Papa condena eutanásia

Papa condena eutanásia

O papa Bento XVI condenou hoje, durante uma audiência com bispos escoceses, a prática da eutanásia e negou que a Igreja Católica seja uma instituição retrógrada e cheia de proibições.

“O apoio à eutanásia golpeia profundamente no coração o princípio cristão da dignidade da vida humana”, afirmou o Pontífice. No final do mês passado, uma deputada escocesa que sofre do mal de Parkinson apresentou ao Parlamento local um projeto de lei sobre o suicídio assistido.

Bento XVI falou dos “desafios” trazidos pela grande presença “do secularismo” na Escócia, assinalando que “os recentes desenvolvimentos na ética médica e algumas práticas sustentadas no setor da embriologia são causa de grande preocupação”.

O Papa comentou que frequentemente a Igreja “é percebida como uma série de proibições e de posições retrógradas”, enquanto que “a realidade é que é criativa e geradora de vida, e direcionada para a plena realização possível do grande potencial para o bem e para a felicidade que Deus implantou em cada um de nós”.

O Pontífice exortou os religiosos escoceses a “continuar a chamar os fieis a uma completa fidelidade”, “sustentando e defendendo ao mesmo tempo o direito da Igreja de viver livremente na sociedade segundo sua fé”.

Um pedido similar foi feito por Bento XVI a religiosos ingleses e galeses na segunda-feira. Na ocasião, o Papa fez referência implícita à Equality Bill, lei que está sob análise do parlamento britânico e que dá direitos de igualdade a homossexuais.

As críticas se dirigiam à obrigação a que instituições católicas de adoção estariam submetidas quanto a conceder a guarda de crianças a casais formados por pessoas do mesmo sexo. Segundo o Pontífice, as normas de igualdade contrariam a lei natural.

Ainda durante a audiência de hoje, o chefe de Estado do Vaticano fez um convite para que os religiosos prossigam nos esforços por uma “plena, visível unidade” entre os cristãos, mas sem ceder a pressões no sentido de “diluir a mensagem evangélica”.

Bento XVI referiu-se aos bispos dizendo que a religião católica na Escócia “sofreu a tragédia da divisão” e disse ser “doloroso lembrar a grande ruptura (…) ocorrida há 450 anos” — em referência à Reforma Protestante e à ascensão do calvinismo. O Papa afirmou que muitos progressos foram feitos na “cura das feridas herdadas daquela época, especialmente o sectarismo”.

Na Escócia, a maioria da população é presbiteriana. O número de católicos é estimado em 690 mil pessoas, sendo que a população do país é de cerca de 6 milhões de habitantes. (ANSA, 05/2/2010)

Eutanásia é contra a dignidade humana, diz Bento XVI

Leonardo Meira/ Da Redação, Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010

“Admitir a eutanásia entra em atrito com o cerne da compreensão cristã da dignidade da vida humana. Os recentes desenvolvimentos no campo da ética médica e algumas das práticas preconizadas no campo da embriologia são motivo de grande preocupação”, enfatizou Bento XVI aos integrantes da Conferência Episcopal da Escócia.

Os bispos realizam a visita ad limina e foram recebidos pelo Santo Padre na manhã desta sexta-feira, 5.

O Papa destacou que esses desafios devem ser enfrentados com firmeza: “Os Pastores da Igreja, portanto, devem continuamente alertar os fiéis a uma completa fidelidade ao Magistério da Igreja, ao mesmo tempo que protejam e defendam o direito da Igreja a viver livremente na sociedade, de acordo com suas crenças”.

A formação continuada do clero, através da iniciativa Sacerdotes para a Escócia, foi elogiada pelo Pontífice. Ele também destacou a necessidade de uma correta compreensão acerca do papel do clero e dos leigos na vida da Igreja.

“Algumas vezes, existe a tendência de confundir apostolado dos leigos com ministério leigo. […] Um foco renovado sobre o apostolado leigo ajudará a esclarecer o papel do clero e dos leigos e, assim, dará um forte impulso para a tarefa de evangelizar a sociedade”, acredita.

Doutrina e formação

Bento XVI também salientou que, muitas vezes, a doutrina da Igreja é percebida como uma série de proibições e posições retrógradas. “Na realidade, como sabemos, é criativa e vivificante, orientada para a realização mais ampla possível do grande potencial para o bem e a felicidade que Deus implantou em cada um de nós”, explicou.

Diante dos processos de sectarismo e negação do passado católico, que acontecem na Escócia, os bispos devem manter os olhos fixos na unidade plena e visível das comunidades, pediu o Santo Padre.

A formação dos fiéis também não pode ser esquecida: “Deveis preparar um articulado e bem informado leigo católico, capaz e disposto a realizar sua missão ‘tratando das realidades temporais e ordenando-as de acordo com o plano de Deus’ (Christifideles Laici, 15)”, disse.

