Confissão comunitária

AOS SENHORES PÁROCOS, VIGÁRIOS PAROQUIAIS E AUXILIARES, REITORES DE SEMINÁRIOS E SANTUÁRIOS, CAPELÃES DE HOSPITAIS E DAS FORÇAS ARMADAS

Na Carta Apostólica do Papa João Paulo II (07/4/2002), intitulada “Misericordia Dei”, dedicada à celebração do Sacramento da Penitência não é acrescentado nada ao que são atualmente as disposições e recomendações da Igreja e do bom sentido cristão, tal como estão recolhidas no Catecismo da Igreja Católica, (nn. 1440-1470). Com seu escrito o Papa pretende animar-nos a celebrar fielmente este sacramento para o bem do Povo de Deus. O resumo do que diz, podemos reduzir nestas afirmações:

1. O ministério da reconciliação, concedida mediante os sacramentos do Batismo e da Penitência, é parte essencial do ministério sacerdotal e do mandato que a Igreja recebeu de Jesus Cristo. A Redenção começa sendo perdão e penitência.

2. A confissão completa dos pecados graves é parte constitutiva do sacramento por instituição divina. Ninguém pode dispensá-la. Os Pastores só podem intervir dando critérios para poder julgar com objetividade quando esta confissão necessária dos pecados graves é verdadeiramente impossível.

3. O uso da absolvição geral só pode ser autorizado como algo de todo extraordinário e excepcional. Nunca se pode recorrer à absolvição geral ou coletiva como uma maneira de substituir, e menos ainda de eliminar, a confissão pessoal dos pecados.

4. Nós sacerdotes temos a obrigação grave de facilitar aos fiéis a celebração pessoal do sacramento da penitência, evitando qualquer uso que restrinja a confissão dos pecados a uma acusação genérica, como, por desgraça, se faz entre nós com certa freqüência.

5. Neste contexto, a absolvição geral, dada a vários penitentes, sem confissão dos pecados, resulta legítima só em casos excepcionais, como pode ser o perigo de morte, a falta de confessores durante longo tempo. Só o Ordinário, segundo as normas de cada Conferência Episcopal, pode julgar acerca da legitimidade desta “grave necessidade”. A validez do sacramento requer sempre a vontade de confessar os pecados graves “quando seja possível”. Os demais são abusos e enganos.

6. Na Diocese de Novo Hamburgo é evidente que em tempos normais não se dá esta grave necessidade nem se pode, portanto utilizar licitamente a absolvição geral em nenhum caso. Repetidamente, o Ordinário tem desautorizado esta prática. Pode-se duvidar com fundamento da validez desta forma de celebrar o sacramento. Todos os sacerdotes, especialmente os Párocos, na celebração deste sacramento tão importante para o crescimento da vida cristã, se atenham estritamente às prescrições da Santa Igreja. Os Arciprestes (coordenadores de área), Párocos e Vigários paroquiais têm o dever sacrossanto de colaborar com o Bispo para eliminar as práticas residuais destes abusos na Igreja da Diocese de Novo Hamburgo. Isto mesmo vale para os fiéis, que são as primeiras vítimas destes abusos.

7. É um dever grave dos Pastores facilitar aos fiéis cristãos a celebração individual do sacramento da penitência em dias e horas acessíveis e cômodos para eles. Nos dias festivos, quando os fiéis acodem em maior número ao templo, antes da celebração eucarística, e inclusive durante o tempo da celebração, é conveniente que haja sempre algum confessor em lugar visível, disposto a escutar as confissões dos fiéis e administrar-lhes o perdão e a graça de Deus no nome do Senhor.

Insistimos na necessidade de recuperar a plena normalidade eclesial na celebração deste sacramento. Este objetivo deve ser obra de todos e todos estão gravemente obrigados a apoiá-lo o melhor que possamos, com caridade e fidelidade. Terá que passar um tempo para lográ-lo. O bom exemplo, a catequese adequada repetida com normalidade, o apreço sincero dos bens do sacramento em todos nós, irão pouco a pouco conseguindo este objetivo.

A confissão freqüente e bem celebrada, além de ser indispensável para vencer o poder do Maligno em nós, para viver e crescer na graça de Deus, resulta indispensável para formar pessoalmente a reta consciência dos fiéis cristãos e ajudar-lhes no desenvolvimento de sua vida espiritual. Atender esta necessidade dos fiéis foi sempre uma característica dos bons sacerdotes. E segue sendo agora nossa obrigação.

In Iustitia Christi

Mons. Inácio José Schuster, Vigário Geral

Novo Hamburgo, 04 de novembro de 2009, na memória de São Carlos Borromeu.

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