Levar a moral ao público

Levar a moral ao público

É necessário que os líderes políticos católicos ajam de acordo com seus princípios

Por Carl Anderson

NEW HAVEN, domingo, 6 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- Enquanto grande parte do mundo se move em direção ao laicismo, alguns comentaristas começam a falar de uma “sociedade pós-cristã”.

É verdade que os dias de proximidade entre o cristianismo e a sociedade é coisa do passado. Mas isso não significa – nem deveria significar – que o cristianismo é direcionado para uma existência marginal de “gueto”.

Foi, de fato, o cardeal Joseph Ratzinger (agora Bento XVI), quem escreveu na década de oitenta: “no longo prazo, nem a proximidade nem o gueto, para os cristãos, poderão resolver o problema do mundo moderno.”

Tendo em vista que a Igreja enfrenta uma cultura cada vez mais secularizada, e na qual tem a cada dia menos lugar para o cristianismo na vida pública, será a tarefa dos cristãos valorizar a consciência de criar as “minorias criativas”, que Bento XVI pediu que tragam a incidência moral ao discurso público.

E se assumirá uma voz contínua e clara da Igreja para ajudar na orientação destas discussões – não para a proximidade aberta do poder do Estado, mas para o pensamento ético na tomada de decisões cívicas.

A direção necessária da Igreja, em ajuda aos estadistas que podem melhorar o futuro com uma minoria criativa, em relação à moralidade, foi destaque no convite para um encontro de políticos católicos, que será realizado no Vaticano, no início de 2010.

Deixa-se claro com esta forma de atuar que agora é o momento para que os líderes católicos tomem uma posição, e o momento para que aqueles que são líderes católicos mostrem a importância de agir com consciência.

 

Formar consciências

O projeto não é novo para Bento XVI. De fato, em 2003, enquanto dirigia a Congregação para a Doutrina da Fé, publicou um documento sobre os católicos na vida política, que afirma: “o Magistério da Igreja não pretende exercer um poder político nem eliminar a liberdade de opinião dos católicos sobre questões contingentes”.

“Busca, no entanto – em cumprimento de seu dever – instruir e iluminar as consciências dos fiéis, especialmente aqueles envolvidos na vida política, de modo que suas ações possam sempre servir à promoção integral da pessoa e do bem comum “(III, 6).

Vimos recentemente a Igreja “instruir e iluminar” a consciência dos políticos, com o resultado de que uma minoria criativa – dentro do próprio partido que governa os EUA –, tem sido capaz de realizar uma verdadeira mudança.

Se considerarmos a Emenda Stupak sobre a legislação da saúde, na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, podemos ver o efeito que um homem de consciência pode ter em um tema de relevância nacional.

Esta emenda tem ajudado a moldar os fundamentos morais de uma lei, e tem conseguido uma vitória clara. Contudo, não seria possível colocá-la em vigor sem que houvesse a conscientização do homem que escreveu tal emenda, sem a presença da minoria criativa e sem o forte apoio dos bispos católicos.

A forte liderança de nossos bispos e o trabalho incansável de muitos leigos católicos certamente começam a valer a pena, como evidenciam as pesquisas.

Todavia ainda há trabalho a se fazer. Infelizmente, na primeira votação crítica sobre a saúde, no Senado, cada senador católico democrata votou para que a lei de saúde avançasse a um ponto além do que a conferência episcopal considerava moralmente aceitável.

A votação não só ignorou a orientação dos bispos, como também a vontade dos norte-americanos que, de acordo com uma pesquisa recente de Pew, se opõem ao aborto, como parte da reforma na saúde, em uma margem de 2 para 1 (55% contra 28% ). Em 1994, apenas 44% se opunham.

 

Término do prazo

O Senado ainda pode fazer a coisa certa, e a votação realizada há poucas semanas não deveria desanimar, mas sim motivar o ímpeto que vimos na Câmara e nos norte-americanos em geral.

Pode-se persuadir às pessoas para que façam o correto, e os anos de ensinamento católico constante sobre questões da vida devem valer para algo. Nenhuma votação no Senado pode apagar estas vitórias.

A visita de Bento XVI aos Estados Unidos pode ser outro excelente exemplo de apelo à consciência. Depois de um ano de sua visita, de acordo com nossa pesquisa, cerca de1 acada 2 americanos queriam escutar o que ele tinha a dizer sobre aborto.

Junte isso às suas declarações do ano passado nos Estados Unidos e à herança norte-americana dos direitos concedidos pelo Criador, e adicione o forte desejo de possuir uma guia moral adequada e, de repente, vemos que os americanos querem uma sólida liderança moral.

Todos nós também somos chamados a trazer nossa consciência para o público, para conseguir, por nosso exemplo moral, por nossa atuação moral, por nossa exigência, que os nossos líderes políticos façam o mesmo.

Formar a moral católica dos líderes políticos de hoje e de amanhã, para que sigam os ditames de uma consciência bem formada, é tudo que a educação católica deseja fazer.

Se conseguirmos isso, criaremos líderes políticos católicos que tenham um verdadeiro compromisso com a doutrina social católica – que não selecionarão nem escolherão quais elementos da tal doutrina querem seguir. Isso transformaria verdadeiramente a política, e os princípios poderiam ser entendidos como algo necessário na prática política, em vez de apenas nos programas políticos.

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Carl Anderson é Cavaleiro Supremo dos Cavaleiros de Colombo e autor best-seller do New York Times.

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