Confissão no Advento

AOS SENHORES PÁROCOS, VIGÁRIOS PAROQUIAIS E AUXILIARES, REITORES DE SEMINÁRIOS E SANTUÁRIOS, CAPELÃES DE HOSPITAIS E DAS FORÇAS ARMADAS

É justo e necessário louvar as iniciativas de muitos párocos, que congregam seus irmãos no sacerdócio de uma mesma área pastoral, para atender as confissões neste tempo santo do Advento, preparando o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo de uma boa parte de nossos fiéis.

No exemplo do Santo Cura d’Ars, nosso Padroeiro, encontramos o ordinário centrado em sua vocação: as obras pastorais, a Eucaristia e a Confissão. Ainda mais nesta época, a respeito do sacramento da confissão, “oxalá todos nós, sacerdotes, fôssemos ‘explorados’ pelos nossos fiéis”. São João Maria Vianney “não tinha dotes particularíssimos de inteligência”, mas “foi um pastor excepcional. Não se licenciou em pastoral, porque o nosso trabalho se aprende especialmente “com o amor de Deus”, e é aí que conhecemos melhor nosso rebanho.

Devemos ter em conta que o “Cura d’Ars só empregava em cada confissão o tempo estritamente necessário”. Confessava durante 16 e 18 horas nos dias de festa e apesar disso a maioria dos peregrinos, sobretudo nos dez últimos anos de sua vida, tinham que esperar durante trinta, cinqüenta, e mesmo setenta horas antes de poderem chegar ao feliz tribunal. “Acontecia, às vezes, que certas pessoas pagavam a algum pobre para reservar-lhes o lugar”. Se na verdade o Cura d’Ars, quando sentado no seu tribunal de misericórdia, “não mostrava preferência por ninguém, fazia, contudo exceções quando se tratava de seus paroquianos, de enfermos, dos delicados de saúde ou dos outros penitentes que não podiam esperar”. Neste ponto o dom de intuição, que Deus largamente lhe tinha concedido, guiava-lhe o olhar (Côn. Francis Trochu, O Santo Cura d’Ars).

A Igreja está ao serviço da salvação de cada homem e esta missão é tão essencial que qualifica a atividade pastoral da mesma, dos seus ministros e de todo o Povo de Deus. O dom da salvação, por outro lado, não é possível sem a conversão, assim como a conversão é fruto da graça de Deus que toma a iniciativa de libertar o homem do poder do maligno e da escravidão do pecado e de reconduzi-lo à comunhão com o Pai, restabelecendo nele a imagem originária de filho de Deus, membro do corpo de Cristo e templo do Espírito Santo.

A Sagrada Escritura sublinha a terrível realidade do pecado comparando-o à morte, à lepra, ao exílio, à miséria, à fome e à escravidão: imagens estas que querem significar os particulares efeitos que ele produz na vida do homem; são palavras e imagens fortes, mas de modo nenhum exageradas. O pecado traz consigo efeitos deletérios, não só em ordem à desagregação da ligação vital do homem com Deus, mas também no âmbito do equilíbrio do relacionamento do homem consigo mesmo e em ordem ao desequilíbrio das relações sociais. Com efeito, o pecado é uma ofensa feita contra a bondade de Deus, uma ferida na santidade da Igreja e a causa das desordens que afligem a sociedade.

O Sacramento da Penitência ou da Reconciliação é a secunda post naufragium tabula instituída pelo Senhor Jesus para vir ao encontro do homem que, depois do Batismo, se deixou vencer pela tentação, aderindo ao Maligno e afastando-se de Deus. Com o pecado o homem carrega uma culpa que permanece até que, sob o influxo da graça, se converte readquirindo a participação na vida divina, penhor da salvação eterna.

O Sacramento da Penitência ou da Reconciliação foi confiado à Igreja e de modo particular aos Bispos, como guardas da comunhão eclesial, e aos presbíteros, seus estreitos colaboradores. O ministério da reconciliação não é um privilégio ou um exercício de poder, mas é expressão da responsabilidade pastoral que cada Bispo e presbítero assumiu perante Deus no dia da sua ordenação; é um serviço obrigatório prestado aos irmãos como sinal da desvelada solicitude da Igreja pelas ovelhas perdidas e feridas que têm necessidade de regressar ao redil do Bom Pastor. O fiel e zeloso exercício deste ministério é sinal de verdadeiro zelo apostólico e de tomada de consciência da missão que Deus confiou aos seus ministros, que é estar ao serviço do povo cristão. Certamente o ministério sacramental da Penitência não é fácil e o Santo Padre João Paulo II já explicava as suas características, sublinhando o fato de que os fiéis têm o direito de encontrar nos sacerdotes, ministros disponíveis para ouvir as confissões.

O Motu Proprio Misericordia Dei reitera o ensinamento tradicional da doutrina da Igreja, segundo o qual o único modo ordinário da celebração do Sacramento da Penitência é aquele que implica a confissão integral dos pecados ao sacerdote com absolvição pessoal. Equiparar as «absolvições coletivas» à forma ordinária da celebração do Sacramento da Penitência é um erro doutrinal, um abuso disciplinar e um mal pastoral.

A Igreja tem presente o exemplo dos Santos sacerdotes que consagraram a sua vida ao exercício do ministério da reconciliação sacramental. Além de São João Maria Vianney, São Leopoldo Mandic e São Pio da Pietrelcina, do qual tomo algumas expressões que são muito simples e ao mesmo tempo densas de significado e valor: «No tumultuar das paixões e das adversas vicissitudes, sustenta-nos a amada esperança da inexaurível misericórdia (de Deus): acorramos confiantes ao tribunal da penitência, onde Ele com ânsia de Pai em cada instante nos espera; e, mesmo conscientes da nossa insolvência perante Ele, não duvidemos do perdão solenemente pronunciado sobre os nossos erros».

In Iustitia Christi

Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

Novo Hamburgo, 30 de novembro de 2009, na Festa de Santo André, Apóstolo

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