Radiestesia, bênçãos à distância e mantras

AOS SENHORES PÁROCOS,

VIGÁRIOS PAROQUIAIS, VIGÁRIOS AUXILIARES, CAPELÃES

E SECRETÁRIOS(AS) PAROQUIAIS

 

 

Depois de inúmeros pedidos das lideranças paroquiais de nossas comunidades diocesanas, principalmente da região serrana, venho esclarecer:

-quanto ao uso de PÊNDULOS (RADIESTESIA)

Aos 26 de março de 1942, a Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício, maduramente considerados os danos que se seguem para a religião e verdadeira piedade das consultas de Radiestesia feitas por clérigos para adivinhar circunstâncias das pessoas e sucessos, e tendo, sobretudo em conta o estabelecido nos cânones 138 e 139, a fim de apartar os clérigos e religiosos daquelas coisas que desdizem de seu ofício e dignidade ou que possam diminuir sua autoridade, estabelece as seguintes normas, sem pretender com este decreto tocar as questões científicas sobre Radiestesia. A saber: ordena aos Ordinários locais e aos Superiores religiosos que proíbam aos seus clérigos e religiosos proceder a investigações radiestésicas tocantes às consultas acima mencionadas. Aos mesmos Ordinários e Superiores religiosos pertence adicionar sanções penais e esta proibição, se for necessário. E se algum clérigo ou religioso reincidir na transgressão desta proibição ou der lugar a graves inconvenientes ou a escândalos, os Superiores denunciarão o fato a este Santo Supremo Tribunal.

Entra aqui o aspecto moral da radiestesia. A radiestesia, sendo fenômeno de índole natural, fisiológica, pode ser licitamente investigada pelo cristão; a sua fé não lhe proíbe o cultivo da ciência… A Moral só protesta quando os operadores associam de maneira arbitrária tais fenômenos com valores religiosos, atribuindo a causas sobrenaturais ou vice-versa; nisso entra superstição, magia, isto é, derrogação ao puro conceito de Deus e dos espíritos. Também é lícito ao cristão fazer uso da radiestesia para fins honestos, ou seja, para a descoberta de elementos necessários ou úteis ao progresso e ao bem-estar da sociedade (fontes, minas, depósitos…). Está claro, porém, que os abusos, tão facilmente verificáveis, são condenados; não será, pois, lícito usar da radiestesia em detrimento dos bons costumes ou da piedade e da confiança dos cristãos na Providência Divina. Para os clérigos estão em vigor determinações próprias. Por decreto de 1º de maio de 1942 (cf. A.A.S. 34 [1942] 148), o Santo Ofício, visando evitar escândalo e desprestigio do estado religioso ou sacerdotal, proibiu-lhes certas modalidades de radiestesia que aparentem indiscrição, tendo por objeto o intimo da pessoa humana (diagnóstico e tratamento de doenças, investigação de dotes intelectuais e morais, lugar de residência, circunstâncias da morte de alguém, etc).

-quanto as BÊNÇÃOS À DISTÂNCIA dadas pelos padres artistas que trabalham na mídia sobre a água que fica em cima do rádio ou da televisão…

Nossos leigos perguntam se aquela bênção realmente funciona? A Igreja autoriza isso ou devemos receber isto com um certo cuidado?

