tarefas ministeriais; 3. O ministério ordenado é insubstituível;4. A colaboração de fiéis não-ordenados no ministério pastoral. Aprovada no dia 13 de Agosto de 1997, em forma específica, pelo Papa João Paulo II e pelas Congregações para o Clero, para a Doutrina da Fé, para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização dos Povos, para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e os Conselhos Pontifícios para os Leigos e para a Interpretação dos Textos Legislativos.

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