Ao final do discurso, Bento XVI confirmou sua visita à Escócia ainda neste ano. “Terei a alegria de estar presente convosco e os católicos da Escócia em vossa terra natal. Enquanto preparais a visita apostólica, incentivai o vosso povo a rezar para que ela seja um tempo de graça para toda a comunidade católica”.

Mensagem do Papa à Conferência Episcopal da Escócia

Vatican Information Service, com tradução de CN Notícias

Às 12h15min desta sexta-feira, 5, o Santo Padre Bento XVI recebeu os Eminentíssimos Prelados da Conferência Episcopal da Escócia que, ao longo dos últimos dias, foram recebidos em audiências separadas, por ocasião da visita “ad Limina Apostolorum”. Publicamos o discurso a seguir:

Queridos Irmãos Bispos,

Eu dou as calorosas boas-vindas a todos vós, em visita ad limina a Roma. Agradeço as amáveis palavras que o Cardeal Keith Patrick O’Brien me dirigiu em vosso nome, e eu lhes asseguro a minha oração constante por vós e os fiéis confiados aos vossos cuidados. Vossa presença aqui expressa uma realidade que está no coração de cada diocese católica – a relação de comunhão com a Sé de Pedro e, portanto, com a Igreja universal. Iniciativas pastorais que levem em conta essas duas dimensões essenciais trazem autêntica renovação: quando os vínculos de comunhão com a Igreja universal, e em particular com Roma, são aceitos alegremente e vividos plenamente, a fé do povo pode crescer livremente e render uma safra de boas obras.

É uma feliz coincidência que o Ano Sacerdotal, que a Igreja está celebrando em conjunto, assinale o quarto centenário da ordenação sacerdotal do grande mártir escocês São John Ogilvie. Acertadamente venerado como um servo fiel do Evangelho, ele foi verdadeiramente notável em sua dedicação a um difícil e perigoso ministério pastoral, a ponto de entregar a própria vida. Mantenham-lo como um exemplo para os vossos padres hoje. Estou contente em saber que vós enfatizais a formação continuada para o clero, especialmente através da iniciativa “Sacerdotes para a Escócia”. O testemunho dos sacerdotes que estão genuinamente comprometidos com a oração e alegres no seu ministério frutificam não apenas na vida espiritual dos fiéis, mas também em novas vocações. Lembreis, no entanto, que vossas iniciativas louváveis de promover as vocações devem ser acompanhada de uma catequese sustentada entre os fiéis sobre o verdadeiro significado do sacerdócio. Enfatizai o papel indispensável do padre na vida da Igreja, sobretudo no provimento da Eucaristia, através da qual a Igreja recebe a vida. Encorajai as pessoas encarregadas da formação de seminaristas a fazer todo o possível para preparar uma nova geração de comprometidos e zelosos sacerdotes, bem equipados humana, acadêmica e espiritualmente para a tarefa do ministério no século XXI.

De mãos dadas com uma apreciação adequada do papel do sacerdote está uma correta compreensão da vocação específica dos leigos. Algumas vezes, existe a tendência de confundir apostolado dos leigos com ministério leigo, que conduziu a um conceito introspectivo de seu papel eclesial. No entanto, a visão do Concílio Vaticano II visão é a de que, sempre que os fiéis leigos vivem a sua vocação batismal — na família, em casa, no trabalho -, estão a participar ativamente na missão da Igreja para santificar o mundo. Um foco renovado sobre o apostolado leigo ajudará a esclarecer o papel do clero e dos leigos e, assim, dará um forte impulso para a tarefa de evangelizar a sociedade.

Essa tarefa requer uma vontade de enfrentar com firmeza os desafios apresentados pela maré crescente de secularismo em vosso país. Admitir a eutanásia entra em atrito com o cerne da compreensão cristã da dignidade da vida humana. Os recentes desenvolvimentos no campo da ética médica e algumas das práticas preconizadas no campo da embriologia são motivo de grande preocupação. Se o ensinamento da Igreja é comprometido, mesmo que ligeiramente, em uma dessas áreas, então torna-se difícil defender a plenitude da doutrina católica de forma integral. Os Pastores da Igreja, portanto, devem continuamente alertar os fiéis a uma completa fidelidade ao Magistério da Igreja, ao mesmo tempo que protejam e defendam o direito da Igreja a viver livremente na sociedade, de acordo com suas crenças.

A Igreja oferece ao mundo uma visão positiva e inspiradora da vida humana, a beleza do matrimônio e da alegria da paternidade. Isso está enraizado no Deus infinito, que transforma e enobrece o amor por todos nós, abre nossos olhos para reconhecer e amar a sua imagem em nosso próximo (cf. Deus Caritas Est, 10-11 et passim). Estais certos de que apresentar o ensino dessa forma é reconhecer a mensagem de esperança que ele é. Com demasiada frequência, a doutrina da Igreja é percebida como uma série de proibições e posições retrógradas quando, na realidade, como sabemos, é criativa e vivificante, orientada para a realização mais ampla possível do grande potencial para o bem e a felicidade que Deus implantou em cada um de nós.