Com o conhecido Pe. Zezinho, scj, que já tem mais de 45 anos de mídia, venho responder que em primeiro lugar, deve ficar bem claro que devoção é uma coisa e Sacramento é outra. Os fiéis têm o direito de praticar devoções e viver alguns sinais que favoreçam a prática da fé, mas nenhuma das devoções é obrigatória; já os Sacramentos para a Igreja têm maior peso e este é objeto de estudo, de regulamentos e de normas muito claras porque é uma vivência aprovada universalmente, de unidade da fé católica. Se formos lógicos ao aprovarmos e acreditarmos que uma bênção dada pelo rádio realmente abençoou aquela água teremos que permitir também uma missa pelo rádio e amanhã, nada atrapalha que os fiéis que receberam uma bênção do padre XYZ para o seu copo d’água no rádio, nada impede que eles coloquem um cálice com vinho e as hóstias para que também o padre as consagre através do rádio; se vale abençoar a água porque não valeria consagrar o vinho e o pão? Não é muito fácil esse assunto de fé virtual. Se o padre tem o poder de abençoar aquela água à distância também vai poder celebrar missa à distância. Acontece que a Igreja proíbe a celebração de missa à distância e não considera válido que os fiéis recebam do cálice o vinho ou pão consagrados através da televisão à distância. Então, também não deve permitir benzeduras com aquela água que foi abençoada através da televisão à distância. É questão de lógica. Jesus pode abençoar à distância, como no caso do servo, mas Jesus era Filho de Deus e eu não sou, por mais que seja mensageiro ou porta voz dele; a Igreja não vê com naturalidade esse tipo de prática. Deixa muitas dúvidas no ar… Na dúvida, prefiro não brincar com um sacramental tão sério que é a água benta. Eu jamais abençoaria a água pelo rádio; a Igreja não aprova. Existe uma bênção e comunhão espiritual que é muito diferente disto.

-quanto a “MANTRAS”

Volta e meia algumas “lideranças” dizem que o Rosário da Virgem Maria seria uma espécie de mantra. Em uma Adoração Eucarística de uma determinada paróquia, foi entregue um folheto feito por ministros extraordinários onde convidava a rezar ou pronunciar “mantras” diante do Santíssimo Sacramento. Na verdade não era nada disto, mas sim rezar uma Ladainha ao Santíssimo que estava exposto. O termo “mantra”, muito usado no meio esotérico, para nós constitui um erro grave. Não podemos misturar nossa fé católica com doutrinas pagãs ou esotéricas, ou mesmo influências da Nova Era. Esclarecendo que: Mantra (do sânscrito Man mente e Tra alavanca) é uma sílaba ou poema religioso normalmente em sânscrito. Os mantras originaram do hinduísmo, porém são utilizados também no budismo e jainismo. Os mantras são uma forma de invocar espíritos que vivem no oculto, pois na verdade todas estas religiões que praticam a repetição de mantras são reencarnacionistas. Não é apropriado usar este termo “MANTRA” para orações diante do Santíssimo Sacramento, ou mesmo dizer que o Rosário da Virgem Maria é uma espécie de Mantra. A reza do Terço Mariano ensinada pela Igreja e inspirada pelo Espírito Santo, Cristocêntrica, onde meditamos os mistérios da vida de nosso Senhor Jesus Cristo, da nossa Redenção e da nossa Mãe do Céu, não é para nos concentrarmos ou energizarmos e muitos menos atrair espíritos do oculto.

Se a oração é a elevação da alma a Deus, suscitada pela graça divina (definição clássica), ela ocorre segundo a espontaneidade do Espírito Santo, ainda que o orante esteja na mais profunda fossa; talvez mesmo em ocasiões de aflição e angústia ela prorrompa mais forte e espontânea. Quem muito valoriza os exercícios corporais para rezar, corre o risco de identificar oração e bem-estar higiênico, ou também o risco de identificar gestos corpóreos e valores éticos espirituais.

A explanação relativa ao mantra dá a impressão de que a vibração do ar decorrente da repetição da “palavra sagrada” tem um efeito físico: ela “põe o orante em sintonia com Deus”, como se Deus fosse uma emissora de ondas e energias, que capto desde que utilize a vibração certa ou adequada para atingi-lo. O mantra tem eficácia física capaz de apreender a Deus como se Deus fosse uma realidade do nosso mundo físico, quantitativo, mensurável. Isto equivale a professar o panteísmo. A fé cristã admite, sim, que Deus habita nos corações puros, mas está longe de professar que Deus pode ser experimentado mediante vibração do ar.

 

In Iustitia Christi

Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

Novo Hamburgo, 13 de setembro de 2010, na Memória de São João Crisóstomo.

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