Confissão de crianças

AOS SENHORES PÁROCOS, VIGÁRIOS PAROQUIAIS E AUXILIARES

REITORES DE SANTUÁRIOS / SEMINÁRIOS E CAPELÃES

 

Em vista de crescentes manifestações de descontentamento de alguns pais com relação à CONFISSÃO dos seus filhos e filhas, CRIANÇAS E ADOLESCENTES, para receber os Sacramentos da Primeira Eucaristia e Crisma, venho lembrar que:

O confessor deve tratar de acolher as crianças e adolescentes com o sorriso nos lábios e com um comportamento benévolo para entrar num clima de confiança.

Deverá usar palavras simples e fáceis, acessíveis a sua idade e se for usar algum termo difícil, relativo à confissão ou à verdade da fé, deverá explicá-lo.

É bom que ajude às crianças e adolescentes a acusar-se dos pecados que costumam cometer e, se considerar oportuno, pergunte se cometeram outro pecado grave ou leve.

É preciso ser muito prudente em colocar perguntas no campo da pureza: o tema deverá ser tocado somente se encontrar no dito motivos e, de fazê-lo, deverá ser em termos muito genéricos. Para entrar em coisas particulares deve certificar-se de que o penitente é capaz de compreendê-los.

Terminar preparando o penitente à dor e ao propósito de emenda, exortando-o a confessar-se freqüentemente.

 

Em geral, com as crianças é preciso praticar em grau máximo a confissão dialogada. Muitas vezes são superficiais, distraídos e incapazes de escutar um discurso por parte do confessor. Portanto, é preciso despertar constantemente sua atenção fazendo-lhes perguntas. Normalmente o confessor é quem deve levar toda a iniciativa na confissão de crianças. Com grande prudência e adaptação se deve, pouco a pouco, fazer uma catequese da confissão. Os defeitos na confissão de crianças, quando não corrigidos, são muito difíceis de erradicar, quando elas crescem.

Antes de tudo, deve-se ter em conta se as crianças têm suficiente uso da razão (pode se conjeturar se explicam com clareza suas faltas, se sabem distinguir o bem do mal, se têm consciência de ter feito coisas más que Deus castiga; se respondem corretamente às perguntas do confessor). Em caso de dúvida, é preciso excitá-los ao arrependimento e absolvê-los sob condição.

Também deve se ter cuidado com o arrependimento. É freqüente que, por ligeireza, se confessem rotineiramente, sem nenhuma dor dos pecados, o que faz inválida a absolvição. Entretanto, basta um pouco de esforço do confessor (por exemplo, mostrando-lhes a relação de nossos pecados com os sofrimentos de Jesus Cristo, com a pobreza e necessidade passada pelo Menino Jesus, com a perseguição e fuga ao Egito, etc.) para suscitar uma dor verdadeira e autêntica. Escreve Santo Antônio Maria Claret: “A dor dos pecados é muito mais fácil às crianças que aos adultos. E a atrição lhes é facilíssima”.

É preciso corrigi-los sempre que tenham consciência errônea, confundindo o que é pecado com o que não é, ou confundindo o grave com leve. Isto é muito freqüente neles.

Quanto às interrogações que se fazem às crianças, deve proceder-se com máxima prudência. É preciso evitar que façam confissões sacrílegas por calar algo necessário, e que adquiram más inclinações, ensinando-lhes o que ainda ignoram.

Santo Afonso indica que se lhes deve interrogar sobre:

-Se fizeram bem as confissões anteriores.    -Missa dominical (participação, atenção).

-Obediência aos seus pais, gozações, respeito (observava São João Bosco que no quarto mandamento está a principal fonte dos pecados das crianças; portanto, quando é difícil encontrar matéria de confissão é preciso buscá-la por este lado).    -Atos desonestos (tendo em conta o que diremos a continuação).

-Roubos.    -Mentiras.    -Orações.

Quanto à interrogação sobre a pureza, com as crianças é preciso ter uma prudência muito especial. Em geral, tenha-se em conta o seguinte:

            -deve se perguntar com rodeios e termos gerais;   -segundo as respostas se procederão a ulteriores perguntas;

            -jamais devem nomear-se os pecados por sua espécie;   -nunca se interrogue sobre o modo em que pecaram (se com as mãos, ou de outro modo, etc.);   -nunca se pergunte explicitamente se o fizeram sozinhos ou com outros; em resumo, se existem suspeitas de que pode ser um pecado cometido com outros, pode se perguntar se o fizeram na presença de outros ou se alguém os viu cometer o pecado; disto já poderá deduzir-se a natureza do pecado;   -em geral é preferível faltar à integridade material do que colocá-las em conhecimento de coisas que ignoram, correndo o risco de despertar a curiosidade de aprendê-las.

            Não é admissível que os sacerdotes repassem no confessionário a lista dos Dez Mandamentos e se detenham neles… ou que apenas permitam as crianças iniciem a confissão, sem dizer os pecados, e já saiam absolvendo sem nenhum critério… ou ainda, permitir que acusem dois ou três pecados e dêem por encerrado o Sacramento…

In Iustitia Christi

Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

Novo Hamburgo, 18 de novembro de 2010, na memória da Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo, Apóstolos.

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