A Igreja em vosso país, como em muitos da Europa Setentrional, sofreu a tragédia da divisão. É decepcionante recordar a grande ruptura com o passado católico da Escócia, que aconteceu há quatrocentos e cinqüenta anos. Dou graças a Deus pelo progresso que foi realizado para curar as feridas legadas desse período, especialmente o sectarismo que continuou a mostrar sua face, mesmo em tempos recentes. Através de vossa participação na Ação de Igrejas Unidas na Escócia, vemos que o trabalho de reconstrução da unidade entre os seguidores de Cristo é levada adiante com constância e empenho. Enquanto resistir qualquer tipo de pressão para diluir a mensagem cristã, mantenhais vossos olhos no objetivo da unidade plena e visível, nada menos que responder à vontade de Cristo.

Vós podeis vos orgulhar da contribuição feita pelas escolas católicas da Escócia em superar o sectarismo e construir boas relações entre as comunidades. Escolas de fé são uma força poderosa para a coesão social e, quando surge a ocasião, vós deveis sublinhar este ponto. Da mesma forma que vós encorajais os professores católicos em seu trabalho, modo especial de enfatizar a qualidade e a profundidade da educação religiosa, deveis preparar um articulado e bem informado leigo católico, capaz e disposto a realizar sua missão “tratando das realidades temporais e ordenando-as de acordo com o plano de Deus” (Christifideles Laici, 15). Uma presença católica forte na mídia, política local e nacional, Judiciário, profissões e universidades somente pode servir para enriquecer a vida nacional da Escócia, como povo de fé que testemunha a verdade, especialmente quando a verdade é posta em dúvida.

Ainda este ano, terei a alegria de estar presente convosco e os católicos da Escócia em vossa terra natal. Enquanto preparais a visita apostólica, incentivai o vosso povo a rezar para que ela seja um tempo de graça para toda a comunidade católica. Que ele aproveite a oportunidade para aprofundar a fé e reacender o compromisso de dar testemunho do Evangelho. Como os monges de Iona, que espalham a mensagem cristã em todo o comprimento e largura da Escócia, seja o povo farol de fé e santidade para a Escócia de hoje.

Com esses pensamentos, recomendo o vosso trabalho apostólico à intercessão de Nossa Senhora, Santo André, Santa Margarida e todos os santos da Escócia. A todos vós e ao vosso clero, religiosos e fiéis leigos, concedo cordialmente a minha Bênção Apostólica como penhor de paz e alegria no Senhor Jesus Cristo.

Bento XVI: a eutanásia mina a própria concepção de vida
Pede aos bispos escoceses que não cedam terreno sobre os princípios da Igreja

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org). – Bento XVI pediu nesta sexta-feira aos bispos escoceses que defendam fielmente o Magistério da Igreja sobre a sacralidade da vida humana, especialmente no atual debate sobre a eutanásia e a manipulação de embriões.

Recebendo em visita “ad Limina” os onze bispos que constituem a Conferência Episcopal da Escócia, o Papa os advertiu contra a tentação de ceder nestas questões.

“Se o ensinamento da Igreja for comprometido, mesmo que ligeiramente, em uma dessas questões, então se tornará difícil defender a plenitude da doutrina católica de forma integral”, disse-lhes ele.

Neste sentido, pediu aos prelados um compromisso de “envolver-se fortemente com os desafios apresentados pela crescente onda de secularismo que acomete seu país”, em especial sobre a questão da eutanásia.

“O apoio à eutanásia atinge o âmago da concepção cristã de dignidade da vida humana”, afirmou o Papa.

Ele se referiu também à questão da biotecnologia. Afirmou que “os recentes desenvolvimentos no campo da ética médica e algumas práticas defendidas no campo da embriologia são motivo de preocupação”.

Os bispos “devem continuamente exortar os fiéis a uma plena fidelidade ao Magistério da Igreja, sustentando e defendendo, ao mesmo tempo, o direito da Igreja de viver livremente na sociedade segundo suas próprias convicções”.

Ao mesmo tempo, pediu que as posições da Igreja sejam apresentadas de forma positiva, como uma “mensagem de esperança”, para que não sejam tomadas” como uma série de proibições e as posições retrógradas”.

Na verdade, a posição da Igreja é “criativa e promotora da vida”, “voltada para a mais plena realização do enorme potencial para o bem e para a felicidade que Deus dotou cada um de nós”.

“A Igreja oferece ao mundo uma visão positiva e inspiradora da vida humana, a beleza do matrimônio e da alegria da paternidade” – constatou. “Estando enraizada no amor infinito de Deus, transforma e enobrece a todos nós, abrindo nossos olhos para que reconheçamos e amemos a Sua imagem em nosso próximo”, concluiu.

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