Missa de cura ou por cura

REVMOS. SENHORES PÁROCOS, VIGÁRIOS PAROQUIAIS E AUXILIARES, REITORES DE SANTUÁRIOS E SEMINÁRIOS

MISSA “DE CURA” OU “POR CURA”

Tenho exortado nossos irmãos através de emails e conselhos com o questionamento às Missas “de ou por cura” utilizando a referida Instrução de caráter doutrinal (http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20001123_istruzione_po.html), portanto, a pura vontade do Espírito Santo à Sua Igreja. É preciso ajudar a proteger os pobres do Senhor.

Fiéis são induzidos a viajar muitos quilômetros para conseguir uma cura e quando não acontece, pois falta um melhor discernimento do espírito, sentem-se frustrados ou pouco agraciados por Deus. A Igreja é prudentíssima em afirmar tal coisa, pois é perita em humanidade.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Instrução sobre as orações para alcançar de Deus a cura  – Ardens felicitatis

            Art. 7 – § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.

§ 2. Durante as celebrações, a que se refere o art. 1, é permitido inserir na oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.

Art. 9 – Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembléia um clima de serena devoção, e atuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o fato à autoridade eclesiástica competente.

É CORRETO FALAR DE MISSA DE: LOUVOR, LIBERTAÇÃO E CURA?

            Certamente que quando queremos qualificar a Missa com um adjetivo ou genitivo de isto ou daquilo outro, estamos a empobrecer e a reduzir a riqueza da Missa. Porque toda Missa é de louvor, uma vez que a finalidade latrêutica é a principal (glorificar a Deus), como toda Missa liberta, ao ser o sacrifício da Redenção, e toda Missa cura, uma vez que reconcilia e perdoa aos pecadores que somos nós.

            Não existe Missa mais libertadora ou louvadora que outra; o que pode ser enfatizado é a dimensão ou o destaque a uma das finalidades, o que deve ser feito sem nunca esquecer as outras dimensões e aspectos.

            Como tampouco devemos esquecer que a Missa não pertence ou é do padre tal ou qual, já que estaríamos omitindo que o ministro principal de toda ação litúrgica é o próprio Jesus Cristo.

            Existe sim, uma maneira ou uma participação litúrgica que pode variar de Missa para Missa. De fato, uma Missa pode envolver mais a assembléia reunida, que tem mais possibilidades de expressar-se e gestualizar. Embora seja importante esclarecer que a participação mais intensa e profunda é a união interna com o Senhor, e que se faltar essa atitude de deixar-se transformar pela graça divina, estaria faltando tudo.

            O então Cardeal Ratzinger, agora nosso Papa Bento XVI, afirmava no famoso Relatório sobre a Fé, que a Missa não é um show ou espetáculo, e que a Igreja vive de solenes reatualizações do mesmo sacrifício de Jesus na cruz.

            É necessário inculturar a Missa, com cantos e gestos, adaptá-la aos diferentes contextos celebrativos, porém seja mais oportuno amá-la e conhecê-la melhor, como a obra prima do Espírito Santo, o que exige de nós uma atitude mais contemplativa e orante.

            Toda Missa é a ação de um Deus que se doa, sinergia sagrada que santifica, liberta e cura a seu povo.

In Iustitia Christi,

Mons. Inácio José Schuster

Vigário Geral da Diocese

Novo Hamburgo, 10 de agosto de 2011. São Lourenço, mártir.

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