Nota sobre possibilidade de intercomunhão

14/10/2009

NOTA PASTORAL A RESPEITO DA IMPOSSIBILIDADE DA CHAMADA “INTER-COMUNHÃO” ENTRE CATÓLICOS E CRISTÃOS DE OUTRAS DENOMINAÇÕES QUE TEM SUA ORIGEM NA REFORMA PROTESTANTE 

 

Respondendo oficialmente a consultas encaminhadas por alguns padres desta nossa Diocese, em relação a situações bem específicas de fiéis de outras Comunidades cristãs, originadas da Reforma Protestante que, em celebrações da Santa Missa apresentam-se no momento da Sagrada Comunhão para receber o Corpo do Senhor, bem como aquelas situações de fiéis católicos que, em celebrações destas denominações cristãs protestantes são convidados e apresentam-se para participar da “Santa Ceia” destas mesmas Comunidades, desejo esclarecer que:

1. Temos a alegria de testemunhar os grandes passos que, a favor do autêntico Ecumenismo, a Igreja tem trilhado, tendo à frente seus Pastores, especialmente o Santo Padre o Papa. Não podemos jamais perder a esperança e a confiança em Deus, sabendo que a Unidade da Igreja, querida por Cristo Nosso Senhor, é um objetivo que será sem dúvida alcançado, não como fruto das ações humanas, mas sim como Graça muito especial de Deus à sua Igreja.

2. Contudo, não podemos negar a triste e infeliz realidade: estamos ainda divididos. Contudo, algumas denominações protestantes são propensas a aceitar que os católicos poderiam participar da Santa Ceia nas Igrejas protestantes, e os protestantes poderiam participar da Sagrada Comunhão nas Igrejas Católicas.

3. É importante recordar que, para nós católicos, “receber a Comunhão” tem um sentido mais denso e profundo. Para nós o termo “Comunhão” (Koinonia, em grego) significa a comunhão com o Corpo de Cristo, que é simultaneamente Igreja e Eucaristia (ver a doutrina paulina sobre o Corpo de Cristo, em Cl 1, 24; 1Cor 12, 12-30). Assim, na visão católica, não deve haver comunhão com a Eucaristia sem que haja comunhão com a Igreja.

4. São diversos os documentos oficiais da Igreja (portanto não documentos “de opinião”) que afirmam, de forma vinculante, esta impossibilidade. Cito apenas um, o n. 38 do Documento “Ecclesia de Eucharistia”, do Servo de Deus, o Papa João Paulo II: “A Eucaristia, como suprema manifestação sacramental da comunhão na Igreja, exige para ser celebrada, um contexto de integridade dos laços, inclusive externos, de comunhão. De modo especial, sendo ela « como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos », requer que sejam reais os laços de comunhão nos sacramentos, particularmente no Batismo e na Ordem sacerdotal. Não é possível dar a comunhão a uma pessoa que não esteja batizada ou que rejeite a verdade integral de fé sobre o mistério eucarístico. Cristo é a verdade, e dá testemunho da verdade (cf. Jo 14, 6; 18, 37); o sacramento do seu corpo e sangue não consente ficções.”

5. Assim sendo, através desta Nota Pastoral, desejo esclarecer aquelas que são as Normas Eclesiásticas, a respeito da impossibilidade da inter-comunhão, no que diz respeito às Comunidades originadas da Reforma Protestante:

· Duas são as condições para se admitir alguém de outra denominação cristã à Comunhão Eucarística, na Igreja Católica: que tenha a respeito da Eucaristia a mesma fé que os católicos (não apenas fé na real presença eucarística, mas também na Eucaristia como sacrifício) e que não tenha acesso a um ministro de sua denominação .

· Para um católico, não faz sentido participar da “Santa Ceia” nas celebrações das Comunidades protestantes, pois estas não têm o ministério sacerdotal.  Conseqüentemente, não podem consagrar a Eucaristia validamente, mas celebram apenas um símbolo que lembra a Cristo.

· Católicos e protestantes devem estar convictos de que, em relação à Eucaristia, não é possível simplesmente chegar a um acordo “diplomático”. O amor fraterno e o respeito mútuo não podem se distanciar da verdade nem a encobrir. Infelizmente, ainda não temos um acordo sobre a Doutrina Eucarística, e esta falta de entendimento não pode ser dissimulada por uma participação ambígua na mesma mesa. Assim, neste caso, a inter-comunhão longe de favorecer a reunião entre os irmãos separados, acaba se transformando em um empecilho para a verdadeira Unidade na Fé e na Caridade.

Esta Nota Pastoral tem a intenção de esclarecer caridosamente a questão da impossibilidade da inter-comunhão em relação a Comunidades nascidas da Reforma Protestante, já que em determinados lugares de nossa Diocese, alguns padres tem encontrado problemas ao expor com clareza a postura e as exigências da Igreja Católica. Fica aqui a expressa a posição oficial da Diocese.

Frederico Westphalen, 12 de outubro de 2009.

Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

+ Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo de Frederico Westphalen

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