Onde estão os médicos e cientistas católicos?

Onde estão os médicos e cientistas católicos?
Fonte: Jornal O São Paulo / São Paulo, 19/5/2005

Há uma atitude no meio do povo e nos meios acadêmicos muito perigosa: diante de qualquer declaração, ninguém tem mais vontade de defender idéias e de vestir a camisa de sua convicção, prefere-se o silêncio da indiferença, que digam e falem… Mas nós, homens mortais, caminharemos segundo as nossas modestas convicções de cada dia. O tema tão fundamental como este que coloca em risco milhões de vidas e que faz da vida um simples objeto de laboratório, no qual tudo é permitido para defraudar as leis da natureza manipulando os princípios vitais – até se podem criar “monstros semi-humanos em laboratórios”.

Aliás, eu acho que estes temas não deveriam nem ser votados por todos os parlamentares, sabendo que muitos deles, antes de serem deputados ou senadores eram semi-analfabetos e nada sabiam de ciência, de leis, de problemas da vida. Nenhum cargo dá o que a pessoa não tem adquirido ao longo da vida e com o esforço do estudo. Quem de nós não conhece o famoso ditado latino “o que a natureza não dá, Salamanca não pode emprestar”? Nem me atrevo mais a citar o texto latim porque esqueci. Mas o que natureza não dá, que é a inteligência, não pode ser emprestado da mais famosa das universidades do tempo, que era Salamanca.

Com que autoridade os nossos parlamentares se acham no direito de falar de tudo e saber de tudo? Não se vira culto de um dia para outro. A humildade é uma virtude que não é forte dos políticos, calçar as sandálias da humildade como Francisco de Assis não é algo que se encontra em todos os momentos da vida. Mas gostaria que todos os médicos e cientistas católicos e de boa vontade, que embora pertençam a outras religiões têm o profundo sentido da vida, viessem à luz e assumissem uma postura digna da própria profissão em defender a vida. Não devemos deixar-nos guiar pelas emoções e pela simpatia e antipatia, pela perfeição como modelo ético. Também os imperfeitos, os cegos, os coxos, os doentes mentais ou os portadores de graves deficiências são “gente humana”, cujo direito deve ser respeitado até o fim.

Sinto-me revoltado com o silêncio que é sinal de medo, de perda de posição e, Deus não queira, de conivência com estruturas pecaminosas e doentias. Como pode a mente fria com consciência sadia partir do princípio que estas células vivas poderão redevolver saúde a milhões de pessoas doentes, quando estas células são destinadas a se transformar em vida humana igual à minha e à tua.

Uma vez encontrei atrás de um caminhão que carregava porcos por este Brasil afora uma frase bem bolada que vale para os porcos mas não para os humanos: “mors tua vita mea”, “a tua morte é minha vida”.

Não é assim quando se trata de vida humana. Jamais a morte de alguém pode significar a minha vida. Os médicos todos e cientistas católicos estão convidados não só a orientar bem nos consultórios aos que os procuram, mas a assumir e defender o juramento feito no dia da própria formatura: “defender a vida”. Todos unidos devemos tomar os nossos lugares e manifestar que não pode existir dicotomia, ruptura entre vida e fé e defender a vida com todas as nossas forças.

A objeção de consciência não somente é válida nos campos de guerras, mas também nos hospitais. Todos temos o direito de nos rebelar e de contestar todas as atitudes que são contra os nossos princípios éticos. Toda enfermeira, médico e profissional da saúde tem o direito e o dever de dizer não ao aborto, à eutanásia. Não em força das leis que os governos e governantes que muitas vezes nada sabem de vida aprovam. Toda lei injusta ou contra a minha fé deve ser rejeitada e desobedecida. Passou o tempo do “sim” a toda lei por força da lei. Não é o homem que é feito para o sábado mas sim o sábado que é feito para o homem.

Médicos e cientistas católicos defendam a vida à luz da ciência

Frei Patrício Sciadini

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